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Numero do processo: 16561.720180/2013-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL. INADIMISSIBILIDADE. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA.
Para que o recurso especial de divergência seja conhecido deve haver similitude fática e divergência na interpretação na legislação tributária.
Ausente a similitude fática, não se conhece do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo- Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007 RECURSO ESPECIAL. INADIMISSIBILIDADE. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. Para que o recurso especial de divergência seja conhecido deve haver similitude fática e divergência na interpretação na legislação tributária. Ausente a similitude fática, não se conhece do recurso.
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INADIMISSIBILIDADE. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. Para que o recurso especial de divergência seja conhecido deve haver similitude fática e divergência na interpretação na legislação tributária. Ausente a similitude fática, não se conhece do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 80 /2 01 3- 57 Fl. 1575DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de análise de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário, para: (i) cancelar lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre subvenção para investimento, pela razão de ser a acusação fiscal deficiente. Na origem, foi lavrado auto de infração contra sociedade da qual a Contribuinte em questão é sucessora, para cobrança dos tributos antes mencionados, por entender a fiscalização que os valores contabilizados como descontos na quitação de dívidas de ICMS, no âmbito do programa FOMENTAR1, foram excluídos indevidamente das bases de cálculo dos tributos, uma vez que se caracterizariam como subvenção para custeio e não para investimento. Ao analisar o Instrumento Particular de Financiamento, firmado entre o contribuinte sucedido e o Banco de Desenvolvimento do Estado de Goiás S.A, a fiscalização verificou que sua cláusula 1ª dispunha que o valor financiado deveria ser utilizado no reforço do capital de giro. Assim, concluiuse que não se encontravam presentes as características necessárias para que o benefício fosse considerado subvenção para investimento, por ausência de vinculação e estrita correspondência entre os benefícios financeiros auferidos e o destino desses recursos à realização do investimento, mormente, na aquisição dos ativos necessários à expansão do empreendimento econômico. Aplicouse multa qualificada de 150%. Impugnado o lançamento, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, para desqualificar a multa. Diante disso, foram interpostos os Recursos de Ofício e Voluntário. No julgamento dos Recursos a Turma a quo negou provimento ao Recurso de Ofício e deu provimento ao Recurso Voluntário. Para dar provimento ao Recurso do Contribuinte o relator do Acórdão recorrido asseverou que o primeiro detalhe a ser observado no caso é que o programa de incentivos desenvolveuse em duas etapas: a primeira, mediante financiamento de 70% do valor do ICMS devido, em até vinte anos, e a segunda, mediante descontos de até 89% na quitação antecipada, em operações de oferta pública feitas por meio de leilões, do imposto anteriormente financiados. Avança o relator aduzindo que é justamente nesta segunda etapa que se foca a discussão sobre a natureza da subvenção, se para investimento ou custeio, porque foi sobre os 1 Incentivo concedido pelo Estado de Goiás. Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201357 Acórdão n.º 9101003.432 CSRFT1 Fl. 1.576 3 valores dos descontos obtidos com operações de quitação antecipada que se basearam as autuações efetuadas pela fiscalização. Afirmou o relator que a lei estadual impôs a obrigatoriedade de a empresa aplicar o montante equivalente aos descontos obtidos com a quitação antecipada do financiamento na ampliação e/ou modernização de seu parque industrial incentivado dentro de vinte anos a contar da data da realização dos leilões respectivos. Assim, aduziu que no presente caso, a fiscalização agiu de forma equivocada. pois, analisou os termos do contrato e aditivos celebrados no âmbito da primeira etapa do programa de incentivos para concluir que o citado contrato e aditivos declaram explicitamente a destinação do benefício como reforço do capital de giro do contribuinte e não à realização de investimento, ainda que o reforço tenha sido necessário em função de investimento realizado em projetos em decorrência da implantação de unidade industrial. Concluiu então que a discussão neste processo deveria ser focada na segunda etapa do programa porque foi sobre os valores dos descontos obtidos com operações de quitação antecipada que se basearam as autuações efetuadas, de modo que de nada adianta argumentar que os recursos da primeira etapa poderiam ser utilizados como reforço do capital de giro. O que importaria era saber como foram utilizados os recursos da segunda etapa, ou seja, os valores equivalentes aos descontos obtidos nas operações de oferta pública feitas por meio de leilões. Só que, sobre isso não há qualquer menção, nem nos termos de intimação, nem na descrição dos fatos que acompanharam os autos de infração. Decidiuse então que controle os valores investidos não foram sequer verificados ou investigados, o que tornou o lançamento fiscal defeituoso. Vale aqui a transcrição da ementa da referida decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. PROGRAMA FOMENTAR. LEI ESTADUAL DE GOIÁS N. 13.436/98. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o "dinheiro não precisa ser carimbado". A "segunda etapa" do programa FOMENTAR tem na verdade natureza jurídica diversa do programa, e se enquadra na chamada subvenção para investimento. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi Fl. 1577DF CARF MF 4 aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Ademais, considerada a subvenção como de investimento, o valor não integrará a receita do contribuinte para fins de incidência das referidas contribuições sobre tal grandeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Declarou impedimento o conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Inconformada a Fazenda Nacional apresentou, regularmente, Recurso Especial, visando discutir a matéria. Seu Recurso foi admitido pelo Presidente da Câmara, conforme despacho de admissibilidade. O contribuinte, regularmente, apresentou contrarrazões, requerendo, em suma, o não conhecimento do Recurso da Fazenda e, se conhecido, seu não provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator CONHECIMENTO Diante do questionamento do Contribuinte acerca do conhecimento do Recurso da Fazenda, entendo prudente o debate. Como bem mencionado pelo Contribuinte, a Presidência da Câmara deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional com base em apenas um dos paradigmas trazidos. Desse modo, de plano entendo que o outro paradigma não se presta ao fim de conhecimento. Presumese que foi analisado e descartado pelo Presidente da Câmara. Sobre a admissibilidade do Recurso com base no paradigma analisado pela Presidência da Câmara, concordo com as razões do Contribuinte expostas no item II.2.1 de suas contrarrazões, quando pugna pelo seu não conhecimento. Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201357 Acórdão n.º 9101003.432 CSRFT1 Fl. 1.577 5 Conforme se extrai da leitura do acórdão recorrido notase, claramente, que o lançamento fiscal em questão foi cancelado por ser “defeituoso”. Por outro lado, analisandose o acórdão considerado como paradigma (Ac. nº 10805.767), verificase que, em momento algum, houve qualquer acusação acerca da falta de verificação/investigação, por parte do Sr. Agente Fiscal, sobre a aplicação dos recursos recebidos. Ou seja, não se analisou a validade do lançamento sob esse aspecto. Deveras, entendeuse no acórdão paradigma que se faz necessária a aplicação dos valores correspondentes na expansão ou implantação do projeto econômico para a caracterização da subvenção para investimento. Confirase: “IRPJ E CSL — SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO — CARACTERIZAÇÃO BENEFICIO FINANCEIRO: Não configura subvenção para investimento o fato de a instituição bancária de fomento estadual dispensar a financiada de pagamento de parte da correção monetária incidente sobre empréstimo para pagamento do ICMS, se cumpridas as etapas do contrato, quando não existe vínculo entre a destinação do recurso entregue pelo subvencionador e a utilização única e exclusiva do investimento no ativo imobilizado da empresa, para expansão ou implantação de projeto econômico.” “Fazse necessário que os recursos recebidos sejam diretamente aplicados na aquisição de bens ou direitos vinculados ao projeto motivador da subvenção, para que, ao se contabilizar este recebimento como reserva de capital, não seja tributado na apuração do lucro real. É mister que exista um perfeito sincronismo entre a vontade do Poder Público e a destinação do recurso pelo subvencionado.” De fato, notase que a PGFN não se preocupou em demonstrar a divergência de entendimento, nos termos do RICARF, com relação à motivação da Decisão Recorrida: lançamento fiscal defeituoso em razão da não verificação, pelo Sr. Agente Fiscal, da realização dos investimentos. Frisese, ambos os acórdãos (recorrido e paradigma) tratam da necessidade de se investir os valores recebidos a título de subvenção, para fins de caracterizála como para investimento. Todavia, não existe divergência jurisprudencial comprovada pela PGFN, por meio dos paradigmas apontados, sobre estar o lançamento fiscal defeituoso ou não. Portanto, não se verifica a ocorrência da divergência de interpretação de legislação, nos termos do artigo 67 do RICARF, não sendo possível admitirse o recurso especial em questão. Mas não é só. Também são procedentes as razões contidas no item II.2.2 das contrarrazões do contribuinte, no sentido de que os acórdão recorrido e paradigma não tratam do mesmo regime jurídico. O regime jurídico analisado pelo acórdão paradigma corresponde ao programa FOMENTAR criado pelas Leis 9.489/84 e 11.180/90. Fl. 1579DF CARF MF 6 Já o cacórdão recorrido trata expressamente de outro regime jurídico, que prevê a liquidação antecipada do financiamento do programa, nos termos da Lei 13.436/98. Assim, levando em consideração que o paradigma não menciona nada quanto a possibilidade de liquidação antecipada do financiamento com desconto, o que constitui a subvenção concedida no presente caso, tornase evidente a não caracterização de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Assim, voto por não conhecer do Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720001/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. Recurso de Ofício Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
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CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 01 /2 01 2- 09 Fl. 1453DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE (Remessas ao Exterior), lavrado em 13/01/2012 e cientificado ao contribuinte nesta mesma data, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 2.186.342,80, sendo R$ 968.697,27 de CIDE, R$ 491.122,57 de juros de mora, e R$ 726.522,96 de multa de ofício (calculados até a data da lavratura), em virtude da insuficiência de recolhimento da contribuição referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2007 (fls. 1.1291.134). A Autoridade autuante descreveu o lançamento como tendo origem em remessas ao exterior em moeda estrangeira à título de pagamento de royaties à empresa Microsoft Licensing Inc dos EUA, em cumprimento ao "C ontrato de Distribuídor OEM da Microsoft". Entendeu a fiscalização que sobre os valores enviados incide a CIDE. Inconformado, o interessado apresentou impugnação tempestiva contestando os referidos lançamentos (fls. 1.1381.140). Primeiramente, em análise ao Termo de Constatação, destaca que as operações objeto do auto de infração se referem à parte das remessas ao exterior no ano de 2007, oriundas de contratos de cambio desacompanhados das respectivas faturas; e, que tais remessas foram consideradas como fatos geradores da CIDE, pois, segundo a autoridade tributária, a ausência de tais faturas impossibilitava a constatação da vinculação destas com o contrato de distribuição da Microsoft Licensing. Em seguida informa que o contrato que possui com a Microsoft se refere a aquisição de softwares padronizados da Microsoft, principalmente WINDOWS E OFFICE, os quais são distribuídos ao mercado, sem a ocorrência de transferência de tecnologia. Neste ponto, enfatiza que a própria autoridade fiscal verificou a inexistência de transferência de tecnologia relatando tal fato no Termo de Constatação Fiscal. Conclui, a partir daí, conforme entendimento da própria autoridade fiscal, que não há incidência da CIDE em relação às remessas relacionadas ao Contrato com a Microsoft. Prossegue sua defesa, comunicando que apresentou junto a impugnação todos os contratos de cambio e suas respectivas faturas, os quais foram relacionados no Termo de Constatação Fiscal, objeto do auto de infração. Assegura que a apresentação destas faturas, acusadas como ausentes pela autoridade tributária, comprova a vinculação das remessas que ensejaram os lançamentos com o contrato que possui com a Microsoft, o que prova que estas remessas não configuram hipóteses de incidência da CIDE. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela procedência da impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201209 Acórdão n.º 3201003.347 S3C2T1 Fl. 3 3 CIDEREMESSAS. LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). Até 31 de dezembro de 2005, a empresa signatária de contratos de cessão de licença de uso de programa de computador (software) era contribuinte da Cide, com relação às remessas efetuadas ao exterior, independentemente de tais contratos estarem atrelados ou não à transferência de tecnologia. A partir de 1º de janeiro de 2006, à vista do disposto nos arts. 20 e 21 da Lei nº 11.452, de 2007, as remessas para o exterior relativas a contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) passaram a estar sujeitas à incidência da Cide apenas na hipótese de ocorrer a transferência da correspondente tecnologia. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Sendo o lançamento exonerada superado limite de alçada vigente na data da decisão da DRJ, foi apresentado pela turma julgadora, o competente recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente é necessário verificar os pressupostos de admissibilidade do recurso de ofício, que esta previsto no art. 34, inciso I, do Decreto n" 70.235/72. Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. O valor a ser fixado para o recurso de oficio está previsto no art 1º da Portaria MF n° 63/2017. Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total Fl. 1455DF CARF MF 4 superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Apesar da Portaria MF 63/2017, ter sido editada em 10 de fevereiro de 2017. Por tratarse de matéria processual, entendo ser a regra de aplicação para todos os casos ainda pendentes de .julgamento. No caso em tela, o valor exonerado pela autoridade a quo, atingiu a soma de R$ 2.186.342,80, inferior ao limite previsto na Portaria MF 63/2017, destarte, não se conhece do recurso de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. Winderley Morais Pereira Fl. 1456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.001201/2010-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 12 01 /2 01 0- 35 Fl. 41DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 05 a 09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 15.920,00 , por falta de comprovação de pagamento, reduzindo o imposto de renda a restituir para R$1.102,20. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 a 03, juntando recibos e declaração médica para evidenciar a prestação do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada. A DRJ Porto Alegre, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e declaração em anexo. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Em relação ao tópico de dependentes, já foi devidamente analisado e concedido pela DRJ. Sendo assim, não há lide neste ponto, pois a controvérsia já foi sanada em relação a esta questão. Passemos então à análise no que se refere às despesas médicas apresentadas como passíveis de dedução pelo Contribuinte, ora Recorrente. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 42DF CARF MF Processo nº 15471.001201/201035 Acórdão n.º 2001000.258 S2C0T1 Fl. 3 3 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento de psicoterapia contendo nome completo do prestador, com CPF/CNPJ do prestador, credenciamento profissional, valor pago pelo contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. Em sede de Recurso Voluntário até declaração juntou. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Sem razão o notificado. Os recibos apresentados não suprem integralmente o motivo da glosa, pois não consta o endereço do profissional conforme determina o artigo 80, do § 1º, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda. Registrese ainda, por oportuno, que os recibos não informam o beneficiário do serviço prestado. Fl. 43DF CARF MF 4 Conclusão Ante o exposto, VOTO por julgar a impugnação improcedente e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelo prestador do serviço, assinada e datada pelo mesmo, não foram suficientes para comprovar as despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Fl. 44DF CARF MF Processo nº 15471.001201/201035 Acórdão n.º 2001000.258 S2C0T1 Fl. 4 5 Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação pouco vasta do lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003604/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa:
INCENTIVOS FISCAIS - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. DEFERIMENTO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N.º 37
Conforme Súmula CARF nº 37, para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.
A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximir-se de efetuá-lo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72
Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideram-se não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante.
Numero da decisão: 1302-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. DEFERIMENTO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N.º 37 Conforme Súmula CARF nº 37, para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximir-se de efetuá-lo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72 Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideram-se não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 325 1 324 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003604/200559 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.552 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente BANESPA S/A SERVIÇOS TÉCNICOS, ADMINISTRATIVOS E DE CORRETAGEM DE SEGUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. DEFERIMENTO. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N.º 37 Conforme Súmula CARF nº 37, para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72 Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideramse não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 04 /2 00 5- 59 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 19515.003604/200559 Acórdão n.º 1302002.552 S1C3T2 Fl. 326 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 0332.904/2009, da 2ª Turma da DRJ/Brasília (fls. 201). A exigência decorreu de aplicações consideradas indevidas de parcelas do IRPJ para o Finam e o Finor em razão de pendência junto ao FGTS relativa a Banespa S/A Corretora de Seguros, pessoa jurídica incorporada pela recorrente, assim descrita no minucioso relatório da decisão contestada, verbis: "Tratam os autos de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRRJ), consubstanciado no auto de infração às fl. 76/83, referente ao anocalendário 2000, com crédito tributário de R$ 5.381.341,49, lavrado contra o sujeito passivo Banespa S/A Serviços Técnicos, Administrativos e de Corretagem de Seguros (incorporadora do contribuinte Banespa S/A Corretora de Seguros, CNPJ 46.519.872/000161, que teve sua DIPJ/2001 submetida a revisão interna). Consoante descrição dos fatos do auto de infração e de acordo com o Termo de Verificação às fl. 76/77, parte integrante daquele, houve pagamento a menor do imposto de renda em decorrência de excesso de destinação do imposto de renda ao Finam e ao Finor. Consta no referido termo que a pessoa jurídica Banespa S/A Corretora de Seguros (incorporada) entregou DIPJ/2001 com um saldo de imposto a pagar de R$ 8.285.814,90, tendo sido efetuado pagamento de Fl. 326DF CARF MF Processo nº 19515.003604/200559 Acórdão n.º 1302002.552 S1C3T2 Fl. 327 3 R$ 6.214.953,09 através de Darf com código 2430 (IRPJ – Declaração de Ajuste), bem assim, sido destinado R$ 641.348,18 para o Finor (cód. 7920) e R$ 1.496.479,08 para o Finam (cód. 7933). Contudo, ele apresenta a pendência relativa ao FGTS, fato que impediu o reconhecimento do incentivo conforme art. 27, alínea "c" da Lei nº 8.036/90, e gerou, em consequência, um pagamento a menor de IR. Ainda consoante descrição dos fatos, bem assim, de acordo com documentos às fl. 02/04, o sujeito passivo fora intimado a esclarecer tal fato, porém não se manifestou. Junto à intimação foi encaminhada cópia do demonstrativo de apuração elaborado no processo de revisão da declaração tratado no tópico anterior. Ante a não validação do incentivo, foi constituído o crédito tributário para exigir o imposto que deixou de ser recolhido em virtude da destinação feita aos referidos fundos: R$ 2.070.861,81 (R$ 8.285.814,90 R$ 6.214.953,09). No dia 06/01/2006 a autoridade autuante elaborou a informação fiscal à fl. 86/87, onde esclareceu que, apesar de no Termo de Verificação constar a informação de que o sujeito passivo (incorporadora) não apresentar qualquer manifestação relativa à intimação efetuada, constatou, em sentido contrário, que foi a resposta havia sido entregue no dia 26/12/2005, dentro do prazo estipulado na intimação (fl. 46/75). Salientou que a documentação chegou às suas mãos apenas no dia seguinte, 27/12/2005, quando o auto de infração (e o Termo de Verificação, parte integrante) já havia sido postado (vide data de postagem no AR à fl. 84 e extrato dos Correios à fl. 85). Ao final, entendeu que a falta de análise da resposta do contribuinte antes do envio do auto de infração não o prejudicou, haja vista a possibilidade da apresentação da impugnação com todas as argumentações que entender pertinentes, bem assim, determinou a apensação dos processos n° 13807.007969/200591 (revisão de declaração) e n° 13820.001078/200391 (Perc). Cientificado do lançamento em 28/12/2005, consoante AR à 84, o sujeito passivo teve vista e solicitou cópia dos autos em 24/01/2006, conforme fl. 103/104. A cópia dos autos foi entregue em 26/01/2006." Após impugnação protocolada em 27/01/2006 (fls. 124), o órgão de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: "Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2000 INCENTIVO FISCAL. FINAM/FINOR. EXISTÊNCIA DE DÉBITO DE FGTS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. OBRIGAÇÃO DO CONTRIBUINTE. INCENTIVO NÃO VALIDADO. A comprovação da regularidade fiscal do contribuinte à época da opção pelo incentivo fiscal é obrigação deste estabelecida em lei. A falta de apresentação de certidões negativas ou positivas com efeitos de Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19515.003604/200559 Acórdão n.º 1302002.552 S1C3T2 Fl. 328 4 negativa expedidas quando da opção autoriza a invalidação do incentivo fiscal. INCORPORADORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE CERTIDÃO EM NOME DA INCORPORADA. A incorporadora sucede a incorporada em suas obrigações. Como a incorporada estava obrigada a comprovar sua regularidade fiscal no momento da opção, oportunidade em que deveria ter obtido certidões para tanto, a incorporadora passa a ser a responsável pela apresentação destas quando da interposição do Perc, a fim de validar a opção da incorporada pelo incentivo fiscal. Manifestação de inconformidade relativamente ao indeferimento do Perc é improcedente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, FALTA DE CONTRADITÓRIO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e do contraditório em fase de procedimento fiscal, ou seja, previamente à emissão da peça acusatória (auto de infração) e à instauração do contencioso. INCENTIVO FISCAL NÃO VALIDADO. EXCESSO DE DESTINAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Invalidado o incentivo fiscal, todo o montante de imposto de renda destinado ao Finam e ao Finor deve ser exigido mediante a lavratura de auto de infração, acrescido de juros de mora e multa de oficio. DIILIGÊNCIA. Não cabe a realização de diligência para produzir provas para o impugnante." O acórdão abrangeu a impugnação oposta neste processo (19515.003604/200559) e a manifestação de inconformidade relativa ao Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (Perc) do processo apensado (13820.001078/2003 91). Cientificada da decisão em 01/10/2009 (fl. 200), a contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 30/10/2009 (fl. 234), no qual alegou, em síntese: a) o momento para o Fisco analisar a regularidade fiscal é o da opção pelo incentivo fiscal, podendo o contribuinte comprovála durante o curso do processo administrativo; b) passou a ser responsável pelos tributos devidos pela empresa incorporada, nos termos do artigo 132 do CTN, razão pela qual a apresentação das certidões de regularidade fiscal em seu CNPJ seriam suficientes para que se deduzisse que os débitos da incorporada estariam ali englobados, não havendo que se falar em exigência de certidões negativas das empresas que já foram extintas sela incorporação, além de ser impossível a apresentação de certidão de FGTS 2 (dois) anos e meio após a extinção da sociedade incorporada; c) as reclamações e recursos administrativos suspendem a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN), o que impediria a lavratura de auto de infração de IRPJ antes de decisão administrativa definitiva acerca do Perc. Do mesmo modo, é descabida a imposição de multa de ofício. Ademais, o Perc foi apresentado em Fl. 328DF CARF MF Processo nº 19515.003604/200559 Acórdão n.º 1302002.552 S1C3T2 Fl. 329 5 26/11/2003, sendo certo que o despacho decisório que o indeferiu somente foi cientificado à Recorrente em 29/04/2009, muito posteriormente ao lançamento tributário. Assim formulou o pedido: "Por todo o exposto, requer seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reconhecido o direito da Recorrente a usufruir do benefício fiscal, cancelandose o auto de infração em sua integralidade, ou, ao menos, para que seja excluída a multa de ofício indevidamente aplicada, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário no momento da autuação." Submetido à análise pelo CARF, a 1ª Câmara/3ª Turma Ordinária deste Conselho, entendeu por bem converter o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 1103000.173, para introdução no sistema dos autos digitalizados dos processos nº 13820.001078/200391 e 13807.007969/200591, imprescindíveis para o julgamento, os quais, muito embora houvesse indicação no sistema, não constavam do “eprocesso”. Procedida a diligência, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Por atender aos requisitos de admissibilidade previstos no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72, conforme relatado acima, conheço do presente Recurso Voluntário. Tratase de auto de infração por recolhimento a menor de IRPJ em decorrência do excesso de aplicações em incentivos fiscais (Finor e Finam), conforme Demonstrativo de Apuração (fls. 03). Cumpre esclarecer, inicialmente, que o “excesso” mencionado na autuação decorre, simplesmente, do fato de que a destinação do imposto de renda foi integralmente não validada pela falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais quando da opção da empresa BANESPA S.A. CORRETORA DE SEGUROS, CNPJ 46.519.872/000161 (atualmente inexistente, por ter sido incorporada pela recorrente). Recordase que, para o anocalendário 2000, a empresa acima citada entregou a DIPJ/2001 com um saldo de imposto a pagar de R$ 8.285.814,90, tendo sido efetuado pagamento de R$ 6.214.953,09 através de Darf, além de constar no mesmo, a destinação de R$ 641.348,18 para o Finor e R$ 1.496.479,08 para o Finam. Contudo, a empresa incorporada pela recorrente neste processo, apresentava, à época, pendência relativa ao FGTS, sendo que este fato impediu o reconhecimento do incentivo conforme art. 27, alínea "c" da Lei nº 8.036/90. Logo, como não poderia ter sido feita qualquer destinação, todo o imposto que deixou de ser pago foi considerado excedente; gerando, em consequência um pagamento a menor de IR. Após receber "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" informando que os valores destinados ao FINAM e ao FINOR pela incorporada tinham sido indeferidos, Fl. 329DF CARF MF Processo nº 19515.003604/200559 Acórdão n.º 1302002.552 S1C3T2 Fl. 330 6 a Recorrente (incorporadora) BANESPA S/A SERVIÇOS TÉCNICOS, ADMINISTRATIVOS E DE CORRETAGEM DE SEGUROS, CNPJ 52.312.907/000190, na condição de responsável pelos débitos da incorporada, interpôs Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. Pois bem, com relação ao momento da opção pelo incentivo fiscal, oportunidade em que deveria ter sido apresentado Certificado de Regularidade do FGTS – o ponto central da controvérsia, digase de passagem – a recorrente afirma que a análise da regularidade fiscal deveria ter sido efetuada no momento da opção pelo incentivo fiscal. A recorrente segue aduzindo que na decisão recorrida, a DRJ havia entendido por "momento da opção" a data de envio do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais à Recorrente, e não a data da entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, sendo que, apenas com este último é que consubstanciar seia a opção pelo incentivo fiscal. No entanto, o que se observa da decisão recorrida é que ambos (a recorrente e a Turma Julgadora) entendem que o momento da opção pelo benefício é aquele em que o contribuinte torna pública a sua escolha. Na decisão em comento, inclusive, consta a afirmação de que, mesmo uma regularização posterior, não seria apta a validar o incentivo fiscal. Senão vejamos: “Mas em que momento deve ser verificada a regularidade do contribuinte: quando da opção pelo incentivo manifestada na DIPJ, quando da apresentação do Perc quando da apreciação do Perc ou quando da apreciação do recurso de decisão que indeferiu o Perc? Esta questão é a que mais tem trazido divergência de entendimento entre membros dos colegiados de primeira e segunda instâncias de julgamento administrativo tributário. Filiome aos que entendem que a pessoa jurídica deve estar em situação regular relativamente aos tributos e contribuições federais no momento em que toma pública sua opção. A meu ver não cabe outro entendimento, vez que não pode a União abrir mão da arrecadação de tributo apurado e devido, ainda que visando incentivar projetos de desenvolvimento regionais, relativamente a empresas com débitos de tributos e contribuições federais em aberto. Por óbvio não era essa a intenção do legislador. Não se alegue que a regularização posterior sanearia a situação do contribuinte, permitindo, assim, a validação do incentivo fiscal. Seria um prêmio para os contribuintes inadimplentes, em detrimento daqueles que primam pelo cumprimento de suas obrigações em dia. Assim também ocorre, por exemplo, em licitações públicas, quando as empresas participantes são obrigadas a apresentar certidões negativas federais quando do certame. A regularização posterior não autoriza a sua contratação. Frisese que este posicionamento foi defendido pelo contribuinte (incorporadora), na manifestação de inconformidade. Então, ainda que a partir de enfoques distintos, estamos concordando quanto ao momento em que a regularidade fiscal devia ser verificada”. (fl. 12 do Acórdão 03 32.904 2 Turma da DRJ/BSB) Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19515.003604/200559 Acórdão n.º 1302002.552 S1C3T2 Fl. 331 7 Compartilho do entendimento da Turma Julgadora de ser o momento da entrega/envio da DIPJ a oportunidade em que se considera feita a opção pela aplicação nos fundos Finor e Finam; devendo, portanto, a comprovação de regularidade fiscal recair sobre o período a que se refira a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, in casu, o anocalendário de 2000. Não obstante isso, a decisão em comento ainda reconhece que embora a seja necessária a comprovação da regularidade mediante apresentação de certidões negativas emitidas à época da opção; não há como apresentar tais certidões no momento em que se efetiva a opção, vez que as DIPJ’s são transmitidas eletronicamente. Por essa razão, a Turma Julgadora assevera que a comprovação da situação regular da optante à época da opção, deveria ter sido cumprida quando da apresentação do Perc pela recorrente, o que, no seu entendimento, não se verificou. Neste sentido, este Conselho Administrativo já pacificou seu entendimento por meio da Súmula CARF nº 37 que, além de afirmar ser o momento da entrega da DIPJ a oportunidade em que se considera feita a opção, consigna que a comprovação da regularidade à época da opção, pode darse em qualquer outro momento processual. Vejamos: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Ocorre que, a Recorrente conseguiu provar a quitação do FGTS da empresa optante (incorporada) à época da opção feita, conforme podemos constatar da análise do documento extraído do próprio sitio da Caixa Econômica, o qual comprava a situação de regularidade fiscal da recorrente junto ao FGTS. Por fim, a recorrente defende que o Fisco somente poderia ter lavrado auto de infração visando a exigência do imposto de renda após o fim do processo em que pedia a revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais – PERC, uma vez que, por força do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, as reclamações e recursos administrativos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. No entanto, observase que a fiscalização cumpriu com seu dever de constituição do crédito tributário conforme art. 142, do CTN. Nessa esteira, ainda que o Processo Administrativo nº 13820.001078/2003 91 albergue a constituição do crédito tributário apto a atrair a hipótese prevista no art. 151, inciso III, do CTN ao caso, seria correta a atitude da fiscalização em proceder o lançamento para prevenir a decadência do crédito tributário. Nesse sentido é uníssona a jurisprudência deste Conselho: LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade Fl. 331DF CARF MF Processo nº 19515.003604/200559 Acórdão n.º 1302002.552 S1C3T2 Fl. 332 8 funcional, eximirse de efetuálo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. (Acórdão nº 3201002.378; Sessão de 25/08/2016; Processo nº 18471.002162/200352) Com relação a aplicação da multa de ofício, não foram registrados quaisquer fundamentos sobre o tema tanto na Manifestação de Inconformidade constante no P.A. nº 13820.001078/200391 (fls. 372/398 do processo anexo); ou, sequer, na Impugnação existente neste P.A nº 19515.003604/200559 (fls. 105/116), razão porque não foi instaurada a fase litigiosa do procedimento em relação a aplicação da multa de ofício, de acordo com o art. 17 do DecretoLei nº 70.235/72. Conclusão Em conclusão, constatado que a recorrente apresentou Certificado de Regularidade do FGTS do Banespa SA Corretora de Seguros, CNPJ 46.519.872/000161 (incorporada pela recorrente Banespa SA Serviços Técnicos, Administrativos e de Corretagem de Seguros, CNPJ 52.312.907/000190) relativamente ao anocalendário 2000 (DIPJ 2001), é correto o deferimento da aplicação de parcela do imposto de renda em fundos de investimentos regionais, no caso o Finor e o Finam (Processo n.º 13820.001078/200391 (apensado)); e, portanto, são indevidos os créditos tributários exigidos por meio do processo administrativo n.º 19515.003604/200559. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao Recurso Voluntário, e, por consequência, determino o cancelamento do crédito tributário ora discutido. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000353/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA.
Considera-se matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
Numero da decisão: 2201-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA. Considera-se matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
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QUESTÃO INCONTROVERSA. Considerase matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 03 53 /2 00 5- 14 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10865.000353/200514 Acórdão n.º 2201004.131 S2C2T1 Fl. 184 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 176/178, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 162/170, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 8/16, lavrado em 16/02/2005, decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativos a fatos geradores ocorridos em dezembro/1999 e março/2000, com ciência do RECORRENTE em 07/03/2005 (fl. 114). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 21.177,32, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 18/28, mediante análise da Declaração de Ajuste do RECORRENTE relativa ao exercício 1992 (fls. 86/94) ficou constatada a ausência dos imóveis discriminados como lotes 12, 13, 14 e 15, adquiridos no ano de 1989, conforme consta em cópias de registros no 2°. Cartório de Imóveis de Limeira (fls. 60/84). O valor do imóvel denominado de lote 12 foi incluso na Declaração de Ajuste dos anoscalendário 1995 a 1997 (fls. 96/100 – item 10) e foi repassado para sua esposa na mesma Declaração de Ajuste do anocalendário 1997 (fls. 102/104 – item 10) já com valor diferente do que constava na Declaração do RECORRENTE. Os lotes 13, 14 e 15 não constarem nem na declaração do RECORRENTE nem na de sua esposa. A autoridade fiscal informou que, nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital poderá ser apurado em relação ao bem como um todo em nome de um deles pela totalidade, sendo a transferência de bens feita por um cônjuge ao outro na declaração de bens não interfere na apuração do imposto de renda sobre o ganho de capital. Neste sentido, a fiscalização constatou que havia a obrigatoriedade, por parte do contribuinte, de fazer constar na declaração de bens do anocalendário de 1991 e seguintes, os bens e direitos acima mencionados, adquiridos até o anocalendário de 1991. Assim, não houve apuração do imposto de renda sobre o ganho de capital das vendas dos bens imóveis denominados lotes 12, 13, 14 e 15, conforme consta em cópias de registros no 2°. Cartório de Imóveis de Limeira (fls. 60/82). Na impossibilidade legal de ter o custo de aquisições, atribuiu custos iguais a zero para os cálculos de apuração do ganho de capital das vendas dos bens imóveis mencionados, conforme demonstrativo de fls. 22/24: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10865.000353/200514 Acórdão n.º 2201004.131 S2C2T1 Fl. 185 3 O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 126/156 em 04/04/2005. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo/SP julgou procedente em parte o lançamento (fls. 162/170). O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/12/ 1999, 31/03/2000 LANÇAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO COMPETÊNCIA. Compete privativamente ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário pelo lançamento Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10865.000353/200514 Acórdão n.º 2201004.131 S2C2T1 Fl. 186 4 formalizando a exigência por meio de auto de infração ou notificação de lançamento. PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. CUSTO DE AQUISIÇÃO BENS ADQUIRIDOS ANTES DE 1991 E NÃO AVALIADOS NA DECLARAÇÃO DO EXERCÍCIO 1992. O custo de aquisição dos bens e direitos adquiridos ou as parcelas pagas até 31/12/1991, não avaliados a valor de mercado na declaração de bens do exercício 1992, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 01/01/1992 e 31/12/1995, corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31/12/1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único à IN SRF n2 84, de 2001. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto proferido na ocasião, a autoridade julgadora de primeira instância reformou o lançamento apenas para afastar o custo de aquisição igual a zero, adotado pela autoridade lançadora. Na ocasião, observou que nos registros de compra e venda constantes nas matrículas dos imóveis constam o valor pago na data da aquisição. Assim, atualizou tais valores mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único à IN SRF nº 84, de 2001, e recalculou o ganho de capital auferido pelo RECORRENTE, alterando o lançamento da seguinte forma: O Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 04/05/2009, conforme AR de fl. 175, apresentou o recurso voluntário de fls. 176/178 em 29/05/2009. Em suas razões de apelo, alegou, em síntese, o seguinte: I. Não concorda com o valor apurado e que lhe parece que o seu contador à época equivocouse, mas não tinha documentos para comprovar; Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10865.000353/200514 Acórdão n.º 2201004.131 S2C2T1 Fl. 187 5 II. Solicitou fosse feito “cálculo partindo dos 50% e não do zero”, a fim de diminuir o valor, assim como fosse realizado parcelamento do mesmo. Indagou se se existe algum tipo de negociação ou confissão de dívida; III. Cita o art. 89 do Código Civil, o qual trata de bens singulares, e afirma não haver necessidade de declaração unitária; IV. Ao tratar do período de apuração, cita diversas leis e o objeto delas sem, contudo, apresentar a pertinência das mesmas para o presente caso; V. Demonstra não entender os cálculos do lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Apenas afirma que aparentemente teria ocorrido um equívoco por parte de seu contador, que não possuía documentos para comprovar e, em razão disso, solicitou fosse reduzido o valor do débito e parcelado. No entanto, conforme já antecipado, não há prova dos supostos equívocos cometidos pelo contador do RECORRENTE. Ainda que houvessem tais provas, é preciso ter em mente que elas apenas atestariam a veracidade dos fatos apurados pela fiscalização, não podendo tais “equívocos” servir de licença para o não recolhimento do imposto devido. Ou seja, o tributo é devido com ou sem equívoco por parte do contribuinte. Sobre a solicitação de redução do valor, é importante observar que, em respeito ao princípio da isonomia tributária, a Administração Pública não pode instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, nos termos do art. 150, II, da Constituição: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;” Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10865.000353/200514 Acórdão n.º 2201004.131 S2C2T1 Fl. 188 6 Desse modo, é vedada a concessão de qualquer benefício fiscal ao contribuinte se não for através de lei. Isto porque a Administração Pública não pode ter seus atos realizados de forma arbitrária Neste sentido, a atividade da fiscalização é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, tendo o auditor o dever de efetuar o lançamento caso verifique imprecisão no recolhimento do tributo pelo contribuinte, sob pena de responsabilidade funcional: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Portanto não há como acatar o pedido para que seja concedido benefício de redução do crédito tributário ao RECORRENTE. Quanto ao parcelamento solicitado, o RECORRENTE deve observar que a Receita Federal possui programa de parcelamento de débitos regulados por normas específicas. Tanto que a intimação da decisão da DRJ, endereçada ao RECORRENTE, indicava a possibilidade de realizar parcelamento do débito (item 3 do fl. 172). Sendo assim, o RECORRENTE deve procurar o Centro de Atendimento ao Contribuinte para solicitar o parcelamento do débito objeto do presente processo. No que diz respeito ao restante das razões de apelo, não houve o necessário esclarecimento quanto à pertinência dos argumentos com o tema ora tratado. Em seu recurso voluntário, o RECORRENTE não apresenta qualquer razão capaz de modificar o lançamento tributário. Tendo em vista que o lançamento foi efetuado respeitandose as formalidades legais, a RECORRENTE tem o ônus de apresentar (e comprovar) fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do Fisco de efetuar o lançamento. Sem a apresentação de provas, não há como efetuar qualquer alteração no lançamento. Dispõe neste sentido o art. 16 do Decreto 70.235/76, assim como o art. 373 do CPC, abaixo transcritos: Decreto 70.235/76 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; CPC Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10865.000353/200514 Acórdão n.º 2201004.131 S2C2T1 Fl. 189 7 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Neste sentido, caberia à RECORRENTE ter demonstrado de forma específica a razão pela qual entende ser indevido o imposto de renda decorrente do ganho de capital auferido com a venda de 4 imóveis de sua propriedade (lotes 12, 13, 14 e 15), ou que a apuração do tributo foi feita de forma equivocada, apresentando provas de suas alegações. Ademais, conforme exposto, a atividade da fiscalização é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, tendo o auditor o dever de efetuar o lançamento caso verifique imprecisão no recolhimento do tributo pelo contribuinte, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, não há razão para afastar o lançamento. Desse modo, entendo que não houve o enfrentamento das matérias, o que é imprescindível para o julgamento do caso. Neste sentido, o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 assim determina: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de imposto de renda. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000157/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/12/1996
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 01 57 /2 00 7- 02 Fl. 281DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11330.000157/200702 Acórdão n.º 2201004.041 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 283DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11330.000157/200702 Acórdão n.º 2201004.041 S2C2T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 285DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.722891/2015-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/07/2013
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO. IMPROCEDENTE.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. INCIDÊNCIA.
Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 02/07/2013 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO. IMPROCEDENTE. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO. IMPROCEDENTE. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 72 28 91 /2 01 5- 14 Fl. 324DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Por ser sintético e transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/São Paulo, fls. 1831: Tratase de lançamento para prevenir decadência de PIS e Cofins incidentes sobre a importação de bens no valor originário total de R$ 407,37. Foram lançados apenas principal e juros de mora. Conforme relatado, para a importação relativa à DI 13/12722020 (regitro (sic) em 02/07/2013), o autuado obteve provimento judicial, na forma de antecipação de tutela obtida previamente (em 22/05 – v. fls. 36), para adotar base de cálculo menor que aquela prevista no texto então vigente do art. 7º, I, da Lei 10.865/04 (fls. 0411). Ciente em 20/07/2015 (fls. 68), a autuado protocolou impugnação em 04/08/2015 na qual (i) preliminarmente, defende o descabimento do lançamento e, (ii) no mérito, basicamente repete a petição inicial da ação judicial (fls. 89109; petição inicial às fls. 3961). A DRJ/São Paulo julgou improcedente a impugnação e a decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 02/07/2013 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. É cabível o lançamento quando a exigibilidade do respectivo crédito estiver suspensa por prévia concessão de antecipação de tutela. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial impetrada com o mesmo objeto, devendo se declarar, no âmbito administrativo, a definitividade do crédito constituído, conforme o Parecer Normativo Cosit nº 7/2014. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10831.722891/201514 Acórdão n.º 3302005.150 S3C3T2 Fl. 3 3 A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, onde alegou em síntese que: Em preliminar: 1. Nulidade do acórdão da DRJ/São Paulo por não ter apreciado o conjunto probatório e jurídico; 2. Nulidade por ter desrespeitado ordem judicial, que já tem trânsito em julgado. No mérito: 1. Discorre sobre o alargamento na base de cálculo na importação e cita precedente do STF sobre a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS importação; 2. Alega a insubsistência dos demais tributos que integram a base de cálculo do PIS/COFINSimportação; 3. Argumenta sobre o princípio da nãocumulatividade; 4. Contesta a multa de ofício e os juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 18 de maio de 2016, fls. 211, e o recurso foi protocolado em 09 de junho de 2016, fls. 213. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminares 2.1. Nulidade por falta de apreciação do conjunto fático e probatório e desrespeito ao trânsito judicial A Recorrente alega nulidade por falta de apreciação do conjunto fático e probatório por parte da DRJ/São Paulo. Tal alegação não merece prosperar, uma vez que a DRJ/São Paulo não considerou os argumentos da Recorrente, pois foi constatada a existência de concomitância, nesse sentido, vale transcrever trecho da decisão, fls. 183: A coincidência de objetos entre o presente processo e a ação judicial configura concomitância e implica renúncia tácita à Fl. 326DF CARF MF 4 instância administrativa, devendose declarar a definitividade do crédito constituído, de acordo com o PN Cosit nº 7/2014. Quando o contribuinte opta pela esfera judicial, automaticamente, ele renuncia à esfera administrativa, vide súmula Carf: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No mesmo sentido, vide o Decreto nº 7574/2011: Decreto nº 7574/2011 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Esta turma já decidiu nos seguintes termos a respeito da concomitância, vide acórdão nº 3302.002.957, Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/1992 a 31/12/1995 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA. A opção pela via judicial quanto ao questionamento da incidência do IPI sobre os cartões com tarja magnética importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. PROVIDÊNCIAS DE COMPETÊNCIA DA UNIDADE. Existindo decisão judicial transitada em julgado, favorável ao contribuinte, declarando a não ocorrência do fato gerador do IPI, compete à unidade as providências no âmbito de sua competência. Quanto à preliminar de desrespeito ao trânsito judicial, cabe esclarecer que o presente auto de infração foi lavrado para prevenir os efeitos decadência e caso a Recorrente tenha decisão favorável à sua demanda, envolvendo toda a matéria do auto, automaticamente, este será considerado nulo, não havendo, portanto, que se alegar desrespeito ao trânsito judicial, por tal motivação, rejeitamse as preliminares suscitadas. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10831.722891/201514 Acórdão n.º 3302005.150 S3C3T2 Fl. 4 5 3. Do mérito 3.1. Da concomitância existente e da delimitação da lide A Recorrente ajuizou a ação ordinária, autos nº 0008347.79.2013.4.03.61000, em trâmite na 26ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, do relatório que descreve a lide, fls. 135, temse que: Vistos em inspeção. INDÚSTRIA MECÂNICA SAMOT LTDA ajuizou a presente ação pelo rito ordinário em face da União Federal, pelas razões a seguir expostas. Afirma, a autora, que, realiza, periodicamente, importação de determinados produtos e está sujeita ao pagamento do PIS Importação e da COFINS Importação, com base na Lei n° 10.865/04. Alega que, segundo o Fisco, na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, além do ICMS, também deve ser incluído o valor das próprias contribuições e outros tributos (IPI e II), em razão da definição indefinida de valor aduaneiro.Sustenta que o valor aduaneiro está estabelecido pelo GATT Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (1994), promulgado pelo Decreto n° 2.498/98 e que a Lei n° 10.865/04, ao alargar a base de cálculo do PIS e da COFINS Importação, extrapolou o conceito de valor aduaneiro. Sustenta, ainda, ter direito ao recolhimento das referidas contribuições tão somente com base no "valor aduaneiro". Acrescenta que o valor aduaneiro não abrange o montante devido a título do próprio imposto sobre a importação e dos demais impostos eventualmente incidentes sobre a importação, como o IPI, o II e o ICMS ou ISS. Por fim, afirma que a inclusão do ICMS e dos tributos e contribuições mencionadas na base de cálculo do PIS e COFINS sobre importação viola a Constituição Federal, por descaracterizar o conceito de valor aduaneiro. Pede que seja antecipada a tutela para autorizar a liberação das mercadorias importadas, independentemente do recolhimento do PIS/COFINS importação, previsto no artigo 7o, inciso I da Lei n° 10.865/04, excluindose da base de cálculo o ICMS, as próprias contribuições, o IPI e o II, permitindo o recolhimento sobre o valor da transação. Requer, ainda, que os valores, que estão sendo indevidamente cobrados, mediante a inclusão do ICMS, das próprias contribuições, do IPI e do II na base de cálculo do PIS/COFINS importação, sejam depositados, à disposição do Juízo, devendo a ré se abster de praticar qualquer ato que implique em sanção à autora Assim, constatase a existência de concomitância e renúncia à esfera administrativa de grande parte dos temas, confirmandose, portanto, a decisão da DRJ/São Paulo. A partir da análise do Recurso Voluntário, percebese que as matérias que não foram tratadas na ação judicial apresentamse como a questão dos juros sobre a multa e a data da contagem dos juros, as demais não serão conhecidas pela existência de concomitância. 3.2. Dos juros de mora A Recorrente insurgese contra a aplicação dos juros moratórios e dos juros sobre a multa de ofício. No auto de infração, fls. 4 e 9, percebese a existência apenas dos juros Fl. 328DF CARF MF 6 de mora, não havendo o lançamento da multa de ofício, pois se trata de débito com a exigibilidade suspensa em razão de medida judicial, e o lançamento, conforme expresso anteriormente, foi realizado para prevenir os efeitos da decadência. Nesse sentido, não se conhece da argumentação do juros sobre a multa de ofício. Não há que se questionar a incidência de juros sobre multa, pois o auto apenas consubstancia os juros de mora, portanto, tratase de matéria não conhecida. Quanto ao termo inicial da contagem dos juros, vale transcrever a legislação a respeito do tema: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Lei nº 9.430/1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não constam no original) Ademais, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já sumulou a matéria, que se amolda ao caso: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A Recorrente argumenta no sentido de que os juros devem ter como termo inicial a lavratura do auto de infração e não a ocorrência do fato gerador, ocorre que, por uma interpretação, da legislação, depreendese que o crédito não integralmente pago no vencimento entendase o vencimento como o fato jurídico tributário terá o acréscimo de juros de mora. A legislação não dispõe o lançamento de ofício do crédito tributário como o termo inicial, mas sim o vencimento da obrigação. Portanto, improcedente a argumentação. Nesse sentido, mantémse a incidência dos juros de mora, pois não houve pagamento do crédito tributário Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10831.722891/201514 Acórdão n.º 3302005.150 S3C3T2 Fl. 5 7 integralmente no vencimento, tampouco o depósito do montante integral, e não se conhece da argumentação dos juros sobre a multa de ofício por se tratar de matéria estranha aos autos. 5. Conclusão Por todo o exposto, conheço em parte do recurso voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, na parte conhecida, nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001259/2003-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 06/01/2003
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO NA IMPORTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS.
É requisito essencial à importação com os benefícios do Regime da Zona Franca de Manaus a licença de importação com anuência da SUFRAMA, consoante Decreto nº 205/91 e no art. 455 do Decreto 4.543/2002. Constatando-se a entrada de mercadoria em território nacional diversa daquela autorizada pela SUFRAMA e não tendo havido a sua correta descrição, restam afastados os benefícios do regime aduaneiro em análise - isenção do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados.
Numero da decisão: 9303-005.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 06/01/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO NA IMPORTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. É requisito essencial à importação com os benefícios do Regime da Zona Franca de Manaus a licença de importação com anuência da SUFRAMA, consoante Decreto nº 205/91 e no art. 455 do Decreto 4.543/2002. Constatando-se a entrada de mercadoria em território nacional diversa daquela autorizada pela SUFRAMA e não tendo havido a sua correta descrição, restam afastados os benefícios do regime aduaneiro em análise - isenção do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1398; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 445 1 444 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.001259/200353 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.876 – 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria ZONA FRANCA DE MANAUS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IGB ELETRÔNICA S.A. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/01/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO NA IMPORTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. É requisito essencial à importação com os benefícios do Regime da Zona Franca de Manaus a licença de importação com anuência da SUFRAMA, consoante Decreto nº 205/91 e no art. 455 do Decreto 4.543/2002. Constatandose a entrada de mercadoria em território nacional diversa daquela autorizada pela SUFRAMA e não tendo havido a sua correta descrição, restam afastados os benefícios do regime aduaneiro em análise isenção do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 12 59 /2 00 3- 53 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10283.001259/200353 Acórdão n.º 9303005.876 CSRFT3 Fl. 446 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 361 a 372) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3102001.667 (fls. 336 a 345) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27/11/2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/01/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO SOBRE A IMPORTAÇÃO. CONDIÇÕES. Restando demonstrado que o produto foi importado para a Zona Franca de Manaus e que não se caracterizou o descumprimento de qualquer condição legal, forçoso é reconhecer a isenção dos tributos incidentes sobre a importação. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/01/2003 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. EQUÍVOCO QUANDO DA INDICAÇÃO DE DESTAQUE NCM. IMPLICAÇÕES. Demonstrado que o erro na indicação do destaque de NCM interferiu no tratamento administrativo dispensado à mercadoria, cabível é a aplicação de multa por falta de licença de importação. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Originase o processo de autos de infração (fls. 28 a 44) lavrados para exigência de Imposto de Importação (II), acrescido da multa de ofício de 75% do tributo (art. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10283.001259/200353 Acórdão n.º 9303005.876 CSRFT3 Fl. 447 3 44, II da Lei nº 9.430/96) e da multa de controle administrativo das importações (art. 169, inciso I, alínea "b" do DecretoLei nº 37/66, com redação da Lei nº 6.562/78); e, ainda, para constituição do crédito tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados na importação (IPI vinculado à importação). Na realização do procedimento fiscal, foram identificadas infrações aos dispositivos da legislação aduaneira, consubstanciadas em: (a) descumprimento de obrigações necessárias à permanência no regime da Zona Franca de Manaus; e (b) realização de importação desamparada da guia de importação ou de documento equivalente. Na descrição dos fatos que ensejaram a Fiscalização, descreve a Autoridade Aduaneira que: [...] O importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, através da Declaração de importação (DI) n° 03/00083283 (Ver anexo), de 06/01/2003, mercadoria estrangeira para a produção de aparelhos de rádio com tocadiscos digital a laser, com a seguinte descrição: "Mecanismo do tocadiscos laser, montado, composto de: chassi de plástico, motores, engrenagens, bandeja para discos, placa de circuito impresso de servo mecanismo montada com componentes eletroeletrônicos e cabos elétricos de interligação.**SUFRAMA**3 CD changer ICK57 2/130AH" Durante a conferência física da mercadoria, a fiscalização observou que a mercadoria importada continha, acoplado ao mecanismo, uma unidade ótica, conforme pode ser observado nas fotos anexas. Atualmente, a sistemática de anuência dos pedidos de licenciamento de importações é feita pela SUFRAMA através da "LISTA PADRÃO DE INSUMOS" (Ver anexo), única por produto. Esta lista com as descrição das mercadorias que podem ser importadas para determinado produto, assim como a descrição dos componentes principais que devem integrar a mercadoria, no caso de mecanismos. A SUFRAMA analisa o Pedido de Licenciamento de Importação (PLI) com base na lista padrão de insumos. Quando o pedido de licenciamento de importação é deferido, significa que foi analisado e anuído somente a "Descrição SUFRAMA"do "Destaque" solicitado pelo importador. No caso em epígrafe, um dos itens principais que compõem o mecanismo é a unidade ótica (ver foto anexa), que deve, obrigatoriamente, estar descrita da Declaração de Importação. Assim, a descrição correta seria a do destaque n° 223 na Lista Padrão de Insumos; "Mecanismo do toca disco laser, composto de: Unidade ótica, chassi de plástico, motores, engrenagens, bandeja p/ discos, cabos de interligação e 3 placas de circuito impresso de servomecanismo montadas com componentes eletro eletrônicos", não a do destaque n° 295, que foi o utilizado, pois este destaque não descreve a unidade ótica, o que é contemplado naquele. Sendo assim, o importador obteve anuência junto a Suframa para a importação do produto "Destaque" n° 295, e importou, efetivamente, o insumo condizente com o destaque n° 223 da listagem padrão de insumos, Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10283.001259/200353 Acórdão n.º 9303005.876 CSRFT3 Fl. 448 4 do produto "Rádio com gravador/reprodutor de fitas cassetes magnéticas e tocadiscos digital a laser". Pelo descrito acima, a fiscalização entende que a mercadoria licenciada não corresponde à mercadoria efetivamente importada, caracterizando, além da infração por importação sem o devido licenciamento, a perda do benefício de isenção tributária previsto no Decreto n° 61.244/67, que regulamentou o DecretoLei n° 288/67, no caso da Zona Franca de Manaus, pois o licenciamento da Suframa é obrigatório para que o importador usufrua de tal beneficio, devendo ser aplicado o tratamento tributário dado a uma importação normal, exigindose os impostos pertinentes. A Declaração de Importação encontrase interrompida no Siscomex, e a entrega da mercadoria ao importador fica pendente, nos termos da legislação aplicável. [...] (fls. 30 e 31) (grifouse) Em face da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 59 a 63), julgada improcedente, mantendose o lançamento na sua íntegra, consoante fundamentos do Acórdão nº 0814.261, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), de 15/10/2008 (fls. 184 a 192), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/01/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. EXIGIBILIDADE DOS TRIBUTOS. Incabível o reconhecimento dos benefícios fiscais na importação de mercadoria para a Zona Franca de Manaus, quando verificada a falta de Licença de Importação com anuência expressa da SUFRAMA para a mercadoria efetivamente importada, sendo correta a exigência dos tributos devidos e penalidades. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/01/2003 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. IMPORTAÇÃO AO DESAMPARO DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Constatado que a mercadoria submetida a despacho aduaneiro diverge em relação à descrita na Licença de Importação, fica configurada a importação ao desamparo do citado documento, situação punível com a multa de trinta por cento do valor da mercadoria. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10283.001259/200353 Acórdão n.º 9303005.876 CSRFT3 Fl. 449 5 No caso de lançamento de ofício em razão da falta de recolhimento de tributos, aplicase a multa de setenta e cinco por cento sobre o valor não recolhido. Lançamento Procedente Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 197 a 207), ao qual foi dado provimento parcial nos termos do Acórdão nº 3102001.667 (fls. 336 a 345) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27/11/2012, ora recorrido, para: (a) afastar a exigência do II e do IPI vinculado à importação, bem como das respectivas multas de ofício, mantendose o benefício relativo à entrada do produto na Zona Franca de Manaus; e (b) exigir a multa administrativa por falta de licença de importação. No ensejo, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (fls. 361 a 372) alegando divergência jurisprudencial quanto ao afastamento da exigência do II e do IPI importação, com as respectivas multas de ofício, por ter sido mantido o benefício referente à entrada do produto na Zona Franca de Manaus, mesmo ausente a anuência expressa da SUFRAMA. Como paradigmas para a reforma da decisão recorrida, trouxe os acórdãos nºs 30236.164 e 30236.405. Nas razões postas no apelo especial, a Recorrente aduz, em síntese, que: (a) no procedimento de verificação física, foi detectado pela Fiscalização ter sido importada pela empresa mercadoria diversa daquela constante na Licença de Importação e que obteve a anuência da SUFRAMA, tendo tal fato sido admitido pela Contribuinte na impugnação, apenas contestando os seus efeitos jurídicos; (b) a especificação ou a descrição da mercadoria deve ser a mais completa possível, permitindo o seu correto enquadramento tarifário e a perfeita identificação por ocasião da conferência física; (c) nos termos do art. 416 do Regulamento Aduaneiro, se houver divergência entre a especificação da mercadoria indicada na DI e a constatada no exame físico, aquela deverá subsistir como declaração importador; (d) no caso dos autos, a licença de importação foi deferida para a importação de tocadiscos laser, montado, cuja anuência da SUFRAMA não elencava em sua composição uma unidade ótica, tendo sido constatada sua presença na mercadoria na conferência física, distanciandose daquela autorizada em LI; (e) embora não haja alteração da classificação fiscal da mercadoria, a diferença entre o produto efetivamente importado e aquele autorizado para importação com suspensão de impostos tem relevância para fins de licenciamento e anuência por parte da SUFRAMA, tanto que há dois códigos distintos na Lista Padrão de Insumos da SUFRAMA para descrição das mercadorias; Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10283.001259/200353 Acórdão n.º 9303005.876 CSRFT3 Fl. 450 6 (f) nos termos da legislação, a Guia de Importação/Licença de Importação com autorização da SUFRAMA é prérequisito para que a mercadoria importada usufrua dos benefícios do Decretolei nº 288/67, sendo que a sua inobservância enseja a descaracterização dos benefícios fiscais, autorizando o lançamento dos tributos em tela; (g) ao final, requer o provimento do recurso especial para ver restabelecida a exigência. Foi admitido o recurso especial do ente Fazendário por meio do despacho nº 3100137, de 20 de maio de 2014 (fls. 375 a 377), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à perda do benefício referente à entrada do produto na Zona Franca de Manaus em razão da falta de anuência expressa da SUFRAMA. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 382 a 443) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, centrase a lide na possibilidade (ou não) de manutenção dos benefícios fiscais concedidos à entrada de mercadorias na Zona Franca de Manaus (isenção de IPI e do II), por terem sido importados os insumos com enquadramento em classificação equivocada e descrição da mercadoria insuficiente, no entender da Fiscalização, e, portanto, considerado como ausente a anuência expressa da SUFRAMA. A Contribuinte efetuou a importação de "mecanismo do tocadisco laser, montado, composto de: chassi de plástico, motores, engrenagens, bandeja para discos, placas de circuito impresso de servo mecanismo montada com componentes eletroeletrônicos e cabos elétricos de interligação", classificandoo na posição nº 259 da Lista Padrão. A Fiscalização, por sua vez, entendeu que a importação referiase à mercadoria da posição nº 233, pela existência de unidade ótica não identificada pela empresa. Como consequência, foi lavrado o auto de infração para exigência da multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro 30% sobre o valor da mercadoria e desconsiderado o benefício fiscal Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10283.001259/200353 Acórdão n.º 9303005.876 CSRFT3 Fl. 451 7 inicialmente concedido à importadora por serem os produtos destinados à Zona Franca de Manaus. Motivou a lavratura do auto de infração o entendimento da Autoridade Fiscal no sentido de que pela divergência da classificação da mercadoria importada a operação não mais estaria amparada pelo licenciamento/anuência da SUFRAMA, condição determinante para a fruição do benefício fiscal do Decreto nº 61.244/67. A Zona Franca de Manaus foi criada pela Lei nº 3.173/1957, funcionando, inicialmente, como área "[...] para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como do s países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas" (art. 1º). Da mesma forma, nos termos do art. 5º da Lei nº 3.173/57, havia a previsão de incentivos fiscais em relação às operações efetuadas na área da Zona Franca de Manaus, ao estabelecer o não pagamento de direitos alfandegários ou quaisquer outros impostos federais, estaduais ou municipais para as mercadorias de procedência estrangeira diretamente desembarcadas naquela área. Em 26 de fevereiro de 1967, foi editado o DecretoLei nº 288 para regulamentar a Zona Franca de Manaus, estabelecendo os objetivos da política governamental para a área, os incentivos fiscais para as atividades econômicas e a criação de um órgão responsável por administrar a implementação da área de livre comércio. Posteriormente, a zona de concessão de benefício da Zona Franca de Manaus foi ampliada para a Amazônia Ocidental, abrangendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do DecretoLei nº 356/68. A criação e a implementação da Zona Franca de Manaus teve três pilares determinantes: (a) a necessidade de ocupar e proteger a Amazônia frente à nascente polí tica de internacionalização; (b) a meta governamental de substituição das importações e (c) a busca pela redução das desigualdades regionais. O objetivo da sua idealização pelo Governo Federal foi de criar "no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância em que se encontram os centros consumidores de seus produtos" (art. 1º do DL nº 288 /67). Com o intuito de atrair investidores e promover o crescimento econômico da região, foram criados inúmeros incentivos fiscais, dentre os quais está o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 equiparando às exportações as vendas de produtos para a Zona Franca de Manaus, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10283.001259/200353 Acórdão n.º 9303005.876 CSRFT3 Fl. 452 8 A Constituição Federal de 1988, ao estabelecer um novo ordenamento jurídico, expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus pelo prazo de 25 (vinte e cinco) anos a partir da sua promulgação, nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Importa mencionar ter a Emenda Constitucional nº 42/2003 prorrogado por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no art. 40 do ADCT. Com a Emenda Constitucional nº 83/2013 referido prazo estendeuse por mais 50 (cinquenta) anos, até 2073, demonstrando o legislador constitucional que o projeto da Zona Franca de Manaus tem desempenhado seu papel para além do desenvolvimento regional, contribuindo para a preservação e fortalecimento da soberania nacional. Ainda, a importação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus tem o benefício da isenção do II e do IPI quando são destinadas a consumo interno, emprego em processos de industrialização, agropecuária, pesca, instalação e operação de serviços de qualquer natureza, além de estocagem para reexportação, consoante dispõe o art. 3º do DecretoLei nº 288/67, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.387/91. Nessa perspectiva, o fato de a Recorrida ter procedido à importação de insumos para utilização em processo de industrialização na Zona Franca de Manaus com o enquadramento em classificação diversa daquela entendida como correta pela Fiscalização, por ter sido constatada a existência de unidade ótica no produto característica que não é determinante para o seu uso no processo produtivo não teria o condão de desnaturar a anuência obtida junto à SUFRAMA, desde que a mercadoria estivesse corretamente descrita, o que não se vislumbra no caso em análise. Embora o produto tenha sido efetivamente importado para a Zona Franca de Manaus e destinado à mesma etapa da industrialização na qual seria empregado àquele sem a "unidade ótica", conforme restou assentado no acórdão recorrido, a descrição da mercadoria importada não era suficiente à perfeita identificação do insumo, matéria que não foi objeto de insurgência por parte da Contribuinte e, portanto, fez coisa julgada nos presentes autos. Essa é a conclusão que se extrai da leitura de trechos da decisão recorrida, in verbis: [...] 2.4 Inaplicabilidade do ADN Cosit nº 12, de 1997 Importa esclarecer, finalmente, que não consigo extrair do ADN nº 12, de 1997 a interpretação defendida pela recorrente. Vejamse redação do dispositivo (original não destacado): “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de Licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10283.001259/200353 Acórdão n.º 9303005.876 CSRFT3 Fl. 453 9 elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado.” Como é possível perceber, o dispositivo que exclui a penalidade por falta de licenciamento condiciona tal extinção à completude e exatidão da descrição da mercadoria, fato que não se verifica no presente processo. Quando da importação, não se fez menção à incorporação de unidade ótica e tal informação, como já mencionado, era essencial para definir o correto enquadramento da mercadoria. [...] Mantémse o entendimento de que o licenciamento/anuência de importação expedido pela SUFRAMA é condição necessária e imprescindível para usufruir do benefício fiscal da Zona Franca de Manaus, a exemplo da decisão proferida por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão nº 9303004.195, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. De fato, a anuência da SUFRAMA ao pedido de emissão de guia de importação e, posteriormente, sua anuência/autorização para o desembaraço aduaneiro, são exercício de poder de polícia administrativa, para verificação da regularidade da importação no que tange ao cumprimento das regras da Zona Franca de Manaus. Em razão de ter sido consolidada nos autos a premissa de que a mercadoria não se encontrava suficientemente descrita para seu correto enquadramento em classificação mais adequada, entendese como descumprido o requisito da anuência da SUFRAMA, aplicandose ao caso dos autos o mesmo entendimento consignado no julgado do acórdão nº 9303004.195. Na hipótese de se entender ter havido a correta descrição da mercadoria, o que não ocorre no caso em apreço, esta 3ª Turma da CSRF entenderia pela aplicação do ADN Cosit nº 12/1997. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 453DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.906066/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 26/02/2010
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
Numero da decisão: 3401-004.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 26/02/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 26/02/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP que pretendia obter o reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento a maior. Tal pleito restou indeferido através de Despacho Decisório que integra os autos, face a vinculação do pagamento com débitos devidamente declarados em DCTF, inexistindo saldo a favor da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 60 66 /2 01 2- 37 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10660.906066/201237 Acórdão n.º 3401004.169 S3C4T1 Fl. 3 2 Intimada, a contribuinte manifestou sua irresignação, alegando que os créditos oriundos do pagamento indevido já se encontravam desvinculados das DCTFs respectivas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da falta de liquidez e certeza do crédito vindicado. A recorrente ingressou então com recurso voluntário alegando que houve falha de seu departamento fiscal, que não promoveu as retificações que demonstrariam a desvinculação dos pagamentos e a conseqüente existência do crédito. Em 25/01/2017, esta turma proferiu a Resolução CARF nº 3401000.966, por unanimidade de votos, para a finalidade de: "tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações" (seleção nossa). Em atenção à resolução determinada, a unidade preparadora produziu relatório de diligência fiscal, no qual concluiu pela indisponibilidade do crédito alegado pela recorrente. Intimada do conteúdo da diligência em referência, a recorrente requereu prazo suplementar de mais 30 dias para se manifestar. A DRF proferiu despacho que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de previsão legal para a prorrogação requerida, devolvendo os autos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.167, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10660.906066/201237 Acórdão n.º 3401004.169 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.167): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Recortase, a seguir, a integralidade da manifestação de inconformidade da contribuinte: Transcrevese, ainda, a íntegra das razões do recurso voluntário interposto: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10660.906066/201237 Acórdão n.º 3401004.169 S3C4T1 Fl. 5 4 Inexiste, como se percebe, substantiva defesa realizada pela contribuinte, o que suscitaria debate a respeito do próprio conhecimento do recurso manejado, que se prestou unicamente a requerer prorrogação do prazo para o exercício do contraditório, curiosamente com base nos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, sob pena de "insolvência econômica" (sic). Tendo, no entanto, a Resolução em referência considerado tempestivo o recurso, bem como sido atendidos os demais requisitos de admissibilidade, e considerando que o processo foi baixado em diligência, retornando agora a este Conselho com relatório conclusivo, entendo que menor prejuízo será causado ao interesse público ao se adentrar o mérito do que ao não fazê lo. Assim, transcrevese abaixo o resultado da diligência efetuada: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10660.906066/201237 Acórdão n.º 3401004.169 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Registrese que a diligência efetuada em relação ao presente processo registrou a mesma conclusão quanto a indisponibilidade do crédito alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001627/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 04/10/2006
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1.
De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir.
JUROS. SÚMULA CARF N.º 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF N.º 17.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo
Numero da decisão: 3201-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gabriel Reis de Andrade Meister, OAB-PR 48979, escritório Pereira, Dabul e Advogados Associados.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. JUROS. SÚMULA CARF N.º 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF N.º 17. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gabriel Reis de Andrade Meister, OABPR 48979, escritório Pereira, Dabul e Advogados Associados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 16 27 /2 01 0- 16 Fl. 171DF CARF MF 2 (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 121 em face da decisão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 104 que manteve o lançamento de II, IPI, Pis e Cofins Importação, diante de indícios de falta de recolhimento de tributos, por importação não amparada por imunidade e, ao mesmo tempo, reconheceu a concomitância, manteve juros e multas. A autoridade lavrou os Autos de Infração das fls. 3 a 18. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação dos fatos, matéria e trâmite dos autos, conforme segue: "DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de quatro Autos de Infração lavrados, em 22.10.2010, para a prevenção de decadência, relativamente ao imposto de importação (II), imposto sobre produtos industrializados (IPI), PIS e Cofins, incidentes sobre os bens importados (dicionários eletrônicos) pela Positivo Informática S.A., em razão de o contribuinte ter impetrado Mandado de Segurança processo 2006.70.08.0016850, junto à 1a Vara Federal da Circunscrição Judiciária de Curitiba Paraná, com o objetivo de assegurarlhe o direito de não recolher esses tributos e contribuições sociais incidentes sobre os bens importados, declarados na Adição única da DI nº 11/979416, registrada em 04.10.2006 na Alfândega do Porto de Paranaguá/PR. O importador alegou, administrativamente, que a imunidade amparava os dicionários eletrônicos do mesmo modo que acobertava os livros impressos. Do mesmo modo sustentou esse ponto de vista no MS impetrado (associação beneficente, com direito à imunidade tributária, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e § 4º da Constituição Federal (CF/88). A liminar foi deferida, após o registro da DI (informação à fl.24 dos autos registro da DI em 04.10.2006) para determinar a continuidade do desembaraço aduaneiro das mercadorias, objeto da mencionada DI, independentemente do recolhimento dos tributos e contribuições incidentes sobre os bens nela contidos, tendo a Receita tomado ciência da mencionada liminar em 25.10.2006, através do Ofício nº 1024585, expedido pela Justiça Federal do Paraná, à fl. 35 dos autos. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10907.001627/201016 Acórdão n.º 3201003.171 S3C2T1 Fl. 171 3 Foram, então, lavrados, em 22.10.2010, os quatro AI objeto do presente processo, relativamente às mercadorias constantes da DI mencionada. O primeiro AI levantou a cobrança do imposto de importação (II), no valor de R$ 20.397,99, acrescido de juros de mora no montante de R$ 8.444,76, e de multa de ofício, no valor de R$ 15.298,49, totalizando este AI a soma de R$ 44.141,24; o segundo a cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI), no montante de R$ 19.038,12, acrescido dos juros de mora, no montante de R$ 7.881,78, e multa de ofício, no valor de R$ 14.278,59, totalizando o segundo AI a soma de R$ 41.198,49; o terceiro AI para a cobrança do PIS, no valor de R$ 70,92, acrescido de juros no montante de R$ 29,36, e da multa de ofício, no valor de R$ 53,19, totalizando este auto a soma de R$ 153,47; e o último AI para a cobrança da Cofins, no valor de R$ 326,65, acrescido de juros no montante de R$ 4135,23, e multa de ofício no valor de R$ 244,99, totalizando este último AI o valor de R$ 706,87. O valor consolidado do crédito tributário é de R$ 86.200,07, nos termos do demonstrativo consolidado de fl.02. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos, a empresa autuada apresentou tempestivamente a sua defesa, às fls. 52 a 57, alegando, em resumo: 1. Exigibilidade do crédito tributário suspensa: Que, como a própria fiscalização ressalva, o crédito tributário está com a sua exigibilidade suspensa por força da medida liminar concedida nos autos do MS impetrado. 2. Da inaplicabilidade da multa de ofício: Que a autoridade lançadora não poderia cobrar a multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, desconsiderando o disposto no artigo 63 da mesma Lei (cita entendimento do antigo CC sobre o tema, às fls. 55 a 57). Diante do exposto, requer o cancelamento dos AI lavrados, no tocante ao lançamento da multa de ofício, incidente sobre os tributos e as contribuições lançadas. É o relatório." A DRJ/PE de fls. 104 publicou seu acórdão de primeira instância com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/10/2006 Fl. 173DF CARF MF 4 Ação Judicial. II, IPI, Cofin e PIS lançamentos. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa dos impostos e contribuições devidos, que deve ser realizado, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente a esses impostos e contribuições, ficando o crédito constituído sujeito ao que vier a ser decidido, com trânsito em julgado, pela autoridade judicial. Concomitância de objeto com ação judicial. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto da ação administrativa implica em renúncia a este litígio e, em conseqüência, no impedimento da apreciação, pela autoridade administrativa, das razões de mérito, no tocante à cobrança dos tributos e das contribuições sociais incidentes sobre a importação dos bens. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/10/2006 Juros de mora. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente para fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.95. Multa de ofício. Falta de recolhimento dos impostos e das contribuições. Cabe o lançamento de multa de ofício de 75% proporcional aos impostos e das contribuições devidos, por gozo indevido de benefício fiscal, quando a suspensão da exigibilidade do débito deuse depois do início de procedimento de ofício a ele relativo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O processo digitalizado foi distribuído e pautado nos termos do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10907.001627/201016 Acórdão n.º 3201003.171 S3C2T1 Fl. 172 5 Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, somente será possível conhecêlo parcialmente, em razão de concomitância com processo judicial. Conforme destacado no relatório, o lançamento ocorreu diante de indícios de importação não amparada por imunidade, com expressa menção à medida judicial de fls. 40, processo n. 2006.70.08.0016850, junto à 1.ª Vara Federal da Circunscrição Judiciária de Curitiba Paraná. O contribuinte alega ser imune aos tributos em razão de ser entidade sem fins lucrativos com finalidade de assistência social e fundamentou sua alegação nos Art. 150, VI, c, da CF/88. Analisada a decisão em fls. 36 e 40 proferida no âmbito judicial, é possível concluir que o Poder Judiciário trata da mesma matéria submetida à esta lide administrativa fiscal, conforme segue: (...) Portanto, a decisão de primeira instância administrativa fiscal errou em julgar improcedente a Impugnação, uma vez que, ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário, com o reconhecimento de sua imunidade, o contribuinte optou por uma via de defesa, o que gerou concomitância, prevista na Súmula n.º 1 deste Conselho: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de Fl. 175DF CARF MF 6 julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." A questão do juros, por sua vez, é discussão que está amadurecida neste Conselho, por conta do disposto na Súmula CARF n.º 5, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Independentemente da argumentação do contribuinte ter finalidade de assistência social e fundamentar sua alegação nos Art. 150, VI, c, da CF/88, a questão do afastamento da multa, com base no Art. 63 da Lei 9.430/96 deve ser analisada. O ato do registro da DI é do contribuinte e assim não é possível concluir que tenha ocorrido algum procedimento de ofício antes da suspensão do débito. Logo, a exigibilidade está suspensa e a multa carece de previsão legal para ser mantida, conforme reforçado pela Súmula n.º 17 deste Conselho, transcrita a seguir: "Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo." CONCLUSÃO. Diante de todo o exposto, votase para CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO e, na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a multa de ofício. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10907.001627/201016 Acórdão n.º 3201003.171 S3C2T1 Fl. 173 7 Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
