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Numero do processo: 10845.002540/2010-20
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL.
Não tendo a autoridade autuadora apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas e da efetiva prestação dos serviços, é de se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso, demonstrando que há vícios nos comprovantes trazidos aos autos. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer glosas de despesas médicas no valor de R$ 21.300,00 (vinte e um mil e trezentos reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. Não tendo a autoridade autuadora apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas e da efetiva prestação dos serviços, é de se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso, demonstrando que há vícios nos comprovantes trazidos aos autos. Recurso provido.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. Não tendo a autoridade autuadora apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitandose a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas e da efetiva prestação dos serviços, é de se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso, demonstrando que há vícios nos comprovantes trazidos aos autos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer glosas de despesas médicas no valor de R$ 21.300,00 (vinte e um mil e trezentos reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 25 40 /2 01 0- 20 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 14/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.0507v, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2008, exercício 2009, em razão da suposta dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal, conforme o caso (fl.0606v), aduzindo em acréscimo não haver prova de efetivo desembolso nem da efetividade dos serviços prestados, bem como alteração do valor relativo à UNIMED e à CAPEP, de acordo com comprovantes apresentados. O Contribuinte foi cientificado. Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 01 e ss., alegando o seguinte: apresentou recibos juntamente com os relatórios das profissionais Loiva Correia Cutrim (fisioterapeuta), Claudiane D. A. Lima (fonoaudióloga), Fernanda T.Machado (terapeuta ocupacional) e Marília B. Saraiva (psicóloga), contendo o histórico da paciente, prescrição, justificativa do tratamento e número de sessões, devidamente assinados e autenticados em cartório; realmente havia recibos em domingos e feriados, o que é perfeitamente normal, uma vez que era atendida em domicílio conforme sua necessidade; as profissionais confirmaram ter recebido os honorários pelos serviços prestados e garantiram ter declarado o valor recebido à Receita Federal; apresenta extratos bancários (Banco do Brasil e Banco Itaú) de janeiro a dezembro de 2007, relativos a contas movimentadas apenas por ela através de cheques ou uso de cartão magnético, que demonstram a disponibilidade de soldo para tanto, bem como uma somatória de débitos, entre cheques e saques, no valor de R$ 43.822,27; boa parte desses valores foi utilizado para efetuar pagamentos destas profissionais, ora por sessão, ora semanalmente, ora quinzenalmente, através de dinheiro ou cheque ao portador, sendo que algumas foram pagas com a contribuição em dinheiro de seus filhos; graças a tais tratamentos, pôde se recuperar de grande parte de seus problemas físicos e psicológicos, já que seus planos de saúde não tinham esses serviços ou os limitavam a poucas sessões; solicita prioridade na alise de sua impugnação, em respeito à previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471/2003 (Estatuto do Idoso). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10845.002540/201020 Acórdão n.º 2802002.014 S2TE02 Fl. 212 3 Em julgamento, a 3ª Turma da DRJ/SP2, em sessão realizada no dia 19/04/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que não foram apresentados comprovantes de efetivo desembolso dos pagamentos feitos aos profissionais em questão, embora tenham sido apresentados recibos; que a exigência de comprovação de efetivo desembolso fundase no valor elevado das despesas deduzidas, bem como por haver recibos emitidos em sábados, domingos e feriados; que as declarações trazidas aos autos, emitidas pelas profissionais em questão, não se fizeram acompanhar de outros elementos de prova, como fichas médicas, laudos, exames e outros, não possuindo por si só força probante, nem consta dos sistemas informatizados da RFB que referidos profissionais tenham declarado no exercício em questão rendimentos recebidos de pessoas físicas; que os extratos bancários trazidos não ostentam saques ou compensação de cheques em datas e valores compatíveis com os recibos apresentados Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 173, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 174, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos na impugnação e alegando que em se tratando de profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, não haveria outros elementos a serem acrescidos além dos trazidos pelas profissionais nas declarações que prestaram, no limite da ética profissional, de modo a não afetar a privacidade do paciente; que os recibos apresentados contém todos os elementos essenciais aos mesmos e se em algum houver alguma omissão, deve ser atribuída a quem o preencheu; que indaga se as profissionais foram intimadas a prestar esclarecimentos à Receita; que cabe ao contribuinte decidir como gastar seus rendimentos, sendo idoso; que não lhe pode ser imputada a falta de informação à RFB nas DIRPF respectivas pelas profissionais em questão dos rendimentos que lhes foram pagos pelo contribuinte; nada tem a questionar quanto aos valores lançados no que tange aos pagamentos efetuados a UNIMED e a CAPEP. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello – Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, a glosa de deduções com despesas médicas relativas às profissionais Jurema Thomaz Agria, Fernanda T.M.Marques, Loiva Correa Cutrim e Claudiane Dias de Assis Lima. O contribuinte apresentou ainda em fase de fiscalização 46 recibos datados de 2008, a fls.2439, além de declarações das respectivas profissionais, a fls.0811, além de outros documentos que não tocam aos aspectos ora analisados, sendo certo que a documentação trazida pelo contribuinte é vasta. Na fundamentação do lançamento, não se aponta qualquer vício nos comprovantes de pagamento trazidos aos autos, limitandose a autoridade a afirmar que os valores são elevados e que há recibos firmados em sábados, domingos e feriados. O contribuinte, idoso, afirma que era atendido em domicílio, como é próprio frequentemente de sua idade. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 O caso concreto é de resolução simples, na medida em que o lançamento de ofício não pode prevalecer diante dos recibos apresentados pelo contribuinte aos quais a autoridade autuante ou douta DRJ não atribuem vício algum, exceto a necessidade de comprovação de efetivo desembolso. Se considera a fiscalização que a documentação é inidônea para comprovar as despesas informadas, deveria se haver desincumbido de apontar as razões para tanto, não tendo sido invocada qualquer razão que diga respeito aos elementos em si que os recibos e demais documentos exigidos comprovam. A invocação se circunstância extrínsecas aos elementos contidos nos referido comprovantes, que mesmo se verdadeiras (valores elevados e atendimentos em fins de semana) não teriam o condão de invalidar os mesmos, não é bastante para a rejeição dos mesmos como prova idônea dos fatos que atestam. Por esta razões, não se pode aqui adentrar a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que não fundouse o auto de infração na indicação ou a decisão da DRJ de qualquer deficiência dos mesmos. Caberia, pois, à autoridade autuante dizer exatamente o porquê de sua recusa aos comprovantes apresentados pelo ora Recorrente para justificar a dedução das despesas médicas objeto de glosa. O artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Ora, se o contribuinte não apresentasse qualquer comprovação ou justificativa para as deduções questionadas, dúvida não haveria em manterse o lançamento, mas, tendo apresentado comprovantes, como já dito, deveria a fiscalização apontar as razões pelas quais não os acolhe, já que não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. A mesma argumentação que acima se deduz deve ser considerada aplicável à exigência de comprovação da efetiva prestação do serviço. Isto posto, sou pelo provimento do recurso, para restabelecer glosas de despesas médicas no valor de R$ 21.300,00, nos termos dos documentos de fls.0811 e 2439, mantendose quanto ao mais o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13687.000342/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Uma vez iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade e o benefício da exclusão da multa. Quanto às declarações e retificações posteriores, deve comprovar, documentalmente, que as mudanças realizadas correspondem à realidade. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Comprovado o gasto com despesa médica, deve ser reconhecida a dedução. DEDUÇÃO COM PREVIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado o gasto com previdência privada, até o limite de 12% dos rendimentos recebidos quando em soma com o FAPI, deve ser reconhecida a dedução. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Uma vez iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade e o benefício da exclusão da multa. Quanto às declarações e retificações posteriores, deve comprovar, documentalmente, que as mudanças realizadas correspondem à realidade. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Comprovado o gasto com despesa médica, deve ser reconhecida a dedução. DEDUÇÃO COM PREVIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado o gasto com previdência privada, até o limite de 12% dos rendimentos recebidos quando em soma com o FAPI, deve ser reconhecida a dedução. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 135 1 134 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13687.000342/200865 Recurso nº 907.443 Voluntário Acórdão nº 2202001.863 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria Omissão de rendimentos; deduções. Recorrente RODRIGO OTÁVIO BRAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Uma vez iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade e o benefício da exclusão da multa. Quanto às declarações e retificações posteriores, deve comprovar, documentalmente, que as mudanças realizadas correspondem à realidade. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Comprovado o gasto com despesa médica, deve ser reconhecida a dedução. DEDUÇÃO COM PREVIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado o gasto com previdência privada, até o limite de 12% dos rendimentos recebidos quando em soma com o FAPI, deve ser reconhecida a dedução. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 7. 00 03 42 /2 00 8- 65 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13687.000342/200865 Acórdão n.º 2202001.863 S2C2T2 Fl. 136 3 Relatório 1 Notificação de Lançamento Em revisão da Declaração de Ajuste Anual (fls. 0507), a autoridade administrativa lançou Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídicas no anocalendário de 2004, apurado através das DIRF’s apresentadas por estas. O montante omitido seria de R$ 245.441,38, decorrentes das pessoas jurídicas GEAP Fundação de Seguridade Social, Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, Laginha Agro Industrial S/A, Cooperativa de Consumo dos Servidores do DER MG Ltda., Fundação Ezequiel Dias, Superintendência de Água e Esgotos de Ituiutaba, Minas Gerais Secretaria de Estado da Saúde, Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e Unimed Ituiutaba Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. Foram compensados na constituição do crédito tributário os valores declarados por estas como IRRF, no valor de R$ 27.984,97. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 71.554,27, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física Suplementar, multa de ofício de 75%, juros moratórios, Imposto de Renda a Pagar (pela compensação indevida de IRRF) com multa de mora de 1% ao mês e juros de mora. 2 Impugnação Indignado com a autuação, o ora recorrente apresentou impugnação (fls.14) tempestiva esgrimindo os seguintes argumentos: a) não tinha por objetivo omitir seus rendimentos, tanto que mesmo não tendo declarado seus rendimentos por lapso burocrático, não deixou de recolher 6 DARF’s no valor de R$ 2.000,00, embora não os tenha alinhado na DAA; b) também não foram incluídos na DAA os valores referentes às despesas dedutíveis incorridas no anocalendário de 2004, que totalizam R$ 41.100,97, conforme recibos e comprovantes em anexo; c) requer, ainda, a retificação do lançamento e a abertura de novo prazo para pagamento voluntário com redução de multa; Em anexo à impugnação, o contribuinte juntou cópias dos informes de rendimentos (fls. 915), cópia de despesa médica com o plano de saúde Unimed (fl. 16), cópia de despesa médica com o Dr. Luis Carlos Calil (fls. 1719), cópia de rendimentos financeiros do Banco do Brasil – Plano de Previdência Privada (fl. 20) e cópias das DARF’s recolhidas em 2005 em relação à DIRPF 2005 (fls. 2122). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 3 Acórdão de Impugnação A 4ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos seguintes termos: a) eximir o interessado do recolhimento da multa de ofício no percentual de 75% sobre a parcela de R$ 12.000,00 do imposto suplementar lançado; b) eximir o contribuinte do pagamento do imposto suplementar na parcela de R$ 3.189,69; c) exigir do interessado o recolhimento de imposto suplementar no valor de R$ 12.000,00, sujeito aos acréscimos legais pertinentes no ato do efetivo pagamento, aproveitandose, para tanto, os recolhimentos confirmados nas telas de fls. 73/74; d) exigir do contribuinte o pagamento do imposto suplementar no valor de R$ 18.195,41, sujeito à multa de ofício (passível de redução) de 75% e aos respectivos juros de mora no ato do efetivo recolhimento. Os fundamentos foram os seguintes: a) o impugnante não contesta a omissão de rendimentos, sendo esta matéria inconteste sobre a qual não houve apreciação pela DRJ; b) os comprovantes de rendimento demonstram o valor de R$ 11.598,97 retido pelas fontes pagadoras a título de previdência social. Tais valores são passíveis de dedução da base de cálculo, motivo pelo qual devem ser excluídos R$ 3.189,69 do imposto complementar apurado; c) as demais deduções não podem ser aceitas, pois cessa ao início do procedimento de fiscalização o direito do sujeito passivo de retificar a declaração; d) a multa de ofício é objetiva e aplicável sempre que constatado erro de preenchimento, independentemente de comprovação de culpa subjetiva, o mesmo valendo para a aplicação dos juros de mora. Não obstante, em relação aos R$ 12.000,00, cujo pagamento foi antecipado, não deve incidir a multa de ofício, vez que o pagamento foi espontâneo, o que exclui o dever de pagar a multa, de acordo com o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN; e) não é possível reabrir o prazo de pagamento da multa restante com redução de 50%, mas no estado atual do processo ainda é possível o pagamento com redução de 30%. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 10/03/11, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 8387) em 11/04/11, aduzindo os seguintes argumentos: a) a DRJ deixou de considerar as deduções reais, efetivas e comprovadas relatadas na impugnação apresentada; b) o processo administrativo fiscal se pauta pela verdade material, e a autoridade administrativa pode rever seus atos se for verificada a existência de vício ou inexatidão, motivos pelo qual devem ser aceitas as deduções comprovadas. Além dos documentos já presentes no processo, foi juntada Declaração de Ajuste Anual retificadora, que demonstra os valores pretensamente corretos de dedução com saúde e educação, não presentes na declaração original (fls. 101102). É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13687.000342/200865 Acórdão n.º 2202001.863 S2C2T2 Fl. 137 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso atende a todos os requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece conhecimento. 1 Da Possibilidade de Reconhecimento de Despesas Declaradas Após o Início do Procedimento Fiscal A controvérsia instase apenas ao redor da possibilidade ou não de serem reconhecidas as despesas, a título de dedução da base de cálculo do imposto, após iniciado o procedimento fiscal. Versa o art. 147 do CTN que: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. A exegese comum do §1º leva a crer que, uma vez iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo não mais pode retificar sua declaração a fim de reduzir o tributo a ser pago. Tal interpretação levou, inclusive, à edição da súmula CARF nº 33: Súmula nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Não obstante, a leitura dos acórdãos que levaram à edição desta Súmula demonstra que a intenção era esclarecer que a entrega de declaração após o início do procedimento fiscal não produz efeito sobre o lançamento no que diz respeito à denúncia espontânea, não significando que esteja excluída a possibilidade da correção de erros materiais no decorrer do processo administrativo fiscal. Inclusive, peço licença para colacionar voto do conselheiro Nelson Mallmann que reflete o verdadeiro efeito da declaração retificadora do contribuinte frente ao início do procedimento fiscal: Assim, quando da apresentação da referida declaração, informando a totalidade dos rendimentos tributáveis recebidos e Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 das deduções pretendidas, estava, ainda, sob os efeitos do procedimento de oficio, ou seja, já tinha perdido a espontaneidade. A declaração apresentada só tem serventia para produzir matéria de prova, ou seja, todas as deduções pretendidas devem se fazer acompanhar das respectivas provas. (Primeiro Conselho de Contribuintes. Quarta Câmara. Relator: Conselheiro Nelson Mallmann. Acórdão 10423.395. Julgado em 07 de agosto de 2008) Sendo assim, tornase claro que o início do procedimento fiscal tem como condão excluir a espontaneidade, de modo que a declaração posterior tem somente a capacidade de simplificar as alegações do contribuinte, que devem ser devidamente comprovadas. A penalidade pela omissão é tão somente a multa, não a perda do direito às deduções. Ainda, em matéria processual, o Art. 16 do Decreto 70.235/72, em seu §4º, estabelece direito líquido e certo de o contribuinte apresentar provas até a impugnação. Seria no mínimo contraditório acreditar que no Processo Administrativo Fiscal, guiado pela verdade material, fosse possível aceitar a apresentação de provas que demonstrem a existência do direito e ignorálas em nome de mero formalismo. Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Posto isto, passarseá à análise dos documentos apresentados: 2 Das Despesas Médicas O recorrente alinhou as seguintes despesas médicas: a) Plano de saúde UNIMED; b) Consultas psiquiátricas. Assim, o deslinde do feito passa pela análise dos requisitos legalmente elencados pela Lei 9.250/95 como requisitos à dedutibilidade das despesas lançadas pela recorrente em sua DIRPF: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva; II — das deduções relativas: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13687.000342/200865 Acórdão n.º 2202001.863 S2C2T2 Fl. 138 7 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Quanto às despesas da UNIMED, existe comprovante dos valores pagos à fl. 16, devendo este ser aceito e os valores deduzidos da base de cálculo. O mesmo é verdadeiro para as consultas psiquiátricas com o Dr. Luis Carlos Calil (fls. 1719), pois, não obstante alguns recibos não possuam o endereço do profissional, é possível identificálo em outros, enquanto todos possuem os requisitos mínimos de validade de recibo: nome de quem efetuou o pagamento, causa do pagamento, valor do pagamento, data do pagamento e nome do emissor, além do CPF deste para fins fiscais. Sendo assim, quanto às despesas médicas, deve ser deferido o pedido do contribuinte de reconhecimento destas para fim de dedução da base de cálculo do IR. 3 Das Contribuições para Previdência Privada Além das despesas médicas, o recorrente pugna, ainda, pelo reconhecimento do direito à dedução do fundo de previdência privada do Banco do Brasil – BRASILPREV, no montante de R$ 11.869,32. Acerca destas despesas, versa o Decreto 3.000/99 – RIR: Art.74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderão ser deduzidas: I as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 II as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. § 1º A dedução permitida pelo inciso II aplicase exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no anocalendário. § 2º A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à dedução prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. Tendo em vista que o contribuinte comprova mediante documento emitido pelo Banco do Brasil (fl. 107) o pagamento da quantia, e, ainda, que a soma deste com a FAPI (não recolhida no caso em análise) não ultrapassa 12% dos rendimentos (R$ 245.441,38), é devida a dedução deste valor da base de cálculo do tributo. Deste modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à dedução de R$ 19.692,10, a título de despesas médicas e previdência privada complementar. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10970.000735/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.254
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 70 .0 00 73 5/ 20 10 -0 8 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata o presente autodeinfração, lavrado sob n. 37.266.2528, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 11, a Fundação, durante o período auditado, se considerou uma entidade beneficente com isenção de contribuições previdenciárias, recolhendo apenas as contribuições descontadas dos segurados empregados e dos contribuintes individuais. Ocorre que em 15/07/2008, através do Ato Declaratório Executivo de Cancelamento de Isenção de Contribuições Sociais n. 032/2008, a isenção das contribuições sociais da Fundação foi cancelada, com efeitos a partir de 01/02/2000, por infração ao inciso V, do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Verificamos que nos exercícios de 2005 a 2007, objeto desta auditoria, não houve mudança de procedimentos por parte da Fundação, mantendose a situação que ensejou o Ato de Cancelamento. A Fundação contestou o referido Ato de Cancelamento, mas o recurso ainda permanece pendente de julgamento. Anexamos junto a este relatório a cópia do referido Ato de Cancelamento, bem como da Representação que embasou a decisão da Receita Federal do Brasil. Além disto a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, oriunda do processo 44006.002244/200131, foi indeferida em 14/12/2006 pela resolução 251/2006, publicada no DOU em 19/12/2006, e objeto de pedido de reconsideração, o qual não foi publicado, com base no art. 39 da Medida Provisória 446/2008, e as renovações referentes aos processos 71010.001694/200463 e 71010.001932/200783 foram deferidas com base no art 37 da Medida Provisória 446/2008. Não obstante, a referida medida provisória foi rejeitada pela Câmara dos Deputados em 10/02/2009, e ainda não foram pacificados o s efeitos jurídicos da sua vigência. Diante desse cenário, entendemos que, até que o Ato de Cancelamento seja definitivamente julgado e os efeitos da MP 446/2008 sejam pacificados, as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à entidade, devem ser apuradas e formalizadas, sob pena de entrar em período decadencial, beneficiando a Fundação com os mesmos efeitos da isenção, que ora se encontra em discussão. Este o motivo para a apuração do presente débito. Destacou a autoridade fiscal que as contribuições foram apuradas com base nas remunerações contidas nas folhas de pagamentos, GFIP, e na contabilidade apresentada pela empresa no curso da auditoria fiscal realizada, tendo sido descritos 5 levantamentos: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 4 3 Levantamento FP: Neste levantamento informamos as bases de cálculo das folhas de pagamentos dos segurados empregados da Fundação, informadas em GFIP sem ocorrência i n d i c a d o r a de direito à aposentadoria especial; Levantamento AE: Neste levantamento informamos as bases de cálculo das folhas de pagamentos dos s e g u r a d o s empregados da Fundação, declarados em GFIP com ocorrência indicadora de direito à aposentadoria especial. Não fazia parte do escopo da auditoria verificar as condições ambientais de trabalho que podem ensejar o direito à aposentadoria especial, assim, neste levantamento as bases de cálculo foram apuradas exatamente como declaradas pela Fundação em GFIP. O anexo I a este relatório detalha o s segurados incluídos neste levantamento; Levantamento EG: Neste levantamento foram informadas as bases de cálculos de segurados empregados não informados em GFIP pela Fundação, mas incluídos nas folhas de pagamentos de salários. O anexo II a este relatório detalha os segurados incluídos neste levantamento; Levantamento C l : Neste levantamento foram incluídas as bases de cálculo de segurados contribuintes individuais, que prestaram serviços à Fundação.O anexo III a este relatório detalha os segurados incluídos neste levantamento; Levantamento PT: Neste levantamento estão informadas as bases de cálculos de processos trabalhistas e dos pagamentos decorrentes de dissídios coletivos, declaradas em GFIP pela Fundação. O anexo IV a este relatório detalha os segurados incluídos neste levantamento. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 05/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 14/10/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada impugnação, fls. 18 a 84. O processo foi baixado em diligência no intuito de que o auditor se manifeste acerca de lançamento de contribuições já recolhidas, ou erro de base de cálculo. Foi emitida informação fiscal, fls. 802, onde aduz basicamente o auditor: Tendo em vista que não houve alterações no valor do débito relativo ao processo n. 10970.000733/201019, também não há alterações de valor neste processo. À análise relativa a este processo é a mesma anexada ao processo n. 10970.000733/201019, que deixamos de juntar a este processo por economia processual. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 132 a 145. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/10/2010 D E B C A D 37.266.2528 P E D I D O D E N U L I D A D E . I N D E F E R I M E N T O . Fl. 247DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 5 4 Ausente a demonstração de omissão de elemento ou requisito essencial à formação jurídica do ato, seja referente à sua forma ou a sua substância, não há que se proclamar a nulidade do Auto de Infração. C E R C E A M E N T O D E D E F E S A Inexiste cerceamento de defesa quando os fatos geradores das contribuições e os dispositivos legais que amparam o lançamento encontramse discriminados no Relatório Fiscal e seus Anexos, possibilitando ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e. assim, permitindolhe o exercício do pleno direito de defesa. I N F R A Ç Ã O . O M I S S Ã O D E F A T O S G E R A D O R E S . G F IP Constitui infração a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. M U L T A . L E G I S L A Ç Ã O M A I S B E N É F I C A . Na imputação de penalidade aplicase a legislação menos onerosa. I S E N Ç Ã O . E N T I D A D E S F I L A N T R Ó P I C A S . R E Q U I S I T OS L E G A I S . A observância aos requisitos legais que ensejam a concessão do benefício de isenção das contribuições previdenciárias patronais depende da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. Impugnação Improcedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 150 a 208. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Cientificada do lançamento, a entidade , com conteúdo similar à peça acostada ao processo de cobrança da contribuição previdenciária patronal (10970.000733/201019), ofertou impugnação de fis.18/84, com protocolo em 12/11/2010, onde apresentou, em vasta peça contestatária, suas razões de defesa, proclamando como preliminar, a nulidade da autuação por falta de descrição dos fatos e por violação dos princípios do contraditório, da ampla defesa, da legalidade. 2. Aponta como motivo de ilegalidade no lançamento a informação assentada no relatório fiscal acerca da expedição do Ato Declaratório Executivo de Cancelamento da Isenção emitido em 15/07/2008, todavia com efeitos retroativos a 01/02/2000. por infração do inciso V, do artigo 55, da Lei 8.212/1991, especialmente no tocante à menção do auditor fiscal de que nos anos de 2005 e 2007, objeto da auditoria, mantevese a mesma situação que ensejou o cancelamento da isenção. 3. Segundo o recorrente a ilegalidade se configurou pela falta de descrição dos fatos "para explicitar o contexto da mesmice a que se refere, o que torna impossível para a defesa refutar algo tão árido: a uma porque o Ato Cancelatório retrocedeu ao exercício de 2000, e dado que o presente AI se refere aos exercícios de 2005 a 2007, não há como comungar com a teoria que a impugnante se manteve ao longo de 5 a 7 anos agindo Fl. 248DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 6 5 deforma idêntica a que fazia no exercício de 2000; a duas porque ainda se assim fosse, a auditora por dever legal deveria descrever a que fatos se referem, ao invés de lançar de forma genérica a narrativa por espelhamenlo, por sem subsídio fúticodocumentcil" Corroborando com suas alegações transcreve diversas decisões relativas a cerceamento de defesa. 4. Ainda no campo das preliminares, diz que a autoridade fiscal impõe como condição de validade deste AIOP, existir o julgamento favorável à Fazenda do recurso interposto em razão do Ato Cancelatório da Isenção, quando diz que a sua formulação tem por fim prevenir a decadência. 5. Aduz, no entanto que tal situação foi superada favoravelmente à entidade, porque o cancelamento deixou de existir no mundo jurídico, a partir da emissão da Lei 12.101/2009, especificamente à vista do disposto no se artigo 32, que deu lugar à suspensão do direito à isenção, situação motivadora da perda de objeto do processo de cancelamento da isenção, porque a partir da nova legislação, para se usufruir da isenção, não existe mais necessidade de Ato Declaratório, tão pouco se perde a condição por Ato Cancelatório, bem como não há mais a competência de julgamento de tais processos pelo CARF. 6. Traz ainda à baila alegações no sentido de que as isenções encontramse "resguardadas e mantidas , por advento de interposição tempestiva de recurso voluntário, ao qual foi atribuído efeito suspensivo", com fundamento no artigo 33 do Decreto 70.235/1972 e em conseqüência a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 7. No mérito, diz que a questão principal da contenda é o Ato Cancelatório com base no descumprimento dos incisos II e V do artigo 55 da Lei 8.212/1991. Diz que a partir da MP 446/2008, tais exigências não são mais sustentadas. Destaca que o lançamento foi produzido tão somente em razão de discordância da RFB quanto à reforma na legislação produzida pela MP 446/2008, fato este que se depreende da referência feita pelo auditor no relatório fiscal quando diz que tal legislação não estava ainda pacificada. 8. Discorre amplamente sobre as questões advindas da MP446/2008 e mostra que teve seu certificado no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS defendo por força do artigo 39 desta Medida Provisória, bem como ressalta que nos termos do art. 62 da Constituição Federal CF são válidos os efeitos produzidos durante a vigência da referida MP. 9. Destaca ainda, que as interpretações de legislação proferidas pela Advocacia Geral da União AGU são de observância obrigatória pela fiscalização, nos termos do art. 4 inciso X da Lei Complementar 73/1993 Especificamente sobre a violação do inciso V. do artigo 55, da Lei 8.212/1991, explica que a entidade firmou parceria com a Prefeitura de Uberlândia desde 1994, com o objetivo de auxiliar na Administração das unidades de Atendimento Integrado, inexistindo a caracterização de cessão de mão de obra. Explica que a atividade exercida pela Fundação compreende além da gestão dos recursos humanos necessários à administração das receitas, das despesas, dos imóveis, dos medicamentos, realiza quaisquer outras atividades "que permitam disponibilizar de forma ininterrupta, universal e igualitária, a toda a população da área de abrangência, serviços de saúde deforma totalmente gratuita". Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 7 6 10. Aduz que a parceria foi encerrada de direito em 31/12/2001, todavia permaneceu vigente por renovação automática em face da falta de pagamento das rescisões e encargos decorrentes do fim da parceria. Diz ainda que por interferência do Ministério Público Estadual foi firmado termo de ajustamento de conduta em 30/04/2002, com vistas a evitar solução de continuidade dos serviços de saúde municipal e prevenir prejuízos à existência da Fundação revitalizouse a parceria sendo firmado novo Termo em 14/05/2003. 11. Em seguida discorre a autuada sobre a natureza jurídica do referido Termo de Parceria concluindo que %'OS partícipes atuam sob regime de cooperação, ou seja, OS partícipes possuem interesses recíprocos" sendo, portanto, inaceitável equiparálo como um contrato. Defende a tese de que a natureza jurídica da avença configurase como "convênio", razão pela qual a receita auferida por sua execução "'Mo integra a receita da entidade, já qjte os recursos repassados não são de forma alguma contraprestação ou pagamento como ocorre nos contratos ". 12. Diz, ainda, "a aplicação dos recursos do Termo de Parceria não é considerada pela entidade como gratuidade concedida já que não se trata de sacrifício econômico da entidade e sim de fomento de atividade de interesse público por meio de entidade privada em regime de cooperação ". 13. Afirma que utilizou os recursos decorrentes da isenção patronal tendo por objetivo ampliar sua atividade assistencial. Como prova do alegado mostra às fls. 247, parte do Demonstrativo de Aplicação dos Recursos recebidos no período de 01/2006 a 12/2006. Rebate as conclusões da fiscalização quanto à irregularidade de aplicação da gratuidade apresentando às lis 251, planilha indicando que a utilização das verbas entendidas como para fins de gratuidade superaram os 2 0% exigidos no inciso VI do art. 55 da Lei 8.212/1991. 14. Continua sua defesa alegando ilegalidade no lançamento fiscal, pois diz que à época do fato gerador cumpria cumulativamente todos os requisitos da legislação vigente, pois teve o seu certificado deferido por força do art. 39 da MP 446/2008. 15. Mesmo sustentando ser improcedente o lançamento, para se resguardar aponta às íls. 255/260 divergências nas bases de cálculo, bem como às fls. 261/263 apresenta demonstrativo com vistas a mostrar ter havido cobrança indevida com relação aos contribuintes individuais, pois considera a existência de contribuições cobradas no levantamento, j á pagas em época própria. Fundamentando suas alegações, acosta aos autos vasta documentação, contendo cópia de GPS e demonstrativos das diferenças. 16. Afirma estar correta a utilização pela entidade do código FPAS 639 e por fim pede a realização de perícia nos termos do art. 16 do Decreto 70.235/72, incluindo na peça impugnatória a formulação dos quesitos sobre aspectos que julga necessitar de apreciação, bem como a indicação do perito. 17. Em razão de alegações de defesa relativas à discordância das bases de cálculo e existência de pagamentos de contribuições exigidas nos processos de n° 10970.000733/2010 19 e 10970.000734/201055, formalizados na mesma ação fiscal e apensados a este processo, que, no entanto, não foram trazidas à baila neste processo, conforme despacho de fls. 130, o presente também foi encaminhado à DRF, apenas em Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 8 7 face da apensação, não tendo sido, todavia, pedido esclarecimentos quanto ao seu conteúdo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 9 8 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 241. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO AO EFEITO SUSPENSIVO, FACE A AUSÊNCIA DE DECISÃO FINAL Quanto a atribuição de efeito suspensivo do crédito em questão enquanto não há decisão final acerca do Ato Cancelatório, entendo a autoridade julgadora de primeira instância, bem apreciou a questão, senão vejamos trecho da referida decisão a qual adoto como razões de decidir: Outro ponto de contenda é a questão relativa ao processo administrativo de cancelamento da isenção, para a qual é defendida a tese de recurso com efeito suspensivo. Na situação de recurso com discussão de cancelamento de ato declaratório de isenção, está textualmente expresso na norma, ou seja, no inciso IV do §8° do art. 206 do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, a seguir transcrito, a determinação do efeito suspensivo para o recurso. Art.206. Fica isenta cias contribuições de que tratam os ar/s. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direi/o privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado benejicente lerá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) (grifei) Na situação enquadrada como de cancelamento da isenção, aplicável, portanto, a regra do inciso IV, do §8° do art. 206 do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, sobre o efeito suspensivo do recurso que discute o reconhecimento de isenção, cabe dizer que a questão central, nesse item, reside em definir o significado e a abrangência do "efeito suspensivo", conferido ao recurso dirigido ao CARF. Dessa forma, considerando a finalidade do efeito suspensivo conferido aos recursos administrativos, é imperativo concluir que a disposição do inciso IV do § 8 o do art. 206 do RPS é no sentido de vedar que o ato cancelatório da isenção resulte na exigência imediata das contribuições previdenciárias antes abarcadas pela isenção cancelada. E somente isto. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 10 9 Não há suporte legal para que se confira interpretação aos "efeitos suspensivos" que vá além da impossibilidade de exigência imediata das contribuições previdenciárias de que se cuida. Nesse cenário, cabe ao fisco proceder à constituição do crédito tributário respectivo, suspendendo, contudo, a sua exigibilidade. Tratase de hipótese contemplada no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. E medida de preservação do interesse público. Aliás, este foi o principal elemento de sustentação do lançamento, como se depreende dos termos do relatório fiscal. Registrese que sobre este aspecto, agiu a fiscalização em consonância com recomendação feita pela PGFNCAT n° 2685, de dezembro de 2009, onde analisou a situação das entidades com processos em tramitação no CNAS, que tiveram o certificado concedido pela MP n°446 de 2008, mas que continuavam a descumprir outros requisitos para serem beneficiárias da isenção. Conforme exposto, entendo que não há que se falar em efeito suspensivo, mas de outra forma, entendo que o lançamento em questão encontrase diretamente relacionado ao mérito do Ato Cancelatório uma vez que é esse procedimento que identificou o descumprimento dos requisitos, sejam eles os art. 55, II e V da lei 8212/91, que determinou o cancelamento da isenção. DA PENDÊNCIA DE JULGAMENTO QUANTO AO ATO CANCELATÓRIO. Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, não apenas atinentes aos fatos geradores, bem como ao direito do recorrente a isenção de contribuições previdenciárias, entendo haver uma questão prejudicial a continuidade do presente julgamento. Primeiramente, convém destacar que o AI de obrigação Principal em questão, encontrase diretamente vinculado ao Ato Declaratório mencionado no corpo do relatório fiscal, que declarou o cancelamento da isenção da Fundação Maçonica Manoel do Santos, considerando que todos os fatos geradores aqui apurados referemse a parcela patronal não recolhida, posto que o recorrente considera inexigíveis ditas contribuições, face a sua condição de isenta. Contudo, não houve o encaminhamento conjunto dos AI lavrados para constituição do crédito acerca da parcela patronal e destinada a terceiros e o referido Ato Declaratório de Cancelamento de Isenção para que os mesmos fosse julgados em conjunto, ou mesmo não se identificou nos autos o resultado final a respeito dos mesmo, já que em sua defesa o recorrente entende que o ato cancelatório perdeu o objeto, considerando que o CARF estará impedido de julgálo, face o disposto na lei 12. 101/2009. Não fosse apenas esse o obstáculo, o Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, que regulamenta a Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009, para dispor sobre o processo de certificação das entidades beneficentes de assistência social para obtenção da isenção das contribuições para a seguridade social, e dá outras providências, prevê em suas disposições transitórias que os PEDIDOS DE ISENÇÃO e os ATOS CANCELATÓRIOS DE ISENÇÃO Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000735/201008 Resolução nº 2401000.254 S2C4T1 Fl. 11 10 não definitivamente julgados sejam encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, nos seguintes termos: Art.44.Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafoúnico.Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no 12.101, de 2009. Art.45.Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Assim, apesar de não ter sido identificado no relatório fiscal, nem mesmo na impugnação ou recurso o número. do processo referente ao Ato Cancelatório, em pesquisa no banco de dados do CARF pelo CNPJ identificouse que o processo cujo assunto determina “ISENÇÃO” foi distribuída a Conselheira Liege Lacroix da 3 Câmara de Julgamento desta 2 sessão, tendo a mesma em obediência aos normativos que tratam da matéria encaminhado o processo a origem para que seja apreciado o direito da entidade a isenção. Dessa forma, este autodeinfração deve ser encaminhado a origem, para que seja apensado ao processo referente ao Ato Cancelatório, tendo em vista que a reapreciação da isenção da entidade a luz da nova lei, produzirá efeitos diretos no processo que ora se julga. Ressaltese que antes do processo retornar a este colegiado, deve ser conferida vista ao recorrente para manifestação. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser o mesmo apensado ao Ato Declaratório de Isenção. inclusive observando a necessidade de reapreciação nos termos do Decreto 7.237/2010. Do nova manifestação deve ser dada ciência ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15504.020172/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.902 1 1.901 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.020172/201086 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.132 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 7 de agosto de 2012 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGENCIA Recorrente LIDER TAXI AEREO S/A AIR BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 20 17 2/ 20 10 -8 6 Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.020172/201086 Resolução nº 1402000.132 S1C4T2 Fl. 1.903 2 Relatório LIDER TAXI AEREO S/A AIR BRASIL recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Os autos de infração a folhas 2 a 17 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 88.038.554,14. Descrição das infrações imputadas O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 18 a 31, atribui à autuada uma só infração: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – Falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior por controladas, apurados conforme termo de verificação fiscal anexo. Datas do fato gerador: 31.12.2005, 31.12.2006 e 31.12.2007. Enquadramento legal: artigo 243, § 2º, da Lei nº 6.404, de 15.12.1976; artigo 6º, alínea “b”, do Decretolei nº 1.598, de 26.12.1977; artigo 25, §§ 2º e 4º, da Lei nº 9.249, de 26.12.1995; artigo 16 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001. Impugnação do lançamento A ciência dos lançamentos foi pessoal, visto que nos autos de infração consta a assinatura do Diretor Financeiro da autuada, com data de 03.12.2010, uma sextafeira. Em 03.01.2011 foi apresentada uma só impugnação, juntada a folhas 386 a 471. Ela se fez acompanhar dos documentos juntados a folhas 474 a 1.472, os quais a própria impugnante enfeixou em 10 grupos. A decisão recorrida está assim ementada: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR MEIO DE CONTROLADAS INDIRETAS. Serão considerados de forma individualizada os lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas e coligadas. É indiferente, para efeito de aplicação da legislação tributária e societária, que seja direto ou indireto o controle por parte da pessoa jurídica tributada no Brasil. Considerase ocorrido o fato gerador do tributo devido no Brasil na data do balanço em que tiverem sido apurados os lucros auferidos no exterior por controladas indiretas, independentemente de ter havido sua efetiva disponibilização ou distribuição. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO CONTROLADAS INDIRETAS SITUADAS EM TERCEIRO PAÍS. Os lucros auferidos por controlada indireta situada em país diferente daquele com o qual o Brasil firmou tratado internacional não se sujeitam às regras desse tratado que excluem a competência tributária do Brasil, ainda que a controladora direta da Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.020172/201086 Resolução nº 1402000.132 S1C4T2 Fl. 1.904 3 sociedade que gerou os lucros esteja sediada no país com o qual se firmou o tratado. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta contrarrazões às fls. 1867 a 1869. É o sucinto Relatório. Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.020172/201086 Resolução nº 1402000.132 S1C4T2 Fl. 1.905 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Tratamse de tributação de receitas obtidas de subsidiária no exterior. Vejamos um trecho do relatório da autuação: O sujeito passivo é controlador da Leader Internationval Aviation S.L, sediada na Espanha, com 99,9% de participação societária. Na Espanha, os lucros das empresas são tributados à alíquota de 35% em 2005 e 2006 e de 32.5% em 2007, pelo imposto sobre sociedades. O objetivo do tratado é evitar a dupla tributação entre países com tributação similar sobre lucros, mas a Espanha tributa lucros do exterior apenas quando distribuídos, razão pela qual o sujeito passivo não pagou imposto no país no período. A Leader espanhola controla com 100% de participação societária a Lider International Aviation S/A, domiciliada no Uruguai, a qual, por sua vez, controla com 100% de participação Klescott Corporation S/A e Norbell S/A, também domiciliadas no Uruguai, onde não há tributação sobre lucros. É incontroverso que os lucros objeto da tributação não foram produzidos na Espanha. Em verdade são decorrentes de operações das subsidiárias domiciliadas no Uruguai (controladas indiretas do contribuinte), sendo que tais resultados não são tributados naquele pais. É relevante para formação da convicção deste julgador saber quais detalhes das atividades das empresas que efetivamente auferiram as receitas/lucros, bem como onde (Pais) em que essas receitas/lucros tiveram origem, ou seja, como as receitas foram produzidas. Há notícias nos autos que os recursos seriam oriundos de operações com a própria controladora Brasileira: ao fim e ao cabo, tem origem no Brasil (fl. 29), porem, sem maiores esclarecimentos. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização identifique a natureza e origem remota dessas Receitas/Lucros, se possível fazendo a juntada de documentos. Caso, necessário intime o contribuinte para esse fim. Fica a cargo e critério da Fiscalização efetuar outros procedimentos, concernentes ao escopo da diligência, que entender cabíveis. Ao final, a Fiscalização deverá elaborar relatório consubstanciado, e intimar a contribuinte para, caso deseje, se manifestar no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16004.001164/2010-34
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
DESPESAS MÉDICAS. PROVA.
Fica descaracterizada a glosa das despesas médicas deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, quando constatado que os comprovantes de pagamentos apresentados pela impugnante evidenciam o equívoco contido nas informações de pagamentos prestadas à fiscalização pela administradora do plano de saúde.
Recuso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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PROVA. Fica descaracterizada a glosa das despesas médicas deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, quando constatado que os comprovantes de pagamentos apresentados pela impugnante evidenciam o equívoco contido nas informações de pagamentos prestadas à fiscalização pela administradora do plano de saúde. Recuso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 64 /2 01 0- 34 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 22 a 29, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, relativamente aos exercícios de 2005, 2006, 2007 e 2008, anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, respectivamente, em virtude de glosa das seguintes deduções efetuadas a título de despesas médicas: Fato Gerador Valor Tributável em R$ Multa (%) 31/12/2004 3.818,04 150 31/12/2005 4.339,40 150 31/12/2006 6.730,15 150 31/12/2007 6.529,73 75 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 30 a 35, o lançamento foi formalizado em razão da divergência constatada do confronto entre os valores declarados pela contribuinte a título de pagamentos a planos de saúde e as informações prestadas por Sicard e Sicard Assistência Médica Ltda. – CNPJ 00.846.662/000187, fls. 19/21. Desse confronto, a autoridade fiscal apontou dedução de valores superiores àqueles informados pela citada empresa, concluindo que a contribuinte não efetuou a totalidade dos pagamentos declarados, fato que configuraria a declaração de despesas inexistentes, o que, segundo a fiscalização, caracterizaria intuito de reduzir indevidamente o imposto devido, relativo aos exercícios/anoscalendário 2005/2004, 2006/2005, 2007/2006 e 2008/2007. Transcreve o autor do procedimento fiscal ementa do Acórdão nº 10510.335, de 16/04/96, proferido pelo extinto Conselho de Contribuintes, no sentido de que “não é nulo o auto de infração lavrado na Sede da Delegacia da Receita Federal, se a repartição dispunha dos elementos necessário e suficiente para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário”. Com relação ao tributo apurado nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, foi aplicada a multa qualificada prevista no art. 957 do Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda e elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, de conformidade com a Portaria RFB nº 665/2008. Não se conformando com o crédito tributário constituído, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 40, mediante a qual apresenta documentos de fls. 42/114, com o intuito de demonstrar a veracidade das informações contidas em suas declarações de imposto de renda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SPOII, julgou a impugnação improcedente, fls. 117 a 121, ao argumento de que: Em sede de impugnação, a contribuinte trouxe aos autos documentos relativos a pagamentos efetuados a Sicard e Sicard, que consistem em boletos de cobrança bancária, com registro mecânico do pagamento efetuado, e referemse à própria contribuinte, à sra. Maria Pereira de Souza, e a Bewerlei Alves Pereira, ambos incluídos no rol de dependentes informados em suas DIRPF. Tais documentos comprovam pagamento de despesas dedutíveis nos totais assim considerados pela autoridade fiscal lançadora, conforme quadro acima. A impugnante não logrou comprovar o Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16004.001164/201034 Acórdão n.º 2802001.947 S2TE02 Fl. 136 3 pagamento de despesas nos totais informados em suas DIRPF, impondose a manutenção do lançamento. Cientificada em 09/06/2011, fls. 129, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/07/2011, fls. 130, na qual requer nova análise dos documentos apresentados na impugnação, uma vez que nestes constam os valores são referentes a pagamentos que fez com o plano de sua irmã doente, de 70 anos, que com ela reside. Alega ser também idosa e cuidava de sua mãe, que veio a falecer. Aduz que o valor do imposto estipulado mais multa e juros é muito alto e, por isso, pede nova análise para rever o lançamento, pois não quer estar irregular perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. No seu entender não agiu de máfé, tanto que apresentou todos os recibos dos planos de saúde. Acrescenta, textualmente, que : “o estatuto do idoso fala que temos o dever de cuidar dos nossos idosos e quando coloco em prática o meu dever sou considerada incorreta”. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Depreendese da peça recursal que a Recorrente contesta a afirmação fiscal de que teria deduzido despesas médicas em valores acima daqueles que foram consignados nas respectivas Declarações de Ajuste Anual. Assim, requer que seja feita “nova análise, no intuito de rever estes valores”. Do confronto entre os valores dos pagamentos relacionados nas informações prestadas pela instituição Sicard & Sicard Assistência Médica Ltda, fls. 19 a 21, com as cópias dos comprovantes de pagamentos (boletos bancários) a favor da referida instituição, juntados à impugnação apresentada pela contribuinte, fls. 42 a 101, constatase que: Com relação aos pagamentos relacionados à dependente da contribuinte, Sra. Maria Pereira de Souza, referida instituição informa às fls. 21 dos presentes autos que: “(...) de acordo com pesquisas em nossos sistemas de controle e cadastro, foi encontrado registro de pagamento em nome do(a) Sr(a) MARIA PEREIRA DE SOUZA (...) no(s) seguintes anos calendário: Usuários 2004 2005 2006 2007 2008 Maria Pereira de Souza (titular) 128,76 170,20 218,85 297,87 556,11 (...) (...)” Relativamente ao anocalendário de 2004, a contribuinte juntou às fls. 42 a 49, seis boletos bancários emitidos em nome da dependente, em referência, dos quais se constata que as autenticações bancárias correspondentes registram pagamentos, no mês de Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 maio de 2004 e nos meses de agosto de 2004 a dezembro de 2004, totalizando R$ 1.762,80. Portanto, a informação prestada pela administradora do plano de saúde não condiz com os comprovantes apresentados pela contribuinte. O mesmo ocorre em relação ao anocalendário de 2005, cujos comprovantes de pagamento juntados pela contribuinte às fls. 50 a 64, demonstram que os valores desembolsados em nome da mesma dependente, totalizam R$ 4.509,60, enquanto administradora do plano de saúde informa o pagamento somente do valor de R$ 170,20. Também no anoscalendário de 2006 e 2007 a mesma situação persiste, eis que, enquanto os comprovantes juntados pela contribuinte às fls 65 a 101, totalizam pagamentos de R$ 6.432,40 e R$ 6.681,60, respectivamente, a informação prestada pelo empresa que administra o plano de saúde registra tão somente os pagamentos dos valores de R$ 218,85 e R$ 297,87, também respectivamente. Portanto, fica evidenciado que os documentos apresentados pela contribuinte à época da impugnação demonstram ser inverídica a informação prestada pela empresa que administra o plano de saúde à fls. 21, informação essa que, por ter servido de base para o lançamento tributário, torna infundado o crédito tributário constituído no Auto de Infração de fls. 22 a 29. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16004.001164/201034 Acórdão n.º 2802001.947 S2TE02 Fl. 137 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 26 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16327.003532/2002-26
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/01/1998 a 29/12/1998
Iof/crédito. Operações com notas de exportação (export notes) são diferentes de operações de factoring. Erro no enquadramento legal. Lançamento improcedente.
O auto de infração, ao se embasar no artigo 58 da Lei 9.532/97, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade crédito para as operações de factoring, acabou por incorrer em vício quanto ao seu enquadramento legal, tendo em vista que as operações de factoring não se equiparam às operações relativas às aquisições, por meio de pagamento à prazo, de export notes de empresas não exportadoras. O correto enquadramento legal seria o artigo 63, IV do CTN, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade relativa a títulos e valores mobiliários.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/01/1998 a 29/12/1998 Iof/crédito. Operações com notas de exportação (export notes) são diferentes de operações de factoring. Erro no enquadramento legal. Lançamento improcedente. O auto de infração, ao se embasar no artigo 58 da Lei 9.532/97, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade crédito para as operações de factoring, acabou por incorrer em vício quanto ao seu enquadramento legal, tendo em vista que as operações de factoring não se equiparam às operações relativas às aquisições, por meio de pagamento à prazo, de export notes de empresas não exportadoras. O correto enquadramento legal seria o artigo 63, IV do CTN, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade relativa a títulos e valores mobiliários. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/1998 a 29/12/1998 IOF/CRÉDITO. OPERAÇÕES COM NOTAS DE EXPORTAÇÃO (EXPORT NOTES) SÃO DIFERENTES DE OPERAÇÕES DE FACTORING. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O auto de infração, ao se embasar no artigo 58 da Lei 9.532/97, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade “crédito” para as operações de factoring, acabou por incorrer em vício quanto ao seu enquadramento legal, tendo em vista que as operações de factoring não se equiparam às operações relativas às aquisições, por meio de pagamento à prazo, de export notes de empresas não exportadoras. O correto enquadramento legal seria o artigo 63, IV do CTN, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade relativa a “títulos e valores mobiliários”. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 35 32 /2 00 2- 26 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão nº 20402.463 que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade e cancelamento do lançamento por erro no enquadramento legal do fato gerador. O acórdão recorrido entendeu, com base no ADN SRF 04/99, que as operações relativas às aquisições de export notes de empresas não exportadoras, caso estivessem sujeitas à incidência do IOF, estariam submetidas à modalidade “títulos e valores mobiliários” e não à modalidade “crédito”, como considerou a fiscalização, eis que aludidas operações não se tratariam de operações de factoring aptas a ensejarem a exigência do “IOF/Crédito”, conforme ementa a seguir: “IOF. EMPRESA DE FACTORING. OPERAÇÕES COM NOTAS DE EXPORTAÇÃO (EXPORT NOTES). OPERAÇÃO DE CRÉDITO. ENQUADRAMENTO PARA FINS DE INCIDÊNCIA. ADN SRF Nº 04/99. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. As operações com export notes que não tenham sido adquiridas diretamente de empresas exportadoras como direitos de crédito decorrentes da compra de faturamento não caracterizam operações de factoring para fins de incidência do IOF/Crédito. Ainda que tais operações se sujeitassem à incidência do IOF, necessário para validar a ação fiscal o enquadramento da exigência no IOF/Títulos e Valores Mobiliários, por força do disposto no ADN SRF 04/99. Recurso provido.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à legislação tributária, arguindo, em síntese, que o acórdão recorrido teria violado os artigos 58 e 81, inciso II da Lei 9.532/97 e o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea “d” da Lei 9.249/95, os quais preveriam, segundo sua interpretação, que as operações realtivas às aquisições de notas de crédito à exportação – “export notes” – constituiriam atividade de factoring e, portanto, seriam objeto de incidência do IOF em sua modalidade “crédito”. Alegou, também, que o acórdão recorrido não poderia ter se embasado no ADN 04/99, eis que aludido ADN se referiria ao Decreto 2.219/97, o qual trataria do IOF sobre operações realizadas por instituições financeiras, o que não seria o caso dos presentes autos. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.003532/200226 Acórdão n.º 9303001.998 CSRFT3 Fl. 413 3 Regularmente intimado o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 374/387, na qual requereu fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional ou que, na remota hipótese de assim não se entender, que o processo fosse baixado à Câmara a quo para que fossem apreciados os demais argumentos colacionados no recurso voluntário, tendo em vista que este foi julgado apenas com base na preliminar de erro e de enquadramento legal. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual dele conheço. A controvérsia cingese em determinar se a aquisição de export notes de empresas não exportadoras se tratam de operações de factoring aptas a ensejarem a exigência do IOF em sua modalidade “crédito”, como foi feito no lançamento, ou se as mesmas não se tratam de operações de factoring, mas sim de operações passíveis de incidência do IOF em sua modalidade “títulos e valores mobiliários”, conforme entendeu o acórdão recorrido ao declarar a nulidade do lançamento por erro no enquadramento do fato gerador. Primeiramente, entendo cabível realizar uma breve definição sobre o conceito de operações de factoring. O artigo 14, inciso VI da Lei 9.718/98, bem como o artigo 15, §1º, III da Lei 9.249/95 considera como operação de factoring as atividades afetas as “compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring)”. Em suma, o factoring se trata de uma operação em que há a aquisição, por meio de pagamento à vista, de direitos creditórios oriundos de vendas mercantis à prazo realizadas por outrem, cujos valores serão recebidos futuramente pelo adquirente do crédito, que, por sua vez, assume integralmente o risco pelo adimplemento futuro dessas vendas à prazo. Didaticamente o factoring ocorre, por exemplo, em situação que uma sociedade “X” compra à vista de uma sociedade “Y” o seu direito creditório oriundo de uma venda à prazo que realizou para uma pessoa “Z”. Assim, se a pessoa “Z” comprou da sociedade “Y” uma mercadoria em 20 vezes com juros, e a sociedade “Y” deseja receber, desde logo, os valores oriundos dessa venda, a mesma vende esse direito creditório para a sociedade “X”, que o comprará pagando à vista apenas aquelas 20 parcelas (sem juros) para “Y”, e passará a assumir o risco pelo adimplemento das 20 parcelas com juros a serem pagas por “Z”. Em suma, o objetivo do factoring para a sociedade alienante do direito creditório (sociedade “Y”) é que esta receba o valor da transação à vista, abrindo mão dos juros cobrados na operação, de forma que esta possa, desde logo, se capitalizar daqueles valores. Para a sociedade adquirente do crédito (sociedade “X”) o objetivo é de, a longo prazo, receber Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 os rendimentos oriundos dos juros que aquela operação proporcionará. Tratase, à grosso modo, de um investimento afeto à gestão de créditos. Feitas essas considerações acerca da definição da operação de factoring, passo a analisar as operações relativas aos presentes autos, em que, conforme previsto no próprio auto de infração, o contribuinte comprou “à prazo” export notes de sociedades que as adquiriram diretamente de sociedades exportadoras. Vejase que antes das operações realizadas pelo contribuinte, houve operações de factoring entre outras sociedades e sociedades exportadoras. O que ocorreu foi o seguinte: uma outra sociedade adquiriu à vista export notes diretamente de uma sociedade exportadora que realizou “exportações à prazo”, ou seja, vendas mercantis externas para terceiros que adquiriram mercadorias à prazo. A partir do momento que essa outra sociedade adquiriu as export notes, estas notas de exportação passaram a integrar seu ativo financeiro, o qual passou a ser negociável. Após essa integralização dos export notes ao ativo financeiro dessa outra sociedade, bem como de outras, é que a Recorrida adquiriu, por meio de pagamento à prazo, essas export notes. Notese que a Recorrida, ao adquirir as export notes, não estava adquirindo o faturamento daquelas outras sociedades nem tampouco realizando uma operação de factoring, mas tão somente estava negociando ativos financeiros. Inclusive porque a operação de factoring é caracterizada pela compra à vista de direitos creditórios oriundos de vendas à prazo e, nos presentes autos, a Recorrida realizou compra à prazo, o que, por si só, descaracteriza o regime, a lógica e os objetivos da operação de factoring. Assim, sendo certo que as operações com export notes realizadas nos presentes autos se trataram de meras aquisições de ativos financeiros, os quais não se confundem com operação de factoring, fato é que o enquadramento da autuação se deu de forma equivocada. Isso porque as aquisições de ativos financeiros estariam sujeitas à incidência do IOF previsto no artigo 63, IV do CTN (IOF/Títulos e valores mobiliários), e não à incidência do IOF previsto no artigo 63, I do CTN, o qual detém expressa previsão no artigo 58 da Lei 9.532/97 (IOF/Crédito), o qual foi utilizado no enquadramento legal do lançamento. O artigo 58 da Lei 9.532/97 prevê que “a pessoa física ou jurídica que alienar, à empresa que exercer as atividades relacionadas na alínea "d" do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995 (factoring), direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, sujeitase à incidência do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos e valores mobiliários IOF às mesmas alíquotas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas instituições financeiras”. Aludido dispositivo prevê a incidência do IOF sobre operações de factoring, as quais, conforme supramencionado, não ocorreram nos presentes autos. Conforme mencionado no acórdão recorrido, o IOF abriga quatro hipóteses distintas de fato gerador, arrolados nos incisos I, II, III e IV do artigo 63 do CTN, os quais preveem o seguinte: Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.003532/200226 Acórdão n.º 9303001.998 CSRFT3 Fl. 414 5 “Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito.” A hipótese figurada nos presentes autos seria aquela prevista no artigo 63, IV do CTN e não aquela prevista no seu inciso I combinado com o artigo 58 da Lei 9.532/97 supramencionado. Com efeito, para corroborar ainda mais o acima exposto, mister se faz considerar a previsão do ADN 04/99, o qual “dispõe acerca da incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF”, que, por sua vez, prevê que “as operações que tenham por objeto debênture, comercial paper ou export notes não se sujeitam à incidência do IOF sobre operações de crédito, sendo tributados de acordo com o previsto no art. 4º da Portaria MF nº 348, de 30 de dezembro de 1998”. Dessa forma, evidente e claro foi o erro no enquadramento legal do lançamento, que ao exigir o IOF em sua modalidade “crédito”, embasandose no artigo 58 da Lei 9.532/97, acabou por incorrer em vício insanável que acarreta na inafastável necessidade de cancelamento do auto de infração, que, por sua vez, deveria ter sido embasado no artigo 63, IV do CTN. Face ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe integral provimento para manter inalterada a decisão a quo. Nanci Gama Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10675.902544/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Resultando saldo credor, de período anterior, este poderá ser utilizado para fins de ressarcimento/compensação, desde que não seja objeto de outro pedido de ressarcimento/compensação e até a vigência da IN de n° 728/2007.
Numero da decisão: 3201-001.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em prover o recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Fábia Regina Freitas e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Resultando saldo credor, de período anterior, este poderá ser utilizado para fins de ressarcimento/compensação, desde que não seja objeto de outro pedido de ressarcimento/compensação e até a vigência da IN de n° 728/2007.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em prover o recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Fábia Regina Freitas e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
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SALDO CREDOR. Resultando saldo credor, de período anterior, este poderá ser utilizado para fins de ressarcimento/compensação, desde que não seja objeto de outro pedido de ressarcimento/compensação e até a vigência da IN de n° 728/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em prover o recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Fábia Regina Freitas e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 44 /2 00 8- 94 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo das DCOMPs relacionadas a seguir, que utilizaram como lastro das compensações declaradas saldo credor do IPI, informado como relativo ao 3º trimestre de 2005, apurado pelo estabelecimento 02.313.832/000193 (fl. 02). Às fls. 87 a 122 encontrase cópia da DCOMP nº 34205.60102.101005.1.3.018902 (declaração com o demonstrativo do crédito). Nº DCOMP Valor Solicitado/ Utilizado 34205.60102.101005.1.3.018902 286.685,70 05438.18813.271005.1.3.018709 79.877,02 18830.89343.101105.1.3.015304 286.436,24 20088.20056.091205.1.3.011390 253.877,73 Total: 906.876,69 A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada por processamento eletrônico, estando os resultados consolidados nos demonstrativos de fls. 05/06. Foi constatado que o saldo credor apurado pelo processamento, passível de ressarcimento, foi inferior ao valor pleiteado. Em decorrência da constatação acima foi reconhecido à empresa o direito creditório no montante de R$ 404.459,58. Este valor foi utilizado para homologar, integralmente, a compensação declarada nas DCOMPs de números 34205.60102 e 05438.18813 e para homologar parcialmente a compensação dos débitos informados na DCOMP nº 18830.89343 (fls. 07). Efetuados os procedimentos de compensação, restou a cobrança do débito discriminado no quadro 3 do Despacho Decisório (fl. 04), que consolida os débitos exigíveis detalhados às fls. 07. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 09/11, por intermédio da qual discorda do indeferimento parcial de seu pleito. Informou acreditar ter ocorrido um erro no preenchimento da DCOMP, que incluiu montantes de saldos credores acumulados em trimestres anteriores ao objeto da declaração, mas alegou que todos os créditos informados e utilizados nas compensações são legítimos. Para comprovar suas alegações elaborou o demonstrativo de utilização dos saldos credores, por trimestre de apuração (fl. 10), bem como apresentou a cópia do RAIPI de fls. 16 a 86. É o relatório, no essencial.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0936.298, de 12/08/2011, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em, Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.902544/200894 Acórdão n.º 3201001.114 S3C2T1 Fl. 170 3 Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. TRIMESTRE DE APURAÇÃO. Conforme disposições normativas da Receita Federal, somente é passível de ressarcimento/compensação o saldo credor apurado no próprio trimestre de apuração objeto do pedido. O saldo credor oriundo de períodos anteriores, ainda que legítimo, tem sua utilização limitada à amortização de débitos escriturais do imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de Ressarcimento/Compensação. A motivação pelo indeferimento parcial do pleito da recorrente deuse por conta do fato de o saldo credor utilizado nas compensações, informado como relativo ao 3º trimestre de 2005, englobar saldo credor acumulado em trimestres anteriores. O processamento eletrônico, todavia, só considerou como passível de ressarcimento/compensação o saldo credor acumulado no trimestre objeto do pedido (3º trimestre de 2005). Temse que o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI acumulado ao final do trimestre de apuração foi permitido através do art. 11, da Lei nº 9.779/99 (que foi a conversão da Medida Provisória nº 1.788/98), nos termos: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 A IN SRF n° 33/99 regulamentou tal dispositivo, em seu art. 2º: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. (negritei) A IN nº 21/97 referida no texto da IN nº 33/99, não obstante as suas alterações, entendo que não trazia nenhuma disposição expressa sobre a questão de saldo credor ressarcível e saldo credor não ressarcível. No entanto, a IN mencionada foi substituída pela IN nº 210/2002 (e outras posteriores), que, foi quando surgiu o entendimento, uma corrente ao declarar que eram passíveis de ressarcimento apenas os créditos escriturados no trimestrecalendário. Comungo do voto da Declaração de Voto da decisão a quo, quando o ilustre julgador argumenta: No meu entendimento a expressão “escriturados no trimestrecalendário” não traz, isoladamente considerada, a informação de que o saldo credor de período anterior, ainda não solicitado em ressarcimento, não poderia compor o valor a ser ressarcido, já que ele também deve ser escriturado, assim como os demais créditos, no Livro de Apuração do IPI. Assim, todos eram créditos escriturados e, portanto, ressarcíveis, desde que relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Enfim, todos esses saldos devem ser créditos escriturados e passíveis de ressarcimento. Pois bem, de fato, houve mudança, porém, somente com o § 7º no artigo 16 da IN nº 600/2005. Tal inclusão foi trazida pela IN nº 728/2007, conforme: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.902544/200894 Acórdão n.º 3201001.114 S3C2T1 Fl. 171 5 § 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: (Incluído pela IN SRF nº 728, de 20 de março de 2007) (Vide art. 2º da IN SRF nº 728, de 2007) I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. (grifei) Assim sendo, concluo que somente, a partir da IN SRF n° 728/2007, o pedido de ressarcimento deveria ficar restrito a um único trimestrecalendário e antes era possível que esse mesmo pedido se referisse a mais de um trimestrecalendário. Ou seja, havendo saldo credor, passível de ressarcimento, também fosse composto pelo saldo credor de período anterior, desde que este não fosse objeto de pedido de ressarcimento outro e que fosse composto de créditos que, por sua natureza, fossem ressarcíveis, sendo neste sentido possível o ressarcimento/compensação. Portanto, é possível a compensação, porém deixando bem claro, desde que havendo saldo credor ressarcível, de período anterior, bem como, não sendo objeto de outro pedido de ressarcimento e até a vigência da IN SRF n° 728/2007. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10120.912689/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NOVA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
É defeso ao contribuinte inovar no recurso voluntário sobre os fundamentos de seu direito creditório, sob pena de supressão de instância e por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF.
A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 07/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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MATÉRIA NOVA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É defeso ao contribuinte inovar no recurso voluntário sobre os fundamentos de seu direito creditório, sob pena de supressão de instância e por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 26 89 /2 00 9- 51 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 38 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 11702.14584.250609.1.7.049949, transmitida eletronicamente em 25/6/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/11/2004 5856 12.520,51 15/12/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1737475271 12.520,51 DB: cód 5856 – PA 30/11/2004 12.520,51 0,00 Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 1.161,63. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 71), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que o PER/DCOMP objeto dos autos foi transmitido com o intuito de retificar erros de preenchimentos Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 39 4 contidos na declaração original, mas que a retificação foi indevida, pela fato de não haver erros de preenchimento na declaração original. Solicita que seja cancelado o PER/DCOMP. A DRJ em Brasília (DF) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA DRJ NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. Compete às DRJ conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais. Não há litígio quando não se discute a existência do crédito que fundamentou o ato de não homologação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, esclarece que na manifestação de inconformidade não houve pedido de cancelamento do PER/DCOMP, mas sim uma retificação sobre os valores anteriormente discriminados no DARF, não havendo que se falar em incompetência por falta de instauração de litígio. Aduz que se houve pagamento a maior e elaboração do pedido de compensação, bem como a não homologação do crédito, instaurado está diretamente o litígio, com a consequente competência da DRJ para conhecer e julgar em primeira instância a manifestação de inconformidade. Discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que na manifestação de inconformidade não houve pedido de cancelamento do PER/DCOMP retificador, mas sim uma retificação sobre os valores anteriormente discriminados no DARF, não havendo que se falar em incompetência por falta de instauração de litígio. Esta tese não procede, visto que expressamente em sua manifestação de inconformidade afirma que a PER/DCOMP nº 11702.14584.250609.1.7.049949 (despacho decisório n. 848534258) referese à retificação da PER/DCOMP original n° 00874.10458.15806.1.3.044700, e que diante deste fato solicita o cancelamento da PER/DCOMP retificadora. Como se nota a recorrente inovou em seu recurso, portanto a tese de retificação de valores não pode ser apreciada, sob pena de supressão de instância, por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio. Ademais, do exame da decisão recorrida, verificase que a citada matéria não foi enfrentada. Assim sendo, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento desta matéria por preclusa. Por outro lado, ainda que se admitisse a tese da recorrente, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, é importante ressaltar que o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu suposto crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 41 6 Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um direito creditório. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 42 7 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 43 8 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10120.910057/2009-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 00 57 /2 00 9- 52 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 29036.35247.171006.1.3.042756, transmitida eletronicamente em 17/10/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/9/2004 6912 2.823,11 15/10/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1702005261 2.823,11 DB: cód 6912 – PA 30/9/2004 2.823,11 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 6), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 175,92. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 24), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 17883.000100/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUTORIDADE COMPETENTE PARA DESIGNAR MPF. ART. 906 DO RIR/99. COMPETÊNCIA PARA REDESIGNAÇÃO.
O MPF pode ser assinado pelo delegado federal, autoridade competente conforme o art. 906 do RIR/99. A autoridade que designar o MPF tem competência para redesignar a fiscalização.
Recurso de Ofício provido
Numero da decisão: 1302-000.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de ofício para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ASSISTENCIAL BARRA MANSENSE DE ENSINO E CULTURA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AUTORIDADE COMPETENTE PARA DESIGNAR MPF. ART. 906 DO RIR/99. COMPETÊNCIA PARA REDESIGNAÇÃO. O MPF pode ser assinado pelo delegado federal, autoridade competente conforme o art. 906 do RIR/99. A autoridade que designar o MPF tem competência para redesignar a fiscalização. Recurso de Ofício provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de ofício para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 00 /2 00 9- 97 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela autoridade julgadora em face do acórdão nº 1235.862, proferido pela 2ª Turma de Julgamento daDRJ Rio de Janeiro I (fls. 224), que julgou totalmente procedente a Impugnação ao Auto de Infração, apresentado pela ora Recorrida. A exigência fiscal diz respeito à Auto de Infração lavrado em face da Recorrida no valor de R$ 4.872.949,50, sendo R$ 1.042.873,02 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ;R$ 72.236,14 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS;R$ 333.397,79 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS; R$ 234.569,97 por Contribuição Social sobre Lucro Liquido– CSLL; R$ 1.893.461,08 por multa de oficio de 112,5% e R$ 1.296.411,83 a título de juros de mora, atualizados até 29/05/2009. A fiscalização derase referente ao ano calendário de 2003. A autuação ocorreu haja vista que a Recorrida foi intimada 27/10/2008 (fls.05/07) para que apresentasse perante a autoridade fiscal, inúmeros documentos, dentre os quais os de Escrituração Contábil inerentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2003. Não atendida a solicitação por parte Recorrida, a autoridade fiscal reiterou tal intimação em 13/11/2008 (08/10 e 11/13), onde novamente restou infrutífera. Diante de tais circunstâncias, a autoridade fiscal requisitou junto às instituições financeiras, a saber: BANCO ITAÚ S/A;BANCO UNIBANCO S/A;BANCO ABN AMRO REAL S/A; CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e BANCO DO BRASIL S/A (fls. 60/75), extratos com as movimentações bancárias da Recorrida, inerente ao período fiscalizado, vale dizer, de 01/01/2002 a 31/12/2003. A citada requisição fora atendida em parte, sendo que na oportunidade as citadas instituições financeiras forneceram os extratos bancários da Recorrida tão somente do período de 01/01/2003 a 31/12/2003. A partir dos extratos obtidos, a autoridade fiscal então intimou a Recorrida em 09/04/2009 (fls. 76/96) para que comprovasse a origem e natureza de movimentações bancárias apuradas (fls. 74/95).Desatendida a intimação, a autoridade fiscal novamente em 20/04/2009 (fls. 98/118) reiterou a intimação onde novamente não surtira qualquer efeito. A autoridade fiscal então lavrouo presente auto de infração (fls. 122/158), apurandose como omissão de receita os depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas pela Recorrida, conforme dispõem os artigos 27, inciso I e 42 da Lei 9.430/96 combinados com os artigos 532 e 537 do RIR/99. Inconformada a Recorridaapresentou a impugnação (fls. 160/173) acompanhada de documentos (fls. 174/193), alegando, nos termos do relatório da autoridade julgadora de origem, em síntese: a suspensão do curso do presente processo, posto que o de n° 17883.000367/200801 encontrase em fase recursal; cancelamento da exigência uma vez que já teve contra si o mesmo lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, relativo a períodos de apuração coincidentes com a atual exigência, consubstanciado no processo n° 17883.000539/200839; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº17883.000100/200997 Acórdão n.º 1302000.965 S1C3T2 Fl. 3 3 a guarda de documentos fiscais requeridos pela autoridade fiscal devem se dar por apenas cinco anos, consoante o art. 264, caput e § 3° do RIR/99; os períodos cogitados já foram atingidos pela decadência, o que demonstra a inutilidade de tentativa de aplicar multa pela não apresentação de documentos fiscais sobre períodos que não poderiam ser objetos de autuação; nos termos do art. 150, §4° do CTN ocorreu a decadência de o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; existem decisões reiteradas do CARF no sentido de que descabe o agravamento da penalidade com base exclusivamente na falta de atendimento de intimação para prestar esclarecimentos sobre a origem de depósitos bancários; não há certeza nos autos de que os depósitos signifiquem rendimentos, o que enseja a nulidade de todo o procedimento; no caso de presunção de omissão de receitas, caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a base de cálculo do lucro arbitrado será obtida a partir da aplicação dos coeficientes de arbitramento do lucro sobre a receita conhecida; o fisco deixou de observar o balanço apresentado, procedendo ao arbitramento do lucro com base somente nos depósitos bancários, o que evidencia a fragilidade do lançamento; Objetivando a inclusão de seus débitos no programa REFIS, regulamentado pela Lei 11.941/09, acontribuinte, ora Recorrida requereu a desistência (fls. 200) da impugnação à autuação fiscal sob a condição de consolidação do parcelamento em questão. Posteriormente retratouse da desistência (fls. 213216), vindo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I a proferir o acórdão de nº 12 35.862 nos seguintes termos: Ementa: DECISÃO ADMINISTRATIVA PENDENTE DE APRECIAÇÃO RECURSAL EM OUTRO PROCESSO. INTERRUPÇÃO DO CURSO DO PRESENTE. MATÉRIAS DISTINTAS. Ante as falta de correlação de matérias tratadas em processos administrativos distintos, o fato de inexistir decisão administrativa definitiva em um processo não dá causa a interrupção do curso do outro. REEXAME DE PERIODO JÁ FISCALIZADO. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA. NECESSIDADE. É nulo o lançamento decorrente do segundo exame em relação a um mesmo exercício, se ausente a autorização prévia, por escrito, firmada por autoridade competente. Impugnação procedente. Credito tributário exonerado. No caso em apreço, a autoridade julgadora da DRJ – Rio de Janeiro I acolheu a alegação da Recorrida de que já teve contra si o mesmo lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, relativo a períodos de apuração coincidentes com a atual Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 exigência, consubstanciado nos autos deProcesso Administrativo Fiscal n° 17883.000539/200839. No citado processo(17883.000539/200839), conforme acórdão de nº 12 35.332emanado pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, acostado aos presentes autos (fls. 233/241), a Recorrida teve contra si auto de infração lavrado por decorrência da não comprovação da origem de valores creditados em suas contas correntes mantidas em instituições, conforme disposto no relatório, vejamos: Relatório, Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DRF/VOLTA REDONDA/RJ,relativos aos anos calendário de 2002 e 2003, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 1.022.326,70 (fls.438/448), a contribuição para o programa de integração social – PIS, no valor de R$ 72.259,99 (fls.449/455), a contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS, no valor de R$ 333.508,03 (fls.456/470), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 131.892,23 (fls.471/482), acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. [...] 2. Dos fatos. 5. O interessado foi então intimado em 27/10/2008 (fls.04/06) e reintimado em 13/11/2008 (fls.69/71) a apresentar diversos documentos, entre eles: livros Diário e Razão, DCTF e DIPJ do período de 01/01/2002 a 31/12/2003; comprovantes das receitas, custos e despesas do mesmo período. 6. Posteriormente, foi intimado em 05/11/2008 (fls.372/394) e reintimado em 18/11/2008 (fls.395/399 e 402/421) a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas correntes mantidas em diversas instituições financeiras. 7. Das infrações. 8. Ante a falta de resposta às intimações, foi efetuado o lançamento de oficio em que se apurou omissão de receita correspondente aos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Enquadramento legal: art. 27, inciso I e art. 42 da Lei nº 9430/1996; arts. 532 e 537 do RIR/1999 Destarte, tendo em vista que nos presentes autos (17883.000100/200997) houve a integral desoneração da exigência fiscal (R$ 4.872.949,50) em favor da contribuinte, ora Recorrida, com fulcro no artigo 34, inciso I do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora da DRJ – Rio de Janeiro I, interpôs Recurso de Oficio (fls. 244). Na sequência os presentes autos (17883.000100/200997) foram remetidos à Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº17883.000100/200997 Acórdão n.º 1302000.965 S1C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso de oficio prescinde de análise da tempestividade e dele conheço. 1. DA ANULAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA PELA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO A autoridade fiscal da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I consignou nos presentes autos (17883.000100/200997) que (fls. 247): “[...] a matéria aqui tratada já fora objeto de exame anterior por parte do fisco, gerando o processo n° 17883.000539/200839, o qual, inclusive, já foi julgado em primeiro grau por esta Turma de Julgamento, na sessão de 27 de janeiro de 2011, como bem se pode notar pelo acórdão n° 1235.332, extraído do sistema decisões e juntado às fls. 231/339.” Não obstante, juntou aos presentes autos (fls. 233/241), cópia do acórdão nº 1235.332, proferido nos autos de Processo Administrativo Fiscal n° 17883.000539/200839, conforme aludido. E em estudo ao citado acórdão (1235.332), prolatado nos autos de Processo administrativo fiscal nº 17883.000539/200839,constatase que, de fato,a fiscalização derase em relação aos períodos de 01.01.2002 a 31.12.2003, vejase: Acórdão: 1235.332 – 2ª Turma da DRJ/RJ1 Sessão de: 27 de Janeiro de 2011 Processo: 17883.000539/200839 Interessado: SABEC ASSOC. ASSISTENCIAL BARRAMANSENSE DE ENSINO E CULTURA. CNPJ/CPF: 28.686.921/000179 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003. Não obstante, no relatório do citado acórdão (nº 1235.332) abstraise novamente a informação de que a fiscalização nos autos em questão (17883.000539/200839) derase nos anos calendários 2002 e 2003. Vejamos: Relatório, Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DRF/VOLTA REDONDA/RJ, relativos aos anos calendário de 2002 e 2003, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 1.022.326,70 (fls.438/448), a contribuição para o programa de integração social – PIS, no valor de R$ 72.259,99 (fls.449/455), a contribuição para financiamento da seguridade social – Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 COFINS, no valor de R$ 333.508,03 (fls.456/470), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 131.892,23 (fls.471/482), acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. (grifouse). [...] Ainda no relatório do acórdão em estudo (1235.332), prolatado nos autos nº 17883.000539/200839, constatase que a Recorrida fora autuada nos tributos IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, com fundamento no art. 42, combinado com o art. 27, inciso I, ambos da Lei nº 9430/96, ou seja, por omissão de receita, vejase: [...] 7. Das infrações. 8. Ante a falta de resposta às intimações, foi efetuado o lançamento de oficio em que se apurou omissão de receita correspondente aos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Enquadramento legal: art. 27, inciso I e art. 42 da Lei nº 9430/1996; arts. 532 e 537 do RIR/1999. De outra banda, nos presentes autos (17883.000100/200997), a Recorrida foi intimada a apresentar a documentação contábil do mesmo período, ou seja, de 01.01.2002 a 31.12.2003(fls. 05/16). Ante a inércia da Recorrida a autoridade fiscal requisitou às instituições financeiras onde a mesma mantinha contratos, extratos bancários referentes ao mesmo período fiscalizado, vale dizer, nos anos calendários 2002 e 2003 (fls. 60/75). As instituições financeiras, por sua vez, cumpriram em parte as exigências do fisco, fornecendo os extratos bancários tão somente do período de 01.01.2003 a 31.12.2003. A autoridade fiscal então se limitou a fiscalizar as movimentações financeiras a partir dos dados obtidos, ou seja, do ano calendário de 2003. De toda maneira, o período efetivamente fiscalizado nos presentes autos (17883.000100/200997), ou seja, 01.01.2003 a 31.12.2003, é o mesmo objeto de fiscalização nos autos de n° 17883.000539/200839, pois neste, a fiscalização derase nos anos calendários de 2002 e 2003. Sendo assim, inegavelmente restou caracterizado o reexame de período já fiscalizado. Logo, oportuna é a leitura do art. 906 do RIR/99, que, em síntese, dispõe: “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal.” Portanto, poderia ter sido redesignada a fiscalização pela mesma autoridade competente que a designou a priori. Assim deve ser julgado procedente o recurso de ofício, pois o MPF assinado pelo Delegado Competente pode redesignar fiscalização sobre o mesmo exercício já fiscalizado. Deste modo, é necessário que seja anulado integralmente o acórdão nº 12 35.862, proferido pela DRJ/RJ1 nos presentes autos, uma vez que este julgou apenas as preliminares, sem adentrar no mérito do presente caso. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº17883.000100/200997 Acórdão n.º 1302000.965 S1C3T2 Fl. 5 7 Sendo assim, voto no sentido dar provimento ao Recurso de Ofício nº 941.742, anulando o acórdão de nº 1235.862, proferido pela DRJ Rio de Janeiro I nos autos nº 17883.000100/200997, de forma que o presente processo seja a ela remetido para apreciação do mérito, inclusive no caso verificandose e confrontando os fatos geradores, os depósitos bancários e os tributos lançados entre um auto e outro. Podendo inclusive solicitar diligências e reunião de processos que entender necessário. 2. CONCLUSÕES Ante ao exposto, dou provimento ao recurso de ofício no sentido de anular a decisão proferida pela DRJ/RJ1 uma vez que esta se manifestou apenas em relação às preliminares. Determino que seja reapreciado o caso, visando a análise do mérito da demanda administrativa, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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