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Numero do processo: 10950.002057/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES Ano-calendário: 2002 ATIVIDADES NÃO IMPEDITIVAS - A partir tão somente da descrição da atividade da pessoa jurídica, que inclui a assistência técnica de máquinas industriais, não se pode concluir que ela preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado, o quê impediria a opção pelo SIMPLES.
Numero da decisão: 1301-000.840
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Valmir Sandri
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS 2 Relatório Sidmaq Comércio e Idústria de Máquinas de Costura Industriais Ltda. foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2002, pelo Ato Declaratório Executivo n°. 528.395, de 02 de agosto de 2004, de emissão do Delegado da Receita Federal em MaringáPR, informando como causa do evento a atividade econômica vedada à opção, no caso, "instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral — CNAE 29297/02", previsto no artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317, de 1996. Em procedimento de SRS de fl.50, a empresa alegou que houve erro na escolha do código de atividade e que apenas presta serviço de assistência técnica, dentro do período de garantia do produto vendido, mas a autoridade fiscal indeferiu a SRS com base na Resolução Confea n° 218/1973. A manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento da DRJ em Curitiba, a interessada alegou, em síntese, ser pequena empresa familiar que concentrava suas atividades na prestação de serviços de assistência técnica para máquinas de costura industrial e comércio de peças para estas mesmas máquinas e que hoje faz somente o comércio de máquinas de costura industrial e suas peças. Disse que possui um faturamento pequeno, razão pela qual optou pelo Simples, e que diante do faturamento obtido é descabida a pretensão do fisco em dizer que precisa de um profissional de engenharia, e que a fundamentação do ato de exclusão, com base no exercício de atividade que exige profissional habilitado está equivocada, uma vez que a atribuição maior da atividade de engenharia é a criação científica; que sua atividade não envolve criações, projetos, planejamento para tal, nem requer conhecimento técnicocientífico para sua execução. A manifestação de inconformidade foi indeferida, aos fundamentos de que a participação percentual da prestação de serviços no faturamento é irrelevante, e que as atividades de montagem e manutenção de equipamentos industriais são típicas da profissão de engenheiro e, nessa condição, expressamente vedadas à opção pelo Simples. entendimento que se encontra consolidado na esfera administrativa, pelo ADN Cosit n° 4, de 22 de fevereiro de 2000, que expressa que: (...) não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia. Mesmo que tais atividades sejam prestadas por técnicos de nível superior e técnicos de grau médio, ainda assim seriam vedadas à opção pelo Simples, pois o que importa, nos termos do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, não é a qualificação profissional do prestador, mas do serviço prestado. Ademais, mesmo que os serviços sejam prestados por pessoa não qualificada, a pessoa jurídica não poderia ingressar no regime simplificado, porquanto se trata de exercício de atividades assemelhadas às da profissão de engenheiro.” Assentou a decisão que a competência para executar serviços de instalação e montagens em equipamentos industriais é dos engenheiros, de uma forma geral, ou dos técnicos de graus superior e médio, conforme definido na Resolução CONFEA n.° 218, de 29 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 10950.002057/200581 Acórdão n.º 1301000.840 S1C3T1 Fl. 2 3 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, Reportouse, à Resolução Confea n° 262, de 28 de julho de 1979, que determina que a execução de serviços de manutenção de equipamentos também é de competência dos técnicos de 2° grau, e à Resolução Confea n° 313, de 26 de setembro de 1986, que determina que a manutenção de equipamentos também é de competência dos Tecnólogos, egressos de cursos de 3° grau. Assentou que todos esses profissionais se assemelham, por terem como atividade a manutenção de equipamentos, e que os diferentes graus de especialização requeridos para o desempenho dessas atividades (que pode ser observado nas profissões regulamentadas pelo Confea citadas acima) não elide tal semelhança. Concluiu, afinal, que as atividades de montagem e manutenção de equipamentos industriais são típicas da profissão de engenheiro e, nessa condição, expressamente vedadas à opção pelo Simples. Ciente da decisão em 24 de agosto de 2009, a empresa apresentou recurso em 18 de setembro, reeditando as razões declinadas na impugnação. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele conheço. Conforme Ato Declaratório, o contribuinte foi excluído do Simples pela ocorrência da situação excludente (evento 306), atividade econômica vedada: 29297/02 instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral. Para concluir que a pessoa jurídica exerce atividade de engenheiro ou assemelhado, a administração tributária, rotineiramente, tem se valido da Resolução do CONFEA nº 218/73 que, para efeito de fiscalização do exercício profissional dos engenheiros, arquitetos e agrônomos, designa as diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, e indica quais são as de competência de cada um dos profissionais (de nível superior, médio ou tecnólogo) de cada uma delas. Ocorre que a utilização desse ato para fins outros que não aqueles para os quais foi editado (fiscalização do exercício profissional das referidas atividades), têm gerado distorções inadmissíveis no campo da aplicação da legislação do SIMPLES. Em primeiro lugar, de se ver que, das atividades listadas na Resolução CONFEA nº 218/73, apenas as de nºs 1 a 8 (supervisão, estudo, planejamento, projeto, estudo de viabilidade técnicoeconômica, assessoria, consultoria, direção de obra, ensino, pesquisa, vistoria, perícia,, etc. ) são privativas de engenheiro e, portanto, seu exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida (Lei nº 5.194/66, art. 2º). As demais, relacionadas nos item 9 a 18, são concorrentes, podendo ser desempenhadas por tecnólogos e técnicos de grau médio, e seu exercício não depende de habilitação profissional legalmente exigida. Portanto, a exclusão só pode se dar se restar comprovado que a pessoa jurídica presta serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado. Sobre o alcance das Resoluções do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e sua interferência na determinação das atividades que impedem a opção pelo SIMPLES, valhome das lúcidas considerações do insigne Conselheiro João Luiz Fregonazzi, no voto condutor do Acórdão 30134.803: (...) a Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966, atribui ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CONFEA competência para regulamentar o exercício profissional da engenharia, arquitetura e agronomia: "Art. 26 O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, (CONFEA), é a instância superior da fiscalização do exercício profissional da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia. Art. 27 São atribuições do Conselho Federal: j) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente Lei, e, ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos:" Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 10950.002057/200581 Acórdão n.º 1301000.840 S1C3T1 Fl. 3 5 O CONFEA regulamentou o exercício da Engenharia por meio de resoluções: a) a Resolução CONFEA n° 218, de 9 de junho de 1973, determina que a manutenção de equipamentos (art. I", item 17) é de competência dos Engenheiros Mecânicos, Engenheiros Mecânicos e de Automóveis, Engenheiros Mecânicos e de Armamento ou Engenheiros de Automóveis (art. 12); Técnicos de nível superior ou Tecnólogos (art. 23); ou Técnicos de grau médio (art. 24); b)a Resolução CONFEA n° 262, de 28 de julho de 1979, determina que a execução de serviços de manutenção de equipamentos também é de competência dos técnicos de 2" grau (art. 1', item 12); e c) a Resolução CONFEA n° 313, de 26 de setembro de 1986, determina que a manutenção de equipamentos também é de competência dos Tecnólogos, egressos de cursos de 3º. grau cujos currículos fixados pelo Conselho Federal de Educação forem dirigidos ao exercício de atividades nas áreas abrangidas pela Lei n°5.194/1966 (art. 1º. c/c art. 3º, item 6). Assim, todos esses profissionais exercem serviços assemelhados ao de engenheiro. A vedação com base no exercício de atividades elencadas na lei não pode ser contestada. Tal não ocorre quando a vedação atinge atividades semelhantes, deixando ao alvedrio da administração buscar quais atividades são semelhantes àquelas vedadas. CONCEITOS INDETERMINADOS A administração exerce atividade infralegal, consoante os ditames do princípio da legalidade, a que se subordina. Outro princípio de extrema importância é o da finalidade, segundo o qual a administração deve observar a finalidade do ato, que não pode ser outra que não a insculpida na norma legal. O fim visado será sempre o interesse público. Sob a ótica da legalidade e da finalidade do ato administrativo extraise que o mesmo tem tipicidade fechada, pois só pode ser expedido visando o fim legalmente previsto. Nesses estritos termos é que se pode admitir a. existência de atos discricionários, que permitem à administração certa margem de discricionariedade. Há casos em que o legislador não permite liberdade de decisão à administração, delimitando estritamente o campo de atuação. Os pressupostos fáticos e jurídicos vêm objetivamente estipulados, e a lei só admite uma decisão quando materializados esses pressupostos. Nessas hipóteses, não se admite que se leve em consideração as particularidades de cada caso, entendendo o legislador que o interesse público será alcançado quando a única decisão possível for concretizada em face da materialização da hipótese prevista.. Ocorre, por conseguinte, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS 6 urna maior vinculação da administração ao Princípio da Legalidade. Outros há em que é conferida certa margem de discricionariedade, sem a qual pode ser que a norma legal não logre atingir os seus objetivos, sempre inscritos no campo do interesse público. Todavia, não pode a administração fazer uso indevido da discrição concedida, devendo subsumir os seus atos ao interesse público. Convém registrar a brilhante lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2003, pg. 822), consistente em afirmar que: Se a lei, nos casos de discrição, comporta medidas diferentes só pode ser porque pretende que se dê uma certa .solução para um dado tipo de casos e outra solução para outra espécie de casos, de modo a que sempre seja adotada a solução pertinente, adequada à fisionomia própria de cada situação, a fim de que seja atendida a finalidade da regra em cujo nome é praticado o ato. Concluindo, a doutrina denomina conceitos vagos, indeterminados, os conceitos que permitem à administração a valoração do fato concreto, exercendo assim um juízo subjetivo e discricionário para fins de aplicação da norma. legal A única razão para existirem, em face do império da lei, é que a finalidade maior da norma não seria alcançada caso a administração estivesse restrita a tipos exclusivamente fechados. Quando se quer determinar como atividades vedadas aquelas exercidas por engenheiro ou assemelhados, estáse diante desses conceitos indeterminados. Registrese, porém, que não pode a administração deixar de se pautar pelos princípios que a norteiam, principalmente os princípios da legalidade, interesse público e moralidade administrativa. O fim a ser exaustivamente buscado será o interesse público. Sob essa ótica, cabendo à administração exercer juízo de valor, não deve de forma indiscriminada entender que todo e qualquer tipo de manutenção em equipamentos subsumese à hipótese legal de serviços assemelhados ao de engenheiro. A nota fundamental há de ser a complexidade do serviço a ser executado, a necessidade de conhecimentos e técnicas próprios ou assemelhados à função graduada exercida pelos engenheiros. (…) O que é importante para fins de averiguação da possibilidade de opção pelo Simples é se as atividades desempenhadas estão alcançadas pela vedação prevista no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, no caso, se a empresa presta serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. A jurisprudência deste Conselho é abundante no sentido de que não se pode, de forma indiscriminada, entender como assemelhado ao de engenheiro todo e qualquer tipo de trabalho técnico, e que a nota fundamental há de ser a complexidade do serviço a ser Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 10950.002057/200581 Acórdão n.º 1301000.840 S1C3T1 Fl. 4 7 executado, a necessidade de conhecimentos e técnicas próprios ou assemelhados à função graduada exercida pelos engenheiros. Sobre o tema foi editada a Súmula CARF nº 57, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. A exclusão do contribuinte não teve por base nenhuma análise das atividades efetivamente por ele exercidas, e o único elemento concreto considerado para o ato foi o código numérico da atividade do contribuinte e sua descrição, constante dos seus dados cadastrais: 29297/02 instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral. A atividade do contribuinte (comércio de peças e assistência técnica de máquinas de costura industrial) não se encontra, por si só, entre as mencionadas na lei como impeditivas da opção pelo regime do SIMPLES. E dos elementos constantes dos autos, nada vejo que permita identificar que a Recorrente prestasse serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado. Neste caso, cabia à autoridade fiscal têlo demonstrado, não bastando alegar que a atividade instalação e manutenção de máquinas industriais é equiparada à atividade de engenheiro. Pelas razões expostas, dou provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS
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Numero do processo: 10820.900117/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF.
COMPROVAÇÃO DO ERRO.
Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em consequência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicam-se as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por
este último normativo, a saber, tratar-se de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplicase
o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se
verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%.
Numero da decisão: 1301-000.530
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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materia_s : IRPJ - restituição e compensação
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em consequência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicam-se as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratar-se de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplicase o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em consequência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicamse as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratarse de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplicase o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900117/200851 Acórdão n.º 130100.530 S1C3T1 Fl. 233 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Relatório CALT CONSTRUÇÕES E PROJETOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do conciso relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 15/20, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fl. 01, foi reconhecido direito creditório no valor de R$ 198,88 a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi parcialmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.03/04, na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a de “Construção Civil, Projetos, Administração de Obras, Fabricação de Artefatos de Cimento para Construção e Prestação de Serviços na Área de Construção Civil”; b) a recorrente ao efetuar recolhimentos de impostos por ela devidos, utilizouse como percentual sobre a receita bruta a alíquota de 32%, quando o correto seria o percentual de 8%, vez que realiza construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, sem qualquer quantidade; c) tal Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900117/200851 Acórdão n.º 130100.530 S1C3T1 Fl. 234 3 mudança ocorreu com o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06, de 13/01/1997, o qual a contribuinte teve conhecimento no ano de 2003; d) foi informada para preencher a PER/Dcomp requerendo a compensação do tributo pago a maior, bem como proceder a retificação de sua DCTF; e) não efetuou a retificação da DCTF, fato que culminou com a nãohomologação dos créditos tributários; f) com a correta aplicação da alíquota, a contribuinte possui um crédito no valor de R$ 5.215,45 (31/01/2003). Ao final, requer a homologação da referida PER/Dcomp e anulação da cobrança. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1422.677, de 20/03/2009 (fls. 25/30), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão de primeira instância em 18/05/2009, conforme documento de fl. 32, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 17/06/2009 (registro de recepção à fl. 33, razões de recurso às fls. 33/36). Após historiar os fatos, por sua ótica, a interessada afirma que o indeferimento de seu pleito se deu basicamente pela ausência de prova das alegações defensivas, o que se propõe a suprir mediante a apresentação da seguinte documentação: Trazemos junto a este recurso o Anexo I em que se encontra cópia do contrato de constituição de sociedade empresária limitada e todas as suas alterações, provando a atividade social da contribuinte. O Anexo II é composto pelas DCTFs originais e DCTF retificadoras do período, dando conta da correção pela contribuinte do equívoco perpetrado em seu prejuízo e de seu crédito existente. O Anexo III, por sua vez, é composto pela DIPJ referente ao período (ano calendário 2002), em sua via original e retificadora, dando conta da correção do lançamento de ofício anteriormente feito erroneamente em desfavor desta contribuinte. Acompanha o Anexo IV contratos firmados no 4º trimestre de 2002 entre a contribuinte e a Prefeitura Municipal de Paranapuã SP e com o CEFAM Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério, nos quais observamos que a execução de seus objetos se deram no regime de empreitada por preço global. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900117/200851 Acórdão n.º 130100.530 S1C3T1 Fl. 235 4 [...] Ainda em relação ao período em análise nos presentes autos, destacamos os documentos que compõem o Anexo V, quais sejam as "Nota Fatura de Prestação de Serviço" (nº 594 A 605), dando conta de que o faturamento informado pelo contribuinte em sua DCTF e DIPJ retificadoras foram pela efetivação de serviços no regime de empreitada por preço global, com fornecimento de materiais. Válido destacar que sobre o faturamento documento por faturas que não incluíram fornecimento de materiais incidiu a alíquota de 32% e não a de 8%, como, a propósito, se observa pelas declarações anexas decorrentes do cumprimento de obrigações acessórias. O Anexo VI é composto pelas notas fiscais de entradas das mercadorias empregadas pela contribuinte na execução das obras no regime de empreitada por preço global.Ao final, requer a reforma da decisão recorrida, com o reconhecimento de seu direito creditório, homologação da compensação declarada e cancelamento da cobrança. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno de alegado direito creditório, decorrente de recolhimento indevido/a maior de IRPJ. Tal recolhimento teria sido feito equivocadamente pela interessada, em face da aplicação do percentual de 32% à totalidade de sua receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido, em lugar do percentual de 8%, que seria o correto para a atividade por ela exercida, que afirma ser de construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, em qualquer quantidade. Em primeira instância, a Turma Julgadora não reconheceu o pretendido direito creditório, diante do fato de que o débito foi declarado em DCTF e da inexistência, nos autos, de provas suficientes a comprovar o alegado erro. A retificação da DCTF, levada a efeito após a ciência do Despacho Decisório e antes da decisão da DRJ, foi tida por insuficiente para respaldar as pretensões da contribuinte. Diante dessa decisão, a interessada traz a documentação com a qual considera provada sua atividade, sujeita à aplicação do percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Em consequência, estaria também provado o direito creditório pretendido. O primeiro ponto a ser apreciado é, então, a possibilidade de retificação da DCTF. Sobre a matéria, considero pertinente a análise do art. 147 do CTN, abaixo transcrito. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900117/200851 Acórdão n.º 130100.530 S1C3T1 Fl. 236 5 legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Embora o artigo acima transcrito não seja, em primeira análise, diretamente aplicável ao caso concreto, visto que a DCTF não se presta ao lançamento de tributo mas sim à confissão de débitos tributários e ao fornecimento de informação à autoridade administrativa sobre a forma de sua extinção, seu parágrafo primeiro traz disposições sobre a retificação de declarações que bem podem orientar a decisão a ser tomada. Senão vejamos. Na hipótese de redução ou exclusão de tributos, o texto legal impõe restrições à retificação da declaração com base na qual a autoridade administrativa haverá de efetuar o lançamento. Isso tendo em vista a proteção ao crédito tributário, interesse indisponível, como cediço. Tais disposições são também aplicáveis à situação vertente, em que a retificação da DCTF, se aceita, implicará redução do valor do débito anteriormente confessado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, apurado pelo próprio sujeito passivo. A propósito, assim leciona Leandro Paulsen1: Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o § 1º do art. 147 tem sido bastante invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata, e, a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações. [...]. Tenho, assim, que a questão a ser dirimida reside na prova do alegado erro, e no momento de sua apresentação. A princípio, todas as provas deveriam ser apresentadas juntamente com a impugnação, a teor dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ocorre, entretanto, que o Despacho Decisório de fl. 01, ao não reconhecer o direito creditório trazido à compensação, baseouse unicamente na análise do DARF e sua alocação aos débitos então declarados. Por essa ocasião (o Despacho Decisório é datado de 24/04/2008, com ciência em 05/05/2008, fl. 23), a interessada ainda não havia procedido à retificação da DCTF. A declaração retificadora foi apresentada em 16/05/2008 (fl. 70). O questionamento sobre a redução do débito de IRPJ 1 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 12ª Ed. Revista e atualizada. Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2010, pág. 1026. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900117/200851 Acórdão n.º 130100.530 S1C3T1 Fl. 237 6 correspondente ao quarto trimestre de 2002 de R$ 6.953,93 para R$ 1.738,48 somente foi trazido a lume durante a apreciação do litígio em primeira instância. Nessas condições, os mesmos dispositivos legais do Decreto nº 70.235/1972 anteriormente citados, especificamente o § 4º, inciso “c”, do art. 16, prevêem que a prova possa ser apresentada posteriormente. Passo, então, a analisar os documentos acostados aos autos pela interessada, a fim de verificar se socorrem sua pretensão, em face da legislação aplicável. Acerca do percentual aplicável, a disposição legal pertinente se encontra na Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] A disciplinar a matéria, foi editada a IN SRF nº 11/1996 e, posteriormente, a IN SRF nº 93/1997, nos seguintes termos: Instrução Normativa SRF nº 011, de 21 de fevereiro de 1996 Art. 3º A partir de janeiro do anocalendário de 1996, a base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mãode obra; [...] f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900117/200851 Acórdão n.º 130100.530 S1C3T1 Fl. 238 7 Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997 Art. 3º À opção da pessoa jurídica, o imposto poderá ser pago sobre base de cálculo estimada, observado o disposto no § 6º do artigo anterior. § 1º A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 2º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mãode obra; [...] f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. [...] Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 3º, sobre a receita bruta de cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral; Em 1997, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13/01/1997 estabeleceu com clareza qual seria o percentual a ser aplicado para determinação da base de cálculo do imposto de renda na atividade de construção por empreitada (grifos não constam do original): O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900117/200851 Acórdão n.º 130100.530 S1C3T1 Fl. 239 8 b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Esse entendimento se encontrava sedimentado, havendo inclusive soluções de consulta nesse sentido, entre as quais menciono a SC SRRF07 84/2002, SC SRRF08 36/2003 e SC SRRF08 278/2004. As alterações posteriormente introduzidas com o advento das IN SRF nº 480/2004 e IN SRF nº 539/2005 não alcançam os fatos geradores de que aqui se trata. Conforme visto na breve resenha da legislação, nos termos do ADN COSIT nº 6/1997, o percentual aplicável na determinação do lucro presumido seria de 8%, caso se tratasse de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Sustenta a recorrente que essa seria exatamente sua situação, pelo que pleiteia a retificação do valor de imposto devido, daí exsurgindo, em decorrência, o direito creditório por pagamento em valor maior que o devido. Três são, então, os aspectos a serem verificados, cumulativamente: (i) se as atividades exercidas pela interessada, que deram origem às receitas auferidas, o são pela modalidade de empreitada; (ii) se essas atividades são de construção; e (iii) se há prova de ter havido, na execução dessas atividades, o emprego de materiais fornecidos pela interessada. Quanto ao primeiro ponto acima, considero não haver dúvidas. Ensina a doutrina que empreitada é o contrato em virtude do qual um dos contratantes comete a outro a execução de um determinado serviço, compreendendo tanto a empreitada de obra ou de construção, como a empreitada para a feitura de qualquer outra espécie de trabalho ou serviço (segundo De Plácido e Silva). Essa modalidade contratual é regulada pelos arts. 610 a 626 do Código Civil/2002. De se concluir, assim, que a empreitada não é exclusivamente aplicável à execução de obras de construção civil, podendo ser contratada, sob essa modalidade, a realização de qualquer outra espécie de trabalho ou de serviço. Encontro, às fls. 162 e segs., diversas cartas de atendimento a Cartas Convite publicadas por órgãos públicos dos municípios de Jales/SP e Paranapuã/SP, para obras civis tais como: realização de reforma no Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério – CEFAM; construção de vestiários e palco para a quadra de escola municipal; colocação de grades de proteção na CEFAM; realização de instalação elétrica na CEFAM; em todos os casos, acompanhadas de planilhas que especificam em detalhes as obras a serem realizadas, inclusive os materiais a serem aplicados. Também de especial relevância as notas fiscais de prestação de serviços, emitidas pela interessada, cujas cópias se encontram às fls. 176/187. Não obstante não tenham sido apresentados todos os contratos, a descrição dos serviços permite a conclusão de que se trata de construção por empreitada. Finalmente, no que toca ao emprego de materiais, é de se ressaltar que em todas as notas fiscais apresentadas a interessada especifica que os serviços prestados em obras de construção civil diversas incluem mãodeobra e materiais, tal como previsto nos contratos (quando apresentados). Tal destaque é corroborado pelas diversas notas fiscais de aquisição de insumos os mais diversos aplicáveis aos serviços prestados pela contribuinte (fls. 189/229). Tenho, assim, por atendidos e comprovados os três requisitos delineados pelo ADN COSIT nº 6/1997, pelo que o percentual aplicável à receita bruta auferida pela Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900117/200851 Acórdão n.º 130100.530 S1C3T1 Fl. 240 9 interessada com a atividade de construção por empreitada com emprego de materiais, para fins de determinação do lucro presumido, deve ser de 8%. A somatória das notas fiscais apresentadas coincide rigorosamente com os valores que constam da DIPJ retificadora para o quarto trimestre de 2002, a saber, R$ 144.873,63 (notas fiscais de fls. 176/187), como sendo receitas sujeitas ao percentual de 8% (linha 14A/02, fl. 122). O imposto calculado a partir daí é de exatos R$ 1.738,48, o mesmo valor que consta da DCTF retificadora (fls. 70 e segs.). Diante do exposto, a retificação pretendida deve ser aceita. Considerandose que o débito de R$ 1.738,48 foi integralmente extinto em 31/01/2003 mediante o DARF no valor de R$ 2.317,99 (cópia à fl. 02 do processo nº 10820.900119/200840, julgado na mesma sessão de julgamento do presente processo), o direito creditório aqui invocado pelo contribuinte, no montante original de R$ 2.540,04, representado pelo DARF cuja cópia se encontra à fl. 02 destes autos, deve ser reconhecido, com a consequente homologação da compensação declarada neste processo até aquele limite. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000907/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31.
A mercadoria resfriador de água, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01.
Numero da decisão: 3401-005.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31. A mercadoria “resfriador de água”, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 09 07 /2 01 0- 51 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 245 2 Relatório 1. Tratase do despacho decisório DRF/SCS nº 552/2010, situado à fl. 21, que homologou apenas parcialmente o PER nº 14996.47949.070710.1.1.010737, formalizado em 07/07/2010, transmitido com o objetivo de ver ressarcido crédito de IPI referente ao 2ª trimestre de 2010 no montante de R$ 456.928,96, reconhecendose apenas o direito creditório de R$ 380.743.08. 2. Segundo se denota do Parecer DRFSCS/SAORT nº 081/2010, situado às fls. 18 a 20, que fundamenta o despacho decisório, a homologação de apenas parte dos créditos se deveu a erro na classificação fiscal e na determinação da alíquota de IPI nas notas fiscais de saída do produto “RESFRIADOR DE ÁGUA”, cuja função é resfriar a água utilizada na produção de massa de pão em padarias e confeitarias, tendo a empresa utilizado o Código NCM nº 8438.10.00, com alíquota zero, entendendo a autoridade fiscal estar correta a classificação sob o Código NCM nº 8418.69.31, com alíquota de 15%. A diferença de IPI foi lançada no Auto de Infração objeto do processo 13005.720865/201078, também pautado para a presente sessão para que se proceda ao seu julgamento conjunto. 3. A contribuinte, intimada via postal em 29/11/2010, em conformidade com o aviso posta situado à fl. 57, apresentou, em 23/12/2010, manifestação de inconformidade, situada às fls. 136 a 158, na qual argumentou, em síntese: (i) contrariedade ao § 4º do art. 90 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que a autoridade fiscal fez uso do expediente do despacho decisório, acompanhado de parecer, para não homologar o pedido de ressarcimento, enquanto que o correto seria a "(...) emissão de auto de infração sem a exigência de crédito tributário, nos casos de constatação de infração à legislação tributária"; (ii) a procedência da classificação adotada pela contribuinte, uma vez que a máquina não promove apenas o resfriamento da água, mas, na verdade, tem como função principal promover a mistura da massa alimentícia, tratandose, portanto, de uma combinação de máquinas, em conformidade com as considerações gerais da Seção XVI (Capítulos 84 e 85 da TIPI), combinados com as notas 3 e 4; em outras palavras, a máquina de panificação ("amassadeira") forma um único corpo, conjuntamente com o "resfriador/dosador de água", sendo instaladas fixadas em caráter permanente; (iii) que, na emissão das notas fiscais de saída, apenas são discriminadas separadamente as máquinas amassadeira e resfriador /dosador de água, devido à necessidade de controle físico do estoque de produtos prontos (livro de inventário), exigidos pela legislação do IR e do IPI; (iv) as vendas avulsas do resfriador/dosador de água se justifica pelo fato de alguns clientes já possuírem a amassadeira, mas que, ainda assim, o componente vendido tem por único destino ser acoplado física e permanentemente às amassadeiras para operarem como um corpo único, sendo que as NESH não definem qual deve ser o momento da combinação/acoplamento para fins de classificação; (v) subsidiariamente, caso não prosperem as alegações anteriores, requer a classificação no Código NCM nº 8419.89.91, sob os auspícios da expressão "máquina" na Nota 5 da Seção XVI; (vi) alega equívoco na classificação reputada correta pela autoridade fiscal, em especial naquilo que concerne à posição 84.18, pois "(...) o resfriamento da água não chega nem perto de atingir uma temperatura próxima a 0º C ou inferior", uma vez que "(...) a função da máquina não é produzir frio, sendo esta uma exigência da posição 84.18, e sim resfriar a massa alimentícia"; (vii) que o valor glosado deve ser acrescido com a atualização da taxa Selic desde 19/11/2010. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 246 3 4. Em 08/05/2014, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0129.158, situado às fls. 188 a 200 de relatoria da AuditoraFiscal Claudia Gorresen Mello, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. Incabível a decretação de nulidade do despacho decisório, quando nele contidas as informações necessárias e suficientes para justificar a nãohomologação da compensação declarada ERRO NA CLASSIFICAÇÃO. FALTA DE DESTAQUE DO IPI. LANÇAMENTO. Impõese o lançamento do IPI que tenha deixado de ser destacado pelo sujeito passivo em face de classificação fiscal errônea. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 06/06/2014, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 203 e, em 03/07/2014, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 205 a 236, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 247 4 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. A recorrente alega, em sede preliminar, nulidade em virtude de ter a autoridade fiscal feito uso do expediente do despacho decisório, acompanhado de parecer, para não homologar o pedido de ressarcimento, enquanto que o correto seria a lavratura de auto de infração, o que não merece provimento, uma vez que a decisão foi proferida por autoridade administrativa competente, o que afasta o inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, e sem qualquer preterição do direito de defesa, que restou resguardado e, digase, foi plenamente exercido pela ora recorrente, de maneira a se expungir também a aplicação do inciso II do dispositivo instrumental em referência. 8. Observese, a respeito desta alegação, ainda, que se procedeu à lavratura de auto de infração para a formalização da cobrança das diferenças de imposto apuradas em virtude do erro de classificação fiscal, discutido no Processo Administrativo nº 13005.720865/201078, igualmente pautado para a corrente sessão para fins de julgamento conjunto. Acrescemse a estas considerações aquelas oportunamente trazidas pela decisão recorrida: "A par disso, as diferenças de imposto apuradas estão apontadas no item 28 do Relatório de Ação Fiscal e no Demonstrativo do IPI Não Lançado, parte integrante do citado Auto de Infração. Tal demonstrativo embasou a reconstituição da escrita fiscal, que serviu de base para Parecer DRF/SCS/SAORT 081/2010 e o Despacho Decisório DRF/SCS 552/2010, objeto deste processo. Assim sendo, a autoridade fiscal exarou o Despacho Decisório em questão após cumprir todos os preceitos da legislação em vigor, especialmente a análise dos documentos comprobatórios do alegado direito creditório, inclusive arquivos fornecidos pelo contribuinte e realização de diligências fiscais a fim de ser verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, tudo conforme preceitua a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que disciplinava a época a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela RFB, dentre esses o ressarcimento e a compensação de créditos do IPI. Também não se constata nenhum vício de forma no lançamento, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto nº 70.235, de 1972, estando cristalina e minuciosamente demonstrados no processo a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo à impugnante conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa" (seleção e grifos nossos). Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 248 5 9. Assim, com base nos fundamentos acima, não merece provimento o recurso voluntário neste particular. 10. No mérito, a questão de fundo consiste, portanto, em deslindar, naquilo que respeita ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, se correta a classificação utilizada pela contribuinte (8438.10.00), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (8418.69.31): uma ou outra conclusão terá como efeito a reversão do despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento, no presente processo. 11. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto do Capítulo: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes" (Capítulo 84). 12. Para a contribuinte recorrente, no entanto, o “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificado na Posição, Subposição, Item e Subitem 8438.10.00: "Máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo, para preparação ou fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais" (Posição 84.38), "Máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias" (Subposição, Item e Subitem 8438.10.00), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI: 13. Por outro lado, para autoridade fiscal, o “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificado na Posição, Subposição, Item e Subitem 8418.69.31: "Refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 249 6 com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15" (Posição 8418), "Outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio; bombas de calor Outros" (Subposição 8418.69), "Unidades fornecedoras de água, sucos ou bebidas carbonatadas" (Item 8418.69.3), "De água ou sucos", submetido, portanto, a uma alíquota de 15% de IPI: 14. Em primeiro lugar, para a análise da classificação no Código NCM nº 8438.10.00 atribuída pela contribuinte ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (i.a) tratase de uma espécie de "máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do Capítulo 84, para preparação ou Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 250 7 fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais"? Observese que, para a resposta, deverão ser eliminadas todas as outras máquinas e aparelhos especificados nas demais posições do Capítulo 84. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada (o que não implica estar correta a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal). Contudo, caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), então necessariamente a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal está equivocada, salvo na hipótese da nota 2, que será verificada mais adiante (o que ainda não implica estar correta a classificação atribuída pela contribuinte). Somente neste caso, de se responder afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte questão: (i.b) tratase de um tubo de uma espécie de "máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias"? Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), a classificação dada pela contribuinte está correta (neste caso, já se sabia desde a resposta anterior que a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal estava equivocada). 15. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação dada pela contribuinte está equivocada e, neste caso, passase à análise da classificação no Código NCM nº 8418.69.31, atribuída pela autoridade fiscal ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, ponto a partir do qual devem ser feitas as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de uma espécie de "refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15"? Caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Somente no caso de se responder afirmativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte questão: (ii.b) tratase de "outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio; bombas de calor"? Ou seja: que não sejam combinações de refrigeradores e congeladores (freezers), munidos de portas exteriores separadas (8418.10.00), refrigeradores do tipo doméstico (8418.2), congeladores (freezers) horizontais tipo arca (8418.30.00), congeladores (freezers) verticais tipo armário (8418.40.00), nem outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio (8418.50), nem, especificamente, bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15 (8418.61.00). Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 251 8 Caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Somente no caso de se responder afirmativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte questão: (ii.c) tratase de uma espécie de "unidades fornecedoras de água, sucos ou bebidas carbonatadas", especificamente "de água ou sucos", que não bebedouros refrigerados? Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Porém, caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), a classificação dada pela autoridade fiscal está correta. 16. Deverá, ainda, o classificador considerar o texto da nota 2 do Capítulo 84, no sentido de que "(...) as máquinas e aparelhos suscetíveis de se incluírem nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86 e, simultaneamente, nas posições 84.25 a 84.80, classificamse nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86, conforme o caso" (g.n.). Assim, se o “RESFRIADOR DE ÁGUA” se enquadrar simultaneamente nas posições 84.18 (atribuída pela autoridade fiscal) e 84.38 (atribuída pela contribuinte), correta estará a posição 84.18. A este respeito, ademais, as considerações gerais do Capítulo 84: "D. MÁQUINAS E APARELHOS SUSCETÍVEIS DE SE INCLUÍREM EM VÁRIAS POSIÇÕES (Notas 2 e 7 do Capítulo) As posições 84.01 a 84.24 englobam as máquinas e aparelhos suscetíveis, pela sua própria função, de serem utilizados em vários tipos de indústria, enquanto que as máquinas e aparelhos das outras posições do Capítulo são classificados mais especificamente de acordo com a indústria ou setor de atividades que os utiliza. Nos termos da Nota 2 do presente Capítulo, as posições do primeiro grupo têm preferência sobre as do segundo grupo. Por este motivo, quando uma máquina ou aparelho for virtualmente suscetível de se incluir simultaneamente em duas (ou mais) posições, das quais uma esteja compreendida entre as posições 84.01 a 84.24, é exatamente nesta que a máquina ou aparelho se deve classificar. Por esta razão, as máquinas motrizes, por exemplo, classificam se nas posições 84.06 a 84.08 e 84.10 a 84.12, sendo irrelevante a sua destinação. A mesma regra é válida para as bombas, mesmo as especializadas para agricultura ou para uma indústria determinada (fabricação de fios, de matérias têxteis artificiais ou sintéticas, por exemplo), as máquinas centrífugas, as calandras, os filtros prensas, os fornos, os geradores de vapor, etc.". 17. Recortase, ainda, o texto pertinente das NESH: '"Os materiais, máquinas e aparelhos para produção de frio de que trata esta posição compreendem geralmente máquinas ou Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 252 9 instalações que, por um ciclo contínuo de operações, fornecem ao seu elemento refrigerador (evaporador), uma temperatura baixa (próxima de 0°C ou inferior), por absorção do calor latente que resulta da evaporação de um gás previamente liquefeito (amoníaco, hidrocarbonetos halogenados, por exemplo) ou de um liquido volátil, ou ainda, mais simplesmente, da evaporação da água, principalmente em certos aparelhos de uso naval”. “As máquinas frigoríficas aqui incluídas pertencem a dois tipos principais: A.MÁQUINAS DE COMPRESSÃO Os elementos essenciais destas máquinas são: O compressor, que tem a dupla função de aspirar o vapor saído do evaporador e comprimilo no condensador. O condensador, no qual este vapor comprimido arrefece e se liquefaz”. “O evaporador, dispositivo gerador do frio, que é constituído por um sistema de tubos no qual o fluido frigorígeno, proveniente do condensador, é admitido em volume e pressão controlados por um detentor. No evaporador, inversamente do que se produz no condensador, o líquido condensado evaporase rapidamente com absorção do calor ambiente. Todavia, nas grandes instalações, utilizase indiretamente a ação refrigerante do evaporador que age sobre uma solução de cloreto de sódio ou de cloreto de cálcio contida num recipiente ou que circula num sistema de tubos” 18. Transcrevemse, por derradeiro, as seguintes notas da Seção XVI, que engloba os Capítulos 84 e 85: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação “máquinas” compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 253 10 instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. 19. Segundo se depreende das razões recursais, a contribuinte fabrica duas máquinas que operam em conjunto para a produção de massas alimentícias: (i) máquina de mistura da massa, modelos VAE 25, VAEM 25, VAE 40 e VAEM 40; e (ii) máquina de resfriamento de água, modelos RA 10, 15 e 20, e RAI 10, 15 e 20. Os modelos se voltam à quantidade de produção de massa, conforme necessidade do cliente. Ao operarem em conjunto, têm como função principal a mistura da massa e, como função secundária (complementar), realizar o seu resfriamento, motivo pelo qual, a partir das considerações gerais da Seção XVI, combinado com as notas 3 e 4, entende se tratar de uma combinação de máquinas. Explica, ainda, que a operação conjunta é necessária devido ao "(...) grande calor produzido pela mistura da massa, tornando imprescindível o resfriamento com água resfriada para não prejudicar a qualidade do produto". Isto porque a fricção, ao produzir calor, pode desencadear uma fermentação prematura e consequente morte de leveduras que tem por conseqüência a perda da força fermentativa nas etapas de crescimento e forneamento, em prejuízo do volume, sabor e aroma: "(...) a massa pode perder rendimento em peso, pois sofre uma maior desidratação", que "(...) acelera o envelhecimento e diminui a durabilidade do produto final", o que explica a necessidade da adição de água resfriada. 20. Recortamse, por pertinentes, as seguintes explicações a respeito do acoplamento entre as duas máquinas: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 254 11 21. Recortamse, ainda, folhetos comerciais, que ressaltam as características do produto, comercializado sob a denominação "amassadeira rápida acoplada resfriador dosador de água": Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 255 12 22. Em resposta ao termo de intimação fiscal nº 001, a recorrente informou, que o resfriamento da água "(...) ocorre por meio de um compressor com gás que faz a troca do calor com a água por condução, através de um evaporador em forma de serpentina (espiral) instalada no interior da máquina”, o que levou a autoridade fiscal e a decisão recorrida a concluir que, em que pese o produto ser utilizado na indústria de panificação, deve ser classificado pela sua própria função, ou seja, um aparelho para a produção de frio fornecedor de água. Ao se voltar à máquina em apreço, o julgador de primeiro piso realiza as seguintes considerações: O resfriador/dosador de água, conforme especificações no catálogo virtual encontrado endereço eletrônico http://www.venanciometal.com.br/catalogo/, é uma máquina (modelos RA 10, 15, 20 e RAI 10, 15 e 20) cuja função principal é o resfriamento, dosagem e fornecimento de água para aplicação na massa alimentícia. Destacase ainda, na fl. 79, da impugnação: o “Resfriador Dosador de Água” possui uma quantidade especifica de água para calibragem no preparo da massa, ou seja, conforme a quantidade de massa a ser produzida, é necessária certa quantidade de água para resfriar durante o amassamento, conforme exigência da receita. Extraise ainda da impugnação, à fl. 86: “estaria adicionando gelo no preparo da massa alimentícia, o que prejudicaria toda a qualidade do produto final, bem como iria contra a receita de produção da massa” e “assim, a adição de água resfriada é a solução para corrigir a temperatura no preparo da massa”. Diante das afirmações da impugnante, resta bastante claro, que a função da máquina é de resfriar e dosar a água que posteriormente será adicionada à massa de pão em padarias e confeitarias e não, resfriar a massa alimentícia, portanto não se insere na definição de “trocador de calor” (seleção e grifos nossos). 23. Ao nos voltarmos às perguntas acima estabelecidas, compreendese que a posição 84.38 propugnada como correta pela contribuinte é residual: apenas atrairá a classificação se nenhuma outra posição do Capítulo for a correta (mais específica). Assim, a resposta à questão (i.a) deve ficar condicionada à conclusão pelo equívoco do entendimento da autoridade fiscal, uma vez que o código que reputa como correto comunga do mesmo Capítulo: 8418.69.31. Assim, a primeira pergunta a ser enfrentada é a (ii.a): tratase de uma espécie de "refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15"? Mais especificamente, em conformidade com a aplicação direta da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, tratase de uma máquina para a produção de frio (já é possível se afirmar também, com as informações disponíveis no processo em apreço, não se tratar de uma bomba de calor ou um ar condicionado). Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 256 13 24. Decorre da RGI/SH nº 06, por outro ângulo, que "a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário". Assim, respondese, ainda, afirmativamente à questão (ii.b), pois se trata de "outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio", ou seja, não se trata de um refrigerador/congelador, de uma geladeira doméstica, nem refrigeradores tipo arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes para conservação/exposição de produtos resfriados. Por fim, com base na Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01,1 passase à questão (ii.c), à qual se responde afirmativamente: tratase de uma "unidade fornecedora de água" resfriada (que não seja um bebedouros refrigerados). 25. Ainda que se superasse o fato de a posição 8438, proposta como correta pela contribuinte, ser residual com relação às demais posições do Capítulo 84 (o que se faz apenas como exercício, pois o texto não pode ser ignorado), a resposta afirmativa à questão (i.a), no sentido de se tratar de uma máquina para preparação ou fabricação industrial de alimentos permitiria a passagem à questão (i.b), à qual se responderia afirmativamente: uma máquina "para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias". Tal classificação estaria equivocada, como se demonstrou, pelo desatendimento à regra da classificação residual; contudo, ainda que estivesse correta, duas seriam as classificações possíveis: 8438.10.00 e 8418.69.31, o que demandaria a seguinte análise: mesmo que a classificação deva ser feita de acordo com a função principal que caracterize o produto (notas 3 e 4 da Seção), aplicase a nota 2 do Capítulo (regra mais específica, portanto): "(...) as máquinas e aparelhos suscetíveis de se incluírem nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86 e, simultaneamente, nas posições 84.25 a 84.80, classificamse nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86, conforme o caso". Logo, ainda que ambas classificações fossem possíveis (não são), a posição 84.18 exerceria a vis atractiva, por decorrência de regra expressa neste sentido. 26. Concluise, portanto, que a mercadoria “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, restando, desta forma, prejudicadas as demais matérias, em especial aquela que atine à correção do valor não homologado pelo despacho decisório sob exame pela taxa Selic. 27. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. 1 RGC/SH nº 06. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.206 S3C4T1 Fl. 257 14 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001155/2008-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal.
Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica
Numero da decisão: 2001-000.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 11 55 /2 00 8- 11 Fl. 80DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 30/34), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2004, anocalendário de 2003, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. Abaixo, reproduzse a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, constantes do Lançamento: "DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do Valor de R$ 25.000,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. ' Enquadramento Legal: ' Art.8.°, inciso ›I_I, alinea 'a', e §§ 2. e 3. , da Lei n. 9.250/95; arts. 43 48 da Instrução'No'rmativa SRF n.' 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II d Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Contribuinte intimado a comprovar o efetivo pagamento a ALMAR ASS. MÉDICA S/C LTDA e identificar_os procedimentos médicos realizados não o fez.." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 52/58, cuja ementa transcrevese abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercicio: 2004 PRELIMINAR. EXIGÊNCIA LEGAL DE COMPROVAÇÃO DE DESPESA. A exigência de comprovação de despesas médicas, consignadas em recibos e declarações unilaterais, decorre de expressa disposição legal, não configurando afronta ao princípio da legalidade. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito à dedução de despesas médicas está condicionado à Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13899.001155/200811 Acórdão n.º 2001000.180 S2C0T1 Fl. 3 3 comprovação, tanto da efetividade dos serviços prestados como dos correspondentes pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ' A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo l50 da Constituição Federal. Impugnação lmprocedente Crédito Tributário Mantido" Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 65/76. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Argui a preliminar de nulidade do lançamento e defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Insurgese contra a multa de 75%, que entende ser exorbitante, extorsiva, desconectada do fato efetivamente ocorrido. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Tratase de lançamento lavrado por autoridade legalmente competente e constatase ainda que foi oferecida a mais ampla defesa ao interessado, sendo que a decisão da DRJ analisou cuidadosamente as razões trazidas na impugnação, enfrentando todos os argumentos de fato e de direito aduzidos pelo contribuinte. Fl. 82DF CARF MF 4 Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. Mérito O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, haja vista tratarse de serviços prestados por pessoas jurídicas. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13899.001155/200811 Acórdão n.º 2001000.180 S2C0T1 Fl. 4 5 Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicála em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por rejeitar a matéria preliminar argüida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905697/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 56 97 /2 01 2- 11 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905697/201211 Acórdão n.º 1302002.873 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905697/201211 Acórdão n.º 1302002.873 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905697/201211 Acórdão n.º 1302002.873 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905697/201211 Acórdão n.º 1302002.873 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10840.905697/201211 Acórdão n.º 1302002.873 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 23034.000143/2004-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência junto à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que sejam juntados aos autos os processos administrativos fiscais relativos às NFLD - DEBCAD n. 35.384.474-8 e n. 35.384.475-6.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência junto à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que sejam juntados aos autos os processos administrativos fiscais relativos às NFLD DEBCAD n. 35.384.4748 e n. 35.384.4756. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 186/192 em face de decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 171/173 que julgou pelo indeferimento da defesa apresentada pelo contribuinte em epígrafe (efls. 127/136), mantendo, destarte, o crédito tributário referente ao não recolhimento do salário educação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 157/2004 valor total de R$ 1.838.709,47 (efls.124/125) verificado a partir dos procedimentos fiscais abrigados na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.384.4748 valor total consolidado em 21/09/2001 na ordem de R$ 8.601.394,89 (efls. 16/23) e na RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 00 14 3/ 20 04 -6 1 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 23034.000143/200461 Resolução nº 2402000.665 S2C4T2 Fl. 3 2 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.384.4756 valor total consolidado em 21/09/2001 na ordem de R$ 5.217.890,47 (efls. 68/76) Período de Apuração (P.A) 12/1996 e 07/1997 a 08/2001 , com fulcro na ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias vinculadas aos fatos geradores: i) salários in natura a título de habitação concedidos aos segurados empregados; ii) valores pagos a título de indenização compensatória por perdas salariais aos segurados empregados; e iii) valores pagos a título de indenização compensatória pela eliminação do auxílioalimentação no período de férias do empregado, bem como pela eliminação do adiantamento quinzenal de salários aos segurados empregados, conforme discriminado na Informação Fiscal ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional (FNDE) efls. 08/23 e no Relatório Fiscal de efls. 24/106. A Recorrente foi regularmente cientificada da Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 157/2004 (efls.124/125) em 14/04/2004 (efl. 126) e, irresignada, apresentou a impugnação de efls. 127/136, alegando, em apertada síntese: i) a ilegalidade da cobrança do salárioeducação sobre o suposto salário in natura a título de habitação; ii) indenização compensatória por perdas salariais; e iii) indenização pela eliminação do auxílioalimentação no período de férias de seus funcionários e em abonos pecuniários, por não se configurarem remuneração, e sim parcelas indenizatórias. A impugnação de efls. 127/136 foi indeferida, nos termos da decisão de efls. 171/173, havendo a Recorrente dela sido cientificada na data de 11/03/2005 (efls. 176/180 e 217). Irresignada, apresentou o Recurso Voluntário de efls. 186/192, assinado em 04/04/2005, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da impugnação. É relevante destacar que não consta nos autos informação da efetiva recepção do Recurso Voluntário (efls. 186/192) pelo órgão competente, nem sequer data de eventual postagem do envio. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Conforme já noticiado, não consta dos autos informação da efetiva recepção do Recurso Voluntário (efls. 186/192) pelo órgão competente, nem sequer data de eventual postagem do envio. Todavia, considerando que o Recurso Voluntário (efls. 186/192) tem data de assinatura de 04/04/2005 e considerando ainda que a ciência do Ofício n. 465/2005/DIADE/CGAC/DIFIN/FNDE/MEC ocorreu na data de 11/03/2005 (efls. 176/180 e 217), é razoável admitirse a sua tempestividade, enquadrandose assim nos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. A Informação Fiscal ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional (FNDE) efls. 08/23 contextualiza a origem do lançamento consignado na NRD n. 157/2004 (efls.124/125) nos seguintes termos: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 23034.000143/200461 Resolução nº 2402000.665 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] No entendimento da Recorrente tais verbas não podem ser entendidas como remuneração do empregado em retribuição ao seu trabalho , mas como indenização pelo ressarcimento (compensação) que encerra. De plano, verificase que o mérito da presente lide se confunde com os fundamentos que deram suporte ao lançamento consignado na NFLD DEBCAD n. 35.384.4748 (efls. 12/23) e na NFLD DEBCAD n. 35.384.4756 (efls. 64/76), inclusive no tocante aos levantamentos efetuados pela Fiscalização (Levantamento ABN ABONO Fl. 267DF CARF MF Processo nº 23034.000143/200461 Resolução nº 2402000.665 S2C4T2 Fl. 5 4 PECUNIÁRIO; Levantamento HAB HABITAÇÃO; Levantamento IC IND. COMPENSATÓRIA ACT 1999 e Levantamento IC2 IND. COMPENSATÓRIA ACT 1996). Conforme se observa nos autos, a Recorrente fez opção por participar do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), possuindo assim convênio com o SalárioEducação, razão pela qual procedeuse à Informação Fiscal ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional (FNDE) efls. 08/23 com o fito de que o próprio FNDE efetue a cobrança dos respectivos débitos, o que veio a ocorrer mediante a NRD n. 157/2004 (efls.124/125). Nessa perspectiva, o enfrentamento do Recurso Voluntário (efls. 186/192) repercutirá diretamente nos lançamentos consignados nas NFLD DEBCAD n. 35.384.4748 (efls. 12/23) e n. 35.384.4756 (efls. 64/76), que, por sua vez, abrangem outras rubricas além da de Terceiros, a saber, Empregados (contribuição patronal) e SAT. Assim, de forma a evitarse decisão conflitante com o desfecho das referidas NFLD, inclusive quanto a possível existência de contencioso administrativo em curso ou até mesmo concluído, bem assim ocorrência de parcelamento, pagamento, ou qualquer outro evento que denuncie irresignação ou conformidade da Recorrente com os lançamentos consignados nas NFLD em apreço, entendo que existe, no caso concreto, evidente conexão entre o julgamento da NRD n. 157/2004 (efls.124/125) e os processos administrativos fiscais relativos às NFLD DEBCAD n. 35.384.4748 (efls. 12/23) e n. 35.384.4756 (efls. 64/76), impondose, destarte, diligência junto à unidade de origem para que seja informada a situação dos créditos tributários vinculados às referidas NFLD. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 186/192) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que sejam apensados aos autos os processos administrativos fiscais relativos às NFLD DEBCAD n. 35.384.4748 (efls. 12/23) e n. 35.384.4756 (efls. 64/76). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10811.000412/2010-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
CERTIFICADO DE REGISTRO DE VEÍCULO - CRV. TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO.
No reconhecimento da firma como autêntica, o Tabelião de Notas deve exigir que o signatário assine o livro com indicação do local, data, natureza do documento exibido, do número do selo utilizado e, ainda, se apresentado Certificado de Registro de Veículo - CRV visando à transferência de veículo automotor, do número do Registro Nacional de Veículos Automotores - RENAVAM, do nome do comprador, do seu número de inscrição no CPF e da data da transferência.
Numero da decisão: 1003-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 CERTIFICADO DE REGISTRO DE VEÍCULO - CRV. TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO. No reconhecimento da firma como autêntica, o Tabelião de Notas deve exigir que o signatário assine o livro com indicação do local, data, natureza do documento exibido, do número do selo utilizado e, ainda, se apresentado Certificado de Registro de Veículo - CRV visando à transferência de veículo automotor, do número do Registro Nacional de Veículos Automotores - RENAVAM, do nome do comprador, do seu número de inscrição no CPF e da data da transferência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 CERTIFICADO DE REGISTRO DE VEÍCULO CRV. TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO. No reconhecimento da firma como autêntica, o Tabelião de Notas deve exigir que o signatário assine o livro com indicação do local, data, natureza do documento exibido, do número do selo utilizado e, ainda, se apresentado Certificado de Registro de Veículo CRV visando à transferência de veículo automotor, do número do Registro Nacional de Veículos Automotores RENAVAM, do nome do comprador, do seu número de inscrição no CPF e da data da transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 1. 00 04 12 /2 01 0- 39 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 138 2 A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 148, de 12.08.2010, fl. 52, com efeitos a partir de 01.05.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: A Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em São José do Rio Preto, no uso das atribuições que lhe foram delegadas pelo inciso XXIII, art 1° da Portaria DRF/SJR n° 30, de 01/06/2010, DOU de 02/06/2010, originariamente previstas no inciso IV do art 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de março de 2009 e tendo em vista o disposto nos artigos 17, 28 a 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, com as alterações promovidas pela Lei Complementar n° 127, de 14 de agosto de 2007 e Lei Complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008 , considerando o que consta do processo n° 10811.000412/201039, declara: 1° ESTÁ EXCLUÍDO o contribuinte REBOLICHE EXPLORAÇÃO DE BOLICHES LTDA. ME CNPJ n° 06.934.504/000165 do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, de que trata o artigo 3° da Lei Complementar rf 123/2006 por COMERCIALIZAR MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO, de acordo com art 29, inciso VII da LC 123/2006. 2° Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no art 29, inciso VII, § 1° da LC 123/2006, ou seja, a partir de 01/05/2009, estando assegurado ao contribuinte o direito de, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência desta publicação, manifestar por escrito sua inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, relativamente ao procedimento acima, assegurando assim o contraditório e a ampla defesa. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1442.006, de 15.05.2013, efls. 9092: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 21.08.2013, efl. 131, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.09.2013, efls. 96100, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: A Recorrente foi proprietária de um veiculo VW, tipo camioneta, KOMBl, ano/modelo 1994/1995, cor branca, chassi n. 9BW2ZZ23ZRP035497, placas CBU 2444, de CatanduvaSP, até à data de 17 (dezessete) de Janeiro de 2008 (dois mil e oito), quando vendeu seu veículo ao Sr. ITAMAR ANTUNES, conforme consta da CERTIDÃO DE RECONHECIMENTO DE FIRMA POR TRANSFERÊNCIA Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 139 3 DE VEÍCULO de fls. 36 e fls. 76 do processo digital retro mencionado, do 1° TABELIONATO DE NOTAS E DE PROTESTOS DE LETRAS E TÍTULOS DA COMARCA DE CATANDUVASP, no livro n. 77 (setenta e sete) termo n. 0531. Em data de 25/05/2009 (vinte e cinco de maio do ano de 2009), ou seja, cerca de um ano e quatro meses após a venda do veículo, este envolveuse em uma ocorrência policial em rodovia estadual sob a circunscrição da Polícia Judiciária de Novo HorizonteSP, cujo teor (homicídio culposo na condução de veiculo automotor art 302 do Código de Trânsito Brasileiro combinado com art 334 do Código Penal contrabando e descaminho) encontrase às fls. 12 a 15 do processo digital. Por motivo do acidente rodoviário relatado acima, a policia judiciária de Novo HorizonteSP encontrou no interior do veículo em questão mercadorias que seriam objeto de contrabando e descaminho. O condutor do veiculo evadiuse do local sem prestar socorro às vítimas. No decorrer da investigação, apurouse que, realmente, a empresa Recorrente vendeu, de fato e de direito, o veículo envolvido no acidente rodoviário em data de 17/01/2008, conforme alegações do próprio comprador, cujo depoimento em Delegacia de Polícia consta às fls. 79 do processo digital retro mencionado. A simples leitura dos termos de declarações colhidos peia Policia Judiciária, de fls. 78 a 82 do processo digital é tão cristalina e esclarecedora para comprovar que a empresa recorrente não a proprietária do veículo na época do acidente rodoviário e da apreensão de mercadorias. Inobstante, a empresa recorrente foi apenada com a EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL, cujo regime de tributação é fundamental para continuidade de suas atividades. 2. DO DIREITO. 2.1. Preliminar de ilegitimidade de parte. Antes de adentrarmos ao mérito da questão, suscita a recorrente a ilegitimidade do polo passivo da demanda, uma vez que, diante do que foi apurado pelas investigações da Polícia Judiciária e, mormente, pela CERTIDÃO DE RECONHECIMENTO DE FIRMA POR TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO (fls. 36 e 76 do processo digital), ficou comprovado que a Recorrente vendeu seu veículo em data de 17/janeiro/2008 (um ano e quatro meses antes do acidente fatídico). Portanto, quaisquer responsabilidades devem recair sobre o verdadeiro proprietário do veículo. o TERMO DE RECONHECIMENTO DE FIRMA POR TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO é lavrado perante um OFICIAI/TABELIÃO que tem FÉ PÚBLICA e gera, sim, direitos e obrigações contra terceiros. Diante do TERMO DE RECONHECIMENTO DE FIRMA POR TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO, lavrado perante um OFICIAL/TABELIÃO, que tem FÉ PÚBLICA, a Recorrente requer seja excluída do pólo passivo do AUTO DE INFRAÇÃO N. 0810700/01441/09. DO MÉRITO. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 140 4 No mérito, a Recorrente suscita o principio da VERDADE REAL que deve nortear os processos judiciais e administrativos, não se alentando, somente, à frieza legal. Ficou claro e cristalino que a empresa Recorrente realmente vendeu seu veiculo em data de 17/Janeiro/2008, alegação comprovada com os documentos de fls. 36 e 76 do processo digital (TERMO DE RECONHECIMENTO DE FIRMA POR AUTENTICIDADE PARA TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO). Há, nos autos (fls. 7882 do processo digital) os termos de declarações colhidos pela Polícia Judiciária que também comprovam que tanto o veículo bem como as mercadorias apreendidas não pertenciam à empresa Recorrente. Diante de tudo o que foi apresentado, concluise que a empresa Recorrente não preenche os requisitos para a exclusão do SIMPLES NACIONAL com fundamento no inciso VII, do art. 29, da Lei Complementar n. 123, de 14 de Dezembro de 2006. [...] O conjunto probatório constituise de provas que absolvem a Recorrente e em nada indicam que esta ta Recorrente) estava a comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Portanto, não enquadrada no tipo legai, que é a COMERCIALIZAÇÃO de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Concernente ao pedido expõe que: Diante de todo o exposto, mormente pelo conjunto probatório, ficou demonstrada a insubsistência da ação fiscal contra a Recorrente, suscitando ilegitimidade do pólo passivo, ou ainda no mérito, não deve prosperar a ação fiscal requerendo dignemse Vossas Senhorias acolher o presente recurso para, no mérito, se a este chegarmos, darlhe provimento, por absoluta falta de provas de que a Recorrente preencheu o tipo penal descrito no inciso Vil, do art 29 da Lei Complementar n. 123, de 14 de Dezembro de 2006, decidindose pelo cancelamento do AUTO DE INFRAÇÃO N. 0810700/01441/09. (grifos do original) É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 141 5 empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 142 6 A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Temse que em 25.05.2009 no interior do veículo da marca Volkswagen/Kombi, cor branca, placa CBU2444 de propriedade da Recorrente (telas Denatran/Renavan e CNPJ Consulta, fls. 1617) foram apreendidos 11.160 maços de cigarros da marca Eight, 1.500 maços de cigarros da marca Palermo, 4.500 maços de cigarros da marca Veneto Tabaco, 990 maços de cigarros da marca San Marino, 4.000 maços de cigarros de da marca TE, 500 maços de cigarros da marca Mill e 1.000 maços de cigarros da marca Cigarrettes Soft. Estas informações constam no Auto de Infração e Termo de Apreensão e 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 143 7 Guarda Fiscal n° 0810700/01441/09, Ofício n° 460/2009gmr, Boletim de Ocorrência n° 411/2009, Auto de Exibição e Apreensão e Ofício n° 461/2009gmr, fls. 0315, que ainda noticiam que o condutor do veículo evadiuse do local e não foi identificado. Está registrado no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/01441/09, fls. 0308: 1.0 Da Apreensão Aos vinte e oito dias do mês de maio do ano de dois mil e nove, (28/05/2009), foi recebido por essa Equipe de Fiscalização Aduaneira SFA/SAFIS/DRF/SJR/SP, o ofício nº 460/09gmr, oriundo da Delegacia de Investigações Gerais de Novo Horizonte SP, encaminhando mercadorias estrangeiras, CIGARRO, apreendidos no interior do veiculo da marca VW, tipo Camioneta, modelo Kombi, ano fabr/mod 1994/1995, cor branca, chassi n° 9BWZZZ23ZRP035497, placas CBU2444 CatanduvaSP de propriedade da empresa Reboliche Exploração de Boliches Ltda. ME, de CNPJ n° 06.934.504/000165, sem a documentação comprobatória de sua regular introdução no país, portanto, sujeitas a pena de perdimento. A apreensão decorreu de operação realizada por policiais do Plantão Policial da Delegacia do Município de Novo Horizonte SP que, em atendimento a ocorrência de acidente com vítima fatal, às 20:40 hrs. do dia 25/05/2009, na Rodovia SP 321, bairro Tadeei, no município de Novo Horizonte SP, encontraram o Veículo Fiat uno, placas BQH0985/SP em colisão frontal com o veículo acima descrito que estava repleto de mercadorias estrangeiras (cigarros). No momento da abordagem os policiais não localizaram o motorista da Kombi/VW, placas CBU2444/SP, pois o mesmo, segundo testemunhas, teria pego carona alegando fortes dores no peito e ao estar sendo transportado para o socorro, solicitou que parassem a determinada altura da rodovia e evadiuse adentrando na vegetação marginal da rodovia, impossibilitando a sua identificação. 2.0 DOS PROCEDIMENTO FISCAIS Com a impossibilidade de identificação do condutor do veiculo e detentor das mercadorias, foi elaborado o Termo de Intimação n° 026/09 em 04/05/2009 e enviado ao proprietário do veiculo, que figurava à época dos fatos e até a presente data como proprietário no cadastro do sistema RENAVAN, para prestar esclarecimentos sobre os fatos. O Termo de Intimação foi recebido em 09/06/2009 pelo Sr. Percio Tommazini Rebolo de CPF n° 050.942.37870, sócioadministrador da empresa acima descrita. Em, 18/08/2009, como não foi recebida nenhuma resposta ao referido termo, entramos em contato telefônico com o Sr. Percio Tommazini Rebolo, para confirmarmos se havia recebido a Intimação, o mesmo disse que tinha recebido mas que não sabia aonde havia colocado e que não tinha mais nada a ver com o veículo, então enviamos o Termo de Intimação novamente através de "FAX", para o telefone no (17)3523.6313 repassado pelo próprio, e o orientamos de que precisaríamos da resposta para dar andamento aos procedimentos fiscais. Como não foi recebida correspondência alguma em resposta ao Termo de Intimação mencionado, em 01/09/2009, entramos em contato novamente pelo telefone 173523.6313, para verificar se o Sr. Percio havia providenciado a resposta, mas não o localizamos no local. [...] 5.0 DA CONCLUSÃO Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 144 8 Isto posto, ante os fatos e o direito acima transcritos, reafirmo a proposta de perdimento das mercadorias relacionadas em desfavor da empresa Reboliche Exploração de Boliches Ltda. ME, em razão de o veículo utilizado no transporte irregular de mercadorias de procedência estrangeira ser de responsabilidade da mesma, portanto, concorreu, isolada ou conjuntamente para a consumação da Infração Aduaneira. O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1442.006, de 15.05.2013, efls. 9092: Conforme consta no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, acompanhado do respectivo Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, foram apreendidos 23.650 maços de cigarros no interior do veículo Kombi, envolvido em acidente, de propriedade do estabelecimento comercial em epígrafe, por falta de comprovação de origem lícita, eis que não possuía qualquer documentação legal. Em conseqüência da apreensão dessa mercadoria, foi emitido o devido Ato Declaratório Executivo, excluindo a empresa do Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, de acordo com o disposto na Lei Complementar 123/2006, art. 29, inc. VII. O contribuinte alega que o veículo envolvido no acidente não é mais de sua propriedade, tendo sido vendido em 17/01/2008. A alegação da empresa não deve ser acatada. Isso porque o Termo de Reconhecimento de Firma por Autenticidade, apresentado pela mesma, não comprova a transferência da propriedade do veículo. Observase, inclusive, que a autenticação de firma está com data posterior ao acidente relatado acima. Conforme esclarece Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico1, comercializar é: 1: Colocar algo no comércio; 2: Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. Vislumbrase que o conceito do termo ‘comercializar’ abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas no estabelecimento comercial da manifestante já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não devendo ser acolhidas as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. Sobre transferência do veículo, o Código Nacional de Trânsito, instituído pela Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, prevê: Art. 120. Todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque ou semireboque, deve ser registrado perante o órgão executivo Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 145 9 de trânsito do Estado ou do Distrito Federal, no Município de domicílio ou residência de seu proprietário, na forma da lei. [...] Art. 121. Registrado o veículo, expedirseá o Certificado de Registro de Veículo CRV de acordo com os modelos e especificações estabelecidos pelo CONTRAN, contendo as características e condições de invulnerabilidade à falsificação e à adulteração. Art. 122. Para a expedição do Certificado de Registro de Veículo o órgão executivo de trânsito consultará o cadastro do RENAVAM [...] Art. 123. Será obrigatória a expedição de novo Certificado de Registro de Veículo quando: I for transferida a propriedade; [...] § 1º No caso de transferência de propriedade, o prazo para o proprietário adotar as providências necessárias à efetivação da expedição do novo Certificado de Registro de Veículo é de trinta dias [...]. Art. 124. Para a expedição do novo Certificado de Registro de Veículo serão exigidos os seguintes documentos: I Certificado de Registro de Veículo anterior; II Certificado de Licenciamento Anual; III comprovante de transferência de propriedade, quando for o caso, conforme modelo e normas estabelecidas pelo CONTRAN; [...] Art. 134. No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação. O Certificado de Registro do Veículo (CRV), original, devidamente preenchido, com firma reconhecida por autenticidade do vendedor e do comprador é o documento utilizado para efetuar a transferência do veículo e é emitido no momento do primeiro emplacamento, alteração de dados ou na aquisição de veículo usado. O documento hábil e idôneo é a Autorização para Transferência de Propriedade de Veículo (ATPV) com os seguintes dizeres5, fls. 134136: 5 ESTADO DE SÃO PAULO. Secretaria de Planejamento e Gestão. Departamento Estadual de Trânsito. Conheça o Certificado de Registro de Veúculos (CRV). Disponível em: <https://www.detran.sp.gov.br/wps/portal/portaldetran/cidadao/busca/!ut/p/z1/vZNLb6MwFIX_SjdZgq8xD3t2Di Qk0IcSlLRmM LhEtQAqfNA6a8vyUSaUdshXdULW5bOsb97fI1i9ITiOjmURbIrmzpZd3sR2789GyI2xBzgdukAjzzXmbF7AG6j x7MA_jM4oPg7fmJeBBSGIChPSTg3mPwr_qXSIyRmLxATjt5bQeedwP 5FmtBwDp3MyxqMHA8JvVhPMwJ1MqHHrY88FzkzzbhqEBBi57o_Pkj6Cs6DvimtFBigu00pvs0oHnTLHMQg Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 146 10 AUTORIZO O DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO DETRAN TRANSFERIR O REGISTRO DESTE VEÍCULO [...] a) O vendedor tem a obrigação legal de comunicar a venda do veículo ao DETRAN no prazo máximo de 30 dias sob pena de se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação (Lei Federal nª 9.503 Art. 134 Código de Trânsito Brasileiro CTB). b) O adquirente terá um prazo máximo de 30 (trinta) dias, contados da data da aquisição, para providenciar a transferência do veículo para o seu nome sob pena de incorrer em infração de trânsito (Art. 233 do CTB). c) É obrigatório o reconhecimento de firma do adquirente e do vendedor, exclusivamente na modalidade por AUTENTICIDADE. Sobre o Termo de Reconhecimento de Firma por Autenticidade juntado às fls. 3536, temse que o Provimento da Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo nº 58, de 28 de novembro de 1989, que aprova as Normas de Serviço da Corregedoria Geral de Justiça destinadas aos Cartórios Extrajudiciais, determina6: RECONHECIMENTO DE FIRMAS 178. A fichapadrão destinada ao reconhecimento de firmas conterá os seguintes elementos: a) nome do depositante, endereço, profissão, nacionalidade, estado civil, filiação e data do nascimento; b) indicação do número de inscrição no CPF, quando for o caso, e do registro de identidade, ou documento equivalente, com o respectivo número, data de emissão e repartição expedidora; c) data do depósito da firma; d) assinatura do depositante, aposta 2 (duas) vezes; e) rubrica e identificação do Tabelião de Notas ou escrevente que verificou a regularidade do preenchimento; f) no caso de depositante cego ou portador de visão subnormal, e do semialfabetizado, o Tabelião de Notas preencherá a ficha e consignará esta circunstância. 178.1. O preenchimento do cartão de firmas deve ser feito na presença do Tabelião de Notas ou do escrevente que deve conferilo e visálo. [...] mFrOpZYB5enFep4QWKFbyWSqp9L3qGmG12222vwYwgLZt9aJpirXUs6bSUzWAr1yrZrtDT5_ESHQZOf E4E5t4NyPlgy4AdCFcChlixZ1o6quA6NTQSfWrUxUttJf91IdkXjdI1E1uVw3N7m8ydQBiSxBYrjfdkvn2GRljkR KMmmlhGksI1IzE0Y0RiTTCKZ5Ts3coMxAE7gwWTw0cNiFCoFHgFscR4vZnNAp_nGmfiDfnGg4Grrn _4aZaLOpjWWovc3ok60PlCu_teVVUnBLrz_zyDs_Qghw!/dz/d5/L2dBISEvZ0FBIS9nQSEh/>. Acesso em 03 jul. 2018. 6 ESTADO DE SÃO PAULO. Corregedoria Geral de Justiça. Normas de Serviços da Corregedoria Geral de Justiça. Provimento nº 58, de 28 de novembro de 1989. Disponível em: <https://api.tjsp.jus.br/Handlers/Handler/FileFetch.ashx?codigo=97552>. Acesso em 10 jul. 2018. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 147 11 181. O reconhecimento, com a menção de ser a firma autêntica ou de ter sido feito por semelhança, deve conter o nome da pessoa signatária. [...] 184. Será mantido livro próprio encadernado para o controle dos atos de reconhecimento de firma como autêntica, podendo ser aberto, a critério do Tabelião de Notas, até no máximo um livro para cada escrevente autorizado a lavrar tais atos. 184.1. No reconhecimento da firma como autêntica, o Tabelião de Notas deve exigir que o signatário assine o livro a que se refere o item 184, com indicação do local, data, natureza do documento exibido, do número do selo utilizado e, ainda, se apresentado Certificado de Registro de Veículo – CRV visando à transferência de veículo automotor, do número do Registro Nacional de Veículos Automotores – RENAVAM, do nome do comprador, do seu número de inscrição no CPF e da data da transferência. As autoridades preparadoras envidaram os esforços para apuração da verdade material, inclusive sobre a Certidão do Cartório de Registro de Títulos onde conste o registro de venda do veículo, caso tenha ocorrido,fls. 1819. Por ocasião da instauração do litígio no procedimento com a impugnação formalizada de forma regular, por escrito e instruída com os documentos em que se fundamenta (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972) foi juntado aos autos o Termo de Reconhecimento de Firma por Autenticidade nº 0531 do Cartório da Comarca de Catanduva/SP 1º Tabelionato de Notas e Protesto de Letras e Títulos, fls. 3536, onde consta: Aos 17 (dezessete) dias do mês de janeiro do ano de dois mil e 2008 (oito) compareceu neste Cartório o (a) Sr.(a) abaixo qualificado(a), perante mim, escrevente habilitado(a) sendo pelo(a) mesmo(a) solicitado(a) o RECONHECIMENTO DE FIRMA POR AUTENTICIDADE do documento abaixo especificado. Após a lavratura do presente termo de comparecimento foi o ato praticado conforme SELO DE AUTENTICIDADE nº 02261643134 O(A) QUAL ASSINOU EM MINHA PRESENÇA O SEGUINTE DOCUMENTO: (X) TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO Marca:VW/Kombi Chassi: CHASSI: 9BWZZZ23ZRP035497 Vendedor Nome: Percio Tommazini Rebolo [...] CPF: 050.942.37870 [...] Vendedor Nome: Itamar Antunes [...] CPF: 106.158.12686 [...] E, como assim disse, do que dou fé, sendo que o presente foi lavrado nos termos que dispõe o Provimento Nº 20/99 da Egrégia Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo [...] Consta na Certidão do Cartório da Comarca de Catanduva/SP 1º Tabelionato de Notas e Protesto de Letras e Títulos firmada pelo Tabelião Substituto Bel. Reinaldo Garcia da Silva, fls. 3536: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10811.000412/201039 Acórdão n.º 1003000.114 S1C0T3 Fl. 148 12 CERTIFICA que a presente cópia é reprodução autêntica do TERMO DE RECONHECIMENTO DE FIRMA POR AUTENTICIDADE lavrado neste 1º Tabelionato de Notas E Protesto de Letras e Títulos deste município e Comarca de Catanduva, no Estado de São Paulo, no livro 077 (SETENTA E SETE), termo de reconhecimento por autenticidade número 077, datado de 17 (DEZESSETE) dias do mês de JANEIRO (1) do ano de dois mil e oito (2.008), EXTRAÍDA nos termos do art. 19, parágrafo 1º, da Lei Federal nº 6.015, de 31 de dezembro de 1.973, combinado com o item 51, Capítulo XIV, do Provimento número 58/89, da Egrégia Corregedoria Geral de Justiça deste Estado, e com o artigo 6º, inciso II, da Lei Federal número 8.935, de 18 de novembro de 1.994. CERTIFICO, mais, que a presente certidão é composta de uma (1) folha, por mim numerada e rubricada. Todo o referido é verdade, e dou fé. Dado e passado nesta cidade e comarca de Catanduva, Estado de São Paulo, pelo Primeiro Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos, aos dezenove (19) dias do mês de outubro (10) do ano de dois mil e nove (19/10/2009). (grifos do original) Restou comprovado que em 17.01.2008 houve a transferência do veículo da Recorrente efetivada pelo sóciogerente Percio Tommazini Rebolo, CPF n° 050.942.37870, conforme Termo de Reconhecimento de Firma por Autenticidade, fls. 3536, documento este hábil e idôneo a evidenciar a circunstância. Por conseguinte, não restou evidenciado que os cigarros objeto de contrabando ou descaminho apreendidos pela Polícia Civil do Estado de São Paulo no interior do veículo da marca Volkswagen/Kombi, cor branca, placa CBU2444 eram de propriedade da Recorrente, que transferiu o veículo a Itamar Antunes em 17.01.2008. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.903678/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 36 78 /2 00 9- 54 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10840.903678/200954 Acórdão n.º 1301003.239 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF Ribeirão Preto. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que, em procedimento de auditoria interna, constatouse a ocorrência de recolhimento de tributo superior ao devido, em face da majoração da base de cálculo. Tal fato deu ensejo à compensação realizada em dcomp. A DRJ, entretanto, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito pleiteado, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, trazendo os mesmos argumentos expostos perante o órgão de primeira instância. Reiterou que a causa do indébito foi erro na base de cálculo do IRPJ: "... em procedimento de auditoria e verificação interna da apuração dos tributos, constatouse que o Recorrente recolheu a maior o tributo em questão, face a majoração da base de cálculo. Este fato ensejou a compensação realizada via PER/DCOMP ( ...), visando a quitação dos débitos do IRPJ vincendo." Frisou a recorrente que o direito estaria comprovado pelas declarações retificadoras, que, para todos os fins, substituem as originais. Aduziu que, se as declarações retificadoras tivessem sido analisadas, não existiria motivo para não se homologar a compensação. Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito ao crédito e homologar a compensação. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos contábeis que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10840.903678/200954 Acórdão n.º 1301003.239 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.234, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.903677/2009 18, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo ao período de apuração de maio/2006. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao período de apuração de 30/04/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.234): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de IRPJ apurado por estimativa mensal. A DRFRibeirão Preto não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, vale dizer, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável, ou seja, provar que houve erro na apuração do tributo, ou provar que o contribuinte não era o devedor, ou que o Fisco não era o credor. O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação. No caso em exame, a recorrente limitouse a afirmar que o indébito decorreu de "majoração da base de cálculo". Essa expressão é vaga e comporta inúmeras situações. Pode ser a inclusão de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; pode ser o registro de meros ingressos de caixa como sendo valor tributável. O erro também pode advir da falta de registro de despesas dedutíveis, além de Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10840.903678/200954 Acórdão n.º 1301003.239 S1C3T1 Fl. 5 4 toda sorte de equívocos referentes aos ajustes ao lucro líquido. Em suma, as possibilidade são tantas, que dizer apenas que houve majoração indevida da base de cálculo é quase o mesmo que não dizer nada. Diante dessa imprecisão, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não vale como prova do pretenso direito creditório. Na situação em análise, não há sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15169.000138/2015-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 20/03/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO
Verificada contradição na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de sanar o vício apontado, sem efeitos infringentes.
Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício de contradição, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício de contradição, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO Verificada contradição na decisão embargada, acolhemse os embargos de declaração para o fim de sanar o vício apontado, sem efeitos infringentes. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar o vício de contradição, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 9. 00 01 38 /2 01 5- 58 Fl. 95DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 204.03.320, de 02 de julho de 2008, que foram admitidos para sanar vício na fundamentação da decisão. Segundo a PFN, teria havido contradição no voto do relator, uma vez que o acórdão teria afastado integralmente o DecretoLei nº 1.968/85, base da autuação, ao afirmar que “a infração aí definida nada tem a ver com a hipótese de autuação” e por outro lado, ao negar provimento ao recurso de ofício teria permitido a redução da multa aplicada em 50% justamente com base no mesmo DecretoLei nº 1.968/82. O processo trata de Auto de Infração lavrado contra o Contribuinte relativo à multa regulamentar decorrente da falta de entrega de declarações de CPMF no prazo legal, com fundamento no art.11, §3º, do Decretolei nº1.968/82, com redação dada pelo Decretolei nº2.065/83, combinado com o previsto no Decretolei nº2.124 e determinação contida na Nota Cosit/Coope nº30/20022, para os períodos de entrega até 25/08/2000, e art.47 da MP nº 2.037 21 de 25/08/2000 e reedições posteriores, convalidadas pelas MPs 2.11326 e 2.15833 e alterações posteriores, para os períodos com prazo de entrega posteriores a 25/08/2000. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alegou, em síntese, que inexiste base legal para a aplicação de multa às infrações havidas em relação às obrigações acessórias decorrentes da CPMF cujos fatos geradores tenham ocorrido anteriormente ao mês de dezembro de 2000. A DRJ em Campinas, à unanimidade, considerou o lançamento parcialmente procedente, exonerando a quantia de R$ 591.221,39, o que ensejou a tramitação de recurso de ofício. Entendeu aquele colegiado que o autuado faria jus à redução em 50% do valor da multa, haja vista que apresentou as declarações dentro do prazo fixado pelo auditor fiscal. De outra parte, o contribuinte interpôs recurso voluntário para atacar a parte do lançamento que foi mantida, reproduzindo os mesmos argumentos da impugnação. Na análise do recurso, a Colenda Quarta Câmara, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade, negou provimento ao recurso de ofício, e, por fim, deu parcial provimento ao recurso voluntário, no sentido de excluir a multa aplicada para entrega em períodos anteriores à edição da MP nº2.03721 de 25/08/2000. O processo foi encaminhado à PGFN para ciência em 17/03/2017 que opôs embargos de declaração alegando que houve contradição na decisão, nos termos já informados anteriormente. Na forma regimental, o Presidente da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara admitiu o presente recurso, determinou que o processo fosse submetido a sorteio e, em seguida, distribuído para deliberação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 15169.000138/201558 Acórdão n.º 3402005.373 S3C4T2 Fl. 96 3 Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos por este Colegiado. Os embargos de declaração são o recurso que tem por finalidade aclarar ou integrar qualquer tipo de decisão que padeça dos vícios de omissão, obscuridade ou contradição. Servem ainda para corrigirlhe eventuais erros materiais. Sua função principal é sanar esses vícios da decisão. Não se trata de recurso que tenha por fim reformála ou anulála (embora o acolhimento dos embargos possa eventualmente resultar na sua modificação), mas aclarála e sanar as suas contradições, omissões ou erros materiais. No caso concreto, a Embargante aponta que no acórdão recorrido houve contradição, uma vez que o DecretoLei nº 1.968/82 e alterações não pode ser utilizado para reduzir a multa por ter sido entregue a declaração em atraso, como se deu no julgamento do Recurso de Ofício, e, ao mesmo tempo, ser afastado por “ausência de pertinência legal com caso em apreço” quando se está a examinar o Recurso Voluntário e, com isso, afastar a aplicação da multa por falta de tipicidade legal. Depreendese que a questão central do aclaratório diz respeito a verificar se realmente o DL nº1.968/82 foi utilizado de forma contraditória para fundamentar as decisões envolvidas no acórdão recorrido. A Recorrente indica os seguintes trechos do acórdão recorrido que denotam a contradição na utilização do DL nº1.968/82 para fundamentar a decisão: Primeiro trecho Segundo trecho A leitura do trecho do voto condutor, confirmase que realmente o Relator afasta a aplicação dos dispositivos legais do Decretolei nº1.968/82 como fundamentação da multa regulamentar lançada pela Fiscalização. Segundo informa, na autuação o Auditor Fiscal Fl. 97DF CARF MF 4 tentou suprir a lacuna legal da falta de previsão de multa pelo não cumprimento das obrigações constantes nos arts.11 e 19 da Lei nº 9.311/96, com a multa prevista no art.11, §3º, do Decreto lei nº1.968/82, com redação do DL nº2.065/83, no entanto, concluiu a turma que a infração ali prevista nada tem a ver com o caso objeto da autuação. Somente com a edição da MP nº 2.037 21 de 25/08/2000, em seu art.47, houve a previsão legal para a multa em comento, in verbis: Art. 47. O nãocumprimento das obrigações previstas nos arts. 11 e 19 da Lei no 9.311, de 1996, sujeita as pessoas jurídicas referidas no art. 45 às multas de: I R$ 5,00 (cinco reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior, se o formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período determinado. Parágrafo único. Apresentada a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas serão reduzidas à metade. Nesse sentido, o acórdão recorrido cancelou todas as multas regulamentares nas quais os fatos geradores ocorreram antes da edição da MP nº 2.03721 por falta de suporte legal. Devidamente explicado o conteúdo da decisão quanto ao julgamento do Recurso Voluntário, passase a análise da decisão contida no Recurso de Ofício. A existência de contradição no acórdão, segundo a Recorrente, seria porque o Relator fundamentou a redução da multa regulamentar ao patamar de 50% no mesmo Decreto lei nº 1.968/82 que afastou sua aplicação ao caso ora analisado, conforme explicitado anteriormente. Percebese que realmente houve um equívoco na utilização do mandamento legal como fundamento para redução da multa ao patamar de 50%, uma vez que o Relator entendeu que a penalidade prevista no art.11, §3º, do Decretolei nº1.968/82 não tem relação com a exação lançada. Embora reconheça que o Relator cometeu o equívoco apontado ao indicar de forma contraditória um dispositivo legal já afastado na decisão para fundamentar outro trecho da própria decisão, entendo que não houve qualquer prejuízo quanto a coerência da decisão, isto porque no acórdão recorrido foi cancelada toda a multa lançada para o período anterior à edição da MP nº2.03721, de 25/08/2000, não restando qualquer multa regulamentar para período anterior a essa data no qual se utilizou o Decretolei nº1.968/82 como fundamento. Para período apontado, tornase desnecessária qualquer discussão sobre a redução da multa regulamentar, uma vez que não se reduz aquilo que não mais existe. Negase, dessa forma, efeitos infringentes para o aclaratório. Deve, assim, a parte dispositiva do recurso de ofício passar a ter a seguinte redação, com a supressão do fundamento legal no Decretolei nº1.968/82: O Recurso de Ofício não merece properar, a decisão singular foi pela exclusão da exigibilidade em relação: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 15169.000138/201558 Acórdão n.º 3402005.373 S3C4T2 Fl. 97 5 a) declaração de CPMF do 1º trimestre de 2000 e a declaração mensal de janeiro/2000, as quais foram entregues dentro do prazo regulamentar conforme comprovam os documentos de fls.19 e 24, portanto correta a decisão; e b) as declarações mensais de CPMF de fevereiro/2000 a dezembro/2000 foram entregues no mês de dezembro/2001, portanto, anteriormente à ciência da segunda intimação, que ocorreu em 22/02/2002, ajustando os valores para a data da efetiva entrega em se tratando de penalidade por mês de atraso, assim, como reduziu a multa aplicada para cinquenta por cento, em razão do disposto no parágrafo único do art.47 da MP nº2.03721,de 2000. Por fim, cabe frisar que a multa regulamentar em comento teve a sua previsão legal instituída pelo art.47, MP nº2.03721, constituindose esse o fundamento legal para os fatos geradores lançados a partir de 25/08/2000. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, uma vez que foi identificado o vício de contradição apontado no acórdão nº20403.320, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.000492/2003-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ - ART. 62-A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).
O disposto no art. 62-A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE.
A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo.
Recurso Extraordinário Provido.
Numero da decisão: 9900-000.217
Decisão: Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Valmar Fonsêca de Menezes
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 04 92 /2 00 3- 06 Fl. 265DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 942 2 Recurso Extraordinário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valdete Aparecida Marinheiro e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Com fundamento nos arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, a Fazenda Nacional, irresignada com o teor do Acórdão CSRF, interpôs Recurso Extraordinário, com vistas à uniformização de divergência entre decisões de turmas desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em sede de recurso especial da Fazenda Nacional, a Primeira Turma, por maioria de votos, negou provimento ao apelo, assentando o entendimento de que o prazo decadencial deve ser contado a partir da data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A decisão restou assim ementada: “DECADÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para contagem do prazo quinquenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º. Do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial não provido.” Para configurar a divergência necessária à admissibilidade do recurso extraordinário, a Recorrente alega que a decisão recorrida conferiu interpretação divergente da assentada pela Segunda Turma desta Câmara Superior quando proferiu o Acórdão, cuja ementa da decisão é a seguinte: “PIS. DECADÊNCIA. Fl. 266DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 943 3 Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,1, do CTN. Recurso Especial Negado. " Como se depreende das ementas acima transcritas, apesar dos julgados se referirem a tributos distintos, a matéria a ser uniformizada pelo Pleno desta Corte diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação. O acórdão recorrido entendeu que a contagem se inicia a partir da data do fato gerador, enquanto que para a decisão paradigma, na ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ante a comprovação do dissenso jurisprudencial e o atendimento aos demais requisitos processuais, o Presidente da Câmara Superior deu seguimento ao recurso, conforme despacho, nos autos. Presentes, também, as contrarrazões da Contribuinte. É o relatório, no essencial. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Adoto, homenageando o brilhante conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, excertos de voto da sua lavra (Recurso 143.870), por suficiente para dirimir litígio e por demais esclarecedor e didático. “ (...) Tratam os presentes autos de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com vistas a resolver divergência de interpretação entre duas turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais em relação ao termo inicial para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário. Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, o recurso extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do art. 40 do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no antigo Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25.06.2007 (RICSRF). Fl. 267DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 944 4 Conforme dito acima, a questão a ser dirimida por este Colegiado cingese em definir qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a data do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do art. 173, inciso I do Código Tributário. De início, cumpre salientar que em razão da recente alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, DOU de 22.12.2010), os colegiados desta Corte deverão reproduzir em suas decisões o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido definitivamente julgada por meio de recurso representativo de controvérsia, nos termos dos arts. 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis o que estabelece o art. 62A do Anexo II, do RICARF: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” No que diz respeito ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão de 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, consolidou o entendimento daquele Tribunal em decisão assim ementada, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 268DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 945 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destacouse) Conforme restou assentado, havendo pagamento parcial ou declaração prévia de débito, devese computar o prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN e, caso contrário, não se verificando o pagamento parcial e inexistindo declaração prévia de débito ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, referido prazo deve ser computado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos autos, , conforme se verifica nos autos – inclusive na apuração fiscal que não houve pagamento de tributo relativo ao período que ensejou o lançamento de ofício. Assim, a teor do entendimento consolidado pelo e. Tribunal Superior, no presente caso, ante a ausência de pagamento antecipado, devese iniciar a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, aplicandose a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Sucede, porém, que ao dar interpretação ao termo inicial para contagem do prazo previsto neste dispositivo, o e. STJ fez constar do decisum que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do FATO IMPONÍVEL, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (...)”. Fl. 269DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 946 6 A recente interpretação dada ao aludido art. 173, inciso I, redunda em resultados distintos no cômputo do lapso decadencial, quando comparada com remansoso entendimento deste Conselho. Acerca do entendimento do STJ quanto a este ponto emergiram amplas discussões no âmbito deste Conselho. Consolidaramse duas posições antagônicas no que diz respeito à interpretação e ao alcance do art. 62A do Regimento Interno do CARF, quanto à reprodução das decisões proferidas em sede de recursos repetitivos. Um primeiro entendimento sustenta que o art. 62A do Regimento exige a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ. Deste modo, em relação a este assunto, o STJ teria afastado a literalidade do art. 173, inciso I do CTN, segundo o qual, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, devendo prevalecer a assertiva constante do acórdão proferido no aludido Resp nº 973.733/SC, no sentido de que, nestes casos, o termo inicial passou a ser o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado correspondente, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível.” O outro entendimento existente no âmbito desta Conselho defende que a análise do contexto fático do acórdão do STJ e a finalidade do art. 62A devem ser devidamente considerados para fins de aplicação do dispositivo. Devese levar em conta, inclusive, a própria jurisprudência daquela Corte, verificada conforme suas decisões posteriores sobre a mesma matéria. Na forma desta segunda linha, a qual reputo mais acertada, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, ou seja, nos exatos termos da redação do aludido art. 173, inciso I do CTN. É perfeitamente aplicável ao caso o sentido teleológico do aludido dispositivo. Isto permite que, antes de reproduzilo automaticamente na decisão administrativa, seja feita uma análise mais ampla e técnica do precedente judicial, sob pena de prejudicar o atingimento de suas finalidades. Dada a sua natureza e estando o mesmo sob a égide do vetor da segurança jurídica, o novel dispositivo regimental deve ser compreendido segundo as regras dos ordenamentos que admitem os precedentes jurisprudenciais como determinantes para os julgamentos futuros sobre as mesmas situações fáticas e jurídicas. A força persuasiva das decisões paradigmas decorre de uma perfeita similitude entre os feitos comparados. O pedido e a causa de pedir do provimento judicial considerado parâmetro devem ser simétricos ao caso sob análise. A adoção de critério distinto infirma os fundamentos do instituto e compromete o resultado do julgamento. Por estas razões, devese levar em conta o aspecto teleológico do aludido art. 62A do Regimento. A relevância de seu escopo implica adotar critérios jurídicos consolidados na utilização dos precedentes jurisprudenciais. Com efeito, a finalidade da norma veiculada pelo art. 62A é evitar que o litígio administrativo prossiga, inutilmente, no âmbito do Poder Judiciário, podendo acarretar Fl. 270DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 947 7 prejuízos sucumbenciais à União, uma vez que, as instâncias judiciais inferiores não decidirão de forma divergente, em face do rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Assim, dada a força persuasiva dos acórdãos firmados sob o regime do art. 543C do CPC, não seria de bom alvitre que o CARF decidisse pela manutenção da exigência, quando fosse certo o desfecho em sentido contrário na ação judicial ajuizada posteriormente. É com este escopo que se apresenta a norma contida no referido art. 62A do RICARF, o qual, acertadamente buscou evitar que os acórdãos proferidos no âmbito desta Corte administrativa divirjam das decisões já consideradas definitivas nos órgãos judiciais, conforme a sistemática dos recursos repetitivos. Contudo, é imperioso assegurar que a questão sub examine no processo administrativo seja a mesma tratada no precedente judicial. Se o provimento judicial se deu em face de situação fática ou de direito distinta, a reprodução da decisão paradigma deve ser precedida de análise objetiva que conclua pela similitude entre os julgados. A aludida norma não traduz a ideia de que o julgador administrativo deve fazer simples cópia da decisão do Tribunal Superior, mormente quando manifestações posteriores da mesma Corte são em sentido diverso, refletindo que o entendimento exarado pelo acórdão proferido em sede do repetitivo não é aplicável indistintamente à totalidade os casos. Desta forma, para dar concretude à finalidade do disposto no art. 62A, ou seja, buscarse uma decisão conforme a linha adotada pela jurisprudência dos órgãos judiciais, impõese a ampla compreensão do teor daquela decisão. Tornase, assim, inadmissível a simples reprodução de seu texto decisório, dissociada de uma análise completa do precedente judicial. Pois bem, no presente caso, a análise detida do inteiro teor do referido acórdão, associada ao conhecimento das decisões que se seguiram reiteradamente da mesma Corte, revelam que a aludida decisão do STJ não colide com o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que continua recebendo a mesma interpretação. Em primeiro lugar, é necessário verificar qual o contexto da argumentação em que o Ministro relator proferiu a afirmação de que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. Verificase com clareza que a manifestação neste sentido vem em resposta às razões da Recorrente (INSS), conforme destacado no relatório do Ministro Luiz Fux, verbis: Fl. 271DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 948 8 “(...) Nas razões do especial, sustenta a autarquia previdenciárias que o acórdão hostilizado incorreu em violação dos artigos 150, § 4º, e 173, I, do CTN, uma vez que: ‘Nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, o prazo para a homologação do lançamento é de 5 (cinco) anos. Assim, como o prazo para a constituição do crédito tributário se inicia no primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o prazo de decadência, nos tributos sujeitos a lançamentos por homologação, inexistente o pagamento, é de 10 (dez) anos, e não 5 (cinco), como equivocadamente concluiu o Tribunal a quo.” (destacouse) A Autarquia sustentava a tese de que o prazo previsto no art. 173, I do CTN, somente teria início após o decurso dos cinco anos para o lançamento por homologação, o que implicaria considerar o prazo de dez anos a contar da data do fato gerador. Precisamente ante a esta alegação da Recorrente (INSS), o acórdão do STJ buscou refutar o entendimento de que o termo inicial da decadência para o lançamento de ofício somente se iniciaria após o lapso do prazo quinquenal para a homologação tácita, tendo assentado o seguinte: “(...) O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis: (...) Assim é que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (...) Outrossim, impende assinalar que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed. Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed. Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed. Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199. (destacouse) Fl. 272DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 949 9 O que resta claro das partes transcritas e destacadas do teor da decisão é que, ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível, quis o STJ afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário. Este é o conteúdo assentado no acórdão, que se torna evidente com a leitura completa do parágrafo. Devese ressaltar que nenhum dos autores citados pelo acórdão (Alberto Xavier, Luciano Amaro e Eurico Marcos Diniz de Santi) defende que o termo inicial para a contagem do prazo da decadência, de acordo com o art. 173, I, seja o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Isto torna prejudicada a compreensão do acórdão, no sentido do voto vencido, quando se toma o seu desfecho de forma não contextualizada. Ademais, cumpre ainda aduzir que as decisões seguintes proferidas pelo Tribunal vem seguindo o entendimento ora defendido, em aparente contradição ao texto do aludido acórdão no recurso repetitivo. A contradição é apenas aparente, pois, consideradas no seu âmago, as decisões não colidem com o disposto no art. 173, I do CTN. As duas turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, mesmo após o referido julgamento, vêm reiteradamente aplicando de forma correta o art. 173, I, do CTN, merecendo destaque a expressa referência de que este foi o entendimento assentado no aludido Resp nº 973.733/SC. Confirase: “TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solificado no STJ quando do julgamento do Resp nº 973.733/SC, julgado em 12.08.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, ART. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei nº 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Resp 1219461/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 07.04.2011, Dje 14.04.2011) (destacouse) A Primeira Turma da Primeira Seção do STJ, em sessão realizada quando o Min. Luiz Fux, ainda compunha o referido colegiado, manifestou o mesmo entendimento, verbis: “TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÁQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. Fl. 273DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 950 10 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Resp 1050278/RS, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, julgado em 22.06.2010, Dje 03.08.2010) (destacouse) Como se verifica das partes destacadas nas decisões acima, ambas as turmas da Primeira Seção do STJ vêm se manifestando no sentido de que, na forma art. 173, I, do CTN, o termo inicial para a contagem do prazo da decadência é sem dúvida o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se tratando, pois, de alteração no entendimento, mas espécie de “interpretação autêntica” do teor do acórdão do repetitivo, manifestada em sequência, pelos mesmos ministros daquela Corte. Portanto, à luz destas considerações, concluise que: i) o disposto no art. 62A não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial; ii) a finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil; iii) e que a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. (...)” Diante de tão bem fundamentadas razões, verifico que no caso dos autos, não houve pagamento, e que a data da ciência autuação 28 de março de 2003. (fl. 134) e os fatos geradores alcançados pela decadência ocorreram 30 de junho e 30 de setembro de 1997. (fl. 134). Logo, por força das disposições do art. 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguirseia com o transcurso do lapso de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido, ou seja, considerandose a ciência em 28/03/2003 e os fatos geradores ocorridos em junho e setembro de 1997, não há que se falar em decadência. Fl. 274DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000492/200306 Acórdão n.º 9100000.217 CSRFPL Fl. 951 11 Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 275DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0818.13113.DYAB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MOEMA NOGUEIRA SOUZA em 31/07/2015 18:28:00. Documento autenticado digitalmente por MOEMA NOGUEIRA SOUZA em 31/07/2015. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO em 03/08/2015 e VALMAR FONSECA DE MENEZES em 31/07/2015. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/08/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0818.13113.DYAB Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: A85DCE3694CC9BB7A09A3149C7EB5DB91C700B68 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13888.000492/2003-06. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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