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7480928 #
Numero do processo: 37307.000946/2006-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2004 RESTITUIÇÃO PLEITEADA NA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a partir da vigência da Lei Complementar n° 118/2005 o prazo para o contribuinte postular a restituição, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Estando suficientemente comprovado que o requerente não exercia atividade correspondente a contribuinte individual, devem ser restituídos os recolhimentos efetuados a esse título.
Numero da decisão: 2202-004.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito do recorrente à restituição das contribuições previdenciárias pagas nas competências de março/2001 a junho/2004, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2004 RESTITUIÇÃO PLEITEADA NA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a partir da vigência da Lei Complementar n° 118/2005 o prazo para o contribuinte postular a restituição, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Estando suficientemente comprovado que o requerente não exercia atividade correspondente a contribuinte individual, devem ser restituídos os recolhimentos efetuados a esse título.

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2202­004.819  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de outubro de 2018  Matéria  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO  Recorrente  WOLNILSON OLIMPIO DE SANTANA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2004  RESTITUIÇÃO PLEITEADA NA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR  N° 118/2005. PRAZO QUINQUENAL.  Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal  de  Justiça  e  do  Supremo  Tribunal  Federal,  a  partir  da  vigência  da  Lei  Complementar n° 118/2005 o prazo para o contribuinte postular a restituição,  no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue­se com  o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado.  RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.  Estando suficientemente comprovado que o requerente não exercia atividade  correspondente  a  contribuinte  individual,  devem  ser  restituídos  os  recolhimentos efetuados a esse título.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  reconhecendo  o  direito  do  recorrente  à  restituição  das  contribuições previdenciárias pagas nas competências de março/2001 a junho/2004, vencida a  conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente e Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 7. 00 09 46 /2 00 6- 35 Fl. 108DF CARF MF     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Ronnie  Soares  Anderson,  Rosy  Adriane  da  Silva  Dias,  Martin  da  Silva  Gesto,  Jorge  Henrique  Backes  (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente  convocado).  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) ­ DRJ/CPS, que ratificou o indeferimento de  requerimento de restituição, não reconhecendo direito creditório sobre valores de contribuição  recolhidos relativos ao período de jul/97 a jun/04.  A controvérsia foi assim resumida pela instância de piso (fls. 72/73):  A fl. 11 consta a JUSTIFICATIVA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, com  as seguintes informações:  •  Em  26/01/2000  o  segurado  requereu  a  aposentadoria  por  tempo  de  contribuição, o que foi indeferido em 18/07/2000;  • Recorreu  administrativamente  no mesmo  ano,  porém,  como o  recurso  não  foi julgado até 10/2002, houve por bem ingressar com ação judicial;  • A ação foi julgada procedente e, em face da decisão judicial, a aposentadoria  foi concedida em 22/11/2005, com tempo de contribuição apropriado até 04/09/1992  e a PBC compreendeu período de 08/1988 a 07/1991;  • Recolheu como contribuinte  facultativo no período de 07/1997 a 06/2004,  para não perder a condição de segurado, caso lhe fosse negado o beneficio.  Junta aos autos a sentença judicial e demais documentos para fazer valer sua  tese.  A  soma  das  contribuições  que  constam  do  RRC,  em  valores  originários,  perfaz o valor de R$10.783,64 (dez mil, setecentos e oitenta e três reais e sessenta e  quatro centavos).  Em 13/05/2009, conforme documento de fls. 49 a 52, o pedido de restituição  foi  indeferido  com  base  na  verificação  de  que  o  segurado  desde  15/07/1997  é  contribuinte individual, com a ocupação de professor particular, e não providenciou  o encerramento desta atividade.  Irresignado,  o  segurado  protocolou  recurso,  onde  alega  que  o  prazo  de  prescrição foi interrompido e deve ser retomado a partir do momento do trânsito em  julgado da lide judicial.  Ainda, que a autarquia deveria ter alterado a categoria do Sr. WOLNILSON,  de autônomo para  facultativo, uma vez que o mesmo não se enquadra na primeira  categoria.  Acrescenta  que  não  possui  inscrição  nem  mesmo  na  Prefeitura  local  ,portanto é devida a restituição pleiteada.  Junta  ao  recurso,  a  informação  de  que  a  dita  inscrição  foi  equivocada  por  nunca  ter  exercido  atividade  autônoma  e  a  Certidão  n°  58951,  emitida  pela  Prefeitura  Municipal  de  Santo  André,  em  28/05/2009,  indicando  que  o  Sr.  WOLNILSON não se encontra cadastrado naquele órgão (fls 64/65).  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 37307.000946/2006­35  Acórdão n.º 2202­004.819  S2­C2T2  Fl. 109          3 Não prosperando a inconformidade do interessado em sede de julgamento de  primeira instância (fls. 71/77), foi interposto recurso voluntário em 27/08/2010 (fls. 79/89), no  qual foram repisados, em linhas gerais, os argumentos já vertidos quando do recurso contra a  decisão do SEORT/DRF/SAE.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  De  plano,  constata­se  que  deve  ser  enfrentada  a  prejudicial  do  direito  do  contribuinte  de  postular  a  restituição  dos  valores  pretensamente  recolhidos  a  maior  de  contribuições previdenciárias.  A  respeito  dessa  matéria,  houve  pronunciamento  do  STF  em  sede  de  repercussão geral no RE nº 566.621 (j. 04/08/2011), e do STJ sob o rito de recurso repetitivo  nos  REsp  nº  1.002.932/SP  (j.  25/11/2009)  e  nº  1.269.570/MG  (j.  23/05/2012),  julgados  os  quais  deve  este  Colegiado  observar,  tendo  em  vista  o  disposto  no  art.  62  do  Anexo  II  do  Regimento do CARF (Portaria MF nº 343/15).  O entendimento exarado por esses tribunais superiores é no sentido de que o  prazo para o contribuinte pleitear  restituição/compensação de  tributos  sujeitos ao  lançamento  por homologação, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº  118/05, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º do CTN,  somado ao prazo de cinco anos previsto no artigo 168, I desse Código.   E,  no REsp  nº  1.269.570/MG,  o  STJ  frisou  que  "para  as  ações  ajuizadas  a  partir de 9.6.2005, aplica­se o art. 3º, da Lei Complementar nº 118/2005, contando­se o prazo  prescricional  dos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  em  cinco  anos  a  partir  do  pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 4º do CTN".  Destarte,  resta  claro  que  para  os  pedidos  de  restituição  realizados  após  09/06/2005,  seja  em  sede  judicial,  administrativa  ou  por  iniciativa  do  interessado,  deve  ser  observado  o  prazo  de  cinco  anos,  contados  do  pagamento  antecipado.  O  prazo  dito  "prescricional" de 10 anos aplica­se somente aos pedidos formulados anteriormente a essa data,  como dispõe a Súmula CARF nº 91:  Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes  de  9  de  junho  de  2005,  no  caso  de  tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica­se o prazo  prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.  Na espécie,  tem­se  evidente  que,  quando  formulado  o  pleito  administrativo  de  restituição  em  10/08/2006,  estava  decaído/prescrito  ­  conforme  a  corrente  interpretativa  Fl. 110DF CARF MF     4 doutrinária acerca do prazo para repetição de indébito que se adote ­ o direito do contribuinte  assim o proceder quanto aos pagamentos realizados entre 07/97 e 02/01, conforme constatado  pelo Fisco.  Registre­se que o direito à repetição de indébito também estaria fenecido com  relação aos fatos geradores ocorridos até jun/2001, porém como a decisão de piso ateve­se ao  limite de fev/01, em respeito ao princípio da proibição do reformatio in pejus resta manter os  termos daquela, quanto a esse aspecto da lide.  Anote­se, ainda, que a ação judicial proposta pelo contribuinte no intento de  ver reconhecido tempo de contribuição em nada influencia na questão do prazo para repetição  de indébito, por serem os direitos postulados em cada litígio bastante distintos.  Noutro giro, tem­se que o contribuinte efetuou os recolhimentos em comento  sob o código correspondente a contribuinte  individual,  constando  ter  efetuado a  inscrição no  NIT  (Número  de  Identificação  do  Trabalhador)  em  jul/97  como  autônomo  sob  a  ocupação  "professor particular" (fl. 39).  A alegação do requerente é que assim procedeu por cautela, pois demandava  reconhecimento  de  tempo  de  serviço  em  ação  judicial  perante  a  autarquia  previdenciária,  e  queria  manter­se,  via  tais  recolhimentos,  na  qualidade  de  segurado,  caso  fosse  perdedor  naquela ação. Acrescenta, ainda, que cometeu erro em não ter recolhido como facultativo, pois  à época não  trabalhava,  estando a  receber auxílio­acidente,  e não possuindo sequer  inscrição  como autônomo junto à prefeitura. Juntou documentos nesse sentido (fls. 68/69).  O  acórdão  guerreado  manteve  o  indeferimento  do  pleito  de  restituição  considerando que dado que o contribuinte não solicitara a suspensão de sua inscrição no RGPS,  vinculada  a  atividade de  autônomo,  quedou presumida  a  continuidade desta,  nos  termos  dos  arts.  53  e  54  da  IN MPS/SRP  nº  03,  de  14/07/2005,  vigente  à  ocasião  em  que  formulado  o  pedido.  Desse modo, sendo segurado obrigatório desse regime nos termos do § 4º do  art.  12  da  Lei  nº  8.212/91,  não  se  verificaria  recolhimento  indevido  a  justificar  restituição,  consoante regra o art. 89 dessa lei.  Sem  embargo,  não  parece  sustentar­se  tal  entendimento  diante  do  contexto  analisado.  Veja­se que de acordo com os arts. 44 e ss da IN MPS/SRP nº 03/05, tanto a  inscrição  quanto  o  encerramento  da  inscrição  e/ou  atividade  do  contribuinte  individual  são  realizados  com  base  em  mera  declaração  da  pessoa  física  interessada,  acompanhada  de  documento de identificação.   Então,  na  época  da  inscrição,  bem  como  no  decorrer  do  período  em  que  efetuadas  as  contribuições  em  apreço,  não  foi  fornecida  à  repartição  previdenciária  nenhum  documento atestando o efetivo exercício da atividade de autônomo.  Ante  esse  quadro,  merece  peso  a  declaração  do  contribuinte  nos  presentes  autos de que não atuou como autônomo naquela época, e que estava a efetuar os recolhimentos  em  tela para manter  a  qualidade de  segurado,  visto  possuir  apenas  a  expectativa  de  que  sua  demanda perante a justiça fosse bem sucedida.  E,  ainda  que  a  prova  a  ser  produzida  se  aproximasse  da  chamada  prova  "diabólica"  ­  pois  ele  teria  de  comprovar  fato  negativo  indeterminado,  ou  seja,  que  não  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 37307.000946/2006­35  Acórdão n.º 2202­004.819  S2­C2T2  Fl. 110          5 trabalhou como autônomo então ­ esmerou­se o contribuinte em buscar fazê­lo na medida em  que possível, ao atestar que estava recebendo auxílio­acidente, e que não estava inscrito como  autônomo junto ao município de residência.  De sua parte, o Fisco poderia ter carreado prova de que o recorrente exercia  atividade  remunerada  no  período  em  questão,  por  exemplo,  verificando  que  seu  nome  fora  incluído por algum contratante em GFIP, o que não se verificou.  Assim,  do  conjunto  de  elementos  reunidos  nos  autos,  entende­se  estar  suficientemente comprovado  ter o contribuinte  recolhido  indevidamente  as contribuições não  atingidas pela extinção de seu direito a repetir o indébito.  Ante  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  reconhecendo o direito do recorrente à restituição das contribuições previdenciárias pagas nas  competências de março/2001 a junho/2004.    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson                              Fl. 112DF CARF MF

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7464336 #
Numero do processo: 19515.720679/2015-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 410          1 409  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.720679/2015­70  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1401­000.593  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  19 de setembro de 2018  Assunto  IRRF  Recorrente  CYRELA BRAZIL REALTY S.A.EMPREENDIMENTOS E  PARTICIPAÇÕES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.   (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza  Gonçalves  (Presidente),  Livia  de  Carli  Germano  (Vice­Presidente),  Ângelo  Abrantes  Nunes  (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana  Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.      Relatório  Trata­se  de  Recurso Voluntário  interposto  em  face  do  acórdão  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  em  São  Paulo  (SP),  que  julgou  improcedente  a  impugnação  administrativa  apresentada  pelo  contribuinte  em  virtude  de  supostas  infrações  a  legislação  tributária,  exigindo­se  o  Imposto  sobre  a  Renda  Retido  na  Fonte  –  IRRF,  lavrado  para     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 67 9/ 20 15 -7 0 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 411          2 formalização  e  exigência  de  crédito  tributário  no  montante  de  R$39.991.570,18,  conforme  tabela abaixo indicada:  IMPOSTO:  JUROS:  MULTA:  TOTAL:  R$ 18.770.405,91  R$ 7.143.359,82  R$ 14.077.804,45  R$ 39.991.570,18  A fiscalização teve inicio em 06/03/2014 com a lavratura do TIPF – Termo de  Inicio de Procedimento Fiscal e a solicitação da folha pagamento e dos arquivos contábeis em  meio  digital,  com  leiaute  previsto  no  Manual  Normativo  de  Arquivos  Fiscais.  Os  registros  contábeis foram acessados através da ECD ­ Escrituração Contábil Digital no SPED – Sistema  Publico de Escrituração Digital.  Constam Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 797/799 e 801/803.  A  fiscalização  observa  “que  a  empresa  apresentou  os  Planos  de  2006,  2007,  2008 e 2011, e resumidamente discrimina os pontos principais nos itens 3.1 a 3.1.10 do Plano  de 2006; nos itens 3.2 a 3.2.9 do Plano 2007 ­ Cyrela em ação; nos itens 3.3 a 3.3.7 do Plano  2007  ­  Plano Executivo;  nos  itens  3.4  a 3.4.13  do Plano  de  2008  e  nos  itens  3.5  a 3.5.9  do  Plano de 2011”.  Informa  a  fiscalização,  “que  a  empresa  apresentou  os  contratos  firmados  em  01/09/2011, de Flávio Kantor Cuperman, Marcelo Puntel  de Oliveira, Antonio Carlos Zorzi,  Miguel Maia Mickelberg,  João Marcos  Bezerra,  Eric  Alexandre  Alencar  e  Eliana  Florindo,  referente ao plano de 2011, cujo prazo de carência é de 5 (cinco) anos. Não foram apresentados  os  contratos  dos  planos  anteriores,  ou  qualquer  outro  documento  no  qual  o  beneficiário  manifesta a sua opção pelo exercício de compra das ações”.  Conforme informações nos autos, “no TIF 07 foi solicitado o contrato particular  de  outorga  de  cada  participante  e  o  detalhamento  dos  valores  dos  lançamentos  do  razão  apresentado, informando o nome de cada participante, o numero de ações, o valor de cada ação  e  a que plano  se  refere. A empresa  apresentou  somente os  contratos de  outorga  referente ao  plano  de  2011  (ainda  no  período  de  carência).  Tendo  em  vista  a  falta  de  elementos  não  foi  possível determinar em qual data foi exercida a opção de compra e a quantidade de ações para  que se pudesse  fazer uma comparação com os preços das ações comercializadas na Bolsa de  Valores  na  mesma  data,  e  assim,  pela  diferença  entre  o  preço  de  mercado  e  o  preço  de  exercício, determinar o valor do beneficio, que consiste numa remuneração indireta”.  Salienta ainda “que a empresa  informou na DIPJ ­ Declaração de  Informações  Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica do exercício 2012, ano calendário 2011, na ficha 05A,  linha 28  ­  gratificação a  administradores,  o valor de R$ 23.151.563,67. Questionada sobre  a  origem dos valores , a empresa informou que se tratava de Stock Options, conforme anexo III ­  Composição da DIPJ, fornecido pela empresa, em resposta ao TIF­ 01”.  Ressalta que “os pagamentos a beneficiários não  identificados, estão sujeitos à  incidência do imposto na fonte, mediante a aplicação da alíquotas de 35%, art. 674 do RIR/99 ­  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  e,  nos  termos  dos  artigos  717  e  722  deste  mesmo  Regulamento a pessoa jurídica é responsável pela retenção do IRRF quando do pagamento ao  beneficiário".  Fl. 411DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 412          3 Observa que, “quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo  beneficiário,  à  importância  paga,  creditada,  empregada,  remetida  ou  entregue,  é  considerado  líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recai o imposto,  conforme art. 725 do RIR/99 e art. 20 e §§ 1º e 2º da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. As  bases foram reajustadas, conforme valores discriminados na tabela às fls.171/172”.  Ciente  da  autuação  o  interessado  apresenta  IMPUGNAÇÃO  ADMINISTRATIVA ­ (fls. 183/233) em 18/08/2015, na qual alegou em síntese:  Preliminares.   I. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO:"da ausência de  verificação da efetiva ocorrência do fato gerador, uma vez que, conforme se verifica  do  relatório  fiscal,  a  autoridade  autuante  não  apurou  se  ocorreu,  por  parte  dos  beneficiários dos planos, o efetivo exercício das opções de  compra de ações, o que,  conforme  jurisprudência  pacífica  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  caso o Stock Option Plan tenha natureza remuneratória, o efetivo rendimento auferido  e, consequente, o acréscimo patrimonial do beneficiário que deflagraria o fato gerador  do  imposto  de  renda  e  a  obrigação  de  retenção  pela  fonte  pagadora,  nos  termos  do  artigo  43,  do  Código  Tributário  Nacional  e  do  artigo  7o,  da  Lei  n°  7.713/1988.  O  exercício das opções de compra das ações pelos beneficiários do plano foi meramente  presumido, não tendo sido trazido nos autos qualquer evidência da sua ocorrência, de  modo que o lançamento foi realizado com base em mera presunção, não prevista em  lei, da ocorrência do fato gerador, importando em ofensa aos princípios da legalidade,  da verdade material e ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, em razão”;  II.  DO  ERRO  NA  APURAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  SUPOSTO CRÉDITO  TRIBUTÁRIO DE  IRRF:  Afirma  que  “a  própria  autoridade  autuante  reconhece  que  o  crédito  tributário  foi  lançado  com  base  em  valores  contabilizados  pela  Impugnante  durante  o  ano­calendário  de  2011,  a  título  de  valor  justo das opções de  compra de  ações outorgadas, nos  termos do Pronunciamento n°  10,  do  Comitê  de  Pronunciamentos  Contábeis  (CPC  10),  o  qual  não  tem  qualquer  relação com a diferença entre o preço pago pelo beneficiário no exercício da opção e o  preço  de  mercado  das  ações  na  data  do  exercício,  a  qual,  conforme  jurisprudência  pacífica  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  configuraria  a  base  de  cálculo  do  IRRF  quando  o  Stock  Option  Plan  possui  natureza  remuneratória.  Incorrendo, assim, em clara afronta ao artigo 142, do Código Tributário Nacional”;  III.  FUNDAMENTAÇÃO  GENÉRICA:  “ausência  de  precisão  na  fundamentação  legal do  lançamento, contrariando o disposto no  inciso  IV, do artigo  59,  do  Decreto  n°  70.235/1972,  e  incorrendo  em  deficiência  na  descrição  do  fato  gerador e conseqüente cerceamento do direito de defesa da Impugnante”.  No  mérito  I.  DA  INOCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  E  DA  OBRIGAÇÃO  DE  SUA  RETENÇÃO  E  PAGAMENTO  PELA  IMPUGNANTE,  visto  que,  efetivamente,  durante  o  ano­ calendário de 2011, não houve o exercício da opção de compra das ações por qualquer  um dos beneficiários dos Stock Option Plans outorgados pela  Impugnante, de modo  que  não  se  verificou  o  possível  ganho  pelos  beneficiários  supostamente  sujeito  à  incidência de imposto de renda;  Fl. 412DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 413          4 II. DA  INAPLICABILIDADE DO DISPOSTO NO ARTIGO 61, DA  LEI N° 8.981/1991 E ARTIGOS 674 E 675, DO RIR/99”: “ao caso ora analisado uma  vez que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência dos elementos necessários e  indispensáveis à aplicação dos referidos dispositivos legais. E nem poderia, na medida  em que, durante o período  fiscalizado, por não  ter ocorrido o  exercício  de qualquer  das opções de compra de ações outorgadas pela Impugnante, não há que se falar em  pagamento  de  remuneração  e,  tampouco,  em  beneficiário  não  identificado,  simplesmente porque ambos não existiam naquela época”.  III. DA Ausência de Verificação da Ocorrência do Fato Gerador.  IV.  Nulidade  da  Autuação  Fiscal  com  Base  em  Mera  Presunção  ­  Violação  dos  Princípios  da  Legalidade  e  da Verdade Material  ­Violação  do Artigo  142,  do  Código  Tributário  Nacional:  Esclarece  inicialmente  que  os  “Stock  Option  Plans são planos de opção de compra de ações por meio do qual a Companhia, com o  objetivo  de  alinhar  os  interesses  dos  acionistas,  administradores  e  funcionários,  outorga a estes dois últimos o direito de, após decorrido um determinado espaço de  tempo  e  cumpridas  determinadas  condições,  adquirir  ações  da Companhia  por  uma  valor pré­fixado na data da outorga, tendo assim, 05 momentos importantes, a saber”.  (i) a data da outorga da opção de compra de ações; (ii) o vesting period ou período de  carência,  durante  o  qual  o  beneficiário  do  plano  não  pode  exercer  sua  opção  de  compra das ações; (iii)o vesting, que é momento em que passa a inexistir obstáculos  ao exercício da opção, (iv )o exercício da opção, no qual o beneficiário integraliza as  ações,  as  quais  passam  para  sua  propriedade  e,  por  fim,  (v)  a  venda  das  ações  no  mercado, pelo beneficiário”;  Para  fins  de  definição  da  incidência  do  imposto  de  renda  da  pessoa  física  ("IRPF")  e  da  obrigação  de  retenção  e  recolhimento  pela  fonte  pagadora  ("IRRF"), a análise inicial que se faz com relação aos Stock Option Plans diz respeito  à  sua  natureza  jurídica,  se mercantil  ou  remuneratória,  já  que  somente  na  segunda  hipótese é que haverá um rendimento em favor do beneficiário, sobre o qual a fonte  pagadora  terá  o  dever  de  realizar  a  retenção  e  pagamento  do  imposto.  No  caso,  entende a impugnante que seus Stock Option Plans tem natureza mercantil, visto que  (i) tais planos têm como objetivo estimular a expansão, o êxito e os objetivos sociais  da  Companhia  e  alinhar  os  interesses  de  seus  acionistas,  administradores  e  funcionários,  (ii)  são  onerosos  e  expõe  os  beneficiários  a  riscos  e  (iii)  qualquer  eventual  ganho,  pelo  beneficiário,  será  decorrente  da  venda  das  referidas  ações,  portanto, pago pelo mercado e não pela Impugnante.  Ressalta  que,  embora  a  Impugnante  acredite  que  o  efetivo  ganho  do  beneficiário  seja  auferido  se  e quando  este  alienar  suas  ações  no mercado  em valor  superior  ao  custo  de  aquisição,  a  jurisprudência  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  vem  definindo,  de maneira  uníssona,  que,  quando  o  Stock Option  Plan possui natureza remuneratória, configura­se ganho do beneficiário, na forma de  remuneração, a diferença entre o preço do exercício e o preço de mercado das ações  na data do exercício.  Cita o pensamento doutrinário sobre o tema (disponibilidade) e afirma  que o requisito essencial para que ocorra o fato gerador do imposto de renda é (i) que  a  renda  ou  provento  tributável  sejam  auferidos  e  (ii)  que  estes  estejam  jurídica  ou  Fl. 413DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 414          5 economicamente disponíveis àquele que tem seu patrimônio acrescido, já estando no  âmbito de sua propriedade, e só assim é que a fonte pagadora, conforme previsto em  lei, terá o dever de retenção e recolhimento do imposto de renda aos cofres públicos”;  Ressalta que, conforme consta do referido dispositivo legal, “a retenção  do imposto de renda deverá ocorrer por ocasião do pagamento ou do crédito em favor  daquele  que  aufere  o  rendimento.  Antes  disso,  não  há  o  dever  de  retenção  e  recolhimento  do  imposto  de  renda  pela  fonte  pagadora,  sendo  certo  que,  seja  o  pagamento, seja o crédito, estes apenas ocorrerão quando a pessoa física que aufere o  rendimento adquirir  sua disponibilidade  jurídica ou econômica, motivo pelo qual de  forma alguma, haveria que se falar em dever de retenção e recolhimento do imposto  de  renda,  pela  Impugnante,  sobre  os  valores  contabilizados  em  sua  conta  contábil  3201001050,  haja  vista  que  tais  valores  não  têm  qualquer  relação  com  a  diferença  entre  o  preço  de  exercício  e  o  preço  das  ações  do  mercado  na  data  do  exercício  (diferença esta reconhecida pela própria fiscalização como a devida base de cálculo do  IRRF)”;  Diz  que,  caso  dos Stock Option Plans,  “não há qualquer  fundamento  para  afirmar  que  há  rendimento  auferido  e  que  sua  a  disponibilidade  jurídica  ou  econômica,  pelo  beneficiário,  ocorreria  antes  do  exercício  da  opção  de  compra  de  ações. Do mesmo modo, não há fundamento para afirmar que o dever de retenção e  pagamento do imposto de renda, pela fonte pagadora, ocorreria antes desse exercício.  Pois antes deste momento, o beneficiário têm apenas uma expectativa de, num futuro  e  a  depender  de  determinadas  condições,  exercer  a  opção  de  compra  de  ações,  as  quais, antes do exercício, não fazem parte da sua esfera patrimonial, requisito sine qua  non para a aquisição da disponibilidade, tal como consagrado pela melhor doutrina”;  "No  caso, muito  embora  a  própria  autoridade  fiscal  reconheça  que  o  fato gerador do imposto de renda e o dever de sua retenção e recolhimento decorreria  do exercício da opção pelos beneficiários, fato é que não buscou verificar se, durante  o  ano­calendário  de  2011,  efetivamente  ocorreu  algum  exercício,  simplesmente  presumiu que, durante o anocalendário de 2011, poderiam ter ocorridos exercícios de  opção de compra de ações e presumiu, ainda, que tendo ocorrido estes exercícios, o  preço do exercício foi inferior ao preço de mercado da ação no momento do exercício,  resultando  em  eventuais  ganhos  para  os  beneficiários,  os  quais  estariam  sujeitos  à  retenção do imposto de renda na fonte”;  Todavia,  de maneira  diversa,  afirma  que  “a  autoridade  fiscal  decidiu  simplesmente presumir, sem qualquer indício concreto e sem autorização em lei, que  durante  o  ano­calendário  de  2011,  ocorreram  exercícios  das  opções  de  compra  de  ações  outorgadas  pela  Impugnante  e,  consequentemente,  os  beneficiários  teriam  apurado  ganhos  decorrentes  do  tais  Stock  Option  Plans,  que  configurariam  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  afrontando,  assim,  não  apenas  os  princípios  da  legalidade e da verdade material, mas também violou, de forma clara, o artigo 142, do  Código  Tributário  Nacional,  motivo  pelo  qual  há  que  ser  julgado  nulo  o  presente  lançamento”.  V. DO ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRRF  ­  VIOLAÇÃO  DO  ARTIGO  142,  DO  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL:  Salienta que “o lançamento também é nulo por flagrante erro na identificação da base  Fl. 414DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 415          6 de cálculo do suposto crédito tributário de IRRF e, que a jurisprudência do CARF já  tem pacificado o entendimento no sentido de que o benefício auferido em decorrência  de  Stock Options  corresponde  à  diferença  entre  o  preço  de  exercício  da  opção  e  o  valor das ações no mercado no momento do exercício, sendo certo que, para fins de  imposto de renda, tal base de cálculo não poderia ser diferente, pois como tratado no  item  anterior,  é  apenas  no momento  do  exercício  da  opção  de  compra  das  ações  e,  existindo  tal  diferença,  que  poderia  ser  considerado  que  o  beneficiário  auferiria  um  ganho.  Cita  julgado  do  CARF  a  respeito  da  definição  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  cujo  raciocínio  se  estende  ao  imposto  de  renda,  fato  este confirmado pela fiscalização em seu relatório fiscal”.  Reforça  que  “tais  valores  lançados  na  referida  conta  referem­se  ao  valor justo atribuído às opções de compra de ações, na data da outorga dessas opções,  em estrita atenção às regras contábeis previstas no CPC 10, e são contabilizados pela  Companhia  durante  o  vesting  period,  portanto,  antes  da  ocorrência  do  vesting  (aquisição do direito ao exercício) e do próprio exercício, conforme previsto no item  15  do  CPC  10,  que  transcreve,  e  não  tem  o  condão  de  gerar  a  ocorrência  do  fato  gerador da contribuição previdenciária, e muito menos, de constituir base de cálculo  para exigência desse tributo. E os itens 10, 11 e 16, do CPC 10, esclarecem o valor a  ser  contabilizado,  o  qual  corresponde  ao  valor  justo  do  instrumento  patrimonial,  na  data da outorga.  Sustenta que “a fiscalização pretendeu, em verdade, diante da ausência  de  informações  e  da  ausência  de  vontade  de  prosseguir  com  as  investigações  para  apuração  da  correta  base  de  cálculo  do  crédito  de  IRRF  a  ser  exigido,  adotar  uma  forma de arbitramento não previsto em lei”.  vi. DA  Imprecisão na  Indicação dos Dispositivos Legais  Infringidos  ­  Violação ao artigo 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/71 e ao artigo 142, do Código  Tributário Nacional ­ Cerceamento do Direito de Defesa da Impugnante:  Neste  tópico,  “salienta  a  impugnante  que,  na  remota  hipótese  de  as  nulidades acima não serem acolhidas, o lançamento também deve ser julgado nulo em  decorrência  de  imprecisão  da  autoridade  fiscal  em  definir  os  dispositivos  legais  infringidos, implicando em ofensa ao artigo 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1971,  o qual transcreve, ao artigo 142, do Código Tributário Nacional e em cerceamento do  direito de defesa da  Impugnante.  (...) A exigência legal prevista no artigo 10,  inciso  IV, do Decreto n° 70.235/1971, existe justamente para garantir que o lançamento será  realizado com base na Lei, em primazia ao princípio da legalidade, disposto no artigo  150,  inciso  I,  da  Constituição  Federal,  e  que  será  dado  ao  contribuinte  amplo  conhecimento  do  fato  gerador  e  da  infração  que  lhe  é  imputada,  em  primazia  ao  disposto no art. 142, do CTN, e ao direito fundamental constitucional do contribuinte  à  ampla defesa  e  ao  contraditório,  previsto no  artigo 5º,  inciso LV, da Constituição  Federal”;  Transcreve o disposto nos arts. 674 e 675 do RIR/99 e afirma que “o  artigo 674, do RIR/99, trata da obrigação de retenção exclusiva do imposto de renda,  pela  fonte  pagadora,  de  pagamentos  em  geral  realizados  a  beneficiários  não  identificados. Já o artigo 675, do RIR/99, trata da obrigação de retenção exclusiva do  imposto de renda, pela fonte pagadora, quando do pagamento de remuneração indireta  Fl. 415DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 416          7 para  beneficiários  não  identificados,  tratando­se,  portanto,  de  hipóteses  legais  absolutamente  distintas,  e  a  indicação,  pela  autoridade  fiscal,  de  ambos  os  dispositivos,  leva  a  Impugnante  à  duvida  da  exata  infração  que  lhe  está  sendo  imputada”;  viii.  DA  Improcedência  do  Lançamento  por  Inocorrência  do  Fato  Gerador do  IRRF  ­ Ausência de Ganhos para os Beneficiários por não  ter havido o  Exercício das Opções:  a) Neste  item  reafirma a  Impugnante  “que  a  jurisprudência do CARF  pacificou  entendimento  no  sentido  de  que  o  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  os  benefícios  decorrentes  de  Stock  Option  Plans  verifica­se  no  momento  do  exercício  da  opção  de  compra  das  ações,  quando  o  beneficiário efetivamente adquire ações por preço inferior ao seu preço de mercado e,  se  a  fiscalização  tivesse  cumprido  o  seu  dever  de  investigar,  facilmente  verificaria  que,  no  ano  calendário  de  2011  tal  fato  não  ocorreu,  portanto,  conclui  que  não  se  apurou  qualquer  ganho  aos  beneficiários  e,  consequemente,  não  se  verificou  a  ocorrência do fato gerador do imposto de renda e o consequente dever de retenção e  recolhimento do imposto pela impugnante”;  b)  Acresce  ainda  que,  “conforme  retratado  nas  Demonstrações  Financeiras,  apresentadas  à  fiscalização,  nenhum  dos  planos  aprovados  pela  Impugnante previa exercício de opção de compra de ações no ano­calendário de 2011,  ou seja, obviamente que naquele ano nunca teria ocorrido o aludido exercício apto a  deflagar o fato gerador em questão”.  c) Ressalta que houve “a falta de cuidado e zelo da autoridade fiscal ao  proceder ao lançamento do suposto crédito tributário exigido, visto que, muito embora  (i)  expressamente  reconheça  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda  e  o  dever  de  sua  retenção  e  recolhimento  pela  fonte  pagadora ocorreria  no momento  do  exercício  da  opção  de  compra  das  ações  e  (ii)  tivesse  em  mãos  o  documento  comprobatório  necessário para verificar que no ano­calendário de 2011 não houve qualquer exercício;  simplesmente preferiu  deixar de  apurar  se,  de  fato,  teria  havido  algum  fato  gerador  sobre benefícios decorrentes de Stock Option Plans, pautando o lançamento em mera  presunção,  a  partir  de  valores  contabilizados  pela  Impugnante  em  conta  contábil  relacionada aos Stock Option Plans, que não se presta a esse fim.  d)  Ressalta  que  “essa  verificação  por  parte  da  fiscalização  não  demandava uma investigação muito profunda, pois poderia se constatar a inexistência  de exercício da opção de compra de ações ano­calendário 2011 pelas Demonstrações  Financeiras  da  Impugnante,  referentes  ao  período  assinadas  pelos  administradores  e  contadores  da  Companhia  e  auditadas  pela  ERNST  &  YOUNG  TERCO  AUDITORES INDEPENDENTES”;  e) Observa que “referidas demonstrações  são documentos de natureza  mercantil e societária, elaboradas com base no disposto no artigo 176 e 177, da Lei n°  6.404/1976 (Lei das S.A.), de caráter obrigatório, inclusive sob a ótica fiscal, devendo  ser  auditadas  por  auditores  independentes  e  assinadas  pelos  administradores  e  por  contabilistas legalmente habilitados, motivo pelo qual constituem elemento de prova e  documento  hábil  para  a  aferição  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias  dos  Fl. 416DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 417          8 contribuintes,  não  podendo  a  fiscalização  ignorá­las  simplesmente.  Cita  acórdão  do  CARF neste sentido”;  IX. Da Inaplicabilidade dos artigos 674 e 675, do RIR/99 ao caso ora  analisado:  a) Afirma a impugnante que, “já restou demonstrado que a autoridade  fiscal  incorreu  em  imprecisão  ao  definir  o  fundamento  legal  do  lançamento  ora  combatido, invocando para tanto o disposto nos artigos 674 e 675, ambos do RIR/99,  os  quais  tratam  de  situações  distintas  e  não  poderiam  ser  conjuntamente  aplicados,  ressaltando  que,  de  fato  os  elementos  necessários  para  caracterizar  a  incidência  do  disposto nos artigos 674 e 675, ambos do RIR/99, não se encontram presentes no caso  concreto”;  b)  Observa  que  tais  dispositivos,  os  quais  transcreve,  “tratam  da  incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, quando o  pagamento for efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado”.  c)  Afirma  que  “há  alguns  elementos  que  são  essenciais  para  a  caracterização do pagamento a beneficiário não identificado e do dever de retenção do  imposto de renda pela fonte pagadora, que devem ser verificados e comprovados pela  fiscalização, destacando dentre  eles:  (i)  que  efetivamente  exista um  rendimento;  (ii)  que efetivamente ocorra o pagamento deste rendimento pela pessoa jurídica, ainda que  na  forma  de  remuneração  indireta;  e  (iii)  que  efetivamente  exista  um  beneficiário  deste pagamento, mas que este não seja identificado”;  d)  Mas,  segundo  ela,  no  caso  concreto,  “não  há  que  se  falar  em  rendimento  pago  e  nem  em  beneficiários  destes  rendimentos.  Isto  porque,  considerando  que,  durante  o  ano­calendário  de  2011,  não  ocorreu  o  exercício  das  opções  de  compra  de  ações  outorgadas  pela  Impugnante,  não  houve  foi  auferida  qualquer remuneração, da mesma forma que não poderia se atribuir a existência de um  beneficiário  a  uma  remuneração  inexistente”;  e)  Ratifica  os  argumentos  acima  exposto,  quanto  “a  impossibilidade  de  se  usar  como  base  de  cálculo  os  valores  registrados  na  conta  contábil  320101050  ­  Stock  Options,  pois  tais  valores  não  representam  qualquer  tipo  de  pagamento,  ganho  ou  remuneração  de  supostos  "beneficiários  não  identificados",  trata­se  de  um  reconhecimento  das  opções  de  compra  de  ações  outorgadas,  puramente  para  fins  contábeis,  sendo  certo  que,  no  momento da  contabilização de  tais valores,  os beneficiários dos Stock Option Plans  não tinham, nem sequer, o direito de exercer suas opções”.  PEDIDOS.  a) Requereu “que seja  reconhecida a nulidade material do  lançamento  do  suposto  crédito  tributário,  seja  em  razão  da  ausência  de  verificação  da  efetiva  ocorrência do fato gerador, seja por evidente erro na apuração da base de cálculo do  IRRF  exigido,  seja  pela  imprecisão  da  fundamentação  legal  do  lançamento,  incorrendo em afronta aos princípios da legalidade, da verdade material e ao disposto  no artigo 142, do Código Tributário Nacional”;  b) No mérito  requereu  que  “seja  julgado  improcedente  o  lançamento,  uma vez que, conforme restou comprovado, em não tendo havido, no ano­calendário  Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 418          9 de 2011, o exercício das opções de compra de ações, não se verificou qualquer ganho  para os beneficiários, não caracterizando a ocorrência do fato gerador do imposto de  renda e a obrigação de sua retenção e recolhimento pela Impugnante”;  c)  Subsidiariamente,  requereu  que  “seja  julgado  improcedente  o  lançamento,  visto  que  a  autoridade  fiscal  não  comprovou  a  subsunção  do  fato  supostamente ocorrido às hipóteses previstas nos artigos 674 e 675, ambos do RIR/99,  e  nem  poderia,  na medida  em  que  tais  dispositivos  pressupõem  a  existência  de  um  pagamento a um beneficiário não identificado, o que inexistiu no presente caso”;    O  Acórdão  ora  Recorrido  (16­70.357  ­  12ª  Turma  da  DRJ/SPO)  recebeu  a  seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  –  IRPJ  Período  de  apuração:  01/01/2011  a  31/12/2011  Ementa:  IRRF.  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS.  RETENÇÃO  EXCLUSIVA NA FONTE. RESPONSABILIDADE DA FONTE  PAGADORA.  STOCK  OPTIONS.  PLANO  DE  OPÇÃO  DE  AÇÕES.  NATUREZA  MERCANTIL.  DESCARACTERIZAÇÃO.  Atuando  a  empresa  para  garantir  uma  efetiva  vantagem  econômica aos empregados por ela escolhidos com o objetivo de  fidelizá­los  à  sociedade,  mitigando  os  riscos  e  os  custos  do  exercício  de  opção  de  compra  de  ações  ­  Stock  Options,  descaracteriza­se o caráter mercantil da operação, e constatado o  pagamento a beneficiário não identificado será apurado o Imposto  de Renda  incidente  exclusivamente  na  fonte,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  nº  8.981/95,  cuja  responsabilidade  pela  retenção  e  recolhimento é da fonte pagadora.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  (AI).  FORMALIDADES  LEGAIS.  SUBSUNÇÃO  DOS  FATOS  À  HIPÓTESE  NORMATIVA.  INEXISTÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  AOS  PRINCÍPIOS  QUE  NORTEIAM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  O Relatório Fiscal e os Anexos do Auto de Infração oferecem as  condições  necessárias  para  que  o  contribuinte  conheça  o  procedimento  fiscal  e  apresente  a  sua  defesa  aos  lançamentos,  estando  discriminados,  nestes,  a  situação  fática  constatada  e  os  dispositivos  legais  que  amparam  a  autuação,  tendo  sido  observados  todos  os  princípios  que  regem  o  processo  administrativo fiscal.  Constatado  que  os  fatos  descritos  se  amoldam  à  norma  legal  indicada,  deve  o  Fisco  proceder  ao  lançamento,  eis  que  esta  é  atividade vinculada e obrigatória.  Não há que se cogitar em violação aos princípios constitucionais  do  devido  processo  legal,  da  legalidade,  e  da  verdade material,  Fl. 418DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 419          10 quando  o  lançamento  fiscal  observou  todos  os  atos  e  normas  previstos  na  legislação  pertinente  e  o  contribuinte  foi  devidamente  cientificado  de  todos  eles,  sendo­  lhe  garantido  o  exercício do pleno direito ao contraditório e ampla defesa.  IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.  As  simples  alegações  desprovidas  dos  respectivos  documentos  comprobatórios  não  são  suficientes  para  afastar  a  exigência  tributária.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­la em outro momento  processual, salvo exceções previstas em lei.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  A  multa  de  ofício  decorrente  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Receita Federal é considerada débito para com  a  União,  sendo  devidos  juros  de  mora  sobre  o  valor  lançado  inadimplido a partir de seu vencimento.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.    Isto porque,  segundo entendimento da Turma “pela  análise das demonstrações  financeiras por ela citadas, verifica­se que, o que não havia a previsão do exercício da opção de  compras de ações dos referidos Planos, mas tal fato, por si só, não comprova que os referidos  beneficiários não tenham manifestado a sua opção pelo exercício de compra das ações. Se, de  fato a empresa tivesse interesse em produzir  tal prova deveria, nas diversas vezes em que foi  regularmente  intimada,  bem  como  com  a  impugnação  apresentada,  trazer  aos  autos  os  Contratos  Particulares  de Outorgas  de Opções  e  detalhar  os  valores  contabilizados  na  conta  3201001050 Stock Options, porém, mais uma vez não o fez”.  Aduz que “comportamento omisso, reticente da empresa quanto à apresentação  de  documentos  (não  identificando  os  beneficiários)  ou,  ainda,  a  ausência  de  documentos  comprobatórios  dos  lançamentos  contábeis  (conta  3201001050  Stock  Options)  justifica  plenamente o procedimento adotado pela fiscalização na apuração da base de cálculo lançada.  A  prevalecer  entendimento  contrário,  ter­se­ia  a  esdrúxula  situação  onde  o  contribuinte  poderia,  por  qualquer  motivação,  deixar  de  cumprir  a  obrigação  legal  de  apresentar  documentos  e  prestar  os  esclarecimentos  necessários  à  fiscalização,  e  ainda  livrar­se  da  cobrança  de  impostos  valendo­se  única  e  exclusivamente  do  descumprimento  de  tal  obrigação”.  Portanto,  “resta  devidamente  demonstrado  que  o  crédito  tributário  constituído  pelo lançamento fiscal em tela não se baseou em presunções simples ou em arbítrio do Auditor  Fiscal, mas sim na presunção legal estabelecida no caput do art. 61 da Lei nº 8.981/95 de que  os valores pagos pela empresa a beneficiário não identificado, constituem renda destes últimos  e  estarão  sujeitos  à  retenção  do  Imposto  de Renda  exclusivamente  na  fonte  pagadora,  tendo  sido  utilizado  como  base  de  cálculo  os  valores  contabilizados  pela  empresa  na  conta  3201001050 Stock Options,  em  estrita  obediência  ao  princípio  e  da  legalidade  e  da verdade  Fl. 419DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 420          11 material, não havendo que se falar em violação ao disposto ao disposto no art. 142 do CTN,  que resultasse na nulidade do lançamento, como alega a impugnante”.  Ciente da decisão do Acórdão em 03/12/2015 (fls. 332), o contribuinte interpõe  Recurso Voluntário em 23/12/2015 (fls. 334/385), reafirmando as suas razões de impugnação e  trazendo as seguintes razões:  DAS  NORMAS  CONTÁBEIS  APLICADAS  AOS  STOCK  OPTION  PLANS  PRONUNCIAMENTO  N°  10,  DO  COMITÊ  DE  PRONUNCIAMENTOS  CONTÁBEIS:  É  evidente  que  os  lançamentos  contábeis realizados pela Recorrente não tem qualquer relação com o exercício  das  opções,  não  podendo,  de  nenhuma  forma  deflagrar  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  o  dever  de  sua  retenção  e  recolhimento  pela  Recorrente  e,  muito  menos,  constituir  base  de  cálculo  para  exigência  desse  tributo”;  DAS  NULIDADES  MATERIAIS  INSANÁVEIS  DO  LANÇAMENTO: Informa que “no presente caso, a autoridade fiscal não buscou  verificar a efetiva ocorrência do fato gerador, realizando lançamento baseado em  mera presunção não prevista em  lei  e,  ainda,  incorreu  em erro na  apuração da  base de cálculo do suposto crédito tributário”.  DA  Ausência  de  Verificação  da  Ocorrência  do  Fato  Gerador  Nulidade da Autuação Fiscal Fundamentada em Mera Presunção Violação dos  Princípios  da  Legalidade  e  da  Verdade  Material  Violação  do  Artigo  142,  do  Código  Tributário  Nacional:  Diz  que  “os  Stock  Option  Plans  são  planos  de  opções de compra de ações por meio do qual a Companhia, com o objetivo de  alinhar  os  interesses  dos  acionistas,  administradores  e  funcionários,  outorga  a  estes dois últimos o direito de, após decorrido um determinado espaço de tempo  e cumpridas determinadas condições, adquirir ações da Companhia por um valor  pré­fixado na data da outorga”;  Afirma que “considerando que a análise dos Stock Option Plans  feita pela  fiscalização e também pela decisão recorrida foi bastante superficial,  generalista  e,  nem  sequer,  foi  esclarecido  a  qual  plano  especificamente  a  autuação está relacionada, a Recorrente entende que sua defesa com relação às  características  dos  planos  e  sua  natureza  mercantil  restou  prejudicada,  importando em verdadeiro cerceamento do direito de defesa, o que, por si só, já  deveria conduzir à nulidade da autuação”.  E que, “assim, no caso dos Stock Option Plans, não há qualquer  fundamento para afirmar que há rendimento auferido e que sua a disponibilidade  jurídica ou econômica, pelo beneficiário, ocorreria antes do exercício da opção  de compra de ações. Do mesmo modo, não há  fundamento para  afirmar que o  dever  de  retenção  e  pagamento  do  imposto  de  renda,  pela  fonte  pagadora,  ocorreria antes desse exercício”;  A  Recorrente  ressalta  que,  “muito  embora  tais  precedentes  não  tratem diretamente sobre o fato gerador do imposto de renda e do dever de sua  retenção  e  recolhimento  pela  fonte  pagadora,  eles  são  importantes  para  o  presente caso, na medida em que definem o momento em que o beneficiário do  Fl. 420DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 421          12 plano  aufere  um  ganho  e,  portanto,  servem  como  parâmetro  para  definir  a  existência  do  rendimento  de  sua  disponibilidade  jurídica,  aspectos  relevantes  para  a  definição  do  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  tal  como  disposto  no  artigo 43, do Código Tributário Nacional”.  Portanto, “é forçoso concluir que, se não ocorrido o exercício da  opção  de  compra  de  ações  pelo  beneficiário  ou  se  não  demonstrado  pela  autoridade fiscal a ocorrência de tal exercício, não se pode pretender alegar que  o  beneficiário  tenha  auferido  algum  ganho,  não  se  configurando,  conseqüentemente, o  fato gerador do  imposto de  renda e, portanto, o dever de  sua retenção e recolhimento pela fonte pagadora”;  Afirma  que  “os  equívocos  cometidos  pela  fiscalização  são  evidentes  e,  inclusive,  reconhecidos pela própria  decisão  recorrida,  a qual,  por  absurdo,  acabou  os  aceitando  sob  o  pretexto  de  que  a  Recorrente  não  teria  apresentado os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização”;  Diz  que,  “tendo  em  vista  a  necessidade  de  observância  do  princípio da legalidade, é que cabe à fiscalização realizar todas as investigações  necessárias  para  a  correta  apuração  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  donde deve ser aplicado o princípio da verdade material, norteador do processo  administrativo fiscal”.  DA  ERRO  NA  APURAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  IRRF  VIOLAÇÃO  DO  ARTIGO  142,  DO  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL:  Afirma  que  “a  própria  fiscalização,  assim  como  a  decisão  recorrida, reconhece que a base de cálculo do IRRF exigido deveria ser apurada  conforme  posicionamento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (diferença entre o valor de mercado e o valor do exercício das ações), como se  verifica de trecho transcrito do Termo de Verificação Fiscal”;  Afirma  que  “a  base  de  cálculo  do  IRRF  exigido  jamais  poderia  ser  equivalente  aos  valores  contabilizados  pela Recorrente”  ...  “Isto  porque os  valores  lançados  pela  Recorrente  na  conta  contábil  n°  3201001050 —  Stock  Options, durante o ano­calendário de 2011, referem­se exclusivamente ao valor  justo  das  outorgas  de  opções  de  compra  de  ações  atribuídas  aos  seus  administradores  e  funcionários,  em  estrita  observância  a  regras  contábeis  estipuladas  pelo  CPC  10,  e  não  tem  o  condão  de  gerar  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  o  dever  de  sua  retenção  e  recolhimento  pela  Companhia e, muito menos, de constituir base de cálculo para exigência desse  tributo”;  DA  INOCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR  DO  IRRF  AUSÊNCIA  DE  GANHOS  PARA  OS  BENEFICIÁRIOS  POR  NÃO  TER  HAVIDO O  EXERCÍCIO DAS OPÇÕES:  Afirma  que  “no  ano­calendário  de  2011,  não  houve  o  exercício  de  opções  de  compra  de  ações  outorgadas  pela  Recorrente,  é  fácil  concluir  que  não  se  apurou  qualquer  ganho  para  os  beneficiários e, consequentemente, não se verificou o fato gerador do imposto de  renda  e  o  consequente  dever  de  retenção  e  recolhimento  do  imposto  pela  Recorrente”. E que “durante a fiscalização e também em sede de impugnação, a  Recorrente comprovou a ausência de exercício das opções de compra de ações,  Fl. 421DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 422          13 pelos  beneficiários,  durante  o  ano­calendário  de  2011,  apresentando  suas  demonstrações financeiras do referido período, assinadas pelos administradores  e  contadores  da  Companhia  e  auditadas  pela  ERNST  &  YOUNG  TERCO  AUDITORES INDEPENDENTES”.  Ressalta “que as Demonstrações Financeiras, são documentos de  natureza mercantil e societária, elaboradas com base no disposto no artigo 176 e  177, da Lei n° 6.404/1976 (Lei das S.A.), de caráter obrigatório, inclusive sob a  ótica fiscal, devendo ser auditadas por auditores independentes e assinadas pelos  administradores e por contabilistas legalmente habilitados”;  Conclui,  portanto,  “tendo  a  fiscalização  e  a  decisão  recorrida,  reconhecido que o fato gerador do imposto de renda e o dever de sua retenção e  recolhimento pela fonte pagadora ocorreria no momento do exercício da opção  de  compra  das  ações,  não  poderiam  simplesmente  ignorar  as  informações  constantes nas Demonstrações”.  DA  INAPLICABILIDADE  DO  ARTIGO  674  DO  RIR/99  AO  CASO ORA ANALISADO: Mesmas alegações trazidas em sede de impugnação  administrativa às fls. 226 dos autos.  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXIGÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Afirma que “a legislação federal tem  dispositivo  legal  específico  para  regular  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  débitos  federais  –  artigo  61,  da  Lei  n°  9.430/96  e,  pelo  princípio  da  especialidade,  este  é  o  dispositivo  que  deve  ser  analisado  para  tratar  de  incidência dos juros de mora em questão”. (...) Aduz que “a multa de oficio não  é débito decorrente de tributos e contribuições e que a penalidade pecuniária não  decorre  de  tributo  ou  contribuição, mas  do  descumprimento  do  dever  legal  de  declará­lo e/ou pagá­lo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros  de mora a taxa Selic sobre a multa de ofício”.  Requereu  o  provimento  do  presente  recurso  voluntário,  ou  caso  seja  mantido  total  ou  parcialmente  o  suposto  crédito  tributário  de  IRRF,  requereu  que  seja  reformada  a  decisão  recorrida  para,  reconhecer  a  impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada.    É o relatório do essencial.    Voto   Conselheiro Daniel Ribeiro Silva ­ Relator.  Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e­ processo.  Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 423          14 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele  conheço.  Antes  de  adentrar  à  análise  do  recurso,  entendo  ser  necessário  realizar  uma  análise preliminar acerca da necessidade de realização de diligência.  Cumpre  ressaltar  que  toda  a  base  do  lançamento  está  calcado  na  suposta  ausência  de  comprovação  e  apresentação  de  documentos  pela  Recorrente,  em  especial,  que  justificassem o reconhecimento feito em seu razão da reserva de Stock Options durante o ano  de 2011.  Tanto no TVF quanto na DRJ constam menções a  respostas às  intimações que  supostamente não foram satisfatórias. Entretanto, da análise do PAF não encontro nenhuma das  supostas respostas.  Também, sequer a DIPJ indicada pelo agente  fiscal em seu TVF está acostado  aos autos.  Ademais,  tanto em impugnação, quanto em seu recurso, a Recorrente alega ter  apresentado  tanto  em  sede  de  impugnação,  quanto  ao  longo  da  fiscalização,  as  suas  demonstrações  financeiras do período, devidamente  auditadas,  que  comprovariam  a  ausência  do exercício de compra das ações durante o ano de 2011.  Senão vejamos trecho do recurso:       Por  sua  vez,  a  DRJ  se manifesta  sobre  o  suposto  demonstrativo  financeiro,  e  conclui como segue:    Fl. 423DF CARF MF Processo nº 19515.720679/2015­70  Resolução nº  1401­000.593  S1­C4T1  Fl. 424          15    Independentemente da logicidade ou não da conclusão que chegou a DRJ neste  aspecto,  o  fato  é  que  não  localizei  nos  autos  a  referida  demonstração  financeira,  a  não  ser  seleção constante no corpo da impugnação e recurso.  Assim é que, tendo em vista que a análise de mérito do presente lançamento se  funda  no  suposto  pagamento  através  de  ações,  a  comprovação  da  inexistência  de  opção  de  compra no referido exercício é prova hábil a desconstituir o lançamento.  Ademais,  as  demonstrações  financeiras  podem  constituir  elemento  de  prova  sobre a realização ou não das referidas opções.  Entretanto, apesar de ser referida tanto pelo contribuinte quanto pela DRJ, o fato  é  que  tais  documentos  não  se  encontram  digitalizados  nos  autos,  razão  pela  qual,  para  uma  melhor  conclusão  deste  relator,  entendo  prudente  converter  o  presente  lançamento  em  diligência para que a Delegacia de Origem:  a) intime a recorrente a apresentar as referidas demonstrações financeiras do ano  de 2011, indicando objetivamente onde resta comprovado a inocorrência de opções de compra  no exercício de 2011;  b)  intime a recorrente para apresentar provas de que  tais demonstrações  foram  apresentadas ao longo da fiscalização ou junto com a impugnação, conforme alega;  Após, retornem os autos para julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva  Fl. 424DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.900614/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn

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3802­003.421  –  2ª Turma Especial   Sessão de  20 de agosto de 2014  Matéria  DCOMP ELETRÔNICO ­ CSRF  Recorrente  ITAÚ SEGUROS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Ano­calendário: 2004  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  RECLAMADO  RELATIVO  A  CSRF.  INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO  DO  CONSELHO  ADMINISTRATIVO  DE  RECURSOS  FISCAIS.  RECURSO  NÃO  CONHECIDO.  ENVIO  DOS  AUTOS  PARA  A  PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.  À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF,  não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o  crédito  aduzido  seja  relativo  a  CSRF  (retenção  em  fonte  da  CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira  Seção  do mesmo Conselho,  para  onde  os  autos  deverão  ser movimentados  para apreciação da lide.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser  movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.      (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano Damorim ­ Presidente.        (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 14 /2 00 9- 97 Fl. 107DF CARF MF     2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano  Damorim  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Waldir  Navarro  Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo  I  –  SP  (fls.  31/34),  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo Recorrente,  com  base  nos  fundamentos resumidos na ementa seguinte:  ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Data do fato gerador: 23/02/2005  DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Afastada  a  nulidade  por  ficar  evidenciada  a  inocorrência  de  preterição  do  direito  de  defesa  haja  vista  que  o  despacho  decisório  consigna  de  forma  clara  e  concisa  o  motivo  da  não  homologação da compensação.  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.PAGAMENTO  UTILIZADO  PARA  QUITAR  DÉBITO  DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO.  Considera­se confissão de dívida o débito declarado em DCTF,  descabendo  à  autoridade  administrativa  a  sua  retificação  de  ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do  erro material alegado.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Em 15/12/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica ­  fl.  38).  Nas  razões  apresentadas  em  seu  recurso  voluntário  protocolado  em  11/01/2013  (fls.  40/45),  alega  ter  recolhido  indevidamente  valores  referente  a CSRF  (retenção  em  fonte  da  CSLL/COFINS/PIS),  nos  pagamentos  efetuados  a  outras  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de  serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção.  Pelo que se vê, o recorrente supra qualificado, entregou por via eletrônica a  Declaração  de  Compensação  de  fls.  15/20  (PER/DCOMP  nº  09532.52416.090605.1.7.04­ 8088), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior  de  RETENÇÃO  de  CONTRIBUIÇÕES  ­  PAGAMENTO  DE  PJ  a  PJ  DIR  PRIV  CSLL/  COFINS/PIS  ­  CSRF  (cód.  receita  5952),  relativo  ao  período  de  apuração  encerrado  em  14/02/2004.    É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este  colegiado.  Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.900614/2009­97  Acórdão n.º 3802­003.421  S3­TE02  Fl. 108          3 É o Relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  Conforme  relatado,  constata­se  que  o  processo  em  epígrafe  diz  respeito  a  pedido  de  compensação  cujo  crédito  em  que  se  alicerça  a  interessada  é  relativo  a  alegado  recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ a  PJ  DIR  PRIV  ­ CSLL/  COFINS/PIS,  denominada CSRF  (cód.  receita  5952),  relativo  ao  período de apuração encerrado em 14/02/2004.  De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso  II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de  22/06/2009) – RICARF, temos que:  Art. 7º...  § 1º A  competência para o  julgamento de  recurso  em processo  administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado,  inclusive  quando  houver  lançamento  de  crédito  tributário  de  matéria  que  se  inclua  na  especialização  de  outra  Câmara  ou  Seção” (grifei).  § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais  de  um  tributo  com  competência  de  diferentes  Seções,  a  competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF  nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ).  I  ­  Da  Primeira  Seção  de  Julgamento,  se  envolver  crédito  alegado  de  competência  dessa  Seção  e  das  demais;  ( Incluído  pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ).  No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que  trata o  inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF:  Art.  2º À  Primeira  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem  sobre aplicação da legislação de:  I – ...;  II ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);  VII ­ tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não  incluídos na competência julgadora das demais Seções.  Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito  do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho,  como demonstrado.   Da Conclusão  Fl. 109DF CARF MF     4 Por  todo  o  exposto,  e  considerando  a  falta  de  competência  material  desta  Terceira  Seção  do  CARF  para  o  exame  da  contenda,  voto  para  não  conhecer  do  recurso  voluntário  interposto  pela  interessada,  devendo  os  autos  ser  encaminhados  à  Primeira  Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.    Sala de Sessões, em 20/08/2014.        (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator                              Fl. 110DF CARF MF

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7477925 #
Numero do processo: 13888.000889/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 CONCEITO DE RECEITA. art. 3° da Lei n° 9.718/98. RE 527.602-SP. REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62, DO RICARF. Aplica-se o entendimento exarado no RE 527.602-SP, em face do caráter de repercussão geral conferido pelo STF à matéria, consoante a mandatória obediência prevista no artigo 62, do RICARF.
Numero da decisão: 3401-005.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, no que se refere à cumulatividade (inconstitucionalidade do parágrafo 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998), em função da aplicação do RE 527.602/SP, decidido em repercussão geral pelo STF, que vincula o julgador administrativo (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), MArcos Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO

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3401­005.091  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de junho de 2018  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ COFINS  Recorrente  MULTILIXI CONSTRUÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004  CONCEITO  DE  RECEITA.  art.  3°  da  Lei  n°  9.718/98.  RE  527.602­SP.  REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62, DO RICARF.  Aplica­se o entendimento exarado no RE 527.602­SP, em face do caráter de  repercussão  geral  conferido  pelo  STF  à  matéria,  consoante  a  mandatória  obediência prevista no artigo 62, do RICARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  que  se  refere  à  cumulatividade  (inconstitucionalidade  do  parágrafo  1o  do  art.  3o  da Lei  no  9.718/1998),  em  função  da  aplicação  do RE  527.602/SP,  decidido em repercussão geral pelo STF, que vincula o julgador administrativo    (assinado digitalmente)  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  TIAGO GUERRA MACHADO ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (presidente  da  turma),  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  (vice­presidente),  MArcos     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 08 89 /2 00 6- 32 Fl. 560DF CARF MF     2 Roberto  da  Silva  (suplente  convocado),  Mara  Cristina  Sifuentes,  André  Henrique  Lemos,  Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário em razão de decisão da DRJ/Piracicaba que  manteve  o  lançamento  de  oficio  referente  ao  PIS  e  a  COFINS  devidos  nos  períodos  de  apuração durante os anos de 2001 a 2004.    Do Lançamento de Ofício  A  autoridade  fiscal  verificou  que  houve  diferenças  entre  os  valores  escriturados e os valores declarados/pagos pela Contribuinte no período fiscalizado.  No Termo de Encerramento de Ação Fiscal, às fls. 343/352, verifica­se que:    Da análise dos livros fiscais, das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa  Jurídica  e  da  tabulação  dos  dados  de  receita  de  serviços  apresentados  e  assinados  pelo  representante  da  empresa,  constatou­se  que  esta  declarou  e  recolheu  valores  insuficientes de PIS e COFINS no período de 2001 a 2004, quando apurava  estas  contribuições  pelo  sistema  cumulativo  (faturamento)  . De  2001  a 2003,  este  era  o  regime  de  apuração  do  PIS  e  COFINS.  Em  2004  a  empresa  apurou  seus  tributos  federais com base no Lucro Presumido, portanto também PIS e COFINS com base  no  faturamento.  Em  2005  a  empresa  voltou  a  apurar  tributos  com  base  no  Lucro  Real e passou a apurar PIS e COFINS pelo regime não cumulativo.  Em  anexo,  planilha  demonstrando  valores  de  PIS  e  COFINS  por  período,  listando a base de cálculo apurada na ação fiscal, com base nas receitas de serviço  escrituradas, e declaradas em DIPJ, os valores  recolhidos ou declarados em DCTF  (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais)  , e a diferença apurada. A  declaração de dívida em DCTF tem valor de débito confessado conforme art. 5°, §§  1° e 2°, do Decreto­Lei n° 2.124/1984, portanto os valores assim confessados não  serão  lançados  de  oficio,  visto  que  os  créditos  tributários  já  estão  constituídos.  Assim,  dos  valores  apurados,  segundo  a  base  de  cálculo  levantada,  excluem­se,  o  valor recolhido, ou o confessado em DCTF, deles o maior e constitui­se, de oficio,  através de Auto de Infração, a diferença.    Da Impugnação   A contribuinte alega, em sua peça impugnatória, o seguinte:  · Inconstitucionalidade da Lei Federal 9.718/1998 , que teria ampliação  da  base  de  cálculo  constitucional  das  contribuições  sociais  do  faturamento para receita   · Discute  a compensação da Cofins  com a CSLL  à  luz dos princípios  constitucionais, da impossibilidade de Lei Complementar ser alterada  Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13888.000889/2006­32  Acórdão n.º 3401­005.091  S3­C4T1  Fl. 561          3 por  Lei  Ordinária,  citando  em  beneficio  de  sua  tese  textos  de  doutrinadores e julgados de tribunais superiores;  · Estendeu  sua  argumentação  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  à  Lei Federal n°10.833/03, naquilo que dispõe sobre o alargamento do  conceito de faturamento para alcançar a receita bruta;  · A Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia —  SELIC é inconstitucional;  · A multa  de  75% sobre  o  valor  do  tributo  exigido  é  inconstitucional  porque  teria  efeito  confiscatório.  E  conclui  que  qualquer  multa  aplicada, quando devida no Direito Tributário que excede 20%(vinte  por  cento)  do  valor  do  tributo,  tem  natureza  confiscatória  e  impõe  dano ao contribuinte, elevando o próprio valor do imposto, porquanto  excede a sua finalidade indenizatória;    Da Decisão de 1ª Instância    Sobreveio  Acórdão  11­20.074,  exarado  pela  DRJ/REC,  que  manteve  o  lançamento nos seguintes termos:    Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004  DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.   É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando  comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial.  ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.  Argüições  de  inconstitucionalidade  fogem  à  competência  da  instância  administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando  a  inconstitucionalidade  da  lei  ou  ato  normativo,  hipótese  em  que  compete  à  autoridade julgadora afastar a sua aplicação.  MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador,  cabendo  à  autoridade  administrativa  apenas  aplicar  a  multa,  nos  moldes  da  legislação que a instituiu.  JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  Legal  a  aplicação  da  taxa  do  Selic  para  fixação  dos  juros  moratórios  para  recolhimento do crédito tributário em atraso.  Fl. 562DF CARF MF     4 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  0  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINs  Ano­calendário: 200I, 2002, 2003, 2004  FALTA DE RECOLHIMENTO.  A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins apurada em procedimento  fiscal enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais.  CONCEITO DE RECEITA.  Se há um conceito de receita no direito privado, este conceito é de totalidade  dos recebimentos, não importando a que título.  CONCEITOS DO DIREITO PRIVADO. BASE DE CÁLCULO  O  art.  3°  da  Lei  n°  9.718/98,  quando  estabeleceu  que  faturamento  “corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”, não alterou a definição e o alcance  de  institutos,  conceitos  e  fontes  de  direito  privado  para  definir  ou  limitar  competência tributária, mas apenas definiu a base de cálculo da contribuição social  instituída pela Lei Complementar n° 70/91,  também não configurando infringência  aos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional.   LEI FEDERAL 10.833/2003. LEI N° 10.637/2002. INAPLICABILIDADE. A  Lei n° 10.833/2003, em relação aos arts. 1° a 3°, somente produziu efeitos a partir de  1° de fevereiro de 2004, nos termos do art. 93, 1, e, portanto, inaplicável aos anos­ calendário de 1999 a 2003.  ASSUNTO: CONTRIBUI|ÇÃ0 PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004  FALTA DE RECOLHIMENTO.  A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, apurada  em procedimento fiscal, enseja o  lançamento de oficio com os devidos acréscimos  legais.    Do Recurso Voluntário  Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, apenas informar da  decisão  do Supremo Tribunal  Federal  do  julgamento,  em  sede de  repercussão  geral,  em que  restou reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3°, parágrafo primeiro, da Lei Federal n°  9.718/98, e pedindo que o resultado desse julgamento fosse seguido pelo CARF.    É o relatório.  Voto             Conselheiro Tiago Guerra Machado ­ Relator    Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13888.000889/2006­32  Acórdão n.º 3401­005.091  S3­C4T1  Fl. 562          5 Da Admissibilidade  O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de  modo que lhe tomo conhecimento.    Do Mérito  A única matéria  recorrida  trata­se  do  entendimento que  o Acórdão  a quo  teve  em  relação à incidência de COFINS, no que tange à sua incidência sobre a integralidade de suas receitas,  indistintamente.  Assim diante  do  julgamento  do RE 527.602­SP,  decidido  sob  égide  do  regime de  repercussão  geral,  e  de  sua  aplicação  obrigatória  por  esse  Colegiado,  consoante  o  artigo  62,  do  Regimento Interno do CARF, acolho o argumento trazido pela Recorrente para que sejam anulados os  lançamentos  da  contribuição  social  no  período  em  que  a  Recorrente  estava  submetida  ao  regime  cumulativo previsto na Lei Federal 9.718/1998.  Tendo  em  vista  que  a  Recorrente,  em  seu  Recurso,  não  apresentou  outros  argumentos,  entendo  que  o  restante  da  decisão  ora  recorrida  resta  incontroversa,  não  havendo  necessidade de qualquer outra reforma, de maneira que devem ser mantidos os demais lançamentos e  respectivas multas de ofícios e juros de mora.  Por todo exposto, conheço do Recurso Voluntário, e dou­lhe parcial provimento, no  se  refere  à  cumulatividade,  em  referência  à  aplicação  do  RE  527.602­SP,  decidido  em  repercussão  geral, pelo STF.    (assinado digitalmente)  Tiago Guerra Machado                                Fl. 564DF CARF MF

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7423166 #
Numero do processo: 10840.909831/2011-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/01/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.196
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).

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9303­007.196  –  3ª Turma   Sessão de  12 de julho de 2018  Matéria  PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Recorrente  FUGINI ALIMENTOS LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do Fato Gerador: 15/01/2003  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.      Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidas as  conselheiras  Érika  Costa  Camargos  Autran  e  Tatiana  Midori  Migiyama,  que  lhe  deram  provimento.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 31 /2 01 1- 71 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909831/2011­71  Acórdão n.º 9303­007.196  CSRF­T3  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência  interposto pelo Contribuinte  contra o acórdão n.º 3802­002.484, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma  Especial  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  deste  CARF,  decisão  que,  por  unanimidade  de  votos, negou provimento ao recurso voluntário.   Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do Fato Gerador: 15/01/2003   INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  NÃO  DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE   A  restituição  de  indébitos  tributários  decorrente  de  suposto  pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja  o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem  o  ônus  de  provar,  com  a  apresentação  de  documentação  suficiente, o direito em que se alicerça.   (...)  Recurso ao qual se nega provimento.   O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às  seguintes  matérias:  1  ­  Exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS;  2  ­  Necessidade de diligência  fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das  alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material.  O Recurso Especial  do Contribuinte  foi  admitido  parcialmente,  conforme  despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do  CARF,  apenas  quanto  à  segunda  matéria  (questão  da  prova).  O  seguimento  parcial  foi  ratificado pelo reexame da admissibilidade.  A  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  manifestando  pelo  não  provimento do recurso especial do Contribuinte.  É o relatório, em síntese.         Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909831/2011­71  Acórdão n.º 9303­007.196  CSRF­T3  Fl. 4          3     Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.177, de  12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/2012­28, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­007.177):  "Da Admissibilidade  O Recurso Especial da Contribuinte é  tempestivo e, depreendendo­se da análise de  seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154,  senão vejamos:   Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência  jurisprudencial,  argumentando  que  acórdão  recorrido,  ao  examinar  questão  relativa  à  restituição  de  indébitos  tributários  decorrente  de  suposto  pagamento  a  maior  ou  indevido,  decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o  ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo.   Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao  tratar da mesma  matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de  promover  a  análise  da  liquidez  e  certeza  do  alegado  crédito,  com  base  nos  documentos  existentes  dos  autos  e  outros  mais  que  entender  necessários,  intimando  o  contribuinte  para  apresentá­los se for o caso, em face do princípio da verdade material.  Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões  evidencia  a  divergência  entre  o  entendimento  exarado  no  acórdão  recorrido  e  os  acórdãos  paradigmas.  Diante do exposto, comprovada a divergência, voto  no  sentido  de conhecer  do recurso interposto pelo Contribuinte.  Do Mérito  (...)1  Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de  divergência da contribuinte.                                                              1 Deixou­se de  transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por  ter sido  posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do  voto consta do acórdão do paradigma (9303­007.177).  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909831/2011­71  Acórdão n.º 9303­007.196  CSRF­T3  Fl. 5          4 Tendo em vista que o  recurso especial  foi conhecido apenas  em  razão do acórdão  paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação  de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me  fixarei nesse tema.  O referido paradigma, de nº 3302­002.225, traz o entendimento de que nos autos não  constava  nenhuma  comprovação  do  direito  creditório  alegado,  decorrente  de  pagamento  indevido ou maior,  e por  isso o  contribuinte  requereu diligência  a  fim de que se  apurasse o  crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerou­se que  a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte  solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações  da contribuinte.  Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O  caput  do  artigo  170  do  CTN,  ao  tratar  da  extinção  do  crédito  tributário  pela  compensação,  estipula:  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a Fazenda  pública.  (Grifei.)  Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado:  Art.  74. O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  (...)  §  14. A  Secretaria  da Receita Federal  ­ SRF disciplinará  o  disposto  neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para  apreciação  de  processos  de  restituição,  de  ressarcimento  e  de  compensação.  (Grifei.)  A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005,  na qual estipulava:  COMPENSAÇÃO.   COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO   Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive o reconhecido  por  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrados  pela  SRF,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá utilizá­lo na  compensação de  débitos próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados pela SRF.  § 1º A  compensação de que  trata  o  caput  será  efetuada pelo  sujeito  passivo  mediante  apresentação  à  SRF  da  Declaração  de  Compensação  gerada  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou,  na  impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do  Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909831/2011­71  Acórdão n.º 9303­007.196  CSRF­T3  Fl. 6          5 formulário Declaração de Compensação  constante  do Anexo  IV,  ao  qual  deverão  ser  anexados  documentos  comprobatórios  do  direito  creditório.  (Grifei.)  Além  de  reproduzir  o  ditame  legal  em  seu  caput,  o  art.  26  no  §  1º  já  indicava  a  necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a  compensação fosse realizada através de formulários em papel.  A  contribuinte  realizou  seu  PER/DCOMP,  solicitando  crédito  no  montante  originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à e­fl. 05, pelo qual os créditos do  DARF  que  suportavam  seu  pedido,  de  R$  226.212,51,  estariam  totalmente  alocados;  restringiu­se à discussão  jurídica sobre  restituição de indébitos de  ICMS,  sem apontar como  concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS.   Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela  legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte,  em  face  de  suposta  existência  de  créditos  por  ele  alegada,  devendo  esses  créditos  serem  líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à  administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação  do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de  apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas  juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido.  Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº  14­41.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra:   Mas,  para  tanto,  a  alegação  deveria  vir  acompanhada  da  documentação  comprobatória  da  existência  do  pagamento  a  maior,  mesmo  porque,  nesse  caso,  o  ônus  da  comprovação  do  direito  creditório  é  do  contribuinte,  pois  se  trata  de  uma  solicitação  de  restituição, de seu exclusivo interesse.  Nesse  contexto,  não  se  pode  olvidar  que  nos  termos  do  artigo  333,  inciso  I,  do  Código  de  Processo  Civil,  ao  autor  incumbe  o  ônus  da  prova  dos  fatos  constitutivos  do  seu  direito.  Conseqüentemente,  as  PER/DCOMP  devem  estar,  necessariamente,  instruídas  com  as  devidas  provas  do  indébito  tributário  no  qual  se  fundamentam,  sob  pena de indeferimento.  (Negritei.)  Mesmo  assim,  em  sede  de  recurso  voluntário  a  contribuinte  volta  a  requerer  diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado.  Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em  face da ausência de comprovação do direito creditório.  Pelo  exposto,  voto  pelo  desprovimento  do  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte."  Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma,  no  presente  processo  a  contribuinte  também  não  indicou  "qualquer  prova  relativamente  à  apuração do valor do crédito pleiteado".  Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909831/2011­71  Acórdão n.º 9303­007.196  CSRF­T3  Fl. 7          6 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi  conhecido e, no mérito, o colegiado negou­lhe provimento.   (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                            Fl. 158DF CARF MF

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7437804 #
Numero do processo: 11522.000391/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não se constata qualquer vício na imputação que ensejou o lançamento, pois restou bem demonstrada, com a indicação dos elementos de fato e dos fundamentos legais que ensejaram a autuação. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão que analisou todos os argumentos apresentados na impugnação refutando os com a indicação dos elementos contidos no processo e da legislação aplicável ao caso concreto. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. É hígido o lançamento realizado dentro do prazo previsto no art. 173, inc. I do CTN, quando se constata que a existência de dolo no cometimento das infrações apuradas. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Tendo ficado comprovado que os pagamentos foram efetuados e que foram omitidos da escrituração, provado está o fato índice, não elidido por prova em contrário, para a aplicação da presunção legal de omissão de receitas. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplica-se integralmente ao lançamento das contribuições sociais: Pis, Cofins e CSLL as conclusões atinentes ao IRPJ. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 pelo STF não prejudica o lançamento, na medida em que as receitas consideradas omitidas não integram o rol daquelas cujo alargamento da base de cálculo pretendia abarcar. Aplicação do § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS, nas operações normais da pessoa jurídica, é componente do preço do produto que compõe o faturamento da pessoa jurídica, que é a base de cálculo das contribuições. Não existe na legislação a hipótese de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Verificada a prática reiterada de omissão de receitas, resta configurado o dolo nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, devendo ser mantida a multa de ofício prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. Ainda que não tenha entregado todos os elementos solicitados ou logrado prestar todos os esclarecimentos, a fiscalizada em nenhum momento obstaculizou ou criou embaraços à conclusão da ação fiscal, sendo assim indevido o agravamento da multa de ofício. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não tendo a recorrente indicado os exames desejados, nem indicado os quesitos e o profissional que seria o seu perito, considera-se não formulado o pedido de perícia por não atender aos requisitos do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-000.772
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 3.775          1 3.774  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11522.000391/2007­74  Recurso nº  171.692   Voluntário  Acórdão nº  1302­000.772   –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de outubro de 2011  Matéria  IRPJ E REFLEXOS  Recorrente  ATACADÃO RIO BRANCO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO  LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004  Ementa:  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  INEXISTÊNCIA.  Não  se  constata  qualquer  vício  na  imputação  que  ensejou  o  lançamento,  pois  restou  bem  demonstrada,  com  a  indicação  dos  elementos  de  fato  e  dos  fundamentos  legais que ensejaram a autuação.  NULIDADE  DE  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  INOCORRÊNCIA.  É  válida  a  decisão  que  analisou  todos  os  argumentos  apresentados  na  impugnação  refutando­os  com  a  indicação  dos  elementos  contidos no processo e da legislação aplicável ao caso concreto.  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  NÃO  OCORRÊNCIA. É hígido o lançamento realizado dentro do prazo previsto no  art.  173,  inc.  I  do  CTN,  quando  se  constata  que  a  existência  de  dolo  no  cometimento das infrações apuradas.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  PAGAMENTOS  NÃO  CONTABILIZADOS.  Tendo ficado comprovado que os pagamentos  foram efetuados  e que foram  omitidos da escrituração, provado está o fato índice, não elidido por prova em  contrário, para a aplicação da presunção legal de omissão de receitas.  PIS,  COFINS  E  CSLL.  DECORRÊNCIA.  Por  se  constituírem  infrações  decorrentes  e  vinculadas,  aplica­se  integralmente  ao  lançamento  das  contribuições sociais: Pis, Cofins e CSLL as conclusões atinentes ao IRPJ.  PIS  E  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  CONSTITUCIONALIDADE.  A  declaração da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 pelo STF  não prejudica o lançamento, na medida em que as receitas consideradas omitidas não  integram  o  rol  daquelas  cujo  alargamento  da  base  de  cálculo  pretendia  abarcar.  Aplicação do § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995.      Fl. 3791DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO     2 EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  PIS  E  DA  COFINS.  INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS, nas operações normais da  pessoa  jurídica,  é  componente  do  preço  do  produto  que  compõe  o  faturamento  da  pessoa  jurídica,  que  é  a  base  de  cálculo  das  contribuições.  Não existe na legislação a hipótese de exclusão do ICMS da base de cálculo  do PIS e da Cofins.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  Verificada  a  prática  reiterada  de  omissão de receitas, resta configurado o dolo nos termos do art. 71 da Lei nº  4.502, de 30 de novembro de 1964, devendo  ser mantida  a multa de ofício  prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96.  MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. Ainda que não tenha entregado  todos os elementos solicitados ou logrado prestar todos os esclarecimentos, a  fiscalizada  em  nenhum  momento  obstaculizou  ou  criou  embaraços  à  conclusão da  ação  fiscal,  sendo assim  indevido o  agravamento da multa de  ofício.  PERÍCIA.  INDEFERIMENTO. Não  tendo a  recorrente  indicado os  exames  desejados, nem  indicado os quesitos e o profissional que seria o  seu perito,  considera­se não formulado o pedido de perícia por não atender aos requisitos  do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972.     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa.   (Documento assinado digitalmente)  MARCOS RODRIGUES DE MELLO ­ Presidente.   (Documento assinado digitalmente)  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Relator.   EDITADO EM: 21/12/2011  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de  Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira,  Luiz Tadeu Matosinho Machado, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da  Silva.   Fl. 3792DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/2007­74  Acórdão n.º 1302­000.772   S1­C3T2  Fl. 3.776          3 Relatório  Trata­se  de  lançamentos  de  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ,  Programa de Integração Social ­ PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  ­ COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL, dos anos­calendário 2002 a  2004, no valor total de R$ 3.592.604,23, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora  atualizados até 28/02/2007 efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 192 a 239.   A  infração  apurada  refere­se  à  omissão  de  receitas  caracterizada  pela  comprovação de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração.  O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 30/03/2007 (fls. 192, 204,  215 e 226).  Tempestivamente o sujeito passivo apresentou impugnação aos lançamentos  em 27/04/2007, (fls. 245 a 266), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJ­Belém, in verbis:  1.  houve  ofensa  aos  princípios  que  regem  o  processo  administrativo, dentre os quais o da motivação, da legalidade e  da verdade material;  2.  não  foi  comprovada de  forma  efetiva  a  omissão de  receitas,  não  havendo  motivação  suficiente  para  as  autuações  impugnadas;  3.  a  imprecisa  descrição  dos  supostos  fatos  que  originaram  a  autuação afronta o princípio da verdade material;  4. as decisões do Conselho de Contribuintes demonstram que o  ônus  de  provar  a  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário  é  do  Fisco e não o contrário;  5. considerou­se que a receita bruta corresponde às notas fiscais  de entrada não contabilizadas. No entanto, tais notas fiscais não  podem  ser  consideradas  para  a  constituição  do  crédito  tributário, sem que antes se verifique se efetivamente ocorreu a  operação mercantil por elas representadas;  6.  o  agente  fiscal  incluiu  dentre  os  bens  e  mercadorias  adquiridos,  notas  fiscais  de  caminhões,  máquinas  e  peças  de  reposição  considerando  seu  valor  como  se  houvessem  sido  produto  de  venda  mercantil  posterior  e  tributando  seu  valor  como se receita fosse;  7.  se  não  há  comprovação  da  operação mercantil,  não  é  certo  que  a  mercadoria  deu  entrada  no  estabelecimento  do  impugnante, e igualmente rui o argumento de que a mercadoria  foi vendida originando receita tributável;  8. deveria o agente fiscal, nos termos do artigo 284, §1º do RIR,  diligenciar ao estabelecimento do impugnante, e verificar in loco  Fl. 3793DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO     4 o  valor  efetivo  das  receitas  auferidas  em  três  dias  alternados  dentro do mesmo mês;  9. não se configura a hipótese legal para a aplicação da multa  de  225%  tanto  porque  não  demonstrado  o  evidente  intuito  de  fraude, quanto por não ter o impugnante se negado a apresentar  os documentos solicitados e não ter o agente fiscal comprovado  o dolo referente a não entrega de documentos ou informações à  fiscalização;  10. é  ilegal a aplicação da  taxa SELIC aos créditos  tributários  em questão.  A  Primeira  Turma  de  Julgamento  da  DRJ­Belém manteve  integralmente  o  lançamento, proferindo o Acórdão nº 01­11.681, de 07/08/2008 (fls. 277/280), com a seguinte  ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004  OMISSÃO  DE  RECEITA.  PAGAMENTOS  NÃO  CONTABILIZADOS.  A confirmação da efetivação de pagamentos a fornecedores com  recursos  mantidos  à  margem  da  contabilidade  autoriza  a  presunção legal de omissão de receita.  MULTA  AGRAVADA  ­  Aplicável  a  multa  de  ofício  agravada  uma vez configuradas as circunstâncias previstas no §2º do art.  44 da Lei nº 9.430/96.   MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.   Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis,  será  aplicada  à multa  de  ofício  prevista  no  §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96.  JUROS. TAXA SELIC.  Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC  previsão  legal,  não  compete  aos  órgãos  julgadores  administrativos apreciar argüição de sua inconstitucionalidade.  PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.  Quando  há  harmonia  entre  as  provas  e  irregularidades  que  ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais,  o  que  foi  decidido  em  relação  àquele  é  aproveitado  nos  lançamentos destas.  Lançamento Procedente.    A  contribuinte  foi  cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  27/08/2008 (AR – fls. 287), tendo interposto recurso voluntário em 25/09/2008 (fls. 290/327).  A recorrente alega, preliminarmente, em sua petição que:  Fl. 3794DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/2007­74  Acórdão n.º 1302­000.772   S1­C3T2  Fl. 3.777          5 a)  está sendo submetida a uma acusação desmotivada e infundada, em face da ausência de  precisa indicação da infração ­ falta de motivação e justa causa ao auto de infração, o  que seria causa de nulidade da autuação;  b)  que  o  julgado  de  primeira  instância  peca  pela  ausência  de  fundamentação,  pois  “apresenta­se bastante singelo, lacônico e anêmico em suas considerações, raiando as  margens  da  simples  chancela  do  lançamento,  sem  qualquer  amparo  ou  sustentação  legal ou probatória, o que é inadmissível pelo nosso ordenamento” e que “a 1a Turma  da  DRJ/BELÉM/PA  confundiu  seu  mister  com  o  de  agente  fiscal,  e  assim  o  ato  administrativo de julgamento tributário tornou­se simples chancela do trabalho fiscal”,  concluindo  que  “à  míngua  de  observância  ao  princípio  da  fundamentação  das  decisões, é nulo o r. decisum de 1a instância”; e,  c)  que  os  Autos  de  Infração  abrangem  fatos  geradores  do  PIS,  Cofins  e  IRPJ  de  15/02/2002  e  15/03/2002  e  que  para  tais  fatos,  “o  lançamento  só  poderia  ter  sido  efetuado  até  15/02/2007  e  15/03/2007,  respectivamente,  ou  seja,  5  (cinco)  anos  contados da ocorrência do fato gerador, a teor do mandamento insculpido no art. 150,  § 4o do CTN”, já que se trata de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e que  não se aplica a regra do art. 173, I do CTN, pois esta pressupõe, para os tributos sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  a  comprovação  de que  tenha havido  dolo,  fraude  ou  simulação, o que não ocorreu, segundo a recorrente.   No  mérito,  o  recurso  interposto,  a  par  dos  argumentos  apresentados  na  impugnação, traz novas alegações que estão bem sintetizadas ao final da própria peça recursal,  in verbis:  Diante  do  exposto,  é  a  presente  para  requerer  a  Vossas  Senhorias que se dignem reformar a r. decisão a quo,  julgando  improcedente o presente Auto de Infração e Imposição de Multa,  em vista dos vícios materiais apontados, especialmente porque a  exigência contida no lançamento não é tributo devido, tendo em  vista que:    (i)  não  era  possível  o  arbitramento  do  lucro,  vez  que  não  se  verificam, in casu, as hipóteses legais autorizadoras (incisos do  artigo 530 do RIR);  (ii)  não era possível o arbitramento do lucro, eis que possível a  apuração contábil da receita da Recorrente, visto que a própria  Fiscalização  determinou  que  receita  bruta  seria  o  valor  das  mercadorias adquiridas para revenda e não escrituradas;  (iii)  devem  ser  desconsideradas  as  notas  fiscais  de  entrada  registradas  na  SUFRAMA  e  supostamente  não    contabilizadas,  haja vista que não foi comprovada a operação mercantil nesses  casos,  o  que  poderia  ter  sido  feito  mediante  fiscalização  junto  aos fornecedores;  (iv) caso haja o entendimento de que deveria ter sido arbitrada a  receita bruta, esta deveria o ter sido nos moldes do artigo 284 do  RIR,  com  a  permanência  do  fiscal  por  três  dias  alternados  no  estabelecimento  da  Recorrente,  verificando  a  efetiva  receita  bruta naquele período;  Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO     6 (v) não houve a descaracterização da contabilidade pelo Agente  Fiscal, tanto que os documentos anexos ao auto de infração são  os  livros  fiscais da Recorrente, razão pela qual a contabilidade  deveria servir como base para o lançamento tributário;  (viii)  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  não  é  a  receita  bruta,  mas  sim  o  faturamento,  entendido  com  o  resultado  da  venda  de  mercadorias  e  prestação  de  serviços,  consoante  entendimento já exarado pelo E. STF;  (xiii) deve ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da  COFINS, eis que não são receita própria da Recorrente, mas de  terceiros;  (xiv)  a  multa  não  poderia  ter  sido  aplicada  no  percentual  de  150%  do  valor  do  tributo,  eis  que  não  se  verifica  o  dolo,  tampouco  o  intuito  de  fraude  na  conduta  da  Recorrente,  e  a  jurisprudência do Conselho de Contribuintes é no sentido de que  a  mera  omissão  de  receita  é  falta  simples  e  não  enseja  a  aplicação da multa qualificada.  (numeração dos itens transcrita conforme recurso)  Ao final a recorrente requer a insubsistência da autuação, seja pelas razões de  mérito,  seja  pelos  vícios  formais  apontados  e  requer  a  produção  de  prova  pericial  a  fim  de  corroborar as suas alegações.   É o relatório. Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço.  Analiso  em  primeiro  plano  os  argumentos  de  nulidade  apresentados  pela  recorrente, tanto em relação ao lançamento efetuado quanto à decisão de primeira instância.   Da alegação de nulidade dos autos de infração  A recorrente alega que “está sendo submetida a uma acusação desmotivada e  infundada, em face da ausência de precisa indicação da infração ­ falta de motivação e justa  causa ao auto de infração, o que seria causa de nulidade da autuação”.  Não encontro razões para a insatisfação da recorrente no que tange à correta e  precisa indicação da infração apontada nos autos de infração lavrados. A imputação feita está  bem demonstrada, com a indicação dos elementos de fato e fundamentos legais que ensejaram  a  autuação,  conforme  se  pode  verificar  nos  autos  de  infração  lavrados  e  no  Termo  de  Verificação Fiscal que os integra.   Não merece reparos a decisão de primeira instância ao analisar a alegação da  recorrente, in verbis:  Não se constata, portanto, qualquer imprecisão na descrição dos  fatos,  até  porque  a  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  Fl. 3796DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/2007­74  Acórdão n.º 1302­000.772   S1­C3T2  Fl. 3.778          7 constante  dos  lançamentos  é  complementada  pelo  “Termo  de  Verificação  Fiscal”  de  fls.  157  a  165  que  faz  parte  do  lançamento, conforme descrito nas fls. 193, 205, 216 e 227 onde  foi  detalhado  todo  o  procedimento  de  fiscalização  com  a  sua  respectiva base legal.   Constatados  os  requisitos  para  o  lançamento,  a  autoridade  administrativa competente é obrigada a constituí­lo, sob pena de  responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do CTN):  (...)  As  instâncias  administrativas  não  têm  competência  para  questionar  sobre  a  inconstitucionalidade  ou  a  validade  da  legislação tributária invocada nos autos de infração.  Resulta  notório,  pois,  que  nenhuma  mácula  houve  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa,  observado  que  foi  o  devido  processo  legal,  não  aproveitando  à  impugnante,  porque  inexistente,  qualquer  ofensa  à  legalidade,  motivação,  verdade  material  ou  a  qualquer  outro  princípio  diretor  da  atividade  administrativa em questão.  Destarte rejeito a alegação de nulidade dos lançamentos efetuados.  Da alegação de nulidade da decisão de Primeira Instância  O  segundo  argumento  da  recorrente  é  o  de  que  seria  nula  a  decisão  de  primeira  instância  por  ausência  de  fundamentação,  pois  teria  se  limitado  a  chancelar  a  autuação, sem apreciar os elementos fáticos e os fundamentos legais do lançamento.  Também não merece acolhida esta alegação. A decisão de primeira instância  não se limitou a chancelar simplesmente o lançamento, como que fazer crer a recorrente. Com  efeito,  os  julgadores  de  primeira  instância  analisaram  todos  os  argumentos  apresentados  na  impugnação  refutando­os  com  a  indicação  dos  elementos  contidos  no  processo,  bem  como  fazendo a indicação precisa da legislação aplicável ao caso concreto.  Sendo assim, não há como acolher a preliminar argüida.  Da ocorrência de decadência parcial  A recorrente alega ter ocorrido a decadência do direito de lançar em relação  aos fatos geradores do  IRPJ, PIS e Cofins que  teriam ocorrido em 15/02/2002 e 15/03/2002,  nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, em face do lançamento ter se consumado apenas em  29/03/2011.  Antes de adentrar ao exame da alegação impõe­se fazer, de imediato, alguns  reparos às alegações da recorrente. Nos termos da legislação vigente e do que dispõem os arts.  115 e 116 do CTN, o fato gerador dos tributos ocorre no momento definido pela lei tributária.  Assim,  no  caso  das  contribuições  sociais  PIS  e  Cofins  a  legislação  estabelece  como  fato  gerador a receita bruta mensal (ou faturamento).  Assim, têm­se como ocorrido o fato gerador  no  último  dia  de  cada  período  mensal  de  apuração.  No  caso  do  Imposto  de  Renda,  o  fato  gerador  é  fixado  pela  legislação  de  diversas  formas  e  está  a  depender  da  opção  feita  pelo  Fl. 3797DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO     8 contribuinte quanto  ao  regime e/ou período de  apuração  (Lucro Real  ­  trimestral  ou  anual  ­,  Lucro Presumido ou Lucro Arbitrado). A mesma regra se aplica à Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido. De outra parte,  o  lançamento  somente  se  aperfeiçoou em 30/03/2007,  com a  ciência dos autos de infração pelo responsável legal do sujeito passivo.  Feitas as considerações acima, observo que o  lançamento realizado abrange  fatos geradores do PIS e da Cofins relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2002, que, em  princípio,  se  observada  o  disposto  no  §  4º  do  art.  150  do  CTN  estariam  alcançados  pela  decadência quando da ciência da autuação.   Ocorre que o lançamento dos tributos foi realizado com a aplicação da multa  qualificada prevista no inc II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, por entender a autoridade lançadora  que estariam presentes os requisitos de dolo, fraude ou simulação nas infrações apuradas, o que  deslocaria o prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I do CTN  Assim, tendo em vista que a recorrente também se insurgiu contra a aplicação  da multa qualificada, o que examinarei adiante, a conclusão sobre a ocorrência de decadência  em relação aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2002 das contribuições para o PIS e  Cofins, será feita após este exame.  No  que  tange  aos  fatos  geradores  do  Pis  e  da Cofins  do mês  de março  de  2002  não  há  qualquer  vício  decadencial,  na medida  em  que  o  lançamento  foi  realizado  em  30/03/2007, observando assim o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN.  O  mesmo  se  aplica  ao  lançamento  do  IRPJ  e  da  CSLL  relativo  ao  fato  gerador ocorrido em 31/03/2002. Tendo o contribuinte apurado seu lucros pelo regime do lucro  presumido  o  primeiro  fato  gerador  ocorrido  nos  períodos  lançados  refere­se  ao  primeiro  trimestre  do  ano­calendário  de  2002.  Destarte  são  hígidos  os  lançamentos  de  IRPJ  e  CSLL  realizados para as infrações apuradas no referido período.  DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO  Sobre Arbitramento do lucro  A  recorrente  alega  que  “não  era  possível  o  arbitramento  do  lucro,  vez que  não  se  verificam,  in  casu,  as  hipóteses  legais  autorizadoras  incisos  do  artigo  530  do RIR”,  sobre  as  quais  discorre  longamente.  Afirma  ainda  que  não  houve  a  descaracterização  da  contabilidade  pelo  agente  fiscal,  razão  pela  qual  aquela  deveria  servir  de  base  para  o  lançamento  feito  e  que  mesmo  que  o  entendimento  fosse  pelo  arbitramento,  a  receita  bruta  deveria o ter sido feita nos moldes do artigo 284 do RIR, com a permanência do fiscal por três  dias alternados no estabelecimento da Recorrente, verificando a efetiva  receita bruta naquele  período.  Há evidente equívoco nas  alegações da  recorrente ao  se  insurgir  contra um  suposto arbitramento que teria sido efetuado pela autoridade lançadora na apuração das receitas  omitidas.   Em  verdade  houve  a  constatação  da  omissão  de  receitas  por  parte  da  recorrente por meio de método indireto, autorizado por lei. Trata­se da hipótese de presunção  legal prevista no inc. II do art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto  3.000/1999), in verbis:  Art.   281.  Caracteriza­se  como  omissão  no  registro  de  receita,  ressalvada  ao  contribuinte  a  prova  da  improcedência  da  Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/2007­74  Acórdão n.º 1302­000.772   S1­C3T2  Fl. 3.779          9 presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto­Lei nº  1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40):  I – (...)  II ­ a falta de escrituração de pagamentos efetuados;  III – (...)  A  contabilidade  da  fiscalizada  não  foi,  de  fato,  desconsiderada  pela  autoridade fiscal, como observa a recorrente. A anexação de cópia dos livros contábeis e fiscais  aos autos  tem o  intuito probatório de demonstrar que a  recorrente omitiu de sua escrituração  grande  quantidade  de  pagamentos  por  ela  efetuados,  o  que  caracteriza  a  ocorrência  da  presunção legal de omissão de receitas. Portanto, os elementos contábeis e fiscais juntados aos  autos  são  utilizados  como  prova  da  omissão  verificada.  Em momento  alguma  a  autoridade  fiscal  desqualificou  ou  declarou  a  contabilidade  imprestável  à  apuração  dos  lucros  contabilizados  e  tributados, mas  tão  somente  identificou  falhas  nos  registros  que  denotam  a  ocorrência de omissão de receitas.  A infração configurada se amolda perfeitamente à hipótese prevista no inc. II  do  art.  281  do  RIR/99,  não  havendo  necessidade  da  autoridade  fiscal  recorrer  à  hipótese  extrema prevista no art. 284 do mesmo diploma legal, como argui a recorrente. Com efeito, tal  método de apuração é facultado à autoridade tributária na hipótese em que não exista nenhum  ou elemento de aferição da receita tributável, o que não é o caso dos autos.  Destarte,  afasto  as  alegações  da  recorrente  por  estarem  em  completa  dissonância com os fundamentos e demais elementos contidos na autuação.  Da não comprovação das operações mercantis pela fiscalização  A recorrente alega também que devem ser desconsideradas as notas fiscais de  entrada  registradas na SUFRAMA e supostamente não contabilizadas, haja vista que não  foi  comprovada  a  operação  mercantil  nesses  casos,  o  que  poderia  ter  sido  feito  mediante  fiscalização junto aos fornecedores.   Transcrevo os argumentos da recorrente sobre a questão trazidos no recurso  voluntário:  Consta da acusação a divergência entre os arquivos magnéticos  e livros registro de entrada fornecidos pela Recorrente e aqueles  contendo  registro  das  notas  de  vendas  para  o Estado  do Acre,  registradas  pela  SUFRAMA  no  período  de  2000  a  2004,  arquivos  esses  que  foram  encaminhados  através  do  Ofício  n°  5045­GABIN.SUP de 25.07.2005 (fls. 03 do Anexo II).  Tais notas fiscais, contudo, não podem ser consideradas para a  constituição do crédito  tributário, sem que antes se verifique se  efetivamente  ocorreu  a  operação  mercantil  por  elas  representada.  Fato  é  que  algumas  daquelas  notas  fiscais  podem  ter  sido  emitidas  contra  a  Recorrente,  sem  que  a  mercadoria  tenha  efetivamente sido entregue em seu estabelecimento.  Fl. 3799DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO     10 Conclui  que  teria  sido  necessário  que  a  fiscalização  obtivesse  junto  aos  fornecedores os canhotos das notas fiscais listadas, devidamente assinadas pela recorrente, de  modo a comprovar que foram efetivamente entregues nos seus estabelecimentos.  Também desta feita não assiste razão à recorrente.   A infração constatada pela fiscalização é a falta de escrituração de pagamento  efetuado.  É  este  o  fato  a  ser  provado  pela  fiscalização  com  vistas  a  ficar  caracterizada  a  presunção omissão de receitas.  A alegação da recorrente pressupõe que a receita omitida a ser apurada seria  aquela  decorrente  da  venda  das  mercadorias  que  teriam  sido  adquiridas  mediante  os  pagamentos  omitidos  da  escrituração.  Assim,  seria  necessário  que  houvesse  a  prova  do  ingresso  da  mercadoria  nos  seus  estabelecimentos  que,  presumivelmente  seria  vendida  e  caracterizaria a omissão de receitas.  No  entanto,  a  hipótese  legal  de  omissão  de  receitas  presumida  que  deu  suporte  ao  lançamento  tem  como  pressuposto  que  recursos  marginais,  oriundo  de  receitas  omitidas  em  momento  anterior,  deram  suporte  aos  pagamentos  omitidos  da  escrituração.  Portanto,  à  fiscalização  compete  provar  a  existência  de  pagamentos  realizados  e  não  escriturados, não  importando que os mesmo se refiram a compras de mercadorias,  realização  de outras despesas ou mesmo investimentos para o ativo imobilizado.  No presente caso, a fiscalização foi cuidadosa em seu mister, na medida em  tendo  identificado  que  diversas  notas  fiscais  de  aquisição  de  mercadorias,  identificadas  em  registros da Suframa e da Sefaz, não constavam dos  livros contábeis e  fiscais da  fiscalizada,  intimou  todos  os  fornecedores  a  apresentar  não  apenas  as  cópias  das  referidas  notas  fiscais,  mas também os comprovantes de sua quitação e outros esclarecimentos acerca das operações  realizadas com a recorrente, a serem informado em planilha modelo.  Das  intimações  feitas  aos  emitentes  das  notas  fiscais,  que  integram  dos  Anexos XI a XVII deste processo, consta a seguinte solicitação:  “(...)  intimamos  o  contribuinte  acima  qualificado  a,  no  prazo de 05 (cinco) dias contados a partir do dia seguinte  ao  recebimento  desta,  preencher  a  planilha  anexa  (ou  seguindo  o  modelo  da  mesma)  com  as  informações  referentes  a  vendas  para  as  empresas  citadas,  devendo  juntar  o(s)  comprovante(s)  de  recebimento  do  (s)  pagamento(s) correspondente(s), bem como os documentos  ficais/comerciais  relacionados  (nota  fiscal  ou  equivalente,  duplicatas,  faturas)  com  a  identificação  do  responsável  pelas informações”.  As empresas intimadas prestaram as informações, trazendo os elementos que  comprovam  cabalmente  os  pagamentos  omitidos  na  escrituração  da  recorrente,  inclusive  extratos bancários em alguns casos.  A única intimação não realizada refere­se à empresa T. de  J. L. Silva (fls. 155 a 160, anexo XI), por estar inativa, sendo frustrada a tentativa de entrega da  correspondência  pela  via  postal.  Neste  caso,  as  notas  fiscais  e  respectivos  pagamentos  que  teriam  ocorrido  de  fevereiro  a  abril  de  2004  foram  desconsiderados  pela  fiscalização  para  efeito de apuração dos créditos tributários.   Outros  pagamentos  não  escriturados  foram  identificados  a  partir  de  documentos apresentados pelo próprio sujeito passivo (fls. 108 a 153).  Fl. 3800DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/2007­74  Acórdão n.º 1302­000.772   S1­C3T2  Fl. 3.780          11 Por seu  turno,  intimada a informar a data dos pagamentos aos  fornecedores  das mercadorias constantes das notas fiscais, bem como a comprovar com documentação hábil  e idônea a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras (Termo de  Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 29/01/2007– fls. 80/81), após pedir prorrogação de  prazo para prestar os esclarecimentos (fls. 100), limitou­se a informar (fls. 101) que “quanto às  notas  fiscais  relacionadas  no  anexo  I  (18  páginas)  do  TCIF,  informamos  que  aguardamos  posição dos fornecedores, quanto às mesmas, para, de forma clara e precisa constatar se as  mercadorias  constantes  nas mesmas  foram  adquiridas  pela  empresa  e  ou  por  terceiros,  em  nome da empresa”.  Em  06/03/2007  a  recorrente  foi  reintimada  a  prestar  os  esclarecimentos  solicitados, e apresentar outros documentos (Termo de Constatação e Intimação nº 0002 – fls.  102/103). Novamente  a  fiscalizada  nada  esclareceu  sobre  as  notas  fiscais  em  suas  respostas  (fls. 104 e 105), limitando­se a entregar alguns documentos fiscais.  Em 15/03/2007 a recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos acerca de  veículos  adquiridos  da  empresa  Volvo  do  Brasil  e  apresentar  os  comprovantes  da  operação  (notas fiscais, comprovantes de pagamento, etc), bem como comprovar a origem dos recursos  empregados  nos  respectivos  pagamentos  (Termo  de Constatação  e  Intimação  nº  0003  –  fls.  106/107).  Em  correspondência  (fls  108)  a  fiscalizada  prestou  informações  acerca  das  aquisições e  forma de pagamento,  inclusive anexando os comprovantes  (fls. 109 a 153), mas  não informou, nem comprovou a origem dos recursos empregados nos pagamentos.  Em  suas  alegações  no  recurso  a  fiscalizada  sugere  que  “algumas  daquelas  notas  fiscais  podem  ter  sido  emitidas  contra  a  Recorrente,  sem  que  a  mercadoria  tenha  efetivamente  sido  entregue  em  seu  estabelecimento”.  Embora  irrelevante  para  o  deslinde  da  questão,  insta  observar  que  em  momento  algum  do  processo  a  recorrente  trouxe  qualquer  elemento indiciário de que tal fato pudesse ter ocorrido.  A infração imputada à recorrente decorre de uma presunção legal, como já foi  destacado. Assim, tal presunção poderia ser elidida pela recorrente, mediante a apresentação de  elementos que pudessem refutar os  indícios  levantados pela  fiscalização.  Isto não ocorreu no  presente caso.  Tendo ficado comprovado que os pagamentos  foram efetuados  e que foram  omitidos  da  escrituração,  provado  está  o  fato  índice  para  a  aplicação  da  presunção  legal  de  omissão de receitas.  Ante o exposto, mantenho integralmente o lançamento do IRPJ alicerçado na  infração  de  omissão  de  receitas  apurada  em  face  da  falta  de  escrituração  de  pagamentos  efetuados.  LANÇAMENTOS REFLEXOS  Da CSLL  Por  se  constituírem  infrações  decorrentes  e  vinculadas,  aplica­se  ao  lançamento  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  integralmente,  as  conclusões  atinentes ao IRPJ.  Fl. 3801DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO     12 Assim, mantenho integralmente o lançamento a título de CSLL.  Das contribuições ao PIS e Cofins  Com  relação  às  contribuições  ao  PIS  e  Cofins  também  se  aplicam  as  conclusões  relativa  às  manutenção  do  lançamento  no  que  tange  ao  exame  do  mérito  das  infrações.  Impõe­se,  no  entanto,  examinar  as  alegações  da  recorrente  trazidas  especificamente quanto às ditas contribuições.  A primeira alegação é de que “a base de cálculo do PIS e da COFINS não é  a receita bruta, mas sim o faturamento, entendido com o resultado da venda de mercadorias e  prestação de serviços, consoante entendimento já exarado pelo E. STF”.  Refere­se o contribuinte ao alargamento da base de cálculo das ditas contribuições  por meio do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, considerado inconstitucional pelo pleno do STF, em sessão  realizada  em  09/11/2005,  ao  julgar  os  Recursos  Extraordinários  nºs  357.950­9/RS,  390.840­5/MG,  358.273­9/RS e 346.084­6/Pr.  O mencionado dispositivo, considerado inconstitucional pelo STF, deu  novo conceito ao termo “faturamento”, in verbis:  Art.   3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.          § 1º Entende­se por receita bruta a totalidade das receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil  adotada  para as receitas.   A referida alteração  legislativa buscou abranger no conceito de faturamento outras  receitas  operacionais  ou  não  operacionais,  tais  como  as  receitas  financeiras,  na  base  de  cálculo  das  contribuições ao Pis e Cofins.  No  entanto,  no  caso  sob  exame  a  declaração  da  inconstitucionalidade  do  mencionado  dispositivo  em  nada  prejudica  o  lançamento,  na  medida  em  que  as  receitas  ora  consideradas  omitidas  não  integram  o  rol  daquelas  cujo  alargamento  da  base  de  cálculo  pretendia  abarcar.  A  inclusão  das  receitas  omitidas  na  base  de  cálculo  das  contribuições  ao Pis  e  da  Cofins foi estabelecida pelo § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, in verbis:  Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a  pessoa jurídica no período­base a que corresponder a omissão.  §  1o  No  caso  de  pessoa  jurídica  com  atividades  diversificadas  tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo  possível  a  identificação  da  atividade  a  que  se  refere  a  receita  omitida,  esta  será  adicionada  àquela  a  que  corresponder  o  percentual mais elevado.  §  2º  O  valor  da  receita  omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento  da  contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a  seguridade  social  ­  COFINS  e  da  contribuição  para  os  Programas de  Integração Social e de Formação do Patrimônio  do Servidor Público ­ PIS/PASEP.  Fl. 3802DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/2007­74  Acórdão n.º 1302­000.772   S1­C3T2  Fl. 3.781          13 (...)  Destarte, rejeito a primeira alegação da recorrente.  O segundo argumento da recorrente é que deve ser excluído o ICMS da base  de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não são receita própria da recorrente, mas de terceiros.  Não  tem  razão  a  recorrente.  O  ICMS,  nas  operações  normais  da  pessoa  jurídica, é componente do preço do produto que compõe o faturamento da pessoa jurídica, que  é a base de cálculo das contribuições. Não existe na legislação a hipótese de exclusão do ICMS  da base de cálculo do PIS e da Cofins.  No caso dos  autos a omissão de  receitas  foi apurada de  forma  indireta  (por  presunção),  e  conforme  acima  analisado  este  montante  deve  integrar  a  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  sem  qualquer  exclusão,  nos  termos  do  §  2º  do  art.  24  da  Lei  nº  9.249/1995.  Rejeito, assim, a segunda alegação da recorrente e mantenho os lançamentos  relativos ao PIS e Cofins no que diz respeito ao exame do mérito das infrações.  DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO  A recorrente argumenta que a multa de ofício não poderia ter sido aplicada no  percentual de 150% do valor do tributo, pois não estaria caracterizado o dolo, nem tampouco o  intuito de fraude na sua conduta. Alega que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é no  sentido  de  que  a mera  omissão  de  receita  é  falta  simples  e  não  enseja  a  aplicação  da multa  qualificada.  Alega ainda que “a declaração inexata ou insuficiente apresentada ao Fisco  quando  este  pode  verificar  seu  acerto,  não  tipifica  o  evidente  intuito  de  fraude mencionado  pela  lei.  A  não­declaração  de  todos  os  rendimentos  auferidos  pela  empresa  no  período  fiscalizado  caracteriza,  a  princípio,  falta  simples  de  omissão  de  rendimentos  já  penalizada  com aplicação de gravosa multa de 75%”.  Além disso, a recorrente ressalta que “em momento algum causou embaraços  ou impedimentos à fiscalização, sempre solicitou e justificou a prorrogação de prazo para a  entrega dos documentos ao longo da ação fiscal, e jamais apresentou documentos falsos que  evidenciassem a má­fé própria dos atos fraudulentos”.  São dois os aspectos questionados, portanto. A qualificação e o agravamento  da multa. Passo a analisar cada um dos argumentos.  Da aplicação da multa qualificada  A  alegação  da  recorrente  de  que  não  teria  havido  dolo  ou  fraude  no  cometimento das infrações apuradas merece reparos.   A  jurisprudência  administrativa  tem  entendido,  de  fato,  que  omissão  de  rendimentos por si só não é suficiente para caracterizar o dolo ou o intuito de fraude.   No caso dos autos, no entanto o que se têm é a prática reiterada de atos ou  omissões que revelam a intenção deliberada da recorrente em omitir receitas. Ora, ao deixar de  Fl. 3803DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO     14 registrar  inúmeros  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  mês  a  mês,  durante  três  anos  consecutivos, revela­se mais do que manifesta a intenção da fiscalizada de ocultar parte de suas  receitas,  não podendo atribuir­se  a mero  erro  as omissões  reiteradas dos pagamentos  em sua  escrita  contábil  e  fiscal. Não  se  trata,  portanto,  de mera  declaração  inexata, mas  de omissão  reiterada de receitas que revela o evidente intuito doloso.  Deste modo, mantenho a aplicação da multa qualificada.  Do agravamento da multa  A  Recorrente  alega  que  “em  momento  algum  causou  embaraços  ou  impedimentos  à  fiscalização,  sempre  solicitou  e  justificou  a  prorrogação  de  prazo  para  a  entrega dos documentos ao longo da ação fiscal, e jamais apresentou documentos falsos que  evidenciassem a má­fé própria dos atos fraudulentos”.  Neste caso me parece exagerado o agravamento da penalidade aplicado pela  autoridade lançadora.  Compulsando  os  autos  verifico  que,  se  nem  sempre  conseguiu  prestar  os  esclarecimentos  ou  apresentar  todos  os  elementos  solicitados  pela  autoridade  fiscal,  a  fiscalizada,  ora  recorrente,  em  nenhum  momento  parece  ter  oposto  qualquer  resistência  ou  tenha causado embaraços à ação fiscal.   Com  efeito,  verifico,  por  exemplo,  que  em  resposta  ao Termo de  Início  de  Ação Fiscal, lavrado em 09/02/2006 (fls. 41) a fiscalizada apresentou em 15/03/2006 (fls. 12),  parte da documentação solicitada (livros contábeis e fiscais, contrato social e notas fiscais de  compras) e pediu prazo para a apresentação dos demais elementos. Em 24/03/2006, entregou o  livro Diário  do  ano  de  2004  (fls.  38).  Em  17/04/2006,  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  lavrado em 03/04/2006 (fls. 41), apresentou  talonários de notas  fiscais de saída (fls. 43). Em  19/04/2006  respondeu  a  outro  Termo  de  Intimação  (fls.  39)  informando  que  já  teria  feito  a  atualização cadastral de uma filial (fls. 44).   Constato que, em diversos momentos da ação fiscal, a recorrente apresentou  livros  ou  documentos  ou  a  prestou  informações  solicitadas  pela  fiscalização,  ou  ainda  apresentou pedidos de prorrogação de prazos (fls. 46, 51, 58, 59, 71, 72, 73, 75, 78, 79, 100,  101, 104 e 108).  Ainda  que  não  tenha  entregado  todos  os  elementos  solicitados  ou  prestado  todos os esclarecimentos, é certo que a fiscalizada não obstaculizou a conclusão da ação fiscal.  A  autoridade  lançadora, mediante  o  cotejo  das  informações  de  que  já  dispunha  ao  início  do  procedimento fiscal com as informações registradas nos livros fiscais e contábeis da fiscalizada  e ainda com a obtenção de outros elementos de confirmação dos indícios da infração apurada  junto a terceiros, pode apurar as infrações cometidas e efetuar o lançamento devido.   Posto isso, voto no sentido de rejeitar o agravamento da penalidade.  DA SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA  Ao final do recurso a recorrente requer a produção de prova pericial a fim de  corroborar as suas alegações.   Não vislumbro qualquer necessidade ou utilidade na realização de perícia no  presente caso. Os elementos contidos no processo são mais do que suficientes para a formação  de convicção do julgador quanto aos fatos e apurações contidas nos autos.  Fl. 3804DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/2007­74  Acórdão n.º 1302­000.772   S1­C3T2  Fl. 3.782          15 Além  disso,  a  recorrente  não  expôs  nenhum motivo  que  a  justifique,  nem  indicou  quesitos  referentes  a  exames  desejados,  nem  indicou  o  profissional  que  seria  o  seu  perito. Descumpriu, assim, os requisitos do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972.   Assim considero não formulado o pedido de perícia, nos termos do §1º do art.  16 do Decreto nº 70.235/72.   CONCLUSÕES  Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de  decadência arguidas e de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para excluir  da exigência o agravamento da multa, reduzindo­se o percentual da multa de oficio de 225%  para 150% sobre os créditos tributários lançados.   Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator                               Fl. 3805DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO

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Numero do processo: 11080.727479/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. O exercício de atividade econômica vedada impossibilita o ingresso do contribuinte no Simples Nacional. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NEGATIVA NÃO JUSTIFICADA DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS A QUE ESTAVA OBRIGADA. A pessoa jurídica poderá ser excluída da sistemática do Simples Nacional por iniciativa da autoridade administrativa quando der causa a embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada. EXCLUSÃO. VEDAÇÕES DO ARTIGO 3º, § 4º, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. A pessoa jurídica que incorrer em alguma das vedações previstas no § 4º da Lei Complementar nº 123/2006, será excluída do regime de tributação favorecido a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva.
Numero da decisão: 1201-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a recorrente do Simples Nacional com efeitos desde 1º de novembro de 2008, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR

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1201­002.575  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de setembro de 2018  Matéria  SIMPLES NACIONAL ­ EXCLUSÃO  Recorrente  TECNISERVICE ­ SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2008  EXCLUSÃO.  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO.  ATIVIDADE  ECONÔMICA VEDADA.  O  exercício  de  atividade  econômica  vedada  impossibilita  o  ingresso  do  contribuinte no Simples Nacional.  EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NEGATIVA NÃO  JUSTIFICADA DE  EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS A QUE ESTAVA OBRIGADA.  A pessoa jurídica poderá ser excluída da sistemática do Simples Nacional por  iniciativa  da  autoridade  administrativa  quando  der  causa  a  embaraço  à  fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros  e documentos a que estiver obrigada.  EXCLUSÃO.  VEDAÇÕES  DO  ARTIGO  3º,  §  4º,  DA  LEI  COMPLEMENTAR Nº 123/2006.  A pessoa jurídica que incorrer em alguma das vedações previstas no § 4º da  Lei  Complementar  nº  123/2006,  será  excluída  do  regime  de  tributação  favorecido a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial  ao  recurso voluntário para  excluir  a  recorrente do Simples Nacional  com  efeitos desde 1º de novembro de 2008, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 74 79 /2 01 2- 41 Fl. 90DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Paulo Cezar Fernandes de Aguiar ­ Relator    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eva Maria Los,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Gisele  Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar  e Ester Marques Lins  de Sousa  (Presidente).  Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.    Relatório  Adota­se o relatório do Acórdão nº 15­36.688 da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls.  66 a 70), com a complementação necessária em seguida:  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  contra  o  Ato  Declaratório  Executivo  nº  003,  de  12  de  junho  de  2012,  emitido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil em Porto Alegre (RS) ­ DRF/POA, que excluiu a contribuinte do  Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2008 em virtude dos sócios gerentes  participarem  do  capital  social  e  administração  de  outra  pessoa  jurídica,  também  optante  pelo  Simples  Nacional;  por  desenvolver  atividade  vedada  à  opção  pelo  Simples Nacional (prestação de serviços com cessão de mão de obra); e por deixar  de  apresentar  documentação  solicitada  em  ação  fiscal  (contratos  de  prestação  de  serviços  e  respectivas  notas  fiscais),  o  que  dificultou  a  execução  de  auditoria  por  parte da RFB.  A  exclusão  teve  origem  na Representação  Fiscal  para Exclusão  do  Simples  Nacional às folhas 02/10.  Cientificada  do  referido  ADE,  a  contribuinte  apresenta  Manifestação  de  Inconformidade alegando, em síntese:  1.  Em  razão  dos  fatos  apurados  pela  fiscalização,  foi  excluída  do  Simples  Nacional  nos  termos  do  ADE  DRF/POA  nº  003/2012,  com  efeitos  retroativos  a  01/07/2007, por ter ultrapassado a receita máxima permitida para a permanência no  referido  sistema  e  ter  como  atividade  principal  a  prestação  de  serviços  mediante  cessão de mão de obra;  2. No que diz  respeito  a  ter ultrapassado a  receita máxima permitida para  a  permanência  no  referido  sistema,  tal  fato  ocorreu  em  outubro  de  2008,  devendo,  então, ser excluída do Simples Nacional com efeitos a partir de novembro de 2008,  conforme tabela com os valores da sua receita no ano calendário 2008 e legislação  que transcreve;  3. Porém, a exclusão do Simples Nacional foi deferida com efeitos retroativos  a 01/07/2007, por entender a fiscalização, de forma primária, sem suporte jurídico e  sem nenhuma prova documental, que a atividade econômica da recorrente é cessão  de  mão  de  obra,  atividade,  contudo,  que  nem  sequer  consta  de  seus  atos  constitutivos,  o  que  teria  sido  constatado  mediante  informações  verbais  com  os  representantes da empresa;  Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.727479/2012­41  Acórdão n.º 1201­002.575  S1­C2T1  Fl. 3          3 4. Para este tipo de prova, esta alegação é fraca e inconsistente, pois qualquer  pessoa pode afirmar que obteve  informações verbais,  restando saber de que  forma  estas informações verbais serão provadas;  5.  No  ordenamento  jurídico  temos  diversos  tipos  de  prova,  entre  eles  a  testemunhal e a documental, que são  as mais utilizadas,  porém a prova  através de  informações verbais não existe no direito pátrio;  6.  O  objetivo  social  da  impugnante  desde  a  sua  constituição  é  a  comercialização e assistência técnica de equipamentos e suprimentos de informática,  prestação de serviços de digitação de dados e pesquisas de mercado;  7. A RFB resolve, de forma arbitrária, leviana, sem prova e suporte jurídico,  determinar qual o objetivo social da impugnante;  8.  No  curso  da  ação  fiscal  foram  solicitados  os  contratos  de  prestação  de  serviço,  os  quais  não  foram  entregues,  caracterizando  o  embaraço  à  fiscalização,  mas de acordo com o Código Civil os contratos podem ser escritos ou não, e assim o  fato  de  a  recorrente  não  possuir  contratos  escritos  –  impossibilitando­a  de  os  entregar  à  fiscalização  –  não  autoriza  as  deduções  acerca  de  sua  atividade  econômica;  9. Além disto, é possível verificar que o Código Civil, acerca dos contratos de  prestação de serviço, não determina a forma, e por este motivo pode ser verbal, que  é o que ocorre com a recorrente;  10. Ao  final,  requer a procedência da Manifestação de  Inconformidade para  que seja excluída do Simples Nacional com efeitos a partir de novembro de 2008.  Por  essa  decisão,  a  manifestação  de  inconformidade  foi  julgada  improcedente, conforme ementa abaixo transcrita:  EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. ATIVIDADE  ECONÔMICA VEDADA.  O  exercício  de  atividade  econômica  vedada  impossibilita  o  ingresso do contribuinte no Simples Nacional.  EMBARAÇO  À  FISCALIZAÇÃO.  NEGATIVA  NÃO  JUSTIFICADA DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS A QUE  ESTAVA OBRIGADA.  A pessoa jurídica poderá ser excluída da sistemática do Simples  Nacional por iniciativa da autoridade administrativa quando der  causa  a  embaraço  à  fiscalização,  caracterizado  pela  negativa  não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver  obrigada.  No  recurso  voluntário  são  repisadas  as  razões  expostas  na manifestação  de  inconformidade, acrescentando­se:  a)  a  receita  total  da  recorrente,  no  ano  de  2008,  foi  da  ordem  de  R$  300.000,00,  bem  abaixo  do  limite  para  que  se  procedesse  ao  seu  desenquadramento  como  microempresa;  Fl. 92DF CARF MF     4 b)  não  presta  serviços  com  cessão  de  mão­de­obra,  mas  por  meio  de  empreitada global;  c) que houve erro da fiscalização quanto à apuração da receita da empresa em  três  meses  (março,  julho,  novembro  e  dezembro,  de  2008)  e,  se  considerados  os  valores  corretos, não teria havido a superação quanto ao limite para a exclusão.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator.  Admissibilidade.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, dele devendo­se conhecer.  Mérito.  Pelo ato declaratório executivo, a exclusão da recorrente do Simples Nacional  deu­se por três motivos:  a)  os  sócios  gerentes  participam  do  capital  social  e  administração  de  outra  pessoa jurídica, também optante pelo Simples Nacional;  b) a recorrente desenvolve atividade que veda a opção pelo Simples Nacional  (prestação de serviços com cessão de mão de obra); e  c)  não  apresentou  a  documentação  solicitada  em  ação  fiscal  (contratos  de  prestação de serviços e respectivas notas fiscais), o que caracteriza embaraço à fiscalização.  Quanto ao primeiro motivo, não há nenhuma contestação sobre a participação  dos sócios no capital social ou da administração de outra pessoa jurídica, também optante pelo  Simples  Nacional.  Nesse  ponto,  na  manifestação  de  inconformidade  a  interessada  (atual  recorrente)  alega  que  o  excesso  de  receitas,  consideradas  as  duas  PJs,  só  teria  ocorrido  em  outubro de 2008, não cabendo a exclusão desde  janeiro desse ano. Já, no recurso voluntário,  aduz que a receita seria de R$ 309.418,00, abaixo do limite para a exclusão. Também, alega ter  havido  erros  na  apuração  da  receita  nos  meses  de  março,  julho,  novembro  e  dezembro,  de  2008,  e  que,  se  considerados  os  valores  corretos,  não  teria  sido  atingido  o  limite.  Não  foi  trazido nenhum documento junto com o recurso voluntário, nem tampouco foi  informado em  que se consubstancia o erro: na receita da recorrente, da outra PJ (Martins Informárica Ltda.)  ou na soma dessas duas receitas.  No  que  tange  ao  valor  da  receita  de  R$  309.418,00,  essa  alegação  foi  veiculada no recurso em contestação ao contido na decisão de piso que considerou não parecer  "crível e nem razoável que uma empresa, com receita bruta anual superior ao próprio limite  para opção pelo Simples Nacional, não formalize um único contrato sequer de prestação de  serviços,  não  definindo  cláusulas  tais  como  valor,  forma  de  pagamento,  prazo  de  validade,  penalidades para as hipóteses de descumprimento ou atraso de pagamento, ou mesmo definição  das atividades a serem desenvolvidas, onde e por quantos funcionários." (Destaque acrescido)  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11080.727479/2012­41  Acórdão n.º 1201­002.575  S1­C2T1  Fl. 4          5 Dessa forma, verifica­se que não houve nenhuma contestação ao fato de que  os sócios participavam do capital social e da administração de duas PJs optantes pelo Simples  Nacional, mas que a receita da recorrente, de forma isolada, não superava o limite para opção.  Relativamente aos erros de soma, além da alegação, nenhuma prova trouxe a  recorrente.  Comparando­se  a  tabela  constante  tanto  na  Representação  para  Exclusão  do  Simples Nacional  (fls.  53  e  54),  quanto  na manifestação  de  inconformidade  (fl.  59),  com  o  livro Razão (fls. 39 e 40), não se vê qualquer erro cometido na soma das receitas da recorrente  nesses meses. Quanto  às  receitas  da Martins  Informática Ltda.,  somente  consta  na  tabela  da  Representação. No  entanto,  como  já  relatado,  a  alegação não  indicou,  com detalhes,  em que  consistia esse erro.  Não  há  dúvidas,  pois,  quanto  ao  auferimento  de  receitas  em  valor  que  excedeu o limite para a manutenção da contribuinte no Simples Nacional em 2008. No entanto,  o  excesso  ocorreu  somente  em  outubro  e,  conforme  a  legislação  (artigo  3º,  §  6º,  da  Lei  Complementar  nº  123/2006),  a  exclusão  não  poderia  ter  efeitos  retroativos,  como  bem  observou o auditor fiscal autor da representação conforme se vê na fl. 8:  Como foi demonstrado os sócios Edson Martins e principalmente  e  sócia  Liana  Pertile  participam  e  administram  ambas  as  pessoas jurídicas, situação esta que obriga a soma das receitas  das empresas envolvidas, extrapolando a limite para empresa de  pequeno porte na época da opção.  Cumpre  salientar  também  que  as  empresas  operam  no  mesmo  endereço, rua Carlos Trein Filho n° 254.  Na situação acima descrita a exclusão terá seus efeitos a partir  do  mês  seguinte  ao  que  incorrida  a  situação  impeditiva  de  acordo com o §6° do Art. 3o da LC 123.  O  segundo  motivo  de  exclusão  mencionado  no  ato  declaratório  foi  que  a  recorrente desenvolve atividade que veda a opção pelo Simples Nacional (prestação de serviços  com cessão de mão de obra).  Quanto a  isso, a  recorrente alega que as decisões da Administração Federal  deram­se  "de  forma primária,  sem suporte  jurídico  e  sem nenhuma prova documental,  que a  atividade  econômica  da  recorrente  é  cessão  de  mão  de  obra,  atividade,  contudo,  que  nem  sequer  consta  de  seus  atos  constitutivos,  o  que  teria  sido  constatado  mediante  informações  verbais com os representantes da empresa". Observa­se que a contribuinte, ora recorrente, foi  intimada  a  apresentar  os  contratos  de  prestação  de  serviços  que,  entretanto,  não  foram  entregues.  Na  impugnação,  foi  informado  que  os  contratos  teriam  sido  firmados  de  forma  verbal, motivo da não­apresentação, não podendo, por esse motivo, ser presumida a forma da  prestação de serviço, que se dá por meio de empreitada global, conforme é aduzido no recurso  voluntário.  Em  todos  os  contratos  sociais  acostados  aos  autos  (fls.  11  a  29),  o  objeto  social da sociedade é:  Segunda:  A  sociedade  tem  por  objetivos  sociais  a  comercialização  e  assistência  técnica  de  equipamentos  e  suprimentos  de  informática,  prestação  de  serviços  de  digitação  de dados e de pesquisas de mercado.  Fl. 94DF CARF MF     6 Consta da Representação Fiscal para a exclusão do Simples Nacional (fl. 8):  4.4 ­ A atividade econômica da pessoa jurídica é a prestação de  serviços com cessão de mão obra. A prestação de serviços está  prevista  em  seu  contrato  social  e  foi  constatada  mediante  informações  verbais  com  representantes  da  empresa.  Considerando  que  a  empresa  não  apresentou  contratos  de  prestação de  serviços  e notas  fiscais de  serviço,  conforme  item  4.4 a seguir, que demonstre a execução de outra atividade além  da cessão de mão obra elegemos esta atividade como a principal  executada  pela  pessoa  jurídica  .  A  cessão  de  mão  de  obra  é  atividade  vedada  para  opção  pelo  SIMPLES  NACIONAL,  conforme  item  XII  do  Art.  17da  LC  n°  123.  (Destaques  acrescidos)  Compulsando­se os autos, não se encontra nenhuma declaração prestada por  sócios/representantes da empresa reduzida a termo.  Muito  embora  a  alegação  de  que  os  contratos  de  prestação  de  serviços  tenham sido firmados de forma verbal não seja de todo concebível e, ainda, a fé pública de que  goza o  agente da Administração, no  caso o Auditor­Fiscal  da Receita Federal,  não há prova  cabal de que a prestação de serviços tenha ocorrido por meio de cessão de mão­de­obra.  Dessa  forma,  esse  motivo  deve  ser  afastado  para  fins  da  exclusão  da  recorrente do Simples.  Por  fim, o último motivo mencionado no ADE de exclusão é o embaraço à  fiscalização.  Na Representação Fiscal para a exclusão do Simples Nacional (fl. 9) assim se  manifesta o Auditor­Fiscal:  4.5 ­ No curso da ação fiscal, foi solicitado através do Termo de  Intimação Fiscal n° 001,  lavrado e com ciência em 10/05/2012,  reiterado e ratificado através do Termo de  Intimação Fiscal n°  002,  lavrado e com ciência em 24/05/2012, a apresentação dos  contratos  de  prestação  de  serviço,  firmados  com  as  empresas  tomadoras  de  seus  serviços  e  as  respectivas  notas  fiscais  emitidas  pelos  serviços  prestados  com  aqueles  tomadores.  Foi  negado  à  fiscalização  a  apresentação  da  documentação  solicitada  o  que  dificultou  a  apuração  das  receitas  auferidas  pelo  sujeito  passivo,  a  análise  das  retenções  e  compensações  efetuadas.  Este  comportamento  motiva  a  exclusão  do  Simples  Nacional conforme determina o artigo n° 29 item II a seguir:  Mais uma vez, salienta­se que a alegação de que os contratos de prestação de  serviços tenham sido firmados de forma verbal não seja de todo aceitável, motivo alegado para  a  não  apresentação  deles,  não  foram  entregues,  também,  as  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços. Quanto a estas últimas, a recorrente estava obrigada a emitir e, por consequência, não  poderia se omitir da apresentação após ser regularmente intimada.  Caracterizado está o embaraço à fiscalização, nos termos do artigo 29, inciso  II, da Lei Complementar nº123/2006, vigente à época dos fatos:  Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples  Nacional dar­se­á quando:  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11080.727479/2012­41  Acórdão n.º 1201­002.575  S1­C2T1  Fl. 5          7 [...]  II  ­  for  oferecido  embaraço  à  fiscalização,  caracterizado  pela  negativa  não  justificada  de  exibição  de  livros  e  documentos  a  que  estiverem  obrigadas,  bem  como  pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade  que  estiverem  intimadas  a  apresentar,  e  nas  demais  hipóteses  que  autorizam  a  requisição  de  auxílio  da  força  pública;  Pelo  exposto,  verifica­se  que  dois  dos motivos  ensejadores  da  exclusão  da  contribuinte  do  Simples  Nacional,  conforme  o  ADE,  são  pertinentes.  Resta,  pois,  a  análise  quanto aos efeitos da exclusão.  No  caso  do  embaraço  à  fiscalização,  o  próprio  Auditor­Fiscal  na  Representação assim menciona:  No  caso  descrito  no  item 4.4  acima  a  exclusão  terá  seus  efeitos  a  partir  do  próprio mês em que incorridas como segue Art. 29 § 1o a seguir:  Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples  Nacional dar­se­á quando:  § 1a Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste  artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em  que  incorridas,  impedindo  a  opção  pelo  regime  diferenciado  e  favorecido  desta  Lei  Complementar  pelos  próximos  3  (três)  anos­calendário seguintes.  O embaraço deu­se quando da negativa da apresentação dos documentos. A  contribuinte teve ciência quanto ao termo pelo qual foi intimada a apresentá­los (fls. 37 e 38)  em  24  de  maio  de  2012.  O  prazo  para  a  apresentação  foi  de  cinco  dias.  Em  face  disso,  a  exclusão só poderia surtir efeitos em 1º de maio de 2012.  Quanto  à  participação  dos  sócios  no  capital  social  ou  da  administração  de  outra pessoa jurídica, também optante pelo Simples Nacional, como visto, não houve nenhuma  contestação,  quer  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  quer  de  recurso  voluntário.  Também,  relativamente  às  receitas  auferidas  por  ambas  as  PJs,  ficou  demonstrado  que,  em  outubro de 2008, houve ultrapassagem do limite então vigente para a permanência da pessoa  jurídica no regime diferenciado.  A Lei Complementar nº 123/2006 vigente à época dos fatos dispunha:  Art. 3º [...]  § 4º Não se inclui no regime diferenciado e favorecido previsto  nesta  Lei  Complementar,  para  nenhum  efeito  legal,  a  pessoa  jurídica:  [...]  III ­ de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como  empresário  ou  seja  sócia  de  outra  empresa  que  receba  tratamento  jurídico  diferenciado  nos  termos  desta  Lei  Fl. 96DF CARF MF     8 Complementar,  desde  que  a  receita  bruta  global  ultrapasse  o  limite de que trata o inciso II do caput deste artigo;  [...]  V  ­  cujo  sócio  ou  titular  seja  administrador  ou  equiparado  de  outra  pessoa  jurídica  com  fins  lucrativos,  desde  que  a  receita  bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput  deste artigo.  [...]  §  6º  Na  hipótese  de  a  microempresa  ou  empresa  de  pequeno  porte incorrer em alguma das situações previstas nos incisos do  § 4°, será excluída do tratamento jurídico diferenciado previsto  nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art.  12,  com  efeitos  a  partir  do  mês  seguinte  ao  que  incorrida  a  situação impeditiva. (Destaques acrescidos)  As vedações previstas no § 4º supratranscrito impedem, de imediato, a opção  de  qualquer  pessoa  jurídica  no  regime  diferenciado  estabelecido  pela  Lei  Complementar  nº  123/2006.  Contudo,  a  norma  do  §  6º,  também  transcrito  acima,  é  no  sentido  de  que,  quando  aquela  pessoa  jurídica,  que  já  esteja  enquadrada  como microempresa ou  empresa de  pequeno porte,  incorrer, posteriormente, em alguma das situações previstas, ela será excluída  do tratamento diferenciado. E, no caso dos incisos III e V do artigo 4º da lei em tela, o incorrer  pode  ser  tanto  no  sentido  de  sócio  ou  administrador  que  passe  a  fazer  parte  do  quadro  societário  de  outra  pessoa  jurídica  ou  a  administrar  essa  outra PJ,  cuja  soma das  receitas  já  tenha ultrapassado o  limite estabelecido na data do ato, ou ainda que as  receitas das duas ou  mais PJs de que faça parte o mesmo sócio ou administrador ultrapassem, no  futuro, o  limite  previsto, essa última hipótese a que ocorreu no presente caso.  Em face disso, a exclusão surte seus efeitos desde novembro de 2008.  Conclusão.  Por  todo  o  exposto,  conheço  do  recurso  voluntário  para,  no mérito,  DAR­ LHE  provimento  parcial,  estabelecendo  que  a  exclusão  da  recorrente  do  Simples  Nacional  tenha efeitos desde 1º de novembro de 2008.  (assinado digitalmente)  Paulo Cezar Fernandes de Aguiar                              Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.727479/2012­41  Acórdão n.º 1201­002.575  S1­C2T1  Fl. 6          9     Fl. 98DF CARF MF

score : 1.0
7483373 #
Numero do processo: 11516.724153/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-005.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acatar os créditos referentes a uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador logístico; produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; das despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (granja); crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos -alíquota; das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; das despesas referentes à gerenciamento e medição de energia elétrica. Vencidos os conselheiros Winderley Morais Pereira quanto a aluguel de granja. Ari Vendramini quanto a aluguel de granja e frete de produtos acabados entre estabelecimentos. Marcelo Costa Marques D'Oliveira que negou créditos quanto as despesas com caminhão Munk e empilhadeiras. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho que negou frete de produtos acabados entre estabelecimentos e as despesas com caminhão Munk. Liziane Angelotti Meira, que negou provimento para os créditos referentes as despesas com caminhão Munk. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao aluguel de granja, o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Júnior - Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira

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Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Provido em Parte

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3301­005.016  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de agosto de 2018  Matéria  PIS e COFINS  Recorrente  BRF S A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009  VÍCIO  NO  ATO  ADMINISTRATIVO.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO.  A  motivação  e  finalidade  do  ato  administrativo  são  supridas  quando  da  elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e  as  provas  dos  fatos  constatados. As  discordâncias  quanto  às  conclusões  do  trabalho  fiscal  são matérias  inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a  existência  de  vícios  no  auto  de  infração  deve  apresentar­se  comprovada  no  processo.   EMBALAGEM.  TRANSPORTE.  PALLET.  CRÉDITO.  APROVEITAMENTO.  POSSIBILIDADE.  As  despesas  com  materiais  de  embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados  e/  ou  para  embalagem  de  proteção,  no  transporte  externo  dos  produtos  vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS.  CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.  Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados  na  apuração  do  PIS  e  da  COFINS,  nos  termos  do  art.  3º,  II  da  Lei  nº  10.833/2003.  SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.  Os  gastos  com  serviços  de  manutenção  e  a  troca  de  partes  e  peças  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  diretamente  no  processo  produtivo  geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS.  PIS.  COFINS.  CRÉDITO.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  FRETES  NA  AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU  ADQUIRIDOS  COM  SUSPENSÃO  DO  PIS  E  DA  COFINS.  IMPOSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 41 53 /2 01 3- 85 Fl. 19803DF CARF MF     2 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de  fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao  PIS e a Cofins.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  DESPESAS  COM  ALUGUEL  DE  MAQUINAS  E  EQUIPAMENTOS.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS.  POSSIBILIDADE.  Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de  créditos  da  Cofins  apenas  às  despesas  de  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  ao  processo  produtivo  da  empresa,  não  cabe  ao  intérprete  restringir  a  utilização  de  créditos  somente  aos  alugueis  de  máquinas  e  equipamentos utilizados no processo produtivo.  PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO.   O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60%  (sessenta  por  cento)  aplicado  a  todos  os  insumos  utilizados  nos  produtos  referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004.  CRÉDITOS  DA  CONTRIBUIÇÃO  NÃO  CUMULATIVA.  RESSARCIMENTO.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo  de  cinco  anos  a  contar  da  aquisição  do  insumo,  o  crédito  apurado  não­ cumulatividade  do PIS  e Cofins  pode  ser  aproveitado  nos meses  seguintes,  sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da  apresentação de PER único para cada trimestre.  AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.  A  multa  de  ofício  de  75  %  (setenta  e  cinco  por  cento)  aplicada  nos  lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO   No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende  o  valor  do  tributo  e  da multa  por  lançamento  de  ofício.  Sobre  a multa  por  lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.  Este  Colegiado  é  incompetente  para  apreciar  questões  que  versem  sobre  constitucionalidade das leis tributárias.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009  VÍCIO  NO  ATO  ADMINISTRATIVO.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO.  A  motivação  e  finalidade  do  ato  administrativo  são  supridas  quando  da  elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e  as  provas  dos  fatos  constatados. As  discordâncias  quanto  às  conclusões  do  trabalho  fiscal  são matérias  inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a  existência  de  vícios  no  auto  de  infração  deve  apresentar­se  comprovada  no  processo.   Fl. 19804DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 3          3 EMBALAGEM.  TRANSPORTE.  PALLET.  CRÉDITO.  APROVEITAMENTO.  POSSIBILIDADE.  As  despesas  com  materiais  de  embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados  e/  ou  para  embalagem  de  proteção,  no  transporte  externo  dos  produtos  vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS.  CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.  Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados  na  apuração  do  PIS  e  da  COFINS,  nos  termos  do  art.  3º,  II  da  Lei  nº  10.833/2003.  SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.  Os  gastos  com  serviços  de  manutenção  e  a  troca  de  partes  e  peças  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  diretamente  no  processo  produtivo  geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS.  PIS.  COFINS.  CRÉDITO.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  FRETES  NA  AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU  ADQUIRIDOS  COM  SUSPENSÃO  DO  PIS  E  DA  COFINS.  IMPOSSIBILIDADE.  Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de  fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao  PIS e a Cofins.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  DESPESAS  COM  ALUGUEL  DE  MAQUINAS  E  EQUIPAMENTOS.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS.  POSSIBILIDADE.  Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de  créditos  da  Cofins  apenas  às  despesas  de  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  ao  processo  produtivo  da  empresa,  não  cabe  ao  intérprete  restringir  a  utilização  de  créditos  somente  aos  alugueis  de  máquinas  e  equipamentos utilizados no processo produtivo.  PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO.   O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60%  (sessenta  por  cento)  aplicado  a  todos  os  insumos  utilizados  nos  produtos  referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004.  CRÉDITOS  DA  CONTRIBUIÇÃO  NÃO  CUMULATIVA.  RESSARCIMENTO.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo  de  cinco  anos  a  contar  da  aquisição  do  insumo,  o  crédito  apurado  não­ cumulatividade  do PIS  e Cofins  pode  ser  aproveitado  nos meses  seguintes,  sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da  apresentação de PER único para cada trimestre.  AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.  A  multa  de  ofício  de  75  %  (setenta  e  cinco  por  cento)  aplicada  nos  lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO   Fl. 19805DF CARF MF     4 No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende  o  valor  do  tributo  e  da multa  por  lançamento  de  ofício.  Sobre  a multa  por  lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.  Este  Colegiado  é  incompetente  para  apreciar  questões  que  versem  sobre  constitucionalidade das leis tributárias.   Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento para acatar os créditos  referentes a uniformes, vestuários,  equipamentos de proteção,  uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes,  inibidor  de  corrosão,  anticogelante  propilenogclicol  e  polímero  utilizado  no  tratamento  de  água;  despesas  com  operador  logístico;  produtos  para  movimentação  de  cargas  e  embalagens,  pallets  utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos  produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; das despesas de aluguéis  de  prédios  locados  de  pessoa  jurídica  (granja);  crédito  extemporâneo  referente  a  despesas  de  armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos ­alíquota; das despesas com  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos;  das  despesas  referentes  à  gerenciamento  e  medição  de  energia elétrica. Vencidos  os  conselheiros Winderley Morais Pereira quanto  a aluguel  de granja.  Ari Vendramini quanto a  aluguel de granja  e  frete de produtos  acabados  entre estabelecimentos.  Marcelo Costa Marques D'Oliveira que negou créditos quanto as despesas com caminhão Munk e  empilhadeiras. Antonio Carlos  da Costa  Cavalcanti  Filho  que  negou  frete  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  e  as  despesas  com  caminhão Munk.  Liziane Angelotti Meira,  que  negou  provimento para os créditos referentes as despesas com caminhão Munk. Designado para redigir o  voto vencedor quanto ao aluguel de granja, o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator.    (assinado digitalmente)  Salvador Cândido Brandão Júnior ­ Redator designado.    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa  Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão  Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira  Duro e Valcir Gassen.  Relatório    Fl. 19806DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 4          5 O presente processo trata de auto de infração com origem em procedimento  fiscal  para  verificar  os  seguintes  pedidos  de  compensação  apresentados  pela  Recorrente. Os  pedidos de compensação estão controlados no seguintes processos:    ­ 10925.902580/2012­45  ­ 10925.902581/2012­90  ­ 10925.902582/2012­34  ­ 10925.902583/2012­89    A Fiscalização nos procedimentos de auditoria, entendeu por não homologar  os pedidos de compensação, ensejando a exigências dos tributos compensados e exigência da  multa isolada de 50%, por compensação indevida, prevista no art. 74, §17, da Lei n. 9.430, de  1996,  incluído  pela  Lei  n.  12.249,  de  2010.  Os  autos  de  infração  foram  vinculados  aos  processos de compensação formalizados nos seguintes processos:    ­ 11516.724149/2013­17  ­ 11516.724150/2013­41  ­ 11516.724151/2013­96  ­ 11516.724152/2013­31    Todas os despachos decisórios denegatórios dos pedidos de  compensação e  os autos de infração para exigência da multa por compensação indevida, citados acima foram  objeto  de  manifestação  de  inconformidade  e  impugnação.  A  primeira  instância  negou  provimento aos recurso da Recorrente.   Além dos processos acima, foi lavrado contra a Recorrente Auto de Infração  para  exigência  do  PIS  e  da  COFINS,  a  partir  das  glosas  de  créditos  referentes  ao  mesmo  período de abril/2009 a junho/2010. O Auto de Infração foi formalizado no presente processo e  foi objeto de impugnação que foi negado pela Delegacia de Julgamento.    Considerando a vinculação das matérias e a conexão processual, os 9 (nove)  processos estão sendo julgados nesta mesma sessão.  Realizados estes esclarecimentos passemos ao relatório do presente processo  que controla o Auto de Infração e abarca as matérias discutidas nos processos que controlam os  pedidos de ressarcimento/compensação.    O processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão  sendo exigidas da impugnante, acima qualificada, as quantias de  R$  62.891.568,85  e  R$  13.654.081,16  a  título  de,  respectivamente,  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa  de Integração Social – PIS, não cumulativas, correspondentes a  fatos  geradores  ocorridos  em  01/01/2009  a  30/06/2009,  Fl. 19807DF CARF MF     6 31/12/2006.  A  essas  importâncias  foram  acrescidos  multa  de  ofício, no percentual de 75%, e juros de mora.  Do  quadro DESCRIÇÃO DOS  FATOS  E  ENQUADRAMENTO  LEGAL  verifica­se  que  a  infração  consiste  de  CRÉDITOS  DESCONTADOS  INDEVIDAMENTE  NA  APURAÇÃO  DA  CONTRIBUIÇÃO.  Do  Relatório  Fiscal  A  Autoridade  Fiscal  informa:  a  empresa  SADIA  S.A.,  CNPJ  nº  20.730.099/0001­94,  subsidiária  integral  da BRF ­ Brasil Foods S.A., foi incorporada pela BRF S.A., nova  denominação social da BRF – Brasil Foods S.A.; a incorporação  foi  oficializada pela Assembléia Geral Extraordinária da Sadia  S.A. realizada em 31 de dezembro de 2012, registrada na Junta  Comercial do Estado de Santa Catarina em 10/01/2013; na ata  da  assembléia  consta  que:  “...foi  aprovada  a  incorporação  da  Companhia  pela  BRF  –  Brasil  Foods,  com  a  sua  consequente  extinção de pleno direto, sendo sucedido a  título universal, nos  termos da lei, em todos os seus direitos e obrigações pela BRF –  Brasil Foods S.A.  Conclui  que  em  virtude  da  incorporação  caracteriza­se  a  responsabilidade  tributária  por  sucessão,  consoante  art.  129  e  132  do  Código  Tributário  Nacional  e  que,  no  caso  em  tela,  é  aplicável a Súmula CARF nº 47.  Relata,  que  os  procedimentos  levados  a  efeito  junto  à  contribuinte  fazem  parte  da  verificação  de  ofício  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  bem  como  dos  PER/Dcomp  apresentados  pela  contribuinte,  no  período  entre  2006  e  2010,  sendo  que  o  presente  processo  refere­se  à  apuração de janeiro a junho de 2009.  Nos  autos  de  infração  de  que  aqui  se  trata  foram  lançadas  as  contribuições  declaradas  no  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais  –  Dacon,  que  restaram  inadimplidas  em  razão de glosas de créditos objeto de pedidos de ressarcimento,  tratadas  nos  processos  10925.902580/2012­45,  10925.902581/2012­90,  10925.902582/2012­34,  10925.902583/2012­89.  Tendo  em  vista  que  os  pedidos  de  ressarcimento  foram  transmitidos  na  vigência  da  Lei  nº  12.249/2010, foram lavrados os autos de infração para exigência  de  multa  isolada  correspondentes,  tratados  nos  processos  números  11516.724149/2013­17,  11516.724150/2013­41,  11516.724151/2013­96 e 11516.724152/2013­31.  Cópias  dos  PER/DCOMP,  Relatórios  Fiscais  e  Despachos  Decisórios  proferidos  nos  autos  dos  processos  10925.902580/2012­45,  10925.902581/2012­90,  10925.902582/2012­34,  10925.902583/2012­89  foram  inseridos  nos autos do presente processo, às  folhas 6668 a 6725, 6726 a  6840, 14325 a 14396 e 14397 a 14473.  Sobre a análise dos créditos e dos débitos informados no período  a  Autoridade  Fiscal  informa  que,  tendo  em  vista  as  correções  realizadas nas Fichas 6A e 6B (Contribuição para o PIS/Pasep )  e nas Fichas 16A e 16B (Cofins) dos Dacon de janeiro a junho  de  2009,  conforme  Despachos  Decisórios  reproduzidos  neste  processo,  alterou  os  valores  da  Ficha  15B  ­  Resumo  Contribuição para o PIS/Pasep Regime Não Cumulativo e Ficha  25B  ­  Resumo  Cofins  Regime  Não  Cumulativo,  alterando  os  valores  dos  créditos  utilizados  para  desconto  ajustando­os  às  glosas  realizadas; os créditos disponíveis  foram completamente  consumidos no desconto dos débitos informados nas fichas 7A e  Fl. 19808DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 5          7 17A, restando saldo a pagar a ser lançado em auto de infração,  tratado neste processo.  Aquisições  no  mercado  interno  Conforme  relatado  nos  mencionados  Despachos  Decisórios,  juntados  aos  autos  pela  autoridade fiscal, a redução dos créditos a descontar se deu em  razão da exclusão, da base de cálculo dos créditos, dos seguintes  valores informados nas Fichas 06A e 16A do Dacon:    1. Linhas 02 ­ Bens   Utilizados  como  Insumos  Foram  glosados,  por  não  se  enquadrarem  nas  hipóteses  de  geração  de  crédito  previstas  na  legislação  de  regência,  qual  seja,  Leis  n.o  10.637/2002  n.º  10.833/2003  e  Instruções  Normativas  SRF  n.o  247/2002  e  n.o  404/2004:  os  valores  das  aquisições  de  bens  que  não  se  enquadram no conceito de insumo; aquisições efetuadas junto a  pessoas  físicas;  despesas  com  fretes  de  transferência  de  produtos; aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos  à  alíquota  zero;  os  valores  das  notas  fiscais  cujo  Cfop  não  representa  aquisição  de  insumos  e  nem  outra  operação  com  direito  a  crédito,  os  valores  das  notas  fiscais  que  representam  aquisições  de  insumos  de  pessoas  jurídicas  e  que  deveriam  ter  ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins.  Para o segundo trimestre, foram glosados também, no Dacon do  mês  em  curso,  os  créditos  de  meses  anteriores  que  não  foram  informados no Dacon do respectivo mês.    2. Linha 03 ­ Serviços Utilizados como Insumos Linha 03  Foram  glosados,  por  não  se  enquadrarem  nas  hipóteses  de  geração de  crédito  previstas  na  legislação  de  regência,  qual  seja,  Leis  n.o  10.637/2002  n.o  10.833/2003  e  Instruções Normativas  SRF  n.o  247/2002 e n.o 404/2004: os valores referentes a despesas com  serviços que não se enquadram no conceito de insumo; que não  geram crédito na  linha 3, pois não representam a aquisição de  serviços  utilizados  como  insumos;  cujos Cfop  das  notas  fiscais  não  representa  aquisição  de  bens  ou  serviços  e  nem  outra  operação com direito a crédito; serviços sujeitos à alíquota zero;  pagos a pessoas físicas.    3. Linha 04 ­ Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica,  inclusive  sob  a  forma  de  vapor  Foram  glosados,  por  não  se  referirem  energia  consumida,  os  valores  relativos  as  despesas  com  serviços  de  gerenciamento  de  energia  elétrica  e  agenciadora  de  energia  elétrica,  pagos  à  empresa  COMERC  ENERGIA S/A e as despesas com serviço de medição de motores  elétricos  pagos  à  empresa  GRAPHUS  ENGENHARIA  E  CONSERVAÇÃO,    4.  Linha  05  ­  Despesas  de  Aluguéis  de  Prédios  Locados  de  Pessoa Jurídica Linha 05  Foram  glosados  dos  valores  informados  relativos  a  aluguéis  pagos a pessoa física e pagamentos relativos a arrendamento de  granja avícola, gastos que não  se  enquadram no art. 3º,  inciso  IV, da Lei nº 10.833/2003.  Fl. 19809DF CARF MF     8 5. Linha 06 ­ Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos  Locados de Pessoa Jurídica Linha 06  Foram  glosados  dos  valores  informados  relativos  a  gastos  que  não se enquadram no art. 3º, inciso IV, das Leis nºs 10.637/2002  e  10.833/2003,  que  somente  contempla  “aluguéis  de  prédios,  máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica utilizados nas  atividades da empresa”.    6. Linha 07 ­ Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação  de Venda Foram glosados os valores relativos a  fretes pagos a  pessoa física, além de serviços de movimentação de produtos que  não se enquadram no conceito de fretes, definido no inciso IX do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833/2003.  As  notas  fiscais  glosadas  estão  individualizadas no relatório Linha 7 – NF Glosadas Fretes.    7.  Linha  09  ­  Sobre Bens do Ativo  Imobilizado  (Com Base nos  Encargos de Depreciação)  No  primeiro  trimestre,  foram  glosados  os  valores  referentes  a  bens com  data de incorporação ao ativo imobilizado anterior a 1º/05/2004,  para  os  quais  o  contribuinte  pretende  descontar  créditos  nos  meses de janeiro e fevereiro de 2009. Também foi glosado dessa  linha  o  valor  de  R$  249.503.927,60,  referentes  a  créditos  retroativos  a  janeiro/2007 apropriados  no mês  de março/2009,  por  não  ter,  a  contribuinte,  mesmo  intimada  para  tanto,  apresentado os esclarecimentos necessários que possibilitassem  o  correto  entendimento  da  forma de  apropriação dos  encargos  de  depreciação  dos  bens  constantes  na  memória  de  cálculo  apresentada, de forma que todos os valores foram glosados por  impossibilidade de análise. Foram gerados  dois  relatórios  com  os valores glosados:     Linha 9 – ValoresGlosados Encargos de Depreciação; Linha 9 –  Valores  Glosados  Enc.  Deprec.  Março  2009,  que  reproduz  somente  a  primeira  parte  da  planilha  apresentada  pela  contribuinte. No  segundo  trimestre  não  houve  glosa  de  valores  da Linha 09 ­ Sobre Bens do Ativo  Imobilizado  (Com Base nos  Encargos de Depreciação).    8.  Linha  10  ­  Sobre  Bens  do  Ativo  Imobilizado  (Com  Base  no  Valor de Aquisição ou de Construção)  Por  não  ser  possível  a  utilização  do  §14  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833/2003  no  desconto  de  créditos  relativos  a  edificações  e  benfeitorias,  foram  glosados  os  valores  referentes  a:  (i)  diferenças  entre  as  depreciações  calculadas  pelo  contribuinte  para  as  edificações  e  benfeitorias  (informadas  na  planilha  de  memória  de  cálculo  denominada  “MÁQUINAS  1”)  e  a  depreciação  correta,  conforme  o  disposto  na  IN  SRF  nº  162/1998,  Anexo  II  ­  prazo  de  300  meses  para  edificações  e  benfeitorias; (ii) diferenças entre as depreciações de itens  relacionados a materiais de construção utilizados em edificações  e  benfeitorias  calculadas  pelo  contribuinte  (informadas  na  planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 2”) e  a  depreciação  correta  (IN  SRF  nº  162/1998);  (iii)  depreciação  de  bens  (informadas  na  planilha  de  memória  de  cálculo  denominada  “MÁQUINAS  3”),  para  os  quais  a  interessada,  instada para tanto, não apresentou a descrição detalhada de sua  Fl. 19810DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 6          9 natureza  e  aplicação,  o  que  impossibilitou  a  aferição  pela  fiscalização do direito ao crédito;  Foram  gerados  quatro  relatórios  contendo  os  cálculos  das  glosas  referentesà  Linha  10  do  DACON:  Linha  10  –  EDIFICAÇÕES; Linha 10 – Material de Construção; Linha 10 –  Impossibilidade de Análise.    9.  Linha  11  –  Encargos  de  Amortização  de  Edificações  e  Benfeitorias  Em  relação  ao  primeiro  trimestre,  a  Autoridade  Fiscal informa que os relatórios contendo os cálculos das glosas  referentes  à  Linha  11  do Dacon  são  os mesmos  relatórios  das  glosas  da Linha 10,  pois  se  referem ao mesmo  tipo de  crédito,  sendo que  a  contribuinte utilizou  a Linha  11 do Dacon apenas  para  informar  os  créditos  do  mês  de  março.  No  segundo  trimestre, a Autoridade Fiscal glosou todos os créditos da Linha  11  do  Dacon,  por  impossibilidade  de  análise  com  base  nas  informações prestadas pela contribuinte até então.    10.  Linhas  25  e  26  ­  Créditos  Presumidos  Atividades  Agroindustriais  A  Autoridade  Fiscal  reduziu  o  valor  do  crédito  apurado  pela  contribuinte  ajustando  a  alíquota  erroneamente  utilizadas  pela  interessada,  considerando  na  escolha  da  alíquota  aplicável  a  natureza os insumos adquiridos, conforme previsto no inciso I do  §3º  do  art.  8º,  da  Lei  nº  10.925/2004.  Da  base  de  cálculo  do  crédito,  foram glosados  os  valores  das  aquisições  cujos CFOP  das  notas  fiscais  não  representam  aquisições  de  insumos,  perfeitamente  identificados  na  listagem  individualizada  e  das  notas fiscais das aquisições de bens para revenda.    Autoridade Fiscal  traz em seu relatório a  listagem dos  insumos  adquiridos  com o benefício  do  crédito  presumido  que  sofreram  glosa (na coluna Alíquota PIS correta consta a informação Não  se  aplica  ou  zero),  totalizados  por  descrição  em  cada  mês  e  informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão  devidamente  individualizadas  na  listagem  Credito  presumido  –  detalhe.    Aquisições no mercado externo    Da  base  de  cálculo  dos  créditos  informados  nas  Fichas  06B  e  16B foram glosados, da Linha 02 Bens Utilizados como Insumos:  os  valores  das  aquisições  de  bens  que  não  se  enquadram  no  conceito de insumo, conforme o art.8º, §4º, inc. I, alínea “a” da  Instrução Normativa SRF nº 404/2004; aquisições bens sujeitos  à alíquota zero da contribuição.    Manifestação de inconformidade    Inicialmente,  a  Recorrente  defende  que  a  impugnação  ora  apresentada  deverá  ser  julgada  em  conjunto  com  as  manifestações  de  inconformidade  apresentadas  nos  autos  dos  Processos  Administrativos  de  números  10925.902580/2012­45,  Fl. 19811DF CARF MF     10 10925.902581/2012­90,  10925.902582/2012­34  e  10925.902583/2012­89, bem como com as impugnações relativas  aos Processos Administrativos de números 11516.724149/2017,  11516.724150/2013­41,  11516.724151/2013­96  e  11516.724152/2013­31.  Destaca  que  todos  esses  processos  administrativos possuem origem no mesmo MPF, instituído com  o  fim de verificar a existência e higidez de diversos créditos de  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  apurados  na  sistemática não cumulativa no período compreendido entre 2006  e 2010. E, considerando que o que restar decidido nos autos de  um processo administrativo terá efeitos diretos nos demais casos  em  discussão,  defende  que,  para  que  seja  dado  um  melhor  tratamento à questão,  todos os processos devem ser apreciados  pelo mesmo órgão julgador dessa Delegacia de Julgamento.    Nulidade dos Autos de Infração    Suscita  a  nulidade  do  procedimento  fiscal  alegando  que  a  “superficialidade da análise das informações necessárias para a  glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse  sentido,  aduz,  em  síntese,  que  “diante  da  obscuridade  e  dificuldade  de  provar  certas  circunstância”  caberia  à  fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação  da  existência,  ou  não,  do  crédito  apurado”  e  não  somente  “proceder  à  glosa  com  base  em  análises  superficiais  da  documentação  apresentada  no  curso  do  procedimento  de  fiscalização”.  Reclama que, a glosa “com base na natureza da conta contábil  na qual o bem foi registrado”, a glosa dos créditos apropriados  à razão de 1/48, sobre as despesas com depreciação de bens do  ativo  imobilizado,  “sob  a  lacônica  justificativa  de  que  tais  despesas  não  se  referem  a  máquinas  e  equipamentos  do  ativo  imobilizado, mas sim a despesas com construções, edificações ou  benfeitorias”  e  a  glosa  “sob  a  justificativa  de  que  o  Código  Fiscal  de  Operações  e  Prestações  ("CFOP")  refere­se  à  aquisição  de  bens  que  não  geraram  direito  a  créditos”,  foram  realizadas sem a análise da aplicação desses bens e serviços no  processo produtivo, o que “demonstra a nulidade da decisão ora  atacada”,  pois,  ao  assim  proceder,  a  Fiscalização  acabou  por  glosar  diversas  despesas  que,  notoriamente,  caracterizam­se  como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado  a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para  tanto,  o presente Auto  de  Infração não pode  subsistir,  devendo  ser cancelado.    Conceito de insumo    No  tópico  III.2  ­  Da  Sistemática  Não­Cumulativa  da  Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos  Apropriados  pela  Requerente,  a  fim  de  afastar  o  conceito  de  insumo  adotado  pela  Fiscalização,  tece  considerações  sobre  a  não  cumulatividade  das  contribuições  em  tela  estabelecendo  o  seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso,  à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e  da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e  parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003  com  o  artigo  195,  inciso  I,  alínea  V,  e  §  12,  da  Constituição  Fl. 19812DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 7          11 Federal, tem­se que o critério de escolha legislativa dos custos e  despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  é  a  relação  de  inerência  de  tais  dispêndios  com  a  formação  da  receita,  critério  material  da  hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que  o  conceito  de  insumo,  na  sistemática  não  cumulativa  dessa  contribuições  é  muito  mais  abrangente  do  que  o  conceito  de  insumo  adotado  pela  legislação  do  IPI,  englobando  todos  e  quaisquer dispêndios  ligados ao processo produtivo e, assim, à  obtenção  de  receita.  Aduz,  com  base  em  jurisprudência  do  CARF,  que  o  conceito  de  insumo  aplicável  ao  caso  deve  ser  o  mesmo  aplicável  ao  imposto  de  renda,  já  que  a  materialidade  dessas  contribuições  (a  receita)  é muito mais  próxima  daquela  estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por  fim,  destaca  que  o  conceito  de  insumo  previsto  na  IN  SRF  n°  404/2004 não é o mesmo previsto na  lei, o que  implica em sua  ilegalidade  e  menciona  que  os  Tribunais  Federais  têm  se  firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar  sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender  restringir o conceito de insumo.    Bens e serviços utilizados como insumo    No  tópico  III.2.2  —  Dos  Bens  e  Serviços  Utilizados  como  Insumos (Linhas 02 e 03 da Ficha 06 da DACON), a Recorrente,  inicialmente,  destaca  que  o  erro  quanto  à  linha  da  ficha  de  créditos  da  Dacon  em  que  foram  lançados  os  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  não  justifica  a  glosa  dos  referidos créditos. Menciona que tal entendimento, inclusive, foi  corroborado em recente decisão proferida pelo CARF em outro  processo da própria Requerente.  E  na  sequência,  a  requerente  passa  a  colocar  os  fatos  e  as  razões  de  direito,  pelos  quais  entende  que  faz  jus  aos  créditos  glosados.    Glosa dos valores dos  itens que não se enquadram no conceito  de insumos    Em  relação  à  Indumentária  e  Itens  de  Uso  Obrigatório,  a  Recorrente,  em  síntese,  alega  que  a  indumentária  dos  colaboradores que  trabalham em suas plantas  industriais,  itens  tais  como  botas,  luvas,  aventais,  protetores  auriculares,  respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis e toucas, bem  como os  itens de proteção de uso obrigatório, são exigidos por  norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao  processo  produtivo,  sem  os  quais  ela  nem  ao  menos  poderá  exercer  a  sua  atividade.  Corroborando  esse  entendimento  cita  acórdão do CARF.    Quanto  aos  Pallets,  explica  que  consistem  em  estruturas  de  madeira,  cuja  principal  função  é  facilitar  o  transporte  de  insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também  servem  para  evitar  o  contato  de  tais  materiais  com  qualquer  Fl. 19813DF CARF MF     12 superfície,  impedindo  contaminações  que  poderiam  colocar  em  risco a integridade dos produtos industrializados.  Adicionalmente,  cita  decisão  do  CARF  que  autorizou  o  creditamento  sobre  as  despesas  incorridas  com  os  chamados  "materiais  para  acondicionamento  para  transporte",  por  configuram despesas com armazenagem, expressamente prevista  como apta para gerar crédito no inciso IX, do art. 3º, da Lei n.°  10.833/03.  Diz  que  o  mesmo  ocorre  com  relação  às  caixas  plásticas  (Doc.  12 — nota  fiscal  de  aquisição  desse  item),  que  “são  utilizadas,  não  apenas  para  separação  das  partes  dos  cárneos, ..., mas também para transportar e armazenar produtos  dentro e fora das plantas da Requerente”.    Conclui,  então,  que  as  glosas  devem  ser  canceladas,  por  se  tratarem,  os  pallets  e  as  caixas,  de  material  indispensável  no  processo produtivo, além de configurar uma clara despesa com  armazenagem, tal como já decidido pelo CARF.  A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito  em  relação  a  itens  que  cita  –  lâmpadas,  reatores,  detergentes,  lubrificantes,  fusíveis,  anticongelantes,  correias,  rolamentos,  mangueiras,  estatores,  bombas,  dentre  outros  ­  que,  segundo  alega,  teriam  sido  empregados  no  processo  produtivo,  estando  diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando,  assim, como insumos. Explica que:    As  lâmpadas  são  utilizadas  nas  incubadoras  de  ovos  e  para  aquecimento dos pintos de 1 dia;  Os reatores, por sua vez, são equipamentos auxiliares, utilizado  em  conjunto  com  as  lâmpadas  de  descarga  e  que  objetivam  limitar  a  corrente  na  lâmpada  e  fornecer  as  características  elétricas  adequadas,  evitando  o  efeito  estroboscópio/flicker  (cintilação)  nas  lâmpadas  e  proporcionando  elevada  economia  de energia;  Os  detergentes  industriais  são  utilizados  na  higienização  e  limpeza  das  máquinas  e  pisos  do  estabelecimento  industrial,  atendendo,  obviamente,  às  rigorosas  regras  emanadas  pelas  autoridades regulatórias;  Já  os  lubrificantes  e  os  fusíveis,  são  indispensáveis  ao  bom  funcionamento  das  máquinas  e  equipamentos  pertencentes  ao  processo produtivo;  O inibidor de corrosão, por sua vez, é composto por substâncias  químicas  que  retardam  ou  inibem  por  completo  o  processo  corrosivo  de  tubulações  e  caldeiras,  a  fim  de  que  seja  prolongada  a  vida  útil  das  máquinas  e  equipamentos,  com  a  prevenção de paradas não programadas e de fraturas. Referida  substância  age  de  modo  a  retirar  as  incrustações  das  paredes  dos  equipamentos,  sem  atacar  as  partes  estruturais  essenciais  para o bom desempenho técnico. O inibidor atua em três etapas:  i)  adsorção  à  superfície  metálica;  ii)  formação  de  película  de  óxido  protetor  do metal  base;  e  iii)  reação  com  o  componente  potencialmente corrosivo presente no meio aquoso;  O  anticongelante  propilenoglicol  é  utilizado  nos  compressores  que  produzem  o  ar  frio  para  congelar  as  matérias  primas  e  produtos  acabados  produzidos  pela  Requerente  (bovinos,  aves  ou  suínos).  Além  disso,  esse  item  pode  ser  utilizado  na  manutenção  da  temperatura  adequada  nos  ambientes  em  que  realizado o processo produtivo da Requerente.  Fl. 19814DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 8          13 Ainda,  as  correias  (Doc.  15  —  nota  fiscal  de  aquisição  desse  item) são utilizadas em diversas máquinas da Requerente e são  responsáveis por efetuar a tração entre os motores elétricos e as  máquinas  responsáveis  por  diversas  funções  ao  longo  do  processo  produtivo,  tais  como  as  embaladeiras,  moedeiras,  misturadoras, embutideiras, grampeadeiras, fatiadeiras, esteiras  transportadoras, etc. As  correias  também são utilizadas para a  transmissão  de  tanques  de  mistura  de  molhos  e  nas  peças  de  retirada de pele dos animais.  Os rolamentos  (Doc. 16 — nota fiscal de aquisição desse  item)  são  materiais  que  possibilitam  o  movimento  controlado  entre  duas ou mais partes da máquina.  Referidos  corpos  rolantes  estabilizam  o  desempenho  das  peças  estruturais  das  máquinas  utilizadas  no  processo  produtivo  da  Requerente.  Além  disso,  os  rolamentos  são  empregados  em  equipamentos como arrancador de pescoço stork, pertencente ao  frigorifico de frangos.  As mangueiras (Doc. 17 — nota fiscal de aquisição desse item)  consistem  em  instrumento  condutor  de  água  que  possibilita  o  resfriamento dos motores e bombas, com a introdução do líquido  nas câmaras de resfriamento e sua posterior retirada.(...)  O polímero é utilizado no tratamento de água e efluentes, com o  objetivo de remover a turbidez e as partículas sólidas da água.  O estator para bomba (Doc. 18 — nota fiscal de aquisição desse  item)  é  a  parte  da  bomba  que  conduz  o  fluxo  magnético  e  proporciona  sua  rotação.  Em  outras  palavras,  neste  equipamento  é  produzida  a  corrente  que  fornece  energia  aos  diversos circuitos elétricos do equipamento.  A bomba, por sua vez, tem participação fundamental no processo  produtivo  da Requerente,  pois  é a máquina  que mistura  o  leite  antes  de  sua  introdução  nas  embalagens,  propiciando  a  homogeneidade de temperatura do produto armazenado.  Conclui que, pelas breves descrições, é inegável que todos esses  itens  estão  intrinsecamente  ligados ao processo produtivo,  pois  seria  impossível  realizar  a  sua  atividade  sem  tomar  as  precauções  relativas  à  higienização  ou  preservação  e  bom  funcionamento  de  suas  máquinas  bem  como  à  manutenção  da  temperatura ideal em suas câmaras frigoríficas e plantas fabris.  Em relação a estas, cita recente Acórdão proferido pelo CARF,  em  processo  da  própria  requerente,  por  meio  do  qual  restou  reconhecido  o  direito  ao  crédito  sobre  as  aquisições  de  ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos  de sua atividade fabril.  Contesta a glosa dos valores relacionados a Serviços Realizados  por  "Operador  Logístico",  alegando  que  a  movimentação  das  mercadorias é inerente à sua atividade, pela impossibilidade de  comercialização de  seus produtos na ausência de  tais  serviços,  que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete  das  mercadorias  produzidas.  Conclui  que,  dada  à  imprescindibilidade  dos  serviços  relacionados  à  movimentação  de  mercadorias,  associada  ao  fato  de  que  estão  diretamente  relacionados  com  as  despesas  de  frete  de  vendas,  devem  as  glosas em referência ser integralmente canceladas.  Fl. 19815DF CARF MF     14 Afirma  que  os  serviços  de  Análise  Laboratoriais  consistem  de  insumo,  tendo  em  vista  que  os  produtos  fabricados  são  destinados  ao  consumo  humano  e  que,  portanto,  devem  ser  constantemente  avaliados  e  testados,  de modo  a  preservar  sua  qualidade e integridade.  Passa  a  defender  o  direito  a  crédito  em  relação a  outros  itens  glosados  da  planilha  NF  Glosadas  —  Não  Representam  Aquisição de Insumos" como segue:  ... fluído térmico que é um fluído de transmissão de calor dotado  de  grande  estabilidade  térmica  (Doc.  20  —  nota  fiscal  de  aquisição desse item"), utilizado no processamento de alimentos,  que requer grandes variações de temperatura e pressão.  O  ácido  clorídrico  (Doc.  21 —  nota  fiscal  de  aquisição  desse  item)  concentrado,  por  sua  vez,  é  utilizado  na  hidrólise  de  proteínas  e  de  amido  para  o  processamento  de  produtos  industrializados  produzidos  pela  Requerente.  Ainda,  é  empregado na análise de minerais, cálcio e fosfato.  Outro  item  importante  é  o  mangote  descartável  de  polietileno,  que  consiste  em  utensílio  de  higiene,  necessariamente  descartável, idêntico ao de uso hospitalar, utilizado no processo  produtivo  da  Requerente  para  impedir  que  os  produtos  alimentícios  tenham  contato  com  a  pele  dos  funcionários  que  atuam na linha de produção. Destaque­se que o avental possui a  mesma função.  Por sua vez, a chapa industrial de inox é utilizada para escorrer  o leite que é retirado da ordenheira automática, bem como para  apoiar os produtos no momento da fabricação.  As termorresistências são instrumentos que permitem medir, com  elevada exatidão, a  temperatura do meio ambiente por meio da  relação  entre  a  resistência  elétrica  do  material  e  sua  temperatura  (Doc.  23  ­  observe­se  nota  fiscal  de  aquisição  desses  itens).  Os  termorresistores  são  usados,  principalmente,  para  controlar  refrigeração  de  alimentos,  procedimento  indispensável para sua correta conservação e armazenagem.  Os serviços florestais são contratados para efetuar a derrubada  de  árvores  no  campo,  sendo  que  tais  árvores  serão  o  material  necessário ao abastecimento das caldeiras.  Contesta  a  glosa  das  despesas  com  locação  de  empilhadeiras  ("equipamento  locado  ­ Udia  ­ empilhadeiras"),  que não  foram  informadas  na  Linha  6  da  Dacon,  relativa  à  locação  de  máquinas e equipamentos, alegando que o simples equívoco nas  informações  prestadas  em  obrigação  acessória  não  justifica  a  glosa  dos  créditos  de Contribuição  ao  PIS,  entendimento  esse,  inclusive,  corroborado  pelo  próprio  CARF  no  Acórdão  3302­ 0002.027,  de  23.04.2013.  Acrescenta  que  a  essencialidade  das  empilhadeiras locadas no processo produtivo é inconteste, já que  consiste  em máquina para  carregar  e descarregar mercadorias  em  pallets,  possibilitando  a  célere  movimentação  da  carga  dentro e fora dos galpões de produção, o que é imprescindível às  atividades da Requerente.    Glosa  dos  valores  de  itens  contabilizados  em  contas  contábeis  que  não  se  referem  a  itens  que  geram  créditos  Inicialmente,  destaca  a  superficialidade  da  Autoridade  Fiscal  na  busca  da  verdade material, tendo em conta que esta considerou que todos  os  bens  e  serviços  contabilizados  em  determinadas  contas  contábeis  não  dariam  direito  a  crédito  em  razão  da  Fl. 19816DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 9          15 nomenclatura  da  conta,  sem que  fosse  realizada  uma auditoria  profunda nos bens e serviços adquiridos e contabilizados nessas  contas.  Diz  que  tal  fato  é  suficiente  para  que  se  entenda  pela  improcedência do Despacho Decisório quanto a este tópico.    Não obstante,  defende o direito ao  crédito  em  relação a vários  itens, conforme segue:  Analisando  as  despesas  relativas  à  conta  3350576  "PRD  DIFERENÇAS  DE  PREÇOS  MATERIAL  IMPRODUTIVO",  verifica­se  que  há  diversos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  da  Requerentee  que  foram  glosados  de  forma  arbitrária,  tais  como:  (i)  equipamento  de  indumentária  de  uso  obrigatório  segundos  as  normas  da  ANVISA,  já  abordados  no  item anterior, tais como luvas, máscaras, botinas, sapatos, botas,  calças, dentre outros;  (ii) e materiais utilizados em máquinas e  equipamentos,  como,  por  exemplo,  rolamentos,  correias,  retentores,  abraçadeiras,  mangueiras,  etc.,  que  também  foram  objeto de análise acima.  A conta contábil 3432262 "GFT — CONSERV. MANUT. MAQ.  E EQUIP. ­ MANUT. GERAL ­ MAT/PEC" é a conta na qual são  contabilizados  os  custos  das  peças  para  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo  da  Requerente,  tais  como:  arruela,  rolamento,  retentor,  esferas,  válvulas, correias, bobina, abraçadeira. Frise­se, uma vez mais,  que  tais  bens  são  utilizados  no  processo  produtivo  da  Requerente, isto é, estão diretamente relacionados à geração de  receitas  e,  por  esses  motivos,  caracterizam­se  como  insumos  passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS.  A  conta  contábil  3432211  "GFT  ­  CONSERV.  MANUT.  ­  PREDIAL ­ SERVIÇOS" diz respeito aos serviços de manutenção  das máquinas  e  equipamento,  que  tem por  objetivo melhorar  o  desempenho desses  itens, além de aumentar a  vida útil. Dentre  essas  despesas  com manutenção merecem  destaque  os  serviços  de  substituição  de  painéis  frigoríficos  (câmaras,  túneis  de  congelamento  e ambientes  climatizados),  substituição de portas  frigoríficas motorizadas, dentre outras.  A  conta  contábil  3432025  "GFT  ­  BENS  DE  NATUREZA  PERMANENTE" refere­se a gastos gerais, tais como gastos com  ferramentas,  termômetro  (utilizado  para  medição  da  temperatura  do  processo  produtivo),  salômetro,  cronometro,  sendo que todos esses itens são essenciais ao processo produtivo  da Requerente.  A  conta  contábil  1970674  "TRANSITÓRIA  ATIVO  PERMANENTE  ­  DESEMB  DE  IMPORTAÇÃO",  por  sua  vez,  possui  diversas  despesas  relacionadas  com  os  desembaraço  aduaneiro  de  insumos  importados,  tais  como:  despesas  com  armazenagem,  armazenagem  e  vistoria  container,  serviços  de  despachante, serviços de frete, dentre outros. Além disso, contém  serviços realizados por operador logístico (carga e descarga de  mercadorias, por exemplo), que, conforme já visto, são passíveis  de creditamento pela Contribuição ao PIS.  Conclui  que  as  glosas  efetuadas  em  razão,  unicamente,  da  contabilização  das  despesas  correlatas  nas  contas  3350576,  3432262, 3432211, 3432025, e 1970674, que, supostamente, não  Fl. 19817DF CARF MF     16 representam  operação  com  direito  a  crédito,  não  devem  subsistir,  tendo  em  vista  a  caracterização  dos  itens  glosados  como insumos essenciais ao processo produtivo.    Glosa  dos  valores  de  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoas  físicas    Defende que faz jus ao créditos em relação aquisições de bens e  serviços  de  pessoas  físicas,  seja  porque  tais  despesas  estão  relacionadas  à  geração  de  receitas,  caracterizando­se  como  insumos,  seja  porque  o CARF  já  decidiu  pela  possibilidade  de  aproveitamento dos  créditos  relativos às aquisições de  insumos  em casos análogos.  No mais, alega que faz jus, no mínimo, aos créditos presumidos  sobre tais compras, na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004.    Glosa dos valores de fretes de Insumos e de Produtos Acabados    Alega que o creditamento sobre as despesas com fretes, sejam ou  não  relacionadas  à  operação  de  venda,  está  em  consonância  com  a  legislação  vigente  e  com  a  mais  recente  jurisprudência  administrativa sobre a matéria.  Explica que,  diante  das  diversas  etapas  do  processo  produtivo,  aliado à sua extensa quantidade de plantas industriais, é notório  que  o  frete  de  matérias  primas  e  produtos  semi­acabados  é  inerente à atividade da empresa e imprescindível ao mencionado  processo produtivo, devendo os seus gastos serem considerados  para  fins  de  creditamento.  Defende  o  crédito  decorrentes  de  despesas de frete relacionadas: aos transporte de ração para os  integrados, responsáveis pela criação de aves, e transferência de  ovos para incubadora; e ao transporte de produtos acabados, em  relação ao qual aduz que o frete dos estabelecimentos industriais  aos centros de distribuição nada mais é do que uma parcela do  frete destinado à venda.    Glosa dos valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero    A  Recorrente  inicialmente  contesta  a  glosa  das  aquisições  de  bens sujeitos à alíquota zero, realizada com base no art. 3º, § 2º,  das  Leis  n.°  10.637/2002  e  nº  10.833/03,  alegando  que  as  aquisições  cujos  valores  foram  glosados  não  se  subsumem  a  estas normas.  Argumenta  que  as  aquisições  em  apreço,  distintamente  do  que  preleciona as mencionadas normas, não se referem a bens cuja  receita não se encontra sujeita à contribuição, mas a bens que se  encontram  no  campo  de  incidência  da  contribuição  e  que  tiveram a alíquota reduzida a  zero pelo  legislador; afirma que,  portanto,  o  fato  de  não  haver  um  efetivo  dispêndio  pelo  contribuinte que  forneceu os bens não  implica que  tal bem não  está sujeito à contribuição.  Entretanto,  defende  que,  caso  não  se  acolha  o  entendimento  acima,  é  aplicável  aos  valores  glosados  a  segunda  parte  do  referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível  afirmar que o tratamento  fiscal do  instituto da alíquota  zero se  confunde com o da  isenção, devendo, portanto,  aquele  instituto  estar sujeito à exceção que este comporta.    Fl. 19818DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 10          17 Glosa  dos  valores  das  aquisições  cujo  Cfop  da  nota  indica  operação sem direito de crédito    Já  em  relação  às  Aquisições  sob  CFOP  que  Não  Geram  Créditos, reclama da superficialidade da análise da Autoridade  Fiscal  que  não  cuidou  de  verificar  se  os  bens  adquiridos  são  insumos do processo produtivo.  Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco  permite  verificar  que  diversos  bens  glosados  consistem  de  insumo  com  base  nas  justificativas  já  aduzidas  na  presente  manifestação,  tais  como  as  despesas  com  materiais  e  equipamentos  (retentor,  arruela,  barra,  rebolo,  dentre  outros),  despesas  com  fretes,  despesas  com  óleos  empregados  nas  máquinas do processo produtivo, dentre outras.  Reclama  ter  sido  arbitrário  o  procedimento  adotado  pela  Fiscalização  de  glosar  bens  cujo  Cfop  diz  respeito  a  mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP  1407  e  2407),  sem  sequer  analisar  a  natureza  do  insumo  adquirido  e  o  seu  emprego  no  processo  produtivo.  E  aponta  como mais  grave  ainda  a  situação  que  se  refere  ao Cfop  cuja  descrição é outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço  não  especificada,  ou  mesmo  de  material  de  uso  ou  consumo  (Cfop  1949),  pois  é  impossível  a  Fiscalização  saber  de  qual  insumo  se  trata  apenas  com  base  na  mera  redação  do  Cfop.  Destaca que a Fiscalização glosou  diversas despesas  com  fretes  de mercadorias  sob o Cfop  1360,  relativas à "aquisição de serviço de transporte por contribuinte  substituto em relação ao serviço de transporte", para a entrega  de  mercadorias,  por  exemplo,  o  que,  evidentemente,  deve  ser  compreendido como um insumo da Requerente.    Glosa  dos  valores  das  aquisições  com  suspensão  das  contribuições    Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das  contribuições, a Recorrente alega que as alegações trazidas pela  Fiscalização  não  merecem  prosperar,  pois  os  insumos  foram  adquiridos  sem a  suspensão  da Cofins. Defende  que,  em assim  sendo, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º  da  Lei  n°  Lei  n°  10.925/2004,  mas  sim  do  conceito  de  insumo  previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Nesse  sentido, ressalta, ainda, que no período objeto de análise, vigia a  Instrução  Normativa  RFB  n°  660/2006,  que  dispunha  sobre  a  suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas  aquisições  de  que  trata  o  art.  9º  da  Lei  n°  10.250/2004,  sem,  contudo,  tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade  da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação  somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009.    Despesas de energia elétrica    No tópico III.2.3 — Das Despesas de Energia Elétrica e Energia  Térmica, Inclusive sob a Forma de Vapor (Linha 04 da Ficha 06  da  DACON)  a  interessada  contesta  a  glosa  dos  valores  dos  Fl. 19819DF CARF MF     18 serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de  energia elétrica, pagos à COMERC ENERGIA S/A, bem como os  serviços de mediação de motores  elétricos,  pagos à GRAPHUS  ENGENHARIA e CONSERVAÇÃO alegando que esses  serviços  caracterizam­se  como  insumos  inerentes  ao processo  produtivo  da Requerente e foram equivocadamente informados na Linha 4,  da Ficha 06, da Dacon, e defende que o erro no preenchimento  da  Dacon  não  representa  um  óbice  ao  aproveitamento  de  créditos.    Despesas de aluguéis de prédios    No  tópico  III.2.4  —  Das  Despesas  de  Aluguéis  de  Prédios  Locados  de  Pessoas  Jurídicas  (Linha  05  da  Ficha  06  da  DACON),  contesta  a  glosa  dos  os  valores  pagos  pelo  arredamento  da  "Granja  Avicola  Nicolini  Ltda"  alegando  que  em  sendo  a  sua  atividade  eminentemente  agroindústria,  a  principal  "área"  que  poderia  locar  para  exercer  a  primeira  etapa  de  sua  atividade,  no  caso,  a  criação  dos  animais,  seria  justamente  uma  granja,  razão  pela  qual,  ao  contrário  do  que  afirma o Fisco, se aplica ao caso o art. 3º, inciso IV, da Lei n.°  10.637/2002.    Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos    Contra à glosa dos alugueis de veículos, no tópico III.2.5 — Das  Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de  Pessoas  Jurídicas  (Linha  06  da  Ficha  06  da  DACON),  a  Recorrente  alega  que  os  veículos  tais  veículos  são,  em  sua  grande  maioria,  verdadeiras  máquinas,  devendo  o  seu  aluguel  ser  considerado  como  tal,  por  serem  essenciais  ao  processo  produtivo da Requerente. Explica:  Nota­se,  dessa  forma,  que,  mais  que  um  veículo,  o  referido  caminhão  "Munck"  possui,  predominantemente,  a  função  de  guindaste, sendo a característica "motora" ­ ou seja, de veículo  terrestre ­ tão somente uma questão de praticidade, de modo que  o referido guindaste possa se locomover mais  facilmente dentro  e entre os estabelecimentos da Requerente.  Adicionalmente,  os  demais  veículos  listados  na  mencionada  planilha  e  que  foram  objeto  da  presente  glosa,  igualmente,  devem ser considerados por essa E. Turma Julgadora.  Com  efeito,  tais  veículos  são  utilizados  para  movimentar  os  animais  e  os  materiais  essenciais  ao  processo  produtivo  da  Requerente.  E,  justamente,  os  dispêndios  com  os  alugueis  de  veículos que possuem essas características têm sido amplamente  aceitos como passíveis de creditamento.  (...)  Tais  "veículos  de  passeio",  ainda  que  não  se  enquadrem  como  máquinas e equipamentos, o que se admite apenas por epítrope,  são  essenciais  ao  processo  produtivo  da Requerente,  já  que  os  vendedores  dependem  de  tais  veículos  para  negociar  com  os  compradores  e,  assim,  levar  os  produtos  comercializados  ao  consumidor final.    Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda    Fl. 19820DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 11          19 No tópico III.2.6 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na  Operação de Venda (Linha 07 da Ficha 06 da DACON), defende  que  faz  jus ao créditos  em  relação aos  fretes pagos às pessoas  físicas,  seja porque  tais despesas  estão  relacionadas à geração  de  receitas,  caracterizando­se  como  insumos,  seja  porque  o  CARF  já  decidiu  pela  possibilidade  de  aproveitamento  dos  créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos.  Quanto às glosas com os serviços de movimentação de produtos,  alega que faz jus aos créditos dada à imprescindibilidade desses  serviços  relacionados  à  movimentação  de  mercadorias,  associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as  despesas  de  frete  de  vendas,  tal  como  explicado  no  item  "Serviços  Realizados  por  "Operador  Logístico",  contido  no  tópico  “III.2.2.a  —  Dos  Bens  e  Serviços  Utilizados  como  Insumos".    Despesas com bens do Ativo Imobilizado    No que se refere a bens do Ativo Imobilizado, a interessada, no  tópico  III.2.7  —  Das  Despesas  com  Bens  do  Ativo  Imobilizado  —  Encargos  de  Depreciação  (Linha  09  da  Ficha  06  DACON),  contesta  às  glosas  efetuadas  sobre  os  créditos  relativos  a  bens  adquiridos  até  30/04/2004  com  fundamento  no  art.  31  da  Lei  10.865104,  alegando  que  a  limitação  dos  créditos  sobre  a  depreciação  de  bens  já  adquiridos  e  incorporados  ao  seu  patrimônio  representa  uma  afronta  ao  direito  adquirido  sobre  esses  créditos,  considerando  que  afetou  a  apropriação  de  créditos cuja origem está assentada nas aquisições anteriores à  vigência  da  mencionada  Lei.  Cita  decisão  proferida  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  4a  Região  no  Incidente  de  Arguição de Inconstitucionalidade na Apelação em Mandado de  Segurança  n°  2005.70.00.000594­0/PR,  que  determinou  a  inconstitucionalidade do art. 31 da Lei n° 10.865104.  Quanto  às  glosas  sobre  os  créditos  relativos  as  despesas  de  edificações  incorporadas  ao  ativo  imobilizado,  que  foram  aproveitados  de  forma extemporânea, reconhece que de fato apenas informou os  créditos  extemporâneos  no  período  em  que  se  apropriou  deles  para  reduzir  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  no  caso,  em  março  de  2009,  e  explica  que  se  aproveitava  dos  créditos  conforme  as  taxas  de  depreciação  das  próprias  edificações  e  que, após verificar a possibilidade de se aproveitar dos créditos  das contribuições à razão de 1/24, com base no art. 6º da Lei n°  11.48810727,  passou  a  se  aproveitar  de  todos  os  créditos  extemporâneos que deixaram de ser aproveitados desde  janeiro  de 2007. Afirma que os créditos oriundos de dispêndios legítimos  e  que  efetivamente  ocorreram  devem  ser  reconhecidos  pela  Autoridade Fiscal, mesmo que extemporaneamente, uma vez que  houve mero equívoco ao declará­los no mês de março de 2009,  sem  retificar  as  declarações  acessórias  anteriores.  Acrescenta  que: como se trata de simples erro material, pode a Autoridade  Fiscal  retificá­lo  de  ofício,  sem  qualquer  prejuízo  ao  direito  creditório  ou  ao  Fisco,  em  conformidade  aos  ditames  do  Fl. 19821DF CARF MF     20 princípio  da  verdade material,  sendo  exatamente  o  disposto  no  artigo 147, § 2º, do CTN; o art. 3º, § 4º, da Lei n° 10.63712002  prevê  expressamente  a  possibilidade  de  utilização  de  créditos  extemporâneos; a  retificação da Dacon é desnecessária para a  apropriação de  créditos  extemporâneos; a  retificação é apenas  uma das formas que o contribuinte pode adotar para apropriar­ se de créditos extemporâneos, pois há,  também, a possibilidade  de o contribuinte não retificar a Dacon e apropriar­se do crédito  no mês corrente.  Por  fim,  destaca  que  o  fato  de  ter  informado  os  créditos  extemporâneos  na  linha  errada  da  Ficha  06  da  Dacon  não  representa  um  óbice  ao  aproveitamento  dos  créditos  (a  requerente informou esses créditos na Linha 09, enquanto que o  correto  seria  na  Linha  10),  conforme  já  abordado  na  presente  peça por diversas oportunidades.  Já  no  tópico  III.2.8  ­  Das  Despesas  com  Bens  do  Ativo  Imobilizado ­ Valor de Aquisição ou de Construção (Linha 10 da  Ficha 06 da DACON), contesta a glosa dos créditos apropriados  a razão de 1/48 sobre despesas de depreciação com edificações e  benfeitorias  do  seu  ativo  imobilizado  alegando  que  os  créditos  glosados  referem­se,  efetivamente,  a  despesas  com  a  depreciação de itens do ativo imobilizado, mais especificamente,  a  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo.  Nesse sentido argumenta:    Analisando  a  planilha  com  as  glosas  efetuadas  pela  Fiscalização,  observa­se  que  diversas  despesas  referem­se  às  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo  da  Requerente, tais como:   (i) despesas com abates bovinos, que evidentemente referem­se  ao equipamento utilizado para o abate desses animais;  (ii)  despesas  com  caldeiras,  que  são máquinas  e  equipamentos  do processo produtivo;   (iii)  despesas  com  desossas,  que  se  referem  às  máquinas  e  equipamentos relativos às desossas dos animais;  (iv)  despesas  com  higienização,  que  se  caracterizam  como  insumos no processo produtivo;   (v)  despesas  com manutenção de máquinas  e  equipamentos  em  geral,  que  são  essenciais  ao  regular  funcionamento  desses  itens.Inclusive, diversas dessas despesas referem­se a máquinas  e  equipamentos  mencionados  no  processo  produtivo  da  Requerente  descrito  no  item  III.I  "Breve  Descritivo  das  Atividades  da  Requerente",  pois  tal  processo  envolve  as  operações  de  abates,  desossas,  incubadoras,  pendura,  tratamentos  de  água  quente,  para  as  quais  são  necessárias  as  máquinas  e  equipamentos  que  originaram  os  gastos  ora  analisados.    Com  base  no  exposto  e  levando  em  consideração  as  despesas  glosadas, resta evidente que os créditos de Contribuição ao PIS  ora  glosados  pela  Fiscalização  referem­se  a  despesas  com  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  pertencentes  ao  processo  produtivo  da  Requerente,  devendo  essa  C.  Turma  de  Julgamento determinar o cancelamento do lançamento fiscal.    No tópico III.2.9 — Das Despesas com Encargos de Amortização  de  Edificações  e  Benfeitorias  (Linha  11  da  Ficha  06  da  Fl. 19822DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 12          21 DACON),  afirma  que  os  valores  glosados  referem­se,  efetivamente,  a  despesas  com  depreciação  de  itens  do  ativo  imobilizado, mais especificamente, máquinas e equipamentos do  processo produtivo e remete às razões de  contestação postas no item III.2.8 da impugnação.    Crédito presumido da agroindústria    Quanto crédito presumido da agroindústria, no tópico III.2.10 ­  Créditos  Presumidos  (Ficha  06A  ­  Linhas  25  e  26  do  DACON),inicialmente a Recorrente coloca que o itens descritos  como "milho em grão', "farelo de trigo", "soja em grão', "pinto  de 1 dia", "leitão recria", dentre outros constantes do Despacho  Decisório consistem de insumo. Explica que: o milho em grão, o  farelo  de  trigo  e  a  soja  em  grão  são  elementos  essenciais  na  produção da ração dos animais; os pintos de 1 dia e os  suínos  para recria, por sua vez, são essenciais ao processo produto das  aves e suínos.    No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais  aplicados  para  cálculo  do  crédito  presumido,  alega  que  o  método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art.  8º da Lei n° 10.925/2004, em  seu parágrafo 3º,  o qual  fazendo  remissão  ao  caput,  vincula,  assim,  o  cálculo  do  crédito  presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como  base  de  cálculo  do  crédito  o  valor  da  aquisição  do  insumo.  Acrescenta  que  tal  é  o  entendimento  que  se  chega  a  partir  de  uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que  o CARF assim também vem decidindo.    Por  fim,  afirma  que  o  parágrafo  10,  do  art.  8º,  da  Lei  n°  10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a qualquer  dúvidas sobre a questão pois não dá margem à dúvida: o direito  à  aplicação  do  percentual  de  60%  decorre  da  natureza  do  produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza  dos  insumos  empregados,  pois,  do  contrário,  não  ditaria  tal  dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange  todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a  tal  dispositivo,  enquanto  interpretativo,  deve  ser  dada  eficácia  retroativa nos termos do art. 106 do CTN.    Multa de ofício    A  impugnante  alega:  impossibilidade  de  sucessão  da  responsabilidade  por  infrações  tributárias  de  sua  incorporada,  nos  termos dos artigos 129 e  seguintes do CTN; que apesar de  ser sucessora por incorporação da Sadia S.A., segundo se infere  do  artigo  132  do  CTN,  somente  possui  responsabilidade  pelos  tributos  devidos  por  aquela  até  a  data  da  incorporação,  que  ocorreu em 31 de dezembro de 2012.    Aduz que não se aplica ao caso a Súmula n° 47 do CARF que,  segundo  Fl. 19823DF CARF MF     22 alega, autoriza a  imputação da penalidade pecuniária à pessoa  jurídica  sucessora  caso  esta  e  a  sucedida  estivessem  sobre  controle  comum  ou  pertencessem  ao mesmo  grupo  econômico,  evidentemente  à  época  dos  fatos  geradores.  Informa  que,  se  verifica  da  Ata  da  Assembleia  Geral  Extraordinária  da  Impugnante,  realizada  em  18  de  agosto  de  2009,  e  da  Ata  Sumária  da  Assembleia  Geral  Extraordinária  da  Sadia,  realizada  na  mesma  nada  (Doc.  27),  cujos  registros  na  Junta  Comercial  encontram­se na última  folha de  cada documento,  a  Impugnante e a Sadia apenas passaram a fazer parte do mesmo  "grupo  econômico"  em  agosto  de  2009.  Conclui  que  antes  de  19/08/2009,  a  Impugnante  a  Sadia  não  estavam  sob  controle  comum  ou  participavam  do  mesmo  "grupo  econômico"  e  acrescenta  que  até  pouco  tempo  antes  dessa  data,  ainda  denominava­se  Perdigão  Agroindustrial  S/A  e  era  concorrente  da Sadia.    Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício    Contra  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  alega que:   nos  termos  do  que  estabelece  o  artigo  61  da  Lei  n.°  9.430/96,  somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos  débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as  penalidades  pecuniárias;  os  juros  não  podem  incidir  sobre  a  multa,  já  que  essa  penalidade  não  retrata  obrigação principal,  mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma  de punir o contribuinte; a aplicação de tal percentual, de forma  ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira  afronta  ao  princípio  constitucional  do  não­confisco,  bem  como  viola  o  direito  de  propriedade,  já  que  faz  incidir  juros  exorbitantes  sobre  o  imposto  devido  e,  ainda,  sobre  a  multa  aplicada.    Pedido de perícia e diligência    A  Recorrente  pugna  pela  realização  de  perícia,  que  se  justificaria,  segundo  alega,  pela  necessidade  de  trazer  ao  conhecimento  da  autoridade  julgadora  os  detalhes  e  particularidades  dos  seus  processos  produtivos,  permitindo­lhe  entender  a  específica  natureza  de  cada  despesa  glosada  pela  Fiscalização  e  analisar  sua  pertinência  e  relação  com  o  processo produtivo. Indica um perito a quem caberia: descrever  de  forma detalhada os  seus processos  produtivos; descrever de  forma  detalhada  cada  despesa  glosada  pela  Fiscalização;  esclarecer  qual  a  relação  das  despesas  glosadas  pela  Fiscalização  com  o  processo  produtivo;  demonstrar  quais  despesas  de  frete  são  relacionadas  à  venda  de  mercadorias  e  produtos  e  quais  são  relacionadas  à  transferência  entre  estabelecimentos; demonstrar o valor do crédito  extemporâneo, calculado a partir de janeiro de 2007, ao qual faz  jus a Requerente, para aproveitamento em março de 2009.    Em  razão  de  a  auditoria  fiscal,  segundo  alega,  ter  sido  superficial  na  análise  de  seu  processo  produtivo,  a Recorrente  também  pugna  pela  realização  de  diligência  fiscal  para  que  o  auditor  fiscal  esclareça:  se  os  bens  e  serviços  caracterizados  Fl. 19824DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 13          23 como insumos pela Requerente em sua Dacon são utilizados no  processo  produtivo  e  efetivamente  guardam  relação  intrínseca  com a geração de receitas, em conformidade com o disposto no  art.  3º,  inciso  II,  da  Lei  n°  10.637/2002;  se  as  despesas  com  alugueis de prédios, máquinas e  equipamentos,  pagos a pessoa  jurídica,  são  utilizados  para  a  consecução  das  atividades  da  Requerente, em consonância com o art. 3º,  inciso IV, da Lei n°  10.637/2002,  ou,  ao  menos,  podem  caracterizar­se  como  insumos, nos termos do art. 3º,inciso II, da Lei n° 10.637/2002;  se  as  despesas  com  itens  relativos  a  edificações  e  benfeitorias,  referem­se  efetivamente  a  gastos  incorridos  com  edificações  e  benfeitorias, ou referem­se a gastos  incorridos com máquinas e  equipamentos  do  ativo  imobilizado  utilizados  no  processo  produtos da Requerente, conforme dispõe o art. art. 3º, inciso VI,  da Lei n° 10.637/2002.  Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua  manifestação de inconformidade."        A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  manteve  integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada:     ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009  MULTA  DE  OFÍCIO.  RESPONSABILIDADE.  SUCESSÃO  TRIBUTÁRIA.  Em estando comprovado que à data da  infração cometida pela  sucedida  as  empresas  já  se  encontravam  sob  controle  comum,  cabível é a imputação da multa de ofício à sucessora.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade de atos legais regularmente editados.  DECISÕES  JUDICIAIS  E  ADMINISTRATIVAS.  DESCARACTERIZAÇÃO  COMO  NORMAS  COMPLEMENTARES  DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.  As  decisões  judiciais  prolatadas  em  ações  individuais  não  produzem  efeitos  para  outros  que  não  aqueles  que  compõem  a  relação  processual.  E  as  decisões  administrativas,  não  formalmente  dotadas  de  caráter  normativo,  igualmente  se  aplicam inter partes.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009  DIREITO  DE  CRÉDITO.  COMPROVAÇÃO.  ÔNUS  DO  CONTRIBUINTE  É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a  existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição  ou ressarcimento e compensação.  Fl. 19825DF CARF MF     24 INTIMAÇÃO FISCAL. ANÁLISE DO CRÉDITO.  O  contribuinte,  ao  não  atender  à  intimação  do  Fisco  para  apresentar  as  informações  necessárias  à  análise  do  direito  ao  crédito pleiteado, inviabiliza o reconhecimento deste.  ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE.  Escrituração contabilidade da empresa faz prova das operações  comerciais  da  empresa  para  fins  de  apuração  dos  tributos  incidentes  sobre  as  receitas  geradas;  somente  faz  prova  a  seu  favor  nos  casos  em  que,  além  de  observadas  as  disposições  legais,  os  fatos  nela  registrados  estejam  comprovados  por  documentos fiscais hábeis e idôneos.  NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE.  As  Notas  Fiscais  fazem  prova  perante  o  fisco  das  operações  comerciais das empresas na medida em que gozam de presunção  de  veracidade,  presunção  esta  somente  afastada  por  quem  o  pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto.  PIS.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  APURAÇÃO  DO CRÉDITO. DACON  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo  contribuinte  por  meio  do  Dacon,  não  cabendo  a  autoridade  tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a  inclusão,  na  base  de  cálculo  desses  créditos,  de  custos  e  despesas  não  informados  ou  incorretamente  informados  neste  demonstrativo.  PIS.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  ALTERAÇÃO DE CRÉDITO. DACON. DCTF. RETIFICAÇÃO.  A alteração pelo contribuinte da apuração dos créditos relativos  a determinado período há que  ser efetivada através da  entrega  do Dacon  retificador  e  da  DCTF  retificadora,  se  houver  alteração  de  valores que  tenham sido informados em DCTF.  DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Em  estando  presentes  nos  autos  do  processo  os  elementos  necessários  e  suficientes  ao  julgamento  da  lide  estabelecida,  prescindíveis  são  as  diligências  e  perícias  requeridas  pelo  contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferi­las.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009  PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE  CREDITAMENTO.  As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de  apuração  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  são  somente  as  previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao  enumerar  os  custos  e  encargos  passíveis  de  creditamento,  não  estando  suas  apropriações  vinculadas  à  caracterização  de  sua  essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na  contabilidade como custo operacional.  PIS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  CONCEITO DE INSUMO.   No  regime  não  cumulativo  da Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  somente  são  considerados  como  insumos,  para  fins  de  creditamento  de  valores:  os  combustíveis  e  lubrificantes,  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  Fl. 19826DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 14          25 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  de  sua  aplicação  direta  na  prestação  de  serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços  ou  na  produção  ou  fabricação de bens destinados à venda.  PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  AQUISIÇÃO  DE  PESSOA  FÍSICA. CRÉDITO REGULAR. INEXISTÊNCIA.  À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado  à  alíquota  normal  da  contribuição  sobre  os  custos  dos  bens  adquiridos de pessoas físicas.  PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA.  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste  permissivo  legal  para  tomada  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  a  partir  de  dispêndios  com  serviços  de  frete  de  mercadorias  ou  produtos  entre  estabelecimentos da empresa.  PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  AQUISIÇÕES  TRIBUTADAS.  Somente  geram  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  passíveis de  desconto  da  contribuição  devida  os  valores  das  aquisições  de  bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição.  PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO.  REQUISITOS  ESTABELECIDOS  NA  LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.  É  obrigatória  a  suspensão  estabelecida  pelo  art.  9º  da  Lei  nº  10.925/2004  na  operação de  venda dos  produtos  a  que  este  se  refere, quando o adquirente  seja pessoa  jurídica  tributada pela  com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize  o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação  de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF  nº 660/2006.  PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.  A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º,  da Lei n.° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para  despesas  com  aluguéis  de  prédios, máquinas  e  equipamentos  e  não se aplica a  pagamentos de arrendamento.  PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESA  COM  LOCAÇÃO  DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.  À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado  sobre despesa com locação de veículos.  PIS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  DEPRECIAÇÃO  OU  AMORTIZAÇÃO  DE  BENS  DO  ATIVO  IMOBILIZADO.  VEDAÇÃO.  É  vedada,  por  expressa  determinação  legal,  a  apropriação,  a  partir de  01/08/2004, de créditos da Contribuição para o PIS calculados  sobre  os  encargos  de  depreciação  de  bens  e  direitos  do  ativo  imobilizado adquiridos até 30/04/2004.  Fl. 19827DF CARF MF     26 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO  PRESUMIDO. APURAÇÃO.  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  a  natureza  do  bem  produzido  pela  empresa  que  desenvolva  atividade  agroindustrial  é  considerada para  fins  de  aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no  cálculo  do  crédito  deve  ser  observada  a  alíquota  conforme  a  natureza do insumo adquirido.    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009  COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES  DE CREDITAMENTO.  As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de  apuração  da Cofins  são  somente  as  previstas  na  legislação  de  regência,  dado  que  esta  é  exaustiva  ao  enumerar  os  custos  e  encargos  passíveis  de  creditamento,  não  estando  suas  apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade  na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade  como custo operacional.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  CONCEITO DE INSUMO.  No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados  como  insumos,  para  fins  de  creditamento  de  valores:  os  combustíveis  e  lubrificantes,  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens que sofram alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  de  sua  aplicação  direta  na  prestação  de  serviços  ou  no  processo  produtivo  de  bens  destinados  à  venda;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços  ou  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda.  COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOA  FÍSICA. CRÉDITO REGULAR. INEXISTÊNCIA.  À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado  à  alíquota  normal  da  contribuição  sobre  os  custos  dos  bens  adquiridos de pessoas físicas.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  SERVIÇOS  DE  FRETE  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA.  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste  permissivo  legal  para  tomada  de  créditos  da  Cofins  a  partir  de  dispêndios  com  serviços  de  frete  de  mercadorias  ou  produtos entre estabelecimentos da empresa.  COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES  TRIBUTADAS.  Somente  geram  créditos  da  Cofins  passíveis  de  desconto  da  contribuição  devida  os  valores  das  aquisições  de  bens  ou  serviços sujeitos ao pagamento da contribuição.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  SUSPENSÃO  DA  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO.  REQUISITOS  ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.  É  obrigatória  a  suspensão  estabelecida  pelo  art.  9º  da  Lei  nº  10.925/2004  na  operação de  venda dos  produtos  a  que  este  se  refere, quando o adquirente  seja pessoa  jurídica  tributada pela  com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize  Fl. 19828DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 15          27 o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação  de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF  nº 660/2006.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.  A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º,  da Lei n.° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para  despesas  com  aluguéis  de  prédios, máquinas  e  equipamentos  e  não se aplica a  pagamentos de arrendamento.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESA  COM  LOCAÇÃO DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.  À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado  sobre  despesa com locação de veículos.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  DEPRECIAÇÃO  OU  AMORTIZAÇÃO  DE  BENS  DO  ATIVO  IMOBILIZADO. VEDAÇÃO.  É  vedada,  por  expressa  determinação  legal,  a  apropriação,  a  partir de 01/08/2004, de créditos da Cofins calculados sobre os  encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado  adquiridos até 30/04/2004.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  AGROINDÚSTRIA.  CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO.  No âmbito do  regime não cumulativo  da Cofins,  a  natureza do  bem  produzido  pela  empresa  que  desenvolva  atividade  agroindustrial  é  considerada  para  fins  de  aferir  seu  direito  ao  aproveitamento  do  crédito  presumido,  já  no  cálculo  do  crédito  deve  ser  observada  a  alíquota  conforme  a  natureza  do  insumo  adquirido.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Inconformado  com  a  decisão  da  DRJ,  o  sujeito  passivo  interpôs  recurso  voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação.    É o Relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    O  recurso  é  voluntário,  deve  ser  conhecido  na  sua  integralidade  por  ser  tempestivo e atender os demais requisitos de admissibilidade.    Nulidade do lançamento  Fl. 19829DF CARF MF     28   Em sede preliminar existem questionamentos sobre a constitucionalidade da  exigência fiscal, que não serão objeto de análise neste julgamento, em razão da incompetência  deste colegiado para decidir sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula  CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009.   “Súmula CARF nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária”    Ainda  em  sede  preliminar,  alega­se  a  existência  de  vícios  no  ato  administrativo  que  não  teria  atendido  aos  requisitos  de motivação  e  finalidade  ofendendo  o  principio da verdade material. Não vislumbro assistir razão ao recursos. O auto de infração teve  origem em auditoria  realizada pela Fiscalização  da Receita Federa,  fartamente  detalhada  em  relatório  fiscal,  onde  consta  a  motivação  para  o  lançamento  e  as  provas  que  conduziram  a  autoridade autuante a lavratura do auto de infração.   A  Recorrente  foi  cientificada  da  exigência  fiscal  e  apresentou  impugnação  que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignado com o resultado  do  julgamento  da  autoridade  a  quo,  protocolou  recurso  voluntário,  rebatendo  as  posições  adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto,  as motivações  para  o  lançamento,  bem  como,  as  do  julgamento  na  primeira  instância  foram  claramente  identificadas.  Com  todo  este  histórico  de  discussão  administrativa,  não  se  pode  falar  em  cerceamento  de  direito  de  defesa  ou  quaisquer  outros  vícios  no  lançamento  ou  no  julgamento  da  primeira  instância,  todo  o  procedimento  previsto  no  Decreto  70.235/72  foi  observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo  fiscal.    O conceito de insumo a ser utilizado na apuração dos créditos do PIS e da COFINS não  cumulativos    A teor do relatado a Recorrente pretende modificar o entendimento adotado  pela  autoridade  fiscal  com  a  aplicação  de  um  conceito  amplo  de  insumo,  onde  os  custos  e  despesas  suportados  pela  empresa  necessários  a  suas  atividades,  estariam  incluídos  nas  operações possíveis de gerar créditos do PIS e da COFINS não cumulativa.    Ao  definir  a  não  cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS  a  Emenda  Constitucional nº 42/2002. incluiu o § 12º no art. 195 da CF. verbis:    “§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os  quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV  do caput, serão não­cumulativas.”    Fl. 19830DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 16          29 As  alterações  promovidas  pela  EC  nº  42  deixou  à  legislação  infraconstitucional definir quais setores econômicos poderiam utilizar a forma de apuração não  cumulativa das contribuições.   A  regulamentação  efetiva  da  utilização  da  não  cumulatividade  veio  com  a  edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida posteriormente na Lei  nº 10.637/2002 para o PIS e tratando da COFINS foi editado a Medida Provisória 135, de 30  de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003. O § 12º do art. 195 da  CF  atribui  a  legislação  infraconstitucional  determinar  quais  setores  econômicos  poderiam  utilizar a não cumulatividade. Destarte, a própria norma constitucional definiu a existência de  limites e restrições para a utilização da não cumulatividade.  A possibilidade de utilização de créditos para redução da contribuição devida  das aquisições de bens e serviços utilizados como insumo, foi prevista no art. 3º, inciso II, da  Lei nº 10.833/2003. Verbis:    “II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; “    O  conceito  de  insumo,  constante  da  Lei  nº  10.833/2003,  não  foi  perfeitamente  delimitado,  surgindo  desta  indeterminação,  uma  grande  discussão  sobre  o  alcance da palavra “insumo” inserida no  texto  legal, gerando diversos entendimentos sobre a  matéria. As interpretações adotadas ocupam um vasto campo entre duas posições extremas. A  primeira defendida em normas da Receita Federal, criando posições restritivas a utilização do  conceito  de  insumo,  conforme  previsto  no  §  4º,  do  art.  8º,  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  404/2004.     “§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  Fl. 19831DF CARF MF     30 a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.”      Outra  linha  de  pensamento  trata  o  conceito  de  insumo  da  forma  mais  abrangente  possível,  estendendo  o  seu  conceito  a  toda  e  qualquer  despesa  realizada  pela  empresa para realização do suas atividades.  A Recorrente alega que o conceito da palavra insumo contida no inciso II, do  art.  3º,  da Lei nº 10.833/2003  teria  este  caráter  geral  e  extensivo, onde  os  custos  e despesas  incorridos pela empresa ensejariam a possibilidade de utilização de créditos.   A  posição  que  vem  sendo  adotada  nas  turmas  do CARF  vai  no  sentido  da  análise restritiva do conceito de insumo, como pode ser visto na decisão adotada no Acórdão nº  3301­00.423, que foi assim ementado:      Acórdão n° 3301­00.423 ­ 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Sessão de 03 de fevereiro de 2010  Matéria Cofins Não­Cumulativa  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004  INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA  O conceito de insumo previsto no  inciso II do art. 3° da Lei n°  10.637/02 e normalizado pela  IN SRF n° 247/02, art.  66,  § 5°,  inciso  I,  na  apuração  de  créditos  a  descontar  do  PIS  não­ cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem  ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa,  mas  tão  somente  aqueles  adquiridos  de  pessoa  jurídica,  intrínsecos  à  atividade,  que  efetivamente  sejam  aplicados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação do serviço, desde que não estejam  incluídos no ativo  imobilizado.  AQUISIÇÃO  DE  PESSOA  FÍSICA.  CRÉDITOS  NA  INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. IMPOSSIBILIDADE.  A Lei n° 10.637102 que  instituiu o PIS não­cumulativo, em seu  art. 3°, § 3°, inciso I, de modo expresso, como regra geral, vedou  o  aproveitamento  de  créditos  decorrentes  de  aquisições  de  pessoas  físicas.  FRETE  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  CUSTO  DE  PRODUÇÃO.  Gera  direito  a  créditos  do  PIS  e  da  Cofins  não­cumulativos  o  dispêndio  com  o  frete  pago  pelo  adquirente  à  pessoa  jurídica  Fl. 19832DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 17          31 domiciliada  no  País,  para  transportar  bens  adquiridos  para  serem  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda,  bem  assim  o  transporte  de  bens  entre  os  estabelecimentos  industriais  da  pessoa  jurídica,  desde  que  estejam  estes  em  fase  de  industrialização,  vez  que  compõe  o  custo do bem.  ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IMPOSSIBILIDADE.  São  incabíveis  alegações  genéricas.  Os  argumentos  aduzidos  deverão  ser  acompanhados  de  demonstrativos  e  provas  suficientes que os confirmem.”    Neste  sentido  tem  caminhado  diversos  julgados  do  CARF,  ao  se  ater  essencialmente  aos  conceitos  definidos  na  norma  ordinária  para  definir  a  procedência  do  crédito  alegado  pelos  contribuintes,  de  outra  forma  não  há  o  que  trabalhar,  pois  se  identificássemos a existência da não cumulatividade integral ao PIS e COFINS todo e qualquer  despesa, sendo de serviço ou aquisição de insumos comporiam o quadro de créditos possíveis  de redução da contribuição devida e não é o que observamos em todo arcabouço de legislação  ordinária que lista uma série de definições e regras para fruição dos créditos.  Afastar  por  completo  as  restrições  legais  não  é  possível.  De  outra  banda  utilizar o conceito restritivo previsto na IN SRF 404/2004, ao meu sentir, também não é melhor  solução para a questão, visto o conceito da Instrução Normativa, copiar o conceito do insumo  do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, entretanto, as contribuições incidem sobre o  faturamento, gerando uma distorção na utilização daquele conceito para a não cumulatividade  do PIS e da COFINS.  O conceito de insumo previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, esclarece que  são possíveis de gerar créditos as aquisições de bens e serviços a serem utilizados na prestação  de  serviços  ou  na  produção  de  bens. Acredito  que  o  caminho  para  delimitar  se  as  despesas  incorridas geram ou não o crédito passa pela definição da atividade que gerou a despesas e sua  interferência  na  prestação  de  serviços  ou  produção  de  bens.  O  ônus  que  se  apresenta  ao  julgador  será  para  cada  caso,  delimitar  o  serviço  prestado  ou  o  processo  produtivo  do  contribuinte  e  dele  extrair  as  atividades  essenciais  e  necessárias  a  sua  realização  e  partindo  deste universo, identificar os custos e despesas que possibilitariam a utilização do crédito.  Com base nestas premissas passemos a análise dos produtos e serviços que a  Recorrente  pretende  aproveitar  como  créditos  na  apuração  das  contribuições  que  foram  glosados pela Fiscalização.    a) Insumo ­ Bens e serviços diversos    a1)Uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza,  desinfecção e higienização    Fl. 19833DF CARF MF     32 Entendo  que  todos  estes  produtos  e  serviços  estão  diretamente  ligados  ao  processo produtivo da Recorrente  e por diversas normas  tantos  sanitárias quanto  trabalhistas  são  de  uso  obrigatório  para  o  seguimento  onde  atua  a  empresa.  Assim,  entendo  que  assiste  razão  ao  recurso  para  estes  produtos  e  serviços  devendo  ser  afastadas  as  glosas  referentes  uniformes,  vestuários,  equipamentos  de  proteção,  uso  pessoal,  materiais  de  limpeza,  desinfecção e higienização.    a2) Análises laboratoriais    As despesas  referentes  a  analises  laboratoriais obedecem normas  técnicas  e  atendem determinações normativas e de controle da produção. Entendo que tais despesas estão  vinculadas ao processo produtivo devendo ser afastadas as glosas da Fiscalização.    a3) Lâmpadas, reatores, fusíveis, correias, rolamentos, mangueiras, bomba, estator para  bomba, caldeira de giração vapor alta pressão e sistema de tratamento térmico consistor    Os equipamento constantes deste  tópico são produtos que se  incorporam ao  ativo  da  empresa,  fato  salientado  no  recurso  voluntário,  que  ao  tratar da  caldeira de  giração  vapor alta pressão e  sistema de  tratamento  térmico consistor,  confirma que  tais produtos  são  parte do ativo da empresa, mas, por estar vinculado ao processo produtivo poderiam estar aptos  a auferir créditos.  O  fato  de  equipamento  constantes  do  ativo  estarem vinculados  ao  processo  produtivo não permite o creditamento na forma de insumo. A legislação nestes casos, permite a  utilização de créditos com regras próprias que ocorrer por meio de custos de depreciação.   Portanto  para  os  produtos  deste  tópico  correto  a  glosa  realizada  pela  fiscalização.    a4)  Lubrificantes,  inibidor  de  corrosão,  anticogelante  propilenogclicol  e  polímero  utilizado no tratamento de água    Os produtos  constantes deste  tópico  estão diretamente  ligados  as  atividades  de  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  do  processo  produtivo.  Ao  meu  sentir,  tais  despesas são vinculadas ao processo produtivo e aptas a serem creditadas na apuração do valor  devido das contribuições.    a5) Despesas com Operador Logístico      As movimentações de carga tanto de produtos dentro do processo produtivo,  e de produtos em elaboração e acabados são atividades intrínsecas as atividades fabris. Dentro  do conceito de insumo utilizado neste voto, entendo que os custos referentes a movimentação  de  carga  e  produtos  acabados,  mesmo  quando  realizados  por  terceiros,  desde  que  pessoas  jurídicas, são despesas referentes ao processo produtivo e aptas a gerar créditos na apauração  das contribuições não cumulativas.      Fl. 19834DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 18          33 b) Produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte  interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos  vendidos    A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais debateu a matéria  em recente decisão prolatada na sessão de 12/12/2017 no Acórdão 9303­006.068, que decidiu  pela possibilidade de creditamento das operações referentes a movimentação de carga, pallets e  embalagens. Por concordar com a posição adotada na Terceira Turma, peço vênia para adotar  quanto a esta matéria o voto do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas e fazer dele as minhas  razões de decidir quanto a esta matéria.    A Contribuinte  é  pessoa  jurídica  que,  nos  termos  do  art.  2º  do  seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na  área de alimentos e tem por objetivos sociais:    Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca  a que se obrigam seus associados, promover:  I  ­ o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de  suas atividades  econômicas de caráter comum;  II  ­  A  importação,  a  exportação,  a  industrialização  e  a  comercialização em comum de sua produção agrícola, produção  animal  em  geral,  pecuária  e  de  hortifrutigranjeiros,  industrializada  ou  em  espécie,  tais  como  carnes,  ovos,  peixes,  frutas,  cereais,  verduras,  legumes,  gorduras,  condimentos  em  geral;  café  e  ervas  para  infusão,  laticínios,  margarinas  e  derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em  geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes  em geral,  bebidas alcoólicas  e não  alcoólicas,  xaropes  e  sucos  em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para  animais;  plantas  e  flores  naturais,  etc,  nos  mercados  locais,  nacionais ou internacionais;    Em  razão  de  sua  atividade  econômica,  sujeita­se  a  controles  e  exigências  de  diversos  órgãos  públicos,  exemplificativamente:  Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da  Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde.  Pela  peculiaridade  da  atividade  econômica  que  exerce,  fica  obrigada a atender rígidas normas de higiene e  limpeza, sendo  que  eventual  não  atendimento  das  exigências  de  condições  sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção  ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado.  No  que  concerne  às  embalagens  utilizadas  para  transporte  no  processo  produtivo  da  Contribuinte,  uma  vez  essenciais,  pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se  considerarem  as  mesmas  como  insumos.  As  embalagens  são  Fl. 19835DF CARF MF     34 realmente  necessárias  à  armazenagem/conservação  do  produto  nas diversas fases do processo produtivo.  Considerando­se a atividade própria da Contribuinte, tem­se que  os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das  matérias­primas  e  produtos  na  etapa  da  industrialização  e  na  sua  destinação  para  venda,  também  devem  ser  considerados  como insumos.  Para  atendimento  das  exigências  sanitárias  impostas  pelos  órgãos  públicos  responsáveis  pelo  controle  e  fiscalização,  na  movimentação  e  na  armazenagem  das  matérias­primas  e  dos  bens  a  serem  utilizados  na  fabricação  do  produto  final,  e  dos  produtos  finais  em  si,  não  pode  haver  contato  com  o  chão,  justamente para se evitar a contaminação por microorganismos,  constituindo­se  em  mais  uma  das  razões  pelas  quais  é  imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva.  Levando­se  em  conta  a  significativa  quantidade  de  matérias­ primas e produtos que serão empregados no processo produtivo  e  que  precisam  ser  armazenados  e  transportados  no  ambiente  fabril, é  indispensável à Contribuinte utilizar­se de mecanismos  e  ferramentas  que,  além  de  garantirem  a  observância  das  normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o  seu  processo  produtivo. Há  de  ser  destacada,  nesse  aspecto,  a  desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o  bem produzido, admitindo­se o emprego indireto no processo de  produção para caracterizar­se determinado bem como insumo.  Assim,  os  pallets  guardam  nítida  relação  de  pertinência,  relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito  Passivo, constituindo­se em insumos do processo produtivo e da  fase  de  comercialização  passíveis  de  creditamento  de  PIS  e  COFINS não­cumulativos.  Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de  Recursos  Fiscais  proferiu  decisão  em  casos  análogos,  nos  processos  administrativos  nºs  10925.720046/201212  e  10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a  seguinte ementa:    Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITO.  INDÚSTRIA AVÍCOLA.  INDUMENTÁRIA.  A  indumentária  de  uso  obrigatório  na  indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao  processo  produtivo  e,  como  tal,  gera  direito  a  crédito  DO  PIS/COFINS.  PIS/COFINS.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DA  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL.  ALÍQUOTA.  Fl. 19836DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 19          35 Após  a  alteração  veiculada  pela  Lei  nº  12.865,  de  2013,  expressamente  interpretativa,  indiscutivelmente,  os  insumos  da  indústria alimentícia que processem produtos de origem animal  classificados Capítulos 2 a 4, 16,  e nos códigos 15.01 a 15.06,  1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos  animais  dos  códigos  15.17  e  15.18,  adquiridos  de  não  contribuintes  farão  jus  ao  crédito  presumido  no  percentual  no  percentual  de  60%  do  que  seria  apurado  em  uma  operação  tributada.  PIS/COFINS  NÃO­CUMULATIVOS.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITOS  As  leis  instituidoras  da  sistemática  não­cumulativa  das  contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos  sejam  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens,  não  condicionam  a  tomada  de  créditos  ao  "consumo"  no  processo  produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato  físico  com  os  bens  em  elaboração. Comprovado  que  o  bem  foi  empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens  do  ativo  permanente,  válido  o  crédito  sobre  o  valor  de  sua  aquisição.  PIS/COFINS  NÃO­CUMULATIVOS.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subsequentes".  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  INCIDÊNCIA.   O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à  penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está  sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até  o  mês  anterior  ao  pagamento,  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  REP Provido em Parte e REC Provido em Parte   Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria,  em  dar  provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional  e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da  Fazenda  Nacional:  a)  limpeza  e  desinfecção:  por  maioria,  em  negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro  Torres  (Relator)  e  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto;  b)  embalagens  utilizadas  para  transporte:  por  maioria  em  negar  provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres  e  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto;  c)  despesas  de  períodos  anteriores:  por  maioria,  em  negar  provimento.  Vencido  o  Conselheiro Henrique Pinheiro  Torres;  d)  serviços de  lavagem  Fl. 19837DF CARF MF     36 de  uniformes:  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento.  Vencidos  os  Conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama,  Demes  Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa  Martinez  López;  e)  percentual  de  crédito  presumido:  por  unanimidade,  em  negar  provimento;  f)  juros  sobre  multa  de  ofício:  por  maioria,  em  dar  provimento.  Vencidas  as  Conselheiras  Tatiana  Midori  Migiyama,  Vanessa  Marini  Cecconello  e  Maria  Teresa  Martinez  López;  e  II)  recurso  especial do sujeito passivo:  a)  indumentária:  por maioria,  em  dar  provimento. Vencidos os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres  (Relator),  Júlio  César  Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas  Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres  (Relator)  e  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto.  Designados  para  redigir  os  votos  vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação  às  letras  "a",  “b”  e  “c” do  item  I  e  letra  “b”  do  item  II;  e  o  Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra  a do item II. (grifou­se)    Há,  ainda,  de  se  examinar  a  caracterização  dos  materiais  de  acondicionamento  e  transporte  plástico  de  coberto  e  filme  plástico  do  tipo  “stretch”  –  como  insumos  passíveis  de  gerar  crédito  de  PIS/Pasep.  Na  linha  relacional  traçada  no  presente  voto,  considerando­se  que  as  mercadorias  para  serem  devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até  chegarem  ao  consumidor  final,  exigem  a  utilização  do  plástico  de  coberto  e  do  filme  plástico  do  tipo  “stretch”,  é  nítida  a  relação  de  pertinência,  relevância  e  essencialidade  com  o  processo produtivo,  sendo  imprescindível o  seu reconhecimento  como insumo.  Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente  recurso  especial,  são  empregados  na  “palletização”  dos  produtos  a  serem  estocados  e  transportados  pela Contribuinte,  procedimento  indispensável  à  correta  armazenagem  dos  produtos  face ao tamanho reduzido das embalagens individuais  e,  mais  ainda,  ao  atendimento  de  exigências  das  normas  de  controle  sanitário  da  área  de  alimentos,  consoante  Portaria  SVS/MS  (Secretaria  de  Vigilância  Sanitária  do  Ministério  da  Saúde) nº 326/1997.  Diante  do  exposto,  nega­se  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional,  mantendo­se  o  reconhecimento  ao  direito  creditório da Contribuinte. "  Aplicando­se a decisão do paradigma ao presente processo, em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido  e, no mérito, o colegiado negou­lhe provimento.      c) Dos bens e serviços utilizados como insumos ­ Contabilizados em contas contábeis que  não geram créditos   Fl. 19838DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 20          37    Para  este  item  tanto  o  relatório  fiscal  que  serviu  de  base  para  a  exigência,  quanto  a  decisão  da  primeira  instância  deixaram  claro  que  as  contas  contábeis  apresentadas  pela  Recorrente  não  correspondem  a  bens  aptos  a  gerar  créditos  e  caso  a  recorrente  tenha  cometido  equívocos  em  alocar  despesas  nestas  contas  contábeis  deveria  deixar  claro  tais  equívocos comprovados por meio de documentos fiscais e contábeis.  No recurso voluntário a Recorrente volta a defender que as contas contábeis  glosadas pela Fiscalização corresponderiam a produtos que possibilitassem o direito creditório  e cita especificamente duas contas "3350576 PRD DIFERENÇAS DE PREÇOS MATERIAL  IMPRODUTIVO"  e  "1970674  TRANSITÓRIA  TIVO  PERMANENTE  ­  DESEMB  DE  IMPORTAÇÃO".  Para a primeira conta contábil afirma que podem existir equívocos e como tal  situação  foi  aventada pela Fiscalização e  também pela decisão da DRJ caberia a Autoridade  Fiscal  verificar  tais  equívocos,  entendo  que  não  pode  prosperar  o  pleito  da  Recorrente,  conforme bem detalhado no relatório fiscal e na decisão da primeira instância a obrigação de  justificar  os  créditos  é  da Recorrente  e  caso  existam  equívocos  na  alocação  de  despesas  em  contas  contábeis  cabe  a  Recorrente  demonstrar  de  forma  clara  e  comprovada  tais  equívocos  para  fazer  jus  a  tais  créditos.  Como  tal  procedimento  não  foi  adotado  pela  Recorrente,  não  existe reparo a ser feito na decisão da DRJ.  Quanto a segunda conta a Recorrente pede que seja permitida a utilização de  créditos  referentes  a  despesas  aduaneiras  de  desembaraço  de  importação,  entendo  que  tais  despesas  não  estão  vinculadas  ao  processo  produtivo  da  Recorrente,  tratam­se  de  despesas  referentes  a  trâmites  necessário  para  a  importação  de  produtos  e  não  estão  vinculadas  ao  processo  produtivo,  portanto  não  podem  ser  utilizadas  para  auferir  créditos  na  apuração  das  contribuições.    d) Dos bens e serviços utilizados como insumos ­ aquisição de pessoas físicas    A Recorrente pede que seja afastada todas as glosas referentes as aquisições  de pessoas  físicas. Neste ponto  é mister  ressaltar que  a  legislação veda o  aproveitamento de  crédito referente a aquisição de pessoas físicas, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003,  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:   ...  § 3º O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:   I  ­  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada no País;   II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País;  Fl. 19839DF CARF MF     38  III  ­  aos  bens  e  serviços  adquiridos  e  aos  custos  e  despesas  incorridos  a  partir  do  mês  em  que  se  iniciar  a  aplicação  do  disposto nesta Lei.    A Recorrente  pede  subsidiariamente,  para  que  caso  não  seja  considerada  a  integralidade dos créditos referentes a aquisição de pessoas físicas, seja considerado o crédito  presumido referente as estas operações, nos termos previstos no art. 8º da Lei nº 10.925/2004.  Entretanto,  pelo  que  se  apresenta  nos  autos  a  Recorrente  apresentou  discussão  quanto  a  aplicação  de  alíquotas  referentes  ao  crédito  presumido,  que  serão  enfrentados  em momento  posterior deste voto.     e) Dos serviços utilizados como insumos ­ aquisições sob CFOP que não geram créditos    A Fiscalização glosou despesas referentes a aquisições referente a sete CFOP  que não dariam direito ao crédito: CFOP 1407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo  cuja mercadoria esta sujeita ao regime de substituição tributária), CFOP 1551 (Compra de bem  para o ativo imobilizado), CFOP 1556 (Compra de material para uso ou consumo), CFOP 1949  (Outra  entrada  de  mercadoria  ou  prestação  de  serviço  não  especificada),  CFOP  2303  (Aquisição de serviço de comunicação por estabelecimento comercial), CFOP 2407 (Compra  de mercadoria  para  uso  ou  consumo  cuja mercadoria  está  sujeita  ao  regime  de  substituição  tributária) e CFOP 2556 (Compra de material para uso ou consumo).  Para  as  aquisições  de  produtos  com  substituição  tributária,  entendo  que  a  legislação exige a tributação do PIS e da COFINS na etapa anterior, nestes casos tal tributação  não  existe.  Assim,  nas  operações  que  envolvem  produtos  com  substituição  tributária  não  é  possível a fruição de créditos.  Quanto as outras operações citadas neste tópico, entendo que a glosa baseada  unicamente  nos  códigos  de  CFOP  pode  ser  utilizada  como  razão  para  glosa,  entretanto  é  possível que em determinadas operações  seja possível o creditamento destas despesas. Neste  caminho  caberia  a  Recorrente  detalhar  os  produtos  destes  itens  que  seriam  utilizadas  no  processo  produtivo.  Neste  ponto  o  recurso  voluntário  cita  especificamente  as  despesas  com  água  e  esgoto.  A  partir  do  conceito  de  insumo  utilizado  neste  voto,  conforme  detalhado  alhures, entendo que são aptos a gerar créditos as despesas referentes água utilizada na linha de  produção exclusivamente, cabendo a Recorrente fazer as provas necessárias para comprovar os  gastos com água utilizada na linha de produção.  Quanto  aos  demais  itens,  em  que  pese  o  relatório  de  diligência  fiscal  e  as  manifestações da Recorrente, os produtos que estão abarcados na atividade de manutenção de  equipamentos já foi abordado em item anterior deste voto e aqueles que por força da legislação  devem ser  incluídos no ativo podem ser objeto de créditos, mas dentro das regras legais para  créditos sobre bens do ativo.  Portanto  neste  tópico  somente  são  admitidos  os  créditos  referentes  as  despesas  com água  e  esgoto  utilizados  na  linha  de produção,  cabendo  a Recorrente  fazer  as  provas necessárias para comprovar estes gastos.    f) Dos fretes de produtos acabados e/ou fretes de matéria prima  Fl. 19840DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 21          39   Quanto  as  glosas  de  frete,  a  Recorrente  afirma  como  possíveis  de  gerar  créditos, as despesas de frete para transporte de matérias primas e de produtos acabados entre  seus estabelecimentos.  As  diversas  situações  em  que  o  custo  de  frete  é  utilizado  nas  atividades  empresariais  demonstra  a  dificuldade  em  definir  quando  estes  custos  são  possíveis  de  gerar  créditos na apuração do PIS e da Cofins. Intensa tem sido a discussão neste Conselho sobre a  matéria, exigindo a manifestação para cada um dos tipos de frentes pleiteados no recurso pela  Recorrente.  Quanto a primeira hipótese de frete pretendida pela Recorrente, entendo que  o  transporte  de matérias  primas  compõe  o  custo  destas mercadorias  e  sendo  suportado  pela  Recorrente podem ser utilizados para auferir créditos.  Quanto  a  segunda  hipótese  do  transporte  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos.  Segundo  a Recorrente  estão  associados  ao  transporte  de  produtos  entre  as  unidades fabris e os centros de distribuição. Para está matéria, a Câmara Superior de Recursos  Fiscais deste Conselho, em recente julgado, entendeu por considerar como possíveis de gerar  créditos  as  despesas  de  frente  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  empresas.  A  decisão da CSRF no Acórdão 9303­005.15 foi assim ementada.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008  CRÉDITO.  FRETES  NA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  Cabe  a  constituição  de  crédito  de  PIS/Pasep  sobre  os  valores  relativos  a  fretes  de  produtos  acabados  realizados  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa,  considerando  sua  essencialidade  à  atividade  do  sujeito  passivo.  Não  obstante  à  observância  do  critério  da  essencialidade,  é  de  se  considerar  ainda  tal  possibilidade,  invocando  o  art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  10.833/03  e  art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  10.637/02  eis  que  a  inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição  de  crédito  os  serviços  intermediários  necessários  para  a  efetivação  da  venda  quais  sejam,  os  fretes  na  “operação”  de  venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento  se  harmoniza  com  a  intenção  do  legislador  ao  trazer  o  termo  “frete na  operação de  venda”,  e  não  “frete  de  venda” quando  impôs  dispositivo  tratando  da  constituição  de  crédito  das  r.  contribuições.  CRÉDITO.  FRETES  NA  TRANSFERÊNCIA  DE  MATÉRIAS­ PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS  Os  fretes  na  transferência  de  matérias­primas  entre  estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo,  eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto  Fl. 19841DF CARF MF     40 e  seu objeto  social,  devem ser  enquadrados  como  insumos, nos  termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II,  da  Lei  10.637/02.  Cabe  ainda  refletir  que  tais  custos  nada  diferem  daqueles  relacionados  às  máquinas  de  esteiras  que  levam a matéria­prima de um lado para o outro na fábrica para  a  continuidade  da  produção/industrialização/beneficiamento  de  determinada mercadoria/produto.  PIS.  COFINS.  CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE.  FRETES  NA  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  TRIBUTADOS  COM  ALÍQUOTA  ZERO OU ADQUIRIDOS COM  SUSPENSÃO DO  PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.  Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os  serviços  de  fretes  utilizados  na  aquisição  de  insumos  não  onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins.    Transcrevo a seguir trecho do voto condutor do Acórdão da CSRF referente  aos frete de produtos acabados entre estabelecimentos que peço vênia para incluir no meu voto  e fazer dele minhas razões de decidir.    Em relação ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo,  que  ressurgiu  com a  discussão  acerca  do  direito  ao  crédito  de  PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de transferência de  produtos acabados entre os  seus estabelecimentos, entendo que  lhe assiste razão.  Eis que os  fretes de produtos acabados em discussão, para sua  atividade  de  comercialização,  são  essenciais  para  a  sua  atividade de “comercialização”, eis que:  ∙  Sua  atividade  impõe  a  transferência  de  seus  produtos  para  Centros  de  Distribuição  de  sua  propriedade;  caso  contrário,  tornar­se­ia inviável a venda de seus produtos para compradores  das Regiões Sudeste, Centro­Oeste e Nordeste do país;  ∙  Os  grandes  consumidores  dos  produtos  industrializados  e  comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que  não  mais  comporta  grandes  estoques,  devido  à  extensa  diversidade  de  produtos  necessários  para  abastecer  suas  unidades,  bem  como  devido  ao  custo  que  lhes  geraria  a  manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a  alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que,  impõe­se  para  fins  de  comercialização  e  sobrevivência  da  empresa, os Centros de Distribuição;  ∙  O  sujeito  passivo,  que  possui  sede  em  Porto  Alegre,  se  viu  obrigada  a  manter  Centros  de  Distribuição  em  pontos  estratégicos  do  país,  considerando  a  localidade  dos  maiores  demandantes de seus produtos.  Considerando,  então,  a  atividade  do  sujeito  passivo,  deve­se  considerar os fretes como essenciais e, aplicando­se o critério da  Fl. 19842DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 22          41 essencialidade,  é  de  se  dar  provimento  ao  recurso  interposto  pelo sujeito passivo.  Não obstante à essa  fundamentação e  ignorando­a, cabe  trazer  que, tendo em vista que:  ∙ A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição  da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e  são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do  produto,  para  conseguir  atender  a  sua  demanda  de  pedidos,  o  sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já  transacionou  as  mercadorias,  sendo  que  ao  chegarem  as  mercadorias  ao  destino  muitas  já  se  encontram  vendidas;  ∙  A  mercadoria  já  é  vendida  em  trânsito,  para  quando  chegar  ao  Centro  de  Distribuição  já  sair  para  a  pronta  entrega  ao  adquirente,  descaracterizando,  assim,  um  frete  para  mero  estoque com venda posterior.  É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda,  passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos  do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a  inteligência  desse  dispositivo  considera  o  frete  na  “operação”  de venda.  A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por  isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete  de  venda.  Inclui,  portanto,  nesse  dispositivo  os  serviços  intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as  quais o frete ora em discussão.  Dessa  forma,  voto  por  conhecer  o Recurso Especial  interposto  pelo sujeito passivo, dando­lhe provimento.    Portanto,  quanto  a  discussão  sobre  frente,  assiste  razão  à  Recorrente  no  direito creditório  referente as despesas de  frete no  transporte de matéria­prima e de produtos  acabados entre estabelecimentos da empresa.    g) Das aquisições sujeitas à alíquota zero ou com tributação suspensa    Quanto  as  aquisições  sujeitas  à  suspensão  ou  alíquota  zero,  a  legislação  é  clara em vedar a apropriação de créditos, cujas operações anteriores não sofreram a incidência  das  contribuições.  O  art.  3º,  §  2º,  II  da  Lei  nº  10.833/2003,  traz  o  diploma  que  veda  tais  créditos.    Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:   ...   Fl. 19843DF CARF MF     42 § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei  nº 10.865, de 2004)   I ­ de mão­de­obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)   II  ­  da  aquisição  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento da contribuição,  inclusive no caso de isenção, esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não  alcançados pela contribuição.  (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)(grifo nosso)    Assim, correta a glosa realizada pela Fiscalização.    h) Das despesas de aluguéis de granja       A discussão  neste  item  restringe­se  ao  aluguel  de  granjas  em  área  rural. A  Fiscalização entendeu que a previsão legal para créditos nas despesas de aluguel restringe­se a  prédios e máquinas e o aluguel de áreas rurais não estão previstas na legislação.  A Recorrente pede a aplicação de um conceito mais extensivo da legislação  abarcando  também  o  aluguel  de  granjas  que  estariam  ligadas  ao  processo  produtivo  da  Recorrente.   Entendo  como  correta  a  posição  da Fiscalização,  não  vejo  possibilidade  de  estender  a  previsão  legal  para  os  créditos  referentes  as  despesas  com  aluguel  de  prédios  e  máquinas não estando incluídas nesta previsão legal o aluguel de granjas. Assim correta a glosa  realizada.    i) Crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de  venda        A  decisão  da  DRJ  quanto  a  está matéria manteve  a  posição  da  Fiscalização que entendeu ser possível a utilização de créditos extemporâneo desde que exista  a  informação  dos  créditos  na DACON  correspondente  ao  período  em  que  os  créditos  foram  apurados.  A  Recorrente  defende  que  tal  exigência  não  seria  necessária  para  utilização  dos  créditos.       A matéria foi enfrentada pela Terceira Turma da Câmara Superior  no  Acórdão  9303­004.562,  onde  foi  decidido  pela  possibilidade  da  utilização  dos  créditos  extemporâneos. O voto vencedor do Acórdão da lavra do Conselheiro Charles Mayer de Castro  detalha a posição adotada pela maioria da turma e por concordar com a posição adotada pela  Câmara Superior, peço vênia para incluir o voto condutor do Acórdão e fazer dele as minhas  razões de decidir quanto a esta matéria.    Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator.  Fl. 19844DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 23          43 Com a devida vênia, discordamos do il. Relator.  Já defendíamos na Câmara baixa, nada obsta que o contribuinte  possa,  em  determinado  trimestre­calendário,  aproveitar­se  de  crédito de PIS/Cofins não aproveitado em trimestres­calendários  anteriores.  Como  as  razões  do  nosso  convencimento  coincidem  com  o  adotado  no Acórdão  nº  3202001.617,  de  19/03/2014,  proferido  pela  2ª  Turma  da  2ª  Câmara  da  3ª  Seção  do  CARF,  em  julgamento do qual participamos, passamos a transcrever o voto  do  seu  relator,  o  Conselheiro  Thiago  Moura  de  Albuquerque  Alves, adotando­o como o fundamento da nossa divergência:  "Para a DRJ, o entendimento da fiscalização foi correto, pois na  sua  ótica  era  inadmissível  apurar  créditos  extemporâneos  sem  retificar os DACONs e DCTFs anteriores. Eis suas palavras:  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  AUSÊNCIA  DE  APROPRIAÇÃO NA DACON.  A  apuração  extemporânea  de  créditos  só  admitida  mediante  retificação  das  declarações  e  demonstrativos  correspondentes,  em especial as DCTF e os Dacon.  No  entanto,  em  janeiro  de  2015,  nossa  Turma  julgou  que  é  possível,  sim,  o  desconto  de  créditos  extemporâneos  de  PIS/COFINS  não­cumulativos,  no  julgamento  do  PAF  nº  12585.000064/200911  (somente  ficou  vencida  a  douta  Conselheira­Presidente,  Irene  Souza  da  Trindade  Torres  Oliveira).  Com efeito,  as Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas  respectivamente  de  “Ajustes  Positivos  de  Créditos”  e  de  “Ajustes  Negativos  de  Créditos”,  contemplam  a  hipótese  de  o  contribuinte  lançar  ou  subtrair  outros  créditos,  além  daqueles  contemporâneos à declaração.  Igualmente,  no  “Manual  de  Orientação  do  Leiaute  da  Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins) – (EFDPIS/ Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato  Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, há previsão expressa  de  o  contribuinte  lançar  créditos  extemporâneos,  nos  registros  1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Observe­se:  2.5 ­ BLOCOS DO ARQUIVO  Entre  o  registro  inicial  e  o  registro  final,  o  arquivo  digital  é  constituído  de  blocos,  referindo­se  cada  um  deles  a  um  agrupamento de documentos e outras informações.  2.5.1­ Tabela de Blocos  Bloco­Descrição  0­Abertura, Identificação e Referências  Fl. 19845DF CARF MF     44 A­Documentos Fiscais Serviços (ISS)  C­Documentos Fiscais I – Mercadorias (ICMS/IPI)  D­Documentos Fiscais II – Serviços (ICMS)  F­ Demais Documentos e Operações  M­  Apuração  da  Contribuição  e  Crédito  de  PIS/PASEP  e  da  COFINS  1­Complemento  da  Escrituração  –  Controle  de  Saldos  de  Créditos  e  de  Retenções,  Operações  Extemporâneas  e  Outras  Informações  9­Controle e Encerramento do Arquivo Digital  [...]     As sobreditas previsões no DACON e na EFD buscam cumprir o  disposto no art.  3º,  § 4º, da Lei  nº 10.637/2002 e 10.833/2003,  segundo o qual “o crédito não aproveitado em determinado mês  poderá sê­lo nos meses subseqüentes”.  Além disso, é preciso frisar que a única consequência legal para  o  preenchimento  incorreto  do DACON  são  as multas  previstas  no art. 7º Lei nº 10.426/2002.  Confira­se:  Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  DIPJ,  Declaração de Débitos  e Créditos Tributários Federais DCTF,  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica,  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  DIRF  e  Demonstrativo  de  Apuração  de Contribuições  Sociais Dacon,  nos  prazos  fixados,  Fl. 19846DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 24          45 ou  que  as  apresentar  com  incorreções  ou  omissões,  será  intimado  a  apresentar  declaração  original,  no  caso  de  não­ apresentação,  ou  a  prestar  esclarecimentos,  nos  demais  casos,  no prazo  estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF,  e  sujeitar­se­á às seguintes multas:  I  ­  de  dois  por  cento  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  do  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica  informado na DIPJ,  ainda  que  integralmente  pago, no  caso  de  falta  de  entrega  desta  Declaração  ou  entrega  após  o  prazo,  limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º;   II  ­  de  dois  por  cento  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  dos  tributos  e  contribuições  informados  na  DCTF,  na  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  ou  na  Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega  destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por  cento, observado o disposto no § 3º;  III  ­  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  da  Cofins,  ou,  na  sua  falta,  da  contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que  integralmente  pago,  no  caso  de  falta  de  entrega  desta  Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e  IV  ­  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas.  § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I,  II  e  III  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado  para  a  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva entrega ou, no caso de não­apresentação, da lavratura do  auto de infração.  § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas:  I ­ à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício;  II  ­  a  setenta  e  cinco  por  cento,  se  houver  a  apresentação  da  declaração no prazo fixado em intimação.  § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:  I­  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  pessoa  física,  pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de  tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996;  II ­ R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.  § 4º Considerar­se­á não entregue a declaração que não atender  às especificações  técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita  Federal.  Fl. 19847DF CARF MF     46 §  5º  Na  hipótese  do  §  4º,  o  sujeito  passivo  será  intimado  a  apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da  ciência à intimação, e sujeitar­se­á à multa prevista no inciso I  do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º.  §  6º  No  caso  de  a  obrigação  acessória  referente  ao  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  DACON  ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do  caput  deste  artigo  será  calculada  com  base  nos  valores  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos  demonstrativos mensais entregues após o prazo."    Como se vê, o art. 7º Lei nº 10.426/2002 prevê, apenas, multa em  caso  de  incorreções  no DACON  e  a  intimação  do  contribuinte  para  corrigi­las,  de  modo  a  reduzir  tais  sanções.  Não  há,  por  conseguinte,  previsão  legal  para  glosar  os  créditos  da  não­ cumulatividade por eventuais equívocos no DACON.  Pelo  mesmo  raciocínio,  não  é  possível  indeferir  o  PER  pelo  simples  fato  deste  abranger  mais  de  um  trimestre,  em  decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos  pelo contribuinte.  Acrescente­se, ainda, que o referido crédito tem por fundamento  o  art.  17  da  Lei  n°  11.033/2004  c/c  art.  16  da  Lei  n°  11.116/2005,  podendo  ser  utilizado  tanto  na  dedução  da  contribuição  a  recolher,  decorrente  das  demais  operações  no  mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela RFB, observada a  legislação específica. Eis  os seus termos:    (Lei n° 11.033/2004)  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0  (zero)  ou  não  incidência  da Contribuição  para  o PIS/PASEP e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.  (Lei n° 11.116/2005)  Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de  dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do  art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao  final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto  no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá  ser objeto de:  I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro,  observada a legislação específica aplicável à matéria.  Fl. 19848DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 25          47 Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre­calendário  anterior ao de publicação desta Lei,  a  compensação ou pedido  de  ressarcimento  poderá  ser  efetuado a partir  da  promulgação  desta Lei.  Em  tais  créditos,  colha­se  os  seguintes  precedentes  do  CARF  julgados à unanimidade:    Processo nº 16349.000033/200814  Relator JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA  Sessão de 24/07/2014  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006  CRÉDITO  PRESUMIDO  DA  COFINS  NÃOCUMULATIVA.  ART.  8º,  DA  LEI  Nº  10.925/04.  AGROINDÚSTRIA.  IMPOSSIBILIDADE  DE  APROVEITAMENTO  DO  CRÉDITO  PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO.  O  aproveitamento  de  crédito  presumido  da  COFINS,  de  que  trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros  tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles  se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não  tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.  COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO.  O  art.  16,  da  Lei  nº  11.116/2005,  autoriza  a  utilização  dos  créditos do PIS e COFINS não­cumulativos se eles tiverem sido  acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão,  isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS.  [Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos  (Presidente),  Robson  José  Bayerl,  Jean  Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela  Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente)].  ***  Processo 15586.001201/201048  Relator JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Data do fato gerador: 30/09/2008   CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS.   Fl. 19849DF CARF MF     48 Os  custos  incorridos  com  serviços  de  desestiva/produção  (descarregamento,  movimentação,  acondicionamento  e  armazenagem das matérias­primas  no  armazém alfandengado),  geram  créditos  dedutíveis  da  contribuição  apurada  sobre  o  faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  SALDO  TRIMESTRAL.  PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º,  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  o  crédito  de  um  determinado  mês  pode  ser  utilizado  nos  meses  subsequentes,  e  o  fato  da  Lei  nº  11.116/2005,  autorizar  o  ressarcimento  do  saldo  de  créditos  somente  no  término  do  trimestre,  não  quer  dizer  que  não  poderão  ser  aproveitados  créditos  apurados  em  outros  trimestres. Recurso Voluntário Provido  [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Maria  Teresa  Martínez  López,  José  Adão  Vitorino  de Morais,  Antônio  Lisboa Cardoso,  Andrada Márcio  Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.]  Ademais, é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos  nos  tributos  não­cumulativos,  refazendo  se  for  o  caso  cálculos  efetuados  pelo  contribuinte,  na  forma  da  legislação  tributária.  Não pode a  fiscalização  indeferir o  ressarcimento ou glosar os  créditos  não­cumulativos,  por  alegado  vício  formal  no  preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o  contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar  se  os  créditos  procedem  ou  não,  deixando  indevidamente  de  corrigir,  de  ofício,  os  erros  eventualmente  cometidos  pelo  contribuinte.  Acolho,  nessa  linha,  o  mesmo  entendimento  firmado  sobre  a  matéria pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do  CARF,  em 01/09/2011,  no PAF.  nº  13981.000184/200495,  cujo  Voto  da  lavra  do  Ilmo.  Conselheiro  EMANUEL  ASSIS  transcrevo abaixo, integrando­o a minha fundamentação:    Para  mim,  na  situação  em  tela  não  há  necessidade  de  a  contribuinte  retificar  o  Dacon  antes,  para  somente  após  aproveitar  os  créditos  em  período  seguinte.  No  curso  de  uma  fiscalização ou  diligência,  constatado  incongruência  nos  dados  do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes,  inclusive  a  DCTF),  os  cálculos  do  tributo  devido  devem  ser  refeitos  de  modo  a  resultar  em  lançamento  de  ofício  ou  em  proveito  do  sujeito  passivo.  Na  hipótese  de  incongruência  favorável  ao  contribuinte  nada  impede  que  a  administração  tributária  adote  as  providências  cabíveis,  dispensando­se  exigências  que  podem  ser  supridas  por  ato  da  própria  administração.  É  o  que  se  dá  no  caso  sob  análise,  já  que  o  processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto  basta  instituir  controles  nos  sistemas  eletrônicos,  a  registrar  a  alteração feita.  Não  me  parece  razoável  que,  após  a  contribuinte  explicar  a  apuração  do  crédito  em  período  seguinte  e  requerer  o  aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem  que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob  Fl. 19850DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 26          49 a  justificativa  de  não  ter  sido  retificada  previamente  uma  obrigação acessória.  O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por  não  haver  dúvida  quanto  ao  crédito  correspondente  às  aquisições das notas fiscais acima mencionadas.  Na  linha  da  interpretação  ora  adotada,  já  existe,  inclusive,  decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade  de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à  presente situação. Refiro­me à Solução de Consulta da Disit da  3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis:  ASSUNTO: Obrigações Acessórias   EMENTA:  COMPENSAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA.  A  compensação  de  créditos  tributários  declarados  como  saldos  a  pagar  na  DCTF  com  créditos  apurados  em  eventos  supervenientes  ao  período  de  apuração  daqueles  créditos  tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de  Compensação,  sendo  desnecessária  a  entrega  de  DCTF  retificadora  que  tenha  por  fim  informar  a  compensação  efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla  como  definitiva,  omitindo­se  de  realizar  a  diligências  necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal.  Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º,  tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003  (Cofins),  segundo  o  qual  o  crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes,  dou  provimento  parcial  para  admitir  os  créditos  relativos  às  aquisições  das  notas  fiscais  de  fornecedores  anexadas  à  Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte  ao de emissão."  Forte nessas razões, entendo que ao recurso especial interposto  pela Procuradoria deve­se negar provimento.  Portanto,  assiste  razão  à Recorrente  quanto  ao  aproveitamento  dos  créditos  extemporâneos.      j) Dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos em data anterior  a 01/05/2004    O  art.  31  da  Lei  nº  10.685/2004  veda  de  forma  expressa  o  desconto  de  créditos  referentes  a  depreciação  ou  amortização  de  bens  e  direitos  do  ativo  imobilizado  adquiridos em data anterior a 30 de abril de 2004.    Fl. 19851DF CARF MF     50 Art.  31.  É  vedado,  a  partir  do  último  dia  do  terceiro  mês  subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos  apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de  2003,  relativos  à  depreciação  ou  amortização  de  bens  e  direitos  de  ativos  imobilizados  adquiridos  até  30  de  abril  de  2004.    A  Recorrente  alega  que  a  matéria  foi  objeto  de  julgamento  pelo  Poder  Judiciário em que teria sido decidido pela inconstitucionalidade da vedação prevista no art. 31  da Lei nº 10.685/2004. Entretanto, a decisão esta submetida a  repercussão geral e não possui  um  posicionamento  definitivo  que  possa  afetar  os  julgamento  deste  colegiado,  visto  a  impossibilidade no âmbito do CARF de discutir constitucionalidade de lei tributária.  Diante da vedação  legal,  não pode prosperar  a pretensão da Recorrente  em  aproveitar créditos referentes a depreciação de bens do ativo imobilizado que foram adquiridos  em data anterior a 30/04/2004.    k) Dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado     A  Fiscalização  realizou  glosas  referentes  a  depreciação  de  bens  do  ativo  imobilizado,  utilizando  duas  situações  distintas.  A  primeira  diz  respeito  a  impossibilidade,  segundo  a  Fiscalização,  da  Recorrente  utilizar  a  depreciação  no  prazo  de  48  meses  para  edificações e benfeitorias, sendo necessário que o prazo seja de 300 meses conforme normas da  Receita Federal. O segundo motivo para parte das glosas, diz respeito a falta de identificação  das  máquinas  e  equipamento,  impossibilitando  a  identificação  dos  bens  submetidos  a  depreciação. As motivações  para  as  glosas  deste  tópico,  foram  assim  descritas  no Relatório  Fiscal.    A planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 1”,  apresentada  pelo  contribuinte,  relacionou  itens  relativos  a  edificações  e  benfeitorias  de  seu  ativo  imobilizado  (Fab  Óleo  Soja  Toledo,  Fabr.Linguiças  Duque,  GJ  Matr  Fgo  Prod  CV,  entre outros) e que foram depreciadas em 48 meses para fins de  crédito  de  PIS/COFINS.  Nesses  casos,  foram  apuradas  as  diferenças  entre  as  depreciações  calculadas  pelo  contribuinte  (em 48 meses) e a depreciação correta, conforme o disposto na  IN  SRF  nº  162/1998  (prazo  de  300  meses  para  edificações  e  benfeitorias) e foram glosadas as diferenças.  A planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 2”,  apresentada pelo contribuinte,  relacionou diversos outros bens,  máquinas e equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado  e depreciados  em 48 meses. Nesta planilha  foram identificados  diversos itens relacionados a materiais de construção utilizados  em  edificações  e  benfeitorias  (TIJOLO  FURADO  6  FUROS,  Telha P.P. G. 0,5 7800mm Ral 9003, CIMENTO CP II 32, entre  outros)  e  que  também  foram  depreciados  pelo  contribuinte  à  razão  de  1/48  avos  para  cada  mês,  em  desacordo  com  a  Fl. 19852DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 27          51 legislação.  As  diferenças  em  relação  à  depreciação  normal  de  300 meses para estes itens foram glosadas.  Já, a planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS  3”,  apresentada pelo  contribuinte,  relacionou diversos  itens  de  seu ativo imobilizado também depreciados em 48 meses. Porém,  nessa  planilha  não  há  nenhuma descrição  ou  identificação dos  bens que estão sendo depreciados à razão de 1/48 (um quarenta  e  oito  avos)  por  mês.  Assim,  foi  o  contribuinte  novamente  ntimado, através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal  nº  005/00555  (fls.  2388  e  seguintes)  a  informar  a  descrição  detalhada desses bens que estão sendo depreciados, sob pena de  glosa dos créditos associados..    No recurso voluntário, a Recorrente alega que a legislação não determina que  a  depreciação  ocorra  no  prazo  de  48  meses,  sendo  uma  faculdade  a  ser  utilizada  pelo  Contribuinte  e  não  faz  nenhuma  alegação  quanto  a  ausência  de  descrição  das  máquinas  e  equipamentos.   A  possibilidade  de  utilização  de  um  prazo  menor  para  depreciação  foi  prevista no art. 3º, § 14º da Lei nº 10.833/2003    § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de  que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de  máquinas  e  equipamentos  destinados  ao  ativo  imobilizado,  no  prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das  alíquotas  referidas  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre  o  valor  correspondente  a  1/48  (um  quarenta  e  oito  avos)  do  valor  de  aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria  da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifo  nosso)  A  lei  de  forma  clara  permite  a  depreciação  no  prazo  menor,  somente  as  aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. As glosas promovidas  pela Fiscalização tratam da aplicação do prazo menor de depreciação relativos a edificações e  benfeitorias,  que  não  estão  previstas  na  legislação.  Assim,  correta  a  glosa  realizada  pela  Autoridade Fiscal.  Em relação a segunda motivação para as glosas de depreciação. A Recorrente  não  questionam  o  entendimento  adotado  pela  Fiscalização,  não  sendo  apresentado  nenhum  documento ou informação que pudesse levar a efetiva individualização e identificação de parte  dos bens que a Recorrente pretende auferir créditos. Portanto, nesta matéria não existindo uma  alegação especifica contra o trabalho fiscal, as glosas devem ser mantidas nos termos apurados  pela Fiscalização.    l) Dos créditos presumidos        Fl. 19853DF CARF MF     52     Quanto  a  esta matéria  a Recorrente  pede  que  seja  utilizado  as  alíquotas  de  que trata a Lei 10.925/2004, em relação aos bens produzidos e não aos adquiridos.  A matéria foi resolvida com a redação adotada no § 10º do art. 8º da Lei nº  10.925/2004, que ficou assim redigido.  " Art.  8º As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens  referidos no inciso  II  do caput do art.  3º  das Leis nºs  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa  física.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.051,  de  2004) (Vigência)  (Vide  Lei  nº  12.058,  de  2009)  (Vide  Lei  nº  12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide  Lei  nº  12.599,  de  2012)  (Vide  Medida  Provisória  nº  582,  de  2012)  (Vide Medida  Provisória  nº  609,  de  2013  (Vide Medida  Provisória nº 609, de 2013  (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide  Lei nº 12.865, de 2013)   §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  I  ­  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos in  natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos  da Nomenclatura Comum do Mercosul  (NCM);  (Redação dada  pela Lei nº 12.865, de 2013)   II ­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e   III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)   § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §  1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  País,  observado  o  disposto  no §  4o do art.  3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e10.833, de 29 de dezembro de 2003.   §  3o O  montante  do  crédito  a  que  se  referem  o caput e  o  §  1o deste  artigo  será  determinado  mediante  aplicação,  sobre  o  valor  das  mencionadas  aquisições,  de  alíquota  correspondente  Fl. 19854DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 28          53 a:  (Vide  Medida  Provisória  nº  582,  de  2012)  (Vide  Medida  Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013)   I ­ 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis  nos 10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e 10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  para  os  produtos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos  2  a  4,  16,  e  nos  códigos  15.01  a  15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de  óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e   II  ­  35%  (trinta  e  cinco  por  cento)  daquela  prevista  no art.  2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de  29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.   II  ­  50%  (cinqüenta por  cento) daquela prevista no art.  2º  das  Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro  de  2003,  para  a  soja  e  seus  derivados  classificados  nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela  Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013)   III  ­ 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º  das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29  de  dezembro  de  2003,  para  os  demais  produtos. (Incluído  pela  Lei nº 11.488, de 2007)   § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III do § 1o deste artigo o aproveitamento:   I ­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;   II ­ de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.   §  5o Relativamente  ao  crédito  presumido  de  que  tratam  o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá  ser  superior ao que vier a  ser  fixado, por espécie de bem, pela  Secretaria da Receita Federal.  ...  § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito  ao  crédito  na  alíquota  de  60%  (sessenta  por  cento)  abrange  todos  os  insumos  utilizados  nos  produtos  ali  referidos.  (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013)"(grifo nosso)    A  observação  do  texto  legal  deixa  sedimentado  que  o  percentual  a  ser  aplicado é de 60% (sessenta por cento) aos insumos utilizados nos produtos referidos no inciso  I do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004.    m) Das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos    Fl. 19855DF CARF MF     54 Consta do  art.  3º,  IV da Lei nº 10.833/2003 a permissão para utilização de  créditos referentes as despesas de aluguel de máquinas e equipamentos. In verbis.    Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:   ...  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;    A  determinação  legal  não  restringiu  a  utilização  dos  créditos  somente  as  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo.  A  premissa  legal  é  que  as  máquinas e equipamentos sejam utilizados nas atividades da empresa. Entendo, que o conceito  de atividades da empresa não implica na necessidade de que sejam os bens locados utilizados  no  processo  produtivo.  As  exigências  da  norma  exigem  o  pagamento  a  pessoa  jurídica  e  a  utilização nas atividades da empresa. Portanto, para esta matéria assiste razão aos argumentos  da Recorrente, devendo ser afastada as glosas referentes as despesas com alugueis de máquinas  e equipamentos pagos a pessoa jurídica.    n) Dos fretes prestados por pessoas física e fretes na operação de venda    Quanto  aos  fretes  prestados  por  pessoas  física  a  legislação  exige  que  os  custos referentes a prestação de serviços sejam de pessoa jurídica. Assim, não assiste razão a  Recorrente quanto a esta matéria.  A Recorrente também pede o aproveitamento de fretes referente as operações  de  venda. A  legislação  permite  o  aproveitamento  de  tais  despesas,  entretanto,  a  negativa  do  aproveitamento  dos  créditos  pela  fiscalização  se  deu  pela  ausência  de  comprovação  documental  dos  valores  e  serviços  supostamente  vinculados  ao  frete  na  operação  de  venda.  Neste  ponto,  o  recurso  voluntário  não  logrou  comprovar  a  efetiva  despesa  com  fretes  na  operação de venda. Destarte as glosas realizadas deve ser mantida.    o) Glosa créditos de Notas Fiscais de aquisição para revenda      Quanto  aos  insumos  agrícolas,  a  Fiscalização  identificou  que  a  Recorrente  auferiu créditos presumidos referentes a aquisição de insumos agrícolas de pessoas físicas com  base no art. 8º da Lei nº 10.925/2004.    Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  Fl. 19856DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 29          55 07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens referidos no  inciso  II do caput do art. 3º das Leis nºs  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física.     Nos  termos  do  relatório  fiscal,  foram  glosados  aquisições  de  produtos  referentes  a  Notas  Fiscais  de  produtos  adquiridos  para  revenda.  Nos  termos  previstos  na  legislação o  crédito presumido  refere­se a produtos adquiridos para  industrialização. Em que  pese  os  argumentos  constantes  do  recurso  voluntário,  que  tais  produtos  fariam  parte  do  processo  produtivo  da  Recorrente,  não  foram  trazidos  elementos  no  recurso  voluntário  que  pudessem contrapor a afirmação do despacho decisório que listou produtos cujas Notas fiscais  constavam que os produtos foram adquiridos para revenda. Portanto, nesta matéria não assiste  razão ao recurso.    p) Das despesas referentes à energia elétrica e energia térmica    Foram  glosados  pela  Fiscalização  os  valores  relativos  as  despesas  com  serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica e despesas com  serviço de medição de motores elétricos. Os argumentos da Fiscalização caminham no sentido  de  que  os  serviços  de  gerenciamento  e  agenciamento  não  constituem  consumo  de  energia  elétrica.   Sem  dúvida  os  serviços  referentes  a  agenciamento  e  gerenciamento  não  correspondem a consumo de energia elétrica, entretanto, é inequívoco que tais despesas estão  vinculadas a energia elétrica e portanto, ao meu sentir, também estão aptas a gerar créditos na  apuração das contribuições não cumulativas.   Assim, nesta matéria cabe razão aos argumentos do recurso.      q) Multa de ofício ­ responsabilidade sucessão    Quanto a multa de ofício no valor de 75% (setenta e cinco por cento), a sua  exigência está prevista no inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96, sendo aplicada nos lançamentos  de ofício para cobrança de débitos tributários.     Fl. 19857DF CARF MF     56 “Art.44 Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  –  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;”    No caso em tela foi realizado o lançamento de ofício, formalizado por meio  do Auto de Infração e, portanto, torna­se obrigatória a exigência da multa de ofício no valor de  75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre o valor do tributo exigido.  Quanto a alegação da Recorrente que não poderia ser aplicada a penalidade  sobre a empresa sucessora, tal argumento não resiste a determinação legal prevista no art. 129  do Código Tributário Nacional.  SEÇÃO II  Responsabilidade dos Sucessores   Art.  129.  O  disposto  nesta  Seção  aplica­se  por  igual  aos  créditos  tributários definitivamente constituídos ou em curso de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos  mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações tributárias surgidas até a referida data.    O  CTN  deixa  cristalino  a  responsabilidade  dos  sucessores  sobre  os  lançamento fiscais já constituídos ou aqueles que porventura sejam constituídos posteriormente  aos atos da sucedida. Assim, não assiste razão à Recorrente quanto a esta matéria.    r) Juros sobre a multa de ofício    Alega ainda, a Recorrente, suposta ilegalidade na exigência de juros sobre a  multa de ofício. Também quanto a esta matéria não assiste razão ao recurso. A multa de ofício  é lançada em conjunto com o principal fazendo um crédito único. Não ocorrendo o pagamento,  a Fazenda Pública deixa de receber todo o crédito tributário que a ela era devida, e assim, faz  jus a receber juros de mora sobre este montante. O CTN define como sujeito a multa de mora,  o  crédito não  integralmente pago no vencimento,  não  existindo nenhuma determinação  legal  para excluir do conceito de créditos não integralmente pagos, a multa de ofício. Destarte não há  como separar a multa de ofício do total do crédito exigido.  A matéria já foi objeto de julgamento pela 1ª Turma da Câmara Superior de  Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão nº 9101­001.350, na sessão do dia 15 de maio de 2012,  quando foi decidido pela  incidência dos  juros de mora sobre a multa de ofício. A ementa do  citado acórdão ficou assim redigida.     Fl. 19858DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 30          57 "JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  No  lançamento  de  ofício,  o  valor  originário  do  crédito  tributário  compreende  o  valor  do  tributo  e  da  multa  por  lançamento  de  ofício.  Sobre  a  multa  por  lançamento  de  oficio  não  paga  no  vencimento  incidem  juros  de  mora.  Em  se  tratando  de  débitos  relacionados  com  tributos  cujos  fatos  geradores  tenham  ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício  incidem,  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  juros  de  mora  calculados segundo a taxa Selic, ex­vi dos arts.29 e 30, da Lei n°  10.522, de 19 de julho de 2002."    Por  fim,  consta  do  recurso,  diversas  alegações  de  ofensa  a  princípios  constitucionais. Quanto a esta matéria, este colegiado esta impedido de se manifestar, diante da  emissão  da  súmula  nº  2  do  CARF,  publicada  no  DOU  de  22/12/2009,  que  veda  o  pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária.    “Súmula CARF nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária”    Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  acatar  a  possibilidade  de  se  apurar  créditos  de  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos  referente a uniformes,  vestuários,  equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais  de  limpeza, desinfecção e higienização; análises  laboratoriais;  lubrificantes,  inibidor de corrosão,  anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador  logístico;  produtos  para  movimentação  de  cargas  e  embalagens,  pallets  utilizados  no  transporte  interno  de  produtos  e/  ou  como  embalagem  de  proteção,  no  transporte  dos  produtos  vendidos;  fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; crédito extemporâneo referente a despesas de  armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos ­alíquota; das despesas com  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos;  das  despesas  referentes  à  gerenciamento  e  medição  de  energia elétrica.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira Voto Vencedor    Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior  Fl. 19859DF CARF MF     58 Na condição de Redator Designado para o Voto Vencedor, no que se refere  exclusivamente à possibilidade de apropriação de créditos decorrentes do aluguel de granja na  sistemática não cumulativa de apuração do PIS e da COFINS, passo a expor a fundamentação  pertinente.  A  discussão  neste  item  restringe­se  ao  aluguel  de  granjas  em  área  rural. A  Fiscalização entendeu que a previsão legal para créditos nas despesas de aluguel restringe­se a  prédios e máquinas e o aluguel de áreas rurais não estão previstas na legislação.  Nos termos do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/03 no caso da COFINS,  bem como o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02 para o PIS, resta autorizada a apropriação  de créditos sobre alugueis de prédios utilizados nas atividades da empresa:  Art.  3º Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2oa  pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  IV  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;    Em que pese o entendimento do nobre Relator no sentido de que o aluguel de  áreas  rurais  não  estão  previstas  na  legislação,  deve­se  entender  que  as  granjas  devem  ser  entendidas  no  conceito  de  "prédios"  "utilizados  nas  atividades  da  empresa"  adotado  pela  legislação.  Não obstante, é possível identificar o conceito de "prédio rural" trazido pelo  Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964.):  Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definem­se:  I  "  Imóvel Rural",  o  prédio  rústico,  de  área  contínua  qualquer  que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa  agrícola, pecuária ou agroindustrial,  quer através de planos públicos de valorização, quer através de  iniciativa privada;  Por pertinente, trago a Solução de Consulta COSIT nº 331, de 21 de junho de  2017,  que  aborda  tanto  a  questão  do  bem  imóvel,  compreendido  além  da  definição  leiga  de  prédio edificado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEPEMENTA:  REGIME  DE  APURAÇÃO  NÃO  CUMULATIVA.  CRÉDITO  ARRENDAMENTO AGRÍCOLA.  A  pessoa  jurídica  submetida  ao  regime  de  apuração  não  cumulativa  da  Contribuição  ao  PIS/Pasep  pode  descontar  créditos  sobre  aluguéis  de  prédios  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  empresa,  desde  que  obedecidos  todos os requisitos e as condições previstos na legislação.  A  remuneração  paga  pelo  arrendatário  em  relação  ao  bem  arrendado  é  denominada  de  aluguel,  representando  a  retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel.  Fl. 19860DF CARF MF Processo nº 11516.724153/2013­85  Acórdão n.º 3301­005.016  S3­C3T1  Fl. 31          59 A Lei nº4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e  a  Lei  nº8.629,  de  25  de  fevereiro  de  1993,  definem  "imóvel  rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer  que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à  exploração  agrícola,  pecuária,  extrativa  vegetal,  florestal  ou  agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização,  quer através de iniciativa privada.  É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue  não  cabe  ao  intérprete  distinguir.  Desta  forma,  o  conceito  de  prédio contido no inciso IV do art. 3ºda Lei nº10.637, de 2002,  engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico  não edificado.  DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei  nº10.637,  de  2002,  art.  3º,  inciso  IV;  Lei  nº4.504,  de  1964  (Estatuto  da  Terra);  Lei  nº8.629,  de  1993; Decreto nº59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº4.382, de  2002, art. 9º.  Nota­se que que o conceito de prédio albergado pela legislação tributária vai  muito  além  do  edifício,  abrangendo  tudo  aquilo  que,  por  natureza  ou  por  acessão,  seja  bem  imóvel destinado às atividades do locatário, inclusive o chamado bem imóvel rural rústico.  Pelo  exposto,  entendo  que  os  prédios  destinados  às  granjas  e  locadas  pela  Recorrente,  evidentemente utilizadas na atividade da empresa,  são  considerados prédios para  fins  de  apuração  do  crédito  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos,  nos  exatos  termos  dos  incisos IV dos arts. 3º das Leis nº 10.833/03 e Lei nº 10.637/02, uma vez que a legislação não  faz qualquer distinção quanto à serem tais prédios urbanos ou rurais.  É  como  voto,  para  dar  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário,  apenas  para  conceder  a  possibilidade  de  se  apurar  créditos  de  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos referente as despesas de aluguel de granjas.    (assinado digitalmente)  Salvador Cândido Brandão Junior                          Fl. 19861DF CARF MF

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7465129 #
Numero do processo: 10930.904596/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 76          1 75  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.904596/2012­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­003.391  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de setembro de 2018  Matéria  CSLL ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  RCC ­ VEÍCULOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2010  PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.  Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus  da prova do indébito é do contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Roberto Silva Junior ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Roberto  Silva  Junior,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Nelso  Kichel,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  Ausência  justificada  da  Conselheira Bianca Felícia Rothschild.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 96 /2 01 2- 13 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.904596/2012­13  Acórdão n.º 1301­003.391  S1­C3T1  Fl. 77          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  interposto  por  RCC  ­  VEÍCULOS  LTDA.,  pessoa  jurídica  já  qualificada  nos  autos,  contra  a  decisão  da  DRJ,  que  negou  provimento  à  manifestação  de  inconformidade  da  recorrente,  mantendo  o  despacho  decisório  da  DRF  de  origem.  No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a  existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação  declarada em dcomp. A decisão fundou­se no argumento de que, embora tendo sido encontrado  o  DARF,  o  pagamento  já  estava  inteiramente  utilizado  para  quitar  outro  débito  da  própria  recorrente, não remanescendo qualquer valor.  Não homologada a compensação, sobreveio manifestação de inconformidade,  à qual a DRJ negou provimento. O órgão julgador de primeira instância deixou consignado que  a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando destinada a reduzir ou  excluir tributo, só é admissível quando comprovado o erro em que se funda a retificação. Além  disso, incumbe ao sujeito passivo apresentar a prova da existência do crédito pleiteado, de tal  modo  a  viabilizar,  para  a  autoridade  administrativa,  a  verificação  de  liquidez  e  certeza  do  direito.  Não  resignada,  a  contribuinte  interpôs  recurso.  Disse  que,  após  realizar  revisão  contábil,  constatou  ter  apurado  incorretamente  débitos  de  tributo.  Diante  disso,  apresentou  declarações  de  compensação  a  fim de  recuperar  os  valores  pagos  indevidamente.  Com  o  mesmo  propósito,  retificou  DIPJ  e  DCTF,  nesta  última  declarando  valor  de  débito  menor do que aquele que havia sido recolhido, resultando daí um crédito a favor da recorrente.  A  recorrente  sustenta  que  as  declarações  retificadoras  devem  ser  aceitas  como  prova  de  seu  direito.  Nessa  linha  de  argumentação,  distingue  procedimento  administrativo tributário de processo administrativo tributário. O primeiro nada mais seria do  que a ação de acompanhamento realizado pelo órgão público, sem conteúdo de litígio, apenas  com  finalidade  informativa.  O  processo,  ao  contrário,  teria  por  objeto  a  resolução  de  um  conflito  em  matéria  tributária,  cabendo  à  Administração  o  controle  de  legalidade  dos  atos  praticados pelo contribuinte.  Segundo  essa  classificação,  o  presente  processo  seria  apenas  um  procedimento  administrativo,  instaurado  pela Receita  Federal  para  verificar  a  declaração  de  compensação  entregue  pela  recorrente.  Só  após  o  lançamento  fiscal  é  que  se  teria  processo  administrativo tributário propriamente dito, bastando para tanto que o contribuinte formalizasse  a impugnação, ou seja, a resistência face à pretensão fiscal.  Em vista desses argumentos, concluiu que o acórdão da DRJ cometera grave  equívoco ao desconsiderar a DCTF retificadora, sob o fundamento de que a retificação se dera  após  a  ciência  do  despacho  decisório.  Concluiu  dizendo  que,  no  caso  concreto,  o  processo  administrativo  se  instaurou  apenas  com  a  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade,  não  existindo  antes  disso  lançamento  tributário.  Nessa  linha  de  raciocínio,  seria  incorreto  desconsiderar  a  DIPJ  e  a  DCTF  como  provas  da  retificação  dos  valores  anteriormente  informados.  Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.904596/2012­13  Acórdão n.º 1301­003.391  S1­C3T1  Fl. 78          3 No mais, aduziu que não tinha sofrido procedimento de fiscalização, nem os  débitos  haviam  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional ­ PFN.  Somente  com  a  decisão  recorrida  é  que  se  tomou  ciência  de  um  processo  administrativo  de  cobrança  de  débitos.  Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e  a homologação da compensação declarada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade.  A  controvérsia  gira  em  torno  da  existência  do  direito  creditório  oriundo de  pagamento parcialmente indevido de tributo. A DRF de origem não homologou a compensação  porque  o  pagamento  se  encontrava  inteiramente  alocado  a  um  débito  declarado  pela  própria  recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta  de comprovação do direito.  Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em  primeiro lugar, fazer prova do pagamento, ou seja, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres  públicos. Depois,  tem  de  provar  que  esse  pagamento  se  fez  em  desacordo  com  a  legislação  aplicável. Vale dizer, provar que houve erro na apuração do débito; ou provar que quem pagou  não era devedor ou aquele que recebeu o pagamento não era o credor (erro quanto ao sujeito da  relação  jurídica). O  contribuinte  não  precisa  provar  que  pagou por  erro,  nem que  o  erro  era  escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável.  No caso em exame, a  recorrente cingiu­se a afirmar que  fizera uma revisão  contábil, que evidenciou erro na apuração do débito. Não disse, entretanto, em que consistia o  erro. O erro,  em  tese,  pode decorrer de  inúmeras  situações,  tais  como  a  inclusão na base de  cálculo de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; do  registro  de meros  ingressos  de  caixa  como  sendo  valores  tributáveis;  da  falta  de  registro  de  despesas  dedutíveis.  Ademais,  o  indébito  pode  ter  origem  em  toda  sorte  de  equívocos  referentes aos ajustes do lucro líquido, bem como do emprego de alíquotas incorretas.  Diante da imprecisão e da forma lacônica como o fato constitutivo do direito  da  recorrente  foi  descrito  no  recurso,  torna­se  ocioso  qualquer  exame  de  livros  fiscais  e  contábeis,  bem  como  a  determinação  de  qualquer  tipo  de  diligência,  em  face  da  impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado.  Ressalte­se que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo  próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova  do  pretenso  direito  creditório.  Nesse  sentido  é  o  Parecer  Normativo  Cosit  nº  2/2015  e  a  jurisprudência do CARF.  Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.904596/2012­13  Acórdão n.º 1301­003.391  S1­C3T1  Fl. 79          4 Na  situação  em  análise,  além  de  a  retificação  da  DCTF  ser  posterior  à  intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se  originado o crédito pretendido.  A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o  ônus de prová­lo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos  pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às  portas do Fisco, reivindicando o direito.  Por  último,  cabe  dizer  que,  no  caso  em  exame,  a  solução  da  controvérsia  passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento.  Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso,  para,  no  mérito,  negar­lhe  provimento.    (assinado digitalmente)  Roberto Silva Junior                              Fl. 79DF CARF MF

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7441042 #
Numero do processo: 16151.720128/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16151.720128/2014­11  Recurso nº  1   De Ofício  Acórdão nº  2402­006.402  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de julho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SEME EMPREITEIRA S C LTDA.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005  RECURSO  DE  OFÍCIO.  VALOR  DE  ALÇADA  INFERIOR  AO  ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO  CONHECIMENTO.  Não  se  conhece  de  recurso  de  ofício  cujo  crédito  exonerado,  incluindo­se  valor  principal  e  de  multa,  é  inferior  ao  estabelecido  em  ato  editado  pelo  Ministro da Fazenda.  RECURSO DE OFÍCIO.  LIMITE DE ALÇADA.  VIGÊNCIA.  DATA  DE  APRECIAÇÃO.  Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica­se o limite de alçada  vigente na data de sua apreciação em segunda instância.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso de ofício.  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente e Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho  Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregório  Rechmann Júnior.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 72 01 28 /2 01 4- 11 Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16151.720128/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.402  S2­C4T2  Fl. 3          2 Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47,  §§ 1º  e 2º,  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto,  adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402­006.333 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de  julho  de  2018,  proferido  no  âmbito  do  processo  n°  19515.722966/2012­71,  paradigma  deste  julgamento.  Acórdão nº 2402­006.333 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "Trata­se de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame  necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6  de março de 1972,  e alterações  introduzidas pela Lei nº 9.532,  de  10  de  dezembro  de  1997,  tendo  em  vista  que  o  crédito  exonerado,  principal  e  encargos  de  multa,  relativos  a  contribuições  previdenciárias  de  custeio,  beneficio,  terceiros  e  sanções  pecuniárias,  superava  a  época  o  valor  de  alçada  estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de  2008.  O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois  milhões  e  quinhentos  mil  reais),  vindo  a  julgamento  apenas  o  Recurso de Oficio.  É o relatório."  Voto             Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho ­ Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 2402­006.333 ­  4ª Câmara/2ª Turma Ordinária,  de 03 de  julho de 2018, proferido no  âmbito do processo n°  19515.722966/2012­71, paradigma ao qual o presente processo encontra­se vinculado.  Transcreve­se, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o  inteiro  teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno  relator  da  susodita  decisão  paradigma,  reprise­se,  Acórdão  nº  2402­006.333  ­  4ª  Câmara/2ª  Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018:  Acórdão nº 2402­006.333 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária  “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar  que o presente  julgamento  terá  efeitos  sobre  lote  repetitivo,  eis  que  o  caso  em  foco  foi  eleito  como  paradigma  e  terá  seu  resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do  art.  47  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF  nº 343/2015 – RICARF.  Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16151.720128/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.402  S2­C4T2  Fl. 4          3 Admissibilidade.  Trata­se de Recurso de Oficio manejado, por  força de  reexame  necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6  de  março  de  1972,  tendo  em  vista  que,  à  época  em  que  foi  proferida  a  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  o  crédito  exonerado  superava  o  valor  de  alçada  estipulado  estabelecido em ato próprio.  De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972:  Art.  34.  A  autoridade  de  primeira  instância  recorrerá  de  ofício sempre que a decisão:  I  ­  exonerar  o  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de multa  de  valor  total  (lançamento  principal  e  decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da  Fazenda.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997)(Produção de efeito)  II  ­  deixar  de  aplicar  pena  de  perda  de  mercadorias  ou  outros  bens  cominada  à  infração  denunciada  na  formalização da exigência.  §  1º  O  recurso  será  interposto  mediante  declaração  na  própria decisão.  §  2°  Não  sendo  interposto  o  recurso,  o  servidor  que  verificar  o  fato  representará  à  autoridade  julgadora,  por  intermédio  de  seu  chefe  imediato,  no  sentido  de  que  seja  observada aquela formalidade. (Grifou­se)  O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente  procedente  a  impugnação,  exonerando  créditos  relativos  ao  principal  e  encargos  de  multas  em  valor  inferior  a  R$  2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais)   Cabe  ao  colegiado  julgar  a  admissibilidade  do  Recurso  de  Oficio  e,  constatando­se  que  o  crédito  exonerado  é  inferior  àquele  que  levaria  o  caso  a  um  reexame  necessário  na  atualidade, não conhecer de referido recurso.  O  limite  referido  está  posto  na  Portaria  MF  nº  63,  de  9  de  fevereiro de 2017, in verbis:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de multa,  em  valor  total  superior  a  R$  2.500.000,00  (dois  milhões  e  quinhentos mil reais).  §  1º  O  valor  da  exoneração  deverá  ser  verificado  por  processo.  Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16151.720128/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.402  S2­C4T2  Fl. 5          4 § 2º Aplica­se o disposto no caput quando a decisão excluir  sujeito  passivo  da  lide,  ainda  que mantida  a  totalidade  da  exigência do crédito tributário.  Art.  2º  Esta  Portaria  entra  em  vigor  na  data  de  sua  publicação no Diário Oficial da União.  Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de  2008.  Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor  permitisse a  interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao  caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente,  conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos  da Súmula CARF 103:  Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de  ofício,  aplica­se  o  limite  de  alçada  vigente  na  data  de  sua  apreciação em segunda instância.  Conclusão  Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em  razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido  no  art.  1º  a  Portaria  MF  nº  63,  de  9  de  fevereiro  de  2017,  aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103.   (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza”  Conclusão  Nesse  contexto,  pelas  razões  de  fato  e  de Direito  ora  expendidas,  voto  por  NÃO CONHECER do Recurso de Ofício    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho                               Fl. 591DF CARF MF

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