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Numero do processo: 10314.729292/2014-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PROVISÕES POR CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. ADIÇÃO DAS DESPESAS CONTABILIZADAS DE FORMA DIVERSA DA PREVISTA EM LEI. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO.
A adição ao lucro real da diferença entre as despesas com provisões de PCLD e as receitas devidas por suas reversões produz o mesmo impacto que sucederia se o sujeito passivo tivesse adicionado a totalidade das despesas com as provisões e excluído a totalidade das receitas com as reversões, como previsto em lei.
REVERSÃO DE PROVISÃO.
A exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, gerada pela reversão de provisão indedutível anteriormente adicionada, pressupõe o reconhecimento contábil da respectiva receita.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE: CSLL.
As considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL devido à identidade de causas.
Numero da decisão: 1402-003.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PROVISÕES POR CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. ADIÇÃO DAS DESPESAS CONTABILIZADAS DE FORMA DIVERSA DA PREVISTA EM LEI. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A adição ao lucro real da diferença entre as despesas com provisões de PCLD e as receitas devidas por suas reversões produz o mesmo impacto que sucederia se o sujeito passivo tivesse adicionado a totalidade das despesas com as provisões e excluído a totalidade das receitas com as reversões, como previsto em lei. REVERSÃO DE PROVISÃO. A exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, gerada pela reversão de provisão indedutível anteriormente adicionada, pressupõe o reconhecimento contábil da respectiva receita. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE: CSLL. As considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL devido à identidade de causas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 92 92 /2 01 4- 90 Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.528 2 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.529 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário face v. acórdão proferido pela DRJ que cancelou parcialmente a autuação para afastar os efeitos da infração por adições não computadas na apuração do lucro real, no valor de R$ 32.968.353,08, do que resulta a inexigibilidade de IRPJ e CSLL e o ajuste dos valores de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, conforme tabela de fls. 8 do v. acórdão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior e Indústria, de São Paulo (SP), lavrou autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), constituindo crédito tributário total de R$ 8.734.597,54, considerando consectários legais calculados até dezembro de 2014. Segundo a fiscalização da unidade fiscal, a contribuinte cometeu duas irregularidades que deram ensejo às autuações: A) adição ao lucro real inferior à devida: ponderandose a indedutibilidade das despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD), a contribuinte adicionou apenas R$ 6.540.044,61 de um total de R$ 39.508.397,69, deixando de considerar a diferença de R$ 32.968.353,08 na apuração do IRPJ e da CSLL; e B) exclusão indevida ou não autorizada de R$ 39.611.686,08 na determinação do lucro real – falta de comprovação de que a exclusão por “reversão dos saldos das provisões não dedutíveis” (linha 40 da ficha 09A da DIPJ/2010) corresponda a uma receita reconhecida no resultado contábil de 31/12/09. A autuada foi cientificada dos lançamentos em 22/12/14 e apresentou impugnação em 19/1/15. A interessada requer a procedência da impugnação e o cancelamento dos autos de infração, tendo em vista o cometimento de irregularidades na autuação, conforme a seguir resumido: a) a fiscalização equivocouse em relação aos procedimentos contábeis adotados pela defendente e analisou a legislação de forma superficial; b) o auditor adotou indevidamente os saldos das contas do ativo ao final de 2009 como constituição de “Provisão para Devedores Duvidosos” (PDD) quando deveria considerar a diferença entre as constituições e reversões que ocorreram durante o ano calendário; c) os saldos de PDD obtiveram um acréscimo em 2009 de R$ 8.508.241,32, pois somavam R$ 31.000.156,37 em 31/12/08 e alcançaram R$ 39.508.397,69 ao final de 2009; Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.530 4 d) o valor adicionado ao saldo de PDD no decorrer do ano calendário 2009 era composto de uma parte indedutível de R$ 6.540.044,61 e outra dedutível de R$ 1.968.196,71; e) o valor de PDD de 2008 não poderia ser somado à movimentação ocorrida no ano de 2009, sob pena de bitributação, pois aquela quantia já fora tributada em momento oportuno; f) os valores adicionados ao lucro real podem não ser necessariamente os mesmos registrados nas linhas 30 das fichas 6A e 7A; g) a reversão dos saldos das provisões não dedutíveis, no montante de R$ 39.611.686,08, foi devidamente contabilizada, assim como considerada na apuração do lucro real e lançada na linha 40 da ficha 09A da DIPJ; h) o saldo de R$ 39.611.686,08 foi composto de reversões de provisões destinadas a comissão sobre vendas, ajuste a preço de mercado ou materiais obsoletos, compra de opções, ICMS, demais reversões de ajustes para valor presente, riscos de fiança (Cooperlucas), despesas de importação e contingências de PIS/COFINS; i) a reversão da provisão para comissão sobre vendas, considerada por R$ 3.699.152,09, resulta de provisões adicionadas no anocalendário imediatamente anterior, que, se não excluídas, acarretariam bitributação; a reversão não foi escriturada como receita em 2009 porque se constituía de valores contabilizados até 31/12/08; j) a reversão da provisão para ajuste a preço de mercado ou materiais obsoletos, considerada por R$ 2.895.759,05, consiste em exclusão registrada no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), cujo valor não será encontrado em receitas em 2009, uma vez que é composto de valores históricos, contabilizados até 31/12/08; k) a reversão da provisão para compra de opções, considerada por R$ 22.214.840,69, exclui valores de provisões que foram adicionadas no ano imediatamente anterior e que igualmente não serão encontrados em conta de receitas de 2009; l) a reversão da provisão para ICMS, considerada por R$ 3.151.960,16, compõese em valores adicionados e excluídos mensalmente no lucro real, de acordo com a variação dos saldos e expectativa de recuperação dos créditos de ICMS, sendo decorrente da compensação entre despesas e receitas no preenchimento da DIPJ, porém demonstrado de maneira analítica no Lalur: adição de R$ 10.174.180,25 e exclusão de R$ 3.151.960,16; m) as demais reversões de ajustes para valor presente, consideradas por R$ 4.522.740,65, compõemse de valores adicionados e excluídos mensalmente no lucro real nas contas Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.531 5 dessa natureza, cuja movimentação total de R$ 4.522.740,65 foi deduzida das provisões de R$ 2.079.647,49, resultando no saldo de R$ 2.443.093,16, lançado na linha 34 da ficha 06A da DIPJ (“o montante de R$ 4.522.740,65 foi excluído na apuração do lucro real e lançado na DIPJ como receita pelo valor líquido de R$ 2.443.083,16”) ; n) a reversão da provisão para riscos de fiança, considerada por R$ 2.500.000,00, decorre da quitação dos débitos em outubro de 2009, comprovada por registros na parte A e B do Lalur; o) a reversão da provisão para despesas de importação, considerada por R$ 471.145,64, não exigiu registro em contas de receitas no anocalendário 2009, tendo sido excluída do lucro real em decorrência de adições realizadas até 31/12/08, com objetivo de evitar a adição em duplicidade; p) a reversão da provisão para contingências de PIS/COFINS, considerada por R$ 156.087,80, também resultou de valores adicionados em períodos anteriores, não exigindo a contabilização em receitas em 2009; q) a jurisprudência administrativa citada no auto de infração é favorável à impugnante, uma vez que preconiza serem não tributáveis as reversões de provisões indedutíveis. A contribuinte cita e transcreve dispositivos do RIR/99, assim como comenta jurisprudência e anexos à impugnação. É o relatório. Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.532 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Do Recurso de Ofício: A matéria a ser analisada no julgamento do Recurso de Ofício é relativa a primeira infração abaixo descrita: A) adição ao lucro real inferior à devida: ponderandose a indedutibilidade das despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD), a contribuinte adicionou apenas R$ 6.540.044,61 de um total de R$ 39.508.397,69, deixando de considerar a diferença de R$ 32.968.353,08 na apuração do IRPJ e da CSLL; Em relação a está infração que foi cancelada pelo v. acórdão recorrido relativa a adição insuficiente de Provisões de Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) não computadas na apuração do lucro real, no importe de R$ 32.968.353,08, resultando na falta de inclusão na base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre este valor acima indicado, entendo que a decisão 'a quo' deve ser mantido nesta parte. Sendo assim, para evitar repetições, utilizo os argumentos do v. acórdão recorrido para fundamentar meu voto e para ajudar o entendimento dos meus pares colaciono abaixo as tabelas que foram utilizadas pelo I. Relator para decidir pela improcedência da primeira infração. (Os principais documentos utilizados pelo Relator em relação a matéria analisada no Recurso de Ofício estão nas fls.472/493 dos autos paginas 3 e 4 do arquivo eletrônico, junto com as tabelas da paginas 8 e 9 do arquivo eletrônico). Adição insuficiente de provisão com PCLD indedutível Ao esclarecer à fiscalização sobre a composição da adição ao lucro real de R$ 46.193.807,84, a título de despesas operacionais não dedutíveis (linha 5 da ficha 9A da DIPJ/10), a interessada informou que a parcela de R$ 6.540.044,61 desse montante corresponderia ao contabilizado na rubrica “3230100101 – Provisão para devedores duvidosos, IN RF 80/93”, cujo saldo de R$ 46.798.090,54 (fls. 324/337 página 17 do arquivo eletrônico ou 14 do Razão Contábil e página 54 do arquivo eletrônico ou 37 do Razão Contábil), adicionado ao da rubrica “3230200101 – Perda de recuperação de crédito – Lei 9.430/96, art. 9º” (R$ 1.534.517,66), representaria o total do débito com perdas em operações de crédito de R$ 48.332.608,20, informado na linha 22 da ficha 5A da DIPJ/10. Uma planilha apresentada pela fiscalizada, informando as movimentações envolvendo a rubrica contábil 3230100101 (PDD) em 2009, revela a constituição de provisão de contas patrimoniais passivas no montante de R$ 47.203.417,64 (fls. Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.533 7 324/337). Contudo, um resumo da movimentação dessas contas, também trazido pela contribuinte, identifica um total das provisões pelo valor de R$ 39.508.397,69, sendo R$ 21.354.033,68 qualificado como indedutível e R$ 18.154.364,01, como dedutível (fl. 479). O autuante entende que o valor adicionado de R$ 6.540.044,61 pelas provisões de devedores duvidosos seria insuficiente, pois faltariam R$ 32.968.353,08 para que fosse alcançado o montante de despesas com provisão por créditos de liquidação duvidosa (PCLD), cujo valor que considerou indedutível era de R$ 39.508.397,69. Por outro lado, a impugnante defende que a quantia adicionada de R$ 6.540.044,61 corresponderia à movimentação da conta no anocalendário 2009, em resultado que comporia a diferença entre as constituições e reversões do período, como demonstrado em tabelas da fl. 479. Contudo, o procedimento da contribuinte não acompanhou a legislação, que determina adição das provisões (despesas) indedutíveis ao lucro líquido do período de apuração. As mesmas tabelas apresentadas revelam um crédito total de R$ 47.130.496,79 nas contas retificadoras de ativo de PCLD, o que pressupõe contrapartida com conta de resultado (despesa). A interessada detalhou que o valor de R$ 40.639.849,22, informado como reversão dos saldos das provisões operacionais (linha 30 das fichas 6A1 e 7A da DIPJ/10), constituiuse da soma de duas rubricas: “4510100101 – Reversão Devedores Inc. 9.430, art. 9º”, por R$ 38.289.849,22, e “3230300101 – Recuperação de crédito Lei 9.430/96, art. 12”, por R$ 2.350.000,00 (fl. 474). A parcela vinculada à reversão de provisões indedutíveis guarda proximidade com o débito total de R$ 38.622.255,48, informado nas contas retificadoras de ativo de PCLD (fl. 479), o que se pressupõe ter contrapartida com a conta de resultado (crédito). Por outro lado, observase que a contribuinte não exerceu o direito de excluir a reversão das provisões com os créditos de liquidação duvidosa não dedutíveis e o montante do crédito deduzido que foi recuperado2, como faculta a legislação (reportese à fl. 475). Assim, a diferença entre os valores informados na DIPJ/10 das provisões e das reversões de PCLD não dedutíveis e recuperações de créditos pertinentes é de R$ 6.158.241,32 (R$ 46.798.090,54 – R$ 40.639.849,22) – quantia ligeiramente inferior à adição de R$ 6.540.044,61, informada pela contribuinte. [...] tabela de fls. 6 do v. acórdão Assim, apesar do erro técnico cometido pelo sujeito passivo em relação à falta de adição de parte das despesas com PCLD, a não exclusão das receitas de reversão produz resultado compensatório em relação o cálculo do lucro real. Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.534 8 Fl. 478 Anexo 1: Fl. 479 Anexo 2: Assim, como muito bem apontou o v. acórdão recorrido, apesar do erro técnico cometido pelo sujeito passivo em relação à falta de adição de parte das despesas com PCLD, a não exclusão das receitas de reversão produz resultado compensatório em relação ao cálculo do lucro real, não restando prejuízo ao Erário, devendo ser mantida a decisão do v.acórdão que cancelou a primeira infração. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.535 9 Pelo exposto e por tudo que consta nos autos, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos na legislação pertinente, motivo pelo qual, o admito. A matéria a ser analisada no julgamento do Recuso Voluntário é relativa a segunda infração de exclusão indevida ou não autorizada de R$ 39.611.686,08 na determinação do lucro real do anocalendário de 2009. Nas palavras do Auditor Fiscal autuante a infração é a seguinte: B) exclusão indevida ou não autorizada de R$ 39.611.686,08 na determinação do lucro real – falta de comprovação de que a exclusão por “reversão dos saldos das provisões não dedutíveis” (linha 40 da ficha 09A da DIPJ/2010) corresponda a uma receita reconhecida no resultado contábil de 31/12/09. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente insiste nas mesmas alegações de sua impugnação e também pretende igualar esta infração de exclusão indevida na determinação do Lucro Real, com a primeira de glosa de reversão de provisão relativa ao PCLD que fora afastada pela DRJ, por não ter sido constatado prejuízo ao Erário. A Recorrente alega que a exclusão na determinação ao Lucro Real do ano calendário de 2009, considerada indevida pela Fiscalização, também se refere a reversões de várias provisões, indicadas na Linha 40, da Ficha 9A, da DIPJ/2010, conforme quadro abaixo colacionado: Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.536 10 Tais alegações da Recorrente não merecem ser providas, eis que como muito bem fundamentado no v. acórdão recorrido, o motivo da manutenção desta segunda infração foi devido a impossibilidade de se encontrar nos documentos acostados aos autos pela contribuinte (LALUR e tabelas elaboradas pela própria contribuinte), a existência, no mesmo período, de registros contábeis envolvendo contas de resultado. Ou seja, a Recorrente não consegui comprovar pelos documentos acostados aos autos por ela que a exclusão na determinação do Lucro Real feita por reversão de saldos de provisões não dedutíveis (Linha 40, da Ficha 9A, da DIPJ/2010 abaixo indicadas) corresponda a uma receita reconhecida no resultado contábil de 31/12/2009. O ponto crucial aqui, é que não se verificou correlação em conta de resultado do período das exclusões (da receita) do Lucro Real feitas no ano de 2009, com os saldos de provisões excluídas no ano anterior de 2008. Ou seja, não se questiona a reversão das provisões alegadas pela Recorrente, mas sim a correlação de tal exclusão da receita do Lucro Real com a conta de resultado do mesmo período, impossibilitando se confirmar que tais exclusões se referem realmente as provisões feitas no período anterior. O fato de a Recorrente ter contabilizado despesa de provisão em ano anterior (2008) e ter adicionado ao lucro real para neutralizar o seu impacto no mesmo período, por entender serem indedutíveis, não permite a exclusão de seu valor sem a devida contabilização da receita devida por reversão. O fundamento exposto pela contribuinte em seu recurso não demonstra a neutralidade fiscal exigida às constituições e reversões de provisões indedutíveis. Sendo assim, em relação a matéria do Recurso Voluntário relativa a exclusão de provisões não contabilizadas como receita, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido. E novamente, para evitar repetições, colaciono os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar meu voto. A fiscalização identificou como infração a exclusão de R$ 39.611.686,08, consignada nas linhas 40 da ficha 9A e 33 da ficha 17 da DIPJ/10, uma vez que não teria havido reconhecimento em conta de resultado (receita) no período. A impugnante argumenta que o valor questionado seria composto por reversões de diversas provisões realizadas. A maior parte das provisões teria ocorrido em anocalendário anterior, quando as respectivas receitas já teriam sido contabilizadas. Segundo alega, a exclusão evitaria a bitributação. As reversões das provisões de ICMS e ajustes a valor presente teriam justificativas específicas, comentadas logo a seguir. A contribuinte novamente não respeitou a legislação, pois as exclusões devem ser vinculadas a receitas lançadas no mesmo Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.537 11 período de apuração. A documentação agregada pela defesa é escassa, consistindo basicamente em registros do Lalur e tabelas. Apesar de guardarem relação próxima com os números questionados, não justificam a inexistência, no período, de registros contábeis envolvendo contas de resultado. O fato de a interessada haver contabilizado despesa de provisão em ano anterior e têla adicionado ao lucro real para neutralizar o seu impacto no mesmo período, por ser indedutível, não autoriza a exclusão de seu valor sem a devida contabilização da receita devida por reversão. A lógica do argumento da defesa não efetiva a neutralidade fiscal exigida às constituições e reversões de provisões indedutíveis. No caso do ICMS, a contribuinte diz que o total das constituições de provisão em 2009 foi de R$ 10.174.180,25 e da reversão, R$ 3.151.960,16. O valor da reversão apareceria incluído entre as exclusões ao lucro líquido (linha 40 da ficha 9A da DIPJ/2010). A diferença de R$ 7.022.220,09 em relação às reversões comporia as demais provisões (linha 25 da ficha 5A da DIPJ/2010), tendo sido informada também como adição por despesasoperacionais não dedutíveis (linha 5 da ficha 9A da DIPJ/2010). Há que se considerar ainda, neste item, a adição de R$ 3.151.960,16, realizada em “outras adições” (linhas 38 da ficha 9A e 31 da ficha 17 da DIPJ/2010 e fl. 458). Assim, as adições de R$ 7.022.220,09 e R$ 3.151.960,16 estariam compondo a totalidade das provisões do período. Por outro lado, a exclusão não se fez acompanhada da contabilização da respectiva receita, como deveria. A impugnante afirma que o valor de R$ 4.522.740,65 – integrante das reversões das provisões não dedutíveis (ficha 9A, linha 40, e ficha 17, linha 33 – fl. 473) – referese ao saldo da conta de reversão de ajuste a valor presente (4210100116), contendo valores adicionados e excluídos mensalmente ao lucro real da empresa. Comenta que, após as deduções da 4150100101, no total de R$ 2.079.647,49, restou o saldo de R$ 2.443.093,16, que teria sido informado como receita na linha 34 da ficha 6A da DIPJ3. Conclui dizendo que, ao realizar adição e exclusão do mesmo valor de R$ 4.522.740,65, o efeito seria nulo, mas o valor líquido das receitas, por R$ 2.443.093,16, teria sido oferecido à tributação. A justificativa e os números trazidos pela defesa são confusos e inconsistentes. Ao fundamentar o valor informado na DIPJ/10 como “outras adições” (ficha 9A, linha 38, e ficha 17, linha 31), a contribuinte incluiu uma parcela de R$ 4.522.740,65 a título de ajuste a valor presente, referindoa ao registrado nas constas 41501 e 3290100108/9, chamada de “Demais Provisões Indedutíveis – ajuste vr. Presente (Valores adicionados e baixados durante o ano Calendário de 2009)” (fl. 458). Curiosamente o mesmo valor também foi informado como exclusão, em decorrência de registros da conta 4210100116, Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10314.729292/201490 Acórdão n.º 1402003.691 S1C4T2 Fl. 1.538 12 designada “Demais Reversões/Valor Presente” (fl. 473). Isso significaria que todos os ajustes a valor presente realizados em 2009 teriam sido revertidos até o último dia desse ano, o que constituiria comportamento estranho a uma natureza que se assenta sobre operações de longo prazo (art. 183, VIII, da Lei 6.404/76, com redação da Lei 11.638/07). A documentação trazida aos autos não permite guarida aos valores e operações defendidos, tanto em relação a adições e exclusões mensais entre contas diversas, como em relação ao cálculo de que teria resultado oferecimento à tributação de R$ 2.443.093,16. Acrescentese que ajuste a valor presente4 não é provisão5, ainda que devesse observar o princípio da neutralidade fisca.. As autuações deste item devem ser mantidas. Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente a decisão "a quo". Ademais, também entendo importante ressaltar que as considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL devido à identidade de causas. Por fim, como neguei provimento ao Recurso de Ofício, afasto a primeira infração de adições não computadas na apuração ao lucro real, no valor de R$ 32.968.353,08, que resulta na inexigibilidade de IRPJ e CSLL e os ajuste dos valores de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, que devem ser calculados no sistema SAPLI pela Unidade Fiscal que executará o v. acórdão. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1538DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902900/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.859
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 02 90 0/ 20 14 -1 0 Fl. 585DF CARF MF Processo nº 13896.902900/201410 Resolução nº 3201001.859 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 586DF CARF MF Processo nº 13896.902900/201410 Resolução nº 3201001.859 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 587DF CARF MF Processo nº 13896.902900/201410 Resolução nº 3201001.859 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 13896.902900/201410 Resolução nº 3201001.859 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 589DF CARF MF Processo nº 13896.902900/201410 Resolução nº 3201001.859 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 590DF CARF MF Processo nº 13896.902900/201410 Resolução nº 3201001.859 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 591DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720345/2018-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 03 45 /2 01 8- 31 Fl. 153DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, por meio da qual foi constatada Omissão de Rendimentos recebidos a título de resgate de Contribuições à Previdência Privada e omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pelo titular e/ou dependentes (aluguéis). O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que possui há vários anos contra uma DOENÇA GRAVE (NEOPLASIA MALIGNA documentação médica anexa). Por desconhecimento fiscal, não utilizou os benefícios previstos na LEI 7.713/88, que ISENTA o contribuinte do imposto de renda em caso de doenças graves, conforme caso em questão. Informou ainda que retificou a Dirpf exercício 2013/ano calendário 2012 no dia 25/12/2017, a Dirpf exercício 2014/ano calendário 2013 no dia 08/02/2018, a Dirpf exercício 2016/ano calendário 2015 no dia 03/01/2018 e a Dirpf exercício 2017/ano calendário 2016 no dia 03/01/2018. No entanto, não conseguiu retificar a Dirpf exercício 2015/ano calendário 2014. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda, no entanto, a lei prevê a isenção apenas para proventos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, o que não se trata dos rendimentos em questão, objeto do lançamento. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixa explícito que apesar de terem sido lançados rendimentos pela fiscalização que não são oriundos de aposentadoria, na sua declaração em análise está também declarado os rendimentos de aposentadoria, os quais são isentos por direito. Assim, ele esta sendo prejudicado, pois se retificasse a declaração para lançar estes rendimentos, iria ajustar como isento os proventos de aposentadoria, e não geraria nenhum imposto a pagar.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia grave Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10675.720345/201831 Acórdão n.º 2001001.192 S2C0T1 Fl. 3 3 Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. No caso em tela, verificamos que o contribuinte logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda. Não restam dúvidas sobre tal condição. No entanto, salienta a DRJ que a lei prevê a isenção apenas para proventos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, o que não se trata dos rendimentos em questão, objeto do lançamento. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, verificamos que o contribuinte deixa explícito que apesar de terem sido lançados rendimentos pela fiscalização que não são oriundos de aposentadoria, na sua declaração em análise está também declarado os Fl. 155DF CARF MF 4 rendimentos de aposentadoria, os quais são isentos por direito. Assim, ele esta sendo prejudicado, pois se retificasse a declaração para lançar estes rendimentos, iria ajustar como isento os proventos de aposentadoria, e não geraria nenhum imposto a pagar. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Acrescentese também a ponderação do princípio constitucional da razoabilidade. Na vida em sociedade, o modo de agir com razão, ou mesmo, ser razoável nas Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10675.720345/201831 Acórdão n.º 2001001.192 S2C0T1 Fl. 4 5 decisões cotidianas é benéfico para inibir a opressão aos mais fracos. Não sendo diferente, a Constituição acolhe a razoabilidade como princípio a ser perseguido. A razoabilidade serve como instrumento de valoração do fato concreto em relação ao direito a ser aplicado. Sobre o princípio, Fábio Corrêa Souza de Oliveira conceitua que: "O razoável é conforme a razão, racionável. Apresenta moderação, lógica, aceitação, sensatez. A razão enseja conhecer e julgar. Expõe o bom senso, a justiça, o equilíbrio. Promove a explicação, isto é, a conexão entre um efeito e uma causa. É contraposto ao capricho, à arbitrariedade. Tem a ver com a prudência, com as virtudes morais, com o senso comum, com valores superiores propugnado em data comunidade" . (OLIVEIRA, 2003, p.92) Em olhar diverso, Fábio Pallaretti Calcini ensina, sob um critério de aferição da constitucionalidade de leis, que: A razoabilidade é uma norma a ser empregada pelo Poder Judiciário, a fim de permitir uma maior valoração dos atos expedidos pelo Poder Público, analisandose a compatibilidade com o sistema de valores da Constituição e do ordenamento jurídico, sempre se pautando pela noção de Direito justo, ou Justiça. (CALCINI, 2003, p. 146) Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação e constante boa fé do contribuinte em comprovar tudo o quanto alegado. entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, para que o contribuinte tenha a oportunidade de retificar a sua declaração e lançar devidamente os rendimentos, o que, de fato, não irá acarretar em imposto de renda a recolher. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 157DF CARF MF 6 Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720552/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 26/05/2002 a 17/09/2002
IPI. IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EXTRAVIADAS. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR.
O artigo 67 da Lei n. 10.833/2003, ao estabelecer hipótese de arbitramento da base de cálculo de mercadorias extraviadas, apresenta norma de direito material, acerca da base de cálculo do II e do IPI-importação, de modo que não implica a utilização do 144, §1º do CTN, mas sim do seu caput, acerca da aplicação do direito no tempo.
O artigo 73, inciso II, alínea "c" do RA com sua redação atual - presunção do fato gerador do imposto de importação de mercadorias extraviadas no momento do lançamento de ofício - não se aplica ao IPI-importação e o §3º do artigo 2º da Lei n. 4.502/64 tampouco vigia no período das importações.
Assim, é incabível a aplicação do artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 para a apuração da base de cálculo do IPI-importação de mercadorias extraviadas anteriormente à sua vigência, devendo o auto de infração que equivocadamente usou tal fundamento ser cancelado.
IMPORTAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO.
As presunções legais sobre o extravio de mercadorias são juris tantum. Trata-se de operações amplamente documentadas, cabendo a cada declarante fazer prova de que aquilo que está a declarar não corresponde à realidade.
Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do Sistema MANTRA que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. Na falta de prova em sentido contrário pelo Contribuinte, prevalece a presunção legal de extravio das mercadorias.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. EXTRAVIO DE MERCADORIAS
Atribui-se ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multa incidentes sobre o extravio, constatado na descarga, de mercadorias manifestadas.
CONVENÇÃO DE VARSÓVIA. INAPLICABILIDADE PARA A APURAÇÃO DE TRIBUTOS.
O artigo 22 da Convenção de Varsóvia institui valor de indenização cível a ser paga pelo transportador para o proprietário do bem transportado em casos de danos às mercadorias, inexistindo legislação autorizando a utilização desse valor para a apuração do imposto de importação. Tendo sido esse o dispositivo invocado para fundamentar a lavratura do auto de infração, o mesmo deve ser cancelado.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. MOMENTO. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA MANIFESTADA. APURAÇÃO DA FALTA.
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (art. 144, caput do CTN). A data a ser considerada para o fato gerador do Imposto de Importação é a data do lançamento decorrente da apuração da falta ou extravio pela autoridade aduaneira.
É no encerramento do procedimento fiscal de conferência final de manifesto que a fiscalização chega a conclusão de que houve efetivamente a falta de mercadoria manifestada, ou seja, de que ela foi arrolada em manifesto de carga, mas que não foi descarregada no recinto alfandegado, quando a interessada, não obstante intimada, não logrou êxito em demonstrar o contrário. A lavratura do auto de infração representa o resultado do procedimento fiscal em sentido desfavorável à fiscalizada.
Recurso voluntário Provido em parte
Numero da decisão: 3402-006.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o vício de motivação da autuação para o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e manter a exigência do Imposto de Importação - II apenas quanto ao MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e a Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam provimento total ao recurso para reconhecer o vício de motivação também para o Imposto de Importação - II, sendo vencidos pelo voto de qualidade. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 26/05/2002 a 17/09/2002 IPI. IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EXTRAVIADAS. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR. O artigo 67 da Lei n. 10.833/2003, ao estabelecer hipótese de arbitramento da base de cálculo de mercadorias extraviadas, apresenta norma de direito material, acerca da base de cálculo do II e do IPI-importação, de modo que não implica a utilização do 144, §1º do CTN, mas sim do seu caput, acerca da aplicação do direito no tempo. O artigo 73, inciso II, alínea "c" do RA com sua redação atual - presunção do fato gerador do imposto de importação de mercadorias extraviadas no momento do lançamento de ofício - não se aplica ao IPI-importação e o §3º do artigo 2º da Lei n. 4.502/64 tampouco vigia no período das importações. Assim, é incabível a aplicação do artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 para a apuração da base de cálculo do IPI-importação de mercadorias extraviadas anteriormente à sua vigência, devendo o auto de infração que equivocadamente usou tal fundamento ser cancelado. IMPORTAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. As presunções legais sobre o extravio de mercadorias são juris tantum. Trata-se de operações amplamente documentadas, cabendo a cada declarante fazer prova de que aquilo que está a declarar não corresponde à realidade. Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do Sistema MANTRA que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. Na falta de prova em sentido contrário pelo Contribuinte, prevalece a presunção legal de extravio das mercadorias. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. EXTRAVIO DE MERCADORIAS Atribui-se ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multa incidentes sobre o extravio, constatado na descarga, de mercadorias manifestadas. CONVENÇÃO DE VARSÓVIA. INAPLICABILIDADE PARA A APURAÇÃO DE TRIBUTOS. O artigo 22 da Convenção de Varsóvia institui valor de indenização cível a ser paga pelo transportador para o proprietário do bem transportado em casos de danos às mercadorias, inexistindo legislação autorizando a utilização desse valor para a apuração do imposto de importação. Tendo sido esse o dispositivo invocado para fundamentar a lavratura do auto de infração, o mesmo deve ser cancelado. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. MOMENTO. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA MANIFESTADA. APURAÇÃO DA FALTA. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (art. 144, caput do CTN). A data a ser considerada para o fato gerador do Imposto de Importação é a data do lançamento decorrente da apuração da falta ou extravio pela autoridade aduaneira. É no encerramento do procedimento fiscal de conferência final de manifesto que a fiscalização chega a conclusão de que houve efetivamente a falta de mercadoria manifestada, ou seja, de que ela foi arrolada em manifesto de carga, mas que não foi descarregada no recinto alfandegado, quando a interessada, não obstante intimada, não logrou êxito em demonstrar o contrário. A lavratura do auto de infração representa o resultado do procedimento fiscal em sentido desfavorável à fiscalizada. Recurso voluntário Provido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o vício de motivação da autuação para o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e manter a exigência do Imposto de Importação - II apenas quanto ao MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e a Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam provimento total ao recurso para reconhecer o vício de motivação também para o Imposto de Importação - II, sendo vencidos pelo voto de qualidade. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 26/05/2002 a 17/09/2002 IPI. IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EXTRAVIADAS. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR. O artigo 67 da Lei n. 10.833/2003, ao estabelecer hipótese de arbitramento da base de cálculo de mercadorias extraviadas, apresenta norma de direito material, acerca da base de cálculo do II e do IPIimportação, de modo que não implica a utilização do 144, §1º do CTN, mas sim do seu caput, acerca da aplicação do direito no tempo. O artigo 73, inciso II, alínea "c" do RA com sua redação atual presunção do fato gerador do imposto de importação de mercadorias extraviadas no momento do lançamento de ofício não se aplica ao IPIimportação e o §3º do artigo 2º da Lei n. 4.502/64 tampouco vigia no período das importações. Assim, é incabível a aplicação do artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 para a apuração da base de cálculo do IPIimportação de mercadorias extraviadas anteriormente à sua vigência, devendo o auto de infração que equivocadamente usou tal fundamento ser cancelado. IMPORTAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. As presunções legais sobre o extravio de mercadorias são juris tantum. Trata se de operações amplamente documentadas, cabendo a cada declarante fazer prova de que aquilo que está a declarar não corresponde à realidade. Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do Sistema MANTRA que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. Na falta de prova em sentido contrário pelo Contribuinte, prevalece a presunção legal de extravio das mercadorias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 05 52 /2 00 7- 16 Fl. 348DF CARF MF 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. EXTRAVIO DE MERCADORIAS Atribuise ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multa incidentes sobre o extravio, constatado na descarga, de mercadorias manifestadas. CONVENÇÃO DE VARSÓVIA. INAPLICABILIDADE PARA A APURAÇÃO DE TRIBUTOS. O artigo 22 da Convenção de Varsóvia institui valor de indenização cível a ser paga pelo transportador para o proprietário do bem transportado em casos de danos às mercadorias, inexistindo legislação autorizando a utilização desse valor para a apuração do imposto de importação. Tendo sido esse o dispositivo invocado para fundamentar a lavratura do auto de infração, o mesmo deve ser cancelado. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. MOMENTO. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA MANIFESTADA. APURAÇÃO DA FALTA. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (art. 144, caput do CTN). A data a ser considerada para o fato gerador do Imposto de Importação é a data do lançamento decorrente da apuração da falta ou extravio pela autoridade aduaneira. É no encerramento do procedimento fiscal de conferência final de manifesto que a fiscalização chega a conclusão de que houve efetivamente a falta de mercadoria manifestada, ou seja, de que ela foi arrolada em manifesto de carga, mas que não foi descarregada no recinto alfandegado, quando a interessada, não obstante intimada, não logrou êxito em demonstrar o contrário. A lavratura do auto de infração representa o resultado do procedimento fiscal em sentido desfavorável à fiscalizada. Recurso voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o vício de motivação da autuação para o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e manter a exigência do Imposto de Importação II apenas quanto ao MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e a Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam provimento total ao recurso para reconhecer o vício de motivação também para o Imposto de Importação II, sendo vencidos pelo voto de qualidade. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 349 3 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de São Paulo/SP, que julgou improcedente impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratam os autos de procedimento fiscal de conferência final de manifesto, do qual decorreu a lavratura de Auto de Infração para exigência do Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e multa prevista no art. 106, inciso II, alínea“d”, do DecretoLei n. 37/66, em virtude do extravio de mercadoria manifestada, perfazendo o valor total de R$ 213.045,24. A autoridade lançadora relata haver constatado o não armazenamento de cargas que foram devidamente declaradas pelo interessado no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento – MANTRA, instituído pela IN SRF n° 102/94, a saber: 1) 01 (um) volume, peso 1,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020022026, de 26/05/2002, com o documento de carga aérea MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166, no Vôo N330UP; 2) 01 (um) volume, peso 21,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020022026, de 26/05/2002, com o documento de carga aérea MAWB 4064173 8281 HAWB 414970JYHQC, no Vôo N330UP; 3) 02 (dois) volumes, peso 899,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020034296, de 10/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4064531 6983, no Vôo N306UP; 4) 01 (um) volume, peso 7,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020034296, de 10/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066392 4416, no Vôo N306UP; 5) 03 (três) volumes, peso 73,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020034296, de 10/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066392 4420, no Vôo N306UP; Fl. 350DF CARF MF 4 6) 01 (um) volume, peso 27,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020034296, de 10/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066395 6992, no Vôo N306UP; 7) 10 (dez) volumes, peso 225,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020034296, de 10/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066395 7003, no Vôo N306UP; 8) 05 (cinco) volumes, peso 93,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020034296, de 10/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066398 6145, no Vôo N306UP; 9) 142 (cento e quarenta e dois) volumes, peso 601,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020034296, de 10/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066398 6156, no Vôo N306UP; 10) 01 (um) volume, peso 9,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020035160, de 17/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066392 4173, no Vôo N322UP; 11) 02 (dois) volumes, peso 32,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020035160, de 17/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066392 4184, no Vôo N322UP; 12) 01 (um) volume, peso 30,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020035160, de 17/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066392 6450, no Vôo N322UP; 13) 02 (dois) volumes, peso 36,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020035160, de 17/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066392 6461, no Vôo N322UP; 14) 04 (quatro) volumes, peso 59,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020035160, de 17/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066398 6226, no Vôo N322UP; 15) 140 (cento e quarenta) volumes, peso 580,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020035160, de 17/09/2002, com o documento de carga aérea AWB 4066398 6252, no Vôo N322UP. Objetivando obter esclarecimentos acerca do ocorrido com referidos volumes, foram lavradas intimações fiscais em face do transportador aéreo, importador e depositário, cujas respostas encontramse juntadas aos autos (fls. 61/143). Considerando caracterizado o extravio, o fisco procedeu à valoração das mercadorias para fins de apuração dos tributos devidos. No caso do MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166, tendo em vista a impossibilidade de identificação das mercadorias, a base de cálculo foi arbitrada nos termos do artigo 67, caput e § 1° da Lei n° 10.833/2003, utilizando se das declarações de importação realizadas no 1º semestre de 2007 pela empresa ZF do BRASIL LTDA, CNPJ n.° 59.280.685/000110 (filiais, inclusive, já que no conhecimento aéreo não se especificou o CNPJ da empresa). Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 350 5 Com relação aos demais conhecimentos aéreos, a valoração das mercadorias foi realizada com base nas informações constantes no Sistema MANTRA (frete) e utilizouse o Decreto 2.861 de 07/12/1998, Artigo VII (Artigo 22 da Convenção de Varsóvia) que estabelece, como responsabilidade do transportador, a quantia de 17 Direitos Especiais de Saque por quilograma. Tendo em vista a impossibilidade de identificação das mercadorias, aplicaramse as alíquotas previstas no caput do art. 67 da Lei nº 10.833/2003. Cientificada do lançamento em 01/08/2007, a interessada apresentou impugnação em 30/08/2007, juntada às fls. 170 e seguintes. Ocorre que análise da referida peça revelou a falta de uma folha, o que motivou a conversão do julgamento em diligência, por meio do Despacho nº 19 desta 24ª Turma da DRJ/SP1 (fl. 209). Às fls. 216 e seguintes, foi juntada a íntegra da impugnação apresentada em 30/08/2007, cujas alegações em síntese são: (a) em sede preliminar, o lançamento é nulo, conforme determina o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o auto de infração referese a manifestos de importação relacionados entre 26 de maio e 17 de setembro de 2002, e foram aplicadas normas que não estavam em vigor no momento da ocorrência dos fatos, como os Decretos nºs. 4.543 e 4.544, publicados em 27/12/2002, e na Lei nº 10.833, publicada em 30/12/2003, o que caracteriza afronta ao art. 144 do CTN e art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72, bem como preterição do direito de defesa; (b) no caso concreto, como houve equívoco nas informações manifestadas e as cargas nunca foram enviadas, consequentemente não ocorreu seu desembarque, nem foram apresentadas as respectivas declarações de importação. Ou seja, não ocorreu o fato gerador do imposto de importação, uma vez que os registros no MANTRA não se equiparam às declarações requeridas pela legislação como identificadoras da ocorrência dos fatos geradores do imposto de importação; (c) o lançamento efetuado pelo presente auto de infração não enseja o fato gerador do imposto de importação, por falta de fundamento legal no CTN e DecretoLei nº 37/66. Esse entendimento decorre de dispositivo inserido ilegalmente no Regulamento Aduaneiro, que extrapola os comandos e limites das normas que lhe são hierarquicamente superiores e as quais deve se conformar, nos termos do art. 99 do Código Tributário Nacional e do parágrafo primeiro do art. 94 do DecretoLei n° 37/66. No caso do Imposto sobre a Importação, por força do art. 146, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal, o fato gerador só pode ser definido pela lei complementar, em hipótese alguma por meio de ficção criada em norma regulamentar; (d) no mérito, a transportadora não pode ser cobrada pelos tributos lançados, pois não existe previsão legal conferindo a Fl. 352DF CARF MF 6 ela esta responsabilidade tributária. Com efeito, a responsabilidade tributária conferida pelo art. 32, inciso I, do DecretoLei n° 37/66 referese às encomendas que tenham sido desembarcadas e declaradas, submetendose ao despacho aduaneiro de importação. No caso concreto, em que é alegada a ocorrência de suposto extravio sem que tenha ocorrido o desembarque, e anterior aferição física das cargas, não é possível a responsabilização do transportador; (e) não existe prova da ocorrência da hipótese descrita no inciso VI do art. 592. Este dispositivo determina que o transportador é fiscalmente responsável quando houver "extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel manifestados", Ora, os supostos extravios foram apurados na conferência final de manifesto realizada cinco anos após a inserção no Mantra das informações sobre as remessas, em momento muito posterior ao da suposta descarga, previsto nessa norma, a qual, ressaltese, também não tem fundamento legal. No momento dos fatos em questão, vigorava o Regulamento Aduaneiro instituído pelo Decreto n° 91.030/85, o qual, em seu art. 478, não previa a responsabilidade do transportador por volumes cujo extravio fosse aventado em conferência final de manifesto realizada vários anos após o desembarque; (f) ainda há que se considerar que não existe nos autos prova de que a impugnante tenha dado causa aos supostos extravios. Tal fato não foi devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, como é requerido pelo parágrafo único do art. 60 do DecretoLei n° 37/66 e pelo art. 478 do Decreto n° 91.030/85, equivalente ao art. 591 do Decreto n° 4.543/02 indicado no auto de infração; (g) ainda que se considerasse ocorrido o fato gerador do II, a autuação deve ser cancelada, pois adota base de cálculo instituída pela Lei n° 10.833/03, inaplicável retroativamente aos fatos em discussão, que ocorreram em 2002. Nos casos de falta de mercadoria, a base de cálculo do imposto de importação, nos termos do art. 112 do DecretoLei n° 37/66 é "o valor que constar do manifesto ou outros documentos ou sobre o valor da mercadoria contida em volume idêntico ao do manifesto". Este comando se adequa ao art. 20 do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre a base de cálculo desse tributo; (h) outra nulidade constante do auto de infração é a estipulação da alíquota de 50% para o imposto de importação adotando por fundamento legal norma, que já se demonstrou, não se aplica ao caso concreto. A alíquota a ser aplicada é aquela determinada nos termos do parágrafo único do art. 112 do DecretoLei nº 37/66. Como a alíquota mais alta prevista na TEC é de 35%, então esta é que deveria ser aplicada ao caso; (i) o lançamento relativo ao IPI deve ser cancelado, pois como não houve o desembaraço aduaneiro da mercadoria, então não houve fato gerador. O dispositivo utilizado pelo fisco para Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 351 7 fundamentar a cobrança – parágrafo 3º do art. 2º da Lei nº 4.502/64 – é inválido e inaplicável, por ter sido instituído apenas em dezembro de 2003 e porque, na verdade, institui novo fato gerador do IPI, em desacordo com o comando do art. 46, I, do CTN; (j) inexiste fundamento legal que autorize a cobrança de IPI do transportador nos casos de extravio de carga; (j) a fundamentação legal para a exigência de IPI citada no lançamento é literalmente " todos" os artigos, o que é flagrante desrespeito ao principio da tipicidade tributária e da obrigatoriedade de adequadada fundamentação dos atos administrativos, o que impõe a necessidade de cancelamento do lançamento em questão; (j) requer, ao final, seja julgado nulo o auto de infração pela ausência de fundamentação legal apta a permitir a defesa da impugnante e, caso assim não se entenda, requerse então seja cancelado o auto de infração por exigir II, IPI e penalidades de pessoa que não tem responsabilidade legal pelo seu pagamento, bem como por ausência de demonstração da ocorrência dos fatos geradores e pela adoção de base de cálculo e alíquotas ilegais. Todos os números de folhas citados neste acórdão são os atribuídos pelo"eprocesso”. O julgamento da impugnação (fls 162 a 198) resultou no Acórdão da DRJ de São Paulo/SP (fls 255 a 274), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/07/2007 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do Sistema MANTRA que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. Atribuise ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multa incidentes sobre o extravio, constatado na descarga, de mercadorias manifestadas. EXTRAVIO. CÁLCULO DO IMPOSTO. DATA DO FATO GERADOR. Para efeito de cálculo do imposto de importação, considerase ocorrido o fato gerador de mercadoria constante de manifesto, cujo extravio for apurado pela Fl. 354DF CARF MF 8 autoridade aduaneira, na data do correspondente lançamento. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, aplicase o disposto no artigo 67 da Lei 10.833/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de petição de fls 241 a 256, apresentando os seguintes pontos de defesa: preliminarmente, i) da nulidade do auto de infração sob o argumento da irretroatividade da lei tributária de natureza material; no mérito, ii) da não ocorrência do fato gerador do imposto de importação; subsidiariamente iii) da não responsabilidade da transportadora, uma vez que não ocorreu a hipótese prevista no artigo 592, inciso VI do Decreto 4.543/2002, já que inexiste prova do extravio ou de que a Recorrente a ele tenha dado causa; ainda subsidiariamente iv) da ausência de base de cálculo do crédito tributário e da inaplicabilidade do artigo 67, §1º da Lei n. 10.833/2003; v) da insubsistência da cobrança do IPIimportação; vi) também subsidiariamente, da inaplicabilidade da Convenção de Varsóvia para a apuração de crédito tributário; e, finalmente, vii) do equívoco da alíquota utilizada. É o relatório Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme informação de fls 284, o Contribuinte tomou conhecimento da decisão recorrida em 29/05/2014, tendo apresentado seu recurso voluntário no dia 30/06/2014 (segundafeira), uma vez que o dia 28/05 foi um sábado. Portanto o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele tomo conhecimento. 1) Da nulidade do auto de infração sob o argumento da irretroatividade da lei tributária de natureza material Com relação às preliminares, um dos argumentos da defesa diz respeito à impossibilidade de aplicação do artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 aos fatos geradores em questão (período de apuração: 26/04/1999 a 27/09/1999), uma vez que são anteriores à vigência do referido dispositivo. Vejamos o seu conteúdo, na redação vigente à época dos fatos Art. 67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 352 9 por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados. § 1o Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. A maioria dos julgadores da DRJ afastou a pretensão da Recorrente, sob o fundamento de que o artigo 144, §1º do CTN seria aplicável ao caso. Lembremos seu texto: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Numa síntese, a decisão recorrida entendeu que a hipótese de arbitramento prevista pelo artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 instituiu "novos critérios de apuração" dos tributos incidentes sobre as importações, de modo que prevaleceria a excepcional regra de retroatividade da legislação prevista no §1º do artigo 144 do CTN. Isto porque o artigo 73, inciso II, "c" do Regulamento Aduaneiro estabelece que "para efeito de cálculo o do imposto, considerase ocorrido o fato gerador, no dia do lançamento do crédito tributário, quando se tratar de mercadoria constante de manifesto ou outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira". É justamente esse o ponto a ser enfrentado, pois há equívocos no citado raciocínio. Em primeiro lugar, a regra de arbitramento da base de cálculo prevista no artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 estabelece norma de direito material, de maneira nenhuma tratando de normas adjetivas/procedimentais referidas no §1º do artigo 144 do CTN. Afinal, a apuração da base de cálculo, conjuntamente com a alíquota, é parte fundamental do critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária. Por ser assim, a legislação sobre base de cálculo de determinado tributo é, indubitavelmente, norma material de direito tributário. Por conseguinte, não é o caso de aplicação do artigo 144, §1º do CTN, conforme leciona a melhor doutrina: O §1º, fazendo coro com a melhor doutrina processual, dispõe que as normas procedimentais (normas adjetivas) referentes aos lançamento, inclusive garantias e privilégios, aplicamse de imediato aos casos em curso, isto é, aos procedimentos preparatórios e revisionais do lançamento e ao próprio ato Fl. 356DF CARF MF 10 formal do lançamento (...) " (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro, Curso de Direito Tributário Brasileiro, Rio de Janeiro: Editora Forense, 2009, p. 701) 1 A exata questão ora discutida já foi apreciada por este Conselho no Acórdão 3101000.619, no qual a unanimidade dos julgadores entenderam que, efetivamente, o artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 constitui norma de direito material ao prever hipótese de arbitramento da base de cálculo do II e do IPIimportação, portanto não se subsumindo à regra do artigo 144, §1º do CTN, uma vez que esta versa unicamente sobre normas procedimentais. Tal decisão foi recentemente mantida, em seus exatos termos, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão 9303005.158. Colaciono a seguir a ementa da referida decisão (Acórdão 3101000.619): Ementa(s) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II. Data do fato gerador: 19/02/1999, 25/03/1999, 25/12/1999 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CONSTATAÇÃO DE NÃO ARMAZENAMENTO DE CARGA. FALTA DE MERCADORIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Merece ser declarada a improcedência do lançamento lastreado no fato de a carga não ter sido objeto de armazenamento, pois isso não autoriza presumir o extravio de volume ou de mercadoria em relação aos registros constantes no manifesto de carga, nem a imputar responsabilidade à pessoa do transportador, haja vista ausência de previsão legal para tanto. A falta de armazenamento de carga não constitui fato apurável mediante procedimento de conferência final do manifesto e tampouco serve para constatar extravio ou acréscimo de volume e/ou mercadoria registrados em manifesto de carga ou documento de efeito equivalente. BASE DE CÁLCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Em virtude do princípio da irretroatividade da lei tributária, é imprópria a base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal, uma vez que o artigo 67, caput e § 1º da Lei 10.833/2003 contém dispositivo que trata de critério de apuração da base de cálculo, e não pode ser utilizado para fatos geradores de 1999, nem com o escudo do § 1º do art. 144 do CTN, como apregoado pela decisão recorrida, porquanto os "novos critérios de apuração", referidos no texto legal, estão umbilicalmente ligados à expressão pregressa "ocorrência do fato gerador" da obrigação, ou seja, apurar a existência da obrigação tributária, e não da base de cálculo. O § 1º do art. 144 retrocitado admite a aplicação de novas normas procedimentais para apurar a ocorrência do fato gerador, com novos procedimentos fiscalizatórios, inclusive com mais poderes investigatórios às autoridades tributárias e maiores garantias e privilégios aos 1 No mesmo sentido se coloca Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 501). Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 353 11 créditos fiscais, mas em hipótese alguma permite tocar na dimensão do lançamento ou na sua sujeição passiva. Tal posicionamento vai ao encontro da pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca da interpretação do artigo 144, §1º do CTN, in verbis: STJ Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E 11, § 3°, DA LEI N° 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1°, DO CTN. I. O artigo 38 da Lei n° 4.595/64, que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar n° 105/2001. 2. A Lei n" 9.311/96 instituiu a CPMF e, no § 2° do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federal, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3 0, a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 3. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal, a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 4. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a pos bilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001. 5. O artigo 144, § 1°, do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material, que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e, por essa razão, não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. Fl. 358DF CARF MF 12 7. "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado" (Súmula 168/STJ) 8. Embargos de divergência não conhecidos. (EREsp , 726778 / PR EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL 2006/00599814 Ministro CASTRO MEIRA) (g.n.) Ementa: RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA 'A". TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENDIDA SUSPENSÃO DOS EFEITOS DE TERMO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES AO CONTRIBUINTE RELATIVAS AO ANOBASE DE 1998, A PARTIR DE DADOS INFORMADOS PELOS BANCOS À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOBRE A CPMF. PRETENDIDA COBRANÇA DE CRÉDITOS RELATIVOS A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E 11, sÇ 3°, DA LEI N. 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 10.174/01. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. EXEGESE DO ART. 144, § 1°, DO CTN. À luz do que dispõe o artigo 144, § 1 0, do CTN, inferese que as normas tributárias que estabeleçam "novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas", aplicamse ao lançamento do tributo, mesmo que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Diversamente, as normas que descrevem os elementos do tributo, de natureza material, somente são aplicáveis aos fatos geradores ocorridos após o inicio de sua vigência (cf "Código Tributário Nacional Comentado". Vladmir Passos de Freitas (coord.). São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. p. 566). Nesse contexto, forçoso reconhecer que os dispositivos (arts. 6° da LC n. 105/01 e 11, § 3 0, da Lei n. 9.311/96, na redação dada pela lei n. 10.174/01) que autorizam a utilização dos dados da CPMF pelo Fisco para a apuração de eventuais créditos tributários relativos a outros tributos são normas adjetivas ou meramente procedimentais, acerca das quais não prevalece a irretroatividade defendida pelo v. acórdão da Corte a quo. É de se observar, tãosomente, o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituição do crédito tributário. "Tanto o art. 6° da Lei Complementar 105/2001, quanto o art. 1° da Lei 10.174/2001, por ostentarem natureza de normas tributárias procedimentais, são submetidas ao regime intertemporal do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, permitindo sua aplicação, utilizando se de informações obtidas anteriormente à sua vigência" (REsp 506.232/PR, Relator Min. Luiz Fux, DJU 16/02/2004). No mesmo sentido: REsp 479.201/SC, Relator Min. Francisco Falcão, DJU 24/05/2004. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 354 13 Recurso especial provido para denegar a segurança requerida. (REsp 505493 /PR RECURSO ESPECIAL 2003/00277938 Ministro FRANCIULLI NETTO) (g.n.) Ementa PENAL. TRIBUTÁRIO. HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. 1. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INVIABILIDADE. MEDIDA EXCEPCIONAL. 2. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA A AÇÃO PENAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTS. 6º DA LC 105/2001 E 11, § 3º, DA LEI Nº 9.311/1996 NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ART. 144, § 1º, DO CTN. 3. ORDEM DENEGADA. 1. O trancamento da ação penal, por ser medida de exceção, somente cabe nas hipóteses em que se demonstrar, à luz da evidência, a atipicidade da conduta, a extinção da punibilidade ou outras situações comprováveis de plano, suficientes ao prematuro encerramento da persecução penal, hipóteses que não se verificam no presente caso. 2. A Lei Complementar nº 105/2001 revogou expressamente o art. 38 da Lei nº 4.595/1964, que autorizava a quebra de sigilo bancário apenas por meio de requerimento judicial. 3. Com o advento da Lei nº 9.311/1996, que instituiu a CPMF, determinouse que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federal, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3º a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 4. Todavia a Lei nº 10.174/2001 revogou o § 3º do art. 11 da Lei n.º 9.311/1991, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 5. O art. 144, § 1º, do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e, por essa razão, não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. 7. Habeas corpus denegado. (HC HABEAS CORPUS 118849, Relator MARCO AURÉLIO BELLIZZE) (g.n) Fl. 360DF CARF MF 14 Nesse sentido, não se resolve o presente caso pelo §1º do artigo 144 do CTN, mas sim pelo seu caput, o qual determina que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. Importante, assim, a verificação da data da ocorrência do fato gerador em casos como o presente, em que há extravio de mercadorias. Afinal, muito embora como regra geral a ocorrência do fato gerador do II seja a entrada da mercadoria em território nacional (artigo 19 do CTN e o artigo 1º, §2º do RA), o artigo 73 cria a presunção jurídica sobre a ocorrência do fato gerador do imposto no dia do lançamento tributário para casos de extravio de mercadoria. Entretanto, com relação ao Imposto de Importação, nem mesmo se pode utilizar, como proposto pela decisão a quo, o artigo 73, inciso II "c" do RA com sua redação atual para a solução do presente caso, pois ele, tampouco, era vigente à época dos fatos. Com efeito, foi somente com a edição da Lei n. 12.350, de 20 de dezembro de 2010 (fruto da conversão da Medida Provisória n. 497/2010), que foi dada nova redação2 ao parágrafo único ao artigo 23 do Decreto 37/66, cujo conteúdo acarreta no artigo 73, inciso II, "c" do RA. Este dispositivo, como visto, impõe que a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira efetuar o correspondente lançamento de ofício no caso de sua falta. Antes disto a legislação aduaneira falava sobre a data em que a autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento. Neste ponto, cumpre salientar que o artigo 73, inciso II alínea "c" do Decreto 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002), 3 vigente à época dos fatos, não possuía matriz legal. Assim, como o sistema jurídico permite que só a lei crie direitos e obrigações, restando aos decretos a função de simplesmente regulamentar os dizeres legais, impossível aplicar o referido dispositivo, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. No caso concreto, a Fiscalização intimou a Recorrente a esclarecer sobre a falta de mercadorias (fls 61). Nesse momento já havia, por meio do cruzando de informações do sistema Mantra, ali constantes relativamente ao período de 26/05/2002 a 17/09/2002, apurado seu extravio. Nesse período, contudo, ainda não havia sido editada a Lei n. 10.833, a qual data de 29 de dezembro de 2003, com vigência iniciada somente em 2004. Salientese que a inserção das informações no sistema Mantra ocorrera na época das importações, dando conhecimento das operações em questão às Autoridades aduaneiras. Por conseguinte, no presente caso, quando da ocorrência do fato gerador do II (data em que a autoridade aduaneira apurou a falta ou dela teve conhecimento, por presunção legal estabelecida pela legislação aduaneira para os casos de extravio de mercadorias), não era vigente a regra de arbitramento da base de cálculo estabelecida pelo artigo 67 da Lei n. 10.833/2003, e utilizado pela Fiscalização para lavrar o lançamento tributário ora sob apreço. 2 Redação anterior: "Parágrafo único. No caso do parágrafo único do artigo 1°, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento." 3 Art. 73. Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (Decretolei no 37, de 1966, art. 23 e parágrafo único): I na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo; II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de: a) bens contidos em remessa postal internacional não sujeitos ao regime de importação comum; b) bens compreendidos no conceito de bagagem, acompanhada ou desacompanhada; e c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; e Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 355 15 Já com relação ao IPIimportação, em primeiro lugar, não se aplica o artigo 73 do RA, pois se trata de norma direcionada unicamente ao Imposto de Importação. Ademais, o §3º do artigo 2º da Lei n. 4.502/64 o qual prevê que se considera ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro e, por corolário, o fato gerador do IPI, de mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela autoridade aduaneira somente foi positivado com a própria Lei n. 10.833/2003. Portanto, tampouco vigia no período das importações aqui tratadas (08/11/1999 a 27/09/1999). Assim, para este último imposto, não há justificativa legal para a alteração do fato gerador e aplicação do artigo 67 da Lei n. 10.833/2003. Num síntese, temos que: i) o artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 apresenta norma de direito material, acerca da base de cálculo do II e do IPIimportação, de modo que o presente caso não se resolve pelo artigo 144, §1º do CTN, mas sim pelo seu caput; ii) o artigo 73 do RA não se aplica ao IPIimportação e o §3º do artigo 2º da Lei n. 4.502/64 tampouco vigia no período das importações aqui tratadas; iii) o artigo 73 do RA não era vigente à época dos fatos geradores do II do presente processo; iv) assim, os fatos geradores dos impostos ora sub judice ocorreram anteriormente à vigência do artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 para a apuração de sua base de cálculo. Como foi justamente o artigo 67 da Lei n. 10.833/2003 que fundamentou o presente auto de infração, necessário seu cancelamento, uma vez que sua motivação (elementos de fato e de direito) encontrase equivocada. Contudo, caso não seja esse o entendimento do colegiado, passo à apreciação dos demais pontos apresentados pela defesa. 2) Da não ocorrência do fato gerador do imposto de importação Afirma a Recorrente que só podem ser considerados ocorridos os fatos geradores do II na data das declarações de importação, citando o artigo 19 do CTN nesse sentido. 4 Entretanto, o presente caso não se resolve pela simples aplicação do citado dispositivo legal, que é claro sobre as situações em que a importação ocorre efetivamente, com as mercadorias adentrando em território nacional, sendo a declaração de importação o documento que demonstra o momento da ocorrência do fato gerador. Com efeito, o caso sob apreço trata de extravio de mercadorias, que, justamente por não poderem ser localizadas, não se subsumem à regra geral acima descrita, mas sim àquela estabelecida pela legislação aduaneira. Essa última disciplina os procedimentos (conferência final de manifesto) documentação (sistema mantra, manifesto de carga, registro de descarga etc) que amparam as operações de importação, criando presunção da ocorrência do fato gerador das mercadorias extraviada. A decisão recorrida traz didática abordagem da documentação aduaneira discutida no presente processo, na época vigente aos fatos, nos seguintes termos: Analisemos, inicialmente, o contexto normativo que disciplina o procedimento de conferência final de manifesto, tal como 4 Art. 19. O imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no território nacional. Fl. 362DF CARF MF 16 previsto pelo art. 589 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, vigente à época dos fatos: “Art. 589. A conferência final do manifesto de carga destinase a constatar extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga (Decretolei n. 37, de 1966, art. 39, § 1º).” O DecretoLei 37/66, em seu artigo 39, obriga que toda a mercadoria procedente do exterior seja registrada em manifesto de carga ou outras declarações de efeito equivalente que deve ser apresentado pelo responsável do veículo à autoridade aduaneira no momento de sua chegada. A Instrução Normativa SRF nº 102, de 20 de novembro de 1994, instituiu um sistema de controle informatizado de cargas denominado “Mantra”, que atualmente disciplina os procedimentos de controle aduaneiro de carga aérea procedente do exterior, entre outras. De acordo com o art. 4º dessa norma, a carga procedente do exterior será informada no Mantra pelo transportador ou desconsolidador da carga, previamente à chegada do veículo transportador, sendo tais informações apresentadas à unidade local da SRF que jurisdiciona o seu local de desembarque. O § 3º do art. 4º prevê que referidas informações poderão ser complementadas, nos prazos que especifica, a saber: I – até o registro de chegada do veículo transportador, nos casos em que tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e II – até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador. Considerando que o transportador poderia ter solicitado a exclusão dos documentos de carga objeto do procedimento fiscal, dentro do prazo previsto no inciso II, concluiu a autoridade aduaneira que, em não o fazendo, as cargas foram consideradas manifestadas para os todos os efeitos legais, conforme o que determina o art. 6º, inciso I: “Art. 6º Para todos os efeitos legais, a carga será considerada manifestada junto à unidade local da SRF quando ocorrer, no MANTRA: I o registro de chegada de veículo procedente do exterior, relativamente à carga previamente informada;” Sobre o Manifesto Informatizado de Carga, esclarece o art. 11 da IN/SRF 102/94, que se trata do conjunto de registros de documentos de carga (conhecimentos de carga) relacionados a um determinado veículo chegado no território aduaneiro. Compõe referido manifesto, o conjunto das informações sobre carga manifestada a que se refere o art. 6º. Em outras palavras, temos que o manifesto é um rol ou relação dos conhecimentos de carga emitidos pelo transportador. Já o conhecimento de carga prova o recebimento da mercadoria pelo transportador, e a obrigação deste de entregála no local de destino, reputandose Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 356 17 não escrita qualquer cláusula restritiva ou modificativa dessa prova ou obrigação (Decreto nº 19.473/1930). O procedimento fiscal de conferência final de manifesto, consubstanciado pelo confronto do manifesto com os registros de descarga, extrai tanto as informações do manifesto como aquelas da descarga do mesmo Sistema Gerencial – o Mantra Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento. Diante de tais considerações acerca do procedimento final de manifesto com as quais coaduno na integralidade no caso concreto, ao confrontar as informações constantes do manifesto informatizado da carga com aquelas relativas a sua descarga, a Fiscalização constatou que as cargas faltaram na descarga, uma vez que não foram objeto de armazenamento. Ou seja, foi apurada divergência entre os registros das mercadorias manifestadas5 e aquelas descarregadas (mercadoria manifestada faltou na descarga), de modo que a Fiscalização bem considerou como ocorrido o extravio. Nessa situação, em que o transportador tem contra si a prova do recebimento da carga e a obrigação legal de sua entrega no lugar de destino, dele é a responsabilidade tributária pelo extravio verificado, salvo se comprovar a ocorrência de caso fortuito ou força maior (artigos 591 e 592 do Decreto nº 4.543/2002), 6 o que não aconteceu no presente caso. Em outras palavras, houve extravio, demonstrado com base na presunção legal nesse sentido, de modo que a dicção do artigo 592, inciso VI do RA/2002 enquadrase fielmente aos fatos do presente processo: "para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados". Nesse ponto, insta salientar que não assiste razão à Recorrente quando afirma que o RA/2002 ultrapassava os dizeres legais ao atribuirlhe a responsabilidade por mercadorias extraviadas. Isto porque o DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei 2.472/88, estabelece que é responsável pelo imposto o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno: “Art . 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 5 Nestes casos, o §2º do artigo 1º do DecretoLei 37/66, com redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei 2.472/88, dispõe que “considerase entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira”. 6 Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): [...] VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. Fl. 364DF CARF MF 18 Pois bem. Como leciona Rosaldo Trevisan, "nos casos em que a mercadoria comprovadamente ingressar no País, registradas nos documentos correspondentes, estejam sob a guarda de tais profissionais e não sejam apresentadas à Aduana, o transportador e o depositário se convertem, de forma geral, em importadores para consumo." 7 Dessarte, não há que se falar em ausência de responsabilidade da Recorrente, já que ela era a transportadora dos bens. É o que determina o artigo 32, inciso I DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei 2.472/88. Reiterese: conforme restou demonstrado acima, haja vista que o próprio transportador, ora Recorrente, informou no sistema Mantra as cargas sob comento, tendo decorrido o prazo legal previsto pela IN SRF 102/94 (art. 4º) sem qualquer correção, a carga foi considerada manifestada para todos os efeitos legais (art. 6º). Desta feita, uma vez constatada a falta na descarga e não armazenamento, encontramse caracterizado o extravio por presunção legal e a consequente responsabilidade do transportador, a menos que sejam apresentadas provas hábeis a excluir sua responsabilidade. Efetivamente, desde o início da fiscalização até a decisão recorrida, resta claro nos autos que, mesmo informada que deveria produzir provas para elidir sua responsabilidade, a Recorrente mantevese inerte. Somente afirma que as cargas nunca saíram do exterior, porém sem trazer nenhuma prova que suporte tais alegações. É certo que, caso comprovado que a mercadoria, apesar de registrada nos documentos de transporte, jamais saiu do país exportador, tendo havido erro no registro de transporte, não ocorre a incidência do Imposto de Importação porque não há efetiva importação. Inexiste competência outorgada ao ente federal pela Constituição para a pretendida tributação, como ensina Rosaldo Trevisan em obra sobre o tema. 8 Porém, repito, a Recorrente nada trouxe aos autos para provar as assertivas acerca do paradeiro das mercadorias. É preciso repisar que é seu o ônus da prova dos fatos que alega, uma vez que se trata fatos impeditivos, modificativos, extintivos do direito da Fiscalização (artigo 373, inciso II NCPC), devidamente embasado na legislação e na documentação citadas alhures. As presunções legais sobre o extravio de mercadorias são juris tantum. Citando mais uma vez Rosaldo Trevisan, "estáse a tratar de operações amplamente documentadas. E cabe a cada declarante fazer prova de que aquilo que está a declarar não corresponde à realidade." 9 Mediante tais considerações, concluise que a Recorrente não possui razão nesse ponto do mérito de sua defesa. 3) Sobre o dispositivo que embasa a base de cálculo e a alíquota do crédito apurado Com relação aos argumentos subsidiários apresentados pela Recorrente sobre a ausência de base de cálculo do crédito tributário e da inaplicabilidade do artigo 67, §1º da Lei n. 10.833/2003, confundemse com o tópico 1 do presente voto. 7 Imposto de Importação e o Direito Aduaneiro Internacional. Sâo Paulo: Aduaneiras, 2018. p. 435. 8 TREVISAN, Rosaldo. O Imposto de Importação e o Direito Aduaneiro Internacional. São Paulo: Aduaneiras, 2018. p. 367. 9 TREVISAN. Rosaldo. O Imposto de Importação e o Direito Aduaneiro Internacional. São Paulo: Aduaneiras, 2018. p. 366. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 357 19 Assim, partindose do pressuposto do entendimento adotado pela qualidade deste Colegiado, sobre a aplicabilidade do artigo 67, §1º da Lei n. 10.833/2003 ao presente caso, bem como que o Decreto artigo 73 do Regulamento Aduaneiro de 2002, inciso II alínea "a" não extrapolou a disciplina legal com seu conteúdo , o fato gerador dos tributos ocorreu no momento do lançamento de ofício. Por esse pensamento, já era vigente o artigo 67, §1º da Lei n. 10.833/2003 quando foi lavrado o auto de infração ora sob discussão e, consequentemente, ali se encontrava o critério para arbitramento da base de cálculo do II e do IPIimportação na hipótese de a mercadoria importada ser considerada extraviada, descabendo a aplicação do art. 112 do DecretoLei nº 37/6610 revogado tacitamente pelo artigo 67, §1º da Lei n. 10.833/2003 , conforme pretendido pela Recorrente. O mesmo se diga com relação à alíquota, no patamar de 50%, aplicada com base no artigo 67, §1º da Lei n. 10.833/2003. 4) Da inaplicabilidade da Convenção de Varsóvia para a apuração de crédito tributário Conforme se depreende da autuação fiscal, o crédito tributário foi apurado com base no artigo 67, §1º da Lei n. 10.833/2003 com relação ao MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166. Porém, no que tange aos demais conhecimentos aéreos, a base de cálculo foi apurada com base no Decreto 2.861 de 07/12/1998, Artigo VII (Artigo 22 da Convenção de Varsóvia) que estabelece, como responsabilidade do transportador, a quantia de 17 Direitos Especiais de Saque por quilograma. In verbis: "b) No transporte de mercadorias limitase a responsabilidade do transportador à quantia de 17 Direitos Especiais de Saque por quilograma, salvo declaração especial de valor feita pelo expedidor no momento de confiar os volumes ao transportador e mediante pagamento de uma eventual taxa suplementar. Neste caso, fica o transportador obrigado a pagar até a importância da quantia declarada, salvo se provar ser esta superior ao valor real da mercadoria." De fato causa espécie a utilização do citado diploma legal para a imposição tributária, uma vez que a citada Convenção Internacional cuida de temas civis relativos ao transporte aéreo internacional. Inclusive por essa razão é que o Supremo Tribunal Federal foi instado a se manifestar sobre o conflito entre as normas estampadas no Código de Defesa do Consumidor e da Convenção de Varsóvia precisamente o seu artigo 22 , no RE 636.331/RJ, cuja controvérsia de fundo era indenização por extravio de bagagem em voos internacionais, conforme se depreende do Informativo STF nº 866, 22 a 26 de maio de 2017, a seguir citado: 10 Art.112 No caso de extravio ou falta de mercadoria previsto na alínea "d" do inciso II do art.106, os tributos e multa serão calculados sobre o valor que constar do manifesto ou outros documentos ou sobre o valor da mercadoria contida em volume idêntico ao do manifesto, quando forem incompletas as declarações relativas ao não descarregado. Parágrafo único. Se à declaração corresponder mais de uma alíquota da Tarifa Aduaneira, sendo impossível precisar a competente, por ser genérica a declaração, o cálculo se fará pela alíquota mais elevada. Fl. 366DF CARF MF 20 Antinomia entre o CDC e a Convenção de Varsóvia: transporte aéreo internacional Nos termos do art. 178 da Constituição da República, as normas e os tratados internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do Consumidor. Com base nesse entendimento, o Plenário finalizou o julgamento conjunto de recursos nos quais se discutiu a norma prevalecente nas hipóteses de conflito entre o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a Convenção de Varsóvia de 1929 (ratificada e promulgada pelo Decreto 20.704/1931), a qual rege o transporte aéreo internacional e foi posteriormente alterada pelo Protocolo Adicional 4, assinado na cidade canadense de Montreal em 1975 (ratificado e promulgado pelo Decreto 2.861/1998). No RE 636.331/RJ, ao apreciar o Tema 210 da Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria, deu provimento ao recurso extraordinário, para reduzir o valor da condenação por danos materiais, limitandoo ao patamar estabelecido no art. 22 da Convenção de Varsóvia (1), com as modificações efetuadas pelos acordos internacionais posteriores. No ARE 766.618/SP, o STF, também por maioria, deu provimento ao recurso extraordinário, para, reformando o acórdão recorrido, julgar improcedente o pedido, em razão da prescrição. A controvérsia apresentada no RE 636.331/RJ envolve os limites de indenização por danos materiais em decorrência de extravio de bagagem em voo internacional. Já a questão posta em debate no ARE 766.618/SP diz respeito ao prazo prescricional para fins de ajuizamento de ação de responsabilidade civil por atraso em voo internacional (vide Informativo 745). No RE 636.331/RJ, o Colegiado assentou a prevalência da Convenção de Varsóvia e dos demais acordos internacionais subscritos pelo Brasil em detrimento do CDC, não apenas na hipótese de extravio de bagagem. Em consequência, deu provimento ao recurso extraordinário para limitar o valor da condenação por danos materiais ao patamar estabelecido na Convenção de Varsóvia, com as modificações efetuadas pelos acordos internacionais posteriores. Afirmou que a antinomia ocorre, a princípio, entre o art. 14 do CDC (2), que impõe ao fornecedor do serviço o dever de reparar os danos causados, e o art. 22 da Convenção de Varsóvia, que fixa limite máximo para o valor devido pelo transportador, a título de reparação. Afastou, de início, a alegação de que o princípio constitucional que impõe a defesa do consumidor [Constituição Federal (CF), arts. 5º, XXXII (3), e 170, V (4)] impediria a derrogação do CDC por norma mais restritiva, ainda que por lei especial. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 358 21 Salientou que a proteção ao consumidor não é a única diretriz a orientar a ordem econômica. Consignou que o próprio texto constitucional determina, no art. 178 (5), a observância dos acordos internacionais, quanto à ordenação do transporte aéreo internacional. Realçou que, no tocante à aparente antinomia entre o disposto no CDC e na Convenção de Varsóvia – e demais normas internacionais sobre transporte aéreo –, não há diferença de hierarquia entre os diplomas normativos. Todos têm estatura de lei ordinária e, por isso, a solução do conflito envolve a análise dos critérios cronológico e da especialidade. Em relação ao critério cronológico, o Plenário destacou que os acordos internacionais em comento são mais recentes que o CDC. Observou que, não obstante o Decreto 20.704 tenha sido publicado em 1931, sofreu sucessivas modificações posteriores ao CDC. Acrescentou, ainda, que a Convenção de Varsóvia – e os regramentos internacionais que a modificaram – são normas especiais em relação ao CDC, pois disciplinam modalidade especial de contrato, qual seja, o contrato de transporte aéreo internacional de passageiros. Por tratarse de conflito entre regras que não têm o mesmo âmbito de validade, sendo uma geral e outra específica, o Colegiado concluiu que deve ser aplicado o § 2º do art. 2º da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (6). Ademais, frisou que as disposições previstas nos aludidos acordos internacionais incidem exclusivamente nos contratos de transporte aéreo internacional de pessoas, bagagens ou carga. Assim, não alcançam o transporte nacional de pessoas, que está excluído da abrangência do art. 22 da Convenção de Varsóvia. Por fim, esclareceu que a limitação indenizatória abarca apenas a reparação por danos materiais, e não morais. No ARE 766.618/SP, o Colegiado pontuou que, por força do art. 178 da CF, em caso de conflito, as normas das convenções que regem o transporte aéreo internacional prevalecem sobre o CDC. Abordou, de igual modo, os critérios tradicionais de solução de antinomias no Direito brasileiro: hierarquia, cronológico e especialização. No entanto, reputou que a existência de dispositivo constitucional legitima a admissão dos recursos extraordinários nessa matéria; pois, se assim não fosse, a discussão estaria restrita ao âmbito infraconstitucional. Explicou, no ponto, que o art. 178 da CF prevê parâmetro para a solução desse conflito, de modo que as convenções internacionais devem prevalecer. Reconheceu, na espécie, a incidência do art. 29 da Convenção de Varsóvia (7), que estabelece o prazo prescricional de dois anos, a contar da chegada da aeronave. Por conseguinte, deu provimento ao recurso e julgou improcedente o pleito ante a ocorrência da prescrição. Fl. 368DF CARF MF 22 Vencidos, em ambos os julgamentos, os ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Os dois salientaram que os casos em análise envolvem empresas de transporte aéreo internacional de passageiros, que realizam atividades qualificadas como prestação de serviços. Dessa forma, frisaram que, por se tratar de uma relação jurídica de consumo, deveria ser aplicado o CDC, legislação superveniente às normas internacionais em debate. O ministro Celso de Mello pontuou ainda que a proteção ao consumidor e a defesa da integridade de seus direitos representam compromissos inderrogáveis, que o Estado brasileiro conscientemente assumiu no plano do nosso ordenamento constitucional. Afirmou que a Assembleia Nacional Constituinte, em caráter absolutamente inovador, elevou a defesa do consumidor à posição eminente de direito fundamental (CF, art. 5º, XXXII), atribuindolhe ainda a condição de princípio estruturador e conformador da própria ordem econômica (CF, art. 170, V), cuja eficácia permite reconhecer a precedência do CDC sobre as Convenções de Varsóvia e Montreal. Percebese, então, que o artigo 22 da Convenção de Varsóvia em nada diz respeito à imposição de tributos na importação de cargas extraviadas, como pretendeu a Fiscalização no lançamento tributário ora sob apreço, inclusive sem nenhuma explicação para tanto (fls. 18). Em outras palavras, o lançamento ao invés de se valer a legislação tributária para determinar a materialidade a base imponível dos tributos sobre a importação, valeuse de norma de natureza civil, desrespeitando o princípio da legalidade (artigo 150, inciso I da Constituição e artigo 97, inciso I do Código Tributário Nacional), além de ir na contramão do que dispõe o artigo 109 do CTN, o qual impõe que os institutos de direito civil não podem ser usados para a definição de efeitos tributários. Por essa razão, coaduno com o voto da Relatora do Acórdão recorrido, que restou vencida, no seguinte sentido: Evidente, portanto, que o art. 22 da Convenção de Varsóvia institui valor de indenização cível a ser paga pelo transportador para o proprietário do bem transportado em casos de danos às mercadorias, inexistindo legislação autorizando a utilização desse valor para a apuração do imposto de importação. Assim sendo, mesmo caracterizado o extravio nos termos da documentação de transporte acostada aos autos, concluímos que, com exceção do MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166, a apuração da base de cálculo dos tributos devidos foi realizada equivocadamente com base no Decreto nº 2.861/98, devendo ser reconhecida a improcedência dos respectivos lançamentos. Diante do acima exposto, VOTO no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, cancelando em parte o crédito tributário exigido, mantendo apenas a autuação referente ao MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166, conforme demonstrativo abaixo. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 359 23 Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito tributário, pois o artigo 67 da Lei n. 10.833/2003, o qual fundamentou auto de infração, não era vigente à época dos fatos geradores do II e do IPI importação. Porém, superado esse entendimento pelo Colegiado, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando em parte o crédito tributário exigido, mantendo apenas a autuação referente ao MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166, conforme demonstrativo abaixo. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 370DF CARF MF 24 Voto Vencedor Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento, divergi parcialmente do Voto da Conselheira Relatora, no que concerne ao alegado vício de motivação no auto de infração relativo ao Imposto de Importação, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado (voto de qualidade), razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Cabe inicialmente transcrever as lições de Roosevelt Baldomir Sosa11 acerca do manifesto de carga: 50. MANIFESTO DE CARGA O manifesto de carga é documento típico do veículo transportador e corresponde a um rol ou relação dos conhecimentos relativos à carga transportada pelo veículo. 51. CONTROLE DO MANIFESTO O registro do manifesto na repartição fiscal inaugura, por assim dizer, um espécie de contacorrente pela qual controlam se as cargas chegadas e desembarcadas nos pontos alfandegados. As mercadorias, no manifesto, estão designadas aos respectivos consignatários, os quais, por ocasião do despacho aduaneiro, credenciamse a seu recebimento, fazendo prova de propriedade pelo conhecimento de carga. Os conhecimentos são então confrontados com o manifesto e "baixados". Se ao final houver saldos a maior a mercadoria poderá ser reembarcada a seu verdadeiro destino, ou poderá recair no abandono, ou ainda poderá ser normalmente desembaraçada, conforme o caso. A qualquer sorte, acréscimos de cargas não manifestadas ensejam aplicação de sanção ao transportador. Havendo falta, ou seja, quando uma dada mercadoria foi manifestada e não foi encontrada presumese ocorrido o fato gerador (fato gerador presumido) e exigemse direitos aduaneiros do responsável. A conferência final de manifesto, prevista no art. 39 do Decretolei nº 37/66, é procedimento fiscal que se destina à apuração de eventual falta ou acréscimo de mercadorias em relação ao informado no manifesto de carga para determinado ponto de descarga do veículo no País, bem como de seus responsáveis. A falta ou acréscimo de mercadoria pode ser inicialmente indicada pela divergência entre os dados do manifesto e as informações sobre as cargas efetivamente descarregadas naquele recinto (cotejo entre o manifesto e o registro das cargas descarregadas), como também pela comunicação ou denúncia dos próprios intervenientes; o que justifica a instauração do procedimento fiscal para confirmar a suspeita de falta ou acréscimo e apuração das responsabilidades. No caso, tendo em vista que a divergência entre os dados do manifesto de carga e do registro do descarregamento indicava falta de mercadorias, iniciouse o procedimento fiscal mediante o TERMO FISCAL DE INTIMAÇÃO E DE INSTRUÇÃO PROCESSUAL GCFM N°011/2007, lavrado em 24 de janeiro de 2007, para a transportadora prestar esclarecimentos acerca da destinação das cargas (importação, trânsito de passagem, etc...) e da sua descrição, possibilitando à interessada fazer prova em contrário aos indícios de falta, como, por exemplo, juntando os correspondentes documentos de importação para as cargas apontadas. 11 SOSA, Roosevelt Baldomir. Comentários à Lei Aduaneira. São Paulo: Aduaneiras, 1995. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 360 25 Dessa forma, somente ao final desse procedimento fiscal é que, não logrando a interessada êxito em demonstrar o contrário (insubsistência da divergência ou da denúncia), chega a fiscalização a conclusão de que houve efetivamente a falta de mercadoria manifestada, ou seja, de que ela foi arrolada em manifesto de carga, mas que não foi descarregada naquele recinto alfandegado; razão pela qual, sendo o caso, procede à lavratura do auto de infração em face da responsável para a exigência dos tributos cabíveis em face da falta. Assim, embora tenha havido alteração no texto do art. 23 do Decretolei nº 37/66, como se vê abaixo, o sentido da norma continuou o mesmo, eis que, no meu entender, a "data em que a autoridade aduaneira efetuar o correspondente lançamento de ofício" é o momento em que a fiscalização registra no processo a sua conclusão do procedimento fiscal, de que apurou efetivamente a falta de mercadoria manifestada ("data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento"): Decretolei nº 37/66: Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Parágrafo único. No caso do parágrafo único do artigo 1°, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento. Parágrafo único. A mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira efetuar o correspondente lançamento de ofício no caso de: (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) I falta, na hipótese a que se refere o § 2o do art. 1o; e (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) II introdução no País sem o registro de declaração de importação, a que se refere o inciso III do § 4o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) Parágrafo único. A mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira efetuar o correspondente lançamento de ofício no caso de: (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) I – falta, na hipótese a que se refere o § 2o do art. 1o; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – introdução no País sem o registro de declaração de importação, a que se refere o inciso III do § 4o do art. 1o. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Art 1º O impôsto de importação incide sôbre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no território nacional. Parágrafo único. Considerarseá entrada no território nacional, para efeito da ocorrência do fato gerador, a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Constatase, assim, que a alteração do art. 23 do Decretolei nº 37/66 foi apenas de caráter didático, para deixar claro o momento em que se considera a apuração da Fl. 372DF CARF MF 26 falta (resultado do processo de apurar) ou conhecimento efetivo dela pela fiscalização. Não há que se olvidar a lavratura do auto de infração representa o resultado do procedimento fiscal em sentido desfavorável à fiscalizada. Também a redação do art. 73, II, "c" do Regulamento Aduaneiro/2002, confirma o entendimento de que a data a ser considerada para o fato gerador do Imposto de Importação é a data do lançamento decorrente da apuração do extravio pela autoridade aduaneira: Art. 73. Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (Decretolei no 37, de 1966, art. 23 e parágrafo único): I na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo; II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de: (...) c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; e (...) É certo que a constatação de divergência, no sistema informatizado, entre os dados do manifesto de carga e o registro de cargas descarregadas naquele recinto alfandegado, não era, por si só, suficiente para a conclusão da apuração da falta das cargas e seus responsáveis, tanto que houve a necessidade de intimação para esclarecimentos da transportadora e somente diante da não comprovação em contrário por esta é que se formou a convicção da fiscalização no sentido de que a falta teria se efetivado, devendo os tributos correspondentes serem exigíveis da responsável mediante a lavratura dos autos de infração. Dessa forma, no caso, a falta foi apurada em 16/07/2007, data da lavratura do auto de infração para a exigência do Imposto de Importação, que é momento a ser considerado para o fato gerador desse imposto, nos termos do art. 144, caput do CTN c/c o art. 73, II, "c" do Regulamento Aduaneiro/2002 e o art. 1º, §2º e art. 23, parágrafo único do DL 37/66. Assim, não se verifica a alegada falta de motivação no auto de infração original ou no auto de infração complementar para a exigência do Imposto de Importação com base no art. 67 da Lei nº 10.833/2003, plenamente vigente em 16/07/2007. Conforme dito na sessão de julgamento, o mesmo não ocorre em relação ao IPI, eis que, à época da entrada das mercadorias em território nacional (ano de 2002), somente havia previsão do desembaraço aduaneiro como fato gerador para o IPI vinculado à importação, sendo que a previsão de fato gerador presumido para o IPI na hipótese de extravio passou a viger somente a partir de 31/10/2003 com a edição da Medida Provisória nº 135. Assim, pelo exposto, acompanhei o voto da Conselheira Relatora quanto à existência de vício de motivação no auto de infração relativo ao IPI, divergindo quanto ao alegado vício na exigência do Imposto de Importação, a qual deve ser parcialmente mantida na parcela descrita na parte final do voto da Conselheira Relatora, quanto ao MAWB 4064173 8281 HAWB W8607135166. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10880.720552/200716 Acórdão n.º 3402006.145 S3C4T2 Fl. 361 27 Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720174/2017-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. IMPOSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITO.
Os créditos da não cumulatividade somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. IMPOSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITO.
Os créditos da não cumulatividade somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos.
Numero da decisão: 3302-006.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito presumido sobre aquisição de óleo diesel utilizado no corte, carregamento, transporte de cana-de-açúcar até a unidade de produção de açúcar e álcool e no preparo/aração/gradagem de solo e sobre crédito presumido de aluguel de veículos utilizados no transporte de cana-de-açúcar, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que reconheciam o crédito às alíquotas de 1,65% e 7,6% sobre os custos com corte, carregamento e transporte de cana-de-açúcar, sobre a aquisição de óleo diesel utilizado no corte, carregamento, transporte de cana-de-açúcar até a unidade de produção de açúcar e álcool e na preparo/aração/gradagem de solo e sobre crédito presumido de aluguel de veículos utilizados no transporte de cana-de-açúcar.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. IMPOSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITO. Os créditos da não cumulatividade somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. IMPOSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITO. Os créditos da não cumulatividade somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos.
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INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. IMPOSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITO. Os créditos da não cumulatividade somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 74 /2 01 7- 49 Fl. 79706DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 144 2 NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. IMPOSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITO. Os créditos da não cumulatividade somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito presumido sobre aquisição de óleo diesel utilizado no corte, carregamento, transporte de canadeaçúcar até a unidade de produção de açúcar e álcool e no preparo/aração/gradagem de solo e sobre crédito presumido de aluguel de veículos utilizados no transporte de canadeaçúcar, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que reconheciam o crédito às alíquotas de 1,65% e 7,6% sobre os custos com corte, carregamento e transporte de canadeaçúcar, sobre a aquisição de óleo diesel utilizado no corte, carregamento, transporte de canadeaçúcar até a unidade de produção de açúcar e álcool e na preparo/aração/gradagem de solo e sobre crédito presumido de aluguel de veículos utilizados no transporte de canadeaçúcar. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os seguintes autos de infração: de fls. 2.039/2.047, em que são exigidos R$ 4.730.173,42 de Cofins não cumulativa, além de multa de ofício 75% e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da contribuição, relativamente aos anos de 2013 a 2015; de fls. 2.048/2.056, em que são exigidos R$ 857.490,20 de PIS/Pasep não cumulativo, além de multa de ofício 75% e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da contribuição, relativamente aos anos de 2013 a 2015. Fl. 79707DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 145 3 Anexo aos autos de infração, encontrase, às fls. 2.057/2.102, o Termo de Verificação Fiscal, no qual a autoridade a quo relata o procedimento fiscal e as infrações imputadas à interessada. No tópico "Do objeto do procedimento fiscal", a autoridade a quo informa que verificou a regularidade na apuração do PIS/Pasep e da Cofins dos períodos de 07/2012 a 12/2013, mas que foi necessário incluir períodos posteriores para verificação de desconto indevido de créditos apurados no período principal. Diz que o sujeito passivo protocolou, em 28/01/2016, o processo n° 10850.720295/201652, formalizando diversos pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e de Cofins para os meses objeto da fiscalização, no valor total de R$ 8.707.789,46, cujo crédito tem como fundamento o art. 3o da Lei n° 12.859/2013. Relata, ainda, que o mesmo procedimento fiscal analisou diversos Pedidos de Ressarcimentos eletrônicos, referentes ao mesmo período fiscalizado, de créditos de aquisição no mercado interno vinculados a receitas de exportação e a receitas não tributadas no mercado interno, no valor total de R$ 9.013.009,25 (Cofins) e R$ 1.956.771,28 (PIS/Pasep). No tópico "Do sujeito passivo", esclarece que a contribuinte tem como objeto social "a fabricação e comércio de açúcar e álcool e demais derivados da canadeaçúcar, geração e comercialização de energia elétrica a partir do bagaço da cana deaçúcar, bem como operações de compras e vendas no mercado interno e externo, podendo atuar como importadora e exportadora". Narra que a canadeaçúcar utilizada na produção era, no período analisado, oriunda de lavouras da Agropecuária Terras Novas S.A, de produtores rurais diversos e de acionistas. Informa que a Agropecuária Terras Novas S.A. tem como atividade preponderante a cultura de canadeaçúcar, cuja produção é vendida, integralmente e em condições definidas entre as partes, às empresas do Grupo que exercem a atividade industrial. Informa que o sujeito passivo é associado da Cooperativa de Produtores de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, CNPJ n° 61.149.589/000189, doravante denominada "Cooperativa". Aduz que o ato cooperado entre as partes implica transferência, imediata e definitiva, da produção de açúcar e álcool à Cooperativa. Afirma que o resultado da comercialização desses produtos, nos mercados interno e externo, era rateado para cada cooperado, conforme estabelecido no estatuto da Cooperativa e de acordo com o disposto no Parecer Normativo CST n° 66, de 5 de setembro de 1986. No tópico "Da análise do crédito", informa que o sujeito passivo apurou diversos tipos de crédito: 1. Crédito básico, apurado com base no art. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; Fl. 79708DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 146 4 2. Crédito presumido da agroindústria, calculado sobre a aquisição de canadeaçúcar para a produção de açúcar: apurado entre 07/2012 a 02/2013, com base no art. 8° da Lei n° 10.925/2004 e Instrução Normativa SRF n° 660/2006; crédito que foi revogado pela MP n° 609/2013, convertida na Lei n° 12.839/2013; 3. Crédito presumido do álcool, devido ao produtor ou importador pela venda de álcool no mercado interno, calculado por medida de produto vendido, apurado no período de 05/2013 a 12/2013, com base na MP n° 613/2013, convertida na Lei n° 12.859/2013; Decreto n° 8.212/2014 e Instrução Normativa RFB n° 1.366/2013. No tópico "Glosa de crédito básico aluguel de veículos", aduz que a interessada informou créditos calculados sobre locação de veículos automotores nas EFDContribuições como se fossem "Aluguel de máquinas e equipamentos". Diz que tais gastos não geram créditos, uma vez que não estão expressamente relacionadas nos arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e também não se enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento previstas naqueles dispositivos legais. Entende que não é possível enquadrar a despesa incorrida com locação de veículo no conceito de insumos, pois a prestação de serviço constitui obrigação de FAZER e locação de bem móvel constitui obrigação de DAR. Informa que os valores glosados estão relacionados na planilha "1 – Glosas – Aluguel de Veículos". No tópico "Glosa de crédito básico – corte, carregamento e transporte de canadeaçúcar cálculo de crédito presumido da agroindústria", esclarece que a impugnante não produz canade açúcar, mas a adquire de terceiros para a produção de açúcar e álcool. Informa que, de acordo com a Confederação da Agricultora e Pecuária do Brasil, o preço da canadeaçúcar é cotado sob duas modalidades: CANA NO CAMPO: É o valor da canadeaçúcar na propriedade produtora, onde não estão incluídos os custos de colheita (corte, carregamento e transporte); CANA NA ESTEIRA: É o valor da canadeaçúcar na indústria, onde estão somados todos os custos de colheita (corte, carregamento, transporte). Argumenta que as atividades de corte da canadeaçúcar no campo, de seu carregamento em caminhões e de transporte do campo até as suas instalações são anteriores à etapa de produção do açúcar e do álcool. Explica que os dispêndios suportados pela adquirente com serviços de corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar do campo até a indústria são diretamente atribuíveis à aquisição dessa matériaprima, integrando o seu custo de aquisição, consoante a boa técnica contábil e normas (item 5 do Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976, item 11 da Fl. 79709DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 147 5 Resolução CFC n° 1.170, de 29 de maio de 2009 e art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Informa que todos os Conhecimentos de Transporte informados nas EFDContribuições, cuja natureza da base de cálculo do crédito informada foi "Aquisição de serviços utilizados como insumo", foram relacionados no Anexo V do Termo de Início de Procedimento Fiscal para que o sujeito passivo identificasse o tipo de frete realizado. Diz que, em resposta, declarou que todos os conhecimentos de transporte são referentes ao transporte de canadeaçúcar das lavouras de terceiros até a indústria. Aduz que, como os dispêndios com os serviços de corte, carregamento e transporte, pagos pelo sujeito passivo à pessoa jurídica domiciliada no País, integram o custo de aquisição da canadeaçúcar, deve ser analisado se a aquisição de canade açúcar dá direito ao cálculo de crédito básico. Explica que a aquisição de canadeaçúcar pelo sujeito passivo não dá direito ao cálculo de crédito básico (art. 3°, §2°, II, §3°, II, da Lei n° 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003 com atualizações), pois se a canadeaçúcar foi adquirida de pessoa física não havia incidência de PIS/Pasep e de Cofins e se a cana deaçúcar foi adquirida de pessoa jurídica, havia suspensão de PIS/Pasep e de Cofins (arts. 11, da Lei n° 11.727, de 2008). Entende que tais serviços (corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar) não foram utilizados como insumo na produção dos bens destinados à venda. Conclui que os valores pagos pelos serviços de corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar, os quais integram o custo de aquisição desse bem, não dão direito ao cálculo de crédito básico. Afirma, porém, que o custo de aquisição da canadeaçúcar é base de cálculo para o crédito presumido da agroindústria, o que enseja uma reclassificação do crédito apurado pelo sujeito passivo (glosa de crédito básico x cálculo de crédito presumido). Informa que os valores glosados de crédito básico referentes aos serviços de transporte, corte e carregamento de cana estão relacionados na pasta "2.1 – Glosas – Corte e Carregamento de CanadeAçúcar" e "2.1 – Glosas – Transporte de Açúcar", onde estão demonstrados os valores de crédito presumido da agroindústria calculados pela fiscalização. No tópico "Óleo diesel", explica que a sua aquisição no mercado interno, no período, sofreu a incidência monofásica do PIS/Pasep e Cofins. Informa que grande parte do óleo diesel adquirido foi revendido para outras pessoas jurídicas do grupo (receita com alíquota zero do PIS/Pasep e Cofins), ensejando o estorno do crédito calculado pelo sujeito passivo. Explica, relativamente à parcela não revendida, que o sujeito passivo calculou indevidamente créditos básicos sobre o que foi consumido em veículos utilizados em atividades diversas da produção de açúcar e álcool, tais como: (i) manutenção de estradas; (ii) transporte de trabalhadores; (iii) corte, Fl. 79710DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 148 6 carregamento e transporte de canadeaçúcar do fornecedor até a usina; (iv) preparo/aração/gradagem do solo (atividade estranha ao objeto social); e (v) tratamento de resíduos. Conclui que o sujeito passivo calculou indevidamente créditos básicos sobre a aquisição de óleo diesel consumido em veículos e equipamentos não utilizados na produção dos bens destinados à venda. Informa que os valores glosados estão relacionados na pasta "3 – Glosas – Óleo Diesel". No tópico "Glosa de crédito básico – despesas rateadas pela Cooperativa", explica que a sociedade cooperativa, que realiza vendas em comum de produtos entregues por suas associadas, é sujeito passivo de duas relações jurídicas tributárias distintas: é contribuinte de débitos próprios e é responsável pela retenção e recolhimento das contribuições devidas pelas associadas na venda dos produtos por elas entregues. Em relação à 1a relação jurídica tributária, esclarece que as sociedades cooperativas são contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins e que, em geral, estão submetidas ao regime de apuração cumulativa, com exceção das sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo, que estão submetidas ao regime de apuração não cumulativa, com incidência sobre a receita (Lei nº 10.833, de 2003, art. 10, inciso VI; MP nº 2.158 35, de 2001, art.15, caput, art.93, inciso II, alínea a; e IN SRF nº 635, de 2006, art 2º, caput, e art. 23, caput). Diz que, em relação ao cálculo de créditos, as cooperativas submetidas ao regime não cumulativo estão sujeitas às mesmas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas e que não há previsão legal para transferência dos créditos apurados pelas sociedades cooperativas a outra pessoa jurídica, associada ou não associada à sociedade cooperativa. Relativamente à 2a relação jurídica tributária, esclarece que as sociedades cooperativas, na hipótese de realizarem vendas de produtos entregues para comercialização por suas associadas pessoas jurídicas, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições sociais por estas devidas em relação às receitas decorrentes das vendas desses produtos, nos termos do art. 66 da Lei nº 9.430, de 1996. Relata que os arts. 7° e 49, II, do Decreto n° 4.524, de 2002, e art. 3° e parágrafos da IN SRF n° 635, de 2006, dispõem especificamente sobre esse tema. Relata que a pessoa jurídica associada, sujeita à sistemática de apuração não cumulativa, deve informar mensalmente à sociedade cooperativa os valores dos créditos apropriados nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, para que estes sejam descontados dos débitos apurados conforme o art. 66 da Lei nº 9.430, de 1996, estando os referidos créditos limitados ao valor apurado da contribuição devida no mês e que se o valor dos créditos da cooperada for maior que o valor dos débitos apurados pela cooperativa, restará saldo credor que continuará disponível para uso da cooperada, nos termos legalmente previstos. Fl. 79711DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 149 7 Afirma que o valor das contribuições sociais pago pelas sociedades cooperativas, nos termos acima citados, deve ser por elas informado, individualizadamente, às suas associadas, juntamente com o montante do faturamento atribuído a cada uma delas pela venda em comum dos produtos entregues, com vistas a atender os procedimentos contábeis e fiscais exigidos pela legislação tributária. Para esclarecer melhor a sistemática, traz o seguinte exemplo: Em determinado mês, a cooperativa Y vende no mercado interno produto tributado entregue pela associada X por R$ 100 mil. A associada X está sujeita a sistemática de apuração não cumulativa de apuração da Cofins e informa à cooperativa que possui créditos disponíveis no valor de R$ 5 mil. Então a cooperativa Y aplicará a alíquota da não cumulatividade sobre os R$ 100 mil (7,6%; valor do débito = R$ 7.600,00), descontará o valor de crédito informado pela associada (R$ 7.600,00 R$ 5.000,00), recolherá a diferença (R$ 2.600,00) e informará os valores de faturamento e de recolhimento à associada. Por fim, informa que a fiscalizada entregava açúcar e álcool à Cooperativa para comercialização, de modo que na venda desses produtos, a Cooperativa era responsável pela retenção e recolhimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins devidos pelo sujeito passivo e que a apuração desses valores não se confunde com a apuração dos valores devidos pela Cooperativa na condição de contribuinte. Na sequência, disserta sobre o rateio de despesas da Cooperativa. Diz que os arts. 80 e 81 da lei do cooperativismo (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971) permite que as cooperativas rateiem as despesas comuns entre suas associadas. Com base na Solução de Divergência Cosit n° 23, de 2013, explica que quando uma cooperativa rateia despesas entre suas associadas, o valor que ela recebe das associadas não é receita, mas sim reembolso de despesa, que não se sujeita à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, mas que a despesa rateada poderá ser hipótese de cálculo de crédito para as associadas, nunca para a cooperativa. Esquematiza o raciocínio da seguinte forma: Fl. 79712DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 150 8 Conclui que não há previsão legal para transferência dos créditos apurados pelas cooperativas a outra pessoa jurídica, associada ou não associada, mas que há previsão legal para que as sociedades cooperativas rateiem despesas, o que se verifica no presente caso. Em síntese, a despesa rateada pela Cooperativa poderá ser hipótese de cálculo de crédito para as associadas, mas nunca para a cooperativa. Após, no tópico "Glosa de crédito básico – despesas rateadas pela Cooperativa – frete transferência", diz que o sujeito passivo apresentou arquivos tipo excel com discriminação dos dispêndios rateados pela Cooperativa e que serviram de base de cálculo para o sujeito passivo apurar créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que, dentre os dispêndios rateados, identificou fretes nas operações de vendas (FRETE VENDAS), fretes realizados entre estabelecimentos da Cooperativa ou entre estabelecimentos da Cooperativa e armazéns gerais ou alfandegários (FRETE TRANSFERÊNCIA). Aduz que os denominados "frete transferência" não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins. Informa que as glosas estão discriminadas na pasta "4.1 Glosas – Despesas Rateadas pela Cooperativa – Fretes Transferência". No tópico "Glosa de crédito básico – despesas rateadas pela Cooperativa – serviços diversos", relata que o sujeito passivo apresentou arquivos tipo excel com discriminação dos dispêndios rateados pela Cooperativa e que serviram de base de cálculo para o sujeito passivo apurar créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Afirma que a contribuinte apurou créditos sobre serviços diversos. Diz que os dispêndios com "serviço" rateados pela Cooperativa foram realizados em momento posterior à etapa de produção do açúcar e álcool, de modo que eles não subsumem às normas de crédito da do PIS/Pasep e da Cofins do artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e no artigo 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Informa que os valores glosados estão discriminados na pasta excel "4.2 Glosas – Despesas Rateadas pela Cooperativa – serviços diversos". Fl. 79713DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 151 9 No tópico "Conclusão", a autoridade fiscal relata que glosou créditos nos valores mensais informados nas planilhas "Glosas PIS" e "Glosas Cofins". Demonstra mensalmente os créditos deferidos para cada pedido de ressarcimento, informando o seguinte: PIS/Pasep: valor pleiteado de R$ 3.413.391,38, tendo deferido o montante de R$ 2.372.194,27; Cofins: valor pleiteado de R$ 16.147.642,88, tendo deferido o montante de R$ 11.278.600,02. Por fim, informa que foram constatadas três infrações distintas: Insuficiência de recolhimento do PIS/Cofins: utilizada nos meses em que as glosas de crédito resultaram em débito da contribuição; Glosa de Créditos sem débito da contribuição: para os meses em que as glosas de crédito não resultaram em débito da contribuição; Créditos descontados indevidamente na apuração da contribuição: utilizada para lançamento das contribuições em períodos posteriores a 12/2013, pois as glosas reduziram a zero o saldo de créditos disponível para aproveitamento em períodos posteriores. Diz que o sujeito passivo aproveitou créditos de 12/2012 a 12/2013 para desconto de débitos de diversos meses de 2014 e 2015, razão pela qual houve lançamento de valores indevidamente descontados, conforme planilhas "Lanç. Reflexo Pis" e "Lanç. Reflexo Cofins" da pasta "5 – Apuração". Cientificada em 26/06/2017, a contribuinte apresentou em 21/07/2017 a impugnação, a seguir sintetizada. Diz que sua atividade empresarial é a industrialização e comercialização de derivados da canadeaçúcar (açúcar e álcool e seus subprodutos). Informa que, para viabilizar seu processo produtivo, tem que adquirir a canadeaçúcar na modalidade "cana no campo", ou seja, se obriga a colher a canadeaçúcar no estabelecimento do produtor rural e transportála até o estabelecimento industrial, de modo que necessita de máquinas, equipamentos agrícolas e caminhões, assim como contrata locação desses bens junto a terceiros. Aduz que a fiscalização estabeleceu um raciocínio distorcido de que as atividades relacionadas à colheita e transporte da canade açúcar não fazem parte do processo de produção do açúcar e álcool, que se restringiria ao que acontece da moagem da cana até a produção do açúcar e do álcool, o que não é verdade. Esclarece que opera, na condição de cooperada, com a Cooperativa de Produtores de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, que é a responsável tributária pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 66 da Lei n° 9.430/96, bem como efetua o cálculo dos créditos a serem aproveitados, repassandoos a cada uma das cooperadas, de Fl. 79714DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 152 10 acordo com as despesas realizadas por cada uma delas, conforme lhe faculta a IN SRF n° 635/06. Explica que, a Cooperativa apura créditos de PIS e Cofins relativos aos custos de aquisição de corantes e serviços de fretes, armazenagem, movimentação dos produtos objetos de sua atividade econômica e aqueles inerentes ao processo de exportação, os quais são rateados entre as usinas cooperadas. Diz que, ignorando a liminar obtida pela Cooperativa no processo 2010.61.00.0208122/SP, o qual lhe permite apropriar e repassar esses créditos para as cooperadas, a autoridade a quo glosou os créditos rateados à impugnante. No tópico "QUESTÕES PRELIMINARES", diz que o rateio das despesas às cooperadas (com o repasse dos créditos respectivos) é providência inerente à atividade cooperativa, além disso, há o fato que a ordem concedida no Mandado de Segurança n° 002081228.2010.4.03.6100 possui eficácia plena. Relata que a COOPERSUCAR entrou com o processo judicial n° 2010.61.00.0208122/SP, requerendo a concessão do "direito líquido e certo de se creditar [...] dos valores despendidos a título de frete no transporte entre estabelecimentos da Impetrante ou entre estes e armazéns gerais e alfandegários". Informa que foi proferida a seguinte decisão: "Assim, presentes os requisitos legais, defiro a liminar pleiteada, assegurando ao impetrante o direito de manter e deduzir integralmente os créditos de PIS e COFINS, pela sistemática cumulativa [sic], períodos vencidos e vincendos, calculados sobre as despesas com frete no transporte entre estabelecimentos da impetrante ou entre estes e armazéns gerais e alfandegários, para posterior venda a terceiros adquirentes, devendo o impetrado absterse de qualquer restrições em razão do ora decidido, até ulterior decisão deste juízo". Entende que, se a COOPERSUCAR tem autorização judicial para se apropriar de tais créditos, esse direito se transmite de imediato às suas cooperadas. Aduz que, ao promover a glosa dos créditos provenientes das despesas com frete, à revelia da ordem concedida na referida ação judicial, sob o pretexto de que a Cooperativa não representa judicialmente suas cooperadas, a Auditora Fiscal está descumprindo ordem judicial. Requer o cancelamento das exigências relacionadas aos créditos sobre as despesas repassadas pela COOPERSUCAR. No tópico "CONSIDERAÇÕES SOBRE A SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA", tece considerações sobre a não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a Constituição não autoriza que a sua definição seja delegada ao legislador ordinário. Diz que o silêncio constitucional a respeito da amplitude desse instituto no âmbito das citadas contribuições decorre da prévia existência desse conceito, que está incorporado implicitamente ao texto constitucional. Traz decisões judiciais sobre o tema e Fl. 79715DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 153 11 afirma que deve ser respeitado pela RFB o aproveitamento de créditos na forma realizada, já que as despesas questionadas se caracterizam como insumos imprescindíveis para a realização de sua atividade empresarial. Entende que qualquer bem ou serviço aplicado ou consumido na fabricação ou comercialização do produto dá ensejo a créditos do PIS e da Cofins. No tópico "CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE CREDITAMENTO DO PIS E COFINS", disserta sobre o conceito de insumos. Aduz que o conceito dado pela RFB é muito mais restritivo do que aquele a que alude a legislação das contribuições. Alega que o conceito de insumos dados no âmbito da legislação do IPI não pode ser utilizado para as contribuições. Argumenta que o conceito de insumo, no contexto do PIS/Cofins, deve ser entendido de forma mais ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios que são necessários ao ciclo produtivo da empresa, fonte de geração de sua receita. Conclui que insumo é tudo aquilo que pode ser classificado contabilmente como: (i) "custo de produção", conforme previsto na legislação do Imposto de Renda (artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda "RIR/99"); e/ou (ii) despesas que possam ser consideradas como necessárias (artigo 299 do RIR/99) e intrinsecamente relacionadas e indispensáveis à atividadefim da empresa. No tópico "CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL", informa que não foram admitidos os créditos de PIS/Cofins relacionados às seguintes despesas e/ou custos: Aluguel de veículos; Serviços de corte, carregamento e transporte de canade açúcar; Aquisição de óleo diesel; e, Despesas rateadas / repassadas pela COOPERSUCAR. Relativamente às despesas com "ALUGUEL DE VEÍCULOS", alega que a fiscalização estabeleceu uma diferença entre os vocábulos "máquinas", "veículos" e "caminhões", distinção irrelevante para o legislador que pretendeu conceder os créditos aos contribuintes que alugam ou contratam leasing de estrutura operacional, tais como, imóveis, galpões, máquinas agrícolas e industriais, caminhões, veículos, para exercer as atividades empresariais. Argumenta que restaria afrontado o princípio da equidade tributária, conceder o crédito às despesas de locação de um trator e não concedêlo na locação de um caminhão canavieiro. Diz que, pela sistemática da nãocumulatividade, é lícito apropriar crédito sobre as contraprestações das locações de veículos utilizados no processo produtivo, uma vez que a receita auferida pela locatária é tributada pelo PIS/Cofins. Fl. 79716DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 154 12 Argumenta, ainda, que o vocábulo máquina é um gênero da qual veículo é uma espécie, razão pela qual os aluguéis de veículos pagos estão abrangidos pela possibilidade de se apurar o crédito do inc. IV do art. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Diz que os veículos locados são essenciais ao processo produtivo, pois os mesmos transportam a matériaprima (canadeaçúcar), sem a qual a produção de açúcar e álcool não seria possível. Traz aos autos trechos de decisão do CARF que concedeu o crédito pretendido e da Solução de Consulta n° 20/2013. No que tange aos gastos com "SERVIÇOS DE CORTE, CARREGAMENTO E TRANSPORTE DE CANADEAÇÚCAR", diz que toda a canadeaçúcar utilizada para produção de açúcar e álcool é adquirida de terceiros e que a maior parte das aquisições são realizadas na modalidade "cana no campo", o que significa que compra a lavoura e, às suas expensas, promove o corte, o carregamento e o transporte até a indústria. Explica que, por isso, contrata tais serviços de terceiros, que são imprescindíveis e, assim, insumos na fabricação do açúcar e do álcool. Informa que os prestadores de serviços são pessoas jurídicas e recolhem o PIS/Pasep e a Cofins sobre os mesmos, tendo o direito de apropriar os referidos créditos. Aduz que a fiscalização, em virtude de a canadeaçúcar ser um produto com tributação suspensa (produtor rural pessoa jurídica) e de não haver incidência (produtor rural pessoa física), considerou ser impossível a apropriação de créditos sobre os serviços referidos. Argumenta, todavia, que comprou canadeaçúcar, mas não se apropriou de nenhum crédito referente às aquisições. Diz, contudo, que, no caso dos serviços, esses foram tributados pelas pessoas jurídicas que as prestaram e que, de acordo com o princípio da não cumulatividade, tem direito aos respectivos créditos. Alega que o Fisco tem tentado, sem sucesso, impor um entendimento errôneo de que não é possível o crédito do PIS/Cofins sobre o valor do frete referente a transporte de mercadorias ou insumos que não sejam tributadas pelas contribuições. Sustenta que incorreu em despesas de corte, carregamento e transporte de canadeaçúcar, que são essenciais ao processo produtivo e foram regularmente tributadas pelas contribuições, razão pela qual teria o direito ao crédito básico e não ao crédito presumido, como lhe foi concedido. Em relação às despesas com "ÓLEO DIESEL", assevera que a possibilidade de crédito de despesas com óleo diesel como insumo está expressa no art. 3º, inc. II das Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Alega não ser possível se adotar o conceito restrito de insumos dado pelas legislações do IPI e ICMS. Afirma que as atividades desenvolvidas pela frota que consumiu o óleo diesel são necessárias e essenciais ao seu processo produtivo. Sustenta, ainda, que as decisões administrativas têm possibilitado o creditamento do PIS e Cofins referente a bens e serviços utilizados em atividades indiretas do Fl. 79717DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 155 13 processo produtivo, mas que sejam inerentes e essenciais à produção dos bens e serviços destinados a venda, como pode ser verificado em diversos Acórdãos do CARF, que transcreve. No que tange às "DESPESAS RATEADAS PELA COOPERSUCAR", esclarece que é cooperada da Cooperativa de Produtores de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, que é a responsável tributária pelo recolhimento do PIS e da Cofins, nos termos do art. 66 da Lei n° 9.430/96. Afirma que efetua o cálculo dos créditos, repassandoos às cooperadas, de acordo com as despesas realizadas por cada uma delas. Narra que comercializa o açúcar, de modo que tem que dispor de meios para exportar seus produtos, o que impõe a necessidade de realizar despesas com frete (dos galpões localizados em suas usinas cooperadas até os armazéns do entreposto portuário para fins de exportação) e de embarque do açúcar nos navios (despesas denominadas nas notas fiscais como "movimentação", "serviços de operação portuária", "transbordo de carga", "segundo giro" e "ad valorem". Afirma que o frete do açúcar entre os armazéns das cooperadas até o armazém geral da COOPERSUCAR, bem como as prestações de serviços de "movimentação" e "transbordo" são essenciais à exportação, adequandose ao conceito de frete ligado à operação de venda. No tópico "SERVIÇOS DIVERSOS NA EXPORTAÇÃO DO AÇÚCAR", afirma ser evidente que o serviço de movimentação para embarque do açúcar nos navios e os demais serviços portuários são essenciais e diretamente relacionados à sua cadeia produtiva, já que sem tais serviços, a mercadoria não chegaria aos clientes. Argumenta que, sem esse processo logístico, não há o ciclo comercial, e, consequentemente, a geração de receita tributável pelo PIS e Cofins. Conclui que o creditamento do PIS/Cofins, no tocante às despesas incorridas com a exportação do açúcar, encontram respaldo no conceito de insumos. No tópico "DAS DESPESAS COM FRETES DO AÇÚCAR", explica que o frete glosado é relativo à transferência do açúcar para exportação e que somente é depositado em entreposto portuário para o fim de compor o lote de exportação. Diz que o açúcar sai da Unidade Cooperada com a finalidade de ser exportado, ou seja, estritamente atrelado a operações de venda, razão pela qual não se trata de frete interno. Entende que, mesmo aqueles pagos a título de frete interno, por se enquadrarem no conceito de despesas essenciais à sua atividade fim, também geram direito ao crédito do PIS/Cofins. Argumenta que, ainda que se entenda que o frete interno não tenha sido contemplado pelo inc. IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, tais dispêndios são despesas suportadas para a consecução da venda do açúcar ao mercado externo. Requer a procedência da impugnação. Fl. 79718DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 156 14 A Terceira Turma da DRJ Curitiba julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 0660.832, de 10 de novembro de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à fabricação de produtos da empresa, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. Os bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos, razão pela qual as despesas incorridas na etapa agrícola não geram direito à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. ÓLEO DIESEL. CRÉDITO. Os gastos com óleo diesel somente geram créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins no caso de serem insumos do processo produtivo do sujeito passivo. ALUGUÉIS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. Não existe previsão legal de créditos com gastos de locação de veículos, pois não estão expressamente relacionadas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os quais autorizam apenas o crédito sobre despesas de aluguéis de "prédios, máquinas e equipamentos", que não podem ser interpretados extensivamente. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Somente existe direito ao crédito sobre fretes nos casos em que eles estejam inequivocamente associados a operações de venda. EXPORTAÇÃO. OPERAÇÕES PORTUÁRIAS DIVERSAS. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com as operações portuárias diversas, por não se enquadrarem no conceito de insumos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à fabricação de Fl. 79719DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 157 15 produtos da empresa, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITO. INSUMOS. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. Os bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos, razão pela qual as despesas incorridas na etapa agrícola não geram direito à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. ÓLEO DIESEL. CRÉDITO. Os gastos com óleo diesel somente geram créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins no caso de serem insumos do processo produtivo do sujeito passivo. ALUGUÉIS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. Não existe previsão legal de créditos com gastos de locação de veículos, pois não estão expressamente relacionadas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os quais autorizam apenas o crédito sobre despesas de aluguéis de "prédios, máquinas e equipamentos", que não podem ser interpretados extensivamente. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Somente existe direito ao crédito sobre fretes nos casos em que eles estejam inequivocamente associados a operações de venda. EXPORTAÇÃO. OPERAÇÕES PORTUÁRIAS DIVERSAS. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com as operações portuárias diversas, por não se enquadrarem no conceito de insumos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) O conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/02 e 404/04 deve ser afastado, pois está em dissonância com a conceituação jurídica descrita nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O correto conceito está relacionado ao custo de produção, sendo esse compreendido como todos os gastos despendidos pela empresa que são necessários, indispensáveis, à produção de bens e serviços destinados a venda. Defende que custo e insumo possuem o mesmo sentido e refletem a mesma realidade; Fl. 79720DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 158 16 b) A Recorrente é empresa industrial que tem por objeto social "fabricação e comércio de açúcar e álcool e demais derivados da canadeaçúcar, geração e comercialização de energia elétrica a partir do bagaço da canadeaçúcar, bem como operações de compras e vendas no mercado interno e externo, podendo atuar como importadora e exportadora". Considerando que a canadeaçúcar é o principal insumo para a fabricação do açúcar e do álcool, todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, queima, colheita e transporte da cana possuem a classificação jurídica e contábil como custos de produção, uma vez que estão inseridos em seu processo produtivo, razão pela qual a glosa dos créditos em comento está ao arrepio da lei, devendo ser reformada a decisão ora hostilizada; c) É equivocada a glosa referente aos alugueis de veículos, no caso caminhão para transporte da cana, uma vez que é claramente utilizado no processo produtivo da recorrente, sendo relevante, inerente e essencial para seu exercício; d) Não há dúvida de que o serviço de corte, carregamento e transporte da cana de açúcar para o parque fabril, prestado por pessoa jurídica, permite o direito ao crédito nos termos do inciso II, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) O artigo 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 permitem explicitamente o crédito de combustíveis e lubrificantes. O combustível, no caso óleo diesel, é utilizado na etapa agrícola, tanto no maquinário como no transporte de matériaprima, de forma que é lícita a tomada de crédito dos valores referentes a compra de óleo diesel; f) As despesas de fretes nas operações de venda dos produtos, com transferência entre estabelecimentos da cooperativa ou entre esta e os armazéns, por terem sido rateadas entres os entes cooperados, dá direito ao crédito da nãocumulatividade; falar sobre a não tributação dos atos cooperados e que por esse motivo não há possibilidade de tomada de créditos. g) Entre as despesas rateadas estão serviços ligados à exportação como a armazenagem e portuários. Os armazéns são necessários para estocagem do próprio açúcar produzido e que será comercializado (exportado). As despesas portuária configuram dispêndio imprescindível a conclusão do processo produtivo, sem o qual todo o produto seria perdido e a empresa recorrente não conseguiria se manter no mercado. Portanto, demonstrada a essencialidade dos dispêndios portuários para armazenagem. falar sobre a não tributação dos atos cooperados e que por esse motivo não há possibilidade de tomada de créditos. Requer a realização de diligência fiscal para que seja demonstrada a essencialidade dos itens glosados. Caso não seja deferida a diligência, que o recurso seja provido para fins de cancelar o auto de infração. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Fl. 79721DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 159 17 Preliminar de Nulidade. O recorrente alega que o auto de infração é nulo por ter se baseado em um conceito de insumo muito restrito. Entendo que o conceito de insumo requer a interpretação da administração para correta subsunção da norma aos fatos jurídicos e nada tem haver com a formalidade do auto de infração, que poderia ensejar uma nulidade. Uma mudança no conceito de insumo por este colegiado, quando muito, poderia ensejar a reforma da decisão, nunca a nulidade. Sendo assim, afasto a nulidade suscitada no pedido do recurso voluntário. Pedido de Diligência. O recorrente requer diligência para sanar lacunas que entende haver no processo. Contudo, ao meu sentir, o processo encontrase plenamente instruído, sendo prescindível a realização de diligência. Neste norte, indefiro o pedido. CONCEITO DE INSUMO A pedra angular do litígio posta nos autos cingese na interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas. O Conselheiro José Renato Pereira de Deus, no processo nº 13502.720849/201155 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: II.2.2 Conceito de Insumo No mérito, inicialmente, exponho o entendimento deste relator acerca da definição do termo "insumos" para a legislação da nãocumulatividade das contribuições. A respeito da definição de insumos, a nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A regulamentação da definição de insumo foi dada, inicialmente, pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, as quais adotaram um entendimento restritivo, calcado na legislação do IPI, especialmente quanto à expressão de bens utilizados como insumos. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, que utiliza a definição de Fl. 79722DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 160 18 insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. E, uma terceira corrente, que defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Para dirimir todas as peculiaridades que envolve a questão do crédito de PIS/COFINS, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018. "Pacificando" o litígio, o STJ julgou a matéria, na sistemática de recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e Fl. 79723DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 161 19 exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR A PGFN opôs embargos de declaração e o contribuinte interpôs recurso extraordinário. Não obstante a ausência de julgamento dos embargos opostos, a PGFN emitiu a Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa: Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Fl. 79724DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 162 20 O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no julgamento do repetitivo, nos seguintes termos: "42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...] 64. Feitas essas considerações, concluise que, por força do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá observar o entendimento do STJ de que: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 65. Considerando a pacificação da temática no âmbito do STJ sob o regime da repercussão geral (art. 1.036 e seguintes do CPC) e a consequente inviabilidade de reversão do entendimento desfavorável à União, a matéria apreciada enquadrase na previsão do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002[5] (incluído pela Lei nº 12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, os quais autorizam a dispensa de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, por parte da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Fl. 79725DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 163 21 66. O entendimento firmado pelo STJ deverá, ainda, ser observado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002[6], cumprindolhe, inclusive, promover a adequação dos atos normativos pertinentes (art. 6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014). 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu abstratamente o conceito de insumos para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, tanto a dispensa de contestar e recorrer, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, como a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o qual afasta a definição anteriormente adotada pelos órgãos, que era decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004. 68. Ressaltese, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o AuditorFiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não estão obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Devese, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. 69. Ante o exposto, propõese seja autorizada a dispensa de contestação e recursos sobre o tema em enfoque, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:" Em seguida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, analisando a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: Fl. 79726DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 164 22 a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Referido parecer, analisando o julgamento do REsp 1.221.170/PR, reconheceu a possibilidade de tomada de créditos como insumos em atividades de produção como um todo, ou seja, reconhecendo o insumo do insumo (item 3 do parecer), EPI, testes de qualidade de produtos, tratamento de efluentes do processo produtivo, vacinas aplicadas em rebanhos (item 4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte para tanto (item 5 do parecer), os dispêndios com a formação de bens sujeitos à exaustão, despesas do imobilizado lançadas diretamente no resultado, despesas de manutenção dos ativos responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares em bens do ativo imobilizado da produção, materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização dos ativos produtivos (item 7 do parecer), dispêndios de desenvolvimento que resulte em ativo intangível que efetivamente resulte em insumo ou em produto destinado à venda ou em prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com combustíveis e lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matériaprima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matériaprima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d) veículos utilizados na atividadefim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (item 10 do parecer), testes de qualidade de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer). Por outro lado, entendeu que o julgamento (questões estas que não possuem caráter definitivo e que podem ser revistas em julgamento administrativo) não daria margem à tomada de créditos de insumos nas atividades de revenda de bens (item 2 do parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da Fl. 79727DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 165 23 produção de bens ou prestação de servilos (item 4 do parecer), transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou para entrega ao cliente (nesta última situação, tomaria crédito como frete em operações de venda), embalagens para transporte de produtos acabados, combustíveis em frotas próprias (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento de ativos intangíveis malsucedidos ou que não se vinculem à produção ou prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço malsucedido), contratação de pessoa jurídica para exercer atividades terceirizadas no setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos da pessoa jurídica contratante (item 9.1 do parecer), dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer), combustíveis e lubrificantes utilizados fora da produção ou prestação de serviços, exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes (item 10 do parecer), auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação de serviços (item 11 do parecer). Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento do Parecer Normativo Cosit 05/2018, temos as seguintes premissas que devem ser observadas pela empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Portanto, para análise da subsunção do bem ou serviço ao conceito de insumo, mister se faz a apuração da sua essencialidade e relevância ao processo produtivo da sociedade. Com essas considerações, passase à análise do caso concreto. A empresa fiscalizada tem como objeto social a fabricação e o comércio de açúcar e álcool e demais derivados da canadeaçúcar, geração e comercialização de energia Fl. 79728DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 166 24 elétrica a partir do bagaço da canadeaçúcar, bem como operações de compras e vendas no mercado interno e externo, podendo atuar como importadora e exportadora. Para a produção do açúcar e do álcool necessário se faz o corte, o carregamento e transporte da canadeaçúcar até o estabelecimento industrial para que nele, parque fabril, haja a transformação da matériaprima em produto final que será oportunamente comercializado. Ocorre que o sujeito passivo não produz a canadeaçúcar. Ele adquire de terceiros. Por esse motivo, todos os custos envolvidos na fase anterior ao da industrialização do álcool e açúcar foram considerados incorporados ao custo de aquisição da matériaprima. O contribuinte, durante todo o período sob análise, era associado da Cooperativa de Produtores de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, CNPJ n° 61.149.589/000189. O ato cooperado entre as partes implicava na transferência, imediata e definitiva, da produção de açúcar e álcool nos estabelecimentos da Cooperativa, os quais se tornaram patrimônio comum e indivisível do cooperado. Sendo assim, na análise dos bens e serviços que possam ser considerados insumos para fins de creditamento, devese levar em conta desde a fase de aquisição da cana deaçúcar até a entrega dos produtos finais à cooperativa. Serviços de Corte, Carregamento e Transporte de CanadeAçúcar. Conforme já mencionado, é inconteste que o recorrente não produz canade açúcar, que é a matériaprima principal de seus produtos. Ele adquire de terceiros. Sendo assim, os custos suportados pelo recorrente com os serviços de corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar do campo até a indústria integram o seu custo de aquisição. Diante dessa perspectiva, foi conferido ao recorrente crédito presumido referentes a esses custos. Não vejo reparos a fazer nesse procedimento, até porque como bem disse a fiscalização, a aquisição de canadeaçúcar pelo sujeito passivo não daria direito ao cálculo de crédito básico (art. 3°, §2°, II, §3°, II, da Lei n° 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003 com atualizações), pois: Se a canadeaçúcar tivesse sido adquirida de pessoa física, não havia incidência da contribuição ao Pis e da Cofins. E, se a canadeaçúcar tivesse sido adquirida de pessoa jurídica, havia suspensão da contribuição ao Pis e da Cofins, prevista no art. 11, da Lei n° 11.727, de 2008. Pelos fundamentos expostos, mantenho a decisão a quo no sentido de que os custos com serviços de corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar das lavouras até o parque fabril, por incorporarem ao custo de aquisição da matériaprima, devem fazer parte do cálculo do crédito presumido das contribuições e não do crédito básico, como pleiteia o recorrente. Óleo Diesel. A fiscalização glosou as despesas com o óleo diesel que fora consumido em veículos utilizados em atividades diversas as produção de açúcar e álcool. A DRJ manteve a glosa. O recorrente afirma em seu recurso voluntário que é inequívoca a essencialidade do óleo Fl. 79729DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 167 25 diesel utilizado como combustível nas máquinas agrícolas. Assevera que ele é utilizado em diversas atividades dentro do processo produtivo da recorrente, em especial, no corte, carregamento e transporte, preparo, aração e gradagem do solo. Entendo que na operação de fabricação de álcool e açúcar, o combustível para os veículos de transporte de pessoal e de canadeaçúcar, e os próprios serviços de transporte estão diretamente envolvidos no processo produtivo da empresa. Fato que possibilita o creditamento dos referidos custos. Ocorre que o recorrente não produz a canadeaçúcar, ele adquire de terceiros. Partindo dessa premissa, devese analisar onde o diesel foi utilizado pelo recorrente. Nos termos do Termo de Verificação Fiscal, as glosas foram do óleo diesel utilizado para (i) a manutenção de estradas; (ii) o transporte de trabalhadores; (iii) o corte, carregamento e transporte de canadeaçúcar do fornecedor até a unidade de produção de açúcar e álcool – usina; (iv) o preparo/aração/gradagem do solo (atividade estranha ao objeto social do sujeito passivo); (v) o tratamento de resíduos. Tendo por base que os custos com a aquisição do óleo diesel foi assumido pelo recorrente, entendo que sua utilização na fase de produção da canadeaçúcar deve ter a mesma sorte dada aos serviços de corte, carregamento e transporte, tratado no item anterior. Ou seja, deve incorporar no custo de aquisição da matériaprima para fins de cálculo do crédito presumido. São eles: o corte, carregamento e transporte de canadeaçúcar do fornecedor até a unidade de produção de açúcar e álcool – usina; o preparo/aração/gradagem do solo. Não vejo como adequar ao conceito de insumo o óleo diesel utilizado na manutenção de estradas, pois não estão presentes a essencialidade ou a relevância desse custo. Portanto, mantenho a glosa. Aluguel de Veículos. A fiscalização glosou os valores referentes à locação de veículos por entender que não havia previsão legal para que tais despesas fizessem parte do cálculo do crédito das contribuições. Defendeu que os veículos não estão abrangidos no inciso IV do art. 3º das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003 aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. A DRJ manteve a glosa sob os mesmos fundamentos. O sujeito passivo alegou que utilizou os veículos locados, no caso caminhões, para o transporte de canadeaçúcar. E que os caminhões por ela utilizados não se configuram como simples veículos, mas um verdadeiro equipamento, sendo até mesmo uma máquina destinado e integrado ao seu processo produtivo. Não coaduno com esse entendimento, pois sempre que um dispositivo da legislação tributária quis alcançar os bens classificados como veículos, citouos expressamente e, como muitas vezes se vê, quando outros bens, além de veículos, devem ser alcançados pelo mesmo dispositivo, o termo veículos aparece junto com eles, como é o caso de máquinas ou de equipamentos, demonstrando que, para fins de interpretação e aplicação da legislação tributária, são coisas diversas. Em um ensaio digno de aplauso feito pelo conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, a questão é bem explicada. Fl. 79730DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 168 26 "Este serviço não pode ser considerado insumo, por não ser inerente ao processo produtivo da empresa, bem como não pode ser considerado como enquadrado no inciso IV do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003[1], pelo fato de veículo não ser considerado máquina ou equipamento. Neste ponto, ressaltase que diversos atos legais diferenciam os termos máquinas, equipamentos e veículos. Exemplificando: Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: “Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar Fl. 79731DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 169 27 as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) III – no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)” (grifouse) Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004: “Art. 7º A base de cálculo será: (...) § 3º A base de cálculo fica reduzida: I em 30,2% (trinta inteiros e dois décimos por cento), no caso de importação, para revenda, de caminhões chassi com carga útil igual ou superior a 1.800 kg (mil e oitocentos quilogramas) e caminhão monobloco com carga útil igual ou superior a 1.500 kg (mil e quinhentos quilogramas), classificados na posição 87.04 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, observadas as especificações estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; e II em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de importação, para revenda, de máquinas e veículos classificados nos seguintes códigos e posições da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). (...) Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: (...) § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: (...) § 9º Na importação de autopeças, relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, exceto quando efetuada Fl. 79732DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 170 28 pela pessoa jurídica fabricante de máquinas e veículos relacionados no art. 1o da referida Lei, as alíquotas são de: (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1o a 3o, 5o a 10, 17 e 19 do art. 8o desta Lei e no art. 58A da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) § 7º O disposto no inciso III deste artigo não se aplica no caso de importação efetuada por montadora de máquinas ou veículos relacionados no art. 1º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 38. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa no caso de venda a pessoa jurídica sediada no exterior, com contrato de entrega no território nacional, de insumos destinados à industrialização, por conta e ordem da encomendante sediada no exterior, de máquinas e veículos classificados nas posições 87.01 a 87.05 da TIPI.” (grifouse) O Manual de Contabilidade Societária[2] assim dispõe sobre o tema: Fl. 79733DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 171 29 v Maquinas, Aparelhos e Equipamentos Tal conta envolve todo o conjunto dessa natureza utilizado no processo de produção da empresa. Na conta Instalações estariam os equipamentos e bens de auxiliares à produção e nesta os utilizados como base para a realização da atividade da empresa; todavia, inúmeras empresas classificam as instalações na própria conta Maquinas, Aparelhos e Equipamentos, mantendo controles paralelos para a segregação da depreciação [...] IX Veículos São classificados nessa conta todos os veículos que estão sob o controle da empresa, sejam os de uso da Administração, como os do pessoal de vendas ou de transporte de carga em geral. Os veículos de uso direto na produção, como empilhadeiras e similares, podem ser registrados na conta Equipamentos. A Resolução Conselho Federal de Contabilidade nº 1.177, de 2009, exemplifica as classes de imobilizado, fazendo distinção entre máquinas e veículos: 37. Classe de ativo imobilizado é um agrupamento de ativos de natureza e uso semelhantes nas operações da entidade. São exemplos de classes individuais: (a) terrenos; (b) terrenos e edifícios; (c) máquinas; (d) navios; (e) aviões; (f) veículos a motor; (g) móveis e utensílios; e (h) equipamentos de escritório. Por fim, a TIPI vigente a partir de 2007, também faz a distinção entre máquinas e material de transporte, classificando, por exemplo, as empilhadeiras na posição 84.27, dentro da Seção XVI MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS. Já os veículos, em geral, são classificados como material de transporte, na Seção XVII – MATERIAL DE TRANSPORTE, nos Capítulos 86 e 87". Fl. 79734DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 172 30 Fundamentada nessas premissas, resta claro que os alugueis de veículo não podem ser considerado máquina ou equipamento de que trata o inciso IV do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Contudo, não há dúvida que os caminhões são de suma importância na atividade de transporte da canadeaçúcar da lavoura até o parque fabril. Contudo, conforme já mencionado, o recorrente não planta cana, ele compra cana. Logo, esse custo deve ser inserido no custo de aquisição da matériaprima e não pode gerar crédito básico e sim presumido, nos moldes dos serviços de corte, carregamento e transporte. Despesas rateadas ela Cooperativa. O recorrente assevera que é cooperada da Coopersucar, a qual rateia várias despesas com seus cooperados, dentre elas, com frete (dos galpões localizados em suas usinas cooperadas até os armazéns do entreposto portuário para fins de exportação) e de embarque do açúcar nos navios (despesas denominadas nas notas fiscais como "movimentação", "serviços de operação portuária", "transbordo de carga", "segundo giro" e "ad valorem". Requer créditos referentes a essas despesas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide Fl. 79735DF CARF MF Processo nº 16004.720174/201749 Acórdão n.º 3302006.735 S3C3T2 Fl. 173 31 a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas". Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera crédito, nos termos do art. 3º, § 2º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por todo exposto, dou provimento parcial ao recurso para: a) admitir a inclusão dos valores de aluguéis de veículos no custo de aquisição da matériaprima (canadeaçúcar), para fins de cálculo do crédito presumido das contribuições; b) admitir a inclusão, no custo de aquisição da matériaprima (canade açúcar), para fins de cálculo do crédito presumido das contribuições, dos valores referentes a compra de óleo diesel utilizado no corte, no carregamento, no transporte de canadeaçúcar do fornecedor até a usina, no preparo, na aração e na gradagem do solo; É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 79736DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900987/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900981/2009-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900981/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.581 de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .9 00 98 7/ 20 09 -0 6 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13227.900987/200906 Resolução nº 1201000.581 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido(CSLL) De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de processamento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, transmitida antes do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou a cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, em síntese, diante da insuficiência da prova documental anexada à Manifestação de Inconformidade, in verbis: Em hipótese tal qual a dos autos, fazse indispensável, portanto, a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc. No caso concreto, ao que consta dos autos, a antecipação em tela foi apurada pelo sujeito passivo nos termos e em conformidade com a legislação vigente (haja vista a não exibição de balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro Diário, que autorizassem a suspensão ou redução do pagamento do tributo devido art. 230, § 1° do RIR/I999). Também a documentação trazida aos autos pela interessada (limitada à cópia de DARF fl. 11) não autoriza a conclusão de que decorre da estimativa mensal em tela a existência de qualquer indébito. O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13227.900987/200906 Resolução nº 1201000.581 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real presumido, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial ou balancetes mensais, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquid o do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13227.900987/200906 Resolução nº 1201000.581 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A forma de tributação na qual estava enquadrada a empresa, no exercício em questão (exercício em que esta sendo discutida a compensação) era “lucro real presumido” no qual é feito o recolhimento por estimativa mensal, baseandose na receita bruta, devendo ser ao final do ano calendário realizada à apuração do tributo devido, forma de tributação esta detalhadamente explicada no relatório do acórdão, elaborado pela relatora, do qual transcrevemos trechos. Contudo, quando do termino do ano calendário, ao ser realizada a apuração do imposto devido, momento em que é possível se fazer à comparação entre o valor pago e o efetivamente devido, é que se obteve o valor de crédito, (advindo da diferença entre créditos e débitos), que poderia vir a ser usado em futuras compensações, ou seja, abatimento de impostos devidos. No exercício em pauta, conforme a nossa explanação, ao serem analisados os valores apurados e devidamente registrados nos documentos que seguirão em anexo, é possível chegar ao valor de crédito abaixo identificado: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13227.900987/200906 Resolução nº 1201000.581 S1C2T1 Fl. 6 5 Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referente ao anocalendário de 2002; (ii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com pagamento da estimativa mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), período de apuração de maio/2002 e valor de R$ 86,40, e; (iii) Livro Diário, anocalendário de 2002, contendo a transcrição do Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado e Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13227.900987/200906 Resolução nº 1201000.581 S1C2T1 Fl. 7 6 perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado antes do despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13227.900987/200906 Resolução nº 1201000.581 S1C2T1 Fl. 8 7 em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase que o Recorrente, aparentemente, comprova seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), havendo o pagamento a maior da estimativa mensal. Todavia, demonstrou somente o pagamento da estimativa mensal de maio/2002, com valor de R$ 86,40, não anexando os demais comprovantes, que somariam o montante total de R$ 3.551,63. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13227.900987/200906 Resolução nº 1201000.581 S1C2T1 Fl. 9 8 pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido(CSLL), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao Período de Apuração de 31/12/2002 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000972/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 38.
Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRASLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO.
1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional.
2. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE. PRESUNÇÃO. DADOS CADASTRAIS DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-007.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: João Victor Ribeiro Aldinucci
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente YE ZHENGWU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 38. Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRASLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional. 2. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 72 /2 00 8- 98 Fl. 605DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 606 2 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE. PRESUNÇÃO. DADOS CADASTRAIS DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. 1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. 2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Fl. 606DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 607 3 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430, de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do PAF a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa e domicílio profissional do procurador. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 20/04/2009, através de correspondência com aviso de recebimento (fl. 561 do pdf) e interpôs recurso voluntário em 12/05/2009 (fls. 564 e seguintes do pdf), no qual basicamente reafirmou as seguintes de teses de defesa: a decisão recorrida foi lacônica ao rejeitar a decadência; o recorrente, na condição de integrante comunitário familiar residente no Brasil, teve depositadas, nas contas pessoais, por terceiros, alguns valores destinados a prover a sobrevivência, de várias pessoas, inclusive sob amparo de Organizações Não Governamentais; é inconstitucional a quebra de sigilo bancário; o enquadramento legal e a capitulação legal do auto de infração estão equivocados; não é do contribuinte o ônus da prova e o exame dos extratos não detectou, com certeza absoluta, omissão de receita passível de tributação; a multa aplicada é confiscatória. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 607DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 608 4 1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Da decadência O recorrente afirma que a decisão recorrida teria sido lacônica ao rejeitar a alegação de decadência. No entanto, o crédito tributário objeto deste processo realmente não está extinto pelo transcurso do prazo decadencial. O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 608DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 609 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso concreto, não há prova nos autos de recolhimento antecipado parcial em nenhum dos anos, e nem as declarações de rendimentos de fls. 457 sequer registram a existência de imposto retido na fonte, o que impede a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. E mesmo que fosse aplicável o citado dispositivo, ainda assim não teria transcorrido o prazo decadencial. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 610 6 É que, em se tratando de IRPF apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, seu fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme a Súmula CARF 38, tendo em vista que o imposto de renda é um tributo cujo fato gerador é igualmente anual, ainda que o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos seja considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Veja se: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Alinhada com a doutrina, a jurisprudência tem reconhecido que o imposto de renda, em regra, tem seu fato gerador efetivamente concretizado em 31 de dezembro, o que se convencionou chamar de fato gerador complexivo ou periódico1 ainda que tal expressão seja criticada por parte da doutrina2. Vejase, nesse sentido, as seguintes decisões do STJ: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO A MENOR INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN FATO GERADOR COMPLEXIVO DECADÊNCIA AFASTADA. 1. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte constitui o crédito, mas efetua pagamento parcial, sem constatação de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é o momento do fato gerador. Aplicase exclusivamente o art. 150, § 4°, do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173, I, do mesmo diploma (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009, submetido ao regime do art. 543C do CPC). 2. O imposto de renda é tributo cujo fato gerador tem natureza complexiva. Assim, a completa materialização da hipótese de incidência de referido tributo ocorre apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário. 3. Hipótese em que a renda auferida ocorreu em fevereiro de 1993 e o lançamento complementar se efetivou em 25/03/1998, o seja, dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, uma vez que este se findava apenas em 31/12/1998. Decadência afastada. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no Ag 1395402/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2013, DJe 24/10/2013) ......................................................................................................... 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 268/270. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 538. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 611 7 TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES DE SWAP COM COBERTURA HEDGE. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. LEI 9.779/99. [...] 3. Os fatos geradores específicos do imposto de renda são as várias situações descritas nas leis ordinárias, como, por exemplo, os rendimentos auferidos nas diversas modalidades de aplicações financeiras, podendo ser complexivos, quando se constituem em diversos fatos materiais sucessivos, que são geralmente tributados em conjunto, principalmente pelo regime de declaração de rendimentos, ainda que recolhidos antecipadamente. Por seu turno, há os fatos geradores simples, que se constituem de circunstâncias materiais isoladas, tributadas em separado, pelo regime na fonte, como por exemplo o imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e o Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] (REsp 859.022/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/02/2008, DJe 31/03/2008) Em sendo assim, quando o lançamento foi notificado ao contribuinte, em 26/03/2008 (fl. 505 do pdf) ainda não havia transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, nem contado na forma do art. 173, inc. I, nem na forma do art. 150, § 4º. 3. Da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário O recorrente reitera que seria inconstitucional a quebra de sigilo bancário. Sem razão o contribuinte. O § 2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e no CARF, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, Rel. Min. Edson Fachin, tema 225, redigido nos seguintes termos: Tema 225 a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Como se vê, o citado tema trata exatamente da matéria suscitada pelo recorrente. Naquele recurso extraordinário, a Suprema Corte decidiu que "o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 612 8 requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Segue a ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 613 9 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe198 DIVULG 15 092016 PUBLIC 16092016) Eis, ainda, o conteúdo da decisão prolatada: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, para desprover o recurso neste tópico. 4. Dos depósitos bancários de origem não comprovada A par do que já foi exposto, o recorrente questiona o lançamento fiscal e a decisão recorrida com base nos argumentos que podem ser assim sintetizados: o recorrente, na condição de integrante comunitário familiar residente no Brasil, teve depositadas, nas contas pessoais, por terceiros, alguns valores destinados a prover a sobrevivência, de várias pessoas, inclusive sob amparo de Organizações Não Governamentais; o enquadramento legal e a capitulação legal do auto de infração estão equivocados; não é do contribuinte o ônus da prova e o exame dos extratos não detectou, com certeza absoluta, omissão de receita passível de tributação; Tais argumentações, contudo, não afastam o lançamento. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 614 10 Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19973) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 3 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 615 11 § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 614. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 4 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 616 12 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TFR, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). O § 6º do art. 42 encerra mais uma presunção: a de que, em se tratando de contas conjuntas, o valor dos rendimentos pertence, proporcionalmente, a cada um dos co titulares, mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de pessoas. A Súmula CARF 32, por sua vez, contém a presunção de que a titularidade dos depósitos pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais da instituição financeira, salvo se ficar comprovado o uso da conta por terceiros, o que deverá ser feito mediante documentação hábil e idônea. Tal verbete tem efeito vinculante, nos termos da Portaria MF 277/2018. Vejase: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O § 5º do encimado art. 42 é bem claro ao determinar a necessidade de se provar a titularidade da conta como sendo de terceiro, inclusive a fim de viabilizar a determinação dos rendimentos ou receitas em seu desfavor, conforme o caso. Vejase: Art. 42. [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Neste caso concreto, o recorrente não demonstrou o uso da conta por terceiros, nem tampouco a origem dos recursos nela creditados, de tal forma que são aplicáveis as presunções retro mencionadas. E nem houve qualquer erro de enquadramento legal ou de capitulação, pois a autoridade fiscal enquadrou os fatos conhecidos nas normas aplicáveis, mais especificamente no art. 42 retro mencionada, como se pode ver à fl. 493 dos autos. Portanto, e também neste particular, o recurso deve ser desprovido. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 19515.000972/200898 Acórdão n.º 2402007.138 S2C4T2 Fl. 617 13 5. Da multa de ofício O recorrente defende que a multa de ofício seria confiscatória. Entretanto, a multa aplicada ao recorrente tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata ;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há qualquer previsão legal para sua redução ou exclusão, e, por outro lado, a cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para concluirse pela existência de sanção confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade da Lei 9430/96. Como sabido, todavia, este Conselho não é competente para pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutro giro verbal, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. Logo, o recurso deve ser igualmente desprovido neste tópico. 6. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 617DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.000059/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário e que não tenha sido objeto do pedido, impugnação ou da decisão recorrida.
COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS OPTANTES PELO REGIME DE LUCRO REAL. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA NÃO-CUMULATIIVDADE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado e documentado a apuração do valor dos créditos oriundos da não cumulatividade da COFINS, utilizados ou não, efetivado a proporcionalização de tais créditos com o valor do ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada
Numero da decisão: 3301-006.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Marco Antonio Marinho Nunes, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
(assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 106 1 105 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000059/200797 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.037 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO COFINS Recorrente MERCADINHO BARBOSA BARUERI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário e que não tenha sido objeto do pedido, impugnação ou da decisão recorrida. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS OPTANTES PELO REGIME DE LUCRO REAL. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA NÃO CUMULATIIVDADE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado e documentado a apuração do valor dos créditos oriundos da não cumulatividade da COFINS, utilizados ou não, efetivado a proporcionalização de tais créditos com o valor do ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Marco Antonio Marinho Nunes, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 59 /2 00 7- 97 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 107 2 (assinado digitalmente) Ari Vendramini Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0519.8201 1ª Turma da DRJ/CPS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório em litígio e não homologou a compensação, com manutenção integral dos débitos. Por bem descrever o caso a ser apreciado, adoto o relatório desenvolvido pelo órgão julgador de primeira instância, ao qual farei os devidos acréscimos. Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 15/01/2007, no valor de R$ 188.044,57, correspondente a recolhimentos feitos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativos ao período de apuração outubro/2004 a agosto/2006. Ao direito creditório postulado a contribuinte vinculou débitos tributários mediante apresentação de declarações de compensação. A DRF em Osasco emitiu o Despacho Decisório de fl. 34, indeferindo o pedido de restituição, não reconhecendo o direito creditório da contribuinte e não homologando as compensações atreladas, sob a fundamentação de que o ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e de que, como essa contribuição é um tributo cujo encargo financeiro é transferido para terceiros, somente pode ser feita restituição a quem assumiu o encargo (contribuinte de fato) ouse este tiver expressamente autorizado a requerente. Cientificada desse despacho em 13/02/2007 (fl. 36), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 08/03/2007 (fls. 37/53), na qual solicita que seja mantida suspensa a exigibilidade dos débitos objeto das declarações de compensação e, a seguir, alega que: · a base de cálculo da Cofins é o faturamento e este deve ser considerado somente aquilo que a própria contribuinte fatura, não podendo ser ampliado tal conceito para incluir o faturamento de outra pessoa, como é o caso do ICMS que é faturado pelo Estado; · admitir que o ICMS faça parte da base de cálculo da Cofins é ferir de morte o princípio da capacidade contributiva; · não pode a lei que instituiu a Cofins alterar o conceito de faturamento utilizado expressamente na Constituição Federal para definir a competência tributária da União para a cobrança de contribuição sobre o faturamento, a teor do disposto no art. 110 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Cita, como jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, trecho do voto do Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário n° 240.7852 MG; Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 108 3 · não pode o pedido de restituição ser considerado não formulado quando a contribuinte não tiver utilizado o programa PER/Decomp, sob pena de ofensa ao art. 5°, inciso XXXIV, alínea a, da Constituição Federal; · não tem fundamento.o argumento de que não teria legitimidade para pedir a restituição, uma vez que a Cofins é um tributo direto. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 1ª Turma da DRJ/CPS, não reconheceu o direito creditório em litígio e não homologou a compensação, com manutenção integral dos débitos, conforme Acórdão nº 0519.8201, datado de 23/10/2007, cuja ementa reproduzo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Cientificada do julgamento, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde defende a exclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, encerrando seu recurso com o seguinte pedido: A vista do alegado afigurase razoável a exclusão do ICMS na base de calculo da COFINS e do PIS. uma vez que representa a incidência de contribuição social sobre imposto devido à unidade da Federação. O correspondente ao ICMS não possui, como ficou amplamente esclarecido, natureza de receita ou faturamento. O Tribunal Federal ao julgar o Recurso n. 240.785/MG, manifestouse pela inconstitucionalidade da referida inclusão, no entanto, apesar de decisão majoritária (06 votos favoráveis contra 0l voto desfavorável), o acórdão ainda não foi publicado, em razão do pedido de vista feito pelo Min. Gilmar Mendes. O pedido da recorrente, dentro do alegado direito, fundase no receito de dano de difícil reparação, traduzido no fato que só ao final do julgamento (RE 240.785/MG) e declaração de inconstitucionalidade, resultaria sua ineficácia, pelo fato de que os valores exigidos a Título de PIS e COFINS recolhidos, restaria à recorrente tão somente, pleitear novamente sua restituição, mediante via processual custosa e demorada. Nestes Termos, P. Deferimento. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 109 4 Voto Vencido Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. Admissibilidade. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido, exceto quanto à matéria relacionada à exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS. Esclareço. Os presentes autos originaramse de Pedido de Restituição de Cofins, sob o argumento de indevida inclusão do ICMS em sua base de cálculo, conforme trecho final do pedido da Recorrente, a seguir: Posto isso, requerse o reconhecimento do crédito da COFINS incidente sobre aos valores do ICMS embutido em sua base de cálculo bem como sua restituição calculada com a SELIC acumulada até a data de hoje. Sendo que o valor total do pedido de restituição do crédito é de R$ 188.044,57 (Cento e oitenta e oito mil quarenta e quatro reais e cinqüenta e sete centavos). Termos em que, Pede deferimento. No limite do pedido, manifestaramse a repartição de origem e o órgão julgado de primeira instância, consoante pronunciamentos acima relatados. Assim, por representar matéria nova e estranha à lide, articulada somente em sede de Recurso Voluntário e da qual se pede provimento, voto pelo não conhecimento do recurso nesta parte. Mérito. A Recorrente se insurge contra a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. Assistelhe razão. O Supremo Tribunal Federal STF, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706/PR, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, conforme ementa a seguir: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 110 5 CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Referido RE pende de apreciação de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional para modulação dos efeitos do acórdão. No entanto, diante da decisão proferida pelo STF, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. Tanto é verdade que o próprio STJ já modificou seu entendimento e vem aplicando o decidido pela Suprema Corte, como se observa a seguir: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 111 6 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543C do CPC/1973). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora a Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Esta egrégia Corte Superior firmou entendimento de ser desnecessário aguardar a publicação do acórdão para que os Tribunais de origem apliquem a orientação firmada em paradigma julgado sob o rito do art. 543B do CPC/1973. 4. Agravo Interno da FAZENDA NACIONAL a que se nega provimento. (AgInt no AgRg no REsp 1105598/RO, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/11/2018, DJe 07/12/2018) Não há, portanto, como negar aplicação imediata ao decidido pelo STF quanto ao assunto, visto que o próprio STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR e, ainda, entende que a orientação firmada em paradigma julgado sob o rito do art. 543B do CPC/1973 deve ser aplicada pelos tribunais de origem. Neste momento, acho relevante transcrever trechos das pertinentes palavras da Conselheira Semiramis de Oliveira Duro no julgado exarado no curso do Processo Administrativo nº 10580.721226/200701, Acórdão nº 3301004.355, de 20/03/2018: Quanto à aplicação dessa decisão em sede de processo administrativo, dispõe o § 2º, do art. 62 do RICARF, o seguinte: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 112 7 Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: [...] Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF. Por fim, aponto que, recentemente, o STJ se manifestou no sentido da obrigatoriedade da aplicação do decisum, independentemente do trânsito em julgado (AgInt no Agravo em Recurso Especial nº 282.685 – CE, DJ 27/02/2018): [...] Em suma, entendo que a aplicação do RE n° 574.706 é obrigatória, motivo pelo qual o recurso voluntário deve ser provido. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe provimento para excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seu pedido. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Voto Vencedor Conselheiro Ari Vendramini, Redator Designado. Com o devido respeito ao bem elaborado e claro texto do Ilustre Relator Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, peço vênia para discordar em apenas um aspecto. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 113 8 No meu entender, o fato de a empresa ter como regime de apuração o Lucro Real, como a própria recorrente demonstra em sua planilha apresentada, constante das fls. 11 destes autos digitais, traz como consequência uma particularidade quanto ao reconhecimento do direito creditório pleiteado. Utilizo e repito os argumentos de minha lavra no Acórdão de nº 3301 005.000, onde me manifestei sobre o mesmo tema, para aqui os transcrever : Em sede de repercussão geral, o STF assim ementou o RE Nº 574.706PR RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS.DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULARTIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante do ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços;análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado o ICMS h´q de atentar ao disposto no art. 155, § 2º , inc. I, da Constituição da República, cumprindo se o princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, par. 2º, inc. I, in fine, da LEI Nº 9.718/1998 excluiu da base de cálculo aquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração contra tal Acórdão. alegando, entre outras razões, a necessidade de que se defina a modulação dos efeitos da decisão, para que se estabeleça o momento em que tal decisão passou a produzir efeitos, se retroativamente ou apenas a partir de sua publicação. Até o presente momento, não há julgamento desses Embargos, mas há que se destacar que tais Embargos foram recebidos no efeito devolutivo e não suspensivo, o que significa que a decisão do STF tem aplicação imediata. Diante desse quadro jurídico, deve a Administração Tributária reconhecer que os pagamentos da Contribuição ao PIS e a COFINS feitos com a inclusão do ICMS em sua base de cálculo são considerados pagamentos indevidos e devem ser restituídos aos contribuintes. Entretanto, para as empresas optantes pelo regime de tributação denominado Lucro Real, como integrantes compulsórias da sistemática de não cumulatividade, surge a exceção a tal regra. Como tal, estas empresa estão sujeitas ao sistema de apuração de créditos,calculados sobre o valor dos insumos adquiridos necessários para a obtenção da receita da atividade exercida pela empresa. Tais créditos, em função da atipicidade da não cumulatividade estabelecida para as citadas contribuições, pois difere da não cumulatividade adotada Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 114 9 para o IPI e para o ICMS, nesta se adota a sistemática de abatimento do imposto cobrado na aquisição dos insumos do valor dos impostos devidos nas saídas dos produtos/mercadorias, naquela se adota a instituição de créditos, criados por lei, calculados por alíquotas fixadas sobre o valor dos insumos e outras despesas consideradas necessárias, para serem abatidos dos valores das contribuições devidas sobre a receita total gerada por tais insumos. Muitos doutrinadores têm se debruçado sobre a matéria para explicar, de forma didática tal sistema de não cumulatividade adotado para as contribuições. Por sua forma clara, citamos a definição trazida por FABIANA DEL PADRE TOMÉ : " As Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 introduziram no ordenamento brasileiro um novo regime de apuração da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, sendo denominado, pelo legislador ordinário como "não cumulativo". Esses veículos normativos autorizam que sejam descontados da base de cálculo, créditos calculados em relação a bens de revenda, insumos, energia elétrica, aluguéis, despesas financeiras, ativo imobilizado, edificações e devoluções de bens, especificando, no caso da COFINS, a possibilidade de creditamento relativo a despesas com armazenagem e frete de mercadoria na operação de venda dos bens para revenda e insumos, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Ao disciplinar a forma pela qual o crédito será calculado, estipula técnica diversa daquela aplicada ao IPI e ao ICMS. Não prescreve a compensação dos valores incidentes nas etapas anteriores com aqueles devidos nas operações subsequentes. Diferentemente, determina que o contribuinte, após apurar o valor da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, aplicando alíquotas de 1,65% e de 7,6%, respectivamente, desconte, do montante obtido, crédito correspondente á aplicação das mesmas alíquotas sobre o valor de determinados bens, serviços e despesas adquiridos e incorridos no mês. ................................. A não cumulatividade objetiva que cada agente da cadeia de industrialização ou serviço somente recolha o tributo sobre o valor que a ela adicionou. A técnica de apuração da contribuição ao PIS/PASEP e da COFISN, imposta pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nada tem de não cumulativa, pois em virtude das limitações ao crédito prevê, parte do tributo devido incidirá "em cascata". Temse, portanto, regra instituidora de abatimento ou regra de direito ao crédito, porém que não se identifica com a figura da não cumulatividade. A forma de cálculo dos créditos relativos á contribuição ao PIS/PASEP e COFINS também é diversa daquela prescrita constitucionalmente á apuração dos créditos de IPI e ICMS. Enquanto nesses impostos ha determinados, pelo Texto Maior, de que seja compensado com o quantum do tributo devido o montante incidente nas operações anteriores. (modalidade de compensação "imposto sobre imposto"), a sistemática da creditamento das citadas contribuições não exige a identificação do tributo cobrado na etapa precedente. Determina que seja o crédito aferido mediante o emprego de uma alíquota previamente fixada, aplicada sobre o valor do bem, serviço ou despesa geradora do crédito. A sistemática de abatimento adotada e a do chamado "crédito financeiro", posto que não vincula o direito ao crédito á saída da mercadoria ou serviço no exercício da atividade do contribuinte. Ao contrário, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 autorizam, expressamente, a dedução de créditos relativos a despesas consideradas custos Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.000059/200797 Acórdão n.º 3301006.037 S3C3T1 Fl. 115 10 indiretos, tais como aquelas decorrentes de empréstimos, financiamentos, aluguéis, dentre outros. ( Tome´, Fabiana del Padre, Natureza Jurídica da "Não Cumulatividade" da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS :Consequencias e Aplicabilidade, in PISCOFINS QUESTÕES ATUAIS E POLÊMICAS, PAGS. 544/554) Nesse diapasão, devese ter em conta, quando se trata de empresas optantes do Lucro Real, duas particularidades para que se possa reconhecer o direito creditório em questão : a primeira e mais importante é a questão da utilização dos créditos gerados pelos insumos adquiridos e os serviços e despesas incorridas para a geração da receita da qual vai se abater o valor do ICMS, ou seja, o valor do ICMS, por estar destacado nas Notas Fiscais de aquisição de tais insumos ou pagamento de serviços e despesas, é de fácil apuração e mensuração, ao contrário das contribuições ao PIS/PASEP e a COFINS que, além de não serem destacados na Notas Fiscais de aquisição , geram créditos que podem ser abatidos das contribuições devidas. Portanto, ao se deduzir o ICMS somado nas Notas Fiscais de aquisição, deve se efetuar uma operação de apuração dos créditos gerados e utilizados, de forma proporcional ao valor do ICMS excluído, para, ao final, poder se demonstrar que , ao excluir o ICMS também foram excluídos, na forma de estorno, de forma proporcional , os créditos gerados pelas aquisições, sob pena de se pleitear a restituição de valor pago indevidamente e a manutenção, na escrituração da empresa, os créditos gerados, que poderão ser utilizados nas formas permitidas pela legislação, de outro lado, se os créditos foram utilizados, nas formas permitidas pela legislação (ressarcimento ou compensação com tributos devidos), deve o contribuinte comprovar o quantum utilizado, demonstrar que excluiu esses créditos do seu cálculo, para aí então estornar, de forma proporcional, os créditos porventura ainda remanescentes em sua escrituração. A segunda particularidade é dependente da decisão do STF sobre a modulação dos efeitos do decidido em sede de repercussão geral. Se houver tal modulação, pode ocorrer a aquisição de insumos onde o ICMS não poderá ser excluído, produzindo efeitos sobre o cálculo dos créditos e do valor a ser excluído da base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS. Diante das razões expostas, por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado tais cálculos , documentado a apuração do valor dos créditos utilizados ou não, efetivado a proporcionalização dos créditos com o valor da ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada. Mantendo os mesmos argumentos, voto por negar provimento ao recurso e não reconhecer o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Ari Vendramini Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.011773/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
LEGISLAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. RETROAÇÃO BENIGNA.
A legislação que revoga a aplicação de multa retroage nos termos do art. 106 do CTN.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO.
Não ha base legal para aplicação da multa de mora.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
NULIDADE. DECISÃO TURMA JULGADORA. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO.
nula a decisão de turma julgadora da DRJ que aplica a retroação benigna para transformar a exigência da multa isolada em exigência de multa de mora, em razão de legislação posterior que revoga a multa isolada por pagamento a destempo desacompanhado de multa de mora.
Numero da decisão: 1101-000.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos. DAR
PROVIMENTO ao recurso volu drio. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voTO
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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APLICAÇÃO RETROATIVA. RETROAÇÃO BENIGNA. A legislação que revoga a aplicação de multa retroage nos termos do art. 106 do CTN. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. Não ha base legal para aplicação da multa de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 NULIDADE. DECISÃO TURMA JULGADORA. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. nula a decisão de turma julgadora da DRJ que aplica a retroação benigna para transformar a exigência da multa isolada em exigência de multa de mora, em razão de legislação posterior que revoga a multa isolada por pagamento a destempo desacompanhado de multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos. DAR PROVIMENTO ao recurso volu drio. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de vo DE MENEZES - Presidente. VALMAR FON Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 123 CARLOS EDUARDO MEIDA GUERREIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação apresentada em razão de auto de infração. Em 27/10/2005, o contribuinte apresentou impugnação (proc. fls. 1 a 3) em razão do auto de infração n° 0099681 (proc. fls. 19 a 28). Conforme o contribuinte, o fiscal: Tendo em vista que os recolhimentos destes tributos foram efetuados em atraso e, sem as multas, capitulou suposta infração como falta de pagamento de multa de mora, aplicando multa isolada, nos termos do Artigo 160 da Lei 5.172/66; Artigo I° da Lei 9.249/95; Artigos 43 e 44, incisos I e II, parágrafo 10, inciso e, parágrafo 2° da Lei 9.430/96, acrescida de multa de mora e juros. 0 contribuinte argumenta que, pelo fato dos sistemas da Receita não terem identificado nos recolhimentos em atraso a multa de mora, o fiscal lavrou o auto de infração. Explica que, apesar do pagamento a destempo, ocorreu a denúncia espontânea, nos termos dos processo 13811.000568/2004-60 e 13811.000570/2004-39. Diz que o art. 138 do CTN permite o pagamento a destempo com apenas os juros de mora. Em 12/05/2008, despacho decisório propõe o encaminhamento para a DRJ(proc. fls. 39 a 41). Explica que se trata de solicitação de acolhimento de denuncia espontânea, com base no art. 138 do CTN e relativa a pagamento a destempo de IRPJ. Conclui que o art. 138 do CTN não afasta a multa de mora, que tem previsão legal de incidência. Em 24/07/2009, a 5 Turma da DRJ em São Paulo julga o lançamentoprocedente em parte (proc. fls. 72 a 78). A turma explica que "o lançamento em tela decorre da constatação de que o contribuinte efetuou o pagamento da CSLL vencida em 31/05/2000 e 28/12/2000 em atraso (06/02/2004), sem o acréscimo da multa de mora". Quanto a alegação de espontaneidade, a turma diz que os recolhimentos correspondem a valores declarados e, por isso, fora do alcance do art. 138 do CTN que se dirige apenas à confissão espontânea de infrações desconhecidas do Fisco. A Turma explica que "a multa isolada, incidente sobre o recolhimentos efetuados após o vencimento com falta de acréscimos legais, tem como base legal o artigo 44, da Lei n° 9.430/1996 que foi posteriormente modificado pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007". Argumenta que "pela nova redação dada ao aludido artigo 44 (especialmente ao inciso I do caput) foi extinta a multa isolada por "pagamento ou recolhimento após o vencimento, sem o acréscimo de multa moratória", ou seja, tal conduta deixou de ser considerada infração 2 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 124 passível de multa punitiva de 75%". Conclui que, embora não mencionado na impugnação, deve ser aplicado ao caso a legislação superveniente mais benigna, conforme a letra "c" do inciso II, do art. 106 do CTN. Com bases nesses fundamentos, diz que deve ser aplicada a multa menos severa, prevista no art. 61 da Lei no 9.430, de 1996, no percentual de 20%. Em 12/08/2009, o contribuinte é cientificado da decisão (proc. fl. 82). Em 9/09/2009, o contribuinte apresenta recurso voluntário (proc. fls. 83 a 90). Explica que "os tributos em questão foram pagos em 06/12/2004 e declarados em DCTF nos dias 22/06/2004 (em relação ao valor de R$ 57,80), e 29/05/2009 (em relação ao valor de R$ 477.474,99 (documento anexo), ou seja ocorreu o pagamento do imposto antes de sua declaração ao Fisco". Propugna que caba a denuncia espontânea. Insiste que a jurisprudência confirma sua espontaneidade, pois "houve o pagamento integral em atraso dos tributos, antes de sua declaração ao Fisco, sem que tenha sido iniciado procedimento administrativo". Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. 0 recorrente não contesta os fatos (pagamento após o vencimento sem os acréscimos legais), mas discute o direito aplicado. Diz que, por força do art. 138 do CTN, fica afastada a aplicação da multa, pois efetuou o pagamento após o vencimento, mas antes de qualquer procedimento de oficio. Não obstante a solução proposta ao presente caso prescinda da análise do art. 138 do CTN, abaixo transcrito, vale tecer breves comentários sobre o mesmo. Para tanto me reporto a voto anterior onde abordei a questão da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Conforme se verifica no texto legal, a interpretação defendida pelo recorrente tem origem na leitura imediata do texto legal, que declara estar excluída a responsabilidade pela denúncia da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Com base nisso, alguns entemndem que a multa de mora estaria dispensada, por não ter sido literalmente mencionada. No entanto, essa não parece ser a leitura adequada por diversas razões. A primeira delas é por estar baseada apenas na literalidade do texto. Com isso, há uma perda da visa() do 3 Processo If 19679.011773/2005-90 SI-C IT! Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 125 conjunto normativo e esta perda colocaria a interpretação em conflito com diversas regras, inclusive de cunho constitucional. Nessa linha, é preciso considerar que o CTN não mantém um rigor técnico em todos os seus dispositivos ao definir pelo o que se responde, se ao tributo, ao tributo e multas, ao tributo e demais acréscimos, etc. A leitura dos arts. 129 a 138, bem demonstra esta imprecisão. Em decorrência desta imprecisão, em cada artigo, é preciso efetuar uma construção interpretativa, que assegure o mcirimo de integração do texto com todas as demais regras do sistema. Assim, ao contrário do que entende o recorrente, é de se notar, na leitura do art. 138, do CT1V, que ele exige do contribuinte em mora, que pretenda isentar-se da responsabilidade pela infração, a purgação da mora. Ou seja, ao exigir os juros de mora, longe de afastar a multa de mora, o dispositivo estabelece a necessidade de purgar a mora e esta purgação deve ser feita nos termos da legislação do ente tributante. preciso relembrar que o C77V é regra nacional, voltada a padronização da tributação pelos diversos entes tributantes por meio de regras gerais. Assim, não é de se esperar que sua linguagem esteja de acordo com a legislação especifica de cada pessoa política sobre a forma do adimplemento a destempo de débitos tributários. Por isso, o ponto relevante do art. 138, ao mencionar a necessidade de se pagar os juros de mora, não é afastar a multa de mora, mas sim reconhecer a necessidade de se purgar a mora, o que deve ser feito levando em conta a legislação especifica de cada ente tributante. Como a legislação da União prevê a multa de mora, ela deve ser paga. Ainda sobre a questão, vale a transcrição da regra constitucional que permite a Unido legislar sobre normas gerais sobre direito tributário: Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanistico,. § I° - No âmbito da legislação concorrente, a competência da Unido limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2°- A competência da Unido para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. § 3° - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. 4 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.606 FL 126 sS. 4 0 - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. Do texto constitucional, se destaca que as regras gerais da Unido (CT1V) se limitam a estabelecer padronização, sem ferir a liberdade legislativa dos entes da federação. Portanto, é com esse entendimento que o art. 138, do CT1V, deve ser lido. Por isso, não deve ser buscada no seu texto uma interpretação que reduza, sem razão de ser, a liberdade legislativa dos entes da federação, sob pena de violar, dentre outros, o principio federativo. Cada ente, pode regular corno o contribuinte deve resolver espontaneamente suas inadimplências tributárias. Se a legislação deste ente exige juros e multa, é preciso respeitar tal determinação, salvo se houvesse regra constitucional determinando que a mora tributária se purgaria de outra forma, o que não é o caso. Portanto, pretender que o art. 138 afaste a multa de mora, não é a melhor leitura do dispositivo. Ao contrário, a leitura adequada é que ele reconhece que o pagamento a destempo, para afastar a responsabilidade pela infração, deve ser feito de modo a purgar a mora nos termos da legislação especifica. Mas, também é preciso ler o dispositivo inserindo-o no sistema da administração fiscal dos entes tributantes. Conforme este sistema, se o contribuinte cumpre suas obrigações, não há porque puni-lo com multa de oficio. Por outro lado, se o contribuinte cumpre espontanemente suas obrigações, mas tardiamente, não há porque dispensá-lo de purgar a mora nos termos legais, embora sobrem razões para afastar a multa de oficio. O estimulo ao saneamento espontaneo das infrações é feito, no art. 138, do CTN, afastando as multas de oficios. Isso está de acordo com a razão de ser das multas de oficio, que são impostas quando o Fisco precisa ir a campo para fazer o contribuinte cumprir aquilo que não cumpriu espontaneamente. Ora, se o contribuinte já cumpriu espontaneamente, mesmo que a destempo, não há porque tratá-lo como dquele contribuinte que obrigou ao Fisco descobrir e lançar a infração, sem falar em ter de eventualmente tentar cobrá-la. De outra banda, não há razão para se supor ser necessário afastar a multa de mora para que o saneamento espontaneo das infrações seja estimulado. E verdade que o quanto mais se desonere o pagamento espontaneo a destempo, mas se estimula tal conduta. Porém, o excesso de estimulo tem efeito exatamente ao contrário e, inclusive, é contrário ao direito e aos interesses da administração pública. A bem da verdade, acaso a multa de mora fosse afastada, o que se estimularia seria a inadimplencia e não o adimplemento tardio. Ou seja, pretender afastar a multa de mora é um estimulo • ilicitude, pois estimula que o pagamento seja feito após seu 5 Processo IV 19679.011773/2005-90 SI-C I TI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 127 vencimento, já que não há qualquer consequencia maior, visto que o juros de mora são meramente de reposição. Também por isso, por estimular o inadimplemento e por conduzir a condutas contrárias ao direito, a interpretação defendida pelo contribuinte deve ser rechaçada. Ademais, existe artigo especifico no CTN informando sobre o pagamento fora do prazo. Tal artigo reconhece que além do juros moratório, cabe a cobrança de multa prevista na legislação do ente tributante. Cabe a transcrição (grifos não são do original): Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. P Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. § 2 0 0 disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Ora, se em artigo especifico (voltado para regrar o pagamento em atraso) o GIN reconhece a possibilidade de aplicação de outras penas previstas na legislação do ente tributante, não há a menor razão para supor que o art. 138, do CTN, que versa sobre os efeitos da espontaneidade, pretendesse afastar a multa de mora. Como visto, o art. 138, do CTIV, apenas orienta os entes federados a não aplicar a multa de oficio no caso de pagamento espontâneo atrasado, desde que tal pagamento seja feito na forma da legislação do tributo. Ademais, pretender que o art. 138, do CTN, afastasse a multa de mora, além de não fazer qualquer sentido em termos de administração tributária, longe de estimular o adimplemento, estimularia a mora, o que é o mesmo de estimular o ilícito. Também cabe verificar na Constituição os limites estabelecidos ao legislador das normas gerais ern matéria tributária: Art. 146. Cabe a lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, ern matéria tributária, entre a Unido, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; li - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; 6 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 128 b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microetnpresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. , Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: I - será opcional para o contribuinte II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; L III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou condicionamento; IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes. Art. 146-A. Lei complementar poderá estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a Unido, por lei, estabelecer normas de igual objetivo. A leitura dessas normas, apenas demonstra qua a Constituição limita as normas gerais a uma intervenção minima na autonomia tributária das pessoas políticas. Via de regra, a permissão de intervenção na legislação dos entes é apenas para questões de interesse nacional. Por isso, pretender que o art. 138, do CT1V, afaste a legislação do ente federado sobre a forma como deve ser feito o pagamento a destempo, além de estimular o ilícito, de ser contrária a regra especifica do próprio CT1V, de não fazer qualquer sentido, quer para os contribuintes e quer para o fisco, seria uma invasão não autorizada na competencia legislativa dos entes politicos. Por estas razões, entendo que o art. 138 no tem o condão de afastar a multa de mora. No obstante a possibilidade hermeneutica acima mencionada, é preciso considerar nova disposição do Regimento Interno do CARF, posta pela Portaria MF n° 586/2010. A nova regra determina a reprodução no CARF das decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em determinadas circustâncias. A determinação do Regimento do Interno do CARF é a seguinte: 7 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 129 Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543- B e 543-C da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARE Portanto, é preciso analisar as decisões do STJ que estabeleçam interpretações diferentes da exposta. No que tange a espontaneidade prevista no art. 138 do CTN existem recentes decisões do STJ, nos REsp 962.379 e REsp 1.149.022, capazes de afetar a interpretação propugnada, em razão do regimento interno. Porém, como dito inicialmente, no caso concreto existe uma questão prévia ao debate do alcance do art. 138 do CTN que precisa ser examinada, por ser definitiva ao deslinde da questão. Trata-se de analisar se o sistema legal admite ou não que a a turma julgadora da DRJ altere o lançamento levado ao seu julgamento, tal como pretendeu no caso em exame. Em em caso de impossibilidade, valera sua decisão sobre a retroação da regra que extingue a multa isolada, que inclusive é definitiva, e será declarada nula a alteração que fez no lançamento, pela qual pretendeu exigir a multa de mora. Como visto, a turma julgadora destacou no voto a alteração da legislação, que deixou de punir com a multa isolada o pagamento a destempo desacompanhado da multa de mora. De fato, isso é evidente na legislação. No seu texto original, o art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, estabelecia claramente que no caso de pagamento de tributo após o vencimento, sem a multa de mora, seria possível a aplicação de multa de 75% em lançamento de oficio. Cabe a transcrição (grifei): Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos;. II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Na redação atual, não há mais a possibilidade de aplicação de multa 75%, (nem de qualquer outra, diga-se), na hipótese de pagamentos após o vencimento 8 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 130 desacompanhados da multa de mora. Portanto, atualmente não há base legal para lançar a multa isolada (nem qualquer outra multa) em procedimento de oficio. Vale transcrever a redação atual: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 82 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Após documentar estas alterações na legislação, a turma julgadora sustentou que as novas regras retroagiam. Conforme o voto, a turma entendeu que a legislação posterior se aplicava ao lançamento em razão da alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, abaixo transcrito: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - ern qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando Me comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com base nestes fundamentos, a DRJ afastou a multa de oficio lançada pela fiscalização, "reduzindo-a" para a multa de mora de 20%. A decisão foi vertida nos seguintes termos: Destarte, há que de aplicar no caso a penalidade menos severa, qual seja, a da multa moratória, na forma do art. 61 da Lei n° 9.430/96, até o percentual máximo de 20%. 9 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CIT1 Acórddo n.° 1101-00.606 Fl. 131 Porém, embora a turma julgadora esteja certa em perceber a alteração na legislação e em afastar a aplicação da multa isolada, ela não poderia inovar no lançamento. Ou seja, a decisão da DRJ que afastou a multa isolada está correta. Inclusive, esta decisão, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, é definitiva. De outra banda, a parte da decisão que estabelece a cobrança da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, é nula. A autoridade julgadora não pode inovar na acusação. Ela não pode trazer fatos novos e nem alterar a fundamentação jurídica do ato impugnado. Ela não pode revisar o lançamento. Isso viola o rito estabelecido no Decreto n° 70.235, de 1972, esvazia as funções do julgamento administrativo, invade a competência da fiscalização, lesa os direitos do contribuinte, viola o regimento interno dos órgãos de julgamento que impede a inovação. Cabe destacar que neste aspecto (proibição de inovação, inclusive de argumentação jurídica) o julgamento administrativo difere substancialmente do julgamento judicial e a razão é simples. 0 objeto dos dois diferem radicalmente. No julgamento administrativo disciplinado no decreto 70.235, de 1972, o que se julga é o ato administrativo trazido ao litígio (sua legalidade). Isso é bastante diferente de julgamentos judiciais, relativos a disputas sobre a existência de direito. Nesses, o que se julga é a existência de determinada relação jurídica e o Juiz pode trazer sua percepção jurídica sobre as relações jurídicas em análise, mesmo que não tenha sido suscitada por qualquer parte, pois o objeto do julgamento é a própria relação. Já no julgamento administrativo, não está em questão uma relação jurídica, mas a legalidade de um ato administrativo. Dessarte, no PAF, não cabe qualquer inovação nos fundamentos lógicos e jurídicos do ato julgado, pois é o ato com seus elementos integrantes que é julgado. Retomando a análise da decisão da DRJ, fica evidente que a DRJ adotou fundamentos absolutamente diferentes dos adotados pela DRF. Enquanto a DRF efetuou o lançamento da multa isolada e com base no art. 44 da lei n° 9.430, de 1996, a DRJ entendeu que o lançamento era viável se cobrasse apenas a multa de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Na verdade, mais do que uma simples inovação, a decisão da DRJ equivale a um novo ato. Isso porque o único fundamento do lançamento foi desconsiderado pela própria DRJ, que passou a sustentar a cobrança com o novo fundamento. Ou seja, o ato foi mantido, não por seu fundamento, mas por novo fundamento. Deste modo, a DRJ, longe de promover o controle de legalidade do ato administrativo (do ato da DRF) ou propiciar um julgamento para o contribuinte, acabou por dar um novo fundamento ao ato impugnado. Isso equivale a DRJ refazer o lançamento. Com isso, embora aproveitando parte do ato praticado pela DRF (exigir a multa isolada), a DRJ faz um lançamento novo (exigir a multa de mora), com base em direito novo. Portanto, esta parte da decisão da DRJ é nula. Ademais, vale comentar que mesmo se a aplicação da multa de mora fosse feita pela fiscalização, tal lançamento seria nulo por falta de base legal. 10 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-C1T1 AcOrddo n.° 1101-00.606 Fl. 132 Deveras, o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, cria, para o sujeito passivo em mora, o dever de pagar o tributo devido acrescido da multa de mora. Mas, é preciso notar que o artigo nada fala sobre o descumprimento deste dever. 0 artigo nada fala sobre o que deve acontecer caso o contribuinte pague o tributo após o vencimento sem recolher a multa de mora prevista legalmente. Ele não prevê o que deve acontecer se a multa de mora não for paga espontaneamente e em conjunto ao pagamento do tributo vencido. Muito menos ele estabelece que esta multa de mora deva/possa ser aplicada pelo Fisco. Ou seja, o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, estabelece o dever para o contribuinte em mora, com o correspondente direito para o Fisco, e assim cria uma obrigação principal correspondente a multa de mora. Tal obrigação (com seus correlatos direito e dever) surge quando algum tributo não é pago no vencimento (nasce após o vencimento). Mas, o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, não estabelece qual será a reação A. violação do dever de pagamento da multa de mora e nem prevê como o direito não satisfeito pode ser formalizado e exigido. Enfim, o artigo não regula eventual descumprimento. Também, não estipula a aplicação da multa, o que permitiria a sua formalização de oficio para torná-la exigível. Inclusive, a leitura do § 1° do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, sugere que o dispositivo legal considera que o pagamento da multa de mora seja feito espontaneamente. 0 que está em linha com a ausência de tratamento ao descumprimento do dever estabelecido no caput. Em resumo, a multa de mora é prevista pelo o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, mas o dispositivo não prevê a sua aplicação (de oficio), apenas menciona seu pagamento espontâneo. Deste modo, o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, por si só é insuficiente para respaldar o auto de infração em análise. Assim, é preciso reconhecer a defmitividade da decisão da DRJ, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, que cancelou a cobrança da multa isolada em razão da retroação benigna, determinada no inciso II do art. 106 do CTN, e por declarar a nulidade da decisão da DRJ que determinou a cobrança de multa de mora. Não obstante, em razão do contribuinte resistir ao ato por meio de recurso, voto por dar provimento ao recurso voluntário, Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011 Carlos Eduardo de Al eida Guerreiro - Relator 11 Processo n° 19679.011773/2005-90 Si -CITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 133 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Ao contrário do entendimento expresso pelo I. Relator, penso que não constitui inovação a manutenção da multa de mora pela autoridade julgadora de 1a instancia, na medida em que o lançamento aponta que este valor deveria ter sido recolhido pela contribuinte, em razão do atraso verificado no pagamento em debate. Assim, ao aplicar a retroatividade benigna da revogação da norma que antes determinava, como conseqüência para esta conduta, a aplicação da multa de oficio isolada, entendo que a autoridade julgadora de l a instancia nada mais fez do que manter a imputação fiscal que não foi atingida por esta aplicação retroativa. Todavia, como já decidido por esta Turma em caso semelhante, inexiste fundamento legal que permita a exigência, de oficio, da multa de mora não recolhida. Com a devida vênia, reproduzo as razões de decidir do I. Relator, Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, expressas no Acórdão n° 1101-00.309, de 20 de maio de 2010: A base legal citada no auto de infração para fundamentar o lançamento de oficio de multa de mora é a seguinte: art. 160, da Lei n°5.172, de 1966; arts. 43 e 61 da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 9, parágrafo único, da Lei n° 10.426, de 2002. A recorrente não contesta os fatos (pagamento após o vencimento sem os acréscimos legais), mas discute o direito aplicado, visando afastar o lançamento de oficio da multa de mora. Diz que, por força do art. 138 do CT1V, fica afastada a aplicação da multa de mora, pois efetuou o pagamento após o vencimento, mas antes de qualquer procedimento de oficio e antes mesmo de retificar sua DCTF para reconhecer o correto valor devido. São esses os contornos do litígio. Para análise da questão, antes de considerar as alegações apresentadas pelo contribuinte, entendo que deve ser verificada a possibilidade do lançamento de oficio da multa de mora, com base nos artigos indicados no auto de infração. 0 art. 142 do CTN define lançamento e refere-se el aplicação de penalidade no lançamento, da seguinte forma (grifei): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 0 art. 149 do CTN indica as situações onde o lançamento é feito de oficio. Dentre elas, está prevista o lançamento de multa quando comprovada conduta que dê margem a sua aplicação. 0 texto é o seguinte (grifei): Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; 12 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CITI AcOrdao n.° 1101-00.606 Fl. 134 II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formal idade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. 0 art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), aprovado pelo Decreto n°3.000, de 1999, indica as situações onde pode ser feito o lançamento de oficio. 0 inciso V trata do lançamento de multa. Conforme o texto legal, o lançamento de oficio de multa é permitido apenas existir previsão legal de aplicação da multa por parte do Fisco, in verbis (grifei): Art.841.0 lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo (Decreto-Lei n 2 5.844, de 1943, art. 77, Lei n2 2.862, de 1956, art. 28, Lei n 2 5.172, de 1966, art. 149, Lei n 2 8.541, de 1992, art. 40, Lei n2 9.249, de 1995, art. 24, Lei n2 9.317, de 1996, art. 18, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 42): 1-não apresentar declaração de rendimentos; II-deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; III-fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V-estiver suieito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; VI-omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo único.Aplicar-se-d o lançamento de oficio, além dos casos enumerados neste artigo, Aqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. Em todos os artigos acima citados, o lançamento de oficio da multa é condicionado a haver previsão de sua aplicação, por parte do Fisco. Portanto, cabe verificar se a base legal citada no auto de infração em tela permite a aplicação da multa de mora 13 Processo n° 19679.011773/2005-90 Si -CITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 135 pela fiscalização. Para tanto, os dispositivos indicados são abaixo transcritos na mesma ordem em que estão mencionados no auto de infração. Conforme o CTN. Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. Conforme a Lei n° 9.430, de 1996 (grifei): Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art.61.0s débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada A. taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1 0 A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição ate o dia em que ocorrer o seupagamento. §2 3 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§ 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no Ines de pagamento. Conforme a Lei n°10.426, de 2002: Art. 9' Sujeita-se A multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n ° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1 0, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo ilnico.As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Inicialmente, registro que não vejo conexão entre o lançamento e os arts. 160, do CTN, e 9 0, parágrafo único, da Lei n° 10.426, de 2002. Afinal, o art. 160 do CTN estabelece uni prazo de vencimento para os casos em que a legislação do tributo seja omissa quanto ao vencimento e o art. 9° e seu parágrafo único, da Lei n° 10.426, de 2002, trata de multa aplicável à fonte pagadora por omissão de seus deveres de retenção e/ou recolhimento. Portanto, não são essas disposições legais que dariam fundamento ao auto de infração. Dessarte, sobram para análise os arts. 43 e 61 da Lei n°9.430, de 1996. Entendo que o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, cria, para o sujeito passivo em mora, o dever de pagar o tributo devido acrescido da multa de mora. Mas, o artigo nada fala sobre o descumprimento deste dever. Ele não prevê o que deve acontecer 14 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 136 se a multa de mora não for paga e muito menos estabelece que esta multa deva/possa ser aplicada pelo Fisco. Ou seja, a disposição estabelece o dever para o contribuinte em mora, com o correspondente direito para o Fisco, e assim cria uma obrigação principal correspondente a multa de mora. Mas, não estabelece qual será a reação â violação do dever de pagamento da multa de mora e nem prevê como o direito não satisfeito pode ser formalizado e exigido. Enfim, o artigo não regula eventual descumpriniento. Também, não estipula a aplicação da multa, o que permitiria a sua formalização de oficio para torná-la exigível. Inclusive, a leitura do 5S' 1° do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, sugere que o dispositivo considera que o pagamento da multa de mora seja feito espontaneamente. 0 que está em linha com a ausência de tratamento ao descumprimento do dever estabelecido no caput. Em resumo, a multa de mora é prevista pelo o art. 61 da Lei n°9.430, de 1996, mas o dispositivo não prevê a sua aplicação (de oficio), apenas menciona seu pagamento espontâneo. Deste modo, o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, por si só é insuficiente para respaldar o auto de infração em análise. Porém, nada obsta que a reação ao não pagamento espontâneo da multa de mora esteja descrita em outra disposição legal. Deste modo, é possível que a regra para formalização da exigência (por aplicação da multa ou outra por outro modo), ou outro mecanismo de satisfação do credor, esteja posta em outro dispositivo. 0 que conduz a análise do último dispositivo mencionado no auto de infração. Conforme transcrito acima, o art. 43 da Lei n°9.430, de 1996, apenas estipula que "poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivaniente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente". Ou seja, apenas admite a hipótese de se formalizar exclusivamente: ou multa; ou juros de mora; ou multa e juros de mora. Mas, não informa nada sobre a formalização desses créditos, cuja possibilidade admite. As regras atinentes à formalização prevista no art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, precisam estar postas por outros dispositivos. Portanto, também não é no art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, que repousa a possibilidade de aplicação da multa de mora (lançamento de oficio de multa de mora). Deste modo, me parece que a base legal citada no auto de infração (art. 160, da Lei n°5.172, de 1966; arts. 43 e 61 da Lei n°9.430, de 1996; e art. 9, parágrafo único, da Lei n° 10.426, de 2002) não dá sustentação ao ato, pois nenhum dos artigos mencionados prevê a possibilidade do Fisco aplicar a multa de mora. Isso já seria o suficiente para anular a exigência. Mas, penso que a situação é mais grave, pois acredito que não há nenhum dispositivo legal que permita a aplicação de oficio da multa de mora. A observação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, na sua redação original e na atual, tanto reforça a procedência da tese que defendo (de ser necessária a previsão legal de aplicação de multa, para que esta possa ser lançada de oficio), como demonstra não haver ao tempo do lançamento em exame a previsão legal de aplicação da multa de mora ou de qualquer outra para pagamento de tributo a destempo sem a multa de mora. No seu texto original, o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, estabelecia claramente que no caso de pagamento de tributo após o vencimento, sem a multa de mora, seria possível a aplicação de multa de 75% em lançamento de oficio (grifei): Art.44.Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as se2uintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 15 Processo n° 19679.011773/2005-90 SI -CIT I Acórdão n.° 1101 -00.606 Fl. 137 1-de setenta e cinco por cento , nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; •••• §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos;. II -isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III —isoladamente ... V —isoladamente ... V —isoladamente... Na redação atual, que corresponde a da época do auto de infração, não há mais a possibilidade de aplicação de multa 75% ou de qualquer outra na hipótese de pagamentos após o vencimento sem a multa de mora. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, sell() aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8°- da Lei n -Q 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2 2 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Em conclusão, entendo que a base legal relacionada no auto de infração não permite o lançamento de oficio da multa de mora. Além disso, entendo que, ao tempo do lançamento, não havia previsão legal para lançamento de oficio de qualquer multa nos caso de pagamento a destempo desacompanhado da multa de mora. Por estas razões, voto por anular o auto de infração. Em verdade, uma vez constatado recolhimento em atraso desacompanhado da integralidade dos acréscimos moratórios previstos em lei, deve a autoridade lançadora, mediante imputação proporcional do pagamento, determinar o principal que deixou de ser recolhido, e assim promover a cobrança da parcela que, declarada como no presente caso, não restou quitada com aquele recolhimento. Isto porque o Código Tributário Nacional limita-se a abordar a imputação de pagamentos nos seguintes termos: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, 16 taa- EDELI PEREIRA BESSA - Conselheira Processo n° 19679.011773/2005-90 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.606 Fl. 138 a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II - primeiramente, as contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III - na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV - na ordem decrescente dos montantes. Como se vê, não há regra expressa de precedência entre tributo, multa (de mora ou de oficio) e juros moratórios e, ainda, em outros dispositivos do CTN também não se encontra norma especifica sobre como deve ser feita a alocação de pagamentos entre as parcelas componentes de um mesmo crédito tributário. Sendo assim, na ausência de previsão acerca da matéria, utilizando a analogia admitida no art. 108 do CTN, é de se observar o que estabelecido no seu art. 167: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Portanto, se a restituição obedece a critério proporcional, por analogia e simetria, a imputação do pagamento também deverá observá-lo. Significa dizer que o valor total pago deve ser distribuído proporcionalmente para quitação do principal, multa e juros de mora devidos na data do recolhimento inicial, exigindo-se ou cobrando-se o principal remanescente, que será acrescido de multa e juros de mora calculados até a data em que o recolhimento complementar venha a ser efetivado. Contudo, a inclusão deste critério de determinação do crédito tributário exigível, em sede de julgamento de 1a instância, representaria inovação material e formal, a evidenciar que a retrotatividade benigna da revogação da multa isolada aqui aplicada deve ensejar, em verdade, a exclusão total do crédito tributário exigido da contribuinte. Por tais razões, o presente voto é, também, no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e cancelar a exigência remanescente na decisão recorrida. 17
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011685/2006-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS RECEBIDOS. AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente, por óbvio, a compensação de IRRF quando nenhum valor foi retido (comprovadamente) pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 9202-007.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS RECEBIDOS. AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente, por óbvio, a compensação de IRRF quando nenhum valor foi retido (comprovadamente) pela fonte pagadora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.011685/200640 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.597 – 2ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente AUGUSTA PINHEIRO DA SILVA SA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS RECEBIDOS. AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente, por óbvio, a compensação de IRRF quando nenhum valor foi retido (comprovadamente) pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 16 85 /2 00 6- 40 Fl. 197DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de Recurso Especial por contrariedade a Lei motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2801002.316, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração sobre o Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 03/10, relativo ao anocalendário de 2001, exercício 2002, para exigência de imposto de renda pessoa física de R$ 34.835,63, acrescido da multa de oficio de 75% e juros de mora. O total do crédito tributário é R$ 88.137,62. A infração imputada ao contribuinte decorre da classificação indevida, como Rendimento Isento, na Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda Pessoa Física do Exercício de 2002, anocalendário 2001 DIRPF/2002, o valor de R$ 126.675,02, que corresponde a rendimentos recebidos da Companhia Docas do Ceará, pessoa jurídica da qual era funcionário, em decorrência de decisão judicial referente ao Processo N° 0351/96, da 5' Vara do Trabalho de Fortaleza, a titulo de "Adicional de Risco" de que cuida o art. 14, da Lei n°4.860/65, conforme consta em cópia anexa da citada decisão judicial (...), o qual, portanto, pela sua natureza de remuneração do trabalho, é considerado como Rendimento Tributável. O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ/SDR, às fls. 137, julgou pela parcial procedência da impugnação apresentada, considerando devido o imposto no valor de R$ 27.433,06, acrescido de ofício de 75% e juros de mora, nos termos da legislação que rege a matéria. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 143/146. A 1ª Turma Especial de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 151/164, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO OU SENTENÇA EM AÇÃO TRABALHISTA. Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista. RENDIMENTOS RECEBIDOS. AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10380.011685/200640 Acórdão n.º 9202007.597 CSRFT2 Fl. 10 3 Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente a compensação de IRRF, quando nenhum valor foi retido pela fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA. O não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo devido enseja que a Fazenda Pública, quando legalmente autorizada, ao cobrar o valor não pago, imponha sanções ao devedor. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado. Às fls. 172/176, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: IRPF Ajuste/omissão de rendimentos. Entendeu o colegiado a quo que as DComp apresentadas não indicavam os beneficiários e, considerando a ausência de Dirf, não se poderia afirmar que os valores compensados seriam relativos ao Imposto de Renda retido do contribuinte. O colegiado que proferiu o acórdão paradigma se debruçou sobre os mesmos documentos para concluir de forma diversa: enquanto o colegiado a quo refutou as DComp apresentadas pela CDC como forma de liquidação do tributo, em tese retido, por não individualizar os beneficiários, o colegiado que proferiu o acórdão paradigma entendeu que as mesmas DComp englobariam o Imposto de Renda devido por todos os beneficiários da ação trabalhista. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 183/, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, expondo, inicialmente, que o recurso especial por contrariedade já não existe mais no contencioso tributário administrativo desde o advento da Medida Provisória nº 449, de 2008. Ainda assim, devese receber o apelo na qualidade de recurso especial de divergência, este sim previsto no inc. II do § 2º do art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972. Concluiu restar demonstrada a divergência de interpretação, pois os dois acórdãos tratam exatamente dos mesmos fatos, quais sejam, a tributação dos valores recebidos por 124 beneficiários, mediante sentença judicial em desfavor da Companhia Docas do Ceará (CDC). Os sujeitos passivos de ambos os processos eram partes na mesma ação trabalhista. Mas ressaltou ao final: Em que pese a divergência, para efeito de recebimento do recurso especial, não se dá em matéria de prova, porquanto o julgador é livre para formar sua convicção diante das provas dos autos (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972), o exame do presente apelo revela que existe divergência na aplicação do critério jurídico para apreciação da prova, o que resulta também em divergência na interpretação da legislação tributária. Assim, restou admitida a divergência em relação à seguinte matéria: IRPF Ajuste/omissão de rendimentos. A União apresentou Contrarrazões, às fls. 188/195, reiterou, no mérito, argumentos anteriormente aduzidos. Fl. 199DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração sobre o Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 03/10, relativo ao anocalendário de 2001, exercício 2002, para exigência de imposto de renda pessoa física de R$ 34.835,63, acrescido da multa de oficio de 75% e juros de mora. O total do crédito tributário é R$ 88.137,62. A infração imputada ao contribuinte decorre da classificação indevida, como Rendimento Isento, na Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda Pessoa Física do Exercício de 2002, anocalendário 2001 DIRPF/2002, o valor de R$ 126.675,02, que corresponde a rendimentos recebidos da Companhia Docas do Ceará, pessoa jurídica da qual era funcionário, em decorrência de decisão judicial referente ao Processo N° 0351/96, da 5' Vara do Trabalho de Fortaleza, a titulo de "Adicional de Risco" de que cuida o art. 14, da Lei n°4.860/65, conforme consta em cópia anexa da citada decisão judicial (...), o qual, portanto, pela sua natureza de remuneração do trabalho, é considerado como Rendimento Tributável. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF Ajuste/omissão de rendimentos. Preliminarmente, é importante destacar que os dois acórdãos, recorrido e paradigma, tratam exatamente dos mesmos fatos, quais sejam, a tributação dos valores recebidos por 124 beneficiários, mediante sentença judicial em desfavor da Companhia Docas do Ceará (CDC). Os sujeitos passivos de ambos os processos eram partes na mesma ação trabalhista. A questão cingese à ocorrência da retenção do Imposto de Renda e a comprovação de seu recolhimento por parte da CDC. Os contribuintes dos dois processos apresentaram, como comprovação da retenção, recibos de entrega de declaração de compensação (DComp) (efl. 114 a 116 do processo nº 10380.011685/200640 e efl. 120 a 122 do processo nº 10380.011689/200628). Os documentos apresentados foram rigorosamente os mesmos, ou seja, os recibos das seguintes DComp: Os contribuintes dos dois processos apresentaram, como comprovação da retenção, recibos de entrega de declaração de compensação (DComp) (efl. 114 a 116 do processo nº 10380.011685/200640 e efl. 120 a 122 do processo nº 10380.011689/200628). Os documentos apresentados foram rigorosamente os mesmos, ou seja, os recibos das seguintes DComp: a) 0886.98073.281206.1.3.031361; b) 42692.42730.281206.1.3.027245, e c) 24972.22464.281206.1.3.025380 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10380.011685/200640 Acórdão n.º 9202007.597 CSRFT2 Fl. 11 5 Entendeu o colegiado prolator do acórdão recorrido que as DComp apresentadas não indicavam os beneficiários e, considerando a ausência de Dirf, não se poderia afirmar que os valores compensados seriam relativos ao Imposto de Renda retido do contribuinte. Já no caso do paradigma conclui de forma diversa tomando como base os mesmos fatos e provas, nos seguintes termos: Nesse sentido, entendo que os documentos de fls. 116/120, juntados pela Recorrente por ocasião da apresentação da impugnação, comprovam sim a extinção do crédito tributário de responsabilidade da Companhia Docas do Ceará, especialmente quando se verifica que, em nenhum momento, foram refutados pela Recorrida. De fato, os cheques de fls. 116 comprovam o valor total dos pagamentos efetuados pela Companhia Docas do Ceará ao SINDEPOR (R$ 9.512.068,17). Por sua vez, a minuta de DARF de fl. 117 demonstra o valor atualizado do imposto para pagamento até dezembro de 2006, devidamente acrescido de multa e juros de mora (Principal: R$ 2.615.818,75; Processo nº 10380.011685/200640 Despacho n.º s/nº S2 TE01 Fl. 4 4 Multa: R$ 523.163,75; Juros: R$ 2.429.834,03; Total: R$ 5.568.816,53). Finalmente, as declarações de compensação de fls. 118/120, transmitidas em 28/12/2006, demonstram que a Companhia Docas do Ceará confessou dívida e a correspondente extinção do crédito tributário no valor total de R$ 5.568.816,53 (R$ 1.367.988,56 + 3.474.594,72 + 726.233,25). Assim, considerandose o atual regime de compensação do crédito tributário previsto na Lei n. 9.430/96, segundo o qual a declaração de compensação constitui confissão de dívida irrevogável e irretratável, além de extinguir o crédito tributário sob condição resolutiva de sua ulterior homologação, e levando se em conta, ainda, o fato de que nenhum dos documentos apresentados tempestivamente pela Recorrente em sua impugnação foi refutado pela Recorrida, os argumentos da contribuinte devem ser acolhidos. Considero que a decisão proferida pelo acórdão paradigma embora tenha a intenção de valorizar a verdade material, esbarra na questão fundamental do instituto da compensação – provar que há valor recolhido ou no caso do IRRF, que houve valor retido. Observando os presentes autos não é possível afirmar que houve retenção, cujos meios de prova seriam contracheque ou GFIP indicando que o contribuinte tivesse adiantado seu pagamento por meio de seu empregador. No caso de ações judiciais, dificilmente a retenção é calculada, isso por que o objeto da ação trabalhista não circunda as obrigações de substituição tributária do empregador. Fl. 201DF CARF MF 6 Ainda e não menos importante, observo que o Contribuinte em suas razões de recurso Especial não discute o real ponto controvertido da demanda que é a comprovação da retenção. Mas sim discute a tese de que – “o Contribuinte não é obrigado a apresentar provas, bastando que o beneficiário declare que recebeu e o que teve retido na fonte, restando a obrigação a Empresa fonte pagadora, usando como prova o pedido da ação trabalhista”, e tal argumento não possui respaldo jurídico para prosperar. Reitero aqui que compulsando os autos não se observa qualquer prova de retenção. Embora a figura da compensação de fato extinga o crédito tributário, não se depreende dos autos as verbas exatas que foram compensadas, de modo que a retenção não pode ser presumida. Neste ponto não assiste razão ao Contribuinte, isso por que nos casos de obrigação supletiva esta não exime o devedor originário, devendo este no momento de sua prestação de informações declaração de ajuste anual proceder estes apontamentos. A legislação exige a prova da retenção. Contudo, negarse a proceder qualquer comprovação foge do espírito da norma, deixando, portanto, de se desimcumbir do ônus da prova. Diante do exposto voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Contribuinte para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 202DF CARF MF
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