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Numero do processo: 10183.722534/2015-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB..
Comprovado que os rendimentos informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias não pertencem ao autuado, não havendo outra infração, há que se considerar improcedente o lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2201-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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DIMOB.. Comprovado que os rendimentos informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias não pertencem ao autuado, não havendo outra infração, há que se considerar improcedente o lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 24/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 25 34 /2 01 5- 38 Fl. 174DF CARF MF 2 Trata o presente da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativa ao anocalendário de 2013, fl. 89 a 93, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário, consolidado, em 31 de janeiro de 2055, no valor de R$ 6.093,55, incluindo juros de mora e multa por lançamento de ofício de 75%. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 91 é possível identificar o motivo em que se baseou a Autoridade Fiscal para promover o lançamento, a saber: Confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos de Pessoa Física declarados, com o total dos rendimentos de aluguel informados pelas administradoras em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), para o titular e/ou dependentes, contatouse a omissão de rendimentos de aluguéis sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 18.113,88... Ciente do lançamento em 31 de março de 2015, conforme Edital de fl. 100, inconformado com a imputação fiscal, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 03 e 04, onde alega, em apertada síntese, que os valores considerados omitidos são, na verdade, rendimentos auferidos por suas filhas, Adriana Gonçalves Leal e Raquel Gonçalves Leal, tendo a impugnante atuado como mera procuradora das mesmas em razão de morarem fora do Estado. Submetida a Impugnação à revisão de ofício de que trata a o art. 6A da Instrução Normativa RFB nº 958/2009, incluído pela IN RFB nº 1061/10, concluiuse pela manutenção do lançado em razão da contribuinte não ter comprovado que os imóveis pertenceriam às filhas, mediante apresentação das respectivas escrituras. Cientificada das conclusões da revisão via Edital, não tendo o contribuinte apresentado qualquer manifestação, os autos seguiram para análise em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a impugnação, por entender: que não foi anexado aos autos documentos que comprovassem a propriedade dos imóveis objeto de locação; que a Sra. Adriana Gonçalves Legal não apresentou DIRPF no ano base 2013 e que a última declaração apresentada por esta, em 2008, não relacionou nenhum bem de sua propriedade; que a Sra. Rachel apresentou uma DIRPF original, unicamente para o ano base 2013, mas sem informação de bens imóveis, mas que, após a notificação emitida para a recorrente, retificou sua Declaração para informar a propriedade de um bem imóvel; que a recorrente declara a propriedade de um bem imóvel que a administradora de imóveis não retificou a DIMOB apresentada. Ciente do Acórdão da DRJ em 27 de janeiro de 2016, fl. 135, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 139 a 142, no qual reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação, e junta novos documentos. É o relatório necessário. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10183.722534/201538 Acórdão n.º 2201003.918 S2C2T1 Fl. 175 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Sustenta o recorrente que os valores relativos aos aluguéis considerados omitidos pela fiscalização foram informados indevidamente em seu CPF, por ter a mesma participado no processo de locação, como procuradora de Raquel Gonçalves Legal e Adriana Gonçalves Legal, reais proprietárias dos imóveis locados. A alegação de representação é corroborada pelos com os documentos inseridos em fl. 17 e 60, ambos procurações públicas lavradas em 2011. Já em relação à propriedade dos imóveis locados, esta pode ser comprovada pelas escrituras de fl. 158 e 161, as quais se relacionam aos imóveis objeto das declarações de fl. 150/151, em que a administradora dos imóveis reconhece erro ao informar como locadora a Sra. Neyde Maria da Costa Leal. Assim, considerando os comprovantes de rendimentos emitidos em nome das Sras. Adriana e Rachel contidos em fl. 152 a 155, considerando, ainda, que os recibos e comprovantes de depósitos juntados em fl. 31 a 41 e 63 a 72 evidenciam que os recursos provenientes do aluguel foram depositados em favor das reais proprietárias dos bens locados, entendo que não restam dúvidas em relação à titularidade dos rendimentos aqui considerados omitidos. Portando, entendo integralmente procedentes os argumentos recursais. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para reconhecer a improcedência do lançamento fiscal e, por consequência, restabelecer o valor a restituir declarado pela recorrente, no valor de R$ 1.208,69, o qual deverá ser atualizado nos termos da legislação de regência. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 176DF CARF MF 4 Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000508/2003-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/05/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO APURADO EM OUTRO PROCESSO. HOMOLOGAÇÃO LIMITADA AO SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. POSSIBILIDADE.
Se no procedimento compensatório foi utilizado crédito apurado em outro processo administrativo, a homologação da compensação neste processo fica limitada ao saldo de crédito remanescente existente no processo do crédito, disponível para compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/04/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE.
Acolhe-se os embargos de declaração, para integrar julgado embargado e retificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3302-004.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para suprir os vícios de omissão alegados e, no mérito, conferir-lhe efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado e determinar a homologação das compensações declaradas neste processo até o limite do valor crédito remanescente e disponível para compensação no processo n°. 13502.000453/2002-05.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO APURADO EM OUTRO PROCESSO. HOMOLOGAÇÃO LIMITADA AO SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. POSSIBILIDADE. Se no procedimento compensatório foi utilizado crédito apurado em outro processo administrativo, a homologação da compensação neste processo fica limitada ao saldo de crédito remanescente existente no processo do crédito, disponível para compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/04/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Acolhe-se os embargos de declaração, para integrar julgado embargado e retificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes. Embargos Acolhidos
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Interessado PRONOR PETROQUÍMICA S/A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO APURADO EM OUTRO PROCESSO. HOMOLOGAÇÃO LIMITADA AO SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. POSSIBILIDADE. Se no procedimento compensatório foi utilizado crédito apurado em outro processo administrativo, a homologação da compensação neste processo fica limitada ao saldo de crédito remanescente existente no processo do crédito, disponível para compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Acolhese os embargos de declaração, para integrar julgado embargado e retificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para suprir os vícios de omissão alegados e, no mérito, conferirlhe efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado e determinar a homologação das compensações declaradas neste processo até o limite do valor crédito remanescente e disponível para compensação no processo n°. 13502.000453/200205. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 05 08 /2 00 3- 50 Fl. 352DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, tempestivamente opostos pela interessada, com o objetivo de suprir supostos vícios de omissão e contradição no acórdão nº 280100.034, de 10 de março de 2009. Por meio dos referidos embargos, a recorrente alegou vícios de omissão e contradição no citado acórdão. Em relação ao vício de omissão, a recorrente alegou que o Colegiado não teria manifestadose sobre todos os pedidos formulados no recurso voluntário. Quanto ao vício de contradição, alegou que no acórdão fora afirmado que os crédito pleiteados no processo administrativo n° 13502.000453/200205 teriam sido indeferidos por meio de decisão administrativa definitiva. Por meio do despacho de admissibilidade coligido aos autos, os embargos foram parcialmente admitidos, para que fosse suprido apenas os alegados vício de omissão. Segundo o referido despacho, o acórdão embargado era absolutamente silente sobre as implicações do processo administrativo n° 13502.000453/200205 aventadas pela contribuinte, não trazendo qualquer decisão sobre o pedido preliminar formulado, tampouco quanto à inexigibilidade do crédito suscitada, nem apresenta qualquer alicerce quanto à firmada inexistência do crédito. Na Sessão de 26 de janeiro de 2017, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator, que submete a julgamento nesta Sessão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento parcial dos presentes embargos de declaração, para análise apenas dos alegados vícios de omissão. Nos presentes embargos, a recorrente alegou que o Colegiado prolator do acórdão embargado não havia manifestadose sobre as seguintes questões suscitadas no recurso voluntário: 1) a necessidade de reunião deste processo administrativo ao processo n°. 13502.000453/200205, onde se realizara a compensação, a qual se tornou objeto da exigência deste processo; 2) os débitos cobrados neste processo estariam com sua exigibilidade suspensa, em razão da apresentação de recuso voluntário nos autos do processo administrativo n°. 13502.000453/200205, cujo julgamento ainda se encontrava pendente; e 3) que os créditos seriam suficientes para suportar a compensação efetuada. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13502.000508/200350 Acórdão n.º 3302004.812 S3C3T2 Fl. 353 3 Em relação aos alegados vícios de omissão, assiste razão à embargante. O confuso voto condutor do julgado embargado limitouse em abordar apenas aspectos genéricos, atinentes o procedimento de compensação em apreço, sem contudo abordar os pontos suscitados pela recorrente no citado recurso voluntário. Para que não reste dúvida a respeito, transcrevese a seguir os dois únicos parágrafos que compõem o referido voto: Diante do exposto onde a Recorrente solicita pedido de Compensação visando a utilização parcial de créditos, que seriam oriundos de recolhimentos efetuados com base nos Decretos citados. E nas seguintes circunstâncias dos fatos apresentados em seu pleito, constatei que não foi informado algo relevante em sua defesa que desestruture o entendimento inicial já firmado. Cabe confirmar que a Recorrente não possui o crédito que demonstra, mas é o inverso que se verifica, ou seja, a Recorrente têm débitos das contribuições, o que retira o direito creditório postulado. E a verificação de créditos tributários que não foram remetidos para lançamento. Relevante também citar o art. 165 da Lei n° 5.172/66. Desta forma não me resta outra alternativa sendo indeferir o pedido do contribuinte, mantendo a exigibilidade dos créditos tributários subjacentes. Ademais, a compensação de débito com crédito exige que esteja revestido dos requisitos de liquidez e certeza, não verificado nos autos. A leitura do texto transcrito não deixa qualquer dúvida que nenhum dos pontos suscitados pela embargante no recurso voluntário colacionado aos autos (fls. 190/212) foram abordados no referido voto. Diante desta evidente constatação, passase a analisar os pontos da lide suscitados no recurso voluntário. Previamente, cabe esclarecer que o presente processo trata de compensação de débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do mês de abril de 2003 com suposto crédito oriundo de recolhimentos indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep, efetuados com base nos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, declarados inconstitucionais, e apurados de acordo com o que fora decidido no âmbito do Processo Judicial nº 97.000147441, transitado em julgado em 24/09/2001. O referido crédito foi objeto de pedido de restituição por meio do processo nº 13502.000453/200205, que conta com decisão definitiva na esfera administrativa, consignada no acórdão nº 20181.038, de 8 de abril de 2008, da lavra da 1ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes, que se encontra disponível no sítio deste Conselho. Diante dessa constatação, o pedido de reunião deste processo administrativo ao processo n° 13502.000453/200205, inequivocamente, não se justifica, em razão da perda de objeto. Pela mesma razão, não tem mais sentido a alegação de que os débitos cobrados neste processo estariam com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação de recuso voluntário nos autos do processo n°. 13502.000453/200205, pendente julgamento, uma vez que já houve o referido julgamento. Enfim, resta analisar a alegação de que os créditos apurados no processo n°. 13502.000453/200205 seriam suficientes para suportar a compensação efetuada nos presentes autos. Fl. 354DF CARF MF 4 Assim, uma vez demonstrado que o valor crédito utilizado no procedimento compensatório em apreço encontrase em liquidação no âmbito citado processo administrativo, aqui só resta decidir pela homologação das compensações declaradas até o limite do valor crédito remanescente no âmbito do referido processo. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos presentes embargos, para suprir os vícios de omissão alegados e, no mérito, conferirlhe efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado e determinar a homologação das compensações declaradas neste processo até o limite do valor crédito remanescente e disponível para compensação no processo n°. 13502.000453/200205. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.003963/2001-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas
Numero da decisão: 9303-005.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 39 63 /2 00 1- 79 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10950.003963/200179 Acórdão n.º 9303005.415 CSRFT3 Fl. 370 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº3802000.302, proferido pela 2º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI as aquisições de insumos de pessoas físicas. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI (f1.01) de que trata a Lei n° 9.363 de 1996, e a Portaria MF n° 38/97, no valor total de R$139.056,74, relativamente ao 1° trimestre de 2001. Posteriormente retificou o valor pedido para R$ 218.683,43 (fls. 90/91). Apresentou também, pedidos de compensação de tributos. O pedido foi deferido parcialmente, tendo sido reconhecido o direito creditório de R$ 107.104,95, mediante o Despacho Decisório de fls. 110/114, no qual foram efetuadas as seguintes retificações no cálculo do crédito da interessada: 1.Exclusão das matériasprimas adquiridas de pessoas físicas; 2.Exclusão das devoluções de compras para industrialização ocorridas nos meses do trimestre em referência; 3. Ajuste no estoque inicial do ano de 2001, com exclusão dos valores adquiridos de pessoas físicas; 4. Após a apuração do crédito do trimestre, compensação do saldo negativo de R$ 15.490,28 relativo ao 4° trimestre de 2000. Em razão do deferimento parcial do pedido foi proferido também o Despacho Decisório de fls. 130/132, homologando parcialmente as compensações pleiteadas. O acórdão recorrido restou assim ementado: CONEXÃO PROCESSUAL. Processos que tratam de pleitos individualizados, assim formulados pela requerente, concernentes a saldos credores de IPI apurados em trimestrescalendários distintos, ensejam análises igualmente individualizadas e distintas dos órgãos administrativos competentes. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10950.003963/200179 Acórdão n.º 9303005.415 CSRFT3 Fl. 371 3 ERRO DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. Deduções efetuadas em duplicidade. Não há controvérsia a ser examinada já que este ponto já foi atacado em 1a. instância. IPI. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas fisicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O incentivo denominado "crédito presumido de IPI" somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "o objetivo do legislador foi ressarcir as contribuições do PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições de insumos aplicados na industrialização de produtos exportados, não havendo no referido texto legal qualquer restrição sobre a origem das aquisições. Como o intuito da norma é, sob certo aspecto, desonerar as aquisições daquelas contribuições sociais, minimizando, assim, o seu impacto no custo das exportações, forçoso concluir que deve haver a pressuposição da sua incidência na etapa anterior. Se tal não ocorre, como no caso em debate, não há que se falar na inclusão destes valores no cálculo do benefício fiscal". Por fim, pugna para que o Recurso seja conhecido, reformandose o acórdão recorrido, na parte objeto de irresignação, para excluir as aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido de IPI. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Fazenda Nacional aponta como paradigma os acórdão nº 20179.254, de 23/05/2006. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 2º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, com os seguintes fundamentos: Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10950.003963/200179 Acórdão n.º 9303005.415 CSRFT3 Fl. 372 4 "comparandose os fundamentos dos Acórdãos recorrido e paradigma, entendo que restou caracterizado o dissídio jurisprudencial, sendo inequívoca a divergência manifestada: o Acórdão recorrido manifestase pelo cabimento da inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, pelo produtor exportador, das aquisições de insumo de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS; já o Acórdão paradigma, em sentido oposto, entende não ser cabível a inclusão dessas aquisições no cálculo do crédito presumido do IPI, visto não haver incidência dessas contribuições sociais nas referidas aquisições, fls. 362/364." A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito ao cabimento ou não da inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, pelo produtor exportador nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, a matéria foi tratada nos autos do REsp nº 993.164MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja controvérsia foi submetida ao rito previsto no artigo 543 C do CPC, cuja ementa transcrevese abaixo: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10950.003963/200179 Acórdão n.º 9303005.415 CSRFT3 Fl. 373 5 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10950.003963/200179 Acórdão n.º 9303005.415 CSRFT3 Fl. 374 6 Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10950.003963/200179 Acórdão n.º 9303005.415 CSRFT3 Fl. 375 7 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Quanto à questão da incidência de taxa Selic sobre os valores dos créditos presumidos de IPI, neste caso, não subiu para apreciação desta E. Câmara Superior. Sem embargo, estou submetido ao artigo 62A, caput, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010) a qual determina o seguinte: "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". De tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 375DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.000021/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo obscuridade no julgado acolhem-se os embargos para supri-la, no . caso gerando efeitos infringentes.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO.
Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória "é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal". No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, trata-se de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteu-se em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniencia do fato gerador do imposto de renda.
MULTA ISOLADA - ANO-CALENDÁRIO 2007
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
Numero da decisão: 1401-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, rerratificando o Acórdão 1401-000.761, já integrado pelos acórdãos 1401-001.070 e 1401-001.258, para dar provimento, cancelando as multas isoladas do ano-calendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que mantinham as referidas multas. Designado o Conselheiro Guilherme para redigir o voto vencedor. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes -Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo obscuridade no julgado acolhem-se os embargos para supri-la, no . caso gerando efeitos infringentes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória "é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal". No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, trata-se de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteu-se em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniencia do fato gerador do imposto de renda. MULTA ISOLADA - ANO-CALENDÁRIO 2007 A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo obscuridade no julgado acolhemse os embargos para suprila, no . caso gerando efeitos infringentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória "é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal". No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniencia do fato gerador do imposto de renda. MULTA ISOLADA ANOCALENDÁRIO 2007 A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 21 /2 01 0- 20 Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 532 2 aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, rerratificando o Acórdão 1401000.761, já integrado pelos acórdãos 1401001.070 e 1401001.258, para dar provimento, cancelando as multas isoladas do anocalendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que mantinham as referidas multas. Designado o Conselheiro Guilherme para redigir o voto vencedor. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de exame de admissibilidade dos embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo em epígrafe. Afirma a embargante que a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1401000.761, integrado pelos acórdãos 1401001.070 e 1401001.258, incorreu em omissão acerca de ponto sobre o qual deveria haver se pronunciado, conforme trechos de seus embargos a seguir transcritos: III.I Omissão quanto aos fundamentos para a manutenção da multa isolada relativamente apenas ao ano de 2007 9. No recurso voluntário, a Embargante sustentou exatamente as mesmas teses jurídicas, para afastar a exigência das multas isoladas relativamente aos anoscalendário de 2006 e 2007, a saber: (I) improcedência da exigência formalizada após o encerramento dos anoscalendário; e (II) improcedência da exigência de forma concomitante à multa de ofício de 75%. 10. Por sua vez, no voto vencido do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, que negava provimento integral ao recurso voluntário da Embargante, foi consignado que as multas isoladas de todos os períodos em discussão (2005, 2006 e 2007) deveriam ser mantidas exatamente pelos mesmos fundamentos. 11. Ou seja, no voto vencido, o Conselheiro Antonio Bezerra Neto sustentou a mesma linha de raciocínio, para negar provimento integral ao recurso voluntário da Embargante e, com isso, manter a exigência das multas isoladas dos anos de 2005, 2006 e 2007, sem qualquer distinção de argumento. (...) 13. Contudo, ao final do julgamento, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF acabou dando parcial provimento ao recurso voluntário da Embargante, nos seguintes termos: (I) por maioria de votos, foi cancelada a exigência das multas isoladas dos anos de 2005 e 2006; e (II) pelo voto de qualidade, foi mantida a exigência da multa isolada do ano de 2007. 14. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira foi designado para redigir o voto vencedor do v. Acórdão n° 1401 000.761. Confirase, a propósito, os seguintes trechos do voto vencedor, que registram os fundamentos que "desempataram" a contagem dos votos e, portanto, prevaleceram no julgamento do recurso voluntário: (...) 15. Como se vê claramente das razões de decidir do voto vencedor do Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, foram acolhidas todas as teses jurídicas sustentadas pela Embargante no recurso voluntário, para cancelar as exigências das multas isoladas dos anos de 2006 e 2007. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 534 4 16. No entanto, pelo voto de qualidade, prevaleceu o entendimento de que as razões de decidir do voto vencedor do Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira não se aplicariam para a multa isolada do ano de 2007. 17. Ocorre, porém, que, no voto vencedor do Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira não foram consignados os fundamentos pelos quais as razões de decidir para o cancelamento da multa isolada do ano de 2006 não se aplicariam também para o cancelamento da multa isolada do ano de 2007. 18. Além disso, no voto vencedor do Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira também não foram indicados os fundamentos que conduziram a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF a manter, pelo voto de qualidade, a multa isolada do ano de 2007. 19. Nem se alegue, por outro lado, que, para a manutenção da exigência da multa isolada do ano de 2007,eventualmente teria prevalecido o entendimento consignado no voto vencido do Conselheiro Antonio Bezerra Neto. 20. Como já salientado, no voto vencido, o Conselheiro Antonio Bezerra Neto utilizou exatamente a mesma fundamentação, para negar provimento integral ao recurso voluntário da Embargante e, com isso, manter a exigência das multas isoladas dos anos de 2005, 2006 e 2007, sem qualquer distinção de argumento. 21. E os argumentos aduzidos no voto vencido do Conselheiro Antonio Bezerra Neto foram todos refutados no voto vencedor do Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, sendo que, ao final do julgamento, apenas a exigência das multas de 2005 e 2006 foi cancelada. 22. Portanto, o voto vencido do Conselheiro Antonio Bezerra Neto não serve de fundamentação adequada e específica para a manutenção da exigência da multa isolada do ano de 2007, e o voto vencedor do Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira não expôs as razões pelas quais a exigência da multa isolada do ano de 2007 deveria ser mantida. 23. Assim, o v. Acórdão n° 1401000.761 é omisso quanto a aspecto relevante da defesa da Embargante, não havendo motivação adequada e específica para a manutenção da exigência da multa isolada do ano de 2007. (...) 29. Diante do exposto, os embargos de declaração são interpostos para que seja sanada a omissão ora apontada, com o pronunciamento da Turma de Julgamento sobre a manutenção ou cancelamento da exigência da multa isolada do ano de 2007, fundamentando especificamente a sua decisão, sob pena de cerceamento do direito de defesa do Embargante, afrontando os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72. (...) Em juízo prelibatório, o presidente considerou presente os requisitos de admissibilidade e submeteu os referidos embargos à apreciação da Turma. É o relatório. Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 535 5 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os embargos são tempestivos. Quanto ao vício apontado, assiste razão à embargante quanto ao atendimento dos demais requisitos de admissibilidade, dado a necessidade sanar a omissão/obscuridade apontada. De fato, no "Voto Vencido" estão expostas as razões pela quais o Relator entendeu que a exigência das multas isoladas deveria ser integralmente mantida. Embora haja menção à nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, dada pela Medida Provisória 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, o fato é que as razões aduzidas pelo Relator para manutenção da exigência relativamente aos anos de 2005, 2006 e 2007 são exatamente as mesmas. A Turma, entretanto, não acompanhou o Relator relativamente às exigências dos anos de 2005 e 2006. Nesse sentido, o voto do Relator prevaleceu apenas quanto ao ano de 2007. Já no "Voto Vencedor" encontramse expostas as razões do Redator designado, que alicerçaram o afastamento da exigência da multa isolada nos anos de 2005 e 2006. Tais razões se contrapõem àquelas aduzidas pelo Relator, que, como dito, são idênticas para os anos de 2005, 2006 e 2007. Em assim sendo, devese reconhecer que há aqui uma omissão ou no mínimo uma obscuridade no voto vencedor, não ficando claro sobre as razões que a turma levaram manter a exigência da multa isolada no ano de 2007 e que fez com que o Presidente para esse anocalendário votasse com o relator. Nesse contexto, percebo que meu voto vencedor de fato foi aparentemente uniforme para todos os anoscalendário. Porém percebo que fiz uma pequena distinção para o Anocalendário de 2007 que de fato possa ter sido relevante para mudar a posição de algum integrante, mas que não ficou isso claro na ementa e nesse momento não temos mais como saber. Isso porque para o anocalendário de 2007, reforcei meus fundamentos fazendo referência à nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, dada pela Medida Provisória 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que deixou mais claro ainda a existência de duas hipótese distintas (antecipação devida a título de estimativa de IRPJ e CSL e pagamento do IRPJ e da CSLL devidos) e que a base de cálculo da multa isolada não era o tributo devido no final do exercício como apontava a jurisprudência da época. Eis abaixo trechos do meu voto em que deixo claro esse complemento na fundamentação: (...)Outrossim, importante ressaltar que quem tinha o entendimento antes da redação da MP 303, de 29 de junho de 2006 (DOU 30/06/2006), consoante julgado abaixo da CSRF, deveria revêlo, se lastreado apenas nessa tese, após a edição dessa MP, que deixou claro que a multa de ofício isolada de 75% e posteriormente de 50% não era calculada sobre diferença de tributo, mas efetivamente sobre a estimativa. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 536 6 Tal interpretação pecava pelo excesso de literalidade que carregava consigo ao analisar o caput do art. 44 da Lei n° 9.430/96. A legislação em apreço, prescrita originalmente no art. 44,1, §1°, IV da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) §l° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; A redação acima transcrita teria tido vigência até a publicação da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, tendo força de Lei até essa data e posteriormente, foi editada a Medida Provisórias 351, de 22 de janeiro de 2007 (DOU 22/01/2007), convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como se vê não houve mudança nenhuma na essência, apenas na redução do percentual da multa e uma nova disposição redacional, muito como repercussão dos Julgados do CARF no legislativo, fazendo que o mesmo deixasse mais claro ainda o que já estava: que seriam duas hipótese distintas e que a base de cálculo da multa não era o tributo devido no final do exercício como apontava a jurisprudência da época. O Referido julgado do CARF fixouse demasiadamente no aspecto secundário da questão, deixando de lado o seu aspecto primário. Explicome melhor. Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 537 7 Nesse ponto é peço uma "licença filosófica" para fazer uma digressão a respeito de certas nuances da linguagem que podem levar a confusões conceituais. O filósofo da Linguagem John R. Searle tratou também desse assunto, que não passou despercebido à sua argúcia: "Há uma distinção, bem conhecida em filosofia da linguagem, entre o que uma sentença ou expressão significa e o que um falante quer significar quando emite essa sentença ou expressão. O interesse da distinção deriva não do fato relativamente trivial de que o falante pode ignorar o significado da sentença ou expressão, mas do fato de que, mesmo quando o falante tem competência lingüística perfeita, o significado literal da sentença ou da expressão pode não coincidir com o significado da emissão do falante. (...)As vezes, quando alguém se refere a um objeto, esse alguém está de posse de todo um rol de aspectos sob os quais, ou em virtude dos quais, poder ter‐se referido ao objeto; escolhe porém referir‐se ao objeto sob um aspecto. Normalmente, o aspecto selecionado será tal que o falante supõe que habilitará o ouvinte a selecionar o mesmo objeto. Em tais casos, como nos casos de atos de fala indiretos, quer se dizer o que se diz, mas também algo mais. Nesses casos, qualquer aspecto serve, contanto que habilite o ouvinte a selecionar o objeto. (Pode ser inclusive algo que tanto o falante como o ouvinte acreditem ser falso do objeto. Assim, alguém diz "o assassino de Smith", mas quer dizer também aquele homem lá, Jones, o acusado do crime, a pessoa que está sendo agora interrogada pelo promotor público, a que está se comportando tão estranhamente, e assim por diante. Nesses casos, se o aspecto que se seleciona para fazer referência ao objeto não funcionar, pode‐se recorrer a algum outro. (...) O aspecto secundário é qualquer aspecto que o falante expresse numa descrição definida (ou outra expressão) e seja tal que o falante o emita como uma tentativa de garantir a referência ao objeto que satisfação seu aspecto primário, mas que o falante não pretenda que faça parte das condições de verdade do enunciado que tenta fazer. Dessa explicação, segue‐se que a cada aspecto secundário deve corresponder a um aspecto primário. Todo uso referencial tem um aspecto primário subjacente." Nesse diapasão e forte em Searle, Data Venia, ousamos discordar do entendimento do referido Julgado na medida em que se enfatiza um aspecto secundário destituído de qualquer pretensão de verdade:"totalidade ou diferença de tributo", em detrimento de seu aspecto primário: que o percentual da multa exigida isoladamente incida sobre o valor do pagamento mensal, pagamento este que no final do exercício irá transmutar no "Totalidade ou parte tributo devido". Como se vê, tratase de um complemento de fundamentação apenas para "desconstruir" uma determinada tese que vinha sendo adotada pelo CARF, conforme julgado da CSRF acima transcrito, mas que agora passo a adotála integralmente como fundamento para manter a multa isolada do anocalendário de 2007. A fim de ficar mais claro os fundamentos para cada um dos anoscalendário, retifiquese a ementa do julgado, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO,. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória "é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal". No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniencia do fato gerador do imposto de renda. Anocalendário: 2007 IRPJ.CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 538 8 A multa de ofício.exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas, o que restou ainda mais claro com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, dada pela Medida Provisória 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, ao ressaltar que a base de cálculo da multa isolada não era o tributo devido no final do exercício como apontava a jurisprudência da época. Dessa forma, deixo claro agora que essa distinção é que passa a ser o fundamento principal do meu voto para manter as multas isoladas do anocalendário de 2007. Porém, como não se tem como mais saber porque o presidente aderiu a minha posição, a Turma terá que se pronunciar novamente sobre o mérito da manutenção ou não das multas isoladas para o anocalendário de 2007. Por ter sido vencido no mérito, a ementa acima retificada para o ano calendário de 2007 ficou prejudicada, pois prevalece agora a ementa do voto vencedor da relatoria do Conselheiro Guilherme Adolfo. Portanto, ACOLHO os embargos, rerratificando o Acórdão 1401000.761, já integrado pelos acórdãos 1401001.070 e 1401001.258, e integrando o voto com essa nova fundamentação e retificações das ementas. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 539 9 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado É de longa data meu posicionamento acerca da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa proporcional. Abaixo, reproduzo meu voto, relativo à situação idêntica à presente neste feito, que conduziu o Acórdão nº 120100.235, de 07 de abril de 2010: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.863 S1C4T1 Fl. 540 10 implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. No presente processo, as multas isoladas foram aplicadas sobre valor que integrou completamente a base para a autuação de sanções punitivas proporcionais. A autoridade, assim, puniu conjuntamente o descumprimento do dever de antecipar e o de pagar em definitivo sobre idênticas bases. A sanção mais grave, contudo, absorve a outra. Dessarte, voto pela improcedência do lançamento relativo às multas isoladas de 2007. No mais, sigo o voto do eminente relator. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 1764DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.734249/2011-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE.
Não se admite recurso especial quando a recorrente não lograr demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária suscitada.
Numero da decisão: 9101-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano (suplente convocada). Ausente justificadamente a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amádio.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE. Não se admite recurso especial quando a recorrente não lograr demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano (suplente convocada). Ausente justificadamente a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amádio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 42 49 /2 01 1- 79 Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.787 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 2.604 e ss., contra o acórdão nº 1201001.507, de 14 de setembro de 2016 (e fls. 2.580 e ss.), que, no mérito e por maioria, deu provimento ao recurso voluntário. Transcrevese a sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAVEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresaveículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. LAUDO DE AVALIAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A legislação fiscal não traz previsão de obrigatoriedade de apresentação de laudo de avaliação anterior à operação que originou o ágio para fins de dedutibilidade. A apresentação de demonstrativo de rentabilidade futura, ainda que por meio de estudo técnico interno, preenche os requisitos previstos em lei, seno que o laudo elaborado em período posterior pode servir apenas para ratificar o estudo anterior. INCORPORAÇÃO REVERSA. POSSIBILIDADE LEGAL. A incorporação reversa para fins de possibilitar a dedução do ágio pela empresa incorporadora é hipótese prevista de forma expressa na legislação tributária. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 2.634 e ss. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão n° 10323.290: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.788 3 Anocalendário: 2002 (...) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA POR SUA CONTROLADA. ANO CALENDÁRIO 2002. É permitida a amortização de ágio nas situações em que uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em conseqüência de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado segundo o disposto no artigo 385 do RIR199, inclusive no caso de incorporação da controladora por sua controlada. Tratandose de fundamento econômico lastreado em previsão de resultados nos exercícios futuros, a amortização se dá nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negociai ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato continuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora. Acórdão nº 1301001.637, de 28.08.2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 (...) ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. As alegações de mérito da Fazenda, são, em síntese, as seguintes: a) que na aquisição de 70% do capital social da SERASA S.A. pela EXPERIAN BRASIL, o real adquirente são as empresas sediadas no exterior que formam o Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.789 4 EXPERIAN GROUP (GUS Europe Holdings BV e a GUS Overseas Holdings BV), das quais se originaram todos os recursos para a aquisição. Nessa situação, a EXPERIAN BRASIL foi "mero instrumento, mero veículo na busca de um aproveitamento de ágio", constatação que "decorre mesmo do laudo da KPMG sobre a operação"; b) aduz que "a Fiscalização demonstrou o artificialismo das operações societárias levadas a termo pelo Experian Group com o exclusivo propósito de aproveitar o ágio pago na aquisição de participação na SERASA S.A.", destacando que o benefício fiscal de amortização do ágio foi o único fundamento para a estruturação societária que culminou com a constituição da Guina Participações Ltda., que adquiriria, sete meses depois e já sob o nome de Experian Brasil, a SERASA S.A. E assinalou a "total ausência de propósito negocial nas operações, feitas de forma estruturada e cujos resultados tributários foram calculados desde o início"; c) refere que as justificativas econômicas e empresariais para as operações apresentada pela Contribuinte em seu recurso voluntário não se sustentam, aduzindo que a justificativa de simplificar os pagamentos que teriam que se dar mediante operações de câmbio "trata como a coisa mais burocrática do mundo algo que é da maior simplicidade e naturalidade no sistema bancário: o recebimento de ordens de pagamento internacionais e fechamento de câmbio"; d) refuta também a alegação da Contribuinte de busca de simplificação sob a perspectiva de registro de capital estrangeiro junto ao Banco Central, afirmando que "quanto ao registro das operações no Sisbacen, no citado módulo RDEIED, o trabalho não seria maior nem menor para a solução adotada pela Contribuinte (aumentando o capital da Experian Brasil) ou no caso de aquisição direta junto a vários acionistas da SERASA S.A.", demonstrado o que afirma; e) assevera que para que a amortização do ágio seja juridicamente possível e oponível ao Fisco é necessária a observância de certos requisitos previstos na legislação, assinalando que o primeiro requisito é a absorção do patrimônio da incorporada e que se investimento continua existindo não ocorre a "confusão patrimonial do investimento". E afirma que "no presente caso, as empresas GUS Europe Holdings BV e GUS Overseas Holdings BV, quem realmente efetivou o investimento, não deixaram de existir nem perderam seus investimentos na fiscalizada (SERASA S.A)", sendo que "a Guina Participações Ltda. (posteriormente Experian Brasil) se prestou como mero veículo para aproveitamento de ágio". Conclui que "somente se tivesse havido a incorporação das empresas estrangeiras pela SERASA S.A. é que o requisito legal (absorção de patrimônio) teria sido obedecido"; d) destaca que também o aspecto temporal denuncia a total ausência de propósito negocial, assinalando que: A Experian Brasil foi constituída apenas cerca de 07 meses antes das aquisições de ações, com capital ínfimo de R$ 100,00, sendo certo que o benefício almejado pela Contribuinte com a dedução do ágio alcança cifras bilionárias. Merece destaque o fato de a Experian Brasil terse mantida inativa durante sua criação (em 21/11/2006) e a data da entrada dos novos sócios GUS Europe Holdings BV e GUS Overseas Holdings BV (em 18/06/2007). Tudo isso para ser extinta por incorporação em 13/12/2007. e) cita doutrina de Luís Eduardo Schoueri em favor de seus argumentos; Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.790 5 f) assevera que o artigo 385 do RIR/99 estabelece que o lançamento contábil do ágio por rentabilidade futura deve indicar a razão econômica que levou o seu pagamento, a qual, por seu turno, deve estar demonstrada em um documento arquivado na contabilidade da empresa, elaborado antes do efetivo desembolso do ágio; g) que além do que prevê a norma, a anterioridade do laudo econômico ao pagamento do ágio também decorre de uma questão de ordem lógica. Sendo o ágio fruto de uma negociação, onde uma parte adquire de outra um bem (participação societária), a ordem necessária dos fatos é que a parte adquirente estude o seu interesse no bem antes do negócio ser fechado. Imaginar o contrário, seria admitir que a parte adquiriu o bem e depois analisou se tinha interesse na compra já realizada. O ato existiria antes da vontade. Acrescenta que admitir que, na realização de um negócio, a efetiva circulação de riquezas entre as partes possa anteceder a razão econômica que levou ao estabelecimento do valor que seria recebido/pago, significa afastar, em última análise, a regra fundamental da economia da oferta e da demanda; h) que pensar que o laudo econômico possa ser elaborado após o pagamento do ágio, além de ser um disparate hermenêutico, implicaria a permissão de inimagináveis situações fraudulentas. A fraude se mostra possível em face do poder de manipulação que os contribuintes terão sobre as informações que servem para comprovar a materialidade dos fatos; i) que no presente processo, "verificase que a Contribuinte não trouxe aos autos um documento hábil a demonstrar o fundamento econômico na rentabilidade futura da SERASA S.A.", sendo que "o laudo juntado pelo Contribuinte foi elaborado em data posterior àquela em que o ágio foi pago (o que é incontroverso nos presentes autos)". Assinala que "o laudo elaborado pela KPMG é datado de 22 de outubro de 2007, reportando à situações pretéritas, como se observam nas seguintes passagens ...", enquanto que as condições finais da aquisição, segundo a própria KPMG, foram estipuladas em 28/06/2007; j) afirma que a existência de estudos internos, prévios à aquisição da participação societária, que apontaria o valor da rentabilidade futura da SERASA S.A. "é contrariada pelo próprio laudo da KPMG (fls. 04), que assim se manifesta ...". Acrescenta que o trecho do laudo evidencia que "qualquer 'estudo prévio', 'interno', anterior à aquisição, se de fato existente, não mereceu credibilidade do próprio Experian Group, haja vista a solicitação feita à KPMG para elaboração do laudo ora mencionado" e que "o ágio já estava registrado na Experian Brasil", questionando "a serventia deste laudo da KPMG se, qualquer que fosse as suas conclusões, o ágio já estava registrado?"; l) cita jurisprudência do CARF em favor de seus argumentos. Ao final, conclui que "ante a inobservância de requisitos expressamente exigidos em lei para permitir a amortização do ágio pago (absorção do patrimônio da empresa que de fato realizou o investimento e demonstração de o mesmo fundarse em expectativa de rentabilidade futura), não há que se permitir a sua amortização". E requer "seja conhecido e provido o presente recurso especial a fim de que seja reformado o r. acórdão recorrido com a consequente manutenção do lançamento". A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 2.653 e ss.). Em preliminar traz, em essência, as seguintes razões: Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.791 6 a) alega que a Recorrente deixou de indicar os pontos divergentes entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma de n° 10323.290. Além disso aduz que o referido paradigma "discute matéria completamente diversa, qual seja, a suposta ausência de tributação de ganhos de capital", e não a dedutibilidade de despesas de amortização de ágio, bem como "apresenta fatos tão dissonantes em relação ao caso ora em exame que, em nenhuma hipótese poderia servir como paradigma", apresentando quadro que assim demonstra. Acrescenta que no presente processo não se discute "transferência de ágio", nem "incorporação às avessas" e assinala que a jurisprudência da CSRF é pacífica quanto à necessidade de indicação clara e precisa das divergências e de identidade fática entre os acórdãos, citando diversos julgados, destacando os casos "Geoplan" e "DASA"; b) afirma que não cabe à Recorrente questionar ausência de substância econômica da holding constituída pelo Grupo Experian para a aquisição das suas ações, já que se trata de matéria de fato devidamente suportada por documentação hábil e idônea e já analisada pelo CARF; c) em relação ao acórdão paradigma de n° 1301001.637, após assinalar que a Recorrente deixa de considerar que, no presente caso, o laudo da KPMG foi elaborado somente por uma questão de conservadorismo, na busca do grupo Experian, por uma validação externa de estudos anteriores que já haviam sido preparados pela administração do grupo, afirma que "mesmo no r. Acórdão paradigma há o reconhecimento expresso de que estudos internos são hábeis e idôneos para justificar economicamente o ágio". Acrescenta que "a diferença dos fatos ora tratados para o precedente apontado pela Recorrente em seu Recurso Especial é que naquela situação os estudos internos não guardavam relação clara com as empresas envolvidas na operação da qual decorreu o ágio, o que não ocorre no presente processo administrativo". Após discorrer sobre os "fatos antecedentes, razões empresariais e a formação do ágio" e sobre os julgamentos da DRJ e da Turma do CARF ora recorrida, a Contribuinte, aduz no item III de sua peça, resumidamente, o que segue: a) afirma no subitem (a) que "todos os requisitos legais autorizativos à dedução das despesas de amortização foram verificados neste caso", apresentando tabela que sumariza os requisitos de dedutibilidade da amortização de ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, com a indicação do efetivo cumprimento de cada requisito no caso presente, bem como citando julgados em que o CARF confirmou a validade e legitimidade do ágio em operações similares; b) argumenta no subitem (b) do item III de sua peça que "a Experian Brasil não era uma 'sociedadeveículo'", afirmando que "foram feitos 4 grandes aumentos de capital da holding entre 25.6.2007 e 9.10.2007 com negociações financeiras de taxas de câmbio muito mais interessantes para o grupo, em razão do volume de recursos em cada um desses aumentos, e todo essa caixa foi sendo utilizado pela Experian Brasil para a realização de 57 TEDs aos acionistas vendedores, mitigando assim os riscos de variação cambial para o grupo, o que era crucial em razão da forte oscilação do câmbio à época"; c) aduz que "mesmo que assim não fosse, o que se considera apenas para argumentar, a legislação comercial brasileira expressamente admite a existência de uma companhia cujo objeto social seja a simples detenção de outra sociedade, como, por exemplo, fazem o artigo 2o, § 30, da Lei das S.A. e o artigo 31 da Lei no 11.727, de 23.6.2008", acrescentando que "a Comissão de Valores Mobiliários ('CVM') também disciplina por meio Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.792 7 de Instruções Normativas o tratamento contábil do ágio quando da incorporação de sociedade que tinha apenas o ágio como principal ativo"; d) afirma no subitem (c) do item III de sua peça que que "a justificativa econômica do ágio não estava fundamentada somente no laudo de avaliação da KPMG", assinalando que "desconsiderando completamente que o próprio grupo Experian, antes mesmo de proceder à aquisição das ações da Recorrida, já havia preparado um estudo prévio que chegou aos mesmos resultados quando ao valor de mercado dessa participação e a expectativa de rentabilidade futura correspondente". Acrescenta que "essa questão, inclusive, é expressamente destacada pelo r. Acórdão recorrido"; e) refere que "o laudo de avaliação da KPMG foi contratado pelo grupo Experian após a conclusão do negócio apenas por uma questão de conservadorismo, visando ter seu estudo devidamente corroborado por uma empresa brasileira independente. E de fato as premissas, métodos e conclusões de ambos os documentos são correspondentes, não havendo divergências". Destaca que "até mesmo porque, como reconhece o r. Acórdão recorrido, seria no mínimo improvável que o grupo Experian decidisse pagar mais de R$ 2 bilhões a terceiros sem que houvesse um embasamento mínimo para tanto" e afirma que "o E. CARF também vem decidindo que a D. Fiscalização não pode simplesmente glosar a dedução de despesas de ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação"; Ao final, apresenta a seguinte conclusão e pedido: 52. Por todo o exposto, a Recorrida tem como demonstrado e comprovado que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve sequer ser admitido por esta C. CSRF, uma vez que não houve qualquer demonstração quanto à divergência paradigmática em relação aos fatos discutidos nestes casos. Ambos os acórdãos paradigmas não guardam qualquer semelhança fática com o r. Acórdão recorrido. 53. Não obstante, ainda que assim não entenda esta C. CSRF, a Recorrida também tem como demonstrada a improcedência dos argumentos apresentados pela União Federal (Fazenda Nacional) para postular a reforma do r. Acórdão recorrido. Dessa forma, a Recorrida requer a esta E. CSRF, com fundamento nos argumentos de fato e de Direito expostos nestas Contrarrazões, que, na hipótese de ser admitido o Recurso Especial interposto, sejalhe NEGADO PROVIMENTO, com a consequente manutenção do Acórdão no 1201001.507. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. Embora tempestivo, o recurso da Fazenda Nacional não deve ser conhecido pelas razões que adiante exponho. Antes, no entanto, de enfrentar da preliminar de inadmissibilidade do recurso trazida pela Contribuinte, apresento, para melhor compreensão, a síntese dos fatos que deram origem à autuação conforme a seguir (vide Termo de Verificação Fiscal, efls. 1.506 e ss.): Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.793 8 1) em 21/11/2006 foi constituída a empresa GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA, com capital social de R$ 100,00 e tendo como sócias as empresas TEXTAR PARTICIPAÇÕES e PACAEMBU PARTICIPAÇÕES, ambas sediadas no Brasil; 2) em 18/06/2007 as sócias TEXTAR PARTICIPAÇÕES e PACAEMBU PARTICIPAÇÕES transferiram suas quotas respectivamente para as empresas GUS EUROPE HOLDINGS BV e GUS OVERSEAS HOLDINGS BV, ambas sediadas no exterior. A primeira empresa restou com participação societária de 99% e a segunda de 1%. Além disso, foi alterada a razão social da GUINA PARTICIPAÇÕES para EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA; 3) entre 25/06 e 17/10/2007 o capital social da EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES foi aumentado de R$ 100 para R$ 2,4 bilhões, tendo suas duas sócias GUS EUROPE HOLDINGS BV e GUS OVERSEAS HOLDINGS BV integralizado o capital aumentado em dinheiro, restando mantidas as participações respectivas de 99% e 1%; 4) em 28/06/2007 e 11/10/2007 a EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES adquiriu 70% de participação na SERASA S.A, pagando ágio no valor de R$ 2.286.671.078,74; 5) em 13/12/2007, a SERASA S. A. incorporou a EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES e passou a amortizar o ágio. Preliminar de inadmissibilidade do recurso Para sustentar o dissídio jurisprudencial em relação ao primeiro paradigma (acórdão de n° 10323.290), a Fazenda Nacional apresenta as seguintes razões: Consoante se verifica, os fatos analisados nos acórdãos confrontados são idênticos: discutese a regularidade da "transferência" do ágio contabilizado na controladora incorporada, para a controlada incorporadora, numa operação comumente denominada "incorporação às avessas". No entanto, é manifesta a divergência quanto à interpretação e aplicação do art. 20 do DL 1.598/77, reproduzido no art.385, inciso II, parágrafo 2º, inciso II do RIR/99. A contrariedade reside na validade da utilização de empresa veículo para fins de aproveitamento do ágio na incorporação. Segundo o r. acórdão desafiado, a incorporação levada a efeito com o fito exclusivo de aproveitamento fiscal do ágio constitui propósito negocial idôneo, sendo perfeitamente possível a utilização de empresaveículo para esse fim. De outra banda, o r. acórdão paradigma pontifica que a idoneidade do propósito negocial não pode estar ancorado tão somente no aproveitamento fiscal do ágio. Assim, na óptica do r. acórdão desafiado a incorporação reversa, por meio de empresaveículo, seria um negócio indireto. De outra sorte, o r. acórdão paradigma sustenta, com mais razão, ser a incorporação reversa espécie de simulação. Como se viu, a Contribuinte alega em contrarrazões que o recurso fazendário não pode ser admitido uma vez que a Fazenda deixou de indicar os pontos divergentes entre o Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.794 9 acórdão em questão (de n° 10323.290), bem como que esse acórdão "discute matéria completamente diversa, qual seja, a suposta ausência de tributação de ganhos de capital", e não a dedutibilidade de despesas de amortização de ágio e "apresenta fatos tão dissonantes em relação ao caso ora em exame que, em nenhuma hipótese poderia servir como paradigma". Para bem apreciar a alegação da Contribuinte, importante compreender as operações que no caso do paradigma deram azo à autuação fiscal. Pelo que se depreende do relatado no acórdão paradigma, as operações lá ocorridas podem ser assim sintetizadas na seqüência a seguir: 1 A empresa BREPA adquire participação societária na empresa RDC (a autuada) pagando ágio por rentabilidade futura; 2 BREPA transfere a participação na RDC em integralização de capital na RIVIEREPAR; 3 Na mesma data, RDC incorpora RIVIEREPAR (incorporação reversa), contabilizando o ágio pago (na aquisição da participação societária dela própria) em seu ativo diferido ("para posterior amortização, assim como a sua integração ao custo dos estabelecimentos adquiridos"); 4 BREPA transfere a participação societária que detinha em RDC para o CARREFOUR 5 Dois anos após, RDC aliena todos os estabelecimentos (unidades de supermercado) da (computados todos os respectivos ativos e passivos como parte da operação) para o CARREFOUR. Na apuração do ganho de capital correspondente, RDC considerou o valor do ágio como parcela do custo, o que foi considerado irregular pela Fiscalização. Vale transcrever trecho do relatório onde são expostas essas operações, bem como excerto do voto condutor onde o Relator Aloysio José Percínio da Silva aprecia as razões do recurso voluntário (sublinhouse): A infração intitulada "Ganhos e perdas de Capital — alienação/baixa de bens do ativo permanente" foi assim detalhada pela autoridade fiscal (fls. 101): "Em 01.01.2000 a Brepa Comércio e Participação Ltda., CNPJ 49.740.038/000190 adquiriu esta empresa conforme contrato entre ela e os seus antigos sócios, por R$ 3.399.000,00, valor atribuído às quotas. A diferença do preço foi contabilizada a titulo de ágio, no total de R$ 669.286.468,30, com base na rentabilidade futura e conforme Laudo de Avaliação. Em 01 10 2000 a Brepa subscreve capital de nova sociedade, Rivierepar, transferindo seu investimento em RDC a título de capital de empresa Em sua contabilidade o investimento permanece em valores iguais, mudando apenas o nome da sociedade investida de RDC para Rivierepar. Nesta mesma data a RDC incorpora a Rivierepar, transferindo para sua contabilidade o único bem da Rivierepar, ou seja, o valor do ágio pago pela Brepa por ocasião em que adquiriu a RDC e a Reserva de Ágio. A RDC trouxe para dentro da empresa a mais valia atribuída a seus bens. Em 01.01.2001 a Brepa transfere o seu investimento RDC para o Carrefour. Em 30.9.2002, o Carrefour, sécia controladora, compra os imóveis que compõem os supermercados e os Estoques pelo preço estipulado em Laudo de Avaliação = Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.795 10 R$376.951.818,00. Os fatos acima descritos mostram que a empresa Rivierepar foi criada para servir ao propósito de transferir o ágio e a reserva de ágio para a RDC. Ao assumir seu próprio ágio a RDC contabilizou indevidamente um fato jurídico estranho a ela. Não há na legislação qualquer previsão normativa que suporte a contabilização do ágio na RDC. Somente ocorre ágio ou deságio na aquisição de participação societária de terceiros. A subscrição é sempre em outra empresa. O artigo 20 do Dec. Lei 1.598/77, reproduzido no art. 385, inciso II, parágrafo 2°, inciso II do RIR/99 estabelece a norma legal pela qual o sujeito passivo da obrigação está expressamente identificado. E aquele que adquire participação em sociedade em volume que o classifique como sócio coligado ou controlador, com ágio ou deságio. A falta de conexão entre o sujeito e o fato descrito na norma impede a realização da hipótese de incidência. A transferência do ágio ao comprador Carrefour constitui flagrante irregularidade gerando como efeito fiscal a apuração a menor do ganho de capital pela indevida consideração do valor do ágio como parcela do custo na apuração do resultado da alienação realizada. (...) A acusação fiscal não contemplou indicação de quaisquer irregularidades na constituição do ágio quando da aquisição de quotas do capital da recorrente pela BREPA. As infrações especificadas pela autoridade fiscal dizem respeito a: a) transferência do valor correspondente ao ágio pago pela BREPA na aquisição de participação societária na recorrente para ela própria, mediante a utilização de empresa criada unicamente para esse fim (RIVIEREPAR); b) Dedução indevida do valor transferido na apuração da venda dos estabelecimentos ao CARREFOUR como custo na apuração do resultado da operação. Quanto à primeira infração, a integralização de capital da RIVIEREPAR pela BREPA com o investimento na RDC, seguida de incorporação da primeira por sua controlada, ora recorrente, logo no dia seguinte, ratificam a afirmação da autoridade fiscal de que "a empresa Rivierepar foi criada para servir ao propósito de transferir o ágio e a reserva de ágio para a RDC". Da descrição dos fatos e elementos de prova constantes dos autos bem se percebe a ausência de qualquer propósito negocial ou societário na incorporação realizada, restando caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio para a incorporadora, apenas com o fim almejado de redução do ganho tributável resultante da venda dos estabelecimentos ao CARREFOUR. Observese que, abstraindose do contexto de fato a incorporação, a reserva de ágio não comporia o patrimônio da RDC, ora recorrente. A meu ver, o caso concreto deveria ser enquadrado como simulação, acompanhada da aplicação de multa qualificada. Entretanto, a autoridade fiscal impôs apenas a multa ordinária de 75%. (...) No tocante à segunda infração, mesmo que se considerasse regular a incorporação apenas para fins de argumentação, o valor do ágio não poderia ser integralmente computado como custo na apuração do resultado da venda dos estabelecimentos ao CARREFOUR. Em primeiro lugar, equivocase a Contribuinte quando assenta no fato de no paradigma se discutir tributação de ganho de capital a ausência de dissídio jurisprudencial. É bem verdade que no caso do paradigma o aproveitamento fiscal do ágio (afastado pela Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.796 11 Fiscalização) se perfaz com a alienação de bens (unidades de supermercado) da autuada (RDC) para o CARREFOUR. Mas o excerto antes reproduzido revela que, independentemente do aproveitamento do ágio como custo na alienação as unidades de supermercado, o colegiado considerou que o ágio aproveitado carregava o vício de ter sido transferido através de "empresa veículo". Destaquese que a infração "a" acima descrita do trecho do acórdão recorrido é: a) transferência do valor correspondente ao ágio pago pela BREPA na aquisição de participação societária na recorrente para ela própria, mediante a utilização de empresa criada unicamente para esse fim (RIVIEREPAR); Por outro lado, observase que o vício de transferência do ágio que se apresenta no caso do paradigma, e que é substancial para o colegiado decidir pela irregularidade do ágio aproveitado, inclusive afirmando que seria caso de multa qualificada, não se revela no caso do acórdão recorrido. Com efeito, não se vê nas operações levadas a cabo no presente caso transferência do ágio pago de uma empresa à outra. Aqui o ágio supostamente pago por EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES na aquisição de participação na SERASA S.A. nunca foi transferido, tendo sido amortizado por SERASA S.A. quando fez a incorporação (reversa) de EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES. O que se tem é uma acusação fiscal de que quem arcou com o ônus do ágio foram as pessoas jurídicas situadas no exterior, e, portanto, não houve a "confusão patrimonial" entre investidora e investida. Nesse sentido, equivocase a Fazenda quando, para sustentar o dissídio jurisprudencial afirma que "os fatos analisados nos acórdãos confrontados são idênticos: discutese a regularidade da 'transferência' do ágio contabilizado na controladora incorporada, para a controlada incorporadora, numa operação comumente denominada 'incorporação às avessas'". Assim, as referências a "empresa veículo" feita em cada um dos julgados têm contornos bastante diferentes. Enquanto no acórdão recorrido designa empresa sediada no Brasil (EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES) que recebeu aporte em dinheiro de suas sócias sediadas no exterior com (supostamente, como alega a Fiscalização) o único fito de viabilizar o aproveitamento do ágio pago na aquisição de participação em empresa de terceiros (SERASA S.A.); no paradigma designa empresa sediada no Brasil (RIVIERAPAR) para a qual foi transferida participação societária (na RDC) adquirida com ágio pago por outra empresa (BREPA), com (supostamente, como alega a Fiscalização) o único fito "de transferir o ágio e a reserva de ágio para a RDC". No caso do paradigma, BREPA arcou com o ônus pelo pagamento do investimento na RDC. Porém, quando subscreveu capital na RIVIEREPAR com as ações da RDC, ao invés de baixar o investimento que tinha na RDC, inclusive o ágio, manteve o investimento, conforme se depreende do relatório do acórdão paradigma: [...]Em 01 10 2000 a Brepa subscreve capital de nova sociedade, Rivierepar, transferindo seu investimento em RDC a título de capital de empresa Em sua contabilidade o investimento permanece em valores iguais, mudando apenas o nome da sociedade investida de RDC para Rivierepar. Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.797 12 E mais: a Rivierepar contabilizou o ágio que fora pago por Brepa em sua contabilidade, de forma que quando a RDC incorpora a Rivierepar, como a Rivierepar estava na sua contabilidade, com um investimento (inclusive ágio) da RDC, a consequencia foi que RDC trouxe para a sua contabilidade a mais valia do seu próprio patrimônio, que fora pago por Brepa: Nesta mesma data a RDC incorpora a Rivierepar, transferindo para sua contabilidade o único bem da Rivierepar, ou seja, o valor do ágio pago pela Brepa por ocasião em que adquiriu a RDC e a Reserva de Ágio. A RDC trouxe para dentro da empresa a mais valia atribuída a seus bens. É de se observar, assim, que são arranjos contábeis e societários totalmente distintos. Vale, aliás, destacar o trecho a seguir do acórdão recorrido que reconhece razões negocias para as operações levadas a cabo e afasta a hipótese de fraude ou simulação, situações que no acórdão paradigma foram em sentido inverso (ali não se vislumbrou propósito negocial e se identificou simulação, conforme trechos sublinhados anteriormente): Assim, no presente caso, em que o conjunto de operações se concretizou num contexto de intensa e complexa operação de negociação de ações com diversos acionistas, o que gerou a execução de dezenas de pagamentos no Brasil para beneficiários diferentes em datas diferentes, bem como, o custo adicional e o risco cambial que existiria se a operação fosse executada a partir de empresas estabelecidas no exterior, não enxergo qualquer vício na utilização da empresa Experian Brasil que, de fato, serviu como veículo ou o instrumento para a operação. Além disso, ausentes evidências concretas de ocorrência de fraude ou simulação, como foi levantado pelo Fisco. Desta forma, a utilização da empresa Experian Brasil em nada prejudica o aproveitamento do ágio ao final efetuado pela própria Recorrente em razão de posterior incorporação reversa. Vêse, portanto, que não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial em relação ao acórdão paradigma nº 10323.290, já que as soluções diversas adotadas nos acórdão recorrido e paradigma não se devem a dissídio na interpretação da legislação, mas sim porque as conclusões a que chegaram os respectivos colegiados a partir do conjunto fáticoprobatório que se apresentava foram em direções opostas. Em relação ao segundo acórdão apontado como paradigma (de nº 1301 001.637), a Fazenda assim identifica a divergência de interpretação da legislação tributária: Como se vê, os fatos são idênticos: discutese nos dois casos se um laudo elaborado posteriormente ao reconhecimento do ágio serve para fundamentar este na rentabilidade futura. No entanto, há manifesta divergência quanto à interpretação e aplicação do parágrafo 3º do art. 385 do RIR/1999. O v. acórdão recorrido entende que o laudo posterior é válido. Para ele, a legislação fiscal não traz previsão de Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.798 13 obrigatoriedade de apresentação de laudo de avaliação anterior à operação que originou o ágio para fins de dedutibilidade. A apresentação de demonstrativo de rentabilidade futura, ainda que por meio de estudo técnico interno, preenche os requisitos previstos em lei, sendo que o laudo elaborado em período posterior pode servir apenas para ratificar o estudo anterior. Por sua vez, o acórdão paradigma afirma que a demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Já a Contribuinte questiona a existência de dissídio jurisprudencial afirmando que "mesmo no r. Acórdão paradigma há o reconhecimento expresso de que estudos internos são hábeis e idôneos para justificar economicamente o ágio" e que "a diferença dos fatos ora tratados para o precedente apontado pela Recorrente em seu Recurso Especial é que naquela situação os estudos internos não guardavam relação clara com as empresas envolvidas na operação da qual decorreu o ágio, o que não ocorre no presente processo administrativo". Confrontandose os acórdãos recorrido e paradigma, vêse que nem o recorrido traz afirmação de que não carece que a demonstração do fundamento econômico da mais valia paga seja contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte, nem o acórdão paradigma consigna que estudos internos contemporâneos não são suficientes para satisfazer a exigência do § 3º do art. 385 do RIR/1999. Com efeito, em ambos os casos havia documentos internos contemporâneos ao reconhecimento do ágio pago que (supostamente) faziam sua demonstração em função da rentabilidade futura da adquirida. Ocorre, no entanto, que no paradigma, o conteúdo material da demonstração foi rechaçado, o que não ocorreu no recorrido. Confiramse os excertos: Acórdão Paradigma: Resta, por fim, analisar a questão relativa à comprovação do fundamento econômico do ágio pago. A fiscalização entendeu que não restou comprovado o fundamento econômico baseado na rentabilidade futura do investimento, na medida em que o laudo de avaliação apresentado no curso da ação fiscal, elaborado pela empresa de consultoria KPMG foi elaborado em 23/12/1999, ou seja, dois meses após a realização do negócio. Na sua impugnação, a recorrente apresentou dois outros documentos que consistiriam em estudos prévios à realização do negócio que, no seu entender, seriam suficientes para comprovar o fundamento econômico do ágio pago. Além disso, reafirma a validade do laudo da KPMG apresentado à fiscalização, na medida em que a amortização fiscal do ágio só passou a ser realizada após a elaboração desse laudo. O acórdão recorrido entendeu que os documentos apresentados não se prestaram à comprovação do fundamento econômico do ágio pago, pelas razões abaixo, transcritas do voto condutor, in verbis: (...) Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.799 14 Examinando o primeiro laudo, apresentado à fiscalização no curso da ação fiscal, elaborado pela empresa KMPG em 23/12/1999, entendo que o mesmo não pode ser o documento de suporte à fundamentação do ágio com base na rentabilidade futura projetada. Em que pese o fato de seus spectos extrínsicos e intrínsicos não estarem em discussão, a sua elaboração dois meses após a formalização das operações societárias que deram ensejo ao surgimento do ágio, impede, por questão lógica, que seja este o documento hábil para informar o fundamento econômico que justificou o pagamento do ágio. (...) Já o estudo apresentado pela Salomon Smith Barney (fls. 808/817 do eprocesso) carece de comprovação vínculo com o negócio realizado. (...) Por fim, resta analisar se o outro estudo realizado também pela consultoria KPMG, em data anterior às operações consiste em documento hábil para justificar o fundamento econômico do ágio pago. (...) Ante ao exposto, entendo que a recorrente não se desincumbiu do mister de comprovar por meios hábeis e idôneos o fundamento do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida, e voto no sentido de manutenção do lançamento no que tange à glosa da amortização de ágio. Acórdão Recorrido: Conforme constam dos autos, a avaliação acerca da rentabilidade futura da empresa Serasa que serviu como ponto de partida para a formação do preço pago na aquisição das ações, foi primeiramente efetuada pela própria Experian. Neste sentido, consta dos autos, um trabalho interno de 28/03/2007, no qual se verifica que o valor de mercado calculado do objeto de aquisição fora de R$ 3,45 bilhões. O fato é que uma vez conhecidas as premissas econômicas e financeiras que envolviam a Serasa (anteriormente detidas por bancos que certamente, sabem planejar de forma estruturada seus negócios), a Experian se comprometeu contratualmente a pagar o valor de R$ 2,24 bilhões pela parcela de 65% das ações. Posteriormente, foi elaborado um Laudo de Avaliação pela empresa KPMG datada de 22.10.2007, antes da data de incorporação da Experian Brasil pela Recorrente. Tal laudo consta dos autos e traz de forma estruturada o racional de cálculo de rentabilidade futura da empresa Serasa. O Fisco contesta o fato do laudo ter sido elaborado em data posterior à aquisição das ações pela Experian Brasil. (...) Diante do exposto, entendo que o estudo interno elaborado pela empresa Experian antes da aquisição das ações, somado ao Laudo de Avaliação elaborado pela empresa KPMG Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 10880.734249/201179 Acórdão n.º 9101003.007 CSRFT1 Fl. 2.800 15 posteriormente à aquisição das ações mas previamente à incorporação reversa, atende o requisito legal de forma a permitir a dedução do ágio. Ou seja, no caso do recorrido, a tese foi no sentido de que como a legislação não exige "laudo", mas sim, demonstração, um estudo interno foi satisfatório. Para o paradigma, essa tese não pode ser aplicada, não porque o colegiado entendeu diferente, mas sim porque o primeiro laudo era extemporâneo, e o estudo carecia de comprovação de vinculação com o negócio realizado. Portanto, também em relação ao segundo paradigma, o dissídio jurisprudencial não restou demonstrado. Acolho, por conseguinte, a preliminar de não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional. Conclusão Em face do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2800DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.021489/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
DECADÊNCIA
Os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 que fixavam em dez anos o prazo para o INSS constituir e cobrar seus créditos, tiveram sua aplicação obstada pela edição da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, que firmou entendimento sobre a inconstitucionalidade desses artigos, publicada no DOU de 20/06/2008.
Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional CTN, observando-se a vinculação das decisões administrativas ao enunciado das Súmulas Vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal STF e o Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 143712008, estão decadentes todas as competências objeto neste Auto de Infração, anteriores a 15 de dezembro de 2003, isto porque há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, eis que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, antecipou de uma certa forma parte das contribuições e, não olvidemos que foi lançamento para prevenir decadência.
DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA
Nos presentes autos a matéria discutida é diferente da que foi debatida na ação Judicial nos autos do MS sob n° 2000.38.00.0131552, razão pela qual não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. Ou seja, no RV não discute a legitimidade da cobrança da contribuição previdenciária, mas apenas a incidência da multa e dos juros moratórios sobre crédito cuja exigibilidade encontra-se suspensa por depósito judicial.
De fato, de fundamental importância é quando diz respeito à definição do que deva ser objeto do lançamento tributário, se tão somente o principal corrigido, ou se deverão ser incluídos os acréscimos moratórios (juros de mora e multa de mora) e penalidades (descumprimento de obrigações acessórias, infrações à lei tributária).
A situação do caso é que há uma decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, que só poderão ser objeto do lançamento visando a prevenir a decadência os acréscimos que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Sobretudo porque realizou antes do vencimento.
Por fim, deve ser mencionado que, na área federal, existe legislação específica que trata do ponto aqui examinado, qual seja, a Lei 9.430/96, artigo 63. Esse artigo estabelece, em seu caput, que não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos cuja exigibilidade tiver sido suspensa por liminar em Mandado de Segurança.
Com base na Lei 9.430/96, artigo 63, no lançamento preventivo, como é o caso em tela não cabe a multa de ofício. Razão, portanto, assiste a Recorrente.
Também não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante integral.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-005.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos da Fazenda Nacional, para sanar a omissão na ementa e voto do relator originário, nos termos do voto do relator dos embargos.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 08/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DECADÊNCIA Os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 que fixavam em dez anos o prazo para o INSS constituir e cobrar seus créditos, tiveram sua aplicação obstada pela edição da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, que firmou entendimento sobre a inconstitucionalidade desses artigos, publicada no DOU de 20/06/2008. Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional CTN, observando-se a vinculação das decisões administrativas ao enunciado das Súmulas Vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal STF e o Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 143712008, estão decadentes todas as competências objeto neste Auto de Infração, anteriores a 15 de dezembro de 2003, isto porque há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, eis que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, antecipou de uma certa forma parte das contribuições e, não olvidemos que foi lançamento para prevenir decadência. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Nos presentes autos a matéria discutida é diferente da que foi debatida na ação Judicial nos autos do MS sob n° 2000.38.00.0131552, razão pela qual não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. Ou seja, no RV não discute a legitimidade da cobrança da contribuição previdenciária, mas apenas a incidência da multa e dos juros moratórios sobre crédito cuja exigibilidade encontra-se suspensa por depósito judicial. De fato, de fundamental importância é quando diz respeito à definição do que deva ser objeto do lançamento tributário, se tão somente o principal corrigido, ou se deverão ser incluídos os acréscimos moratórios (juros de mora e multa de mora) e penalidades (descumprimento de obrigações acessórias, infrações à lei tributária). A situação do caso é que há uma decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, que só poderão ser objeto do lançamento visando a prevenir a decadência os acréscimos que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Sobretudo porque realizou antes do vencimento. Por fim, deve ser mencionado que, na área federal, existe legislação específica que trata do ponto aqui examinado, qual seja, a Lei 9.430/96, artigo 63. Esse artigo estabelece, em seu caput, que não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos cuja exigibilidade tiver sido suspensa por liminar em Mandado de Segurança. Com base na Lei 9.430/96, artigo 63, no lançamento preventivo, como é o caso em tela não cabe a multa de ofício. Razão, portanto, assiste a Recorrente. Também não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DECADÊNCIA Os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 que fixavam em dez anos o prazo para o INSS constituir e cobrar seus créditos, tiveram sua aplicação obstada pela edição da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal — STF, que firmou entendimento sobre a inconstitucionalidade desses artigos, publicada no DOU de 20/06/2008. Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional — CTN, observandose a vinculação das decisões administrativas ao enunciado das Súmulas Vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal — STF e o Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 143712008, estão decadentes todas as competências objeto neste Auto de Infração, anteriores a 15 de dezembro de 2003, isto porque há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, eis que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, antecipou de uma certa forma parte das contribuições e, não olvidemos que foi lançamento para prevenir decadência. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO — IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Nos presentes autos a matéria discutida é diferente da que foi debatida na ação Judicial nos autos do MS sob n° 2000.38.00.0131552, razão pela qual não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. Ou seja, no RV não discute a legitimidade da cobrança da contribuição previdenciária, mas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 14 89 /2 00 8- 15 Fl. 823DF CARF MF 2 apenas a incidência da multa e dos juros moratórios sobre crédito cuja exigibilidade encontrase suspensa por depósito judicial. De fato, de fundamental importância é quando diz respeito à definição do que deva ser objeto do lançamento tributário, se tão somente o principal corrigido, ou se deverão ser incluídos os acréscimos moratórios (juros de mora e multa de mora) e penalidades (descumprimento de obrigações acessórias, infrações à lei tributária). A situação do caso é que há uma decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, que só poderão ser objeto do lançamento visando a prevenir a decadência os acréscimos que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Sobretudo porque realizou antes do vencimento. Por fim, deve ser mencionado que, na área federal, existe legislação específica que trata do ponto aqui examinado, qual seja, a Lei 9.430/96, artigo 63. Esse artigo estabelece, em seu caput, que não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos cuja exigibilidade tiver sido suspensa por liminar em Mandado de Segurança. Com base na Lei 9.430/96, artigo 63, no lançamento preventivo, como é o caso em tela não cabe a multa de ofício. Razão, portanto, assiste a Recorrente. Também não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos da Fazenda Nacional, para sanar a omissão na ementa e voto do relator originário, nos termos do voto do relator dos embargos. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 15504.021489/200815 Acórdão n.º 2301005.009 S2C3T1 Fl. 820 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração da Fazenda Nacional opostos contra o Acórdão nº 2301003.934 (fls. 796802), proferido em 20/02/2014, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: " Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DECADÊNCIA Os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 que fixavam em dez anos o prazo para o INSS constituir e cobrar seus créditos, tiveram sua aplicação obstada pela edição da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal — STF, que firmou entendimento sobre a inconstitucionalidade desses artigos, publicada no DOU de 20/06/2008. Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional — CTN, observandose a vinculação das decisões administrativas ao enunciado das Súmulas Vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal — STF e o Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 143712008, estão decadentes todas as competências objeto neste Auto de Infração, anteriores a 15 de dezembro de 2003, isto porque há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, eis que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, antecipou de uma certa forma parte das contribuições e, não olvidemos que foi lançamento para prevenir decadência. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO — IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Nos presentes autos a matéria discutida é diferente da que foi debatida na ação Judicial nos autos do MS sob n° 2000.38.00.0131552, razão pela qual não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. Ou seja, no RV não discute a legitimidade da cobrança da contribuição previdenciária, mas apenas a incidência da multa e dos juros moratórios sobre crédito cuja exigibilidade encontrase suspensa por depósito judicial. De fato, de fundamental importância é quando diz respeito à definição do que deva ser objeto do lançamento tributário, se tão somente o principal corrigido, ou se deverão ser incluídos os acréscimos moratórios (juros de mora e multa de mora) e penalidades (descumprimento de obrigações acessórias, infrações à lei tributária). A situação do caso é que há uma decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, que só poderão ser objeto do Fl. 825DF CARF MF 4 lançamento visando a prevenir a decadência os acréscimos que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Sobretudo porque realizou antes do vencimento. Por fim, deve ser mencionado que, na área federal, existe legislação específica que trata do ponto aqui examinado, qual seja, a Lei 9.430/96, artigo 63. Esse artigo estabelece, em seu caput, que não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos cuja exigibilidade tiver sido suspensa por liminar em Mandado de Segurança. Com base na Lei 9.430/96, artigo 63, no lançamento preventivo, como é o caso em tela não cabe a multa de ofício. Razão, portanto, assiste a Recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte" Em 14/08/2014, o embargante apresentou os presentes Embargos de Declaração (fls. 811813) sustentando que o acórdão incorreu em contradição e omissão nos seguintes termos: Ocorre que não há certeza acerca do alcance do julgado, na medida em que a conclusão do voto não exclui os juros de mora do lançamento, enquanto o dispositivo do acórdão determina a exclusão deste. Neste aspecto, há patente contradição. Cumpre observar, ainda, que não há certeza acerca de qual multa está sendo indicada, pois as duas (de ofício e de mora) têm previsão legal no artigo 63 da Lei 9.430/96 (caput e § 2º, respectivamente). Portanto, caracterizada omissão no julgado. Em 14/04/2015, foi emitido o Despacho nº 2301181 (fls. 816 a 818), que admitiu que os referidos embargos de declaração fossem levados à análise do plenário. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e Fl. 826DF CARF MF Processo nº 15504.021489/200815 Acórdão n.º 2301005.009 S2C3T1 Fl. 821 5 os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Alega a embargante que a decisão a quo contém contradição e omissão. No que tange à contradição, é possível que observar que no dispositivo do acórdão consta que os membros do colegiado acordam por unanimidade de votos: "a) em excluir do lançamento os valores referentes a juros e multa, devido ao depósito do montante integral, nos termos do voto do(a) Relator(a)" ao passo que na conclusão do voto consta apenas: "o Recurso aviado acode todos os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, onde DOULHE PROVIMENTO, aplicandoselhe, para efeito da contagem da decadência o artigo 150, § 4° do CTN, estando decaídos as autuações anteriores a 15/12/2003, bem como, por previsão legal, artigo 63 da Lei 9.430/96, não incide multa em lançamento preventivo". Assim, não há menção à exclusão dos juros na conclusão do voto do relator, o que confirma a contradição existente no acórdão. A partir da análise do voto, verificase que o relator entende que não há acréscimos moratórios quando a exigibilidade do tributo está suspensa em decorrência de depósito judicial do montante integral do tributo, tal qual pode ser observado no trecho abaixo transcrito: "Na verdade, o depósito é a única causa de suspensão que faz cessar para o contribuinte a obrigação de recolher os acréscimos moratórios, pois, a partir do depósito, tais acréscimos passariam a ser de responsabilidade do Banco (artigo 9º, parágrafo quarto da Lei 6.830/80, e Súmula 179 do STJ)". Dessa forma, é fundamental que seja feita alteração na conclusão do voto do relator para que fique clara a exclusão dos valores relativos aos juros, uma vez que não haveria mora passível de gerar acréscimos moratórios, que incluiria juros e multa moratória, na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante integral. No tocante à omissão, o embargante alega que não há certeza acerca de qual multa está sendo indicada, pois tanto a multa de ofício quanto a multa de mora têm previsão legal no artigo 63 da Lei 9.430/96 (caput e § 2º, respectivamente). Considerando que o crédito tributário objeto da lide está suspenso em virtude de depósito do montante integral e que o artigo 63 da Lei 9.430/96 somente trata do lançamento para prevenir a decadência nas hipóteses de suspensão do crédito tributário em virtude da concessão de medida liminar em mandado de segurança ou da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, entendo que não há omissão e que a menção ao artigo 63 da Lei 9.430/96 tem por fim somente demonstrar que ainda que fosse admitido o lançamento de crédito tributário, não seria possível efetuar o lançamento da multa, seja a de ofício com base no caput do artigo 63 da Lei 9.430/96, seja a de mora com fundamento no §2º do artigo 63 da Lei 9.430/96. Portanto, entendo que não resta caracterizada omissão no julgado. Fl. 827DF CARF MF 6 Com base no exposto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração para retificar o voto do Relator do Acórdão nº 2301003.934, para correção da contradição na conclusão do voto do relator, de forma que a conclusão do voto ficará com a seguinte redação: Texto Alterado a ser Transposto para o Voto (fl. 802): CONCLUSÃO O Recurso aviado acode todos os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, onde DOULHE PROVIMENTO, aplicandoselhe, para efeito da contagem da decadência o artigo 150, § 4° do CTN, estando decaídos as autuações anteriores a 15/12/2003, bem como, em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência do depósito do montante integral, não há incidência de multa e juros em lançamento preventivo. Texto Alterado a ser Transposto para a Ementa (fl. 796): " Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DECADÊNCIA Os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 que fixavam em dez anos o prazo para o INSS constituir e cobrar seus créditos, tiveram sua aplicação obstada pela edição da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal — STF, que firmou entendimento sobre a inconstitucionalidade desses artigos, publicada no DOU de 20/06/2008. Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional — CTN, observandose a vinculação das decisões administrativas ao enunciado das Súmulas Vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal — STF e o Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 143712008, estão decadentes todas as competências objeto neste Auto de Infração, anteriores a 15 de dezembro de 2003, isto porque há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, eis que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, antecipou de uma certa forma parte das contribuições e, não olvidemos que foi lançamento para prevenir decadência. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO — IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Nos presentes autos a matéria discutida é diferente da que foi debatida na ação Judicial nos autos do MS sob n° 2000.38.00.0131552, razão pela qual não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. Ou seja, no RV não discute a legitimidade da cobrança da contribuição previdenciária, mas apenas a incidência da multa e dos juros moratórios sobre crédito cuja exigibilidade encontrase suspensa por depósito judicial. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 15504.021489/200815 Acórdão n.º 2301005.009 S2C3T1 Fl. 822 7 De fato, de fundamental importância é quando diz respeito à definição do que deva ser objeto do lançamento tributário, se tão somente o principal corrigido, ou se deverão ser incluídos os acréscimos moratórios (juros de mora e multa de mora) e penalidades (descumprimento de obrigações acessórias, infrações à lei tributária). A situação do caso é que há uma decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, que só poderão ser objeto do lançamento visando a prevenir a decadência os acréscimos que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Sobretudo porque realizou antes do vencimento. Por fim, deve ser mencionado que, na área federal, existe legislação específica que trata do ponto aqui examinado, qual seja, a Lei 9.430/96, artigo 63. Esse artigo estabelece, em seu caput, que não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos cuja exigibilidade tiver sido suspensa por liminar em Mandado de Segurança. Com base na Lei 9.430/96, artigo 63, no lançamento preventivo, como é o caso em tela não cabe a multa de ofício. Razão, portanto, assiste a Recorrente. Também não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte" É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 829DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.722553/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.292
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 791 1 790 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722553/201432 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.292 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de março de 2017 Assunto MULTA DANO AO ERÁRIO Recorrente PORTES BR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .7 22 55 3/ 20 14 -3 2 Fl. 791DF CARF MF Processo nº 12466.722553/201432 Resolução nº 3301000.292 S3C3T1 Fl. 792 2 Relatório O presente auto de infração trata de procedimento de fiscalização que concluiu pela prática de interposição fraudulenta na importação. Conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, fls. 4 e seguintes, a fiscalização aponta que a importadora PORTES BR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA não logrou comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior. Especificamente neste auto de infração foi analisada a declaração de importação DI n° 11/01745969 de 28/01/2011, fl. 422. Foram efetuadas intimações e diligências fiscais tanto na empresa PORTES BR como em sua associada HMG LTDA, CNPJ n° 05.007.004/000115. Com base nesse conjunto probatório, a fiscalização aplicou às autuadas a pena de perdimento pela presunção da interposição fraudulenta na importação prevista no art. 23, V, §2° do Decretolei nº 1.455/76, bem como pela utilização de documento falso nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro – Decreto n° 6.759/09. As empresas HMG LTDA e a encomendante MAPEL MANUTENÇÃO PEÇAS E EMPILHADEIRAS LTDA foram autuadas como responsáveis solidárias através dos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA de fls. 82 e 84, respectivamente. A autuação totalizou o valor de R$ 915.339,59. Considerando que as mercadorias já foram consumidas, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas nos termos do §3º do mesmo art. 23 do Decretolei nº 1.455/76. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins de Inaptidão do CNPJ da empresa PORTES BR através do processo administrativo n° 12466.722442/201473, apenso a este processo. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais contra as empresas autuadas e seus sócios através do processo administrativo n° 12466.722563/201478, apenso a este processo. Intimadas do Auto de Infração, as empresas PORTES BR e HMG LTDA não apresentaram impugnação, sendo lavrados os respectivos Termos de Revelia nas fls. 474 e 475 deste processo. Intimada do Auto de Infração em 09/03/2015, (fl. 491), a autuada MAPEL MANUTENÇÃO PEÇAS E EMPILHADEIRAS LTDA apresentou impugnação e documentos em 08/04/2015, juntados às fls. 507 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 792DF CARF MF Processo nº 12466.722553/201432 Resolução nº 3301000.292 S3C3T1 Fl. 793 3 1. Alega preliminarmente que as duas operações de importação ocorreram de maneira legítima. Apresenta as notas fiscais relativas e os comprovantes de pagamento. Alega que o Auto de Infração deveria ser anulado com base no Princípio da Moralidade Administrativa do art. 37 da CF. 2. Alega que não seria aplicável a responsabilidade solidária pelo art. 124 do CTN, pois a fiscalização não individualizou a conduta da impugnante que ensejou a penalidade. Alega que sem essa individualização, qualquer pessoa física ou jurídica que tivesse ligação com essa empresa seria automaticamente autuada pelo art. 124 do CTN. Reafirma o total desconhecimento de qualquer ato fraudulento cometido pela importadora contratada. Alega que o ônus de provar a responsabilidade solidária é da fiscalização. Apresenta doutrina sobre ônus da prova. Cita jurisprudência do CARF sobre responsabilidade de terceiros. 3. Requer, por fim, que seja realizada diligência na sede da impugnante para elucidar a inexistência da infração imputada. Requer ainda que seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração ou, alternativamente, seja o lançamento julgado improcedente. A DRJ/São Paulo/SP considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Ano Calendário: 2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior com a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V, §2º). IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO FALSO. PERDIMENTO. Aplicase a pena de perdimento quando constatada a utilização de documento falso na operação de importação, nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 6.759/09. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A responsável solidária MAPEL MANUTENÇÃO PEÇAS E EMPILHADEIRAS LTDA repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 12466.722553/201432 Resolução nº 3301000.292 S3C3T1 Fl. 794 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. A responsável solidária MAPEL MANUTENÇÃO PEÇAS E EMPILHADEIRAS LTDA apresentou recurso voluntário tempestivo e dele conheço. No processo em análise não há controvérsia acerca da existência ou não de interposição fraudulenta de terceiros na importação. Em nenhum momento houve impugnação ou recurso voluntário da importadora PORTES BR LTDA ou da empresa HMG LTDA, considerada pela fiscalização como a grande financiadora das operações da empresa PORTES BR LTDA. Já a responsável solidária MAPEL MANUTENÇÃO PEÇAS E EMPILHADEIRAS LTDA alega que em nenhum momento participou ou teve conhecimento da interposição fraudulenta de terceiros na importação perpetrada por PORTES BR, não podendo ser elevada à condição de responsável solidária. Entretanto, é fato que a habilitação para importação por encomenda depende necessariamente da anuência da empresa encomendante, nos termos da IN SRF n° 634 de 2006. Assim dispõem os artigos 2° e 3° do referido diploma legal: “Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda.” Constatase na declaração de importação em tela, que a empresa TRC METALVARIOS ANDAIMES E ESCORAS E FORMAS LTDA consta como encomendante. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 12466.722553/201432 Resolução nº 3301000.292 S3C3T1 Fl. 795 5 O sistema SISCOMEX não permite que tal condição ocorra sem a prévia habilitação da empresa encomendante e sua vinculação na condição de encomendante, ao CNPJ da empresa importadora, no caso a PORTES BR. No momento da habilitação da importadora, a encomendante recebe, diretamente ou através de seu mandatário, a senha de acesso ao Sistema SISCOMEX, podendo constatar a qualquer momento a condição de registro de sua importação. Não consta que, em algum momento, a empresa MAPEL MANUTENÇÃO PEÇAS E EMPILHADEIRAS LTDA tenha questionado a condição de encomendante na declaração de importação. Também é fato que a responsabilidade solidária da encomendante decorre de sua participação direta na operação de importação nos termos do art. 95, I do Decretolei n° 37/66. Foi a recorrente que selecionou a mercadoria a ser importada, efetuou cadastramento no SISCOMEX, elegeu a importadora para a realização da operação e forneceu documentos. Entretanto, analisando todas as provas e fatos do processo, há dúvida se o ambiente em que atuou a empresa, aqui solidária, MAPEL MANUTENÇÃO PEÇAS E EMPILHADEIRAS LTDA é o mesmo em que ocorria a interposição fraudulenta perpetrada por PORTES BR e HMG. É possível que a responsável solidária não tenha a participação direta e nem o interesse comum exigido por lei para que se caracterize a responsabilidade solidária. Portanto, voto pela conversão do julgamento do processo em diligência para que a unidade de origem: a) Anexe ao processo o requerimento da encomendante, onde esta indica o nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e o prazo ou operações para os quais o importador foi contratado, tudo isso, para fins de caracterização da vinculação necessária entre MAPEL MANUTENÇÃO PEÇAS E EMPILHADEIRAS LTDA e PORTES BR na operação em análise. Que a recorrente seja cientificada dessa decisão e do relatório final resultante da diligência e possa, apresentar sua manifestação. Ao final, seja o processo encaminhado para julgamento no CARF. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 795DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903129/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 29 /2 01 2- 92 Fl. 54DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de COFINS. Sobre o histórico do processo, destaco abaixo o relatório do Acórdão recorrido, que bem resume a questão aqui tratada: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41036061 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613. O Pedido de Restituição gerado pelo programa PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, tendo sido pleiteado crédito no valor de R$1.574,95, correspondente a Darf recolhido em 23/01/2009. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi INDEFERIDO. Como enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 07/01/2013, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/01/2013, tendo feito inicialmente um resumo dos fatos. Em seguida, afirma que a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1o, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903129/201292 Acórdão n.º 3402004.394 S3C4T2 Fl. 334 3 restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defende ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4o do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 0260.665, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 35/43) a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF 4 Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 24/10/2014, conforme AR de fls. 34 e apresentou em 21/11/2014 o recurso voluntário de fls. 35/43, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903129/201292 Acórdão n.º 3402004.394 S3C4T2 Fl. 335 5 passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 58DF CARF MF 6 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903129/201292 Acórdão n.º 3402004.394 S3C4T2 Fl. 336 7 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 Fl. 60DF CARF MF 8 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101 001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903129/201292 Acórdão n.º 3402004.394 S3C4T2 Fl. 337 9 Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito à atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 62DF CARF MF 10 Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901307/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2005
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.917
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 13 07 /2 01 2- 16 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.549, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901307/201216 Acórdão n.º 3201002.917 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 11633.000380/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/03/2007
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.240
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/03/2007 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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