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Numero do processo: 10280.722248/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.488
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
RELATÓRIO
Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis:
Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não-Cumulativa, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos ao 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 34.392.848,75. Também consta dos autos declarações de compensação vinculadas aos créditos em tela.
A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o relatório fiscal e o auto de infração de fls. 371/376, seguido do despacho decisório de fl. 379, do parecer de fls. 381/382 e novamente do despacho decisório de fl. 383, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 32.243.950,31, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os seguintes os fundamentos adotados pelas autoridades fiscais:
a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS ( Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima.
b) CRÉDITOS DECORRENTES DE COMPRAS DE INSUMOS (Peças e Partes de Reposição) do período de janeiro/2005 e novembro de 2006, OBJETO DA GLOSA: Foram glosados as notas fiscais referentes a peças e partes de reposição, para máquinas empregadas diretamente na produção, consideradas como insumos, produtos estes que estão em desacordo com o disposto no art. 3o , inciso II da Lei 10.833/2003, e Normas relacionadas: Soluções de Divergência COSIT n° 12 de 24/10/2007, n° 14 de 31/10/2007, n° 15 de 21/11/2007, n° 12 de 08/04/2008 e n° 35 de 29/09/2008, a relação das notas fiscais objeto da glosa conforme detalhamento na planilha anexa às fls. 288 a 361.
c) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004- as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços, contrariando, dessa feita, o disposto legal supra-citdado, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão anexadas às fls. 137 e 138 (outubro/2006) , 210 a 212 (novembro/2 006), 283 a 287 (dezembro/2006);
d) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DA GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo, denominadas:
- Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2006 (fls. 97 a 130;
- Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos);
- Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006, (1/12 avos);
- Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), out/2006 fls. 135, nov/2006 fls. 207, dez/2006 fls. 281, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , inciso I e § 2°, I da IN 457/04, Lei 11.196/2005, Dec. 5.789/06, Dec 5.988/06, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007.
Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 407/495, na qual alega:
a) Foram glosados créditos gerados pelos serviços empregados como insumos, mais especificamente o Transporte e Co- processamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda.
b) Por derradeiro, glosara-se os créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado.
c) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e co-processamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio rejeito que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtar-se a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte, são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Tratam-se os itens mencionados acima, de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a não-cumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis.
d) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da COFINS, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. Refere solução de consulta.
e) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes, não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente, quanto ao transporte e co-processamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio que são resíduos industriais decorrentes de consumo/aplicação direta ao processo produtivo do alumínio. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que a Albrás é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado motivar tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados.
f) Cabe voltar-nos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizando-se ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reitere-se, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Parecer SEORT que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendo-se objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção da alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida.
g) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da não-cumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não-cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçando-lhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeu-o pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da não-cumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o Auditor-Fiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornando-o mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriando-se dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 - para os setores previstos em lei, as contribuições serão não-cumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária.
h) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerando-se a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico
A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 01-22561, de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo:
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.
A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária.
PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional.
PAF. PERÍCIA. REQUISITOS.
Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS.
No cálculo da Cofins Não-Cumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.
Na não-cumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados a venda.
Descontente com o indeferimento de sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando ipsis litteris os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que peço vênia para não reproduzi-los.
Ressalto que não houve pedido de perícia.
Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para seja acolhidas as razões constantes no recurso voluntário, para o fim de desconstituir as glosas objeto do despacho decisório, objeto desta lide.
É o relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
RELATÓRIO
Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis:
Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não-Cumulativa, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos ao 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 34.392.848,75. Também consta dos autos declarações de compensação vinculadas aos créditos em tela.
A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o relatório fiscal e o auto de infração de fls. 371/376, seguido do despacho decisório de fl. 379, do parecer de fls. 381/382 e novamente do despacho decisório de fl. 383, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 32.243.950,31, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os seguintes os fundamentos adotados pelas autoridades fiscais:
a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS ( Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima.
b) CRÉDITOS DECORRENTES DE COMPRAS DE INSUMOS (Peças e Partes de Reposição) do período de janeiro/2005 e novembro de 2006, OBJETO DA GLOSA: Foram glosados as notas fiscais referentes a peças e partes de reposição, para máquinas empregadas diretamente na produção, consideradas como insumos, produtos estes que estão em desacordo com o disposto no art. 3o , inciso II da Lei 10.833/2003, e Normas relacionadas: Soluções de Divergência COSIT n° 12 de 24/10/2007, n° 14 de 31/10/2007, n° 15 de 21/11/2007, n° 12 de 08/04/2008 e n° 35 de 29/09/2008, a relação das notas fiscais objeto da glosa conforme detalhamento na planilha anexa às fls. 288 a 361.
c) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004- as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços, contrariando, dessa feita, o disposto legal supra-citdado, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão anexadas às fls. 137 e 138 (outubro/2006) , 210 a 212 (novembro/2 006), 283 a 287 (dezembro/2006);
d) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DA GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo, denominadas:
- Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2006 (fls. 97 a 130;
- Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos);
- Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006, (1/12 avos);
- Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), out/2006 fls. 135, nov/2006 fls. 207, dez/2006 fls. 281, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , inciso I e § 2°, I da IN 457/04, Lei 11.196/2005, Dec. 5.789/06, Dec 5.988/06, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007.
Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 407/495, na qual alega:
a) Foram glosados créditos gerados pelos serviços empregados como insumos, mais especificamente o Transporte e Co- processamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda.
b) Por derradeiro, glosara-se os créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado.
c) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e co-processamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio rejeito que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtar-se a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte, são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Tratam-se os itens mencionados acima, de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a não-cumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis.
d) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da COFINS, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. Refere solução de consulta.
e) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes, não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente, quanto ao transporte e co-processamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio que são resíduos industriais decorrentes de consumo/aplicação direta ao processo produtivo do alumínio. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que a Albrás é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado motivar tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados.
f) Cabe voltar-nos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizando-se ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reitere-se, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Parecer SEORT que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendo-se objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção da alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida.
g) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da não-cumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não-cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçando-lhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeu-o pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da não-cumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o Auditor-Fiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornando-o mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriando-se dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 - para os setores previstos em lei, as contribuições serão não-cumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária.
h) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerando-se a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico
A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 01-22561, de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo:
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.
A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária.
PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional.
PAF. PERÍCIA. REQUISITOS.
Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS.
No cálculo da Cofins Não-Cumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.
Na não-cumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados a venda.
Descontente com o indeferimento de sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando ipsis litteris os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que peço vênia para não reproduzi-los.
Ressalto que não houve pedido de perícia.
Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para seja acolhidas as razões constantes no recurso voluntário, para o fim de desconstituir as glosas objeto do despacho decisório, objeto desta lide.
É o relatório.
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S3C4T2
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S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10280.722248/200926
Recurso nº Voluntário
Resolução nº 3402000.488 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária
Data 27 de novembro de 2012
Assunto Solicitação de Diligência
Recorrente ALBRAS ALUMINIO BRASILEIRO S/A
Recorrida Delegacia Federal do Brasil de Julgamento Belém (PA)
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção
de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência,
nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos
Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva,
Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
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Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2
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Processo nº 10280.722248/200926
Resolução nº 3402000.488
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Fl. 101
2
RELATÓRIO
Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso
voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis:
Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não
Cumulativa, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos
ao 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 34.392.848,75. Também consta
dos autos declarações de compensação vinculadas aos créditos em
tela.
A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a
apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o relatório
fiscal e o auto de infração de fls. 371/376, seguido do despacho
decisório de fl. 379, do parecer de fls. 381/382 e novamente do
despacho decisório de fl. 383, por intermédio dos quais reconheceu
apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 32.243.950,31,
homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os
seguintes os fundamentos adotados pelas autoridades fiscais:
a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS ( Outros)
OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a
refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de
manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos
superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa
acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa
estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes
referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como
insumos, conforme já exposto acima.
b) CRÉDITOS DECORRENTES DE COMPRAS DE INSUMOS (Peças
e Partes de Reposição) do período de janeiro/2005 e novembro de
2006, OBJETO DA GLOSA: Foram glosados as notas fiscais referentes
a peças e partes de reposição, para máquinas empregadas diretamente
na produção, consideradas como insumos, produtos estes que estão em
desacordo com o disposto no art. 3o , inciso II da Lei 10.833/2003, e
Normas relacionadas: Soluções de Divergência COSIT n° 12 de
24/10/2007, n° 14 de 31/10/2007, n° 15 de 21/11/2007, n° 12 de
08/04/2008 e n° 35 de 29/09/2008, a relação das notas fiscais objeto da
glosa conforme detalhamento na planilha anexa às fls. 288 a 361.
c) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO
INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n°
404/ 2004 as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação
em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta
fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na
prestação de serviços, contrariando, dessa feita, o disposto legal
supracitdado, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão
anexadas às fls. 137 e 138 (outubro/2006) , 210 a 212 (novembro/2
006), 283 a 287 (dezembro/2006);
d) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO
DA GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo,
denominadas:
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Resolução nº 3402000.488
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Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para
Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na
Prestação de Serviços 2004, 2005, 2006 (fls. 97 a 130;
Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos);
Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006, (1/12
avos);
Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado),
out/2006 fls. 135, nov/2006 fls. 207, dez/2006 fls. 281, elaborados por
esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação
acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem
de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , inciso I e § 2°, I
da IN 457/04, Lei 11.196/2005, Dec. 5.789/06, Dec 5.988/06, como
também as edificações e instalações, que se referem a produtos só
abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007,
conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007.
Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação
de inconformidade de fls. 407/495, na qual alega:
a) Foram glosados créditos gerados pelos serviços empregados como
insumos, mais especificamente o Transporte e Co processamento de
RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado,
Processamento de Borra de Alumínio, sob o fundamento de que não se
enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na
produção dos bens destinados à venda.
b) Por derradeiro, glosarase os créditos relacionados a despesas e ou
encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de
produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive
máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao
Ativo Imobilizado.
c) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual
dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e,
centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente
é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que
igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a
estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos
das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e
comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como
insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente
empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo
produtivo, particularmente o de transporte e coprocessamento de
RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado,
Processamento de Borra de Alumínio – rejeito que se cuida de um
resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido.
Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento
dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são
sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e
exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com
este transporte, são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Tratamse
os itens mencionados acima, de produtos que tem utilidade direta no
processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa
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indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo
contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais
registrar que a legislação que veicula a nãocumulatividade prescinda
de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos.
Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de
modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de
exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de
transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da
legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não
podem ser recusados enquanto serviços creditáveis.
d) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo
Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos
com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente
considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens,
inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo
imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das
bases apuratórias da COFINS, logo descabe, igualmente, a glosa sobre
o ativo imobilizado. Refere solução de consulta.
e) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa
ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto
de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou
serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam
insumos empregados na prestação de serviços e produção ou
fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive
combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando
as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de
regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de
créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios,
não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas
ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho
de Contribuintes, não tergiversa em rever glosas como as que foram
equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente
mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos
com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso
vertente, quanto ao transporte e coprocessamento de RGC, Transporte
de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de
Alumínio que são resíduos industriais decorrentes de
consumo/aplicação direta ao processo produtivo do alumínio. Refere e
transcreve excertos de julgados administrativos. Aduz que, para o
afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de
ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003,
uma vez que a Albrás é uma sociedade empresária comercial
exportadora. Ora, a dicção do § 3º não permite que remanesça
qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento,
como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e
encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que
digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do
alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando
mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério
da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que
tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha
logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade
legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também
Fl. 640DF CARF MF
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transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e
salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as
soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a
ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços
glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de
contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também
sob tal viés não poderiam ter sido glosados.
f) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e
equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo
imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza,
considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. O
Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21
de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e
desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo
de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por
pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas
das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela
reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado
não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e
equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da
requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria
observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não
teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do
crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos
adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés
da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas
e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que,
data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade
Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de
depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo
de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente,
de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta
apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o
mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas,
seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente,
efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos
adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a
periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência
supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do
processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e
equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora
minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante
as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser
inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta
exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido
reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se
enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo
Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda,
restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos,
construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a
inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e
equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento
aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da
razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos,
Fl. 641DF CARF MF
Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2
5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Processo nº 10280.722248/200926
Resolução nº 3402000.488
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ao menos referidos em uma planilha anexa ao Parecer SEORT que
permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais
máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O
que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como
máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e
empregados na produção da alumínio destinado à venda, respeitada a
periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se
desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em
cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa
descabida.
g) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário
relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins,
concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não
cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com
precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela
EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação
infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC,
pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores
da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre
determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais
destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções
Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da
nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional,
evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a
restrição e muito menos ainda o AuditorFiscal, restringir a restrição
da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação
magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo
mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das
mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da
impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora
extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente
as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados
apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos
diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e
irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores
previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples.
Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se
insurge. Cita posição doutrinária.
h) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem
suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita
contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela
N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva
utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação
direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já
indicando Assistente técnico
A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade
procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0122561, de 09 de agosto de 2011, cuja
ementa abaixo transcrevo:
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
Cofins
Fl. 642DF CARF MF
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CÓ
PI
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2
5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Processo nº 10280.722248/200926
Resolução nº 3402000.488
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Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE.
ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.
A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a
argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que
integram a legislação tributária.
PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não
possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação
tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário
Nacional.
PAF. PERÍCIA. REQUISITOS.
Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender
aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972.
COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS.
No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser descontados
créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim
entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção
ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam
incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados
por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na
produção ou fabricação do produto.
COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS
DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.
Na nãocumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar
créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização,
incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens
incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização
na produção de bens destinados a venda.
Descontente com o indeferimento de sua manifestação de inconformidade, o
sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando ipsis litteris os argumentos
apresentados na manifestação de inconformidade, que peço vênia para não reproduzilos.
Ressalto que não houve pedido de perícia.
Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para
seja acolhidas as razões constantes no recurso voluntário, para o fim de desconstituir as glosas
objeto do despacho decisório, objeto desta lide.
É o relatório.
Fl. 643DF CARF MF
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Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2
5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Processo nº 10280.722248/200926
Resolução nº 3402000.488
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VOTO
Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.
A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como
dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a
apreciar.
A Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que
para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na
produção ou fabricação do bem. Conceito parecido com o utilizado pelo Parecer Normativo
CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia
não se subsumirem a regra acima descrita.
Neste contexto foram glosados os custos de transporte e coprocessamento de
rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de
borra de alumínio e refratários e os respectivos transportes – planilhas fls. 97, 109 e 120/121 e
de transporte de rejeitos industriais. Além destas glosas, foram efetuadas exclusões referentes
aos custos com máquinas e equipamentos, aos custos com peças de manutenção e aos custos
alusivos às edificações.
Inconformado com todas essas glosas, o contribuinte apresentou recurso
detalhando o seu processo produtivo e esclareceu que as máquinas e equipamentos fazem parte
de seu parque produtivo e as edificações são os estabelecimentos que abrigam seu parque
industrial.
Ao meu sentir, o conceito utilizado de insumo utilizado pelo Legislador na
apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota
uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal
abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de
produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.
Por isso, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos
referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado
como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a
possibilidade de aproveitamento do crédito.
Retornando aos autos, para uma decisão justa e precisa, necessito que a Unidade
de Origem emita um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios
realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de
beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o
transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da
eventual inexistência desses gastos.
Necessito, outrossim, que sejam identificas as máquinas, os equipamentos e as
edificações do parque industrial do recorrente e seus os respectivos custos.
Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o
prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito.
Fl. 644DF CARF MF
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Processo nº 10280.722248/200926
Resolução nº 3402000.488
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Fl. 108
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Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para
prosseguimento do rito processual.
É como voto.
Sala das Sessões, em 27/11/2007
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Fl. 645DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.013475/00-25
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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Fl. 2
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CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS
Processo nº 10880.013475/0025
Recurso nº Extraordinário
Acórdão nº 9900000.604 – Pleno
Sessão de 29 de agosto de 2012
Matéria RESTITUIÇÃO
Recorrente FAZENDA NACIONAL
Recorrida LOJA DO PINTOR TINTAS E MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1995
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA
COMPROVADA.
Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito
(art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do
decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser
irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou
simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO
PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que
deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de
repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo
da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho
de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido
de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao
lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a
inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado,
pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de
inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se
considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se
tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC
118∕05 (09.06.2005).
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Fl. 1DF CARF MF
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No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da
vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a
contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez
anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito,
há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período
superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de
repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece
prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição
para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
Elias Sampaio Freire – Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas
Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza
Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da
Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos,
Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior,
Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique
Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria
Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia
Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Fl. 2DF CARF MF
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012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
Processo nº 10880.013475/0025
Acórdão n.º 9900000.604
CSRFPL
Fl. 3
3
Relatório
A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 03
06.089, proferido pela 3ª Turma da CSRF em 09/09/2008, interpôs, dentro do prazo regimental,
recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais.
A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso
especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para
apreciação do mérito. Segue abaixo sua ementa:
“FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o
conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a
autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que
tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a
declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta,
ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada
inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo
para o pedido de restituição começa a contar da data da
publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que
foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o
caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota
superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301
31.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado.”
A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge da
jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão
CSRF/0400.810), no ponto em que determinou que o prazo para restituição do indébito
tributário, nos casos de declaração de inconstitucionalidade, tem início no momento em que o
Poder Executivo reconhece não mais ser devida a malfadada exação.
Segue abaixo a ementa do paradigma:
“PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a
restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece
com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de
extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito
tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art.
165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do
Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador
Provido.” (AC CSRF/0400.810)
Explica que o voto condutor do aresto declinado como paradigma entende
que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o
decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo
irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro.
No mérito, pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do
CTN, constata que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo
Fl. 3DF CARF MF
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pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da
natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o
decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
Afirma que o Parecer COSIT n° 58/98, na qualidade de ato administrativo,
não tem o efeito de substituir a força cogente das normas dos arts. 165, inciso I, 168, inciso I e
156, inciso I, do CTN, que já se encontravam em vigor à época dos fatos analisados e que
também balizaram a edição do AD SRF n° 96/1999, cuja interpretação é a de que o prazo
qüinqüenal de restituição deve ser contado a partir da extinção do crédito tributário.
Diz que não há na lei qualquer autorização para se considerar um outro termo
inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte,
em detrimento do erário.
Observa que a decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado
no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a
declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição
do indébito.
Ao final, requer o provimento do presente recurso.
Nos termos do Despacho n.º 910000.079, foi dado seguimento ao pedido em
análise.
O contribuinte não apresentou contrarazões.
Eis o breve relatório.
Fl. 4DF CARF MF
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Processo nº 10880.013475/0025
Acórdão n.º 9900000.604
CSRFPL
Fl. 4
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Voto
Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator
Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao
apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e
II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão
paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento
inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito
tributário.
Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais
formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional.
O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que
deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito
para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º
118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado:
“DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA –
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº
118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA
JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA
VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO
PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS
PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE
2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a
orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os
tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para
repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados
do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos
arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora
tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação
normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato
gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei
supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo
jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de
violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a
lei expressamente interpretativa também se submete, como
qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza,
validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido
prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário
estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões
deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem
como a aplicação imediata às pretensões pendentes de
ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de
nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da
segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança
e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações
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inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da
norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente
às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento
consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do
Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos
contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo,
mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos
seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil,
pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a
aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida
sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral,
tampouco impede iniciativa legislativa em contrário.
Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da
LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de
5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio
legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.
Recurso extraordinário desprovido.”
O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido
de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por
homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do
tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de
inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o
crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos
efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005):
“TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO
INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO
MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ.
1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que,
"mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo
Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja
em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado
Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de
pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por
homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos,
contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir
da homologação tácita ou expressa."
2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese
da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é
aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da
prestação jurisdicional.
Agravo regimental improvido.”
(AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins)
“PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE
RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO.
TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP
(ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO
APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP
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Processo nº 10880.013475/0025
Acórdão n.º 9900000.604
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Fl. 5
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1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN
CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA
ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%.
1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela
Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos
seus recursos especiais.
2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no
julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos
"cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive
para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo
Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC,
Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em
25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel.
Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em
9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José
Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção,
julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006.
3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial
representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou
orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade
impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos
realizados após a sua vigência e não às ações propostas
posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma
referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual
da ação respectiva.
4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a
legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A]
autorização da Secretaria da Receita Federal constituía
pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte,
sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96,
em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão
público, compensáveis entre si"
(REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção,
DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC).
5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87%
em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em
substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP,
Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe
10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel.
Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no
REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda
Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro
Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010.
6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido
para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de
1991 pelo índice de 21,87%.
7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.”
Fl. 7DF CARF MF
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(AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito
Gonçalves)
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da
vigência da LC nº 118/2005 (31/08/2000), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a
contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez
anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se
concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período
superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o
pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o
decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda
Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do
contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 31/08/1990.
É como voto.
Elias Sampaio Freire
Fl. 8DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.004589/2004-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto Sobre A Propriedade Territorial RuralITR
Exercício: 2000
ITR AVERBAÇÃO
DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ISENÇÃO
PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de
cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel.
Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da
interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e
4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica
no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do
ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de
Averbação da Reserva Legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.007
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo
Oliveira.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
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ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
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Assunto: Imposto Sobre A Propriedade Territorial RuralITR
Exercício: 2000
ITR AVERBAÇÃO
DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ISENÇÃO
PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de
cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel.
Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da
interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e
4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica
no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do
ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de
Averbação da Reserva Legal.
Recurso especial negado.
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CSRFT2
Fl. 1
1
CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS
Processo nº 10675.004589/200478
Recurso nº 135.514 Especial do Procurador
Acórdão nº 920202.007 – 2ª Turma
Sessão de 20 de março de 2012
Matéria IRPF
Recorrente FAZENDA NACIONAL
Interessado JOSÉ EVANDRO PADUA VILELA
Assunto: Imposto Sobre A Propriedade Territorial RuralITR
Exercício: 2000
ITR AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ISENÇÃO
PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de
cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel.
Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da
interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e
4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica
no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do
ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de
Averbação da Reserva Legal.
Recurso especial negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo
Oliveira.
Fl. 1DF CARF MF
Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA
CÓ
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2
012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
2
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior – Relator
EDITADO EM: 23/03/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas
Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira
Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan
Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo
Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Relatório
Em 06 de dezembro de 2007, a então Primeira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes proferiu acórdão n° 30134.232 [fls. 124 – 129] que, unanimidade de votos,
deu provimento ao recurso voluntário:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE
TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Incabível a
incidência do ITR quando houver a comprovação da referida
area por meio de ADA, ainda que intempestivo mesmo que fora
do prazo de seis meses pretendido.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Para
comprovação da área de reserva legal, para efeito de sua
exclusão na base de cálculo do ITR, pode ser efetuada por meio
de sua averbação no respectivo Registro de Imóveis, mesmo em
data posterior ao fato gerador.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda
Nacional protocolizou Recurso Especial [fls. 133/143], com fulcro no art. 7°, II, do Regimento
Interno à época – Portaria MF n. 147/2007. A r. PGFN argumenta, que ao proferir o acórdão
supracitado, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, apresentou como
paradigma o seguinte julgado:
Ementa: ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA
LEGAL. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA.
Fl. 2DF CARF MF
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Processo nº 10675.004589/200478
Acórdão n.º 920202.007
CSRFT2
Fl. 2
3
A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve estar
averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no
cartório de registro de imóveis competente, à época do
respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência."
(Ac. 30335.538, Relator CELSO LOPES PEREIRA NETO)
Nesse sentido, apesar de o acórdão recorrido tratar de duas matérias – (i) área
de preservação permanente e (ii) reserva legal , o recurso interposto questiona apenas quanto à
segunda (ii).
Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo
a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados.
Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Segunda
Seção entendeu por DAR SEGUIMENTO ao Recurso Especial do Procurador, sob o
argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu de julgado
prolatado por outra Câmara [fls. 147/148]:
[…] Verificase, portanto, pela ementa e pelo voto vencedor,
que se entendeu que para a exclusão da base de cálculo do ITR
da área do imóvel correspondente à reserva legal não há
necessidade de averbação prévia aos fatos geradores.
A recorrente afirma que outra turma dos Conselhos de
Contribuintes, na apreciação de situação semelhante, adotou
entendimento diametralmente oposto. Apresentou como
paradigma o acórdão: 30335.538.
Nele, constatase de fato que se decidiu pela imprescindibilidade
da averbação da área de reserva legal.
Comprovase, assim, a divergência jurisprudencial.
Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador,
apresentou contrarazões [fls. 153/162].
É o relatório.
Fl. 3DF CARF MF
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012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
4
Voto
Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator
Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada
pelo ilustre Presidente da Segunda Seção, conheço do Recurso Especial e passo à análise das
razões recursais.
Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à
essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins
de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção
ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis:
Art. 11. São isentas do imposto as áreas:
I – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na
Lei nº 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei nº
7.803, de 1989.
(...)
Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se
refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem
cumpridas.
Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código
Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão
competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do
total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo
11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito.
Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65,
acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos
autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis:
“Art. 16. ......................
§ 1º. .............................
§ 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20%
(vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o
corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de
matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo
vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão,
a qualquer título, ou de desmembramento da área.”
A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de
imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida,
tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais.
Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta
CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de
Fl. 4DF CARF MF
Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA
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Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2
012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
Processo nº 10675.004589/200478
Acórdão n.º 920202.007
CSRFT2
Fl. 3
5
reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base
de cálculo do ITR.
Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva
legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais
precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e
4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado.
Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em
vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a
ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária.
O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a
obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito
tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de
cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as
exigências da legislação ambiental.
E, no caso, penso que a decisão de segunda instância também deve ser
confirmada com relação à área de reserva legal, pois o contribuinte atendeu a todas as
exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em
01/01/2000, promoveu a respectiva averbação da área de 534,73 hectares em 29/08/2002,
conforme asseverado pela própria autoridade lançadora e decisum recorrido.
Devo ressaltar, por fim, que, sob minha ótica, a averbação da área de
utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador.
Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no
julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada
e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação
posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se
sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma
área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo
precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido
utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei
tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção
do ITR.”
Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido
pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ:
AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL.
TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEINº 9.393/96. AVERBAÇÃO
PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE.AGRAVO
IMPROVIDO.
1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula
doimóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do
fatogerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento
daisenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a
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Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2
012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
6
proteçãolegal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965."
(REsp nº1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe
18/12/2009).
2. Agravo regimental improvido.
(STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator
Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010)
Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os
dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO
AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima
esposadas.
É o voto.
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2
012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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4350618
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Numero do processo: 10930.001633/2008-53
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
FILHO MAIOR ATÉ 24 ANOS. ENSINO SUPERIOR.
È dependente, para fins do imposto de renda, o filho maior de até 24 anos que esteja cursando estabelecimento de ensino superior.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.
São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as despesas com instrução de dependente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.743
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer deduções com dependente e despesas com instrução, respectivamente, nos valores de R$ 1.272,00 e R$ 685,86, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
FILHO MAIOR ATÉ 24 ANOS. ENSINO SUPERIOR.
È dependente, para fins do imposto de renda, o filho maior de até 24 anos que esteja cursando estabelecimento de ensino superior.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.
São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as despesas com instrução de dependente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer deduções com dependente e despesas com instrução, respectivamente, nos valores de R$ 1.272,00 e R$ 685,86, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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S2TE01
Fl. 45
1
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S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10930.001633/200853
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 2801002.743 – 1ª Turma Especial
Sessão de 17 de outubro de 2012
Matéria IRPF
Recorrente ANTONIO COSTA
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
FILHO MAIOR ATÉ 24 ANOS. ENSINO SUPERIOR.
È dependente, para fins do imposto de renda, o filho maior de até 24 anos que
esteja cursando estabelecimento de ensino superior.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.
São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as despesas com
instrução de dependente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer deduções com dependente e despesas com
instrução, respectivamente, nos valores de R$ 1.272,00 e R$ 685,86, nos termos do voto do
Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua
Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César
Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos
Reis.
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23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA
DUA ATHAYDE MAGALHAES
Processo nº 10930.001633/200853
Acórdão n.º 2801002.743
S2TE01
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2
Relatório
Trata de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa
Física IRPF, decorrente de revisão de Declaração de Ajuste Anual correspondente ao
exercício de 2005, anocalendário de 2004, da qual resultou imposto a restituir, após a revisão,
no valor de R$ 356,95.
Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 4/5 deste e
processo, que o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada, na Declaração
apresentada pelo contribuinte, dedução indevida de dependente, por falta de comprovação da
relação de dependência, e dedução indevida de despesas com instrução.
Após ser intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2,
acompanhada dos documentos de fls. 10/15 (Registro de Nascimento do filho José Marcelo
Teixeira Costa, requerimento de matrícula do mesmo na União Norte do Paraná de Ensino S/C
Ltda, bem como comprovantes de pagamento de matrícula e de mensalidades à referida
universidade).
Esclareceu o interessado que a diferença entre o valor dos comprovantes
apresentados, no total de R$ 1.171,88, e o valor declarado (R$ 782,70), decorreu da não
inclusão da taxa de matrícula na declaração apresentada.
A 6ª Turma da DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente,
fundamentando a improcedência nos seguintes termos:
4. Toda a documentação apresentada pelo impugnante
consubstanciase em cópias não autenticadas (fls. 06/11).
Competia ao contribuinte apresentar com a impugnação a prova
documental capaz de alicerçar suas alegações, restando
preclusa a oportunidade para apresentar cópias autenticadas ou
originais (Decreto n° 70.235/72, art. 16, § 4º).
4.1. Por não estarem autenticadas, as cópias de fls. 06/11
possuem reduzido valor probatório, não tendo o condão de
formar a convicção quanto à procedência ou improcedência da
impugnação. Além disso, ainda que fosse apresentado o original
da Certidão de Nascimento emitida em 09/12/1980 (cópia, fls.
06), ela não seria capaz de evidenciar a dependência no ano
calendário de 2004, eis que após a data de 09/12/1980 podem ter
sido efetuadas anotações e averbações à margem do termo.
Cientificado da decisão de primeira instância em 04/04/2011 (fl. 34), o
interessado interpôs, em 02/05/2011, o recurso de fls. 35/36, ao qual anexou os documentos de
fls. 37/43.
Na peça recursal aduz que a dependência procede, conforme cópia
autenticada da certidão de nascimento emitida em 19/04/2011, e os pagamentos com ensino do
dependente, em favor da UNOPAR, foram efetuados, como indicam os comprovantes
autenticados pela DRF Londrina.
Ao fim, requer a reformulação da decisão recorrida.
Fl. 46DF CARF MF
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DUA ATHAYDE MAGALHAES
Processo nº 10930.001633/200853
Acórdão n.º 2801002.743
S2TE01
Fl. 47
3
Voto
Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator
Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.
A certidão de nascimento apresentada comprova a relação de dependência e
certifica que o filho do interessado contava, no anocalendário de 2004, com 24 anos de idade.
O Recorrente declarou pagamentos efetuados à União Norte do Paraná de
Ensino SC LTDA, referente a despesas de instrução com o filho de 24 anos, no valor de R$
782,70.
Os documentos juntados pelo Recorrente, seja na fase impugnatória, seja na
fase recursal, comprovam despesas com instrução (exceto matrícula, cujo vencimento se deu
no anocalendário de 2003) no valor de R$ 685,86 (faltou comprovação de uma mensalidade
no valor de R$ 96,84).
Assim, incide na espécie o disposto no art. 8º, II, “b” c/c art. 35, III e § 1º,
ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, verbis:
Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário
será a diferença entre as somas:
I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário,
exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis
exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;
II das deduções relativas:
(...)
b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de
seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino,
relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e
as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à
educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de
pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à
educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o
tecnológico, até o limite anual individual de (...).
(...)
Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º,
inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes:
(...)
III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de
qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para
o trabalho;
(...)
Fl. 47DF CARF MF
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DUA ATHAYDE MAGALHAES
Processo nº 10930.001633/200853
Acórdão n.º 2801002.743
S2TE01
Fl. 48
4
§ 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste
artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24
anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de
ensino superior ou escola técnica de segundo grau.
Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, a fim de que
seja restabelecido o valor glosado de R$ 1.957,86, referente às seguintes glosas: a) do
dependente José Marcelo Teixeira Costa, no valor de R$ 1.272,00, e de despesas com
instrução, com ele efetuadas, no valor de R$ 685,86.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida
Fl. 48DF CARF MF
Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em
23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA
DUA ATHAYDE MAGALHAES
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4502891
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Numero do processo: 10380.726682/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NOTIFICAÇÃO EM QUE SE MENCIONA OS ANEXOS QUE COMPÕEM OS PROCESSOS DE DÉBITO. ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA FALTA DOS ANEXOS. NÃO ADOÇÃO DE PROVIDÊNCIAS ANTERIORES À IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ACEITAÇÃO.
Não deve ser aceita a alegação de não recebimento de anexos citados da notificação de débito, quando se comprova que esta foi recebida e que a empresa não adotou qualquer providência quando supostamente se deu conta da ausência dos anexos, deixando para se manifestar apenas na defesa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Quarta Câmara
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Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NOTIFICAÇÃO EM QUE SE MENCIONA OS ANEXOS QUE COMPÕEM OS PROCESSOS DE DÉBITO. ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA FALTA DOS ANEXOS. NÃO ADOÇÃO DE PROVIDÊNCIAS ANTERIORES À IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ACEITAÇÃO.
Não deve ser aceita a alegação de não recebimento de anexos citados da notificação de débito, quando se comprova que esta foi recebida e que a empresa não adotou qualquer providência quando supostamente se deu conta da ausência dos anexos, deixando para se manifestar apenas na defesa.
Recurso Voluntário Negado
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KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Segunda Seção de Julgamento
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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S2C4T1
Fl. 295
1
294
S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10380.726682/201171
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 2401002.875 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária
Sessão de 24 de janeiro de 2013
Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Recorrente MUNICIPIO DE URUBURETAMA CAMARA MUNICIPAL
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NOTIFICAÇÃO EM QUE SE MENCIONA OS ANEXOS QUE
COMPÕEM OS PROCESSOS DE DÉBITO. ALEGAÇÃO DO SUJEITO
PASSIVO DA FALTA DOS ANEXOS. NÃO ADOÇÃO DE
PROVIDÊNCIAS ANTERIORES À IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
DE ACEITAÇÃO.
Não deve ser aceita a alegação de não recebimento de anexos citados da
notificação de débito, quando se comprova que esta foi recebida e que a
empresa não adotou qualquer providência quando supostamente se deu conta
da ausência dos anexos, deixando para se manifestar apenas na defesa.
Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar
provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
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/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio
Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira,
Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Processo nº 10380.726682/201171
Acórdão n.º 2401002.875
S2C4T1
Fl. 296
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Relatório
Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 1136.565 de lavra da 7.ª
Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Recife (PE), que julgou
improcedente a impugnação apresentada contra os seguintes Autos de Infração – AI:
a) AI n.º 37.333.8112: exigência de contribuições previdenciárias, parte
patronal, incidentes sobre remunerações de segurados empregados e segurados contribuintes
individuais (autônomos e transportadores pessoas físicas) não declaradas na Guia de
Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social
GFIP;
b) AI n.º 37.333.8090: exigência de diferenças de contribuição dos
segurados empregados e segurados contribuintes individuais (autônomos e transportadores
pessoas físicas);
c) AI n.º 37.333.8104: exigência de contribuições para outras entidades
(SEST/SENAT), incidentes sobre os fretes pagos a pessoas físicas;
d) AI n.º 37.333.8120: aplicação de multa pelo fato da empresa, mesmo
regularmente intimada, haver deixado de exibir a sua escrita contábil.
Exarada a decisão de improcedência da impugnação, foram, conforme
despacho de fl. 292, cientificados o Presidente da Câmara Municipal e o Prefeito do Município
de Uruburetama.
A Câmara Legislativa aduziu em sua peça que os AI são nulos posto que a
Receita Federal inviabilizou a possibilidade de apresentação da sua defesa, uma vez que o ato
de intimação dos lançamentos não foi acompanhado das explicações acerca da infração, da
origem dos tributos devidos e da sua quantificação.
Asseverou que, com esse procedimento, a administração tributária feriu os
princípios da segurança jurídica, da ampla defesa e do contraditório.
Afirma ser absurda a afirmação da DRJ de que a autuada poderia exercer o
seu direito à ampla defesa mediante vista do processo na repartição autuante, posto que o
correto é que o ente público, tomando conhecimento de todo o conteúdo da acusação, pudesse
impugnála com esteio nos elementos que possui.
Pede o provimento do recurso.
O Município autuado, por intermédio de procurador regularmente nomeado,
também interpôs recurso voluntário, no qual também alega que a intimação dos lançamentos
não possibilitou a autuada saber sequer quais os tributos estavam sendo exigidos.
Afirma que a pessoa responsável pelo recebimento das correspondências não
teria autorização para abrir o envelope recebido da Receita Federal, tampouco conhecimentos
necessários à conferência do conteúdo recebido.
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Afirma ser do órgão notificante o ônus de comprovar que enviou ao sujeito
passivo todo os itens do lançamento necessários à produção da defesa do sujeito passivo, sob
pena de nulidade das lavraturas.
Acerca da preclusão probatória, alega que, nos termos do inciso III e do
“caput” do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972, o impugnante tem o dever de mencionar as
provas em que se baseia, não de juntálas.
Afirma ainda que as provas quanto à existência do crédito devem ser
produzidas pelo fisco, além de que está em condição de hipossuficiência para comprovar que
não recebeu toda a documentação relativa aos autos de infração.
Requer a emissão de novas notificações das lavraturas o a declaração de
nulidade dos autos de infração.
É o relatório.
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Processo nº 10380.726682/201171
Acórdão n.º 2401002.875
S2C4T1
Fl. 297
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Voto
Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator
Admissibilidade
Os recursos merecem conhecimento, posto que preenche os requisitos de
tempestividade e legitimidade.
Do envio de todos os anexos que compõem as lavraturas
Em ambos os recursos a autuada acusa o fisco de não ter encaminhado,
juntamente com a notificação dos AI, as explicações necessárias á produção de sua defesa.
Sobre essa questão, o fisco assim se pronunciou no relatório fiscal:
11. OUTROS DOCUMENTOS ANEXOS
Além do presente Relatório do Procedimento Fiscal, integram o
processo administrativo COMPROT n.º 10380.726.682/201171,
que engloba todos os autos lavrados, os seguintes documentos:
11.1. IPC – Instruções para o Contribuinte;
11.2. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal;
11.3 TIF – Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (01 e
02);
11.4 TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal;
11.5 Documentos comprobatórios: Folhas de pagamento, Notas
de Empenho, Recibos, Notas Fiscais.
12. ARQUIVOS DIGITAIS ENTREGUES
Os relatórios referentes aos débitos foram produzidos e
autenticados em meio digital, gravados em CDR e entregues ao
contribuinte, conforme previsão legal do art. 486 da Instrução
Normativa RFB n.º 971, de 13/11/2009.
O contribuinte reconhece que lhe foi enviado Ofício n.º
523/2011/DRF/FOR/SEFIS, todavia, alega que o conteúdo mencionado na referida
correspondência não foi recebido.
Assevera que o não recebimento dos relatórios e anexos dos AI
impossibilitaram a produção de sua defesa.
Se esse argumento merecesse sucesso, todas as intimações de lavraturas
enviadas pelo fisco estariam fadadas ao fracasso, posto que os contribuintes teriam a
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possibilidade de alegar o não recebimento do conteúdo enumerado na notificação e requerer a
nulidade da lavratura ou a repetição do ato.
É inadmissível que o contribuinte, dandose conta que não houvera recebido
os relatórios de lavraturas fiscais e seus anexos, não viesse a provocar a administração
tributária, deixando transcorrer todo o prazo de defesa para, somente neste momento,
manifestarse contra a suposta falta de documentos na correspondência que lhe foi entregue.
Não fez o contribuinte qualquer prova de que tivesse dado ciência à
repartição tributária da falta apontada. Por outro lado, a recorrente poderia ainda ter obtido
todos os documento supostamente não recebidos mediante pedido de vista do processo em
questão.
Assim, não se deve acatar esse argumento, uma vez que não houve por parte
do sujeito passivo a preocupação de:
a) rejeitar a notificação, por falta dos anexos nela mencionados;
b) notificar a Fazenda do fato; e/ou
c) requerer vista do processo para obter os documentos faltantes, com
solicitação de reabertura de prazo para defesa.
Ressaltese que a entrega dos documentos em meio digital é faculdade dada à
administração tributária pelo Decreto n.º 70.235/1972, verbis:
Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever
forma determinada, conterão somente o indispensável à sua
finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou
emendas não ressalvadas.
Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o
caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma
eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente,
conforme disciplinado em ato da administração tributária.
(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)
Sabendose que o fisco agiu nos termos permitidos pela legislação e não
tendo a recorrente comprovado a adoção de alguma providência, antes da impugnação, para
cientificar a repartição tributária da falha na notificação, fica sem substância a mera alegação
da falta de recebimento de anexos que integram a lavratura.
Quanto à preclusão processual para apresentação de alegações e provas, o
Decreto n.º 70.235/1972 dispõe:
Art. 16 (...)
§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação,
precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento
processual, a menos que:
a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação
oportuna, por motivo de força maior;
b) refirase a fato ou a direito superveniente;
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Processo nº 10380.726682/201171
Acórdão n.º 2401002.875
S2C4T1
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c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente
trazidas aos autos.
(...)
Portanto, não merece censura à conclusão do órgão recorrido quanto à
impossibilidade de juntada de provas após a impugnação.
Conclusão
Voto por negar provimento ao recurso.
Kleber Ferreira de Araújo
Fl. 301DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.016483/2008-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. GLOSA
Mantêm-se a glosa de deduções lançadas na declaração de ajuste anual quando o contribuinte não comprova, por documentação hábil e idônea, as respectivas despesas realizadas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Configura omissão de rendimentos a ausência, na declaração de ajuste anual, de rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida- Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. GLOSA
Mantêm-se a glosa de deduções lançadas na declaração de ajuste anual quando o contribuinte não comprova, por documentação hábil e idônea, as respectivas despesas realizadas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Configura omissão de rendimentos a ausência, na declaração de ajuste anual, de rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora.
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Recurso Voluntário Negado
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida- Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
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S2TE01
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S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10166.016483/200891
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 2801002.883 – 1ª Turma Especial
Sessão de 23 de janeiro de 2013
Matéria IRPF
Recorrente DANIEL VERÇOSA AMORIM
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. GLOSA
Mantêmse a glosa de deduções lançadas na declaração de ajuste anual
quando o contribuinte não comprova, por documentação hábil e idônea, as
respectivas despesas realizadas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Configura omissão de rendimentos a ausência, na declaração de ajuste anual,
de rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a
preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto
do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator.
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SCHOALIN
Processo nº 10166.016483/200891
Acórdão n.º 2801002.883
S2TE01
Fl. 131
2
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,
Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima,
Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Relatório
Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa
Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 11.839,76, incluídos
multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.
O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na
Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, os seguintes fatos:
Dedução indevida de incentivo, no valor de R$ 800,00.
Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 11.850,44.
Omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, no valor
de R$ 5.096,06. Na apuração do imposto devido foi compensado o imposto retido na fonte
sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 152,88.
Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 75/79) que,
regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a intimação para apresentação de
documentos que comprovassem as deduções ou infirmasse a omissão de rendimentos.
A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte
para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.363,72, em face do comprovante anexado
à fl. 17 deste processo digital.
Cientificado da decisão de primeira instância em 29/03/2011 (fl. 111), o
Interessado interpôs, em 20/04/2011, o recurso de fls. 113/121. Na peça recursal aduz, em
síntese, que:
O princípio constitucional da ampla defesa restou cerceado, tendo em vista
que não foi devidamente intimado para apresentação da impugnação.
Restou comprovado, mediante documentos acostados aos autos, o seu novo
endereço, no qual residia há mais de quatro meses da intimação.
A atualização de seu novo endereço foi efetuada na declaração do Imposto
de Renda do ano de 2009, conforme exigido pela Receita Federal.
Ao final, pugna o Recorrente pela anulação da decisão recorrida, restituindo
lhe o prazo para apresentação dos comprovantes de rendimentos e despesas médicas, bem
como pelo acolhimento do recurso e cancelamento do débito fiscal.
Voto
Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator
Fl. 131DF CARF MF
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SCHOALIN
Processo nº 10166.016483/200891
Acórdão n.º 2801002.883
S2TE01
Fl. 132
3
Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.
PRELIMINAR DE NULIDADE
O Recorrente alega que não foi devidamente intimado para apresentação da
impugnação, uma vez que, à época da intimação, já não residia no endereço que consta do
aviso de recebimento, conforme atestam os comprovantes de documentos juntados aos autos
em fls. 17, 21 e 23 deste processo digital.
Na peça impugnatória, no entanto, reconhece que tomou conhecimento, por
acaso, da Notificação de Lançamento, dentro do prazo legal de 30 dias (09/12/2008), o que
revela a ausência de qualquer prejuízo ao Interessado (a intimação ocorreu em 04/12/2008), até
porque a impugnação foi apresentada tempestivamente (12/12/2008).
São do Recorrente as palavras abaixo:
Há mais de (4) meses moro no endereço supra mencionado
(doc.anexo), no entanto para minha surpresa, nesta semana, no
dia 09/12/2008, e por acaso, fui comunicado desta Notificação
de Lançamento, visto que fui participar de uma festa de
aniversario no meu antigo Bloco.
Nesse contexto, sou pela rejeição da preliminar de nulidade suscitada, em
face da ausência de prejuízo ao Interessado.
MÉRITO
O Recorrente não carreou aos autos nenhum documento que comprove às
deduções lançadas em sua declaração, relativamente ao incentivo no valor de R$ 800,00 e às
despesas médicas no valor de R$ 10.486,72 (R$ 11.850,44 deduzida na declaração – R$
1.363,72 restabelecida pela decisão de piso). De igual forma, não apresentou qualquer
documento que elidisse a infração de omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica
Federal, no valor de R$ 5.096,06.
No recurso, pleiteia novo prazo para apresentação dos comprovantes, o que, a
meu ver, configura medida meramente protelatória, haja vista que, nas duas oportunidades que
lhe foram ofertadas (impugnação e recurso), não se desincumbiu de seu ônus probatório.
Face ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no
mérito, por negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida
Fl. 132DF CARF MF
Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em
31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA
SCHOALIN
Processo nº 10166.016483/200891
Acórdão n.º 2801002.883
S2TE01
Fl. 133
4
Fl. 133DF CARF MF
Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em
31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA
SCHOALIN
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1.0
4401462
#
Numero do processo: 10680.913099/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
IRRF. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA.
A prestação de serviços de consultoria e assessoria caracteriza assistência administrativa e semelhante de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. A partir de 1º de janeiro de 2002 (vigência da Lei nº 10.332, de 2001), com a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a remuneração pela prestação de tais serviços passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15%.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Constatando-se o recolhimento do imposto com aplicação de alíquota maior que a devida, cabível a respectiva restituição/compensação, pleiteada por meio de PER/DCOMP.
Numero da decisão: 2201-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarou-se impedido. Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB 24259/DF.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Matéria: RF06 - C01 - Fazendária - Compensação
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
IRRF. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA.
A prestação de serviços de consultoria e assessoria caracteriza assistência administrativa e semelhante de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. A partir de 1º de janeiro de 2002 (vigência da Lei nº 10.332, de 2001), com a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a remuneração pela prestação de tais serviços passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15%.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Constatando-se o recolhimento do imposto com aplicação de alíquota maior que a devida, cabível a respectiva restituição/compensação, pleiteada por meio de PER/DCOMP.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarou-se impedido. Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB 24259/DF.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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S2C2T1
Fl. 2
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1
S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10680.913099/200908
Recurso nº 869.731 Voluntário
Acórdão nº 2201001.811 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária
Sessão de 18 de setembro de 2012
Matéria COMPENSAÇÃO
Recorrente ARCELORMITTAL INOX BRASIL S.A
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 2005
IRRF. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA.
A prestação de serviços de consultoria e assessoria caracteriza assistência
administrativa e semelhante de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de
2000. A partir de 1º de janeiro de 2002 (vigência da Lei nº 10.332, de 2001),
com a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
(Cide), a remuneração pela prestação de tais serviços passou a ser tributada
pelo imposto de renda à alíquota de 15%.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Constatandose o recolhimento do imposto com aplicação de alíquota maior
que a devida, cabível a respectiva restituição/compensação, pleiteada por
meio de PER/DCOMP.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarouse impedido. Fez
sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB 24259/DF.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah – Relator
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Fl. 156DF CARF MF
Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012
por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
2
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de
Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Pedro Paulo Pereira
Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Relatório
Arcelormittal Inox Brasil S.A recorre a este Conselho contra a decisão
proferida pela 3a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, que manteve o indeferimento do
pedido efetuado por meio da Declaração de Compensação – DCOMP, mediante utilização do
"Pagamento Indevido/a Maior" de IRRF no valor de R$ 10.478,71.
A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG, por meio do
Despacho Decisório n° 831219835, fl. 35, não homologou a compensação sob o seguinte
argumento:
A partir das características do DARF discriminado no
PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais
pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados
para quitação de débitos do contribuinte, não estando crédito
disponível para compensação dos créditos informados na
PER/DCOMP.
Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente
Manifestação de Inconformidade, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira
instância, que:
4.2 "No presente caso, a simples análise da DCTF original não é
capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito
disponível à compensação". Acrescenta que "o valor total
recolhido é idêntico ao montante do débito apurado quando da
transmissão da declaração original. Assim, o crédito eletivo
decorre de apuração contábil, não podendo obstar o direito à
compensação, meros erros formais de preenchimento da DCTF
ou da PER/DCOMP". Invoca o art. 165 do CTN e transcreve
texto de Ives Gandra.
4.3 Esclarece que "inicialmente, a requerente apurou, a título de
Imposto de Renda retido na fonte, débito no montante de R$
22.267,29, e efetuou o recolhimento com DARF de mesmo valor.
Tais dados foram informados na DCTF original."
4.3.1 Acrescenta que posteriormente constatou que "vários
contratos internacionais foram firmados aplicandose a alíquota
de 25% para o imposto de renda", todavia, vários destes
contratos referemse a transferência de tecnologia, pagamento
de serviços de assistência técnica e mão de obra e semelhantes,
juros e comissões e demais rendimentos.
4.3.1.1 Argumenta que nestes casos, a alíquota de retenção do IR
é de 15%, de modo que, o recolhimento com base na alíquota de
Fl. 157DF CARF MF
Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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PI
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012
por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
Processo nº 10680.913099/200908
Acórdão n.º 2201001.811
S2C2T1
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25% foi efetuado em valor maior que o devido. Cita o
MAFON/2008 (Manual de Imposto de Renda na Fonte) em
amparo de seus argumentos.
4.3.2 Entretanto, menciona que, apesar de identificado o erro
cometido, não retificou a DCTF correspondente, permitindo ao
fisco a identificação do indébito. Alega a "boafé da requerente"
ao retificar posteriormente esta declaração, "com a liberação do
crédito contido no DARF mencionado". Em amparo de suas
alegações anexa a DCTF retificada em 13/03/2009, planilhas
demonstrativas, comprovante de pagamento e contrato de
câmbio.
4.4. Por fim, requer a procedência da manifestação de
inconformidade, com o reconhecimento da insubsistência do
Despacho Decisório e a homologação da compensação em
litígio neste processo.
A 3a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG acompanhou o entendimento da
Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte e julgou a Manifestação de Inconformidade
improcedente, conforme se observa da transcrição das ementas abaixo:
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO
Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados
os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais
regras determinadas pela legislação vigente para a sua
utilização.
COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL As informações prestadas
pelo sujeito passivo, até prova em contrário, são consideradas
verdadeiras, e não podem ser desconsideradas mediante simples
alegações; para que estas informações sejam alteradas, dando
origem a um indébito, deverá o contribuinte comprovar
inequivocamente o alegado.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Intimada da decisão de primeira instância em 10/05/2010 (fl. 110),
Arcelormittal Inox Brasil S.A apresenta Recurso Voluntário em 09/06/2010 (fls. 111 e
seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua
Manifestação de Inconformidade.
É o relatório.
Voto
Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator
O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade,
portanto, dele conheço.
Fl. 158DF CARF MF
Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
CÓ
PI
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012
por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
4
Conforme relatado, o litígio se deve a não homologação de DCOMP,
transmitida em 31/08/2005, na qual a contribuinte pleiteou a compensação de um débito de
IRPJ no valor original de R$ 13.099,44, com crédito original de R$ 10.478,71 de IRRF,
decorrente de valor pago a maior contido em um Darf de R$ 22.267,29, quitado em
21/01/2004.
Em sua peça recursal alega a recorrente que recolheu o imposto de renda
sobre prestação de serviços no exterior utilizando a alíquota de 25%. Entretanto, o serviço
prestado se refere à assistência técnica com transferência de tecnologia e semelhantes. Neste
caso, o Manual de Retenção na Fonte da Receita Federal do Brasil Mafon/2008, determina
que a alíquota a ser aplicada é de 15%. Portanto, a diferença paga a maior constitui um crédito
a ser compensado.
Pois bem, a controvérsia se restringe, conforme se observa da decisão
recorrida, na alíquota aplicável ao cálculo do imposto devido sobre remessa de recursos para
pagamento de serviços prestados no exterior, ou seja, se 15% ou 25%.
De início, impende transcrever a legislação aplicável ao tema.
O Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000, de 26 de março
de1999 – RIR/99, na alínea “a” do inciso II do artigo 685, consagra:
Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos
pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por
fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no
exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº
5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº
9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º):
(...)
II à alíquota de vinte e cinco por cento:
a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo
empregatício, e os da prestação de serviços;
Por sua vez, o artigo 708 do mesmo Regulamento preceitua:
Art. 708. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, à
alíquota de vinte e cinco por cento, os rendimentos de serviços
técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes
derivados do Brasil e recebidos por pessoa física ou jurídica
residente ou domiciliada no exterior, independentemente da
forma de pagamento e do local e data em que a operação tenha
sido contratada, os serviços executados ou a assistência
prestada (DecretoLei nº 1.418, de 3 de setembro de 1975, art.
6º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 28 e Lei no 9.779, de 1999, art. 7o).
Parágrafo único. A retenção do imposto é obrigatória na data do
pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa dos
rendimentos (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100).
Na seqüência, a Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000 estabelece:
Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação
UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo
Fl. 159DF CARF MF
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Processo nº 10680.913099/200908
Acórdão n.º 2201001.811
S2C2T1
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principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro,
mediante programas de pesquisa científica e tecnológica
cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor
produtivo.
Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o
artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no
domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de
licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos,
bem como aquela signatária de contratos que impliquem
transferência de tecnologia, firmados com residentes ou
domiciliados no exterior.
(...)
§ 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).
(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001)
Finalmente, o art. 3º da Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de
2001 determina:
Art. 3º Fica reduzida para quinze por cento a alíquota do
imposto de renda incidente na fonte sobre as importâncias
pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao
exterior a título de remuneração de serviços técnicos e de
assistência técnica, e a título de royalties, de qualquer natureza,
a partir do início da cobrança da contribuição instituída pela Lei
nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000.
Sobreleva citar a Solução de Consulta n° 196, de 14 de Outubro de 2003:
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF
EMENTA: REMESSAS AO EXTERIOR Prestação de Serviços.
Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, à
alíquota de vinte e cinco por cento, os valores pagos, creditados,
entregues, empregados ou remetidos a beneficiário no exterior
pela remuneração de serviços, para cuja execução não dependa
de conhecimentos técnicos especializados. (grifei)
Depreendese dos excertos legais transcritos que a alíquota utilizada nas
remessas para o exterior a título de prestação de serviços em geral é de 25%. Contudo, a
Medida Provisória n° 2.15970, de 24 de agosto de 2001, reduziu para 15% a alíquota do
imposto de renda sobre as importâncias remetidas ao exterior a título de remuneração de
serviços técnicos de assistência técnica e royalties de qualquer natureza. Notese que a redução
da alíquota ocorreu a partir do início da cobrança da CIDE, instituída pela Lei n.º 10.168/2000,
sendo sua vigência a partir de 1º de janeiro de 2002 (Lei nº 10.332/2001).
Portanto, a prestação de serviços técnicos de assistência técnica,
administrativa e semelhantes passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15% e
a CIDE de 10%.
Feitas as considerações legais aplicáveis à matéria verificase, no caso em
apreço, que o contrato de câmbio denominado “Contrato de Cambio de Venda Tipo 04
Fl. 160DF CARF MF
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Transferências Financeiras para o Exterior”, registrado no Banco Central do Brasil, foi assim
classificado (fl. 87): Natureza: 489455009590 Descrição: Serv. DivServicos Técnicos
Profissionais. Além do mais, a Invoice de fl. 92 discrimina a prestação de serviços como
“honorários de consultoria”.
Assim sendo, a prestação de serviços de consultoria e assessoria nas áreas de
marketing, administrativa, jurídica, trabalhista, de transporte e financeira, caracteriza
assistência administrativa e semelhante de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000.
Neste sentido, a partir de 1º de janeiro de 2002 (vigência da Lei nº 10.332, de 2001), com a
cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a remuneração pela
prestação de tais serviços passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15%
(Processo de Consulta nº 346/06 SRRF / 8ª Região Fiscal).
Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Fl. 161DF CARF MF
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Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012
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Processo nº 10680.913099/200908
Acórdão n.º 2201001.811
S2C2T1
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MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº: 10680.913099/200908
Recurso nº: 869.731
TERMO DE INTIMAÇÃO
Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009,
intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda
Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.811.
Brasília/DF, 18 de setembro de 2012
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo
Presidente
Ciente, com a observação abaixo:
(......) Apenas com ciência
(......) Com Recurso Especial
(......) Com Embargos de Declaração
Data da ciência: _______/_______/_________
Procurador(a) da Fazenda Nacional
Fl. 162DF CARF MF
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por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Fl. 163DF CARF MF
Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012
por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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1.0
4463600
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Numero do processo: 10940.001818/2003-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
Ementa:
BASE DE CÁLCULO - § 1º art. 3º Lei nº 9.718\98 - Lei nº10.637\2002 - LEGITIMIDADE 62-A DO RICARF -Ausência de Lei Completar para criar nova fonte de custeio. A Lei nº 10.637/2002 quanto a base de cálculo diz respeito apenas a Contribuição para o PIS/Pasep. Recurso negado. O CARF detém legitimidade regimental para adotar o decidido em sede de repercussão geral. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso especial.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
Ementa:
BASE DE CÁLCULO - § 1º art. 3º Lei nº 9.718\98 - Lei nº10.637\2002 - LEGITIMIDADE 62-A DO RICARF -Ausência de Lei Completar para criar nova fonte de custeio. A Lei nº 10.637/2002 quanto a base de cálculo diz respeito apenas a Contribuição para o PIS/Pasep. Recurso negado. O CARF detém legitimidade regimental para adotar o decidido em sede de repercussão geral. Recurso negado.
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Câmara Superior de Recursos Fiscais
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso especial.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
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CSRFT3
Fl. 609
1
608
CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS
Processo nº 10940.001818/200334
Recurso nº Especial do Procurador
Acórdão nº 9303001.993 – 3ª Turma
Sessão de 12 de junho de 2012
Matéria PIS/Cofins
Recorrente Fazenda Nacional
Interessado Madereira Thomasi S.A.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
Ementa:
BASE DE CÁLCULO § 1º art. 3º Lei nº 9.718\98 Lei nº10.637\2002
LEGITIMIDADE 62A DO RICARF Ausência de Lei Completar para criar
nova fonte de custeio. A Lei nº 10.637/2002 quanto a base de cálculo diz
respeito apenas a Contribuição para o PIS/Pasep. Recurso negado. O CARF
detém legitimidade regimental para adotar o decidido em sede de repercussão
geral. Recurso negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar
provimento ao recurso especial.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro
Torres, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Júlio César Alves Ramos,
AC
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Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado
digitalmente em 21/01/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente
em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
2
Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio
Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas
Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Relatório
Intentou a Fazenda Nacional, Recurso Especial de fls. 538/564, admitido pelo
despacho 566/567, contra o Acórdão de fls. 520/526, que por maioria de votos deu provimento
ao Recurso Voluntário da Contribuinte para julgar improcedente a exigência sobre as outras
receitas operacionais mantidas no Acórdão a quo, fundamentandose na inconstitucionalidade
do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, anulando, portanto, todo o auto de infração imputado à
Contribuinte.
O acórdão recorrido trás a seguinte ementa:
“ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ÔNUS DA PROVA.
Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável
subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete
à autoridade lançadora a prova das circunstâncias que tornam
exigível o tributo.
NORMAS PROCESSUAIS. DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. EFEITOS.
Desde a edição da Portaria MF 147/2007, estão os conselheiros
membros do Conselho de Contribuintes autorizados a aplicar
decisão plenária do Supremo Tribunal Federal prolatada no
controle difuso da constitucionalidade dos atos legais em que
seja parte outro contribuinte, desde que convencidos da exata
subsunção da matéria sob análise àquela decisão No julgamento
do recurso extraordinário 346.084 fixou aquela Corte o
entendimento de que a noção de faturamento para efeito de
exigência das contribuições PIS/PASEP e COFINS, na forma
prevista na Lei 9.718/98, não se confunde com a totalidade das
receitas auferidas como pretendia o § 1° do art. 3° daquela lei,
considerado inconstitucional. No mesmo julgamento ficou
assentado que, no caso de empresas que tenham por atividade a
venda de mercadorias, o faturamento se restringe às receitas
oriundas dessa atividade, não alcançando receitas de natureza
financeira, aluguéis e outras.
Recurso provido.”
Aduz a Recorrente que a referida inconstitucionalidade ainda não é definitiva,
motivo pelo qual não competiria a este Conselho julgar matéria sob este fundamento.
Fl. 610DF CARF MF
Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado
digitalmente em 21/01/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente
em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
Processo nº 10940.001818/200334
Acórdão n.º 9303001.993
CSRFT3
Fl. 610
3
Procura a Recorrente demonstrar que faturamento se equipara a receita,
mesmo tendo sido revogado o dispositivo que explicitava esse conceito, razão pela qual
entende ser a Contribuinte devedora de PIS/Cofins mesmo que incidente sob sua receita
operacional.
Transcreve ementas de julgados às fls. 548/549, anteriores ao ato de
revogação do dispositivo inconstitucional (2009), onde foi equiparado receita bruta a
faturamento, aduzindo ser este o entendimento que deve prosperar em face da Contribuinte.
Alternativamente, aduz que a redação original do art. 195, inc. I, CF, não
permitia a utilização da receita bruta como base de cálculo da COFINS e do PIS, é
constitucional a alteração na base de cálculo do tributo, introduzida pela Lei nº 9.718/98 – ora
revogada no ponto referente ao conceito de receita pois está de acordo com a nova redação
dada ao referido dispositivo constitucional pela EC nº 20/98, já em vigor quando a legislação
em comento começou a produzir efeitos.
Alega ainda que não houve impugnação no recursos do contribuinte quanto
ao período de apuração correspondente a dezembro de 2002 quando já vigente a Lei nº
10.637\2002, período esse não afetado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º, art. 3º
da Lei nº 9.718\98, devendo ser mantido o lançamento desse período.
Afirma que o Decreto nº 2.346\97 não autoriza o afastamento da aplicação de
norma sem a existência de Resolução do Senado Federal ou de ato do Secretário da Receita
Federal ou do Procurador Geral da Fazenda Nacional.
Trás também a rediscussão sobre o conceito de faturamento no STF,
aduzindo não ser apenas o que se encerra na mera venda dos produtos, estendendose às
receitas decorrentes das somas de outras atividades empresariais, conforme transcreve à fl. 535,
precedente do Ministro Cezar Peluso:
“O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS
envolve, não só aquele decorrente da venda de mercadorias e da
prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas
do exercício de outras atividades empresariais." (RE 444.601
ED, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 711 06, DJ de 15
1206).
Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos
contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não
implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições
para o PIS e Cofins, mormente após a declaração de
inconstitucionalidade do art. 3 2, X1 4, da Lei nº 9.718/98 dada
pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente
fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta
sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela
Fl. 611DF CARF MF
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digitalmente em 21/01/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente
em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
4
decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços,
mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades
empresariais". (AG. REG. no RE 400.4798/RJ, Rel. Min. Cezar
Peluso, julgamento em 10.10 2006). “
Noutro ponto, aduz que o entendimento do acórdão recorrido acabou por
instituir isenção não prevista em Lei, violando princípio da Legalidade e dispositivo do art.
150, CF e 176, CTN.
Por fim, cita às fls. 558/559 jurisprudência do CARF que aplicavam o art. 3º,
§ 1º da Lei 9.718/98 – ora revogado.
Outrossim, pede também que sejam mantidas as receitas de seguro de
exportação, pois, as qualifica como inerentes ao objeto social da Contribuinte, inexistindo
respaldo para tal isenção, citando às fls. 559/561 julgados que declararam tal norma
inconstitucional mas não afastaram a incidência sobre outras receitas, como por exemplo a
operacional, afastada no acórdão recorrido.
Às fls. 571/575, Contrarrazoa a Contribuinte que a inconstitucionalidade do §
1º, art. 3º, da Lei 9.718/98 foi reconhecida pelo STF na sistemática da repercussão geral,
transcrita à fl. 574, impondo o imediato afastamento de sua aplicação, inclusive pelo CARF,
conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Conselho.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
O presente Recurso está contido nos preceitos de admissibilidade conforme o
despacho de nº 34001399 de fls. 566\567, dele tomo conhecimento.
De todos sabido que o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a
inconstitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.71898, porque incompatível com o
conceito de faturamento estabelecido na Lei Complementar nº 7091.
Portanto, as receitas que a Recorrente pugna por serem inseridas na base de
cálculo da COFINS neste caso, decorrentes de aluguéis, arrendamentos, fretes recebidos,
Fl. 612DF CARF MF
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Processo nº 10940.001818/200334
Acórdão n.º 9303001.993
CSRFT3
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seguro sobre exportação, recuperação de tributos, descontos obtidos, juros recebidos,
aplicações financeiras e variações monetárias ativas, por não se enquadrarem no conceito de
faturamento, devem ser extraídas da base de cálculo da contribuição.
Indubitavelmente, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº
9.718\98 não se estende a Lei nº 10.637\2002, mesmo assim esse dispositivo – quanto ao fato
gerador – destinase exclusivamente à Contribuição para o PIS\Pasep.
Relativamente à legitimidade do CARF para afastar a aplicação do
dispositivo em comento, indico o art. 62A do Regimento Interno, ao tempo em que nego
provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Sala das Sessões, 12 de junho de 2012.
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator
Fl. 613DF CARF MF
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
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digitalmente em 21/01/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente
em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13909.000036/2003-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA E DE COOPERATIVAS.
São ilegítimas as glosas das parcelas da base de cálculo, a título de aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, desde que atendidas as características de insumo expostas no PN CST nº 65/79, pois tanto a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda como o Superior Tribunal de Justiça já pacificaram a matéria em prol dos contribuintes.
Numero da decisão: 3101-001.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 25/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Primeira Câmara
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Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA E DE COOPERATIVAS.
São ilegítimas as glosas das parcelas da base de cálculo, a título de aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, desde que atendidas as características de insumo expostas no PN CST nº 65/79, pois tanto a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda como o Superior Tribunal de Justiça já pacificaram a matéria em prol dos contribuintes.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 25/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
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S3C1T1
Fl. 2
1
1
S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 13909.000036/200362
Recurso nº 1 Voluntário
Acórdão nº 3101001.286 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária
Sessão de 25 de outubro de 2012
Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO
Recorrente KANEBO SILK DO BRASIL S/A INDÚSTRIA DE SEDA (ATUAL:
FUJIMURA DO BRASIL S/A INDÚSTRIA DE SEDA)
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOA
FÍSICA E DE COOPERATIVAS.
São ilegítimas as glosas das parcelas da base de cálculo, a título de aquisições
de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, desde que atendidas as
características de insumo expostas no PN CST nº 65/79, pois tanto a Câmara
Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda como o Superior
Tribunal de Justiça já pacificaram a matéria em prol dos contribuintes.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao
recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado Relator.
EDITADO EM: 25/11/2012
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Fl. 321DF CARF MF
Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 06/12
/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE
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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro
Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva, Valdete
Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Relatório
Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase:
Trata o presente de manifestação de inconformidade contra
Despacho Decisório que não homologou as compensações
declaradas, em razão da exclusão das aquisições de pessoas
não contribuintes do PIS e da COFINS.
Alega a manifestante que excluir as aquisições efetuadas junto a
pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS, com base em
uma IN, seria ir contra a própria lei instituidora do crédito
presumido, na medida que mesmo as pessoas físicas pagariam o
PIS e a COFINS na aquisição dos insumos destinados à
produção dos bens vendidos ao contribuinte, bem como ir contra
assunto já pacificado, conforme julgados que cita, um deles,
inclusive, da CSRF a seu favor na mesma matéria.
A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou a Manifestação de Inconformidade
Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção:
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE
PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS.
As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não
contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de
cálculo do crédito presumido do IPI.
Manifestação de Inconformidade Improcedente.
Direito Creditório não Reconhecido.
Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou
recurso voluntário, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância, e ao final
requer a reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório e homologar a
compensação encetada.
Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para
apreciação do órgão julgador de segundo grau.
Fl. 322DF CARF MF
Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001
Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 06/12
/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE
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Processo nº 13909.000036/200362
Acórdão n.º 3101001.286
S3C1T1
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Relatados, passo a votar.
Voto
Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator
O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos
requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.
Em não havendo preliminares, passase, de plano ao âmago da controvérsia.
DAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA E DE COOPERATIVAS
As glosas das parcelas da base de cálculo, a título de aquisições de
insumos de pessoas físicas e de cooperativas, desde que atendidas as características de
insumo expostas no PN CST nº 65/79, não merecem remanescer, pois como é de sabença,
tanto a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, como o Superior
Tribunal de Justiça, já pacificaram a matéria em prol dos contribuintes.
O recurso especial nº 993.164, de relatoria do Min. Luiz Fux, que aguarda
trânsito em julgado dentre as matérias apreciadas pelo Superior Tribunal de Justiça no regime
do art. 543C do Código de Processo Civil, aponta a ilegalidade da exclusão da base de cálculo
do crédito presumido do IPI de tais aquisições, ao mesmo tempo em que diz descaracterizado o
referido crédito como escritural, por haver oposição do ente estatal à utilização do crédito,
exsurgindo, assim, direito a atualização monetária de tais créditos pela taxa SELIC.
Ante o exposto, voto por PROVER o recurso voluntário, para reconhecer o
direito ao aproveitamento do crédito presumido da recorrente, incluindo na base de cálculo os
insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas, desde que atendidas as características
de insumo expostas no PN CST nº 65/79, corrigidos monetariamente, desde o protocolo do
pedido até o efetivo ressarcimento ou compensação.
Sala das Sessões, em 25 de outubro de 2012.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 06/12
/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE
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Numero do processo: 11128.007211/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 17/12/2003
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO NÃO-AUTOMÁTICO. DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA DE FORMA INSUFICIENTE PARA SUA PERFEITA CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. INCIDÊNCIA DA MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.
A importação de mercadoria sujeita a licenciamento não-automático por meio de Declaração de Importação de produto classificado erroneamente e descrito de forma insuficientemente para sua perfeita identificação e classificação tarifária caracteriza infração administrativa ao controle das importações, sujeita à aplicação da multa por importação desacobertada de licenciamento de importação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto que davam provimento.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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A importação de mercadoria sujeita a licenciamento não-automático por meio de Declaração de Importação de produto classificado erroneamente e descrito de forma insuficientemente para sua perfeita identificação e classificação tarifária caracteriza infração administrativa ao controle das importações, sujeita à aplicação da multa por importação desacobertada de licenciamento de importação.
Recurso Voluntário Negado.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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S3C3T2
Fl. 2
1
1
S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 11128.007211/200738
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 3302001.886 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária
Sessão de 28 de novembro de 2012
Matéria AUTO DE INFRAÇÃO MULTA
Recorrente CHENTURA INDÚSTRIA QUÍMICA DO BRASIL LTDA
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 17/12/2003
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES.
MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO.
DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO DA
MERCADORIA DE FORMA INSUFICIENTE PARA SUA PERFEITA
CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. INCIDÊNCIA DA MULTA POR FALTA
DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.
A importação de mercadoria sujeita a licenciamento nãoautomático por meio
de Declaração de Importação de produto classificado erroneamente e descrito
de forma insuficientemente para sua perfeita identificação e classificação
tarifária caracteriza infração administrativa ao controle das importações,
sujeita à aplicação da multa por importação desacobertada de licenciamento
de importação.
Recurso Voluntário Negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto que davam
provimento.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/12/2012
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Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012
por WALBER JOSE DA SILVA
Processo nº 11128.007211/200738
Acórdão n.º 3302001.886
S3C3T2
Fl. 3
2
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva,
José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó,
Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Relatório
Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de
crédito tributário referente Imposto de Importação (com a multa de ofício), multa regulamentar
e a multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada sem licença de importação
ou documento de efeito equivalente, prevista no artigo 169, inciso I, alínea “b” do DecretoLei
nº 37/66, com redação da Lei nº 6.62/78 (Art. 633, inciso II, alínea “a”, do RA/2002).
Pela descrição dos fatos .a empresa autuada importou a mercadoria
“Preparação Intermediária Inseticida”, classificável na TEC no código 3808.10.29, com
destaque NCM 035 (Outros a base de diflubenzuron), que necessita de Licenciamento de
Importação (LI) não automático, com anuência do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento. Intimado a apresentar o LI, a Recorrente não o fez.
A empresa autuada concordou com o lançamento do II (com a multa de
ofício) e da multa regulamentar e efetuou o pagamento destes créditos tributários, conforme
Darfs de fl. 81.
Tempestivamente a contribuinte insurgese contra a exigência da multa de
30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada sem licença de importação ou
documento de efeito equivalente, conforme impugnação às fls. 68/80, cujos argumentos de
defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido às fls. 141/142.
A DRJ em São Paulo SP manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no
1752.333, de 14/07/2011, cuja ementa apresenta o seguinte teor:
Importação do produto DIFLUBENZURON VC90, com
classificação fiscal no código NCM 2924.29.92. Fiscalização
verificou que o produto DIFLUBENZORON VC90 se trata de
“preparação intermediária inseticida constituída de 1
(Clorofenil)3(2,6Difluorbenzoil) uréia; Diflubenzuron e
substâncias inorgânicas à base de sílica de alumínio, na forma
de pó.
Impugnante admitiu o equívoco dessa classificação fiscal,
tomando por correta a classificação indicada pela fiscalização
no código NCM 3808.10.29, inclusive apresentando DARFs
referentes à diferença de Imposto de Importação, da multa
regulamentar e da multa proporcional.
Multa de controle administrativo cabível. Muito embora conste
da descrição da Declaração de Importação em epígrafe o nome
comercial e fórmula química do produto, não há nenhuma
referência fato de ser uma preparação intermediária inseticida.
Descrição incompleta.
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Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012
por WALBER JOSE DA SILVA
Processo nº 11128.007211/200738
Acórdão n.º 3302001.886
S3C3T2
Fl. 4
3
Ciente da decisão de primeira instância em 03/08/2011, conforme AR de fl.
151, a empresa autuada interpôs recurso voluntário em 17/08/2011, no qual repisa os
argumentos da impugnação, assim resumidos pela decisão recorrida:
· A empresa autuada agiu de boa fé quando entendeu que a
classificação fiscal correta do produto era no código NCM
2924.29.92;
· O artigo 633, II do Regulamento Aduaneiro Decreto
4.542/02, apresenta nova redação que o artigo 526 do
Regulamento Aduaneiro Decreto 91.030/85;
· O próprio FISCO entendeu que a penalidade decorrente da
multa de controle administrativo deveria ser mitigada
quando presentes determinadas condições que revelem a boa
fé do importador, ou seja que o erro não implicou em prática
de subfaturamento ou qualquer outro procedimento que vise
fraudar a FAZENDA PÚBLICA;
· Para tanto cita o Ato Declaratório Normativo COSIT Nº.
12/97;
· A autuada importou através da Declaração de Importação
Nº 03/11123761, de 17/12/2003, o produto
“DIFLUBENZURON VC90”, tratandose de mercadoria
corretamente descrita.
· Ressaltase que na fatura comercial também há a descrição
em referência;
· A incidência de uma alíquota de 4% de Imposto de
Importação para o código NCM 3808.10.29, ao invés de
4,5% para o código NCM 2924.29.92, revela a que o
importador não teve o intuito doloso, não agindo de má fé;
· Junta textos da jurisprudência administrativa e judicial para
alicerçar seus argumentos;
Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator.
É o Relatório do essencial.
Voto
Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator.
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Processo nº 11128.007211/200738
Acórdão n.º 3302001.886
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4
O recurso voluntário atende aos requisitos legais de admissibilidade. Dele se
conhece.
O litígio estabelecido neste processo resumese à multa 30% sobre o valor
aduaneiro da mercadoria importada sem licença de importação ou documento de efeito
equivalente.
O argumento central da Recorrente é que a descrição da mercadoria na
Declaração de Importação e na fatura comercial está completa e com todos os elementos
necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário e, também, que agiu de boa fé.
Ao julgar o recurso voluntário constante do Processo nº 11128.007077/2005
11, do mesmo contribuinte, da mesma multa e do mesmo produto, a 2ª Turma Especial desta 3ª
Seção de Julgamento negou provimento ao recurso voluntário por unanimidade de votos, nos
termos do Acórdão nº 380200.700, de 31/08/2011.
Tomo a liberdade de transcrever, como razão de decidir no presente caso, o
voto condutor do referido acórdão, da lavra do Ilustre Conselheiro Francisco José Barroso
Rios:
A autoridade aduaneira, na descrição dos fatos objeto do
lançamento (fls. 09), não afirma se a mercadoria estava sujeita a
licenciamento automático ou nãoautomático. Apenas assevera
que,
por tratarse de classificação tarifária errônea e necessitar
novo licenciamento, automático ou não, e considerando,
que a mercadoria não foi corretamente descrita, com todos
os elementos necessários a sua identificação e ao
enquadramento tarifário, constituiu infração administrativa
ao controle das importações (Ato Declaratório Normativo
COSIT n°. 12/97), o que sujeita o contribuinte ao
recolhimento da multa capitulada no artigo 526, inciso II do
Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030/85.
Porém, como já ressaltado, à época dos fatos todas as
importações estavam sujeitas a licenciamento de importação,
seja de forma automática ou nãoautomática. Diante disso,
entendemos que, no caso concreto, não é relevante a definição
da modalidade de licenciamento exigida para a mercadoria
importada pela reclamante para fins de exame da legitimidade
da exigência da multa por falta de licenciamento, já que este,
obrigatoriamente, se fazia necessário em todas importações
realizadas na ocasião, como asseverado.
Assim, a importação de mercadoria à revelia do obrigatório
prévio licenciamento se subsume à multa de 30% do valor da
mercadoria, capitulada no artigo 169, inciso I, alínea “b”, do
DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2° da
Lei n° 6.562/78.
Fl. 195DF CARF MF
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Processo nº 11128.007211/200738
Acórdão n.º 3302001.886
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Salientese que a caracterização da multa em comento não exige
seja demonstrado nenhum elemento subjetivo por parte do
importador, de forma que os argumentos atinentes à alegada
boafé e à inexistência de dolo são irrelevantes para a
descaracterização do ilícito, muito embora a ausência do
intuito doloso seja fator excludente da tipicidade na hipótese de
que trata o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de
21/01/1997.
No entanto, o presente caso não se enquadra na hipótese
abrangida pelo reportado Ato Declaratório Normativo. Com
efeito, referido ato administrativo estabelece, tãosomente, que
não constitui infração administrativa ao controle das
importações a declaração de importação de mercadoria objeto
de licenciamento no SISCOMEX,
cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida
de destaque ‘ex’ exija novo licenciamento, automático ou
não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com
todos os elementos necessários à sua identificação e ao
enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate,
em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do
declarante.
O caso em comento, como já retratado, trata de situação diversa
à contemplada pelo ADN COSIT nº 12/97, caracterizada não por
erro de classificação tarifária em DI cuja mercadoria fora
descrita corretamente, mas sim por situação onde foi realizada
importação sujeita a licenciamento não requerido para a
mercadoria importada, posto que a NCM do produto contida na
DI se referia a espécie diversa, e ainda, a descrição inserida na
referenciada Declaração de Importação não foi minimamente
suficiente para se chegar à especificação do bem importado.
Com efeito, a descrição do produto constante da DI informa,
tãosomente, tratarse de DIFLUBENZURON VC90 Refer.: VC
90 (vide fls. 17), classificado pela recorrente na NCM
2924.29.92 (Diflubenzuron). Mas a análise laboratorial revelou
que a mercadoria importada não se trata apenas de
DIFLUBENZURON, mas sim de “preparação intermediária
inseticida constituída de 1(4Clorofeni1)3(2,6Difluorobenzoil)
Uréia; (Diflubenzuron) e substâncias inorgânicas à base de
Sílica e Alumínio, na forma de pó” (grifei) (vide laudo de fls.
22/23), composto não caracterizado como de composição
química definida, mas, sim, como uma “preparação
intermediária inseticida”, classificada pela autoridade
aduaneira no código 3808.10.29 da Tarifa Externa Comum,
classificação esta não contestada pela recorrente.
Claro está, portanto, que o fato não se subsume à condição
prescrita pelo ADN COSIT nº 12/97. Legítima, pois, a exigência
da multa por falta de LI. (todos os grifos são do original).
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Acórdão n.º 3302001.886
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A diferença mais significativa entre os fatos que ensejaram a aplicação da
multa contestada é que a descrição da mercadoria na DI, neste processo, está diferente da
descrição constante da DI do processo a que se refere o Acórdão nº 380200.700.
No entanto, a descrição de mercadoria neste processo ainda continua
incompleta e, portanto, sem atender aos requisitos do ADN COSIT nº 12/97, posto que na DI (e
na fatura comercial) a mercadoria é descrita como um produto de composição quimica
definida, apresentado isoladamente, quando, de fato, o produto importado é uma preparação
intermediária inseticida. Não há, da DI ou na Fatura Comercial, nenhuma referência que a
mercadoria importada é uma “Preparação” ou uma “Preparação Intermediária” ou, ainda, uma
“Preparação Intermediária Inseticida”. Com estas informações adicionais seria possível efetuar
a correta classificação fiscal da mercadoria e, portanto, atenderia ao ADN COSIT nº 12/97.
No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico
os fundamentos do acórdão de primeira instância.
Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Relator
1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:
[. . .]
§ 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de
anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.
Fl. 197DF CARF MF
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