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Numero do processo: 10240.003371/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS INOMINADOS. CONTRADIÇÃO.
Restando comprovada contradição no Acórdão recorrido, impõe-se o acolhimento dos Embargos inominados para suprir a contradição apontada, retificando a decisão embargada para exclusão/desconsideração da planilha anexada aos autos.
Numero da decisão: 2201-003.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para sanar a inexatidão material apontada, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS INOMINADOS. CONTRADIÇÃO. Restando comprovada contradição no Acórdão recorrido, impõe-se o acolhimento dos Embargos inominados para suprir a contradição apontada, retificando a decisão embargada para exclusão/desconsideração da planilha anexada aos autos.
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CONTRADIÇÃO. Restando comprovada contradição no Acórdão recorrido, impõese o acolhimento dos Embargos inominados para suprir a contradição apontada, retificando a decisão embargada para exclusão/desconsideração da planilha anexada aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para sanar a inexatidão material apontada, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 33 71 /2 00 8- 30 Fl. 14470DF CARF MF Processo nº 10240.003371/200830 Acórdão n.º 2201003.822 S2C2T1 Fl. 14.466 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Velho/RO opôs, em 10 de fevereiro de 2017, Embargos Inominados, fls. 14.459/14.460, alegando que o Acórdão n° 2201002.756, de 26/01/2016, bem como o Acórdão de Embargos n° 2201003.137, de 10/05/2016, incidiram em erro, relativamente aos valores passíveis de exclusão da exigência. Transcrevese trecho dos Embargos: Ao efetuar os cálculos para verificar o valor do crédito tributário mantido no julgamento realizado pelo CARF (Acórdão n° 2201002.756), isto é, excluir da base de cálculo os valores de R$ 111.236,93 (AC 2003), R$ 3.126.664,94 (AC 2004) e R$ 2.055.683,11 (AC 2005), encontramos divergências de valores entre os valores apontados na planilha do Acórdão e a Planilha elaborada na Diligência Fiscal de R$ 21.844,77 para o AC 2004 e R$ 2.970,76 para o AC 2005, conforme abaixo: Após um batimento efetuados entres as planilhas concluímos o seguinte: AC 2004 Diferença de R$ 21.844,77 Faltou incluir na planilha elaborada pelo Relator do CARF os valores comprovados, conforme relacionados no Anexo Planilha Acórdão X diligência Fiscal, AC 2005 Diferença de R$ 2.970,76 Houve a inclusão de valores em duplicidade e faltou a inclusão de valores comprovados na Diligência Fiscal. Portanto, houve uma compensação de valores, conforme relacionados no Anexo Planilha Acórdão X Diligência Fiscal. Diante do exposto, e considerando que todos os valores “COMPROVADOS” na Diligência Fiscal foram acatados pelo Relator, encaminho o processo para ciência da Chefia de Fiscalização e posterior encaminhamento ao CARF para verificações necessárias e emissão de outro Acórdão, se for o caso. O Despacho de Admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls.14.463/14.464) decidiu admitir o recurso, nos termos seguintes: De fato, compulsandose o "Comparativo Valor do Débito (cheque) x Desembolso Líquido", anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, fls. 14209/14391, com as planilhas juntadas na parte final do Acórdão n° 2201002.756, fls. 14.414/14.436, verificase a ocorrência de erro, qual seja, valores lançados em Fl. 14471DF CARF MF Processo nº 10240.003371/200830 Acórdão n.º 2201003.822 S2C2T1 Fl. 14.467 3 duplicidade, além omissão de valores considerados como comprovados pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, acolho os Embargos Inominados, no sentido de submeter os autos novamente à apreciação da Turma, com vistas a suprir os vícios apontados. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Conheço dos Embargos Inominados opostos pela DRF Porto Velho/RO e passo a sua análise. Compulsando os autos, verificase que o ilustre relator do acórdão embargado concorda com a planilha elaborada pela autoridade fiscal, presente às fls. 14.209/14.391, porém, na referida planilha constam tanto os valores comprovados, como os não comprovados. Buscando facilitar a compreensão foi anexada ao acórdão embargado uma nova planilha que apresenta somente os valores tidos como comprovados na planilha completa supramencionada. Conforme demonstrado nas razões dos embargos opostos pela DRF Porto Velho, existem equívocos na tabela anexada ao acórdão, não restando saída diversa da desconsideração da mesma, devendo ser levada em conta, para fins de cumprimento do acórdão embargado, a soma dos valores tidos como comprovados na planilha apresentada pela autoridade fiscal presente às fls. 14.209/14.391. Conclusão Ante o exposto, voto em conhecer e acolher os embargos, nos termos da fundamentação acima. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 14472DF CARF MF Processo nº 10240.003371/200830 Acórdão n.º 2201003.822 S2C2T1 Fl. 14.468 4 Fl. 14473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001389/2008-60
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004,2005 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PROVA OBTIDA POR MEIO LÍCITO. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELA PESSOA JURÍDICA. Afasta a alegação relativa à imprescindibilidade da ordem judicial para que o sigilo bancário seja quebrado, no caso de utilização de prova obtida por meio lícito com base nos extratos bancários fornecidos pela própria pessoa jurídica. SIMPLES.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo Simples fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.740
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004,2005 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PROVA OBTIDA POR MEIO LÍCITO. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELA PESSOA JURÍDICA. Afasta a alegação relativa à imprescindibilidade da ordem judicial para que o sigilo bancário seja quebrado, no caso de utilização de prova obtida por meio lícito com base nos extratos bancários fornecidos pela própria pessoa jurídica. SIMPLES.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo Simples fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PROVA OBTIDA POR MEIO LÍCITO. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELA PESSOA JURÍDICA. Afasta a alegação relativa à imprescindibilidade da ordem judicial para que o sigilo bancário seja quebrado, no caso de utilização de prova obtida por meio lícito com base nos extratos bancários fornecidos pela própria pessoa jurídica. SIMPLES.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo Simples fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 444 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edijalmo Antonio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 332346, com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.251,48, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), em conformidade com as informações constantes no Livro Razão, fls. 0821 e 2691, no Livro Diário, fls.2225 e 4245 e no Termo de Verificação Fiscal, acompanhado do Demonstrativo em que foram excluídos os valores referentes às transferências entre contas da mesma titularidade e aos cheques devolvidos, fls. 288311. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores creditados na contacorrente nº 1222913 da agência nº 1373 do Banco HSBC S/A, fls. 6977 e 235, na contacorrente nº 372022935300004 da agência Foz do Iguaçu do Banco Sudameris S/A, fls. 7899 e 236, na contacorrente nº 40293508 da agência nº 1608 do Banco Sudameris S/A, fls. 100103 e 236 e na contacorrente Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 445 3 nº 67342 da agência nº 32700 do Banco do Brasil S/A, fls. 103233 e 236254, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários por ela fornecidos, 69233; Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) dos anoscalendário de 2003 e 2004, fls. 256287. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 347354 com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.251,48 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 355367 com a exigência do crédito tributário no valor de R$36.344,60 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 368380 com a exigência do crédito tributário no valor de R$76.347,76 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 381393 com a exigência do crédito tributário no valor de R$103.421,77 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 446 4 Cientificada em 18.04.2008, fl. 395, a Recorrente apresenta a impugnação em 09.05.2008, fls. 402407, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que os atos são nulos, porque lhes faltam as lógicas jurídica e factual. Suscita que o saldo credor de caixa é uma mera presunção de omissão de receitas, da qual, por si só, não decorre a ocorrência do fato gerador. Defende que os lançamentos são improcedentes, uma vez que os extratos bancários são meios ilegítimos para fundamentar a constituição dos créditos tributários. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, resulta ser a presente autuação fiscal totalmente descabida de fundamentação e, conseqüentemente, deve ser julgada IMPROCEDENTE. Assim, pede seja provida esta IMPUGNAÇÃO, e cancelada a autuação fiscal, arquivandose o procedimento administrativo, por ser medida de Direito e de Justiça. Nestes termos, espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0624.936, de 17.12.2009, fls. 409413: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 447 5 O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL E INSS SIMPLES Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase s lançamentos reflexos o decidido no principal. Notificada em 04.01.2010, fl. 426, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01.02.2010, fls. 428438, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que a decisão de primeira instância de julgamento é nula, por falta de motivação (inciso IX do art. 93 da Constituição Federal e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Sustenta que é imprescindível a ordem judicial para que a o sigilo bancário seja quebrado, e desse modo o processo está instruído com provas obtidas por meios ilícitos. Denota que o ônus da prova cabe a Administração Fiscal, uma vez que o depósito bancário é somente um indício de acréscimo patrimonial a descoberto. Entende que a previsão do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não certifica a ocorrência do fato gerador por presunção. Conclui Em face de todo o exposto e dada à total improcedência da autuação fiscal imposta, requer: a) que, inicialmente, seja reconhecida a preliminar arguida com a consequente declaração de nulidade absoluta do crédito tributário assim constituído, por ferir preceitos constitucionais e infraconstitucionais, na forma já requerida; b) no mérito, seja provido o presente recurso voluntário, para o fim de ser reformada a decisão administrativa de primeira instância, e, por conseguinte, seja arquivado em caráter definitivo o auto de infração, por estar sobejamente comprovada à ausência de fato gerador para a incidência de qualquer espécie de tributo. Nestes termos, espera deferimento. A Representação Fiscal para fins Penais está formalizada no processo nº 10945.001390/200894. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 448 6 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. As exigências foram lavradas por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente defende que os lançamentos foram constituídos com base em prova obtida por meio ilícito, uma vez que é imprescindível a ordem judicial para que a o sigilo bancário seja quebrado. As autoridades fiscais da União podem examinar os dados constantes nas instituições financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis servidor competente, que deve conserválos em sigilo2. No presente caso, há regularidade da apuração do ilícito tributário da omissão de receitas com utilização de prova obtida por meio lícito com base nos extratos bancários fornecidos pela própria Recorrente, o que afasta a alegação relativa à imprescindibilidade da ordem judicial para que o sigilo bancário seja quebrado. A Autoridade Fiscal constituiu o lançamento amparada nos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a ela regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.84, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional , art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 449 7 utilizados nessas operações, 234255. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. A renúncia fiscal no sentido de que devem ser excluídos os depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 aplicase tãosomente a lançamentos lavrados contra pessoa física. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 450 8 administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada3. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores creditados na contacorrente nº 1222913 da agência nº 1373 do Banco HSBC S/A, fls. 6977 e 235, na contacorrente nº 372022935300004 da agência Foz do Iguaçu do Banco Sudameris S/A, fls. 7899 e 236, na contacorrente nº 40293508 da agência nº 1608 do Banco Sudameris S/A, fls. 100103 e 236 e na contacorrente nº 67342 da agência nº 32700 do Banco do Brasil S/A, fls. 103233 e 236254, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários por ela fornecidos, 69233. Verificase que a omissão de receitas ocorreu em todos os meses e a receita omitida representa 77% e 51% dos valores totais das receitas brutas auferidas respectivamente dos anoscalendário de 2003 e 2004, conforme se verifica pela análise das Tabelas 1 e 2. Tabela 1 Depósitos bancários de origens não comprovadas consolidados no anocalendário de 2003 Descrições Meses (A) Depósitos Bancários Origens não Comprovadas R$ (B) Receitas Brutas DSPJ R$ (C) Depósitos Bancários Origens não Comprovadas Omissão de Receitas R$ D=(BC) Janeiro 70.008,20 10.573,32 59.434,88 Fevereiro 86.724,32 15.024,74 71.699,58 Março 86.964,92 3.994,10 82.970,82 Abril 76.475,97 16.326,81 60.149,16 Maio 91.323,62 19.688,19 71.635,43 Junho 98.539,39 16.229,16 82.310,23 Julho 93.776,21 10.987,19 82.789,02 Agosto 49.344,51 18.082,03 31.262,48 Setembro 30.098,97 17.053,71 13.045,26 Outubro 22.305,70 17.896,66 4.409,04 Novembro 35.906,38 16.217,79 19.688,59 Dezembro 33.813,31 15.915,02 17.898,29 Total Absoluto 775.281,50 177.988,72 597.292,78 Total Relativo 100% 23% 77% Tabela 2 Depósitos bancários de origens não comprovadas consolidados no anocalendário de 2004 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 451 9 Descrições Meses (A) Depósitos Bancários Origens não Comprovadas R$ (B) Receitas Brutas DSPJ R$ (C) Depósitos Bancários Origens não Comprovadas Omissão de Receitas R$ D=(BC) Janeiro 44.836,88 28.039,38 16.797,50 Fevereiro 37.551,98 29.237,08 8.314,90 Março 75.694,70 41.875,96 33.818,74 Abril 70.034,42 56.534,07 13.500,35 Maio 74.657,17 68.264,73 6.392,44 Junho 102.974,97 73.160,08 29.814,89 Julho 114.449,54 45.715,28 68.734,26 Agosto 98.615,70 27.648,70 70.967,00 Setembro 135.192,60 50.230,84 84.961,76 Outubro 120.350,54 33.382,92 86.967,62 Novembro 122.033,69 43.299,77 78.733,92 Dezembro 92.466,05 37.886,66 54.579,39 Total Absoluto 1.088.858,24 535.275,47 553.582,77 Total Relativo 100% 49% 51% Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 6.. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 6 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.001389/200860 Acórdão n.º 180100.740 S1TE01 Fl. 452 10 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010807/91-02
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Caracterizada decisão "ultra petita" na exclusão das multas dos art. 521-11-"a" do RA e 364-II- do RIPI.
Juros de mora são devidos pelo não pagamento dos impostos no prazo
regulamentar.
Provido o recurso Especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: CSRF/03-03.000
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos em DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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Caracterizada decisão "ultra petita" na exclusão das multas dos art. 521-11-"a" do RA e 364-II- do RIPI. Juros de mora são devidos pelo não pagamento dos impostos no prazo regulamentar. Provido o recurso Especial da Fazenda Nacional. Vistos relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SON PE ' IrIS '4 GUES PRESIDE E a‘l) J• AO OLANDA COSTA LATOR FORMALIZADO EM: 17 N ‘j 1998 Participaram ainda do presente julgamento os CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, UBALDO Processo n°. : 10680.010807/91-02 Acórdão ir. : CSRF/03-03.000 CAMPELO NETO e ISALBERTO ZAVÃO LIMA (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. 2 Processo tr. : 10680.010807/91-02 Acórdão n°. : CSRF/03-03.000 Recurso n°. : RP/302 - 0.644 Recorrente: : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Com o Acórdão 302-33.208, de 05 de dezembro de 1.995, decidiu a r Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do processo por ilegitimidade de parte passiva, e no mérito, por maioria de votos, manter a exigência de recolhimento dos tributos, e por maioria de votos, excluir as multas capituladas nos art. 521, inciso II "a" do RA e 364 inciso II do RIP' e os juros de mora. Trata-se da importação de motocicleta feita por Federação de Motociclismo do Estado de Minas Gerais, com isenção de tributos por destinadas à prática de desportos. Referida motocicletas foi cedida ao Senhor Cláudio Rizzioli, sem que houvesse o pagamento de tributos e por tal motivo, foi o cessionário autuado como responsável solidário pelos impostos e as multas devidos, sendo dele cobradas as parcelas constantes do auto de infração. Na sua decisão, a douta Segunda Câmara houve por bem, por maioria de votos, excluir parte do crédito tributário lançado. Assim argumentou o ilustre relator, quanto as parcelas excluídas: a) Multa do art. 521 II "a" do RA. Do texto do artigo, verifica-se que é direcionada especificamente para quem descumprir a obrigação acessória "falta de autorização da repartição aduaneira", nada tendo a ver com a obrigação principal - "pagamento de tributos devidos". A solidariedade (parágrafo único do art. 32 do DL. 37/66, com a nova redação dada pelo DL 2.472/88) diz respeito unicamente ao "imposto", e não a penalidades. 3 Processo d. : 10680.010807/91-02 Acórdão n°. : CSRF/03-03.000 O recorrente não cometeu a infração de que se trata, que deve ser atribuída a quem fez a importação. O autuado apenas obteve a cessão do uso do bem. Não é lícito dele cobrar a penalidade. B. Multa do art. 364 - inciso II do RIPI. Em se tratando de uma simples transferência (ou cessão) de uso de bem importado com isenção, o caso não comporta, em principio, o lançamento de imposto em Nota fiscal por parte do Cessionário (Recorrente), não sendo ainda caso equiparado pelo RIPI à falta de lançamento ou de recolhimento do imposto. Não há como aplicar a penalidade. C. Juros de mora e encargos TRD. Incabível, no mesmo passo, a cobrança de juros de mora sobre o crédito tributário de que se trata, aí incluindo-se os citados "Encargos T. R. D. , igualmente definidos como Juros. Primeiro, porque todo o crédito, no meu entender, é indevido. Demais disso, até o presente momento, não se pode dizer que o crédito tributário esteja definitivamente constituído e considerados os tributos exigidos no lançamento efetuado, pois pode ser modificado ainda na esfera administrativa. Impossível alegar tenha o contribuinte incorrido em mora nem falar em crédito tributário "devido". Inconformada com a decisão, a Fazenda Nacional apresenta seu recurso especial, requerendo a reforma do Acórdão, no que diz respeito à exclusão das penalidades e dos juros de mora. Preliminarmente, argui que se está concedendo ao contribuinte um direito que não foi pedido no recurso e na conformidade do Código De Processo Civil, - art. 286 -"o pedido deve ser certo e determinado", deve ser especificado, contendo todos os pormenores e pleitos, uma vez que deve ser interpretado restritamente. Por outro lado, o art. 293 dispõe que "os pedidos são interpretados restritivamente, compreendendo-se, entretanto, no principal os juros legais". 111- 4 Processo n°. : 10680.010807/91-02 Acórdão nO. : CSRF/03-03.000 No mérito, não acolhe a tese da exclusão de multa e juros de mora, dado que o Auto de Infração foi perfeito, sendo o Senhor Cláudio Rizzioli enquadrado como responsável solidário pelos impostos e as multas do art. 521 II "a" do Reg Aduaneiro e do art. 364 II do RIPI. . Invoca o art. 136 do CTN. No tocante aos juros de mora, invoca o art. 540 do RA e em especial o seu parágrafo 30 além de estar a matéria disciplinada pelo art.161 do CTN e seu parágrafo 2o. Cientificado o contribuinte da decisão da Câmara e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, deixou de se manifestar dentro do prazo. É o relatório. 5 Processo n°. : 10680.010807/91-02 Acórdão n°. : CSRF/03-03.000 VOTO Acato a preliminar argüida pela ilustre Procuradora da Fazenda nacional, dado que ao excluir as penalidades dos art. 521 - II - "a" e 364 - II - do RIPI, a egrégia Câmara, "data venia" extrapolou do pedido da interessada, o que contraria os dispositivos processuais, em boa hora citados no recurso especial ( art. 286 e 293 do C. P. C.). Esta Câmara Superior de Recursos fiscais, em casos semelhantes, tem decidido pela reforma da decisão colegial, fazendo restabelecer as parcelas indevidamente excluídas do crédito tributário, por verificar caracterizada decisão "ultra petita". Quanto aos juros de mora, dado que o contribuinte não pagou o crédito no prazo certo, são sempre devidos, na conformidade do art. 540 do Regulamento Aduaneiro e do art. 161 do CTN. Na realidade, os juros de mora são entendidos como sendo reposição do prejuízo causado ao Erário, em decorrência do fato de não haver recebido no tempo certo o montante que lhe cabe. São os juros de mora adicionados ao principal e assumem a mesma natureza deste. Pelo exposto, voto para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 1.998 J0762LANDA COSTA 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000137/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
CONSULTA. TRIBUTO AUTOLANÇADO. PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE.
A apresentação de consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo autolançado e não impede a instauração de procedimento fiscal para fins de apuração da regularidade do recolhimento de tributos.
PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.
Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO.
Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência.
Numero da decisão: 2401-005.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. Por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess, que solicitou fazer declaração de voto. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CONSULTA. TRIBUTO AUTOLANÇADO. PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo autolançado e não impede a instauração de procedimento fiscal para fins de apuração da regularidade do recolhimento de tributos. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência.
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GANHO DE CAPITAL. Recorrente MARIO ARLINDO CASARIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CONSULTA. TRIBUTO AUTOLANÇADO. PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo autolançado e não impede a instauração de procedimento fiscal para fins de apuração da regularidade do recolhimento de tributos. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 37 /2 01 0- 73 Fl. 158DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. Por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess, que solicitou fazer declaração de voto. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 15889.000137/201073 Acórdão n.º 2401005.069 S2C4T1 Fl. 159 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 48/57, que exige do contribuinte R$ 138.518,04 de imposto, acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios, em razão da apuração de “GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS”, devido à omissão de ganho de capital auferido na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa da empresa Cainco Equipamentos para Panificação Ltda. Conforme termo de verificação e conclusão fiscal de fls. 58/66, temse que: · O impugnante informou no termo de intimação que formalizou consulta, em 5/4/10 a respeito do assunto objeto da ação fiscal, da qual resultou o processo n° 10825.000405/201088 e, com base no que determina o art. 48 do Decreto n° 70.235/72, solicitou o cancelamento da fiscalização e as exigências nela consubstanciadas. · A autoridade fiscalizadora entendeu que ao processo de consulta no âmbito da Receita Federal não mais se aplica o dispositivo legal do Decreto n° 70.235/72 citado, sendo estes procedimentos regidos pelo que determina os artigos 48 a 50 da Lei n° 9.430/96. · Foi constatada a alienação da totalidade das quotas da empresa Cainco Equipamentos para Panificação Ltda de participação societária do contribuinte, tendo sido 50% doadas aos seus três filhos e 50% vendidas à empresa Lockwood Manufactoring Corporation, com sede no Canadá; o valor da transação foi de R$ 3.755.840,00, a serem pagos parceladamente; esta transação, de acordo com registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), ocorreu em 12/7/05. · Com base nas informações dos demonstrativos de apuração do ganho de capital apresentados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual e nos valores por ele recolhidos sob o código 4600 foram apurados os valores recebidos anualmente pelo sujeito passivo em decorrência da venda. · Verificouse que, no exercício de 2004, a empresa aumentou seu capital social utilizandose do saldo da conta Reservas de Reavaliação e de parte do saldo da conta Reservas de Capital; o capital social da empresa passou de R$ 520.000,00 para R$ 3.330.000,00. · Considerouse, para apuração do imposto de renda sobre o ganho de capital, o valor do custo de aquisição de 50% das quotas de participação societária, composta de capital social e reserva de capital, que foi de R$ 268.862,89. Fl. 160DF CARF MF 4 · O contribuinte, ao contrário, para apurar o valor do imposto de renda devido, baseouse no valor do capital social da empresa acrescido do saldo da reserva de reavaliação e do saldo de parte da reserva de capital, totalizando R$ 3.330.000,00. · A forma de cálculo do ganho de capital utilizada pelo contribuinte não está correta, pois devese considerar que a capitalização de lucros e reservas que gera aumento do custo de participação societária é somente daqueles valores que transitaram pela conta de resultados na determinação do IRPJ ou dos que seriam isentos de tributação por lei especifica. A reserva de reavaliação não transitou pela conta de resultados para incidência do IRPJ e não se trata de reserva isenta, mas de tributação diferida. · A reserva de reavaliação com tributação diferida não é passível de distribuição aos sócios ou acionistas a titulo de lucros ou dividendos. Com isso, a capitalização da reserva de reavaliação não gera custo de aquisição adicional para o sócio ou acionista pessoa física. O aumento só ocorre em quantidade de quotas ou ações, mas não em valor. Cientificado do Auto de Infração AI, o contribuinte apresentou impugnação, onde alega, em síntese, que: a) preliminarmente, o lançamento é nulo, pois havia procedimento de consulta; e b) no mérito, diz fazer jus à isenção prevista no DecretoLei 1.510/76. Foi proferido o Acórdão 0646.758 4ª Turma da DRJ/CTA (fls. 110/118) com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais que regem o processo administrativo fiscal, incabível falar em nulidade do lançamento. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 15889.000137/201073 Acórdão n.º 2401005.069 S2C4T1 Fl. 160 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 8/5/14 (Termo de Abertura de Documento de fl. 121), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/5/14, fls. 140/153 (no qual repisa argumentos apresentados na impugnação e questiona o acórdão recorrido), que contém, em síntese: Preliminarmente, suscita nulidade do procedimento fiscal, pois formulou consulta versando sobre o objeto da ação fiscal que ensejou a constituição do crédito tributário, o que impediria a lavratura do auto, por violar o art. 48 e 49 do Decreto 70.235/72, como também o art. 89 do Decreto 7.574/11, pois ambos asseguram ao contribuinte o direito de não ser instaurado contra si nenhum procedimento fiscal em relação à matéria objeto da consulta. Diz que manifestava dúvidas sobre a forma de apurar o ganho de capital, envolvendo, especificamente, a isenção prevista no art. 4º do Decreto 1.510/76, relativamente às cotas que detinha há mais de cinco anos antes da revogação do benefício. Este coincidentemente também constituiu o objeto do procedimento fiscal e da autuação. Afirma estar consagrado que o instituto da consulta fiscal garante ao contribuinte o direito de obter manifestação formal da administração tributária, em caso de dúvida sobre a interpretação de dispositivo específico da legislação, e até que obtenha essa manifestação, o consulente fica protegido no que se refere à matéria objeto da consulta, contra sanção pelo não pagamento ou pelo pagamento a menor de tributos apurados. Explica que os tributos foram apurados na forma como o contribuinte entendeu correta naquele momento, tendo recolhido o tributo, embora não de acordo com o entendimento posteriormente exarado na Solução de Consulta. Cita decisão do CARF. Questiona o procedimento fiscal, com cobrança de multas punitivas, antes da comunicação da decisão exarada na Solução de Consulta. Cita doutrina. No mérito, afirma fazer jus à isenção prevista no DecretoLei 1.510/76 para contemplar 69,2308% do ganho de capital obtido, pois cuidase de isenção condicionada, com implemento da condição pelo lapso temporal de cinco anos entre aquisição total ou parcial da participação societária, com sua alienação realizada após a revogação da lei de isenção. Entende que quando na data da revogação o contribuinte já reúne todos os requisitos para gozar o benefício fiscal, já está habilitado a isenção. Diz tratarse de direito adquirido. Cita decisões do CARF de 2011 e anteriores e jurisprudência. Conclui que devido à isenção, possui crédito perante a Fazenda Pública e apresenta tabela demonstrativa. Requer a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR Conforme explicado no termo de verificação e conclusão fiscal e no acórdão recorrido, no âmbito da RFB os processos administrativos de consulta são regulados pela Lei 9.430/96, artigos 48 a 50. Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. [...] Art. 49. Não se aplicam aos processos de consulta no âmbito da Secretaria da Receita Federal as disposições dos arts. 54 a 58 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e do art. 48 desta Lei. (grifo nosso) O Decreto 70.235/72, art. 48 e art.49, dispõe: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: (Vide Lei nº 9.430, de 1996) I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. (Vide Lei nº 9.430, de 1996) E também o Decreto 7.574/11, art. 89: Art. 89. Nenhum procedimento fiscal será instaurado, relativamente à espécie consultada, contra o sujeito passivo alcançado pela consulta, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que Fl. 163DF CARF MF Processo nº 15889.000137/201073 Acórdão n.º 2401005.069 S2C4T1 Fl. 161 7 lhe der solução definitiva. (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 48 e 49; Lei no 9.430, de 1996, art. 48, caput e § 3o). § 1o A apresentação da consulta: I não suspende o prazo: a) para recolhimento de tributo, retido na fonte ou declarado (autolançado), antes ou depois da data de apresentação; e b) para a apresentação de declaração de rendimentos; e II não impede a instauração de procedimento fiscal para fins de apuração da regularidade do recolhimento de tributos e da apresentação de declarações. À época da apresentação da consulta (5/4/10) o procedimento era previsto na Instrução Normativa IN RFB nº 740, de 2/5/07, que dispõe: Art. 14. A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. [...] § 5º A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias.[...] Vêse que da leitura da legislação citada, acima transcrita, podese concluir que: i) Somente a consulta formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada. ii) A apresentação de consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação. iii) A apresentação de consulta não impede a instauração de procedimento fiscal para fins de apuração da regularidade do recolhimento de tributos e da apresentação de declarações. No caso em análise, o prazo para recolhimento do tributo já havia expirado quando da apresentação da consulta. Por ser um tributo autolançado, não há que se falar em suspensão do prazo, mesmo porque os fatos geradores apurados se referem aos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008 e a consulta somente foi apresentada em 2010. E ainda, o procedimento fiscal foi instaurado para apuração da regularidade do recolhimento dos tributos pagos sobre o ganho de capital apurado na venda de cotas de participação na empresa de titularidade do autuado, não havendo impedimento para tal. Fl. 164DF CARF MF 8 Atualmente, a matéria encontrase prevista na IN RFB nº 1.396/13, que manteve o entendimento acima: Art. 10. A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o 30º (trigésimo) dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. Parágrafo único. Quando a solução da consulta implicar pagamento, este deverá ser efetuado no prazo referido no caput, ou no prazo normal de recolhimento do tributo, o que for mais favorável ao consulente. Art. 11. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. No presente caso, o lançamento da diferença do imposto devido é cabível, até mesmo para prevenir a decadência. Assim, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade. MÉRITO Inicialmente, cumpre observar que o próprio contribuinte afirma que não obteve êxito na Solução de Consulta apresentada sobre a matéria objeto da presente autuação. Contudo, volta a alegar que possui direito adquirido à isenção prevista no DecretoLei 1.510/76. O DL 1.510/76 dispunha que: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. Art 2º O rendimento tributável de acordo com o artigo anterior será determinado pela diferença entre o valor da alienação e o custo de subscrição ou aquisição da participação societária, corrigido monetariamente segundo a variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional [...] Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Entretanto, tal legislação foi revogada pela Lei 7.713/88, que dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15889.000137/201073 Acórdão n.º 2401005.069 S2C4T1 Fl. 162 9 na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. [...] Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. (grifo nosso) [...] Art. 58. Revogamse o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65 e 66 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1º a 4º do Decreto Lei nº 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12 e 13 do DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15 e 100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do DecretoLei nº 2.301, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 7º do DecretoLei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. (grifo nosso) A lei que concede a isenção não gera direito adquirido a favor do contribuinte. A isenção pode ser usufruída enquanto vigente a norma isentiva. Revogada referida norma, o tributo volta a ser exigível em relação aos fatos ocorridos posteriormente à revogação. Sobre isso, o CTN, no art. 178, dispõe que: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. A isenção do DL 1.510/76, artigo 4º, alínea 'd', havia sido concedida sob determinada condição (ficar o contribuinte por cinco anos sem alienar sua participação societária), mas não foi por prazo certo. Apenas seria por prazo certo se a lei tivesse estabelecido um tempo após os cinco anos que o contribuinte permaneceu na sociedade, para que ele alienasse sua participação societária. Assim, caso atendidas as condições estabelecidas, ou seja, além de ficar por mais de cinco anos na sociedade, o contribuinte alienasse sua participação no prazo certo estabelecido na lei isentiva, ele estaria dispensado de pagar o imposto. Contudo, este não é o caso, pois a isenção ora tratada foi por prazo indeterminado e, sendo assim, uma vez revogada a norma isentiva, não há mais que se falar em isenção, muito menos em direito adquirido. Fl. 166DF CARF MF 10 Portanto, a isenção do artigo 4º, alínea "d" do DecretoLei n.º 1.510/76, não se amolda às condicionantes do art. 178 do CTN, não gerando direito adquirido após sua revogação. MULTA DE OFÍCIO Nos termos da Instrução Normativa IN RFB nº 740, de 2/5/07 (vigente à época) a consulta formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora. No presente caso a consulta foi formulada quando já havia ocorrido o fato gerador, o que não suspende o prazo para recolhimento do tributo, implicando na incidência dos juros de mora. No entanto, entendo incabível a aplicação da multa de ofício lançada, devendo ser excluída. CONCLUSÃO Sendo assim, correto o procedimento fiscal que apurou o IRPF ora lançado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir a multa de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15889.000137/201073 Acórdão n.º 2401005.069 S2C4T1 Fl. 163 11 Declaração de Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Apresento declaração de voto com o fim de registrar as razões pelas quais deixei de acompanhar de forma integral os fundamentos de decidir da I. Relatora, porém acolhendo a sua conclusão. A falta de sintonia está concentrada na preliminar. O processo de consulta em matéria tributária está previsto no arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e pelos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, regulamentados pelos arts. 88 a 102 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Um dos efeitos do protocolo da consulta administrativa é a proibição de instauração de procedimento fiscal contra o sujeito passivo, relativamente à espécie consultada, nos termos do art. 89 do Decreto nº 7.574, de 2011, que possui matriz legal nos arts. 48 e 49 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 89. Nenhum procedimento fiscal será instaurado, relativamente à espécie consultada, contra o sujeito passivo alcançado pela consulta, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que lhe der solução definitiva. (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 48 e 49; Lei nº 9.430, de 1996, art. 48, caput e § 3º). § 1º A apresentação da consulta: I não suspende o prazo: a) para recolhimento de tributo, retido na fonte ou declarado (autolançado), antes ou depois da data de apresentação; e b) para a apresentação de declaração de rendimentos; e II não impede a instauração de procedimento fiscal para fins de apuração da regularidade do recolhimento de tributos e da apresentação de declarações. (...) Como se observa do "caput" do artigo copiado, a regra é clara no sentido da vedação à instauração de procedimento fiscal contra o consulente, relativamente à matéria consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão definitiva. E não poderia ser diferente. Fl. 168DF CARF MF 12 A consulta formal é um serviço oferecido pela Administração Tributária em prol do correto cumprimento das obrigações tributárias pelos administrados, privilegiando a segurança jurídica nas relações entre as partes, para que o sujeito passivo esclareça dúvida quanto à aplicação de dispositivo da legislação tributária a um fato determinado associado a sua atividade e/ou negócios, mesmo que ainda não ocorrido, nesta hipótese desde que comprovada a efetiva possibilidade de ocorrência. Ao revelar espontaneamente uma situação concreta, que pode gerar o pagamento de tributo, caso resolva iniciar uma atividade fiscalizatória no sujeito passivo, antes de expedida a decisão definitiva, com a finalidade de apurar o crédito tributário devido com base na matéria objeto da consulta protocolada, certamente o Fisco deixará de observar princípios básicos do direito administrativo, tampouco atuará segundo padrões de confiança e boafé que devem permear a relação tributária. A consulta eficaz formulada antes do vencimento do tributo protege o sujeito passivo da aplicação de juros de mora e multa até o até o trigésimo dia subsequente à data da ciência de sua solução, em caso de resposta desfavorável ao consulente (art. 90, Decreto nº 7.574, de 2011). Todavia, por óbvio, não há impedimento na legislação para consultas apresentadas posteriormente aos fatos, apenas os efeitos no tocante aos juros e à multa de mora serão distintos. Por sua vez, a abertura de procedimento fiscal em face do consulente representa uma medida excepcional, autorizada para verificação da regularidade do recolhimento de tributos e da apresentação de declarações (inciso II do § 1º do art. 89 do Decreto nº 70.235, de 1972). Cabe assinalar, contudo, que a norma do inciso II não está dissociada do inciso I do mesmo § 1º, sob pena de aceitar a extrapolação do conteúdo do Decreto nº 70.235, de 1972, que dá sustentação jurídica ao ato regulamentar emanado pelo Poder Executivo. Senão vejamos os arts. 48 e 49 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: (...) Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. Embora possível a apresentação de consulta, no que tange a tributo retido na fonte ou autolançado não há suspensão de prazo para o seu recolhimento. O protocolo da consulta também não suspende o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. Nessas situações, exclusivamente, descabe falar em impedimento para a instauração de procedimento fiscal. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15889.000137/201073 Acórdão n.º 2401005.069 S2C4T1 Fl. 164 13 Na acepção utilizada pelo legislador ordinário, tributo autolançado não pode equivaler à elasticidade de tributo lançado por homologação ou "autolançamento". Caso contrário, a vedação ao início do procedimento fiscal com respeito à matéria consultada passaria de regra à exceção na legislação federal, haja vista a natureza dos tributos administrados e fiscalizados pela Receita Federal do Brasil, em evidente prejuízo da harmonia interpretativa. Para fins do processo de consulta, a conotação de tributo autolançado é restrita, no mesmo contexto do mecanismo da retenção na fonte, em que o responsável pelo recolhimento da exação configura um mero depositário. Por isso, tributo autolançado é aquele que a legislação tributária, em virtude de sua forma de apuração considerando o lançamento por homologação, determina o destaque em documento fiscal, como é o exemplo do Imposto sobre Produtos Industrializados. 1 Logo, o auto de infração lavrado contra o recorrente, correlacionado à matéria consultada, antes da decisão sobre a consulta protocolada, levaria à decretação da nulidade da exigência fiscal. Nada obstante, avaliando o caso sob exame, o julgamento do recurso voluntário é merecedor de outro desfecho. É que a proibição de instauração de procedimento fiscal não pode servir como pretexto para estimular a decadência do crédito tributário. O lançamento fiscal diz respeito à apuração de ganho de capital à medida do pagamento do preço pela alienação de participação societária. As competências mais antigas do auto de infração referemse ao ano calendário 2005, quando da venda das quotas, ao passo que a consulta foi protocolada pelo interessado somente no ano de 2010. Além do que o próprio contribuinte afirmou que não obteve êxito na solução de consulta, nem há notícias nos autos do pagamento espontâneo do tributo devido, após a resposta do Fisco. À vista desses aspectos, pareceme razoável dar ao lançamento fiscal o tratamento de prevenção da decadência, em que a multa de ofício é indevida, até porque não poderia ser aplicada pela autoridade fiscal enquanto pendente a decisão a respeito da consulta formulada. Quanto aos juros de mora, nada mais que remunera o credor pelo falta de adimplemento tempestivo da obrigação tributária pelo contribuinte, relembrando que a consulta surgiu em momento posterior aos fatos, quando já vencido o prazo para pagamento das respectivas obrigações tributárias. Essas foram as razões do meu voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess 1 Nesse sentido, ver NEDER, Marcos Vinicius e LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3ª ed. Dialética : São Paulo, 2010, pág. 534. Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720511/2015-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
TRATADOS PARA EVITAR A BITRIBUTAÇÃO DA RENDA - JUROS
Com base nos tratados para evitar a bitributação da renda, devem ser excluídos os juros líquidos, ou seja, os juros brutos menos todos as despesas para serem obtidos.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
CSLL. ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO. ABRANGÊNCIA.
Os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Efeitos retroativos da Lei n. 13.202, de 8.12.2015, expressamente interpretativa.
Numero da decisão: 1401-002.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário objeto do auto de infração de fls. 268-276 e para dar provimento integral ao recurso de ofício para restabelecer o crédito tributário lançado através do auto de infração de fls. 286-293.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 TRATADOS PARA EVITAR A BITRIBUTAÇÃO DA RENDA - JUROS Com base nos tratados para evitar a bitributação da renda, devem ser excluídos os juros líquidos, ou seja, os juros brutos menos todos as despesas para serem obtidos. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 CSLL. ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO. ABRANGÊNCIA. Os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Efeitos retroativos da Lei n. 13.202, de 8.12.2015, expressamente interpretativa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.192 1 1.191 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720511/201593 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401002.008 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Recorrentes BANCO VOTORANTIM S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 TRATADOS PARA EVITAR A BITRIBUTAÇÃO DA RENDA JUROS Com base nos tratados para evitar a bitributação da renda, devem ser excluídos os juros líquidos, ou seja, os juros brutos menos todos as despesas para serem obtidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO. ABRANGÊNCIA. Os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Efeitos retroativos da Lei n. 13.202, de 8.12.2015, expressamente interpretativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário objeto do auto de infração de fls. 268276 e para dar provimento integral ao recurso de ofício para restabelecer o crédito tributário lançado através do auto de infração de fls. 286293. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 11 /2 01 5- 93 Fl. 1192DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada (Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 08.1.66.002014000656), foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Autos de Infração de IRPJ e CSLL 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 278284), exige o recolhimento de R$ 4.977.482,43 de imposto, R$ 3.733.111,82 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 2.061.673,22 de juros de mora. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre da seguinte infração: 3.1. falta de adição ao lucro real do valor correspondente ao encargo com amortização do ágio pago na compra de Títulos dos Governos da Dinamarca e da Espanha, conforme descrito nos subitens 3.2 (Da amortização do ágio) e 4.2 (Adições não computadas na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo ajustada da CSLL) do Termo de Verificação Fiscal (fls 294318), com infração ao disposto nos arts. 247 e 249 do RIR de 1999 e art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: . anocalendário de 2010 .........................R$ 28.442.756,76 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL de fls. 268276 exige o recolhimento de R$ 18.984.272,18 de contribuição, R$ 14.238.204,14 a título de multa de lançamento de ofício de 75% e R$ 7.863.285,54 de juros de mora, além de R$ 7.342.917,02 de multa de ofício exigido isoladamente. Foram autuadas as seguintes infrações: 4.1. exclusão indevida da base de cálculo da CSLL da receita auferida com os juros produzidos por títulos emitidos pelos Governos da Dinamarca e da Espanha, conforme descrito nos subitens 3.1 (Dos juros auferidos com títulos de Governo Externo) e 4.1 (Exclusões indevidas da base de cálculo ajustada da CSLL) do Termo de Verificação fiscal, com infração ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com as alterações Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.193 3 introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008), art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995), art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995, e art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996: . anocalendário de 2010 ...........................R$ 192.992.345,06 4.2. multa de ofício exigida isoladamente em decorrência da falta de pagamento da contribuição mensal devida por estimativa, com infração ao disposto no art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: . 31/01/2010.............................................R$ 36.195,28 . 30/04/2010......................................R$ 2.694.274,36 . 30/06/2010......................................R$ 4.612.447,38 5. O auto de infração de CSLL de fls. 286292 exige o recolhimento de R$ 4.266.413,51 de contribuição, R$ 3.199.810,13 a título de multa de lançamento de ofício de 75% e R$ 1.767.148,48 de juros de mora, com autuação do seguinte valor: 5.1. falta de adição ao lucro líquido do período do valor correspondente à amortização do ágio registrado na compra de Títulos dos Governos da Dinamarca e da Espanha, conforme descrito nos subitens 3.2 e 4.2 do Termo de Verificação Fiscal (fls 294318), com infração ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 1988 (com as alterações do art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008), art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995 (com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995), art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995, e art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996: . anocalendário de 2010 ...................R$ 28.442.756,76 Termo de Verificação Fiscal 6. Consta do subitem 3.1 (Dos juros auferidos com títulos de Governo Externo) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 294318) que a Autoridade Fiscal considerou indevida a exclusão, na apuração da base de cálculo da CSLL, da receita de R$ 192.992.345,06 auferida com os juros produzidos por títulos emitidos pelos Governos da Dinamarca e da Espanha, porquanto entendeu que não são extensíveis a esta contribuição as disposições dos tratados internacionais para evitar a dupla tributação celebrados com referidos países: 3.1 DOS JUROS AUFERIDOS COM TÍTULOS DE GOVERNO EXTERNO O contribuinte foi intimado a apresentar a composição dos valores de R$ 249.854.870,75 e R$ 192.992.345,06 informados como exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, no anocalendário de 2010, a título de “Juros não tributáveis Títulos de Governos Externos”. A fiscalizada apresentou resposta em 17/09/2014, indicando quais eram os ativos e apresentou razão das contas envolvidas nos lançamentos contábeis. Os juros recebidos são oriundos de títulos emitidos pela Dinamarca, Espanha e Coréia, conforme documentação acosta pelo contribuinte. O contribuinte já tinha sido intimado a esclarecer o não oferecimento dos juros oriundos de títulos emitidos pela Dinamarca e Espanha à tributação da CSLL no anocalendário 2009, momento em que alegou, em sua resposta de 04/07/2014, que “... a fundamentação legal para a exclusão dos valores a título de ‘Juros não tributáveis – Títulos de Governos Externos’ da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2009 se encontra nos tratados Fl. 1194DF CARF MF 4 internacionais, para evitar a dupla tributação, firmados entre o Brasil e os países nos quais os títulos foram emitidos ...” A fiscalizada argumentou, ainda, que “..., o Artigo 2 destes tratados dispõe que estes são aplicáveis a quaisquer impostos substancialmente semelhantes que forem posteriormente criados. O termo ‘impostos’ não pode ser interpretado literalmente de forma a impedir a aplicação dos tratados à CSLL, devendo ser compreendido como ‘tributo’.” Ora, tal argumentação é incabível e inaceitável, uma vez que contraria frontalmente o disposto no artigo 111 do Código Tributário Nacional: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção;” (...) Conforme podemos constatar nas transcrições acima, o imposto visado nas Convenções é somente o imposto de renda, de acordo com o disposto no artigo 2. O mesmo artigo prevê, ainda, a aplicabilidade das Convenções no caso de impostos idênticos ou substancialmente semelhantes posteriormente introduzidos, assim como a notificação mútua sobre qualquer modificação que tenha ocorrido na legislação tributária dos Estados Contratantes: “Esta Convenção também será aplicável a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem posteriormente introduzidos, seja em adição aos impostos já existentes, ou em sua substituição. As autoridades competentes dos Estados Contratantes notificarseão mutuamente de qualquer modificação que tenha ocorrido em suas respectivas legislações tributárias, especialmente no que se refere ao Artigo 23, parágrafo 7.” O texto da Convenção delimitou os casos nos quais se poderiam aplicar suas disposições a impostos posteriormente introduzidos, ao definir que se consideram impostos idênticos ou substancialmente semelhantes apenas aqueles com características de adição ou substituição aos já existentes. Ora, a CSLL não se caracteriza, por motivos óbvios, como uma substituição ao IRPJ e muito menos um adicional ao imposto de renda, tendo em vista que o IRPJ já possuía um adicional próprio quando da introdução da CSLL. Além do mais, a CSLL não se trata de imposto novo, mas sim uma nova espécie tributária que possui fim específico, e com regramento específico na Constituição Federal Brasileira de 1988. O próprio texto constitucional prevê a instituição de ambos os tributos sobre renda/lucros: Impostos, no seu artigo 153, inciso III, e Contribuições Sociais, no seu artigo 195, inciso I. (...) O imposto de renda e a CSLL, nem ao menos são substancialmente semelhantes, uma vez que possuem bases de cálculo distintas. As adições, exclusões e compensações relativas à apuração da base de cálculo do imposto de renda não são automaticamente computáveis na apuração da base de cálculo da CSLL, devendo existir previsão em normas específicas da contribuição, o que, logicamente, torna esta exação não idêntica ou substancialmente semelhante ao imposto sobre a renda das pessoas jurídicas. (...) Além disso, para se considerar que o novo tributo estaria abrangido pelo Tratado seria essencial prova da notificação entre os contratantes, sem esta notificação a CSLL não está abrangida pelo acordo internacional. A notificação é requisito para se considerar o novo tributo também abrangido pelo tratado. Temos então que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), tributo instituído pela Lei 7.689/88, ou seja, após a celebração das citadas convenções, não atende a nenhuma das condições que se fazem necessárias para a abrangência da aplicabilidade da Convenção. (...) Interessante observar que, mesmo após a instituição da CSLL, pela Lei nº 7.689, de 1988, o Brasil assinou diversos acordos bilaterais para evitar a dupla tributação (África do Sul, de Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.194 5 2006; Chile, de 2003; China, de 1993; Coréia, de 1991, Filipinas, de 1991; Finlândia, de 1998; Hungria, de 1991; Índia, de 1992; Israel, de 2005; México, de 2006; Países Baixos, de 1991; Peru, de 2009; República Tcheca e Eslovaca, de 1991; e Ucrânia, de 2006), que seguem a Convenção Modelo da OCDE, em que, no artigo 2 dos respectivos Decretos de promulgação, consta que, no caso do Brasil, a Convenção se aplica apenas ao imposto de renda, sem qualquer referência à CSLL. Considerando que à época da celebração destas Convenções, os representantes dos governos já estavam cientes da existência da CSLL, que à semelhança do IRPJ, incidia sobre o lucro da pessoa jurídica, é evidente que os mesmos optaram por deixar essa contribuição de fora da regra para evitar a dupla tributação. Importante, neste momento, salientar o caso da Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda entre o Brasil e a Coréia, promulgada pelo Decreto nº 354, de 2 de dezembro de 1991, ou seja, após a instituição da CSLL, tendo em vista que exemplifica bem a situação, pois a CSLL não está compreendida nos impostos visados pela regra contra a dupla tributação. Tanto é verdade, que a fiscalizada também recebeu no anocalendário de 2010 juros provenientes de títulos emitidos pelo Governo da Coréia, mas aplicou a Convenção apenas para o IRPJ e ofereceu a receita correspondente à tributação da CSLL. Nos casos em que o Estado Brasileiro teve a intenção de estender os preceitos convencionais à CSLL foram feitas previsões expressas nos Protocolos das Convenções. Como o caso dos Decretos nº 4.012, de 2001 (BrasilPortugal), Decreto nº 6.797, de 2009 (BrasilGrã Bretanha e Irlanda), e DecretosLegislativos nº 972, de 2003 (BrasilParaguai) e nº 1 de 2011 (BrasilTrindade e Tobago), nos quais constou expressamente a aplicação das disposições convencionais à CSLL. (...) Diante disto, considerando que nas Convenções firmadas após a sua instituição, a CSLL não foi de forma automática e invariável incluída dentre os impostos visados pela regra contra a dupla tributação, concluise que essa contribuição não se amolda aos pressupostos delineados pela cláusula de identidade ou substancialmente semelhança com o IRPJ. (Grifouse) 7. Foi no lançamento fiscal adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL a despesa de R$ 28.442.756,76 com amortização do ágio pago por ocasião da aquisição de Títulos dos Governos da Dinamarca e da Espanha, conforme descrito no subitem 3.2 (Da amortização do ágio) do Termo de Verificação Fiscal, porquanto os encargos financeiros incorridos na captação de recursos junto a terceiros devem ser apropriados ao resultado em função da fluência do prazo do título, mas, no presente caso, acabaram sendo apropriados no anocalendário de 2010 em face de a interessada ter reconhecido em sua escrita contábil a receita líquida de R$ 164.549.588,30 (montante de R$ 192.992.345,06 dos juros deduzido do ágio de R$ 28.442.756,76) e ter excluído do Lalur e da base de cálculo da CSLL o valor total dos juros auferidos (R$ 192.992.345,06): 3.2 DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Destacamos que o presente tópico fará referência somente aos Títulos do Governo da Espanha e da Dinamarca, tendo em vista que não houve ágio na aquisição dos Títulos do Governo da Coréia. Conforme planilha apresentada pelo contribuinte em 17/09/2014, foram registrados, durante o ano de 2010, lançamentos a débito em conta de natureza credora pertencentes ao Subgrupo 71515000302004 – “Renda de Títulos Emitidos pelo Governo de Outros Países” no montante de R$ 28.442.756,76, referente à amortização de ágio registrado na compra dos Títulos dos Governos da Dinamarca e da Espanha. (...) No entanto, tanto no LALUR e quanto na apuração anual da Base de Cálculo da CSLL, o contribuinte efetuou como exclusão a título de “Juros não tributáveis – Títulos da Espanha e Dinamarca” o valor de R$ 192.992.345,06. Fl. 1196DF CARF MF 6 Intimado a apresentar a justificação jurídica para dedutibilidade dos valores correspondentes à amortização de ágio referente a aquisição dos Títulos de Governos Estrangeiros, no anocalendário de 2010, a fiscalizada alega que: “... Os Tratados afastam a tributação no Brasil dos Juros pagos pelos governos estrangeiros ao beneficiário do título, determinando sua tributação no País de que provém, mas não disciplinam o tratamento a ser dado no reconhecimento do montante pago acima do valor de face para aquisição do título. .... O valor pago acima do valor de face pode ser amortizado e deduzido no decorrer do prazo dos títulos, eis que configura despesa que contribuiu para a formação do resultado em mais de um período de apuração, nos termos dos arts. 324 c/c 325 do RIR/99: .... Ressaltese que o dispositivo não exige a tributação das receitas vinculadas à despesa amortizada, mas apenas que o recurso aplicado contribua para formação do resultado de mais de um período de apuração. Assim, no caso dos títulos, o recurso aplicado na sua aquisição, em montante superior ao valor de face, pode ser deduzido, mesmo que os juros não sejam tributados no Brasil. Considerando que os títulos foram adquiridos em valor superior ao de face, esta diferença deve ser amortizada no decorrer do prazo do título, em consonância com a legislação do IRPJ” (...) A amortização de direitos, bens, custos e despesas consiste na “recuperação contábil” do capital aplicado na aquisição de direitos, cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens, cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo limitado por lei ou contrato, e dos custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração. Numa análise conjunta do § 2º do art. 324 com o inciso II do art. 325, fica claro que os custos, encargos ou despesas, sujeitos à dedutibilidade prevista no artigo 324 são aqueles registrados no ativo diferido, conforme dispõe o inciso II do art. 325. No caso em questão tratase de valor pago acima do valor de face (ágio) para aquisição de Notas de Governos Estrangeiros, as quais encontramse registradas no Grupo de Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo, mais exatamente no Grupo 130 – Títulos e Valores Mobiliários – Instrumentos Financeiros Derivativos. (...) Os Títulos do Governos Estrangeiros foram registrados, nas contas contábeis 13620991705010 e 13620991706017, pelo valor efetivamente pago e atualizados com lançamentos a débito referente à apropriação dos juros e a crédito em decorrência do reconhecimento do ágio, ambos em razão da fluência do prazo de vencimento dos papéis. As contrapartidas dos lançamentos foram as contas de Renda de Títulos e Valores Mobiliários no Exterior abaixo indicadas. (...) Os encargos financeiros incorridos na captação de recursos junto a terceiros devem ser apropriados ao resultado em função da fluência do prazo, pelo custo amortizado usando o método dos juros efetivos, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC nº 38 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração. Amortizar um custo significa contabilizar um ativo ou passivo de forma que a receita ou despesa registrada seja proporcional a taxa efetiva de juros. A amortização deve considerar qualquer ágio ou deságio ou ainda custo relacionados com a aquisição ou emissão diretamente relacionados com os principais. A utilização do custo amortizado faz com que os encargos financeiros reflitam o efetivo custo do instrumento financeiro e não somente a taxa de juros contratual do instrumento, ou seja, incluemse neles os juros e os custos da transação da captação, bem como prêmios recebidos, ágios, deságios, descontos, atualização monetária e outros. Ainda sobre o assunto, a Circular CVM nº 3.086/02 (alterada pela Circular CVM nº 3.096/02), vigente à época, em seu § 1º, art. 4º, dispõe que o ágio ou deságio apurado nas operações de aquisição de ativos de renda fixa, inclusive os representativos de dívida Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.195 7 externa de responsabilidade da União e quaisquer outros transacionados no mercado internacional, deve ser reconhecido em razão do prazo de fluência do prazo de vencimento dos papéis. E assim o contribuinte o fez em sua escrita contábil, registrando na conta “Rendas de Títulos Emitidos pelo Governo de Outros Países” valores a crédito referentes à apropriação dos juros e valores a débito referentes à amortização do ágio, o que gerou o resultado contábil abaixo demonstrado, o qual compôs o lucro líquido do ano de 2010. Composição Analítica – Juros Isentos – Títulos de Governos Soberanos Data Base: 2010 Conta Contábil Juros s/Títulos no Exterior (1) Ágio / Outros Ajustes (2) Resultado Contábil (1+2) Ajustes no Lucro Líquido (Exclusão) 71515000302063 Juros Nota Dinamarquesa 148.320.288,73 (17.939.047,87) 130.381.240,86 148.320.288,73 71515000302055 Juros Nota Espanhola 44.672.056,33 (10.503.708,89) 34.168.347,44 44.672.056,33 TOTAL 192.992.345,06 (28.442.756,76) 164.549.588,30 192.992.345,06 Ou seja, na apuração anual do lucro líquida da instituição financeira, a mesma reconheceu como Rendas de Juros com títulos de governos estrangeiros o montante de R$ 164.549.588,30. No entanto, ao efetuar o ajuste no Lucro Líquido para apuração da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL, o mesmo desconsiderou os lançamentos de amortização do ágio nas contas de Renda. Tal fato acarretou uma exclusão a maior do que efetivamente foi levado ao resultado, no anocalendário de 2010, como Rendas de Juros sobre Títulos no exterior, em R$ 28.442.756,76. A receita e as despesas relacionadas à mesma transação devem ser reconhecidos simultaneamente; esse processo está vinculado ao princípio da confrontação das despesas com as receitas (regime de competência). (...) A parcela do preço de aquisição de título excedente ao valor de reembolso de capital nele estipulado deve ser considerada, junto ao credor, para fins tributários, como um redutor do valor total dos juros previstos no título. Para uma melhor visualização da situação concreta, vamos supor que não existissem tratados internacionais com os referidos países, o valor de Juros com Títulos de Governos Estrangeiros oferecido à tributação seria o resultado contábil registrado em sua escrita (R$ 164.549.588,30) e não os R$ 192.992.345,06. Diante disto, adicionamos de ofício o valor referente à amortização do ágio, o qual o contribuinte indevidamente considerou como despesas dedutível quando ao realizar os ajustes nas Bases de Cálculos do IRPJ e da CSLL, excluiu as receitas de Juros com Títulos de Governos Estrangeiros sem considerar as amortizações de ágio registradas nas contas 71515000302063 – Juros Nota Dinamarquesa e 71515000302055 – Juros Nota Espanhola. (Grifouse) 8. No subitem 4.2 (Adições não computadas na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da CSLL) a Autoridade Fiscal detalhou a apuração das bases de do IRPJ e da CSLL: Diante disto, recompomos as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para apuração dos valores devidos. IRPJ – ANO CALENDÁRIO 2010 DIPJ APURAÇÃO FISCO DIFERENÇA Lucro Líquido Após Ajuste do RTT 1.114.286.876,18 1.114.286.876,18 Fl. 1198DF CARF MF 8 (+) Adições 2.229.925.293,87 2.258.368.050,63 28.442.756,76 2.912.939.314,29 2.912.939.314,29 ( ) Exclusões (=) Lucro Real antes Compens.Prejuízos 431.272.855,76 459.715.612,52 28.442.756,76 129.381.856,73 137.914.683,76 8.532.827,03 ( ) Compensação de Prejuízo Fiscal (=) Lucro Real 301.890.999,03 321.800.928,76 19.909.929,73 IRPJ (Alíquota 15%) 45.283.649,85 48.270.139,31 2.986.489,46 Base Tributável do Adicional 301.650.999,03 321.560.928,76 19.909.929,73 30.165.099,90 32.156.092,88 1.990.992,97 IRPJ Adicional (alíq. 10%) IRPJ Devido e Lançado de Ofício 75.448.749,76 80.426.232,19 4.977.482,43 CSLL – ANO CALENDÁRIO 2010 DIPJ APURAÇÃO FISCO DIFERENÇA Lucro Líquido Após Ajuste do RTT 1.176.302.812,43 1.176.302.812,43 (+) Adições 2.129.224.899,51 2.157.667.656,27 28.442.756,76 2.846.864.015,87 2.653.871.670,81 192.992.345,06 ( ) Exclusões (=) Base Calç.CSLL antes comp.BC Neg. 458.663.696,07 680.098.797,89 221.435.101,82 137.599.108,82 204.029.639,37 66.430.530,55 ( ) Compensação de BC Negativa (=) Base de Cálculo da CSLL 321.064.587,25 476.069.158,52 155.004.571,27 IRPJ (Alíquota 15%) 48.159.688,09 71.410.373,78 23.250.685,69 Impugnação 9. Regularmente intimada em 29/05/2015, a interessada, por intermédio de seu representante legal (fls. 386394), apresentou, em 30/06/2015, a tempestiva impugnação de fls. 331381, instruída com os documentos de fls. 382651. 10. Com relação à aplicação à CSLL das regras para evitar a dupla tributação, apresenta as alegações a seguir sintetizadas: Da aplicabilidade dos tratados para evitar a dupla tributação à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido a) relata que a Autoridade Fiscal negou a submissão da CSLL ao Tratado para Evitar a Dupla Tributação porquanto: (i) a CSLL não seria um tributo substancialmente semelhante a IRPJ e nem o substituiria; e (ii) tendo em vista que a CSLL foi instituída posteriormente à celebração dos TDT com Dinamarca e Espanha, os mesmos TDT não trariam mecanismos jurídicos hábeis a autorizar a sua aplicação à contribuição, nem teria Brasil se inclinado a tanto por meio de instrumentos do direito internacional público; b) argui que os TDT delimitam a competência tributária entre os Estados Contratantes, agindo como “um estêncil colocado sobre o modelo da legislação doméstica, cobrindo certas partes dela”; a legislação doméstica não é modificada pelo TDT, nem obrigações jurídicotributárias são criadas por ele, mas sua aplicação é limitada Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.196 9 na medida em que a competência tributária é repartida entre os Estados Contratantes; erigemse os TDT como limitadores da jurisdição dos Estados Contratantes, suprimindo a aplicação da sua legislação doméstica, mas não a sua validade. c) o art. 98 do CTN determina a necessidade de observância, pela lei interna, das disposições de um tratado; como já decidiram o STF e o CARF, isso se dá pela especialidade dos tratados em relação à legislação interna; logo, segundo as regras hermenêuticas, caso se admita a possibilidade de existência de uma antinomia entre a legislação interna e um TDT, deve haver prevalência deste sob aquela na hipótese de conflito; um TDT pode prever: (i) a competência exclusiva de um Estado Contratante para tributar determinado rendimento, como é o caso do art. 7º da Convenção Modelo da OCDE; (ii) a competência concorrente plena de ambos os Estados para tributar certas riquezas, como é o caso do art. 21 segundo o modelo de tratados adotado pelo Brasil; ou (iii) a competência concorrente limitada dos Estados da fonte, exemplo do artigo 10 da Convenção Modelo da OCDE; na primeira hipótese apenas o Estado a quem foi atribuída a competência para tributação pode exercêla, enquanto, nas demais, ambos os Estados, dentro de certos limites, podem exercer seu poder tributário; assim, diante de uma situação que enseje a dupla tributação jurídica de um rendimento, primeiramente questionase se a ocorrência da dupla tributação envolve, nos termos do artigo 1º da Convenção Modelo da OCDE dos TDT que a seguem, as pessoas visadas pela Convenção, isto é, os residentes dos Estados Contratantes; em seguida, verificamse os tributos abarcados pelo TDT indicados no artigo 2º da Convenção Modelo da OCDE; então, definese qual Estado – ou quais Estados – é competente para tributar o rendimento; d) no presente caso, não há dúvidas de que os TDT são aplicáveis, pois o Impugnante é residente do Estado brasileiro; também não se discute que somente Dinamarca e Espanha podem tributar os juros decorrentes de títulos de suas dívidas públicas, pois, respectivamente, os artigos 11, § 4º e 11, § 2° dos TDT celebrados pelo Brasil com os governos da Dinamarca e Espanha atribuem a esses países a competência exclusiva para tributação dos rendimentos em questão; a única divergência entre Fisco e Impugnante no presente caso está relacionada ao fato de estar a CSLL sujeita ou não às disposições do TDT, ou seja, se ela se inclui na definição de “Impostos visados pela Convenção” prevista no art. 2º dos tratados; e) além de não reconhecer a similitude da CSLL com o IRPJ sob a ótica da legislação interna e dos TDT, o Fisco valeuse de fundamentos que negam a teleología dos tratados, pois a Autoridade Fiscal de pronto não se atentou para os mecanismos previstos nos TDT que resultam na proibição da dupla tributação, na medida em que confundiu as disposições de um tratado com as previsões na legislação doméstica afeitas à concessão de suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção, razão pela qual o artigo 111 do CTN não é aplicável aos TDT; exatamente por mesclar, equivocadamente, a interpretação da legislação doméstica com a interpretação das disposições do TDT, o Fisco acabou por deixar de Fl. 1200DF CARF MF 10 aplicalo à CSLL, ao passo em que as únicas exigências para aplicação dos TDT celebrados pelo Brasil com Dinamarca e Espanha à CSLL é ser ela um tributo substancialmente semelhante ao IRPJ introduzido posteriormente à celebração dos TDT; f) a inserção desses requisitos nos arts. 2º dos TDT celebrados com Dinamarca e Espanha, aliada ao princípio da boafé no plano internacional, tem por objetivo dar segurança jurídica mútua aos Estados Contratantes, bem como garantir a eficácia dos tratados internacionais; caso não houvesse tal disposição, os Estados contratantes poderiam, facilmente, burlar os tratados e seus dispositivos ao criar, após a celebração destes, tributos substancialmente semelhantes aos já previstos, evitando, assim a aplicação dos tratados a essas novas espécies tributárias. Da substancial semelhança entre CSLL e IRPJ g) argumenta que o artigo 4º do CTN estabelece que a natureza jurídica de um tributo é determinada pelo respectivo fato jurídico tributário, sendo irrelevante para sua qualificação a denominação e demais características formais, constantes na legislação, ou a respectiva afetação da receita tributária; desta feita, a única forma legal para verificar se dois ou mais tributos são semelhantes entre si é comparando o fato gerador, ou seja, a hipótese de incidência desses tributos; consequentemente, para verificar se o IRPJ e a CSLL são “idênticos ou substancialmente semelhantes”, para fins de aplicação dos tratados internacionais, fazse necessário comparar suas respectivas hipóteses de incidência, definidas pelo art. 114 do CTN como a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência da obrigação tributária principal; h) ao se analisar o art. 43 do CTN, o qual traz a definição do imposto sobre a renda, lato sensu, temos que a hipótese de incidência dessa espécie tributária consiste na aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza, traduzido no acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte; por outro lado, o fato gerador da CSLL, conforme previsto no art. 195, I, “c”, da Constituição Federal, foi definido pelo art. 1° da Lei n° 7.689, de 1988, corresponde ao lucro das pessoas jurídicas, também entendido como acréscimo patrimonial, isto é, o valor excedente às despesas, legalmente dedutíveis, necessárias à atividade da pessoa jurídica; assim, tanto o fato jurídico tributário do IRPJ como o da CSLL incidem sobre a mesma materialidade: o acréscimo patrimonial; i) não importa que alguns ajustes às respectivas bases de cálculo estejam previstos pela legislação, uma vez que a natureza jurídica dos tributos, é verificada pela situação que, efetivamente, dá origem à obrigação tributária, que no caso do IRPJ e da CSLL, é, para ambos, o acréscimo patrimonial (isto é, o lucro) auferido pelas pessoas jurídicas; ao manifestarse sobre a questão, Ricardo Mariz de Oliveira esclarece que “pela aplicação da definição da natureza jurídica específica do tributo, contida na cabeça do art. 4º do CTN, isoladamente considerada, a CSLL seria tão imposto de renda quanto este.”; tanto é assim que o STF, nos RE n°s 146.7339/SP e 138.2848, reconheceu a constitucionalidade da incidência da CSLL sobre o lucro, apesar de ela ter o mesmo fato gerador do IRPJ; Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.197 11 j) sob o ponto de vista da legislação tributária interna, impostos e contribuições sociais diferenciamse pela afetação da receita tributária, mas isso não infirma a premissa que ambos têm a mesma hipótese de incidência; apesar de semelhantes, CSLL e IRPJ não são idênticos, pois se todos os elementos da hipótese de incidência de IRPJ e da CSLL fossem iguais, estarseia diante do mesmo tributo e não de espécies tributárias substancialmente semelhantes; assim, resta cristalino que a CSLL é materialmente idêntica ao IRPJ, haja vista que ambos os tributos incidem sobre o lucro auferido pelas pessoas jurídicas (isto é, acréscimo patrimonial), e, portanto, preenche um dos requisitos trazidos pelo artigo 2° dos tratados em análise; k) os estados contratantes buscam evitar a bitributação de uma mesma riqueza, independentemente dos tributos que a onerem, razão pela qual os tributos “idênticos ou substancialmente semelhantes” àqueles em vigor quando da celebração do TDT são abrangidos por ele, independentemente de sua nomenclatura ou especificidade perante a legislação doméstica. Do conceito de imposto (ou Tax) previsto no artigo 2° dos TDT l) aduz que a versão brasileira dos TDT valeuse do termo “imposto” para a tradução da palavra de língua inglesa “tax”, mas isso não significa que o TDT é aplicável, no caso brasileiro, apenas à espécie tributária dos impostos; na verdade, os TDT em discussão tomam a palavra “imposto” no sentido de “qualquer prestação pecuniária imposta e exigida pelo Estado”, a mesma definição prevista no art. 3º do CTN; ao compararse o significado do vocábulo “tax”, originalmente utilizado na Convenção Modelo da OCDE, adotada pelo Brasil, que é definido como qualquer prestação pecuniária imposta e exigida pelo Estado e a definição de “tributo”, constante no artigo 3º do CTN, é possível verificar que esses dois vocábulos são análogos; m) no entanto, por uma imprecisão técnica na tradução da convenção para o idioma português, a palavra “tax” foi traduzida, equivocadamente, como “imposto”, quando, tecnicamente, deveria ter sido traduzida como “tributo”; apesar de no Brasil diferenciarmos “tributo” de "imposto", sendo o primeiro gênero, do qual o segundo é espécie, tal diferenciação não é feita pelos demais países, que utilizam a palavra “imposto” como sinônimo de “tributo”, como é o caso dos Estados Unidos da América, França, Áustria, Dinamarca, Espanha, dentre outros; tanto é assim que, ao examinarse o TDT celebrado com a Espanha, verificase que não obstante o art. 2º faça remissão a “Impostos Visados pela Convenção”, o mesmo dispositivo relaciona outras espécies tributárias, que, tecnicamente, pela legislação brasileira não seriam impostos, mas que incidem sobre a renda e estão sujeitas à aplicação do tratado; tal fato fica evidente no art. 2º, § 3º, “b”, item (iii) do TDT firmado com a Espanha, que traz a palavra “imposto” como sendo gênero, do qual contribuição e imposto seriam espécies, ou seja, impe sto, ao mesmo tempo, é gênero e espécie; Fl. 1202DF CARF MF 12 n) nos termos da Convenção de Viena, quando o tratado é autenticado em dois ou mais idiomas, o seu texto faz fé igualmente em cada um deles, de modo que os termos da convenção possuem o mesmo sentido nos idiomas autenticados; desta feita, se nas convenções autenticadas nos idiomas dinamarquês e espanhol o vocábulo “imposto” é interpretado como “tributo”, na versão autenticada em português também será; no caso do TDT firmado pelo Brasil com a Dinamarca, esse raciocínio tornase ainda mais nítido, dado que está aí presente que o tratado é autêntico em suas versões de língua portuguesa e dinamarquesa, sendo que em caso de divergência, deve prevalecer o texto em inglês, no qual a palavra “tax” é empregada em sentido de tributos; somese a isso o fato dos termos “imposto de renda” e “imposto federal de renda” previstos no art. 2º dos TDT celebrados pelo Brasil não se referirem aos tributos de mesmo nome previstos na legislação interna, mas aos tributos cuja materialidade, à época da celebração da convenção, incidiam sobre a renda. Da necessidade de aplicação do TDT em virtude da legislação internacional e doméstica o) assevera que tendo em vista que a CSLL é um tributo substancialmente semelhante ao IRPJ, caso ela tenha sido instituída posteriormente aos TDT celebrados com Dinamarca e Espanha, os TDT devem, obrigatoriamente, ser aplicados a ela; os TDT com Dinamarca e Espanha foram celebrados, respectivamente, em 27/08/1974 e 14/11/1974, e entraram em vigor, no plano internacional, em 05/12/1974 e 03/12/1975, respectivamente, enquanto a CSLL foi instituída em 1988, pela Lei n° 7.689, de 1988, ou seja, bem depois da entrada em vigor dos referidos tratados; diante disso, por ser a CSLL substancialmente semelhante ao IRPJ e ter sido introduzida na legislação depois da entrada em vigor dos TDT celebrados pelo Brasil com Dinamarca e Espanha, as disposições desses tratados a ela também são aplicáveis; p) o próprio Estado Brasileiro reconhece a possibilidade de compensar o imposto sobre a renda pago no exterior com a CSLL aqui devida no Brasil em virtude do mesmo rendimento, conforme art. 15 da IN n° 213, de 2002; se tais tributos não incidissem sobre a mesma materialidade – acréscimo patrimonial – e não fossem substancialmente semelhantes, por qual razão o legislador, e a RFB, viriam a permitir a compensação do imposto pago no exterior com a CSLL; q) sustentar a não aplicação dos tratados é admitir a utilização de expedientes subreptícios para sua inobservância, pois com a criação da CSLL parte do imposto sobre a renda deixaria de sujeitarse à convenção (se válido entendimento do Fisco); daí que, com base na modificação da legislação interna, o Estado Brasileiro, unilateralmente, afastou a aplicação do TDT de parte dos tributos incidentes sobre a renda, frustrando, assim, o propósito da Convenção, a saber, “a prevenção da dupla tributação”; tais atos unilaterais solapam toda a base sobre a qual o sistema de tratados para evitar a dupla tributação foi construído: a bilateralidade e o cumprimento das obrigações pactuadas na esfera internacional; r) apesar de reconhecer a mudança na legislação tributária brasileira causada pela criação da CSLL, isto é, que o contexto em que celebrados os TDT alterouse, a Autoridade Lançadora deixa de Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.198 13 interpretar o TDT como à luz dessa alteração; com efeito, o art. 3º, § 2º, dos TDT determina que o contexto impacta profundamente sua aplicação; assim, apesar de à época da celebração dos TDT afastados pela Autoridade Fiscal a expressão “imposto de renda” referirse apenas ao IRPJ, pois era esse o único tributo sobre a renda existente no Brasil, atualmente existem dois tributos sobre a renda: o IRPJ e CSLL; o contexto é outro e exige que a CSLL também seja objeto do TDT; por essa mesma razão também não é aplicável a mencionada Nota Técnica n° 41, do CoordenadorGeral de Tributação, utilizada como fundamento para a negativa de aplicação do TDT; além disso, tal ato administrativo não tem efeito vinculante sobre os contribuintes, pois é destinado apenas à administração tributária. Da inexistência das condições criadas pelo Fisco para aplicação do TDT à CSLL s) alega que o Fisco também nega a aplicação do TDT com base em dois outros argumentos falaciosos, pois as regras para que tributos substancialmente semelhantes estejam abarcados pela convenção não os prevêem: a CSLL deveria ter sido introduzida em substituição ao IRPJ e o Brasil deveria ter notificado a Dinamarca e a Espanha acerca da criação da CSLL para aplicação do TDT a ela; o primeiro argumento não se sustenta inicialmente em virtude de o dispositivo prever a aplicação dos tributos posteriores criados em adição ou substituição a um dado tributo sobre a renda existente à época da negociação e celebração do TDT; diante do contexto históricolegislativo brasileiro é possível sustentar que a CSLL constitui uma substituição parcial do IRPJ; com efeito, a CSLL foi instituída para, em razão de sua destinação, custear a seguridade social e onerar a mesma base tributável do IRPJ; o art. 32, “b”, da Convenção de Viena impossibilita a interpretação de que a CSLL não é abarcada pelos tratados celebrados anteriormente à sua implementação na medida em que referido dispositivo veda interpretações desarrazoadas; t) a criação da CSLL, precedida da redução do IRPJ, não resultou na minoração dos tributos incidentes sobre a renda, mas sua majoração, pois tal riqueza é, hoje, tributada à alíquota combinada de 34% entre IRPJ e CSLL; não é razoável interpretar a Convenção no sentido enfraquecer a proteção à dupla tributação: se antes abarcava a totalidade dos tributos incidentes sobre a renda (30% à época de sua celebração e 35% quando da criação da CSLL), hoje, não é admissível que ela seja aplicável apenas à parcela deles (25%), isto é, somente ao IRPJ; u) a segunda condição imposta pelo Fisco, a necessidade de o Brasil notificar os outros Estados Contratantes sobre a criação de um novo tributo potencialmente submetido ao TDT, também inexiste; tal condição, sustenta a Autoridade Lançadora, estaria prevista na segunda parte do art. 2º, § 4º dos TDT, que estabelece que “Estados Contratantes notificarseão mutuamente de qualquer modificação significativa que tenha ocorrido em suas respectivas legislações tributárias (internas)”; basta uma breve leitura da cláusula em questão para constatar que ela não condiciona a aplicação do Fl. 1204DF CARF MF 14 tratado à CSLL à notificação entre os Estados contratantes, pois inexiste qualquer vinculação entre os critérios para a aplicabilidade dos tratados, estabelecidos na primeira parte do dispositivo, e o compromisso de notificar trazido na segunda parte; o compromisso de notificação mútua decorre do fato de as convenções serem norteadas pelo princípio da boafé, ou seja, o princípio segundo o qual os estados contratantes devem observar a razoável interpretação e aplicação do tratado, desde sua celebração até seu término; v) se a República Federativa do Brasil espera proceder com boafé em suas relações internacionais, e, concomitantemente, pretende advogar a tese de que a CSLL não é “imposto” e que, portanto, não é substancialmente semelhante ao “imposto de renda”, ela deveria, em atenção ao dever geral de cautela, notificar seus estados contratantes de TDT a respeito de seu entendimento; no entanto, muito embora saiba, ou devesse saber, que no contexto tributário internacional a destinação de um tributo não é relevante para sua classificação, o Governo Brasileiro mantevese inerte; a par disso, que é descabido se exigir que a abrangência dos TDT à CSLL se dê por meio de Protocolo firmado entre o Brasil e os demais Estados Contratantes, pois os TDT apenas prevêem a necessidade de “notificação”, e, como dispõe o art. 78 da Convenção de Viena, elas serão transmitidas diretamente aos Estados ou ao depositário, se houver, e serão consideradas efetivadas quando do seu recebimento pelo Estado, ou depositário, ao qual foi transmitida; não há que se falar, portanto, na necessidade de um Protocolo entre os países, nada obstante ele possa existir, como sucede em alguns casos. 11. No que diz respeito à amortização do ágio pago na aquisição dos títulos emitidos pelos Governos da Dinamarca e Espanha, argumenta que: Da dedutibilidade das despesas com amortização de ágio a) com relação à dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do valor de R$ 28.442.756,76 relativo às despesas de amortização do ágio pago pela aquisição dos títulos dinamarqueses e espanhóis, argui que os títulos dinamarqueses e espanhóis, à época de sua aquisição, tinham o valor de face, em moeda corrente nacional de R$ 2.259.735.000,00, mas o Impugnante pagou R$ 2.301.215.382,00 por sua aquisição, isto é, com um ágio de R$ 41.480.382,00, o qual passou a ser amortizado conforme a fluência do prazo para liquidação, o que gerou o reconhecimento, no anocalendário de 2010, de despesa de amortização de ágio no valor de R$ 28.442.756,87; os lançamentos da amortização foram realizados a débito nas contas de resultado 71515000302063 (Rendas com Notas da Dinamarca) e 71515000302055 (Rendas com Notas da Espanha), e culminaram no reconhecimento de um resultado no valor de R$ 164.549.588,30; os lançamentos em questão têm como contrapartida as contas de ativo onde registrados os títulos espanhol e dinamarquês, respectivamente 13620991705010 e 13620991706017; b) o Fisco, ao apreciar a documentação apresentada, reconheceu a validade do ágio pago, em virtude de questões mercadológicas, e concluiu que o Impugnante observou as normas contábeis e o regime de competência na contabilização das receitas de juros dos títulos e na contabilização das despesas de amortização do ágio; apesar da correção na contabilização das despesas de ágio, o Fisco entendeu que o fundamento legal apresentado pelo Impugnante para embasá Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.199 15 la não seria suficiente para permitir a dedução da despesa, pois os rendimentos de juros não teriam sido tributados; com efeito, em sede de fiscalização, o Impugnante justificou sua dedutibilidade com base na regra decorrente do art. 324 c/c art. 325 do RIR de 1999; c) ocorre que, para a Autoridade Lançadora, tendo o Impugnante excluído integralmente as receitas dos juros das notas dinamarquesa e espanhola das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (R$ 192.992.345,06), ele deveria ter adicionado a elas o valor equivalente às despesas de amortização de ágio (R$ 28.442.756,76) que impactaram seu resultado. Alternativamente, poderia o Impugnante ter excluído das bases de referidos tributos apenas o resultado líquido (R$ 192.992.345,06 R$ 28.442.757,76 = R$ 164.549.588.30); Da possibilidade de dedução da amortização do ágio na hipótese de as receitas vinculadas ao ativo adquirido com ágio não serem tributadas d) aduz que a amortização do ágio pago pela aquisição dos títulos emitidos pelos governos da Dinamarca e da Espanha foi realizada com base na regra derivada dos art. 324 e 325, I, “c”, do RIR de 1999; o preço pago acima do valor de face nas notas foi ativado para que o Impugnante pudesse reconhecer, ao longo do prazo dos títulos a dedutibilidade dos custos com amortização, o que sequer foi questionado pela Autoridade Lançadora; a ativação das notas e do ágio pago por elas é necessária, pois, em verdade, o preço pago pelo ágio é um direito que irá proporcionar benefícios futuros para o Impugnante, ou seja, os dispêndios do Impugnante decorreram das condições de mercado e contribuíram para a aquisição de um direito que foi incorporado a seu patrimônio e lhe permitiu o auferimento periódico de rendimentos; e) não por outra razão, os títulos adquiridos foram reconhecidos como um ativo, seja pela regra contábil geral de reconhecimento de ativos prevista no Pronunciamento Conceitual Básico (R1) do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (“CPC 00”), ou pelas regras específicas para reconhecimento de ativos financeiros contidas no Pronunciamento Técnico CPC 38 (“CPC 38”); sendo ativos os títulos adquiridos, vêse que o ágio pago por eles equivale a um dispêndio incorrido para sua aquisição e assume, assim, a natureza de custo; a distinção entre custos e despesas é importante pois eles impactam de maneira diferente na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL na medida em que aqueles reduzem, nos termos da lei, a base de cálculo de referidos tributos conforme o passar do tempo de manutenção ou duração do ativo e as despesas têm um efeito imediato no resultado; f) com efeito, os custos incorridos para a aquisição de um bem ou direito podem ser amortizados e deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois sua dedutibilidade está expressamente prevista pela legislação tributária, devendo o contribuinte observar as condições previstas nos arts. 324 e seguintes do RIR de 1999, regras que expressamente autorizam sua dedutibilidade, sendo que o § 4º do referido art. 324 exige que o bem ou o direito deve estar intrinsecamente relacionado com a produção ou comercialização dos Fl. 1206DF CARF MF 16 bens e serviços; além disso, sua amortização está condicionada à limitação temporal, por lei ou contrato, de seu exercício, consoante inciso I, do art. 325 do RIR de 1999 e entendimento esposado no Parecer Normativo CST n° 157, de 1973; g) no presente caso, o Impugnante amortizou o ágio pago na aquisição de títulos emitidos por governos estrangeiros capazes de produzir rendimentos periodicamente, considerados bens (ou direitos móveis) pela legislação brasileira; com relação à regra de que os bens devem estar intrinsecamente relacionados à atividade da pessoa jurídica, devese analisar a função dos títulos adquiridos em face do objeto social do Impugnante, que, de acordo com o art. 3º de seu Estatuto Social, tem por objeto atividade tipicamente bancária, que pressupõe a coleta, intermediação e aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros; por essa razão, a aquisição dos títulos, onde presente a aplicação dos recursos (desembolso para aquisição dos títulos) e a captação (por meio dos juros), está intrinsecamente relacionada à sua atividade; h) no que diz respeito à condição da limitação temporal da existência do direito adquirido, analisando os títulos adquiridos pelo Impugnante, vêse que todos eles têm uma data (maturity date) em que o principal será resgatado e os papéis pararão de remunerar o Impugnante por meio de juros, ou seja, o direito adquirido pelo Impugnante é limitado temporalmente e tem prazo de duração; portanto, verificados os dois requisitos para amortização do ágio pago pelo Impugnante, não há que se questionar a correção do procedimento de amortização, cuja regularidade pressupõe tão somente a observância dos mencionados requisitos contidos nos arts. 324 e 325, I, do RIR de 1999; i) os autos de infração ora impugnados foram motivados pelo argumento de que, se as receitas dos juros não foram tributadas por força da aplicação dos TDT celebrados entre Brasil, Dinamarca e Espanha, o ágio pago (seu custo) para aquisição dos títulos que produziram os juros não poderia ter sido deduzido da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL quando de sua amortização; a autoridade lançadora criou uma condição não prevista nos arts. 324 e 325, I, do RIR de 1999, a interdependência entre o tratamento fiscal dado à receita de juros gerada pelo título e ao custo da amortização do ágio; contudo, a legislação tributária brasileira, para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL, não vinculou a dedução da amortização de um custo ou a dedutibilidade de uma despesa à tributação da receita correspondente; j) José Luiz Bulhões Pedreira já lecionava que três são os requisitos para a dedutibilidade de um custo ou uma despesa: (a) somente são permitidas as deduções expressamente autorizadas na lei: (b) somente são admitidas as deduções necessárias à produção ou percepção do rendimento: (c) somente são permitidas as deduções realizadas no período de determinação da renda ou rendimento; em nenhum momento a legislação tributária brasileira criou um quarto requisito: a tributação dos rendimentos produzidos por um ativo ao qual está vinculado um custo amortizado; k) uma análise sistemática do ordenamento jurídico tributário brasileiro mostra que o legislador, quando quis vincular o tratamento fiscal dado aos custos e despesas ao tratamento da Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.200 17 receita correspondente, ele o fez expressamente, como no caso do PIS e da Cofins apurados na sistemática nãocumulativa (o legislador expressamente determinou a vedação à tomada de crédito na hipótese de a receita a ele vinculada não ser tributada) e da Lei Complementar n° 87/1996, a Lei Kandir, que trata do ICMS (ao autorizar o creditamento do ICMS pago na operação anterior, veda a tomada de crédito caso a mercadoria adquirida seja utilizada em saída não tributada, exceto nos casos de exportação); l) no caso do IRPJ e da CSLL, negar a dedução da despesa de amortização de um custo ou a dedutibilidade de uma despesa com base no argumento de que a receita correspondente não compôs o lucro tributável infringe o conceito de renda previsto no artigo 43 do CTN e delineado pela legislação ordinária, o acréscimo patrimonial; para a sistemática de tributação do IRPJ e da CSLL, o acréscimo patrimonial não diz respeito à tributação, mas à correlação existente entre os custos, despesas e rendimentos da atividade empresarial; a tributação dos rendimentos é um elemento externo à caracterização do acréscimo patrimonial e, por essa razão, não deve ser adotado para fins de condicionar a amortização de um custo ou a dedutibilidade de uma despesa; m) assim, no universo do IRPJ e da CSLL, não há qualquer vedação à dedutibilidade da amortização do ágio na hipótese de ele integrar o custo de aquisição de um ativo cujo rendimento produzido não é tributado pelos tributos em questão em virtude da aplicação de um TDT, razão pela qual o Impugnante poderia ter excluído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o rendimento produzido pelos juros provenientes dos títulos estrangeiros (R$ 192.992.345,06) e o ágio amortizado no período (R$ 28.442.756,76). Do Bis in Idem decorrente da exigência cumulativa de CSLL sobre os juros de títulos públicos e sobre a amortização do ágio pago n) caso seja admitido o argumento de que o ágio não poderia ter sido amortizado, deve ser reconhecida a improcedência dos autos de infração lavrados para exigência da CSLL sobre ele em virtude da ocorrência de bis in idem; além de considerar que o TDT não era aplicável à CSLL e efetuar a glosa da exclusão de R$ 192.992.345,06 da base de cálculo da Contribuição, o Fisco também adicionou a essa base o ágio amortizado no valor de R$ 28.442.756,76 por considerar que os rendimentos de juros levados a resultado teria sido de apenas R$ 164.549.588,30, ou seja, o procedimento fiscal acarretou a majoração da base de cálculo da CSLL em R$ 221.435.101,82, sobre o qual foi lançada a CSLL e multas de ofício e isolada; o) tais exigências não podem prevalecer concomitantemente, pois a revisão da base de cálculo da CSLL, admitindo a correção da não aplicação do TDT para a CSLL, estaria limitada ao valor de R$ 192.992.345.06, que é o valor dos juros auferidos pelo Impugnante; se o próprio Fisco considera que o Impugnante deveria ter excluído Fl. 1208DF CARF MF 18 da base de cálculo da CSLL apenas o valor de R$ 164.549.588,30, ele próprio deveria ter limitado a glosa da exclusão à R$ 164.549.588,30 e adicionado a ela o valor equivalente a amortização do ágio (R$ 28.442.756,76); na verdade, o procedimento correto seria realizar somente a glosa da exclusão de R$ 192.992.345,06 da base de cálculo da CSLL. 12. Também contesta a exigência da multa isolada e de juros sobre as multas de ofício e isolada: Da impossibilidade de exigência da multa isolada a) argumenta que a imposição de multa isolada em conjunto com a multa de ofício configura evidente bis in idem, uma vez que, em última análise, a Autoridade Fiscal está lançando duas multas sobre a mesma infração; com efeito, a multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, foi imposta com base no suposto não recolhimento da CSLL lançada pelo Fisco, enquanto a multa isolada, nos termos do art. 44, inciso II, “b”, da mesma lei foi igualmente imposta com base no suposto não recolhimento desse tributo, devido por estimativa; as multas de ofício e isolada estão sendo cobradas sobre a mesma materialidade e a mesma base de cálculo: o lucro decorrente dos juros remunerados pelos títulos governamentais; não por outra razão, recentemente a CSRF aprovou a Súmula nº 105, pacificando o entendimento de que a multa isolada não pode ser exigida concomitantemente à multa de ofício; b) a proibição de cobrança da multa isolada no presente caso não se baseia apenas na vedação à imposição de duas penalidades sobre a mesma materialidade, mas, também, em decorrência da impossibilidade de lavratura de referida multa quando findo o anocalendário, pois a CSLL recolhida com base em estimativas mensais é mera antecipação da CSLL apurada ao final do ano calendário de forma definitiva; tendo em vista que o tributo antecipado pela sistemática das estimativas mensais deixa de existir com o término do anocalendário e é substituído pelo tributo definitivo, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que já houve aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo; c) após terminado o anocalendário, não há que se falar em exigência de eventual estimativa que tenha deixado de ser recolhida, uma vez que o imposto e a contribuição efetivos já terão sido apurados e quitados; com isso, não haverá base de cálculo para a cobrança da multa isolada, eis que o valor das estimativas supostamente não pagas não mais refletirá a realidade do contribuinte; nesse caso, há apenas espaço para a exigência da multa de ofício, a qual poderá incidir sobre a CSLL que deixou de ser recolhida sob a sistemática do Lucro Real; a suposta falta de recolhimento de estimativas veio ao mundo jurídico apenas com a constituição de ofício do crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL, e não por constatação de declaração de débito de estimativa sem o devido pagamento; como o lançamento de ofício apenas se deu após terminado o ano calendário, não cabe falar em dever de recolhimento de estimativas sobre quaisquer valores lançados de ofício. Ad Argumentandum Da ilegitimidade da incidência Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.201 19 de juros sobre as multas de ofício e isolada d) alega que, nos termos do que estabelece o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias; a multa, por sua natureza, não se presta para repor o capital alheio, mas sim para punir o não cumprimento da obrigação; os juros sim possuem natureza essencialmente indenizatória, incidem no tempo, exatamente para refletir o prejuízo do credor com a privação do seu capital; assim não há como se admitir a incidência de juros sobre a multa, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal; e) os juros não existem por si só e não podem ser aplicados aleatoriamente sobre qualquer evento, pois decorrem de uma obrigação principal, assim como a multa, que só será devida se existir uma obrigação anterior não quitada no prazo legal; os juros não podem incidir sobre a multa, já que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte; a se admitir a incidência de juros sobre multa (ambos previstos em norma secundária), estar seia desvirtuando completamente a natureza e a própria finalidade da norma secundária (que não se volta para si mesma, mas sim para a norma primária); ademais, a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio constitucional do nãoconfisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitantes sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. 13. Ao final, requer que seja dado integral provimento à presente Impugnação, para determinar o cancelamento dos autos de infração ora combatidos, bem como determinar o seu arquivamento em definitivo, como medida de Direito e Justiça; caso o lançamento da exigência seja mantido, pede que ao menos seja afastada a incidência dos juros calculados sobre as multas impostas ao Impugnante. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento deu provimento parcial à manifestação de inconformidade (fls. 804849), nos termos que se seguem. Ágio na aquisição dos títulos Com relação à amortização do ágio pago na aquisição de títulos de dívida pública na determinação da base de cálculo do IRPJ, a DRJ, após longa análise da legislação tributária de regência, bem como em regras contábeis, assim se manifestou: 36. Logo, considerando que os juros são a remuneração pelo uso do capital e correspondem à exata diferença entre o custo de Fl. 1210DF CARF MF 20 aquisição dos títulos financeiros e a receita por eles produzida, e tendo em vista que o ágio pago na compra desses títulos integra o seu custo de aquisição, o encargo com amortização desse ágio, apropriado ao resultado em função da fluência do prazo do título, deve ser deduzido da receita obtida com juros dos títulos da dívida pública de governos estrangeiros, para fins de apuração do valor a ser excluído do lucro real com base em convenção internacional para evitar a dupla tributação. 37. Dessa forma, como a interessada excluiu R$ 249.854.870,75 do Lalur – correspondente ao rendimento bruto dos juros produzidos pelas notas dinamarquesas (R$ 148.320.288,73), espanholas (R$ 44.672.056,33) e coreana (R$ 56.862.525,69) –, quando deveria ter excluído o resultado líquido de R$ 221.412.113,99 – rendimento líquido das notas dinamarquesas (R$ 130.381.240,86), espanholas (R$ 34.168.347,44) e coreana (R$ 56.862.525,69) –, voto por manter a exigência de IRPJ sobre a diferença de R$ 28.442.756,76. Aplicação dos tratados à CSLL No tocante à tributação pela CSLL dos juros advindos dos títulos de dívida pública da Dinamarca e da Espanha, após examinar, com acalentado rigor, o tema da aplicação de tratados à CSLL, bem como analisar os tratados com os respectivos países, a DRJ concluiu que tais diplomas não alcançam a contribuição social sobre o lucro. Lançamento em duplicidade Como o lançamento da CSLL foi realizado com base no valor bruto dos juros auferidos e também foi autuada a exclusão da amortização do ágio no valor de R$ 28.442.756,76, este último valor foi autuado em duplicidade, uma vez que está incluído no primeiro. Logo, deve ser exonerada a tributação da CSLL sobre R$ 28.442.756,76. Desse item, recorreu de ofício. Multa isolada Deve ser aplicada a multa isolada, independentemente da multa de ofício, uma vez que dizem respeito a infrações distintas. Nada obstante, uma vez que foi exonerada parcialmente a autuação de CSLL, isso se reflete na imputação das multas isoladas que devem ser parcialmente exoneradas. Essa exoneração parcial também compõe o recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.202 21 O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 859 a 904, em que reforçou de defesa apresentadas na impugnação nos seguintes aspectos: a) os tratados, por terem sido celebrados antes da instituição da CSLL, aplicamse à referida contribuição; b) o art. 11 da Lei 13.202/2015 é interpretativo e possui efeitos retroativos; c) o contribuinte pe titular de juros excluídos do seu lucro líquido, fato que não foi contestado nem sequer pela autoridade fiscal; d) as despesas com amortização do ágio pago na aquisição dos títulos são dedutíveis, independentemente de as receitas a ele vinculadas serem tributadas; e) as multas isoladas não podem ser exigidas após o encerramento do ano calendário nem em concomitância com a multa de ofício; f) por fim, não podem ser cobrados juros sobre a multa de ofício. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Do recurso voluntário Amortização do ágio na aquisição de títulos da dívida pública da Espanha, Dinamarca É louvável todo o esforço argumentativo da decisão de primeiro grau para obstar as razões trazidas pela defesa contra a glosa da amortização do ágio na aquisição de títulos da dívida de estados estrangeiros, as quais adoto também como razões de decidir. Nada obstante, uma razão bem mais simples é suficiente para chegarmos à mesma conclusão da decisão recorrida. Os tratados para evitar a dupla incidência possuem justamente esse escopo: evitar que determinadas rendas, que possuam elementos de conexão com mais de um território, sofram a tributação por mais de um país. Essa finalidade está no corpo do tratado assinado com Espanha (Decreto nº 76.975, de 2 de Janeiro de 1976) e Dinamarca (Decreto nº 75.160, de 20 de dezembro de 1974). Evidentemente, as disposições desses acordos não visam reduzir a tributação de rendas auferidas internamente em qualquer dos países signatários (ou seja, com elementos de conexão com apenas um dos territórios). Fl. 1212DF CARF MF 22 Pois bem, o que a defesa pretende, por meio de longas considerações, mas que podem ser claramente sintetizadas assim: é a redução da tributação nacional por meio da amortização de ágio empregado para auferir receitas externamente obtidas. Ora, os juros nominais pagos na aquisição dos títulos de dívida pública alienígena não são propriamente as rendas auferidas; são as receitas. As rendas são a diferença entre os juros e os custos para a sua obtenção. É essa diferença que é protegida pelos tratados. Os tratados, reiteramos, não são destinados a evitar a tributação de receitas. São dirigidos para evitar a tributação da renda, que é o resultado do confronto entre receitas e despelas. Um exemplo didático demonstra claramente o que aduzimos. Vamos supor que uma empresa compre produtos no mercado brasileiro e vende também esses produtos no mercado nacional. Nenhuma da suas operações é realizada com o exterior. No cotejo entre receitas de, supostamente R$ 1.000,00 (mil reais) com despesas e custos de R$ 800,00 (oitocentos reais), ela obterá um lucro de R$ 200,00 no período, o qual evidentemente será alcançado pela tributação brasileira. Nada obstante, no mesmo período a empresa também adquiriu títulos estrangeiros no valor de R$ 2.000,00. Tais títulos, porém, possuem valor de face de, digamos, R$ 1.800,00, os quais serão amortizados (pagos efetivamente) no período de vigência da dívida Para fins ilustrativos, vamos supor que a vigência é de 2 (dois) anos. Assim, receberá como amortização do valor principal R$ 900,00 no primeiro ano e mais R$ 900,00. Notese que no período de vigência terá uma perda de R$ 200,00 (diferença entre os R$ 2.000,00 pagos e o valor de face de R$ 1.800,00). Afinal, pagou pelos títulos R$ 2.000,00, mas recebeu apenas R$ 1.800,00 correspondente ao valor de face. Pois bem, esse valor a maior pago inicialmente é o chamado ágio e corresponde, no exemplo, aos R$ 200,00. Mas por que alguém pagaria R$ 2.000,00 por algo que receberá apenas R$ 1.800,00? Simplesmente porque a operação não se resume a isso. Recebese também os juros. Ainda a título ilustrativo, se o valor dos juros no período de dois anos forem R$ 600,00 (R$ 300,00 por ano), podemos perceber que a empresa terá desembolsado R$ 2.000,00, mas recuperado R$ 1.800,00 e obtido R$ 600,00. No total, terá ganho R$ 600,00? Claro que não! Afinal, seu resultado positivo corresponderá, em dois anos, ao que recebeu (o valor nominal dos títulos de R$ 1.800,00 mais os juros brutos de R$ 600,00) menos o que gastou (o efetivo gasto para a aquisição dos títulos no valor de R$ 2.000,00). Ou seja, terá ganho R$ 400,00 (R$ 1.800,00 + R$ 600,00 R$ 2.000,00). Esse valor é exatamente o mesmo que corresponde à diferença entre os juros brutos (R$ 600,00) menos a amortização de ágio do período (R$ 200,00 = R$ 2.000,00 R$ 1.800,00). Tais operações de aquisição de títulos, para um dos dois anos corresponderão à metade dos seus valores. O lucro bruto será de R$ 300,00, enquanto a amortização de ágio será de R$ 100,00 que representa uma conta de despesa. Nesse caso, como ficaria o resultado completo da empresa? Vejamos: Receitas internas = R$ 1.000,00 Despesas e custos internos = R$ 800,00 Receitas com juros brutos na operação internacional = R$ 300,00 Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.203 23 Amortização do ágio = R$ 100,00 Logo, Total das receitas = R$ 1.000,00 + R$ 300,00 = R$ 1.300,00 Total das despesas = R$ 800,00 + R$ 100,00 = R$ 900,00 E assim Lucro do período = R$ 1.300,00 R$ 900,00 = R$ 400,00 Desse modo, se for excluído os juros brutos, o resultado final tributável internamente será de: R$ 400,00 R$ 300,00 = R$ 100,00 Ou seja, um resultado das operações internas de R$ 200,00 é reduzido para R$ 100,00, quando introduzimos a operação com títulos externos da forma como a defesa pretende. É evidente que um tratado para evitar a dupla tributação de rendas com elementos de conexão não pode comprometer o resultado das operações integralmente realizada no Brasil. No exemplo, a diferença entre os R$ 200,00 de lucro interno e de R$ 100,00 do lucro aferido da forma como a defesa milita é justamente os R$ 100,00 da amortização indevidamente aproveitada pelo sujeito passivo. Seu erro foi considerar que os lucros brutos recebidos são exonerados pelos tratados, quando os tratados apenas evitam a bitributação da renda que é fruto desses lucros brutos menos todos as despesas para serem obtidos. Do contrário, exoneramse rendas obtidas nacionalmente, que não são abarcadas pelo tratado. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto a esse item de autuação. Da aplicação dos tratados na tributação da CSLL Sobre o tema dos tratados para evitar a dupla tributação da renda serem aplicáveis à CSLL e, especificamente, acerca do alcance da Lei nº 13.202/15, a DRJ assim se manifestou, in verbis: Lei nº 13.202, de 8 de dezembro de 2015 77. Após a lavratura dos autos de infração de IRPJ e CSLL em análise foi editada a Lei nº 13.202, de 8 de dezembro de 2015 (conversão da Medida Provisória nº 685, de 21 de julho de 2015), cujo artigo 11 dispôs que, para efeito de Fl. 1214DF CARF MF 24 interpretação, os acordos e convenções internacionais para evitar a dupla tributação da renda abrangem a CSLL: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Parágrafo único. O disposto no caput alcança igualmente os acordos em forma simplificada firmados com base no disposto no art. 30 do DecretoLei no 5.844, de 23 de setembro de 1943. (Grifouse) 78. Consta do Parecer nº 90, de 2015, da Comissão Mista de Deputados e Senadores, na análise da Medida Provisória nº 685, de 2015, antes da votação pelo plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a justificativa de que a CSLL deve ser considerada incluída nas regras que afastam a dupla tributação para evitar a alegação de que o Brasil descumpre os acordos internacionais para evitar a dupla tributação da renda: Acordos internacionais para evitar dupla tributação da renda Inserimos no PLV dispositivo interpretativo com objetivo de deixar claro que os tratados e as convenções internacionais celebrados pela República Federativa do Brasil, destinados a evitar dupla tributação da renda, também abrangem a CSLL. Como se sabe, existem dois tributos federais que oneram o lucro das empresas: o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a CSLL. Sem a norma interpretativa a que fizemos referência, pode ser alegado que o Brasil descumpre acordos internacionais, pois a RFB deverá cobrar a CSLL devida pelas companhias estrangeiras que auferirem lucros no País na hipótese de o tratado ou convenção prever expressamente apenas o IRPJ. A inadequação da cobrança da CSLL pode ficar mais evidente na hipótese de tratados e convenções internacionais firmados antes da instituição da referida contribuição, efetivada pela MPV nº 22, de 6 de dezembro de 1988, posteriormente convertida na Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Assim, de sorte a evitar que os tratados e as convenções internacionais sejam considerados descumpridos pelo Brasil, propomos o acolhimento do texto que, para efeito de interpretação, considera inserida a CSLL nos acordos que afastam a dupla tributação da renda. (Grifouse) 79. Contudo, não há como se aplicar, indistintamente, a todos os acordos internacionais celebrados anteriormente à edição da Lei nº 13.202, de 2015, o entendimento de que as regras para evitar a dupla tributação da renda também se aplicam à CSLL. 80. A norma interpretativa não deve alterar qualquer conteúdo ou elemento da norma interpretada, deve apenas traduzir o seu significado e dirimir eventual dúvida acerca de sua aplicação, razão pela qual produz efeitos retroativamente, desde a edição na norma interpretada, conforme disposto no inciso I do artigo 106 do CTN (a lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados). 81. A norma que altera o sentido, o conteúdo ou o alcance da norma interpretada não estará interpretandoa, mas modificando a regra nela prevista, hipótese em que sua aplicação fica restrita aos casos futuros, em conformidade com o artigo 105 do CTN (a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.204 25 futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116). 82. No caso em exame, verificase que o artigo 11 da Lei nº 13.202, de 2015, tem inegável natureza modificativa de direitos, pois, conforme já relatado nos tópicos anteriores do presente voto, os Estados Contratantes que tiveram efetiva intenção de incluir a CSLL na regra para evitar a dupla tributação fizeram constar previsão expressa nesse sentido nos respectivos tratados internacionais. Assim, se inexiste qualquer referência à CSLL nos tratados internacionais é porque os Estados Contratantes simplesmente optaram por não incluila na regra contra a dupla tributação, razão pela qual dos mais de vinte acordos bilaterais celebrados pelo Brasil desde a instituição da CSLL pela Lei nº 7.689, de 1988, apenas os firmados com Portugal, Turquia, Trinidad e Tobago e Reino Unido prevêem a inclusão da CSLL na regra para evitar a dupla tributação. 83. Mesmo nos casos de tratados internacionais celebrados anteriormente à instituição da CSLL tal intenção devia ser obrigatoriamente materializada mediante notificação de sua instituição pelas autoridades competentes dos Estados Contratantes ou alteração dos correspondentes tratados internacionais, a exemplo do ocorrido com a Convenção Adicional Alterando a Convenção entre o Brasil e o Reino da Bélgica para Evitar a Dupla Tributação. 84. Destaquese que a própria contribuinte auferiu juros provenientes de títulos emitidos pelo Governo da Coréia no anocalendário de 2010, mas aplicou o tratado internacional apenas para o IRPJ e ofereceu a receita correspondente à tributação da CSLL, porquanto na convenção concluída com aquele país, promulgada pelo Decreto nº 354, de 1991, a CSLL não estava compreendida nos impostos visados pela regra contra a dupla tributação. 85. Reiterese que a própria RFB, por meio da Nota Técnica Cosit nº 41, de 2011, já expediu orientação no sentido de que os tratados internacionais para evitar a dupla tributação devem conter previsão expressa em seu texto para serem aplicados à CSLL. 86. Logo, o artigo 11 da Lei nº 13.202, de 2015, a pretexto de interpretar os acordos internacionais firmados pelo Governo do Brasil, inovou no plano normativo e conferiulhes, na verdade, um novo sentido e alcance, de modo que materialmente não se enquadra como lei interpretativa. 87. Dessa forma, entendo que a norma contida no artigo 11 da Lei nº 13.202, de 2005, somente produz efeitos para os fatos geradores ocorridos após a sua publicação, em 09/12/2015. Os conceitos de norma interpretativa e de norma modificativa são opostos e excludentes. Se uma norma é interpretativa, nada inova, mas apenas expõe com maior clareza o sentido de um texto normativo preexistente. Se a própria lei aduz que possui o caráter interpretativo, afirmar que, em verdade, a sua índole é modificativa, significa rejeitar a própria lavra do legislador, o que corresponde a um efetivo controle de constitucionalidade com redução de texto, algo que foi claramente feito pela DRJ na passagem acima reproduzida. Fl. 1216DF CARF MF 26 É por essa razão que a rejeição do caráter interpretativo do art. 3º da Lei Complementar 118/05 exigiu controle de constitucionalidade e possibilitou à objeção formulada perante o Supremo Tribunal Federal no RE 566621, julgado em 04/08/2011, cuja ementa transcrevemos abaixo: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Vale ainda consignar que o controle de constitucionalidade com redução de texto é aquele que atribui significado ao texto legal por meio da rejeição de parte da sua redação (repitase: o que foi feito pela DRJ ao negar o caráter interpretativo da dicção legal). Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 16327.720511/201593 Acórdão n.º 1401002.008 S1C4T1 Fl. 1.205 27 Esse controle se diferencia do realizado sem redução ou meramente conforme a Constituição, o qual corresponde à escolha, dentre possíveis opções interpretativas, daquela que o exegeta considera compatível com o texto supremo. O primeiro tipo de controle, ou seja, com redução, não é da competência das autoridades administrativas. Neste Colegiado, já se pacificou a impossibilidade de controle de constitucionalidade por meio da Súmula CARF nº 2º "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Apesar do seu singelo texto não fazer referência aos dois tipos de controle, evidentemente, a súmula é aplicável ao promovido com redução de texto por ser o mais severo ao afastar o próprio exercício do poder legislativo. Ainda que possamos considerar que, no mérito, a decisão recorrida possui fortes fundamentos, não podemos deixar de considerar que, na forma, extrapolou sua competência decisória e seguir seus fundamentos corresponderia a desrespeitarmos a acima citada Súmula CARF nº 2º, de aplicação vinculada. O artigo 11 da Lei nº 13.202, de 2015 expressamente determina a interpretação dos tratados para evitar a dupla tributação da renda para abarcar a CSLL. Esse dispositivo propaga os efeitos próprios das regras interpretativas, os quais são reconhecidos, não só pela doutrina jurídica nacional, mas também, na seara tributária, pelo art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, abaixo reproduzidos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Dessa forma, uma vez que os juros recebidos pela aquisição de títulos da dívida pública da Espanha e da Dinamarca não são tributados pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica por força dos tratados celebrados pelo Brasil com estas nações, algo não contestado sequer pela autoridade fiscal, também não podem ser tributados pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por força, ao menos, da aplicação retroativa do art. 11 da Lei nº 13.202/15. Esse entendimento foi recentemente adotado, por unanimidade, pela Câmara Superior de Recursos Especiais, conforme AC nº 9101002.598, de 15 de março de 2017, cuja ementa abaixo reproduzimos: CSLL. ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO. ABRANGÊNCIA. Os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Efeitos retroativos da Lei n. 13.202, de 8.12.2015, expressamente interpretativa. Dessa forma, deve ser afasta a autuação de CSLL relativamente à exclusão de valores da base de cálculo ajustada da CSLL, conforme relatado no item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal, bem como as multas isoladas correspondentes; vale dizer, deve ser integralmente afastado o auto de infração lavrado às fls. 268276. Fl. 1218DF CARF MF 28 Multas isoladas Afastamos acima integralmente o auto de infração de fls. 268276, o único em que havia o lançamento de multas isoladas. Nos dois demais autos de infração de fls. 278285 e 286293, não foram lançadas multas isoladas. Logo, como a imposição punitiva já foi integralmente afastada em razão do provimento integral pela exoneração da sua base de incidência, os argumentos específicos dirigidos à multa ficam prejudicados. Do recurso de ofício A DRJ afastou a autuação relativamente à exclusão da amortização do ágio por causa de este item já estar incluído no lançamento da CSLL, de fls. 268276, que adotou como fundamento a não aplicação dos tratados, pois havia adotado como base de cálculo o montante bruto dos juros e não o líquido já deduzida a amortização. Pois bem, uma vez que afastamos integramente a autuação de CSLL sobre os juros brutos, deixa de existir a dupla tributação que serviu de fundamento da decisão recorrida. Impõese, assim, que seja mantida a autuação relativa à exclusão indevida da amortização de ágio da base de cálculo da CSLL, ou seja, deve prosperar o auto de infração lavrado de CSLL às fls. 286292, pelos mesmos fundamentos da manutenção do alto de infração de IRPJ sobre a referida amortização do ágio. Conclusão Voto, pois, para dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de exonerar o auto de infração de fls. 268276 e para dar provimento integral ao recurso de ofício para restabelecer o auto de infração de fls. 286293. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.720445/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São tributáveis os rendimentos recebidos de pensão alimentícia se não comprovados, nos termos da legislação, os requisitos indispensáveis para gozo da benesse fiscal relativa à isenção para portadores de moléstias graves.
Numero da decisão: 2201-003.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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MOLÉSTIA GRAVE. São tributáveis os rendimentos recebidos de pensão alimentícia se não comprovados, nos termos da legislação, os requisitos indispensáveis para gozo da benesse fiscal relativa à isenção para portadores de moléstias graves. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 25/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 72 04 45 /2 01 4- 41 Fl. 53DF CARF MF 2 Trata o presente da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo ao exercício de 2013, fl. 09 a 13, pela qual a Autoridade Administrativa, em sede de Malha Fiscal, identificou a infração à legislação tributária abaixo descrita (fl. 11): a) Omissão de rendimentos, recebidos de Saturnino Alves de Moura, no valor de R$ 23.599,49. Ciente do lançamento em 27 de junho de 2014, fl. 20, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 02, onde alega que os rendimentos considerados omitidos são relativos a pensão alimentícia. No julgamento de 1ª Instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgou improcedente a impugnação, fl. 30/32, por entender que a peça impugnatória e os documentos apresentados apenas ratificam a natureza de pensão alimentícia dos rendimentos recebidos, os quais devem integrar a base de cálculo do IRPF. Ademais, afirma a Autoridade de 1ª Instância que contribuinte não aduziu matéria capaz de alterar o lançamento. Ciente do Acórdão da DRJ em 26 de janeiro de 2016, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 40/41, no qual apresenta os motivos que entende lastrear sua convicção sobre a isenção dos rendimentos recebidos a título de Pensão. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. No Recurso Voluntário apresentado, o recorrente alega que goza de direito à isenção de IRPF, conforme benefícios reservados pela Lei 7.713/88, por ser portador de cardiopatia dilatada, hipertensão arterial, arritmia cardíaca e insuficiência coronariana crônica, juntando os documentos que entende suficientes ao deferimento do seu pleito, fl. 45 a 49. Vale destacar que não constam dos autos sequer a confirmação em relação à natureza de rendimentos de pensão dos valores recebidos de Saturnino Alves de Moura, já que o único documento inserido no presente é um recibo emitido pela própria recorrente acostado às fl. 08. Não obstante, a análise das demais informações disponíveis nos sistemas da RFB, em particular aquelas contidas no Dossiê de Malha nº 10100.006605/041497, evidencia que, de fato, os rendimentos decorrem de pensão alimentícia homologada nos autos do processo judicial nº 002211938.2010.8.19.0021. A não tributação dos valores recebidos a título de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portadores de doenças graves, encontrase expressa nos incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), abaixo transcritos: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...). Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13746.720445/201441 Acórdão n.º 2201003.927 S2C2T1 Fl. 54 3 XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...). § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Sobre o tema, dispõe a Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A análise dos laudos médicos apresentados em conjunto ao Recurso evidencia que os mesmos foram emitidos pelo Dr. Anibal Prata Barbosa, sem nenhuma indicação de que o documento esteja relacionado a serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Pelo contrário, em fl. 45 é possível identificar o endereço do profissional (rua Major Frazão, bairro 25 de agosto, Duque de Caxias/RJ), o qual corresponde aos endereços de atendimento particulares identificados mediante consulta à Rede Mundial de Computadores (Internet), conforme abaixo (http://www.catalogo.med.br/c/rj/duquede caxias/apb+clinica+cardiologicae686845.htm): Fl. 55DF CARF MF 4 Desta forma, concluise que os elementos disponíveis nos autos não indicam o cumprimento dos requisitos previstos na legislação para gozo do benefício pleiteado. Assim, considerando ainda a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 ( CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo que não há reparos a serem feitos na Decisão de 1ª Instância, tampouco no lançamento fiscal. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento, devendose manter a exigência em sua integralidade. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.003678/2005-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: M POST. 0 SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - I RPJ
Ano-calendário: 2000
DECADENCIA - AUSINCIA DE PAGAMENTO
A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4" do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo . Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173, I, do CTN .
OMISSÃO DE RECEITA - PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO
A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado corn recursos provenientes de receitas omi lid as.
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS MIA ORIGEM NÃO FM COMPROVADA
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito OU de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados,
TRIBUTAÇÃO REF' „FAA - CSLL, ITS e CORNS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolata.da. no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula,
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2000
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA
Ind& o imposto de Renda, exclusivamente na fonte, sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a benelieiãrio não identificado ou sem causa.
Numero da decisão: 1802-000.781
Decisão: Acordam Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatário e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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ementa_s : M POST. 0 SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - I RPJ Ano-calendário: 2000 DECADENCIA - AUSINCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4" do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo . Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173, I, do CTN . OMISSÃO DE RECEITA - PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado corn recursos provenientes de receitas omi lid as. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS MIA ORIGEM NÃO FM COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito OU de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, TRIBUTAÇÃO REF' „FAA - CSLL, ITS e CORNS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolata.da. no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula, ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2000 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA Ind& o imposto de Renda, exclusivamente na fonte, sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a benelieiãrio não identificado ou sem causa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:10:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:10:05Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:10:06Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:10:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:24a430e6-841f-4a0e-a912-55d3b105478a; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:10:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:10:06Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:10:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:10:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:10:05Z; created: 2011-03-10T13:10:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2011-03-10T13:10:05Z; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:10:05Z | Conteúdo => S I -TE02 1.1. 413 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SE0,0 DF, JULGAMENTO Processo n" 13884.003678/2005- I 9 Recurso n" 501.505 Volunttfu io Acórdão n" 18(12410.781 — 2" Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2011 Matéria IR.P.I E ourRos R ecorrente MILLION TOP - EMIT EENDIMENTOS IMOBILI ÁRIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida 4Tt IRMA/DRI-CAMPINAS/SP ASSUNTO:M POST. 0 SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - I RPJ Ano-calendário: 2000 DECADENCIA - AUSINCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4" do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo . Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173, I, do CTN . OMISSÃO DE RECEITA - PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado corn recursos provenientes de receitas omi lid as. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS MIA ORIGEM NÃO FM COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito OU de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, TRIBUTAÇÃO REF' „FAA - CSLL, ITS e CORNS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolata.da. no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula, A SSUNTO: M POSI O SOBRE A RENDA RE !ID° NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2000 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA 1 _ Ester Marques-Iins de Sousa - Processo n" 13884.003678/2005-19 SI-1E02 Acórffio n " 1802-00.781 1-1 414 Ind& o imposto de Renda, exclusivamente na fonte, sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a benelieiãrio não identificado ou sem causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, cm negar provimento ao recurso, nos termos do relatár4J e voto que integram o presente julgado. • 77z ze- 1( s6 de Oliveira Ferraz Correa Relz ril 20H - k Participaram da sessão julgamento os conselheiros: Bier Marques Fins de Sousa, João Francisco Bianco, Jose de Oliveira Ferraz Con6a, Edwal Casoni de Paula Fernandes Turrior, Nelso Kiehel e drc,' Almeida Blanco.. EDf I ADO 147 Process.° 11`' I 3M4 00307S/2005-19 E02 AcórcF,io n 0 1802-011.781 H 415 Relatório -frata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de , julgamento em Campinas/SP, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica IRPJ, a Contribuição para o Programa d.e Integração Social — .PIS, a Contribuição Social sobre o I-Liao Liquido - CSLL e A. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, conforme autos de in fração de fls. 249 a 286, nos valores de R$ 11.816,38, R$ 6.4 -15,50, R$ 11..297,40 e R$ 29.610,46, respectivamente, incluindo-se nesses montantes a multa de oficio de 75% e os juros moratorios. Houve também lançamento a titulo de IR. fonte, no valor total de R$ 81675,16, também incluídos a. multa de 75% e os juros moratórios. A decisão recorrida, Acórdão IV 05-26.097 (li s. 371 a 382), descreve os fundamentos contidos nos autos de infração: IRPJ "001 - OMISSÃO DE RECEITAS DA Ain/MADE, - A PARTIR DO AC 93 OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de Receita caracterizada pela ocorrência de falta de escrituração de pagamentos efetuado.';, cent tine demonstrado a seguir - 0 contribuinte foi intimado em 18.08.0.5, através do Termo de Intima cão Fiscal 05 MPF 282/03 (fls. 208), item 4 e 5, a infOrmar a data e a apresentar a comprovação do pagamento do contrato de má/ao n° MU-217 (copia à 11 129) no valor de R$ 200..510,00 Ern sua resposta (tl 211, item 4 e .5) o contribuinte confirma a liquidação do empréstimo cm .28..12.2000, acrescentando que, por erro contábil, o empréstimo e o pagamento 'joram con siderado.'; como depósito ou saque bancário, tendo como contrapartida a conla Caixa, cujo saldo era suficiente para suportar tais lançamentos". No entanto, verifica-se que não hOuve o lançamento em contrapartida à conta Cairn, pois em análise ao dia 31..10.00, data do recebimento do empréstimo, consta histórico de cheques sacados na data conforme estrato no valor de R$ 110.400,00 e depósitos efetuados na data no valor de 17$ /11.6/8,48 (tl. 240) e no dia 28.12.00, data do pagamento do empréstimo, não consta histórico de depósitos efetuados (fl. 241). Para melhor entendimento da utilização do valor recebido como empréstimo, efetuou-se a análise do extrato bancário no dia 31.10.00 e verificou-se que foram sacados junto a CFF, agência $51, conta 24..130-3 ('1. 70) os cheques n° 335 de R$ 70.794,32 Processo n" 13884 003678/2005-19 S1 -TE02 Acórd5o n° 1802-00.781 Fl 416 e 336 de R$ 90 317,68 (fl 79v), perfazendo mu montante dc R$ 161.112,00, dos quais foram utilizados como telbrço de caixa, conforme escrituração conta Caixa, o valor de R$ 110400,00 e que falam compensados os cheques a' 33.3 e 334 para pagamento (10 Banco Royal (11 79v) Lin 28.12.00, pela análise do Livro Diário (11s. 246), não há escrituração do pagamento do principal devido ao Banco Royal e registrado como recebido integralmente no contrato de mátuo MU-2I7 Ass* pela não escrituração contábil de pagamento efetuado conclui-se que foram utilizados recursos mantidos a margem da contabilidade ficando caracterizada a otnissão de receita corifbt me determinado pelo art 281, inciso II, do Decreto 3 000/99, no valor do pagamento eletuado Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(tí) 31/12/2000 .113 200 510,00 75,00 Enquadramento legal - Art 24 da Lei n" 9.249/95. 281 e 288, do RIR/99„ Art. 528 do .RI1?/99. 002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS Ni0 CONTABILIZADOS Valor r0 -.rente a depósitos e investimentos', realizados /unto a instituições linanceiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, 100 comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lou análise aos extratos bancários das contas-corrente n" 00.3..00024130-3 e no 003 00024.417-0, agência 351 da Caixa Econômica Federal vlst 32 a 95),verif icou-se a existência dc depósitos bancários cuja escrituração coniábil do recebimento dos recursos milizados nas operações' identificada 1/OS livro.s diário e caixa, con/brine compilação a .seguir /7 TM DATA 31 01 2000 VALOR R$ 81 985,00 CONTA - 24.130-3/1 37v 2 02.03 2000 R3 2.200,00 24.130-3/1 44 0.3.03.2000 R$ 82 897,00 24.130-3/1 44v 4 18 05 2000 R$ 4 539,71 24.130-3/i. 58 5 04.09 2000 R$ 2.400,00 24.471-011 8.9 6 04 12 2000 • .1.13 2.786,88 24471-0 fl 95 A escrituração contábil encontrada no livro diMio aos lançamentos das contas banco (débito) e caixa (crédito), coin histórico "depósitos efifitado.s ri/ data, coi?f. extrato" (fls..242 245). Não !brain identificados os lançamentos correspondentes Processo n" I 3884 C03678/2005-19 s 1 - -I 11:02 Acórd5o 1802-00.781 Fl 417 aos recebimcntas (testes recursos na coma caixa (ou no livro diário). Vale ressaltat que a movimentação bancária do contribuinte escriturada de forma a transitar peta conta creditando-a quando são realizados depósitos no banco, debitando-a quando são emitidos cheques ou realizados yaque.s Foi constatada movimentação financeira, através dos extratos' bancários apresentados pelo contribuinte sob intimação e pelas informações' dos sistemas internos da SRF, na conta 24.130-3 durante todo o ano-calendário 2000 e na conta 24.471-0 durante os meses de junho a dezembro de 2000.. Não fá, identif icada nenhuma transferência de recursos da conta 24.130-3 para a conta 24 471-0 na data e no valor dos itens 5 e 6 da compilação supra 0.s depósitos recebidos eon/lame itens 2,4,5 e 6 acima firam efetuados através de cheques, Sendo um cheque por depósito. Os depósitos dos itens 1 e 3 finain eftluados em dinheiro. Desta maneira esta fiscalização, através do Termo de Intimação Fiscal 04 MTV' . 282/03 (fix 109), itens 1,3,4,5,9 e 10 intimou o contribuinte a comprovar a or igem dos recursos utilizados nos depositos Em .sua resposta (fls..118), rcf c'l-ente aos itens 2,4,5 e 6 acima (itens 3,4,7 c 8 da resposta apresentada) o contribuinte alega apenas que "o valor DEVIz tratar-se de recebimento de el -loves, cujo paganlento poderia ser parte em dinheiro e park em cheque . no entanto, conforme especificado no l'ermo de Intimação Fiscal 04 t141'1,' 282/03, os depósitos foram todas efetuados através de cheques (um cheque por depósito) e não foi possível identificar a escrituração contábil dos recebimentos. Não foi apresentada nenhuma documentação que comprovasse os recebimentos dos clientes nem sua escrituração contábil, não comprovando, portanto, a origem dos reCtirSOS, con/. Cwme determinado pelo art. 42 da Lei 9.430/96 Fin sua resposta Ws 205), referente aos itens I e .3 acima o contribuinte alega que -08 mesmos tiveram como contrapartida a conta (aim, ciyO saldo era suficiente para suportar tais lançamentos No entanto, em análise ao item I, verificamos- que a conta Caixa (lis. 236) em 31 01 00 tinha um .saldo inicial de R$ 23.067,14, leve créditos de .R$ 22 154,3.3 (27,50 + 34,90 5 2 .16(f70 + 160,80 1 827,43 I 17 325,00 + 612,00) e débitos de RS 2 043,84 (71.5,00 100,00 -I 200,00 + 300,00 + 160,00 + .368,84 200,00), restando um saldo de R$ 2 956,65 Desta maneira, nrio seria possível que o depósito fosse proveniente de recursos da con0 Caixa, além do fitto de que a escrituração con tóbil apresentada não registrar esta operação 5 Processo IC 13884.003678/2005-19 SI - I E02 Ac6rao o 0 1802 -0W781 I 418 Vale ressaltar que os débitos no valor de 86.009,93, escriturados em 31.01.00, não foram considerados como disponiveis cm caixa pois tratam-.se de cheques emitidos para terceiros (f/ s- . 150, 133). .A.s.sim, nao houve comprovação da origem dos recursos utilizados neste depósito. Em analise ao item .3 verificamos que a conta Caixa (fls. 237) em 03.03 00 tinha um saldo inicial de 10 33 252,87, teve (.1 éditos de R$ 4 179,57 (178,26 F 3109,00 + 19,60 1- 190,00 5 9,35 /37,36 + 400,00 1 136,00) e débitos de R$ 1 831,79 (168,68 + 185,00 1 180,00 + 180,00 1- 480,00 1 266,66 + 371,45), restando urn saldo de .R$ 30 905,09 Alem do que a conta Caixa atingiu um saldo de R$ 11 373,98 (lis 238v) em 07.07.00 Assim, qualquer valor que porventura houvestse sido utilizado no depósito do item 3 .superior a R$ 11.373,98 promoveria falia de recursos no Caixa para Os débitos efetuados entre 03 03 00 e 07 07 00, conforme escrituração do contribuinte. Desta maneira, nao seria possivel que O depósito fosse proveniente de recursos da conta Caixa, além do fato de que a escrituração conhibil apresentada nao registrar esta operação Vale ressaltar que os débitos no valor de 86.88.5.09, escriturados em 03.03..00, não fOrani considetados como disponíveis em caixa pois tratam-se de cheques emitidos para tercciros (fly 1.35 e 153) ASSitli, não houve comprovação da origem dos reCili-SOS' utilizados neste depósito Palo Gerador Valor Tributável ou Imposto ¡Millar%) 31/0.3/2000 R$ 2 200,00 75,00 31/03/2000 R$ 82 897,00 75,00 31/03/2000 RS 81..98.5,00 75,00 30/06/2000 RS 4.539,71 75,00 30/09/2000 11$ 2.400,00 75,00 31/12/2000 R$ 2.786,88 75,00 Enquadramento legal: Art 24 da Lei ri° 9249/95, Arts 25 e 42 da Lei n" 9 430/96, arts 249, inciso 11, 251 e paragrrafb ('mico, 279, 282, 287, 288 e 528(10 RIR/99 Nó que se refere a atualizaçao mono& ia e às penalidades aplicaveis, os enquadramento.s legais correspondentes constam dos respectivas' demonstrativo.s de calculo. 1 , (17..em partc integrante do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos' e documentos nele mencionado.s PIS 6 rocesso n" 13884 M3678/2005-10 SI -I E02 Acórdiio n " 1802-09,781 Id 419 "Idcm (10 ÍRP.I Enquadramento legal.- Arts. I' e 3 0 da Lei Complementar n" 7/70, art '21, 2", da Lei a' 9249/95; arts, inciso 1, 8", inciso e .9" da Lei a' 9.715/98; arts. 2" e 3" da Lei n° 9.718/98 " CO PINS "Idem ao Enquadramento legal Art. 1' da Lei Coinplenzentar n" 70/91, art 24, Ç 2 0, da Lei n" 9249/95, arts. 2', 3' e 8", da Lei n" 9.718/98, coin as alterações da Medida Provis4ria n° 1 807/99 e suas rcediOes, com as alterações da Medida Provisõria 1.858/99 e suas reedicões " CSIA , "Mein ao 1R1).1 Enquadtamento legal; Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; arts. / 9 e 24 da Lei n" 9 249/95; art 29 da Lei n"9.130/96; art 6' da Medida Proviso ia n° 1..858/99 e reedições." DIRE 1`001 -- 1 MPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGA/WENTOS A BENEFICIÁRIOS NÁO IDENTIFICADOS/PAGAMENTOS SEM CAUSA Ímportáneias pagas pelas pessoas j-uridicasa beneficiários 12c-10 identificados cortforme exposto a seguir. Em análise aos extratos- bancários apresentados pelo contribuinte identificou-se cheques emitidos por este conforme compik -tOo seguinte.' Item I Data 15.02 00 Valor (11$) 29 700,00 fl 41 2 29.0200 3.503,9911 43v 3 03 03.00 3300,87/1. 44v 4 08 03 00 2604,43 A. 45 5 03 04,00 2 133,1011 50v 6 15.05.00 4.000,00/1.57v 7 15.08.00 2 350,11 fl 69v 8 18.09.00 3 073,7711 73v 9 02.10 00 2 000,00/i 76 10 12 09 00 2 110,69 fl 89v Processo I3M4 00367W2005-19 S1.- I E02 Acimiao 1802-00,781 Fl 420 11 06.1200 2 647,5311 95 0 conn ibuinte foi intimado atraves dos Termos de Intimação Fiscal 04 Mil: 282103 (fls 109), item 11. a apresentar cópia dos cheques e a esclarecer a operação e a causa dos pagamentos. Em sua resposta (11 119), item 11, o contribuinte relata "Otranto aos cheques não identificados, possivelmente se tratam de pagamentos de despesas efetuadas por terceiros, as (puns foram posteriormente reembolsadas Os cheques referidos neste item são os abaixo relacionados e não foram apresemadas suas cópias nem tampouco esclarecida a operação e a causa do pagarnento ham Data Valor (118) 4 08.03.00. 2 604,43/1 - 6 15 05,00 4 000,0011 - 7 15 08 00 2 3.50,11 11 - 10 12 09 00 2 110,6911 - II 06 12 00 2 647,53 It - Na Ines-ma resposta (11.s.. 118), no item 09, o contribuinte apresentou cópia dos cheques. emitidos abaixo relacionados 133 à 188) relatando que referem-se a cheques nominais à Caixa EC0116111ial Federal e que serviram para "pagamentos diversos sem, entretanto, esclarecer a operoção e a causa do pagamento Item Data Valor (R$) 29,02,00 3.503,9911134 030300 3 300,8711 135 03.04.00 21331011 137 8 /8.0900 3.073,7711 145 9 02 10 00 2.000,0011 146 Na mesma resposta, no item 10, o contribuinte apresentou copia do cheque emitido em 15 02.000 (fl. 119 e 189), no valor de R$ 29 700,00 (item I da relação .supra) relatando que refere-se a cheque .sacado junto ao esmbelecimento bancário e utilLado para "pagarriento.s diversos ou como rdineo de eaixa" Wm, entretanto, esclarecer a operação e a causer do pagamento. Verificamos que o cheque está nominal a Julia Mei So,, a própria signatária daquele. Em 18,08.2005, o contribuinte foi reintimado, conforme Termer de Intimação, Fiscal 05 il4PF 282/03 (11s. 208), item 6, a. esclarecer a operação e a causa dos pagamentos efetuados' através dos cheques 1,2,3,.5,8 e 9 acima Em .sua resposta (fls. 211), item 06, 0 contribuinte afirma que o cheque emitido ern ProcesA) n" 13$84 00367812005-19 Si- 11012 Acórchio n 1802-0..781 14 1 421 15 02.00, no valor de R$ 29 700,00 (item 1 da relação supra) fiti sacado como reforço de caixa. No entanto, o cheque fin emitido nominalmente a Julia Alei Su. Na resposta sobre o item 2 acima, o contribuinte relacionou trés pagamentos no valor de R$ 34,90, R$ 2.166,70 e R$ 1 302,39 que teriam sido L.:Ow/dos através deste cheque e seu somatório perfaz o montante de R$ 3 503,99 (lis 215 a 220). NO entanto, não foi apresentada comprovação do pagamento de R$ I 302,39 MaS tao somente cópia de esoitura pública cujo valor cobrado foi de R$ 1 627,14 Na resposta sobre o item .3 acima, o contribuinte relacionou dois pagamentos no valor de R$ 178,26 e R$ 3.109,00 e um saque de R$ 13,61 que leriam sido efetuados atravs desk cheque e seu somatório per/az o montante de R$ 3 300,87 ('f/c. 221 a 226). No entanto, os documentos apresentados comprovam pagamentos no valor de R$ 3.287,26, não coincidentes com o cheque emitido. Na resposta sobre o item 5 acima, o contribuinte relacionou quatro pagamentos no valor de R$ 826,84, R$ 70,00, R$ 58,00 e R$ 178,.26 e um saque de R$ 1 000,00 que teriam _sido efetuados através deste cheque e seu somatório per/az o montante de R$ 2.1.33,10 (11s 227 a 233) No entanto, o.s documentos apresentados comprovam pagamentos no valor de RS 1.133,10, não coincidentes corn o cheque emitido. Na resposta sobre o hell? 9 acima, o contribuinte relatou que o cheque foi utilizado como parte do pagamento de IPTU (f/s. 234 a 235) No entanto, o Val OF pago do 1PTU foi dc R$ .3 455,50, não coincidindo corn o valor do cheque emitido Na mesma resposta não foi apresentada nenhuma documentação sobre o item 8 acima. Desta maneira e poi- força do art 674 da RIR/9.9, ficam sujeitos ao importo de renda retido na fonte, à (diatom! de 35%, os pagamentos efetuados pehts pessoas . jurídicas a berm.1 iciarias too identificados. O ecilculo do rendimento bruto reajustado encontra-se descrito no "Demonstrativo de Reajuste do Rendimento Bruto" «is. 247) Fato Gerador 15/02/2000 Vator Tributável ou Imposto R$ 4.5 692,31 Aluha (%) 75,00 29/02/2000 1/5 ,5. 390,75 75,00 03/03/2000 11$ 5. 078,26 75,00 08/03/2000 1/5 4.006,82 - 75,00 03/04/2000 R$ 3.281,69 7,5, 00 Process° n" I 3884.003678/2005- 9 AcOrelao " 1802-09,781 S1-1E02 Ii 4")2 15/05/2000 1/8 6.153,85 75,00 1.5/08/2000 R$ 3.615,55 75,00 12/09/2000 RS 3,247,22 75,00 18/09/2000 R$ 4.728,88 75,00 02/10/2000 R$ .3.0 76, 92 75,00 06/12/2000 1/5 4,07.3,12 75,00 Enquadramento legal • Art. 674 do R1R/99." Constam também do relatório da deciAo de primeira instancia os argumentos contidos na impugnayilo de ifs. 291 a 304, nos seguintes termos: A interessada foi cientificada dos auto de infiação em 25/10/0.5. Inconformada, a contribuinte apresentou, por intermédio de .seu representante legal, ern 24/11/2005, impugnação de 291/304, acompanhada de documentos de fis. 30,5/350. Após breve resumo dos fatos, protesta, preliminarmente, pela decadência do crédito tributário relativo ao IRRE, lato,s geradores ocorridos até 02/10/2000, visto que o lançamento ocorreu na data de 2.5/10/2005. Fundamenta-se no art. 674 do R1R/99 e art .150, 4', do CIN, bem como na fitrisprudência transcrita Na sequência, salienta que é optante pelo Lucro Presumido, e.stando dispensada, portanto, da escrituração -ass in' sendo, inadvertidamente não dispensou a atenção devida para o registro de .SW0 apuração contábil .junto ao escritório encarregado de sua escrituração, acarretando com is .so uma péssima es-tritura(ão, não somente por contábil, às vezes até "tor despreocupação na formalização da documentação, se preocupando sempte com a existência de .saldo na conta caixa/banco para liquidação de suas obrigações ( ...) " No mérito propriamente dito, inicia pela ()missile de receita da atividade, decorrente da falta de contabilização de pagamentos . fritos ao Banco Royal, relativo ao contrato de mútuo. Informa que o mútuo lei obtido em 31/10/00, no valor de R$ 200.000,00, devidamente creditado na CEP, conforme documentação já aceita pelo Five° corm) comprovação do depo.sito„ já que o empréstimo também não havia sido contabilizado.. E.- continua: "Exemplificando o crédito Bancário (empréstimo) teve como contrapartida a conta caixa, c quando da sua liquidação o lançamento contétbil inverteu-.se , entretanto, frente possibilidade de autuação, o Else° optou apenas e tão somente em registrar a falta de pagamento, esquecendo-se da origem da ausência contábil, qual .s.-(ja, o empréstimo, para comprovar o argilido, junto a presente O contrato MU - 217, daunt() de 31 10.00 (does. 02/05) que comprova o empréstimo, e o crédito 10 Process() ri" I 384 003678/2005-19 St-T.E:02 Acircrio n " 1802-0 0781 Fl 423 junto Caixa Econôtnica Fedeial (doe 06), e a auséncia incsnio em sua esCF ituração original, para um me/hoi entendimento, apresentamos a escrituração de Ibrina correta, onde se comprova a inexistencia da Omissão dc Receita imputada pelo Fisco, confivnie cópia do razão contãbil do Banco Royal (doe. 06) " Passando aos depósitos bancários de origem Mi.° comprovada, alega: "Como constatado pelo Diligente Auditor Fiscal "vale ressaltar que a movimentação bancária do Contribuinte é escriturada de . fiuma a transitar pela C0170 caixa, creditando-se quando são realizados depósitos no Banco, c debitando-se quando .540 emitidos cheques ou realizados cheques ''., ou .seja, a escrituração utilizada 17(10 C COTOÓVel Ott de diticil entendimento, assim imnpugnaremno us depósitos seguindo a. mesma ordem do trabalho fiscal Depósitos nos valores de' i)AJA VALOR EM R$ 02 03..2000 2.200,00 18 05..2000 4„539,71 04 09.2000 2 400,00 04 12 2000 2 786,88 Parece-nos que as Autoridades Brasileiras estão desconeetadas do mundo vibrante, concorrido, e até cm certos casos perigoso, em negócios comerciais no.s dias de hole, sendo vejamos no memento de se consolidar um negócio efetua-se diversas modalidades de negociação, pois, o mais difícil, a venda foi concretizada, quanto ao pagamento aceita-se cheques pré- datados do próprio adquirente e até de terceiros, e como já admitido pelo Fiscal Autuante, OS lançamentos tinham como contraparlida a conta caixa, a qual possula saldo suficiente para tal lançamento Quanto aos depósitos 170,8 valores de R$ 81.985,00 (.. ) ern data de 31.01.2000, e de R$ 82 987,00 em data de 03.03.2000, podemos notar pelo extrato bancário da Caixa Económica Federal (does 7/9) que na mesma (lata dos depósitos existem as emissães de cheques . rt's 0016.5 no valor de R$ 81.226;12 j em data de 31.01.2000 e 00187 no valor de R$ 82.672,03 ( ...), os quais foram objeto de inquirição pelo Fisco e .se conzprovaram como pag.amento de encargos de empréstimo compartilhado com empresa SERVCELL INDÚSTRIA E COMERCIO ETDA., conforme contrato de Mutuo anew (does. 10/12), também . já objeto de auditoria no ano calendário anterior, outrossim, cabe informar que 08 citados pagamentos também não foram lançados em nossa contabilidade ornal Process() n I 3S $4 003678/2005-19 S1-1 E02 Acimido "1802-00..78 I 42 1 Assim fica caracterizada o depósito pela .Mutuaria Set vcell no mesmo dia ern que se emitia cheque da hnpugnante para pagamento de encargos junto ao Banco Royal, ou seja, novamente a contabilização desprezou OS acontecimentos e documentos proporcionando o .surgimento de questionamento de Pica entendimento, mas finnan com origem em Receitas Omitidas, para um melhor entendimento apresentamos razões analiticas da coma corrente Servcell Ltda. (doc.. 13), que comprova o ale,gado, bem cow() cópias dos cheques acima eitado.s, a respectiva quitação junto (10 Banco Royal através de DOC emitido junto à Caixa Econômica Federal, e planilha . financeira do empréstimo (does. 14/21), cabendo ainda esclarecer que as diferenças numéricas de pequena monta entre os valores referem-se a reembolso de CPAIT Otranto ao .Imposto de Renda na lonte .sobre pagamentos a beneficiários não identificado.s e/ou sem causa, defende-.se. - "Cheque n° 000174 Data Valor R$ 15 02 00 29 700,00 0 cheque em questão foi direcionado a Caixa Econômica Federal, para saque como reforço de caixa, porém esqueceu-se de apor o carimbo "Million Top" como favorecido, ja que o me sino encontra-se endossado no verso peht legitima procuradora, o Caixa do Banco, _sem qualquer autorização, anotou O nome (1(1 moma comalavorecida, pela cópia do mesmo (does 22/23), verifica-.se corn meridiano entendimento que se trata de outra leira, sem qualquer participação da autuada ora impugnante„ assim, tal saque jamais poderia ser imputado Beneficiário não Identificado, sofrendo a brutal tribulação do reajustamento da Base de (Aikido Quanto aos cheques de n's 000185 no valor de R$ .3.503,99 (does. 24/25), 000189 no valor de R$ 3.300,87 (does. 26/27), 000204 de R$ 2.133,10 (does. 28/29), 000320 de 11$ 2.000,00 (does. 30/31), verificam-se que os inesmos firram endereçados nominalmente para a Caixa Econômica Federal, para cobertura de pagamentos os quais ern sua maioria cram acompanhados de parte de pagamento em dinheiro em espécie difieultando sobremaneira a composição dos. valores efetivamente quitados, mas afãs/ando definitivamente a Imposição Fiscal de Pagamento Beneficiário não Identificado, prova disto é o cheque n" 000313, no valor de R$ 3.073,71, o qual conseguimos met cá de muito esforço compor iodos seus comprovantes conforme documentação anexa (does 32/45). Quanto aos cheques. não identificados, pelos valores envolvidos, certamente referem-se a adiantamento de despesas ou aquisições, que fin -am contabilizadas pot .SCUS valores integrais, justificado.s pela constatação fiscal de que todos os cheques tinham como contrapartida a conta Caixa " Encerra nos seguintes tem aios 12 Proce3so 13884.003678/2005-i 9 Sizi E02 Acnrao n 1802-00„751 1-.1. 425 "Senhores julgador es, estas ,são U.S reais ocorrencias- proporcionatbs.pela opção "Lucro Presumido", que dispensa Empresa optante da escrituração) contábil, a inadvertida desatenção para o registro dos acontecimentos econômicos na . Iornut contábil, .fazendo .surgir bases imaginárias para incideneia de tributação, assim deve Ser julgado improcedente a totalidade do lançamento, pela pm eliminarargfiida de Decadencia, ben? como .pelos argumentos e provas contidas na presente impugnação, pot - ser de justiça. Como mencionado, a DRJ Campinas/SP considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO.: NORMAS GERAIS DE DII?EITO TRIBUTÁRIO Ano-calendario: 2000 Deeadencia. IRPJ. TRRF. PIS. COFINS. CSLL Afas -tado, por inconstitucional, O prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas a Seguridade Social., a contagemdo prazo decaderwial rege-se pelo disposio no Código Ti -ibutario Nacional A contagem do prazo decadencial previsto no art 150, § 4", do CTN .somente se aplica se . for legalmente atribuído ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o tributo, antes de qualquer procedimento administrativo, e ,.se a conduta legalmente exigida, for comprovadamento implementada, mediante a apuração e o pagamento do impost° apurado como devido, A fá/ia do recolhimento do tribute), bem como da identificação do beneficiário ou da causa do pagamento, implica conduta omissiva por parte da contribuinte, regendo-se o prazo decadencial pela regra prevista no art. 173, 1, do CTN. ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. DE PESSOA JURÍDICA - IREI Ano-calendário - 2000 Oinissão de Receita. Depósitos Bancários de Orio-em não Comprovada. A Lei ri " 9 430, de 1996, cm seu art. 42, autoriza a presunção de Olin5,5ii0 de receita corn base nos valores depositados eon conta bancaria para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos fecursas utilizados nessas operações, Omissão de Receita. Pagamentos não Escriturados. omissão do registro de pagamentos autoriza a presunção legal de que foram efetuados com receitas anteriormente omitidas ASSUNTO IMPOST( SOBRE A RENDA REMO NA FONTE IRRF Processo it 13884 003678/2005-19 S1-1•11:02 Acórd5o ti " 1802-00.781 Fl 426 Ano-calendário 2000 IRRF. Pagamento a Beneficiário não Identificado ou sem Causa. Incide o Imposto de Renda, exclusivamente na !brae, a todo pagamento efiluado pelas pessoas jurídicas a bendiciáiro não identVicado ou sem causa. ASSUNTO. PROCESS() ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário. - 2000 Omissão de Receita. Depósitos Bancário.s de Or igem não Comprovada. Pagamentos não Escriturados.1ributação Rejlexo. PLS'. COFINS. Lavrado o Auto principal, devem tambc'In .ser lavrados os Autos rellexos, nos termos do art. 142, parágrafo imico do MI (lei a' .5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória (Wilde do qual decor -rem. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisilo, da qual tomou ciência em 17/07/2009, a Contribuinte apresentou cm 18/08/2009 o recurso voluntário de Us,. 388 a 405, onde reitera os mesmos argumentos dc sua impugnacilo, conforme descrito nos .nanigrafbs anteriores. Este é o Relatório.. 9. E4 Processo n" 13584_003675/2005-19 Si- I E02 Acórdo ri " 1802-00.78.1 H. 427 Voto Conselheiro Relator, lose de Oliveira Ferraz Correa O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade Portanto, dele tomo conbecimento. Con forme relatado, está sendo questionada a exigência de IRP1 e reflexos por omissão de receitas, que foram apuradas com base em duas presunções legais: - pagamento feito pela Contribuinte a margem da escrituração; - depósitos em sua conta bancária, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, 0 IRRT e a CSLL foram apurados pela sistemática do Lucro Presumido. Também '6 objeto da controvérsia submetida a esse Conselho, a exigência de JR. — Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Todos os fatos geradores ocorreram ao longo do ano de 2000, e o lançamento foi realizado em 25/10/2005. Decadência Quanto à preliminar de decadência„ entendo que não deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4", do Código Tributário Nacional, posto que, conforme ficou consignado na decisão de primeira instancia, não houve qualquer pagamento, ainda que parcial, relativamente aos tributos exigidos. O caput do art. 150 do c.--rN estabelece requisitos (tipicidade) para a inclusdo nesta "modalidade de lançamento", ou melhor, nesta forma de tributação, de onde surgem os seus respectivos efeitos, dentre eles aquele previsto no § 4" (extinção definitiva do crédito pela homologação tácita). Assim, a extinção definitiva do credito tributário pelo § 4" do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, so ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Corn efeito, antes de se inserir no parágrafb, a situação deve estar primeiramente abrangida pelo cap -at do dispositivo legal, segundo um juizo de tipieidade para o caso concreto, Process() n'' 13884.003678/2005-19 S 1.-:LE02 Ai:61115o n 1802•W781 I' I 428 Mas como não houve qualquer pagamento pant a quitação dos tributos em pauta, ainda que parcialmente, a contagem da decadência deve seguir a regra do art. 173, I, do CTN, Para os .latos geradores ocorridos ao longo do ano de 2000, o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado pela Fiscalização esgotou-se em 01/01/2006, Ressalte-se que para os períodos de apuração que não podiam ser lançados no próprio ano de 2000, a data final para o lançamento seria na verdade 01/01/2007. Assim, como o lançamento foi realizado em 25/10/2005, o direito de lançar não se encontrava extinto pela decadência, para nenhum dos tributos envolvidos, Pagamento à mart;ern da escrituração Em relação ao mérito, o primeiro ponto a ser examinado (".: o pagamento realizado em 28/12/2000, no valor de R$ 200,510,00, ao Banco Royal, a titulo de quitação de contrato de mútuo (if 129).. 0 art. 40 da Lei 9.430/19% estabelece como hipótese de presunção legal de omissão de receitas a hdta de escrituração de pagamento efetuado .pelo Contribuinte. No decorrer da ação fiscal, a Contribuinte alegou que, por erro contábil, tanto o recebimento do empréstimo quanto o seu pagamento foram. considerados como deposito ou saque bancário, tendo como contrapartida a conta Caixa, cujo saldo era suficiente para suportar tais lançamentos, mas a Fiscalização, verificando os lançamentos que tiveram como contrapartida a conta Caixa, e confiontando estes lançamentos com os dados dos extratos bancários, concluiu que realmente não houve contabilização do referido pagamento. Nas peças de defesa, a Contribuinte reconhece a deficiência de sua escrituração, mas alega que a Fiscalização optou apenas em registrar a fidta de contabilização do pagamento, esquecendo-se da ausência contábil do próprio recebimento do empréstimo, que daria origem ao questionado valor. Na seqiiência, apresentou a escrituração correta a fim de demonstrar a inexistência de omissão de receita (doe„ 06A — A Delegacia de Julgamento consignou que a escrituração apresentada pela Contribuinte, lb, 31.1, consiste em copia do Razão Analítico, conta 211.0441050-6 (Banco Royal de Investimento S/A), com saldo inicial e final igual a "zero", discriminando o recebimento de empréstimos em févereiro (R$ 30,000,00), abril (R$ 60A)00,00), maio (R$ 130,000,00), agosto (R$ 38.000,00) e outubro (R$ 200,000,00), e os respectivos pagamentos acrescidos dc juros, no ano-calendário 2000. De acordo com a DU, referido documento não comprova, por si só, a existência de saldo em Caixa suficiente para acobertar as operações da pessoa jurídica. conic) alegado na defesa, De fato, a argumentação da Contribuinte não elide a presunção legal estabelecida no art. 40 da Lei 9,430/1996, 0 controle paralelo do recebimento destes empréstimos e dos respectivos pagamentos, a. margem da escrituração contábil original apresentada no decorrer da ação fiscal, indica justamente a subtração de recursos à tributação. E não é razoável pensár que o empréstimo ficou todo o tempo guardado para simplesmente ser devolvido à instituição financeira na data de seu vencimento. 16 Process() n' I 3884 003678/2005-19 Si - E02 Ac6r(4o 1802-00.781 H. 429 O normal é que a empresa , tenha utilizado os recursos recebidos em empréstimo à margem da escrituração, destinando-os para alguma finalidade, e depois quitado o empréstimo .também cam recursos à margem da escrituração, de modo que não foi feita a prova em contrario capaz de afastar a referida presunção legal de omissão de receitas, pelo que as exigências devem ser mantidas em relação a esse primeiro item.. Depósitos bancários sem comprovação de or igem Como registrou a DRI, as empresas optantes pelo Lucro Presumido tunbe.m se sujeitam a. escrituração contábil regular, ficando desobrigadas se mantiverem Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, a teor do art 527 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto IV 3.000, de 26 de março. No presente caso, a Contribuinte, embora desobrigada, logrou demonstrar também a existência dc livro Diário, que foi utilizado pela Fiscalização durante os trabalhos de auditoria. De acordo corn o art. 42 da Lei 9.430/1996, caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta. de depósito .ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa risica ou. jurídica, regularmente intimado, n ão comprove, mediante documentação habit e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações . Quando da análise dos extratos bancários, a Contribuinte -foi intimada a comprovar a origem de valores cuja escrituração dos respectivos recebimentos não foi identificada nos livros Caixa e Diário. Conforme a decisão de primeira instância: Quanto aos depósitos em cheque (R$ 2.200,00, R$ 4 539,71, R$ 2 400,00;e R$ 2.786,88), a contribuinte alegou corresponderem a recebimento de clientes ., .feito parte em cheque e parte em dinheiro, fato nil() confirmado pela . fiscalização, à evidência da constatação de dmositos somente em n cheque e de não ter sido identificada respectiva escrituração nos livros examinadas, além de não for sido apr CS el7 fada a qualquer documentação comprobatória de tal recebimento. Quanto aos dcpósitos ern dinheiro (R$ 81.985,00 e R$ 82.987,00), a contribuinte alegou que tiveram como contrapartida a conta Caixa, cujo .saldo era suficiente para ,suportar tais lançamentos. Tal infOrma(ão TOO foi confirmada pela fiscalização, vista do resultado da análise da conta Cairo, que indicava saldo de R$ 2.956,65 em 31.01.2000, desconsiderados os débitos em Caixa correspondentes a cheques emitidos para terceiros (R$ 86 009,93),- e saldo de R$ 30..905,099 ern 03.03.2000, desconsiderados os débitos em Caixa correspondentes a cheques emitidos para terceiros (12$ 86.885,09), concluindo que ambos saldos, portanto, mostravam- se em valores insuficientes para cobrir u.s depósitos bancários I 7 Process() 13854 .003678/2005- I 9 SI -1 E02 Acónliio n. 1802-00.781 Fl 30 que.stionado.s„ alCin de a escrituracao nao registrar tais• operay3e.s. Em suas peças de defesa, a interessada alega, quanto aos depósitos em cheque, ser comum aceitar cheques pre-datados, do próprio adquirente e ate de terceiros, ressaltando que a escrituração utilizada não é confiavel, ou é de dificil entendirnento No entanto, Conforme também observou a DRJ, a Contribuinte lido logrou comprovar a vinculação dos depósitos bancários ao anterior aceite de cheques pre-datados, mediante documentação hábil e idónea, permanecendo, portanto, inconiprovada a origem dos valores questionados. Quanto aos depósitos em dinheiro, nos 'valores de R$ 81.985,00 e R$ 82,987,00, a Contribuinte pretende demonstrar que eles estão relacionados a um contrato de mútuo firmado junto ao Banco Royal, no valor de R$ 1,417.000,00, e repassado em março de 1999, sob as mesmas condições onerosas e dc pagamento, a empresa Served! Ind. e Cora Lida_ CNPJ n° 01,159.386/0001-41, pessoa jurídica vinculada ir autuada (1ls, 369/370), conforme Contrato de Transferência Parcial de Financiamento, lIs.. 315/317.. A Contribuinte alega que emitiu cheques nas mesmas datas dos depósitos (cheque n" 165, de R$ 81,226,12, e n° 187, de R$ 82,072,03), os quais teriam sido questionados pela Fiscalização, quando se comprovou corresponderem a pagamento de encargos de mútuo (does. 10/12), também não lançados na contabilidade, o (me, segundo o seu entendimento, deixafia caracterizado que os depósitos em dinheiro foram realizados pela mutuaria (Served) no mcsmo dia da emissão dos cheques para pagamento de encargos junto ao Banco Royal. informações: Após analisar os documentos apresentados, a DR1 consignou as seguintes A contribuinte pretende demonstrar que os depósitos questionadas ern spa conta corrente se originam do pagamento do citado Contrato de Transferencia de Financiamento, frito pela empresa vinculada. ifs planilha.s de fls 322 e 326, por outro lado, .siio 'repel/dos e apontain uni mútuo COM o Banco Royal S/A liberado em fiivor da impugnante no valor de R$ 900 000,00 na (him base de 30/12/1999 (R$• 960 203,64 valor bruto), para pagamento em doze parcelas-, vencida a primeira em 31/01/00, no valor de R$ 81 226,10, e a segunda em 29/02/00, no valor- de R$ 82.575,78 (pago R$ 82.672,03 acie.scido de juro.s e multa de mora), tendo .sido pago no ano-calendario de 2000 o total de R$ I 042 245,76 Os cheques de fls. 319/320 e 323/324, bem como os DOC de 11.s. 321 e 325, comprovam .O pagamento feito pela autuada das parcelas 01 e 02 do twilit° por ela contratado junto ao Banco Royal na quantia original de R$ 900 000,00, como acima discriminado, nos valores de R$ 81.226,10 e R$ 82 672,03, Mio podendo .ser vinculado, no entanto, ao Contrato de liansf erencia de Financiamento de fls. .315/317. 18 Process() nn I .3884 00367/2005- 9 ti I - 1 E02 Acórd n 1802-00..781 11 43 I Com efeito, o alegado Con trato de Trans'. erência de Financiamento de fls. 3.15317 aponta dados 08 quais não se coadunam corn as infOrmayies eonstantes- das planilhas de fls. 322 e32Ó, ante as divergênciets verUieadas entre as deltas- de liberação e valores contreitados Realmente, a emissão de cheques pata a quitação de contrato de mútuo firmado com o Banco Royal não foi suficiente para justificar os depósitos em dinheiro na conta bancária da autuada, A DR.1 indica ainda várias outras divergi.Vicias que comprometem a tentativa de vincular os depósitos em dinheiro a um dos empréstimos que foi repassado parcialmente empresa vinculada, mas o principal problema é que não há qualquer prova de que os depósitos em dinheiro foram realizados pela empresa Servcell Ind.. e Com. Ltda. Assim, permanecendo incoinprovada a origem dos valores depositados, devem ser mantidas as exigências Pagamento a beneficiário não identifieado ou scm causa A exigência de IR-fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado OU sem causa encontra respaldo no art. 61 da Lei n" 8.981/1995. Esta in fração também decorreu da análise dos extratos bancários, onde se constatou a emissão de cheques para os quais a interessada foi intimada à apresentar a respectiva cópia e a esclarecer a operação e a causa dos pagamentos.. A Contribuinte, durante a ação fiscal, deixou de apresentar copia dos cheques nos valores de R$ 2.604,43; R$ 4.000,00; R$ 2.350,11; R$ 2.110,69 e R$ 2.647,53, alegando apenas que se tratavam de pagamento de despesas efetuadas par terceiros, as quais teriam sido posteriormente reembolsadas aqueles. I'd em relação aos demais cheques questionados pela Fiscalização, nos valores de R$ 29..700,00; R$ 3.503,99; R$ 3..300,87; R$ 2.133,10; R$ 3.073,77 e R$ 2.000,00, a Contribuinte apresentou a copia dos mesmos, alegando terem sido utilizados para pagamentos diversos ou reforço de caixa, sem, contudo, esclarecer a operação e a causa. Quando novamente intimada, apresentou documentação probatória tida como insuficiente pelo Fisco, por nab coincidirem as despesas COM Os valores dos cheques emitidos. Por ora da impugnação, conforme também consignado na decisão de primeira instancia, a Contribuinte afirmou o seguinte, quanto aos pagamentos em questão: • R$ 29,700,00 - utilizado para reforço de caixa, porém se deixou de apor o carimbo Terp" como . favorecido. Tendo sido endossado pela procuradora, o caixa anotou o nome da mesma, sem qualquer autorização, como favorecida (does. 22/23); • R$ 3 503,99; 11$ 3.300,87; R$ 2.133,10 e R$ 2 000,00 - utilizados pala pagamentos, ern sua maioria, parte espécie, dificultando a composição dos valores ektivarnente quitados (does 2431); 9 Process() n" 13884.003678/2005-19 S.1-1102 Acc"na7io n .1.802 • 00.781 Fl 432 • .R$ 3 073,71 - apresenta a composição de todos as comprovanie..s (does 32/45,), • Demais -f/ice os valores envolvidos, rçfirein-se a adiantamento de despesas ou aquisições, contabilizadas por .seus valores integrais, COM contrapartida a conta Caixa. importante transcrever as conclusões da Delegacia de Julgamento, após analisar cada um dos documentos apresentados pela Contribuinte: Ouanto ao cheque de R$ 29 700,00, conga expressamerue do documento a sua emissão em favor da pessoa fisica ali identificada Quanto à afirmação da contribuinte de que tetia sido utilizado para reforço de Caeca, cm contraposição infOrmação registrada no correspondente documento, qual seta, de ser destinado a especifica pessoa fisica, não pOde ser confiimada, à falta da cópia do livro Caixa demonstrando a entrada do citado recurso, coincidente ern data e rabi, com histórico de lançamento pertinente ao fato alegado. Quanto ao,s cheques nos valores de R$ 3.503,99; R$ 3 .300,87, Ry 2.133,10 e R$ 2.000,00, nada trouxe a contribuinte que as pudesse vincular ao pagamento de despesas legularmente esehturadas A alegação de que parte dos pagamentos »ii feita com cheque e parte em dinheiro, dificultando a composição das despesas, não se aproveita, pois a escrituração comercial se presta, por meio do histórico do lançamento e das contas envolvidas no registro das contrapartidas, justamente a identificar as operações- realizadas pela pessodjuridica„ .seia pela utilização integral ou parcial de recursos via Caixa e/ou Bancos Qualm) ao cheque no valor de R$ 3 073,71, em que pese o eslOrço da contribuinte em reunir a documentação de fls 339/350, na tentativa dc comprovar as despesas que teriam sido pagas corn tal recurso, não se trouxe ao processo a prova da regular escrituração de tais pagamentos mediante a utilização do cheque questionado Quanta aos demais cheques emitidos, 0,5 vials a contribuinte alega referirem-se a adiantamento de despesas ou aquisições, não trazida a prova da regular escrituração pelos valores integrais, com contrapartida a conta Caixa, como alegado na aVé sa . Assim, não restou devidamente demonstrada a causa e/ou os bencficiarios dos pagamentos efetuados, impondo-se„ também aqui, a manutenção da exigéneia como formalizada. Em sede dc recurso voluntário, nenhum dos sólidos fundamentos constantes da decisao de primeira instancia foi refutado, pelo que a decisao recorrida tambémnâo merece repro em relayao a este Ultimo item da autuacao.. 20 Process() ne I 3884.003678/2005-19 S1-11.02 Acórd5o ii " 1 802-00.781 FI 433 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. -- de Oliveira Ferraz Corra 7/f / 21
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101015/2006-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.368
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RITZEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 10 15 /2 00 6- 50 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 9303005.368 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380302.448. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 9303005.368 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 9303005.368 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 9303005.368 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002661/2006-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 66 1/ 20 06 -0 0 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever a matéria tratada nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, apresentado nos seguintes termos: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado, em 20/12/2006, com ciência na mesma data, o auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ — às fls. 167 a 174, relativo ao anocalendário 2001, em razão da apuração de omissão de receitas resultantes de valores não declarados ao Fisco, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 150 a 153), com fundamento nos artigos 186, 187, 188, 189, 199, 281, II, 923, 924, 925, 926 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999), 2 0, § 2% 3% § 1°, alínea "a", 5% 7% § 1% 18, da Lei n° o 9.317, de 05/12/1996, 3° da Lei n° 9.732, de 11/12/1998, 24 da Lei no 9.249, de 26/12/1995. 2. Conforme descrito no Auto de Infração, no Termo de Verificação e demonstrativos anexos, a autuada cometeu as seguintes infrações: 2.1. Omissão de receitas operacionais caracterizada pela constatação de pagamentos efetuados no exterior, não constantes da escrituração, e cujas respectivas origens dos recursos dessas remessas não foram comprovadas através da apresentação de documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores (fl. 172), em montantes que superam os valores declarados e que estão demonstrados mensalmente às fls. 162 a 166. 2.2. Insuficiência de recolhimento decorrente do reajuste das bases de cálculo mensais do Simples informadas na DIPJ anual, às quais são adicionados os valores correspondentes às receitas operacionais omitidas (fl. 173), conforme demonstrativos às fls. 155 a 161. 3. Foram acostados aos autos documentos relevantes para a instrução e compreensão da autuação: 3.1. Ofício no 120/03 — PF/FT/DPF/PR, de 04/08/2003 (IPL 207/98), do Delegado de Polícia Federal ao MM Juiz Federal da 2a Vara Criminal de Curitiba/PR, versando sobre o pedido de quebra de sigilo bancário no exterior, via Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal (MLAT) (fls. 4 a 6). 3.2. Decisão do MM Juiz Federal da 2a Vara Criminal de Curitiba/PR de 14/08/2003, definindo extensão e compartilhamento das quebras de sigilo bancário no exterior, via MLAT (IPL 207/98) (fls. 7 a 12). 3.3. Ofício n° 001/03PF/FT/NY/SR/DPF/PR, de 27/08/2003 (IPL 207/98), do Delegado de Polícia Federal ao DR. Robert Morgenthau, "District Attorney's for the County of New York", solicitando que seja disponibilizada para análise a documentação existente relativa à empresa BHSC (subcontas fls. 13 a 15). Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 4 3 3.4. "Order do Disclose", emitida pela Justiça da Suprema Corte, Judge Renée White, em 29/08/2003 (fls. 16 a 18). 3.5. Informação do "District Attorney of the County of New York", de 09/09/2003, relatando a disponibilidade dos dados da conta "Beacon Hill" no banco JP Morgan Chase Bank (fl. 19). 3.6. Memorandos do Delegado de Polícia Federal aos Peritos Federais Criminais FT/CC5, de 02/04/2004 e 14/04/2004, para emissão de Laudo Pericial referente aos elementos existentes nos arquivos magnéticos relativos às subcontas bancárias administradas pela empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION — BHSC, no banco JP Morgan Chase New York, obtidos com a Promotoria Distrital de Condado de Nova Iorque (fls. 23, 24). 3.7. Decisão do MM Juiz Federal da 2a Vara Criminal de Curitiba/PR, de 20/04/2004, transferindo os dados de quebra de sigilo bancário da Beacon Hill para a Secretaria da Receita Federal (fls. 21, 22). 3.8. Ofício do MM Juiz Federal da 2a Vara Criminal de Curitiba/PR, de 06/05/2004, cientificando o CoordenadorGeral de Fiscalização da SRF acerca da decisão indicada no item anterior (fl. 20). 3.9. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1258/04INC, de 18/05/2004 — do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, demonstrando a consolidação da movimentação financeira de todas as contas e subcontas administradas pela Beacon Hill (Laudo Global — fls. 25 a 31). 3.10. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1614/04INC, de 02/06/2004, do Instituto de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, baseado em mídia computacional sobre a subconta LE MANS CORPORATION, n° 310079, pertencente à conta 6192033 — Beacon Hill no Banco JP Morgan Chase Bank — NY (fls. 32 a 41). 3.11. Representação Fiscal n° 1483/05 (fls. 42 a 87), de 23/02/2005, da CoordenaçãoGeral de Fiscalização da SRF/Equipe Especial de Fiscalização (Portaria SRF n° 463, de 30/04/2004), dirigida ao Superintendente Regional da Receita Federal na 8a Região Fiscal, informando acerca da identificação de operações nas quais vinculouse a interessada, com encaminhamento da seguinte documentação: 3.11.1. Relação/transcrição de campos da mídia eletrônica, com informações das operações em que o contribuinte identificado aparece como ordenante de divisas através da subconta LE MANS n° 310079 (fls. 43 a 66, com 117 registros no período de 11/12/2000 a 26/11/2002, totalizando a importância de US$ 1.828.804,00). 3.11.2. Cópias de ordens de pagamento relacionadas ao contribuinte, referentes às operações relacionadas no item anterior, em que o mesmo aparece como ordenante de divisas através da subconta LE MANS, n° 310079, mantida/administrada no Banco JP Morgan Chase de Nova York por BHSC — Beacon Hill Service Corporation (fls. 67 a 87). Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 5 4 4. Por intermédio do Termo de Início da Ação Fiscal, de 08/11/2006, a contribuinte foi intimada a apresentar, nos termos dos arts. 904, 905, 911, 927 e 928, do RIR1999 (Decreto n° 3.000/1999), no prazo de cinco dias úteis (fls. 92 a 96): 4.1. Livro Caixa, com a escrituração das operações relativas aos anoscalendário 2001 e 2002. 4.2. Comprovação da escrituração, no Livro Caixa, dos recursos financeiros movimentados no exterior, através das contas mantidas no banco "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", conforme valores detalhados no Termo, nos quais a interessada é identificada como ordenante. 5. Acrescentouse, no referido Termo, que caso as operações mencionadas não estivessem escrituradas, devia a contribuinte identificar, através de documentação hábil e idônea, o(s) beneficiário(s) e a(s) natureza(s) da(s) operação(ões) ou a(s) sua(s) causa(s). 6. Completouse o Termo com a indicação de que caso a titularidade dos recursos remetidos/recebidos não fosse do contribuinte, em caso ter operado em nome de terceiros, devia a interessada identificar o real proprietário/beneficiário dos mesmos, juntando documentação hábil e idônea que comprovasse este fato. 7. Finalizouse o Termo com a solicitação para apresentação de esclarecimentos sobre as razões para as movimentações financeiras e outras informações que julgasse necessárias, bem corno informação acerca da declaração dos valores movimentados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. 8. Em resposta, datada de 16/11/2006, a fiscalizada, através de procuradora (fl. 97), anexou cópia autenticada do Livro Diário Geral referente ao anocalendário 2001 (fls. 100 a 133), esclarecendo que "desconhece todos os valores mencionados, não sendo de sua titularidade qualquer valor movimentado no banco "JP Morgan Chase Bank" através da empresa "Beacon Hill Service Corporation"" (fls. 98, 99). 9. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 150 a 153), de 20/12/2006, integrante do auto de infração, foram consignados os seguintes fatos: "MPF n'081900020060026620 Descrição dos Fatos No exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal e em decorrência dos trabalhos da auditoria desenvolvida junto ao contribuinte em epígrafe, verificamos que o mesmo não apresentou quaisquer esclarecimentos quanto aos recursos remetidos ao exterior nos anoscalendário de 2001 e 2002, relativamente às operações discriminadas no Termo de Início de Fiscalização lavrado em data de 08111106. Ao contrário, através de procurador e em documento firmado em 16/11/06, vem a esclarecer que desconhece todos os valores mencionados, não sendo de sua Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 6 5 titularidade qualquer valor movimentado no banco "JP Morgan Chase Bank" através da empresa Beacon Hill Service Corporation. Não obstante alegue desconhecimento, relação anexa à Representação Fiscal n° 1483105 indica sua participação como remete/ordenante de valores ao exterior em 113 (cento e treze) operações (Subconta LE MANS — n° 310079), sendo que em uma delas o beneficiário, pessoa física, é irmão do sócio majoritário Marcelo Salvador Paula, conforme comprova consulta ao Cadastro Pessoa Física: A/C Operações Valor (US$) Beneficiários 2001 59 954.989, 00 ALPHA INTERNATIONAL GROUP 01 20.860, 00 INTCOMEX 01 10.000, 00 PAULA, ROBERTO SALVADOR total 61 985.849, 00 2002 52 808.431, 00 ALPHA INTERNATIONAL GROUP E a referida Representação Fiscal resultou do trabalho desenvolvido pela forçatarefa composta pela Polícia Federal nas suas instâncias investigativas e periciais, Receita Federal e referendado por regular quebra de sigilo bancário deferido pela Justiça Federal do Estado do Paraná. Contou também com o apoio da Promotoria Distrital do Condado de New York que possibilitou o exame da movimentação financeira de 137 contas e subcontas da extinta agência do BANESTADO, vindo a apresentar às autoridades brasileiras mídias e documentos contendo dados financeiros de modo a permitir a identificação dos respectivos intervenientes, pessoa físicas e jurídicas, relativamente às operações da empresa Beacon Hill Service Corporation que atuava por conta daquelas como preposto bancáriofinanceiro junto ao JP Morgan Chase Bank. Tudo conforme consta dos documentos a seguir arrolados, cujas cópias, neste ato, são disponibilizadas ao representante/procurador do fiscalizado: ............... Oportuno acrescentar que o contribuinte, declarante do Imposto de Renda segundo o regime do SIMPLES, estabeleceuse no ramo comercial de equipamentos de informática, partes e peças, em 10/07/2000, a constar como sócio majoritário Marcelo Salvador Paula, CPF 100.585.80808, e foi dissolvido em 22/12/2004, conforme distrato social na JUCESP sob n° 507.9901043. Releva notar também que pesquisa efetuada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, via internet em 05/12/06, não apontou empresas homônimas ou com denominações semelhantes à Express Technology Comércio e Serviços Ltda. Apenas esta, sob NIRE 35216406276, encontrase registrada com a expressão inicial "Express Technology ". Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 7 6 Tendo em vista o quanto acima relatado e considerando que o livro Diário de 2001 apresentado pelo contribuinte não registra escrituração dos pagamentos por ele remetidos ao exterior, procederseá, exofficio, à lavratura dos Autos de Infração destinados a constituir os créditos tributários incidentes sobre os valores das receitas presumidamente omitidas no anocalendário de 2001 (IRPJSimples, PISSimples, CSLLSimples, CofinsSimples e INSSSimples), conforme legislação expressa nos artigos 187, 188, 281 (matriz legal artigo 40 da Lei no 9.430/96), 923, 924 e 925 do RIR11999, a seguir transcritos: Art. 187. As pessoas jurídicas de que trata este Capítulo poderão optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, sujeitandose ao pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições federais relacionados no § 1 ° do art. 3° da Lei n'9.317, de 1996, entre os quais o imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas (Lei n° 9.317, de 1996, art. 3° caput e § 1'1 alínea "a'). § 1' O pagamento na forma deste artigo não exclui a incidência dos impostos ou contribuições especificados no § 2" do art. 3° da Lei n° 9.317, de 1996, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, especialmente o imposto na fonte relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica e aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, bem assim o relativo aos ganhos de capital obtidos na alienação de ativos (Lei n° 9.317, de 1996, art. 3° § 2, alínea "d'). ................................ Art. 188. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais e nas condições estabelecidas no art. 5° e seus parágrafos, da Lei n° 9.317, de 1996, observado, quando for o caso, o disposto nos arts. 204 e 205. ................................ Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: II a falta de escrituração de pagamentos efetuados ................................ Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 8 7 Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei n'1.598, de 1977, art. 9, § 2°) Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. De outro lado, em decorrência do fato de não terem sido comprovadas as causas que ensejaram os pagamentos aos retro mencionados beneficiários no exterior, efetuados pelo contribuinte nos anoscalendário de 2001 e 2002, procederseá à constituição do crédito tributário relativo ao Imposto de RendaFonte devidos nesses anos e incidente sobre as bases de cálculo discriminadas em Demonstrativo anexo ao presente, conforme legislação abaixo transcrita, com a lavratura de Auto de Infração que será acostado a Processo Administrativo Fiscal distinto daquele destinado a abrigar o AI do Simples. Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61). § 1' A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61, § 1 °). § 2° Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n'8.981, de 1995, art. 61, § 2). § 3' O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61, § 39. ................................ Art. 143. Salvo disposição de lei em contrário, quando valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento farseá sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação. Outrossim, sem prejuízo da lavratura dos Autos de Infração relativos ao SIMPLES (A/C de 2001 — PAF 19515.002661/200606) e IRFON (A/C's de 2001 e 2002 — PAF N° 19515.0029421200654), estaremos efetuando o lançamento de ofício do crédito tributário referente ao IRPJ e reflexos do ano calendário de 2002 e, também, encaminhando Representação destinada a propor a exclusão do contribuinte do Simples a partir do A/C de 2002 (Arts. 193, 194 e 195 do RIR199). Além disso, oportunamente, será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais por entendermos, em tese e s. m j., ter Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 9 8 restado configurada a prática de crime tipificado na legislação a seguir transcrita: Lei no 8.137/90, art. 1o: Dos crimes praticados por particulares Art. 1o Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; (grifos nossos) LEI n ° 4.502/64 — Art. 71I Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; E a referida tese decorre do fato de o contribuinte constar como ordenante de pagamentos a beneficiários no exterior e, reiteradamente, ter omitido às autoridades fazendárias a prática de atos que, se conhecidos, resultariam no pagamento de tributos em favor do Erário. Não escriturou as entradas (origem dos recursos) nem tampouco as saídas (remessas para o exterior, conforme relacionado no Termo de Início de Fiscalização, impedindo, assim, chegasse ao poder público o conhecimento de fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2001 e 2002 e a ensejarem a incidência de tributos sobre a percepção de rendas (IRPJ e reflexos) bem como sobre os pagamentos efetuados (IR F0N). Registrese, ainda, os lançamento de oficio destinados a constituir os créditos tributários relativos ao Simples (A/C de 2001), IRPJ e reflexos (A/C de 2002) IRFON (A/C's de 2001 e 2002) serão efetuados com a aplicação da multa prevista no Inciso II do artigo 957 do RIR/99, por entendermos, smj, ter restado caracterizado o evidente intuito de fraude e prática de crime de sonegação fiscal por parte do contribuinte. 10. Em decorrência, foram também lavrados os autos de infração a seguir discriminados: 10.1. Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Faturamento (fls. 175 a 182). Enquadramento legal: artigo 926 do Decreto no 3.000/1999, artigo 3°, alínea "b" da Lei Complementar (LC) n° 07, de 07/09/1970, combinado com o artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12/12/1973, artigos 2°, inciso I, 3° e 9°, da Medida Provisória n° 1.249, de 14/12/1995 e suas reedições, artigos 2°, § 2°, 3°, §1o alínea "b", 5°, 7°, § 1% 17, 18, da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 10 9 10.2. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 191 a 198). Enquadramento legal: artigo 926 do Decreto n° 3.000/1999, artigos 1° e 2° da Lei Complementar (LC) n° 70, de 30/12/1991, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "d", 5°, 7°, §1°, 17, 18, da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998. 10.3. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 183 a 190). Enquadramento legal: artigo 926 do Decreto n° 3.000/1999, artigo 1° da Lei n° 7.689, de 15/12/1988, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "c", 5°, 7°, § 1°, 17, 18, da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998. 10.4. Contribuição para Seguridade Social — INSS (fls. 201 a 209). Enquadramento legal: artigo 926 do Decreto n° 3.000/1999, artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "f', 5°, 7°, § 1°, 17, 18, da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998. 10.5. Da ação fiscal em referência resultou a apuração do crédito tributário a seguir discriminado, já incluída a multa de lançamento de ofício, bem como os juros de mora calculados até 30/11/2006: IRPJ R$ 54.684,93 PIS R$ 54.684,93 COFINS R$ 183.065,51 CSLL R$ 91.532,70 CONTRIB. INSS R$ 356.574,55 11. Às fl. 154 consta planilha detalhando os valores (em US$ e R$), com respectivas datas, como agregação mensal, demonstrando a base de cálculo do AI que se discute. 12. Efetuada pesquisa no sistema Comprot, verificouse a existência, em nome da interessada, dos seguintes processos (fls. 347 a 351): 19515.002661/200600 (Auto de Infração — Imposto Simples), 19515.002942/200654 (Auto de Infração — IRRF), 19515.003033/200633 (Exclusão do Simples — Port. SRF 6129/2005), 19515.000664/200781 (Representação Fiscal para Fins Penais — IRPJ — Processo principalraiz 19515.002942/200654) e 19515.000882/200716 (Auto de Infração IRPJ). 13. Às fls. 141 a 143 foi acostado o Contrato Social da autuada. 14. Cientificada do AI em 20/12/2006 (fl. 171), a requerente apresentou impugnação em 18/01/2007, através de procuradoras habilitadas (fl. 230), como razões às fls. 211 a 228 e anexos às fls. 229 a 314. Alega, em síntese, que: 14.1. O AI que altera a receita auferida pela autuada (processo n° 19515.002942/200654 AI — IRRF — AC 2001/2002) não é definitivo, uma vez ser objeto de impugnação, assim, a autuação que ora se discute deve aguardar o deslinde do supracitado processo para ser julgada, sob pena de ocorrer discrepância nos julgamentos e nos valores devidos a título de tributos e Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 11 10 obrigações acessórias (cita doutrina de Marcos Neder e Maria Teresa Martinez López à fl. 215). 14.2. Ambos os procedimentos são oriundos do mesmo processo (descreve trecho do AI que registra a razão para a lavratura do mesmo: "Omissão de receitas operacionais caracterizada pela constatação de pagamentos efetuados ao exterior, não constantes da escrituração, e cujas respectivas origens dos recursos dessas remessas, não foram comprovadas através da apresentação de documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, tudo conforme relatado em Termo de Verificação anexo e parte integrante do presente"). 14.3. O julgamento deve ser conjunto, pois uma vez considerado insubsistente o PAF relativo ao IRRF incidente sobre os supostos pagamentos efetuados no exterior, o fato automaticamente ocasionará a insubsistência deste, mormente porque tais valores não pertencem ao contribuinte, tampouco foi realizada qualquer remessa de valores para beneficiários no exterior. 14.4. O presente PAF deve tramitar apensado e na dependência do PAF no 19515.002942/200654 (AI — IRRF — AC 2001/2002), para o fim de evitar decisões discrepantes; outrossim, caso este não seja o entendimento da autoridade fiscal, requerse a suspensão do presente procedimento, no intuito de aguardar o julgamento do PAF relativo ao IRRF, para evitar prejuízos ao contribuinte. 14.5. Na improvável possibilidade do acima requerido não ser acatado, passase a debater o mérito do presente AI, com o objetivo de resguardar o direito de defesa do autuado, ressaltando que a presente defesa mantém os pilares da argumentação esboçados na argumentação apresentada no AI — IRRF. 14.6. Em análise minuciosa do trabalho executado pela Polícia Federal constata se que não há prova que a interessada seja titular de qualquer conta ou subconta, tampouco qualquer documento que lhe outorgue poderes para movimentar qualquer quantia em nome de terceiros. 14.7. A impugnante foi autuada por ser, supostamente, a remetente dos valores enviados para a subconta Le Mans, vinculada à conta Beacon Hill. Todavia, a mesma nunca teve qualquer relação com a referida conta, não tendo sido juntado aos autos nenhum documento que possa comprovar, cabalmente, qualquer ligação da autuada como a conta questionada. 14.8. A empresa desconhece por completo as referidas movimentações, bem como a existência da conta Beacon Hill e suas operações. Assim, concluise que os dados da autuada foram irregularmente utilizados por terceiros, sem o seu aval. 14.9. As referidas ordens de pagamento não constituem provas válidas, não passando de meros impressos obtidos através de computador, sugerido nome de pessoas, com os quais não se pode provar o efetivo conhecimento ou não dos fatos, bem como a veracidade das informações nele contidas. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 12 11 14.10. Compulsandose os documentos carreados aos autos, não consta a assinatura do representante legal da autuada em qualquer deles, não há procuração, não há documentos de abertura de contas, enfim, quaisquer provas que vinculem a propriedade de tais valores à impugnante. 14.11. Os valores mencionados não pertencem, e nunca pertenceram à autuada, assim como esta nunca determinou a transferência de tais valores à conta de outros. 14.12. A própria Polícia Federal, no Laudo de Exame Econômico Financeiro, afirma que a informação contida nas ordens de pagamento, precisamente no campo designado "ORDER CUSTOMER", não constitui, necessariamente, o remetente original; em outras palavras, tais remessas podem ter sido efetuadas por qualquer pessoa, absolutamente alheia aos fatos, e com intuito de máfé. 14.13. Portanto, a própria a autoridade policial declara expressamente que não há provas para que se atribua à pessoa que supostamente determinou a ordem de pagamento a titularidades dos recursos remetidos. 14.14. Com base na análise conduzida pelo Instituto Nacional de Criminalística (Laudo n° 1.258/04) é possível verificar que os documentos apreendidos e submetidos à perícia revelam os verdadeiros titulares das contas e valores nelas depositados, urna vez que tais documentos formalizam o relacionamento entre a Beacon Hill e seus clientes. 14.15. Ainda que nos presentes autos não tenha sido mencionado qualquer outro nome que não o da autuada, em momento algum foram juntados documentos que comprovem o relacionamento da impugnante com a Beacon Hill e a conta Le Mans. Salientese que não há nenhum instrumento identificando a empresa, ou mesmo o seu representante legal, como sócio ou responsável por qualquer outra empresa. A Beacon Hill nunca lhe encaminhou qualquer correspondência contendo informações acerca de saldo em conta corrente, nem mesmo existe qualquer cartão de autógrafos assinado. A despeito de todas as movimentações, consoante informações da Polícia Federal, terem sido feitas em nome de terceiras pessoas, popularmente conhecidas como "laranjas", o nome da autuada foi literalmente usado pelo real remetente dos valores no momento questionado. Cumpre mais uma vez questionar que a impugnante desconhece inteiramente os fatos trazidos à baila pela investigação. 14.16. Concluise, assim, que a empresa sofreu um golpe, tendo seus dados utilizados indevidamente por terceiros, para negócios escusos, como um verdadeiro "laranja", sendo vítima e não autora de qualquer ilícito. 14.17. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), que a autoridade fiscal considerou ter ocorrido em função do envio das ordens de pagamento. Entretanto, simples "papéis impressos" não constituem provas de propriedade, nem mesmo de disponibilidade de renda, fato gerador do Fl. 579DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 13 12 imposto de renda. Tais documentos não são idôneos e não trazem qualquer elemento que comprove a existência ou a titularidade dos valores. 14.18. Cabe à Fazenda Pública provar a ocorrência do fato gerador e, conseqüentemente, os elementos constitutivos de sua pretensão, visto que os "papéis" apresentados não constituem documentos de valor probante. 14.19. No Laudo no 1.614/04, a Polícia Federal reconhece que o "ORDER CUSTOMER" não constitui, necessariamente, o remetente original. Portanto, se o "ORDER CUSTOMER" não constitui o remetente original, não se pode atribuir à interessada a sujeição passiva das obrigações tributárias constituídas no AI, posto não ser detentora dos recursos transacionados. 14.20. A recorrente não auferiu acréscimo patrimonial não declarado no ano calendário de 2001, não podendo, portanto, arcar com o pagamento de tributos sem que tenha se concretizado o fato hipotético previsto na norma regulamentadora do imposto de renda, sendo de rigor a anulação do lançamento ora questionado, pois versa sobre valores estranhos à autuada. 14.21. Resta indiscutível a não ocorrência da hipótese de incidência do imposto de renda e, por conseguinte, não existe o direito de a Fazenda Pública realizar o lançamento da tributação reflexa (Pis, Cofins, CSLL e INSS), uma vez que não existe base de cálculo, elementos que decretam a nulidade do crédito consignado no AI ora impugnado. 14.22. Inconcebível a aplicação de qualquer multa capitulada no AI, eis que inexistindo a obrigação principal (exigibilidade do pagamento do tributo), inexiste, obviamente, a sanção por ausência de recolhimento. 15. Por fim, requer que todas as intimações e notificações sejam encaminhadas para a rua Tupi no 397, na cidade de São Paulo, constando o nome da patrona (Dra. Eliane Campos Bottos). Com base nessa realidade fática, passou então a r. DRJ de origem à análise dos termos e argumentos apresentados pela contribuinte, concluindo o seu entendimento pela procedência do lançamento, em acórdão que, inclusive, assim restara ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A falta de comprovação de remessas de divisas efetuadas pelo contribuinte no exterior autoriza a presunção legal de que foram realizadas com recursos mantidos à margem da contabilidade. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício encontrase em consonância com a legislação pertinente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 14 13 Anocalendário: 2001 PROVA. LAUDOS TÉCNICOS DO INSTITUTO NACIONAL DE CRIMINALÍSTICA INC. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística INC, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado. PROVA. CRITÉRIOS DE IDENTIFICAÇÃO DE ORDENANTES E BENEFICIÁRIOS. Tendo em conta que as operações foram propositadamente ocultadas, mediante a utilização de contas de interpostas pessoas, prestigiase a identificação da autuada como responsável pelas remessas de recursos ao exterior, na medida em que há expressa vinculação à sua razão social. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ) se aplica, no que couber, às exigências de PIS, COFINS, Contribuição para a Seguridade Social (INSS) e CSLL, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. ENVIO DE INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. Intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do sujeito passivo, entendido como o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo mesmo sujeito passivo para fins cadastrais. Lançamento Procedente Vistos, discutidos e relatados os autos, ACORDAM os membros da 1' Turma de Julgamento, por maioria de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento, nos termos do o relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Declarou voto o julgador Eduardo Shimabukuro. Encaminhese à ciência da interessada, intimandoos a pagar, no prazo de 30 dias da ciência, o crédito tributário mantido, salvo interposição de recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235/1972, alterado pela Lei n° 8.748/1993, com atenção para o disposto nos itens 52 e 53 do voto. Registrese que o presente processo , no caso de interposição de recurso ao Conselho de Contribuintes, deverá ser distribuído para a mesma Câmara para a qual forem encaminhados os processos 19515.002942/200654 e 19515.003033/200633, por estarem vinculados aos mesmos elementos de prova , em atendimento ao disposto no art. 34, §1o do Regimento do Conselho de Contribuintes. (Destaque do original) Intimada a contribuinte dos termos da decisão proferida no dia 15/07/2008 (AR – fls. 440), foi por ela então interposto o seu competente Recurso Voluntário, no dia 06/08/2008, arguindo, em síntese, o seguinte: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 15 14 i) Preliminarmente: A conexão/dependência existente entre a matéria tratada nestes autos e aquela discutida nos autos do PAF n.° 19515.002942/200654 — IRRF, devendo este ser então apensado àqueles autos, evitandose, assim, a possível existência de decisões divergentes; ii) No mérito: Na linha da defesa apresentada naqueloutros autos, destaca a recorrente a insuficiência das provas adotadas nos autos, tendo em vista a fragilidade da informação decorrente, exclusivamente, dos registros existentes nas contas CC5 analisadas, sem que, sobre elas, houvesse qualquer outra prova especificamente produzida. Vindo o presente feito a julgamento na primeira assentada, foi ele então convertido em diligência, para que a ele fossem apensados os demais processos, pretendendo a vinculação de todos ao processo 19515.002942/200654. Pelo órgão preparador, por sua vez, foi então exarado um despacho que, em sede conclusiva, aponta: Assim, foi providenciada a vinculação do presente processo ao processo n° 19515.002942/200654, o qual encontrase na Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do recurso voluntário. Aproveitando, foi apensado ao presente o processo n° 19515.003033/200633, representação que trata da exclusão do contribuinte do Simples a partir do ano calendário de 2002. Proponho o encaminhamento do presente processo à Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento em conjunto com o processo n° 19515.002942/2006 54. Apesar dessa indicação, entretanto e, neste ponto, atendendo às respectivas normas procedimentais , foi o presente feito restituído a este relator, agora com o processo apensado 19515.003033/200633, verificandose, nesta oportunidade também, que o processo n. 19515.000882/200716 também já se encontra a mim distribuído, sendo, inclusive, pautado para julgamento nesta mesma sessão. É o que se tem a relatar. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 19515.002661/200600 Resolução nº 1301000.271 S1C3T1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso interposto, admitoo para julgamento. Antes de qualquer consideração a respeito da matéria discutida nos autos, relevante observar e, nesses termos, organizar a situação dos diversos processos existentes em nome da contribuinte neste Conselho que, tratando desse mesmo exato tema (porém em relação a períodos e/ou tributos diversos), acabaram tendo caminhos distintos. Nada obstante, após a Resolução determinada na sessão do dia 12 de junho/2012, verifico que foram reunidos os processos 19515.002661/200600 (este feito Simples/2001) e o processo 19515.003033/200633 (Exclusão do Simples a partir de 2002 apensado), permitindo o seu julgamento conjunto, da forma como originariamente pretendido. O PAF 19515.000882/200716, como já apontado, trata da autuação de IRPJ no ano calendário de 2002, tendo sido distribuído a este relator, permitindo, inclusive, o julgamento conjunto, conforme aqui, inclusive, especificamente pretendido. Entretanto, em relação ao processo 19515.002942/200654 (Auto de Infração — IRRF), verifico que a determinação contida na Resolução apontada não restou cumprida, tendo em vista que os autos não foram reunidos com o presente, por se encontrar, à época, já distribuído para a Segunda Seção de Julgamento, por se tratar, naquele caso, de lançamento a título de IRRF, sendo ele o indicado como o principal pela r. decisão de primeira instância. Analisando os registros deste CARF a respeito daquele feito, entretanto, verifico que, em 26/11/2014, aqueles autos foram então novamente distribuídos, agora sendo restituídos para a Primeira Seção de Julgamento, encontrandose hoje sob a relatoria do ilustre Sr. Conselheiro Dr. FABIO NIEVES BARREIRA, perante a 3ªTO/1ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF, que o recebera para relatório e voto no dia 05/02/2015. Em face dessas circunstâncias, considerando o antes indicado pela r. decisão de primeira instância, e, agora, já especificamente apontado nos presentes autos, entendo como pertinente, nesta oportunidade, baixar o feito em nova diligência para solicitar seja providenciada a reunião de todos os processos, devendo assim os PAF's 19515.002661/2006 00 (este feito Simples/2001); 19515.003033/200633 (Exclusão do Simples a partir de 2002 apensado), e 19515.000882/200716 (IRPJ2002) serem devidamente apensados ao processo 19515.002942/200654 (Auto de Infração — IRRF, atualmente na 3ªTO/1ªCÂMARA/1ªSEJUL, sob a relatoria do Conselheiro FABIO NIEVES BARREIRA), e, nessas circunstâncias, considerando a prevenção deste relator, todos eles a mim então deverão ser especificamente restituídos para o pretendido julgamento conjunto, da forma como aqui já especificamente apreciado e antes deferido. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 583DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979328/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 28 /2 00 9- 92 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.979328/200992 Acórdão n.º 1201001.734 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.979328/200992 Acórdão n.º 1201001.734 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.979328/200992 Acórdão n.º 1201001.734 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.979328/200992 Acórdão n.º 1201001.734 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 68DF CARF MF
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