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Numero do processo: 10865.903784/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 84 /2 00 9- 50 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903784/200950 Acórdão n.º 3803003.984 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006079/00-78
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação, será o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação, será o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 60 79 /0 0- 78 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.006079/0078 Acórdão n.º 9900000.548 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0225 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0209, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito . de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, dá lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 — p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321 Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à unidade da Receita Federal de origem (DRF) para apreciação das demais matérias, nos termos do relatório e voto da relatora Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto (Relatora) que deu provimento ao recurso. As Conselheiras Judith do Amaral Marcondes Armando e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, que deram provimento parcial contando o prazo de 10 anos para reconhecimento do direito a partir do recolhimento indevido Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffinann. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0243, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, alegando, em síntese, que a decisão expressa no acórdão recorrido deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.006079/0078 Acórdão n.º 9900000.548 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição de valores de FINSOCIAL, recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 01/12/1989 a 31/03/1992, fls. 085, e o pedido de restituição ocorreu em 12/09/2000, fls. 001. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos contados da data da publicação da MP 1.110, de 1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.006079/0078 Acórdão n.º 9900000.548 CSRFPL Fl. 5 7 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 12/09/2000, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 12/09/1990 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 12/09/1990 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.003133/2008-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Não compete à esfera administrativa apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei vigente, conforme dispõe a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória, portanto, passível de incidência de multa, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Não há o que se falar em realização de diligência para se averiguar parcelas integrantes do lançamento, exigidas com base em legislação supostamente inconstitucional, por ser o CARF incompetente para apreciar a matéria, nos termos da Súmula nº. 2, expedida pelo referido órgão.
Ainda, não se vislumbra a necessidade de diligência quando os autos trazem dados suficientes para a convicção do julgador, podendo este indeferir quando entendê-la desnecessária.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório quando a autoridade fiscal realiza o lançamento com observância ao art. 142 do CTN, demonstrando os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, portanto, a decadência das contribuições previdenciárias deve-se operar em cinco anos, de acordo com as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
No presente caso aplica-se a regra do artigo 173, I, do CTN, por se tratar do não cumprimento de obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE AO MOMENTO DA INFRAÇÃO.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para aplicar à multa o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não compete à esfera administrativa apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei vigente, conforme dispõe a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, portanto, passível de incidência de multa, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não há o que se falar em realização de diligência para se averiguar parcelas integrantes do lançamento, exigidas com base em legislação supostamente inconstitucional, por ser o CARF incompetente para apreciar a matéria, nos termos da Súmula nº. 2, expedida pelo referido órgão. Ainda, não se vislumbra a necessidade de diligência quando os autos trazem dados suficientes para a convicção do julgador, podendo este indeferir quando entendêla desnecessária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório quando a autoridade fiscal realiza o lançamento com observância ao art. 142 do CTN, demonstrando os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 31 33 /2 00 8- 12 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 216 2 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, portanto, a decadência das contribuições previdenciárias devese operar em cinco anos, de acordo com as regras do Código Tributário Nacional CTN. No presente caso aplicase a regra do artigo 173, I, do CTN, por se tratar do não cumprimento de obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE AO MOMENTO DA INFRAÇÃO. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para aplicar à multa o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 217 3 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa LUAU DA PRAIA BIQUINIS LTDA., por ter deixado esta de observar obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV, parágrafos 3° e § 5°, da Lei n° 8.212/1991, acrescentados pela Lei n° 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, que consiste na apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/01/2003 a 31/12/2004 (DEBCAD nº. 37.176.8438). 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 8/15), a empresa deixou de apresentar a autoridade fiscal documentação, prestar esclarecimentos e informações acerca do salário de contribuição dos segurados empregados, tendo sido esses dados obtidos na Relação Anual de Informação Social – RAIS e nas folhas de pagamento e comparados com as remunerações declaradas em GFIP. 3. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 12 e ss) informa que, com fulcro no art. 32, § 5º, da Lei n° 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº. 9.528/1997, e Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, art. 284, inciso II, e art. 373, foi aplicada a multa no valor de R$56.854,57, sendo que no cálculo observouse a proporção de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitandose o limite conforme o número de segurados. O limite mínimo da multa de R$ 1.254,89 foi atualizado conforme a PORTARIA INTERMINISTERIAL N° 77, de 11/03/2008. 4. A autuada tomou ciência do lançamento fiscal, em 06/11/2008, conforme consignado no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF e correspondência postal com Aviso de Recebimento AR SX620872604BR (fls. 20/21). 5. Após devidamente intimada, a contribuinte, apresentou impugnação tempestiva as fls. 23/42, e ao julgar a peça impugnatória apresentada, o Colegiado de primeira instância considerou a impugnação improcedente, e, por conseqüência, manteve o crédito tributário em sua totalidade. 6. A decisão a quo restou ementada nos termos que hora transcrevo: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, a apresentação de GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. QUINQUENAL. INOCORRÊNCIA. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 218 4 Sendo o auto de infração um lançamento de ofício por verificação do descumprimento de obrigação acessória, a contagem do período decadencial de cinco anos declarado pelo STF deverá ser iniciada nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional, inocorrendo a decadência se a exigência consubstanciada no auto de infração está dentro dos cinco anos previsto na legislação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EMISSÃO REVOGADA. TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL (TIAF). CIÊNCIA E INTIMAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO DO PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. O TIAF emitido privativamente pelo AFPS, no pleno exercício de suas funções, tem por finalidades cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob ação fiscal e intimálo a apresentar os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a nulidade pela alegação de cerceamento de defesa quando o crédito tributário apurado foi devidamente motivado, apresentandose o documento lavrado dentro das determinações legais vigentes. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Cabe a mesma a aplicação da legislação vigente em função do previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fls. 135/142). 7. Cientificada em 15/07/2011 (fl.146) da decisão proferida em primeira instância e demonstrando seu inconformismo com o julgamento a contribuinte, basicamente, com os mesmos argumentos constantes na impugnação, apresentou recurso voluntário (fls. 170/192), no qual, em síntese, aduz que: a) é inconstitucional a Lei nº. 8.212/1991, no que tange ao conceito de salário, ao ampliar a base de cálculo da contribuição afronta o previsto no inciso I, art. 195, da Constituição Federal de 1988, e, que também a cobrança relativa aos riscos ambientais do trabalho é ilegal, bem como é inconstitucional a cobrança da contribuição para o SEBRAE; b) há ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório cerceamento de defesa haja vista ausência de descrição minuciosa dos valores integrantes da base de cálculo das contribuições; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 219 5 c) os pretensos créditos relativos ao exercício de 2003 foram atingidos pela decadência porque a eles se aplicam a regra inserta no art. 150, § 4º do CTN; d) pugna pela realização de diligências, com a finalidade de identificar os percentuais não sujeitos à incidência, uma vez que se trata de inconstitucional a legislação em que se fundamenta tal exigência; e) deve ser aplicada a lei mais benéfica, como preconiza o art. 106, II, “c”, do CTN; 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 220 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS 2. Em relação à alegação de que é ilegal ou inconstitucional a legislação que deu suporte à cobrança relativa aos riscos ambientais do trabalho e a cobrança da contribuição para o SEBRAE, ou mesmo a que tenha definido determinadas verbas como fatos geradores da contribuição previdenciária, estou de acordo com a posição do julgador de primeira instância, no sentido de que, no presente caso, por se tratar o lançamento de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN, coube a autoridade administrativa apenas observar o que determina a lei, sem adentrar ao mérito quanto a sua validade. 3. De igual modo, o Dec. 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, determina que: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” 4. Assim, os eventuais aspectos relativos à ilegalidade ou inconstitucional da legislação que tenha instituído as cobranças referentes aos riscos ambientais, contribuição para o SEBRAE ou definido a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, não tem competência este Colegiado para apreciar tal matéria, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, a seguir transcrita: “Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 5. Narra o Relatório Fiscal da Infração que de acordo com o Termo de Início de Ação Fiscal, a empresa foi notificada para apresentar documentação, prestar esclarecimentos e informações a Receita Federal do Brasil, não tendo, contudo, a contribuinte apresentado os documentos solicitados, relativos ao salário de contribuição dos segurados empregados. 6. Na ausência das informações solicitadas, verificouse o salário de contribuição dos segurados empregados com base nos valores apontados na Relação Anual de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 221 7 Informação Social RAIS e nas folhas de pagamento, os quais comparados com as remunerações declaradas em GFIP, foram identificados que na referida guia omitiuse remunerações pagas a esses segurados, nas competências de janeiro/2003 a dezembro/2004. Deste fato, assim, resultou na aplicação de multa administrativa por infração ao inciso IV, e parágrafos 3° e 5°, do artigo 32 da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o inciso IV, parágrafo 4°, do artigo 225, inciso II do art. 284, e art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 7. A recorrente em sede recursal, basicamente, traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, onde reitera que os créditos lançados, correspondentes ao exercício de 2003, estão extintos pela decadência e que devem ser excluídos da dívida previdenciária os valores calculados sobre o montante que não integra a noção de salário, inclusive, a contribuição relativa aos riscos ambientais de trabalho, por serem inconstitucionais. 8. No entanto, as alegações trazidas aos autos pela contribuinte não se sustentam, uma vez que efetivamente as informações pertinentes e exigidas na legislação não foram incluídas, oportunamente, em GFIPs, o que motivou a lavratura do presente Auto de Infração, senão vejamos: “Lei n.° 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (....). IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei n.° 9.528, de 10.12.97) (...). § 5°. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97).” O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, dispõe no mesmo sentido, in verbis: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...). IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...). Fl. 221DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 222 8 § 4° O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. (...).” 9. Desta forma, inferese como correta a autuação fiscal, visto que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme estabelece os dispositivos acima transcritos, resultando, assim, na imposição de multa pela fiscalização por descumprimento de obrigação acessória da GFIP, a qual independe do cumprimento da obrigação principal e da natureza do lançamento. 10. Aliás, em consonância com a assertiva constante do item precedente, é oportuno reproduzir o apontado pelo julgador de primeira instância, e, confirmado por meio de acesso ao Comprot, no sentido de que: “os autos de infração sobre a obrigação tributária principal foram incluídos em parcelamento especial, conforme consulta aos sistemas informatizados. Sendo assim, ao se dispor a pagar/parcelar os créditos sobre a obrigação tributária principal, presumese que o interessado concorda com os valores lançados naqueles autos cuja base de cálculo desta autuação está correlacionada.” (fl. 139). DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA 11. A contribuinte requer que se determine diligência, objetivando a eventual exclusão de valores que serviram de base para o lançamento tributário, por entender que parte dos valores lançados tem por fundamento legislação inconstitucional, notadamente no que diz respeito à contribuição destinada ao SEBRAE. 12. No entanto, na fase de impugnação, nos termos do art. 16, IV, do Dec. 70.235/72, deve o impugnante expor os motivos que justifiquem o pedido de diligência, o que foi feito pela contribuinte no recurso sob análise, tendo o pleito como fundamento a inconstitucionalidade de leis, e, por esta razão, peremptoriamente, rechaço essa pretensão, haja vista incompetência deste Colegiado para o exame da matéria, conforme já exposto, e, por ter firme o entendimento de ser desnecessária essa diligência para a convicção acerca da regularidade do lançamento. DO CERCEAMENTO DE DEFESA 13. Neste ponto nenhuma razão tem a contribuinte, inclusive ela mesma alega que “não obstante ter sido apresentado discriminativo analítico e sintético de débito, não restou detalhado o valor do débito previdenciário, motivo pelo qual nulo é o lançamento efetuado na Notificação Fiscal objeto do presente recurso”, haja vista à impossibilidade do seu exercício do direito a ampla defesa e do contraditório, constitucionalmente assegurados. 14. Ocorre que a própria contribuinte é taxativa quando menciona existir “discriminativo analítico e sintético de débito” no auto de infração, para em seguida, indevidamente, apontar que “não restou detalhado o valor do débito previdenciário” (fl. 173). 15. Em face dessas ponderações feitas pela autuada, colocase a seguinte questão: ao se descrever analiticamente o valor do débito seria diferente do seu detalhamento? A resposta é evidentemente não, pois, ao fazer parte do lançamento o discriminativo analítico do débito é o mesmo que apresentálo de forma detalhada ou minuciosa. Além disto, importa Fl. 222DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 223 9 ressaltar que as omissões na GFIP que ensejaram o presente lançamento, conforme o relatório fiscal, foram obtidas por meio do cotejo desse documento com as folhas de pagamento e RAIS, onde foram identificados os segurados empregados e seus respectivos salários de contribuição, o que evidencia a infração cometida e os valores das contribuições previdenciárias devidas, perfazendo, assim, os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnação da exigência pela a autuada. 16. Observese que, constatada a irregularidade pelo agente fiscal, cabe tão somente a este efetuar o lançamento do tributo devido e aplicação da sanção por descumprimento da lei, uma vez que se trata de atividade vinculada e obrigatória, desenvolvida com observância ao disposto no art. 142, do CTN, que assim estabelece: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” No mesmo sentido é o que dispões o art. 37, caput, da Lei nº. 8.212/91, com redação dada pela Lei nº. 11.941/09, como segue: “Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.” 17. Tomandose por base o constante do relatório fiscal, inferese que o presente lançamento foi efetuado com observância ao disposto no art. 142, do CTN, e 37 da Lei n. 8.212/91, eis que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto de Infração foram adequadamente apontados pela autoridade fiscal, o que possibilitou e garantiu a contribuinte a clara e inequívoca ciência quanto à materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância, o qual foi enfático no sentido de que “não se encontram presentes nos autos nenhum dos motivos elencados no art. 59 do Decreto 70.235/72 que possibilitariam a decretação de nulidade (...).” (fl.140). 18. Portanto, verificase que o lançamento foi realizado com observância da legislação, bem como foi a infração capitulada e descrita com precisão pela fiscalização, não procedendo, assim, as alegações da autuada de que foi cerceada no seu direito a ampla defesa e ao contraditório, pois, permitiuse a ela averiguar as motivações e os fundamentos da presente autuação, de sorte que não se detecta qualquer transgressão a norma legal em vigor e por essa razão não há o que se falar em nulidade do lançamento. DA DECADÊNCIA Fl. 223DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 224 10 19. Considerados os argumentos trazidos aos autos, primeiramente é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pela contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontraria decaída, segundo o prazo qüinqüenal, previsto no Código Tributário Nacional, para só a partir dessas reflexões verificar se o referido instituto repercute no lançamento sob análise. 20. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº. 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 21. A instituição da denominada Súmula Vinculante e seus efeitos estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Fl. 224DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 225 11 22. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 23. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 24. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 225DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 226 12 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 25. No caso dos autos em questão, no entanto, devido à natureza jurídica da constituição desse tipo de crédito (Inc.IV, do art. 225, combinados com o Inc. II, do art. 284 e art. 373, do Dec. 3.048/99) – Multa por descumprimento de obrigação acessória regra geral, a definição do termo inicial do prazo de decadência há de ser o artigo 173, inciso I, do CTN. 26. A NOTA de no PGFN/CAT nº. 856, de 2008, editada para explicitação do Parecer PGFNC/CAT nº. 1617 de 2008, em seu item 10, concluiu nos seguintes termos: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 227 13 “Ipso facto, nada obstante tenhase determinação legal para que a documentação seja disponibilizada ao longo de uma década, a decisão da Suprema Corte fora clara, no sentido de que os prazos de prescrição e decadência se esgotam ao longo de um lustro. Por isso, às obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária aplicase a regra do inciso I, do art. 173, do CTN, para fins de sua constituição. Em outras palavras, o fato de que lei ainda constitucional (ainda, porque até o presente não explicitamente fulminada) determine que documentos sejam mantidos por 10 anos não é substancialmente necessário e suficiente para que não se aplique a determinação do Supremo Tribunal Federal, quanto aos prazos de prescrição e decadência. A Corte determina a aplicação do CTN. Na hipótese, e objetivamente, reportase ao inciso I, do art. 173, com o objetivo de fixação de dies a quo do prazo de decadência”. 27. Isso posto, o dispositivo legal a ser aplicado no presente caso, no tocante à decadência, não é o que estabelece o art. 150, § 4º, como sustentado pela contribuinte, e sim o previsto no artigo 173, inciso I, ambos do CTN. Neste ponto assiste razão ao julgador a quo ao concluir que: “Os fatos geradores relativos à infração capitulada nesta autuação são verificados por competência. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído em 03/11/2008, data da lavratura da autuação, com ciência do contribuinte em 08/11/2008, relativo aos fatos geradores do período de 01/2003 a 12/2004. Portanto, considerandose o prazo previsto no art. 173, I do CTN, para o presente crédito não se aplica o instituto da decadência.” Assim, não há como prosperar as alegações (fls. 174 e ss.) da contribuinte no sentido de que parte do lançamento teria sido atingido pela decadência qüinqüenal. DA RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL A MULTA 28. A retroatividade da Lei, quando benigna, se constitui em direito da recorrente, assegurado pelo inciso II, do art. 106, do CTN, em relação a ato não definitivamente julgado, de sorte que deve ser aplicada a lei mais favorável ao agente no tocante à definição da infração tributária, bem como à cominação da respectiva penalidade pecuniária, nos expressos termos do mencionado dispositivo, pois, a retroatividade é a regra. 29. Assim, no que tange à multa aplicada na presente autuação fiscal, deverá ser observada a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, do CTN, o qual determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado e quando imputada ao infrator penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 227DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 228 14 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 30. Notese que as multas relativas a GFIP foram alteradas pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n° 8.212/1991, conforme a seguir transcrito: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e IIR$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos”. 31. Conforme evidenciado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (fls. 12 e ss), a legislação vigente à época dos fatos que ensejaram o presente lançamento estabelecia para a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores da contribuição previdenciária a imposição de pena administrativa correspondente à multa de 100% (cem por cento) do valor devido relativo à exação não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4° do artigo 32 da Lei n° 8.212/1991. Com o advento da Lei n° 11.941/2009, a tipificação passou a ser: "apresentar a GFIP com incorreções ou omissões", Fl. 228DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003133/200812 Acórdão n.º 2803002.045 S2TE03 Fl. 229 15 com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. 32. Assim, tomandose por base o previsto no art. 106, inciso II do CTN, temse que ao presente caso, aplicarseá as disposições previstas no art. 32A, da Lei n° 8.212/1991, se ao ser cotejado com a regra até então vigente resulte em montante mais benéfico ao contribuinte. CONCLUSÃO 33. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para: FAZER CALCULO COMPARATIVO DA MULTA, aplicandose o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10980.903128/2006-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA DOS VALORES RETIDOS NA FONTE. FISCALIZAÇÃO QUANTO AO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL QUE TEM INÍCIO NA DATA DO FATO GERADOR. Apresentado o pedido de compensação, a Fazenda Nacional tem 05 (cinco) anos para homologar, sob pena de homologação tácita. Esta prazo, contudo, não desloca o inicio do prazo decadencial que, nos casos em que há pagamento, aqui compreendido, entre outros, o IRF e as estimativas mensais, tem como marco inicial a data do fato gerador. No procedimento de compensação para extinguir débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ decorrente de retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte ou recolhimento de estimativas em valor superior ao imposto apurado, a autoridade fiscal tem a prerrogativa de verificar, a qualquer tempo, a efetividade das retenções ou do recolhimento das estimativas que contribuem na formação do saldo negativo do IRPJ. Confirmado a existência do IRRF ou do recolhimento das estimativas, decorridos mais de cinco anos do fato gerador, não pode a autoridade fiscal glosar estes valores sob o fundamento de que os rendimentos que geraram o IRRF não foram oferecidos à tributação. Tal procedimento implicaria, por meios transversos, contornar o transcurso do prazo decadencial para rever a apuração do lucro real do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o saldo negativo do imposto de renda do ano- calendário de 1998, no valor de R$ 228.275,00, restando prejudicada a análise do pedido de perícia, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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PROVA DOS VALORES RETIDOS NA FONTE. FISCALIZAÇÃO QUANTO AO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL QUE TEM INÍCIO NA DATA DO FATO GERADOR. Apresentado o pedido de compensação, a Fazenda Nacional tem 05 (cinco) anos para homologar, sob pena de homologação tácita. Esta prazo, contudo, não desloca o inicio do prazo decadencial que, nos casos em que há pagamento, aqui compreendido, entre outros, o IRF e as estimativas mensais, tem como marco inicial a data do fato gerador. No procedimento de compensação para extinguir débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ decorrente de retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte ou recolhimento de estimativas em valor superior ao imposto apurado, a autoridade fiscal tem a prerrogativa de verificar, a qualquer tempo, a efetividade das retenções ou do recolhimento das estimativas que contribuem na formação do saldo negativo do IRPJ. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o saldo negativo do imposto de renda do ano calendário de 1998, no valor de R$ 228.275,00, restando prejudicada a análise do pedido de perícia, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório COMPANHIA DE SANEAMENTO DO PARANA SANEPAR, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Trata o presente processo de DCOMP eletrônica, transmitida em 14/07/2003 (fls. 02/19), bem como das demais declarações componentes da mesma família e suas retificadoras, apresentadas a partir de 20/09/2006 (fls. 20/67). Por meio do despacho decisório de fl. 954, cuja ciência à requerente ocorreu em 18/06/2008 (fl. 957), a compensação pleiteada foi parcialmente homologada. O direito creditório pleiteado é relativo ao saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2002, informado na DIPJ como sendo R$ 1.677.216,80, referente a retenções efetuadas por órgãos Públicos Federais, durante o ano de 1997, sobre as faturas de água e esgoto da requerente. A fiscalização acolheu apenas parte do saldo negativo, ao argumento de que na formação do saldo fora aproveitado saldo negativo de CSLL do exercício 1999, em quantia que se mostrou insubsistente. Tendo em vista que essa diferença refletiu no saldo negativo apurado em 31/12/2002, este foi reduzido para R$ 1.581.953,05. Em 08/07/2008 a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 958/962, alegando, em síntese: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIAC OMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10980.903128/200698 Acórdão n.º 140200.751 S1C4T2 Fl. 3 3 a) que a Lei n. 9.430, de 1996, estipulou que os órgãos públicos ficaram obrigados, a partir do anocalendário de 1997, a reter na fonte o IR, a CSLL, a COFINS e o PIS; b) que os valores utilizados no cálculo da CSLL referemse as retenções efetuadas pelos órgãos Públicos Federais, durante o ano de 1997, sobre as faturas de água e esgoto; c) que em 1998 efetuou a compensação das retenções ocorridas em 1997, de forma que está justificado o saldo de CSLL negativo informado na DIPJ exercício 2003. A DRJ de origem, às fls. 1031/1033, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 CSLL. INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO INTEGRAL. Comprovado nos autos que parte do direito creditório alegado é insubsistente, correta a decisão que deferiu apenas parcialmente a compensação pleiteada. Compensação não Homologada” A decisão está alicerçada nos seguintes fundamentos: “... O interessado pretende justificar o saldo negativo de CSLL informado na DIPJ do ano de 1998 por meio da utilização de saldo negativo dessa mesma contribuição, apurado em 31.12.1997. Este saldo negativo corresponderia a R$ 13.174,89, discriminado pelo demonstrativo de fl. 988. Efetuei a pesquisa sobre as retenções informadas no sistema Dirf, das quais o interessado figura como beneficiário. As telas de fls. 1028 a 1030 demonstram que nenhum órgão público informou retenções referentes aos serviços ou produtos vendidos pelo interessado (códigos de receita 6147 e 6190). Em sua manifestação de inconformidade, o interessado limitase a alegar a existência dessas retenções sem, contudo, apresentar as respectivas provas. Portanto, como as retenções efetuadas por órgãos públicos em 1997 não se encontram informadas em Dirf e tampouco o interessado apresentou prova de sua ocorrência, não há como aproveitar o valor pleiteado (R$13.174,89) para compor o saldo negativo de CSLL do ano de 1998. Conseqüentemente, correta a decisão Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIAC OMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10980.903128/200698 Acórdão n.º 140200.751 S1C4T2 Fl. 4 4 da unidade de origem em considerar o reflexo desse saldo não confirmado de CSLL negativa de 1998 sobre o montante do direito creditório pleiteado.” Intimada em 29/12/2008 (fl. 1035) a contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/01/2009 (fls. 1036/1039), juntamente com os documentos de fls. 1040/1058, reiterando os argumentos sustentados na manifestação de inconformidade, alegando, ainda: a) a decadencia do lançamento realizado em 06/06/2008, tendo em vista que as retenções ocorreram no ano de 1997 e o prazo decadencial teve início em 01°/01/1998 e término em 01°/01/2003, nos termos do art. 173 do CTN; b) que devido ao período questionado ser superior a 10 anos, a interessada não possui mais as faturas de água e esgoto que comprovem o IRRF por órgão público, somente a planilha totalizadora enviada à época; c) colaciona tabela informando o CNPJ dos órgãos Públicos que retiveram na fonte tributos no anocalendário de 1997 (fl. 1038). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIAC OMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10980.903128/200698 Acórdão n.º 140200.751 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Da análise dos extratos das DIPJs de fls. 212 e seguintes, extraídos do Sistema da Receita Federal colhemse os seguintes dados: Anocalendário IRRF informado Saldo negativo informado na DIPJ Saldo negativo de períodos anteriores Saldo do IR a pagar 1998 (fl. 216) 250.007,02 250.007,02 107.337.36 357.344,38 1999 (fl. 221) 44.536,94 44.536,94 Não especifica 44.536,94 2002 (fl. 226) 365.538,45 365.538,45 Não especifica 365.538,45 Quanto ao ano de 1998, a autoridade fiscal, em seu despacho, confirma a retenção de fonte no valor de R$ 259.246,451. O litígio não diz respeito à existência do IRRF, confirmado em valor superior ao informado na DIPJ, mas sim se os rendimentos que geraram tais recursos teriam sido oferecidos à tributação. Em relação ao ano de 1999 a autoridade fiscal também confirma a retenção na fonte de R$ 44.535,94 admitindo para efeitos de compensação o saldo de R$ 40.753,31 visto que há uma compensação no valor de no valor de R$ 4.967,64, para extinguir débitos do anocalendário de 2001, compensação esta cujos registros constam apenas como sendo “saldo negativo do IRPJ”. Quanto aos R$ 4.967,64, a contribuinte alega que não se trata de saldo negativo de 1999, mas sim de saldo negativo do ano de 1997. Diz que demonstrou ter utilizado o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1997 para extinguir os débitos de IRRF do anocalendário de 2001. Pelo documento de compensação não é possível apurar tal fato. A recorrente não trouxe prova de sua alegação. O fato de existir saldo negativo em ano anterior por si só não quer dizer que a compensação referese a este ou àquele saldo. O que se tem de incontroverso é a compensação. Assim, dentro das lógica que o caso requer, face à inexistência de prova da alegação contida no recurso acerca do fato, considerase para efeitos de compensação, para o ano de 1999, o saldo remanescente de IRPJ no valor de R$ 40.753,31. Neste ponto, mantémse a decisão recorrida. 1 Este valor de R$ 259.246,45 coincide com os valores apontados no parecer da auditoria à fl. 409, sendo R$ 230.270,43 de IRF de operações de Swap, R$ 28.788,52 de aplicações de renda fixa e R$ 187,50 outros rendimentos. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIAC OMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10980.903128/200698 Acórdão n.º 140200.751 S1C4T2 Fl. 6 6 Quanto ao ano de 1998, as informações constantes em DIRF confirmam retenção de valor superior ao informado na DIPJ a autoridade fiscal glosou R$ 228.275,00 e o fez com base no fundamento de que a recorrente não teria levado à tributação à totalidade dos rendimentos. A recorrente destaca que os rendimentos financeiros são oferecidos pelo regime de competência e as DIRFs contemplam a totalidade dos rendimentos entre a data da aplicação e o resgate. Assim, só com base na DIRF, não é possível afirmar se os rendimentos foram oferecidos à tributação, em especial tratandose de operações de swap, como especificadas à fl. 409 dos autos. Inicialmente, em atenção aos argumentos da recorrente, destaco que efetivamente a contabilidade dos rendimentos das aplicações financeiras se dá de forma mensal, eis que é este o regime de competência2. As DIRFs informam o valor dos resgates e do IRRF tendo por base os rendimentos da data da aplicação e a liquidação da operação. Assim, só com base nas DIRFs, dado a diferença de regime, não é possível afirmar se determinado rendimento foi ou não oferecido à tributação. Nos casos em que, em procedimento de compensação, constatada a retenção, aflorar dúvidas quanto ao oferecimento dos rendimentos à tributação, se o período não estiver atingido pela decadência, deve a autoridade levar a efeito procedimento de fiscalização, ainda que simplificado, intimando o contribuinte a indicar em sua contabilidade onde se encontram lançados os rendimentos que geraram a retenção do imposto de fonte cuja compensação é requerida. Contudo, no caso concreto, em que se verifica Imposto de Renda Retido na Fonte, cujos valores caracterizam pagamento, tendo decorridos, quando da notificação do despacho decisório proferido em 2008, mais de cinco anos em relação ao anocalendário de 1998 em que houve glosa de parte do saldo negativo do IRPJ por suposto não oferecimento à tributação da totalidade dos rendimentos que geraram o IRF, não pode a autoridade fiscal glosar tais valores, sob pena de, por caminho inverso, levar a efeito procedimento fiscal em período já extinto pela decadência. Neste sentido destaco a seguinte passagem do acórdão nº 140200.029, julgado em 31 de março de 2011, da lavra do ilustre Conselheiro Antônio José Praga de Souza: “No presente caso, à luz da legislação e da jurisprudência, o Fisco tinha 5 (cinco) anos para fiscalizar a apuração do lucro real do contribuinte, mas somente realizou o procedimento em abril de 2007, quando o anocalendário de 1995 já havia sido atingido pelo transcurso do prazo decadencial. É certo que a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento desse pelo contribuinte. Porém, não pode haver auditoria do lucro líquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 2 Lei nº 8.981, de 1995. Art. 25. A partir de 1º de janeiro de 1995, o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos. .... Art. 27. Para efeito de apuração do imposto de renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta Seção, sem prejuízo do ajuste previsto no artigo 37. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIAC OMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10980.903128/200698 Acórdão n.º 140200.751 S1C4T2 Fl. 7 7 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim a própria formação do saldo. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve, prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. Todavia, não foi apenas essa a situação que se verificou no presente caso: além de verificar o IRFonte, a Autoridade Administrativa realizou, indiretamente, a auditoria do lucro real. Apresentado o pedido de compensação, a Fazenda Nacional tem 05 (cinco) anos para homologar, sob pena de homologação tácita. Esta prazo, contudo, não desloca o inicio do prazo decadencial que, nos casos em que há pagamento, aqui compreendido, entre outros, o IRF e as estimativas mensais, tem como marco inicial a data do fato gerador. No procedimento de compensação para extinguir débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ decorrente de retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte ou recolhimento de estimativas em valor superior ao imposto apurado, a autoridade fiscal tem a prerrogativa de verificar, a qualquer tempo, a efetividade das retenções ou dos recolhimentos das estimativas que contribuem na formação do saldo negativo do IRPJ. Confirmado a existência do IRRF ou do recolhimento das estimativas, decorridos mais de cinco anos do fato gerador, não pode a autoridade fiscal, sob o fundamento de que os rendimentos que geraram o IRRF não foram oferecidos à tributação, glosar estes valores. Tal fato implicaria, por meios transversos, contornar o transcurso do prazo decadencial para rever a apuração do lucro real do contribuinte. As regras contidas nos parágrafos anteriores não excluem a possibilidade da autoridade fiscal, a qualquer tempo, verificar se os créditos referidos no procedimento de compensação já não foram utilizados, total ou parcialmente, em compensações anteriores. ISTO POSTO, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a glosa, em relação ao ano–calendário de 1998, do valor de R$ 228.275,00, restando prejudicada as demais questões de mérito, inclusive o pedido de perícia. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIAC OMELLI NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10875.900430/2009-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 21/08/2004 a 31/08/2004
JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. REFORMA.
Deve ser reformada a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastando-se o único óbice erigido, que se refere à falta de espontaneidade do contribuinte no momento da apresentação da DCTF retificadora, devendo ser analisado todo o conjunto probatório trazidos aos autos na primeira instância, incluído o Livro Registro de Apuração do IPI, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem.
Numero da decisão: 3803-003.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão recorrida, para que uma nova seja proferida, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 21/08/2004 a 31/08/2004 JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. REFORMA. Deve ser reformada a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastando-se o único óbice erigido, que se refere à falta de espontaneidade do contribuinte no momento da apresentação da DCTF retificadora, devendo ser analisado todo o conjunto probatório trazidos aos autos na primeira instância, incluído o Livro Registro de Apuração do IPI, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/08/2004 a 31/08/2004 JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. REFORMA. Deve ser reformada a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastandose o único óbice erigido, que se refere à falta de espontaneidade do contribuinte no momento da apresentação da DCTF retificadora, devendo ser analisado todo o conjunto probatório trazidos aos autos na primeira instância, incluído o Livro Registro de Apuração do IPI, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão recorrida, para que uma nova seja proferida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 04 30 /2 00 9- 34 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.900430/200934 Acórdão n.º 3803003.849 S3TE03 Fl. 185 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte contra o despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada por meio de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que se pretendeu extinguir débito da titularidade do contribuinte com saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no montante de R$ 5.859,32. A decisão exarada por meio do despacho decisório eletrônico pautouse na constatação de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1 a 5) e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) “[analisando] os documentos fiscais do período de 2004, constatou a empresa que por um lapso na sua DCTF do terceiro trimestre de 2004 fora informado indevidamente débitos de IPI, pelo que o pagamento efetuado indevidamente e comprovado nos presente autos, não foi visualizado/encontrado pela Receita Federal, ocasionando no entendimento equivocado de ausência de crédito e, por conseguinte não homologação da compensação” (fl. 3); b) “o débito informado é inexistente, pois no período em questão — terceiro decêndio/ago/2004 — a empresa não apurou débito de IPI. (Fato este facilmente comprovado pelo Livro Registro de Apuração de IPI — RAIPI” (fl. 3); c) “[para] sanar a divergência de dados entre a DIPJ (que apresentou informações corretas), o livro registro de IPI (íntegro) e a DCTF, a recorrente no dia 30/03/ p.p apresentou a DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais retificadora, referente ao terceiro trimestre de 2004” (fl. 4). Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de (i) documentos societários (fls. 6 a 14), do (ii) despacho decisório (fl. 15), do (iii) DARF (fl. 16), do (iv) PER/DCOMP (fls. 17 a 22), da (v) DCTF original (fls. 23 a 31), da (vi) DCTF retificadora (fls. 32 a 35), da (vii) DIPJ original (fls. 36 a 39) e do (viii) Livro Registro de Apuração do IPI, com termos de abertura e de fechamento, abrangendo o período de 1/7/2004 a 30/9/2004 (fls. 40 a 129). A decisão de improcedência da Manifestação de Inconformidade da DRJ Ribeirão Preto/SP (fls. 140 a 143) foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.900430/200934 Acórdão n.º 3803003.849 S3TE03 Fl. 186 3 A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza, o que traz como conseqüência que o crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo o relator a quo, a DCTF retificadora não produz efeitos quando o contribuinte não mais goza de espontaneidade, nos termos previstos no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, pois, quando da transmissão e da análise do PERD/COMP, o crédito não existia, encontrandose o pagamento integralmente alocado ao débito declarado em DCTF. Segundo ele, estaria “correta a não homologação da compensação, pois as modificações efetuadas pela contribuinte na DCTF retificadora, quanto às informações antes prestadas, não têm o condão de tornar irregular a decisão administrativa que se pretende ver reformada” (fl. 142). No seu entendimento, ainda que o direito creditório exista, “o fato é que o mesmo não estava disponível na data de transmissão do PER/DCOMP, o que por si só é causa de não homologação das compensações pleiteadas”. Cientificado da decisão em 21 de maio de 2012 (fl. 145), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20 de junho do mesmo ano (fls. 148 a 160), repisou os mesmos fundamentos de defesa anteriormente apresentados e reiterou seu pedido de homologação da compensação declarada ou, subsidiariamente, o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que se apurasse a liquidez e certeza do crédito pleiteado, alegando, complementarmente, o que se segue: a) os julgadores não contestaram o seu direito, não o reconhecendo somente em razão do fato de que a decisão administrativa fora emitida anteriormente à retificação da DCTF, decisão essa que não se alinha ao teor do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008; b) apenas o sistema de cruzamento de dados da Receita Federal não são suficientes para se afirmar acerca da liquidez ou não do direito creditório; c) junto à Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos os documentos suficientes à apuração da liquidez e certeza do crédito, encontrandose, então, em poder da autoridade julgadora de primeira instãncia todos os elementos necessário à homologação da compensação; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.900430/200934 Acórdão n.º 3803003.849 S3TE03 Fl. 187 4 d) após as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, em seu art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original, conforme se encontra expressamente previsto também na Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. Junto ao recurso, o contribuite trouxe aos autos, dentre outras, cópia do Livro Diário Geral (fls. 176 a 181). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, devese destacar que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia trazido aos autos, além dos fundamentos de fato e de direito de sua contrariedade, cópias do PER/DCOMP (fls. 17 a 22), da DCTF original (fls. 23 a 31), da DCTF retificadora (fls. 32 a 35), da DIPJ original (fls. 36 a 39) e do Livro Registro de Apuração do IPI, com termos de abertura e de fechamento, abrangendo o período de 1/7/2004 a 30/9/2004 (fls. 40 a 129) que foram, todos eles, totalmente ignorados pela autoridade julgadora de piso, não tendo havido qualquer referência à sua presença nos autos. O procedimento do então Manifestante e ora Recorrente se deu em conformidade com o contido no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em que se determina que as provas serão trazidas aos autos no momento da Impugnação. Nos termos do art. 31 do PAF, a decisão da autoridade julgadora de primeira de instância deve conter “relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências”. Destaquese que, apesar de o dispositivo fazer referência apenas ao lançamento de ofício, ele é passível de aplicação nos processos de compensação, por força do contido no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em razão do que as determinações do referido art. 31 alcançam os processos da espécie. Conforme já dito, a autoridade julgadora de piso não se deu ao trabalho nem mesmo de passar a vista nas cópias de documentos trazidas aos autos pelo contribuinte, cópias essas que contêm informações relevantes quanto à possibilidade de existência do indébito declarado. Não há dúvida que o julgador de primeira instância encontrase vinculado às normas infralegais expedidas pela Receita Federal, mas, no meu entender, ampararse apenas no aspecto formal relativo à data de retificação da DCTF para negar, peremptoriamente, o direito pleiteado pelo contribuinte, ignorandose as demais provas então existentes nos autos, Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.900430/200934 Acórdão n.º 3803003.849 S3TE03 Fl. 188 5 não se coaduna com o princípio do formalismo moderado e as demais regras e princípios que informam o Processo Administrativo Fiscal (PAF). Ao julgador é garantida a liberdade de formação do convencimento, nos termos do art. 29 do PAF; contudo, tal prerrogativa não significa “arbítrio na apreciação da prova” 1, pois é seu dever descrever detalhadamente as razões de sua decisão, precipuamente em relação aos elementos fáticos presentes nos autos, cuja análise pode ser decisiva no julgamento da lide. Conforme consta de inúmeras decisões do CARF2, não pode prosperar a decisão de primeira instância que não contempla todos os argumentos de defesa, pois é dever do julgador apreciar imparcialmente a matéria objeto da lide, atentandose aos fatos e às provas que compõem o processo. Ressaltese, ainda, que se decidíssemos, nesta instância, por apreciar as provas, independentemente do que restou decidido na Delegacia de Julgamento, estarnos íamos a proceder em desconformidade com o princípio do duplo grau de jurisdição, necessário à depuração do processo e à efetividade do direito de defesa. Nesse contexto, voto no sentido de reformar a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastandose o óbice erigido, que se refere à falta de espontaneidade do contribuinte no momento da apresentação da DCTF retificadora, devendo ser analisado todo o conjunto probatório trazido aos autos na primeira instância, precipuamente o Livro Registro de Apuração do IPI, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 1 Termo presente na obra: MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. "Processo tributário", 5.ed., Atlas, 2010, p. 146. 2 Ac. 240100572, 1ª T. 4ª C. 2ª Seção, j. 20.08.2009; Ac. 10245.390, 2ª C. 1º CC, DOU de 05.11.2002; dentre outras. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10875.900430/200934 Acórdão n.º 3803003.849 S3TE03 Fl. 189 6 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11020.720508/2009-52
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA
O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não-cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço.
AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO
Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS
Afasta-se a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo.
Numero da decisão: 3803-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 08 /2 00 9- 52 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento e compensação de créditos de PIS Não Cumulativo, correspondente ao terceiro trimestre de 2007, também consta dos autos declarações de compensação vinculadas ao direito creditório em tela. Às fls. 74/82 consta o Relatório de Verificação Fiscal, por intermédio do qual o auditor fiscal propôs o reconhecido parcialmente o direito ao crédito e à fl. 82 consta Despacho Decisório contendo a seguinte decisão: Com base na informação retro; reconheço como legítimos os valores constantes da coluna "Valor Reconhecido" da tabela acima e autorizo o ressarcimento e/ou compensação dos valores pleiteados pelo contribuinte até o limite ora reconhecido. A decisão n.º 0121.037 – 3ª Turma da DRJ de Belém encontrase anexa às fls. 160/166, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II. do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. COFINS NÃOCUMULATIVA.CRÉD1TOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser computados créditos apurados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720508/200952 Acórdão n.º 3803003.724 S3TE03 Fl. 181 3 consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com a intenção de fornecer informações aos demais conselheiros, cumpre apontar que a Recorrente possui como objeto social a produção e venda de maçã para exportação e mercado interno e que com a incorporação da empresa Randon Agropecuária, a Interessada passou também a produzir e vender queijo, manteiga e nata para o mercado interno. Logo, a lide em discussão envolve tanto o processo produtivo de maças, como também o processo produtivo de leite e queijo. Conforme se retira da ementa acima colacionada, a DRJ glosou os créditos, com fundamento da redação da IN da SRF n.º 404/2004 e afastou o direito aos créditos referentes as seguintes despesas: 1) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): o contribuinte utiliza as empilhadeiras para atividades não relacionadas ao processo produtivo, ou seja: a) descarregamento da fruta vinda dos pomares; b) carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias; c) movimentação pelo pomar e d) carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento; 2) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção: grande parte dos combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores e estes tratores utiliza estes tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Além do que, constatouse que há gastos com combustíveis e lubrificantes em veículos próprios, mas para o transporte de maçã adquirida de terceiros, gastos na administração, na manutenção civil e elétrica, bem como em oficina de máquinas pesadas e nestes casos não constituem insumos; 3) Produtos sujeitos à alíquota zero: não gera crédito as aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, por expressa vedação; 4) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, despesas diversas): a glosa ainda recaiu sobre os créditos registrados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito” que consta nos DACONs. O agente fiscal informa que através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Glosou ainda outros valores lançados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, tais como: fita para enxerlia bem que destinado ao Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 imobilizado; telhado, areia, palitos, lonas, detergentes, sabonetes, medicamentos e sucos de uva — bens que não têm as características de insumo; 5) Materiais de transporte: o agente fazendário glosou também embalagens de transporte de maçã, por considerar que se trata de embalagem de mero transporte. A Fazenda Glosou ainda cantoneiras; palieis e seus acessórios, pregos e etiquetas; fitas e amarras. 6) Crédito sobre bens do imobilizado: a DRJ não considerou nenhum valor lançado a titulo de crédito referente a encargos de depreciação no período sob análise, sob o argumento de que o contribuinte não constitui prova de seu direito e ainda faz confusão quando registra os valores de créditos em seus DACONS. Alerta a fiscalização que nos meses de junho, julho e dezembro 2006 e depois nos meses de fevereiro, março e maio a dezembro de 2007 esta confusão continua. A fim de ilustrar o seu argumento, cita ainda que o lançamento ocorrido em junho de 2006, por meio do qual se percebe que na memória de cálculo onde discrimina os valores dos créditos aproveitados mensalmente o contribuinte não registra nenhum valor a título de imobilizado neste mês. Depois no lançamento ocorrido em julho de 2006, mesmo tendo o contribuinte lançado este valor na sua memória de cálculo, o mesmo não faz prova da origem destes valores. O fiscal aponta que o contribuinte só poderia apurar créditos no prazo de 48 meses sobre o valor das aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Nos demais casos deveria calcular os seus créditos mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem. Entretanto, o contribuinte apura créditos no prazo de 1/48 avos sobre outros bens que não máquinas e equipamentos. Em resumo, a DRJ acatou na íntegra as conclusões existentes no Relatório de Verificação Fiscal. A DRJ ainda entende que as decisões administrativas trazidas pelo contribuinte não possuem eficácia normativa e que por não ter indicado os quesitos e não se tratar de caso obscuro, a perícia foi indeferida, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. Inconformado com o indeferimento, o contribuinte apresente recurso voluntário, por meio do qual rebate os argumentos da decisão “a quo”. Afirma que a decisão de primeiro grau parte do pressuposto equivocado de que o direito ao crédito se origina somente em relação aos produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Deste modo, destaca o Recorrente que a DRJ aplicou o critério do conceito do IPI para apurar os créditos. O contribuinte não concorda ainda com a indeferimento do crédito referente as aquisições de material de embalagem para transporte, pois no seu entender deve dar direito a crédito inclusive as aquisições de cantoneiras utilizadas para garantir a boa apresentação do produto e evitar que danifiquem no transporte, pois em seu entender, o processo produtivo encerrase somente com a venda do produto. Nesta mesma linha de defesa, pleiteia o reconhecimento de créditos em relação as aquisições de pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Em relação aos créditos incidentes sobre os bens do imobilizado, o contribuinte afirma que a DRJ acolheu as conclusões do auditor fiscal, que simplesmente Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720508/200952 Acórdão n.º 3803003.724 S3TE03 Fl. 182 5 desconsiderou todos os créditos referentes as aquisições de imobilizados, por compreender que não gerava os referidos créditos, ora por não estarem de acordo com a DACON. Entretanto, o Recorrente afirma que as aquisições existem e foram contabilizadas pela empresa, ainda que isso tenha acontecido de maneira extemporânea. Por fim, o Recorrente colaciona diversos julgados administrativos, com a finalidade de demonstrar o seu direito, principalmente em relação ao critério adotado para apurar os créditos e ver afasta a redação da IN da SRF n.º 404/2004. Depois, requer a procedência do pedido e o reconhecimento do direito ao crédito e m exame. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Tratase de recurso voluntário tempestivo e por isso merece ser conhecido. O cerne da questão está em apurar o critério para definir o conceito de insumo, bem como definir onde inicia e conclui o processo produtivo de maçã. Conforme se extrai da decisão da DRJ citada no relatório, esta concluiu, com fundamento na IN da SRF n.º 404/2004, que: “no cálculo da contribuição nãocumulativa somente podem ser computados créditos apurados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços”. Entretanto, “data vênia”, a citada instrução normativa não oferece a melhor interpretação ao art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, fica a impressão de que a IN se utiliza da legislação do IPI para construir o conceito de insumo para a apuração do PIS/PASEP e da COFINS não cumulativos. Todavia, salvo engano, mostrase inadequado comparar materialidades distintas como ocorre entre o IPI, cujo critério material é a industrialização, com critério material da COFINS que é o auferimento de receita. Deste modo, creio que o conceito restrito de insumo não se concilia com a base econômica do PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção da receita com o produto ou serviço. Há quem defenda que o conceito de insumo aplicável ao PIS e COFINS deva ser o mesmo utilizado para o imposto de renda, visto que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. Aqueles que defendem esta tese argumentam no sentido de que o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ, bem como o de despesas operacionais, é bem mais próprio de ser aplicado ao PIS e COFINS não cumulativos do que o conceito previsto na legislação do IPI. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Por outro enfoque, o conceito amplo e irrestrito de insumo também não parecer ser a melhor interpretação da legislação, pois este visa incluir toda e qualquer despesa da empresa na obtenção do crédito da COFINS e PIS, ainda que totalmente desapegada de seu processo produtivo. Em outras palavras, compreendo que o conceito de insumos mais adequado é aquele em que se aceita como créditos as despesas relacionadas inseparavelmente aos elementos produtivos que proporcionam a existência do produto ou serviço, ou seja, um conceito intermediário entre aquele adotado para o IR e o IPI. Empilhadeiras Em relação aos custos de aquisição de GLP e manutenção das empilhadeiras, o contribuinte tem razão. As despesas com os serviços de manutenção desses equipamentos, quando comprovados por notas fiscais, geram crédito em seu favor, pois é inegável que as empilhadeiras são utilizadas diretamente na produção de bens, pois sem empilhadeiras não há que se falar no produto final, ainda mais porque as maças não são colhidas diretamente pelo consumidor no pomar, mas sim adquiridos, quanto “in natura” nas prateleiras dos supermercados e feiras. Assim, como negar que as empilhadeiras tem função essencial para fazer chegar as frutas até o consumidor ? Deste modo, ainda que o fruto esteja formado no momento que é colhido, por outro lado, é verdade que o processo produtivo não encerra com a colheita, mas sim, com a venda. Logo, as despesas com a manutenção das empilhadeiras geram direito ao crédito, em razão deste equipamento contribuir com a produção da maça, pois auxilia no acondicionamento da fruta nos caminhões para transporte. Além do que, já manifestei este posicionamento no ao PAF n.º 13005.000077/200502, de minha relatoria, e por isso mantenho esta linha de pensamento. A mesma sorte ocorre com as despesas com gás liquefeito (GLP) utilizado como combustível para estas empilhadeiras. Com o propósito de fundamentar este entendimento, cito o Recurso n.º 507.948 no PAF n.º 10630.001,064/200588, julgado em 26.08.2010, na 3.ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 330100.653: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 (...) COFINS NÃO CUMULATIVA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS, Os pagamentos referentes à aquisição de serviços de terraplanagem, topografia e outros, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na Solução de Consulta SRRF I 0 Disit n° 04/07.(grifo) Lubrificantes e Combustíveis Quanto a glosa referente aos lubrificantes e combustíveis, o auditor fiscal fundamenta o indeferimento do direito do contribuinte no argumento de que estes gastos são Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720508/200952 Acórdão n.º 3803003.724 S3TE03 Fl. 183 7 utilizados no transporte de maçã adquirida de terceiros, bem como na administração, manutenção civil e elétrica e na oficina de máquinas pesadas. Assim, considerando que o próprio contribuinte ilustra os autos com planilhas às fls. 52 e seguintes, por meio das quais discrimina os gastos com lubrificantes e combustíveis e neste documento informa de boafé que ocorreram gastos desses bens com manutenção civil e elétrica, oficina de máquinas pesadas e administração, deste modo, recomendo o não reconhecimento em relação aos gastos desta natureza, tendo em vista que não estão vinculados ao processo produtivo e não atendem o II do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003. Todavia, excluindo os gastos com lubrificantes e combustíveis relacionados a manutenção civil e elétrica, oficina de máquinas pesadas e administração, reconheço o direito ao creditamento em relação aos gastos especificamente vinculados a pomares e viveiros, já que esses estão relacionada ao processo produtivo. Na realidade, compulsando os autos, me parece que foi este o entendimento do agente fazendário quando comenta a respeito das despesas com combustível, fez constar no Termo de Verificação Fiscal o seguinte: Assim, de maneira análoga ao procedimento previsto no inciso II do parágrafo 8º do art. 3º das Leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, método este adotado pela contribuinte, consoante DACONs apresentados, aplicamos aos valores de aquisição de combustíveis e lubrificantes constantes da memória de cálculo apresentada os percentuais de combustíveis e lubrificantes destinados aos pomares em produção e à formação de mudas, conforme tabela abaixo. Os valores finais, referentes a combustíveis e lubrificantes, após a aplicação dos percentuais estão dispostos na forma do anexo I. É evidente que o combustível não mantém contato direito com a maçã, e, nem poderia, entretanto, o combustível é indispensável para que o produção da maça aconteça, caso contrário os frutos apodreceriam nos pomares e não poderiam ser transportados. Além do que, os tratores são úteis para trabalhar o solo que será plantado, logo é preciso ter a percepção de que, em se tratando da atividade agroindustrial, o processo produtivo inicia com o preparo do solo e somente se encerra com a venda da fruta em bom estado de conservação. Cito, Acórdão n.º 330200.176, prolatado pela 2ª Turma da 3ª Câmara em data de 18/09/2009, que por sua vez tratou de diversos temas com destaque para os assuntos: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITO. OUTRAS DESPESAS. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. (...) COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins naocumulativos. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais. Alíquota Zero No tocante as aquisições de produtos com alíquotas zero, o contribuinte não tem razão, pois re reiterado é o entendimento da jurisprudência de que não se há falar em direito ao crédito de PIS e de COFINS relativo a operações de aquisição de produtos com alíquota zero, pois prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. Desta maneira, apenas os valores efetivamente pagos nas operações anteriores geram direito ao creditamento, quando não há pagamento, não falar em direito ao lançamento na escrita fiscal dos créditos em questão, pois a norma pressupõe a existência de cobrança na entrada produtos, o que não ocorre na hipótese de aquisição sujeita à alíquota zero. Bens Diversos Insurgese ainda quanto a glosa que recaiu sobre os créditos nas aquisições bens diversos, nos quais estão inseridos as despesas com a manutenção de máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras. Afirma que todos estes gastos são necessários a produção maçãs, queijos, e demais derivados do leite. Ressalta que inclusive promove a venda de animais. Argumenta que os produtos de higienização são aplicados nas ordenhas das vacas, onde sai o leite para produzir queijos e seus derivados, por isso reclama o crédito referente a aquisição de ordenhadeiras, medicamentos, remédios e despesas com laboratório, considerando que as vacas são as produtoras do leite e seus derivados que é o queijo, desta forma, todas as despesas no rebanho, é necessária e utilizada diretamente para a produção final do bem. Em relação as despesas de manutenção de máquinas e veículos, tratores, pulverizadores, assiste razão parcial ao contribuinte. Com efeito, não gera direito aos créditos as despesas com veículos de passeio, como, por exemplo, Gol, Meriva etc, pois estes são estão relacionados ao processo produtivo. Todavia, por outro lado, os gastos com manutenção de tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, ocorre de forma diversa, uma vez que estes maquinários são utilizados na lavoura, seja para preparar o solo, seja para pulverizar as plantas e desta maneira estão vinculados ao processo produtivo. Conseqüentemente, os gastos com manutenção destes equipamentos geram direito aos créditos pleiteados. Compreendo que também não há que se falar em reconhecimento ao direito de crédito em relação as despesas com material de limpeza e higienização, tendo em vista que Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720508/200952 Acórdão n.º 3803003.724 S3TE03 Fl. 184 9 o contribuinte não constituiu prova de que essas despesas decorreram de exigência de legislação específica da Vigilância Sanitária. Igualmente a mesma sorte em relação as despesas de brincos bovinos, instalação de telas e cercas para rebanho. Já em relação as despesas com a conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes, penso que estão relacionados com o processo produtivo, principalmente quando se constata que se trata de empresa que tem por finalidade a produção e venda de animais e produção de frutas. Ora, deixar de considerar, por exemplo, que as despesas com a conservação de sêmen esteja vinculada com a produção animais, pareceme, “data vênia”, irrazoável e contrário ao que deseja a legislação. Material de Embalagem A mesma sorte ocorre em relação as aquisições relacionadas com material de embalagem para transporte, pois na Lei n.º 10.833/2003 não há restrição para o creditamento, pouco importa se a embalagem destinase a apresentação do produto, ou ao seu acondicionamento para transporte. Deste modo, o contribuinte tem direito aos créditos em relação as aquisições de insumos necessários para a elaboração dessas embalagens, como, por exemplo, as aquisições de pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Inclusive as aquisições de cantoneiras, ao meu sentir, geram direito ao crédito, pois estas mostraramse indispensáveis para garantir a boa apresentação do produto e evitar que danifiquem no transporte, caso contrário, ausentes as cantoneiras as frutas seriam esmagadas e chegariam até o ponto de venda sem valor comercial. Imobilizado Em relação aos créditos incidentes sobre os bens do imobilizado, o contribuinte afirma que a DRJ acolheu as conclusões do auditor fiscal, que simplesmente desconsiderou todos os créditos referentes as aquisições de imobilizados, por compreender que não gerava os referidos créditos, ora por não estarem de acordo com a DACON. Contudo, a Recorrente afirma que as aquisições existem e foram contabilizadas., ainda que isso tenha acontecido de maneira extemporânea. Acontece que analisando os autos, compreendo que não assiste razão o contribuinte, pois a empresa comete vários equívocos que impossibilitam ao reconhecimento dos créditos sobre bens do imobilizado, a exemplo, cito que a Recorrente apurou efetivamente estes créditos em relação a bens que não são máquinas e nem equipamentos, ou seja, televisão, cadeira etc. Ante o exposto, dou provimento parcial para reconhecer o direito aos créditos em relação as despesas de GLP e manutenção de empilhadeiras; manutenção de tratores e pulverizadores e retroescavadeiras; lubrificantes e combustíveis gastos com viveiros e pomares; conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10480.914336/2009-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-003.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Após 9 de junho de 2005, o prazo para a repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, conforme já decidiu o Supremo tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, submetido à sistemática da repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 43 36 /2 00 9- 04 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.914336/200904 Acórdão n.º 3803003.846 S3TE03 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da DRJ Recife/PE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da contribuição para o PIS efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor de R$ 23.158,76, tratandose de crédito de sociedade empresária sucedida por incorporação. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que, “na data de transmissão do documento em análise já estava extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP” (fl. 5). Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10 a 16) e requereu a homologação total da compensação ou a realização de perícia para se confirmar o crédito pleiteado, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) nos termos de decisões judiciais reproduzidas em parte na peça recursal, a prescrição do direito de ação, relativa à compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil deve ser contada a partir da efetiva ou tácita homologação do respectivo lançamento; b) a não homologação das compensações constitui autêntica sanção política ou indireta, violando a razoabilidade, a proporcionalidade e o devido processo legal. A DRJ Recife/PE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 27 a 62), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS .RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL 0 prazo para pleitear a restituição de tributos relativos a valores pagos a maior ou indevidamente, inclusive em relação aos tributos lançados por homologação, é de 5 anos contados da data do pagamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.914336/200904 Acórdão n.º 3803003.846 S3TE03 Fl. 62 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos do art. 170 do CTN, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais s6 produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PER1CIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando este deixar de conter os requisitos estabelecidos pelo art.16, inciso IV, do decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 41 a 51) e reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo reproduzidas na peça recursal ementas de decisões dos extintos Conselhos de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento que já se encontrava extinto pelo decurso do prazo de cinco anos entre a data de arrecadação e a data de transmissão da declaração de compensação. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.914336/200904 Acórdão n.º 3803003.846 S3TE03 Fl. 63 4 A contorvérsia se restringe, portanto, ao prazo extintivo do direito de se pleitear a restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente. O Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621, submetido à regra da repercussão geral (art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil), decidiu, em 4 de agosto de 2011, que, no que tange aos pedidos de repetição ou compensação de indébitos formalizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicase lhes o prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A data de 9 de junho de 2005 corresponde ao dia seguinte ao termo final da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, que definiu, nas hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado para a extinção do crédito tributário respectivo. No mesmo julgamento, a aplicação retroativa do referido prazo (art. 3º da LC nº 118/2005) foi considerada inconstitucional, por ferir o princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Referida decisão do STF transitou em julgado em 27 de fevereiro de 2012, de acordo com consulta ao sítio do Tribunal na internet realizada em 08/10/2012. De acordo com o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o contribuinte formulou seu pedido de restituição e compensação em 5 de dezembro de 2008, após, portanto, a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, referindose a pagamento efetuado em 15/07/2003, em razão do que temse por transcorrido o prazo previsto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 3º, in fine, da Lei Complementar nº 118/2005. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907242/2009-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
PROVA. DACON. APURAÇÃO ANTECEDENTE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A prova consubstanciada em obrigação acessória destinada à apuração da contribuição sob enfoque, Dacon retificador, apresentada à Receita Federal do Brasil antes do despacho decisório em processo de restituição, ressarcimento e compensação e que respalda a retificação da DCTF merece ter lugar no julgamento de primeira instância em detrimento do formalismo que sustentou a causa de decidir.
ACÓRDÃO. CAUSA DE DECIDIR. FORMALISMO. ANULAÇÃO.
Deve ser anulada a decisão de primeira instância que se funda apenas em aspecto formal do procedimento do contribuinte desprovida de previsão normativa, deixando de apreciar o mérito apresentado.
Numero da decisão: 3803-004.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Hélcio Lafetá Reis, que votaram por dar provimento parcial apenas para reformar a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PROVA. DACON. APURAÇÃO ANTECEDENTE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. A prova consubstanciada em obrigação acessória destinada à apuração da contribuição sob enfoque, Dacon retificador, apresentada à Receita Federal do Brasil antes do despacho decisório em processo de restituição, ressarcimento e compensação e que respalda a retificação da DCTF merece ter lugar no julgamento de primeira instância em detrimento do formalismo que sustentou a causa de decidir. ACÓRDÃO. CAUSA DE DECIDIR. FORMALISMO. ANULAÇÃO. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que se funda apenas em aspecto formal do procedimento do contribuinte desprovida de previsão normativa, deixando de apreciar o mérito apresentado.
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INEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE ORIGINAL. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, se não descumpridos os requisitos que delimitam este efeito. Mesmo transmitida após emissão de despacho decisório, nada obsta na legislação de regência, a subsistência deste efeito de original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PROVA. DACON. APURAÇÃO ANTECEDENTE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. A prova consubstanciada em obrigação acessória destinada à apuração da contribuição sob enfoque, Dacon retificador, apresentada à Receita Federal do Brasil antes do despacho decisório em processo de restituição, ressarcimento e compensação e que respalda a retificação da DCTF merece ter lugar no julgamento de primeira instância em detrimento do formalismo que sustentou a causa de decidir. ACÓRDÃO. CAUSA DE DECIDIR. FORMALISMO. ANULAÇÃO. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que se funda apenas em aspecto formal do procedimento do contribuinte desprovida de previsão normativa, deixando de apreciar o mérito apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 42 /2 00 9- 02 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Hélcio Lafetá Reis, que votaram por dar provimento parcial apenas para reformar a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta contribuinte transmitiu a DComp nº 15620.33355.290908.1.3.045041, em 29 de setembro de 2008, por meio da qual compensou crédito de pagamento indevido de Cofins cumulativa, referente ao período de apuração junho de 2004, com débito de IRPJ. Despacho Decisório eletrônico da DRF/JoaçabaSP, emitido em 7 de outubro de 2009, não homologou a compensação, em face de o pagamento encontrarse integralmente utilizado, vinculado ao débito declarado em DCTF do qual o crédito se origina, tornandoo indisponível. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou, sinteticamente, que o despacho decisório é equivocado, pois recolheu o valor de R$ 24.565,07 a titulo de Cofins do período de apuração junho de 2004, débito indevidamente informado na DCTF do 2° trimestre de 2004. Aduziu, em complemento, que após rever a apuração constatou saldo credor neste período, conforme fez do Dacon retificador a nova apuração. Em vista desta constatação, formalizou o pedido de restituição e retificou sua DCTF. Em julgamento da lide a DRJ/Joaçaba, primeiramente, destacou o efeito da DComp de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de eventual homologação expressa posterior por parte da Fazenda Nacional. Para tanto – consignou seria necessário que, à época da apresentação da DComp, o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pelo sujeito passivo fosse líquido e certo, sem o que não haveria como homologála. Anotou que, no caso presente, a contribuinte não havia retificado a DCTF na data de apresentação da DComp, razão porque inexistia juridicamente o crédito alegado. Por fim, considerou improcedente a manifestação de inconformidade fundado no fato de que a retificação posterior da DCTF não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentalizada por DComp. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.907242/200902 Acórdão n.º 3803004.027 S3TE03 Fl. 199 3 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Cientificada de decisão em 14 de outubro de 2011, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16 de novembro de 2011, em que reiterou o mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, colacionando a ementa do acórdão do CARF nº 130100351 3ª/1ª Turma Ordinária e transcrevendo o teor do Acórdão nº 330200812 3ª/2ª Turma Ordinária, para defender que: “a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem abandonar as normas procedimentais da RFB. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 786/2007, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte.”. E o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se pode ver da ementa da decisão recorrida, a razão de decidir do órgão julgador ancorouse na necessidade do procedimento do contribuinte de retificar a DCTF previamente à transmissão da DComp. Com efeito, a DCTF ainda não havia sido retificada em momento antecedente à transmissão da DComp. Nem mesmo antes do despacho decisório. A controvérsia que se instala é, pois, aquilatar se a DCTF retificadora transmitida nas circunstâncias presentes pode ou não surtir os efeitos que lhe são naturalmente próprios. Ao tempo da retificação procedida pela Contribuinte, vigia a IN RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, regulamentando a matéria. Ao tratar das alterações das informações em DCTF, a norma inserta no art. 11 desta instrução normativa nomeia a natureza jurídica da retificadora e fixa critérios que deveriam ser obedecidos para que surtisse efeitos, verbis: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Como se vê, não há entre estas disposições regra que condicione a validade da natureza de original da retificadora, de molde a surtir os efeitos que lhe são próprios, a sua transmissão antes da declaração de compensação. Por outro prisma, entre as disposições relativas ao direito de compensar créditos previstas entre os arts. 26 a 33 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, também vigente à época da transmissão da DComp, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PeR/DComp à prévia retificação de DCTF, embora se vislumbre que esta deva ser a ordem natural das coisas, de sorte a permitir a análise automática e escorreita do crédito, bem assim o consequente processamento da compensação. No caso presente, não se pode dizer que foram violadas as prescrições do parágrafo segundo da IN RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, não sendo o fato presente nem mesmo abarcado pela hipótese do inciso III, eis que o despacho decisório eletrônico de manifestação em declaração de compensação transmitida de procedimento fiscal não se trata. Assim, ressalvadas as hipóteses do parágrafo segundo desta instrução normativa, a DCTF retificadora transmitida dentro do prazo prescricional dos débitos tem, inelutavelmente, a natureza de original. No caso presente, temse que a DCTF foi transmitida após o despacho decisório; este, em 7 de outubro de 2009, aquela, em 19 de outubro de 2009. Conquanto ela tivesse a natureza de original, não havia como o despacho decisório localizar pagamento disponível no sistema, por este não ter sido ainda afetado pela retificação da DCTF. Logo, por outra perspectiva, não se pode inquinar de incorreta a decisão administrativa de não reconhecimento do despacho decisório e não homologação do débito compensado. Ocorre que a Contribuinte transmitira Dacon retificador em 30 de abril de 2009, portanto, meses antes da transmissão da DComp, dando conta de que apurara saldo credor no mês em tela. Não obstante a citada obrigação acessória não tenha força de desconstituir a confissão do débito apurado naquele mês por meio da DCTF original, por não Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.907242/200902 Acórdão n.º 3803004.027 S3TE03 Fl. 200 5 revestir a mesma natureza desta obrigação, de maneira a fazer surtir os efeitos legais próprios a esta, não se pode dizer que a apuração era desconhecida da Administração. A decisão de primeira instância delimitou a apreciação da controvérsia trazida aos autos mirando tão só o aspecto formal da impossibilidade de existência de crédito quando a transmissão de DCTF retificadora não se der antes da transmissão da declaração de compensação. Este óbice não deve existir, conforme entendimento já definido por esta Turma, sobretudo quando, na espécie, a Contribuinte traz aos autos obrigação acessória de apuração pontual da contribuição sob exame (o Dacon) transmitida antes do despacho decisório e apresentada por ocasião da manifestação de inconformidade. Posto que não seja o Dacon uma prova legalmente qualificada em prol da Contribuinte, como o seria a escrita contábil/fiscal regular, ela merecia ter sido apreciada pelo Colegiado a quo, cabendo, inclusive, na hipótese de dúvidas solicitar a manifestação do órgão de origem quanto à verossimilhança de seus registros. Entender desse modo não equivale a dizer que a Administração estará suprindo as vezes do contribuinte na apresentação da prova. Uma decisão “emitida” por meio eletrônico, cujos registros são sintéticos, em especial o da intimação nele contida para que o contribuinte, desejando, manifeste a sua inconformidade, oblitera o integral conhecimento, pelo interessado, dos instrumentos que deve manejar em sua defesa e das exigências pontuais que haveriam de ser feitas pelo órgão julgador de primeira instância para o acolhimento das suas razões. Todavia, nada obstante ser o Dacon documento que merecia ter sido considerado e apreciado, não me inclino a direcionar o presente voto na linha do provimento dado por outras turmas julgadoras deste CARF (Acórdão nº 330200.812, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de fevereiro de 2011/Acórdão n° 130100.531, 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 30 de março de 2011), referenciados na defesa, mesmo sendo idêntico o substrato fático, de retificação da DCTF após o despacho decisório. Isso porque a despeito de se ter nos autos o relevante fato de que houvera apuração de crédito para utilização na DComp documentado perante a RFB antes do despacho decisório tratase de uma obrigação acessória de caráter subsidiário de apuração de débitos, e, porque o saldo credor de contribuição, em oposição ao outrora débito, decorre, quase integralmente, de expressivo de valor excluído das receitas auferidas, anotado como Outras Exclusões, não explicado na defesa. Assim, considero prudente, para admitirse a existência efetiva do crédito utilizado, desvendar a formação dessa rubrica, Outras Exclusões. Entretanto, fazêlo a partir desta instância, convertendo o julgamento em diligência, traz o risco de deixar à margem do debate a instância a quo, na hipótese de serem controvertidos os valores dela resultantes, e faria com que esta instância viesse a se manifestar sobre elementos que deixariam de ser apreciados em primeiro grau. Assento que o formalismo da decisão de primeira instância não deve subsistir, ante: a) a presença da DCTF retificadora que exala a natureza de original, mesmo transmitida após o despacho decisório de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação; e Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 b) da demonstração da Contribuinte de que efetivamente procedera à nova apuração do quanto devido de Cofins referente ao mês de junho de 2004, antes do dito ato administrativo. Assim, deve a decisão recorrida ser anulada para que afaste o empecilho formal erigido em suas razões de decidir e outra profira apreciando o documento de apuração trazido na manifestação de inconformidade, sublimandose, de já, o livre exercício do convencimento. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão recorrida para que outra profira, nos termos acima expendidos. Sala das sessões, 19 de março de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000231/00-23
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/01/1990 a 25/02/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/01/1990 a 25/02/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/01/1990 a 25/02/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 02 31 /0 0- 23 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 05/02/2000, relativo ao período de apuração de 01/01/1990 a 25/02/1995. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10820.000231/0023 Acórdão n.º 9900000.669 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, houve a perda parcial do direito a se pleitear a restituição em relação à uma parcela do período objeto da solicitação. Assim, está prescrito o direito em relação à competência de janeiro de 1990. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora, para a análise do mérito do período não prescrito.. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721356/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - SÚMULA CARF nº 4:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3101-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Adriene Maria de Miranda Veras (Suplente), Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA - TAXA SELIC - SÚMULA CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Adriene Maria de Miranda Veras (Suplente), Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. PROVA TESTEMUNHAL. O Contribuinte não está impedido de colacionar prova que entendia ser cabível em diligência indeferida. A prova testemunhal no âmbito tributário destinase a demonstração de fato que seja impossível de ser demonstrado por prova documental. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CUMULATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE. Não possuí direito ao crédito de IPI a aquisição de bens destinados ao ativo permanente da empresa, Súmula 495 do STJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 13 56 /2 01 1- 25 Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.202 S3C1T1 Fl. 1.309 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Adriene Maria de Miranda Veras (Suplente), Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Tratase de lançamento fiscal para constituição de débitos de PIS, COFINS e IPI do período de 2009, 2010 e 2011, tendo em vista a constatação de declaração a menor de tributo em relação aos valores registrados em sua escrita fiscal. Apresentada impugnação pela Recorrente, foram os autos levados à julgamento, na qual manteve à autuação, conforme a ementa de fls. 1144/1145. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A singela descrição da infração constatada e a correta fundamentação legal apontada nos autos de infração possibilitaram ao sujeito passivo o pleno exercício do contraditório e de ampla defesa. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009, 2010, 2011 Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.202 S3C1T1 Fl. 1.310 3 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010, 2011 DCTF. ESCRITURAÇÃO. DIVERGÊNCIAS. Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas da própria escrituração do contribuinte, não contestada em sede de impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010, 2011 DCTF. ESCRITURAÇÃO. DIVERGÊNCIAS. Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas da própria escrituração do contribuinte, não contestada em sede de impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2009, 2010, 2011 DCTF. ESCRITURAÇÃO. DIVERGÊNCIAS. Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas da própria escrituração do contribuinte, não contestada em sede de impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. Impugnação Improcedente Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário aduzindo, em síntese, preliminarmente, a violação do princípio da verdade material pelo indeferimento do pedido de produção de prova e ausência de fundamentação legal do auto de infração No mérito, a Recorrente impugnou: quanto à autuação de IPI, i) que não foram considerados os créditos adquiridos pelas aquisições de bens do ativo imobilizado e de materiais de uso e consumo, bem como matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagens, energia elétrica e demais insumos desonerados por força de imunidade (créditos desonerados); ii) restou violado o princípio da estrita legalidade tributária, uma vez que a alíquota foi instituída por “ato normativo de natureza infralegal” (Decreto nº 4.542/2002 e Decreto nº 6.006/2006); iii) a não incidência de IPI sobre mãodeobra aplicada na Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.202 S3C1T1 Fl. 1.311 4 industrialização de produtos por encomenda de terceiros e sobre frete nas vendas de produtos sob cláusula CIF. Para o PIS e a COFINS, sustenta a Recorrente que o auto de infração não oferece de forma detalhada os fatos que ensejaram a autuação, nem a base de cálculo utilizada; ii) a não incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por fim, sustenta a Recorrente a inaplicabilidade da Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Primeiramente, antes de adentrar ao mérito, resta fundamental analisar as questões preliminares postas pela Recorrente. A primeira nulidade referese à violação ao princípio da verdade material pelo indeferimento da produção de provas. Conforme se verifica pela sua impugnação, o pedido da Recorrente foi para posterior “juntada oportuna de novos documentos e pela oitiva de representantes e colaboradores da empresa”. No Processo Administrativo Federal, a prova documental deve ser produzida no momento em que é oferecida a impugnação, sob pena de preclusão, assim como dispõe o §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ocorre que, ainda que haja condições para apresentação da prova demonstrada algumas das hipóteses previstas nas alíneas do §4º, é pacífico que o contribuinte mediante pleito e/ou diante da negativa de diligência, pode subsidiar suas alegações com as provas que entenda cabíveis para demonstrar seu direito, independente da autorização da autoridade administrativa. Essa oportunidade se deu, inclusive, no momento do Recurso, mas fato é que isso não ocorreu. Não cabe a autoridade julgador realizar prova seja em favor do Fisco ou em favor do contribuinte. Com relação à oitiva de testemunhas, entendo se prova totalmente desconexa ao direito pleiteado no presente caso, pois não haveria questão de fato passível de comprovação por meio da prova testemunhal. Isto porque, a autuação ocorreu pela simples divergência dos valores declarados e os valores escriturados na contabilidade, cuja comprovação das alegações por ambas as partes demandam apenas a produção de prova documental. A prova testemunhas não seria utilizada no julgamento de nenhuma das alegações trazidas pela Recorrente em sua impugnação ou Recurso Voluntário. Quanto à alegação de que o Auto de Infração não demonstrou de forma detalhada os fatos jurídicos que ensejaram a incidência do IPI, PIS e COFINS, a autuação bem detalhou os fatos e demonstrou que valores foram declarados a menor em relação à escritura fiscal, o que é suficiente para ensejar a lavratura do auto de infração. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.202 S3C1T1 Fl. 1.312 5 No mérito, o primeiro ponto a ser abordado referese à inconstitucionalidade da legislação que estabelece a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Entretanto, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF não detêm competência para declarar inconstitucionalidade de lei, nos termos do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e artigo 62 do Regimento Interno do CARF e Súmula nº 2 do CARF, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” O segundo ponto a ser analisado é o direito a apuração de crédito de IPI decorrente da aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado da Recorrente. Ora, além de ser vedado pelo Regulamento do IPI1, o Contribuinte quando adquire bens destinados ao seu ativo imobilizado, não há direito ao crédito porque é ele o destinatário final do encargo do imposto na condição de consumidor final, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça Súmula nº 495: A aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI. (PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/08/2012, DJe 13/08/2012) Quanto ao direito a crédito na aquisição de insumos desonerados e da não incidência de IPI sobre mãodeobra aplicada na industrialização de produtos por encomenda de terceiros e sobre frete nas vendas de produtos sob cláusula CIF, como bem ressaltou o Acórdão recorrido, a Recorrente em nenhum momento produziu as provas necessárias para comprovação de que havia escriturado valores indevidos. Aliás, em relação ao crédito presumido de IPI na aquisição de desonerados o STF já pacificou entendimento no RE 370.682: Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. (RE 370682 ED, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 06/10/2010, DJe220 DIVULG 16112010 PUBLIC 17112010 EMENT VOL0243201 PP00015) Conforme relatado, o lançamento foi efetuado pela Fiscalização com base no mero confronto dos valores declarados e escriturados pela própria Recorrente. Em que pese as alegações postas em sua impugnação e recurso voluntário, a Recorrente não comprovou que os valores escriturados a maior se referiam aos créditos desonerados ou operações não tributadas. 1 Decreto nº 7.212/2010: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.202 S3C1T1 Fl. 1.313 6 Não há como se afastar um lançamento efetuado com base na própria escrituração feita pela Recorrente apenas com base em suposições, sem a comprovação da efetiva subsunção dos fatos aos argumentos postos em sede de impugnação. Por fim, no que respeita à inaplicabilidade da taxa SELIC como juros moratórios, a matéria está consolidada pela jurisprudência do CARF, conforme enunciado da Súmula nº 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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