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Numero do processo: 10183.902178/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO.
A retificação de DCTF para alteração dos valores declarados na declaração original para fins de modificação de Despacho Decisório deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o erro.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Uma vez verificada a inexistência do direito creditório por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação original, cabe ao contribuinte a comprovação de que o crédito objeto da declaração já existia.
Numero da decisão: 1201-002.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10183.902177/2013-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A retificação de DCTF para alteração dos valores declarados na declaração original para fins de modificação de Despacho Decisório deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o erro. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez verificada a inexistência do direito creditório por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação original, cabe ao contribuinte a comprovação de que o crédito objeto da declaração já existia.
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ERRO NO PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A retificação de DCTF para alteração dos valores declarados na declaração original para fins de modificação de Despacho Decisório deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o erro. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez verificada a inexistência do direito creditório por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação original, cabe ao contribuinte a comprovação de que o crédito objeto da declaração já existia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10183.902177/201328, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 21 78 /2 01 3- 72 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10183.902178/201372 Acórdão n.º 1201002.601 S1C2T1 Fl. 3 2 Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório postulado na declaração de compensação (PER/DCOMP) em que foi declarado crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Após ciência do despacho decisório, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a contribuinte afirma que houve equívoco em não retificar as DCTFs e que a DIPJ comprovaria a inexistência do débito. Decisão da DRJ/CGE Em decisão de 30/03/2015, a 2° Turma da DRJ/CGE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação de DCTF, desacompanhada de esclarecimentos quanto ao suposto erro cometido e de prova da veracidade dos débitos retificados, é insuficiente para reforma da decisão que indeferiu o direito creditório. Recurso Voluntário Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratificação os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.590, de 16/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10183.902177/2013 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10183.902178/201372 Acórdão n.º 1201002.601 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.590): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, por isso, deve ser apreciado. Mérito Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente traz de forma muito sucinta os mesmos argumentos trazidos em sua Impugnação anterior, especialmente quanto à possibilidade de dedução do ágio que a meu ver não constitui o cerne da discussão ora travada que referese à ausência de comprovação da existência dos créditos utilizados em compensação. Além disso, apresenta petição, que chama de laudo, que supostamente comprovaria seu direito creditório, o que não acontece a meu ver. Dada a inexistência de novos argumentos ou provas trazidos pelas Recorrente em sede de Recurso Voluntário e o total alinhamento do presente Conselheiro à decisão da DRJ, faço aqui uso do disposto no Art. 57, § 3°do Regimento Interno deste CARF que assim dispõe: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Desta forma, faço abaixo a transcrição integral do voto vencedor da decisão da DRJ: AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10183.902178/201372 Acórdão n.º 1201002.601 S1C2T1 Fl. 5 4 Postula a interessada direito creditório em tese decorrente de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ . A pretensão não foi acolhida pois, conforme a DCTF apresentada pela empresa, havia correspondência entre o recolhimento e o valor do débito declarado. Por esse viés, inexistiu recolhimento indevido ou a maior. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, afirmando, em síntese, que o débito não existiria e que apresentou DCTF retificadora. Efetivamente, constatamos que a empresa apresentou DCTFs “zerando” os débitos de IRPJ e CSSL anteriormente declarados, com relação ao ano calendário 2010. A título de ilustração, transcrevo os valores constantes das DIPJs e DCTFs originais e retificadoras, no que se refere ao mês janeiro/2010: [...] Pelo visto no quadro acima, aparentemente a empresa, ciente do indeferimento de seu pleito, apresentou declarações retificadoras ad hoc, sem maior compromisso com a realidade dos fatos, apenas com o objetivo de atacar pontualmente a motivação do ato decisório contrário ao seu interesse. O mesmo ocorre nos demais períodos de apuração em que houve pagamento de estimativa, conforme os registros nos sistemas de processamento de dados pertinentes, já que a cópia de declaração apresentada pela interessada omite as páginas em que constariam tais informações. Nenhuma explicação foi apresentada para as retificações e nenhum documento foi trazido para subsidiar as informações prestadas nas declarações, e há evidente contradição entre o conteúdo das declarações retificadoras. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) “mencionará os motivos de fato e de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10183.902178/201372 Acórdão n.º 1201002.601 S1C2T1 Fl. 6 5 direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC), que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil (CC), para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora, notadamente quando contraditória com outras declarações apresentadas. Nesse sentido tem decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme ementas a seguir transcritas: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10183.902178/201372 Acórdão n.º 1201002.601 S1C2T1 Fl. 7 6 O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes,Sessão de 22/05/2013) Assim, na ausência de comprovação do direito creditório em tela, não merece reforma a decisão combatida. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10183.902178/201372 Acórdão n.º 1201002.601 S1C2T1 Fl. 8 7 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002575/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
DECADÊNCIA
No caso de tributos submetidos à modalidade de lançamento por
homologação, aplica-se a regra da decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN, uma vez comprovado que o contribuinte realizou pagamentos nos períodos abrangidos pelo prazo extintivo.
Numero da decisão: 1201-000.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao apelo oficial.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao apelo oficial. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, João Bellini Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Fl. 315DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10882.002575/200717 Acórdão n.º 120100.563 S1C2T1 Fl. 293 2 Relatório Tratase de recurso de ofício da decisão da 2ª Turma da DRJ/CPS, às fls. 232 a 264, a qual deu provimento em parte à impugnação para: (i) “acatar a preliminar de decadência levantada pela autuada, reconhecendo decaídos os lançamentos pertinentes ao IRPJ e CSLL relativos aos 1º, 2° e 3° trimestres de 2002”, (ii) “igualmente, acatar a decadência argüida em relação ao PIS e COFINS dos meses de janeiro a outubro de 2002, declarando decaídos os lançamentos destes períodos; e (iii) “cancelar o lançamento de PIS do mês de novembro de 2002 e da COFINS nos meses de novembro e dezembro de 2002 na parte em que foram tomadas como base de cálculo, as receitas financeiras advindas de juros sobre Contratos de Mútuo”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Como todos os tributos lançados são da modalidade por homologação, a regra decadencial a ser aplicada é aquela estampada no § 4º, art. 150 do CTN. Adoto o entendimento de que esta norma relativa ao prazo extintivo só não teria aplicação no caso da prática de condutas dolosas, o que não se caracterizou no presente caso. Merece ser observado, contudo, que a jurisprudência do STJ impõe mais um requisito para a aplicação do referido dispositivo, qual seja, o de realização, ainda que parcialmente, de pagamento. Discordamos desta interpretação. Todavia, cumprenos destacar, uma vez que outros Conselheiros seguem a referida jurisprudência, que esse requisito também foi atendido no presente caso, conforme pesquisas realizadas pelo relator da decisão de primeiro grau. Desse modo, uma vez que a ciência do lançamento foi promovida em 23/11/2007, de fato, estão decaídos os três primeiros trimestres de 2002 para o IRPJ e a CSLL, bem como os dez primeiros meses do ano de 2002 para o PIS e a Cofins. Relativamente à incidência de PIS e Cofins sobre receitas financeiras, também não merece qualquer reparo a decisão recorrida, uma vez que já foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF em sede de repercussão geral. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao apelo oficial. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10882.002575/200717 Acórdão n.º 120100.563 S1C2T1 Fl. 294 3 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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Numero do processo: 23034.008003/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/2002
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO.
No caso de lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, o prazo de cinco anos para Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício tem seu termo inicial na data de ocorrência dos fatos geradores ou no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de não haver antecipação de pagamento.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE E VERACIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO RECORRENTE.
O lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção.
Numero da decisão: 2402-006.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial de modo a excluir do lançamento as competências até 03/1999, inclusive, em virtude decadência. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que não conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO. No caso de lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, o prazo de cinco anos para Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício tem seu termo inicial na data de ocorrência dos fatos geradores ou no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de não haver antecipação de pagamento. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE E VERACIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO RECORRENTE. O lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial de modo a excluir do lançamento as competências até 03/1999, inclusive, em virtude decadência. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que não conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 80 03 /2 00 3- 51 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 462 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo, no presente relatório, o conteúdo da Informação nº 2.842/2004, da Divisão de Análise de Defesa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), fls. 178 a 180: Informação nº 2.842/2004 – DIADE/CGACI/DIFIN/FNDE/MEC [...] Em inspeção do Programa Integrado de Inspeção em Empresas e Escolas PROINSPE, realizada à empresa em epígrafe, para verificação da regularidade da situação dos recolhimentos da contribuição social do SalárioEducação, quanto ao período de 01/1995 a 09/2003, os técnicos constataram débito referente às competências 07/1995 a 03/2001, 02 a 04/2002, 06 e 12/2002, proveniente de falha de recolhimento e deduções indevidas, respectivamente, conforme se verifica através dos demonstrativos de fls. 105/106 e Informação n.º 349/2004 de fls. 107/108. Para a cobrança do debito, esta Coordenação emitiu a Notificação para Recolhimento de Débito NRD n.° 360/2004 de fl. 110, no valor de R$ 609.562,64 (seiscentos e nove mil, quinhentos e sessenta e dois reais e sessenta e quatro centavos), conforme Quadro de Atualização de Débito, fls. 111/1134. A cobrança foi devidamente recepcionada pela empresa, conforme AR de fl. 116. Diante da cobrança, a empresa apresentou defesa tempestiva, acostada às fls. 117/158, com as seguintes alegações:' a) que o credito tributário do período de 07/95 a 11/97, foi abrangido pela decadência; b) que parte dos débitos já estão incluídos em parcelamento constituídos nas NFLD's n.ºs 35.371.5034/35.371.5131, compreendendo as competências de 04/97 a 12/97; c) a superposição de cobrança, sob o argumento de que parte dos débitos exigidos na NRD, também teriam sido objeto de lançamentos por parte do INSS em ações fiscais; Fl. 466DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 463 3 Com relação à alegação da decadência do prazo para cobrança do débito do período de 11/95 a 07/99, informamos que de acordo com a Instrução Normativa do INSS nº 100, de 18/12/2003, aprovada pela IN INSS/DC nº 107, de 22/04/2004 em seu artigo 583 § 2°, aduz que: “O prazo decadencial das contribuições devidas a outras entidades e fundos é de 10 anos, exceto para fatos geradores ocorridos até 18 de junho de 1995, cujo prazo decadencial é de cinco anos." Acrescentamos, ainda, o disposto na Lei n“ 9.766, de 18/12/1998, art. 1°, “in verbis”; “A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei n" 9. 424. de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá às mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas as contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria”. Portanto, a alegação da empresa não procede, tendo em vista que os fatos geradores desta cobrança ocorreram entre julho/1995 a dezembro/2000. Por sua vez, a Lei n.° 8.212, de 24/07/1991 estabelece em seu art. 32, parágrafo único, que: “ Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que se trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização”. O atr. 45 da Lei n.º 8.212/91 enumera que: “O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderá ter sido constituído: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal. a constituição de crédito anteriormente efetuada. E, ainda, em seu art. 46 diz que:" O direito de cobrar os créditos da Seguridade Social constituídos na forma do artigo anterior, prescreve em 10 (dez) anos. " Diante do exposto, não cabe a alegação da empresa sobre o decurso do prazo para cobrança das competências 07/95 a 11/97. Com relação ao questionamento de que pane dos débitos já estariam incluídos em parcelamento, constituídos pela NFLD n.“ 35.371.5131, ou seja, o período de 01/99 a 04/01 , após análise da documentação, constatamos que as diferenças apuradas nesta NFLD, referemse a fatos geradores não informados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP), sendo que estas diferenças não foram levantadas na inspeção realizada pelo PRO1NSPE,tbem como as apuradas por meio da NFLD n.° Fl. 467DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 464 4 35.371.5115, concernente ao período de 01/96 a 03/97, portanto, não há fundamento no questionamento da empresa. Consta, ainda, levantamento de débito para o SalárioEducação referente ao período de 01/99 a 04/01, por meio de outras NFLD's, inclusive a NFLD n.º 35.371.5140, abrangendo os valores do SalárioEducação apurados pelo PROINSPE, no entanto, o fiscal do INSS relata no relatório da fiscalização que os débitos apurados nestes levantamentos, resultam do total das contribuições sociais do SalárioEducação, incidentes sobre a remuneração dos empregados constante das folhas de pagamento, deduzidas as contribuições recolhidas pelo convênio do SalárioEducação e as contribuições compensadas devido ao processo judicial ajuizado a respeito da constitucionalidade do SalárioEducação. Por fim, quanto a alegada superposição de cobrança, sob o argumento de que parte dos débitos exigidos na NRD, também teria sido objeto de lançamentos por parte do INSS em ações fiscais, temos a esclarecer que, o fiscal informa em seu relatório que o levantamento tem o intuito de evitar a decadência até a decisão final a respeito do processo judicial sob o n.° 9700753271, ajuizado pela empresa contra a constitucionalidade da contribuição social do SalárioEducação. Cabe, ainda, salientar que a documentação apresentada pela empresa referese ao CNPJ n.º 42.563.692/001289, ou seja, a mesma não tem relação com o referido processo. Isto posto, sugerimos o INDEFERIMENTO DA DEFESA, informando que o montante do crédito tributário é de R$ 631.606,15 (seiscentos e trinta e um mil, seiscentos e seis reais e quinze centavos), conforme Quadro de Atualização de Débito, acostado às fls. 160/163. (Grifos no original) O indeferimento da defesa, proposto nessa informação, foi, então, confirmado pela presidência do FNDE, nos seguintes termos, fl. 181: Decido pelo INDEFERIMENTO DA DEFESA, pelas razões expostas pela CGACI. Retomem os autos à SETAD/CGACI, para que seja providenciada a expedição de ofício à empresa em questão, dandolhe ciência do que foi decidido e informando quanto às alternativas de recolhimento do débito, da formalização de acordo para parcelamento da dívida, bem como do seu direito de interpor recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência desta decisão, com as razões e, se for o caso, documentos que o fundamentem, esclarecendo que a interposição de recurso deverá obedecer às disposições do § 2°, do artigo 15, do Decreto n.º 3.142, de 16/08/1999. (Grifos no original) Fl. 468DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 465 5 Cientificada da decisão, em 18/1/05, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 209, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 213 a 226, em 17/2/05, no qual traz, em síntese, as seguintes alegações: DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA [...] fazse imperioso repisarmos que, na verdade, foram ilegalmente constituídos na NRD em tela todos os valores lançados pelo FNDE relativos às competências anteriores a novembro de 1997, inclusive. E assim se afirma porque, consoante já exposto, incide sobre o presente lançamento a figura jurídica da decadência. [...] DA NULIDADE FORMAL DO ATO POR INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Insta registrar que a autoridade administrativa, ao lavrar a NRD em tela, atevese a dispor valores de forma imprecisa, deixando de explicitar adequadamente os motivos que ensejaram a cobrança das importâncias impostas, gerando muitas dúvidas na identificação dos valores lançados pela NRD em cada competência, e não permitindo a necessária conferência destes. [...] De inferirse, portanto, que o lançamento fiscal não pode surtir qualquer efeito, ante a irrefutável nulidade formal que o contamina, por ausência de devida e precisa motivação, necessária tanto para o exercício da ampla defesa por parte do contribuinte (CF 88, art. 5°, LV), quanto para o adequado controle jurisdicional. DA DUPLA COBRANÇA Cumpre notar que os débitos ora discutidos são objeto de dupla cobrança pelo próprio FNDE em determinadas competências, Isto porque algumas folhas de pagamento foram utilizadas em mais de um lançamento para fins de aferição da base de cálculo em determinados períodos, e em outros, foram os mesmos objeto de compensação pela empresa como um todo, de uma só vez. Explicase. Quanto às competências compreendidas entre o período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000 e a gratificação natalina, parte dos valores ora cobrados estão incluídos na NRD n.º 393/2004. E assim se afirma porque, consoante atestam os documentos nem anexo, foram utilizadas para fins de aferição da base de cálculo do presente lançamento folhas de pagamento relativas à filial do Rio de Janeiro (001289), as quais ressalte se foram também consideradas para a lavratura da NRD de cobrança específica para os débitos daquela filial. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 466 6 No que tange às competências de abril a dezembro e a gratificação natalina de 1997 e janeiro a março de 1998, cobra o fiscal os valores devidos a título de SalárioEducação para esta filial em específico (000711), além de lançar os valores compensados pela empresa como um todo na matriz (000126). Assim, exige duas vezes a mesma exação, pois aqueles valores já se encontravam incluídos nestes últimos, consoante atesta, inclusive o documento em anexo. Destarte, comprovado que os valores lançados como devidos, por esta filial, a título da exação em comento nas competências janeiro de 1999 a dezembro de 2000 e a gratificação natalina referemse, a rigor, à filial do Rio de Janeiro, já tendo sido, inclusive lançadas na NRD n.º 393/2004; bem como entre o período de abril a dezembro e a gratificação natalina de 1997 e janeiro a março de 1998 encontramse abarcados pelas compensações realizadas, necessária a exclusão das respectivas bases de cálculo e fatos geradores da presente NRD. DA SUPERPOSIÇÃO DE COBRANÇAS Conforme já pisado e repisado na peça de bloqueio, os débitos ora discutidos são objeto de dupla cobrança, uma vez que já foram lançados pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, em agosto de 2001, mediante a lavratura das seguintes NFLDS: As notificações elencadas, da lavra do INSS, possuem o mesmo objeto (salárioeducação), utilizaram a mesma base de cálculo, correspondem ao mesmo período, bem como aplicaram a mesma alíquota aplicada aos débitos lançados na presente NRD, configurando, portanto, indubitavelmente uma dupla cobrança de um débito que, a rigor, é o mesmo. [...] Patente que a Recorrente está sendo objeto de dupla cobrança dos valores destinados ao FNDE e, por que não dizer, tripla cobrança, se considerarmos o período compreendido entre as competências de janeiro de 1999 e dezembro de 2000 e a gratificação natalina, bem como de abril a dezembro e a gratificação natalina de 1997 e janeiro a março de 1998, pelas razões já expostas anteriormente. (Grifos no original) É o relatório. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 467 7 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e foi apresentado por procurador devidamente constituído, porém, não será conhecido em relação à alegação de nulidade e em relação à alegação de que parte das contribuições lançadas na presente NRD já teriam sido incluídas na NRD nº 393/2004, uma vez que tais alegações não chegaram a ser prequestionadas, em sede de impugnação, e seu exame, no presente julgamento, importaria na supressão de instância e consequente afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Tributário. Da preliminar de decadência Alega a Recorrente que os valores lançados pelo FNDE e relativos às competências anteriores a novembro de 1997, inclusive, teriam sido “ilegalmente constituídos na NRD em tela”, pois, em seu entendimento, teria incidido, no presente lançamento, “a figura jurídica da decadência”. Pois bem, compulsando o Quando de Atualização de Débito de fls. 122 a 124, que segue em anexo à Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) nº 0000360/2004, fl. 121, constatase que o lançamento sob foco diz respeito às competências de 07/1995 a 12/2002. Por sua vez, segundo o AR de fl. 127, a ciência da NRD ocorreu em 19/5/04. Acontece que, nos termos do art. 45, da Lei 8.212, de 24/7/91, o direito da Seguridade Social de apurar e lançar seus créditos extinguiase em 10 (dez) anos1, regra esta empregada pela decisão de primeira instância, em 7/12/04, porém, em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, o Supremo Tribunal Federal (STF) editou, em 12/6/08, a Súmula Vinculante nº 8 (DOU 20/6/2008), nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Decreto Lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nesta feita, ao analisar os efeitos da edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, assim concluiu o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008: a) no caso do pagamento parcial da obrigação, independentemente de encaminhamento de documentação de 1 Contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 468 8 confissão (DCTF, GFIP ou pedido de parcelamento), o prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional; b) no caso de não pagamento, nas hipóteses acima elencadas (com ou sem o encaminhamento de documentação de confissão), o prazo é contado com base no inciso I, do art. 173, do CTN; A esse respeito, vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme se observa, o prazo para a Seguridade Social apurar e lançar seus créditos passou a ser de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o tributo obedeça ao regime de lançamento por homologação e desde que haja início de pagamento (antecipação), ainda que parcial (art. 150, § 4º, do CTN), ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de inexistência de início de pagamento (art. 173, I, do CTN). Fl. 472DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 469 9 Portanto, tendo em vista que as contribuições lançadas dizem respeito às competências de 07/1995 a 12/2002, e que a ciência do lançamento ocorreu em 19/5/042, pela nova regra decadencial, restariam assim atingidas pela decadência: As contribuições até a competência 04/1999, inclusive, pela regra do art. 150, § 4º, do CTN – havendo antecipação de pagamento; e As contribuições até a competência 11/1998, inclusive, pela regra do art. 173, inciso I, do CTN – não havendo antecipação de pagamento. Para análise da existência ou não de recolhimento, trazemos à baila o seguinte histórico constante do Termo de Encerramento da Inspeção de fl. 7, elaborado pelos técnicos do Programa Integrado de Inspeção em Empresas e Escolas (PROINSPE3): Histórico: Após análise da documentação, constatamos que a empresa acima, utilizou uma guia única, com o CNPJ final 000126, para fazer o recolhimento Social do Salário Educação incluindo todas as empresas do grupo, apenas na competência 06/95, e nas demais competências, até a competência 03/97, não houve recolhimentos. A partir da competência 04/1997 a 03/1998, usou a compensação, em função da Liminar concedida através da impetração da Ação Ordinária, Processo n° 97.00753271 RJ, questionando a constitucionalidade da contribuição, porém, a compensação foi feita também junto, numa guia única do CNPJ citado acima, conforme cópia em anexo, e Demonstrativo de Recolhimentos. De 04 de 1998 a 03 de 1999, 02, 03 e 04 de 2002, também compensou, já em guia própria conforme Demonstrativo. De 04 de 1999 a 03 de 2001 não houve recolhimento nem compensação. A partir de 05/2002 até a presente data, a empresa vem fazendo o recolhimento em sua própria guia. Quanto ao demonstrativo das indenizações, a empresa foi orientada a entrar em contato com o setor de cadastro para regularização e povoamento da RAI, no prazo de 15 dias. O Quadro de Lançamento de Débitos de fls. 117, por sua vez, informa o recolhimento dos seguintes valores em relação às competências de 04/1998 a 03/1999: COMPETÊNCIA RECOLHIMENTO 04/1998 1,36 05/1998 1,27 06/1998 1,76 07/1998 1,92 08/1998 1,77 09/1998 1,84 10/1998 1,16 2 Deve ser considerada a data da ciência do lançamento e não a data de início da fiscalização, constante do Termo de Visita – Empresa de fl. 3, ou seja, 3/12/02. 3 Criado pela Resolução n° 15, de 19/10/93, do Conselho Deliberativo do FNDE. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 470 10 11/1998 1,05 12/1998 1,50 13/1998 1,50 01/1999 1,84 02/1999 1,83 03/1999 1,61 Portanto, encontramse atingidas pela decadência as contribuições referentes às competências até 03/1999, inclusive. Da alegada dupla cobrança Segundo a Recorrente, no que tange às competências de abril a dezembro e a gratificação natalina de 1997 e janeiro a março de 1998, a fiscalização estaria cobrando os valores devidos a título de SalárioEducação para esta filial em específico (00071l), além de lançar os valores compensados pela empresa como um todo na matriz (000126). Assim, exige duas vezes a mesma exação, pois aqueles valores já se encontravam incluídos nestes últimos, consoante atesta, inclusive o documento em anexo. Pois bem, como visto no item anterior deste voto, o período a que se refere essa alegada dupla cobrança foi atingido pela decadência e as contribuições correspondentes serão excluídas do lançamento. Logo, temse por prejudicada a análise quanto à alegada dupla cobrança. Da alegada superposição de cobranças Conforme se observa nesse item da defesa, trazendo quase as mesmas alegações da impugnação, a Recorrente alega que os “débitos ora discutidos” já teriam sido “lançados pelo Instituto Nacional do Seguro social – INSS” nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLDs) que relaciona. Aduz, ainda, que tais NFLDs possuiriam o mesmo objeto (salárioeducação), utilizariam mesma base de cálculo, corresponderiam ao mesmo período, bem como estariam aplicando a mesma alíquota dos débitos lançados na presente NRD, configurando, portanto, em seu entendimento, dupla cobrança e, talvez, tripla cobrança, se forem considerados os valores referentes ao período de abril a dezembro de 1997, inclusive o 13º, e de janeiro a março de 1998. Todavia, segundo se extrai da decisão recorrida, não merecem guarida tais argumentos. Senão, vejamos: Com relação ao questionamento de que parte dos débitos já estariam incluídos em parcelamento, constituídos pela NFLD n.º 35.371.5131, ou seja, o período de 01/99 a 04/01, após análise da documentação, constatamos que as diferenças apuradas nesta NFLD, referemse a fatos geradores não informados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP), sendo que estas diferenças não foram levantadas na inspeção realizada pelo Fl. 474DF CARF MF Processo nº 23034.008003/200351 Acórdão n.º 2402006.673 S2C4T2 Fl. 471 11 PRO1NSPE, bem como as apuradas por meio da NFLD n.° 35.371.5115, concernente ao período de 01/96 a 03/97, portanto, não há fundamento no questionamento da empresa. Consta, ainda, levantamento de débito para o SalárioEducação referente ao período de 01/99 a 04/01, por meio de outras NFLD's, inclusive a NFLD n.º 35.371.5140, abrangendo os valores do SalárioEducação apurados pelo PROINSPE, no entanto, o fiscal do INSS relata no relatório de fl. 196 da fiscalização que os débitos apurados nestes levantamentos, resultam do total das contribuições sociais do SalárioEducação, incidentes sobre a remuneração dos empregados constante das folhas de pagamento, deduzidas as contribuições recolhidas pelo convênio do SalárioEducação e as contribuições compensadas devido ao processo judicial ajuizado a respeito da constitucionalidade do SalárioEducação. (Grifo no original) Primeiramente, insta destacar que tais débitos parcelados citados na transcrição acima não chegaram a ser mencionados no recurso voluntário, constando na impugnação apenas uma referência a respeito, no último item dos pedidos, nos seguintes termos: “ Por todo o exposto, a Defendente requer: [...] c) A suspensão dos débitos já submetidos a parcelamentos, em razão do disposto no CTN, artigo 151, inciso VI”. Também cabe destacar que os valores referentes ao período de 04/1998 a 03/1999 foram atingidos pela decadência e serão excluídos do lançamento. Quanto às demais alegações constantes desse item do recurso, percebese, claramente, que a decisão de primeira instância fez os devidos esclarecimentos, mostrando que não houve coincidência de valores entre aqueles apurados na inspeção realizada pelo Programa Integrado de Inspeção em Empresas e Escolas (PROINSPE) e aqueles lançados nas citadas NFLDs. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), fazendo a devida demonstração (comprovação) da alegada superposição de cobrança, porém, não o fez. Conclusão Isso posto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento as contribuições até a competência de 03/1999, inclusive, uma vez que atingidas pela decadência. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 475DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910619/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 19 /2 01 5- 61 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10680.910619/201561 Acórdão n.º 3301005.284 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.424. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.910619/201561 Acórdão n.º 3301005.284 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.910619/201561 Acórdão n.º 3301005.284 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.910619/201561 Acórdão n.º 3301005.284 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10680.910619/201561 Acórdão n.º 3301005.284 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10680.910619/201561 Acórdão n.º 3301005.284 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.013991/2006-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO PRESSUPOSTOS - As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 1202-000.295
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
ACOLHERAM parcialmente os embargos opostos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no acórdão nº 1202-00.199 de 04/11/2009, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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Matéria PEDIDO DF HABILITAÇÃO DE CRÉDITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado LOCALIZA RENT A C- AR S/A Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO - PRESSUPOSTOS - As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos„ ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, ACOLHERAM parcialmente os embargos opostos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no acórdão n" 1202-00.199 de 04/11/2009, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado re 'idente e Relator EDITADO EM: O 5AGB 2010 Participaram da sessão os Conselheiros: Nelson Loss° Filho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, André Ricardo Lemes da Silva (Suplemente Convocado), Darei Mendes de Carvalho Filho (Suplente Convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da Turma). Ausente .justificadamente a Conselheira Valeria Cabral Géo Verçoza. dIP Relatório Após o despacho do Presidente desta Colenda Câmara, retornam os autos para exame do pedido formulado pela embargante, com base no § 2 0 do art, 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n" 256/2009, denominado de -"Embargos de Declaração", por entender o peticionário existir omissão no Acórdão n" 1202-00..199, prolatado na sessão de 04 de novembro de 2009, apresentando em seu arrazoado de lis, 192/ - 196 o seguinte: "Trata o presente processo de Pedido de Reconhecimento do _Direito Creditório no valor de 11$1.841.000,00, em decorrência de decisão judicial transitada em julgado (art. 74 da Lei n" 9,430, de 27 de dezembro de 1996), fls. 1,6/7,46/47 e 65, para fins de compensação do débito informado na PE1?/DCOMP 27155..80353.261206 1 .3.57-4228, 01/06 do processo ri° 10680.720197/2007-23 (apenso). Consoante o Despacho Decis-ório,f1s-. 80/82, o crédito habilitado -em decorrência de decisão judicial transitada foi no valor de R$ 1 044..135,91 Todavia não houve homologação da compensação pleiteada na PERDCOMP n°27155.80353.26/206.1 3.57-4228.. fls. 01/06 do processo n" 10680.720197/2007-23, porque este nrocedimento não estava de acordo com os estritos ferinos da sentença que homologou a desistência da execução e defériu o direito à compensação, fls 06/07. Este C.'olegiado, ao examinar a causa, decidiu acolher em parte a pretensão do contribuinte para substituir a incidência dos juros de mora de 1 % sobre seu crédito pela Taxa SEL1C Aí desponta evidente omissão e obscuridade no julgado, uma vez que, embora decida pela substituição dos juros de mora no importe de .1% a 177 , tal como fixado na sentença de 14/11/1989 (fls. 15/17), o Colegiado não menciona o dies a quo incidência da Tiixa SEL1C sobre o crédito do contribuinte Não suficiente, observa-se no dispositivo da sentença que concedeu o multicitado direito creditório ao contribuinte que ficou estipulada a incidência de "(a) - correção monetária- a partir da data do pagamento indevido, na fOrma da Súmula n" 46/TER,- (b) juros mortuários de I% ao mês a partir do trânsito em julgado ( . )". Contudo. o it. Colegiado apenas fez menção à substituição dos' juros morakirios, sem mencionar' se a correção monetária também restou .substituída pela Taxa &UR: Diante do exposto, faz-se necessário o saneamento do julgado a fim de constar se os juros moratórios e a correção monetária foram (ambos) .substituídos pela incidência da laxa Selie (e não apenas os juros de mora), com a impossibilidade de cumulação desta taxa com qualquer outro índice de correção monetária ou juros Ademais, é imperioso que o Colegiado aclare o momento de incidência da nua SELIC. 2 Processo ri" 10680.013991/2096-36 S1-C2 E.2 Acórdão ii" 1202-00.295 1 1 .) Noutra linha, observa-se que já houve a expedição de precatórios na ação ajuizada pelo contribuinte. Senão vejamos.- "O cálculo de liquidação, no valor de ( . ) foi homologado pela sentença dell. .293 em 27/8/1991, considerando a falta de objeção das partes. O precatório foi levantado em 09/2/1.994, no valor- de ( . ). Oprimeiro precatório complementar .foi homologado pela sentença de fl. 343, que reconheceu .ser devidos os "expurgos inflacionários" nos percentuais (. A mencionada sentença Irtmsilou em julgado em 6/9/1995 (fl 398-1). O primeiro .precatório complementar. .foi levantado em 16/0/1997 . .). Proferida .sentença homologando a desistência da evecra,ão requerida por LOCALIZA REVI' A CAI? S/A do precatório complementar no valor de 1?$ 1.238 517,77 era março/1998 ( .)." (Certidão de 65) Nó agram de instrumento de n" .1998. 01. 00.043852-1/1)1" constá idêntica injOrmação. • "bn ação de repetição de indébito em que a União fin condenada, a autora requereu o pagamento complementar relativo à correção monetária dos valores liquidados e pagos em primeiro precatório". A sentença de /1 06 atesta que "Trata-se de execução de valor remanescente de precatório ¡á eNpedido, decorrente de atualização monetária e juros de mora (..)" Ocorre que, nos termos do art 17 da .1N SRF n" .21/1997, "Não poderão .ser objeto de pedido de restituição, r.c.ssarciinento compensação os créditos decorrentes de títulos- judiciais .já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem. emissão de precatório". É inegável que o Coleg,lado a quo omitiu-se na análise da aplicação desse dispositivo à espécie. Tratando-•e de valores que já foram objeto de liquidação na seara judicial, já lendo sido objeto até mesmo da emissão de precatórios parciais, cediço que tais valores remanescentes não poderiam ser objeto de pedido de compensação e/ou restituição na .seara administrativa Por outro lado, cabe atentar para o fato de que, a fim de disciplinar as condições e as fOrtrU1S da realização da compensação, foram aprovadas 110f fildS, dentre as quais se destacam a IN/SR17. n" 21/97 e a IN/SR.T. 210/02, que exigiam para a (1' e'divação do citado procedimento, a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário. Vejamos "Art. 17. Para *i/.0 de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença .judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. 1m No caso de título . judicial em fase de execução, a restituição, o res'sarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuadas :5-e o contribuinte comprovai junto à unidade da 8"1?» . a desi„stèricla, 3 perante o Poder .Tudiciário, da execução do titulo judicial e assumir todas as custas do processo, . inclusive os honorários advocaticios". IN 210/2002 "Art. 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo pata com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trônsito em julgado da decisão em que fin. ' reconhecido o threWo creditório do suj(Wo passivo. 2". Na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição Ou o ressarcimento somente .será efi?tuado pela S.RF .se o requerente comprovar a (les tência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, üzclusive Os honorários advocaticio.s". Compulsando os autos, desponta omissão no julgado no .sentido de.' que não se vislumbra a análise e a comprovação de que o interessado procedeu ao atendimento de todo..s. 0.5 requisitos acima delicados no.s instrumentos normativos, em particular o previsto pelo dispositivo in fine, qual seja, a assanção de todas as custas do processo de execução, inchtsive honorários advocaticjo.s. Fato este que ob.staria a compensação pretendida na e.sfera administrativa." -No julgamento do mérito, deliberou esta 'fuma "por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para admitir a incidência da taxa Sebe sobre o montante a compensar . , em substituição ao juro de l%", como consta registrado naquela ata de julgamento, traduzida na folha de rosto do acórdão embargado, fls. 1 83.. É o Relatório, Process;o n" 10680.013991/2006-36 SI-C2T2 Acórdão n 1202-00.295 17I 3 Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho Vieram-me os autos, em atendimento ao despaeho do Presidente da 2" (.-..âniara da 1." Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que seja examinado o pedido manifestado pelo Embargante às fls.. 192/196, que vislumbrou ter ocorrido omissão no voto, conforme consta do Relatório Acolho parciahnente os embargos opostos em virtude de restar configurada. a. em parte a omissão apontada. Vejo que o posicionamento adotado pela decisão do acórdão embargado foi resumido pela seguinte ementa: -fissunto.: hnposto sobre a Renda de Pessoa ,Jurídica IRPI Ano-calendário. .1998 Ementa: RE,STITUICÃO/COMPENSAGIO - ,JUROS' DE MORA • •• APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Conffirme 4", do artigo .39, da Lei n." 9 250/95, a partir de I" de janeiro de 1996 a compensação Ou restituição de tributo.s será acrescida de juros equivalentes à laxa SELIC COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO — AÇÃO JUDICIAL. TI? A AISTIADA EM JULGADO .. O crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado deverá ,s .er compensado no período determinado pela ,sentença que o reconheceu Recurso Voluntário Provido em Parle," No corpo do voto os fundamentos apresentados estão assim descritos: "As matérias em litígio dizem respeito à pretensão da empresa de ter acolhido seu pedido de restituição/compensação com a incidência da Taxa Selic ao invés dos . juros de I% previstos na sentença e o direito de compensar tais valores em qualquer período posterior aos previsto na decisão judicial, 30 de novembro de 2006, não devendo o resultado do .julgamento ser interpretado literalmente.. Kip que em parte assiste razão à empresa, pois a aplicação da Taxa Selic sobre valores a rc-,'stituir ou a compensar está prevista em legislação editada posteriormente à decisão judicial, mas que é direito da recorrente., não podendo neste caso ser usada qualquer interpretação restritiva. Com eleito, pelo disposto no 4", do artigo 39, da Lei a' 9 250/95, a partir de 01 de janeiro de 1996 a restituição ou 5 compensação de tributos" deve ser acrescida da variação da Taxa Lsie artigo está as.sim redigido.. "Ari. .39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, _somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a iny2osto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes (Omissis) .§ 40 A partir de I° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Lispecial de Liquidação e de Custódia - SELIC para titulos .federais, acumulada mensalmente, calculado.s a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês (Ulterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada A decisão judicial de fl,s. 15/17, Sentença n" 487/89, ao decidir pela aplicação dos ,juros de mora de I% seguiu a legislação de regência à época de sua publicação, 14/11/1989, não podendo, obviamente, .se manifestar. a respeito da Taxa ,S'elic .substituição aos juros, que só foi prevista em Lei posteriormente editada, em 1.995. L este o teor des.sa decisão: "Ante o exposto, acolho o pedido para que a ré devolva o dinheiro recebido a título de empréstimo compulsório na aquisição de automóvel, conforme documento de arrecadação (fis. 28-127) A quantia será devolvida com- (a) - correção monetária a partir da data do pagamento indevido, na forma da Súmula n"46/TER; (b) - juro.s moratórias de I% ao mês a partir do trânsito em julgado — CTN, uris. 161, .1" e 167, p.u., (c) -- verba honorária de .5% sobre o valor da condenação,. (d) — reembolso das' custas antecipadas --- ('PC, art. 20, ys' 4`' "vencida a 1' azenda Nacional". A jurisprudência administrativa é no sentido de que a partir de janeiro de 1996 a taxa Sebe deve ser utilizada corno juros de niora sobre valores a restituir ou a compensar.. As ementas dos julgados Ne,guir traduzem esse entendimento. "Acórdão n' 101-96208 ReCTIFS0 n" 147481 IRIV — 1?P:STITUIÇÃO --- TAXA SELIC O valor do crédito relativo a tributo c/ou contribuições a ser utilizado na compensação e ou restituição, .será acrescidos' de juros pela taxa CSLL RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITORIO - Tendo sido devidamente comprovado nos autos que nos anos pretéritos a contribuinte recolheu a título de C'S.LL valor maior que o efetivamente devido. impõe-se reconhecer a compensação • oi. ela efetuada Recurso Voluntário Provido " 1(1)j 6 rocesso n" 10680 013991/2006-36 SI -12 12 Acórdão ri" 1202-00.295 El 4 "Acórdão n" /01-96595 Recurso n" 1)5704 IR PI RE,STITUIÇA-0 - CORREÇÃO MONEIÁ RIA - O tributo pap,o a maior deve ser atualizado monetariamente, para fins de restituição ou compensação.. Os índices' de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pehi pacifica jurisprudência do STI, a saber. no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC, no período de fevereiro a dezembro de 1991, o INPC, a partir dejarieiro/92 a dezembro/95, a 1. 117k A laxa Sehc aplica-se exchivivamente a partir de janeiro de 1996 "Acórdão n" 101-9.5023 Recurvo n" 139807 DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO -- TERMO - Quanto a Administração utiliza crédito do contribuinte para extinguir de ofício, mediante compensação, débito em seu nome em processo final de cobrança, nasce o direito de pleitear a restituição de • valor utilizado a maior, devendo ser exercido num prazo de cinco anos contados da ciência da compensação 1?ESTITUIÇÃO- A TUALIZA ÇÃO MONEIÁRIA - Para a atualização monetária, até 31/12/95, de valores pagos ou recolhidos no período de 01.01.88 a 31 12 91, para .fins de restituição Ou compensação, aplica-se a .NE SRF/COSIT/C7OSAR n" 08/97 RESTITUIÇÃO- JUROS DE MORA - De Acordo com o parrágrak 4", do artigo 39, da Lei n" 9,250/9.5, a compensação ou restituição será acrescida de furos equivalentes à taxa SELIC, calculados a partir de I" de janeiro de .1 996 até o mês anterior ao da compensação ou rc.stituíção Recurso provido em parte." O Superior Tribunal de Justiça também firmou posição que não fere o instituto da Coisa Julgada a utilização da laxa Sebe substituição aos juros de 1%, quando a sentença foi proferida anteriormente à vigência da Lei ir 9.2.50/95 Abaixo transcrevo as ementas de alguns desses julgados • "RECURSO ESPECIAL N' 1 107.821 - SP (2008/0269626-8) EMEN121 PROCÊSSI.IAL C/ VII, E TRIBUTÁRIO - LIQUIDAÇÁO DE SENTENÇA - TAXA SELIC - SENIWNÇA AN7TRIOR À VIGÉNCIA DA LEI 9.2.50/95 - I)VCLU,S"ÃO - POSSIBILIDADE 1 As Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte pacificaram o entendimento no sentido de que, nos casos em que a sentença cognitiva lenha sido prokrida após a entrada em vigor da Lei 9.250/95, determinando a incidência de juros maratõrios no percc.litual de 1% ao mês, e assim lendo transitado em julp,ado, a taxa SELIC não pode ser aplicada em sede de execução 2 Diversamente, contudo, se a sentença foi proferida em período anterior à vigência da citada lei, é possível a inclusão da referida taxa nos cálculos de liquidação de sentença, sem que isso implique ofensa à coisa julgada Precedentes (7 3 Recurso especial provido, para determinar a incidência da taY(1 SELIC a partir de 01/01/96, Will cumulação com qualquer outro índice de correção monetária ou com o juros moratório.s de que traía o art. 161 do C'T.N 'AgRg no REsp 774 861/DF, Rei Min. Denise Arruda, Primeira firma, RI 15/03/2007 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL TRiBUIÁ RIO APLIC "A ÇÃO DA TAXA SELIC IMPOSSIBILIDADE SENÍEK A EXEOUENDA POSTERIOR À VIGÊNCIA DA LLI 9 250/95 OFENSA À (1'0154 JULGADA AGRAVO DESPROVIDO 1 É admissível a inclusão da laxa SELIC na fase de execução do título judicial quando a sentença de mérito, que não a previu, tenha sido preferida antes da vigência da Lei 9.250/95 (1" de janeiro de 1996), não havendo, 11.e.S'N'eN casos, Ofensa à coisa julgada 2 No entanto, se a sentença e.xeqüenda é posterior à edição da Lei 9.250/95, embora não aplique a taxa SELIC como índice de correção monetária e taxa de juros, é inviável a inclusão da referida taxa em sede de execução $ Agravo regimental desprovido. "COMPEMSA ÇA-0 TRIBU'1OS DE DIFEREN1ES ESPÉCIES SUCESSIVOS REGIMES DE (X)MPENSAÇÃO. APLICAÇÃO .REIROATIVA OU EXAME DA CAUSA À LUZ 1)0 DIREITO SUPERVENIENTE. INVIABILIDADE JUROS DE MORA 1..18. Nos' casos de m (petição de indébito tributário, a orientação prevalenle no âmbito da I" Seção quanto aos juros pode ser sintetizada da seguinte ,fórma.- (a) antes- do advento da Lei 9 250/95, incidia a correção monetária desde o pagamento indevido até a restituição ou compensação (Súmula I 62/5T,I), acrescida de juros de mora a partir do trânsito em julgado (Súmula 188/S11), nos termos do art 167, parágrafo único, do CIN (b) após a edição da Lei 9.2.50/95, aplica-se a taxa S.EL1C desde o recolhimento indevido, ou, se fOr o caso, a partir de 1" 01 1996, não podendo ser cama/acta, porém, com qualquer outro índice seja de atualização monetária, seja de juros, porque a SEL1C inclui, a uni só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real 9.. Recurso especial a que se dá parcial provimento." "(R.Esp 1041.397/BA, Rei, Ministro CASTRO MEIRA„ SEGUNDA TURMA, julgado em 20/05/2008, DIe 04/06/2008) "EMBARGOS À EXECUÇÃO Th rUE0 EXEC Ull VO JUDICIAL l'AXA SEI JC COISA JUL (»IDA VIOLAC.ÃO INEXISTÊM IA . PRECEDENTES. EXPURGOS INPLACIONÁRIOS PEDIDO IMPLÍCITO .PRE C EUSÃO. AUSÊNCIA I "A incidência da correção monetária sobre o -valor objeto da condenação se dá, como os juros de mora, ex vi legis (Lei n" 8 Processo n" 10680 013991/2006-36 S1-C212 Acórdão n.° 1202-00.295 11 6 899/81), sendo, por essa Farão, independente de pedido expresso e de determinação pela sentença, na qual se considera implicitamente incluída" (EREsp 711 276/SP, Rei Min Teori Albino Zavaseki, D.IU de 26 09 05) 2 Não há oftrisa à coisa julgada na utilização da nua &lie, se a sentença exeqüenda foi prolatada em data anterior à sua instituição Precedentes I •14 Recurso espeáal provido " -(EDel no REsp 443 237/RS, ReI Ministra EMANA CALMON, PRIMEIRA SP,(7710, julgado em 11/10/2006, 1)1 06/11/2006 p 294) PROCESSUAL CIVIL — EMBARGOS D.P. DECLARAÇÃO — PRECATÓRIO COMPLEMENTAR - APLICAÇÃO DA TAXA • ,S'ELIC OFENSA À COISA JULGADA - INOCORI?ÊNCI A I Embora a sentença exeqüenda tenha determinado a aplicação de juros morai nos de I% (um por cento) ao ano, nos termos do CTN, no precatório complementar incide a taxa SELIC a partir de 01/01/96 em atenção ao comando da .sentença que garantiu a correção integral dos valores a serem repetidas 2 Como a taxa S'E,L1C engloba juros e correção monetária, deve ela ser aplicada com exclusividade, sem cumulação com qualquer outro índice de atualização ou com ar juros moratórias em separado (no caso, I% ao mês) 3 Inexistencia de violação à coisa julgada 4 Embargos de declaração acolhidos, sem efi:Wos mochficativos "(RESP 640 665/PR, 2" T, Mm. Meira, Dj 06 09 2004), "PREC'ATÓRIO COMPLEMENTAR CONTA DE ATUALIZAÇÂO TA KA SELIC ,SEN7'EN(A .PROFP.,-RIDA 'INTENDA LEI 9 250/95 I A incielèneitt da taxa SELIC na conta de.' atualização de precatória complementar não ofende a coisa julgada na hipótese de a sentença, que especifica outras índices, ter sido prolatada antes da vigência da Lei 9.250/9.5, que instituiu a referida taxa 2. Agravo regimental a que se nega provimento (AGREST 503 172/RS, 1 T, Min Luiz Eus, D..1 de 29 09 2003), TRIBU74' RIO PRECATÓRIO COMPLEMENTAR T4 X4 SELIC COLS'A .JULGADA 1 A Taxa Selic possui natureza emnpensatória e deve incidir a partir de janeiro de 1996, nos termas do I", art 39, da Lei 9 9 250/95, exchrindo-se, ne.s.se período, outras incidências a titulo de correção monetária, sob pena de bis in idem. 2 Não há ofen.sa à coisa julgada com a utilização da Taxa Sebe, .se a sentença de excqüenda foi pio/atada em data anterior a sua instituição 3. Recurso cspecial provido." 1RE5'P 510.804/1).E; 2" 1, Min. Trancar/1i Pleito, D.I de 27. 09. 2004), "RECURSO ESPECIAL - ALINEAS "A" E "C" - PROCESSO CIVIL - PRECATÓRIO COMPLEMENTAR - SENTENÇA QUE HOMOLOGOU OS CÁLCULOS DE LIQÜIDAÇÃO .PROFERIDA ANTES DA EDIÇÃO DA LEI N. 9 250/95 - INCLUSÃO DA TAXA SLLIC - POSSIBILIDADE INEXISIÈNCIA DE OFENSA À COIS'A JULGADA - DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. Consoante restou consignado na decisão proferida pelo ilustre magistrado de primeiro grau, cálculos homologados em .sentença para o pagamento do primeiro precatório . fbrain efetuado.s em outubro de 1990. anteriores, portanto, ao início da vigência da Lei ri 9.250/95 Paru hipóteses como a dos autos, tem .sido deferido a aplicação da Taxa SELIC' sobre O precatório complementar ., .sob o fimdamento da não ocorrência de preclusào, tendo em vista que à época em que prohnada a sentença homologatória dos cálculos da liquidação sequer estava em vigor a indigitada Taxa. Precedente.s.. REsp 503.172/RS, Rel. Min. Luiz Fax, Dai 29.09.2003, REsp 347.366/DF, Rel. Min.. Garcia Vieira, .DJU 30.09.2002 e decisão monoetúlica proferida por Sua Excelência a Ministra Lhana Calmon no .REsp 475 376/SC.', D.I II /3 03.2003. Recurso especial provido para determinar a incidência da Taxa SELAI' sobre o precatório complementar. na forma da sentença." Assim, deve .ser acolhida a pretensão da recorrente em relação à .substituição da incidência sobre seu crédito (105 juros de mora de 1% pela variação da Taxa Selic Já quanto ao período para a utilização do direito de crédito, não resta dúvida que a sentença autorizou a compensação apenas com débitos- vencidos em 30 de novembro de 2006, não podendo o seu executor abstrair qualquer outra inteipretação para o ca.so, cabendo à empresa recuperar seu direito por outros. meios Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a incidência da Taxa Selic sobre o montante a compensar ou restituir; em substituição aos furo.s de 1% estabelecido na decisão judicial." Após analisar as argumentações a respeito da impossibilidade do contribuinte ter o seu pedido de compensação ou restituição acolhido, haja vista os créditos já terem sido Pwcesso n' 10680.013991/2006-36 Si-C2T2 Acórdão n " 1202-00.295 El 6 executados judicialmente, como previsto no art. 17 da IN SRP n" 21/97, e contiontá-las com o acórdão embargado, concluo que não restou provada imperfeição no voto proferido.. Não há omissão, dúvida, inexatidão ou contradição no julgado que pudesse justificar o embargo a esse respeito, restando clara a decisão, pois essa matéria não faz parte do litígio instaurado e analisado no acórdão de primeira instância. Pretendeu o embargante inovar, alterando os fundamentos expostos na decisão prolatada por essa Turma, Objetivando discutir questão de mérito estranha à lide. Com efeito, extraio do acórdão de primeira instância que as matérias ali discutidas, e que motivaram o recurso voluntário, foram unicamente a substituição dos juros de mota pela taxa. Selic a partir de abril de 1998 e a possibilidade da compensação do crédito com débitos vencidos em períodos posteriores a 30/11/2006, Por pertinente, transcrevo a seguir excerto do voto do acórdão de primeira instância: "Restaram comprovadas a homologação da de..•.sistência .N:ecução do título judicial, e a habilitação do crédito reconhecido por decisão . judicial transitada em julgado, .fls. 01, 06/07, 46/47 e 65 No que se refere à liquidação do crédito habilitado, consta na Certidão expedida pela Seção Judiciária do Distrito Federal Justiça Federal de I"Grau,.11. 65: O Diretor de Secretaria da 7" Vara da S'eção Judiciária do Distrito Federal, nos termos do art 14I1V do CPC CERTIFICA que a Execução Diversa por Titulo Judicial n ü 880006198-2, ajuizada por LOCALIZA RENT A CÁ!? S/A contra a UNIÃO, consta o seguinte. Pedido: Receber a quantia paga na aquisição de automóvel, a título de empréstimo compulsório previsto np art. 10, parágrafo único, do DL n" 2288/86. Sentença: Acolhido o pedido para que' a ré devolva o dinheiro recebido a título de empréstimo compulsório na aquisivio de automóvel, conforme documento de arrecadação (fls.. .28-127) A quantia será devolvida com • (a) correção monetária a partir da data do pagamento indevido na forma da Súmula 46/11?1,',.. (p) juros mora.tórios mensais de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado; (e) verba honorária de 5% sobre o valor da condenação; (d) reembolso das custas antecipadas. Trânsito em Julgado • Em 30/04/1991 (f1 227-v) do acórdão do ?RUI" Região que manteve a sentença. [ . ]Proferida sentença homologando a desistência da execução requerida por LOCALIZA RENT A CAR S/A do precatório complementar no valor de R$1.268.51 7, 77/março/l.998 (um milhão duzentos e sessenta e oito mil quinhentos e dezessete reais e setenta e sete centavos). (alguns grilos acrescentados) A habilitação do crédito deve ser no valor e no percentual de juros moratórios mensais- que estão indicados na Certidão expedida pela Seção ,Judiciária, que certifica todo o desenvolvimento da Decisão Judicial. Nesse sentido, deve ser 4111 11 habilitado o crédito no valor de R$1. 268 517,77 em março de 1998, quantia que está sujeita à incidência de "juros moratórias mensais de I% ao mês" a partir de abril de 1998 Assim, não tem cabimento que este valor tenha "o acíé_sciino de juros para ti/aios federais" a partir de abril de 1998, uma vez que a Decisão Judicial dispôs de forma diversa Em relação à homologação da compensação pleiteada na PER/DCOMP n" 27155,80353,261206.1.3.57-4228, fls. 01/06 do proces.so n" 10680 720.197/2007-23 em apenso, vale transcrever o trecho da Sentença n" 424/2006-11 proferida nos autos da Ação Ordinária ri" 88 00 06108-2 que tramitou na Seção Judiciária do Distrito Federal -Justiça Federal de 1" Inytéincia, fls 06/07: Ante o exposto, HOMOLOGO A DESISTÊNCIA da execução via precatório c:orriplementar no valor de R$1. 268 .517,77 (um milhão, duzentos e sessenta e oito ind. quirtheírto.s e dezessete reais e setenta e .setc), cm-Ortrie homologado pela Decisão de 11,s: 462/462-v, e, por conseguinte, DEFIRO à exeqiiente o direito de compensação relativamente às respectivas obrigações tributárias a vencerem em 30/1.112006, na forma da legislação pertinente .(alguns grifos acrescentados) A homologação da compensação deve ser efetivada nos e.stritos lermos da sentença judicial que homologa a desistência da • 717flI !I' 1.;., 11 ljjttfltfl à .711Y-111)e )ç, i's Al vt.,1 vi,inti7er'1/2, . yomunte podem se r • homologadas as compensaçães das: "obrigações tributárias a vencerem em 30/11/2006". Logo, não tem cabimento homologar a compensação pleiteada na .PER/DC'OMP n" 27155 80353,261206 1.3.57-4228, fls. 01/06 do processo n" 10680 720197/2007-23 em apenso, porque o débito ali indicado de IRP,I tem como data de vencimento 28/12/2006. Com o objetivo de justificar seus argumentos de fato e de direito, a requerente interpreta a legislação de regência e arg, ái que a "não homologação importa em der cumprimento de ordem judicial, com todas as responsabilidade. daí decorrentes". A coisa julgada material é um efeito próprio tão-somente de uma decisão judicial (art. 467 do Código de Processo (1.'ivil). Pelo princípio da reserva de jurisdição, .sempre cabe ao Poder Judiciário a .solução das conflitos (inciso XXXV do ar! 5" da Constituição Federal), cuja decisão deve .ser observada pela Administração Pública Em relação à interpretação da legislação de regência, a Constituição Federal determina: Art. 37.. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. obedecerá aos' principias de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência /.../A n" 8 112, de li de dezembro de 1990, prevê. Art 116 S'éi.o deveres do .servidor I - exercer com zelo e dedicação as. atribuições- do cargo,- [ JIlI - observar- as normas legais e regulamentares; 12 Processo n" 10680 013991/2006-36 SI-C2T2 AUntrio n." 1202-00.295 PI. 7 No presente caso, foram observadas as disposições judiciais. e legais Logo, os argumentos relativos a essas matérias não podem prosperar. Fin face do expo.sto, voto por de/;'rir em parte a solicitação da requerente para, em estrilo cumprimento à decisão judicial. (a) habilitar o crédito no valor de RS1..268.517,77 (..wt março de 1998; (h) ressaltar que este valor está sujeito à incidência de "juros moratórias mensais de 1% ao mês" a partir de abril de 1998; (c) ressaltar o direito de compensação "relativamente às respectivas obrigações tributárias a venceirm em 30/11/2006''". Deve a embargante orbitar dentro dos limites determinados para a interposição de Embargos de Declaração, sua admissibilidade . jamais poderá implicar em revisão do decidido no julgamento de recurso por este Colegial°. Trago à colação, por pertinente, julgado da 1" Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 15.774-0-SP-Edcl, em que foi relator o Min.. Humberto Gomes de Barros: "Não pode .ser conhecido recurso que, sob o rótulo de embargos declaralórios, pretende substituir a decisão recorrida por outra. Os embargas- declaratório.s são apelos de integração - não de suhstituição." (RIU de 22/12/93, p(w. 24.895) Entretanto, deve ser esclarecida a data inicial da substituição dos juros de mora pela taxa Selic, acatada no voto embargado. No que concerne à data de incidência da. Sebe em substituição ao .juros de mora, ela deve acontecer a partir de 01/04/1998, mês seguinte a habilitação do crédito, conforme solicitado pela recorrente, quando não mais existia aplicação de correção monetária aos créditos do contribuinte.. Pelos tündamentos expostos, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos opostos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão n" 1202-00.199, prolatado na sessão de 04/11/2009. .---------\--./..-:-.- ---.--, ,, Conselheiro N sonAiso Filho7 / Y- 1 3 ,:-'5'1"':•J-.,- MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO _ADMINISTRATIVO DE RECURSOS PISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, ciedenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acáidão supra, nos termos do art. 81, § _V, do anexo li, do Regimento :Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22_, de junho de 2009. Brasília, 09 de agosto de 2010. (.--y /is . Maria Conceição de 'onsa RoNrigues - Secretária da Câmara Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: li 1 apenas com ciência; [ 1 com Recurso Especial; 1 1 com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 10783.900955/2012-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto.
Súmula CARF 124.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. PREJUDICIALIDADE.
Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-007.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. Súmula CARF 124. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. PREJUDICIALIDADE. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. Súmula CARF 124. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. PREJUDICIALIDADE. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 55 /2 01 2- 02 Fl. 231DF CARF MF 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, contra o acórdão 3002000.004 proferido pela 2ª Turma Extraordinátia da 3ª Seção de Julgamento do CARF, cuja ementa e dispositivo encontramse a seguir reproduzidos: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões. Pedido de Ressarcimento e Despacho Decisório Trata o presente processso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI referente ao 1º trimestre de 2009. A unidade de origem indeferiu o pedido. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando o direito ao crédito presumido pleiteado, sob o argumento de que a Lei n° 9.363, de 1996, não restringe a concessão do crédito a produtos tributados, sendo que, no caso, tratase de Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10783.900955/201202 Acórdão n.º 9303007.731 CSRFT3 Fl. 232 3 exportação de produto de extração mineral (blocos de granito), classificados como não tributados pelo IPI NT. A decisão de primeira instância, consubstanciada no acórdão 0130.785, da DRJ em BelémPA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo pela impossibilidade do crédito relativamente a produtos classificados como NT. Ainda, a título de obterdictum, no voto condutor da decisão, é colocado que em tese poderia haver possibilidade de aplicação dos juros Selic a valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido de IPI, a partir do 360° (tricentésimo sexagésimo) dia do pedido, quando houver valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa e posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Recurso Voluntário e Decisão de Segunda Instância Cientificada da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando suas alegações de impugnação. A 2ª Turma Extraordinária da 3ª Seção do CARF negou provimento ao Recurso especial, adotando o entendimento de que: a exportação de produtos classificados como NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363, de 1996; e apesar de haver previsão legal para aplicação dos juros Selic a valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido de IPI, a partir do 360° (tricentésimo sexagésimo) dia do pedido, quando houver valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa e posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras, como no caso, não há crédito a ser reconhecido, fica predujicada a discussão acerca dos juros. Recurso Especial do Contribuinte e Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificado da decisão de segunda instância, o contribuinte apresentou recurso especial, para discussão: (1) da matéria principal do processo, crédito em relação a produtos não tributados (NT), e (2) a atualização do crédito pela taxa Selic. Com relação à primeira matéria, apresentou como paradigmas os acórdãos nº 9303001.469 e 3402004.778, argumentando que a Lei n° 9.363, de 1996, que instituiu o crédito presumido em tela, não excluiu a possibilidade de creditamento em virtude de exportação de produtos com classificação NT. Com relação à segunda matéria, apresentou como paradigmas os acórdãso n° 9303001.469 e 3402004.778, argumentando que a atualização monetária do crédito pleiteado seria devida, sob pena de enriquecimento sem causa do fisco. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção deu seguimento ao Recurso Especial em relação a ambas as matérias. Fl. 233DF CARF MF 4 Em sede de contrarrazões, a Fazenda Nacional pugna pela negativa de provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, para manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, conforme expresso no despacho de análise de admissibilidade do Presidente da Câmara recorrida, portanto dele conheço. No mérito, por uma questão de prejudicialidade, analisarei inicialmente a matéria principal do processo, quanto à possibilidade de crédito em relação a produtos não tributados (NT). Em seguida, passarei à análise da questão subsidiária, da atualização do crédito pleiteado pela taxa Selic. Pois bem, quanto à matéria principal, acompanho o entendimento esposado tanto pela decisão de primeira instância, quanto pela decisão recorrida, de que não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. Nesse sentido, reproduzo as razões de decidir do voto condutor da decisão recorrida, que aqui adoto: O ponto que se discute neste processo é se o crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, pode ser concedido em relação a exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI. A recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. A Lei nº 9.363, de 1996, assim dispõe sobre o que interessa a esta discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10783.900955/201202 Acórdão n.º 9303007.731 CSRFT3 Fl. 233 5 material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifado) Os artigos, considerados conjuntamente, determinam que o benefício aplicase às empresas e produtos que atendam aos conceitos de estabelecimento produtor, de produção, de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI, ou seja, na Lei nº 4.502, de 1964, e no Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos. Da leitura dos dispositivos legais pertinentes, a seguir transcritos, inferese que, para fins de IPI, estabelecimento produtor equivale a estabelecimento industrial, definido como aquele que executa alguma operação de industrialização da qual resulte produto tributado pelo imposto, ainda que de alíquota zero ou isento. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considera se industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) RIPI/2002 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Fl. 235DF CARF MF 6 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. (grifado) No presente caso, no que diz respeito a suas operações de exportação, a recorrente não se enquadra como estabelecimento industrial do RIPI e nem produz produto tributável pelo IPI. A exigência de a industrialização resultar em produto tributado pelo IPI não é fortuita, mas expressa o alcance do tributo, aponta para as suas hipóteses de incidência. Inicialmente, quando da publicação da Lei nº 4.502, de 1964, constava no Anexo à Lei uma relação que continha apenas os produtos sobre os quais incidia o IPI. Nessa relação não existe a notação NT e não existe a posição 2516, pois a atividade de extração mineral, com o mero corte da pedra, não foi considerado operação de industrialização para fins de tributação pelo IPI. A pedra que tenha sofrido algum trabalho, que pressuponha o aperfeiçoamento de que trata o RIPI, classificase no capítulo 68 ou posterior, esses sim tributados. Posteriormente, quando se decidiu por adotar a relação completa de bens sujeitos ao imposto de importação para fins de construção da TIPI, houve a necessidade de marcar quais bens estavam fora do campo de incidência do IPI, que passaram a ter a notação NT (nãotributados). Tal entendimento é confirmado pelo art. 2º do RIPI/2002, que assim dispõe: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) A notação NT inclui os produtos com imunidade pela Constituição Federal, como livro e jornal, mas o caso analisado, pedra simplesmente cortada, recebe a notação NT por não sofrer uma operação de industrialização. Assim, o que resta claro é que, uma vez que o art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que se utilize os conceitos de produção/industrialização da legislação do IPI, o crédito presumido por ela instituído somente pode ser concedido quando houver exportação de produtos que estejam sob a incidência desse imposto. A Lei nº 9.363/96 adota a lógica do próprio tributo, inclusive aquela utilizada para a concessão dos créditos básicos e Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10783.900955/201202 Acórdão n.º 9303007.731 CSRFT3 Fl. 234 7 incentivados: a venda de mercadoria NT não gera saldo devedor. Se essa saída não gera saldo devedor para o contribuinte, também não pode gerar saldo credor. Essa limitação não alcança os produtos isentos ou com alíquota 0% porque esses estão dentro do campo de incidência do IPI. Os artigos do RIPI/2002 relativos à escrituração dos créditos básicos demonstram a coerência da interpretação adotada, a ver: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . (...) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (grifado) Contraria qualquer lógica interpretativa defender que um tributo que não incide sobre determinado produto passe a incidir sobre esse mesmo produto somente quando for para gerar crédito. Pior ainda, não incide nem na geração de créditos básicos e incentivados, mas incide apenas quando se tratar do crédito presumido para ressarcimento das contribuições. A Lei nº 9.363, de 1996, em momento algum determinou que se desconsiderasse as hipóteses de incidência ou o fato gerador do IPI. Ao contrário, apontou em seu art. 3º que os conceitos fundamentais do imposto deveriam ser seguidos. Não vislumbro qualquer extrapolação ou restrição indevida na aplicação da lei na interpretação exposta, como alega a recorrente. Tratase apenas de interpretação sistemática, que traz coerência para a aplicação da legislação do IPI. Dessa forma, entendo não ser possível a concessão de Crédito Presumido de IPI no caso. Em face dessa impossibilidade, resta prejudicada a discussão da atualização do crédito pleiteado pela taxa Selic. Aplico a Súmula CARF 124. CONCLUSÃO Fl. 237DF CARF MF 8 Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012979/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/09/2006
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR MEIO DE TÍQUETE. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011.
Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em tíquete, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de forneci mento de alimentação in natura.
Numero da decisão: 2402-006.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente MILENIUM PROMOTORA DE VENDAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/09/2006 ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR MEIO DE TÍQUETE. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011. Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em tíquete, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de forneci mento de alimentação “in natura”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 29 79 /2 00 8- 21 Fl. 348DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 9ª Tuma da DRJ/BHE, consubstanciada no Acórdão nº 0224.207 (fls. 148/157), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de crédito tributário formalizado contra a contribuinte acima identificada, constituído de contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salário do período de setembro de 2004 a setembro de 2006, sobre a diferença de dissídio coletivo paga em dezembro de 2003, bem como sobre valores de tíquetes alimentação recebidos pelos empregados no período de junho de 2003 a fevereiro de 2004, sem que a empresa estivesse devidamente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. As contribuições compõemse da cota patronal (20%) e do financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho Sat/Rat (2%). Segundo o relatório fiscal de fls. 40/44, na apuração das contribuições da rubrica Sat/Rat foi aplicada a alíquota de 2% (dois por cento) para o período de setembro de 2004 a setembro de 2006. No período de novembro de 2003 a agosto de 2004, como a empresa recolheu tais contribuições aplicandose a alíquota de 1% (um por cento), apenas os valores correspondentes ao restante da alíquota devida (l% de 2%) foram lançados. A autoridade lançadora informa que, na consolidação deste crédito, examinou as folhas de pagamento, as guias de recolhimento de FGTS e informações à previdência social GFIP, as guias da previdência social GPS, as notas fiscais de aquisição de tíquetes alimentação e planilhas contendo os empregados beneficiados, a quantidade e os valores dos tíquetes distribuídos (fls. 81/89). Foram elaborados e juntados os discriminativos de fls. 45/80, especificando os valores de salários de contribuição referentes à alimentação, bem como as diferenças de contribuições Sat/Rat lançadas. Cópia de email enviado pelo Ministério do Trabalho/Programa Alimentação do Trabalhador à empresa foi acostada às fls.90/91, informando sobre o não cadastramento da mesma no PAT nos anos de 2003 e 2004. Informa ainda, a autoridade lançadora que os fatos geradores apurados não foram declarados em GFIP e por ter ocorrido, em Fl. 349DF CARF MF Processo nº 15504.012979/200821 Acórdão n.º 2402006.554 S2C4T2 Fl. 3 3 tese, crime contra a Seguridade Social, emitiu Representação Fiscal para Fins Penais. Os fundamentos legais encontramse às fls. 28/29. Cientificada do lançamento, a empresa ofertou a impugnação de fls. 118/133, subscrita por procurador constituído, acompanhada dos documentos de fls. 134/140, onde aduziu as razões que se seguem. Insurgese contra o lançamento alegando que no ano de 2007 foi submetida a uma ação fiscal que compreendeu o período do credito ora contestado, da qual resultou a lavratura da NFLD n° 37.033.8731. Dessa forma, tanto as declarações prestadas ao Fisco como os recolhimentos feitos até aquele ano foram homologados. Ressalta que exceções à imutabilidade do lançamento somente se admite nas hipóteses previstas no artigo 145 c/c 149 do CTN, sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica. Alega que parte do crédito foi atingida pela decadência, conforme a regra do artigo 150, § 4º do CTN. Salienta que, na improvável hipótese de suplantados os argumentos aduzidos anteriormente, o crédito em tela não procede porque a exigência de contribuições incidentes sobre tíquetes alimentação não é válida quando fundamentada unicamente na falta de inscrição da empresa no PAT. Destaca que, sobre tal questão, a jurisprudência sedimentou o entendimento de que a inscrição no PAT não é requisito indispensável para a exclusão das despesas com alimentação do salário de contribuição, bastando, para tanto, que a verba não seja paga em pecúnia. Ao final, requer a insubsistência do auto de infração. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos, em síntese: Ø Insurgese a Autuada alegando que parte do crédito foi abarcado pela decadência. No caso desses autos, a despeito de qualquer uma das regras mencionadas, isto é, tomandose o disposto no artigo 173, inciso I ou a previsão do artigo 150, § 4°, o presente lançamento é mantido em sua totalidade, não lhe cabendo qualquer reparo, pois foi consolidado em 18/07/2008, com a ciência da empresa em 22/07/2008. Assim, pela determinação do artigo 173, inciso I, poderia abarcar fatos geradores ocorridos desde a competência dezembro de 2002, que é exigível em janeiro de 2003. Pela dicção do artigo 150, § 4º, é válido o lançamento sobre fatos geradores ocorridos a partir da competência junho de 2003, por serem as contribuições deles decorrentes passíveis de cobrança a partir da competência julho de 2003; Fl. 350DF CARF MF 4 Ø No que concerne à irresignação pela exigência de contribuições sobre os valores dos tíquetes alimentação recebidos pelos empregados, cabe ressaltar que, via de regra, são considerados salário de contribuição. Esse entendimento podemos abstrair do artigo 28, inciso I da Lei n° 8212/91, que determina que os ganhos habituais sob a forma de utilidades representam salário de contribuição; Ø A Autuada não comprovou sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador no período lançado. E, ao contrário do que alega, nos termos da legislação previdenciária, a formalização da adesão ao PAT é condição essencial para que as verbas pagas deixem de integrar o conceito de remuneração, não havendo, portanto, argumentos outros capazes de suprir a exigência legal. O fornecimento de tíquetes alimentação, sem que a empresa esteja inscrita no PAT, deve ser considerado fato gerador da obrigação tributária, por representar ganho habitual sob a forma de utilidade e, por isso, integrar o conceito de remuneração; Ø Contesta, ainda, a Impugnante o direito do Fisco constituir este crédito, pois, em auditoria anterior, já teria fiscalizado o período objeto dessa nova ação e homologado os procedimentos adotados pela contribuinte. A auditoria fiscal mencionada foi destinada à verificação de fato gerador específico Operação Premium Card. A ação do Fisco limitouse ao exame da regularidade tributária da empresa no tocante a valores pagos aos sócios, por intermédio de cartão de premiação FLEXCARD, administrados pela empresa incentive House S.A., CNPJ 00.416.126/000141. Os lançamentos relativos às obrigações tributárias principais, resultantes do trabalho fiscal na empresa em 2008, autos de infração n°s 37.1 16.798 1, 37.116.7990 e 37.1 16.8007, constituemse de contribuições decorrentes de valores pagos aos empregados na forma de diferença de dissídio coletivo (levantamento DIS – Complemento Dissídio), de tíquetes alimentação (levantamento PAT Alimentação) e de folha de pagamento (levantamento RAT Seguro Acidente Trabalho). Destarte, o argumento da Impugnante não merece prosperar, não havendo que se falar em extinção de direito de proceder lançamentos, revisão de fiscalização, tampouco lançamentos sobre mesmos fatos geradores; Ø Considerandose as disposições contidas no artigo 106, II, “c” do Código Tributário Nacional CTN, mostrase necessária a análise comparativa da multa aplicada em conformidade com a legislação vigente à época da autuação com a multa prevista nos dispositivos legais atualmente em vigor, devendo prevalecer aquele mais favorável ao sujeito passivo. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário (de fls 161/168), por meio do qual reiterou os argumentos defensivos apresentados na impugnação, reproduzido linhas acima, a saber: Ø Existência de ação fiscal que compreendeu o período do credito ora contestado, da qual resultou a lavratura da NFLD n° 37.033.8731. Dessa forma, tanto as declarações prestadas ao Fisco como os recolhimentos feitos até aquele ano foram homologados; Fl. 351DF CARF MF Processo nº 15504.012979/200821 Acórdão n.º 2402006.554 S2C4T2 Fl. 4 5 Ø Decadência de parte do crédito tributário, conforme a regra do artigo 150, § 4º do CTN; Ø O crédito tributário em tela não procede porque a exigência de contribuições incidentes sobre tíquetes alimentação não é válida quando fundamentada unicamente na falta de inscrição da empresa no PAT. Ao final, requer a reforma a decisão recorrida com o cancelamento do Auto de Infração (DEBCAD nº 37.116.7981). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Não há nos autos comprovação do recebimento, pelo sujeito passivo, da intimação referente ao Acórdão da DRJ. Às fls. 172, a Unidade de Origem, por meio da Equipe de Processos Fiscais – Eqprof, destacou que a falta de comprovação do recebimento da intimação não é suficiente para a sua nulidade, já que o sujeito passivo compareceu nos autos e apresentou recurso voluntário, o que permite a aplicação do disposto no §5° do artigo26 da Lei n° 9.784/99. Assim, considero tempestivo o recurso voluntário e, tendo sido atendido os demais requisitos de admissibilidade, deve o mesmo ser reconhecido. Das Preliminares No recurso voluntário apresentado, o contribuinte aduz, incialmente, (i) a extinção do direito do fisco de proceder ao lançamento em face da existência de ação fiscal pretérita que compreendeu o período do crédito ora contestado, da qual resultou a lavratura da NFLD n° 37.033.8731, pelo que, tanto as declarações prestadas ao Fisco como os recolhimentos feitos até aquele ano foram homologados, bem como (ii) a extinção de parte do crédito tributário em face da consumação da decadência, conforme a regra do artigo 150, § 4º do CTN. Neste ponto, considerando que não foram apresentadas novas razões em sede de recurso voluntário, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do teor de seu voto condutor no que tange às preliminares em destaque: Contesta, ainda, a Impugnante o direito do Fisco constituir este crédito, pois, em auditoria anterior, já teria fiscalizado o período objeto dessa nova ação e homologado os procedimentos adotados pela contribuinte. Equivocase a Impugnante. A auditoria fiscal a que foi submetida em 2006, especificamente de 26/09/2006 a Fl. 352DF CARF MF 6 22/12/2006, não impede o Fisco de verificar a regularidade da empresa no tocante a outros fatos geradores, ocorridos no período fiscalizado na ação anterior 03/2003 a 12/2005. A auditoria fiscal mencionada, desenvolvida na Impugnante em 2006, consta do Sistema CNAF da Previdência Social registrada sob o nº 09338277 e foi destinada à verificação de fato gerador específico Operação Premium Card. A ação do Fisco limitou se ao exame da regularidade tributária da empresa no tocante a valores pagos aos sócios, por intermédio de cartão de premiação FLEXCARD, administrados pela empresa incentive House S.A., CNPJ 00.416.126/000141. Naquele procedimento, foi constatado que a Impugnante, por meio da empresa contratada Incentive House S.A, remunerava os seus sócios e escriturava contabilmente os valores dispendidos na rubrica despesas com prêmios por vendas, na subconta 4.l.3.02.0l0 Prêmio por Vendas, do Livro Diário. Assim, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.033.873l, citada pela defesa, é constituída tãosomente de contribuições incidentes sobre os valores recebidos pelos sócios da Impugnante conforme relatado. A ação fiscal realizada em 2008 não cuidou de qualquer valor oriundo da Operação Premium Card. Ademais, ainda que assim fosse, a Secretaria da Receita Federal se reserva o direito de, observada a decadência, cobrar as importâncias que venham a ser consideradas devidas para períodos já fiscalizados, decorrentes de fatos apurados posteriom1ente ao encerramento da ação fiscal. Vale esclarecer que os lançamentos relativos às obrigações tributárias principais, resultantes do trabalho fiscal na empresa em 2008, autos de infração n°s 37.1 16.798 1, 37.116.7990 e 37.1 16.8007, constituemse de contribuições decorrentes de valores pagos aos empregados na forma de diferença de dissídio coletivo (levantamento DIS – Complemento Dissídio), de tíquetes alimentação (levantamento PAT Alimentação) e de folha de pagamento (levantamento RAT Seguro Acidente Trabalho). Destarte, o argumento da Impugnante não merece prosperar, não havendo que se falar em extinção de direito de proceder lançamentos, revisão de fiscalização, tampouco lançamentos sobre mesmos fatos geradores. Insurgese a Autuada alegando que parte do crédito foi abarcado pela decadência. O procedimento fiscal foi efetuado após o advento da Súmula Vinculante n° 8, de 12/06/2008, publicada no Diário Oficial da União DOU nº 1 17 de 20/06/2008, e, em perfeita consonância com a nova regra estabelecida, adotou o prazo decadencial de cinco anos, previsto no Código Tributário Nacional. Respeitando, assim, a disciplina do CTN, há de observarse, para fins de cômputo do prazo de decadência, a regra do artigo 173, inciso l, quando não tiver ocorrido nenhum pagamento, Fl. 353DF CARF MF Processo nº 15504.012979/200821 Acórdão n.º 2402006.554 S2C4T2 Fl. 5 7 contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou a regra do § 4° do artigo 150, para os casos em que tenha havido pagamento parcial antecipado, contandose o prazo da data de ocorrência do fato gerador. No caso desses autos, a despeito de qualquer uma das regras mencionadas, isto é, tomandose o disposto no artigo 173, inciso 1 ou a previsão do artigo 150, § 4°, o presente lançamento é mantido em sua totalidade, não lhe cabendo qualquer reparo, pois foi consolidado em 18/07/2008, com a ciência da empresa em 22/07/2008. Assim, pela determinação do artigo 173, inciso I, poderia abarcar fatos geradores ocorridos desde a competência dezembro de 2002, que é exigível em janeiro de 2003. Pela dicção do artigo 150, § 4º, é válido o lançamento sobre fatos geradores ocorridos a partir da competência junho de 2003, por serem as contribuições deles decorrentes passíveis de cobrança a partir da competência julho de 2003. Assim, concordando com os termos da decisão de primeira instância administrativa neste particular, rejeito as preliminares arguidas. Do Mérito No mérito, insurgese o contribuinte contra a exigência de contribuições sobre os valores dos tíquetes alimentação recebidos pelos empregados. A DRJ, entendendo que a formalização da adesão ao PAT é condição essencial para que as verbas pagas deixem de integrar o conceito de remuneração, manteve o lançamento, tendo concluído que o fornecimento de tíquetes alimentação, sem que a empresa esteja inscrita no PAT, deve ser considerado fato gerador da obrigação tributária. Como se vê, a questão a ser enfrentada é, em sua essência, relativa à natureza da verba paga mediante o uso de ticket de alimentação, sem inscrição no PAT para o período autuado. Sobre a matéria, há entendimento no sentido de que a utilização de ticket se trata de auxílio alimentação pago in natura, não podendo prevalecer sua inclusão na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela falta de inscrição no PAT. Porém, existem os que entendem que tal pagamento tem natureza de auxílio alimentação pago em pecúnia, sendo, portanto, a inscrição no PAT condição necessária para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição. No entendimento deste relator, o ticketrefeição se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados, sendo que a inscrição no PAT seria uma mera obrigação acessória, cujo descumprimento não descaracteriza a natureza jurídica desse fornecimento. Fl. 354DF CARF MF 8 Evidentemente, o pagamento pelo fornecimento direto dos alimentos na própria empresa reduz o risco de utilização remuneratória indevida da verba. Neste contexto, considero que não é possível entender que o pagamento na forma de ticket (fornecimento de alimentos por empresas conveniadas, fora das instalações da empresa, mediante apresentação de um cartão) seria necessariamente utilizado para remunerar o trabalhador, pois a máfé não se presume, devendo ser comprovada. Pelo que se depreende dos autos, a rubrica foi considerada como base para incidência da contribuição previdenciária pelo fato de ter sido paga na forma de ticket e não pela constatação do abuso do pagamento, ou seja, pela demonstração de que o valor correspondia, na verdade, à remuneração e não à verba indenizatória, ou seja, não houve descaracterização da natureza da verba pela fiscalização. De acordo com os artigos 3º da Lei n.º 6.321/76 e 6º do Decreto n.º 5/1991, o pagamento in natura do auxílioalimentação pela empresa nos programas de alimentação previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária e do FGTS. No mesmo sentido, a Lei n° 8.212/1991 estabelece em seu artigo 28, parágrafo 9º, alínea “c”, que a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976 não integrará base de cálculo da contribuição previdenciária. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou no sentido de que, ainda que a empresa não esteja inscrita no PAT, não incide a contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação. Diante da jurisprudência do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, esclarecendo que, esteja ou não o empregador inscrito no PAT, o auxílioalimentação pago in natura não ostenta natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração do trabalhador. Nessa mesma manifestação, a PGFN recomendou a edição de Ato Declaratório nesse sentido. Acolhendo a sugestão, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório nº 3/2011, estabelecendo que “fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Nessa esteira, a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 1.453/2014 alterou o inciso III do art. 58 da IN RFB nº 971/2009 para retirar o requisito de concordância com “os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)” para fins de tributação da alimentação in natura. É dizer: também está claro para a Receita Federal que essas parcelas não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Neste contexto, voto por conhecer o recurso voluntário para REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, excluindose da autuação os valores apurados sobre tíquete refeição. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 355DF CARF MF Processo nº 15504.012979/200821 Acórdão n.º 2402006.554 S2C4T2 Fl. 6 9 Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Embora concorde com o i. Relator quanto ao afastamento das preliminares, a respeito da do auxílio alimentação, entendo que a legislação afeta ao tema e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ conduzem a entendimento diverso. A matriz constitucional das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração dos trabalhadores em geral é a alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal que dispõe: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; [...] Com base na previsão constitucional, o art. 28 da Lei nº 8.212/1991 instituiu a base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias de empregadores e empregados, definida na lei como “saláriodecontribuição”. Vejamos a abrangência legal do saláriodecontribuição em relação à remuneração de segurados empregados e trabalhadores avulsos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; É certo que a Lei de Custeio Previdenciário, sendo norma de caráter tributário, não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas Fl. 356DF CARF MF 10 de direito privado1, como, no meu entender, é o caso do Direito do Trabalho. Assim, ao inserir o termo “salário” na definição da base de cálculo das contribuições, a norma previdenciária buscou preservar o alcance da expressão tomada de empréstimo da legislação trabalhista, em toda a sua abrangência. O conceito de salário trazido para a legislação pátria tomou por base o art. 1º da Convenção nº 95 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que tem o Brasil entre seus signatários. De acordo com referido dispositivo: ARTIGO 1º Para os fins da presente convenção, o termo "salário" significa, qualquer que seja a denominação ou modo de cálculo, a remuneração ou os ganhos susceptíveis de serem avaliados em espécie ou fixados por acôrdo ou pela legislação nacional, que são devidos em virtude de um contrato de aluguel de serviços, escrito ou verbal, por um empregador a um trabalhador, seja por trabalho efetuado, ou pelo que deverá ser efetuado, seja por serviços prestados ou que devam ser prestados. Na mesma linha, o caput do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT arrolou como parcelas integrantes dos salários do trabalhadores utilidades decorrentes do contrato laboral como alimentação, habitação, vestuário, dentre outras: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Assim, a princípio, a base de cálculo das contribuições previdenciárias (saláriodecontribuição) abrange toda e qualquer forma de benefício habitual destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, aí incluídos alimentação, habitação, vestuário, além de outras prestações e in natura. Excluise da tributação somente aqueles benefícios abrangidos por alguma regra isentiva ou que tenham sido disponibilizados para a prestação de serviços, a exemplo de vestuário, equipamentos e outros acessórios destinados a esse fim. Dessarte, a definição sobre a incidência ou não das contribuições sociais em relação às rubricas objeto de lançamento deve levar em consideração sua natureza jurídica, a existência ou não de normas que lhes concedam isenção e o cumprimento dos requisitos necessários ao usufruto desse favor legal. Nessa esteira, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 relaciona, de forma exaustiva, as diversas verbas de natureza salarial que podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Em se tratando de salário utilidade pago sob a forma de alimentação, dispõe a alínea “c” do citado § 9º: Art. 28. [...] 1 CTN, art. 110. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 15504.012979/200821 Acórdão n.º 2402006.554 S2C4T2 Fl. 7 11 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; [...] Nos termos dos disposições legais encimadas, para que a parcela referente à alimentação in natura recebida pelo segurado empregado seja excluída do saláriode contribuição é necessário essa seja paga de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, instituído pelo Ministério do Trabalho e Emprego, de conformidade com a Lei nº 6.321/1976. A despeito do que dispõe a legislação trabalhista e previdenciária, o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça – STJ é de que, em se tratando de pagamento in natura, o auxílioalimentação não sofre incidência de contribuição previdenciária, independentemente de inscrição no PAT, visto que ausente a natureza salarial da verba. Nesse sentido é a decisão consubstanciada no AgRg no REsp nº 1.119.787/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura , ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido. Em virtude do entendimento pacificado no STJ, foi editado Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, com base em parecer aprovado pelo Ministro da Fazenda, o qual autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, independentemente de inscrição no PAT. Conforme alínea “c” do inciso II do § 1º do art. 62 RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522/2002 Fl. 358DF CARF MF 12 (como é o caso do Ato Declaratório nº 3/2011). Resta, portanto, perquirir se a situação retratada nos autos se amolda ou não ao previsto em referido Ato Declaratório. No caso concreto, não há qualquer contestação quanto ao fato apurado pela Fiscalização de que o auxílio alimentação foi disponibilizado aos trabalhadores por meio de tíquetes, essa questão é inclusive reiterada no recurso voluntário. Contudo, o Ato Declaratório PGFN nº 3/2011, bem assim os julgados do STJ que fomentaram sua edição, dentre os quais encontrase o AgRg no REsp nº 1.119.787 (ementa reproduzida acima), fazem referência a auxílioalimentação in natura, o que, nos termos da jurisprudência daquela Corte, quer dizer: “alimentação fornecida pela empresa”, ou seja, o pagamento do benefício é feito por meio de tíquetes não está abrangido pelo ato administrativo da PGFN e nem pelas decisões judiciais aqui suscitadas. Desse modo, para se beneficiar da isenção prevista na alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 a empresa necessitaria cumprir rigorosamente os requisitos previstos nesse dispositivo, isto é, o benefício teria de observar as diretrizes dos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o que não se verifica na situação ora analisada. O cumprimento dos requisitos do PAT pressupõe a regular inscrição da empresa no referido programa, em observância ao art. 2º da Portaria MTE nº 3/2002, in verbis: Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). § 1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. § 2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação2 . § 3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Asseverese que a inscrição no PAT tratase de medida necessária que impõe à pessoa jurídica o cumprimento dos requisitos do programa e possibilita a fiscalização de sua regular execução pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Não tendo a recorrente adotado essa Fl. 359DF CARF MF Processo nº 15504.012979/200821 Acórdão n.º 2402006.554 S2C4T2 Fl. 8 13 medida e não estando ela amparada pelo Ato Declaratório PGFN nº 3/2011, não vejo como enquadrála na regra isentiva referida na alínea “c” do § 9º da Lei nº 8.212/1991. Ressaltese, por fim, que a jurisprudência suscitada pela recorrente não vincula os julgadores administrativos. Conclusão Ante o exposto voto por afastar as preliminares e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909161/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. LIMITE DE VALOR AO CRÉDITO RESSARCÍVEL ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA.
O saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário não pode conter valores de créditos vindos de períodos anteriores.
Numero da decisão: 3401-005.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.909161/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.410 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente TUPER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. LIMITE DE VALOR AO CRÉDITO RESSARCÍVEL ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA. O saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário não pode conter valores de créditos vindos de períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 91 61 /2 01 1- 01 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10920.909161/201101 Acórdão n.º 3401005.410 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 19/10/2010, transmitiu PER/DCOMP nº 17825.79284.191010.1.1.018852 requerendo o ressarcimento de IPI referente crédito acumulado no 3º Trimestre de 2010 no valor de R$ 518.881,30 tendo por base o Livro Registro de Apuração do IPI do Período (efls.4 a 62), com utilização de R$ 476.108,49 na compensação de IPI do Período de Apuração 09/2010, em de Declaração de Compensação nº 20074.41883.191010.1.3.016697. Do Despacho Decisório A DRF Joinville, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 09/09/2011 (eFls.63), reconhecendo parte do crédito no valor de R$ 476.108,49 atestando que “O crédito reconhecido foi utilizado em compensações, razão pela qual não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 17825.79284.191010.1.1.018852”. Junta às e fls.64 Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível: Da Manifestação de Inconformidade A Manifestação de Inconformidade (efls.65/66) que a interessada apresentou vem, na verdade, confirmar o que constou do Despacho Decisório. Diz que o valor da glosa, R$ 42.772,81 é referente a trimestres anteriores, podendo ser utilizado em futuras compensações com débitos vincendos. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10920.909161/201101 Acórdão n.º 3401005.410 S3C4T1 Fl. 4 3 Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/JFA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO. UTILIZAÇÃO PARCIAL NA ESCRITA FISCAL PARA ABATER DÉBITOS. PROCEDÊNCIA. Ratificase o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando restar demonstrado que parte dos créditos passíveis de ressarcimento escriturados no trimestrecalendário a que se refere o pedido foi utilizada para abater débitos informados no RAIPI/PGD, reduzindo o saldo credor ressarcível pleiteado pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado em ressarcimento goza de liquidez e certeza. A parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.98/101) requerendo a reforma da decisão a quo, pelo fato da autoridade julgadora ter se posicionado pela improcedência da manifestação de inconformidade, por ter sido diversos os valores do Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação. Demonstra que a compensação foi regular e que não ultrapassou do crédito reconhecido no Despacho Decisório. Volta a afirmar que o valor da diferença apurada pela DRF de R$ 42.772,81 referese ao saldo credor acumulado no mês 06/2010, conforme tabela ilustrativa. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10920.909161/201101 Acórdão n.º 3401005.410 S3C4T1 Fl. 5 4 De pronto atestase a total falta de objeto do Recurso Voluntário, como também, não tinha a Manifestação de Inconformidade. A Manifestação de Inconformidade nada mais fez do que confirmar que a diferença do crédito não reconhecido no Despacho Decisório no valor de R$ 42772,81 corresponde a valores de créditos acumulados de IPI de períodos anteriores, o que não é permitido pelo normativo legal. A IN RFB nº 900/2008 que vigia à época dos fatos, disciplinava o ressarcimento e a compensação de créditos de IPI, da seguinte forma: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subsequentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento depois de efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela RFB. § 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, depois de efetuadas as deduções na escrituração fiscal. A Autoridade Fiscal autora do Despacho Decisório simplesmente fez o devido ajuste do crédito acumulado de IPI passível de ressarcimento referente ao 3º Trimestre de 2010 e o crédito reconhecido foi utilizado em compensação, da forma como requerido através da Declaração de Compensação nº 20074.41883.191010.1.3.016697. O valor não reconhecido como ressarcível para o período do 3º Trimestre de 2010, por ser de períodos anteriores, no valor de R$ 42.772,81 permaneceu a disposição da Contribuinte, para ser utilizado da forma como preconizado pela legislação acima citada, acrescida da fundamentação legal do Despacho Decisório de fls.63. Nenhum direito da Recorrente foi desrespeitado para dar causa a seu inconformismo. Inclusive, consta da manifestação de inconformidade (fls.65), que no pedido de ressarcimento trouxe saldo credor de IPI de períodos anteriores ao protocolo de entrega, Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10920.909161/201101 Acórdão n.º 3401005.410 S3C4T1 Fl. 6 5 “onde o mesmo foi ou será objeto de pedido e compensação referente ao trimestre competente com impostos vincendos”. A decisão de piso veio somente ratificar o Despacho Decisório, demonstrando de forma clara e objetiva aquilo que já era de entendimento da Recorrente. O Recurso Voluntário reprisa os fatos da Manifestação de Inconformidade, agregando alguns detalhes da apuração do saldo credor acumulado de IPI de sua escrita fiscal. Preocupase com o feito fiscal como se Auto de Infração existisse, de estar injustamente tributada e punida por algo inexistente ou como se compensação indevida tivesse sido praticada. Repitase, toda a manifestação recursal vem ao encontro daquilo que desde o início foi decidido pelo fisco da unidade de origem e ratificado pela decisão de piso. Discorre com argumentações fantasiosas, fora de qualquer sentido em relação aos fatos arrolados no presente processo. A causa da discussão não tem valor em litígio e nem outro fato foi apontado que merecesse alguma correção daquilo que já foi decido, carecendo de objeto a peça recursal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903175/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 75 /2 00 9- 03 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903175/200903 Acórdão n.º 1402003.374 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 58DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903175/200903 Acórdão n.º 1402003.374 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903175/200903 Acórdão n.º 1402003.374 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720118/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local verifique, conclusivamente, se estão cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 30 da Lei n. 12.973/2014, de caráter interpretativo, com a redação dada pela Lei Complementar n. 160/2017.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Relatório
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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EMBASA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local verifique, conclusivamente, se estão cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 30 da Lei n. 12.973/2014, de caráter interpretativo, com a redação dada pela Lei Complementar n. 160/2017. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de autos de infração lavrados em face da Recorrente, referentes ao PIS/Pasep e a COFINS, no período de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2012, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora, sobre duas rubricas: 1) Desconto de créditos indevidos que estariam relacionados com locações, insumos, serviços e energia elétrica; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 11 8/ 20 16 -0 1 Fl. 6251DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.252 2 2) Insuficiência de recolhimento das contribuições em decorrência de subvenção para investimento oferecida pelo governo do Estado da Bahia (Lei 7.025/97 e Decreto 6.734/97). Cientificada da autuação, apresentou tempestiva impugnação (efl. 5.908 e seguintes), pedindo o cancelamento da autuação, tecendo as seguintes considerações (efls. 5.965 e seguintes: Fl. 6252DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.253 3 Fl. 6253DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.254 4 Fl. 6254DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.255 5 Ao final, pediu (efls. 5.968/5.969): Fl. 6255DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.256 6 Às efls. 6.143 e seguintes, sobreveio decisão da DRJ em Sâo Paulo/SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a irresignação, mantendo o crédito tributário, de acordo com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe declarar sua nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. Fl. 6256DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.257 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. CRÉDITO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. IPTU. Taxas de condomínio e IPTU não se confundem com aluguéis, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita alterar a natureza jurídica desses itens para conceder desconto de crédito fundado nesses valores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativa do Pis/Pasep, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. CRÉDITO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. IPTU. Taxas de condomínio e IPTU não se confundem com aluguéis, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita alterar a natureza jurídica desses itens para conceder desconto de crédito fundado nesses valores. Às efls. 6.177/6.242 interpôs recurso voluntário repisando a irresignação já posta em sede de impugnação. Demais disso, mencionou à efl. 6.193 que seu recurso é tempestivo porque a Recorrente fora intimada, pessoalmente, em 27/05/2016, uma sextafeira, vindo o prazo a expirar no dia 28/06/2016, porém, protocolizado dia 27/06/2016 (efl. 6.177). Já às efls. 6.248/6.249, consta a informação do Sistema de Gerenciamento Eletrônico de Documentos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de que a Contribuinte recebera a ciência do acórdão em 31/05/2016. É o relatório. Fl. 6257DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.258 8 Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator Como se viu acima, o recurso voluntário foi interposto dentro do trintídio normativo, portanto, dele tomo conhecimento. Trata o contencioso sobre autos de infração lavrados em face da Contribuinte, referentes ao PIS/Pasep e a COFINS, no período de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2012, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora, sobre duas rubricas: 1) Desconto de créditos indevidos que estariam relacionados com locações, insumos, serviços utilizados como insumos e energia elétrica. 2) Insuficiência de recolhimento das contribuições em decorrência de subvenção para investimento oferecida pelo governo do Estado da Bahia (Lei 7.025/97 e Decreto 6.734/97). Tais glosas foram mantidas pela DRJ, o que motivou a interposição do recurso voluntário a ser apreciado, porém, antes disso, cumpre analisar sua tempestividade. Das glosas objeto do lançamento A fim de guardar uma melhor metodologia e lógica, começarseá pela glosa dos créditos presumidos do ICMS oriundos de subvenção concedida pela Estado da Bahia, para que, em seguida, adentrese nas glosas de insumos. Dos créditos presumidos do ICMS oriundo de subvenção de estadomembro da federação A fiscalização entendeu que os créditos presumidos do ICMS, concedidos pelo Estado da Bahia à Recorrente, são receitas tributáveis para fins de PIS e da COFINS. No seu entendimento houve insuficiência de recolhimento das contribuições em decorrência de subvenção para investimento oferecida pelo governo do Estado da Bahia (Lei 7.025/97 e Decreto 6.734/97). Por meio da referida Lei, o mencionado Estadomembro concedeu crédito presumido de ICMS em operações de saída de produtos montados ou fabricados nele (veículos automotores, bicicletas, triciclos, inclusive partes e peças; calçados; móveis; fiação e tecelagem; confecções). Posteriormente, por intermédio da Lei 8.967/2003 que acrescentou o art. 1oA à Lei 7.025/97, o crédito presumido de ICMS foi estendido às operações efetuadas por estabelecimento que exerçam atividade de captação, tratamento e distribuição de água em valor equivalente a até 100% (cem por cento) do saldo devedor em cada período de apuração. No Termo de Verificação Fiscal 0001 (efls. 30 e seguintes), entendeu a fiscalização, em síntese: 1) que a subvenção tem caráter de custeio, devendo ser contabilizada como receita operacional, e por corolário, compor a apuração das referidas contribuições lançadas. 2) já subvenção de investimento transita no Patrimônio Líquido em conta de Reserva de Capital e não seria tributada. 3) no âmbito do Imposto de Renda a subvenção de custeio é receita operacional tributada, e se for de investimento, como estímulo à implantação ou expansão de Fl. 6258DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.259 9 empreendimentos econômicos, transita no Patrimônio Líquido em conta de Reserva de Capital e não é tributada (efl. 39). 4) a partir do artigo 18, da Lei nº 11.941/09, a subvenção para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, passou a compor o resultado operacional do subvencionado e não seria tributada caso se comprovassem os requisitos estabelecidos pela Legislação (efl. 40/41). 5) para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento deve apresentar as características relacionadas no Parecer CST nº 112/78, que estabelece a distinção entre subvenção para custeio ou operação e subvenção para investimento (efls. 41), sendo para investimentos: a) intenção inicial do subvencionador de destinálas para investimento. b) efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. 6) houve caracterização inequívoca como receita operacional da subvenção para custeio concedida pelo governo do Estado da Bahia, proveniente da diminuição de passivo com ICMS e consequente aumento do patrimônio líquido (fl 44). 7) a EMBASA contabilizou o auferimento de Receitas Operacionais, oriundas da liquidação do passivo com ICMS, por meio de subvenção de custeio, contudo, não as ofereceu a tributação no âmbito do PIS e COFINS. Subvenção, a grosso modo, é expressão que tem a ver com auxílio ou ajuda. No Direito Financeiro, o art. 12, § 3°, I e II, da Lei 4.320/64, diz: Art. 12. (...) § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. Já o art. 44, IV, da Lei 4.506/64, determina: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: (...) IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 6259DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.260 10 O art. 38, § 2°, "a" e "d", do DL 1.598/77, dispõe: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (grifo deste relator) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Por seu turno, preceitua o Parecer Normativo CST 112/78: 2.11. Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 02/78 (DOU 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTOS seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77. Vêse que o lançamento fiscal se pautou nas conceituações de subvenção para investimento, não computadas na determinação do lucro real e na subvenção de custeio que comporia a determinação do lucro real, baseandose no PN/CST 112/78, o qual, trouxe a conceituação destas expressões. No juízo deste relator, nestas duas expressões é que reina o ponto nodal da questão, na medida em que, definida a natureza da aludida subvenção terá ou não seu reflexo no tocante a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Até o momento viuse a subvenção sob o ponto de vista do Direito Financeiro, e apenas, quanto ao Direito Tributário, no que diz respeito ao Imposto de Renda, de modo que ainda se permanece nele, posto que neste é que se teve a origem das ditas expressões Fl. 6260DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.261 11 no ordenamento jurídico tributário brasileiro, para que, após, possase seguir na análise destas frente às contribuições lançadas no presente caso. José Luiz Bulhões Pedreira (Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas, V. II, Rio de Janeiro, Editora Justec, 1979, p. 403404), ao tratar da subvenção para investimento conforme disposta no PNCST 112/78, tece críticas por sua interpretação restrita não estar disposta em Lei, ouçâmolo: A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimentos ou doações para aumentar o capital de giro próprio. (...) O PN CST n.112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira. (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, v.II. Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979. P.403404.) Este assunto já foi objeto de apreciação deste CARF, nos autos do processo 11516.721250/201405 (acórdão 3402003.042), de relatoria do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto cujo entendimento se comunga , por maioria de votos assim decidiu: A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimentos ou doações para aumentar o capital de giro próprio. (...) O PN CST n.112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira. (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, v.II. Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979. P.403404.) Fl. 6261DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.262 12 Por outro lado, sobreveio a LC 160/2017, e por meio do seu artigo 9°, dando redação ao artigo 30, da Lei 12.973/2014, determinou que os incentivos dados por Estados Membros são subvenções para investimento, logo, dando caráter interpretativo ao assunto. Deste modo, a fim de escoimar dúvidas acerca de tal rubrica, voto em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local verifique, conclusivamente, se estão cumpridos os requisitos estabelecidos no artigo 30 da Lei n. 12.973/2014, de caráter interpretativo, com a redação dada pela Lei Complementar n. 160/2017. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 6262DF CARF MF
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