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Numero do processo: 10830.918290/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.554
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.918290/201191 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.554 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de abril de 2018 Assunto PERDCOMP. PIS/COFINS. Recorrente Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 18 29 0/ 20 11 -9 1 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.918290/201191 Resolução nº 3301000.554 S3C3T1 Fl. 3 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02054.438. A negativa do reconhecimento do crédito pela DRJ se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da ausência de DCTF retificadora e outros documentos que comprovassem as alegações da Recorrente. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF; · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento; · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e cópia de parte do livro razão analítico. · Ao fazer a juntada do seu livro razão, entende ser suficiente para conferência e comprovação do recolhimento indevido sobre “outras receitas”. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.538, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.904018/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.538): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10830.918290/201191 Resolução nº 3301000.554 S3C3T1 Fl. 4 3 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Com isso, é obrigatória a observância da decisão proferida no RE nº 585.235/MG, nos termos do RICARF. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.918290/201191 Resolução nº 3301000.554 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário DCTF, DIPJ e livro razão , justificando: Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras). Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10830.918290/201191 Resolução nº 3301000.554 S3C3T1 Fl. 6 5 b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001576/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. LAPSO MANIFESTO. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF.
Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número do DEBCAD e o Período de apuração.
EMBARGOS. EFEITO MODIFICATIVO. PAGAMENTO DO DÉBITO. ANTERIOR AO JULGAMENTO. DESISTÊNCIA DA LIDE. ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Admite-se o efeito modificativo quando em conseqüência do acolhimento dos embargos resulta premissa incompatível com o resultado originalmente adotado. Anula-se o acórdão que apreciou o mérito se constatado que o contribuinte havia quitado o débito antes do julgamento. Não se conhece de recurso voluntário nessa circunstância.
Numero da decisão: 2401-005.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para anular o acórdão nº 2803-004.055 e retificar o voto do acórdão embargado, passando o resultado do julgamento para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. LAPSO MANIFESTO. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número do DEBCAD e o Período de apuração. EMBARGOS. EFEITO MODIFICATIVO. PAGAMENTO DO DÉBITO. ANTERIOR AO JULGAMENTO. DESISTÊNCIA DA LIDE. ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Admite-se o efeito modificativo quando em conseqüência do acolhimento dos embargos resulta premissa incompatível com o resultado originalmente adotado. Anula-se o acórdão que apreciou o mérito se constatado que o contribuinte havia quitado o débito antes do julgamento. Não se conhece de recurso voluntário nessa circunstância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para anular o acórdão nº 2803-004.055 e retificar o voto do acórdão embargado, passando o resultado do julgamento para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. LAPSO MANIFESTO. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número do DEBCAD e o Período de apuração. EMBARGOS. EFEITO MODIFICATIVO. PAGAMENTO DO DÉBITO. ANTERIOR AO JULGAMENTO. DESISTÊNCIA DA LIDE. ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Admitese o efeito modificativo quando em conseqüência do acolhimento dos embargos resulta premissa incompatível com o resultado originalmente adotado. Anulase o acórdão que apreciou o mérito se constatado que o contribuinte havia quitado o débito antes do julgamento. Não se conhece de recurso voluntário nessa circunstância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 76 /2 00 8- 79 Fl. 408DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para anular o acórdão nº 2803004.055 e retificar o voto do acórdão embargado, passando o resultado do julgamento para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2401005.382 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório PETROBRAS PETROLEO BRASILEIRO S.A.., contribuinte, teve contra si lançado Crédito Previdenciário apurado com base na instituto da responsabilidade solidária decorrente de cessão de mão de obra, em relação ao período 01/1999 a 12/1999, conforme Relatório Fiscal e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, a Egrégia 3° Turma Especial, entendeu por bem DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da contribuinte no Acórdão nº 2803004.055, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICABILIDADE. ART. 31 DA LEI 8.212/91 REDAÇÃO DA ÉPOCA DO LANÇAMENTO.PAGAMENTO TOTAL NA PRESTADORA.INEXISTÊNCIA DE DÉBITO A APURAR. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Doutra banda, se comprovado que a prestadora adimpliu de forma total com sua folha de pagamento, não há parcela a ser imputado débito solidário. Recurso Voluntário Provido Tendo os autos sido encaminhados para Superintendência Regional da 7° Região, para cumprimento do Acórdão encimado, a autoridade fazendária elaborou manifestação alegando a existência de pagamento do DEBCAD em questão, conforme petição de desistência ro recurso para adesão ao REFIS em 10/03/2015 (fls. 338/348), propondo o retorno ao CARF para apreciação da questão. Submetido à análise de admissibilidade, por parte do nobre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, esta entendeu por bem acolher o pleito da SRRF inscritos e recepcionados como Embargos Inominados, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a o evidente lapso manifesto apontado, nos termos do Despacho de efl. 404. Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 410DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Com fulcro no art. 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 08 de março de 2016, adoto o despacho da Superintendência Regional da 7° Região como embargos inominados. Deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados, não há no RICARF prazo para sua interposição. Vejase o teor do artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Nas razões do despacho, pretende a Autoridade Administrativa incumbida do seguimento do feito sejam conhecidos seus Embargos, insurgindose contra o Acórdão recorrido, por entender ter havido a ocorrência de lapso manifesto, por ter sido a NFLD incluída ao REFIS em 28/11/2014. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento da presente manifestação, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da informação de adesão ao REFIS, de modo a sanar o manifesto erro. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, o Conselheira Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos constatou que houve lapso manifesto no julgado, de que houve desistência por parte do contribuinte. Nesse sentido, procedem os Embargos Inominados opostos pela representante da SRRF, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludido erro seja devidamente saneado. Conforme observase da petição acostada às efls. 338/345 fica evidenciado a inclusão da NFLD em comento ao REFIS, em 28 de novembro de 2014, no entanto, essa informação não foi anteriormente indicada pela contribuinte ou pelo Fisco. Fosse a informação sobre a existência do referido pagamento trazida aos autos, por qualquer das partes, antes do julgamento, o encaminhamento ali referendado pelo colegiado possivelmente seria outro. A existência de premissa fática equivocada é comprovada com a existência do pagamento antes do julgamento, demonstrando que o contribuinte não mais desejava levar adiante a discussão. O acórdão embargado foi proferido, em 11/02/2015, sob o nº 2803004.055, cuja decisão foi: “Acordam os membros do colegiado, I Em preliminar, por voto de qualidade, a Turma decidiu que o atual julgador do feito não se vincula a pedido de diligência feito por outro julgador, tal fato não encontra respaldo legal, além de se configurar inversão da lógica normal de julgamento. II por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator." Fl. 411DF CARF MF Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2401005.382 S2C4T1 Fl. 4 5 O atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, se manifesta da seguinte forma: [...] Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis.[...] Extraise dos dispositivos encimados que o pagamento configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pela contribuinte. Conforme a ementa abaixo transcrita demonstra que o CARF tem decidido pelo acolhimento de embargos de declaração ainda que a hipótese autorizadora seja constatada quando da juntada aos autos, após o julgamento, de documentos que deveriam constar dos autos: EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGAMENTO INFORMAÇÃO TRAZIDA AOS AUTOS APÓS O JULGAMENTO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. O pagamento extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN. Ademais, nessas circunstâncias, está ausente uma das condições da ação, previstas no artigo 267, inciso VI, do CPC, qual seja, o interesse processual. No caso, embora a informação só tenha vindo para os autos em sede de embargos de declaração opostos em face do acórdão da CSRF, proferido em 03/11/2008, o contribuinte efetivou o pagamento do débito em apreço em 28/11/2003. A decisão que negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional não pode prevalecer. Embargos acolhidos. (Acórdão 920202.329, de 24/09/2012, 2ª Turma da CSRF). Fl. 412DF CARF MF 6 No mesmo sentindo, o acolhimento de Embargos de Declaração para corrigir acórdão que se fundamentou em premissa fática equivocada está de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme ilustrado adiante: PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. TEMPESTIVIDADE. AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL. AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A POLUIR OU DEGRADAR. 1. O art. 535 do CPC dispõe que são cabíveis embargos de declaração quando a decisão for omissa, obscura ou contraditória, bem como para corrigir premissa fática equivocada ou erro material existente no acórdão impugnado. 2. No presente caso, embora o voto condutor, em seus fundamentos, tenha abordado todos os pontos necessários à composição da lide de forma clara e harmônica, notase o equívoco sobre premissa fática em que se baseou o acórdão embargado. 3. De fato, é o caso de reformar o acórdão impugnado, uma vez que o recurso especial é tempestivo. (EDcl no Ag 1323337/SP, Relator (a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data do Julgamento 22/11/2011). Nesse passo, havendo a recorrente desistido e renunciado ao direito, em 28/11/2014, conforme petição e comprovante em anexo, ou seja, quando ainda não existia o Acórdão ora embargado, tornase imperioso concluir pela inexistência de lide. Conseqüentemente, necessário se torna a anulação do acórdão prolatado originalmente por este colegiado em 11/02/2015, por ocorrência de evidente lapso manifesto, uma vez que não mais existia lide. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS de acordo com o artigo 66 do RICARF, com efeitos modificativos, para anular o Acórdão n° 2803004.055 e, NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO PELA CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917002/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.283
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Restituição formulado sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o deferimento de seu pedido de restituição, arguindo que o indébito decorrera da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, incidência essa julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE nº 346.084. Alegou, ainda, que o CARF já se pronunciara, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 17 00 2/ 20 11 -1 2 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13888.917002/201112 Resolução nº 3201001.283 S3C2T1 Fl. 158 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF que reconhecera a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei nº 9.718/1998, bem como na falta de comprovação da liquidez e certeza do indébito reclamado. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa, afirmando existir nos autos documentação comprobatória do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.265, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 13888.914725/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.265): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, originado de pagamento indevido ou a maior Em despacho decisório eletrônico, foi indeferida a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que o crédito decorre do recolhimento indevido da contribuição sobre parcelas que não integram o faturamento, nos termos da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foi anexada à Impugnação documentação comprobatória da existência do crédito. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse", o que não teria logrado comprovar a Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, ressalta que foram anexados diversos documentos à Manifestação de Inconformidade e requer a juntada e exame das cópias dos DARFs, Pedido de Restituição e Livro Razão Geral. Além disso, apresenta planilha demonstrativa do crédito postulado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13888.917002/201112 Resolução nº 3201001.283 S3C2T1 Fl. 159 3 Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese que em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Importa registrar que, nos presentes autos, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900953/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.938
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 09 53 /2 00 8- 89 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13884.900953/200889 Acórdão n.º 3401004.938 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.601, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13884.900953/200889 Acórdão n.º 3401004.938 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13884.900953/200889 Acórdão n.º 3401004.938 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13884.900953/200889 Acórdão n.º 3401004.938 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13884.900953/200889 Acórdão n.º 3401004.938 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726058/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
ILEGITIMIDADE DA UNIÃO FEDERAL. INSUBSISTÊNCIA
A competência tributária é atribuída constitucionalmente aos entes federados para instituir tributos. No caso da União, essa competência encontra-se definida no artigo 153 da Carta da República.
Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e cobrar o Imposto de Renda, conforme preceitua o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional
Não há que se confundir a competência tributária com a repartição da sua receita, estabelecida no art. 157, inciso I, da Constituição Federal. Preliminar rejeitada.
INEXISTÊNCIA DE CONDUTA HÁBIL PARA APLICAÇÃO DA MULTA.
É de se acolher o pleito do contribuinte, uma vez que este foi induzido a erro pela fonte pagadora, que tratou esses rendimentos como isentos, inclusive nos comprovantes fornecidos. Nesse sentido dispõe a Súmula nº73 do CARF.
RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO ESTADO DA BAHIA. NÃO OCORRÊNCIA
Não procede a alegação, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. É neste sentido a disciplina da Súmula CARF nº 12.
Numero da decisão: 2401-005.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir a multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 ILEGITIMIDADE DA UNIÃO FEDERAL. INSUBSISTÊNCIA A competência tributária é atribuída constitucionalmente aos entes federados para instituir tributos. No caso da União, essa competência encontra-se definida no artigo 153 da Carta da República. Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e cobrar o Imposto de Renda, conforme preceitua o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional Não há que se confundir a competência tributária com a repartição da sua receita, estabelecida no art. 157, inciso I, da Constituição Federal. Preliminar rejeitada. INEXISTÊNCIA DE CONDUTA HÁBIL PARA APLICAÇÃO DA MULTA. É de se acolher o pleito do contribuinte, uma vez que este foi induzido a erro pela fonte pagadora, que tratou esses rendimentos como isentos, inclusive nos comprovantes fornecidos. Nesse sentido dispõe a Súmula nº73 do CARF. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO ESTADO DA BAHIA. NÃO OCORRÊNCIA Não procede a alegação, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. É neste sentido a disciplina da Súmula CARF nº 12.
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INSUBSISTÊNCIA A competência tributária é atribuída constitucionalmente aos entes federados para instituir tributos. No caso da União, essa competência encontrase definida no artigo 153 da Carta da República. Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e cobrar o Imposto de Renda, conforme preceitua o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional Não há que se confundir a competência tributária com a repartição da sua receita, estabelecida no art. 157, inciso I, da Constituição Federal. Preliminar rejeitada. INEXISTÊNCIA DE CONDUTA HÁBIL PARA APLICAÇÃO DA MULTA. É de se acolher o pleito do contribuinte, uma vez que este foi induzido a erro pela fonte pagadora, que tratou esses rendimentos como isentos, inclusive nos comprovantes fornecidos. Nesse sentido dispõe a Súmula nº73 do CARF. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO ESTADO DA BAHIA. NÃO OCORRÊNCIA Não procede a alegação, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. É neste sentido a disciplina da Súmula CARF nº 12. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 58 /2 00 9- 01 Fl. 212DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 2401005.416 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase da apreciação das demais questões postas no Recurso Voluntário de fls. 88 a 126, interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA (DRJ/SDR), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1527.152 (fls. 79/84): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata da exigência de Crédito Tributário de Auto de Infração (fls. 03/10) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, anos calendário de 2004, 2005 e 2006, no valor total de R$ 144.341,28, incluída a multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (Demonstrativo Consolidado – fl. 02). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 05/10) o Crédito Tributário foi constituído em razão do Sujeito Passivo ter classificado indevidamente, nas Declarações de Ajuste Anual, como sendo Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, pagos em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Conforme o Auditor Fiscal as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, uma vez que decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, estando, consequentemente, sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 214DF CARF MF 4 Complementa o Auditor Fiscal dizendo que na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Informa também que foi atendido o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. Cientificado do Lançamento Fiscal em 15/11/2009 (AR – fl. 38), o Contribuinte apresentou, tempestivamente, sua Impugnação de fls. 40 a 74 em 20/11/2009. O processo foi encaminhado à DRJ/SDR para julgamento, que, através do Acórdão nº 1527.152, decidiu pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário exigido no Auto de Infração. Cientificado do Acórdão da DRJ/SDR, via correio (AR – fl. 127), em 25/07/2011, tempestivamente, em 28/07/2011, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 88 a 126, onde, em síntese, alegava que: 1. A União não detém legitimidade para cobrar imposto de renda incidente sobre valores pagos por ente público estadual, o qual deve ser recolhido aos cofres dos Estados, na forma do art. 157, I, da Constituição da República; 2. É incabível a aplicação da multa de ofício sobre o imposto lançado, pois o contribuinte agiu de acordo com a Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003, que asseverou que os rendimentos controvertidos eram isentos do imposto de renda, sendo certo que o próprio Ministério da Fazenda, em resposta à consulta feita pela Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, ratificou a inaplicabilidade da referida multa; 3. Há um equívoco na metodologia de apuração do imposto para o caso vertente, que deveria ter considerado as tabelas vigentes no ano em que a diferença de URV tivesse sido recebida, agregandoa aos demais rendimentos do contribuinte, o que não foi feito no presente caso; 4. A fiscalização utilizou como base de cálculo todo o valor percebido a título de diferença de URV (principal, correção monetária e juros de mora), quando é cediço na jurisprudência pátria que os juros de mora não estão submetidos ao campo de incidência do imposto de renda, por terem caráter indenizatório; 5. A presente ação fiscal violou o Princípio Constitucional da Isonomia, pois os magistrados federais receberam a multicitada parcela indenizatória, e, na forma da Resolução STF nº 245/2002, não sofreram qualquer admoestação por parte da Administração Tributária Federal. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 2401005.416 S2C4T1 Fl. 4 5 O Processo foi encaminhado para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF onde a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento decidiu por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, tornando insubsistente o auto de infração, conforme ementa do Acórdão nº 210201.746 (fls. 130/138): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros da magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido. Cientificado do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 140/154), tempestivo, alegando que o Acórdão recorrido merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge das interpretações proferidas nos Acórdãos Paradigmas nº 220201.274 (fls. 155/167) e nº 220201.208 (fls. 168/176) da 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF. No Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 178/179) é reconhecida a divergência entre o Acórdãos recorrido e paradigmas e delimita a controvérsia apresentada pela Recorrente à tributação das diferenças de rendimentos pagos aos membros dos Ministérios Públicos Estaduais. Sem terem sido apresentadas contrarrazões, o processo foi encaminhado à 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF onde, por unanimidade de votos, foi conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, dado Fl. 216DF CARF MF 6 provimento com retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no Recurso Voluntário, conforme ementa do Acórdão nº 9202001.464 (fls. 186/202): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 2401005.416 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou procedente o Recurso Especial interposto pela Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário (fls. 186/202). O Acórdão n.º 9202004.464 da CSRF firmou entendimento pela correta exigência do Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, sobre os valores pagos a título de URV, em trinta e seis parcelas, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, por considerar a natureza das verbas analisadas como diferenças salariais, e não sendo de natureza indenizatória, determinando ainda a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora. Necessário então se faz a análise das questões não apreciadas, conforme postas no Recurso Voluntário de fls. 88/126. Ilegitimidade da União Federal Segundo o contribuinte, a União é parte ilegítima para exigir o tributo ora em debate pois o produto do crédito tributário que deu origem ao presente processo é de “propriedade” da Fazenda Pública do Estado da Bahia, cabendo somente a ele protestar pelo seu pagamento. A competência tributária é atribuída constitucionalmente aos entes federados para instituir tributos. No caso da União, essa competência encontrase definida no artigo 153 da Carta da República: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; Fl. 218DF CARF MF 8 III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e cobrar o Imposto de Renda, conforme preceitua o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 6º A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Não há que se confundir a competência tributária com a repartição da sua receita, estabelecida no art. 157, inciso I, da Constituição Federal. A repartição da receita em nada afeta a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do disposto no art. 153, inciso III, da Constituição Federal. Dessa forma, rejeito a alegação de ilegitimidade ativa da União reclamada pelo contribuinte. Inexistência de conduta hábil à aplicação da multa O Recorrente alega que nada mais fez senão seguir fielmente a legislação pertinente (Lei Ordinária do Estado da Bahia n° 8.730/2003), que classificou as verbas de URV como de natureza indenizatória, tendo a fonte pagadora apresentado a recomposição devida com a informação da natureza indenizatória da verba, isenta de IRPF, razão porque ocorreu um erro escusável, na medida em que o contribuinte seguiu orientações da fonte pagadora. Destaca que o Ministério da Fazenda, em resposta à consulta administrativa feita pela presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, manifestouse pela inaplicabilidade da multa de ofício, haja vista a boafé dos autuados (fls. 94/95). Pleiteia pela exclusão da multa de 75% (setenta e cinco por cento) por não ter cometido qualquer infração. Assiste razão ao contribuinte. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 2401005.416 S2C4T1 Fl. 6 9 Sobre a multa de ofício, é de se acolher o pleito do contribuinte, uma vez que este foi induzido a erro pela fonte pagadora, que tratou esses rendimentos como isentos, inclusive nos comprovantes fornecidos (fls. 17/20). Nesse sentido, dispõe a Súmula nº73 do CARF: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Responsabilidade exclusiva do Estado da Bahia Assevera que o Estado da Bahia, na qualidade de substituto tributário pelo IRPF responde pelo pagamento caso não tenha realizado a retenção. Não procede referida alegação. Isso porque o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. É neste sentido a disciplina da Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessa forma, não deve ser acatado o argumento aduzido no Recurso Voluntário. Nulidade do lançamento – forma inadequada de apuração da base de cálculo do tributo lançado Aduz o recorrente que o cálculo do imposto devido não deveria ocorrer sobre a totalidade dos valores recebidos nos anos de 2004, 2005 e 2006, mas sim sobre os valores mensais em que o pagamento seria realizado (1994 a 2001), colacionando entendimentos do Superior Tribunal de Justiça. Relativamente ao regime de competência para a tributação dos valores recebidos, há que se adotar o entendimento definido em decisão de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 1118429/SP), conforme determinação do parágrafo 2º do artigo 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF). Ocorre que no presente caso, de acordo com o lançamento e cálculo do imposto devido (fl. 6), foi levado em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias, de acordo com o demonstrativo do Imposto de Renda apurado (fl. 10): Fl. 220DF CARF MF 10 Assim, tendo em vista que o lançamento levou em consideração a forma de cálculo pleiteada pelo contribuinte, não deve ser conhecida referida matéria por falta de interesse processual. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, nego as preliminares suscitadas e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.726215/2011-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02
É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 1001-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 62 15 /2 01 1- 44 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 18470.726215/201144 Acórdão n.º 1001000.450 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 44 a 46) interposto contra o Acórdão nº 1244.799, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 29 a 39), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2011 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIA IMPEDITIVA DENTRO DO PRAZO LEGAL. Constatado que o débito motivador do indeferimento não foi regularizado no prazo previsto na norma, mantémse o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que indeferiu o ingresso do contribuinte no Simples Nacional sob o fundamento de que a empresa possuía débito com Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, bem como débitos inscritos em Dívida Ativa da União, listados no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fls 26/27 do processo digital, cuja exigibilidade não está suspensa, conforme Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. 2. Irresignada, a requerente apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em apertada síntese: 2.1. Que as notificações e demais correspondências sejam enviadas à Rua Santo Amando, 234, Campo Grande, CEP 23052430, aos cuidados do Senhor Alair Maquinez da Cruz, ou através do FAX 2124160709; 2.2. Cadastramento do processo no serviço de Push Processo; 2.3. Das formalidades e Princípios a serem aplicados ao presente processo administrativo – cita Hely Lopes Meirelles; 2.4. Do efeito suspensivo; 2.5. Dos fatos: Fl. 50DF CARF MF Processo nº 18470.726215/201144 Acórdão n.º 1001000.450 S1C0T1 Fl. 4 3 2.5.1. “Ocorre que, para a sua surpresa, o seu requerimento fora impugnado devido ao fato de esta empresa possuir débito tributário anteriores a sua opção pelo recolhimento feito através do Simples Nacional.” 2.5.2. “Tal descoberta se deu apenas através de consulta feita pela Internet, pois não fora enviada notificação por A.R., ou outra forma de notificação pessoal do contribuinte, informando que a impugnante teria tido seu requerimento rejeitado pelo fato já explicitado, e como é notório, a notificação ao administrado deve ser feito através de intimação pessoal ou por via postal e na ultima hipótese por Edital quando não localizado o endereço, este também é o entendimento jurisprudencial do Tribunal Estadual de Minas Gerais, ....” (GN) 2.5.3. “Devido à falta da regular notificação da exclusão do Simples Nacional, ocasionou o Requerido o cerceamento de defesa da parte Requerente, desrespeitando o mesmo os princípios constitucionais ao direito a Ampla Defesa e ao Contraditório, bem como o disposto no parágrafo único, V do artigo 2o da Lei 9784/1999. Não tendo a Requerente sido excluída formalmente do Simples Nacional, não poderia o Fisco excluíla do SIMPLES NACIONAL, o que configura o ato nulo.” 2.5.4. Entende que o ato é eivado de ilegalidade e alega que demonstrará. 2.6. Da impugnação ao ato de exclusão do Simples Nacional Dos fundamentos jurídicos. 2.6.1. Cita os princípios que norteiam os atos administrativos e entende que não foi respeitado o princípio da publicidade, já que não foi notificado por correio ou Diário Oficial, o que permitiria ao notificado apresentar suas razões caso não concordasse com o ato praticado. 2.6.2. “Não bastasse às razões acima explicitadas, tal atitude do CGSN configurase de todo abusiva e ilegal na medida em que por via de sanção de natureza política, impede ao requerente o livre exercício de atividade econômica, colocandolhe obstáculos que inexistem na lei e usandoa como instrumento para a cobrança de tributo, ...” 2.6.3. “Tanto a submissão da entidade política ao princípio da legalidade tributária, como a1 proibição de a lei impedir o acesso ao Judiciário configuram violentos ataques aos direitos e garantias individuais, insusceptíveis de supressão até por via de Emendas (art. 60, § 4o , IV da CF), muito menos a lei complementar ou resolução poderia dispor em sentido contrário.” 2.6.4. Frisa que a Constituição protege os micro e pequenos empresários por conferilhes um direito, que é o de terem um tratamento diferenciado, com simplificação e redução tributária. Cita a Constituição Federal. 2.6.5. Entende que “... a festejada Lei Complementar 123 de 2006, ao regulamentar esses artigos constitucionais, por falha legislativa, veio ao mundo jurídico eivada de algumas ilegalidades ou obscurantismos ferindo princípios norteadores do direito tributário, tais como o da isonomia tributária e o da certeza tributária, só para se mencionar alguns. Assim declaramos, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 18470.726215/201144 Acórdão n.º 1001000.450 S1C0T1 Fl. 5 4 pois a lei veda de forma violenta o ingresso de micro e pequenas empresas que de alguma forma não consigam quitar, todos os seus débitos relativamente ao período posterior a janeiro de 2006, e ainda relativos a um rol de tributos, taxas e outros valores que ficaram de fora do parcelamento de 120 meses consoante texto da própria LC 123/2006. Fica claro que está em prática uma medida de coerção irresistível para pagamento de tributos, ferindo frontalmente inclusive súmula do STF (323).” 2.6.6. Ressalta o direito ao contraditório e ampla defesa e entende que o CGSN está descumprindo garantias constitucionais ao direto de trabalho, livre exercício da atividade econômica, bem como da dispensa de tratamento diferenciado aplicável às micro e pequenas empresas. 2.6.7. Entende que o art. 17, inc. V da Lei Complementar 123/2006 é eivado de inconstitucionalidade, “pois torna o Simples Nacional uma forma de cobrança de tributos disfarçada, ....” 2.6.8. Cita súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF); 2.6.9. “Ora, com base no art. 146, III, "d',' da CRFB, bem,como em consideração as condições fáticas que inviabilizariam a atividade da impugnante, bem como a possibilidade de o STF suspender a aplicação do art.17, V, da LC 123/2006, pugna o impugnante pela sua devida inclusão no Simples Nacional.” 2.7. Dos Requerimentos 2.7.1. Requer: 2.7.1.1. Que qualquer comunicação seja encaminhada ao Sr. Alair Maquinez da Cruz; 2.7.1.2. Que o processo seja cadastrado no serviço push processo; 2.7.1.3. Que o recurso administrativo seja aceito; 2.7.1.4. Que qualquer exigência de juntada de documento seja informada no corpo do processo, concedendolhe prazo para o cumprimento da obrigação; 2.7.1.5. “que todo e qualquer débito eventualmente existente em relação ao requerente acima, consignado, seja declarado extinto, tendo em vista a prescrição tributária ...” ; 2.7.1.6. “....que todos os débitos existentes em desfavor do ora requerente sejam recalculados (suas correções e juros moratórios)”; 2.7.1.7. “... que seja enviado ao ora requerente planilha demonstrativa clara e completa demonstrando os débitos eventualmente existentes em relação ao requerente,...”; 2.7.1.8. “... tendo em vista o princípio da motivação, que toda e qualquer decisão em relação ao presente feito seja devidamente fundamentada.”; 2.7.1.9. “... a aplicação de EFEITO SUSPENSIVO em até 48 horas após o recebimento deste recurso, aos débitos constantes da base de dados até o período de 12/2010, administrados pela C. Receita Federal Fl. 52DF CARF MF Processo nº 18470.726215/201144 Acórdão n.º 1001000.450 S1C0T1 Fl. 6 5 do Brasil, bem como de débitos oriundos de outros entes eis que o CGSN compete o gerenciamento destes tributos, e que se esse não for o entendimento que sejam os entes notificados dos termos desse recurso a fim de formalizarem a respectiva suspensão de débitos e pendências cadastrais até que haja o transito deste recurso.”; 2.7.1.10. “... que os termos do presente processo administrativo sejam levados a conhecimento das respectivas administrações tributárias, do Estado do Rio de Janeiro e do Município do qual o requerente possui domicílio tributário, para que se manifestem acerca dos débitos relativos a suas respectivas competências, tendo em mente o princípio da economia e da celeridade.”; 2.7.1.11. Que a requerente seja mantida no Simples Nacional com efeito ex tunc." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário que a previsão feita pela LC 123/06 quanto a impossibilidade de adesão ao SIMPLES por empresas em débito para com o fisco violaria a Constituição Federal É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente alega em seu recurso que a previsão feita pela Lei Complementar 123/2006 em seu art. 17, inciso V, qual seja de vedar a adesão ao SIMPLES por empresa que tenha débitos fiscais não suspensos, violariam a Constituição Federal em seu art. 179, que estabelece o tratamento favorecido às micro e pequenas empresas; e em seu artigo 5º, que define o princípio da isonomia. Ocorre que é vedado aos julgadores administrativos analisarem a inconstitucionalidade de lei. Tal entendimento já foi sumulado por meio do enunciado CARF de nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, tal impeditivo impossibilita o acolhimento das razões da parte enquanto aos argumentos de inconstitucionalidade, razão pela qual afastoos de plano, sem a necessidade de maiores analises quanto ao tema. Portanto, concluo que a argumentação esposada pela Recorrente não encontra amparo jurídico, não merecendo prosperar. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 18470.726215/201144 Acórdão n.º 1001000.450 S1C0T1 Fl. 7 6 Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001121/2006-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da Lei nº 9.363/96 é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência de recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso nos termos do Regimento Interno do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. INSUMOS DO VAPOR E DA ÁGUA. PRODUTOS UTILIZADOS EM LABORATÓRIO NO PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI.
O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que tratava o artigo 543-C do CPC/73, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno.
Os insumos que sofrem alterações em função de ações exercidas diretamente na água (ETA) na caldeira, mas que não exerçam uma ação direta sobre os produtos em fabricação (açúcar e álcool), não geram direito ao crédito presumido de que trata Lei n° 9.363/96.
Os produtos químicos utilizados em laboratório para análises químicas e físicas feitas no produto acabado não se enquadram no conceito de matéria-prima ou de produto intermediário para fins de crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA SEM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Somente é considerada como venda com o fim específico de exportação passível de compor a receita de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. PRODUTOS NT. RESSARCIMENTO. INCABÍVEL.
Para a fruição do benefício do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deve a empresa satisfazer cumulativamente a duas condições - ser produtora e ser exportadora.
Em conformidade com a determinação da própria Lei nº 9.363/96, o conceito de "produção" deve ser buscado na legislação do IPI, de forma que "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]".
Assim, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI a exportação de produtos com notação "NT" (Não Tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), eis que estão excluídos do campo de incidência do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NT. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PORTARIA MF 38/97.
No cálculo do crédito presumido de IPI de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos com notação NT incluem-se na composição da Receita Operacional Bruta utilizada para o cálculo do coeficiente de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DATA DE EMBARQUE.
Para efeito do cálculo do percentual do crédito presumido correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (coeficiente de exportação), o valor das exportações a ser considerado deve ser determinado pela conversão de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior.
Recurso Voluntário provido em parte
Direito Creditório reconhecido em parte
Numero da decisão: 3402-004.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas/ajustes relativos às aquisições de matéria-prima de pessoas físicas e à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, considerando-se as receitas das exportações ao câmbio vigente na data dos respectivos embarques; e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do valor dos insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT) na TIPI. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que irá apresentar declaração de voto acerca desse item.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96 é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência de recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso nos termos do Regimento Interno do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. INSUMOS DO VAPOR E DA ÁGUA. PRODUTOS UTILIZADOS EM LABORATÓRIO NO PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que tratava o artigo 543-C do CPC/73, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. Os insumos que sofrem alterações em função de ações exercidas diretamente na água (ETA) na caldeira, mas que não exerçam uma ação direta sobre os produtos em fabricação (açúcar e álcool), não geram direito ao crédito presumido de que trata Lei n° 9.363/96. Os produtos químicos utilizados em laboratório para análises químicas e físicas feitas no produto acabado não se enquadram no conceito de matéria-prima ou de produto intermediário para fins de crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA SEM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente é considerada como venda com o fim específico de exportação passível de compor a receita de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. PRODUTOS NT. RESSARCIMENTO. INCABÍVEL. Para a fruição do benefício do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deve a empresa satisfazer cumulativamente a duas condições - ser produtora e ser exportadora. Em conformidade com a determinação da própria Lei nº 9.363/96, o conceito de "produção" deve ser buscado na legislação do IPI, de forma que "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]". Assim, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI a exportação de produtos com notação "NT" (Não Tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), eis que estão excluídos do campo de incidência do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NT. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PORTARIA MF 38/97. No cálculo do crédito presumido de IPI de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos com notação NT incluem-se na composição da Receita Operacional Bruta utilizada para o cálculo do coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DATA DE EMBARQUE. Para efeito do cálculo do percentual do crédito presumido correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (coeficiente de exportação), o valor das exportações a ser considerado deve ser determinado pela conversão de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Recurso Voluntário provido em parte Direito Creditório reconhecido em parte
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96 é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência de recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso nos termos do Regimento Interno do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. INSUMOS DO VAPOR E DA ÁGUA. PRODUTOS UTILIZADOS EM LABORATÓRIO NO PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que tratava o artigo 543C do CPC/73, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 11 21 /2 00 6- 63 Fl. 2376DF CARF MF 2 acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. Os insumos que sofrem alterações em função de ações exercidas diretamente na água (ETA) na caldeira, mas que não exerçam uma ação direta sobre os produtos em fabricação (açúcar e álcool), não geram direito ao crédito presumido de que trata Lei n° 9.363/96. Os produtos químicos utilizados em laboratório para análises químicas e físicas feitas no produto acabado não se enquadram no conceito de matéria prima ou de produto intermediário para fins de crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA SEM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente é considerada como venda com o fim específico de exportação passível de compor a receita de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. PRODUTOS NT. RESSARCIMENTO. INCABÍVEL. Para a fruição do benefício do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deve a empresa satisfazer cumulativamente a duas condições ser produtora e ser exportadora. Em conformidade com a determinação da própria Lei nº 9.363/96, o conceito de "produção" deve ser buscado na legislação do IPI, de forma que "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]". Assim, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI a exportação de produtos com notação "NT" (Não Tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), eis que estão excluídos do campo de incidência do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NT. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PORTARIA MF 38/97. No cálculo do crédito presumido de IPI de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos com notação NT incluemse na composição da Receita Operacional Bruta utilizada para o cálculo do coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DATA DE EMBARQUE. Para efeito do cálculo do percentual do crédito presumido correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (coeficiente de exportação), o valor das exportações a ser considerado deve ser determinado pela conversão de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Recurso Voluntário provido em parte Direito Creditório reconhecido em parte Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.377 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas/ajustes relativos às aquisições de matériaprima de pessoas físicas e à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, considerandose as receitas das exportações ao câmbio vigente na data dos respectivos embarques; e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do valor dos insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT) na TIPI. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que irá apresentar declaração de voto acerca desse item. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM. Somente as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Fl. 2378DF CARF MF 4 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS UTILIZADOS EM PRODUTOS EM ELABORAÇÃO E ACABADOS MAS NÃO VENDIDOS. EXCLUSÃO NO ÚLTIMO TRIMESTRE DO ANO E INCLUSÃO NO PRIMEIRO TRIMESTRE DO ANO SEGUINTE. Deve ser excluído da base de cálculo do benefício, no último trimestre de um ano, o custo dos insumos empregados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos, e incluído no primeiro trimestre do ano subseqüente. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NT. A receita de vendas de produtos não tributados, ou seja, fora do campo de incidência do imposto, é insuscetível de cômputo na apuração da receita de exportação, ainda que o produto resulte de industrialização. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA SEM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente é considerada como venda com o fim específico de exportação, e, portanto, passível de composição da receita de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. A habilitação ao crédito presumido pressupõe o emprego de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem na industrialização (produção) na própria empresa; a venda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros não compõe a receita de exportação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. A atividade de definição de classificação fiscal é de jaez tributário, não técnico; vale dizer, consiste na aplicação da norma tributária ao fato. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. No caso de compensação indevida de débitos, a cobrança de acréscimos moratórios tem base legal. (...) Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre o PER/DCOMP nº 37601.55276.271103.1.5.017554, cujo direito creditório é decorrente de crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96 e na Portaria MF nº 38/97, no montante de R$1.881.875,26, relativo ao 4º trimestrecalendário de 2001. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido no valor de R$331.892,69, em face das seguintes glosas/exclusões/ajustes: 1) Canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas e transferida de filiais; 2) Aquisições de insumos não caracterizados como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem; 3) Exportações de produto não tributado: álcool etílico hidratado para fins carburantes, código 2207.10.00 Ex 01 da Tabela de Incidência do IPI; Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.378 5 4) Exportações indiretas realizadas por meio de empresa comercial exportadora sem o fim específico de exportação: vendas paras a empresa Jardest S/A Açúcar e Álcool, CNPJ 50.735.281/000107. No corpo da nota fiscal e no CFOP constam os dizeres “Futura Exportação”, tendo sido os produtos remetidos para o endereço da empresa: Via Anhanguera, km 340, Jardinópolis/SP), e Indústria de Produtos Alimentícios Cory Ltda., CNPJ 51.665.073/000133, conforme cópias de notas fiscais de fls. 155 e 156; 5) Exportações de produtos adquiridos de terceiros, conforme cópia de balancete analítico (fl. 165). Houve o ajuste do valor da receita de exportação e da receita operacional bruta, com a admissão somente dos montantes consignados nas notas fiscais de saída emitidas dentro do ano de 2001, mesmo que não efetuados os respectivos embarques, nos termos do demonstrativo das fls. 139/145. Foi também ajustado o valor do estoque de insumos existentes em produtos em elaboração e em produtos não vendidos: inclusão no início de 2001 dos valores excluídos ao final de 2000 e correção dos valores excluídos pela requerente ao cabo de 2001 em virtude da metodologia equivocada utilizada por esta (planilhas de fls. 88 e 89), conforme os demonstrativos insertos na informação fiscal (fl. 172). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: a) houve cerceamento do direito de defesa em virtude do prazo exíguo para impugnação do indeferimento parcial do pleito (menos de 30 dias), pois fora intimada em 27/07/2006, mas somente obteve vista dos autos em 14/08/2006; a nulidade do processo deve ser reconhecida, devendo ser reaberto o prazo de trinta dias para a defesa; b) não pode ser utilizada a amostragem para a aferição dos créditos, por afronta à Constituição Federal, art. 5º, LIV; a verificação dos livros e documentos fiscais pela autoridade fiscal foi insuficiente; c) há vício de motivação na informação fiscal, porque não há respaldo técnico para a desconsideração de insumos porque não agem diretamente sobre o produto; d) a metodologia utilizada pela autoridade fiscal para a avaliação do estoque no final do ano de insumos utilizados em produtos em elaboração e em produtos acabados mas não vendidos é arbitrária e sem fundamento normativo, sendo em bases anuais e não mensais como deve ser; o critério adotado pela requerente corresponde ao disposto na Portaria MF nº 38/97, art. 3º, § 7º; e) quanto às aquisições de pessoas físicas, a legislação não traz nenhuma restrição e atos normativos não podem exorbitar da competência regulamentar; tratase de ilegalidade confirmada por precedentes administrativos e judiciais; Fl. 2380DF CARF MF 6 f) houve, por erro da autoridade fiscal, a falta de inclusão de aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas nos meses de outubro e novembro de 2001; g) não existe restrição na legislação quanto ao conceito de insumo utilizado no processo produtivo: a exclusão de aquisições de insumos sem utilização direta na produção não tem amparo legal; h) as operações de exportação de produtos não sofrem incidência de IPI e portanto não há fato gerador, sendo o momento do embarque dos bens o critério correto para a determinação da receita de exportação; i) o crédito presumido está vinculado à tributação do Pis e da Cofins e não à tributação do IPI, sendo indiferente se o produto exportado for não tributado (NT); além disso, os auditores fiscais não têm “o conhecimento técnico ou competência funcional para efetuar a classificação fiscal de produtos”, sendo nula de pleno direito a reclassificação fiscal efetuada pela autoridade fiscal, sem processo administrativo regular, quanto ao álcool hidratado: de 22.07.10.00, com alíquota zero, para 22.07.10.00 Ex 01, com a notação NT; mantida a exclusão, que haja também exclusão na receita operacional bruta j) quanto às exportações indiretas, uma das notas fiscais foi cancelada (fl. 155), fato ignorado pela autoridade fiscal, e a outra nota fiscal (fl. 156), uma “notamãe”, se refere a venda para entrega futura (exportação futura), sendo que as notas fiscais de simples remessa (“notasfilhas”) denotam que a mercadoria foi destinada a entreposto aduaneiro para exportação, por conta e ordem da empresa Jardest, o que caracteriza o fim específico de exportação previsto na norma; k) não houve exportação de produtos adquiridos de terceiros, mas sim de produtos de produção própria e a interessada requer a realização de prova pericial contábil para esclarecimento desse tópico; l) mesmo que não seja revertidas as exclusões, é indevida a exigência de multa, juros e correção pela Selic. Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para que seja reformada a decisão e deferido o crédito presumido, com o protesto por prova do alegado por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova oral, documental e pericial, sendo quanto à ultima indicado o perito e formulados os quesitos; e que as intimações sejam feitas em nome dos patronos da requerente. O julgador não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: As pessoas físicas não são contribuintes de PIS e de Cofins, espécies tributárias cujas bases de cálculo consistem na receita bruta, de qualquer natureza, auferida pelas pessoas jurídicas, e, por conseguinte, as compras de insumos de produtores rurais não podem ser utilizadas para efeito de determinação da base de cálculo do estímulo fiscal em causa. Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.379 7 Foram corretas as glosas dos itens que não exercem ação direta sobre os produtos, mas têm apenas contato indireto: há alterações por conta somente de contato direto com a água (estação de tratamento de água – ETA) e no âmbito da caldeira. Também há substâncias e artefatos para uso em laboratório de análises, sem relação nenhuma com a produção propriamente dita. O Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, elucida a correta exegese do inciso I do art. 66 do RIPI/79, que correspondia aos artigos 82, I do RIPI/82; 147, I do RIPI/98 e 164, I do RIPI/2002. A metodologia adotada pela requerente no levantamento do montante a ser excluído no final de 2001 é errônea, pois somente o próprio crédito presumido é calculado mensalmente de forma acumulada, sendo deduzidos do total acumulado em cada trimestre os montantes referentes a pedidos de trimestres anteriores. Para a exclusão no final do ano, há que ser feita uma espécie de retrato instantâneo no último dia do ano das MP, PI e ME empregados em produtos em elaboração e em produtos acabados, mas não vendidos. Foi o que fez a autoridade fiscal ao estabelecer um percentual de produtos acabados produzidos em estoque no final do ano, aplicável ao total de insumos admitidos e adquiridos durante o ano, conforme a seguinte divisão: [(Estoque Final de Produtos no Ano – Estoque Inicial de Produtos no Ano)/Produção no ano]. A diferença do preço existente entre a data de saída do produto e a data do embarque constitui variação cambial, ou seja, uma receita de índole financeira que não integra a receita de exportação. Tal diferença também não compõe a receita operacional bruta que abrange somente a venda de bens e serviços. Nesse sentido dispõe a Portaria MF nº 38, de 1997, art. 3º, § 15. Os produtos discriminados em códigos da TIPI aos quais correspondam a notação NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI, nada importando que tais produtos possam ser considerados, para outros efeitos não relacionados com o IPI, como produtos industrializados. Somente os contribuintes do IPI têm direito ao crédito presumido a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996. No caso concreto, na Tabela de Incidência do IPI, o código 2207.10.00 Ex 01 faz referência específica no texto respectivo a álcool para fins carburantes e que corresponde à notação NT. Não há margem a dúvidas, mesmo porque, pelas Regras Gerais Para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), a classificação das mercadorias, para os efeitos legais, é determinada, em primeiro lugar, pelos textos das posições (Regra Geral nº 1). Na apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI não podem ser incluídas aquisições para revenda, pois, para a hipótese, inexiste o emprego de insumos na industrialização (produção) na própria empresa que dê azo à habilitação ao benefício fiscal, exclusiva de produtoresexportadores, à luz da legislação de regência, conforme expendido exaustivamente no item precedente. A perícia contábil solicitada pela requerente é dispensável. À luz da Portaria MF nº 38, de 1997, art. 3º, § 15, III, é reputada como venda com o fim específico de exportação a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. A nota fiscal nº 115.425 (fl. 155) emitida para a empresa Cory referese a venda sem fim específico de exportação, além do que, há a aposição de carimbo com os dizeres “CANCELADO” na cópia da nota fiscal apresentada e a requerente não trouxe aos autos a comprovação de que a nota fiscal de venda não consta do livro Registro de Saídas e, por conseguinte, do Livro Registro de Apuração do IPI. Quanto à nota fiscal nº 116.266 (fl. 156) emitida para a empresa Jardest, alegadamente para exportação futura, a interessada não carreou aos autos cópias das supostas notas fiscais de simples remessa vinculadas à nota fiscal para simples faturamento. Cientificada dessa decisão em 13/12/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/01/2013, mediante o qual repisou as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou outras, sob os seguintes tópicos: II Razões de nulidade do V. Acórdão Fl. 2382DF CARF MF 8 Cerceamento do direito de defesa Análise por amostragem Indeferimento da prova documental pericial III Razões de reforma do V. Acórdão Insumos adquiridos de pessoas físicas Créditos de pessoas jurídicas que não foram computados Insumos que são caracterizados como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem Produtos em elaboração e acabados, mas ainda não vendidos Receita operacional bruta e receita bruta de exportação Receitas de Exportação de produto classificado como "Não tributado" (NT) na TIPI Exportações indiretas realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras Exportação de produtos supostamente adquiridos de terceiros Inexigibilidade de multas e dos juros de mora constantes das cartas cobrança É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Alegou a recorrente na impugnação que teria havido cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que teve seu prazo para impugnar reduzido em face de ter obtido vista dos autos somente em 14/08/2006, o que não foi acatado pelo julgador a quo, nestes termos: (...) A requerente teve ciência da intimação em 27/07/2006, conforme cópia de comprovante de recebimento (AR) nos autos. Desde tal data, em vez de 14/08/2006, poderia ter exercido o direito à vista processual. Não há prova nos autos de que o órgão preparador tenha oferecido obstáculos à consulta processual. O trintídio legal foi devidamente estipulado na intimação recebida pela empresa. (...) No recurso voluntário sustenta a recorrente que não haveria como ela produzir a prova de que o órgão preparador tenha oferecido obstáculos à consulta processual, sendo que a única detentora de tal prova seria a autoridade fiscal, além do que a intimação do despacho decisório teria sido feita em nome de outro contribuinte, "Açúcar e Álcool Oswaldo R. de Mendonça Ltda.", sendo que ela sequer detinha a certeza de que tal intimação era válida e referente a este processo. Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.380 9 Conforme consta na fl. 204, a contribuinte solicitou em 09/08/2006 (quarta feira) cópia integral do presente processo e de mais outros 5 processos, as quais foram entregues (fl. 210) em 14/08/2006 (segundafeira), razão pela qual não houve qualquer demora no atendimento (3 dias úteis). Caso a contribuinte tivesse solicitado vistas nos autos na própria repartição, certamente que teria sido imediatamente atendida. A contribuinte parece ter confundindo o pedido de vistas no processo com o pedido de cópias do mesmo. O fato de ter solicitado cópia integral do processo não é impeditivo para que a contribuinte tivesse conhecimento dos autos na própria repartição para preparar sua impugnação. Também não representou cerceamento do direito de defesa o mero equívoco na identificação da empresa na Informação Fiscal (fl. 170), na qual constou o seu CNPJ correto, e que foi acompanhada de despachos decisórios, comunicações e carta cobrança com a denominação correta da recorrente, mormente quando se referia a processo em nome da recorrente e continha dados específicos acerca de seu pleito de ressarcimento/compensação e de seus documentos fiscais. Relativamente à análise pela fiscalização dos documentos fiscais por amostragem, melhor sorte não assiste à recorrente, não havendo que se falar em ofensa aos arts. 142 e 148 do CTN, eis que não se trata de lançamento, nem tampouco de arbitramento da base de cálculo de imposto. Por certo, não é viável que a fiscalização descreva nos autos, caso a caso, a análise de todos os documentos fiscais da contribuinte, bastando que o faça detalhadamente para algumas delas de forma a especificar o modus operandi da contribuinte em relação ao universo das operações, sem prejuízo, obviamente, da possibilidade de contraposição da manifestante/recorrente no sentido de que alguns dos documentos fiscais eventualmente não se enquadrariam na situação retratada pela fiscalização. Também não incorreu em qualquer nulidade a decisão recorrida ao indeferir, motivadamente, nos termos dos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72, o requerimento de produção de prova documental e pericial da então manifestante, vez que tal providência era, na convicção do julgador a quo, desnecessária para o deslinde da controvérsia, além de estar preclusa a produção de prova após a apresentação da defesa em conformidade com o art. 16 do mesmo Decreto. Acrescentase ainda que diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela manifestante. Como se sabe, incumbe à manifestante, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo do despacho decisório que glosou o direito creditório pleiteado. Assim, rejeitase as preliminares suscitadas pela recorrente e passase à análise de mérito. Insumos adquiridos de pessoas físicas Quanto à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, é consabido que o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: Fl. 2384DF CARF MF 10 A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que é, portanto, vinculante nos julgamentos deste Conselho Administrativo por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.381 11 (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Dessa forma devem ser revertidas as glosas relativas à "matériaprima (cana de açúcar) adquirida de pessoas físicas", reconhecendose o direito creditório correspondente. Créditos de pessoas jurídicas que não foram computados Sobre tal questão, a DRJ rechaçou o argumento da então impugnante no sentido de que deveriam ser inseridos no cálculo dos créditos presumidos de IPI os valores referentes à aquisição de canadeaçúcar de pessoas jurídicas em outubro e novembro de 2001, nos seguintes termos: (...) De todas as aquisições de cana de açúcar, somente foram excluídas da base de cálculo do benefício fiscal em tela as aquisições de cana de açúcar de pessoas físicas. A menção na informação fiscal à admissibilidade de compras do produto hortícola de pessoas jurídicas é apenas informativa. Tem esse caráter também o demonstrativo de aquisições de pessoas jurídicas de fls. 90/95, ainda que incompleto (sem os meses de outubro e novembro de 2001). Já integrantes da base de cálculo apurada originalmente pela requerente, as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas não haviam sido incluídas pela autoridade fiscal; e, pelo mesmo raciocínio, não houvera a falta de inclusão das notas fiscais cujas cópias foram carreadas pela manifestante às fls. 1.296/1.395. A inclusão do montante indicado pela interessada na manifestação de inconformidade (R$7.531.322,77) implicaria a duplicidade de valores concernentes aos meses de outubro e novembro de 2001 na apuração do estímulo fiscal. Fl. 2386DF CARF MF 12 Na planilha de apuração do crédito presumido elaborada pela autoridade fiscal (fl. 169), com os ajustes necessários, não há referência expressa à inclusão de compras de cana de açúcar de pessoas jurídicas. (...) No recurso voluntário aduz a recorrente meramente que: "Conforme já mencionado, o v. acórdão recorrido deixou de incluir no cômputo do crédito presumido de IPI as aquisições de canadeaçúcar de pessoas jurídicas nos meses de outubro e novembro de 2001 (fls. 171), medida de direito que se impõe, conforme reconheceu o próprio aresto vergastado, mas que não foram computados por um erro, que deve ser retificado, inclusive com a produção da prova pericial já requerida e que será realizada com a anulação do v. acórdão recorrido". Conforme consta expressamente na Informação Fiscal na fl. 174 (fl. 171 na numeração original), não foram glosados os créditos pleiteados relativos às aquisições de cana deaçúcar de pessoas jurídicas: Incumbe à decisão de primeira instância analisar a insurgência da contribuinte em face do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de ressarcimento e/ou não homologou as compensações declaradas. Ora, se não houve glosas relativas às aquisições pessoas jurídicas, é óbvio que não há, no despacho decisório, qualquer parcela pertinente de crédito presumido no indeferimento parcial do ressarcimento e/ou compensações não homologadas que pudesse ser objeto de reforma pela DRJ ou por este CARF. Assim, rejeitase, por desnecessário, o pedido da recorrente de produção de prova pericial, bem como de inclusão dos valores das aquisições de pessoas jurídicas no cálculo do crédito presumido de IPI em outubro e novembro de 2001. Insumos que são caracterizados como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, abaixo transcrito, os conceitos de MP, PI e ME aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI: Lei 9.363/96: Art.3oPara os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.382 13 Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. [grifei] Com efeito, o art. 147, I do RIPI/981, vigente à época dos fatos geradores, dispõe que os estabelecimentos industriais e os equiparados podem creditarse do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei, regulamento e normas complementares (art. 100 do CTN) que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte. Assim, em consonância à lei, ao regulamento do IPI e aos atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, assim considerado como o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que não estejam compreendidos no ativo permanente da empresa. Nesse mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62, §2° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto 1 Dispõem no mesmo sentido os arts. 66, I do RIPI/79; 82, I do RIPI/82; e 164, I do RIPI/2002. Fl. 2388DF CARF MF 14 Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; (...) 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta 3ª Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado No caso, a fiscalização glosou o crédito relativos aos insumos relacionados no demonstrativo "RELAÇÃO DOS INSUMOS NÃO ADMITIDOS PELA LEGISLAÇÃO DO IPI" (fls. 120/121 ou fls. 117/118 na numeração original), sob a seguinte motivação: "os insumos relacionados no demonstrativo de fls. 117/118, sofrem alterações em função de ações exercidas diretamente na água (ETA), na caldeira ou são utilizados em laboratórios de análises. Ou seja, embora estes insumos tenham sido consumidos no processo de industrialização do açúcar e do álcool, NÃO há uma ação direta sobre os produtos em fabricação, mas, apenas um contato Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.383 15 indireto, por intermédio da água e da caldeira, no processo industrial, inexistindo, portanto o direito ao crédito presumido de que trata Lei nº 9.363/96". Como se vê, o entendimento da fiscalização está em consonância com o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI exposto acima neste Voto. No Parecer Técnico juntado pela contribuinte nas fls. 1347/1407, sustenta o Engenheiro Químico que: (...) Neste particular, encontramse nos processos de fabricação do álcool e açúcar: As águas condensadas advindas da condensação de vapor de quaisquer naturezas e as águas empregadas para diluição de produtos intermediários de processo, diluição / preparo de produtos químicos dosados no processo produtivo, lavagem e preparo de matéria para fins de assepsia e adequação ao uso. O que prevalece na situação acima exposta, é a "adequação ao uso pretendido", para que o efeito desejável da utilização do insumo, seja alcançado. Desta forma a utilização de águas condensadas, somente poderá ser empregada, como insumo na fabricação de açúcar e álcool, se a mesma, for advinda da condensação de vapor que foi tratado por agente neutralizante ou inibidor de corrosão e ou que tenha sido gerado por água tratada por agentes químicos, que incorporados na mesma, dão a produção do vapor, o seu uso pretendido. (...) Dessa forma, embora a utilização dos produtos glosados na condensação do vapor ou na água seja essencial para a atividade produtiva de açúcar e álcool como um todo, na medida que deixam o vapor e água condensada nas características desejadas, não se poderia dizer que tais produtos (utilizados para tratamento da água/vapor) teriam uma ação direta sobre o açúcar e álcool em fabricação. Também não se cogita de incluir no conceito de insumo para fins de creditamento do IPI os produtos utilizados em laboratório de análises para atestar a qualidade e as propriedades fitossanitárias dos produtos para serem aptos à comercialização, conforme pretende a recorrente, eis que são aplicados no produto acabado (açúcar e álcool). Produtos em elaboração e acabados, mas ainda não vendidos Alega a recorrente que o critério adotado por ela estaria de acordo como o §7º do art. 3º da Portaria MF nº 38/97, abaixo transcrito, o qual prevê a apuração da quantidade de insumos utilizados em seu processo produtivo será feita mês a mês, e não em bases anuais, como pretende fazer crer a autoridade fiscal: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 3º No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de Fl. 2390DF CARF MF 16 cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. [negritei] § 4º O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 6º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens será efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, no qual se considera que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. § 8º Na hipótese do parágrafo anterior, a avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção, durante o mês, será efetuada pelo método PEPS. (...) No caso, a fiscalização entendeu que não era correta a metodologia adotada pela contribuinte para se apurar o montante a ser excluído, relativamente ao valor dos insumos utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos, razão pela qual apurou tal montante segundo o seguinte critério: (...) De acordo com o demonstrativo denominado: "Estoque de produtos acabados em reais" fls. 86, é possível de se determinar qual o valor do açúcar e do álcool produzido na safra, bem como o saldo destes produtos em 31 de dezembro de 2001. Desta forma, será apurado o percentual de produtos produzidos na safra, mas que se encontravam em estoque no final do ano, mediante a divisão do saldo dos produtos em 31/12, pelo valor produzido na safra. Este coeficiente será aplicado ao valor total dos insumos utilizados na produção, e desta forma será obtido o valor dos insumos utilizados na produção de produtos acabados e não vendidos: (...) Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.384 17 No entanto, não se trata de apuração de insumos como bases anuais, como crê a recorrente, mas somente uma forma de cálculo do valor dos insumos utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos, que deve ser excluído da base de cálculo do crédito presumido somente no último trimestre do ano em que realizada exportação, utilizandose do valor do Estoque final de produtos acabados. Como bem esclareceu a decisão recorrida, o critério adotado pela contribuinte não reflete o valor do montante a ser excluído da base de cálculo do crédito presumido: (...) Por outro lado, com certeza, a metodologia adotada pela requerente no levantamento do montante a ser excluído é errônea, pois somente o próprio crédito presumido é calculado mensalmente de forma acumulada, sendo deduzidos do total acumulado em cada trimestre os montantes referentes a pedidos de trimestres anteriores. Para a exclusão no final do ano, há que ser feita uma espécie de retrato instantâneo no último dia do ano das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados em produtos em elaboração e em produtos acabados, mas não vendidos. Foi o que fez a autoridade fiscal ao estabelecer um percentual de produtos acabados produzidos em estoque no final do ano, aplicável ao total de insumos admitidos e adquiridos durante o ano, conforme a seguinte divisão: [(Estoque Final de Produtos no Ano – Estoque Inicial de Produtos no Ano)/Produção no ano]. Os arts. 7º e 8º da Portaria MF nº 38, de 1997, dispõem apenas sobre o método de apuração de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na produção mensalmente. Não há referência ao cálculo percentual do estoque final de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos em elaboração e em produtos acabados, mas não vendidos. As planilhas de fls. 88 e 89 elaboradas pela requerente, com percentuais mensais, não são adequadas. (...) Receita operacional bruta e receita bruta de exportação A fiscalização e a decisão recorrida divergem do valor adotado pela recorrente a título de receita de exportação, pois considera que essa deve ser mensurada no momento de saída da mercadoria do estabelecimento do produtorexportador, enquanto a recorrente reconheceu as receitas de exportação na data de embarque do produto. Sobre a receita de exportação e a receita operacional bruta assim dispõe a Lei nº 9.363/96: Art.2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) Fl. 2392DF CARF MF 18 Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Art.6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Como se vê acima, a Lei nº 9.363/96 determinou a utilização subsidiária da legislação do Imposto de Renda para se determinar o conceito de "receita operacional bruta" e deixou a "definição de receita de exportação" a cargo do Ministro da Fazenda. Não prospera a interpretação adotada pela fiscalização no sentido de que, para o conceito de "receita operacional bruta" deverseia utilizar a legislação do IPI, eis que o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/96 faz uso do termo "respectivamente" e "e de" para separar os conceitos para os quais se deve usar a legislação do IR daqueles que seguem a legislação do IPI, de forma que: legislação do IR > conceito de "receita operacional bruta" e legislação do IPI > conceito de "produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem" (IPI). Esse entendimento se confirma pelo disposto expressamente no §16 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97, nestes termos: "§Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI". O art. 3º da Portaria MF nº 38/97, no seu §15, traz a seguinte delimitação para "receita operacional bruta" e para "receita bruta de exportação": Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (...) Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.385 19 De outra parte, a Portaria MF nº 356/88 (DOU de 07/12/1988) já havia definido no âmbito do Imposto sobre a Renda, o "critério de conversão de moeda estrangeira para efeito de registro da receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais", tendo em vista a isenção de IRPJ de que tratavam os arts. 290 e 293 do RIR/80, na seguinte forma: I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (...) Inclusive, no Acórdão nº 1401001.552– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 1º de março de 2016, no âmbito de IRPJ (omissão de receitas) decidiuse no sentido de que a Portaria MF nº 356/88 apenas ratifica o entendimento vigente de que a receita de produtos manufaturados deve ser reconhecida no momento do embarque, conforme Voto Condutor do Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, abaixo transcrito: (...) Em sua peça recursal, a contribuinte insistiu na tese de que a divergência apontada pela fiscalização decorre da aplicação da Portaria MF nº 356/88, por parte da contribuinte. Segundo a recorrente, as notas fiscais efetivamente devem ser emitidas em função do fato gerador do IPI ou do ICMS (saída do estabelecimento). No entanto, por força da aludida Portaria MF nº 356/88, a receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais deve ser determinada pela conversão, em moeda nacional, pela taxa de câmbio vigente na data de embarque dos produtos para o exterior (data averbada na Guia de Exportação ou documento equivalente). (...) Analisando a matéria, considero que a razão situase ao lado da contribuinte, ora recorrente. Sobre o tema, devese levar em conta o disposto no art. 22 da IN SRF nº 243/2002, verbis: IN SRF 243/2002 Art. 22. A receita de vendas de exportação de bens, serviços e direitos será determinada pela conversão em reais à taxa de câmbio de compra, fixada no boletim de abertura do Banco Central do Brasil, em vigor na data: I de embarque, no caso de bens; II da efetiva prestação do serviço ou transferência do direito. Deve ter em conta que a Portaria 356/88, invocada pela decisão de piso, apenas regulamenta os artigos 290 e 293 do RIR/80, que Fl. 2394DF CARF MF 20 trata de isenção do IRPJ sobre o lucro na exportação de manufaturados. A citada Portaria ratifica (não inova, até porque a portaria não teria esse poder) o entendimento de que a receita de produtos manufaturados deve ser reconhecida no momento do embarque. Essa era a sua única finalidade, expressamente posta. Assim, não faria sentido se referir às exportações em geral. Assim sendo, temos que para fins de utilização da taxa de câmbio do dia do embarque, revelase irrelevante a natureza dos bens exportados (industrializados ou não). Pelas razões expostas, considero que em relação ao presente tema o recurso voluntário merece ser provido. (...) Assim, diante da ausência de outra regulamentação específica sobre a matéria, deve ser acatado o entendimento veiculado pela Portaria nº 356/88 para, no cálculo do crédito presumido do IPI, "a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador" sejam mensuradas em relação às exportações na data de embarque dos produtos. Nessa linha já foi decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9303004.709– 3ª Turma, de 21 de março de 2017, sob o Voto do Conselheiro Relator Júlio César Alves Ramos, nestes termos: (...) O ato regulamentar que embasou o raciocínio da dra. Angela, embora explicitamente direcionado ao IRPJ e à CSLL, nada mais fez, a meu sentir, do que aplicar os princípios contábeis geralmente aceitos à sempre controvertida questão do reconhecimento da receita obtida com a venda de produtos para o exterior. E vale desde logo repetir que o seu desiderato é definir: critério de conversão de moeda estrangeira para efeito de registro da receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais Ele não se limita, pois, a definir, simplesmente, "receita de exportação", mas a apurar a receita de vendas decorrente de uma exportação. Como é de conhecimento geral, os princípios contábeis sempre preconizaram, entre outras coisas, que a) a contabilidade deve ser elaborada em moeda nacional, b) a receita deve ser reconhecida quando todos os custos e despesas a ela necessários já possam ser confiavelmente reconhecidos e c) já tenham sido transferidos ao comprador os riscos mais relevantes relacionados a sua propriedade. É o que, em suma, preceitua hoje o CPC 30, no que, entretanto, apenas repete diversos normativos anteriores. Ora, quando se trate de uma venda no mercado interno, a aplicação desses critérios não traz, regra geral, maiores dúvidas, que ficam restritas, quase sempre, às exceções relacionadas a antecipações de pagamento ou postergações de entrega. Em se tratando, porém, de uma venda contratada em moeda estrangeira, e dada a oscilação do valor da moeda nacional em relação a ela, crucial estabelecerse quando a primeira deve ser convertida na segunda. Foi o que fez, e bem, o ato expedido pelo Ministro da Fazenda. Com efeito, os critérios acima mencionados somente se perfazem, como regra geral, quando a mercadoria é efetivamente embarcada para o exterior. Realmente, é somente Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.386 21 aí que os riscos mencionados são afinal transferidos e é também somente aí que o valor contratado (ao menos nos contratos gravados com a cláusula FOB) é, por inteiro e indubitavelmente, de direito do vendedor. Como sempre, há exceções, mas que não afetam significativamente o raciocínio adotado na Portaria ministerial. É que nas exportações com cláusula CIF o segundo requisito só se aprimora mesmo em momento ainda posterior a chegada da mercadoria no porto indicado no contrato. Nunca, porém, ao que saiba eu, ele ocorre na saída do estabelecimento exportador: isso requereria que o comprador no exterior de algum modo assumisse o risco de buscar a mercadoria aí. Concluo, assim, que o ato ministerial corretamente aplicou os princípios contábeis à hipótese. (...) É que, como já mencionado acima, a parcela aqui discutida integra sim "o produto da venda para o exterior". E isso porque, ao constatála, a exportadora é obrigada a emitir nota fiscal complementar na qual a destaca "como complemento de preço". Repito, não há registro de variação cambial a esse título. A obrigatoriedade dessa emissão, até onde sei, provém das legislações estaduais de ICMS, mas podese perfeitamente entendêla contemplada também na legislação do IPI3, embora seja certo que o dispositivo não foi concebido pensando numa exportação, que nunca foi tributada, stricto sensu, por aquele imposto. (...) Não vejo sentido, pois, concessa venia, no argumento de que a parcela não poderia ser considerada por ser "receita financeira". (...) Receitas de Exportação de produto classificado como "Não tributado" (NT) na TIPI O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições de insumos, é assegurado pela Lei nº 9.363/96, nos seguintes termos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor Fl. 2396DF CARF MF 22 das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. [negritei] Para entender a amplitude do benefício, importa determinar o conteúdo e alcance do termo "empresa produtora". Deixase de lado a questão da necessidade de a empresa ser também "exportadora", que não é objeto de controvérsia nos presentes autos. O parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/96 determina que se deve utilizar subsidiariamente a legislação do IPI para o estabelecimento do conceito de "produção", e como a Lei nº 9.363/96 não apresenta qualquer definição ou noção nesse sentido, o intérprete deve se socorrer integralmente das normas do IPI. A utilidade desse conceito está justamente na determinação de quem é o sujeito (pessoa jurídica) responsável pela "produção", qual seja, a "empresa produtora", mesmo porque a Lei nº 9.363/96 não menciona o vocábulo "produção" em qualquer outro dispositivo além do art. 3º, parágrafo único. Com efeito, a Lei nº 4.502/64 traz a definição de "estabelecimento produtor" no seu art. 3º, abaixo transcrito: Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; Il o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III O preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. (Incluído pelo DecretoLei nº 1.199, de 1971) IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. (Incluído pela Lei nº 9.493, de 1997) [negritei] Dessa forma, para fins da legislação do IPI, o "estabelecimento produtor" deve atender a dois requisitos concomitantemente: industrializar produtos + dar saída a produtos sujeitos ao IPI. Na sequência, conforme mandamento do próprio art. 3º, parágrafo único da Lei nº 4.502/64, o conceito de "industrializar" deve ser entendido como o verbo relativo a "qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.387 23 acabamento ou apresentação do produto", salvo as exceções especificadas, matéria regulamentada nos arts. 3º ao 7º do Regulamento do IPI/2002. Voltando a Lei nº 9.363/96 vemos que o direito ao crédito presumido é assegurado à "empresa" (pessoa jurídica) como um todo, sendo que a sua apuração é esclarecida no seu art. 2º na seguinte forma: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (...) [negritei] Mais tarde, de forma razoável, no art. 15 da Lei nº 9.779/992 determinouse que a apuração do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deveria se dar, obrigatoriamente, de forma centralizada3, seguindo o mesmo procedimento das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins que o incentivo pretende ressarcir. Assim, em conformidade estrita com a interpretação determinada na própria Lei nº 9.363/96, "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]". Dessa forma, a Lei nº 9.363/96, embora não tenha determinação expressa nesse sentido, contém dispositivos que conduzem à interpretação precisa de que o direito ao crédito presumido tem como pressuposto que o produto exportado tenha sido industrializado na forma estabelecida pela legislação do IPI, bem como que esse produto esteja dentro do campo de incidência desse imposto. 2 Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; III a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servido Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; 3 Matéria consolidada no art. 183 Regulamento do IPI/2002: Art. 183. A apuração do crédito presumido do imposto será efetuada, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica (Lei nº 9.363, de 1996, art. 2º, § 2º, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 15, inciso II). Fl. 2398DF CARF MF 24 Conforme determinação expressa do art. 6º da Lei nº 10.451/2002, consolidado no art. 2º do RIPI/98, abaixo transcritos, os produtos com notação "NT" estão excluídos do campo de incidência do IPI: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Art. 2º [RIPI/98] O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). Nessa esteira nada há a reformar na decisão recorrida que concluiu acertadamente que a então impugnante não fazia jus ao crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 em relação à aquisição de insumos utilizados em produtos NT, nestes termos: (...) A conclusão de que o produto deve sofrer processo de industrialização pela empresa que o exporta decorre das expressões “empresa produtora e exportadora” e “para utilização no processo produtivo” constante do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, assim como do disposto no parágrafo único do seu art. 3°, que determina a utilização da legislação do IPI para definir “produção”. Como determina a Lei n° 9.363, de 1996, o benefício visa ressarcir a incidência do PIS/Pasep e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no “processo produtivo”, entendendose como “processo produtivo” o conjunto de ações das quais resulta a “produção” da empresa exportadora, ou da empresa que vende a mercadoria para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Cabe asseverar, sobretudo, que os produtos discriminados em códigos da TIPI aos quais correspondam a notação NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI, nada importando que tais produtos possam ser considerados, para outros efeitos não relacionados com o IPI, como produtos industrializados. (...) Requer também a recorrente neste tópico, em caráter subsidiário, a exclusão das receitas de exportação de produtos NT da receita operacional bruta para fins de cálculo do coeficiente de exportação para a obtenção do valor do crédito presumido de IPI, vez que, do contrário, o denominador do coeficiente (receita operacional bruta) seria Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.388 25 aumentado, diminuindo o percentual a ser aplicado para se determinar o montante do crédito presumido. O pleito da recorrente não prospera. Conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9303005.172, de relatoria do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, em sessão de julgamento de 17 de maio de 2017, para fins de cálculo do coeficiente de exportação para obtenção do valor do crédito presumido, no conceito de receita operacional bruta "estão compreendidas todas as receitas auferidas pelo contribuinte, inclusive as decorrentes da exportação de produtos considerados não industrializados ou NT, que devem portanto compor a Receita Operacional Bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96". O Conselheiro Relator assim fundamentou sua decisão: (...) Entendo que, na vigência da Portaria MF nº 38/97, as receitas decorrentes de exportação de mercadorias nacionais, aí incluídas a exportação de produtos revendidos (não industrializados pelo próprio contribuinte), compõem a Receita de Exportação (RE) e também a Receita Operacional Bruta (ROB). Isto, por disposição da própria Lei nº 9.363/96, que assim dispôs em seu art. 6º, in verbis: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fundamentado em tal dispositivo legal, o Ministério da Fazenda regulamentou o aproveitamento do crédito presumido de IPI na Portaria MF nº 38/97, que assim dispunha a esse respeito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; Fl. 2400DF CARF MF 26 V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (...) Portanto resta evidente que ao adotar a expressão mercadorias nacionais, a norma abarcou tanto a exportação de produtos industrializados quanto os não industrializados. Da mesma forma, há que se deixar claro que o conceito adotado pela Portaria MF nº 38/97, no inc. I do § 15, é exatamente o previsto no Regulamento do Imposto de Renda, art. 279 do Decreto nº 3.000/99: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Neste conceito estão compreendidas todas as receitas auferidas pelo contribuinte, inclusive as decorrentes da exportação de produtos considerados não industrializados ou NT, que devem portanto compor a Receita Operacional Bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Concluise então que as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo próprio contribuinte compõem tanto o numerador (RE) quanto o denominador (ROB). Como foi exatamente este o entendimento consubstanciado no acórdão recorrido, nego provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (...) Dessa forma, não prospera o pleito da recorrente quanto ao ressarcimento de crédito presumido em relação aos insumos utilizados em produtos NT, nem tampouco o seu pedido subsidiário de ajuste no cálculo do coeficiente de exportação relativamente à exclusão das receitas de exportação de produtos NT da receita operacional bruta, que compõe o denominador desse coeficiente. Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.389 27 Reclama também a recorrente, nesta parte do recurso voluntário, da "reclassificação" que teria efetuado o AuditorFiscal em relação ao álcool etílico hidratado vendido por ela. Ocorre que não houve reclassificação fiscal, mas apenas enquadramento no Ex Tarifário (Ex 01) da Tipi: Ex 01 Para fins carburantes, com as especificações determinadas pelo DNC; que tem a notação NT (Não Tributado) na TIPI. Como se vê, o referido enquadramento é imediato, com a mera leitura do Ex e a verificação das características do produto, e o processo administrativo para discutilo é o presente. No entanto, como a interessada não apresentou na impugnação, nem no recurso voluntário, qualquer elemento de mérito para afastar o enquadramento no EX 01, não há que se falar em falta de motivação da decisão recorrida, a qual deve ser mantida. Exportações indiretas realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras A fiscalização entendeu que duas operações não tinham o "fim específico para exportação, excluindoas da base de cálculo do crédito presumido, sob os seguintes fundamentos: (...) O conceito de "com o fim especifico de exportação" foi dado pelo art. 39, § 2° da Lei no 9.532/97, in verbis: "Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados a exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 2° Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora." (grifamos) Contudo, verificamos nas notas fiscais relacionadas nas fls. 152/153, que a contribuinte vendeu produtos para as empresas JARDEST S/A AÇUCAR E ÁLCOOL, CNPJ 50.735.281/0001 07, e Indústria de Produtos alimentícios Cory Ltda, CNP] 51.665.073/000133, SEM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO, senão vejamos: a) Consta no corpo da nota fiscaL no 116.360, bem como no CFOP, que a venda destinase a "Futura Exportação", e os produtos são remetidos para o endereço da empresa JARDEST (Via Anhanguera, Km 340, Jardinópolis/SP). Ou seja, os produtos não foram remetidos para o embarque ou para recintos alfandegados; b) Com relação a nota fiscal no 115.425 tratase de uma venda no mercado interno, ou seja, sem o fim especifico de exportação. Desta forma, serão excluídos das receitas de exportações, os valores referentes às vendas de produtos sem o fim especifico de exportação: Fl. 2402DF CARF MF 28 (...) Acerca da Nota Fiscal nº 115.425 (fl. 155) emitida para a empresa Cory Ltda, alega a recorrente que ela foi cancelada e não representa operação nenhuma, concluindo que a glosa seria insustentável, já que a recorrente sequer utilizou estes valores no cômputo da base de cálculo de crédito presumido de IPI. Ocorre, no entanto, que a fiscalização excluiu tal operação do cálculo da "receita de exportação apurada pela fiscalização" e não daquela apresentada pela contribuinte, como se observa no quadro transcrito acima. Conforme consta na Informação Fiscal (fl. 181), a fiscalização obteve a receita de exportação com o demonstrativo por ela elaborado das fls. 139/145 (fls. 136/142 na numeração original), onde se verifica que a referida nota fiscal foi mesmo computada no cálculo da fiscalização da receita de exportação, razão pela qual foi correta a exclusão efetuada. Com relação à outra operação, independentemente da questão de não haver a inscrição na nota fiscal acerca do fim específico para exportação, as alegadas operações para exportação futura não atendem aos requisitos do art. 39, §2º da Lei nº 9.532/97. No caso, as mercadorias deveriam sair do estabelecimento industrial da recorrente diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa exportadora/adquirente. Se a contribuinte vendeu as mercadorias para Jardest S/A Açúcar e Alcool, de CNPJ nº 50.735.281/000107, e esta vendeu para outros destinatários, ainda que estes últimos tenham efetuado posteriormente a exportação dos produtos, não está cumprido o requisito de uma venda com "fim específico de exportação" que daria direito ao crédito presumido, eis que a exportação não foi efetuada pela primeira adquirente (Jardest S/A Açúcar e Alcool), não se tratando, portanto, de uma remessa direta da contribuinte para embarque ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa exportadora. Exportação de produtos supostamente adquiridos de terceiros A fiscalização excluiu da base de cálculo de crédito presumido as receitas de exportação relativas a produtos produzidos por terceiros (revendas), sob os seguintes fundamentos: (...) O art.1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, norma que autoriza o beneficio pleiteado, reza o seguinte referente aos insumos que geram direito ao crédito presumido: "Art. 12 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.390 29 de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." Ou seja, somente terá direito ao crédito presumido a empresa produtora e exportadora. A contribuinte no mês de setembro de 2001, conforme balancete analítico de fl. 162, exportou produtos produzidos por terceiros (revendas de produtos — mercado externo), que não sofreram nenhuma operação de industrialização nos estabelecimentos da contribuinte, no valor total de R$1.521.964,00. Portanto, estas receitas de exportações, oriundas de produtos adquiridos de terceiros, serão excluídas das receitas de exportações para se obter a base de cálculo do crédito presumido: (...) A DRJ rejeitou o argumento da impugnante de que teria havido exportação de produtos de produção própria e indeferiu a realização de prova pericial contábil, nestes termos: (...) Na apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI não podem ser incluídas aquisições para revenda, pois, para a hipótese, inexiste o emprego de insumos na industrialização (produção) na própria empresa que dê azo à habilitação ao benefício fiscal, exclusiva de produtoresexportadores, à luz da legislação de regência, conforme expendido exaustivamente no item precedente. A perícia contábil solicitada pela requerente é dispensável, conforme abordado em tópico específico deste voto, pois a cópia do balancete analítico de fl. 165 inclui rubrica especifica de vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros. Não há, portanto, dúvida razoável. (...) No recurso voluntário, não foi apresentado qualquer elemento que colocasse em dúvida o balancete analítico da fl. 155, que aponta, para o mês de setembro/2001, o saldo atual de R$1.521.964,00 para Revendas de Produtos (conta 3.1.01.02) no Mercado Externo (conta 3.1.01.02.0002). Como dito, a perícia não se presta a suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos aos autos. Assim, nada há a reformar na decisão recorrida nesta parte. Inexigibilidade de multas e dos juros de mora constantes das cartas cobrança Requer a recorrente a exclusão da incidência de juros e multa do eventual saldo devedor, ou, em caráter subsidiário, que se determine a aplicação dos juros de mora apenas sobre o valor do principal, não incidindo os juros de mora, por conseguinte, sobre o valor das multas. No entanto, tratando o processo de ressarcimento/compensação, não houve exigência fiscal de multa da recorrente, mas apenas os acréscimos legais sobre os débitos confessados cuja compensação não foi homologada, conforme se vê na Carta Cobrança da fl. 279 que assim alerta a contribuinte: "caso o pagamento seja efetuado após a data de validade Fl. 2404DF CARF MF 30 indicada na guia Darf, o montante de juros deve ser atualizado nos termos do art. 61, parágrafo 3º da Lei nº 9.430/96 (taxa Selic)". De forma que, tratandose dos acréscimos com previsão expressa em lei, inclusive com a sua legitimidade ratificada nas Súmulas CARF abaixo transcritas, não há como acolher o pedido da recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas aos seguintes itens: i) à matériaprima adquirida de pessoas físicas e ii) relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, considerandose as receitas das exportações ao câmbio vigente na data dos embarques. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.391 31 Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como tive a oportunidade de apontar na sessão de julgamento, não concordei com o raciocínio traçado pela I. Conselheira Relatora especificamente para a manutenção do item 4 do Despacho Decisório ("4 — EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT (NÃO TRIBUTADOS)" efls. 181/183) por considerar correta a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI. Inclusive, essa turma já havia externado esse posicionamento, por maioria de votos, no Acórdão 3402.003.840, de 20/02/2017, de minha relatoria. Com efeito, o crédito presumido sob análise foi instituído pela Lei n.º 9.363/1996 com a finalidade de incentivar as exportações, em prol das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, nos seguintes termos: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." (grifei) Ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a lei conseguiu englobar todas as mercadorias produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI. A condição de incidência sobre as aquisições foi feita, apenas, para o PIS e a COFINS, contribuições de que tratam as Leis Complementares 7 e 8/704. De fato, o crédito presumido é para ressarcimento do valor do PIS e da COFINS devidos pelas empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. A forma de apuração e aproveitamento deste crédito foi relacionado ao IPI, cuja legislação foi adotada de forma subsidiária quanto aos conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nos termos da lei: "Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 4 Cumpre mencionar que como sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial Repetitivo n.º 993.164/MG (Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010), "sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS". Fl. 2406DF CARF MF 32 § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente." Contudo, e ao contrário do que entendeu o Despacho Decisório no presente caso, a lei não faz qualquer exigência de tributação pelo IPI para o gozo do crédito, sendo certo que basta que sejam adquiridos matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (nos termos da legislação do IPI, sejam eles tributados ou não por este imposto) para a produção de mercadorias nacionais (tributadas ou não pelo IPI). Com efeito, não há qualquer exigência legal no sentido de que o produto exportado pela beneficiária do crédito presumido seja um produto tributado pelo IPI. Esse raciocínio vem sendo traçado, há muito, por este Conselho, como se depreende do julgamento do Conselho Superior exarado em 2003: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e da COFINS em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a “mercadorias” foi dado o benefício fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos “produtos industrializados”, que são espécie do gênero “mercadorias”. (...) Recurso ao qual se dá parcial provimento. (...) VOTO DO CONSELHEIRO DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA RELATORDESIGNADO (...) Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI , (Decreto n° 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada (produtos de origem animal impróprios para o consumo humano, utilizados na preparação de produtos farmacêuticos — fl. 143) sobre os quais houve incidência de PIS e COFINS , são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado "A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI — Hipóteses de Conflito": "(..) Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultadáfinal deste ato — o produto. . Assim não fosse, Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.392 33 estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: "... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso."8 Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não. (.)." Feitas essas considerações, é possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada são sim "produtos industrializados", mesmo que não tributados Mas, a meu entender, não é essa a questão central que se encontra em debate. E a propósito da discussão central travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o beneficio do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre "produto industrializado não tributado" e "produto industrializado tributado", pois tanto um como outro são "mercadorias" e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei n° 9.363/96. Daí, sim, se autorizado o pleito de ressarcimento para produtores de produtos NTs, como na hipótese dos autos. Aliás, o crédito presumido em análise tem por objetivo o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, no caso o PIS e a COFINS, não importando se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída final" (CSRF, Processo 13005.000689/9861, Data da Sessão 13/08/2003 Relator Henrique Pinheiro Torres Nº Acórdão 20215016 grifei) Em consonância com o entendimento do voto acima transcrito, entendo que não importa para fins de aferição do crédito presumido da Lei n.º 9.363/1996 a tributação pelo IPI seja na entrada para a produção, seja na saída para exportação. Ainda que existam posições mais recentes da CSRF em sentido contrário ao aqui proposto, entendo que o entendimento pela desnecessidade de tributação pelo IPI para o gozo do crédito presumido, anteriormente veiculado por aquela Câmara Superior, que deveria prevalecer. Vejamos alguns julgados anteriores: "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Decisão Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. Fl. 2408DF CARF MF 34 (...) Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. " (CSRF, Número do Processo 11077.000253/200367 Data da Sessão 30/05/2011 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303001.438 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento parcial quanto à exportação de produtos NT. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama." (CSRF, Processo 11610.021746/200265 Data da Sessão 31/05/2011. Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho Nº Acórdão 9303001.469 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente à exportação de produtos NT. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. ART. 62A do RI do CARF. REPETITIVO DO STJ. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais e Recurso Repetitivo do STJ. Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.393 35 este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese em violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas. REP Negado e REC Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, : I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (...) No entanto, no tocante ao mérito, o mesmo, a meu ver, não merece provimento, e para tanto peça vênia para reproduzir as razões do voto do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres, acórdão no. 930301.606, da sessão de 30 de agosto de 2011, que adoto como razão de decidir: No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: (...) Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao impost o de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matéria prima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem (...) Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”." (CSRF, Processo n.º 13811.005178/200214 Data da Sessão 20/02/2014 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303002.889) Fl. 2410DF CARF MF 36 Nesse sentido, por entender que Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para restaurar as glosas correspondentes ao item 4 do Despacho Decisório. É como declaro meu voto. Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 2411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001810/2003-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 2001
Embargos Declaratórios. Fundamentos. Omissão.
Cabem embargos declaratórios para eliminar omissão, quando o acórdão embargado, embora devendo se manifestar sobre determinado ponto, deixa de fazê-lo.
Compensação não Homologada. Lançamento para Prevenir Decadência. Multa de Ofício.
Não cabe multa de ofício em lançamento visando prevenir decadência, nos casos de compensação não homologada, apresentada até outubro de 2003.
Numero da decisão: 1301-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 2001 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. FUNDAMENTOS. OMISSÃO. Cabem embargos declaratórios para eliminar omissão, quando o acórdão embargado, embora devendo se manifestar sobre determinado ponto, deixa de fazêlo. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe multa de ofício em lançamento visando prevenir decadência, nos casos de compensação não homologada, apresentada até outubro de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 18 10 /2 00 3- 37 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10855.001810/200337 Acórdão n.º 1301002.920 S1C3T1 Fl. 270 2 do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, em face de omissão existente no Acórdão nº 19100.108, da extinta Primeira Turma Especial do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. A decisão embargada rejeitou a preliminar de nulidade por ausência de mandado de procedimento fical MPF e, no mérito, manteve o lançamento, afastanto, porém, a multa de ofício. Embora o Colegiado tenha dado parcial provimento ao recurso, para excluir a penalidade, o voto vencedor não declinou as razões pelas quais a multa de 75% havia de ser afastada. A omissão levou a PFN a opor embargos declaratórios, que foram admitidos no despacho de fls. 265 a 267, pelos seguintes fundamentos: Verificandose os termos do acórdão recorrido, destacamse os seguintes trechos: Relatório “...a fim de impedir a decadência do crédito tributário, houve lançamento do crédito tributário, sendo o contribuinte apenado com a multa de 75%...” Voto Vencedor “Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência do Mandado de Procedimento Fiscal.” Resultado “ACORDAM os Membros da primeira turma especial do primeiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade por ausência de MPF, vencido o Conselheiro Roberto Armond Ferreira da Silva (Relator) que acolhia. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni quanto à preliminar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Observo que, somente nos termos relativos ao resultado do acórdão constou a exclusão da multa de ofício. Todavia, não se verifica em todo o acórdão as razões e os fundamentos pelos quais se concluiu pela exclusão da multa de ofício. Assim sendo, frente à demonstração objetiva da omissão, proponho que os embargos sejam conhecidos. A proposta foi acolhida pela então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10855.001810/200337 Acórdão n.º 1301002.920 S1C3T1 Fl. 271 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em exame, os embargos foram motivados por omissão, já que o acórdão embargado, embora afastando a chamada multa de ofício, se absteve quanto aos respectivos fundamentos. Por conseguinte, cumpre fornecer as razões para afastarse a multa de 75%. De plano, é preciso dizer que o lançamento não foi motivado por infração cometida pelo contribuinte. Não há referência a omissão de receitas, despesas não dedutíveis ou não comprovadas, excesso de compensação de prejuízo, falta de adição ao lucro líquido, ou qualquer outra conduta ilícita. O lançamento teve por escopo exclusivamente prevenir a decadência e viabilizar a cobrança do débito que o contribuinte pretendeu, sem sucesso, compensar, fazendoo numa época em que a declaração de compensação ainda não tinha efeito de confissão de dívida. Isso fica muito claro da leitura do relatório da DRJ Ribeirão Preto, que assim se referiu ao problema: O lançamento foi efetuado com base na Medida Provisória MP n° 2.158, de 2001, art. 90; Lei n° 8.212, de 1991, art. 45; Decreto n° 1.041, arts. 856, 889, I e IV e 890; Lei n° 9.430, de 1996, arts. 44, I e 61, § 3o. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Sorocaba indeferiu, mediante o despacho decisório n° 960, de 1998 o pedido de compensação do débito do imposto com pretenso crédito relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), pleiteada no processo n° 10855.002319/98 (fls. 12/13), sendo igualmente indeferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Campinas. Além disso, pelo contido no despacho de fl. 20, que informa ter sido provido o recurso da contribuinte no segundo Conselho de Contribuintes, mas apresentado Recurso Especial pela Fazenda (fl. 15). Assim, de modo a evitar a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, tendo em vista o instituto da decadência, foi lavrado o auto de infração. (g.n.) (fl. 130) Se o lançamento, como admitiu a DRJ, foi feito apenas para evitar a decadência, ele não comportava sanção que tivesse por pressuposto a prática de ilícito tributário. Por essa razão, não cabe multa de 75%. O valor do tributo fica sujeito apenas aos acréscimos moratórios, a saber, juros e multa de mora. Além disso, por força do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, a multa nos casos de compensação está restrita às hipóteses de falsidade da declaração. Confirase: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10855.001810/200337 Acórdão n.º 1301002.920 S1C3T1 Fl. 272 4 Art. 18º O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Essa norma, embora publicada posteriormente aos fatos aqui examinados, tem aplicação retroativa, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional. Portanto, ainda que fosse possível a aplicação da multa aqui examinada, ela não subsistiria à aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907606/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Recorrente OCC ONCOLOGIA CLINICA DE CAMPINAS SOCIEDADE EMPRESÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO LUCRO PRESUMIDO ATIVIDADES HOSPITALARES ANOSCALENDÁRIO 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. A DCTF é que se constitui, de fato, em confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 76 06 /2 01 1- 10 Fl. 1093DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo transcrevo parcialmente o relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “O interessado transmitiu a Dcomp nº 25365.47183.161007.1.3.040480, visando compensar os débitos nela declarados com crédito relativo a pagamentos indevidos ou a maior do IRPJ; A DRF/Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que: a) DA INEFICÁCIA DO DESPACHO DECISÓRIO REFUTADO; b) DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA ALTERAR A APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA PESSOA JURÍDICA; c) SERVIÇOS HOSPITALARES – POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 8% NA APURAÇÃO DE IRPJ PELO LUCRO PRESUMIDO – LEI Nº 9.249/95, Art. 15, § 1º, III, “a”; d) DO PAGAMENTO INDEVIDO DE IRPJ E A POSSIBILIDADE DE SE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. A expressão “serviços hospitalares” somente abrange aqueles prestados por estabelecimentos qualificados como “hospital”, portanto, somente esses podem apurar o lucro presumido no percentual de 8% da receita bruta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 3 3 Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, em 27/11/2014. Por economia processual reproduzo parcialmente o voto do relator: O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III Fl. 1095DF CARF MF 4 do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 4 5 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens –excluídas as simples consultas e outras atividades de cunhoadministrativo. [...] (Grifouse) Fl. 1097DF CARF MF 6 Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poder se restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 5 7 à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas Fl. 1099DF CARF MF 8 em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 6 9 “Seguindo este raciocínio, pacificouseno âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta Fl. 1101DF CARF MF 10 consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, deve se avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 7 11 (...) Frisese: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além isso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tão somente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Fl. 1103DF CARF MF 12 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 8 13 No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; Fl. 1105DF CARF MF 14 c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pela ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Reproduzo a seguir, resumidamente, o relatório da diligência realizada pela unidade de origem: Portanto à luz da interpretação da forma objetiva, qual seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, conclui se que, de acordo com os documentos e informações disponibilizadas referente ao período diligenciado (2003 a 2006), há fortes indícios que a mesma tenha prestado serviços relacionados ao tratamento de quimioterapia, com equipamentos específicos (de quimioterapia), possuindo custos diferenciados do simples atendimento médico, e os indícios também apontam que a mesma exerceu (no período) atividade tipicamente hospitalar. A análise da rubrica “Honorários Médicos” não foi conclusiva devido a especificidade e a natureza da prestação de serviços de quimioterapia, ficando a cargo do julgador o que entender ser correto. Embora, em sua conclusão, o agente tenha mencionado que a análise da rubrica “honorários médicos” não tenha sido conclusiva e que ficaria a cargo do julgador o que “entender ser o correto”, no próprio relatório da diligência efetuada há a menção de que os honorários são uma parte pequena do faturamento da clínica, conforme reproduzo: Das informações e documentos coletados não temos como estabelecer se os “Honorários Médicos” teriam sido consultas médicas dissociadas ou não do tratamento de quimioterapia. O que é cediço é que os “Honorários Médicos” constituem uma parcela menor do faturamento da clínica, e que devido as características e as especificidades da prestação de serviços de quimioterapia, é bem plausível que estejam relacionados com o tratamento como um todo. Portanto, por todo o exposto, como indica, claramente, o resultado da diligência, fica evidente que os serviços prestados pela recorrente foram de natureza hospitalar. Entretanto, observase que na correspondente sessão de julgamento, cujo processo foi convertido em diligência, não foi tratado o fato de a Recorrente apenas ter retificado a DIPJ, originalmente, entregue, sem ter efetuado a correspondente retificação da DCTF que, como bem afirmou a autoridade julgadora de primeira instância. Em seu recurso voluntário, a recorrente alegou, além das questões relativas à sua atividade, já tratadas acima, que: · o erro de fato no preenchimento da DCTF não poderá, à luz da verdade real, obstar o direito à restituição e compensação do crédito de IRPJ indevidamente recolhido. Subsequentemente, em uma petição, anexada aos autos , a recorrente alega de acordo com o Parecer Normativo COSIT 2/2015 "a não retificação da DCTF não impede que o crédito informado seja comprovado por outros meios". Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 9 15 Na verdade, o referido parecer normativo indica o contrário, como veremos mais adiante. No entanto, é cediço que a DCTF constituise, de fato, em confissão de dívida (constitui o crédito tributário) e não a DIPJ, como já decidido em outras sessões nesta turma.. Reproduzo aqui parte da decisão da DRJ: Como se pode verificar não consta na IN SRF nº 127/98, que cuida da DIPJ, dispositivo segundo o qual o saldo a pagar, relativo aos débitos apurados, será inscrito em Dívida Ativa, tal como consta nos atos que cuidam da DCTF, especialmente no art. 1º da IN SRF 077/98, que transcrevo: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (grifei) Assim temos que a DIPJ é uma declaração meramente informativa, enquanto a DCTF constituise em confissão de dívida, o que torna sem efeito a alegação da necessidade de lançamento tributário. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça STJ assim enunciou: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Assim, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1107DF CARF MF 16 Fl. 1108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724128/2016-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Cabe ao CARF o controle da legalidade do lançamento. A nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo deve ser reconhecido de ofício por ser matéria de ordem pública.
Numero da decisão: 2002-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e declarar de ofício a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, em razão da insuficiente descrição dos fatos na autuação.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. LIVROCAIXA. Recorrente JORGE LUIZ WINCKLER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Cabe ao CARF o controle da legalidade do lançamento. A nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo deve ser reconhecido de ofício por ser matéria de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e declarar de ofício a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, em razão da insuficiente descrição dos fatos na autuação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 41 28 /2 01 6- 10 Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.898 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2013, ano calendário 2012, tendo em vista a apuração de dedução indevida de livrocaixa (fl.7). O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/112 e 1.617/2.828), alegando que o valor contestado corresponde a despesas comprovadas por meio de documentos legíveis, datados e contendo identificação e assinaturas dos emitentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 2.831/2.833), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 LIVRO CAIXA. DESPESAS. IMÓVEL. EMPRESA. Não podem ser deduzidas no livro Caixa despesas vinculadas a imóvel onde funciona empresa da qual o contribuinte é sócio. Cientificado dessa decisão em 2/8/2016 (fl.2.836), o contribuinte formalizou, em 29/8/2016 (fl.2.838), seu Recurso Voluntário (fls. 2.838/2.892), no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Lista as glosas que entende indevidas, consignando seus argumentos: TV NET R$1.316,36 Cita o Parecer Normativo CST nº 60, de 1978, para defender a dedutibilidade de despesas com internet e TV por assinatura, disponibilizados na sala de espera do consultório. Condomínios Salas 301 e 302 R$9.760,79/Energia Clínica R$4.957,39/IPTU Clínica R$1.135,04 Afirma ser o responsável pelas despesas do local de funcionamento de seu consultório médico. Indica a juntada das matrículas 75227 e 75228, comprovando a propriedade dessas salas. Cita a Constituição Federal e o Manual do IRPF, para defender que faz jus a deduzir as despesas registradas em livrocaixa. Serviços Médicos Prestados por Terceiros sem Vínculo Empregatício e Documentos Ilegíveis ou Inábeis Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.899 3 Explica que é médico cooperado da Unimed Porto Alegre e realiza alguns procedimentos médicos que envolvem despesas. Indica os emolumentos pagos referentes à manutenção de aparelhos médicos e de sistema de software e à acompanhamento profissional necessário aos pacientes submetidos a exames nos aparelhos que especifica. Cita o item 384 do Manual do IRPF, para defender que essas despesas são necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Ressalta que as despesas escrituradas podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo a pessoa física ou jurídica. Documentos Ilegíveis ou Inábeis Indica que todos os comprovantes acompanham seu recurso, de forma a afastar a afirmação de que seriam ilegíveis. No tocante a sua dedutibilidade, aponta que se trata de material de escritório/consultório e de conservação e limpeza. Explica que são gastos efetuados para aquisição de bens próprios para consumo, tais como material de escritório, de conservação, de limpeza e de produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, conservação. Indedutíveis R$828,03 Diz que esse item, mencionado como roupa de cama, referese a lençóis e fronhas utilizados pelos pacientes na realização de alguns exames. No seu entendimento, tais despesas são necessárias ao aferimento da receita pelo contribuinte e, portanto, dedutíveis. Telefone Clínica R$3.654,91 Reproduz o artigo 75 do RIR, alegando que as despesas feitas pelo titular com planos de telefonia, exclusivamente para fins profissionais, são dedutíveis a título de despesa de livrocaixa. Ao final do seu recurso, reconhece como corretas as glosas das despesas de aluguel, condomínio, energia, telefone, IPTU e despesas diversas, referentes à sala 304, pertencente À Clínica Moinhos. Requer o restabelecimento de despesas no montante de R$72.329,62. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.2.895). É o relatório. Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.900 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Nulidade da Notificação de Lançamento O litígio recai sobre a dedução de despesas com livro caixa. Embora a legalidade do ato administrativo não tenha sido questionada pelo recorrente, entendo que se trata de matéria de ordem pública, cabendo sua análise nestes autos. Nesse sentido, cabe transcrever decisão do E.STF sobre o assunto: "O Supremo Tribunal já assentou que diante de indícios de ilegalidade, a Administração deve exercer seu poderdever de anular seus próprios atos, sem que isso importe em contrariedade ao princípio da segurança jurídica. Nesse sentido, as súmulas 346 e 473 deste Supremo Tribunal: 'A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos' (Súmula 346).'A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial' (Súmula 473)." (AO 1483, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgamento em 20.5.2014, DJe de 3.6.2014)” De início, cabe destacar que, na autuação (fl.7), a autoridade fiscal consigna a glosa das despesas da pessoa jurídica, despesas de sócios do contribuinte na PJ, não comprovadas através de nota fiscal ou recibo, de terceiros, de comprovantes sem identificação do contribuinte, sem identificação a que se refere à despesa, ilegíveis, despesas não dedutíveis conforme legislação, de faturas/guias de recolhimento sem comprovação do efetivo pagamento/recolhimento, de comprovantes sem data da emissão, de recibos sem a identificação da pessoa física que o emitiu (quem assinou e de recibos sem assinatura do emitente). Do exame da DIRPF do recorrente (fls.115/128), constatase que ele deduziu a título de livro caixa o montante de R$394.186,91. A autoridade fiscal apontou a glosa de R$186.536,12, sem no entanto especificar exatamente quais seriam as despesas glosadas e sob quais fundamentos. Consta, à fl. 1.611, informação fiscal contendo a relação dos valores das despesas que teriam sido acatadas pela autoridade fiscal. Não há qualquer indicação dos Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.901 5 valores não acatados e a correspondente justificativa. Cabe registrar ainda que esse documento não acompanha a Notificação de Lançamento. Ora, a descrição dos fatos é requisito essencial da autuação e a sua ausência ou deficiência pode caracterizar o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, assim como impossibilitar a análise adequada da matéria pelos julgadores. No caso, verificase que, diante da Notificação de Lançamento recebida, o contribuinte apresentou uma impugnação lacônica. Na apreciação da defesa apresentada, a DRJ elaborou quadro contendo as despesas consideradas indedutíveis ou não comprovadas por ela, discriminandoas nos seguintes itens: aluguel (PJ), IPTU (PJ), serviços médicos prestados por terceiros sem vínculo empregatício, telefone clínica (PJ), energia clínica (PJ), TV Net (PJ), condomínio (PJ), sem nota fiscal, aquisição de equipamentos, documentos ilegíveis ou inábeis ou sem identificação da despesa, despesa da clínica Moinhos, indedutíveis e despesas congresso (fls. 2.831/2.833). Vêse que, somente em face da decisão de piso, a qual buscou discriminar individualmente as despesas glosadas e a correspondente justificativa para tal, o recorrente pode se defender adequadamente. Por sua vez, depreendese que a DRJ, em um trabalho hercúleo, buscou desvendar as despesas glosadas. Entretanto, é forçoso observar que diante dos poucos elementos oferecidos pela autoridade fiscal, a decisão de piso acabou por se equivocar na apreciação da lide. Vejamos. Do exame da DIRPF apresentada, do relatório fiscal mencionado e da decisão de piso, chegamos aos valores a seguir indicados: MÊS DECLARADO (A)* ACATADO (B)** GLOSADO NA AUTUAÇÃO (AB) GLOSA MANTIDA NA DRJ*** JAN 24.031,84 12.170,12 11.861,72 7.196,55 FEV 27.346,33 12.104,62 15.241,71 9.435,26 MAR 33.347,35 12.208,42 21.138,93 16.016,91 ABR 35.955,37 11.600,44 24.354,93 11.108,51 MAI 42.607,37 22.404,49 20.202,88 27.966,17 JUN 31.506,56 15.022,65 16.483,91 8.130,69 JUL 31.364,96 13.941,76 17.423,20 10.950,98 AGO 31.192,31 14.880,68 16.311,63 5.522,14 SET 29.963,79 19.124,66 10.839,13 8.279,79 OUT 38.839,83 25.286,77 13.553,06 4.821,83 NOV 27.731,97 27.055,68 676,29 8.421,55 DEZ 40.299,23 21.850,50 18.448,73 9.961,96 TOTAL 394.186,91 207.650,79 186.536,12 127.812,34 *DIRPF às fls. 115/128 **Informação Fiscal à fl.1.611 ***Demonstrativo às fls. 2.832/2.833 Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.902 6 Vejase que, para os dois meses em destaque acima, maio e novembro, as glosas apontadas pela DRJ superam as glosas levadas a efeito na autuação. Na tentativa de entender a autuação e o julgamento de primeira instância, encontramse outras incongruências. No mês de janeiro, por exemplo, a decisão de piso aponta a glosa de R$700,32, consignando que se trata de despesa com aquisição de equipamento. De fato, a teor da legislação citada na autuação, despesas dessa natureza não são dedutíveis. Do exame do livro caixa à fl.137, constatase que o lançamento nº4, referese à aquisição de computador, no valor de R$700,32. Entretanto, do exame do resumo do livro caixa do mês de janeiro à fl. 140, verificase que o total informado para janeiro, de R$24.031,84, não inclui a despesa indicada, considerada corretamente como não dedutível na escrituração do contribuinte. Portanto, a glosa desse valor se mostra indevida, uma vez que não foi deduzida pelo recorrente. Buscouse com a análise desses fatos demonstrar que a autuação prejudicou não só a capacidade de defesa do contribuinte, mas também a análise do feito pela autoridade a quo. Nesse tocante, cabe transcrever os artigos 10 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente”: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: (....) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (destaques acrescidos) Acrescentese o artigo 142 do CTN: Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.903 7 Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O artigo 142 do CTN dispõe que o lançamento é o procedimento administrativo que visa a determinar, dentre outros elementos, a matéria tributável e o montante do tributo devido, acrescentando, em seu parágrafo único, que tal atividade é vinculada à lei. Assim, a notificação de lançamento/auto de infração deve conter os motivos que levaram à conclusão sobre o valor adotado para base de cálculo do tributo exigido, e tais motivos devem estar em consonância com a legislação, não havendo espaço para atuação discricionária da Administração. Isto posto, considerando que a autuação se mostrou incompreensível, acarretando prejuízo concreto à defesa do sujeito passivo, e que cabe a este Colegiado a revisão e controle da legalidade do ato administrativo, entendo ser nula a notificação de lançamento em análise. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e declarar de ofício a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, em razão da insuficiente descrição dos fatos na autuação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 2903DF CARF MF
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