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Numero do processo: 11065.004571/2004-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Relator
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 45 71 /2 00 4- 17 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11065.004571/200417 Acórdão n.º 9303005.317 CSRFT3 Fl. 358 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 330100.615, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros integram a base de cálculo da Cofins com incidência nãocumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO O saldo credor trimestral da Cofins nãocumulativa deve ser apurado levandose em conta que as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros integram a base de cálculo mensal dessa contribuição. O saldo credor apurado exclusivamente pela nãoinclusão de tais receitas na sua base de cálculo não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento e/ ou de compensação. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte requer a reforma do acórdão no que tange à cessão à terceiros do crédito do ICMS, advindos da compra de insumos utilizados em mercadorias exportadas, ao argumento de que “...a recorrente alienou com deságio todos os valores referentes aos créditos de ICMS, não auferindo receita alguma, não podendo subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pela Cofins”. Alega, ainda, que “...tratase de titulo representantivo de parte patrimonial, mas que é anulada pelo encontro de contas. O que a empresa paga primeiramente, a titulo de 1CMS, tem o direito de creditarse posteriormente, em função de suas exportações. Se a empresa realiza cessão deste crédito, não há tributar a suposta capitalização, porque deixou de levar o suposto débito, quando o pagou.”. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11065.004571/200417 Acórdão n.º 9303005.317 CSRFT3 Fl. 359 3 Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11065.004571/200417 Acórdão n.º 9303005.317 CSRFT3 Fl. 360 4 VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11065.004571/200417 Acórdão n.º 9303005.317 CSRFT3 Fl. 361 5 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720491/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2012 a 31/12/2012
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A alegação de impossibilidade de identificação da numeração das folhas dos autos, em consulta ao processo digital, não justifica a alegação de cerceamento de defesa, sobretudo se o Contribuinte foi regularmente cientificado dos Autos de Infração e dos seus anexos, sendo-lhe concedido o prazo para impugnação, oportunidade que foi aproveitada mediante apresentação de razões de defesa que demonstram a perfeita compreensão das infrações imputadas, tanto que contestadas de forma detalhada.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
Não podem ser considerados indevidos recolhimentos de contribuições sob argumento de terem incidido sobre verbas consideradas de natureza indenizatória, se não há previsão legal ou reconhecimento por meio de decisão judicial transitada em julgado. Assim, legítima a glosa efetuada.
MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme autorização do artigo 161 do Código Tributário Nacional - CTN.
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO.
O princípio constitucional da vedação ao confisco e sua aplicação são de competência do Poder Judiciário.
QUESTÃO PENDENTE. STF. STJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO.
SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A existência de questão pendente de julgamento no âmbito do STF ou do STJ (ritos da repercussão geral e representação da controvérsia). Não impede o julgamento administrativo de primeira instância. Não há disposição legal que determine o sobrestamento e, por força do inciso XII da Lei nº 9.784, de 1999, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo fiscal, o processo administrativo deve ser impulsionado de ofício.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2201-004.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, foi substituído pela Conselheira Suplente Fernanda Melo Leal
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Fernanda Melo Leal (Suplente convocada para os impedimento do Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2012 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A alegação de impossibilidade de identificação da numeração das folhas dos autos, em consulta ao processo digital, não justifica a alegação de cerceamento de defesa, sobretudo se o Contribuinte foi regularmente cientificado dos Autos de Infração e dos seus anexos, sendo-lhe concedido o prazo para impugnação, oportunidade que foi aproveitada mediante apresentação de razões de defesa que demonstram a perfeita compreensão das infrações imputadas, tanto que contestadas de forma detalhada. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Não podem ser considerados indevidos recolhimentos de contribuições sob argumento de terem incidido sobre verbas consideradas de natureza indenizatória, se não há previsão legal ou reconhecimento por meio de decisão judicial transitada em julgado. Assim, legítima a glosa efetuada. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme autorização do artigo 161 do Código Tributário Nacional - CTN. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. O princípio constitucional da vedação ao confisco e sua aplicação são de competência do Poder Judiciário. QUESTÃO PENDENTE. STF. STJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A existência de questão pendente de julgamento no âmbito do STF ou do STJ (ritos da repercussão geral e representação da controvérsia). Não impede o julgamento administrativo de primeira instância. Não há disposição legal que determine o sobrestamento e, por força do inciso XII da Lei nº 9.784, de 1999, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo fiscal, o processo administrativo deve ser impulsionado de ofício. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, foi substituído pela Conselheira Suplente Fernanda Melo Leal (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Fernanda Melo Leal (Suplente convocada para os impedimento do Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama)
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INOCORRÊNCIA. A alegação de impossibilidade de identificação da numeração das folhas dos autos, em consulta ao processo digital, não justifica a alegação de cerceamento de defesa, sobretudo se o Contribuinte foi regularmente cientificado dos Autos de Infração e dos seus anexos, sendolhe concedido o prazo para impugnação, oportunidade que foi aproveitada mediante apresentação de razões de defesa que demonstram a perfeita compreensão das infrações imputadas, tanto que contestadas de forma detalhada. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Não podem ser considerados indevidos recolhimentos de contribuições sob argumento de terem incidido sobre verbas consideradas de natureza indenizatória, se não há previsão legal ou reconhecimento por meio de decisão judicial transitada em julgado. Assim, legítima a glosa efetuada. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme autorização do artigo 161 do Código Tributário Nacional CTN. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. O princípio constitucional da vedação ao confisco e sua aplicação são de competência do Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 04 91 /2 01 4- 82 Fl. 2980DF CARF MF 2 QUESTÃO PENDENTE. STF. STJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A existência de questão pendente de julgamento no âmbito do STF ou do STJ (ritos da repercussão geral e representação da controvérsia). Não impede o julgamento administrativo de primeira instância. Não há disposição legal que determine o sobrestamento e, por força do inciso XII da Lei nº 9.784, de 1999, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo fiscal, o processo administrativo deve ser impulsionado de ofício. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, foi substituído pela Conselheira Suplente Fernanda Melo Leal (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Fernanda Melo Leal (Suplente convocada para os impedimento do Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama) Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/SDR de fls. 2.601/2.620, por bem relatar os fatos ora questionados. “Tratase de processo que agrupa os Autos de Infração (AI) lavrados por descumprimento de obrigações tributárias principais, multa de ofício e acréscimos legais, sob os seguintes DEBCAD nº: 51.066.5160 e 51.066.5179, lavrados em 29/09/2014. Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.980 3 A tabela abaixo apresenta um resumo dos Autos de Infração que compõem o processo sob julgamento: Informa ainda a Fiscalização que: 1) O procedimento fiscal em comento analisou a compensação de contribuição previdenciária efetuada, nos meses de maio a dezembro de 2012 pela Autuada; 2) No TIPF Termo de Início de Procedimento Fiscal a empresa foi intimada a prestar esclarecimento e informar sobre a existência de Ação Judicial ou processo administrativo, acompanhado, se for o caso, das decisões judiciais e depósito do montante e/ou esclarecimentos sobre a forma utilizada para determinar os créditos compensados no período 05/2012 a 12/2012; 3) Consta da informação prestada pela empresa em 09/05/2014 a existência de um parecer de Dr. Fábio Lopes Vilela Berbel, professor Doutor e Mestre em Direito Previdenciário pela PUC SP, direcionado especialmente à Jandelle que analisou cada rubrica e qualificouas como de “provável” desoneração; 4) A partir desta informação, a empresa foi reintimada no TIF n.º 01 a informar a existência de Ação Judicial ou processo administrativo, acompanhado, se for o caso, das decisões judiciais e depósito do montante e/ou esclarecimentos sobre a forma utilizada para determinar os créditos compensados no período de 05/2012 a 12/2012; 5) Na informação prestada em 30/06/2014, em resposta ao TIF n.º 01 e 02 a empresa esclareceu que não existem documentos internos (controle interno/contabilidade/RH) ou externos (auditoria/consultoria) que justifiquem a compensação dos créditos no período de 05/2012 a 12/2012, razão pela qual deixa a Contribuinte de efetuar a entrega; 6) A ausência de ação judicial ou documento interno ou externo da empresa causa estranheza para a realização de compensação no montante de mais de doze milhões de reais, abrangendo um período de cinco anos de suposto pagamento indevido, uma vez Fl. 2982DF CARF MF 4 que os cálculos e considerações demandam razoável trabalho haja vista o porte da empresa; 7) Com relação às rubricas nas quais a empresa alega que não há incidência de contribuições previdenciárias, a Fiscalização aponta a existência de divergências entre as duas justificativas apresentadas pela empresa em 09/05/2014 e 30/06/2014 com relação aos seguintes itens: número de rubricas, período de abrangência, valores das rubricas, contribuição previdenciária calculada e taxa percentual de juros para atualização do indébito; 8) Analisando todas as rubricas elencadas, quer da primeira relação, quer da segunda relação, chegase a conclusão que todas são tributáveis para fins de contribuição previdenciária. Este fato, por si só, já denota que a compensação efetuada é indevida e deve ser glosada; 9) Analisando as tabelas apresentadas pela empresa na resposta datada de 30/06/2014, verificase uma contradição grotesca, pois a empresa considerou na compensação o valor da base de cálculo e não o valor da contribuição calculada. Além da utilização da base de cálculo para compensação, o cálculo apresentado pela empresa apresenta evidente erro ao incluir o FAP nos anos de 2007 a 2009, quando sequer existia, pois o FAP passou a ser devido a partir de 01/2010. Assim, se considerarmos os anos de 2007 e 2008 teríamos o seguinte valores de contribuição previdenciária original (Patronal + SAT = 23%): R$ 7.724.010,30 x 23% = R$ 1.776.522,37. Para os meses de janeiro a março de 2010, o cálculo da contribuição previdência chegaria, em valor original, adotandose os cálculos elaborados pela empresa, no importe de R$ 1.152.108,42. Assim o valor da contribuição previdenciária sem atualização pela SELIC, para o período de 09/2007 a 12/2008 e 01/2010 a 03/2010, chegaria no montante de R$ 2.928.630,79. Ocorre que o valor compensado foi de R$ 12.683.257,19, ou seja, para alcançar o valor compensado o valor original teria que ter uma correção de 333,08% (trezentos e trinta e três por cento); 10) Em consulta ao sistema informatizado da RFB foram extraídos os dados relativo à GFIP – Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – entregues pelo contribuinte, conforme Demonstrativo das GFIP entregues. O Demonstrativo abrange o período de 09/2007 a 04/2012 e inclui todas as GFIP entregues por estabelecimento/obra de construção civil, FPAS, data de envio e situação da GFIP, Remuneração dos Segurados Empregados, Contribuição dos Segurados e Quantidade de Segurados Empregados, por competência de entrega; 11)Verificase que a partir de 05/11/2012 a empresa passou a entregar retificadoras de GFIP com alteração da base de cálculo das competências de 07/2009 a 04/2012; 12) Foi efetuado o cotejamento entre as GFIP entregues, folha de pagamento e planilhas apresentadas pela empresa a fim de se verificar se houve ou não a retificação de GFIP conforme alegado pela empresa e confronto com os valores de Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.981 5 contribuição previdenciária apresentados pela empresa quando da resposta em 06/08/2014, em especial as planilhas apresentadas em formato “excel”. Para tanto, foi elaborado um Demonstrativo intitulado: Comparativo entre os valores declarados em GFIP, Itens da Folha de pagamento considerados pela empresa como de não incidência e valores constantes da planilha “Item C).xlxs” apresentada pela AGRICOLA JANDELLE S/A; 13) Para compor o referido Comparativo, foi feita a análise da GFIP, que consistiu em verificar os valores de remuneração (base de cálculo) declarados pela empresa na época do fato gerador, nominado como GFIP Original, com o valor constante da GFIP retificadora, considerando como retificadora a GFIP entregue a partir de 05/11/2012, relativo as competências de 09/2007 a 04/2012. Com base nestes dois valores – GFIP Original e GFIP Retificadora – foi calculada a diferença, que segundo informações prestadas pela empresa seriam equivalente às rubricas consideradas pela empresa de não incidência de contribuição previdenciária. Este valor foi então comparado com os valores das rubricas elencadas pela empresa como não incidentes, por estabelecimento e competência, com base de dados extraídos da folha de pagamento, entregue por mídia digital, formato MANAD, chegandose a conclusão que não são coincidentes; 14) Assim, da conferência da GFIP não se tem a ocorrência de pagamento indevido que justifique a compensação efetuada. Outrossim, na planilha “Item b).xlxs” apresentada pela empresa, observouse que para demonstração de valores “supostamente” recolhidos a maior a empresa levou em consideração recolhimento com o código 2901, que se refere a reclamatória trabalhista, contribuição do segurado, contribuição devida a terceiros, dentre outras situações constatadas; 15) Aduz a Fiscalização que as rubricas nominadas pela empresa, nos termos do artigo 28, inciso I da Lei 8.212, de 1991, são passíveis de incidência de contribuição previdenciária e, ao contrário do que alegado pela empresa, não podem ser usados para justificar a compensação realizada. Não se vislumbra ainda que estas rubricas se encontram no rol estabelecido pelo parágrafo 9º do art. 28, da Lei n.º 8.212/1991, que trata da não incidência de contribuição previdenciária; 16) Além de não fazer parte do rol de isenção/não incidência de contribuição previdenciária, a empresa não apresentou os cálculos corretos que levassem à conferência dos valores a compensar; 17) Em relação à GFIP entregues, constatouse que na data da compensação a empresa não havia promovido qualquer retificação de GFIP. Somente a partir de 05/11/2012 (fato que continuou no decorrer de 2013), a empresa passou a entregar Fl. 2984DF CARF MF 6 retificadoras de GFIP com alteração da base de cálculo das competências de 07/2009 a 04/2012. 18) Com relação à multa isolada, a Fiscalização transcreve o art. 89 da Lei 8.212, de 1991 e relata novamente todas as verificações efetuadas com relação à compensação perpetrada pela empresa; 19) Em função da conduta do contribuinte e das infrações apuradas neste procedimento fiscal, formalizase a Representação Fiscal para Fins Penais, diante da constatação que houve a ocorrência de fatos que, em tese, configuram a caracterização de ilícito penal, Crimes Contra a Ordem Tributária, que deverá ser notificado ao Ministério Público Federal, titular da ação penal. O Autuado foi cientificado dos lançamentos por via postal em 01 de outubro de 2014, Aviso de Recebimento à fl. 2.466. Em 30 de outubro de 2014, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Dos fatos. Faz um resumos das autuações. Da preliminar de nulidade do auto de infração pela ofensa aos princípios constitucionais da legalidade e da ampla defesa. Processo digital com ausência de requisitos legais obrigatórios. Aduz que optou pelo domicílio tributário eletrônico e, na seqüência, tentou extrair cópia integral dos autos digitais, o que restou infrutífero, por algumas vezes, em virtude da indisponibilidade do sistema, conforme mensagens que destaca. Na sequência, extraiu cópia integral dos autos digitais, mas referidos documentos se encontram bloqueados para impressão, descumprindo, assim, com o determinado pela própria Secretara da Receita Federal em seu endereço eletrônico. Até mesmo a opção "obter cópia para impressão do documento" constante no eCAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte) não viabiliza a impressão do processo eletrônico, como é possível observar no documento anexo, cuja mensagem, no momento da impressão é a seguinte: "o documento não pode ser impresso". Ademais, cumpre salientar que em conformidade com o art. 22 do Decreto n.° 70.235/1972, "o processo será organizado em ordem cronológica e terá suas folhas numeradas e rubricadas". Todavia, os arquivos baixados eletronicamente não contêm qualquer numeração de página e, muito menos, rubrica dos servidores, o que prejudica a organização, a ordem cronológica dos fatos e o direito de defesa da Impugnante, que tem dúvidas quanto á disposição das provas e atos no processo. Assim, houve grave ofensa ao princípio da legalidade, uma vez que a Autoridade Administrativa deixou de cumprir com o contido em lei. Neste sentido, urge reiterar que foram descumpridos o art. 2º e art. 22, ambos do Decreto n.° 70.235/1972, bem como o art. 1º da Portaria MF n.° 527/2011, haja vista a impossibilidade de impressão do processo em sua integralidade e a ausência de numeração nas páginas e rubrica do servidor. Portanto, pleiteia a Impugnante pela declaração da nulidade do presente auto de infração, haja vista o descumprimento da Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.982 7 legislação vigente (ofensa ao princípio da legalidade) e consequente cerceamento do seu direito de defesa. Mérito. Da suposta compensação indevida ocorrida no período de maio a dezembro de 2012 de contribuições previdenciárias. Recolhimento indevido e possibilidade de compensação. Aduz que o procedimento de compensação adotado pela empresa Impugnante não se deu de maneira indevida, uma vez que o montante apurado a título de recolhimento indevido ou a maior que o devido se deve ao fato de que a contribuição previdenciária não deve incidir sobre as verbas que não possuem caráter remuneratório pelo serviço prestado, razão pela qual o auto de infração guerreado deve ser cancelado. Há que se destacar que ao contrário do que afirma a fiscalização, as rubricas levantadas pela empresa Impugnante como passíveis de creditamento não atingem o número de 46 (quarenta e seis), mas de apenas 15 (quinze) verbas que, a partir de então, passarão a ser denominadas de verbas indenizatórias. Assim, não está correto afirmar que há uma divergência explícita no número de rubricas informadas pela empresa Impugnante como passíveis de desoneração, haja vista a possibilidade de unificação da lista completa em um número menor, totalizando 15 (quinze) rubricas, quais sejam: 15 (quinze) dias que antecedem o auxílio doença ou auxílioacidente; adicional de hora extra; férias usufruídas; salário maternidade; descanso semanal remunerado; adicional noturno; licença paternidade; adicional de insalubridade; adicional de periculosidade; terço constitucional de férias; adicional por tempo de serviço; abono assiduidade; gratificação de função; comissão redução perda de peso; e prêmio ACT. Após enumerar as rubricas em planilha, discorre sobre o caráter indenizatório de cada uma das rubricas mencionadas. Menciona ainda que há rubricas sendo discutidas no STF (rito da repercussão geral) e STJ (rito da representação de controvérsia). Da necessidade de sobrestamento do julgamento do presente Auto de Infração até a decisão final dos processos judiciais em que houve o reconhecimento da representação da controvérsia (STJ) e repercussão geral (STF). Evitar o ajuizamento de novas demandas judiciais. Padronização das decisões. Verificase que a grande maioria das matérias expostas está sob julgamento nos nossos Tribunais Superiores (Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal), seja em razão do reconhecimento da representação de controvérsia (STJ), nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, abaixo transcrito, seja em razão do reconhecimento da repercussão geral (STF), razão pela qual se faz necessário o sobrestamento do julgamento da presente Impugnação Administrativa até julgamento final dos processos judiciais. Da necessidade de cancelamento da multa isolada majorada em 150%. Fl. 2986DF CARF MF 8 Cumprimento de todas as intimações e colaboração da Impugnante com o procedimento de fiscalização. Equivocase o Agente Fiscal ao alegar os motivos que culminaram na aplicação da multa isolada em percentual majorado de 150% (cento e cinquenta por cento), visto que a Impugnante, durante todo o procedimento de fiscalização, colaborou com o i. auditor fiscal responsável e apresentou todas as informações que lhe foram solicitadas. Além disso, em momento algum restou configurada falsidade nas declarações prestadas pela empresa Impugnante, visto que não omitiu documentos, tampouco os adulterou ou rasurou, sonegando ou fraudando a Autoridade Fazendária. Muito pelo contrário, durante todo o tempo, a Impugnante colaborou, e muito, com o Fisco Federal, entregando e respondendo a todas as intimações. Cumpre destacar, ainda, que não houve a ocorrência de fatos ensejadores da aplicação da multa isolada majorada em 150% (cento e cinquenta por cento), que é totalmente confiscatória e ilegal, atentando contra o direito de propriedade garantido no art. 5º, inciso XXII, da nossa Constituição Federal. Do caráter confiscatório da multa aplicada. Além de tudo o que fora exposto e pelo Princípio da Eventualidade, necessário discorrer que, consoante se observa na autuação fiscal em comento, a multa capitulada, nas condições e percentuais aplicados, além de absolutamente indevida, assume o caráter de abuso do poder fiscal, posto que manifestamente confiscatória. A multa que se impõe a título de sanção é desproporcional à suposta infração cometida, afigurandose nitidamente confiscatória, e que se desfigura em função do seu montante excessivo, em relação à infração tributária, mormente num País que experimenta inflação próxima a zero. Com efeito, em um sistema em que há previsão de juros para indenizar e correção monetária para manter o cunho liberatório da moeda, a imposição de multas elevadas caracteriza o confisco do patrimônio da Recorrente. Ante o caso exposto, afigurase a multa imposta de 150% como evidentemente confiscatória, uma vez que a empresa Impugnante atendeu aos preceitos da legislação vigente e efetuou a compensação de débitos com créditos decorrentes de contribuições previdenciárias recolhidas de maneira indevida. Por isso, roga pela exclusão das multas vultosas. Subsidiariamente. Da necessidade de afastamento da multa isolada majorada em 150% e sua redução ao percentual de 75%. Por fim, há que se esclarecer que caso não se entenda pelo total afastamento da multa isolada aplicada de 150% (cento e cinquenta por cento), o que se admite por força do princípio da eventualidade, pugnase, pelo afastamento da qualificação da multa, a fim de manter, apenas, a multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Assim, admitindo que seja devida a aplicação de multa isolada, o que se admite apenas para argumentar, o AFRFB jamais poderia ter optado pela multa qualificada de 150% (cento e cinquenta), nos termos do art. 89, § 10, da Lei n.° 8.212/1991, mas apenas pela multa de 75% (setenta e cinco por cento), pois não há falsidade alguma nas informações apresentadas e na compensação realizada no período de maio a dezembro de 2012. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.983 9 Do afastamento, por ilegalidade, dos juros calculados sobre a multa de ofício qualificada. Superados os tópicos anteriores, insurgese a Impugnante contra a incidência dos juros sobre a multa de ofício, vez que tal imposição contraria o ordenamento jurídico brasileiro. Penalidades como multa de ofício e taxa de juros SELIC, embora previstas em lei, não se encontram autorizadas para incidir uma sobre a outra. Concluise, portanto, que embora a multa de ofício seja parcela integrante do débito tributário, a aplicação de juros sobre esta é impossível em face da ausência de previsão legal que autorize tal incidência, motivo pelo qual requer seu afastamento. Da ilegalidade da formação da representação fiscal para fins penais. Tal formalização está eivada de nulidade, visto que todas as compensações realizadas pela empresa Impugnante estão pautadas no entendimento de que a contribuição previdenciária não deve incidir sobre as verbas de caráter indenizatório, quais sejam, 15 (quinze) dias que antecedem o auxíliodoença ou auxílioacidente; adicional de hora extra; férias usufruídas; salário maternidade; descanso semanal remunerado; adicional noturno; licença paternidade; adicional de insalubridade; adicional de periculosidade; terço constitucional de férias; adicional por tempo de serviço; abono assiduidade; gratificação de função; comissão redução perda de peso; e prêmio ACT, razão pela qual todo o recolhimento indevido foi utilizado para a compensação das contribuições vincendas, no período de maio a dezembro de 2012. Assim sendo, requer a imediata suspensão da formalização da Representação Fiscal para Fins Penais até o julgamento e a decisão final do Auto de Infração n.° 11634.720491/201482 em todas as suas instâncias, onde ficará comprovado que não houve nenhuma infração, seja tributária ou penal. Das provas. A Impugnante requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a realização de diligências e perícias necessárias ao esclarecimento dos fatos, bem como a prova documental que posteriormente se fizer necessária, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto n.° 70.235/1972. Dos pedidos. Repete os pedidos que foram feitos em cada um dos capítulos da peça de defesa. Dos Requerimentos. Requer a produção de provas, diligências e perícias e, em eventual Interposição de Recurso Voluntário perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), requer seja publicado o Edital de Julgamento com o fim de realização de sustentação oral pelo representante legal do Impugnante, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal c/c art. 53, inciso III, do Regimento Interno do CARF.” Fl. 2988DF CARF MF 10 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme decisão ementada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2012 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A alegação de impossibilidade de identificação da numeração das folhas dos autos, em consulta ao processo digital, não justifica a alegação de cerceamento de defesa, sobretudo se o Contribuinte foi regularmente cientificado dos Autos de Infração e dos seus anexos, sendolhe concedido o prazo para impugnação, oportunidade que foi aproveitada mediante apresentação de razões de defesa que demonstram a perfeita compreensão das infrações imputadas, tanto que contestadas de forma detalhada. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Não podem ser considerados indevidos recolhimentos de contribuições sob argumento de terem incidido sobre verbas consideradas de natureza indenizatória, se não há previsão legal ou reconhecimento por meio de decisão judicial transitada em julgado. Assim, legítima a glosa efetuada. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme autorização do artigo 161 do Código Tributário Nacional CTN. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. O princípio constitucional da vedação ao confisco e sua aplicação são de competência do Poder Judiciário. QUESTÃO PENDENTE. STF. STJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A existência de questão pendente de julgamento no âmbito do STF ou do STJ (ritos da repercussão geral e representação da controvérsia). Não impede o julgamento administrativo de primeira instância. Não há disposição legal que determine o Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.984 11 sobrestamento e, por força do inciso XII da Lei nº 9.784, de 1999, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo fiscal, o processo administrativo deve ser impulsionado de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2012 a 31/12/2012 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia quando não preenchidos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972. Ademais, há de se indeferir o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostra desnecessário e protelatório. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tal pretensão não pode ser acatada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (2.630/2.683) , mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 4 – Às fls. 2.745/2754 o contribuinte desistiu parcialmente do recurso voluntário, alegando a adesão aos termos do Programa de Redução de Lítigios Tributários – PRORELIT da MP 685/2015, requerendo a manutenção do recurso quanto a competência de 12/2012 e em relação à multa isolada. 5 – Na efls. 2.952 a I. Presidência do CARF determinou que fosse os autos apartados posto que a desistência não abrangeria a totalidade dos créditos, conforme despacho abaixo: Fl. 2990DF CARF MF 12 “Tratase de petição de desistência de recurso protocolado pelo sujeito passivo em virtude de sua adesão ao PRORELIT, de que trata a Medida Provisória nº 685, de 21 de julho de 2015. Essa desistência implica em renúncia a qualquer alegação de direito que fundamentem impugnações ou recursos administrativos. Diante disso, retornemse os autos à unidade de origem para providências, devendo ser observado o disposto no art. 2º da referida Medida Provisória, bem assim do disposto no art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Se a desistência não abranger a totalidade do crédito em litigio, os autos deverão ser apartados, devendo a parte não contemplada pela desistência retornar ao CARF para apreciação.” 6 – Às fls. 2.972 termo de transferência de crédito tributário da autoridade preparadora cumprindo a diligência determinada pela Presidência do CARF. 7 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 8 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço, sendo que haverá apenas o julgamento em relação à competência de 12/2012 e com relação à multa isolada. 9 – Quanto a preliminar indicada, resta afastada,pois não houve qualquer prejuízo à defesa, tendo apresentado minuciosa peça defensiva perante a autoridade julgadora de 1ª instância, fazendo valer o contraditório e o devido processo legal, havendo o julgamento de todos os pontos elencados em defesa. 10 – Inclusive, às fls. 2.745/2.754 conseguiu apresentar pedido de desistência parcial do recurso indicando inúmeras tabelas para a análise da autoridade preparadora da Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.985 13 DRF, portanto, não há nulidade a ser decretada posto que não houve qualquer comprovação de prejuízo, restando afastada tal preliminar. Mérito 11 – No mérito a recorrente afirma possuir inúmeras rubricas que não passíveis de incidência da contribuição previdenciária: 12 Na espécie, basta para a análise e resolução do assunto quanto ao lançamento do DEBCAD nº 51.066.5160 (glosa de compensação) se o contribuinte tinha mesmo os créditos derivados de tais rúbricas o qual alegou ter e efetuado a compensação. 13 – Após inúmeras intimações ao contribuinte para comprovação de seu direito ao crédito, no relatório fiscal às fls. 2.443, a autoridade lançadora em minucioso trabalho utilizando a documentação apresentada pelo próprio contribuinte efetuou o confronto da documentação com os valores lançados em GFIP e chegou à seguinte conclusão: "37. Analisando as tabelas apresentadas pela empresa na resposta datada de 30/06/2014, verificase uma contradição grotesca, pois a empresa considerou na compensação o valor da base de cálculo e não o valor da contribuição calculada. Além da utilização da base de cálculo para compensação, o cálculo acima apresenta evidente erro ao incluir o RAT nos anos de 2007 a 2009, quando sequer existia, pois o RAT passou a ser devido a partir de 01/2010; assim, se considerarmos os anos de 2007 e 2008 teríamos o seguinte valores de contribuição previdenciária original (Patronal + SAT = 23%): R$ 7.724.010,30 x 23% = R$ 1.776.522,37. Para os meses de janeiro a março de 2010, o cálculo da contribuição previdência chegaria, em valor original, adotandose os cálculos elaborados pela empresa, no importe de R$ 1.152.108,42. Assim o valor da contribuição previdenciária sem atualização pela SELIC, para o período de 09/2007 a 12/2008 e 01/2010 a 03/2010, chegaria no Fl. 2992DF CARF MF 14 montante de R$ 2.928.630,79. Ocorre que o valor compensado foi de R$ 12.683.257,19, ou seja, para alcançar o valor compensado o valor original teria que ter uma correção de 333,08% (trezentos e trinta e três por cento)." 14 – No item 55 a de fls. 2.452/ na motivação do lançamento diz a fiscalização: “55. As rubricas nominadas pela empresa, nos termos do referido artigo, são passíveis de incidência de contribuição previdenciária e ao contrário do que alegado pela empresa não podem ser usados para justificar a compensação realizada. Não se vislumbra ainda que estas rubricas se encontram no rol estabelecido pelo parágrafo 9º do art. 28, da Lei n.º 8.212/1991, que trata da não incidência de contribuição previdenciária. 56. Além de não fazer parte do rol de isenção/não incidência de contribuição previdenciária, a empresa não apresentou os cálculos corretos que levassem a conferência dos valores a compensar. 57. Desse modo, não é possível qualquer conferência acerca da exatidão dos cálculos efetuados pela empresa, conforme a seguir relatado: a. Elaboração de planilhas distintas no decorrer da fiscalização com diferença de valores, período e rubricas acerca dos valores passíveis de compensação; b. Na última planilha apresentada, sob a forma de arquivo digital, nominado “Item a).xlsx”, foi constatado que a empresa apresentou os valores das rubricas (base de cálculo) mensalmente por estabelecimento, sendo constatado erro no cálculo do RAT/FAP para o período 09/2007 a 04/2012, uma vez que utilizou de forma uniforme o percentual de 4,32%, sendo que nos anos de 2007 a 2009 o RAT/FAP foi de 3% e em 2010 4,73%, 2011 3,69%, 2012 – 3,85%. c.Além dos erros apontados quanto ao cálculo da contribuição previdenciária, relativamente ao cálculo do RAT/FAP, acima demonstrado, verificamos que nesta nova justificativa, a empresa utilizouse para cálculo da contribuição previdenciária supostamente indevida, competências em que não houve o pagamento de contribuição previdenciária. Para se chegar a esta conclusão, foi realizada pesquisa nos sistemas da RFB, denominado “CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada” pelo confronto dos valores declarados em GFIP com os pagamentos realizados em GPS. Desta pesquisa, cujas telas foram geradas no formato “pdf” por estabelecimento, elaborouse a planilha abaixo contendo os dados agrupado por estabelecimento, período considerado para compensação e divergência GFIP – competências. (...)omissis Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.986 15 d. Em face da inexatidão dos valores originais, ficou prejudicada a verificação dos Juros SELIC aplicados. 58. Em relação à GFIP entregues, constatouse: a. Na data da compensação a empresa não havia promovido qualquer retificação de GFIP. b. Somente a partir de 05/11/2012 (fato que continuou no decorrer de 2013), a empresa passou a entregar retificadoras de GFIP com alteração da base de cálculo das competências de 07/2009 a 04/2012. c. A análise da GFIP, que consistiu em verificar os valores de remuneração (base de cálculo) declarados pela empresa na época do fato gerador, nominado como GFIP Original, com o valor constante da GFIP retificadora, considerando como retificadora a GFIP entregue a partir de 05/11/2012, relativo as competências de 09/2007 a 04/2012. Com base nestes dois valores – GFIP Original e GFIP Retificadora – foi calculado a diferença, que segundo informações prestadas pela empresa seriam equivalente às rubricas consideradas pela empresa de não incidência de contribuição previdenciária. Este valor foi então comparado com os valores das rubricas elencadas pela empresa como não incidentes, por estabelecimento e competência, com base de dados extraídos da folha de pagamento, entregue por mídia digital, formato MANAD, chegandose a conclusão que não são coincidentes. d. Assim, da conferência da GFIP não se tem a ocorrência de pagamento indevido que justifique a compensação efetuada. Outrossim, na planilha “Item b).xlxs” apresentada pela empresa, observamos que para demonstração de valores “supostamente” recolhidos a maior a empresa levou em consideração recolhimento com o código 2901, que se refere a reclamatória trabalhista, contribuição do segurado, contribuição devida a terceiros, dentre outras situações constatadas. 59. Do exposto acima, a compensação foi feita de forma indevida pela empresa, sendo exigida a contribuição previdenciária por meio de Auto de Infração. Os valores originais a serem lançados estão abaixo discriminados, por estabelecimento/obra de construção civil e competência em que foram utilizados na GFIP: (...)omissis” 15 – Após a análise de diversos documentos produzidos pelo próprio contribuinte a autoridade fiscalizadora efetuou o lançamento, em vista da não comprovação de nenhum das inúmeras rubricas e direitos ora elencados pela recorrente, sendo portanto a motivação do lançamento o fato de não ter comprovado o direito ao crédito de nenhuma das hipóteses ora levantada no momento da fiscalização, sendo que a autoridade fiscal com acuidade levantou diversas informações e efetuou a análise de diversas obrigações acessórias Fl. 2994DF CARF MF 16 por parte do contribuinte, não havendo qualquer tipo de prova em contrário por parte do contribuinte para infirmar o trabalho fiscal, tanto é que efetuou a desistência de grande parte do crédito tributário lançado. 16 A fim de demonstrar o contrário a fim de desconstituir o trabalho fiscal, é imperioso o contribuinte trazer aos autos elementos robustos de prova, contudo, não houve qualquer tipo de contraprova, apenas meras alegações sem qualquer tipo de suporte fático que valide as alegações do recorrente, nem mesmo quanto aos supostos créditos de processos judiciais não merecem guarida, na medida em que não há qualquer tipo de prova quanto ao direito de utilização dos mesmos, sendo meras expectativa de direito e mesmo assim, a teor do artigo 170A do CTN não poderiam ser utilizados na época, uma vez que sequer transitados em julgado, não havendo crédito líquido e certo do contribuinte. 17 – Portanto, mantenho por seus próprios fundamentos a r. decisão de piso da DRJ e nego provimento ao recurso voluntário quanto as razões relacionadas ao DEBCAD nº 51.066.5160 relativo a competência 12/2012. 18 – Em relação ao DEBCAD nº 51.066.5179, (multa isolada), o relatório fiscal contem os fundamentos para sua aplicação no item 61 et seq de fls. 2.455. 19 Acerca do tema da multa isolada, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, corroborado pelo acórdão recorrido, de que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa esteja exercendo o direito líquido e certo, para tanto, leva a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do art. 89 da lei 8212/91, no patamar de 150%. 20 – Dessa forma, entendo que compete ao sujeito passivo, demonstrar de forma clara e objetiva o seu direito creditório, fato que não ocorreu, ocorrendo o lançamento da glosa, como a aplicação da multa isolada. 21 Pelos fatos descritos no relatório fiscal e planilhas indicados inclusive na decisão de piso temos, destacados pelo fiscal, constam as diferenças de valores grotescos lançados em GFIP pelo contribuinte sem qualquer respaldo legal para tanto, ficando fácil identificar que não se desincumbiu o sujeito passivo de provar que os valores indicados como crédito em sua GFIP, realmente existiram. É nesse caso, que resta demonstrada a falsidade, verbis: “No caso em tela, a fiscalização certamente não cogitou de falsidade material, mas sim daquela referente aos créditos inseridos nas GFIP com o fim de quitar as contribuições devidas. Outro aspecto a ser salientado é que a falsidade depende, para sua ocorrência, da verificação da inexatidão entre o que é declarado pelo sujeito passivo e aquilo que efetivamente Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.987 17 corresponde ao fato, ou seja, compreende necessariamente a declaração contrária à verdade ou errada. No caso concreto, a falsidade na declaração está processála com valores que não correspondiam ao total efetivamente passível de compensação, conforme amplamente demonstrado no Relatório Fiscal: (...) A partir desta informação, a empresa foi reintimada no TIF n.º 01 a informar a existência de Ação Judicial ou administrativo, acompanhado, se for o caso, das decisões judiciais e depósito do montante e/ou esclarecimentos sobre a forma utilizada para determinar os créditos compensados no período de 05/2012 a 12/201. Na informação prestada em 30/06/2014, em resposta ao TIF n.º 01 e 02 a empresa esclareceu que não existem documentos internos (controle interno/contabilidade/RH) ou externos (auditoria/consultoria) que justifiquem a compensação dos créditos no período de 05/2012 a 12/2012, razão pela qual deixa a Contribuinte de efetuar a entrega. A ausência de ação judicial ou documento interno ou externo da empresa causa estranheza para a realização de compensação no montante de mais de doze milhões de reais, abrangendo um período de cinco anos de suposto pagamento indevido, uma vez que os cálculos e considerações demandam razoável trabalho haja vista do porte da empresa. Com relação às rubricas nas quais a empresa alega que não há incidência de contribuições previdenciárias, a Fiscalização aponta a existência de divergências entre as duas justificativas apresentadas pela empresa em 09/05/2014 e 30/06/2014 com relação aos seguintes itens: número de rubricas, período de abrangência, valores das rubricas, contribuição previdenciária calculada e taxa percentual de juros para atualização do indébito. (Grifo nosso). Além de não possuir ação judicial que pudesse respaldar o procedimento da compensação, o Relatório Fiscal pontua vários equívocos cometidos pela empresa na quantificação dos valores compensados. Também, a compensação se respalda em teses de jurisprudências supostamente pacíficas, no entanto, a imensa maioria diz respeito ao instituto previdenciário dos servidores públicos que, como sabido, é bastante distinto do Regime Geral da Previdência Social. Ao fazêlo, portanto, compensouse de créditos sabidamente inexistentes, posto que os recolhimentos pertinentes encontram respaldo legal, normativo e judiciário, incorrendo na conduta dolosa de falsear a declaração de maneira a passar à Administração Tributária a idéia de que estaria adimplente com as contribuições previdenciárias vincendas. Fl. 2996DF CARF MF 18 Portanto o Contribuinte declarouse detentor de créditos sabidamente indevidos, estando amplamente caracterizado o ato de falsear a declaração de compensação. (com grifos no original) 22 Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, no caso na GFIP, sem necessidade de se perquirir a respeito de dolo do contribuinte ou qualquer outro tipo de fraude ou máfé. 23 – Quanto a essa questão da falsidade transcrevo parte do voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que tratou com muita propriedade a questão: “Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: ‘s.f. Propriedade do que é falso./Mentira, calúnia./Hipocrisia; perfídia./ Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.’ Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal.” Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.988 19 24 – Concluise, portanto que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. Ainda sobre esse tema Ac 2201003.597 da ilustre Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz julgado nessa Turma em 09/05/2017. “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2012 a 30/06/2014 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA AGRAVADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada. O fato de o contribuinte ter sido autuado, anteriormente, pela realização de compensação, antes do trânsito em julgado de decisão judicial, evidencia que havia conhecimento sobre a impossibilidade de compensação, naquele momento, diante do óbice estabelecido pelo art. 170A do CTN. MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 25 – Na mesma esteira Ac. 2201003.369 do ilustre Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira julgado nessa Turma em 18/01/2017: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. OCORRÊNCIA A Lei de Custeio da Previdência Social determina a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida em que se verifique falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo. É falsa a informação que diverge daquela constante da sentença que possibilita a compensação efetuada. Fl. 2998DF CARF MF 20 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. O instituto da compensação, segundo o CTN, exige lei específica que o regule. O Fisco só pode homologar a compensação realizada se esta se der nos termos da lei ou, caso exista, de sentença judicial que explicite todo o procedimento a ser adotado. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PREVISÃO LEGAL. DESCUMPRIMENTO. SANÇÃO. Os deveres instrumentais são inseridos pela Lei no interesse da Administração Tributária. O descumprimento de tais deveres fere o dever de colaboração existente entre o contribuinte e o Estado, ensejando a penalidade prevista pela Lei. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. COMPATIBILIDADE COM AS DISPOSIÇÕES CODICISTAS. Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4. 26 – Portanto, nesse ponto, também afasto o questionamento do contribuinte mantendo a lisura do trabalho fiscal com a manutenção da multa isolada, negando provimento ao recurso nesse tópico. Do sobrestamento do julgamento do julgamento do presente Auto de Infração até a decisão final dos processos judiciais em que houve o reconhecimento da representação da controvérsia (STJ) e repercussão geral (STF). 27 – Nesse ponto, resta desprovido o recurso voluntário, inclusive, fazendo minhas as palavras da decisão de piso, servindo como fundamento dessa decisão: “No que concerne ao pedido de sobrestamento do julgamento de primeira instância, em função da existência de julgamento pendente no STF e STJ de verbas aqui discutidas, não será atendido. Nos termos do § 1º do art. 543 B do Código de Processo Civil – CPC, reconhecida a repercussão geral, o julgamento dos demais RECURSOS que envolverem a mesma controvérsia ficará sobrestado, aguardando a decisão do STF. Observe que, mesmo no âmbito do Poder Judiciário, a existência de recurso com repercussão geral não impede o conhecimento da causa e a Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.989 21 decisão do juízo de primeira instância, ficando sobrestada somente a remessa de novos recursos ao STF. Adotando postura análoga, o § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, prevê o sobrestamento do julgamento dos recursos que envolverem a questão constitucional submetida à sistemática da repercussão geral. Tal disposição, entretanto, não vincula as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil – DRJ, as quais não compõem a estrutura do referido Conselho, pois integram a estrutura da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Logo, a existência de questão pendente de julgamento no âmbito do STF ou mesmo no STJ não impede o julgamento administrativo de primeira instância. Não há disposição legal que determine o sobrestamento e, por força do inciso XII da Lei nº 9.784, de 1999, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo fiscal, o processo administrativo deve ser impulsionado de ofício. Logo, impõese o julgamento. Por esta razão, indefiro o pedido para que o julgamento seja sobrestado.” Da aplicação de juros sobre a multa de ofício. Possibilidade. 28 Neste ponto, não assiste razão ao Recorrente, haja vista a Lei dispor que incide juros de mora sobre o crédito tributário, o qual também é composto pela multa de ofício, senão vejamos. 29 Ao tratar da incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, o Código Tributário Nacional preceitua o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” 30 Assim, a alegação de que a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada seria ilegal é totalmente improcedente, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o dispositivo legal transcrito acima. Quer dizer, tanto a multa de ofício como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, inclusive no que tange a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Fl. 3000DF CARF MF 22 31 Cabe observar, ainda, que tanto o artigo 43, como o artigo 61, ambos da Lei nº 9.430/96, trazem a previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, conforme demonstrado abaixo: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 32 Como se vê, a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, já que a multa de ofício se enquadra dentro do conceito de “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. 33 Ademais, observase que a incidência de juros sobre a multa de ofício também está amparada pelo parágrafo único do artigo 43 da Lei nº 9.430/96, já que este estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário “correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente” incidem juros a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo. Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.990 23 34 Com efeito, em que pesem as alegações apresentadas pelo Recorrente, não há que se falar em nenhuma irregularidade no que tange a incidência de juros sobre a multa de ofício, visto que ela se encontra expressamente prevista em lei e que as autoridades administrativas estão plenamente vinculadas à legislação em vigor. 35 Nesse sentido, cabe citar o esclarecedor voto da ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, a saber: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. Fl. 3002DF CARF MF 24 O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.991 25 mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda Fl. 3004DF CARF MF 26 que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." (grifos nossos) 36 Em consonância com o esclarecedor voto supra, cabe transcrever a seguir os seguintes precedentes judiciais e administrativos: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 11634.720491/201482 Acórdão n.º 2201004.467 S2C2T1 Fl. 2.992 27 2. Agravo regimental não provido.” (STJ, AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688 PR (2012/01537730). Relator Ministro Benedito Gonçalves. Decisão: 04/12/2012. Dje de 10/12/2012). “JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.” (...) (CARF, Acórdão nº 130100.810, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Conselheiro designado para o voto vencedor Waldir Veiga Rocha, Sessão de 01/02/2012) “JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região.” (CARF, Acórdão nº 9202001.806, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro designado para o voto vencedor Elias Sampaio Freire, Sessão de 29/11/2011) 37 Neste ponto, com fundamento na legislação competente e pelos fundamentos acima expostos, entendo pela legalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício, negando provimento ao recurso. Da Representação Fiscal Para Fins Penais. Fl. 3006DF CARF MF 28 38 – Negado provimento a esse ponto com a aplicação da Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão 39 – Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário afastada a preliminar arguida e no mérito NEGAR provimento ao recurso na forma da fundamentação. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 3007DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722428/2013-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE ALUGUÉIS. DIMOB. DECLARAÇÃO APRESENTADA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A declaração do cônjuge somente foi transmitida após o início da ação fiscal, e quando já existia inclusive decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração (art. 138 do CTN).
O art. 7º, § 1º do Decreto 70.235 estabelece que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
Numero da decisão: 2401-005.500
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE ALUGUÉIS. DIMOB. DECLARAÇÃO APRESENTADA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A declaração do cônjuge somente foi transmitida após o início da ação fiscal, e quando já existia inclusive decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração (art. 138 do CTN). O art. 7º, § 1º do Decreto 70.235 estabelece que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE ALUGUÉIS. DIMOB. DECLARAÇÃO APRESENTADA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A declaração do cônjuge somente foi transmitida após o início da ação fiscal, e quando já existia inclusive decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração (art. 138 do CTN). O art. 7º, § 1º do Decreto 70.235 estabelece que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 24 28 /2 01 3- 00 Fl. 164DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10840.722428/201300 Acórdão n.º 2401005.500 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto do Relator, conforme ementa do Acórdão nº 1262.060 (fls. 69/71): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Não tendo sido comprovado pelo interessado que os aluguéis teriam sido declarados por seu cônjuge, como alegado, resta manter a autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata da Notificação de Lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/09), lavrado contra o Contribuinte em 02/09/2013, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, relativo aos anocalendário 2010, no valor de R$ 3.185,08, acrescido de Juros de Mora, calculados até 30/08/2013, no valor de R$ 666,63 e Multa de Ofício, passível de redução, no valor de R$ 2.388,81, perfazendo um total de Crédito Tributário Apurado de R$ 6.240,52. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 05), verificase que a autuação decorre de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Física, no valor de R$ 11.582,13, informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) pelas administradoras. O Contribuinte cientificado da Notificação em 11/09/2013 apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fl. 02 onde alega que os rendimentos se referem a receita de aluguel produzida por bem comum ao casal e oferecida à tributação na declaração do cônjuge e que estes rendimento foram incluídos em sua declaração no formulário Informação do Cônjuge. Para corroborar suas afirmações junta os documentos de fls. 10 a 62. O processo foi encaminhado à DRJ/RJ1 para julgamento, que, através do Acórdão nº 1262.060, julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário. Em 06/01/2014 o Contribuinte foi intimado do Acórdão da DRJ/RJ1 (AR – fl. 138) e tempestivamente, em 16/01/2014 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 75 a 78, instruído com os documentos anexados nas fls. 79 a 136. Em seu Recurso Voluntário faz um breve relato dos fatos para em seguida: Fl. 166DF CARF MF 4 1. Reiterar a informação anterior que consta de sua declaração de ajuste, no campo " Informações do Cônjuge", os rendimentos de aluguéis recebidos por seu Cônjuge, a Sr.ª Marlene Tostes Bonato; 2. Informar que a declaração de ajuste do anocalendário 2010 do seu Cônjuge (fls. 81/86), foi transmitida em 27/12/2013, e nela foram declarados os rendimentos recebidos de pessoas físicas, a título de alugueis, no valor total anual de R$19.162,13; 3. Dizer que a retificação da Dimob feita pela Imobiliária afasta o equívoco cometido e regulariza a declaração, de forma a comprovar que nunca houve intenção de máfé ou sonegação. Finaliza seu Recurso pedindo que seja acolhido o RV a fim de ser cancelado o débito fiscal reclamado. O Processo foi encaminhado ao CARF onde a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em 18/01/2017, através da Resolução nº 2401000.539 (fls. 143/146), resolveu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência para a juntada dos seguintes documentos: 1. Declarações de ajuste anual da contribuinte Marlene Tostes Bonato, CPF 051.638.16870, exercício 2011, tanto a original quanto a(s) retificadora(s); e 2. Declarações de ajuste anual do contribuinte José Ademir Bonato, CPF 164.225.46815, exercício 2011, tanto a original quanto a(s) retificadora(s). Os documentos solicitados foram juntados aos autos pela DRF nas folhas 148 a 159 e, em seguida, o Processo encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10840.722428/201300 Acórdão n.º 2401005.500 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente Processo Administrativo trata da exigência de IRPF decorrente da omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, durante o ano calendário de 2010, no valor de R$11.582,13, informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob). A totalidade dos rendimentos decorrentes de aluguéis perfazem o montante de R$ 19.162,13 e se referem tanto aos imóveis administrados pela imobiliária e que foram objeto de notificação por omissão no valor de R$11.582,13, quanto aos imóveis com administração própria (fls. 8/9). Em razões recursais o Recorrente assevera que não ocorreu omissão de rendimentos e que a totalidade da receita de aluguel foi oferecida à tributação na declaração de ajuste da sua esposa, por opção do contribuinte. Ocorre que a declaração do cônjuge somente foi transmitida em 27/12/2013 (fl. 81/86), após o início da ação fiscal, e quando já existia inclusive decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Com efeito, é cediço que, após o início da ação fiscal, não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração (art. 138 do CTN). Ademais, o art. 7º, § 1º do Decreto 70.235 estabelece que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Destarte, a apresentação ou retificação da declaração feita pelo contribuinte que vise à redução ou a exclusão de tributo, somente poderá ser admitida se comprovado erro nela contida, e antes da notificação do lançamento, conforme preceitua o Código Tributário Nacional: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 168DF CARF MF 6 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Dessa forma, a declaração dos rendimentos recebidos de pessoa física, após notificado o contribuinte, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento. Essa linha de entendimento já está pacificada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante enunciado da Súmula nº 33, verbis: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Assim, não merece prosperar os argumento apresentados pelo Recorrente, devendo ser mantida incólume a decisão proferia em primeira instância. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.906201/2006-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA
Mantém-se o indeferimento da compensação, quando não afastados os motivos trazidos pelo Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1001-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 240 1 239 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.906201/200606 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.452 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de abril de 2018 Matéria Simples Nacional Recorrente REDE MANAUS COMÉRCIO DE PNEUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Mantémse o indeferimento da compensação, quando não afastados os motivos trazidos pelo Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp n° 38036.50897.300703.1.3.046066, de 30/07/2003, efls. 10/18) em que o contribuinte requereu crédito relativo a suposto DARF (recolhimento: 30/07/2003, período de apuração: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 62 01 /2 00 6- 06 Fl. 240DF CARF MF 2 30/09/1994; R$ 4.667,86) para compensação de débito da CSLL (2° Trim. 2003; data de vencimento: 30/07/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 04), que analisou as informações relativas ao direito creditório e concluiu que não havia crédito, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (DRJ) jurisdicionada. Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ (efls. 205/213): Versa este processo sobre compensação identificada pelo PER/DCOMP n° 38036.50897.300703.1.3.046066. Através do Despacho Decisório n° 770250843 (fl. 2), não foi homologada a compensação declarada. O referido despacho contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Foi dada ciência ao interessado em 25/06/2008 (fl. 3). O interessado apresentou, em 23/07/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 12/14. Nesta peça, alega, em síntese, que: o despacho decisório é nulo, pois preteriu seu direito de defesa, "na medida em que desconsiderou a resposta apresentada ao Termo de Intimação 628931192, pela qual foi esclarecida a origem do crédito utilizado na compensação, bem como apresentados os DARF correspondentes a esses créditos"; o crédito se refere a pagamentos indevidos de IRRF, conforme demonstra. À fl. 92, o julgamento foi convertido em diligência, posto "que não foram juntados aos autos os documentos comprobatórios da análise do crédito (art. 33, IV, da Norma de Execução Codac/Cosit/Cocaj/Cotec n° 6/2007)", para que a autoridade lançadora "manifestese sobre os esclarecimentos prestados no documento As fls. 34/35 (resposta ao Termo de Intimação de fl. 33), informando se resta comprovado o direito creditório declarado". Foi prestada a informação de fls. 93/94. A autoridade lançadora observa que "quando o contribuinte possui créditos decorrentes de vários pagamentos deve apresentar tantas PERD/COMP quantos forem os créditos que deseja ver compensados". Acrescenta que, quanto à comprovação do direito creditório, já se pronunciou acerca da homologação por meio do despacho decisório de fl. 2. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10768.906201/200606 Acórdão n.º 1001000.452 S1C0T1 Fl. 241 3 Cientificado (01/04/2009 fl. 96), o interessado adita, em 17/04/2009, razões de defesa (fls. 97/100). Alega, em síntese, que o comportamento omisso da autoridade lançadora continuou a vulnerar seu direito de defesa. É o relatório. A decisão de primeira instância (efls. 205/213) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que: Através do Termo de Intimação prévio ao Despacho Decisório o interessado foi cientificado de que o referido DARF "não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal", e que em caso de divergência com os dados reais, solicitouse "transmitir o PER/DCOMP retificador". O interessado não procedeu à retificação do PER/DCOMP, mesmo existindo erro de preenchimento dos dados constantes no DARF, tais como: período de apuração, código de receita, data de vencimento, valor e data de arrecadação. O alegado cerceamento de defesa e, por conseqüência, a nulidade do Despacho Decisório não prosperam, pois o Termo de Intimação foi elucidativo ao informar sobre a não localização do DARF discriminado no PER/DCOMP e ao solicitar a retificação do PER/DCOMP, em caso de existir qualquer divergência, o que não foi atendido pelo interessado, mesmo este estando ciente dos erros de preenchimento do DARF. Não se vislumbrou a hipótese de nulidade aventada pelo interessado, pois o Despacho Decisório, contra o qual o interessado apresentou manifestação de inconformidade, exercendo seu direito de defesa (contraditório e ampla defesa), não deixou dúvidas quanto a causa da não homologação da compensação, qual seja: DARF não localizado. Ainda que o interessado tivesse retificado tempestivamente o PER/DCOMP, isto é, antes do Despacho Decisório informando corretamente a data de arrecadação, o código de receita e outros dados constantes dos DARFs, a autoridade administrativa, de igual modo, não homologaria a compensação declarada, visto que o direito de o interessado pleitear a restituição dos pagamentos efetuados em 1993 e 1994 (fls. 36/82) estava extinto, haja vista o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, fixado pelo art. 168 da Lei n°5.172, de 25/10/1966. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/07/2009 (efl. 215) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 06/08/2009 (efl. 217), em que alega, em resumo: i) Nulidade do processo a partir do despacho decisório; ii) Ausência de decadência e/ou prescrição; iii) Crédito regularmente informado; iv) Prevalência dos princípios do informalismo moderado e da verdade material; Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 242DF CARF MF 4 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O Impugnante insurgese contra o que chama de cerceamento do direito de defesa, tendose em vista que o Despacho Decisório desconsiderou a resposta apresentada ao Termo de Intimação 628931192, pela qual teria sido esclarecida a origem do crédito utilizado na compensação, bem como apresentados os DARF correspondentes a esses créditos. Não tem razão o contribuinte. Primeiro porque à sua alegação foilhe informado que, em caso de divergência com os dados reais, deveria "transmitir o PER/DCOMP retificador". E desta forma não procedeu. Ou seja, mesmo na fase inquisitória, antes da decisão contida no Despacho Decisório já lhe foi informado que a regra aplicável a pedidos de restituição/compensação prescreve que deveria apresentar uma PerDcomp para cada DARF. Mesmo comprovado que o contribuinte foi instado a participar do procedimento de apuração prévio à decisão do pedido (PerDcomp), devese destacar que, de acordo com o artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, a fase litigiosa do procedimento somente se instaura com a impugnação do contribuinte ao ato administrativo do lançamento. Atendese, assim, ao que dispõe o artigo 5º, inciso LV, da Contribuição Federal de 1988, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É nesse sentido que o artigo 50 do citado Decreto somente admite a caracterização de cerceamento do direito de defesa como causa de nulidade quando se tratar de decisões e despachos e não contra atos administrativos, como os procedimentos prévios ao Despacho Decisório. Apresentada a impugnação na Delegacia da Receita Federal de Julgamento – primeira instância administrativa – ela será apreciada pela autoridade julgadora, que verificará os fatos, as provas produzidas e o direito aplicável, proferindo decisão e solucionando a lide instaurada. O autuado, no presente caso, consciente do seu direito, utilizouse desse expediente, apresentando sua impugnação ao feito fiscal, não se verificando, pois, qualquer ofensa ao princípio do contraditório ou prática de coação. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma também entendeu a decisão da DRJ, que refutou também as alegações de que cujas razões adiro e peço vênia para reproduzilas, incluindo entre estas a negação do recorrente de que não teria havido decadência e/ou prescrição; de que o crédito teria sido regularmente informado e que não teriam sido privilegiados os princípios do informalismo moderado e da verdade material: O alegado cerceamento de defesa e, por conseqüência, a nulidade do Despacho Decisório não prosperam, pois o Termo de Intimação foi elucidativo ao informar sobre a não localização do DARF discriminado no PER/DCOMP e ao solicitar a retificação do PER/DCOMP, em caso de existir qualquer Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10768.906201/200606 Acórdão n.º 1001000.452 S1C0T1 Fl. 242 5 divergência, o que não foi atendido pelo interessado, mesmo este estando ciente dos erros de preenchimento do DARF. Cumpre esclarecer que não cabe a autoridade administrativa retificar de oficio o PER/DCOMP com base nas informações prestadas pelo interessado. A retificação do PER/DCOMP pode ser feita até a emissão do Despacho Decisório, conforme solicitado no Termo de Intimação. Além disso, o Despacho Decisório, contra o qual o interessado apresentou manifestação de inconformidade, exercendo seu direito de defesa (contraditório e ampla defesa), não deixou dúvidas quanto à causa da não homologação da compensação, qual seja: DARF não localizado. Sendo assim, não vislumbro a hipótese de nulidade aventada pelo interessado. De igual modo, não pode ser aceita a pretensão do interessado em comprovar o crédito utilizado no PER/DCOMP, mediante apresentação de DARFs (fls. 36/82), cujas informações neles contidas destoam do DARF discriminado no PER/DCOMP. Tal pretensão, na verdade, equivale a mudança do pedido inicial, descabida em sede de impugnação, pois requer que a autoridade julgadora se manifeste sobre assunto não apreciado anteriormente, como, por exemplo, a data de arrecadação e o código de receita. A mudança do pedido inicial, por ser um novo pedido, deve ser feita mediante novo PER/DCOMP, preenchido com os dados corretos relativos ao direito creditório. Por fim, não é demais registrar que, ainda que o interessado tivesse retificado tempestivamente o PER/DCOMP, isto 6, antes do Despacho Decisório informando corretamente a data de arrecadação, o código de receita e outros dados constantes dos DARFs, a autoridade administrativa, de igual modo, não homologaria a compensação declarada, visto que o direito de o interessado pleitear a restituição dos pagamentos efetuados em 1993 e 1994 (fls. 36/82) estava extinto, haja vista o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, fixado pelo art. 168 da Lei n°5.172, de 25/10/1966. Diante das razões expostas, mantenho o Despacho Decisório, pelo mesmo motivo nele explicitado, visto que o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 244DF CARF MF 6 Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000681/2009-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE.
A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais.
As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-006.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15987.000681/200973 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.706 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. Recorrente OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriarse do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 06 81 /2 00 9- 73 Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.973, de 27 de maio de 2014, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 4 3 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A divergência suscitada no recurso especial referese (i) à nulidade da decisão recorrida pelo não suprimento de omissão apontada em sede de embargos declaratórios, (ii) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (iii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iv) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. O recurso especial foi admitido em parte, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas requerendo que não se admita o recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.692, de 15/05/2018, proferido no julgamento do processo 10845.720753/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.692): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial do contribuinte foi admitido apenas em relação (i) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (ii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iii) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, esforçase em demonstrar que a recorrente não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial em relação ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa. Colho do recurso especial o excerto que bem retrata a linha de raciocínio defendida pela recorrente. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 5 4 Efetuandose o devido cotejo analítico temse que, enquanto o v. acórdão recorrido entende que deve ser mantida a glosa independentemente da comprovação da efetiva realização e pagamento da operação, o primeiro acórdão paradigma, em sentido oposto, assevera que a inidoneidade do fornecedor não afasta o direito de crédito do adquirente se demonstrado a ocorrência das operações e pagamento das transações. Em momento anterior, a recorrente contesta o entendimento defendido pelo i. Relator do acórdão recorrido. Nesse sentido, nos parece incorreto o voto do Ilustre Relator, dado que ignora a jurisprudência do tribunais, inclusive administrativo, e segue no sentido de que independe (sic) a boafé do adquirente (p. i do acórdão): "A propósito da prolatada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente". É curioso observar que a transcrição acima suprime boa parte do conteúdo do parágrafo da qual foi extraída. A parte suprimida deixa claro em seu preâmbulo, que é justamente o fragmento reproduzido no recurso, não é mais do que um comentário obter dictum, pois o fundamento da decisão é outro, em sentido contrário. Observese a íntegra do parágrafo. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. (grifos meus) E outras considerações presentes no voto condutor da decisão recorrida. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 6 5 “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” (...) A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra e venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Há alguma dúvida de que o Colegiado recorrido, pelo menos na pessoa daqueles que não foram vencidos, entendeu que a recorrente estava envolvida nas operações fraudulentas de venda de notas fiscais e, por conseguinte, não se lhe aplicava a presunção de boafé consolidada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e resguardada pela própria legislação tributária? No comentário transcrito no recurso, o então Relator do processo apenas registrou que, se a situação fosse outra, tomaria decisão idêntica. Mas a situação que o Colegiado enxergou e sobre a qual decidiu, por óbvio, não era outra e sim aquela narrada nos autos. Sua comparação com os fatos noticiados no paradigma demonstra absoluta ausência de identidade fática, se não vejamos. Excerto obtido do acórdão paradigma nº 3802002.382. Ao indeferir o pedido de ressarcimento assentado nessa fundamentação, a decisão recorrida não demanda qualquer reparo, porque, segundo ensina Paulo de Barros Carvalho, não há incompatibilidade entre o princípio constitucional da não cumulatividade e a exigência, para fins de aproveitamento do crédito, de documento hábil e de prova da efetiva ocorrência das operações documentadas: É, portanto, requisito para o aproveitamento do crédito que esteja ele vertido em documento hábil para certificar a ocorrência do fato que dá ensejo à apuração do crédito. [...] Cabe destacar, nesta exigência [3], a necessidade dos documentos atenderem ao que dispõe a legislação, no tocante à sua confecção, tipo, série e demais peculiaridades. Aquilo que se impõe, no caso, é Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 7 6 o dever de o contribuinte conferir os documentos que acompanham os bens adquiridos, buscando identificar se atendem ou não ao que estabelecem os dispositivos legais que tratam da matéria. Nada mais. O derradeiro requisito, também percebido na já mencionada legislação, diz respeito à efetiva ocorrência das operações documentadas, o que já foi previamente lembrado letras acima. Ou, por outras palavras, o que estiver registrado – em documento fiscal – deve refletir a efetiva realização do negócio jurídico, com ingresso, real ou simbólico, da mercadoria no estabelecimento adquirente e o respectivo pagamento. Tais providências, quando tomadas em conjunto, evidenciam a boa fé do contribuinte, eximindo de eventuais responsabilidades caso seja posteriormente verificada a prática de ilícitos por terceiros [4] (grifos acrescidos) De fato, não há uma só palavra em todo o acórdão paradigma que faça menção à participação da autuada no esquema de compra de notas fiscais. Assim, uma vez que tenha comprovado o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias, o Colegiado eximiua da responsabilidade pelas irregularidades praticadas por terceiros. Com efeito, como já disse, esse excludente de responsabilidade está previsto na própria legislação tributária. Lei 9.430/96 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. As circunstâncias fáticas do paradigma não coincidem com as que são identificadas nos autos. Aqui, considerouse que a empresa fazia parte e atuava no esquema ilícito de compra e venda de notas fiscais que simulavam operações realizadas por pessoas jurídicas, lá, entendeuse que a empresa tinha agido de boafé. Assim, nessa parte o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido. Isto posto, uma vez que os demais requisitos de admissibilidade foram observados, passo ao exame de mérito dos assuntos remanescentes. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 8 7 Mérito 1 Direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas A decisão de segunda instância negou o direito de crédito à recorrente para os produtos adquiridos junto às cooperativas tendo em vista essas mercadorias não estarem sujeitas ao pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins por parte do vendedor, por força da redução da base de cálculo prevista em lei. Observemse os fundamentos do voto (e folha 1.133 e 1.134). A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Há, contudo, Solução de Consulta editada pela Secretaria da Receita Federal tratando do tema. Para maior clareza, transcrevo excerto dela extraídos. Solução de Consulta Cosit nº 65/2014 A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...) As receitas das coopertativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários relativamente às operações referidas na MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. (...) Sabendose que, regra geral, não há impedimento ao aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos junto a cooperativas, não há mais questão de interpretação da legislação tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 9 8 específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004). A partir do anocalendário 2012 não há mais direito ao desconto de créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10833, de 2003, em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 4º da Lei nº 12.599, de 2012, e, a partir de 10 de julho de 2013, a redução de alíquota a 0 (zero) prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004 (dispositivo incluído pela Lei nº 12.839, de 9 de julho de 2013). Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 2012. Ou seja, na situação específica, a empresa tem o direito de apurar créditos nas compras realizadas às cooperativas, desde que a saída do produto da cooperativa não tenha ocorrido com suspensão do pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Quanto a isso, percebese da leitura do acórdão recorrido que foram identificadas diferentes tipos de operações. No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). Com base em todo o exposto, deve ser admitido o direito à apropriação de créditos nas aquisições de cooperativas de produtos que não deram saída com suspensão do pagamento das Contribuições. Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 10 9 2 Inexistência de suspensão da incidência das Contribuições Essa matéria foi tangenciada no tópico anterior uma vez que a Fiscalização Federal, como se viu dos excertos transcritos acima, tratou em conjunto as vendas com suspensão e as vendas com redução da base de cálculo. Cuidase, agora, especificamente das vendas com suspensão. As alegações da recorrente são no sentido de que não houve vendas com suspensão do pagamento das Contribuições, como a seguir se lê. Como o destaque da suspensão consiste em erro das fornecedoras ante a atividade agroindustrial evidenciado nas notas, há que se fazer o crédito integral, e eventualmente fiscalizar tais fornecedores. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. A sistemática de tributação do café é deveras complexa. À época, o § 6º do art. 8º da Lei 10.925/04 identificava operações com determinados produtos que, nos termos do § 1º1 do art. 9º, não poderiam sair com suspensão da incidência das Contribuições. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial Por seu turno, o inciso I, do § 1º do art. 8º do mesmo diploma legal especificava operações com determinados produtos que davam direito ao crédito presumido por serem vendidos com suspensão das Contribuições. cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. Não é de estranhar que o vendedor que exercesse cumulativamente algumas das atividades acima entendesse que se enquadrava na hipótese do inciso I do § 1º do art. 8º e, assim, vendesse seus produtos com suspensão. 1 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 15987.000681/200973 Acórdão n.º 9303006.706 CSRFT3 Fl. 11 10 De toda sorte, cabia à Recorrente requerer a correção das informações contidas nas notas fiscais de compra dos produtos que adquirira, ex vi art. 62 da Lei 4.502/64. Das Obrigações dos Adquirentes e Depositários Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. (grifos acrescidos) § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. § 2º Se a falta consistir na inexistência da documentação comprobatória da procedência do produto, relativamente à identificação do remetente (nome e enderêço), o destinatário não poderá recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo impôsto e sanções cabíveis. Nestes termos, com fundamento em tudo o que foi exposto até o presente momento, voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte em relação à matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa" e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em parte e, no mérito, o colegiado deulhe parcial provimento, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1364DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.723930/2015-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA.
O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa.
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento utilizado a fim de fornecer uma segurança jurídica ao contribuinte, pois ele que garante que a fiscalização está sendo realizada por um servidor público da Receita Federal do Brasil. A sua descontinuidade não afronta a legalidade da constituição do crédito tributário.
VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
No Termo de Descrição de Fatos, há uma ampla fundamentação, além da fundamentação legal no auto de infração. Os artigos 195, 197, 198, da legislação do IPI, foram demonstrados e com base nesta legislação, fundamentado o arbitramento, não podendo ser assim encontrado qualquer tipo de vício de fundamentação.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. RELAÇÃO DE INTERDEPENDÊNCIA. ARBITRAMENTO.
Comprovada a interdependência, deve ser observado o artigo 195, inciso I, do Decreto 7.212, de 2010, que preceitua que o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência.
O preço será do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente), conforme preceitua o artigo 195, inciso I, do Decreto nº 7.212, de 2010 - RIPI.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DEO-COLÔNIAS.
A classificação fiscal para as deo-colônias deve ser a NCM 3303.00.20 (águas de colônia), pois sua função é perfumar a pele.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SABONETES LÍQUIDOS.
A classificação fiscal para os sabonetes líquidos deve ser a NCM 3401.30.00, pois os produtos reclassificados são sabonetes líquidos utilizados para a lavagem da pele.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SABONETE EM BARRA.
A classificação fiscal para o sabonete em barra deve ser a NCM 3401.11.90,
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÓLEOS CORPORAIS.
A classificação fiscal para os óleos corporais, por serem hidratantes, deve ser a NCM 3304.99.90.
INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO.
Cobra-se o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais de saída, com a aplicação de penalidade pecuniária e a incidência de juros de mora, por conta de erro de classificação fiscal e alíquota.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.376
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, que convertia o julgamento em diligência para verificação da classificação fiscal. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza na sessão de 27/02/2018. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator ad hoc para formalização do acórdão.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Walker Araujo - Redator "ad hoc"
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento utilizado a fim de fornecer uma segurança jurídica ao contribuinte, pois ele que garante que a fiscalização está sendo realizada por um servidor público da Receita Federal do Brasil. A sua descontinuidade não afronta a legalidade da constituição do crédito tributário. VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. No Termo de Descrição de Fatos, há uma ampla fundamentação, além da fundamentação legal no auto de infração. Os artigos 195, 197, 198, da legislação do IPI, foram demonstrados e com base nesta legislação, fundamentado o arbitramento, não podendo ser assim encontrado qualquer tipo de vício de fundamentação. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. RELAÇÃO DE INTERDEPENDÊNCIA. ARBITRAMENTO. Comprovada a interdependência, deve ser observado o artigo 195, inciso I, do Decreto 7.212, de 2010, que preceitua que o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. O preço será do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente), conforme preceitua o artigo 195, inciso I, do Decreto nº 7.212, de 2010 - RIPI. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DEO-COLÔNIAS. A classificação fiscal para as deo-colônias deve ser a NCM 3303.00.20 (águas de colônia), pois sua função é perfumar a pele. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SABONETES LÍQUIDOS. A classificação fiscal para os sabonetes líquidos deve ser a NCM 3401.30.00, pois os produtos reclassificados são sabonetes líquidos utilizados para a lavagem da pele. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SABONETE EM BARRA. A classificação fiscal para o sabonete em barra deve ser a NCM 3401.11.90, CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÓLEOS CORPORAIS. A classificação fiscal para os óleos corporais, por serem hidratantes, deve ser a NCM 3304.99.90. INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Cobra-se o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais de saída, com a aplicação de penalidade pecuniária e a incidência de juros de mora, por conta de erro de classificação fiscal e alíquota. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, que convertia o julgamento em diligência para verificação da classificação fiscal. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza na sessão de 27/02/2018. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator ad hoc para formalização do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Walker Araujo - Redator "ad hoc" Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo.
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INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento utilizado a fim de fornecer uma segurança jurídica ao contribuinte, pois ele que garante que a fiscalização está sendo realizada por um servidor público da Receita Federal do Brasil. A sua descontinuidade não afronta a legalidade da constituição do crédito tributário. VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. No Termo de Descrição de Fatos, há uma ampla fundamentação, além da fundamentação legal no auto de infração. Os artigos 195, 197, 198, da legislação do IPI, foram demonstrados e com base nesta legislação, fundamentado o arbitramento, não podendo ser assim encontrado qualquer tipo de vício de fundamentação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. RELAÇÃO DE INTERDEPENDÊNCIA. ARBITRAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 30 /2 01 5- 97 Fl. 1597DF CARF MF 2 Comprovada a interdependência, deve ser observado o artigo 195, inciso I, do Decreto 7.212, de 2010, que preceitua que o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. O preço será do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente), conforme preceitua o artigo 195, inciso I, do Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DEOCOLÔNIAS. A classificação fiscal para as deocolônias deve ser a NCM 3303.00.20 (águas de colônia), pois sua função é perfumar a pele. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SABONETES LÍQUIDOS. A classificação fiscal para os sabonetes líquidos deve ser a NCM 3401.30.00, pois os produtos reclassificados são sabonetes líquidos utilizados para a lavagem da pele. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SABONETE EM BARRA. A classificação fiscal para o sabonete em barra deve ser a NCM 3401.11.90, CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÓLEOS CORPORAIS. A classificação fiscal para os óleos corporais, por serem hidratantes, deve ser a NCM 3304.99.90. INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Cobrase o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais de saída, com a aplicação de penalidade pecuniária e a incidência de juros de mora, por conta de erro de classificação fiscal e alíquota. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, que convertia o julgamento em diligência para verificação da classificação fiscal. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza na sessão de 27/02/2018. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator ad hoc para formalização do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 3 3 Walker Araujo Redator "ad hoc" Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo. Relatório Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 1467 e seguintes1: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1267/1351, para exigir R$ 28.497.137,79 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), inclusos juros de mora e multa proporcional ao valor do imposto. Na descrição dos fatos do auto de infração constatase que foi apurado falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com imposto lançado a menor, por inobservância do valor tributário mínimo, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota e por falta de escrituração de débito de IPI lançado em nota fiscal. De acordo com o Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, de abril de 2010 a dezembro de 2011, a empresa (contribuinte) em suas vendas não obedeceu as regras estabelecidas para adoção do valor tributável mínimo em caso de relações de interdependência. Assim, o Fisco utilizouse do valor tributável mínimo (preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente), nas saídas de produtos para a distribuidora a Langon Cosméticos Ltda., em razão da interdependência existente entre o estabelecimento industrial (no caso, a fiscalizada) e sua distribuidora no mercado atacadista (no caso a Langon Cosméticos Ltda) . Há que se lembrar que se considerou, para o cálculo do imposto devido, a classificação fiscal neste Auto de Infração julgada como escorreitas para os produtos do sujeito passivo. Assim, para os produtos “deocolônias”, “sabonetes líquidos”, “sabonetes não líquidos”, e “óleos corporais hidratantes”, adotouse a classificação fiscal conforme neste ato imputada como correta. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 1599DF CARF MF 4 Cientificado da autuação, o contribuinte ingressou com a impugnação, aduzindo, em síntese, as seguintes razões de defesa: Em Preliminar, argumentou que os autos são nulos, pelos motivos a seguir expostos: Vício Formal MPF. A constituição do crédito tributário não merece ser mantida por inobservância requisito essencial à sua exigibilidade, vinculado à impossibilidade de utilização do MPF expedido com finalidade específica, conforme mencionado pela própria autoridade fiscal (item breve histórico, página 1 do "Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento Total da Ação Fiscal"). A legislação de regência, aplicável para o fato gerado, no caso a Portaria RFB n. 3.014 de junho de 2011, traz como obrigatória a extinção do MPF quando da conclusão do procedimento fiscal com lavratura de Auto de Infração. No caso sob análise, a autoridade fiscal, no PROCESSO 10980720.417/201544, acabou por lavrar AUTO DE INFRAÇÃO de IPI relativo ao exercício de 2010, quando analisou a situação específica prevista no MPF, tendo dado conclusão ao procedimento fiscal e, portanto, operouse a extinção do MPF. O presente procedimento padece de irregularidade, ao ponto em que não houve qualquer comunicação formal à Impugnante, sobre a prorrogação do mandado de procedimento fiscal, ou mesmo sobre seu aditamento, causando grande surpresa a forma e o montante do crédito constituído, demonstrando, cabalmente, a flagrante inobservância do devido processo legal. Diante de tudo isso, pedese desde logo que se reconheça a NULIDADE integral dos lançamentos, posto que praticados por autoridade fiscal irregularmente designada para tanto, ante a evidente violação das normas sobre a validade do MPF, sendo que a autuação acabou por violar os princípios da não surpresa ao contribuinte, posto que resultante de análises e presunções que sequer foram noticiadas ao contribuinte, ferindo de morte o princípio da ampla defesa, uma vez que nenhuma das diligencias (sic) comunicadas ao contribuinte contribuíram para o resultado da fiscalização. Vício de Fundamentação Ao invocar como norma legal para fundamentar o arbitramento a Solução de Consulta Interna nº 8COSIT, de 13 de junho de 2012, o lançamento restou viciado, posto que realizado com fundamento em legislação editada posteriormente à ocorrência dos fatos geradores, em clara violação ao princípio da legalidade e ao principio (sic) da não retroatividade legal. No Mérito, fez as seguintes considerações: Do Arbitramento em Decorrência da Inobservância Valor Tributável Mínimo Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 4 5 O critério utilizado pela Autoridade Fiscal ao promover o arbitramento com relação aos meses de janeiro a dezembro de 2011 não encontra fundamento em qualquer dispositivo legal. Além disto, padece de vício de fundamentação, posto que invocada a Solução de Consulta Interna nº 08COSIT, de 13 de junho de 2012, é inaplicável ao caso, posto que editada posteriormente à ocorrência dos fatos geradores. Ademais, o artigo 196 do RIPI determina a utilização da média ponderada dos preços de cada produto em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, no caso a Impugnante, e não do Destinatário, no caso a LANGON. Ocorre que o critério de aplicação da média ponderada também não corresponde ao critério estabelecido pela Solução COSIT nº 08/2012, que determina sejam aplicados os preços praticados pelo próprio distribuidor, ou seja, os preços de saída da LANGON no mês da apuração (e não a media (sic) ponderada do mês anterior como aplicado pela Autoridade Fiscal). Além da forma equivocada de tributação, foi aplicada tributação de IPI a produtos isentos ou com alíquota zero, como: protetor solar, placas de residência, e diversos materiais que não são produzidos pela Bayonne e que estão indevidamente contemplados na base de calculo (sic) de IPI com alíquotas indevidas e regras não condizentes com os produtos comercializados. Ademais a autoridade fazendária atribuiu IPI com valor sugerido de revenda por preço médio de produtos que sequer foram comercializados, pois se mantiveram no estoque da empresa. A verdade é que o critério utilizado carece de previsão e fundamentação legal e cria distorções que não correspondem à realidade dos preços praticados, e ou da materialidade das vendas realizadas a possíveis clientes, visto que grande parte dos produtos vendidos de BAYONNE a LANGON não foram comercializados no período, gerando saldo de estoque da empresa. Da mesma forma não haveria como se considerar a média ponderada sem ampla validação quanto ao mês em que de fato ocorreu a venda, visto que a autuação se baseou em saídas da Bayonne sem avaliar o processo comercial como um todo. Ainda que o artigo 197 do RIPI/2010 permita o arbitramento, não permite a aplicação do critério utilizado. Na realidade, o parágrafo segundo do mesmo artigo 197 estabelece: § 2° Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 196. Fl. 1601DF CARF MF 6 No presente caso, a própria autoridade fiscal admite que não existe o preço praticado no mercado atacadista, haja vista que no período não existem operações praticadas com terceiros. No caso de aplicação do arbitramento previsto no RIPI/2010, o que se admite apenas para fins argumentativos, deveria ser aplicado o critério do inciso II do parágrafo único do artigo 196, que assim dispõe: “no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado.” A Autoridade Fiscal optou por ignorar os critérios da legislação e simplesmente resolveu estabelecer como critério para apuração do valor tributável mínimo montante correspondente a média ponderada de preços do mês anterior, sem qualquer fundamento fático ou legal, o que por si só torna improcedente o lançamento. Caso fique demonstrado que os valores tomados pelo arbitramento não se mostram adequados à realidade tributável, impõese a revisão do montante apurado, a fim de adequálo à realidade. Portanto, invocase a prerrogativa de avaliação contraditória, decorrente de perícia, para fins de apuração do valor tributável, nos termos do RIPI. De forma acautelatória, portanto, protesta se desde logo pela produção Pericial, com fundamento no artigo 148 do Código Tributário Nacional. Dos Supostos Erros de Classificação Fiscal 1. DeoColônias Impugnase a classificação proposta uma vez que as deo colônias industrializadas pela Impugnante apresentam efetivamente função desodorizadora. As colônias desodorantes apresentam uma ação desodorizante e refrescante sobre a pele em função da concentração da fragrância que mascara os odores corporais, em função da sua concentração alcoólica e em função da presença do TRICLOSAN que é uma substância com ação bactericida. Esses fatores permitem que o produto seja denominado COLÔNIA DESODORANTE ou DEO COLÔNIA, e, dada a existência do fator bactericida, permite que a classificação adotada pela Impugnante, portanto, não está equivocada, conforme se depreende pela própria descrição da posição 3307 “Preparações para barbear (antes, durante ou após), desodorante corporais, preparações para banho, depilatórios, outros produtos de perfumaria ou de toucador preparados e outras preparações cosméticas, não especificados nem compreendidos em outras posições; desodorantes de ambiente, preparados, mesmo não perfumados, com ou sem propriedades desinfetantes”. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 5 7 A classificação proposta pelo Auditor Fiscal (água de colônia) não corresponde nem à função nem à formulação efetiva do produto, pois conforme o critério transcrito pela própria autoridade, neste caso, a função única do produto deveria ser a de perfumar o corpo, denotando a fragilidade das conclusões do auto de infração, ao utilizar elementos precários e superficiais como premissa para sustentar sua presunção. Não foram observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Não há como desconsiderar que os produtos industrializados pela Bayonne possuem ação antibactericida, em formulações próxima de um desodorante e com função similar, conforme reconhecido pela ANVISA. Deve ser aplicada a alínea “c” da 3ª Regra de Interpretação do Sistema Harmonizado: posição 3307, correspondente ao último lugar em ordem numérica. Na dúvida, conforme precedente do Conselho de Contribuintes, deve ser confirmada a classificação adotada pela contribuinte. Não pode haver meramente entendimento subjetivo da autoridade fiscal para a cobrança de tributo. Há o protesto, no final, pela improcedência do auto de infração quanto à desclassificação fiscal das deocolônias, bem como pela forma utilizada de mensurar o valor a ser tributável com base em média ponderada de vendas que não ocorreram. 2. Sabonetes Líquidos Para justificar seu posicionamento utilizase de Solução de Consulta da 9a Região Fiscal, envolvendo classificação fiscal de mercadoria produzida por terceiro, diversa das industrializadas pela Impugnante, mediante utilização de prova emprestada de forma absolutamente irregular e que viola o direito de defesa da Impugnante. 3. Sabonetes em Barra Com relação a este item específico a Bayonne reconhece o erro de classificação. Da mesma forma com relação a venda de sabonetes líquidos, a autoridade fazendária utilizou base de cálculo equivocada, com preço médio ponderado de vendas não ocorridas, por ausência de verificação quanto a procedência do lançamento e verificação junto aos clientes informados no auto de infração. 4. Óleos Corporais Para justificar seu posicionamento utilizase de Solução de Consulta da 6a Região Fiscal, envolvendo classificação fiscal de mercadoria produzida por terceiro, diversa das industrializadas pela Impugnante, mediante utilização de prova emprestada de forma absolutamente irregular e que viola o direito de defesa da Impugnante. Fl. 1603DF CARF MF 8 Incorreta a classificação proposta pelo Agente Fiscal, uma vez que os Óleos Corporais industrializados pela Bayonne apresentam efetivamente função perfumadora e pósbanho, não tendo efeito de hidratação e sim de proporcionar maciez à pele. Da Prova Pericial Com a finalidade de exercer a prerrogativa de avaliação contraditória do arbitramento realizado, requer realização de prova pericial nos termos do RIPI, para fins de apuração do valor tributável, indicando seu assistente técnico e quesitos a serem respondidos. Para tanto, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto 70.235/1972 indica como seu assistente técnico a empresa HOFFMANN AUDITORES INDEPENDENTES, empresa devidamente registrada no CRCSP sob n° 2SP 031856/O6, inscrita no CNPJ sob n° 19.600.260/000126, sediada à Av. Dr. Chucri Zaidan, 940, 16° Andar — Market Place Tower II, na cidade de São Paulo SP, na pessoa de seu diretor, Sr. JOSÉ 1SAIAS HOFFMANN, brasileiro, Bacharel em Ciências Contábeis, registrado no CRCSP, categoria contador sob n° 022566/O3. Os quesitos (em número de 16) constam das efls 1375/1376 da impugnação. Por derradeiro, requereu que a impugnação seja conhecida para que o auto de infração seja julgado nulo em razão dos vícios apontados, ou, alternativamente, que seja julgado improcedente. Além disso, solicitou a revisão dos valores arbitrados conforme prova pericial a ser produzida e a produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a juntada de novos documentos, incluída a apresentação complementar de documentos, assim como a produção de prova pericial relativamente à escrita contábil apresentada e à adequação da classificação fiscal adotada pela Impugnante. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/Ribeirão Preto, conforme se observa da ementa, abaixo colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa, portanto devem ser mantidas as glosas e consequente redução do direito creditório. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraram plenamente assegurados. Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 6 9 A alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real prejuízo ao contribuinte. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência do IPI. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto artigo 195, inciso, I, do RIPI/2010. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ÁGUAS DE COLÔNIA. Os produtos denominados pelo sujeito passivo de “deo colônias”, em que preponderam as características de perfume, classificamse no código NCM 3303.00.20. SABONETES LÍQUIDOS. Fl. 1605DF CARF MF 10 Os sabonetes líquidos com elementos orgânicos tensoativos classificamse no código NCM 3401.30.00. SABONETES EM BARRAS. Os sabonetes, kits e tabletes que constituem sabões ou produtos e preparações orgânicos tensoativos em barras, pães, pedaços ou figuras moldados, classificamse no código NCM 3401.11.90. ÓLEOS CORPORAIS. Os óleos que se prestam precipuamente à hidratação do corpo, notadamente pés e pernas, portanto óleos corporais, todos embalados para venda a retalho, classificamse no código NCM 3304.99.90. INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Cobrase o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais de saída, com a inflição de penalidade pecuniária e a incidência de juros de mora, por conta de erro de classificação fiscal e alíquota. A contribuinte, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, fls. 1540 e seguintes, no qual repisou a argumentação da impugnação. É o relatório." Voto Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto da Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 04 de agosto de 2016, fls. 1498, e o recurso foi protocolado em 26 de agosto de 2016, fls. 1540. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Das preliminares 2.1. Do cerceamento de defesa A Recorrente expõe que postulou pela produção de prova pericial, atendendo aos requisitos legais com a indicação de quesitos e perito, tendo como finalidade de exercer a prerrogativa de avaliação contraditória do arbitramento realizado. Pleiteia pelo cerceamento de defesa, pois entende que a prova pericial é imprescindível ao cálculo do arbitramento e que sem ela o direito ao contraditório estaria prejudicado. Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 7 11 Em relação ao deferimento da perícia, este não se mostra obrigatório em todos os casos que são pleiteados pelos contribuintes. Importante analisar o que a legislação prevê em relação à perícia: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Ora, o próprio texto legal deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis. Ademais, o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto fundamentou o porquê de não deferir o pedido de perícia, fls. 1473: No caso em exame, não há necessidade de realização de perícia concernente à escrita contábil e à adequação da classificação fiscal, pois tudo está plenamente demonstrado e de modo suficientemente documentado nos autos, sendo a autoridade fiscal apta ao exame dos assentamentos contábeis e também concernente a legislação aplicável ao caso concreto. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Não é o caso da perícia solicitada, pois questões como saber qual o critério de arbitramento utilizado nos autos e quais as opções dadas pela legislação, como funciona o mercado específico do contribuinte, quanto um preço pode variar de acordo com o volume de compras, etc... estão dentro do campo de atuação do julgador administrativo. Sobretudo, a atividade de classificação fiscal de produtos que é de índole estritamente tributária e não técnica, assim como o “arbitramento” no que diz respeito à valoração da prova e aos assentamentos contábeis e interpretação legislativa. Qualquer exame no sentido apontado pelo contribuinte, enfim, é totalmente prescindível. Nesse sentido, ao analisar os autos, observase que não há necessidade de realização de perícia, vez que os próprios elementos contidos nos autos são suficientes para o julgamento da lide, portanto, rejeitase a preliminar de nulidade suscitada e, neste aspecto, mantémse a decisão da DRJ. 2.2. Nulidade do MPF A Recorrente argumenta no sentido de que a constituição do crédito tributário não pode ser mantido, pois houve vício na expedição do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, que foi expedido com finalidade específica. Cita a Portaria RFB nº 3.014, de junho de 2011, que traz como obrigatória a extinção do MPF, quando houver a conclusão do procedimento fiscal com lavratura de Auto de Infração. Ademais, expõe in verbis, fls. 1550: Fl. 1607DF CARF MF 12 Pois bem, no caso sob análise, a autoridade fiscal, no PROCESSO 10980720.417/201544, acabou por lavrar AUTO DE INFRAÇÃO de IPI relativo ao exercício de 2010, quando analisou a situação específica prevista no MPF, tendo dado conclusão ao procedimento fiscal, e, portanto, operouse a extinção do MPF. O presente procedimento padece de irregularidade, ao ponto em que não houve qualquer comunicação formal à Impugnante, ora Recorrente, sobre a prorrogação do mandado de procedimento fiscal, ou mesmo sobre seu aditamento, causando grande surpresa a forma e o montante do crédito constituído gerado por 6 (seis) autos de infração relacionados mas autuados de forma separada relativa ao mesmo objeto demonstrando, cabalmente, a flagrante inobservância do devido processo legal. Pleiteia pela nulidade do lançamento, pois entende que houve diligências sem o seu conhecimento e a constituição de crédito com um MPF, que já estava extinto. Por conseguinte, discorre sobre a violação ao princípio da nãosurpresa e da ampla defesa. Sem razão a Recorrente. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento utilizado a fim de fornecer uma segurança jurídica ao contribuinte, pois ele que garante que a fiscalização está sendo realizada por um servidor público da Receita Federal do Brasil. A sua descontinuidade não afronta a legalidade da constituição do crédito tributário, pois se trata de uma fase préconstitutiva do lançamento, similar ao inquérito no processo penal, pode ser no máximo uma mera irregularidade, que não produz nulidade na relação jurídica tributária, e, no caso, a Recorrente sequer demonstrou qualquer tipo de prejuízo no caso concreto, o que por si só já acarreta a sua não nulidade. Cabe esclarecer que a decisão da DRJ/Ribeirão Preto não merece reforma no que toca a tal aspecto, ora analisado, uma vez que ela acompanha a jurisprudência deste Tribunal Administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. DISPENSA DE MPF. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo; ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige um MPF para cada um dos responsáveis tributários. (...) (Acórdão 1301002.161; 1ª Seção; Relator: Roberto Silva Júnior; Data da sessão: 05.10.2016) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2010 Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 8 13 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. (Acórdão 3402004.756; 3ª Seção: Relator: Waldir Navarro Bezerra; Data da sessão: 24.10.2017) Portanto, rejeitase a preliminar arguida. 2.3. Vício de fundamentação A Recorrente entende que há nulidade na fundamentação, pois ela entende que o critério de arbitramento, utilizado pela autoridade fiscal para promover o lançamento e quantificação do imposto, foi a Solução de Consulta Interna nº 8 COSIT, de 13 de junho de 2012, e que pelo período em foi expedida é manifestamente inaplicável ao período sob fiscalização. Do auto de infração, extraise, fls. 1268 e seguintes: PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL INFRAÇÃO: SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI INOBSERVÂNCIA DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO (...) Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 24, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, e parágrafo único, inciso I, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso II, e §1º, 196, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso III, e §2º, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso IV, 196, e parágrafo único, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); A partir do item 3.3.2. Do não atendimento do valor tributável mínimo do IPI, fls. 1296, do Termo de Descrição de Fatos, há uma ampla fundamentação, além da Fl. 1609DF CARF MF 14 fundamentação legal no auto de infração. A referida Solução de Consulta Interna nº 8 COSIT, de 13 de junho de 2012, simplesmente contextualizou os fatos, explicando inclusive o artigo 195, I, do RIPI/2010, mas não foi o único fundamento para o arbitramento, no caso, os artigos 195, 197, 198, da legislação do IPI, foram demonstrados e com base nesta legislação, fundamentado o arbitramento, não podendo ser assim encontrado qualquer tipo de vício de fundamentação. Nesse sentido, rejeitase a preliminar de nulidade por vício de fundamentação. 3. Do mérito 3.1. Do arbitramento em decorrência da inobservância do valor tributável mínimo A Recorrente afirma que o critério utilizado pela autoridade fiscal, ao promover o arbitramento com relação aos meses de janeiro a dezembro de 2011, não encontra fundamento em qualquer dispositivo legal, demonstra através de uma tabela, analisando os dados do mês de abril de 2011, os supostos equívocos da fiscalização. Diz que há equívoco por parte da autoridade fazendária, que utilizou como base valores nas vendas a varejo e não a atacado, gerando, assim, uma grande divergência entre as supostas bases encontradas. Discorre que, ao elaborar as planilhas para análise e definição da suposta margem utilizada por cada uma das empresas, não foram analisados os custos de impostos sobre as vendas, como: na venda dos produtos pela Bayonne a Langon além dos tributos federais IPI, que deveriam ser adicionados ao preço de venda, há de se considerar o ICMSST, que é acrescido ao produto. A Recorrente expõe in verbis, fls. 1557 e seguintes: Primeiramente nas saídas do estabelecimento Bayonne Cosméticos Ltda, venda a Langon Cosméticos Ltda, como pode se evidenciar não houveram saídas de produtos de forma mensal, relativos aos itens utilizados (pagina 23) do auto de infração. Base esta utilizada para determinar valor médio de saídas, quando de fato ocorreram vendas destes produtos de forma pontual, onde o mês de abril utilizado pela autoridade fazendária foi o único mês em que todos os produtos de fato tiveram movimentação. (...) Na saída dos produtos do estabelecimento Langon Cosméticos Ltda, conforme circularização realizada com o cliente, pode identificar que os valores de venda sofreram alterações expressivas a cada mês, e que portanto utilizar média de único mês, e reiterese o mês em que os produtos tiveram maior valor de venda, de acordo com regras comerciais do cliente, torna o procedimento além de equivocado abusivo: Após, a Recorrente faz uma análise da carga tributária do IPI e diz que o confisco fica configurado. Afirma que se o valor a ser utilizado como base de cálculo do IPI no período ocorresse em conformidade com o arbitrado pela autoridade fiscal, a Recorrente e a Langon não conseguiriam viabilizar o seu negócio. Discorre, novamente, sobre o vício de fundamentação da Solução de Consulta nº 08, da COSIT, de 13 de junho de 2012. Afirma que o artigo 196 do RIPI determina a utilização da média ponderada dos preços de cada produto em vigor no mês precedente ao da Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 9 15 saída do estabelecimento remetente, no caso a Recorrente, e não do destinatário, no caso a Langon. Acresce ainda que a fiscalização também não utilizou o critério da solução de consulta, ora citada, porque a empresa Langon Cosméticos Ltda utiliza fatores de descontos nas vendas dos produtos de forma mensal, visando manter o fluxo de venda, pratica comum a este mercado, realizando a venda dos produtos em determinados meses por até 50% de desconto, visando escoar os estoques. Logo, a definição de média ponderada não pode ser acolhida, pois gera tributação superior ao resultado alcançado pela empresa no período fiscalizado. Afirma que, além da forma equivocada de tributação, foram aplicadas tributação de IPI a produtos isentos ou com alíquota zero, como: protetor solar, placas de residência, e diversos materiais que não são produzidos pela Bayonne e que estão indevidamente contemplados na base de cálculo de IPI com alíquotas indevidas e regras não condizentes com os produtos comercializados. Por fim, pleiteia pela aplicação do artigo 196, parágrafo único, inciso II, do RIPI e pela realização de perícia. Antes de tudo o mais, é importante compreender alguns fatos, contidos no Termo de Descrição dos Fatos, fls. 1282 e seguintes, que demonstra a relação de interdependência entre a Recorrente e a Langon, sendo que o primeiro fato é o volume de operações entre as empresas: Todavia, em análise das operações realizadas pela autuada a partir de abril de 2010 a dezembro de 2011, constatouse que, naquelas em que houve destaque de IPI, o adquirente de produtos, industrializados pela Bayonne Cosméticos Ltda., da marca Racco (operação de compra e venda de mercadorias) foi quase que exclusivamente a Langon Cosméticos Ltda., inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ, sob n° 01.515.050/000174. (...) E, nos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2011, as mercadorias industrializadas pela fiscalizada, sob as quais houve incidência de IPI em sua saída, foram adquiridas pela Langon Cosméticos Ltda. em quase sua totalidade, R$ 39.133.214,69 (Trinta e nove milhões, cento e trinta e três mil, duzentos e quatorze reais, e sessenta e nove centavos), isto é, 98,99% das vendas de mercadorias com incidência de IPI, conforme se pode depreender dos dados extraídos das notas fiscais eletrônicas emitidas no período pela autuada. (...) Em resumo, nos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2011, a autuada deu saída de seus produtos da marca Racco aos estabelecimentos comerciais atacadistas que eram adquirentes das mercadorias industrializadas por ela, por meio da distribuidora Langon Cosméticos Ltda. CNPJ sob o n° 01.515.050/000174. (grifos não constam no original) Fl. 1611DF CARF MF 16 O Termo de Descrição dos Fatos, no item 3.2., também demonstra a relação de interdependência entre a Recorrente e a Langon a partir do quadro societário, fls. 1285, com a mesma sóciaadministradora na empresa Recorrente e na Langon: No período de janeiro de 2011 a meados de abril de 2011, portanto, havia interdependência entre BAYONNE COSMÉTICOS LTDA. (CNPJ n° 85.040.103/000138), e LANGON COSMÉTICOS LTDA. (CNPJ n° 01.515.050/000174) em razão da coincidência da pessoa administradora, no caso, TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS, vide que exercia o cargo de sócio administrador concomitantemente nas duas empresas, em primeiro lugar. (...) Assim, sendo Tathya, filha de Gisela, outra hipótese de interdependência se configura, pois, por meio de parentesco de 1º grau, uma empresa (Bayonne Cosméticos Ltda.) é detentora de mais de 15% (quinze por cento) do capital social da outra (LANGON COSMÉTICOS LTDA). (...) Mais uma vez, sendo Tathya, filha de Gisela, hipótese de interdependência se configura, pois, por meio de parentesco de 1o grau, uma empresa (BAYONNE COSMÉTICOS LTDA.) é detentora de mais de 15% (quinze por cento) do capital social da outra (LANGON COSMÉTICOS LTDA). Concluise então que de janeiro julho de 2011 (sic), configurada está a relação de interdependência entre a BAYONNE COSMÉTICOS LTDA., e a LANGON COSMÉTICOS LTDA., aplicandose todas normas especiais de IPI existentes sobre este tipo de relação societária. Em julho de 2011, a Bayonne Cosméticos Ltda. sofreu alteração em seu Contrato Social (trecho da Décima Oitava Alteração do Contrato Social da Bayonne Cosméticos Ltda. de 15 de março de 2011, com efeitos a partir de 27 de julho de 2011): (...) Deste modo, por serem, tanto Tathya, quanto Etyane, filhas de Gisela, tipificada a relação de interdependência das empresas, vez que, por meio de parentesco de 1o grau, uma empresa (Bayonne Cosméticos Ltda.) é detentora de mais de 15% (quinze por cento) do capital social da outra (LANGON COSMÉTICOS LTDA.) Logo, demonstrado que a Bayonne Cosméticos Ltda., durante os períodos de apuração aqui fiscalizados, mantinha relação de interdependência com a LANGON COSMÉTICOS LTDA., aplicandose todas normas especiais de IPI existentes sobre este tipo de relação societária. Observada a interdependência entre a Recorrente e a Langon Comésticos Ltda, relação que não foi objeto de impugnação por parte da Recorrente, importante transcrever a legislação do IPI a respeito de tal configuração: Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 10 17 Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI Firmas Interdependentes Art. 612. Considerarseão interdependentes duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem como por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso I, e Lei no 7.798, de 1989, art. 9o); II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso II); III quando uma tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de vinte por cento no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, e mais de cinquenta por cento, nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados, de sua fabricação ou importação (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso III); IV quando uma delas, por qualquer forma ou título, for a única adquirente, de um ou de mais de um dos produtos industrializados ou importados pela outra, ainda quando a exclusividade se refira à padronagem, marca ou tipo do produto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso I); ou V quando uma vender à outra, mediante contrato de participação ou ajuste semelhante, produto tributado que tenha fabricado ou importado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso II). Parágrafo único. Não caracteriza a interdependência referida nos incisos III e IV a venda de matériasprimas e produtos intermediários, destinados exclusivamente à industrialização de produtos do comprador Como a interdependência ficou provada e não houve contestação a respeito disso, devese analisar a legislação do IPI aplicável a tais situações em relação à base de cálculo: Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI Valor Tributável Mínimo Art. 195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e DecretoLei no 34, de 1966, art. 2o, alteração 5a); Fl. 1613DF CARF MF 18 (...) Art. 196. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Arbitramento do Valor Tributável Art. 197. Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 192 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 148, e Lei no 4.502, de 1964, art. 17). § 1o Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2o Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 196. Art. 198. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, para fins do disposto na alínea “a” do inciso I do art. 190, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de duas vezes o correspondente desvio padrão estatístico (Lei no 10.833, de 2003, art. 67, § 1o). Parágrafo único. Na falta de informação sobre o peso da mercadoria, adotarseá o peso líquido admitido na unidade de Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 11 19 carga utilizada no seu transporte (Lei nº 10.833, de 2003, art. 67, § 2º). Art. 199. Será aplicada, para fins de cálculo do IPI na hipótese do art. 198, a alíquota de cinquenta por cento (Lei nº 10.833, de 2003, art. 67). (grifos não constam no original) Ademais, o Termo de Descrição de Fatos esclarece como ocorria a tributação na Langon, fls. 1299: Esclareçase que a Langon Cosméticos Ltda. efetuou operações de venda por atacado dos produtos recebidos da Bayonne Cosméticos Ltda., não sendo equiparada a industrial, por conseguinte, não houve destaque do IPI nas notas fiscais de sua emissão. Logo, a Langon Cosméticos Ltda. funcionava como verdadeiro anteparo à tributação do IPI que haveria de incidir sobre os já subfaturados produtos industrializados pela fiscalizada. Assim, a Bayonne Cosméticos Ltda. emitia notas fiscais de saída de seus produtos com destino a Langon Cosméticos Ltda, com incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, e a Langon da sua parte, emitia novas notas fiscais de saída dos produtos da marca Racco, sem incidência do IPI, com destinos aos estabelecimentos comerciais atacadistas que anteriormente recebiam os produtos diretamente da Bayonne Cosméticos Ltda. Destarte, a fiscalizada organizou suas operações de modo que as vendas com destaque do IPI foram efetuadas para firma interdependente não equiparada a industrial. O valor tributável utilizado para cálculo do imposto é significativamente inferior aos preços praticados pela firma interdependente nas saídas para terceiros, ocorridas por meio de notas fiscais sem destaque do IPI. A fiscalização colacionou um quadro referente a abril de 2011 que mostra uma diferença de quase 500% entre o valor praticado pela Bayonne e o valor praticado pela Langon, fls. 1300: Fl. 1615DF CARF MF 20 Com o comparativo entre as duas saídas, observase claramente o intuito de simulação da Recorrente, não havendo que se aceitar a argumentação por ela apresentada em Recurso Voluntário, pois não há fé na documentação apresentada pela Bayonne, podendo sim a autoridade fiscal com fundamento nos artigos 195, inciso I, 196 e 197, do Decreto nº 7.212, de 2010, arbitrar o lançamento como assim realizou, pois está fundamentada na legislação do IPI e foi comprovada a relação de interdependência entre a Recorrente e a Langon. A discrepância entre o valor unitário de saída da Bayonne e o preço unitário de saída da Langon praticamente sua única distribuidora e localizada na mesma praça, cidade de Curitiba tem como consequência o arbitramento do valor da mercadoria, que, no caso, pode ser individualizada a partir da média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento que mantém a relação de interdependência, no caso, a Langon. O propósito do legislador é garantir que o IPI viesse a incidir sobre uma base de cálculo cuja dimensão econômica resguardasse o valor do mercado, evitando artificialismo na fixação dessa base de cálculo Ainda que se compute os tributos federais IPI que deveriam ser adicionados ao preço de venda, a discrepância continua, pois a diferença é de quase 500%! As planilhas anexadas à impugnação administrativa, fls. 1419 e seguintes, não são suficientes para desconfigurar o lançamento arbitrado pela fiscalização, sendo que o ônus da prova compete à Recorrente2. Da doutrina de MARCO AURÉLIO GRECO extraise preciosa lição: Grande parte da doutrina brasileira sustentou na vigência do Código Civil de 1916 que a simulação corresponderia a um vício da vontade. Esta, porém, não é a única maneira de conceber a figura da simulação no Código Civil. Assim, por exemplo, ORLANDO GOMES examina a fenomenologia da simulação a partir da ideia de causa do negócio jurídico. Desde ângulo assume relevância aquilo que designa por "propósito negocial" (negocial, aqui, no sentido de negócio jurídico e não de empreendimento ou "business"). Este autor esclarece que "no esquema legal de cada tipo de negócio encontrase a 'causa' que o legitima, inalterável ao arbítrio de que o pratica. Assim, haverá, em princípio, ato simulado quando "determinado 'tipo' de negócio jurídico seja utilizado para a consecução de fim não correspondente exatamente à sua causa. E mais, "declarando o que realmente não querem, visam as partes à obtenção de resultado diverso da sua causa típica, mas não pretendem o negócio que praticam". Ou seja, identificar a finalidade e a causa do negócio é o parâmetro para aferir a ocorrência ou não da simulação. 2 Lei nº 13.105, de 2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 12 21 Portanto, no exame de determinado caso concreto, para saber se estamos ou não diante de hipótese de simulação, importa não apenas perguntar se há uma dualidade de vontades, mas, principalmente, detectar se há um motivo real que não corresponda ao motivo aparente3. No caso em análise, é certo que, dentro da livre iniciativa, vige o princípio da autonomia da vontade, sendo livre à Recorrente transferir a quase totalidade de seus produtos a uma única comercial atacadista motivo aparente, o que causa espanto é a diferença entre o preço de saída do estabelecimento da Bayonne e o preço de saída do estabelecimento da Langon. Apenas para exemplificar, no mês de abril de 2011, o preço unitário da Deocolônia Splash Just é de R$ 2,81 na Bayonne e de R$ 15,38 na Langon. É claro que pode ter havido algum propósito negocial para a prática de mercado adotada pela Recorrente e que ela não esclareceu em sua defesa, contudo, a evasão de IPI fica evidente motivo real, já que a Langon não foi equiparada a industrial, logo, não houve incidência de IPI na saída dos produtos pela Langon. Como se trata de produtos da marca Racco, eles podem ser individualizados. Diferentemente do que afirma a Recorrente de que se houvesse a tributação haveria confisco, o Direito Tributário, além da função de arrecadação, também, possui uma função regulatória, que visa justamente preservar a livre concorrência e coibir os abusos. Há uma ordem econômica, dentro da Constituição Federal, que consagra um regime de mercado organizado4: A liberdade contratual, que se decompõe em liberdade de contratar ou de absterse de contratar e em liberdade de configuração interna dos contratos, sofre limitações ponderabilíssimas em ambos os aspectos. (...) Que a nossa Constituição de 1988 é uma 'Constituição dirigente', isso é inquestionável. O conjunto de diretrizes, programas e fins que enuncia, a serem pelo Estado e pela sociedade realizados, a ela confere o caráter de 'plano global normativo', do Estado e da sociedade. O seu art. 170 prospera, evidenciadamente, no sentido de implantar uma 'nova' ordem econômica. (...) a ordem econômica na Constituição de 1988 consagra um regime de 'mercado organizado', entendido como tal aquele afetado pelos preceitos da ordem pública clássica (Geraldo Vidigal); opta pelo tipo 'liberal' do processo econômico, que só admite a intervenção do Estado para coibir abusos e preservar a livre concorrência de quaisquer interferências, quer do próprio Estado, quer do embate econômico que pode levar à formação de monopólios e ao abuso do poder econômico visando ao 3 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 276, 277. 4 GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na constituição de 1988. 9. ed. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 87; 157 e 174. Fl. 1617DF CARF MF 22 aumento arbitrário dos lucros mas sua posição corresponde à do 'neoliberalismo' ou 'socialliberalismo', com a defesa da livre iniciativa (Miguel Reale); Ademais, deve existir uma neutralidade tributária concorrencial: A Neutralidade Tributária não significa a não interferência do tributo sobre a economia, mas, em acepção mais restrita, neutralidade da tributação em relação à Livre Concorrência, visando a garantir um ambiente em igualdade de condições competitivas, reflexo da neutralidade concorrencial do Estado. Em termos práticos, a Neutralidade Tributária significa que produtos em condições similares devem estar submetidos à mesma carga fiscal5. Ao efetuar o referido artificialismo na base de cálculo do IPI, empresas que atuam no mesmo segmento de mercado ficam extremamente prejudicadas, pois estão submetidas a diferentes cargas fiscais, deturpando a própria livre iniciativa, sendo que o Estado deve coibir os abusos, que podem ser cometidos por meio de uma evasão fiscal. Em caso similar, esta turma julgadora assim já se posicionou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA ESTABELECIMENTO ATACADISTA INTERDEPENDENTE EXCLUSIVO. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. PREÇO MÉDIO DE VENDA NO ATACADO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento atacadista interdependente que seja o único comprador do produto, o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda no atacado do adquirente atacadista exclusivo para os seus clientes. (...) (Acórdão 3302003.026; Redator designador: José Fernandes do Nascimento; Data da sessão: 27.01.2016) E do brilhante voto do Redator Designado, José Fernandes do Nascimento, para o caso acima citado, extraise: Assim, diante da impossibilidade de adotar o critério alternativo de apuração da base cálculo do IPI, previsto no art. 137, parágrafo único, II, do RIPI/2002, revestese de todo razoável e em consonância com as normas de proteção da base de cálculo do IPI a utilização, pela fiscalização, do VTM calculado com base no preço no atacado médio praticado pelo estabelecimento atacadista interdependente da L’ORÉAL BRASIL, localizado no município de Duque de Caxias, limítrofe com o município do Rio de Janeiro, onde se situa o estabelecimento industrial da 5 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 343 Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 13 23 recorrente, especialmente tendo em conta que ambos os municípios integram a mesma região metropolitano. Ademais, o Parecer Normativo CST 44/1981 fundamenta a adoção a aplicação do VTM calculado com base no preço médio praticado pela Langon, empresa interdependente, que atua na mesma praça, no caso, a cidade de Curitiba. Ademais, a Solução de Consulta Interna nº 08 COSIT, de 13 de junho de 2002, que vem explicar o artigo 195, inciso I, do RIPI/2010, elucida em seus fundamentos: Solução de Consulta Interna nº 08 COSIT, de 13 de junho de 2002 5. O inciso I do art. 195 do RIPI/2010 assim dispõe sobre a matéria, in verbis: Art.195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; 6. Observase que o dispositivo legal acima não faz qualquer referência ao número mínimo de ofertantes que devem atuar no mercado para que este seja caracterizado como um “mercado atacadista”. Tampouco faz qualquer distinção entre mercados monopolizados, oligopolizados, livre concorrência ou monopsônio. 7. Desse modo, não havendo base legal para se estabelecer o número mínimo de ofertantes, nem distinções entre os tipos de mercado, deve ser aplicada a regra prevista no inciso I do art. 195 do RIPI/2010 sempre que o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. 8. Já o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, ao tratar do valor tributável para efeito de cálculo do IPI, assim dispôs sobre “mercado atacadista”, in verbis: 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o§ 5º do artigo 46 do RIPI/79. 9. Ou seja, existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor Fl. 1619DF CARF MF 24 tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado. Devese levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. 9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. 9.2. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. 10. Dessa forma, as operações realizadas por este estabelecimento corresponderão ao “universo das vendas” a que se refere o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, e tais operações de compra e venda configurarão o “mercado atacadista” de que trata o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Conclusão 11. Diante do exposto, na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente enviou seus produtos quase que, exclusivamente, a Langon, totalizando um percentual de 98,99% das vendas de mercadorias, o que por si só já justifica a apuração do valor tributável mínimo VTM a partir da saída de sua distribuidora quase que exclusiva. O preço será do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente), conforme preceitua o artigo 195, inciso I, do Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI. Apenas para deixar ainda mais claro, como ficou configurada a relação de interdependência e, no caso em análise, a Recorrente possui praticamente um único mercado atacadista na mesma praça, que é a Langon, a partir do preço de saída desta deve ser considerado o valor tributável mínimo. O valor não deve ser o da Recorrente, como ela quis argumentar em seu recurso voluntário, mas o da comercial atacadista, a Langon, pois é este o preço de mercado, representando o valor real e não o valor artificial, que foi remetido o produto. Dessa forma, aplicase o artigo 195, inciso I, do RIPI/2010. O fato de o preço ser de varejo e não do atacado como ela quis argumentar no recurso voluntário não procede, pois a diferença é tamanha que fica comprovado o artificialismo do preço de saída da Bayonne. Por fim, quanto aos descontos fornecidos pela Langon, a Recorrente apenas argumentou, mas não provou. Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 14 25 A Solução de Consulta Interna nº 08 COSIT, de 13 de junho de 2002, que apesar de ser de 2012, pode ser aplicada, pois ela apenas explicita melhor o artigo 195, inciso I, do RIPI/2010, chega a seguinte conclusão, que se amolda perfeitamente ao caso: "Na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto". No Termo de Descrição dos Fatos, assim procedeu a autoridade fiscal, fls. 1305: E, na árdua tarefa de se determinar o Valor Tributável Mínimo, constatouse que Bayonne Cosméticos Ltda. fazia uso de códigos de referência na identificação dos produtos de sua industrialização, conforme fatores como tipo, forma de apresentação e qualidade, com as mais diferentes faixas de preço. E, mais, nas notas fiscais de saída emitidas no ano de 2011, a Bayonne Cosméticos Ltda. e a Langon Cosméticos Ltda. teriam empregado, além da mesma descrição das mercadorias, iguais códigos de referência na identificação dos produtos, o que permitiu a esta fiscalização utilizar os preços unitários registrados nas notas relativas a vendas de produtos efetuadas pela distribuidora na determinação do valor tributável mínimo a ser aplicado nas saídas da fiscalizada. E no que concerne ao fator temporal, o artigo 196, caput, do RIPI/2010, determina que a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente. Logo, para o cálculo do Valor Tributável Mínimo do mês de fevereiro de 2011, utilizouse as saídas do mês de janeiro de 2011 da Langon Cosméticos Ltda. mercado atacadista, comparando as descrições de mercadorias, conforme as Notas Fiscais de ambas. No Termo de Descrição dos Fatos, assim procedeu a autoridade fiscal, fls. 1305: Outrossim, informase que, para o cálculo do Valor Tributável Mínimo do mês de janeiro de 2011, utilizouse as saídas do mês de dezembro de 2010, no mercado atacadista, comparando as descrições de mercadorias, conforme as Notas Fiscais de ambas. E, na falta de saídas no mês de dezembro de 2010, utilizouse a média ponderada dos preços de cada produto em vigor no mês imediatamente anterior, no caso, novembro de 2010, no mercado atacadista. Do mesmo modo, para determinarse o Valor Tributável Mínimo (VTM) das saídas de produtos a interdependentes da Bayonne Cosméticos Ltda., ocorridas no período de apuração de fevereiro de 2011, utilizouse a média ponderada dos preços de cada produto no mercado atacadista, em vigor no mês de janeiro de 2011. Fl. 1621DF CARF MF 26 Assim, no aspecto do fator temporal, mais uma vez, a Recorrente argumentou que não houveram saídas de produtos de forma mensal, contudo, não comprovou. Ademais, conforme exposto acima, a fiscalização seguiu os ditames do artigo 196, do Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI, ou seja, aplicou a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Quanto à alegação de que os seguintes produtos: protetor solar, placas de residência, e diversos materiais que não são produzidos pela Bayonne e que estão indevidamente contemplados na base de cálculo de IPI com alíquotas indevidas e regras não condizentes com os produtos comercializados, tal argumentação não procede. Primeiro, a Recorrente, mais uma vez, alegou e não comprovou. Em segundo lugar, somente os itens constantes do auto de infração tiveram alterações em suas alíquotas de IPI, ou seja, somente houve alteração nas alíquotas adotadas nas notas fiscais de saídas e nos arquivos das empresas para os produtos “águas de colônia ou deocolônias”, “sabonetes líquidos”, “sabonetes não líquidos” e “óleos corporais hidratantes”, os outros produtos seguiram estritamente a classificação adotada pela empresa nas notas fiscais de saídas de seus produtos, inclusive, tal erro de classificação será tratado posteriormente. Por fim, conforme esclareceu o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 1486: Ademais, não é o preço que deve ser do estabelecimento remetente, como entendeu o impugnante, mas o mês da saída que em está sendo valorado o preço, se não, perderia sentido o disposto no artigo 195 do RIPI/2010, que dispõe que a tomada de preço se dará pela saída do estabelecimento comercial atacadista interdependente. O preço, no caso, é o do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente) . Diante dos fundamentos apresentados, mantémse o que foi decidido na DRJ/Ribeirão Preto. 3.2. Da classificação fiscal 3.2.1. Deocolônias A Recorrente argumenta que a classificação fiscal utilizada para as chamadas deocolônias é a 3307.20.10 e 3307.20.90, ambas com alíquota de 7% de IPI. Contudo, a fiscalização aplicou a NCM 3303.00.20 (águas de colônia), a qual determina a incidência de alíquota de 12% a título de IPI. Ela suscita que a classificação adotada pela fiscalização é errônea, pois as deocolônias industrializadas pela Recorrente apresentam efetivamente a função desodorizadora. Ela elucida que as colônias desodorantes industrializadas pela Bayonne apresentam um componente bactericida na sua composição, a Racco utiliza o "Triclosan", que é devidamente declarado na rotulagem das suas deocolônias. O Triclosan por apresentar um efeito bactericida, permite que no nome do produto seja incluída a palavra desodorante colônia ou deocolônia, com rotulagem e formulação aprovada pela ANVISA. Da tabela NCM, temse que: Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 15 27 Classificação Fiscal utilizada pela Recorrente 33.07 Preparações para barbear (antes, durante ou após), desodorantes (desodorizantes) corporais, preparações para banhos, depilatórios, outros produtos de perfumaria ou de toucador preparados e outras preparações cosméticas, não especificados nem compreendidos noutras posições; desodorantes (desodorizantes) de ambiente, preparados, mesmo não perfumados, mesmo com propriedades desinfetantes. 3307.10.00 Preparações para barbear (antes, durante ou após) 22 3307.20 Desodorantes (desodorizantes) corporais e antiperspirantes 3307.20.10 Líquidos 7 3307.20.90 Outros 7 3307.30.00 Sais perfumados e outras preparações para banhos 22 Classificação Fiscal adotada pela fiscalização 3303.00 Perfumes e águasdecolônia. 3303.00.10 Perfumes (extratos) 42 3303.00.20 Águasdecolônia 12 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB n° 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB n° 1.260, de 20 de março de 2012 quando se referem à posição 33.07 e 33.03, assim esclarecem: Em relação à classificação fiscal adotada pela Recorrente: Esta posição compreende: I) As preparações para barbear (antes, durante ou após), como por exemplo os cremes e espumas para barbear, mesmo contendo sabão ou outros agentes de superfície orgânicos (ver Nota 1 c) do Capítulo 34); as loções para após a barba, as pedrasumes (pedras de alume) e os lápis hemostáticos. Fl. 1623DF CARF MF 28 Os sabões para a barba em blocos incluemse na posição 34.01. II) Os desodorantes corporais e os antiperspirantes (antisudoríficos). III) As preparações para banho tais como os sais perfumados e as preparações para banho de espuma, mesmo contendo sabão ou outros agentes de superfície orgânicos (ver Nota 1 c) do Capítulo 34). As preparações para lavagem da pele, em que o componente ativo é constituído parcial ou inteiramente por agentes orgânicos tensoativos de síntese que podem ser associados a sabão em qualquer proporção, apresentadas na forma de líquido ou de creme e acondicionadas para venda a retalho, são classificadas na posição 34.01. Quando não sejam acondicionadas para venda a retalho, essas preparações são incluídas na posição 34.02. IV) Preparações para perfumar ou para desodorizar ambientes, incluídas as preparações odoríferas para cerimônias religiosas: 1) As preparações utilizadas para perfumar ambientes e as preparações odoríferas para cerimônias religiosas. Atuam, em geral, por evaporação ou combustão, tais como o “Agarbate” e podem apresentarse sob a forma de líquidos, de pós, de cones, de papéis impregnados, etc. Algumas destas preparações utilizamse para disfarçar cheiros. As velas perfumadas excluemse desta posição (posição 34.06). 2) Os desodorantes de ambientes, preparados, mesmo não perfumados, tendo ou não propriedades desinfetantes. Os desodorantes de ambientes preparados são constituídos, essencialmente, por substâncias (metacrilato de laurila, por exemplo) que atuam por via química sobre os cheiros a eliminar ou outras substâncias destinadas a absorver fisicamente os cheiros pelas forças de Van der Waal, por exemplo. Acondicionados para venda a retalho, estas preparações, em geral, apresentamse em recipientes aerossóis. Os produtos, tais como o carvão ativado, acondicionados para venda a retalho como desodorantes para refrigeradores (frigoríficos*), automóveis, etc., incluemse igualmente na presente posição. V) Outros produtos, tais como: 1) Os depilatórios. 2) Os saquinhos (sachês) contendo partes de plantas aromáticas e que se empregam para perfumar armários de roupas. 3) Os papéis perfumados e os papéis impregnados ou revestidos de cosméticos. 4) As soluções para lentes de contato ou para olhos artificiais. Podem tratarse de soluções desinfetantes, de Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 16 29 limpeza, de umedecimento ou para aumentar o conforto durante o uso. 5) As pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de perfume ou de cosméticos. 6) Os produtos de toucador preparados para animais, tais como os xampus para cães e banhos para embelezar a plumagem dos pássaros. Assim, observase que a posição 3307.20.10 ou 3307.20.90 seria somente para os produtos que são configurados como desodorantes corporais e os antiperspirantes, que têm como função combater o suor, conhecido como antisudoríficos. Diferente do que se observa por meio da fotografia, fls. 1313, cujo produto tem a função de perfumar a pele, mesmo que possua o produto Triclosan cuja função é ter um efeito bactericida. Em relação à posição adotada pela fiscalização, a NESH assim esclarece: Os desodorantes corporais e os antiperspirantes (antisudoríficos). 33.03 Perfumes e águasdecolônia. (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águasdecolônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, águadecolônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado. Esta posição não compreende: a) Os vinagres de toucador (posição 33.04). b) As loções para após a barba e os desodorantes corporais (posição 33.07). Ademais, o Termo de Descrição de Fatos esclarece, fls. 1316: Bem, das especificações trazidas tanto na embalagem da "deo colônia" fornecida como amostras pelo sujeito passivo, e de acordo com imagens e informações veiculadas no site http://www.racco.eom/US/caMragrances/5 em que denomina Fl. 1625DF CARF MF 30 suas "deocolônias" de "eau de toilette" ou "eau de cologne", isto é, o equivalente à água de colônia, temse que a principal função dos produtos perdura sendo perfumar a pele, não havendo menção à ação antiperspirantes ou antisséptica, próprias dos desodorantes corporais, como há para os desodorantes corporais da própria autuada (http://wvvw.racco.com/US/prod/allumagerollon deodorant/66?lanquaqe=pt#.VnhqZ np1QQ, E elucida as diferenças técnicas entre desodorante e água de colônia, fls. 1318 e seguintes: Prosseguindo na tarefa de conceituar deocolônia, tanto do ponto de vista de classificação fiscal, quanto do ponto de vista ontológico, transcrevese texto extraído de site da Sociedade Brasileira de Resposta Técnica, http://wvvw.respostatecnica.orQ.br/acessoRT/18381, para a seguinte demanda: Gostaria de obter informações sobre a definição de deo colônia; se água de colônia é igual deo colônia; as principais diferenças entre perfume e deo colônia e os processos de fabricação de ambos (perfume e deo colônia) Código de Solicitação: 49798, no qual, informase que as "deo colônias", com base em sua composição química, seriam um perfume de concentração mais suave, espécie, como já visto, de águadecolônia, cujo respondente é Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais CETEC, documento de 27 de maio de 2011. "Hoje os perfumes se dividem em alguns tipos de acordo com a concentração da essência: Eau de parfum: mais forte, tem, em sua composição, de 10% a 20% de concentração de essências e seu efeito de fixação chega a 12 horas. Bastam algumas gotas em lugares estratégicos como a nuca, atrás da orelha e atrás do joelho, para você ficar perfumado o dia todo; [...] Deo colônia: O mais suave dos perfumes tem o mínimo de concentração de essência, chegando ao máximo de 10%, sendo sua fixação de duas a quatro horas, com algumas exceções que chegam a até8h (SACK'S, [200?])." De outra feita, os desodorantes são produtos para o cuidado pessoal. De acordo com resposta técnica do Serviço Brasileiro de Resposta Técnica Código de Solicitação 13949 elaborada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná TECPAR http://www.respostatecnica.org.br/acessoRT/5254: "Um desodorante com ação bactericidade tem como principal função eliminar as bactérias que "residem" nas axilas, conseqüentemente, diminuem o odor da transpiração. Sua formulação contém agentes bactericidas, como o etanol (álcool) e, quase sempre, uma fragância envolvente e refrescante. Esse tipo de formulação é denominado normalmente como desodorante, seja pelos técnicos como pelos consumidores. Já um antiperspirante, antitranspirante ou moderador da Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 17 31 transpiração apresenta ingredientes ativos que atuam nos duetos das glândulas sudoríparas e controlam a saída do suor, sem prejudicar a saúde. Estes ingredientes são substâncias com efeito hipodidrótico (reduzem a transpiração), como sais de alumínio e os de alumínio associados ao zircônio. Esse tipo de produto é normalmente denominado de desodorante antiperspirante. Pela explicação acima colacionado e pelas fotos no Termo de Descrição dos Fatos, fls. 1317, os produtos classificamse como água de colônia, cuja função principal é perfumar a pele, e não podem ser classificados desodorantes corporais ou antiperspirantes, como quis a Recorrente, portanto, correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização, não merecendo reforma o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto. 3.2.2. Sabonetes líquidos A Recorrente argumenta que a classificação fiscal, utilizada por ela, para os chamados sabonetes líquidos é a 3401.11.90 e a 3401.20.10, ambas com alíquota de 5% de IPI. Contudo, a fiscalização utilizou o NCM 3401.30.00 (produtos e preparações orgânicos tensoativos destinados a lavagem da pele na forma de líquido ou de creme, acondicionados para a venda a retalho), a qual determina a incidência de alíquota de 10% a título de IPI. A Recorrente argumenta que a fiscalização utilizouse da Solução de Consulta nº 9 da 1ª Região Fiscal, envolvendo solução de consulta de terceiro, utilizandose de prova emprestada e, portanto, violando seu direito de defesa. Da tabela NCM, temse que: Classificação Fiscal utilizada pela Recorrente NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 3401.11 De toucador (inclusive os de uso medicinal) 3401.11.10 Sabões medicinais 5 3401.11.90 Outros 5 Ex 01 Sabão 0 3401.20 Sabões de outras formas 3401.20.10 De toucador 5 Classificação Fiscal adotada pela fiscalização NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 3401.30.00 Produtos e preparações orgânicos tensoativos para lavagem da pele, em forma de líquido ou de creme, acondicionados para venda a retalho, mesmo que contenham sabão 10 Fl. 1627DF CARF MF 32 Há ainda a classificação do NCM 3307.20.90 : "Preparações para barbear (antes, durante ou após), desodorantes (desodorizantes) corporais, preparações para banhos, depilatórios, outros produtos de perfumaria ou de toucador preparados e outras preparações cosméticas, não especificados nem compreendidos noutras posições; desodorantes (desodorizantes) de ambiente, preparados, mesmo não perfumados, com ou sem propriedades desinfetantes. Desodorantes (desodorizantes) corporais e antiperspirantes. Outros.", utilizada pela Recorrente, mas que não foi argumentado por ela. Para que haja melhor compreensão, transcrevese o capítulo 34 e suas explicações: Capítulo 34 Sabões, agentes orgânicos de superfície, preparações para lavagem, preparações lubrificantes, ceras artificiais, ceras preparadas, produtos de conservação e limpeza, velas e artigos semelhantes, massas ou pastas para modelar, “ceras para dentistas” e composições para dentistas à base de gesso Notas. 1. O presente Capítulo não compreende: a) As misturas ou preparações alimentícias de gorduras ou de óleos animais ou vegetais do tipo utilizado como preparações para desmoldagem (posição 15.17); b) Os compostos isolados de constituição química definida; c) Os xampus, dentifrícios (dentífricos), cremes e espumas de barbear e preparações para banho, que contenham sabão ou outros agentes orgânicos de superfície (posições 33.05, 33.06 ou 33.07). 2. Na acepção da posição 34.01, o termo “sabões” apenas se aplica aos sabões solúveis em água. Os sabões e outros produtos daquela posição podem ter sido adicionados de outras substâncias (por exemplo, desinfetantes, pós abrasivos, cargas, produtos medicamentosos). Todavia, os que contenham abrasivos só se incluem naquela posição se se apresentarem em barras, pedaços, figuras moldadas ou em pães. Apresentados sob outras formas, classificamse na posição 34.05, como pastas e pós para arear e preparações semelhantes. 3. Na acepção da posição 34.02, os “agentes orgânicos de superfície” são produtos que quando misturados com água numa concentração de 0,5 %, a 20 °C, e deixados em repouso durante uma hora à mesma temperatura: a) Originam um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) Reduzem a tensão superficial da água a 4,5 x 102 N/m (45 dinas/cm) ou menos. 4. A expressão “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos” usada no texto da posição 34.03 referese aos produtos definidos na Nota 2 do Capítulo 27. Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 18 33 5. Ressalvadas as exclusões abaixo indicadas, a expressão “ceras artificiais e ceras preparadas”, utilizada no texto da posição 34.04, aplicase apenas: a) Aos produtos que apresentem as características de ceras, obtidos por um processo químico, mesmo solúveis em água; b) Aos produtos obtidos por mistura de diferentes ceras entre si; c) Aos produtos que apresentem as características de ceras, à base de ceras ou parafinas e que contenham, além disso, gorduras, resinas, matérias minerais ou outras matérias. Pelo contrário, a posição 34.04 não compreende: a) Os produtos das posições 15.16, 34.02 ou 38.23, mesmo que apresentem as características de ceras; b) As ceras animais ou vegetais, não misturadas, mesmo refinadas ou coradas, da posição 15.21; c) As ceras minerais e os produtos semelhantes da posição 27.12, mesmo misturados entre si ou simplesmente corados; d) As ceras misturadas, dispersas ou dissolvidas em meio líquido (posições 34.05, 38.09, etc.). As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB n° 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB n° 1.260, de 20 de março de 2012 quando se referem à posição 3401, assim esclarecem: CONSIDERAÇÕES GERAIS Este Capítulo, que compreende os produtos obtidos essencialmente pelo tratamento industrial das gorduras ou das ceras, agrupa os produtos da indústria de sabão, algumas preparações lubrificantes, as ceras preparadas, alguns produtos para conservação e limpeza, as velas de iluminação, etc., e também certos produtos artificiais tais como os agentes de superfície, as preparações tensoativas e as ceras artificiais. Este Capítulo não compreende os produtos de constituição química definida apresentados isoladamente, nem os produtos naturais que não tenham sido submetidos à mistura ou à preparação. 34.01 Sabões; produtos e preparações orgânicos tensoativos utilizados como sabão, em barras, pães, pedaços ou figuras moldadas, mesmo que contenham sabão; produtos e preparações orgânicos tensoativos para lavagem da pele, em forma de líquido ou de creme, acondicionados para venda a retalho, mesmo que contenham sabão; papel, pastas (ouates), Fl. 1629DF CARF MF 34 feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes. 3401.1 Sabões, produtos e preparações orgânicos tensoativos, em barras, pães, pedaços ou figuras moldadas, e papel, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes: 3401.11 De toucador (incluindo os de uso medicinal) 3401.19 Outros 3401.20 Sabões sob outras formas 3401.30 Produtos e preparações orgânicos tensoativos para lavagem da pele, em forma de líquido ou de creme, acondicionados para venda a retalho, mesmo que contenham sabão (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) I. SABÕES O sabão é um sal alcalino (inorgânico ou orgânico) de um ácido graxo (gordo*) ou de uma mistura destes ácidos que contenham pelo menos oito átomos de carbono. Na prática, às vezes, uma parte daqueles ácidos é substituída por ácidos resínicos. A presente posição apenas compreende os sabões solúveis em água, isto é, os sabões propriamente ditos. Constituem um grupo de agentes de superfície aniônicos de reação alcalina que, em solução aquosa, produzem espuma abundante. Há três categorias de sabões: Os sabões duros, que, quase sempre, se fabricam com soda (hidróxido ou carbonato de sódio) e que constituem a maior parte dos sabões comuns. Podem ser brancos, corados ou marmorizados. Os sabões moles, que, pelo contrário, se fabricam com potassa (hidróxido ou carbonato de potássio). Os sabões deste tipo são viscosos e, em geral, de cor verde, castanha ou amareloclara. Podem conter pequenas quantidades (que geralmente não ultrapassam 5%) de produtos orgânicos tensoativos sintéticos. Os sabões líquidos, que consistem numa solução aquosa de sabão eventualmente adicionada de pequenas quantidades (que em geral não ultrapassam 5%) de álcool ou de glicerol, mas que não contêm produtos orgânicos tensoativos sintéticos. Incluemse aqui especialmente: 1) Os sabões de toucador, que são freqüentemente coloridos e perfumados e que compreendem: os sabões leves ou flutuantes, para banho, e os sabões desodorantes, bem como os sabões ditos de glicerina, os sabões de barba, os sabões medicinais e certos sabões desinfetantes ou abrasivos adiante mencionados. Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 19 35 a) Os sabões leves ou flutuantes, para banho, e os sabões desodorantes. b) Os sabões denominados de glicerina, sabões translúcidos, resultantes do tratamento de sabão branco com álcool, glicerol ou açúcar. c) Os sabões de barba (os cremes de barbear incluemse na posição 33.07). d) Os sabões medicinais, que contêm substâncias medicamentosas, tais como ácido bórico, ácido salicílico, enxofre e sulfamidas. e) Os sabões desinfetantes, que contêm, em pequenas quantidades, fenol, cresol, naftol, formaldeído ou outras substâncias bactericidas ou bacteriostáticas. Estes sabões não se devem confundir com as preparações desinfetantes da posição 38.08, formuladas com os mesmos constituintes. A diferença entre essas duas categorias de produtos reside nas proporções respectivas de seus constituintes (por um lado, sabão e, por outro, fenol, cresol, etc.). As preparações desinfetantes da posição 38.08 contêm proporções elevadas de fenol, cresol, etc. Elas são líquidas, enquanto que os sabões são, em geral, sólidos. f) Os sabões abrasivos, que consistem em sabão adicionado de areia, sílica, pedrapomes em pó, pó de ardósia, serragem (serradura) ou produtos semelhantes. Todavia, apenas se incluem aqui os sabões deste tipo que se apresentem em barras, em pães, em pedaços ou figuras moldados. As pastas e pós, abrasivos, para arear, mesmo contendo sabão, incluemse na posição 34.05. 2) Os sabões para limpeza doméstica, que podem ser corados ou perfumados, abrasivos ou desinfetantes. 3) Os sabões de resina, de tall oil ou de naftenatos, que contêm não apenas sais alcalinos de ácidos graxos (gordos*), como também resinatos alcalinos da posição 38.06 ou naftenatos alcalinos da posição 34.02. 4) Os sabões industriais, preparados com vistas a usos especiais, tais como os que se empregam em trefilagem, polimerização de borracha sintética e lavanderia. Ressalvada a exceção prevista no item 1 f) acima, os sabões da presente posição apresentamse geralmente sob as formas seguintes: em barras, pães, pedaços ou figuras moldados, flocos, pós, pastas ou em soluções aquosas. II. PRODUTOS E PREPARAÇÕES ORGÂNICAS TENSOATIVAS UTILIZADOS COMO SABÃO, EM BARRAS, PÃES, PEDAÇOS OU FIGURAS MOLDADOS, MESMO CONTENDO SABÃO Este grupo compreende, desde que se apresentem em barras, pães, pedaços ou figuras moldados, ou seja, nas formas mais Fl. 1631DF CARF MF 36 correntemente utilizadas na fabricação do sabão próprios para os mesmos usos, os produtos e preparações de toucador ou de lavagem em que o ingrediente ativo é constituído, no todo ou em parte, por agentes de superfície sintéticos que podem estar associados ao sabão em qualquer proporção. Estão igualmente aqui compreendidos, desde que se apresentem nas formas acima indicadas, os produtos e preparações deste tipo que possuam propriedades abrasivas, por adição de areia, sílica, pedrapomes em pó, etc. III. PRODUTOS E PREPARAÇÕES ORGÂNICOS TENSOATIVOS DESTINADOS À LAVAGEM DA PELE, NA FORMA DE LÍQUIDO OU DE CREME, ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, MESMO CONTENDO SABÃO Esta parte compreende as preparações para lavagem da pele em que o componente ativo é constituído parcial ou inteiramente por agentes orgânicos tensoativos de síntese que podem ser associados a sabão em qualquer proporção, contanto que sejam apresentados na forma de líquido ou de creme e acondicionados para venda a retalho. Quando não sejam acondicionadas para venda a retalho, essas preparações estão incluídas na posição 34.02. IV. PAPEL, PASTAS (OUATES), FELTROS E FALSOS TECIDOS IMPREGNADOS, REVESTIDOS OU RECOBERTOS DE SABÃO OU DE DETERGENTES Este grupo compreende o papel, as pastas (ouates), os feltros e os falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes, mesmo perfumados ou acondicionados para venda a retalho. Estes produtos são geralmente utilizados para lavagem das mãos ou do rosto. Além das exclusões já mencionadas, a presente posição não compreende: a) As pastas de neutralização (soapstocks) (posição 15.22). b) Os produtos e preparações insolúveis em água, que constituam “sabões” apenas na acepção química da palavra, tais como os “sabões” calcários e os “sabões” metálicos (Capítulos 29, 30, 38, etc., conforme os casos). c) O papel, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos simplesmente perfumados (Capítulo 33). d) Os xampus e dentifrícios (posições 33.05 e 33.06, respectivamente). e) Os agentes orgânicos de superfície (com exclusão dos sabões), as preparações tensoativas e as preparações para lavagem, mesmo contendo sabão, bem como as soluções ou dispersões de sabões em alguns solventes orgânicos, da posição 34.02. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 20 37 f) Os plásticos alveolares, a borracha alveolar, as matérias têxteis (com exclusão das pastas (ouates), feltros e falsos tecidos) e as esponjas metálicas, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes que seguem, geralmente, o regime da matéria constitutiva de suporte. O Termo de Descrição de Fatos, fls. 1338, reclassificou as seguintes mercadorias: Assim, lançandose mão da Regra Geral 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado em combinação com a Regra Geral 6 do SH, entendese que o código 3401.30.00 da NCM abrange as mercadorias denominadas SABONETE PERFUMADO CORPORAL ASTREE 90G; SABONETE ÍNTIMOS RACCO 210ML; SABONETE ÍNTIMOS LEANDRO RACCO 210ML ; SABONETE ÍNTIMOS MORANGO 210ML; SABONETE ÍNTIMOS VIAGEM 60ML; SABONETE LIQUIDO FLEUR DORANGER 250ML; ÍNTIMOS TEEN SABONETE INTIMO 200ML; SABONETE LIQUIDO CINTILANTE RUBI PEDRAS 150ML; ERVA DOCE SABONETE LIQUIDO RACCO 230ML; REFIL ERVA DOCE SABONETE LIQUIDO 230ML; IOS SABONETE LIQUIDO; SABONETE TONS DE OCEANIC; SABONETE LANTIS; SABONETE BANHO ERVA DOCE 250ML; KIT SABONETE ERVA DOCE 200G; SABONETE LIQUIDO NICK 150G; SABONETE AYURVEDA; SABONETE CRAYON; SABONETE NEUROCICLOPEPTIDEO; fato que determinou a incidência da alíquota de 10% (dez por cento) de IPI nas operações de saída do estabelecimento tributáveis, nos termos da TIPI, à época dos fatos, aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 2006. A partir da classificação fiscal: 3401.1 Sabões, produtos e preparações orgânicos tensoativos, em barras, pães, pedaços ou figuras moldadas, e papel, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes: 3401.11 De toucador (incluindo os de uso medicinal) 3401.19 Outros 3401.20 Sabões sob outras formas 3401.30 Produtos e preparações orgânicos tensoativos para lavagem da pele, em forma de líquido ou de creme, acondicionados para venda a retalho, mesmo que contenham sabão Observase que a NCM adotada pela fiscalização é a mais específica aos produtos reclassificados, pois é a classificação específica para os produtos e preparações utilizados para a lavagem da pele e todas as mercadorias reclassificadas são para a lavagem da pele. Fl. 1633DF CARF MF 38 O fato de a fiscalização ter elucidado o caso com a Solução de Consulta nº 9 da 1ª Região Fiscal não afronta o direito de defesa da Recorrente, pois ela em nada foi prejudicada com a referida demonstração e, ademais, tal solução não pode ser caracterizada como prova emprestada, pois a fiscalização reclassificou as mercadorias com base na legislação, a referida solução foi apenas para explicitar melhor o caso. Por tal motivação, mantémse à classificação 3401.30.00, adotada pela fiscalização. 3.2.3. Sabonete em barra Em relação à classificação do sabonete em barra, a Recorrente reconheceu o erro de classificação, mas continua a rebater o VTM, que já foi discutido no tópico 3.1. 3.2.4. Óleos corporais A Recorrente utilizou a seguinte classificação fiscal para as chamados Óleos Corporais: 3301.90.30 e 3304.99.90, sendo 3301.9030 com alíquota de 5% de IPI e 3304.99.90 com alíquota de 22% de IPI. De acordo com a fiscalização, a NCM para óleos corporais industrializadas pela Recorrente deveria ser única para todos os tipos de óleos comercializados e definida como 3304.99.90 (Óleos Hidratantes), a qual determina a incidência de alíquota de 22% a título de IPI. Ela entende que a fiscalização ao utilizar a Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal, envolvendo a classificação fiscal de mercadoria produzida por terceiro, mediante utilização de prova emprestada, viola o seu direito de defesa. Afirma que os óleos corporais, que ela industrializa, apresentam efetivamente função perfumadora e pósbanho, não tendo efeito de hidratação e sim de proporcionar maciez à pele. Segue classificação adotada pela Recorrente para parte dos produtos: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 33.01 Óleos essenciais (desterpenados ou não), incluindo os chamados “concretos” ou “absolutos”; resinoides; oleorresinas de extração; soluções concentradas de óleos essenciais em gorduras, em óleos fixos, em ceras ou em matérias análogas, obtidas por tratamento de flores através de substâncias gordas ou por maceração; subprodutos terpênicos residuais da desterpenação dos óleos essenciais; águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. 3301.90 Outros 3301.90.10 Soluções concentradas de óleos essenciais em gorduras, 5 Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 21 39 em óleos fixos, em ceras ou em matérias análogas, obtidas por tratamento de flores através de substâncias gordas ou por maceração 3301.90.20 Subprodutos terpênicos residuais da desterpenação dos óleos essenciais 5 3301.90.30 Águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais 5 Segue descrição adotada pela Recorrente para parte dos produtos e que deveria ter sido aplicada a todos os produtos na visão da fiscalização: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 33.04 Produtos de beleza ou de maquiagem preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluindo as preparações antissolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros. 3304.99 Outros 3304.99.10 Cremes de beleza e cremes nutritivos; loções tônicas 22 3304.99.90 Outros 22 Ex 01 Preparados bronzeadores 12 Ex 02 Preparados anti solares, exceto os que possuam propriedades de bronzeadores 0 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB n° 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB n° 1.260, de 20 de março de 2012 quando se referem à posição 3401, assim esclarecem: Capítulo 33 Óleos essenciais e resinóides; produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas Notas. 1. O presente Capítulo não compreende: Fl. 1635DF CARF MF 40 a) As oleorresinas naturais e os extratos vegetais das posições 13.01 ou 13.02; b) Os sabões e outros produtos da posição 34.01; c) As essências de terebintina, de pinheiro ou provenientes da fabricação da pasta de papel ao sulfato e os outros produtos da posição 38.05. 2. Na acepção da posição 33.02, a expressão “substâncias odoríferas” abrange unicamente as substâncias da posição 33.01, os ingredientes odoríferos extraídos dessas substâncias e os produtos aromáticos obtidos por síntese. 3. As posições 33.03 a 33.07 aplicamse, entre outros, aos produtos, misturados ou não, próprios para serem utilizados como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho tendo em vista o seu emprego para aqueles usos, exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. 4. Consideramse “produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas”, na acepção da posição 33.07, entre outros, os seguintes produtos: saquinhos que contenham partes de planta aromática; preparações odoríferas que atuem por combustão; papéis perfumados e papéis impregnados ou revestidos de cosméticos; soluções líquidas para lentes de contato ou para olhos artificiais; pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de perfume ou de cosméticos; produtos de toucador preparados, para animais. (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) CONSIDERAÇÕES GERAIS Os óleos essenciais e as oleorresinas de extração, da posição 33.01, são todos obtidos por extração a partir de matérias vegetais. O método de extração utilizado determina o tipo do produto obtido. Assim, por exemplo, consoante sejam obtidos por destilação a vapor de água ou por extração por meio de solventes orgânicos, determinadas plantas (a canela, por exemplo) podem dar quer um óleo essencial, quer uma oleorresina de extração. As posições 33.03 a 33.07 compreendem os produtos, misturados ou não (exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais) próprios para utilização como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho, tendo em vista o seu emprego para esses usos (ver a Nota 3 do Capítulo). Os produtos das posições 33.03 a 33.07 permanecem classificados nestas posições mesmo que contenham, acessoriamente, determinadas substâncias empregadas em farmácia ou como desinfetantes e mesmo que possuam, acessoriamente, propriedades terapêuticas ou profiláticas (ver a Nota 1 e) do Capítulo 30). Todavia, os desodorantes de Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 22 41 ambientes preparados, permanecem classificados na posição 33.07 mesmo que possuam propriedades desinfetantes que não sejam meramente acessórias. (Alterado pela IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) As preparações (vernizes, por exemplo) e os produtos não misturados (pó de talco não perfumado, terra de pisão (terras de fuller), acetona, alume, etc.) que, além dos usos acima referidos, possam ter outras aplicações, incluemse nestas posições apenas nos seguintes casos: a) Quando se apresentem acondicionados para venda ao consumidor, indicando, por meio de etiquetas, de impressos ou por qualquer outra forma, que se destinam a ser usados como produtos de perfumaria ou de toucador preparados ou como outras preparações cosméticas, ou ainda como desodorantes de ambientes. b) Quando se apresentem em acondicionamentos muito especiais que não deixem dúvidas quanto a serem destinados àqueles mesmos usos (seria, por exemplo, o caso de um esmalte (verniz*) para unhas apresentado num pequeno frasco cuja tampa fosse provida de um pincel destinado à sua aplicação). Este Capítulo não compreende: a) A vaselina, exceto aquela que é própria para ser utilizada nos cuidados da pele e acondicionada para venda a retalho face ao seu emprego para este uso (posição 27.12). b) As preparações medicamentosas utilizadas acessoriamente como produtos de perfumaria, como cosméticos ou como preparações de toucador (posições 30.03 ou 30.04). c) As preparações apresentadas na forma de gel concebidas para serem utilizadas em medicina humana ou veterinária como lubrificante para certas partes do corpo em intervenções cirúrgicas ou exames médicos ou como agente de ligação entre o corpo e os instrumentos médicos (posição 30.06). d) Os sabões e os papéis, pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, impregnados, revestidos ou recobertos de sabão ou de detergentes (posição 34.01). (sublinhados não constam no original) Observase pela explicação da NESH que a posição 3301 não pode ser utilizada para venda a retalho, que é justamente o presente caso. Já em relação à posição 3304, a NESH assim explicita: 33.04 Produtos de beleza ou de maquiagem preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluindo as preparações antisolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros. Fl. 1637DF CARF MF 42 3304.10 Produtos de maquiagem para os lábios 3304.20 Produtos de maquiagem para os olhos 3304.30 Preparações para manicuros e pedicuros 3304.9 Outros: 3304.91 Pós, incluindo os compactos 3304.99 Outros (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) A. PRODUTOS DE BELEZA OU DE MAQUILAGEM PREPARADOS E PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE, INCLUÍDAS AS PREPARAÇÕES ANTISOLARES E OS BRONZEADORES Incluemse na presente posição: 1) Os batons e outros produtos de maquilagem para os lábios. 2) As sombras para os olhos, máscaras, lápis para sobrancelhas e outros produtos de maquilagem para os olhos. 3) Os outros produtos de beleza ou de maquilagem preparados e as preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto os medicamentos), tais como: os pósdearroz e as bases para o rosto, mesmo compactos, os talcos para bebês (incluído o talco não misturado, nem perfumado, acondicionado para venda a retalho), os outros pós e pinturas para o rosto, os leites de beleza ou de toucador, as loções tônicas ou loções para o corpo; a vaselina acondicionada para venda a retalho e própria para os cuidados da pele, os cremes de beleza, os cold creams, os cremes nutritivos (incluídos os que contêm geléia real de abelha); os cremes de proteção para evitar as irritações da pele; os géis administráveis por injeção subcutânea para eliminação de rugas e realce dos lábios (incluindo aqueles que contêm ácido hialurônico); as preparações para o tratamento da acne (exceto os sabões da posição 34.01) próprios para limpeza de pele e que não contenham ingredientes ativos em quantidades suficientes para que se considerem como tendo uma ação essencialmente terapêutica ou profilática sobre a acne; os vinagres de toucador, que são misturas de vinagre ou de ácido acético com álcool perfumado. Este grupo compreende igualmente as preparações antisolares (filtros solares) e os bronzeadores. Observase pelas explicações da NESH, acima colacionadas, que a posição 3304 amoldase aos óleos corporais com função hidratante, vendido a retalho, pois é mais específico, devendo ser mantida a classificação adotada pela fiscalização. Em alguns óleos corporais o próprio nome contém a função hidratante, em outros, a função está na sua descrição, fls. 1344. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 10980.723930/201597 Acórdão n.º 3302005.376 S3C3T2 Fl. 23 43 Quanto ao argumento de utilizar a Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal, envolvendo a classificação fiscal de mercadoria produzida por terceiro, tal contextualização não afronta o direito de defesa da Recorrente, pois ela em nada foi prejudicada com a referida demonstração e, ademais, tal solução não pode ser caracterizada como prova emprestada, pois a fiscalização reclassificou as mercadorias com base na legislação, a referida solução foi apenas para explicitar melhor o caso. Por tal motivação, mantémse à classificação 3304.99.90 adotada pela fiscalização. 3.3. Falta de escrituração do débito de IPI lançado em nota fiscal O auto de infração ainda trouxe uma terceira infração, fls. 1270, falta de escrituração de débito de IPI lançado em nota fiscal (total ou parcial). Contudo, tal matéria não foi impugnada pela Recorrente, sendo, portanto, admitida. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento." (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator "ad hoc" Fl. 1639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904624/2016-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 24 /2 01 6- 15 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904624/201615 Acórdão n.º 3201003.513 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.490, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904624/201615 Acórdão n.º 3201003.513 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.004674/2005-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa:
NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE A VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Não havendo especificação no lançamento a respeito da origem das receitas advindas das variações cambiais ativas, se por regime de competência ou de caixa ou, se por regime cumulativo ou não cumulativo do PIS e, claro os fundamentos legais com base na legislação que prevê o "faturamento" como base de cálculo para incidência do PIS, por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" - vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 - Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 - Rel. Min. Marco Aurélio).
Logo, não se tratando de receita operacional as "receitas" advindas das variações cambiais ativas e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS.
Numero da decisão: 3201-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Arnaldo Cardoso Mangueira, OAB-RJ 201646.
(assinatura digital)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 25/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: 31154744825 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE A VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Não havendo especificação no lançamento a respeito da origem das receitas advindas das variações cambiais ativas, se por regime de competência ou de caixa ou, se por regime cumulativo ou não cumulativo do PIS e, claro os fundamentos legais com base na legislação que prevê o "faturamento" como base de cálculo para incidência do PIS, por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" - vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 - Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 - Rel. Min. Marco Aurélio). Logo, não se tratando de receita operacional as "receitas" advindas das variações cambiais ativas e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS.
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REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Não havendo especificação no lançamento a respeito da origem das receitas advindas das variações cambiais ativas, se por regime de competência ou de caixa ou, se por regime cumulativo ou não cumulativo do PIS e, claro os fundamentos legais com base na legislação que prevê o "faturamento" como base de cálculo para incidência do PIS, por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Logo, não se tratando de receita operacional as "receitas" advindas das variações cambiais ativas e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Arnaldo Cardoso Mangueira, OABRJ 201646. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 46 74 /2 00 5- 51 Fl. 3379DF CARF MF 2 (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 25/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em fls. 552 em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/PA de fls. 502 que manteve o lançamento, diante de indícios de falta ou insuficiência de recolhimento em razão de variações cambiais ativas decorrentes de exportações. A autoridade lavrou o Auto de Infração de Pis e Cofins às fla. 129 e 351. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "Versa o presente sobre Autos de Infração relativo As seguintes contribuições, nos valores abaixo descritos, conforme fls 64 a 76 (PIS), com abrangência de competências dos anoscalendário de 1999 a 2003, e 175 a 184 (COFINS), com abrangência de competências dos anoscalendário de 1999 a 2004, devidamente identificadas, lavrados na data de 03.10.2005, com ciência pessoal nos próprios Autos, fls 64 e 175: 2. A Fiscalização considerou como infringência a falta/insuficiência de recolhimento durante o procedimento de verificações obrigatórias quando foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados decorrentes da apuração feita, discriminadas nas planilhas denominadas "Demonstrativo da Base de Cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS", fls 21 a 34, anexas A Intimação Fiscal recebida pelo contribuinte em 28.03.2005, conforme cópia do "AR", fl 54. 3. Inconformado o sujeito passivo apresentou impugnação parcial do lançamento, protocoladas em 03.11.2005, para a Contribuição PIS, fls 80 a 94, e para a COFINS, fls 190 a 205, com as seguintes argumentações, em síntese: a) Questionou a aplicabilidade dos arts. 2°, 3° e 90 da Lei n° 9.718/98, e que para aquele período o PIS e a COFINS Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 10280.004674/200551 Acórdão n.º 3201003.680 S3C2T1 Fl. 3.380 3 recolhidos pelo impugnante foi calculado, quase que integralmente, sobre receitas provenientes de exportação e receitas de variação cambial decorrente da exportação de mercadorias, conforme demonstram todas as planilhas já anexadas nos autos pela Fiscalização; b) Que ainda que se desconsidere a flagrante inconstitucionalidade dos arts. 2°, 30 e 9° da Lei n° 9.718/98, o que aqui se admite apenas para fins de argumentação, o fato é que, mesmo que os mencionados artigos sejam mantidos em nosso ordenamento jurídico pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, as receitas oriundas da exportação e a variação cambial ativa derivada de operações dessa natureza não podem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS; c) Transcreveu o art. 50 da Lei n° 7.714/88 e da Medida Provisória n° 2.158 35/01, para argüir que as receitas de exportação estavam isentas do PIS e da COFINS antes da Lei n° 9.718/98, que em seu art. 9° passou a dar tratamento de receitas ou despesas financeiras As variações monetárias, mais especificamente As variações cambiais, em função da taxa de câmbio; d) Fez citações doutrinárias e citou a imunidade determinada pela Emenda Constitucional n° 33/01, que estabeleceu que as contribuições sociais a que alude o art. 149 da CF de 1988 não incidirão sobre as receitas oriundas de exportação; e) Transcreveu parte da Solução de Consulta emanada da Superintendência Regional da Receita Federal — 9a Região Fiscal — Solução de Consulta n° 27, de 17 de janeiro de 2005, que trata da imunidade prevista no § 2°, inciso I, do art. 149 da CF; 1) Descreveu que efetuou parte do valor lançado que considerou devido, que resultou nos seguintes valores: g) Por fim, requereu a improcedência da parte impugnada." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/PA de fls. foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÕES Fl. 3381DF CARF MF 4 São devidas as contribuições em favor do PIS, sobre as receitas financeiras decorrentes de variações cambiais ativas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DE SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ementa: CONTRIBUIÇÕES São devidas as contribuições em favor da COFINS, sobre as receitas financeiras decorrentes de variações cambiais ativas. ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Ementa: DOUTRINA. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada à doutrina jurídica. ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Lançamento Procedente." Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou as argumentações da Impugnação, nos mesmo moldes. Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Logo, por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 10280.004674/200551 Acórdão n.º 3201003.680 S3C2T1 Fl. 3.381 5 Durante os debates em sessão de julgamento, verificouse que a lide permanece somente sobre o Pis e Cofins cumulativo, conforme julgado na decisão de primeira instância. Logo, o presente julgamento deve ser limitado a este litígio. Verificase, conforme Autos de Infração de fls. 129 e 351, que o lançamento se deu somente em razão do contribuinte não ter recolhido as "receitas" de variações cambiais ativas decorrentes de exportações. A decisão de primeira instância negou a possibilidade de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR e deve ser aplicada, de forma que as variações cambiais ativas decorrentes das exportações da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Sobre o tema, é importante registrar que é obrigatório a este Conselho a aplicação de decisão do STF em sede de repercussão geral ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), conforme Art. 62A, de nosso regimento interno. Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" de variações cambiais ativas decorrentes de exportação não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. Conforme o ilustre doutrinador Marco Aurélio Greco, em "Revista Dialética de Direito Tributário", n.º 50, fls. 128, tratase de mera movimentação financeira sem relevância patrimonial, porque não basta ser uma 'entrada', é necessário que seja ingresso, com permanência dos valores e efetiva exploração da atividade principal da empresa. Além disto, a rejeição da "moeda funcional" (vide fls. 252 do livro "Lei 12.973/14 Novo Marco Tributário Padrões Internacionais de Contabilidade") para fins de tributação do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS conflita com a contabilidade societária utilizada no âmbito estadual e municipal, assim como representa um retrocesso no que tange à simplificação do sistema tributário brasileiro, fim da dupla contabilidade e diminuição da volatilidade dos riscos cambiais, principalmente porque, de fato, muitas empresas operam com moedas distintas. Por fim, tratandose ou não de operações de exportação, situação em que o DECRETO Nº 8.451, DE 19 DE MAIO DE 2015 e o STF em sede de recurso com repercussão geral reconhecida (RE nº 627.815/PR) também favorecem o contribuinte ao estabelecer a alíquota zero sobre tais receitas e/ou a imunidade, o lançamento não deve ser mantido. Fl. 3383DF CARF MF 6 Confirase trecho da Ementa de Acórdão desta própria Turma em recente julgamento a respeito (3201002.179): "PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As variações cambiais ativas caracterizamse como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep." No mesmo sentido, já decidiu essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ao julgar os processos que receberam os acórdãos de nºs 9303004.181, 9303005.032 e 9303006.538 Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com fundamento nas decisões do STF apontadas neste voto, com fundamento no regimento interno deste Conselho e com fundamento nos Art. 113 e 142. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 3384DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.005552/2002-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do fato gerador.
Numero da decisão: 9303-006.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 55 52 /2 00 2- 49 Fl. 141DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 20313.527, da 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. Somente após a publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em Ação Declaratória de Inconstitucionalidade é que se forma o indébito e, portanto, iniciase o prazo decadencial para sua repetição, "dies a quo". FUNDAMENTO LEGAL Em face da suspensão da execução dos Decretoslei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, pelo Senado Federal, e do julgamento da A D I N n° 1.4170, pelo Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional parte do art. 15 da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, a contribuição para o PIS tornouse devida, no período de competência de I o de outubro de 1995 a 28 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10875.005552/200249 Acórdão n.º 9303006.767 CSRFT3 Fl. 142 3 de fevereiro de 1996, com base na Lei Complementar n° 7, de 1970, e ulterior alteração legal. Para o período de competência de I o de março de 1996 a 28 de fevereiro de 1999, era devida com fundamento naquela MP e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, que elegeram como base de cálculo dessa contribuição o faturamento mensal da pessoa jurídica. SEMESTRALIDADE. COMPETÊNCIA. 01/10/1995 A 28/ 02/1996. Súmula 11. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar n° 7, de 1970, c/p faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. ” O Colegiado “a quo” entendeu que somente após a publicação do acordão proferido pelo STF na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade 1.4170/DF é que se formou o indébito, caracterizando o “dies a quo” para a contagem do prazo decadencial. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em fevereiro/2009 contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O presente caso trata de pedido de restituição protocolado em 29.11.02 referente a restituição de PIS apurados nos períodos de outubro/95 a fevereiro/99 com base na MP 1.212/95; · O acórdão recorrido embora tenha considerado indevido o pedido de restituição de indébito do PIS após fevereiro/96, porquanto, naquelas datas, referido tributo já poderia ser exigido com base na MP 1.212/95, entendeu devida a restituição nos meses de outubro/95 a fevereiro/96, em cujo período a exigência foi considerada inconstitucional para dar lugar a aplicação da LC 7/70, para o que, afastou a prescrição incidente sobre as citadas parcelas, fixando como termo a quo da contagem do prazo prescricional a data da publicação da decisão que julgou a ADIN 1.417/0/DF; · Tal entendimento se coloca em contrariedade com o entendimento dos arts. 165 e art. 168, inciso I, art. 156, inciso I, do CTN e arts. 3º e 4º da LC/118. Fl. 143DF CARF MF 4 Requer que se negue o direito de restituição do PIS também no que se refere aos períodos de outubro/95 a fevereiro/96, uma vez que ultrapassados mais de 5 anos da data da extinção do crédito tributário, sem que a empresa recorrida exercitasse a referida pretensão. Em Despacho às fls. 26, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial, entendo que devo conhecê lo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. O que concordo com o despacho de admissibilidade, No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10875.005552/200249 Acórdão n.º 9303006.767 CSRFT3 Fl. 143 5 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, Fl. 145DF CARF MF 6 porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10875.005552/200249 Acórdão n.º 9303006.767 CSRFT3 Fl. 144 7 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, Fl. 147DF CARF MF 8 não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10875.005552/200249 Acórdão n.º 9303006.767 CSRFT3 Fl. 145 9 Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de restituição foi protocolado em 29.11.02 referente a restituição de PIS apurados nos períodos de outubro/95 a fevereiro/99 com base na MP 1.212/95. Recordo que o acórdão recorrido entendeu devida a restituição nos meses de outubro/95 a fevereiro/96, em cujo período a exigência foi considerada inconstitucional para dar lugar a aplicação da LC 7/70, para o que, afastou a prescrição incidente sobre as citadas parcelas, fixando como termo a quo da contagem do prazo prescricional a data da publicação da decisão que julgou a ADIN 1.417/0/DF. A Fazenda Nacional apenas questiona o período de 10/95 a 2/96. Recordo que o acórdão considerou indevido o pedido de restituição de indébito do PIS após fevereiro/96 – pois era exigível nos termos da MP 1.212/95. Sendo assim, em relação a esse período – 10/95 a 2/96, considerando se tratar de tributo não exigível, conforme ADIN 1.417, em respeito ao decidido pelo STF, vêse que não se encontram tais períodos prescritos, pois aplicável o prazo de 10 anos, vez que o pedido de restituição foi feito anteriormente a 9.6.05. Isto posto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a prescrição dos períodos 10/95 a 2/96. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.004518/99-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994, 1995, 1996, 1998
MATÉRIA ESTRANHA À IMPUGNAÇÃO E DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário e que não tenha sido objeto da impugnação ou da decisão recorrida.
DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA.
Os documentos públicos são dotados de fé pública e fazem prova plena dos fatos neles gravados, sobrepondo-se a qualquer documento particular, a menos que reste comprovado, de maneira inequívoca, que os elementos deles constantes não correspondem às efetivas operações, circunstância em que a fé publica cede à prova que se contraponha aos dados consignados em tais documentos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. INCIDÊNCIA DE IRPF.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. VALIDADE DO LANÇAMENTO.
A omissão de rendimentos proveniente de ganho de capital na alienação de bens e direitos sujeita o contribuinte ao lançamento do IRPF correspondente.
Numero da decisão: 2402-006.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci..
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário e que não tenha sido objeto da impugnação ou da decisão recorrida. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. Os documentos públicos são dotados de fé pública e fazem prova plena dos fatos neles gravados, sobrepondose a qualquer documento particular, a menos que reste comprovado, de maneira inequívoca, que os elementos deles constantes não correspondem às efetivas operações, circunstância em que a fé publica cede à prova que se contraponha aos dados consignados em tais documentos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. INCIDÊNCIA DE IRPF. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. VALIDADE DO LANÇAMENTO. A omissão de rendimentos proveniente de ganho de capital na alienação de bens e direitos sujeita o contribuinte ao lançamento do IRPF correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 45 18 /9 9- 47 Fl. 168DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO (fls. 119/126), que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 73/74), relativo aos anos calendário 1993, 1994, 1995 e 1997 / exercício 1994, 1995, 1996 e 1998. Consta do Auto de Infração que o lançamento decorreu de omissões de rendimentos caracterizadas por i) acréscimo patrimonial a descoberto; e ii) ganho de capital na alienação de bens e direitos. O lançamento resultou em imposto a pagar no valor de R$ 23.189,46, além de multa de ofício, R$ 17.392,10, e juros de mora calculados até 30/04/1999, R$ 18.904,60. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 61/66) que, com base nos documentos trazidos aos autos, foram verificadas as seguintes situações: Exercício 1994 – AnoCalendário 1993 Declaração de valor superior ao efetivamente apurado na venda do imóvel situado à Rua Francisco de Vitória n° 8, Vila Mariana, São Paulo em 03/08/1993. O imóvel foi alienado por Cr$ 2.580.000,00, correspondentes a 60.294,46 UFIR, foi informado na declaração de bens, em 15/04/1993 por 156.673,81 UFIR; Procedida a análise de evolução patrimonial do ano calendário 1993, exercício 1994, apurouse acréscimo patrimonial a descoberto, no mês 12/1993, de 39.588,73 UFIR, não justificado ou comprovado por rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Exercício 1995 – AnoCalendário 1994 Transmissão, a título de permuta, de imóvel situado à Rua Francisco de Vitória, nº 26, por imóvel situado à Rua Francisco de Vitória, n° 18, por R$ 28.500,00 (45.915,90 UFIR). Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Acórdão n.º 2402006.094 S2C4T2 Fl. 3 3 Foi desconsiderada a venda do imóvel localizado na Rua Francisco de Vitória, nº 18, por R$ 80.000,00 (126.438,00 UFIR) em razão de a transação ter ocorrido no ano seguinte. Feita a análise de evolução patrimonial do ano calendário 1994, exercício 1995, apurouse acréscimo patrimonial a descoberto nos meses 08 e 12/1994, de 19.906,50 UFIR e 46.543,14 UFIR, não justificado ou comprovado por rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte. Exercício 1996 – AnoCalendário 1995 Venda do imóvel situado à na Rua Francisco de Vitória, nº 18, por R$ 60.000,00 (126.438,00 UFIR), discriminado equivocadamente na declaração de bens da Declaração de Rendimentos do exercício 1995, como alienado em 19/09/1994, por R$ 80.000,00. Omissão de ganho de capital tributável de R$ 2.112,61 (custo de aquisição, R$ 45.915,90; alienação, R$ 60.000,00). Exercício 1998 – AnoCalendário 1997 Apurada irregularidade fiscal na empresa MESTOK INDUSTRIA E COMÉRCIO DE JÓIAS LTDA. e INTERBOX COMERCIO, IMPORTAÇAO E EXPORTAÇÃO LTDA., das quais o contribuinte é cotista. A irregularidade consistiu na verificação de “suprimento de caixa” não declarado em relação às referidas empresas. O lançamento levou em consideração o percentual de participação do sujeito passivo em cada uma das empresas (50% e 1/3, respectivamente). Como o contribuinte não apresentou os extratos mensais de sua movimentação financeira, a análise foi realizada com base na documentação disponível, o que inclui extratos anuais das contas correntes bancárias, poupança e aplicação financeira, considerandose, para efeito de análise de evolução patrimonial, apenas os saldos iniciais e finais das referidas contas. Foi desconsiderada para o exercício a alienação do veiculo Ford Royale GL 1.8, por falta de comprovação por meio de documentação idônea. Inconformado o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 78/80) alegando, em síntese, que: a) houve interpretação equivocada da documentação exibida, a qual resulta da dinâmica de sua atividade econômica; b) desenvolve muitas atividades que estão refletidas nas várias transações empreendidas; c) a documentação anexada aos autos demonstraria a inexistência de irregularidades; d) a transação do imóvel da Rua Francisco Vitória nº 8 estaria respaldada em um compromisso de compra e venda, restando desnaturada a omissão apontada; e) no instrumento particular de compromisso de venda exibido na impugnação constam os valores reais da negociação, devidamente corrigidos e transformados em UFIR; Fl. 170DF CARF MF 4 f) é irrepreensível a negociação envolvendo o imóvel da Rua Francisco Vitória nº 18, retratado no instrumento particular de compra e venda, datado de 19/09/1994, cujo o preço foi R$ 80.000,00, com três pagamentos ocorridos em 19/09/1994, 10/10/1994 e 25/10/1994 (com valor global correspondente ao informado na Declaração do Exercício 1995). Com base nos argumentos apresentados, pleiteia o acolhimento da impugnação para deferila integralmente, determinando o arquivamento do processo correspondente, atendidas as formalidades legais e apreciadas as provas carreadas ao feito. A 4ª Turma de Julgamento DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa do acórdão da decisão recorrida. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário:1993.1994. 1995 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RECURSOS. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade fiscal. Recibos e instrumentos particulares de compra e venda de imóvel sem registro público, desacompanhados da prova dos pagamentos nas datas e valores nele especificados, não são hábeis para afastar a fé pública dos documentos que embasaram o lançamento. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Inalterados os dado relativos aos e data da alienação do imóvel objeto de tributação, confirmase o lançamento. Lançamento Procedente Por ocasião do recurso voluntário (fls. 137/143) o contribuinte alega, em resumo, que: a) Divergência nos dados relativos à alienação do imóvel situado na Rua Francisco de Vitória, 8 – Vila Mariana – SP: à época dos fatos, 1993, o país vivia uma onda inflacionária galopante que confundia até os funcionários do fisco, quem dirá os contribuintes, não obstante, o imóvel referenciado foi efetivamente alienado pelo valor declarado à fl. 5; a diferença substancial em relação aos valores declarados é a data em que a alienação foi levada a registro (a venda teria ocorrido em abril e registrada em agosto doc. de fl. 25); o contrato particular (fls. 101/111) e os recibos a ele referentes dão conta que a o ultimo recebimento teria ocorrido em 26/07/1993, sendo natural que somente então se lavrasse a escritura; b) anocalendário 1994: foi desconsiderada a alienação do imóvel situado na Rua Francisco de Vitória, 18 – Vila Mariana – SP, em virtude de a venda ter ocorrido em 18/08/1995, entretanto, os documentis de fls. 112/115 demonstrariam que esse imóvel foi vendido em 19/09/1994; o documento de fl. 35 (registro da operação no cartório competente), somente corroboraria que o instrumento particular foi levado a registro na data nele constante e isso não poderia ser considerado como omissão de rendimento na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto; Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Acórdão n.º 2402006.094 S2C4T2 Fl. 4 5 c) anocalendário 1995 – apuração do ganho de capital na alienação do imóvel de Rua Francisco de Vitória, 18 – Vila Mariana – SP: teria sido demonstrado no item anterior que não houve equívoco quanto a esse ponto, pois a informação prestada na declaração de bens e direitos retratou os fatos efetivamente ocorridos; as decisões de segunda instância administrativas têm sido no sentido de que, uma vez comprovada, por meio de documentos apropriados a disponibilidade financeira, impõese a exclusão da tributação. Reproduz excerto de acórdão que diz corroborar sua tese; d) anocalendário 1997 – suprimento de caixa não declarado: apresenta indagação em relação à informação consignada no Termo de Verificação Fiscal de que possui 1/3 do capital social da empresa Interbox Comércio, Importação e Exportação Ltda e assevera que a falta de documento nos autos aptos a lastrear tal informação tornaria o TVF imprestável neste ponto; no que tange ao suprimento de caixa da feito à empresa Mestok Indústria e Comércio de Jóias Ltda., deve ser caracterizado como empréstimo que foi reembolsado no mesmo exercício, não havendo acréscimo patrimonial e nem fato gerador do imposto; e) multa de ofício: a multa de ofício de 75% não se sustenta por inexistência de comprovação de fraude. Reproduz trecho de decisão administrativa que acredita sustentar sua tese. Reafirma os pedidos apresentados na impugnação e requer, alternativamente, o afastamento da multa de ofício. O julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 2402 000.602, de 05/04/2017 (fls. 150/155) para que o Fisco carreasse aos autos elementos aptos a demonstrar, de forma inequívoca, a efetiva participação do recorrente no capital da empresa Interbox Comércio, Importação e Exportação Ltda., CNPJ nº 01.312.721/000108, no ano calendário 1997. Por meio da Informação Fiscal de fl. 159 a Unidade Preparadora confirmou que, à época dos fatos geradores, o recorrente detinha participação equivalente a 1/3 (um terço) no capital da empresa em referência, de conformidade com o indicado no Termo de Verificação Fiscal. Para comprovar tal fato foi apresentada ficha cadastral arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (160/162). Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo, porém merece ser conhecido apenas parcialmente em razão de veicular, conforme se verá adiante, matérias que não foram suscitas na impugnação ou no acórdão recorrido. Multa de Ofício e Suprimento de Caixa De início convém reproduzir o caput e inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, bem assim seu art. 33: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Nos termos dos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, norma que regula o Processo Administrativo Fiscal – PAF em âmbito federal, a menos que se destinem a contrapor razões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação. Contudo, não há qualquer registro na peça impugnatória a respeito dos valores lançados em razão de suprimento de caixa não declarado, tampouco quanto à propalada inaplicabilidade da multa de ofício. Em razão disso, não conheço do recurso no que se refere à suscitada inaplicabilidade da multa de ofício e à improcedência do lançamento dos valores apurados a título de suprimento de caixa, lembrando que quanto ao suprimento de caixa, restou comprovado por meio da diligência demandada por esta Turma de Julgamento que, à época dos fatos geradores, o recorrente detinha participação equivalente a 1/3 (um terço) no capital da empresa Interbox Comércio, Importação e Exportação Ltda., conforme evidenciado no Termo de Verificação Fiscal, o que, a despeito do não conhecimento, também afastaria as alegações recursais. Créditos Tributários Remanescentes Tendo em vista que os argumentos recursais a respeito do anocalendário 1997 se restringia às questões afetas ao suprimento de caixa, matéria não conhecida em razão de não ter sido suscitada em sede impugnatória, resta analisar os argumentos relacionados aos anoscalendário 1993 a 1995, no que se refere a acréscimo patrimonial a descoberto e ganho de capital na alienação de imóveis. Em termos de regra geral, o art. 43 do Código Tributário Nacional trata da competência da União para instituir o imposto de renda e proventos de qualquer natureza: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Acórdão n.º 2402006.094 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. [...] Especificamente em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Físicas – IRPF os §§ 1º a 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988 estabelecem: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. As disposições normativas acima reproduzidas deixam claro que o IRPF incide sobre o rendimento bruto, nele compreendido os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, bem assim os ganhos de capital decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. Significa dizer que tanto os acréscimos patrimoniais a descoberto quanto os ganhos de capital na alienação de bens imóveis omitidos pelo contribuinte, situações aqui analisadas, estão sujeitos à incidência do imposto. Exercício 1994 – AnoCalendário 1993 No que refere ao anocalendário 1993, o quadro de fls. 51/52 evidencia acréscimo patrimonial a descoberto no mês de dezembro daquele ano, equivalente a 39.588,73 UFIR, não justificado ou comprovado por rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Assevera a autoridade autuante que o imóvel situado à Rua Fl. 174DF CARF MF 8 Francisco de Vitória n° 8, Vila Mariana, São Paulo (antigo nº 20) foi alienado em 03/08/1993 por Cr$ 2.580.000,00, equivalente a 60.294,46 UFIR (valor considerado no quadro Análise da Evolução Patrimonial e dos Gastos). Não obstante, foi informado na Declaração de Bens e Direito da recorrente que o bem teria sido negociado em 15/04/1993 por 156.673,81 UFIR. A recorrente argumenta que o valor relativo à transação imobiliária em questão, informado em sua declaração de bens, estaria respaldado no “Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda (fls. 101/107) e nos recibos correspondentes (fls. 108/111). Aduz que “a diferença substancial é a data em que foi levada a alienação a registro, ao invés de abril, foi registrado somente em agosto” e que “à época dos fatos em decorrência da enorme inflação um único dia poderia alterar, e muito, valores”. Cumpre esclarecer que, a despeito das alegações recursais, a diferença apurada pelo Fisco está expressa e Unidades Fiscais de Referência (UFIR) e, nesse sentido, não merece amparo a alegação de que a divergência de valores teria relação com o índice de inflação aferido entre a data do alienação do imóvel e aquela em que a venda teria sido levada a registro em cartório, visto que a UFIR, conforme descrito na Lei nº 8.383/1991, tratase de “medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos e de valores expressos em cruzeiros”. E mais, o registro efetuado na matrícula do imóvel prestase a reproduzir as informações contidas na escritura de compra e venda, a qual, conforme consta do próprio registro, foi lavrada em 03/08/1993, ou seja, em data anterior àquela que consta do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda (19/04/1993), o que contribui para derrogar as razões trazidas na peça recursal de que as diferenças de valores verificadas pelo autoridade lançadora seriam provenientes do processo inflacionário. A respeito do instrumento particular e dos recibos que respaldariam o registro efetuado na Declaração de Bens e Direitos, os arts. 364 e 368 revogado Código de Processo Civil de 1973 CPC (redação idêntica à dos dispositivos correlatos do CPC em vigor), estabeleciam: Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. [...] Em termos fáticos, têmse, de um lado, o registro efetuado na matrícula do imóvel em questão (fls. 27/28) , com base em escritura pública, o qual informa que o valor da venda foi aquele apurado pelo Fisco, do outro lado, Instrumento Particular e recibos (fls. 101/107), sem nem ao menos o reconhecimento de firma em cartório, com base em que a recorrente sustenta que as informações a respeito da alienação seriam aquelas inseridas em sua Declaração de Bens e Direitos. Consoante dispõe o art. 368 do antigo CPC as declarações constantes de documento particular presumemse verdadeiras somente em relação aos seus signatários, não sendo razoável que, com base nessa presunção, o Poder Público considere válidas as informações consignadas em tais declarações, a despeito do que fora gravado em documento com fé pública, como é o caso da escritura pública de compra e venda (art. 364 do antigo Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Acórdão n.º 2402006.094 S2C4T2 Fl. 6 9 CPC), devidamente registrada na matricula do imóvel, conforme certidão anexa aos autos. Ainda mais quando os documentos particulares não vêm acompanhados de elementos probatórios aptos a darlhes suporte. Nesse sentido, irretocáveis as considerações trazidas na decisão recorrida, reproduzidas a seguir, a qual considerou procedente o lançamento quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto: É de se observar que os dados utilizados pela auditora fiscal foram extraídos de documentos emitidos por Oficial de Registro de Imóveis. Em se tratando de documentos dotados de fé pública, fazem prova plena, sobrepondose a qualquer outro documento para provar os dados neles transcritos, a menos que reste comprovado, de maneira inequívoca, que os elementos deles constantes não correspondam às efetivas operações, circunstancia em que a fé publica cede à prova que se contraponha aos dados nela consignados. Os instrumentos particulares. bem como os recibos apresentados, não constituem elemento suficiente para derrogar a fé pública das matriculas examinadas. Para afastar os termos dos documentos públicos, deveriam aqueles estar acompanhados de provas irrefutáveis dos fatos neles contidos, ou seja, do ingresso dos pagamentos nas datas e valores nele especificados. Assim, diante da fé pública de que gozam as declarações prestadas pelo oficial público no exercício de suas atividades, entendo que devem prevalecer os dados utilizados pela auditoria fiscal, os quais o impugnante não logrou refutar. Exercício 1995 e 1996 – AnoCalendário 1994 e 1995 Em relação ao anocalendário 1994, vêse que o registro efetuado na matrícula do imóvel situado à Rua Francisco de Vitória, n° 18 (fl. 36) faz referência a transmissão realizada por instrumento particular datado de 18/08/1995 e informa que o valor da alienação teria sido de R$ 60.000,00. No intuito de afastar a exação, o contribuinte reitera na peça recursal que “o imóvel em referência não foi alienado em 18/08/1995, mas sim em 19/09/1994” por valor correspondente a R$ 80.000,00 e que o documento de fls. 33/36 “apenas e tão somente retrata que o instrumento particular sob comento foi levado a registro junto ao CRI [cartório de registro de imóveis] na data lá constante, nada mais”. Pois bem, primeiramente, há se esclarecer que o registro da alienação do imóvel acima aludido foi realizado em 29/08/1995 (vide parte final dos apontamentos gravados na matrícula do imóvel – fl. 36). A data de venda referenciada nessa certidão e considerada pelo Fisco, 18/08/1995, foi extraída de documento particular exibido no cartório por ocasião registro da transação imobiliária (conforme primeira linha dos apontamentos gravados na matrícula do imóvel – fl. 36). Neste ponto valem exatamente as mesmas considerações apresentadas no tópico precedente quanto a impossibilidade de se afastar os dados veiculados no Auto de Infração, extraídos de documento que goza de fé pública, e considerar informações insertas em Fl. 176DF CARF MF 10 documento particular diverso daquele levado a registro público (instrumento particular de fls. 112/115), ainda mais quando desprovido de qualquer resquício de prova que possa atestar sua veracidade. Assim sendo, reputo acertado o entendimento adotado pela autoridade autuante que, com base nas informações gravadas na matrícula do bem alienado, mediante registro no cartório de registro de imóveis, considerou que a operação de venda concretizouse 18/08/1995, apurando acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 1994 e ganho de capital não declarado no anocalendário 1995. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 177DF CARF MF
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