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Numero do processo: 11020.001494/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/05/1998 a 30/08/1998
VALORES DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO, NECESSIDADE. ARTIGO 90 DA MP N° 2158-35/ 2001.
A cobrança de valores através de auto de infração, ainda que tais valores já tenham sido declarados pelo contribuinte, faz-se necessária, até mesmo para que sejam observados, de forma plena, os princípios da ampla defesa e do devido processo legal.
Legítimo o lançamento efetuado, com relação a débitos declarados em DCTF, se a autuação ocorreu sob a égide da MP n° 2158-35/2001.
MULTA DE OFÍCIO. CONVOLAÇÃO EM MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE.
Cancelada a multa de ofício, e substituída pela multa de mora, esta não deve ser mantida, pois o julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração e não inová-lo.
Numero da decisão: 3201-003.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a incidência da multa moratória imposta pela decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO, NECESSIDADE. ARTIGO 90 DA MP N° 215835/ 2001. A cobrança de valores através de auto de infração, ainda que tais valores já tenham sido declarados pelo contribuinte, fazse necessária, até mesmo para que sejam observados, de forma plena, os princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Legítimo o lançamento efetuado, com relação a débitos declarados em DCTF, se a autuação ocorreu sob a égide da MP n° 215835/2001. MULTA DE OFÍCIO. CONVOLAÇÃO EM MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. Cancelada a multa de ofício, e substituída pela multa de mora, esta não deve ser mantida, pois o julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração e não inoválo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a incidência da multa moratória imposta pela decisão recorrida. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 14 94 /2 00 3- 89 Fl. 263DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado pela Fiscalização da DRFCaxias do Sul, para exigência dos débitos de IPI, relativos aos períodos de apuração 20/05/1998 a 31/08/1998, totalizando R$ 132.297,50, que restaram descobertos face ao indeferimento do pedido de restituição e compensação, protocolado sob o número 11020.001133/9812. Em cumprimento ao disposto no artigo 2° da Instrução Normativa SRF n.° 77, de 1998, e no artigo 90 da Medida Provisória 2.15835/01, de 24 de agosto de 2001, foram lançados de oficio os referidos débitos, acrescidos de multa de lançamento de ofício, exigindoos por meio do Auto de Infração das folhas 3 a 10, que totalizou R$ 354.591,33. 1.1 Foram infracionados os artigos 29, inciso II; 54; 56; 57, inciso III; 59; 62; 107, inciso II e 112, inciso IV, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.° 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI/82), artigos 32, inciso II; 109; 111; 112, inciso III; 114 e parágrafo único; 117; 182; 183; inciso IV; 185, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.° 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), e artigo 90 da MP n.° 2.15835, de 2001. 2. Regularmente intimado da autuação, o contribuinte impugnoua, tempestivamente, por meio do arrazoado das folhas 112 a 123, subscrito por seu diretor (instrumento público de mandato na folha 109). Após resumir os fatos relacionados com a autuação, a Defesa reconhece que não há mérito a ser contestado, pois os débitos lançados de ofício já teriam sido confessados pelo autuado em DCTF, dispondose a questionar, exclusivamente, a pertinência de têlos de si exigidos por meio de auto de infração. Nesse sentido, afirma, loquazmente, que a autoridade administrativa não cumpriu o disposto nos artigos 22 e 23 da Instrução Normativa SRF n.° 210, de 2002, exigindo, por meio de auto de infração, crédito que deveria ter sido liminarmente encaminhado à PFN, para execução. Em razão dessa inobservância, tacha de nulo o Auto de Infração, por transgressão de pelo menos 16 princípios do direito administrativo, que cita (folhas 118 e 119). 2.1 Combate, ainda, o que considera indevida compensação de ofício procedida nos autos dos processos 11020.000766/200114 (IRPJ) e 11020.000768/200151. Da mesma forma, infirma o Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 09 de maio de 2003, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11020.001494/200389 Acórdão n.º 3201003.626 S3C2T1 Fl. 3 3 porque proferido por quem não tinha autoridade para fazêlo, face à restrição constante do artigo 13, inciso III, da Lei n.° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Em seguida, alerta que o lançamento de ofício constitui erro de direito e de fato, que considera mais do que suficiente para determinar sua nulidade. 2.2 Conclui, requerendo a decretação da nulidade do Auto e do Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 09 de maio de 2003, restabelecendose os créditos constantes do processo 11020.001133/9812 e as compensações ali pleiteadas. É o Relatório." O pleito foi julgado procedente em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/POA 3220, de 30/12/2003, decisão proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, afastandose tãosomente a multa de oficio aplicada, convolandoa em multa de mora, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 20/05/1998 a 31/08/1998 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: Não ocorrendo qualquer das hipóteses previstas no art. 59 e preenchidos os requisitos formais do art. 10 do Decreto n.° 70. 235, de 1972, não há que se falar em nulidade. FALTA DE IMPUGNAÇÃO: Considerase definitiva, na esfera administrativa, a parcela da autuação que não foi expressamente impugnada. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 20/05/1998 a 31/08/1998 Ementa: FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES A não homologação das compensações informadas em DCTF permite o lançamento de ofício dos débitos descobertos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de oficio. Lançamento Procedente em Parte" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) ser desnecessário, o que vale dizer proibido, lavrar o Auto de Infração, por ter por objeto débitos confessados em DCTF; Fl. 265DF CARF MF 4 (ii) o reconhecimento da inaplicabilidade da infração pelas autoridades julgadoras, necessariamente leva à nulidade do lançamento e não ao reenquadramento de multa como pretendeu a decisão. Até porque a questão envolvendo a compensação, que certamente pode ter sido a razão para o presente lançamento (se é que se pode utilizar do termo "razão") já esta sendo discutida em processo próprio (PAF n°11020.001133/9812); (iii) nulidade do Auto de Infração com base no art. 59 do Decreto 70.235/1972 e em razão da desnecessidade do lançamento de ofício em razão de o débito declarado em DCTF não estar sujeito ao lançamento de ofício; (iv) que a autoridade julgadora não tem competência para converter a multa de ofício em multa de mora, devendo apenas ter a excluído; (v) o art. 90 da MP 2.15835/2001 já tinha sido "podado" pelo artigo 3° da MP 75/2002, bem antes da lavratura do Auto de Infração que ocorreu em 28/05/2003. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido convertido o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 3201 000.888, de 27 de abril de 2017. Mencionada Resolução determinou a adoção das seguintes providências: "Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que sejam juntadas as DCTFs do período, bem como seja verificado se houve o encaminhamento dos débitos exigidos, para a Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa." A diligência foi devidamente cumprida contendo as seguintes informações: "1. Atendendo vosso pedido de diligência informamos: a) Data do pedido de Compensação: 29/05/1998, vide Despacho Decisório, anexado neste processo, do proc: 11020.001133/98 12, fl. 168170, os AI processos 11020.000767/200114 e 11.020.000768/200151 foram baixados por acórdão. b) DCTF's do período: Estão indicadas lendose a descrição dos fatos relativo a este AI, fl.45; c) os valores não considerados na Compensação estão neste Auto de Infração, ainda não decidido, portanto não encaminhados para inscrição em dívida ativa." É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Inicialmente, é de se consignar que o processo de pedido de restituição e compensação n° 11020.001133/9812 que envolve a recorrente foi julgado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cujo resultado, por unanimidade de votos, foi o desprovimento do recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa a seguir reproduzida: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11020.001494/200389 Acórdão n.º 3201003.626 S3C2T1 Fl. 4 5 "IRPJ OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE POSTERIOR ALTERAÇÃO A opção por um determinado regime de apuração do imposto de renda é irretratável. Recurso desprovido." (Acórdão 10514.666, formalizado em 22/09/2004, Relator Conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt) No que tange a irresignação da recorrente de nulidade da autuação, entendo que não lhe assiste razão. Não há nulidade alguma no processo administrativo que macule a autuação, em especial, no que se refere a desnecessidade de se lavrar o Auto de Infração, por ter por objeto débitos confessados em DCTF. Aqui, importante esclarecer, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 3 (três) processos distintos envolvendo a recorrente, julgou, nesta parte, pela procedência da exigência fiscal através da lavratura de auto de infração (lançamento de ofício) e, via de consequência, negou provimento aos recursos voluntários interpostos. Por amor à brevidade, reproduzo a ementa de somente um dos processos: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998 DCTF. DÉBITO DECLARADO. SALDO A PAGAR ZERO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFICIO. Havendo disposição específica no artigo 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24/08/2001, no sentido de que os débitos declarados em DCTF e cujas compensações não tenham sido homologadas pela autoridade fiscal deviam ser exigidos mediante o procedimento de lançamento de ofício, de se desprezar, por lhe conflitar e lhe ser hierarquicamente inferior, a disposição contida na IN SRF nº 126, de 1998, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 16, de 14/02/2000, que considerava aqueles débitos como confessados e permitia a sua exigência por meio de mera cobrança. Somente com a edição da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, posteriormente regulamentada pela IN SRF nº 480, de 2004, é que não só os Saldos a Pagar, mas, também, quaisquer diferenças encontradas nos procedimentos de compensação informados em DCTF, passaram a ser considerados como confissão de dívida, de modo que a sua exigência não mais passou a depender de lançamento de ofício. No caso, o auto de infração foi lavrado ainda na vigência do artigo 90 da MP 2.15835, de 2001. MULTA DE OFÍCIO. CONVOLAÇÃO EM MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. De se rejeitar a convolação de multa de oficio de 75% em multa de mora de 20% feita pela instância de julgamento de primeira Fl. 267DF CARF MF 6 instância, por lhe faltar competência para promover alterações nos dispositivos legais que sustentam o lançamento de oficio. No caso, ao transformar uma multa de oficio em multa de mora, a DRJ acabou por proceder a um novo lançamento, o que lhe é vedado. Recurso Provido em Parte." (Processo 11020.001495/200323; Acórdão 3401001.746; Relator Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO; Sessão de 20/03/2012) No mesmo sentido, foram as decisões proferidas nos processos 11020.001505/200321 (Acórdão 3401001.748) e 11020.001496/200378 (Acórdão 3401 001.747). Oportuno, ainda, transcrever o posicionamento do CARF em outros processos sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1994, 01/06/1994 a 30/06/1994, 01/11/1995 a 31/01/1996, 01/01/1997 a 30/06/1997, 01/10/1997 a 31/03/1999 VALORES DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO, NECESSIDADE. A cobrança de valores através de auto de infração, ainda que tais valores já tenham sido declarados pelo contribuinte, fazse necessário, até mesmo para que sejam observados, de forma plena, os princípios da ampla defesa e do devido processo legal." (Processo 13808.001134/9917; Acórdão 3201002.583; Relatora Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM; Sessão de 22/02/2017) Do voto da Conselheira relatora, destaco: "Verificase que a Portaria MF nº 524/79 estabeleceu os requisitos da declaração e atribuiu ao SRF a competência para baixar as normas complementares, inclusive quanto ao conteúdo e modelo das declarações. Posteriormente, com a edição do Decretolei nº 2.124/84 foi o Ministro da Fazenda autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias, sendo que o § 1º e o § 2º do art. 5º deste Decretolei estabeleceram que o documento que comunicasse a existência de crédito tributário constituiria confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência de crédito tributário, que corrigido monetariamente e acrescido da multa de mora, podia ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observando o disposto no art. 7º, § 2º do Decretolei nº 2.065/1983. Em seguida, foi criada a DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, também com caráter de confissão de dívida e de título extrajudicial. A IN SRF nº 45/1998, por sua vez, ao disciplinar o tratamento dos dados informados em DCTF, estabeleceu que os créditos tributários apurados nos procedimentos de auditoria interna Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11020.001494/200389 Acórdão n.º 3201003.626 S3C2T1 Fl. 5 7 seriam exigidos por meio de lançamento de ofício, com acréscimo de juros moratórios e multa. Esses débitos eram tratados como declarados mas não confessados. Observase que para os débitos declarados em DCTF, segundo a Nota Conjunta Cosit/Cofis/Cosar nº 535/1997, não é necessária a formalização da exigência por meio de auto de infração, restando suficiente a própria DCTF, que, além de se constituir em confissão de dívida, é instrumento hábil para se prosseguir na cobrança do débito, juntamente com os juros de mora e a multa de mora devidos. Não obstante não ser necessária sua lavratura, o auto de infração não deixa de ser válido, sendo instrumento hábil para formalizar o crédito tributário, como foi confeccionado, tendo em vista, que alguns valores não foram declarados ou foram declarados a menor, apurandose acréscimo nos valores originalmente declarados; não obstante entrega das DCTF. Por sua vez, o Código Tributário Nacional, em seu livro segundo, trata do lançamento e suas modalidades. Logo, são plenamente aplicáveis as considerações alusivas ao lançamento, nos termos do art. 142 do Código. Enfim, a cobrança de valores através de auto de infração, ainda que tais valores já tenham sido declarados pelo contribuinte, fazse de rigor, até mesmo para que sejam observados, de forma plena, os princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, temse a seguinte decisão: "IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IRRF. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. NÃO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. ARTIGO 90 DA MP N° 215835/ 2001. Revelase legítimo o lançamento efetuado, com relação a débitos declarados em DCTF, e não pago, se a autuação ocorreu sob a égide da MP n° 215835/2001." (Processo 10840.000012/2002 76; Acórdão 9202002.013; Relatora Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN; Sessão de 20/03/2012) O Superior Tribunal de Justiça entende que antes de 31/10/2003 há necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença de débito apurado em DCTF, decorrente de compensação indevida, conforme decisões a seguir colacionadas: "TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF Fl. 269DF CARF MF 8 decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada antes de 31.10.2003, onde houve compensação indevida, compreendo que havia a necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu. Precedentes: REsp. n. 1.240.110PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2.2.2012; REsp. n. 1.205.004SC, Segunda Turma, Rel. Min. César Asfor Rocha, julgado em 22.03.2011; REsp. n.º 1.212.863 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.05.2012. 4. Recurso especial não provido." (REsp 1332376/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2012, DJe 12/12/2012) "PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. LANÇAMENTO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. VIGÊNCIA DO ART. 170A DO CTN. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Se antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida e os Pedidos de Compensação pendentes em 01.10.2002 foram convertidos em DCOMP, desde o seu protocolo extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória, não há como entender que o crédito tributário dessa forma veiculado se encontre exigível e apto para ser inscrito em dívida ativa sem antes haver lançamento de ofício efetuado pela Secretaria da Receita Federal com base nos Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11020.001494/200389 Acórdão n.º 3201003.626 S3C2T1 Fl. 6 9 documentos de que dispõe. Precedente: REsp. n. 1.240.110PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2.2.2012. 3. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedente em sede de recurso representativo da controvérsia: REsp. nº 1.164.452 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 25.08.2010. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido." (REsp 1212863/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/05/2012, DJe 08/05/2012) Assim, no que tange a esta matéria, nego provimento ao recurso. Com relação ao argumento de que não é possível a conversão da multa de ofício em multa moratória, assiste razão ao argumento expendido pela recorrente. Conforme já citado, a recorrente teve 3 (três) processos que tratam das matérias debatidas neste recurso possuindo, portanto, precedentes jurisprudenciais do CARF, em relação ao tema (convolação da multa de ofício em multa moratória), favoráveis neste sentido, os quais adoto como razões de decidir: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998 DCTF. DÉBITO DECLARADO. SALDO A PAGAR ZERO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFICIO. Havendo disposição específica no artigo 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24/08/2001, no sentido de que os débitos declarados em DCTF e cujas compensações não tenham sido homologadas pela autoridade fiscal deviam ser exigidos mediante o procedimento de lançamento de oficio, de se desprezar, por lhe conflitar e lhe ser hierarquicamente inferior, a disposição contida na IN SRF nº 126, de 1998, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 16, de 14/02/2000, que considerava aqueles débitos como confessados e permitia a sua exigência por meio de mera cobrança. Somente com a edição da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, posteriormente regulamentada pela IN SRF nº 480, de 2004, é que não só os Saldos a Pagar, mas, também, quaisquer diferenças encontradas nos procedimentos de compensação informados em DCTF, passaram a ser considerados como confissão de dívida, de modo que a sua exigência não mais passou a depender de lançamento de oficio. No caso, o auto de infração foi lavrado ainda na vigência do artigo 90 da MP 2.15835, de 2001. Fl. 271DF CARF MF 10 MULTA DE OFICIO. CONVOLAÇÃO EM MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. De se rejeitar a convolação de multa de oficio de 75% em multa de mora de 20% feita pela instância de julgamento de primeira instância, por lhe faltar competência para promover alterações nos dispositivos legais que sustentam o lançamento de oficio. No caso, ao transformar uma multa de oficio em multa de mora, a DRJ acabou por proceder a um novo lançamento, o que lhe é vedado. Recurso Provido em Parte." (Processo 11020.001495/200323; Acórdão 3401001.746; Relator Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO; Sessão de 20/03/2012). Do voto condutor destaco: "A DRJ, suscitando a modificação superveniente havida naquela regra do artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, o que se deu por meio do artigo 18 da MP nº 135, de 30/10/2003, acima reproduzido, admitiu que no ato do lançamento de ofício não mais haveria previsão para a exigência de multa de ofício e, invocando o princípio da retroatividade benigna previsto na alínea “c”, do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, convoloua numa multa de mora de 20%. À época do lançamento vigia o art. 90 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, com a seguinte redação: 'Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.' Embora, consoante explicitado acima, tenha se mostrado correta a constituição de oficio dos valores cuja compensação não fora homologada, ainda que informados na DCTF, há que se rever a questão da multa de ofício aplicada, a qual, após ter sido cancelada pela DRJ, fora “convolada” numa multa de mora de 20%. Então, o que restou para o presente julgamento é uma multa de mora de 20% “aplicada” pela DRJ, o que, com o devido acatamento, não pode prevalecer.. Ora, tem razão a recorrente quando argumenta que não poderia a DRJ “emendar”, o melhor seria “remendar”, “consertar” o auto de infração, convolando uma multa de ofício de 75% em uma multa de mora de 20%. Sim, pois se a multa de ofício não mais possui previsão para ser lançada, o correto é extirpála do lançamento, pura e simplesmente, não se podendo cogitar de sua convolação numa multa de mora, que, como se sabe, só é devida para os casos em os débitos fiscais não são adimplidos nos prazos legais fixados e é calculada, ou pelo próprio devedor, ou Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11020.001494/200389 Acórdão n.º 3201003.626 S3C2T1 Fl. 7 11 pela autoridade fazendária em cobrança amigável; não em procedimento de oficio. De se modificar, portanto, a decisão recorrida, quanto a este quesito, cancelando a exigência da multa de mora." Com o mesmo entendimento, foram as decisões proferidas nos processos 11020.001505/200321 (Acórdão 3401001.748) e 11020.001496/200378 (Acórdão 3401 001.747). No mesmo sentido, sobre a impossibilidade da convolação da multa de ofício em multa de mora: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 (...) MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, obedece estritamente aos preceitos legais, não cabendo sua convolação em multa moratória. (...)" (Processo 10510.001892/201040; Acórdão 1402001.198; Relator Conselheiro FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR; Sessão de 02/10/2012) Recentemente, em processo de relatoria da Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim os membros da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, à unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário no processo 11610.006832/200167 (Acórdão 3201002.611) para afastar a multa de mora (20%) que substituiu a multa de ofício (75%), por ocasião do julgamento de primeira instância. Aludida decisão, possui a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. IPI A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário. (...) MULTA DE MORA Cancelada a multa de ofício, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II, do CTN e substituída pela multa de mora (20%); logo, esta não deve ser mantida, pois o julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração e não inoválo. Recurso a que se dá provimento parcial." Fl. 273DF CARF MF 12 O voto condutor está redigido nos seguintes moldes: "E por fim, no tocante à substituição da multa de mora, não há como se manter, pois, a decisão de primeira instância cancelou a multa de ofício imposta, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II (ato não definitivamente julgado), do CTN e a trocou pela mora (20%); pois, entendo que julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração. Não cabe ao aplicador da lei alterar a disposição legal infringida e a penalidade aplicável para substituir a multa de ofício pela multa de mora, pois a manutenção da mora seria o mesmo que "impor" nova penalidade, pois, uma situação é a da redução da multa de ofício quando lançada; o que é possível; outra é a de mudar a natureza de multa de ofício para a de mora, onde a disposição legal infringida e a penalidade aplicável são totalmente distintas. Dessa forma, entendo que deve ser excluída a multa de mora." Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, de modo a afastar a incidência da multa moratória imposta pela decisão recorrida. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720182/2016-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 01 82 /2 01 6- 04 Fl. 100DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, por meio do qual foram glosadas deduções com pensão alimentícia no valor de R$21.318,00 e despesas médicas no valor de R$4.450,00. Sendo assim, o imposto de renda a ser restituído foi reduzido para R$873,58. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o pagamento da pensão decorre de decisão judicial, devidamente homologada, e que a despesa médica foi devidamente comprovada através dos recibos emitidos, com informações completas exigidas por lei, bem como declaração emitida pela própria profissional, corroborando a prestação do serviço e o devido pagamento. A DRJ Bahia, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a pensão alimentícia declarada nem a despesa médica. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões e ratifica a juntada dos documentos comprobatórios. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária na dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2015. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13782.720182/201604 Acórdão n.º 2001000.368 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Tendo em vista que os pressupostos legais encontramse presentes, e há declaração dos beneficiários corroborando o recebimento da quantia, bem como evidência de saques sempre no mesmo período do mês, com valor praticamente igual ao quanto devido de pensão estabelecida em sentença judicial homologada, entendo que restam comprovados tais pagamentos. Além disso, o pagamento da pensão não é uma faculdade quando a mesma é determinada por decisão judicial. Caso ele descumpra, paga severas penas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros Fl. 102DF CARF MF 4 procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e por entender que cumpriu o Contribuinte os requisitos legais, ou seja, que comprovou os pagamentos das pensões alimentícias e que eles decorrem de decisão judicial, entendo que devem ser acatadas tais despesas. No que se refere à despesa médica, entendo também que foi devidamente comprovada seja pelos recibos com todas as informações exigidas por lei (nome do prestador, endereço profissional, valor, beneficiário, discriminação dos serviços) seja pela própria declaração emitida pela odontóloga, corroborando o quanto afirmado pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que sejam deduzidas as despesas com pensão alimentícia e despesas médicas, devidamente comprovadas pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13782.720182/201604 Acórdão n.º 2001000.368 S2C0T1 Fl. 4 5 Fernanda Melo Leal. Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722810/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/04/2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Lançamento tributário que observou as regras para sua constituição, inexistindo qualquer um dos elementos previstos no artigo 59, do PAF.
CORREÇÃO MONETÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Ainda que previsto na decisão transitada em julgado, sendo certo que tal decisão não estabeleceu qualquer índice e que não há previsão legal para reconhecer correção monetária de créditos de natureza escritural, não cabe utilizar qualquer índice sob pena de violação do artigo 37, da CF/88.
CREDITO EXTEMPORÂNEO DE IPI. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL.
Conforme já pacificado no STJ, deve ser aplicada a regra inserida no Decreto-Lei n. 20.910/32 para fins de estabelecimento dos parâmetros temporais para prescrição do direito ao crédito de IPI, e não o disposto no CTN, por não se tratar de pagamento indevido.
OFENSA À COISA JULGADA MATERIAL. INEXISTÊNCIA.
Cabe à autoridade fazendária aplicar o dispositivo da decisão judicial transitada em julgado; para tanto, deve-se observar o próprio pedido inicial com o objetivo de evitar restringir ou ampliar demasiadamente o conteúdo daquele dispositivo. No caso concreto, o lançamento decorreu justamente da conclusão de que o contribuinte ultrapassou os limites estabelecidos na decisão, vindo a tomar créditos sobre aquisições de itens não autorizados pelo Poder Judiciário
Numero da decisão: 3401-004.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ROSALVO TREVISAN - Presidente
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosado Trevisan (presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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PAINÉIS E SERRADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/04/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Lançamento tributário que observou as regras para sua constituição, inexistindo qualquer um dos elementos previstos no artigo 59, do PAF. CORREÇÃO MONETÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Ainda que previsto na decisão transitada em julgado, sendo certo que tal decisão não estabeleceu qualquer índice e que não há previsão legal para reconhecer correção monetária de créditos de natureza escritural, não cabe utilizar qualquer índice sob pena de violação do artigo 37, da CF/88. CREDITO EXTEMPORÂNEO DE IPI. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. Conforme já pacificado no STJ, deve ser aplicada a regra inserida no DecretoLei n. 20.910/32 para fins de estabelecimento dos parâmetros temporais para prescrição do direito ao crédito de IPI, e não o disposto no CTN, por não se tratar de pagamento indevido. OFENSA À COISA JULGADA MATERIAL. INEXISTÊNCIA. Cabe à autoridade fazendária aplicar o dispositivo da decisão judicial transitada em julgado; para tanto, devese observar o próprio pedido inicial com o objetivo de evitar restringir ou ampliar demasiadamente o conteúdo daquele dispositivo. No caso concreto, o lançamento decorreu justamente da conclusão de que o contribuinte ultrapassou os limites estabelecidos na decisão, vindo a tomar créditos sobre aquisições de itens não autorizados pelo Poder Judiciário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 28 10 /2 00 9- 24 Fl. 427DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALVO TREVISAN Presidente TIAGO GUERRA MACHADO Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosado Trevisan (presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 368 e seguintes) contra a decisão da Delegacia de Julgamento que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, referente a glosa de créditos de IPI entre 2004 e 2007. Do Lançamento Naquela ocasião, foram lavrados dois Autos de Infração, nos valores respectivos de R$ 248.225,78 e R$ 1.720.333,32, por ter a autoridade fiscal entendido que houve escrituração indevida de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados, decorrentes da aquisição de insumos não tributados, discutidos judicialmente no âmbito do Mandado de Segurança nº 98.00209263. O citado writ teve decisão favorável ao contribuinte, já transitada em julgado à época dos fatos. A fiscalização, baseada no entendimento da Divisão de Tributação – DISIT, da Superintendência Regional da Receita Federal da 9ª Região Fiscal da RFB, considerou que “quando o acórdão do TRF da 4ª Região, ao julgar o Mandado de Segurança supra, concedeu a ordem “nos termos requeridos” pelo contribuinte, transferiu para a análise do pedido, o alcance da decisão.” Como consequência, foram glosados os créditos de IPI, calculados sobre energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de matériaprima, bem como, os créditos alcançados pela prescrição qüinqüenal. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10980.722810/200924 Acórdão n.º 3401004.463 S3C4T1 Fl. 428 3 Da Impugnação Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação, argumentando que o lançamento deveria ser anulado em razão dos seguintes vícios: a) Fora fundado em presunção; b) Ausência de descrição dos créditos presumidos glosados; c) Veio a infringir o art. 37 da Constituição Federal; d) Não há motivação do lançamento; e) A capitulação legal indica não se relaciona com os fatos narrados; f) Que houve ofensa à coisa julgada material; Alternativamente, requereu diligência para verificar se os créditos glosados referemse a produtos não caracterizados como insumos; Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1445.113, exarado pela 2ª Turma, da DRJ/RPO, através do qual foi mantido o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/04/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO – INEXISTÊNCIA: Lançamento tributário que observou as regras para sua constituição, assentandose sobre fato concreto, afasta a alegação de lançamento por presunção. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: Verificada, nos anexos, a existência de descrição da base de cálculo sobre a qual assentouse o lançamento tributário, afastase a nulidade apontada por tal argumento. CORREÇÃO MONETÁRIA FALTA DE PREVISÃO LEGAL: Não há previsão legal para reconhecer correção monetária de direitos creditórios. PRESCRIÇÃO: As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originara, conforme Decreto n° 20.910, de 06/01/32 . Fl. 429DF CARF MF 4 DESCUMPRIMENTO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS INEXISTÊNCIA: Os atos praticados pela autoridade fiscal relativos a estes autos, se deram por dever legal e funcional e nos estritos limites da lei, inexistindo, portanto, qualquer inobservância ao Art. 37 da Constituição Federal. ERRO OU OMISSÃO DE CAPITULAÇÃO LEGAL: Eventual erro ou omissão de capitulação legal, não tem a aptidão de nulificar o lançamento tributário, se da descrição dos fatos, o sujeito passivo tem ampla condição de exercer sua oposição. OFENSA À COISA JULGADA MATERIAL. A interpretação do dispositivo da decisão judicial por parte da autoridade judicial foi responsável e observou, inclusive, a entendimento oficial produzido por órgão da estrutura da Receita Federal do Brasil, que tem como mister a boa aplicação da legislação tributária. Estando os fatos objeto dos Autos de Infração fora do campo da coisa julgada material, não há que se falar em nulidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da decisão ora recorrida, destacamse os seguintes trechos: Verifico que os créditos glosados encontramse indicados nos anexos de fls. 46 a 51, e as circunstâncias que determinaram a glosa estão claramente descritas no Termo de Verificação Fiscal, o que permite à Impugnante o seu exercício constitucional de contraditório e ampla defesa, não cuidando os autos de presunção. Sequer a capitulação legal referese à qualquer hipótese de presunção legal. A capitulação legal adotada no lançamento está em perfeita consonância com a motivação exteriorizada no Termo de Verificação Fiscal e nos Autos de Infração lavrados. (...) Não houve ofensa a coisa julgada. Consta, nos autos, uma responsável análise dos limites e alcance da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança, não só efetuada pela autoridade fiscal signatária do lançamento, mas também por órgão da estrutura da Receita Federal do Brasil, afeito com as questões que envolvem a interpretação da legislação tributária. Isso porque, o crédito tributário é bem público, constituindose em dever do servidor exigir ou dispensar, observada a necessária competência, somente aquilo que a lei autoriza ou que a decisão judicial transitada em julgado, efetivamente, exigiu ou dispensou em homenagem ao princípio da indisponibilidade do crédito tributário e respeito à jurisdição. A autoridade fiscal deixa claro essa circunstância em seu Termo: “Desta forma, concluiuse que a decisão judicial concedeu ao contribuinte o direito de creditarse de um valor de IPI fictício calculado sobre as aquisições de matériaprima não tributada, isenta ou alíquota zero, mediante a aplicação das alíquotas incidentes sobre os produtos em que foram Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10980.722810/200924 Acórdão n.º 3401004.463 S3C4T1 Fl. 429 5 aplicadas, com obediência da prescrição qüinqüenal (cinco anos) e não estipulando índices de correção monetária não previstos na legislação, ou seja, sem incidência de correção monetária.” A alegação da Impugnante de que os créditos de períodos anteriores foram parciais, sugerindo a existência de outros, e de que se refeririam aos outros estabelecimentos da empresa, não pode ser considerada, uma vez que, há de se observar o princípio da autonomia dos estabelecimentos que rege o IPI, bem como, que a discussão deve assentarse ao que está escriturado. Do Recurso Voluntário O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio meramente a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: (a) O crédito pleiteado em juízo está sujeito a prescrição decenal; (b) O crédito escritural é passível de correção monetária; (c) Multa de ofício teve caráter confiscatório; (d) Inadmissibilidade de atualização da multa; (e) Inaplicabilidade da SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Das preliminares de nulidade Fl. 431DF CARF MF 6 Tomo na integralidade a análise da DRJ sobre os argumentos trazidos pela recorrente à época da impugnação, não vislumbrando qualquer vício passível de nulidade conforme a previsão do artigo 59, do PAF. Afasto, assim, as preliminares trazidas pela recorrente. Do Mérito Na prática, resta analisar se o procedimento realizado de apropriação de crédito escriturais extemporâneos estava em linha com o pedido da Recorrente quando do ajuizamento do Mandado de Segurança e com a respectiva decisão transitada em julgada. É o que se faz a seguir. Primeiramente, a petição inicial assim solicitou: Já a decisão final exarada pelo Poder Judiciário reconheceu o direito da Recorrente da seguinte maneira: Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10980.722810/200924 Acórdão n.º 3401004.463 S3C4T1 Fl. 430 7 Por fim, restou assim ementada a decisão judicial, que veio a transitar em julgado em 22.11.2000: Já no âmbito da verificação fiscal que culminou com a glosa de créditos supostamente decorrentes da ação judicial, a unidade de origem veio a interpretar da seguinte maneira: Fl. 433DF CARF MF 8 De fato, seu entendimento decorreu das conclusões da DISIT/9ª RF: Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10980.722810/200924 Acórdão n.º 3401004.463 S3C4T1 Fl. 431 9 Em suma, foi entendido que: (a) A Recorrente, quando do pedido da ação judicial, requereu jurisdição sobre os créditos sobre aquisição de matériaprima sujeitas à alíquota zero, ou isentas ou não tributadas pelo IPI. Porém, quando usufruiu do direito garantido no respectivo writ, a Recorrente apropriouse de créditos sobre aquisições de itens alheios ao conceito de matéria prima, i.e. energia elétrica e combustíveis; (b) A Recorrente também, para fins de apropriação daqueles créditos, considerou que as aquisições desde 1988 ensejariam direito ao crédito, uma vez entender que a prescrição atinente ao direto de creditamento "presumido" do IPI era de dez anos. Discordando dessa posição, a Receita Federal somente aceitou a escrituração de créditos a partir de 1993, portanto, cinco anos anteriores à data de ajuizamento do respectivo Mandado de Segurança, citando, inclusive o pedido feito pela Recorrente na peça exordial ("...não alcançados pela prescrição qüinqüenal"); (c) Apesar de constar no pedido judicial e na decisão final a aplicação de correção monetária sobre os créditos escriturais, não há previsão expressa de qual índice utilizar quando da respectiva apropriação extemporânea; dessa forma, inexistindo tampouco previsão legal para ajuste monetário sobre créditos de natureza escritural, o entendimento da Receita Federal foi o de considerar impossível aplicação de qualquer índice, a despeito da pretensão do contribuinte. Há de se concordar com os argumentos trazidos pela DISIT. Quanto à interpretação da coisa julgada material: insumo ou matéria prima? Apesar de a Recorrente esmerarse em atribuir uma ampla aplicação do comando definido na sentença transitada em julgado inclusive apontando que a autoridade fazendária teria "ofendido a coisa julgada material", o fato claro é: o contribuinte, no pedido judicial, requereu apropriação de créditos de IPI sobre aquisição de matériaprima, integralmente aceito pela decisão definitiva. Na verdade, a origem dos créditos apropriados pela Recorrente afastouse do conceito de matériaprima, eis que os itens dos quais se originaram não integram o produto final fabricado pela Recorrente (energia elétrica e combustíveis). Nessa linha, a Recorrente buscou atribuir que a decisão transitada em julgado deveria ser interpretada não como as matériasprimas tal como pedido na peça exordial mas como insumo, que, por óbvio, suscitaria uma ampliação irregular das hipóteses de crédito. Fl. 435DF CARF MF 10 Adicionalmente, ainda que o acórdão definitivo refirase na ementa a "insumos", é bastante claro, na parte dispositiva, que o órgão colegiado reformou a sentença para "conceder a ordem, nos termos requeridos", ou seja, conforme o pedido inicial. Portanto, insubsistente o argumento de que a coisa julgada tratava de insumos, e não matériaprima stricto sensu, devendo ser mantidas as glosas referentes aos créditos apropriados decorrentes de itens que integram o produto final. Quanto ao período prescricional para apropriação extemporânea de crédito escritural de IPI Mais uma vez, observamos que o pedido judicial da Recorrente é no sentido de ser reconhecido o direito à apropriação de créditos escriturais de IPI decorrentes da aquisição de matériaprima sem destaque do imposto, de modo que a ação não trata da repetição de indébito dos valores de IPI recolhidos indevidamente em razão do creditamento "a menor" em sua escrita fiscal. Esse ponto é fundamental. Como o direito pleiteado judicialmente, e do que decorre o presente auto de infração, não se refere à recuperação do pagamento indevido de tributo, não é possível a aplicação dos artigos 150 e 168, do CTN. Repito: a apropriação de créditos escriturais, ainda que extemporâneos, não tem a mesma natureza de compensação de tributos, uma vez que o segundo caso remete, obrigatoriamente, ao fato de o contribuinte que faz a compensação, tenha, em algum momento, recolhido o tributo direta ou indiretamente (caso das retenções por fonte pagadora, nos termos da lei), não se valendo dessa regra os casos em que o tributo é recuperado, como decorrência da nãocumulatividade, das transações comerciais anteriores, derivada da repercussão econômicofinanceira dessa espécie de tributo. Desse modo, tal qual vem sendo o posicionamento das cortes superiores (vide (REsp 833.264/MG, Rel. Min. Castro Meira, DJ 25.08.2006), entendo pela aplicabilidade da regra prevista no DecretoLei 20.910/1932, quase seja, a prescrição qüinqüenal dos créditos fiscais do IPI, contada a partir do ajuizamento da ação. Vejamos: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Pelo exposto, também não merece reforma a decisão recorrida em particular. Quanto à aplicação de correção monetária sobre os créditos escriturais extemporâneos Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10980.722810/200924 Acórdão n.º 3401004.463 S3C4T1 Fl. 432 11 Aproveitando os itens anteriores, o longo discurso da Recorrente sobre o efeitos da coisa julgada carece de aplicação lógica ao presente caso. Isto porque, como a decisão transitada em julgado não explicitou qual índice deveria ser utilizado, essa determinação dispositiva do comando judicial ficou transferida à autoridade fazendária, quando do momento da homologação do lançamento. Contudo, diante do fato de que não há na legislação em vigor previsão legal para incidência de correção monetária sobre créditos escriturais, a Receita Federal não reconheceu o ajuste monetário realizado pelo contribuinte quando da apropriação dos créditos. Nem poderia ser diferente. Caso a autoridade fazendária viesse, a seu bel prazer, estabelecer um índice de correção monetária sem previsão legal, estaria ultrapassando os limites do artigo 37, da Constituição Federal, e as próprias normas legais e infralegais que regulam sua atividade Tal qual esse Tribunal administrativo. Veja que admitir a aplicação de SELIC sobre os créditos escriturais seria conferir amplitude maior que a prevista na Lei Federal 9.250/1995, que, em seu artigo 39, trata da atualização monetária e incidência de juros compensatórios na compensação e restituição de tributos indevidamente pagos. Ampliar, nesse particular, seria utilizar da equidade para, indiretamente, dispensar a obrigação tributária uma vez que a correção monetária ampliaria o abatimento de crédito escritural do quantum devido pelo contribuinte o que é vedado nos termos do artigo 108, parágrafo segundo. Por fim, vale ressaltar que o posicionamento seria diferente se a própria decisão judicial tivesse estabelecido um índice específico. Nessa hipótese, caberia à unidade de origem da RFB e, ocasionalmente, a esse colegiado, apenas acatar os termos do comando judicial, sem estabelecer qualquer juízo de valor sobre sua plausibilidade. Nesse sentido, mantenho a decisão ora recorrida também nesse aspecto. Quanto à atualização da Multa de Ofício Manifesto meu posicionamento aderente a possibilidade da atualização pela SELIC dos valores lançados como multa de ofício. Diante desse cenário, não merece acolhimento o pedido da Recorrente. Quanto à não aplicação da SELIC para atualização dos débitos lançados e ao caráter confiscatório da multa de ofício. Com relação ao primeiro item, faço menção à Sumula CARF nº 4, de modo que não há como esse colegiado, seguindo a determinação do Regimento Interno, insurgirse contrário a seu dispositivo: Fl. 437DF CARF MF 12 Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Já o segundo pleito da Recorrente, sendo matéria de lide constitucional, em face da Súmula CARF 2, também não compete à Turma dirimir tema dessa natureza. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720835/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Embargos Declaratórios. Omissão. Cabimento.
Cabem embargos declaratórios para exame da pretensão deduzida no recurso, e acerca da qual o colegiado, devendo se manifestar, não o fez.
Ação Judicial. Renúncia à Instância Administrativa.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 1301-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Embargos Declaratórios. Omissão. Cabimento. Cabem embargos declaratórios para exame da pretensão deduzida no recurso, e acerca da qual o colegiado, devendo se manifestar, não o fez. Ação Judicial. Renúncia à Instância Administrativa. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios para exame da pretensão deduzida no recurso, e acerca da qual o colegiado, devendo se manifestar, não o fez. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 08 35 /2 01 0- 68 Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1301002.928 S1C3T1 Fl. 1.086 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos por SINTEQUÍMICA DO BRASIL LIMITADA, já qualificada nos autos, alegando a existência de omissões no Acórdão nº 1103001.125, da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara. Segundo a embargante, o acórdão teria deixado de apreciar os seguintes pontos suscitados no recurso: a) havia um provimento jurisdicional concedendo à embargante tutela antecipada e, por isso, o art. 41, § 1º, da Lei n° 8.981/95 não seria aplicável, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário se deu com fulcro no art. 151, inciso V, do Código Tributário Nacional CTN; e b) não foi considerado o incentivo fiscal de redução do IRPJ e seus adicionais, quer no percentual de 50% (reconhecido pela SUDENE e pelo Judiciário AC n° 495.470PE), quer no percentual de 25%. Os embargos foram parcialmente admitidos pelo despacho de fls. 1.040 a 1.046, nos seguintes termos: Temse que em relação ao tema (a) "Nas ações onde constam depósitos do período de 2007, a Embargante tinha decisão proferida em tutela antecipada, e por isto o art. 41, § 1º da Lei n° 8.981/95 não deve ser aplicada a este período, já que há de ser levado em conta de que a base legal para a suspensão da exigibilidade nas referidas ações é o art. 151, V do CTN;" a situação de omissão não está apontada objetivamente. Houve expressa manifestação do julgado sobre pontos em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames dessa causa de pedir. Atinente a questão (b) "Não foi utilizado o incentivo fiscal de redução do IRPJ e seus adicionais, quer no percentual de 50% (reconhecido pela SUDENE e pelo Judiciário AC n° 495470/PE), quer no percentual de 25%" a situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre pontos em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames dessa causa de pedir. Por todo o exposto, declaro a improcedência das alegações suscitadas, de forma que ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos para: em relação ao tema (a) (...), a situação de omissão não está apontada objetivamente. Verificase que houve expressa manifestação do julgado sobre pontos em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames dessa causa de pedir; atinente a questão (b) (...), a situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre pontos em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames dessa causa de pedir. É o que basta relatar. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1301002.928 S1C3T1 Fl. 1.087 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em tela, o objeto dos embargos é a falta de pronunciamento, no acórdão embargado, acerca da redução de 50% do lucro a título de incentivo fiscal, que, embora já tivesse sido reconhecida pela Sudene e pela Justiça Federal, não foi concedida pela autoridade lançadora. Na petição de fl. 1.060, a embargante traz a notícia de que o C. Superior Tribunal de Justiça STJ, no REsp nº 1.528.441, ratificou a existência do direito ao incentivo fiscal, tal como pleiteado no recurso. A recorrente afirmou ter ajuizado ação com o propósito de discutir o direito ao incentivo. Disse que o processo chegou ao STJ, que proferiu decisão em seu favor. Ao levar a discussão para a esfera judicial, o sujeito passivo renunciou ao processo administrativo, na parte referente à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. É que a decisão administrativa, qualquer que seja seu conteúdo, não prevalecerá sobre a decisão judicial. A renúncia à esfera administrativa é uma decorrência lógica. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 1: SÚMULA nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em suma, se a matéria, como afirma a embargante, já foi decidida no processo judicial, nenhuma eficácia terá a decisão do CARF. Portanto, os autos devem ser devolvidos à unidade de origem para proceder de acordo com o que foi, ou venha a ser, decidido pela Justiça. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1301002.928 S1C3T1 Fl. 1.088 4 Fl. 1088DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722945/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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EXCESSO DE RECEITA FATO GERADOR 26/02/2009 A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em prática reiterada de infração à legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1058.472, da 7ª Turma da DRJ/POA, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra a exclusão de ofício do Simples Nacional da pessoa jurídica acima identificada, por meio do Ato Declaratório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 29 45 /2 01 1- 17 Fl. 237DF CARF MF 2 Executivo SEORT/DRFNHO nº 01, de 16 de junho de 2016 (fls 198/199), com fundamento no art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista a situação relatada pela autoridade fiscal no Despacho Decisório nº 0273/2016 (fls. 195/197). A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cujo acórdão da DRJ foi contrário à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo, com a devida vênia, o voto: Voto Juízo de admissibilidade A manifestação de inconformidade é tempestiva, atestado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil jurisdicionante à fl. 213, e dela se toma conhecimento. Contencioso Insurgese, a manifestante, contra a sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199), que tem como fundamento de exclusão a constatação material da hipótese prevista no artigo 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista a situação relatada pela autoridade fiscal no Despacho Decisório nº 0273/2016 (fls. 195/197). Em apertada síntese, ressaltase que a pretensão de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão do Contribuinte do Simples Nacional formulada pela interessada contém argumentos de nulidade e decadência. Observase que as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do art. 172 do Decreto no 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Procedendo à análise dos elementos constantes nos autos e da legislação que rege a matéria, observase a improcedência dos argumentos apresentados pela defesa conforme se detalhará na seqüência. Consideração inicial Inicialmente, ressaltase que nenhum documento probatório, em relação à quitação dos débitos que deram origem à exclusão do Simples Nacional da Tanaju Calçados Ltda sucedida de fato por Muriá Calçados Ltda, foi juntado pela defesa. Ademais, compulsando o sistema informatizado, verificase que os referidos débitos se encontram inscritos em Dívida Ativa da União, em cobrança judicial ajuizada, conforme colacionase abaixo: PENDENCIA NA PGFN (SIDA) PROCESSO 18208082.572/200801 CNPJ 02.512.279/000118 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11065.722945/201117 Acórdão n.º 1001000.500 S1C0T1 Fl. 3 3 TRIBUTO 8822 SIMPLES INSCRICAO 0041200840000 DATA INSCRICAO 18/05/2012 SITUACAO ATIVA AJUIZADA PFN RESPONSAVEL NOVO HAMBURGO PROCESSO 11065500.201/201216 CNPJ 02.512.279/000118 TRIBUTO 1507 SIMPLES NACIONAL INSCRICAO 0041201707478 DATA INSCRICAO 19/10/2012 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 22/10/2012 PFN RESPONSAVEL NOVO HAMBURGO PROCESSO 11065500.256/201315 CNPJ 02.512.279/000118 TRIBUTO 1507 SIMPLES NACIONAL INSCRICAO 0041300954899 DATA INSCRICAO 25/01/2013 SITUACAO ATIVA AJUIZADA PFN RESPONSAVEL NOVO HAMBURGO Da argüição de nulidade Não prosperam as nulidades argüidas pela contribuinte, eis que a exclusão do Simples Nacional preenche todos os requisitos formais e materiais estabelecidos pela legislação, constando no Despacho Decisório, fls. 195/197, a descrição clara e precisa dos fatos que deram origem à exclusão, bem como a fundamentação fática e legal que orientou tal procedimento. Observese, também, que o Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 59 dispõe sobre os casos de nulidade, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que as questões apresentadas pela impugnante não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a incompetência de que trata o inciso I e não ocorreu a hipótese de preterição do direito de defesa contida no inciso II. Fl. 239DF CARF MF 4 Portanto, o Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199), não está eivado de qualquer nulidade. Da decadência O procedimento tem por objeto a exclusão do Simples Nacional, com efeito retroativo a partir de 26/02/2009, data de abertura constante no CNPJ, tendo por fundamento sucessão empresarial fraudulenta de uma empresa pela outra, com vistas a dar continuidade aos benefícios decorrentes da sistemática simplificada da tributação (Simples Nacional). Não se destina, portanto, à constituição ou à cobrança de crédito, razão pela qual é de todo impertinente a alegação de decadência. A decadência prevista no art. 1733 e no § 4º do art. 1504 do CTN extingue apenas o direito de lançar crédito tributário, não impedindo, porém, que a Administração verifique a regularidade do ingresso no Simples Nacional e proceda à respectiva exclusão, caso constate a existência de fato impeditivo, inclusive fazendo retroagir os efeitos da exclusão, o que, no caso concreto, obedeceu ao disposto no § 1º do art. 29 da LC 123/2006. Assim sendo, o lançamento de eventual crédito tributário, nascido ao longo do período, poderá ser feito, ressalvado o crédito já colhido pela decadência. Neste processo, todavia, não se cuida de exigência de crédito tributário. que deram origem à exclusão, bem como a fundamentação fática e legal que orientou tal procedimento. Observese, também, que o Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 59 dispõe sobre os casos de nulidade, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que as questões apresentadas pela impugnante não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a incompetência de que trata o inciso I e não ocorreu a hipótese de preterição do direito de defesa contida no inciso II. Portanto, o Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199), não está eivado de qualquer nulidade. Da decadência O procedimento tem por objeto a exclusão do Simples Nacional, com efeito retroativo a partir de 26/02/2009, data de abertura constante no CNPJ, tendo por fundamento sucessão empresarial fraudulenta de uma empresa pela outra, com vistas a dar continuidade aos benefícios decorrentes da sistemática simplificada da tributação (Simples Nacional). Não se destina, portanto, à constituição ou à cobrança de crédito, razão pela qual é de todo impertinente a alegação de decadência. A decadência prevista no art. 1733 e no § 4º do art. 1504 do CTN extingue apenas o direito de lançar crédito tributário, não impedindo, porém, que a Administração verifique a regularidade do ingresso no Simples Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11065.722945/201117 Acórdão n.º 1001000.500 S1C0T1 Fl. 4 5 Nacional e proceda à respectiva exclusão, caso constate a existência de fato impeditivo, inclusive fazendo retroagir os efeitos da exclusão, o que, no caso concreto, obedeceu ao disposto no § 1º do art. 29 da LC 123/2006. Assim sendo, o lançamento de eventual crédito tributário, nascido ao longo do período, poderá ser feito, ressalvado o crédito já colhido pela decadência. Neste processo, todavia, não se cuida de exigência de crédito tributário. A decadência, portanto, constitui óbice à autoridade fiscal para realizar o lançamento do tributo, eis que se refere à perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário. Não pode esse instituto, como quer a manifestante, ser suscitado para afastar a constatação de situações objetivas configuradoras de vedação à permanência no Simples Nacional. O poderdever do Fisco executar ato de ofício, no caso, a exclusão do Simples, não é renunciável, em vista do princípio da indisponibilidade e da legalidade que revestem os atos administrativos em geral. Nesse sentido, colacionase jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anocalendário: 2003 a 2007 (...) EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA. A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários, que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES, não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias. Eventuais alegações de decadência devem ser opostas no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso tenham sido constituídos de oficio. (...) (AC nº 1802001.101, de 18/01/2012) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 (...) DATA DA CONFIGURAÇÃO DA REITERAÇÃO E DECADÊNCIA. Fl. 241DF CARF MF 6 A decadência diz respeito ao direito de efetuar o lançamento, não tendo relevância para reconhecimento da validade do ato declaratório de exclusão. A questão deve ser oposta no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento dos créditos porventura constituídos de ofício em razão da exclusão. (Ac. 1301000.730, de 20/10/2011) Portanto, não cabe cogitar de decadência, cuja alegação deve ser rejeitada. Conclusão Dessa forma, VOTO no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose, portanto, a exclusão do Contribuinte do Simples Nacional com efeitos a partir de 26/02/2009, nos exatos termos do Ato Declaratório Executivo (ADE) SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente, em seu recurso, faz uma breve descrição dos fatos, a qual reproduzo: Ocorre que, em 06 de junho de 2016, por meio do Despacho Decisório nQ 273/2016, o ADE viciado foi refeito, agora com fundamento legal no inciso V do artigo 29 da Lei Complementar ne 123/06 (sucessão empresarial fraudulenta), ensejando a expedição do Ato Declaratório Executivo n2 1, de 06 de junho de 2016, para novamente excluir a contribuinte do Regime Simplificado. Desta maneira, em 12 de julho de 2016, foi protocolada na Agência da Receita Federal do Brasil, no Município de Taquara/RS, Manifestação de Inconformidade em face do ADE. Contudo, o acórdão 1058.472 da 7â Turma da DRJ/POA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a contribuinte excluída do Simples Nacional, sendo os efeitos da decisão ex tunc, retroagindo a data de 26 de fevereiro de 2009. Na análise do mérito, a recorrente alega: Ill MÉRITO A decisão da 7â Turma da DRJ/POA merece ser reformada, uma vez que a Representação Fiscal iniciou o presente processo administrativo e Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11065.722945/201117 Acórdão n.º 1001000.500 S1C0T1 Fl. 5 7 motivou seus fundamentos com amparo no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nQ 10.07.002011008067, encerrado em 2011, ou seja, o ADE que excluiu a contribuinte do Regime Simplificado não foi devidamente constituído em MPF válido e regular, pois não houve abertura de novo procedimento fiscal. Aliado a isso o fato de que, uma vez reconhecida a nulidade do ADE originário (ne 12/2011) pela DRJ/POA (Acórdão n^ 1055.9797), temse por inexistente o ato administrativo maculado por vício insanável, de modo que o presente procedimento, originado de ato nulo, é consequentemente inexistente, pois perdeu sua validade. A ressalva feita pela DRJ/POA no julgamento da ADE nQ 12/2011, permitindo que o ato pudesse ser refeito "na boa e devida forma, se for o caso", não permite o desrespeito ao devido processo legal, tampouco a ampla defesa e ao contraditório, princípios que norteiam e regulam o processo administrativo fiscal. Havendo novo ato de exclusão, teria a oportunidade para a contribuinte apresentar nova impugnação, instaurandose assim um novo processo administrativo, na forma do Decreto nQ 70.235/72. Ocorre que assim não procedeu a autoridade administrativa, na medida em que o novo ADE de exclusão (nQ 01/2016) foi juntado nos autos do presente processo administrativo, o qual havia sido instaurado para análise do ADE originário (12/2011), dandolhe indevido prosseguimento. Ao assim agir, mesmo que superada a questão de validade do novo ato administrativo, o que se admite apenas para argumentar, maculouse com vício de nulidade o próprio processo administrativo "continuado". Para que ocorra a expedição de um novo ADE de exclusão do Simples Nacional é necessário a instauração de novo processo administrativo, devendo os pressupostos legais serem rigorosamente observados, bem como deve haver a abertura de novo procedimento fiscal, o que não foi realizado pela autoridade administrativa, razão pela qual os atos praticados são nulos. Nesta senda, Hely Lopes Meirelles, de modo a corroborar a exposição acima possui o entendimento de que "a revogação ou modificação do ato administrativo deve obedecer à mesma forma do ato originário, uma vez que o elemento formal é vinculado tanto para sua formação quanto para seu desfazimento ou alteração". Sendo assim, o refazimento do ato administrativo, quando possível, o que não é no caso em análise, deve obedecer a forma prevista, o que, no presente caso, só teria sido devidamente cumprido pela autoridade administrativa se o novo ADE tivesse sido formalizado em novo processo administrativo fiscal. A inobservância de tal requisito causa a nulidade do ato, pois sua origem é viciosa. De outra banda, cabe referir que, de acordo com o ADE ne 01/2016, a exclusão do Simples Nacional baseiase na mesma Representação Fiscal que Fl. 243DF CARF MF 8 originou o ADE n2 12/2011, isto é, possuindo os mesmos elementos probatórios colhidos por ocasião do primeiro ato de exclusão. Por fim, verificando a documentação constante dos autos, mais especificamente o Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), acostado autos às folhas 23 e 24, notase claramente que os pressupostos fáticos do novo ADE, originado em 2016, ocorreram a mais de cinco anos, sendo causa de invalidação do ato administrativo praticado, ante ausência de materialidade. EM VISTA DO EXPOSTO, requer seja conhecido e provido o presente recurso para, nos termos da fundamentação supra, reconhecer a nulidade/insubsistência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES, mantendo o contribuinte no Regime Simplificado. A lei 9.784/99, artigos 53 a 55, dispõe que: DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Com base nas regras acima, entendese que o referido ato declaratório poderia (e deveria) ser refeito, no meu entendimento, com base no art. 54, acima transcrito. Entendo não haver a necessidade de se instaurar um novo processo fiscal para tanto, consoante arguição da recorrente, a lei lhe dá base para isso. Assim, mantenho a decisão da DRJ in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que as questões apresentadas pela impugnante não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11065.722945/201117 Acórdão n.º 1001000.500 S1C0T1 Fl. 6 9 incompetência de que trata o inciso I e não ocorreu a hipótese de preterição do direito de defesa contida no inciso II. Portanto, o Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 01, de 06 de junho de 2016 (fls. 198/199), não está eivado de qualquer nulidade. Como a recorrente nada mais alegou em seu recurso voluntário, voto por negar provimento aos presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902696/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE.
Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PERDCOMP Recorrente JOSÉ MARIA DOS SANTOS TRANSPORTADORA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE. Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 96 /2 01 3- 64 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte pretende compensar débito de sua titularidade com crédito de IRPJ, recolhido via DARF em 14/01/2013, no valor de R$ 777,63. Analisando o pedido, a Autoridade Administrativa que jurisdiciona a Recorrente não homologou a compensação pretendida ante a constatação de que o pagamento indicado teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Irresignado com o indeferimento do PER/DCOMP, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, tendo a Delegacia de Julgamento assim se pronunciado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, apresentou Recurso Voluntário onde, em apertada síntese, argui o seguinte: 1) Reitera a arguição de nulidade do despacho decisório haja vista a forma sintética como foi tratado o direito da Recorrente, o que o estaria impedindo de ter uma visão clara do porque o seu crédito fora declarado inexistente. Fundamenta suas alegações no disposto no art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72; 2) Entende que deveria, obrigatoriamente, ter sido intimado previamente à edição do despacho decisório para que tivesse oportunidade de comprovar a existência do crédito pleiteado, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.457, de 13.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.902677/201338, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.457): O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A peça recursal limitase a reclamar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada. Nenhuma arguição de mérito, principalmente em relação à existência do crédito declarado, foi trazida pelo recurso. E, como veremos adiante, as alegações de que o despacho decisório incorreria em nulidade são totalmente descabidas. O primeiro ponto, relativo à falta de motivação/fundamentação, que teria impedido a Contribuinte de "ter uma visão clara" do porque o seu crédito fora declarado inexistente foi assim tratado no acórdão recorrido: O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 5 4 A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Perfeita a análise empreendida pela DRJ. Os motivos pelos quais o despacho decisório declarou a inexistência do crédito estão muito bem delineados. Vejam abaixo uma fotografia do próprio despacho decisório que evidencia o dito pelo acórdão: Aliás, a própria decisão recorrida traz uma informação, não contestada pela Contribuinte no Recurso Voluntário, de que o mesmo DARF tido como origem do crédito teria sido utilizado em outras 19 (dezenove) PER/DCOMP, além desta. Vejam: Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$ 11.411,75, foi utilizado em 20 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$93.176,36, conforme abaixo discriminado: Então, resta claramente demonstrado que a Contribuinte sabia exatamente o que estava fazendo, bem assim do porque o alegado crédito seria inexistente. Também muito bem explicado o porque de a Contribuinte limitarse a aventar a nulidade do despacho decisório, ao invés de tentar demonstrar a existência do crédito. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 6 5 O segundo ponto levantado pela Recorrente trata da pretensa obrigatoriedade de a Autoridade Administrativa intimála, previamente à edição do despacho decisório, para que comprovasse a existência do crédito pleiteado, diante da inconsistência apontada, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Curioso, neste ponto, é que quando da manifestação de inconformidade, a norma citada fora a Instrução Normativa SRF nº 1.300/2012, e não a IN SRF nº 900/2008. Ocorre que a IN SRF nº 900/2008 foi totalmente revogada pela IN SRF nº 1.300/2012, esta sim, passível de citação pelo Recurso Voluntário, eis que vigente à época da transmissão da PER/DCOMP. Fato é que a IN SRF nº 1.300/2012 reproduziu em seu art. 74 a redação contida no art. 65 da IN SRF nº 900/2008, utilizada pela Recorrente. Abaixo colaciono o referido dispositivo: IN SRF nº 1.300/2012 Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Quer nos fazer crer a Recorrente que a expressão "poderá", grifada no texto, constituirseia em um poderdever da Administração de intimar o contribuinte quando, durante a análise de pedidos como este que estamos apreciando, houver sido verificada, em suas próprias palavras, "uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte". Aqui, claramente, estamos diante de uma tentativa de inversão do alcance do dispositivo colacionado. Tal norma nada mais é do que uma garantia posta ao Fisco de somente conceder a restituição/ressarcimento/compensação quando estiver seguro quanto a liquidez e certeza do crédito apresentado pelo Contribuinte. Em havendo dúvida por parte do Fisco em relação ao crédito apresentado, o referido dispositivo lhe permite condicionar o pagamento/compensação à sua efetiva comprovação, seja pela apresentação "de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos", seja pela determinação de "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso em apreço, não houve dúvida nenhuma da parte do Fisco ao não homologar a compensação, eis que patente a inexistência do crédito pleiteado, ante à sua total utilização para a quitação de outros débitos que não aqueles apontados na PER/DCOMP sob análise. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13851.902696/201364 Acórdão n.º 1401002.474 S1C4T1 Fl. 7 6 Não se trata, portanto, de uma obrigação, mas tão somente de uma faculdade posta à disposição da Autoridade Administrativa para garantir a correção no deferimento dos pleitos dos Contribuintes. Portanto, também neste ponto, rechaço as alegações da Recorrente. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13784.720172/2016-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora requeira ao contribuinte e junte aos autos cópia legível do documento da fl. 67, vencida a Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendê-la prescindível.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Relatório
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora requeira ao contribuinte e junte aos autos cópia legível do documento da fl. 67, vencida a Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendê-la prescindível. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 77 1 76 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13784.720172/201641 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2002000.006 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 18 de abril de 2018 Assunto CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Recorrente MARCIO ANTONIO VICENTE LEITAO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora requeira ao contribuinte e junte aos autos cópia legível do documento da fl. 67, vencida a Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendêla prescindível. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 84 .7 20 17 2/ 20 16 -4 1 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13784.720172/201641 Resolução nº 2002000.006 S2C0T2 Fl. 78 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 7): Rubrica Valor em reais Imposto 3.310,75 Multa de ofício 2.483,06 Juros de mora 792,26 Total à época 6.586,07 As origens do lançamento foram: 1. rendimentos omitidos no valor de R$ 16.068,36 da fonte pagadora Esagua Engenharia Indústria e Comércio Ltda, incluído conforme Dirf1(fl. 8); 2. dedução indevida de contribuição a previdência oficial no valor de R$ 894,96, para o qual o contribuinte não apresentou comprovante de recolhimento, conforme requisitado na intimação (fl. 9); 3. dedução indevida das seguintes despesas médicas (fl. 10 e ss): a) Diogo Maciel Guimarães R$ 2.850,00 não comprovada; b) Endoserv Endoscopia Digestiva R$ 4.120,00 não comprovada; c) Unimed Resente RJ Cooperativa R$ 6.848,00 considerado somatório dos comprovantes de pagamento apresentados pelo contribuinte. Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 4) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 24/05/2016 (fl. 16) e protocolou sua peça no dia 16/06/2016 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação, em síntese, o contribuinte alega que (fl. 3): O rendimento de R$ 16.068,36 da Esagua deve ser lançado para Diogo Leitão, pois no anobase 2013 o mesmo já tinha 25 anos e de maneira equivocada foi colocado como seu dependente. Segue em anexo o comprovante do recolhimento da contribuição a previdência 1 Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13784.720172/201641 Resolução nº 2002000.006 S2C0T2 Fl. 79 3 social no valor de R$ 894,96. Não possui mais os comprovantes das despesas médicas em virtude de mudança para o Rio de Janeiro. Documentos impugnação Após a impugnação consta o documento de identidade do contribuinte (fl. 7). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente (fl. 51 e ss), porque as alegações quanto ao dependente Diogo vieram desacompanhada de provas. As guias da previdência social apresentada sem a GFIP correspondente comprova que os valores dizem respeito exclusivamente à contribuição previdenciária do sócio sobre eventual prólabore, eis que uma empresa individual pode empregar ou utilizar o trabalho de outros segurados (funcionário ou autônomos), além do que, o pagamento de prólabore pode até não ter ocorrido no citado anocalendário, caso em que a contribuição sequer diz respeito ao sócio da empresa, mas tão somente a outros segurados. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 65) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 09/09/2016 (fl. 63) e protocolou sua peça no dia 10/10/2018 (fl. 65), dentro do prazo de 30 dias3 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 37) anexa cópia do documento com a data de nascimento de Diogo Leitão, ratificando que o valor de R$ 16.068,36 não poderia ser imputado à sua declaração. Quanto à contribuição da previdência oficial, as comprovações foram encaminhadas quando da impugnação. Quanto as despesas médicas não tem mais os comprovantes. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: documento de identidade e do contribuinte (fl. 66); documento de identidade de Diogo Leitão (fl. 67). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade 3 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13784.720172/201641 Resolução nº 2002000.006 S2C0T2 Fl. 80 4 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito O documento de identidade de Diogo Leitão anexado aos autos (fl. 67) está ilegível, não sendo possível ver a data de nascimento. Desta forma, não há como analisar a questão. Diante disso, voto pela conversão do julgamento em diligência, sobrestando a análise das questões dos autos até o retorno do processo. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para determinar que a unidade preparadora requeira ao contribuinte cópia legível do documento de fl. 67 e junte aos autos, retornando em seguida o processo ao Carf para prosseguimento do feito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.005141/2002-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. ASSINATURA POR REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. INEXIGÊNCIA.
Conforme Súmula CARF nº 9, É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Vanessa Marini Cecconello, substituída pelo Conselheiro Walker Araujo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Walker Araujo (Suplente convocado em substituição à Conselheira Vanessa Marini Cecconello, que se declarou impedida) e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999 CIÊNCIA POR VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. ASSINATURA POR REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. INEXIGÊNCIA. Conforme Súmula CARF nº 9, É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Vanessa Marini Cecconello, substituída pelo Conselheiro Walker Araujo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Walker Araujo (Suplente convocado em substituição à Conselheira Vanessa Marini Cecconello, que se declarou impedida) e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999 CIÊNCIA POR VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. ASSINATURA POR REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. INEXIGÊNCIA. Conforme Súmula CARF nº 9, “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que “Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Vanessa Marini Cecconello, substituída pelo Conselheiro Walker Araujo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 51 41 /2 00 2- 77 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11020.005141/200277 Acórdão n.º 9303006.044 CSRFT3 Fl. 464 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Walker Araujo (Suplente convocado em substituição à Conselheira Vanessa Marini Cecconello, que se declarou impedida) e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional, contra Acórdão 340300.786, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF, sob a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido O contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 400 a 402), com efeitos infringentes, requerendo a reforma do Acórdão sob o fundamento de que a intimação da decisão da DRJ, mantendo a exigência, que se deu por via postal, teve utilizado pelo CARF como comprovante, para não conhecer do Recurso Voluntário em razão de ser intempestivo, um Aviso de Recebimento AR (fl. 106), datado de 09/05/2003, assinado por uma pessoa que "não era funcionário ou preposto seu", e, em acréscimo, há "normativo interno (fl. 404) comprovando que todos os documentos de processos, tanto judiciais como administrativos, só podem ser recebidos por quem a diretoria determinar". Alega ainda que "o envelope do Serviço Público utilizado pela Receita Federal (fls. 403) menciona o carimbo de recebimento em 12/05/2003". Os Embargos foram rejeitados pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul (Acórdão nº 340310.154, fls. 412 a 417), por "não se prestarem os embargos declaratórios à modificação de julgado baseada na mera irresignação da embargante", fazendo se necessário "que tenha ocorrido efetivamente vício de omissão, obscuridade ou omissão no julgado". Interpôs então o contribuinte Recurso Especial (fls. 424 a 438, mais anexos) ao qual foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade às fls. 449 e 450 utilizandose basicamente dos mesmos argumentos trazidos nos Embargos rejeitados. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 454 a 461), invocando, em especial, a Súmula CARF nº 9, que diz que “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11020.005141/200277 Acórdão n.º 9303006.044 CSRFT3 Fl. 465 3 com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Também traz jurisprudência do STF no mesmo sentido. Vejamos a ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PESSOA JURÍDICA. CITAÇÃO. TEORIA DA APARÊNCIA. 1. Aplicase a teoria da aparência para reconhecer a validade da citação via postal com AR, efetivada no endereço da pessoa jurídica e recebida por pessoa que, ainda que sem poder expresso para tanto, a assina sem fazer qualquer objeção imediata. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg nos EDcl no Ag nº 958.237/RS, Rel. Min. Honildo Amaral de Mello Castro, DJe 02/02/2010) É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Vejamos o que prescreve o RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. A Súmula nº 9 (já transcrita no Relatório) é bastante para simplesmente não conhecer do Recurso Especial interposto, em observância ao disposto no RICARF?? É mais que assente que, na ciência por via postal, utilizase, para fins de comprovação da data da ciência, a consignada no Aviso de Recebimento (que, por definição, retorna ao remetente ao contrário, por óbvio, do envelope utilizado), para a qual não se exige que o assinante seja mandatário ou preposto do sujeito passivo, requisito apenas previsto no caso de ciência pessoal, conforme art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Na prática, inclusive, as correspondências, ainda que com Aviso de Recebimento, em muitos casos, são recebidas pela portaria da empresa (onde, normalmente, trabalham terceirizados). Isto é admitido, na esfera administrativa, ao menos desde 1999, Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11020.005141/200277 Acórdão n.º 9303006.044 CSRFT3 Fl. 466 4 conforme atesta o Acórdão (unânime) nº 10806.254, da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (grifei): INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL – REGULARIDADE A intimação por via postal considerase perfeita quando o AR tenha sido encaminhado para o domicilio fiscal do contribuinte, ainda que recebido pelo porteiro. (...) Assim, não vejo margem para dúvida de que o acórdão recorrido adotou entendimento de Súmula do CARF, razão pela qual, na forma regimental, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 466DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000551/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 51 /2 00 9- 80 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11634.000551/200980 Acórdão n.º 1301003.066 S1C3T1 Fl. 251 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0639.380, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, com a manutenção do crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração – DEBCAD 37.211.0096, cadastrado no COMPROT sob nº 11634.000551/200980, lavrado contra C. H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA, para constituir o crédito relativo a contribuições previdenciárias (contribuição da empresa, inclusive SAT/RAT), devidas e não recolhidas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e administradores, no período de 07/2007 a 11/2008 , totalizando R$ 151.035,87 (cento e cinquenta e um mil e trinta e cinco reais e oitenta e sete centavos). 1.1. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 74/80, o sujeito passivo foi excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL, pelo Ato Declaratório Executivo nº 41, de 09/07/2009, e em decorrência da exclusão foram lançados os valores das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, apuradas por meio das Folhas de Pagamento de Salários e Remunerações. 2. Em razão de a autuada ter deixado de informar em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, com base no disposto no art. 337 do Decreto Lei nº 2.848/1940, restou formalizada a devida Representação Fiscal para Fins Penais. 3. Cientificada em 03/09/2009 (fl. 164), a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 168/182, em 02/10/2009, alegando, em síntese: a) afirmar que a Requerente foi excluída do Simples Nacional é desrespeitar o Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, além do que no processo administrativo nº 11634.000419/200978 restou demonstrado que a empresa exerce atividades totalmente compatíveis com o regime jurídico do Simples Nacional, razão pela qual o Auto de Infração é nulo; b) presume a autoridade administrativa que a Requerente efetuou pagamentos a título de ajuda de custo “sem caráter indenizatório” e, embora detenha o dever de provar tal fato, não Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11634.000551/200980 Acórdão n.º 1301003.066 S1C3T1 Fl. 252 3 o fez. A verdade é que os pagamentos realizados representam ressarcimentos decorrentes da utilização de veículos próprios em razão de atividades esporádicas exercidas fora da sede da empregadora, exigindo deslocamento, motivo pelo qual devem ser excluídas as contribuições calculadas sobre tais valores, nos termos do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91; c) o Decreto nº 6.042/07 deu nova redação ao Anexo V do Decreto nº 3.048/99, estabelecendo novas alíquotas do SAT/RAT, sendo que no caso da Requerente, CNAE 82113/ 00, a alíquota é de 1%. Todavia, a autoridade administrativa determinou a aplicação da alíquota de 2%, reconhecendo desconhecer o direito aplicável, razão pela qual deve ser anulado o lançamento; d) a penalidade (multa) não se sustenta quer pela própria improcedência do auto de infração, quer pela inexistência de ajuda de custo com natureza de verba remuneratória ou, ainda, pela ilegalidade material frente aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e) todos os dados, fatos e informações obtidos pela fiscalização encontramse registrados nos livros contábeis, inclusive a ajuda de custo, presumida pela autoridade fiscal como remuneratória, não havendo como aceitar a existência de tipificação da sonegação de contribuição previdenciária. Assim, requer a nulidade da representação fiscal para fins penais, quer pelo vício formal quer pelo excesso de poder ao indicar processamento antes da decisão definitiva do procedimento administrativo de apuração de eventuais débitos. 4. O presente Auto de Infração foi apensado ao processo nº 11634.000419/200978. 5. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimada, a empresa autuada apresenta seu Recurso, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11634.000551/200980 Acórdão n.º 1301003.066 S1C3T1 Fl. 253 4 Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou vários processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições previdenciárias relativo a contribuições previdenciárias (contribuição da empresa, inclusive SAT/RAT), devidas e não recolhidas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e administradores, no período de 07/2007 a 11/2008 , totalizando R$ 151.035,87 (cento e cinquenta e um mil e trinta e cinco reais e oitenta e sete centavos), em decorrência da exclusão do regime simplificado denominado de SIMPLES. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência das contribuições previdenciárias baseiase em remunerações de seus empregados e de administradores. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata de lançamento de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11634.000551/200980 Acórdão n.º 1301003.066 S1C3T1 Fl. 254 5 A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício. Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias em remunerações de seus empregados e de administradores, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722477/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF.
As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.
1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).
2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf.
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: Relator
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URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecêla, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 77 /2 00 8- 85 Fl. 240DF CARF MF 2 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório VILMA COSTA VEIGA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio de auto de infração, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 88.156,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 182.809,99. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos, conforme descrição dos fatos do auto de infração, a seguir reproduzida: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de ‘Valores Indenizatórios de URV, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 3 3 pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e consequentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de3 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada aos rendimentos para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Preceitua a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, ou seja, seus efeitos não se estendem ao imposto de renda. Principalmente porque não se fez, e nem se poderia, estender seus efeitos tributários ao âmbito federal. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo. A lei complementar aludida tem repercussão jurídica em outras matérias afeitas à competência legislativa estadual, tão somente. Considerar que uma lei estadual possa afastar a incidência do imposto de renda de determinadas verbas, denominandoas de indenizatórias, seria descuido crasso, porquanto demonstraria desconhecimento básico acerca dos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988, particularmente nos artigos 153 e 154. Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999. Verificase que a legislação tributária não contempla isenção a diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de “indenização” ou “valores indenizatórios” são tributáveis pelo imposto de renda. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o auto de infração seria nulo em razão da ilegitimidade ativa e da falta de interesse jurídico da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar, administrar ou cobrar o imposto lançado. Pois, em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teria como destinatário o próprio Estado da Bahia; que a própria Receita Federal entende que é ilegítima para figurar no pólo passivo de pedido de compensação vinculado a crédito tributário referente a IRRF retido pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, por não ter a disponibilidade sobre os valores recolhidos. Assim, pelo mesmo motivo, concluise que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto; que as diferenças pagas pelo Estado da Bahia decorrentes do erro na conversão da remuneração dos Magistrados de Cruzeiro Real para URV têm natureza jurídica indenizatória, conforme previsto nos arts. 4º e 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Portanto, tais rendimentos são isentos de imposto de renda; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro o caráter indenizatório de tais verbas, e da consequente não incidência do imposto de renda. Neste mesmo sentido estão a jurisprudência pátria, decisões do Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta SRF nº 55 de 18 de abril de 2005; que mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora, pois o contribuinte agiu de boa fé, seguindo informações constantes nos Fl. 242DF CARF MF 4 contracheques emitidos pela fonte pagadora; que, além disso, o caráter indenizatório de tal verba estava previsto em lei, o que, também, afastaria de a aplicação de multa e juros, nos termos dos artigos 100 e 112 do CTN. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente em parte o lançamento para excluir da exigência o valor de R$ 9.403,08 e correspondentes acréscimos, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSALVADOR/ BA observou que as verbas em questão foram pagas em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003 que se refere a diferenças de remuneração quando da conversão da URV, a qual era realizada mensalmente e visava à manutenção do valor real do salário. Daí concluiu que as diferenças recebidas tinham natureza eminentemente salarial; que o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera a natureza das verbas, ainda que o beneficiário tenha tido que recorrer à Justiça e o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar. Registra, ainda, que a tributação incide também sobre os complementos, juros e atualização monetária. Sobre o disposto no artigo 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe que as diferenças pagas teriam natureza indenizatória, observa que o Imposto de Renda é regido por legislação federal e, portanto, tal dispositivo não tem nenhum efeito em matéria tributária, destacando que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento e que indenizações não são indistintamente isentas, mas apenas aquelas previstas em lei específica como tal; que o art. 55, XIV, do RIR/99 prevê expressamente que tanto os juros moratórios quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento estão sujeitos à tributação, salvo se corresponderem a rendimentos isentos ou não tributáveis. Sobre a alegação de que deveria ser reconhecida a isenção com base na Resolução do STF nª 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado às diferenças de URV pagas aos magistrados federais, registra que o benefício não poderia ser estendido aos membros do Ministério Público Estadual, pois tal resultaria em isenção sem lei específica, e que também não seria o caso de se recorrer à analogia. Também não seria o caso de se aplicar a isonomia com relação aos magistrados federais, pois se trata de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, e que a isenção, no âmbito federal, decorreu de resolução expedida no âmbito do próprio Poder Judiciário. E sobre a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, registra que esta se extingue com o término do prazo para a apresentação da declaração dos rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, conforme orientação da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002. Ainda sobre a retenção do imposto pela fonte pagadora, anota que, embora o produto da arrecadação do imposto pertença à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, este fato não isenta o beneficiário dos rendimentos de oferecêlo à tributação; que, portanto, a competência para o lançamento tributário e o julgamento da lide são da União. Relativamente à multa de ofício, a DRJ rechaça a alegação de que, como os informes de rendimento apresentados pela fonte pagadora indicavam que se tratava de rendimentos isentos, sem a retenção do imposto, agiu de boafé e não poderia ser punido com a multa. Observa que a infração independe da intenção do agente e que a multa é devida pela omissão dos rendimentos e não pela prática de fraude. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 4 5 Finalmente, a DRJ registra que a autuação observou a regra estabelecida pela orientação da PGFN por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, eliminando os efeitos tributários do recebimento dos rendimentos de forma acumulada, todavia, foram tributados indevidamente os valores correspondentes a 13º salário e férias indenizadas, valores que exclui da tributação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 06/04/2011 e, em 28/04/2011, interpôs o recurso voluntário que ora se examina e no qual afirma, inicialmente, que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada na impugnação quanto à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; que também não enfrentou a questão da “quebra da capacidade contributiva da recorrente”. Afirma que tais omissões representam supressão de instância, afrontando o devido processo legal, o contraditório e ampla defesa. Reafirma, como preliminar, as alegações de ilegitimidade passiva da União para cobrar o imposto incidente na fonte e que não foi objeto de retenção pelo Estado; reafirma a alegação de quebra da capacidade contributiva do Contribuinte, que estaria caracterizada pelo fato de que o Fisco pretende receber o imposto em valor maior do que o que seria devido caso os rendimentos fossem recebidos no tempo próprio, com multa, correção e juros. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal; questiona procedimentos de cálculos quanto á alíquota aplicável, as base de cálculo e a inclusão indevida de rendimentos que seria de 13º salário e abono de férias. Por fim, reitera alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. Em 11 de julho de 2012, a 1a Turma Ordinária da 2â Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF julgou a matéria no Acórdão n. 2201001.714 (fls. 202). Em 22 de outubro de 2012, um dos conselheiros da referida Turma opôs embargos ao referido Acórdão diante inexatidão material devida a lapso manifesto: o voto condutor do acórdão considerou que no lançamento aplicouse a tabela do imposto de renda vigente nas épocas próprias a que se referem os rendimentos (regime de competência), quando, pela descrição dos fatos do Auto de Infração, a tabela do imposto de renda aplicada foi a vigente na data do pagamento (regime de caixa). Em 22 de janeiro de 2013, a 1a Turma Ordinária da 2â Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF julgou os embargos no Acórdão n. 2201001.941(fls. 217), acolhendo os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.714, de 11/07/2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Questão da Tributação das Diferenças de Remuneração decorrentes da Conversão de Cruzeiro Real para URV Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, vale citar que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de 2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. A referida conversão era realizada mês a mês no período de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário. Verificase, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público Estadual. Tanto é assim, que as parcelas recebidas no devido tempo foram espontaneamente oferecidas à tributação pelo contribuinte, que reconhecia a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN. Com relação ao art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis. No tocante à alegação de que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas a funcionários do Poder Judiciário que não sejam os juízes federais. No que diz respeito à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 5 7 Da Questão dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2006. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como Fl. 246DF CARF MF 8 no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, considerando que o presente caso estava sobrestado até o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, salientamos que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Da Aplicação da Multa Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, no tocante à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do Recorrente ter agido de boafé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cumpre observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 6 9 evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Todavia, cumpre ressaltar que a Súmula CARF n. 73 dispõe de forma específica sobre o tema afastando a multa de ofício quando houver erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Considerando que somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial (i) reconhecendo que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte; e (ii) aplicando a Súmula CARF n. 73, que não autoriza o lançamento da multa de ofício, de modo que como somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Ouso divergir do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto no tocante a não ser exigível, conjuntamente com o tributo e juros de mora, qualquer tipo de multa. Por primeiro, cumpre assinalar que não houve na impugnação qualquer alusão à aplicação da multa de mora. Assim, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, esta matéria, não contestada, considerase não impugnada, e, por conseguinte, estranha ao presente processo administrativo fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Registro que às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não tendo sido impugnada, tal questão não foi tratada pelo acórdão recorrido; não há como, por decorrência, ser devolvida por meio de recurso voluntário a este CARF, que Fl. 248DF CARF MF 10 não possui competência originária para conhecer da matéria, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Ademais, mesmo que a matéria pudesse ser conhecida, entendo que, ao ser cancelada a multa de ofício, a multa de mora é exigível por expressa disposição legal (art. 61, caput¸da Lei 9.430, de 1996), independentemente de constar no lançamento, sendo devida pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifou se.) Diferentemente da multa de ofício, que possui expressa previsão de ser lançada (art. 44 da Lei 9.439, de 1996), não há previsão legal para constituição da multa de mora pelo lançamento; por decorrência lógica, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento, não existindo, portanto, competência deste CARF para dispor sobre sua exclusão ou cancelamento. Sobre esta questão, assumo, como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Acórdão 9202004.244, da 2ª Turma da CSRF, que passo a transcrever. II.2 Sobre a conversão da multa de ofício em multa de mora No tocante à matéria recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, substituição da multa de ofício lançada pela multa de mora, é necessário fazer referência à legislação que disciplina as multas. A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2301005.205 S2C3T1 Fl. 7 11 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo decidiu sobre tema que no entender deste conselheiro não tinha competência para discutir, a multa de mora, que é exigida de pleno direito, não compondo o lançamento. Ora, se não há previsão legal para constituição da multa de mora em sede de lançamento, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento. Dessa forma, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se de dar provimento em parte ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a exclusão da multa de mora, determinada pelo colegiado recorrido, devendo essa multa ser exigida de pleno direito em sede de cobrança / execução do crédito tributário, pela autoridade competente. (Grifouse.) Fl. 250DF CARF MF 12 Em conclusão, voto, nessa questão, por cancelar a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73, não conhecendo da questão da incidência da multa de mora, que deve ter a regular aplicação determinada pela legislação tributária. João Bellini Junior Fl. 251DF CARF MF
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