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Numero do processo: 10660.906097/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/03/2010
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
Numero da decisão: 3401-004.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/03/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/03/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP que pretendia obter o reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento a maior. Tal pleito restou indeferido através de Despacho Decisório que integra os autos, face a vinculação do pagamento com débitos devidamente declarados em DCTF, inexistindo saldo a favor da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 60 97 /2 01 2- 98 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10660.906097/201298 Acórdão n.º 3401004.186 S3C4T1 Fl. 3 2 Intimada, a contribuinte manifestou sua irresignação, alegando que os créditos oriundos do pagamento indevido já se encontravam desvinculados das DCTFs respectivas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da falta de liquidez e certeza do crédito vindicado. A recorrente ingressou então com recurso voluntário alegando que houve falha de seu departamento fiscal, que não promoveu as retificações que demonstrariam a desvinculação dos pagamentos e a conseqüente existência do crédito. Em 25/01/2017, esta turma proferiu a Resolução CARF nº 3401000.983, por unanimidade de votos, para a finalidade de: "tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações" (seleção nossa). Em atenção à resolução determinada, a unidade preparadora produziu relatório de diligência fiscal, no qual concluiu pela indisponibilidade do crédito alegado pela recorrente. Intimada do conteúdo da diligência em referência, a recorrente requereu prazo suplementar de mais 30 dias para se manifestar. A DRF proferiu despacho que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de previsão legal para a prorrogação requerida, devolvendo os autos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.167, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10660.906097/201298 Acórdão n.º 3401004.186 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.167): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Recortase, a seguir, a integralidade da manifestação de inconformidade da contribuinte: Transcrevese, ainda, a íntegra das razões do recurso voluntário interposto: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10660.906097/201298 Acórdão n.º 3401004.186 S3C4T1 Fl. 5 4 Inexiste, como se percebe, substantiva defesa realizada pela contribuinte, o que suscitaria debate a respeito do próprio conhecimento do recurso manejado, que se prestou unicamente a requerer prorrogação do prazo para o exercício do contraditório, curiosamente com base nos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, sob pena de "insolvência econômica" (sic). Tendo, no entanto, a Resolução em referência considerado tempestivo o recurso, bem como sido atendidos os demais requisitos de admissibilidade, e considerando que o processo foi baixado em diligência, retornando agora a este Conselho com relatório conclusivo, entendo que menor prejuízo será causado ao interesse público ao se adentrar o mérito do que ao não fazê lo. Assim, transcrevese abaixo o resultado da diligência efetuada: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10660.906097/201298 Acórdão n.º 3401004.186 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Registrese que a diligência efetuada em relação ao presente processo registrou a mesma conclusão quanto a indisponibilidade do crédito alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906070/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/11/2009
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
Numero da decisão: 3401-004.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/11/2009 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP que pretendia obter o reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento a maior. Tal pleito restou indeferido através de Despacho Decisório que integra os autos, face a vinculação do pagamento com débitos devidamente declarados em DCTF, inexistindo saldo a favor da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 60 70 /2 01 2- 03 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10660.906070/201203 Acórdão n.º 3401004.172 S3C4T1 Fl. 3 2 Intimada, a contribuinte manifestou sua irresignação, alegando que os créditos oriundos do pagamento indevido já se encontravam desvinculados das DCTFs respectivas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da falta de liquidez e certeza do crédito vindicado. A recorrente ingressou então com recurso voluntário alegando que houve falha de seu departamento fiscal, que não promoveu as retificações que demonstrariam a desvinculação dos pagamentos e a conseqüente existência do crédito. Em 25/01/2017, esta turma proferiu a Resolução CARF nº 3401000.969, por unanimidade de votos, para a finalidade de: "tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações" (seleção nossa). Em atenção à resolução determinada, a unidade preparadora produziu relatório de diligência fiscal, no qual concluiu pela indisponibilidade do crédito alegado pela recorrente. Intimada do conteúdo da diligência em referência, a recorrente requereu prazo suplementar de mais 30 dias para se manifestar. A DRF proferiu despacho que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de previsão legal para a prorrogação requerida, devolvendo os autos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.167, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10660.906070/201203 Acórdão n.º 3401004.172 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.167): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Recortase, a seguir, a integralidade da manifestação de inconformidade da contribuinte: Transcrevese, ainda, a íntegra das razões do recurso voluntário interposto: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10660.906070/201203 Acórdão n.º 3401004.172 S3C4T1 Fl. 5 4 Inexiste, como se percebe, substantiva defesa realizada pela contribuinte, o que suscitaria debate a respeito do próprio conhecimento do recurso manejado, que se prestou unicamente a requerer prorrogação do prazo para o exercício do contraditório, curiosamente com base nos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, sob pena de "insolvência econômica" (sic). Tendo, no entanto, a Resolução em referência considerado tempestivo o recurso, bem como sido atendidos os demais requisitos de admissibilidade, e considerando que o processo foi baixado em diligência, retornando agora a este Conselho com relatório conclusivo, entendo que menor prejuízo será causado ao interesse público ao se adentrar o mérito do que ao não fazê lo. Assim, transcrevese abaixo o resultado da diligência efetuada: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10660.906070/201203 Acórdão n.º 3401004.172 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Registrese que a diligência efetuada em relação ao presente processo registrou a mesma conclusão quanto a indisponibilidade do crédito alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002856/2005-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
Com a qualificação dos atos praticados pelo contribuinte como simulação, com a caracterização do dolo para a evasão de tributos, cabível a multa de ofício de 150%.
MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF 105.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas (i) quanto a` qualificac¸a~o da multa de ofi´cio e (ii) quanto a` concomita^ncia da multa de ofi´cio com a multa isolada, vencido o conselheiro Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), que conheceu somente em relac¸a~o a` qualificac¸a~o da multa de ofi´cio. No me´rito, (i) quanto a` qualificac¸a~o da multa de ofi´cio, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento e (ii) quanto a` concomita^ncia da multa de ofi´cio com a multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Votaram pelas concluso~es, em relac¸a~o a` qualificac¸a~o da multa de ofi´cio, os conselheiros Andre´ Mendes de Moura e Rafael Vidal de Arau´jo.
(assinatura digital)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente LUMARGE PARTICIPAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Com a qualificação dos atos praticados pelo contribuinte como simulação, com a caracterização do dolo para a evasão de tributos, cabível a multa de ofício de 150%. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas (i) quanto à qualificacã̧o da multa de ofício e (ii) quanto à concomitância da multa de ofício com a multa isolada, vencido o conselheiro Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), que conheceu somente em relacã̧o à qualificação da multa de ofício. No mérito, (i) quanto à qualificação da multa de ofício, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento e (ii) quanto à concomitan̂cia da multa de ofício com a multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões, em relaçaõ à qualificação da multa de ofício, os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo. (assinatura digital) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 28 56 /2 00 5- 84 Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1001 2 (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela LUMARGE PARTICIPAÇÕES S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em que é recorrida a em face do acórdão nº 10195.818 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Câmara do extinto 1º Conselho de Contribuinte (doravante “Turma a quo”). Foi lavrado auto de infração em face do contribuinte para a exigência de IRPJ e CSLL pela glosa de despesas e pela omissão de rendimentos sobre ganho de capital, IRRF em face de pagamentos que teriam sido realizados sem causa e a beneficiários não identificados, além da exigência de juros de mora, multas de ofício qualificada e agravada, bem como multas isoladas exigidas concomitantemente com as multas de ofício, em decorrência de ausência de recolhimento de estimativas no ano de 2000. Ao analisar a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, a DRJ a julgou parcialmente procedente, mantendo em parte os lançamentos (efls. 567 e seg.). A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: GANHO DE CAPITAL. Restando comprovada nos autos a simulação fraudulenta, realizada no intuito de dissimular a operação efetivamente ocorrida, que foi a venda de ativo operacional líquido, deve ser mantido o lançamento cuja fundamentação reside no ganho de capital apurado nessa alienação. GLOSAS DE DESPESAS. É cabível a glosas de despesas quando o contribuinte não esclarece acerca da necessidade dos respectivos gastos. Documento fiscal com descrição genérica dos serviços prestados não comprova, especificamente, o tipo de serviço ou como e quando fora realizado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. A multa de ofício qualificada e agravada, no percentual total de 225%, será aplicada sempre que houver, concomitantemente, o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; e ainda tenha o autuado deixado de atender a intimações expedidas Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1002 3 pela autoridade fiscal. PENALIDADE AGRAVADA POR NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Ainda que esses não sejam suficientes para elidir a glosa dos respectivos gastos, a apresentação dos documentos fiscais, mesmo que contenham a descrição genérica dos serviços prestados, descaracteriza a imposição do agravamento da penalidade, por não atendimento à intimação fiscal. MULTAS EXIGIDAS, CONCOMITANTEMENTE, NO LANÇAMENTO. Por se tratar de hipóteses legais distintas, são cabíveis, no lançamento de ofício, a aplicação de multa exigida isoladamente, por falta de recolhimento dos valores devidos por estimativa, bem como as que se exigem juntamente com o imposto ou contribuição que forem apurados no procedimento fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. O lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF. Ficam sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos realizados sem a identificação dos beneficiários ou das causas que os originaram. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs seu recurso voluntário (efls. 623 e seg.). Ao julgar o aludido recurso, a Turma a quo decidiu, por maioria de votos, darlhe parcial provimento, para fins de (efls. 717 e seg.): 1) afastar a exigência de IRPJ e CSL pela glosa de despesas com serviços de assessoria jurídica; 2) manter a cobrança de IRRF por pagamentos realizados a beneficiários não identificados; 3) manter a cobrança de IRPJ e CSLL pelo ganho de capital auferido (supostamente “operação casasepara”); 4) adotar o percentual da multa de ofício qualificada para de 150%; 5) reduzir o percentual da multa isolada para 50%. O acórdão a quo restou assim ementado: DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO Demonstrado que os atos negociais praticados ocorreram em sentido contrário ao contido na norma jurídica, com o intuito de se eximir da incidência do tributo, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado. IRPJ GANHO DE CAPITAL Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor pelo qual o bem ou direito houver sido alienado ou baixado e o seu valor contábil, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. MULTA ISOLADA. "Ex vi" do disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações introduzidas pela Media Provisória n° 351, de 2007, tem incidência a penalidade pecuniária isoladamente aplicada, à alíquota de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do pagamento mensal devido sob a forma de estimativa, que deixar de ser oportunamente paga. Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1003 4 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO. Presente o evidente intuito de fraude é correta a qualificação da multa de ofício. Ao tomar ciência da decisão, a PFN opôs embargos de declaração (efls. 775 e seg.), os quais foram rejeitados (efls. 778). O contribuinte apresentou recurso especial em 12/09/2008, antes de ser cientificado oficialmente da decisão recorrida (efls. 1.048 e seg.), bem como contrarrazões a um suposto recurso especial da PFN, que não havia sido interposto (efls. 1.060 e seg.). No entanto, tais documentos foram rejeitados. Finalmente, intimado da decisão (efls.793), o contribuinte interpôs recurso especial (efls. 799 a 1.041 e segs), requerendo, ao final: “a) afastar a qualificacã̧o da multa de ofício, haja vista a inexistência de fraude, e portanto de sua comprovação; b) excluir da exigência a multa isolada; c) cancelar o lanca̧mento pela patente ilegitimidade passiva da Recorrente;” Notese que o contribuinte não recorreu da matéria atinente à cobrança de IRRF por pagamentos realizados a beneficiários não identificados. O recurso especial interposto pelo contribuinte abordou as três matérias seguintes: 1) cobrança de IRPJ e CSL pelo ganho de capital auferido (suposta “operação casa separa” e ilegitimidade passiva); 2) qualificação do percentual da multa de ofício para 150%; 3) concomitância da multa de ofício com a multa isolada por não apuração e recolhimento de estimativas. Em 18/12/2009, foi negado seguimento ao recurso especial do contribuinte (efls. 1.102 e seg.). A decisão foi confirmada em sede de reexame de admissibilidade (efls. 1.105 a 1.106). Ao tomar ciência da decisão, o contribuinte apresentou embargos, solicitando a revisão do despacho denegatório de seguimento de seu Recurso Especial (efls. 1.117 e seg.). O contribuinte requereu, ademais, por meio de diversas petições, a reconsideraçõa do juízo de admissibilidade, sem êxito. Em 01/04/2014, o contribuinte peticionou para informar sua adesão ao parcelamento concedido pela Lei 11.941/2009, devido à reabertura de prazo veiculada pela Lei 12.865/13, tendo optado por efetuar o pagamento à vista dos valores correspondentes ao IRPJ e CSLL (efls. 1.747 e seg.), nos seguintes termos: "Visando beneficiarse das significativas reduções nas multas e juros concedidas pela Lei 12.865/13, a ora Recorrente optou por efetuar o pagamento à vista dos valores correspondentes ao IRPJ e CSLL, conforme se infere dos DARF's em anexo. Dessa forma, a Recorrente manifesta seu interesse em não mais discutir a cobrança de IRPJ e da CSLL relativos ao principal e juros, mantendo o prosseguimento do Recuso Especial nº 147.654 no que tange as multas de ofício e isoladas destes tributos contidas nos autos do processo administrativo nº 10680.002856/200584. Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1004 5 Dessa forma, a Recorrente reitera seu total interesse em continuar a discutir as demais matérias debatidas no Recurso Especial nº 147.654, a saber: o IRRF, multas de ofício e isolada, multas agravadas e juros de mora).” Em 22/12/2015, o contribuinte peticionou para dar conhecimento da decisão proferida no Agravo de Instrumento n. 5071726.2015.4.01.0000/DF, que determinou a admissão do Recurso Especial, e, portanto, o prosseguimento do processo administrativo com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (efls. 1.839 e segs.), nos seguintes termos: “(...) Verificase, pela leitura dos dispositivos transcritos acima, que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara. Na espécie, pelo que se depreende da análise dos autos, a agravante, sucessora da empresa Pirâmide Participações Ltda e a empresa Dama Participações Ltda participaram de forma idêntica da “reestruturação societária” da empresa Sabará Empreendimentos e Participações Ltda, mas seus recursos na via administrativa obtiveram conclusões jurídicas divergentes, uma vez que a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu que na operação de “reestruturação societária” da empresa Sabará Empreendimentos e Participações Ltda estaria configurado o intuito de fraude tributária e a Oitava Câmara entendeu que estaria configurada a elisão fiscal. Assim, podese afirmar que a Primeira e a Oitava Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes deram à lei tributária interpretação divergente para o mesmo caso concreto, no qual as empresas envolvidas, além de atuarem de forma idêntica, foram autuadas pela mesma fiscalização, como pode ser comprovado pela análise dos Termos de Verificação Fiscal de fls. 58/121 e 265/328. Dessa forma, tendo em vista a completa e inequívoca similitude fática entre os acórdãos em questão e a evidente divergência jurisprudencial, o recurso especial da agravante deve ser admitido, nos termos do que dispõe o artigo 37, § 2º, II, do DecretoLei 70.235/72.” Tendo em vista a decisão judicial determinando a apreciação do recurso especial interposto, foi proferido despacho para o desmembramento do crédito tributário na parte em que o contribuinte teria desistido do contencioso: IRPJ e CSLL e acessórios, transferindoos ao processo 13603.721172/201568. (efls. 1.859 e seg.). Na sequência, foi emitido novo despacho com o seguinte teor (efls. 1.861 do): “Atendendo à determinação judicial, devolvase ao CARF para julgamento do recurso especial do interessado. Ressaltese que permanecem sob contencioso as seguintes rubricas: 1 – multas isoladas do IRPJ e da CSLL; 2 IRRF com a respectiva multa de ofício de 150%; 3 Multas de ofício no montante de 75% vinculadas ao IRPJ e à CSLL.” Preservandose o contraditório e a ampla defesa, o Colegiado determinou a remessa dos autos à PFN para ciência do recurso especial e apresentação de contrarrazões (Resolução efls. 1.874 e seg.). Cientificada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (efls. 1878 e seg.), nas quais argumenta, em breve síntese, que: Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1005 6 A decisão judicial obtida pelo contribuinte dá respaldo ao conhecimento apenas da questão pertinente à qualificação da multa; “A autoridade fiscal demonstrou que houve simulação e, consequentemente, o evidente intuito fraudulento”; “Interessante salientar, novamente, que o dever fixado pelo art. 71 da Lei n.º 4.502/64 é plenamente compatível com as demais normas que compõem o sistema de direito tributário. Com efeito, diferentemente do que poderia ocorrer em outros ramos do Direito, no Direito Tributário os fiscalizados possuem o dever de colaborar com os fiscais. Esse dever está previsto nos artigos 194, 195 e seguintes do Código Tributário Nacional”. O contribuinte, por fim, juntou aos autos cópia de peças processuais atinentes à aludida ação judicial, especialmente da petição inicial da correspondente Ação Anulatória n. 100474161.20154.01.3400, do respectivo Agravo de Instrumento n. 50717 26.2015.4.01.0000/DF, da sentença de procedência da ação, que confirmou os termos da decisão proferida em sede de agravo de instrumento, de cópia do recurso de apelação da União. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Em face da decisão judicial proferida nos autos do Agravo de Instrumento n. 5071726.2015.4.01.0000/DF, o recurso especial deve ser conhecido por este Colegiado. Contudo, tendo em vista que apenas cópia da referida decisão foi juntada aos autos pelo contribuinte, não restou claro qual a extensão desta. Nesse seguir, na sessão de julho do corrente ano, o contribuinte apresentou ao Colegiado cópias da petição inicial da correspondente ação anulatória n. 100474161.20154.01.3400, do respectivo Agravo de Instrumento n. 5071726.2015.4.01.0000/DF, da sentença de procedência da ação, que confirmou os termos da decisão proferida em sede de agravo de instrumento, bem como de cópia do recurso de apelação da União. Nas peças processuais apresentadas, com destaque à petição inicial da correspondente ação anulatória n. 100474161.20154.01.3400 e ao respectivo Agravo de Instrumento n. 5071726.2015.4.01.0000/DF, é possível aferir que o objeto da referida medida é obter pronunciamento judicial que reconheça a divergência de entendimento entre o acórdão recorrido (n. 10195.818) e o acórdão paradigma n. 10809.037, especificamente quanto aos seguintes temas: “a. Exigência de IRRetido na Fonte; b. Qualificação da multa de ofício (150%); e c. Multas isoladas, que foram reduzidas para 50%”. Também é importante notar que, na petição em que informou a adesão a programa de parcelamento, o contribuinte consignou o seguinte pedido: Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1006 7 “Dessa forma, a Recorrente manifesta seu interesse em não mais discutir a cobrança de IRPJ e da CSLL relativos ao principal e juros, mantendo o prosseguimento do Recuso Especial nº 147.654 no que tange as multas de ofício e isoladas destes tributos contidas nos autos do processo administrativo nº 10680.002856/200584. Dessa forma, a Recorrente reitera seu total interesse em continuar a discutir as demais matérias debatidas no Recurso Especial nº 147.654, a saber: o IRRF, multas de ofício e isolada, multas agravadas e juros de mora).” Portanto, na referida petição, foi requerido o prosseguimento de seu recurso especial em relação a matérias que não foram objeto recurso, notadamente “IRRF”, “multas agravadas”. Conforme exposto acima, além da cobrança de IRPJ e CSL, incluída no REFIS, o recurso especial interposto tratou da qualificação do percentual da multa de ofício para 150% e da multa isolada pela não apuração e recolhimento de estimativas. Por sua vez, o despacho de fls. 1861 dispôs que permanecem em litígio as matérias relativas às "1 – multas isoladas do IRPJ e da CSLL; 2 IRRF com a respectiva multa de ofício de 150%; 3 Multas de ofício no montante de 75% vinculadas ao IRPJ e à CSLL.” Permissa vênia, não me parece que todas as matérias referidas no despacho realmente permanecem em litígio. Compreendo que permanece suscetível de julgamento nesta via administrativa, em face do parcelamento levado a termo pelo contribuinte e da decisão judicial proferida, as questões atinentes (i) à qualificação da multa de 75% para 150% e (ii) à exigência cumulativa da referida multa de ofício com a multa isolada pela não apuração e recolhimento de estimativas. Quanto ao primeiro tema, a divergência trazida pela recorrente versa sobre a possibilidade de qualificação da multa de ofício em face das operações realizadas, reputadas como “casasepara”, com fundamento no art. 44 da Lei 9.430/1996, que apresentava a seguinte redação à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75%(Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte além de deixar de pagar ou recolher, Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1007 8 declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta evidente intenção dolosa, isto é, quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. A recorrente argumenta que, no caso sob análise, cujos fatos relevantes teriam ocorrido em meados de 2000, a correta aplicação das normas jurídicas exigiria contextualização quanto à concepção de "planejamento tributário" então vigente, que apresentaria cores muito diversas nos dias atuais. De fato, à época dos fatos, o entendimento dominante consistia na legitimidade de planejamentos tributários cujos atos fossem isoladamente válidos perante o Direito privado, quando ausentes normas tributárias específicas para a tutela dos eventos em questão. As operações apelidadas como “casasepara”, reputadas à recorrente, consistem na prática de atos que isoladamente são legítimos perante o Direito privado e não encontram vedação ou mesmo tratamento específico no âmbito do Direito tributário. Nos dias atuais, é bastante difundido o entendimento jurisprudencial quanto à sua intolerância para fins tributários quando ausentes propósitos extra tributários no “casamento” e “separação” das partes, de forma a tornar inoponíveis os seus efeitos fiscais e tributados os ganhos de capital daí resultantes. À época dos fatos (2000), contudo, a percepção de que tal operação não teria o condão de desencadear os efeitos fiscais pretendidos não era tão clara. A existência de variadas formas para reestruturações societárias, com diferentes consequências tributárias prescritas pelo legislador e uma série de lacunas surgidas no complexo sistema tributário brasileiro, permitiu que se cogitasse sem maiores questionamentos, por muitos anos, que atos validamente praticados perante o Direito civil (“casamento” e “separação”) teriam como consequência a redução do ônus tributário, ainda que a mesma finalidade pudesse ser alcançada por meio do instituto da compra e venda, em que o ônus tributário seria maior, notadamente pela apuração do ganho de capital. Sinal dos tempos, diante da hipótese de atos validamente praticados pelo contribuinte nas etapas de uma operação “casasepara”, o ambiente jurídico então vigente justificava que renomados juristas considerassem legítima a economia tributária. Sequer nos dias atuais é possível dizer que todas e quaisquer operações em que há “casasepara” devam ser consideradas inoponíveis ao fisco. Ocorre que, sob a perspectiva atualmente dominante na jurisprudência administrativa, a oponibilidade dos efeitos fiscais do planejamento tributário requer a presença de propósitos não apenas tributários nos atos praticados (“filme”). Coerentemente, então, é possível cogitar que “casamentos” e “separações” motivadas por razões não apenas tributárias teriam os seus efeitos fiscais reconhecidos, residindo a discussão, portanto, nos critérios para a aferição dos motivos em questão. Nesse cenário, inclusive em face do art. 112 do CTN, tornase difícil ignorar o questionamento se operações desse tipo (“casasepara”), realizadas no passado, embasadas em pareceres jurídicos e no ambiente jurídico de então, estariam realmente impregnadas do dolo específico para a evasão de tributos demandado para a aplicação da multa de 150%. Haveria o “evidente intuito de fraude” requerido pelo no art. 44 da Lei 9.430/1996 vigente à época dos fatos? Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1008 9 Contudo, no presente caso, o acórdão a quo identificou e baseouse em fatos que preenchem a figura típica da simulação, com a indicação de documentos pósdatados, imputando ao contribuinte a prática de atos que não são válidos perante o Direito privado. Ou seja, a aludida questão quanto à possível não qualificação da multa de ofício, reclamada pela recorrente, não pode ser propriamente levantada neste caso sob julgamento. Se os atos praticados pela recorrente já eram desde a sua origem qualificados como “simulados”, nos termos do instituto de Direito privado, não é possível reclamar por expectativa legítima das consequências tributária típicas. Ocorre que, tanto em meados de 2000 como hoje, apuradas provas de atos societários simulados, seria dever de ofício do agente fiscal considerar inoponíveis os efeitos da operação “casasepara” e realizar o lançamento dos tributos incidentes sobre o ganho de capital verificado (CTN, art. 149). O voto vencedor do acórdão recorrido assim descreve o repertório fático em sua fundamentação para a qualificação da multa de ofício: “Dos argumentos expendidos e dos fatos narrados no corpo do voto vencido extraise claramente identificada a existência da simulação, o que se pode verificar no seguinte excerto: Os doutrinadores pátrios são unânimes quando se trata de defender a tese de que é lícito ao contribuinte promover a escolha de uma caminho ou alternativa que lhe seja, do ponto de vista tributário, menos oneroso. O contribuinte não está obrigado a adotar caminho que se lhe apresente com maior carga tributária. A adoção de formas e métodos lícitos com o objetivo de evitar que ocorra o fato gerador do tributo, como também o comportamento visando à redução da magnitude da obrigação tributária, se traduz na denominada elisão fiscal. Já o emprego de forma e meios ilícitos na consecução dos mesmos objetivos tem como conseqüência a prática de atos fraudulentos, simulados. Portanto, a licitude ou ilicitude das formas e meios empregados na realização do negócio jurídico é que irá determinar se ocorreu elisão ou evasão fiscal, o que passa, necessariamente, pela análise do caso concretamente acontecido. Via de regra a simulação pressupõe urna declaração bilateral de vontade, firmada entre as partes figurantes no contrato, de tal sorte que nem uma nem outra pode alegar desconhecimento da utilização de meios ilícitos visando prejudicar terceiro interessado. Há, na simulação, uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada, fato que resulta, invariavelmente, de uma proposital intenção de que assim venha a acontecer. Como é sabido e consabido, na simulaçaõ temos dois distintos negócios: i) um ostensivo, visível, que deveria ter validade perante terceiros; e ii) outro dissimulado, encoberto, mas real e que deverá ser válido entre as partes contratantes. Sendo certo que os atos simulados são praticados exatamente com o objetivo de enganar, ludibriar, ocultando os atos efetivamente desejados, produzir a prova da simulação se traduz como uma tarefa árdua, de difícil realização. Cabendo ao Fisco, como de fato cabe, produzir o elemento probante capaz de desconstituir a presunca̧õ de legitimidade e de legalidade dos atos ou negócios jurídicos, este geralmente se vale da denominada 'prova indireta', dos indícios coletados dos quais resulte forte relação ou ligaca̧õ do fato probando com o fato provado. Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1009 10 Como pode ser constatado, após promovida a transformaca̧õ de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada em Sociedade Anônima, e aguardado o prazo para arquivamento dessa transformação na Junta Comercial, no dia 29 de fevereiro de 2000 ocorreram duas Assembléias Gerais Extraordinárias, a saber: uma pela manhã, às dez horas, com o objetivo de aprovaca̧õ da emissão das ações com ágio e conseqüente aumento do capital social; e outra à noite, às vinte horas, com a finalidade de aprovar a cisão parcial da sociedade, aprovaçaõ do Laudo de Avaliacã̧o etc., e assinatura do denominado 'Acordo de Acionistas', do qual é feito este destaque. Mencionado "Acordo' traz como justificativas para sua efetivação e conseqüentes proposições: 'CONSIDERANDO 1) Que PHDPAR tem como subsidiária integral a empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A .. 2) Que a empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, retro qualificada, é controladora da empresa DMA DISTRIBUIDORA S.A.. 3) Que WRVPAR tem como controladores pessoas com larga experiência no ramo de atividade da DMA DISTRIBUIDORA S.A. 4) Que é interesse recíproco das PARTES aproveitar o potencial e capacidade instalada na empresa DMA DISTRIBUIDORA S.A, já qualificada. 5) Que uma parceria de conjugação de situação de liquidez reciproca e capacidade de dinamização de negócios é de perspectivas largamente favoráveis para as PARTES. RESOLVEM Celebrar parceria societária na empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, já qualificada, visando dinamizar as atividades da sua controlada DMA DISTRIBUIDORA S.A, Igualmente qualificada e, para tanto, firmam o presente ACORDO PROVISÓRIO regido pelo art. 118 e seus parágrafos da Lei 6.404/76, mediante as cláusulas e condicõ̧es que a seguir enunciam: 1) Pata a consumação da parceria, WRVPAR subscreverá acõ̧es na controladora, SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOẼS S.A, devendo, posteriormente, constituir em presa com a finalidade de assumir estas ações. 2) PHDPAR deverá, do mesmo modo, constituir empresa que venha a assumir as suas ações na empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, de sorte que, ao final do processo de reestruturação societária, cada grupo que compõe o presente ACORDO venha a deter 50% (cinqüenta por cento) do controle acionário da empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOẼS S.A. 3) Pelo potencial e capacidade instalada na empresa DMA DISTRIBUIDORA S.A, citada no tópico 4 do caput deste ACORDO, o grupo WRVPAR pagará ao grupo PHDPAR a importan̂cia certa e ajustada de R$ 48.500.000,00, na proporca̧õ da participação de PIRÂMIDE PARTICIPAÇÕES LTDA, HELAN PARTICIPAÇOẼS LTDA. e DAMA PARTICIPAÇOẼS S.A. 4) A negociação será formalizada através de CONTRATO DE COMPROMISSO DE ASSOCIAÇÃO MEDIANTE A COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS", que passará a fazer parte integrante do presente ACORDO (Grifos acrescentados) Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1010 11 (...) Conforme visto o evidente intuito de fraude, bastante para a qualificação da multa, estará presente toda vez que restar configurada situação que se subsuma ao disposto nos artigos 71 a 73 da lei n° 4.502/1964. No presente caso, os fatos coincidem com aqueles previstos nos artigos 71 e 72 da lei n° 4.502/1964, que caracterizam sonegação e a fraude, espécies do gênero fraude: (...) Pelo que,̂ tendo restado provada a simulação, também restou provada a existência do evidente intuito de fraude, devendo ser mantida a qualificaçaõ da multa de oficio no percentual de 150%. Para confirmar a existência do evidente intuito fraudulento, os eventos realizados com o objetivo de promover a denominada "reestruturação societária" utilizaramse de documentos pósdatados, concretizaramse em momentos posteriores à ocorrência do fato gerador da obrigaçaõ tributária, o que confirmou o evidente intuito fraudulento com vista a encobrir o conhecimento da inciden̂cia da norma ou comando jurídico sobre os fatos concretamente acontecidos, conforme se pode verificar do excerto de lavra da autoridade autuante: TODOS os documentos apresentados relativos aos eventos societários datados de 29/02/2000 não poderiam ter esta data, pois neles foi aposto o NIRE da SABARA (Número de Registro na Junta Comercial de Minas Gerais), NIRE 31300014576„ o qual somente foi obtido em 29 de março de 2000. Portanto, os documentos só poderiam ter sido confeccionados em data posterior ao registro, e a indicação da data de 29 de fevereiro de 2000 é FALSA. (...) Como irrefutavelmente comprovado, TODOS os documentos datados de 29 de fevereiro têm datas falsificadas, sendo as transformações societárias, meros instrumentos simulatórios. Pelo quê, o recurso voluntaŕio há que ser improvido, devendo a multa de oficio ser mantida no percentual de 150%.” A revisão dos fatos assentados, a exemplo dos documentos pósdatados que foram determinantes para a qualificação da multa pela Turma Ordinária, foge à competência da CSRF. Assim, diante dos fatos assentados pela Turma Ordinária, em que a hipótese à qual devem ser aplicadas as normas, a caracterização da prática de simulação, em sua feição típica, pelo contribuinte, reclama a incidência de multa qualificada (150%). Portanto, quanto ao primeiro tema sob julgamento, voto pelo não provimento do recurso especial. O segundo tema sob julgamento diz respeito à exigência cumulativa de multa de ofício e de multa isolada pela não apuração de estimativas mensais, no ano calendário de 2000, compreendendo, portanto, período anterior à vigência da Lei n. 11.488/2007, para o qual é pacífica a incidência da Súmula n. 105 do CARF: Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Acórdão n.º 9101003.070 CSRFT1 Fl. 1011 12 “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Nesse seguir, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pelo contribuinte, fim de afastar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 1907DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001281/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 06/11/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 12 81 /2 00 7- 53 Fl. 881DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10167.001281/200753 Acórdão n.º 2202004.163 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001122/2002-72
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIDO. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não deve ser conhecido o recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional ao Pleno da CSRF quando ausente o requisito essencial da divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma, pois emoldurados em situações fáticas distintas.
Para comprovar a divergência jurisprudencial é imprescindível demonstrar que perante fatos idênticos foram atribuídas soluções diferentes aos litígios nos julgados confrontados, em razão de interpretação diversa conferida ao dispositivo legal, o que não ocorreu no caso em apreço.
Numero da decisão: 9900-001.025
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Extraordinário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIDO. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional ao Pleno da CSRF quando ausente o requisito essencial da divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma, pois emoldurados em situações fáticas distintas. Para comprovar a divergência jurisprudencial é imprescindível demonstrar que perante fatos idênticos foram atribuídas soluções diferentes aos litígios nos julgados confrontados, em razão de interpretação diversa conferida ao dispositivo legal, o que não ocorreu no caso em apreço.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Extraordinário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida CAJUGRAM GRANITOS E MÁRMORES DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIDO. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional ao Pleno da CSRF quando ausente o requisito essencial da divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma, pois emoldurados em situações fáticas distintas. Para comprovar a divergência jurisprudencial é imprescindível demonstrar que perante fatos idênticos foram atribuídas soluções diferentes aos litígios nos julgados confrontados, em razão de interpretação diversa conferida ao dispositivo legal, o que não ocorreu no caso em apreço. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Extraordinário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 11 22 /2 00 2- 72 Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11543.001122/200272 Acórdão n.º 9900001.025 CSRFPL Fl. 421 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11543.001122/200272 Acórdão n.º 9900001.025 CSRFPL Fl. 422 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão nº 0106.045 proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 360 a 364), em sessão do dia 10 de novembro de 2008. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2001 ESPONTANEIDADE. Não é o MPF que exclui a espontaneidade do contribuinte e sim o primeiro ato escrito da autoridade encarregada de realizar a auditoria. Se o MPF inclui as verificações obrigatórias, porém a fiscalização não deixa expresso no termo de início de fiscalização que além da auditoria de IPI tendente à verificação de créditos em processos de restituição/compensação, também verificará IRPJ e CSLL, e tendo o contribuinte retificado as DCTFs anteriormente entregues, se a própria autoridade julgadora de primeira instância afastou o tributo, também a multa deve ser afastada. Recurso especial negado. O processo tem origem em auto de infração (fls. 43 a 46) lavrado para exigência da diferença de CSLL escriturada e declarada/recolhida pela Contribuinte nos períodosbase de 1999 e 2000. Além do tributo, foram lançados juros de mora e multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento). A Fiscalização descreveu a ação fiscal nos seguintes termos: [...] 1. DA AÇÃO FISCAL Em 10/10/2001, acobertados pelo Mandado de Procedimento Fiscal em referência, iniciamos a fiscalização, no contribuinte CAJUGRAM GRANITOS E MÁRMORES DO BRASIL LTDA., CNPJ 32.440.901/000190, tendo em vista pedido de ressarcimento de IPI, solicitando a apresentação dos documentos pertinentes, por intermédio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 04 a 06), objetivando verificar a procedência e correção do valor pleiteado, bem como, sua regularidade fiscal no que tange ao cumprimento das obrigações, principal e acessórias, relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. 2. DOS FATOS Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11543.001122/200272 Acórdão n.º 9900001.025 CSRFPL Fl. 423 4 Por força da Portaria COFIS nº 31/00, em sede de verificações obrigatórias, ao proceder a análise dos livros e documentos fiscais disponibilizados pelo contribuinte, deparamos com situações que ensejaram a lavratura do presente auto de infração. Por conseguinte, quando da verificação da apuração e recolhimento da contribuição social sobre o Lucro Líquido, a partir da planilha "Informações prestadas à SRF" (fls. 28 a 24), observamos que o contribuinte, em alguns períodos de apuração, informou débitos menores que os efetivamente apurados, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls. 11, 12, 16 e 17), tendo, após início do procedimento fiscal, apresentado DCTF´s complementares (fls. 13, 14, 18 e 19), no possível intuito de ilidir a infração. Ressaltamos que, a despeito de informar erroneamente na DCTF, o contribuinte apresentou os valores corretos na Declaração de Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (fls. 10 e 15). Contudo, o art. 7º, I e §1º, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é expresso quando dispõe que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, ressaltando que o marco inicial deste procedimento é o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, o que foi efetivado em 10/10/2001, por intermédio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 04 a 06). Logo, as DCTF´s apresentadas após aquela data não podem surtir qualquer efeito fiscal, não servindo aos fins a que se destinam, motivo pelo qual foram desconsideradas, pura e simplesmente. Outrossim, também as DIPJ´s apresentadas não podem substituílas (Item 3.1.5, da Nota Conjunta Cofis/Cosar nº 2001/00003, de 30 de julho de 2001), tendo em vista que a partir da IN SRF nº 126/98 (art. 7º), apenas os valores informados naquelas serão objeto de auditoria interna e de remessa automática para inscrição em Dívida Ativa da União. [...] Em face da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 48 a 59), julgada parcialmente procedente para declarar devida a multa de R$ 24.545,93 e os juros de mora cabíveis, nos termos do Acórdão nº 8.906, de 17/11/2005 (fls. 234 a 242), proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro RJ. Foi excluída a cobrança da CSLL declarada nas DCTF´s complementares, evitandose a sua cobrança em duplicidade. Não resignada com a manutenção da multa e dos juros, a empresa Cajugram apresentou recurso voluntário hierárquico (fls. 249 a 269), integralmente provido em julgamento realizado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, consonte fundamentos lançados no Acórdão nº 10196.229 (fls. 330 a 334). Em síntese, decidiu aquele Colegiado que o procedimento de fiscalização iniciado exclusivamente para verificar créditos de IPI objeto de ressarcimento não exclui a espontaneidade do contribuinte em relação à CSLL, devendo ser afastada a aplicação da multa. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11543.001122/200272 Acórdão n.º 9900001.025 CSRFPL Fl. 424 5 A decisão do recurso voluntário foi mantida em sede de julgamento do apelo especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 338 a 341), sobrevindo o Acórdão nº 0106.045 proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 360 a 364), ora recorrido. A Fazenda Nacional insurgese contra o reconhecimento da espontaneidade e afastamento da multa por meio de recurso extraordinário (fls. 368 a 377), com fulcro no art. 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, vigente à época da sua interposição. Para embasar a sua pretensão, colacionou como paradigma o acórdão nº 0305.052, da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nas suas razões recursais, aduz em síntese que: (a) está caracterizada a divergência jurisprudencial, na medida em que: a Primeira Turma da CSRF entendeu por afastar a multa no caso dos autos, em que formalizada a exigência de tributo sujeito a lançamento por homologação, em razão de ter sido caracterizada a espontaneidade; de outro lado, a Terceira Turma da CSRF manifestouse no sentido de não haver configuração da denúncia espontânea nos tributos sujeitos a lançamento por homologação; (b) nos termos do art. 138 do CTN, a responsabilidade somente é excluída pela denúncia espontânea, se acompanhada pelo pagamento do tributo e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada, situação que não ocorreu no caso dos autos. Tivesse ocorrido o pagamento, o lançamento do principal teria sido cancelado pelo recolhimento do tributo devido; (c) colaciona jurisprudência do STJ no sentido de que uma vez declarado os tributos sujeitos a lançamento por homologação, não há a espontaneidade apta a afastar a aludida penalidade; (d) ao final, requer o provimento do recurso extraordinário. O recurso extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho nº 910000.573 (fls. 388 a 389), pois demonstrado o dissídio jurisprudencial quanto à denúncia espontânea para afastar a multa de mora. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 393 a 400), requerendo a negativa de provimento ao recurso extraordinário. Aduz, em síntese, que resta mantida a espontaneidade com relação ao IRPJ e CSLL, pois a Fiscalização iniciada na empresa apenas discriminou o IPI. É o Relatório. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11543.001122/200272 Acórdão n.º 9900001.025 CSRFPL Fl. 425 6 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso extraordinário foi interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes do art. 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Mf nº 147/2007, vigente à época da sua interposição. No caso em apreço, decidiu o acórdão recorrido por afastar a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) fixada no auto de infração por recolhimento insuficiente de CSLL, em razão de a Contribuinte ter entregue DCTF´s complementares, declarando o valor remanescente devido a título de CSLL, aplicando o instituto da denúncia espontânea, consoante art. 7º do Decreto nº 70.235/1972 e art. 138 do CTN. Extraise da fundamentação do julgado recorrido os seguintes trechos: [....] Trata a lide de decidir se no momento das declarações DCTFs complementares de folhas 13 e 18 relativas ao 1º trimestre de 1999 e 3º trimestre de 2000, estava, ou não o contribuinte submetido à fiscalização em relação ao IRPJ e CSLL. A entrega se deu em 17/10/2001 conforme recibo de entrega constantes das citadas DCTFs. Analisando os autos temos o seguinte. No MPF de fl. 01, cuja ciência se deu em 10.10.2001, verifico que a fiscalização foi determinada para o IPI nos períodos de 01 a 03 de 1999, estando também incluídas as verificações obrigatórias em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos. No MPF de fl. 02 cuja ciência se deu em 07.02.02, verifico que houve determinação específica para as "VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS". Trata se não de uma prorrogação do MPF anterior que tem outro número mas de novo mandado. Verifico que no Termo de Início de Fiscalização o auditor fiscal enumera diversos processos (ao que tudo indica restituição/compensação), em relação aos quais seria feita a auditoria para verificar a procedência dos créditos pleiteados. Todos os documentos solicitados são próprios de auditoria de IPI. Noto também que no Termo de Verificação e Constatação de folha 07 os AFSRFB, transcrevem base legal específica do IPI. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11543.001122/200272 Acórdão n.º 9900001.025 CSRFPL Fl. 426 7 De fato a fiscalização foi iniciada em 10.01.2001, porém específica para IPI, não dá para entender pelo Termo de Início ou de Verificação que a fiscalização pretendesse fazer as verificações obrigatórias, se pretendeu não deixou explícito, claramente e objetivamente. [...] Entendo que o procedimento administrativo ou medida de fiscalização, não é o Mandado de Procedimento Fiscal, que é um controle administrativo e não substitui o Termo de Início de Fiscalização ou qualquer ato por escrito da autoridade encarregada da auditoria contábil fiscal, especificando não só o tributo mas também o período que fará o exame. Se o MPF de folha 01 anterior às DCTFs complementares fosse suficiente para a expedição do MPF de folha 02 especificando como procedimento de fiscalização exatamente as "VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS"? Entendo que independentemente de estar ou não em qualquer MPF, se a fiscalização especificasse no Termo de Início que estaria também verificando IRPJ e CSLL, estaria o contribuinte sem a espontaneidade em relação a estes tributos, porém o Termo dá a entender que ele estaria ali na empresa tão somente para verificar as questões relacionadas com os processos de restituição/compensação citados na esfera do IPI. Concluindo, de fato, em 17 de outubro de 2001, o contribuinte não estava sob fiscalização do IRPJ e CSLL, e por isso as DCTFs complementares foram entregues sob a proteção da norma contida no artigo 138 do CTN. Assim, conheço o recurso especial apresentado pelo PFN, no mérito voto no sentido de negarlhe provimento. [...] Insurgese a Fazenda Nacional, por meio de recurso extraordinário alegando divergência com relação ao Acórdão CSRF/0305.052, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do processo administrativo nº 10469.002626/9361, e que possui a seguinte ementa: "MULTA DE MORA. INADIMPLÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se admite o beneplácito da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte efetiva o pagamento a destempo, embora à vista ou parceladamente. Recurso especial provido." Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11543.001122/200272 Acórdão n.º 9900001.025 CSRFPL Fl. 427 8 O acórdão indicado como paradigma para lastrear a pretensão recursal da Fazenda Nacional, portanto, vem fundamentado na impossibilidade de se reconhecer a aplicação da espontaneidade prevista no art. 138 do CTN ao pagamento extemporâneo de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para efeitos de exoneração da multa de mora. Verificase não existir a necessária similitude fática entre os julgados recorrido e paradigma a ensejar o prosseguimento do recurso extraordinário. Isso porque: (i) no acórdão recorrido discutiuse se a abrangência da espontaneidade prevista no art. 7º do Decreto nº 70.235/72, frente à declaração apresentada pela Contribuinte após o início da Fiscalização, para fins de exclusão da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Houve procedimento de Fiscalização e a controvérsia quanto à espontaneidade está na sua abrangência para exclusão da multa de ofício com relação aos tributos não constantes do termo de início de fiscalização e extintos por declaração retificadora; (ii) no acórdão recorrido, a controvérsia deuse em torno de ser ou não aplicável o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, para os casos em que o Contribuinte declara o tributo sujeito a lançamento por homologação e efetua o pagamento a destempo, à vista ou de forma parcelada. Tratase de caso de mera inadimplência de tributo sujeito a lançamento por homologação e a possibilidade de exclusão da multa de mora, invocandose a espontaneidade do art. 138 do CTN. As particularidades descritas evidenciam a ausência de similitude fática entre os julgados, não sendo possível terem chegado à mesma conclusão pois frente a contextos distintos. Assim, o acórdão CSRF/0305.052 não é apto a comprovar a necessária divergência jurisprudencial para o prosseguimento do recurso extraordinário. Diante do exposto, não se conhece do recurso extraordinário da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910598/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 10/07/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.492
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 10/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 98 /2 01 1- 65 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 16327.910598/201165 Acórdão n.º 3402004.492 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.736, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 10/07/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 95DF CARF MF Processo nº 16327.910598/201165 Acórdão n.º 3402004.492 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 96DF CARF MF Processo nº 16327.910598/201165 Acórdão n.º 3402004.492 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 97DF CARF MF Processo nº 16327.910598/201165 Acórdão n.º 3402004.492 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.725037/2010-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS, AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS.
Não deve ser admitido recurso especial quando a situação fática analisada no caso do paradigma é fundamentalmente distinta da situação analisada no recorrido, pois não se pode, assim, confirmar a divergência de interpretação da Lei tributária.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03 (DOU 24/11/2011).
A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratr de fornecimento "in natura".
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS.
O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. MATÉRIA DE FUNDO SUPLANTADA PELA DECADÊNCIA.
Declarada a decadência até a competência 11/2005, não há que se falar que o Colegiado teria afastado a tributação nas competências 03, 07 e 11/2005 com base em outra motivação, apenas registrada no voto condutor, obviamente sem qualquer menção na parte dispositiva do acórdão recorrido. Nesse contexto, não se conhece de matéria de fundo relativa ao período decaído, mormente quando a discussão acerca da própria decadência sequer teve seguimento à Instância Especial.
Numero da decisão: 9202-005.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto às matérias (i) auxílio alimentação, (ii) responsabilidade solidária e (iii) Participação nos Lucros e Resultados - PLR. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto às matérias (i) e (iii). Restou vencido, também, o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso quanto às matérias (i) e (ii). Votaram pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva quanto à matéria (ii) e o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci quanto à matéria (iii). Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à periodicidade do pagamento das parcelas não decaídas, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Heitor de Souza Lima Júnior, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso fazendário a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A. CEMIG DISTRIBUIÇÃO S.A. CEMIG D E COMPANHIA ENERGÉTICA DE MG CEMIG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS, AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. Não deve ser admitido recurso especial quando a situação fática analisada no caso do paradigma é fundamentalmente distinta da situação analisada no recorrido, pois não se pode, assim, confirmar a divergência de interpretação da Lei tributária. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03 (DOU 24/11/2011). A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratr de fornecimento "in natura". GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 37 /2 01 0- 76 Fl. 989DF CARF MF 2 BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. MATÉRIA DE FUNDO SUPLANTADA PELA DECADÊNCIA. Declarada a decadência até a competência 11/2005, não há que se falar que o Colegiado teria afastado a tributação nas competências 03, 07 e 11/2005 com base em outra motivação, apenas registrada no voto condutor, obviamente sem qualquer menção na parte dispositiva do acórdão recorrido. Nesse contexto, não se conhece de matéria de fundo relativa ao período decaído, mormente quando a discussão acerca da própria decadência sequer teve seguimento à Instância Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto às matérias (i) auxílio alimentação, (ii) responsabilidade solidária e (iii) Participação nos Lucros e Resultados PLR. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto às matérias (i) e (iii). Restou vencido, também, o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso quanto às matérias (i) e (ii). Votaram pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva quanto à matéria (ii) e o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci quanto à matéria (iii). Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à periodicidade do pagamento das parcelas não decaídas, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Heitor de Souza Lima Júnior, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso fazendário a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 519.722,90, no período de 01/2005 a 12/2006, inclusive 13º, consolidado em 16/12/2010, referente a contribuição social destinada à seguridade social correspondente à diferença de contribuição dos segurados (vinculado ao processo 10680.725036/201021), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de auxílio educação, alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e participação nos lucros (em desacordo com a lei), não declarados em GFIP, conforme relatório fiscal de fls. 15/28. Adoto trecho do relatório do acórdão da DRJ BH/MG que faz uma descrição bem analítica dos fatos: “Consta do Relatório Fiscal que: Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: A empresa fez pagamentos a seus empregados baseados nos Acordos Coletivos de Trabalho – ACT dos anos 2005/2006 e 2006/2007, firmados entre a Cemig e os sindicatos. O contribuinte não apresentou qualquer “conjunto de indicadores e metas”. Pela análise dos ACTs verificase que não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para o pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um percentual Fl. 991DF CARF MF 4 fixo (3%) do Resultado Operacional da empresa como “Montante a ser Distribuído” e estabeleceuse um valor mínimo para o mesmo de trinta e dois milhões de reais. O acordo 2005/2006 ocorreu em 1/11/05, praticamente transcorrido o ano de 2005, fato admitido pelo próprio texto da cláusula septuagésima oitava do documento ao registrar que o ano de 2005 era “praticamente findo”, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade. Além disso, o próprio texto da referida cláusula literalmente confirma a inexistência de “metas a serem atingidas pelos empregados”. Dessa forma, os pagamentos efetuados nos termos dessa cláusula encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2005 e não depois de “praticamente findo”, conforme registro do próprio texto do acordo. Estabeleceuse que os pagamentos seriam efetuados ainda no ano de 2005, sendo três remunerações em novembro e uma em dezembro de 2005. Previase o pagamento da primeira parcela a menos de dez dias após a assinatura do acordo. As cláusulas do ACT 2006/2007 foram ajustadas em 30/11/06, com praticamente o mesmo texto do acordo anterior. Ficou estabelecido que os pagamentos seriam efetuados em sua totalidade ainda no ano de 2006 (dezembro). Por se referir também a um período já transcorrido, nos mesmo moldes do Acordo de 2005/2006, cabemlhe as mesmas análises e argumentos. Ao estabelecer critérios após a ocorrência dos fatos, com os resultados já consumados, as tratativas obviamente não influenciaram a produtividade ou ganhos porventura alcançados. Outra vedação estabelecida pela Lei 10.101/2000, no § 2º do art. 3º, é que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano. Contudo, conforme se pode constatar ao analisarse a planilha do anexo 01 do relatório, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 03, 07, 11 e 12/2005 e 01, 02, 03, 04, 05, 07, 08 e 12/2006. Como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano, contrariando, portanto, a vedação constante no referido parágrafo § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000. Alimentação: Neste levantamento incluemse os valores suportados pela empresa com despesas realizadas com salário “innatura” – ALIMENTAÇÃO, não consignados nas folhas de pagamento, apresentados em arquivos digitais. Tais valores foram pagos em desacordo com a legislação vigente, uma vez que a empresa não havia procedido à devida inscrição no PAT para o período fiscalizado. Desta forma, os valores pagos ou creditados aos segurados empregados, face ao benefício “ALIMENTAÇÃO” – na forma de salário indireto innatura –, passam a integrar o salário de contribuição na forma da letra “c” do § 9° do art. 28 da Lei nº. 8.212/91 e item III do § 9° do art. 214 do RPS. Auxílio Educação: Esta parcela da remuneração foi ajustada em Acordo Coletivo do Trabalho – ACT, onde a empresa concederia ajuda de custo para formação aos empregados. Contudo, estabeleceuse como condição para a obtenção do benefício apenas os empregados com Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 4 5 saláriobase máximo de R$ 3.150,00 (ACT 2005/2006) e foram oferecidas mil vagas a serem preenchidas por ordem de chegada. Assim, comprovase que a empresa limitou a participação global dos funcionários ao benefício. Logo, os pagamentos ou créditos aos funcionários foram efetuados em desconformidade com a exigência constante na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, e são considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Multa: Foi aplicada a multa de mora correspondente a 24% prevista na Lei 8.212/91, artigo 35, inciso II, ‘a’ (vigente à época dos fatos geradores) para todas as competências. Responsáveis solidários: Foi verificada a formação de Grupo Econômico com as empresas CEMIG Distribuição S/A (CNPJ 06.981.180/000116) e Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG (CNPJ 17.155.730/000164). Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 339/341 e 342/344, com ciência em 21/12/10. O contribuinte e os responsáveis solidários foram cientificados do presente processo em 21/12/10, conforme assinatura à fl. 2 e Termos de Sujeição Passiva Solidária”. As três empresas apresentaram impugnação única, de fls. 375/412, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação procedente em parte, mantendo o crédito tributário em parte. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/04/2014, deuse provimento parcial ao recurso voluntário e não conheceuse do recurso de ofício, prolatandose o Acórdão nº 2401003.489, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM REMUNERAÇÃO ABAIXO DE DETERMINADO LIMITE. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com remuneração abaixo de determinado limite na empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o plano funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. Fl. 993DF CARF MF 6 DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência de estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE A PLR FOI PAGA EM DESCONFORMIDADE COM A LEI. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não tendo o fisco, para as competências 03 e 07/2005, apresentado as causas que levaram ao entendimento de que os pagamentos a título de participação nos lucros estariam em desconformidade com a lei de regência, devese declarar improcedentes as contribuições lançadas nas referidas competências. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PRAZO DECADENCIAL. PAGMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no §4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor exonerado originário do crédito mais a multa, por processo, seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda. INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo na legislação processual pátria. Recursos de Ofício Não Conhecido e Voluntário Provido em Parte. A decisão foi registrada nos seguintes termos: “ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; b) manter a responsabilidade solidária; e c) declarar a decadência até a competência 11/2005, inclusive 13º salário de Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 5 7 2005; II) Por maioria de votos, manter a incidência sobre o auxílio educação, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastavam a incidência; III) com relação as parcelas paga a título de PLR: a) Por unanimidade de votos considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas; b) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; e c) Por maioria de votos, considerar que somente deve haver incidência sobre as parcelas excedentes, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira , que votou pela incidência sobre todas as parcelas do período em que houve o descumprimento do requisito; IV) Por maioria de votos, manter o lançamento referente ao adicional ao RAT, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que afastava o lançamento neste ponto”. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 23/05/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 20/06/2014, Recurso Especial. Em seu recurso visa rediscutir as seguintes matérias: a) decadência; b) PLR – competências 03 e 07/2005; e c) PLR – periodicidade. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado parcial seguimento, para rediscutirse os itens “b” e “c”, conforme Despachos nºs 2400879/2014, da 4ª Câmara, de 20/11/2014 e 2400956R/2014, da CSRF, de 28/11/2014. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações em relação às matérias que tiveram seguimento: § b) PLR – competências 03 e 07/2005: § que em nenhum momento, nem mesmo na decisão hostilizada, ficou reconhecida a ausência do motivo do lançamento, mas apenas a ausência de motivação; e que a a ausência ou a deficiência na descrição do fato gerador, vício apontado pelo colegiado, não pode ser causa de cancelamento do lançamento, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. § que uma eventual ausência ou mesmo imprecisão na descrição completa do fato gerador não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos, uma vez que o fato gerador ocorreu, em que pese poderse considerar como não instruído ou mal instruído o respectivo Auto de Infração; além do que, não houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo que demonstrou pleno conhecimento dos motivos que levaram à autuação, exercendo o direito à ampla defesa em sua inteireza. § que, assim, demonstrando descaber a declaração de nulidade por cerceamento de defesa, quando o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, é esse, caso de vício formal, passível de convalescimento. § que não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação, sendo que a primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram, já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. Fl. 995DF CARF MF 8 § que o presente caso tratase de suposto vício decorrente da ausência ou imprecisão na descrição do fato gerador, que, em nada interferiu na configuração do crédito tributário (em todos os seus elementos); isso porque, em momento algum se afirmou ou concluiu que o fato gerador da obrigação tributária não ocorreu, logo, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tãosomente na exteriorização do ato do lançamento. § que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a ausência de uma descrição mais pormenorizada dos fatos geradores que renderam ensejo ao lançamento constitui causa de improcedência/cancelamento do lançamento, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. § que tratandose de vício relacionado à exteriorização do ato administrativo, este que se revela como requisito atinente à forma do ato administrativo fiscal, correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784/99, verbis: “Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração.” § que a convalidação in casu é providência que também se harmoniza com o conteúdo dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, dispositivos estes que, privilegiando a instrumentalidade das formas, só determinam a declaração de nulidade em sede do processo administrativo fiscal nos casos de: a) vício de incompetência; b) preterição do direito de defesa, sendo, aqui, imperiosa a transcrição do mencionado art. 60: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” § c) PLR – periodicidade: § que o cerne da questão posta em debate atine à possibilidade de a verba denominada pelo contribuinte como “participação nos lucros” integrar ou não o salário de contribuição para fins de cobrança de exações destinadas à Seguridade Social. § que a empresa efetuou o pagamento nos lucros ou resultados sem observar a periodicidade exigida no artigo 3º da lei nº 10.101/00, ou seja, em periodicidade incompatível com a natureza dos pagamentos de PLR, que são condicionados ao alcance das metas fixadas no acordo celebrado, metas essas que deverão ser atingidas ao final do período fixado. § que a PLR, por sua natureza, exige o estabelecimento de metas (resultados ou lucro) que exigem certo prazo para serem atingidas, e o pagamento deve decorrer do fato de que as metas foram alcançadas, e a Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 6 9 não observância da periodicidade fixada em lei, é fator de caracterização da natureza salarial dos pagamentos efetuados, ou seja, tratase de condição imposta pelo legislador, cuja observância é obrigatória, e uma vez não observada enseja a incidência da contribuição social sobre ditos pagamentos. § que os parâmetros estabelecidos em lei, para caracterização da natureza dos pagamentos efetuados são bastante razoáveis, tendo como escopo evitar as fraudes, o que só poderia ser conseguido através da regulamentação através de lei ordinária, a qual em última instância visa apenas garantir o cumprimento dos mandamentos constitucionais. § que a classificação de determinada verba como “participação nos lucros” exige de maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais, e que, no caso em estudo, restou demasiadamente demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição. § que o próprio art. 28, § 9º, da Lei n.º 8.212/91 é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos. § que o entendimento da incidência apenas sobre a parcela excedente à periodicidade legal não pode prevalecer sob pena de se conferir validade individualizando pagamentos que no seu contexto geral, como acima observado, foram realizados em desconformidade com a Lei específica. § que, descumprida a legislação específica (Lei nº 10.101/2001), não se enquadra o caso no disposto no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, devendo aí incidir a contribuição previdenciária sobre todos os valores pagos a título de PLR pelo empregador. Cientificados do acórdão 2401003.489, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 09/02/2015, Contribuinte e Contribuintes Solidários apresentaram, conjuntamente, contrarrazões e Recurso Especial em 24/02/2015, portanto, tempestivamente. No recurso, visam a rediscussão das seguintes matérias: a) auxílioeducação; b) PLR e c) responsabilidade solidária das empresas do grupo econômico. Ao Recurso Especial dos Contribuintes foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400078/2015, da 4ª Câmara, de 27/05/2015. No Recurso Especial, os Recorrentes trazem as seguintes alegações em relação à cada tópico da petição recursal: a) Auxílioeducação: · que o fato gerador das contribuições previdenciárias é o pagamento de remuneração ao trabalhador pelo trabalho desenvolvido (art. 28, I da Lei 8.212/91), e, por outro lado, os valores incorridos na disponibilização de auxílioeducação aos trabalhadores têm como finalidade o incentivo à qualificação profissional e ao maior Fl. 997DF CARF MF 10 envolvimento do trabalhador na empresa, sendo uma verba paga para o melhor desempenho e qualificação do empregado e não como retribuição pelos serviços prestados; e que um entendimento diverso seria desvirtuar o fundamento da concessão desse auxílio, para uma melhor qualificação profissional do empregado, desmotivando a concessão de benefícios similares concedidos pelas empresas. · que ao contrário do entendimento da Fiscalização e do Acórdão recorrido, a alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, incluída pela Lei 9.528/97, tãosomente explicita o entendimento acima apresentado, e sendo assim, o que realmente importa para a inclusão de uma parcela no saláriocontribuição é a sua natureza jurídica, não sendo taxativos e exclusivos eventuais critérios listados no referido dispositivo. · que a jurisprudência do STJ já se manifestou pacífica reputando inexistente a natureza salarial do auxílioeducação e a própria PGFN, regulamentando o art. 2º, I de sua Portaria nº 294/2010, autorizou o órgão a não incorrer judicialmente contra decisões em conformidade com a jurisprudência dos Tribunais Superiores. · que a interpretação literal adotada pelo Acórdão recorrido não pode prevalecer, uma vez que a alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 impõe restrição não prevista pela legislação trabalhista, uma vez que o art. 458 da CLT expressamente prevê a ausência de caráter salarial do auxílioeducação, não sendo possível admitir distorção conceitual para fins tributários pela Lei 8.212/91, em virtude da disposição do art. 110 do CTN, lei complementar de normas gerais. · que a Lei nº 12.513/2011 suprimiu o critério de extensão do benefício a todos os empregados, anteriormente previsto no art. 28, §9º, alínea “t” da Lei nº 8.212/91; e que, com base no art. 106, II, “b” do CTN, a nova regra deve ser aplicada retroativamente ao casos dos autos, visto que se trata de “ato não definitivamente julgado”, bem como deixou de tratar o fato em exame “como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão”. b) Pagamentos a título de participação nos lucros e resultados (PLR): b.1) assinatura do Acordo Coletivo em data anterior ao período cujos lucros se referem: · que nos termos da legislação de regência, apenas o inciso II do art. 2º, §1º (que exemplifica um dos critérios para distribuição de PLR que pode ser adotado pelas empresas) menciona a necessidade de pactuação prévia; assim, se os critérios adotados forem outros que não os “programas de metas, resultados e prazos”, não há, na Lei, a obrigação de que eles sejam prévios. · que a Lei 10.101/2000 estipula que os critérios a serem fixados sejam escolhidos pelas partes e objeto de acordo antes de serem distribuídos, o que aconteceu no presente caso, já que todos os pagamentos a título de PLR foram efetuados em momento posterior à formalização dos acordos coletivos Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 7 11 · que diante da inexistência de prazo legalmente fixado para a formalização dos acordos, não é lícito, sob pena de afronta ao princípio da legalidade administrativa (caput do art. 37 da CF e art. 2º e seu parágrafo único da Lei nº 9.784/1999), que seja invocada a suposta intempestividade deles b.2) regras claras e objetivas nos programas de distribuição de lucros § que um dos fundamentos utilizados pela Fiscalização e mantido pela Turma Julgadora do CARF (sob o rótulo de “regras claras e objetivas”) para embasar a autuação foi a suposta ausência de fixação de metas a serem cumpridas pelos funcionários, porém, conforme se observa da análise do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, além dos “programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente”, a empresa pode optar por escolher o critério dos “índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa”, o que é o caso da Cemig GT. § que o simples fato de a empresa ter lucro no respectivo exercício é uma meta a ser atingida por todos os beneficiários da PLR, e que a adoção de tal metodologia implica na lógica de que, quanto mais o funcionário contribui para o incremento dos lucros da Companhia, maior será o seu retorno financeiro individual; e que, no presente caso, não há dúvida de que os valores pagos têm natureza de distribuição aos empregados de participação nos resultados da empresa, mesmo porque são os números (lucro) da empresa a base que servirá para o cálculo do valor devido. § que o objetivo de incentivar os funcionários é claramente atingido, uma vez que a empresa criou uma perene rotina de anos de pagamento de participação nos resultados e os empregados sabem, desde o início do ano, que é uma política da empresa retribuir o esforço e a produtividade de todos, o que certamente envolveu e envolve as pessoas, criando uma identidade com o bom desempenho da empresa. § que o rol de critérios e condições para pagamento da PLR, estabelecido no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, possui caráter meramente exemplificativo, estando demonstrado, inequivocamente, pela expressão utilizada pelo legislador no dispositivo. Vejamos: § §1º Dos fundamentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: § I – índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; § II – programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § que a expressão “podendo ser considerados, entre outros” do dispositivo legal acima, permite concluir que seus incisos I e II Fl. 999DF CARF MF 12 concedem aos contribuintes meros caminhos que podem ou não ser leitos pelas partes negociantes, sem qualquer repercussão na natureza na verba a ser paga. b.3) periodicidade dos pagamentos da PLR: · que não houve o descumprimento da regra de periodicidade (art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000) no pagamento da PLR Extraordinária derivada do ACT 2005/2006, e que, na verdade, os pagamentos realizados nos meses 11 (adiantamento) e 12 (complemento) de 2005, referemse a uma única distribuição de lucros – duas parcelas de um único pagamento, baseado em um único fato gerador: a previsão de distribuição de lucros de PL Extraordinária, conforme previsto no acordo coletivo correspondente. c) Responsabilidade solidária das empresas do grupo econômico: · que para a configuração da responsabilidade solidária não basta a simples verificação de que as empresas pertencem ao mesmo grupo econômico; que é imprescindível a demonstração da prática conjunta do mesmo fato gerador ou do interesse de todas as empresas na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, o que não ocorreu no presente caso. Já, em suas contrarrazões, os Contribuintes alegam que todos os pagamentos feitos pela CEMIG GT à título de PLR sempre foram divididos em semestres, com um pagamento ordinário em março e, caso haja uma distribuição extraordinária, expressamente prevista em acordo coletivo, outro pagamento efetivado em novembro ou dezembro do mesmo ano. Por exemplo, o pagamento em 03/2005 (PLR ordinária) decorre do ACT 2004/2005, assim como o pagamento em 11 ou 12/2004 (PLR extraordinária), assim como o pagamento em 03/2006 (PLR ordinária) decorre do ACT 2005/2006, como também o pagamento em 11 ou 12/2005. Ressaltam que durante o procedimento de fiscalização que precedeu a lavratura do Auto de Infração, a autoridade fazendária, para aferição da validade do pagamento de PLR, solicitou à Cemig somente os ACT’s 2005/2006 e 2006/2007 e, no entanto, o lançamento abarcou também pagamentos relativos ao ACT 2004/2005, realizados em março e julho de 2005, e que, consequentemente, a exigência fiscal quanto a essas duas competências apresentase nula, ante a ausência de motivação/fundamentação. Lembram que a Fiscalização sequer utilizou como referência para a autuação o ACT 2004/2005 e, não tendo analisado o teor de suas cláusulas, seria inviável promover qualquer lançamento relativo a pagamentos delas decorrentes; e que essa circunstância não passou desapercebida pelo órgão julgador de 1º grau, uma vez que a DRJ/BHE determinou ao agente fiscal que demonstrasse, devidamente, os motivos de fato que ensejaram o lançamento relativo a tais pagamentos. Argumentam que diante da alegação da Fazenda Nacional de que “a falha do lançamento deveria ser toda superada, ou, quando menos, considerada um vício de natureza formal, não sendo causa de seu cancelamento”, não há como se cogitar de uma possível “superação” do vício de fundamentação da autuação, pois uma vez formalizado o lançamento, esse ato tornase definitivo, somente podendo sofrer alterações nas hipóteses taxativas elencadas no art. 149 do CTN (por exemplo, havendo fraude, dolo ou simulação; ou no caso de quando se deve ser apreciado fato não conhecido anteriormente), inexistindo previsão legal para “aperfeiçoamento” de sua fundamentação de modo indiscriminado. E acrescentam: “Fosse Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 8 13 assim, o contribuinte nunca teria uma precisa delimitação dos pontos em que deveria exercer seu direito de ampla defesa, já que a todo momento o lançamento poderia ser complementado e ajustado”. Dizem que é absolutamente equivocada a argumentação traçada pela Fazenda Nacional para tentar qualificar o vício de fundamentação da exigência fiscal como vício formal, uma vez que tais erros se referem a formalidades extrínsecas ao lançamento, sem o qual ele não poderia produzir efeitos (qualificação do autuado, indicação dos dispositivos legais, assinatura da autoridade etc), diversamente do vício material, que se verifica quando a autoridade fazendária, embora preenchendo os requisitos extrínsecos mencionados, descreve e narra de forma deficiente e insuficiente os fatos e motivos que embasam o lançamento – exatamente o que se deu no presente caso. Concluem que a Fiscalização observou todas as formalidades extrínsecas na lavratura do Auto de Infração, mas que, no entanto, para o levantamento da rubrica “PLR”, as exigências situadas nas competências 03 e 07 de 2005 estavam amparadas em fundamentação deficiente (ou mesmo inexiste), qual seja, a simples assertiva de que se tratavam de valores listados na folha de pagamento da Cemig, não sendo justificadas as circunstâncias que em tese caracterizavam o pagamento em desconformidade com a lei. No caso da periodicidade para pagamento da PLR, os Recorrentes entendem que não houve qualquer descumprimento da regra, uma vez que se tratava de um pagamento único, derivado de um mesmo fato, porém, dividido em duas parcelas (assunto tratado no Recurso Especial). Alegam que o inconformismo da Fazenda Nacional – afirmando que houve descumprimento da regra e que o correto seria afetar os demais pagamentos a título de PLR – não merece guarida e que na eventualidade de se considerar que houve o descumprimento da regra da periodicidade, apenas os pagamentos tidos como excedentes poderiam ser desqualificados. Argumentam que não há qualquer motivo para se tentar atingir outros pagamentos quando a exclusão do excesso da rubrica torna a situação como um todo regular. Cientificada em 25/08/2015 do Recurso Especial dos Contribuintes, a Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, em 09/09/2015, suas contrarrazões, onde, preliminarmente, alega que não há divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado no tocante à incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxílioeducação, uma vez que o fundamento do auto de infração para a tributação, e mantido pelo acórdão proferido pelo CARF, cingese ao descumprimento da regra constante da alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91 no que concerne à exigência de que o benefício seja extensível a todos os empregados (no caso dos autos apenas aqueles que tinham salário inferior a R$ 3.150,00 podiam usufruir do benefício), e por sua vez, o apontado acórdão paradigma não trata do descumprimento de tal requisito específico da cobertura do auxílioeducação, mas da inclusão de ensino superior e aquisição de material escolar. Tratam se de situações fáticas distintas e, portanto, as decisões proferidas nos respectivos autos não têm o condão de formar paradigma apto à interposição de recurso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Seguidamente, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações em relação a alguns dos itens do Recurso Especial dos Contribuintes: Do auxílioalimentação pago em ticket sem inscrição no PAT: · que o auxílio alimentação pago por intermédio de ticket alimentação/refeição integra o salário de contribuição, já que Fl. 1001DF CARF MF 14 pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). · que, de acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/91, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; · que a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, e que tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n° 8.212/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriode contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; · que conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321. · que o Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia/ticket, consoante se depreende do art. 4º do Decreto nº 5/1991 que regulamenta o programa: Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador; a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis e sociedades cooperativas. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 9 15 · que a alimentação em pecúnia/ticket não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, e assim, para a não incidência da contribuição previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura” e em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, nos termos do art. 3º, da Lei nº 6.321/76, in verbis: · Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. · que para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte. · que a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; · que, ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, o que vai de encontro com a legislação tributária. · que não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre a verba fornecida a título de auxílio alimentação, quando pago em pecúnia ou por intermédio de ticket alimentação, deve persistir o lançamento. Do auxílioeducação fornecido a apenas uma parcela dos empregados: · que embora entenda que o presente Recurso Especial não preenche os requisitos de admissibilidade quanto ao tema em análise, com respaldo no princípio da eventualidade, cumpre tecer algumas considerações. · que conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais, nestes termos: · Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriode contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 1003DF CARF MF 16 (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). · que esse mesmo dispositivo legal elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. · que os requisitos não foram integralmente cumpridos no caso dos autos, uma vez que a empresa criou restrição salarial para que os empregados pudessem usufruir do benefício, contrariando a norma que possibilita a exclusão dos respectivos valores do conceito de saláriodecontribuição, e que tal fato descaracteriza a isenção prevista na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. · que conforme o preceito legal, para que os valores do auxílio educação não constituíssem saláriodecontribuição, necessário que o fornecimento de bolsa de estudo fosse estendido a todos os empregados, o que não se constatou no lançamento em questão. · que não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento. Da existência de pacto prévio para o adequado pagamento de PLR: · que o pagamento a título de PLR se deu em desconformidade com a legislação de regência, razão pela qual não merece o presente lançamento qualquer alteração. · que os artigos 2º e 3º da Lei nº 10.101/00 prescrevem o seguinte: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 10 17 fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. · que atento às regras acima transcritas, cumpre voltar a atenção para os dados constantes dos autos, a fim de se perquirir se a contribuinte em apreço atendeu a todas as exigências legais, podendo exercer o direito de excluir do saláriodecontribuição a verba que denomina como “participação nos lucros”. · que no caso em análise, cabe registrar que não houve celebração de acordo prévio ao exercício, atitude que impede os funcionários de terem conhecimento prévio a respeito de quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação, restando desatendido, portanto, também o requisito da pactuação prévia de regras claras e objetivas. · que segundo uma interpretação teleológica da legislação, pode se inferir que a finalidade da regra para fazer valer a norma jurídica imunizadora é que o trabalhador seja conhecedor dos critérios e condições a serem cumpridos e observados para receber a participação merecida e préacordada, estipulado em acordo ou convenção coletiva, sob pena de o pagamento ocorrer de forma incondicionada, o que o faz fugir do manto de incidência da norma jurídica imunizadora prevista no art. 7, inc. XI da CF/88 e regulamentada pela Lei 10.101/2000. · que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da Lei 10.101/00 enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. Fl. 1005DF CARF MF 18 Da ausência de regras claras e objetivas para o adequado pagamento de PLR: · que a partir da leitura dos autos podese observar que o referido plano não continha regras claras e objetivas quanto à definição dos critérios a serem preenchidos para obter o direito à percepção da PLR, havendo menção apenas a valores fixos pagos em razão da relação de emprego no caso de lucro da empresa, inexistindo, portanto, qualquer meta individual ou coletiva vinculada ao pagamento. É o relatório. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 11 19 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO Apenas para melhor delimitar a lide o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo envolve as seguintes matérias: auxílioeducação; PLR e responsabilidade solidária. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 958. Contudo, existe solicitação, em sede de contrarrazões pelo não conhecimento do recurso, razão pela qual passo a reexaminar a questão. Do Conhecimento Quanto a alegação da PGFN de não conhecimento da matéria auxílio educação, face tratarse de fatos distintos, entendo que razão lhe assiste. Conforme descrito, o fundamento do auto de infração para a tributação, e mantido pelo acórdão proferido pelo CARF, cingese ao descumprimento da regra constante da alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91 no que concerne à exigência de que o benefício seja extensível a todos os empregados (no caso dos autos apenas aqueles que tinham salário inferior a R$ 3.150,00 podiam usufruir do benefício). Vejamos a descrição do lançamento fiscal: "Tratase de exigência previdenciária sobre os pagamentos feitos a empregados da CEMIG GT a título de Ajuda de Custo Para Formação (AuxílioEducação). Em sua origem, o lançamento teve como motivo o fato de o benefício ser restrito aos primeiros 1.000,00 (mil) empregados que se inscrevessem e admitido apenas para aqueles com saláriobase máximo de R$ 3.150,00 (três mil e cento e cinquenta reais). Assim constou no Relatório Fiscal: "Baseado na simples análise desses fatos, ao excluir todos os empregados com remuneração acima de R$ 3.150,00, é correto afirmar que este benefício não se encontra acessível a todos os empregados e dirigentes da empresa encontrandose portanto em desconformidade com a exigência constante na alínea "t" § 9o do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991, com redação dada pela Lei 9.711/98. Dessa forma, os valores pagos ou creditados pela empresa a título de "Ajuda de Custo Para Formação Auxílio Educação", por não se encontrarem em conformidade com os requisitos estabelecidos na alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991 para que não sejam enquadrados no conceito de saláriodecontribuição, serão considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias." Fl. 1007DF CARF MF 20 O Acórdão recorrido manteve a exigência também sob o fundamento de não ter sido atendido o requisito legal de "que o acesso ao plano educacional estivesse disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa": Para autoridade fiscal e também para o colegiado de primeira instância a empresa descumpriu a exigência constante na letra "c" acima, posto que, ao condicionar a concessão da verba ao nível salarial do empregado, excluiu de parcela do seu quadro funcional o direito ao benefício." Entendeu a Turma Julgadora que, em razão do preceito do art. 28, §9°, "t" da Lei 8.212/91, quando o auxílio não é estendido a todos os funcionários da empresa, os pagamentos correlatos devem ser incluídos na base contributiva: Por sua vez, o apontado acórdão paradigma não trata do descumprimento de tal requisito específico da cobertura do auxílioeducação, mas da inclusão de ensino superior e aquisição de material escolar, senão vejamos: O fundamento fático do lançamentos encontrase no entendimento fiscal de que a empresa teria custeado a educação, superior, aos seus funcionários que deveria ser considerada remuneração por não estar abrangida no disposto no art. 28,§9º, t, da Lei n. 8.212/1991. Também, por ter sido identificado pagamento de remuneração a membros do Conselho Fiscal da empresa, sobre a qual não teria sido apurado e recolhido contribuições previdenciária pela recorrente em razão de discussão sobre a incidência das mesmas (ação n. 3001593.2005.4.01.3400, em trâmite no TRF da 1ªa Região). [...] Esta turma especial, bem como o CARF/MF, com base de reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entende que a natureza desse tipo de auxílio pago pelas empresas aos seus empregados, que possibilite que os mesmos possam cursar o ensino superior ou técnico é claro em entender que o disposto da norma extraída do art. 28, §9º, t, aplicase excluindose a incidência da norma de exação. Vaise além, o acima entendimento é de que não se trata sequer de verba remuneratória (pagamento pelo trabalho), mas verba indenizatória, ou investimento propriamente dito, pois é um pagamento para melhoria da execução dos trabalhos prestados (pagamento para o trabalho). E qualquer curso superior, mesmo que aparentemente não vinculado à atividade fim da empresa, representa em claro aumento de produtividade do trabalhador e de suas funções cognitivas. Ora, tais verbas estão fora do conceito de remuneração dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n. 8.212/1991, logo, entendo que não se trata de aplicação da norma isentiva, mas sim de um caso de não incidência. Dessa forma, concordo tratarse de situações fáticas distintas e, portanto, não é possível afirmar que se submetêssemos à apreciação do presente lançamento ao colegiado paradigmático, ele adotaria a mesma interpretação dado ao acórdão paradima. Face o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da contribuinte quanto à matéria Auxílio Educação. Auxílio Alimentação em Tickets Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 12 21 Quanto ao fornecimento de alimentação em tickets, ao examinar a questão a Câmara a quo encaminhou por dar provimento ao Recurso de Ofício, por entender que não existe fundamentação que ampare a referida verba do conceito de salário de contribuição: ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Por outro lado, o sujeito passivo assim argumenta para ver provido seu recurso: que o pagamento de auxílioalimentação em forma de ticket não lhe tira a natureza de benefício concedido in natura, vez que tampouco há pagamento em dinheiro/espécie; que essa circunstância já havia sido reconhecida pela 8ª Turma da DRJ/BHE quando, em julgamento, determinou a exclusão do lançamento correlato, com base no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, o qual precedeu e fundamentou o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011; e que não há a contrariedade suscitada pela Turma Julgadora do CARF, segundo o qual o Ato Declaratório, ao tratar de auxílioalimentação in natura, não abarca os tickets. que independentemente da caracterização do benefício concedido em ticket como parcela in natura, é certo que a verba, intrinsecamente, não ostenta natureza remuneratória, sendo inviável cogitar a sua tributação previdenciária. Quanto a este ponto, entendo que o acórdão recorrido não merece qualquer reparo, posto ter acompanhado o relator ao participar do colegiado que apreciou a questão, bem como em todos os julgamentos acerca da questão ter me manifestado no mesmo sentido. Assim, transcrevo o voto do ilustre dr. Kleber Araújo, adotando como razões de decidir, tendo em vista que o mesmo fez uma abordagem completa acerca do tema, senão vejamos: O recurso de ofício se refere à exclusão dos valores levantados a título de “Auxílio Alimentação”, passo agora a sua análise. Os termos lançados no relatório fiscal não deixam dúvida que a verba “Auxílio Alimentação” era repassada mediante o fornecimento de tickets aos empregados, esse fato é incontroverso, posto que não questionado pelo sujeito passivo. Eis as palavras da Autoridade Lançadora: “Tratase de pagamentos efetuados a segurados empregados nos exercícios de 2005 e 2006 a título de Ticket Alimentação (planilha do anexo 03). Esses pagamentos se encontram registrados nas folhas de pagamento apresentadas em meio digital, sendo registrados contabilmente na conta de despesas número 401070, Vale Refeição/Alimentação. Esses pagamentos não foram considerados pelo contribuinte como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Fl. 1009DF CARF MF 22 A Auditoria entendeu que seriam devidas contribuições sobre essa parcela, posto que a empresa não comprovou o registro no PAT para o período do lançamento. Verifiquemos, inicialmente, se é aplicável à verba sob comento o Ato Declaratório PGFN n.º 03 (DOU 24/11/2011), que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recurso e desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”Alimentação O recurso de ofício se refere à exclusão dos valores levantados a título de “Auxílio Alimentação”, passo agora a sua análise. Os termos lançados no relatório fiscal não deixam dúvida que a verba “Auxílio Alimentação” era repassada mediante o fornecimento de tickets aos empregados, esse fato é incontroverso, posto que não questionado pelo sujeito passivo. Eis as palavras da Autoridade Lançadora: “Tratase de pagamentos efetuados a segurados empregados nos exercícios de 2005 e 2006 a título de Ticket Alimentação (planilha do anexo 03). Esses pagamentos se encontram registrados nas folhas de pagamento apresentadas em meio digital, sendo registrados contabilmente na conta de despesas número 401070, Vale Refeição/Alimentação. Esses pagamentos não foram considerados pelo contribuinte como base de cálculo de contribuições previdenciárias. A Auditoria entendeu que seriam devidas contribuições sobre essa parcela, posto que a empresa não comprovou o registro no PAT para o período do lançamento. Verifiquemos, inicialmente, se é aplicável à verba sob comento o Ato Declaratório PGFN n.º 03 (DOU 24/11/2011), que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recurso e desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária” JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). O texto do Ato Declaratório, não há dúvida, referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada poderia ser considerado prestação in natura. Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRE QUESTIONAMENTO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 13 23 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE.(...)3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílioalimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004).(...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010.(REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES.1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, Fl. 1011DF CARF MF 24 em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sóci oexecutado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária.2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...) 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** DECISÃO(...)É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.( STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) *** TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifouse)( EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Percebese que os quatro julgados acima manifestam claramente o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da DRJ para Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 14 25 excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Assim, não tendo a recorrente fornecido a alimentação in natura, além de não comprovar a adesão ao PAT no período do AI, devem incidir contribuições sobre o “Auxílio Alimentação”. Assim, deve ser provido o recurso de ofício apresentado pela DRJ de Belo Horizonte, restabelecendose as contribuições excluídas na decisão de primeira instância. Quanto a este ponto entendo que não existe qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. Responsabilidade Solidária Quanto à configuração da responsabilidade solidária, alega o recorrente solidária que não basta a simples verificação de que as empresas pertencem ao mesmo grupo econômico; que é imprescindível a demonstração da prática conjunta do mesmo fato gerador ou do interesse de todas as empresas na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, o que não ocorreu no presente caso. Quanto ao questionamento dos recorrentes para que se desconsidere a responsabilidade solidária, posto que não existe fundamento jurídico para tanto, não lhe confiro razão. Assim, conforme se depreende da legislação tributária, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que em existindo grupo econômico, deverseá atribuir a todos as empresas do grupo a responsabilidade pelas obrigações principais e acessórias. Importante destacar que em momento algum o recorrente questiona a existência do referido grupo, mas tão somente que isso não seria suficiente para a imputação da solidariedade. Fl. 1013DF CARF MF 26 O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria trazidas nos presentes autos, ensejando a possibilidade de indicação de várias empresas pelo montante do débito: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No mesmo sentido, reportase a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º da CLT, ao tratar da matéria: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” A Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: “ Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 15 27 Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Assim, após identificar os dispositivos legais que disciplinam a matéria, pertinente, apreciar os argumento trazidos pelo auditor fiscal, que justificaram a indicação do grupo consubstanciado no art. 124, II do CTN, bem como as alegações do recorrente. Ora, havendo expressa previsão legal, não nos cabe discutir a alegação do recorrente de que: “inviável a aplicação da solidariedade de direito prevista no art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91. Isso porque, como visto, a responsabilidade tributária é matéria reservada, pela Constituição Federal de 1988, A lei complementar. Sendo assim, ao fazer uma interpretação sistemática do art. 124, inciso II, do CTN, concluise, inevitavelmente, que a "lei" a que se refere o mencionado dispositivo deverá ser, necessariamente, a lei complementar.” Este Conselho não é competente para declarar ou afastar a aplicação de lei, por entender o recorrente que a mesma possui vício em sua constituição. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade no dispositivo que imputa responsabilidade solidária ao grupo econômico, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual plenamente aplicável a solidariedade. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou Fl. 1015DF CARF MF 28 servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Havendo expressa previsão que ampare a solidariedade descrita no presente lançamento, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso especial do Sujeito Passivo. Participação nos Lucros Quanto à participação nos lucros o sujeito passivo busca a reforma do acórdão recorrido em 3 pontos, trazendo como argumentos: 1) assinatura do Acordo Coletivo em data anterior ao período cujos lucros se referem: que nos termos da legislação de regência, apenas o inciso II do art. 2º, §1º (que exemplifica um dos critérios para distribuição de PLR que pode ser adotado pelas empresas) menciona a necessidade de pactuação prévia; assim, se os critérios adotados forem outros que não os “programas de metas, resultados e prazos”, não há, na Lei, a obrigação de que eles sejam prévios. que a Lei 10.101/2000 estipula que os critérios a serem fixados sejam escolhidos pelas partes e objeto de acordo antes de serem distribuídos, o que aconteceu no presente caso, já que todos os pagamentos a título de PLR foram efetuados em momento posterior à formalização dos acordos coletivos que diante da inexistência de prazo legalmente fixado para a formalização dos acordos, não é lícito, sob pena de afronta ao princípio da legalidade administrativa (caput do art. 37 da CF e art. 2º e seu parágrafo único da Lei nº 9.784/1999), que seja invocada a suposta intempestividade deles 2) regras claras e objetivas nos programas de distribuição de lucros que um dos fundamentos utilizados pela Fiscalização e mantido pela Turma Julgadora do CARF (sob o rótulo de “regras claras e objetivas”) para embasar a autuação foi a suposta ausência de fixação de metas a serem cumpridas pelos funcionários, porém, conforme se observa da análise do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, além dos “programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente”, a empresa pode optar por escolher o critério dos “índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa”, o que é o caso da Cemig GT. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 16 29 que o simples fato de a empresa ter lucro no respectivo exercício é uma meta a ser atingida por todos os beneficiários da PLR, e que a adoção de tal metodologia implica na lógica de que, quanto mais o funcionário contribui para o incremento dos lucros da Companhia, maior será o seu retorno financeiro individual; e que, no presente caso, não há dúvida de que os valores pagos têm natureza de distribuição aos empregados de participação nos resultados da empresa, mesmo porque são os números (lucro) da empresa a base que servirá para o cálculo do valor devido. que o objetivo de incentivar os funcionários é claramente atingido, uma vez que a empresa criou uma perene rotina de anos de pagamento de participação nos resultados e os empregados sabem, desde o início do ano, que é uma política da empresa retribuir o esforço e a produtividade de todos, o que certamente envolveu e envolve as pessoas, criando uma identidade com o bom desempenho da empresa. que o rol de critérios e condições para pagamento da PLR, estabelecido no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, possui caráter meramente exemplificativo, estando demonstrado, inequivocamente, pela expressão utilizada pelo legislador no dispositivo. que a expressão “podendo ser considerados, entre outros” do dispositivo legal acima, permite concluir que seus incisos I e II concedem aos contribuintes meros caminhos que podem ou não ser leitos pelas partes negociantes, sem qualquer repercussão na natureza na verba a ser paga. c.3) periodicidade dos pagamentos da PLR: que não houve o descumprimento da regra de periodicidade (art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000) no pagamento da PLR Extraordinária derivada do ACT 2005/2006, e que, na verdade, os pagamentos realizados nos meses 11 (adiantamento) e 12 (complemento) de 2005, referemse a uma única distribuição de lucros – duas parcelas de um único pagamento, baseado em um único fato gerador: a previsão de distribuição de lucros de PL Extraordinária, conforme previsto no acordo coletivo correspondente. Para que possamos apreciar a questão, antes mesmo de apreciar a argumentação utilizada no acórdão recorrido para negar provimento ao recurso do contribuinte, importante identificarmos a fundamentação da autoridade fiscal: Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: A empresa fez pagamentos a seus empregados baseados nos Acordos Coletivos de Trabalho – ACT dos anos 2005/2006 e 2006/2007, firmados entre a Cemig e os sindicatos. O contribuinte não apresentou qualquer “conjunto de indicadores e metas”. Pela análise dos ACTs verificase que não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para o pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um Fl. 1017DF CARF MF 30 percentual fixo (3%) do Resultado Operacional da empresa como “Montante a ser Distribuído” e estabeleceuse um valor mínimo para o mesmo de trinta e dois milhões de reais. Acordo 2005/2006 Ocorreu em 1/11/05, praticamente transcorrido o ano de 2005, fato admitido pelo próprio texto da cláusula septuagésima oitava do documento ao registrar que o ano de 2005 era “praticamente findo”, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade. Além disso, o próprio texto da referida cláusula literalmente confirma a inexistência de “metas a serem atingidas pelos empregados”. Dessa forma, os pagamentos efetuados nos termos dessa cláusula encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2005 e não depois de “praticamente findo”, conforme registro do próprio texto do acordo. Estabeleceuse que os pagamentos seriam efetuados ainda no ano de 2005, sendo três remunerações em novembro e uma em dezembro de 2005. Previase o pagamento da primeira parcela a menos de dez dias após a assinatura do acordo. ACT 2006/2007 As cláusulas do referido acordo foram ajustadas em 30/11/06, com praticamente o mesmo texto do acordo anterior. Ficou estabelecido que os pagamentos seriam efetuados em sua totalidade ainda no ano de 2006 (dezembro). Por se referir também a um período já transcorrido, nos mesmo moldes do Acordo de 2005/2006, cabemlhe as mesmas análises e argumentos. Ao estabelecer critérios após a ocorrência dos fatos, com os resultados já consumados, as tratativas obviamente não influenciaram a produtividade ou ganhos porventura alcançados. Outra vedação estabelecida pela Lei 10.101/2000, no § 2º do art. 3º, é que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano. Contudo, conforme se pode constatar ao analisarse a planilha do anexo 01 do relatório, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 03, 07, 11 e 12/2005 e 01, 02, 03, 04, 05, 07, 08 e 12/2006. Como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano, contrariando, portanto, a vedação constante no referido parágrafo § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000. Não é nova a discussão no âmbito deste conselho sobre as limitações previstas no texto da Constituição e na própria lei 10.101/2000 para que a distribuição de lucros ou resultados seja excluída do conceito de salário de contribuição. Em relação aos descumprimentos legais descritos pela autoridade fiscal, reproduzo os argumentos trazidos pelo relator do processo na Câmara baixa, os quais adoto como razões de decidir, por concordar com seu posicionamento e por entender que a matéria foi suficientemente, senão vejamos trecho do seu voto: Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 17 31 b) causas de pagamento das parcelas de PLR e o seu tratamento tributário Observase dos autos que o fisco apurou contribuições sobre a PLR nas competências 03; 07; 11 e 12/2005 e 01; 02; 03; 04; 05; 07; 08 e 12/2006. A verificação da incidência de contribuições sobre tais pagamentos passa, antes de tudo, pela definição da causa do pagamento, ou seja, é necessário vincular cada parcela ao instrumento de negociação que lhe deu origem. Passo a fazer essa análise. Foram acostados pelo fisco os ACT 2005/2006 e 2006/2007. No ACT 2005/2006, assinado em 30/11/2005, o pagamento da PLR vem previsto em duas cláusulas, que tratam do pagamento da PLR ordinária, a qual chamaremos de PLRO, e da PLR extraordinária, a PLRE. Apresento resumos dos termos negociados e constantes nas Cláusulas 78.ª e 79.ª, que podem ser assim resumidas: a) Cláusula 78.ª – PLRO · metas: inexistentes; · valor a ser distribuído: 3% do resultado operacional da empresa, com garantia de distribuição mínima da R$ 32.000.000,00; · pagamento: mês subsequente ao da divulgação dos resultados à Comissão de Valores Mobiliários – CVM, limitado ao mês de maio de 2006 e, a partir de junho de 2006, para os empregados desligados durante o período aquisitivo. b) Cláusula 79.ª – PLRE · metas: menção a superação de objetivos institucionais (não apresentados); · valor a ser distribuído: quatro remunerações vigentes no mês do pagamento; · pagamento: três remunerações no dia 04/11/2005 e uma remuneração no dia 22/12/2005. No ACT 2006/2007, assinado em 30/11/2006, a PLR foi tratada nas Cláusulas 4.ª e 5.ª , conforme abaixo: a) Clásula 4.ª PLRO · metas: negociadas por comissão em conformidade com o Planejamento Estratégico da CEMIG, sem que as regras fossem apresentadas; · valor a ser distribuído: 3% do resultado operacional da empresa; · pagamento: mês subsequente ao da divulgação dos resultados à Comissão de Valores Mobiliários – CVM, Fl. 1019DF CARF MF 32 limitado ao mês de maio de 2007 e, até junho de 2007, para os empregados desligados durante o período aquisitivo. b) Cláusula 5.ª – PLRE · metas: menção a superação de objetivos institucionais (não apresentados); · valor a ser distribuído: 2,8 remunerações vigentes no mês do pagamento; · pagamento: no dia 06/12/2006. [...] Passemos às demais competências. Do cotejo do relatório fiscal com as alegações apresentadas pela autuada, montei a tabela abaixo, a qual apresenta os pagamentos e os instrumentos de negociação que lhes serviram de base: . FLS. 21 (1910) TABELA De posse dessa tabela, já é possível fazer uma análise das disposições negociadas que deram origem às parcelas tratadas na apuração, as quais se resumem a PLRE (ACT 2005/2006); PLRO (ACT 2005/2006) e PLRE (ACT 2006/2007), posto que as demais são acessórias destas. I) PLRE (ACT 2005/2006): esta parcela prevista na Cláusula 79.ª do ACT, fere a Lei n. 10.101/2000, nos seguintes aspectos: a) acordo firmado ao final do período – 30/11/2005: Sobre essa questão, a recorrente aduz que não há na Lei n.º 10.101/2000 qualquer dispositivo fixando o prazo entre a assinatura do acordo e pagamento da verba, por isso não deve prevalecer a incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de PLR. Vejamos. Para dar vida ao comando constitucional que trata da participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas foi editada a Medida Provisória n. 794, de 29/12/1994, que, após várias reedições, foi convertida na Lei n.º 10.101//2000. Eis dispositivos da Lei sob comento: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 18 33 direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Verificase que o legislador condicionou o pagamento de participação nos lucros à negociação entre capital e trabalho, devendo o instrumento decorrente do ajuste firmado conter claramente as condições necessárias à aquisição do direito ao recebimento da PLR. Embora a Lei n.º 10.101/2000 não carregue uma disposição explícita prevendo o lapso de tempo entre a assinatura do acordo e o pagamento da PLR, entendo que decorre de seu texto que os requisitos necessários a fruição do benefício trabalhista devem ter sido previamente estipulados. Não consigo visualizar as regras sendo fixadas durante o transcurso do jogo. Para que os trabalhadores sintamse motivados atingir os objetivos que lhe trariam o direito à participação nos resultados da empresa, sem dúvida, é necessário que, durante o período aquisitivo, os mesmos tenham pleno conhecimento de todas as regras atinentes ao pagamento da PLR. Não fosse assim, os trabalhadores não teriam como aferir se estariam alcançando os objetivos que lhe dariam direito à PLR. A lógica intrínseca ao sistema de pagamento da PLR exige que os seus beneficiários conheçam as regras que presidem o processo e, assim, possam contribuir com seu esforço para o alcance das condições fixadas no ajuste com o patrão visando à participação nos lucros. Por esse motivo, entendo que a celebração do acordo entre empregador e empregados durante o transcurso do período de aquisição do referido direito desatende ao o § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. Nesse sentido, não se pode falar na exclusão do saláriodecontribuição pretendida pelas recorrentes, posto que a lei previdenciária somente afasta a incidência de contribuição quando a verba é paga de acordo com a lei regulamentadora. Eis o texto da Lei n.º 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 1021DF CARF MF 34 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Pois bem, considerandose que o acordo para pagamento da PLR foi assinado somente no final do exercício de 2005, ou seja, praticamente ao término do período de aquisição do beneficio, entendo que houve o descumprimento da Lei n.º 10.101/2000, posto que o ajuste prevê regras para todo o ano. Ora, temse na espécie o estabelecimento de normas com efeitos retroativos, o que se choca com a previsão legal de que a concessão do benefício esteja condicionada ao cumprimento de requisitos que sejam claros para os trabalhadores. Tem sido esse o entendimento prevalente nessa turma de julgamento, como se pode ver no voto condutor do Acórdão n.º 240100.839, da lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, em sessão realizada no dia 03/12/2009: “Entendo, que o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros ou resultados alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, antes do início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento.” b) inexistência de regras claras e objetivas Acerca da suposta inexistência de regras claras assinaladas pelo fisco, entendo que lhe devo dar razão. A leitura da cláusula do ACT não deixa dúvida de que não havia naquele instrumento o estabelecimento de qualquer regra ou critério, mas apenas menção a estes. Vejamos: CLÁUSULA SEPTUAGÉSIMA NONA Considerandose o excelente desempenho empresarial verificado até a presente data da assinatura deste Acordo Coletivo e sua projeção para o ano de 2005, e que este desempenho também é fruto do esforço de seus Empregados que suplantaram o cumprimento proporcional das metas estabelecidas para o ano, a CEMIG distribuirá a título de Participação nos Resultados –distribuição Extraordinária – PRE, a importância total equivalente a 4 (quatro) remunerações vigentes no mês de pagamento. Além disso, o fisco intimou, sem sucesso, a empresa a apresentar as metas estipuladas que dariam direito à percepção da PLR. Assim, diante da recusa do sujeito passivo em apresentar esses esclarecimentos, deve prevalecer o entendimento do fisco, posto que nos autos não há qualquer elemento que dê guarida á tese da recorrente. c) periodicidade Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 19 35 Quanto à periodicidade, observo que houve quebra da regra legal, posto que a PLRE foi paga no ano de 2005 nos meses de novembro e dezembro. Essa sistemática contraria o § 2. do art. 3. da Lei da PLR, que dispõe: Art. 3o (.....) (.....) § 2.o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Observese que a norma veda o pagamento da verba em periodicidade inferior a um semestre civil, mesmo que a título de antecipação. [...] II) PLRO (ACT 2005/2006): esta parcela prevista na Cláusula 78.ª do ACT, fere a Lei n. 12.101/2000, uma vez que não possui regra ou critério para obtenção do benefício, como se pode ver da redação do ajuste: CLÁUSULA SEPTUAGÉSIMA OITAVA Considerandose que o ano de 2005 é ano praticamente findo, e que para o mesmo não foram pactuadas metas a serem atingidas pelos empregados, a CEMIG efetuará a seguinte distribuição relativa ao ano base de 2005 para pagamento em 2006: (grifo nosso III) PLRE (ACT 2006/2007): esta parcela prevista na Cláusula 5.ª do ACT, fere a Lei n. 10.101/2000, nos seguintes aspectos: a) acordo firmado ao final do período – 30/11/2006: conforme já ponderei acima, entendo que a assinatura do ACT ao final do período aquisitivo representa violação à Lei n. 10.101/2000, art. 2. , posto que, a interpretação desse dispositivo leva à conclusão de que as normas que presidem o processo de pagamento da PLR devem ser pactuadas previamente ao período aquisitivo do benefício. b) inexistência de regras claras e objetivas Acerca da suposta inexistência de regras claras assinaladas pelo fisco, a minha conclusão é a mesma adotada no acordo do ano anterior, posto que a Cláusula 5.ª é semelhante a Cláusula 79.ª do ACT 2005/2006, não mencionando as regras e os critérios que necessários ao pagamento da PLR. Por outro lado, a empresa não atendeu ao fisco quando intimada a apresentar as regras tomadas como referência para pagamento da PLR. As colocações do Conselheiro Kleber Araújo, as quais acompanhei no julgamento da Câmara baixa expressam de forma objetiva os requisitos descumpridos pelo recorrente, não havendo reparos a serem feitos, muito menos acatados argumentos de que a pactuação prévia seria exigida apenas em relação a metas. Na forma como pago o PLR em questão, encontrase evidente que o que se buscou foi gratificar, premiar trabalhadores, Fl. 1023DF CARF MF 36 descumprindo o preceito básico previsto no texto da CF/88, de que a PLR busca estimular a participação do empregado no capital da empresa. Quanto a periodicidade melhor sorte não assiste ao recorrente, tendo em vista que a empresa claramente descumpriu regra clara da lei 10.101/2000, mais precisamente o §2º do art. 3º, senão vejamos: Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ou seja, o legislador é claro quando descreve que no art. 3º que a PLR não deve substituir ou complementar a remuneração, vedando o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, ao pagar mais de duas vezes descaracterizado encontra se todo o PLR do contribuinte, razão pela qual deve ser tributado em sua totalidade. Dessa forma, em relação ao PLR, entendo que restaram descumpridos os requisitos tanto em relação a existência de regras claras e objetivas, necessidade de pactuação prévia ao exercício a que se referem, bem como periodicidade, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Apenas para melhor delimitar a lide o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional envolve as seguintes matérias: Da natureza do vício; Periodicidade Exclusão apenas das parcelas excedentes. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e , no meu entender, atenderia, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial. Quanto ao conhecimento da matéria "natureza do vício", entendo deva ser conhecida pelos fundamentos trazidos no próprio acórdão recorrido, senão vejamos: Diante dessas considerações, percebese que os pagamentos de PLR nas competências 03 e 07/2005 não estão contemplados nas cláusulas mencionadas. A DRJ percebeu essa questão e na diligência requerida, pediu explicação à autoridade lançadora acerca da causa desses pagamentos. Em sua resposta, fls. 1.761 e segs, o fisco limitouse a afirmar que constavam nas folhas de pagamento apresentadas valores correspondentes a pagamento de PLR, o que justificaria o lançamento. Chamada a se manifestar sobre a informação fiscal, a recorrente mencionou que o lançamento para as competências 03 e 07/2005 é carente de motivação, uma vez que o fisco não teria demonstrado as desconformidades dos pagamentos com a Lei da PLR. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 20 37 De fato, analisando os termos de intimação, pude perceber que o fisco requereu a apresentação apenas dos ACT de 2005/2006 e de 2006/2007. Por outro lado, o relatório fiscal não faz menção a possíveis falhas em acordos firmados anteriormente. Vejo que no cumprimento da diligência fiscal, a autoridade notificante poderia ter solicitado o ACT 2004/2005, de modo a analisar se suas cláusulas estariam em consonância com as determinações legais. Ocorre que preferiu apenas justificar a tributação da verba, em razão de estar incluída na folha de pagamento. A meu ver essa falta de motivação contraria o disposto no art. 142 do CTN devendose declarar a improcedência do lançamento nas competências 03 e 07/2005 para o levantamento PL – PART LUCROS E RESULTADOS. Ocorre que essas competências já foram excluídas em razão termos reconhecido a decadência até a competência 11/2005. Assim, não teria essa conclusão interferência no resultado desse julgamento, todavia, irá alterar o destino da lide correlata, travada no processo relativo ao descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores na GFIP, justificando, portanto, a apreciação deste ponto do lançamento. Ou seja, embora não conste do decisum a expressa manifestação de nulidade, o relator deixa claro em seu voto que a manifestação sobre a nulidade do período decadente tem por objeto nortear o resultado da obrigação acessória de informar em GFIP os fatos geradores, razão pela qual entendo ter a Fazenda Nacional, interesse recursal sobre o vício declarado. Dessa forma, encaminho pelo CONHECIMENTO INTEGRAL do recurso especial da Fazenda Nacional. Contudo, tendo sido vencida quanto ao conhecimento da matéria natureza do vício, apenas esclareço a motivação pela qual conheço do recurso, deixando de manifestarme quanto ao mérito. Periodicidade Exclusão apenas das parcelas excedentes Conforme descrito no relatório fiscal, através das planilhas citadas e das folhas de pagamento constatouse que, para uma parcela de empregados, o contribuinte pagou a título de antecipação ou distribuição, nas rubricas referentes a Participações nos Lucros ou Resultados, três parcelas no ano calendário 2002, contrariando o disposto no § 2º artigo 3º da Lei 10101/00, que veda pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil , ou mais de duas vezes no ano civil. Às fls. 174 e seguintes o auditor lançou planilhas que demonstram os empregados que receberam mais de duas parcelas a titulo de PLR, planilha esta não contestada pelo recorrente. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos em sua totalidade a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem Fl. 1025DF CARF MF 38 constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Contudo, para que seja descumprido o requisito da periodicidade, deve o auditor indicar que a empresa distribuiu efetivamente PLR aos empregados com a inobservância da lei. Quanto a alegação que não paga em mais de duas parcelas, mas tão somente antecipa a primeira parcela entendo que razão não assiste ao recorrente. Observase que a lei 10.101 (§2º do art. 3º) é enfática ao dizer que é VEDADO O PAGAMENTO DE QUALQUER ANTECIPAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. Assim, entendo acertado o lançamento em relação aos empregados que receberam PLR mais de 2 vezes no mesmo ano, ou em periodicidade inferior a um semestre. A empresa, para obedecer os ditames legais, e valerse da exclusão, deve adequar seus planos, nos mais diversos exercícios de forma a que não haja pagamento ou distribuição acima dos limites legais, quais sejam, duas vezes no ano e uma vez por semestre na época da ocorrência do presente lançamento. Descrita a fundamentação pela qual entendo que o pagamento mais de 2 vezes por ano, ou em periodicidade inferior ao estabelecido em lei encontrase vedado, devemos avançar nas razões do recurso especial. Determinou o acórdão recorrido a manutenção do lançamento apenas em relação a parcela excedente, conforme podemos extrair dos pontos trazidos pelo relator: Quanto à periodicidade, observo que houve quebra da regra legal, posto que a PLRE foi paga no ano de 2005 nos meses de novembro e dezembro. Essa sistemática contraria o § 2. do art. 3. da Lei da PLR, que dispõe: Art. 3o (.....) (.....) § 2.o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Observese que a norma veda o pagamento da verba em periodicidade inferior a um semestre civil, mesmo que a título de antecipação. Todavia, tem sido entendimento majoritário dessa Turma que apenas a parcela excedente à periodicidade legal é que deve sofrer a tributação. Assim, a parcela de 11/2005 deveria ser afastada não fosse a sua exclusão pela decadência. Essa análise foi necessária em razão da influência que terá no julgamento do processo 15504.019402/200921, auto de infração de obrigação acessória relativo à falta de declaração de fatos geradores na GFIP. Todavia, entendo que a interpretação adotada, embora não interfira diretamente no lançamento, já que a competência excluída também o fora pela decadência, não Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 21 39 se mostra a mais acertada, tendo em vista que em momento algum a lei 10.101/2000, determina que o descumprimento enseja a exclusão parcial dos fatos geradores. Destacase, ainda, outro ponto que atribui fragilidade a essa tese: como seria possível, objetivamente, escolher qual a parcela que seria excluída? A ausência de qualquer previsão legal a respeito, associada a subjetividade atribuída pelo relator fragiliza, ainda mais, a referida tese. Ademais, a lei 10.101/2000 descreve uma expressa vedação, cujo descumprimento implica desnaturar todo o PLR atribuído, razão pela qual deve ser tributada a totalidade das rubricas. Cito julgados do TST e TRF que corroboram referida argumentação de que, em havendo descumprimento da periodocidade estabelecida na lei 10.101/2000, todo o PLR encontrase desnaturado: TRF1 APELAÇÃO CIVEL AC 31295 MG 2002.38.00.031295 1 (TRF1) Data de publicação: 29/11/2005 PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA SENTENÇA. REJEIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART. 7º , XI , DA CF/1988 . AUTO APLICABILIDADE. PAGAMENTOS EM PERÍODOS INFERIORES A UM SEMESTRE. DESCARACTERIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO EM LUCROS. LEI Nº 10.101 , de 2000, ART. 3º , § 2º. VERBA HONORÁRIA. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20 , § 4º , DO CPC . [...] 3. Todavia, após a vigência da Medida Provisória nº 794 , de 29.12.1994, convertida na Lei nº 10.101 , de 2000, a distribuição de valores em periodicidade inferior a um semestre civil descaracteriza a participação em lucros, em face da vedação contida no art. 3º , § 2º , dos referidos atos legislativos. [...] TST RECURSO DE REVISTA RR 15477420125010431 (TST) Data de publicação: 24/04/2015 Ementa:RECURSO DE REVISTA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO MENSAL. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. INTEGRAÇÃO EM OUTRAS PARCELAS. O art. 3.º , § 2.º , da Lei n.º 10.101 /2000, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 12.832 /2013, veda o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em mais de duas vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a um trimestre civil. Inferese da regulamentação promovida pela Lei n.º 10.101 /2000, ao art. 7.º , XI , da Constituição Federal , que se buscou evitar que a PLR passasse a ser paga como complemento ao salário mensal e acabasse substituindo parte da Fl. 1027DF CARF MF 40 remuneração, conforme expressamente proibido no caput do referido art. 3.º Temse, assim, que referida regra objetivou, também, dificultar a transformação de salário em PLR com o fito de diminuir artificialmente os encargos decorrentes da relação de emprego. Ademais, a eventualidade do pagamento da PLR, conforme expressamente previsto na lei, permite diferenciála de parcelas salariais, afastando a possibilidade de sua incorporação, uma vez que a natureza salarial de uma parcela pressupõe periodicidade, uniformidade e habitualidade no seu pagamento. Desse modo, considerando que a lei repele o pagamento mensal da referida parcela, ainda que o nosso ordenamento jurídico disponha que o pactuado em acordo faz lei entre as partes, por injunção do art. 7.º , XXVI , da Constituição Federal , não há como reconhecer acordos e convenções coletivas que contrariem a legislação em vigor. No caso dos autos, as partes acordantes desviaramse dos objetivos e da finalidade da lei, ao autorizar o pagamento mensal da participação nos resultados, devendo ser reputado inválido o ajuste coletivo, que não pode subsistir aos termos da legislação em vigor, razão pela qual deve ser mantido o reconhecimento da natureza salarial da parcela mensalmente paga e sua integração na base de cálculos de outras verbas salariais, conforme decidido no Regional de origem. Recurso de Revista... Ou seja, embora não tenha influência direta no lançamento, já que mantido sob outros fundamentos de descumprimento de PLR (lei 10.101/2000), entendo que a PGFN possui interesse recursal em ver afastada a tese acatada em sua maioria pelo colegiado a quo de que em descumprido o §2º do art. 3º da lei 10.101/2000, sob o fundamento de que apenas haveria incidência de contribuições previdenciárias sobre a parcela excedente. Face ao exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a tese de que em descumprindo o §2º do art. 3º da lei 10.101/2000, tributarseia apenas as parcelas excedentes. Conclusão Em relação ao Recurso Especial do Contribuinte, voto por CONHECÊLO EM PARTE, para na parte conhecida NEGARLHE PROVIMENTO. Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, voto por CONHECÊ LO, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a tese de que em descumprindo o §2º do art. 3º da lei 10.101/2000, tributarseia apenas as parcelas excedentes. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 22 41 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada. Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora apenas no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mais especificamente quanto ao conhecimento da matéria referente à suposta declaração de nulidade do lançamento nos períodos de 03, 07 e 11/2005. O acórdão recorrido traz a seguinte decisão: "ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Igor e Carolina Wanderley Landim, que negavam provimento. Quanto ao recurso voluntário: I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; b) manter a responsabilidade solidária; e c) declarar a decadência até a competência 11/2005, inclusive 13º salário de 2005; II) Por maioria de votos, manter a incidência sobre o auxílio educação, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastavam a incidência; III) com relação as parcelas paga a título de PLR: a) Por unanimidade de votos considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas; b) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; e c) Por maioria de votos, considerar que somente deve haver incidência sobre as parcelas excedentes, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou pela incidência sobre todas as parcelas do período em que houve o descumprimento do requisito; e IV) Por maioria de votos, manter o lançamento referente ao adicional ao RAT, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que afastava o lançamento neste ponto." (grifei) Como se pode constatar, por unanimidade de votos foi declarada a decadência até a competência 11/2005, inclusive quanto ao 13º salário. Por outro lado, não há qualquer menção, no decisum, a eventual nulidade, tampouco sobre natureza de vício, se formal ou material, já que as competências em que a questão da nulidade teria sido levantada 03 e 07/2005 estavam contidas no período fulminado pela decadência. A impossibilidade de proferirse decisão acerca desse ponto foi inclusive reconhecida no próprio acórdão recorrido, que assim registrou: "Diante dessas considerações, percebese que os pagamentos de PLR nas competências 03 e 07/2005 não estão contemplados nas cláusulas mencionadas. A DRJ percebeu essa questão e na diligência requerida, pediu explicação à autoridade lançadora acerca da causa desses pagamentos. Fl. 1029DF CARF MF 42 (...) De fato, analisando os termos de intimação, pude perceber que o fisco requereu a apresentação apenas dos ACT de 2005/2006 e de 2006/2007. Por outro lado, o relatório fiscal não faz menção a possíveis falhas em acordos firmados anteriormente. (...) A meu ver essa falta de motivação contraria o disposto no art. 142 do CTN devendose declarar a improcedência do lançamento nas competências 03 e 07/2005 para o levantamento PL – PART LUCROS E RESULTADOS. Ocorre que essas competências já foram excluídas em razão termos reconhecido a decadência até a competência 11/2005. Assim, não teria essa conclusão interferência no resultado desse julgamento, todavia, irá alterar o destino da lide correlata, travada no processo relativo ao descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores na GFIP, justificando, portanto, a apreciação deste ponto do lançamento." (grifei) Assim, constatase que a manifestação do voto acerca da eventual nulidade relativa aos períodos de 03 e 07/2005, uma vez que não se refletiu no dispositivo do acórdão que considerou esses períodos fulminados pela decadência constituiu um mero registro do Relator. Com efeito, esse ponto somente poderia ser retomado caso a decadência viesse a ser afastada no período em questão, oportunidade em que o processo teria de retornar à Turma recorrida, para apreciação de questões cuja análise tenha restado prejudicada pela declaração de decadência, como é o caso da nulidade ora tratada. Nesse passo, verificase que a Fazenda Nacional suscitou em seu Recurso Especial primeiramente a revisão da declaração de decadência e, caso esta fosse efetivamente afastada, a revisão da declaração de nulidade dos períodos 03, 07 e 11/2005, como se essa última matéria houvesse sido julgada pelo Colegiado a quo, o que não ocorreu. Reprisese que tratouse de mero registro do Relator, suplantado pela declaração de decadência desses períodos, cujo eventual afastamento implicaria o necessário retorno dos autos à Turma recorrida, já que ao menos a apreciação dessa questão da nulidade restou prejudicada. Confira se o teor do Recurso Especial da Fazenda Nacional, na parte em que trata da nulidade: "Afastada a preliminar de decadência, em virtude da aplicação do artigo 173 do CTN para sua contagem nos termos acima expostos, cabem aqui outras considerações quanto ao mérito propriamente dito, especialmente em relação ao levantamento PLR das competências 03, 07 e 11/2005. Estas "outras considerações" a que alude a Fazenda Nacional dizem respeito exatamente à questão da nulidade registrada no voto condutor do acórdão recorrido. Após transcrever esse ponto, a Fazenda Nacional assim conclui: Em consequência das razões acima expostas, o Colegiado decidiu afastar da exigência o levantamento PLR relativo às competências 03 e 07/2005. O entendimento vergastado no acórdão recorrido diverge do posicionamento firmado pelos acórdãos ora indicados como paradigmas. " (grifei) Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10680.725037/201076 Acórdão n.º 9202005.515 CSRFT2 Fl. 23 43 De plano, constatase o equívoco na conclusão da Fazenda Nacional, ao asseverar que "o Colegiado" decidiu afastar da exigência o levantamento PLR relativo às competências 03 e 07/2005 pela nulidade, já que tratouse apenas de um mero registro levado a cabo pelo Relator. Quanto ao Colegiado, este declarou a decadência relativamente ao período objeto da nulidade, o que efetivamente é incompatível com qualquer outra deliberação, seja em sede de preliminar ou de mérito. Destarte, ainda que a decadência fosse afastada, não haveria qualquer sentido na interposição de Recurso Especial sobre matéria que não foi julgada pelo Colegiado, mas apenas mencionada no voto do Relator. A situação tornase ainda mais insólita pelo não seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em caráter definitivo, no que tange à decadência, de sorte que a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria a examinar matéria que, ainda que houvesse sido objeto de deliberação por parte do Colegiado recorrido o que se admite apenas para argumentar teria sido superada pela decadência declarada em caráter definitivo pela Turma a quo. Diante do exposto, por não vislumbrarse qualquer utilidade na discussão de matéria não julgada, objeto de período fulminado pela decadência, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, na parte em que suscitou a revisão da suposta declaração de nulidade dos períodos de 03, 07 e 11/2005. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1031DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.987776/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 76 /2 01 2- 65 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.987776/201265 Acórdão n.º 1401001.958 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987776/201265 Acórdão n.º 1401001.958 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987776/201265 Acórdão n.º 1401001.958 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.901000/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/05/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3401-004.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 10 00 /2 00 9- 62 Fl. 75DF CARF MF 2 Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de Contribuição para o PIS/PASEP no valor de R$ 23.023,21. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10120.901000/200962 Acórdão n.º 3401004.025 S3C4T1 Fl. 76 3 jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.720189/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM.
A regra geral aplicável à contagem do prazo decadencial consta do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Porém, quando a lei tributária determina que cabe ao contribuinte antecipar o pagamento do tributo devido, sem prévio exame da Autoridade Tributária, existindo o pagamento - ainda que parcial - e não se comprovando a ocorrência de dolo, fraude ou sonegação, aplicar-se-á a contagem do prazo decadencial segundo os ditames do artigo 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 2201-003.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM. A regra geral aplicável à contagem do prazo decadencial consta do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Porém, quando a lei tributária determina que cabe ao contribuinte antecipar o pagamento do tributo devido, sem prévio exame da Autoridade Tributária, existindo o pagamento - ainda que parcial - e não se comprovando a ocorrência de dolo, fraude ou sonegação, aplicar-se-á a contagem do prazo decadencial segundo os ditames do artigo 150, § 4º do CTN.
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PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM. A regra geral aplicável à contagem do prazo decadencial consta do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Porém, quando a lei tributária determina que cabe ao contribuinte antecipar o pagamento do tributo devido, sem prévio exame da Autoridade Tributária, existindo o pagamento ainda que parcial e não se comprovando a ocorrência de dolo, fraude ou sonegação, aplicarseá a contagem do prazo decadencial segundo os ditames do artigo 150, § 4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 01 89 /2 01 2- 95 Fl. 193DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve, na integralidade, o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido no anocalendário de 2007, em razão de ganho de capital por venda de ações não listadas na bolsa. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 132 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 1.054.982,27, que compreende imposto (R$ 465.529,20), juros de mora (R$ 240.306,17), multa proporcional (R$ 349.146,90), valores consolidados em março de 2012. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente ao IRPF do anocalendário 2007, ocorreu em 08 de março de 2012, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 137. Em 05 de abril de 2012, foi apresentada impugnação (fls 142) ao lançamento. A decisão da 4ª Turma da DRJ POA, consubstanciada no Acórdão 1048.596 (fls. 156), de 22 de janeiro de 2014, foi pela improcedência da impugnação, mantendose o crédito tributário constituído. Transcrevo a ementa do acórdão recorrido: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2009 GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." A decisão acima ementada contém o seguinte relatório (fls. 157), que adoto por sua precisão e clareza: De acordo com o Relatório da Ação Fiscal (fls. 96/106), a fiscalização apurou as seguintes irregularidades: Ganho de capital decorrente da incorporação de bens imóveis na empresa AGROAGUIA S/A, sendo o imposto devido calculado na proporção da participação da autuada na propriedade dos bens, sobre cada operação, conforme demonstrativo abaixo: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11070.720189/201295 Acórdão n.º 2201003.952 S2C2T1 Fl. 175 3 Fl. 195DF CARF MF 4 O ganho de capital foi considerado como ocorrido em 28/02/2007, quando da assinatura dos Atos Constitutivos da empresa Agroaguia S/A, cujo capital social foi integralizado pelos bens antes relacionados. Essa data é a mesma informada pelo cartório na DOI – Declaração de Operações Imobiliárias entregue a Receita Federal. Os referidos bens constam da Declaração de Bens apresentada pelo cônjuge da autuada, com o qual é casada pelo regime de comunhão universal de bens. O contribuinte impugna (fls. 142/150), tempestivamente, o lançamento alegando, preliminarmente, a decadência do direito da Fazendo Pública de constituir o crédito tributário referente ao ganho de capital apurado. Invoca o disposto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, argumentado que extinguese em 5 anos o prazo para o Fisco efetuar o lançamento, sendo o termo inicial deste prazo a data da ocorrência do fato gerador (28/02/2007). Entende que a tributação do ganho de capital por se tratar de lançamento por homologação não pode ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN. No mérito de sua impugnação, não faz qualquer menção ao ganho de capital apurado Requer a nulidade e o cancelamento do auto de infração e seu arquivamento." Em 26 de fevereiro de 2014, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 300), de maneira tempestiva, contra a decisão de primeiro grau da qual teve ciência em 27 de janeiro de 2014. Tal recurso, em linhas gerais, reprisa os argumentos constantes da impugnação. O processo foi distribuído em sessão pública, de modo eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo, preenchendo as condições de admissibilidade, e portanto, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Argui o Recorrente (fls 165), como preliminar, a decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributário. São seus argumentos: "O cerne da questão é este: como não houve qualquer pagamento espontâneo do Imposto de Renda sobre este fato gerador, o que possibilitaria que o lançamento fosse feito em 5 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11070.720189/201295 Acórdão n.º 2201003.952 S2C2T1 Fl. 176 5 anos contados do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN), entende a Fiscalização da RFB que o lançamento deixa de ser por homologação (!), previsto no art. 150, § 4o, passando a sêlo por declaração (art. 173,1, do CTN)!! 5.1 Portanto, se tivesse sido pago qualquer valor um irrisório centavo, por exemplo — o lançamento conservaria sua natureza e condição de lançamento por homologação, sujeitandose ao prazo do art. 150, § 4o. Entretanto, como não foi pago nada (nem o irrisório centavo), transmudase o lançamento por homologação em lançamento por declaração, submetido à regra do art. 173, I, do CTN (!). Interpretação do absurdo! 6.Reproduzse o constante na obra Regulamento do Imposto de Renda 2012 anotado e comentado vol. II Fiscosoft Editora 15a edição 2012 págs. 2.577/2.578, que bem espelha o posicionamento do Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara e do STJ a respeito do tema. De meridiana clareza, o aí ínsito, traduzindo a melhor e mais adequada interpretação ao assunto: "4 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AVALIAÇÃO SOBRE O PAGAMENTO ANTECIPADO: a) Io CC. Ia Câmara Acórdão n° 10193.116, de 14.07.2000: Para os fatos alcançados pela Lei 8.383/91, está pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes, por força do entendimento emanado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas se insere no contexto do denominado lançamento por homologação, o que determina a aplicação da regra especial de decadência do § 4o do artigo 150 do CTN. Para esse fim, a questão do "pagamento antecipado", como condição para enquadramento nessa modalidade de lançamento, passa a ter papel relevante. O Acórdão em destaque decidiu que o regime decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN deve ser aplicado ainda que o contribuinte não antecipe o pagamento do tributo, mas desde que o Fisco seja devidamente informado do ocorrido. Por decorrência, o art. 173, inciso I, do CTN seria aplicado somente quando o contribuinte nada paga e nada informa ao Fisco. É uma distinção importante. Pela clareza do voto merece ser destacado o trecho abaixo das razões levantadas, com o brilho costumeiro, pela culta Conselheira Sandra Maria Faroni: "Embora com essa deliberação unânime da la Seção [referese ao Resp n° 101.407 SP o STJ tenha tentado trazer a matéria ao seu leito natural, alguns aspectos continuam a carecer de interpretação. Ligamse eles à afirmativa de que 'se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173,1, do CTN'. Como interpretar essa assertiva em situações em que o sujeito passivo, ao exercer a atividade de identificar a matéria tributável e apurar o tributo devido, encontra valor zero (por exemplo, prejuízo fiscal, em relação ao imposto de renda, ou Fl. 197DF CARF MF 6 alíquota reduzida a zero em relação ao imposto de importação), e dá ciência ao Fisco do fato (mediante entrega da Declaração de Imposto de Renda ou registro da Declaração de Importação DI)? Seria razoável entender que se o sujeito passivo declarasse R$ 1,00 de imposto o prazo para decadência seria de cinco anos a contar do fato gerador, mas se nada tiver pago por ter apurado prejuízo fiscal, esse se alongaria? É evidente que não, e a única interpretação desse norma que não conduz ao absurdo pode ser extraída do próprio voto que conduziu o Acórdão supra mencionado, da lavra do ilustre Ministro Ari Pargendler, que assim fundamenta: "Aqui, o contribuinte antecipou o montante a seu juízo devido. A Fazenda Pública tinha cinco anos, a partir do fato gerador do imposto, para homologar esse pagamento, expressa ou tacitamente (CTN, art. 150,§ 4o). Decorrido esse prazo, decaiu o direito de constituir o crédito tributário correspondente às diferenças, a seu ver, consideradas devidas. Assim, se o sujeito passivo apresentou a declaração demonstrando que, a seu juízo, o imposto devido era zero, já tem a Fazenda a notícia do 'pagamento' zero ('antecipação do pagamento' a juízo do contribuinte considerado devido). Nesse caso, decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, decai o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário das diferenças consideradas devidas. Com o pagamento, ou, na ausência deste, com a declaração de que o tributo apurado foi zero, tem o Fisco elementos para exercer o controle. Diferentemente da situação em que o sujeito passivo nada antecipa e nada informa à Administração (não entrega a declaração). Nesse caso, assim, abre se campo para a aplicação do art. 173,1, do CTN, consoante entendimento do STJ". (grifouse) (...) Nesta linha de conclusão da Recorrente de sujeição da tributação dos Ganhos de Capital/pessoa física aos ditames do artigo 150, §4°, do CTN, independente de ter ou não havido qualquer recolhimento de tributo pronunciase a reiterada e melhor jurisprudência administrativa (Primeiro Conselho de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Câmara Superior de Recursos Fiscais), já de longa data. Assim dispõem, dentre muitos outros, os Acórdãos números: 10193.457 (Primeiro Conselho de Contribuintes I a Câmara) DOU de 02.10.2001 10418.750 (Primeiro Conselho de Contribuintes 4a Câmara) Sessão de 21.05.2002 10613.064 (Primeiro Conselho de Contribuintes 6a Câmara) Sessão de 06.11.2002 10614.420 (Primeiro Conselho de Contribuintes 6a Câmara) Sessão de 23.02.2005 10614.617 (Primeiro Conselho de Contribuintes 6a Câmara) Sessão de 18.05.2005 104 20.842 (Primeiro Conselho de Contribuintes 4a Câmara) Sessão de 07.07.2005 10614.831 (Primeiro Conselho de Contribuintes 6a Câmara) Sessão de 10.08.2005 10421.675 (Primeiro Conselho de Contribuintes 4a Câmara) Sessão de 22.06.2006 10616.176 (Primeiro Conselho de Contribuintes 6a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11070.720189/201295 Acórdão n.º 2201003.952 S2C2T1 Fl. 177 7 Câmara) Sessão de 01.03.2007 10422.587 (Primeiro Conselho de Contribuintes 4a Câmara) Sessão de 12.09.2007 104 23.228 (Primeiro Conselho de Contribuintes 4a Câmara) Sessão de 29.05.2008 10249.363 (Primeiro Conselho de Contribuintes 2a Câmara) Sessão de 05.11.2008 (...) III DO PEDIDO 10.Face ao exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário interposto, com o consequente cancelamento do Auto de Infração contra si lavrado pela DRF/ Santo Ângelo." Vêse, claramente, que toda a insurgência do Recorrente se apóia na existência da decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributário, posto que além do argumento acima reproduzido, nada mais consta do recurso voluntário que aqui se aprecia. Em suma, a questão insurgente se funda na regra aplicável ao prazo peremptório que o Fisco tem para a constituição de seu crédito. Entende o Recorrente que é aplicável a regra constante do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A decisão recorrida pugna pela aplicação do disposto no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Assim se pronunciou a decisão de piso sobre o tema (fls. 159): "Atentese que o objeto da homologação é o pagamento antecipado; sem ele, não há lançamento fiscal nessa modalidade, pois, simplesmente, não há o que homologar. Assim, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. Portanto, para os efeitos do prazo de decadência para a constituição do crédito tributário, há que se distinguir duas hipóteses para os tributos em que a lei prevê sejam lançados por homologação: aquela em que o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa o pagamento e aquela em que, não obstante obrigado a isso, deixa de fazêlo. Ocorrendo a primeira hipótese, a contagem do prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, aplicandose o disposto no § 4o do art. 150 do CTN, anteriormente transcrito. Por outro lado, não havendo o contribuinte efetuado qualquer pagamento prévio, não mais caracteriza o lançamento por homologação e o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, a seguir transcrito: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 199DF CARF MF 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]" No presente caso, o contribuinte não procedeu à apuração do ganho de capital e tampouco recolheu o imposto de renda correspondente. Assim, a norma do art. 173, inciso I, manda contar o prazo decadencial do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." Não assiste razão ao Recorrente. Explico: Pacífico hoje na doutrina tributária que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendidos aqueles em que a Lei determina a antecipação do pagamento pelo sujeito passivo, se submetem à contagem do prazo decadencial pela regra contida no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Nacional Tributário, CTN. Porém, mister ressaltar, com tintas fortes, que a regra geral para contagem do prazo decadencial é aquela esculpida no artigo 173 do CTN que determina que o prazo de cinco anos para que o Fisco proceda a constituição do crédito por meio do lançamento é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. A regra excepcional, como dito, se aplica somente aos tributos nos quais a Lei determina a antecipação do pagamento, chamados de tributos sujeitos ao auto lançamento ou lançamento por homologação, que como cediço, são a maioria dos tributos existentes em nosso ordenamento jurídico hodiernamente. Porém, não se aplica de imediato a regra excepcional de contagem do prazo decadencial. Exige, a jurisprudência pacífica do STJ (REsp 973733/SC, Rel Min Luiz Fux, Primeira Seção, julg em 12/08/09, recurso repetitivo), amparada na disposição constante do § 4º do artigo 150 do CTN, outras duas condições para a aplicação da regra excepcional: i) a existência de efetivo pagamento, ao menos que parcial, do tributo em análise e; ii) a inexistência de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. Tal entendimento levou a Corte Superior a firma a Tese por meio do Tema/Repetitivo de nº 163, do qual consta a seguinte redação (extraído do sitio do STJ < http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp?&l=10&i=1&tt=T>) "O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito." (destaques não constam do sitio do STJ) Em conclusão, aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando existente a devida antecipação do pagamento e não tendo ocorrido fraude, dolo ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Reforço: somente nesses casos é aplicável a regra do artigo 150, § 4º. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11070.720189/201295 Acórdão n.º 2201003.952 S2C2T1 Fl. 178 9 Não verifico, no caso em apreço, a antecipação do pagamento, mesmo que insuficiente, do ganho de capital decorrente da alienação ocorrida. Do exposto, não se constata a perda do direito do Fisco à constituição do crédito tributário por meio do lançamento, posto que, este se aperfeiçoou com a ciência da Contribuinte, ocorrida em 08 de março de 2012 (AR de fls. 137), e, tendo o fato gerador ocorrido em 2007, se iniciou, como dito, a contagem do lustro permissivo em 01.01.2008, vencendose, portanto, o prazo decadencial em 31 de dezembro de 2012. Nada mais constando do apelo voluntário, passo ao voto. CONCLUSÃO: Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em sua integralidade. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 201DF CARF MF
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