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Numero do processo: 12259.000199/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 30/06/1999
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.237
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, frente à decadência do crédito lançado, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral..
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 30/06/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, frente à decadência do crédito lançado, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 01 99 /2 00 8- 99 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 19/12/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 22/12/2007, de contribuições previdenciárias patronais, devidas para o seguro acidente do trabalho e às destinadas aos Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento da notificada , nas competências de 12/1998 a 06/1999. Referese, também, o crédito às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais. O contribuinte apresentou impugnação à notificação lavrada e Acórdão de fls. 86/90, pugnou pela improcedência do lançamento, frente à homologação tácita do crédito, com base no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional, recorrendo a este Colegiado em função do valor exonerado. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.000199/200899 Acórdão n.º 2302003.237 S2C3T2 Fl. 106 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Compulsando os autos é de se ver que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi cientificada ao sujeito passivo em 22/12/2007, compreendendo o período de 12/1998 a 06/1999. Assim, quanto à decadência, observase que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode observar pelo DAD – Discriminativo Analítico do Débito, fls. 07/09, a existência de recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, durante todo o período lançado, devendo, portanto, ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.000199/200899 Acórdão n.º 2302003.237 S2C3T2 Fl. 107 5 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, mostrouse correta a decisão recorrida que pugnou pela improcedência do lançamento. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721381/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.124
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário dos autos de infração de obrigação acessória, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Arlindo da Costa e Silva, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário dos autos de infração de obrigação acessória, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 81 /2 01 2- 86 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Arlindo da Costa e Silva, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.721381/201286 Acórdão n.º 2302003.124 S2C3T2 Fl. 324 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 303 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de processo que agrupa os Autos de Infração (AI) lavrados por descumprimento de obrigações tributárias acessórias, sob os seguintes DEBCAD nº 51.000.9816, 51.000.9824, 51.000.9832, 51.000.9840 e 51.000.9859. A ação fiscal foi autorizada através do MPF nº 05.1.01.00.201100744, iniciada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF em 22/09/2011 (ciência pessoal nesta data, fl. 42) e encerrada em 07/02/2012 com a lavratura Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF). A tabela abaixo apresenta um resumo dos Autos de Infração que compõem o processo sob julgamento: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Consta dos autos Relatório Fiscal que explicita cada uma das infrações cometidas, bem como o cálculo das multas aplicadas e respectivas fundamentações legais (fls. 1040). Consta ainda dos autos Termo (fls. 295) que informa a apensação deste processo ao de número 10580.721378/201262 que é considerado como principal. O Autuado foi cientificado dos lançamentos por via pessoal em 07 de fevereiro de 2012, conforme assinaturas apostas nas folhas de rosto dos AI integrantes dos autos. Em 08 de março de 2012, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Insurgese contra os valores cobrados a título de previdência privada. Aduz que tais valores não possuem natureza remuneratória. Afirma que a cobrança é equivocada, estando enquadrada no art. 28, parágrafo 9º, alínea “p” da lei 8.212, de 1991. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 311 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * é indevida inclusão de valores pagos a título de previdência privada mensalmente paga pela autuada (art. 28, § 9°, p, da Lei n° 8.212/91), mesmo com o reconhecimento de que tal benefício é pago apenas em favor de alguns membros da empresa, visto que disponível a todos; * os valores relativos ao cartão corporativo não representam remuneração indireta dos dirigentes da empresa ou de outros contribuintes individuais, mas despesas desta; * insubsistência da multa de 75% em decorrência das alterações trazidas pela Lei n° 11.941/2009. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.721381/201286 Acórdão n.º 2302003.124 S2C3T2 Fl. 325 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Previdência Privada e Cartão Corporativo. Ônus da Prova. Primeiramente, é de se ressaltar que os Autos de Infração de que tratam os autos referemse ao descumprimento de obrigação acessória e não, propriamente, ao recolhimento de tributos incidentes sobre valores pagos a título de previdência privada ou por intermédio de cartão corporativo. Todavia, as alegações da recorrente quanto à incidência de contribuições sobre as referidas bases acabam por interferir na configuração das obrigações acessórias e, conseqüentemente, na apuração da ocorrência de seu descumprimento. Destarte, serão analisadas as razões recursais, mas com esta advertência inicial de que o processo trata de obrigações acessórias. Alega a recorrente que é indevida inclusão de valores pagos a título de previdência privada mensalmente paga pela autuada (art. 28, § 9°, p, da Lei n° 8.212/91), mesmo com o reconhecimento de que tal benefício é pago apenas em favor de alguns membros da empresa, visto que disponível a todos. No que tange aos valores relativos ao cartão corporativo, aduz que não representam remuneração indireta dos dirigentes da empresa ou de outros contribuintes individuais, mas despesas desta. Quanto aos valores de previdência privada, a recorrente limitouse a apresentar cópia do contrato do plano de previdência, não constando dos autos qualquer prova de que o programa de previdência privada foi disponibilizado a todos os funcionários e dirigentes. Sendo assim, não comprovou que os valores gozam da isenção prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei n° 8.212/91. Raciocínio semelhante aplicase para os valores lançados relativamente ao cartão corporativo, pois a recorrente apenas anexou cópias de faturas, nas quais constam gastos com alimentação, combustível, passagens aéreas, hotéis e gastos pessoais dos diretores. Mesmo lhe sendo oportunizada a apresentação de esclarecimentos sobre os gastos, a recorrente quedouse inerte, razão pela qual os valores foram considerados como remuneração indireta dos contribuintes individuais. Assim, podese afirmar que as alegações da recorrente resumemse a afirmações vagas, que se encontram despidas de qualquer documento de suporte preciso. Em razão de estarem desacompanhadas das devidas comprovações, ensejam a aplicação do aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei Fl. 327DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 (destaques nossos) Portanto, embora alegue que as despesas são operacionais, como não há comprovação de tal alegação nos autos, nada há que se retificar quanto às bases lançadas. Multas. Direito Intertemporal. A recorrente discorda da aplicação da multa de 75% para algumas competências, ocorre que este percentual de multa não foi aplicado nos presentes autos que, como se disse de início, tratam de obrigações acessórias, cujos valores atribuídos em nada se assemelham ao patamar invocado. Todas as multas foram aplicadas em valores fixos e únicos por cada modalidade de infração, com exceção do debcad 51.000.9816, cuja multa foi calculada na forma do art. 32A, I, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91. Destarte, nenhuma retificação quanto aos valores das multas é devida por força da argumentação da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 16682.720572/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2009
RECEITA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE.
A receita decorrente da venda de bens do ativo permanente deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS das entidades fechadas de previdência complementar.
DECISÃO JUDICIAL. BASE DE CALCULO. CONTRIBUIÇÕES RECEITA DE REAVALIAÇÃO.
A receita de reavaliação não está compreendida na receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, base de cálculo determinada no provimento judicial obtido.
RECEITA FINANCEIRA. DECISÃO JUDICIAL. Os juros e os descontos recebidos são classificados como receitas financeiras, e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, em razão do provimento judicial obtido não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS .
REMUNERAÇÃO DO FUNDO ADMINISTRATIVO DECISÃO JUDICIAL A remuneração dos recursos do Programa Administrativo que representam recursos próprios, são receitas financeiras e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, não podem ser consideradas receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza.
RENDIMENTOS GANHOS NÃO EQUIPARADOS A APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PROGRAMA DE INVESTIMENTOS.
Estes rendimentos sofrem a incidência do PIS em função de que são decorrentes das atividades relativas ao exercício do objeto social das entidades de previdência privada.
RENDIMENTOS DECORRENTES DO CUSTEIO DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO.
Tais investimentos integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas pela impugnante no desempenho de suas atividades econômicas peculiares, portanto, estão compreendidos no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Adriana Oliveira e Ribeiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luiz Felipe Gonçalves, OAB/RJ 36785. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez,que foi substituída pela conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas, Adriana Oliveira Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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A receita decorrente da venda de bens do ativo permanente deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS das entidades fechadas de previdência complementar. DECISÃO JUDICIAL. BASE DE CALCULO. CONTRIBUIÇÕES RECEITA DE REAVALIAÇÃO. A receita de reavaliação não está compreendida na receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, base de cálculo determinada no provimento judicial obtido. RECEITA FINANCEIRA. DECISÃO JUDICIAL Os juros e os descontos recebidos são classificados como receitas financeiras, e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, em razão do provimento judicial obtido não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS . REMUNERAÇÃO DO FUNDO ADMINISTRATIVO DECISÃO JUDICIAL. A remuneração dos recursos do Programa Administrativo que representam recursos próprios, são receitas financeiras e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, não podem ser consideradas receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. RENDIMENTOS GANHOS NÃO EQUIPARADOS A APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PROGRAMA DE INVESTIMENTOS. Estes rendimentos sofrem a incidência da Cofins em função de que são decorrentes das atividades relativas ao exercício do objeto social das entidades de previdência privada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 72 /2 01 2- 69 Fl. 16485DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.486 2 RENDIMENTOS DECORRENTES DO CUSTEIO DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO. Tais investimentos integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas pela impugnante no desempenho de suas atividades econômicas peculiares, portanto, estão compreendidos no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2009 RECEITA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. A receita decorrente da venda de bens do ativo permanente deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS das entidades fechadas de previdência complementar. DECISÃO JUDICIAL. BASE DE CALCULO. CONTRIBUIÇÕES RECEITA DE REAVALIAÇÃO. A receita de reavaliação não está compreendida na receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, base de cálculo determinada no provimento judicial obtido. RECEITA FINANCEIRA. DECISÃO JUDICIAL. Os juros e os descontos recebidos são classificados como receitas financeiras, e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, em razão do provimento judicial obtido não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS . REMUNERAÇÃO DO FUNDO ADMINISTRATIVO DECISÃO JUDICIAL A remuneração dos recursos do Programa Administrativo que representam recursos próprios, são receitas financeiras e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, não podem ser consideradas receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. RENDIMENTOS GANHOS NÃO EQUIPARADOS A APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PROGRAMA DE INVESTIMENTOS. Estes rendimentos sofrem a incidência do PIS em função de que são decorrentes das atividades relativas ao exercício do objeto social das entidades de previdência privada. RENDIMENTOS DECORRENTES DO CUSTEIO DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO. Tais investimentos integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas pela impugnante no desempenho de suas atividades econômicas peculiares, portanto, estão compreendidos no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Fl. 16486DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.487 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Pelo voto de qualidade, negou se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Adriana Oliveira e Ribeiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luiz Felipe Gonçalves, OAB/RJ 36785. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez,que foi substituída pela conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Antônio Lisboa Cardoso Relator. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas, Adriana Oliveira Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 16487DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.488 4 Relatório Cuidamse de recursos e ofício e voluntário interpostos em face da decisão da DRJ/RJ I, que julgou parcialmente procedente a impugnação aos Autos de Infração e PIS/Pasep e Cofins, do período de apuração de 01/09/2007 a 31/12/2009, lançados em face da Contribuinte, ora Recorrente, uma Fundação, entidade de previdência privada fechada, cujas bases de cálculos, a despeito da decisão judicial, continuam sujeita às disposições estabelecidas pela Lei nº 9.718/98. Segundo a relata a decisão recorrida, a qual se reporta ao Termo de Verificação Fiscal de fls. 32/48, a interessada ingressou com Ação Declaratória nº 2007.51.01.0021983, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, na 19º Vara Federal do Rio de Janeiro, na qual requer a suspensão da exigibilidade das contribuições para o PIS e da COFINS, exigidas com base no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e Instruções Normativas SRF nº 215/2002 e 247/2002, permitindo à autora recolher o PIS e a COFINS com base no faturamento, conforme disposto nos dispositivos legais vigentes anteriores à edição da Lei nº 9.718/98. Em 06/06/2007 foi publicada sentença julgando procedente o pedido da autora para declarar a inexistência da relação jurídica que a obrigue ao recolhimento do Pis e da Cofins na forma estabelecida no §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 e autorizandoa a compensar os valores indevidamente recolhidos, com base em tal dispositivo, nos seguintes termos: Do exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigue a Autora ao recolhimento do PIS e da COFINS na forma estabelecida no §1º do art. 3º, da Lei n 9.718/98, e declarar a existência de relação jurídica a autorizála a compensar os valores indevidamente recolhidos, com base em tal dispositivo, a título das referidas contribuições, nos últimos 5 anos que precedem ao ajuizamento da ação, vale dizer, a partir de 08/02/2002, monetariamente corrigidos, mediante aplicação da taxa SELIC, com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em 07/01/2008 foi negado provimento ao recurso da União e foi dado parcial provimento à remessa necessária para em virtude da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, manter a base de cálculo constituída apenas pela receita bruta das venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, nos termos da Lei Complementar nº 70/91 (COFINS) e com base na Lei nº 9.715/98 relativamente ao PIS, conforme depreendese da ementa do aresto abaixo transcrito: Acórdão Origem: TRF2 Classe: AC APELAÇÃO CÍVEL 405330 Processo: 200751010021983 UF: RJ Orgão Julgador: TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA Fl. 16488DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.489 5 Data Decisão: 11/12/2007 Documento: TRF200176774 Fonte DJU Data:: 07/01/2008 Ementa CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. COFINS E PIS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXIGIBILIDADE E DIREITO À COMPENSAÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n.º 9.718/98. A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 2. Portanto, declarada a inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n.º 9.718/98, mantémse a base de cálculo constituída apenas pela receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, nos termos da Lei Complementar n.º 70/91 (COFINS), e com base na Lei 9.715/98, relativamente ao PIS. 3. O Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de se admitir a declaração do direito à compensação, sem exame de contas (RESP 435.489/AL, 2ª Turma, rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU 25.04.05, p. 266; RESP 676051/AL, 1ª Turma, rel. Min. Teori Zavascki, DJU 04.04.05, p. 213; RESP 514051/CE, 2ª Turma, rel. Min. Franciulli Netto, DJU 14.03.05, p. 255). 4. Apelo conhecido e desprovido. Remessa necessária conhecida e parcialmente provida. Relator Desembargador Federal JOSÉ ANTONIO LISBÔA NEIVA Decisão A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso e deu parcial provimento à remessa necessária, nos termos do voto do Relator. Transcrevo ainda o seguinte trecho do v. voto condutor do mencionado Acórdão do TRF/2ª Região: Portanto, declarada a inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n.º 9.718/98, mantémse a base de cálculo constituída apenas pela receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, nos termos da Lei Complementar n.º 70/91 (COFINS), e com base na Lei 9.715/98, relativamente ao PIS. A autora é uma entidade privada de previdência complementar (fl. 21) e, por força do inciso I do art. 8º da lei 10.637/02 e do inciso I do art. 10 da lei 10.833/03, continua sujeita à legislação Fl. 16489DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.490 6 anterior às aludidas leis, tendo em vista a remissão feita ao § 6º da lei 9.718/98 (inciso III). Conheço e nego provimento ao apelo. Conheço e dou parcial provimento à remessa necessária, para esclarecer que a compensação envolverá a diferença entre os recolhimentos, com fulcro na base de cálculo ampliada em função do § 1º do art. 3º da lei 9.718/98, e aquela prevista na LC 70/91 e na lei 9.715/98. O trânsito em julgado ocorreu em 20/08/2008. Portanto, a decisão judicial não afasta a incidência de PIS e COFINS sobre os serviços de administração e execução de planos de benefício de natureza previdenciária prestados pela PETROS, tornando improcedente, tão somente, o alargamento da base de cálculo instituído pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Apesar do contribuinte não se enquadrar nos tipos de entidades que recolham PIS sobre a folha de salários, por ser entidade fechada de previdência privada, a mesma informou que a partir de setembro de 2008 recolhe PIS sobre a folha de pagamento. A base de cálculo é constituída pela receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, nos termos da Lei Complementar nº 70/91, para a COFINS, e da Lei nº 9.715/98, para o PIS. Foram considerados no levantamento os pagamentos efetuados pela empresa a título de PIS, ou informados em DCTF, ainda que calculados sobre a folha de salários. A interessada foi cientificada em 30/07/2012 e apresentou impugnação (fls. 16.235/16.262) em 28/08/2012, alegando em síntese: A decisão judicial afastou por completo a aplicação da Lei nº 9.718/98 determinando que as referidas contribuições somente poderiam recair sobre receitas que decorressem da venda de mercadorias ou serviços, nos termos da LC 70/91 (COFINS) e da Lei nº 9.715/98 (PIS). Os valores contabilizados no Programa Administrativo jamais poderiam corresponder ao valor de serviços prestados pela Impugnante, uma vez que são utilizados em benefício dos participantes dos planos, podendo uma parte deles ser, inclusive, utilizada no pagamento de benefícios previdenciários. A parcela das contribuições que são alocadas ao Programa Administrativo não corresponde à receita das EFPC, mas sim reembolso de despesas efetuados pela entidade em nome e por conta dos participantes dos planos que administram. O item 5 do Anexo E – Normas e procedimentos Contábeis da Resolução CGPC nº 5, dispõe que somente são consideradas receitas do Programa Administrativo aquelas geradas pelo próprio programa (conta 5.1) devendo os recursos oriundos dos programas previdencial e assistencial ser considerados reembolsos de despesas e/ou transferências interprogramas. Fl. 16490DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.491 7 Cita decisões do Conselho de Contribuintes do Município do Rio de Janeiro que entendeu que as entidades de Previdência privada não são contribuintes do ISS em razão de não auferirem receita decorrentes da prestação de serviços. Na hipótese de se entender que a IMPUGNANTE é prestadora de serviços, deverão ser expurgadas da base de cálculo do PIS e da COFINS lançados nos autos as receitas que não tem origem nas contribuições previdenciárias pagas pelos beneficiários dos planos executados pela Impugnante e também aquelas que não se destinam ao custeio do programa administrativo. Quanto à receita de alienação de bens faltou excluir o valor de R$ 2.300,00. Quanto aos valores registrados na conta 5.1.100.00.03.0002 Multas/Descontos sobre fornecedores, não se tratam de receita da prestação de serviços e sim, são decorrentes do descumprimento de obrigações contratuais a que os fornecedores da Impugnante estavam sujeitos e/ou de descontos concedidos à impugnante no pagamento de suas obrigações. Quanto aos valores registrados na conta 5.1.1.1.00.00.2.05.0002 Reavaliação de imóveis corresponde a diferença entre o valor contábil e o de provável alienação do imóvel onde está localizada a sede da impugnante e não representa receita efetivamente auferida. Cita os acórdãos nº 20312.350 de 2007 e acórdão nº 340100.600 de 17.03.2010. Quanto aos valores registrados na conta 6.4.2.3 Remuneração do Fundo Administrativo não podem ser considerados receita de prestação de serviço, já que não decorrem de uma obrigação de fazer, mas sim da aplicação de capital e não são pagos pelos supostos tomadores dos serviços, mas por terceiros em razão do uso de capital que já estava integrado no patrimônio da impugnante em razão da sua prévia alocação ao Plano Administrativo. Cita os acórdãos nº 20218.131 e nº 20312.067 do 2º do Conselho de Contribuintes. Quanto aos valores registrados na conta 6.1.8 rendimentos/ganhos não equiparados a aplicações financeiras, as variações positivas foram registradas nas contas 6.1.8.1.01.00.1.01.0002 atualização monetária e 6.1.8.1.01.00.1.02.0002 juros prêmio, tendo os saldos das demais contas sido negativos. Tais valores decorrem de aplicação de capital e não da prestação de serviços e não integram o Programa Administrativo, já que se destinam ao pagamento de benefícios previdenciários. Em resumo, entendendose que a impugnante preste serviços, a base de cálculo seria apenas as receitas administrativas registradas na conta 5.1.1.1.00.00.2.04.0002 e da parcela das contribuições previdenciárias transferidas para o Programa Administrativo contabilizada na conta 3.4.2.3. Custeio. Encerra requerendo o cancelamento do auto de infração ou a retificação da sua base de cálculo. Fl. 16491DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.492 8 A decisão recorrida, acolheu parcialmente a impugnação, julgando parcialmente procedente os autos de infração de PIS e Cofins, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2009 RECEITA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. A receita decorrente da venda de bens do ativo permanente deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS das entidades fechadas de previdência complementar. DECISÃO JUDICIAL. BASE DE CALCULO. CONTRIBUIÇÕES RECEITA DE REAVALIAÇÃO A receita de reavaliação não está compreendida na receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, base de cálculo determinada no provimento judicial obtido. RECEITA FINANCEIRA. DECISÃO JUDICIAL. Os juros e os descontos recebidos são classificados como receitas financeiras, e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, em razão do provimento judicial obtido não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS . REMUNERAÇÃO DO FUNDO ADMINISTRATIVO DECISÃO JUDICIAL. A remuneração dos recursos do Programa Administrativo que representam recursos próprios, são receitas financeiras e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, não podem ser consideradas receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. RENDIMENTOS GANHOS NÃO EQUIPARADOS A APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PROGRAMA DE INVESTIMENTOS. Tais investimentos integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas pela impugnante no desempenho de suas atividades econômicas peculiares, portanto, estão compreendidos no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2009 RECEITA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANTENTE. A receita decorrente da venda de bens do ativo permanente deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS das entidades fechadas de previdência complementar. DECISÃO JUDICIAL . BASE DE CALCULO. CONTRIBUIÇÕES RECEITA DE REAVALIAÇÃO A receita de reavaliação não está compreendida na receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de Fl. 16492DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.493 9 qualquer natureza, base de cálculo determinada no provimento judicial obtido. RECEITA FINANCEIRA. DECISÃO JUDICIAL Os juros e os descontos recebidos são classificados como receitas financeiras, e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, em razão do provimento judicial obtido não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS . REMUNERAÇÃO DO FUNDO ADMINISTRATIVO DECISÃO JUDICIAL A remuneração dos recursos do Programa Administrativo que representam recursos próprios, são receitas financeiras e não integram a receita operacional do contribuinte, portanto, não podem ser consideradas receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. RENDIMENTOS GANHOS NÃO EQUIPARADOS A APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PROGRAMA DE INVESTIMENTOS. Tais investimentos integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas pela impugnante no desempenho de suas atividades econômicas peculiares, portanto, estão compreendidos no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo sido cientificada do Acórdão recorrido em 25/04/2013, conforme AR às fls. 16414, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 16.418, e seguintes, alegando, em síntese, reiterando as alegações constantes de sua impugnação, merecendo ressaltar os pontos a seguir delineados. De acordo com o art. 32, da Lei Complementar nº 109/2001, as entidades de previdência privada têm como objeto a administração e execução de planos previdenciários complementares, sendo vedadas a prestação de quaisquer outros serviços. Nesse sentido transcreve dispositivo de seu Estatuto Social, cujos objetivos são os seguintes: “I – instituir, administrar e executar planos de benefícios das empresas ou entidades com as quais tiver firmado convênio de adesão; II – prestar serviços de administração e execução de planos de benefícios de natureza previdenciária; Assim, para determinar a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, será necessário identificar o montante das receitas vinculadas à sua atividadefim, que são as receitas decorrentes da prestação de serviços a que se refere o seu estatuto social, quais sejam: (i) oriundos das contribuições dos beneficiários vertidas aos planos previdenciários, desde que os mesmos não sejam devolvidos sob a forma de benefícios (“ou seja, que estivessem voltados ao custo do Programa Administrativo”). Fl. 16493DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.494 10 De forma que, as demais receitas auferidas pela Recorrente jamais poderiam ser consideradas preço de serviço prestado aos beneficiários dos planos, ainda que se destinem ao custeio do Programa Administrativo, originárias de relações com terceiros, pugnando pela reforma da decisão recorrida os valores registrados na conta “6.1.8 – RENDIMENTOS/GANHOS NÃO EQUIPARADOS À APLICAÇÕES FINANCEIRAS, as quais não decorrem das contribuições previdenciárias nem são destinados ao custeio do Programa Administrativo, mas sim, canalizadas para o pagamento de benefícios” (atualização monetária, juros, custódia de TVM, basicamente receitas financeiras). Da mesma forma, acrescenta que tais valores (grupo 6.1.8) não integram o Programa Administrativo, já que se destinam ao pagamento de benefícios previdenciários, não se referem à taxa de administração paga pelos beneficiários. Assim, em razão de não decorrerem da prestação de serviços, não poderia ser exigido PIS e Cofins sobre essas receitas financeiras, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Diz por fim, a título de argumentação, que ainda que se entenda que a Recorrente aufere receitas, passíveis de serem tributadas pelo PIS e Cofins, seriam restritas às receitas administrativas registradas na conta “5.1.1.1.00.00.2.04.0002 – OUTRAS” e da parcela das contribuições previdenciárias para o Programa Administrativo, contabilizadas na conta “3.4.2.3 – CUSTEIO DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO”, os quais, decorrem das contribuições dos participantes e se destinam ao Programa Administrativo (cuja base recalculada, seria de R$208.974.909,99). É o relatório. Fl. 16494DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.495 11 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário, em razão de ter sido desonerado crédito tributário em valor superior ao valor de alçada, ao qual passo a analisar. Conforme relatado, o Poder Judiciário não afastou a incidência de PIS e COFINS, em favor da Recorrente, apenas tornou improcedente a ampliação da base de cálculo instituída pelo §1º da Lei nº 9.718/98, considerando como base de cálculo das contribuições apenas a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A interessada é entidade de previdência privada fechada. Assim, o ponto crucial da controvérsia é identificar quais receitas se enquadram no conceito de faturamento e consequentemente sobre qual base de cálculo incidirão as contribuições para o PIS e para a Cofins. Para tanto é importante novamente rememorar a descrição que a decisão recorrida fez sobre o conceito e a natureza do programa administrativo das EPPC contida na Portaria MPAS Nº 4.858 de 26/09/98: Programa Administrativo Funciona como “prestador de serviços” para os demais programas da Entidade. Tem como atribuição a manutenção das atividades necessárias ao funcionamento de uma EFPP e pela aquisição, controle, manutenção e baixa dos bens pertencentes ao Ativo Permanente, mantendo em contrapartida, no Passivo, Fundo Administrativo; Em relação à natureza dos valores contabilizados pela Recorrente no item 5.1 (receitas) consta o seguinte da Planilha de fls. 4953, analisado pela decisão recorrida: 5.1.1.1.00.00.2.02.0002 Resultado na alienação de bens 5.1.1.1.00.00.2.03.0002 Multa/Descontos sobre Fornecedores 5.1.1.1.00.00.2.04.0002 Outras 5.1.1.1.00.00.2.05.0002 Reavaliação de imóveis De acordo com RESOLUÇÃO MPAS/CGPC Nº 5, de 30 de janeiro 2002 a conta Código: 5.1.1.1, se destina a contabilizar as receitas das entidades de previdência privada complementar. Fl. 16495DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.496 12 Neste caso, a base de cálculo continua sendo a receita bruta da pessoa jurídica, com as exclusões contidas nos §§ 5º e 6º do mesmo art. 3º, sem abarcar, todavia, as receitas não operacionais, eis que o art. 2º e o caput do art. 3° não foram declarados inconstitucionais. Logo, pelo o art. 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98 a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim, acertadamente considerou a decisão recorrida assistir razão à interessada quanto à exclusão da receita de venda de bens do ativo permanente (5.1.1.1.00.00.2.02.0002) no valor de R$ 2.300,00, incluída no item 5.1, no mês de novembro de 2007 (Razão folha 6.903). Igualmente, quanto aos valores registrados na conta 5.1.1.1.00.00.2.05.0002 Reavaliação de imóvel, a interessada alega que se refere à reavaliação do imóvel onde está localizada a sede da impugnante e não representa receita efetivamente auferida, considerou a decisão recorrida, que, mesmo não havendo previsão para legal de exclusão para tais receitas, conforme dispõe o art. 32 da Lei nº 10.637/2002, devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, por força da decisão judicial transitada em julgado. Quanto aos valores registrados na conta 5.1.1.1.00.00.2.03.0002 Multas/Descontos sobre fornecedores, a interessada alega que não se trata de receita da prestação de serviços e sim são decorrentes do descumprimento de obrigações contratuais a que os fornecedores da Impugnante estavam sujeitos e/ou de descontos concedidos à impugnante no pagamento de suas obrigações, por isso, considerou o acórdão recorrido ter razão a interessada, pois, de fato, os juros e os descontos recebidos são classificados como receitas financeiras, portanto, em razão do provimento judicial obtido não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS. Quanto aos valores registrados na conta 6.4.2.3 Remuneração do Fundo Administrativo, a interessada alega que nesta conta são registrados os rendimentos produzidos a partir de investimentos efetuados com os recursos alocados no Programa Administrativo. De acordo com a Resolução MPAS/CGPC nº 5, de 30 de janeiro 2002 a conta 6.4.2.3.01 tem a seguinte função: Código: 6.4.2.3.01 Conta: Programa Administrativo Custeio Administrativo Função: Registrar a transferência de recursos para o Custeio da Administração dos Investimentos. Funcionamento: Debitada: Pela transferência de recursos do Programa de Investimentos para o Programa Administrativo. Creditada: Fl. 16496DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.497 13 Pela transferência do saldo para a conta “Encerramento do Exercício”. A Resolução assim explica o funcionamento do Programa de investimentos: 2.4. PROGRAMA DE INVESTIMENTOS CREDITADO Pela transferência de recursos oriundos dos diversos programas, para cobertura de eventual resultado negativo dos investimentos. DEBITADO Pela transferência de recursos para: Programa Administrativo relativamente ao custeio administrativo do Programa de Investimentos, e também pela transferência do resultado positivo dos investimentos, desde que haja aplicação do Fundo Administrativo no Programa de Investimentos; e (negritado) Demais Programas relativamente ao resultado positivo dos investimentos Logo, comprovado está que a conta tributada é a de número 6.4.2.3.01.00.1.00.0002 Remuneração do Fundo Administrativo, o histórico do lançamento contábil efetivamente é transferência inter programas, não se configurando em receita decorrente da prestação de serviço da Recorrente. Portanto, nego provimento ao recurso de ofício. Em relação às demais rubricas indeferidas pela decisão recorrida, objeto do recurso voluntário, estão contempladas nas contas "3.4.2.3 – CUSTEIO DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO, 5.1.1.1.00.00.2.04.0002 – OUTRAS, e 6.1.8 – RENDIMENTOS NÃO EQUIPARADOS À APLICAÇÕES FINANCEIRAS, em relação às quais, a Recorrente afirma não poder integrar a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins. 1) 3.4.2.3 – CUSTEIO DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO A Recorrente afirma que os valores contabilizados no Programa Administrativo jamais poderiam compor as bases de cálculos das contribuições PIS e COFINS, uma vez que os mesmos são utilizados em benefício dos próprios participantes de seus planos previdenciários, se destinando, inclusive, para o pagamento de benefícios. Diz ainda, que por ser uma entidade de previdência complementar (EFPC), está sujeita às normas da LC 109/2001, sendo vedado a elas finalidade lucrativa, e constituída sob a forma de fundação, que caracteriza por ser uma dotação patrimonial afetada para fim determinado. Apesar do art. 69 da LC nº 109/01, dispor não sobre a não incidência de tributos de qualquer natureza sobre as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, todavia, a decisão emanada do Poder Judiciário, expressamente manteve a exigência sobre as vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de “qualquer natureza” relacionadas à atividade da recorrente, senão vejamos: Fl. 16497DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.498 14 2. Portanto, declarada a inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n.º 9.718/98, mantémse a base de cálculo constituída apenas pela receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, nos termos da Lei Complementar n.º 70/91 (COFINS), e com base na Lei 9.715/98, relativamente ao PIS Assim, não há como afastar a exigência das contribuições PIS e Cofins sobre essa parcela. 2) 5.1.1.1.00.00.2.04.0002 OUTRAS Segundo a decisão recorrida, na conta “Outras” se refere aos registros efetuados com o histórico “TX ADM CONTRIB RISCO REPASSE SEGURADORA”, tratase de conta de registro da receita da atividade da interessada, devendo ser mantida igualmente, quer seja porque de acordo com o que determina a Lei nº 9.718, não havendo qualquer alargamento da base de cálculo, seja porque de acordo com a decisão judicial. 3) 6.1.8 – RENDIMENTOS NÃO EQUIPARADOS À APLICAÇÕES FINANCEIRAS Transcrevo a seguir o trecho da decisão recorrida que analisou a natureza dos valores contabilizados nesta conta: Quanto aos valores registrados na conta 6.1.8 rendimentos/ganhos não equiparados a aplicações financeiras, as variações positivas foram registradas nas contas 6.1.8.1.01.00.1.01.0002 atualização monetária e 6.1.8.1.01.00.1.02.0002 juros premio, tendo os saldos das demais contas sido negativos. A interessada alega que tais valores decorrem de aplicação de capital e não da prestação de serviços e não integram o Programa Administrativo, já que se destinam ao pagamento de benefícios previdenciários. Não há previsão legal para exclusão dessas receitas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Então, cabe analisar o alcance do provimento judicial em relação às receitas de atualização monetária e de juros prêmio do Programa de Investimento. Tal decisão determinou que a base de cálculo das contribuições, para a interessada, seria apenas a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Tais rubricas compõem o programa de Investimentos, que segundo a Resolução MPAS/CGPC nº 5 “é o programa destinado ao gerenciamento das aplicações de recursos da EFPC”. A interessada alega que tais valores decorrem de aplicação de capital e não da prestação de serviços. Não tem razão a interessada. Tais receitas, apesar de serem relativas à aplicação de recursos, tal aplicação, é necessária a sua atividade que é a gestão financeira dos recursos depositados pelos participantes, com o objetivo de formação de uma reserva, que após o prazo contratado, dará direito ao recebimento de prestações mensais continuadas e vitalícias. A receita de prestação de serviços é a soma das receitas oriundas de suas atividades empresariais, ou seja, da atividade constante do seu objeto social. Fl. 16498DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.499 15 Assim deve ser mantida a tributação das contas 6.1.8.1.01.00.1.01.0002 atualização monetária e 6.1.8.1.01.00.1.02.0002 juros premio porque tais investimentos integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas pela impugnante no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. Embora constando no Programa Administrativo das EFPC que tais rendimentos não são equiparados às aplicações financeiras, todavia, não me parece que os mesmos decorrem da venda de mercadoria ou da prestação de serviços, pelo que, entendo que a teor da decisão judicial transitada em julgado, não devem compor a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, Em face do exposto, e considerando os termos da decisão judicial que deve balizar, no caso, a decisão administrativa, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo a incidência do PIS e COFINS apenas sobre as receitas registradas nas contas “5.1.1.1.00.00.2.04.0002 – outras” e das receitas contabilizadas na conta “3.4.2.3 – Custeio do Programa Administrativo”, em razão de se tratarem de receitas decorrentes da atividade econômica da Recorrente. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 16499DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.500 16 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O voto do conselheiro Antonio Lisboa Cardoso concluiu pela manutenção da tributação do PIS e da Cofins sobre as contas 3.4.2.3 – CUSTEIO DO PROGRAMA ADMINISTRATIVO e 5.1.1.1.00.00.2.04.0002 OUTRAS, no que foi acompanhado pelos demais conselheiros sob o fundamento de que estas contas são receitas decorrentes das atividades exercidas para cumprimento do seu objeto social. Quanto à conta 6.1.8 – RENDIMENTOS NÃO EQUIPARADOS À APLICAÇÕES FINANCEIRAS, o ilustre relator entendeu por afastar a tributação do PIS e da Cofins sob o fundamento de que as receitas nela registradas não decorrem da venda de mercadoria ou da prestação de serviços. Não há como concordar com esta decisão, pois entendo que estas receitas decorrem do exercício do objeto social da recorrente. O STF, apesar de declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, manifestou entendimento a respeito do real alcance do que seria faturamento para fins de composição da base de cálculo dos tributos a ele incidentes. De fato, as decisões e pronunciamentos dos Ministros do STF tem deixado a entender que o faturamento corresponde ao somatório das receitas provenientes das atividades empresariais típicas. No recurso extraordinário 401.348, o Ministro Cezar Peluso em decisão monocrática deu provimento ao recurso para que não incluísse na base de incidência do PIS, receita estranha ao seu faturamento, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(Grifei) Fl. 16500DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.501 17 Já no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR, o mesmo Ministro Cezar Peluso esclareceu o seu entendimento a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas.” (Grifei) (...) “Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.” (Grifei) Extraise dos entendimentos acima exarados que a declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão somente aquelas vinculados ao exercício de sua finalidade institucional. Ou seja, aquele conceito antigo de que faturamento restringese a emissão de faturas estaria ultrapassado. Peço licença para transcrever um trecho da decisão recorrida, quando discorreu sobre as características das contas do grupo 6.1.8: (...) Quanto aos valores registrados na conta 6.1.8 rendimentos/ganhos não equiparados a aplicações financeiras, as variações positivas foram registradas nas contas 6.1.8.1.01.00.1.01.0002 atualização monetária e 6.1.8.1.01.00.1.02.0002 juros premio, tendo os saldos das demais contas sido negativos. A interessada alega que tais valores decorrem de aplicação de capital e não da prestação de serviços e não integram o Programa Administrativo, já que se destinam ao pagamento de benefícios previdenciários. Não há previsão legal para exclusão dessas receitas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Então, cabe analisar o alcance do provimento judicial em relação às receitas de atualização monetária e de juros prêmio do Programa de Investimento. Tal decisão determinou que a base de cálculo das contribuições, para a interessada, seria apenas a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Tais rubricas compõem o programa de Investimentos, que segundo a Resolução MPAS/CGPC nº 5 “é o programa destinado ao gerenciamento das aplicações de recursos da EFPC”. A interessada alega que tais valores decorrem de aplicação de capital e não da prestação de serviços. Não tem razão a interessada. Tais receitas, apesar de serem relativas à aplicação de recursos, tal aplicação, é necessária a sua atividade que é a gestão financeira dos recursos depositados pelos participantes, com o objetivo de Fl. 16501DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.720572/201269 Acórdão n.º 3301002.281 S3C3T1 Fl. 16.502 18 formação de uma reserva, que após o prazo contratado, dará direito ao recebimento de prestações mensais continuadas e vitalícias. A receita de prestação de serviços é a soma das receitas oriundas de suas atividades empresariais, ou seja, da atividade constante do seu objeto social. Assim deve ser mantida a tributação das contas 6.1.8.1.01.00.1.01.0002 atualização monetária e 6.1.8.1.01.00.1.02.0002 juros premio porque tais investimentos integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas pela impugnante no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. Diante do exposto e estando de acordo com a decisão recorrida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 16502DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10380.732742/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/09/2008
PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA.
A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO OPORTUNO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS E TAXATIVOS.
O momento oportuno para contraditar os termos do lançamento concentra-se na fase processual da impugnação. Nesta senda, compreende-se que apenas poderá ser admitida a apresentação de provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver o requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, obedecendo o rol obrigatório e taxativo exposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, qualquer hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Conselheiro Relator e as Conselheiras Juliana Campos de Carvalho Cruz e Bianca Delgado Pinheiro por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Quanto ao mérito, os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2008 a 30/09/2008 PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO OPORTUNO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS E TAXATIVOS. O momento oportuno para contraditar os termos do lançamento concentra-se na fase processual da impugnação. Nesta senda, compreende-se que apenas poderá ser admitida a apresentação de provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver o requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, obedecendo o rol obrigatório e taxativo exposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, qualquer hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 577 1 576 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.732742/201195 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301002.976 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente PELÁGIO OLIVEIRA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/09/2008 PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO OPORTUNO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS E TAXATIVOS. O momento oportuno para contraditar os termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação. Nesta senda, compreendese que apenas poderá ser admitida a apresentação de provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver o requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, obedecendo o rol obrigatório e taxativo exposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 27 42 /2 01 1- 95 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 578 2 Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, qualquer hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Conselheiro Relator e as Conselheiras Juliana Campos de Carvalho Cruz e Bianca Delgado Pinheiro por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Quanto ao mérito, os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 579 3 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.332.5690, lavrado em 05/12/2011, em face de Pelágio Oliveira S.A, no valor de R$ 1.463.030,16 (um milhão, quatrocentos e sessenta e três mil e trinta reais e dezesseis centavos), referentes às contribuições previdenciárias (cota patronal) devidas e não recolhidas, declaradas em GFIP’s no período fiscalizado, as quais foram objeto de compensações consideradas indevidas pela fiscalização e, consequentemente, glosadas, no período de 04/2008 a 09/2008. Consoante o Relatório Fiscal, foi constatado que o contribuinte compensou contribuições previdenciárias devidas na ocorrência do fato gerador com contribuições sociais já recolhidas e declaradas em GFIP’s anteriores, que na interpretação do mesmo seriam indevidas. Ademais, encontramse vários erros nas planilhas, acostadas aos autos, que contém a Memória de Cálculo das compensações, uma vez que não apresenta, conforme previsto em lei, os cálculos das compensações. Neste diapasão, o contribuinte esclareceu que os valores utilizados na compensação são oriundos de questionamento perante a Justiça Federal em sede de Mandado de Segurança sobre a legalidade da incidência de contribuições previdenciárias acerca das remunerações pagas nas seguintes rubricas: valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes (auxíliodoença) ou acidentados (auxílioacidente); saláriomaternidade; férias e adicional de férias de 1/3 (um terço). Segundo a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a apelação do contribuinte foi julgada parcialmente procedente, visto que foi afastada a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de “adicional de 1/3 de férias” e dos “quinze primeiros dias de afastamento do funcionário, quando da concessão do auxílio doença”. Além disso, reconhecida a natureza salarial das rubricas “férias” e “salário maternidade”, verificouse que estas não fazem jus a nãoincidência da contribuição previdenciária. Observase que o “auxílio acidente” foi abordado em Embargos de Declaração, e a este também foi dado provimento a nãoincidência das contribuições previdenciárias sob o fundamento de que este benefício possui natureza indenizatória. No entanto, segundo análise do Auditor Fiscal, o sujeito passivo não obedeceu às determinações dadas pelo Poder Judiciário, haja vista que incluiu como “indébito” contribuições incidentes sobre a rubrica “FÉRIAS”, cuja natureza salarial foi reconhecida em juízo. Ademais, utilizou UFIR para atualização monetária juntamente com os juros SELIC e, em especial, realizou as compensações antes do trânsito em julgado da decisão judicial, ignorando, por completo, o mandamento à observância do art. 170A do CTN. Importa consignar que não houve concessão de “liminar” ou de “tutela antecipada” que amparasse o contribuinte na realização da compensação antes da decisão transitar em julgado. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 580 4 Com relação à multa, valores compensados indevidamente foram exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, aplicouse a multa de mora (0,33% ao dia, limitado a 20%), com o fundamento legal nos art. 89, § 9º c/c art. 35 da Lei 8.212/91. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação e esta foi julgada improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/09/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. As contribuições previdenciárias incidentes estão previstas nos arts. 22, incisos I e II (parte da empresa e RAT sobre as remunerações dos empregados), e inciso III (parte da empresa sobre as remunerações dos contribuintes individuais) da Lei 8.212/91. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DE AFASTAMENTO DE LEI OU ATO NORMATIVO. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, de acordo com o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgador de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. JUNTADA POSTERIOR. INDEFERIMENTO Não cabe a juntada posterior de documentos, salvo quando demonstrado algum dos requisitos do §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 581 5 a) O recurso deve ser admitido b) Ocorre cerceamento do direito de defesa devido ao indeferimento da realização da prova pericial. c) Não pode ser tolhido, pelo fisco federal, o direito da recorrente de apresentar provas supervenientes à apresentação da impugnação. d) A Recorrente possui o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente pagos de imediato, independentemente de autorização judicial ou processo administrativo, pela simples aplicação do art. 66 da Lei 8.383/91. e) As férias e o terço constitucional de férias são verbas de natureza compensatória / indenizatória, não devendo, portanto, incidir as ditas contribuições previdenciárias. f) Seja suspensa a exigibilidade dos créditos tributários, em virtude do Mandado de Segurança n. 001302981.2006.4.05.8100 que ainda se encontra em tramite. g) O advogado do contribuinte seja intimado para comparecer na data do julgamento para sustentar oralmente as razões exposta do Recurso Voluntário. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 582 6 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Pedido de Perícia Quanto ao pedido de perícia, o Decreto n° 70.235/72, é claro ao estabelecer, em seu artigo 18, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O dispositivo legal acima destacado é expresso ao afirmar que a realização de perícias ou diligências apenas será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias...'', ou seja, é condição determinante para a produção pericial o convencimento do julgador acerca de sua necessidade. Destarte, o eventual indeferimento de sua produção não caracteriza cerceamento de defesa. No contexto do presente processo, a produção de provas periciais serviria apenas para prorrogar indevidamente a discussão sobre o lançamento, cuja procedência não há mais, em virtude do até agora exposto, que ser questionada. Diante disso, rejeito o pedido de produção da prova pericial. Da Produção de Provas Supervenientes Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreendese que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação. Sendo assim, consoante dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, após a apresentação da impugnação, passase à frase processual seguinte. Esta frase é destinada à preparação e à complementação da instrução do processo para que esteja apto ao julgamento. Frisase que esta ocasião tem caráter probatório complementar, uma vez que a prova documental já deve ter sido apresentada pelo contribuinte na fase instauratória, por ocasião da impugnação, em conjunto com a indicação das provas diligenciais, realização de perícia e respectivos quesitos. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 583 7 Nesse diapasão, a juntada de novos documentos deverá ser requerida fundamentadamente à autoridade julgadora, nos termos dos §§4º e 5º do art. 16 do Decreto70.235/72: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 584DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 584 8 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Diante disso, percebese que apenas poderá ser admitida a apresentação de provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver o requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, nos casos em que haja motivo de força maior que tenha impedido o seu oferecimento simultâneo à apresentação da impugnação ou, na primeira oportunidade, em que o documento refirase a fato ou direito superveniente à impugnação, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Perlustrando este entendimento, na hipótese do Recorrente não atender a nenhuma das assertivas elencadas no referido §5º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, este Colegiado não possui competência para autorizar a juntada de novas provas ou apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação. Devendo, portanto, esse direito ser pleiteado perante o Poder Judiciário. Da prévia intimação da data do julgamento para a realização de sustentação oral Em consonância com o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009 compreendese que o pedido de intimação prévia dos representantes da recorrente para a sustentação oral não tem amparo no retro Regimento. Garantese, todavia, à Recorrente a publicação na Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e na página da internet no sítio do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendoa acompanhar tais publicações, pars que, desejando, possa então, na sessão respectiva, efetuar a sustentação oral, pessoalmente ou por intermédio de patrono. Diante disso, frisase, que não existe previsão de prévia intimação nominal aos representantes legais das partes no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Devendoos atentarem as publicações oficiais para terem ciência da data da sessão de julgamento do recurso voluntário. Da apuração das bases de cálculo e da compensação antes do trânsito em julgado Fl. 585DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 585 9 Ao analisar o caso concreto, percebese que a Recorrente possui o direito de não ter englobado rubricas indenizatórias nas bases de cálculo utilizadas pela autoridade fiscal, uma vez que tais verbas não seriam parte do salário de contribuição. Todavia, verificase que, diante da presente situação deve ser respeitado o art. 170A do Código Tributário Nacional, como se verificará mais adiante. Isto porque a Constituição Federal, no seu art. 195, I, alínea “a”, instituiu a contribuição social a ser recolhida pelo empregador, pela empresa ou entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre “a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física ou jurídica que lhe preste serviço, sem vínculo empregatício”. Como se depreende da simples leitura do dispositivo constitucional, a tributação através de contribuições previdenciárias está limitada àquelas verbas correspondentes a rendimentos pagos em decorrência da prestação de serviços, isto é, de caráter eminentemente remuneratório, como compensação pelos esforços despendidos e serviços prestados. Contrario sensu, o dispositivo constitucional excluiu as verbas de natureza indenizatória ou não remuneratória, entendidas como aquelas destinadas a compensar a pessoa física ou jurídica prestadora dos serviços por renúncia a direito ou por prejuízo, econômico ou jurídico, que tiver sofrido. É que estas não têm qualquer correspondência com o serviço prestado ou o tempo posto à disposição da empresa, buscando apenas recompor o patrimônio jurídico afetado. Assim, somente devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos em caráter remuneratório, o que pode ser extraído, inclusive, da literalidade do art. 22 da Lei nº 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifase). No tocante ao acréscimo de 1/3 de férias pago ao trabalhador, verificase que a Constituição Federal estabelece, no seu art. 7º, XVII, que o empregado terá direito ao acréscimo de 1/3 (um terço) do seu salário quando do gozo das férias. Entretanto, é nítido o caráter não remuneratório de tais verbas, já que o empregado recebe além do seu salário corrente, um acréscimo pelo período que ficará de férias, de modo que não deve ser submetido à incidência da contribuição previdenciária. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 586 10 Nesse sentido, é o entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA.ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. A Primeira Seção, ao apreciar a Petição 7.296/PE (Rel. Min. Eliana Calmon), acolheu o Incidente de Uniformização de Jurisprudência para afastar a cobrança de Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. Entendimento que se aplica inclusive aos empregados celetistas contratados por empresas privadas. (AgRg no EREsp 957.719/SC, Rel. Min. César Asfor Rocha, DJ de 16/11/2010). 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no Ag 1358108/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2011, DJe 11/02/2011). *** TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Primeira Seção do STJ considerava legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso, no sentido de que não incide Contribuição Previdênciária sobre o terço constitucional de férias, dada a natureza indenizatória dessa verba. Precedentes: EREsp 956.289/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe 10/11/2009; Pet 7.296/PE, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 10/11/2009. 4. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg 1123792/DF, 1ª Turma, Ministro relator Benedito Gonçalves, publicado em 17/03/2010). Esclarecido o meu entendimento acerca da não incidência da contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 de férias, cumpre examinar a incidência de contribuição previdenciária sobre os primeiros quinze dias do auxílio doença e auxílio acidente pagos pelo empregador, tenho para mim que ela não ocorre. Pois bem. O fato gerador da contribuição previdenciária é definido pela natureza jurídica da parcela recebida pelo empregado. Assim, tratandose de verba recebida em virtude de prestação de serviço, incidirá a mencionada contribuição. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 587 11 Na hipótese dos autos, é mister notar que o empregado afastado por motivo de doença e de acidente não presta serviço. Por essa razão, recebe apenas uma verba de caráter previdenciário de seu empregador, durante os primeiros quinze dias do afastamento. Diante da descaracterização da natureza remuneratória da verba, não há incidência de contribuição previdenciária. Desta feita, concluise que, quando o funcionário é afastado do trabalho por motivo de doença e de acidente, não presta serviço à pessoa jurídica empregadora e, portanto, não percebe salários (contraprestação), mas apenas uma verba de caráter previdenciário, sobre a qual não incide contribuição, pois nítido o seu caráter indenizatório. Corroborando o acima exposto, importante trazer a baila o entendimento já pacificado do Superior Tribunal de Justiça, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO AGRAVO REGIMENTAL AUXÍLIO DOENÇA PRIMEIROS QUINZE DIAS PAGOS PELO EMPREGADOR NATUREZA NÃO SALARIAL NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRECEDENTES 1 Esta Corte não se presta à análise de dispositivo constitucional, nem mesmo para fins de prequestionamento, sob pena de usurparse da competência do Supremo Tribunal Federal. 2 A jurisprudência desta Corte sufraga entendimento no sentido de que os primeiros 15 (quinze) dias do auxílio doença pagos pelo empregador não possuem natureza salarial, não incidindo, portanto, contribuição previdenciária sobre o referido período. 3 Não há que se falar em violação da Súmula Vinculante nº 10 do STF, uma vez que não houve declaração de inconstitucionalidade do art. 22 ou 28 da Lei nº 8.213/91, antes, apenas foi reconhecida a natureza não salarial da verba em debate. 4 Agravo regimental não provido. (STJ AgRgAI 1.209.421 (2009/01162804) 2ª T Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe 30.03.2010 p. 763) *** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIODOENÇA, AUXÍLIO ACIDENTE VERBAS RECEBIDAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO NÃOINCIDÊNCIA 1 O auxíliodoença pago até o 15º dia pelo empregador é inalcançável pela contribuição previdenciária, uma vez que referida verba não possui natureza remuneratória, inexistindo prestação de serviço pelo empregado, no período. Precedentes: EDcl no REsp 800.024/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 10.09.2007. REsp 951.623/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, DJ 27.09.2007; REsp 916.388/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 26.04.2007. 2 Agravo regimental desprovido. (STJ AgRgREsp 1.039.260 (2008/00557917) 1ª T Rel. Min. Luiz Fux DJe 10.02.2010 p. 918) *** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIO DOENÇA PRIMEIROS QUINZE DIAS NÃO INCIDÊNCIA PRECEDENTES EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA DÂNICA TERMOINDUSTRIAL LTDA PRESCRIÇÃO MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA CONHECIMENTO POSSIBILIDADE 1 O STJ pacificou o entendimento no sentido de que a quantia paga a título de auxíliodoença nos 15 primeiros dias do benefício não possui natureza remuneratória, razão pela qual Fl. 588DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 588 12 não atrai a incidência da contribuição previdenciária. 2 A jurisprudência desta Corte é assente no sentido de que é possível o conhecimento de matéria de ordem pública, mesmo na ausência de prequestionamento, desde que a instância especial tenha sido aberta por outra questão. 3 A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos embargos de divergência no REsp 435.835/SC, em 24.3.2004, adotou o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos à homologação, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 4 O STJ, por intermédio da sua Corte Especial, no julgamento da AI nos EREsp 644.736/PE, declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, a qual estabelece aplicação retroativa de seu art. 3º, porquanto ofende os princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. 5 Entendimento reiterado pela Primeira Seção em 25.11.2009, por ocasião do julgamento do recurso especial repetitivo 1.002.932/SP, oportunidade em que a matéria foi decidida sob o regime do art. 543c do CPC e da Resolução STJ 8/2008. Embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL rejeitados. Embargos de declaração opostos por DÂNICA TERMOINDUSTRIAL LTDA. Acolhidos para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes. (STJ EDclAgRgEDclEDclREsp 976.376 (2007/01816428) 2ª T. Rel. Min. Humberto Martins DJe 27.04.2010 p. 1144) *** TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIODOENÇA NÃOINCIDÊNCIA 1 O STJ pacificou o entendimento de que não incide Contribuição Previdenciária sobre verba paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, porquanto não constitui salário. 2 Agravo Regimental não provido. (STJ AgRgAI 1.272.784 (2010/00174650) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 20.04.2010 p. 411) *** PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ AUXÍLIODOENÇA PRIMEIROS QUINZE DIAS NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SÚMULA 83/STJ AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97 DA CF, E DA SÚMULA VINCULANTE 10 DO STF 1 O agravo de instrumento interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial que não impugna, especificamente, seus fundamentos não merece conhecimento, ante o óbice imposto pelo enunciado 182 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 2 A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que não é devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração durante os quinze primeiros dias do auxíliodoença, ao contrário do que alega o recorrente que afirma ser indevida somente sobre o salário. 3 A decisão agravada, ao julgar a questão, decidiu de acordo com a interpretação sistemática da legislação. Apenas interpretou as normas, ou seja, de forma sistemática, não se subsumindo o caso à hipótese de declaração de inconstitucionalidade sem que a questão tenha sido decidida pelo Plenário. Agravo regimental improvido. (STJ AgRgAI 1.166.859 (2009/00513956) 2ª T. Rel. Min. Humberto Martins DJe 16.04.2010 p. 1239) Fl. 589DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 589 13 Logo, o auxílio doença e o auxílio acidente, pago ao trabalhador nos primeiros quinze dias de afastamento, em decorrência de enfermidade, não se enquadra na definição de remuneração trabalhista, justamente pelo fato de lhe faltar o caráter de contraprestação à atividade laboral. Evidente, portanto, a natureza não salarial dos benefícios denominados de auxíliodoença e auxílioacidente, razão pela qual não constitui base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária. Perlustrando o entendimento do STJ, vislumbrase que é não devida a contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de saláriomaternidade e férias. Com relação ao saláriomaternidade, adotase o posicionamento de que o saláriomaternidade é um pagamento no período em que a segurada encontrase afastada do trabalho para a fruição de licença maternidade, possuindo, desta forma, natureza de benefício, a cargo e ônus da Previdência Social (arts. 71 e 72 da Lei 8.213/91), não se enquadrando, portanto, no conceito de remuneração de que trata o art. 22 da Lei 8.212/91.3. Ademais, salientase que seria um estímulo à contratação apenas de trabalhadores masculinos, se afirmarmos a legitimidade da cobrança da Contribuição Previdenciária sobre o salário maternidade, visto que a opção pela contratação de um Trabalhador masculino será sobremaneira mais barata do que a de uma Trabalhadora do sexo feminino. Isto aumentaria a discriminação que fortemente existe. Neste mesmo sentido compreende o Superior Tribunal de justiça: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.SALÁRIOMATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS. AUSÊNCIA DE EFETIVAPRESTAÇÃO DE SERVIÇO PELO EMPREGADO. NATUREZA JURÍDICA DA VERBA QUENÃO PODE SER ALTERADA POR PRECEITO NORMATIVO. AUSÊNCIA DE CARÁTERRETRIBUTIVO. AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARECER DO MPF PELOPARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA AFASTARA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OSALÁRIOMATERNIDADE E AS FÉRIAS USUFRUÍDAS. 1. Conforme iterativa jurisprudência das Cortes Superiores, considerase ilegítima a incidência de Contribuição Previdenciária sobre verbas indenizatórias ou que não se incorporem à remuneração do Trabalhador. 2. O saláriomaternidade é um pagamento realizado no período em que a segurada encontrase afastada do trabalho para a fruição de licença maternidade, possuindo clara natureza de benefício, a cargo e ônus da Previdência Social (arts. 71 e 72 da Lei 8.213/91), não se enquadrando, portanto, no conceito de remuneração de que trata o art. 22 da Lei 8.212/91.3. Afirmar a legitimidade da cobrança da Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade seria um estímulo à combatida prática discriminatória, uma vez que a opção pela contratação de um Trabalhador masculino será sobremaneira maisbarata do que a de uma Trabalhadora mulher. 4. A questão deve ser vista dentro da singularidade do trabalho feminino e da proteção da maternidade e do recémnascido; assim, no caso, a relevância do benefício, na verdade, deve reforçar ainda mais a necessidade de sua exclusão da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, não havendo razoabilidade para a exceção estabelecida no art. 28, § 9o., a da Lei 8.212/91.5. O Pretório Excelso, quando do julgamento do AgRg no Fl. 590DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 590 14 AI727.958/MG, de relatoria do eminente Ministro EROS GRAU, DJe27.02.2009, firmou o entendimento de que o terço constitucional de férias tem natureza indenizatória. O terço constitucional constitui verba acessória à remuneração de férias e também não se questiona que a prestação acessória segue a sorte das respectivas prestações principais. Assim, não se pode entender que seja ilegítima a cobrança de Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional, de caráter acessório, e legítima sobre a remuneração de férias, prestação principal, pervertendo a regra áurea acima apontada. 6. O preceito normativo não pode transmudar a natureza jurídica de uma verba. Tanto no saláriomaternidade quanto nas férias usufruídas, independentemente do título que lhes é conferido legalmente, não há efetiva prestação de serviço pelo Trabalhador, razão pela qual, não há como entender que o pagamento de tais parcelas possuem caráter retributivo. Consequentemente, também não é devida a Contribuição Previdenciária sobre férias usufruídas. 7. Da mesma forma que só se obtém o direito a um benefício previdenciário mediante a prévia contribuição, a contribuição também só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição futura em forma de benefício (ADI MC 2.010, Rel. Min. CELSO DE MELLO); destarte, não há de incidir a Contribuição Previdenciária sobre tais verbas.8. Parecer do MPF pelo parcial provimento do Recurso para afastara incidência de Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade. 9. Recurso Especial provido para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade e as férias usufruídas. (STJ – 1322945/DF, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 27/02/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO). Diante do acima exposto, resta incontroverso, portanto, que não há que se falar em ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias ora exigidas. Outrossim, importa consignar que o afastamento das contribuições previdenciárias em comento não significa reconhecerlhe a inconstitucionalidade, uma vez que não se impede a aplicação de qualquer dispositivo legal, mas tão somente de dar efetivo cumprimento às normas legais de acordo com a redação do art. 195 da Constituição Federal e art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Vejase que não existe qualquer norma legal expressa determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas acima citadas, sendo que a exigência de tais valores decorre de interpretação da Receita Federal, que entende que todo o montante recebido pelo empregado que não esteja excepcionada no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/1991 constitui verba remuneratório, o que não é a inteligência do art. 195 da Constituição Federal e art. 22 da Lei nº 8.212/1991, conforme já explicitado. Se não há, portanto, afastamento de dispositivo legal expresso, não há que se falar em declaração indireta de inconstitucionalidade, mas sim de aplicar corretamente os dispositivos legais. Além do conteúdo já explanado, convém destacar que, embora a Recorrente possua o direito de não ter englobado rubricas indenizatórias nas bases de cálculo utilizadas pela autoridade fiscal e de poder realizar compensação, verificase, contudo, que, neste caso, a compensação não foi realizada da forma devida, uma vez que, consoante à dicção do art. 170A do CTN, “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de Fl. 591DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 591 15 contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Nesta senda, é nítido que o recorrente descumpriu o referido comando legal, ao efetuar a compensação quando ainda não havia transitado em julgado decisão judicial que lhe foi favorável, conforme já explanado. Sendo assim, a inexistência de título judicial definitivo afasta, por consequência, a existência de crédito apto a ser utilizado para fins de compensação. Ademais, com relação ao prazo prescricional, verificase que os valores referentes aos recolhimentos de contribuições consideradas indevidas e utilizados nas compensações efetuadas no período fiscalizado retroagiram aos fatos geradores ocorridos na competência 01/1998. Destarte, percebese que o contribuinte extrapolou o prazo prescricional, pois só podia utilizar qualquer recolhimento anterior a 04/2003, haja vista estar extinto o direito por decurso de prazo. No entanto, salientase que isso não impede que o contribuinte efetue a compensação pretendida a partir do direito que lhe for reconhecido administrativamente, logicamente após o transitado em julgado com sentença favorável. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 592 16 A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em le1gislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última à utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 593 17 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge à dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira Fl. 594DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 594 18 relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 595 19 Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e lhe DOU PARCIAL PROVIMENTO apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos no período de 04/2008 a 09/2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício até a competência 11/08. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de fevereiro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 596DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 596 20 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFICIO. Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de oficio. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os Fl. 597DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 597 21 poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 598DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 598 22 d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de oficio consubstanciado no Auto de Infração nº 37.332.5690, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de abril a setembro de 2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de oficio formalizado mediante o Auto de Infração acima indicado, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação Fl. 599DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 599 23 fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em notificações Fiscais, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de oficio, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de oficio THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de oficio, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Fl. 600DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 600 24 Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então denominada “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 601DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 601 25 §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. No novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: Fl. 602DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 602 26 IF lançamento de oficio THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de oficio, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de oficio, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não exige elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 603DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 603 27 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de Fl. 604DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 604 28 obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa Fl. 605DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 605 29 de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser Fl. 606DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.732742/201195 Acórdão n.º 2301002.976 S2C3T1 Fl. 606 30 calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, e que o período de lançamento do débito, em sua integralidade, é anterior à publicação da MP nº 449/2008, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, redator designado. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10980.004953/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Fez sustentação oral: Kleber Morais Serafim OAB/PR 32.781
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
RELATÓRIO.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Kleber Morais Serafim OAB/PR 32.781 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 890 1 889 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.004953/200616 Recurso nº 111.111Voluntário Resolução nº 3302000.368 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de novembro de 2013 Assunto IPI Recorrente HUGO CINI S/A INDÚSTRIA DE BEBIDAS E CONEXOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Kleber Morais Serafim OAB/PR 32.781 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO. Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Curitiba: Trata o presente processo dos seguintes autos de infração: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 04 95 3/ 20 06 -1 6 Fl. 7634DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.004953/200616 Resolução nº 3302000.368 S3C3T2 Fl. 891 2 (a) às fls. 81/91, lançamento relativo à Cofins, no montante de R$ 358.105,18, além da multa de ofício de 75% e encargos legais, efetuado em virtude de falta de recolhimento dessa contribuição, relativamente aos períodos de apuração entre janeiro/2001 e dezembro/2003, sendo que o enquadramento legal da autuação encontrase às fls. 91 (principal) e 87 (multa de ofício e juros de mora); (b) às fls. 92/102, lançamento relativo ao PIS, no montante de R$.130.969,10, além da multa de ofício de 75% c encargos legais, efetuado em virtude de falta de recolhimento dessa contribuição, relativamente aos períodos de apuração entre janeiro/2001 e dezembro/2003, sendo que o enquadramento legal da autuação encontrase às lis. 102 (principal) e 98 (multa de ofício e juros de mora). Conforme consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de lis. 103/112, que faz parte das peças que compõem a autuação, a auditoria fiscal de IPI, PIS e Cofins. teve como motivação a seguinte descrição: "em virtude de o contribuinte ter efetuado vendas para empresas comerciais exportadoras com os benefícios fiscais da suspensão do IPI e isenção das contribuições para o PIS e a Cofins aplicáveis às exportações e as vendas equiparadas, tendo sido constatado pela DRF de Foz do Iguaçu que as exportações não foram realizadas. (fls. 103); especificamente quanto ao PIS e à Cofins. o autuante reporta que: "2. A isenção ou não incidência do PIS e da Cofins nas vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação funciona da mesma forma. O termo “fim especifico de exportação”. citado nos arts. 14 da Medida Provisória nº 2.15835. de 2001. 5º da Lei nº 10.637, de 2002; e 6º da Lei nº 10.833. de 2003, teve a definição dada pelo art. 39, §2", da Lei nº 9.532. de 1997. No caso, a legislação mais recente apenas se valeu de uma expressão cujo sentido já delimitado pela legislação pretérita e que, por isso mesmo não poderia ser interpretada de outro modo. Nesse sentido, o art. 45 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. que regulamenta o PIS e a Cofins. adotou expressamente o que fixado no art. 39, § 2°, da Lei nº. 9.532, de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n°2.15835. de 2001. 3. Do exame das vendas efetuadas pela empresa, como equiparadas a exportação constatamos que todas foram feitas a não tradings e não foram remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, o que implica na impossibilidade da fruição dos benefícios fiscais da suspensão do IPI e da isenção das contribuições para o PIS e a Cofins. Conforme informações prestadas pela própria empresa as mercadorias foram retiradas em sua sede pelas adquirentes, pois o frete era por conta destas (fls..19). (fls. 106/107). Cientificada em 16/05/2006, conforme declaração firmada no corpo de cada auto de infração (11s. 88 e 99), a interessada apresentou, em 16/06/2006. as impugnações de fls. 114/135 (contra o lançamento de Cofins), e 216/237 (contra o lançamento de PIS), instruídas com os documentos de fls. 136/215 e 238/7557, cujos teores. na essência, são os mesmos, sendo a seguir sintetizadas. Fl. 7635DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.004953/200616 Resolução nº 3302000.368 S3C3T2 Fl. 892 3 Em preliminar, a interessada alega a nulidade do auto de infração, posto que no mesmo faltaria a indicação da fundamentação legal, com violação ao art. 10, IV do Decreto n.° 70.235, de 1972, além de mencionar os princípios contidos no art. 2º da Lei nº.9.784, de 1999, fazendo ênfase no Princípio da Legalidade; fala que a fundamentação legal citada faz menção à instituição da cobrança da Cofins, à determinação do fato gerador, da base de cálculo, do sujeito passivo, da destinação de receitas e das alíquotas. enfatizando que: "em hipótese alguma capitulou o procedimento levado a efeito pela impugnante como incorreto ou em desacordo com as determinações legais (fl. 117); sustenta que o contido no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal não serviria para suprir tal falta, uma vez que não faria parte do auto de infração, citando quanto a isso o art. 9 do Decreto n." 70.235, de 1972. Diz, também. que: "O autuante ignorou as normas que isentam e/ou imunizam as receitas decorrentes de exportação da contribuição em comento. Muito menos, invocou qualquer dispositivo legal que justificasse tal atitude (f1s. 118/119); contesta, assim, o contido na descrição dos fatos, na parte que afirma que deixou de efetuar o recolhimento da Cofins e do PIS. sobre as receitas classificadas como 'venda equiparadas a exportação'. dizendo que tal procedimento estaria correto em face da legislação vigente (art. 14 da MP nº 2.158 35, de 2001, e art. 149 da Constituição Federal, de 1988, com a redação dada pela EC nº 33, de 2002), que disporiam da não existência da obrigação de pagamento das contribuições em debate, relativamente às receitas de exportação, não podendo tal fato, ainda, ser classificado como infração legal, passível de punição com multas. Pede pelo reconhecimento da "prescrição do lançamento relativo aos períodos de apuração entre janeiro e abril de 2001, em face do art. 150, § 4" do CTN. Em item denominado "Da isenção e, posterior não incidência da Cofins nas Exportações"' (com título e texto equivalente na impugnação ao PIS), argumenta que analisando o termo de verificação e encerramento da ação fiscal, relativamente aos períodos de apuração dos anos calendário de 2001 e 2002, observou que o fisco teria se baseado tão somente no seu entendimento pessoal de norma diversa à contribuição em comento para lavrar a autuação, dizendo, assim, que a menção feita ao art. 39, § 2° da Lei n.° 9.532, de 1997, para o caso é indevida, posto que esse dispositivo legal versaria única e exclusivamente sobre o IPI, não podendo ser estendido, por analogia, ao art. 14 da MP n.° 2.15835, de 2001, conforme disposição do art. 108, § 1º do CTN; entende que cumpriu todas as exigências contidas nesse dispositivo da referida MP, no qual inexistiria determinação no sentido de que as mercadorias devessem ser encaminhadas a terminal de exportação ou recinto alfandegário, uma vez que tal obrigação subsistiria apenas em relação ao IPI. Acrescenta que a obrigação legal da entrega da mercadoria em terminais de embarque ou em recintos alfandegários, para fins de concessão do benefício da isenção da Cofias e do PIS nas exportações, teria surgido somente com a edição do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, o que evidenciaria, uma vez mais, que a cobrança Fl. 7636DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.004953/200616 Resolução nº 3302000.368 S3C3T2 Fl. 893 4 das citadas contribuições, nos anoscalendário de 2001 e 2002, não pode subsistir. Não obstante o que antes foi afirmado, sustenta que a edição do precitado Decreto nº 4.524, de 2002, não teria produzido qualquer efeito no mundo jurídico, em razão da alteração da redação do art. 149 da CF/1988, pela EC n. 33, de 2001, da qual destaca o § 2º, I, e que determinaria a não incidência sobre as receitas decorrentes de exportação no caso das contribuições sociais, como PIS e Cofins; agrega que tal dispositivo é norma de eficácia plena, não dependente de qualquer lei infraconstitucional para validála; afirma que o fisco, sem análise da documentação comprobatória das exportações, exigiu a Cofins e o PIS sobre receitas decorrentes dessas exportações, meramente porque não teria sido atendido um requisito normativo; entende que dispositivo infraconstitucional não pode impor ao contribuinte modificações nas relações comerciais, para que este faça jus ao beneficio outorgado pela constituição; diz comprovar, com sua impugnação, que as receitas tributadas decorrem de vendas de mercadorias destinadas ao mercado externo, e sobre elas não poderia incidir Cofins e PIS, posto que albergadas pela não incidência. Em subitem denominado "Das exportações de 2003 , relaciona empresas para as quais teria realizado vendas de mercadorias, as quais, posteriormente, teriam efetuado a exportação dessas mercadorias, conforme documentação trazida aos autos; diz que ainda que fosse o caso de fraude, conforme sugere o fisco, não poderia ser apenada, visto que não teria poder/dever legal de fiscalizar a lisura das empresas com quem estabelece relacionamento comercial, nem teria como avaliar a idoneidade de suas documentações, o que competiria, tão somente, à administração fazendária. Cita, a propósito, o caso da empresa Rubens Dano Moreno, que o fisco sugeriu a ocorrência de fraude em documentos inerentes à exportações, e que consultandose o CNPJ da mesma, no site da Receita Federal, observase que foi oficialmente baixada em 14/05/2004; em razão disso questiona como poderia tal empresa ter procedido à sua baixa junto ao fisco, se não estava em dia com suas obrigações fiscais? Assim, entende que o fisco implicitamente ratificou todos os procedimentos da referida empresa, não se podendo falar "em responsabilidade de terceiros por suas falhas ou atos criminosos ."; reafirma não ser possível a exigência da Cofins e do PIS, posto que haveria comprovação da efetividade das exportações, conforme a documentação que trouxe aos autos, sobre a qual não teria condições de aferir legitimidade, ainda mais porque houve o caso de empresas que teriam remetido tal documentação por meio de cópias autenticadas, o que afastaria. de plano, qualquer sugestão de fraude. Nos subitens "Das exportações de 2002 e "Das exportações de 2001, repete. basicamente a mesma argumentação referida no parágrafo anterior; no primeiro dos títulos (relativo a 2002). ressalta que haveria falta de diligência do autuante, em não analisar seus processos de exportação, fazendo exigência até mesmo sobre notas fiscais de mercadorias devolvidas, como seria o caso daquelas de nºs 386.877 e 387.265; alega, ainda, ser absurda a desconsideração das exportações realizadas por meio da empresa Yulaka, que seria uma trading, e, Fl. 7637DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.004953/200616 Resolução nº 3302000.368 S3C3T2 Fl. 894 5 portanto, não teria a obrigação de entregar as mercadorias diretamente para exportação, agregando que tal empresa destinava seus produtos ao Japão, ou seja, até o rótulo dos produtos vendidos seria impresso em japonês, não se podendo alegar que tais produtos teriam sido comercializados no mercado interno; já, no segundo título (relativo a 2001), diz que para a empresa Foz Global, produziu um refrigerante de marca "SUN . a pedido dessa empresa, para ser comercializado única e exclusivamente no Paraguai, sendo que até o rótulo dessa mercadoria era impresso em espanhol, pelo que não se poderia admitir que tais exportações não ocorreram, ou que o produto foi comercializado no mercado interno. Por sua vez. no subitem "Conclusões acerca das exportações, além de reafirmar as alegações antes referidas, acrescenta que ainda que restasse comprovado que parte das exportações não tivesse ocorrido, por ser objeto de fraude de algumas das empresas comerciais exportadoras, a responsabilidade pelo recolhimento de tributos deveria recair sobre as mesmas, que deram causa ao feito, dizendo que por ser a fraude crime, somente sobre aqueles que a cometeram caberia a aplicação de penalidade. mesmo quando implicar em obrigação pecuniária. citando, quanto a isso, o art. 5º, XLV da CF/1988; diz que, exceto a precitada empresa Rubens Dario Moreno, que teria sido baixada com a chancela da Receita Federal, todas as demais empresas com quem transacionou estariam em pleno funcionamento, podendo, assim, serem fiscalizadas e delas serem exigidos os tributos em questão, já que seriam as responsáveis diretas e exclusivas pela não ocorrência das exportações; acrescenta que ainda que se admita que uma ou outra exportação não possa ser comprovada, tal fato não seria suficiente para desconsiderar todas as operações realizadas no período fiscalizado, visto que, a maioria estaria munida de documentos passíveis de demonstrar a legitimidade das operações, pedindo. na remota possibilidade de se entender pela procedência da autuação. que seja refeito o cálculo do montante devido, para exigir o tributo somente sobre aquelas operações que não puderam ser comprovadas. No subitem "Do pedido de perícia. para fins de apuração de eventual saldo devedor, requer a realização de perícia nos documentos trazidos aos autos; salienta que os originais, caso se façam necessários, encontramse em seu poder; lista 03 (três) quesitos (fls.131/132) e nomeia perito. A seguir, no tópico "Da inaplicabilidade de multas nos patamares exigidos pela fiscalização , caso seja mantida a autuação. diz que a multa no percentual de 75% não pode prevalecer, visto que feriria frontalmente os princípios administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade, bem como caracterizaria o confisco de seus bens, o que seria vedado pelo art. 150, IV da CF/1988. Por fim, reafirma, de forma sucinta, as preliminares c as matérias de mérito suscitadas. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar parcialmente procedente o lançamento em decisão que assim ficou ementada: Fl. 7638DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.004953/200616 Resolução nº 3302000.368 S3C3T2 Fl. 895 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Período apuração: 01/01/2001 a 30/04/2001 PIS. COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Declarada a inconstitucionalidade cio artigo 45 da Lei n.' 8.212. de 1991, por meio da Súmula Vinculante nº 8, editada pelo STF, e havendo pagamento antecipado pelo obrigado, ainda que parcial. deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência, estabelecido no Código Tributário Nacional, em seu art. 150. Período apuração: 01/05/2001 a 31/12/2003 LEGISLAÇÃO SOBRE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO. A legislação tributária que dispõe sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. PIS. COFINS. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas exportadoras registradas na Secex somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Correta a exigência de multa de ofício de 75%, posto que feita com amparo em expressa previsão legal. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Indeferese o pedido de perícia que se mostra desnecessário, posto que os quesitos propostos não demandam conhecimento técnico especializado, e que, de qualquer forma, foram respondidos no presente julgamento. Lançamento Procedente em Parte Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na impugnação apresentada. Fl. 7639DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.004953/200616 Resolução nº 3302000.368 S3C3T2 Fl. 896 7 É o relatório VOTO Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Em relação a preliminar de nulidade, sem razão o Recorrente, uma vez que a indicação da base legal e dos fundamentos do auto de infração encontramse devidamente lançados no corpo do auto de infração e no texto do Termo de Encerramento e Ação Fiscal que acompanhou o lançamento efetuado. Do corpo da decisão recorrida pinço e o seguinte trecho, que adoto como razão de decidir: Como se observa, Os autos de infração, às fls. 81/91 (Cofins) e 92/102 (PIS), foram lavrados nos estritos termos do precitado dispositivo. Assim, quanto à alegação de deficiente indicação da base legal, além dos requisitos previstos no art. 10 do Decreto IP 70.235/1972, que foram todos atendidos, conforme consta das peças principais dos autos (fls.88 e 99), posto que contém a identificação do contribuinte, o local c data da lavratura, o demonstrativo do crédito tributário exigido, a intimação da contribuinte, a identificação do AFRF autuante c a ciência do representante legal da interessada, verificase, ainda, que instruem os autos de infração, deles sendo partes integrantes, as peças denominadas Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de lis. 89/91 e 100/102, onde são relatados, de forma sintética, os fatos e a legislação que deram causa ao lançamento; nessas peças, também, é relatado que a descrição detalhada das infrações apuradas encontrase no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 103/112, do qual a interessada teve ciência e recebeu cópia , juntamente com os referidos autos de infração. Destaquese que a juntada no referido termo de fls. 103/112, aos autos de infração atende, justamente, o que preceitua o caput do art. do precitado Decreto n." 70.235, de 1972, que manda que na formalização dos autos de infração, estes devem estar instruídos com todos os termos. depoimentos. laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". Pois bem, em relação ao mérito dos lançamentos, a autoridade fiscal assim sintetizou a matéria a ser analisada: a) em virtude de o contribuinte ter efetuado vendas para empresas comerciais exportadoras com os benefícios fiscais da suspensão do IPI e isenção das contribuições para o PIS e a Cofins aplicáveis às exportações e as vendas equiparadas, tendo sido constatado pela DRF de Foz do Iguaçu que as exportações não foram realizadas; e, b) Do exame das vendas efetuadas pela empresa, como equiparadas a exportação constatamos que todas foram feitas a não tradings e não foram remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, o que implica na impossibilidade da fruição dos Fl. 7640DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.004953/200616 Resolução nº 3302000.368 S3C3T2 Fl. 897 8 benefícios fiscais da suspensão do IPI e da isenção das contribuições para o PIS e a Cofins. Conforme informações prestadas pela própria empresa as mercadorias foram retiradas em sua sede pelas adquirentes, pois o frete era por conta destas. Vale destacar também que a autoridade fiscal informou que a DRF de Foz do Iguaçu teria realizado diligências que atestariam a inexistência de exportações e a ocorrência de fraudes nos transportes de mercadorias, nos seguintes termos: 5. Juntamos no anexo IV do processo, resultado de diligências realizadas pela DRF de Foz do Iguaçu, junto a algumas das comerciais exportadoras que compraram produtos da empresa ora fiscalizada, "com fim específico de exportação", tendo como conclusão que as exportações não foram realizadas, tendo sido inclusive objeto de fraude, já que houve utilização de Conhecimentos de Transportes falsificados, fato este confirmado pelas empresas de transporte. Infelizmente os documentos citados e o próprio Anexo IV, não se encontram juntados ao presente processo e sua análise é imprescindível para que este julgador possa firmar convicção sobre os fatos alegados pela autoridade fiscal. Além disto, desde a sua impugnação a Recorrente vem afirmando que as mercadorias foram de fato exportadas, tanto que juntou ao presente processo milhares de documentos fiscais (22 volumes de documentos contendo mais de 6.000 documentos). De suas peças da defesa, destaco o seguinte trecho: Notese que todos os processo de exportações estão devidamente documentados, através da juntada dos: a) memorando de exportação; b) comprovante de exportação expedido pelo SISCOMEX; c) nota fiscal de exportação emitida pela comercial exportadora; d) conhecimento de transporte; e) nota fiscal de saída de mercadoria emitida pela Impugnante, destinandoa para comercial exportadora. A Recorrente fez solicitação de diligência em sua Impugnação, momento em que juntou os documentos comprobatórios de suas alegações, e indicou assistente técnico, cumprindo o que determina o Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Aparentemente, tais documentos sequer foram analisados. Neste contexto, entendo que o presente processo deve ser baixado em diligência para que a autoridade fiscal providencie a juntada do anunciado Anexo VI, que contem os documentos relacionados às diligências efetuadas pela DRF, bem como verifique e se manifeste sobre: Fl. 7641DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.004953/200616 Resolução nº 3302000.368 S3C3T2 Fl. 898 9 a) os documentos juntados aos autos pelo Recorrente, determinando se de fato as mercadorias relacionadas com o presente processo foram exportadas; b) se há comprovação que as mercadorias retiradas na sede da Recorrente pelas comerciais exportadoras foram encaminhadas para embarque de exportação ou para recinto alfandegado por estas. c) se as empresas relacionadas no presente processo possuem autorização da Receita Federal para receber as mercadorias a serem exportadas em função de eventual inexistência de recinto alfandegado; e, d) após análise, intimese a recorrente para se manifestar sobre o resultado da diligência, e em ato continuo retorne os autos a este conselho para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 7642DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000126/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007, 01/02/2008 a 30/09/2008
VENDAS A COMERCIAIS EXPORTADORAS QUE OPERAM TERMINAIS PRÓPRIOS NÃO ALFANDEGADOS. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A remessa de mercadorias a terminais não alfandegados descaracteriza a venda com fim específico de exportação, para efeito da isenção da Cofins.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, trata-se de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte.
CRÉDITOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE.
O custo com embalagens - quaisquer que seja a embalagem: utilizada para o transporte ou para embalar o produto, para apresentação - deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e COFINS.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3302-001.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado nos termos da redatora designada. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente e Relator Ad Hoc
(Assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO PELO CARF. VEDAÇÃO. Descabe ao Carf pronunciarse sobre alegação de inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007, 01/02/2008 a 30/09/2008 VENDAS A COMERCIAIS EXPORTADORAS QUE OPERAM TERMINAIS PRÓPRIOS NÃO ALFANDEGADOS. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A remessa de mercadorias a terminais não alfandegados descaracteriza a venda com fim específico de exportação, para efeito da isenção da Cofins. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, tratase de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. CRÉDITOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE. O custo com embalagens quaisquer que seja a embalagem: utilizada para o transporte ou para embalar o produto, para apresentação deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 26 /2 01 0- 79 Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado nos termos da redatora designada. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente e Relator Ad Hoc (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 407 a 751) apresentado em 1º de março de 2012 contra o Acórdão no 0634.810, de 07 de dezembro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/CTA (fls. 387 a 403), cientificado em 1º de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2007 e de fevereiro a setembro de 2008, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007, 01/02/2008 a 30/09/2008 VENDAS A COMERCIAIS EXPORTADORAS QUE OPERAM TERMINAIS PRÓPRIOS NÃO ALFANDEGADOS. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. COFINS. TRIBUTAÇÃO. Em face da ausência de comprovação do fim específico de exportação referido pela legislação, as vendas efetuadas a empresas comerciais exportadoras que não sejam tradings (nos Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.197 3 termos do Decretolei nº 1.248, de 1972) e que operam terminais próprios não alfandegados, sujeitamse à tributação da Cofins. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revela ser prescindível para o deslinde da questão. JUNTADA DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a peça impugnatória, sob pena de preclusão, salvo exceções taxativamente previstas. MULTA DE OFÍCIO. Cobrase multa de ofício por expressa disposição legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração foi lavrado em 13 de abril de 2010, de acordo com o temo de fls. 152 e 153. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de auto de infração em que são exigidos R$ 1.517.444,34 de Cofins não cumulativa, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais, em face da apuração de falta de recolhimento da contribuição relativamente aos períodos de apuração 01/2006 a 12/2007 e 02/2008 a 09/2008, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 150/154, demonstrativo de apuração de fls. 155/158 e demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 159/162. No campo “descrição dos fatos e enquadramento legal” do auto de infração, fl. 152, consta o seguinte relato: 003 – COFINS – INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. Os valores da contribuição foram apurados na análise dos Pedidos de Ressarcimento Eletrônico do 1º trimestre de 2006 ao 3º trimestre de 2008, tratados nos processos administrativos nº 12571.000051/201026, 12571.000052/201071, 12571.000053/201015, 12571.000054/201060, 12571.000055/201012, 12571.000056/201059, 12571.000057/201001, 12571.000058/201048, 12571.000059/201092, 12571.000060/201017, 12571.000061/201061, respectivamente. A análise realizada nos referidos processos concluiu que o contribuinte não possui crédito a ser ressarcido, conforme consta dos Despachos Decisórios nº 18 a 28/2010 da SAFIS da DRF/PTG (cópias no processo), mas, sim, contribuições que deixaram de ser recolhidas, conforme apontamento dos demonstrativos intitulados ‘PLANILHA PARA APURAÇÃO COFINS – NÃO CUMULATIVO” dos trimestres acima citados (cópias no processo). Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Cientificada em 13/04/2010 (fl. 151), a contribuinte apresentou, em 13/05/2010, a impugnação de fls. 167/211, instruída com os documentos de fls. 212/358, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após breve relato dos fatos, lista, no item denominado “Dos documentos comprobatórios do erro material no levantamento fiscal” uma série de documentos que estariam acompanhando a impugnação e discorre sobre eles. Aduz que o farto conteúdo documental comprova a arbitrariedade do agente fiscal, estando comprovado que as exportações efetivamente ocorreram. Reclama a nulidade tanto do MPF quanto da exigência efetuada. A seguir, no tópico “desconsideração da atividade típica de exportação –utilização de presunção indevida no lançamento dos tributos – violação do parágrafo único do art. 142 do CTN” aduz que, ao desconsiderar as vendas realizadas para a empresa exportadora como vendas para o mercado externo, o agente fiscal incorreu em flagrante equívoco. Afirma que a empresa efetuou a venda da madeira para a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, fazendo jus, portanto, à não incidência da Cofins. Acrescenta, ainda, que emitiu todas as notas fiscais em favor da comercial exportadora, “em sua maioria para a empresa RBI Enterprises Trading S/A, e a madeira, conforme atestou o Agente Fiscal, efetivamente seguiu para depósitos situados nas cidades portuárias de São Francisco do Sul/SC e Paranaguá/PR, de propriedade da Comercial Exportadora, e posteriormente após (sic) as atividades típicas de logística portuária, foram exportadas” e que, conforme orientação contida no sítio da RFB na internet, “após a emissão da nota fiscal de venda pela pessoa jurídica vendedora com o fim específico de exportação, a empresa comercial exportadora caso não tivesse realizado a venda da madeira para o exterior no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, se tornaria a responsável pelo recolhimento dos créditos presumidos de Cofins que seriam devidos pela vendedora.” Aduz que, contraditoriamente, o próprio agente fiscal afirma no despacho decisório que as “saídas relativas as notas fiscais foram realizadas para empresas comerciais não Trading e destinadas a armazéns não alfandegados, não fazendo jus, portanto, à isenção do PIS/PASEP e da COFINS.” Prossegue, afirmando que apesar do agente fiscal “tentar afastar a característica essencial da empresa comercial exportadora com a finalidade de legitimar o seu ato discricionário de indeferimento dos ressarcimentos dos créditos, novamente se contradiz quando afirma que ‘em termos de legislação tributária a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas ao regime especial, como as demais, inscritas somente no REI.” Esclarece que a RBI Enterprises Trading S/A trabalha exclusivamente com a atividade de exportação e possui o seu registro no REI –Registro de Exportadores e Importadores, “o que afasta toda a atuação atrapalhada do Fiscal, que afastouse da legalidade do ato de fiscalização, ignorando de forma Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.198 5 discricionária todos os substratos fáticos jurídicos que podiam evidenciarlhe a legalidade da relação mercantil de exportação indireta ocorrida entre” as empresas. Diz, ainda, que o agente fiscal equivocouse ao considerar, ilegalmente, que a contribuinte seria a responsável pelo pagamento dos tributos e que não teria direito ao ressarcimento dos créditos da Cofins não cumulativa. Conclui o tópico, afirmando que a conduta adotada teria tornado o MPF 09.1.04.002008001532 nulo de pleno direito e que isso teria configurado erro material na constituição da exigência do PIS e da Cofins. No ponto seguinte, denominado “Da existência de direito a apropriação de créditos de custos encargos e despesas vinculados à receita de exportação” diz que foi desconsiderada “a maioria dos créditos referentes as receitas apropriadas em relação a custos, despesas e encargos na atividade mercantil com o fim específico de exportação.” Salienta que a apropriação dos créditos foi efetuada com base na estrita interpretação da legislação tributária e que os créditos relativos à utilização dos insumos podem ser facilmente verificados nas planilhas fornecidas à fiscalização. Em outro tópico, chamado de “venda a empresa comercial exportadora –imunidade tributária – art. 149, § 2º, II da CF/88 – Decreto 4.524/2002 – Art. 89” diz que por meio das notas fiscais e de toda a documentação apresentada pode ser verificado que todas as madeiras foram efetivamente objeto de exportação indireta, “sendo evidenciado que a vendedora fiscalizada procedeu na mais lídima e escorreita conduta não existindo meios legais que possam considerála infratora dos preceitos tributários referentes às imunidades, isenções e nãoincidências que a lei lhe confere em relação aos recolhimentos de Cofins.” Adiciona, também, que as notas fiscais, os memorandos de exportação, os conhecimentos de transporte e os registros de operações de exportação que acompanham a impugnação demonstram de modo incontroverso que a empresa agiu dentro dos preceitos legais e com a mais absoluta boa fé. A seguir, tece considerações acerca da não incidência prevista na Constituição sobre as operações e as receitas decorrentes de exportação. Reafirma que, segundo orientação contida no sítio da RFB na internet, se a venda foi efetuada para uma comercial exportadora e se a exportação não foi efetuada a responsabilidade pelo pagamento dos tributos deve ser da comercial exportadora e não da vendedora. Insiste na alegação de existência de erro material praticado pelo agente fiscal e defende a necessidade de cancelamento do lançamento efetuado. Aduz que a venda foi efetuada para uma comercial exportadora e que esta efetivamente realizou a exportação, ficando ressaltada a não incidência da operação. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 No item seguinte, a contribuinte discorre sobre a “apropriação indevida dos créditos referentes bens e serviços utilizados como insumos – violação do art. 3º da Lei nº 10.637/2002.” Aduz que, nos termos da legislação, além dos lubrificantes e combustíveis expressamente referidos, consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição, as matérias primas e produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens ou serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Assim, entende que, “no caso do contribuinte, a madeira, em toras é matériaprima adquirida para o beneficiamento com fins específicos de exportação, e, por conseguinte, nessa hipótese, enquadrase no conceito de insumo para efeito de apropriação de créditos da contribuição para o PIS/PASEP (sic).” Diz que os pedidos de ressarcimento devem ser acatados já que as mercadorias foram efetivamente exportadas e que se haviam dúvidas em relação à exportação caberia ao agente fiscal realizar diligências, inclusive via Siscomex, para comprovar ou não as operações. Insiste na ilegalidade do procedimento adotado pelo agente fiscal. Noutro tópico, fala sobre a “ilegalidade da presunção fiscal para o presente caso.” Diz que “pelos fatos acima narrados, notase que o agente fiscal aplicou a presunção fiscal para primeiro, considerar que não se configurou a operação de exportação ou venda mercado externo, e segundo, pela descaracterização da legalidade da apropriação dos créditos referentes a insumos utilizados na atividade comercial típica de exportação indireta com o intuito de eximirse do pagamento das contribuições sociais da Cofins.” Afirma que, consoante legislação, jurisprudência e doutrina pátrias, é vedado ao agente fiscal a utilização de presunções, indícios ou arbitramentos que se afastem da realidade documental do contribuinte, ou seja, “o arbitramento só é legitimado na inexistência de documentos ou da imprestabilidade destes documentos.” No ponto seguinte, discorre acerca da “multa isolada – art. 44 – Lei nº 9.430/96 – erro material – caráter confiscatório – ilegalidade.” Aduz que o agente fiscal desconsiderou indevidamente a conduta do contribuinte e fez incidir multa de ofício, nos termos do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. Diz que tal incidência é improcedente já que é protegido pela imunidade constitucional, afinal as mercadorias foram vendidas com notas fiscais para uma comercial exportadora que efetivamente efetuou a exportação. Acrescenta, também, que o lançamento efetuado contém flagrante nulidade na sua constituição, sendo visível o erro material na composição de sua base de cálculo, inclusive no que diz respeito à multa e aos juros de mora. A seguir, no item denominado “Da Prova Pericial – art. 16 inciso IV do Decretolei nº70.235/1972” diz que em face da Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.199 7 complexidade da questão e da vasta documentação apresentada tornase necessário a realização de perícia para comprovar de maneira inequívoca a legalidade das operações de exportação indireta. Indica perito. Ao final, requer: a) seja declarada a nulidade do lançamento em face da existência de atos nulos e de ilegalidades praticadas pela autoridade fiscal; b) seja declarada a nulidade do lançamento em decorrência da imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição; c) a declaração de nulidade do lançamento fiscal em decorrência da aplicação indevida da multa de ofício de 75%; d) a declaração de nulidade do lançamento fiscal em decorrência da existência de erro material no levantamento fiscal principalmente em razão da adoção, por parte do agente fiscal, de entendimento diverso ao da realidade documental, bem como da adoção de presunção fiscal indevida e de desconsideração da imunidade constitucional. e) seja deferido o pedido de ressarcimento da contribuição em questão, objeto dos despachos decisórios nº 18 a 28/2010, e homologadas as compensações; f) a realização de prova pericial contábil para comprovar a validade e a legalidade da relação de exportação indireta entre a contribuinte e a empresa comercial exportadora; Por último, após protestar por todos os meios de prova em direito admitidos, bem como a juntada de novos documentos, pede deferimento. À fl. 361, termo de juntada, por apensação, dos processos nºs 12571. 000051/201026, 12571.000052/201071, 12571. 000053/201015, 12571.000054/201060, 12571. 000055/2010 12, 12571.000056/201059, 12571. 000057/201001, 12571 .000058/201048, 12571.000059/201092, 12571. 000060/2010 17, 12571. 000061/201061, ao presente processo." Portanto, os presentes autos passaram a abranger todos os processos mencionados (pedidos de ressarcimento e auto de infração). No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação quanto ao auto de infração e defendeu o direito aos créditos em relação ao combustível para máquinas e caminhões que fazem o manejo e transporte do material e à madeira adquirida para o beneficiamento com fins específicos de exportação. Além disso, alegou ser confiscatória a “multa isolada” aplicada e ter ocorrido erro material, sem a prática de dolo. Por fim, requereu o seguinte: a) Seja declarada a nulidade do lançamento fiscal objeto da presente por conterem atos eivados de nulidades e ilegalidades praticados pela Autoridade fiscal, tais como multa, exclusão da imunidade constitucional para as atividades de exportação, Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 desconsideração da documentação apresentada e o consequente ERRO MATERIAL no lançamento de ofício, nos moldes da fundamentação; b) Seja declarada a nulidade do lançamento fiscal em face da imunidade de pagamento de contribuições sociais da COFINS conforme prescreve o art. 149, §2°, inciso I, da CF/88 em face da venda de produtos(madeira) a comercial exportadora desconsiderada pela autoridade fiscal nos moldes da fundamentação; c) Seja anulado o lançamento fiscal em virtude da multa de ofício ter sido aplicada indevidamente tendo em vista a idoneidade da documentação apresentada nos moldes da fundamentação da presente impugnação; d) Seja anulado o lançamento questionado, reconhecendo a existência de ERRO MATERIAL no levantamento fiscal decorrente do MPF 09.1.04.002008001532, em virtude, dentre outros, do afastamento da realidade documental requerente da presunção fiscal, desconsideração da imunidade constitucional prevista no art. 149, § 2o , inciso I, da CF/88, o que opera grave ofensa a princípios constitucionais e tributários, violação do art.6o , inciso III, da Lei 10.8333/2003, e o consequente enriquecimento ilícito da requerida, nos moldes da fundamentação da presente impugnação; e) Por fim, seja deferido o pedido de ressarcimento da contribuição para a COFINS não cumulativa Mercado Externo referentes aos Despachos Decisórios n.° 18/2010 a 28/2010, referente ao período 2006 a 2008, assim como, na homologação das compensações e apropriações de créditos vinculadas ao pedido de ressarcimento de créditos. f) Seja declarada a nulidade da glosa efetuada pelo agente fiscal considerando as operações de exportação como Vendas no mercado interno tributas pela COFINS e com a consequente desconsideração das apropriações de crédito feitas pelo contribuinte em relação aos insumos, em face da contrariedade ao disposto no o art. 149, §2°, inciso I, da CF/88, e do art.6°, inciso III, da Lei 10.8333/2003. Voto Vencido Conselheiro Walber José da Silva, Relator Ad Hoc O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.200 9 São quatro os principais grupos de alegações da Interessada: nulidade do lançamento, ocorrência das condições para o crédito de exportação, direito ao crédito sobre a aquisição do que considera serem insumos e aplicação da multa. Em relação às alegações de nulidade, razão alguma cabe à Interessada, uma vez que não se verifica haver vícios no auto de infração, especialmente por que também faz parte das razões da autuação a fundamentação que constou dos despachos decisórios, cujas cópias foram juntadas aos autos. O auto de infração esclareceu o seguinte na fl. 152: A análise realizada nos referidos processos concluiu que o contribuinte não possui crédito a ser ressarcido, conforme consta dos Despachos Decisórios n° 18 a 28/2010 da SAFIS da DRF/PTG (cópias no processo), mas, sim, contribuições que deixaram de ser recolhidas, conforme apontamento dos demonstrativos intitulados "PLANILHA PARA APURAÇÃO COFINS NÃO CUMULATIVO" dos trimestres acima citados (cópias no processo). Portanto, além de se referir às razões dos despachos decisórios, esclareceu a Fiscalização que os demonstrativos de cada trimestre indicaram os valores apurados da contribuição devida. No mais, adotamse os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999. No tocante à segunda questão, a análise efetuada pela DRJ já havia sido efetuada pela Fiscalização, concluindose que as adquirentes de produtos da Interessada não seriam “trading companies” e que as mercadorias não foram enviadas diretamente à exportação nem a recintos alfandegados (já que os depósitos não eram alfandegados). A Fiscalização apurou que as duas empresas (RBI Enterprises Trading S. A. e Valebras Trading S. A.) não seriam “trading companies” a partir de informações no site do Ministério do Desenvolvimento MDIC e das relações de cadastros da SRRF da 9ª Região Fiscal. Em consulta ao site do MDIC (relação atualizada em 15.03.2012), verificou se que a primeira empresa consta da lista atual de empresas habilitadas. Dessa forma, muito embora a relação apurada pela Fiscalização fosse a atualizada em 9 de abril de 2009 e tivessem sido levadas em consideração as duas outras relações, não se poderia garantir que em 2006 as referidas empresas não estivessem habilitadas ou que não houve algum equívoco na relação publicada no site, Nesse contexto, a Primeira Instância considerou o seguinte: A contribuinte afirma que eventuais dúvidas, se houvessem, deveriam ser sanadas pelo agente fiscal, com amparo em diligências. Esta afirmação, dependendo do contexto em que apresentada, até poderia guardar uma certa correlação com a coerência. Este, contudo, não é o caso, afinal, na medida em que as vendas foram efetuadas para empresas chamadas Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 exportadoras (não tradings) e as mercadorias acabaram sendo remetidas para locais não alfandegados, não restou confirmado o fim específico de exportação. Se tal fim não restou confirmado (ainda que, por outros meios, a mercadoria tenha sido exportada), em relação à presente empresa a venda deve ser considerada como tendo sido efetuada internamente (no mercado interno), e quanto a esse aspecto, nenhuma dúvida persiste (sendo desnecessária, portanto, a realização de diligências). Nesse contexto, sendo corretos os ajustes efetuados, correta, também, a exigência sob análise. De fato, dispõe o art.1º do Decretolei n. 1.248, de 1972: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Depósito em “entreposto” somente pode referirse a entreposto aduaneiro, o que exige que o depósito seja alfandegado. Dessa forma, a Interessada enviou as mercadorias a depósitos não alfandegados, situação de que poderia ter conhecimento facilmente Acrescentese que a Interessada também deixou de apresentar cópia dos contratos que realizou com as duas empresas, o que poderia fazer supor que houvesse sido de alguma forma enganada. Portanto, não há como negar que as vendas não satisfizeram as condições para serem consideradas “com fim específico de exportação”. Em relação aos créditos, nos despachos, foram analisadas questões relativas a bens adquiridos para revenda, bens e serviços utilizados como insumos, despesa de energia elétrica, encargo de depreciação de bens do ativo permanente, crédito presumido relativo ao estoque de abertura Entretanto, em seu recurso, a Interessada abordou apenas as questões relativas aos bens e serviços utilizados como insumos e combustíveis e energia elétrica. Dessa forma, a apropriação dos créditos, conforme concluíram os despachos decisórios, deve ser efetuada unicamente para a receita do mercado interno. No que diz respeito aos bens utilizados como insumos, os despachos decisórios esclareceram tratarem do seguinte: Matériaprima: Toras e toretes de Pinus; Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.201 11 Produtos Intermediários: as serras, para o corte das toras; o fungicida, para o tratamento fitosanitário das tábuas; e as lixas, para a realização do acabamento nas tábuas; Material de Embalagem: Fitas, Fitilhos e Cantoneiras Em relação às matériasprimas, conforme esclarecido nos despachos: Os documentos apresentados pelo contribuinte foram analisados tendo se chegado a conclusão que no período foram utilizados nesta atividade os insumos constantes do demonstrativo denominado "Relação das Notas Fiscais de Entrada de Insumos". Destaquese que foram considerados os insumos acima relacionados independentemente do CFOP constante do arquivo de Notas Fiscais apresentado. Em relação aos serviços utilizados como insumos, no entanto, a Interessada não esclareceu à Fiscalização do que se trataria. Ademais, não seria possível discriminar o emprego dos serviços de transporte e efetuar a apropriação dos combustíveis e peças para a atividade produtiva. Acrescentaram ainda os despachos: Relativamente A primeira constatase que não existe nenhum serviço que seja utilizado como insumo, conforme se verifica pela leitura do processo produtivo da empresa. Quanto à segunda atividade o contribuinte não esclareceu quais os serviços são utilizados como insumo no "Transporte Rodoviário de Carga". Notese que a empresa possui diversos veículos (tratores, empilhadeiras e caminhões) e que faz uso compartilhado dos mesmos (principalmente os caminhões) no "Beneficiamento de Madeiras" e no "Transporte Rodoviário de Carga". Também que determinados serviços poderiam ser considerados insumos da segunda atividade, mas não poderiam ser considerados insumos da primeira atividade. O contribuinte foi intimado por duas vezes (Intimação 653/2009 e Intimação 748/2009) a demonstrar quais créditos de "Serviços Utilizados como Insumos" estariam vinculados aos serviços de fretes e nada respondeu. Idêntico raciocínio aplicase à energia elétrica. No “laudo pericial contábil” apresentado pela Recorrente na impugnação, as conclusões relativas à aquisições para revenda são completamente contraditórias, como se observa do trecho abaixo reproduzido: Para derrubarmos este item juntamos vasta documentação de todas as notas fiscais de aquisição de matériaprima ( toras in natura, madeiras, insumos, etc.). Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 Por óbvio que toda mercadoria adquirida tratase de toras, ripas, cavacos, todas para revenda. E as toras transformamse em madeira beneficiadas, isto acontece através do processo de industrialização. Não existe industrialização de madeiras se não houver a matériaprima básica que são as toras in natura. Após o desdobramento do processo industrial é que se obtém a madeira para exportação da derivada de madeira. De toda forma, como se esclareceu, a Interessada não apresentou tal alegação em seu recurso. Em relação aos combustíveis, foram apresentadas cópias de notas de compras, o que não comprova a utilização no processo de produção. A justificativa do laudo de que a atividade principal é “comércio de madeiras, beneficiamento de madeiras tipo exportação e transportes rodoviários de cargas” não é suficiente para comprovar o seu uso no processo produtivo. Quanto aos serviços, as razões são basicamente as mesmas em relação às despesas de manutenção de veículos e máquinas. No tocante à manutenção de maquinários industriais, pode tratarse de despesas ativas, que aumentam a vida útil do bem e, assim, não poderiam gerar créditos. Finalmente, em relação ao material de embalagem, claro está que se trata de material para transporte e não de embalagem propriamente dita. Não se tratando de insumo de produção e não havendo previsão para que tais despesas gerem créditos nos demais incisos do dispositivo que trata dos créditos, não se pode aceitar as alegações da Interessada. Quanto à multa, aplicase a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF n. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Relator Ad Hoc Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Conforme relatado, tratase de discussão acerca da possibilidade de creditamento de valores glosados na sistemática do regime não cumulativo. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.202 13 De acordo com os autos percebese que a Recorrente apresentou várias Declarações de Compensação – Dcomps. Em relação ao crédito vinculado à receita de exportação, concordo com o entendimento do ilustre Conselheiro Relator. Pelo que se depreende dos fatos, tratamse de duas empresas não exportadoras (a fiscalização constatou que não eram tradings com base na análise da documentação e do site do Ministério de Tecnologia). Neste aspecto faltam provas para justificar o alegado pela Recorrente, que a venda foi realizada para comercial exportador, o que permitiria a tomada de crédito. No que se refere ao crédito de PIS/COFINS não cumulativo, são necessárias algumas considerações. A meu sentir, a problemática em relação ao crédito neste sistema inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a atividade da Recorrente. Determina a lei: “Lei nº 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (Cofins) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, efeitos a partir de nov/2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.203 15 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e para a COFINS, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de “custo” e de “despesa” aplicados pela legislação do imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com os sistemas do IPI, do ICMS ou do IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração não cumulativa dos tributos. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e do PIS/COFINS, tenho defendido a total diferença entre os regimes1, o que causa reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e para a COFINS, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em decorrência deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, confunde e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. 1 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as Medidas Provisórias nº 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº 10.833/03 – COFINS. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da Carta Magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/COFINS, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita2 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. 2 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.204 17 No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco3: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação, a respeito da geração dos créditos que visam evitar a cumulatividade, para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS, que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos, em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito na sistemática aplicada ao PIS e à COFINS, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma através da qual se deu esta tributação ou o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pela sistemática do SIMPLES, até porque o montante recolhido a título de PIS e COFINS não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário4. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito a um crédito correspondente à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa para a apuração do crédito sobre o insumo, ao contrário do que ocorre na apuração de créditos nos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes, com outros inevitavelmente inovadores, pois formados de 3 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 4 Lei nº 10.833/03, art. 3º, Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 significação específica para a sistemática de não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Conforme este raciocínio cito Eduardo de Carvalho Borges5: “No caso do PIS e da COFINS, o legislador federal optou por um sistema misto: apesar de ter concedido ao contribuinte um crédito a ser abatido das contribuições a serem pagas, tal crédito não é apurado em função do tributo recolhido em fase anterior, mas mediante a aplicação, ao valor do bem ou serviço proveniente de etapa anterior, da alíquota à qual está sujeito o contribuinte ao qual o crédito é outorgado. Vejamos o seguinte exemplo: (i) um produto X é vendido por A a B por 100 reais; (ii) estando A sujeito ao regime cumulativo, recolhe 3,65 reais a título de PIS e COFINS; (iii) estando B sujeito ao regime nãocumulativo, apura crédito de PIS e COFINS no valor de 7,60 reais; e (iv) ao revender o produto X por 200 reais, B recolhe 7,60 reais (200 reais x 7,6% 7,60 reais = 7,60 reais) a título de PIS e COFINS. Em tal caso, o critério adotado propiciou o mesmo resultado da aplicação do método “base sobre base” (200 reais – 100 reais x 7,6% = 7,60 reais).” – destaquei. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplicam, portanto, os critérios da não cumulatividade do IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma, na apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado, para determinar se ele dá ou não direito ao correspondente crédito. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, estabelecidos pelos artigos 2906 e 2997 do RIR/99. 5 Eduardo de Carvalho Borges in “Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias”, Tributação no Agronegócio, Quartier Latin 6 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 7 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.205 19 Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (por exemplo, despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc...) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, considerados como insumos geradores de crédito na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos. Da mesma forma, o conceito de custo de produção também é diferente do conceito de insumos utilizado pela legislação das contribuições, basta constatar que as Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a equiparação do valor gasto com a folha de salários com o conceito de insumo para o PIS e para a COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e para a COFINS, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (...)”. A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 8 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativos para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. 8 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS e da COFINS é aferir receita9, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita, naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerados pela legislação do PIS e da COFINS. Dos fatos relatados, constato que o objeto da empresa permitiria a concessão de diversos dos créditos pleiteados, todavia, in casu constatase um obstáculo intransponível. A Recorrente não fez prova de que os insumos foram utilizados em seu sistema produtivo. Desta forma, a despeito de ser provável, por exemplo, que a Recorrente utilize combustível em sua produção, não comprovou este fato, razão pela qual impossível se torna a concessão do crédito pleiteado. Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relatos. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. Em vista do exposto, conheço do recurso para o fim de DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando em parte a decisão recorrida. É como voto. 9 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão n.º 3302001.858 S3C3T2 Fl. 1.206 21 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 8/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003238/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS.
A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam claras e objetivas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo o lançamento, apenas, no que se refere à distribuição de valores superiores aqueles devidos no acordo de Participação nos Lucros e Resultados dos gestores e aqueles apurados com critérios de cálculo distintos do que foi acordado. Também devem ser mantidos os valores relativos à Participação nos Lucros e Resultados do exercício de 2006, pagos em 02/2007. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Fará o voto divergente vencedor o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário quanto à multa aplicada vencidos na votação os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Bianca Delgado Pinheiro, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
(assinado digitalmente)
LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz,, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam “claras e objetivas”. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo o lançamento, apenas, no que se refere à distribuição de valores superiores aqueles devidos no acordo de Participação nos Lucros e Resultados dos gestores e aqueles apurados com critérios de cálculo distintos do que foi acordado. Também devem ser mantidos os valores relativos à Participação nos Lucros e Resultados do exercício de 2006, pagos em 02/2007. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Fará o voto divergente vencedor o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário quanto à multa aplicada vencidos na votação os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Bianca Delgado Pinheiro, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 38 /2 01 0- 55 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator (assinado digitalmente) LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz,, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.003238/201055 Acórdão n.º 2302003.040 S2C3T2 Fl. 275 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 168 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: JOST BRASIL SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. teve lavrado contra si o Auto de Infração AI em epígrafe, relativo ao lançamento de contribuições destinadas a terceiros (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação Fnde, Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária Incra e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Sebrae), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados. As contribuições lançadas referemse às competências fevereiro de 2006, julho de 2006, janeiro de 2007, fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008. No Relatório Fiscal RF (fls. 23/62), a Fiscalização consigna inicialmente que as contribuições lançadas tiveram por base as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a serviço do sujeito passivo, "tidos como Gestores Gerentes e Coordenadores a título de 'Participação nos Resultados', as quais, pagas ou creditadas em desacordo com a legislação de regência, não foram oferecidas à tributação". Em seqüência, analisa os acordos de Participação nos Lucros ou Resultados PLR firmados entre a empresa e os representantes de seus empregados, para os períodos de vigência de janeiro de 2005 a dezembro de 2006 e de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, destacando que a participação nos resultados atribuída aos segurados empregados ocupantes de cargos de gerente e de coordenador foi apurada "de acordo com cláusula específica, vale dizer, de forma diferenciada dos empregados ocupantes das demais funções, pertencentes todos ao quadro da empresa". Refere, ainda, que as participações nos resultados atribuídas aos segurados empregados ocupantes de cargos de gerente e de coordenador foram pagas ou creditadas em fevereiro de cada ano, ressalvadas eventuais transferências e/ou demissões, enquanto que as participações atribuídas aos empregados ocupantes das demais funções foram pagas ou creditadas semestralmente. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Analisados os demonstrativos de cálculo das participações referentes aos anos de 2005 e 2006, a Fiscalização constatou que nas participações concernentes ao ano de 2005, pagas em fevereiro de 2006, não foram observadas as regras estabelecidas no respectivo acordo, em relação aos segurados empregados ocupantes de cargos de gerente e de coordenador, com a distribuição de valores superiores àqueles devidos. Ademais, os valores não foram distribuídos linearmente entre gerentes e coordenadores, nem proporcionalmente aos respectivos salários nominais; para os empregados com cargos de gerente, foram atribuídos valores correspondentes a treze salários nominais, "pura e simplesmente". Em relação às participações referentes ao ano de 2006, pagas em fevereiro de 2007, a empresa utilizou a forma de cálculo prevista no acordo de participação nos resultados firmado em 11 de janeiro de 2007, para o período posterior, qual seja o de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. No tocante aos anos de 2007 e 2008, refere que, além da forma de cálculo diferenciada das participações nos resultados atribuídas aos gestores, foram estabelecidos percentuais diferenciados para apuração da participação entre gerentes e coordenadores. Conclui, destarte, "que os Gestores gozam de situação diferenciada e privilegiada em relação aos demais empregados, vale dizer, a Participação nos Resultados faz parte de sua remuneração. É que enquanto para os demais empregados são fixados indicadores de eficiência, tais como Credibilidade de Entrega, Custo da Não Qualidade, Giro de Estoque, Absenteísmo, etc., a partir dos quais eles terão direito ao rateio da participação nos resultados, para os Gestores não há regras claras e objetivas, limitandose os Acordos de Participação nos Resultados a fixar percentuais, de acordo com o cargo, do lucro líquido da empresa e do grupo empresarial a serem a eles destinados, autorizando concluir que tais pagamentos são gratificações que mantêm relação direta com o valor do salário percebido, configurando verdadeiro benefício salarial, o que não satisfaz as exigências da legislação de regência." Destaca, ainda, o fato de "os Gestores da JOST receberem, a título de Participação nos Resultados, valores decorrentes de resultados de 'outras' empresas, mesmo que pertencentes ao mesmo grupo econômico, o que está em desacordo com o previsto na legislação que rege a matéria, já que a mencionada participação depende de negociação entre 'a empresa' e seus empregados, evidenciando ainda mais o tratamento diferenciado dispensado aos referidos beneficiários. Não é razoável que a Comissão dos Empregados da JOST, por exemplo, acorde sobre a distribuição de valores decorrentes de resultados de empresas a que não pertencem, e para beneficiar somente os Gestores — empregados ocupantes de cargos de Gerente e Coordenador da empresa em que trabalham." (Grifos no original.) O lançamento atingiu o montante de R$ 98.120,44 (noventa e oito mil, cento e vinte reais e quarenta e quatro centavos), valor consolidado em 21 de outubro de 2010. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.003238/201055 Acórdão n.º 2302003.040 S2C3T2 Fl. 276 5 A empresa impugnou tempestivamente a exigência, através do arrazoado de fls. 71/94. A ciência do AI ocorreu em 27 de outubro de 2010, enquanto que a impugnação foi protocolizada em 25 de novembro de 2010. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 179 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * a lei não proíbe que haja regras diferentes de apuração para gestores em relação a empregados. A Lei n° 10.101/00, ao definir os critérios para a concessão de participação nos lucros e/ou resultados dos trabalhadores, em nenhum momento proíbe a criação de diferentes formas de apuração de PLR entre os empregados da mesma empresa. Assim, o lançamento ofende a estrita legalidade, ou simplesmente, legalidade (artigos 37 e 150 da CF e 97 do CTN); * o próprio acórdão de primeira instância reconhece que não há como, faticamente, aplicar as regras dos trabalhadores em geral aos gestores da recorrente, citando as denominadas “metas por equipe” (não existe equipe de gestores) ou mesmo critérios como faltas ao trabalho ou atrasos (gestores trabalham sem controle de horário). * em caráter subsidiário, aduz que houve ofensa ao artigo 142 do CTN, posto que a glosa deveria ser parcial, relativa somente aos montantes indevidamente pagos aos gestores/gerentes e coordenadores a título de PLR. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Vencido Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Participação nos Lucros ou Resultados para os segurados empregados. A desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração decorre de um rearranjo histórico das próprias funções da legislação social, que surge como um direito exclusivamente protetor ou tutelar e desenvolvese, a partir das crises econômicas, principalmente, como um direito que, a par da tutela ou proteção, visa ainda atender a interesses da gestão da organização empresarial e, conseqüentemente, preservar ou até mesmo estimular o desenvolvimento econômico (nesse sentido: Nascimento, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 33ª ed., São Paulo: LTr, 2007, p.4357). Nesse sentido, pode se afirmar que a norma flexibilizadora, além de constituir um direito social do trabalhador, tem ainda a função de incentivar o progresso econômico da empresa e do país. Reforçam e acrescem à nossa argumentação as palavras do Conselheiro Mauro José Silva: O dispositivo constitucional que concede aos trabalhadores o direito à participação nos lucros ou resultados pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1°, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois objetivos da República: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional (art. 3°, inciso I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social” (Ministro Lewandowski, RE 398.284), que contribuiria para a “humanização do capitalismo” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com os seus atores sociais, com os seus protagonistas (Ministro Carlos Britto, R$ 398.284). (SILVA, Mauro José. A participação nos lucros ou resultados e as exigências da regulamentação da imunidade em relação às contribuições previdenciárias. Revista dialética de direito tributário n. 193. São Paulo, out. 2011, p. 118.) Como bem apontado na decisão de primeiro grau, a Lei 10.101/2000 estabelece os contornos gerais da participação nos lucros, ou resultados. E assim o faz para dar efetividade ao direito social estatuído no artigo 7°, XI, da CF: Constituição Federal: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.003238/201055 Acórdão n.º 2302003.040 S2C3T2 Fl. 277 7 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (destaques nossos) Assim, em que pese seu caráter flexibilizador, é preciso reconhecer que a PLR está condicionada aos critérios e pressupostos definidos em lei. Feita esta breve introdução, é preciso considerar que, no caso em comento, a autoridade fiscal e a decisão a quo sustentam que: (i) a recorrente não poderia utilizar critérios diferenciados entre empregados e gestores e tampouco entre gerentes e coordenadores para o pagamento de PLR; (ii) a PLR dos gestores baseiase na “simples obtenção de lucro”; (iii) os gestores receberam, a título de Participação nos Resultados, valores decorrentes de resultados de outras empresas; (iv) não foram observadas as regras estabelecidas no respectivo acordo, em relação aos gestores, com a distribuição de valores superiores àqueles devidos e com critérios de cálculo distintos dos acordados; e (v) em relação às participações referentes ao ano de 2006, pagas em fevereiro de 2007, a recorrente utilizou a forma de cálculo prevista no acordo de participação nos resultados firmado em 11 de janeiro de 2007, para o período posterior, qual seja o de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Por outro lado, defende a recorrente que a lei não proíbe que haja regras diferentes de apuração para gestores em relação a empregados. A Lei n° 10.101/00, ao definir os critérios para a concessão de participação nos lucros e/ou resultados dos trabalhadores, em nenhum momento proíbe a criação de diferentes formas de apuração de PLR entre os empregados da mesma empresa. Assim, o lançamento ofende a estrita legalidade, ou simplesmente, legalidade (artigos 37 e 150 da CF e 97 do CTN). Acrescenta que o próprio acórdão de primeira instância reconhece que não há como, faticamente, aplicar as regras dos trabalhadores em geral aos gestores da recorrente, citando as denominadas “metas por equipe” (não existe equipe de gestores) ou mesmo critérios como faltas ao trabalho ou atrasos (gestores trabalham sem controle de horário). Em caráter subsidiário, aduz que houve ofensa ao artigo 142 do CTN, posto que a glosa deveria ser parcial, relativa somente aos montantes indevidamente pagos aos gestores/gerentes e coordenadores a título de PLR. Para a análise do recurso voluntário, impõese enfrentar cada uma das cinco infringências apontadas pela autoridade fiscal e chanceladas pela decisão de primeira instância. Tal investigação busca concluir se efetivamente houve violação da legalidade e também se mostrase correto o critério utilizado pela autoridade fiscal que considerou no lançamento a totalidade dos valores pago aos gestores a título de PLR e não somente as parcelas excedentes aos acordos celebrados. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Pelo critério que temos utilizado na análise do PLR, imperioso fazer uma distinção entre os vícios relativos à formulação do plano e os vícios referentes à sua execução. Vejamos. A legislação estabelece um conjunto de regras para que determinada rubrica seja considerada como participação nos lucros ou resultados. Somente em caso de cumprimento de todos os pressupostos legais é que se pode afirmar que a rubrica tem natureza jurídica de participação nos lucros. Repisese, a regra é o pagamento integrar a remuneração e somente quando pertencente a um plano de participação nos lucros e resultados, inteiramente de acordo com a lei, nos termos do artigo 7°, XI, da CF, é que se pode atribuir a natureza excepcional de pagamento não integrante da remuneração. Assim, se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reportase ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. No caso em comento, dos cinco vícios apontados, os três primeiros referem se à formulação do plano: (i) a recorrente não poderia utilizar critérios diferenciados entre empregados e gestores e tampouco entre gerentes e coordenadores para o pagamento de PLR; (ii) a PLR dos gestores baseiase na “simples obtenção de lucro”; (iii) os gestores receberam, a título de Participação nos Resultados, valores decorrentes de resultados de outras empresas. Quanto ao primeiro, concordamos com a recorrente no sentido de que a lei não proíbe que haja regras diferentes de apuração para gestores em relação a empregados. Com efeito, a Lei n° 10.101/00, ao definir os critérios para a concessão de participação nos lucros e/ou resultados dos trabalhadores, em nenhum momento proíbe a criação de diferentes formas de apuração de PLR entre os empregados da mesma empresa. Nesse sentido: Acórdão 205 01.331, da 5ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, de 05/11/2008, Rel. Conselheira Liege Lacroix Thomasi. Com relação ao segundo argumento, no sentido de que a PLR dos gestores baseiase na “simples obtenção de lucro”, também concordamos com a recorrente no sentido de que a lei também não exige que seja adotado outro critério concomitantemente à lucratividade. Com efeito, o parágrafo 1° do artigo 2° da Lei n° 10.101/2000 estipula que as regras devem ser “claras e objetivas, quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas”. Quanto ao incentivo à produtividade (caput do artigo 1° da Lei n° 10.101/2000), é preciso considerar que a lei não exige que haja qualquer tipo de segmentação da meta ou do resultado: nem por empresa, nem por departamento, nem por categoria, nem por empregado. Pelo contrário, a lei estabelece uma abertura muito grande para os empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que tais regras sejam “claras e objetivas”. No caso, portanto, bastaria a mera existência de lucro da empresa para que haja algum pagamento a título de participação nos lucros e resultados. É até discutível se a mera vinculação ao lucro é a regra mais adequada para se incentivar o empregado, ainda que aqui estejamos tratando de gestores. De toda sorte, não Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.003238/201055 Acórdão n.º 2302003.040 S2C3T2 Fl. 278 9 parece que esta seja uma preocupação da lei que disciplina a participação nos lucros e resultados. Desde que a regra pressuponha qualquer lucro ou resultado, de forma clara e objetiva, não há base legal para a desconsideração da natureza jurídica de participação nos lucros e resultados. Nas negociações coletivas de trabalho, em matéria de participação nos lucros e resultados, é intuitivo imaginar que os empregadores buscarão sempre o incentivo mais próximo do individual do que do coletivo (índices ou metas individuais ou de pequenos grupos) como também parece claro que os sindicatos de trabalhadores prestigiarão índices ou metas gerais, com pouca segmentação, a fim de sobrepor o interesse coletivo da categoria aos interesses individuais. Dessa dicotomia ideológica, por vezes prevalecerá o interesse do empregador (regras mais pormenorizadas e individualizadas) e, por outras tantas vezes, preponderará o interesse sindical (regras mais genéricas, mas abstratas, como as ligadas exclusivamente ao lucro, ao salário e à condição de empregado da empresa). Em matéria de participação nos lucros e resultados, a lei buscou interferir o mínimo possível, exigindo tão somente regras claras e objetivas, exatamente para não interferir nessa livre negociação de trabalho. Devese considerar também não há na lei qualquer exigência de que se conjugue índices de lucratividade com outras metas e resultados. Não bastasse o nome do instituto ser participação nos lucros ou resultados (conjunção alternativa), o parágrafo 1° do artigo 2° da Lei n° 10.101/2000 estabelece que ela poderá considerar, entre outros, os seguintes critérios e condições: I – índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II – programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Assim, nesse aspecto particular, não vejo qualquer ofensa das regras estabelecidas na Lei n° 10.101/2000, pois a norma coletiva condiciona à existência de lucro e os critérios de pagamento encontramse dentro dos parâmetros legais. No entanto, quanto ao terceiro vício apontado, relativo à previsão de que os gestores recebam valores decorrentes de resultados de outras empresas, entendemos que tal fato, por si só, já é suficiente para desnaturar todo o plano relativo aos gestores, posto que ainda no campo da formulação do PLR. Vejamos. A desvinculação da PLR dos conceitos de salário e de remuneração, inclusive para fins de incidência de contribuição previdenciária, somente tem sentido se a participação do trabalhador colaborar para o lucro ou resultado da empresa. Ora, na medida em que a PLR relacionase ao incremento de produtividade, somente a performance da célula na qual estão inseridos empregador (empresa) e trabalhador é que pode ser considerada como parâmetro para fins de pagamento da PLR. Não é o lucro ou resultado da econômica global, do país, do setor produtivo ou do grupo econômico que condicionam a percepção da PLR, mas tão somente a performance daquela empresa, na qual Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 estão vinculados, jurídica e contratualmente, empregador e trabalhador ou, se preferirem, empresa e segurado. Não se nega o fato de o desempenho da empresa colaborar para a lucratividade ou resultado do grupo econômico, mas, até aí, como se disse, o resultado de uma grande empresa também colabora para o desempenho de seu setor produtivo e nem por isso é lícito vincular o pagamento da PLR ao resultado do setor produtivo. Portanto, obedecendo a critérios puramente jurídicos (personalidade jurídica), devese tomar em conta, sempre, única e exclusivamente, o lucro ou resultado da empresa na qual está inserido o trabalhador. Notese, ademais, que, sob o ponto de vista do direito previdenciário, o empregador pode utilizar o critério que quiser para remunerar seus trabalhadores, mas, para fins de gozo da norma isentiva, deve obedecer aos estritos ditames da Lei 10.101/2000, que não abre a possibilidade de utilização do lucro ou resultado de empresa integrante do grupo econômico. Ainda que tal fato seja suficiente para manter integralmente o lançamento, cumpre acrescer que a recorrente não logrou êxito em comprovar a inexistência dos demais vícios no pagamento da PLR: (iv) não foram observadas as regras estabelecidas no respectivo acordo, em relação aos gestores, com a distribuição de valores superiores àqueles devidos e com critérios de cálculo distintos dos acordados; e (v) em relação às participações referentes ao ano de 2006, pagas em fevereiro de 2007, a recorrente utilizou a forma de cálculo prevista no acordo de participação nos resultados firmado em 11 de janeiro de 2007, para o período posterior, qual seja o de janeiro de 2007 a dezembro de 2008; É preciso considerar, todavia, que como estes dois vícios encontramse no campo da execução dos planos e não na formulação, isoladamente, não teriam o condão de desnaturar todo a PLR, razão pela qual somente poderia ser desconsiderado o montante que sobejasse os limites do acordo coletivo. De toda sorte, os planos devem ser integralmente desnaturados, pois, como visto, pois as normas coletivas condicionam o pagamento ao resultado de outras empresas. Sendo assim, deve ser mantido o lançamento, Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Voto Vencedor Conselheiro Leonar Henrique Pires Lopes, redator designado Da regularidade dos critérios de distribuição formulados no Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.003238/201055 Acórdão n.º 2302003.040 S2C3T2 Fl. 279 11 Após análise das razões contidas no voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Relator, peço a máxima vênia para divergir do seu entendimento, pelos fundamentos a seguir expostos: No recurso em comento, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da regularidade do seu Programa de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, de forma a não incidir a contribuição previdenciária sobre pagamentos a segurados empregados a título de Participação nos Resultados, em virtude da inexistência de quaisquer fatos geradores que dessem causa à incidência daquela contribuição. A Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador que guarda uma relação direta com o desempenho da empresa. Não deve, portanto, ser confundida com aumentos reais de salários que são incorporados devidamente à remuneração, mesmo quando baseados na produtividade ou qualquer outro indicador de eficiência. Tão pouco se trata de um simples abono sem nenhuma ligação com o resultado do empreendimento. A PLR é, simultaneamente, uma parcela variável da remuneração do trabalhador e um prêmio pelos resultados econômicos – financeiros ou físico – operacionais alcançados. Tal programa permite que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, estabelecidas por meio de critérios claros e objetivos, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Tratase, portanto, da interligação de vários indicadores que, a partir de uma análise conjunta, irão definir o valor final a ser pago àqueles que dele participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados. O PRL é, portanto, um tipo de remuneração flexível, pois é influenciado pelos resultados da produtividade, pela performance da empresa com relação a seu lucro. Assim, por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes de todos os interessados na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei 10.101/2000, que versa sobre o PLR dos empregados, não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do Programa, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 prazos. Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Vejae que a Lei não faz qualquer exigência quanto ao mesmo percentual de lucro para todos os empregados e colaboradores da empresa, pois é perfeitamente possível que haja uma distribuição conforme o cargo ou função desempenhado. O fato de haver diferenças nos percentuais acordados não descaracteriza o caráter coletivo e de incentivo à produtividade que tem o PLR, uma vez que serve, inclusive, como estímulo ao desenvolvimento interno do quadro de funcionários. É possível, portanto, que sejam traçados planos e metas diferenciados para cada tipo de empregado, assim considerando a função exercida por cada um. Ora, quanto mais específica for a meta a ser atingida por um determinado cargo, maior objetividade haverá no critério estabelecido e mais fácil será a aferição dos resultados alcançados, o que, por sua vez, facilitará a execução do PLR, dado o fato de ter sido elaborado em função das especificidades de cada serviço desempenhado pela empresa. Além do mais, no que pertine aos cargos de diretores, gestores e coordenadores, vêse que, em razão de seu elevado grau de complexidade, não é possível estabelecer rigorosamente as mesmas metas designadas aos cargos de menor complexidade, pois a função daqueles é muito mais de gestão e controle, atividades que, por sua própria natureza, são mais abrangentes. Dessa forma, enquanto que para os cargos de menor complexidade será mais fácil se estabelecer critérios objetivos partindo da verificação do binômio qualidade/quantidade devido à maior especificidade do serviço prestado, para os cargos de maior complexidade, em razão do trabalho desenvolvido, haverá uma predominância do fator qualidade na determinação das metas atingidas, o que não significa fechar os olhos para o fator quantitativo, visto que este pode ser aferido por meio de critérios como o lucro líquido, por exemplo. Em outras palavras, quanto maior específico para a atividade do empregado for o critério de participação, mais objetivo este será, o que deveria ser buscado por todas as empresas e estimulado pelo próprio Fisco. Ao contrário, um critério uniforme para todos os níveis e atividades da empresa levaria ao distanciamento do fim precípuo do PLR, já que teria que ser o mais abrangente possível e, consequentemente, o mais difícil de ser detectado. Destarte, não há que se falar em impossibilidade de estabelecimento de percentuais diferentes de participação nos lucros e resultados em função dos cargos desempenhados, pois tal política serve não só como um estímulo ao crescimento pessoal do funcionário, mas também para o desenvolvimento coletivo da empresa. O que não é possível, na verdade, é a diferença nos percentuais de participação distribuídos entre o mesmo nível hierárquico, o que, de fato, fera o ideal de isonomia e desenvolvimento coletivo da empresa, mas que não ocorre no caso concreto em análise. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.003238/201055 Acórdão n.º 2302003.040 S2C3T2 Fl. 280 13 As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos, tendose em vista, por outro lado, que a finalidade do Programa é desenvolver a empresa com a participação do empregado nos resultados alcançados. O que o legislador quis dizer ao estabelecer a clareza e a objetividade das regras como um dos pressupostos para a validade do PLR foi que tais premissas apresentam um eminente caráter teleológico, ou seja, que devem tem por escopo o desenvolvimento coletivo dos funcionários, diretores e da própria empresa, devendo, portanto, os critérios estabelecidos serem condizentes com tal finalidade, o que é verificado no PLR ora em análise. Além do mais, não procede o argumento do Fisco de que o fato de os gestores receberem, a título de participação nos resultados na presente empresa, valores tomados como parâmetros resultados de outras empresas, embora pertencentes ao mesmo grupo econômico, enalteceria o suposto tratamento diferenciado a eles conferidos. A Lei nº 10.101/2000 estabelece como requisito de validade para o PLR a negociação entre a empresa e os empregados ao longo do processo de elaboração, o que ocorre no caso concreto e é, inclusive, atestado pelo Relatório Fiscal que afirma que a celebração do referido Programa de Distribuição de Lucros e Resultados teve a participação da comissão indicada pela empresa, a comissão escolhida para representar os funcionários (empregados), além da participação de um membro indicado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, representando também os funcionários, estando, portanto, devidamente preenchido o requisito legal em comento. O fato de ter sido estabelecido como critério de aferição das metas realizadas fatores não internos da própria empresa, porém não totalmente alheios, já que pertinentes ao grupo empresarial, não macula o PLR em análise. Ora, a afirmação de que o critério atinente ao grupo empresarial confrontaria a exigência legal de que o PLR fosse discutido entre empregados e a mesma empresa não tem qualquer pertinência. Isto porque no caso concreto foi efetivamente a empresa quem negociou os termos dos critérios. Se um destes toma como base dados do grupo empresarial, não há qualquer irregularidade na formalização do acordo. Por outro lado, não se pode perder de vista que as empresas do mesmo grupo econômico apresentam relações bastante próximas, tanto que o Fisco sempre as considera conjuntamente na ocasião do lançamento, até por imposição legal, já que teriam um mesmo comando de decisões, às vezes até com mesma administração. Estabelecer que os resultados alcançados por outra empresa do grupo econômico sirvam de critério para aferição da participação nos lucros e resultados é medida condizente com a própria sistemática adotada pela legislação previdenciária e trabalhista, já que tratam as empresas como solidárias e intrinsecamente relacionadas umas as outras, inclusive quanto aos fatos geradores das contribuições. Destarte, como os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 foram devidamente observados pela Recorrente, não há, no caso concreto, o dever de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as verbas repassadas a título de PLR, em virtude da ausência de fato gerador de obrigação principal, pois o PLR da Recorrente obedeceu aos critérios legalmente exigidos. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Todavia, consta nos autos, inclusive reconhecido pela própria empresa Recorrente que, em alguns períodos, o valor repassado a título de verbas decorrentes do PLR excedeu as quantias previstas no próprio programa pela Recorrente formulado, devendo, portanto, apenas sobre a parcela excedente e aqueles apurados com critérios de cálculo distintos do que foi acordado, haver incidência da contribuição previdenciária correspondente, em razão de seu caráter remuneratório. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento, apenas, no que se refere à distribuição de valores superiores aqueles devidos no acordo de Participação nos Lucros e Resultados dos gestores e aqueles apurados com critérios de cálculo distintos do que foi acordado. É como voto. Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11065.100482/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
Ementa:
REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO.
O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins - admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, entre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens.
DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.
O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial.
NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC.
Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins - admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, entre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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KUNTZLER & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, entre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 82 /2 00 6- 62 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 3301002.124 S3C3T1 Fl. 219 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em 28 de agosto de 2007 contra o Acórdão nº 1012.748, de 27 de julho de 2007, da 2ª Turma da DRJ/POA, cientificado em 14 de agosto de 2007, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins, considerou a solicitação indeferida, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: Não há previsão legal para o creditamento de valores referentes à depreciação dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Solicitação Indeferida A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento, relativo ao saldo credor de PIS/Pasep não cumulativo, cumulado com declarações de compensação, visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes à depreciação e de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. O interessado pleiteia, também, a atualização monetária, pela taxa SELIC, de seus créditos indeferidos, desde a apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 3301002.124 S3C3T1 Fl. 220 3 Isso posto, requer que seja julgada procedente a impugnação e deferido o ressarcimento da glosa impugnada, acrescida da variação da taxa SELIC. No recurso, a interessada discorreu sobre o princípio da nãocumulatividade em geral e das contribuições. Após, defendeu o direito de crédito em relação aos gastos com assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos, transporte de pessoal e refeições coletivas e despesas de exportação e manutenção de software, além de gastos com material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários etc. Por fim, requereu a incidência da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Como relata a Recorrente no corpo do Recurso Voluntário, do total de R$ 890.858,57 requeridos no pedido de compensação/ressarcimento inicialmente protocolado perante a Secretaria da Receita Federal, foram glosados R$ 39.137,86. Segundo entendimento do Fisco, teria havido apropriação indevida de encargos de depreciação sobre máquinas e equipamentos além de gastos relacionados com materiais e serviços não enquadrados no conceito de insumo. Primeiramente, no que diz respeito às glosas de pretendidos créditos relativos a valores referentes à depreciação, vejo que andou bem a decisão da DRJ, uma vez que, no caso dos autos, os bens não foram utilizados no processo produtivo. Tratase dos bens relacionados na fl. 66 do eprocesso (balcões para a recepção, arquivos, bebedouros, computador, impressora, “no break”, licença de software, manutenção de computadores, veículos, peças para veículos, etc), que, evidentemente, não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço, conforme os demonstrativos apresentados pela própria contribuinte. No que concerne aos pretensos insumos, devese considerar que a questão não é nova, sendo imperioso se verificar o que deve ser classificado como insumo, na acepção da palavra empregada pelo legislador na regulamentação do sistema de apuração não cumulativo das Contribuições. Como é de conhecimento geral, a Secretaria da Receita Federal baixou Atos Normativos interpretando de forma notadamente restritiva o termo encontrado nas Leis que especificam os critérios de apuração das Contribuições. As Instruções Normativas n.º 247/02, com alteração introduzida pela IN 358/03 e 404/04, definem que, em se tratando de empresas dedicadas à fabricação de bens para venda, como é o caso, o conceito de insumo restringese a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 3301002.124 S3C3T1 Fl. 221 4 não estejam incluídas no ativo imobilizado; e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. A seu turno, a Recorrente defende critério fundamentado em pressupostos situados em posição diametralmente oposta à escolhida pelo Fisco, segundo o qual todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa enquadramse no conceito. É entendimento majoritário na jurisprudência que vem se formando em segunda instância administrativa de julgamento, que o conceito de insumo, no sistema de apuração não cumulativo das Contribuições, situase em posição intermediária, nem tão restrito quanto a determinada pelo Fisco, nem tão amplo quanto defendem os contribuintes. Tem sido admitido o lançamento credor calculado com base nos gastos incorridos pela empresa, sob a condição de que tratemse de bens ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrário de como pretendem limitar os Atos Normativos supra citados, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Noutro vértice, não têm sido aceitas as despesas associadas à manutenção da atividade empresarial como um todo, sem qualquer vínculo especial com o processo produtivo propriamente dito. De fato, salvo melhor juízo, não vejo razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil na restrição de seu alcance, tanto quanto não vejo respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como tem defendido alguns os contribuintes. Essa conclusão decorre, a um tempo, da leitura que se faz das disposições legais que autorizam a apropriação do crédito e, a outro, das particularidades do método de apuração das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. A legislação que introduziu a cobrança não cumulativa das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em conta que o sistema de nãocumulatividade tributária traz em si a ideia inescapável de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do sistema de cobrança das contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Resulta daí a impertinência do critério proposto pelo Fisco, restringindo excessivamente o direito ao crédito. Disso sobrevém nova questão. Se a melhor compreensão do sistema claramente ampara e remete às definições sugeridas pela Recorrente e, de maneira geral, pelos contribuintes, qual a razão para rejeitála? A resposta é simples: porque a mecânica de apuração das Contribuições não está assim definida em Lei. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 3301002.124 S3C3T1 Fl. 222 5 Tal como consta do texto legal, o direito de crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nunca a integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. O fato é que não haveria mesmo como admitir outra interpretação. Se encampássemos a tese de que insumo, terminologia derivada da expressão input, denota tudo o que é introduzido no processo com vistas a obtenção do resultado, no caso a venda da produção, restaria evidente uma inconcebível distorção promovida pelo legislador ordinário no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial e na prestação de serviços, ao mesmo tempo em que, ao definilo para o comércio, restringiu o direito aos gastos com bens adquiridos para revenda. Essa interpretação não pode prevalecer. Insumo, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II do artigo 3º, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no caso das empresas comerciais, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. No comércio, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria e no serviço, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente empregado na produção ou na consecução do produto/serviço vendido, de tal sorte que os créditos na indústria e na prestação de serviços observe o mesmo nível de restrição determinado para o crédito admitido no comércio. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo, todavia, não basta que o bem seja aplicado diretamente no processo do produção do produto industrializado, mas que a subtração deste obste a atividade da empresa ou implique em substancial perda da qualidade do produto ou serviço daí resultante, além de que tal bem não integre o ativo imobilizado da empresa, o que impossibilitaria o creditamento. O mesmo, também encontrase reproduzido no REsp 1.246.317/MG, de relatoria do Min. Mauro Campbell. Disso tudo se conclui que, para efeito da definição de “insumos” do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS): a) não é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 3301002.124 S3C3T1 Fl. 223 6 e por fim c) que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Expostos os postulados que norteiam minha decisão, passo ao exame do caso concreto. No vertente litígio, discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos com os gastos assim especificados e detalhados no Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado. Assistência médica e odontológica a empresa proporciona a assistência médica e odontológica aos seus funcionários, mediante a contratação de empresas especializadas para tanto, como forma de prover uma melhor saúde física aos seus funcionários; Comissões s/vendas nesse item são incluídas as despesas relativamente às comissões pagas às pessoas jurídicas que intermediam as vendas da recorrente, sendo que tais despesas, inclusive, são consideradas como custo direto com vendas, para fins contábeis; Tratamento de resíduos industriais a empresa é obrigada, por expressa disposição legal, a tratar os seus resíduos industriais, o que realiza através de empresa especializada, Transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas a recorrente contrata empresas especializadas para o transporte de pessoal e o preparo de. refeições aos seus funcionários. Apesar de constar que as despesas são referentes ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, na verdade esses são os valores pagos às empresas credenciadas perante o PAT, para fornecer refeições coletivas a funcionários; Despesas de exportação e manutenção de software sem a contratação de empresas exportadoras, as mercadorias produzidas pela recorrente não serão remetidas ao mercado externo. Da mesma forma, sem a manutenção de software, que gerencie todas os controles internos, a empresa não poderá realizar adequadamente as suas atividades. Somados a isso, pode ser enquadrado como insumo às mercadorias adquiridas para uso e consumo, tais como: o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc Ainda que este Conselho apresente tendência a reconhecer direito de crédito partindo de um conceito menos restritivo do que aquele o que é utilizado no âmbito da Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 3301002.124 S3C3T1 Fl. 224 7 Secretaria da Receita Federal, não vejo como admitilo para maior parte dos gastos relacionados acima. Alguns gastos, segundo me parece, estão relacionadas a etapas posteriores à produção, como no caso das comissões de venda e despesas de exportação. Outros associados indistintamente a todas atividades da empresa, tal como se depreende da designação genérica a: material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos, formação profissional dos funcionários, transporte de pessoal e auxílio refeição. Há também gastos administrativos, como manutenção de software e com a promoção de venda – propaganda, publicidade e anúncios. Como disse, temse admitido o aproveitamento de créditos com gastos incorridos na aquisição de bens, mesmo que eles não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; contudo, é necessário que tenham sido aplicados na produção ou a ela estejam diretamente vinculados, o que não parece ser o caso da maior parte dos gastos especificados. A exceção deve ser feita às despesas relacionadas ao tratamento de resíduos industriais e com equipamento de proteção individual, ambos, a meu ver, diretamente vinculados ao processo produtivo da empresa. Já com relação ao pedido de correção dos créditos objeto do pedido de ressarcimento pela taxa SELIC, não assiste razão à Recorrente. É que, in casu, existe previsão legal expressa vedando a correção destes créditos, qual seja artigo 13 da Lei nº 10.833/03. Confirase: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Destarte, uma vez prevista expressamente em lei a vedação à correção pretendida pela Recorrente, não pode este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ignorar a referida vedação, sob pena de usurpar suas funções, que tem, em última análise, aferir a legalidade dos atos praticados pelos contribuintes. Como sabido, não pode este Conselho afastar aplicação de lei sob o argumento de que esta é incompatível com o ordenamento jurídico pátrio, sendo esta função exclusiva do Poder Judiciário. Por todo o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para admitir o crédito com base nos gastos com ao tratamento de resíduos industriais e com equipamento de proteção individual e indeferindo o pedido de correção dos créditos objetos do pedido de ressarcimento pela taxa SELIC. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100482/200662 Acórdão n.º 3301002.124 S3C3T1 Fl. 225 8 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10805.720162/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO INTERPOSTO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso voluntário interposto depois de transcorridos trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-001.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente FISCH & FISCH AVALIAÇÕES E SERVIÇOS DE MONTAGENS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 RECURSO INTERPOSTO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso voluntário interposto depois de transcorridos trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0540.557 da 1ª Turma da DRJ/CPS, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 01 62 /2 01 3- 89 Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O MPF é ato concebido com o objetivo de organizar a atividade fiscal, cujo descumprimento não invalidará o crédito fiscal constituído. Além disso, no caso concreto, não houve inobservância à Portaria nº 3.014, de 2011, o que afasta as argumentações expostas na impugnação. CIÊNCIA DE AUTUAÇÃO. Os documentos que embasam a autuação não necessitam ser encaminhados à contribuinte, a qual poderá pedir vistas aos autos para tomar ciência deles. DEPÓSITO BANCÁRIO. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o depósito bancário não justificado é considerado, por presunção legal, receita omitida. Por ser presunção relativa, a impugnante, para afastar a impugnação, tem o ônus de demonstrar, precisamente, quais as receitas vinculadas aos depósitos bem como os custos, despesas e encargos incorridos. SUSTENTAÇÃO ORAL E OITIVA DE TESTEMUNHAS, O Decreto nº 70.235, de 1972, não prevê, na primeira instância, a sustentação ou a oitiva de testemunhas. A impugnação deve ser apresentada por escrito junto com as provas documentais que lhe deem suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O MPF é ato concebido com o objetivo de organizar a atividade fiscal, cujo descumprimento não invalidará o crédito fiscal constituído. Além disso, no caso concreto, não houve inobservância à Portaria nº 3.014, de 2011, o que afasta as argumentações expostas na impugnação. CIÊNCIA DE AUTUAÇÃO. Os documentos que embasam a autuação não necessitam ser encaminhados à contribuinte, a qual poderá pedir vistas aos autos para tomar ciência deles. DEPÓSITO BANCÁRIO. O depósito bancário tido como receita omitida é considerado na determinação da base de cálculo da CSLL, nos termos do § 2º do artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995. SUSTENTAÇÃO ORAL E OITIVA DE TESTEMUNHAS, O Decreto nº 70.235, de 1972, não prevê, na primeira instância, a sustentação ou a oitiva de testemunhas. A impugnação deve ser apresentada por escrito junto com as provas documentais que lhe deem suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O MPF é ato concebido com o objetivo de organizar a atividade fiscal, cujo descumprimento não invalidará o crédito fiscal constituído. Além disso, no caso concreto, não houve inobservância à Portaria nº 3.014, de 2011, o que afasta as argumentações expostas na impugnação. CIÊNCIA DE AUTUAÇÃO. Os documentos que embasam a autuação não necessitam ser encaminhados à contribuinte, a qual poderá pedir vistas aos autos para tomar ciência deles. DEPÓSITO BANCÁRIO. O depósito bancário tido como receita omitida é considerado na determinação da base de cálculo da Cofins, nos termos do § 2º do artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.720162/201389 Acórdão n.º 1302001.414 S1C3T2 Fl. 1.378 3 SUSTENTAÇÃO ORAL E OITIVA DE TESTEMUNHAS, O Decreto nº 70.235, de 1972, não prevê, na primeira instância, a sustentação ou a oitiva de testemunhas. A impugnação deve ser apresentada por escrito junto com as provas documentais que lhe deem suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O MPF é ato concebido com o objetivo de organizar a atividade fiscal, cujo descumprimento não invalidará o crédito fiscal constituído. Além disso, no caso concreto, não houve inobservância à Portaria nº 3.014, de 2011, o que afasta as argumentações expostas na impugnação. CIÊNCIA DE AUTUAÇÃO. Os documentos que embasam a autuação não necessitam ser encaminhados à contribuinte, a qual poderá pedir vistas aos autos para tomar ciência deles. DEPÓSITO BANCÁRIO. O depósito bancário tido como receita omitida é considerado na determinação da base de cálculo do Pis, nos termos do § 2º do artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995. SUSTENTAÇÃO ORAL E OITIVA DE TESTEMUNHAS, O Decreto nº 70.235, de 1972, não prevê, na primeira instância, a sustentação ou a oitiva de testemunhas. A impugnação deve ser apresentada por escrito junto com as provas documentais que lhe deem suporte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 17/05/2013 (cf. AR a fls. 1336) e interpôs recurso voluntário em 20/06/2013 (vide doc. a fls. 1337), no qual, pelas razões expostas, requer quer o referido Mandado de Procedimento Fiscal seja considerado com vício insanável e que os valores apurados e que os valores apurados e atribuídos sejam todos cancelados e considerados insubsistentes. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é intempestivo, pois, tendo a contribuinte tomado ciência da decisão em 17/05/2013 (sextafeira), o trintídio legal para interposição do recurso voluntário esgotouse em 18/06/2013 (terçafeira), sendo que o recurso voluntário só foi enviado, pelo correio, em 20/06/2013, conforme doc. a fls. 1337, razão pela qual dele não conheço. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11065.921897/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL Constatado que parte do crédito compensado foi abatido, em período posterior ao de apuração, do saldo devedor na conta gráfica do IPI, ele não pode ser utilizado na compensação com débitos da peticionante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL Constatado que parte do crédito compensado foi abatido, em período posterior ao de apuração, do saldo devedor na conta gráfica do IPI, ele não pode ser utilizado na compensação com débitos da peticionante. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 48 1 47 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.921897/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.219 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria IPI Recorrente POLLIBOX TERMOPLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL Constatado que parte do crédito compensado foi abatido, em período posterior ao de apuração, do saldo devedor na conta gráfica do IPI, ele não pode ser utilizado na compensação com débitos da peticionante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 92 18 97 /2 00 9- 15 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre/RS: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 03/05) ao Despacho Decisório Eletrônico (DDE) de fl 02, o qual, em relação ao 2º trimestre de 2006, que não homologou a compensação no valor de R$ 764,22 ante a “constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Em sua peça de insurgência a peticionante limitase a alegar que a fundamentação da glosa “não prospera, uma vez que o próprio Livro de Apuração do IPI (ANEXO 3), bem como o preenchimento da PER/DCOMP comprovam que o débito compensado foi de valor inferior ao crédito de IPI”, postulando a procedência da “impugnação” para o fim de ver reconhecida a compensação realizada. É o relatório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL Constatado que parte do crédito compensado foi abatido, em período posterior ao de apuração, do saldo devedor na conta gráfica do IPI, ele não pode ser utilizado na compensação com débitos da peticionante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio (grifo nosso) Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de compensação decorrente de saldo credor do IPI do 2º Trimestre de 2006 que de acordo com a cópia do Livro de Apuração do IPI acostado aos autos, representava um crédito de R$ 5.303,35. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11065.921897/200915 Acórdão n.º 3302002.219 S3C3T2 Fl. 49 3 A compensação efetuada informou débitos no valor total de R$ 4.539,13 (IRPJ – R$ 2.706,68 e CSLL – R$ 1.832,45) o que, se considerada correta resultaria em saldo de R$ 764,22. A sucinta decisão proferida pela DRJ assim consignou: Em que pese o contribuinte em sua manifestação de inconformidade não confrontar, especificamente, a motivação da parte do crédito não reconhecido pelo r. DDE, o que seria motivo para não conhecer da mesma, enfrento o mérito pela sua singeleza. Gizese, inicialmente, que o valor do crédito foi reconhecido em sua totalidade nos termos em que calculado no livro de apuração de IPI, conforme pode ser constatado no sítio da RFB em relação à PER/DCOMP 12143.88478.301106.1.3.014261 (www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/SSL/ATRCE/SCC), consoante Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível. Contudo, verificandose o Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento, constatase que no mês de julho de 2006 os débitos informados foram, no valor de R$ 764,22, maior do que o crédito, pelo que escorreita a não homologação da compensação neste montante, uma vez que tal valor já havia sido consumido na escrita da peticionante. Entendo por correta a decisão proferida pela DRJ, uma vez que o credito era de fato insuficiente, nos termos consignados nos livros fiscais da própria contribuinte. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES
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