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Numero do processo: 37307.000308/2007-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA.
O pedido de parcelamento pelo sujeito passivo importa a desistência do recurso, configurando renúncia ao direito sobre o qual se funda a lide, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão a ele favorável.
Numero da decisão: 9202-006.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. O pedido de parcelamento pelo sujeito passivo importa a desistência do recurso, configurando renúncia ao direito sobre o qual se funda a lide, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão a ele favorável.
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PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. O pedido de parcelamento pelo sujeito passivo importa a desistência do recurso, configurando renúncia ao direito sobre o qual se funda a lide, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão a ele favorável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 7. 00 03 08 /2 00 7- 03 Fl. 276DF CARF MF 2 Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração, DEBCAD nº 35.753.1973, à efl. 04, no qual foi aplicada multa por descumprimento de obrigação acessória. Na ação fiscal foi constatado que a empresa deixou de declarar em GFIP, em época própria, no período de 01/99 a 12/03, valores pagos a contribuintes individuais (empregador e autônomos) a contribuição da empresa parte patronal e segurados. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 24/10/2005, com multa no valor de R$ 25.773,78, e tem seu relatório fiscal da infração e da multa postos à efl. 07 e e fl. 08, respectivamente. O AI foi impugnado, às efls. 72 a 81, em 09/11/2005. Já a Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário da DRP em São Bernardo do Campo, em 09/10/2006, exarou a DecisãoNotificação nº 21434.4/0291/2006, às efls. 118 a 125, pela qual considerou a autuação procedente. Inconformada, em 17/11/2006, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 131 a 141, argumentando, em apertada síntese: a) que seria aplicável ao lançamento a contagem do prazo decadencial com base no art. 73 do CTN e b) que se excluam os sócios do procedimento administrativo. A Seção de Contencioso Administrativo da DRP em São Bernardo do Campo, em 15/12/2006, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, às efls. 185 a 189, reafirmando os argumentos da DecisãoNotificação nº 21434.4/0291/2006 e acrescentando argumentos para manutenção dos sóciosgerentes como coresponsáveis e dos sócios da relação de vínculos. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 23/09/2010, resultando no acórdão nº 230101.664, às efls. 199 a 209, que tem as seguintes ementas: CORESP. EXCLUSÃO DOS SÓCIOS. DECADÊNCIA PARCIAL. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32 A DA LEI N° 8.212/91. Os sócios gerentes somente poderão constar na lista de co responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 37307.000308/200703 Acórdão n.º 9202006.183 CSRFT2 Fl. 277 3 Constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei n.° 8.212/91 a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, em dar provimento parcial para: a) por unanimidade de votos, em considerar que a relação de co responsáveis é apenas indicativa de representantes legais; e b) por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência com base no artigo 173, I do CTN; c) no mérito, por maioria de votos, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 35A da Lei n° 8.212/91, em adequar a multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão nº 230101.664 em 06/05/2011 (efl. 210) e interpôs recurso especial de divergência, em 10/05/2011, às efls. 213 a 220. Segundo o Procurador, o Colegiado a quo entendeuse que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei 8.212/1991, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Já no acórdão paradigma nº 240100127 considerouse ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Em razão disso, requereu que fosse conhecido o seu recurso especial de divergência, para que lhe fosse dado provimento e reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação d o art. 32A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2300334/2012, às e fls. 222 e 223, datado de 24/05/2012, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso cumprir os demais requisitos regimentais. Fl. 278DF CARF MF 4 Contrarrazões da contribuinte Intimada (efl. 224) do acórdão nº 230101.664, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade nº 2300334/2012, em 08/10/2012 (efl. 225), a contribuinte apresentou contrarrazões às efls. 227 a 234. Argumenta ser descabida a aplicação da multa do art. 32, § 4º da Lei nº 8.212/1991, pois esta já haveria sido aplicada no auto de infração em que se lançara o débito número 35.816.6195, pleiteando que seja desprovido o recurso especial da Fazenda para que se mantenha o decidido no acórdão a quo, com a aplicação da penalidade do art. 32A da nova legislação. Registrase, por oportuno, que foram incluídos nos autos extratos do sistema de cobrança do DATAPREVINSS, às efls. 265 a 271, nos quais se observa que a contribuinte incluiu os débitos deste processo em parcelamento, desde 30/11/2009 e que as parcelas encontravamse pagas até novembro de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como prejudicial ao julgamento, registro que, em qualquer fase processual, o parcelamento dos débitos tributários em discussão no processo, configura a renuncia ao direito sobre o qual se fundava o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão a ele favorável, conforme disposto1 no § 3º do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. 1 Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 37307.000308/200703 Acórdão n.º 9202006.183 CSRFT2 Fl. 278 5 Conclusão Pelo exposto, apesar de conhecer do recurso especial da Fazenda, fica prejudicado o seu julgamento, devendo serem os autos encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe tenham sido favoráveis. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720157/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. FUNDAMENTO QUE NÃO SE VERIFICOU NO CASO CONCRETO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO.
O propósito negocial vai além da mera formalidade dos instrumentos societários; ele depende precipuamente da intenção das partes em firmar o contrato. Caso este desígnio resuma-se meramente na economia fiscal, correta é a glosa da amortização do ágio fincada na rentabilidade futura.
ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL.
A amortização fiscal do ágio somente tem amparo legal quando as empresas adquirente e adquirida se emaranham entre si, a partir de um dos institutos elencados no art. 7º da Lei nº 9.532/1997 (fusão, cisão ou incorporação), resultando dessa operação a confusão patrimonial entre ambas. Não se permite, em regra, a dedução do ágio se ambas as empresas permanecem ativas após todo o processo de reorganização societária.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
Não havendo provas de conduta dolosa, afasta-se a qualificação da multa de ofício. O dolo não pode ser presumido. O contribuinte não simulou ou dissimulou seus atos e operações, especialmente porque poderia obter o mesmo resultado econômico com a adoção de outras operações.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte.
Numero da decisão: 1401-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à glosa das despesas de ágio. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Também por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário: i) para afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves; e ii) para afastar a aplicação da multa isolada no limite de sua aplicação em relação à multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. FUNDAMENTO QUE NÃO SE VERIFICOU NO CASO CONCRETO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O propósito negocial vai além da mera formalidade dos instrumentos societários; ele depende precipuamente da intenção das partes em firmar o contrato. Caso este desígnio resuma-se meramente na economia fiscal, correta é a glosa da amortização do ágio fincada na rentabilidade futura. ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. A amortização fiscal do ágio somente tem amparo legal quando as empresas adquirente e adquirida se emaranham entre si, a partir de um dos institutos elencados no art. 7º da Lei nº 9.532/1997 (fusão, cisão ou incorporação), resultando dessa operação a confusão patrimonial entre ambas. Não se permite, em regra, a dedução do ágio se ambas as empresas permanecem ativas após todo o processo de reorganização societária. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não havendo provas de conduta dolosa, afasta-se a qualificação da multa de ofício. O dolo não pode ser presumido. O contribuinte não simulou ou dissimulou seus atos e operações, especialmente porque poderia obter o mesmo resultado econômico com a adoção de outras operações. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à glosa das despesas de ágio. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Também por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário: i) para afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves; e ii) para afastar a aplicação da multa isolada no limite de sua aplicação em relação à multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. FUNDAMENTO QUE NÃO SE VERIFICOU NO CASO CONCRETO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O propósito negocial vai além da mera formalidade dos instrumentos societários; ele depende precipuamente da intenção das partes em firmar o contrato. Caso este desígnio resumase meramente na economia fiscal, correta é a glosa da amortização do ágio fincada na rentabilidade futura. ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. A amortização fiscal do ágio somente tem amparo legal quando as empresas adquirente e adquirida se emaranham entre si, a partir de um dos institutos elencados no art. 7º da Lei nº 9.532/1997 (fusão, cisão ou incorporação), resultando dessa operação a confusão patrimonial entre ambas. Não se permite, em regra, a dedução do ágio se ambas as empresas permanecem ativas após todo o processo de reorganização societária. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não havendo provas de conduta dolosa, afastase a qualificação da multa de ofício. O dolo não pode ser presumido. O contribuinte não simulou ou dissimulou seus atos e operações, especialmente porque poderia obter o mesmo resultado econômico com a adoção de outras operações. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 57 /2 01 4- 43 Fl. 2841DF CARF MF 2 reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à glosa das despesas de ágio. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Também por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário: i) para afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves; e ii) para afastar a aplicação da multa isolada no limite de sua aplicação em relação à multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS) que manteve o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado em decorrência de supostas infrações à legislação tributária, referente a exigências de IRPJ E CSLL do anocalendário 2010 a 2013, Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.842 3 mais aplicação de multa qualificada e isolada, tendo o total do crédito consolidado no valor de R$ 94.984.820,99 acrescido de juros de mora, conforme descrição na tabela abaixo: IRPJ Principal R$ 25.216.794,54 Juros de Mora R$ 4.682.486,29 Multa Ofício Qualificada R$ 33.560.769,91 Multa Isolada R$ 12.958.347,44 TOTAL R$ 76.418.398,18 CSLL Principal R$ 6.350.697,40 Juros de Mora R$ 1.424.143,88 Multa de Ofício Qualificada R$ 9.526.046,12 Multa Isolada R$ 1.265.535,41 TOTAL R$ 18.566.422,81 2. Ao compulsar dos autos, notase que as exigências fiscais contra o sujeito passivo acima identificado, são decorrentes da compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral, multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada e ajustes do RTT efetuado a menor. 3. Inferese do TVF – Termo de Verificação Fiscal às fls.2215 que o procedimento de autuação corresponde à glosa de deduções da amortização de ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2010 a 2013, em razão da fiscalizada ter ilicitamente interposta sociedade veículo. 4. Concluiu a fiscalização, “que a empresa Estônia era uma empresa apenas 'no papel'. Não possuía qualquer estrutura operacional e administrativa. Foi utilizada apenas para servir de veículo entre a Bradseg e os acionistas da Integritas que desejavam vender as parcelas de suas participações com lucro". 5. Informa o Auditor Fiscal às fl.2217, que “num instrumento celebrado em 2007, entre a fiscalizada e diversas pessoas físicas, as partes acordaram um modelo negocial no qual a Bradseg adquiria do referido grupo de pessoas físicas participações em sociedade controladora (Integritas) de empresa da área de gestão de saúde, medicina diagnóstica e hospitalar para cirurgias de baixa e média complexidades (Fleury). No entanto, as participações Fl. 2843DF CARF MF 4 nessa sociedade controladora não foram adquiridas diretamente pela Bradseg. Antes do fechamento do “Contrato”, que formalizou o modelo negocial, as pessoas físicas transferiram as referidas participações para a Estônia, a qual foi integralmente adquirida pela fiscalizada (momento em que surgiu o ágio para a Bradseg). Pouco tempo depois, a fiscalizada incorporou a Estônia (momento a partir do qual a Bradseg passou a amortizar tributariamente o ágio)”. 6. De acordo com o TVF – Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada teria amortizado indevidamente o ágio pago na aquisição da Estônia SP Participações Ltda. ("Estônia"), em síntese: i) Em razão da ausência de razões econômicas ou negociais das operações societárias de criação e incorporação desta empresa, a qual seria uma suposta "empresa veículo" que teria sido utilizada apenas para viabilizar a amortização do referido ágio, uma vez que a real intenção da Impugnante teria sido a aquisição da Integritas Participações S.A. ("Integritas") que detinha a maior parte das ações do Fleury S.A. ("Fleury"); ii) Em razão da ausência de "confusão patrimonial", isto é, o encontro no mesmo patrimônio do ágio com o investimento não teria ocorrido, na medida em que a pessoa que suportou o ágio (Recorrente) teria incorporado apenas a suposta "empresa veículo" e não o investimento (Integritas); ii) Em razão de não ter havido unificação patrimonial, por esse motivo o ágio pago na aquisição da investida não é amortizável para fins tributários, pois “continua existindo a sociedade investidora Bradseg e o seu investimento na sociedade Integritas. O que ocorreu foi que a fiscalizada, detentora indireta de 9,37% das ações da Integritas, antes da incorporação da Estônia, tentou se ajustar à letra da lei, sem atender à sua fundamentação, praticando uma série de "reestruturações societárias" sem qualquer motivação econômica para, ao final das operações, apresentar a mesma (e verdadeira) estruturação societária de antes. Tudo não passando de uma estratégia para se tentar conseguir ganho tributário em prejuízo do Fisco Federal”. 7. Tendo tomando ciência em 11/12/2014 (fl.2.310) do auto de infração lavrado, o interessado apresentou Impugnação em 09/01/2015 (fls. 2.343/2.429), onde defendeu: i) A EFETIVA OPERAÇÃO REALIZADA: Informa que “no final do ano de 2007, o denominado Grupo Segurador do Bradesco, com o intuito de expandir a sua carteira de investimentos, iniciou uma negociação com 23 pessoas físicas para adquirir uma parcela minoritária das ações que estas possuíam da Integritas, empresa que, por sua vez, controlava o Fleury, negócio que interessava ao referido Grupo.” (...) “Constatase que, com a aquisição da Estônia pelas Pessoas Físicas, qualquer negócio realizado por meio desta empresa não precisaria ser aprovado por todas (100%) as Pessoas Físicas, mas apenas pela quantidade de quotistas que representem 3/4 do capital social da Estônia.” (...) “O Grupo Segurador Bradesco e uma grande parte das Pessoas Físicas tiveram a celeridade de suas negociações muito prejudicada pelos mais diversos entraves, todos ocasionados em razão da necessidade de negociar com muitas pessoas físicas e eventualmente com herdeiros ou cônjuges”; Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.843 5 ii) Que as operações devem ser analisadas no conjunto e não isoladamente e cada uma delas foi praticada de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes envolvidos; iii) Que em 21/12/2009, “a Impugnante incorpora a Estônia e, no ano seguinte, começa a amortizar o ágio fiscalmente as operações societárias que culminaram no aproveitamento fiscal do ágio pela Impugnante visavam, desde sempre, a aquisição de 20% da participação indireta no Fleury e a viabilização de uma operação cuja negociação se arrastava a mais de um ano em razão de diversos incidentes e entraves gerados por algumas das diversas pessoas físicas que participavam do negócio”; iv) A LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS APROVEITAMENTO FISCAL DO ÁGIO: Alega a impugnante que o ágio ou deságio gerado nas operações “decorre da diferença entre o valor de aquisição (custo de aquisição) e o valor patrimonial das ações adquiridas (valor de patrimônio líquido), quando se adota o registro da participação societária pelo método da equivalência patrimonial, previsto no artigo 248 da Lei das S/A (Lei no 6.404/76)”. Ressaltando que houve a aquisição “de participação societária na Estônia, operação esta que (i) se deu entre partes e grupos econômicos independentes — Grupo Segurador Bradesco (Impugnante) e Grupo Fleury (Pessoas Físicas e Dr. Toledo); (ii) mediante o pagamento em moeda de R$ 150.430.000,00, decorrente do Contrato de Compra e Venda e de Subscrição de Ações celebrado entre as partes; (iii) com a apuração de ganho de capital por parte dos vendedores na alienação da Estônia”. Alega que “a Integritas não foi objeto de aquisição direta da Impugnante, mas sim a Estônia, holding colocada à venda pelas Pessoas Físicas e o Dr. Toledo que detinha a participação indireta na Fleury na qual o Grupo Segurador Bradesco tinha interesse. E que houve sim a efetiva "confusão patrimonial" no termos da legislação pátria, tendo em vista que o investidor (a Impugnante), pessoa que suportou o ágio pago, incorporou a pessoa jurídica investida (a Estônia) pela qual pagou um ágio projetado em função da expectativa de rentabilidade futura”. Reitera que foram atendidos todos os requisitos contábeis, societários e fiscais para o registro e amortização do ágio, previstos na legislação pátria e que por isso, as operações foram lícitas e realizadas de acordo com os atos societários; v) A INEXISTÊNCIA DE EMPRESA VEÍCULO: Informa que “a aquisição da Estônia foi provida de efetivo propósito negocial, de modo que a operação em comento não buscou nenhuma economia tributária indevida e que o principal propósito negocial para a aquisição da Estônia pela Impugnante foi o de facilitar as negociações com as mais de 20 pessoas físicas que participavam da transação, viabilizando o desenrolar mais célere dos atos seguintes até a sua conclusão. (...) A Estônia não teve como função facilitar o pagamento às Pessoas Físicas/Dr. Toledo, mas sim impulsionar as negociações que vinham sofrendo com muitos entraves e proteger a Impugnante e seu Grupo de conflitos preexistentes e desalinhamentos econômicos entre os acionistas da Integritas”; Fl. 2845DF CARF MF 6 vi) IMPOSSIBILIDADE DE INGERÊNCIA PELA AUTORIDADE FISCAL NA ATIVIDADE DESENVOLVIDA: Alega que “não pode o Fisco adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados entre partes contratantes que visam sempre o sucesso de sua atuação no mercado, mesmo que, reitere se, a alternativa adotada pelos contribuintes seja a menos onerosa fiscalmente. (...)Além da clara existência do fundamento econômico demonstrado, as operações livremente organizadas pelos contribuintes somente poderiam ser contestadas com base em sua legalidade estrita, estando sujeitas à desconstituição apenas nos casos em que fosse constatada a ocorrência de atos ilícitos, realizados depois da ocorrência do fato gerador, ou se houvesse simulação. Aduz ainda, “que não obteve economia fiscal indevida, uma vez que a Estônia possuía evidente propósito negocial, o ágio objeto do presente caso decorre de aquisição de participação societária, entre partes independentes, mediante pagamento em dinheiro e fundamentado em expectativa de rentabilidade futura devidamente comprovada e não questionada em momento algum”; vii) A VALIDADE DA SOCIEDADE VEÍCULO NA JURISPRUDÊNCIA DO CARF: Aduz que “a participação da Estônia na estrutura societária de aquisição fundamentase em legítima decisão empresarial de organização de atividades e negócios, mostrandose plenamente lógica dentro da conjuntura empresarial”. Ao colacionar alguns julgados do CARF sobre a matéria em discussão, acrescenta, “que ainda que se tratasse de empresa veículo, constituída com a finalidade principal de viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio, o que se admite apenas a título argumentativo, fato é que estrutura societária tem sido reiteradamente validada pelo CARF – de que a utilização de empresas holding ("empresas veículo") não seria motivo para tornar inválida a amortização fiscal do ágio”; viii) A INEXISTÊNCIA DE FRAUDE IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA: Aduz que não pode prosperar a multa agravada, vez que não houve nas operações em comento que culminaram com o surgimento e a respectiva amortização do ágio, o instituto do dolo ou fraude, com a devida prova da “malfadada intenção perniciosa”. Traz aos autos, a distinção entre o dolo e o erro, na medida em que “no erro a circunstância que acarreta o vício é espontânea e no dolo o vício é provocado, é praticado intencionalmente por uma das partes”. Alega que nenhuma dessas condutas foram praticadas pela impugnante, que: “(i) prestou informações e forneceu documentos à Fiscalização, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal, sendo entregue, inclusive, Prospecto divulgado no mercado detalhando a estrutura societária adotada de forma transparente e nos mínimos detalhes. (ii) apresentou ao Fisco todas as DIPJ e respectivas obrigações acessórias que continham o lançamento e a informação dos valores amortizados. (iii) apresentou todos os atos societários foram devidamente registrados e arquivados na Junta Comercial, dandose a publicidade necessária, o que foi inclusive reconhecido pela Autoridade Fiscal no TVF”; ix) A AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO: Alega que não há como se justificar uma simulação nas atitudes do Grupo Segurador Bradesc, pois não fora devidamente comprovada pela fiscalização, isso porque [i]“não aparentou conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.844 7 se conferem ou seja, a aquisição da Estônia cumpriu o seu objetivo que foi facilitar as negociações com os vendedores (Pessoas Físicas e Dr. Toledo); [ii] nenhum dos atos societários publicados pelo Grupo Segurador Bradesco continham "declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira". Todos os atos, sem nenhuma exceção, foram efetivamente concretizados; [iii] não houve qualquer incorreção com relação aos instrumentos celebrados pelo Grupo Segurador Bradesco.” Reitera que, nenhuma das hipóteses previstas pelo artigo 167 do Código Civil foi verificada no caso concreto, motivo pelo qual tampouco poderá se alegar que as operações realizadas pelo Grupo Segurador Bradesco teriam sido simuladas, e, portanto, nulas; x) A IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA MULTA: Aduz que “restou inequívoca a presença da dúvida quanto à correção das autuações originárias da presente lide conforme se afere do artigo 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida.”; xi) A INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL: Alega que “tendo em vista que o ordenamento foi silente quanto à adição ao lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, da parcela do ágio não cabe à Autoridade Fiscal exigir o que a lei não exige. De fato, o tributo só pode ser exigido quando ocorrer a efetiva subsunção do fato à norma tributária e, somente assim, poderia se falar em ocorrência do fato jurídico tributário”; xii) A IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DA MULTA ISOLADA EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ/CSLL POR ESTIMATIVA: Discorre que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL somente pode ser realizada antes do encerramento do anobase. (...) “ao final do anobase o contribuinte deve elaborar sua declaração de ajuste anual, com a finalidade de verificar se o montante que foi pago ao longo do ano excede ou fica aquém do que realmente é devido. Assim, somente ao final do anobase é que o contribuinte verifica o quantum realmente devido de IRPJ e da CSLL a pagar, confrontandose os valores devidos com os valores pagos por estimativa, pelo que, independentemente do sistema de apuração (base anual/bases correntes), o fato jurídico tributário do 'RI') e da CSLL permaneceu sendo ANUAL, pois somente em 31 de dezembro de cada ano calendário é que se tem a base de cálculo definitiva para a apuração desses tributos”. Acrescenta que “os autos de infração objeto do presente processo foram lavrados após o encerramento dos anosbase de 2010 a 2013, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada. E que, analisandose os autos de infração lavrados, verificase que há cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício, sobre os mesmos valores supostamente devidos a título de IRPJ e da CSLL”; xiii) A COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DE PREJUIZOS FISCAIS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL: Argumenta que “ao autuar a Fl. 2847DF CARF MF 8 Impugnante, adicionando valores às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas aos anosbase de 2010 a 2013, o Sr. Agente Fiscal compensou "de ofício" os montantes de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL passíveis de compensação em tais períodos”; xiv) A ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA: Aduz que “os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal”. A impugnante discorre acerca da diferença existente sobre os institutos da multa e tributo: (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 50, II, e 37 da Constituição Federal”. xv) Requereu ao final o provimento da impugnação para cancelar de forma integral autos de infração de IRPJ e CSLL que deram origem ao presente processo administrativo. xvi) De forma subsidiária, requereu: O cancelamento da multa agravada no percentual de 150% e da multa isolada;O ressarcimento das quantias que foram compensados de ofício, os saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa pela fiscalização. O Acórdão ora Recorrido (0441.087 2ª Turma da DRJ/CGE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Correto o lançamento relativo às glosa de amortização de ágio quando há o desatendimento dos aspectos pessoal e material relativos a essa possibilidade e, consequentemente, a descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.845 9 A adição à base de cálculo da CSLL de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, correta a aplicação MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa isolada é aplicada no caso de não pagamento das estimativas, independentemente de ter havido ou não o encerramento do período de apuração e mesmo que lançada a multa de ofício em face de cobrança de tributo apurado no período anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 8. Isto porque, segundo entendimento da Turma “a ausência de propósito negocial em transações comerciais no âmbito de planejamentos tributários configura ofensa à ordem jurídica posta. (...) indício baseiase na ausência de efeitos econômicos perante terceiros, ficando as operações limitadas a um mesmo grupo econômico. Vale ressaltar que o simples fato de a operação se realizar entre parte vinculadas não quer dizer que há afronta à lei tributária. Tratase de operações anormais, ou seja, que destoam da rotina empresarial da sociedade. 9. Informa ainda, “que os julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais–CARF, tem demonstrado uma tendência pelo afastamento de planejamentos tributários que encerrem propósitos exclusivamente fiscais. Com efeito, o que tem sido rechaçado pelos Conselheiros do CARF são planejamentos tributários com fortes indícios de descompasso entre a formalidade jurídica apresentada e o cursor corrente dos negócios das empresas”. 10. Aduz que “nos chamados planejamentos tributários, ainda que a estrutura aparente das operações societárias empregadas subsumase ao arcabouço legal que geraria menor ônus, cabe ao Fisco investigar se a estrutura adotada foi legítima e se o seu regime jurídico foi observado. Ou seja, para a prevalência dessas estruturas é necessário que haja causa jurídica e sua coerência com o conteúdo e a forma utilizada. É irrelevante no caso que a Estônia já tivesse existência há tempos. Conforme ficou claro no Termo de Verificação e Fiscal (fls. 2.273 a 2.276), na realidade ela só teve existência ao final da reorganização societária realizada”. 11. Conforme o entendimento da Turma cumprese destacar que: “a utilização da Estônia teve papel preponderante ou específico para fins de amortização de ágio.O fisco não pode se imiscuir no Fl. 2849DF CARF MF 10 interesse empresarial da Bradseg na aquisição de participação societária na Fleury, mesmo que indiretamente.(...) O ágio pago pela fiscalizada foi em decorrência da rentabilidade futura projetada para a empresa operacional Fleury, empresa esta controlada pela Integritas, holding com quem a fiscalizada concluiu as negociações em 19/01/2009 (‘Data do Fechamento. E a Estônia tem todas as características da assim denominada “empresa veículo”, como visto no item próprio acima. Ainda, a empresa investida era, de fato, a Fleury e não a Integritas. Mesmo se considerada a Integritas como sendo a empresa investida original (mas que de fato não é), a utilização de uma pessoa jurídica interposta (Estônia) exclusivamente para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investidora (Bradseg), implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material e, conseqüentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio”. 12. Informa o acórdão ora recorrido, “que os registros contábeis e fiscais, em conjunto com a reorganização societária ocorrida, foram no sentido de dar uma forma aparente de correção à amortização do ágio. Na realidade esses registros tiveram como objetivo a obtenção de vantagens indevidas. Agindo assim, a contribuinte tinha pleno conhecimento da prática, em desrespeito à legislação, sem propósito negocial, pretendendo induzir a fiscalização ao erro. Portanto, não há dúvida quanto à ocorrência da prática delituosa da impugnante, pelo que se mantém a multa de ofício aplicada no seu percentual de 150%”. 13. Neste particular, constatouse pela Turma julgadora, “que a lei determina a aplicação das mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ à CSLL. Relativamente à amortização de ágio, a Instrução Normativa SRF nº 390/2004, consolidou as regras relativas à apuração e pagamento da CSLL”. 14. Tendo sido intimado da decisão do Acórdão em 28/06/2016 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/07/2016 (fls. 2.656/2.781), no qual traz em seu bojo o mesmo conteúdo daquele apresentado na impugnação às (fls. 2.343/2.429), acrescentando apenas o tópico: Da Nulidade da Decisão Recorrida. Dos Inadmissíveis Vícios de Motivação: Alega a recorrente que “a DRJ, expressamente, discordou da alegação trazida no TVF e inovou o fundamento do lançamento tributário, mantendo os lançamentos com base em acusação diferente daquela trazida pela Fiscalização, de modo que, caso não se determine o cancelamento integral dos autos de infração, deve este E. CARF, ao menos, reconhecer a clara e inadmissível inovação ao lançamento tributário praticada pela DRJ”; Aduz ainda que houve cerceamento de defesa, na medida em que “a DRJ trouxe, na maior parte de seu voto, um emaranhado de citações de forma descoordenada e sem tecer qualquer conexão com o caso concreto, sem, ainda, enfrentar todos os argumentos traçados pela Recorrente em sua impugnação. Informa ainda, “que a manutenção integral das autuações as afirmações da DRJ foram genéricas e superficiais e a decisão recorrida careceu de uma análise aprofundada do caso”; Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.846 11 Requereu o cancelamento do auto de infração, e subsidiariamente, a nulidade da decisão recorrida, ou o retorno dos autos à DRJ para análise do tópico "da ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício". 15. É o essencial ao relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Antes de adentrar ao mérito recursal passo a analisar a preliminar de nulidade manejada pelo contribuinte. Defende a nulidade da decisão em razão dos Inadmissíveis Vícios de Motivação. Em síntese aduz que a DRJ inovou no critério jurídico, mantendo os lançamentos com base em acusação diferente daquela trazida pela Fiscalização. Defende ainda que houve cerceamento de defesa, na medida em que “a DRJ trouxe, na maior parte de seu voto, um emaranhado de citações de forma descoordenada e sem tecer qualquer conexão com o caso concreto, sem, ainda, enfrentar todos os argumentos traçados pela Recorrente em sua impugnação". Entre os fundamentos para a suposta "alteração da motivação" alegou o contribuinte que: Depreendese da decisão recorrida que a DRJ expressamente refutou a alegação trazida pela Fiscalização no sentido de que a real investida teria sido a Integritas, ao asseverar que .cumpre salientar que a Integritas não era a investida original. (fl. 22, da decisão recorrida). Entendo não assistir razão ao recorrente. A decisão recorrida foi devidamente fundamentada e enfrentou os argumentos aduzidos pela impugnação de forma clara e satisfatória. Fl. 2851DF CARF MF 12 O fundamento da acusação fiscal é a utilização de empresa veículo sem finalidade negocial. O julgador não está adstrito às conclusões da autoridade fiscal lançada no TVF, mas sim aos fatos descritos. O fato da DRJ entender, com base nos fatos do TVF, que a Integritas não era a empresa investida original, em nada altera o critério jurídico ou o próprio lançamento. Até porque, a DRJ de forma argumentativa enfrentou a situação de se considerar a Integritas como investida original, chegandose à mesma conclusão, senão vejamos: Assim, mesmo se considerada a Integritas como sendo a empresa investida original (mas que de fato não é), a utilização de uma pessoa jurídica interposta (Estônia) exclusivamente para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investidora (Bradseg), implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material e, conseqüentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio. Outrossim, quanto à alegação de não enfrentamento de todos os argumentos, como é pacífico no STJ e passou a ter previsão específica no NCPC, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos das partes: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585). Da análise da decisão recorrida não vislumbro vícios de motivação ensejadores da nulidade requerida, pelo contrário, verifico que ela foi completa e enfrentou as questões postas no TVF e na Impugnação de forma a, em uma construção lógica, chegar às conclusões expostas. Assim, face ao exposto, não acolho a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. De acordo com as informações extraídas do TVF, a Recorrente teria, supostamente, amortizado indevidamente o ágio pago na aquisição da Estônia SP Participações Ltda. (.Estônia.), em razão (i) da alegada ausência de razões econômicas ou negociais das operações societárias de criação e incorporação desta empresa, a qual seria uma Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.847 13 suposta.empresa veículo. que teria sido utilizada apenas para viabilizar a amortização do referido ágio, uma vez que a real intenção da Recorrente teria sido a aquisição da Integritas Participações S.A. (.Integritas.) que detinha a maior parte das ações do Fleury S.A. (.Fleury.); e (ii) da hipotética ausência de .confusão patrimonial., isto é, o encontro no mesmo patrimônio do ágio com o investimento não teria ocorrido, na medida em que a pessoa que suportou o ágio (Recorrente) teria incorporado apenas a suposta .empresa veículo. e não o investimento (Integritas). Assim, basicamente, o cerne da questão está em verificar se a utilização da Estônia (empresa veículo) descaracterizaria a aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio. Os debates no CARF acerca das condições para dedução da amortização do ágio na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL frequentemente envolvem os conceitos de empresaveículo e propósito negocial. A validade jurídica de todas as operações realizadas pela Recorrente não são questionadas no presente lançamento, mas sim o propósito negocial de um dos quadros da operação societária realizada. De fato, existem duas grandes correntes interpretativas sobre o tema. A primeira entende que a amortização do ágio constitui benefício fiscal expressamente previsto em lei, originalmente concedido como incentivo à privatização e à reorganização societária das empresas. Para essa corrente, a dedução prescindiria da existência de propósito negocial e a utilização de empresaveículo seria legítima para se alcançar a redução da base tributável, desde que cumpridos os demais requisitos legais. Nestes termos identificase na jurisprudência administrativa o Acórdão 105 16.774 (08/11/2007), o qual foi mantido pela CSRF na decisão de Acórdão 9101001.657 (15/05/2013). A segunda corrente defende a obrigatoriedade da existência de elementos de fato caracterizadores da necessidade da realização da operação societária, razão pela qual a realização de operações sem fim negocial caracterizaria planejamento tributário abusivo, com o único propósito de economia tributária, baseada nas figuras de fraude à lei, abuso de direito e simulação. Nesse sentido foi a linha adotada no Acórdão 120100.689 (08/05/2012), na mesma esteira do TVF e da decisão Recorrida. Como podese inferir do TVF, corroborado pela DRJ, o ponto principal da argumentação que embasa a ausência de propósito negocial na utilização da holding Estônia, se funda no fato de ser uma empresa efêmera, sem atividade operacional, "adquirida de prateleira", e que todo o "desenho" da operação já havia sido estipulado no Memorando de Entendimentos firmado no ano de 2007. Neste sentido entendeu que: Fl. 2853DF CARF MF 14 O emprego da Estonia foi claramente um caminho mais longo, seguramente mais oneroso e, portanto, injustificável, do ponto de vista societário. Possivelmente, a fiscalizada continuará alegando o contrário, ou seja, que a centralização das participações Integritas que seriam alienadas pelas pessoas físicas e Toledo numa única holding (a Estonia) simplificou o modelo negocial. Ora, claramente tal afirmativa, caso venha a ser feita, será inverídica. Afinal, o conjunto de operações societárias já havia sido engendrado desde o primeiro acordo ocorrido em 29/11/2007, quando a empresa veículo nem existia – por isso, a participação da Estonia como interveniente. Ademais, sem a interposição da Estonia, no final das negociações, as participações na Integritas poderiam ter sido alienadas diretamente, ao revés de se proceder as integralizações de capital, para só então, se proceder a uma alienação. Claramente, a inclusão da Estonia no modelo negocial não possui qualquer substrato societário. Seu propósito foi o de possibilitar ao adquirente posteriormente incorporála para, ilicitamente, amortizar o ágio na aquisição. Por sua vez o Recorrente em sua vasta argumentação defende que, além de ter havido propósito negocial necessário à conclusão do negócio, mesmo que esse não existisse, não se poderia invalidar o uso de empresaveículo nos termos de decisões já proferidas por este Conselho. Pois bem. Traçadas essas premissas das duas principais correntes interpretativas sobre o tema me alinho à primeira, a qual também é defendida pelo Recorrente. Ressaltese mais uma vez que não existem dúvidas acerca do efetivo pagamento do ágio gerado através de operações realizadas entre pessoas jurídicas distintas, o que afastaria o chamado "ágio interno". Não obstante o alto grau de subjetividade existente em qualquer discussão relacionada à existência ou inexistência de propósito negocial nas operações, face à mais que concreta objetividade da lei quanto às regras para dedução do ágio, não deixarei de enfrentar as questões de fato, muito embora entendo que o cerne da questão é avaliar se a escolha de negócio da Recorrente infringe a lei tributária ou não, de forma a impossibilitar a dedução do ágio. Isto porque, o conceito de propósito negocial carece de fundamento legal, tornandose absolutamente subjetivo e abrangente. Partindo deste conceito adotado pelo Fisco, a presença de um propósito negocial deve ser precedente e, além, originária na operação, de modo a concretizar a amortização do ágio e o concomitante gozo do benefício fiscal como uma consequência natural e lógica. Entretanto, a indefinição dos conceitos no ordenamento jurídico impede a formação de entendimento uniforme, tornando qualquer discussão acerca das operações de ágio como ao menos parcialmente subjetivas, afastandose do princípio da tipicidade cerrada que foi base de formação do direito tributário. É freqüente utilização pelo Fisco da teoria da ausência de propósito negocial por meio do qual defende que a simples inexistência sob sua ótica outros motivadores para a Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.848 15 operação que não o alcance do benefício fiscal, tem sido usada como elemento suficiente para invalidar os atos do contribuinte ou o benefício fiscal almejado. Tal lógica ao meu ver se afasta da necessária objetividade da lei tributária, fundada no princípio da tipicidade cerrada, além de afetar a segurança jurídica vez que diversas regras e estruturas criadas pelo legislador brasileiro oferecem um benefício fiscal aos contribuintes como parte integrante de uma política econômica. Nesse sentido entendo ser absolutamente claro o exemplo trazido pelo Conselheiro desta Primeira Seção, Luiz Fabiano Alves Penteado em caso semelhante ao aqui tratado: Usualmente menciono em meu votos, de forma exemplificativa, o regime fiscal da Zona Franca de Manaus, que oferece incentivos fiscais para as empresas que lá se estabelecerem e produzirem, gerando empregos, desenvolvimento econômico/social e, mesmo, arrecadação de tributos para a região. Neste caso, não há qualquer exigência de que as empresas lá estabelecidas tenham propósitos negociais além do gozo do incentivo fiscal em si, para lá se estabelecerem. Isso porque, nenhuma empresa busca a Zona Franca de Manaus em razão da maior proximidade com o mercado consumidor, melhor infraestrutura ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo é o gozo do incentivo fiscal, que seja suficiente para compensar os desafios e dificuldades adicionais. Isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisito da legislação, independentemente da existência de outras razões. Este é um exemplo do caráter indutor da norma, no sentido de que quando a legislação cria um determinado benefício, acaba por induzir o contribuinte a agir de determinada forma. Nesse sentido, entendo que a busca da redução de incidência tributária por si só já se constitui em propósito negocial que viabiliza o aproveitamento do ágio, como incentivo tributário estabelecido em lei, desde que cumpridos os demais requisitos. Nesse sentido este Conselho já possui diversos precedentes: GANHO DE CAPITAL. VENDA DE QUOTAS. PLANEJAMENTO FISCAL ILÍCITO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR CONTÁBIL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos Fl. 2855DF CARF MF 16 artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor contábil,não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. (Acórdão nº 1402001.472 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 09 de outubro de 2013) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. (...) Outra tese do Fisco que merece análise é a de que os atos praticados poderiam ser desconsiderados, porque não teriam conteúdo econômico (ou propósito negocial), já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Porém, tal afirmativa está em descompasso com o ordenamento jurídico. Como se vê, em última análise, a afirmação do Fisco consiste em sustentar que o planejamento tributário é proibido e que a economia tributária só é admissivel se for acidental. Apenas por isso, já se percebe a improcedência do argumento. Mas, a análise da tese do Fisco confirma o equivoco desta interpretação da fiscalização, pois nem esta motivação vicia o negócio e nem existe lei atribuindo tal efeito. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum As partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um Juiz. Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.849 17 No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Assim, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicada sequer por juizes aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. E, muito menos, poderia ser aplicada pela fiscalização, para efetuar lançamento de oficio. De outra banda, não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios. " (Acórdão n. 1101000.835 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 04 de dezembro de 2012) REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. (Acórdão n. 1201001.507 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016) AGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro anocalendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e de o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, Fl. 2857DF CARF MF 18 visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN). Recurso parcialmente provido. (Acórdão n. 10516.774 Sessão de 08 novembro de 2007) DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (Acórdão n. 1201001.267 Sessão de 19 de janeiro de 2016) Cumpre destacar trecho do voto proferido no último Acórdão citado, com o qual me coaduno: "(...)Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos." Desta feita, entendo que a ausência de propósito negocial, sob a ótica do fisco, não pode ser suficiente para a glosa da dedução da amortização do ágio, até mesmo porque, a economia tributária pode ser considerada um propósito negocial. Por outro lado, a utilização da chamada empresaveículo, expressão que tem sido usada como sinônimo de ilegalidade tributária, por si só, não torna a operação ilegal, se desacompanhada de qualquer ato fraudulento ou simulado, especialmente quando restar demonstrada a existência de alternativas que resultem no mesmo resultado tributário obtido. Esta linha de jurisprudência já é adotada por este Conselho: "AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.850 19 A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) Destaquese trecho de voto proferido no Acórdão n. 1201001.267: "(...) Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação." Ademais, o ponto central da fundamentação do TVF para sustentar a ausência do propósito negocial é baseado em um Memorando de Entendimentos, ao qual entendo que o agente fiscal quer atestar natureza de negócio jurídico imutável e completo. O Memorando de Entendimentos, tal qual um Protocolo de Intenções apenas pode ser interpretado como um indicativo de interesse de formalização de negócio jurídico, mas jamais o próprio negócio. São instrumentos comumente utilizados em operações complexas e com diversas variáveis, o que foi o caso. Nas operações travadas pelo Recorrente, entre a assinatura do Memorando, que não pode ser visto como início pois certamente até a formalização do instrumento várias foram as tratativas anteriores, até a efetiva conclusão do negócio, transcorreramse mais de 02 anos. Por outro lado, o memorando firmado poderia não acarretar na efetiva conclusão do negócio, especialmente no presente caso, quando estamos falando da aquisição de parte das ações de uma holding que detém as ações do Grupo Fleury. Tratase de negócio complexo travado entre 26 pessoas físicas, entre herdeiros, procuradores e acionistas. Fl. 2859DF CARF MF 20 Assim, o fato de a figura da Estonia não estar prevista no negócio "desenhado" no Memorando de Entendimento por si só não tem o condão de invalidar a sua utilização como instrumento legítimo de organização societária. Especialmente por se tratar de um início de tentativa de conclusão de um negócio, que poderia não ocorrer. Por outro lado, apesar de entender que no presente caso a utilização de um benefício fiscal, por si só, já pode se constituir em propósito negocial, no presente caso, diante das provas apresentadas, entendo que a utilização da Estônia também teve propósito extra tributário. Isto porque entendo absolutamente razoáveis os argumentos da recorrente, no sentido de que a conclusão de um negócio complexo como o ocorrido foi muito mais fácil com a utilização de uma pessoa jurídica, cujas deliberações ocorriam com 3/4 dos votos, do que com a totalidade das pessoas físicas detentoras das ações da Holding Integritas. No caso concreto vários foram os exemplos de situações também não previstas no Memorando de Entendimentos, como o próprio prazo para conclusão dos negócios, que foi seguidamente descumprido e prorrogado. Assim, entendo estar suficientemente demonstrado o propósito negocial. Entretanto, mesmo que por argumentação se entendesse que a utilização do ágio não poderia ser o propósito por si mesmo, as demais razões fáticas trazem, no mínimo, uma dúvida acerca da sua alegada inexistência. Nesta feita, entendo que seria aplicável o art. 112 do CTN que determina a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte. Ademais, além de tudo o quanto exposto, como bem observado pelo Recorrente, o uso da chamada empresaveículo não era indispensável para obtenção do aproveitamento do ágio. Isto porque, verificase outra possível estrutura societária cujo resultado fiscal seria o mesmo que o analisado nestes autos (amortização do ágio pela Recorrente). Neste caso hipotético, terseia inicialmente a aquisição direta da Integritas pela Recorrente, com a posterior consolidação do ágio e do investimento por meio de uma cisão parcial da Integritas e a versão do patrimônio cindido para a Recorrente. Desta forma, havendo outra forma de se obter o mesmo resultado econômico, não há o que se questionar sobre o uso da Estônia na operação societária, que foi um claro exercício da liberdade negocial assegurada ao contribuinte. Esse também é entendimento firmado no CARF: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.851 21 No mesmo sentido foi o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no Acórdão 1302001.186 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária: Por outro lado, a constituição da NAVPAR teve como propósito possibilitar o aproveitamento do ágio, como afirma a autoridade lançadora? A resposta é irrefragavelmente não, pelas seguintes razões. Primeiro, ninguém discute a existência do ágio e o seu efetivo pagamento pela recorrente aos membros da família Schwec. Logo, mesmo que não existisse a NAVPAR, se a recorrente e a Sogil tivessem adquirido diretamente o controle da Auto Viação Navegantes com ágio, poderiam cindila e passar a deduzir a amortização do ágio das suas bases tributáveis. Logo, fica evidente que esse malabarismo societário se deve a razões meramente empresariais, que os obrigavam a preservar a Auto Viação Navegantes, ou seja, preferindo assim criar uma intermediária. Além disso, caso viesse a ser declarado nulo o ato de constituição da NAVPAR, por ser um ato simulado, subsistiria o ato dissimulado, o qual consistiria em uma participação da recorrente na Auto Viação Navegantes com ágio no mesmo valor que fora registrado na aquisição da NAVPAR, sendo que, por óbvio, para que a sua amortização viesse a ser dedutível do IR e da CSLL, bastava que houvesse a mesma operação que foi feita com a NAVPAR. Logo, ainda que se admita a existência de um pacto prévio de constituição da NAVPAR, este não serviu para dissimular ato tributariamente mais oneroso, pois os efeitos tributários seriam os mesmos caso a NAVPAR não viesse a ser constituída, razão pela qual entendo que não houve simulação fiscal. Outrossim, quanto à alegação de inexistência de confusão patrimonial, em que pese esse não seja um requisito expresso para o aproveitamento do ágio, entendo que ela efetivamente ocorreu. Isto porque, concordo com a Recorrente no sentido de que é incontestável que a Integritas e o Fleury não foram objetos de aquisição direta da Recorrente, mas sim a Estônia, holding colocada à venda pelas Pessoas Físicas e o Dr. Toledo que detinha a participação indireta na Fleury, na qual o Grupo Segurador Bradesco tinha interesse. Desta forma, é indiscutível que, caso se entenda aplicável, houve sim a efetiva .confusão patrimonial., tendo em vista que o investidor (a Recorrente), pessoa que suportou o ágio pago, incorporou a pessoa jurídica investida (a Estônia) pela qual pagou um ágio projetado em função da expectativa de rentabilidade futura. Diante do exposto, entendo assistir razão ao Recorrente. Fl. 2861DF CARF MF 22 No que se refere à alegação de impossibilidade da duplicidade da multa isolada e de ofício, também concordo com as razões do Recorrente. Isto porque, sigo o entendimento acerca da impossibilidade da aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Tal fato se deve à conclusão de que o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Uma vez que as estimativas são meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significa dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato. Neste ponto me permito valer dos fundamentos aduzidos pelo Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 120100.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norna punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.852 23 O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Digase ainda que a questão é objeto de Súmula do CARF nº 105, que entendo permanecer aplicável aos fatos geradores posteriores à edição da Lei nº 11.488/07 in verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº Fl. 2863DF CARF MF 24 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Outrossim, tal posição encontra guarida em diversas decisões deste Conselho, incluindose esta mesma Turma Ordinária. Concluindo, diante de tudo o quanto exposto, no mérito, voto pelo provimento do Recurso Voluntário interposto, restando prejudicadas as demais razões recursais. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Voto Vencedor Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado. Em pese o voto do I. Conselheiro Daniel Ribeiro da Silva, peço venia para dele divergir quanto à sua proposta de dar provimento ao recurso voluntário, para permitir a amortização das despesas com o ágio. Como visto, a fiscalização fundamentou sua autuação na falta de confusão patrimonial entre adquirente e adquirida e também na falta de propósito negocial na operação que gerou o ágio por rentabilidade futura. Vejase em trechos do Termo de Verificação Fiscal (efls. 2.281 e 2.282): No comando do art. 386 do RIR/99, a legislação tributária, para permitir a dedutibilidade da amortização do ágio, tem sua inteligência fundamentada na efetiva extinção do investimento através dos institutos da fusão, cisão ou incorporação entre as empresas (investidora e investida); ou seja, a legislação tributária instituiu um disciplinamento para tributação do resultado (ganho/perda) de um negócio jurídico particular que culmina numa "confusão patrimonial" o ágio de si mesmo. No presente caso, não houve a requerida unificação patrimonial. Continua existindo a sociedade investidora Bradseg e o seu investimento na sociedade Integritas. O que ocorreu foi que a fiscalizada, detentora indireta de 9,37% das ações da Integritas, antes da incorporação da Estonia, tentou se ajustar à letra da lei, sem atender à sua fundamentação, praticando uma série de "reestruturações societárias" sem qualquer motivação econômica para, ao final das operações, apresentar a mesma (e verdadeira) estruturação societária de antes. Tudo não passando de um estratagema para se tentar conseguir ganho tributário em prejuízo do Fisco Federal. O que ocorre é que o ágio não pode ser tributariamente amortizado enquanto coexistirem a sociedade investidora (Bradseg) e a sociedade investida (Integritas) Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.853 25 Em resumo, enquanto não houver a unificação patrimonial da real investidora e da sua investida, o ágio pago na aquisição da investida não é amortizável para fins tributários. (...) Mostrase, com as premissas aqui expostas, que além da ocorrência de extinção do investimento ou investida existe a necessidade de que o ágio efetivamente suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária tenha como origem um propósito econômico real, um efetivo substrato econômico, assim como cumprir incondicionalmente todos os requisitos impostos pela legislação aplicável (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, 385 e 386 do RIR/99) para ter reconhecida como dedutível a despesa com a sua amortização. A presença concomitante de todos esses aspectos é imprescindível para a sua dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL. Pois bem. Percebese que algumas condições para a geração do ágio foram atendidas, como: i) o ágio foi gerado entre partes independentes e ii) houve pagamento de preço pelo investimento adquirido. Entretanto, sabese que outras condições também devem ser atendidas para que o ágio seja amortizado fiscalmente, como o propósito negocial e a confusão patrimonial. É isto que percebo não ter ocorrido no caso concreto. O propósito negocial é caracterizado pela intenção das partes em concretizar o negócio jurídico almejado. Caso este desígnio cinjase somente na economia de tributos, eis que não está caracterizado o propósito negocial que permita à empresa adquirente a amortização do ágio gerado. No caso concreto, não obstante as operações terem sido desenroladas em respeito às formalidades exigidas, percebese que o intuito da operação era meramente fiscal, ou seja, apenas de amortizar o ágio. E foram as razões abaixo que levaram a fiscalização a efetuar o lançamento fiscal e a maioria desta turma julgadora a manter a autuação. Vejase a partir da transcrição do Termo de Verificação Fiscal (efl. 2.269 e ss): Não basta a vontade da Bradseg e da empresa Estonia de se submeterem à disciplina atinente ao ato formalizado. Deve estar presente a vontade evidenciada ao realizálo. Nesse sentido, o próprio Código Civil prevê que “nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciadas do que ao sentido literal da linguagem”(art.112). (...) Analisandose a situação existente antes da deflagração da sequência de etapas e a situação final resultante da última das etapas, podemos afirmar que as situações são correlatas, ou seja, antes da deflagração das etapas, a Bradseg pretendia participar indiretamente em 20% da empresa operacional Fleury e suas controladas. Para tanto, adquiriria parte das ações da controladora Integritas e nela integralizaria aumento de capital com emissão de novas ações. Fl. 2865DF CARF MF 26 Com a utilização da Estonia, antes do processo de incorporação, passou a deter indiretamente 9,37% das ações da Integritas, referente a ações já existentes, mais 11,17% de participações diretas, referentes a aquisição de novas ações Integritas. Após a incorporação de sua controlada, a Bradseg passou a participar diretamente da Integritas em 20,54% e deter indiretamente 20% da empresa operacional Fleury. Se olharmos as situações em termos de participações societárias diretas e indiretas, teremos que antes e após a incorporação da Estonia, a participação da Bradseg na Integritas permaneceu inalterada. Vejamos a representação gráfica abaixo, com e sem a incorporada: Como se pode ver, no caso em tela, a Bradseg não deixou de existir e em nenhum momento perdeu seu investimento na Integritas. A prática adotada pela fiscalizada consistiu numa série de procedimentos com o objetivo de "construir" uma situação contábil que lhe permitisse o aproveitamento (indevido) da amortização fiscal do ágio prevista no art. 386 do RIR/99, isso sem que a sociedade que efetivamente adquiriu o investimento, com ágio, liquidasse esse investimento. Assim, procedendo a "reestruturações societárias", dotadas apenas de atos formais desprovidos de racionalidade econômica, a Bradseg conseguiu: i) permanecer com os seus investimentos na Integritas intocados, apenas, agora, não mais apresentados contabilmente desdobrados em “Investimento Estonia + Investimento Integritas", e ii) amortizar fiscalmente o ágio oriundo da aquisição de participações Integritas já existentes e alienadas pelas pessoas físicas e Toledo, no prazo previsto na legislação tributária, forçando as condições para reduzir o lucro tributável. (...) Após discorrer sobre as etapas da reorganização societária, a fiscalização assim questionou (efls. 2.272 e 2.273): Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.854 27 A primeira pergunta que se faz é por que foi necessária a introdução de uma sociedade inativa (Estonia) para que se efetivasse a alienação das participações Integritas? Como visto anteriormente, intimados através dos Termos de Intimações Fiscais1 a esclarecer “Quais motivos levaram o Fiscalizado a ingressar no capital social da ESTONIA SP PARTICIPACOES LTDA – CNPJ 09.632.089/000183 (Estonia), em 16/06/2008?” responderam que assim procederam “(...) em razão de uma questão negocial estabelecida entre as partes, à época da operação”. A segunda pergunta é por que a Bradseg não adquiriu as participações Integritas diretamente das pessoas físicas e Toledo se no início das negociações não existia a empresa Estonia? A fiscalizada justificou que a Estonia visou simplificar e facilitar a transação em vista da dificuldade em negociar, individualmente, com diversos acionistas; propiciar a centralização das negociações com a administração da Integritas e para a formalização de apenas um contrato de compra e venda. Entretanto, vimos que estes argumentos não se coadunaram com a realidade dos fatos. Ora, conforme o já citado “Memorando de Entendimentos” a aquisição de parte das participações da Integritas detidas pelos acionistas pessoas físicas vinha sendo acertada, no mínimo, desde 29/11/2007, e a entrada da Estonia2 ocorreu apenas no final das negociações. Estes fatos denotam que a interposição da Estonia teve por propósito exclusivo permitir, após a sua incorporação pela fiscalizada, o aproveitamento fiscal do ágio, todavia de forma indevida. Notese que a única intervenção da Estonia foi receber as participações da Integritas que estavam sendo alienadas pelas pessoas físicas e Toledo. (...) Outrossim, a fiscalização demonstrou que não havia outro propósito da operações societárias terem sido feitas conforme consta nos instrumentos societários (efl. 2.274): Tanto a interposição da Estonia era desnecessária que ao final da operação a mesma foi incorporada pela fiscalizada sob o argumento de que a incorporação “visa promover a reorganização societária, racionalizando e, consequentemente, reduzindo os custos operacionais, administrativos e legais advindos da manutenção da Estonia” 3. A operação estruturada basicamente em 4 (quatro) etapas indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nesta hipótese, cumpre examinar se há motivos autônomos ou não, pois, se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No caso examinado, nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação isoladamente. 1 APARECIDO B. PEREIRA, CAIO MARCIO F. MENDES, GILBERTO ALONSO, MARIA H. ROCHA, RUI MONTEIRO B. MACIEL e MARIO E. CAMARGO 2 A Estonia foi constituída em 16/06/2008. A entrada dos acionistas pessoas físicas da Integritas ocorreu em 18/11/2008. 3 PROT JUSTIFIC INCORP DA ESTONIA PELA BRADSEG Fl. 2867DF CARF MF 28 Isto é, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações que as justificasse. A finalidade era uma única e somente seria obtida ao término de todas as etapas, ou seja, a redução indevida do pagamento de tributos em função da amortização de um ágio pago pela aquisição de fato das participações na Integritas e introduzidas artificialmente e sem nenhum propósito, durante o processo negocial, no capital de uma empresa veículo (Estonia). Além disso, restou comprovado que a empresa Estônia era uma empresa veículo, que teve como nítido interesse servir de transporte para um ágio que não foi gerado a partir de sua rentabilidade futura. E não se trata de afirmar que nenhuma empresa veículo pode ser adquirida com ágio. É que no caso concreto, percebeuse que está forma foi escolhida como objetivo meramente fiscal. Por fim, além das condições acima, há de ocorrer a efetiva confusão patrimonial entre adquirida e adquirente, nos termos do art. 386 do RIR/99, vejase: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (negritei) No caso concreto, era nítida a intenção da Bradseg em adquirir participação na empresa Fleury, que tinha como controladora a empresa Integritas. Entretanto, após todo o processo de reorganização societária, empresa adquirente, real adquirida e controladora direta permaneceram intactas, o que apenas corrobora as razões da fiscalização de que não houve a efetiva confusão patrimonial, como se pode observar de trecho do Termo de Verificação Fiscal (efl. 2.280). Como vimos na representação gráfica acima, a Bradseg permaneceu com o investimento na Integritas mesmo após a incorporação da Estonia. Antes da referida incorporação, a Bradseg possuía parte do investimento na Integritas através da empresa veículo Estonia. Posteriormente à incorporação, a Bradseg continuou com o mesmo investimento na Integritas, agora, todavia, de forma direta. Desta forma, restou claro que houve violação ao artigo 386 supra, razão pela qual o direito à amortização do ágio deve ser afastado. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto à amortização do ágio. No mais, sigo o voto do I. Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.076 S1C4T1 Fl. 2.855 29 Fl. 2869DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720024/2015-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
Ementa:
ARGUMENTOS FUNDADOS EM INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Conforme dispõe o art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Razoabilidade e proporcionalidade que se inserem em tal vedação.
NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CONTEÚDO DO RESP 973.733/SC NOS MOLDES DA NOTA PGFN/CRJ N° 1.114/2012 C/C PARECER PGFN/CAT 1.617/2008 EM DECORRÊNCIA DA PORTARIA CONJUNTA PGFN/FRB N° 01/2014 QUE REGULAMENTOU O DISPOSTO NOS §§ 4°, 5° E 7° DA LEI 10.522/2002.
Em harmonia com o que decidiu o STJ no Resp 973.933/SC, considerando os moldes da nota PGFN/CRJ N° 1.114/2012 c/c parecer PGFN/CAT 1.617/2008 em decorrência da portaria conjunta PGFN/FRB N° 01/2014 que regulamentou o disposto nos §§ 4°, 5° e 7° da Lei 10.522/2002, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN 173, I), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre.
PRAZO DECADENCIAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE.
Tendo sido o lançamento cientificado ao contribuinte dentro do prazo decadencial aplicável, não se cogita de decadência. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário é obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, podendo o Fisco verificar ocorrências em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja a apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência.
DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO POR MEIO DE BENS AVALIADOS PELO VALOR DE MERCADO. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL PARA A EMPRESA.
Em harmonia com o art. 22, §1° da Lei 9.249/95, os bens e direitos da pessoa jurídica que forem entregues ao titular sócio ou acionista, a título de devolução do capital social, quando avaliados pelo valor de mercado, ensejam a apuração do ganho de capital. A base de cálculo será a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. APLICAÇÃO NA PRESENÇA DE DOLO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO.
Nos casos de sonegação, fraude ou conluio a multa deve ser qualificada para 150%. Restou demonstrada o dolo de sonegação na apresentação de DIPJ pela sócia sem a informação da ocorrência de ganho de capital que sabia ter ocorrido.
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE NA APLICAÇÃO DAS MULTAS. ATIVIDADE VINCULADA DAS FISCALIZAÇÃO QUE NÃO AS PERMITE.
A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme art. 142 parágrafo único do CTN. Assim, verificada a ocorrência de situação enseja a aplicação de multa prevista legalmente não cabe à autoridade administrativa a aplicação da proporcionalidade e/ou da razoabilidade.
CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogerio Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimaraes da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 Ementa: ARGUMENTOS FUNDADOS EM INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Conforme dispõe o art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Razoabilidade e proporcionalidade que se inserem em tal vedação. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CONTEÚDO DO RESP 973.733/SC NOS MOLDES DA NOTA PGFN/CRJ N° 1.114/2012 C/C PARECER PGFN/CAT 1.617/2008 EM DECORRÊNCIA DA PORTARIA CONJUNTA PGFN/FRB N° 01/2014 QUE REGULAMENTOU O DISPOSTO NOS §§ 4°, 5° E 7° DA LEI 10.522/2002. Em harmonia com o que decidiu o STJ no Resp 973.933/SC, considerando os moldes da nota PGFN/CRJ N° 1.114/2012 c/c parecer PGFN/CAT 1.617/2008 em decorrência da portaria conjunta PGFN/FRB N° 01/2014 que regulamentou o disposto nos §§ 4°, 5° e 7° da Lei 10.522/2002, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN 173, I), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. PRAZO DECADENCIAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Tendo sido o lançamento cientificado ao contribuinte dentro do prazo decadencial aplicável, não se cogita de decadência. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário é obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, podendo o Fisco verificar ocorrências em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja a apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO POR MEIO DE BENS AVALIADOS PELO VALOR DE MERCADO. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL PARA A EMPRESA. Em harmonia com o art. 22, §1° da Lei 9.249/95, os bens e direitos da pessoa jurídica que forem entregues ao titular sócio ou acionista, a título de devolução do capital social, quando avaliados pelo valor de mercado, ensejam a apuração do ganho de capital. A base de cálculo será a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APLICAÇÃO NA PRESENÇA DE DOLO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Nos casos de sonegação, fraude ou conluio a multa deve ser qualificada para 150%. Restou demonstrada o dolo de sonegação na apresentação de DIPJ pela sócia sem a informação da ocorrência de ganho de capital que sabia ter ocorrido. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE NA APLICAÇÃO DAS MULTAS. ATIVIDADE VINCULADA DAS FISCALIZAÇÃO QUE NÃO AS PERMITE. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme art. 142 parágrafo único do CTN. Assim, verificada a ocorrência de situação enseja a aplicação de multa prevista legalmente não cabe à autoridade administrativa a aplicação da proporcionalidade e/ou da razoabilidade. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
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IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Conforme dispõe o art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Razoabilidade e proporcionalidade que se inserem em tal vedação. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CONTEÚDO DO RESP 973.733/SC NOS MOLDES DA NOTA PGFN/CRJ N° 1.114/2012 C/C PARECER PGFN/CAT 1.617/2008 EM DECORRÊNCIA DA PORTARIA CONJUNTA PGFN/FRB N° 01/2014 QUE REGULAMENTOU O DISPOSTO NOS §§ 4°, 5° E 7° DA LEI 10.522/2002. Em harmonia com o que decidiu o STJ no Resp 973.933/SC, considerando os moldes da nota PGFN/CRJ N° 1.114/2012 c/c parecer PGFN/CAT 1.617/2008 em decorrência da portaria conjunta PGFN/FRB N° 01/2014 que regulamentou o disposto nos §§ 4°, 5° e 7° da Lei 10.522/2002, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 24 /2 01 5- 41 Fl. 688DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 3 2 (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN 173, I), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. PRAZO DECADENCIAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Tendo sido o lançamento cientificado ao contribuinte dentro do prazo decadencial aplicável, não se cogita de decadência. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário é obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, podendo o Fisco verificar ocorrências em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja a apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO POR MEIO DE BENS AVALIADOS PELO VALOR DE MERCADO. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL PARA A EMPRESA. Em harmonia com o art. 22, §1° da Lei 9.249/95, os bens e direitos da pessoa jurídica que forem entregues ao titular sócio ou acionista, a título de devolução do capital social, quando avaliados pelo valor de mercado, ensejam a apuração do ganho de capital. A base de cálculo será a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APLICAÇÃO NA PRESENÇA DE DOLO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Nos casos de sonegação, fraude ou conluio a multa deve ser qualificada para 150%. Restou demonstrada o dolo de sonegação na apresentação de DIPJ pela sócia sem a informação da ocorrência de ganho de capital que sabia ter ocorrido. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE NA APLICAÇÃO DAS MULTAS. ATIVIDADE VINCULADA DAS FISCALIZAÇÃO QUE NÃO AS PERMITE. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme art. 142 parágrafo único do CTN. Assim, verificada a ocorrência de situação enseja a aplicação de multa prevista legalmente não cabe à autoridade administrativa a aplicação da proporcionalidade e/ou da razoabilidade. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogerio Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimaraes da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1670.193, de 29/10/2015, da 7ª Turma da DRJ de São Paulo (DRJ/SPO) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação da Recorrente, cuja ementa consignou os seguintes termos: ARGUMENTOS FUNDADOS EM INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Conforme dispõe o art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Razoabilidade e proporcionalidade que se inserem em tal vedação. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CONTEÚDO DO RESP 973.733/SC NOS MOLDES DA NOTA PGFN/CRJ N° 1.114/2012 C/C PARECER PGFN/CAT 1.617/2008 EM DECORRÊNCIA DA PORTARIA CONJUNTA PGFN/FRB N° 01/2014 QUE REGULAMENTOU O DISPOSTO NOS §§ 4°, 5° E 7° DA LEI 10.522/2002. Em harmonia com o que decidiu o STJ no Resp 973.933/SC, considerando os moldes da nota PGFN/CRJ N° 1.114/2012 c/c parecer PGFN/CAT 1.617/2008 em decorrência da portaria conjunta PGFN/FRB N° 01/2014 que Fl. 690DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 5 4 regulamentou o disposto nos §§ 4°, 5° e 7° da Lei 10.522/2002, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN 173, I), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. PRAZO DECADENCIAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Tendo sido o lançamento cientificado ao contribuinte dentro do prazo decadencial aplicável, não se cogita de decadência. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário é obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, podendo o Fisco verificar ocorrências em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja a apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO POR MEIO DE BENS AVALIADOS PELO VALOR DE MERCADO. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL PARA A EMPRESA. Em harmonia com o art. 22, §1° da Lei 9.249/95, os bens e direitos da pessoa jurídica que forem entregues ao titular sócio ou acionista, a título de devolução do capital social, quando avaliados pelo valor de mercado, ensejam a apuração do ganho de capital. A base de cálculo será a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APLICAÇÃO NA PRESENÇA DE DOLO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Nos casos de sonegação, fraude ou conluio a multa deve ser qualificada para 150%. Restou demonstrada o dolo de sonegação na apresentação de DIPJ pela sócia sem a informação da ocorrência de ganho de capital que sabia ter ocorrido. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE NA APLICAÇÃO DAS MULTAS. ATIVIDADE VINCULADA DAS FISCALIZAÇÃO QUE NÃO AS PERMITE. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme art. 142 parágrafo único do CTN. Assim, verificada a ocorrência de situação enseja a aplicação de multa prevista legalmente não cabe à autoridade administrativa a aplicação da proporcionalidade e/ou da razoabilidade. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 6 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme destacado no acórdão recorrido, a presente ação fiscal teve por objetivo verificar a ocorrência de ganho de capital na alienação do imóvel rural, Fazenda São Lourenço, realizada pela pessoa jurídica MDM Empreendimentos e Administração Ltda. EPP CNPJ n° 05.383.681/000138. Essa empresa foi extinta, em 28/02/2011, conforme dissolução registrada na JUCESP em 05/04/2011. Por decorrência, o procedimento fiscal foi aberto em nome da sócia administradora e majoritária ao tempo da dissolução, a Sra. Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda, cuja participação no capital social equivalia a 99,83%. O acórdão recorrido destacou os seguintes pontos levantados pela Fiscalização, os quais também adotamos para o presente relatório: a) houve omissão de receita da pessoa jurídica MDM Empreendimentos e Administração Ltda. EPP, em razão da apuração no primeiro trimestre de 2011, de resultado não operacional, em decorrência de ganhos de capital obtidos com a alienação do imóvel objeto da matrícula 95.264 do 2° CRI de Campinas (uma gleba de terras designada como gleba remanescente, oriunda da subdivisão da Fazenda São Lourenço) pelo valor de R$ 5.990.000,00, com custo de R$ 800.000,00. A sóciaadministradora e majoritária Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda entregou em 05/05/2011 para a Receita Federal do Brasil a DIPJ 2011, período de apuração de 01/01/2011 a 05/04/2011, (na situação especial de extinção) em nome da pessoa jurídica MDM e nela nenhum valor declarou como receita decorrente do ganho de capital obtido com a alienação do referido imóvel; b) a sóciaadministradora e majoritária MARIA ODETTE FIGUEIREDO DE CAMARGO ARRUDA, com participação no capital social equivalente a 99,83%, promoveu o registro da extinção da pessoa jurídica acima mencionada nos órgãos competentes sem atendimento dos procedimentos legais, o que caracteriza Infração à lei. Em outras palavras, houve dissolução irregular, pois a extinção da pessoa jurídica foi realizada pela sócia administradora Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda com aparência de legalidade. Assim, consideramos a sóciaadministradora Maria Odette como sujeito passivo na qualidade de responsável em decorrência do fato gerador praticado por pessoa jurídica já extinta, com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN (sóciaadministradora com poder de gerência que infringiu à lei). Os motivos e as provas de que a sóciaadministradora Maria Odette incorreu na conduta descrita no inciso III do artigo 135 do CTN estão descritos no item seguinte. Em atenção às intimações, a contribuinte informou que não houve reavaliação de bens. Todavia, teria havido aumentos de capital da MDM em 2004, 2005 e 2006, por meio de créditos dos sócios que representavam os gastos desses com benfeitorias no imóvel em questão. Consideradas as benfeitorias, não havia ganho de capital. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 7 6 A fiscalização, tendo observado que inicialmente a contribuinte tinha informado que os aumentos de capital teriam sido em moeda corrente e somente em resposta posterior disse que os aumentos foram feitos por meio de créditos dos sócios, constatou que na escrituração fiscal de 2004 ficou registrado que o aumento de capital foi em moeda com contrapartida na conta caixa. Em outro trecho, a autoridade fiscal concluiu que a escrituração não tinha valor probante pois possuía diversos indícios de que não foram escriturados tempestivamente conforme trecho que destacamos: e) O fato mais grave é que todos os onze livros apresentados pelo sujeito passivo (mencionados na alínea "a") foram elaborados após o início do procedimento fiscal. Não precisa ser perito para constatar este fato. Basta uma simples verificação para constatar que tanto o livro do ano 2003 como os dos anos 2004, 2005, 2006 e 2011 foram elaborados com as mesmas características de impressão, com o mesmo tipo de papel e mesmo tipo de encadernamento. São todos livros novos. Mais um fato que corrobora tal conclusão: nos termos de abertura e de encerramento dos livros diário dos anos 2003, 2004, 2005 e 2006 consta o nome do contador Sr. Hermínio Onaga com assinatura e o nome do sócioadministrador Marcus Olyntho de Camargo Arruda, mas não a sua assinatura. Isto porque o Sr. Marcus faleceu em 11/08/2012. Observese ainda que no topo de cada uma das folhas dos livros diário dos anoscalendário 2005 e 2006 consta a data de impressão 04/02/2015. Que valor probatório tem os livros diário apresentados? Nenhum. Além de terem sido elaborados somente após o início do procedimento fiscal, contêm escrituração divergente de documento apresentado e também não foram autenticados no órgão competente. A fiscalizada tentou demonstrar a efetiva existência das benfeitorias que alterariam o valor contábil do imóvel, mas os documentos apresentados foram analisados e tiveram sua força probante afastada pela fiscalização conforme consignado nos itens 8.f a 8.m do relatório fiscal: e) posteriormente, em mais uma tentativa de comprovar que os aumentos do capital social ocorreram na forma como constaram nos três instrumentos particulares de alteração do contrato social, por ele apresentados para a fiscalização, o sujeito passivo apresentou inúmeras CÓPIAS de documentos juntamente com a resposta datada de 25/02/2015. Tais cópias nada comprovam. Vejamos as razões nas alíneas seguintes; f) cópias de diversas fotos com indicações nelas contidas de locais e datas, de forma manuscrita, nada comprovam; h) a cópia do relatório técnico de projeto apresentada também nada comprova. Observese que nesta cópia consta o nome de Marcus Olyntho e Camargo Arruda, mas não a sua assinatura. Por qual razão não foi apresentada a via original? Porque muito provavelmente se verificaria que o relatório não foi elaborado em 27/06/2003. Aqui novamente registramos que o Sr. Marcus faleceu em 11/08/2012; Fl. 693DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 8 7 i) simples cópia de planilha intitulada "relatório de despesas/débitos" de suposta emissão do Banco Votorantim, sem nenhuma assinatura, também nada comprova. Registrese ainda que os valores constantes de tal planilha não guardam correlação nenhuma com a escrituração constante dos livros diário apresentados para a fiscalização; j) simples cópia de planilha relacionando pagamentos realizados por meio de TEDs, de suposta emissão do Banco Votorantim, sem nenhuma assinatura, também nada comprova. Observese que não foi apresentada a via original de nenhuma das TEDs constantes de tal planilha; k) simples cópias de relatório de despesas, de notas de débito com a informação nelas impressa de que não valem como recibos, de recibos sem assinatura e de depósitos bancários onde constam que foram feitos pelo "próprio favorecido" também nada comprovam; l) cópia de autorização sem assinatura do Sr. Marcus para o Banco Votorantim fazer pagamento a terceiros também nada comprova; m) simples cópia de relatório gerencial suplementar de despesas incorridas pelo Sr. Marcus também nada comprova; Por outro lado, a fiscalização colheu diversos elementos que corroboram a conclusão de que as benfeitorias de fato não existiram: 9) O próprio Distrato Social, de 28/02/2011, contém o Anexo I (Memorial Descritivo do Imóvel objeto da Matrícula n° 95.264 do 2° CRI de Campinas). No memorial o imóvel está descrito de forma pormenorizada e ali não há registro da existência de nenhuma benfeitoria. 10) Na matrícula n° 92.264 do 2° CRI de Campinas, correspondente ao imóvel alienado, não há registro da existência de nenhuma benfeitoria. 11) Na matrícula n° 22.635 do 4° CRI de Campinas, aberta em 13/09/2011, em razão do cancelamento da matrícula anterior (92.264) também não há registro da existência de nenhuma benfeitoria. 12) Na escritura pública de dação em pagamento lavrada em 12/08/2011, onde a Sra. Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda assina como representante da outorgante MDM Empreendimentos e Administração Ltda. EPP, para ela mesma receber o imóvel dado em dação em pagamento, consta a descrição do imóvel de forma pormenorizada. Lá também não há registro da existência de nenhuma benfeitoria. 13) Nas declarações de ITR dos exercícios de 2003 a 2010 (oito declarações), entregues para a Receita Federal do Brasil por meio da internet pela pessoa jurídica MDM, o imóvel sempre foi declarado pelo valor total de R$ 800.000,00, correspondente ao valor da terra nua. Em todas as oito declarações foi declarado valor R$ 0,00 como valor das construções, instalações e benfeitorias e também valor R$ 0,00 como valor das culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 9 8 14) Na declaração do ITR do exercício 2011, entregue em 05/10/2011 para a Receita Federal do Brasil por meio da internet pela Sra. Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda o imóvel foi declarado pelo valor total de R$ 825.600,00, correspondente ao valor da terra nua. Naquela declaração também foi declarado valor R$ 0,00 como valor das construções, instalações e benfeitorias e também valor R$ 0,00 como valor das culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. Tendo colhido os elementos necessários para a conclusão do procedimento, a autoridade fiscal lavrou o lançamento com o critério que a seguir é apontado: 18) Para a apuração do valor da omissão de receita correspondente ao ganho de capital obtido, consideramos R$ 5.990.000,00 como valor da alienação, conforme consta no Distrato Social, de 28/02/2011 e também na Escritura Pública de Dação em Pagamento, lavrada posteriormente em 12/08/2011; e, R$ 800.000,00 como custo de aquisição, conforme consta na matrícula n° 95.264 do 2° CRI de Campinas e no Livro Diário do ano de 2003 em nome da pessoa jurídica MDM, apresentado pela Sra. Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda. Desta forma, com base no Art. 521, parágrafo 1° do Regulamento do Imposto de Renda (RIR 1999), apurase o valor de R$ 5.190.000,00 como ganho de capital obtido com a alienação do imóvel já mencionado, que foi omitido na DIPJ 2011 em nome da pessoa jurídica MDM, entregue em 05/05/2011 para a Receita Federal do Brasil pela Sra. Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda. A multa qualificada de 150% foi aplicada coma seguinte fundamentação fática: 23) Os fatos demonstram, sem margem para dúvidas, que a sócia administradora Maria Odette deixou de informar ao Fisco na DIPJ 2011 por ela entregue em 05/05/2011 em nome da pessoa jurídica MDM os ganhos de capital obtidos com a ALIENAÇÃO do imóvel denominado Fazenda São Lourenço e, por conseguinte, suprimiu os tributos incidentes sobre os mesmos, fato este que caracteriza a prática do delito previsto no art. 1 °, inciso I, da Lei n° 8.137/90. Assim, justificase a aplicação da multa qualificada, tipificada no artigo 44, parágrafo 1° da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. Quanto à atribuição de responsabilidade ao sócioadministrador, em fls. 1610/1611 encontramos a seguinte motivação com fundamento no art. 135, inciso III do CTN: 19) A sóciaadministradora e majoritária MARIA ODETTE FIGUEIREDO DE CAMARGO ARRUDA, com participação no capital social equivalente a 99,83%, promoveu o registro da extinção da pessoa jurídica MDM Empreendimentos e Administração Ltda. EPP nos órgãos competentes sem atendimento dos procedimentos legais, o que caracteriza Infração à lei. Em outras palavras, houve dissolução irregular, pois a extinção da pessoa jurídica foi realizada pela sóciaadministradora Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda com aparência de legalidade. Assim, consideramos a sócia administradora Maria Odette como sujeito passivo na qualidade de Fl. 695DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 10 9 responsável em decorrência do fato gerador praticado por pessoa jurídica já extinta, com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN (sócia administradora com poder de gerência que infringiu à lei). Os motivos e as provas de que a sóciaadministradora Maria Odette incorreu na conduta descrita no inciso III do artigo 135 do CTN estão todos descritos anteriormente no presente relatório fiscal. 20) Comprovada a dissolução irregular da pessoa jurídica MDM Empreendimentos e Administração Ltda. EPP, a sóciaadministradora Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda deve responder como sujeito passivo na qualidade de responsável, conforme descrito no item anterior. Como já houve a baixa da pessoa jurídica na JUCESP, esta não mais possui personalidade jurídica, e em decorrência disso a exigência tributária será formalizada em nome da sóciaadministradora Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda. A interessada foi cientificada do lançamento do presente processo por via postal em 23/03/2015, fl. 562, tendo apresentado sua impugnação por meio dos Correios, cuja data de apresentação será considerada em 20/04/2015 por conta do art. 56, §5° do Decreto 7.574/2011, fls. 569/606, com os argumentos que resumimos a seguir em seus principais aspectos. Preliminarmente aponta que houve infringência da Portaria 2.466/2010, uma vez que teria competência para a autuação a DRF de São Paulo devido seu domicílio fiscal. Argumenta que "toda e qualquer assertiva veiculada pelo Sr. Auditor Fiscal quanto à constituição do aumento do capital da referida empresa, dado que o último ato perpetrado ocorreu em 18/05/2006, deve ser rechaçada pelo decurso do prazo para referida responsabilização." Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4° do CTN. Traz lições doutrinárias sobre a decadência e conclui que "diante do transcurso do prazo de mais de 05 anos para que tivesse havido a fiscalização relativo ao lançamento do aumento do capital da MDM Empreendimentos e Administração Ltda., incabível qualquer apontamento por parte da Fiscalização." Passa a fazer extensas digressões teóricas (itens a II.v) sobre o sistema tributário nacional, imunidades, materialidade das competências tributárias, tributação da renda (conceito de renda, proventos e a ideia de patrimônio), disponibilidade jurídica e econômica de renda. A partir do item II.vi passa a tratar mais diretamente do caso dos autos e afirma, após considerações teóricas adicionais, que: o §4° do art. 22 da Lei n. 9.249/1995 estabelece uma exclusão da base de cálculo no que se refere à diferença entre o valor restituído ao sócio dissidente e/ou excluído e o valor das quotas sociais que integralizava no capital social da sociedade. Em outros termos, o referido enunciado Fl. 696DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 11 10 reconhece que o valor das quotas sociais integralizadas pelo sócio representam uma parcela do patrimônio social da sociedade e que, portanto, a saída ou exclusão do sócio do rol de sócios da sociedade implica na devolução integral, se não houver previsão no contrato social de forma diversa, da sua efetiva participação no patrimônio social. Situação que não representa para o sócio nenhum acréscimo patrimonial ou provento de qualquer natureza. Assim sendo, para o presente caso, incabível a imputação da pecha de GANHO DE CAPITAL tendo em vista ter ocorrido, exclusivamente, a restituição do capital. Admite que: "[...] a legislação tributária determina que no "caso de a devolução 'realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado' (§1° do art. 22, Lei n. 9.249/1995) (destacamos) nesse caso, para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica (§ 3° do art. 22, Lei n. 9.249/1995). Insiste que "se o sócio transferir suas quotas sociais para terceiro por valor igual ao valor referente ao patrimônio social que teria direito se se retirasse da sociedade, não se verifica qualquer ganho de capital e, por consequência, não se há de falar em tributação sobre possível renda ou proventos de qualquer natureza." E destaca : "[...]a devolução proporcional do patrimônio líquido da sociedade referente às quotas integralizadas pelo sócio, desde que por valor de mercado, não configura efetivo ganho de capital por parte do sócio retirante ou excluído do quadro social, mesmo que tal valor seja diverso do valor de face das quotas subscritas e integralizadas por estes. E, no caso de venda ou cessão onerosa das quotas sociais subscritas após a edição da Lei n. 7.713/1988, é necessário se verificar, para possível apuração de ganho de capital, se o valor da referida operação é superior ao valor patrimonial líquido efetivo (valor de mercado) que o sócio tinha direito. Se inferior ou igual, não há de se falar em possível ganho de capital por parte do sócio retirante ou excluído. " (destaque nosso) Após relembrar os princípios da legalidade e da tipicidade fechada, requer a exclusão da multa qualificada, pois o art. 10 da Lei 9.249/95 estabelece que a parcela de lucros, pagos ou creditados pela sociedade, não é sujeita à incidência do imposto de renda na fonte e nem integra a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário (sócio retirante ou excluído). Fl. 697DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 12 11 Acrescenta que a aplicação da multa deve atender ao princípio da proporcionalidade, sob pena de caracterização de abuso de poder, citando jurisprudência do STF sobre o assunto. Destaca que é "incabível a imputação da multa qualificada quer pela pecha de sonegação ou pela prática de ato fraudulento vez que toda a relação de distrato deuse de forma pública, inexistindo, portanto, qualquer ato de subtração do conhecimento do fato ou da situação bem como a utilização de meios para impedir a ocorrência do fato gerador." Em seu pedido requer a insubsistência do auto de infração e, alternativamente, que incida o imposto de renda exclusivamente para a pessoa física da sócia majoritária, tendo em conta que a empresa encontrava se formalmente dissolvida. A recorrente, na qualidade de representante legal e sócia majoritária, à época da extinção da empresa contribuinte, ´foi devidamente intimada do acórdão recorrido, em 18/02/2016 (fl. 647) e devidamente representada (fl. 605), interpôs recurso voluntário, em 17/03/2016 (fls. 649). Em suas razões, reapresentou os argumentos da impugnação, conforme retro relatado. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e estão preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. Conheço do recurso. Alegações de Inconstitucionalidade A Recorrente reapresenta os argumentos da Impugnação quanto à inconstitucionalidade de leis e outras normas da legislação tributária. Ressalta apelos relacionados à aplicação da razoabilidade e da proporcionalidade. Em conformidade com as disposições da Súmula CARF nº 2, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Rejeitamse tais alegações preliminares. Alegações de Negativa à Defesa e ao Contraditório na Fase de Fiscalização. Impossibilidade por ser esta de natureza inquisitorial. A Recorrente alega nulidade dos procedimentos de fiscalização que antecederam a impugnação, pelo fato de não ter sido concedida oportunidade de defesa em tal fase inicial. O acórdão recorrido, afastou essa alegação sob o fundamento de que o lançamento tributário por constituirse em Ato Administrativo, está sujeito aos princípios da Legalidade e da Publicidade, nos termos do artigo 37, "caput", da Constituição Federal. Tal ato Fl. 698DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 13 12 administrativo, a teor do artigo 142 do CTN, é vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. A DRJ registrou, ainda, que a fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a arguição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Citouse, nesse sentido, as seguintes ementas de decisões do CARF: "NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a arguição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma arguição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu (Acórdão 10193.425 em 18.04.2001). PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO A constituição do crédito tributário através do lançamento é decorrência de imposição imposta pela lei, não havendo qualquer "desvio de finalidade" em ato praticado em atendimento à atividade administrativa vinculada e obrigatória. Tendo sido o sujeito passivo cientificado do lançamento e apresentado impugnação tempestiva, não há que se falar em inobservância ao princípio do contraditório (ACÓRDÃO 10192.430 em 13.11.1998)." Portanto, em cumprimento a tais determinações legais, coube à autoridade autuante verificar a ocorrência do fato gerador do tributo e decorrente infração. Para certificar se dos elementos fáticos inerentes aos casos fiscalizados, baseouse em elementos e meios previstos na legislação de regência, como intimações, diligências, verificações e constatações. Dessa forma, verificase que não há que se falar em nulidade do lançamento.. Cumpridas essas regras, lavrouse os autos de infração em questão (IRPJ e CSLL) em cientificouse a contribuinte por meio da Recorrente que, ciente, apresentou impugnação no prazo legal (30 dias). Nesse contexto, portanto, não se verifica ofensa ao princípio de contraditório, nem mesmo ao direito de defesa, pois somente após a apresentação de defesa, houve a decisão recorrida. Rejeitase, assim, a preliminar. Alegação de que a DRF de Araçatuba SP seria incompetente para fiscalizar a autuada por estar sediada em São Paulo SP. Prorrogação de competência da autoridade fiscalizadora Ainda em preliminar a Recorrente alega nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora. A alegação de incompetência baseiase no fato de que a jurisdição definida para o órgão no qual a autoridade fiscal está vinculada não inclui seu domicílio fiscal. A Recorrente alegou que seu domicílio tributário pertenceria à jurisdição de outra delegacia. Baseouse nas disposições da Portaria RFB nº 2.466/2010. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 14 13 A DRJ afastou os argumentos da Recorrente, com base nas regras previstas no artigo 9° do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993, diz, in verbis: "Art. 9° A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, aos quais deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2° Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7° serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3° A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. " Nesse sentido, a DRJ consignou que a formalização da exigência pela autoridade que da infração primeiro tomou conhecimento demonstra a validade do auto de infração, porque, nos termos do § 3° acima transcrito, a jurisdição da referida autoridade ficou preventa e sua competência prorrogada. Também fundamentou sua conclusão, com base em decisões administrativas declaradas nas seguintes ementas: SERVIDOR LOTADO EM OUTRA REPARTIÇÃO Não é nulo o lançamento efetuado por Auditor Fiscal de Tributos Federais lotado em repartição da Secretaria da Receita Federal distinta daquela a que estiver jurisdicionado o contribuinte (IRPF) (Ac. CSRF 1010.979, DOU de 06/07/1990, pág. 12986). NULIDADE ÓRGÃO DE LOTAÇÃO AUDITOR FISCAL Não implica em nulidade alguma a autuação efetuada por Auditor Fiscal do Tesouro Nacional independente do órgão da Secretaria da Receita Federal em que esteja lotado (...) (Ac. 1° CC 10179.402, DOU de 03/05/1990, pág. 8335). Com base em todo o exposto, verificase que o fato de o imóvel rural, Fazenda São Lourenço, estar circunscrita na jurisdição de São Paulo (SP), a legislação retro transcrita autoriza, expressamente, as providências fiscais adotadas pela DRF de Araçatuba SP. As DRFs estão autorizadas, inclusive, a distribuir entre jurisdições a execução de trabalhos, em conformidade com especialidades, como ocorreu nesse caso, que trata de alienação de imóvel rural pertencente a empresa extinta. Pelo que, não há como acolher a preliminar da Recorrente. Alegação de Decadência Fl. 700DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 15 14 A Recorrente alega que teria decaído o direito de o Fisco lançar IRPJ e CSLL decorrentes de ganho de capital, tendo em vista que, o último aumento de capital da empresa MDM teria se dado, em 18/05/2006 e o distrato desse capital, em 28/02/2011. Sua alegação de decadência, portanto, estaria fundamentada no fato de que, teriam transcorridos mais de cinco anos, entre a data do último aumento de capital (18/05/2006) e a intimação da empresa para ciência dos autos de infração de IRPJ e de CSLL, ocorrida em 12/03/2015 (fl. 561). Como visto, a DRJ afastou tais alegações demonstrando que, a Recorrente para tal conclusão não teria considerado corretamente o que, em realidade, caracterizou o fato gerador em questão. Desenvolveu suas razões nos seguintes termos: Esclarecemos que a apuração do ganho de capital ocorreu no momento da alienação. Essa data, portanto, deve ser considerada para efeito de análise da caducidade. No caso, a alienação ocorreu em 28/02/2011, conforme consta no Distrato Social. No mesmo sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão 10419971 ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL O ganho de capital na alienação de bens ou direitos deve ser reconhecido e apurado por ocasião da celebração do negócio ou do contrato de cessão ou promessa de cessão, ainda que através de instrumento particular, mormente quando o referido instrumento é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e o recolhimento do tributo deverá ocorrer no prazo ali fixado. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. No caso em análise, ainda que considerássemos a existência de pagamento antecipado (bem feitorias pagas por meio de créditos dos sócios em caixa e posteriormente convertidos em aumento de capital), a decadência atingiria fatos geradores anteriores a 23/03/2010, mas o fato gerador do ganho de capital, a alienação, ocorreu com o Distrato Social em 28/02/2011. Portanto, não há que se falar em decadência. No momento do lançamento a fiscalização pode, e deve, apurar a idoneidade das informações a respeito da base de cálculo que dizem respeito a períodos anteriores, mas isso em nada se relaciona com a decadência do fisco realizar o lançamento. Nesse sentido tem decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a exemplo dos Acórdãos assim ementados: Fl. 701DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 16 15 DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro líquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). Acórdão n° 1402001.211 Sessão de 03/10/2012. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ/Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa:DECADÊNCIA A decadência é um prazo extintivo do direito de o Fisco promover o lançamento em relação a um determinado tributo, o qual deve ser juridicamente identificado como uma unidade indecomponível para esses fins. A regra decadencial não é dirigida para os elementos que colaboram com a determinação quantitativa da exação tributária. Desse modo, as receitas auferidas em outubro e novembro de 2001 não podem ser afastadas da determinação do lucro arbitrado relativo ao último trimestre do ano sob a justificativa de que teriam sido alcançadas pela decadência à luz do disposto no § 4°, art. 150 do CTN, uma vez que a ciência do lançamento havia sido empreendida em dezembro de 2006. Acórdão 1201¬000.434 Data da Sessão 25/02/2011 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 DECADÊNCIA.Os arts. 156, V, e 173, ambos do CTN, cuidam da extinção, pelo decurso do prazo decadencial, do direito de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento. Não se prestam, portanto, a amparar a alegação de que a Fazenda Pública não poderia retroagir mais do que cinco anos contados da apresentação da declaração de compensação (DCOMP), com vistas a verificar a existência de saldo negativo de IRPJ, utilizado pela contribuinte na compensação com estimativas mensais de IRPJ devidas em anos posteriores.Acórdão n° 120100.418 Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Acórdão 1101001.097 Ementa Fl. 702DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 17 16 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. ELEMENTOS CONTÁBEIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. INEXISTÊNCIA. DESPROVIMENTO. Apesar de o surgimento do ágio em questão efetivamente ter ocorrido mais de 5 (cinco) anos antes da ciência das autuações em destaque, temse que os lançamentos aqui discutidos reportamse apenas às despesas lançadas em contrapartida da amortização do ágio atinentes aos anoscalendários 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, razão pela qual não há de ser reconhecida a decadência do direito de o Fisco contestar esses registros que minoraram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Acórdão 1402001.495 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e somente a partir de então pode se falar em lançamento Diante de tais demonstrações, portanto, também não há como divergir do acórdão recorrido, no que diz respeito à não ocorrência de decadência, pois, conforme comprovante de fl. 561, a Recorrente foi regularmente intimada dos autos de infração em questão, em 12/03/2015. Por sua vez, o fato gerador do IRPJ e da CSLL deuse, em 28/02/2011, por ocasião da dação em pagamento realizada pela extinta empresa MDM a sua sócia remanescente, a Recorrente. Nessa oportunidade, como visto, verificouse que o imóvel rural, Fazenda São Lourenço, que estava contabilizado por R$800.000,00 foi transferido à Recorrente (dação em pagamento), por R$ 5.990.000,00. Não obstante a diferença entre tais valores, a empresa MDM não ofereceu à tributação o respectivo ganho de capital, conforme comprovado nos autos, sobretudo pela transmissão de DIPJ sem os respectivos registros de ganhos de capital. Dessa forma, não se verifica nos autos o alegado transcurso do prazo decadencial (art. 150, § 4º, CTN), pois, não é correto contar o prazo decadencial da data do último suposto aumento de capital, mas do fato gerador, ocorrido em 28/02/2011. Assim, da mesma forma, rejeitase a preliminar de decadência. Mérito Alegação de que não teria havido ganho de capital, mas mera restituição de capital à viúva de sócio que inicialmente havia capitalizado a empresa MDM, por meio da integralização do imóvel rural, Fazenda São Lourenço Fl. 703DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 18 17 Na forma ressaltada no acórdão recorrido, a Recorrente nada tratou sobre o ganho de capital da empresa MDM, referente à alienação da Fazenda São Lourenço. Verificase que, a Recorrente apresentou suas razões de defesa referindose, exclusivamente, ao que denominou ganho de capital diretamente atribuível à pessoa física (a si mesma). Houve, portanto, equívoco por parte da Recorrente, pois, o acórdão recorrido referese a ganho de capital auferido pela empresa MDM. A DRJ registrou os diversos trechos da Impugnação, em que a Recorrente de enfatizou sua argumentação voltandose para o ganho de capital diretamente da sócia e não aquele na qual esta consta como responsável. Vejamos: Antes de se expor sobre a não incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza no recebimento de parcela do patrimônio social relativo às quotas sociais quando da retirada ou exclusão do sócio de uma sociedade limitada[...] [...] a devolução proporcional do patrimônio líquido da sociedade referente às quotas integralizadas pelo sócio, desde que por valor de mercado, não configura efetivo ganho de capital por parte do sócio retirante ou excluído do quadro social, mesmo que tal valor seja diverso do valor de face das quotas subscritas e integralizadas por estes[... ] [...] a devolução de valor proporcional do patrimônio líquido a valor de mercado para os sócios indica a não existência de qualquer nova disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza para o sócio retirante ou excluído (posto que existem uma constante simetria entre o capital social integralizado e sua parcela proporcional do patrimônio social). [...] Situação que não representa para o sócio nenhum acréscimo patrimonial ou provento de qualquer natureza. A DRJ salientou que o Relatório Fiscal teria sido bastante claro, quanto ao aspecto material e subjetivo do fato gerador de forma a não deixar margem para dúvidas nessas questões. Destacou trechos específicos do relatório fiscal, já incluímos mencionados no relatório retro, e que conferem certeza e exatidão, no que diz respeito a que deve ser considerado o sujeito passivo nesse caso e qual a fundamentação para tal: O presente procedimento fiscal teve por objetivo realizar verificações relacionadas à alienação da Fazenda São Lourenço feita pela pessoa jurídica MDM Empreendimentos e Administração Ltda. EPP CNPJ n° 05.383.681/000138, que já foi extinta, conforme Distrato Social, de 28/02/2011, registrado na JUCESP em 05/04/2011. Em razão disso, o procedimento fiscal foi aberto em nome da sóciaadministradora e majoritária ao tempo da dissolução, a Sra. Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda, Fl. 704DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 19 18 [...] 20) Comprovada a dissolução irregular da pessoa jurídica MDM Empreendimentos e Administração Ltda. EPP, a sócia administradora Maria Odette Figueiredo de Camargo Arruda deve responder como sujeito passivo na qualidade de responsável, conforme descrito no item anterior. Assim, são impertinentes ao caso toda a argumentação da Recorrente que defende a não ocorrência de ganho de capital diretamente pela sócia, posto que não foi disso que a autuação tratou. O lançamento versou sobre o ganho de capital da MDM, de cuja empresa a Recorrente figura no pólo passivo, na qualidade de responsável. A MDM, no momento de sua dissolução, mas em período no qual ainda possuía existência jurídica, alienou imóvel (dação em pagamento), que possuía com custo de aquisição de R$ 800.000,00, por R$ 5.990.000,00 e dessa operação obteve ganho de capital, mas não informou tal rendimento ao fisco (DIPJ). Nesse ponto, vale salientar que a Recorrente reconheceu que o ganho de capital da MDM foi corretamente apurado no trecho que segue: a legislação tributária determina que no "caso de a devolução 'realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado' (§1 ° do art. 22, Lei n. 9.249/1995) A DRJ também afastou o pedido subsidiário da Recorrente, de que o lançamento deveria ser efetuado na pessoa física, na qualidade de contribuinte, e não responsável. Concluiu que inexiste amparo legal para tal pedido e que a autuação indicou, precisamente, como sujeito passivo a empresa MDM que detinha personalidade jurídica por ocasião da dação em pagamento à Recorrente, em plena conformidade com a legislação aplicável vigente à época dos fatos. É importante registrar, ainda, que não se aplicam ao presente caso, as alegações da Recorrente de que devem ser excluídos da base de cálculo dos tributos incidentes, em caso de desistência de sócio ou de exclusão, a diferença entre o valor a ser restituído e o valor das quotas sociais que integralizava no capital social da sociedade. Sustentou esse entendimento com base nas disposições do § 4º do art. 22 da Lei nº 9.249/95. Vejase que, não há no caso, nem desistência, nem exclusão de sócio, mas dissolução de pessoa jurídica, com prévia alienação de imóvel integralizado no capital social por R$800.000,00 e transferido por R$5.990.000,00. Registrese, ainda, que não há nos autos documentos hábeis e idôneos que permitam concluir que teria havido créditos em caixa pelos sócios no valor equivalente à diferença entre R$800.000 e R$5.990.000,00 (R$5.190.000,00). As fotos, as planilhas, os livros diário, caixa e razão confeccionados após os respectivos períodos em que teriam ocorridos os supostos créditos, sem o respectivo suporte documental, como notas fiscais e contratos de prestação de serviços por terceiros, não constituem prova cabal de que teria sido Fl. 705DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 20 19 dessa forma, com que a empresa teria elevado seu capital social (conversão de pagamento pelos sócios por benfeitorias, convertidas em subscrição e integralização de capital da empresa). Também não vejo como acolher a alegação de que a transferência da propriedade do referido imóvel rural da titularidade da empresa para a Recorrente, teria sido uma mera restituição de capital. Ainda que fosse possível considerar (o que não é o caso) que a sócia majoritária Recorrente seria como uma sucessora de seu cônjuge falecido, como narrado nos autos, e que, assim, estaria autorizada a receber o imóvel como uma forma de reaver o capital investido por seu marido no passado, verificase que não há como acolher esse raciocínio por falta de amparo legal. Se de um lado seria possível se conceber que, seria correto à Recorrente, pessoa física, previamente à dissolução da empresa, receber como pagamento (dação), patrimônio (atualizado a preço de mercado) que no passado havia sido investido por seu marido falecido, não é correto conceber que a empresa, poderia, antes de proceder ao seu encerramento, alienar seu capital, com acréscimo de R$5.190.000,00, sem o cumprimento das respectivas obrigações fiscais (registro em DIPJ) e sem o devido oferecimento à tributação do ganho de capital equivalente a R$5.190.000,00. Isso porque, não há como acolher os aumentos de capital havidos em 2002 a 2005, no total de R$6.000.000,00, pois, como demonstrado, não há prova por meio de documentos hábeis e idôneos de que esse valor teria sido efetivamente integralizado pelos sócios, à época. Dessa forma, o que se tem, em verdade, não é aumento de capital pelos sócios (que não seria tributado pelo simples aumento de capital0, mas sim, há ganho de capital pela venda de imóvel registrado na contabilidade por R$800.000,00 e alienado por R$5.990.000,00, às vésperas da extinção da empresa em questão. Com base em todo o exposto, concluo que também não há como acolher tal pretensão do exposto. Mantenho a autuação e os lançamentos pelo ganho de capital. Multa de ofício confisco A Recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que coíbe a União de utilizar tributo com efeito de confisco. Na mesma linha demonstrada pela DRJ, é descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador (comando da norma cogente). Tal princípio orienta a concepção da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Nesse contexto, cabe ratificar o entendimento de que, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária, como se demonstrou acima, quanto a não tributação de ganho de capital e a falta de cumprimento de obrigações acessórias. Da multa de ofício de 150% Com relação à qualificação da multa de ofício em 150% é importante registrar que foi devidamente fundamentada pela DRJ, com base na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, inciso I e § 1o, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, in verbis: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 21 20 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2 Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1s deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei tf 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. " Consignouse, ainda os ditames da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 71, 72 e 73: "Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 707DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 22 21 montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72." A DRJ demonstrou pleno domínio dos comandos de tais dispositivos legais, ao salientar que, os três artigos citados exigem o dolo para a sua caracterização. Ou seja, exige que reste provada a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados estampados naqueles artigos, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Nesse ponto, o acórdão recorrido destacou que a Fiscalização identificou o seguinte fato, como fundamento para a qualificação da multa : a sóciaadministradora Maria Odette deixou de informar ao Fisco na DIPJ 2011 por ela entregue em 05/05/2011 em nome da pessoa jurídica MDM os ganhos de capital obtidos com a ALIENAÇÃO do imóvel denominado Fazenda São Lourenço e, por conseguinte, suprimiu os tributos incidentes sobre os mesmos... Em sua defesa, no entanto, a Recorrente alegou que é "incabível a imputação da multa qualificada quer pela pecha de sonegação ou pela prática de ato fraudulento vez que toda a relação de distrato deuse de forma pública. Ressalta que no caso inexiste "qualquer ato de subtração do conhecimento do fato ou da situação bem como a utilização de meios para impedir a ocorrência do fato gerador." Para demonstrar a presença dos requisitos legais ensejadores da qualificação da multa, a DRJ registrou que, a questão central a ser verificada, residia em certificarse de que a sócia recém admitida sabia que o imóvel não havia documentos que pudessem comprovar as alegadas benfeitorias no imóvel em questão e que, portanto, sendo seu valor contábil de R$ 800.000,00, estava obrigava a informar o ganho de capital na alienação por valor superior a este. Nesse sentido, a DRJ destacou que o distrato social juntado aos autos é composto de um Memorial Descritivo do imóvel em epígrafe, fls. 107/108, e em tal documento não há referência a qualquer benfeitoria. Essa ausência de registro formais também levou a Fiscalização a concluir que a sócia sabia que não havia como sustenta a alegada realização de benfeitorias no imóvel e que, portanto, considerado o valor original de aquisição, haveria ganho de capital. Destacouse, ainda, o fato de que na declaração de ITR apresentada pela sócia, também não houve informação relativa a benfeitorias, fls. 86. Considerouse, portanto, que a Recorrente, como representante legal da empresa em questão, detinha pleno conhecimento quanto à existência de ganho de capital. Não obstante, constatouse que prestou informação ao fisco na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de encerramento da empresa, sem informar o ganho de capital, fls. 08/17. A análise de todos os elementos apresentados nos autos revelam que, a empresa MDM Empreendimentos, que tinha por objeto a prestação de serviços de pulverização Fl. 708DF CARF MF Processo nº 15868.720024/201541 Acórdão n.º 1302002.397 S1C3T2 Fl. 23 22 e combate a pragas, além de prestação de consultoria não específica, na verdade, prestouse à tentativa de ocultar o ganho de capital na venda de imóvel rural de R$800.000,00 para R$5.190.000,00. Assim, concordo com a conclusão do acórdão recorrido de que houve a intenção de prestar informação dissonante da realidade para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, conduta prevista no art. 71, inciso I da Lei 4.502/64 e que enseja a aplicação da multa qualificada do art. 44, §1° da Lei nº 9.430/96. Assim, mantenho a qualificação da multa de ofício em 150%. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Conselheiro Fl. 709DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.007866/2007-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que seja este processo apensado ao de n° 19647.007931/2007-46, que trata de obrigação principal e se encontra pendente de ciência de Acórdão de embargos da instância ordinária, com posterior distribuição a este relator para julgamento em conjunto de Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que seja este processo apensado ao de n° 19647.007931/200746, que trata de obrigação principal e se encontra pendente de ciência de Acórdão de embargos da instância ordinária, com posterior distribuição a este relator para julgamento em conjunto de Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 07 86 6/ 20 07 -5 9 Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19647.007866/200759 Resolução nº 9202000.174 CSRFT2 Fl. 814 2 Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401002.623, prolatado pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 18 de julho de 2013 (efls. 679 a 689). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração passível de multa a omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias na GFIP, nos termos do art. 32, inciso IV e §5° da Lei n° 8.212/91. PRÊMIOS DE INCENTIVO INCIDÊNCIA Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS No julgamento de processos administrativos somente serão considerados os argumentos referentes ao objeto dos autos. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. INDEFERIMENTO DE REUNIÃO DE CRÉDITOS É prerrogativa e não imposição, que a administração reúna em um só feito, vários créditos lançados contra o mesmo sujeito passivo. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32A, II, da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, um vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações equivocadas relativamente a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19647.007866/200759 Resolução nº 9202000.174 CSRFT2 Fl. 815 3 recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A, I, da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2001. Vencidos os conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declaravam a decadência até a competência 03/2002. II) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91.Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que aplicavam o art. 35A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Declarouse impedido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 08/10/13 (efl. 693), sua Procuradoria apresentou, em 10/10/2013 (efl. 698), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 695 a 697). Alegase, no pleito, quanto à matéria de retroatividade benéfica da multa, divergência em relação ao decidido por esta 2a. Turma da CSRF, em 09/03/10, no âmbito do Acórdão no. 920202.086, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 920202.086 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/0/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES.INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei,estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44,inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19647.007866/200759 Resolução nº 9202000.174 CSRFT2 Fl. 816 4 punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo como disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso especial negado. Decisão: por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) Antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91; b) Ou seja, com o advento da MP 449/2008, ao menos dois dispositivos devem ser analisados para que se possa determinar com precisão a norma legal que regulará a aplicação da multa: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91. Tendo em vista que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis, entende a União que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados se dá pela adoção da tese a seguir descrita; c) O lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, recolhendose, contudo, as contribuições destinadas a Seguridade Social. Porém, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, tal como no caso dos autos, a multa lançada será única, prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. A leitura do dispositivo corrobora a tese exposta, pois a Lei nº 9.430/96 abarca as duas condutas em questão: descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); d) Ressaltase que, no presente feito, houve lançamento de contribuições. Logo, de acordo com a nova sistemática, a princípio, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto à matéria, para reformar o acórdão recorrido, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV,§5o. da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19647.007866/200759 Resolução nº 9202000.174 CSRFT2 Fl. 817 5 O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 700 a 702. Cientificada a autuada em 09/06/2014 (efl. 706), esta ofereceu contrarrazões ao pleito fazendário em 25/06/14, onde alega que: a) O julgado invocado como paradigma não se aplica ao caso concreto, pois como ali se indica que a penalidade aplicada é única e aquela a ser aplicada no caso de descumprimento de obrigações principal e acessória e que a recorrida já teve contra si lavrado auto decorrente do descumprimento de obrigação principal, não há similitude fática entre os dois casos, pugnando assim pelo não conhecimento do Recurso. Alternativamente, caso se aceda à aplicabilidade do art. 35A da Lei 8.212/91, requer que seja anulado o auto de infração objeto de presente feito e aplicada a multa prevista no referido dispositivo legal nos processos principais, tendo em vista que aquele comando legal penaliza o contribuinte pelo cumprimento da obrigação acessória e principal. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Verifico que a infração que deu azo ao descumprimento da obrigação acessória em testilha no presente processo é a mesma que levou à exigência de tributo, como obrigação principal, no âmbito dos processos n°s 19647.007924/200744 e 19647.007931/200746. A propósito, de se notar que, ainda que o primeiro processo (19647.007924/200744) já tenha tido seu trâmite encerrado no contencioso administrativo, visto ter sido o débito ali constante objeto de parcelamento especial pelo Contribuinte no âmbito da Lei no. 12.865, de 2013, o segundo feito (19647.007931/200746) permanece, nesta data, ainda pendente da ciência da Fazenda Nacional acerca de Acórdão de Embargos oriundos da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara desta Seção (Acórdão 2401005.111, de 03/10/2017). Dessa forma, entendo que, como o deslinde daquele processo pode ter consequência direta sobre o presente, devem ambos serem reunidos, a fim de passarem a tramitar e eventualmente posteriormente serem apreciados em conjunto. Destarte, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja este processo apensado ao de n°.19647.007931/200746, que trata de obrigação principal e se encontra pendente de ciência de Acórdão de embargos da instância ordinária, com posterior distribuição a este Relator para julgamento em conjunto de Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 818DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731658/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir a omissão apontada sem atribuição de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-005.117
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhê-los, para, sanando a contradição apontada, alterar a redação da conclusão do voto para: "Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para exonerar a exigência contida no lançamento."
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir a omissão apontada sem atribuição de efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhê-los, para, sanando a contradição apontada, alterar a redação da conclusão do voto para: "Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para exonerar a exigência contida no lançamento." (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
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Interessado IZIDORA DE SENNA COSTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir a omissão apontada sem atribuição de efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 16 58 /2 01 4- 09 Fl. 75DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhêlos, para, sanando a contradição apontada, alterar a redação da conclusão do voto para: "Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para exonerar a exigência contida no lançamento." (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 12448.731658/201409 Acórdão n.º 2401005.117 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.687 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 03 de abril de 2017 (fls. 59/65), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM VIRTUDE DE AÇÃO JUDICIAL FEDERAL. A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, conforme o 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. No caso concreto, constatase que a recorrente não declarou os rendimentos no campo atinente aos RRA, tampouco os ofereceu ao ajuste anual. Tal opção foi realizada pela fiscalização; logo, como foi omitido o rendimento percebido de forma acumulada, deve permanecer, para fins de cálculo do montante de imposto devido, relativo à infração apurada, a regra geral, qual seja, a forma de tributação exclusiva/definitiva na fonte. Incabível levar ao ajuste na Declaração de Rendimentos de 2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com os dispositivos de regência, motivo pelo qual deve o contribuinte ser exonerado do pagamento do imposto suplementar formalizado através da Notificação de Lançamento constante nos autos. Não cabe a restituição, pois é o caso de tributação exclusivamente na fonte. A embargante alega a ocorrência de contradição no julgado pois, enquanto no dispositivo do Acórdão consigna o PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com exoneração do crédito tributário lançado, na conclusão do voto condutor consta apenas o PROVIMENTO ao recurso voluntário. Nesse contexto, os embargos apresentados pela Fazenda tem como objetivo sanar a omissão apontada. É o relatório Fl. 77DF CARF MF 4 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito De fato, assiste razão à Recorrente quanto a existência de contradição. O crédito tributário foi exonerado, no entanto, o pleito de restituição aduzido no Recurso Voluntário não foi acatado, razão porque o provimento do Recurso foi parcial. Assim deve ser sanada a contradição apontada, para que a conclusão do voto passe a ter a seguinte redação: Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para exonerar a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER E DAR PROVIMENTO aos embargos de declaração para corrigir a contradição apontada. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001589/2002-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Feb 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1997
Em respeito ao art. 63, §8º, do RICARF/2015, haja vista que a maioria dos conselheiros expressaram seus votos pelas conclusões, é de se refletir o direcionamento de seus entendimentos. Cabe, assim, expor que a maioria dos conselheiros manifestou que consideram para fins de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN a ocorrência de pagamento, e não a declaração do débito.
Não obstante, no caso vertente, considerando não ter sido comprovado o pagamento das contribuições, deve-se aplicar, para fins de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9303-006.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Rodrigo da Costa Pôssas;
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1997 Em respeito ao art. 63, §8º, do RICARF/2015, haja vista que a maioria dos conselheiros expressaram seus votos pelas conclusões, é de se refletir o direcionamento de seus entendimentos. Cabe, assim, expor que a maioria dos conselheiros manifestou que consideram para fins de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN a ocorrência de pagamento, e não a declaração do débito. Não obstante, no caso vertente, considerando não ter sido comprovado o pagamento das contribuições, deve-se aplicar, para fins de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Rodrigo da Costa Pôssas; (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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Cabe, assim, expor que a maioria dos conselheiros manifestou que consideram para fins de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN a ocorrência de pagamento, e não a declaração do débito. Não obstante, no caso vertente, considerando não ter sido comprovado o pagamento das contribuições, devese aplicar, para fins de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Rodrigo da Costa Pôssas; (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 89 /2 00 2- 52 Fl. 250DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 280300.062, da 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos: · Não conheceu o recurso especial quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário; e · Na parte conhecida, deu provimento parcial ao recurso para declarar a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos até 31.12.96, na linha da Súmula 8 do STF. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1997 RENÚNCIA AO PODER DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 38 DA LEI N°. 6.830/80. § 3 o DO ART. 126 DA LEI N°. 8.213/91. A opção pelo acesso ao Judiciário com a inauguração de discussão análoga à travada no bojo do processo administrativo em tela compromete o seguimento deste último, por renúncia ao poder de recorrer. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 18471.001589/200252 Acórdão n.º 9303006.030 CSRFT3 Fl. 649 3 COFINS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. DISCIPLINADA PELO CTN, ARTIGO 173, I. LEI N°. 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE N°. 08 DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade formal do artigo 45 da Lei n°. 8.212/91 pela Corte Suprema no julgamento dos Recursos Extraordinários n°.s 560626/RS, 556664/RS e 559943/RS, em 12.06.2008, que deu vazão à posterior edição da Súmula Vinculante n°. 08, o prazo decadencial em questão se sujeitou aos influxos do CTN. Orientação esta a que, por força do caput do artigo 103A da Lei Maior, está este Conselho vinculado.” A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando que restou contraditório ao aplicar a regra do art. 173, inciso I do CTN e, ao mesmo tempo, incluir a competência de dezembro de 1996. Apreciados os embargos, em acórdão 380100.554, a 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, deu provimentos aos embargos de declaração – a fim de retificar os termos do acórdão embargado no sentido de que seja excluído da seara de decadência o período de apuração de dezembro de 1996 e, nessa parte, não conhecer o recurso voluntário pelos mesmos fundamentos expostos na parte dispositiva do acórdão embargado. Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo que o recurso seja conhecido e provido para cancelar por decadência o lançamento relativo aos períodos base anteriores a 7/2007, permanecendo o lançamento apenas para os meses de 8 a 12 de 1997. Em Despacho às fls. 235 a 238, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que o sujeito passivo não efetuou antecipação de pagamento das contribuições lançadas, razão pela qual a regra a ser Fl. 252DF CARF MF 4 utilizada para a contagem do prazo decadencial é a constante do art. 173, inciso I, do CTN, e não a do art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, é de se conhecêlo na parte admitida em Despacho, considerando ser tempestivo e por atender aos requisitos de admissibilidade, conforme reza o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Ventiladas tais considerações, a priori, importante discorrer sobre a decadência de o Fisco constituir o crédito tributário. Importante recordar que o Colegiado a quo entendeu que o prazo decadencial das contribuições sociais, dentre elas a Cofins, é o definido pelo art. 45 da Lei 8.212/91. Tal discussão não mais existe, considerando a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, sendo superada pela Súmula Vinculante 8 do STF que efetivamente afastou o referido dispositivo. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.733/SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 18471.001589/200252 Acórdão n.º 9303006.030 CSRFT3 Fl. 650 5 Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. No caso vertente, o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 17.7.2002 referente à Cofins do período de janeiro de 1993 a dezembro de 1997. Considerando que não encontrei comprovante de pagamentos das contribuições, tampouco declaração apresentada pelo sujeito passivo, mantenho o entendimento proferido nos acórdãos de embargos – para que, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN, sejam considerados como decaídos os fatos geradores anteriores a junho de 1996. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 254DF CARF MF 6 Considerando o resultado do julgamento, em respeito ao art. 63, §8º, do RICARF/2015, haja vista que a maioria dos conselheiros expressaram seus votos pelas conclusões, é de se refletir o direcionamento de seus entendimentos. Cabe, assim, expor que a maioria dos conselheiros manifestou que consideram para fins de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN a ocorrência de pagamento, e não a declaração do débito. No caso vertente, considerando não ter sido comprovado o pagamento das contribuições, devese aplicar, para fins de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.016369/2008-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.002
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja anexado aos altos o resultado da decisão do processo de número 19679.003731/2004-02. Após, cientificar a recorrente sobre o resultado da diligência, com posterior retorno dos autos ao relator para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Relatório
Trata o presente processo de auto de infração exigindo o crédito tributário de R$ 500,00, relativo à multa por ausência de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002.
Inconformada, a ora recorrente apresentou impugnação a DRJ onde alegava:
Em 15 de março de 2004, a requerente ingressou perante esse Órgão, com um pedido de retificação de sua Ficha Cadastral a fim de que pudesse constar o evento 301, que lhe conferia o status de empresa optante pelo Sistema Simplificado de Tributação, conhecido como SIMPLES. Referido processo foi instruído de todos os documentos hábeis a comprovar a real intenção da requerente de ser optante pelo Simples, inclusive das respectivas declarações de Imposto de Renda Anual na modalidade Simplificada, procedimento este foi adotado até 30/06/2007, data em que o próprio contribuinte solicitou seu desenquadramento.
Como se pode verificar pelo documento ora juntado a este petitório (doc. 2) o mencionado processo se encontra em análise na EQ ANALISE PROC TRIB DIVERSOS - DERAT - SP, onde aguarda a manifestação dos competentes julgadores.
A DRJ proferiu o seguinte acórdão:
A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, motivos pelos quais dela tomo conhecimento.
Há conexão entre o presente processo e o processo no 19679.003731/2004-02, este último referente ao pedido da impugnante para que seja reconhecida como optante pelo Simples Federal a partir do início de suas atividades, em 11 de fevereiro de 1999 até 30 de junho de 2007, o qual está pendente de decisão até a presente data e cuja competência é daDelegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributaria de São Paulo.
Outrossim, em razão do lapso temporal já transcorrido, conforme autorizado pelo art. 265 § 5o do Código de Processo Civil, o presente processo será solucionado independentemente da decisão do processo conexo.
A Lei 9.317/96 e alterações posteriores, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas - Simples Federal - restringiu a admissão de algumas pessoas jurídicas em razão de sua atividade.
O objeto social da impugnante, conforme consta de seu contrato social, consiste na exploração do ramo de empacotamento, distribuição de brindes, impressos gráficos e folhetos, apoio à organização de feiras e eventos.
Dá-se interpretação ampla ao objeto social da empresa uma vez que é bastante genérica a sua descrição, e não há outras provas, nesses autos e nos autos do processo no 19679.003731/2004-02, das atividades efetivamente desempenhadas pela empresa.
Por conseguinte, entende-se que a atividade de apoio à organização de feiras e eventos abrange as sub-atividades usualmente a ela relacionadas, incluindo a criação do logotipo do evento, do material de divulgação do evento e também o fornecimento da mão-de-obra especializada para sua realização, tais como, recepcionistas, técnicos de som e de imagem, cerimonial, etc.
A criação do logotipo e do material de divulgação é atividade de publicidade, pois, de acordo com o art. 6º do Decreto nº 57.690, de 1º de fevereiro de 1966, que regulamentou a Lei n° 4.680, de 1965, Agência de Propaganda é a pessoa jurídica especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitários, que, através de profissionais a seu serviço, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de clientes anunciantes, com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos e serviços, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem.
A disponibilização de pessoal para a realização de determinada tarefa, independentemente de qual seja, constitui locação de mão de obra.
Estão impedidas de optar pelo Simples Federal as empresas que têm por atividade tanto a criação de propaganda e publicidade quanto a prestação de serviço mediante locação de mão de obra, por força do art. 9o da Lei 9.317/96, inciso XII, alíneas d e f.
Conclui-se que no período do lançamento a impugnante estava impedida de optar pelo regime tributário do Simples Federal, ficando obrigada a apresentar a DCTF.
Com base no exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Após, cientificar a recorrente sobre o resultado da diligência, com posterior retorno dos autos ao relator para prosseguimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de auto de infração exigindo o crédito tributário de R$ 500,00, relativo à multa por ausência de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002. 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Devido a existência de um processo, o de número 19679.003731/200402, pleiteando que seja reconhecida como optante pelo simples, o qual ainda não foi julgado, consoante informação da própria DRJ e, principalmente, devido ao tempo já decorrido, proponho que o processo seja convertido em diligência para que DRF São Paulo anexe aos autos, o resultado do referido processo, que a recorrente seja cientificada do resultado (parágrafo único ao artigo 35 do Decreto 70.235/75) e que os autos sejam devolvidos ao CARF, para o devido julgamento É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910700/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 30/08/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.566
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 00 /2 01 1- 22 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910700/201122 Acórdão n.º 3402004.566 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.310, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910700/201122 Acórdão n.º 3402004.566 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910700/201122 Acórdão n.º 3402004.566 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910700/201122 Acórdão n.º 3402004.566 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19706.000280/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 19/12/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 6. 00 02 80 /2 00 7- 11 Fl. 149DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 19706.000280/200711 Acórdão n.º 2202004.281 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907052/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 22/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 22/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 05 2/ 20 12 -0 1 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10680.907052/201201 Resolução nº 2201000.292 S2C2T1 Fl. 86 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 74/79, interposto contra decisão da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 58/68, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade do ora RECORRENTE e concluiu pelo indeferimento do pedido de restituição de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF no valor de R$ 973.397,02, pago sobre o ganho de capital apurado a título de alienação (realizada em 2007) de participação societária de ações adquiridas entre 19/09/1973 e 01/12/1983, período no qual vigia o Decreto 1.510/1976. O RECORRENTE apresentou sua Manifestação de Inconformidade de fls. 02/07 em 11/06/2012. Quando do julgamento do caso, a DRJ de Fortaleza/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por consequência, o pedido de restituição formulado pelo interessado, referente ao PER/DCOMP nº 40317.30168.291110.2.2.041684. Tal decisão, em apertada síntese, fundouse na argumentação de que a isenção pleiteada pelo contribuinte poderia ser revogada a qualquer tempo, nos termos do art. 178 do CTN, vez que não haveriam condições onerosas para o seu gozo, bem como que não haveria a configuração de direito adquirido à isenção de IRPF nos ganhos de capital decorrentes da alienação de participações societárias adquiridas antes da Lei n° 7.713/88. É o que depreende de sua ementa, colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Somente o sujeito passivo, que efetuar pagamento de tributo indevido, ou em valor maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, tem direito à restituição do montante recolhido ou apurado nessas condições. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO Não há que se falar em direito adquirido de participações societárias adquiridas após o Decretolei nº 1.510, de1976. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10680.907052/201201 Resolução nº 2201000.292 S2C2T1 Fl. 87 3 nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 09/06/2016, conforme AR de fl. 71, apresentou o recurso voluntário de fls. 74/79 em 08/07/2016. Em suas razões, argumenta ter direito adquirido à isenção de IRPF na operação de alienação societária realizada no ano de 2007 pois, à época da revogação do Decreto Lei 1.510/76 pela Lei n° 7.713/88, já havia cumprido o requisito exigido para o seu gozo, qual seja, a manutenção da propriedade de participação societária pelo prazo de 05 (cinco) anos contados de sua subscrição ou aquisição. Isso porque teria adquirido as ações entre 19/09/1973 e 01/12/1983, enquanto que a revogação do DecretoLei se deu tão somente em 01/01/1989. Além do mais, rebate o argumento de que não há uma condição onerosa ao contribuinte que justifique a vedação da revogação do benefício da isenção a qualquer tempo. Para tanto, alega que a manutenção das cotas de participação em sociedade em seu patrimônio representa uma renúncia à possibilidade de auferir lucro com elas, o que configuraria o não usufruto de ganho imediato e certo com vistas a obter benefício maior, porém incerto. Esse fato, segundo o contribuinte, equivale a “um sacrifício econômico”. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. O RECORRENTE defende possuir direito adquirido à isenção de Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF sobre os lucros auferidos em operação de alienação de cotas societárias ocorrida em 2007. Para tanto, alude que adquiriu as ações entre 19/09/1973 e 01/12/1983, período de vigência do DecretoLei 1.510/76 que concedia o benefício fiscal, bem como já havia cumprido o requisito exigido por tal DecretoLei quando este fora revogado pela Lei n° 7.713/88. Contudo, não verifico nos autos nenhum documento capaz de comprovar que a participação societária alienada em 2007 pelo RECORRENTE permaneceu em seu patrimônio pelo prazo de 05 anos durante a vigência do DecretoLei 1.510/76. A despeito de o objeto do presente processo é matéria de direito, qual seja, a aplicação da regra isentiva do DecretoLei 1.510/76 mesmo após sua revogação pela Lei n° 7.713/88, é preciso que o contribuinte demonstre o fato de possuir direito ao benefício fiscal. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.907052/201201 Resolução nº 2201000.292 S2C2T1 Fl. 88 4 Neste sentido, como em nenhum momento do processo esta matéria fática foi discutida, seria demasiadamente severo negar o pleito do RECORRENTE sem que lhe seja dada a oportunidade de demonstrar o seu direito. Isto porque, até o momento, todas as decisões desfavoráveis ao pleito do contribuinte se limitaram à análise da questão de direito, sem, portanto, a necessidade de adentrar nas questões fáticas. Sendo assim, decido por transformar o presente julgamento em diligência para que o RECORRENTE seja intimado a comprovar que a participação societária por ele alienada em 2007 foi adquirida no período entre 19/09/1973 e 01/12/1983, conforme alega em suas razões. Ademais, deve comprovar que permaneceu com ditas participação societária em seu patrimônio até a sua alienação em 2007. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar nos autos documentos que comprovem quando adquiriu a participação societária alienada em 2007 e que demonstrem todo o período em que tal participação permaneceu no patrimônio do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 92DF CARF MF
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