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Numero do processo: 10166.902558/2008-58
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 25 58 /2 00 8- 58 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10166.902558/200858 Acórdão n.º 9101002.913 CSRFT1 Fl. 3 2 negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de CSLL), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10166.902558/200858 Acórdão n.º 9101002.913 CSRFT1 Fl. 4 3 anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de CSLL com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10166.902558/200858 Acórdão n.º 9101002.913 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10166.902558/200858 Acórdão n.º 9101002.913 CSRFT1 Fl. 6 5 pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10166.902558/200858 Acórdão n.º 9101002.913 CSRFT1 Fl. 7 6 restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000835/2002-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/1997, 31/12/1997
ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1201-001.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/1997, 31/12/1997 ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de auto de infração de págs. 17/31, resultante de procedimento de auditoria interna de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. do 3º e 4º AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 08 35 /2 00 2- 74 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13702.000835/200274 Acórdão n.º 1201001.800 S1C2T1 Fl. 3 2 trimestres/1997; exigemse R$17.628.736,97 de IRPJ, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, devido a "Falta de recolhimento ou pagamento do Principal, Declaração Inexata. 2. A causa da falta de recolhimento foram "Comp c/Darf s/Processo", "Comp c/pagto não Localizado", isto é, estavam informados pagamentos das 236201 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal, com Darf, nas DCTF, porém tais Darf não foram localizados nos sistemas da RFB; o detalhamento dos valores exigidos, no Anexo III, à pág. 26, evidencia que se trata de créditos de 2362 IRPJ estimativas mensais dos períodos de apuração 08, 09, 10, 11 e 12/1997. 3. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação de págs. 3/16, que foi objeto do Acórdão 1237.744 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ, em 09/06/211: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 AUDITORIA INTERNA. DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO/PAGAMENTO. Após o encerramento do exercício, diante de falta de recolhimento mensal por estimativa, não se pode efetuar lançamento de ofício para a exigência da estimativa não recolhida. 4. A DRJ/PJ apresentou Recurso de Ofício ao CARF. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 5. A Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações implementadas na Lei n° 9.430. de 1996. pela Lei n° 11.488. de 2007, disciplina o lançamento de multa, no caso da pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da CSLL por estimativa, que não tenha efetuado o recolhimento devido: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicados as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13702.000835/200274 Acórdão n.º 1201001.800 S1C2T1 Fl. 4 3 (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de calculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Grifouse) 6. É incabível, pois, a exigência formalizada medíante o auto de infração em questão, uma vez que o débito se refere a estimativa de IRPJ, código 2362 que. a teor do art. 44, I e § 1º. IV da Lei n° 9.430, de 1996 (e também do art. 44, II, V da Lei n° 9.430, de 1996, na redação da Lei n° 11.488, de 2007), resultaria apenas, mediante auto de infração, na cobrança de multa isolada por estimativa não recolhida, o que não foi efetuado, e ainda na exigência de eventual diferença resultante do ajuste anual. 7. 9. Aliás, é o que orientava a IN SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, então vigente: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendario, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de oficio sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e Juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto." 8. O presente lançamento desobedece a essa determinação, uma vez que o que se exige no lançamento é o valor do IRPJ estimativa não recolhido, além da multa de ofício proporcional, sem levar em conta a apuração de ajuste anual. 9. Não é demais destacar que à pág. 118, a apuração na Ficha 09 IR e CSLL Mensal por Estimativa, relativa a dezembro/1997, realizada com base em Balanço/Balancete de Suspensão/Redução, apurou saldos negativos de IRPJ e de CSLL. 10. Encerrando a questão. temse a Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13702.000835/200274 Acórdão n.º 1201001.800 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905036/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.590
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 36 /2 01 2- 15 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.905036/201215 Acórdão n.º 3301003.590 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.496. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.905036/201215 Acórdão n.º 3301003.590 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.905036/201215 Acórdão n.º 3301003.590 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.905036/201215 Acórdão n.º 3301003.590 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.905036/201215 Acórdão n.º 3301003.590 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10865.905036/201215 Acórdão n.º 3301003.590 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.006130/2005-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. No caso, houve apresentação do ADA anteriormente a tal marco.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL.
Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para considerar as APP - Área de Preservação Permanente de 5.000,00 ha e ARL - Área de Reserva Legal de 10.562,86 ha, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. No caso, houve apresentação do ADA anteriormente a tal marco. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 61 30 /2 00 5- 21 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10183.006130/200521 Acórdão n.º 9202005.603 CSRFT2 Fl. 435 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para considerar as APP Área de Preservação Permanente de 5.000,00 ha e ARL Área de Reserva Legal de 10.562,86 ha, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Da autuação ao recurso voluntário Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a propriedade Territorial Rural – ITR, tendo em vista a divergência entre os valores apurados de área total do imóvel, área de preservação permanente e área de utilização limitada e os valores declarados pela contribuinte em sua DITR/2002. Tal divergência implicou no valor de imposto lançado de R$ 1.141.569,89 em auto de infração às efls. 06 a 09, cientificado à contribuinte em 14/12/2005 (efl. 144). O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 146 a 184, em 13/01/2006. Já a DRJ/CGE, no acórdão 0410.304, prolatado em 15/09/2006, às efls. 220 a 234, considerou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário nele apurado. Inconformada, em 08/11/2006, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 242 a 254, alegando, em síntese: § o Fisco considerou como área total a soma das áreas da Fazenda Taquaral (NIRF 1.931.2032) de 33.550 ha e da Fazenda Pindaival (NIF 4.912.6393) de 13.600,8 ha; assim, deverá ser mantido a área declarada, uma vez que o procedimento fiscal se refere somente o NIRF 1.931.2032; § há laudo (efls. 25 a 55) demonstrando a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente não devendo elas estarem vinculadas à Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10183.006130/200521 Acórdão n.º 9202005.603 CSRFT2 Fl. 436 3 averbação na matrícula do imóvel ou pela apresentação de ADA (efl. 123 ADA 2003, em 31/03/2005), pois são realidades fáticas e não constituídas pelos registros; § pelo princípio da eventualidade, requer novo cálculo do imposto considerando as áreas de reserva legal e de preservação permanente como áreas não aproveitáveis, pois não passíveis de exploração; § é ilegal e injusta a cobrança de juros e da multa de mora, uma vez não havia que se falar em lançamento suplementar antes da lavratura do Auto de Infração. Resolução CARF Apreciando o recurso voluntário, em 14/08/2008, a 3ª Câmara do 3º Conselho e Contribuintes constatou, inicialmente que o litígio só persistiu em relação às dimensões do imóvel e a comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Em face do princípio da verdade material, entenderam necessário que se oportunizasse à recorrente que complementasse o laudo para que se considerasse a agregação das matrículas dos imóveis que compunham a área declarada em DITR. Por essas razões, a Turma resolveu (Resolução nº 30301.476, às efls. 301 a 309) converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem: (i) oportunize a complementação do laudo técnico apresentado, apontando as características das frações de todo o imóvel considerado pelo fisco (soma das fazendas Taquaral e Pindaival) que justificariam o seu enquadramento como de área de preservação permanente; (ii) indique, portanto, cada fração do imóvel, repitase, considerado na DITR e agregado por ocasião da ação fiscal, que reúna uma das características, extraídas do art. 2° do Código Florestal; (iii) ofereça oportunidade para que a recorrente apresente, afora o laudo técnico acima descrito, outros documentos que dêem respaldo ao informado em tal declaração; (iii) se pronuncie conclusivamente acerca dos documentos juntados, oferecendo o prazo de 30 dias para que a recorrente se manifeste acerca de tais conclusões. Acórdão do recurso voluntário O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 16/03/2011, resultando no acórdão 210101.022, às efls. 403 a 412, que tem a seguinte ementa: IMÓVEL RURAL. ÁREAS CONTÍGUAS. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10183.006130/200521 Acórdão n.º 9202005.603 CSRFT2 Fl. 437 4 Para efeito de determinação da base de cálculo do 1TR, considerase imóvel rural a área contínua formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município, ainda que. em relação a alguma parte do imóvel, o sujeito passivo detenha apenas a posse. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua pratica é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. após a vigência da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA Por se tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade e os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários nela previstos. Recurso Voluntário Negado. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido, em razão da parte, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. RE da contribuinte Cientificada do acórdão, em 13/06/2012 (efl. 418), a contribuinte, em 29/06/2012, manejou recurso especial de divergência (efls. 421 a 428) ao citado acórdão. Indica duas questões controvertidas: (i) o laudo técnico é eficaz para fins de isenção de ITR ou apenas a averbação no Cartório de Registro Imobiliário; e, (ii) quanto às APP(s), é essencial o ADA protocolizado no prazo legal ou o laudo técnico é suficiente? Afirma que, partindo de premissas fáticas idênticas, o acórdão recorrido, para exclusão da área de preservação permanente, exige a apresentação de ADA tempestivamente enquanto o paradigma apresentado não; já com relação à área de reserva legal, o acórdão a quo não aceitou o laudo técnico como substituto da averbação no registro do imóvel para comprovar tal área, enquanto o paradigma admitiria o laudo como outro meio de prova. Foi indicado como paradigma das divergência para a matéria o acórdão nº 9202002.104 , desta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10183.006130/200521 Acórdão n.º 9202005.603 CSRFT2 Fl. 438 5 Por fim, a contribuinte requer o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência para reformar o acórdão recorrido, relativamente à glosa do ITR em face das áreas de reserva legal e de preservação permanente por ela declaradas. O recurso especial foi apreciado pelo Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho de efls. 444 a 449, datado de 1º/04/2015, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do recurso especial da contribuinte e do despacho de admissibilidade, em 08/04/2016 (efl. 450), a Procuradoria da Fazenda Nacional veio a apresentar contrarrazões, em 22/04/2016), conforme consta às efls. 451 a 468. Na sua argumentação a Procuradora afirma que no tocante à exclusão da tributação do ITR da área de preservação permanente, por se tratar de benefício fiscal, há que se interpretar restritivamente a norma e por isso inafastável a exigência de apresentação tempestiva do ADA; pela mesma razão, a averbação da área de reserva legal no registro do imóvel não poderia ser omitida para que se afaste a tributação do ITR sobre essa área. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso a ser analisado é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trata da necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, para o exercício de 2003. Área de preservação permanente Quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1º, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional Minha posição histórica era no sentido de acatar a apresentação do ADA de acordo com prazo estabelecido instrução normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitava a sua entrega em até seis meses contados a partir do término do prazo de entrega da DITR. A declaração do exercício de 2002 deveria ser entregue até o dia 30 de setembro de 2001, conforme dispunha o art. 3º da Instrução Normativa SRF SRF nº 187, de 06/08/2002. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2001 poderia ser entregue até o dia 30 de Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10183.006130/200521 Acórdão n.º 9202005.603 CSRFT2 Fl. 439 6 março de 2003. No presente caso, ele só foi apresentado em julho de 2005, assim, pelo meu entendimento anterior, o seria de forma intempestiva. Todavia, tendo em vista o posicionamento majoritário deste colegiado no sentido de admissão do referido ADA desde que protocolizado antes do início da ação fiscal, saliento que aquele ato foi protocolizado em 31/03/2005, antes do início da ação fiscal, que se deu em 14/06/2005 (efls. 18 a 21). Assim, considerando que a maioria dos membros do colegiado entende que o marco temporal para entrega válida do ADA, para fins de exclusão da tributação da área de preservação permanente, é o início da ação fiscal, me curvo a essa razão de decidir da maioria, para dar parcial provimento ao recurso da contribuinte, excluindo da base de cálculo do tributo a área de preservação permanente de 5.000,00 ha Área de reserva legal Por sua vez, sobre o tema da reserva legal, esclareçase que essa tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) como já citado, a apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1º de janeiro do anocalendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O acórdão recorrido dispensou a obrigação de apresentação do ADA, considerando que a área declarada de 10.562,86 ha, concedida pelo recorrido a título de tal reserva, ficou documentada como existente, a partir de sua averbação no registro competente à época da ocorrência do fato gerador (efl. 372). A propósito, também julgo que a averbação tempestiva da área na matrícula do imóvel, por constituir a área de reserva legal, é comprovação suficiente do fato, mesmo se desacompanhada de ADA. Quanto à tal averbação, na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. Para que todos possam decidir com suas convicções, esclareço que, no presente caso, a área de reserva legal concedida no recorrido é no montante de 10.562,86 ha e este teve sua averbação realizada conforme datas apresentadas no quadro a seguir. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10183.006130/200521 Acórdão n.º 9202005.603 CSRFT2 Fl. 440 7 Do meu ponto de vista, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador é que deve ser concedida. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, § 8º, (com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.05858 de 27/12/2000) na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de reserva legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da área de reserva legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. No presente caso, cujo fato gerador ocorreu em 01/01/2002, com a averbação tempestiva das áreas de reserva legal em 14/08/1996 e 16/06/1999, é de se admitir a dedução do montante de 10.562,86 ha da base de cálculo do ITR, dandose parcial provimento ao recurso especial da contribuinte também quanto a esta matéria. CONCLUSÃO Matrícula Área do Imóvel (hectare) Área averbada (hectare) Data da averbação 9.184 9.296,01 4.648,49 16/06/1999 (efl. 74) 9.185 11.289,90 2.257,80 14/08/1996 (efls. 64) 9.186 9.996.66 1.122,22 14/08/1996 (efl. 89) 42.560 1.912,00 382,40 14/08/1996 (efl. 98) 50.143 4.610,00 0,00 56.251 644,00 0,00 56.253 514,00 0,00 56.249 4.566,00 0,00 54.105 4.303,90 2.151,95 16/06/1999 (efl. 110) Total 47.132,47 10.562,86 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10183.006130/200521 Acórdão n.º 9202005.603 CSRFT2 Fl. 441 8 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso especial da contribuinte, para considerar as áreas de preservação permanente de 5.000,00 ha e de reserva legal de 10.562,86 ha, a serem excluídas da base de cálculo do ITR para o exercício de 2002. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10183.006130/200521 Acórdão n.º 9202005.603 CSRFT2 Fl. 442 9 Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901125/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 25 /2 01 3- 51 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901125/201351 Acórdão n.º 1302002.279 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901125/201351 Acórdão n.º 1302002.279 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901125/201351 Acórdão n.º 1302002.279 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000448/2009-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.106
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao sujeito passivo do despacho de admissibilidade que negou seguimento ao seu recurso especial e demais providências, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSITA TRATAMENTO DE RESIDUOS S/A Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao sujeito passivo do despacho de admissibilidade que negou seguimento ao seu recurso especial e demais providências, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.215.3070, às efls. 04 a 58, cientificado à contribuinte em 23/01/2009 (efl. 91), com relatório fiscal da infração às efls. 80 a 88. A autuação foi lavrada par exigir os créditos das contribuições destinadas à parte dos segurados incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a titulo de cesta básica e valerefeição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 00 44 8/ 20 09 -7 6 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Resolução nº 9202000.106 CSRFT2 Fl. 551 2 A contribuinte deixou de incluir entre os valores que compõem o salário de contribuição de seus segurados empregados aqueles relativos ao pagamento de auxílio alimentação em pecúnia; com isso deixou de reter e recolher o tributo correspondente. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 485.068,08, consolidado na data de 16/01/2009, para o período de apuração de 01/01/2003 a 31/01/2006. O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 96 a 108, em 25/02/2009. Já a 7ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0228.641, prolatado em 17/09/2010, às efls. 318 a 338, considerou, por unanimidade, a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 04/03/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e fls. 348 a 378, alegando, em síntese: § não incidência das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de fornecimento de alimentação, por ter natureza indeniZatória e decorrer de convenção coletiva de trabalho; § deveria ser analisada a questão com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade em vista das condições fáticas da empresa e seus funcionários. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/06/2012, resultando no acórdão 2403001.400, às efls. 404 a 421, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE Fl. 551DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Resolução nº 9202000.106 CSRFT2 Fl. 552 3 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, I) por voto de qualidade, em negar provimento mantendo os Levantamentos de Cesta Básica e Vale Refeição. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto; II) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 12/12/2012 (efl. 422), a Procuradoria da Fazenda Nacional, na mesma data, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 423 a 433) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em critério aplicação da retroatividade benigna às multas lançadas. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Resolução nº 9202000.106 CSRFT2 Fl. 553 4 A divergência relativa foi assim destacada pela Procuradora,à efl. 428: ... Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Foram indicados como paradigmas das divergências para a matéria os acórdãos nº 230100283 e nº 240100120. Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do RE para a reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O RE da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400275/2013, às efls. 471 a 474, datado de 25/03/2013, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 2403001.400, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho nº 2400275/2013, por meio da Intimação nº 2011 (efl. 476), em 25/07/2013 (efl. 477) e apresentou recurso especial de divergência em 09/08/2013, às efls. 485 a 507. Aponta como divergentes os entendimentos do acórdão a quo, quando considera que o fornecimento de alimentação em dinheiro não integra o saláriodecontribuição quando atenda aos requisitos do programa de alimentação do trabalhador (PAT), previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho, pois os paradigmas, contrariamente, entendem que essas verbas para alimentação do trabalhador teriam natureza não salarial, até mesmo sem haver inscrição no PAT. Indicou como acórdãos paradigmas da matéria os de nº 2301003.004, nº 2803 001.727 e nº 2403001.629. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Resolução nº 9202000.106 CSRFT2 Fl. 554 5 Por fim, requer o recebimento do seu recurso especial de divergência para que ele seja provido para que se julgue improcedente o lançamento. Em 22/01/2014, o Presidente da 4ª Câmara, no despacho de admissibilidade nº 2400087/2014, às efls. 544 a 546, com base nos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, negou seguimento ao recurso especial da contribuinte, por entender não haver similitude fática entre as matérias do recorrido e dos paradigmas, uma vez que os paradigmas tratavam de pagamentos de auxílioalimentação in natura enquanto o recorrido tratava de pagamento em espécie. Em 07/05/2014, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em reexame da admissibilidade de nº 2400366/2014, à efl. 547, confirmou as conclusões do despacho acima, igualmente negando seguimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Verifico que, após os despachos de números: 2400087/2014 e 2400366R/2014, que negaram a admissibilidade do recurso especial de divergência da contribuinte, não lhe foi dada ciência de nenhum deles. Entendo que, ainda que não houvesse previsão para essa ciência no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, vigente à época, deve ser dada ciência à contribuinte daqueles despachos. Dessarte, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja dada ciência ao sujeito passivo do despacho denegatório de seguimento de seu recurso especial e demais providências, com posterior retorno ao conselheiro relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 554DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.721367/2014-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. DEDUÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL.
Os honorários advocatícios e periciais devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos, haja vista que somente a parcela correspondente aos rendimentos tributáveis poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda. In casu, tendo em vista que o montante recebido no ano-calendário em referência englobou apenas uma parcela isenta (FGTS) e uma parcela tributável sujeita ao ajuste anual, há que se calcular o percentual relativo a cada uma delas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. INCIDÊNCIA.
Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, salvo quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (quando o trabalhador perde o emprego) ou quando os juros se referem a verba principal sobre a qual não há incidência (acessório segue o principal).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DEDUÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. Os honorários advocatícios e periciais devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos, haja vista que somente a parcela correspondente aos rendimentos tributáveis poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda. In casu, tendo em vista que o montante recebido no anocalendário em referência englobou apenas uma parcela isenta (FGTS) e uma parcela tributável sujeita ao ajuste anual, há que se calcular o percentual relativo a cada uma delas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. INCIDÊNCIA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, salvo quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (quando o trabalhador perde o emprego) ou quando os juros se referem a verba principal sobre a qual não há incidência (acessório segue o principal). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 13 67 /2 01 4- 77 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10855.721367/201477 Acórdão n.º 2202003.977 S2C2T2 Fl. 179 2 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10855.721367/201477, em face do acórdão nº 1660.094, julgado pela 15ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em São Paulo (DRJ/SPO), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a notificação de lançamento de fls. 58/61, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, anocalendário 2010, por meio da qual se apurou a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, referente à fonte pagadora All América Latina Logística Malha Paulista S.A., no valor de R$ 50.842,52, que corresponde à diferença entre o valor declarado (R$ 55.662,87) e o informado na DIRF (R$ 4.820,35). Cientificado do lançamento em 07/03/2014 (fl. 116), o contribuinte apresentou, em 04/04/2014, por intermédio de mandatário (procuração à fl. 4), a impugnação de fls. 2/3, acompanhada dos documentos de fls. 4/48, na qual alega que o valor glosado corresponde a retenção de imposto sobre rendimentos recebidos em virtude de ação judicial. Às fls. 9/11, o impugnante esclarece, em síntese, que os rendimentos tributáveis e o IRRF por ele declarados estão em consonância com o laudo pericial integrante do processo trabalhista." A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo parcialmente o crédito tributado. Em fundamentação, exonerou o montante que representa os rendimentos tributáveis, havendo o direito de deduzir, na declaração de ajuste anual, os honorários advocatícios necessários ao recebimento dos rendimentos tributáveis. Contudo, foi mantida a glosa de R$ 30.042,51, que é a diferença em relação ao declarado. Resultando no seguinte demonstrativo, apresentado na folha 126: Imposto exigido: R$ 32.969,35 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10855.721367/201477 Acórdão n.º 2202003.977 S2C2T2 Fl. 180 3 Imposto exonerado: R$ 20.800,01 Imposto mantido: R$ 12.169,34 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 139/143, reiterando as alegações da impugnação quanto ao que foi vencido, requerendo também dilação de prazo para juntada de documentos. Ainda, , requereu a juntada de documentos para compensação de rendimentos referentes aos honorários advocatícios. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 1.227.133/RS, de 28/09/2011, na sistemática do recurso repetitivo, redator para o acórdão Ministro César Asfor Rocha, na qual se assentou que sobre os juros moratórios legais, vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, não há incidência do imposto sobre a renda. A ementa do julgado, após julgamento dos embargos de declaração, restou assim redigida: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Acontece que a decisão foi melhor explicitada no REsp n° 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, que levando em consideração o decidido no REsp n° 1.227.133/RS, aclarou e sintetizou a posição da 1.ª Seção do STJ quanto às regras de isenção dos juros moratórios. Seguem transcritos excertos da ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10855.721367/201477 Acórdão n.º 2202003.977 S2C2T2 Fl. 181 4 PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.° 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale ". (grifouse) Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10855.721367/201477 Acórdão n.º 2202003.977 S2C2T2 Fl. 182 5 No caso, temse juros de mora recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista. Todavia, não se tem notícia da perda do emprego pelo reclamante, ou seja, os juros não foram pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, pelo que não incide isenção prevista no art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. A prova pela perda do emprego deveria ter sido apresentada pelo contribuinte, pois é ônus que lhe incumbe. A verba principal recebida, sobre a qual incidiram os juros, tiveram a incidência do imposto de renda, conforme verificado pelo acórdão da DRJ. Logo, pela regra de que o acessório segue o principal, os juros devem submeterse à incidência do imposto de renda, por força da regra geral disposta no art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64. Por todo o exposto, impossível acolher o pedido de exclusão dos juros e correção monetária da base de cálculo. Ainda, destaco, no mesmo sentido em que decidido pela DRJ, os honorários advocatícios devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos, haja vista que somente a parcela correspondente aos rendimentos tributáveis poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda. Assim, pela análise da DRJ, a qual compreendo como correta, devese considerar como tributáveis os juros de mora de R$ 300.380,54 incidentes sobre os rendimentos tributáveis de R$ 212.204,00. Por conseguinte, os rendimentos tributáveis brutos do Sr. Mário Hirata totalizam R$ 512.584,54, valor esse que corresponde a 89,94218% do total dos rendimentos a ele devidos (R$ 569.904,53). Portanto, nos termos do art. 12 da Lei n° 7.713/1988, o contribuinte tem o direito de deduzir, na declaração de ajuste anual, os honorários advocatícios necessários ao recebimento dos rendimentos tributáveis. De acordo com as notas fiscais de serviço de fls. 37/38, contribuinte pagou de honorários advocatícios a importância de R$ 172.064,42. Assim, os honorários proporcionais aos rendimentos tributáveis (89,94218%) são iguais a R$ 154.758,49. Deduzindose esse valor da importância de R$ 512.584,54, obtémse R$ 357.826,05. Não merece reparos o acórdão, também, quanto a este ponto. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907520/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 20 /2 01 0- 82 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.907520/201082 Acórdão n.º 1301002.396 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.907520/201082 Acórdão n.º 1301002.396 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907520/201082 Acórdão n.º 1301002.396 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907520/201082 Acórdão n.º 1301002.396 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907520/201082 Acórdão n.º 1301002.396 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907520/201082 Acórdão n.º 1301002.396 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907520/201082 Acórdão n.º 1301002.396 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905570/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.791
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 70 /2 01 2- 43 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905570/201243 Acórdão n.º 3201002.791 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.318, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905570/201243 Acórdão n.º 3201002.791 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905570/201243 Acórdão n.º 3201002.791 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905570/201243 Acórdão n.º 3201002.791 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13888.905570/201243 Acórdão n.º 3201002.791 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13888.905570/201243 Acórdão n.º 3201002.791 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13888.905570/201243 Acórdão n.º 3201002.791 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.905570/201243 Acórdão n.º 3201002.791 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722102/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
COISA JULGADA MATERIAL. LIMITES OBJETIVOS. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. INOCORRÊNCIA.
Permanece em pleno vigor a decisão judicial proferida pelo TRF/1ª Região, que afastou a incidência do IPI "complementar" nas operações de saída/revenda de veículos importados. Não há que se falar em alteração do estado de direito, pois as alterações regulamentares posteriores (Decreto n° 4.544, de 2002 e Decreto nº 7.212, de 2010) em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência do mencionado tributo.
DECISÃO JUDICIAL. CONTRIBUINTE DESOBRIGADO DO RECOLHIMENTO DO IPI NA SAÍDA DE VEÍCULOS IMPORTADOS DE SEU ESTABELECIMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. RECONHECIMENTO DE RECEITAS.
Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado IPI complementar destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
Descabe o agravamento da multa de ofício porque sujeito passivo não atendeu no prazo marcado, intimação para apresentar os arquivos ou sistemas digitais e sistemas de escrituração dos livros e contabilidade, se os elementos necessários para a autuação fiscal estavam disponíveis em função de outro procedimento fiscal e da entrega da ECD via SPED.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 29/02/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/06/2010
IMPORTADORA DE VEÍCULOS. ALÍQUOTAS.
As pessoas jurídicas fabricantes, as importadoras de máquinas, veículos classificados nos códigos 84/29, 8432/40/00, 84/32/80/00, 8433/20, 8433/30/00, 8433/40/00, 8433/5, 87/01, 87/02, 87/03, 87/04, 87/05, 87/06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados / TIPI, aprovada pelo Decreto no 4/070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social, de Formação do Patrimônio do Servidor Público / PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social / COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento), 9,6% (nove inteiros, seis décimos)
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 29/02/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/06/2010
IMPORTADORA DE VEÍCULOS. ALÍQUOTAS.
As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente.
Numero da decisão: 1201-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em manter os lançamentos efetuados, reduzindo a multa de 112,50% para 75%. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luiz Paulo e Luis Henrique, que davam parcial provimento em maior extensão, para cancelar os lançamentos efetuados até abril de 2010 e vencidos, ainda, os Conselheiros José Carlos e Roberto Caparroz, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Luis Henrique fará declaração de voto. Fizeram sustentação oral o Dr. Vladimir Veronese, pela Recorrente, e o Dr. Rodrigo Moreira Lopes, pela Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães
Nome do relator: Relator EvaMaria Los
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LIMITES OBJETIVOS. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. INOCORRÊNCIA. Permanece em pleno vigor a decisão judicial proferida pelo TRF/1ª Região, que afastou a incidência do IPI "complementar" nas operações de saída/revenda de veículos importados. Não há que se falar em alteração do estado de direito, pois as alterações regulamentares posteriores (Decreto n° 4.544, de 2002 e Decreto nº 7.212, de 2010) em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência do mencionado tributo. DECISÃO JUDICIAL. CONTRIBUINTE DESOBRIGADO DO RECOLHIMENTO DO IPI NA SAÍDA DE VEÍCULOS IMPORTADOS DE SEU ESTABELECIMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. Com o trânsito em julgado da decisão judicial que desobrigou o contribuinte do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, os valores do denominado “IPI complementar” destacados nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, com ônus do adquirente, e não recolhidos pela empresa autuada, se revestem da natureza de receitas e, por conseguinte, caracterizam renda, por implicar ganho ou acréscimo ao patrimônio da empresa autuada. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Descabe o agravamento da multa de ofício porque sujeito passivo não atendeu no prazo marcado, intimação para apresentar os arquivos ou sistemas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 21 02 /2 01 1- 95 Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 3 2 digitais e sistemas de escrituração dos livros e contabilidade, se os elementos necessários para a autuação fiscal estavam disponíveis em função de outro procedimento fiscal e da entrega da ECD via SPED. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 29/02/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/06/2010 IMPORTADORA DE VEÍCULOS. ALÍQUOTAS. As pessoas jurídicas fabricantes, as importadoras de máquinas, veículos classificados nos códigos 84/29, 8432/40/00, 84/32/80/00, 8433/20, 8433/30/00, 8433/40/00, 8433/5, 87/01, 87/02, 87/03, 87/04, 87/05, 87/06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados / TIPI, aprovada pelo Decreto no 4/070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social, de Formação do Patrimônio do Servidor Público / PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social / COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento), 9,6% (nove inteiros, seis décimos) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/06/2010 IMPORTADORA DE VEÍCULOS. ALÍQUOTAS. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em manter os lançamentos efetuados, reduzindo a multa de 112,50% para 75%. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luiz Paulo e Luis Henrique, que davam parcial provimento em maior extensão, Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 4 3 para cancelar os lançamentos efetuados até abril de 2010 e vencidos, ainda, os Conselheiros José Carlos e Roberto Caparroz, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Luis Henrique fará declaração de voto. Fizeram sustentação oral o Dr. Vladimir Veronese, pela Recorrente, e o Dr. Rodrigo Moreira Lopes, pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães Relatório Trata o processo de autos de infração, págs. 3/155, que exigem contribuição para o Programa de Integração Social PIS no montante de R$43.397.858,46 e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, R$208.309.720,67, ambos no regime de apuração não cumulativo e todos acrescidos de multa de ofício agravada de 112,5% e juros de mora; relativos às infrações: 001 Créditos descontados indevidamente em decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores, fatos geradores em 29/02/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/06/2010; 002 Omissão de receita sujeita à contribuição, fatos geradores mensais de 31/01/2007 a 31/12/2010; os motivos da autuação e descrição dos procedimentos de fiscalização constam do Termo de Verificação Fiscal de págs. 157/170. 2. O contribuinte foi objeto, na mesma ação fiscal, de autuações relativas ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativos aos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010, processo nº 13116.722101/201141, em relação ao qual, o Recuso Voluntário foi julgado por esta Primeira Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária TO do CARF, que proferiu o Acórdão nº 1401001.255, de 27 de agosto de 2014. a. O contribuinte, requereu, págs. 2.637/2.638 (2.615/2.616): Consoante dispõe o artigo 49, §7o, Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, os processos conexos e reflexos devem ser distribuídos ao mesmo Relator. Diante do exposto, solicitamos seja o presente feito (PA n° 13116.722102/201195) distribuído por conexão ao conselheiro Leonardo Oliveira, uma vez que a solução quanto ao mérito do IRPJ/CSLL deve ser aplicada aos lançamentos reflexos da contribuição ao PIS e da COFINS. Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 5 4 Nesses termos, pede e aguarda deferimento, a tempo de que sejam julgados em conjunto na próxima sessão da 2a. Turma, a ser realizada no mês de setembro de 2012. b. O argumento foi acatado e este processo, apesar de ter como objeto as contribuições ao PIS e à Cofins, foi remetido pela Terceira Seção de Julgamento à Primeira Seção de Julgamento do CARF, declinando da competência em favor desta no Acórdão nº 3101001.427 de 23 de julho de 2013, págs. 2.463/2.646 (2.621/2.627) por ser decorrente daquele referente a IRPJ e CSLL, já julgado. 3. Cientificado dos autos de PIS e Cofins descritos, o contribuinte interpôs impugnação objeto do Acórdão nº 0347.379, da DRJ em Brasília/DRF, págs. 2.481/2.500 (2.459/2.479); cientificada em 29/03/2012, interpôs Recurso Voluntário, tempestivo, em 27/04/2012, págs. 2.507/2.588 (2.485/2.536). Recurso Voluntário 4. Relata que a autuação se refere a exigências de PIS e Cofins e aplicação de multa isolada de 112,50% em razão de não atendimento adequado da Fiscalização. 5. Preliminarmente, argumenta DO OBJETO E DO ALCANCE DAS DECISÕES PROFERIDAS NOS AUTOS DO MANDADO DE SEGURANÇA N° 2004.35.00.0110772 (2006.35.02.0015061) Descreve o objeto, tramitação e que o provimento judicial obtido restringiuse ao afastamento da exigência do chamado "IPI Complementar" na saída de veículos importados pela própria Recorrente, que já sofreram a tributação pelo IPI no momento do desembaraço aduaneiro, conforme preconizado no então vigente artigo 9º, I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98); mas que a Autoridade Fiscal estendeu os limites objetivos da coisa julgada e a tratou como se esta fosse uma verdadeira norma de conduta entre as partes, o que não é a interpretação adequada; por isso, anexa parecer da lavra do Professor Cássio Scarpinella Bueno, cujo teor faz parte integrante do recurso voluntário e corrobora a integralidade dos argumentos apresentados, parecer este demandado em análise de atuação de IRPJ/CSLL com os mesmos argumentos e contexto fático apreciados no presente recurso (doc. 01). 6. Alinha AS RAZÕES DE REFORMA DO V. ACÓRDÃO GUERREADO, resumindo as conclusões do Acórdão DRJ: Ill.a) DA RENÚNCIA AOS EFEITOS DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO PROFERIDA NOS AUTOS DO MANDADO DE SEGURANÇA Ill.b) DA NÃO DEFINITIVIDADE DA COISA JULGADA / COISA SOBERANAMENTE JULGADA Ill c) DOS VÍCIOS DE EXTENSÃO DA COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA E DA REVOGAÇÃO DA NORMA LEGAL QUE AMPAROU O DISPOSITIVO DA SENTENÇA Ill.d) DA REAL NATUREZA E DA TITULARIDADE DOS VALORES AUFERIDOS A TÍTULO DE IPI REPASSE DO ENCARGO ECONÔMICO DO IPI CONTRIBUINTE DE FATO (aplicação do artigo 166, do Código Tributário Nacional) Ill.e) DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA IMPOSSIBILIDADE DE SUJEIÇÃO DA SUPOSTA RECEITA LANÇADA AO REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA Ill.f) DA NÃO OCORRÊNCIA DE QUAISQUER ATOS COMISSIVOS E/OU OMISSIVOS PASSÍVEIS DE ENSEJAREM A CONFIGURAÇÃO DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO E/OU O AGRAVAMENTO DA PENALIDADE DE OFÍCIO IMPUTADA Ill.g) DO CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESPROPORCIONAL DAS SANÇÕES APLICADAS IV DAS CONCLUSÕES (i) o objeto da matéria discutida nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.34.00.0110772 (2006.35.02.0015061) foi, Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 6 5 expressamente, o afastamento da incidência do IPI "complementar", nas operações de saída/revenda de veículos importados, exigido com fundamento no artigo 9o, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98) matéria esta objeto de parecer da lavra do Professor Cássio Scarpinella Bueno (doe. 01), parte integrante do presente recurso; (ü) a decisão final e favorável ao pleito formulado na exordial do Mandado de Segurança, após o seu trânsito em julgado, revestiuse da característica de coisa julgada material, estritamente quanto aos limites do dispositivo da sentença, ou seja, resguardou as relações jurídicas realizadas sob a mesma hipótese fática e base legal apreciados pelo Poder Judiciário somente até 2002; (iii) por razões formais, econômicas, negociais e, principalmente de segurança jurídica, a Recorrente optou, após o encerramento, do trâmite do Mandado de Segurança, pelo exercício de seu direito de renúncia aos efeitos da decisão que afastou a sua submissão às regras do IPI previstas no artigo 9o, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), direito este que sempre existiu e, inclusive, restou tacitamente acatado pela União Federal (Fazenda Nacional); (iv) por força da mudança de posicionamento da União Federal (Fazenda Nacional), que já havia acatado a renúncia praticada, materializada com as conclusões expostas pela Fiscalização no sentido de buscar estender os efeitos da coisa julgada do Mandado de Segurança para alcançar situações ocorridas de janeiro/2007 a dezembro/2010, a Recorrente formalizou sua renúncia por meio de declaração registrada no Cartório de Registro competente (doc. 02); > nesta hipótese, uma vez que a renúncia praticada produziu todos os seus efeitos pretéritos e futuros, os valores relativos ao IPI "complementar", recebidos pela Recorrente, destacados nas notas i fiscais de saída dos veículos importados, mesmo após os estornos de débitos realizados no Livro de Registro de IPI estornos efetuados para suspender os pagamentos, não obstante devidamente contabilizados , jamais poderiam ser considerados como receita e/ou faturamento do contribuinte dos períodos de apuração analisados, e computados nas bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, porquanto a Recorrente remanesceu por imposição legal na condição de contribuinte do IPI "complementar", nos termos dos posteriores Decretos n°s 4.544/02 (RIPI/02) e 7.212/10 (RIPI/10). (v) ainda que não se considere os efeitos da renúncia praticada, a Autoridade Fiscal não estaria autorizada a impor à Recorrente a subsunção aos efeitos de uma decisão judicial não definitiva, suscetível de ser reformada por meio de ação rescisória e/ou outra ação específica, uma vez que não decorreu o prazo previsto no artigo 495, do CPC, e não se materializou a coisa julgada soberana; > ao menos enquanto não formada a coisa julgada soberana, não é possível a Recorrente usufruir de qualquer efeito da decisão transitada em julgado, pois esta Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 7 6 permanece na qualidade de contribuinte do IPI "complementar", sendo os valores recebidos sob este título, destacados nas notas fiscais de saída dos veículos importados, mesmo após os estornos dos respectivos débitos realizados no Livro de Registro de IPI estornos efetuados para suspender os pagamentos, não obstante devidamente contabilizados , nada mais do que receita da União Federal destinada exclusivamente ao pagamento deste tributo indireto. (vi) ultrapassados estes óbices, não há como desconsiderar justamente as razões que conduziram a Recorrente a renunciar ao seu direito, as quais residem nos limites objetivos da coisa julgada material que recai sobre a decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança, pois a relação jurídica tributária continuativa referente à incidência do IPI "complementar" foi analisada sob a égide da norma extraída do artigo 9o, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), com sua revogação integral pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02), ocorrida em 26/12/2002 matéria esta objeto de parecer da lavra do Professor Cássio Scarpinella Bueno (doc. 01), parte integrante do presente recurso; > estando a coisa julgada formada no Mandado de Segurança limitada à sua eficácia temporal durante a égide do RIPI/98 (até 2002), a Recorrente permanece na qualidade de contribuinte do IPI " implementar" e não há decisão judicial eficaz vigente que desonere a exação no período autuado (2007 a 2010), sendo certo que as importâncias equivocadamente consideradas pela Fiscalização como base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, referentes aos anos de 2007 a 2010, nada mais são do que os valores recebidos a título de IPI "complementar", destacados nas notas fiscais de saída dos veículos importados, mesmo após os estornos de débitos realizados no Livro de Registro de IPI, ou seja, receitas de terceiros destinadas exclusivamente ao pagamento deste tributo indireto. > em outras palavras, a Recorrente, no período fiscalizado, não tem e nunca teve provimento jurisdicional válido que resguardasse o não recolhimento do IPI, considerado como faturamento para fins de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, sendo que, mesmo que sejam desconsideradas a renúncia de direito praticada e as demais assertivas apresentadas, prevalecem intocáveis a legislação superveniente (Decretos n°s 4.544/2002 RIPI/02 e 7.212 RIPI/10) e a exigibilidade do IPI no período analisado, de modo que se tornam arbitrárias e descabidas as exigências de contribuição ao PIS e de COFINS sobre o imposto em comento. (vii) esquecendose das razões de defesa apresentadas nos tópicos anteriores, no caso dos lançamentos combatidos a título de contribuição ao PIS e de COFINS, foram claramente considerados em suas bases de cálculo valores que não se enquadram no conceito de receita ou de faturamento da Recorrente, cuja titularidade hipotética pertence a terceiros Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 8 7 (contribuintes de fato) que arcaram com o ônus econômico da tributação da operação de revenda de veículos importados pelo IPI "complementar", sendo necessário, de plano, que se afaste a premissa equivocada adotada pela Autoridade Fiscal e determine o cancelamento dos créditos tributários inválidos, constantes no auto de infração combatido; (vüi) ainda que considerados os valores estornados a título de IPI como "receitas" da Recorrente, é medida que se impõe o reconhecimento do equívoco incorrido pela Autoridade Fiscal e se afaste as disposições relativas à sistemática monofásica da contribuição ao PIS e da COFINS (venda de veículo), pois as receitas (faturamento) não se enquadram nas hipóteses previstas no artigo 1o, da Lei n° 10.485/02, podendo apenas e tão somente serem enquadrados na regra geral prevista nos artigos 2o, da Lei n° 10.833/03, e 2o, da Lei n° 10.637/02, cuja alíquota total destas exações perfaz 9,25%; (ix) como a Autoridade Fiscal concluiu sem qualquer empecilho o seu trabalho de fiscalização, sendo que a integralidade dos documentos necessários já se encontrava em sua repartição antes mesmo do Termo de Início do Procedimento Fiscal, não há como sustentar a configuração de embaraço ao procedimento de fiscalização e, consequentemente, manter a arbitrária penalidade imputada, porquanto não foi praticado qualquer ato comissivo ou omissivo que pudesse ensejar prejuízo às atividades da Administração Tributária e/ou dúvidas acerca da efetiva apuração das exações no período envolvido e, muito menos, qualquer ato doloso ou tendente à fraude, sendo mister a declaração de nulidade do ato praticado neste aspecto, em atenção aos princípios da estrita legalidade e autotutela que regem a Administração Pública; > por mais absurdo que pareça, com a máxima venia, a C. 2a Turma da DRJ/BSB, em síntese, concluiu pela manutenção da multa agravada (112,5%) nos presentes autos, nos quais se exige débitos de contribuição ao PIS e de COFINS, em razão da ausência de documentos para a prática de lançamentos relativos ao IOF, controlados e apurados em Auto de Infração específico, lavrado igualmente com multa agravada (Processo Administrativo n° 13116.722092/2011 98), de modo que este posicionamento carece de reforma integral para que seja adequado à orientação firmada por este CARF (x) Autoridade Fiscalizadora, ao imputar a multa nos patamares praticados e a DRJ/BSB ao mantêlos acabaram por confiscar, desproporcionalmente, relevante parte do patrimônio da Recorrente, uma vez que a suposta infração cometida, mesmo que fosse verdadeira, não justificaria a aplicação de multa extorsiva sem um limite/patamar a ser obedecido. Conclui, requerendo, sem prejuízo da realização de diligências e posterior juntada de novas provas, seja reconhecida a procedência do Recurso Voluntário, reformado o Acórdão e anulado o Auto de Infração, com o cancelamento das cobranças. Subsidiariamente, caso não seja reconhecida a procedência da totalidade dos argumentos da Recorrente requer seja (i) afastada a alíquota inerente à sistemática monofásica da Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 9 8 contribuição ao PIS e da COFINS e aplicadas as alíquotas normais da exação, uma vez que não se tratariam de receitas auferidas com a venda de veículos importados, adotandose, desse modo, a alíquota geral prevista nos artigos 2o, da Lei n° 10.833/03, e 2o, da Lei n° 10.637/02, (ii) anulada a multa agravada por embaraço à fiscalização, e, ainda, (iii) reduzidas as multas desproporcionais e confiscatórias. 7. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário do contribuinte, nos seguintes termos. 8. Que os autos constituíram crédito tributário de PIS e à Cofins monofásicos, nos termos da Lei n° 10.485/2002; que a Recorrente obteve provimento judicial que afastou a cobrança do IPI Complementar nas operações de revenda de mercadorias importadas. 9. Sobre a alegada renúncia ao provimento judicial obtido, relata que o MS objetivando o nãorecolhimento do IPIcomplementar, previsto no Decreto nº 2.637, de 1998, transitou em julgado em 28/04/2010; e não obstante informar que renunciou aos efeitos da decisão judicial em meados de 2010, o contribuinte requer que sejam desconsiderados todos os fatos geradores objetos do presente lançamento; mas, pelo princípio da legalidade, somente a lei pode instituir tributos e definir todos os elementos da regramatriz de incidência tributária. Logo, não pode ficar ao arbítrio do interessado definir se deve ou não ser considerado contribuinte de determinado imposto. Se pela ação judicial ocorreu a aplicação do direito ao caso concreto, compondose a lide, é essa nova realidade que deve ser observada entre a e o Fisco. O pronunciamento judicial adornado com a coisa julgada define o direito quanto a uma situação fática específica, fazendo atuar a vontade concreta da lei. Destaca que o contribuinte estornou os débitos de IPI Complementar que havia escriturado e deixou, portanto, de apurar o IPI na revenda de automóveis importados, apesar da alegação de que havia renunciado ao direito que obteve na justiça, de não ser contribuinte do mesmo. Destaca também que a renúncia somente foi formalizada mediante registro em cartório, em 03/01/2012, não alcançando o período autuado. 10. Diz que a recorrente inaugura tese inédita no ordenamento jurídico brasileiro, ao defender que somente com o transcurso do prazo decadencial para a propositura de ação rescisória contra o acórdão proferido no mandado de segurança 2004.35.00.0110772, poderia deixar de ser considerada contribuinte do IPI complementar (coisa julgada soberana) e destaca que, em se tratando nesta ação judicial, de decisão mandamental, o efeito é imediato e fica reforçado com a coisa julgada, que confere a qualidade de imutabilidade ao dispositivo do julgamento, e o art. 489 do CPC (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, com a redação dada pela Lei nº 11.280, de 2006), determina: "o ajuizamento da ação rescisória não impede o cumprimento da sentença ou acórdão rescindendo, ressalvada a concessão, caso imprescindíveis e sob os pressupostos previstos em lei, de medidas de natureza cautelar ou antecipatória de tutela"; isto é, nem mesmo a propositura da ação rescisória impedirá a decisão rescindenda de produzir os seus efeitos. Ela somente poderá ser suspensa se houver a concessão de alguma medida de caráter liminar ou, então, se for definitivamente desconstituída pelo julgamento da rescisória. 11. Sobre os alegados vícios de extensão da coisa julgada, destaca que o mandado de segurança foi proposto em junho de 2004, quando já não estava mais em vigor o Decreto 2.637/98, mas sim o Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002), que revogou aquele, o que já seria suficiente para afastar o argumento de que o pedido da empresa estava restrito ao RIPI de Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 10 9 1998; e, se o MS era preventivo, como é possível que ele se voltasse contra decreto que já não estava mais em vigor? Além de que o principal argumento defendido na impetração dizia respeito ao fato de não existir lei em sentido estrito equiparando a importadora a estabelecimento industrial. No ponto, era indiferente se estava em vigor o RIPI/98 ou o RIPI/2002; o que a empresa buscava era afastar a cobrança do "IPIcomplementar" enquanto o assunto estivesse disciplinado em ato infralegal; que a Recorrente está dizendo que a segurança concedida deverá resguardála também contra a cobrança com base no novo RIPI (2002), mas o acórdão que julgou a apelação deulhe provimento sem fazer nenhum tipo de ressalva ou restrição e em se tratando de relação jurídica continuativa, a coisa julgada formada no processo deve prevalecer enquanto permanecerem as mesmas circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão. 12. Sobre a alegada desconsideração da real natureza e da titularidade dos valores auferidos a título de IPI, suportados pelos contribuinte de fato, que foram os seus clientes, resume que o adquirente do veículo pagou o preço total, nele incluído o IPI destacado na nota fiscal, que não foi recolhido em face de decisão judicial transitada em julgado; assim, se tal preço corresponde ao valor total da operação, efetivamente constituirá uma receita auferida pela empresa, sendo correta a autuação. 13. Sobre a da alegação de nulidade do auto de infração pela impossibilidade de sujeição ao regime de incidência monofásica da receita apurada pelo fisco, aponta que se as receitas decorrem da venda de veículos importados, por expressa disposição legal, estão submetidas ao regime monofásico previsto no artigo 1º da Lei n° 10.485/2002, não sendo possível desvincular a receita do negócio jurídico que lhe deu origem, no intuito de modificar a forma de tributação, como almejou a Recorrente. 14. Defende a legalidade da multa, descrevendo as intimações não atendidas pela Recorrente, e a falta de entrega dos arquivos da contabilidade digital (art.44, § 2º, I e II da lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), durante o procedimento de fiscalização. 15. Conclui que deve ser negado provimento ao recurso voluntário. 16. A interessada apresentou petição de juntada de Parecer Técnico do prof. Eliseu Martins, em 19/01/2015. 17. Em 23/08/2016, a PFN encaminhou Ofício ao CARF solicitando preferência na tramitação deste processo administrativo, em razão de ter sido ajuizada na 2a Vara Federal de Anápolis, sob o n° 427280.2016.4.01.3502, Ação Cautelar Fiscal em face da devedora CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS LTDA, portadora do CNPJ n° 03.471.344/000177, tendo por objeto a garantia do crédito tributário objeto de constituição nos autos dos processos, que relaciona e entre os quais se encontram os processos nº 13116.722101/201141 e 13116.722102/201195. Voto Conselheiro Relator EvaMaria Los 18. Destaquese inicialmente que a recorrente se engana ao questionar multa isolada de 112,5%, pois não houve aplicação de multa isolada nestes autos. Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 11 10 19. Foi aplicado o agravamento da multa de ofício incidente sobre as exigências constituídas de PIS e Cofins, o que se analisará neste voto. 1 Do Objeto e do Alcance das Decisões Proferidas nos Autos do Mandado de Segurança n° 2004.35.00.0110772 (2006.35.02.0015061). 20. No Mandado de Segurança impetrado em face do Delegado da RF em Anápolis/GO, em 18/06/2004, a CAOA reconheceu que o IPI pago no desembaraço aduaneiro é devido e o objeto do MS é que fosse desobrigada de recolher o IPI na venda, com base no art. 9º, I do Decreto nº 2.637, de 1998, denominado IPIComplementar; em 28/04/2010, pág. 285, transitou em julgado a decisão favorável, que havia sido publicada em 01/02/2008, pág. 233, Acórdão de pág. 232, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região: APELANTE: CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S/A APELADO: FAZENDA NACIONAL EMENTA: TRIBUTARIO. IPI. EMPRESA IMPORTADORA. FATO GERADOR DO IPI. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. 1. O IPI, nos termos do artigo 46 do CTN, ocorre de forma alternativa na saída do produto do estabelecimento, No desembaraço aduaneiro ou na arrematação em leilão. 2. Por se tratar de empresa importadora, o fato gerador ocorre no desembaraço aduaneiro, não sendo possível nova cobrança do IPI na saída do produto quando de sua comercialização, ante a proibição do fenômeno da bitributação. 3. Apelação da impetrante provida para deferir o seu direito. ACÓRDÃO Decide a Turma, por unanimidade, dar provimento à apelação da impetrante. 8a Turma do TRF da 1a Região, 11/12/2007 21. O Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998, determinou: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); 22. A determinação reclamada no MS, de que o estabelecimento importador que der saída ao produto de procedência estrangeira é equiparado a estabelecimento industrial não é de nenhum desses Decretos, mas da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 4º, I, que continua em vigor até hoje; porém o judiciário acolheu a tese da Recorrente de que a exigência do IPI decorre do decreto e não da lei. 23. A Recorrente juntou Opinião Legal redigida pelo professor de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da PUC/SP, Cassio Scarpinela Bueno, págs. 2.561/2.600 (2.539/2.578) sintetizada na ementa: EMENTA: Mandado de Segurança em matéria tributária. Limites objetivos e limites temporais da coisa julgada. Pedido e causa de pedir limitados à vigência do Decreto n. 2.637/1998. Decisão concessiva do mandado de segurança nos termos do pedido. Trânsito em julgado. Inexistência de coisa julgada a partir da nova regulamentação tributária promovida pelo Decreto n. 4.544/2002, Incidência da Súmula 239 do STF em sua interpretação restritiva e do art. 471 do Código de Processo Civil. Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 12 11 24. Na data da impetração do MS, o Decreto nº 2.637, de 1998, havia sido revogado desde 27/12/2002, pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, que manteve a mesma disposição, exatamente nos mesmos termos; este foi, por sua vez, revogado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, que manteve exatamente a mesma redação; todos estes Decretos tem como escopo regulamentar a cobrança do IPI. 25. A intenção da Recorrente de que se interprete que a decisão judicial se restringe somente ao Decreto nº 2.637, de 1998, não pode ser acolhida, pois, dado que este já havia sido revogado, quando da impetração do Mandado de Segurança e este instrumento é preventivo frente a ameaça de direito, resta evidente que impetrou o MS para evitar a obrigação de obedecer o mesmo dispositivo, que na data já constava com idêntica disposição, no Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002. 26. Do exposto, evidenciase que o objeto e o alcance das decisões proferidas nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.35.00.0110772 (2006.35.02.0015061) foram de desobrigar a recorrente de recolher o IPI incidente na saída dos veículos importados do seu estabelecimento. 2 Da renúncia aos efeitos da decisão transitada em julgado proferida nos autos do mandado de segurança 27. Durante o período de fiscalização, conforme relata o autuante: Foi também encaminhado ao contribuinte Termo de Constatação (fls. 302/303) referente à decisão judicial transitada em julgado, que atendeu a pretensão do contribuinte deduzida no Mandado de Segurança n° 2004.35.00.0110772, reconhecendoo como não contribuinte do IPI em relação à revenda de mercadorias importadas, chamado de IPI Complementar, afastando a incidência do art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/98, conforme transcrição abaixo. Caso quisesse, deveria apresentar esclarecimentos ou justificativas no prazo de 5 dias, contados do recebimento. 28. A Recorrente foi cientificada dos autos de infração em 03/12/2011, pág 2.322. 29. Em 06/01/2012, formalizou mediante registro em cartório o documento Termo de Ratificação de Renúncia, abdicando dos direitos reconhecidos pelo judiciário em seu favor, págs. 2.403/2.404. 30. Em 09/01/2012, apresentou sua impugnação aos autos e argumentou ter renunciado ao direito adquirido na ação judicial. 31. Evidenciase que se trata de manobra para desclassificar a autuação por omissão de receitas; citese trecho do recurso voluntário: Ora, a Recorrente titular de uma decisão transitada em julgado, tendo como objeto a égide de uma situação concreta na vigência da legislação questionada na petição inicial apresentada (fls. 171/188), entendeu que a utilização do "benefício" obtido na ação mandamental poderia não ser tão positiva quanto aparentava e, em verdade, representar um revés econômico se Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 13 12 considerados todos os elementos de suas complexas operações ao invés dos benefícios outrora vislumbrados e os riscos envolvidos em sua provável ineficácia. Por tal motivo, a renúncia ao seu direito objeto da ação mandamental deuse, sem qualquer violação ao instituto da coisa julgada, em meados de 2010, ou seja, após o trânsito em julgado, ocorrido em 28/04/2010, e praticamente 1 (um) ano antes de ter sido instaurado qualquer procedimento de fiscalização com o intuito de verificar os reflexos econômicos da desoneração obtida, pois o MPF que subsidiou o auto de infração combatido foi assinado digitalmente em 05/09/2011 e cientificado à Recorrente somente em 19/09/2011. (Grifouse.) 32. Alegou que a renúncia teria sido em meados de 2010, e o Autuante relata que a Recorrente passou a apurar e recolher normalmente o IPI somente a partir de setembro/2010:, O contribuinte utilizouse do procedimento de registrar como créditos no RAIPI os "Estorno de débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, cobrado com fundamento no artigo 9o, I, Decreto n° 2.637/98, por força de D. J. Autos do M.S. nc 2004.35.00.0110772, 3a Vara da Seção J.F. do Estado de Goiás", até o período de apuração agosto/2010. Estranhamente, a partir de setembro/2010 passou a apurar o IPI na revenda de mercadorias importadas normalmente, contrariamente à decisão judicial transitada em julgado, que o reconheceu como não contribuinte do IPI em relação à revenda de mercadorias importadas. (...) No anocalendário 2010, somente foi transmitido o SPED Contábil referente a dezembro de 2010. Analisando também o SPEDFiscal do anocalendário 2010, concluímos que até agosto/2010 o contribuinte utilizouse do mesmo procedimento contábil do anocalendário anterior. A partir de setembro de 2010 deixou de efetuar os lançamentos relacionados com a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790) e efetuando somente os lançamentos com se fosse contribuinte do IPI na revenda de mercadorias importadas. (Debitando IPI sobre Vendas cód. Conta n° 4020307000 e creditando IPI a pagar cód. conta n° 2110504440), conforme fls. 2.317 a 2.319. Conforme fls. 2.320, em 31/12/2010 efetuou lançamentos contábeis relacionados com a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790) com o seguinte histórico: "Regularização IPI Efeitos Ação Judicial / Regularização IPI Liminar". Verificamos que o contribuinte efetuou lançamento em 31/12/2010 debitando a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790 do Passivo Exigível a Longo Prazo) no valor de R$ 1.739.424.386,73, e tendo como contrapartida um crédito na conta IPI a Recuperar no valor de R$ 1.741.897.208,66. No entanto, de acordo com a decisão judicial, não sendo contribuinte do IPI, não deveria escriturar o TPI (créditos e débitos) relacionado com a revenda das mercadorias Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 14 13 importadas, e, conforme já citado anteriormente, o saldo da conta IPI a recuperar foi aumentado indevidamente no Livro de Registro e Apuração do IPI com a escrituração adotada pelo contribuinte (Estorno de débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, créditos de IPI das entradas e Crédito Presumido IPI (32%), conforme art. Io da Lei n° 9.826/1999). Portanto, o referido lançamento em nenhuma hipótese regularizaria a situação do IPI decorrente da ação judicial. Em síntese, nos anoscalendários 2007, 2008, 2009 e 2010 não efetuou recolhimento do IPI sobre a revenda de mercadorias importadas (chamado de IPIcomplementar), conforme decisão judicial transitada em julgado, que o reconheceu como não contribuinte do IPI com relação à revenda de veículos importados. 33. E à pág. 165, no título "E.1.2 Base de Cálculo PIS/PASEP e COFINS – PA 09/2010 a 12/2010" Para os períodos de apuração de setembro, outubro, novembro e dezembro do anocalendário 2010, o IPI destacado em Nota Fiscal, que constitui receita do contribuinte (faturamento), foi extraído do RAIPI do anocalendário 2010, que foi entregue pelo contribuinte através da Escrituração Fiscal Digital obtida através do SPED com Código CFOP n° 6403 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituto, conforme relatório à fl. 2.278. 34. Como já analisado, os atos praticados pela Recorrente não confirmam que, durante o período autuado, tivesse renunciado ao direito conquistado judicialmente. 35. Destaquese que, se a Autuada tivesse alegado durante a fiscalização (mas não o fez), apoiada pelo menos pela escrituração contábil e livros fiscais, que havia renunciado ao direito e esta tivesse acatado o argumento e o lançamento fiscal dos anos 2007 a 2010, se constituísse em exigência de IPI (tributo não cumulativo, que não caracteriza bitributação), a Recorrente poderia, então, alegar que a sentença judicial transitada em julgado se sobrepõe à Administração Tributária, e que não haveria base legal para exigência do IPI além de que o documentos de renúncia, somente foi formalizado, depois da ciência da autuação. 3 Da não definitividade da coisa julgada / coisa soberanamente julgada. 36. Assevera que a coisa julgada não é definitiva enquanto ainda for passível de ser objeto de ação rescisória; que só após o prazo de 2 (dois) para interposição desta, seria coisa soberanamente julgada e imutável. 37. Aduz que nada lhe garantia que a Fazenda Nacional não apresentasse ação rescisória específica, tendente a relativizar a coisa julgada em questão, em meados de 2010. 38. Cabe aqui citar a PFN, nas Contrarrazões: Dessarte, a eficácia da sentença, que é a sua aptidão para a produção de efeitos, não fica condicionada ao seu trânsito em Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 15 14 julgado, muito menos ao decurso do prazo para propositura da ação rescisória. O trânsito em julgado apenas vai agregar ao provimento jurisdicional uma qualidade de imutabilidade, além de reforçar a sua eficácia. Já a coisa julgada chamada de soberana apenas significa que já houve o decurso do prazo para sua eventual desconstituição por meio da ação rescisória. Outrossim, não se pode olvidar que a contribuinte foi beneficiada com uma sentença de natureza mandamental, que tutela o direito do autor forçando o réu a adimplir a ordem do juiz. Na sentença mandamental há ordem, ou seja, imperium, e existe também coerção da vontade do réu. (...) O mandado de segurança tem natureza mandamental, expedese uma ordem em favor do autor, devendo ser devidamente cumprida pela autoridade impetrada. No caso, desde o momento no qual foi concedida a liminar e, posteriormente, com a prolação do acórdão favorável à pretensão deduzida na inicial, essa decisão já se encontrava plenamente apta a produzir todos os seus efeitos inerentes, com destaque para o de impedir que a União exigisse o recolhimento do IPI complementar no momento da saída dos veículos importados dos estabelecimentos da recorrente. De forma alguma era necessário aguardar o decurso do prazo da ação rescisória para executar o julgamento. Ao contrário, em se tratando de decisão mandamental, o efeito é imediato e fica reforçado com a coisa julgada, que confere a qualidade de imutabilidade ao dispositivo do julgamento. 39. Em síntese a autuação fiscal se deu sob a égide da sentença judicial transitada em julgado, à qual a Administração deve se submeter. 4 Dos vícios de extensão da coisa julgada relação jurídica continuativa e da revogação da norma legal que amparou o dispositivo da sentença 40. Invoca a Opinião Legal do prof. Cassio Scarpinela Bueno, no sentido de o Mandado de Segurança só pode dizer respeito ao recolhimento do chamado IPI Complementar e que a extensão temporal da coisa julgada, em favor do contribuinte, quanto ao decidido naquela sede, não alcança a ordem jurídica posterior à revogação do Decreto nº. 2.637, de 1998, e que é inequívoca restrição temporal do referido Mandado de Segurança, levandose em conta a renúncia praticada pela Caoa, ainda que corporificada em documento posterior, datado de 3 de janeiro de 2012; e que Se, em última análise, aquele órgão fiscal (DRJ) entendeu adequada e eficaz a renúncia do direito da CAOA a partir da data daquele documento, não havia como, diante dos limites temporais do Mandado de Segurança em questão, deixar de reconhecer a mesma eficácia retroativamente. Até porque, bem examinada a questão, o Mandado de Segurança, tal qual impetrado, não tinha o condão de atingir fatos não alcançados ou não alcançáveis pelo art, 9o, I, do Decreto n. 2.637/1998. 41. Reiterese o que já foi dito neste voto: que na data da impetração do MS, o Decreto havia sido revogado desde 27/12/2002, pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, que manteve a mesma disposição, exatamente nos mesmos termos; este foi, por sua vez, revogado Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 16 15 pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, que manteve exatamente a mesma redação; todos estes Decretos tem como escopo regulamentar a cobrança do IPI, de onde se evidencia que o escopo da ação judicial foi desobrigar a recorrente de recolher o IPI incidente na saída dos veículos importados do seu estabelecimento. 42. Citese constatação da PFN, nas Contrarrazões, págs. 2.620/2.621 (2.598/2599: A própria CAOA, na apelação, informa que o ato infralegal inicialmente era o art. 9o, I, do Decreto 2637/98 RIPI, mas que posteriormente foi revogado pelo art. 9°, I, do Decreto 4.544/2002 RIPI. Diz, ainda, que como os dispositivos são literal e topograficamente idênticos, estava preservado o alcance da impetração. Confiramse alguns trechos do recurso:(...) Com efeito, a recorrente está dizendo com todas as letras que a segurança porventura concedida deverá resguardála também contra a cobrança com base no novo RIPI (2002). O acórdão que julgou a apelação deulhe provimento sem fazer nenhum tipo de ressalva ou restrição, donde se conclui que acatou o pedido(...) (...) não houve qualquer alteração no quadro normativo posterior à coisa julgada formada no mandado de segurança. Ainda que o suporte físico tenha sido modificado ao longo do tempo, a norma jurídica continuou a mesma, o que justificou a preservação dos efeitos do julgamento proferido na ação judicial. 43. Inexistem os vícios de extensão da coisa julgada apontados pela Recorrente. 5 Da real natureza e da titularidade dos valores auferidos a título de IPI repasse do encargo econômico do IPI contribuinte de fato (aplicação do art. 166, do CTN) 44. A Recorrente acusa que a premissa fiscal de que o IPI destacado nas notas fiscais seria receita da Recorrente está errada, discorda da real relação jurídica da qual estes valores se originaram, dado que este "IPI Complementar" "foi totalmente suportado pelos adquirentes dos citados produtos, para pagamento de um tributo indireto cujo real contribuinte que suporta o ônus econômico não é o mesmo que efetua o recolhimento ao Erário."Aduz que não possui a titularidade desses valores recebidos, dada a natureza do IPI, conforme delineado no art. 166 do CTN. 45. A Recorrente busca desviar a atenção do fato de que a autuação de omissão de receitas é resultante da constatação que a Recorrente cobrou e recebeu dos clientes, valores que destacou como IPI, mas em relação aos quais buscou e obteve provimento judicial, de não ser contribuinte, e tampouco apurou ou recolheu o IPI no período autuado. 46. A argumentação não é pertinente aos fatos que ensejaram a autuação, porém, para evitar alegações de que o voto esteve omisso, passase a analisar. 47. Não tivesse a Recorrente o provimento judicial, descaracterizandoa como contribuinte do IPI, este lhe teria sido exigido como tal, pela diferença entre os valores pagos Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 17 16 no desembaraço e os valores cobrados na saída (nãocumulatividade), por ser equiparada a estabelecimento industrial. 48. No entanto, tendo impetrado Mandado de Segurança em 2004, restou vitoriosa na demanda judicial, sendolhe conferido o direito de não ser contribuinte do IPI na saída dos veículos do seu estabelecimento. 49. Cabe destacar que não provisionou os valores cobrados dos seus clientes a título de IPI e tampouco efetuou depósitos judiciais desses valores, mas incorporouos no seu patrimônio. 50. No caso, conforme relatado no TVF, os valores de IPI que a Recorrente recolheu no momento da importação dos veículos, foram tratados como integrantes do Custo da Mercadoria Vendida no processo nº 13116.722101/201141, de exigência de IRPJ e CSLL; em contrapartida, os valores que cobrou dos clientes e incorporou no seu patrimônio, se revestem de característica de Receita de Vendas operacional dos produtos do seu ramo de atividade, veículos importados. 51. Como estava resguardada pelo provimento ao Mandado de Segurança impetrado, os valores que cobrou dos clientes e incorporou o seu patrimônio, caracterizaramse como receitas, que devem ser declaradas e tributadas, incidindo sobre elas as contribuições ao PIS e Cofins, conforme base legal consignada nos autos de infração. 6 Da nulidade do auto de infração pela impossibilidade de sujeição da suposta receita lançada ao regime de incidência monofásica. 52. Diz que : Ainda que descaracterizada a qualidade da Recorrente como contribuinte do IPI, ou sua ilegitimidade nos termos do artigo 166, do CTN, prosseguindo nas razões que demonstram o desacerto do v. acórdão, temse que a C. Turma Julgadora consignou entendimento que as "receitas" supostamente apuradas devem sujeitarse ao regime monofásico de tributação. 53. Transcreve o art. 1º da Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, que instituiu regime monofásico de PIS e Cofins para pessoas jurídicas fabricantes e importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos que especifica e argumenta que as exigências de PIS e Cofins não se referem a receita de venda de veículos; por isso, pleiteia que somente poderiam ser enquadrados dentro da regra geral prevista nos artigos 2o da Lei n° 10.833, de 2003 (7,6%), e 2o da Lei n° 10.637, de 2002 (1,6%). 54. As alíquotas aplicadas na apuração dos débitos foram respectivamente 2% de PIS e 9,6% de Cofins, com base na legislação aplicável às importadoras de veículos, que foi o produto vendido pela Recorrente: a. PIS: Arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; arts. 1º, 2º, 3º e 4º da Lei nº 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 37 da Lei nº 10.865/04; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95; Art. 1º da Lei n° 10.485/02, com a redação dada pelo art. 36 da Lei nº 10.865/04; Art. 1º da Lei n° 10.485/02, com redação dada pela Lei nº 10.865/04. Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 18 17 b. Cofins: Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei nº 10.833/03; Art. 1º da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04; Art. 2º, § 1º, inciso III, da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04; Art. 1º da Lei nº 10.485/2002, com a redação dada pelo art. 36 da Lei nº 10.865/2004; Art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95; Art. 3º da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 5º da Lei nº 10.925/04, pelo art. 21 da Lei nº 11.051/04, pelo art. 43 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 4º da Lei nº 11.307/06. 55. Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, arts. 1º, 2º, 3º e 4º, e alterações: Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 56. Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002: Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) 57. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 19 18 § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) 7 Da não ocorrência de quaisquer atos comissivos e/ou omissivos passíveis de ensejarem a configuração de embaraço à fiscalização e/ou o agravamento da penalidade de ofício imputada. 58. Foi agravada a multa de ofício, com aumento em 50%. 59. A Lei nº 9.430, I e § 2º de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, determina o agravamento da multa de ofício de 75%, para 112,50%, se o sujeito passivo não atender no prazo marcado, intimação para: prestar esclarecimentos, ou para apresentar os arquivos ou sistemas digitais e sistemas de escrituração dos livros e contabilidade, bem como documentação técnica do sistema a possibilitar a auditoria. 60. A Recorrente argumenta que descabe o agravamento, porque a fiscalização dispunha de todos os documentos necessários e requereu os documentos e esclarecimentos, por mera comodidade, tanto que lista os documentos que utilizou, disponíveis na repartição, para lavrar os autos. 61. O Termo de Início de Fiscalização foi cientificado ao contribuinte em 09/09/2011, e os autos de infração lavrados em 30/11/2011 (cientificados em 03/12/2011). 62. No presente caso, conforme relatado no TVF: Assim, em 14/10/2011 encaminhamos Termo de Reintimação, Intimação e Constatação Fiscal, conforme fls. 301 a 309, ficando o contribuinte reintimado, no prazo de 5 dias, a apresentar os documentos/esclarecimentos solicitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal, sob pena de, no caso de lançamento de ofício, ao agravamento em 50 % das multas a que se referem o inciso I e o § Io do caput do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. No referido Termo o contribuinte foi ainda intimado a apresentar à fiscalização, a Escrituração Contábil Digital SPED Contábil, referente ao anocalendário 2.010 (Período de Apuração de 01/01/2010 a 31/12/2010), ou apresentar os arquivos magnéticos estabelecidos no Art. 11 da Lei 8.218/1991, no formato especificado pela Instrução Normativa 86/2001 e Ato Declaratório ExecutivoADE COFIS 15/2001, relativos ao item 4.1 Registros Contábeis do Anexo Único do referido ADE, para o período de Janeiro de 2010 a Dezembro de 2010. O Termo de Reintimação, Intimação e Constatação Fiscal foi recebido pelo contribuinte em 21/10/2011, conforme AR à fl. 310. No entanto, decorrido o prazo concedido no referido termo, Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 20 19 o contribuinte novamente não apresentou qualquer documento ou esclarecimento, sujeitandose ao agravamento em 50% da multa de ofício, a que se referem o inciso I e o § Io do caput do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007 (§ 2o do art. 44 da Lei n° 9.430/96). Em 31/10/2011 recebi o documento à fl. 311 da Geacon Contábil Empresarial Ltda, que me foi entregue através de serviço de "motoboy", no qual o Sr. Geraldo da Consolação Pereira, ressaltese que não consta a assinatura do mesmo no documento e nem foi anexada procuração da empresa CAOA Montadora de Veículos S/A, encaminha CD com o arquivo do SPED Contábil da empresa CAOA Montadora de Veículos S/A relativo ao ano 2010, informando ainda que não conseguiram validálo, pois o tamanho do arquivo ficou superior a 1GB, e que os técnicos do sistema estariam trabalhando e a previsão era de que até 04/11 o registro seria entregue particionado. O arquivo contido no CD entregue não foi considerado na presente fiscalização. Conforme fl. 312, constatamos ainda que até 28/11/2011 não havia sido transmitido o SPED Contábil de 01/2010 a 11/2010. Considerando a não apresentação dos documentos e esclarecimentos solicitados, prosseguimos com a fiscalização utilizandose de elementos e documentos que dispúnhamos na repartição: 63. O contribuinte também recebeu Termo de Constatação, págs. 302/303, em que o Autuante comunicou ao contribuinte, entre outras constatações, págs. 160/161: • Ressaltese que, considerando o não atendimento do Termo de Início do Procedimento Fiscal até a presente data, no qual foram solicitados os Livros de Apuração do IPI dos anoscalendários 2007, 2008, 2009 e 2010, esclareço que extraímos cópias dos Livros de Registro de Apuração do IPI RAIPI dos anos calendários 2007 e 2008 a partir do processo administrativo n° 13116.002203/200921 (Auto de Infração IPI). Para os anos calendários 2009 e 2010 obtivemos as informações através da Escrituração Fiscal Digital EFD do SPED Sistema Público de Escrituração Digital transmitida pelo contribuinte. 64. Os relatos supra se contradizem e verificase que a fiscalização buscou os dados em outras fontes, quque eram livros e contabilidade digitais enviados pelo contribuinte à RFB, embora não lhe tivesse sido proporcionado acesso à documentação completa que requereu. 65. À vista disso, não se justifica o agravamento da multa de ofício. 8 Do caráter confiscatório e desproporcional das sanções aplicadas 66. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade; e já se analisou que cabe o agravamento da multa de ofício se o sujeito Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 21 20 passivo não atender no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, ou para apresentar os arquivos ou sistemas digitais e sistemas de escrituração dos livros e contabilidade, bem como documentação técnica do sistema a possibilitar a auditoria, resultando na aplicação da multa de ofício agravada no percentual de 112,50%. 67. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 68. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que aos Conselheiros do CARF não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 9 Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício para 75%. (documento assinado digitalmente) Relator EvaMaria Los Eva Maria Los Declaração de Voto Em resumo, verificase que tratamse de cobranças de PIS e COFINS relativas aos anos de 2007 a 2010, sob o argumento de que a contribuinte teria omitido receitas auferidas em face da cobrança de IPI de seus clientes, IPI este objeto de ação judicial. Mais precisamente, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança com pedido de liminar, tendo como pretensão o não recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento. Em 22/09/2004 a liminar requerida foi deferida, mas tal decisão foi modificada por meio de sentença de 02/03/2007 que denegou a segurança. Posteriormente, o TRF deu provimento integral à apelação interposta pela Recorrente, afastando a incidência do IPI. Ato contínuo, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, o qual foi inadmitido, tendo sido a decisão do TRF transitada em julgado em 28/04/2010. De acordo com a Constituição Federal, “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada” (art. 5º, XXXVI). E nos termos da Lei de Introdução Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 22 21 às normas do Direito Brasileiro, “chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso” (cf. art. 6º), o que ocorre com o trânsito em julgado. É através do trânsito em julgado que se verifica a indiscutibilidade e a imutabilidade do que foi decidido no processo judicial. Tratase, pois, do momento no qual a decisão proferida passa a ser definitiva no âmbito processual (solução da lide), transformando uma situação jurídica até então indefinida em coisa julgada. Até que ocorra o trânsito em julgado as partes apenas possuem a expectativa do reconhecimento ou não do direito que busca reconhecer. Nesse estado de coisas, então, é possível segregar a cobrança formulada, fundada em omissão de receitas auferidas pela cobrança do IPI, em dois períodos: (i) período anterior ao trânsito em julgado da referida ação judicial (competências de janeiro/2007 a abril/2010); e (ii) período posterior ao trânsito em julgado, que abrange a competência de maio de 2007 em diante. O voto vencedor entendeu que a caracterização de omissão de receita teria ocorrido em relação aos dois períodos. É justamente em face dessa premissa, que a meu ver é equivocada, que repousa a divergência. Segundo penso, não há que se falar em omissão de receita para os fatos geradores ocorridos anteriormente ao trânsito em julgado. Isso porque, até a competência de abril/2010, a Recorrente ainda não possuía decisão judicial favorável definitiva, fato este que impede de qualificar os valores cobrados de IPI como receita própria. Dito de outros modos, a caracterização de omissão de receita ocorreu justamente em face do trânsito em julgado (28/04/2010), momento no qual o IPI deixou de ser passível de cobrança pelas autoridades fiscais. Antes disso o IPI estava sendo discutido em Juízo, sem garantia de êxito por parte da interessada, fato este que, por si só, impede enquadrar os valores arrecadados de IPI como receita. Como se sabe, o IPI é um tributo indireto, cujo ônus econômico é repassado ao consumidor. Provavelmente por isso, e considerando a dificuldade prática de devolução de tributos indiretos pelas empresas, é que a Recorrente continuou, mesmo após ajuizar a ação judicial, a destacar e cobrar o IPI de seus clientes, optando, ao invés de, por exemplo, depositar judicialmente os valores envolvidos, por assumir o risco de o fisco lhe exigir tal imposto com os acréscimos legais. E não é porque a Recorrente continuou cobrando o IPI objeto da ação judicial, não repassando os valores ao Governo, que os montantes arrecadados a este título passam a ser receita própria. Pelo contrário, os valores somente restaram caracterizados como receita da Recorrente em 28/04/2010, data na qual foi certificado que ela saiu “vitoriosa” na ação. É neste momento que o IPI tornouse receita, pois somente a partir daí tais valores integraram no patrimônio da Recorrente. Até então os valores arrecadados a título de IPI discutido judicialmente possuíam natureza de Passivo, pois ainda eram exigíveis. Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 23 22 O Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI (São Paulo: Atlas. 2ª edição. P. 349), ao discorrer sobre as obrigações fiscais que devem ser registradas no Passivo Exigível, assim dispõe: “As obrigações da companhia com o Governo relativas a impostos, taxas e contribuições são registradas em contas específicas dentro desse subgrupo. As contas mais comuns que constam do Modelo de Plano de Contas são: ICMS a recolher IPI a recolher [...] 18.2.2 IPI a recolher O saldo dessa conta representa a obrigação da companhia, com o Governo Federal, relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).” E ainda que se considere que o fato da Recorrente ter ajuizado ação judicial para afastar a obrigação de recolher o IPI na revenda impediria sua qualificação enquanto obrigação a pagar (passivo exigível), os valores arrecadados ainda estariam sujeitos ao regramento do CPC nº 25. Com a adoção dos padrões internacionais de contabilidade no Brasil, por meio da Lei nº 11.638/2007, a elaboração das demonstrações contábeis passou ser regulada de forma detalhada pelos Pronunciamentos Técnicos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (“CPC”), em substituição às antigas práticas contábeis. Nesse contexto, o Pronunciamento CPC nº 25 – “Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes” restringiu o significado histórico do termo “provisão”, passando a definilo como sendo um “passivo de prazo ou de valor incertos”. Já as demais perdas contingentes que pudessem gerar perda para a entidade foram classificadas pelo CPC 25 como “passivos contingentes”. Buscando elucidar a distinção acima, o item 13 do CPC 25 expôs o quanto segue: 13. Este Pronunciamento Técnico distingue entre: (a) provisões – que são reconhecidas como passivo (presumindose que possa ser feita uma estimativa confiável) porque são obrigações presentes e é provável que uma saída de Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 1201001.617 S1C2T1 Fl. 24 23 recursos que incorporam benefícios econômicos seja necessária para liquidar a obrigação; e (b) passivos contingentes – que não são reconhecidos como passivo porque são: (i) obrigações possíveis, visto que ainda há de ser confirmado se a entidade tem ou não uma obrigação presente que possa conduzir a uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos, ou (ii) obrigações presentes que não satisfazem os critérios de reconhecimento deste Pronunciamento Técnico (porque não é provável que seja necessária uma saída de recursos que incorporem benefícios econômicos para liquidar a obrigação, ou não pode ser feita uma estimativa suficientemente confiável do valor da obrigação). (original sem destaques) Como se pode notar da leitura do trecho acima, tanto a provisão quanto o passivo contingente – contas de Passivo tratam de situações que possam a gerar perda para a entidade, como era o caso. Dessa forma, e em obediência aos princípios contábeis da prudência, do conservadorismo e da realização (certeza) da renda, resta a meu ver inconteste que, no presente caso, não há que se falar em receita omitida para as competências anteriores à data do trânsito em julgado. A omissão de receita, insisto, somente restou caracterizada com o desfecho vitorioso da ação judicial, que ocorreu em 28/04/2010 com o trânsito em julgado. Dessa forma, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos efetuados até a competência de abril de 2010. (documento assinado digitalmente) Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2704DF CARF MF
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