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Numero do processo: 10880.903064/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2003 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
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INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 64 /2 01 1- 11 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.903064/201111 Acórdão n.º 3302005.946 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16038.294. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.903064/201111 Acórdão n.º 3302005.946 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.903064/201111 Acórdão n.º 3302005.946 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.902970/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória.
Numero da decisão: 1201-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/2009-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória.
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DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I que julgou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 29 70 /2 00 9- 76 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10725.902970/200976 Acórdão n.º 1201002.544 S1C2T1 Fl. 3 2 improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório pleiteado. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido ou a maior de IRPJ visto que, segundo o sujeito passivo, apurou o imposto pelo regime do lucro presumido, aplicando o percentual de 32% sobre a receita bruta enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares diagnósticos por imagem seria o percentual de 8%, conforme previa o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249/95 c/c o art.25 da Lei 9.430/96. Pelo segundo despacho decisório, uma vez que o primeiro foi anulado pela DRJ por estar desprovido de fundamentação congruente, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelos seguintes fundamentos: o contribuinte não apresentou documentação hábil para justificar as informações constantes da DCTF retificadora, e, consequentemente, também não demonstrou a origem e a regularidade do crédito decorrente de tal retificação; a única DIPJ transmitida pela interessada não é compatível com as informações transmitidas pela DCTF retificadora e , ainda, por não ter sido a DIPJ alvo da devida retificação a fim de compatibilizála com a DCTF retificadora, a dita DIPJ demonstra débito correspondente ao valor recolhido e a inexistência do crédito; a decisão consignou que a DCTF retificadora foi apresentada fora de prazo, e, por essa razão, assiste razão ao fisco quando não considerou as informações registradas na DCTF retificadora. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado a nulidade do despacho decisório sob os seguinte fundamentos, verbis: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10725.902970/200976 Acórdão n.º 1201002.544 S1C2T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.543, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.902969/2009 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.543): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. A Recorrente alega, como relatado anteriormente, que o segundo "despacho decisório" que voltou a negar a homologação da compensação foi proferido sem antes oportunizar a contribuinte a devida instrução probatória. Entende que sem a intimação/notificação do contribuinte dandolhe a oportunidade para demonstrar o seu crédito, a autoridade fiscal não poderia negar a homologação da compensação; porém, a fundamentação foi esculpida sem prévios esclarecimentos do contribuinte, contrariamente ao que foi expressamente determinado pela delegacia de julgamento, o que justifica novamente da nulidade da decisão ora recorrida, Quanto à apresentação da documentação, não se vislumbra qualquer cerceamento ao direito de defesa, pois Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10725.902970/200976 Acórdão n.º 1201002.544 S1C2T1 Fl. 5 4 quando da prolação do despacho decisório, abrese prazo para manifestação de inconformidade, período o qual a contribuinte possui para fazer prova do seu direito 1. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o interessado não comprovou a existência do crédito pleiteado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, cujo trecho do voto condutor reproduzo abaixo, o interessado deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado, verbis: Discordo do interessado quando alega que não há prazo fixado em lei para a retificação de declaração (o art. 173 do CTN diz respeito ao prazo decadencial do fisco constituir o seu crédito). Da mesma forma que existe prazo para a Fazenda Pública examinar o conteúdo da DCTF ou da DIPJ, há, também, termo para o interessado retificar estas declarações, sob pena de se permitir alterações em favor do interessado, depois de esgotado o prazo para a Fazenda Pública examinar os dados nela contidos. Ainda, a mera retificação da DCTF, sem comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório. As informações sobre os fatos tributáveis devem estar lastreadas na escrituração contábilfiscal e na documentação do contribuinte. Se houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, este deve ser comprovado, para que fique evidente que o interessado teria declarado em DCTF um montante maior do que o efetivamente devido. O interessado não juntou aos autos nenhum documento que comprovasse o pretendido erro, a ensejar a retificação da DCTF (.....). Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. O Despacho Decisório recorrido deve ser mantido, por não ter o interessado comprovado a existência do crédito pleiteado. 1 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10725.902970/200976 Acórdão n.º 1201002.544 S1C2T1 Fl. 6 5 Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.953415/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 53 41 5/ 20 09 -1 0 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 123 4 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 124 5 o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 125 6 de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 126 7 se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.001810/99-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1994
PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. ADIMPLIDO TODO O TRÂMITE DO PAF TORNA-SE AUSENTE O CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há cerceamento de defesa quando não se comprova efetivamente o malferimento ao deslinde do PAF e o respectivo ônus ao contribuinte, razão pela qual as alegações genéricas não merecem ser acolhidas.
VERDADE MATERIAL. PROVAS SUFICIENTES PARA IDENTIFICAR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO.
Quando há nos autos elementos suficientes para suprir a convicção do órgão julgador no que cinge ao adimplemento tributário, torna-se possível reconhecer o pleito com base na verdade material. Uma vez comprovado documentalmente o erro de preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a autuação pautada nos valores nela declarados. In casu, a autuação deve se ajustar aos valores efetivamente devidos conforme os documentos contábeis.
Numero da decisão: 1002-000.493
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. ADIMPLIDO TODO O TRÂMITE DO PAF TORNASE AUSENTE O CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa quando não se comprova efetivamente o malferimento ao deslinde do PAF e o respectivo ônus ao contribuinte, razão pela qual as alegações genéricas não merecem ser acolhidas. VERDADE MATERIAL. PROVAS SUFICIENTES PARA IDENTIFICAR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO. Quando há nos autos elementos suficientes para suprir a convicção do órgão julgador no que cinge ao adimplemento tributário, tornase possível reconhecer o pleito com base na verdade material. Uma vez comprovado documentalmente o erro de preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a autuação pautada nos valores nela declarados. In casu, a autuação deve se ajustar aos valores efetivamente devidos conforme os documentos contábeis. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 18 10 /9 9- 49 Fl. 889DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 428 à 439) interposto contra Decisão n° 96, proferida na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (efls. 409 à 422), que julgou a exordial parcialmente procedente o lançamento dos Autos de Infração. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório da Decisão a quo n° 96: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, Contribuição Social Sobre o Lucro CSSL e Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, os quais relatamse a seguir, Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ O Auto de Infração do IRPJ (fls. 294/314) exige o recolhimento de R$ 3.162,70 de imposto, R$ 2.371,97 de multa de oficio prevista no art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência resulta das seguintes infrações: 01 omissão de receitas saldo credor de caixa: os valores apurados resultam da recomposição da conta caixa no ano calendário de 1994 conforme planilhas de folhas 217/241, tendo como enquadramento legal os arts. 195, II, 197, parágrafo único, 226, 228 e 230 do RIR/1994, aprovado pelo Decreto n.° 1.041/1994, art. 3° da Medida Provisória n.° 492/1994 e suas reedições, convalidada pela Lei n.° 9.064/1995, art. 12, caput e § 2° do Decreto n.° 1.598/1977 e arts. 43 e 44 da Lei n.° 8.541/1992; 02 custos ou despesas não comprovadas: valor apurado em razão da falta de identificação do destinatário e operações lastreadas na 2a ou 3a via das notas fiscais, tendo como enquadramento legal os arts. 195, I, 197, parágrafo único, 243 e 247 do RIR/1994, art. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 890 3 6°, § 2° do Decretolei n.° 1.598/1977 e art. 45, § 2° da Lei n.° 4.506/1964, 03 provisões para créditos de liquidação duvidosa: glosa correspondente à diferença a maior entre os valores escriturados pelo contribuinte e os valores legalmente permitidos, tendo como enquadramento legal os arts. 157 e § 1°, 191, 220 e 387, I do RIR/1980, arts. 195, I, 197, parágrafo único, 242, 276 e 277 do RIR/1994, art. 6°, § 2° do Decretolei n.° 1.598/1977, art. 3° do Decretolei n.° 1.730/1979, arts, 60, I, 61, §§ 1° e 2° da Lei n.° 4.506/1964 e art. 9° da Lei n.° 8.541/1992; 04 omissão de receitas financeiras: o valor apurado corresponde à diferença entre o rendimento escriturado e o constante do extrato bancário do Banco do Estado do Paraná do lançamento do dia 25/04/1994 a título de "Depósito a prazo/Rendimentos", tendo como enquadramento legal os arts. 195, II, 197, parágrafo único, 224, 225 e 317 do RIR/1994, arts. 6°, § 2°, 7° e 11 e §§ do Decretolei n.° 1.598/1977 e art. 2° da Lei n.° 2.354/1954; e 05 despesa indevida de correção monetária: caracterizada pelo saldo devedor de correção monetária maior que o devido, diminuindo o lucro líquido do exercício, tendo como enquadramento legal os arts. 4°, 8°, 10, 11, 12, 15, 16 e 19 da Lei n.° 7.799/1989, art, V da Lei n.° 8.200/1991, art. 4° do Decreto n.° 332/1991, art. 48 da Lei n.° 8.383/1991 e arts. 396, 405, 406, 407, 409, 411 e 414, § 1° do RIR/1994. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS O Auto de Infração do PIS (fls. 315/323) exige o recolhimento de R$ 157,95 de contribuição, R$ 118,38 de multa de oficio prevista no art. 86, § 1° da Lei n.° 7.450/1985 e art. 2° da Lei n.° 7.683/1988 c/c o art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art, 44, I da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência decorre do lançamento do IRPJ e resulta dos custos ou despesas não comprovados, da provisão a maior para créditos de liquidação duvidosa, da omissão de receitas financeiras, da despesa indevida de correção monetária e da omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, descritas nos itens O1 a 05 daquele auto de infração, tendo como enquadramento legal o art. 3°, § 2°, da Lei Complementar n.° 07/1970, Título 5, capítulo 1, seção 6, itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria n.° 142/1982, art. 43, § 1° da Lei n.° 8.541/1992 e alterações do art. 3° da Lei n,° 9.064/1995. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins O Auto de Infração de Cofins (fls. 324/331) exige o recolhimento de R$ 150,76 de contribuição, R$ 113,02 de multa de oficio prevista no art. 10, parágrafo único da Lei Complementar n.° 70/1991 c/c o art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art. 44, I da Lei n° Fl. 891DF CARF MF 4 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência decorre do lançamento do IRPJ e resulta da omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, descrita no item 01 daquele auto de infração, tendo como enquadramento legal os arts 1°e 2°, da Lei Complementar n.° 70/1991, art. 43, § 1° da Lei n.° 8.541/1992 e alterações do art. 3° da Lei n.° 9.064/1995. Contribuição Social sobre o Lucro CSLL O Auto de Infração de CSLL (fls. 332/342) exige o recolhimento de R$ 1.204,45 de contribuição, R$ 903,29 de multa de oficio prevista no art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5 172/1966, além dos encargos legais. A exigência decorre do lançamento do IRPJ e resulta dos custos ou despesas não comprovados, da provisão a maior para créditos de liquidação duvidosa, da omissão de receitas financeiras, da despesa indevida de correção monetária e da omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, descritas nos itens 01 a 05 daquele auto de infração, tendo como enquadramento legal o art. 2° e §§, da Lei n.° 7.689/1988, arts. 38, 39 e 43 da Lei n ° 8.541/1992, com a redação dada pelo art. 3° da Medida Provisória n.° 492/1994. Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF O Auto de Infração do IRRF (fls, 343/351) exige o recolhimento de R$ 3.335,72 de imposto, R$ 2.501,73 de multa de oficio prevista no art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência decorre do lançamento do IRPJ e resulta e da omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa e dos custos ou despesas não comprovados, descritas nos itens 01 e 02 daquele auto de infração, tendo como enquadramento legal o art. 739 do RIR/1994, art. 44, da Lei n,° 8.541/1992 com a redação dada pelo art. 3° da Lei n.° 9.064/1995. Cientificada em 29/11/1999, a interessada apresentou tempestivamente em 14/12/1999 a impugnação de fls. 364/373, instruída com os documentos de fls. 374/382, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Inicialmente, levanta preliminar de decadência, relativa aos fatos geradores de fevereiro a outubro de 1994, por força do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, argumentando que a partir da promulgação do Decretolei n.° 1.967/1982, o imposto de renda da pessoa jurídica se submete ao lançamento por homologação, e que nos meses de janeiro a dezembro de 1994, procedendo de acordo com a legislação de regência em vigor, apurou o IRPJ em bases mensais, de sorte que os fatos geradores daqueles meses ocorreram no encerramento dos balanços mensais, e quando da lavratura do auto de infração já Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 891 5 havia decaído o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, uma vez que já houvera transcorrido o prazo de 5 anos a contar do encerramento do balanço de cada um daqueles meses. No mérito, alega, em relação à omissão de receita por saldo credor de caixa, que na recomposição da conta caixa de fls. 217/241, no dia 25/04/1994 há um apontamento depósito a prazo/rendimentos de CR$ 757.024,04 na coluna "Saída de Caixa", o que alterou para mais os saldos credores apontados no procedimento fiscal, sendo esse lançamento um equívoco, pois não representa nenhuma saída em seu caixa. Em complemento diz que o referido valor é um rendimento de aplicação financeira junto ao Banestado, e que o fisco, com relação a esse valor houvera tributado o diferencial de CR$ 500.000,01, como omissão de receita financeira entre o reconhecido e contabilizado, de CR$ 257.024,03, e o valor de CR$ 757.024,04, fato não contestado. Argumenta que jamais ocorreu essa saída de caixa e que se trata meramente de um lançamento "Extra Caixa" representado por um débito, Banestado e um crédito, Receitas Financeiras e está influenciando o.saldo credor apurado. Aduz que retificando a recomposição do caixa efetuada pelo fisco a partir de 25/04/1994, para excluir o montante de CR$ 757.024,04 como saída de caixa ocorre a inexistência de saldo credor de CR$ 604.023,19, em 02/05/1994, referente ao maior saldo credor do mês de maio; a inexistência de saldo credor de CR$ 298.206,79, em 27/06/1994, referente ao maior saldo credor do mês de junho, e a retificação do saldo credor do mês de julho de 1994 de R$ 779,53 para R$ 504,25 em 30/07/1994. Com respeito aos custos ou despesas não comprovadas alega que foram glosadas, em todos os mesescalendário de 1994, notas fiscais de despesas por não haver discriminação do destinatário e outras por serem segunda ou terceira via de notas fiscais, tratandose de erros meramente formais, mas que as despesas são pertinentes, usuais e normais à sua atividade; que não pode ser base para imposição tributária, porque injusta sobre todos os aspectos. Diz que jamais foi questionado quanto à pertinência, usualidade ou normalidade das despesas contabilizadas, sendo glosadas única e exclusivamente em função de erros documentais formais e que, amoldando as despesas em tela às disposições do art. 242 do RIR/1994, é improcedente a autuação fiscal neste quesito. Relativamente a despesas indevida de correção monetária argumenta que foi apurado, conforme planilhas integrantes do processo, excesso de correção monetária devedora dos balanços encerrados em 31/01/1994, 28/02/1994, 31/05/1995 e 31/08/1994, diferenças essas, entre o contabilizado e os cálculos refeitos, e exigindose sobre esses valores, os tributos Fl. 893DF CARF MF 6 correspondentes; que em todos os outros meses do ano calendário de 1994, apuraramse nas planilhas diferenças que lhe eram favoráveis, mas não se recompôs o lucro tributável para efeitos de compensar os saldos devedores a menor de correção monetária de balanço apurados ex officio, sendo o procedimento fiscal injusto e unilateral, sendo imperioso que sejam refeitos os cálculos, no sentido de compensação dos valores apontados no procedimento fiscal, de maneira que seja refletido o verdadeiro lucro real e tributável, consoante prevê a legislação de regência. Pondera que o lançamento tributário, ao apurar as infrações fiscais, deixou de proceder à correção monetária de balanço sobre os valores tributados num mês, cujos efeitos se refletiriam nos meses seguintes reserva oculta de correção monetária de balanço; que como a tributação envolveu desde os meses de fevereiro a dezembro de 1994, deveria ser recomposta a correção monetária de balanço nesses termos, a partir de março de 1994 e assim sucessivamente. Complementa que o pleito deve alcançar, inclusive, a tributação imposta sobre a omissão de receita por saldo credor de caixa, lançado sob a égide da Lei n.° 8.541/1992, art. 43, § 2°, de caráter ilegal, quanto mais que a sua contabilidade está em condições de demonstrar o lucro real inclusive pelas adições tributárias que lhe foram imputadas; que o dispositivo em tela foi revogado pelos arts. 24 e 36 da Lei n.° 9.249/1995, sendo que o art. 24 manda lançar a omissão de receita de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base de omissão, e que a retroatividade benigna deve ser aplicada ao caso. Solicita, a interessada, que no lançamento tributário sejam considerados os reflexos das parcelas tributadas num mês, liquidas dos tributos sobre elas incidentes, resultando patrimônio líquido, de sorte que sobre este seja calculado a correção monetária de balanço devedora, a fim de amortizar a tributação imposta no mês subsequente e assim sucessivamente. Quanto ao IRRF sobre lucros considerados automaticamente distribuídos alega que a base do lançamento foi o art. 44 da Lei n.° 8.541/1992, revogado pelos arts. 10, 24 e 36 da Lei n.° 9.249/1995, de maneira que eventuais omissões de receita ou redução do lucro líquido da pessoa jurídica não mais sofra a tributação na fonte ou sobre o sócio, sendo pertinente o pleito da retroatividade benigna prevista no § 1° do art, 144 do CTN, ou alternativamente que da base de cálculo do IRRF sejam excluídas as parcelas dos tributos e contribuições sobre ela incidente IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (art. 24, § 2° da Lei n.° 9.249/1995), a fim de evitar o bis in idem. Finalizando requer o acatamento da impugnação, pelos aspectos fáticos e de direito, relativamente ao IRPJ, base do lançamento e, por decorrência, em relação aos reflexos tributários da CSLL, PIS, Cofins e IRRF. A indigitada decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba restou figurada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 892 7 Anocalendário: 1994 Ementa: DECADÊNCIA. Não havendo o que homologar, por não ter ocorrido pagamento de imposto, e tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contados da primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inocorreu a decadência. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A constatação de saldo credor de caixa, não infirmada em sua totalidade pela fiscalizada, validase na presunção legal de que o desembolso, correspondente ao valor negativo verificado, não comprovado com documentação hábil e idônea, deriva de recursos gerados por receitas omitidas na escrituração. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. As despesas para serem aceitas como dedutíveis devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESA INDEVIDA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. Na apuração do saldo de correção monetária de balanço deve haver a compensação do imposto pago a maior em razão de saldos devedores apurados a menor em alguns meses com os apurados a maior nos demais meses em que houve insuficiência de recolhimento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 Ementa: DECORRÊNCIA. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o que tiver sido decidido quanto àquele do qual decorre. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 Ementa: DECORRÊNCIA. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o que tiver sido decidido quanto àquele do qual decorre. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 Ementa: DECORRÊNCIA. Fl. 895DF CARF MF 8 Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o que tiver sido decidido quanto àquele do qual decorre. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 Ementa: LEI NOVA. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador, e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, sendo que a retroatividade de lei nova mais benigna alcança apenas as penalidades. DECORRÊNCIA. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o que tiver sido decidido quanto àquele do qual decorre. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE (...) CONCLUSÃO Isto posto, resolvo; a) não acolher a preliminar de decadência do IRPJ; b) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 2.765,01 de imposto e R$ 2.073,71 de multa de oficio, além dos encargos legais; c) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 138,11 de contribuição e R$ 103,51 de multa de oficio, além dos encargos legais; d) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 128,03 de contribuição e R$ 96,00 de multa de oficio, além dos encargos legais; e) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa à Contribuição Social sobre o Lucro, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 1.163,43 de contribuição e R$ 872,53 de multa de oficio, além dos encargos legais, f) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 3.051,38 de imposto e R$ 2.288,48 de multa de oficio, além dos encargos legais; Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 893 9 Em sequência, já em apreciação do Recurso Voluntário, a Terceira Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 20 de março de 2002 prolatou o Acórdão n° 10320.868 (efls. 453 à 449), que sagrou o seguinte resultado (resumidamente): Acordam os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário, vencidos os Conselheiros Victor Luís de Salles Freire (Relator), Alexandre Barbosa Jaguaribe e Julio Cezar da Fonseca Furtado e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Prosseguindo o PAF, o Contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência (efls. 469 à 483), abordando preliminar de decadência; custos ou despesas não comprovadas; e despesas indevidas e reserva oculta de correção monetária de balanço, sendo que restou proferido Acórdão CSRF/0105.309 (efls. 567 à 575), em sessão de 21 de setembro de 2005, cujo desiderato findou pelo provimento do indigitado Recurso, verbis: DECADÊNCIA — IRPJ e OUTROS — A existência de prejuízos, com a conseqüente ausência de pagamento de tributos ou contribuições, não é razão para que as exações sujeitas a lançamento por homologação tenham o prazo de decadência: contado pelo,art. 173 do CTN , ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4° do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RADIO CENTRAL DO PARANÁ LTDA., ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente processo. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator) e Cândido Rodrigues Neuber, que negaram provimento ao recurso, e Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em. relação ao IRPJ, ao IRFONTE e à contribuição para o PIS.. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. No deslinde do PAF, o Acórdão retromencionado restou embargado pela própria primeira turma da CSRF, de modo que restou proferido o Acórdão n° 910100.186 (e fls. 584 à 586): EMBARGOS DECLARATÓRIOS Materializada a hipótese prevista no art. 41 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 222, de 04/09//2007, é de se acolher os embargos interpostos pelo sujeito passivo para reratificar o acórdão embargado. Fl. 897DF CARF MF 10 DECADÊNCIA IRPJ e OUTROS A existência de prejuízos, com a conseqüente ausência de pagamento de tributos ou contribuições, não é razão para que as exações sujeitas a lançamento por homologação tenham o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN, ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4° do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão n° CSRF/0105.309, de 21/09/2005, para reconhecer a decadência em relação ao IRPJ, IRFONTE, ao PIS, à CSLL e à COFINS quanto aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a outubro de 1994, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Em virtude do Acórdão dos Embargos, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário (efls. 589 à 600), objetivando a reforma da intelecção circundante à decadência, de modo a estabelecer a contagem do lustro nos termos do art. 173, I, do CTN. Nessa trilha, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 07 de dezembro de 2011 (e fls. 869 à 879), proferiu Acórdão n° 9100000.218, o qual deu provimento ao Recurso fazendário, reconhecendo a inocorrência decadencial; cumpre transcrever seus principais trechos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1995 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART.62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 894 11 CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. Recurso Extraordinário Provido. (...) No que diz respeito ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão de 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, consolidou o entendimento daquele Tribunal em decisão assim ementada, verbis: (...) Conforme restou assentado, havendo pagamento parcial ou declaração prévia de débito, devese computar o prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN e, caso contrário, não se verificando o pagamento parcial e inexistindo declaração prévia de débito ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, referido prazo deve ser computado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos autos, a Contribuinte apurou no período prejuízo fiscal e base negativa da Contribuição Social, conforme se verifica nos autos – inclusive na apuração fiscal que não houve pagamento de tributo relativo ao período que ensejou o lançamento de ofício. Assim, a teor do entendimento consolidado pelo e. Tribunal Superior, no presente caso, ante a ausência de pagamento antecipado, devese iniciar a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, aplicandose a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. (...) Um primeiro entendimento sustenta que o art. 62A do Regimento exige a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ. Deste modo, em relação a este assunto, o STJ teria afastado a literalidade do art. 173, inciso I do CTN, segundo o qual, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, devendo prevalecer a assertiva constante do acórdão proferido no aludido Resp nº 973.733/SC, no sentido de que, nestes casos, o termo inicial passou a ser o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Fl. 899DF CARF MF 12 correspondente, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível.” O outro entendimento existente no âmbito desta Conselho defende que a análise do contexto fático do acórdão do STJ e a finalidade do art. 62A devem ser devidamente considerados para fins de aplicação do dispositivo. Devese levar em conta, inclusive, a própria jurisprudência daquela Corte, verificada conforme suas decisões posteriores sobre a mesma matéria. Na forma desta segunda linha, a qual reputo mais acertada, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, ou seja, nos exatos termos da redação do aludido art. 173, inciso I do CTN. (...) Diante de tão bem fundamentadas razões, verifico que no caso dos autos, não houve pagamento. Logo, por força das disposições do art. 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguirseia com o transcurso do lapso de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, Logo, por força das disposições do art. 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguir seia com o transcurso do lapso de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os fatos geradores ocorreram nos meses de fevereiro a outubro de 1994, o sujeito passivo apurou prejuízos fiscais nesses meses de 1994, e o lançamento foi efetuado em 29 de novembro de 1999 . Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso voluntário. Após todo o deslinde acima relacionado, o presente processo veio à relatoria deste Conselheiro que por ora subscreve. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 895 13 administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Da delimitação recursal em virtude da rejeição da preliminar de decadência De início, cumpre dizer que o mérito do presente Recurso já restou em sua grande parte decidido quando do Acórdão n° 10320.868 (efls. 453 à 449). Isso porque a questão residual, que continuou em debate, cinge apenas àquele período em que se discutiu a ocorrência da decadência. Portanto, sob pena de malferimento à coisa julgada administrativa, a linde do presente Acórdão se prenderá unicamente ao espectro outrora não arrematado, por conta da intelecção do lustro, que doravante observa a sistemática do Art. 173, I, do CTN, ou seja, tocante aos lançamentos ocorridos entre fevereiro e outubro de 1994. Sobre tal matéria, a Decisão n° 96, nas efls. 414 à 416 dispôs que: Preliminar de decadência Inicialmente, quanto à preliminar de decadência suscitada, relativa aos fatos geradores ocorridos no período de fevereiro a outubro de 1994, é de se ressaltar que, a partir do anocalendário de 1992, com a edição da Lei n° 8.383/1991, o imposto sobre a renda e a contribuição social sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real sofreram profunda alteração em suas formas de apuração e cálculo, passando o fato gerador a ocorrer mensalmente e não mais no encerramento do períodobase. À luz do referido dispositivo, o imposto de renda e a contribuição social são devidos mensalmente, à medida em que os lucros forem sendo auferidos, devendo o resultado ser apurado ao final de cada mês mediante o levantamento de balanço ou balancete, com observância das leis comerciais e fiscais. Uma vez que a lei atribui à pessoa jurídica, tributada com base no lucro real mensal, a partir do anocalendário de 1992, o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade, devendo apurar mensalmente os resultados em sua escrituração contábil, ajustados pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação, transcrevendo o valor tributável no LALUR, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal, certo é que se está diante do lançamento dito por homologação. De fato, nos termos do art. 150 do CTN, citado pela impugnante, a modalidade de lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo devido. sem prévio exame da autoridade administrativa, nesse caso, a atuação que a autoridade administrava tem é posterior, ocorrendo a homologação quando ela, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, de efetuar o recolhimento sem seu prévio exame, expressamente a homologa, ou, se não houver a manifestação expressa do fisco, dentro do prazo estabelecido pela norma, homologada também estará essa atividade, de forma tácita. Fl. 901DF CARF MF 14 Portanto, se houver pagamento, estará, na forma do § 1° do art. 150 do CTN, extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação do lançamento, assim, na forma do § 4° desse dispositivo legal, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento é de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do respectivo fato gerador, podendo, no caso de recolhimento relativo a cada fato gerador, ocorrer a homologação expressa, se houver a manifestação expressa do fisco, ou, na falta desta, no prazo mencionado, darseá a homologação tácita. Num caso e no outro, extinto estará o crédito. Entretanto, na hipótese de não haver pagamento antecipado do imposto devido, não há como se falar em homologação, e nem em aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, uma vez que a homologação nada mais é do que a declaração de extinção do débito, em face do pagamento antecipado. Nesses casos, impõese a aplicação da regra do art. 173, I, do mesmo Código, iniciando a contagem do prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na situação em análise, a interessada apresentou, em sua declaração de rendimentos, prejuízo fiscal nos períodos de apuração de 01/1994, 02/1994, 04/1994, 07/1994, 08/1994 e 10/1994 (fls. 29 e 30), compensou integralmente com prejuízos fiscais o lucro real dos períodos de apuração 03/1994, 05 e 06/1994 e 09/1994 (fls. 29 e 30), não havendo assim apuração de imposto devido (fls, 26) e, por conseguinte, nesses períodos de apuração, nada se recolheu nem se operou que ensejasse a homologação expressa ou tácita da administração, já que coexiste atividade de recolhimento da contribuinte passível de ser homologada. Sem pagamento do imposto por parte do sujeito passivo, não há fato homologável. Além do mais, cabe transcrever julgado do Superior Tribunal de Justiça, em sessão realizada em 28/04/1999, que, ao analisar os Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 132.329 — SP, em relação ao prazo de decadência para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo pagamento, proferiu a seguinte ementa (...) Portanto, improcedentes as alegações apresentadas quanto à decadência. Já em seu Recurso Voluntário, anoto ipsis litteris as alegações do Contribuinte, para conferir maior precisão a este julgamento: 1. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A autoridade singular indeferiu o pleito da recorrente quanto a decadência da constituição do crédito tributário relativa aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a outubro de 1994, argumentando que não houve o pagamento antecipado do tributo devido, não havendo que se falar em homologação e nem aplicação do parágrafo 4 0 do artigo 150 do Código Tributário Nacional, uma vez que a homologação nada mais é que a declaração de extinção do débito em face do pagamento antecipado, devendo, no caso, Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 896 15 imporse a regra do artigo 173 do Código Tributário Nacional, iniciando a contagem do prazo decadencial no / primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda, salientou a apuração de prejuízo fiscal em certos meses do anocalendário de 1994 e compensação integral do lucro real com prejuízos fiscais de outros meses, não havendo assim, a apuração do imposto devido. Citou, por fim, julgado do Superior Tribunal de Justiça amparando a tese da inocorrência do lançamento por homologação se não houver pagamento, quando a decadência se operaria 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Senhores Conselheiros, Como afirma a autoridade monocrática às fls. 401, a recorrente em sua DIRPJ/1995, anocalendário 1994, fls. 29130 apurou prejuízo fiscal nos períodos de apuração 01194, 02194, 04194, 07194, 08194 e 10194 e apurou lucro real nos períodos de 03194, 05194, 06194 e 09194, compensando integralmente com prejuízos fiscais de outros períodos de apuração. Obviamente, nada restou a recolher com relação ao IRPJ e CSSL destes períodos (fls. 26). Releva ressaltar que o contribuinte cumprindo a legislação tributária federal, Lei no 8.383191, apurou mensalmente no encerramento de cada um dos meses do anocalendário de 1994 o Lucro Real, restando como resultado a evidência descrita no parágrafo supra (fls. 29130). Assim, coube ao contribuinte a atividade de determinar a obrigação tributária, a matéria tributável, o cálculo do imposto e o "quantum" devido, independentemente de notificação da autoridade administrativa, o que de fato ocorreu, exceto em relação ao recolhimento dos tributos, porque nada havia a pagar em obediência à legislação tributária que desobriga a tributação e recolhimento quando houver apuração de prejuízo fiscal e faculta ao contribuinte a compensação de prejuízos fiscais anteriores com lucro real nos meses subsequentes. Portanto, não houve recolhimento de tributo (IRPJ e CSSL) nos meses de fevereiro a outubro de 1994, porque simplesmente não havia o que ser recolhido, mas, este fato não tem o condão de transmudar a regra de decadência do IRPJ/CSSL e lançamentos reflexos da regra estatuída no parágrafo 4 0 do artigo 150 do Código Tributário Nacional para o artigo 173, inciso I, do mesmo Código, como pretende a autoridade singular. O referido parágrafo 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional ao fixar o prazo de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador para que a Fazenda Pública se pronuncie no lançamento por homologação, findo o qual está definitivamente extinto o crédito tributário, ressalva deste prazo, tão somente as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso presente. Fl. 903DF CARF MF 16 Aliás, este é o entendimento deste Colendo 1° Conselho de Contribuintes, expresso nos seguintes acórdãos: 1084.211197 — DO 31107197, 4.139 e 4.291197 — DO 03/09/97 e 4.092197 — DO 14110197, 1084.052197 DO 01112197, 1084.974 e 5.093198 DO 15/06/98 e 1083697196 e 3.972197 — DO 27105197, senão vejamos pela transcrição deste último: (...) De sorte, SENHORES CONSELHEIROS, que o lançamento tributário efetuado em 29 de novembro de 1999 não pode alcançar os fatos geradores ocorridos de fevereiro a outubro de 1994, eis que apurados e determinados pelo contribuinte com bases mensais com observância da legislação de regência, estão sujeitos ao lançamento por homologação e foram alcançados pela decadência qüinqüenal prevista no artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional, a contar da ocorrência do fato gerador de cada um dos meses do ano • calendário de 1994. Via de consequência, é indubitável a imprescindível idade de acolhimento pelos Exmos. da preliminar de decadência do direito da Fazenda Pública Federal constituir lançamento em relação aos fato geradores de fevereiro até outubro de 1994. Noutro giro, o Voto Vencedor, exposto no Acórdão n° 10320.868, do extinto Conselho de Contribuintes abordou todos os aspectos de mérito pleiteados pelo Recorrente, negandolhes provimento com hialina razão (efl. 460 à 463): O recurso voluntário apresentado traz à baila a questão preliminar da decadência dos lançamentos por homologação, uma vez que o auto de infração foi cientificado em 2911111999, o que, aplicada a regra do § 4° do artigo 150 do CTN, impediria o fisco de constituir os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 29/11/1994. Assim, pretende, a suplicante, que seja declarado nulo o lançamento no que diz respeito aos meses de fevereiro a outubro de 1994, por terem sido atingidos pelo instituto. O art. 149 do CTN preceitua que o lançamento será efetuado e revisto de ofício: (...) Várias são as interpretações do artigo, extremamente controvertido. Tenho claro, contudo, que a homologação se dá sobre a "antecipação do pagamento", pois é esta a atividade que é dada a conhecer ao sujeito ativo e, do contrário — na ausência do pagamento —, não se haveria que falar nem sequer em lançamento. Portanto, ausente esta atividade, necessária à espécie, nada há a homologar, afastando a incidência do § 4° do artigo 150 para prevalecer o prazo descrito no artigo 173, inciso I, do CTN, qual seja, o de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 897 17 Desta forma, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, no caso, somente se extinguiria em 1 0 de janeiro de 2000. Tendo sido efetivado em 29 de novembro de 1999, deve ser considerado legítimo. MÉRITO Insurgese a recorrente contra a glosa de despesas por falta de comprovação, alegando que todas são pertinentes, usuais e normais às atividades da empresa; seus valores são irrelevantes ante a movimentação financeira contabilizada; e, que os documentos são hábeis e idôneos à comprovação das despesas operacionais da sociedade. Nestes autos não se discute a dedutibilidade, tampouco os valores das despesas, mas a comprovação dos lançamentos contábeis efetuados por meio de documentos hábeis e idôneo. O vocábulo "hábil" tem o sentido de "meio legal, amparado pelo direito, para que se intente qualquer coisa" e a palavra "idôneo", o de qualificar "o que é suficiente, eficiente, próprio, ... É tudo o que possui qualidade ou está em condições de atender o objetivo colimado no tocante à responsabilidade, à credibilidade, à solvabilidade" (Vocabulário Jurídico, De Plácido e Silva, 12a Edição, Forense, pg. 371 e 403, respectivamente). Sem embargo, a comprovação deve ser feita com a primeira via de nota fiscal de compra e venda ou de prestação de serviços, devidamente preenchida, o que, definitiva não ocorreu. Mantémse o lançamento neste tópico. Também é objeto deste recurso a glosa de despesas indevidas com correção monetária, pois, segundo a autuada, ao recalcular a correção monetária a autoridade fiscal encontrou diferenças favoráveis e desfavoráveis à recorrente, considerando no lançamento, entretanto, somente as segundas. A peça exordial tributou as diferenças apuradas nos meses de janeiro, fevereiro, maio e agosto de 1994, fls. 313/314, e na planilha de fls. 405/407 da decisão de primeira instância constam somente valores cancelados nos meses de maio e agosto. À primeira vista denota equivoco, mas uma verificação nos demonstrativos de cálculo, fls. 295/301, nos leva a concluir pelo acerto do apresentado, levando em conta que houve compensação de 100% do valor tributável encontrado com prejuízos fiscais da empresa de períodos anteriores, no que toca aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro. O crédito tributário relativo à fevereiro —constante da planilha, fl. 405 – diz respeito, exclusivamente, à omissão de receitas tributada na forma estabelecida pela Lei n° 8.541, de 1992. Fl. 905DF CARF MF 18 Assim é que o pleito aqui apresentado já foi satisfeito na decisão monocrática, não havendo o pressuposto da sucumbência ou mesmo objeto a recorrer. Quanto ao pedido de reconhecimento de reserva oculta, não assiste razão à contribuinte. Verificase nos autos, fls. 282/290, que a fiscalização refez o cálculo de correção monetária com base na UFIR, encontrando, em alguns meses, um excedente de despesas contabilizado pela autuada — que foram glosadas — e, noutros, uma despesa de correção monetária a menor. Operada a compensação entre os saldos favoráveis e desfavoráveis —item anterior — não há que se falar em reserva oculta, salvo se a empresa a demonstrasse, fruto de alguma incorreção nos cálculos apresentados, o que não ocorreu. Notese que, na matéria em lide, o recálculo da correção monetária enfrentou tanto o ativo quanto o patrimônio líquido e a reserva oculta emerge, via de regra, da tributação da correção monetária do ativo não reconhecida na contabilidade do sujeito passivo que, nos lançamentos realizados a mesmo título em períodos posteriores, não é integrada ao patrimônio líquido, desconsiderandose, deste modo, o saldo devedor que geraria a partir do segundo período objeto da tributação. Não tendo sido este o caso e sem a demonstração e prova por parte da empresa, que limitase a requerer o pretenso direito de forma genérica, nada há que ser corrigido no auto de infração. Finalmente, a base de cálculo do IRRF é descrita no art. 44 da Lei n° 8.541, de 1992, não havendo previsão para a exclusão dos valores das exações relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo que deve ser mantida como se encontra originalmente. Deste modo, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ultrapassada a preliminar de decadência (a qual já foi devidamente julgada pela CSRF, restando afastada), notase que o caso sob exame possui quatro vertentes: a) a contrariedade do Contribuinte à glosa de despesas indevidas; b) a respectiva correção monetária; c) o reconhecimento de reservas ocultas; e d) o lançamento reflexo de IRRF sobre lucros. Insta pontuar que todos esses aspectos foram devidamente rechaçados no Acórdão de piso, segundo se extrai da leitura supra. a. Glosa de despesas indevidas Conforme bem ressaltado alhures, a dedutibilidade das despesas não é objeto de análise recursal. Nem mesmo o quantum referente àquelas. O Recorrente busca contrapor as conclusões da Autoridade a quo nos seguintes termos (efl. 432): Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 898 19 Com efeito, todo o documentário glosado, apesar de conter segundas ou terceiras vias (somente quatro notas fiscais) e as demais notas fiscais (quarenta e seis) não conterem a discriminação do destinatário, são pertinentes, usuais e normais às atividades da recorrente. Tais lapsos documentais são meramente formais, decorrentes de falhas funcionais de integrantes da pessoa jurídica, mas o que sobreleva ressaltar é a pertinência das despesas efetivamente ocorridas, bem como os encargos suportados pela autuada. Assim, isto não pode ser base para a imposição tributária, porque injusta sobre todos os aspectos. Enfim, toda a documentação da recorrente, nada tem a ver com recibos avulsos, talões de máquinas registradoras e meros lançamentos desacompanhados de documentação probante como afirma a autoridade monocrática. A única ressalva é um recibo de Tabelionato, que por sua natureza não expede nota fiscal, mas sim recibo de despesas. Ou seja, o cerne da objeção é essencialmente material (probatório). Contudo, em que pese o elaborado teor defensivo, não restou comprovada qualquer mácula ao lançamento contábil. Ao contrapôlo, deve a parte dissidente apontar sua incorreção com efetivos elementos fáticos, o que não foi feito no caso em tela, pois recibos e talões avulsos não dispõem de força probante suficiente a afastar a autuação. Portanto, para que se alcance o pretendido êxito, o pleito deveria ter se lastreado em patente documentação (organizada e categoricamente reunida) apta a sustentar pontualmente o que foi argumentado. Portanto, não merece ser acolhida a irresignação, mantendose o lançamento preconizado. b. Da correção monetária Outro aspecto abordado na peça recursal cinge à suposta despesa indevida de correção monetária, leiase (efls. 434) A decisão monocrática, por sua vez, às fls. 404, diz "assistir razão em parte à interessada, pois os saldos devedores de correção monetária calculados a menor em alguns meses superam os calculados a maior nos demais meses, e assim ocorre a postergação do imposto apurado dos meses de janeiro, fevereiro, maio, agosto e outubro de 1994, com os apurados nos demais meses do anocalendário, devendo essa exigência ser excluída da tributação". Na prática, porém, segundo o arrazoado acima da autoridade monocrática e o Demonstrativo do Crédito Mantido (fls. 4051406) da mesma autoridade, verificase que foram excluídos da tributação como despesa indevida de correção monetária, os valores de CR$ 241.175,25 em 31/05/94 e R$ 162,86 em 31108194, os quais referemse a excesso de correção monetária devedora de balanço, no confronto entre o apurado pelo Fisco e o contribuinte (fls.288/290). Fl. 907DF CARF MF 20 Todavia, o pleito da recorrente não foi atendido, qual seja, que as diferenças apontadas no quadro supra transcrito, resultantes de uma apuração a menor efetuada pelo contribuinte e o aquele demonstrado pelo Fisco continua tributado, não tendo sido levado em conta com as demais rubricas apuradas no Auto de Infração. Assim, o lançamento fiscal é injusto e parcial ao Fisco, na medida em que refazendo os cálculos de correção monetária de balanço (CMB), somente considera no lançamento os excessos devedores da CMB, desprezando seus próprios apontamentos quando os valores determinados no confronto (Fisco X Contribuinte) eram favoráveis ao reclamante. Noutro giro, o Acórdão n° 10320.868 analisou com precisão o referido tema. Por concordar integralmente com seu teor, peço vênia para, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF, extrair trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito do Recorrente e adotá los, desde logo, como complemento das razões de decidir: Também é objeto deste recurso a glosa de despesas indevidas com correção monetária, pois, segundo a autuada, ao recalcular a correção monetária a autoridade fiscal encontrou diferenças favoráveis e desfavoráveis à recorrente, considerando no lançamento, entretanto, somente as segundas. A peça exordial tributou as diferenças apuradas nos meses de janeiro, fevereiro, maio e agosto de 1994, fls. 313/314, e na planilha de fls. 405/407 da decisão de primeira instância constam somente valores cancelados nos meses de maio e agosto. À primeira vista denota equivoco, mas uma verificação nos demonstrativos de cálculo, fls. 295/301, nos leva a concluir pelo acerto do apresentado, levando em conta que houve compensação de 100% do valor tributável encontrado com prejuízos fiscais da empresa de períodos anteriores, no que toca aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro. O crédito tributário relativo à fevereiro —constante da planilha, fl. 405 – diz respeito, exclusivamente, à omissão de receitas tributada na forma estabelecida pela Lei n° 8.541, de 1992. Assim é que o pleito aqui apresentado já foi satisfeito na decisão monocrática, não havendo o pressuposto da sucumbência ou mesmo objeto a recorrer. c. Do reconhecimento de reservas ocultas No que concerne ao reconhecimento de reservas ocultas, o Recorrente sustenta que (efl. 435): No nosso entender, o Fisco em seu mister deve proceder à cobrança dos valores devidos, mas deve também, assegurar ao contribuinte aquilo que é de seu direito, no caso em tela, a recomposição da correção monetária de balanço sobre os valores tributados em um mês (líquido dos tributos e Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 899 21 contribuições incidentes), cujos efeitos refletirseão no mês seguinte, sendo conhecido tal procedimento como reserva oculta de correção monetária de balanço. No lançamento, a tributação envolveu desde os meses de fevereiro a dezembro de 1994 e deveria ser recomposta nestes termos, a partir de março de 1994 e assim sucessivamente. O arrazoado da autoridade monocrática de que o Fisco não está obrigado à recomposição do patrimônio líquido, etc, é no mínimo, desrespeitoso ao contribuinte, ao desconhecer dos seus direitos. Num Estado Democrático, ao sujeito ativo são asseguradas as prerrogativas legais, mas isso não pode significar o desconhecimento dos direitos daqueles que têm o dever legal de pagar o tributo. Para que exista uma relação sólida e íntegra entre o Fisco e o contribuinte, esta deve se pautar por uma via de mão dupla, onde ambas as partes tem direitos e obrigações. Assim, pode e deve o Fisco proceder no seu ofício durante os lançamentos tributários, inclusive quanto a este pleito da recorrente, qual seja, a recomposição da correção monetária de balanço advinda da reserva oculta de balanço de rubricas tributadas no mês e que se refletirão no mês seguinte., Pela correta fundamentação, este é o entendimento deste Conselho, refletido no seguinte acórdão: (...) O pleito em questão deve alcançar, inclusive, a tributação imposta sobre a rubrica de omissão de receita por saldo credor de caixa, que lançado sob o pálio da Lei n° 8.541/92, artigo 43, parágrafo 2°, entendia que "o valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo." Apesar da discordância da autoridade monocrática de que conforme o artigo 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, sendo que a retroatividade da lei nova mais benigna, prevista no artigo 106, II, "C', do Código Tributário Nacional atinge apenas as penalidades. Tal dispositivo é de caráter altamente ilegal (artigo 43, parágrafo 2° da Lei n° 8.541/92) , quanto mais que a contabilidade do contribuinte está em condições de demonstrar o lucro real inclusive pelas adições tributárias imputadas pelo Fisco. Tanto é verdade, que o dispositivo em tela foi revogado pelos artigos 24 e 36 da Lei n° 9.249195, sendo que o artigo 24 manda lançar a omissão de receita de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período Fl. 909DF CARF MF 22 base da omissão e, no nosso entender a retroatividade benigna deve ser aplicada ao caso, porque o artigo 144, parágrafo 1° do Código Tributário Nacional assim prescreve, e por tratarse de nova forma de apuração de imposto, in verbis: (...) Assim, requerse que ao lançamento tributário sejam considerados os reflexos das parcelas tributadas num mês, líquidas dos tributos sobre elas incidentes, resultando patrimônio líquido, de sorte que sobre este seja calculado a correção monetária de balanço devedora, a fim de amortizar a tributação imposta no mês subsequente e assim sucessivamente, de março a dezembro de 1994. Outrossim, o Acórdão n° 10320.868 cuidou de rebater com precisão o aludido tema, pelo que sigo tal vertente em totalidade: Quanto ao pedido de reconhecimento de reserva oculta, não assiste razão à contribuinte. Verificase nos autos, fls. 282/290, que a fiscalização refez o cálculo de correção monetária com base na UFIR, encontrando, em alguns meses, um excedente de despesas contabilizado pela autuada — que foram glosadas — e, noutros, uma despesa de correção monetária a menor. Operada a compensação entre os saldos favoráveis e desfavoráveis —item anterior — não há que se falar em reserva oculta, salvo se a empresa a demonstrasse, fruto de alguma incorreção nos cálculos apresentados, o que não ocorreu. Notese que, na matéria em lide, o recálculo da correção monetária enfrentou tanto o ativo quanto o patrimônio líquido e a reserva oculta emerge, via de regra, da tributação da correção monetária do ativo não reconhecida na contabilidade do sujeito passivo que, nos lançamentos realizados a mesmo título em períodos posteriores, não é integrada ao patrimônio líquido, desconsiderandose, deste modo, o saldo devedor que geraria a partir do segundo período objeto da tributação. Não tendo sido este o caso e sem a demonstração e prova por parte da empresa, que limitase a requerer o pretenso direito de forma genérica, nada há que ser corrigido no auto de infração. Aliás, o posicionamento firmado desde a decisão monocrática da DRJ n° 96/2001 já era consentânea com o presente caso (efl. 418), o qual reforça a ausência de lastro probatório produzido pelo Contribuinte a seu favor: Quanto à "Reserva Oculta", cumpre esclarecer que o fisco não está obrigado à recomposição do patrimônio líquido para considerar os efeitos da correção monetária em períodos seguintes, os ajustes contábeis, eventualmente cabíveis, em razão das irregularidades levantadas, são de responsabilidade exclusiva do contribuinte, não cabendo ao fisco estenderse para valores outros não alcançados pela ação fiscal, sendo inadmissível a utilização de correção monetária, num período Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 900 23 posterior, dos pretendidos acréscimos ao patrimônio líquido, para compensar, retroativamente, a matéria tributável apurada em período anterior. De arremate, a suposta ilegalidade, como se sabe, não pode ser objeto de apreciação desde Conselho Recursal, tendo em vista a vedação de pronunciamento sobre a constitucionalidade (ainda que reflexa) de dispositivos legais, conforme disposto na Súmula CARF n° 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". d. Do lançamento reflexo de IRRF sobre lucros distribuídos Ademais, o Contribuinte finaliza seu teor recursal com pedido alusivo ao lançamento reflexo de IRRF sobre os lucros considerados automaticamente distribuídos (efls. 438 e 439): A imposição do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Lucros Considerados Automaticamente Distribuídos prevista na Lei no 8.541/92, afigurase como altamente danosa ao contribuinte, eis que a própria legislação tributária federal reconheceu a improcedência da tributação e a revogou com a edição da Lei na 9.249/95, em seus artigos 10, 24 e 36. De sorte que a apuração de eventuais omissões de receita ou redução do lucro líquido não mais sofre tributação como lucro automaticamente distribuído, sendo que a manutenção da atual exigência, representará um ônus indevido e injusto ante uma nova legislação tributária, que despreza tal tributo. É de se entender que a dinâmica da legislação tributária é no sentido de amoldarse às novas exigências sociais, acomodando situações do Erário Público e dos contribuintes, de modo a evitarse aos segundos ônus indevidos e propiciar ao primeiro o suprimento de necessidades de recursos. Portanto, nada impede que se reconheça a retroatividade benigna prevista pelo parágrafo 1° do artigo 144 do Código Tributário Nacional, por se tratar de nova forma de APURAÇÃO DO IMPOSTO, como a própria autoridade monocrática entendeu no 5° parágrafo, às fls. 405 do seu arrazoado, a fim de excluir do lançamento todo o crédito tributário oriundo do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Lucros Considerados Automaticamente Distribuídos pela Pessoa Jurídica, como maneira de evitar ônus indevidos à recorrente e também por ser medida de justiça fiscal. Se, eventualmente, não for este o entendimento deste Egrégio Conselho, o que requer a recorrente é que da base de cálculo do lucro considerado automaticamente distribuído sejam excluídas as parcelas dos tributos e contribuições do IRPJ, CSSL, PIS e COFINS. Fl. 911DF CARF MF 24 Este pleito é baseado no artigo 24, parágrafo 2° da Lei no 9.249/95 e cujas parcelas o próprio Fisco está a exigir no auto de infração. Contudo, não assiste razão ao Recorrente. Isso porque o Direito Tributário faz valer a máxime do tempus regit actum, devendo o fato gerador obedecer à regra matriz de incidência tributária contemporânea à sua formação. Esta também foi a compreensão formulada no voto vencedor do Acórdão de piso, o qual manteve a aplicação da legislação correta (efl. 463): Finalmente, a base de cálculo do IRRF é descrita no art. 44 da Lei n° 8.541, de 1992, não havendo previsão para a exclusão dos valores das exações relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo que deve ser mantida como se encontra Ia originalmente. Por fim, vale rememorar que a retroatividade da lei mais benéfica (art. 106 do CTN) aplicase apenas às penalidades, e não à forma de apuração dos tributos. E, nesse aspecto, a decisão monocrática 096/2001 também foi acertada em seu conteúdo (efl. 419) O lançamento de IRRF é decorrente da mesma matéria apurada em relação ao IRPJ omissão de receita por saldo credor de caixa e custos e despesas não comprovados. A impugnante alega estar o auto de infração fundamentado em legislação que, quando da sua lavratura, em 01/10/1998, já estava revogada, o que em nada lhe beneficia. É que, conforme disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assim, e tendo em vista tratarse dos períodos de apuração no anocalendário de 1994, agiu com acerto a fiscalização ao formalizar a exigência com base no art. 44 da Lei n° 8,541/1992, tendo em vista ter tal artigo vigido até 31/12/1995, revogado que foi pelo art. 36,. IV, da Lei n° 9.249/1995, com efeitos a partir de 01/01/1996. Vale reprisar o que já foi dito em relação ao IRPJ, de que a retroatividade da lei nova mais benigna, prevista no art, 106, II, "c", do CTN atinge apenas as penalidades, o que não é o caso, por se tratar de forma de apuração do imposto, ou seja, do IRRF devido em face da presunção legal absoluta da automática transferência aos sócios dos recursos representados pela omissão de receitas e pela diferença verificada na determinação do resultado da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido. Dessa forma, e tendo em vista ter sido a matéria tributável parcialmente confirmada, em relação ao lançamento de IRPJ, principal, é de se manter o lançamento de IRRF, decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito, prosseguindose na exigência correspondente. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 901 25 Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 913DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003679/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, posteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas que em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petição pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, mormente em detrimento de prazo decadencial.
Numero da decisão: 3302-006.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, em afastar a decadência declarada e devolver os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad que negava provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior votaram pelas conclusões, entendendo pela anulação da decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. Em primeira votação, o Conselheiro Raphael Madeira Abad negava provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede afastavam a decadência declarada e devolviam os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida e os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior anulavam a decisão recorrida anulavam a decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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DECADENCIA. CONCOMITÂNCIA Recorrente MINERVA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, posteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas que em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petição pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, mormente em detrimento de prazo decadencial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, em afastar a decadência declarada e devolver os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad que negava provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior votaram pelas conclusões, entendendo pela anulação da decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. Em primeira votação, o Conselheiro Raphael Madeira Abad negava provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede afastavam a decadência declarada e devolviam os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida e os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior anulavam a decisão recorrida anulavam a decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 36 79 /2 01 0- 60 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 3 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. . Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual a Recorrente objetiva direito a créditos de COFINS relativa ao TERCEIRO TRIMESTRE DE 2004, decorrente da aquisição de matéria prima de pessoas físicas no mercado interno. Isto porque em 2004 a Lei 10.925 estabeleceu Crédito Presumido da agroindústria, a ser deduzido dos valores de PIS e COFINS devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos (...) destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaques nossos) (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. A Recorrente, valendose da legislação, requereu o ressarcimento do crédito no bojo do Processo originário 13852000702/200446. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 4 3 Em 21.01.2006 a Recorrente impetrou Mandado de Segurança (Processo n. 2006.61.13.0002504) por meio do qual discute a forma de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS pleiteando, inclusive, o seu recebimento em pecúnia. "Por todo o exposto, requerse a concessão de medida liminar suspendendo, de logo, a eficácia do injurídico Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 15, de 22 de dezembro de 2005 (doe. n.° 6), bem como das teratológicas decisões administrativas exaradas, em 13 de dezembro de 2005, pelo Delegado da Receita Federal em Franca (does. n.o S 4 e 4 A), de forma a garantir, à impetrante, o regular e imediato aproveitamento e/ou ressarcimento, em pecúnia, dos créditos de PIS/Pasep e COFINS (provenientes da aquisição de bens que entraram no processo produtivo de mercadorias que exportou para o exterior), conforme determinado nas Leis no s 10.637/2002 (art. 5º , § 2º), 10.833/2003 (art. 6º , § 2º) e 10.925/2004 (art. 8º)." (destaques nossos) Posteriormente, a Lei 12.058/2009 estabeleceu UM NOVO DIREITO, UMA NOVA FORMA de utilização de Crédito de PIS / COFINS. "Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2010. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (grifos nossos) Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 5 4 Sinteticamente, a Lei 12.058/2009 criou novo direito, qual seja o de ressarcimento, em dinheiro, dos créditos, estabelecendo ainda que este direito surgiu a partir de 01.11.2009 para os saldos dos créditos presumidos nos períodos dos anos calendário 2004 a 2007 e a partir de 01.01.2010 para os anos seguintes. Ressalvou ainda que tais créditos devem ter sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. A partir deste novo marco normativo, o contribuinte efetuou, em 04.11.2009, ainda nos autos do processo originário n. 13852000702/200446 novo pedido de ressarcimento em relação ao crédito presumido do já mencionado período, inclusive quanto à correção pela SELIC desde a data do primeiro pedido. Para a análise deste novo direito o processo 13852000702/200446 foi desmembrado no processo ora sob análise, no bojo do qual passou a ser discutida a aplicação do artigo 36 da Lei 12.058/2009. A determinação da formalização deste novo processo ocorreu em 26.10.2010 (fls. 02) Contudo a DRF de Franca (17.10.2010 efls 249) não conheceu do pedido administrativo por força da sua CONCOMITÂNCIA com o Mandado de Segurança n. 2006.61.13.0002504. Ementa: COFINS. RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 36 DA LEI 10.058/2009. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL QUE INTERFERE NO VALOR A SER RESSARCIDO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de pedido administrativo de ressarcimento de Cofins quando o contribuinte possui ação judicial que possa interferir no valor a ser ressarcido, conforme o teor e a inteligência do § 3o do art. 28 da IN RFB 900/2008 e do ADN Cosit 03/96." Posteriormente (10.08.2011) a Recorrente desistiu do Mandado de Segurança sob o argumento de que ele haveria perdido o objeto em razão da edição da lei 12.058/2009, editada dois anos antes e que teria garantido o seu direito ao crédito e, diante deste fato novo, em 23.08.2011 peticionou à DRF Franca, em peça denominada "Desistência de Ação Judicial" por meio da qual informou o fim da apontada concomitância e reiterou o pedido de utilização dos créditos (efls. 258). Analisando o presente processo, já desmembrado, a DRF de Franca salientou que o pedido de ressarcimento realizado em 04.11.2009 ainda nos autos do processo original, do qual este foi desmembrado, não pode ser conhecido em razão da concomitância com ação judicial. Contudo, também entendeu que a partir do momento que a Contribuinte desistiu da ação judicial, a ela passou a ser possível formular novo pedido, o que a DRJ de Franca entendeu haver sido formulado em 23.08.2011 por meio da já mencionada petição que informou a desistência do Processo Judicial. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 6 5 Seguindo este raciocínio, a DRJ de Franca, em 11.01.2012, reconheceu o direito da Recorrente ao ressarcimento em valor inferior ao que foi por ele pleiteado (efls. 269). Irresignada com o percentual que lhe foi deferido, a Recorrente apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE por meio da qual fundamenta e requer o crédito (08.05.2102, efls. 280 e seguintes). Em 08.01.2014 foi apresentado pedido de reconsideração (fls. 315) Contudo, a DRJ do Rio de Janeiro, ao examinar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 12.03.2014, fls. 325 e seguintes, entendeu que a análise do crédito se encontrava preclusa em razão de não haver sido apresentado recurso em face da decisão que não conheceu do pedido de ressarcimento por força de concomitância. A DRJ admitiu que como o reconhecimento da concomitância não foi objeto de recurso, a discussão foi encerrada em âmbito administrativo. Entendeu ainda que o requerimento de desistência da ação judicial ocorrido em 09.08.2011 acompanhado de novo requerimento de utilização do crédito, realizado em 23.08.2011 (efls. 258) é um PEDIDO NOVO. Valendose de tal raciocínio, a DRJ entendeu que o citado PEDIDO NOVO, por ter sido realizado em relação a créditos surgidos em 2004, teria sido afetado pela preclusão cinco anos após o início do direito ao crédito, tendo sido lavrada a seguinte ementa: COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para aproveitamento de crédito presumido da Cofins não cumulativa para fins de ressarcimento/compensação é de cinco anos, a contar da data do ato ou fato que originou o direito creditório. COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO PEDIDO JÁ JULGADO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO Não cabe nova apreciação de pedido de ressarcimento já definitivamente julgado nas instâncias administrativas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 346) por meio do qual sustenta, em síntese, que não restou operada a decadência, eis que o desmembramento do processo administrativo original foi realizado de ofício. Defende que a Ação Judicial cuja existência motivou o indeferimento do pedido de reconhecimento do crédito na verdade não questionava o direito ao ressarcimento com base na Lei n. 12.058/2009, nem influenciaria no montante a ser ressarcido, razão pela qual não haveria óbice para a análise administrativa do pleito naquele momento. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 7 6 Entende que na decisão proferida pela DRF houve enfrentamento da questão do direito ao ressarcimento, reforçando a sua tese de que o direito não estaria decaído. No mérito, sustenta o seu direito de que o calculo do créditopresumido de PIS/PASEP das agroindústrias seja calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no artigo 2º da Lei n. 10.637/2002, ou seja 1,65% x 60% = 0,99. Finalmente, defende que ao seu crédito deve ser aplicada a Taxa Selic, uma vez que a Administração criou óbice ilegítimo ao reconhecimento do crédito. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em janeiro de 2006 a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n. 2006.61.13.0002504 por meio do qual questionou a forma de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em discussão no bojo do processo originário 13852000702/200446. Em 04.11.2009 a Recorrente formulou o pedido de ressarcimento de créditos presumidos da agroindústria, com fulcro na Lei 12.058/2009, pedido este que acarretou o desmembramento do processo ordinário 13852000702/200446 no presente processo. Em razão da existência de processo judicial versando sobre a mesma matéria, em 17.11.2010 a DRF de Franca não conheceu o pedido administrativo de ressarcimento de COFINS formulado ainda nos autos do já mencionado processo originário com fulcro na Lei 12058/2009, declarando a CONCOMITÂNCIA entre o pedido administrativo e o processo judicial (efls 249). Ementa: COFINS. RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 36 DA LEI 10.058/2009. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL QUE INTERFERE NO VALOR A SER RESSARCIDO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de pedido administrativo de ressarcimento de PIS quando o contribuinte possui ação judicial que possa interferir no valor a ser ressarcido, conforme o teor e a inteligência do § 3o do art. 28 da IN RFB 900/2008 e do ADN Cosit 03/96." Contudo, a Recorrente NÃO RECORREU desta decisão que NÃO CONHECEU A PETIÇÃO de pedido de ressarcimento e declarou a concomitância, LIMITANDOSE a providenciar a extinção do processo judicial (10.08.2011, efls. 117), Fl. 534DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 8 7 informar tal fato à DRF e requerer novamente o crédito (23.08.2011, efls. 114116), pressupondo, talvez, que tal medida fosse suficiente para extinguir a concomitância. "De forma a afastar esse impedimento, esta Contribuinte achou por bem desistir de referido litígio judicial, tendo assim feito conforme é possível observar do documento anexo de petição protocolada junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em 10 de agosto de 2011." Ocorre que não foi assim que entendeu a DRF. Diante da inexistência de recurso e da adoção de medida diversa, a DRF admitiu que a contribuinte havia aberto mão do direito de recorrer e formulado outro pedido, tendo enfatizando esta linha de raciocínio no despacho decisório. Outro elemento relevante com relação ao contribuinte é a existência de ação judicial questionando a possibilidade do ressarcimento dos créditos presumidos da agroindústria com base na lei 10.925/2004. Após ter o seu pedido de ressarcimento e compensação de créditos presumidos da agroindústria previstos nos artigos 8 e 15 da Lei 10.925/2004 indeferido, o contribuinte impetrou mandado de segurança procurando rever os despachos em questão bem como afastar de uma maneira geral o ADI SRF 15/2005 para atingir os demais períodos. A ação mandamental recebeu o número 2006.61.13.0002504 (folhas 172 a 195) e em primeira instância a segurança foi denegada (folhas 196 a 204). Oportuno indicar que o contribuinte também tentara anteriormente ação declaratória com pedido de antecipação de tutela, que recebeu o n° 2005.61.02.0130763, com objeto muito similar. O contribuinte solicitou a desistência desta ação após ter a tutela antecipada negada Desta forma, não havia outra possibilidade senão não conhecer da petição de ressarcimento, por existência de ação judicial em andamento que pode interferir no valor a ser ressarcido, em paralelo com o disposto no A DN Cosit 03/96. Ocorre que houve desistência do pleito judicial, desaparecendo o óbice anteriormente relatado, o que viabilizou a apresentação de novo pedido de ressarcimento constate às fls. 217 a 219. Conhecendo o pedido formulado em 23.08.2011 como um novo pedido, desta vez sem o óbice da concomitância, a DRF o deferiu parcialmente. Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 08.05.2012 (efls. 280 e seguintes), no bojo da qual requereu o direito ao crédito de 60% como lhe foi deferido, requerendo, por fim, a homologação dos pedidos de compensações. Contudo, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ Rio de Janeiro entendeu que em razão da Contribuinte não haver recorrido da decisão que não Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 9 8 conheceu do seu requerimento por concomitância, o pedido formulado em 23.08.2011, após a desistência da ação judicial, tratavase de um pedido novo. Assim, posteriormente à edição da Lei nº 12.058/2009, em 04/11/2009 (...) o contribuinte apresentou um segundo requerimento, (...) considerando a alteração legislativa que lhe permitia, agora, tal faculdade. Tal requerimento foi tomado, corretamente, como novo pedido pela unidade local, sendo objeto da decisão (...) que não conheceu do pedido, em razão da existência de ação judicial com o mesmo objeto. Esta decisão não foi objeto de manifestação de inconformidade pelo requerente, caracterizandose, portanto, como definitiva no âmbito administrativo, uma vez que o requerimento foi analisado pela autoridade competente, e que a correspondente decisão não foi contestada pelo sujeito passivo, por meio dos recursos previstos na legislação. (...) a empresa apresentou um terceiro requerimento (...) no qual novamente solicita o ressarcimento (...) informando que havia desistido do pleito judicial, não permanecendo, portanto, o óbice que havia fundamentado a negativa anterior da Administração. Em resposta, foi proferido pela unidade local o despacho decisório (...) reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado. Contra tal decisão o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade (...) objeto do presente julgamento. (...) Assim, como já dito, vêse que a presente análise se restringe ao pedido de ressarcimento formulado pelo contribuinte (...) devidamente contestado pela empresa por meio da manifestação de inconformidade submetida a este Colegiado. Partindo do paradigma de que o pedido em exame foi formulado em agosto de 2011, a DRJ entendeu que tal direito estaria alcançado pela decadência. No presente caso, tendo sido o pedido de ressarcimento em análise formulado em 28/08/2011, somente poderia ser reconhecido o crédito apurado até ago/2006. Em decorrência, encontramse alcançados pela decadência os períodos objeto do presente pedido, outubro, novembro e dezembro de 2004. Finalmente, após a análise, assim restou lavrada a ementa do Acórdão 12 63.867. COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para aproveitamento de crédito presumido da COFINS não cumulativa para fins de ressarcimento/compensação é de cinco anos, a contar da data do ato ou fato que originou o direito creditório. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 10 9 COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO PEDIDO JÁ JULGADO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO Não cabe nova apreciação de pedido de ressarcimento já definitivamente julgado nas instâncias administrativas. Agora, no presente Recurso Voluntário a Recorrente sustenta a tese de que não havia concomitância entre o Mandado de Segurança e os créditos. Alega que o direito ao ressarcimento foi realizado com base na Lei n. 12.058/2009 e a causa de pedir do Mandado de Segurança era fundamentado na Lei 10.925/2004. Sustenta ainda que a própria decisão judicial fez menção à inocorrência de similitude de matérias. Efetivamente, ao tomar ciência da decisão que declarou a concomitância entre as medidas judiciais e a Recorrente não manejou qualquer recurso com o objetivo de reformála, onde poderia formular todos estes argumentos. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente afirma que a DRF havia admitido a sua petição de desistência da ação judicial como uma superação de óbice e dado continuidade à análise do processo formulado em 2009. Contudo, a DRF, ao deferir parcilamente o direito de compensação ressaltou expressamente que recebeu a petição de desistência do Mandado de Segurança em agosto de 2011 como um novo pedido de utilização do crédito, agora sem o óbice da concomitância, decisão esta que não foi objeto de qualquer recurso. "Ocorre que houve desistência do pleito judicial, desaparecendo o óbice anteriormente relatado, o que viabilizou a apresentação de novo pedido de ressarcimento (...)/' Efetivamente, neste grau recursal não é possível analisar se a matéria do Mandado de Segurança era ou não concomitante com a matéria discutida no Processo Administrativo, se influenciaria a decisão, ou se tratavam de assuntos distintos e independentes, uma vez que a decisão que declarou a concomitância não foi questionada. Assim, o Recurso Voluntário sob análise circunscrevese à seguinte discussão: Se o pedido formulado após a desistência do Mandado de Segurança, era um "pedido novo" como admite a DRJ, ou se era uma "continuação" do pedido que foi realizado em 04.11.2009, agora sem o impedimento da Concomitância. No caso concreto, admito que assiste razão à DRJ ao entender que a decisão que declarou a concomitância tornouse definitiva por ausência de manifestação de inconformidade que atacasse o mérito do que foi decidido, no caso a dita concomitância entre o que foi requerido em esfera administrativa e em esfera judicial. A concomitância entre o processo administrativo e ação judicial é fator que impede a continuidade da tramitação do requerimento administrativo, entendimento esposado Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 11 10 na Sumula CARF n. 01, que por força da Portaria MF n. 277/2018, possui efeito vinculante em todos os órgão da Receita Federal do Brasil. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por esta razão a DRF entendeu que após a formulação do pedido de desistência da ação judicial a contribuinte estaria livre para reformular o pedido perante a Administração Pública, e que agora não era mais concomitante. Este raciocínio foi seguido pela DRJ quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade. Contudo, pela leitura do Parecer Cosit n. 07, de 22 de agosto de 2014 é possível extrair o entendimento de que nem mesmo a desistência da Ação Judicial seria suficiente para encerrar a concomitância, verbis. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Segundo este entendimento, perfeitamente válido, nem mesmo após o pedido de desistência da ação judicial poderia ser formulado o mesmo requerimento na instância administrativa. Ocorre que o pedido formulado após a desistência do Mandado de Segurança não se confunde com o que foi nele requerido, eis que impetrado quando ainda não havia lei expressa que autorizasse o exercício do direito pleiteado no writ. Contudo, não há como esquivarse do fato de que não houve recurso da decisão que declarou a concomitância, razão pela qual tornouse imutável na instância administrativa. Por este motivo admitese que assiste razão à DRF quando reconheceu a petição de agosto de 2011 como um novo pedido, eis que o anterior foi negado e não recorrido. Da mesma forma entendese que assiste razão à DRJ quando, ao cotejar as datas nas quais foram formulados os requerimentos, declarou a decadência do direito pleiteado. Assim, por estes motivos, voto no sentido de conhecer do Recurso Administrativo mas negarlhe provimento por entender correta a decisão que reconheceu a decadência dos créditos objeto do presente recurso. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 12 11 Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado. A maioria do Colegiado afastou a decadência de o sujeito passivo requerer o ressarcimento de crédito presumido apurado na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 2.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21 e 02.06.29 da NCM. Não se discutiu o cânone legal que regia o prazo decadencial dos créditos pleiteados. A questão se restringiu na definição do instrumento legal que caracterizou o pedido de ressarcimento do crédito presumido. Para o relator original, o documento apresentado em 23/11/2011 seria um novo pedido de ressarcimento. Partindo dessa premissa, os créditos pleiteados estariam fulminados pela decadência, conforme demonstrado no voto vencido. Acontece que o Colegiado entendeu de forma diferente. Para a Turma Julgadora a petição protocolada em 23/08/2011 não passou de mera informação sobre os créditos pleiteados na petição protocolada em 04/11/2009. Sendo este o pedido de ressarcimento que deve ser usado para contagem do prazo decadencial. A questão é meramente fática, de forma que seu deslinde terá obrigatoriamente que passar pelos documentos que a lastreiam. O sujeito passivo apresentou pedido de ressarcimento de créditos das contribuições vinculados à receita de exportação relativo ao período compreendido entre 01/07/2004 a 30/09/2004. Seu pedido fora parcialmente deferido, uma vez que montante do crédito pleiteado não era ressarcível, pois teria sido apurado nos moldes dos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em 04/11/2009, o sujeito passivo atravessa petição solicitando o ressarcimento do valor correspondente a parte que foram indeferido sob o fundamento da edição da Lei nº 12.058/2009, que estabeleceu novas regras para o setor frigorífico, trazendo a possibilidade de compensação ou ressarcimento a tais créditos. Segue trecho da petição: "A Requerente ingressou com Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição a COFINS, vinculados à receita de exportação, (...) Todavia, a fiscalização houve por bem reconhecer apenas parte dos créditos pleiteados pela Requerente (...) não passível de Ressarcimento nas formas dos artigo 8º e 15 da Lei 10.925/2004. Com a edição da lei 12.058 de 13 de outubro de 2009 a qual estabelece novas regras para o setor frigorífico, sendo que no artigo 36 trata que o crédito presumido apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925 de 23 de julho de 2004 advindo de pessoa física e não deduzido nas saídas do mercado interno Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 13 12 como determinava o Ato Declaratório n. 15 de 10 de dezembro de 2005, poderá ser compensados ou ressarcidos. (...) Referido valor (...) não foi ressarcido ou autorizado a compensação com débitos da própria Receita Federal, conforme INFORMAÇÃO FISCAL, datada de 30 de abril de 2009 nas folha de n. 124. Portanto, solicitamos o seu ressarcimento ou autorização para compensação com débitos administrado pela Receita Federal. DO PEDIDO Diante do exposto, solicitamos o seu ressarcimento ou autorização para compensação com débitos administrado pela Receita Federal do valor referente ao credito da Agroindústria (...)". Em 23/08/2011, o contribuinte apresenta requerimento informando a desistência de ação judicial que poderia impedir o ressarcimento pleiteado na petição apresentada no dia 04/11/2009, que abaixo reproduzo: "Requerente ingressou em 04/11/2009 com Pedido de Ressarcimento dos saldos de créditos de Contribuição para a COFINS, vinculados à receita de exportação, (...) Em 05/05/2010 a fiscalização desta Delegacia fez por bem separar os créditos apurados no referido (...) haja vista a entrada e vigor da Lei 12.058/2009. Referida Lei autorizou o ressarcimento dos saldos de créditos apurados ainda na forma da Lei n° 10.925/2004, conforme pode ser observado do caput do artigo 36 e incisos ss., que dispõe: (...) Ocorre que o despacho decisório (...) reconheceu a previsão legal de ressarcimento/compensação dos citados créditos, porém, indeferido seu pagamento imediato sob os fundamento da existência de ação judicial (...) envolvendo referidos créditos. De forma a afastar esse impedimento, esta Contribuinte achou por bem desistir de referido litígio judicial, tendo assim feito conforme é possível observar do documento anexo de petição protocolada junto ao Tribunal Regional Federal da 3° Região, em 10 de agosto de 2.011. (...) Do Pedido. Diante do exposto e por acreditar na inexistência de qualquer impedimento legal, REQUER seja deferido o ressarcimento e/ou compensação os saldos apurados na forma da Lei n° 10.925/2004 e autorizado pela Lei 12.058/2009 (...)". Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13855.003679/201060 Acórdão n.º 3302006.061 S3C3T2 Fl. 14 13 Pela análise das petições, na minha visão, resta evidente que o documento protocolado em 23/08/2011 tem natureza meramente informativa, pois visou informar a desistência de um possível impedimento uma ação judicial ao pedido de ressarcimento apresentado em 04/11/2009. Definido o documento apresentado em 04/11/2009 como o pedido de ressarcimento, e tendo em vista que o crédito pleiteado se refere aos períodos de apuração compreendidos entre 01/07/2004 e 30/09/2004, entendo que não houve a decadência de o sujeito passivo solicitar seu direito, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Conforme já mencionado no recurso voluntário, a Delegacia de Julgamento não enfrentou as outras questões suscitadas na manifestação de inconformidade em virtude da prejudicial de decadência. Diante deste fato, é importante ressaltar que este Colegiado cingise a enfrentar a matéria controversa. Em consequência, as demais questões relativas ao processo, aqui não examinadas, devem ser objeto de análise pela DRJ a fim de ser prolatada nova decisão observandose este julgado. Ademais não se pode perder de perspectiva que a apreciação completa do caso por este Colegiado, neste momento, provocaria a supressão de instância administrativa e, por aí, abalaria o amplo direito de defesa do contribuinte que tem a prerrogativa de exercêlo em todas as instâncias cabíveis, sem qualquer indevida supressão. Como o amplo direito de defesa deve ser obviamente preservado, devem ser preservadas todas as instâncias previstas. Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar o acórdão vergastado no sentido de afastar a decadência do direito ao ressarcimento dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, e determinar que a DRJ examine as demais questões pertinentes ao caso, não integrantes da matéria controversa decidida no presente julgamento. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 541DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.918417/2015-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/11/2013
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.499
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 84 17 /2 01 5- 19 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 136 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 129/130) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 114/119), proferida em sessão de 14 de junho de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1677.986, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 04/05) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 05/05/2015 (efl. 107), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 38932.03140.210514.1.3.045386 (efls. 101/106), transmitido em 21/05/2014, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 102/106 (PER/DCOMP n.º 38932.03140.210514.1.3.045386), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 137 3 indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (cód. receita 2362 – IRPJ – PJ OBRIGADA À APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEMAIS ENTIDADES – ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/10/2013. Pelo Despacho Decisório de fl. 107 o contribuinte foi cientificado, em 12/05/2015 (fl. 109), de que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 4.110,19). Irresignado, o contribuinte apresentou em 09/06/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 04/05, alegando, em síntese, i) que recolheu e declarou em DCTF a estimativa de IRPJ relativa a outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70; ii) que não retificou a DCTF correspondente para apontar o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013, que seria de R$ 680.685,12; iii) que o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013 foi devidamente informado na DIPJ transmitida em 30/06/2014; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF; v) anexa em favor dos seus argumentos, cópias da DCTF, PER/DCOMP, DIPJ, todas originais, do DARF no valor de R$ 729.717,70, bem como de parte do razão contábil das contas de IRPJ referentes ao ano de 2013; vi) por fim, pede que seja acolhida a sua Manifestação de Inconformidade e homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos ns.º 10880.918426/201500, 10880.918416/201566, 10880.918424/201511, 10880.918422/201513, 10880.918423/201568 e 10880.918425/201557, estão sendo julgados, tendo em vista a identidade do direito creditório discutido e corresponderem ao mesmo Darf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 39.348,33, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do Data de Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 138 4 DARF Arrecadação 31/10/2013 2362 R$ 729.717,70 29/11/2013 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 2670473753 R$ 729.717,70 Db: cód 2362 PA 31/10/2013 R$ 729.717,70 Valor Total R$ 729.717,70 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2015 Principal: R$ 4.110,19 Multa: R$ 822,03 Juros: R$ 454,16 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme consignado no Despacho Decisório de fl. 107, o indeferimento teve como origem a alocação integral do Darf de R$ 729.717,70 para quitação do débito de IRPJ (cód 2362) relativo a outubro/2013. Ou seja, uma das providências requeridas para a indicação do pretenso direito creditório seria a retificação da DCTF referente a outubro/2013. Consulta aos sistemas da RFB revela que a DCTF atualmente ativa de outubro/2013 (original) foi entregue em 20/12/2013, nela constando a alocação integral do pagamento ao débito de outubro/2013, tal qual demonstra a DCTF anexada pelo interessado às fls. 22 e seguintes. Assim, tomandose em consideração a informação prestada pelo próprio contribuinte em sua DCTF, inexistiria direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. Reza o parágrafo 1.º do artigo 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984: Parágrafo 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário,constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Tratase de confissão extrajudicial da existência de tais débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) – Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso mesmo é título executivo. Os débitos tributários, então declarados e confessados na DCTF, decorrem do lançamento por homologação de que trata o artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 139 5 É a DCTF, portanto, a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente do tributo. Por essa razão a necessidade da retificação da DCTF sempre que o sujeito passivo queira modificar anterior informação prestada quanto aos seus débitos tributários, pois o conhecimento deste fato pelo Fisco é elemento indispensável para o aperfeiçoamento do lançamento por homologação. Sobre a imprescindibilidade da retificação da DCTF para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, a Receita Federal do Brasil editou o Parecer Normativo (PN) COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, que confirmou a vinculação necessária entre as informações prestadas na DCTF e a disponibilidade do direito creditório utilizado em PER/DCOMP, além de esclarecer diversos pontos relacionados à temporalidade da apresentação desta DCTF retificadora, admitindo, sem deixar de considerála obrigatória, a sua apresentação mesmo após a transmissão do PER/DCOMP, e até após a ciência de Despacho Decisório que não tenha homologado as compensações declaradas. É oportuna a transcrição de trecho do citado PN que aborda a necessidade da informação do débito correto em DCTF para que possa ficar caracterizado o direito creditório do pagamento indevido ou a maior, inclusive com citação a vários acórdãos da 2ª instância administrativa de julgamento (CARF): 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão n.º 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 140 6 débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. (Acórdão n.º 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) 10.6. A despeito da necessidade de o sujeito passivo retificar a DCTF para ter direito creditório contra a Fazenda Nacional, não há impedimento para que ele a retifique para reduzir tributos cujos pagamentos já tenham sido objeto de PER ou de DCOMP como créditos a serem restituídos ou compensados. Consoante o seguinte julgado administrativo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativo poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão n.º 3403003.340, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, Sessão de 15/10/2014). Sendo assim, não tendo o interessado retificado, até a data deste julgamento, o débito de IRPJ Estimativa de outubro de 2013, através da necessária apresentação da DCTF retificadora, é de se indeferir seu pedido de homologação das compensações por ausência do indébito pleiteado na PER/DCOMP objeto deste processo. Todavia, ainda que essa questão preliminar da ausência da retificação do débito em DCTF correspondente ao pagamento pleiteado como indevido ou a maior pudesse ser superada, o que se faz aqui por mera argumentação, a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 68) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 141 7 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Nos razões contábeis apresentados pelo interessado às fls. 47/49 deste processo, não há a conta que registra os lançamentos da provisão de IRPJ de 2013 (valores devidos de IRPJ), inclusive a do mês de outubro de 2013 que interessa particularmente a este processo. Consta apenas o lançamento do IRPJ pago/antecipado (conta n.º 112225) em 29/11/2013, relativo ao período de apuração outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70. Porém, no processo n.º 10880.918416/201566, que está sendo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o interessado juntou à fl. 34 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, ausente a retificação do débito de IRPJ estimativa referente a outubro de 2013, bem como não tendo o sujeito passivo comprovado adequadamente por meios hábeis e idôneos o indébito, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário (efls. 129/130), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Argumenta que não efetuou a retificação da DCTF mensal de Outubro/2013 para o valor correto do débito de R$ 680.685,12, conforme DIPJ do respectivo período. Diz que essa problemática originou a divergência que redundou na inexistência do crédito. Alega que os pontos de discordância são: a) a DIPJ de 2013, transmitida em 30/06/2014, informa o valor correto de débito para o IRPJ na ordem de R$ 680.685,12; b) houve erro no preenchimento da DCTF de Outubro/2013, resultando no lançamento de imposto indevido; c) devese considerar os lançamentos apresentados na DCTF retificadora transmitida em 17/11/2017 que evidencia o referido crédito tributário originado de pagamento à maior, referente ao código de receita 236201 IRPJ (página 03, no valor de R$ 680.685,12 IRPJ por estimativa mensal demonstrado na DIPJ de 2013). Informa como documentos anexados, especialmente: a DCTF retificadora referente a Outubro/2013; a DIPJ de 2013; o razão contábil das contas de IRPJ de Outubro/2013; recibo do SPED Contábil referente a 2013. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 142 8 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 39.348,33. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/10/2017, efls. 120 e 125/126, e protocolo recursal em 22/11/2017, efls. 127/129), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 143 9 Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação. Ocorre que, após analisar os autos, incluindo os documentos não pagináveis, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 144 10 quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. O razão contábil, quanto a conta apresentada, não atesta a redução do débito. Aliás, neste ponto interessante a anotação da DRJ, nestes termos, litteris: (...), a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 68) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Nos razões contábeis apresentados pelo interessado às fls. 47/49 deste processo, não há a conta que registra os lançamentos da provisão de IRPJ de 2013 (valores devidos de IRPJ), inclusive a do mês de outubro de 2013 que interessa particularmente a este processo. Consta apenas o lançamento do IRPJ pago/antecipado (conta n.º 112225) em 29/11/2013, relativo ao período de apuração outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70. Porém, no processo n.º 10880.918416/201566, que está sendo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o interessado juntou à fl. 34 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 145 11 No que se refere ao argumento acima apresentado pela primeira instância, o contribuinte não refuta o fundamento, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos da escrita contábil, não resta comprovado o crédito. Aliás, as demonstrações contábeis também não estão colacionadas a contento nos autos para confirmação inconteste do eventual crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Relator: Waldir Navarro Bezerra Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e, consequentemente, da comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, eventuais balancetes transcritos na escrita contábil, o Balanço, eventuais apurações demonstrando os erros e correções posteriores, deixandose, portanto, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito vindicado apenas com as declarações, ou parte delas, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito. Sendo assim, não cabe reconhecer liquidez e certeza, no que não resta demonstrado, comprovado. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, apurações, balanço patrimonial, balancetes e demais demonstrações contábil, e integral análise de contas contábeis do razão, tudo a fim de comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito, inclusive para se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 146 12 retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte e apreciado no Despacho Decisório. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.918417/201519 Acórdão n.º 1002000.499 S1C0T2 Fl. 147 13 Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720707/2017-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA.
Relativamente ao ano calendário de 2014, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar não estavam enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).
O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito do CARF, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º do RICARF, entendeu que a sistemática de cálculo do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deveria levar em consideração o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos e não pelo montante global pago.
Numero da decisão: 2401-005.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, no importe de R$ 148.662,01, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Relativamente ao ano calendário de 2014, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar não estavam enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito do CARF, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º do RICARF, entendeu que a sistemática de cálculo do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deveria levar em consideração o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos e não pelo montante global pago.
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DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Relativamente ao ano calendário de 2014, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar não estavam enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito do CARF, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º do RICARF, entendeu que a sistemática de cálculo do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deveria levar em consideração o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos e não pelo montante global pago. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 07 07 /2 01 7- 62 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.720707/201762 Acórdão n.º 2401005.782 S2C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, no importe de R$ 148.662,01, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS (DRJ/CGE) que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0442.464 (fls. 67/72): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 RENDIMENTOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. NÃO APLICAÇÃO. Por ausência de previsão legal, rendimentos recebidos de entidade de previdência privada complementar não se submetem ao regime de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. Referidos rendimentos devem ser declarados no campo destinado aos “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.720707/201762 Acórdão n.º 2401005.782 S2C4T1 Fl. 4 3 Jurídica”, assim como os correspondentes valores de contribuição à previdência oficial e de IRRF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente ao Exercício 2015, anocalendário 2014 (fls. 08/19), lavrada em 09/01/2017, por meio da qual foi apurado crédito tributário no montante total de R$ 73.187,08, conforme descrito abaixo: · Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar: R$ 38.954,94; · Multa de Ofício (75%), passível de redução: R$ 27.716,20; · Juros de Mora, calculados até 30/01/2017: R$ 8.495,94. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09/14), a fiscalização constatou: 1. Omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 148.662,01, referente a rendimento recebido a título de complementação de aposentadoria da PREVI; 2. Dedução indevida de Previdência Oficial relativa ao Rendimento Recebido Acumuladamente no valor de R$ 2.262,93, o que resultou na sua glosa; 3. Informação inexata do número de meses referentes aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, fazendo com que os meses declarados pela Contribuinte fossem desconsiderados. Ainda, segundo a fiscalização, os rendimentos recebidos de Entidades de Previdência Complementar não podem ser declarados como de tributação exclusiva na fonte, como preceitua o § 3º, Inciso II, do Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, devendo ser declarados no campo Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica. Contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento (AR fl. 62) e em 07/02/2017 apresentou sua Impugnação de fls. 03 a 04. Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/CGE para julgamento. Através do Acórdão nº 0442.464, resolveu julgar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.720707/201762 Acórdão n.º 2401005.782 S2C4T1 Fl. 5 4 Em 17/05/2017 a Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 76) e, em 14/06/2017, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 79 a 81, em que faz as seguintes alegações: 1. A Instrução Normativa que embasou a decisão (IN nº 1.261/2012) foi expressamente revogada pela Instrução Normativa da RFB nº 1.500, de 2014; 2. De acordo com o Art. 6º, inciso XII, da IN nº 1.500/2014, os rendimentos recebidos pela Contribuinte devido à sua condição de invalidez permanente não se sujeitam ao Imposto sobre a Renda; 3. O pecúlio recebido pela Contribuinte se refere a parcelas que deveriam ter sido pagas a título de aposentadoria privada entre os anos de 2004 a 2014; 4. Que a IN nº 1.261/2012 só poderia ser aplicada às parcelas entre 2012 e 2014; 5. Que, com relação às parcelas de 2004 a 2011, as normas vigentes confirmavam a aplicação do RRA para entidades de previdência complementares. Conclui seu Recurso requerendo seu acolhimento para o fim de ser cancelado o débito fiscal ou, alternativamente, limitada a cobrança do Imposto de Renda apenas sobre os valores recebidos a título de aposentadoria complementar nos anos de 2012 a 2014. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica no presente caso, os valores em questão tratam de rendimentos acumulados decorrentes de processo judicial recebidos pelo contribuinte a título de complementação de aposentadoria decorrentes de entidade de previdência particular. De acordo com a Notificação de Lançamento, a omissão de rendimentos lavrada em 09/01/2017, se refere ao ano calendário 2014, exercício de 2015 (data da entrega da Declaração: 24/04/2015) e decorreu da declaração equivocada como tributação exclusiva na Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.720707/201762 Acórdão n.º 2401005.782 S2C4T1 Fl. 6 5 fonte dos rendimentos recebidos de entidades privadas, quando deveria ter sido declarada no campo “rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica”. Cabe, inicialmente, trazer à colação dos dispositivos legais que regem a matéria em comento. A Lei nº 7.713, de 1988, em seu O art. 12, estabelecia que para os rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos calendário anteriores ao do seu recebimento, a incidência do Imposto sobre a Renda ocorria no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, subtraído o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive advogados: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O artigo 12A da Lei nº 7.713/88, acrescido pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, alterou a sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, a partir de 28 de julho de 2010, que passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, submetidos à tabela progressiva do Imposto sobre a Renda, senão vejamos: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Com a edição da MP nº 670, de 10 de março de 2015, convertida posteriormente na Lei nº 13.149/2015, foi dada uma nova redação ao art. 12A da Lei nº 7.713/88, excluindo qualquer restrição quanto ao alcance da natureza dos rendimentos recebidos acumuladamente, passando a abranger qualquer verba percebida, desde que submetida à incidência do Imposto sobre a Renda com base na tabela progressiva: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10580.720707/201762 Acórdão n.º 2401005.782 S2C4T1 Fl. 7 6 anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Assim, no ano calendário de 2014, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar não estavam enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º do RICARF, entendeu que a sistemática de cálculo do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deveria levar em consideração o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, razão pela qual esse entendimento deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Nesse contexto, os rendimentos tributáveis omitidos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, relativos ao ano calendário de 2014, exercício 2015, no montante de R$ 148.662,01, decorrentes de complementação de benefício previdenciário recebidos de entidade de previdência complementar, deverá ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). No que tange à alegação de isenção, não há prova nos autos que permita considerar isentos ou não tributáveis os rendimentos recebidos de forma acumulada. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, no importe de R$ 148.662,01, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação trabalhista (regime de competência). (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977986/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.625
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 77 98 6/ 20 09 -4 0 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.977986/200940 Resolução nº 1201000.625 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de CSLL do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de CSLL; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de CSLL, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.977986/200940 Resolução nº 1201000.625 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de CSLL'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de CSLL"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de CSLL da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.977986/200940 Resolução nº 1201000.625 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.977986/200940 Resolução nº 1201000.625 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.913403/2009-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICA. PREVISÃO NORMATIVA.
A compensação é uma das modalidades de extinção dos débitos tributários colocada à disposição do contribuinte. Para que ocorra, é necessário que ele manifeste a sua vontade, bem como informe os tributos e os valores a serem considerados na operação que, a partir de 2003, passou a ser realizada eletronicamente, por meio do programa PER/Dcomp, instituído pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. CABIMENTO.
Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora e de juros de mora. No caso da compensação aplica-se a mesma regra quando, no momento da transmissão da declaração de compensação, os débitos já estavam confessados em DCTF.
Numero da decisão: 3002-000.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICA. PREVISÃO NORMATIVA. A compensação é uma das modalidades de extinção dos débitos tributários colocada à disposição do contribuinte. Para que ocorra, é necessário que ele manifeste a sua vontade, bem como informe os tributos e os valores a serem considerados na operação que, a partir de 2003, passou a ser realizada eletronicamente, por meio do programa PER/Dcomp, instituído pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. CABIMENTO. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora e de juros de mora. No caso da compensação aplica-se a mesma regra quando, no momento da transmissão da declaração de compensação, os débitos já estavam confessados em DCTF.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICA. PREVISÃO NORMATIVA. A compensação é uma das modalidades de extinção dos débitos tributários colocada à disposição do contribuinte. Para que ocorra, é necessário que ele manifeste a sua vontade, bem como informe os tributos e os valores a serem considerados na operação que, a partir de 2003, passou a ser realizada eletronicamente, por meio do programa PER/Dcomp, instituído pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. CABIMENTO. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora e de juros de mora. No caso da compensação aplicase a mesma regra quando, no momento da transmissão da declaração de compensação, os débitos já estavam confessados em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 34 03 /2 00 9- 21 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13971.913403/200921 Acórdão n.º 3002000.455 S3C0T2 Fl. 60 2 Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Tratam os autos de Pedido de ressarcimento de IPI referente ao 2º trimestre/2006, no valor de R$ 17.075,28, combinado com Declaração de Compensação de débitos de mesmo valor (PER fls. 4 a 26 e Dcomp fls. 36 a 42). A Delegacia da Receita Federal em Blumenau reconheceu integralmente o crédito de IPI, mas homologou apenas parcialmente a compensação, pois foram compensados débitos vencidos sobre os quais incidiriam penalidades moratórias não acrescidas pelo contribuinte, restando ainda R$ 7.669,75 a pagar, referentes a tributo, multa de mora e juros de mora (fls. 28). Em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apenas solicita a reconsideração da decisão, tendo em vista o reconhecimento integral do pedido de ressarcimento (fl. 27). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 33.213 (fls. 45 a 47), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que se tratava de débito já confessado pelo contribuinte em DCTF e vencido na data da transmissão da Dcomp. Esclareceu, ainda, que a extinção do crédito tributário se dá mediante entrega da Dcomp e não da DCTF, cabendo, dessa forma, a cobrança de multa de mora e juros de mora, ambos desconsiderados pelo contribuinte em seus cálculos. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos, cabível a imputação de multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 26.04.2011, conforme AR constante à fl. 49, e protocolizou o Recurso Voluntário em 25.05.2011, conforme consta na primeira página da peça recursal à fl. 50. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13971.913403/200921 Acórdão n.º 3002000.455 S3C0T2 Fl. 61 3 Em seu Recurso Voluntário (fls. 50 a 55), o contribuinte alega que: a extinção por compensação se perfaz mediante o confronto entre créditos e débitos, o que fez por meio da apresentação da DCTF, o que entende ser um ato válido e perfeito; a declaração em DCTF anteriormente à transmissão da Dcomp é exigência da própria Receita Federal; a apresentação da Dcomp posteriormente não implica incidência de multa e juros, uma vez que não há fundamentação legal no Despacho Decisório e os débitos já estavam declarados em DCTF; a data de entrega da DCTF é a primeira informação prestada para a Administração e é a data que deve ser considerada para fins de determinação do cumprimento da obrigação tributária – a Dcomp apenas sintetizou as informações que já constavam na DCTF. E, por fim, transcreve jurisprudência para amparar o seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que chega a este Colegiado diz respeito à DCTF ser declaração hábil para a extinção dos débitos do contribuinte, podendo ser considerada a sua data de transmissão para fins de aferição do cumprimento da obrigação tributária, ao invés da data de transmissão da Dcomp. Dito de outra forma, mais simples, devemos definir se o contribuinte quitou seu débito tempestivamente. Comecemos por relembrar que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF tem por finalidade dar a conhecer à Administração Tributária a situação do contribuinte quanto a seus débitos e créditos frente à Fazenda Nacional, constituindose em confissão de dívida e instrumento para a exigência dessa dívida, apenas isso, como se vê no texto legal que é o fundamento para a sua instituição, o art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. (grifado) A Declaração de Compensação, por seu turno, é o instrumento pelo qual o contribuinte externa sua intenção de extinguir débitos por meio de créditos reconhecidos pela Fazenda Nacional. Tratase de uma faculdade, posta à disposição do contribuinte, que pode exercêla se e quando entender conveniente. Por isso, deve ser indicado pelo interessado em declaração própria que pretende efetuar uma compensação, assim como os tributos e valores considerados na operação. A partir de 2003, essa declaração passou a ser realizada por meio eletrônico – o PER/Dcomp é o programa instituído pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13971.913403/200921 Acórdão n.º 3002000.455 S3C0T2 Fl. 62 4 para que o contribuinte faça seus pedidos de restituição, ressarcimento e compensação eletronicamente. A Lei nº 9.430/1996 dispõe sobre a compensação da seguinte forma: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (grifado) A DCTF deve ser apresentada regularmente, de forma compulsória, para prestar informações relativas à obrigação principal de 12 diferentes impostos ou contribuições sociais, relacionados na IN RFB nº 1.599/2015 abaixo transcrita, ao passo que a Dcomp deve ser utilizada somente se o contribuinte quiser utilizar a compensação como forma de extinção de seus débitos. Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições administrados pela RFB: I IRPJ; II Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF); V CSLL; VI Contribuição para o PIS/Pasep; VII Cofins; VIII Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), até 31 de dezembro de 2007; IX Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (CideCombustível); X Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (Cide Remessa); Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13971.913403/200921 Acórdão n.º 3002000.455 S3C0T2 Fl. 63 5 XI Contribuição do Plano de Seguridade Social do Servidor Público (CPSS); e XII CPRB de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546, de 2011, observado o disposto no § 14. (grifado) Diante da miríade de informações que constam na DCTF, como cogitar que a Receita Federal possa compreender quais créditos pretende utilizar em uma compensação (e não em uma restituição) e para quitar quais débitos? Dizer que o débito foi quitado por meio da DCTF é um argumento completamente desarrazoado e que não encontra respaldo em nenhum ponto da legislação. A norma vigente à época dos fatos, Instrução Normativa SRF nº 600/2005, assim dispunha sobre a compensação: Art. 1º A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. (...) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (grifado) Assim, resta claro que o PER/Dcomp é o instrumento para realizar a compensação e, em sendo em atraso – o que é o caso nestes autos, pois o contribuinte transmitiu a compensação em 2008 para débitos de 2006 já declarados em DCTF –, cabe a aplicação dos acréscimos moratórios, conforme estabelecido no art. 61 da Lei nº 9.430/1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13971.913403/200921 Acórdão n.º 3002000.455 S3C0T2 Fl. 64 6 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifado) Quanto à alegação de que o Despacho Decisório não tem fundamentação legal, ainda que se trate do sucinto despacho eletrônico, contém a decisão em relação ao ressarcimento e à compensação, contém o local onde podem ser obtidas informações complementares e, ao fim, o fundamento legal tanto para a decisão relativa ao ressarcimento (art. 11 da Lei nº 9.779/1999 e art. 164, inciso I do Decreto nº 4.544/2002), quanto para a decisão relativa à compensação – art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Por fim, quanto à decisão do TRF 2ª Região colacionada, além de conter erro flagrante ao dizer que o contribuinte opta pela compensação na DCTF, pelos motivos acima expostos, não tem o condão de vincular este Colegiado, pois não se encontra entre as hipóteses de observação obrigatória elencadas no art. 62 do Regimento Interno do Carf. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720550/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/10/2009, 01/01/2010 a 31/03/2010, 01/06/2010 a 30/06/2010, 01/08/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/12/2010
NÃO CONHECIMENTO DE APLICABILIDADE DE INOVAÇÃO LEGAL SUPERVENIENTE À INTERPOSIÇÃO DO RECURSO POR AUSÊNCIA DE PERTINÊNCIA COM O CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO.
Ainda que seja possível conhecer de postulação superveniente ao recurso voluntário, fundada em posterior inovação legislativa, impõe-se o seu não conhecimento quando tal inovação não possui reflexos no processo administrativo fiscal federal, o qual possui regramento bem estabelecido em lei complementar específica, inclusive nos pontos com relação aos quais, pretensamente, poderia se cogitar de aplicação da inovação legal aludida.
PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou em mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga ao empregado a esse título.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Os bônus de contratação (hiring bonus) têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado prestando serviços na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando no caso a ocorrência de pagamento eventual.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. É tema, ainda, da Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício".
Numero da decisão: 2202-004.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da aplicação da Lei nº 13.655/2018 ao julgamento, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que conheceram mas negaram provimento nesse ponto. Acordam ainda, quanto ao mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que deram provimento parcial no que diz respeito ao PLR, restando vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto também no que se refere ao bônus de contratação, matéria em que deu provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andrea de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/10/2009, 01/01/2010 a 31/03/2010, 01/06/2010 a 30/06/2010, 01/08/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CONHECIMENTO DE APLICABILIDADE DE INOVAÇÃO LEGAL SUPERVENIENTE À INTERPOSIÇÃO DO RECURSO POR AUSÊNCIA DE PERTINÊNCIA COM O CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. Ainda que seja possível conhecer de postulação superveniente ao recurso voluntário, fundada em posterior inovação legislativa, impõe-se o seu não conhecimento quando tal inovação não possui reflexos no processo administrativo fiscal federal, o qual possui regramento bem estabelecido em lei complementar específica, inclusive nos pontos com relação aos quais, pretensamente, poderia se cogitar de aplicação da inovação legal aludida. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou em mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga ao empregado a esse título. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Os bônus de contratação (hiring bonus) têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado prestando serviços na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando no caso a ocorrência de pagamento eventual. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. É tema, ainda, da Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da aplicação da Lei nº 13.655/2018 ao julgamento, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que conheceram mas negaram provimento nesse ponto. Acordam ainda, quanto ao mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que deram provimento parcial no que diz respeito ao PLR, restando vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto também no que se refere ao bônus de contratação, matéria em que deu provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andrea de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 324 1 323 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720550/201418 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.830 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. Recorrente ITAU UNIBANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/10/2009, 01/01/2010 a 31/03/2010, 01/06/2010 a 30/06/2010, 01/08/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CONHECIMENTO DE APLICABILIDADE DE INOVAÇÃO LEGAL SUPERVENIENTE À INTERPOSIÇÃO DO RECURSO POR AUSÊNCIA DE PERTINÊNCIA COM O CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. Ainda que seja possível conhecer de postulação superveniente ao recurso voluntário, fundada em posterior inovação legislativa, impõese o seu não conhecimento quando tal inovação não possui reflexos no processo administrativo fiscal federal, o qual possui regramento bem estabelecido em lei complementar específica, inclusive nos pontos com relação aos quais, pretensamente, poderia se cogitar de aplicação da inovação legal aludida. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou em mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga ao empregado a esse título. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Os bônus de contratação (hiring bonus) têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado prestando serviços na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando no caso a ocorrência de pagamento eventual. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 50 /2 01 4- 18 Fl. 324DF CARF MF 2 A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. É tema, ainda, da Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da aplicação da Lei nº 13.655/2018 ao julgamento, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que conheceram mas negaram provimento nesse ponto. Acordam ainda, quanto ao mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que deram provimento parcial no que diz respeito ao PLR, restando vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto também no que se refere ao bônus de contratação, matéria em que deu provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andrea de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente autos de infração referente às contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) nas competências 02/2009, 03/2009, 09/2009, 10/2009, 02/2010, 06/2010, 08/2010 e 10/2010, e a título de bônus de contratação a empregados contratados no anos de 2010, em desacordo com a legislação previdenciária. Em razão do procedimento fiscal, foram lavrados os DEBCAD 51.039.8413 (parte da empresa e RAT) e DEBCAD nº 51.065.0791 (contribuições a terceiros e outras entidades). A instância de piso assim resume a impugnação: 3. A Impugnante apresentou a defesa parcial, de fls. 92/101, em 28/07/2014, aduzindo: 3.1. que a Fiscalização aponta um suposto não atendimento à redação original do § 2º, do art. 3º, da Lei 10.101/2000, o que impedia o pagamento de participação Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16327.720550/201418 Acórdão n.º 2202004.830 S2C2T2 Fl. 325 3 nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; 3.2. que a parcela de pagamentos efetuada acima da periodicidade fixada em lei decorre de peculiaridades que buscam possibilitar a correta quitação de tais valores, em cumprimento da legislação vigente, sendo decorrente de mero ajuste nos pagamentos efetuados aos empregados; 3.3. que o pagamento do sobredito ajuste não altera a natureza dos valores pagos a título de PLR, nem traduz ofensa ao art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000, conforme entendimento exarado pelo TST, em situação análoga; 3.4. que também o CARF já decidiu que eventual ajuste decorrente do cumprimento da legislação ou de imposição sindical não desnatura a natureza da verba paga a título de PLR; 3.5. que no curso da Fiscalização, restou atestada a natureza do pagamento efetuado, uma vez que os programas de Participação nos Lucros e Resultados mantidos pelo Impugnante foram validados pela Autoridade Fiscal, que reconheceu a existência de regras claras e objetivas, a negociação prévia e a participação dos empregados e empregadores, o que, por si só, afastaria o caráter salarial da verba; 3.6. que o suposto não atendimento ao interregno previsto na legislação, mas que foi negociado entre as partes, não poderia descaracterizar por completo os pagamentos realizados pelo Impugnante; 3.7. que, no máximo, poderia fazer incidir a contribuição sobre os pagamentos efetuados dentro daquele intervalo; 3.8. que apenas no intuito de melhor resguardar o interesse do Impugnante, salientese que tais parcelas que ultrapassariam o limite de duas vezes ao ano e que deixaram de observar a semestralidade, alcançariam em média 20% do valor autuado; 3.9. que independentemente de qualquer aspecto, grande parte dos valores pagos a título de PLR, nos anos de 2009 e 2010, observaram a semestralidade e limite de duas vezes ao ano e, ao menos em relação a estes, deve ser cancelada a exigência fiscal, conforme já decidiu o CARF em processo semelhante; 3.10. que na hipótese de não ser reformada a autuação neste posto, deve ser mantida apenas sobre os pagamentos que excederam a periodicidade mencionada; 3.11. que se impõe o cancelamento da presente autuação também no que se refere à cobrança de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de bônus de contratação ou “hiring bônus”, eis que tal verba não tem natureza jurídica remuneratória e só integraria o saláriodecontribuição do empregado se fosse pago pela retribuição de trabalho já prestado ou posto à disposição do empregador; 3.12. que mesmo que fosse considerado como remuneração decorrente do trabalho, por não ser um pagamento habitual, tendo ocorrido uma única vez, o “hiring bônus” pago pela impugnante não integraria o saláriodecontribuição, por força do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei 8.212/1991; 3.13. a inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício, consoante entendimento firmado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF e também pela interpretação das normas dos arts. 61, caput e § 3º, da Lei 9.430/1996, arts. 161 e 164, do CTN; Fl. 326DF CARF MF 4 3.14. que caso fossem cabíveis juros sobre a multa, seriam aplicáveis juros moratórios à taxa SELIC, limitados a 1%; 3.15. ao final requer o cancelamento integral da exigência fiscal, por ser absolutamente improcedente. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 181/191), ensejando a interposição de recurso voluntário em 15/12/14 (fls. 199/208), no qual foram repisados os argumentos da impugnação, face ao qual a foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (fls. 258/270). Mediante a prolação da Resolução nº 2202000.694, em 14/06/16 (fls. 287/294), esta Turma determinou a conversão do julgamento em diligência, demandando que a unidade de origem: a) manifestese expressamente sobre a base de cálculo empregada no lançamento relativo à PLR que aqui se discute no sentido de esclarecer se foram considerados todos os pagamentos feitos pela empresa, a título de PLR, no período em análise, ou se foram considerados apenas os pagamentos feitos ao grupo de empregados onde se constatou pagamentos mais de duas vezes ao ano e, no segundo caso, se foram consideradas todas as parcelas pagas a esse grupo ou apenas a partir da terceira parcela. b) caso entenda que de fato existe impropriedade entre a base considerada pela DRJ (como esclarecido neste voto) e a base efetivamente lançada, elaborar planilha corretiva, com o novo valor de lançamento. c) dar ciência ao contribuinte do teor desta resolução e do resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo de trinta dias. Foi cumprida a diligência, com a elaboração do decorrente relatório fiscal (fls. 296/297), não apresentando o recorrente manifestação posterior. Em sede de sustentação oral, o contribuinte postulou a aplicação da Lei nº 13.655/2018 ao julgamento, o que defendeu, também, em petição juntada aos autos dia 05/11/2018. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço, com a ressalva do não conhecimento da aplicação da Lei nº 13.655/18, ao presente julgamento. Essa não admissão não se dá pela apresentação do argumento após o prazo legal para interposição do recurso voluntário, posto tratarse de inovação legislativa posterior a tal data. Com efeito, o que ocorre é que comungase com o entendimento exarado no Acórdão nº 9202007.147 (julgamento por maioria em 29/08/2018), cabendo transcrever o respectivo trecho de interesse, o qual passa a integrar, como a devida vênia, esta fundamentação: Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16327.720550/201418 Acórdão n.º 2202004.830 S2C2T2 Fl. 326 5 Conforme tenho me manifestado em outras oportunidades, tratase de diploma legal que promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Pública, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU), de sorte que não se vislumbra qual seria a aplicação de dita lei a julgamento levado a cabo na Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. A lei em tela tratou da inclusão, no DecretoLei nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB), dos artigos 20 a 30, tendentes a conferir segurança jurídica à área administrativa do Estado Brasileiro, com ênfase nos controles externo e interno. A natureza dessa nova lei está clara na Justificativa que acompanhou o Projeto de Lei, que a seguir se transcreve: "JUSTIFICATIVA Como fruto da consolidação da democracia e da crescente institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o funcionamento, a atuação dos mais diversos órgãos do Estado, bem como viabiliza o controle externo e interno do seu desempenho. Ocorre que, quanto mais se avança na produção dessa legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica. O aumento de regras sobre processos e controle da administração têm provocado aumento da incerteza e da imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os ganhos de estabilidade institucional. Em razão disso, os professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto elaboraram projeto de lei, que ora é acolhido, fruto de projetos de pesquisa mais amplos desenvolvidos por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Direito Público em parceria com a Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. O resultado desse trabalho foi publicado na obra “Contratações Públicas e Seu Controle”, pela Editora Malheiros, ano 2013. " Não resta dúvida acerca dos destinatários desses dispositivos, que são os administradores públicos e os órgãos de controle da Administração Pública, inclusive do Judiciário. Com efeito, em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigido à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF. Quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva, quanto a eventuais contratos, convênios e atos congêneres, inerentes ao próprio funcionamento do órgão. Registrese que o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), com força de Lei Complementar, específica para a matéria tributária, há décadas já estabelece as regras de lançamento dos tributos e contribuições, bem como fixa as possibilidades de revisão, definindo inclusive o que deve ser considerado como legislação tributária. Destarte, seja pela absoluta inaplicabilidade da Lei nº 13.655, de 2018, à atividade judicante do CARF, seja pela fase em que se encontra o julgamento do presente Recurso Especial, não como sequer conhecer da preliminar. De fato, o ponto que parece mais contundente e de difícil refutação dessa bem elaborada análise, é o de que o CTN, lei complementar (o aspecto hierárquico) e específica para a tributação (aspecto especialidade) já possui toda uma sistemática própria bem definida regrando a revisão do ato administrativo do lançamento, bem as alterações de Fl. 328DF CARF MF 6 interpretação levada a efeito em decisões administrativas ou judiciais, não carecendo de lacuna normativa apta a respaldar sua integração via recurso a novel Lei nº 13.655/18. E, não obstante partilharse, ao menos nessa primeira apreciação do tema, do posicionamento supra reproduzido, merece ser observado que mesmo que se pudesse conhecer da matéria, o art. 24 da Lei nº 13.655/18 careceria de pressuposto de fato que deveria estar bem firmado para sua aplicação, ou seja, a existência de orientação geral na época da ocorrência dos fatos geradores, consubstanciada em jurisprudência administrativa majoritária em prol da atuação de determinado contribuinte, que depois se cogite de revisar no mesmo âmbito. Teriam assim de ser levantados todos os acórdãos do CARF sobre a matéria examinada, exarados no período pertinente, e verificado se existia, efetivamente, maioria de julgamentos em favor daquela determinada tese. Teria também de ser ponderado o que é majoritário. Se é o que se baseia na maioria, que tipo de maioria seria essa, apta a atrair a observância cogente por parte da atuação administrativa, sob o prisma judicante, posterior? Maioria simples? Ou maioria qualificada? E como se daria tal eventual qualificação? Essas são apenas algumas dúvidas que surgem quando se debruça sobre o art. 24 e demais inovações trazidas pela Lei nº 13.655/18, causadas pelo uso excessivo de conceitos indeterminados e expressões de caráter ambíguo na redação das modificações realizadas na LINDB. Há que se rejeitar, frente ao quadro exposto, o pleito do contribuinte no particular, não se conhecendo da arguição em questão. Da participação nos lucros ou resultados Reza o art. 2º da Lei nº 10.101/00 (edição vigente à época dos fatos geradores): Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16327.720550/201418 Acórdão n.º 2202004.830 S2C2T2 Fl. 327 7 Na espécie, como relatado, a fiscalização apurou haverem sido efetuados pagamentos, com base em diversos instrumentos negociais convenções e acordos coletivos de trabalho a empregados da instituição financeira em epígrafe, sendo que parte deles recebeu pagamentos de participação de lucros em mais de 2 (duas) parcelas no ano, consoante sumarizado nas Tabelas abaixo (fls. 82/83): 2009 2010 Vale ressaltar que, na aferição do cumprimentos das regras de periodicidade, devem ser examinados todos os pagamentos efetuados a título de PLR, como bem firmado no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, independentemente do instrumento que eventualmente tenha lhes lastreado. A alegação genérica da recorrente no sentido de que os pagamentos que superaram a periodicidade legal se tratariam de meros ajustes decorrentes das convenções e planos não lhe socorre, a uma, pois não é apontada qualquer cláusula contratual específica que desse amparo a tais ajustes, complementações, antecipações, ou seja qual for o título que lhes for atribuído. Fl. 330DF CARF MF 8 A duas, e a despeito de eventual previsão em acordo, o critério claro e objetivo, contido na lei e que não pode ser afastado por vontade das partes é que, sendo verificado terem sido efetuados mais de dois pagamentos de PLR em dado ano civil, ou com periodicidade inferior a um semestre, como no caso em apreço, não há falar em aplicação da norma em tela, com relação ao empregado beneficiado. Incide para esse empregado, assim, a contribuição previdenciária sobre todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros, ainda que os outros requisitos estabelecidos na norma em comento tenham sido atendidos. Como bem observado no seguinte trecho de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no Acórdão nº 9202004.342 (j. 24/08/2016): (...) não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Nesse rumo vem trilhando a jurisprudência daquela Câmara, vide recentes Acórdãos de nos 9202006.214 (j. 28/11/17) e 9202005.978 (j. 26/09/17), dentre outros. Por fim, cabe anotar que a fiscalização reiterou, em sede de resposta à diligência determinada por esta Turma, que "foram considerados apenas os valores pagos ao grupo de empregados aos quais se constatou pagamentos mais de duas vezes ao ano, conforme planilha apresentada pelo contribuinte e revisada". Acrescentese que o contribuinte não trouxe qualquer demonstração de que teria a autuação abrangido casos em que o empregado não recebera mais de dois pagamentos de PLR no ano analisado, não havendo então como acatar tal alusão, à míngua de respaldo probatório. Em síntese, não há reparos a fazer no lançamento quanto ao tópico PLR. Dos bônus de contratação A respeito da matéria, de início extraio o seguinte excerto do Acórdão nº 2402005.392 (j. 13/07/2016) em julgamento do qual este Conselheiro participou por comungar com o entendimento nele veiculado, o qual bem se aplica ao caso examinado: Na minha visão, para esse caso específico o bônus de contratação assemelha se a um adiantamento de remuneração, o qual vai se incorporando ao salário do segurado ao longo do seu tempo de prestação de serviço. Analisemos o que dispõe o inciso I do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991, que trata da base de cálculo da contribuição incidente sobre a remuneração do empregado: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16327.720550/201418 Acórdão n.º 2202004.830 S2C2T2 Fl. 328 9 (...) De se concluir que esse tipo de pagamento, independente da nomenclatura utilizada, subsumese ao conceito de saláriodecontribuição acima reproduzido, posto que é um rendimento pago como forma de atrair o empregado e que, malgrado seja disponibilizada ao beneficiário em parcela única, há a necessidade da prestação de serviço para que o valor incorporese totalmente ao seu patrimônio, posto que, caso não cumpra o prazo de permanência mínima na empresa estabelecido contratualmente, terá que devolver total ou parcialmente o valor transferido. Não há dúvida de que a configuração fática revela não uma verba de natureza indenizatória, mas um pagamento que é efetuado como antecipação salarial pelo tempo que o segurado deve permanecer vinculado à empresa, o que revela sua feição nitidamente remuneratória. Ora, o fato de ficar claro no acordo do pagamento do hiring bonus que tais valores são um adiantamento pelo período futuro em que o empregado deverá ficar vinculado à empresa, já demonstra forte indício de que existe uma vinculação do seu pagamento à contraprestação pelo serviço. No presente caso vêse sem dúvida uma remuneração antecipada. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu art. 457, prescreve que compõe o salário toda contraprestação pelo trabalho do empregado. Tal premissa nos leva a indagar a que título o bônus de contratação é pago. A contratante paga um bônus de contratação (no caso denominado hiring bônus) para atrair e manter por um período em seus quadros um profissional reconhecidamente competente no seu ramo. Pretende dispor do trabalho do profissional por um tempo e comprometese a pagar uma quantia adicional em relação ao salário contratado. Portanto, de um lado temos a empresa oferecendo uma quantia ao trabalhador e de outro temos o empregado que deverá ficar vinculado à nova contratante por um período. Dessa configuração emerge a natureza contraprestacional do bônus. Esse entendimento tem sido também adotado nas cortes trabalhistas, onde se entende que os pagamentos em questão se assemelham as luvas do atleta profissional, que não têm natureza de indenização, mas de pagamento vinculado à performance do trabalhador no cumprimento do seu contrato de trabalho. Vale a pena trazer à colação as seguintes decisões do TST: "INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMOLUVAS .NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso da Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista conhecido e provido, no particular. (TSTRR 5674138.2003.5.04.0028, 4ª Turma, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, DEJT 01.4.2011)" " RECURSO DE REVISTA. INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE LUVAS NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso do Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Fl. 332DF CARF MF 10 Corte. Recurso de Revista não conhecido. (RR 15260058.2009.5.15.0095, 4ª Turma, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, DJ de 19.04.2013)" " RECURSO DE REVISTA. DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO PAGO NO MOMENTO DA CONTRATAÇÃO. "LUVAS". NATUREZA JURÍDICA. O valor pago a título de empréstimo, formalizado por meio de contrato de mútuo, com a finalidade de tornar mais atrativa a contratação de empregado bancário, equipara se às luvas pagas aos atletas profissionais, razão por que tem nítida natureza salarial e, não obstante o pagamento ter ocorrido uma única vez, a parcela deve integrar a remuneração da autora para todos os efeitos. Recurso de revista conhecido e provido (PROCESSO Nº TSTRR1336 98.2012.5.03.0005, 6ª Turma, Relator Ministro Aloysio Correia da Veiga, DJ de 16.04.2014)" Também não deve ser aceita a afirmação de que os ganhos seriam eventuais e, por esse motivo, excluídos do saláriodecontribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9.º, alínea "e", item 7, da Lei n.º 8.212/1991. A eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no dispositivo citado, significa que as vantagens para o segurado decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, digam respeito à ocorrência de caso fortuito. Como se pode ver da pesquisa efetuada no Dicionário Michaelis: Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. Não encontro qualquer traço de eventualidade no pagamento de bônus de contratação , haja vista que estes decorrem de contrato firmado entre empresa e empregado para manutenção do trabalhador a serviço do empregador por um tempo previamente ajustado. Acrescentese que o fato de haver previsão contratual de devolução dos valores em caso de pedido de abandono ou pedido de demissão, antes do prazo estabelecido no momento da avença (ver os trechos de "aditivo ao contrato individual de trabalho" ilustrativos às fls. 85/86), além de se tratar de acerto privado que não influencia a incidência de contribuições previdenciárias, desvela, de modo claro, que a percepção dessas quantias tem como pressuposto necessário a realização da prestação de serviço durante determinado período, possuindo daí nítida natureza retributiva. Importa registrar que a Lei de Custeio exigiu o requisito de habitualidade somente para as utilidades. E, de sua parte, a obrigatoriedade de prestação de serviços por determinado período de tempo, sob pena de devolução do montante em questão, aponta para a ausência de caráter gracioso ou eventual do pagamento, e para a existência de uma gratificação ajustada antecipadamente, vinculada à prestação de serviço a ser efetuada. Ou seja, ao invés de receber mês a mês tal valor, o beneficiário recebe previamente a remuneração estabelecida, de acordo com as expectativas incorporadas no texto da proposta de contratação. Reiterese que, quanto à pretensa eventualidade a atrair a incidência do disposto no item 7 da alínea 'e' do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não verifica ela na espécie, pois como bem frisado pela decisão de piso, há conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição estabelecida para o seu recebimento, a prestação de serviços para o empregador durante dado período. Vale registrar que os hiring bonus, também chamados de signing bonus em alguns países, são usualmente reconhecidos pelas legislações tributárias estrangeiras como formas suplementares de salário, ensejando sua natural tributação, como o faz o fisco Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16327.720550/201418 Acórdão n.º 2202004.830 S2C2T2 Fl. 329 11 americano (IRS International Revenue Service), por exemplo vide nesse sentido, as orientações da Seção 7 da IRS Publication 15, 2018, Employer's Tax Guide (vide o link "https://www.irs.gov/publications/p15#en_US_2018_publink1000202352", acesso em 19/09/2018). E, ainda que a experiência de outros países tenha de ser analisada com cuidado, face a sua integração com sistemas jurídicos bastante diversos, não pode ser descartada de pronto como fundamento argumentativo, pois tais hiring bonus, ainda que de certa maneira recentes no cenário brasileiro, são, como a própria grafia da expressão revela, instrumentos não convencionais de remuneração já há bastante tempo sedimentados na seara transnacional, da qual são oriundos. Por seu turno, a jurisprudência recente do CARF vem caminhando nessa senda, como atestam os Acórdãos nº 2401003.708 (j. 07/10/2014), nº 2402005.274 (j. 11/05/2016) e nº 2202003.438 (j. 14/06/2016). Cumpre destacar, ao final, recente decisão da CSRF sobre o tema Acórdão nº 9202005.156, j. 25/01/2017 no qual o voto vencedor aborda com lucidez o conceito de ganho eventual: Entendo que somente os pagamentos que não guardam relação com o contrato de trabalho podem ser tidos por ganhos eventuais desvinculados, devendo decorrer de condições específicas de um trabalhador, como por exemplo destinação de valores em eventos de doença e outros sinistros fortuitos, sem relação direta ou indireta pela prestação de serviços. Não há dúvida de que o pagamento de bônus de contratação Hiring bônus, ou mesmo, gratificação em razão da admissão do empregado (utilizados por algumas empresas) tem relação direta com o vínculo contratual estabelecido entre as partes, e o seu principal objetivo é atrair profissionais para o quadro funcional da empresa, representando, a bem da verdade, um pagamento antecipado pela futura prestação de serviço do trabalhador. Nesses termos, deve ser também negado provimento ao recurso, no particular. Dos juros sobre a multa de ofício O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário Fl. 334DF CARF MF 12 respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9.430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. A Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória para os membros deste Colegiado, nos termos do art. 72 do Anexo II do RICARF, firmou o entendimento do órgão acerca do tema: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16327.720550/201418 Acórdão n.º 2202004.830 S2C2T2 Fl. 330 13 Ante o exposto, voto por não conhecer da aplicação da Lei nº 13.655/2018 ao julgamento, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 336DF CARF MF
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