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Numero do processo: 15374.915777/2008-65
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 23534.53638.230904.1.3.048889 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 57 77 /2 00 8- 65 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 101 2 em 23.09.2004, efls. 3438, utilizandose do pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, no valor original de R$4.148,00 arrecadado em 12.05.2003, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 39, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 4.148,00. [...] CÓDIGO DE RECEITA: 6106 [...] DATA DA ARRECADAÇÃO: 12/05/2003 [...] Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/08/2008. [...] Para verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, na opção Serviços ou através de certificação digital na opção eCAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório. Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 1238.378, de 08.07.2011, efls. 6062: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 12.09.2011, efls. 9697, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, efls. 9395, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 1. A DIAMIX no ano calendário de 2002 estava enquadrada no Simples e recolhendo normalmente seus tributos, quando em 07/08/2003, recebeu uma notificação com sua exclusão do regime tributário em questão com data retroativa a janeiro de 2002. 2. Como entendida haver crédito tributário a seu favor em 23/09/2004 foram entregues as DCTF's do referido período, e em 23/09/2004 as declarações de Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 102 3 compensações PER/DCOMP, para as devidas compensações, referente aos impostos do lucro presumido o qual, porém a RFB não reconheceu o crédito devido uma falha no preenchimento dos PERD/COMP 23534.53638.230904.1.3.04.8889, neste pedido de compensação não foi informado o número do PER/DCOMP iniciai 22253.28532.170904.1.3.044700, dando a origem de um saldo R$ 767,94. Houve um erro no preenchimento do valor do crédito original de R$ 9.357,56. 3. Em 12.09.2011, a DIAMIX recebeu decisão de julgamento da manifestação de inconformidade no Processo n° 15374.915777/200865 vinculado ao processo 15374.917709/200831 que negou provimento ao requerimento realizado e apontou como solução administrativa a realização de NOVA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, uma vez que seria inviável a retificação de ofício neste momento do processo administrativo. 4. Assim, com base na decisão acima apontada e com base no art. 170 do CTN a DIAMIX vêm realizar novo pedido de Declaração de crédito tributário com base nos documentos ora acostados e requerendo desde já que fossem desconsiderados os valores declarados no PERD/DCOMP, anteriores e com a indicação do número do PERD/DCOMP em que o credito fora informado anteriormente. 5. Cabe ressaltar que a DIAMIX preencheu os PER/DCOMP's, mas que a transmissão dos dados não foi possível por motivo de objeto de decisão administrativa, razão pela qual se realiza o presente com todos os PER/DCOMP's corretos. 6. Relacionamos em anexo os respectivos processos administrativos, anexando os Despachos Decisórios, as guias pagas referentes ao Simples e as Declarações de compensação dos PER/DCOMP's. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada de forma cabal o direito material e processual tributário, requer que seja julgado o presente pedido de compensação, com a conseqüente cancelado o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório contém incorreção. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 103 4 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por via de regra, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, tão somente com relação ao valor do direito creditório que não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Assim, somente essa parcela é passível de instauração do litígio no procedimento (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Sobre os requisitos legais de retificação do Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, determina: Art. 106. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação gerados por meio do programa PER/DCOMP deverá ser requerida, pelo sujeito passivo, mediante documento retificador gerado por meio do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida, pelo sujeito passivo, mediante formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Art. 107. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Parágrafo único. A retificação não será admitida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. No Per/DComp, efls. 3438, consta o direito creditório de Simples no valor original de R$4.148,00. O documento retificador não pode ser admitido nessa fase recursal, pois não foi apresentado no prazo, no tempo e na forma previstos na legislação de regência. Relativamente às condições normativas compensação de ofício dos débitos confessados do Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, determina: Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante Darf ou GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 104 5 § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. Analisando a determinação normativa, somente tem cabimento a compensação de dos débitos confessados de ofício e não o reconhecimento do direito creditório. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 1238.378, de 08.07.2011, efls. 6062, cujos fundamentos de fato e de direito são adotados nessa segunda instância de julgamento: Ocorre que não é o julgamento a instância apropriada para a retificação de incorreções no preenchimento das declarações transmitidas à Fazenda. A via adequada para a solução de erros dessa natureza é a retificação tempestiva da declaração que os contém. A este colegiado incumbe a apreciação da lide instaurada nos autos, cujo exame não permite concluir se o crédito defendido não fora empregado em outra compensação, afinal nada obsta que várias DComp tenham recebido idêntico crédito, inclusive em sua vinculação a um valor incorreto, para, então, individualmente, vale dizer, processo a processo, a incorreção seja desfeita, logrando, a interessada, proveito multiplicado de um direito creditório que nem mesmo unitariamente se pode afirmar a existência, já que disso também não foi feita prova. Ante o exposto, é de se notar a ausência da condição sine qua nom para a validade de um crédito empregado em compensação tributária: sua liquidez e certeza, na forma em que exige o art. 170 do CTN. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca a demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Fl. 104DF CARF MF Processo nº 15374.915777/200865 Acórdão n.º 1003000.110 S1C0T3 Fl. 105 6 Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.912502/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-18T17:39:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-18T17:39:13Z; Last-Modified: 2018-07-18T17:39:13Z; dcterms:modified: 2018-07-18T17:39:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:9d1ce3ae-114a-4c4a-a79c-fe541995f0f0; Last-Save-Date: 2018-07-18T17:39:13Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-18T17:39:13Z; meta:save-date: 2018-07-18T17:39:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-18T17:39:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-18T17:39:13Z; created: 2018-07-18T17:39:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-07-18T17:39:13Z; pdf:charsPerPage: 1872; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-18T17:39:13Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.912502/200969 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.060 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria DCOMP Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA MERIDIONAL CEM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 25 02 /2 00 9- 69 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao deixar de homologar a compensação tributária informada na DCOMP objeto dos autos. Primeiro, o Despacho Decisório da unidade local da RFB denegou o direito creditório pleiteado pela contribuinte com fundamento no art. 10 da IN SRF 600, de 2005. Vale dizer, o direito creditório utilizado no PER/DCOMP não foi reconhecido, por se tratar de mera antecipação de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, caso em que o recolhimento a maior ou indevido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devidos no final do anocalendário ou para compor respectivo saldo negativo. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, nas suas razões: que tem direito à restituição e compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal, à luz da legislação de regência; que o pagamento a maior ou indevido do IRPJ ou CSLL decorreu de erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores da: a) Conta Consumo de Combustível — CCC; e, b) Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE têm como objetivo subsidiar a energia elétrica gerada nas usinas termoelétricas, de forma que a tarifa da energia elétrica fosse equalizada com a dos consumidores servidos por geração hidráulica, sobretudo nos instantes de baixa "hidraulicidade" dos sistemas interligados (em que a energia produzida pelas hidroelétricas estavam com capacidade baixa); que a inclusão de valores dessas Contas pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL no cálculo da conta dos consumidores situados nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste , mediante incremento nas tarifas das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás que administra esses recursos , não configura receita da impugnante; que muito embora a cobrança da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE possam, em tese, caracterizar como receitas das empresas distribuidoras de energia, de forma peculiar, para impugnante, que é Geradora de Energia Elétrica interligada ao sistema, tais rubricas não são receitas. Isto porque a geradora está impossibilitada de auferir qualquer recurso dessas fontes como "receita" própria ou como "faturamento", conforme as prescrições da ANEEL. Ou seja, por meio da Nota Técnica n° 116, de 24 de março de 2006, e Despacho n° 657/2006, a ANEEL Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 4 3 orientou as alterações introduzidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para equacionar a distorção decorrente da inadequada contabilização dos valores da CCC/CDE como "Receitas de Subvenção" pelas concessionárias geradoras como a impugnante; que a ANEEL esclareceu que os valores, outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção CCC/CDE", deveriam ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois jamais integraram a receita de concessionárias geradoras, como a impugnante; que os valores da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não representam propriedade e, conseqüentemente, incremento patrimonial da impugnante, já que somente são repassados para que se propicie o pleno funcionamento do Sistema Elétrico Nacional, tendo, inclusive, a sua aplicação passível de auditoria pelo Tribunal de Contas da União. Por último, a DRJ, assim como ocorrera no Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, também denegou o direito creditório pelo mesmo fundamento declinado no referido Despacho Decisório, ou seja, que o valor pago indevidamente ou a maior de IRPJ ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou o pagamento a maior ou indevido do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e da contribuição social sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal, por erro de fato; que efetuou imediata compensação tributária, utilizando como crédito os valores pagos indevidamente do imposto e contribuição federais através de declaração de compensação, via sistema PER/DCOMP; que, tanto o Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, quanto o Acórdão recorrido, com mesmo fundamento, denegaram o crédito pleiteado, conforme já mencionado anteriormente; que o pagamento indevido é feito à margem da lei e, portanto, não se subsume a qualquer regime de repetição que não aquele previsto no art. 165, do CTN, ou seja, o direito a repetição surge de forma imediata; que o pagamento por regime de estimativa é previsto em lei, na forma dos §§ 2° e 3°, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e, deste modo, qualquer pagamento a maior do que o fixado no dispositivo legal é considerado indevido, e não adiantamento; que o disposto no art. 10 da Instrução Normativa n.° 600, de 2005, na parte atinente ao pagamento a maior, tão somente objetiva protelar o pagamento dos juros devidos a partir da ocorrência do pagamento indevido, e, assim prevendo, colide com o disposto no §4°, do art. 39, da Lei nº 9.250/95, de modo a tornálo inaplicável, pois cediça a regra de que o Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 5 4 conteúdo e o alcance dos decretos restringese aos das leis em função das quais sejam expedidos (CTN, art. 99), ou seja, para fiel cumprimento da lei (CF, art. 84, IV); que citou precedente do CARF pelo afastamento, inaplicabilidade, do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, que vedava a compensação de pagamento à maior das estimativas mensais do IRPJ ou da CSL, antes de findo o período de apuração; que o direito a repetição do pagamento indevido ou a maior de tributo surge no momento de sua efetivação à margem da lei, e evidente, pois, a possibilidade de compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.049, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.911762/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.049): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário ou de compensálo com outro débito vencido ou vincendo. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 6 5 Nacional, ou seja, encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de contas com débito próprio vencido ou vincendo objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a recorrente alegou nos autos: que efetuara pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL por erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores relativos a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que valores cobrados dos clientes consumidores a título dessas rubricas não seriam receitas, mais sim mera "Recuperação de Custos", conta retificadora dos custos; que, nesse sentido, invocou esclarecimento da ANEEL, conforme atos normativos citados no relatório, que os valores outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção para Custeio CCC/CDE", devem ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois valores repassados a título dessas rubricas não seriam receitas. Ocorre que a questão do erro de fato alegado, se existente ou não, na apuração da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, por conta dos registros contábeis dos valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE remete a outra questão não resolvida nos autos, ou seja: os valores auferidos a título das referidas rubricas são tributáveis ou não? Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 7 6 A contribuinte alega, invocando a ANEEL, que seriam meros repasses a título de "Recuperação de Custos" para registro em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos. Esses pontos controvertidos, portanto, não foram enfrentados, no mérito, pela decisões anteriores nestes autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação do da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a comprovação do erro de fato é condição sine qua non para configuração do pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Caso contrário, tratase mero antecipação de pagamento do IRPJ e da CSLL na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No caso, não há como prosseguir na análise de mérito nesta instância de julgamento para evitar prejuízo à defesa, ou seja evitar supressão de instância de julgamento, pois as questões do alegado erro de fato e da natureza das receitas, valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não foram enfrentadas, no mérito, pelas decisões anteriores nestes autos. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Florianópolis para que proceda análise Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.912502/200969 Acórdão n.º 1301003.060 S1C3T1 Fl. 8 7 de mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720474/2011-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS. MESMA INFRAÇÃO.
Os lançamentos de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem uns dos outros.
Numero da decisão: 1003-000.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS. MESMA INFRAÇÃO. Os lançamentos de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem uns dos outros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS. MESMA INFRAÇÃO. Os lançamentos de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem uns dos outros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 04 74 /2 01 1- 93 Fl. 864DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 865 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório I – Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às efls. 0320 com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 1.630,94 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação fiscal em anexo [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. II – Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às efls. 0320 com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.892,82 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Fl. 865DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 866 3 Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei n º9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação fiscal em anexo [...] Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. III Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às efls. 0320 com a exigência do crédito tributário no valor de R$9.785,64 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação fiscal em anexo [...] Art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 0126.969, de 28.08.2013, efls. 810820: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 EMENTA ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 867 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 03.12.2013, efl. 825, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.12.2013, efls. 827858, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Pertinente ao lançamento aduz que: É cediço que o ato de lançamento, por sua natureza, está sujeito aos princípios basilares do ato administrativo. Entre os princípios informadores do ato administrativo, por pertinente ao caso presente, merece destaque o da finalidade, que exige que o ato da administração pública seja necessário a instrumentalizar o conteúdo da ordem emanada pela autoridade administrativa. No caso concreto, o lançamento ultimado em face do ora RECORRENTE é manifestamente desprovido de utilidade, pois o montante exigido mediante o referido Auto de Infração não apresenta liquidez e certeza no tocante ao valor do crédito tributário. Ocorre que no transcorrer dos trabalhos fiscais, a requerimento do próprio fiscal, a ora RECORRENTE entregou à Receita Federal do Brasil os Livros Diário e Razão completos, contendo toda a escrituração contábil relativa a 2007. Como é sabido, somente quando não conhecida a receita bruta, cabe sua presunção pelos meios eleitos com base na legislação. No caso em tela, a autoridade a presumiu sobre o valor dos depósitos (créditos) bancários. Entretanto a fiscalização já estava de posse da contabilidade que inclui a movimentação financeira, inclusive bancária, o critério adotado não condiz que a realidade dos fatos que consta da escrituração contábil. Como se vê, nada justifica o rigor fiscal da autuação. Eventuais valores movimentados em contas bancárias não podem ser confundidos como renda, porque não veio em benefício do patrimônio do contribuinte (acréscimo patrimonial) nem foi por ele "consumido". E se não acresceu valores nem foi consumido, apenas transitou por contas. Daí o cuidado de somente se abrir o sigilo bancário com autorização judicial: é grande a possibilidade da autoridade fiscal confundir movimento financeiro com renda. E foi efetivamente o que ocorreu. E, tratandose de faturamento de pessoa jurídica, fica ainda mais claro que não se trata de RENDA. Ou, em outras palavras, apenas o lucro poderia ser alcançado pela tributação. Como a Pessoa Jurídica estava enquadrada no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, o imposto devido era o previsto para este tipo de empresa. O CTN, em seu artigo 43, I e II preceitua que "o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Definiu renda como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos". Classificar depósitos bancários como "renda", além de ilegal, injusto, É IMPAGÁVEL!!!! Porque grande parte do seu "movimento bancário" é pagamento de fornecedores, aluguéis, impostos, salários, etc. [...] Fl. 867DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 868 5 Com efeito, o lançamento ultimado a título de Imposto sobre a Renda, possui grave erro em sua constituição, na medida em que a Autoridade Autuante, assim como determina o artigo 44 do Código Tributário Nacional deveria utilizar como base de cálculo para apuração do imposto o montante da renda que origina ao contribuinte um acréscimo patrimonial em um determinado período de tempo e mais o seu consumo. Ora, nem toda renda origina um acréscimo patrimonial. Não podemos nos esquecer que renda é a subtração das receitas e das despesas e o restante podemos chamar de acréscimo patrimonial. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: Pelas razões expostas, pede e espera a recorrente seja o valor remanescente do Auto aqui atacado, conforme a seguir demonstrado, no valor principal de R$ 5.457,23 (cinco mil quatrocentos e cinquenta e sete reais e vinte e três centavos), CANCELADO por ser da mais lídima JUSTIÇA. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Cabe identificar a parcela do valor dos objeto de litígio, a saber: Valor do Tributo R$ Tributo Auto de Infração Parcela Incontroversa Parcela Litigiosa CSLL 727,26 181,53 545,73 Cofins 2.181,77 544,60 1.637,17 INSS 4.363,53 1.089,20 3.274,33 A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 869 6 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração1. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de acordo com a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 1 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 870 7 Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, conformidade com as Súmulas CARF, cujos enunciados devem ser observados pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. 2 Fundamentação legal: 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 871 8 Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes e a titularidade pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada3. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo4. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade5, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 6013146 com trânsito em julgado em 11.10.2016, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF7: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 4 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 5 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Recurso Extraordinário nº 601314/SP. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Edson Fachin. Julgado em 24 fev. 2016. Publicado no DJe em 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+601314%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos& url=http://tinyurl.com/a97p879>. Acesso em 27 mai. 2018. 7 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 872 9 MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui Fl. 872DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 873 10 quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta Termo de Verificação e Constatação Fiscal, efls. 2125, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano nesta segunda instância de julgamento: LIVRO CAIXA/ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL 8. De acordo com o art. 190, do Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3.000, de 26/03/99, as empresas optantes pelo sistema de tributação do SIMPLES estão dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º, § 1º) (grifo nosso): I Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; (grifo nosso) II Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; III todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nos incisos anteriores. 9. Em total desacordo a estes preceitos estabelecidos, a empresa apresentou à fiscalização como Livro Caixa, somente uma folha contendo a movimentação da conta "CAIXA", integrante do Razão Analítico da empresa, sem nenhuma movimentação bancária, o que claramente não contempla as disposições contidas no Regulamento do Imposto de Renda– RIR, ora citadas. 10. Constatada esta falta, reiteramos a intimação para apresentação destes livros na forma estabelecida pela legislação, que foi realizada através do Termo de Reintimação Fiscal nº 1. Decorrido o prazo estabelecido para o cumprimento desta obrigação e tendo a empresa não apresentado o aludido Livro, solicitamos, a partir de então, sua escrituração contábil completa, representada pelos Livros Diário e Razão, através do Termo de Reintimação Fiscal nº 2. Mais uma vez não logramos êxito em termos acesso a tais documentos. Mesmo assim, com vistas a impedir que o contribuinte alegue que não lhe foi dado tempo hábil para atendimento de nosso pleito, este foi reintimado mais uma vez a apresentar os referidos livros, solicitação contida no TRF nº 4. Nada foi apresentado, até a presente data. 11. A título de esclarecimento, vale notar que o tempo transcorrido desde a primeira intimação, TIPF, até esta última, foi de mais de 4 (quatro) meses e até a data deste relatório são mais de 9 (nove) meses. Como se constata, o contribuinte teve um prazo mais que necessário para cumprir com tal obrigação. 12. Mesmo com todos os problemas apresentados, com vistas a elucidar informações contidas no “livro caixa” apresentado, solicitamos à empresa, através do Termo de Intimação Fiscal no. 1, que nos comprovasse documentalmente o lançamento na conta código 1.1.1.01.0001 0000000001 CAIXA, em 01/01/2007, com o histórico de "APORTE FINANCEIRO" no valor de R$ 173.023,43. Sem Fl. 873DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 874 11 resposta a essa solicitação, procedemos a novo pedido ao contribuinte pelo Termo de Reintimação Fiscal nº. 3, que mais uma vez deixou de ser atendido. Em vista da falta de interesse da fiscalizada em prestar esclarecimentos sobre a origem de tal valor, este não pode ser considerado em nosso trabalho. DA APURAÇÃO FISCAL OMISSÃO DE RECEITAS 13. Em nossos sistemas consta que a empresa apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES PJSI 2008, em 20/05/2008, referente ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007, na condição de Empresa de Pequeno Porte. Para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007 apresentou a Declaração Anual do Simples Nacional, DASN, em 22/05/2008. 14. Da análise dos documentos apresentados, incluindo as informações contidas nos extratos bancários, constatouse ter havido omissão de receitas, conforme apresentaremos adiante. 15. A empresa optou pelo sistema de tributação do Simples, na condição de Empresa de Pequeno Porte, no período de 2007, apresentando como “Livro Caixa” uma folha da conta contábil “Caixa” para comprovar os lançamentos do período, que não contem a movimentação bancária, e nenhum livro de registro auxiliar. Os lançamentos ali contidos contemplam os mesmos valores declarados à Receita Federal do Brasil na PJSI e na DASN. 16. Já as movimentações registradas nos extratos bancários da empresa junta às instituições financeiras apresentaram valores bem diferentes dos constantes nessas declarações. O volume de entradas de valores (créditos) superou em muito os valores de receitas declarados. Para que tivéssemos certeza da origem dessas quantias, solicitamos à empresa que identificasse diversos desses lançamentos, apontando quais se tratavam de transações comerciais de recebimento de valores pela venda de produtos e/ou prestação de serviços e quais não configuravam estes procedimentos. Em anexo seguem os Termos onde constam as intimações para que o contribuinte apresentasse documentos, os extratos bancários e os esclarecimentos prestados pela fiscalizada, além das procurações em que a empresa outorga poderes a terceiros. 17. Das informações prestadas, constatamos que o ingresso de valores a título de transações comerciais ocorreu durante todos os meses de 2007. Esses montantes foram compilados em planilha que segue anexa a este Termo e comparados aos declarados na PJSI. 18. Desta forma, foi constituído o crédito tributário referente ao período de apuração de Janeiro/2007. 19. Nesse mês os valores apresentados nos extratos bancários somou R$ 170.809,77 (cento e setenta mil, oitocentos e nove reais e setenta e sete centavos), contra R$ 36.132,64 (trinta e seis mil cento e trinta e dois reais e sessenta e quatro centavos) declarados na PJSI, no livro de saídas e no dito “Livro Caixa” apresentado pela empresa em desacordo com a legislação vigente, conforme demonstrado nos parágrafos 8 a 11 deste relatório. 20. A diferença apurada, R$ 134.677,13 (cento e trinta e quatro mil, seiscentos e setenta e sete reais e treze centavos) representa cerca de 372% (trezentos e setenta e dois por cento) da receita declarada pelo contribuinte. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 875 12 VALOR TRIBUTÁVEL DE JANEIRO DE 2007 R$ 134.677,13 DOS DESDOBRAMENTOS DA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS 21. Conforme nossa exposição, verificouse que o contribuinte em epígrafe incorreu na hipótese descrita no inc. V, art. 14, da Lei 9.317/96 e no artigo 195, inciso V do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/1999 (prática reiterada de infração à legislação tributária). Em decorrência dessa prática, foi solicitada a exclusão do contribuinte do SIMPLES FEDERAL, a partir de 01/02/2007, nos termos do inciso V do artigo 15 da Lei 9.317/1996 e inciso V do artigo 196 do RIR/99, bem como, do SIMPLES NACIONAL, de acordo com o artigo 29, da Lei Complementar n° 123/2006. 22. Em vista das ocorrências apontadas foram publicados o Ato Declaratório Executivo nº 45, de 13/07/2001, que traz a exclusão de ofício do SIMPLES Federal, pelo fato de o contribuinte incorrer na hipótese prevista no inciso V do artigo 14 da Lei 9.317/96 e o Ato Declaratório Executivo nº 46, de 13/07/2001, que exclui a empresa do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES Nacional) por incorrer na hipótese prevista no artigo 29 da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No que se refere aos valores a serem excluídos do montante dos depósitos tributados, os valores declarados, ressaltese que a Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos depósitos listados pelo Fisco, da conta para movimentação mantida junto ao Banco Bradesco S/A, agência nº 2919, contracorrente nº 10006, à Unicred Metropolitana, agência nº 3315, contacorrente nº 0071480, à Caixa Econômica Federal CEF, agência nº 1233, conta corrente nº 13557, bem como ao Banco HSBC S/A, agência nº 1106, contacorrente nº13962 60, efls. 41645, de titularidade da Recorrente. Embora deva ser observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de 1996, sobre a totalidade dos depósitos cuja origem a Recorrente não logrou comprovar, é possível presumir que os valores a título de receita bruta contidas da DSPJ tenham transitado nas contas bancárias que foram objeto de análise nos presentes autos. Assim sendo, há como acatar a pretensão da Recorrente de excluir da base de cálculo os valores a título de receita bruta informadas da DSPJ no anocalendário de 2007, efls. 646647, conforme Tabela 1. Tabela 1 – Receita omitida no período de janeiro a dezembro de 2007 Fl. 875DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 876 13 AnoCalendário 2006 Mês (A) Receita Declarada R$ (B) Receita Extratos R$ (C) Diferença entre Receita Declarada e Receita Extratos R$ D = (C B) Percentual Receita Omitida % E = (C*100/B) 100 Janeiro 36.132,64 170.809,77 (134.677,13) 372,73 Fevereiro 35.562,60 141.565,07 (106.002,47) 298,07 Março 37.382,17 161.740,32 (124.358,15) 332,67 Abril 35.285,70 169.963,44 (134.677,74) 381,68 Maio 33.000,66 167.744,64 (134.743,98) 408,31 Junho 31.154,96 161.258,50 (130.103,54) 417,60 Julho 42.350,06 166.603,09 (124.253,03) 293,40 Agosto 45.652,07 179.543,76 (133.891,69) 293,29 Setembro 37.901,49 161.550,42 (123.648,93) 326,24 Outubro 42.793,44 188.123,46 (145.331,02) 339,62 Novembro 103.550,71 187.664,09 (84.113,38) 81,23 Dezembro 130.225,09 170.575,73 (40.350,64) 30,99 Desse modo que o conjunto probatório produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto em parte. A inferência denotada na peça recursal, nesse caso, é acertada em parte. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade 8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 15983.720474/201193 Acórdão n.º 1003000.070 S1C0T3 Fl. 877 14 de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 9. Os lançamentos de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem uns dos outros. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 877DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.720004/2014-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 142 DO CTN C/C ART. 10 E 59 DO DECRETO N° 70.235/1972.
O lançamento tributário deve atender aos requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Atendidos tais requisitos, bem como restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de defesa.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO. ART. 62 do RICARF E SÚMULA N° 2. NÃO CONHECIMENTO.
A alegação de violação aos princípios constitucionais na aplicação de norma legal não prospera na esfera administrativa, tendo em vista que a autoridade administrativa não tem competência para proceder à análise de aspectos constitucionais da legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e, parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 142 DO CTN C/C ART. 10 E 59 DO DECRETO N° 70.235/1972. O lançamento tributário deve atender aos requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Atendidos tais requisitos, bem como restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de defesa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO. ART. 62 do RICARF E SÚMULA N° 2. NÃO CONHECIMENTO. A alegação de violação aos princípios constitucionais na aplicação de norma legal não prospera na esfera administrativa, tendo em vista que a autoridade administrativa não tem competência para proceder à análise de aspectos constitucionais da legislação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e, parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 04 /2 01 4- 26 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 12571.720004/201426 Acórdão n.º 3301004.672 S3C3T1 Fl. 320 2 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa, que constituiu a exigência de PIS e COFINS, relativas aos períodos de apuração de 01/02/2009 a 31/03/2009. O Relatório de Ação Fiscal (efls. 213/222) contém a descrição do procedimento fiscal executado, com a lista das intimações feitas à empresa; as respostas e documentos por ela apresentados ou não; o cálculo dos valores de PIS e COFINS apurados; os respectivos créditos; as retenções; os valores glosados e os DARFs recolhidos. Todos os valores foram demonstrados mês a mês pela fiscalização por meio das tabelas que compõem o Relatório de Ação Fiscal. Relatou a autoridade fiscal a ocorrência de divergências de valores entre as planilhas apresentadas pela interessada detalhando as receitas e aqueles declarados na DIPJ por ela transmitida. Devidamente impugnada a exigência pelo contribuinte, em seguida, a 6ª Turma da DRJ/SPO, no acórdão n° 1662.115, negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2009 CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente será considerado nulo o ato administrativo praticado por agente incompetente. Artigo 12, I, do Decreto nº 7.574 de 29/09/2011. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 12571.720004/201426 Acórdão n.º 3301004.672 S3C3T1 Fl. 321 3 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em desconhecimento da matéria tributada ou dos fatos que fundamentaram os Autos de Infração, que os lançamentos se basearam em presunção e não foram comprovados, o que seria um óbice ao direito à ampla defesa, quando os lançamentos efetuados se basearam nos dados fornecidos pela interessada e nas bases de cálculo informadas em DIPJ, a descrição dos fatos é clara, e a fundamentação legal está discriminada na exigência fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO. COMPETÊNCIA. A alegação de violação aos princípios constitucionais na aplicação de norma legal não prospera na esfera administrativa, tendo em vista que a autoridade administrativa não tem competência para proceder à análise de aspectos constitucionais da legislação. IMPUGNAÇÃO. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto nº 7.574 de 29/09/2011. A alegação sem produção de provas impossibilita a revisão do lançamento. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2009 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Constatada a falta de declaração e de recolhimento de débitos pelo sujeito passivo, deve ser formalizado o crédito tributário pelo lançamento. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Estando a multa aplicada prevista em lei, não há o que cogitar, em âmbito administrativo, a respeito de confisco e inconstitucionalidade de norma regularmente editada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2009 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 12571.720004/201426 Acórdão n.º 3301004.672 S3C3T1 Fl. 322 4 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Constatada a falta de declaração e de recolhimento de débitos pelo sujeito passivo, deve ser formalizado o crédito tributário pelo lançamento. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Estando a multa aplicada prevista em lei, não há o que cogitar, em âmbito administrativo, a respeito de confisco e inconstitucionalidade de norma regularmente editada. Impugnação Improcedente Em seu recurso voluntário, a Recorrente argumenta que: 1) O auto de infração é nulo, por violação ao art. 10, III do Decreto n° 70.235/72, o que afronta o princípio da ampla defesa; 2) O auto de infração é nulo, em decorrência da imprecisa descrição da infração e da capitulação legal; 3) O lançamento se deu por presunção, com base apenas em circunstâncias indiciárias, sem qualquer comprovação de irregularidade; 4) Com base em afronta ao princípio constitucional da nãocumulatividade, requer o afastamento da sistemática de cálculo do PIS e da COFINS prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; 5) A sistemática de cálculo do PIS e da COFINS prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 afronta o princípio constitucional da isonomia; 6) O art. 3°, ao criar vedações ao pleno creditamento, viola o princípio constitucional da nãocumulatividade; 7) As Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 violam o princípio da capacidade contributiva e do nãoconfisco; 8) As Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 estão eivadas de vício de inconstitucionalidade formal, porque violaram o art. 246 da CF; 9) As Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são inconstitucionais, pois a normatização das contribuições deveria se dar por lei complementar e não por lei ordinária como o são; 10) Exclusão do ISS da base de cálculo de PIS e COFINS; 11) Efeito confiscatório da multa aplicada. É o relatório. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 12571.720004/201426 Acórdão n.º 3301004.672 S3C3T1 Fl. 323 5 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, contudo deve ser conhecido em parte, como se verá a seguir. Preliminares Em preliminar, a Recorrente aduz que o auto de infração é nulo por três razões: violação ao art. 10, III do Decreto n° 70.235/72, imprecisa descrição da infração e da capitulação legal e presunção com base apenas em circunstâncias indiciárias, sem qualquer comprovação de irregularidade. Não há razão nos argumentos. Toda a matéria tributável está descrita tanto nos Autos de Infração como no Relatório de Ação Fiscal, de forma clara e detalhada, permitindo fácil compreensão do procedimento fiscal efetuado. Foi apurado o montante do tributo devido com base no faturamento indicado na DIPJ e levandose em conta os créditos previstos na legislação de regência e os recolhimentos retidos na fonte. Ademais, a indicação da fundamentação legal, que a defesa alega desconhecer, também está detalhada no Relatório de Ação Fiscal e faz parte dos Autos de Infração de PIS e COFINS, como se vê na “Descrição dos fatos e enquadramento legal” (efls. 199 e 207). Ao compulsar os autos notase que todos os elementos de prova necessários à comprovação do ilícito estão presentes. Por outro lado, a empresa foi intimada a apresentar documentos (efls. 02/04, 52/55), obteve várias concessões de prorrogações de prazos solicitadas, quando possível (efls. 13, 50, 60), sendo que a documentação por ela apresentada, e que deu suporte aos lançamentos efetuados, encontrase juntada aos autos. O lançamento tributário deve atender aos requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Entretanto, não se vislumbra violação quaisquer destes dispositivos. Outrossim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Comprovouse que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 12571.720004/201426 Acórdão n.º 3301004.672 S3C3T1 Fl. 324 6 Então, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de defesa. Portanto, as preliminares não devem ser acolhidas. Mérito No mérito, a Recorrente alega apenas matéria de afronta à Constituição Federal: · Com base em afronta ao princípio constitucional da não cumulatividade, requer o afastamento da sistemática de cálculo do PIS e da COFINS prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; · A sistemática de cálculo do PIS e da COFINS prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 afronta o princípio constitucional da isonomia; · O art. 3°, ao criar vedações ao pleno creditamento, viola o princípio constitucional da nãocumulatividade; · As Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 violam o princípio da capacidade contributiva e do nãoconfisco; · As Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 estão eivadas de vício de inconstitucionalidade formal, porque violaram o art. 246 da CF; · As Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são inconstitucionais, pois a normatização das contribuições deveria se dar por lei complementar e não por lei ordinária como o são; · Exclusão do ISS da base de cálculo de PIS e COFINS; · Efeito confiscatório da multa aplicada. Nos termos do art. 62, caput do RICARF, é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal vedação é também prescrita pela Súmula n° 2 do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Logo, não há como se conhecer das alegações de mérito da Recorrente. Conclusão Do exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário e, parte conhecida, negarlhe provimento. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 12571.720004/201426 Acórdão n.º 3301004.672 S3C3T1 Fl. 325 7 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13047.720112/2016-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora junte a Dirf do período e intime a contribuinte a apresentar o comprovante da retenção de 5.477,04 (fl. 67).
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora junte a Dirf do período e intime a contribuinte a apresentar o comprovante da retenção de 5.477,04 (fl. 67). (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora junte a Dirf do período e intime a contribuinte a apresentar o comprovante da retenção de 5.477,04 (fl. 67). (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 47 .7 20 11 2/ 20 16 -6 1 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13047.720112/201661 Resolução nº 2002000.019 S2C0T2 Fl. 91 2 RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 07 a 16), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.553,34, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 69 dos autos, no qual o contribuinte alega que se trata de imposto retido sobre rendimentos recebidos acumuladamente e apresenta documentos para comprovar este fato. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, em 03/02/2017, no acórdão 1541.315, às efls. 75 a 76, não conheceu da impugnação por concomitância de processo judicial e processo administrativo. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 14/03/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 82 a 88, no qual alega, em resumo, que: · preliminarmente, que desiste do pedido de devolução do imposto de renda retido na fonte, pois declarada na DAA de 2013, exercício 2014. · que seja afastada a exigência fiscal, pois o processo judicial foi extinto. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 23/02/2017, efls. 81, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 14/03/2017, às efls. 82, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como mencionado, o presente processo de notificação de lançamento relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte em relação a rendimentos recebidos acumuladamente. Preliminarmente a recorrente informa que desiste do pedido de devolução do imposto de renda retido na fonte, pois declarada na DAA de 2013, exercício 2014. Afasto a preliminar por se tratar de matéria de mérito. No mérito, a contribuinte informa que ingressou com ação judicial (processo nº 001/1.10.02548588, que tramitou na 1ª Vara da Fazenda Pública do foro de central de Porto Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13047.720112/201661 Resolução nº 2002000.019 S2C0T2 Fl. 92 3 Alegre/RS, no qual se discute a retenção de imposto de renda em casos de rendimentos recebidos acumuladamente. A DRJ, em sua decisão, não conheceu a impugnação apresentada pela contribuinte, fundamenta na concomitância de instâncias, como se vê: Apesar do motivo da glosa ter sido o fato de a contribuinte haver obtido a restituição do imposto na ação judicial, a impugnante não traz argumentos ou provas que descaracterizem este fato. O documento às fls. 46 atesta que a reclamante solicitara no processo judicial a restituição do imposto retido aqui em questão. De acordo o Parecer Normativo COSIT nº 7 de 22/08/2014, a propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Feitas estas considerações, não constam nos autos documentação necessária para o desfecho da presente lide. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência voto para que a unidade preparadora junte a Dirf do período e intime a contribuinte a apresentar o comprovante da retenção de 5.477,04 (fl. 67). (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934221/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.502
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 42 21 /2 00 8- 34 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.934221/200834 Acórdão n.º 3302005.502 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.246. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.934221/200834 Acórdão n.º 3302005.502 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.934221/200834 Acórdão n.º 3302005.502 S3C3T2 Fl. 5 4 com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.934221/200834 Acórdão n.º 3302005.502 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.934221/200834 Acórdão n.º 3302005.502 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.001384/2003-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/03/1996
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para declarar que não estão prescritos os pedidos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995, com retorno dos autos ao colegiado de origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para declarar que não estão prescritos os pedidos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995, com retorno dos autos ao colegiado de origem. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 13 84 /2 00 3- 27 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 330200.299, de 01 de fevereiro de 2010 (efolhas 114 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO eríodo de apuração: 01/10/1988 a 31/03/1996 PASEP. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA 0 PEDIDO. 0 prazo para pedido de restituição ou para realização de compensação é de cinco anos, contados a partir do recolhimento indevido ou a maior do que o devido. Recurso voluntário negado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 124 e segs) diz respeito ao prazo para repetição do indébito. O Recurso especial foi parcialmente admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 189 e segs, apenas em relação ao prazo para se pleitear a restituição de tributos/contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 196 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 4 3 Preliminar de nulidade da decisão recorrida Não há a alegada nulidade da decisão recorrida. O Colegiado apenas aplicou o prazo decadencial tal como, à época, dispunha a Lei Complementar 118/2005. E nem poderia ser diferente. Na data da prolação do acórdão recorrido, 01 de fevereiro de 2010, vigia a interpretação contida no art. 3º da Lei Complementar 118/1995, sem os efeitos modulatórios que sobrevieram, fruto da decisão superveniente tomada pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral. Mérito O art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 5 4 JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 6 5 aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias decididas em regime de repercussão geral sejam reproduzidas pelos conselheiros no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 30/06/2003. Portanto estão prescritos todos os fatos geradores ocorridos antes de 30/06/1993. Como o pedido abrange os períodos de outubro/88 a novembro/95, não estão prescritos os fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte, para declarar que não estão prescritos os pedidos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995. Os autos deverão retonar à turma julgadora a quo, para apreciação das questões de mérito relativas ao pedido de restituição/compensação. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 7 6 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 17284.720413/2016-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora forneça detalhes sobre situação atual do parcelamento de fls. 81/85 e 237/242, informando inclusive se o IRRF objeto de glosa nos autos está incluso no referido parcelamento, se sim, se este já está quitado, se não, informar se o IRRF foi pago via Darf fora do parcelamento. Posteriormente intime-se o contribuinte do teor da diligência.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora forneça detalhes sobre situação atual do parcelamento de fls. 81/85 e 237/242, informando inclusive se o IRRF objeto de glosa nos autos está incluso no referido parcelamento, se sim, se este já está quitado, se não, informar se o IRRF foi pago via Darf fora do parcelamento. Posteriormente intimese o contribuinte do teor da diligência. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 72 84 .7 20 41 3/ 20 16 -4 3 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 17284.720413/201643 Resolução nº 2002000.021 S2C0T2 Fl. 263 2 RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 10), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, vez que o contribuinte, enquanto sócio da empresa fonte pagadora, não comprovou os pagamentos da DIRF. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 23.592,36, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 147 dos autos, no qual o contribuinte alega: · O valor contestado referese ao imposto de renda retido na fonte informado no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e os rendimentos correspondentes foram devidamente oferecidos a tributação na declaração de ajuste anual. · Os valores declarados de retenção fonte código 0588 estão devidamente comprovados pela fonte pagadora PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA MECÂNICA S.A C.N.P.J N° 42.409.201.0001/97: · DARFS pagos conforme comprovantes anexados a presente impugnação no valor de R$ 32.787,96 e · Parcelamento na modalidade da LEI 12.996/2014 conforme recibo 08940489879729450859. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que por unanimidade, em 16/01/2017, no acórdão 0837.222, às efls. 168 a 172, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 178 a 251, no qual alega, em resumo, que: · Preliminarmente informa que a pessoa jurídica PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA MECÂNICA S.A C.N.P.J N° 42.409.201.0001/97, em 2014, apresentou DIRF relativa ao ano de 2013, conforme planilha às efls. 179; · No mérito, o imposto não é devido já que os DARF colacionados aos autos comprovam o pagamento do IRRF. · Ainda, há parcelamento ativo, suspendendo a exigência do crédito tributário. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 17284.720413/201643 Resolução nº 2002000.021 S2C0T2 Fl. 264 3 É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 21/02/2017, efls. 257, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 13/03/2017, também às efls. 177, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, vez que, como sócio da empresa fonte pagadora, não comprovou os pagamentos em DIRF, implicando na autuação de imposto suplementar no valor de R$ 23.592,36. O contribuinte, tanto em sede de impugnação quanto em fase recursal, juntou diversos recibos de pagamento a autônomo, expedido pela empresa em seu nome, pelo serviço de frete. Ainda, junta vários comprovantes de arrecadação com o código 0588, que referese a retenção de imposto de renda retido na fonte de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício. Às efls. 79 consta a DIRF, que não é documento hábil para comprovar o pagamento do imposto. Às efls. 81 e seguintes há a consolidação de vários débitos da PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA MECÂNICA S.A C.N.P.J N° 42.409.201.0001/97 em programa de parcelamento, cujos valores estão sob código 0561. Às efls. 92 e seguintes há vários documentos que informam o suposto pagamento, cuja referência é o código 0588. Conforme artigo 717 do RIR/99, compete a fonte pagadora reter o imposto, cabendo a sociedade empresária assim proceder, de forma que a DIRF com nome do funcionário pessoa física é suficiente para que esta efetue a compensação do imposto retido quando da apresentação da DAA. Contudo, tal regra é excepcionada pelo artigo 723 do mesmo regulamento, dispõe que são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Logo, no presente caso, não é suficiente que o contribuinte apresente apenas a DIRF em seu nome, devendo apresentar também a comprovação de que o pagamento foi efetuado pela empresa do qual é sócio, vide sua responsabilidade solidária. Ainda, informou que a pessoa jurídica do qual é sócio entrou em programa de parcelamento de tributos federais, colacionando, em sede de recurso voluntário, o pagamento de diversos DARF e comprovantes de arrecadação Fl. 264DF CARF MF Processo nº 17284.720413/201643 Resolução nº 2002000.021 S2C0T2 Fl. 265 4 Ante o exposto, voto para que a unidade preparadora forneça detalhes sobre situação atual do parcelamento de fls. 81/85 e 237/242, informando inclusive se o IRRF objeto de glosa nos autos está incluso no referido parcelamento, se sim, se este já está quitado, se não, informar se o IRRF foi pago via Darf fora do parcelamento. Posteriormente intimese o contribuinte do teor da diligência. (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002031/2006-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, no Brasil e no Exterior, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR. DOCUMENTOS DE PROVAS LIBERADOS PELO PODER JUDICIÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Os documentos liberados pela Justiça Federal no Paraná e encaminhados à Secretaria da Receita Federal constituem de provas lícitas que confirmam a movimentação financeira em conta no exterior tendo como beneficiário o sujeito passivo.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO.
O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando restar comprovado no procedimento administrativo, à vista das declarações de rendimentos e de bens, que o excesso não corresponde aos rendimentos tributáveis declarados, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação definitiva.
RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A multa de ofício de 75% tem seu regramento estabelecido no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais.
SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-005.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, no Brasil e no Exterior, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR. DOCUMENTOS DE PROVAS LIBERADOS PELO PODER JUDICIÁRIO. COMPROVAÇÃO. Os documentos liberados pela Justiça Federal no Paraná e encaminhados à Secretaria da Receita Federal constituem de provas lícitas que confirmam a movimentação financeira em conta no exterior tendo como beneficiário o sujeito passivo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando restar comprovado no procedimento administrativo, à vista das declarações de rendimentos e de bens, que o excesso não corresponde aos rendimentos tributáveis declarados, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação definitiva. RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 31 /2 00 6- 27 Fl. 975DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 976 2 A multa de ofício de 75% tem seu regramento estabelecido no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais. SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 15 39.355(fls. 921/925) da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR). Anexos aos autos, constam documentos liberados pela Justiça Federal Seção Judiciária do Paraná, provenientes de apuração do Caso "Beacon Hill" (CPI do Banestado), sobre remessas de divisas para o exterior (fls. 6 e seguintes). Fl. 976DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 977 3 A ação fiscal teve início 07/12/2005, por meio do Termo Inicial de Fiscalização (fls. 333/334). Em decorrência do procedimento administrativo foi lavrado Auto de Infração (fls. 757/761), referentes às seguintes infrações: a) Depósitos bancários de origem não comprovada em contas, em relação as contas no Brasil como no exterior, de responsabilidade do contribuinte em 2001 (R$ 2.666.197,75) e 2002 (R$ 7.072.217,12); b) Rendimentos omitidos de arrendamento de pastagem no ano calendário 2001 (R$ 55.000,00), declarados como isentos ou nãotributáveis; c) Variação patrimonial a descoberto em 2003 (R$ 299.737,07) e 2004 (R$ 625.816,23); d) Omissão de resgate de contribuições de previdência privada em 2003 (R$ 12.314,34). Por bem detalhar os fatos, transcrevemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 734/756), que assim resumiu: [...] Em complemento aos documentos enviados para atender o que fora solicitado no Termo de Início de Fiscalização, datado de 07 de dezembro de 2005, o contribuinte, através de correspondência, datada de 23 de junho de 2006, apresentou cópias de escrituras de imóveis de sua propriedade, cópia de nota fiscal de aquisição de veiculo, cópia de contrato de arrendamento de pastagens, cópias de declarações de renda e mais outras informações. Além disso, foram entregues os extratos bancários e alguns esclarecimentos solicitados na intimação datada de 19 de abril de 2006. Mediante a documentação trazida pelo contribuinte e mais os documentos recebidos da Justiça Federal que identificam o contribuinte como responsável pela subconta n° 310258, denominada “Aquarius", administrada pela empresa “Beacon Hill Service Corporation", em agência do “JP Morgan Chase Bank", em Nova Iorque Estados Unidos da América, foram elaboradas planilhas, com dados das contas bancárias nacionais e do exterior, para que o contribuinte comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes de recursos que deram origem a esses depósitos/créditos. Cabe esclarecer que o afastamento do sigilo bancário relativo à conta no exterior, que deu origem à documentação ora analisada, foi autorizado pelo Juízo da 2” Vara Criminal Federal de Curitiba Paraná, decorrente de investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, onde a empresa “Beacon Hill Service Corporation BHSC" foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos daquele banco brasileiro. [...] Após sucinto relato sobre o afastamento do sigilo bancário da subconta no exterior, e dando continuidade à descrição da ação fiscal em curso, para fins de apuração dos valores referentes à movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados para os anoscalendário de 2001 e 2002, a Fl. 977DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 978 4 partir dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte foram elaboradas planilhas com valores de créditos/depósitos identificados na conta do Bradesco, anocalendário de 2001, no total anual de R$ 113.517,68; Banco do Brasil, anocalendário de 2001, no total anual de R$173.211,75 e ano calendário de 2002, no total anual de R$ 137.628,50; Itaú, anocalendário de 2001, no total anual de R$ 117.995,70 e anocalendário de 2002, no total anual de R$ 3.500,00; e, ainda, créditos/depósitos identificados na subconta n° 310258"AQUARIUS", administrada pela BHSC, que totalizaram US$ 2.142.738,72 e US$2.462.053,60, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. Cientificado do Auto de Infração, via Sedex em 23/10/2006 (fls. 763), o recorrente apresentou impugnação em 23/11/2006 (fls. 765/813). O Acórdão nº 1539.355 do colegiado de primeira instância restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumemse rendimentos tributáveis os depósitos de origem não comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão do colegiado de primeira instância, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 14/04/2016 (fls. 931/971). Da sua peça recursal, assim se consubstanciam os principais argumentos de defesa: a) Já havia decaído, em 2006, o direito de lançamento sobre fatos geradores ocorridos em 2001, uma vez que se trata de lançamento por homologação; b) Depósitos bancários não se constituem em fato gerador do imposto de renda. Como meros indícios, caberia ao Fisco investigar e demonstrar o nexo entre os depósitos e a disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ou ainda a variação patrimonial a descoberto; c) Não houve omissão de rendimentos a título de resgate de contribuições previdenciárias, pois estes resgates já foram enumerados e comprovados pelo impugnante no decorrer do processo administrativo; d) O arrendamento de pastagem deve ser tratado como rendimento da atividade rural, que são isentos até o montante de R$ 400.000,00; e) Desconhece a existência de contas em seu nome no exterior, e jamais fora instado a se manifestar no processo em trâmite na 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, o que torna nulo o lançamento; Fl. 978DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 979 5 f) Quanto aos depósitos no Brasil, apresentara durante a fiscalização provas da sua origem, que, porém, foram injustificadamente desconsideradas pela autoridade lançadora; g) Não podem ser cobrados juros de mora concomitantemente com a multa de mora, por caracterizar duplicidade de penalização por um mesmo fato; h) A taxa SELIC não pode ser utilizada para cálculos de juros moratórios de débitos fiscais, porque não é fixada em lei, mas por norma do Banco Central, além de ter por objeto a remuneração de capital; i) Comprovara exaustivamente com documentos juntados no decorrer do processo administrativo que não existiu acréscimo patrimonial injustificado; j) A multa de 75% somente poderia ser aplicada se demonstrado o intuito de fraude. Ademais, é exagerada e tem natureza confiscatória, e por isso deve ser julgada inconstitucional. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar Decadência de fatos geradores até outubro de 2001 Aduz o recorrente que os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até outubro de 2001, por decurso do lapso temporal de cinco anos, estão decaídos. Defluise do auto de infração (fls. 752/762) que os lançamentos em referência correspondem a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada (item 003 do AI) e rendimentos classificados indevidamente na DIRPF/2002 (item 004 do AI). Quanto ao item 003 do AI, necessário esclarecer que este colegiado por meio de súmula já pacificou o entendimento em relação à matéria, conforme a seguir: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No tocante aos rendimentos classificados indevidamente na DIRPF, decorrentes de arrendamento de área de pastagens, fato gerador 31/10/2001, temse que Fl. 979DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 980 6 referidos rendimentos estão sujeitos ao ajuste anual, que se enquadram no conceito de lançamento por homologação, cujo termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao exercício analisado, momento em que o lançamento poderia ser efetuado. Neste sentido, é o julgado do STJ, recurso repetitivo, no REsp nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 980DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 981 7 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Neste sentido, como o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 26/10/2006, contase, para os fatos geradores do ano calendário de 2001, 05 (cinco) a partir de 01/01/2002, sendo o termo final o dia 31/12/2006. Assim, concluise como regular o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Mérito a) Esclarecimentos sobre as provas judiciais Depósitos/créditos conta corrente no exterior Salienta o recorrente que desconhece possuir conta corrente no exterior, sendo portanto nulos todos os valores lançados com base neste fato. Cabe esclarecer que a utilização dos documentos recebidos da Justiça Federal, que identifica o sujeito passivo como responsável por subconta no exterior, foi autorizada pelo Juiz da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba Paraná que afastou o sigilo bancário nesta operação, por meio de investigação da CPI do Banestado. O Assunto foi tratado no âmbito da Secretaria da Receita Federal, conforme memorando expedido aos Superintendentes pela Coordenação de Fiscalização (fls. 46): Assunto: Caso “Beacon Hill” Em complemento ao MemorandoCircular Cofis/GAB nº 2004/000652, de 24 de junho de 2004, informo que, nos termos da decisão judicial da 2ª Vara Criminal de Curitiba desta data, conforme o Ofício nº 267/2004GJ (cópia anexa), não há mais a restrição mencionada no item 18 daquele memorando. 2. Desta forma, o material encaminhado para as Regiões Fiscais relativo ao caso em questão está liberado para todos os fins, inclusive para abertura dos procedimentos fiscais e cientificação aos contribuintes no curso do procedimento. Desta forma, entendo que o colegiado de primeira instância circunstanciou de forma precisa a análise dos documentos recebidos da Justiça Federal: O impugnante alega desconhecer a existência de contas em seu nome no exterior. Mas os elementos anexados aos autos comprovam para além de qualquer dúvida que o autuado era responsável e titular de fato e de direito da subconta “Aquarius” no JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque, onde foram efetuados os depósitos em questão, sob a égide da empresa Beacon Hill Service Corporation. Como prova, há documentos assinados pelo próprio autuado, a exemplo do Fl. 981DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 982 8 contrato de abertura de conta (fls 78/81) e do cartão de assinaturas autorizadas (fls. 75/77), além de muitos outros. Estas provas foram colhidas no contexto das investigações do “Caso Banestado”, que alcançou notoriedade nacional, ao identificar contas bancárias no exterior, utilizadas por brasileiros para recebimento de valores movimentados à margem do sistema financeiro nacional. É dentro deste quadro que o conjunto de evidências carreadas aos autos deve ser avaliado. Não se trata de meras cópias ou listagens de computador, mas sim de provas consistentes e robustas, a demonstrar que o autuado foi beneficiário de créditos em conta no exterior, devidamente identificados e quantificados. Para desconstituir tais provas não bastam meras alegações de desconhecimento. Ainda que não houvesse sido intimado a se manifestar no processo judicial em que foram investigadas as contas do esquema Banestado, como alega, não há qualquer impedimento para a utilização no presente processo das provas ali colhidas, pois o que importa é que não tenham sido obtidas ilegalmente e que tenham sido disponibilizadas à Receita Federal pelo próprio Poder Judiciário. Como evidências materiais dos fatos, a sua validade independe do contexto jurídico em que foram geradas, uma vez que foram legalmente obtidas. De igual forma, não há qualquer razão para colocar em dúvida a validade das informações colhidas nas investigações policiais e das transcrições das operações financeiras em questão. Não se podem requerer provas de outra espécie para operações que se desenvolveram exclusivamente por meio eletrônico, como é o caso deste tipo de movimentação financeira ilegal, quando a ocultação dos fatos é um dos objetivos primordiais dos que se utilizam destes meios. Portanto, entendo que, à vista dos documentos liberados pelo Poder Judiciário Justiça Federal no Paraná, está superada a alegação relativa à conta no exterior em nome do sujeito passivo. b) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Aduz o recorrente que os depósitos em conta corrente, por si só, não podem ser considerados como fato gerador do imposto de renda, pois não se encaixam em seu princípio legal, visto que não reflete em absoluto, base de cálculo própria de tributo que tenha como pressuposto o conceito que pode ser qualificado de renda acréscimo. Pois bem. A matéria em discussão encontrase disposta no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 982DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 983 9 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (grifouse) Veja. Com o advento da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constatada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação. A legislação não faz nenhuma outra exigência para que reste caracterizada a omissão de rendimentos. Não é necessário, portanto, que a autoridade fiscal demonstre a existência de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza. Assim, a comprovação de origem deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. No caso, colhemse do Termo de Verificação Fiscal os valores referentes à movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados para os anos calendário 2001 e 2002, estando resumido pela auditoria fiscal desta forma (fls. 736): ..... na conta do Bradesco, anocalendário de 2001, no total anual de R$ 113.517,68; Banco do Brasil, anocalendário Fl. 983DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 984 10 de 2001, no total anual de R$ 173.211,75 e anocalendário de 2002, no total anual de R$ 137.628,50; Itaú, ano calendário de 2001, no total anual de R$ 117.995,70 e ano calendário de 2002, no total anual de R$ 3.500,00; e, ainda, créditos/depósitos identificados na subconta n° 310258 "AQUARIUS", administrada pela BHSC, que totalizaram US$ 2.142.738,72 e US$ 2.462.053,60, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. (grifou se) Por meio do termo de intimação fiscal, acompanhado de planilhas de conferência dos depósitos bancários e relatórios de depósitos/créditos da subconta nº 310258 no exterior (fls. 686 e segs), o sujeito passivo foi instado a apresentar: 1. Comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, das fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos nas seguintes contas bancárias, conforme planilhas anexas: . Bradesco, anocalendário de 2001; . Banco do Brasil, anoscalendário de 2001 e 2002; . Itaú, anoscalendário de 2001 e 2002 . 2. Comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, das fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários na sub conta n° 310258, denominada "Aquarius", administrada pela empresa Beacon Hill Sen/ice Corporation , em agência do J P Morgan Chase Bank, em Nova Iorque Estados Unidos da América, que tem o contribuinte como responsável, relativos aos anoscalendário de 2001 e 2002, conforme planilhas anexas que totalizam, por ano, US$ 2.142.738, 72 e US$ 2.462.053,60, respectivamente. Cabe esclarecer que a quebra do sigilo bancário relativo à conta no exterior, que deu origem ã documentação por nós analisada, foi autorizada pelo Juízo da 2° Vara Criminal Federal de Curitiba Paraná. Conforme registrou a auditoria fiscal, o sujeito passivo deixou de atender ao termo de intimação para esclarecer a origem dos depósitos (fls. 740). Relata ainda a autoridade lançadora que o valor de R$ 55.000,00, depositado no Banco do Brasil, no mês de outubro, estava vinculado ao contrato de arrendamento de pastagens, sendo desta forma objeto de tributação específica. Repisese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção legal, por esse modo, o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister, a simples apresentação de justificativas trazidas na peça de defesa, mas, também, que estas sejam amparadas por provas hábeis, idôneas e robustas. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 985 11 Portanto, sem razão o recorrente. c) Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI Afirma que não houve omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições previdenciárias. Para tanto, diz que esses rendimentos foram devidamente enumerados pela autuante e comprovado no processo administrativo. Em relação ao valor lançado a título de resgate de previdência de R$ 12.314,34 (item 001 do AI), referentes aos rendimentos recebidos do Banco Itaú, comprovante de rendimentos financeiros (fls. 308), constatase que o recorrente indevidamente informou como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva, conforme extrato da DIRPF/2004, às fls. 297. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Portanto, sem razão o recorrente. d) Acréscimo patrimonial a descoberto Dos Demonstrativos de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal (fls. 730/733), anexos ao Termo de Verificação Fiscal, anos calendário 2003 e 2004, extraise que a motivação do lançamento de ofício foi efetuado com base na variação patrimonial a descoberto (RECURSOS/ORIGENS DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES). Percebese que a auditoria fiscal, conforme TVF (fls. 740/751), consubstanciado nos documentos e termos anexos aos autos, procurou demonstrar, de forma detalhada, por ano calendário, os valores lançados a título de origens e aplicações de recursos. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto tem seu regramento basicamente estabelecido no Código Tributário Nacional e na Lei nº 7.713, de 1988, e deve ser apurada em bases mensais, como ocorre com vários tipos de rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, in verbis: Código Tributário Nacional SEÇÃO IV Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 985DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 986 12 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § [...] Lei nº 7.713, de 1988 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.(grifouse) Ainda, em relação ao acréscimo patrimonial, dispõe o art. 807 do Regulamento do Imposto de Renda: Subseção III Origem dos Recursos Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Em sua defesa, o recorrente refuta, de forma genérica, a apuração do acréscimo patrimonial, visto que foi devidamente demonstrada mediante a apresentação de documentos. No entanto, não específica quais documentos demonstra que não houve acréscimo patrimonial. Sem razão o recorrente. e) Rendimentos classificados indevidamente na DIRPF Do Auto de Infração (fls. 761), extraise que a auditoria fiscal constatou que, no anocalendário de 2001, o sujeito passivo declarou, indevidamente, como Rendimentos Fl. 986DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 987 13 Isentos e Não Tributável, o valor de R$ 55.000,00 (fls. 270), referente ao arrendamento de área para pastagens no Mato Grosso. De fato, tratase de rendimentos tributáveis, Instrumento Particular de Contrato de Arrendamento de Pastagens (fls. 595/596), que, nos termos do que dispõem os arts. 39, 49 e 58 do Regulamento do Imposto de Renda, sujeitamse ao ajuste anual. Neste sentido, reafirmase a decisão do colegiado de primeira instância que assim concluiu: O arrendamento de pastagem não é rendimento da atividade rural, como argumenta o impugnante, pois a produção é desenvolvida pelo arrendador, que arca com os seus custos, enquanto os rendimentos do arrendatário decorrem meramente do contrato de locação de propriedade ou direito. f) Acréscimos legais exigência de juros moratório/taxa Selic Questiona a aplicação dos juros de mora, informando que a taxa Selic è inconstitucional, conforme a seguir: Não obstante a própria autuação e a fundamentação legal não permitam, como visto, confirmar os índices aplicados para fins de atualização da suposta dívida, pelo extrato supracitado acreditase tenha sido aplicada a taxaSELIC, já que houve o acréscimo de juros. Ocorre que a taxa de juros SELIC é inconstitucional pelo que segue, e, portanto, o título atualizado por tal índices carece de liquidez e certeza. Quanto à inconstitucionalidade, impende informa que este colegiado não é competente para se pronunciar: " Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Em relação os juros de mora, é pacífico o entendimento, no âmbito desse colegiado, de que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, tal qual consta do lançamento do crédito tributário, nos termos da Súmula CARF nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. g) Cobrança concomitante de multa e juros de mora Entende que, no caso, a cobrança da multa de mora e juros de mora possuem a mesma natureza jurídica de sanções ressarcitórias, e que não há como se negar que está ocorrendo o chamado BIS IN IDEM, da seguinte forma: Além da multa moratória, estão sendo cobrados juros dessa mesma natureza. Tanto uma quanto a outra POSSUEM A MESMA NATUREZA JURÍDICA DE SANÇÕES RESSARCITÓRIAS, não há como se negar que está ocorrendo o Fl. 987DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 988 14 chamado BIS IN IDEM em decorrência da aplicação da mesma PENALIDADE por duas vezes, ou seja, pela cobrança de multa pela mora e juros pela mora que como visto possuem a natureza e função equivalentes. A multa de mora tem seu regramento, basicamente, estabelecido no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Verificando o demonstrativo consolidado do Crédito Tributário (fls. 4), constatase que não há cobrança de multa de mora, até por que o valor foi lançado de ofício, senão vejamos: Imposto de Renda Pessoa Física R$ Imposto 2.940.948,88 Juros de Mora 1.762.583,25 Multa 2.205.711,65 Valor do Crédito Apurado 6.909.243,78 Como se observa, a multa que está sendo cobrada nos autos referese à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, sem razão o recorrente. h) Multa de Ofício 75% Caráter confiscatório No que toca à multa de ofício, transcreve Enunciado nº 15 do CARF (Súmula CARF nº 14), com o seguinte teor: Enunciado nº 15 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 989 15 "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação de multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Decisão: Aprovada por maioria, com cinquenta e sete votos favoráveis e dois votos contrários proferidos pelos Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima e Nilton Pess, Súmula 1º CC nº 14. No caso, necessário esclarecer que o teor do enunciado diz respeito a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude do sujeito passivo, nos termos do disposto do art. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(Grifouse) Na situação em apreço, não foi aplicada a qualificadora da multa de ofício, conforme se observa da análise do item anterior. De acordo com o acima exposto, verificase que o lançamento da multa de 75% está devidamente amparado em lei. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais. Portanto, sem razão o recorrente. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 990 16 Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 990DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928626/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 26 /2 00 9- 01 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.928626/200901 Acórdão n.º 1401002.598 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.928626/200901 Acórdão n.º 1401002.598 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 31/05/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.928626/200901 Acórdão n.º 1401002.598 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.928626/200901 Acórdão n.º 1401002.598 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 118DF CARF MF
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