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Numero do processo: 10850.902225/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.514
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito contribuição não foi homologada por despacho decisório eletrônico, vez que o DARF teria sido integralmente utilizado para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14060.777. Intimado desta decisão, apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 22 5/ 20 13 -7 8 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10850.902225/201378 Resolução nº 3402001.514 S3C4T2 Fl. 101 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98; (ii) que as provas anexadas pela Recorrente seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, baseado nas receitas financeiras indicadas no balanço (contribuinte anexou planilha de cálculo, balancete e livro razão à Manifestação de Inconformidade). Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.505 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.901549/201399, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.505): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, especificamente quanto ao período de apuração de 10/2003. Como bem apontado pela r. decisão recorrida, "a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo." No presente caso, a Recorrente apresentou aos autos parte dos documentos contábeis que aduzem o pagamento a maior de COFINS sobre as parcelas que fugiriam ao conceito de faturamento, por não corresponder “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”1. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade, dentre os quais cópia dos documentos contábeis e da memória de cálculo da COFINS paga e 1 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10850.902225/201378 Resolução nº 3402001.514 S3C4T2 Fl. 102 3 devida no período. Com base nesses documentos e outros que entender pertinente, a autoridade fiscal terá elementos para elaborar relatório fiscal avaliando a existência e validade do crédito pleiteado, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos). Importante salientar que não está claro nos autos como o contribuinte aproveitou o crédito e qual seria o saldo remanescente do crédito efetivamente passível de aproveitamento na DCOMP objeto do presente processo, sendo crucial que se esclareça quais DCOMPs e quais processos administrativos estariam relacionados ao mesmo crédito. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10850.902225/201378 Resolução nº 3402001.514 S3C4T2 Fl. 103 4 informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10850.902225/201378 Resolução nº 3402001.514 S3C4T2 Fl. 104 5 art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901907/2008-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, transcrevo o relatório do Despacho encaminhado à Presidente da 2ª Turma da DRF/BSA, exarado em 30 (fls. 123/127), verbis. Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n" 13130.39871.110304.1.3.043079 (fls. 74/78), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —Cofins, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de R$ 1.115,41. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 01 90 7/ 20 08 -1 4 Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 3 2 Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 73), fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 79 e 80), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito nãohomologado, no valor de R$ 1.115,41, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(..) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DAM7s: R$ 360.388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido R$ 352.174,01), R$ 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido R$ 432.306,09), R$ 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido R$ 416.573,69), R$ 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido R$ 445.424,77), R$ 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido R$ 587.462,18) e R$ 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 (valor devido R$ 560.500,02), gerando saldos credores de R$ 8.214,12, R$ 9.567,36, R$ 5.421,76, R$ 5.305,84, R$ 1.019,76 e R$ 1.971,19, respectivamente. (..)" Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a D1PJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cotins, conforme a seguir: débito de R$ 1.115,41 — compensação efetuada utilizando o crédito de R$ 1.019,76 em favor da Impugnanete da seguinte forma: complemento da Cotins do mês de fevereiro/2004 (R$ 1.115,41), adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. A contribuinte argumenta, também, que o PER/DCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DAIZF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. Intimado da decisão em 07.05.2009 (fls. 129/130), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 09.06.2009 (fls. 131/133), ilustrado com farta documentação composta por procuração ao advogado, estatuto social e alterações, despachos decisórios diversos, ecibos de entrega de DCOMP, entre outros (fls. 134/449), com os seguintes fundamentos (fls. 132/133), verbis. 1. Trata este auto de lançamento por homologação, no qual a autoridade fiscal entendeu que a recorrente, ao promover a Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 4 3 compensação do valor da COFINS 111 pago a maior referente ao mês de maio de 2003, teria se utilizado de crédito inexistente, no valor principal de R$ 5.421,76, e atualizado no valor de R$ 6.139,06. 2. O crédito, todavia, existiu; com efeito, na DCTF apresentada pela Recorrente referente ao mês de maio de 2003, foi declarado, por estimativa, uma vez que ainda não era conhecida a base de cálculo definitiva, o débito apurado da COFINS no valor de R$ 421.995,45, conforme DARF anexo; no entanto, quando da revisão dos registros contábeis, foi constatada a diferença do imposto devido naquele mês, no montante acima indicado de R$ 5.421,76, cujo valor do imposto correto e definitivamente apurado foi de R$ 416.573,69. 3. Constatado o pagamento a maior, no valor de R$ 5.421,76 que, atualizado até o mês de março de 2004, atingiu o valor de R$ 6.139,06, a Recorrente promoveu a devida compensação, conforme PER/DCOMP (cópia anexa), enviada em 11/03/2004, aproveitando este crédito para a liquidação complementar da 010 COFINS referente ao mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 5.092,12, e com os acréscimos legais no valor de R$ 6.139,06. 4. A autoridade julgadora de 1' instância entendeu que "o contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos", acrescentando ainda que "apresentar apenas cópia da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de desconstituir o que foi constituído pelo Despacho Decisório". 5. Data vênia, tal entendimento não se sustenta; a Recorrente se preocupou, para demonstrar o seu direito, em elaborar planilha de cálculo, contendo analiticamente os valores do tributo, por entender que, na atual sistemática de comunicaçao entre o contribuinte e o fisco, sempre por meio eletrônico, a PER/DCOMP, documento instituído pela própria RFB, contém as informações necessárias para a autoridade fiscal examine a regularidade do procedimento do contribuinte; a planilha anexada, portanto, teve o propósito de melhor esclarecer o fato, quanto a DIPJ esta teve como objetivo demonstrar a base de cálculo e ratificar a escrituração dos registros contábeis da Recorrente. 6. Em homenagem, todavia, aos princípios da boa fé e da vedação do • enriquecimento sem causa, que com certeza ocorrerá se for mantida a decisão de 1a instância, obrigando a Recorrente a pagar o que não deve, ou a abrir mão de crédito cuja restituição lhe é garantida pela lei, anexase a estas razões a DCTF RETIFICADORA do período em que foi demonstrado o crédito, verificandose, na página anexa, o valor correto da COFINS devido referente ao mês de maio de 2003 e declarado na DCTF do 2° trimestre de 2003, que é de R$ 416.573,70 e o pagamento, conforme DARF também anexo, no valor total de R$ 421.995,45, de cuja diferença resulta o valor de R$ 5.421,76. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 5 4 7. Anexase, também, a folha do balancete do mês de maio de 2003, com o registro do grupo de receitas componentes da base de cálculo da COFINS, ratificando contabilmente os valores constantes da DIPJ, bem como o valor do imposto informado na DCTF retificadora. Diante do exposto, requer seja conhecido e provido este recurso, com a reforma da decisão impugnada, julgandose consequentemente procedente o pedido da • Recorrente. Já neste Colegiado, foi negado provimento ao recurso voluntário do recorrente, em sessão de 28 de outubro de 2010, através do Acórdão 380300.9543ª Turma Especial, com a relatoria do Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (fls. 451/455), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 451), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/04/2008 PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Referido acórdão foi objeto de Embargos Declaratórios do recorrente (fls. 464/469), acolhidos através do Acórdão nº 380302.753, da 3ª Turma Especial, proferido em 24.04.2012 (fls. 502/505), e assim ementado (fls. 502), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/04/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluidos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido A empresa ingressa com novos Embargos Declaratórios (fls. 531/539), ilustrado com farta documentação (fls. 540/572), com cópias do Livro Razão e do Livro Diário capeadas por DECLARAÇÃO do Contador da empresa sobre a autenticidade de tais documentos alegando OMISSÃO pelos fundamentos que aponta, e requerendo (i) análise consistente na documentação apresentada para provar suas alegações; (ii) sanar contradição Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 6 5 quanto a existência de documento assinado pelo seu contabilista atestando a fidedignidade do Balancete de Verificação extraído do Livro Razão; (iii) esclarecimento porque os documentos exibidos não foram aceitos pelo colegiado para comprovar a liquidez e certeza do seu direito, como alegado no v. Acórdão, para que seja dado provimento ao seu RV; e/ou, sucessivamente, caso se entenda que não cabe a esse colegiado a análise pormenorizada da documentação, requerse seja o julgamento convertido em Diligência para que a Unidade preparadora aprecie tal documentação (fls. 539). Em 21.09.2012, foi proferido Despacho pelo Presidente da 3ªTE/3ª Seção, negando seguimento aos Embargos (fls. 607/610), que assim finalizou (fls. 609/610), verbis. Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. Conclusão Com essas considerações e sem mais delongas, nego seguimento aos presentes embargos. Nos termos do § 3º do art. 65 do RICARF, este despacho é irrecorrível. Intimese o embargante do seu teor. Notificado da decisão em 05.10.2012 (fls. 614/615), ingressou o contribuinte com RECURSO ESPECIAL em 11.10.2012 (fls. 622/635), objeto de despacho negativo de admissibilidade de REsp em 12.12.2012 (fls. 647/650), objeto de Despacho do Presidente da 3ª Seção que deu seguimento ao Recurso Especial (fls. 654/656); seguiramse as contrarrazões da Fazenda Nacional opinando pelo não conhecimento (fl. 660/665); com julgamento na CSRF através do Acórdão 9303005.071 3ª T, de 16.05.2017 (fls. 673/679) que lhe deu provimento, por maioria de votos, para determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo, pelos fundamentos resumidos na seguinte ementa (fls. 673), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 7 6 após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. O Relator do recurso na CSRF, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, destacou inicialmente em seu voto que: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado", e transcreveu como solução do litígio, nos termos regimentais, "os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065)". Após reproduzir todos os fundamentos do voto do Acórdão paradigma proferido no processo 10166.900706/200808 relativamente à admissibilidade (fls. 675/679), o ilustre Relator deste processo na CSRF repetiu a parte final do voto condutor do Acórdão paradigma acima citado quanto ao mérito (fls. 679), verbis. Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. Finalizando seu voto o ilustre Relator do processo na CSRF reportouse à sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, para conhecer do recurso especial do contribuinte e, no mérito, darlhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram aferidos pelo ilustre Relator do Acórdão nº 380302.944 (fls. 454). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução n° 3001000.085 de 10 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, desta 1ª Turma Extraordinária, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionada Resolução que determinou o retorno à DRJ recorrida, quanto segue. Para uma completa e adequada compreensão dos demais Conselheiros, mister se faz um pequeno resumo dos fatos debatidos nas 684 páginas deste longo processo, na dicção do bem elaborado Relatório do v. Acórdão recorrido, proferido pela DRJ/DF, em 30 de março de 2009 (fls. 348/349), verbis. Trata o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 00580.51727.110304.1.3.044099 (fls. 70/74), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de RS 8.956,83. Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69),fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 75 |e 76), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito não homologado, no valor de R$ 8.956,83, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(...) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DARFs: RS 360388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido RS 352.174,01), RS 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido RS 432.306,09), RS 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido RS 416.573,69), RS 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido RS 445.424,77), RS 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido RS 587.462,18) e R$ 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 (valor devido RS 560.500,02), gerando saldos credores de RS 8.214,12, RS 9.567,36, RS 5.421,76, RS 5.305,84, RS 1.019,76 e RS 1.971,19, respectivamente. (...)"Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a DIPJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cofins, conforme a seguir: • débito de RS 8.956,83 compensação efetuada utilizando o crédito de RS 9.567,36 em favor da Impugnante da seguinte forma: complemento da Cofins dos meses de setembro/2003 (RS 7.294,68) e dezembro/2003 (R$ 1.662,15), adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 9 8 A contribuinte argumenta, também, que o PER/DCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. Como relatado, o processo foi negado provimento pelos julgadores da 2ª Turma da DRJ/DF ao fundamento de que o contribuinte não logrou demonstrar documentalmente a liquidez e certeza de suas alegações. Merece transcrição parte essencial dos fundamentos do r. acórdão recorrido (fls. 345), verbis. Conforme Luiz Henrique Barros de Arruda (apud Processo Administrativo.Fiscal, pág. 21), prova por definição, "é a demonstração de existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta". Nesse sentido, jurisprudência da 1ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dispõe ser inadmissível a simples alegação do erro no preenchimento da DCTF, de forma quer os dados informados reputamse verdadeiros até prova em contrário: DCTF ‐ ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO ‐ AUSÊNCIA DE PROVA ‐ os dados informados em DCTF reputam‐se verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso.1º CC. / 4a Câmara / ACORDÃO 104‐20.645 em 18.05.2005. Publicado no DOU em: 19.10.2005. Além disso, nos termos da IN n° 127, de 1998, a DIPJ é mera declaração informativa, de modo que não vale como confissão de dívida e nem é utilizada pela União para instrumentalizar a inscrição em dívida ativa. Tal papel, a partir de 1999, cabe à DCTF que representa instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário, conforme dispõem a IN n° 128, de 1998, e o Decreto‐lei n° 2.124, de 1984, art. 5°, §1°. No voto condutor do Acórdão que negou provimento ao recurso na 3ª Turma Especial, 3ª Seção de Julgamento deste Conselho (fls. 448/449), após reproduzir parte do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/DF, assim concluiu o ilustre Relator, Conselheiro Carlos Henrique Martins de Limal (fls. 449), verbis. No caso em análise, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte aponta para a possibilidade da contribuinte ter efetuado pagamento a maior através do DARF de R$ 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido de R$ 432.306,09), o que levaria a existência de um suposto crédito no montante R$ 9.567,36 em favor da Impugnante. Esse montante teria sido totalmente utilizado para pagamento complementar da Cofins dos meses de setembro de 2003 (R$ 7.294,68) e dezembro de 2003 (R$ 1.662,15), acrescido dos respectivos acréscimos legais. Encontram‐se . anexadas . ao processo: • cópia da DIPJ 2004 com dados do cálculo da contribuição para a Cofins referentes a março de 2003 (fl. 81), que demonstra que a contribuição para a Cofins apurada no período, após as deduções, foi de R$ 432.306,09; • cópia da DCTF do 10 trimestre de 2003 (fls. 82/84), que demonstra a existência de um débito apurado no valor de R$ 441.873,45, referente ao mês de março de 2003, que se encontra vinculado a um pagamento efetuado por meio de DARF de mesmo valor; Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 10 9 • planilha elaborada pela própria contribuinte (fl. 80) demonstrando as alegações feitas. No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizá‐lo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído" pelo Despacho Decisório. Diante ao exposto voto por NEGAR PROVIMENTO a pretensão aduzida no recurso voluntário. Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ‐ RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Resolução nº 3001000.088 S3C0T1 Fl. 11 10 Entendo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), criado para suceder o 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes, é composto pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelas 1ª, 2ª e 3ª Seções de Julgamento e por suas respectivas Câmaras,Turmas Ordinárias e Extraordinárias, como se depreende da leitura do art. 15do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 15. A presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, das respectivas turmas e do Pleno será exercida pelo Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : " Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF (fls. 654ko/659), tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão (fls. 654), e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303 005.065 3ª Turma (fls. 654/664). Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 10166.900706/200808, em que figura a mesma Recorrente, AUTOTRAC S/A, conforme Resolução nº 3001000.085, de 10.07.2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, CONHEÇO do recurso voluntário do Contribuinte e VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF (Acórdão nº 9303005.076 CSRF/3ª Turma, de 16.05.2017). (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902926/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-005.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 29 26 /2 01 1- 60 Fl. 52DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA: "Trata o presente processo da Declaração de Compensação – Dcomp nº 20828.71424.030507.1.3.040770 por meio da qual a contribuinte realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose de um crédito no valor de R$ 8.740,65, relativo ao DARF de Cofins cumulativa (código de receita 2172), no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004. Em 01/04/2011 foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação (Rastreamento nº 916016127), pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp acima identificada estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na Dcomp acima citada. Conforme demonstrado no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do Despacho Decisório, o referido DARF foi utilizado para quitar o débito de Cofins cumulativa do período de apuração de setembro de 2004. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório em 13/04/2011 e apresentou, em 12/05/2011, Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo, para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Acrescenta que “No caso em tela, verifica se que além dos elementos não terem sido analisados suficientemente, conforme legislação e a jurisprudência, há ausência de fundamentação jurídica que baseie a decisão e que mostre de maneira convincente o motivo pelo qual a Impugnante não pôde ter seu crédito compensado.” Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão. Diante do exposto, requer o acolhimento da manifestação para o fim de homologar a compensação pleiteada." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.902926/201160 Acórdão n.º 3402005.795 S3C4T2 Fl. 53 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu o Acórdão nº 0642.930, pelo qual julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório de 01/04/2011 (rastreamento nº 916016127 ) e a não homologação da compensação declarada pela Dcomp nº 20828.71424.030507.1.3.040770. A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância via postal em data de 22/10/2013 (TEÇAFEIRA) (FLS. 31), apresentando o Recurso Voluntário de fls. 33 a 49 através de protocolo físico em data de 20/11/2013 (QUARTAFEIRA), pugnando pelo provimento para que seja reformada a decisão recorrida e homologada a compensação formalizada. Em Recurso Voluntário a Contribuinte alegou que: i) O direito creditório tem origem em pagamento indevido ou a maior, tendo em vista a ilegalidade e inconstitucionalidade da inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS; ii) Foram adotadas as medidas administrativas, retificações de declarações e protocolo das DCOMP's, dando conta dos créditos geradores e a forma de utilização; iii) Foi induzida a erro e a pagar valores indevidos ou a maior, a título de PIS e COFINS, em virtude de legislação que se verifica ilegal e inconstitucional. iv) Após exposição legislativa da contribuição e forma de apuração, a Recorrente invocou a Lei nº 9.718/70 para as empresas optantes pelo Lucro Presumido. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Como relatado na decisão de primeira instância, a Recorrente havia apresentado Manifestação de Inconformidade com os seguintes argumentos: "Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega Fl. 54DF CARF MF 4 da Per/Dcomp tratada no presente processo,para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Acrescenta que “No caso em tela, verificase que além dos elementos não terem sido analisados suficientemente, conforme legislação e a jurisprudência, há ausência de fundamentação jurídica que baseie a decisão e que mostre de maneira convincente o motivo pelo qual a Impugnante não pôde ter seu crédito compensado.” Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão." Outrossim, verificase do PERD/COMP de fls. 610 as seguintes informações, o que demonstra que não foi informado crédito oriundo de ação judicial: Diante dos argumentos da Contribuinte, a DRJ enfrentou a preliminar de nulidade e, no mérito, concluiu pela improcedência do pedido nos seguintes termos: "A compensação declarada na Dcomp não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado não existia, ou seja, na Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.902926/201160 Acórdão n.º 3402005.795 S3C4T2 Fl. 54 5 data da emissão do despacho decisório o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004, indicado como origem do crédito para compensação, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte. Notese, aliás, que essa situação, diferentemente do que afirma a interessada na manifestação, não sofreu qualquer alteração, nem mesmo após a emissão do Despacho Decisório, conforme demonstram as declarações (DCTF) entregues pela interessada. A última DCTF relativa ao débito de Cofins do setembro de 2004 apresentada pela interessada foi a DCTF do 3º trimestre de 2004 (Retificadora), entregue em 17/11/2004, por meio da qual esse débito foi confessado no valor de R$ 42.432,20, e para o qual foi vinculado o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004 (justamente o DARF apontado como crédito na Dcomp tratada no presente processo). Lembrese, nesse ponto, que a DCTF constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos tributários nelas declarados, de acordo com o que dispõe o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Como se vê, o Despacho Decisório contestado relata exatamente a situação acima identificada, ou seja, a ausência de crédito em face da utilização de todo o valor do DARF indicado como origem do crédito em outro débito da própria contribuinte. É evidente, portanto, que inexiste nesse ato administrativo falta de clareza,precisão e lógica, afinal ele está a retratar a situação que a própria interessada declarou (através de DCTF) para o órgão administrativo." A motivação da improcedência decorreu da ausência de provas apresentadas pela Contribuinte sobre o direito creditório passível de surtir os efeitos legais. Ocorre que em análise às razões de Recurso Voluntário, constatase que a Recorrente abordou, de maneira genérica, pela ilegalidade e inconstitucionalidade de inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS, conforme colacionado abaixo: Fl. 56DF CARF MF 6 (...) Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.902926/201160 Acórdão n.º 3402005.795 S3C4T2 Fl. 55 7 Ou seja, além de não haver nenhuma informação e/ou comprovação de que o alegado crédito teve origem nas razões demonstradas em Recurso Voluntário, resta flagrante que a Recorrente inaugura nova discussão, sem amparo, portanto, no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/72. Neste sentido, foi proferido o v. Acórdão nº 3401004.446 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Por sua vez, resta igualmente impossibilitado o conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador de Primeira Instância, sob pena de supressão de instância e negativa de vigência ao artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723650/2015-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.315
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos autos em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo, mediante intimação da fonte pagadora, elabore relatório circunstanciado sobre os valores efetivamente recebidos pelo autuado no período.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos autos em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo, mediante intimação da fonte pagadora, elabore relatório circunstanciado sobre os valores efetivamente recebidos pelo autuado no período. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 77 1 76 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.723650/201541 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.315 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de setembro de 2018 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente IVO DWORSHAK FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos autos em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo, mediante intimação da fonte pagadora, elabore relatório circunstanciado sobre os valores efetivamente recebidos pelo autuado no período. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 43/45, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto Renda da Pessoa Física IRPF, anocalendário 2012, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, referente à fonte pagadora OSX Construção Naval S/A, CNPJ 11.198.242/000158, juntamente com uma compensação indevida de imposto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 23 65 0/ 20 15 -4 1 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 18470.723650/201541 Resolução nº 2201000.315 S2C2T1 Fl. 78 2 de renda retido na fonte, no valor de R$164.243,47, referente à fonte pagadora ECOVIX – ENGEVIX Construções Oceânicas S/A, CNPJ 11.754.525/000139. Por intermédio do demonstrativo de fls.10, efetuouse a apuração do imposto devido, que resultou num lançamento de ofício no valor total de R$290.769,89, conforme o demonstrativo do crédito tributário às fls.05, com fundamento nos respectivos enquadramentos legais, devidamente discriminados na notificação de lançamento. Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 31.03.2015 (fl. 25), apresentou, em 29.04.2015, impugnação de fls. 02/03, alegando em síntese: Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls.02/03, acompanhada dos documentos de fls.04/24, alegando, em síntese, que as infrações apontadas pela notificação de lançamento são decorrentes de erro por parte do contribuinte, razão pela qual requer seja aceita a retificação da declaração, visto que o imposto de renda foi efetivamente recolhido pela fonte pagadora. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 43): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 REVISÃO DE LANÇAMENTO. Resta mantido o crédito tributário lançado na presente notificação de lançamento, após revisão de ofício procedida pela Fiscalização em que foi analisada a impugnação do contribuinte contendo somente questões de fato. E o voto foi proferido nos seguintes termos: O contribuinte foi cientificado do Termo Circunstanciado e Despacho Decisório, fls. 33/34 e 36, em 30/10/2014, fl. 43, e não apresentou contestação. A impugnação do contribuinte tratou somente de questões de fato. A revisão do lançamento efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA resultou em manutenção do crédito tributário lançado na presente notificação. Assim, voto pela manutenção da exigência conforme decidido na revisão de lançamento procedida pela Fiscalização. Conclusão Assim, em vista das informações fiscais contidas nos autos, da impugnação do contribuinte e dos documentos apresentados, conforme avaliação acima, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação. O processo deve ser encaminhado para ciência do contribuinte com a finalidade de intimálo ao pagamento do crédito tributário mantido no Fl. 78DF CARF MF Processo nº 18470.723650/201541 Resolução nº 2201000.315 S2C2T1 Fl. 79 3 presente Acórdão. Cabe recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Em sede de Recurso Voluntário, apresentou os seguintes argumentos: 1) Esclarecimentos referentes à infração cometida PELO CONTRIBUINTE pela omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício da Fonte Pagadora: OSX CONSTRUÇÃO NAVAL S.A. EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL (11.198.242/000158) Através do Termo de Intimação Fiscal no. 2013/231939170203738, datado de 27/10/2014, fui notificado pela DRF de Campos dos Goytacazes/RJ para prestar esclarecimentos sobre o fato de não ter declarado o rendimentos tributável de pessoa jurídica OSX CONSTRUÇÃO NAVAL S.A. EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL, muito embora essa Fonte Pagadora tenha recolhido na fonte o Imposto de Renda desse rendimento. Isto é, não houve sonegação de imposto por parte do Contribuinte. Em 09/12/2014 compareci naquela DRF/CAMPOS/RJ onde prestei os esclarecimentos à funcionária Luísa (matricula 07100639), e ao Delegado Dr. Quéops Monteiro da Silva, quando pude esclarecer que por falha humana ao compilar minha Declaração no ultimo dia do prazo, eu não havia registrado os dados referentes ao rendimento tributável nem o Imposto Retido na Fonte da OSX (ver ANEXO VI). Naquela audiência no DRF foi confirmada que não houve prejuízo ao Fisco visto que o Imposto de Renda foi retido na fonte pela Fonte Pagadora: OSX CONSTRUÇÃO NAVAL S.A. 2) Esclarecimentos referentes à infração cometida PELA FONTE PAGADORA de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, do trabalho sem vinculo empregatício e discrepâncias observadas no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do IRRF da Fonte Pagadora: ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139) Conforme pode ser constatado a seguir a Fonte Pagadora ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139) foi responsável pelas divergências entre informações prestadas pelo Contribuinte e aquelas fornecidas Fonte Pagadora., induzindo o Contribuinte ao erro na Declaração original de 2012. Seguem abaixo as evidencias e comprovantes. Inicialmente gostaria de registrar junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que em 30/04/2013, ao submeter minha Declaração de Imposto sobre a Renda Pessoa Física de 2012 apresentei o respectivo comprovante de rendimentos fornecido pelo meu empregador: ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139), cuja cópia apresento abaixo e no ANEXO I: Conforme pode ser observado nesse documento o empregador EECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. declara que reteve de meus rendimentos de assalariado a importância de R$ 258.000,26 a titulo de Imposto Retido na Fonte para o Anocalendário Fl. 79DF CARF MF Processo nº 18470.723650/201541 Resolução nº 2201000.315 S2C2T1 Fl. 80 4 de 2012. Esse foi o valor que efetivamente eu havia incluído em minha Declaração de Rendimentos Ano Calendário 2012, submetida eletronicamente à FRB em 30/04/2013. Ocorre que em fins de 2013 (isto é, em data posterior ao prazo limite de entrega da Declaração de IRRF para o ano de 2012), e já residindo em Campos/RJ recebi da minha fonte Pagadora ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139) OUTRO Informe de Rendimentos para o MESMO Ano Calendário de 2012 (cópia abaixo e no ANEXO II). Nesse documento a ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139) declara que no Ano Calendário de 2012, pagou ao Contribuinte, na condição de "Rendimento de Trabalho Assalariado", a importância bruta de R$ 360.000,00 e realizou a retenção de Imposto na Fonte no valor de R$ 93.756,79. Aparentemente essa foi a informação que a ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139) submeteu à RFB referente ao montante de salário pago ao Contribuinte em 2012. Através do Termo de Intimação Fiscal no. 2013/231939170203738, datado de 27/10/2014, fui notificado pela DRF de Campos dos Goytacazes/RJ para prestar esclarecimentos sobre as discrepâncias detectadas pelas informações conflitantes prestadas pelo Contribuinte e a Fonte Pagadora. Em 09/12/2014 compareci naquela DRF/CAMPOS/RJ onde prestei os esclarecimentos à funcionária Luísa (matricula 07100639), e protocolei a documentação comprobatória (protocolo no. 07.1.04.00 6), incluindo 04 (quatro) comprovantes de rendimentos recebidos pelo Contribuinte. Dessa forma, de acordo com as explicações prestadas ao Delegado da RFB em Campos (Dr. Quéops Monteiro da Silva) pude esclarecer que eu havia incluído em minha declaração de Rendimentos do Ano Base 2012 aquelas informações fornecidas à época pela Fonte Pagadora. Isto é, eu havia incluído em minha declaração a receita bruta de R$ 960.000,00 sendo o Imposto Retido na Fonte no valor de R$ 258.000,26 conforme demonstrado acima no documento emitido pela Fonte Pagadora. Posteriormente , em meados de Maio de 2015, em discussão com o Depto. de Administração do empregador ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139) pude constatar que ambos os documentos acima haviam sido emitidos erroneamente pela Fonte Pagadora pois a minha condição de trabalho era ESTATUTÁRIO, ou seja, SEM VINCULO EMPREGATICIO de CLT com a ECOVIX. Isto é, a documentação de IRRF emitida pela ECOVIX deveria constar que eu recebia honorário de Participação de Lucros, ao invés de "Rendimento do Trabalho Assalariado". Igualmente havia divergência nos valores efetivamente pagos ao Contribuinte pela ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. Após admitir o erro administrativo cometido, em Janeiro 2015 a ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139) solicitoume para desconsiderar os Informes anteriores, incorretamente emitidos, e me entregou um novo Fl. 80DF CARF MF Processo nº 18470.723650/201541 Resolução nº 2201000.315 S2C2T1 Fl. 81 5 "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda (AnoCalendário 2012) cuja cópia apresento abaixo e no ANEXO III. De acordo com o "ultimo" documento então fornecido a ECOVIX — ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEANICAS S.A. (CNPJ 11.754.525/000139) declara ter pago honorários no valor bruto total de R$ 600.000,00 sendo que o Imposto Retido na Fonte foi de R$ 164.243,47 para o Ano Calendário de 2012. CONCLUSÃO: Dessa forma, com base no histórico acima, e de posse de evidencias e documentação connprobatória apresentada nos anexos solicito ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para impugnar o presente Processo na DRF, decidindo por sua extinção. Desta forma solicito considerar extinto esse Processo, restaurando o equilíbrio visando não penalizar o Contribuinte por informações contraditórias emitidas pela Fonte Pagadora, e que divergem da Declaração de Rendimentos de 2012 por mim apresentada em boafé em 30/04/2013, quando os erros cometidos pela Fonte Pagadora ainda não haviam sido detectados. Por conseguinte solicito despacho favorável por parte do "Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil" para permitir que o Contribuinte possa submeter Declaração Retificadora ( Ano Calendário 2012), em caráter extraordinário, com os dados corretos, ou seja: Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O recorrente questiona a infração relacionada à glosa de R$ 164.243,47, em que a fiscalização considerou indevida a compensação de IRRF incidente sobre os rendimentos recebidos da ECOVIX ENGEVIX CONTRUÇÕES OCEÂNICAS S/A. Afirma que teria recebido R$ 960.000,00 da citada empresa, com IRRF de R$ 258.000,26, valor que seria relativo a "imobilização do contribuinte" através da compra de imóvel do próprio contribuinte, transação esta que teria sido indevidamente classificada pela fonte pagadora como rendimentos, quando se trataria de uma transação comercial de compra e venda de imóveis. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18470.723650/201541 Resolução nº 2201000.315 S2C2T1 Fl. 82 6 Esclarece, ainda, a defesa que teria recebido rendimentos tributáveis da mesma fonte, no valor de R$ 360.000,00, com IRRF de R$ 93.756,79. A análise dos autos evidencia, em fl. 08, que o contribuinte declarou um total de IRRF de R$ 258.000,26 da fonte ECOVIX, quando os valores de IRRF informados por esta em DIRF teria sido de R$ 93.756,79, daí a diferença glosada de R$ 164.243,47. Em fl. 18, consta um comprovantes de rendimentos dando conta de que a ECOVIX pagou ao contribuinte o valor de R$ 960.000,00, com R$ 258.000,26 de IRRF, com anotação manual de que o valor seria relativo a uma operação de compra e venda de imóveis. Em fl. 19, consta outro comprovante de rendimentos no valor de R$ 360.000,00, com IRRF de R$ 93.756,79. A partir de fl. 37, constatase que foi apurado ganho de capital na tal alienação de imóveis à ECOVIX, operação que teria envolvido uma alienação no valor de R$ 950.000,00, portanto, em valores diferentes daqueles constantes no comprovante de rendimentos de fl. 18. Ocorre que, em fl. 56, o contribuinte junta outro comprovante de rendimentos, que aponta a recepção de um montante de R$ 600.000,00, com IRRF de R$ 164.243,47, valores que, somados ao comprovantes de rendimentos de fl. 19, alcançam os exatos valores constantes no comprovante de fl.18, indicando que a celeuma administrativa não tem relação com a operação de compra e venda de imóvel noticiada. Ante à dúvida quanto às informações prestadas, tanto pela fonte pagadora, quanto pelo contribuinte, converto o presente julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo elabore, mediante intimação da fonte pagadora, relatório circunstanciado sobre os valores efetivamente recebidos pelo autuado no período, devendo segregar a natureza de cada rendimento recebido, bem assim o valor do IRRF, indicando os valores que foram efetivamente recolhimentos aos cofres da União. Conclusão Diante todo o exposto, converto o julgamento em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo, mediante intimação da fonte pagadora, elabore relatório circunstanciado sobre os valores efetivamente recebidos pelo autuado no período. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 13163.720027/2017-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL.
É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 3. 72 00 27 /2 01 7- 58 Fl. 104DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2012, anocalendário de 2011, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "O contribuinte alega ser portador de moléstía grave que o isentaria do imposto de renda, todavia, não apresenta o indispensável laudo pericial em conformidade com a exigência legal e, assim, a isenção pleiteada não pode ser reconhecida." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ PORTO ALEGRE. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 70/79. Em síntese, alega ser portador de moléstias graves (distrofia muscular, cardiopatia, usuário de marcapasso e AIDS). Informa que recebe proventos de pensão, decorrentes da morte de sua mãe. Junta ao recurso, Relatório Médico, receituários, declaração de profissional da área médica. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13163.720027/201758 Acórdão n.º 2001000.316 S2C0T1 Fl. 3 3 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 106DF CARF MF 4 Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o “Relatório Médico” de f. 82. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Importante frisar que o próprio Relatório Médico que o contribuinte apresenta, destaca a necessidade de emissão de Laudo Pericial. Isso se constata pelo aviso expresso ao final: "As informações relacionadas estão sujeitas à ratificação pelo grupo médico pericial credenciado da entidade solicitante." Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13163.720027/201758 Acórdão n.º 2001000.316 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Discordo do relator quanto sobre a caracterização da doença grave. Tratase de divergência principalmente quanto à necessidade de apresentação de laudo oficial. O contribuinte apresentou outros elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação, ou problemas formais no documento, no laudo médico, não afastam por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal., trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, não se pode estender porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave. Fl. 108DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721199/2015-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Sujeita-se à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. SÚMULA CARF Nº 114.
O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO.
Nos termos do art. 124, I do CTN, para a imputação da solidariedade tributária deve restar demonstrado o interesse comum da pessoa na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Numero da decisão: 1301-003.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade parcial da autuação, relativamente à parcela do IRRF sobre as movimentações registradas em extratos do Banco BMG, e dar provimento integral aos recursos das responsáveis Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa e Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça para excluí-las do polo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. SÚMULA CARF Nº 114. O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. Nos termos do art. 124, I do CTN, para a imputação da solidariedade tributária deve restar demonstrado o interesse comum da pessoa na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 99 /2 01 5- 26 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade parcial da autuação, relativamente à parcela do IRRF sobre as movimentações registradas em extratos do Banco BMG, e dar provimento integral aos recursos das responsáveis Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa e Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça para excluílas do polo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte E B Alimentação Escolar Ltda. e os responsáveis Sistal Alimentação de Coletividade Ltda, Gustavo Guerra Villaça, Marco Aurélio Ribeiro da Costa, Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa, para a cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), pelas seguintes infrações: 1) IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, especificados em fls. 297/317, com multa qualificada de 150%; 2) IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, contabilizados ou não, especificados em fls. 317/322, com multa qualificada de 150%; Através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 346/429, a autoridade apresenta as razões do lançamento efetuado, que serão sumarizadas abaixo. O procedimento fiscal teve origem no inquérito policial n° 0038655 07.2009.403.000, em que foram denunciados o exprefeito do Município de Taubaté, sua esposa e mais 11 pessoas, dentre elas Marco Aurélio Ribeiro da Costa (real beneficiário da EB) e Cristiane Vetturi (funcionária da EB), pelos crimes de quadrilha, crimes contra licitações e crimes de responsabilidade de prefeito. Inicialmente, a fiscalização traça uma percuciente análise dos contratos sociais da EB Participações e empresas que são sócias dela, chegando à seguinte planilha: Fl. 800DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 4 3 Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 5 4 A fiscalização apontou que: Além da repetição e alternância dos sócios entre as empresas, vale observar que: Thomas Guerra Villaça é irmão de Gustavo Guerra Villaça; Pomona Juno Ribeiro da Costa é mãe de Tatiana Ribeiro da Costa Façanha; e Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa é esposa de Marco Aurélio Ribeiro da Costa e mãe de Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça, que é casada com Gustavo Guerra Villaça (Anexo 8 – “Consulta cadastro CPFs EB”). Como será demonstrado, Marco Aurélio Ribeiro da Costa é o principal responsável pela EB, seja diretamente, seja por meio de outras empresas das quais é sócio, seja por meio de familiares. Seu braço direito na condução dos negócios é seu genro, Gustavo Guerra Villaça. Além disso, apontou que o endereço de todas essas empresas se misturam ao longo dos anos. Relativamente ao IRPJ e reflexos, foi constatado que a EB desenvolveu atividades econômicas no ano de 2010, sem, no entanto, ter declarado suas Receitas em DIPJ nem os débitos correspondentes em DCTF. “Encontradas, portanto, Receitas Não Declaradas, Receitas Omitidas e Receitas Omitidas por Presunção”. Os respectivos autos de infração constam do processo nº 19515.721198/201581. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 6 5 Com relação à exigência de IRRF, objeto destes autos, temse que foram encontradas dezenas de transferências a débito e a crédito envolvendo a empresa SISTAL, conforme tabelas a fls. 354/358. Como a EB não justificou as transferências efetuadas para a SISTAL (débitos em suas contas bancárias), elas foram consideradas pagamentos sem causa aos seus sócios ou reais beneficiários. Os valores lançados foram as transferências bancárias a débito da EB e a crédito da SISTAL constantes nas tabelas localizadas no item III.1 do termo de verificação fiscal (fls. 354/360). A fiscalização seguiu esta metodologia: Em relação aos demais débitos bancários, a verificação foi feita em duas etapas. Antes de selecionar os débitos a serem investigados, foram excluídos aqueles que possuíam como histórico “pagamentos a funcionários” e transferências entre as demais contas bancárias da EB (além das transferências para a SISTAL, analisadas separadamente, conforme já descrito). Então, foram solicitados os documentos comprobatórios acerca da natureza e dos beneficiários dos demais débitos constantes nas contas bancárias da EB cujos históricos eram genéricos: “cheque”, “cheque compensado”, “pagamentos”, “cheque pagto em dinheiro” etc. Em relação a estes débitos, não só não foi possível identificar a natureza dos pagamentos efetuados, como também não foi possível identificar os beneficiários destes pagamentos. Os demais débitos bancários cujo histórico permitiu saber a quem foram feitos, mas para os quais não houve comprovação documental, por parte do contribuinte, intimado, de sua natureza, também foram considerados como “pagamentos sem causa”. Tais débitos estão indicados no Anexo B – “Pagamentos sem causa” (fls. 442). Já os débitos bancários cujo histórico não permitiu saber a quem foram feitos, e para os quais não houve comprovação documental, por parte do contribuinte, intimado, de sua natureza, foram consideradas como “pagamentos a beneficiários não identificados”. Tais débitos estão indicados no Anexo C – “Pagamentos a beneficiários não identificados”. A multa de ofício foi duplicada para 150% devido à constatação da conduta de sonegação por parte da contribuinte. Foram incluídas no polo passivo da autuação as seguintes pessoas físicas e jurídicas: 1) Marco Aurélio Ribeiro da Costa; 2) Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa; 3) Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça; 4) Gustavo Guerra Villaça; 5) Sistal – Alimentação de Coletividade Ltda Os fundamentos da responsabilização foram assim sumarizados no acórdão a quo: Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 7 6 A responsabilidade solidária de Marco Aurélio Ribeiro da Costa e de Gustavo Guerra Villaça restou caracterizada, haja vista o efetivo exercício de gerência e administração sobre os negócios da empresa durante o período em que foram verificadas as omissões de receitas e a falta de recolhimento dos tributos federais. Isto somado à apropriação direta dos recursos da empresa, marcada pelo usufruto de seus recursos financeiros desprovido de maiores formalidades, o que também caracterizou confusão patrimonial entre a EB e seus administradores (arts. 124, I, e 135, III, do CTN). Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa, esposa de Marco Aurélio, demonstrou interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, na medida em que usufruiu dos frutos da sonegação, tendo despesas pessoais pagas pela EB, como compra e uso de carro não popular blindado e viagens turísticas, sem lograr comprovar efetiva prestação de serviços à empresa (art. 124, I, do CTN). Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça, esposa de Gustavo, demonstrou interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, ao usufruir dos frutos da sonegação, tendo despesas pessoais pagas pela EB, como pagamento do condomínio de lotes, pagamento de viagem feita com a família, pagamento de ITBI e escritura de imóvel e pagamento de serviços prestados para associação da qual é presidente (art. 124, I, do CTN). Restou caracterizada a responsabilidade solidária, por interesse comum, entre a EB e a SISTAL, empresas pertencentes ao mesmo conglomerado empresarial, um grupo econômico de fato, como ficou evidente pela confusão patrimonial estabelecida entre elas, tanto em relação aos recursos financeiros quanto em relação aos recursos humanos (art. 124, I, do CTN). Notificadas, a contribuinte EB e as responsáveis Thereza Christina e Manuela Christina apresentaram impugnações. Impugnação da EB: a) contradição entre as autuações de IRRF e IRPJ Com a edição da Lei n° 9.249/95, como é do entendimento consagrado no contencioso administrativo fiscal federal, “surge clara a opção do legislador pela adoção da tributação segregada, ou seja, se o rendimento foi tributado na pessoa jurídica não será mais tributado, não só na pessoa física como em outra pessoa jurídica, eventual e presumidamente beneficiárias”. b) A auditoria manteve na base tributável uma enormidade de pagamentos cuja causa fora por ela perfeitamente identificada e aceita, mas que justamente por serem conhecidas mostravamse impertinentes às atividades da impugnante. Faz referência à planilha de fls. 510/512. c) Se há uma confusão patrimonial entre a EB e a SISTAL, então devem ser admitidas as transferências como transferências entre contas da mesma pessoa jurídica. Alternativamente, deveriam ser tratadas como uma conta corrente entre empresas do mesmo grupo. d) Impossibilidade de tributação simultânea de créditos e débitos nas transferências entre a impugnante e Sistal; Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 8 7 e) Ausência dos extratos do Banco BMG nulidade parcial da autuação por vício na produção de provas; f) Incompatibilidade entre a hipótese de incidência do art. 61, §1° da Lei nº 8.981/95 e a imputação de multa qualificada. g) Decadência parcial dos créditos, em razão do recolhimento do IRRF em todos os meses de 2010 (Anexo 10 do TVF); h) Inaplicabilidade de juros sobre multa de ofício. Impugnação da Thereza Christina e Manuela Christina: O fundamento da autuação foi a existência de situações nas quais elas teriam sido beneficiadas por pagamentos de despesas pessoais com recursos oriundos da EB, a despeito de não participarem da gerência da empresa. Segundo o raciocínio desenvolvido pela fiscalização, por ter se favorecido com o pagamento pela EB, administrada por quem quer que fosse, de gastos pessoais, a impugnante deveria responder solidariamente pelo débito fiscal, e isso com fundamento no artigo 124, I, do CTN. Aduzem que o sócio de uma pessoa jurídica seja ele sócio oculto ou ostensivo, não importa tem apenas interesse econômico comum com a própria pessoa jurídica de cujo quadro social participa. Afinal, nos tipos societários de fins econômicos, como as limitadas, o sócio integra o quadro social da empresa com o propósito de perceber dividendos que a empresa lhe poderá proporcionar. Não se trata, contudo, de interesse jurídico para fins de aplicação do art. 124, I do CTN. As impugnações foram julgadas improcedentes pelo Acórdão nº 0271.074, julgado pela DRJ/BH, e assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 9 8 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignados, o contribuinte e as responsáveis apresentaram Recursos Voluntários, repisando as razões de suas impugnações. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Os Recursos Voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos por este Colegiado. A título de esclarecimento, cabe frisar que os Recursos Voluntários foram juntados em 07/03/2017, ao passo que os avisos de recebimento relativos às intimações postais atestaram o recebimento apenas em 13/03/2017, o que caracterizaria recurso interposto precocemente, sem prejuízo para a tempestividade, na esteira da jurisprudência do STJ. Entretanto, verificamos que no dia 07/02/2017 foi retirado, pelos Recorrentes, cópia integral dos processos, atestandose nesta data a ciência inequívoca e pessoal do teor da decisão, iniciandose daí o prazo para a apresentação de Recurso. Com a sua interposição em 07/03/2017, resta respeitado o interregno de 30 dias. Passemos à análise dos recursos, separadamente. I) Recurso Voluntário da EB Alimentação I.i) Preliminar de Decadência Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 10 9 Aduz o Recorrente que houve recolhimentos de IRRF durante o ano calendário de 2010, razão pela qual o prazo decadencial deve obedecer à contagem do art. 150, §4 do CTN. Entretanto, tal matéria foi recentemente objeto de Súmula no âmbito deste CARF: Súmula CARF nº 114 O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Desse modo, contandose o prazo de acordo com a regra do art. 173, I do CTN, há que se rechaçar o pleito do contribuinte. I.ii) Preliminar de nulidade do IRRF referente ao Banco BMG Aduz a Recorrente que o lançamento levou em consideração extratos do Banco BMG, para a composição da base de cálculo, relativamente a valores movimentados entre abril e dezembro de 2010. Entretanto, tais extratos não constam nos autos no local a eles dedicado (Anexo 48, partes 1 a 12). Tal fato foi, inclusive, reconhecido pela DRJ (fl. 602): Segundo a contribuinte E B Alimentação Escolar Ltda., fazse necessário o “reconhecimento da nulidade parcial do auto de infração”, uma vez que a autoridade lançadora não teria juntado aos autos os extratos referentes aos valores debitados na conta do Banco BMG que foram por ela considerados como pagamentos sem causa. De fato, não ocorreu a juntada de tais documentos. A DRJ, entretanto, afastou eventual nulidade sob o argumento de que o contribuinte poderia ter se manifestado sobre os extratos bancários, já que as informações constavam em termos fiscais do qual ele foi intimado, e que os dados se encontram indicados no TVF (fl. 361). Além disso, como não teria havido preterimento do direito de defesa e nem ato proferido por autoridade incompetente, não há que se falar em nulidade. Com a devida vênia, ouso discordar. O art. 9º do Decreto 70.235/72 é expresso a respeito da necessidade do Fisco juntar todas as provas dos ilícitos imputados ao contribuinte: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Por mais que pareça banal a preocupação, a conferência da descrição das operações e dos valores computados para o lançamento do tributo seria imprescindível, já que poderia evidenciar não só equívocos matemáticos como também imputações contestáveis. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 11 10 Inclusive, verificado pela Administração Tributária o vício na produção de prova, deveria ter juntado os referidos extratos, e reaberto o prazo para Impugnação dos autos nesse ponto, saneando o vício constatado. Desse modo, entendo procedente a alegação de nulidade parcial do IRRF cobrado sobre a movimentação do Banco BMG. I.iii) Do pedido de vinculação do presente processo ao PAF nº 19515 721.198/201581 A presente hipótese foi aventada por este relator, inicialmente, tanto que chegou a ser exarado despacho determinando a remessa dos autos para o relator que está com o processo reflexo. Entretanto, após análise mais detalhada da exigência de IRPJ e reflexos no processo principal (19515.721198/201581), constatei que o lançamento se deu com base no lucro presumido, ou seja, as operações retratadas nas notas fiscais que foram o ponto de partida para exigência de IRRF não possuem qualquer repercussão na apuração de IRPJ (e CSLL). Desse modo, não há necessidade de julgamento em conjunto dos dois processos, razão pela qual rechaço o pleito do contribuinte. b) Da inviabilidade de autuação simultânea de IRPJ e IRRF por omissão de receitas. Aduz o Recorrente que o regime de tributação de receitas omitidas, regulamentado pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, que fundamentou a autuação no outro processo administrativo, já mencionado, é uma presunção alternativa em relação àquela presente no art. 61 da Lei nº 8981/95, utilizada no presente caso. Discutese, no presente caso, a impossibilidade de cobrança simultânea de IRRF por pagamento sem causa sobre e a cobrança do IRPJ e tributos reflexos sobre valores imputados como receitas omitidas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Da leitura do art. 47 da IN SRF nº 1.634/2016, a questão parece ser de uma aparentemente fácil solução, pois dispõe a interpretação da Receita da legislação que: Art. 47. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por entidade cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta ou baixada. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 12 11 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. (...) § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Segundo a IN em comento, em se tratando de nota fiscal inidônea, a prestação nela substanciada não pode ser deduzida como custo ou despesa, na apuração do IRPJ e CSLL (§1º, I), e caso não se comprove a efetiva prestação do serviço e o pagamento do preço, estará sujeita também ao IRRF à alíquota de 35% (§6º). Nessa leitura, não haveria qualquer óbice à cobrança cumulativa desses dois tributos. Para verificar a possibilidade dessa interpretação, entretanto, parecenos ser necessário algum aprofundamento no histórico legislativo dessa forma de tributação dos pagamentos sem causa ou sem beneficiário determinado. A tributação "majorada" dos pagamentos sem beneficiário determinado (sem entrar aqui na discussão sobre a própria constitucionalidade da utilização do tributo como forma de penalização) remete à Lei nº 4.154/62, que alterou a tributação dos rendimentos de títulos que à época, por força do art. 96 do RIR/1959, sujeitavase ao imposto cobrado antecipadamente na fonte pagadora, e sujeito a abatimento posterior na declaração anual. A alteração promovida pela Lei nº 4.154/62 determinou que os rendimentos decorrentes de títulos fossem classificados na cédula "F" (a tributação da renda da pessoa física era em bases cedulares), salvo nos casos em que o beneficiário não quisesse ser identificado, hipótese em que o rendimento estaria sujeito a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 45% (art. 3º, §2º), e posteriormente teve sua alíquota aumentada para 60%, pela Lei nº 4.357/64 (juntamente a um empréstimo compulsório instituído pela Lei n 4242/63). Esse tratamento também era estendido aos pagamento sem causa, por força do §4º da Lei nº 4.154/62. A redação do dispositivo era nos seguintes termos: art. 3º (...) §2º O beneficiário dos rendimentos referidos neste artigo poderá optar pela não identificação, caso em que o impôsto será cobrado na fonte à razão da taxa de 45% (quarenta e cinco por cento), não servindo essa tributação para base de reajustamento do impôsto devido pelos residentes ou domiciliados no estrangeiro. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 13 12 §3º Aplicarseá também o disposto neste artigo aos rendimentos declarados como pagos ou creditados por sociedades anônimas, quando não forem atendidas as condições estabelecidas no § 4º do art. 37 do Regulamento referido no art. 1º desta lei. Por outro lado, o art. 37, §4º do RIR/59 tratava do aspecto da composição do lucro real, à luz dos rendimentos pagos a beneficiários não identificados e as operações sem causa de origem: Art. 37. (...) § 4º Não são dedutíveis as importâncias que forem declaradas como pagas ou creditadas a título de comissão, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não fôr indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. Com a elaboração do RIR/80 (Decreto nº 85.450/80), incorporouse a redução de alíquota do DecretoLei nº 157/67 (para 40%), bem como os §§ 3º e 4º da Lei 4.154/62, na redação do seu art. 570: “Art. 570. Estão sujeitas ao desconto do imposto na fonte, à alíquota de 40% (quarenta por cento), as importâncias declaradas como pagas ou creditadas por sociedades anônimas, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário (Lei n° 4.154/62, art. 3°, § 3º, e DecretoLei n° 157/67, art. 19).” Como se vê, a utilização da tributação exclusiva na fonte, em alíquota superior à "normal", para os casos de pagamento sem causa ou de beneficiário não identificado, tem raízes antigas no Direito Tributário brasileiro, entretanto apresentava um alcance restrito às sociedades anônimas. Por outro lado, os demais rendimentos pagos por sociedades estavam sujeitos a controle na cédula "F" da declaração dos beneficiários, estabelecendo assim um regime favorecido para estar. Tal situação, entretanto, foi objeto de modificação com o art. 8º do Decreto Lei nº 2.065/83, que estendeu a tributação exclusiva na fonte aos casos de omissão de receita ou outros meios de redução do lucro líquido do exercício: Art. 8º A diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica, por omissão de receitas ou por qualquer outro procedimento que implique redução no lucro líquido do exercício, será considerada automaticamente distribuída aos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e, sem prejuízo da incidência do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica, será tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Da leitura do art. 8º, se verifica que a condição de incidência do IRRF é apenas a apuração de diferença na determinação dos resultados em razão de expediente utilizado para a redução do lucro líquido naturalmente, tratase aqui de expedientes ilícitos diferença essa que passa a ser considerada como distribuída, havendo ou não prova do pagamento efetivo, com a cobrança de IRRF à alíquota de 25% sobre a diferença. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 14 13 À luz desse dispositivo, nos parece fora de dúvidas que a criação de despesas inexistentes para fins de redução do lucro líquido se enquadraria na hipótese de incidência do IRRF. A redação do art. 8º do DecretoLei 2.065/83 ainda foi mais aclarada no art. 44 da Lei nº 8.541/92, que passou a valor a partir de 1993, com a seguinte redação: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Ocorre que em 1995 foi promulgada a Lei nº 8981/95, que trouxe o dispositivo em análise no seu art. 61: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Ambos os dispositivos coexistiram normativamente durante o ano de 1995, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 e o art. 61 da Lei nº 9.981/95, com a autorização expressa do caput do art. 61, que ressalvava o disposto em normas especiais. Há, portanto, campos de incidência distintos para essas duas regras: a) Em se tratando de qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, incluindo aí as despesas inexistentes, cobrase o IRRF à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do IRPJ, nos termos do art. 44 da Lei nº 8.541/92; b) Em se tratando de pagamento a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a causa do pagamento, cobrase o IRRF à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.981/95; O art. 61 teve a finalidade de abarcar situações que não eram atingidas pelo art. 44 da Lei nº 8.541/92, como no caso de despesas e pagamentos não contabilizados (e que portanto não afetariam o lucro líquido) não é a toa que um dispositivo não revogou o outro, mas ambos coexistiram normativamente válidos durante um período. Ocorre que com a Lei nº 9.249/95, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 foi expressamente revogado, restando apenas a outra hipótese, de alcance mais restrito e que não prevê a possibilidade de incidência conjunta do IRPJ. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 15 14 Desse modo, não pode a fiscalização, em razão da revogação do dispositivo mencionado, transportar para o art. 61 da Lei nº 8981/95 todo o conteúdo normativo que foi retirado do sistema jurídico, buscando abarcar nele procedimentos de redução indevida do lucro líquido. Nessa linha, reproduzo trecho do voto da Conselheira Ivete Malaquias, em Acórdão nº 0401.094, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Nesse novo quadro, temos o desaparecimento do art. 44 que tinha por fim tributar as situações em que, por presunção de que a receita omitida e/ou a redução do lucro líquido era distribuída a sócios que, repetindo, não comportavam a utilização do art. 61 da Lei n°. 8.981/95. Em outras palavras, significa dizer que o art 61 da Lei n. 8.981/95, evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art. 44 da Lei n". 8.541/95. Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro líquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real. No mesmo sentido, menciono o Acórdão CARF nº 140200.441, de relatoria do Conselheiro Antonio José Praga: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. A tributação do IR Fonte por pagamento sem causa, não se confunde com a glosa de despesas, por falta de comprovação da necessidade, ainda que baseados nos mesmos elementos de prova. Toda a constatação de que a empresa efetivamente realizou os pagamentos, não autoriza, por si só, a tributação do IR fonte com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995. Recurso Voluntário Provido. No presente caso, há que se mencionar que a EB Alimentações é empresa optante pelo regime do Lucro Presumido, de modo que os pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado não tem o condão de gerar uma redução do lucro tributário, afetando o IRPJ a ser cobrado, de modo que, nessas hipóteses, na esteira do precedente citado acima, é hipótese de correta aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Não vislumbro, pois, óbice à autuação da omissão de receitas e do IRRF sobre pagamentos sem causa, visto que esses pagamentos não geraram qualquer tipo de impacto na apuração do IRPJ e CSLL do Recorrente, no outro processo. I.iv) Pagamentos com causa esclarecida Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 16 15 Aduz a Recorrente que certos pagamentos foram esclarecidos, apesar de serem impertinentes ao objeto social da empresa. Os pagamentos são os seguintes: Os pagamentos se referem a: a) Vida e previdência: contratação de previdência privada, com renda vitalícia, para Bruno Ribeiro Villaça, filho de Manuela e Gustavo; b) Pagamento à OZ Design: serviços relacionados à identidade visual da CRC e da Associação WV, contratados pela SISTAL; c) Pagamento à GS1 Brasil: locação de um imóvel na Alameda Santos, 2441, 7º andar, que já foi endereço da EB, da Ativa (antiga Grãos) e da Sistal; d) Pagamentos à Caraigá: Aquisição e blindagem de um veículo para Thereza Christina; Além disso, aduz que os seguintes pagamentos também foram objeto de comprovação de sua causa: Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 17 16 Todos eles se referem a despesas pessoais dos sócios da EB Alimentação, como viagens, hotéis etc. Parece não proceder a alegação do Recorrente. Explicome. Dispõe o art. 61, §1º da Lei nº 8.981/95 o seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. O art. 74, §2º da Lei nº 8.383/1991 também se encontra dentro das hipótese de cobrança do IRRF, previstas pelo art. 61 da Lei nº 8.981/95, a despeito da redação do art. 674 do RIR/99 não trate dessa circunstância (que acabou segregada para o art. 675 do mesmo Regulamento). Dispõe esse artigo: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 18 17 a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Nesse caso, sujeitase ao mesmo tratamento do pagamento sem causa a concessão de vantagens e benesses aos sócios, administradores, diretores etc., desde que esses valores não estejam incluídos na remuneração declarada dos beneficiários, sujeitandose à alíquota de 35% do IRRF. Com efeito, não se logrou esclarecer quais seriam os reais motivos que, conforme minuciosamente detalhado no termo de verificação fiscal (fls. 360 e seguintes), levaram a contribuinte não só a pagar despesas de outras pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico mas também a pagar inúmeras outras despesas pessoais de seus sócios e de familiares destes, não havendo nestes autos nenhuma comprovação, por exemplo, de que tais pagamentos se deram em razão da existência de contratos de mútuo celebrados entre a contribuinte e os beneficiários das transferências, ou de que teria havido antecipação de lucro da pessoa jurídica em favor dos seus sócios, ou, ainda, de que se estaria diante de pagamentos de rendimentos do trabalho destes ou mesmo diante de alguma forma de remuneração indireta, entre outras tantas causas possíveis. Não havendo prova de qualquer dessas circunstâncias, há que se aplicar o teor do art. 74, §2º da Lei nº 8.383/91. Portanto, não procede o pleito neste ponto. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 19 18 I.v) Das transferências entre as contas correntes da contribuinte e da Sistal Segundo a contribuinte E B Alimentação Escolar Ltda., os valores das transferências bancárias destinadas a contas da Sistal Alimentação de Coletividade Ltda. deveriam ser excluídos da base tributável do IRRF lançado. Argumenta que, “se, no entender da autoridade lançadora, a impugnante e a Sistal não passam de um mesmo empreendimento, a ponto de serem, por esse fundamento, co responsáveis tributárias, então as transferências entre contascorrentes de ambas devem merecer o tratamento de transferências bancárias do mesmo contribuinte”. Com a devida vênia ao argumento do Recorrente, aderimos ao voto proferido na instância a quo, o qual tomamos como razão de decidir, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99: Mas não lhe assiste razão. Assentese, primeiramente, que, ao contrário do que faz crer a impugnante, não houve neste processo nenhuma desconsideração de personalidade jurídica nos termos do art. 50 do Código Civil, até mesmo porque isso dependeria de decisão judicial nesse sentido. Por outro lado, não há dúvida de que a confusão patrimonial detectada entre a EB e a Sistal foi, sim, um dos fundamentos da imputação de responsabilidade solidária a esta última com base no art. 124, I, do CTN. Mas daí não se pode jamais inferir, como o faz a impugnante, que não haveria, no caso, dois contribuintes ou dois “sujeitos de direito distintos”. Tal pretensão é absurda e não encontra guarida no ordenamento jurídico vigente. Assim, tratandose de pessoas jurídicas distintas, não há como uma delas, tão somente alegando a existência de uma suposta conta corrente entre empresas de mesmo grupo, eximirse da norma que lhe impõe o ônus de comprovar a causa dos recursos que, mediante lançamentos a débito em suas contas correntes, foram à outra entregues, sob pena de tais pagamentos se sujeitarem à incidência do IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. Quanto à tabela elaborada pela impugnante a fls. 518/519, a qual contém dados de alguns lançamentos bancários, cumpre ponderar que a simples proximidade de datas ou mesmo a coincidência de valores em relação a alguns poucos registros de créditos e débitos recíprocos não é de modo algum suficiente para afastar a incidência da norma em questão, até porque nada impede que isso tenha se verificado em decorrência de outras operações financeiras ou transações comerciais de natureza bem diversa da de uma suposta operação de mútuo por meio de conta corrente, tais como a compra ou venda de produtos e/ou serviços que constituem o objeto social das empresas, alienação de bens do ativo, cessão onerosa de direitos, locação de bens móveis ou imóveis etc. Desnecessário dizer que a causa dos pagamentos deve ser comprovada de modo inequívoco, o que não ocorreu no presente caso, em que nada há além de meras alegações desacompanhadas de provas. Ademais, a Recorrente foi intimada diversas vezes para comprovar a causa das transferências efetuadas para a Sistal, sem que lograsse fazêlo Quanto à alegação de impossibilidade de tributar tanto os créditos quanto os débitos nas transferências entre a Recorrente e Sistal, essa matéria já foi analisada anteriormente, ao demonstrarmos que não existe óbice à aplicação conjunta do art. 42 da Lei Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 20 19 9.430/96 à omissão de receita e o art. 61 da Lei nº 8.981/95, nos casos em que os pagamentos sem causa não tem qualquer impacto na apuração do lucro tributável. E não tem relevância alguma para o deslinde da questão o fato de a autoridade lançadora ter consignado em seu termo de verificação fiscal que “a Sistal foi a empresa do grupo usada para a prestação de serviços em 2009, podendo estar recebendo os correspondentes pagamentos em 2010, e transferindoos para a EB, à margem da tributação”. Tratase aqui de uma simples possibilidade aventada pela fiscalização, não se confundindo isso, independentemente de ser verossímil ou não, com o único e legítimo fundamento da exigência fiscal, qual seja: a não comprovação da causa da transferência de recursos de contas bancárias da contribuinte para contas da Sistal. Em remate, ausente tal comprovação, e independentemente de ter sido constatada confusão patrimonial entre as empresas e de ter sido tributada em outro processo a receita omitida, não há como afastar a tributação sobre os pagamentos sem causa efetuados em benefício da Sistal, em discussão nestes autos. Desse modo, não procede o argumento da Recorrente. I.vi) Da qualificação da multa aplicada e a ausência de bis in idem. Aduz o Recorrente que o art. 61, §1º da Lei nº 8.981/95 já teria caráter sancionador, razão pela qual a cobrança da multa qualificada seria um bis in idem. Com a devida vênia, tal posição não merece acatamento. O fato da alíquota de 35% ser elevada, em relação ao praticado na tributação da renda, tal circunstância não torna o tributo um instrumento de sanção, mormente diante do seu conceito versado no art. 3º do CTN. No presente caso, a fiscalização teve o cuidado de demonstrar cabalmente a intenção do Recorrente de impedir o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, dos fatos geradores ocorridos, incorrendo na sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Isso se verifica, em especial, ao deixar de contabilizar as saídas de recursos utilizados em pagamentos de obrigações e aquisições de bens e direitos estranhos ao interesse social da empresa, bem como a não exibição de documentos fiscais relacionados aos débitos bancários consignados nos extratos a empresa EB Alimentação Escolar. Ademais, consultando as declarações da EB dos anos posteriores, vemos que ela também entregou DIPJ para o anocalendário de 2012 com os valores de sua Receita igual a zero (Anexo 123 – “DIPJ 2013 – AC 2012”), o que ocasionou a mesma discrepância verificada em 2010, já mencionada anteriormente, entre as receitas declaradas e os créditos bancários. É dizer, vislumbrase a omissão da informação nas declarações fiscais de forma reiterada, o que permite inferir o dolo envolvido na conduta. Adicionalmente, as DCTFs enviadas pela empresa (Anexo 124 – “DCTFs 2011”), referentes ao ano de 2011 também declaram existir apenas débitos referentes ao IRRF, considerando as DCTFs entregues originalmente (embora as retificadoras enviadas em 2014 contenham as mesmas informações). Nas DCTFs dos anos subsequentes a empresa também declara apenas débitos relativos ao IRRF (Anexo 125 – DCTFs 2012 a 2014). Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 21 20 Não nos parece razoável duvidar da intenção do Recorrente de omitir informações do Fisco, razão pela qual entendemos plenamente cabível a manutenção da multa qualificada. I.vii) Juros sobre multa de ofício Aduz a não incidência de juros sobre multa de ofício. Sobre isto, o CARF exarou sua Súmula nº 108, verbis: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, nego procedência a este pleito. II) Recurso Voluntário das Responsáveis Ambas as responsáveis, Thereza Christina e Manuela Christina, foram responsabilizadas nos seguintes termos (fls. 415/416): Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa, esposa de Marco Aurélio, demonstrou interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, na medida em que usufruiu dos frutos da sonegação, tendo despesas pessoais pagas pela EB Alimentação (compra e uso de carro não popular blindado, viagens turísticas) sem lograr comprovar efetiva prestação de serviços à empresa. Constatada, assim, sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça, esposa de Gustavo, demonstrou interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, ao usufruir dos frutos da sonegação, tendo despesas pessoais pagas pela EB Alimentação (pagamento do condomínio de seus lotes no Rancho Maringá, pagamento de viagem feita com a família, pagamento de ITBI e escritura de imóvel adquirido, pagamento de serviços prestados pela OZ Design para a associação da qual é presidente). Constatada, assim, sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. Com a devida vênia à autoridade fiscal, o art. 124, I do CTN exige um "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" não qualquer interesse, mas um interesse na realização da conduta descrita em uma hipótese de incidência tributária. Nesse sentido é a jurisprudência do STJ: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIROS. ALEGAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL CONTRA EMPRESAS CONSTITUÍDAS APÓS O FATO GERADOR DO Fl. 818DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 22 21 TRIBUTO DE OUTRA EMPRESA, DITA INTEGRANTE DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. AGRAVOS REGIMENTAIS A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A teor do art. 124, I do CTN e de acordo com a doutrina justributarista nacional mais autorizada, não se apura responsabilidade tributária de quem não participou da elaboração do fato gerador do tributo, não sendo bastante para a definição de tal liame jurídico obrigacional a eventual integração interempresarial abrangendo duas ou mais empresas da mesma atividade econômica ou de atividades econômicas distintas, aliás não demonstradas, neste caso. Precedente: AgRg no AREsp 429.923/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2T, DJe 16.12.2013. 2. Da mesma forma, ainda que se admita que as empresas integram grupo econômico, não se tem isso como bastante para fundar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma delas, ao ponto de se exigir seu adimplemento por qualquer delas. Precedentes: AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, 1T, DJe 27.3.2015; AgRg no REsp. 1.433.631/PE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2T, DJe 13.3.2015. 3. Agravos Regimentais da FAZENDA NACIONAL e LEMOS DANOVA ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA ME a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1535048/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/09/2015, DJe 21/09/2015) A noção de interesse comum não deve ser em sentido econômico, como pretende a fiscalização, pois o próprio dispositivo trata de traçar os contornos de juridicidade desse interesse qualificado. A solidariedade do art. 124, I do CTN, como bem sintetiza Augusto Fantozzi, é um meio de reconexão dos efeitos tributários da realização de um fato gerador plurisubjetivo (fattispecie tributarie plurisoggettive) (La Solidarietà nel Diritto Tributario. Torino: UTET, 1968, p. 40 e seguintes), usual nos tributos cuja hipótese de incidência envolva um negócio jurídico, com interesses coincidentes na sua realização e, portanto, realização do fato gerador. Tal entendimento é corroborado por este Colegiado, em composição pretérita, o qual já teve a oportunidade de se manifestar sobre a questão, conforme ementa a seguir: SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121).(Ac. 1301001.400, Seção em 12/02/2014) Fl. 819DF CARF MF Processo nº 19515.721199/201526 Acórdão n.º 1301003.423 S1C3T1 Fl. 23 22 A fiscalização simplesmente demonstrou que as responsáveis se beneficiaram dos pagamentos feitos pelo Contribuinte, não havendo aí interesse jurídico no fato gerador, mas sim interesse meramente econômico. Desse modo, voto por afastar a responsabilidade das Senhoras Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa e Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça, por ausência de interesse comum na realização do fato gerador. III) Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso da EB Alimentação para reconhecer a nulidade parcial da autuação, relativamente à parcela do IRRF sobre as movimentações registradas em extratos do Banco BMG; e dar provimento integral aos Recursos das responsáveis Thereza Christina Gonçalves Ribeiro da Costa e Manuela Christina Ribeiro da Costa Villaça, excluindoas do pólo passivo da autuação. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 820DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.005020/2004-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA.
A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao ano-calendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
Numero da decisão: 9101-003.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em retornar os autos ao colegiado de origem.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/2003-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator e Presidente em exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em retornar os autos ao colegiado de origem. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/200392, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO – Relator e Presidente em exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 50 20 /2 00 4- 71 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 3 2 Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao afastamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ/CSLL, relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 2002. É o breve relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10480.006261/200392, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.858, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 10480.006261/200392. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.858: Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento de multa isolada, por falta de pagamento de IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada, apurada em fevereiro de 2000, calculada com base em balanços de suspensão ou redução, no valor de R$ 3.708,27. A multa isolada foi mantida na primeira instância, e afastada pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). Em seu recurso especial, a PGFN procura restabelecer a multa isolada. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 4 3 A contribuinte suscita, em sede de contrarrazões, uma preliminar de não conhecimento do recurso especial, invocando o §10 do art. 67 do RICARF, com a alegação de que estaria superado o entendimento aplicado pelas decisões paradigmas. Quanto a essa preliminar, é importante registrar que a regra regimental que tratava dessa questão de superação de tese pela CSRF (art. 67, §10, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009) não foi reproduzida no RICARF atual, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em razão da dificuldade de se fixar um critério objetivo para a sua aplicação. Uma decisão da CSRF bastaria para se considerar que determinada tese está superada? Quantas decisões seriam necessárias para isso? A decisão posterior teria que fazer menção expressa às decisões anteriores cuja tese foi superada? Atualmente, o RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com suas alterações posteriores, não mais fala que não servirá como paradigma o "acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF". O que o regimento atual diz é que "não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente" (Art. 67, §15, incluído no atual RICARF pela Portaria MF nº 39, de 2016). Verificar se o "próprio" acórdão paradigma foi ou não reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente é procedimento que não traz os mesmos problemas da regra regimental anterior. Nesse passo, cabe registrar que nenhum dos dois acórdãos paradigmas foi reformado, conforme indica a página eletrônica do CARF, na consulta ao andamento dos processos correspondentes aos referidos acórdãos (Acórdão nº 10806.004 Processo nº 13826.000384/9840; e Acórdão nº 10806.571 Processo nº 13409.000156/9962). Portanto, de acordo com as regras atuais, as referidas decisões não encontram óbice para servirem como paradigmas de divergência. Desse modo, rejeito a preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN. Quanto ao mérito, vêse que a interpretação adotada pelo acórdão recorrido é no sentido de que se não há tributo a ser exigido no ajuste (no caso, porque a contribuinte apurou prejuízo), também não há razão para exigir estimativas mensais, e nem para aplicar multa isolada pela falta de seu recolhimento. Esta 1ª Turma da CSRF já examinou esse tipo de situação, quando exarou o Acórdão nº 9101002.604, na sessão realizada em 15/03/2017. Aquele julgado também analisou exigência de Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 5 4 multa isolada relativamente a períodos anteriores a 2007 (anteriores à vigência da Lei nº 11.488/2007), em que não houve a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. E tratou de anoscalendário em que o contribuinte ou não tinha apurado tributo a pagar no final do ano, ou tinha apurado prejuízo fiscal, ou tinha apurado tributo no ajuste em valor inferior ao montante das estimativas que seriam devidas ao longo do ano. Vale transcrever trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura que orientou a referida decisão, e também declaração de voto por mim apresentada naquela ocasião: Acórdão nº 9101002.604 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999, 2000, 2001 APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. [...] Voto Conselheiro André Mendes de Moura [...] Mérito. A matéria devolvida trata da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, no decorrer dos anos calendário de 1997, 1999, 2000 e 2001, conforme relato da autoridade fiscal (efls. 57/58): [...] Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 6 5 A multa isolada, após ter sido mantida na decisão de primeira instância, foi mantida parcialmente pela decisão recorrida. Para os anoscalendário de 1997, foi afastada integralmente, porque não se apurou tributo a pagar ao final do anocalendário. Para o anocalendário de 1999, também foi afastada a autuação porque se apurou prejuízo fiscal em 31 de dezembro. Para os anoscalendário de 2000 e 2001, a decisão recorrida manteve a autuação fiscal até o limite apurado de IRPJ a pagar, pautandose nas seguintes conclusões (efls. 3223/3225): [...] Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 7 6 observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 8 7 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano calendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, não obstante as substanciosas argumentações da decisão recorrida, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa isolada para o anocalendário de 1997 porque a contribuinte, ao final do anocalendário, não apurou lucro, e para o anocalendário de 1999 porque a contribuinte não apurou tributo a pagar. Tampouco carece de base legal limitar a aplicação de multa isolada ao valor de imposto apurado ao final do anocalendário, como ocorreu para os anoscalendário de 2000 e 2001. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 9 8 Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. A presente declaração de voto se faz necessária tendo em vista que, em relação à matéria objeto do recurso especial ora sob exame, passo a adotar entendimento distinto daquele por mim acolhido no âmbito de alguns antigos acórdãos. A matéria trazida à apreciação desta 1ª Turma diz respeito à divergência interpretativa quanto à exigência de multa isolada imposta pela autoridade fiscal por falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ devidas. Inicialmente considero importante registrar que, conforme bem enfatizado pelo Relator, no presente caso a multa isolada foi imposta sobre os valores das estimativas já declaradas pelo sujeito passivo, não alcançando os Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 10 9 valores referentes às provisões não autorizadas, objeto de lançamento de ofício para exigência de IRPJ e CSLL. Noutras palavras, não houve aqui exigência concomitante entre a multa isolada imposta por falta de pagamento de estimativas de IRPJ, e a multa de ofício imposta por falta de pagamento do IRPJ devido ao final dos respectivos anoscalendário, razão pela qual também não se aplica aqui o disposto na Súmula CARF nº 105. Pois bem, no caso a Turma recorrida afastou integralmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas ao longo dos anos de 1997 e 1999, e parcialmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas no decorrer dos anos de 2000 e 2001. Relativamente aos períodos objeto da presente autuação, acima mencionados, a referida multa isolada encontra previsão legal no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, o qual faz remissão ao art. 2º da mesma Lei, também na redação original, ambos a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 11 10 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; (g.n.) (...) Pelo exame do acórdão recorrido é possível resumir da seguinte maneira a interpretação que a Turma emprestou às normas acima reproduzidas: a) a multa isolada deve ser aplicada em caso de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e/ou CSLL devidas ao longo do anocalendário; b) todavia, encerrado o anocalendário, o valor total da multa isolada está limitado a 50% (percentual previsto na MP 351/2007, aplicado retroativamente) do valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do mesmo ano; c) como corolário da afirmativa acima, encerrado o ano calendário com apuração de prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, incabível a imposição de multa isolada pois inexistentes IRPJ e/ou CSLL devidos ao final do ano; d) entretanto, a multa isolada poderá ser imposta sem observância do afirmado nos itens "b" e "c", desde que o lançamento seja realizado antes de encerrado o respectivo anocalendário. Bem, como se verá a seguir, das quatro afirmações acima apenas aquela contida no item "a" é correta. As outras três ("b", "c" e "d") são incorretas. Da fato, a construção interpretativa levada a efeito pela Turma recorrida para chegar às conclusões contidas nos itens "b" e "c" retro parte do disposto no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 segundo o qual as multas ali previstas (isoladas ou não) só podem incidir sobre o valor do "tributo ou contribuição". E como a Turma recorrida entendeu que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição", concluiu que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, não poderia incidir sobre o valor daquelas estimativas. A multa, assim, incidiria sobre um valor equivalente ao da estimativa mensal, desde que tal valor não ultrapassasse o valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "b"). E acaso apurado prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, a multa isolada sequer poderia ser exigida, pois inexistentes IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "c"). Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 12 11 Ocorre que, embora sob o ponto de vista científico até seja possível considerarse correta a premissa de que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição" (e não estou afirmando aqui que são, ou que não são), o fato iniludível é que a própria Lei nº 9.430/96, ao se referir àquelas estimativas mensais, expressamente às denominou de "imposto" ou "contribuição" mensais, com vistas a distinguilas do imposto e da contribuição devidos ao final do ano calendário. Vejamos novamente o que estabelece o art. 2º: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (g.n.) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (g.n.) Como dito, a norma acima textualmente denomina as estimativas mensais de IRPJ como "imposto". E não é só. Outras normas da mesma Lei, ao se referirem às estimativas mensais de IRPJ previstas no art. 2º, expressamente às denominam de "imposto", senão vejamos: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. (g.n.) (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. (g.n.) (...) Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 13 12 Quanto às estimativas mensais de CSLL, o art. 30 da Lei nº 9.430/96 textualmente denomina as estimativas mensais de CSLL como "contribuição social sobre o lucro líquido". Vejamos: Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. (g.n.) (...) Ora, se a própria Lei nº 9.430/96, em diversos de seus artigos, expressamente conferiu às estimativas mensais de IRPJ e CSLL a denominação de "imposto" ou "contribuição", a Turma recorrida jamais poderia interpretar as expressões "imposto de renda", "contribuição social sobre o lucro líquido" e apurados "na forma do art. 2º", todas contidas no art. 44, § 1º, IV daquela Lei, como se tais expressões se referissem ao IRPJ e à CSLL devidos ao final do anocalendário, e não às próprias estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Essa premissa inicial equivocada, de que ao empregar as expressões "imposto de renda" e "contribuição social sobre o lucro líquido" o art. 44, § 1º, IV não poderia estar se referindo às estimativas mensais, mas sim ao IRPJ e à CSLL devidos final do ano, causou grande dificuldade à Turma recorrida para interpretar a parte final daquela mesma norma, à qual estabelece que a multa isolada é exigida "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente". Foi a partir da dificuldade da Turma recorrida em compatibilizar essa (equivocada) premissa inicial com a parte final da norma que surgiu a "interpretação", descrita na afirmativa "d" retro, segundo à qual na hipótese de a autuação ser realizada no decorrer do próprio ano calendário (e só nessa hipótese) a multa isolada poderá incidir sobre o valor das estimativas mensais, sem qualquer limitação aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano, já que no decorrer do anocalendário a fiscalização não poderia saber qual o valor de IRPJ ou CSLL seriam devidos ao final do ano, se é que algum valor seria devido. Ocorre que essa imaginativa "interpretação" do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 levou à Turma recorrida a violar a sua própria premissa inicial, que tanto lhe era cara. De fato, veja que a premissa inicial da Turma (a multa isolada não pode incidir sobre o valor da estimativa mensal, pois esta não é tributo ou contribuição) colide frontalmente com Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 14 13 a afirmativa "d" (a multa isolada incide sobre a estimativa mensal, desde que a autuação seja realizada ao longo do ano calendário respectivo). Ora, o fato de a autuação ser realizada no decorrer do anocalendário nada pode dizer sobre a natureza do valor sobre o qual incide a multa isolada (se sobre o valor das estimativas ou sobre o valor do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano). Em verdade, como sugerido antes, a correta interpretação do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 deve levar em consideração o fato de que essa Lei, em diversos momentos, denominou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL como "imposto" ou "contribuição". E ainda que seja possível afirmarse que essa denominação não seja cientificamente correta (e, novamente, não acolho nem afasto aqui essa proposição), o fato é que, como essa denominação foi empregada ao longo do texto legal, não haveria razão para o intérprete deixar de considerála justamente ao examinar a multa isolada de que trata o art. 44. Somese a isso o fato de que, ao empregarse a denominação legal (estimativa mensal como "imposto" ou "contribuição"), a interpretação do art. 44 tornase linguisticamente muito mais fluida (ao contrário do esforço interpretativo hercúleo empreendido pela Turma recorrida), além de consentânea com a finalidade da multa isolada, que é de reprimir a falta dos pagamentos mensais por estimativa. Tendo em vista o exposto, voto por manter integralmente as exigências das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ verificada ao longo dos anos de 1997, 1999, 2000 e 2001. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Adoto os mesmos fundamentos acima transcritos, para dizer que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, de não se estar exigindo débito de IRPJ em relação ao ajuste anual daquele período. Finalmente, cabe registrar que o recurso voluntário continha argumentos cuja análise restou prejudicada em razão do que foi decidido na segunda instância, conforme aponta o próprio voto condutor do acórdão recorrido: Por fim, deve ser ressaltado que fica prejudicada a análise dos demais argumentos tecidos pela recorrente, uma vez que a exigência deve ser integralmente cancelada. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11065.005020/200471 Acórdão n.º 9101003.863 CSRFT1 Fl. 15 14 Entre esses argumentos, está a alegação de que a contribuinte "compensou o IRPJ com o imposto a recuperar, relativo ao IR sobre aplicação financeira processo administrativo n° 13403.000148/8661 no total de R$ 7.510,41, informados em balancete sintético e razão analítico, tornando, assim, o imposto pago". Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar o fundamento pelo qual o acórdão recorrido cancelou a multa isolada, determinando que os autos sejam devolvidos à Turma Ordinária para o exame das matérias suscitadas no recurso voluntário e não apreciadas naquela fase processual em razão do que lá foi decidido. Em síntese, voto por DAR provimento ao recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. (...) Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, voto por DAR provimento ao recurso especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720164/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/12/2006
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/12/2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/12/2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 64 /2 00 9- 84 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10830.720164/200984 Acórdão n.º 3402005.839 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.356. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.720164/200984 Acórdão n.º 3402005.839 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10830.720164/200984 Acórdão n.º 3402005.839 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.720164/200984 Acórdão n.º 3402005.839 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.005486/2001-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO.
Não se configura contraria à lei ou à evidência das provas, decisão baseada na aferição, pela Turma Julgadora, dos elementos de prova carreados aos autos, devidamente referidos na fundamentação legal do julgado.
Numero da decisão: 9202-007.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. Não se configura contraria à lei ou à evidência das provas, decisão baseada na aferição, pela Turma Julgadora, dos elementos de prova carreados aos autos, devidamente referidos na fundamentação legal do julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. Não se configura contraria à lei ou à evidência das provas, decisão baseada na aferição, pela Turma Julgadora, dos elementos de prova carreados aos autos, devidamente referidos na fundamentação legal do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 54 86 /2 00 1- 91 Fl. 1189DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Intermo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147, de 2007 c/c o art. 4º do Regimento Intero do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 2009 em face do Acórdão nº 340100.102, proferido na Sessão de 02 de junho de 2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SPBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A. DESCOBERTO. PROVAS. Quando, em um mesmo procedimento fiscal, um documento particular é apto a comprovar um determinado dispêndio, deve um outro documento igualmente particular ser também suficiente para comprovar uma origem. É vedado à autoridade fiscal aplicar entendimentos diversos a documentos que tenham o mesmo valor probante. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL À DESCOBERTO. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento com base na apuração de variação patrimonial a descoberto. IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. TAXA SELIC. Em atenção à Súmula n° 04 deste Primeiro Conselho, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. Recurso provido parcialmente. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para considerar como origem de recursos o valor de R$ 813.571,20, em 12/1996, nos termos do voto da Relatora, vencidas as Conselheiras Ana Neyle Olimpio Holanda e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negavam provimento ao recurso. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 15374.005486/200191 Acórdão n.º 9202007.223 CSRFT2 Fl. 3 3 O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: possibilidade de comprovação de origens de patrimônio adquirido no Brasil de empréstimos realizados no exterior, quando não comprovado o ingresso dos recursos no país. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o acréscimo patrimonial à descoberto é verificado pelo confronto das mutações patrimoniais com os rendimentos tributáveis declarados, os rendimentos isentos e não tributáveis e os rendimentos tributados exclusivamente na fonte; que a Fiscalização apurou acréscimo patrimonial à descoberto referente ao mês de dezembro de 2007, pois entendeu não comprovado empréstimo realizado junto ao Fonte Overseas Bank Ltda, instituição financeira sediada nas Bahamas, a qual teria dado suporte à operação de compra da participação societária; que os ingressos referentes ao tal empréstimo não ingressaram no Brasil e, portanto, não poderiam justificar a origem de aplicações em dispêndios realizados no Brasil; que, embora o Contribuinte alegue que os recursos referentes ao empréstimo não ingressaram no país, pois pagaram pela aquisição das ações no exterior, o próprio contrato de compra e venda da participação societária previa que o pagamento seria feito no País e em moeda nacional; que caberia ao contribuinte o ônus da prova de suas alegações de que os pagamentos foram feitos em moeda estrangeira. Cientificado do Despacho que deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Como se colhe do relatório, tratase de recurso por contrariedade à lei ou à evidência da prova, com fundamento art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Intermo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147, de 2007 c/c o art. 4º do Regimento Intero do CARF. A questão diz respeito à aquisição de participação societária no Brasil, alegadamente liquidada com recursos provenientes de empréstimo realizado no exterior sem que os recursos tenham ingressado no Brasil. O Fundamento da autuação e da decisão de primeira instância para não admitir os valores dos empréstimos como origem foi o de que os Fl. 1191DF CARF MF 4 recursos não ingressaram no Brasil e, de acordo com o contrato de compra e venda da participação societária, os pagamentos seriam realizados no País e em moeda nacional. Ainda na fase impugnatória, todavia, o Contribuinte apresentou documentos que comprovariam que, apesar do Contrato de compra e venda, o pagamento foi realizado mediante transferência direta do Banco, onde foi realizado o empréstimo, diretamente para o alienante (Declaração efls. 799). Também foram apresentados outros documentos que infirmariam o fundamento da autuação de que não estaria comprovada a efetividade do empréstimo, por meio de instrumento hábil e idôneo. Os mesmos documentos foram apresentados quando da interposição do Recurso Voluntário. No Acórdão Recorrido, por sua vez, se acolheu como boas as provas carreadas aos autos, tanto da compra da participação societária quanto do empréstimo e da forma de pagamento. São estes os fundamentos da decisão: Para comprovar suas alegações, o Recorrente trouxe aos autos cópia dos extratos bancários de sua conta e também da conta do Sr. Carlos Camacho ambas mantidas no exterior extratos estes que demonstram, de fato, a movimentação alegada entre tais contas. Além destes documentos, consta dos autos o contrato de mútuo (fls. 61/64), o qual demonstra que o montante pactuado a este título era de US$ 813.571,20, e que a data para sua liquidação seria 26.02.1997. Não há, no mesmo, menção ao local em que este valor seria entregue. Já o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações, por outro lado, estabelece que o preço de compra das ações será de R$ 813.571,20, e será pago "em moeda corrente nacional". Este contrato foi pactuado no Rio de Janeiro, e não faz qualquer menção a pagamento das ações no exterior. Estas são as provas dos autos, a serem analisadas em sede deste Recurso Voluntário. Porém, antes de analisar a validade de toda a documentação acostada aos autos, é preciso chamar a atenção para os fatos que originaram tal parcela do lançamento. O Recorrente declarou, tempestivamente, em sua DIRPF 1997 a compra de ações e também o mútuo tomado do referido banco no exterior. Com o início do procedimento fiscal, foi ele intimado a apresentar o contrato de compra e venda das ações e também o contrato de mútuo. Apresentou então documentos particulares que atestavam a realização de ambas as operações. [...] Além de todos os argumentos acima expostos, milita em favor do Recorrente o fato de o mesmo ter declarado de forma tempestiva tanto a aquisição das ações quanto a obtenção do referido mútuo. Diante do exposto, deve ser excluído do quadro de variação patrimonial o dispêndio relativo à compra das mencionadas ações, já que o mútuo não foi considerado como origem de recursos. (destaquei) Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 15374.005486/200191 Acórdão n.º 9202007.223 CSRFT2 Fl. 4 5 Como se vê, o acórdão recorrido decidiu em favor das alegações da defesa por acolher as provas apresentadas. Poderia, é certo, no caso de dúvidas quanto à idoneidade dos documentos apresentados pelo Contribuinte, determinar a realização de diligência para confirmar ou infirmar essa idoneidade. O que não poderia, a meu juízo, é simplesmente desconsiderar os documentos apresentados pela defesa e simplesmente decidir pela ausência de provas dos fatos alegados. Nessas condições, entendo que o acórdão recorrido não decidiu contrariamente à lei ou às provas carreadas aos autos. Ao contrário, decidiu de acordo com sua avaliação quanto ao valor probante dos elementos apresentados. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.732666/2013-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
NULIDADE DE LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. NÃO DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ELEMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SUBORDINAÇÃO.
A deficiência da fiscalização em demonstrar a relação empregatícia, a qual exige de demonstração inequívoca de todos os elementos do vínculo, consiste em vício irreparável ao lançamento, eis que materialmente este não se sustenta.
Numero da decisão: 9202-007.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NULIDADE DE LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. NÃO DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ELEMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SUBORDINAÇÃO. A deficiência da fiscalização em demonstrar a relação empregatícia, a qual exige de demonstração inequívoca de todos os elementos do vínculo, consiste em vício irreparável ao lançamento, eis que materialmente este não se sustenta.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.732666/201350 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.126 – 2ª Turma Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TSA TECNOLOGIA DE SISTEMAS DE AUTOMACAO SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NULIDADE DE LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. NÃO DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ELEMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SUBORDINAÇÃO. A deficiência da fiscalização em demonstrar a relação empregatícia, a qual exige de demonstração inequívoca de todos os elementos do vínculo, consiste em vício irreparável ao lançamento, eis que materialmente este não se sustenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 26 66 /2 01 3- 50 Fl. 2997DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2401004.063, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de créditos constituídos pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 221/236), referemse aos autos de infração abaixo relacionados, relativos ao período de 01/2009 a 12/2010, a saber: AI nº 51.041.3641, no valor de R$ 1.748.604,57, acrescido de juros e multa de ofício, através do qual foi apurada a contribuição previdenciária da parte patronal e aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. AI n° 51.056.4160, no valor de R$ 228.682,47, acrescido de juros e multa de ofício, através do qual foi apurada a contribuição previdenciária devida, mas não descontada dos segurados. AI nº 51.056.4178, no valor de R$ 453.301,59, acrescido de juros e multa de ofício, através do qual foi apurada a contribuição social destinada a outras entidades e fundos, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. AI n° 51.041.3633, valor original de R$ 500,00, referente ao descumprimento de obrigação acessória pelo fato de a empresa ter apresentado GFIP com informações inexatas/omissas (CFL 78), na competência 11/2008. Apresentada impugnações para cada Auto de Infração, às fls. 2521; 2587; 2623 e 2670. A Delegacia da Receita Previdenciária, às fls. 2716/2734, julgou no sentido de negar provimento à impugnação apresentada pela empresa autuada, mantendo em sua totalidade o crédito tributário apurado pela fiscalização. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 2769 e ss. Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 15504.732666/201350 Acórdão n.º 9202007.126 CSRFT2 Fl. 10 3 A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 2835/2845, DEU PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CARACTERIZAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS PRESTADORAS DE SERVIÇO COMO EMPREGADOS DA TOMADORA. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA E PORMENORIZADA DOS FATOS E CARACTERÍSTICAS DE CADA UMA DAS PESSOAS JURÍDICAS À PESSOA JURÍDICA APONTADA COMO EMPREGADORA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. Deixando o AFRFB de comprovar, pormenorizadamente, a caracterização de cada uma das pessoas jurídicas prestadoras de serviço como empregados da tomadora, implicase na improcedência do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, ante a ausência de comprovação do fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 2847/2857, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Inexistêcia de Vício/Vício formal versus vício material: a decisão a quo considerou que a autoridade fiscal não demonstrou a subordinação, requisito essencial para a configuração do segurado como empregado. Nesse contexto, decidiu anular o lançamento em face de vício qualificado como material. Diversamente, o acórdão paradigma, diante da constatação de ausência de detalhamento do elemento subordinação, indispensável para a caracterização do segurado como empregado, resolveu o Colegiado anular o lançamento, conceituandoo, entretanto, como vício formal. Às fls. 2860/2864, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência proposta pela União. Intimado à fl. 2867, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 2871 e ss., às fls. 2885 e ss., às fls. 2899 e ss., às fls. 2913 e ss., às fls. 2927 e ss., às fls. 2941 e ss., às fls. 2955 e ss., às fls. 2969 e ss., às fls. 2983 e ss., alegando, preliminarmente, não cumprimento dos pressupostos de cabimento do Recurso Especial, tendo em vista que (i) não foram juntados aos autos nenhum dos documentos previstos no § 9º do art. 67 do atual Regimento Interno do CARF, (ii) a PFN não logrou êxito em comprovar qual dispositivo legal estaria sendo interpretado de maneira divergente, (iii) e a suposta divergência jurisprudencial não restou demonstrada, dado que o seu Recurso Especial tem como paradigmas decisões que possuem circunstâncias fáticas completamente diferentes, descumprindo, com isso, os rígidos pressupostos de cabimento do apelo especial, o seu recurso não pode ser sequer conhecido. No mérito, reforçou os argumentos expostos pela decisão recorrida, requerendo a negativa de provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 2999DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 2871 e ss., às fls. 2885 e ss., às fls. 2899 e ss., às fls. 2913 e ss., às fls. 2927 e ss., às fls. 2941 e ss., às fls. 2955 e ss., às fls. 2969 e ss., às fls. 2983 e ss., alegando, preliminarmente, não cumprimento dos pressupostos de cabimento do Recurso Especial, tendo em vista que (i) não foram juntados aos autos nenhum dos documentos previstos no § 9º do art. 67 do atual Regimento Interno do CARF, (ii) a PFN não logrou êxito em comprovar qual dispositivo legal estaria sendo interpretado de maneira divergente, (iii) e a suposta divergência jurisprudencial não restou demonstrada, dado que o seu Recurso Especial tem como paradigmas decisões que possuem circunstâncias fáticas completamente diferentes, descumprindo, com isso, os rígidos pressupostos de cabimento do apelo especial, o seu recurso não pode ser sequer conhecido Importante registrar pontualmente que as alegações do Contribuinte não merecem prosperar. A Fazenda Nacional em seu Recurso Especial cumpre o disposto no § 11 art. 67 do atual Regimento Interno do CARF, de forma que a transcrição da ementa corresponde a uma das formas de demonstração do paradigma. Embora o argumento da PGFN seja tratado de forma genérica, foi recepcionada na admissibilidade a tese jurídica, o que é de praxe neste Tribunal, quando já há em grande escala a discussão de duas determinadas teses e o Recurso sobre para uniformizálas com frequência. Da análise comparada do acórdão recorrido com acórdão paradigma há demonstração nítida de divergência, pois a mesma situação (caso concreto) foi analisada e apontado como vício material no acórdão recorrido e como vício formal no acórdão paradigma. Motivos pelos quais conheço do Recurso Especial interposto. DO MÉRITO Tratase de créditos constituídos pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 221/236), referemse aos autos de infração abaixo relacionados, relativos ao período de 01/2009 a 12/2010, a saber: AI nº 51.041.3641, no valor de R$ 1.748.604,57, acrescido de juros e multa de ofício, através do qual foi apurada a contribuição previdenciária da parte patronal e aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 15504.732666/201350 Acórdão n.º 9202007.126 CSRFT2 Fl. 11 5 AI n° 51.056.4160, no valor de R$ 228.682,47, acrescido de juros e multa de ofício, através do qual foi apurada a contribuição previdenciária devida, mas não descontada dos segurados. AI nº 51.056.4178, no valor de R$ 453.301,59, acrescido de juros e multa de ofício, através do qual foi apurada a contribuição social destinada a outras entidades e fundos, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. AI n° 51.041.3633, valor original de R$ 500,00, referente ao descumprimento de obrigação acessória pelo fato de a empresa ter apresentado GFIP com informações inexatas/omissas (CFL 78), na competência 11/2008. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência sobre Inexistêcia de Vício/Vício formal versus vício material. Para o melhor deslinde da questão é importante observar a questão de prova bem delimitada e decidida pelo acórdão do colegiado a quo: Assim, entendo que o presente Auto de Infração de obrigação principal, por ausência de fundamentação legal adequada da fiscalização, em especial a indicação da ocorrência do fato gerador, fere o lançamento tributário, por ausência de cumprimento de requisito intrínseco ao lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, entendo não presente a correta comprovação do fato gerador, qual seja, a relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas apontadas pela fiscalização e a empresa recorrente, motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material. Diante disso, o acórdão recorrido decidiu por tornar insubsistente o lançamento fiscal, nos seguintes termos: Conclusão: ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o lançamento fiscal. A Fazenda Nacional insurgese, não quanto a comprovação do elemento de subordinação, mas sim quanto ao apontamento da natureza do vício como material. A Fazenda Nacional argumenta que o correto seria, nos mesmo termos do paradigma, anular o lançamento em face de deficiência na atividade da autoridade fiscal, conceituando, entretanto, tal vício como formal, permitirá o reinício do prazo para lançamento, nos termos do art. 173, II, do CTN (relançamento). Fl. 3001DF CARF MF 6 Em que pese o argumento da Fazenda Nacional, entendo que a deficiência da fiscalização em demonstrar a relação empregatícia, a qual prescinde de demonstração inequívoca dos elementos do vínculo, consiste em vício irreparável ao lançamento, eis que materialmente este não se sustenta. A maioria do colegiado, no entanto, por voto de qualidade defende que em razão dos documentos apresentados, não havia como se considerar a relação de emprego, motivo pelo qual não restou demonstrado o fato gerador, sem a necessidade de enfrentar a questão de vício. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 3002DF CARF MF
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