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Numero do processo: 19679.005336/2003-75
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1986
VERBAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO.
As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindo-se aí Programas de Demissão Voluntária - PDV e os Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda, já que não possuem natureza indenizatória.
Os Programas de Demissão Voluntária - PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja, a resilição ou o distrato do contrato de trabalho no caso de relação jurídica regida pela CLT. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador.
Inteligência daquilo que foi decidido no Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC (Recurso Repetitivo).
Hipótese em foram pagas duas indenizações: uma que tem natureza de verba sujeita à incidência do imposto de renda e que foi tributada na rescisão do contrato de trabalho. Outra paga no contexto de PDV, não sujeita à incidência do imposto de renda, e que não foi tributada na rescisão do contrato de trabalho.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e os Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda, já que não possuem natureza indenizatória. Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja, a resilição ou o distrato do contrato de trabalho no caso de relação jurídica regida pela CLT. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. Inteligência daquilo que foi decidido no Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado sob o rito do art. 543C do CPC (Recurso Repetitivo). Hipótese em foram pagas duas indenizações: uma que tem natureza de verba sujeita à incidência do imposto de renda e que foi tributada na rescisão do contrato de trabalho. Outra paga no contexto de PDV, não sujeita à incidência do imposto de renda, e que não foi tributada na rescisão do contrato de trabalho. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 53 36 /2 00 3- 75 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 239 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo “Demonstrativo do Cálculo” (fl. 2 deste processo digital) apresentado pelo contribuinte aponta “Total a Restituir” no valor de R$ 768.554,21. O pedido foi protocolado em 04/09/2003 e referese a valores retidos a título de imposto de renda na fonte sobre verbas recebidas em decorrência de rescisão do contrato de trabalho, no anocalendário de 1985. O Requerente anexou ao pedido cópia da “Rescisão de Contrato de Trabalho” (fl. 15) que discrimina as verbas que lhe foram pagas, bem como carta assinada pelo Diretor de Recursos Humanos da empresa (fl. 16), datada de 07 de julho de 2003, na qual constam as seguintes informações: a empresa vem, ao longo dos anos, oferecendo a seus funcionários um Programa de Desligamento, mediante pagamento de incentivo; esse incentivo recebeu os seguintes títulos: a) Indenização Espontânea Pessoal; b) Indenização Pessoal Espontânea; c) Indenização Espontânea Especial; d) Gratificação Incentivo Aposentadoria; e e) Contribuição Extraordinária; para os funcionários elegíveis ao Plano de Aposentadoria da empresa, a carta oferta fazia referência a esta condição, mas só poderiam se aposentar após a demissão. Assim, o incentivo foi pago pelo desligamento da Empresa, e não pela condição de aposentado; o Sr. Antonio Carlos Rego Gil, portador do CPF 006.130.02768, foi desligado em 04/06/1985 e recebeu um incentivo a título de Indenização Complementar, no valor de CR$ 1.483.040.238,00; o valor total de IRRF foi de CR$ 720.677.988,00. O pedido foi indeferido na Unidade de origem por intermédio do Despacho Decisório nº 1057/2004 (fls. 22/23), com fundamento no art. 168, I, do Código Tributário Nacional CTN, uma vez que, na data do protocolo do pedido, já havia decorrido o prazo de 5 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 240 3 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito (a data de desligamento da empresa ocorreu em 04/06/1985). O contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 27/34, pleiteando a restituição dos valores retidos na fonte, com a correção prevista na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27 de junho de 1997, acrescidos da variação da taxa SELIC a partir de 01 de janeiro de 1996 e dos expurgos inflacionários aceitos pelo Conselho de Contribuintes, nos moldes do acórdão 10706.113. Alegou que participou de Programa de Demissão Voluntária PDV no ano de 1985 e que a retenção de imposto de renda sobre as verbas pagas no PDV foi objeto de ampla discussão judicial, tendo o Superior Tribunal de Justiça decidido, em inúmeros julgados, pela não incidência da exação, pacificando a matéria. Acrescentou que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, em seu Parecer PGFN/CRJ nº 1278/1998, recomendou a desistência de ações versando sobre o tema em discussão e que a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31 de dezembro de 1998, passou a dispensar a constituição de crédito tributário oriundo da cobrança do imposto de renda sobre verbas indenizatórias relativas ao PDV. Por derradeiro, ressaltou que as decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes vinham reconhecendo o direito àqueles que não puderam exercer a repetição do indébito em data anterior à IN n° 165/1998. A manifestação do contribuinte foi indeferida pela DRJ/SPOII em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1985 Ementa: RESTITUIÇÃO. PDV. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Regulamente intimado o Interessado apresentou o recurso de fls. 53/63, por meio do qual reiterou integralmente os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade. Acordaram os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão às fls. 78/87), por maioria de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos a 5ª Turma da DRJ/SPOII, para o enfrentamento do mérito, nos termos do voto vencedor, cuja parte dispositiva está assim descrita: Diante do exposto, voto no sentido de AFASTAR a decadência e determinar a remessa dos autos à DRJ de origem para apreciação do mérito da demanda. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 241 4 A decisão considerou que o termo a quo para o pedido de restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário PDV é a data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido, no caso, a data da publicação Instrução Normativa SRF n° 165/1998, que ocorreu em 06/01/1999. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 90/93) sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à lei tributária, especificamente ao artigo 168, I, do CTN e ao Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, no concernente ao prazo para se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição ou compensação. Após ser intimado da decisão do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: Parecer SRRF 7ª RF Disit nº 31/2005 (fls.99/106); Anexo à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27 de junho de 1997 (fl. 107); Carta de oferecimento do PDV para os funcionários elegíveis, datada de 8 de abril de 1985, em papel timbrado da empresa (fls. 108/109 deste processo digital); Carta endereçada aos gerentes da empresa comunicando o oferecimento de um Programa de Acordos para Rescisão de Contrato de Trabalho para funcionários com 25 ou mais anos de serviços, ou que vierem a completálos até 31 de dezembro de 1985; Perguntas e Respostas elaboradas pela empresa acerca do programa oferecido (fls. 111/116). Além dos documentos apresentados, o contribuinte ofertou Contra Razões ao Recurso Especial (fls. 118/122) na qual pleiteou a manutenção da decisão recorrida, uma vez que, comprovadamente, requereu a restituição antes do termo fixado na Instrução Normativa nº 165/1998, isto é, antes do fim do mês de dezembro de 2003. A Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional (acórdão às fls. 124/134), nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1986 IRPF VERBAS INDENIZATÓRIAS PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 242 5 Recurso especial negado. Acordaram os membros da CSRF, por maioria de votos “em negar provimento ao recurso, retornando os autos à Unidade Local da RFB para analisar as demais questões relacionadas ao mérito”. O processo foi encaminhado à DRF de origem, para as providências cabíveis. A DRF de origem intimou o contribuinte a apresentar os seguintes documentos (fl. 141): a) comprovantes de rendimento relativos ao anocalendário da retenção (1985); cópia da DIRPF/1986 e respectivo recibo de entrega; e c) notificação do Ministério da Fazenda informando o processamento da DIRPF/1986. O interessado requereu a juntada de cópia do Acórdão nº 210100.337 ao presente processo, haja vista que, em seu entender, o mesmo é fundamental para a formação do juízo probatório e por servir de paradigma à defesa de seu direito. Porém, deixou de colacionar aos autos os documentos solicitados pela DRF de origem. A DRF de origem (DERAT/SP) emitiu Despacho Decisório (fls. 156/158) indeferindo novamente o pleito do contribuinte. O entendimento exposto no despacho encontrase consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Restituição do IRPF incidente sobre indenização do PDV Anocalendário: 1985 Ementa: Programa de Demissão Voluntária. Restituição do IRRF sobre verba indenizatória. A formalização de processo objetivando pedidos de restituição sobre verba indenizatória recebida a título de PDV requer a apresentação de documentação mínima prevista em norma de execução, sob pena de indeferimento do pleito. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA Irresignado, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, às fls. 161/167 deste processo digital, por meio da qual alegou, em síntese, o que se segue: O STJ editou o verbete 215 da Súmula do STJ, pondo fim à eventual discussão sobre a incidência de imposto de renda sobre verba recebida em decorrência de PDV: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. Igualmente, o Parecer PGFN/CRJ nº 1.278/1998, da lavra do Procurador Geral da Fazenda Nacional, in verbis: “Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os parcos recursos colocados à disposição da Procuradoria da Fazenda Nacional e causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito”. Ajuizou seu pedido de restituição com base na IN SRF nº 165/1998, pela qual a própria Receita Federal reconheceu, anos após o recolhimento, o dever de repetir o indébito aos contribuintes participantes de Programa de Demissão Voluntária, que tivessem Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 243 6 sido tributados em suas verbas rescisórias. Disso resulta que o presente pedido de restituição é cabível e está devidamente amparado na legislação tributária. Diferente do afirmado na decisão recorrida, já trouxe aos autos documentos suficientes à comprovação material de que recebeu uma indenização identificada pela empresa, exempregadora, como um típico Programa de Desligamento. O fato constitutivo do seu direito, isto é, a situação motivadora do pedido, geradora do direito creditório aqui debatido, está no simples reconhecimento de que o Interessado participou de um PDV, tendo recolhido, por conta desse fato, tributação na fonte em valor já especificado. Assim, foi devidamente comprovada não só a existência de um PDV, mas também a extensão do direito do Interessado. A decisão recorrida, por sua vez, embasa a negativa ao pedido de restituição no suposto desatendimento das exigências elencadas na Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02/1999. Tal norma foi editada pela própria devedora e estabelece a necessária vinculação do direito de crédito à exibição de certos documentos, em afronta clara ao Princípio da Legalidade. Nesse contexto, embora o artigo 100 do CTN confira força normativa aos atos expedidos pela autoridade administrativa, isso de forma alguma autoriza a criação de obrigações por esses atos, já que conservam seu inegável caráter meramente regulamentar das verdadeiras Leis. Não podem, assim, inovar na previsão de direitos e, principalmente, de obrigações. Disso se depreende que a Administração jamais poderia editar um ato genérico, abstrato, tal e qual a citada Norma de Execução funciona em seu conteúdo, com vistas a justificar a negativa de restituição pelo simples não atendimento desse texto normativo. Prova do excesso verificado na apontada Norma de Execução é que a decisão recorrida a usa como base para ignorar as provas trazidas aos autos pelo Interessado, no que se inclui a declaração do próprio empregador responsável pelo PDV, no sentido de que implementou, periodicamente, planos de natureza demissionária. Houve um erro material cometido pela exempregadora ao não listar a Gratificação recebida pelo Interessado e que a ele não deve ser imputado, pois que do conjunto do documento pode facilmente concluirse que houve sucessivos programas de desligamento e que em um deles o ora recorrente foi inserido. Por isso, no que toca à aferição do direito, deve haver uma análise casuística e fundamentada a fim de ser constatado, caso a caso, se os documentos, na forma apresentada, comprovam materialmente a situação descrita pelo contribuinte. A declaração da exempregadora sequer foi considerada válida pela instância recorrida, bem demonstrando o prejuízo que o excessivo apego à Norma de Execução n° 02/1999, aliada a outras temerárias suposições, vem trazendo ao direito dos contribuintes. Até porque, se o declarado pela empresa não fosse a mais pura expressão da verdade, aquela empresa certamente estaria ciente do cometimento do crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 299 Código Penal. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 244 7 Portanto, há uma presunção relativa de veracidade sobre o conteúdo da declaração emitida pela empresa, inclusive porque no direito Pátrio, em regra, presumese a boafé do signatário de um ato até seja provado o contrário. Disso decorre que a correspondência somente poderia ser refutada pela Receita como meio de prova se houvesse, ao menos, fundada suspeita de fraude, o que não acontece no presente caso. Entretanto, caso paire alguma dúvida acerca do ora declarado, a melhor solução não é mero indeferimento do pedido de restituição, mas sim a realização de diligência junto à exempregadora, de acordo com o artigo 18 do Decreto 70.235/1972, a fim de seja ratificado o aqui aduzido, o que, desde já, se requer. No que se refere à impossibilidade de se apurar o valor de sua restituição, constam documentos nos autos que evidenciam claramente o valor retido de IRRF sobre as verbas rescisórias advindas do PDV. Logo, bastaria utilizar tal valor para a apuração de sua restituição. É verdade que o Interessado não mais possui a declaração de ajuste do ano de 1985, mesmo porque, como é sabido, a Receita Federal instrui os contribuintes a guardar a mesma por um período máximo de 5 (cinco) anos contados daquele em que a mesma foi entregue. De toda forma, protesta o interessado pela posterior juntada de documentos que possam dar a autoridade julgadora condições de firmar juízo em seu favor de forma definitiva e favorável. Ao fim, requereu o Interessado o acolhimento da manifestação e o deferimento da restituição com seus acréscimos legais, que incluem os expurgos inflacionários previstos no Manual de Cálculo da Justiça Federal e o acréscimo da taxa SELIC, conforme determinado pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08 de 1997. Em conjunto com a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a juntada dos seguintes documentos: Declaração simulada de imposto de renda do anobase 1985, elaborada com base em RAIS emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (fl. 170); Declaração retificadora do mesmo anobase (171); Demonstrativo de Rendimentos e Retenções na Fonte do anobase 1985 (172); Relação Anual de Informações Sociais, emitida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que serviu de base para a elaboração das declarações de Imposto de Renda do ano base 1985 (fls. 173/174); Acórdão 210100.325, sessão de 29 de outubro de 2009, da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processo idêntico cujo mérito foi julgado em caráter definitivo, tendo o interessado apresentado as declarações de IR com base na RAIS (fls. 175/180); Parecer DISIT nº 31/2005 que esclarece como deve ser aplicada a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, onde se enfatiza que a database de Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 245 8 incidência da correção do tributo é a data do seu recolhimento e não a data de sua declaração (fls. 181/189). A DRJ/SP2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1985 IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE SOBRE ILEGALIDADE DE LEIS E DE NORMAS COMPLEMENTARES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Arguição de ilegalidade de leis e de normas complementares não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento de tais matérias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. A diligência requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que nos autos constam todos os elementos necessários ao julgamento. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A juntada posterior de documentos não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. O §4° do mesmo artigo prevê que provas podem ser apresentadas em outro momento processual nos casos em que especifica. Caso que não se enquadra em quaisquer das hipóteses e impede o deferimento da juntada posterior de provas. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. NA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A QUE TÍTULO A INDENIZAÇÃO COMPLEMENTAR FOI PAGA OS RENDIMENTOS SÃO TRIBUTÁVEIS. Integram o rendimento tributável qualquer remuneração especial, mormente quando há ausência de comprovação a que título as verbas rescisórias foram pagas por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/04/2011 (fl. 199), o interessado interpôs, em 23/05/2011, o recurso de fls. 200/210. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A indenização em comento é fruto de um acordo entre as partes quanto ao término do vínculo empregatício, pelo que é lícito deduzir que o direito à referida verba somente resulta da dispensa do empregado de sua atividade laboral. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 246 9 Os valores oferecidos espontaneamente pelo empregador possuem natureza de indenização, por não resultar qualquer enriquecimento, mas apenas uma compensação, em que o empregado privado do trabalho recebe em troca determinado valor monetário. Fácil constatar, portanto, que indenização dessa natureza não constitui renda, por não advir nem do capital, nem do trabalho, e, do mesmo modo, não pode ser caracterizada como provento, por não gerar acréscimo patrimonial, estando tão somente a recompor o patrimônio do trabalhador. A verba recebida pelo funcionário quando da adesão ao PDV é insuscetível de tributação pelo imposto de renda, por se tratar de vantagem em pecúnia paga somente sob a condição do desligamento voluntário, conforme entendimento da própria RFB, da PGFN (IN SRF nº 168/1998 e Parecer PGFN nº 1.278/1998) e do STJ (Súmula nº 215). Segundo o acórdão recorrido, a demissão do recorrente decorreu de acordo entre as partes, o que descaracterizaria as premissas básicas dos Planos de Demissão Voluntária. Ora, o fato de a verba ter sido designada como "Gratificação por Tempo de Serviço" não desnatura, de modo algum, as características do PDV. O que configura tal programa é o desligamento voluntário da empresa mediante pagamento de indenização. A nomenclatura dada pela empregadora à verba paga ao Recorrente foi de “Indenização Complementar”. Se apresenta totalmente absurda e descabida a argumentação de que o programa configuraria uma mera liberalidade por parte da empresa, na medida em que, por ocasião da adesão ao PDV, houve um término do contrato de trabalho. Portanto, obrigatório caracterizar a verba paga ao Recorrente como uma indenização pela dispensa dos seus serviços. E isto por um simples motivo: o Recorrente deixou de ser funcionário da empresa. A Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS nº 2/1999 não possui qualquer fundamento jurídico/legal para ser oponível ao contribuinte, especialmente pelo fato de a mesma jamais ter sido publicado no Diário Oficial da União. As normas de execução são atos administrativos normativos dirigidos às autoridades subordinadas que, traçando diretrizes, orientam o desempenho de suas funções. Não são, de forma alguma, oponíveis ao contribuinte. A principal razão para que tais atos não tenham natureza obrigatória para os contribuintes está embasado no fato de os mesmos não estarem submetidos às regras de publicidade. A documentação acostada aos autos é mais do que necessária para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. No entanto, objetivando eliminar quaisquer dúvidas sobre a adesão do interessado ao PDV de 1985, solicitou à empresa a confirmação formal dessa adesão (pedido em anexo), a qual será juntada posteriormente, quando de seu recebimento. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 247 10 O Recorrente cumpriu com todas as exigências legais vigentes à época em que protocolizou seu Pedido de Restituição, quais sejam, aquelas previstas na IN/SRF nº 21/1997. No que se refere à atualização do crédito, a aplicação da Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007, se faz absolutamente necessária. Tal matéria não é mais suscetível de debate, após a publicação do Ato Declaratório/PGFN nº 10, de 01/12/2008. Por fim, espera o Recorrente que esta Colenda Turma de Julgamento conheça e dê provimento ao presente Processo de Restituição, nos exatos termos do requerimento efetuado. Após a apresentação do recurso, o patrono do Interessado (procuração à fl. 12) requereu a juntada dos documentos de fls. 215/237 deste processo digital, informando tratarse das declarações do imposto de renda pessoa física do Recorrente, referentes ao ano base 1985, original e retificadora. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. DOS EQUÍVOCOS OCORRIDOS NO TRÂMITE DO PRESENTE PROCESSO (ENTENDIMENTO DO RELATOR) E DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE Registro, preliminarmente, que tanto o pedido de restituição, quanto a manifestação de inconformidade inicialmente apresentados pelo contribuinte foram indeferidos com fundamento no art. 168, I, do Código Tributário Nacional CTN, uma vez que, na data do protocolo do pedido (04/09/2003), já havia transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito (a data de desligamento da empresa ocorreu em 04/06/1985). Nada obstante, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão às fls. 78/87), por maioria de votos, afastou a decadência (entendo que o correto é prescrição, por se tratar de questão relacionada a direito patrimonial) e determinou o retorno dos autos a 5ª Turma da DRJ/SPOII, para o enfrentamento do mérito, nos termos do voto vencedor, cuja parte dispositiva está assim descrita: Diante do exposto, voto no sentido de AFASTAR a decadência e determinar a remessa dos autos à DRJ de origem para apreciação do mérito da demanda. De seguida, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 90/93) sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à lei tributária (CTN, artigo 168, I), no concernente ao prazo para se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição ou compensação. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 248 11 A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional e determinou o retorno dos autos à “Unidade Local da RFB”, para análise das demais questões de mérito suscitadas na primeva manifestação de inconformidade. É o que consta do acórdão da Câmara Superior, verbis: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, retornando os autos à Unidade Local da RFB para analisar as demais questões relacionadas ao mérito. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Julio César Vieira Gomes, Francisco de Assis Oliveira Júnior e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage para redigir o voto vencedor. Verificase, assim, que o acórdão da Câmara Superior determinou o retorno dos autos à Unidade Local da RFB, ou seja, à DRF de origem, diferentemente do acórdão da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 78/87), que determinara o retorno a 5ª Turma da DRJ/SPOII, também para o enfrentamento das questões de mérito. Apesar de o pedido de restituição ser da competência originária do Delegado da DRF de origem, penso que houve um erro material no acórdão da CSRF, porquanto a apreciação das demais questões de mérito, em meu entendimento, era de competência da DRJ que proferiu a decisão recorrida, e não a cargo da “Unidade Local da RFB”, haja vista que o contencioso administrativo já havia se instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade. No entanto, nenhum dos legitimados (RICARF, art. 66) propôs a retificação da inexatidão material acima mencionada. É certo que o erro material não preclui, nos termos da jurisprudência do STJ (Recurso em Mandado de Segurança nº 31.875/SC, julgado em 26/04/2011), e não deve contaminar os demais atos do processo se não houver prejuízo à parte (no caso em análise, penso não houve prejuízo à parte, conforme será demonstrado adiante). A DRF de origem, por seu turno, entendeu, a meu ver de forma equivocada, que a decisão da CSRF era definitiva e, “com a finalidade de completar a instrução do pedido de restituição”, intimou o contribuinte a apresentar alguns documentos (fl. 141), consoante estabelecido na Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02/1999. O equívoco da Unidade de Origem pode ser constatado pela leitura dos itens 10 a 13 do segundo Despacho Decisório (fls.156/158) emitido, a ver: 10. Cabe salientar que para se calcular o valor da restituição relativa ao PDV é necessário excluir, do total de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica do respectivo ano calendário, o valor pago a título de PDV, obtendose então nova base de cálculo do Imposto de Renda Devido. 11. Ocorre que a Secretaria da Receita Federal não mais possui em seus arquivos a DIRPF do exercício 1986. Também não possui a(s) Dirf(s) do anocalendário 1985 nem tampouco o espelho de lançamento feito à época. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 249 12 12. Desta forma, o não atendimento à intimação impossibilita a reconstituição do valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica no anocalendário em questão, ponto de partida para o cálculo do valor do Imposto Devido e, caso exista, do valor da restituição, conforme explicitado no parágrafo 9º, acima. 13 Pelo exposto, com base na Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02, de 07/06/1999, PROPONHO, s.m.j., o indeferimento deste pedido de restituição. Veja que o Despacho Decisório indeferiu o pedido de restituição em face da impossibilidade de se calcular o valor a ser restituído (principal e sua atualização de acordo com a Norma de Execução citada), ou seja, a providência adotada pela DRF de origem estava em descompasso com a determinação da CSRF (“analisar as demais questões relacionadas ao mérito”). Em face disso, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, desta feita abarcando tanto as questões de mérito suscitadas anteriormente, quanto as questões que motivaram a Unidade de origem a indeferir o pedido de restituição por intermédio do segundo Despacho Decisório (DD nº 506/2010, às fls. 156/158). Assim, ainda que por via transversa, o processo tornou a DRJ competente para apreciar o mérito e, em consequência do acima exposto, também as demais questões suscitadas pelo Interessado em face do DD nº 506/2010 emitido pela DRF de origem, ocasionando a emissão do Acórdão 1748.950 da 5ª Turma da DRJ/SP2 (decisão recorrida). Inobstante os equívocos acima relatados, não restou evidenciado nos autos, a meu ver, nenhum prejuízo ao Recorrente, porquanto a este foi oportunizado o contraditório e a ampla defesa em quatro oportunidades (duas “Manifestações de Inconformidade” e dois “Recursos”). Acrescento, por relevante, que o Interessado sequer se insurgiu quanto ao ato que, em meu entendimento, poderia ter sido impugnado em momento oportuno (incompetência da DRF de origem para se calcular o valor a ser restituído naquele momento processual, ou seja, antes da apreciação das demais questões de mérito), de modo que não há que se falar em nulidade de qualquer ato praticado no presente processo. Isto porque a decretação de nulidade de um ato processual (exceto em raríssimas exceções, como, por exemplo, vício de competência) depende da necessidade da efetiva demonstração de prejuízo pela parte interessada, por prevalência do princípio pas de nulitte sans grief. Se o próprio Interessado não contesta a existência do vício, descabe falar em nulidade do ato processual viciado. VERBAS TRIBUTADAS E NÃO TRIBUTADAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO DO RECORRENTE Após a apresentação do recurso, o patrono do Interessado requereu a juntada dos documentos de fls. 215/237 deste processo digital. Dentre os documentos apresentados encontrase a declaração do imposto de renda do Recorrente, referente ao anobase 1985. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 250 13 O Anexo 2 da Declaração apresentada em 1986 (fl. 227 deste processo digital) mostra que o Interessado declarou como “Rendimentos não Tributáveis” (campo “Aviso Prévio e Indenizações por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS”) o montante de Cr$ 2.515.240.000. A discriminação das verbas pagas na “Rescisão de Contrato de Trabalho” (fl. 15) revela que o montante não tributado é a soma das verbas denominadas “Indenização” e “Prejulgado 20/66” (Cr$ 2.321.760.000 + Cr$ 193.480.000 = Cr$ 2.515.240.000). Significa dizer que a indenização tributada na rescisão foi aquela intitulada “Indenização Complementar”, no valor de CR$ 1.483.040.238, que o Recorrente alega que foi paga no âmbito do PDV. A oferta pública acostada aos autos em fls. 108/109 demonstra que seria paga aos “funcionários elegíveis”, entre eles o Recorrente, além da indenização prevista na CLT, outra indenização correspondente a 2 (dois) saláriosbase por ano de serviço na empresa, que, inobstante constar da oferta como sendo liberalidade, encontra previsão na “Carta de Oferecimento do PDV”, sendo, portanto, não tributável. Eis o teor desta parte da oferta (primeiro parágrafo da fl. 109 deste processo digital): Além da indenização acima, prevista em lei, o funcionário receberá, a título de liberalidade, 2 saláriosbase por ano de serviço na Companhia. Na “Rescisão do Contrato de Trabalho” (fl. 15) foram pagas férias proporcionais de 5/12, no valor de Cr$ 20.154.167. Através de uma regra de três verificase que o salário mensal do Recorrente era Cr$ 48.370.000,80: Cr$ 20.154.167 5 X = 241.850.004 / 5 X = Cr$ 48.370.000,80 X 12 Consta da “Rescisão do Contrato de Trabalho” (fl. 15) que a admissão do Recorrente ocorreu em 01/01/1961. O seu desligamento se deu em 04/06/1985, conforme correspondência da empresa endereçada à RFB (fl. 16). Assim, o Recorrente contava, na data do desligamento, com 24 anos de trabalho (1985 – 1961 = 24). A indenização paga no âmbito do PDV era de 2 (dois) saláriosbase por ano de trabalho na empresa, o que totaliza o seguinte montante: Cr$ 48.370.000,80 x 2 x 24 = Cr$ 2.321.760.038,40. Observo que na “Rescisão do Contrato de Trabalho” este valor foi arredondado para Cr$ 2.321.760.000 e corresponde à indenização não tributada que foi lançada na declaração de ajuste anual do Recorrente, exercício 1986, na ficha de “Rendimentos não Tributáveis”. O total lançado na referida ficha foi de Cr$ 2.515.240.000, que é a soma das verbas denominadas “Indenização” e “Prejulgado 20/66”, respectivamente nos valores de Cr$ 2.321.760.000 e Cr$ 193.480.000. Em outras palavras: na “Rescisão do Contrato de Trabalho” constam uma indenização de Cr$ 2.321.760.000, denominada “Indenização”, que não foi tributada e que estava inserida no PDV; e outra de Cr$ 1.483.040.238, batizada de “Indenização Complementar”, que foi tributada e que não estava inserida no PDV. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 251 14 O conteúdo do documento acostado à fl. 16 deste processo digital, (carta da empresa instituidora do “Programa” dirigida à RFB, datada de 7 de julho de 2003) comprova que a “Indenização Complementar” não estava contemplada no PDV. Oportuna é a transcrição da correspondência, na parte que interessa: A empresa X, com sede na cidade do Rio de Janeiro, (...): “vem informar, que esta empresa vem, ao longo dos anos, oferecendo a seus funcionários um Programa de Desligamento, que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento”. “Esse incentivo recebeu os seguintes títulos: • Indenização Espontânea Pessoal • Indenização Pessoal Espontânea • Indenização Espontânea Especial • Gratificação Incentivo Aposentadoria • Contribuição Extraordinária” “Para os funcionários que na época fossem elegíveis ao Plano de Aposentadoria IBM, a carta oferta fazia referência a esta condição, mas só poderiam se aposentar após a demissão. Ratificando dessa forma que o incentivo foi pago pelo desligamento da Empresa, e não pela condição de aposentado”. “O Sr. Antonio Carlos Rego Gil, portador do CPF 006.130.027 68, foi desligado em 04/06/85 e recebeu um incentivo a título de Indenização Complementar, no valor de CR$ 1.483.040.238,00”. A carta da empresa não deixa nenhuma dúvida de que a intitulada “Indenização Complementar” não estava contemplada no Programa de Desligamento, haja vista que os incentivos do Programa foram batizados, de acordo com o próprio documento da empresa dirigido à RFB, com as seguintes nomenclaturas: a) Indenização Espontânea Pessoal; b) Indenização Pessoal Espontânea; c) Indenização Espontânea Especial; d) Gratificação Incentivo Aposentadoria; e e) Contribuição Extraordinária. Noutros termos: se a empresa informa que está oferecendo um Programa de Desligamento que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento denominados “A”, “B”, “C”, “D” e “E” e, no mesmo documento, relata que pagou um incentivo intitulado de “F”, resta comprovado que o incentivo “F” não estava contemplado no PDV, por declaração da própria instituidora do Programa. Anoto, para encerrar este tópico, que o quantum da “Indenização Complementar (Cr$ 1.483.040.238) não encontra correspondência em nenhuma das duas indenizações prevista na “Carta de Oferecimento do PDV (“Indenização Integral prevista na CLT” e Indenização a Titulo de Liberalidade”) e na Pergunta 07 (Em que consiste a oferta?) constante do “Perguntas e Respostas” elaborado pela empresa (fls. 111/116 deste processo digital), o que reforça o entendimento de que a “Indenização Complementar” não foi paga por força do PDV. NATUREZA DA VERBA DENOMINADA “INDENIZAÇÃO COMPLEMENTAR” No REsp nº 1.112.745/SP, julgado sob o regime do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, o eminente Relator partiu da premissa de que nas rescisões de contrato Fl. 251DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 252 15 de trabalho é imprescindível verificar a exata natureza jurídica da verba paga para se saber se a mesma se sujeita ou não à tributação do imposto sobre a renda da pessoa física, haja vista a diversidade de denominações utilizadas para classificação de tais verbas. São deles as palavras abaixo: “Sabese que nas rescisões de contratos de trabalho são dadas diversas denominações às mais variadas verbas, o que enseja, em alguns casos, confusão na aplicação da já consolidada jurisprudência do STJ. Nessas situações, é imperioso verificar qual a natureza jurídica de determinada verba a fim de classificála como sujeita ao imposto de renda ou não”. Em seguida, o Relator estabeleceu um parâmetro para diferenciar as verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho das verbas em relação às quais, para por fim à relação empregatícia, inexiste liberalidade por parte do empregador. Confira: “Acertadamente, a verba paga por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho é aquela que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, é paga sem decorrer de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tal verba a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda”. Por outro lado, consta do acórdão que estão fora do campo de incidência do imposto de renda os valores recebidos em PDV decorrentes de uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, no qual existe um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador, hipótese em que se aplica a Súmula 215 do STJ. A tese repetitiva restou consubstanciada na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO PAGA POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO PAGA NO CONTEXTO DE PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 215/STJ. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1. Nas rescisões de contratos de trabalho são dadas diversas denominações às mais variadas verbas. Nessas situações, é imperioso verificar qual a natureza jurídica de determinada verba a fim de, aplicando a jurisprudência desta Corte, classificála como sujeita ao imposto de renda ou não. 2. As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do Fl. 252DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 253 16 empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda já que não possuem natureza indenizatória. Precedentes: EAg Embargos de Divergência em Agravo 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, DJ 12.06.2006; EREsp 769.118 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ de 15.10.2007, p. 221; REsp n.º 706.817/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 28/11/2005; EAg 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, v.u., julgado em 24.5.2006, DJ 12.6.2006 p. 421; EREsp 775.701/SP, Relator Ministro Castro Meira, Relator p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 26/4/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 1.8.2006 p. 364; EREsp 515.148/RS, Relator Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 8/2/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 20.2.2006 p. 190 RET vol. 48 p. 28; AgRg nos EREsp. Nº 860.888 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 26.11.2008, entre outros. 3. "Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja a resilição ou distrato do contrato de trabalho no caso das relações regidas pela CLT, ou a exoneração, no caso dos servidores estatutários. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. [...] Inexiste liberalidade em acordo de vontades no qual uma das partes renuncia ao cargo e a outra a indeniza [...]" (REsp Nº 940.759 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.3.2009). "A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda". Enunciado n. 215 da Súmula do STJ. 4. Situação em que a verba denominada "gratificação não eventual" foi paga por liberalidade do empregador e a chamada "compensação espontânea" foi paga em contexto de PDV. 5. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. A diferenciação perpetrada pelo STJ pode ser assim sintetizada: QUADRO RESUMO VERBAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO VERBAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA VERBAS NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA 1) Pagas por liberalidade (depende unicamente da vontade do empregador) 5) Existência de uma oferta pública para realização de um negócio jurídico 2) Demissão com ou sem justa causa 6) Acordo de vontades para por fim à relação de trabalho Fl. 253DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 254 17 3) Verbas pagas que não decorram de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, inclusive PDV e Acordos Coletivos 7) Inexistência de liberalidade por parte do empregador 4) Verbas que excedem as indenizações legalmente previstas Na espécie, verificouse que a "Indenização Complementar" foi paga pelo empregador ao empregado fora do contexto do PDV (tópico anterior). Acrescento que não consta dos autos menção a qualquer acordo coletivo que determine a obrigatoriedade do pagamento da referida verba por ocasião do desligamento do empregado da empresa. Tampouco há na legislação brasileira a determinação para o pagamento da verba intitulada “Indenização Complementar”. Logo, a verba foi paga por liberalidade do empregador, o que a afasta, a meu ver, das “Verbas não Sujeitas à Incidência” do “Quadro Resumo”. Os requisitos fixados no REsp nº 1.112.745/SP, para caracterizar a verba como sujeita à incidência do imposto de renda, foram os seguintes: a) Demissão com ou sem justa causa: na pergunta de nº 07 do “Perguntas e Respostas” formulado pela empresa para dirimir dúvidas do público alvo do programa por ela instituído (fl. 113) consta que “Será ainda autorizado o levantamento do saldo depositado no FGTS, acrescido dos 10% previstos em lei”. Esta cláusula da resposta à Pergunta nº 07 revela que os contemplados no PDV foram demitidos sem justa causa (condição 2 do “Quadro Resumo”), haja vista que o levantamento do saldo depositado no FGTS (Lei nº 8.036/1990, art. 20, I), acrescido dos 10% previstos em lei, não é possível quando ocorre o pedido de demissão pelo empregado. b) pagamento de verbas que não decorram da imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, inclusive os PDV e os acordos coletivos: consoante visto acima, o quantum da “Indenização Complementar (Cr$ 1.483.040.238) não encontra correspondência em nenhuma das duas indenizações prevista na “Carta de Oferecimento do PDV”. Não consta dos autos menção a qualquer acordo coletivo que determine a obrigatoriedade do pagamento da referida verba por ocasião do desligamento do empregado da empresa. Tampouco há na legislação brasileira a determinação para o pagamento da verba intitulada “Indenização Complementar”. Logo, o seu pagamento não decorreu de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (condição 3 do “Quadro Resumo”). c) liberalidade (dependência da vontade única empregador): se o pagamento da verba não decorreu de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, aí incluídos os PDV e os Acordos Coletivos, é porque decorreu de mera liberalidade do empregador (condição 1 do “Quadro Resumo”). d) exceder as indenizações legalmente instituídas: a “Rescisão de Contrato de Trabalho” (fl. 15) evidencia que foram pagas duas indenizações ao Recorrente: uma decorrente de fonte normativa (PDV), denominada “Indenização” (Cr$ 2.321.760.000), não tributada, e outra não decorrente de fonte normativa, intitulada de “Indenização Complementar” (Cr$ 1.483.040.238), tributada (condição 1 do “Quadro Resumo”). O valor pago ao Recorrente, intitulados “Indenização Complementar”, se amolda, a meu ver, ao item 2 da ementa do Recurso Especial 1.112.745/SP, caracterizandose como “Verba Sujeita à Incidência” do imposto de renda. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 255 18 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001989/00-63
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1991, 1992
ILL. RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA E LIMITADAS. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN.
A empresa que recolheu indevidamente valores a titulo de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA E LIMITADAS. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. A empresa que recolheu indevidamente valores a titulo de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 89 /0 0- 63 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição do Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL, recolhido em abril e maio de 1992 e fevereiro e março de 1993 (fls. 01), protocolado pela "UNIBANCO LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL". Em 22/06/2001, foi emitido Despacho Decisório pela DEINFSPO, indeferindo o pedido (fls. 35/37). A solicitação contida na Manifestação de Inconformidade apresentada em 14/09/2001 (fls 4056) foi indeferida, conforme Acórdão DRJ/SP I — Turma n° 06.841, de 12/04/2005. Ao apreciar o Recurso Voluntário interposto, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 10616049, de 19/12/2006, decidiu "AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das questões de mérito" (fls. 355/361). O processo retornou então à DIORT/DEINF/SP "para apreciação do mérito do pedido formulado na inicial, uma vez que a sua análise direta" pela DRJ/SP1 "implicaria na supressão de uma instância administrativa". Em dezembro/2009, foi então proferido o Despacho Decisório de fls. 493/503, em que a auditora fiscal designada para apreciar a matéria, expõe que: A Unibanco Leasing S/A. Arrendamento Mercantil CNPJ n° 34.120.899/000106 foi incorporada em 29.06.01 pela Bandeirantes S/A Arrendamento Mercantil CNPJ n° 44.071.785/000169, a qual alterou sua Razão Social para Unibanco Leasing S/A. Arrendamento Mercantil, e foi, por sua vez, incorporada pela Dibens Leasing S/A Arrendamento Mercantil CNPJ n° 65.654.303/000173, em 30.11.05 (fls. 243 265, 374 377, 397); segundo os registros no sistema "TrataPagamento" os cinco Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF foram alocados em débitos de ILL (fls.398 400). O terceiro DARF confere com os dados declarados no Item 25, Quadro 04, Anexo4, da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica DIRPJ PeríodoBase – PB 1991 e os quarto e quinto conferem com Itens 29 a 36 do Quadro 16 da DIRPJ Ano Calendário AC 1992 (fls. 403408); Segundo a DOAR, DMPL e as Notas Explicativas relativas ao ano 1991, publicadas no D.O.E. de 28.02.92, "foi aprovado a distribuição de dividendos no valor de Cr$9.700.000 mil, sendo Cr$ 7.267.488 mil relativo a lucro apurado em exercícios anteriores e Cr$ 2.432.512 mil por conta do lucro do exercício" (fls.438441); Entretanto, como se verifica na DMPL (em milhares de Cr$), não havia saldo suficiente na Reserva de Lucros Estatutária para a parcela dos Cr$ 7.267.488 distribuídos como dividendos (fls. 438441). A parcela do valor distribuído Cr$ 7.267.488 é Fl. 715DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 4 maior que o saldo existente em 31.12.90 Cr$ 6.407.472. Além disso, houve uma capitalização durante o ano de 1991 no valor de Cr$ 3.517.198, diminuindo mais ainda o saldo de 34.12.90. Da mesma forma, o saldo em 31. 1 i91 Cr$ 9.607.955 é menor que o valor dos lucros designados para essa reserva nessa mesma data Cr$ 13.985.169. Logo, além dos Cr$ 2.432.512 acima mencionados, também foram distribuídos como dividendos Cr$ 4.377.214 relativo ao lucro apurado em 31.12.91. Na ata da A.G.O/A.G.E. de 28.04.92, consta o aumento do capital social, incorporando os Cr$ 190.078.635,51 da Reserva de Capital Incentivos Fiscais mais Cr$434.308.547,46 da Reserva de Lucros Legal (fls .. 456472). Na retrocitada DMPL (em milhares de Cr$), verificase que os Cr$190.079 de Reserva de Capital Incentivos Fiscais originamse do resultado do ano de 1991, uma vez que não havia saldo em 31.12.90. Dessa forma, do Lucro Líquido apurado em 31.12.91, Cr$6.809.726 foram distribuídos como dividendos e Cr$ 190.079 foi capitalizado em 28.04.92. A outra parte Cr$ 434.308.547,46 realmente refere se a períodos anteriores. De acordo com as Notas Explicativos relativas ao ano 1992, "Os acionistas decidiram pela nãodistribuição de dividendos. O lucro não distribuído foi destinado à conta Reserva estatutária" (fls. 442446). E, segundo a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DOAR e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido DMPL (ambas em milhões de Cr$), publicadas no D.O.E. de 26.02.93, o Lucro Líquido foi apropriado da seguinte maneira: Na ata da A.G.O./A.G.E. de 24.03.93, consta a "capitalização de parte do saldo da Reserva Estatutária constante das Demonstrações Financeiras de 31.12.92, no valor de Cr$ 80.365.825.879,52" (fls. 474477). Como descrito acima, o saldo anterior ao ano 1991 não foi suficiente nem para a distribuição dos dividendos . Logo, o valor Capitalizado de Cr$ 80.365.825.879,52 é originário do Lucro do ano de 1991. Desse modo, do Lucro Líquido apurado em 31.12.91, Cr$6.809.726 foram distribuídos como dividendos; Cr$ 190.079 foi capitalizado em 28.04.92 e Cr$ 80.365.825.879,52, capitalizado em 24.03.93; A empresa foi intimada a apresentar as Demonstrações Financeiras e as atas de AGO/ AGE que contivessem informações sobre a destinação do Lucro de 1992 e do restante do de 1991, em 20.07.99 (fl. 427) e em 01.09.09 (fl. 447). Após três meses, não recebemos nenhum outro documento além dos acima mencionados, impedindonos de saber se tais lucros foram distribuídos ou capitalizados; Fl. 716DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 4 5 segundo a legislação vigente à época dos fatos, os lucros eram tributados na fonte quer pelo artigo 35 ou pelo art. 36 ambos da Lei n° 7.713/1988 No relatório do julgamento do Recurso Extraordinário RE n° 172.0581 SC pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal STF, em 30.06.95, que resultou na Resolução do Senado n° 82/96, concluiuse que: "a disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza constitui elemento essencial do fato gerador do imposto de renda previsto na lei complementar Código Tributário Nacional, artigo 43 ... No caso, sem a deliberação da assembléia competente, não se pode cogitar da disponibilidade" (fls. 478487). Entretanto, se os lucros foram distribuídos, ocorreu a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda pelo acionista, como previsto no caput do art. 43 do CTN, ocorreu o fato gerador e foi removido o óbice à tributação dos lucros. Reporta se então a excerto do voto no Sr. Ministro Sydney Sanches (RE No. 172.0581/SC – fls.497) e do Sr. Ministro Octávio Galliotti, no mesmo julgamento; Como mencionado anteriormente, se os lucros não fossem tributados com base no art. 35 da Lei n° 7.713/88, deveriam sê lo com base em seu art. 36. Se capitalizados, também seriam tributados (art. 38). No caso de residente ou domiciliado no exterior, idem, a uma alíquota maior (art. 35, § 4°, alínea "c" e art. 36, caput e parágrafo único, alínea "b"). Beneficiários não identificados tinham uma retenção ainda maior (art. 47). Apenas era dispensada a parcela do lucro que correspondesse à participação de pessoa jurídica imune ou isenta de imposto de renda idem (art. 35, § 5°); Conforme esclarecido no Ato Declaratório Normativo ADN do Coordenador Geral do Sistema. De Tributação COSIT n° 49 de 23.09.94: "os dividendos, bonificaçães em dinheiro, lucros e outros.interesses, oriundos de lucros apurados, até 31 de dezembro de 1993, por Pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real submetemse às normas de incidência aplicáveis à época da formação dos lucros". À guisa de observação, segundo declarado nas DIRPJ PB 1991 e AC 1992 (Quadro 14), a empresa apurou o imposto devido com base no lucro real (fls. 404408). Ou seja, a única forma de não serem tributados, seria se os lucros apurados nos PB 1991 e AC 1992 ainda estivessem nas Reservas de Lucros, sem distribuição e sem capitalização até esta data. Como visto acima, parte dos lucros do PB 1991 foram distribuídos. Estaria o restante e os de 1992 ainda nas Reservas? Foram capitalizados ou distribuídos?; Ademais, eventual direito creditório existente teria de ser requerido, a priori, pelos acionistas. Assim entendido pelo Supremo Tribunal de Justiça STJ, no Recurso Especial REsp n° 842.390 RJ (fls. 488492), cuja conclusão transcreve às fls. 499/500; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 6 o art. 166 do CTN prescreve que "A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla"; A fim de se apurar quais parcelas dos lucros distribuídos seriam tributáveis, e quais não seriam (PJ imunes/isentas, fundos de condomínio e clubes de investimento), se parte do ILL recolhido foi deduzido de IRRF devido no caso de pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de lucros, quando o beneficiário for residente ou domiciliado no exterior, em 27.07.09, a contribuinte foi intimada a apresentar os documentos elencados nos itens "b", "c" e "d" do Termo de Intimação de fls. 427. Entretanto, passados três meses da intimação nenhum documento fora apresentado no sentido de atender o quanto solicitado; Para fins de conciliação dos valores recolhidos (5 DARFs referentes a apenas uma parcela do ILL apurado em 1991 e 1992) com os valores dos lucros distribuídos entre os (diferentes tipos de) acionistas foi solicitada, em 01/09/2009 (fl. 447), o "Demonstrativo do cálculo do ILL recolhido, a partir do Lucro Líquido declarado na DIPJ (Quadro 13) até os valores recolhidos em 1992 e 1993". Para saber se os lucros de 1991 e 1992 não foram distribuídos ou capitalizados, foi solicitada, no mesmo Termo de Intimação de fls. 447, a "Comprovação da distribuição ou capitalização, em anos subseqüentes, do restante dos lucros (não distribuídos no ano) apurados em 1991 (Cr$ 105.167 mil) e 1992 (Cr$ 12.285.587 mil), através de Atas de destinação dos lucros, Atas de aumento de capital social, Balanço Patrimonial, Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DÓ , Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e Notas Explicativas publicadas". E, ainda, para comprovar o direito de pleitear a restituição (Resp 842.230RJ), solicitouse a "Comprovação de titularidade do direito sobre o crédito pleiteado (restituição do ILL aos acionistas); Sem que a documentação fosse apresentada, ficou a autoridade fiscal sem saber quanto do valor recolhido poderia ser compensado, se é que havia algum. Não lhe restando outra alternativa que a de negar o pedido, uma vez que não se cumpriu a exigência básica em qualquer tipo de compensação: a certeza e liquidez do crédito a ser compensado. Tal como exposto no Código Tributário Nacional, nos art. 165, inc.I, e 170, capta'. Concluiu que não havendo certeza e liquidez do crédito, não é possível autorizar qualquer restituição e/ou compensação. O Despacho Decisório encontrase assim ementado: ASSUNTO: Restituição de ILL AC 1991 e 1992; EMENTA: Falta de comprovação de titularidade sobre eventual direito; Impossibilidade de quantificar eventual crédito; Inexistência de certeza e liquidez de crédito; INDEFERIMENTO do Pedido; Fl. 718DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 5 7 Legislação aplicada: art. 165, caput e inc. I, art. 166 e art. 170, caput, do CTN; art. 73 e art. 74, caput da Lei n°9.430/96. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 508/516), protocolizada em 18/01/2010, a interessada requer a "declaração de INSUBSISTÊNCIA do Despacho Decisório" e "o RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado com a consequente HOMOLOGAÇÃO integral do pedido de restituição levado a efeito". Nesse sentido defende a efetiva presença da liquidez e certeza do direito ao pleito de restituição, argumentando que: • o direito do Manifestante ao crédito de "ILL" decorrente da ausência de distribuição de dividendos, nos períodosbase de 1991 e 1992, não merece ser contestado por argumentos de índole meramente superficial, por questionamentos oriundos da superficialidade das investigações fiscais, tal como pretende a própria D. Autoridade Fiscal, visto que se trata de direito plenamente amparado na Constituição Federal e, inclusive, em decisão de inconstitucionalidade sacramentada em resolução do Senado; • de acordo com os art. 35 e 36 da Lei 7.713/88, aplicável aos fatos geradores analisado em tela (anos 1991 e 1992), os lucros eram tributados na fonte. Com base no julgamento do STF do RE 172.0581, o qual ensejou a Resolução do Senado Federal 82/96, de 18.11.1996, restou a convicção de que a disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza constitui elemento essencial do fato gerador do imposto de renda previsto no artigo 43, do CTN, de modo que no caso em tela, tal disponibilidade somente ocorreria em razão da deliberação da assembléia competente sobre a distribuicão dos dividendos; • a Resolução do Senado Federal n° 82/96 afastou a cobrança do imposto sobre o lucro líquido na hipótese da ausência de deliberação e de distribuição de fatos dividendos apurados no próprio exercício; • nas hipóteses tanto dos sócios quotistas quanto dos acionistas somente ocorre disponibilidade efetiva do lucro apurado, em momento refletido seja pela determinação da destinação do lucro apurado ou por meio de contrato de distribuição dos lucros seja pela deliberação em assembléia competente que em algumas hipóteses pode não ocorrer, mesmo com a prévia definição em atos societários; • de acordo com os documentos trazidos pelo Manifestante aos autos, tanto no que tange aos documentos societários quanto aos dos balanços dos anos de 1991 e 1992, resta claro que o indeferimento do pedido de restituição não merece perpetrar nesta via administrativa fiscal, pois a D. Autoridade Fiscal equivocadamente confundiuse com os valores efetivamente relacionados na distribuição dos dividendos ou na identificada capitalização dos lucros líquidos dos referidos períodos; • De fato, os valores considerados pela fiscalização como "distribuídos ou capitalizados" no ano 1991, não refletem o Fl. 719DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 8 quanto o Manifestante aprovou na distribuição de dividendos do mesmo período ("Cr$ 9.700.000 mil), de modo que a utilização do referido valor razoavelmente não permitiria o pleito inicial de restituição; • cumpre esclarecer que parcela do valor considerado pela fiscalização (Cr$ 7.267.488 mil) decorre de reservas de lucros de períodos anteriores, inclusive, atinentes a período que não se submetiam à tributação do "ILL", sendo que a parcela que devia ser submetida à incidência do "ILL" em nada se aproximou ao que a decisão ora rebatida referendou; • inferese que tal equívoco é claro e fora modal para a concretização do indeferimento combatido, visto que o Despacho Decisório tomou como supedâneo as informações desencontradas consideradas pela D. Autoridade Fiscal. Informações estas que, aliás, foram prestadas pelo Manifestante, de modo que, considerandoas da forma devida, resta evidenciado o lídimo direito creditório do Manifestante; • válido ainda frisar que, o lídimo direito de qualquer contribuinte ao imediato ressarcimento daquilo que recolheu indevidamente ou a maior, seja pela via da compensação, seja pela via da restituição do indébito, encontra ancoro na Carta Magna, mormente no direito de propriedade (art. S°, XXII) e do devido processo legal (art. 5 0, LIV), como nos primados da Legalidade (art. 150, I) e da Moralidade Administrativa (art. 37, caput); • todo ato administrativo perpetrado com vistas à cobrança de determinado tributo manifestamente indevido ou a maior, bem como que obstaculizar a sua devolução, mostrase frontalmente contrário aos ditames dos preceitos constitucionais retro alinhavados; • em consonância com os dispositivos constitucionais invocados, devese trazer a lume que o direito à restituição do indébito tributário se encontra previsto no Código Tributário Nacional (CTN), na dicção do art. 165 desse diploma legal. Citando excertos de ensinamentos de Hugo de Brito Machado e de Paulo de Barros Carvalho, conclui que "eventuais equívocos cometidos pela D. Autoridade Fiscal, tanto nos cálculos dos valores distribuídos nos anos de 1991 e de 1992, quanto na constataão da forma e do momento escolhido pelo Manifestante para distribuição dos dividendos ou capitalização dos recursos não conferem com a realidade de ato comprovados, de modo que não suportam o indeferimento do presente pedido de restituição, visto que o direito do Manifestante ao indébito aqui pleiteado resta devidamente comprovado nos autos, bem como garantido na Constituição Federal e na Legislação tributária em vigor. A DRJ proferiu, indeferindo o pedido de restituição do ILL, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1991, 1992 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 6 9 IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO RESTITUIÇÃO SOCIEDADE ANÔNIMA. A restituição dos tributos que comportam transferência do respectivo encargo financeiro, somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeita a contribuinte, interpõe recurso voluntário reiterando as razões da manifestação de inconformidade. Enfatizando, os seguinte pontos: Da legitimidade do recorrente. Da decisão recorrida, denotase que a Autoridade de Julgamento somente calcou suas razões de decidir na ilegitimidade do ora Recorrente para pleitear o crédito de ILL em voga, estritamente à luz do atendimento ou não das condições previstas para tanto no artigo 166 do CTN. Só que, ao contrário do consignado no aresto guerreado, temse que tal premissa é totalmente precária, visto que a legitimidade do Recorrente para postular o presente pedido de restituição é manifesto, sendo contrário à legalidade, moralidade e ao bom direito todo e qualquer posicionamento diverso, tal como lançado no vergastado acórdão recorrido. O ILL é por excelência tributo direto — se existir essa definição na legislação tributária atinente , que não comporta transferência do respectivo encargo financeiro a terceiros, pelo que a restituição do ILL indevidamente recolhido não se sujeita ao comando do dispositivo invocado pelas autoridades de julgamento. Sobre a inaplicabilidade do artigo 166 do CTN aos pedidos de restituição do ILL é matéria que tem posicionamento pacificado perante o Egrégio Superior Tribunal de Justiça — STJ, Indica que jurisprudência do CARF, nas sociedades anônimas, os acionistas somente adquirem disponibilidade financeira ou jurídica em relação ao lucro da empresa, após a deliberação de assembleia geral ordinária. Como o imposto incide sobre os lucros apurados e não distribuídos, o ônus econômico deste é suportado pela empresa, que, consequentemente, tem legitimidade para pleitear a restituição. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 10 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A lide versa sobre pedido de restituição de créditos de ILL. A questão da decadência não é apreciada pois a mesma já foi superada pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 10616049, de 19/12/2006, onde decidiu "AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das questões de mérito" (fls. 355/361). No mérito, as razões apontada para a DRJ para não efetuar a compensação pode ser reproduzida: A Lei 7.713/88 estabelece em seu artigo 35 que o acionista ficará sujeito ao imposto de renda na fonte. Como é a pessoa jurídica que efetua o recolhimento aos cofres públicos, fica caracterizado que o ILL é um tributo indireto. O contribuinte real é o acionista, ou seja, o contribuinte de fato, aquele que assume o ônus financeiro do imposto, e a empresa é o contribuinte de direito, isto é, o responsável tributário. Os DARF's de fls. 25/29, isoladamente, não permitem concluir que a empresa que efetuou o recolhimento (como responsável), tenha suportado o ônus do ILL. Por conseguinte como não foram trazidos aos autos elementos suficientes para comprovar que a requerente, por meio de sua incorporada, arcou com o encargo financeiro, nem autor nem autorização expressa de quem suportou tal encargo, como prevê o artigo 166 do CTN, não há que falar em direito à restituição por parte da empresa que a solicitou. Apesar do respeitável entendimento da autoridade recorrida, a jurisprudência administrativa predominante entende pela inaplicabilidade do artigo 166 do Código Tributário Nacional no tocante à incidência do ILL. Isso porque o ILL não é tributo indireto como o IPI e o ICMS, e, como tributo direto que , não comporta transferência do respectivo encargo financeiro a terceiros. Acórdão n° 10616.813, sessão de 07/03/2008, relator o Conselheiro Luiz Antonio de Paula NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÉNCIA, Não constitui cerceamento do direito de defesa a decisão proferida por autoridade competente com observância dos requisitos estabelecidos no art 31 do Decreto no 70.235/72. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 7 11 ILL RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA. LEGIMITIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN A empresa que recolheu indevidamente valores a titulo de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE LUCRO LIQUIDO. ILL Deve ser reconhecido o direito da contribuinte a restituição elou compensação de valor que se caracterize como indébito, quando a exigência da respectiva exaçâo for considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Acórdão 10248.107, sessão de 08/12/2006, relator o Conselheiro Antônio José Praga de Souza PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILEGITIMIDADE ATIVA — O Código Tributário Nacional determina em seu art. 166 que a restituição que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, somente será ,feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado recebêla Todavia, nada impede que o pedido de restituição seja interposto pelo sujeito passivo, responsável pela retenção e recolhimento, que também compôs a relação jurídicotributário PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO ILL E de cinco anos o prazo para repetição do indébito, contados da edição de aio normativo que reconheceu a ilegalidade da exigência, qual seja, a Instrução Normativa SRF n" 63 de 1997 ('Acórdão CSRF/0103.854).REPETIÇÃO DE INDÉBITO ILL SOCIEDADE LIMITADA. DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DE LUCROS A existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro caracteriza, por si só, a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, uma vez que somente a deliberação expresso dos sócios o lucro poderia ter outra destinação. Acórdão n" 10616.587, sessão de 07/11/2006, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allege ILL — RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÓNIMA LEGIMITIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÂO DO INDÉBITO — INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO C731. A empresa que recolheu indevidamente valores a titulo de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO — MATÉRIA NÃO LITIGIOSA — Como as compensações vinculadas ao direito creditório pleiteado neste feito já estão expressamente homologadas e, portanto, os débitos Fl. 723DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 12 encontramse extintos, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, a insurgencia da contribuinte com relação a tal matéria não pode ser apreciada, em razão da ausência de matéria litigiosa. Dessa forma, a recorrente detém legitimidade para pleitear o indébito do Imposto de Renda Retido na Fonte Sobre Lucro Liquido. Acrescentese por pertinente, que no que toca comprovação do pagamento os documentos de fls. 05 a 10 comprovam o efetivo pagamento do ILL pela recorrente, não restando dúvidas nos autos quanto ao seu efetivo recolhimento. Uma vez que o pagamento está documentado, o direito de solicitar a restituição não está decadente, e o recorrente é parte legítima para pleitear a repetição do indébito, é de se reconhecer o direito da recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 724DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 19679.018842/2003-24
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1987
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
A falta de comprovação de que o valor recebido a título incentivo ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) contempla somente verbas de natureza indenizatórias impede a confirmação da liquidez e certeza da restituição pleiteada.
DILIGENCIA REQUERIDA.
Não é aceitável a transferência ao Fisco da missão de trazer aos autos provas de interesse exclusivo do contribuinte e cuja guarda não é de responsabilidade da Administração Tributária.
Numero da decisão: 2802-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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DILIGENCIA REQUERIDA. Não é aceitável a transferência ao Fisco da missão de trazer aos autos provas de interesse exclusivo do contribuinte e cuja guarda não é de responsabilidade da Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 88 42 /2 00 3- 24 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, fls. 01, no valor de R$ 271.301,43, protocolizado em 23/12/2003, incidente sobre verbas recebidas como incentivo pela adesão ao Programa de Demissão Voluntária implementado pela IBM do Brasil – Indústria de Máquinas e Serviços Ltda., no anocalendário 1986. Apreciando o pedido, a autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem proferiu o Despacho Decisório 901/2004, fls. 16 e 17, indeferindo o pedido de restituição, sob o argumento de que o direto de o contribuinte pleitear a restituição estaria extinto, uma vez que já havia transcorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999. Ante a manifestação de inconformidade apresentada, fls. 20 a 26, foi mantido o indeferimento do pleito por meio do Acórdão DRJ/SPOII n° 12.841 de 06/07/2005, fls. 30a 34, por considerar ocorrida a decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição do IRRF referente ao anocalendário de 1986. O interessado interpôs recurso voluntário à Quarta Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, fls. 35 a 46, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos para enfrentamento do mérito. Intimada desse acórdão, fls. 56, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, fls. 57 a 62, sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I do artigo 168 do CTN é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso, Despacho n° 104046/2007, fls. 63/65, o contribuinte foi intimado e apresentou contrarazões, fls. 69 a 79. A Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial ocorre em 06/01/1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, ato normativo que reconheceu o caráter indevido da cobrança do Imposto de Renda nos casos de valores percebidos a título de PDV, negando seguimento ao recurso especial (Acórdão nº 0400.893, de 27/05/2008, fls. 82 a 89). Em vista disto a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário, fls. 93 a 101, que também teve seu seguimento negado através do Despacho 002/2010, de 14 de junho de 2010 do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 105 a 107). Retornando os autos à DRF de origem, o contribuinte foi intimado a apresentar: 1) original ou copia autenticada do termo de rescisão do contrato de trabalho; 2) comprovantes de rendimentos relativos ao anocalendário da retenção (1986); 3) cópia da DIRPF referente ao exercício l987 com respectivo recibo de entrega; 4) cópia do plano de demissão voluntária adotado pelo exempregador; 5) original ou cópia autenticada cópia do Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19679.018842/200324 Acórdão n.º 2802002.067 S2TE02 Fl. 148 3 termo de adesão ao PDV, e; 6) declaração, sob as penas da Lei n° 8.137/90 e do art. 299 do Código Penal, de que não impetrou mandado de segurança. Em resposta à intimação, fls. 116, o interessado fez anexar aos autos os documentos de fls. 117 a 122. Por meio do Despacho Decisório nº 504, de 14/10/2010, fls. 123/125, a autoridade administrativa examinou a documentação apresentada e verificou que “não há qualquer referência a verbas indenizatórias por adesão a PDV ou PAI no Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho de fls. 121 que possa ratificar a declaração expressa no documento de fls. 122”. Diante do indeferimento de seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 127/130, alegando em síntese que: Sustenta que a decisão recorrida não possui qualquer embasamento legal para ser mantida, tendo em vista que se trata de verba advinda de Programa de Demissão Voluntária (PDV), a qual é tipicamente indenizatória já que busca repor seu patrimônio, devido à dispensa imotivada. Argumenta que a indenização é fruto de um acordo entre o empregador e o empregado, correspondente ao término do vínculo empregatício, que visa a privilegiar o planejamento estratégico e à reorganização empresarial. Afirma que as verbas são indenizatórias e faz transcrição da Súmula 215 do STJ e de trecho do Parecer PFGN/CRJ/n° l.278/98, por entender que seu pedido de restituição estaria embasado na IN 165/98, pelo qual a própria Receita Federal reconhece direitos em favor dos participantes de PDV. Entende que, ao contrário do que foi afirmado na decisão recorrida, já trouxe aos autos documentos suficientes à comprovação material de que recebeu uma indenização identificada pela IBM, exempregadora, como um típico Programa de Desligamento. Por fim, requer a realização de diligência junto à exempregadora IBM, nos termos do art.18 do Decreto 70.235/1997 e a reforma da decisão recorrida e que sua restituição seja confirmada. A DRJ, por sua vez, manteve o indeferimento sob a seguinte argumentação fls. 133 a 136: “(...) É bem verdade que, havendo a adesão a Programa de Demissão Voluntária (PDV), a verba seria isenta. Contudo, a cópia do "Programa de Acordos para Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários" de fl. 120 faz menção ao corpo gerencial da IBM, o que é corroborado pelo Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho de fl. 121 que não traz nenhum campo especificando o valor das verbas incentivadas que teriam sido percebidas como rendimentos isentos e nãotributáveis, portanto, estão explicitamente definidos em lei como rendimentos tributáveis, Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 com exceção das verbas isentas que estão expressamente especificadas no referido termo de rescisão. Por outro lado, não é aceitável que seja transferido ao Fisco a missão de trazer ao autos, por meio de solicitação de diligência, provas da adesão a PDV, cujo interesse é exclusivo do contribuinte e cuja guarda não é de responsabilidade da Administração, mesmo porque o Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho de fl. 121, que foi emitido pela IBM do Brasil Ind. Máquinas e Serviços Ltda não traz qualquer prova de verba indenizatória e, de fato, não ratifica a declaração expressa no documento de fls. 122, nessa situação, a diligência é prescindível, portanto, deve ser indeferida. Assim sendo, pela total falta de verbas indenizatórias por adesão a qualquer Plano de Demissão Voluntário ou a Programa de Desligamento expressas no Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho (fl. 121) e na ausência de previsão legal que conceda isenção aos valores pretendidos pelo interessado, não sendo possível alterar o teor do Despacho Decisório. (...).” Cientificado em 04/04/2011, fls. 137, verso, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/05/2011, fls. 138 a 143, na qual reitera integralmente as alegações e os pedidos apresentados na manifestação de inconformidade. Em petição apresentada em 20/06/2011, fls. 139, requer a juntada de “carta da IBM que comprova a sua participação em Programa de Demissão Voluntária no ano de 1986”. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior Sendo tempestivo o presente recurso e preenchidos os requisitos para o seu recebimento; dele tomase conhecimento. Por meio da Intimação de fls. 114/115, a autoridade da Repartição de origem exigiu do contribuinte a apresentação dos seguintes documentos: 1) original ou copia autenticada do termo de rescisão do contrato de trabalho; 2) comprovantes de rendimentos relativos ao anocalendário da retenção (1986); 3) cópia da DIRPF referente ao exercício l987 com respectivo recibo de entrega; 4) cópia do plano de demissão voluntária adotado pelo exempregador; 5) original ou cópia autenticada do termo de adesão ao PDV, e; 6) declaração, sob as penas da Lei n° 8.137/90 e do art. 299 do Código Penal, de que não impetrou mandado de segurança. Em resposta à intimação o interessado fez anexar aos autos os documentos de fls. 117 a 122, quais sejam: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19679.018842/200324 Acórdão n.º 2802002.067 S2TE02 Fl. 149 5 1) copia autenticada do termo de rescisão do contrato de trabalho, fls. 122; 2) cópia do recibo de entrega da DIRPF referente ao exercício l987 e respectiva Notificação, fls. 117/118 ; 4) cópia do plano de demissão voluntária adotado pelo exempregador, fls. 120; 5) declaração de que não impetrou mandado de segurança, fls. 119, e: 6) carta firmada pelo gerente de remuneração oper. RH da IBM Brasil, Indústria, Máquinas e Serviços Ltda, fls. 122, informando que: “(...) esta empresa vem, ao longo dos anos, oferecendo a seus funcionários um Programa de Desligamento, que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento. Esse incentivo recebeu os seguintes títulos: • Indenização Espontânea Pessoal • Indenização Pessoal Espontânea • Indenização Espontânea Especial • Gratificação Incentivo Aposentadoria • Contribuição Extraordinária Para os funcionários que na época fossem elegíveis ao Plano de Aposentadoria IBM, a carta oferta fazia referência a esta condição, mas só poderiam se aposentar após a demissão. Ratificando dessa forma que o incentivo foi pago pelo desligamento da Empresa, e não pela condição de aposentado. O Sr. Antonio Fernando Amarante, portador do CPF 026.637.67891, foi desligado em 31/05/86 e recebeu um incentivo no valor de.CZ$ 1.279.893,00.. O valor total do IRRF foi de CZ$ 575.951,85. (...)”. Do exame dessa documentação, a autoridade administrativa entendeu que à vista dessa informação “verificouse que não há qualquer referência a verbas indenizatórias por adesão a PDV ou PAI no Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho de fls. 121 que possa ratificar a declaração expressa no documento de fls. 122”. Examinando a questão, a autoridade julgadora de primeira instância concluiu pela impossibilidade de se alterar o teor do Despacho Decisório, uma vez que o Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, fls. 121, não especifica o valor das verbas incentivadas que teriam sido percebidas como rendimentos isentos e nãotributáveis. No entendimento do relator do voto do acórdão recorrido, o contribuinte não trouxe aos autos provas da adesão ao PDV, mesmo porque o referido Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, fls. 121, ao não fazer qualquer referência à verba indenizatória originária de PDV, não consegue ratificar a declaração expressa no documento de fls. 122, anteriormente transcrita. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Depreendese, pois, que a preocupação de ambas autoridades da RFB está relacionada ao fato de o contribuinte não haver apresentado o original ou cópia autenticada do termo de adesão ao PDV proporcionado pela empregadora IBM. Também serviu de motivação para o indeferimento do pedido o fato de não ter sido especificado no Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, fls. 121, o recebimento de “um incentivo no valor de CZ$ 1.279.893,00” informado na carta firmada pela mencionada empregadora. Na fase recursal, o contribuinte junta nova carta, datada de 14/06/2011, emitida pelo gerente executivo de recursos humanos da IBM Brasil Indústria, Máquinas e Serviços Ltda. na qual consta a seguinte declaração: “(...) Declaramos que nosso(a) exfuncionário(a), Antonio Fernando Amarante, portador(a) do CPF n° 026.637.67891, participou de programa de PDV (Programa de Demissão Voluntária) patrocinado por esta empresa com o objetivo de incentivar o desligamento voluntário de seus empregados. Em função de sua participação e consequente desligamento em 31/05/1986, recebeu verbas de incentivo no valor total de CZ$ 1.279.893,00 sendo o valor total de IRRF de CZ$ 575.951,85. Ficamos à inteira disposição para todo e qualquer esclarecimento que venha a ser necessário. E por ser expressão da verdade, assinamos o presente. (...)” Resta, portanto, examinar se o conteúdo dessa declaração supre a falta da apresentação do termo de adesão ao PDV proporcionado pela empregadora IBM (quinto da Intimação de fls. 114/115) e a falta da apresentação dos comprovantes de rendimentos relativos ao anocalendário da retenção (1986), exigido pelo segundo item da citada Intimação. Quanto ao primeiro documento não apresentado pelo contribuinte em resposta à Intimação de fls. 114/115, percebese que a declaração em referência é taxativa ao afirmar que o Recorrente participou de programa de PDV (Programa de Demissão Voluntária) patrocinado por aquela empresa. Porém, quanto ao segundo documento comprobatório que faltou à apresentação, embora a declaração informe o valor do incentivo e o total do imposto de renda retido na fonte, esta, por si só, não é bastante para afastar a dúvida em relação à natureza das verbas que contemplaram tal incentivo. Nesse aspecto não se sabe se o valor informado na declaração firmada pela empresa alcança ou não quantias que seriam percebidas normalmente nos casos de demissão e, portanto, sujeitas à tributação na fonte e na declaração de ajuste anual. À falta de especificação de quais verbas foram recebidas a título de incentivo, não se consegue evidenciar que o valor de CZ$ 1.279.893,00 contempla somente as verbas de natureza indenizatória, indispensável ao reconhecimento do direito à restituição do valor do respectivo imposto de renda retido na fonte, nos termos do Ato Declaratório (Normativo) nº 07, de 12 de março de 1999, citado pelo Despacho Decisório: “(...) I a Instrução Normativa SRF n° 165/1998 dispõe apenas sobre as verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19679.018842/200324 Acórdão n.º 2802002.067 S2TE02 Fl. 150 7 Plano de Demissão Voluntária PDV, não estando amparadas pelas disposições dessa Instrução Normativa as demais hipóteses de desligamento, ainda que voluntário; II entendese como verbas indenizatórias contempladas pela dispensa de constituição de créditos tributários, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 165/1998, aqueles valores especiais recebidos a título de incentivo à adesão ao PDV, não alcançando, portanto, as quantias que seriam percebidas normalmente nos casos de demissão; III não são considerados valores recebidos a título de incentivo à adesão a PDV, estando sujeitos às normas de tributação em vigor: a) as verbas rescisórias previstas na legislação trabalhista ou em dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, a exemplo de: décimo terceiro salário, saldo de salário, salário vencido, férias proporcionais, férias vencidas; b) os valores recebidos em função de direitos adquiridos, anteriormente à adesão a PDV, em decorrência do vínculo empregatício, tais como o resgate de contribuições efetuadas à previdência privada em virtude de desligamento do plano de previdência; (...) Quanto à diligência requerida, reafirmese o entendimento da decisão recorrida no sentido de não ser aceitável a transferência ao Fisco da missão de trazer aos autos provas de interesse exclusivo do contribuinte e cuja guarda não é de responsabilidade da Administração Tributária. Portanto, uma vez que o contribuinte não comprovou que o valor recebido a título incentivo ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) contempla somente verbas de natureza indenizatória, não há como confirmar a liquidez e certeza da restituição pleiteada. Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015602/00-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1994
IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - ILL. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DISPONIBILIDADE DO LUCRO LÍQUIDO. CONTRATO SOCIAL.
É indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula específica de sua distribuição automática no encerramento do período-base.
Numero da decisão: 2201-001.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Denis Vieira Gomes, OAB 283.183/SP.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1994 IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - ILL. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DISPONIBILIDADE DO LUCRO LÍQUIDO. CONTRATO SOCIAL. É indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula específica de sua distribuição automática no encerramento do período-base.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.015602/0011 Recurso nº 148.394 Voluntário Acórdão nº 2201001.827 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2012 Matéria IRF/ILL Recorrente SYMRISE AROMAS E FRAGRANCIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1994 IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DISPONIBILIDADE DO LUCRO LÍQUIDO. CONTRATO SOCIAL. É indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula específica de sua distribuição automática no encerramento do períodobase. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Denis Vieira Gomes, OAB 283.183/SP. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 56 02 /0 0- 11 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de ILL, protocolizado pela empresa HAARMANN & REIMER LTDA., CNPJ 33.018.771/000165, em 13/10/2000, em relação a pagamentos efetuados por sua incorporada, Fermenta Ltda., CNPJ 46.548.947/0001 32, em 29/01/1993, 26/02/1993 e 31/03/1993 (cópias de DARF às fls. 09 e 10), no valor total equivalente a R$ 236.198,08 (fl. 01). Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Em 14/11/2000, 08/12/2000 e 14/12/2000, foram apresentados pedidos de compensação (fls. 82, 85 e 87, respectivamente), vinculados ao presente processo, que foram convertidos em Declarações de Compensação, uma vez que o Despacho Decisório foi cientificado em 04/11/2002, após o início da vigência da Medida Provisória nº 66, de 2002, que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. A autoridade administrativa competente proferiu o Despacho Decisório de fls. 89 a 91, deixando de tomar conhecimento do Pedido de Restituição, por considerar decaído o direito de efetuar o pedido, e indeferiu os Pedidos de Compensação. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou, tempestivamente, em 25/11/2002, a manifestação de inconformidade anexada às fls. 95 a 117, requerendo a reforma da decisão para que o pleito de restituição/compensação fosse deferido e homologado. Às fls. 137 a 142 consta o Acórdão nº 07.611, da 2ª Turma desta Delegacia de Julgamento, em que foi indeferida a manifestação de inconformidade. A interessada, identificandose como “SYMRISE AROMAS E FRAGRÂNCIAS LTDA., atual denominação de HAARMANN E REIMER LTDA.”, ingressou com o recurso voluntário de fls. 146 a 167, junto ao 1º Conselho de Contribuintes, sendo que o Acórdão nº 10247.535, fls. 172 a 180, afastou a decadência e determinou o retorno dos autos para o enfrentamento do mérito. O SECOJ (Serviço de Controle do Julgamento) desta DRJ, considerando que a competência originária para analisar os pedidos de restituição é do Delegado/Inspetor da Receita Federal, encaminhou o processo à EQPIR/DIORT/DERAT/SPO, para apreciação do mérito do pedido formulado na inicial, ressalvando que a análise direta pela DRJ implicaria supressão de instância administrativa (fl. 220). Pelo Despacho Decisório de fls. 224 a 236, analisado o mérito, foi indeferido o pedido de restituição do ILL bem como indeferidos/não homologados todos os pedidos de compensação/PERDCOMP que lhes foram vinculados. Tratandose de Pedido de Restituição de Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL) recolhido, a Autoridade Administrativa competente analisou primeiramente se a interessada detinha a legitimidade ativa para pleitear a restituição, e em seguida, se o recolhimento teria sido indevido. Concluiu pela legitimidade do pleiteante para postular a restituição do ILL recolhido pela sua incorporada, Fermenta Ltda., com o seguinte arrazoado: Haarmann & Reimer Indústria e Comércio de Essências – CNPJ 33.018.771/000165 – empresa que originalmente protocolou o pedido de restituição deste processo – possuindo 4.483.195.530 das 4.483.196.488 cotas (ou seja, Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.015602/0011 Acórdão n.º 2201001.827 S2C2T1 Fl. 3 3 99,9999% do capital social), estando distribuídas 958 cotas entre outros dois sócios pessoa física, incumbindo, pela cláusula décima, a administração e gerência à citada empresa. Neste sentido, fica demonstrada a legitimidade do pleiteante para postular a restituição – caso devida. Quanto à questão seguinte se a empresa Fermenta Ltda. não estaria obrigada a efetuar a retenção e o recolhimento do ILL, ao apurar o lucro líquido no encerramento do período de apuração , a DIORT/DERAT/SPO concluiu que: da leitura das cláusulas sexta, oitava, vigésima, vigésimaprimeira e vigésimasegunda, do contrato social da empresa Fermenta Ltda., fl. 13, constatase que, apurado o resultado do exercício, este está disponível aos sócios, na proporção de sua participação no capital social da empresa; a destinação/utilização dos lucros passa ser uma decisão dos sócios, independentemente de decisão coletiva, sendo que no caso em particular as deliberações sobre a destinação dos lucros poderiam ser tomadas individualmente – por conta da explícita previsão no contrato social (cláusula oitava) – pelo sócio quotista majoritário, detentor de 99,9999% das cotas, e responsável pela Direção/Administração e Gerência, o mesmo que vem, pela sua sucessora, pleitear a restituição; não se configura a situação de pagamento indevido, caracterizada pela indisponibilidade imediata, econômica ou jurídica, do lucro líquido apurado, ressaltandose que a disponibilidade econômica ocorreu com o levantamento do balanço e apuração do lucro líquido do exercício, uma vez que, ainda que não fosse distribuído, o lucro, como produto do capital, já ingressou na esfera jurídica de seu sócioquotista pessoa jurídica, incondicionalmente e, como tal, enquadrase no artigo 43, inciso I, do CTN; houve, ademais, efetiva distribuição dos lucros ao peticionário, no valor de CR$ 26.616.900.000,00, sobre o qual incidiu o ILL. Tendo tomado ciência do novo Despacho Decisório em 20/04/2009 (fls. 237, verso, e 327), a SYMRISE AROMAS E FRAGRÂNCIAS LTDA., CNPJ 43.940.758/000112, como sucessora legal de HAARMANN E REIMER LTDA., apresenta, por intermédio de seu procurador (documentos de fls. 271 a 315), a manifestação de inconformidade de fls. 256 a 269, em 20/05/2009, aduzindo em sua defesa, em síntese: após promulgação da Resolução nº 82, de 1996, do Senado Federal, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 63, de 1997, regulamentando a não incidência do ILL quanto às sociedades por ações, e para as demais sociedades em que o contrato social não previsse, à época do encerramento do período de apuração, a disponibilização, econômica ou jurídica, imediata ao sócioquotista, do lucro líquido apurado; para comprovar o direito de restituir/compensar importâncias de ILL indevidamente recolhidas deve–se analisar o contrato social da empresa Fermenta Ltda. (fl. 13) para identificar a inexistência de cláusula prevendo expressamente a disponibilidade imediata dos lucros ao final do períodobase de apuração, e a existência de cláusulas impeditivas da distribuição imediata de lucros aos sócios, tão logo encerrado o períodobase de apuração; vêse nas cláusulas sétima e oitava que cabe aos sócios, em reunião convocada por qualquer deles, realizar todas as deliberações sociais, que devem ser Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 aprovadas por todos os sócios ou pelos sócios que representem a maioria do capital social, para serem tidas por válidas; as deliberações sociais são tomadas pelo método colegial, resultando da análise, exame e discussão prévia por um conjunto de pessoas incumbidas dessa tarefa pelo contrato social; as cláusulas vigésima e vigésimaprimeira deixam claro que, previamente à destinação dos lucros apurados pela Fermenta Ltda., em 31 de dezembro de cada ano, era necessária a reunião dos sócios para deliberarem sobre o tema, sendo proferido, ao fim, a decisão única da sociedade sobre a questão; por imposição do contrato social todos os sócios participam da reunião em que se delibera a destinação do lucro líquido do exercício, implicando a existência de decisão coletiva sobre a matéria; o documento de fls. 14 a 18 torna inquestionável a existência de reunião dos sócios para deliberarem sobre o destino do lucro líquido da empresa e, da mesma forma, no documento de fls. 19/20, todos os seus sócios decidiram distribuir os lucros acumulados referentes ao exercício de 1991; é indiferente a quantidade de quotas que cada um dos sócios possui na composição do capital social da empresa, inexistindo previsão legal ou entendimento jurisprudencial que determine não se aplicarem a Resolução do Senado nº 82, de 1996, e a IN nº 63, de 1997, nos casos em que um dos sócios detenha maioria do capital social; refutamse os dizeres do fisco, de que os demais sóciosquotistas da empresa possuíam participação meramente simbólica no quadro social, o que, no seu entender, seria razão para justificar a inaplicabilidade das mencionadas Resolução e IN; destaca a necessidade de todos os sócios da empresa comporem o quorum de instalação para a realização da reunião de sócios a que se referem as cláusulas oitava e vigésimaprimeira do contrato social; quando a cláusula vigésimaprimeira faz menção aos termos da cláusula oitava, somente está a se referir ao quorum necessário para a deliberação da matéria, de modo que, para que se alcance esta deliberação, prevalecerá a maioria do capital social; o fato de a recorrente deter a maioria do capital social da Fermenta não significa que estaria dispensada a reunião de sócios, expressamente prevista na cláusula vigésimaprimeira, e da mesma forma, o fato de possuir mais votos não impede a incidência na espécie do parágrafo único do artigo 1º da IN SRF nº 63, de 1997; a interpretação isolada da cláusula vigésimasegunda que apenas reproduz uma imposição da lei que determina que cada sócio participará nos lucros na proporção de suas participações sociais contraria a interpretação teleológica das normas, vez que somente há que se falar na partilha do lucro após a realização da reunião dos sócios a que alude a cláusula anterior; há ainda expressa previsão acerca da necessidade de o Conselho Consultivo pronunciarse sobre o tema, na cláusula décimasétima, que prevê que “A Gerência solicitará o pronunciamento do Conselho Consultivo nos seguintes casos: a) ...; b) de propostas de distribuição de lucros ou de criação de fundos de reservas especiais”; Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.015602/0011 Acórdão n.º 2201001.827 S2C2T1 Fl. 4 5 requer o recebimento da manifestação nos efeitos que lhe são inerentes, inclusive com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário no que respeita aos débitos tratados nos autos, com fundamento nos §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e do artigo 151, III, do CTN, bem como a reforma do despacho decisório para reconhecimento do direito à restituição do ILL discutido nos autos, homologando todos os pedidos de compensação vinculados. Observase que, não obstante tenha sido anexada, às fls. 285 a 306, a alteração do contrato social da Dragoco Perfumes e Aromas Ltda., CNPJ nº 43.940.758/0001 12, registrado na JUCESP em 14/01/2004, que incorporou a SYMRISE AROMAS E FRAGRÂNCIAS LTDA., CNPJ 33.018.771/000165, passando a incorporadora a denominarse SYMRISE AROMAS E FRAGRÂNCIAS LTDA., em pesquisa efetuada no sistema CNPJ, acostada às fls. 134/136, ainda não constava a atualização cadastral nos sistemas da Receita Federal. A 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme se observa das ementas abaixo transcritas: ILL. APLICABILIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. É devido o ILL se o contrato social da empresa por quotas de responsabilidade limitada confere ao sócio quotista majoritário a faculdade de deliberar sobre a distribuição, bem como a disponibilidade imediata dos lucros pelos sócios. Indeferese o pedido de restituição. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 01/10/2002, data em que passou a produzir efeitos o artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, foram convertidos em declarações de compensação. Não se homologam as compensações declaradas, por inexistência de crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão de primeira instância em 01/10/2009 (fl. 337), a interessada apresenta Recurso Voluntário em 29/10/2009 (fls. 338 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Como visto do relatório, tratase de pedido de restituição efetuado pela recorrente, pleiteando a devolução do ILL recolhido em 29/01/1993, 26/02/1993 e 31/03/1993, no valor total de R$ 236.198,08. Ultrapassada a questão concernente à decadência do direito à restituição, visto que o Acórdão nº 10247.535, fls. 172/180, proferido pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte afastou a decadência e determinou o retorno dos autos para o enfrentamento do mérito, a decisão recorrida indeferiu o pedido da suplicante sob o argumento de que o contrato social da empresa por quotas de responsabilidade limitada confere ao sócio quotista majoritário a faculdade de deliberar sobre a distribuição, além da disponibilidade imediata dos lucros pelos sócios. De pronto, impende reproduzir parte do contrato social da empresa Fermenta Ltda., relativa à matéria em comento (fl. 13): Cláusula Sétima: Todas as deliberações sociais serão tomadas pelos sócios em reunião convocada por qualquer um deles, com 15 (quinze) dias de antecedência, através de telegrama ou por carta, dispensandose esse prazo quando a reunião contar com a presença da totalidade dos sócios. As resoluções também poderão ser tomadas por escrito, independentemente, nesse caso, de reunião dos sócios. Cláusula Oitava: As deliberações a que se referem o item anterior somente serão válidas quando aprovadas por sócio ou sócios representando a maioria do capital social. (...) Cláusula VigésimaPrimeira: Os lucros apurados no balanço a que se refere o número anterior terão o destino que for deliberado pelos sócios, em reunião, de acordo com a “Cláusula Oitava”. Cláusula VigésimaSegunda: Os lucros serão partilhados aos sócios na proporção de suas quotas no capital social, e os prejuízos acaso verificados serão transferidos para os exercícios subseqüentes, observadas as prescrições legais. (grifei) Em análise ao caso concreto, tratandose a recorrente de sociedade de responsabilidade limitada, depreendese da leitura de seu contrato social, em especial de sua cláusula VigésimaPrimeira, que inexistia àquele tempo previsão de distribuição imediata e automática de seus lucros. Sendo assim, é indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula específica de sua distribuição automática no encerramento do períodobase (STF RE n° 172.0581/SC). Ante a todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.015602/0011 Acórdão n.º 2201001.827 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10880.015602/0011 Recurso nº: 148.394 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.827. Brasília/DF, 19 de setembro de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001048/2003-55
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Admitindo-se a utilização de interposta pessoa, a exigência tributária será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, com a qualificação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Admitindo-se a utilização de interposta pessoa, a exigência tributária será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, com a qualificação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 127 1 126 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.001048/200355 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.912 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente SIDNEI FERNANDO CABRAL DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Admitindose a utilização de interposta pessoa, a exigência tributária será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, com a qualificação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 10 48 /2 00 3- 55 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Tratase de Recurso Voluntário que pretende a reforma do Acórdão DRJ/RJO nº 4.137, de 11/12/2003, que julgou procedente em parte o Auto de Infração do IRPF. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pelo contribuinte foram sumariados pela conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, nos seguintes termos: “O auto de infração de fls. 17 a 36 exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$643.326,69, resultado da soma do imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF), no valor de R$ 202.119,67, acrescido de multa de oficio equivalente a 150% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face de haver sido constatada omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, em que a origem não foi comprovada, cujo enquadramento legal foi o artigo 42 da Lei n°9.430, de 27/12/1996, artigo 4° da Lei n°9.481, de 14/08/1997, e artigo 21 da Lei n°9.532, de 10/12/1997. 2. A intimação do contribuinte se fez por meio do Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 07), onde, dentre outros documentos, foi solicitada a apresentação de extratos bancários referentes às contascorrentes, aplicações financeiras, cadernetas de poupança por ele mantidas junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao anocalendário de 1998. 3. O contribuinte apresentou os extratos referentes a contacorrente n° 77387061, Agência 00035, do Banco Real S/A, mediante Termo de Declaração (fl. 10), prestado na presença da autoridade fiscal responsável pelo procedimento de fiscalização, aduzindo, ainda em declaração anexa os seguintes argumentos: I — o único documento que possui, no tocante a rendimentos, é o comprovante de declaração como isento; II — não tem dividas nem créditos e não mantém ou teve empréstimo com empresas; III — não possui aplicações financeiras, pois a sua situação financeira não permite, sendo a (mica conta bancária de que era titular aquela da qual apresentou os extratos; IV— no ano de 1998 passou por sérias dificuldades, sem ter de onde tirar recursos para sobreviver com dignidade, e o Sr. Roberto da Silva Fernandes propôs que lhe emprestasse a sua contacorrente para sua movimentação, mediante um pagamento mensal de R$ 500,00; V — não tinha idéia do volume de dinheiro que circulava em sua contacorrente, vez que deixou vários talões assinados em poder de referida pessoa; VI — nos últimos anos não teve mais contato com o Sr. Roberto da Silva Fernandes, sabendo que este foi preso e que na época residia na rua das Angélicas, n° 60, Bairro Santa Rita; VII — possui apenas um automóvel, ano 1999, modelo "GM Kadett" e mora numa casa humilde, da qual não possui escritura definitiva, no bairro do Gogó da Ema, Belford Roxo, Estado do Rio de Janeiro, não tendo adquirido qualquer outro bem ao longo desses anos. 4. De posse dos extratos bancários, em 16/04/2003, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo dos depósitos efetuados, registrando em Termo de Constatação (fls. 12 a 14), também assinado pelo sujeito passivo, as seguintes considerações: I — o sujeito passivo, devidamente intimado a prestar esclarecimentos, não logrou comprovar ou justificar a origem dos valores constantes nos extratos bancários, conforme a relação que apresenta, de sua contacorrente n° 77387061, Agência 00035, do Banco Real S/A; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.001048/200355 Acórdão n.º 2101001.912 S2C1T1 Fl. 128 3 II — são considerados omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte regularmente intimado não comprove mediante documentação hábil e idônea; III — todos os créditos foram analisados individualmente, inclusive os de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório desses créditos ultrapassaram o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário de 1998. 5. Lavrado o auto de infração, com a ciência do sujeito passivo em 02/05/2003, foi apresentada, tempestivamente, a impugnação e fls. 41 a 42, em que são expostas, em síntese, as seguintes considerações em sua defesa: I — ao examinar os extratos bancários, observou que os saldos diários registrados giravam em torno de R$ 35.000,00, enquanto no demonstrativo da fiscalização os saldos foram acumulados atingindo o montante de R$ 750.689,73; II — está plenamente convencido que a Secretaria da Receita Federal usa com eficiência todos os mecanismos para o desempenho de suas atividades, e que os recursos levantados efetivamente transitaram por sua contacorrente bancária, entretanto, em sua defesa, pode afirmar com segurança que, ao longo da vida procurou desenvolver um trabalho honesto, estando assustado diante de possíveis represálias do fisco, como se tivesse constituído elevado patrimônio e sonegado os tributos correspondentes; III — o fato de ter cedido a sua contacorrente bancária a terceiro, indevidamente, no entendimento da fiscalização, foi o suficiente para ser enquadrado como responsável por omissão de rendimentos, presumindo que os recursos depositados fossem de sua propriedade, sem levar em conta os esclarecimentos prestados anteriormente, pois que sua participação nesse episódio foi de um inocente; IV — no ano de 1998, passou por dificuldades sem ter recursos para sua sobrevivência, o que comentou com o Sr. Roberto da Silva Fernandes, CPF n° 588.68658704, irmão da sua madrasta, que perguntou se o recorrente era titular de conta bancária e se poderia utilizála, uma que enfrentava alguns problemas com o banco no qual mantinha conta; V — autorizou que referida pessoa movimentasse a sua conta bancária porque não percebeu que poderia estar correndo algum risco, o que foi feito em troca do pagamento de R$ 500,00 mensais, o que foi muito importante para resolver o seu problema financeiro naquela oportunidade; VI — conforme ficou acertado, deixou com o Sr. Roberto da Silva Fernandes vários talões de cheques assinados, razão pela qual nunca teve idéia do volume que transitava pela sua conta bancária, e, embora não tenha tido contato com referida pessoa nos últimos anos, soube que ele estava preso, não conhecendo qual o motivo da prisão; VII — informa que os únicos bens de sua propriedade foram conquistados com muito esforço e são um veiculo Kadet, ano 1990, e uma casa simples, onde mora, que ainda não tem registro definitivo, no bairro do Gogó da Ema, em Belford Roxo, Rio de Janeiro. 6. Os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJO II RJ acordaram por dar o lançamento por parcialmente procedente, reduzindo a multa de oficio ao percentual de 75%, não acatando as considerações sobre a impertinência do auto de infração, sob o fundamento de que ficou devidamente comprovado que foram depositados recursos na contacorrente bancária do sujeito passivo, cuja origem não foi identificada. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 7. Em 13/02/2004, a correspondência com a intimação do acórdão a quo foi entregue no endereço do contribuinte, tendo sido recebida por Joaquim dos Santos Machado. 8. Em 25/03/2004 foi lavrado o Termo de Perempção e enviada Carta Cobrança. 9. Em 31/05/2004, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fl. 98, onde expõe os seguintes argumentos em sua defesa: I — preliminarmente, pede que seja concedido um novo prazo para a defesa, vez que o acórdão de primeira instância foi enviado para sua antiga residência, e que somente foi informado de tal documento quando se dirigiu ao órgão da Secretaria da Receita Federal em Nova Iguaçu; II — no mérito, afirma que no anocalendário de 1998 foi movimentada em sua contacorrente uma quantia em torno de R$ 25.000,00, conforme mostra o extrato bancário, e não o movimento levantado pela autoridade fiscal; III — também que já tentou de todas as formas possíveis esclarecer este processo, mas ainda não obteve sucesso; IV — o Sr. Roberto da Silva Fernandes, CPF n° 588.686.58704, de fato movimentou a sua contacorrente bancária, mas tem certeza que este Conselho tem facilidade de obter qualquer informação financeira a seu respeito, e somente assim comprovará que nesses últimos anos não teve movimentação que comprovasse este valor em seu poder. Ao apreciar o apelo do contribuinte, a 6ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, considerou que o recurso voluntário atendeu os requisitos de admissibilidade e converteu o julgamento em diligência – que desde o início da ação fiscal afirma que os recursos seriam de fato pertencentes ao Sr. Roberto da Silva Fernandes, CPF nº 588.686.58704 – para as seguintes providências: 1) o recorrente traga aos autos a comprovação de que as operações acima referidas representam valores pertencentes ao Sr. Roberto da Silva Fernandes, CPF — 588.686.58704; 2) após a colheita das informações do sujeito passivo, a fiscalização diligencie junto à instituição bancária, no sentido de verificar a existência de quaisquer elementos capazes e evidenciar que a movimentação bancária detectada na conta do recorrente fora efetivamente realizada pelo terceiro que ele nomeia. Em resposta à nova intimação, o contribuinte informou não dispor de recursos para obter as informações requeridas. Solicitou, porém, que o Auditor Fiscal da Receita Federal Walter Fernandes Lima, utilizandose das suas prerrogativas e solicitasse os extratos perante o banco. Por sua vez, a fiscalização entendeu que se tornou impossível o prosseguimento da diligência fiscal, visto que as informações do sujeito passivo seriam a base para o atendimento dos quesitos formulados pelo julgador. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.001048/200355 Acórdão n.º 2101001.912 S2C1T1 Fl. 129 5 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). As presunções servem para que fatos de difícil comprovação direta sejam substituídos por outros que, em ocorrendo, darão fortes indícios de que o fato gerador do imposto efetivamente ocorreu. Assim, a presunção de omissão de rendimentos em face da constatação de créditos bancários sem origem comprovada deve ser construída com base na verossimilhança e em juízos de razoabilidade e proporcionalidade, pois, sem que assim seja, não será possível a sua aplicação, posto que estará eivada de incerteza a exigência tributária, fazendo nascer uma obrigação com vício de bases principiológicas relativas à segurança jurídica e à capacidade contributiva. O princípio da verdade material decorre do princípio da oficialidade: é do interesse da administração tributária que o lançamento seja efetuado com base na verdade real. Em voto proferido no Acórdão nº 10247.457, acolhido à unanimidade por este Colegiado, o i. Conselheiro Naury Fragoso Tanaka faz as seguintes ponderações: (...) a verdade material deve sempre constituir objeto de busca pelo procedimento fiscal, mesmo nas situações em que a lei permite ao fisco obter o fato gerador por intermédio da ocorrência de outros que a ele estão ligados logicamente. (...) a busca da verdade material que se externa obrigatória pela ordem contida no artigo 142, do CTN, e para que, por utilização inadequada da base presuntiva, evitese formalização de créditos exorbitantes e em descompasso com aquele que realmente seria devido. O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Portanto, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias. Desde o início do procedimento fiscal o contribuinte apresentou espontaneamente os extratos bancários e prestou os esclarecimentos, conforme indicam o Termo de Declaração elaborado pela fiscalização e o Relatório elaborado de próprio punho pelo autuado, acerca dos fatos relacionados ao lançamento em exame (fls. 10/11). À evidência de que a movimentação bancária decorre do uso da conta por terceiros, deve a fiscalização envidar todos os esforços para identificar o real beneficiário dos recursos, sob pena de negligenciar o exercício de sua atividade privativa de constituir o crédito tributário administrativa pelo lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.001048/200355 Acórdão n.º 2101001.912 S2C1T1 Fl. 130 7 A fiscalização também deve colaborar para que a verdade e a justiça prevaleçam. O Estado não tem interesse subjetivo nas questões. O fato indiciário deve ser alçado à condição de fato presuntivo após exame rigoroso por parte da fiscalização, que tem o dever de aprofundar a investigação, se houver elementos indiciários a infirmar a presunção. Diversos julgados deste Colegiado têm manifestado o entendimento de que os esclarecimentos prestados no início do procedimento de fiscalização denotam a boafé do acusado e permitem ao fisco avaliar e investigar os fatos alegados, quando ainda é possível fazêlo, pois todos os partícipes das transações ainda têm obrigação de conservar em boa guarda todos os documentos que possam esclarecer a matéria tributável. É fácil para a fiscalização, por amostragem, intimar os depositantes e os favorecidos de valores depositados nas contas bancárias investigadas, a fim de esclarecer a natureza das operações. Entretanto, a fiscalização quedouse inerte e constituiu o crédito tributário sem efetuar qualquer verificação complementar, mesmo havendo o contribuinte comparecido pessoalmente à Receita Federal e declarado de próprio punho que o Sr. Roberto da Silva Fernandes era quem de fato movimentava a conta bancária e era o efetivo beneficiário dos recursos que por ela transitaram (fls. 10/11), e que não possuía qualquer documento relativo aos créditos bancários. A mesma situação se verificou na diligência determinada pela Sexta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes – hipossuficiência do contribuinte para produzir a prova requerida e falta de iniciativa da fiscalização para esclarecimento dos fatos. Se o contribuinte não era quem movimentava a conta bancária como poderia possuir os comprovantes da origem dos recursos movimentados? Pareceme evidente, inclusive, que a fiscalização acolheu esta assertiva, quando determinou a cobrança de multa qualificada, pela utilização de interposta pessoa, consoante descrição dos fatos no Auto de Infração, à fl. 20. O venire contra factum proprium corresponde à proibição ao comportamento contraditório. A fiscalização adotou uma posição jurídica contrária àquela assumida quando admitiu a utilização de interposta pessoa, pois não dirigiu a exigência tributária contra quem teria se utilizado de interposta pessoa, beneficiandose anonimamente dos recursos creditados em conta bancária. Com efeito, quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. É o que dispõe o parágrafo 5º do art. 42 da lei 9.430 de 1996. Concluise, portanto, que houve erro na identificação do sujeito passivo. O recorrente não passou de um “laranja”, devendo a exigência do tributo devido ser dirigida contra a terceira pessoa, real beneficiária dos créditos bancários, com a penalidade qualificada, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Neste diapasão, inclusive, o Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Súmula CARF nº 34, para a qual a Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010, atribui efeito vinculante à administração tributária federal: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16098.000094/2007-08
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DURANTE O ANO-CALENDÁRIO. LIMITE TEMPORAL PARA SOLICITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou ano-calendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou ano-calendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Sendo que o limite temporal para a solicitação da compensação é até o último dia previsto para o recolhimento do imposto relativo aquele ano-calendário. Assim, tendo o IRRF sido retido no dia 28/12/2004 e este imposto poderia ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, o prazo para a interposição do pedido de compensação foi até 05/01/2005. Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DURANTE O ANO-CALENDÁRIO. LIMITE TEMPORAL PARA SOLICITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou ano-calendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou ano-calendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Sendo que o limite temporal para a solicitação da compensação é até o último dia previsto para o recolhimento do imposto relativo aquele ano-calendário. Assim, tendo o IRRF sido retido no dia 28/12/2004 e este imposto poderia ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, o prazo para a interposição do pedido de compensação foi até 05/01/2005. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 128 1 127 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16098.000094/200708 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202001.970 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria IRRF Recorrente LETERO EMPREENDIMENTOS, PUBLICIDADE E PARTICIPAÇÕES S/A antiga SODEPA SOCIEDADE DE EMPREENDIMENTOS, PUBLICIDADE E PARTICIPAÇÕES S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DURANTE O ANOCALENDÁRIO. LIMITE TEMPORAL PARA SOLICITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou anocalendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou anocalendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Sendo que o limite temporal para a solicitação da compensação é até o último dia previsto para o recolhimento do imposto relativo aquele ano calendário. Assim, tendo o IRRF sido retido no dia 28/12/2004 e este imposto poderia ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, o prazo para a interposição do pedido de compensação foi até 05/01/2005. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 8. 00 00 94 /2 00 7- 08 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 2 Nelson Mallmann – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16098.000094/200708 Acórdão n.º 2202001.970 S2C2T2 Fl. 129 3 Relatório LETERO EMPREENDIMENTOS, PUBLICIDADE E PARTICIPAÇÕES S/A antiga SODEPA SOCIEDADE DE EMPREENDIMENTOS, PUBLICIDADE E PARTICIPAÇÕES S/A, contribuinte inscrito no CNPJ/MF 43.826.833/000119, com domicílio fiscal na cidade de Poá, Estado de São Paulo, à Avenida Brasil, nº 78, loja 10 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância (fls. 53/55), prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 59/74. O requerente transmitiu, em 05/01/2005, a Declaração de Compensação DCOMP99, registrada sob o nº 04611.39775.050105.1.3.067381, onde declarou a compensação de débito de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre juros sobre capital próprio creditado a seus acionistas no decorrer do anocalendário de 2004 (fls. 11), no valor de R$ 12.180.000,00, utilizando com crédito, valor retido de seus rendimentos de juros sobre capital próprio, durante o anocalendário de 2004, creditados por pessoa jurídica na qual figurava como acionista, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 12). De acordo com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos SP, através da Seção de Orientação e Análise Tributária Saort, apreciou e concluiu que o presente pedido de restituição é improcedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que de acordo com o artigo 32, da Instrução Normativa SRF N° 600/2005, a pessoa jurídica optante pelo lucro real no anocalendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio, com retenção de imposto de renda, poderá utilizar o referido crédito, durante o anocalendário da retenção, na compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, a seu titular, sócio ou acionista; que do dispositivo citado, é relevante mencionar que há duas balizas cronológicas para determinar a possibilidade da utilização do crédito de IRRF sobre a remuneração de juros sobre o capital próprio: A primeira, a data da transmissão da Declaração de Compensação, onde se configuraria a efetiva utilização do crédito, e a segunda, o período calendário (no caso concreto, o anocalendário) da retenção. Para que a compensação possa ser efetivada, a condição imposta pela legislação é que a utilização do crédito (Declaração de Compensação) seja feita no decorrer do período calendário onde houve a retenção do IRRF creditado; que analisando o caso concreto, percebese que a Declaração de Compensação foi transmitida em 05 de janeiro de 2005. Porém, a retenção do IRRF foi efetivada no mês de dezembro de 2004, conforme comprova a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, entregue pela pessoa jurídica que efetuou o crédito de juros sobre o capital e a retenção do IRRF sobre esta remuneração (fls. 12). Essa Pessoa Jurídica foi informada pelo Interessado na DCOMP (fls. 03), sendo que o crédito foi apontado como Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 4 pertencente ao mês de dezembro. Porém, considerando que o documento foi transmitido em 05 de janeiro de 2005, não há a possibilidade do crédito referirse a dezembro de 2005, pois naquela data, ainda não havia sido feita qualquer retenção relativa àquele mês, inexistindo, portanto direito creditório. A única maneira plausível de se entender a alusão ao mês de dezembro, seria como uma referência ao mês de dezembro de 2004, o que se confirmaria pela informação prestada pela fonte retentora, quando da entrega da DIRF (fls. 12); que, diante disto, fica constatado que a compensação foi declarada posteriormente ao anocalendário onde foi feita a retenção. A compensação foi declarada em 05 de janeiro de 2005, quando a retenção foi feita no anocalendário de 2004. Assim, fica evidenciado que a compensação foi feita em desacordo com o preconizado no artigo 32, das Instruções Normativas SRF N° 600/2005, e N° 460/2004; que a sistemática preconizada pelas citadas Instruções Normativas determina que, após o decurso do períodocalendário da retenção, a forma pela qual o crédito decorrente do IRRF sobre a remuneração do capital próprio deve ser aproveitado é pela dedução do imposto de renda devido no período calendário da retenção, e se for o caso, pela incorporação ao saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica do período; que o interessado mostrou ter total ciência desta sistemática, uma vez que aproveitou todos seus créditos de IRRF, inclusive os relativos a juros sobre capital próprio, para dedução de seu imposto de renda pessoa jurídica do anocalendário de 2004, chegando a apurar saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica, que ostenta na DIPJ normal, relativa a esse anocalendário (fls. 13 a 17); que, com efeito, da análise da apuração do imposto de renda do ano calendário de 2004, observase que na linha 13, da ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, o Interessado apropriou R$ 64.685.720,89, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls.15), que somado ao deduzido na apuração das parcelas de estimativa do mês de dezembro de 2004 (fls. 14), totaliza R$ 65.103.184,30. Este valor corresponde a todo o crédito relativo ao IRRF do Interessado, apropriado entre o dia 02 de dezembro de 2004 a 31 de dezembro de 2004, períodocalendário que foi objeto da DIPJ normal do anocalendário de 2004, conforme ficha 53 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 16 e 17). Neste demonstrativo está claramente contido o valor do crédito que tenta utilizar na DCOMP aqui tratada, representado pela linha 005, onde consta que a pessoa jurídica Banco Safra S/A teria retido R$ 44.945.690,94, de IRRF, no código 5706 Juros sobre o capital próprio; que cabe esclarecer que o restante do crédito relativo ao IRRF do ano calendário de 2004 foi totalmente apropriado na apuração do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do período de 01/01/2004 a 01/12/2004, que foi objeto de entrega de DIPJ especial, relacionada a uma cisão parcial ocorrida na empresa (fls. 18 a 25). Nesta apuração, também, todo o crédito relativo ao IRRF demonstrado na ficha 53 (fls. 19 e 20), foi aproveitado mediante a dedução na linha 13, da ficha 12 A (fls. 25), e na linha 07, da ficha 11, dos meses de fevereiro e maio de 2004 (fls. 21 e 22); que, assim, tanto o fato da compensação ter sido feita em desacordo com o disposto na legislação reguladora, quanto à circunstância do valor relativo ao crédito ter sido utilizado para dedução do Imposto de Renda do anocalendário de 2004, impede que a compensação possa ser homologada. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 17/07/2007, conforme Termo constante às fls. 29/30, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (16/08/2007), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 32/42, Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16098.000094/200708 Acórdão n.º 2202001.970 S2C2T2 Fl. 130 5 instruído pelos documentos de fls. 43/50, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações; que se trata de procedimento administrativo instaurado pela LETERO EMPREENDIMENTOS, PUBLICIDADE E PARTICIPAÇÕES S/A, tendo por objeto pedido de homologação da compensação efetuada por meio da DCOMP 04611.39775.050105.1.3.06 7381, onde a empresa declara compensação de débito de IRRF sobre juros sobre capital próprio creditado a seus acionistas no decorrer do anocalendário de 2004, no valor de R$ 12.180.000,00, utilizando com crédito, valor retido de seus rendimentos de juros sobre capital próprio, durante o anocalendário de 2004, creditados por pessoa jurídica na qual figurava como acionista, a título de IRRF; que, observase, sem maiores esforços, que não existem suporte fático plausível nem fundamento legal suficientes, em favor da tese defendida pela autoridade fiscal RECORRIDA, para denegação do direito creditório da RECORRENTE e conseqüente não homologação do pedido de compensação veiculado; que hipoteticamente, ainda que fossem apontados fundamentos jurídicos exarados em normativos infralegais de competência da RECORRIDA, os mesmos encontram se divorciados da legislação aplicável à matéria, no teor da argumentação a seguir explanada pelo RECORRENTE; que importante ainda trazer ao debate a legislação autorizadora da compensação de tributos, prevista no art. 165, CTN; art. 66, Lei n° 8.383/91; art. 74, Lei 9.430/96; e art. 26, Instrução Normativa SRF n° 600/05; que definem as hipóteses e condições para a restituição dos tributos, estabelecendo as formas de compensação destes valores e ressalvando as hipóteses não autorizadas; que no teor do que resta disciplinado em todos os dispositivos legais acima transcritos, é direito da RECORRENTE inquestionável e irrefutável compensar tributos, restando claro que não existe limitação temporal, tanto no § 6° da Lei n. 9.249/95 quanto na regra geral para compensação do crédito tributário, do exercício financeiro em que deva ser realizada a compensação, mas unicamente o prazo para elidir a decadência de tal direito; que em que pesem os argumentos expendidos, fato é que a RECORRENTE efetivamente compensou os valores, referentes ao crédito dos juros sobre capital próprio, dentro do período estabelecido na Instrução Normativa SRF n. 600/2005; que, isto porque, tendo o IRRF sido retido no dia 28/12/2004, nos termos do art. 83, I, 'd', Lei n. 8.981/95 legislação vigente à época , o imposto deveria ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador; que sob outro enfoque, a situação fática da RECORRENTE, tendo em vista a data em que ocorreu o crédito dos juros sobre o capital próprio a seus acionistas verificarse no encerramento do anocalendário 2004, não lhe permitiu efetuar a informação por via DCOMP dentro desse mesmo período (impossibilidade sistêmica), ensejando que, ato contínuo, tal providência fosse adotada em 05 de janeiro de 2005 (até mesmo porque assim determinava o art. 83, I, 'd', da Lei n. 8.981/95, vigente à época); que à luz do bom senso e da razão, é evidente que a RECORRENTE agiu dentro dos ditames legais, vez que inquestionável seu direito de compensar os pagamentos do Fl. 230DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 6 imposto de renda retido na fonte, por ocasião dos juros oriundos da remuneração do capital próprio creditados a seus acionistas; que cumpre ainda â RECORRENTE destacar que todos os direitos e obrigações atribuídos aos contribuintes, em matéria fiscal, encontramse jungidos ao mais absoluto regime da legalidade estrita e moralidade de seus atos, vertidos à categoria de princípios constitucionais intangíveis; que, isso porque, no que concerne ao princípio da legalidade, a Administração Pública submetese à observância estrita da lei na prática de seus atos, bem como, em Direito Tributário, a homologação ou não de crédito tributário submetese ao primado da lei. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pelo recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, a Segunda Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP autoridade julgadora revisora resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra o decisório da Autoridade Administrativa singular, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, no mérito, destaquese que, observada a legislação em vigor, no caso de beneficiária pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, a regra é que o imposto de renda retido na fonte sobre recebimento de juros sobre o capital próprio deve ser considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, conforme expressamente consignado no art. 9º, § 3°, I da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; que, todavia, no § 6° do mesmo dispositivo legal acima transcrito, foi definida a possibilidade de o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, compensar o imposto retido no recebimento dos juros, com o imposto a ser retido e recolhido, por ocasião do pagamento ou crédito dos juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. É a seguinte a redação do preceito normativo: "§ 6º No caso de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas"; que apesar dos protestos da defesa, encontrase em perfeita consonância com as disposições legais do art. 9º da Lei n° 9.249, de 1995, a interpretação consolidada no art. 32 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, na medida em que a exceção não deve se sobrepor à regra, mas deve ser com ela compatibilizada; que, nesse sentido, não se pode perder de vista a regra: para o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto retido na fonte no recebimento de juros sobre o capital próprio configurase como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Conseqüentemente, a permissão de compensação do imposto retido no recebimento, com o valor a ser retido e repassado, por ocasião do pagamento dos juros, somente pode ser efetuada, antes de encerrado o período de apuração do IRPJ devido (anual ou trimestral), quando necessariamente o valor retido – total ou remanescente das compensações permitidas deve integrar a determinação do valor do IRPJ a pagar (saldo positivo ou negativo); que cumpre aqui assinalar que, em regra, quando o imposto de renda retido na fonte se constitui em antecipação do devido na apuração anual ou trimestral do IRPJ, não é passível de restituição ou compensação a título de IRRF, mas apenas de saldo negativo de IRPJ Fl. 231DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16098.000094/200708 Acórdão n.º 2202001.970 S2C2T2 Fl. 131 7 porventura apurado ao final do período. A permissão de compensação do IRRF incidente sobre o recebimento de juros sobre o capital próprio, com o IRRF incidente sobre o pagamento de tais juros, é uma exceção prevista, mas válida apenas até o encerramento do período de apuração, quando os valores, totais ou remanescentes, devem necessariamente integrar a determinação do saldo do IRPJ a pagar (saldo positivo ou negativo); que, por fim, cumpre assinalar que, nos termos da legislação em vigor, a extinção do crédito tributário, mediante declaração de compensação, operase por conta e risco do sujeito passivo. No contexto da verificação de sua regularidade, a ser efetuada, pelo Fisco, no prazo de cinco anos, não cabe alteração, de oficio, da natureza do indébito tributário a ela vinculado, principalmente quando verificada a existência: (i) de prazo para apresentação de nova declaração com observância dos ditames legais, e (ii) de litígio, configurado pela presente manifestação de inconformidade. As ementas que consubstanciam os fundamentos da decisão são as seguintes: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 IRRF. Recebimento de Juros sobre o Capital Próprio. Compensação. Para o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto retido na fonte no recebimento de juros sobre o capital próprio configurase como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Conseqüentemente, a compensação do imposto retido no recebimento, com o valor a ser retido e repassado, por ocasião do pagamento dos juros, somente pode ser efetuada, antes de encerrado o período de apuração do IRPJ devido (anual ou trimestral), quando necessariamente o valor retido (total ou remanescente) deve integrar a determinação do valor do IRPJ a pagar (saldo positivo ou negativo). Compensação não Homologada Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 15/01/2008, conforme Termo constante às fls. 56/57, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (13/02/2008), o recurso voluntário de fls. 59/74, instruído pelos documentos de fls. 75/77, no qual demonstra irresignação parcial contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que é importante que se esclareça em primeiro lugar o motivo que levou a Autoridade Fiscal a afirmar que a Recorrente teria apropriado o crédito relativo ao IRRP na apuração do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do período de 31/01/2004 a 31/12/2004 (além de ter utilizado parte do mesmo na PER/DCOMP objeto da presente); que este erro de preenchimento pode ser comprovado através dos seguintes documentos ora anexados: DIPJ 2005:(doc.1),"Planilha Demonstrativa IRRF – 2004, Ficha 53" (doc.2), Razão Contábil (d o c. 3 e "Planilha Demonstrativa (IRPJ a Compensar 2005 (doc. 4); Fl. 232DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 8 que a questão controvertida é portanto de solução muito simples, bastando identificarmos se: 1) a compensação em tela foi efetivamente realizada no mesmo ano calendário, conforme exigência do artigo 32 da Instrução Normativa 600/2005; ou 2) se foi realizada somente no exercício subsequente, como quer fazer crer a Autoridade Coatora; que através da análise do Razão Contábil da empresa, também podemos verificar que deste valor total de R$ 45.165.548,47, o montante de R$ 12.180.000,00 foi utilizado na PER/DCOMP transmitida em 05/01/2005, restando portanto o montante relativo à diferença, no importe de R$ 32.985.548,47, que foi efetivamente apropriado como saldo negativo de Imposto de Renda no período; que é evidente que a compensação deve ser considerada como realizada no mesmo anocalendário das retenções, ou seja, 2004. Isto porque, tendo o IRRF sobre o pagamento de JCP a seus acionistas sido retido no dia 28/12/2004, o imposto deveria ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, ou seja, até 05/01/2005, conforme comando do artigo 83, I, 'd', da Lei n. 8.981/95 e do artigo 865 do Decreto 3.000/99 (legislação vigente à época); que mesmo sentido é o disposto na Agenda Tributária do mês de Janeiro do ano de 2005 divulgada através do Ato Declaratório Executivo Corat n° 105, de 27 de dezembro de 2004, que determinava que o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os juros sobre capital próprio, cujo fato gerador ocorrese entre 26/12/04 e 01/01/05, deveria ter sido recolhido até o dia 5 de Janeiro de 2005, ou seja, na mesma data em que ocorreu a transmissão da PER/DCOMP não homologada, objeto da presente discussão; que sob o enfoque da situação fática da RECORRENTE, tendo em vista a data em que ocorreu o crédito dos juros sobre o capital próprio a seus acionistas verificarse no encerramento do anocalendário, não lhe foi possível efetuar a informação via PER/DCOMP dentro desse mesmo período (impossibilidade sistêmica), ensejando que, ato contínuo, tal providência fosse adotada em 05 de janeiro de 2005 (até mesmo porque assim determinava o art. 83, I, 'd', da Lei n. 8.981/95 e Ato Declaratório Executivo Corat n° 105/2004, vigentes à época). Em 06 de novembro de 2008, resolvem os membros do Colegiado da então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência para que autoridade fiscal autuante: verifique se não houve aproveitamento em duplicidade do crédito questionado; manifestese sobre o conteúdo das planilhas juntadas em memoriais; junte as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos calendários de 2004 e 2005. Em 26 de setembro de 2011, a autoridade fiscal responsável pela análise do pelo da Resolução apresenta o seu Relatório Fiscal (fls. 191), do qual transcrevo os excertos abaixo: O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme resolução n° 10601.459 de fls. 114 a 118, para que a autoridade fiscal atenda aos seguintes quesitos: "verifique se não houve aproveitamento em duplicidade do crédito questionado". A resposta a este quesito é de que não houve aproveitamento em duplicidade: o crédito de saldo negativo de IRPJ de R$ 64.685.720,89, apurado pelo interessado na DIPJ do ano Fl. 233DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16098.000094/200708 Acórdão n.º 2202001.970 S2C2T2 Fl. 132 9 calendário de 2004, foi por ele integralmente utilizado na PER/DCOMP n° 04611.39775.050105.1.3.067381 (R$ 12.180.000,00), objeto deste processo, e na PER/DCOMP n° 15331.50362.030609.1.3.025685 (R$ 52.505.720,89), de fls.125 a 133; "manifestese sobre o conteúdo das planilhas juntadas em memoriais". Verificamos os documentos de fls. 102 a 113, e concluímos que tais planilhas são coerentes com a DIPJ do ano calendário de 2004, e com as PER/DCOMP n° 04611.39775.050105.1.3.06 7381, e PER/DCOMP n° 15331.50362.030609.1.3.02 5685; "junte as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos calendários de 2004 e 2005". Juntamos as declarações solicitadas nas fls. 134 a 190. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Resta claro nos autos, que a discussão se prende ao fato de que o requerente transmitiu, em 05/01/2005, a Declaração de Compensação DCOMP99, registrada sob o nº 04611.39775.050105.1.3.067381, onde declarou a compensação de débito de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre juros sobre capital próprio creditado a seus acionistas no decorrer do anocalendário de 2004 (fls. 11), no valor de R$ 12.180.000,00, utilizando com crédito, valor retido de seus rendimentos de juros sobre capital próprio, durante o anocalendário de 2004, creditados por pessoa jurídica na qual figurava como acionista, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 12). Da mesma forma, resta claro nos autos de que a negativa para a compensação está baseado no argumento de que a Declaração de Compensação foi transmitida em 05 de janeiro de 2005, e que a retenção do IRRF foi efetivada no mês de dezembro de 2004, conforme comprova a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, entregue pela pessoa jurídica que efetuou o crédito de juros sobre o capital e a retenção do IRRF sobre esta remuneração (fls. 12). Assim, fica constatado que a compensação foi declarada posteriormente ao anocalendário onde foi feita a retenção. Ou seja, a compensação foi declarada em 05 de janeiro de 2005, quando a retenção foi feita no anocalendário de 2004, ficando evidenciado que a compensação foi feita em desacordo com o preconizado no artigo 32, das Instruções Normativas SRF n° 600, de 2005, e n° 460, de 2004. Por sua vez o recorrente argumenta que a compensação deve ser considerada como realizada no mesmo anocalendário das retenções, ou seja, 2004. Isto porque, tendo o IRRF sobre o pagamento de Juros sobre Capital Próprio a seus acionistas ter sido retido no dia 28/12/2004, o imposto deveria ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, ou seja, até 05/01/2005, conforme comando do artigo 83, I, 'd', da Lei nº 8.981, de 1995 e do artigo 865 do Decreto 3.000/99. Entende, ainda, o recorrente, que mesmo sentido é o disposto na Agenda Tributária do mês de Janeiro do ano de 2005 divulgada através do Ato Declaratório Executivo Corat n° 105, de 27 de dezembro de 2004, que determinava que o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os juros sobre capital próprio, cujo fato gerador ocorre entre 26/12/04 e 01/01/05, deveria ter sido recolhido até o dia 5 de Janeiro de 2005, ou seja, na mesma data em que ocorreu a transmissão da PER/DCOMP não homologada. Como visto, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tãosomente a se saber da possibilidade da apresentação da PER/COMP, relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio, poderia ser entregue até o vencimento da obrigação (prazo de recolhimento do tributo em questão). Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16098.000094/200708 Acórdão n.º 2202001.970 S2C2T2 Fl. 133 11 O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Nesta linha de pensamento, é de se observar que à exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda na Fonte se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos legais que permitam a livre formação de convicção do julgador. Assim sendo, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerente ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.º 5.172, de 1966. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.º 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima mencionados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos, em princípio, por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Nesta linha de raciocínio se faz necessário verificar a legislação de regência sobre o assunto. Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 12 remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (…). § 2o Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3° O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4o; (…). § 6° No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas IN SRF n° 600, de 2005: Art. 32. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou anocalendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou anocalendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § l A compensação de que trata o caput será efetuada pela pessoa jurídica na forma prevista no § 1do art. 26. § 2 O crédito de IRRF a que se refere o caput que não for utilizado, durante o período de apuração em que houve a retenção, na compensação de débitos de IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, será deduzido do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período ou. se for o caso, comporá o saldo negativo do IRPJ do trimestre ou anocalendário em que a retenção foi efetuada. § 3 Não é passível de restituição o crédito de IRRF mencionado no caput. Nesse sentido, entendeu a autoridade fiscal lançadora e mantida no aresto recorrido de que não se pode perder de vista a regra instituída pela IN SRF nº 600, de 2005, qual seja: para o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto retido na fonte no recebimento de juros sobre o capital próprio configurase como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Conseqüentemente, a permissão de compensação do imposto retido no recebimento, com o valor a ser retido e repassado, por ocasião do pagamento dos juros, somente pode ser efetuada, antes de encerrado o período de apuração do IRPJ devido Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16098.000094/200708 Acórdão n.º 2202001.970 S2C2T2 Fl. 134 13 (anual ou trimestral), quando necessariamente o valor retido – total ou remanescente das compensações permitidas deve integrar a determinação do valor do IRPJ a pagar (saldo positivo ou negativo). Contudo, tendo em vista este fato concreto, resta claro, que o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre o pagamento de Juros sobre capital próprio a seus acionistas foi retido no dia 28/12/2004, o imposto deveria ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, ou seja, até 05/01/2005, conforme comando do artigo 83, I, 'd', da Lei n. 8.981, de 1995 e do artigo 865 do Decreto 3.000/99, prazo obedecido pelo recorrente. Como nas Leis de regência sobre o tema não há definição expressa1 sobre o limite temporal para utilização do crédito tributário decorrente da retenção do imposto de renda decorrente do pagamento dos juros sobre capital próprio pela pessoa jurídica, esse crédito poderá ser utilizado tanto pelo contribuintepessoa jurídica (empresa) em antecipação ao pagamento do IRPJ apurado (saldo negativo do período), como pelo contribuintepessoa física (acionista) em compensação com a retenção havida pelo pagamento desses mesmos juros. Cumpre aqui assinalar que, em regra, quando o imposto de renda retido na fonte se constitui em antecipação do devido na apuração anual ou trimestral do IRPJ, não é passível de restituição ou compensação a título de IRRF, mas apenas de saldo negativo de IRPJ porventura apurado ao final do período. A permissão de compensação do IRRF incidente sobre o recebimento de juros sobre o capital próprio, com o IRRF incidente sobre o pagamento de tais juros, é uma exceção prevista, mas válida apenas até o encerramento do período de apuração, quando os valores, totais ou remanescentes, devem necessariamente integrar a determinação do saldo do IRPJ a pagar (saldo positivo ou negativo). Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 14 Declaração de Voto Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.007097/2001-31
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO - CORREÇÃO MONETÁRIA - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS
Na repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal, a saber: (a) a ORTN de 1964 a fevereiro/86; (b) a OTN de março/86 a dezembro/88; (c) pelo IPC, nos períodos de janeiro e fevereiro/1989 e março/1990 a fevereiro/1991; (d) o INPC de março a novembro/1991; (e) o IPCA - série especial - em dezembro/1991; (f) a UFIR de janeiro/1992 a dezembro/1995; (g) a Taxa SELIC a partir de janeiro/1996 - [REsp 1.012.903 - RJ (2007/0295421-9)]
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-002.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o indébito tributário seja corrigido segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o indébito tributário seja corrigido segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 70 97 /2 00 1- 31 Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.007097/200131 Acórdão n.º 2202002.080 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de pedido de restituição de crédito de ILL, no valor de R$ 214.677,71 (fls. 1 a 8), de transferência de parte do suposto crédito para empresa (Brasa Refrigerantes S/A) do mesmo grupo (fls. 44/45) e de compensação com débitos de tributos diversos (fls. 24 a 39 e 71 a 106), sob o argumento de pagamentos indevidos, realizados no período de abr/90 a mai/93, por ter o STF considerado o tributo inconstitucional. A autoridade administrativa, após examinar a questão, no despacho decisório (fls. 158/161) prolatado em 29/04/2003, indeferiu o pedido de restituição e, conseqüentemente, a transferência e as compensações realizadas, por considerar que o direito da empresa manifestante, na data (13/07/1998) do pedido já havia sido atingido pela decadência. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 16/05/2003 (AR fl. 162v). Inconformada apresentou em 04/06/2003, a manifestação de inconformidade (fls. 166/174, a qual foi indeferida por unanimidade de votos pelos julgadores desta Turma de Julgamento/DRJ/Brasília, por entenderem, também, que o direito da recorrente já havia sido alcançado pelo instituto da decadência. A empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 198/211) junto ao Conselho de Contribuintes, tendo os membros da Quarta Câmara, por maioria de votos, no Ac 10420.341, de 01/12/2004, afastado a decadência e determinado o retorno do processo à autoridade julgadora de 1' instância para enfretamento do mérito (fls. 229 a 235). Às fls. 237 a 247, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência dirigido ao Presidente da Quarta Câmara do 1° CC que recebeu o recurso e encaminhou a Câmara Superior (fl. 251). No Acórdão CSRF/0400.371 (fls. 308 a 315), a CSRF recebeu o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e negou provimento para manter a decisão recorrida, que afastou a decadência do direito da empresa pleitear a restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de ILL. Como a competência original para reconhecimento de crédito é do Delegado da DRF de jurisdição do sujeito passivo, esta Turma de Julgamento por meio da Resolução (fls. 1.377 a 1.380) devolveu o este processo ao órgão de origem para enfretamento do mérito. No despacho decisório (fls. 952 a 957), a autoridade fiscal competente decidiu homologar parcialmente os pedidos de compensação (fls. 25 a 37, 71 a 112) e as Dcomp listadas na folha 951, bem como indeferir o pedido de restituição de fls. 1 a 8. Na manifestação de inconformidade (fls. 969 a 979), a contribuinte transcreve os fatos, ementas de Parecer da AÇU; de Ato declaratório da PGFN; de decisões judiciais e, em resumo, questiona a decisão sob o argumento de que no demonstrativo de compensação não foi considerado o crédito relativo ao pagamento de Cr$ 145.705,49 e a integralidade dos expurgos inflacionários ocorridos nos anos de 1990 e 1991, pleiteados no pedido de restituição. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 No pedido, requer seja considerado o valor de R$ 145.705,49; refeito os cálculos; acolhida a integralidade dos expurgos inflacionários na correção do indébito; reconhecido a integralidade dos valores pagos indevidamente a título de ILL; homologadas todas as compensações realizadas, e obstados eventuais atos de cobrança ou atos constritivos de direito, no que diz respeito a inscrição na Dívida Ativa da União e expedição de Certidão Negativa de débitos. Como no despacho decisório e nem nos autos consta qualquer informação sobre a não inclusão do valor Cr$ 145.705,49, para que não houvesse prejuízo ao Fisco e/ou para a manifestante, o processo foi devolvido ao órgão de origem (fl. 1.021) para aquela autoridade fiscal se manifeste a respeito do valor relacionado e não utilizado no encontro das contas devedora e credora. A DRJ proferiu decisão, julgando a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/1990 a 31/05/1993 Restituição/Compensação de Tributos Atualização. O crédito relativo a pagamento indevido deve ser atualizado tão somente pelos índices de correção e pela taxa Selic autorizados pela legislação tributária de regência. Compensação A compensação de débitos tributários somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em síntese, a autoridade recorrida julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade para incluir nas compensações realizadas o valor de Cr$ 145.705,49, atualizado com base nos índices de correção autorizados pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/1997 e posteriormente pela taxa Selic, até o mês das compensações realizadas. Insatisfeita a contribuinte, interpõe recurso voluntário reiterando as razões da manifestação de inconformidade. Enfatizando, os seguinte pontos: Inicialmente cumpre evidenciar que recorrente, por ocasião do seu Pedido de Restituição, salientou a necessidade de serem observados, em relação aos valores a serem restituídos, a exata reposição da correção monetária ocorrida no período posterior ao indébito, ocasião em que pleiteou a incidência dos expurgos inflacionários verificados nos período do indébito, IPC ABRIL/90 44,80%; IPC MAIO/90 7,87%; BTN JUN/90 A JAN/91; IPC fev/91 21,87%; INPC mar/91 a dez/91 UFIR —a partir de JAN/1992, aplicandose por expressa disposição legal a contar de janeiro de 1996 a taxa SELIC.. A utilização dos índices referidos na NE 008/97 (Norma de Exec ção Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08/97) que, por sua vez ignora, na correção indébito,, a integridade dos expurgos inflacionários ocorridos nos anos de 1990 e 1991, cuja inclusão foram expressamente pleiteadas no presente pedido de restituição. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.007097/200131 Acórdão n.º 2202002.080 S2C2T2 Fl. 4 5 A despeito do entendimento manifestado no acórdão recorrido referidos índices são de reconhecimento obrigatório, vez que reiteradamente reconhecida a sua aplicação não só pelo Judiciário; mas também pelo próprio Conselho de Contribuintes, tribunal administrativo e também pelos próprios representantes da UNIÃO, conforme se depreende dos pareceres referidos na defesa anteriormente ofertada pelo contribuinte RECORRENTE, cuja observância, entendeu o voto condutor do acórdão recorrido, não ser obrigatória. É o relatório. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Ao formular seu pedido, a contribuinte requereu que os valores recolhidos indevidamente fossem corrigidos mediante aplicação do IPC ABRIL/90 44,80%; IPC MAIO/90 7,87%; BTN JUN/90 A JAN/91; IPC fev/91 21,87%; INPC mar/91 a dez/91 UFIR —a partir de JAN/1992, aplicandose por expressa disposição legal a contar de janeiro de 1996 a taxa SELIC. No que toca a essa matéria, devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62A do RICARF dispôs: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a correção de repetição de indébito, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 1.012.903 RJ (2007/02954219), que na repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal, a saber: (a) a ORTN de 1964 a fevereiro/86; (b) a OTN de março/86 a dezembro/88; (c) pelo IPC, nos períodos de janeiro e fevereiro/1989 e março/1990 a fevereiro/1991; (d) o INPC de março a novembro/1991; (e) o IPCA – série especial – em dezembro/1991; (f) a UFIR de janeiro/1992 a dezembro/1995; (g) a Taxa SELIC a partir de janeiro/1996 (ERESP 912.359/MG, 1ª Seção, DJ de 03.12.07) Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.007097/200131 Acórdão n.º 2202002.080 S2C2T2 Fl. 5 7 Assim, constatase que a empresa pleiteia a correção monetária dos valores porventura devem seguir aqueles previstos na supracitada decisão. Os valores apontados pelo recorrente coincidem em parte com aqueles indido na ementa do STJ, mas não na sua integridade Diante do pedido solicado pelo recorrente, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que o indébito tributário seja corrigido segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003594/2003-51
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado.
MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 14.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas em nome de terceiro e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Airton Ferreira, OAB/SP 156.464.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 23/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 35 94 /2 00 3- 51 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas em nome de terceiro e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Airton Ferreira, OAB/SP 156.464. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 23/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1998, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 251/254, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.791.631,85, calculados até 28/11/2003. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com aplicação de multa qualificada de 150%. A autoridade fiscal atribuiu ao autuado a movimentação financeira de titularidade do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini, em função da existência de processo em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas e de investigação da Polícia Federal. Inconformado com a exigência, Roberto Moutran apresentou Impugnação (fls. 226/245), alegando, em síntese: a) nulidade da exigência por erro na determinação do momento da ocorrência do fato gerador. O lançamento considerou apenas um único fato gerador ao final de cada ano calendário e o art. 42 da Lei nº 9.430/96 determina a apuração mensal; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 2201001.899 S2C2T1 Fl. 3 3 b) decadência na forma do § 4° do art. 150 do CTN. Como o lançamento devia ter sido feito mensalmente, os rendimentos supostamente omitidos de janeiro a 22 de dezembro de 1998 estariam atingidos pela decadência; c) os extratos bancários foram obtidos de maneira ilícita, uma vez que a justiça havia determinado a quebra do sigilo apenas para a Polícia Federal e não para a Receita Federal; d) que não foram observadas as regras fixadas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamenta o art. 6º, da Lei Complementar nº 105/2001; e) sustenta a impossibilidade de aplicação retroativa da LC nº 105/2001 e da correlata Lei nº 10.174/2001; f) sobre a origem dos recursos referentes aos depósitos bancários afirma que o Parecer Técnico apresentado comprovou que os depósitos questionados têm origem no exercício da atividade econômica de factoring; g) ilegitimidade passiva protesta contra a inclusão no lançamento de movimentação financeira de titularidade de terceiro por estar destituído de provas, pois no inquérito policial não há elementos concretos para a pretendida transferência de titularidade da conta bancária; h) impossibilidade da aplicação da multa agravada diante de presunção legal; A 2a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG proferiu Acórdão nº 0215.411, mantendo integralmente o lançamento, conforme se extrai das ementas abaixo transcritas: Decadência. No caso de lançamento de ofício com base em omissão de rendimentos nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a contagem do prazo decadencial, é regulada pela regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, segundo a qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação da Lei no Tempo. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Sigilo Bancário. Dados fornecidos pelo Poder Judiciário. Inaplicabilidade da LC nº 105 e do Decreto nº 3.724, ambos de 2001. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Quando os dados sobre a movimentação bancária do contribuinte são recebidos pela SRF por meio de determinação judicial não há que se falar em aplicação da LC nº 105 e do Decreto nº 3.724, ambos de 2001. Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos. A Lei nº 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Interposta Pessoa. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Multa Qualificada. Procedência. A multa de ofício qualificada será aplicada quando, em procedimento fiscal, ficar caracterizada ação dolosa do contribuinte, consubstanciada em conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância, Roberto Moutran apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em questão foi incluindo em pauta no dia 16 de dezembro de 2008 e na ocasião a antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Assim sendo, deverá o processo ser baixado em diligência para que se junte cópia integral: i do processo judicial em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas, ou sentença judicial (se houver); ii do inquérito policial; iii da ficha cadastral e procuração (se houver) do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini na instituição bancária; iv outros elementos capazes de conferir certeza à interposição de pessoa. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 2201001.899 S2C2T1 Fl. 4 5 Concluída a diligência, deverá ser dada ciência ao interessado para se manifestar, se assim desejar. Concluída a diligência, foram extraídas cópias integrais dos seguintes documentos: Processo nº 2000.61.05.0022480 Processo nº 2001.61.05.0057758 Processo nº 2001.61.05.0104451 Processo nº 2003.61.05.0030609 Processo nº 2003.61.05.0098680 IPL 9078398 (Processo n° 98.06121740) É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 1998. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, as preliminares argüidas pela defesa. A primeira diz respeito à decadência mensal do imposto e a segunda referese à ilegalidade na quebra do sigilo bancário, especialmente em relação à irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 105/2001. Quanto ao momento do fato gerador, atinente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF editou a Súmula. Tratase da Súmula CARF nº 38, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 1998 perfez se em 31 de dezembro daquele ano. Neste sentido, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 1999 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase Fl. 404DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 em 31 de dezembro de 2003. Como a ciência do lançamento ocorreu em 22 de dezembro de 2003 (fl. 221), o crédito tributário constituído pelo lançamento ainda não havia sido atingido pela decadência. No que tange a alegação de ilegalidade na quebra de sigilo bancário, sobretudo em relação à aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 105/2001, este Órgão Administrativo já se posicionou, conforme se verifica da leitura da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei Nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei Nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Com efeito, o efetivo afastamento do sigilo bancário ocorreu em função da autorização judicial proferida pelo Meritíssimo Juiz Dr. Nelson Bernardes de Souza, acompanhado da decisão proferida nos autos do processo 2001.16.05.0022480 (fls. 276). Destarte, estéril os argumentos suscitados pela defesa para anular a exigência. Em relação ao mérito, a principal controvérsia reside no fato de a autoridade fiscal ter incluindo no lançamento movimentação bancária de titularidade de terceiro. A conclusão de tal fato decorreu do processo em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal em Campinas que tem em seus autos toda a investigação da Polícia Federal, a qual, em tese, teria concluído que o recorrente era o beneficiário da movimentação bancária feita em nome do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini. De acordo com a autoridade autuante várias são as evidências probatórias sobre a existência de interposta pessoa, cuja conta bancária o recorrente efetuava movimentações financeiras de suas operações. Neste mesmo sentido, foi a conclusão que chegou os membros da 2a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, no momento em que considerou procedente o lançamento em função da existência de processo na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas; por não ter o Sr. Eloy apresentado declaração de rendimentos e pelo fato de trabalhar em um estacionamento que funciona no terreno de propriedade do contribuinte. Por outro lado, o recorrente alega ilegitimidade passiva, pois segundo seu ponto de vista, no citado inquérito policial não há elementos concretos para a transferência de titularidade da conta bancária. Pois bem, em que pese as várias evidências de utilização fraudulenta da conta bancária do Sr. Eloy pelo recorrente, não se pode perder de vista o fundamento legal insculpido no § 5° do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou Fl. 405DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 2201001.899 S2C2T1 Fl. 5 7 receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (grifei) Nas situações em que se comprove ser a conta corrente movimentada por terceiro e não aquele cujo nome aparece como titular, se está diante da possibilidade de tributar o terceiro, na condição de interposta pessoa. Assim sendo, compulsandose os inúmeros documentos juntados por ocasião da diligência, verifico, pois, que não foram trazidos aos autos qualquer elemento novo que pudesse conferir certeza à interposição de pessoas. Por meio da análise de cerca de 2.000 páginas verifico que os únicos indícios apurados foram os mesmos considerados pela autoridade fiscal no momento da lavratura do lançamento, qual seja, que o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini apresentou declarações de isento para o período fiscalizado; que o Sr. Eloy trabalha no estacionamento que funciona em terreno de propriedade do autuado; que o recorrente recebe no local algumas correspondências. De acordo com o “Termo de Constatação”, fl. 212, a autoridade lançadora atribuiu à totalidade dos depósitos bancários em nome de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ao ora recorrente sem, contudo, fazer qualquer vinculação entre os mesmos. Se a Fiscalização afirma que os créditos bancários de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini são de responsabilidade do recorrente, deveria, pois, ter apresentado provas desse fato. Entretanto, não se encontra nos autos nenhuma tentativa nesse sentido. Assim, em que pese o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ter apresentado movimentação bancária no montante de R$ 1.442.157,74 bem como constar alguns poucos cheques de emissão do recorrente para o Sr. Eloy, sem provas de que o suplicante seja de fato beneficiário dos referidos valores, não há como responsabilizálo. Além do mais, depreendese dos autos que as contas bancárias foram abertas individualmente em nome do Sr. Eloy e sem a indicação de procurador. Citase, outrossim, a Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. No caso de lançamento com base em presunção legal, como a do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como se trata de prova indireta, o Fisco não precisa comprovar, diretamente, que o sujeito passivo adquiriu disponibilidade de renda, contudo, como se trata de atribuir ao fiscalizado a responsabilidade por movimentação bancária de terceiro, a autoridade fiscal tem o dever de comprovar que o autuado foi de fato beneficiário dos depósitos bancários de origem não comprovada, situação que a Lei identifica como caracterizadora de omissão de rendimentos (§ 5° do citado artigo). Nessa esteira, impende citar o art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (grifei) Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Portanto, frente aos documentos constantes dos autos, entendo que não restou suficientemente provada a responsabilidade do recorrente sobre a movimentação bancária pertencente a Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini. Em relação ao lançamento efetuado nas contas correntes do autuado a infração deve ser mantida, pois não há nos autos qualquer comprovação da origem dos recursos. A alegação de que os valores depositados são originários da atividade de “factoring”, exercida como pessoa física, carece de comprovação. Com efeito, o Parecer Técnico apresentado que, em tese, demonstraria as operações de crédito, em verdade, nada comprova, posto que necessita, fundamentalmente, de suporte probatório, tais como: cópias de cheques, contratos de mútuo, etc. Pela clareza e precisão dos fundamentos da decisão recorrida, reproduzo o trecho em que a questão é analisada: O Parecer Técnico apresentado pelo impugnante traz elementos sobre várias operações de crédito que supostamente demonstrariam que este realizava operações de crédito de maneira similar a uma factoring. Ocorre que as premissas adotadas e a sustentação fática do laudo retiram sua credibilidade como elemento probatório capaz de demonstrar o que se propõe. Senão vejamos: a. As taxas de juros cobradas são da ordem de 4,5% ao mês sem que qualquer contrato ou outro elemento comprobatório tenha sido juntado para demonstrar a taxa de juros cobrada nas respectivas operações; b. Nenhuma operação teve o “tomador” do empréstimo ou do crédito identificado, bem como nenhum contrato ou documento sobre as supostas operações foram apresentados; c. Não foram apresentados os supostos tomadores que deveriam identificar quais operações, dentre as várias apresentadas, teriam sido feitas em seu nome; d. Os cheques que teriam sido ”descontados” em cada operação não estão identificados quanto à data de depósito e respectiva conta utilizada para tanto pelo impugnante. Os vários cheques que teriam sido “descontados” pelo impugnante, em prazos diversos, precisam ser identificados nos extratos das contas utilizadas para que seja plausível admitir a comprovação da existência das operações de crédito. Sem tais elementos que o sustentem, o Laudo apresentado não passa de um bem elaborado exercício de matemática financeira que nada acrescenta ao conjunto probatório. Por tais razões, o Laudo apresentado não constitui elemento probatório hábil e idôneo para demonstrar que o impugnante realizava operações de crédito de maneira similar a uma pessoa jurídica, nem tampouco para comprovar a origem dos depósitos bancários tributados, conforme previsto no art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 2201001.899 S2C2T1 Fl. 6 9 Isto posto, não há qualquer reparo a fazer em relação ao entendimento esposado pelo colegiado a quo. Em relação à qualificação da multa, relativamente aos demais depósitos efetuados em contascorrentes do próprio contribuinte, a conclusão que se impõe deve ser diferente. Tenho defendido que a aplicação da multa de ofício qualificada exigese prova de que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Portanto, a qualificação da multa de ofício é inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos de fato. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho Administrativo, que editou a Súmula nº 14, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Considerando que a autuação utilizou presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos, verificase que fica ainda mais distante a caracterização do dolo. Nestes termos, incabível a qualificação da multa de ofício, no que diz respeito aos créditos tributários apurados com base nos depósitos bancários realizados em contascorrentes de titularidade do contribuinte. Quanto à utilização da taxa Selic, convém citar a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a tributação sobre as contas de titularidade de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini, bem como desqualificar a multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13839.003594/200351 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.899. Brasília/DF, 20 de novembro de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 2201001.899 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10425.000482/96-86
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 15 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Thu Oct 15 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO
RECURSO EX-OFFICIO - Reconhecida a nulidade do lançamento, mediante exame das normas legais aplicáveis e dos documentos contidos nos autos, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 101-92357
Decisão: NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE
Nome do relator: Edison Pereira Rodrigues
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Sessão de : 15 de outubro de 1998 Acórdão n°. : 101-92.357 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO RECURSO EX-OFFICIO - Reconhecida a nulidade do lançamento, mediante exame das normas legais aplicáveis e dos documentos contidos nos autos, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RECIFE - PE ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. e260-4- ___„,,,,, I S ON P R.,P- i .• o a -4 rel ES PRESIDE E RELATOR.,- FORMALIZADO EM: 26 OUT 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI, RAUL P IMENTEL e CELSO ALVES FEITOSA. Lads/ _, Processo n° : 10425.000482/96-86 Acórdão n° : 101-92.357 Recurso : 115.470 Recorrente : DRJ EM RECIFE - PE Interessada : CONSTRUTORA ROCHA CAVALCANTE LTDA. RELATÓRIO Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificações de Lançamento Suplementar do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Imposto de Renda na Fonte Sobre o Lucro Líquido (ILL) e Contribuição Social, referentes ao exercício de 1992 (fls. 03/06), pelas quais foi lançado o crédito tributário total de 463.130,03 UFIR, inclusos os consectários legais até 30/08/96. Tempestivamente, a contribuinte apresentou impugnação, de fls. 01/02 requerendo o cancelamento integral das notificações. A decisão de primeira instância, anexada às fls. 44/45, julgou nulas as notificações de lançamento, tendo em vista a falta de identificação da autoridade responsável pelo lançamento, com fulcro no artigo 5°, inciso VI, da Instrução Normativa SRF 54, de 13/06/97. Em virtude da exoneração de valor superior ao limite de sua alçada (150.000 UFIR), o Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento em Recife recorreu ex-officio para este colegiado. É o relatório. 2 Processo n° : 10425.000482/96-86 Acórdão n° : 101-92.357 VOTO Conselheiro EDISON PEREIRA RODRIGUES - Relator Trata-se de recurso ex-officio relativo à decisão de primeira instância que desonerou a contribuinte de débito em valor superior ao limite de alçada previsto pela Lei 8.748/93. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme exposto no relatório supra, as Notificações de Lançamento de que trata o presente processo foram anuladas por vício formal - falhas na identificação da autoridade responsável pela sua emissão - o que realmente pode ser constatado nos documentos de fls. 03/05. A Instrução Normativa SRF n° 54, de 13/06/97, artigos 50 e 6°, determina: "art. 50 - Em conformidade com o disposto no art. 143 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e do art. 11 do Decreto 70.235/72, de 06 de março de 1972, a notificação de que trata o artigo anterior deverá conter as seguintes informações: 114 - nome, cargo, matricula da autoridade responsável pela notificação, dispensada a assinatura. Art. 6° - Na hipótese de impugnação do lançamento, o titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ da jurisdição do contribuinte declarará, de oficio, a nulidade do lançamento cuja notificação houver sido emitida em desacordo com o disposto no art. 50, ainda que essa preliminar não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo. §2° - O disposto neste artigo se aplica inclusive, aos processos pendentes de julgamento." Verifica-se pois que a decisão recorrida fez apenas cumprir a referida norma administrativa, pelo que não merece reparos. 3 Processo n° : 10425.000482/96-86 Acórdão n° : 101-92.357 Por estas razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso ex- officio. Brasília - DF, em 15 de outubro de 1998 ISON P !e4r IRA ROP -IGUES 4 Processo n° :10425.000482/96-86 Acórdão n° : 101-92.357 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento 'Interno, aprovado pela Portaria Ministerial n.° 55, de 16 de março de 1998 (D.O.U. de 17/03/98). 1 Brasília-DF, em 2 6 ouT 1998 ON P À -R0-6RIGUES *RESIDENTE Ciente em 3 O OUT 9; Re 'RI e r " r Á DE MELLO PROC ( RAD 40' " r NACIONAL 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10280.001387/2005-99
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
ALEGAÇÕES DE DEFESA. PROVAS. Não são acolhidas as alegações de defesa desacompanhadas de elementos de prova que as corroborem. Nos seus efeitos, alegar sem provar equivale a não alegar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 101-96.781
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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I _ ter" . -...,.‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA W CONSELHO DE CONTRIBUINTES 42".34;:sl d. PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10280.001387/2005-99 Recurso n° 149.637 Voluntário Matéria IRPJ Acórdão n° 101-96.781 Sessão de 30 de maio de 2008 Recorrente União Comercial Ltda Recorrida P Turma/DRJ/Belém-PA Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: ALEGAÇÕES DE DEFESA. PROVAS. Não são acolhidas as alegações de defesa desacompanhadas de elementos de prova que as corroborem. Nos seus efeitos, alegar sem provar equivale a não alegar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que p. sam a integrar o presente julgado. ANT • iik pRA __ 1 pkti PRES ia ;• ALOYSIO S PERCINIO \ A SILVA ii9 n RELATOR FORMALIZADO EM: 20 AGO 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ RICARDO DA SILVA, SANDRA MARIA FARONI, VALM1R SANDRI CAIO MARCOS CÂNDIDO, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONSECA FILHO. • V\ 44 _, Processo n° 10280.00138712005-99 CC01/C01 Acórdão n.° 101-98.781 Fls. 2 Relatório Trata-se de auto de infração de IRPJ - imposto de renda pessoa jurídica (fls. 138), lavrado em razão de diferença apurada entre os valores de receitas escriturados nos livros fiscais e os declarados em DCTF, nos anos-calendário 1999 a 2003. Aplicada multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Apresentada impugnação, o órgão de primeira instância julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme Acórdão n°5.193/2005 (fls. 168). Foram excluídas da exigência as parcelas relativas ao 3° e 40 trimestres de 1999 e ao 1° trimestre de 2000, em razão de decadência. Também foram aproveitados, para fins de dedução do valor exigido, os saldos de pagamentos a maior constatados no 1° e 3° trimestres de 2002 e no 1° trimestre de 2003. Cientificada do acórdão em 1°/12/2005 (fls. 174), a interessada apresentou recurso voluntário em 02/01/2006 (fls. 175), no qual assegura que os pagamentos foram realizados de acordo com os valores declarados. Reclama por não ter sido aproveitado pagamento a maior relativo ao 4° trimestre de 2000. Finaliza requerendo diligência ou, "simplesmente", o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Considero desnecessária a realização de diligência, uma vez que os autos se encontram suficientemente instruídos para a formação da convicção do julgador. A questão relativa ao reclamado pagamento a maior no 4° trimestre de 2000 foi assim resolvida no voto condutor do acórdão refutado: "O pretenso recolhimento a maior que teria ocorrido em relação ao 4° trimestre de 2000 deveu-se, na verdade, a uma inconsistência no levantamento do recolhimento para o período. Enquanto que o demonstrativo indica um recolhimento de R$ 12.984,00 (fl. 132), a pesquisa que efetuei no sistema Sinal02, que identifica os pagamentos efetuados pelo contribuinte, aponta somente um recolhimento de R$ 6.300,77 (fl. 163). Tal pagamento já foi utilizado para quitar o débito relativo àquele trimestre (fls. 164 e 165)." \‘k \ o • 1 Processo n° 10280.001387/2005-99 CCOI/C01 Acórdão n.° 101 -96.781 Fls. 3 Do exame do texto acima transcrito e da documentação nele referida, além do demonstrativo às fls. 132, percebe-se que a irresignação da recorrente é descabida. A afirmação de que os pagamentos foram realizados de acordo com os valores declarados não se encontra acompanhada de documentação que a respalde. Ao contrário, os elementos trazidos aos autos pela fiscalização comprovam as diferenças de receitas apuradas. Com efeito, as alegações da recorrente estão desacompanhadas de elementos de prova que as corroborem. Como sabido, alegar sem provar equivale a não alegar, quanto aos efeitos. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 30 de maio de 2008 13 ALOYSIO 4AICC IO DA SILVA 0( 3 Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1
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