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Numero do processo: 10480.902671/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-002.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 26 71 /2 01 3- 38 Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior realizado pela empresa. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DIPJ) relativa à apuração do crédito antes da apresentação do PER/DCOMP e, em tais declarações consta o valor correto do débito do período que confirma a existência do pagamento a maior. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido. Há de se aferir o real valor devido do débito para se constatar a existência ou não do crédito. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.932, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902672/2013 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.932): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 5 4 confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 6 5 como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Para tanto, fizemos juntar ao processo os seguintes documentos: DIPJ, DACON e extratos de pagamentos. Com base nestes documentos realizaremos o confronto entre os valores dos débitos informados na DIPJ/DACON, se as declarações haviam sido apresentadas antes da emissão do despacho decisório e o confronto com os valores efetivamente pagos a fim de se demonstrar a apuração do crédito previamente ao despacho decisório e o montante, se existente, destes créditos. DOS PROCESSOS REPETITIVOS VINCULADOS A análise deste processo prendese apenas a um PER/DCOMP vinculado a um DARF específico, entretanto, outros processos relativos a pagamentos indevidos do mesmo contribuinte encontramse vinculados a este processo sob a sistemática de recursos repetitivos. Assim, entendemos por bem, a fim de facilitar o entendimento do contribuinte/recorrente e das unidades preparadoras e submetemos à apreciação deste colegiado que esta decisão seja reproduzida para todos os processos identificados na tabela abaixo a fim de que o resultado de cada processo seja específico e as compensações sejam tratadas individualmente quando do retorno à delegacia de origem. Desta forma, apresentamos a tabela abaixo na qual consta a análise do crédito de cada PER/DCOMP e o valor do crédito apurado após o confronto entre o valor do débito apurado em DIPJ e o valor efetivamente pago pela empresa, destacandose que foram analisadas apenas as declarações enviadas pela empresa antes da emissão do despacho decisório. Período de Tipo de Valor informado Data de Valor na Valor pago Valor do Processo Apuração Tributo em DIPJ Entrega DCTF em DARF Crédito Vinculado mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 98.599,23 97.623,00 25.294,77 10480902.674/201371 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 103.968,49 97.623,00 25.294,77 10480902.675/201316 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 97.623,00 97.623,00 25.294,77 10480902.673/201327 dez/10 CSLL 136.577,85 29/06/2011 210.299,67 210.299,67 73.721,82 10480902.676/201361 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 279.739,28 262.666,00 68.576,13 10480902.669/201369 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 265.292,66 262.666,00 68.576,13 10480902.668/201314 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 262.666,00 262.666,00 68.576,13 10480902.667/201370 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 477.067,58 472.344,14 222.535,25 10480902.671/201338 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 481.743,78 472.344,14 222.535,25 10480902.672/201382 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 472.344,14 472.344,14 222.535,25 10480902.670/201393 Assim, conforme demonstrado na tabela acima, após o confronto entre os valores informados pelo contribuinte nas Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 7 6 declarações que demonstram a apuração dos tributos devidos, no caso DIPJ e DCTF, e os valores dos recolhimentos realizados entendo que, em razão do princípio da verdade material e da informalidade, há de se realizar a apuração dos créditos a que faz jus a empresa a partir dos montantes apurados nas declarações apresentadas pela empresa além de apenas a DCTF, mais ainda, quando no presente caso verificase que os valores apurados foram obtidos das declarações originalmente entregues e sem se constatar inconsistências destas. À vista de todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário a fim reconhecer o direito de crédito da empresa nos seguintes valores e processos, homologando as compensações a eles vinculadas. Valor do Processo Crédito Vinculado 25.294,77 10480902.674/201371 25.294,77 10480902.675/201316 25.294,77 10480902.673/201327 73.721,82 10480902.676/201361 68.576,13 10480902.669/201369 68.576,13 10480902.668/201314 68.576,13 10480902.667/201370 222.535,25 10480902.671/201338 222.535,25 10480902.672/201382 222.535,25 10480902.670/201393 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 716DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901855/2008-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. DARF. PAGAMENTO. EXTINÇÃO.
Constatado que o débito tributário não compensado por inexistência de crédito disponível foi integralmente pago, mediante recolhimento da respectiva via Darf, resta extinto o crédito tributário exigido que culminou na não homologação da respectiva compensação.
Numero da decisão: 3001-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. DARF. PAGAMENTO. EXTINÇÃO. Constatado que o débito tributário não compensado por inexistência de crédito disponível foi integralmente pago, mediante recolhimento da respectiva via Darf, resta extinto o crédito tributário exigido que culminou na não homologação da respectiva compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. DARF. PAGAMENTO. EXTINÇÃO. Constatado que o débito tributário não compensado por inexistência de crédito disponível foi integralmente pago, mediante recolhimento da respectiva via Darf, resta extinto o crédito tributário exigido que culminou na não homologação da respectiva compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0538.803, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 27.08.2012 (efls. 114 a 118), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp em questão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 18 55 /2 00 8- 91 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10882.901855/200891 Acórdão n.º 3001000.514 S3C0T1 Fl. 162 2 Da ementa do acórdão recorrido A 3ª Turma da DRJ/CPS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins do período de apuração maio/2004, decorrente de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 2.590,16 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10882.901855/200891 Acórdão n.º 3001000.514 S3C0T1 Fl. 163 3 (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, incorreção na informação prestada na DCTF do 2º trimestre de 2004, no que se refere ao valor do débito de maio, a qual foi devidamente retificada por DCTF transmitida em 18/08/2008. Anexou, dentre outros documentos, cópias do comprovante de arrecadação e das DCTF original e retificadora. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 124 a 145) para, em síntese, alegar que: (i) a RFB não analisou a DCTF retificadora no que diz respeito ao período de apuração maio/2004 (fls. 97) e por isso não reconheceu o crédito oriundo da retificação; (ii) a RFB analisou a DCTF retificadora no que tange ao período de apuração junho/2004, que informa incorretamente o valor do débito apurado relativo a Cofins (fls. 98); (iii) de fato existia o crédito e este foi aproveitado no período de junho/2004 como complemento do pagamento do valor informado incorretamente; (iv) posteriormente o valor glosado foi pago através de Darf, com os benefício previstos na Lei nº 11.941, de 2008; (v) o crédito em discussão foi extinto nos termos do artigo 156, incisos I e II do CTN, logo o débito ora exigido está extinto, não podendose prosseguir na sua cobrança. Do encaminhamento Em razão disso, os autos foram encaminhados ao Carf, que na forma regimental foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 12.11.2012, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 146), depois da ciência Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10882.901855/200891 Acórdão n.º 3001000.514 S3C0T1 Fl. 164 4 ocorrida em 23.10.2012, conforme observase do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 122), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Das constatações observadas com a apresentação do recurso voluntário Em 13.08.2004 o recorrente transmitiu a DCTF, referente ao 2º trimestre de 2004 (Cofins/maio), informando equivocadamente o valor R$ 11.361, 23 (fls. 11 e 53). Em 18.08.2004, constatado referido equívoco, apresentou DCTF retificadora, a fim de constar o valor de R$ 8.771,07 (fl. 97), evidenciando, por conseguinte, um recolhimento a maior original de R$ 2.590,16. Não obstante a retificação da DCTF haver corrigido o valor devido para a Cofins apurada para o mês de maio/2004, na referida declaração retificadora o recorrente equivocase uma vez mais, desta feita quanto ao valor devido a título de Cofins apurada para o mês de junho/2004, quando informa como devida a importância de R$ 12.535,24 quando o deveria ter informado o valor de R$ 9.913,22, erro decorrente do acréscimo do valor R$ 2.622,02 referente à retificação do período de maio R$ 2.590,16, corrigido (fls. 53 e 98). Não obstante este acréscimo indevido, informado na DCTF retificadora relativos à Cofins apurada no mês de junho/2004, ao fim e ao cabo os valores compensados e recolhidos equivalem aos valores efetivamente devidos mas equivocadamente informados (fl. 98). Em 16.10.2009, diante da glosa do crédito em referência, o recorrente providenciou o recolhimento da referida importância R$ 2.622,02, acrescida dos encargos decorrentes da mora. Desta feita, vejamos o que constam informados na Per/Dcomp 35251.07686.130704.1.3.044397 (fl. 02) e no acima mencionado Darf, juntado na presente peça recursal. Per/Dcomp 35251.07686.130704.1.3.044397 (página 2): Grupo de Tributos: COFINS Data de Arrecadação: 15/06/2004 Valor Original do Crédito Original: 2.590,16 Crédito Original na Data de Transmissão: 2.590,16 Selic Acumulada: 1,23% Crédito Atualizado: 2.622,02 Total dos débitos desta DCOMP: 2.622,02 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: 2.590,16 Saldo do Crédito Original: 0,00 Darf recolhido em 16.10.2009 (Doc. 4) 02 PERÍODO DE APURAÇÃO 07/07/1980 03 NUMERO DO CPF OU CNPJ 59.164.103/000130 04 CÓDIGO DA RECEITA 5856 05 NÚMERO DE REFERENCIA 10882902269200863 06 DATA DE VENCIMENTO 15/07/2004 07 VALOR DO PRINCIPAL 2.622,02 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10882.901855/200891 Acórdão n.º 3001000.514 S3C0T1 Fl. 165 5 08 VALOR DA MULTA 09 VALOR DOS JUROS E/OU ENCARGOS (Lei 11.941) 1.004,49 10 VALOR TOTAL 3.626,51 Nos termos do disposto no inciso I do artigo 156 do Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcrito, o pagamento extingue o crédito tributário, verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário I o pagamento; (...) Da análise do presente processo verificase que o presente recurso voluntário foi interposto para tão somente dar a conhecer que o recorrente efetuou integralmente quitação de seu valor devedor consolidado R$ 2.622,02, com o acréscimo dos devidos encargos da mora, referenciado no Despacho Decisório Nº de Rastreamento: 775565420, emitido em 18.07.2008, que concluiu pela não homologação da compensação declarada, em face da inexistência do crédito informado no Per/Dcomp 35251.07686.130704.1.3.044397. Portanto, se o pagamento extingue o crédito tributário lançado, não havendo, pois, nada mais a contestar em relação ao procedimento fiscal em apreço, segundo determina o Código Tributário Nacional art. 156, I do entendo, portanto, que se esgotou o objeto da lide, em face da extinção do crédito tributário. Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para, no mérito, darlhe provimento, reconhecendose o direito creditório e homologandose a compensação realizada no Per/Dcomp em questão. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904269/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter de diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter de diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter de diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO Por descrever todos os fatos, adoto o relatório da DRJ, que passo transcrever: Trata o presente de Pedido de Restituição transmitido pelo Sistema PER/DCOMP sob nº 33124.99816.280708.1.2.045949, data da transmissão 28/07/2008, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo PIS, código da receita 4574, referente ao período de apuração 31/01/2006, no valor de R$ 64.457,15, contido em pagamento efetuado em 15/02/2006, no valor de R$ 80.194,10. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 26 9/ 20 12 -6 6 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.904269/201266 Resolução nº 3201001.345 S3C2T1 Fl. 143 2 Despacho Decisório eletrônico da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf), em São Paulo– SP, datado 04/09/2012, de doc. de fls. 87, indeferiu o pedido de restituição sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: 1. Que seu crédito existe e pelos documentos acostados ao presente não deixam dúvidas que efetuou o recolhimento da Contribuição calculado sobre base de cálculo diversa da constitucionalmente prevista; 2. Que seu pedido não deveria ser indeferido de plano, sem ao menos ter sido intimado a apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72; 3. O pedido de restituição tem por fundamento o fato de o Impugnante ter efetuado o recolhimento da Contribuição nos termos da Lei nº 9.718/98, sendo certo que foi reconhecida a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, entendendo só ser possível a exigência com base no faturamento das empresas, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços; 4. Que o faturamento é conceito de Direito Comercial e de acordo com a legislação, doutrina e jurisprudência do STF corresponde à receita bruta tal como definida pela Lei Complementar 07/91, não se compreendendo, portanto, neste conceito quaisquer outras receitas, tais como as provenientes de juros sobre capital próprio, dividendos, receitas financeiras, etc.; 5. Destaca que quando a Contribuição Federal outorgou competência a União para instituição de uma contribuição social sobre uma base de cálculo específica, conceitualmente bem delimitada, de modo que a base de calculo não se altera em função do objeto social de cada pessoa jurídica. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes; 6. Que nos termos do Regulamento do Imposto de Renda as receitas financeiras são consideradas receitas operacionais que compõem o lucro operacional, independentemente de qual seja o objeto social da pessoa jurídica; Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.904269/201266 Resolução nº 3201001.345 S3C2T1 Fl. 144 3 7. Que a questão do entendimento se as receitas financeiras compõem a receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras está pendente de decisão pelo Supremo Tribunal Federal; 8. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira; 9. Que além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, o Impugnante, realiza também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Pelo exposto requer seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade para o fim de reformar o despacho decisório, com o deferimento do pedido de restituição pleiteado. Seguinte a marcha processual normal, a DRJ proferiu acórdão na seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/02/2006 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.904269/201266 Resolução nº 3201001.345 S3C2T1 Fl. 145 4 sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. VOTO Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das constituições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.904269/201266 Resolução nº 3201001.345 S3C2T1 Fl. 146 5 As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência para que o Contribuinte: (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Laércio Cruz Uliana Junior Conselheiro (assinado digitalmente) Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.021584/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. TOMADOR DE SERVIÇO. SEST E SENAT.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a contribuintes individuais e transportadores autônomos, nos termos da legislação previdenciária.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento.
AUSÊNCIA DE NULIDADE
O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO.
As intimações deverão ser direcionadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, conforme artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Impossibilidade de endereçamento das intimações para o escritório dos advogados diante da inexistência de previsão legal.
Numero da decisão: 2401-005.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. TOMADOR DE SERVIÇO. SEST E SENAT. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a contribuintes individuais e transportadores autônomos, nos termos da legislação previdenciária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 15 84 /2 00 8- 49 Fl. 1033DF CARF MF 2 INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. As intimações deverão ser direcionadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, conforme artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Impossibilidade de endereçamento das intimações para o escritório dos advogados diante da inexistência de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de DEBCAD 37.183.9670 (fls. 2), que apurou o crédito tributário no montante de R$ 3.525,27 (três mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e sete centavos), referente às contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos, destinadas aos terceiros SEST e SENAT, relativo ao período de 01/2004 a 12/2004. De acordo com o Relatório do Auto de Infração (fls. 44/47), o débito foi apurado com base nas folhas de pagamento, livro diário e razão em meio magnético, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS, bem como nos recibos pagos a contribuintes individuais autônomos e transportadores autônomos. Ainda de acordo com o citado Relatório, restou lá consignado que se constatou que o contribuinte não teria efetuado, em sua totalidade, o recolhimento das Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 3 3 contribuições descontadas dos segurados acima indicados, posto que não informou a totalidade dos valores dos fatos geradores das contribuições. Registrou também o Fisco, que os valores pagos aos contribuintes foram escriturados nas contas contábeis de códigos: 91502000029 — FRETES S/ INS. PRODUÇAO RPA, 91501000034 — FRETES S/ MATERIA PRIMA RPA, 91502000009 — FRETES S/ INSUMOS RPA, 91501000008 — FRETES S/ MATERIA PRIMA. Os fatos geradores foram identificados nos seguintes levantamentos: Levantamento Descrição Fatos Geradores FRN Frete não declarado em GFIP Remuneração paga a contribuintes individuaus transportadores autônomos. “FRN – Frete não declarado em GFIP”, neste levantamento estão lançadas as contribuições destinadas aos terceiros SEST e SENAT, incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais transportadores autônomos (fretes). Devidamente cientificado do lançamento em 22/12/2008 (fl. 116), o Interessado apresentou impugnação tempestiva em 21/01/2009 (fls. 118/133), alegando, em síntese: (i) A previsão do direito à defesa. Defende o direito de 30 (trinta) dias para apresentação da sua Impugnação; (ii) Referese à notificação fiscal de lançamento do débito, transcrevendo trecho da fiscalização quanto ao período apurado; (iii) Inconsistência da caracterização do fato gerador; (iv) Do lançamento pertinente à falta de recolhimento da contribuição previdenciária devida pela empresa sobre a remuneração dos empregados no período de 01 a 11/2004. Discorre informando que conforme as GFIP’s apresentadas no período, não existiriam discrepâncias e os recolhimento sobre as folhas foram realizados de forma devida. Que as oscilações da planilha enviada referemse à rescisões contratuais realizadas conforme documentos inclusos, em especial a RE anexa à GFIP e ao CAGED. Que a fiscalização não teria considerado tal fato. (v) Do lançamento pertinente à falta de recolhimento da contribuição previdenciária discutida. Discorre que há equívoco perpetrado pela fiscalização, ao não considerar a regra de definição do saláriodecontribuição do transportador autônomo. Que nos lançamentos da fiscalização, os valores lançados correspondem ao valor bruto do frete, quando deveria ser apenas o percentual de 20% e que, dessa forma, o auto deve ser declarado nulo; (vi) Do lançamento pertinente à falta de recolhimento da contribuição previdenciária devida pela empresa sobre a remuneração paga, distribuída ou creditada a autônomos, avulsos e demais pessoas físicas de que tratam a Lei Complementar nº 84/96 até 02/2000 e contribuintes individuais no período de 01 a 02, 07 a 10/2004. Repisa os argumentos Fl. 1035DF CARF MF 4 expostos no tópico acima, acrescentando que a empresa recolheu em conjunto com as contribuições por si devidas, as contribuições previdenciárias retidas. Que como houve por provada a retenção de 11% sobre os fretes e serviços de transportadores autônomos, os valores lançados pela fiscalização no importe de 20% sobre o valor bruto das RPA’s é ilegal, causando enriquecimento sem causa, posto que só poderia ser computado a eventual diferença de 9%, razão pela qual necessária perícia. Discorre, ainda, informando que no caso de transportadores autônomos, sempre era recolhida a contribuição devida ao SEST/SENAT, conforme documentos inclusos. Que existem vários documentos denominados reembolso de impostos, que não significam qualquer tipo de remuneração dos contribuintes transportadores autônomos. E que nos Postos Fiscais da SEFAZ, ao pararem para a liberação da carga e apresentação de nota fiscal das mercadorias transportadas, os prestadores de serviços apenas retiravam o DAE — DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO ESTADUAL, adiantavam o pagamento, e ao chegarem na Recorrente, eram reembolsados do tributo de obrigação da empresa. Esses valores foram contabilizados pela fiscalização de modo errôneo, deturpando inclusive o próprio fato gerador, já que a parcela adiantada a titulo de pagamento do ICMS não é saláriodecontribuição, pois é reembolsada ao transportador autônomo. (vii) Das inconsistências da notificação. Reclama a existência de inconsistências na notificação, no tocante fundamentação descrita no Relatório Fiscal da Infração que cita o artigo 32, inciso IV, §6° da Lei nº 8.212/1991, em face da impossibilidade de se declarar em GFIP informações tidas pela impugnante como não integrantes da remuneração de seus funcionários, bem como não ficou esclarecida a circunstância que evidencie a emissão do auto. (viii) Ilegalidade do ato por malferimento a direito fundamental de aplicabilidade imediata – precedentes legais e jurisprudenciais. Defende que as exigências descritas no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito oculta os dispositivos legais a facilitarem o direito de ampla defesa, pois contém fundamentação genérica, posto que a motivação é indispensável ao Auto de Infração. Que a omissão de evidências e não sopesamento dos atos, tornariam irrito o ato, tornando viciado formalmente a emissão do mesmo. Discorre sobre a legalidade de ato administrativo e cita jurisprudências, de modo a defender a ideia de revogação do ato por reconhecimento da irregularidade que entende existir. (ix) Dispositivos assecuratórios da defesa administrativa. Traz argumentações acerca do direito de defesa; (x) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 4 5 (xi) Justificação para a realização de perícia conforme o inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. Nesse ponto, afirma que a verificação fiscal deve ser submetida à perícia, em razão de que não está clara a aplicação dos valores lançados por meio da fiscalização, posto que a mesma não indica de forma válida e transparente a autuação. Que com a perícia se poderá verificar as alíquotas aplicadas no AI, para verificação de possível diferença entre os valores já devidamente recolhidos e as alíquotas aplicadas pelo digno auditor fiscal. Por fim, requereu: a) o recebimento da defesa, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal nº 8.212/91; b) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar nulo o lançamento do crédito tributário, em razão do cerceamento de defesa, pela falta de aplicação correta dos valores sobre o salário de contribuição, pela ausência de indicação dos fatos que geraram a suposta infração; c) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada na documentação da empresa, especialmente para a verificação da alíquota aplicada, se a mesma corresponde à diferença existente; d) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0936.133 da 5ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 913/920, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendose o crédito tributário. Recorde se: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 DEBCAD. 37.183.9670 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A contribuição a cargo da empresa, destinada ao custeio das outras entidades e fundos incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado, que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das Fl. 1037DF CARF MF 6 infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PROCURADOR DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. E descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao patrono da impugnante, pois a intimação da autuada se faz no seu domicilio tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, após ser devidamente cientificada às fls. 926 em 14/06/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 944/959, não inovando, mas repisando todos os argumentos já lançados em impugnação: (i) Referese à notificação fiscal de lançamento do débito, transcrevendo trecho da fiscalização quanto ao período apurado; (ii) Inconsistência da caracterização do fato gerador; (iii) Do lançamento pertinente à falta de recolhimento da contribuição previdenciária devida pela empresa sobre a remuneração dos empregados no período de 01 a 11/2004. Discorre informando que o crédito tributário foi lançado sob o fundamento do art. 22, I, da Lei 8.212/91; Que a obrigação de recolhimento das contribuições previdenciárias do contribuinte individual é o mesmo, e não há elementos no AI dos valores totais recebidos pelo mesmo; Que o valor a ser recolhido pela previdência não atingiu o valor mínimo previsto no ato da Previdência, e nem era possível recolher na competência seguinte, por ausência de repetição ou prestação de algum serviço, sendo inviável o recolhimento. Que houve excesso normativo. (v) Das inconsistências da notificação. Reclama a existência de inconsistências na notificação, no tocante fundamentação descrita no Relatório Fiscal da Infração que cita o artigo 32, inciso IV, §6° da Lei nº 8.212/1991, em face da impossibilidade de se declarar em GFIP informações tidas pela impugnante como não integrantes da remuneração de seus funcionários, bem como não ficou esclarecida a circunstância que evidencie a emissão do auto. (vi) Ilegalidade do ato por malferimento a direito fundamental de aplicabilidade imediata – precedentes legais e jurisprudenciais. Defende que as exigências descritas no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito oculta os dispositivos legais a facilitarem o direito de ampla defesa, pois contém fundamentação genérica, posto que a motivação é indispensável ao Auto de Infração. Que a omissão de evidências e não sopesamento dos atos, tornariam irrito o ato, tornando viciado formalmente a emissão do mesmo. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 5 7 Discorre sobre a legalidade de ato administrativo e cita jurisprudências, de modo a defender a ideia de revogação do ato por reconhecimento da irregularidade que entende existir. (vii) Dispositivos assecuratórios da defesa administrativa. Traz argumentações acerca do direito de defesa; (viii) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Ainda, reclama que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à aplicação e a mesma esta em dissonância com os dispositivos legais; (ix) Justificação para a realização de perícia conforme o inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. Nesse ponto, afirma que a verificação fiscal deve ser submetida à perícia, em razão de que não está clara a aplicação dos valores lançados por meio da fiscalização, posto que a mesma não indica de forma válida e transparente a autuação. Que com a perícia se poderá verificar as alíquotas aplicadas no AI, para verificação de possível diferença entre os valores já devidamente recolhidos e as alíquotas aplicadas pelo digno auditor fiscal. Por fim, repete idênticos pedidos da Impugnação: a) o recebimento do Recurso Voluntário, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal nº 8.212/91; b) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar nulo o lançamento do crédito tributário, em razão do cerceamento de defesa, pela falta de aplicação correta dos valores sobre o salário de contribuição, pela ausência de indicação dos fatos que geraram a suposta infração; c) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada nas unidades da empresa, ficando tudo de logo requerido; d) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; É o relatório. Fl. 1039DF CARF MF 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 14/06/2012 conforme AR juntado às fl. 926, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 12/07/2012, às fls. 944/959, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da contribuição previdenciária devida aos contribuintes individuais autônomos e transportadores autônomos (frete) – SEST e SENAT. Conforme relatado, de acordo com a Fiscalização, o levantamento que originou o débito das contribuições previdenciárias em debate é o seguinte: “FRN FRETE NÃO DECLARADO EM GFIP” – neste levantamento estão lançadas as contribuições destinadas aos terceiros SEST e SENAT, incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais transportadores autônomos (frete). Primeiramente, cabe a análise do que se entende por salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). [...] Nesse sentido, a interpretação simultânea do artigo 195, I e 201, § 4º, ambos da Constituição Federal, leva à conclusão de que a folha de salários abrange o quantum total efetivamente pago ao empregado. Portanto, se a intenção do constituinte fosse que a contribuição incidisse apenas sobre o salário em sentido estrito, não se teria valido, também do Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 6 9 vocábulo “folha”. A Constituição Federal determina em seu artigo 201, § 4ª c/c artigo 195, inciso I: “Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC‑ 20‑ 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” [...] “Art. 201 .(...) § 4º Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.” Da Leitura dos artigos supracitados, observase que a regra geral em matéria previdenciária é de que a totalidade dos valores recebidos pelo empregado constitui a base de cálculo da contribuição. As exceções estão taxativamente previstas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91. Confirase: “Art. 28 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 Fl. 1041DF CARF MF 10 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 7 11 n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo Fl. 1043DF CARF MF 12 com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao valecultura. (Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012)” Ato contínuo, cabe analisar também as diretrizes da Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, que regulou o disposto na Carta Magna, determinando a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de salários, em seu artigo 22, inciso III, in verbis: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). O legislador intencionalmente quis evitar qualquer possibilidade de lucubrações por parte da administração e dos administrados, a respeito da incidência ou não da contribuição previdenciária sobre determinada verba paga. Ademais, de acordo com o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, portanto, inferese que a empresa contribuirá para a Previdência Social com 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas a contribuintes individuais a seu serviço. O art. 21 da mesma lei estabelece que a contribuição previdenciária do próprio contribuinte individual será de 20% sobre o seu salário de contribuição, sendo que o § 26 do art. 216 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 define que a alíquota da contribuição dos contribuintes individuais é de 11% (onze por cento) e será descontada pelas empresas tomadoras de serviços dessa espécie de segurado e repassadas à Previdência Social). Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo salário de contribuição. Com relação às contribuições para o Serviço Social do Transporte SEST, e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT, a combinação do inciso II do art. 7º da Lei nº 8.706/1993 com as alíneas “b” dos incisos I e II do art. 1º do Decreto nº 1.007/1993 é que dá o contorno dessas exações, prescrevendo que o somatório de suas alíquotas totaliza 2,5% sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos, definido pelo inciso II do art. 2º do referido Decreto como sendo a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos em regulamento. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 8 13 Ainda sobre essas contribuições, a alínea do § 3º do art. 2º do Decreto nº 1.007/1993 atribui às empresas tomadoras de serviços de transporte de trabalhador autônomos a responsabilidade por seu recolhimento. Sobre a base de cálculo das contribuições de condutores autônomos, o § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social assinala que essa corresponde a 20% (vinte por cento) do valor relativo dos rendimentos resultantes desse tipo de serviço: Art.201. [...] [...] §4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. Vale lembrar ainda que o art. 4º da Lei nº 10.666/2003 obriga as empresas a arrecadar as contribuições devidas pelos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, aí incluídos, por óbvio, os transportadores autônomos. Além do mais, ao estabelecer que as contribuições ao SEST e ao SENAT gozam dos mesmos privilégios aplicáveis às contribuições previdenciárias, o § 2º do art. 7º da Lei nº 8.706/1993 estende essa obrigação (de recolher as contribuições previdenciárias dos condutores autônomos) às contribuições devidas ao SEST e ao SENAT. Ademais, segundo a fiscalização, foram registrados na contabilidade da empresa, de forma genérica, os serviços de transportadores autônomos. De acordo com o Relatório Fiscal de Auto de Infração, o arbitramento do salário de contribuição foi efetuado em decorrência de a empresa não ter procedido aos respectivos lançamentos contábeis de forma individualizada, que possibilitasse a identificação dos prestadores de serviços e transportadores autônomos (frete), apesar dos valores lançados na escrituração contábil. Ou seja, via documentos fornecidos pela própria Recorrente, o que possibilitou a análise minuciosa e criteriosa pela fiscalização. Assim, a obrigação do recolhimento foi calcada baseada em elementos evidenciados e que possibilitaram a correta lavratura do AI respectivo, havendo elementos, repisase, de acordo com os documentos voluntariamente fornecidos, dos valores outrora pagos. Portanto, incabível falarse em ausência de valores mínimos para ser devido o recolhimento da Previdência Social, em razão dos serviços tomados. Carece, portanto, de razão as assertivas insertas na peça recursal quanto a esse ponto, o que impõe negarlhe de provimento. 2.2 Da alegada inconsistência da notificação e ilegalidade do ato. Ausência de infringência ao direito de ampla defesa. Da legalidade do ato administrativo. Fl. 1045DF CARF MF 14 Compulsando os autos, verificase que o Auto de Infração está devidamente motivado por meio de elementos examinados durante a auditoria na empresa autuada, bem como contém o discriminativo de todos os fundamentos legais que suportam o débito, não havendo que se cogitar de nulidade. Isso porque, o lançamento foi originado a partir de uma fiscalização regular, onde se constatou valores devidos pela Recorrente a título de contribuições sociais. Nesse diapasão, o Auto de Infração apresenta de forma discriminada todos os fundamentos que deram origem ao débito apurado em desfavor da Recorrente, não havendo que se falar em nulidade do presente procedimento por ausência de motivação do lançamento. Nesse passo, os fatos geradores das contribuições cobradas no presente processo tiveram sua ocorrência constatada quando do regular exame da contabilidade da empresa disponibilizada à fiscalização, tendo sido fornecido pela Recorrente e verificado os Livros Diários e Razão Analítico das contas contábeis utilizadas na apuração dos fatos geradores. Diante disso, se entendido pela autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a mesma tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. Na dicção do parágrafo único do artigo 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. Confirase: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Além disso, o auditorfiscal enquadrase como servidor público. Por efeito, seus atos têm presunções de veracidade e legitimidade, pela fé pública que lhe é conferida. Ainda, por consequência, os autos de infração e os relatórios de fiscalização, confeccionados alcançam as mesmas presunções. No caso em tela, pela leitura dos Fundamentos Legais do Débito (fls. 45/46) e pelo Relatório Fiscal (fls. 49/53), notase claramente que o Auto de Infração se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com a legislação vigente. Isso suficiente não fora, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Recorrente apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento, razão pela qual afasto a alegada nulidade. Desta forma, nego provimento a Recurso Voluntário, neste particular. 2.3 Da Multa Aplicada. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 9 15 A Recorrente assevera ainda que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à sua aplicação, estando a mesma em desacordo com os dispositivos legais. Assim, entende que a multa aplicada é ilegal. Todavia a irresignação não merece prosperar. A fundamentação legal para o procedimento adotado pela Fiscalização, vigente à época dos fatos, encontrase no artigo 35, incisos I, II e III, da Lei n° 8.212/91. Em análise atenta ao Auto de Infração em questão, notase claramente que este se encontra revestido dentro das formalidades legais de estilo, tendo sido lavrado dentro de acordo com a legislação vigente, não havendo que se cogitar de ilegalidade da multa aplicada. Outrossim, como já bem delineado pela DRJ/JFA (fl. 919), autoridade fiscal, quando de sua atuação, tem por dever legal fazer o lançamento de oficio, com imputação de multa, quando constatar irregularidade no recolhimento da contribuição devida pela empresa. Assim se constata dos autos. Dessa forma, mantendo inalterada a decisão recorrida quanto a esse ponto. 2.4 Da perícia. Por fim, a Recorrente ressalta o direito de requerer a realização de perícia, sob argumento de que não estaria clara aplicação dos valores lançados pela fiscalização, para a correta verificação das alíquotas aplicadas no Auto de Infração. Afirma, ainda, que tal direito se consubstancia na possibilidade de produzir provas à inocentar a Recorrente da acusação fiscal. Pois bem. Ao sujeito passivo cabe o ônus da prova em relação ao que alega, devendo fazêlo oportunamente, por ocasião da impugnação, conforme estabelecem os incisos III, IV e parágrafo 4º do artigo 16, do Decreto 70.235/72, na redação dada pelas Leis 8.743/93 e 9.532/97. No caso em exame, considerase desnecessária a perícia proposta por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. Todos os fatos estão justificados pela autoridade fiscal, e, ainda que houvesse insuficiência de documentos para comprovar as alegações suscitadas pela Recorrente (mas não é o caso) se dá por sua culpa exclusiva em não cumprir com exatidão seu desiderato. Logo, a avaliação da necessidade de se realizar a perícia participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho, conforme se depreende: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões Fl. 1047DF CARF MF 16 controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401 004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da Recorrente. 2.5 Das intimações. Por fim, é medida tranquila a manutenção do acórdão no sentido de que as intimações deverão continuar a ser direcionadas ao domicilio tributário eleito pelo contribuinte, ora Recorrente, conforme artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 e Súmula CARF 110. Desse modo, deve ser desprovido o pedido de direcionamento das intimações aos patronos da causa, à míngua de amparo legal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900309/2008-67
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.900197/2012-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para conhecer o status do mandado de segurança, processo administrativo, declarações e pagamentos mencionados no processo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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score : 1.0
Numero do processo: 11131.001349/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO.
Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação.
IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA.
Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento.
IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO.
Considera-se dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro.
DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS.
Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração.
PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE.
Aplica-se concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por tratarem-se de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo.
Numero da decisão: 3302-005.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, para restabelecer a multa de 1%, relativa a DI 06/11760864, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado). Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas aplicadas relativas às DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abub, que lhe dava provimento integral. O Conselheiro Jorge Lima Abud apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considera-se dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS. Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração. PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE. Aplica-se concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por tratarem-se de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo.
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OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 13 49 /2 01 0- 70 Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.072 2 Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decretolei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração. PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE. Aplicase concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por trataremse de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, para restabelecer a multa de 1%, relativa a DI 06/11760864, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado). Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas aplicadas relativas às DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abub, que lhe dava provimento integral. O Conselheiro Jorge Lima Abud apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.073 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da resolução nº 08002.338, de fls. 2.2042.209: Trata o presente processo de exigência de crédito tributário no valor de R$ 16.656.453,12 (dezesseis milhões, seiscentos e cinqüenta e seis mil, quatrocentos e cinqüenta e três reais e doze centavos), composto das seguintes parcelas: 1. R$ 1.000,00 relativos a MULTA de 1% sobre o valor da mercadoria descrita na DI de forma incorreta ou incompleta, sendo o mínimo da multa igual a R$ 500,00 por cada adição, conforme dispõe o art. 84, inciso I, § 1º da Medida Provisória n° 215835/01. 2. R$ 9.566.873,12 relativos a MULTA de 100% sobre o valor da mercadoria importada com utilização de fatura comercial ideologicamente falsa, por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro e subfaturamento, nas importações registradas no período de 01/01/2003 a 31/12/2007. 3. R$ 7.088.580,00 relativos a MULTA de 100% sobre o valor da mercadoria exportada com utilização de notas fiscais ideologicamente falsas por ocultação do efetivo comprador estrangeiro e subfaturamento, nas exportações das embarcações de que tratam os RE n° 05/090888001 e 06/0422109001. A multa de 100% sobre o valor da mercadoria, relativa às irregularidades indicadas nos itens 2 e 3 acima, decorre da conversão de pena de perdimento em multa e foi aplicada conforme dispõe art. 105, inc. VI do DecretoLei nº 37/66 combinado com o art. 23, inc.V, § 3° do DecretoLei nº 1.455/76, incluídos no ordenamento jurídico pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, verbis, DL nº 37/66 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado DL nº 1.455/76. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.074 4 § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias § 3° A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida [negritei] O procedimento fiscal originouse de determinação judicial, conformeOficio n° OFI.0011.0008506/ 2009 de 30/06/2009 da 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará em razão de investigação realizada pela Policia Federal na chamada Operação Luxo, que efetuou mandados de busca e apreensão na sede da empresa fiscalizada e na residência de sócios e diretores De acordo com o relatório fiscal de fls. 10/2152, constatouse as seguintes irregularidades, aqui genérica e resumidamente descritas: A INDUSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA teriam se utilizado das empresas norteamericanas interpostas, OCEANTECH, ALL OCEANS, JASFER, S&S SEAFOOD, para manipular preços e condições de pagamentos de suas operações de comércio exterior. A fiscalização aduz que estas empresas foram registradas em Miami/EUA com o fim especifico de "prestação serviços" de refaturar pedidos do grupo INACE, conforme reconhecido pela própria sócia formal de uma destas empresas estrangeiras (Doc. A.1), ou seja, instruir operações de importações com faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados, conforme quadro abaixo. (...) Após detalhar o procedimento fiscal e o que chamou de “logística fraudulenta” das empresas acima, que seria realizada com o intuito de ocultar os verdadeiros compradores ou vendedores no comércio exterior, a fiscalização passou a indicar individualmente as irregularidades encontradas em diversos documentos de importação e de exportação que os caracterizariam como ideologicamente falsos ou com mera descrição incompleta da mercadoria. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada pessoalmente em 15/12/2010 a empresa apresentou em 14/01/2011 a impugnação de fls 2.155/2.202, da qual colho alguns trechos na forma abaixo: A) Decadência o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado “da data das efetivas exportações das aludidas embarcações, levadas a cabo uma em 20/01/2005 (nota fiscal de fl. 457), Registro de Exportação de 11/01/2005 (fls. 459/462), despacho aduaneiro de exportação concluído em 20/01/2005 (fl. 467), e Passe de Saída emitido pela RFB em 24/01/2005 (doc. 02, anexo); e outra em 24/06/2005 (nota fiscal de fl 492), Registro de Exportação de 17/06/2005 (fls. 494/504), com Passe de Saída expedido pela RFB em 30/09/2005 (doc. 03, anexo).” Estaria igualmente extinta pela decadência a penalidade aplicada em face das Declarações de Importação registradas nos anos de 2003, 2004 e 2005, indicadas nas fls. 25 a 39 do "Doc. K" da autuação, fls. 1623/1662. B) Inexistência de ocultação do efetivo comprador estrangeiro As embarcações mencionadas nos REs 05/0039066001 e 05/0908888001 são barcos de luxo destinados a compradores estrangeiros que realizam o pedido e a efetiva compra através de broker. Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.075 5 O comprador estrangeiro final, portanto, não conhece a empresa brasileira produtora do barco. A negociação do preço, o recebimento da encomenda do barco com suas especificações, a contratação e, por conseguinte, as responsabilidades (direitos e obrigações) contratuais, são firmados pela autuada diretamente com o broker que, no caso é a OCEANTECH ENTERPRISES INC. C) Inexistência de ocultação do efetivo Fornecedor estrangeiro Apesar de indicar algumas poucas irregularidades sobre operações aduaneiras de importações específicas, indicadas nas fls. 24/42 do Relatório Final de Procedimento Fiscal, a fiscalização lavrou a pena de perdimento convertida em multa sobre todos negócios aduaneiros da autuada , sem exceção, efetivados com as empresas estrangeiras OCEANTECH ENTERPRISES, ALL OCEANS TRADING, ROZEN INTERNACIONAL, JASFER, e 4NET WORKING, consoante informa o suposto Demonstrativo de Infrações (importações), Doc. K do auto de infração. Pelo "Doc. K" da autuação é possível constatar que, de um total de 819 (oitocentas e dezenove) mercadorias importadas sobre as quais foi cominada a pena de perdimento convertida em multa, no valor total de R$ 9.566.873,12 (nove milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, oitocentos e setenta e três reais e doze centavos), apenas sobre 139 (cento e trinta e nove) foi especificada infração diferente da absurda generalização da autuação de que houve ocultação do real importador, e destas apenas 54 (cinquenta e quatro) foram mencionadas no Relatório Final de Procedimento Fiscal, ficando as outras 85 sem se saber porque a autuação inadvertidamente deduziu tratarse de importação com subfaturamento. D) Inexistência de sub ou superfaturamento das mercadorias importadas indicadas nas fls.24/42 do relatório fiscal. A defesa ressalta que esse tópico é feito apenas por zelo a argumentação, uma vez que a pena de perdimento imposta não teria se dado pelo cometimento das supostas infrações de subfaturamento ou superfaturamento, e sim pela suposta ocultação do real vendedor ou comprador estrangeiro, o que foi devidamente rebatido no tópico anterior da presente impugnação. Neste item a impugnação ainda alega que não foi intimada a apresentar os documentos que comprovam regular importação e examina as irregularidades apontadas pela fiscalização que levaramna a concluir pela falsidade ideológica nos documentos emitidos pelos fornecedores abaixo: a) Fornecedor Estrangeiro OCEANTECH ENTERPRISES (16 DIs) b) Fornecedor Estrangeiro ALL OCEANS TRADING (03 DIs) c) Fornecedor Estrangeiro ROZEN INTERNACIONAL(04 DIs) d) Fornecedor Estrangeiro JASFER (02DIs) e) Fornecedor Estrangeiro 4NET WORKING (06 DIs) I) Outros Fornecedores (02 DIs) Em 13 de março de 2013, a DRJ/FOR julgou parcialmente procedente a impugnação nos seguintes nos seguintes termos: I) PRELIMINARMENTE, por unanimidade de votos: Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.076 6 a) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; b) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; c) DECLARAR A DECADÊNCIA do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 959.514,03; e d) REJEITAR as alegações de cerceamento do direito de defesa: i. na impugnação, com relação à matéria autuada de subfaturamento; ii. na manifestação de inconformidade, após a diligência. II) NO MÉRITO, julgar procedente em parte a impugnação, para: a) por maioria de votos, vencido o relator Charles Pereira Nunes: i. MANTER a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.779.432,71, relativa à parcela da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, em virtude de ocultação do real vendedor das mercadorias e de falsidade ideológica das faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação. Vencido também o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar que não acolheu a tese da autuação com relação as importações que têm as exportadoras declaradas Rozen Internacional e 4Net Networking; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias, afinal não comprovado; b) por unanimidade de votos: i. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Contra a referida decisão foram interpostos recursos de ofício e voluntário, o primeiro por ultrapassar o limite de alçada previsto no artigo 1º, da Portaria MF nº 3, de janeiro de 2008, vigente à época da prolação do acórdão e, o segundo por iniciativa da contribuinte, pleiteando a anulação integral do Auto de Infração com base nos argumentos suscitados nos seguintes tópicos: (i) Decadência do Direito do Fisco de Cominar Multa Pela Conversão da Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.077 7 Pena de Perdimento Art. 139 do DecretoLei 37/1966 e Art. 753 do Decreto 6.759/2009; e (ii) Inexistência de Ocultação do Real Fornecedor Estrangeiro Mercadoria Importada Regularmente através de Empresa Trading Estrangeira Comprovação da Origem, Disponibilidade e Transferência dos Recursos (Contrato de Câmbio) empregados na Operação de Comércio Exterior. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Nos termos do artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haverá recurso de ofício sempre a decisão de primeiro grau exonerar o contribuinte do pagamento de tributos e encargos da multa, em valor superior a R$ 2.500.000,001. No presente caso, o recurso de ofício deve ser conhecido, considerando que o crédito exonerado pela decisão "a quo" é superior ao limite de alçada. Por sua vez, considerando que a Recorrente, intimada em 09.07.2013 (fls.3.046), interpôs recurso voluntário em 08.08.2013 (fls.3.0473.066), dentro do prazo de 30 (trinta) dias, bem como seu recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Feito a admissão dos recursos, convém analisar as questões trazidas à este Conselho para julgamento. II Do Recurso de Ofício Conforme se verifica na decisão recorrida, a DRJ exonerou parte do crédito tributário originariamente lançado, consubstanciado nos motivos devidamente explicitados no acórdão recorrido que, resumidamente dizem respeito a: (i) exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; (ii) exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.078 8 (iii) exoneração, pela decadência, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, valor de R$ 959.514,03; (iv) exoneração, pela ausência de comprovação o crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias; (v) exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; e (vi) exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Neste cenário, passase à análise das questões anteriormente citadas. II.1 exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição A decisão que exonerou o crédito tributário tratado neste tópico merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos, razão pela qual, adoto as razões despendidas pelo i. julgador "a quo" para afastar a aplicação da multa, a saber: As exportações objeto do presente lançamento aconteceram no ano de 2005. No entanto, nesta época a legislação que determinava a conversão da pena de perdimento em multa não indicava a base de cálculo no caso de exportação, pois só se referia a valor aduaneiro, que pelo AVA é conceito aplicado apenas na importação. Esta omissão permaneceu até que a MP nº 497, publicada em 27 de julho de 2010, incluiu o valor constante na nota fiscal ou documento equivalente como base de cálculo na exportação. A MP foi convertida na Lei nº 12.350, de 2010, conforme transcrição abaixo, onde se observa as mudanças ocorridas no § 3º em análise. DL 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.079 9 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Assim por inexistência de base legal para aplicação da multa de conversão à época dos fatos e, tendo em vista o disposto no art. 144 da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o qual estabelece que “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”, considero o lançamento nulo, por vício material, em virtude de erro insanável na aplicação da legislação tributária, devendo, portanto ser excluída a parcela de R$ 7.088.580,00 correspondente ao total do crédito tributário lançado na exportação. II.2 exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional O redator designado para redigir o voto vencedor, afastou a multa por entender que a fiscalização não comprovou efetivamente a participação das empresas American Marine, Inc. e Aluland B.V. nos fatos que repercutiram no lançamento em foco, tendo reconhecido de ofício a irregularidade do trabalho, uma vez que o contribuinte não se insurgiu em relação as operações envolvendo referidas empresas, objeto das DI´s nº 07/13491510 e 06/00751508, senão vejamos: Observase que, apesar de nada trazer a fiscalização em relação à participação das empresas American Marine, Inc. e Aluland B.V. nos fatos que repercutiram no lançamento em foco, os valores correspondentes às DI nº 07/13491510 e 06/00751508 em que essas empresas figuram como exportadoras foram computados para a determinação do crédito tributário, configurando vício material por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Desse modo e não obstante o fato de a empresa autuada também haver silenciado quanto à referida exigência, impende, em homenagem ao princípio da legalidade e tendo em vista o disposto no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.080 10 1999, que seja declarada a nulidade dessa parte do lançamento, de modo a EXONERAR o crédito tributário no valor de R$ 62.250,60. Analisando o relatório fiscal de fls.1095, constatase inexistir, de fato, qualquer menção as referidas empresas, bem como qualquer registro das citadas DI´s, restando, ao meu ver, correta a decisão de piso, que afastou a cobrança da multa calculado sobre as operações tratadas neste tópico. Por outro lado, discordo quando o n. julgador afirma inexistir alegação por parte da Recorrente acerca das operações relacionadas as DI´s anteriormente citadas, posto que no momento em que o contribuinte afirma que todas as operações realizadas através das DI´s objeto de fiscalização não foram derivadas de nenhum ato ilícito, resta contestado, ainda que implicitamente, as operações sob análise, independentemente do contribuinte apontar DI por em sua impugnação. Nestes termos, concordo com a manutenção da decisão que excluiu a multa por ausência de provas do ilícito. II.3 exoneração, pela decadência, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, valor de R$ 959.514,03 Assim de pronunciou a DRJ para aplicar o prazo decadencial ao fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004: Com base na regra do art. 139 do DecretoLei nº 37, de novembro de 19664, reproduzida no art. 753 do Decreto nº 6.759/2009 (RA) a empresa alega decadência contando o prazo decadencial de cinco anos a partir dos registros das Declarações de Importação relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005, conforme indicadas nas fls. 25 a 39 do "Doc. K" da autuação, fls. 20822121. Por sua vez a fiscalização entende, em sua informação de fls. 28972898, que se tratando de operações realizadas ao amparo de Drawback o prazo decadencial iniciase a partir do primeiro dia útil do exercício seguinte ao do trigésimo dia subseqüente ao encerramento do prazo para exportação previsto no ato concessório. Não assiste razão à fiscalização ao querer utilizar o prazo decadencial previsto para drawback nos termos do Regulamento Aduaneiro, pois o lançamento não trata de descumprimento do regime de drawback, sendo este usado na motivação do lançamento apenas como indícios de outras fraudes, ou seja, embora a fiscalização tenha detectado irregularidades relativas a invoices que, segundo ela, visavam desviar a destinação da mercadoria para outra embarcação diferente da amparada pelo regime e seria um dos motivos para a falsificação de invoice, esse tipo de infração relativa ao drawback, repitase, não foi objeto de lançamento do crédito tributário, pois sequer houve exigência dos tributos. Também não merece prosperar a invocação, pelo contribuinte, do art. 139 do CTN e seu correspondente no Regulamento Aduaneiro. O citado art. 139 do DL 37, editado em novembro de 1966, por tratar de matéria especifica conviveu harmoniosamente com o art. 173, I da Lei nº 5.172, de outubro do mesmo ano, e para fins de lançamento do crédito tributário prevaleceu sobre este até a promulgação do Constituição Federal de 1988 pois, apesar da lei ter sido denominada de Código Tributário Nacional CTN pelo AC nº 36/67, somente na Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.081 11 CF/88 ganhou o status de lei complementar6 e a exclusividade para tratar sobre decadência tributária. Neste momento surgiu uma antinomia resolvida instantaneamente no mesmo texto da CF/88 e o citado DL/66 perdeu sua força normativa em relação a essa matéria. Assim, todo crédito tributário decorrente de multa isolada deve se submeter ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). No caso sob exame temos que o lançamento da multa foi aperfeiçoado com a ciência em 15/12/2010. Então, são válidos todos os lançamentos relativos às DIs datadas desde 01/01/2005, devendo ser excluído o crédito tributário decaído no valor de R$ 959.514,03 decorrente das infrações cometidas nos anos de 2003 e 2004, conforme as 3 planilhas do Anexo Único deste acórdão. Com todo respeito ao i. julgador de piso, peço vênia para discordar da aplicação do artigo 173, I, do CTN, ao presente caso, por entender, ao meu sentir, de forma equivocada, tratarse os autos de exigência multa isolada, aquela derivada do não pagamento dos tributos incidências da importação e/ou exportação. Isto porque, as multas aqui discutidas decorrem de infração de natureza administrativoaduaneira e não de infração de caráter tributárioaduaneiro, razão pela qual é inaplicável o disposto no CTN e, por via oposta, aplicável o artigo 139, do DL 37/66 para contagem do prazo decadencial. Nestes termos, entendo, por outro fundamento, que os fatos gerados de 2003 e 2004 foram alcançados pelo instituto da decadência, motivo pelo qual, mantenho a exoneração do crédito admitido pela DRJ. II.4 exoneração, pela ausência de comprovação o crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias Em relação a questão tratada neste tópico, concordo com a decisão piso que afastou a acusação de subfaturamento, para algumas DI´s, pela ausência de motivos e documentos que dessem respaldo ao lançamento fiscal, a saber: A fiscalização acusa a existência de subfaturamento em diversas operações de importação da empresa autuada, tendo, em função disto, refeito a base de cálculo para fins de aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em face da constatação da infração de interposição fraudulenta de terceiros e de ocultação do verdadeiro vendedor, tendo discriminado, no Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo das Mercadorias (Doc. L2, fls. 2.144/2.150), os valores que serviram de base ao lançamento, nesses casos. O subfaturamento de preços na importação, é uma espécie de fraude contra o Erário, cuja configuração, para fins de aplicação de penalidade tributária, requer, primordialmente, a constatação de diferença considerável entre o preço da mercadoria informado na Declaração de Importação e aquele praticado, no mesmo período, em importações de mercadoria idêntica ou similar. Em nenhum dos casos relacionados nos autos, porém, foram colacionados pela autoridade fiscal elementos suficientes a essa constatação. Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.082 12 No caso das DI nº 06/11760864 e 07/09665746, notase que a fiscalização não respeitou o mesmo critério para definir o real valor da mercadoria, pois, enquanto nesta admitiu acréscimo no preço decorrente de demora no pagamento ou por cobrança de armazenagem na fábrica, explicando que o embarque da mercadoria ocorreu mais de um ano depois da data da invoice, naquela partiu para a diferença direta entre os valores, sem considerar a diferença de tempo entre as operações. No caso da DI nº 07/11439588, a acusação de subfaturamento decorreu de suposta diferença de INCOTERMS, mas a comparação foi feita apenas com uma Confirmação de Ordem e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/08576820, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/05832451, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma relação de compras e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/02401611, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/02105869, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/01692744, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma Purchase Order (ordem de compra) e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 06/10292492, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma Marine Generator Order (Ordem de Gerador Marinho) e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso das DI nº 05/02857182 e 05/01261260, adotase o entendimento exposto no voto vencido: Na análise da matéria verificase a necessidade de provas mais robustas para rejeitar o valor do frete, assim devese aceitar o valor aduaneiro declarado para excluir da planilha L2 a parcela correspondente à diferença entre este e o valor efetivo lançado. No caso da DI nº 07/14377826, adotase o entendimento exposto no voto vencido, resumido no seguinte parágrafo: Aqui as alegações da impugnante quanto ao subfaturamento são amparadas pela deficiência da autuação que não trouxe aos autos prova suficiente uma vez que os documentos apresentados não vinculam a mercadoria à presente DI. Assim, tendo em vista esta nova negociação iniciada em julho, é possível que se trate realmente de outra DI. No caso da DI nº 07/12946661, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com Purchase Order (ordem de compra) e com Order Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.083 13 Acknowledgement (Reconhecimento de Ordem) e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/12905175, sequer foram coletados documentos indiciários especificamente relacionados com a DI, tendo a acusação de subfaturamento decorrido da similaridade material e temporal com a operação acima citada (DI nº 07/12946661). No caso da DI nº 06/03601981, adotase o entendimento exposto no voto vencido, resumido nos seguintes parágrafos: Examinandose os documentos citados não é possível identificar o chamado sistema de cabos eletrônicos belden rg8 10sul. Efetivamente observase no documento EMBMB60310 de fl.1211 que ele aparece como mero cabo isolado, já no packing list EMBAA6013006 de fls. 197 ele aparece como sistema, mas constituído por apenas 1 rolo, o que não condiz com a diversidade de cabos do MB6310, e finalmente, na invoice desaparece a palavra rolo mas permanece o mesmo peso. Assim, aqui também há insuficiência das provas juntadas pela fiscalização para ajustar o valor aduaneiro declarado Também no caso da DI nº 07/07221069 adotasse o mesmo entendimento expendido no voto vencido: De acordo com a fiscalização o turco hidráulico (guindaste) importado diretamente do fabricante OPACMARE, ao amparo do regime de drawback AC n° 20060002077 (casco 563) foi declarado pelo valor subfaturado (FOB) de US$ 32.047,67. Da Fattura n° 1527 e da Confirmação de Ordem n° 2024_06.std da OPACMARE dirigidas à OCEANTECH consta para o equipamento acima mencionado o valor (FOBItália) de 31.180,00 euros, que corresponde a US$ 42.055,58, na data do registro da DI. (fls.1401/1404). A impugnação alega que a citada "Confirmação de Ordem" não foi aceita pela trading indicada, porquanto não foi assinada consoante se depreende da fl. 1149/verso [fl. 1406 do eprocesso]. Tal fato teria ocorrido porque a autuada negociou a compra diretamente com o fabricante com preço menor. No Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo na planilha L2 verificase que a quase totalidade da diferença de preço se explica pela simples conversão do incoterm exworks para CPT, onde se incluiu o frete aéreo num valor muito elevado, US$ 10.718.66, reduzindo assim o preço FOB ou Exworks inicialmente negociado. A argumentação da autuada é consistente, pois as condições da venda foram alteradas, vindo a mercadoria para o Brasil ao invés de Miami, e nesse sentido a fiscalização não trouxe outro elemento que desqualifique o incoterm declarado (CPT) ou o preço efetivamente pago ou a pagar. Portanto, sendo a Opcamare o real vendedor e tratandose de uma importação direta, julgo serem as provas apresentadas pela fiscalização insuficientes para comprovar subvaloração ou falsidade da invoice. Fica assim demonstrado que, especificamente em relação à acusação de subfaturamento, a fiscalização terá incorrido em falta de motivo ou em insuficiência probatória quanto ao lançamento das diferenças apontadas nos preços das Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.084 14 mercadorias que refletiram no ajuste do crédito tributário, conforme apurado no Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo de Mercadorias (Doc. L2, fls. 21442150), motivo pelo qual voto pela procedência das alegações trazidas na impugnação, para EXONERAR o crédito tributário correspondente a essas diferenças, no valor de R$ 705.931,92. Irretocável, no entendimento deste relator, a decisão de piso concernente a exclusão da multa em comento. II.5 exoneração, da parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte Aqui, peço licença, uma vez mais, para adotar, por total concordância, a decisão de piso que exonerou o contribuinte da multa aplicada na DI nº 07/15375991, posto que os fatos narrados no relatório fiscal não demonstram nenhuma irregularidade passível de punição, a saber (trecho extraído do voto vencedor): No caso da DI nº 07/15375991, não ficou demonstrada pela fiscalização a subsunção dos fatos à hipótese legal de aplicação da multa resultante da conversão da pena de perdimento, como bem esclareceu o relator do voto vencido, cujo teor aqui se adota: A fiscalização informa que ao amparo da adição 002 dessa DI foram importadas barras triclad de aço alumínio da empresa Merren La Porte com financiamento do fornecedor para pagamento em até 180 dias. Aduz ainda que: Ocorre que uma via das invoices n° 971382 e 971383 da Merrem dirigidas OCEANTECH e informando pagamento adiantado / prepayemente foram encaminhadas em 27/09/2007 por mensagem eletrônica de Jackie Ferreira para Gergory do setor de importações dos estaleiros INACE com o seguinte texto; "Seguem as faturas do embarque antes das correções necessárias". Em outras mensagens eletrônicas entre Jackie Ferreira e o setor de importação dos estaleiros INACE de 24/09 a 28/09/2007 nas quais são mencionadas correções efetuadas nessas faturas, dentre as quais exclusão do nome OCEANTECH e que essas mercadorias já tinham sido pagas pela OCEANTECH, portanto, na invoice teria que constar pagamento 90 dias do BL, que teria que ser fechado o contrato de câmbio coma Merrem La Porte e esse valor devolvido para a OCEANTECH". Portanto, comprovada a falsidade ideológica da invoices n° 971382 e 971383 da Merren La Porte, pois as mercadorias apesar de já pagas, dessas constou que os pagamentos somente ocorreriam a partir de noventa dias do embarque e a utilização de recursos em nome da OCEANTECH pelos estaleiros INACE para a realização desses pagamentos. [os negritos não são originais] A impugnante alega que: A autoridade fiscal fez conclusão errada acerca dos fatos e documentos mencionados no relatório fiscal. Ocorre que a mercadoria importada pela autuada com base na DI em comento foi adquirida diretamente do fabricante (Merren La Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.085 15 Porte) para pagamento no prazo indicado nas invoices 971382 e 971383 e na DI, que era 90 dias do embarque (BL). E de fato a mercadoria foi paga diretamente ao fornecedor estrangeiro (Merren La Porte), no prazo de 90 dias do embarque (BL), nos termos do contrato de câmbio anexo (doc. 05). Na análise da matéria (fls. 11091114 e 14011404) verificase que não se trata de ocultação do real vendedor. Por outro lado, sendo a exportadora pessoa autônoma e verdadeiramente comerciante nada obsta que ela negocie dando o prazo para pagamento que lhe convenha. O fato da compra ser paga em duplicidade pelo grupo Inace não torna a DI falsa, pois tratase de mero equívoco sem efeitos tributário ou cambial, e tampouco faz parte de uma estratégia para manter o fluxo de caixa do grupo. Impugnação, portanto, procedente, neste quesito, devendo o crédito tributário respectivo, no valor de R$ 59.743,86, ser exonerado. II.6 exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. A multa exonerada neste tópico, foi aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativa a DI nº 06/11760864, por entender a fiscalização que houve descrição incorreta quanto ao correto nome do fabricante das mercadorias (vide fls.08). As fls.06 do processo, constatase que a fiscalização aplicou para mesma DI multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por entender que as importações assinaladas no Demonstrativos de Infrações (doc.k) foram descritas incorreta ou incompletamente. Ou seja, foram aplicadas multas distintas para o mesmo fato declarado ilícito. Nestes termos, por entender inaplicável a cumulação das referidas multas, concordo com o entendimento da DRJ que exonerou a multa de R$ 1.000,00, nos seguintes termos: Descrição incorreta Quanto ao erro de nome dos fabricantes das bombas nas adições 007 e 008 da DI 06/11760864, o que aconteceu foi a substituição indevida dos fabricantes MP PUMP e GRUNDFOS PUMPS CORP pelo nome do real vendedor/exportador DEPCO PUMP COMPANY, configurando erro sujeito a aplicação da multa de R$ 500,00 por adição. No entanto, considerase que a penalidade de falsidade da invoice/ocultação do real fornecedor absorve esta penalidade devendo assim ser excluída da autuação. III Do Recurso Voluntário III.1 Decadência do Direito do Fisco de Cominar Multa Pela Conversão da Pena de Perdimento Art. 139 do DecretoLei 37/1966 e Art. 753 do Decreto 6.759/2009 A Recorrente se insurge contra decisão recorrida que aplicou o artigo 173, inciso I, do CTN, ao invés do regramento previsto no artigo 139, do DecretoLei 37/66. Afirma Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.086 16 que, considerada a contagem de prazo prevista neste último normativo legal, a decadência atingiria os fatos gerados ocorridos entre 01/01/2005 e 15/12/2005, considerando que a intimação do Auto de Infração foi efetivada em 15.12.2010. Já manifestei em tópico anterior, que a contagem de prazo para o presente caso deve ser aquela prevista no artigo 139, do DecretoLei 37/66. Isto porque, o presente Auto de Infração não tem natureza tributária, tratandose, tão e somente de aplicação de multa em razão da comercialização de produtos de origem estrangeira introduzidos irregularmente no país. Deste modo, as normas que tratam do instituto da decadência, previstas no artigos 150, §4º, e 173, I, ambos do Código Tributário Nacional não se aplicam ao caso em comento, mas sim a disposições previstas nas legislações aduaneiras. Neste ponto, tanto o artigo 139 do Decreto nº 37/662 quanto o artigo 753, do Decreto nº 6.759/20093 preceituam, que na hipótese de imposição de penalidades, o prazo para a constituição desta sanção é de 05 (cinco) anos contados da data da infração, sendo que no presente caso, a data da infração, é o registro das DI´s. Portanto, considerando que a Recorrente foi intimada em 15.12.2010, entendo que a multa aplicada/calculada nas DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005 estão decaídas, devendo, assim, serem excluídas do lançamento fiscal. III.2 Inexistência de Ocultação do Real Fornecedor Estrangeiro Mercadoria Importada Regularmente através de Empresa Trading Estrangeira Comprovação da Origem, Disponibilidade e Transferência dos Recursos (Contrato de Câmbio) empregados na Operação de Comércio Exterior. A Recorrente reproduziu em seu recurso as alegações suscitadas em sua impugnação, apresentadas sinteticamente no relatório desta decisão. Analisando os autos, não vejo como acolher o pleito realizado pelo contribuinte em relação a inexistência de irregularidades apuradas e demonstradas nas operações sob análise. Isto porque, como bem delimitou o julgador e o redator da decisão de piso. restou demonstrado que houve ocultação do real vendedor das mercadorias e falsidade ideológica nas faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação, sendo que as alegações da Recorrente não se prestaram para o fim pretendido. Desta forma, por concordar com a decisão de piso, adoto suas razões, para afastar o pleito da Recorrente, a saber: Do modus operandi do Grupo Inace Conforme explicitado pela fiscalização e corroborado pela documentação aduzida aos autos, a empresa autuada constitui, juntamente com a empresa Inace Iates Ltda. o que se pode denominar, informalmente, de Grupo Inace, dada a convergência de interesses e o compartilhamento de pessoas, instalações e operações de comércio exterior, sob a administração da família Bezerra (Elisa Gradhvol Bezerra, Antônio Gil F. Bezerra, Robert Gil Bezerra e Flávia M. Barros Bezerra). Para atingir seus objetivos, revelam os autos, o Grupo Inace fez diversas operações de comércio exterior, primeiro, entre os anos de 1997 e 2002, com as 2 Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. 3 Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139). Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.087 17 empresas Basic One, Corp., Multisea, Inc., S & S Seafood, Inc., depois, a partir de 2004, com as empresas Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc. e All Oceans Trading, LLC do Grupo naquele país), tendo todas elas como sócio o Sr. Sérgio Sales Ferreira, também citado nos autos como Sérgio Cabral. A figura abaixo, trazida pela fiscalização, ilustra as vinculações societárias e demonstra o âmbito de influência do Grupo Inace. É também citada nos autos a empresa Inace USA, LLC, mas, não há registros de operações em seu nome, tratandose, ao que parece, de uma espécie de escritório central ou broker (agente de compras e vendas) do Grupo Inace nos Estados Unidos, configurando, todavia, peça importante para a operacionalização do esquema naquele país. Documentos acostados aos autos pela fiscalização indicam que o Grupo Inace fazia uso também, em algumas operações, de terceiras empresas, que eram remuneradas para fazer as vezes de exportadoras, assumindo o lugar dos verdadeiros vendedores das mercadorias. Observase, pelo relato fiscal e pela documentação acostada aos presentes autos, que as operações de comércio exterior das empresas do Grupo Inace eram antecedidas de negociações, travadas diretamente entre a empresa autuada e o real vendedor das mercadorias, havendo casos de cotações paralelas feitas pelas empresas ditas de trading. Depois do processo de aquisição das mercadorias, nos Estados Unidos ou em outros países, o fornecedor/vendedor as encaminhava para as empresas norte Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.088 18 americanas vinculadas ao Grupo Inace ou para as terceiras empresas que aderiram ao esquema fraudulento, também sediadas naquele país sempre com a intermediação das empresas norteamericanas, onde eram armazenadas, consolidadas e refaturadas (“revendidas”) para fins de exportação para a empresa autuada, de acordo com instruções oriundas do Grupo Inace. Apesar de a empresa autuada afirmar em sua impugnação que essa prática é lícita e comum no comércio internacional atual e que tinha por objetivo tornar as operações seguras, descomplicadas e de baixo custo, a legislação brasileira não permite a substituição do real vendedor da mercadoria por terceiros quaisquer na documentação de instrução das respectivas declarações de importação, tipificando tal conduta como simulação, e o documento assim produzido é considerado como ideologicamente falsificado, situação que sujeita o infrator à pena de perdimento da mercadoria ou, no caso de impossibilidade de sua aplicação, em face do consumo ou da não localização da mercadoria, à pena de multa equivalente ao valor aduaneiro desta. Oportuno reproduzir, aqui, em virtude de explicitar com ímpar clareza, toda a logística empregada pela empresa autuada com a coadjuvação das empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4Net Networking, o seguinte trecho do voto vencido: Compulsando os autos se verá que a logística ocorria na seguinte seqüência: 1. criação em Miami de empresa vinculada aos estaleiros Inace (trading/broker) para vender os barcos e receber o pagamento correspondente, cujos recursos permaneciam em sua conta no exterior; 1.1. com parte desses recursos a empresa americana comprava produtos nos EUA, ou no resto do mundo, e os exportava para os estaleiros Inace, custeando ainda todos os outros custos da empresa no estrangeiro, tais como despesas com pessoal, transporte e armazenagem da mercadoria em Miami, transporte para o Brasil, seguro, outros contratos com terceiros etc; 1.2. A outra parte dos recursos era repassa aos estaleiros Inace no momento da compra da barco. 1.3. o fato da trading tanto importar barcos como exportar outros produtos dos/para os estaleiros Inace, permitia um fluxo financeiro bidirecional, regulando oficialmente o saldo de caixa em Miami através de liquidação de contrato de câmbio a qualquer momento dentro do prazo de negociação ou mesmo com antecipações de pagamentos. 2. na importação a cronologia era documentada da seguinte forma: 2.1. cotação do preço da mercadoria efetuada pela empresa americana ou pelos estaleiros Inace, podendo ocorrer de ambos cotarem simultaneamente. 2.2. após a negociação para determinar o preço final cotado, às vezes o fornecedor emitia um documento formal de cotação outras vezes os email já eram suficientes; 2.3. na maioria das vezes os Estaleiros Inace faziam a negociação para determinarem o preço, mas podia acontecer do preço ser definido somente entre a trading e o fornecedor, no entanto, a negociação só continuava depois que os estaleiros Inace concordasse com o preço e emitisse para a trading o documento chamado CONF significando uma confirmação ou ordem de compra e ao mesmo Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.089 19 tempo uma autorização para a trading pagar a mercadoria, que segundo a própria autuada caracterizase como uma Ordem de Pagamento (fl. 2172) 2.4. de posse da CONF a trading emitia para o fornecedor uma OP (Ordem Purchaser) fazendo o pedido, que seria respondido/confirmado pelo fornecedor com a emissão de uma Order ou proform invoice. Às vezes esse era um momento crítico devido a existência de vários atores no lado do comprador (Estaleiros Inace, InaceUsa, Oceantech, All Oceans etc.) onde a OP era emitida por uma empresa, o pagamento feito por outra e a mercadoria destinada a uma terceira, então o fornecedor poderia ficar sem saber para quem emitir a proforma invoice. 2.5. concluído o negócio, normalmente com pagamento antecipado ou à vista pela trading/Inace USA, esta recebia a mercadoria no estabelecimento do fornecedor ou em Miami e ali a armazenava para aguardar o momento oportuno de exportála para o Brasil. 2.6. definido o momento certo do embarque, era preparada a lista correspondente e enviada aos estaleiros Inace para preparo do draft da invoice do jeito que estes quisessem. Observese que o draft era a própria fatura proforma, cujo modelo em branco já ficava com a autuada para preenchêlo como se fosse a própria trading, e esta quando a recebia emitia oficialmente a invoice definitiva sem questionar os termos do draft/proforma. 2.7. todo esse processo desde o começo da negociação até o registro da DI eventualmente poderia demorar meses. Observação: no caso das empresas Rozen e 4Networking, verseá que a aquisição da mercadoria do fornecedor/real vendedor manteve a mesma forma acima, ou seja, a mercadoria continuava sendo negociada com os fornecedores diretamente pelo grupo Inace, e estas duas empresas não participavam da negociação comercial. Por isso elas jamais poderiam emitir fatura comercial, mas apenas fatura de simples prestação de serviço onde sequer poderia constar comissão comercial, pois também não atuavam, no caso sob exame, como agentes de compra ou de venda. O que de fato aconteceu, se verá, foi mera cessão de nome por estas duas empresas para simular uma operação de compra e venda e assim ocultar o real vendedor. Da subordinação administrativa, financeira e operacional das empresas americanas de trading A empresa autuada alega que o Sr. Sérgio Sales Ferreira é pessoa estranha ao seu quadro social e à sua administração e que manteve relação estritamente comercial com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4net Networking, as quais, segundo afirma (fls. 2.164), são empresas de trading: As empresas indicadas pela fiscalização como sendo interpostas exportadoras estrangeiras (OCEANTECH ENTERPRISES, ALL OCEANS TRADING, ROZEN INTERNACIONAL, JASFER, e 4NET WORKING), são todas, na verdade, empresas de trading que prestam serviços à autuada, com o escopo único de minimizar custos de importação. No esquema descortinado pela fiscalização, no entanto, verificase que as empresas Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc. e All Oceans Trading, LLC, eram desprovidas de autonomia e leais aos interesses da empresa autuada, circunstância decorrente do fato de terem elas como sócio comum o Sr. Sérgio Sales Ferreira, Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.090 20 pessoa inequivocamente ligada ao Grupo, como restará demonstrado neste voto vencedor. As várias mensagens e os roteiros de procedimentos acostados aos autos evidenciam que o Sr. Sérgio Sales Ferreira, na qualidade de sócio efetivo e administrador aparente das ditas empresas de trading sediadas nos Estados Unidos, tem sido o principal interlocutor entre elas e a empresa autuada (que, juntamente com a empresa Inace Iates Ltda., integra o Grupo Inace, no Brasil), porém, em nível de subalternidade, ou seja, recebendo e cumprindo as instruções emanadas dessa empresa que, inequivocamente, possuía ampla ascendência administrativa, financeira e operacional, pelo menos, em relação à logística descrita pela fiscalização e confirmada pela impugnante, que a esse propósito assim se manifestou em sua impugnação (fls. 2.163): Impende destacar que a sistemática das importações da autuada são efetivadas, na sua maioria, através de empresas estrangeiras constituídas com o objetivo social de prestar serviços de trading. A autuada utiliza serviços dessas empresas estrangeiras de trading com o fim de realizar operações de comércio internacional seguras, descomplicadas e de baixo custo, porquanto essas empresas praticam o despacho aduaneiro nos órgãos internacionais, prestam assessoria na logística internacional, buscam e negociam com fornecedores internacionais, dão garantia dos produtos estrangeiros importados e exportados por sua conta e risco, contratam agente de transporte internacional, consolidam mercadorias para importação etc. É exemplo contundente dessa subordinação a mensagem, abaixo transcrita ipsis litteris, em que o Sr. Robert Gil Bezerra, do Grupo Inace, repreende o Sr. Sérgio Ferreira e cobra providências da empresa por ele administrada, a Oceantech: Sergio, Estamos precisando de atualizações em nosso relatório. Estive identificando que vários embarques foram relacionados a CONF's, mas os embarques já chegaram e as CONF's não. Temos que ter respostas atualizadas, nosso produção precisa disso. Quero realmente saber, porque não conseguimos uma resposta atualizada. Se vocês precisão de um tempo para se organizar, daremos esse tempo, mas tenho que saber de quanto tempo precisa, não posso é ficar sem respostas corretas é seguras. As respostas que tenho hoje em nosso relatórios de acompanhamento de pendências, estão desatualizadas ou incorretas. É muito importante você saber que o procedimento quem faz somos nos(INACE). Temos que dar credibilidade na informação, acabar com o atravessadores, que acontece diariamente, com isso as informações ficam no ar. Com o relatório bem trabalhado ninguém iria lhe importunar, então você teria maior rendimento em sua produção interna. Espero que entenda, que estou cobrando para o bem de todos. Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.091 21 Atenciosamente ROBERT GIL BEZERRA INACE Original Message From: Robert Gil To: SJCABRAL@aol.com Cc: elisa@inace.com.br ; flavia@inace,corn.br ; elise©inace,com.br ; GIL Sent: Monday, May 14, 2007 10:53 AM Subject: REUNiA0 DO DIA 3 de MAIO Fortaleza, 14 de Maio de 2007 À Oceantech Caro Sergio, Estamos com sérios problemas, precisamos nos concentrar em nossas compras Internacionais. Ficou combinado um procedimento a ser seguido na reunião que vocês(você, Tiago e Clodoaldo) fizeram dia 3 de maio. Tenho que dar respostas a produção que é a primeira a ser penalizada, no final todos somos penalizados, por mais que o pedido saia em cima da hora, pedido atrasado ou qualquer outra desculpa, precisamos correr atraz do prejuízo, mas não é isso que esta acontecendo, segundo o relatório alimentado por vocês (Oceantech) e o Clodoaldo (Inace). Ficamos com cotações aguardando resposta por mais de 50 dias, isso é inconcebível, depois de confirmado, a resposta é lenta, o embarque é feito de qualquer forma, não podemos continuar assim. Precisamos acompanhar a solicitação da produção, o prazo de entrega vai sempre proposto no pedido, sei que as vezes o prazo é muito em cima, mas precisamos da uma resposta de volta, dizendo quanto tempo vamos precisar para colocar em Fortaleza, para que eles possam se organizar encima daquela informação. Vocês tem hoje 4 pessoas, para atender 300 pedidos ano, sei que uma é financeiro, outro é embarque e os outros dois são compras. O que eles estão fazendo? Preciso de uma atitude enérgica URGENTE. Obrigado pela atenção. Robert Gil Bezerra Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.092 22 SUPRIMENTOS Demonstram os autos que, mais do que empresas de trading, as empresas Basic One, Corp., Multisea, Inc., S & S Seafood, Inc., Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc., All Oceans Trading, LLC e Inace USA, LLC, constituídas, ao que parece, regularmente nos Estados Unidos, atuaram nas operações de comércio exterior objeto da ação fiscal que resultou no presente lançamento, na verdade, como verdadeiras offshore companies21, ou seja, como postos avançados das empresas do Grupo Inace no exterior, pensadas para agirem longe do alcance da legislação brasileira, sob as instruções e a conveniência da empresa autuada e da Inace Iates Ltda. Como elementos de prova dessa relação de subordinação entre a empresa autuada e as suas offshore, a fiscalização trouxe aos autos as planilhas de custos das embarcações de cascos nº 550, 560, 562, 563, 564, 555, 559, 561, 567, 568 e 577 (fls. 1.151/1.168), em que constam colunas com despesas intituladas “Custo Escritório Miami+Outros” ou “Custo Miami”, indicativas da apropriação, no custo das embarcações, de despesas administrativas do Grupo Inace com as empresas de Miami, EUA. Em algumas dessas planilhas (fls. 1.153/1.156 e 1.161), observase que são registrados, como custos de mão de obra mensal relativas às embarcações de cascos 560, 563 e 564, os salários devidos ou pagos pelas empresas do Grupo Inace no Brasil a diversas pessoas, entre elas, Sérgio Ferreira, Roberto Ferreira e Thiago, que figuram nos autos como operadores das empresas baseadas nos Estados Unidos. As informações dessas planilhas são corroboradas pelos documentos de fls. 1.092/1.106, relativos a operações com o PineBank e o Regions Bank, as quais registram, entre outros gastos nos anos de 2005 e 2006, os pagamentos feitos aos funcionários Thiago A Thomaz, Leda Romer Ferreira, Roberto C. Ferreira, Antonio Silva e Clodoaldo Rodrigues, demonstrando que as empresas de Miami, EUA, não passavam de escritórios ou departamentos informais da empresa autuada. Duas situações descritas pela fiscalização retratam bem o status de subordinação entre as empresas do Grupo Inace e o principal gestor das empresas de trading, o Sr. Sérgio Sales Ferreira: a primeira é o fato de a empresa autuada manter sob sua guarda documento de interesse pessoal do Sr. Sérgio Sales Ferreira (fls. 756), no qual a empresa Favo Empreendimentos informa, para fins de declaração do Imposto de Renda, pagamentos por ele efetuados no ano de 2008, no total de R$ 16.243,55, referente a aquisição de um imóvel no Brasil (apartamento 901 do Jardim Atlântida, Ed. Triton); a segunda, trata do tratamento diferenciado dado ao dito senhor no documento de fls. 2.780, encontrado na secretaria da sede dos estaleiros Inace, no qual são reservadas passagens aéreas nos trechos Fortaleza/Paris/Fortaleza, cabendo ao Sr. Antonio Gil Bezerra, sócio da empresa autuada, o voo na classe executiva, enquanto ao Sr. Sérgio, sócio das empresas ditas de trading, é reservado voo na classe econômica. Já no documento de fls. 2.227 é ordenada a emissão de fatura comercial da empresa All Oceans para a Indústria Naval, em conformidade com fatura pro forma do real fornecedor das mercadorias, demonstrando que as empresas estabelecidas no exterior não possuíam autonomia operacional. A ingerência do Grupo Inace sobre essas empresas era tamanha que até a forma de pagamento das compras por elas realizadas ao real fornecedor das mercadorias no exterior era determinada pelo Grupo, conforme fica claro na seguinte mensagem: Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.093 23 From: "Gabriela" <gabriela.compras@inace.com.br > To: "Thiago" <tt@inaceusa.com >, <tt jnaceusa@hotmail.com >, "Sergio Cabral AOL'" <sjcabral@aol.com > CC: "Robert" <robert@inace.com.br > Subject: Amortecedor e Dobradiça Razeto e Casareto Sent: Mon, 26 Jan 2009 10:42:08 0300 Thiago/Sérgio, Conforme decisão do Robert, o pedido que segue em anexo deverá ser pago com cartão de crédito pela All Oceans. Segue em anexo o pedido feito no sistema e a Pro Forma do fornecedor. No aguardo de seus comentários. Att. OBS: ROBERT FAVOR CONFIRMAR ESTAS INFORMAÇÕES JUNTO AO THIAGO. Gabriela Belém Purchase Department/Depto de Compras Inace Shipyard Indústria Naval do Ceara S.A. A mensagem abaixo (fls. 1.107), pela qual o setor de custos do Grupo Inace requisita informações ao denominado Escritório de Miami, na pessoa de Sérgio Sales Ferreira, demonstra que o Grupo Inace também exercia o total controle financeiro e contábil das operações das empresas de trading: From: custos@inace.com.br To: robert@inace.com.br Subject: Documento para ser enviado pra Sergio.(Robert desconsiderar o e mail enviado anteriormente) Sent: Tue, 12 Dec 2006 14:40:29 0300 (GMT03:00) FortalezaCE, 12 de dezembro de 2006. De: Setor de Custos Para: Escritório de Miami Prezado Sérgio, Solicito o envio de cópias legíveis de documentos, conforme desc abaixo: 1. Extratos bancários do PineBank e Regions Bank, segundo do arquivo em anexo (solicitação para Sérgio Ver Planilha 1); 2. Registros do programa Quick Books, segundo solicitação anexo (solicitação para Sérgio Ver Planilha 2); Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.094 24 3. Extratos dos cartões de credito, segundo solicitação d (solicitação para Sérgio Ver Planilha 3); 4. Reenvio de cópias legíveis dos cheques(arquivo em anex modelo ilegível), referentes a conta 83 1054 7966, seguindo o modelo do arquivo em ano modelo de cópia legível). Agradecimentos, A correspondência de fls. 790, oriunda de cliente do Grupo Inace, denuncia o fluxo de financiamento das importações, no qual as empresas de trading figuram como meras intermediárias dos pagamentos aos fornecedores das mercadorias importadas pela empresa autuada. Diversos documentos juntados pela fiscalização mostram que as pessoas alocadas nas empresas offshore do Grupo Inace transitavam entre essas empresas conforme as conveniências do Grupo, sendo comum entre elas o uso do email corporativo terminado em @inaceusa.com, como é o caso de Sérgio Sales Ferreira (sergio@inaceusa.com), Christian Muzzio (muzzio@inaceusa.com), Thiago A. Thomaz (tt@inaceusa.com), Jacqueline Ferreira (jackie@inaceusa.com) e de Leda Romer Ferreira (leda@inaceusa.com), indicativo da subordinação a que estavam submetidos. O documento de fls. 2.215 expressa a logística fraudulenta empregada pela empresa autuada, na qual as empresas americanas vinculadas ao Grupo Inace fazem as vezes de exportadores, em lugar dos verdadeiros fornecedores das mercadorias importadas pela empresa autuada, simulando operação diferente da realmente ocorrida: Conforme conversado, toda mercadoria com aquisição nos Estados Unidos e transporte via embarque marítimo será destinada, primeiramente, ao escritório da All Oceans, Doral, FL. A documentação original de cada mercadoria deverá seguir diretamente do fornecedor para a Indústria Naval. No documento de fls. 2.218, a mesma logística é explicitada. Neste caso, a mensagem indica que haveria a substituição documental do real fornecedor (Kohler) das mercadorias (geradores) por empresa americana vinculada ao Grupo Inace: Outra coisa, vo deixar aqui na mesa uma PF da Kohler p Robert assinar. Depois que ele assinar vo entrega p tesouraria. O procedimento de sempre. Pode explicar p Robert que é referente aos geradores que já estão prontos e vão ser enviados para Inace Usa para o Sergio embarcar, e o pagamento é contra apresentação, ou seja, na entrega. Também confirma a sistemática do Grupo Inace o Relatório de Ordens Gerado pelo Datasul, que relaciona “planilhas referente a relatórios gerados pelo sistema DATA SUL com todos os materiais que se encontram em "ordens" e estão pendentes de preços para que seja feito os devidos "pedidos" em nome da ALL OCEANS, para controle e referência de todos”. Ou seja: todas essas operações seriam dissimuladas. Conforme os documentos de fls. 2.219, a empresa Oceantech Enterprises, Inc. seria a destinatária no território americano de bens adquiridos do real fornecedor por conta e ordem das empresas do Grupo Inace no Brasil, os quais depois seguiriam dessa empresa para o Brasil, com ocultação do real fornecedor. Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.095 25 A mensagem de fls. 2.226, referenciada às fls. 19, confirma a logística da empresa autuada nas operações de comércio exterior: > Prezada D Elisa, aqui vão os dados dos eletrônicos comprados na Simrad. Agora > resta ao Sergio despachar para o Brasil. > Abraço Janot Pela mensagem de fls. 810 fica claro que as verdadeiras operações de comércio exterior eram realizadas entre as empresas do Grupo Inace e o fornecedor das mercadorias, sendo que as empresas estrangeiras vinculadas ao Grupo serviam como armazenadoras e consolidadoras de mercadorias, remetendoas em seu próprio nome ao Brasil conforme as conveniências do Grupo, interpondose fraudulentamente entre o verdadeiro fornecedor e o adquirente das mercadorias: Sergio, Devido ao grande número de compras realizadas e por conta da demora do DECEX em deferir os drawbacks, ficou acordado que as compras que a INACE BR fizer e precisar estocar para esperar o aval do Aécio para embarque serão armazenadas no armazém da All Oceans. Quando fizermos a compra, iremos solicitar ao fabricante que deixe no armazém e comunicaremos tudo a você com detalhes para que esse material fique separado. Quando o Aécio liberar o embarque, a CTI irá buscar tudo e embarcar normalmente. Favor atentar bem para esse fato para não haver problemas futuros. Att, Manuela Sales Purchase Department/Departamento de Compras Inace Shipyard Indústria Naval do Ceará S.A Brazil www.inace.com.br Restou, assim, evidenciado pela fiscalização que as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Jasfer e S & S Seafood, gerenciadas pelo Sr. Sérgio Sales Ferreira, cumpriam as instruções do Grupo Inace no Brasil e emitiam as faturas comerciais conforme os dados repassados pelas empresas desse Grupo, entre elas, a empresa autuada. Isso é evidenciado no documento de fls. 1.138 (“Procedimento para controle de importação de materiais (IATES)”), onde se lê: 2 A confecção das Invoices e Packing Lists deverá ser de responsabilidade de: 2.1 All Oceans: Sergio Cabral 2.2 lnace: Dep. Compras internacionais. Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.096 26 Pelo que se vê, era a ação dessas pessoas estruturada em conformidade com os interesses do Grupo Inace, que permitia, em última análise, o alcance dos objetivos declarados pela empresa autuada segurança, descomplicação e redução de custos , ainda que em detrimento do Erário. Da procedência do lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading e Jasfer A fiscalização tem razão ao acusar a empresa autuada de se utilizar das empresas norteamericanas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Jasfer e S & S Seafood para ocultar o real vendedor das mercadorias por ela importadas e manipular preços e condições de pagamento, mediante o uso de faturas ideologicamente falsas na instrução das Declarações de Importação que apresentou até 31 de dezembro de 2007, relacionadas no “Anexo K” deste processo. Observase que a impugnante não nega os fatos descritos no auto de infração, mas, se defende da acusação fiscal de interposição fraudulenta de terceiros, mediante simulação, com ocultação do verdadeiro vendedor das mercadorias por ela importadas, alegando que “as empresas indicadas pela fiscalização como sendo interpostas exportadoras estrangeiras (Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4Ne Working), são todas, na verdade, empresas de trading que prestam serviços à autuada, com o escopo único de minimizar custos de importação”. Fossem meras agentes de compra e venda, o fato de terem operado em seu próprio nome não as transformaria em vendedoras das mercadorias, desde que registrassem nas faturas que estavam agindo por conta e ordem da empresa autuada, mas, não foi o que aconteceu nas operações objeto do lançamento, nas quais as ditas empresas figuram como vendedoras das mercadorias e não como prestadoras de serviços, situação que a própria autuada admite em sua impugnação, quando afirma, às fls. 2.165, que “em várias operações de importação a trading fica encarregada de efetuar a compra ao fornecedor estrangeiro e revender para a autuada, incluindo no preço de venda à autuada os seus custos e seu lucro.” Tudo isso, porém, foi feito mediante a interposição fraudulenta de terceiros, visto que as referidas empresas “de trading”, que eram estruturalmente subordinadas aos interesses do Grupo Inace, adquiriam dos reais vendedores, ainda em território americano, as mercadorias cuja aquisição havia sido negociada pela empresa autuada, e “refaturavam” essas mercadorias, mediante emissão de faturas comerciais para fins de exportação, as quais eram elaboradas em conformidade com as instruções determinadas pelo Grupo Inace, de modo que os preços, as quantidades e a descrição das mercadorias eram manipuladas, conforme insinuou a fiscalização e confirmou a própria empresa autuada, para que se ajustassem às condições do regime de drawback suspensão que beneficiava a quase totalidade das importações da empresa autuada, como ela mesma afirma em sua impugnação (fls. 2.165): No caso da autuada, que é beneficiária de drawback para quase todas as suas importações, o serviço de trading ganha maior relevância porque inclui a adequação dos procedimentos do exportador estrangeiro As exigências da Alfândega brasileira, ou seja, a adequação da invoice às normas brasileiras, com a descrição correta da mercadoria, indicação do produtor, dentre outras. Com efeito, a logística praticada pela empresa autuada através de empresas que lhe deviam subordinação administrativa, operacional e financeira, favorecialhe Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.097 27 o controle absoluto das operações, nos polos exportador e importador, e lhe propiciava “operações de comércio internacional seguras, descomplicadas e de baixo custo”, tudo, como já foi dito, em detrimento do Erário. As operações de comércio exterior da empresa autuada eram, assim, fundadas na simulação e no uso, para fins de desembaraço aduaneiro, de documentos inquinados de falsidade ideológica. Inequívoco, pois, o artifício doloso caracterizador da infração imputada pela autoridade fiscal Um exemplo do que ocorria nessa sistemática nos é fornecido pelo documento de fls. 1.119, no qual é evidenciado o intuito econômico da manipulação documental das importações: De: Paola Aquino [mailto:paola.aquino©inace.com.br] Enviada em: segundafeira, 18 de maio de 2009 11:57 Para: 'Marcelo' Assunto: RES: NCM das mercadorias que vão ser embarcadas para o casco 582! Marcelo, Não existe drawback para o 582. O que acontece às vezes é o Sergio e o Aécio colocarem em algum item que não vai ser usado de outros drawbacks para não pagarmos imposto. Att, Paola de Aquino Yacht Department/Departamento de Iates Web: www.inace.com.br Email:Raola.aquino@_inace.com.br Em outra mensagem, juntada às fls. 842/845, a manipulação de faturas comerciais (commercial invoices) e de listas de embarques (packing lists), para adequação ao regime de drawback, fica bastante clara, como se lê no seguinte trecho: PS.: As invoices e packing lists estão sendo alterados conforme orientação da Paola, para que fique de acordo com os respectivos drawbacks. Diversos outros documentos e mensagens citados e aduzidos aos autos pela fiscalização revelam a ingerência administrativa, operacional e financeira das empresas do Grupo Inace no Brasil, entre elas, a empresa autuada, sobre as empresas estrangeiras capitaneadas pelo Sr. Sérgio Sales Ferreira, sendo também relevante a participação da Sra. Jacqueline S. Ferreira nessas operações: O documento de fls. 875/876 (“Procedimento para controle de importação de materiais (IATES)”), referenciado às fls. 17/18, demonstra com clareza o quão alto tem sido o grau de ingerência das empresas do Grupo Inace no Brasil entre elas Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.098 28 a autuada sobre as empresas estabelecidas no exterior e de como era planejada a manipulação das faturas comerciais por elas emitidas. Vejamos o seu conteúdo: 1 — (All Oceans e Dep. Compras Internacionais) Todo e qualquer embarque deverá ser informado (checklist), através do email, para Paola, Dept. importação / exportação e Dept. compras internacionais. 1.2 — (Paola, Aécio e Nathalia) De forma geral a Paola é a responsável pela confecção, consulta e confirmação da descrição dos itens no drawback. Depois de confeccionado o arquivo deve ser passado para o Aécio que entregará a pessoa terceirizada, Domingos (Banco do Brasil), responsável pelo cadastramento no DECEX. A Nathalia é responsável por acompanhar esse processo e informar aos interessados (Dino, Julio, Val e Paola) o andamento deste. 0bs.1: Uma vez por semana o Sergio vai passar uma tabela dos materiais que já chegaram em Miami para deixarmos tudo pronto antes mesmo dele preparar o embarque; Obs.2. Quando a Paola for informar o item do drawback com todos os detalhes para o Sergio, deverá também passar para o Aécio; Obs.3: Quando for incluir no drawback um item que for sistema, não esquecer de duplicado da mesma forma. 1.3 — (Nathalia) A classificação fiscal (NCM) e o acompanhamento do deferimento de drawback no DECEX são de responsabilidade da Nathalia. (Drawback 576 e 568) Obs.: Aécio ficou de verificar como vai fazer para que o Gleidson tenha acesso de consulta no SISCOMEX (Aécio já conseguiu e vai passar p/ Nathalia) 1.4 — (Paola) A NCM que será discriminada no conhecimento de embarque deverá ser fornecida pela Paola, já que a mesma já consta na descrição do item no drawback. 1.5 — (All Oceans e Dep. Compras Internacionais) Antes da confecção da Invoice e Packing List todos os responsáveis por tal deverão consultar a descrição do item no drawback (PAOLA). 2 — A confecção das Invoices e Packing Lists devera ser de responsabilidade de: 2.1 All Oceans: Sergio Cabral 2.2 Inace: Dep. Compras internacionais. (Raffael, Marcelo e Gabriela) Novo Procedimento: IATES Quando Sergio passar por email as informações do embarque que ele está preparando, a Paola deverá preparar um draft da INVOICE, entregar p/ o Aécio para conferência e correções e passar novamente para o Sergio para que ele possa preparar INVOICE original; 2) A INVOICE original será passada para o Dept. de Compras Internacional para, então, preparar a pasta com a documentação para o desembaraço aduaneiro. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.099 29 OFFSHORE Mesmo procedimento sendo que a responsável é a Gabriela (Dept. Compras) 3 — Preparação e envio ao dept. importação / exportação das pastas com documentação para desembaraço aduaneiro das mercadorias: 3.1 — Responsável: Departamento de compras internacionais (Raffael, Marcelo e Gabriela) 3.2 — O que deve constar nas pastas: a) Invoice Original (assinada) b) Packing List Original (assinado) c) Copia de conhecimento de carga (BL / AWB) d) Copia do Contrato de Câmbio detalhes do pagamento OBS.1: No caso dos embarques da All Oceans o Sergio encaminhará os conhecimentos de carga originais (juntamente com Invoice e Packing List) para o departamento de compras. OBS. 2: O Packing List p/ Alex Almoxarifado deve ser mais detalhado contendo os números pedido e PO. OBS. 3: Os documentos originais devem ser postados no nome do Robert, devidamente assinados e avisados através do email. OBS. 4: Quando o Sergio passar a cópia do HBOL para o Aécio ele deverá conferir e responder em 48 horas. 4 — Confecção das pastas. 4.1 As pastas serão preparadas por conhecimento, ou seja, cada BL / AWB terá uma pasta independente. 5 — Desembaraço aduaneiro: 5.1 — (Dino e Aécio) O departamento responsável pelo desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas é o departamento de exportação / importação (Aécio). Antes do registro das DIs o Dino deverá conferir o material (peso, quantidade, pais de origem, valor e descrição) na unidade alfandegária evitando o pagamento de multas e impostos. Aécio explicou que isso é possível nos embarques aéreos. Nos marítimos o Aécio ficou de verificar se é e como é possível. (Aécio já verificou e não é possível conferir no marítimo) 5.2 — Despacho documental (Júlio César) As LIs e DIs são de responsabilidade do Julio Cesar. Para esse registro o Júlio deve sempre conferir e verificar se as informações estão de acordo com as informações contidas na pasta. Nathalia ajudará o Julio a fazer um Relatório de Desempenho para que metas sejam traçadas. 5.3 — Despacho físico (Dino e Aécio) A liberação das mercadorias nos recintos alfandegados é realizada por Dino e Aécio. Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.100 30 OBS.: Caso ocorra alguma divergência com a documentação (Invoice, Packing List, conhecimento de embarque), o departamento de importação / exportação deverá informar exatamente o que deve ser alterado ou providenciado para a conclusão do processo. Não é de responsabilidade do Dep. Importação / Exportação alterar INVOICE, apenas informar o que deve ser alterado para Paola/Gabriela passar para Sergio através do email e aviso por telefone. A resolução dos demais problemas será de responsabilidade do setor de importação / exportação. 5.4 — (Nathalia) A Nathalia é responsável por acompanhar todos os processos de importação das mercadorias dos lates e fazer um feedback diário com a Paola. Portanto, todo e qualquer problema que aconteça durante o processo de liberação das mercadorias deverá ser informado para ela. Também é responsável pelo Banco de Dados dos drawbacks genéricos 588 a 591, 6 — As notas fiscais serão encaminhadas ao departamento de compras internacionais para que sejam inseridas no sistema Datasul e, posteriormente entregue para o recebimento (Rosinha). OBS.: A data limite para entrega de todas as notas fiscais implantadas no sistema para o recebimento é até o dia 10 de cada mês, pois é o dia de fechamento da contabilidade. 7 — (Aécio) Aécio fazer solicitação a Receita Federal de um armazém alfandegário. 8 (Nathalia) Levantar com a Contabilidade/Custos o que foi gasto com multas/ impostos/ demurrage para criarmos metas de redução de custos mensais Segundo esse documento, a confecção das faturas comerciais no exterior era de responsabilidade do Sr. Sérgio Sales Ferreira (de cognome Sérgio Cabral), o qual, no entanto, só poderia fazêlo após consulta aos Departamentos de Importação/Exportação e de Compras Internacionais das empresas do Grupo Inace no Brasil (Paola, Aécio e Nathalia), que tinham a incumbência de adequar a descrição e a NCM das mercadorias ao previsto no regime de drawback. No mesmo documento se observa que o procedimento foi depois ligeiramente modificado, com a introdução de rascunhos prévios das faturas (drafts invoice), ficando assim definido: Quando Sergio passar por email as informações do embarque que ele esta preparando, a Paola deverá preparar um draft da INVOICE, entregar p/ o Aécio para conferência e correções e passar novamente para o Sergio para que ele possa preparar INVOICE original. Recordemos a fundamentação legal adotada pela fiscalização para o presente lançamento: Decreto lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 [...] Art.105Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.101 31 Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 [...] Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] IV enquadrada nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) No caso em análise, os fatos narrados pela fiscalização e o farto conjunto probatório por ela aduzido aos autos confluem para a caracterização das duas infrações acima descritas, ambas puníveis com a pena de perdimento das mercadorias ou, mais propriamente, da multa equivalente ao valor aduaneiro destas. Primeiro, porque as faturas comerciais que instruíram as Declarações de Importação (operação simulada) objeto da ação fiscal não expressam a verdadeira operação havida (operação dissimulada), que foi realizada entre o real fornecedor das mercadorias e a empresa autuada, implicando a infração prevista no art. 23, inciso IV, do Decretolei nº 37, de 1966, por utilização de documento ideologicamente falso para fins do desembaraço aduaneiro de importação das mercadorias. Segundo, porque a empresa autuada, ao fazer constar nas Declarações de Importação objeto da ação fiscal, em lugar do verdadeiro vendedor das mercadorias por ela importadas, empresas norteamericanas a ela subordinadas de fato e que, como ficou fartamente demonstrado, não estavam vinculadas ao fato gerador das obrigações tributárias decorrentes das operações de importação por ela realizadas, terá incorrido na infração descrita no art. 23, inciso V, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, por ocultação do verdadeiro vendedor das mercadorias, mediante simulação, caracterizada pela interposição fraudulenta de terceiros. A legislação brasileira exige que no despacho aduaneiro de importação figurem as partes efetivamente intervenientes na operação, não podendo o verdadeiro fornecedor/vendedor/exportador das mercadorias ser ocultado e simplesmente substituído, por exemplo, pelo agente de compras e vendas (prestador de serviços), como ocorreu no presente caso, conforme amplamente comprovado pela fiscalização, sob pena de caracterizarse a simulação, ilícito assim disciplinado no Código Civil: Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.102 32 Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) [...] Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Improcedente, portanto, a impugnação, quanto ao lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading e Jasfer, devendo ser mantido o respectivo crédito tributário, no valor de R$ 5.939.989,07. Da procedência do lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Rozen International e 4Net Networking, Corp. Quanto às operações envolvendo as empresas 4Net Networking Corporation e Rozen International, as provas colacionadas pela fiscalização revelam que, embora representassem um nível a mais na logística do Grupo Inace nos Estados Unidos, o modus operandi permanecia intacto, com a empresa autuada determinando todos os passos a serem observados pelos partícipes do esquema, como se verifica nas mensagens abaixo (fls. 1.003): From: Importação <importacao@inace.com.br > To: Sergio Cabral CC: Roberto Cabral 1 Subject: Modelo para Emissão de INVOICE 4NET Aquecedores Etc. EMB71015 BL HBOL3718 Sent: 07/11/2007 18:44:56 +00:00 Attachments: 1. Plano de fundo Natureza.jpg 2. Invoice Marítimo pg 1 18.10.07. xls Prezado Sérgio, Segue anexo, o modelo de como deverá ser emitida a INVOICE da 4NET referente ao embarque EMB71015 Itens 01,02 e 03 do packing List BL no. HBOL 3718 conforme combinado. Caso haja alguma dúvida, favor comunicar. Grato, Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.103 33 Aécio Costa ___________________________________________ From: Importação <importacao©inace.com.br > To: Sergio Cabral CC: Roberto Cabral 1 Subject: Modelo corrigido para Emissão de INVOICE Aquecedores etc. BL. HB0L3718 EMB 71015 Itens1,2,3 Sent: 07/11/2007 20:09:35 +00:00 Attachments: 1. Plano de fundo Natureza.jpg 2. Invoice Marítimo pg 1 18.10.07. xls • Sergio, Segue anexo, modelo corrigido para emissão da INVOICE 4NET BL no HB0L3718 referente aos Aquecedores Etc., em conformidade com orientação do senhor Roberto Cabral. Obs. Esclareço que o valor final a ser colocado na invoice a ser emitida, ficará por conta do exportado, tendo em vista o acréscimo em percentual que deverá ser adicionado e o valor do frete. Grato pela atenção, Aécio Costa Dept. de Importação Vale trazer, ainda trechos Relatório Final de Procedimento Fiscal em que são descritas situações em que se mostra evidente a ingerência da empresa autuada nas operações efetivadas por intermédio das empresas Rozen International e 4Net Networking: a) às fls. 20/21: A mensagem eletrônica de 14/03/20088 de Jacqueline Ferreira para o Sr. Aécio" informa que o embarque aéreo de 17/mar teria sido dividido em quatro remessas sendo duas consolidadas em faturas em nome da ALL OCEANS (n° 2121 e 2123) e as outras duas em remessas individuais mediante faturas em nome ROZEN INTERNATIONAL (n° 71687 e 71688) e encaminhando as invoices n° 2121 e 2123, além de, posteriormente, reencaminhar as invoices porque as primeiras não estariam com a informação de frete prépago. Essas mensagens mostram claramente a manipulação de faturas pela Sra. Jackie Ferreira não somente no que tange a forma de pagamento do frete em faturas no nome da ALL OCEANS, mas também em faturas em nome da ROZEN INTERNATIONAL, que não tem relação societária formal com o Grupo INACE (Quadro 1); b) às fls. 29: Em relação às empresas 4NET NETWORKING CORPORATION e ROZEN INTERNATIONAL, apesar de não termos evidenciados ligações societárias formais, Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.104 34 constatamos que essas empresas também foram utilizadas na logística fraudulenta de ocultação dos efetivos fornecedores estrangeiros de mercadorias importadas pelos estaleiros INACE e/ou subfaturamento do valor das mercadorias importadas, mediante instrução de DI com faturas ideologicamente falsas. As mensagens encaminhadas pelo setor de importação dos estaleiros INACE a Sérgio Cabral enviando o modelo para emissão de invoice em nome da 4NET revela que tais invoices também eram emitidas pelo escritório em Miami (ALL OCEANS, OCEANTRADING e INACE USA). A análise individualizada das operações pela fiscalização, com base na documentação acostada aos autos, também aponta no mesmo sentido, deixando explícita a condição de interpostas pessoas das empresas Rozen International e 4Net Networking: a) às fls. 44: 5.2.3.1 DI nº 07117583281 —Adição 001 O gerador N843NW2 de 12kw da Northern Lights de que trata a confirmação de compra 2007/044 da IND. NAVAL encaminhada por Robert Gil Bezerra a Roberto Ferreira foi importado mediante a DI em referência do fornecedor estrangeiro interposto fraudulentamente ROZEN INTERNACIONAL, a transação comercial ocorreu de fato entre a IND. NAVAL e a NORTHERN LIGHTS com a intermediação do preposto Roberto Ferreira, tendo a transação retratada na invoice da ROZEN INTERNATIONAL utilizada para instruir a DI sido uma mera simulação, para ocultar as verdadeiras partes da operação; b) às fls. 44: 5.2.3.2 — DI nº 07/16271863 Ao amparo dessa DI foram importados dois guinchos MUIR VRC6000 (adição 002) e dois VC3500 do fornecedor estrangeiro declarado ROZEN INTERNATIONAL, no regime de drawback suspensão —AC n°20060011920. Entretanto, os documentos abaixo identificados comprovam que esses guinchos foram adquiridos diretamente da MUIR pela IND. NAVAL: a) Correspondências eletrônicas entre Estaleiros Inace, Fred Mayer da MUIR, Sergio Cabral e Sergio Ferreira. b) Duas vias distintas da Ordem de Pedido n° 200605004 da Oceantech à MUIR com diferença no valor total. c) Proforma invoice 06089 da MUIR dirigida A OCEANTECH. d) Invoice 4029478 da MUIR e o packing list de 26/06/2006 da MUIR destinados IND. NAVAL e INACE IATES, respectivamente. A Invoice OT3810 em nome da OCEANTECH (481.pdf — Doc. E7) apresentada ao Secex na instrução do requerimento do AC n° 20060011920 relativa a equipamentos a serem importados no regime para utilização na embarcação Casco 564 discrimina esse equipamento ao valor de US$ 7.200,00. Dessa forma, resta comprovado além do subfaturamento do valor declarado desses equipamentos, a aquisição direta desses equipamentos pela IND. NAVAL da Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.105 35 MUIR, sendo a invoice n° 71627 em nome da ROZEN INTERNATIONAL instrutiva dessa DI ideologicamente falsa. c) às fls. 45: 5.2.3.3 DI nº 07/14377826 A correspondência de Paul Raymond Orange da Econosto para Muzzio sobre a cotação de válvulas EC001000040HAJ2 ao preço unitário (fob) 272,00 Euros equivalente a US$ 370,22 na data de embarque das mercadorias, incoterms FCA e pagamento adiantado, comprova inequivocamente o subfaturamento e a falsidade ideológica da invoice em nome da ROZEN instrutiva dessa importação adição 002 da DI nº 07/14377826. Essas válvulas foram importadas ao preço unitário declarado (fob) de US$ 300 para pagamento em 180 dias. A realização de outras operações de importação registradas diretamente pelos estaleiros INACE ao fornecedor e fabricante estrangeiro ECONOSTO aliada à ocorrência de negociação de válvulas desse fabricante entre o intermediário Luis Rosales da REG Holland e o Sr. Robert Gi1 também evidencia a condição da ROZEN INTERNATIONAL como mera fornecedora de fachada das transações internacionais entre os estaleiros INACE das válvulas importadas mediante a DI em referência e a de nº 06/06617366002; d) às fls. 45/46: 5.2.3.4 DI nº 07/12946661 e 07/1 29051 75 Ao amparo da DI nº 07/12946661 foram importados os equipamentos fabricados pela WARTSILA discriminados no quadro abaixo do fornecedor estrangeiro declarado ROZEN INTERNATIONAL, no regime de drawback AC nº 20070069239. A existência de invoice da WARTSILA dirigida a OCEANTECH e de Ordem de Pedido em nome da OCEANTECH encaminhada por Robert Gil à WARTSILA referentes venda dos equipamentos importados ao amparo dessa DI, revela incontestemente a falsidade ideológica da fatura instrutiva da DI nº 71604 em nome da ROZEN INTERNATIONAL, a ocultação do efetivo fornecedor das mercadorias, além do alteração dos valores dos equipamentos; e) às fls. 47: 5.2.5.1 DI nº 07/16456340 Essa DI referese à importação de um turco Marquipt e dois motores diesel Volvo com acessórios nos valores unitários (cfr) declarados de US$ 9.514,76 e US$ 42.907,66. Entretanto, documentos apreendidos na Operação Luxo trazem informações distintas das constantes nessa DI. a) Minutas de Invoice em nome da 4NET sem numeração encaminhada por mensagem eletrônica do Sr. Aécio do Setor de Importação dos Estaleiros Inace para Sergio Cabral, Roberto Cabral e Leda Romer, pedindo para desconsiderar o documento e não emitir a invoice, em razão de erro na aplicação do percentual, na qual constam valores superiores aos declarados, de US$ 9.745,03 e de US$ 43.943,06. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.106 36 b) Proforma invoice da Marqpit em que consta o valor (fobmiami) de US$ 8.772,00 para o turco dirigida à OCEANTECH e informando o deposito em 29/08/2007 de 50% e o restante na entrega. c) Proforma invoice PF817641/2 da Volvo referentes aos dois motores constantes da adição 002 no valor de US$ 38.980,00 (cada). Os dois motores volvo registrados nessa DI, segundo a proforma acima identificada, teriam sido vendidos a OCEANTECH para entrega no Rio de Janeiro. A mensagem eletrônica que encaminha essa proforma para Sergio Cabral e Robert Bezerra explicita que esse motores seriam pagos pela OCEANTECH que, posteriormente, receberia da JM EMPREENDIMENTOS. Essa importação foi instruída com fatura da 4NET. A falsidade da invoice em nome da 4NET utilizada para instruir essa DI e a ocultação do efetivos fornecedores estrangeiros MARQUIPT e AB VOLVO PENTA, evidenciase também na mensagem eletrônica do Almirante Janot para Sergio Cabral e Robert Gill informando a cobrança de pagamento de 10% nos motores Volvo e sugerindo que o Sergio pagasse que, posteriormente, a JM EMPREENDIMENTOS pagaria a OCEANTECH; f) às fls. 48/49: 5.2.5.3 DI nº 07/14450531 Nessa DI foram registradas diversas mercadorias no regime de drawback suspensão AC n° 20060011920 no valor total (cfr) de US$ 74.389,90. Entretanto, a apreensão de minutas de invoice nº OT32628 em nome da 4NET discriminando as mesmas mercadorias e o mesmo embarque EMB70813 — BL nº HB0L3683, mas com valores diferentes, totalizado US$ 69.066,61 e U$ 70.204,12, revela a falsidade da fatura de mesma numeração instrutiva da DI. A diferença no valor das mercadorias entre a minuta de invoice e a invoice instrutiva da DI referese aos 8% que, segundo mensagem eletrônica de 17/09/2007, encaminhada por Sérgio cabral a Roberto Cabral remetendo as invoices finais dessa seria a remuneração da 4NET pelo "empréstimo" do nome para figurar como exportadora das mercadorias. Conforme comentado no email anterior, segue anexo as copias das INVOICE'S que finais, que deverão ser emitidas referentes ao embarque EMB70813 — BL n° HBOL3683. Favor verificar o tal dos 8% 4NET Ao amparo das adições 13, 14 e 15 foram importadas duas portas corrediças de vidro temperado e dois fechos automáticos adquiridos do fornecedor chinês ARITEX no valor total (fob) declarado de US$ 23.533,23. Essas portas foram formalmente vendidas a OCEANTECH mediante a invoice OEI12042006 da ARITEX destinada a OCEANTECH ENTERPRISES. Essa fatura da ARITEX juntamente com instruções para pagamento foi enviada eletronicamente pela ARITEX a Sergio Cabral com cópia para Fernando Jr. da INACE, esse [...] repassou a mensagem para Robert Bezerra. A ARITEX encaminhou a OCEANTECH [...] memo de pagamento informando o valor total das mercadorias de US$ 21.610 , informando o recebimento do depósito de 50% e que a entrega se daria em noventa dias'. Entretanto, na DI foi informado o fornecedor estrangeiro 4NET NETWORKING CORP, o que significa que o desembaraço das mercadorias foi Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.107 37 instruído com fatura comercial em nome da 4NET. Portanto, a existência de fatura comercial em que as mercadorias são formalmente vendidas a OCEANTECH e enviadas para a INACE, quando na DI é informado outro fornecedor estrangeiro e alteração fraudulenta de valores das mercadorias revela a falsidade ideológica da fatura instrutiva n° 7002750 em nome da 4NET NETWORKING. g) às fls. 49/50: 5.2.5.6 DI nº 07/12656736 Por meio dessa DI foram importados do fornecedor estrangeiro declarado 4NET no regime de drawback suspensão — AC n° 20070069239: dois geradores Kohler modelos 50EFOZD e 33EFOZD aos valores unitários (cfr) de US$ 26.590,25 e 21.680,41, respectivamente, e 250 litros de isolamento acústico coating 3680 vdamp barrier ao valor unitário (cfr) de US$ 10,79. Ocorre que segundo os documentos apreendidos na Operação Luxo abaixo discriminados os valores declarados dessas mercadorias foram subfaturados e instruídos com faturas comerciais e packing list falsos no mínimo ideologicamente: a) Minutas da comercial invoice OT32620 e OT32622 em nome da 4NET na qual constam os valores unitários (cfr) de US$ 24.625,43 / US$ 82.810,19 e de US$ 20,079,27 / US$ 44.963,75 para os geradores e de US$ 10,02 para o isolamento132. b) Proposta da KOHLER dirigida a OCEANTECH encaminhada por Sergio Cabral a Robert Gil desses geradores aos preços unitários (fob) de US$ 19.889,43 e 24.435,59. Mensagem eletrônica do setor de importação do Sr. Aécio do setor de importação dos estaleiros INACE para Sérgio Cabral de 15/09/2007, encaminhando a minuta de invoice nº 0132620 com os mesmos valores de mercadorias declarados e o packing list com o seguinte texto: "Seguem anexo as faturas referentes ao EMB70730 — BL nº HB0L3676, com as correções solicitadas quanto ao acréscimo de 8% 4NET. Corrobora a compra dos equipamentos feita diretamente pela IND. NAVAL a cobrança feita por Robert Gil Bezerra a Roberto Skuplik da confirmação do aceite das encomendas dos geradores. As mensagens eletrônicas trocadas entre Robert Gil e Roberto Skuplik de 16 a 20/03/2007 confirmam que o preço dos dois geradores foi de US$ 44.325,02, sendo 30% de entrada e o restante antes da entrega dos equipamento e que inicialmente o interposto fornecedor estrangeiro seria a OCEANTECH, pois Robert Gil diz: " Esses geradores serão comprados pela Oceantech Enterprises, através da Sailing. [...] A Ocean vai fazer o depósito. de entrada até segunda, ok?" Resta portanto, comprovada a falsidade ideológica da fatura comercial n° OT32620 em nome da 4NET instrutiva dessa DI, em razão dessa ter sido uma mera cessionária do nome para figurar como exportadora dos equipamentos recebendo a remuneração de 8%, de fato adquiridos diretamente pela IND. NAVAL, e a alteração dos valores dos equipamentos e das condições de pagamento, realizado adiantado com recursos [em] nome da OCEANTECH, mas na DI declarado à prazo. Tais informações e os documentos nelas citados, independentemente da acusação de subfaturamento dos preços das mercadorias, que será objeto de Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.108 38 posterior análise, desvelam irrefutavelmente o papel desempenhado pelas empresas 4net Networking, Corp. e Rozen International, Inc. como interpostas pessoas, nas operações de comércio exterior formalizadas com a empresa autuada, a que aderiram em troca de comissão, como se tal prática não fosse vedada pela legislação tributária brasileira. A empresa autuada, por outro lado, nada trouxe em sua impugnação que comprovasse serem tais empresas as verdadeiras vendedoras das mercadorias por ela importadas. Improcedente, portanto, a impugnação quanto ao lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas 4net Networking, Corp. e Rozen International, Inc., devendo ser mantida a parcela do crédito tributário, no valor de R$ 1.839.443,64, correspondente às Declarações de Importação em que essas empresas figuraram como exportadoras. Ressaltase, por oportuno, que os valores mantidos e informados pela DRJ, sofrerão alterações em razão da exclusão das multas aplicadas/calculadas nas DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, face a aplicação do instituto da decadência tratada anteriormente. Por fim, insta tecer que referida operação já foi alvo de análise nos autos do PA 11131.720216/201187 (acórdão 3401003776), onde restou decidido pela existência de operações tidas por fraudulentas, a saber: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SUBFATURAMENTO. PENALIDADE APLICÁVEL. PERDIMENTO (ARTIGO 23, IV, DO DECRETO No 1.455/1976, e § 3o, COMBINADO COM ARTIGO 105, INCISO VI, DO DECRETOLEI No 37/1966). USO DE DOCUMENTO FALSO. MULTA SUBSTITUTIVA. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), devese aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3o, DecretoLei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto Lei no 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui). INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR/EXPORTADOR. INTERPOSTA PESSOA DECLARADA AOS CONTROLES ADUANEIROS. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA ENTRE IMPORTADOR E VENDEDOR/EXPORTADOR DECLARADO. Na interposição fraudulenta por simulação, com ocultação do real vendedor/exportador, é necessária a demonstração da ocorrência da simulação pela fiscalização, ou seja, que a relação estabelecida entre o importador e o vendedor/exportador é distinta da declarada, ou seja, que não se trata de uma compra e venda internacional. REGIMES ADUANEIROS. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. DESVIO DE MERCADORIA. DESCUMPRIMENTO. Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.109 39 A mercadoria importada ao amparo do regime de DRAWBACK deve ser exportada após beneficiamento, impondose, assim, que seja integralmente empregada no processo industrial do produto exportado. Em regra, o regime de Drawback não admite o desvio da mercadoria importada para Ato Concessório distinto daquele para o qual ela foi previamente importada, sendo admitida a transferência de mercadoria importada de um regime outorgado por um Ato Concessório para outro, mediante autorização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO NO PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA nº 497/2010, CONVERTIDA NA LEI no 12.350/2010. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO RELATIVO AOS FATOS GERADORES ANTERIORES A 28/07/2010. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3o, DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. A base de cálculo da multa substitutiva da pena de perdimento nas operações de exportação somente foi instituída com a Medida Provisória no 497/2010, que entrou em vigor no dia 28/07/2010. Com isso, em atenção ao princípio da irretroatividade das leis (artigo 150 do CTN) e ao disposto no artigo 144, do CTN, a multa por infração de dano ao erário decorrente de interposição fraudulenta na exportação só pode ser aplicada para operações de exportação cujos fatos geradores tenha ocorrido posteriormente a 28/07/2010, não havendo penalidade para a infração no período anterior. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3º, DO DECRETOLEI nº 1.455/76. Nos termos do artigo 23, parágrafo 3º, do DecretoLei nº 1.455/76, a multa substitutiva da pena de perdimento para os casos de interposição fraudulenta nas operações de exportação é equivalente “ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação”, devendo ser cancelado lançamento que tem fundamento legal diverso, eis que vedada a alteração do critério jurídico do lançamento por decisão administrativa. IV Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.110 40 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Do escopo deste voto vencedor Contra a decisão consubstanciada no Acórdão 0825.066, exarado pela 2ª Turma da DRJ/FOR, foram interpostos recursos de ofício e voluntário. Admitidos os recursos em questão, distribuído e sorteado o processo, este foi pautado para a sessão ordinária do dia 28.08.2018, da 2ª TO/3ªCA/3ªSE/CARF, sob a relatoria do Conselheiro Walker Araujo. Após discussão de praxe, referido Colegiado decidiu Acórdão 3302005.749, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, a fim de restabelecer a multa de 1% sobre o Valor Aduaneiro das mercadorias classificadas na NCM 8413.70.80 e 8413.70.90, internalizadas por meio das Adições da DI 06/11760864, ocasião em que foram vencidos os Conselheiros Walker Araujo (Relator), José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento; razão pela qual este Conselheiro (Suplente convocado) foi designado para redigir o voto vencedor, tão somente quanto a este tema/matéria. É o que faço neste momento. Do demonstrativo da autuação Do presente o procedimento fiscal, consubstanciado em Auto de Infração, complementado por respectivo Relatório Fiscal, para o que interessa ao presente Voto Vencedor, colhese: Contribuinte: INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ SA DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Multa Regulamentar DI: 06/11760864 Data do Registro: 29/09/2006 NCM Valor Aduaneiro Multa (%) Valor Calculado Valor da Multa 8413.70.80 3.482,73 1,00 34,82 500,00 8413.70.90 6.809,06 1,00 68,09 500,00 Valor mínimo R$ 500,00 por Adição Total da Multa em R$ na DI 1.000,00 Total Geral da Multa em R$ 1.000,00 Enquadramento Legal (*) MULTAS NÃO PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 30/12/2003. 1,00% Art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei nº 10.833/03. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro Data de Referência Valor Aduaneiro Multa (%) Valor Calculado Valor da Multa 09/12/2010 7.088.580,00 100,00 7.038.580,00 7.088.580,00 10/12/2010 9.566.873,12 100,00 9.566.873,12 9.566.873,12 Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.111 41 Total de Multa Devida em RS 16.655.453,12 Enquadramento Legal (*) MULTAS NÃO PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 30/12/2003. 100,00% Art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 combinado com art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03. Do relatório parcial de procedimento fiscal (...) 5. DAS IRREGULARIDADES E FRAUDES EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR Conforme explicitado anteriormente e pormenorizado a seguir, as empresas INDÚSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA. utilizaram em suas operações de comércio exterior interpostas pessoas como importadoras e exportadoras estrangeiras (empresas constituídas nos EUA pertencentes ou não ao Grupo Quadro 1), para ocultar os efetivos vendedores e compradores internacionais nas importações e exportações de mercadorias, respectivamente. Em outras palavras, instruindo as importações e exportações com faturas comerciais / commercial invoices ideologicamente falsas. A utilização de interpostas pessoas nas operações de comércio exterior registradas pelos estaleiros INACE instrumentalizou a utilização de faturas comerciais falsas ideologicamente com valores de mercadorias subfaturados não somente para redução fraudulenta da base de cálculo de tributos, mas também para concretizar a submissão simulada do valor da importação ao valor autorizado da importação ao ato concessório disponível, permitindo a manipulação dos valores das mercadorias, conforme a conveniência dos estaleiros. Para permitir o enquadramento de mercadorias destinadas a uma embarcação no regime de drawback referente a outra embarcação muitas vezes as mercadorias são descritas de forma divergente da real, fato reclamado até por funcionário da INACE em razão de dificultar o controle de estoque. Assim, restou também evidenciada a fraude na importação de mercadorias ao amparo do regime de drawback suspensão, em razão da utilização de fatura comercial propositadamente falsificada para permitir o enquadramento de importação de equipamentos em ato concessório no qual, antes mesmo da importação já era dada destinação diversa à compromissada. 5.1. DA OCULTAÇÃO DO EFETIVO COMPRADOR ESTRANGEIRO DAS EMBARCAÇÕES EXPORTADAS As embarcações exportadas no período de 2002 a 2007 pela IND. NAVAL foram todas realizadas no regime de drawback suspensão e formalmente destinadas OCEANTECH. Entretanto, conforme explicitado no item 2, a OCEANTECH foi uma empresa constituída em Miami/Eua exatamente para possibilitar a alteração/modificação de documentos relacionados às operações de comércio exterior dos estaleiros INACE. Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.112 42 Não é demais destacar que as embarcações construídas pelos estaleiros INACE são feitas por encomendas. Não é então crivei que uma única empresa norte americana, de 2002 a 2007, seja a encomendante de todas as embarcações exportadas num período de mais de cinco anos. Ainda mais quando essa compradora é coincidente sua principal fornecedora estrangeira declarada, comprovadamente interposta fraudulentamente. (...) 5.2. DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES Nas operações de importação registradas pela Indústria NAVAL no período de 2005 a 2007 e/ ou feitas ao amparo do regime de drawback suspensão em que foram declarados os fornecedores norteamericanos OCEANTECH ENTERPRISES (fls. ), ALL OCEANS TRADING, 4NET, JASFER e ROZEN e portanto, apresentadas faturas em nome dessas empresas configurase a ocultação do efetivo fornecedor estrangeiro e a falsidade ideológica dessas faturas que simulam uma transação comercial entre elas e a INDÚSTRIA NAVAL. Conforme pormenorizado no item 3, essas empresas norteamericanas foram utilizadas na logística fraudulenta implementada pelos estaleiros INACE de "refazimento" de faturas comerciais de importações registradas pelo Estaleiro INACE, o que configura a ocultação dos reais vendedores e compradores estrangeiros de mercadorias e a falsidade ideológica das faturas utilizadas para instruir o despacho aduaneiro dessas mercadorias. Em alguma dessas operações foi comprovado também o subfaturamento ou superfaturamento do valor declarado do valor das mercadorias, a destinação da mercadoria importada para embarcação diversa a compromissada no regime de drawback e /ou a descrição incompleta da mercadoria. Nas operações de importações assinaladas no item 5.2.6 de outros fornecedores estrangeiros que não as empresas norteamericanas acima mencionadas constatamos também a utilização de faturas materialmente falsas e/ou de subfaturamento dos valores declarados das mercadorias. (...) 6. DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES APLICÁVEIS As irregularidades relatadas no item 3 e 5 caracterizam as infrações aduaneiras de dano ao erário capituladas nos incisos VI e XXII do art. 689 do Decreto nº 6.759/2009, conforme sintetizado no Doc. K, puníveis com o perdimento, ou conversão em multa, caso não sejam localizadas ou tenham sido consumidas, nos termos do §1º do retro citado artigo. VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.113 43 §1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23. § 3º, com a redação dada pela Lei n0 10.637, de 2002, art. 59). Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. Consoante o inciso IV do art. 94 do DecretoLei nº 37/1966, respondem por tais infrações a pessoa jurídica que promoveu tais importações, no caso, a IND. NAVAL S/A. 6.1. Da Falsidade ideológica de documentos instrutivos de desembaraço aduaneiro A falsidade de um documento pode ser material ou ideológica. Segundo o Profº Julio Mirabete: "A falsidade material consiste na imitação da verdade através de contrafação (o falsificador cria, forma, imprime, cunha, manufatura, fabrica o documento) ou alteração (o agente modifica o documento, por acréscimo ou supressão). A falsidade ideológica consiste na diversidade entre o que devia ser escrito e o que realmente consta do documento. O documento formalmente é verdadeiro, mas é falso o seu conteúdo" (MIRABETE, Julio Fabrini, op. cit., São Paulo: Atlas, 2001, p. 246). A fatura comercial / Commercial Invoice e o conhecimento de transporte internacional são documentos obrigatórios na instrução da DI, consoante art. 493 do Regulamento Aduaneiro/2002. Consoante o art. 553 do Decreto nº 6.759/2009, a fatura comercial e o conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente, dentre outros, são documentos obrigatórios na instrução da DI, pois são os documentos que trazem as informações referentes a transação comercial necessários para a determinação da base de cálculo e alíquotas dos impostos incidentes sobre a operação e adoção das medidas de controle aduaneiro cabíveis. Art. 553. A declaração de importação será instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 22): I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível; e Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.114 44 IV outros documentos exigidos em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. Como qualquer outro documento, uma fatura comercial e um conhecimento de transporte referentes a uma venda e frete, respectivamente, tem que ser documentos únicos, exceto se forem vias absolutamente idênticas ou cópias fidedignas do original, para que possam vir a ter o reconhecimento de sua autenticidade. Dessa forma, diante das evidências de falsidade ideológica de faturas comerciais e de conhecimentos de transportes instrutivos de DI pormenorizadas nos itens 3 e 5, configurase, no mínimo, a falsidade ideológica desses documentos. Conforme explicitado nos itens 3 e 5, as importações assinaladas no Doc. K foram instruídas com faturas comercias ideologicamente falsas, no mínimo, além de outras infrações detectadas. Essa infração tem como penalidade o perdimento da mercadoria importada, entretanto em razão da impossibilidade de aplicação dessa pena, em razão de terem sido consumidas na construção ou incorporadas em embarcações, dos §§1º e 3º do inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. No caso das exportações, os documentos instrutivos da Declaração de Exportação são a primeira via da Nota Fiscal de saída e a via Original do conhecimento de transporte, nos termos do art. 588 do Decreto nº 6.759/2009. Art. 588. A declaração de exportação será instruída com: I a primeira via da nota fiscal; II a via original do conhecimento e do manifesto internacional de carga, nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre; e Assim sendo, configurada a falsidade ideológica da nota fiscal que instruiu as exportações vinculadas ao AC nº 20030093384 e 20030112788 informando venda interposta adquirente OCEANTECH, impõese a aplicação da multa de 100% do valor aduaneiro (valor constante da nota fiscal) em razão da impossibilidade de apreensão das embarcações que foram exportadas. 6.2. Da Ocultação do Efetivo Fornecedor estrangeiro em operações de importações e do efetivo comprador de mercadorias exportadas Nos termos do art. 689, inciso XXII do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002, a realização de operação de importação com ocultação do efetivo vendedor das mercadorias e de operação de exportação com ocultação do efetivo comprador constituem infrações punível com a pena de perdimento. Assim sendo, conforme explicitado nos itens 3, 4 e 5, cabível a aplicação de pena de perdimento das mercadorias importadas ao amparo da DI assinaladas na Doc. K e das embarcações exportadas identificadas no item 5.2 em razão da ocultação do efetivos vendedores e compradores das mercadorias, mediante fraude e simulação, respectivamente. Em razão da impossibilidade de apreensão das Mercadorias, efetuamos a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro declarado das mercadorias, consoante o Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.115 45 disposto nos §§ 1º e 3º do inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. É importante destacar que mesmo que tenham sido constatadas mais de uma conduta infracional punível com o perdimento das mercadorias numa mesma operação de comércio exterior ou com aplicação de multa em razão da impossibilidade de apreensão da mercadoria, a penalidade de multa será aplicada uma só vez. 6.3. Da Descrição Incompleta de Mercadorias Conforme explicitado no item 5.2, caracterizada a descrição incompleta das mercadorias importadas ao amparo das DI identificadas no Doc. K, aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do disposto no §§ 1º e 2º, inciso III, do art. 69 da Lei 10.833/2003 c/c artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (fls. 116/469). Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária á determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2° As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham ã ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou cientifico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; (grifo nosso). Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de $ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.116 46 penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (...) Mérito Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/FOR, ao julgar procedente em parte a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PESSOAS VINCULADAS. CONCEITO ADUANEIRO. Dentre outras hipóteses legais, consideramse pessoas vinculadas quando uma delas, direta ou indiretamente, controla a outra, ou seja, quando a primeira estiver, de fato ou de direito, numa posição de impor limitações ou ditar ordens à segunda. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.117 47 PROCEDIMENTO FISCAL. FASE INQUISITORIAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente cientificado do lançamento, carece ao autuado alegar cerceamento do direito de defesa em virtude de eventual falta de intimação, na fase inquisitorial do procedimento fiscal, para apresentação de documentos que pudessem fazer prova em seu favor. IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE EXPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO NA. BASE DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inaplicável, por falta de previsão legal relativamente à base de cálculo, a multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, quanto aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DILIGÊNCIA. SANEAMENTO PROCESSUAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente cientificado da diligência requisitada pela autoridade julgadora, descabe ao autuado alegar cerceamento do direito de defesa em virtude de eventual discordância com o seu resultado. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. BASE LEGAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados conforme as regras estabelecidas no Código Tributário Nacional, que, com o advento da Constituição Federal de 1988, que o recepcionou com o status de lei complementar, detém a exclusividade para tratar de decadência tributária, não cabendo, desde então, invocarse o art. 139 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, para solucionar conflitos nesta matéria. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da parte dispositiva do acórdão recorrido Em face da impugnação apresentada em 14.01.2011 (fls 2.155 a 2.202), acrescentada pelas alegações apresentadas às fls. 2.889 a 2.901, por conta de diligência proposta, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, por meio do Acórdão 0825.066, da Sessão de Julgamento ocorrida em 13.03.2013, ao julgar parcialmente procedente a impugnação, assim decidiu, verbis: Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.118 48 I) PRELIMINARMENTE, por unanimidade de votos: a) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; b) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; c) DECLARAR A DECADÊNCIA do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 959.514,03; e d) REJEITAR as alegações de cerceamento do direito de defesa: i. na impugnação, com relação à matéria autuada de subfaturamento; ii. na manifestação de inconformidade, após a diligência. II) NO MÉRITO, julgar procedente em parte a impugnação, para: a) por maioria de votos, vencido o relator Charles Pereira Nunes: i. MANTER a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.779.432,71, relativa à parcela da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, em virtude de ocultação do real vendedor das mercadorias e de falsidade ideológica das faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação. Vencido também o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar que não acolheu a tese da autuação com relação as importações que têm as exportadoras declaradas Rozen Internacional e 4Net Networking; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias, afinal não comprovado; b) por unanimidade de votos: i. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.119 49 em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Da controvérsia que resultou na elaboração deste voto vencido Compulsando a decisão recorrida, temse que o acórdão, não obstante deixar de ementar o assunto ora em apreço, deixou evidenciada a fundamentação segundo a qual a 2ª Turma da DRJ/FOR concluiu pela exoneração da penalidade pecuniária prescrita nos §§ 1º e 2º, inciso III, do artigo 69 da Lei nº 10.833, de 2003 combinado com o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que dispõe sobre a aplicação da multa de 1% (um por cento), calculada sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, em face de sua descrição incorreta e/ou incompleta. Segundo referido dispositivo, o Colegiado a quo entendeu que referida exigência é inaplicável, uma vez "absorvida pela pena de perdimento das mercadorias". Por seu turno, o nobre Relator do voto vencido nesta matéria, tratada no âmbito do Recurso de Ofício, assim se pronunciou, verbis: (...) II.6 exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. A multa exonerada neste tópico, foi aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativa a DI nº 06/11760864, por entender a fiscalização que houve descrição incorreta quanto ao correto nome do fabricante das mercadorias (vide fls.08). As fls. 06 do processo, constatase que a fiscalização aplicou para mesma DI multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por entender que as importações assinaladas no Demonstrativos de Infrações (doc.k) foram descritas incorreta ou incompletamente. Ou seja, foram aplicadas multas distintas para o mesmo fato declarado ilícito. Nestes termos, por entender inaplicável a cumulação das referidas multas, concordo com o entendimento da DRJ que exonerou a multa de R$ 1.000,00, nos seguintes termos: (g.n.) Descrição incorreta Quanto ao erro de nome dos fabricantes das bombas nas adições 007 e 008 da DI 06/11760864, o que aconteceu foi a substituição indevida dos fabricantes MP PUMP e Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.120 50 GRUNDFOS PUMPS CORP pelo nome do real vendedor/exportador DEPCO PUMP COMPANY, configurando erro sujeito a aplicação da multa de R$ 500,00 por adição. No entanto, considerase que a penalidade de falsidade da invoice/ocultação do real fornecedor absorve esta penalidade devendo assim ser excluída da autuação. (...) Do anexo "Doc. K" De plano, compulsandose o anexo "Doc. K", fls. 1.623 e seguintes, que trata do "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", notadamente quanto às Adições 007 e 008 da Declaração de Importação (DI) 06/11760864, DI composta por 11 (onze) Adições, traz as seguintes informações, verbis: Nº Adição Produtor Estrangeiro Exportador Estrangeiro Nº AC DWBCK Descrição Produto Importado Infrações Constatadas 0611760864011 ASIANSTAR ANCHOR CHAIN CO OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 CORRENTE STUDLINK DE AÇO 518 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864010 WILLIAMS VALVE CORP OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 VÁLVULA ANGULAR EM BRONZE 6 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864009 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA BOSWORTH 115/230AC DIÂMETRO 2' 1HP 2600A 30M 16CT, 2 X 2 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864008 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE ÁGUA DOCE GRUNDFOS 20 115/230AC DIÂMETRO 1" . :1 HP Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro, subfaturamento do valor declarado e descrição incorreta/incompleta da mercadoria (g.n.) 0611760864007 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE PORÃO / INCÊNDIO 115/230AC MP HHLF. 5HP BALDOR 2" NPT Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro, subfaturamento do valor declarado e descrição incorreta/incompleta da mercadoria (g.n.) 0611760864006 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE TRANSFERÊNCIA DE COMBUSTÍVEL 24VDC DIAM. 1"_:1HF,l, OBERDOFF N990H Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864005 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE TRANSFERÊNCIA DE COMBUSTÍVEL 115/230 AC 60HZ , DIAM. 1.1/4" 1HP OBERDOFF N1 100 X 1nN 1214C.T Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864004 KIDDE FENWAL OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 SISTEMA COMPLETO DE COMBATE A INCÊNDIO FM200 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro e subfaturamento do valor declarado da mercadoria. 0611760864003 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 VÁLVULA DE PLÁSTICO HIDROSTÁTICO HAMMAR SNN 023341/SNO23342 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864002 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BASE EM ALUMÍNIO 0Z03503 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864001 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BALSA SALVA VIDAS LIFEONE10, PESSOAS DRZ 4704 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro Da impugnação ao auto de infração Em que pese constar no "cabeçalho" na impugnação apresentada, em 14.01.2011, pelo contribuinte INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A que contesta a totalidade da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado em face do MPF 0317600/00096/09, consubstanciado no presente processo administrativo, compulsando referida peça defensiva, quanto ao tema em apreço, colhese o que segue transcrito, verbis: Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.121 51 (...) a) Fornecedor Estrangeiro OCEANTECH ENTERPRISES a.1) DI 06/11760864 e 07/09665746 A fiscalização indica que houve divergência de valores declarados nas aludidas DIs entre a mesma mercadoria importada (sistema de incêndio FM200 da KIDDE FENWAL). Todavia a autoridade fiscal não levo em consideração que os sistemas de incêndio são mensurados de acordo com o ambiente da embarcação que vai receber o sistema, que, portanto, poderá ser maior ou menor, resultando num valor mais caro ou mais barato do sistema de incêndio, que varia o preço ainda de acordo com o projeto solicitado para cada embarcação. As invoices nºs 51403F0 51450F0 de 29/04/2006, consoante consta nestes documentos, de sistema de incêndio destinados para as embarcações Casco 562 e 563, portanto não correspondem às importações firmadas com amparo nas DI 06/11760864 e 07/09665746, uma vez estas importações foram realizadas com amparo no AC 2006011920 para a embarcação casco 564, que já foi vistoriada pela RFB e exporta. Diferente do que aduziu a fiscalização, não há vinculação entre os dois sistemas de incêndio destinados ao barco 564 e outros dois destinados aos barcos 562 e 563. Tanto é assim que as importações das DIs mencionadas foram efetivadas com amparo em drawback e destinadas ao barco 564 e foram incorporadas a esse barco que já foi vistoriado pela RFB. Certamente o sistema de incêndio mais barato (U$ 3.120,59) era um complemento do anterior de (U$ 11.620,12), porquanto estavam descritos no ato concessório do drawback do barco Caso 564. Observase ainda que as invoices nºs 51403F0 51450F0 são datadas de 29/04/2006, enquanto as DIs 06/11760864 e 07/09665746 foram registradas em datas com diferença de mais de 1 (um) ano. No tocante às adições 007 e 008 da DI 06/11760864, a autuação pretende vincular documentos totalmente estranhos a essas importações para inadvertidamente afirmar que houve subfaturamento. As Ordem de Pagamento mencionadas no relatório fiscal são de produtores, datas, qualidades e quantidades diferentes. (...) De se ver, portanto, dos excertos acima reproduzidos, que o contribuinte em momento algum contesta a exigência da aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativamente às Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, na medida em que se limita a questionar a exigência decorrente da acusação fiscal de subfaturamento. Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.122 52 Neste contexto, por não se tratar de questão de ordem pública, ou seja, por não estar inserida no rol das matérias de interesse de toda a sociedade, situadas acima das disposições dos sujeitos de uma relação jurídica, tenho por mim que não deve ser, assim, analisadas de ofício por qualquer órgão jurisdicional, ainda que administrativo, na medida em que demandaria provocação mediante pedido expresso da parte interessada, no caso o autuado na presente relação processual, o que, por si só, já seria motivo suficiente para justificar o restabelecimento da referida penalidade. No entanto, ultrapassandose esta particularidade de ordem pública processual, com todo respeito ao ilustre Relator, peçolhe máxima vênia para discordar da interpretação que emprestou ao caso sobre apreço; que será melhor delineada em seguida. Da falsidade documental e da multa aplicada Compulsando os itens 6.1. "Da Falsidade ideológica de documentos instrutivos de desembaraço aduaneiro" e 6.2. "Da Ocultação do Efetivo Fornecedor estrangeiro em operações de importações e do efetivo comprador de mercadorias exportadas" do relatório fiscal que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração, temse, em apertada síntese, que a Fiscalização concluiu que houve apresentação de documentação, notadamente as faturas comerciais, com falsidade ideológica, haja vista que ocultavam o real fornecedor estrangeiro e/ou com subfaturamento do valor declarado das mercadorias nelas discriminadas, que instruíram os despachos aduaneiros, tanto de importação como de exportação, o que caracterizou a infração por dano ao Erário, sancionada com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão do consumo ou revenda das referidas mercadorias. De fato, na instrução dos referidos despachos aduaneiro, foram utilizadas, conforme sintetizado, dentre outras, na planilha denominada "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", faturas comerciais ideológica e/ou materialmente falsas, o que configura dano Erário, punida com a pena de perdimento da mercadoria, ou, como na presente autuação, com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando esta não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, conforme prescreve o inciso VI do artigo 105, do Decretolei nº 37, de 1966, combinado com o artigo 23, inciso IV, e parágrafos 1º e 3º, do Decreto Lei nº 1.455 de 1976, a seguir transcritos, verbis: Decretolei 37/1966 Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) (grifei) Decretolei 1.455/1976 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.123 53 IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) (grifei) As referidas infração e penalidade foram regulamentadas no artigo 689, inciso VI, e parágrafos §§ 1º, 3ºA e 3º B, que têm o seguinte teor, verbis: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º,este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) § 3º A. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3º B. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.124 54 relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) Como visto, a falsidade material e ideológica das faturas comerciais, utilizadas nos despachos aduaneiros de importação objeto da presente autuação, bem como a prática do subfaturamento encontrase devidamente comprovada nos autos. E para essa conduta há penalidade específica no artigo 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o que implicaria, se fosse o caso da presente autuação, na seguinte dúvida: qual a penalidade aplicar? A pena de perdimento ou a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço arbitrado e o preço declarado? Ou ainda, as duas penalidades? Com o advento do Decreto nº 8.010, de 2013, que acrescentou o § 1ºA ao artigo 703 do Regulamento Aduaneiro em vigor RA/2009, a dúvida foi esclarecida, cuja determinação é no sentido de que seja aplicada somente a pena de perdimento, se configurada a infração que enseje a imposição de ambas as penalidades. Para dirimir qualquer dúvida a respeito, segue transcrito o novel comando regulamentar, verbis: Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único).(Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 1º A multa de cem por cento referida no caput aplicase inclusive na hipótese de ausência de apresentação da fatura comercial, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades cabíveis (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “b”, item 2, e § 6º). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) (g.n.) Neste sentido, no que tange à constatação da falsidade material e ideológica das faturas comerciais e da prática do subfaturamento, uma vez que comprovados pela fiscalização e não sendo motivo de questionamento neste voto vencedor, cabenos apenas, confirmar, tal como resta evidenciado pelo nobre Relator, seu perfeito enquadramento na hipótese da infração e penalidade descritas no artigo 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 1966, combinado com o artigo 23, inciso IV, e parágrafos §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, ou seja, confirmandose a incidência da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Da descrição incorreta/incompleta da mercadorias e da multa aplicada Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.125 55 Compulsandose o já referido "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", restringindose a análise ao que é de interesse para este voto vencedor, ou seja, ao que pertine à DI 06/1176086 4, temse que a fiscalização, para além da acusação de falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, em face da ocultação do real fornecedor estrangeiro e do subfaturamento do valor declarado das mercadorias nelas discriminadas, constatou a descrição incorreta/incompleta das mercadorias importadas por meio das suas Adições 007 e 008. Em relação à imposição da multa prescrita nos parágrafos 1º e 2º, do inciso III, do artigo 69 da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o Recorrente não se defendeu; porém, como já dito, o Colegiado a quo decidiu por sua exoneração, decisão essa que foi acompanhada por parte deste Colegiado Recursal, inclusive, pelo nobre Relator, que concordando com o entendimento da DRJ, entenderam ser inaplicável a cumulação das referidas penalidades. Assim, uma vez demonstrado que os produtos importados por meio das suas Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, foram descritos de forma incompleta ou inexata, uma vez que tal acusação não foi objeto de contestação pelo Recorrente, a conduta que lhe foi imputada induvidosamente, subsumese a descrição típica da infração e respectiva multa de 1% (um por cento), capitulada no artigo 69, caput e parágrafo 1º, da Lei nº 10.833, de /2003, a seguir transcrito, verbis: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; (...) III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; (...) (g.n.) Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.126 56 Referida matéria, aliás, foi regulamentada no artigo 711, inciso III, e parágrafo 1º, III, do Decreto nº 6.759, de 2009, Regulamento Aduaneiro RA/2009, que têm o seguinte teor, verbis: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º): (...) III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1º As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §2º): (...) III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; (...) (g.n.) Dispõem os parágrafos 1º e 2º do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a seguir transcrito, verbis: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (g.n.) Diferentemente do que foi assentado no Decreto nº 8.010, de 2013, cuja determinação é no sentido de que seja aplicada somente a pena de perdimento, se configurada a infração que enseje concomitantemente a imposição da referida pena com a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço arbitrado e o preço declarado, no caso vertente, além de não haver previsão legal restritiva neste sentido, a própria norma impositiva da Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.127 57 penalidade artigo 84 da MP nº 2.15835/2001, em seu o parágrafo 2º prescreve textual e concretamente que a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria não prejudica a exigência, dentre outros gravames, de outras penalidades administrativas, que é justamente o caso da pena de perdimento da mercadoria, cuja natureza é punir que, de forma dolosa, pratica atos que visam burlar o controle aduaneiro pátrio, penalidade que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando esta não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por configurar dano ao Erário, em face de seu enquadramento em uma das hipóteses previstas nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei nº 37, de 1966. Portanto, constatada a descrição incompleta e/ou inexata da mercadoria, cuja acusação não se tem dúvida diante do silêncio do Recorrente, não se vislumbra qualquer mácula na autuação, uma vez que referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória, uma vez que a responsabilidade pela infração, neste caso, tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o artigo 94, parágrafo 2º, do Decretolei nº 37, de 1966. É como penso. Da conclusão Por tudo quanto exposto, com as vênias de praxe, voto por dar provimento ao Recurso de Ofício, para, tão somente, restabelecer a multa de 1% (um por cento), devido sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, no valor de R$ 1.000,00, em cumprimento ao disposto no parágrafo 1º do artigo 84, da MP nº 2.15835, de 2001, por entender cabíveis, na espécie, a imposição de ambas as penalidades. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Declaração de Voto Conselheiro Jorge Lima Abud. Inauguro minha Declaração de VOTO, cumprimentando o Relator e o Redator designado pela exposição dos seus argumentos. Todavia, peço vênia para discordar dos seus argumentos e passo assim a expor os motivos porquê a presente ação fiscal não poderia prosperar, dado que se apoia, ao meu sentir, em uma teratologia. Indispensável para essa demonstração a reprodução do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.128 58 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Inicialmente, faço rápida consideração sobre o cuidado de se interpretar um dispositivo tão abrangente, e também tão gravoso – já que a sanção é a pena de perdimento – de maneira afoita. Não tenho dúvidas, guardadas as devidas vênias, que no presente caso, a fiscalização, o Acórdão de Impugnação e os votos do Acórdão de Recurso Voluntário que me precederam não tiveram o devido cuidado de burilar os diversos conceitos que se amalgamam nas três linhas do dispositivo transcrito, que tem por finalidade a tipificação da figura do sujeito passivo oculto em operações de comércio exterior. Como ponto de partida da análise a ser empreendida, temos que considerar nada menos que o próprio território aduaneiro ou território nacional, sob uma ótica muito simples e direta: Ressalvadas questões ligadas a acordos e tratados internacionais, o que aqui decididamente não é o caso, o direito pátrio não atinge território alienígena. Essa é a única ótica viável, e portanto possível, de se coordenar os conceitos embutidos no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, para se definir a figura da ocultação do sujeito passivo: Ø Na exportação ocultação do REAL VENDEDOR; Ø Na importação – ocultação do REAL COMPRADOR; Essa interpretação inibe que um ato de uma autoridade fiscal / aduaneira pátria atinja solo estrangeiro. Agir de outro modo, tal qual a presente ação fiscal foi calcada, ou pelo menos em parte, é desconsiderar um sem número de acordos e tratados internacionais, sem falar na própria SOBERANIA, princípio máximo na relação entre Estados nacionais. Não obstante a esse aspecto, que ao meu ver, por si só já fulminaria as pretensões da ação fiscal, para enriquecer a discussão e assim demonstrar como o caminho escolhido por aqueles que a DERAM PROVIMENTO é árido e frágil, passo a burilar conceitos. Quem é o sujeito passivo oculto na importação? É o REAL COMPRADOR do produto importado que se acoberta pelo importador interposto e se mantem recôndito dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Quem é o sujeito passivo oculto na exportação? É o REAL VENDEDOR do produto importado que se acoberta pelo exportador interposto e se mantem recôndito dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Vale aqui uma observação: sujeito passivo oculto na exportação é uma conduta muito rara. Acompanhando o assunto de interposição fraudulenta de terceiros em comércio exterior, desde a publicação da Instrução Normativa SRF n° 52/2001, que carecia de base legal – digase em tempo, este Conselheiro só se deparou com o tema duas ou três vezes. Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.129 59 Tratamse de situações em que o exportador de fato está cometendo alguma irregularidade – exportação de outro produto que não o declarado. Em um dos casos era para fugir da tributação – produto in natura pagava imposto enquanto que produto elaborado tinha alíquota zero , enquanto que no outro caso, que me recordo, exportavase sucata enquanto se declarava produto industrializado, com a clara finalidade de se lavar dinheiro. Em ambos os casos, o exportador interposto funcionava de anteparo ao REAL VENDEDOR, que em uma eventual ação fiscal, queria se ver livre de qualquer sanção, seja penal ou administrativa. E as questões que se seguem: Quem seria o REAL VENDEDOR na importação? Quem seria o REAL COMPRADOR na exportação? No caso em análise, a fraude apontada decorreu de se pretender acobertar o REAL COMPRADOR na exportação (simulação). A INDUSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA teriam se utilizado das empresas norteamericanas interpostas, OCEANTECH, ALL OCEANS, JASFER, S&S SEAFOOD, para manipular preços e condições de pagamentos de suas operações de comércio exterior. A fiscalização aduz que estas empresas foram registradas em Miami/EUA com o fim especifico de "prestação serviços" de refaturar pedidos do grupo INACE, conforme reconhecido pela própria sócia formal de uma destas empresas estrangeiras (Doc. A.1), ou seja, instruir operações de importações com faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados, conforme quadro abaixo. (...) Antes de se atreverem a responder essas questões, questões que o presente processo não responde, e mesmo sem um conceito definido capitulam a conduta descrita como infracional no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, advirto para o desatino de se tentar buscar essas duas respostas. Estabeleçome em território estrangeiro como pessoa jurídica. Recebo dinheiro do Brasil, declarado, e passo a atuar como um “testa de ferro” na compra de produtos para enviálos ao Brasil. As autoridades fiscais / aduaneiras vão dizer que eu estou ocultando quem? E se eu não fosse um nacional? Fosse eu cidadão de outra nacionalidade com capital próprio ou de outros estrangeiros e resolvo exportar para o Brasil uma revenda de material adquirido, como o caso que se apresenta? Que risco corro de ser enquadrado como ocultador do REAL VENDEDOR na importação? A dúvida é pertinente sim, já que a letra do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, não faz qualquer menção à nacionalidade ou grau de parentesco, já que pode se alegar essas condições para tipificar o presente caso. Ao se burilar conceitos na busca de quem seria o REAL COMPRADOR na exportação é que se percebe o completo desatino de não se usar os limites do território nacional como referência. Poderia à caso a autoridade fiscal/aduaneira decretar a pena de Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.130 60 perdimento de bem nacional exportado à comprador estrangeiro que ela consideraria interposto (ocultador) do REAL COMPRADOR lá no exterior? Portanto, para adequada interpretação do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, devese ater a seguinte relação: Ø Na exportação ocultação do REAL VENDEDOR; Ø Na importação – ocultação do REAL COMPRADOR; Continuando à análise, é momento propício de se adentrar com a Instrução Normativa SRF n° 327/2003: Art. 15. A utilização do método do valor de transação nas operações comerciais entre pessoas vinculadas somente será permitida quando a vinculação não tiver influenciado o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Art. 16. A vinculação de que trata o artigo anterior diz respeito à relação existente entre o comprador e o vendedor na transação comercial de compra e venda das mercadorias. Art. 17. Na análise da vinculação de que trata o artigo 15, parágrafo 4, alínea "h", do Acordo de Valoração Aduaneira, serão considerados membros da mesma família: I marido e mulher; II irmão e irmã; III ascendente e descendente em primeiro e segundo graus, em linha direta; IV tio, tia, sobrinho e sobrinha; V sogro, sogra, genro e nora; VI cunhado e cunhada. Art. 18. Presumese a vinculação entre as partes na transação comercial quando, em razão da legislação do país do vendedor ou da prática de artifício tendente a ocultar informações, não for possível: I conhecer ou confirmar a composição societária do vendedor, de seus responsáveis ou dirigentes; ou II verificar a existência de fato do vendedor. É essa a arma à disposição da fiscalização pátria – referendada pelo Acordo de Valoração Aduaneira – para lidar com qualquer espécie de VINCULAÇÃO entre exportador estrangeiro e importador nacional e/ou exportador estrangeiro interposto (inexistente): a valoração aduaneira. Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.131 61 Verificada a vinculação e/ou a ação de exportador estrangeiro interposto, a autoridade fiscal / aduaneira pode desabonar o valor declarado e proceder à valoração aduaneira. Procedimento bem distinto da aplicação da pena de perdimento com base na ocultação do sujeito passivo. Portanto, a pena de perdimento não pode prevalecer. Faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados A função da sólida construção jurisprudencial é fornecer critérios precisos para a equânime e indistinta aplicação da Lei. Indispensável, mais uma vez, a transcrição do fulcro legal da pena de perdimento: ² Inciso, VI do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; O prosseguimento da presente análise consistirá na busca da distinção entre os conceitos de “subfaturamento” e “falsidade ou adulteração de documento necessário ao seu embarque ou desembaraço”, este último passível de aplicação de pena de perdimento. Mister dizer que a legislação, a doutrina e a própria jurisprudência fazem essa distinção: Ø A mercadoria submetida a despacho de importação, dentre outros controles aduaneiros, submetese ao controle do valor aduaneiro, em conformidade às regras estabelecidas no Acordo sobre a Implementação do art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT 1994, aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 30 de 15/12/94 e promulgado pelo Decreto n.º 1.355 de 30/12/94; Ø O desiderato deste controle se refere à não concordância da fiscalização aduaneira em relação ao preço declarado na importação, frente às regras referentes ao procedimento de valoração aduaneira. Para tanto, a fiscalização se vale dos métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira (GATT), fundamentando a decisão em caso de desconsideração do valor da transação; Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.132 62 Ø O objetivo da valoração aduaneira é determinar o valor de uma mercadoria para fins de incidência do Imposto de Importação e de todo e qualquer encargo baseado no valor aduaneiro, inclusive o ICMS e o IPI; Ø Para tanto, a fiscalização deve seguir regiamente os seis métodos de valoração aduaneira, a saber: 1º método: valor de transação; 2º método: valor de transação de mercadorias idênticas; 3º método: valor de transação de mercadorias similares; 4º método: valor de revenda; 5º método: valor computado; 6º método: valor obtido por critérios razoáveis. Ø O Fisco aplicará o método substitutivo, pautado no artigo 148 do Código Tributário Nacional – rito de arbitramento , mediante a observância do direito de defesa. A valoração aduaneira é o sistema utilizado segundo os critérios do Acordo de Valoração Aduaneira da Organização Mundial de Comércio (OMC), resultando na justa fixação da base de cálculo dos tributos aduaneiros. Este sistema contribui para a regulação dos mercados, constitui uma forma de controlar os preços internacionais, impedindo o sub ou o superfaturamento nas operações internacionais. O que caracteriza o subfaturamento na importação é a constatação da diferença entre os valores APURADOS através dos métodos de valoração aduaneira e os declarados pelo importador na declaração de importação. Os efeitos do subfaturamento serão: a) majorar a base de cálculo dos tributos aduaneiros; e a b) incidência da multa prevista no artigo 108 do DecretoLei n° 37/66. A diferença fundamental que precisa ser ressaltada no tocante à distinção entre subfaturamento e a incidência da pena de perdimento por força do inciso, VI do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66, reside no fato de que a incidência da pena de perdimento tem por preceito frustrar a operação de importação por inteiro, já que foi amparada por documentação FALSA. Sendo assim, elegese o seguinte critério: Ã Se a declaração dos valores vier a configurar falsidade ideológica, estáse diante de subfaturamento; Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.133 63 Ã Se a declaração dos valores vier a configurar falsidade material, estáse diante de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria. No intuito de prosseguir na análise, indispensável fazer mais essa distinção: Ã FALSO IDEOLÓGICO – neste caso o documento é formalmente correto, sendo, porém, falsa a idéia nele expressa. Aquele que emite o documento tem efetiva legitimidade para tanto. No entanto, acaba inserindolhe um conteúdo falso (que no caso específico da valoração aduaneira é um valor de transação não aceito); Ã FALSO MATERIAL – aqui não se trata da perfeição da idéia contida no documento, mas a incorreção reside no próprio documento que é forjado, contrafeito, falsificado, alterado. Conforme explica Fernando Capez (Curso de Direito Penal, Volume 3, p. 319): “Concluise com base nessa lição que o documento ideologicamente falso é elaborado por pessoa que tinha a incumbência de fazelo, a qual, no entanto, insere conteúdo inverídico, ao passo que, no falso material, forjase um documento, falsificase a assinatura ou se procede a alguma modificação na estrutura do documento, daí o porquê de somente se exigir prova pericial quando a falsidade for material”. A partir da eleição desse critério, o texto do inciso VI, do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66 parece se coadunar perfeitamente com esta distinção, ao mencionar as expressões ‘falsificado” e “adulterado”. VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (Grifo e Negrito Nossos) Assim no subfaturamento a conduta consiste na declaração de valores que não traduz a realidade da operação comercial, mas a fatura comercial, enquanto documento emitido pelo exportador, mantémse hígida quanto aos seus requisitos extrínsecos. Já na falsificação ou adulteração de documento a própria fatura comercial, ou qualquer outro documento que instrui o desembaraço aduaneiro, é materialmente falsa. Essa diferença fica mais evidente quanto aos seus efeitos, ao se perceber a distinção dos procedimentos adotados pela fiscalização aduaneira para evidenciar uma e outra prática. Há que se diga que tanto no “subfaturamento” quanto na “falsidade ou adulteração de documento necessário ao seu embarque ou desembaraço” o ônus da prova cabe à fiscalização, mas existe uma nítida distinção dos procedimentos por ela adotados: Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.134 64 ● No subfaturamento a fiscalização desabona o valor aduaneiro declarado (1º método de valoração aduaneira), em face da adoção de um dos métodos de valoração aduaneira susequentes; ● Na falsificação ou adulteração de documento a fiscalização demonstra que a fatura comercial, ou qualquer outro documento que instrui o desembaraço aduaneiro, é FALSA frente a outros elementos inerentes à própria transação, como por exemplo a troca de emails entre importador e exportador e a constatação do valor real das mercadorias importadas mediante a consulta de catálogos ou no próprio sítio do fabricante/exportador na internet. Repisase que no caso do falsificação ou adulteração de documento NÃO há o que se falar e adoção de método de valoração aduaneiro subsequente. A fiscalização prescinde do procedimento de valoração, pois foi constatado o valor REAL do bem importado através de provas inerentes à transação. A jurisprudência judicial confirma esse entendimento ¹ Julgados relativos ao subfaturamento. § STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1242532 RS 2011/00456921 (STJ) Data de publicação: 02/08/2012 Ementa: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. PENA DEPERDIMENTO. ART. 105 , VI , DO DL 37 /66. NÃO INCIDÊNCIA. HIPÓTESESUJEITA À MULTA. ART. 108 , PARÁGRAFO ÚNICO , DO DL 37 /66.1. A pena de perdimento, prevista no art. 105, VI, do Decreto Lei37/66, incide nos casos de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria, enquanto a multa prevista no parágrafo único do art. 108 do mesmo diploma legal destinase a punir declaração inexata em seu valor, natureza ou quantidade da mercadoria importada.2. Quando a declaração de importação é falsa quanto à natureza da mercadoria importada, seu conteúdo ou quantidade, será possível aplicarse, a par da multa, também a pena de perdimento em relação ao excedente não declarado, tendo em vista o que dispõe o inciso XII do art. 618 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4.543 /02).3. Todavia, quando a hipótese é exclusiva de subfaturamento, não há regra semelhante autorizando a pena de perdimento, devendo ser aplicada somente a norma específica, que é a multa de 100% sobre a diferença apurada entre o valor real e o declarado, nos termos do art. 108 , parágrafo único , do DL 37 /66.4. No caso, segundo o arcabouço fático delineado na origem, houve apenas subfaturamento, vale dizer, indicação de valores a menor para a operação de importação, o que afasta a incidência da pena de perdimento. 5. Recurso especial não provido. (Grifo e Negrito Nossos) Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.135 65 § TRF1 AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO AGA 277254220134010000 DF 002772542.2013.4.01.0000 (TRF1) Data de publicação: 14/11/2013 § STJ RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA RMS 26964 GO 2008/01149334 (STJ) Data de publicação: 11/09/2008 Ementa: TRIBUTÁRIO. ICMS. ART. 148 DO CTN . ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INDÍCIOS DE SUBFATURAMENTO. 1. A pauta fiscal é valor fixado prévia e aleatoriamente para a apuração da base de cálculo do tributo. Não se pode confundila com o arbitramento de valores previsto no artigo 148 do Código Tributário Nacional , que é modalidade de lançamento, regularmente prevista na legislação tributária. 2. O art. 148 do CTN deve ser invocado para a determinação da base de cálculo do tributo quando certa a ocorrência do fato imponível, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública, nesse caso, autorizada a proceder ao arbitramento mediante processo administrativofiscal regular, assegurados o contraditório e a ampla defesa. 3. Ao final do procedimento previsto no art. 148 do CTN , nada impede que a administração fazendária conclua pela veracidade dos documentos fiscais do contribuinte e adote os valores ali consignados como base de cálculo para a incidência do tributo. 4. Caso se entenda pela inidoneidade dos documentos, a autoridade fiscal irá arbitrar, com base em parâmetros fixados na legislação tributária, o valor a ser considerado para efeito de tributação. 5. No caso, havendo indícios de subfaturamento, os fiscais identificaram o sujeito passivo, colheram os documentos necessários à comprovação da suposta infração e abriram processo administrativo para apurar os fatos e determinar a base de cálculo do imposto a ser pago, liberando na seqüência as mercadorias. Não se trata, portanto, de pauta fiscal, mas de arbitramento da base de cálculo do imposto, nos termos do que autoriza o art. 148 do CTN . 6. Recurso ordinário em mandado de segurança não provido (Grifo e Negrito Nossos) § STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1240005 RS 2011/00421311 (STJ) Data de publicação: 17/09/2013 Ementa: TRIBUTÁRIO DESEMBARAÇO ADUANEIRO DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SUBFATURAMENTO DO BEM IMPORTADO ART. 105 , VI , DO DECRETOLEI N. 37 /66 PENA DE PERDIMENTO DO BEM INAPLICABILIDADE APLICAÇÃO DA MULTA DE 100% Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.136 66 PREVISTA NO ART. 108 , PARÁGRAFO ÚNICO , DA REFERIDA NORMA. 1. Esta Corte firmou o entendimento de que a pena de perdimento prevista no art. 105 , VI , do Decreto Lei 37 /66 incide nos casos de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria. A multa prevista no parágrafo único do art. 108 do mesmo diploma legal destinase a punir declaração inexata de seu valor, natureza ou quantidade da mercadoria importada. 2. Tratando os autos de caso de subfaturamento, deve ser mantido o acórdão a quo, a fim de se afastar a pena de perdimento pretendida pela Fazenda Nacional. 3. Recurso especial não provido. ¹ Julgados relativos à incidência da pena de perdimento. § TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 792 SP 2009.61.19.0007921 (TRF3) Data de publicação: 10/02/2011 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. SUBFATURAMENTO. FISCALIZAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. LEGALIDADE. 1. A autoridade aduaneira, durante a verificação física das mercadorias submetidas a despacho aduaneiro, encontrou, nos volumes da carga, uma outra fatura comercial (Commerce Invoice PNPE/H#865295), emitida pela empresa Selectron Technology Co. China e endereçada à empresa Alcatel Business Systems France (empresa exportadora das mercadorias importadas pela ora apelante), sendo que parte das mercadorias relacionadas nesta fatura correspondia aos itens constantes das faturas que acompanharam a declaração de importação. 2. Mediante o confronto da fatura emitida pela Selectron Technology Co. China com a fatura emitida pela Alcatel Business Systems France à ora apelante, verificouse que os valores constantes da primeira eram superiores aos valores declarados. 3. Não há argumento lógico que possa sustentar o fato de a empresa exportadora (Alcatel Business Systems France) ter comprado mercadoria da China a determinado preço e, posteriormente, vendido esta mesma mercadoria para a apelante a preços menores, razão pela qual concluiu a autoridade aduaneira ter havido a apresentação de documento contendo informações falsas. 4. Intimada a fornecer documentos que pudessem contribuir com a fiscalização, a apelante apresentou a lista de preços dos produtos a ela vendidos pela Alcatel Business Systems France, restando comprovado que o valor declarado pela apelante para o produto analog interfaces SLI16I foi inferior em U$ 99,66, por unidade, ao preço constante da referida lista. 5. Restou também apurada, ainda tomandose por base a referida lista e confrontandose os preços dela constantes com aqueles que foram declarados, uma diferença total de U$ 22.573,16, o que gerou uma sonegação estimada de R$ 23.930,95 (fls. 83/84). 6. Havendo a correta subsunção do fato Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.137 67 descrito no auto de infração à norma do artigo 618 , VI do Decreto nº 4.543 /02, e somandose a este fato o regular desenvolvimento da ação de fiscalização, não há que se falar em qualquer ilegalidade na aplicação da pena de perdimento, perfeitamente cabível no caso sob análise. 7. Apelação a que se nega provimento.... (Grifo e Negrito Nossos) § TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 31935 PR 2007.70.00.0319359 (TRF4) Data de publicação: 16/06/2010 Ementa: TRIBUTÁRIO. SUBFATURAMENTO. ADUANEIRO. IMPORTAÇÃO. FUNDADOS INDÍCIOS DE FALSIDADE PUNÍVEL COM A PENA DE PERDIMENTO. A administração aduaneira, diante de fortes indícios de falsidade das informações constantes na documentação de importação, consubstanciados na divergência entre o equipamento efetivamente importado e o declarado, bem como no tocante ao fato de não se tratar de máquina nova mas usada, pode, mediante instauração do correspondente Procedimento Especial de Fiscalização, aplicar a pena de perdimento ao bem (Decreto nº 4.542 /2002, art. 705; Decretolei nº 37 /1966, art. 105 , VI ; IN SRF nº 206/2002, art. 69), e não com a multa prevista § único do art. 108 do Decretolei 37 /66, porquanto esta situação não se restringe a mero subfaturamento. (Grifo e Negrito Nossos) Portanto, no nosso entender, fatura ideologicamente falsa não enseja a pena de perdimento e sim o procedimento de valoração aduaneira com a majoração da base de cálculo dos tributos aduaneiros e a incidência da multa prevista no artigo 108 do DecretoLei n° 37/66. Portanto, também nesse caso, a pena de perdimento não pode prevalecer. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Fl. 3137DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.003711/2008-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
Decadência.
O prazo decadencial para os tributos de apuração trimestral tem seu início de contagem a partir do encerramento do trimestre, quando aplicável o art. 150 do CTN.
Inconstitucionalidade.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-000.447
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Decadência. O prazo decadencial para os tributos de apuração trimestral tem seu início de contagem a partir do encerramento do trimestre, quando aplicável o art. 150 do CTN. Inconstitucionalidade. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Fl. 422DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 419 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade Irineu Bianchi E Marcos Rodrigues de Mello Relatório Os autos de infração a folhas 4 a 16 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 373.460,23, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 109.616,57 67.891,71 82.212,42 259.720,70 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 47.883,39 29.943,61 35.912,53 113.739,53 DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS O autuante, reportandose ao termo de verificação a folhas 18 a 20, atribui à autuada as infrações de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – Glosa dos valores declarados a título de PIS nãocumulativo, utilizado como despesa na demonstração do resultado, em valores superiores ao apurado e recolhido. Valor apurado conforme livro diário e razão, confirmado na DIPJ – declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica. Datas do fato gerador: 31.03.2003, 30.06.2003, 30.09.2003, 31.12.2003. Enquadramento legal para o IRPJ: artigo 249, inciso I, artigo 251, parágrafo único, artigos 299 e 300, todos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. Enquadramento legal para a CSLL: artigo 2º, e seus parágrafos, da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 1º da Lei nº 9.316, de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. 2. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE – SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES – Compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o lançamento de ofício, por meio deste auto de infração, relativo aos períodosbases do 1º e do 2º trimestre do anocalendário de 2003, em decorrência da glosa de dedução indevida. Datas do fato gerador: 30.09.2003, 31.12.2003. Enquadramento legal para o IRPJ: artigo 247, artigo 250, inciso III, artigo 251, parágrafo único, artigos 509 e 510, todos do RIR 1999. Enquadramento legal para a CSLL: artigo 2º, e seus parágrafos, da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 1º da Lei nº 9.316, de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 18 a 20 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 420 3 • A empresa contabilizou as receitas auferidas no anocalendário de 2003, bem como apurou os tributos devidos, sem porém apresentar as respectivas DCTF (declaração de débitos e créditos tributários federais) e sem recolher os débitos relativos ao IRPJ, à CSLL e à Cofins – contribuição para o financiamento da seguridade social. • O contribuinte optou pela tributação do IRPJ com base no lucro real trimestral e apurou o resultado positivo de R$ 33.826,65 no 3º trimestre e de R$ 102.313,95 no 4º trimestre. Quanto ao 1º e 2º trimestre, a empresa apurou prejuízo, respectivamente, de R$ 11.880,11 e R$ 9.018,63. Os prejuízos foram compensados pelo contribuinte nos dois trimestres subsequentes. • Entretanto, tais valores foram apurados com erro, uma vez que o contribuinte deduziu, na demonstração do resultado, despesas com o PIS/Pasep de R$ 66.003,39, R$ 80.848,98, R$ 106.291,89 e R$ 124.334,44, respectivamente, no 1º, 2º, 3º e 4º trimestre, ao passo que os valores efetivamente apurados e pagos foram R$ 194,70, R$ 793,99, zero e R$ 1.491,60, conforme demonstrado nos DACON (demonstrativo de apuração das constribuições sociais) apresentados pelo contribuinte, cuja cópia se acha a folhas 224 a 243. • Os valores deduzidos pelo contribuinte na demonstração do resultado foram aqueles apurados contabilmente, antes de descontados os créditos a que ele faz jus. • Portanto, as diferenças entre o valor utilizado pelo contribuinte e o valor apurado no DACON devem ser adicionados ao valor apurado pelo contribuinte, determinando assim o verdadeiro lucro líquido do período de apuração. • Concluise que o contribuinte cometeu duas infrações, a saber, a dedução indevida de PIS/Pasep e a compensação de prejuízo inexistente no 3º e no 4º trimestre. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO A notificação dos lançamentos foi feita pessoalmente em 27.03.2008. Por via postal, conforme envelope a folhas 314, em 28.04.2008, uma segundafeira, a autuada enviou uma só impugnação, juntada a folhas 315 a 339. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. • Segundo o artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, o prazo para impugnar é de 30 dias. No caso em tela, a primeira intimação foi recebida em 27.03.2008. Dessa forma o dies ad quem se dará em 26.04.2008, recaindo para o primeiro dia útil seguinte, 28.04.2008 (segundafeira), de modo que não há dúvida sobre a tempestividade da presente impugnação. • A exigência fiscal não possui fundamentos para subsistir e deve ser cancelado o auto de infração em sua totalidade, por não preencher os requisitos indispensáveis, por ter ocorrido decadência e principalmente por serem inequivocamente indevidos o tributo, as multas e os encargos da forma como pretende o fisco. Preliminar de decadência do crédito tributário • No caso, ocorreu o fenômeno da decadência e é certo que o fisco não pode constituir nenhum crédito tributário referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2003, tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 27.03.2008. • O IRPJ e a CSLL são tributos que se classificam entre os chamados por homologação, o que os sujeita ao artigo 150 do CTN, especialmente a regra do seu § 4º para fins de contagem do prazo decadencial. Fl. 424DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 421 4 • Na hipótese dos autos, a regra geral relativa ao prazo decadencial não reside no artigo 173, inciso I, do CTN, mas sim no seu artigo 150, § 4º, conforme adverte parte considerável da doutrina. Esse é o entendimento pacífico do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do mesmo órgão. • Em vista da farta jurisprudência coligida, eventuais alegações tendentes a deslocar a regra de decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, para o artigo 173, inciso I, devem ser prontamente afastadas. Não cabe aqui a ressalva de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, porque em momento algum a fiscalização cogitou de nenhuma dessas circunstâncias. Caso entendesse presente tais condutas, teria aplicado a multa agravada, o que não foi o caso nem o poderia ser. • Não cabe alegar que a decadência não ocorreu em razão de que, para fins de IRPJ e CSLL, devem ser analisados os trimestres, e não os meses isoladamente, tendo em vista que a impugnante estaria submetida à sistemática do lucro real. Esse argumento é desprovido de fundamento jurídico válido, tendo em vista que o artigo 150, § 4º, do CTN é claro no sentido de que o marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data da efetiva ocorrência do fato gerador, e não uma data fixada pela legislação para fins de apuração e recolhimento dos tributos. • Como é impensável que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL somente ocorram de forma efetiva uma vez a cada trimestre, fica evidente que todos os eventos que resultaram na tributação pelos referidos tributos do dia 01/01/2003 até 26/03/2003 devem ser excluídos de suas bases de cálculo em razão da decadência. • Não sobejam dúvidas de que a fiscalização efetivamente decaiu do seu direito de lançar qualquer tributo cujo suposto fato gerador seja anterior a 27 de março de 2003, uma vez que a autoridade administrativa se manteve inerte durante anos e somente procedeu ao lançamento de ofício nessa data. Mérito – exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS • É necessário retificar a base de cálculo usada pela fiscalização, porque levou em conta todo o valor do PIS apurado pela impugnante, ilegalmente majorado pelo ICMS em sua base. Dessa forma, o resultado deve ser recomposto, eliminando da base de cálculo do PIS o valor do ICMS, e somente depois dessa operação podese aferir a parcela do IRPJ e da CSLL que supostamente não teria sido recolhida. • Desde a sua instituição, o PIS teve como base de cálculo o faturamento, conceito tipicamente delimitado no direito privado e que não pode ser alterado pela legislação tributária, segundo determina expressamente o artigo 110 do CTN. Entretanto, com a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a União Federal tentou alterar essa concepção, determinando que a exação em causa tenha como base de cálculo a totalidade das receitas do contribuinte, adotando este o conceito de faturamento para fins tributários. • Posteriormente, foi editada a Emenda Constitucional nº 20, de 1998, que alterou o artigo 195, I, da CF 1988, e incluiu o vocábulo receita no seu texto, tentando dotar de constitucionalidade a Lei nº 9.718, de 1998, como se isso fosse permitido em nosso ordenamento. Todavia, após anos de disputa judicial, a questão foi finalmente submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal – STF, que em 09.11.2005 declarou a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Dessa forma, ficou consolidado que a base de cálculo do PIS seria apenas o faturamento das empresas, e entendese este como o resultado das vendas de mercadorias e prestação de serviços. Fl. 425DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 422 5 • A jurisprudência do STF somente valeria para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei n] 10.637, de 2002, visto que essa lei, em razão de ter sido publicada sob a égide da EC nº 20, de 1998, teria validamente ampliado a base de cálculo do PIS para todas as receitas do contribuinte. Contudo, sendo a base de cálculo do PIS a receita ou o faturamento, em nenhum caso poderia ser incluído o ICMS. • No caso de tributos, estamos tratando de receita pública, destinada ao ente tributante competente para cobrála. Dessa forma, a parcela referente ao ICMS efetivamente não pertence à autuada e não se caracteriza como sua receita nem como parcela de seu faturamento, mas é apenas recolhida e repassada ao estado da federação a que se destina. • Assim, o ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS, mesmo após a vigência da Lei nº 10.637, de 2002, de forma que deve ser descontado no presente caso, e ser reformulado todo o resultado apurado pela fiscalização. • Em termos gerais, receita é todo o numerário recebido pelo contribuinte e que passa a integrar seu patrimônio, ou seja, a receita tem que trazer acréscimo patrimonial. Em abono do argumento, citamse passagens doutrinárias. • A necessidade da ocorrência de acréscimo patrimonial para que valores recebidos pela pessoa jurídica sejam classificados como receita já foi reconhecida até mesmo pela Receita Federal, como aponta Ricardo Mariz de Oliveira, reportandose aos Pareceres Normativos CST nº 121, de 1973, e nº 35, de 1974. Na medida em que o ICMS não implica nenhum acréscimo patrimonial, não pode ser considerado como parte de sua receita, mas tão somente mero ingresso. • Diante desse quadro, em que o ICMS não é faturamento nem receita da impugnante, é inquestionável a necessidade de ser revisto o lançamento, conforme entendimento majoritário do STF. Ilustrase o argumento com a transcrição de trecho de voto atribuído ao Ministro Marco Aurélio de Mello. • Ao se incluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, afrontase o fato gerador dessas contribuições. Por conseguinte, afrontase diretamente a CF 1988, artigo 195, I, “b”. O contrário equivale a considerar que o ICMS é parte do faturamento ou da receita, o que culminaria na ilegal ampliação do alcance desses conceitos fixados no direito privado, em evidente afronta ao artigo 110 do Código Tributário Nacional. • Sob qualquer prisma que se analise a questão, é patente a impossibilidade da inclusão do citado imposto estadual na base de cálculo do PIS, o que leva à necessidade de cancelamento do auto de infração ou, na pior hipótese, da sua reformulação. Impossibilidade de aplicação da multa no patamar exigido pelo fisco • Sendo improcedente todo o lançamento fiscal, a multa aplicada é evidentemente indevida. Entretanto, caso seja considerado procedente o lançamento, ainda assim a multa não pode ser aplicada no patamar exigido pelo fisco. • Não há falar que na esfera administrativa não pode ser oposta a arguição de inconstitucionalidade, primeiramente porque não se pretende a declaração de inconstitucionalidade de nenhuma disposição. Em segundo lugar, porque a impossibilidade da Fl. 426DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 423 6 discussão sobre a constitucionalidade das leis não impede que a aplicação de princípios e normas constitucionais sejam questionados administrativamente. • Princípios como a ampla defesa, a moralidade, a razoabilidade, a capacidade contributiva, a vedação ao confisco e a eficiência, devem ser atendidos pela autoridade administrativa em qualquer hipótese. Se o contribuinte considera que tais princípios não foram corretamente aplicados, pode requerer que a própria autoridade se manifeste sobre a matéria. Tal fato não implica arguição de inconstitucionalidade, mas simplesmente observância da Constituição Federal. Nesse sentido é claro o artigo 2º da Lei nº 8.784, de 1999. • É pacífico na doutrina e na jurisprudência que os limites ao poder de tributar são verdadeiros direitos e garantias fundamentais e se caracterizam como cláusula pétrea na CF 1988, porque decorrem de princípios prescritos no seu artigo 5º. Entre esses limites, citase a proibição do confisco, instituído pelo inciso IV do artigo 150 da CF 1988. • Os constitucionalistas e os tributaristas têm entendido que o primado, além de dever ser implementado de forma ampla, por ser direito e garantia individual, visa a proteger o patrimônio do contribuinte e que não faz sentido não englobar também as multas e as contribuições. • Cobrar uma multa exorbitante em função de algum tributo equivale a usar indiretamente esse tributo de maneira confiscatória. Desse modo, nada mais confiscatório do que aplicação de multa igual a 75% do principal. Ilustrase o argumento com a citação de passagens doutrinárias e de precedente judicial. • O artigo 145, §1º, da CF 1988 expressamente estabelece que a autoridade administrativa deve respeitar o princípio da capacidade contributiva quando apurar e exigir tributos e contribuições. Já ao contribuinte cabe questionar os critérios adotados para o efetivo cumprimento desse dispositivo. • Em respeito ao princípio da eventualidade, combatese a exigência de multa isolada, também porque é excessivamente onerosa, desproporcional e, portanto, flagrantemente ofensiva aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. • Tradicionalmente, os atos legislativos e administrativos sujeitavamse exclusivamente ao controle da legalidade. A partir do momento em que a constituição deixou de ser mero repositório de normas pragmáticas para assumir densidade e normatividade jurídica, a jurisprudência passou a admitir que os atos do Poder Público possam ser contrastados também em sua razoabilidade ou proporcionalidade. • Os elementos objetivos que permitem dizer se o ato do poder público é ou não razoável são: a adequação entre o fim perseguido e o instrumento empregado; a exigibilidade ou necessidade da medida; a proporcionalidade em sentido estrito. • No caso versado, as multas correspondem a grande parte do auto de infração, aproximando se do valor do principal. Em termos econômicos, o imposto, fonte de arrecadação e fim último da tributação, transformase em acessório, e o acessório em principal, o que demonstra a grave ofensa ao princípio da razoabilidade ou proporcionalidade. • A penalidade não pode transformarse na fonte principal de arrecadação, que é o pagamento do tributo. Essa subversão de objetivos fica clara no auto de infração. • Dessa forma, é requerida a supressão da multa ou sua redução para o patamar mínimo. Impossibilidade de aplicação da taxa Selic Fl. 427DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 424 7 • O cômputo dos juros moratórios com base na taxa Selic é evidentemente ilegal por consistir em remuneração do capital. Sua natureza jurídica foi precisamente delineada como remuneratória em circulares do Banco Central do Brasil. • Os juros moratórios têm caráter compensatório ou indenizatório, enquanto os juros remuneratórios têm como finalidade recompensar aquele que deixa voluntariamente de usar seu capital, cedendoo para o uso de outrem. Em abono do argumento citase passagem doutrinária e precedente judicial. • Nos termos do artigo 161 do CTN, os juros de mora somente podem incidir à taxa de 1% ao mês. Qualquer disposição contrária, veiculada por ato normativo inferior ao CTN é inaplicável, principalmente quando utiliza como parâmetro índice de natureza remuneratória e não somente compensatória de suposta mora do contribuinte. • Diante disso, devem ser excluídos do crédito tributário os valores cobrados a título de juros de mora com base na taxa Selic, aplicandose tão somente os juros previstos no CTN. Pedido • Pedese que seja julgada procedente a impugnação, retificandose o auto de infração, determinandose de pronto o seu trancamento e exonerandose a impugnante dos gravames do litígio. • Na pior das hipóteses, deve ser reformulado o crédito tributário, acolhendose a preliminar de decadência e excluindose o ICMS da base de cálculo do PIS, de forma que se altere o IRPJ e a CSLL exigidos. • Alternativamente, pedese que a multa seja retirada ou reduzida ao menor patamar legalmente possível, tendo em vista as razões ora esboçadas e principalmente a aplicação do princípio da retroatividade benéfica no que se refere à Lei nº 11.488, de 2007. • Pugnase pela exclusão dos valores cobrados a título de juros com base na taxa Selic, aplicandose tão somente os juros previstos no CTN. • Protestase pela realização de quaisquer tipos de prova e pela juntada de novos documentos capazes de elidir o feito fiscal. A DRJ decidiu conforme ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS REGIME NÃOCUMULATIVO VALOR DEDUTÍVEL Na determinação do lucro real, somente é dedutível a título de despesas com contribuição para o PIS o valor que tiver sido apurado como efetivamente devido segundo o regime nãocumulativo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS REGIME NÃOCUMULATIVO VALOR DEDUTÍVEL Fl. 428DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 425 8 Na determinação da base de cálculo da CSLL, apenas é dedutível a título de despesas com contribuição para o PIS o valor que tiver sido apurado como efetivamente devido segundo o regime nãocumulativo. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 12/08/2009 e apresentou recurso em 04/09/2009. Em seu recurso alega: Decadência do direito de lançar, tendo em vista que a ciência se deu em 27/03/2008, quando já transcorridos mais de cinco anos dos fatos geradores referentes a janeiro e fevereiro de 2003; A impossibilidade de aplicação de multa no patamar exigido pelo fisco, diante dos princípios da moralidade, razoabilidade, capacidade contributiva e vedação de confisco; E, finalmente, se insurge contra a aplicação da taxa selic. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Sobre a alegação de decadência, importa esclarecer que o contribuinte optou pelo regime de apuração trimestral do lucro real, conforme declaração de rendimentos de fls. 244 e seguintes. Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, em relação ao 1º trimestre de 2003, o fisco tinha o prazo até 31/03/2008 para dar ciência do lançamento. Tendo sido a ciência do lançamento em 27/03/2008, não há de se falar em decadência. Quanto à alegação de inaplicabilidade da multa de ofício por suposta inconstitucionalidade, este colegiado não possui competência para se pronunciar sobre a matéria, nos termos da súmula nº 2 do Conselho de Contribuintes: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também não merece acolhida o argumento de inaplicabilidade da taxa selic, nos termos da súmula nº 4 do Conselho de Contribuintes: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 429DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.003711/200843 Acórdão n.º 130200.447 S1C3T2 Fl. 426 9 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 430DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10880.662128/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 28 /2 01 2- 07 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.662128/201207 Acórdão n.º 1201002.523 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 3º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.662128/201207 Acórdão n.º 1201002.523 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662128/201207 Acórdão n.º 1201002.523 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662128/201207 Acórdão n.º 1201002.523 S1C2T1 Fl. 6 5 IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.100676/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente PAULO GEREMIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 6/13, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2003, exercício 2004, que alterou o valor do Imposto de Renda a restituir de R$ 167.236,93 para imposto suplementar de R$ 48.990,82, sujeito à multa de ofício, e R$ 1.738,34, sujeito à multa de mora, em virtude de dedução indevida de dependentes, dedução indevida de despesas médicas, omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .1 00 67 6/ 20 08 -3 1 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11080.100676/200831 Resolução nº 2401000.701 S2C4T1 Fl. 225 2 Em impugnação apresentada às fls. 2/5, o contribuinte alega que é portador de cardiopatia grave desde 20/1/03, pleiteia a isenção do imposto e requer seja cancelada a notificação. A DRJ/POA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1027.339 de fls. 161/162, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. São isentos do imposto de renda, nos termos da legislação, os rendimentos de aposentadoria de contribuinte com doença grave comprovada por laudo oficial. Consta do voto que: Examinando a documentação existente no presente processo, as razões apresentadas na impugnação, verificamos que o contribuinte apresenta laudo médico, fl. 13, comprovando doença grave nos termos da legislação tributária. A legislação estabelece que só os rendimentos de aposentadoria de portador de doença grave é que são isentos do imposto de renda, art. 39, inciso XXXIII. Pela documentação apresentada, somente os rendimentos recebidos do Estado do Rio Grande do Sul, R$ 4.381,20, é que são de aposentadoria, e, portanto, isentos. Retirandose da base de cálculos os rendimentos isentos citados apura se uma redução no imposto lançado de R$ 1.205,02. Cientificado do Acórdão em 8/12/10 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 167), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 4/1/11, fls. 168/169, que contém, em síntese: Alega que os demais rendimentos também são de aposentadoria, sendo isentos. Diz que os rendimentos recebidos do SESC (inclusive o decorrente de ação trabalhista) são complementação de aposentadoria. Assim, tais importâncias deverão ser excluídas da base de cálculo do imposto de renda, já que provenientes de aposentadoria e foi reconhecido que o contribuinte é portador de moléstia grave. Alternativamente, no caso de haver outro entendimento, que sejam considerados os rendimentos abaixo descritos: 1) GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL R$ 4.381,90 e R$ 12.696,00 isentos pela condição de maior de 65 anos; 2) INSS R$ 5.855,58 e R$ 13.754,00 isentos pela condição de maior de 65 anos; 3) SESC ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO RIO GRANDE DO SUL R$ 64.779,85 referente complemento de aposentadoria; e 4) SESC ADMINISTRAÇÃO Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11080.100676/200831 Resolução nº 2401000.701 S2C4T1 Fl. 226 3 REGIONAL DO RIO GRANDE DO SUL R$ 606.248,36, decorrente de ação trabalhista de cobrança de diferenças de aposentadoria com sentença proferida pela 5ª Turma do TRT 4ª Região em 30 de junho de 200l e transitada em julgado em 16 de dezembro de 2002. Os valores foram recebidos no ano de 2003, quando o contribuinte já era portador da moléstia grave. Para comprovar os fatos enumerados, apresentou os Comprovantes de Rendimentos pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do ano calendário 2003 e notas fiscais e recibos de pagamentos de honorários advocatícios decorrentes da Ação Trabalhista no valor total de R$ 157.194,04, comprovantes de despesas médicas no valor de R$ 880,00 e despesas com plano de saúde pagos ao Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de Porto Alegre, no valor de R$ 6.800,00, no cumprimento da intimação 2004/610450929344101. Em caso do pedido não ser aceito o contribuinte requer a isenção dos proventos de aposentadoria do Instituto Nacional da Previdência Social, os proventos de aposentadoria complementar do SESC ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO RIO GRANDE DO SUL, redução da Base de Calculo dos Proventos decorrentes de ação trabalhista dos valores pagos a titulo de honorários advocatícios no montante de R$ 157.194,04, deduções de despesas médicas no valor de R$ 880,00 e despesas com Plano de Saúde Unimed pagos ao Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de Porto Alegre, no valor de R$ 6.800,00, todos documentos apresentados no cumprimento da intimação 2004/610450929344101. Em 15/4/16, fls. 304/328 o sujeito passivo junta aos autos reiteração do pedido formulado e apresenta novos argumentos, reafirmando que os valores recebidos a título de complementação de aposentadoria são isentos. Descreve o lançamento, indicando valores e apontando erros da fiscalização na apuração dos mesmos, da seguinte forma: 1) Quanto à dedução indevida de dependentes e despesas médicas, concorda com a glosa. 2) Quanto à omissão de rendimentos, no valor total de R$ 703.961,28, e glosa de IRRF, informa: 2.1) Valores recebidos a título de diferenças de complementação de aposentadoria no montante de R$ 607.567,39, no qual pagou R$ 157.189,04 de honorários advocatícios e R$ 129,13 de outras despesas relacionadas ao processo, resultando numa base de cálculo, caso não houvesse isenção, de R$ 405.249,22; que o IRRF do processo judicial foi de R$ 153.337,86. 2.2) A partir de abril/03 houve retenção de imposto de renda pelo SESC no montante de IRRF R$ 12.806,37. Desta forma, o total do IRRF pelo SESC foi de R$ 166.144,24 e não o valor indicado pela fiscalização de R$ 166.018,78. É insubsistente a glosa de R$ 6.653,34 a titulo de IRRF, havendo ainda uma diferença favorável ao contribuinte de R$ 125,46. 3) Que R$ 4.331,68 são rendimentos isentos de aposentadoria recebidos do estado do Rio Grande do Sul. 4) O fisco não comprovou o recebimento pelo contribuinte do valor de R$ 28.551,17, como supostamente tendo sido pago pelo Sindicato Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de Porto Alegre. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11080.100676/200831 Resolução nº 2401000.701 S2C4T1 Fl. 227 4 Diz que fiscalização não juntou aos autos cópia da DIRF referente ao SESC e que há cópia da DIRF do Sindicato Atacadista de Gêneros Alimentícios, que não se refere ao anocalendário de 2003. Diz não fazer ideia de que rendimento é esse recebido em 2003 do Sindicato Atacadista de Gêneros Alimentícios. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. Da análise dos autos, vêse que o contribuinte declara em sua DAA originária, entregue em 19/4/04, os rendimentos discriminados no quadro 1. Quadro 1 Rendimentos declarados pelo contribuinte Quadro 1 Rendimentos declarados pelo contribuinte Nome fonte pagadora valor recebido cont. prev. IRRF SESC ADMINISTRACAO REGIONAL DO RS 449.069,32 0,00 153.337,86 SINDICATO COM ATAC GENEROS ALIMENTICIOS POA 28.551,17 2.123,13 1.218,15 GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 4.381,90 1.536,94 0,00 INSS 5.855,58 0,00 0,00 SESC ADMINISTRACAO REGIONAL DO RS 64.779,85 0,00 12.680,92 Totais 552.637,82 3.660,07 167.236,93 Em seguida, o contribuinte envia declaração retificadora "zerando" os valores recebidos. Diz ser isento do IRPF por ser portador de moléstia grave, conforme laudo de fl. 18, que determina a isenção a partir de 02/2003. Notadamente, conforme documentos juntados aos autos, os valores recebidos do SESC/RS são decorrentes de complementação de aposentadoria (última linha do quadro 1) e recebidos devido a ação judicial referente a diferenças de complementação de aposentadoria (primeira linha do quadro 1). Não foram glosados os valores recebidos do INSS. O valor recebido do Governo do Estado do Rio Grande do Sul foi excluído pela DRJ e não houve recurso de ofício. O contribuinte alega desconhecer valores recebidos do Sindicato Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios de POA. Os documentos juntados às fls. 14, 15, 27 e 28 se referem ao anocalendário 2004. Para avaliar os valores recebidos pelo contribuinte a título de aposentadoria, complementação de aposentadoria e as diferenças de complementação de aposentadoria (devido à ação judicial) e também o imposto retido na fonte em 2003 é necessário que sejam juntadas aos autos as DIRFs relativas ao anocalendário 2003, das diversas fontes pagadoras Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11080.100676/200831 Resolução nº 2401000.701 S2C4T1 Fl. 228 5 (indicadas no quadro 1), indicando mês a mês os valores recebidos, pois a isenção devido à moléstia grave iniciouse em fevereiro/2003, sendo os valores referentes a janeiro/2003 tributáveis. Cabe também refazer a tabela de fl. 12, considerando como tributáveis os rendimentos recebidos em janeiro/2003 e os que não são rendimentos de aposentadoria ou complementação de aposentadoria, diante do disposto na Lei 7.713/88, art. 6º, e Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), art. 39, inciso XXXIII, e §§ 4º a 6º. Sendo assim, voto em converter o julgamento em diligência, para que sejam juntadas as DIRFs de 2003 das diversas fontes pagadoras informadas pelo contribuinte, bem como sejam indicados os rendimentos recebidos em janeiro/2003 e os posteriores que não sejam de aposentadoria ou complementação de aposentadoria. Solicitase também que seja refeita a tabela de fl. 12. O sujeito passivo deverá ser intimado do resultado da diligência, devendo ser concedido a ele o prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
