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Numero do processo: 15987.000234/2009-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE.
A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais.
As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-006.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. Recorrente OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriarse do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 34 /2 00 9- 14 Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.965, de 27 de maio de 2014, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 4 3 O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A divergência suscitada no recurso especial referese (i) à nulidade da decisão recorrida pelo não suprimento de omissão apontada em sede de embargos declaratórios, (ii) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (iii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iv) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. O recurso especial foi admitido em parte, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas requerendo que não se admita o recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.692, de 15/05/2018, proferido no julgamento do processo 10845.720753/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.692): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial do contribuinte foi admitido apenas em relação (i) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (ii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iii) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, esforçase em demonstrar que a recorrente não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial em relação ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 5 4 Colho do recurso especial o excerto que bem retrata a linha de raciocínio defendida pela recorrente. Efetuandose o devido cotejo analítico temse que, enquanto o v. acórdão recorrido entende que deve ser mantida a glosa independentemente da comprovação da efetiva realização e pagamento da operação, o primeiro acórdão paradigma, em sentido oposto, assevera que a inidoneidade do fornecedor não afasta o direito de crédito do adquirente se demonstrado a ocorrência das operações e pagamento das transações. Em momento anterior, a recorrente contesta o entendimento defendido pelo i. Relator do acórdão recorrido. Nesse sentido, nos parece incorreto o voto do Ilustre Relator, dado que ignora a jurisprudência do tribunais, inclusive administrativo, e segue no sentido de que independe (sic) a boafé do adquirente (p. i do acórdão): "A propósito da prolatada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente". É curioso observar que a transcrição acima suprime boa parte do conteúdo do parágrafo da qual foi extraída. A parte suprimida deixa claro em seu preâmbulo, que é justamente o fragmento reproduzido no recurso, não é mais do que um comentário obter dictum, pois o fundamento da decisão é outro, em sentido contrário. Observese a íntegra do parágrafo. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. (grifos meus) E outras considerações presentes no voto condutor da decisão recorrida. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 6 5 “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” (...) A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra e venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Há alguma dúvida de que o Colegiado recorrido, pelo menos na pessoa daqueles que não foram vencidos, entendeu que a recorrente estava envolvida nas operações fraudulentas de venda de notas fiscais e, por conseguinte, não se lhe aplicava a presunção de boafé consolidada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e resguardada pela própria legislação tributária? No comentário transcrito no recurso, o então Relator do processo apenas registrou que, se a situação fosse outra, tomaria decisão idêntica. Mas a situação que o Colegiado enxergou e sobre a qual decidiu, por óbvio, não era outra e sim aquela narrada nos autos. Sua comparação com os fatos noticiados no paradigma demonstra absoluta ausência de identidade fática, se não vejamos. Excerto obtido do acórdão paradigma nº 3802002.382. Ao indeferir o pedido de ressarcimento assentado nessa fundamentação, a decisão recorrida não demanda qualquer reparo, porque, segundo ensina Paulo de Barros Carvalho, não há incompatibilidade entre o princípio constitucional da não cumulatividade e a exigência, para fins de aproveitamento do crédito, de documento hábil e de prova da efetiva ocorrência das operações documentadas: É, portanto, requisito para o aproveitamento do crédito que esteja ele vertido em documento hábil para certificar a ocorrência do fato que dá ensejo à apuração do crédito. [...] Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 7 6 Cabe destacar, nesta exigência [3], a necessidade dos documentos atenderem ao que dispõe a legislação, no tocante à sua confecção, tipo, série e demais peculiaridades. Aquilo que se impõe, no caso, é o dever de o contribuinte conferir os documentos que acompanham os bens adquiridos, buscando identificar se atendem ou não ao que estabelecem os dispositivos legais que tratam da matéria. Nada mais. O derradeiro requisito, também percebido na já mencionada legislação, diz respeito à efetiva ocorrência das operações documentadas, o que já foi previamente lembrado letras acima. Ou, por outras palavras, o que estiver registrado – em documento fiscal – deve refletir a efetiva realização do negócio jurídico, com ingresso, real ou simbólico, da mercadoria no estabelecimento adquirente e o respectivo pagamento. Tais providências, quando tomadas em conjunto, evidenciam a boa fé do contribuinte, eximindo de eventuais responsabilidades caso seja posteriormente verificada a prática de ilícitos por terceiros [4] (grifos acrescidos) De fato, não há uma só palavra em todo o acórdão paradigma que faça menção à participação da autuada no esquema de compra de notas fiscais. Assim, uma vez que tenha comprovado o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias, o Colegiado eximiua da responsabilidade pelas irregularidades praticadas por terceiros. Com efeito, como já disse, esse excludente de responsabilidade está previsto na própria legislação tributária. Lei 9.430/96 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. As circunstâncias fáticas do paradigma não coincidem com as que são identificadas nos autos. Aqui, considerouse que a empresa fazia parte e atuava no esquema ilícito de compra e venda de notas fiscais que simulavam operações realizadas por pessoas jurídicas, lá, entendeuse que a empresa tinha agido de boafé. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, nessa parte o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido. Isto posto, uma vez que os demais requisitos de admissibilidade foram observados, passo ao exame de mérito dos assuntos remanescentes. Mérito 1 Direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas A decisão de segunda instância negou o direito de crédito à recorrente para os produtos adquiridos junto às cooperativas tendo em vista essas mercadorias não estarem sujeitas ao pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins por parte do vendedor, por força da redução da base de cálculo prevista em lei. Observemse os fundamentos do voto (e folha 1.133 e 1.134). A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Há, contudo, Solução de Consulta editada pela Secretaria da Receita Federal tratando do tema. Para maior clareza, transcrevo excerto dela extraídos. Solução de Consulta Cosit nº 65/2014 A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...) As receitas das coopertativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários relativamente às operações referidas na MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. (...) Sabendose que, regra geral, não há impedimento ao aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos junto a cooperativas, não há mais questão de interpretação da legislação tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 9 8 Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004). A partir do anocalendário 2012 não há mais direito ao desconto de créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10833, de 2003, em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 4º da Lei nº 12.599, de 2012, e, a partir de 10 de julho de 2013, a redução de alíquota a 0 (zero) prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004 (dispositivo incluído pela Lei nº 12.839, de 9 de julho de 2013). Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 2012. Ou seja, na situação específica, a empresa tem o direito de apurar créditos nas compras realizadas às cooperativas, desde que a saída do produto da cooperativa não tenha ocorrido com suspensão do pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Quanto a isso, percebese da leitura do acórdão recorrido que foram identificadas diferentes tipos de operações. No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 10 9 Com base em todo o exposto, deve ser admitido o direito à apropriação de créditos nas aquisições de cooperativas de produtos que não deram saída com suspensão do pagamento das Contribuições. 2 Inexistência de suspensão da incidência das Contribuições Essa matéria foi tangenciada no tópico anterior uma vez que a Fiscalização Federal, como se viu dos excertos transcritos acima, tratou em conjunto as vendas com suspensão e as vendas com redução da base de cálculo. Cuidase, agora, especificamente das vendas com suspensão. As alegações da recorrente são no sentido de que não houve vendas com suspensão do pagamento das Contribuições, como a seguir se lê. Como o destaque da suspensão consiste em erro das fornecedoras ante a atividade agroindustrial evidenciado nas notas, há que se fazer o crédito integral, e eventualmente fiscalizar tais fornecedores. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. A sistemática de tributação do café é deveras complexa. À época, o § 6º do art. 8º da Lei 10.925/04 identificava operações com determinados produtos que, nos termos do § 1º1 do art. 9º, não poderiam sair com suspensão da incidência das Contribuições. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial Por seu turno, o inciso I, do § 1º do art. 8º do mesmo diploma legal especificava operações com determinados produtos que davam direito ao crédito presumido por serem vendidos com suspensão das Contribuições. cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. 1 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 9303006.698 CSRFT3 Fl. 11 10 Não é de estranhar que o vendedor que exercesse cumulativamente algumas das atividades acima entendesse que se enquadrava na hipótese do inciso I do § 1º do art. 8º e, assim, vendesse seus produtos com suspensão. De toda sorte, cabia à Recorrente requerer a correção das informações contidas nas notas fiscais de compra dos produtos que adquirira, ex vi art. 62 da Lei 4.502/64. Das Obrigações dos Adquirentes e Depositários Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. (grifos acrescidos) § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. § 2º Se a falta consistir na inexistência da documentação comprobatória da procedência do produto, relativamente à identificação do remetente (nome e enderêço), o destinatário não poderá recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo impôsto e sanções cabíveis. Nestes termos, com fundamento em tudo o que foi exposto até o presente momento, voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte em relação à matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa" e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em parte e, no mérito, o colegiado deulhe parcial provimento, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1555DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.906110/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/1999
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.598
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente Braslatex Indústria e Comércio de Borrachas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 61 10 /2 01 1- 91 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A 4ª Turma da DRJ/POR indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.465. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 4 3 · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.370, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, esclarece a autoridade fiscal que o valor da receita apontada pelo contribuinte como indevidamente tributada pela contribuição seria a Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.594, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.594): Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 5 4 "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830 AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgR AgR; AI 799.578 AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 6 5 atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas nãooperacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 7 6 § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 8 7 Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; Ill sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 e guardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 9 8 Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 10 9 A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas nãooperacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 11 10 No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.906110/201191 Acórdão n.º 3301004.598 S3C3T1 Fl. 12 11 Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901217/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 12 17 /2 00 8- 23 Fl. 108DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 59/64, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 50/54, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 08718.77732.040204.1.3.042685, fls. 02/06, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 13.641,56, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de IRRF, código 8053, da 5º semana de janeiro de 2004 no valor de R$ 18.867,64. Conforme Despacho Decisório de fl. 07, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ em São Paulo/SP das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: " 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 30/05/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 14, informando, em suma, o seguinte: • Que recebeu o despacho decisório consignando a não homologação da compensação. • Que a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o seu direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram a não homologação da compensação. • Que no caso em tela o fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que, por si, desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. • Que o ato administrativo deve ser sempre motivado. • Que a falta de demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa, sendo o despacho decisório em tela nulo de pleno direito. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 15374.901217/200823 Acórdão n.º 2201004.437 S2C2T1 Fl. 96 3 • Que o peticionante, por erro, declarou na DCTF do 1º trim/02 "2ª semana de fevereiro/02", o valor de R$ 13.641,56, como DARF vinculado ao débito do período, sendo que este valor corresponde a pagamento efetuado a maior. • Que no PER/DCOMP o valor do débito compensado corresponderia a este crédito devidamente atualizado. • Que o valor do débito da DCTF (fls. 24 a 30), contém um erro que deve ser observado, especificamente, o campo “pagamento com DARF”, pois o valor de R$ 13.641,56 (fls. 28) foi totalmente recolhido indevidamente. Anexa também a DCTF onde consta o débito declarado no PER/DCOMP corretamente vinculado à compensação. • Que as alegações podem ser comprovadas pelo PER/DCOMP, pelas DCTFs do 1º trim/02 e 1º trim/04 e pelo DARF anexados a este processo. 4.1 Ao final o manifestante solicita que seja alterado de ofício as informações das DCTF, de acordo com os dados informados e ainda que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade a fim de que seja julgado improcedente o despacho decisório, reconhecendose o direito de compensação.” Da Decisão da DRJ A DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 50/54): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 15/02/2002 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 07 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 24/40). Fl. 110DF CARF MF 4 Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 18/05/2012, conforme faz prova o AR de fl. 57, apresentou o recurso voluntário de fls. 59/64 em 19/06/2012. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, documentação relativa ao processo judicial nº 1120/98, que tramitou na 1ª Vara do Trabalho de Itaperuna /RJ, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 81/92). Sobre esse tema, alega ter cometido erro na apuração do tributo. É que efetuou o depósito judicial do valor de R$ 43.063,92 em 31/07/2001 (fls. 83/84). Apenas em 14/11/2003 foram expedidos os alvarás para levantamento dos valores (fls. 87/90), e antes do levantamento do depósito, em 08/10/2003, o RECORRENTE efetuou o recolhimento do IRRF no montante de R$ 17.680,62 (fl. 91). Contudo, o RECORRENTE afirma que já havia efetuado o recolhimento do IRRF no valor de R$ 13.641,56 (fl. 92) quando da realização do depósito judicial, oportunidade que informou que o fato gerador ocorreu em 08/02/2002 (época em que requereu a expedição do alvará). Assim, alega que esse primeiro recolhimento foi indevido, pois houve erro quanto à data do fato gerador, na medida que o correto seria indicar como fato gerador a data do levantamento da quantia depositada judicialmente. Neste sentido, afirma ter efetuado o recolhimento indevido do IRRF no montante de R$ 13.641,56 (fl. 92). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15374.901217/200823 Acórdão n.º 2201004.437 S2C2T1 Fl. 97 5 Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 07, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 09/02/2002. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 07 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Fl. 112DF CARF MF 6 Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.901217/200823 Acórdão n.º 2201004.437 S2C2T1 Fl. 98 7 Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 1120/98, que tramitou na 1ª Vara Trabalho de Itaperuna /RJ, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Fl. 114DF CARF MF 8 Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903051/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP com demonstrativo de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, de CSLL, referente ao período de apuração de outubro de 2007. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 03 05 1/ 20 13 -1 3 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10120.903051/201313 Resolução nº 1201000.347 S1C2T1 Fl. 3 2 Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que diante da não homologação, foi verificado que a empresa cometeu erro material ao declarar na DCTF um débito fictício, solicitando que seja, assim, processada e homologada a PER/DCOMP inicialmente apresentada, uma vez que, a empresa não deve ser apenada por esse equívoco formal que não desnatura a compensação realizada. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente face à ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A não homologação da compensação decorreu da inexistência do crédito utilizado, pois o valor recolhido correspondeu ao débito expresso na DCTF que se achava ativa na data em que o despacho decisório foi emitido. Estando o pagamento integralmente alocado, não havia saldo disponível para suportar a extinção do crédito tributário pretendida pelo contribuinte. A partir da ciência do contribuinte do despacho decisório que negou a compensação requerida, deixa de existir a espontaneidade e a retificação da DCTF somente será válida caso esteja acompanhada de elementos de prova suficientes para o convencimento da autoridade fiscal quanto ao erro praticado no documento retificado, conforme disposto no artigo 9º, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974/2009. De acordo com o §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caberia ao contribuinte não só a juntada das declarações retificadoras, mas também a apresentação de outros elementos, tais como cópias de livros contábeis e fiscais com os lançamentos dos valores apropriados na apuração, capazes de demonstrar o propalado erro cometido no preenchimento da declaração original. Ao invés disso, o contribuinte limitouse a indicar o erro cometido na DCTF com base no balancete, o que não é suficiente para a comprovação do alegado erro praticado pelo sujeito passivo. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de CSLL referente ao mês de outubro de 2007; (ii) o erro no preenchimento da DCTF acabou por refletirse no valor a maior constante do DARF; (iii) a partir da análise da DIPJ, LALUR e balancete de verificação é possível observar o valor do CSLL apurado no mês de outubro de 2007. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10120.903051/201313 Resolução nº 1201000.347 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.339, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10120.903043/201369, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de abril de 2007 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL do período de apuração de outubro de 2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.339), adequandoa ao caso concreto: "[...] Conforme visto, a recorrente trouxe aos autos documentação robusta no que tange à apuração do IRPJ devido no mês em referência. No entanto, [...], há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10120.903051/201313 Resolução nº 1201000.347 S1C2T1 Fl. 5 4 Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; b) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901712/2010-97
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.
Comprovado o erro na publicação da pauta de julgamento, que inviabilizou a presença do advogado da recorrente à sessão de julgamento, impõe-se a anulação da decisão proferida e a realização de novo julgamento.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Tendo sido apurado em diligência que o crédito total pleiteado na PER/Dcomp coincide com os montantes informados em DIRF pelas fontes pagadoras, impõe-se o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações pleiteadas até o montante do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1302-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Comprovado o erro na publicação da pauta de julgamento, que inviabilizou a presença do advogado da recorrente à sessão de julgamento, impõe-se a anulação da decisão proferida e a realização de novo julgamento. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Tendo sido apurado em diligência que o crédito total pleiteado na PER/Dcomp coincide com os montantes informados em DIRF pelas fontes pagadoras, impõe-se o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações pleiteadas até o montante do crédito reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Embargante PERSONAL SERVICE RECURSOS HUMANOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Comprovado o erro na publicação da pauta de julgamento, que inviabilizou a presença do advogado da recorrente à sessão de julgamento, impõese a anulação da decisão proferida e a realização de novo julgamento. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Tendo sido apurado em diligência que o crédito total pleiteado na PER/Dcomp coincide com os montantes informados em DIRF pelas fontes pagadoras, impõese o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações pleiteadas até o montante do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 17 12 /2 01 0- 97 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10735.901712/201097 Acórdão n.º 1302002.693 S1C3T2 Fl. 465 2 Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10735.901712/201097 Acórdão n.º 1302002.693 S1C3T2 Fl. 466 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto em face do Acórdão nº 1801 001.309, de 06/12/2012 (fls. 336/343), mediante o qual o colegiado da 1ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Admitidos os embargos, o mesmo colegiado houve por bem anular o acórdão embargado e proferir a Resolução nº 1801000.243, de 10/07/2013, mediante a qual determinou a realização de diligências pela unidade preparadora, com vistas a apurar a efetiva retenção do IRRF por parte das fontes pagadoras. Por bem descrever as questões em litígio, transcrevo o relatório constante da Resolução nº 1801000.243, de 10/07/2013, verbis: A empresa interpôs Embargos de Declaração porque não pode acompanhar o julgamento do litígio administrativo em decorrência de erro de informação do sítio do Carf, com relação à Turma em que se realizaria a sessão pertinente. Houve ainda a alegação de que a Conselheira Relatora não poderia ter proferido o voto nesta Primeira Turma Especial porque está vinculada à Primeira Câmara e não à Terceira Câmara, à qual vinculase a este colegiado, hierarquicamente. Aproveito o relatório e voto do acórdão embargado, os quais adoto integralmente, para historiar os fatos inerentes à lide administrativa. "Versa o presente processo sobre as Declarações de Compensação apresentadas através dos PER/DCOMP 35543.11936.100206.1.7.023183, 36798.03757.100206.1.7.02 3210, 33025.26846.100206.1.7.022730 e 19108.44788.100206.1.3.021504 por meio dos quais a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao 1° trimestre de 2005 com débitos neles declarados. De acordo com o Despacho Decisório n° 880533042 emitido em 06/09/2010 (fl. 15/18) pela DRF Nova Iguaçu/RJ, foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP 35543.11936.100206.1.7.023183 e 36798.03757.100206.1.7.023210, foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 33025.26846.100206.1. 7.022730 e não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP 19108.44788. 100206.1.3.021504, tendo em vista o crédito reconhecido ter sido insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Consta no referido Despacho que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP: RETENÇÕES PER/DCOMP (...) 769.760,89 Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10735.901712/201097 Acórdão n.º 1302002.693 S1C3T2 Fl. 467 4 RETENÇÕES CONFIRMADAS (.) 636.796, Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 750.690,20 Valor na DIPJ: R$ 750.690,20 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ. R$ 769.760,89 IRPJ devido: R$ 19.070,69 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (IRPJ devido), limitado ao menor valor entre o saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando estecálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do Saldo negativo disponível: R$ 617.725,75 Cientificada do Despacho em questão em 20/09/2010 (fl. 19), apresentou a interessada, em 19/10/2010, a manifestação de inconformidade de fl. 20/25, juntamente com os documentos de fl. 26/183, na qual alega, em síntese, que: • O fundamento para a emissão do Despacho Decisório foi o não reconhecimento integral do saldo negativo, este principalmente formado por retenções de fonte executados por clientes da recorrente, e cuja glosa montou o valor de R$ 132.964,45, conforme consta no Anexo A; • A recorrente vem mantendo rígido controle sistematizado das retenções de fonte, tanto para as contribuições como para o imposto de renda na fonte, somente procedendo a formação do saldo negativo de IRPJ para aquelas retenções efetivamente confirmadas com base nos valores líquidos recebidos; • No referido anexo A, estão informados os contribuintes em que não houve, total ou parcialmente, confirmação das retenções de fonte declaradas pela recorrente, fazendose a composição do valor de R$ 132.964,45; • No Anexo B estão evidenciados os valores retidos informados pela recorrente, considerando os valores de faturamento bruto, retenções de impostos e contribuições, data de emissão das notas fiscais, data de recebimento dos valores faturados, e outros elementos necessários a indicação das operações ocorridas no primeiro trimestre de 2005; • Relaciona os casos objeto das glosas, com as informações sobre o IRF que foi retido em cada pagamento de NF por CNPJ; • Conforme pode ser observado, a recorrente mantém controle absoluto sobre todas as retenções de fonte e tem identificado cada um dos valores informados na DIPJ e nas PERDCOMP de saldo negativo, já prevendo falhas de informações das DIRF de seus clientes. Infelizmente, muitas das empresas não apresentam o informe de rendimentos anualmente, principalmente its vinculadas ao setor público, o que prejudica ainda mais esta conciliação prévia; • De qualquer forma, a recorrente faz prova de que de fato tem direito ao crédito integral, indicado na PERDCOMP de saldo negativo de IRPJ, retenções estas que estão demonstradas, devendo esta Secretaria, de posse das informações aqui disponibilizadas, solicitar novas informações sobre as divergências aos CNPJ responsáveis pelas retenções; • Fazse prova também pela apresentação das Notas Fiscais dos eventos demonstrados, as quais estão dispostas no anexo C; Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10735.901712/201097 Acórdão n.º 1302002.693 S1C3T2 Fl. 468 5 • Solicita acatar o pedido de reconsideração pela homologação integral, com a consequente extinção do processo de cobrança." 1 A 1ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, sob o fundamento de falta de comprovação do direito alegado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto A Fazenda Nacional. IRPJ RETIDA NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRPJ retido na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não esteja confirmada por comprovante de retenção. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida afirmouse que para que o IRRF retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário, a receita correspondente deve ter sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, computada na determinação do lucro real no referido período de apuração.Nesse sentido, seria ônus da beneficiária do rendimento comprovar que os valores de IRRF referentes a pagamentos por serviços prestados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras para deduzir o IRRF quando da apuração do resultado do exercício. E nos termos dos artigos 815, 942 e 943 do RIR/99, a documentação apresentada produzida pela própria interessada (Planilha — 1° Trimestre 2005 — Anexo B — fl. 59/67 e cópias de notas fiscais Anexo C — fl. 70/183), não seria suficiente para a demonstração pretendida. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reiterou os argumentos expendidos na defesa anterior, acrescendo que: i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; 1 O trecho citado entre aspas foi extraído diretamente do Acórdão nº 1801001.309, tendo em vista a constatação de equívoco na transcrição feita pela relatora, na Resolução nº 1801000.243. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10735.901712/201097 Acórdão n.º 1302002.693 S1C3T2 Fl. 469 6 iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv.a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. Na apreciação dos embargos, a relatora acolheuos parcialmente reconhecendo a nulidade da primeira decisão, em face de erro na publicação da pauta da reunião que impedira o patrono de participar da sessão de julgamento, conforme se extrai do voto vencido, verbis: Conheço dos Embargos de Declaração, por tempestivo. I) Dos Embargos de Declaração Com efeito, comprovado nos autos pelas telas copiadas do sítio, que houve o erro alegado, impedindo o patrono da recorrente de presenciar o julgamento, este realizarseá novamente. No que respeita à solicitação de nulidade do acórdão embargado porque a ConselheiraRelatora que recebeu os autos para relato e apreciação, por sorteio, não estava vinculada à 3ª Câmara, a indignação da embargante não merece prosperar. Não há no Regimento Interno do Carf – Ricarf (Portaria MF nº 256/09) qualquer dispositivo restritivo a este procedimento. A Conselheira Relatora, suplente da Primeira Seção, recebeu os autos pelo devido sorteio e possui plena competência para atuar nesta Turma ou em qualquer outra desde que na Primeira Seção. A Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10735.901712/201097 Acórdão n.º 1302002.693 S1C3T2 Fl. 470 7 vinculação inicial à Primeira Câmara é meramente formal e organizacional, sendo procedimento interno do Carf, que não lhe extrai a competência de julgar os litígios administrativos, por razão de distribuição em Turma diferente. [...] No mérito, a então conselheira relatora dos embargos votou por negar provimento ao recurso voluntário, adotando os fundamentos expendidos no Acórdão nº 1801 001.309, de 06/12/2012 (fls. 336/343), mediante o qual o colegiado da 1ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF, ora embargado. A relatora restou vencida em sua posição, tendo decidido a maioria do colegiado em converter o julgamento em diligência, nos termos da conclusão do voto vencedor, verbis: Por essas sucintas razões, meu voto é para converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona a Recorrente, completar seu relatório, conferindo a idoneidade e a consistência da prova acostada aos autos (notas fiscais, planilhas e tudo mais que julgar conveniente), bem como solicitar, caso entenda necessário, às fontes pagadoras os comprovantes das retenções realizadas, dando, ao final, ciência de tudo à Recorrente, para se manifestar, querendo. Encaminhados os autos à unidade preparadora, a autoridade fiscal encarregada das diligências produziu o despacho de diligência (fls. 452/454), no qual consta a seguinte conclusão: Para efeito de verificação dos valores informados em DIRF com aqueles informados nos documentos juntados ao processo, foi realizado, em 23/12/2014, novo batimento nos sistemas RFB. Do novo batimento, restou confirmado pelo sistema, os valores dispostos na tabela a seguir, conforme telasextraídas do sistema RFB e juntadas ao processo. Dessa forma opinamos procedente o IRRF no montante de R$ 769.760,89. Cientificada a recorrente dos termos da conclusão da diligência (fls. 458), foram os autos encaminhados ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10735.901712/201097 Acórdão n.º 1302002.693 S1C3T2 Fl. 471 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos de declaração interpostos pela contribuinte foram regularmente admitidos por ocasião do julgamento realizado pela extinta 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em que houve por bem anular o Acórdão nº 1801001.309, de 06/12/2012, e converter o processo em diligência, nos termos da Resolução nº 1801000.243, de 10/07/2013. A questão em litígio envolve o reconhecimento parcial de direito creditório consubstanciado em saldo negativo de IRPJ, do período de apuração de 01/01 a 31/03/2005. O crédito que deixou de ser reconhecido no Despacho Decisório referese à retenções na fonte que não foram informadas em DIRF, nem comprovadas pelo sujeito passivo mediante os comprovantes hábeis previstos na legislação. O crédito total pleiteado na PER/Dcomp de R$ 750.690,20, foi formado exclusivamente por IRRF retido pelas fontes pagadoras no montante de R$ 769.760,89, que descontado o IRPJ efetivamente apurado (R$ 19.070,69) perfaria o crédito pleiteado. No Despacho Decisório (fls. 16 a 19) havia sido confirmado o montante de R$ 636.796,44 a título de IRRF retido pelas fontes pagadoras, restando reconhecido o montante original de crédito de saldo negativo de R$ 617.725,75, homologandose apenas parcialmente as compensações pleiteadas em PER/Dcomp. Ocorre que na realização das diligências determinadas pela 1ª Turma Especial, a autoridade fiscal responsável por sua execução promoveu novo batimento entre os do IRRF valores informados em PER/Dcomp e os constantes das DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras, reconhecendo a existência de valores retidos no montante de R$ 769.760,89, ou seja, o exato montante informado pela contribuinte, ora embargante. Nesse diapasão, impõese reconhecer integralmente o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ pleiteado, no montante original de R$ 750.690,20 e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Ante ao exposto, voto por acolher os embargos interpostos, com efeitos infringentes, para modificar o Acórdão nº 1801001.309, de 06/12/2012, e dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos acima examinados. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10735.901712/201097 Acórdão n.º 1302002.693 S1C3T2 Fl. 472 9 Fl. 472DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002161/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 61 /2 01 0- 46 Fl. 193DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 194DF CARF MF Processo nº 19515.002161/201046 Acórdão n.º 2201004.171 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 195DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19515.002161/201046 Acórdão n.º 2201004.171 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 197DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.724279/2011-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/11/2008
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 42 79 /2 01 1- 19 Fl. 96DF CARF MF 2 Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga (bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de conseqüência, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o artigo 37 do Decreto Lei 37/66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. O artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baldeação. Prazos dado às prestações de informações Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10711.724279/201119 Acórdão n.º 3001000.348 S3C0T1 Fl. 97 3 São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a conseqüente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A chegada da embarcação MSC Tamara no Brasil, porto de Suape, ocorreu dia 23/09/2008, tendo atracado as 19hrs30, conforme informações constante no extrato de manifesto e detalhes de escala. A data e hora da atracação, servem como limites para que a Fl. 98DF CARF MF 4 agência de navegação presta as informações sobre a carga. A agencia MSC Mediterranean Shipping, informou sobre o manifesto e efetuou sua vinculação às escalas de forma tempestiva. Por sua vez, a empresa Craft Multimodal, na qualidade de agente de cargas, promoveu a desconsolidação e introduzindo as informações de forma tempestiva. Nova desconsolidação, com envio de informações também de forma tempestiva, ocorreu pela empresa Hafen. Consta como consignatária, a empresa Braservice, como desconsolidadora. Esta última, constituiu como sua representante a empresa Rioport Assessoria Aduaneira, também cadastrada como desconsolidadora. A embarcação prosseguiu viagem, tendo atracado no Rio de Janeiro dia 29/09/2008, figurando como transportador representante o agente de carga Rioport, tendo havido a desconsolidação da carga somente no dia 29/09/08 as 17hrs12min29. Impugnação Tratase do combate ao auto de infração, cuja lavratura do auto de infração deuse em 11/05/2010, por ter prestado informações sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN 800 e 899/08 e com aplicação de multa por infração ao artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66, com novel redação estabelecida pela Lei 10.833 03.Aponta que em 11 de maio de 2010 foi lavrado auto de infração impondo multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, com fundamento no artigo 107, IV, alínea e, do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03, cujo descritivo aponta a não prestação de informações sobre carga transportada, nos prazos estabelecidos pela Receita Federal. A empresa Braservice Assessoria em Comércio Exterior Ltda., constituiu junto ao Departamento do Fundo de Marinha Mercante DEFMM, como sua representante a ora impugnante. A embarcação MSC TAMARA atracou dia 29/09/2008 às 18 hrs., conforme escala 08000211740 fls. 28, argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12, em fls. 29 e 30 argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12. No mérito, argumenta que não haveria como imputar a multa aplicada haja vista estar a legislação em referência sob vacatio legislação, em razão da nova redação do artigo 22 da IN 800/07, dada pela IN 899 de dezembro de 2008 Repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação". Alternativamente, argumenta pela não obrigatoriedade da prestação de informações. DRJ/FLN O presente processo foi dispensado de ementa, sendo mister a transcrição de seu relatório, para o fiel entendimento do cerne discutidos nestes autos. O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10711.724279/201119 Acórdão n.º 3001000.348 S3C0T1 Fl. 98 5 Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da desconsolidação de CE (MHBL) n.º 130805182616644 intempestivamente. Junta às fls. 16/32 cópia das telas de informações das escalas e conhecimentos eletrônicos. Nos termos, então, da IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas às cargas transportadas é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação alegando que as informações foram prestadas tempestivamente às 17:12 horas do dia 29/09/2008, já que a atracação se deu às 18:00 horas do mesmo dia, segundo relato no auto de infração. Ainda assim alega também que a IN SRF n.º 800/2007 somente estipulou prazo para a prestação das informações a partir de 01/04/2009 (art. 50) com vistas à adequação dos procedimentos por parte dos usuários e como o fato alegado de informação intempestiva se deu antes daquela data é improcedente o lançamento da multa por violação ao princípio Constitucional de Reserva Legal. Examinando o que consta no processo, foi constatada divergência nas datas de atracação que constam na autuação e n os documentos que acompanham o auto de infração (Detalhes da Escala, às fls. 30). Por esta razão foi diligenciado à unidade preparadora para que saneasse tal erro material (fls. 49/50). A ALF/Porto do Rio de Janeiro procedeu, então, a retificação da data de atracação para o dia 28/09/2008, conforme dados da escala, emitindo auto de infração complementar do qual foi novamente cientificada a autuada. A interessada apresentou aditamento à impugnação às fls. 61/63 reiterando os argumentos já apresentados e contestando a alteração procedida pela fiscalização na autuação. Alega que tal erro material caracteriza vício intransponível, cabendo a nulidade do auto de infração para atender aos princípios da legalidade e ampla defesa. Ao longo do voto, o colegiado julgador de primeiro piso esclarece os fundamentos do voto: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, tendo em vista que a interessada prestou informações acerca da desconsolidação da carga na data/hora de 29/09/2008, às 118:00 h, de forma intempestiva, já Fl. 100DF CARF MF 6 que a atracação da embarcação se deu no dia 29/09/2008, às 17:12 h. Quanto ao mérito, o argumento trazido pela interessada para contestar a autuação é de que o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. Todavia está equivocada a impugnante em sua análise. Isto porque o indigitado art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, em vigor a partir de 31/03/2008, possuía, originalmente a seguinte redação: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. (grifei) Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente ressaltou o argumento de que o prazo seria obrigatório apenas a partir de 01 de abril de 2009 ,conforme artigo 50 da IN 800/07 e 899/08 No mérito, repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação", mencionando o artigo 22 prazos de antecedência, com sua referência legal. Destaca do voto condutor do acórdão recorrido, o argumento de que mesmo estando suspensa a obrigatoriedade, não exime o contribuinte de prestar as a informações, contrapondo que as informações foram, efetivamente, prestadas Do texto destacado do referido acórdão de piso, evidencia o início do termo dos prazos em 01 de abril de 2009 Ainda, menciona o artigo 76, I, h da Lei 10.833/03, a qual, em eu entendimento, impõe a sanção de advertência, no atraso por mais de 03 vezes Na seqüência, conclui que a aplicação da multa conforme efetivada, não é contemplada pelo regulamento aduaneiro, não havendo, portanto, fundamento legal para sua imposição, ocasionando ofensa ao princípio constitucional da reserva legal, em nome da preservação da segurança jurídica. Pela efetividade do princípio da Razoabilidade, menciona doutrina e precedentes do STJ quanto à inexigibilidade de multa administrativa em procedimento de Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10711.724279/201119 Acórdão n.º 3001000.348 S3C0T1 Fl. 99 7 vistoria e revisão aduaneira ante a inexistência de prejuízo ao fisco e a boa fé do sujeito passivo. Neste sentido, indica a inocorrência de dano ao erário É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Mérito Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 102DF CARF MF 8 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10711.724279/201119 Acórdão n.º 3001000.348 S3C0T1 Fl. 100 9 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da Fl. 104DF CARF MF 10 IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10711.724279/201119 Acórdão n.º 3001000.348 S3C0T1 Fl. 101 11 no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, fazendo se valer o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Fl. 106DF CARF MF 12 Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, acompanhado que foi pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual "houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009". Preâmbulo 2 Ainda, antes de adentrarse à questão jurídica que motivou a presente divergência de entendimento, destacase, por oportuno, que o caso sob exame processo 10711.002995/201061 (Acórdão 3001000.341), afora os dados concernentes ao nome da embarcação, a da data e hora de atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, o número do conhecimento eletrônico e a data e hora que o recorrente registrou a desconsolidação da carga, é congêrene àqueles tratado nos processos 10711.003775/201054 (Acórdão 3001000.342), 10711.004007/201018 (Acórdão 3001000.343), 10711.006048/201049 (Acórdão 3001000.344), 10711.008214/200916 (Acórdão 3001 000.345), 10711.008215/200952 (Acórdão 3001000.346), 10711.721400/201151 (Acórdão 3001000.347) e 10711.724279/201119 (Acórdão 3001000.348), tanto que igualmente são idênticos os argumentos de direito trazidos nos respectivos recursos voluntários. Desta feita, revela destacar também que a decisão encartada neste Voto Vencedor seguirá a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, o aqui decidido será adotado em todos os demais processos deste contribuinte, conforme destacados no parágrafo anterior, vez que tratamse, como já delineado, de processos paradigmas, o que importará na transcrição, como solução da controvérsia o entendimento que prevaleceu na decisão vencedora tratada nos autos deste processo (Acórdão 3001000.341). Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. O recorrente está certo quando defende que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que alguns os fatos datam de período posterior 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da referida norma regulamentar, com redação dada pela IN RFB 899 de 2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10711.724279/201119 Acórdão n.º 3001000.348 S3C0T1 Fl. 102 13 informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Fl. 108DF CARF MF 14 Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10711.724279/201119 Acórdão n.º 3001000.348 S3C0T1 Fl. 103 15 Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão. Portanto, proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 110DF CARF MF 16 Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.900022/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 22 /2 00 8- 66 Fl. 111DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 60/65, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 48/52, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 09346.13642.191103.1.3.046462, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 9.067,52, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 9.306,90. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.4) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.5) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15374.900022/200866 Acórdão n.º 2201004.417 S2C2T1 Fl. 99 3 3.6) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos auto; 3.7) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/35) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 48/52): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano, calendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 32). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário Fl. 113DF CARF MF 4 O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 10/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 59 e a tela de consulta dos Correios de fl. 81, apresentou o recurso voluntário de fls. 60/65 em 12/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações do mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 1310/99, que tramitou na 20ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 88/95). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de condenação resultante de ação trabalhista, deveria recolher o valor de R$ 8.794,48 a título de IRRF (conforme cálculos de fls. 87/89). No entanto, o RECORRENTE alega ter cometido erro na apuração do tributo (deixou de deduzir da base de cálculo do imposto a parcela da contribuição previdenciária), assim efetuou o recolhimento do IRRF no montante indevido de R$ 9.067,52 (fl. 94). Assim, afirmou que, para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF no valor correto de R$ 8.794,48 (fl. 83). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 16, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 06/11/2003. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.900022/200866 Acórdão n.º 2201004.417 S2C2T1 Fl. 100 5 Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Fl. 115DF CARF MF 6 Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 1310/99, que tramitou na 20ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15374.900022/200866 Acórdão n.º 2201004.417 S2C2T1 Fl. 101 7 confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 117DF CARF MF 8 Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.726343/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO FORMAL. PESSOA JURÍDICA INCORPORADA ANTES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É nulo o auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo, se a incorporação se deu antes da lavratura do auto de infração. Violação das prescrições dos art. 142 do CTN e art. 10, I, do Decreto n° 70.235/1972. Há nulidade por vício formal, se o defeito for provocado por descumprimento de formalidades indispensáveis à existência do lançamento, mas restar presente a motivação e se não houver prejuízo ao contraditório.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, por vício formal, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO FORMAL. PESSOA JURÍDICA INCORPORADA ANTES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É nulo o auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo, se a incorporação se deu antes da lavratura do auto de infração. Violação das prescrições dos art. 142 do CTN e art. 10, I, do Decreto n° 70.235/1972. Há nulidade por vício formal, se o defeito for provocado por descumprimento de formalidades indispensáveis à existência do lançamento, mas restar presente a motivação e se não houver prejuízo ao contraditório. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, por vício formal, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO FORMAL. PESSOA JURÍDICA INCORPORADA ANTES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É nulo o auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo, se a incorporação se deu antes da lavratura do auto de infração. Violação das prescrições dos art. 142 do CTN e art. 10, I, do Decreto n° 70.235/1972. Há nulidade por vício formal, se o defeito for provocado por descumprimento de formalidades indispensáveis à existência do lançamento, mas restar presente a motivação e se não houver prejuízo ao contraditório. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, por vício formal, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 63 43 /2 01 4- 21 Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.160 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído para a cobrança de IOF decorrente de operações de mútuo ‘de conta corrente’, acrescido de multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 4.477.410,33. Entendeu a fiscalização que houve a ocorrência do fato gerador do IOF nas operações de conta corrente entre empresas coligadas. A motivação do auto de infração é a seguinte: a ação fiscal iniciou em 13/09/2013, quando a contribuinte foi cientificada do Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls. 0304, oportunidade em que foi chamada a prestar esclarecimento e apresentar documento; em 29/04/2014, foi intimada (fls. 277/280) a apresentar esclarecimentos, entre outros, sobre a identificação de pagamento de imposto de renda na fonte sobre valores registrados como mútuo sem incidência de IOF. em resposta informou que o tributo era lançado na conta 225917.002 uma vez que a companhia entendia que os valores contabilizados nas contas de CRÉDITO DE PESSOAS LIGADAS (FÍSICA/JURÍDICA) não se tratavam de operação de Mútuo e sim operação de Conta Corrente com o escopo de se formar um caixa único no grupo para pagamento de despesas comuns. no exame da escrita contábil, particularmente em relação às contingências cujas provisões foram adicionadas e excluídas na apuração do lucro real, foi observado que o sujeito passivo escriturou conta relacionada a IOF entre partes ligadas (225917.002 CONTINGÊNCIA IOF INTERCOMPANY). Observando o balancete, se verificou que uma das contas do grupo de receitas (3592898.007 Juros de C/Corrente) teve movimento superior a R$ 4,11 milhões no ano de 2010 e, no ativo realizável em longo prazo, os saldos das contas sintéticas eram as seguintes: a conta sintética 1.07.00.02.00 Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas) possui 58 contas analíticas e, dentre essas, as que apresentam movimento a débito mais significativos são: Conta Nome Percentual do Movimento Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.161 3 conquanto se tenha constatado a existência de contratos de mútuo entre empresas coligadas, o que se confirma pelos próprios históricos de boa parte dos lançamentos contábeis, não foram observadas contas relacionadas ao IOF; o sujeito passivo foi questionado sobre a razão de tal inconsistência, sendo determinado que fosse identificada a conta contábil em que o IOF devido sobre operações de mútuo havia sido escriturado; na conta 122601100 NET SERV COMUM S/A os movimentos mais significativos estão relacionados a valores movimentados a partir de conta 111.802001EMBRATEL em 28/02/2010. O sujeito passivo foi demandado a esclarecer essa operação e, conforme resposta, essa transferência está relacionada a valores recebidos pela empresa que teriam sido entregues a sua "holding", ou seja, os recursos de propriedade da fiscalizada permaneceram à disposição da NET SERVIÇOS DE COMUNICAÇÕES S/A e foram escriturados como mútuo, conforme se verifica a partir dos históricos, como por exemplo: "Baixa Fatura Mutuo 28/02/10" e "Imposto de Renda Mutuo". Existem outros valores que notoriamente estão relacionados a transferências bancárias; fato semelhante se observou em relação à conta 122611311 REYC COM E PARTICIP LTDA, na qual existem diversos valores recebidos como "Baixa Fatura Mutuo" com contrapartida em conta de banco, ou seja, o sujeito passivo reconhece que a conta registra contrato de mútuo com empresa ligada e a devolução do recurso é feita em dinheiro, com depósito em conta bancária 0911064814; as contas 12611991 e 12611992 são contas transitórias, portanto foram relevadas nessa análise. Em relação à conta 12611002 NET RIO S/A existem diversos lançamentos a débito cuja origem são os registros contábeis da movimentação bancária (sempre passando por contas transitórias) que revelam que essa conta também controla contratos de mútuo. Diversos históricos da escrita contábil também mencionam a expressão "mútuo". Vêse, portanto, que essa conta também registra valores emprestados em dinheiro para empresas do grupo; existem os lançamentos contábeis na conta 12611621 NET ANÁPOLIS que também mencionam, em diversas oportunidades, a expressão "Baixa Fatura Mutuo" e "Imposto de Renda Mutuo"; em resposta à intimação, a contribuinte alega que não foram recolhidos valores relativos ao lOF em razão de se tratar de operações de conta corrente entre pessoas ligadas, situação em que, segundo posicionamento administrativo, não seria devido o imposto. Nesse período o IOF era lançado na conta 225917.002 (Contingência Intercompany) uma vez que a companhia entendia que os valores contabilizados nas contas de CRÉDITO DE PESSOAS LIGADAS (FÍSICA/JURÍDICA/ não se tratavam de operações de Mútuo e sim de operação de Conta Corrente com o escopo de formar um caixa único no grupo para pagamento de despesas comuns, como forma de otimização de custos e gestão consolidada de recursos financeiros, com fulcro no art. 13 da Lei n° 9.779/99. Pelo fato desse contrato não se confundir com operação de mútuo, fica afastada a incidência de IOF/Crédito. A jurisprudência ... Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.162 4 ocorre que os argumentos da contribuinte não se sustentam em face de sua escrita contábil bem como nos esclarecimentos prestados em relação aos valores recebidos da EMBRATEL e baixados de sua escrita contábil do grupo de "direitos a receber" e transferidos para "realizável a longo prazo". a título de exemplo, vejamos como se operou o mútuo escriturado em 27/01/2010 entre a fiscalizada e sua coligada REYC no valor de R$ 6.900.000,00. 1. Os recursos saem da conta bancária “SAP 2271_130000886” e são escriturados a débito de conta transitória de Passivo Exigível a Longo Prazo: por fim o recurso que estava na conta banco é levado à conta de mútuo com a coligada REYC: os recursos recebidos da Embratel pela coligada Net Serviços Comunicações S/A em nome da fiscalizada também devem ser caracterizados como mútuo. Vejamos alguns dos eventos relacionados a esses recursos. 1. Os recursos inicialmente estavam controlados na conta 111802.001 EMBRATEL do ativo circulante no grupo dos créditos com "administradores, sócios e acionistas". O seu saldo inicial devedor era de R$ 174.157.293,83. Parte desse valor foi levado a diversas contas do grupo realizável a longo prazo onde foram escriturados os mútuos em 28/02/2010; Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.163 5 2. Não há dúvida de que esses valores correspondem a mútuo feneratício, pois a conta 122601.100 passou a receber lançamento de juros, sendo que o seu saldo antes dos lançamentos feitos em 28/02/2010 era zero. Segue trecho do razão contábil da conta 122601.100 NET SERV COMUNIC S/Ade 24 a 30/03/2010 no qual se pode constatar tanto a movimentação envolvendo uma das contas de "bancos" (SAP_0911_064814) quanto o reconhecimento dos juros. 3. Por fim, segue a transcrição da resposta apresentada pelo sujeito passivo em atendimento ao item 10 do Termo de Intimação Fiscal 003 esclarecendo que o valor foi recebido pela Net Serviços. O Crédito referese a liquidação de serviços de acesso tomados pela Embratel em FEV/1O. O recebimento ocorreu na controladora Net Serviços, e para baixá lo por cidade foi realizado um lançamento manual de transferência contas a receber e contas a pagar) da Net Serviços contra as operações. Segue razão contábil da Net Serviços. (Arquivos em CD) Resta evidenciado que as operações escrituradas na conta 1.07.00.02.00 Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas) não são simples operações de conta corrente, mas sim de operações de mútuo em dinheiro, sujeitas ao IOF conforme previsto no Decreto n°6.306/2007, artigo 2°, inciso I, alínea V. Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.164 6 Em impugnação, as alegações da empresa foram as seguintes, bem sintetizadas pela decisão de piso: 4. Feito o lançamento, a contribuinte foi cientificada em 16/09/2014 (AR fl. 660) e, em 15/10/2014 apresentou a impugnação de fls. 668718, onde alega em preliminar que a autoridade fiscal estaria tributando, indevidamente, valores que foram equivocadamente contabilizados como mútuo pela ora reclamante; que os valores registrados na conta sintética 1.07.00.02.00 representam montantes relacionados ao “conta corrente” entre as empresas do grupo, e não decorre de contratos de mútuo, razão pela qual o lançamento não merece prosperar. 5. Seu primeiro argumento é de que o auto de infração deve ser declarado nulo haja vista a Net São Paulo ter sido alvo de incorporação pela Net Serviços de Comunicação em 31/10/2013, ou seja, antes da lavratura do presente auto de infração ocorrida em 16/09/2014. Afirma que a operação observou todos os trâmites legais, o que culminou com a baixa do CNPJ da incorporada, conforme comprovam as telas ora anexadas. Desta forma, o lançamento deve ser declarado nulo uma vez que o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional estabelece que o lançamento deve especificar, de maneira escorreita, os aspectos imprescindíveis para viabilizar a adequada instauração do vínculo obrigacional tributário, sob pena de inquinar tal atividade de vício material. 6. Lança mão de farta manifestação doutrinária e jurisprudencial para concluir que o erro na identificação do sujeito passivo, tal como ocorreu no presente caso, inquina de nulidade o lançamento tributário e, o acolhimento da preliminar é de rigor, o que merece ocasionar o julgamento da procedência da presente impugnação, para que seja cancelada a exigência. 7. Prossegue afirmando que caso não seja acolhida a preliminar de nulidade, ainda assim, o lançamento deve ser cancelado posto que no presente caso não ocorreu a materialidade da regra de incidência do IOF/Crédito, qual seja, a realização de operações de mútuo, haja vista as operações praticadas pela ora impugnante (conta corrente) não se subsomem a norma geral e abstrata prevista no Decreto nº 6.306/2007. 8. Repisa ter havido equívoco na contabilização dos valores de operações de conta corrente como se mútuo fossem e, alega que a autoridade fiscal não teria buscado a verdadeira natureza dos valores autuados. Sustenta que a autuação não possui embasamento fático e configura presunção equivocada por parte do autuante, na medida em que a suposta existência de mútuo não foi comprovada e não coincide com a realidade dos fatos. 9. Afirma que: “Ora, a simples existência de valores a receber não autoriza a Autoridade Fiscal a supor, sem qualquer fundamento, que a origem de tais ativos seriam contratos de mútuos firmados entre a Impugnante e suas coligadas, já que, justamente por se tratar de coligadas, poderiam ser decorrentes de relações jurídicas das mais diversas naturezas, como, por exemplo, de operações de conta corrente, como é o caso ora analisado.” (sic) 10. Alega que as movimentações registradas na conta 1.07.00.02.00 de seu ativo, não representam ativos decorrentes de contratos de mútuo, mas, sim, ativos decorrentes de operações comerciais realizadas com as demais empresas do grupo. Assim, ao contrário do que concluiu a autoridade fiscal, os montantes autuados se referem a operações de conta corrente, as quais não se confundem com contratos Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.165 7 de mútuo e, portanto, não configura a materialidade da norma de incidência do IOF/Crédito. 11. Discorre sobre as diferenças existentes entre os contratos de mútuo e o contrato de conta corrente para enfatizar que neste último enquanto não houver a liquidação do contrato de conta corrente, não existem as figuras do credor e do devedor. 12. Afirma que claro está que as operações realizadas com suas coligadas decorrem de contrato de conta corrente, não havendo que se falar em operações de crédito. 13. Invoca a aplicação do princípio da verdade material ao argumento de que teria ocorrido mero equívoco no registro contábil das operações realizadas com as coligadas, razão pela qual o auto de infração merece ser cancelado. Socorrese de doutrina e jurisprudência administrativas para defender seus argumentos e solicita a realização de diligência. 14. Sob o título de ônus da prova, alega que a Fiscalização não apresentou, além de equivocados registros contábeis, qualquer prova da suposta existência de operações de mútuo, motivo pelo o lançamento não merece subsistir. 15. Na sequência sustenta que o lançamento teria sido efetuado com base em meras presunções, restando ao Fisco comprovar, por meios seguros e irrefutáveis, e não presuntivos, a ocorrência do fato infracional. 16. Noutro sentido, desenvolve todo um arrazoado acerca da ilegalidade da exigência do IOF sobre operações de mútuo realizadas entre empresas não financeiras e, caso não seja esse o entendimento da autoridade julgadora, entende que o processo deverá ser sobrestado até que seja proferida decisão judicial definitiva pelo STF nos autos do Recurso Extraordinário nº 590.1866/RS. Invoca (subsidiariamente) que seja aplicado o disposto no inciso IV do artigo 265 do Código de Processo Civil (suspendese o processo quando a sentença de mérito “depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica...”). 17. Entende que inexiste a possibilidade de se exigir da sucedida a multa de ofício relativa ao lançamento sob análise, tendo em vista o disposto no artigo 132 do Código Tributário Nacional e manifestações do antigo Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e de julgado do Supremo Tribunal Federal. 18. Pede o afastamento da multa qualificada posto que ausente o preenchimento dos requisitos necessários para desencadear sua aplicação, e desenvolve sobre cada uma das hipóteses de agravamento. Suprese de manifestações doutrinárias diversas e invoca a aplicação do disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, mais especificamente do conteúdo do inciso II. 19. Ataca a exigência de juros sobre a multa de ofício e, ao final requer seja reconhecida a improcedência do Auto de Infração em questão, extinguindose, por consequência, o crédito tributário de IOF/Crédito exigido ou, subsidiariamente, (i) a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja confirmado o quanto exposto durante a presente Impugnação; (ii) o afastamento da multa, a qual não pode ser exigida da sucessora; (iii) o afastamento da multa de ofício qualificada no caso, diante da ausência de preenchimento dos requisitos necessários a desencadear o agravamento de 150%; (iv) o afastamento dos juros sobre a multa; e (v) o sobrestamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva pelo E. STF no Recurso Extraordinário n° 590.1866/RS, no qual foi reconhecida a repercussão geral da controvérsia. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.166 8 A 2ª Turma da DRJ/CTA, acórdão n° 0651.146, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência, conforme sintetiza a ementa, a seguir reproduzida: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. CONTA CORRENTE. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação de mútuo, sobre ela incidindo o IOF, sendo irrelevante para fins tributários o fato de que os recursos disponibilizados pela mutuante sejam feitos na forma de pagamentos de obrigações da mutuária. IOF. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa e correção de natureza fiscal. O direito do contribuinte às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), recaindo sobre a empresa incorporadora o ônus do conhecimento do passivo da incorporada. MULTA AGRAVADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.167 9 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora. Nas efls. 945 e ss, foi informada a incorporação societária: a CLARO S/A é sucessora por incorporação da NET Serviços de Comunicação S/A, que por sua vez é sucessora da NET São Paulo. Inconformada, a Recorrente apresentou seu tempestivo recurso voluntário, requerendo a improcedência do lançamento, ratificando as mesmas razões de sua impugnação, em especial a nulidade do auto de infração por erro na edificação do sujeito passivo. Acrescentou à sua argumentação, a preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Nulidade do auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo Alega a Recorrente a nulidade do auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo. Isso porque a NET São Paulo foi incorporada pela empresa Net Serviços de Comunicação S/A em 10/2013 (antes, portanto, da lavratura do auto de infração em 10/09/2014, cuja notificação se deu em 16/09/2014), o que acarretou a baixa do seu CNPJ desde então. Entendeu a DRJ que, na data da ciência do auto de infração, a baixa do CNPJ da Net São Paulo não havia sido deferida, justamente por estar em curso a ação fiscal que culminou na constituição dos créditos de IOF, IRPJ e Contribuições Previdenciárias (matérias de outros dois processos administrativos). A fundamentação foi a seguinte: A ação fiscal foi desencadeada em 13/09/2013, oportunidade em que a interessada foi cientificada do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 03/05), qual seja, fato ocorrido antes da Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 31/10/2013 que teve como ordem do dia a incorporação da Net São Paulo Ltda pela Net Serviços de Comunicação, CNPJ 00.108.786/000165. 50. Como se não bastasse, o extrato do histórico do CNPJ da autuada demonstra que a baixa do CNPJ, embora iniciada em 31/10/2013, foi suspensa em 17/02/2014 e somente foi concluída em 17/11/2014, ou seja, depois de o auto de infração em análise ter sido impugnado. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.168 10 A despeito da r. decisão de piso, entendo que a documentação societária deve prevalecer sobre as informações internas da RFB. Prossigo. É verdade que durante o curso da ação fiscal, as respostas à autoridade foram dadas em nome da NET São Paulo Ltda., com o CNPJ próprio 65.697.161/000121, a exemplo da resposta à intimação de 27/06/2014, a última de toda a ação fiscal, na efl. 345: Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.169 11 Logo, observase o erro da empresa em continuar a responder TODAS as intimações realizados no curso da ação fiscal como “NET São Paulo Ltda”. Entretanto, ressalto que a impugnação e o recurso voluntário foram subscritos pela NET Serviços de Comunicação S/A. Ocorre que assiste razão à Recorrente, posto que a documentação societária já estava desde o início anexada aos autos. Explico a seguir. A ficha cadastral da autuada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, juntada nas efls. 127150, foi emitida em 03/09/2014, ou seja, antes da lavratura do auto de infração (10/09/2014 e 16/09/2014, lavratura e notificação, respectivamente): Essa ficha cadastral foi autenticada pelo titular da ação fiscal, AFRF JOSE MAURICIO BIANCHI SEGATTI. Por certo que havendo divergência entre os dados da RFB e os documentos societários no momento da lavratura do auto de infração, devem prevalecer as informações registradas nestes últimos. Em consulta ao sítio da Receita Federal, é possível acessar com facilidade a seguinte Certidão de baixa: Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.170 12 À época dos fatos, a IN n° 1470/2014 prescrevia: CAPÍTULO VI DA BAIXA DA INSCRIÇÃO Art. 25. A baixa da inscrição no CNPJ, da entidade ou do estabelecimento filial, deve ser solicitada até o 5º (quinto) dia útil do segundo mês subsequente ao da ocorrência de sua extinção, nas seguintes situações, conforme o caso: II incorporação; § 1º A baixa da inscrição no CNPJ, da entidade ou do estabelecimento filial, produz efeitos a partir da respectiva extinção, considerandose a ocorrência desta nas datas constantes do Anexo VIII desta Instrução Normativa. Art. 26. Impede a baixa da inscrição da entidade no CNPJ: § 2º Os impedimentos listados no caput não se aplicam à baixa: I decorrente de incorporação, fusão ou cisão total da entidade, quando a sucessora for entidade domiciliada no Brasil; ANEXO VIII Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.171 13 (...) Diante disso, restam violadas as prescrições dos art. 142 do CTN e art. 10, I, do Decreto n° 70.235/1972. Isso porque, o erro na indicação do sujeito passivo decorreu da necessidade de lavratura do auto de infração contra a Net Serviços de Comunicação S/A e não contra a NET São Paulo. Nesse sentido, os seguintes acórdãos do CARF, dentre outros: RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE CONFIGURADA POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PELA INCORPORADORA. PREJUDICALIDADE DO RECURSO DE OFÍCIO. Extinguindose a incorporada, responde a incorporadora, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida, fato que impõe seja aquela identificada como sujeito passivo na condição de responsável tributário. Portanto, é inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. Nulidade reconhecida. Consequente cancelamento do Auto de Infração lavrado pela Receita Federal. Recurso Voluntário Provido. Recurso de Ofício prejudicado. (1401001.190, julg. 07/05/2014). NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO — EMPRESA INCORPORADA A empresa citada no lançamento extinguiuse por incorporação pela empresa sucessora em 2001. O lançamento efetuado em 2004 deveria ter se dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo. (1302001.913, julg. 05/07/2016). Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10314.726343/201421 Acórdão n.º 3301004.484 S3C3T1 Fl. 1.172 14 RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE CONFIGURADA POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PELA INCORPORADA. Extinguindose a incorporada, responde a incorporador, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida, fato que impõe seja aquela identificada com sujeito passivo na condição de responsável tributário. Portanto, é inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. Nulidade reconhecida. Consequente cancelamento do Auto de Infração. Recurso voluntário provido. (1101000.681, julg. 15/03/2012). Dessa forma, acolho a preliminar de nulidade do auto de infração, por vício formal, diante do erro na identificação do sujeito passivo. Aponto o vício formal, pois se está diante de defeito provocado por descumprimento de formalidades indispensáveis à existência do lançamento, mas resta presente a motivação. Observo ainda que não houve prejuízo ao contraditório. Deixo de analisar os outros tópicos do recurso voluntário, diante do acolhimento dessa preliminar. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, por vício formal. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721711/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Numero da decisão: 2402-006.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
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INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 17 11 /2 01 3- 81 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Por bem retratar os fundamentos trazidos no auto de infração e as considerações veiculadas na impugnação, reproduzse trechos correspondentes do relatório do Acórdão nº 03072.190, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), ora recorrido: Relatório Por meio da Notificação de Lançamento nº 09201/00204/2013 de fls. 02/07, emitida em 09.12.2013, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário, no montante de R$385.785,98, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2010, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Sítio Ressacada Matrícula 27.103”, cadastrado na RFB sob o nº 8.251.2841, com área declarada de 491,9 ha, localizado no Município de Morro Grande/SC. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2010 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 09201/00040/2013 de fls. 08/12, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Ato Declaratório Ambiental (ADA) requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei nº 4.771/1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 5º documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4º do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001; 6º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10983.721711/201381 Acórdão n.º 2402006.188 S2C4T2 Fl. 3 3 registrada no CREA, que comprovem as áreas de florestas nativas declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos do inciso II, “e”, do § 1º, art. 10 da Lei nº 9.393/1996, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 7º Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2010, a preço de mercado. Por não ter recebido nenhum documento de prova exigido e procedendose a análise e verificação dos dados constantes na DITR/2010, a fiscalização resolveu glosar as áreas de preservação permanente de 49,1 ha, de reserva legal de 98,3 ha e coberta por florestas nativas de 344,5 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$245.950,00 (R$500,00/ha), arbitrando o valor de R$5.706.040,00 (R$11.600,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com consequente aumento da área tributável e do VTN tributável, disto resultando o imposto suplementar de R$188.289,32, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 03/05 e 07. Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 16.12.2013, às fls. 37, ingressou o contribuinte, em 13.01.2014, às fls. 54/55 e 58, com sua impugnação de fls. 43, instruída com os documentos de fls. 44/57, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: informa que, em data anterior, já havia sido protocolada uma justificativa que comprova de forma cabal que os valores lançados a título de ITR estavam equivocados, cuja cópia integral junta em anexo; reportase aos argumentos da defesa anterior como forma de julgar insubsistente a Notificação de Lançamento. A DRJ/BSB considerou a impugnação improcedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2010 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO Fl. 160DF CARF MF 4 A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS As áreas de preservação permanente, de reserva legal e cobertas por florestas nativas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), além da averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fl. 76/77) informando, em síntese, que apresentou, juntamente com a peça recursal, laudo escorreito e de acordo com a NBR 14.6533 o qual apontaria o correto valor venal da área objeto de lançamento. Em vista disso, requer a retificação do lançamento. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10983.721711/201381 Acórdão n.º 2402006.188 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância em 24/10/2016, por via postal, com aviso de recebimento AR, conforme documento de fl. 74. O carimbo aposto na folha de rosto do recurso voluntário (fl 76) demonstra que esse foi interposto em 25/11/2016. De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, na espécie, o recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 24/10/2016 (segundafeira). Dessa forma, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972, a contagem do prazo para interposição de recurso teve início em 25/10/2016 (terçafeira). O trigésimo dia ocorreu em 23/11/2016 (quartafeira). Entretanto o recurso somente foi apresentado em 25/11/2016 (sextafeira), portanto, fora do prazo legalmente estabelecido. Nesse sentido, resta claro que o contribuinte não verificou o prazo para interposição do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento do interstício legal que se encerrou em 23/11/2016 e não no dia 25/11/2016 (data de apresentação da peça recursal). Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade do apelo do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso. Fl. 162DF CARF MF 6 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 163DF CARF MF
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