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Numero do processo: 11020.001242/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2001 a 31/10/2004
RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI E À EVIDÊNCIA DA PROVA.
Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos hipóteses que se afiguram ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautou-se dentro dos ditames legais.
MÉRITO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À PROVA DOS AUTOS OU DE VIOLAÇÃO AOS ART.IGOS 6º 8º DA LEI Nº 8.846/94 E AO ARTIGO 47, INCISO, B, DA LEI Nº 8.981/95.
Ao contrário do que foi alegado no recurso especial, não ocorreu qualquer ofensa à prova constante dos autos ou mesmo violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea b, da Lei nº 8.981/95.
O que se verifica, ao revés, é que não houve justificativa ou fundamentação com base na legislação para o arbitramento em todos os períodos, notadamente para a confecção das planilhas que serviram de arrimo à exação constante do presente processo
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda (Relator) e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; e II) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 31/10/2004 RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI E À EVIDÊNCIA DA PROVA. Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos hipóteses que se afiguram ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautouse dentro dos ditames legais. MÉRITO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À PROVA DOS AUTOS OU DE VIOLAÇÃO AOS ART.IGOS 6º 8º DA LEI Nº 8.846/94 E AO ARTIGO 47, INCISO, “B”, DA LEI Nº 8.981/95. Ao contrário do que foi alegado no recurso especial, não ocorreu qualquer ofensa à prova constante dos autos ou mesmo violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. O que se verifica, ao revés, é que não houve justificativa ou fundamentação com base na legislação para o arbitramento em todos os períodos, notadamente para a confecção das planilhas que serviram de arrimo à exação constante do presente processo Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda (Relator) e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; e II) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 12 42 /2 00 5- 11 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 432 2 Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 306 a 315), por violação à lei e à prova dos autos, contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 284 a 292), que deu provimento parcial ao recurso voluntário. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 31/10/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não é nulo o procedimento fiscal que observa todas as regras do Processo Administrativo e não contém vícios capazes de impedir o exercício da ampla defesa pela autuada. BINGCS. EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE MEDIANTE CONTRATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade esta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social _ incidentes S'obre as respectivas receitas obtidas com essa atividade. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 433 3 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA ATIVIDADE DE SORTEIOS. BINGO. Válida é a apuração de receitas da atividade de sorteio (birigo) a partir de documento (arquivo magnético) apreendido em computador localizado nas dependências da autuada, quando permite identificar claramente a movimentação diária da venda de cartelas BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. ESTIMATIVA DE RECEITAS CALCULADA A PARTIR DE MÉDIA DIÁRIA DE ARRECADAÇÃO COM A VENDA DE CARTELAS. DESCABIMENTO. Inaceitável o arbitramento realizado a partir de meras projeções de receitas para os períodos do ano de 2002 em que o Fisco não logrou encontrar documentação reveladora das receitas auferidas. MULTA DE OFÍCIO DE 150%. TAXA SELIC. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. (grifos nossos) O recurso voluntário foi provido em parte apenas para excluir da autuação o arbitramento da receita referente aos períodos de 01/01/2002 a 26/04/2002 e de 13/07/2002 a 31/12/2002, haja vista que, quanto a este ponto, nos termos do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, o Fisco teria ido além do que permitido na legislação. Mais especificamente, aduziuse que, verbis, não basta ao Fisco mencionar que existe movimentação financeira à margem da contabilidade, ou que existe saldo devedor em conta de passivo, conforme afirma à fl 33, se não consegue criar um liame entre tais anomalias e as receitas estimadas, de maneira que não está correto o arbitramento ou o cálculo estimado efetuado das receitas dos períodos de 01/01/2002 a 26/04/2002 e de 13/07/2002 a 31/12/2002, devendo ser excluída da autuação. Contra o v. acórdão foram opostos embargos de declaração, apontandose, em suma, que a Câmara a quo teria incorrido em omissão ao aduzir não haver comprovação por parte do fiscal do liame existente entre o saldo devedor em conta do passivo da empresa e as receitas estimadas (fls. 226). Mais especificamente, após citar o disposto no artigo 91 do Decreto 4.524/2002, apontouse que há comprovação de movimentação financeira no período arbitrado, seja pela leitura das rodadas de bingo, seja pela presença de movimentação financeira na conta “Banco” e “Repasse da União”, nos períodos abrangidos pelo arbitramento. Requereuse, outrossim, a análise dos documentos de fls. 134 a 143, verbis, em que constam extratos de movimentação financeira do contribuinte nos períodos abrangidos Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 434 4 pelo arbitramento: janeiro/2002, fevereiro/2002, março/2002, abril/2002, julho/2002 (fls. 227).. O Presidente da Segunda Seção, ao seu turno, mediante o r. despacho de fls. 304, e com arrimo nas informações de fls. 301 a 303, negou seguimento aos referidos embargos de declaração. Destacamse, por oportuno, os seguintes excertos das informações acima aludidas, verbis: (...) Massima vênia, não há omissão. Ora, a movimentação financeira real, efetiva, trazida aos autos pelo fiscal autuante está bastante aquém do montante da "receita" apurada via arbitramento, senão vejamos o liame entre ambas: (R$) (...) Para mim, a desproporção de valores acima reportada foi mais que suficiente para não vislumbrar o liame entre as anomalias apontadas e as receitas estimadas, dai eu ter afastado o arbitramento da forma com que foi feito, não obstante a existência de Previsão legal para tal procedimento (não aquele efetuado no auto de infração de que cuidamos no momento), a qual, digase, de passagem, sequer foi ventilada pelo Auditor Fiscal, vindo a sêlo somente por ocasião dos presentes Embargos. Assim, a análise requerida, pela Embargante dos documentos em que constam extratos de movimentação financeira do contribuinte deveria ter sido feita pelo servidor responsável pelo lançamento e considerar os valores ali encontrados para fins de apuração da sua receita arbitrada. Não o tendo feito, não compete a este Colegiado fazêlo, ainda mais na via estreita dos Embargos. Em face de todo o exposto, voto pelo não acolhimento dos presentes Embargos de Declaração. (grifos e destaques nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, com fulcro no inciso I do artigo 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e no inciso I do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, ofensa à prova constante dos autos e violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho de fls. 316 a 317. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 435 5 Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Voto vencido quanto à admissibilidade Inicialmente, no tocante à admissibilidade, entendo que o recurso especial interposto não merece ser conhecido. Deveras, cumpre lembrar que, nos termos do inciso I do artigo 7º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no recurso especial interposto com base nesse permissivo deve ser demonstrada (i) a contrariedade à lei ou (ii) à evidência da prova. No presente caso, apontouse no recurso especial ofensa à prova constante dos autos e violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. No que tange à alegada violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95, o recurso especial carece do necessário prequestionamento. Com efeito, a Colenda Câmara a quo não se manifestou e nem foi instada a se manifestar, ainda que através de embargos de declaração, especificamente a respeito da matéria veiculada com a alegada contrariedade a esses dispositivos, qual seja, de que eles legitimariam o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal. Importante destacar que a Fazenda Nacional, na oportunidade em que teve para provocar a Câmara a quo, através dos referidos embargos de declaração, dispôs apenas sobre o artigo 91 do Decreto nº 4.524/2002, não fazendo qualquer tipo de menção à matéria ou mesmo violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. Não há como se conhecer, destarte, do recurso especial interposto, na medida em que não é possível à Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestar quanto a matéria e dispositivos legais que não foram objeto de discussão e decisão na instância a quo. Por outro lado, com relação à segunda hipótese prevista no permissivo para interposição do recurso especial, qual seja, a contrariedade à evidência da prova, o que se verifica no recurso especial é que a Fazenda Nacional pretende, em verdade, que este Colegiado proceda ao reexame do conteúdo fáticoprobatório dos autos, o que não se afigura possível nesta instância especial. Em que pese o recurso ter sido interposto por alegada contrariedade à evidência da prova, não se procurou, em nenhum momento, demonstrar que a r. decisão recorrida contrariou a evidência de qualquer prova. Ao revés, o que se afirmou foi que a movimentação no período exonerado de 2002 teria restado comprovada (fls. 313) e que as planilhas de fls. 26/27 e 75 serviram de apoio para que a fiscalização determinasse a receita efetiva do contribuinte, devidamente fundamentado no relatório fiscal de fls. 30/35. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 436 6 Na espécie, as instâncias ordinárias, soberanas na apreciação da prova, tanto em extensão quanto em profundidade, entenderam, em última análise, que o procedimento de arbitramento da forma com que foi feito (consoante fls. 302, em que se analisou os embargos de declaração) não seria legítimo. Verificase, portanto, que não só a Fazenda Nacional deixou de apontar qual prova teria sido evidentemente contrariada, mas, mais importante, não demonstrou tal contrariedade. Indubitável, destarte, que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não reúne condições de ser admitido. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto quanto ao mérito Caso fique vencido no que tange à admissibilidade, entendo que o recurso especial, quanto ao mérito, não merece melhor sorte. Com efeito, ao contrário do que foi alegado no recurso especial, não ocorreu qualquer ofensa à prova constante dos autos ou mesmo violação aos artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95 O que se verifica, ao revés, é que não houve justificativa ou fundamentação com base na legislação para o arbitramento em todos os períodos, notadamente para a confecção das planilhas que serviram de arrimo à exação constante do presente processo. Nesse sentido, aliás, é o seguinte excerto da r. decisão recorrida, que abrange tudo o que se foi discutido sobre a matéria veiculada no recurso especial, e cujos fundamentos acolho e adoto como razão de decidir, verbis: (...) O segundo item da autuação se refere aos períodos de 01/01/2002 a 26/04/2002 e de 13/07/2002 a 31/12/2002 de 2002 e os valores da Cofins devida foram apurados com base em arbitramento realizado pelo Fisco, conforme demonstrativos de fis. 26/27. De acordo com o autor do procedimento, o arbitramento foi realizado a partir dos documentos apreendidos no estabelecimento, mais especificamente das leituras de rodadas de bingo constantes do arquivo magnético intitulado "faturamento imperial xls". Na verdade, o Fisco obteve:o valor das receitas desse período a partir de uma presunção, ou seja, com base nos valores reais das receitas incorridas pela autuada durante o período de 27/04/2002 a 12/07/2002, melhor descrito no "terceiro item da autuação", logo mais abaixo, a fiscalização estimou que o comportamento daquelas receitas se repetiria para o período restando do ano de 2002 para os quais não foi apreendida a documentação correspondente. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 437 7 Assim, a partir da soma da arrecadação diária bruta efetiva auferida durante os 71 dias existentes no período de 27 de abril . a 12 de julho de 2002, da ordem de R$ 955.491,00, e que foi colhida da planilha intitulada "faturamento imperial.xls", obtevese um valor médio de arrecadação diária, da ordem de R$ 13.457,62, o qual foi multiplicado pelo número de dias dos meses de janeiro (31), fevereiro (28); março (31), agosto (31), setembro (30), outubro (31), novembro (30) e dezembro (31) de 2002, alcançandose, desta forma, o montante da receita arbitrada para cada um desses meses. Neste ponto, registro a informação fornecida pela própria empresa de que exerceu suas atividades durante todos os dias do ano, exceção aos feriados santificados. Não obstante a fragilidade ou a falta de objetividade da argumentação trazida pela Recorrente quanto a esse item, entendo que o Fisco foi além do que a legislação lhe permite. Nada mais correto do que considerar como incorridas as receitas constantes das planilhas apreendidas e isto vale para os períodos de apuração de 27/04/2002 a 12/07/2002, visto que sua autenticidade não foi devidamente posta em dúvida, conforme mais bem detalhado no item seguinte, mas, daí a inferir que tal comportamento se repetiu para os demais períodos do ano não me parece ter sido o procedimento mais adequado. Não basta ao Fisco mencionar que existe movimentação financeira à margem da contabilidade, ou que existe saldo devedor em conta de passivo, conforme afirma à fl. 33, se não consegue criar um liame entre tais anomalias e as receitas estimadas, de maneira que não está correto o arbitramento ou o cálculo estimado efetuado das receitas dos períodos de 01/01/2002 a 26/0412002 e de 13/07/2002a 31/12/2002, devendo ser excluída da autuação. (...) (grifos e destaques nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, caso fique vencido no que tange à admissibilidade, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir no tocante ao conhecimento do recurso, pelas razões seguintes: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 438 8 O recurso é tempestivo e, a meu sentir, preenche os demais critérios de admissibilidade. Senão vejamos: Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos hipóteses que se afiguram ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautouse dentro dos ditames legais. Esclareçase, por oportuno, que o requisito de admissibilidade pertinente à contrariedade do acórdão recorrido à lei é, meramente, formal, pois, no julgamento do recurso pelo Colegiado é que se caracterizará ou não essa contrariedade. A Fazenda Nacional apontou os dispositivos legais que teriam sido, em seu entender, violado pelo acórdão vergastado, mais precisamente, artigos 6º e 8º da Lei nº 8.846/94 e ao artigo 47, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 8.981/95. No decorrer da argumentação, a Douta Procuradora da Fazenda Nacional detalha onde, no seu entender, teria ocorrido a violação aos mencionados dispositivos legais. De outro lado, para que se reste configurada a contrariedade à lei não é necessário que o aresto vergastado a mencione expressamente, basta que o decisum viole seus 8 preceitos. Assim, por exemplo, se a lei X elege determinada pessoa como sujeito passivo da obrigação tributária, e a decisão do Colegiado, sem mencionar qualquer dispositivo legal, afasta essa sujeição passiva, não resta qualquer dúvida que, ao afastar do pólo passivo a pessoa elencada na lei, a decisão estaria violando a determinação legal. Observese que não há necessidade de o representante da Fazenda Nacional detalhar, minudentemente, à contrariedade à lei, basta que seja alegada e corroborada nas razões apresentada no Especial. O que é o caso em questão. No tocante ao requisito de admissibilidade referente à contrariedade à prova dos autos, mutatis mutantis aplicase a mesma regra da admissibilidade baseada na alegação de contrariedade à lei, basta que a recorrente aponte quais provas teriam sido contrariadas pelo acórdão recorrido. A demonstração inequívoca dessa contrariedade é a matéria do mérito recursal, que só poderá ser examinada pelo Colegiado após o conhecimento do recurso. No caso sob exame, como consta do relatório e, também, do voto vencido, a recorrente apontou em seu recurso qual prova teria sido contrariada pelo acórdão recorrido. Assim, a meu sentir, dúvida não há que o apelo Fazendário atendeu a todos os requisitos de admissibilidade, devendo, por isso ser conhecido. Por derradeiro, deve ser esclarecido que não há qualquer vedação a que a Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrente a análise de provas dos autos, sobretudo, no julgamento de recursos cujo fundamento para sua admissibilidade era a alegação de ter o acórdão recorrido contrariado prova dos autos. Ora, não faz qualquer sentido a legislação processual prever a admissibilidade de um recurso por contrariedade à prova dos autos e o órgão responsável pelo julgamento desse recurso não poder analisar a alegada contrariedade. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11020.001242/200511 Acórdão n.º 9303001.976 CSRFT3 Fl. 439 9 De que adiantaria tal recurso se as provas alegadamente contrariadas não forem examinadas pelo Colegiado ad quem? A prevalecer esse entendimento de que a instância especial, em casos como o dos autos, não pode examinar provas, chegarseia à conclusão de que a previsão regimental para esse tipo de recurso seria totalmente inócua ou, pior ainda, de que o Colegiado deveria decidir a questão sem conhecimento do que estava decidindo, o que, em qualquer dos casos, seria conclusão, totalmente, desarrazoada. Com essas considerações, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10280.722106/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 10 6/ 20 12 -6 4 Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório SANTA ISABEL ALIMENTOS LTDA, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 03.779.994/000184, com domicílio fiscal na cidade de Santa Isabel do Pará, Estado de Pará, na Rodovia Pará, nº 140 – KM 05, Bairro Santa Lúcia, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 2165/2176 prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 2191. Contra a contribuinte, acima identificada, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, em 23/05/2012, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de (fls. 1600/1634), com ciência por AR, em 23/05/2012 (fl. 1637), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 64.232.127,91, a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa lançamento de ofício normal de 75 % e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições, referente ao exercício de 2009, correspondente ao anocalendário de 2008. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de receita apurada através dos créditos mensais movimentados pela empresa e registrados nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeira (Banco do Brasil S/A e Banco Daycoval S/A), com as quais a pessoa jurídica mantém contas correntes e que foram encaminhadas à fiscalização em atendimento a RMF Requisição de Movimentação Financeira, datada de 01/11/2011. Os valores dos créditos informados pelo Banco do Brasil (agências 0001 c/c n° 000744102), em atendimento a RMF supra referenciada, foram discriminados em Planilhas e, em meio magnético (“CD”), encaminhadas à empresa, por AR – Aviso de Recebimento, anexo, conforme Termo de Intimação recebido em 19/04/2012, para que a mesma se manifestasse sobre a origem dos créditos apurados. Entretanto, até a presente data, além de não apresentar sua escrita contábil/fiscal e os documentos pertinentes, nenhum esclarecimento foi apresentado à fiscalização quanto à origem dos créditos supra referidos. A irregularidade deu causa ao Arbitramento do Lucro da Pessoa Jurídica conforme Auto de Infração de IRPJ, Autos reflexo de CSLL, PIS e Cofins. Infração capitulada arts. 532 e 537, do RIR/99. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1640/1643), entre outros, os seguintes aspectos: que, em 25/07/2011, iniciou a ação fiscal do contribuinte supra discriminado, conforme Termo lavrado junto ao mesmo, instandoo a apresentar os elementos (inclusive extratos bancários) necessários a realização da auditoria fiscal determinada pelo MPF. Através dos Termos lavrados em 14/09/2011, 22/09/2011, 04/11/2011 e 19/04/2012, corroboramos nossa intimação inicial quanto à apresentação dos elementos pertinentes as suas operações mercantis do ano calendário 2008, visto serem tais elementos (livros e documentos Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 4 3 contábeis/fiscais), nenhum elemento contábeis/fiscais foi disponibilizado pelo mesmo, o qual limitouse a encaminhar à fiscalização o expediente recebido em 22/09/2011, alegando que o ano calendário de 2008 foi objeto do procedimento fiscal n° 02.1.01.002010004345; que pelos motivos referidos, só restou a lavratura do Auto de Infração / IRPJ e dos Autos reflexos (CSLL, PIS e COFINS), cujos valores encontramse discriminados no item 08 (oito) do presente Relatório de Ação Fiscal. Tais valores foram apurados com base nos créditos (receitas) da contas correntes da empresa mantidas junto as entidades financeira (Banco do Brasil e Banco Daycoval), os quais se encontram discriminados nas planilhas de folhas 001 a 392 e planilha de “Apuração Total dos Créditos”, todas encaminhadas ao contribuinte juntamente com os Autos de Infração Lavrados (Aviso e Recebimento – AR, DE 23/05/2012. Em sua peça impugnatória de fls. 1645/1686, apresentada, tempestivamente, em 21/06/2012, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência dos Autos de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a Auditora Fiscal presumiu renda e lucro exclusivamente com base em depósitos bancários, o que não poderá prosperar tendo em vista a flagrante falta de liquidez e certeza do crédito tributário; que a fiscalização ignorou todos os documentos apresentados e arbitrou valores que não condizem com a realidade empresarial; que nos princípios constitucionais da estrita legalidade, da segurança jurídica e da verdade material, não se pode admitir a tributação com base em presunções, ainda que elas sejam precisas, graves e concordantes, sendo que o tributo deve ajustarse à hipótese de incidência tributária; que o CARF já se manifestou por diversas vezes deixando claro que o ônus de provar em sede de processo administrativo é sempre do fisco; que verificase que partes dos lançamentos tributários em questão não respeitaram o instituto da decadência tributária, preconizado no artigo 150 § 4º, do CTN, o que acarreta a necessidade de cancelamento de parte dos créditos tributários, existindo decisões judiciais sobre o prazo decadencial das contribuições sociais e/ou previdenciárias; que o arbitramento do lucro é modalidade de apuração do lucro tributável, que só deve ser utilizada em casos excepcionais, sempre que impossível a determinação do lucro real do contribuinte; que o contribuinte recusase a apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, não há, então, como dizer que o contribuinte não possui escrituração e se o contribuinte não possui escrituração, não há como o Fisco pretender arbitrar seu lucro sob o fundamento de que ele se negou a apresentála; que o mero depósito bancário não constitui fato gerador do IRPJ e da CSLL, pois a existência de depósito bancário não significa, necessariamente, que a sociedade tenha auferido lucro/renda, ou seja, que a mesma tenha tido acréscimo patrimonial; Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 5 4 que a Taxa SELIC, na forma como calculada, jamais poderia ser utilizada como “juros moratórios”, uma vez que possui natureza jurídica totalmente diferente da “mora” por parte do devedor, qual seja a remuneratória; que o Fisco Federal pretende tributar o patrimônio da Impugnante com a aplicação de multa em patamares incompatíveis com o princípio da capacidade contributiva, afrontando diametralmente seu patrimônio; que protesta pela juntada de documentos, perícia e/ou quaisquer elementos e/ou providências que se fizerem necessárias ao deslinde da questão. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que para apreciarmos a decadência, temos de fazer uma análise da opção da contribuinte pela forma de tributação, dos pagamentos efetuados e da aplicação da legislação, em especial os artigos 150, §4º e 173 do Código Tributário Nacional; que a decadência constitui uma das hipóteses de extinção do crédito tributário a que se refere o art. 156 do CTN, cuja regra geral foi definida no art. 173 do CTN. Já nos casos em que o sujeito passivo tem o dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o recolhimento do tributo ou contribuição devidos, o prazo decadencial foi definido em cinco anos a contar da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; que, assim, tendo em vista que, na forma dos art. 103A da Constituição Federal e art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, as Súmulas emitidas pelo STF têm efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deixo de aplicar o prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91 com relação a CIDE, para entender que a referida contribuição também se submete ao mesmo prazo decadencial aplicável aos demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, que é de 5 anos contados da ocorrência dos respectivos fatos geradores; que o pagamento e forma de tributação, neste sentido, a interessada teve seu lucro arbitrado, cujos fatos geradores são trimestrais para o IRPJ e CSLL, não tendo efetuado pagamentos. Decorre desta situação, que ocorre homologação no prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte daquele em que poderia ter sido lançado; que como se depreende dos autos, a fiscalização considerou, conforme legislação, o período de apuração do PIS e da Cofins como mensal, portanto, mesmo o contribuinte tendo efetuado recolhimentos de PIS referente ao PA 07/2008, 08/2008 e 09/2008 e Cofins referente aos PAs 07/2008, 08/2008 e 09/2008, não se encontram decaídos os fatos geradores lançados; que o contribuinte em sua defesa alega que se o contribuinte recusase a apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, não há, então, como dizer que o contribuinte não possui escrituração e se o contribuinte não possui escrituração, não Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 6 5 há como o Fisco pretender arbitrar seu lucro sob o fundamento de que ele se negou a apresentá la e que a fiscalização ignorou todos os documentos apresentados e arbitrou valores que não condizem com a realidade empresarial; que registrese que arbitramento não é penalidade, já que o teor do disposto no art. 3º do CTN, tributo não decorre de sanção de ato ilícito, constitui, tão somente, uma forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das pessoas jurídicas; que o depósito bancário, neste sentido, alega a defendente que o mero depósito bancário não constitui fato gerador do IRPJ e da CSLL, pois a existência de depósito bancário não significa, necessariamente, que a sociedade tenha auferido lucro/renda, ou seja, que a mesma tenha tido acréscimo patrimonial. Acontece que no caso de omissão de receitas detectada por intermédio da movimentação bancária, caberia à contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, o que não foi feito. A presunção legal é de que estes depósitos são omissão de receitas, ou seja, estão à margem do faturamento da empresa; que perfeitamente comprovadas as origens das receitas utilizadas pela fiscalização como base para o arbitramento do lucro e para a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins; que a ofensa a princípios constitucionais, portanto, conforme se verifica da análise dos autos, a impugnante não trouxe aos autos comprovantes que demonstrasse conduta ou procedimento da Administração ou de seus agentes que impediu ou dificultou que acompanhasse o desenvolvimento do procedimento fiscal, que tivesse pleno conhecimento do processo correlato, que apresentasse sua impugnação e carreasse aos autos provas de suas alegações, não restando violado, pois, qualquer direito fundamental; que os lançamentos estão respaldados em normas integrantes do ordenamento jurídico, não há espaço para maiores reflexões sobre eventuais infrações a princípios constitucionais, como os citados pela impugnante; que ausentes os vícios suscitados, descabe acolher a tese de anulabilidade do ato administrativo atacado, como requerido pela contribuinte; que decisões administrativas judiciais, neste sentido, são improfícuos os julgados e argumentações administrativas e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios; que, logo, não se conhece das decisões administrativas/judiciais aduzidas pelo contribuinte; que os encargos legais multa de ofício 75%%, ou seja, sobre a cobrança da multa de ofício de 75%, digase que esta decorre de estrita previsão legal, emanada pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 7 6 que, assim, é bastante para manutenção da multa de ofício de 75% e dos juros que tenha havido previsão legal através do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e do art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996; que incabível também o protesto do impugnante contra a ilegalidade na aplicação dos juros de mora, exigido no presente auto de infração com amparo legal no art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis; que, assim, é bastante para manutenção dos juros com base na taxa SELIC que o art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996 tenha estabelecido a legalidade da cobrança. Não se trata, pois, de aumento de tributo. A cobrança de juros referese apenas a frutos civis calculados sobre o tributo não pago, ou em outras palavras, cuida de simples remuneração do capital; que o pedido de diligência e de perícia, a recorrente protesta pela juntada de documentos, perícia e/ou quaisquer elementos e/ou providências que se fizerem necessárias ao deslinde da questão; que, no presente caso, tais motivos são inexistentes e o impugnante sequer formulou os requisitos formais para o pedido (art. 16, inciso IV). Desta forma, e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência/perícia, por considerálas prescindíveis para o julgamento da presente lide; que quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele, no que couber, é aproveitado nos lançamentos destas. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte e não tendo havido a antecipação do pagamento, o termo inicial para contagem da decadência será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 8 7 Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO 75%. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, estando a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo já contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 09/10/2012, conforme Termo constante às fls. 2186/2190. Não se encontra no processo a interposição do recurso voluntário, conforme noticiado no Despacho de Encaminhamento de fls. 2202. É o relatório. Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a apresentação do recurso voluntário. Da análise dos autos, constatase que o presente processo que tem como objeto a exigência fiscal que teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de receita apurada através dos créditos mensais movimentados pela empresa e registrados nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeira (Banco do Brasil S/A e Banco Daycoval S/A), com as quais a pessoa jurídica mantém contas correntes. Em razão da não apresentação da sua escrita contábil/fiscal e dos documentos pertinentes, bem como nenhum esclarecimento foi apresentado à fiscalização quanto à origem dos créditos supra referidos a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica constituindo o Auto de Infração de IRPJ, Autos reflexos de CSLL, PIS e Cofins. Compartilho com o entendimento de que a não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o principio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o principio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento”. Ora, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, às autoridades tributárias administrativas, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerente ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.º 5.172, de 1966. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.º 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima mencionados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10280.722106/201264 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.285 S1C4T2 Fl. 10 9 A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. O fato gerador do Imposto de Renda é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos, em princípio, por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Da análise das peças processuais constantes no E Processo relativo ao presente processo (10280.722106/201264) não localizei o recurso voluntário interposto pela recorrente. Entretanto, consta à fl. 2202 o despacho de encaminhamento a seguinte indicação: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO O interessado tomou ciência da Intimação 580/2012 em 09/10/2012. Em 18/10/2012 protocolou Recurso Voluntário. Diante dos fatos proponho o envio deste PAF ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, para realização dos procedimentos cabíveis. DATA DE EMISSÃO: 23/10/2012 Neste contexto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido do julgamento ser convertido em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 – Informar se houve ou não interposição de recurso voluntário por parte da contribuinte autuada; 2 – Em caso positivo, indicar as folhas do processo onde se encontra o referido recurso voluntário. Se não constar no E Processo e de fato existir tal recurso voluntário, proceder à anexação ao processo; 3 Que a autoridade se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre o ocorrido, dandose vista a recorrente, com prazo de 5(cinco) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma de Julgamento para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10865.001731/2007-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.303
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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CELULOSE E PAPEL Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 73 1/ 20 07 -3 1 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 504 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 1422.409 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, que julgou procedente em parte o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.014.9122, no montante inicial de R$ 11.478.900,91 retificado para R$ 5.841.910,07. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parcela da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT; e as destinadas ao SENAR, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições decorre de dois aspectos, quais sejam: (a) a comercialização, pela agroindústria, da produção própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não; (b) operações de vendas para o mercado interno e não para o exterior. Observase que os dois fatos geradores foram aglutinados no código de levantamento: RBC RECEITA BRUTA COMERCIALIZAÇÃO, conforme o Relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito às fls. 04 a 10, e Relatório e Lançamentos RL, às fls. 17 a 20. O fato gerador em relação à comercialização pela agroindústria da produção própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não, conforme o Relatório Fiscal: 3 Constitui fato gerador das contribuições objeto desta NFLD, a comercialização, pela agroindústria, da produção própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não, no período de 11/01 a 02/02. 3.1 A empresa em questão foi uma agroindústria até 28/02/02, quando transferiu seus parques florestais para outra empresa do grupo. Até essa data, possuía os setores rural e industrial e sua atividade econômica era a fabricação de celulose e papel e papelão, que eram obtidos através da industrialização de produção própria de madeira e da adquirida de terceiros. 3.2 Conforme disposto no art. 22A da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 10.256/01, a partir de novembro de 2001, a contribuição devida pela agroindústria passou a incidir sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 505 3 3.3 Entretanto, em desacordo com a referida lei, a empresa continuou efetuando somente os recolhimentos sobre a folha de pagamento, na forma da legislação anterior. O fato gerador em relação às operações de vendas para o mercado interno e não para o exterior, conforme o Relatório Fiscal: 4.1 Por força do disposto no inciso I, § 2º, do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional 33, de 11 de dezembro de 2001, a partir de 12 de dezembro de 2001, não incidem contribuições sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos. 4.2 No entanto, conforme disciplinado nos §§ 1º e 2º do art. 245 da IN SRP nº 3, de 14/07/05, essa imunidade na exportação é exclusiva para a comercialização da produção feita diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A receita decorrente dessa comercialização com empresa constituída e em funcionamento no pais é considerada proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que será dada ao produto. 4.3 Por esse motivo, a partir de 12/12/01, como na conta 3.02.01.01.003 Vendas ao Mercado Externo, os lançamentos foram identificados como operações de exportação efetuadas através de empresas sediadas no Brasil, conforme discriminado nas notas fiscais (cópias em anexo, por amostragem), apenas o valor correspondente as demais contas envolvidas com exportação foram excluídas do total da receita bruta de vendas , na apuração da base de cálculo. 4.4 Tais valores encontramse discriminados nos anexos abaixo relacionados e que fazem parte deste relatório fiscal, nos quais está demonstrada a apuração da receita bruta proveniente da comercialização da produção, que se constitui na base de cálculo da Anexo I Demonstrativo Analítico da Base de Cálculo da Comercialização da Produção Agroindústria: com os lançamentos contábeis por competência e por estabelecimento; Anexo II Demonstrativo Sintético da Base de Cálculo da Comercialização da Produção Agroindústria: consolidado da empresa, com totalização das contas por competência; 4.4.1 A base de cálculo mensal, lançada no levantamento "RBC — RECEITA BRUTA COMERCIALIZAÇÃO" encontrase discriminada no "Relatório de Lançamentos" e no "Discriminativo Analítico do Débito DAD", integrantes desta NFLD. O período do débito, conforme o Anexo do Relatório Fiscal é de 11/2001 a 02/2002. A Recorrente teve ciência da NFLD em 11.10.2006, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 697DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 506 4 A empresa interessada apresentou impugnação tempestiva alegando, em síntese e preliminarmente, que: i) a autuação é nula pela inclusão sem embasamento legal dos componentes da diretoria como coresponsáveis pelo débito, o que redunda em cerceamento de defesa da Impugnante; tal inclusão também fere o disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional — CTN, posto que não existe menção sobre a origem da responsabilidade atribuída aos diretores (cita jurisprudências), e postula pela exclusão deles do pólo passivo; ii) a Impugnante não se enquadra no conceito de agroindústria, portanto não pode figurar como sujeito passivo da contribuição disposta no art. 22A da Lei n° 8.212/91; sustenta que a atividade rural de florestamento e reflorestamento é acessória à atividade principal de industrialização da celulose, o que a poria à margem do conceito de produtor rural; iii) o lançamento é nulo por não considerar na apuração da eventual contribuição devida os valores efetivamente recolhidos pela Impugnante à Seguridade Social, relativos à parte da empresa nos termos do artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91 (anexa Guias de recolhimento GPS e GFIPs atinentes a estes recolhimentos). No mérito argumenta que: iv) erroneamente o lançamento faz incluir na base de cálculo da contribuição os valores relativos às vendas efetuadas pela Impugnante com destino especifico à exportação, ainda que efetuadas a empresas estabelecidas no território nacional (exportação indireta); faz menção ao DecretoLei n° 1.248/72, para concluir que há tratamento desigual Ls receitas de vendas equiparadas por lei à exportação; v) o lançamento fiscal afronta o art. 195, I da Constituição Federal, na medida em que a letra `1,' deste inciso estabelece a hipótese da contribuição incidir sobre a receita ou o faturamento da empresa, não podendo subsistir a contribuição da COFINS, incidente sobre o faturamento, e a pretendida contribuição sobre a receita da comercialização da produção; vi) o artigo 22A da Lei n° 8.212/91 viola o principio da isonomia, pois tributa de forma mais onerosa a empresa que industrializa produtos rurais próprios e/ou adquiridos de terceiros, em relação àquelas que apenas adquirem produtos rurais de terceiros; da mesma forma o indigitado artigo fere o principio da equidade, que veda tratamento desigual a contribuintes em situação equânime; ainda, vislumbra afronta ao principio da capacidade contributiva, pelo excessivo ônus tributário sem causa para este agravamento; vii) a contribuição para o SENAR afronta o artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e o art. 240 da CF, posto que esta somente pode ter por base de cálculo a folha de salários dos empregados da atividade rural. Ao final, requer que todos os recolhimentos efetuados no período objeto da autuação, efetuados sob a égide do artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91 sejam considerados e Fl. 698DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 507 5 abatidos das contribuições lançadas e o acolhimento de suas alegações para julgar improcedente a Notificação Fiscal em debate. Ademais, o sujeito passivo no Anexo à Impugnação colacionou cópias de GFIP e GPS, às fls. 168 a 255, e cópias de Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação referentes ao SESI, SENAI e FNDE, às fls. 256 a 286. Após, na primeira instância de julgamento, houve solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 302 a 303 e 309 a 310, para que a AuditoriaFiscal se pronunciasse acerca dos elementos acostados aos autos: Tratase o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD n° 37.014.9122, lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada e suas filiais, referentes As contribuições devidas A Seguridade Social, parte da empresa, inclusive contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, e aquelas destinadas As outras entidades e fundos, ditas 'terceiros' (SENAR). Em análise preliminar do processo e da defesa, observase que a empresa, dentre outros elementos, propugna pelo aproveitamento dos recolhimentos efetuados por ela no período do débito, a titulo de contribuição a seu cargo, parte patronal, conforme disposto no art. 22, I e II da Lei n° 8.212/91, anexando, para tanto, GFIP's e GPS's do período (documentos de fls. 168/286) Com efeito, tratase o lançamento do reenquadramento da empresa, pela fiscalização, como agroindústria, o que a sujeitaria A contribuição substitutiva prevista no art. 22 A, I e II, da citada Lei n° 8.212/91, artigo este incluído pela Lei n° 10.256 de 09/07/2001, com a incidência da contribuição sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, e não sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestaram serviços, durante o mês. Ocorre que, ao teor do relato fiscal, a empresa continuou a proceder aos recolhimentos da parte patronal com base nas remunerações contidas em folha de pagamento, na forma da legislação anterior (item 3.3 do Relatório Fiscal). Tais créditos da empresa, A primeira vista, não foram considerados pela fiscalização na constituição da NFLD, uma vez que não se vislumbra no anexo de DAD — Discriminativo Analítico do Débito a consignação de quaisquer deles. Por outro lado, há que se considerar que os recolhimentos em GPS englobam não somente as contribuições da empresa, como também aquelas devidas pelos empregados, contribuintes individuais e aquelas destinadas aos 'terceiros', contribuições estas não sujeitas A substituição prevista no art. 22 A da Lei n° 8.212/91. Assim, é o presente despacho para propor a remessa do processo às autoridades fiscais notificantes para que procedam A análise dos documentos juntados aos autos, e outros elementos que se fizerem necessários, no intuito de apurar os créditos da empresa a serem considerados na presente NFLD, discriminandoos por competência e estabelecimento, os valores originários lançados, os valores dos Fl. 699DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 508 6 créditos (parte da empresa e RAT) e os valores a serem mantidos, após a retificação. Lembramos que, em obediência aos inescapáveis princípios do contraditório e da ampla defesa, devese dar ciência à empresa notificada de toda informação que modifique o entendimento ou acrescente esclarecimentos ao processo administrativofiscal, inclusive reabrindolhe prazo de 10 (dez) dias para manifestação, se assim o desejar. Ressaltamos, ainda, tratarse esta da mesma diligência anteriormente solicitada as fls. 302/303, e ainda não cumprida. Na Resposta da Diligência Fiscal, às fls. 314 a 319, a AuditoriaFiscal informa que apurou o saldo remanescente das contribuições devidas: Em atendimento ao despacho de fls. no 309/310 e 312 e com base em elementos exibidos a esta fiscalização, considerando os valores recolhidos 'pelo contribuinte no período, apurei o saldo remanescente, conforme Anexo III. Devidamente intimada, a Recorrente atravessou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 327 a 357, na qual reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação além de requerer a nulidade da autuação por não ter considerado anteriormente os recolhimentos feitos nos períodos de apuração. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1422.409 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGROINDÚSTRIA. SUBSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. Para a empresa agroindustrial, com o advento da Lei n° 10.256/01, a contribuição da empresa prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212/91 e a destinada ao SENAR foi substituída pelas incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Ê obrigação da agroindústria recolher as contribuições previstas no art. 22A da Lei n° 8.212/91 nas operações efetuadas no mercado interno, independente do destino final do produto comercializado. Aplicase o disposto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal somente quando a produção é comercializada diretamente pelo produtor com adquirente no exterior. SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 509 7 Ê devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias econômicas CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da Constitucionalidade das Leis. Lançamento Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os presente autos, acordam os membros da 6' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientifiquese o Contribuinte do teor do presente Acórdão e do anexo Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR, fornecendolhe cópias, nos termos da legislação vigente. Recorrese de Oficio desta Decisão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, nos termos do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na redação outorgada pelo Decreto n° 6.224/07, haja vista que o valor exonerado é superior ao limite de alçada fixado na Portaria MF n.° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). Sala de Sessões, em 04 de março de 2009. A decisão de primeira instância retificou o crédito tributário, conforme fls. 377: VII — Da retificação do crédito tributário Conforme disposto em tópico próprio, procedo à retificação do débito tributário constituído, pelo acolhimento do pleito da Impugnante de abater os recolhimentos efetuados tendo por basedecálculo a folha de salários dos empregados, ficando o lançamento assim retificado nos termos do anexo DADR — Discriminativo Analítico do Débito Retificado que passa a integrar o presente julgado, e quadro demonstrativo (...) Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. Em sede Preliminar. i) Nulidade da autuação ausência de embasamento legal para inclusão dos coresponsáveis. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 510 8 Os componentes da Diretoria elencados na Ata da Reunião do Conselho de Administração realizada em 30.06.06, quais sejam: Romeu Alberti Sobrinho, Mauro Neto, Osmar Elias Zogbi, Silvio Rachid, Aurelian° Ieno Costa, Nelson Antonio Zogbi Junior, Dalila Terezinha Vendrame e Paulo Celso Bassetti. ii) Da não incidência da contribuição por não enquadramento da Recorrente como sujeito passivo. A Impugnante não se enquadra no conceito de agroindústria, portanto não pode figurar como sujeito passivo da contribuição disposta no art. 22A da Lei n° 8.212/91; sustenta que a atividade rural de florestamento e reflorestamento é acessória à atividade principal de industrialização da celulose, o que a poria à margem do conceito de produtor rural; Conforme se depreende da narrativa fática retro, a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado e tem por objeto a industrialização e a comercialização de celulose, papel e papelão, em conformidade com seu estatuto social, estando classificada sob o CNAE 2121.0 (fabricação de papel), conforme é reconhecido pela própria autoridade fiscal (folha 1/7 do relatório). Desta forma, equivocase o acórdão recorrido, bem como a d. fiscalização previdenciária que constituiu o crédito tributário ora atacado, ao considerar a Recorrida como agroindústria e, por conseguinte, enquadrála como sujeito passivo da contribuição da prevista no art. 22A da Lei 8.212/91. Diante de todos os conceitos presentes na legislação de regência e na doutrina, verificase que a produção da celulose (atividade da Recorrente) não se enquadra dentre as atividades acima descritas, motivo por si s6 suficiente para que a Recorrente não seja considerada sujeito passivo da contribuição exigida no lançamento ora combatido. Ressaltese que o conceito de agroindústria estabelecido no dispositivo em comento é inaplicável à Recorrente, na medida em que esta não é produtora rural "cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros" (sic Lei n° 10.256/01), mas sim indústria de transformação, código n°21 21000 da "Classificação Nacional de Atividade Econômica" (Resolução CONCLA 07/2002 — doc. 03), no campo destinado a descrição da atividade econômica por ela desempenhada. Ademais, insta salientar que contrariamente ao entendimento adotado pelo acórdão recorrido com base em excerto da impugnação de fls. retro, o fato de a Recorrente desenvolver florestamento e reflorestamento, com vistas à produção de madeira, não a caracteriza como produtor rural. Isto porque, o simples fato de a Recorrente ter desenvolvido atividade subsidiária com o fito de produzir parte da matériaprima (a madeira) empregada na sua atividade principal de industrialização de celulose, papel e papelão, não transmuda a sua natureza de indústria de transformação de celulose para a de produtor rural, como pretende a Fl. 702DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 511 9 fiscalização previdenciária, chancelada pelo i. julgador de l a instancia administrativa. iii) Da desconsideração de todos os valores pagos sobre a Folha de Salários. O lançamento é nulo por não considerar na apuração da eventual contribuição devida os valores efetivamente recolhidos pela Impugnante à Seguridade Social, relativos à parte da empresa nos termos do artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91 (anexa Guias de recolhimento GPS e GFIPs atinentes a estes recolhimentos). Na impugnação apresentada em 16.11.2006, a Recorrente suscitou a nulidade do lançamento, em virtude de a i.fiscalização, ao apurar o montante da contribuição supostamente devida nos termos do artigo 22A da Lei n° 8.212/91 (produtor rural), não ter considerado os valores referentes à contribuição incidente sobre a folha de salários dos empregados (artigos 22, I e II, da Lei n° 8.212/91), regularmente recolhidos pela Recorrente durante o período autuado. Diante disso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto houve por bem determinar que os autos do processo baixassem em diligência "as autoridades fiscais notificantes para que procedam à analise dos documentos juntados aos autos, e outros elementos que se fizerem necessários, no intuito de apurar os créditos da empresa a serem considerados na presente NFLD, discriminandoos por competência e estabelecimento, os valores originários lançados, os valores dos créditos (parte da empresa e RAT) e os valores a serem mantidos, após a retificação" (sic. fls. 309/310). Pela referida diligência realizada, restou cabalmente comprovada a inteira nulidade da notificação ora combatida, já que a autoridade autuante, ao lavrar a exigência, desconsiderou os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente à Seguridade Social nos períodos de apuração autuados, relativos à contribuição da empresa, nos termos do artigo 22, I e II, da Lei 8.212/91. iii.1) Não foram considerados pela Diligência Fiscal e pela decisão de primeira instância diversos pagamentos efetuados por meio de guias de recolhimento acostadas aos presentes autos em sede de Impugnação, CONFORME TABELA às fls. 404 a 406: CNPJ/MF COMPETÊNCIA ESPÉCIE/ CÓD. GPS VALOR 51468791000110 11/2001 2100 222.933,23 51468791000209 11/2001 2100 5.398,20 51468791000543 11/2001 2100 3.125,49 51468791000896 11/2001 2100 1.456,34 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 512 10 51468791005189 11/2001 2100 2.063,95 51468791008366 11/2001 2100 5.970,49 51468791000110 12/2001 2100 279.459,73 51468791000110 13/2001 2100 176.479,27 51468791000209 12/2001 2100 5.316,37 51468791000209 13/2001 2100 4.639,80 51468791000462 13/2001 2100 5.283,11 51468791000543 12/2001 2100 2.844,80 51468791000543 13/2001 2100 1.795,65 51468791000705 12/2001 2100 3.543,40 51468791000705 13/2001 2100 3.068,96 51468791000896 12/2001 2100 1.323,08 51468791000896 13/2001 2100 1.104,89 51468791000353 13/2001 2100 2.678,13 51468791000787 13/2001 2100 4.219,08 51468791002244 13/2001 2100 83.142,70 51468791002325 13/2001 2100 692.169,25 51468791005189 12/2001 2100 1.959,34 51468791005189 13/2001 2100 1.977,86 51468791008366 12/2001 2100 5.556,03 51468791008366 13/2001 2100 4.628,63 51468791000110 01/2002 2100 222.621,71 51468791000209 01/2002 2100 5.371,35 51468791000543 01/2002 2100 2.820,09 51468791000896 01/2002 2100 1.285,34 51468791005189 01/2002 2100 2.084,87 51468791008366 01/2002 2100 5.211,07 Fl. 704DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 513 11 51468791000110 02/2002 2100 212.447,37 51468791000209 02/2002 2100 5.569,34 51468791000543 02/2002 2100 2.735,88 51468791000705 02/2002 2100 3.258,30 51468791000896 02/2002 2100 1.371,60 51468791005189 02/2002 2100 1.959,34 51468791008366 02/2002 2100 5.758,10 51468791002325 11/2001 SENAI 25.562,54 51468791002244 11/2001 SENAI 2.887,10 51468791002244 11/2001 SENAI 607,81 51468791008366 11/2001 SENAI 169,77 51468791008366 11/2001 SENAI 35,74 51468791002325 12/2001 SENAI 23.485,13 51468791000110 12/2001 SENAI 6.445,46 51468791002244 12/2001 SENAI 2.915,56 51468791002244 12/2001 SENAI 613,80 51468791008366 12/2001 SENAI 155,86 51468791008366 12/2001 SENAI 32,81 51468791002325 13/2001 SENAI 21.232,20 51468791000110 13/2001 SENAI 6.062,33 51468791002244 13/2001 SENAI 2.483,99 51468791002244 13/2001 SENAI 522,95 51468791008366 13/2001 SENAI 129,94 51468791008366 13/2001 SENAI 27,36 51468791002325 01/2002 SENAI 24.891,11 51468791000110 01/2002 SENAI 6.272,93 51468791002244 01/2002 SENAI 2.602,44 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 514 12 51468791002244 01/2002 SENAI 547,88 51468791008366 01/2002 SENAI 146,01 51468791008366 01/2002 SENAI 30,74 51468791002325 02/2002 SENAI 24.295,53 51468791000110 02/2002 SENAI 6.495,45 51468791002244 02/2002 SENAI 2.608,28 51468791008366 12/2002 SENAI 162,54 51468791002325 11/2001 SESI 38.848,34 51468791000110 11/2001 SESI 10.385,71 51468791002244 11/2001 SESI 4.387,62 51468791008366 11/2001 SESI 258,02 51468791002325 12/2001 SESI 35.691,21 51468791000110 12/2001 SESI 9.795,40 51468791002244 12/2001 SESI 4.430,89 51468791008366 12/2001 SESI 236,86 51468791002325 13/2001 SESI 32.267,35 51468791000110 13/2001 SESI 9.212,69 51468791002244 13/2001 SESI 3.775,02 51468791008366 13/2001 SESI 197,47 51468791002325 01/2002 SESI 37.827,94 51468791000110 01/2002 SESI 9.533,20 51468791002325 02/2002 SESI 36.922,82 51468791000110 02/2002 SESI 9.871,38 51468791002244 02/2002 SESI 3.963,91 51468791008366 02/2002 SESI 247,02 51468791000110 11/2001 FNDE 93.494,95 51468791000110 12/2001 FNDE 85.028,17 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 515 13 51468791000110 12/2001 FNDE 78.705,67 51468791000110 02/2002 FNDE 88.320,54 Ora, da análise perfunctória dos valores apurados pelas autoridades fiscais na planilha "Demonstrativo de Valores Recolhidos em GPS" (fl. 317), relativos aos valores recolhidos pela Recorrente, verificase que não constam os pagamentos elencados no quadro acima e, portanto, não foram utilizados no abatimento do suposto crédito tributários objeto da presente NFLD. Desta forma, merece provimento o presente recurso para que, ao menos, sejam remetidos os presentes autos à D. fiscalização autuante, para que proceda ao abatimento de todos os valores recolhidos pela Recorrente no período de 11/2001 a 02/2002, indicados no quadro supra, sob pena de enriquecimento ilícito da autarquia destinatária das contribuições. Iv) Da imunidade das receitas decorrentes de exportação. Erroneamente o lançamento faz incluir na base de cálculo da contribuição os valores relativos às vendas efetuadas pela Impugnante com destino especifico à exportação, ainda que efetuadas a empresas estabelecidas no território nacional (exportação indireta); faz menção ao DecretoLei n° 1.248/72, para concluir que há tratamento desigual das receitas de vendas equiparadas por lei à exportação; Conforme se verifica nos itens 4.1 e 4.2 do Relatório Fiscal anexo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, o lançamento fez incluir na base de cálculo da contribuição supostamente devida os valores relativos as vendas efetuadas pela Recorrente com destino especifico à exportação, ainda que efetuadas para empresas estabelecidas no território nacional. Segundo o entendimento da fiscalização, chancelado pelo acórdão ora recorrido, baseado em dispositivo da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/05 (art. 245), a "imunidade na exportação é exclusiva para a comercialização da produção feita diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A receita decorrente dessa comercialização com empresa constituída e em funcionamento no pais é considerada proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que será dada ao produto". Ocorre que a mencionada Instrução Normativa não encontra amparo em sua respectiva matriz legal, já que a Lei n° 8.212/91 não faz qualquer distinção entre as exportações diretas e indiretas. Ora, não obstante a norma imunizante prevista no art. 149, I, § 2°, da Constituição Federal faça referencia As receitas decorrentes de exportação, impende ressaltar que, por força do Decretolei n° 1.248/72, as operações de venda de mercadorias no mercado interno, Fl. 707DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 516 14 para o fim especifico de exportação, devem sofrer o mesmo tratamento tributário conferido As exportações diretas. v) Da afronta ao artigo 195,I da Constituição Federal. o lançamento fiscal afronta o art. 195, I da Constituição Federal, na medida em que a letra 'b' deste inciso estabelece a hipótese da contribuição incidir sobre a receita ou o faturamento da empresa, não podendo subsistir a contribuição da COFINS, incidente sobre o faturamento, e a pretendida contribuição sobre a receita da comercialização da produção; vi) Ofensa ao princípio da isonomia o artigo 22A da Lei n° 8.212/91 viola o principio da isonomia, pois tributa de forma mais onerosa a empresa que industrializa produtos rurais próprios e/ou adquiridos de terceiros, em relação àquelas que apenas adquirem produtos rurais de terceiros; da mesma forma o indigitado artigo fere o principio da equidade, que veda tratamento desigual a contribuintes em situação equânime; ainda, vislumbra afronta ao principio da capacidade contributiva, pelo excessivo ônus tributário sem causa para este agravamento; vii) Ofensa ao princípio da equidade 0 regime estabelecido pelo lançamento (artigo 22A da Lei n° 8.212/91) fere o principio da equidade aplicado especificamente as contribuições sociais de que trata o artigo 195 da Carta Magna. De acordo com o disposto no inciso V do parágrafo único do artigo 194 da Carta Magna, ao estabelecer as regras de custeio da seguridade social, o legislador ordinário deverá obedecer ao principio (objetivo) maior "da equidade na forma da participação no custeio". Dentre as formas de participação no custeio da seguridade social, determinadas no artigo 195 da Constituição Federal, está previsto o pagamento de contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, a receita ou o faturamento e o lucro, instituídas mediante legislação ordinária, que deverá necessariamente atender ao principio da "equidade", como, aliás, decidiu o E. Supremo Tribunal Federal. viii) Da ofensa ao princípio da capacidade contributiva De resto, o incremento na carga tributária para as empresas agroindustriais, sem que elas dessem qualquer motivação ou dispêndio adicional em relação aos custos da seguridade social e do SENAR, constitui manifesta afronta a capacidade contributiva em matéria de contribuição social. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 517 15 Desta forma, em matéria de contribuição social, diferentemente dos impostos (artigo 145, § 10 da Constituição Federal), a capacidade contributiva está proporcionalmente jungida aos beneficios ou aos gastos públicos direta ou indiretamente ligados a pessoa do contribuinte. Em outras palavras, a instituição e a gradação do ônus tributário deve ser proporcional a contrapartida propiciada pelo Estado no âmbito da seguridade social, como corolário do § 5° do artigo 195, ix) Do adicional destinado ao SENAR, ofensa ao artigo 62 do ADCT c/c artigo 240 da CF Ademais, o artigo 22A da Lei n° 8.212/91, acrescido pelo artigo 1° da Lei n° 10.256/01, em seu parágrafo 5°, alterou espuriamente a forma como a Recorrente deve contribuir para o SENAR, passando a recolher um adicional de 0,25% A. contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização, ao invés de contribuir com base na folha de salários dos trabalhadores ligados àquela atividade rural subsidiária, nos termos da Lei n°8.315/91. Tal alteração perpetrada na forma de a Recorrente contribuir para o SENAR constitui invalidade do lançamento, por afronta manifesta ao artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e o artigo 240 da Constituição Federal. Com efeito, reza o artigo 62 do ADCT Deflui da conjugação do artigo 62 do ADCT com o artigo 240 da Carta Magna a inexorável conclusão de que a lei, ao instituir o SENAR, somente poderia determinar o seu financiamento por intermédio de uma contribuição compulsória nos mesmos "moldes da legisla çâo relativa ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC)" (sic artigo 62 do ADCT), ou seja, uma contribuição compulsória "dos empregadores sobre a folha de salários" (artigo 240 da Constituição Federal). 0 parágrafo 5° do artigo 22A da Lei n° 8.212/91, ao determinar que a contribuição destinada ao SENAR das empresas classificadas como agroindustriais passasse a incidir sobre a receita da comercialização da produção, violou manifestamente o artigo 62 do ADCT combinado com o artigo 240 da Constituição Federal, pois a contribuição destinada ao SENAR s6 pode ter como base de cálculo a folha de salários dos empregados da atividade rural, como acima demonstrado. Ainda, a Recorrente atravessa petição requerendo o recálculo da multa de mora presente na NFLD com fulcro no art. 35, Lei 8.212/1991 com a redação dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 518 16 Após, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs CONTRARRAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, às fls. 452 a 462, se manifestando pela manutenção da decisão recorrida, em apertada síntese: (i) Ausência de nulidade em função da não comprovação pela Recorrente da ocorrência das hipóteses elencadas no art.. 59 c/c 60 do Decreto n.° 70.235/72; (ii) Da ausência de vício na autuação em função do Relatório CORESP. Frisese, o relatório não tem o condão de modificar a sujeição passiva do lançamento, e os sócios, nesse momento, não sofreram restrições em seus direitos. A questão levantada pela recorrente é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada, se for o caso, na via judicial. (iii) Da ausência de nulidade por não terem sido considerados os recolhimentos efetuados quando da ocasião do lançamento. Ademais, a empresa insiste na nulidade do lançamento, por não terem sido considerados os recolhimentos efetuados, de acordo com o artigo 22, incisos I e II da Lei 8.212/91. Porém, diante do requerimento da contribuinte, o órgão de primeira instância determinou a realização de diligência, na qual foi elaborada planilha com todos os valores recolhidos, abatendoos do lançamento original. Ao final, o crédito tributário que era de R$ 11.478.900,91, foi reduzido substancialmente para R$ 5.841.910,07 (fl. 367). O contraditório e a ampla defesa foram respeitados, posto que a parte foi intimada para manifestar sobre os cálculos realizados. A retificação dos cálculos decorreu de requerimento da interessada e encontra fundamento no artigo 145 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I — impugnação do sujeito passivo; (..) E mais, de acordo com o artigo 18, § 3° do Decreto 70.235, somente será necessária a realização de notificação complementar se, após a diligência, houver agravamento da exigência inicial, o que evidentemente não ocorreu nos autos. (iv) A empresa foi corretamente enquadrada no conceito de produtor rural. No mérito, a empresa tenta desconstituir o lançamento, alegando não se enquadrar no conceito de produtor rural. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 519 17 Os doutrinadores Andrei Pitten Velloso, Daniel Machado da Rocha e José Paulo Baltazar Júnior (in Comentários à Lei do Custeio da Seguridade Social, Livraria do Advogado Editora, Porto Alegre, 2005), ao analisarem o artigo em comento, esclarecem que: "por força dessa definição, apenas a pessoa jurídica produtora rural está sujeita ao regime especial de tributação, uma vez que a produção industrializada deverá ser sua, in que não o seja de forma exclusiva. Destarte, é imprescindível que as agroindústrias desempenhem, como a própria denominação indica, atividades agrícolas e industriais, englobando as atividades das indústrias e das empresas exclusivamente agrícolas" (gn). Pelo exposto, extraise que uma empresa, para ser considerada agroindústria, precisa desenvolver atividades rural e industrial. Necessário, também, industrializar parte de sua produção, ainda que adquira o restante de terceiros. Por fim, deverá comercializar o produto industrializado. No presente feito, é incontroverso que a empresa realiza industrialização, e que, no período do lançamento, desenvolveu florestamento e reflorestamento, produzindo parte da madeira industrializada. A própria recorrente, na peça, menciona "ter desenvolvido atividade subsidiária com o fito de produzir parte da matériaprima (a madeira) empregada na sua atividade principal de industrialização de celulose, papel e papelão (...)" (fl. 400). Também é certo que comercializa sua produção. 0 ponto controvertido, portanto, reside unicamente na qualidade de produtor rural, fato este confirmado pela contribuinte. Isso porque, no recurso, a empresa lista quatro requisitos cumulativos e necessários para caracterizar a agroindústria, quais sejam: a) ser produtor rural, b) ser pessoa jurídica, c) possuir atividade econômica de industrialização da produção própria ou da produção própria e adquirida de terceiros e d) comercializar o produto industrializado, e em seguida, afirma que "em que pese o possível enquadramento da Recorrente nos requisitos b, c e d, esta não se enquadra no primeiro — a — e, por conseqüência, não pode ser sujeito passivo da contribuição prevista no artigo 22A da Lei 8.212/91" (fl. 398) Nesse momento, é importante demonstrar que as atividades de florestamento e reflorestamento podem ser consideradas rurais. A IN SRF n° 971/2009, atualmente em vigor, no artigo 165, inciso I, define produtor rural como "(...) a pessoa fisica ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo:" (gn). Já a IN SRF 257/2002 contém uma lista das atividades consideradas rurais. Frisese que, apesar de tratar de outro tributo (IRPJ), é possível aproveitar o conceito de atividade rural trazido pelo ato normativo. Confirase: Fl. 711DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 520 18 Art. 2 º A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, cm decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: 1 a agricultura; 11 a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização; (gn) VII a venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes; VIII a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como: a) beneficiamento de produtos agrícolas: 1. descasque de arroz e de outros produtos semelhantes; 2. debulha de milho; 3. conserva de frutas; b) transformação de produtos agrícolas: I. moagem de trigo e de milho; 2. moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura; 3. grãos em farinha ou farelo; c) transformação de produtos zootécnicos: 1. produção de mel acondicionado em embalagem de apresentação; 2. laticínio (pasteurização e acondicionamento de leite; transformação de leite em queijo, manteiga e requeijão); 3. produção de sucos de frutas acondicionados em embalagem de apresentação; 4. produção de adubos orgânicos; d) transformação de produtos florestais: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 521 19 I. produção de carvão vegetal; 2. produção de lenha com árvores da propriedade rural; 3. venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas na propriedade rural; e) produção de embriões de rebanho em geral, alevinos e girinos, em propriedade rural, independentemente de sua destinação (reprodução ou comercialização). § 1 2 A atividade de captura de pescado in natura é considerada extração animal, desde que a exploração se faça com apetrechos semelhantes aos da pesca artesanal (arrastões de praia, rede de cerca, etc.), inclusive a exploração em regime de parceria. § 22 Considerase unidade rural, para fins do imposto de renda, a embarcação para captura in natura do pescado, e o imóvel, ou qualquer lugar, utilizado para exploração ininterrupta da atividade rural. (v) Da não exigência legal da atividade principal como produção rural O enquadramento realizado pelo Fisco foi correto A contribuinte defende que o produtor rural é definido na legislação como a pessoa física ou jurídica que tenha como atividade principal a produção rural (fl. 400). Todavia, esta é uma exigência que não consta da lei. Ao contrário, despiciendo que qualquer das atividades seja considerada principal ou que a atividade rural prevaleça sobre as demais. Correto, então, o enquadramento realizado pelo Fisco. (vi) Da imunidade das receitas de exportação Em outro tópico, a recorrente sustenta que a imunidade das receitas decorrentes de exportação não foi respeitada no lançamento. Da leitura do relatório consta, expressamente, que todas as contas envolvidas com exportação foram excluídas. As únicas que foram mantidas tratam, na verdade, de vendas realizadas no mercado interno e, posteriormente, exportadas. Nesse caso, não existe a mencionada imunidade, lembrando que a regra que desonera o tributo deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN. A jurisprudência do CARF ratifica o entendimento: "Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal" (acórdão 20171107). Da leitura do relatório consta, expressamente, que todas as contas envolvidas com exportação foram excluídas. As únicas que foram mantidas tratam, na verdade, de vendas realizadas no mercado interno Fl. 713DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 522 20 e, posteriormente, exportadas. Nesse caso, não existe a mencionada imunidade, lembrando que a regra que desonera o tributo deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN. A jurisprudência do CARF ratifica o entendimento: "Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal" (acórdão 20171107). A IN RFB 971/2009, em consonância com o artigo 149, §2°, inciso I da CF, confirma que a imunidade ocorre exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Caso ocorra a venda no mercado interno para, posteriormente, ser exportada, a primeira operação não será acobertada pela imunidade. Esclarecedora é a leitura do artigo em questão: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capitulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2" do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n°33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no Pais é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta (lard ao produto. § 3º 0 disposto no caput não se aplica a contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (vii) Da não competência do CARF para apreciação de inconstitucionalidades. A partir do item V do recurso, a contribuinte sustenta as seguintes inconstitucionalidades: afronta ao artigo 195, I da Constituição Federal, ofensa aos princípios da isonomia, equidade, capacidade contributiva, e, quanto ao adicional destinado ao SENAR, ofensa ao artigo 62 do ADCT c/c artigo 240 da Constituição Federal. Nunca é demais lembrar que os argumentos sequer podem ser enfrentados pelo CARF, pois o órgão administrativo não tem competência para apreciar a constitucionalidade das leis. Por conseguinte, existindo previsão legal da contribuição substitutiva devida pela agroindústria (artigo 22A da Lei 8.212/91), bem como do adicional destinado ao SENAR (artigo 22A, § 5° da Lei 8.212/91) Fl. 714DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 523 21 deve o agente administrativo aplicálos, por dever de oficio e em respeito ao principio da legalidade. Não cabe ao órgão julgador desconstituir o lançamento, por considerar a legislação que rege a matéria inconstitucional. Posteriormente, esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, pois observou restar fixada nos autos uma controvérsia a respeito da apropriação de recolhimentos efetuados pela Recorrente: Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar se são procedentes as alegações da Recorrente de que GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação, não foram consideradas pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância. Então os elementos fáticos controversos, relacionados aos recolhimentos feitos pela Recorrente, foram listados em uma Tabela apresentada pela Recorrente, às fls. 404 a 406, na qual se individualizam as GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE, acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação, que não foram consideradas pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância. Desta forma, em relação à Tabela apresentada pela Recorrente às fls. 404 a 406, abaixo reproduzida, deverá a AuditoriaFiscal informar, motivadamente, se, em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE, tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e, ao final, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência (...). A Diligência Fiscal foi determinada nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI/ FNDE, conforme o listado na tabela acima, se tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (ii) ao final, considerandose as retificações porventura feitas ou não, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência; Fl. 715DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 524 22 A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 543 a 544, informa as apropriações feitas em relação aos recolhimentos feitos pela Recorrente: 2. EM CUMPRIMENTO A DILIGÊNCIA DETERMINADA (FLS. 486/488), PASSO A INFORMAR: 2.1. ALGUMAS GPS ACOSTADAS AOS AUTO PELA RECORRENTE EM SEDE IMPUGNAÇÃO, NÃO FORAM CONSIDERADAS NA RETIFICAÇÃO INICIAL, TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO DE APROPRIAR SOMENTE GPS DE ESTABELECIMENTOS NOS QUAIS HOUVERAM LEVANTAMENTOS DE DÉBITOS (COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO RURAL). 2.2. EM ATENDIMENTO A DETERMINAÇÃO DE FLS. 486 VERSO, PASSO A RETIFICAR O DÉBITO CONFORME DEMONSTRADO NAS FOLHAS SEGUINTES (PLANILHA), PROCEDENDO O ABATIMENTO DOS RECOLHIMENTOS DE 11/2001 A 01/2002, INDEPENDENTE DE HAVER CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO PARA O ESTABELECIMENTO CORRESPONDENTE. FORAM UTILIZADOS A TOTALIDADE DAS GPS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE, COM OS SEGUINTES CRITÉRIOS: 2.2.1. FORAM APROPRIADAS (DEDUZIDAS) GPS SEMPRE RELATIVAS A MESMA COMPETÊNCIA DO DÉBITO, INCLUSIVE A RELATIVA AO 13° SALÁRIO DE 2001, APROPRIADA NA COMPETÊNCIA 12/2002, COLUNA 14 DA PLANILHA. 2.2.2. PARA OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR, POR COMPETÊNCIA, EM CONFRONTO COM O DÉBITO APURADO (COLUNAS 13 E 17) DE QUAISQUER ESTABELECIMENTOS, FORAM TRANSFERIDOS (DEDUZIDOS AS SOBRAS) DO VALOR APURADO PARA O ESTABELECIMENTO CNPJ N° 51.468.791/002325 (MAIOR VALOR). 2.3. O DÉBITO REMANESCENTE (DE/PARA) ESTÁ DEMONSTRADO NA SEQÜÊNCIA, COLUNAS 20 A 25. Devidamente intimada, a Recorrente atravessou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 670 a 674, na qual alega que faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00 e um segundo valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001: (i) Não obstante a significativa diminuição do débito principal, em detida análise da planilha de fls. 610/614, as Recorrentes concluíram que a D. Fiscalização ainda não apropriou valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários. O primeiro montante, não corretamente apropriado, está relacionado aos recolhimentos realizados pelo estabelecimento de CNPJ n° Fl. 716DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 525 23 51.468.791/000110, competências de novembro/2001 a fevereiro/2002. No "II Demonstrativo de Contribuições Recolhidas" (coluna 7 da planilha), a D. Fiscalização descreveu os créditos de contribuições previdenciárias apropriados para cada estabelecimento. Ocorre que os créditos abatidos para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/0001 10 são inferiores aos recolhidos no período. Assim, com a intenção de ilustrar o ora afirmado, segue planilha que demonstra o montante devido a título de contribuição previdenciária para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110 no período e o que foi apropriado pela D. Fiscalização (coluna n° 07 da planilha): Competência Segurados Empresa Terceiros Total da Guia Aproveitado na diligência Não aproveitado nov/01RS 25.507,58RS 191.670,80R$ 5.754,85RS 222.933.23RS 165.051,98RS 26.618,82 dez/01RS 25.475,07RS 248.556,90R$ 5.427,76RS 279.459,73RS 156.048,00RS 92.508,90 jan/02RS 24.793,09RS 192.546,16RS 5.282,46RS 222.621,71RS 151.870,78RS 40.675,38 fev/02R$ 25.210,29RS 181.767,23RS 5.469,85RS 212.447,37RS 157.258,33RS 24.508,90 TotalRS 184.312,00 Portanto, da análise da documentação que ora se requer a juntada e do resultado da diligência, concluise que o crédito de R$ 184.312,00 não foi abatido do débito em cobrança nestes autos, o que gera reflexos na multa e nos juros. (ii) Além da incorreta apropriação acima descrita, a D. Fiscalização também deixou de considerar o montante de R$ 381.012,65 relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Na descrição do resultado da diligência fiscal, consignouse no iten °.2.1 que "foram apropriados (deduzidas) GPS relativas a mesma :on. etència do débito, inclusive a relativa ao 13° salário de 2001, apropriada na competência de 12/2001, coluna 14 da planilha". Nesse ponto, notase que após realizadas as apropriações dos débitos de dezembro/01 com os seus respectivos créditos para a mesma competência, remanesceu débito de R$ 358.253,00 (vide "total" para dezembro/01 coluna n° 12). Nos termos aduzidos pela D. Fiscalização, na coluna n° 14 houve a transferência do crédito relacionado às contribuições previdenciárias que recaíram sobre o 13° salário para abatimento com o débito remanescente em dezembro/01. O crédito relacionado ao 13° salário é de R$ 739.265,58, subtraindoo do débito remanescente de dezembro/01, R$ 358.253,00, concluise que as Recorrentes ainda Fl. 717DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 526 24 possuem crédito de R$ 381.012,58. Entretanto, tal crédito não foi utilizado para apropriação nas competências subsequentes, de janeiro ou fevereiro/2002, ou anteriores. Nesse sentido, somandose R$ 184.312,00 ao R$ 381.012,58, concluise que as Recorrentes ainda possuem R$ 565.324,58 de crédito a ser abatido nestes autos, o que acarretará em uma diminuição significativa do débito principal e respectivos reflexos na multa e nos juros, na hipótese da autuação ser mantida pelos fundamentos de direito. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 527 25 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 1422.409 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, que julgou procedente em parte o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.014.9122, no montante inicial de R$ 11.478.900,91 retificado para R$ 5.841.910,07. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parcela da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT; e as destinadas ao SENAR, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições decorre de dois aspectos, quais sejam: (a) a comercialização, pela agroindústria, da produção própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não; (b) operações de vendas para o mercado interno e não para o exterior. Observase que os dois fatos geradores foram aglutinados no código de levantamento: RBC RECEITA BRUTA COMERCIALIZAÇÃO, conforme o Relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito às fls. 04 a 10, e Relatório e Lançamentos RL, às fls. 17 a 20. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância. Ademais, o sujeito passivo no Anexo à Impugnação colacionou cópias de GFIP e GPS, às fls. 168 a 255, e cópias de Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação referentes ao SESI, SENAI e FNDE, às fls. 256 a 286. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 528 26 Após, na primeira instância de julgamento, houve solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 302 a 303 e 309 a 310, para que a AuditoriaFiscal se pronunciasse acerca dos elementos acostados aos autos Na Resposta da Diligência Fiscal, às fls. 314 a 319, a AuditoriaFiscal informa que apurou o saldo remanescente das contribuições devidas: Em atendimento ao despacho de fls. no 309/310 e 312 e com base em elementos exibidos a esta fiscalização, considerando os valores recolhidos 'pelo contribuinte no período, apurei o saldo remanescente, conforme Anexo III. Devidamente intimada, a Recorrente atravessou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 327 a 357, na qual reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação além de requerer a nulidade da autuação por não ter considerado anteriormente os recolhimentos feitos nos períodos de apuração. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1422.409 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP. A decisão de primeira instância retificou o crédito tributário, conforme fls. 377: VII — Da retificação do crédito tributário Conforme disposto em tópico próprio, procedo à retificação do débito tributário constituído, pelo acolhimento do pleito da Impugnante de abater os recolhimentos efetuados tendo por basedecálculo a folha de salários dos empregados, ficando o lançamento assim retificado nos termos do anexo DADR — Discriminativo Analítico do Débito Retificado que passa a integrar o presente julgado, e quadro demonstrativo (...) Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. Dentre os argumentos deduzidos pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, há o de que não foram apreciadas, pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância, a totalidade das GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação: iii.1) Não foram considerados pela Diligência Fiscal e pela decisão de primeira instância diversos pagamentos efetuados por meio de guias de recolhimento acostadas aos presentes autos em sede de Impugnação, CONFORME TABELA às fls. 404 a 406. Ora, da análise perfunctória dos valores apurados pelas autoridades fiscais na planilha "Demonstrativo de Valores Recolhidos em GPS" (fl. 317), relativos aos valores recolhidos pela Recorrente, verificase que não constam os pagamentos elencados no quadro acima e, portanto, não foram utilizados no abatimento do suposto crédito tributários objeto da presente NFLD. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 529 27 Desta forma, merece provimento o presente recurso para que, ao menos, sejam remetidos os presentes autos à D. fiscalização autuante, para que proceda ao abatimento de todos os valores recolhidos pela Recorrente no período de 11/2001 a 02/2002, indicados no quadro supra, sob pena de enriquecimento ilícito da autarquia destinatária das contribuições. Posteriormente, esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, pois observou restar fixada nos autos uma controvérsia a respeito da apropriação de recolhimentos efetuados pela Recorrente: Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar se são procedentes as alegações da Recorrente de que GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação, não foram consideradas pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância. Então os elementos fáticos controversos, relacionados aos recolhimentos feitos pela Recorrente, foram listados em uma Tabela apresentada pela Recorrente, às fls. 404 a 406, na qual se individualizam as GPS, GFIP e Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE, acostadas aos autos pela Recorrente em sede de Impugnação, que não foram consideradas pela Diligência Fiscal e nem pela decisão de primeira instância. Desta forma, em relação à Tabela apresentada pela Recorrente às fls. 404 a 406, abaixo reproduzida, deverá a AuditoriaFiscal informar, motivadamente, se, em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI / FNDE, tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e, ao final, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência (...). A Diligência Fiscal foi determinada nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) em relação a cada um dos recolhimentos referentes a GPS e a Guias de Recolhimento de Termo de Cooperação SESI/ SENAI/ FNDE, conforme o listado na tabela acima, se tal valor de recolhimento deve ser considerado ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (ii) ao final, considerandose as retificações porventura feitas ou não, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência; Fl. 721DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 530 28 A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 543 a 544, informa as apropriações feitas em relação aos recolhimentos feitos pela Recorrente: 2. EM CUMPRIMENTO A DILIGÊNCIA DETERMINADA (FLS. 486/488), PASSO A INFORMAR: 2.1. ALGUMAS GPS ACOSTADAS AOS AUTO PELA RECORRENTE EM SEDE IMPUGNAÇÃO, NÃO FORAM CONSIDERADAS NA RETIFICAÇÃO INICIAL, TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO DE APROPRIAR SOMENTE GPS DE ESTABELECIMENTOS NOS QUAIS HOUVERAM LEVANTAMENTOS DE DÉBITOS (COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO RURAL). 2.2. EM ATENDIMENTO A DETERMINAÇÃO DE FLS. 486 VERSO, PASSO A RETIFICAR O DÉBITO CONFORME DEMONSTRADO NAS FOLHAS SEGUINTES (PLANILHA), PROCEDENDO O ABATIMENTO DOS RECOLHIMENTOS DE 11/2001 A 01/2002, INDEPENDENTE DE HAVER CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO PARA O ESTABELECIMENTO CORRESPONDENTE. FORAM UTILIZADOS A TOTALIDADE DAS GPS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE, COM OS SEGUINTES CRITÉRIOS: 2.2.1. FORAM APROPRIADAS (DEDUZIDAS) GPS SEMPRE RELATIVAS A MESMA COMPETÊNCIA DO DÉBITO, INCLUSIVE A RELATIVA AO 13° SALÁRIO DE 2001, APROPRIADA NA COMPETÊNCIA 12/2002, COLUNA 14 DA PLANILHA. 2.2.2. PARA OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR, POR COMPETÊNCIA, EM CONFRONTO COM O DÉBITO APURADO (COLUNAS 13 E 17) DE QUAISQUER ESTABELECIMENTOS, FORAM TRANSFERIDOS (DEDUZIDOS AS SOBRAS) DO VALOR APURADO PARA O ESTABELECIMENTO CNPJ N° 51.468.791/002325 (MAIOR VALOR). 2.3. O DÉBITO REMANESCENTE (DE/PARA) ESTÁ DEMONSTRADO NA SEQÜÊNCIA, COLUNAS 20 A 25. Devidamente intimada, a Recorrente atravessou Manifestação à Diligência Fiscal, às fls. 670 a 674, na qual alega que faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00 e um segundo valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001: (i) Não obstante a significativa diminuição do débito principal, em detida análise da planilha de fls. 610/614, as Recorrentes concluíram que a D. Fiscalização ainda não apropriou valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários. O primeiro montante, não corretamente apropriado, está relacionado aos recolhimentos realizados pelo estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110, competências de novembro/2001 a fevereiro/2002. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 531 29 No "II Demonstrativo de Contribuições Recolhidas" (coluna 7 da planilha), a D. Fiscalização descreveu os créditos de contribuições previdenciárias apropriados para cada estabelecimento. Ocorre que os créditos abatidos para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/0001 10 são inferiores aos recolhidos no período. Assim, com a intenção de ilustrar o ora afirmado, segue planilha que demonstra o montante devido a título de contribuição previdenciária para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110 no período e o que foi apropriado pela D. Fiscalização (coluna n° 07 da planilha): Competência Segurados Empresa Terceiros Total da Guia Aproveitado na diligência Não aproveitado nov/01RS 25.507,58RS 191.670,80R$ 5.754,85RS 222.933.23RS 165.051,98RS 26.618,82 dez/01RS 25.475,07RS 248.556,90R$ 5.427,76RS 279.459,73RS 156.048,00RS 92.508,90 jan/02RS 24.793,09RS 192.546,16RS 5.282,46RS 222.621,71RS 151.870,78RS 40.675,38 fev/02R$ 25.210,29RS 181.767,23RS 5.469,85RS 212.447,37RS 157.258,33 RS 24.508,90 TotalRS 184.312,00 Portanto, da análise da documentação que ora se requer a juntada e do resultado da diligência, concluise que o crédito de R$ 184.312,00 não foi abatido do débito em cobrança nestes autos, o que gera reflexos na multa e nos juros. (ii) Além da incorreta apropriação acima descrita, a D. Fiscalização também deixou de considerar o montante de R$ 381.012,65 relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Na descrição do resultado da diligência fiscal, consignouse no iten °.2.1 que "foram apropriados (deduzidas) GPS relativas a mesma :on. etència do débito, inclusive a relativa ao 13° salário de 2001, apropriada na competência de 12/2001, coluna 14 da planilha". Nesse ponto, notase que após realizadas as apropriações dos débitos de dezembro/01 com os seus respectivos créditos para a mesma competência, remanesceu débito de R$ 358.253,00 (vide "total" para dezembro/01 coluna n° 12). Nos termos aduzidos pela D. Fiscalização, na coluna n° 14 houve a transferência do crédito relacionado às contribuições previdenciárias que recaíram sobre o 13° salário para abatimento com o débito remanescente em dezembro/01. O crédito relacionado ao 13° salário é de R$ 739.265,58, subtraindoo do débito remanescente de dezembro/01, R$ 358.253,00, concluise que as Recorrentes ainda possuem crédito de R$ 381.012,58. Entretanto, tal crédito não foi utilizado para apropriação nas competências subsequentes, de janeiro ou fevereiro/2002, ou anteriores. Nesse sentido, somandose R$ 184.312,00 ao R$ 381.012,58, concluise que as Recorrentes ainda possuem R$ 565.324,58 de crédito a ser abatido nestes autos, o que acarretará em uma diminuição significativa do débito principal e respectivos reflexos na multa e nos juros, na hipótese da autuação ser mantida pelos fundamentos de direito. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 532 30 DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar se são procedentes as alegações da Recorrente de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00 e um segundo valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001: Assim, com a intenção de ilustrar o ora afirmado, segue planilha que demonstra o montante devido a título de contribuição previdenciária para o estabelecimento de CNPJ n° 51.468.791/000110 no período e o que foi apropriado pela D. Fiscalização (coluna n° 07 da planilha): Competência Segurados Empresa Terceiros Total da Guia Aproveitado na diligência Não aproveitado nov/01RS 25.507,58RS 191.670,80R$ 5.754,85RS 222.933.23RS 165.051,98RS 26.618,82 dez/01RS 25.475,07RS 248.556,90R$ 5.427,76RS 279.459,73RS 156.048,00RS 92.508,90 jan/02RS 24.793,09RS 192.546,16RS 5.282,46RS 222.621,71RS 151.870,78RS 40.675,38 fev/02R$ 25.210,29RS 181.767,23RS 5.469,85RS 212.447,37RS 157.258,33RS 24.508,90 TotalRS 184.312,00 Portanto, da análise da documentação que ora se requer a juntada e do resultado da diligência, concluise que o crédito de R$ 184.312,00 não foi abatido do débito em cobrança nestes autos, o que gera reflexos na multa e nos juros. (ii) Além da incorreta apropriação acima descrita, a D. Fiscalização também deixou de considerar o montante de R$ 381.012,65 relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001731/200731 Resolução nº 2403000.303 S2C4T3 Fl. 533 31 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) se procede a alegação do contribuinte de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias, que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, um primeiro valor total de R$ 184.312,00, referente às competências nov/2001, dez/2001, jan/2002 e fev/2002, conforme tabela acima. (ii) em relação ao tópico (i), se tais valores de recolhimento devem ser considerados ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (iii) se procede a alegação do contribuinte de que na Diligência Fiscal faltou a apropriação de valores de contribuições previdenciárias, que foram efetivamente recolhidos com base na folha de salários, no valor de R$ 381.012,65, relacionado ao pagamento das contribuições previdenciárias sobre o 13° salário do ano de 2001. (iv) em relação ao tópico (iii), se tais valores de recolhimento devem ser considerados ou não para efeito de retificação do crédito tributário e qual o motivo para tal retificação ou não; (v) ao final, considerandose as retificações porventura feitas ou não, informar qual o valor remanescente do crédito tributário em cada competência; (vi) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 725DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001281/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. BATIMENTO GFIP X GSP X FOLHA DE PAGAMENTO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, constatada a partir de informação de análise de recolhimentos no TEAF, sobretudo no caso de procedimento denominado GFIP X GPS, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício.
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. BATIMENTO GFIP X GSP X FOLHA DE PAGAMENTO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, constatada a partir de informação de análise de recolhimentos no TEAF, sobretudo no caso de procedimento denominado GFIP X GPS, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 81 /2 00 7- 87 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11330.001281/200787 Acórdão n.º 2401003.752 S2C4T1 Fl. 544 3 Relatório SIMCAUTO MECÂNICA E REPRESENTAÇÕES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 13a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 12 17.373/2007, às fls. 523/530, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 08/1999 a 03/2003, conforme Relatório Fiscal, às fls. 127/142, consubstanciado nos seguintes levantamentos: 1) DG Remunerações dos segurados empregados, declaradas em GFIP; 2) NDG Remunerações dos segurados empregados, não declaradas em GFIP; 3) CI Remuneração dos contribuintes individuais, declaradas em GFIP; 4) CIN Remuneração dos contribuintes individuais, não declaradas em GFIP; Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 08/08/2007, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário constante da folha de rosto. De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores e as bases de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas foram extraídos das folhas de pagamento e das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, as quais foram confrontadas com os pagamentos realizados pela contribuinte mediante GPS, ensejando a constatação da diferença das contribuições ora lançadas. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 532/540, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, a contribuinte fixa seu insurgimento na extinção de parte da exigência em face da decadência. Mais precisamente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei nº 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, restando decaído o Fl. 553DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4°, do CTN. Traz à colação jurisprudência dos Tribunais Superiores afastando a aplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, em virtude de encontrar maculado por vício de inconstitucionalidade. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a notificação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11330.001281/200787 Acórdão n.º 2401003.752 S2C4T1 Fl. 545 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões recursais, limita a contribuinte a requerer seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, concluise que o pleito da contribuinte merece acolhimento, quanto ao dispositivo legal a ser aplicado, por espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, encontrando guarida na farta e mansa jurisprudência administrativa e judicial, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 555DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11330.001281/200787 Acórdão n.º 2401003.752 S2C4T1 Fl. 546 7 Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência Fl. 557DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 558DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11330.001281/200787 Acórdão n.º 2401003.752 S2C4T1 Fl. 547 9 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratarse de lançamento de diferenças de contribuições previdenciárias, apuradas em procedimento denominado “Batimento GFIP x GPS”, onde se confronta as contribuições informadas em GFIP com os recolhimentos efetuados em GPS. Aliás, a autoridade lançadora deixou bem claro tratarse de lançamento de diferença de contribuições previdenciárias, mormente no item “Da apuração do Crédito Fl. 559DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Previdenciário”, onde registra as deduções procedidas em relação aos pagamentos constatados no decorrer da ação fiscal, consoante se positiva do anexo “RDA – Relatório de Documentos Apresentados”, às fls. 61/68, que relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificação anteriores”, corroborado pelo anexo RADA, de fls. 69/106. Mais a mais, consoante se extrai do Termo de Encerramento Fiscal TEAF, às fls. 125/126, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 08/08/2007, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 08/1999 a 07/2002, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Por todo o exposto, estando a Notificação Fiscal sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, somente para reconhecer a decadência em relação ao período de 08/1999 a 07/2002, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/12/2 014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por RYCARDO HEN RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10480.908698/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.908698/200958 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.667 – 1ª Turma Especial Sessão de 13 de novembro de 2014 Matéria COFINS SOCIEDADES CIVIS Recorrente FILIPE CARLOS ALBUQUERQUE ADVOGADOS E CONSULTORES ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 98 /2 00 9- 58 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908698/200958 Acórdão n.º 3801004.667 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13888.000374/2003-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
CSLL - DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-001.951
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador, com retorno à Turma a quo.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CSLL - DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CSLL DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 03 74 /2 00 3- 90 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000374/200390 Acórdão n.º 9101001.951 CSRFT1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador, com retorno à Turma a quo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmir Sandri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 130200.113, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência da CSLL. Originalmente, o processo versa sobre auto de infração (fls.04/06) para exigência de CSLL referente a terceiro e quarto trimestre de 1997, em virtude da compensação indevida de base de cálculo negativa em desrespeito ao limite da trava de 30%. O prazo para apresentação de impugnação decorreu, a princípio, in albis, sendo posteriormente apresentada impugnação (fls. 73/77), alegando, a contribuinte, preliminarmente, que sempre se manteve regularmente instalada, contudo não fora devidamente intimada. No mérito, afirmou que desenvolve unicamente atividade rural, não se sujeitando a trava de 30%. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – PR que julgou procedente o lançamento, nos termos do acórdão n. 8.393 (fls. 60/68): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997 Ementa: INTIMAÇÃO POR EDITAL. Sendo improfícua a tentativa de intimação por via postal, é válida a intimação por edital, razão pela qual considerase o contribuinte devidamente cientificado do seu conteúdo. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000374/200390 Acórdão n.º 9101001.951 CSRFT1 Fl. 4 3 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não se conhece da impugnação apresentada intempestivamente. Impugnação Não Conhecida Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 237/257), afirmando que a intimação por Edital foi precipitada, posto que se não estivesse no endereço constante na intimação, a própria fiscalização sequer conseguiria realizar a verificação fiscal, e tampouco ter realizado o lançamento de ofício. Reitera ainda que o limite de 30% para compensação não se aplica a prejuízos fiscais da exploração de atividade rural, sendo lícita a compensação integral realizada. A 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu a decadência de ofício, conforme a ementa do acórdão n. 130200.113 (fls. 437/439). Fundamenta a Câmara a quo que o lançamento quando realizado (28/02/2003), mesmo sem ter sido dada ciência do mesmo, já tinha sido fulminado pela decadência, tendo em vista que os fatos geradores ocorreram em 30/09/1997 e 31/12/1997. Assunto: Processo Administrativo Fiscal DECADÊNCIA. Reconhecese de ofício a decadência por tratarse de matéria de ordem pública. Contra a decisão supramencionada, insurgiuse a Fazenda Nacional, a qual interpôs Recurso Especial (fls. 444/454), pugnando pela aplicação do dies a quo do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, em virtude de suposta ausência de pagamento antecipado. O Recurso Especial foi submetido ao Exame de Admissibilidade (fls. 456/457), e a ele foi dado seguimento. A contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 456/476), alegando inépcia do Recurso por ausência dos pressupostos necessários. Pugnou também pelo não conhecimento em virtude da não demonstração do paradigma. No mérito, advogou em favor da manutenção do acórdão recorrido, posto que verificada a decadência. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 317/318, estando clara a divergência jurisprudencial, pelo que dele conheço e passo a dispor. Inicialmente cumpre esclarecer que a matéria objeto de prequestionamento em sede de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi unicamente a incidência do artigo 150, §4º ou do artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, para determinação do dies a quo do prazo decadencial. A tempestividade da Impugnação apresentada pelo contribuinte, que não foi conhecida pela DRJ, assim como as demais questões Fl. 563DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000374/200390 Acórdão n.º 9101001.951 CSRFT1 Fl. 5 4 referentes à incidência ou não de CSLL sobre o superávit de sociedades civis sem fins lucrativos não serão tangenciadas no presente decisum, vez que não foram objeto de Recurso. Se afastada a decadência, entretanto, deve ser objeto de análise pela Turma a quo tão somente as matérias ainda não apreciadas, a exemplo, da incidência ou não da CSLL sobre o superávit de sociedade civis sem fins lucrativos. De se esclarecer, ainda, que o termo final utilizado para a contagem do prazo decadencial, tanto pelo acórdão recorrido quanto pela Recorrente, data de 28/02/2003. No entanto, como aponta o acórdão recorrido, essa é a data da lavratura do auto de infração, e não da ciência ao contribuinte. A data da ciência do contribuinte foi, inclusive, objeto da lide, já que não tomada por legitima a data do edital. Feitas essas considerações, passo a analisar a decadência. No tocante à decadência, tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000374/200390 Acórdão n.º 9101001.951 CSRFT1 Fl. 6 5 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental deste egrégio CARF, devo acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial (artigo 150, § 4º versus artigo 173) prevista no Código Tributário. Portanto, a premissa fundamental que cinge a presente demanda é a existência ou não de pagamento parcial do tributo em questão. Voltando ao presente caso, ao compulsar os autos não verifiquei qualquer existência de pagamento parcial do tributo em comento. Sendo assim, aplicase a regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Verifico que o Recurso Especial da d. Procuradoria requer seja afastada a decadência apenas para o fato gerador de 31/12/1997 (4º trimestre), mas não para o período de 30/09/1997 (3º trimestre), ao passo que a decadência foi acolhida para ambos os períodos pela decisão recorrida. Temse, de qualquer modo, que para o fato gerador de 30/09/1997 (3º trimestre), o termo inicial seria 01/01/1998, enquanto que o termo final seria 31/12/2002, estando de fato decaído o lançamento. Para o fato gerador que data de 31.12.1997, o prazo decadencial iniciouse 01/01/1999, encerrandose em 31/12/2003. Assim, seja considerando o lançamento em Fl. 565DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13888.000374/200390 Acórdão n.º 9101001.951 CSRFT1 Fl. 7 6 28/02/2003 (data da lavratura do auto de infração, conforme considerou a decisão recorrida), seja considerando o edital de 14/03/2003 (fls. 57), verificase que não há que se falar em decadência para a CSLL referente ao quarto trimestre de 1997. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para aplicar o dies a quo do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, determinando que os autos retornem à Turma a quo para julgamento das demais questões de mérito alegadas pelo contribuinte, que ainda não foram enfrentadas. Sala das Sessões, 17 de julho de 2014. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 566DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11128.006318/2003-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 14/03/2003
ROVIMIX. VITAMINAS. POSIÇÃO 2309. EXCLUDENTE DA NESH. SUBSTÂNCIAS ACRESCENTADAS QUE NÃO MODIFICAM O CARÁTER DE VITAMINAS. CONTRADIÇÃO NO V. ACÓRDÃO EMBARGADO.
As vitaminas classificam-se na posição 2936 desde que as substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral.
Restando comprovado através de informação técnica de laboratório oficial que as substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos, não modificam o caráter de vitaminas das mercadorias, na medida em que quimicamente não houve uma transformação ou modificação das Vitaminas, impõe-se o reconhecimento da contradição no v. acórdão embargado.
EXCLUDENTE DA NESH DA POSIÇÃO 2309. CLASSIFICAÇÃO NA POSIÇÃO 2936.
As vitaminas classificam-se na posição 2936 desde que as substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral.
O aditivo e é determinante, impondo o preenchimento das duas condições para que seja aplicada a excludente da NESH referente à posição 2309.
Como não há modificação do caráter de vitamina, a posição a ser adotada é a 2936.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITO MODIFICATIVO. PREMISSA EQUIVOCADA. PROVIMENTO A RECURSO VOLUNTÁRIO.
Os embargos declaratórios são admissíveis para a correção de premissa equivocada de que haja partido a decisão embargada, devendo lhes ser atribuído, excepcionalmente, efeito modificativo quando tal premissa seja influente no resultado do julgamento.
No presente caso, os embargos de declaração devem ser acolhidos com efeito modificativo a fim de que seja dado provimento ao recurso voluntário.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3202-001.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e prover os embargos de declaração, com efeito modificativo, para dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento, pela embargante, a advogada Daniela Cristina Ismael Floriano, OAB/SP nº. 257.862.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda- Relator.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 14/03/2003 ROVIMIX. VITAMINAS. POSIÇÃO 2309. EXCLUDENTE DA NESH. SUBSTÂNCIAS ACRESCENTADAS QUE NÃO MODIFICAM O CARÁTER DE VITAMINAS. CONTRADIÇÃO NO V. ACÓRDÃO EMBARGADO. As vitaminas classificam-se na posição 2936 desde que as substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Restando comprovado através de informação técnica de laboratório oficial que as substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos, não modificam o caráter de vitaminas das mercadorias, na medida em que quimicamente não houve uma transformação ou modificação das Vitaminas, impõe-se o reconhecimento da contradição no v. acórdão embargado. EXCLUDENTE DA NESH DA POSIÇÃO 2309. CLASSIFICAÇÃO NA POSIÇÃO 2936. As vitaminas classificam-se na posição 2936 desde que as substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. O aditivo e é determinante, impondo o preenchimento das duas condições para que seja aplicada a excludente da NESH referente à posição 2309. Como não há modificação do caráter de vitamina, a posição a ser adotada é a 2936. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITO MODIFICATIVO. PREMISSA EQUIVOCADA. PROVIMENTO A RECURSO VOLUNTÁRIO. Os embargos declaratórios são admissíveis para a correção de premissa equivocada de que haja partido a decisão embargada, devendo lhes ser atribuído, excepcionalmente, efeito modificativo quando tal premissa seja influente no resultado do julgamento. No presente caso, os embargos de declaração devem ser acolhidos com efeito modificativo a fim de que seja dado provimento ao recurso voluntário. Embargos Acolhidos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 14/03/2003 ROVIMIX. VITAMINAS. POSIÇÃO 2309. EXCLUDENTE DA NESH. SUBSTÂNCIAS ACRESCENTADAS QUE NÃO MODIFICAM O CARÁTER DE VITAMINAS. CONTRADIÇÃO NO V. ACÓRDÃO EMBARGADO. As vitaminas classificamse na posição 2936 desde que as substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Restando comprovado através de informação técnica de laboratório oficial que as substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos, não modificam o caráter de vitaminas das mercadorias, na medida em que “quimicamente não houve uma transformação ou modificação das Vitaminas”, impõese o reconhecimento da contradição no v. acórdão embargado. EXCLUDENTE DA NESH DA POSIÇÃO 2309. CLASSIFICAÇÃO NA POSIÇÃO 2936. As vitaminas classificamse na posição 2936 desde que as substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. O aditivo “e” é determinante, impondo o preenchimento das duas condições para que seja aplicada a excludente da NESH referente à posição 2309. Como não há modificação do caráter de vitamina, a posição a ser adotada é a 2936. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITO MODIFICATIVO. PREMISSA EQUIVOCADA. PROVIMENTO A RECURSO VOLUNTÁRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 63 18 /2 00 3- 35 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 2 Os embargos declaratórios são admissíveis para a correção de premissa equivocada de que haja partido a decisão embargada, devendo lhes ser atribuído, excepcionalmente, efeito modificativo quando tal premissa seja influente no resultado do julgamento. No presente caso, os embargos de declaração devem ser acolhidos com efeito modificativo a fim de que seja dado provimento ao recurso voluntário. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e prover os embargos de declaração, com efeito modificativo, para dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento, pela embargante, a advogada Daniela Cristina Ismael Floriano, OAB/SP nº. 257.862. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos por DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS BRASIL LTDA. (fls. 227 a 229) contra o v. acórdão proferido por esta Colenda Segunda Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF (fls. 219 a 227) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário para manter a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal. Vale lembrar que a questão controvertida nos presentes autos diz respeito à classificação fiscal de três mercadorias, constantes e descritas, respectivamente, nas adições 004, 012 e 013 da Declaração de Importação nº 03/02119617, registrada em 14/03/2003, nos seguintes termos: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 11128.006318/200335 Acórdão n.º 3202001.453 S3C2T2 Fl. 237 3 · Adição 004: Acetato de DLA Tocoferol, Nome Comercial: ROVIMIX E50 Adsorbato, Uso: Animal, Qualidade: Industrial, Aplicação: Alimentação Animal; · Adição 012: Acetato de DLA Tocoferol, Nome Comercial ROVIMIX E50 SD, Uso: Animal, Qualidade: Industrial, Aplicação: Alimentação Animal; e · Adição 013: Vitamina B2 (RIBOFLAVINA), Nome Comercial ROVIMIX B2 80 SD, Uso: Animal, Qualidade: Industrial, Aplicação: Alimentação Animal. Na espécie, enquanto a contribuinte classificou as duas primeiras mercadorias na posição 2936.28.12 e a terceira na posição 2936.23.10, a autoridade fiscal entendeu que as três mercadorias deveriam ser classificadas na posição 2309.90.90, pois seriam “Preparações especificamente elaboradas para serem adicionadas à ração animal”. O v. acórdão ora embargado tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 14/03/2003 ROVIMIX. VITAMINAS. POSIÇÃO 2309. EXCLUDENTE DA NESH. SUBSTÂNCIAS ACRESCENTADAS QUE TORNAM AS MERCADORIAS (VITAMINAS) PARTICULARMENTE APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS DE PREFERÊNCIA À SUA APLICAÇÃO GERAL. LAUDO PERICIAL. Restando comprovado através de laudo pericial que (i) as substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos modificam o caráter de vitaminas das mercadorias, e (ii) que as substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos tornam as mercadorias (vitaminas) particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, não se aplica a excludente prevista nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH) referente à posição 2309, que trata das “PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS”. Recurso Voluntário Negado Esta Colenda Turma, inicialmente, entendeu por bem converter o julgamento do recurso voluntário em diligência através da Resolução nº 320200005. E isto em razão do texto das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH) referentes à posição 2309, que trata das “PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS”: “Excluemse da presente posição: (...) Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 4 e)As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36).” (grifos e destaques nossos) Assim, para afastar qualquer dúvida porventura existente acerca das mercadorias (vitaminas), e verificar se a excludente acima, atinente à posição 2309, seria aplicável ou não à hipótese dos presentes autos, solicitouse que fossem respondidos os seguintes quesitos: (i) As substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos modificam o caráter de vitaminas das mercadorias? Justificar a resposta. (ii) As substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos tornam as mercadorias (vitaminas) particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral? Justificar a resposta. Em resposta, o Laboratório Falcão Bauer (fls. 154 a 156) respondeu o seguinte quanto aos respectivos quesitos: (i) Quimicamente não houve uma transformação ou modificação das Vitaminas. As mercadorias encontramse preparadas. Da forma como se encontram preparadas, as Vitaminas perderam seu caráter geral de uso. A adição dos excipientes tais como Substâncias Inorgânicas à base de Sílica, Amido e Polissacarídeo tornam as mercadorias Rovimix E 50SD; Rovimix E 50 Adsorbato e Rovimix B2 SD aptas para um uso específico, conforme informações constantes em Literaturas Técnicas, e têm a finalidade de facilitar a homogeneização e a dosagem das Vitaminas nas formulações a que se destinam, tornando as aptas para um determinado fim. (ii) Sim. Segundo Literaturas Técnicas (cópias anexas), mercadorias com as denominações Rovimix E 50SD; Rovimix E 50 Adsorbato e Rovimix B2 SD encontramse especificamente preparadas para serem utilizadas em formulações de ração animal (alimentação animal). (grifos nossos) Em face das respostas acima, esta Colenda Turma, na esteira do voto deste relator, entendeu que os quesitos foram respondidos em sentido positivo. Assim, o Colegiado entendeu que não se aplica à presente hipótese a excludente da NESH da posição 2309, ou seja, a classificação das vitaminas deve se dar exatamente nessa posição, que foi a adotada no auto de infração. Com isso, negouse provimento ao recurso voluntário. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 11128.006318/200335 Acórdão n.º 3202001.453 S3C2T2 Fl. 238 5 Em face desta r. decisão foram opostos os referidos embargos de declaração pelo contribuinte, onde se apontou, em síntese, que o v. acórdão embargado teria incorrido: (i) Em omissão quanto ao fato de que as mercadorias importadas foram corretamente descritas, atraindo a incidência do Ato Declaratório Normativo – ADN COSIT nº 12/97 para afastar a multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria; e (ii) Em contradição, porquanto, verbis, o laudo produzido pelo Labortário Falcão Bauer conclui no sentido de não existir transformação ou modificação de vitaminas, todavia – e no mesmo documento – cai em evidente contradição ao concluir que as substancias acrescentadas alteraram o caráter das vitaminas analisadas, transformandoas em preparados para ração animal. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Após muito refletir, cheguei à conclusão que os embargos de declaração opostos pelo contribuinte devem ser conhecidos e acolhidos. Inicialmente, no tocante à omissão quanto ao fato de que as mercadorias importadas foram corretamente descritas, atraindo a incidência do Ato Declaratório Normativo – ADN COSIT nº 12/97 para afastar a multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria, em nenhum momento no seu recurso voluntário o contribuinte apresentou tais alegações, nem quanto à correta descrição das mercadorias, tampouco quanto à aplicação do referido ADN. Aliás, a irresignação do contribuinte sempre se deu quanto à classificação como um todo, nada sendo aludido quanto à multa proporcional ao valor aduaneiro. Esta Colenda Turma, portanto, em nenhum momento foi instada a se manifestar sobre essa matéria e, por conseguinte, os embargos de declaração, nesse particular, não devem ser acolhidos. Com relação ao segundo ponto, no sentido de que o v. acórdão recorrido teria entrado em contradição ao entender que, mesmo com a afirmação do laudo de que não teria havido transformação ou modificação das vitaminas, afirmouse que houve a alteração do caráter das vitaminas analisadas, e, por consequência, a transformação em preparações para ração animal, me parece que assiste razão à embargante. Inicialmente, para melhor entendimento, cabe transcrever novamente o texto da NESH referente à posição 2309, que trata das “PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS”: “Excluemse da presente posição: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 6 (...) e)As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36).” (grifos e destaques nossos) Da leitura da nota acima transcrita, depreendese o seguinte: as vitaminas excluemse da posição 2309 (posição da fiscalização), classificandose na posição 2936 (posição do contribuinte), desde que (i) a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e (ii) nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Em outras palavras, as vitaminas classificamse na posição 2936, desde que as substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Pois bem, as respostas dadas aos quesitos formulados foram as seguintes: QUESITO (i) (i) As substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos modificam o caráter de vitaminas das mercadorias? Justificar a resposta. RESPOSTA (i) Quimicamente não houve uma transformação ou modificação das Vitaminas. As mercadorias encontramse preparadas. Da forma como se encontram preparadas, as Vitaminas perderam seu caráter geral de uso. A adição dos excipientes tais como Substâncias Inorgânicas à base de Sílica, Amido e Polissacarídeo tornam as mercadorias Rovimix E 50SD; Rovimix E 50 Adsorbato e Rovimix B2 SD aptas para um uso específico, conforme informações constantes em Literaturas Técnicas, e têm a finalidade de facilitar a homogeneização e a dosagem das Vitaminas nas formulações a que se destinam, tornandoas aptas para um determinado fim. QUESITO (ii) (ii) As substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos tornam as mercadorias (vitaminas) particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral? Justificar a resposta. RESPOSTA Fl. 343DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 11128.006318/200335 Acórdão n.º 3202001.453 S3C2T2 Fl. 239 7 (ii) Sim. Segundo Literaturas Técnicas (cópias anexas), mercadorias com as denominações Rovimix E 50SD; Rovimix E 50 Adsorbato e Rovimix B2 SD encontramse especificamente preparadas para serem utilizadas em formulações de ração animal (alimentação animal). (grifos nossos) Das respostas acima transcritas se verifica que o contribuinte está correto quanto ao equívoco deste relator e, por consequência, desta Colenda Turma, ao entender que as respostas teriam sido positivas para ambos os quesitos, especialmente para o primeiro. Deveras, para a indagação “as substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos modificam o caráter de vitaminas das mercadorias”?, a resposta foi de que “quimicamente não houve uma transformação ou modificação das Vitaminas”. Assim, realmente depreendese que não houve modificação do caráter de vitaminas das mercadorias importadas. Demais disso, conforme exposto acima, as vitaminas classificamse na posição 2936 desde que as substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Correto se entender, no presente caso, que as substâncias acrescentadas não modificaram o caráter de vitaminas, conforme se admite agora, após a oposição dos embargos. A segunda condição que impediria a classificação na posição 2936 permanece e foi corroborada nas duas respostas acima transcritas: as substâncias acrescentadas tornam as vitaminas particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Aliás, encontramse especificamente preparadas para serem utilizadas em formulações de ração animal (alimentação animal). Verificase, portanto, que a primeira condição da excludente da posição 2309 não foi preenchida, mas apenas a segunda. É de se notar, assim, que as vitaminas classificamse na posição 2936, desde que as substâncias acrescentadas (i) não percam o caráter de vitaminas e (ii) não se tornem aptas, após o acréscimo de substâncias, para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. O aditivo “e” aqui é determinante, impondo o preenchimento das duas condições para que seja aplicada a excludente da NESH referente à posição 2309. A mercadoria deve ser classificada, desta feita, na posição 2936. Mister destacar, ainda, que recentemente a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão do dia 13 de agosto de 2014, em julgamento que também participou este relator, em acórdão da relatoria do Ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, deu provimento a recurso especial interposto pela mesma contribuinte do presente processo e chegou, também, à conclusão que as vitaminas (naquele caso, especificamente a B2) devem ser classificadas na posição 2936. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 8 A ementa desse julgado (acórdão 9303003.064) é a seguinte: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/12/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Rovimix B2 80 SD, produto constituído de vitamina B2 (riboflavina), com teor de pureza de 80%, e de polissacarídeos com propriedades antipoeira e de estabilidade, classificase no código 2936.23.10 da NCM. Recurso Especial do Contribuinte provido em parte. Os embargos merecem ser acolhidos, portanto, excepcionalmente, com efeito modificativo, a fim de que seja dado provimento ao recurso voluntário interposto. Por último, quanto à possibilidade de se conceder efeitos modificativos aos embargos de declaração e, ainda, a possibilidade do seu acolhimento quando a decisão embargada fundamentouse em premissa fática equivocada, destaco os seguintes precedentes do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 EMBARGOS. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. CABIMENTO. Cabíveis os embargos de declaração e os inominados quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo documentos que deveriam constar dos autos na data do julgamento e cuja ausência fez com que o acórdão tenha sido proferido com base em premissa fática equivocada e decisiva para o resultado do julgamento. EMBARGOS. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. PARCELAMENTO DA DÍVIDA. ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Admitese o efeito modificativo quando em consequência do acolhimento dos embargos resulta premissa incompatível com o resultado originalmente adotado. Anulase o acórdão que apreciou o mérito se constatado que o contribuinte havia parcelado toda a dívida objeto do litígio antes da sessão de julgamento. Não se conhece de recurso voluntário nessa circunstância. Embargos acolhidos com efeito modificativo. Recurso voluntário não conhecido. (Processo nº 13837.000340/200724, Acórdão nº 2802002.909, Rel. Cons. Jaci de Assis Junior) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 345DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 11128.006318/200335 Acórdão n.º 3202001.453 S3C2T2 Fl. 240 9 Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. CIRCUNSTÂNCIAS EXCEPCIONAIS. PREMISSA EQUIVOCADA. ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA DE OUTRO RECURSO CABÍVEL. CABIMENTO. Apoiandose o julgamento em premissa equivocada, ocasionando erro material na decisão, e não havendo outro recurso cabível na processualística administrativa, é admissível a atribuição dos excepcionais efeitos infringentes aos embargos de declaração, podendo ser modificado o julgamento anterior para corrigir o equívoco, inclusive, se for o caso, para ser designada a realização de diligência para o aprofundamento da materialidade e dimensão do fato gerador objeto do lançamento tributário. Acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para alterar o resultado do julgamento anterior (Acórdão nº 3402001.699), modificandoo para: “Acordam os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator”. Embargos conhecidos e acolhidos. (Processo nº 19647.008239/200735, Acórdão nº 3402000.587, Rel. Cons. João Carlos Cassuli Junior) Além disso, destaco, também, jurisprudência iterativa e torrencial do Excelso Supremo Tribunal Federal e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça no sentido de se acolher os embargos de declaração com efeito modificativo nas hipóteses em que o v. acórdão embargado partiu de premissa equivocada, como ocorreu nos presentes autos: EMENTA Embargos de declaração no agravo regimental no recurso extraordinário. Intempestividade erroneamente considerada. Reconsideração. 1. O acórdão embargado partiu de premissa equivocada no cômputo do prazo recursal, que, no caso, tem fluência a partir da juntada aos autos do mandado de intimação. Reconsideração, destarte, da decisão embargada. 2. Matéria de fundo que já teve sua repercussão geral reconhecida por esta Suprema Corte, a ensejar a devolução do recurso extraordinário à origem, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil. 3. Embargos de declaração acolhidos. (RE 476081 AgRED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 03/05/2011, DJe146 DIVULG 29 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 10 072011 PUBLIC 01082011 EMENT VOL0255603 PP 00587) EMENTA: HABEAS CORPUS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM PEDIDO DE EFEITOS MODIFICATIVOS. ALEGAÇÃO DE QUE O ACÓRDÃO EMBARGADO AMPAROUSE EM PREMISSA DE FATO EQUIVOCADA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA AFASTAR A ALEGAÇÃO DE INOBSERVÂNCIA DO ART. 38 DA LEI N. 10.409/02, MANTENDOSE, NO MAIS, O ACÓRDÃO EMBARGADO. 1. A concessão da ordem amparouse em premissa de fato equivocada: a de que não teria sido conferido prazo para a defesa apresentar alegações preliminares (art. 38 da Lei n. 10.409/02). 2. Demonstração de ter havido concessão do prazo para a defesa apresentar alegações preliminares após a ratificação da denúncia e segundo aditamento, o que afasta a ilegalidade da coação sustentada na impetração: Precedentes. 3. Acolhimento dos embargos com efeitos modificativos, para o fim de se ter como inexistente a nulidade do ato de recebimento da denúncia, mantendose o acórdão, contudo, no ponto em que reconheceu a carência de fundamentação do decreto de prisão preventiva. (HC 87346 ED, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 06/05/2008, DJe107 DIVULG 12062008 PUBLIC 13062008 EMENT VOL0232302 PP00427) EMENTA: Embargos declaratórios: admissibilidade e efeitos. Os embargos declaratórios são admissíveis para a correção de premissa equivocada de que haja partido a decisão embargada, atribuindoselhes efeito modificativo quando tal premissa seja influente no resultado do julgamento. (RE 197169 ED, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 09/09/1997, DJ 31101997 PP 55558 EMENT VOL0188906 PP01057) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ART. 535, INCS. I E II, DO CPC. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. REVISÃO DE APOSENTADORIA. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. LEGITIMIDADE PASSIVA. BOLSISTA. FINALIDADE. APRENDIZADO. LEIS 5.890/73 E 6.494/77. RECOLHIMENTOS PREVIDENCIÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 11128.006318/200335 Acórdão n.º 3202001.453 S3C2T2 Fl. 241 11 1. A teor do art. 535, incs. I e II, do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição existente no julgado, o que ocorre na hipótese em apreço. 2. O acórdão embargado deixou de se pronunciar sobre a prescrição, a ilegitimidade passiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, bem como a alegação de que a embargada não foi alunaaprendiz, mas bolsista. 3. "A pretensão de revisão do ato de aposentadoria tem como termo inicial do prazo prescricional a concessão do benefício pela Administração" (AgRg no REsp 1.242.708/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/4/2014). 4. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região consignou que o ato que concedeu a aposentadoria à autora foi praticado em 14/3/2003, enquanto que a ação foi ajuizada em 10/3/2008, portanto, dentro do prazo prescricional. 5. Afastase a alegativa de ilegitimidade passiva, pois a Universidade é responsável por efetivar a averbação dos períodos laborativos de seus servidores. 6. No entanto, o aresto ora impugnado partiu da premissa equivocada de que a servidora exerceu atividades como aluna aprendiz, enquanto, segundo o Tribunal de origem, "desenvolveu atividades na creche Francesca Zacari Faraco, de abril de 1973 a novembro de 1975, na condição de bolsista". 7. Não tendo sido demonstrado o recolhimento previdenciário do período, nem configurado vínculo empregatício, não há falar, nos termos do art. 4º da Lei 6.494/77, em reconhecimento do tempo de bolsista, para fins de aposentadoria, conforme a jurisprudência desta Corte Superior. 8. Embargos de declaração acolhidos em parte, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial. (EDcl no AgRg no REsp 1340717/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/09/2014, DJe 15/09/2014) DIREITO PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONSTATAÇÃO DE ERRO DE JULGAMENTO ACOLHIMENTO PARA CORREÇÃO. 1. Merece reforma o acórdão que se fundamenta em premissa fática equivocada. 2. Deve ser mantida a negativa de provimento de agravo regimental se a decisão monocrática originalmente proferida tinha dois fundamentos autônomos e suficientes, sendo apenas um deles impugnado pela parte. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 12 Entendimento da Súmula nº 182/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos. (EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1279249/PE, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, QUINTA TURMA, julgado em 12/08/2014, DJe 15/08/2014) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. EXCOMBATENTE. RECONHECIMENTO JUDICIAL DO DIREITO À PENSÃO ESPECIAL. ÓBITO DO TITULAR DO DIREITO OCORRIDO NO CURSO DO PROCESSO DE CONHECIMENTO, ANTES DA EXECUÇÃO DO JULGADO. HABILITAÇÃO DOS SUCESSORES. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE IMPLANTAÇÃO IMEDIATA DO BENEFÍCIO EM NOME DA VIÚVA. PROPOSITURA DE AÇÃO ORDINÁRIA OBJETIVANDO A IMPLANTAÇÃO DO BENEFÍCIO POR REVERSÃO. TERMO INICIAL. DATA DO ÓBITO DO INSTITUIDOR. 1. O Superior Tribunal de Justiça admite, em hipóteses excepcionais, a atribuição de efeitos infringentes aos embargos de declaração, em especial para corrigir premissa equivocada no julgamento, bem como nos casos em que, sanada a omissão, a contradição ou a obscuridade, a alteração da decisão surja como consequência necessária. Precedentes. 2. Tratando a hipótese de reversão de pensão por morte, e não de concessão inicial do benefício, o termo inicial do pagamento do benefício é a data do óbito do instituidor, tendo em vista que a viúva preencheu os requisitos para o recebimento da pensão com o óbito do instituidor, fato ocorrido no curso do processo de conhecimento intentado pelo próprio titular da pensão (EDcl nos EDcl no REsp n. 905.429/SC, Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009 e EDcl nos EDcl no AgRg no AgRg no REsp n. 912.620/SC, Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 26/5/2014). 3. Não se mostra cabível, na espécie, a penalização da viúva, por ter buscado a prestação jurisdicional, com o ajuizamento da presente ação ordinária, após a extinção da execução do processo de conhecimento por ilegitimidade ativa ad causam. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no AgRg no REsp 1026422/SC, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 27/06/2014, DJe 05/08/2014) DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO CONSTATAÇÃO DE ERRO DE PREMISSA FÁTICA EMBARGOS ACOLHIDOS RECURSO ESPECIAL Fl. 349DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 11128.006318/200335 Acórdão n.º 3202001.453 S3C2T2 Fl. 242 13 NEGATIVA DE SEGUIMENTO PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO CABIMENTO RAZÕES RECURSAIS SUFICIENTES À COMPREENSÃO DA IRRESIGNAÇÃO RECURSO QUE MERECE TRÂNSITO AGRAVO PROVIDO DETERMINAÇÃO DE RECEBIMENTO DO RECURSO ESPECIAL 1. Constatado que o julgado embargado adotou premissa fática equivocada, configurado está o erro de fato a justificar o acolhimento dos aclaratórios. 2. Se a matéria foi abordada pelo Tribunal local, ainda que sem menção a dispositivos de lei, é de se considerar cumprido o requisito do prequestionamento, ainda que de modo implícito. 3. Deve ser admitido o recurso especial cujas razões são suficientes à compreensão da irresignação da parte. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para dar provimento ao agravo e determinar o recebimento do recurso especial interposto. (EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1279249/PE, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, QUINTA TURMA, julgado em 03/06/2014, DJe 06/06/2014) ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CARÁTER INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. EXCEPCIONALIDADE. INCORPORAÇÃO DE QUINTOS. SERVIDOR DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSE EM OUTRO CARGO PÚBLICO. PROCURADOR FEDERAL. TRANSPOSIÇÃO DA VPNI. POSSIBILIDADE LIMITADA ATÉ A DATA DA PUBLICAÇÃO DA MP 305/06, CONVERTIDA NA LEI 11.358/2006, QUE INSTITUIU O SISTEMA DE SUBSÍDIO PARA A REFERIDA CARREIRA. 1. A atribuição de efeitos infringentes aos Embargos de Declaração é possível, em hipóteses excepcionais, para corrigir premissa equivocada no julgamento, bem como nos casos em que, sanada a omissão, a contradição ou a obscuridade, a alteração da decisão surja como consequência necessária. 2. Cingese a controvérsia à possibilidade de o ora embargante, Procurador Federal, receber os valores atrasados referentes à incorporação dos quintos (parcela remuneratória denominada Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada VPNI), do período de 29.4.2003 até 30.6.2006, incorporados durante a época em que esteve vinculado à Justiça Federal. 3. Temse dos autos que o recorrente tomou posse no cargo de Procurador Federal, em abril de 2003, momento no qual passou da carreira do Poder Judiciário para o Poder Executivo. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 14 4. Este Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que a remissão realizada pela Medida Provisória 2.22545/2001 aos artigos 3º da Lei 9.624/1998 e 3º e 10 da Lei 8.911/1994 permite a compreensão de que é possível a incorporação de quintos, em relação ao exercício da função comissionada, no período de 8 de abril de 1998 a 5 de setembro de 2001 (data referente ao início da vigência da MP 2.225 45/2001). 5. Ressaltase que essa orientação foi reafirmada pela Primeira Seção no julgamento do Recurso Especial 1.261.020/CE pelo rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), da lavra do Ministro Mauro Campbell Marques. 6. O STJ possui jurisprudência de que os servidores têm direito adquirido à manutenção das vantagens pessoais incorporadas em um determinado cargo público e transpostas para outro cargo, também público, ainda que afeto à outra Unidade da Federação. 7. A Lei Complementar 73/93, que instituiu a Lei Orgânica da Advocacia Geral da União, afirma em seu art. 26, caput, terem os membros efetivos da AdvocaciaGeral da União seus direitos assegurados pela Lei 8.112/90, a qual, em seus arts. 62 e 62A, trata da incorporação de quintos e sua transformação em vantagem pecuniária individual. 8. É inaplicável à hipótese a tese de que o servidor público não tem direito adquirido a regime jurídico, pois no caso a Lei reguladora dos direitos atinentes ao novo cargo também prevê o direito requerido. 9. Embargos de Declaração acolhidos, com efeito modificativo, para dar provimento ao Recurso Especial. (EDcl no REsp 1253998/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/05/2014, DJe 20/06/2014) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração opostos com efeito modificativo para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 351DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 11128.006318/200335 Acórdão n.º 3202001.453 S3C2T2 Fl. 243 15 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000425/2010-56
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
Ementa:
PERIODICIDADE NA ENTREGA DA DCTF PELO CRITÉRIO DE RECEITA BRUTA. RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXTENSÃO DO CONCEITO NÃO CONCEBÍVEL.
As receitas geradas por equivalência patrimonial, por não serem decorrentes da atividade fim (objeto social) da pessoa jurídica não fazem parte do conceito para receita bruta e faturamento, mormente, não podem entrar no cômputo do valor para definição da periodicidade da entrega da DCTF, se mensal ou semestral, não sendo possível a aplicação do conceito trazido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que inclusive foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório.
MULTA. ENTREGA DA DCTF FORA DO PRAZO NORMATIVO. NÃO CABIMENTO.
O contribuinte entregou a DCTF Semestral dentro do prazo normativo. Contudo, pelos sistemas da Receita Federal do Brasil constando como pendência a não entrega da DCTF Mensal, obrigou o contribuinte a cumprir a pendência, pela entrega fora do prazo normativo da obrigação acessória, o que lhe acarretou a multa pelo atraso. Contudo, como a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal não possui fundamento, sua multa também não pode perseverar - o acessório segue o principal. Os dados declarados pela DCTF Semestral se mostram válidos e cumprem o objeto normativo que, declarados no prazo legal supre por completo o objeto da DCTF Mensal.
Numero da decisão: 1802-002.121
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencido o Conselheiro Relator Nelso Kichel. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marciel Eder Costa Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 Ementa: PERIODICIDADE NA ENTREGA DA DCTF PELO CRITÉRIO DE RECEITA BRUTA. RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXTENSÃO DO CONCEITO NÃO CONCEBÍVEL. As receitas geradas por equivalência patrimonial, por não serem decorrentes da atividade fim (objeto social) da pessoa jurídica não fazem parte do conceito para receita bruta e faturamento, mormente, não podem entrar no cômputo do valor para definição da periodicidade da entrega da DCTF, se mensal ou semestral, não sendo possível a aplicação do conceito trazido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que inclusive foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório. MULTA. ENTREGA DA DCTF FORA DO PRAZO NORMATIVO. NÃO CABIMENTO. O contribuinte entregou a DCTF Semestral dentro do prazo normativo. Contudo, pelos sistemas da Receita Federal do Brasil constando como pendência a não entrega da DCTF Mensal, obrigou o contribuinte a cumprir a pendência, pela entrega fora do prazo normativo da obrigação acessória, o que lhe acarretou a multa pelo atraso. Contudo, como a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal não possui fundamento, sua multa também não pode perseverar - o acessório segue o principal. Os dados declarados pela DCTF Semestral se mostram válidos e cumprem o objeto normativo que, declarados no prazo legal supre por completo o objeto da DCTF Mensal.
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RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXTENSÃO DO CONCEITO NÃO CONCEBÍVEL. As receitas geradas por equivalência patrimonial, por não serem decorrentes da atividade fim (objeto social) da pessoa jurídica não fazem parte do conceito para receita bruta e faturamento, mormente, não podem entrar no cômputo do valor para definição da periodicidade da entrega da DCTF, se mensal ou semestral, não sendo possível a aplicação do conceito trazido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que inclusive foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório. MULTA. ENTREGA DA DCTF FORA DO PRAZO NORMATIVO. NÃO CABIMENTO. O contribuinte entregou a DCTF Semestral dentro do prazo normativo. Contudo, pelos sistemas da Receita Federal do Brasil constando como pendência a não entrega da DCTF Mensal, obrigou o contribuinte a cumprir a pendência, pela entrega fora do prazo normativo da obrigação acessória, o que lhe acarretou a multa pelo atraso. Contudo, como a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal não possui fundamento, sua multa também não pode perseverar o acessório segue o principal. Os dados declarados pela DCTF Semestral se mostram válidos e cumprem o objeto normativo que, declarados no prazo legal supre por completo o objeto da DCTF Mensal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 25 /2 01 0- 56 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 76 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencido o Conselheiro Relator Nelso Kichel. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 77 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls. 45/55 contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 35/40) que julgou improcedente a impugnação do auto de infração – multa pecuniária por atraso na entrega da DCTF mensal do PA Setembro/2005 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta do auto de infração de 23/03/2010 (efl. 16) que a Contribuinte, em 30/06/2009, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA Setembro/2005, com atraso de 44 (quarenta e quatro) meses calendário ou fração. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 08/11/2005; b) data de entrega: 30/06/2009; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 4.410.820,61; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos/contribuições informados na DCTF, limitada a 20%; cálculo da multa: R$ 4.410.820,61 x 20% = R$ 882.124,12; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF, ou seja, antes da ciência de início do procedimento de ofício) = R$ 882.124,12 x 50% = R$ 441.062,06 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) por mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. A multa cabível foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, (...) Enquadramento legal: Artigos 115 e 160 do CTN; Artigo 1° da Lei n° 9.249/95; Artigo 7°, inciso II e § 3°, inciso II da Lei n° 10.426/02 e alterações posteriores. (...) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 78 4 A Contribuinte tomou ciência do auto de infração, por via postal, em 30/03/2010 (efls. 31 e 34), e apresentou impugnação em 29/04/2010 (efls.02/09), cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida e que aproveito, nessa parte, para fazer a transcrição, por contemplar os principais aspectos da lide (efls. 35/40), in verbis: (...) 3.1 Preliminarmente alega que entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava a sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei nº 9.718/98 (art. 3º, § 2º), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2º da IN SRF nº 482/04. A receita Federal, no entanto, entendia que as referidas exclusões seriam admitidas exclusivamente para compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, não servindo para a definição de receita bruta para entrega da DCTF. Com a recusa de recebimento da DCTF semestral pela via eletrônica, o contribuinte entregou, por meio de ofício a DCTF do primeiro semestre de 2005 e por meio eletrônico a do 2º semestre. Devido a pendências no SINCOR (de todo o ano de 2005), que impedia a renovação de CND, o impugnante, seguindo orientações da Receita Federal, transmitiu as DCTFs mensais, mesmo tendo apresentado tempestivamente as DCTFs semestrais. 3.1.1 Em razão de erro nos sistemas da Receita Federal, a empresa protocolou ofício de fls. 18, em 09/03/09, requerendo que as DCTFs mensais fossem aceitas. Por sua vez, a Receita Federal verbalmente orientou o impugnante a solicitar o cancelamento das DCTFs semestrais para possibilitar a transmissão das mensais e, via de conseqüência, a baixa das pendências do SINCOR. O pedido de cancelamento do segundo semestre foi protocolado em 20/04/2009, já que a do primeiro semestre não foi transmitida eletronicamente. Em 01/06/2009, o Impugnante foi cientificada da decisão da RFB de cancelamento da DCTF referente ao 2º semestre de 2005 e, em razão disso, transmitiu as DCTFs mensais de todo o ano de 2005, gerando a presente autuação e outras 11 – uma para cada entrega mensal. 3.1.2 O impugnante entendia que estava sujeita à entrega semestral da DCTF e assim o fez, entregando, tempestivamente, a DCTF semestral, posteriormente entregou as DCTFs mensais, todavia esse procedimento não significaria confissão de divida ou concordância com a exigência do Fisco — foi um procedimento meramente burocrático. Do ponto de vista tributário o impugnante não concordava com a exigência da entrega mensal da DCTF. 3.1.3 Mesmo que o entendimento fosse diverso não haveria que se falar em multa, uma vez que houve a entrega da declaração semestral onde constavam todas as informações que a DCTF mensal teria. Ou seja, a entrega, mesmo semestral, permitiria ao Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 79 5 Fisco receber todas as informações por ele exigidas, registrar em seus sistemas e fazer regularmente a ação fiscal, sem prejuízo. Assim, penalizar o contribuinte que agiu de forma tempestiva e diligente, conforme a melhor interpretação da regra, da mesma maneira que aquele que deixou de transmitir informações ao Fisco, descumprindo integralmente a obrigação acessória é desproporcional e antiisonômico.Por fim, caso o entendimento seja pela obrigatoriedade da DCTF mensal o impugnante entende que o cálculo da multa deve levar em consideração apenas o período entre o dia em que a entrega deveria ter ocorrida e o dia em que foi feita a entrega da DCTF semestral. 3.2 Em seguida, o impugnante apresenta as razões pelas quais entende estar sujeito à entrega da DCTF semestral no ano de 2005. Basicamente, alega que o conceito de receita bruta disposto no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 pressupõe as exclusões do § 2º do mesmo dispositivo, assim para o cálculo previsto no inciso I do artigo 2º da IN SRF nº 482/2004 não deveriam entrar as receitas objetos da referida exclusão legal, dentre as quais se encontram as receitas de equivalência patrimonial. Segundo seu entendimento, se o legislador quisesse atingir toda e qualquer receita não teria feito remissão ao § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 que pressupõe as exclusões do § 2º. 3.2.1 Caso não se entenda a receita bruta com as exclusões previstas acima, há que se admitir que as receitas só podem ser consideradas se fizerem parte da base tributável do IRPJ e CSLL, conforme entende estar consubstanciado na ementa da Solução de Consulta que colaciona. 4. Por fim, solicita que seja julgada procedente a presente impugnação, cancelandose o auto de infração em questão, ou ainda, caso não seja este o entendimento, que a multa seja reduzida para incidir somente pelo período decorrido entre o dia em que a entrega deveria ter sido feita com bases mensais e o dia em que foi feita a entrega semestral da DCTF. (...) A DRJ/São Paulo I (8ª Turma), à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 19/04/2012 (efls.35/40), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 80 6 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do anocalendário de 2005, ficaram obrigadas à apresentação mensal da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, as pessoas jurídicas cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais. RECEITA BRUTA. TOTALIDADE DAS RECEITAS. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões previstas no § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98 só servem para o fim de cálculo do PIS e da COFINS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 17/05/2012 (efls. 43 e 71), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/06/2012 (efls. 45/55), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1– Receita bruta. Periodicidade de apresentação da DCTF: Quanto à receita bruta, a Recorrente rechaça o entendimento de que as exclusões do art. 3o, §2°, da Lei n° 9.718/98 seriam admitidas exclusivamente para compor a base do PIS e da COFINS e, portanto, não se prestariam para definir a receita bruta para entrega da DCTF. Vale dizer: que discorda do critério utilizado pelo fisco quanto à definição da periodicidade para apresentação de DCTF. E, por conseguinte, repudia a obrigatoriedade de apresentação de DCTF mensal. A Recorrente pugna pela reforma da decisão recorrida, defendendo a tese, para efeito de definição da periodicidade de entrega da DCTF, da receita bruta, menos a exclusões previstas no § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Senão vejamos: a) que entregou tempestivamente, no ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°); b) que a entrega semestral da DCTF ocorreu porque o artigo 2o, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 482/05, vigente à época dos fatos, não obrigava a Recorrente à entrega mensal; c) que, contudo, o § 1o do art. 2o da IN SRF n° 482/04 determinou que o conceito de receita bruta para fins de determinação do período de entrega da DCTF era aquele contido no §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 81 7 d) que, por decorrência lógica, no conceito de receita bruta a ser observado para cumprimento da obrigação acessória (do §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98) estavam inseridas todas as exclusões previstas no §2° desse mesmo artigo, dentre elas, as receitas de equivalência patrimonial; e) que, ao observar o conceito de receita bruta previsto no art. 2°, I, § 1º, da IN SRF n° 482/05, constatou que não se enquadrava no critério de entrega mensal da DCTF, razão pela qual efetuou a entrega, tempestivamente, da DCTF semestral; f) que em 01/06/2009, foi cientificada da decisão da RFB de cancelamento da DCTF referente ao 2º semestre de 2005; g) que, necessitando renovar sua certidão de regularidade fiscal, entregou a DCTF mensal em 30/06/2009, quanto ao PA Setembro/2005; porém, muito tempo antes (ainda em 2005), entregara, tempestivamente, a DCTF semestral, quanto aos PA do 2º semestre/2005; h) que mesmo entendendo estar sujeita a entrega semestral da DCTF, e assim o fez tempestivamente, acabou por transmitir as DCTF do ano de 2005 de forma mensal, como forma de baixar as pendências apontadas no SINCOR e possibilitar, via de conseqüência, a renovação de sua certidão de regularidade fiscal, documento indispensável à continuidade de suas atividades empresariais. i) que a entrega, por último da DCTF mensal, não desnatura a premissa que defende, ou seja, de que estava obrigada a apresentar DCTF semestral quanto aos PA 2º semestre/2005; que o art. 2o, §1°, da IN SRF n° 482/05 não pode ser interpretado de forma isolada; j) que o dispositivo da IN, ao inserir o conceito estabelecido pelo §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, buscou alcançar para fins de determinação do período de entrega da DCTF um conceito de receita bruta compatível com aquele da lei e com ordenamento jurídico; k) que interpretálo de forma contrária, ou seja, no sentido de que tal conceito não comporta exclusões legais, traduz um equívoco pois parte do pressuposto de que o §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 continha um conceito fechado, fora de todo um contexto no qual foi inserido; l) que a Lei n° 9.718/98, por certo, não contemplava dois conceitos de receita bruta um para a base de cálculo do PIS e da COFINS e outro para outros fins! Tal veículo legislativo possuía apenas uma definição de receita bruta que, necessariamente, se compatibilizava com todo o ordenamento jurídico e contábil; m) que se o legislador pretendesse abranger toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica não seria feita a remissão ao §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, cujo conceito pressupõe as exclusões contidas no §2° do mesmo artigo; n) que, ademais, a corroborar a premissa de que a interpretação isolada de receita bruta decorrente do § 1 o do art. 3o da Lei n° 9.718/98 era incompatível com o ordenamento jurídico, vale relembrar que o Supremo Tribunal Federal, no final do ano de Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 82 8 2005, declarou a inconstitucionalidade de tal dispositivo (RE's n°s 346.084/PR, 390.840/MG, 358.273/RS, 357.950/RS). E, posteriormente, o § I o do art. 3o da Lei n° 9.718/98 foi revogado pela Lei n° 11.941/09; o) que, em suma, o conceito de receita bruta, para qualquer fim, admite exclusões legais, sob pena de incompatibilidade com o ordenamento jurídico. Isso posto, resta demonstrado que a Recorrente se sujeitava à entrega semestral da DCTF, e, consequentemente, não houve atraso apto a legitimar a cobrança da multa remanescente ainda discutida; p) que, por fim, ainda que se admita que o conceito de receita bruta contido no §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 não albergava as exclusões previstas no §2° do mesmo artigo, o que se admite por retórica, ao menos deve ser considerada como receita bruta, para fins de determinação da periodicidade da apresentação da DCTF, àquela relativa à receita tributável pelo IR e pela CSLL, conforme já decidiu a SRF na Solução de Consulta n° 85 de 29.03.2005 da 6a RF: "DCTF MENSAL RECEITA BRUTA A contrapartida do aumento do ativo, em decorrência da atualização dos estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos destinados à venda, tanto em virtude do registro de estoque de crias nascidas no período, como pela avaliação de estoque a preço de mercado, por constituir receita tributável pelo imposto de renda e pela CSLL, deve ser computada para efeito de fixação do limite 30 (trinta) milhões de reais de receita bruta anual que determina a apresentação da DCTF mensal. " q) que, com o devido respeito, ao contrário do que foi afirmado pelo Relator da decisão ora combatida, a mencionada Solução de Consulta demonstra, sim, que a Receita Federal do Brasil considera que as receitas que devem compor a receita bruta para efeito de fixação do limite de 30 milhões de reais de receita bruta anual são aquelas tributáveis pelo IR e pela CSLL; r) que o fato que gerou a apresentação da DCTF semestral ao invés da mensal foi a exclusão, para o cálculo da receita bruta, da receita de equivalência patrimonial. E tal receita não é tributável pelo IR e pela CSLL. 2 – Efetiva entrega das informações e espontaneidade: que a Recorrente entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2o da IN SRF n° 482/04; que a Receita Federal, no entanto, entendia que essas exclusões seriam admitidas exclusivamente para compor a base do PIS e da COFINS, não servindo para definição de receita bruta para entrega da DCTF. Com isso, o valor apurado seria maior e sujeitaria a empresa à entrega mensal. que a ausência da entrega mensal das DCTF deu causa a pendências no SINCOR (de todo o ano de 2005), que impediam a renovação da Certidão Negativa da Recorrente; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 83 9 que a Recorrente, seguindo orientação da própria Receita Federal, viuse obrigada a transmitir as DCTF mensais, mesmo tendo apresentado, tempestivamente, as DCTF semestrais; que, todavia, para que pudesse transmitir as DCTF mensais, e via de conseqüência, obter a baixa das pendências no SINCOR, a Recorrente foi orientada pela Receita Federal a cancelar as DCTF semestrais. Tal procedimento foi efetuado, conforme documentação juntada à impugnação; que a Recorrente, mesmo entendendo que se sujeitava à entrega semestral da DCTF, e assim o fez tempestivamente, acabou por transmitir as DCTF do ano de 2005 de forma mensal, como forma de baixar as pendências apontadas no SINCOR e possibilitar, via de conseqüência, a renovação de sua certidão de regularidade fiscal, documento indispensável à continuidade de suas atividades empresariais; que tal procedimento, adotado unicamente para a obtenção de certidão de regularidade fiscal, deu ensejo à aplicação da multa ora atacada, o que, conforme amplamente demonstrado acima, não merece prosperar; que é certo que a Recorrente entregou, antes de qualquer procedimento da fiscalização, todas as informações necessárias ao cumprimento da obrigação tributária. Assim, em que pese a DCTF ter sido entregue de forma semestral, é cristalino que tal declare não consolidava todas as informações que as DCTF mensais conteriam; que a entrega da DCTF, ainda que de forma semestral, permitiu ao Fisco receber todas as informações por ele exigidas, registrar em seus sistemas e fazer regularmente sua ação fiscal, sem qualquer outro prejuízo aos cofres públicos. Por isso, sob esse argumento, não se justifica, a partir desse momento (da entrega da DCTF semestral) a cobrança de multa; que se tem decisão do Superior Tribunal de Justiça no sentido de inaplicabilidade de multa por descumprimento de obrigação acessória quando não se configura prejuízo ao Fisco (princípio da razoabilidade); que, caso não se entenda pelo afastamento da multa em questão, requer o Recorrente que a referida penalidade seja reduzida para incidir apenas pelo período decorrido entre o dia em que a entrega deveria ter sido feita com bases mensais e o dia em que foi feita a entrega semestral da DCTF; 3 – Não incidência de juros de mora sobre a multa isolada: Por fim, com base nessas razões, a Recorrente pediu a improcedência da multa aplicada de ofício e dos juros de mora ou, subsidiarimente, a redução da multa e dos juros de mora. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 84 10 Voto Vencido Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF mensal do PA Setembro/2005, ou seja, pela inobservância de prazo limite no cumprimento dessa obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF era 08/11/2005. Entretanto, a Contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 30/06/2009. Por isso, da imposição, em concreto, da multa pecuniária objeto dos autos. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão a quo. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. PERIODICIDADE MENSAL. CRITÉRIO. RECEITA BRUTA SEM EXPURGOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. PERDA DE PRAZO. IMPOSIÇÃO DE MULTA PECUNIÁRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A RFB está exigindo, por auto de infração, multa formal pecuniária da Recorrente, por descumprimento de obrigação acessória autônoma, ou seja, pela entrega intempestiva da DCTF mensal atinente ao PA Setembro/2005. A obrigação acessória autônoma entrega de DCTF, quanto a fatos geradores do anocalendário 2005, está regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 482, de 21/12/2004, in verbis: Art. 2ºA partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou II – (...) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 85 11 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Redação dada pela IN SRF nº532, de 30/03/2005) (...) Art. 6ºA DCTF será apresentada: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada ano calendário, no caso de DCTF relativa ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de DCTF relativa ao segundo semestre do ano calendário anterior. (...) A obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensal, a partir de 1º de janeiro 2005, decorreu do fato da Contribuinte no anocalendário 2003 ter apresentado DIPJ informando receita bruta superior a R$ 30 milhões, conforme relata a fiscalização da RFB no Termo de Verificação Fiscal de 16/02/2006 (efls.24/25), in verbis: (...) (1) Foi constatado que o contribuinte fiscalizado deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referentes aos meses de Janeiro e fevereiro de 2005; (2) Em vista do não atendimento das disposições contidas na Instrução Normative nº 482 de 21/12/2004, o contribuinte fiscalizado foi intimado em data de 16/05/2005 (fis. ) a prestar os devidos esclarecimentos, o que foi feito em 13/06/2005 (fls. ). (3) Em suas considerações, entende o contribuintefiscalizado que embora tenha auferido a receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme os dados constantes na DIPJ do arocalendário de 2003, deveria ser excluido o valor de R$ 51.735.971,59 referente à receita de equivalência patrimonial informada na citada DIPJ, (...) valor foi declarado nas DCTFs trimestrais do A/C 2003 inferior ao limite de R$ 3.000.000,00 previsto no inciso II do art. 2 ° da IN 482/2004. (4) Argumenta ainda que em data de 06/10/2005, foi impedido pelo sistema Receitanet de proceder à transmissão eletrônica da DCTF Semestral, apontando o relatório no formato TXT, gerado pelo mencionado sistema, pelo qual a contribuinte estava obrigado a utilizar o PGD DCTF mensal (fl. ). (...) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 86 12 A divergência da Recorrente, em síntese, reside acerca da interpretação das normas infralegais que definem condições ou critérios de obrigatoriedade de apresentação de DCTF semestral ou mensal (IN SRF nº 482/2004); que entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a respectiva DCTF de forma semestral, pois calculara sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2o da IN SRF n° 482/04. A Recorrente defende a tese de que no anocalendário 2005 estaria obrigada a apresentação de DCTF semestral, e não DCTF mensal, alegando: a) que em relação ao critério da receita bruta estariam excluídas as receitas de que trata o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; b) que o art. 2o, I, §1°, da IN SRF n° 482/04, o qual reproduz o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não pode ser interpretado de forma isolada; que discorda da aplicação de um conceito de receita bruta para as contribuiçoes e outro critério para definição do modo e forma como a DCTF deve ser apresentada; que além de tudo o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo STF. c) que, tendo efetuado exclusões de que trata o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.318/98 (mormente o resultado positivo com equivalência patrimonial), apresentou tempestivamente a DCTF semestral, a qual não foi aceita pelo fisco e que, então, algum tempo depois, necessitando a obtenção do Certificado de Regularidade Fiscal ou CND para exercício de sua atividade operacional, foi obrigada a apresentar a DCTF mensal mesmo discordando da interpretação do fisco; que, então, recebeu a autuação pela intempestividade no cumprimento dessa obrigação acessória; d) que, caso seja vencida na tese defendida de necessidade de expurgo do ganho com equivalência patrimonial, então seja acolhida a tese da exclusão da receita bruta das parcelas não tributáveis pelo IRPJ, como é caso do ganho com equivalência patrimonial. Vale dizer, em suas considerações, a Recorrente entende que, embora tenha auferido a receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme dados constantes na DIPJ do anocalendário de 2003, deveria ser excluido o valor de R$ 51.735.971,59 referente à receita de equivalência patrimonial, para efeito de critério ou condição na definição de periodicidade de apresentação da DCTF, se mensal ou semestral. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. Para o anocalendário 2005, como critério de definição, fixação, de periodicidade mensal para apresentação de DCTF, a IN SRF 482/2004 (art. 2º, I, § 1º) estabeleceu a receita bruta, caso auferida em patamar superior a 30 (trinta) milhões de reais no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada, independentemente da receita ser tributada ou não. “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas (Lei 9.718, art. 3º, § 1º). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 87 13 A obrigação acessória autônoma – DCTF não tem natureza de tributo (não está vinculada a fato gerador de nenhum tributo); é uma obrigação de fazer autônoma, implementada em decorrência do poder de polícia administrativa (fiscalização de tributos). Nesse caso, o fisco pode, nada impede, de utilizar o critério alargado da receita bruta (sem expurgos), para efeito de definição, determinação da períodicidade de apresentação dessa declaração pelos contribuintes. O STF declarou a inconstitucionalidade do alargamento da receita bruta do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 para efeito tributário (quando utilizado como matéria tributável, base de cálculo, imposição/aumento de carga tributária), por envolver fato gerador de imposição tributária (com ressalva das instituições financeiras ou equiparadas, pois as receitas de tal atividade são eminentemente financeiras). Inclusive, o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 já foi revogado pela Lei nº 11.941/09. Porém, como dito inicialmente, a situação dos autos é diversa; é de outra ordem. Entretanto, no caso a receita bruta alargada (sem expurgos) está sendo utilizada meramente como critério para definição, fixação, de periodicidade de entrega da DCTF, para efeito de cumprimento de obrigação acessória autônoma de natureza não tributária (obrigação formal, autônoma, não atinente a fato gerador de determinado tributo ou contribuição). Vale dizer, a IN SRF nº 482/2004 (art. 2º, I, § 1º) utilizou o entendimento de receita bruta ampliado para efeito de obrigação acessória autônoma, a qual não tem natureza tributária (obrigação autônoma de fazer de natureza não tributária, decorrente da atividade de fiscalização, poder de polícia da Administração Tributária), conforme precedentes jurisprudenciais transcritos mais adiante. Desta forma, entendo, data venia, que não há óbice algum para utilização do critério da receita bruta sem expurgos – como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, para definição, fixação, da periodicidade mensal de entrega da DCTF para o anocalendário 2005. Logo, o ganho de equivalência patrimonial integra o conceito de receita bruta, para efeito de critério, fixação, da periodicidade mensal para entrega da DCTF (obrigação acessória autônoma), pois é irrelevante o fato dessa parcela da receita bruta ter ou não tratamento específico na legislação do IRPJ e de outras exações fiscais. Vale dizer, para efeito de condição ou definição da periodicidade de entrega mensal ou sementral da DCTF, pouco importa se algumas parcelas da receita bruta total são, ou não, tributáveis pelo IRPJ, CSLL, PIS ou Cofins. Todas as receitas devem ser computadas na receita bruta como condição para definição da periodicidade para apresentação da DCTF: se mensal ou semestral. Tanto que pessoas jurídicas imunes ou isentas, ainda que todas as suas receitas sejam imunes ou isentas, também estão obrigadas a apresentar DCTF mensal, caso a receita bruta total esteja enquadrada no art. 2º, I, da IN SRF nº 482/2004 (dispositivo já transcrito acima). Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 88 14 A escolha, eleição de critérios, condições, para definição de periodicidade, modo e forma de cumprimento de obrigação acessória autônoma (para entrega tempestiva de DCTF pelos contribuintes) são prerrogativas da Administração Tributária, dentro da política de fiscalização, e não envolvem imposição tributária, nem aumento de carga tributária. Logo, é mera tergiversação a tese da Recorrente de que a receita – ganho com esquivalência patrimonial deveria ser expurgada da receita bruta. Não se está no campo de imposição tributária, mas de mera utilização de critério para fixação de periodicidade de entrega da DCTF. Não teria nenhum sentido exigir a entrega de DCTF com base na condição de receita bruta total, se houvesse a permissão de exclusões ou expurgos de receitas, mascarando o controle da fiscalização. O fisco não teria a real dimensão, de plano, de forma expedita, do nível de atividade econômica do contribuinte, se compatível em relação ao montante dos tributos declarados na DCTF. É a situação dos autos. A Contribuinte, atuando no ramo de capitalização (equiparada à instituição financeira) auferiu receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme dados constantes da DIPJ do anocalendário de 2003. Se fosse permitida a exclusão de R$ 51.735.971,59 (ganho com equivalência patrimonial) da receita bruta total, o critério da receita bruta restaria esvaziado ou prejudicado, o que inviabilizaria a utilização desse critério dentro da política de fiscalização de controle das DCTF, pois não espelharia o nível de atividade econômica da Recorrente que, pertencendo à categoria dos médios/grandes contribuintes deste País, passaria a apresentar DCTF não mensal, mas semestral – como se fosse contribuinte de pequeno porte a partir de 01/01/2005, implicando, além de postergação de informações, evidente prejuízo ao controle expedito mensal pela repartição fiscal de origem, quanto a fatos geradores do anocalendário 2005 e seguintes. Implementação da DCTF. Base legal. A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Federais), obrigação acessória autônoma, foi instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126/98, de 30 de outubro de 1998, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e em consonância com o art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 89 15 § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...). No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (grifei) (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 90 16 EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...). 3) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea. Precedentes jurisprudenciais. Matéria sumulada pelo CARF. Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável, como mencionado anteriormente, o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória (infração de natureza não tributária, infração de natureza formal). Nesse sentido, transcrevo a fundamentação do voto do Exmo. Sr. Ministro do STJ, José Delgado, no REsp n° 190388/GO, que tratou da multa pelo atraso na entrega da declaração do Imposto de Renda, cujo entendimento é, igualmente, aplicável à entrega tardia da Dimob, DCTF etc, pois são exemplos de obrigação acessória autônoma, in verbis: "A configuração da denúncia espontânea, como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 91 17 A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte." (Grifei) No mesmo sentido, cabe trazer à baila precedentes jurisprudenciais do STJ: EAREsp n° 258141/PR, cujo acórdão tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. PRECEDENTES. 1. (omissis) 2. (otnissis) 3. (omissis) 4. A entidade 'denúncia espontánea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições e Tributos Federais DCTF. 5. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 6. (omissis) 7. Embargos declaratórios rejeitados." Acórdãos em sede de Recurso Especial REsp cujas ementas transcrevo, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 92 18 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Ainda, nessa linha de entendimento, por ser elucidativo, colaciono a ementa do seguinte julgado do TRF/2ª Região: TRIBUTÁRIO. ENTREGA DCTF EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. LEGALIDADE. 1. Conforme iterativa jurisprudência do STJ, somente são albergadas pela denúncia espontânea as infrações de natureza tributária, quer sejam principais ou acessórias. 2. O retardamento na entrega do DCTF constitui mera infração formal. 3. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessária ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. 4. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação autônoma, não abarcada pela denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF. 5. A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do Fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. 6. Remessa e recursos conhecidos e providos. (AMS NUM: 97.02.329043 REG: 02 TURMA: 06 DEC: 1506 2004 REL: JUIZ POUL ERIK DYRLUND). Na esfera administrativa, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, também, nesse diapasão, pronunciouse sobre o assunto e destaco, aqui, a ementa do Acórdão CSRF n° 020.829, da lavra da ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez: "DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 93 19 vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Precedentes do STJ.” Ademais, por ser matéria de entendimento pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – CARF, a inaplicabilidade da denúncia espontânea quanto à obrigação acessória autônoma encontrase sumulada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo exposto, demonstrada está a inaplicabilidade da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN para cumprimento tardio, a destempo, de obrigação acessória autônoma, pois tratase de obrigação que não tem natureza tributária (infração de natureza formal). Perda de prazo. Cominação de penalidade. Lei em sentido estrito. Já, a multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Ainda, como a entrega da DCTF semestral não configurou cumprimento de obrigação acessória (DCTF com períodicidade diversa da determinada), logo incabível a Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 94 20 pretensão da Recorrente de que fosse exigida a multa apenas para o período entre a data limite para cumprimento tempestivo da DCTF mensal e a data de entrega da DCTF semestral. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a decisão recorrida. JUROS DE MORA SOBRE O VALOR DA MULTA REGULAMENTAR ISOLADA. No caso, foi aplicada multa regulamentar – por infração de natureza formal (de natureza nãotributária) – perda de prazo para cumprimento tempestivo de obrigação acessória autônoma, ou seja, por penalidade não vinculada à falta de pagamento de tributo ou contribuição. Por não ter natureza tributária essa infração (infração formal descumprimento de obrigação autônoma), é inaplicábel o instituto da denúncia espontânea, ainda que seja cumprida a obrigação acessória após o prazo de vencimento e antes do início de qualquer procedimento de ofício. Mas, o descumprimento dessa obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (CTN, art. 113, § 3º). O crédito decorrente dessa multa isolada aplicada, quando não pago até a data de vencimento, sujeita a cobrança de juros de mora, sim, conforme art. 43 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o art. 43, transcrito acima, estatui a imposição de juros de mora SELIC, na hipótese de auto de infração – imposição de multa isolada. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 95 21 Voto Vencedor Conselheiro Marciel Eder Costa – Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente Relator, peço vênia para dele divergir, especificamente quanto ao que diz respeito à interpretação do conceito “receita bruta” para fins de determinação da obrigatoriedade da periodicidade da entrega da DCTF, interpretação esta que define a incidência ou não da multa por atraso na obrigação acessória, objeto de análise nos presentes autos. Portanto, o alcance da divergência ora proposta é em relação ao tópico “OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. PERIODICIDADE MENSAL. CRITÉRIO. RECEITA BRUTA SEM EXPURGOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. PERDA DE PRAZO. IMPOSIÇÃO DE MULTA PECUNIÁRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.” com resultado diretamente vinculado ao resultado de mérito. O voto condutor analisou adequadamente à luz da norma vigente à época, pela Instrução Normativa nº 482, de 21 de dezembro de 2004, que: Art. 2ºA partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou [...] Portanto, o critério que definiu a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal é ser a Receita Bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF superior a 30 milhões de reais. A referida Instrução Normativa também estabeleceu prazo para sua apresentação: Art. 6ºA DCTF será apresentada: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; [...] Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 96 22 Assim, tratandose de obrigatoriedade de apresentação da DCTF relativa ao anocalendário de 2005, devese recorrer ao anocalendário 2003 na busca da Receita Bruta tendente a definir a periodicidade de entrega: mensal ou semestral. A análise desta questão foi feita tanto pela r. fiscalização como pelo voto condutor, acima já transcrito, que identificou que a “receita bruta” no anocalendário do contribuinte em 2003, conforme constante em DIPJ foi de R$ 55.352.891,77, valor superior portanto, aos 30 milhões de reais, o que em tese determina ser a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal. Ocorre que o contribuinte, com razão, expõe que deste montante, R$ 51.735.971,59 está claramente atrelado à receita por equivalência patrimonial, o que não poderia ser considerado intrínseco ao conceito de “receita bruta”. No voto condutor, o Eminente Relator aplicando o conceito de “receita bruta” do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, entendeu que independe a classificação contábil adotada para a receita, devendo ser considerado a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” e que, no critério de obrigação acessória autônoma, implementada como decorrente do poder de polícia administrativa, seria cabível a aplicação de critério alargado para determinação da periodicidade de apresentação da DCTF. Ainda, na interpretação exarada, dispõe que a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo do §1º do art. 3º da referida Lei teria efeito tão somente tributário, e não haveria óbice de sua utilização como critério para definição da periodicidade na entrega da DCTF. Daí, conclui que: [...] Desta forma, entendo, data venia, que não há óbice algum para utilização do critério da receita bruta sem expurgos – como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, para definição, fixação, da periodicidade mensal de entrega da DCTF para o anocalendário 2005. Logo, o ganho de equivalência patrimonial integra o conceito de receita bruta, para efeito de critério, fixação, da periodicidade mensal para entrega da DCTF (obrigação acessória autônoma), pois é irrevalente (sic) o fato dessa parcela da receita bruta ter ou não tratamento específico na legislação do IRPJ e de outras exações fiscais. [...] (Grifo no original) Na sequência, o Eminente Relator através de precedentes jurisprudenciais e enxertos da própria legislação que (i) denotam a força normativa para imposição da multa por Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 97 23 atraso na obrigação acessória, (ii) afastam a hipótese de aplicação das benesses da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional e (iii) impõe a incidência de multa pecuniária pela falta da entrega da DCTF, ou a entrega a destempo, determinou a manutenção da decisão recorrida, matérias não contraditadas pela Turma. Contudo, o conceito de “receita bruta” incluindo as receitas a título de equivalência patrimonial na visão da maioria, não corresponde a melhor interpretação. Primeiramente, forçoso destacar que o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido inclusive declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório. Num dos Acórdãos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal observase que o objeto principal da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em comento, foi exatamente a extrapolação do conceito já definido pelo direito privado para “receita bruta” e “faturamento”, contrariando o art. 110 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (Grifouse) Logo, não se pode definir como parâmetro para qualquer fim esse dispositivo legal, incluindo na definição da periodicidade na entrega da DCTF, mensal ou semestral. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 98 24 Isto porque, está evidente a afronta aos princípios basilares da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, a definição de “receita bruta” e “faturamento” feitas pelo dispositivo em comento. O conceito de “receita bruta” da pessoa jurídica deve estar vinculado à atividade fim a que está estabelecida. Vejase que a recorrente tem como objetivo social a venda de títulos de capitalização. Neste ínterim, as receitas contábeis obtidas por equivalência patrimonial não são vinculadas a sua atividade fim, mormente que não podem ser consideradas como receita bruta da pessoa jurídica. Interpretação diferente estendendo o conceito de receita bruta e faturamento, incluindo receitas que embora influenciem no resultado patrimonial da pessoa jurídica, não fazem parte de seu objetivo social, diverge totalmente ao que já está definido pelo direito privado para esses institutos, desde outrora. Não vejo como possível adotar essa interpretação apenas para fins tributários, nem como estender o alcance impositivo da multa para definição da periodicidade da entrega das obrigações acessórias, pois se tratam exatamente do mesmo conceito para receita bruta e faturamento, não havendo como ser diferente a interpretação de uma em relação à outra. Ademais, ainda que o referido dispositivo servisse de base para definição do conceito de “receita bruta” e “faturamento”, a mesma Lei constitui hipóteses de exclusão da receita bruta, daí sim, afetando para fins tributários a base de cálculo de incidência dos tributos relacionados ao PIS e à COFINS: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; [...] (Grifouse) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000425/201056 Acórdão n.º 1802002.121 S1TE02 Fl. 99 25 Apesar do §2º intentar determinar somente uma exclusão da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, fato é que relacionou em seu contexto uma clara extensão de exclusão da própria concepção de receita bruta, que havia sido definida pelo §1º, posteriormente revogado. Assim sendo, desconsiderando o §2º, inciso II, o “resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido” onde estariam enquadrados os resultados provenientes de equivalência patrimonial da receita bruta, por evidente que tal montante também não deveria influenciar na definição da periodicidade da entrega da DCTF de forma mensal. Por tais motivos, a turma por maioria entende equivocada a imposição de multa pela obrigatoriedade na entrega da DCTF Mensal, visto que o conceito de faturamento e receita bruta para definição da periodicidade não pode se estender às receitas por equivalência patrimonial. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROCEDÊNCIA ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10880.904108/2008-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 08 /2 00 8- 24 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904108/200824 Acórdão n.º 3803006.709 S3TE03 Fl. 67 2 O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, do período de apuração identificado na ementa supra, no valor atualizado até então de R$ 26.764,38. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora após a ciência da decisão de origem, declaração essa que, segundo ele, comprovaria o valor correto da contribuição devida no período. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 02/12/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904108/200824 Acórdão n.º 3803006.709 S3TE03 Fl. 68 3 Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca de declaração de compensação não homologada por falta de comprovação do crédito pleiteado. Para justificar o direito alegado, o Recorrente se vale apenas da DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo que o seu não acatamento configura ofensa ao princípio da verdade material, nada trazendo aos autos que pudesse demonstrar a origem e comprovar, com documentação hábil e idônea, o crédito argüido. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Destaquese que nem mesmo após a Delegacia de Julgamento ter alertado o Recorrente da necessidade de comprovação do crédito pleiteado, com base em documentos hábeis e idôneos, ele se predispôs a instruir os autos com qualquer elemento de sua escrita fiscal, não tendo nem mesmo demonstrado a origem do pagamento efetuado a maior. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904108/200824 Acórdão n.º 3803006.709 S3TE03 Fl. 69 4 Apenas a apresentação da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do despacho decisório, desacompanhada de qualquer outro elemento de prova, inclusive sem menção à justificativa do pagamento realizado a maior, não é apta a demonstrar e comprovar o direito creditório pleiteado. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode ir além das provas carreadas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Nesse contexto, por ausência de prova do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19311.720487/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AFRONTA.
Incabível a discussão, na esfera administrativa, quanto à possível inaplicabilidade da norma legal por ofensa a princípios constitucionais, tendo em vista o devido cumprimento às determinações legais inseridas no ordenamento jurídico bem como a vinculação e a obrigatoriedade da atividade administrativa.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS E EXCLUSÕES DECLARADAS.
São considerados indedutíveis dispêndios e exclusões cuja contabilização não for justificada pela apresentação da correspondente documentação. Compete ao contribuinte provar afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário, ônus que não é afastado pela alegação de ocorrência de incêndio.
FORMA DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL.
Analisada a escrituração contábil transmitida à Receita Federal e considerada válida pela Fiscalização para apuração do lucro real, improcedente a pretensão do contribuinte de valer-se de sua própria infração de deixar de apresentar prova documental de parte dos dispêndios e de exclusões registradas e questionadas no procedimento fiscal e na autuação, para defender a necessidade de arbitramento de seu lucro.
DESTRUIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INCÊNDIO. PROCEDIMENTOS REGULAMENTARES.
Ocorrendo a eventual destruição de livros e documentos que amparam a escrituração, em decorrência de incêndio, é mister que o contribuinte adote, no intuito de provar suas alegações, todas as providências previstas no art. 264, § 1º, do RIR/99.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente.
Numero da decisão: 1401-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AFRONTA. Incabível a discussão, na esfera administrativa, quanto à possível inaplicabilidade da norma legal por ofensa a princípios constitucionais, tendo em vista o devido cumprimento às determinações legais inseridas no ordenamento jurídico bem como a vinculação e a obrigatoriedade da atividade administrativa. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS E EXCLUSÕES DECLARADAS. São considerados indedutíveis dispêndios e exclusões cuja contabilização não for justificada pela apresentação da correspondente documentação. Compete ao contribuinte provar afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário, ônus que não é afastado pela alegação de ocorrência de incêndio. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL. Analisada a escrituração contábil transmitida à Receita Federal e considerada válida pela Fiscalização para apuração do lucro real, improcedente a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 87 /2 01 3- 98 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 859 2 pretensão do contribuinte de valerse de sua própria infração de deixar de apresentar prova documental de parte dos dispêndios e de exclusões registradas e questionadas no procedimento fiscal e na autuação, para defender a necessidade de arbitramento de seu lucro. DESTRUIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INCÊNDIO. PROCEDIMENTOS REGULAMENTARES. Ocorrendo a eventual destruição de livros e documentos que amparam a escrituração, em decorrência de incêndio, é mister que o contribuinte adote, no intuito de provar suas alegações, todas as providências previstas no art. 264, § 1º, do RIR/99. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 860 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 13ª Turma da DRJ/POR SP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Trata o presente processo de Autos de Infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cientificados em 30/04/2013, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 37.043.761,42, aí incluídos principal, juros de mora calculados até 29/04/2013 e multa de ofício de 75%, em razão das irregularidades apuradas nos anoscalendário de 2008 e 2009 e assim descritas no Auto de IRPJ (fls. 683/684): 001 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS Glosa de despesas para as quais o contribuinte, intimado, não apresentou, documentos que comprovem a existência e dedutibilidade das despesas. Valor apurado conforme Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimentos Fiscal que acompanha e é parte integrante deste Auto de Infração. Enquadramento Legal: Arts. 247,§ 1°, inciso I, 251 e parágrafo único, 264, 271, 274, 276, 299 e 300, 335 a 340, do RIR/99. 002 PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS Glosa de despesas de perdas no recebimento de créditos para os quais o contribuinte, intimado, não comprovou a dedutibilidade. ... Enquadramento Legal: Art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, com as alterações do art. 14, da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 335 a 339 e 340, § 1°, inciso II, alíneas "b" e "c", do RIR/99. 003 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro líquido do exercício. O contribuinte não apresentou elementos e documentos que comprovem a dedutibilidade dos valores excluídos. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 861 4 Enquadramento Legal: Art. 250, inciso I, do RIR/99. As irregularidades verificadas foram contextualizadas no Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento Fiscal, de fls. 649/659, no qual o Autuante inicia informando que: a fiscalização foi iniciada em 23/12/2011 e teve por objetivo verificar o cumprimento das obrigações relativas ao IRPJ dos anoscalendário 2008 e 2009. O MPF foi prorrogado para até 14 de maio de 2013; o contribuinte não apresentou os documentos solicitados na fiscalização, bem como diversos outros elementos relativos principalmente ao item "Outras Exclusões" da DIPJ do anocalendário 2009. ante a proximidade da decadência, em 22/03/2013 encerramos parcialmente a fiscalização relativa ao primeiro trimestre de 2008, com os elementos disponíveis. O contribuinte foi cientificado em 27/03/2013, dos autos de infração objeto do processo n° 19311.720061/201334; o contribuinte não apresentou novos elementos, nem se manifestou; trata este Termo do período de abril de 2008 a dezembro de 2009. Na seqüência, passa a narrar os procedimentos de fiscalização, como segue: em 06/12/2011 estivemos no endereço do contribuinte constante do cadastro CNPJ à Rod. Constatamos que o contribuinte não funciona mais no local. Foi lavrado Termo de Constatação Fiscal n° 02; em 23/12/2011 o contribuinte foi cientificado, através do Edital de Intimação SEFIS n° 105, de 08 de dezembro de 2011, do termo de Início do Procedimento Fiscal, que entre outros solicitou relação de contas contábeis que registram os lançamentos relativos às informações prestadas em DIPJ... sob título Outras Despesas Operacionais, Outras Despesas Financeiras e Outras Exclusões; em 02/01/2012, o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal n° 003 [fls. 215/216], com o seguinte teor: Em 06/12/2011 estivamos no endereço do contribuinte constante no cadastro CHPJ, Rod. Dom. Gabriel Paulino Bueno Couto, km 66,6, sai número, em Jundiai, SP, Constatamos qum a êipresâ não funciona mais no local. Ha itsfflâ data lâtrraios Termo de Constatação Fiscal n° 0002. Através do Edital de Intimação SEFIS n° 105, de 08/12/2011, o contribuinte foi cientificado mm 23/12/2011 do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal a do^ Termo de Constatação Fiscal n° 0002. Em 0.2/01/2012, às 11:00 hs, pelo telefone (14) 35111199, conversamos com a Sra Piva, qu<ü informou trabalhar na área fiscal da empresa, que o número de telefone (14)35332Q22 constante do cadastro ClíFJ não é mais o telefone de contato da empresa, que agendaria para um representante da empresa vir a DKF/Jxmdiai inteirarse da intimação. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 862 5 Ante o exposto, INTIMAMOS o contribuinte a apresentar no prazo especificado os elementos abaixo: Prazo; 10 {dez) dias Período de apuração; Anoscalendário 200B e 2009 1. Contrato social em vigor e alterações dos últimos cinco anos; 2. Nome de pessoa e telefone para contato da fiscalização durante o procedimento fiscal; 3. Esclarecer a situação da empresa quanto à venda de ativos/estabelecimento, endereço, funcionamento e informações constantes do cadastro CNPJ. Entregamos nesta data ao representante da empresa, juntamente com este Termo, uma via do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal e do Termo de Constatação Fiscal n° 0002, Pica o contribuinte cientificado que o prazo para atendimento ao Termo de Inicio do Procedimento Fiscal ê de 20 (vinte) dias a contar de 23/12/2011, em 07/03/2012 o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal n° 005, que solicitou que os livros e documentos fiscais estivessem disponíveis para a fiscalização, em local e data a serem indicados, bem como indicação de pessoa apta a prestar esclarecimentos sobre os documentos e lançamentos; em 13/03/2012 o contribuinte apresentou manifestação informando a impossibilidade de atender ao requisitado na Intimação n° 005, em virtude de incêndio que consumiu seus arquivos, à exceção dos livros em poder da fiscalização estadual; em 24/04/2012 o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal n° 006 que informou que a fiscalização estava analisando os lançamentos contábeis, e que por amostragem seriam selecionados lançamentos para os quais seriam solicitados documentos de comprovação. Foi intimado a assinar recibos anteriormente apresentados à fiscalização. em 02/05/2012 recebemos os recibos solicitados. em 16/06/2012 o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal n° 007 que entre outros solicitou esclarecimentos sobre uma amostra significativa de lançamentos contábeis relativos às Outras Despesas Operacionais e os documentos que os fundamentam. Foi informado de que, para todos os documentos comprovantes de lançamentos solicitados, deveriam ser claramente identificados os beneficiários e comprovadas as efetivas transferências dos benefícios (pagamento de despesas, concessão de descontos, etc.). Foi informado de que as explicações prestadas sobre os lançamentos deveriam ser no sentido de demonstrar a mecânica das contas e que as despesas realmente existem. Foram solicitados informações e documentos notadamente relativos a outras exclusões (itens 2 e 3), a devedores duvidosos (itens 9 e 10), a despesas de publicidade (itens 11 e 12) e a descontos concedidos por força de vendas (itens 16 a 19); em 05/07/2012, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para atendimento ao Termo n° 0007; em 05/07/2012 o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal n° 0008 que entre outros solicitou esclarecimentos sobre uma amostra Fl. 862DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 863 6 significativa de lançamentos contábeis relativos às Outras Despesas Financeiras e os documentos que os fundamentam. Foram solicitados, entre outros, documentos que comprovem os lançamentos contábeis e a dedutibilidade de diversas despesas (item 3), notadamente variações monetárias passivas (a crédito de "Caixa", de "Clientes Nacionais" e de "Descontos Concedidos a clientes a pagar ") em 12/07/2012 o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal n° 0009 e intimado para comparecer no Serviço de Fiscalização contador qualificado para esclarecer os procedimentos contábeis adotados pela empresa, de forma geral e em específicos casos objeto das intimações e a apresentar documentos sobre alienação de estabelecimento. em 25/07/2012, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para atendimentos aos Termos n° 0007, 0008 e 0009. Apresento CD contendo arquivos de notas fiscais. Na mesma data o Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0010 prorrogou o prazo de atendimento aos referidos termos. em 14/09/2012 o contribuinte foi cientificado do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0011, que prorrogou o prazo para apresentação dos elementos faltantes; em 07/11/2012 o contribuinte foi cientificado do Termo de Reintimação Fiscal n° 0012, que novamente solicitou os elementos faltantes do Termo n° 0007. No item "Contexto", foi feito um retrospecto dos elementos solicitados não apresentados pelo contribuinte, notadamente sobre as Outras Exclusões, Devedores Duvidosos, Despesas de Propaganda e Publicidade e Desconto Força de Venda. Foi informado de que a não apresentação dos elementos solicitados implicaria a glosa das despesas de título "Outras Exclusões", das de Devedores Duvidosos, da de Propaganda e Publicidade. Foi explicitado ao contribuinte o entendimento da fiscalização de que descontos a pagar são provisões e informado de que à fiscalização interessa ver comprovados pelo contribuinte que as despesas realmente pertencem ao período em que lançadas. Foi reintimado a apresentar os documentos que fundamentam os lançamentos de despesas de Propaganda e Publicidade relacionados no Termo n° 0007, bem como cópias de contratos de serviços e comprovantes de pagamentos que identifiquem o recebedor (itens 4 e 5). Foi intimado a explicar os lançamentos relativos a Descontos de Força de Venda. Foi informado de que os documentos comprovantes de lançamentos deveriam ser identificados os beneficiários e comprovadas as transferências de benefícios; em 03/12/2013 o contribuinte apresentou resposta ao Termo n° 0012, fornecendo diversas explicações e informações. Informou que não entendeu o solicitado nos itens 9 e 11 da intimação. Apresentou CD, que foi recebido com pendência de verificação de conteúdo. Informou que seguiam relatórios com os vencimentos dos títulos de devedores duvidosos, razão contábil relativo a fretes e respectivos fornecedores, planilha com transferência da conta Variações Monetárias Passivas para conta Descontos Financeiros Concedidos, correção de arquivos de notas fiscais de 2008, provavelmente constando no CD. Solicitou prorrogação para atendimento do Termo n° 0012. A prorrogação foi concedida na própria manifestação do contribuinte. Foi informado verbalmente de que os documentos solicitados poderiam ser obtidos junto a seus clientes ou fornecedores; em 20/12/2012 o contribuinte novamente solicitou prorrogação de prazo Fl. 863DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 864 7 em 21/12/212 o contribuinte foi cientificado do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal n° 0013, que procurou esclarecer a solicitação dos itens 9 e 11 do Termo n° 0012 e prorrogou por vinte dias o prazo de atendimento ao Termo. em 17/01/2012, o contribuinte foi cientificado do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0014, que prorrogou o prazo por vinte dias. em 30/01/2012 e 15/02/2012 o contribuinte solicitou novas prorrogações. em 05/03/2013 o contribuinte foi cientificado do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0015, que prorrogou por vinte dias o prazo para atendimento aos Termos n° 0012 e 0013 em relação somente aos lançamentos do período 01/4/2008 a 31/12/2009. Foi informado de que a fiscalização trabalharia com os elementos disponíveis em relação ao primeiro trimestre de 2008. Foi solicitado que a contadora Sra. Marilza, ou outro contador habilitado, entrasse em contato com a fiscalização por telefone, em vista da dificuldade que temos encontrado para contatála; contatamos que o CD entregue em 03/12/2012 se encontra vazio, sem prejuízo dos lançamentos efetuados, pois estes não têm relação com as informações que poderiam constar do CD. O contribuinte não apresentou novos elementos, nem se manifestou. Em relação aos itens tratados neste Termo, não apresentou nenhum documento, Quando apresentados elementos, tratase de relatórios internos à empresa. Descreve, então os seguintes fatos constatados: Este Termo se refere ao período de 01 de abril de 2008 a 31 de dezembro de 2008. O contribuinte não apresentou os documentos solicitados. As conclusões da fiscalização tratam: da não apresentação pelo contribuinte de documentos fiscais que comprovem as despesas lançadas no arquivo contábil SPED; do não esclarecimentos dos fatos, dedutibilidade das despesas e documentos relativos às outras exclusões; da não comprovação de que despesas de provisão de devedores duvidosos sejam dedutíveis; e da constatação de que parte dos descontos concedidos tem a natureza de provisão não dedutível. 2.1 Despesas de publicidade. O contribuinte não apresentou os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal n° 0007 relativos a uma amostra significativa dos lançamentos de despesas de Propaganda e Publicidade, relacionados nas planilhas "Lançamentos a Despesas com Propaganda e Publicidade 2008", "Lançamentos a Despesas com Propaganda e Publicidade 2009" e "Lançamentos a Conta Propaganda e Publicidade x Adto Cliente McLeny 2009" anexas àquele termo. Foram solicitados os documentos que fundamentam os lançamentos, contratos de serviços e comprovantes de pagamentos que identifique o recebedor (itens 11 e 12 do termo n° 0007). O contribuinte foi reintimado a apresentar os documentos através do Termo de Reintimação Fiscal n° 0012 (itens 4 e 5 do termo). Foi informado de que a não Fl. 864DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 865 8 apresentação dos elementos solicitados implicaria a glosa de todas as despesas de Propaganda e Publicidade (item 3 do Contexto do Termo n° 0012). O contribuinte não apresentou os documentos solicitados. Glosamos despesas constantes das planilhas anexas "Lançamentos a Despesas com Propaganda e Publicidade abril a dezembro de 2008", "Lançamento a Débito de Propaganda e Publicidade 2009" e "Lançamentos a Conta Propaganda e Publicidade x Adto Cliente McLeny 2009 ", lançadas pelo contribuinte à conta de Prejuízos do Exercício, por falta de apresentação de documentos que comprovem as despesas lançadas e sua dedutibilidade, nos seguintes valores: 2.2 Devedores Duvidosos O Termo de Intimação Fiscal n° 0007pediu nos itens 9 e 10 que se identificassem as despesas e documentos que fundamentam as despesas de devedores duvidosos, bem como demonstrar e comprovar que obedecem aos critérios de dedutibilidade previstos nos artigos 340 a 343 do RIR/99. O contribuinte apresentou arquivos com relatórios de controle de títulos "SGF0911 Boletim Financeiro", Subtítulos "Lançamentos Realizados entre 01/01/2008 31/12/2008" e 2009, e "18000001012801_ DEV.DUVIDOSOS LINS SP" juntados ao processo. Identificamos nos arquivos de notas fiscais apresentados pelo contribuinte que os títulos de números 40678, 40679, 40680, 40681, 40682, 42715, 42716, 44561, 45046, 49052, 49374, 49376, 51651, 55672 e 55673 referemse a cobranças relativas a vendas realizadas no ano de 2009, superiores a R$ 5.000,00. Foram baixadas indevidamente como incobráveis no próprio ano de emissão, contrariando a exigência de vencimento superior a um ano conforme artigo 340, § 1°, inciso II, alienas "b" e "c" do RIR/99. Em relação aos títulos números 12407, 17701, 29432, 39228, 39697, 40680, 40682 e 49052, listados nos relatórios de controle, todos de valores superiores a R$ 30.000,00 é condição para dedutibilidade a comprovação da existência de procedimentos judiciais para o recebimento (inciso "c" da norma citada) No Termo de Reintimação Fiscal n° 0012 solicitamos comprovar a existência dos referidos procedimentos judiciais. Em sua manifestação de 27 de novembro de 2012 o contribuinte informou que "a baixa foi realizada mediante informação de nosso departamento de cobrança devido a falta de retorno de cliente". Não apresentou elementos necessários à comprovação da dedutibilidade. A planilha anexa "Notas Fiscais de Saída lançadas a Devedores Duvidosos no ano da emissão" lista as notas fiscais e seus itens, de valor superior a R$ 5.000,00, com informações extraídas dos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte. Onde a coluna "Dia do Movimento" indica a data de saída das mercadorias vendidas. A planilha anexa "Notas Fiscais acima de R$ 30.000,00 dedutibilidade não comprovada", lista as notas que exigem procedimentos judiciais para sua baixa. Glosamos despesas de perdas no recebimento de créditos não dedutíveis e/ou de dedutibilidade não comprovada, nos valores abaixo: Trimestre 2/2009: R$107.185,00 Trimestre 3/2009: R$656.650,89 Trimestre 4/2009: R$179,721,20 2.3 Provisões não dedutíveis de descontos Força de Venda Fl. 865DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 866 9 a) Intimações realizadas O Termo de Intimação Fiscal n° 007, em seus itens 16 a 19, solicitou explicações sobre lançamento às contas Desconto Concedido Força de Venda e Desconto Cliente Força de Venda a Pagar. Solicitou informar porque os lançamentos geram despesas a pagar e passivo de fornecedores. O contribuinte limitouse a informar que se tratam de descontos concedidos em troca de propaganda/divulgação. Em relação aos lançamentos a conta fornecedores e despesas a pagar, limitouse a informar que não conseguiu localização informações e documentos devido a incêndio. O Termo de Reintimação Fiscal n° 0012 reintimou o contribuinte e informou o que a fiscalização entende que o desconto concedido deve ser contabilizado no momento de sua concessão; que a contrapartida contábil deve ser uma conta de ativo; que se a contrapartida é uma conta de passivo, na verdade tratase de provisão. A planilha "Lançamentos a conta Desconto Concedido Força de Venda 2008 " anexa ao Termo n° 0007 reproduz lançamentos com histórico de provisão, entre outros. A dedução desse tipo de provisão não é permitida pela legislação do Imposto de Renda. Os questionamentos feitos nos Termos foram no sentido de ver comprovados que os descontos foram efetivamente concedidos, que não se tratam de provisões indedutíveis. Em resposta ao Termo n° 0012 o contribuinte informou que: "Desconto por força de venda é uma prática de mercado e representa o valor que a empresa produtora entrega às empresas vendedoras. Este dispêndio pode ser realizado de duas maneiras: o cliente que recebe o valor da força de venda tem fatura em aberto: o valor é lançado como despesa de força de venda e a contrapartida a créditos na conta de clientes, reduzindo o valor a receber. o cliente que recebe o valor da força de venda não possuiu faturas em aberto: o valor é lançado como despesa de força de venda e a contrapartida a crédito na conta de fornecedores, onde será pago monetariamente" O contribuinte informou que não entendeu os quesitos 9 e 11 do Termo n° 0012. Os quesitos tratam dos lançamentos às contas "Desconto Concedido Força de Venda" e "Desconto Cliente Força de Venda a Pagar", à transferência da conta "Desconto Concedido Força de Venda"para "despesa Financeira" em 2008, ao saldo da conta "Desconto Cliente Força de Venda a Pagar" em 2008 e às transferências para a conta "Fornecedores Nacionais" em 2009. O Termo de n° 0013 procurou esclarecer as dúvidas do contribuinte informando que: "1. A planilha "Lançamentos consolidados a conta Desconto Concedido Força de Vendas 2008" indica lançamentos a débito de "Desconto concedido Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 867 10 força de venda" e a créditos de "Desconto cliente força de venda a pagar" no valor de R$ 10.589551,53 em 2008. 2. Por outro lado, a planilha "Lançamentos consolidados a conta Desconto Cliente Força de Venda a Pagar 2008" indica lançamentos totais a crédito de R$ 10.606.530,79 e a débito de R$ 6.559.468,96, indicando um acréscimo líquido de R$ 4.047.061,80 a crédito, mais uma reclassificação de R$ 950.620,28 para crédito de "Raimundo Jacinto Pimenta / Fornecedores Nacionais " do que resulta um acréscimos de contas pagar de R$ 4.997.682,10 no ano. 3. A planilha "Lançamentos consolidados a conta Desconto Concedido Força de Vendas 2009 indica lançamento a débito de "Despesa Financeira" e a crédito de "Desconto Concedido força de venda" no valor de R$ 11.896.181,33, que em seguida é debitada no valor de R$ 12.191.439,61 e creditada a conta "Desconto Concedido força de venda a pagar" em 2009. 4. Por outro lado, a planilha "Lançamentos consolidados a conta Desconto Cliente Força de Venda a Pagar 2008" indica lançamentos totais a débito no valor de R$ 8.488.724,04 e a crédito da conta "Fornecedores Nacionais" em 2009. Portanto, em 2008 há um aumento do passivo de R$ 4.997.682,10 e em 2009 de R$ 8.488.724,04 tendo por base o reconhecimento de despesas de descontos concedidos. A empresa reconhece despesas de concessão de descontos num ano, e não os realizado no próprio ano, indicando tratarse de provisão, não dedutíveis para imposto de renda. Pedese esclarecer ". O contribuinte não se manifestou. b) Fatos constatados O contribuinte, distribuidor de mercadorias, concede descontos a clientes que são vendedores de mercadorias. Ocorre que faz lançamentos contábeis de despesas à conta de "Desconto Concedido Força de Venda " contra contas de passivo de "Desconto Cliente Força de Venda a pagar ". Não podemos confundir a concessão de direitos sob condição suspensiva com o regime contábil de competência. No regime de competência os negócios são registrados contabilmente na medida em que ocorrer, independentemente de seu recebimento ou pagamento em dinheiro. O contribuinte contabilizou despesas de desconto como se estivesse aplicando o regime de competência. Mas não é esse o ato jurídico praticado. Despesa é custo expirado, é consumo de algo que foi adquirido e que gerou um gasto para a empresa. O desconto concedido ao comprador, na compra, ou mesmo como pagamento em dinheiro, não representa contraprestação de um produto fornecido ou serviço prestado. O desconto só gera despesa no momento mesmo em que é concedido. Ao registrar o desconto contra conta de passivo, a pagar no futuro, o contribuinte está apenas reconhecendo que pretende conceder um desconto ao cliente, não está incorrendo em despesa. Se o cliente está realizando uma compra ou tem alguma fatura pendente de pagamento, então o desconto é concedido contra essa compra ou fatura. Entretanto, se o cliente não está realizando a compra nem tem nenhum negócio pendente com o contribuinte, aquele desconto só será efetivamente realizado na próxima compra que Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 868 11 o cliente fizer. Portanto é um negócio sob condição suspensiva, que nos termos do artigo 125 do Código Civil, só se perfaz quando do implemento da condição. O desconto concedido lançado contabilmente contra conta de passivo tem natureza de provisão. O próprio contribuinte contabiliza como provisão (campo próprio na planilha anexa "Lançamentos a conta 91104000002022 Desconto Concedido Força de Venda 2008 "). É por esse motivo que ao final do ano a conta "Desconto Cliente Força de Venda a Pagar" apresenta saldo de R$ 4.47.061,83 em 2008 e de R$ 3.839.373,16 em 2009, que serão baixados quando das próximas compras dos clientes. Há transferência dessa conta de R$ 950.620,28 em 2008 e R$ 8.488.724,04 em 2009para a conta "Fornecedores Nacionais" que também é conta de passivo. Como contrapartida ainda é conta de passivo, entendemos que ainda se trata de provisão. O artigo 335 do Regulamento do Imposto de Renda dispõe que somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas no regulamento, listadas nos artigos seguintes, entre as quais não se encontra esta que o contribuinte contabilizou. Glosamos as despesas provisionadas e não dedutíveis de descontos concedidos e não pagos no trimestre da concessão, e de descontos concedidos e transferidos para a conta Fornecedores, nos valores abaixo: Trimestre Descontos a Pagar Fornecedores 2°/2008 270.770,92 154.454,96 3°/2008 49.189,97 20.608,52 4°/2008 3.727.100,94 775.556,80 1°/2009 0,00 1.054.975,79 2°/2009 13.628,45 2.153.329,32 372009 169.227,68 1.686.196,04 47^009 939.986,95 2.109.836,18 c) Demonstrativos dos cálculos As planilhas anexas "Lançamentos à conta 911040000020622 Desconto Concedido Força de Venda 2008" e 2009 listam os lançamentos realizados nessa conta. As planilhas anexas "Lançamentos Consolidados a conta Desconto Cliente Força de Venda a Pagar 2008" e "Lançamentos Consolidados à conta 21118000023 Desconto Cliente Força de Venda I Pagar 2009" apresentam no primeiro quadro, para cada trimestre, os lançamentos a essa conta. São planilhas dinâmicas obtidas a partir dos arquivos de lançamentos contábeis no SPED. O título "conta" na segunda coluna indica as contas com lançamentos a débito e o título "contrapartida" na primeira linha indica as contas com lançamentos a crédito. Cada célula mostra o total de lançamentos a débito da conta na segunda coluna e a crédito da contrapartida na primeira linha, no trimestre indicado na primeira coluna. Ao pé do quadro, descrevemos os cálculos efetuados. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 869 12 O segundo quadro mostra para cada trimestre o Saldo Inicial na conta, o desconto contabilizado, o desconto pago, as transferências para fornecedores e o saldo final. Ao final do quadro, mostra as despesas a glosar. A "Despesa de desconto a glosar" é o desconto contabilizado e não pago, e é obtido pela diferença entre as linhas "Desconto Líquido Contabilizado" e "Desconto Líquido Pago". O "Desconto a pagar transferido p/ Fornecedores" é o menor valor entre o desconto contabilizado e não pago e os lançamentos a crédito de fornecedores. O "Desconto a pagar" é a diferença entre o desconto concedido e não pago e o "Desconto a pagar transferido p/fornecedores". Serão juntados ao processo relatórios "Lançamentos à conta 21118000023 DESCONTO CLIENTE FORÇA DE VENDA A PAGAR 2008" e 2009, contendo todos os lançamentos a essa conta, e balancetes trimestrais e anuais com indicação dos saldos inicial e final da conta, todos extraídos do arquivo contábil SPED. 2.4 Variações Monetárias Passivas O Termo de Intimação Fiscal n° 0008 tratou de lançamentos contábeis relativos às Outras Despesas Financeiras. Em seu item 3 solicitou "Documentos que comprovem os lançamentos contábeis e a dedutibilidade de despesas constantes das planilhas anexas" àquele termo. Em seus itens 3.3, 3.4 e 3.5 relacionou planilhas com lançamentos a débito de "Variações Monetárias Passivas" e a crédito das contas "Caixa" (ano 2008), "Clientes Nacionais" (anos 2008 e 2009) e "Descontos concedidos a cliente a pagar" (ano 2008). Em manifestação de 25 de julho de 2012, com título "Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n 0008", o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para entrega dos documentos por mais vinte dias. O Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0011 prorrogou o prazo para entrega dos elementos faltantes do Termo n° 0008 por dez dias. O Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0013 apresentou ao contribuinte esclarecimentos sobre itens do Termo n° 0012 e informou que "Reiteramos o solicitado nos termos anteriores". Glosamos as despesas lançadas à conta "Variações monetárias passivas" constantes do Termo de Intimação Fiscal n° 0008, por falta de apresentação de documentos que comprovem as despesas e sua dedutibilidade. As planilhas anexas listadas abaixo reproduzem os lançamentos das despesas glosadas: "Lançamentos a débito de Variações monetárias passivas e a crédito de CAIXA abril a dezembro de 2008"; "Lançamentos a débito de Variações monetárias passivas e a crédito de CLIENTES NACIONAIS abril a dezembro de 2008" e 2009; "Lançamentos a débito de Variações monetárias passivas e a crédito de DESCONTOS CONCEDIDOS A CLIENTE A PAGAR abril a dezembro de 2008". Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 870 13 As planilhas anexas "Lançamentos consolidados à conta 911050000010107 VARIAÇÕES MONETARIAS PASSIVAS 2008" e 2009 demonstram que as despesas foram levadas às contas de Lucros/Prejuízos do Exercício. As despesas glosadas são: Trimestre Caixa Clientes Nacionais Descontos a Cliente a Pagar 2°/2008 3.264,00 796.222,87 88.000,00 3°/2008 26.763,72 164.346,41 4°/2008 145.006,50 1°/2009 218 129,34 2°/2009 193.246,58 3°/2009 502,617,63 4°/2009 355.273,86 2.5 Outras exclusões O Termo de Início do Procedimento Fiscal, cientificado o contribuinte em 23/12/2011, solicitou, entre outros, a relação de contas contábeis que registram os lançamentos relativos às informações prestadas nas DIPJ dos anoscalendário 2008 e 2009 sob título "Outras Exclusões", da Ficha 09A, bem como deixar disponível para consulta na empresa os documentos relativos aos lançamentos. O Termo de Intimação Fiscal n° 0007, em seus itens 2 e 3, cientificado o contribuinte em 16/06/2012, mais uma vez solicitou a referida relação de contas contábeis, e também demonstrar a apuração das "Outras Exclusões". O contribuinte, em manifestação protocolizada na DRF/Jundiaí em 14/08/2012, informou que os documentos físicos da empresa foram perdidos em incêndio e que não foram localizados informações e documentos necessários. Pediu prorrogação de prazo por 60 dias para atendimento. O prazo foi prorrogado por 10 dias, conforme Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0011, cientificado o contribuinte em 14/09/2012. No Termo de Reintimação Fiscal n° 0012 reintimamos o contribuinte a apresentar os elementos requisitados no Termo n° 0007. O contribuinte solicitou diversas prorrogações, no que foi atendido, conforme Termos de números 0013, 0014 e 0015. O contribuinte não apresentou os elementos solicitados nem se manifestou. Glosamos os itens "Outras Exclusões", da Ficha 09A, por falta de comprovação da origem e dedutibilidade, e não apresentação de documentos que respaldam as exclusões, nos valores abaixo: 1/2009; R$7.487.254,98 Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 871 14 bimestre 2/2009: R$7.397.254,98 Trimestre 3/2009: R$5.230.254,98 Trimestre 4/2009: R$8.137.280,38 2.6 Total glosado Foram glosados custos e despesas listados nos itens anteriores, reproduzidos na planilha anexa "Reconstituição do Lucro real", agrupados em Provisões não Autorizadas, Despesas não Comprovadas e Outras Exclusões. A tabela abaixo resume as glosas efetuadas, os prejuízos apurados e declarados pelo contribuinte à Receita Federal no período e o Lucro Real Tributável calculado pela fiscalização: Trimestre Total de glosas Prejuízos Lucro Real 2°/2008 3.727.122,13 930.162,61 2.796.959,52 372008 1.984.150,91 1.779.430,89 204.720,02 ! 4°/2008 9.437.254,24 12.345,00 9.424.909,24 172009 9.754.142,96 6.687,20 9.747.455,76 272009 12.218.143,39 8.765,02 12.209.37837 3°/2009 9.436 836,18 9.446,23 9.427.389,95 472009 14.105.915,60 11.546,05 14.094.369,55 Os sistemas da Receita Federal registram prejuízos e bases de cálculo negativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do contribuinte em 31/03/2008 no valor de R$5.557.032,74, que podem ser compensados em até 30% do lucro apurado. Ante o exposto, efetuamos a compensação de ofício e autuamos o contribuinte em relação ao IRPJ e à CSLL reflexa incidentes sobre os lucros trimestrais. Instruem também os Autos de Infração: relação de lançamentos contábeis de fls. 660/664, 668/669, 672/677; relação de Notas Fiscais de Saída lançadas a Devedores Duvidosos no ano da emissão de fls. 665/666; planilha de Notas Fiscais acima de R$ 30.000,00 dedutibilidade não comprovada (fls. 667); planilha lançamentos consolidados à conta .... Desconto Cliente Força de Venda a Pagar 2008 e 2009 (fls. 670/671) planilha lançamentos consolidados à conta ... Variações Monetárias Passivas 2008 e 2009 (fls. 678/679 ) planilha de reconstituição do lucro real (fls. 680). Dada ciência dos Autos de Infração em 30/04/2013, foi apresentada, em 29/05/2013, impugnação de fls. 715/731, acompanhada dos documentos de fls. 732/747, com as razões seguintes. Ao expor os fatos informa ser optante pela tributação na modalidade do lucro real trimestral. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 872 15 Reportase ao Auto de Infração e alega perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal, expondo que:. Este termo teve validade de 60 dias, salvo se dentro desse período tivesse sido prorrogado por ato escrito, nos termos do Artigo 7°, § 2° do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972, que estabelece Este juízo administrativo deve considerar o fato de estar a validade do Artigo 7°, § 2° do Decreto n° 70.235/72 respaldada no artigo 196, caput do CTN, que somente outorga à lei ou atos com força de lei, o poder de estabelecerem o prazo máximo para a conclusão dos trabalhos fiscais, nos seguintes termos:... Por não ter sido respeitado o prazo previsto no Artigo 7°, § 2° do Decreto n° 70.235/72, o Auto de Infração deve ser cancelado porque todos os procedimentos fiscais realizados a partir da emissão do Termo de Inicio da Ação Fiscal foram realizados de forma irregular pela perda de validade deste termo por não ter sido cumprido no prazo de 60 (sessenta) dias na forma prevista na legislação. Questiona a falta de intimação da Impugnante para se manifestar sobre o fim da fase instrutória dos trabalhos fiscais que culminaram no lançamento, argumentando estar este direito previsto no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, que exige a intimação do interessado do fim da fase instrutória do processo fiscal para fins de exercer o seu direito de se manifestar sobre o mesmo no prazo de 10 (dez) dias. Reportase a ementa de Resolução proferida no âmbito de julgamento de ICMS. Alega ocorrência de cerceamento de defesa, expondo que: não foi demonstrada de forma clara e precisa as razões jurídicas necessárias para a realização do lançamento, as alíquotas aplicadas e todos os demais elementos necessários para a constituição do crédito tributário, o que ofende o art. 5°, inciso LV da Constituição Federal de 1988, dada a impossibilidade da clara e precisa compreensão da possibilidade de aplicação da penalidade na forma realizada, há mansa e pacífica jurisprudência no sentido de que o processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais legalidade, ampla defesa e verdade material, que obrigam a autoridade lançadora demonstrar o fato gerador e a base de cálculo do imposto com clareza e precisão. A ausência de demonstrativos hábeis e idôneos para tal fim, implicam em nulidade dos lançamentos por cerceamento do direito de ampla defesa. no termo de constatação da infração fiscal o Auditor Fiscal apenas defende que não foi entregue pela Impugnante diversos documentos solicitados aplicando a penalidade, porém não demonstrou o real motivo que levou a apuração desses valores; não pode ser admitido o presente AI pela falta da demonstração clara e jurídica do real motivo em que o fisco chegou aos valores para o cálculo do suposto débito da Impugnante sob pena de cercear o seu direito de defesa. a falta da demonstração dos dispositivos e fundamentos jurídicos em que o Fisco determinou o valor devido pela Impugnante ofende o direito de defesa da Impugnante, portanto deve ser cancelado o presente Auto de Infração. Sob o título não ocorrência da materialização do fato jurídico tributável no caso concreto, expõe: Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 873 16 Partindo da demonstração que lhe foi atribuída pelo Secretário da Receita Federal, quando de sua criação, de pronto é possível acenar que mando traduz uma determinação de fazer, uma ordem exteriorizada por autoridade hierarquicamente superior a um subordinado. Em todas as hipóteses do mundo jurídico, o vocábulo mandado tem o claro desígnio de traduzir uma ordem imperativa dirigida a pessoas submetidas ao poder do mandante, seja pelo vinculo funcional, hierárquico ou jurisdicional. No dizer do eminente jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, procedimento administrativo "é uma sucessão itinerária e encadeada de atos administrativos tendendo todos a um resultado final e conclusivo". Trasladada a linguagem para o campo dos atos administrativos que agregam o qualificativo fiscal, não é difícil concluir que a expedição de mandado com essa finalidade teria como objetivo precípuo ordenar o exercício das atividades da fiscalização na busca dos resultados programados pela administração tributária, de tal sorte que a iniciativa, a liberalidade, a subjetividade, a conveniência e outros critérios pessoais dos agentes do Fisco sejam substituídos por critérios objetivos e atos regrados dos gestores da administração tributária, medida essa de cunho organizacional imprescindível para que sejam observados os demais princípios e diretrizes que norteiam a gestão da coisa pública. Segue reportandose a doutrina acerca do MPF e termina este tópico afirmando que o fato de esse Mandado ter sido instituído por ato administrativo não exime a Administração de cumprilo, afinal a Fazenda pode se autolimitar de modo a garantir maior transparência no exercício da função pública. No item VIII da defesa, sob o título Crédito Tributário Forma de Lançamento, argumenta não ter sido correto o lançamento fiscal, com glosa de despesas pela não apresentação de documentos fiscais que embasam a escrituração fiscal, posto que os documentos não foram apresentados tendo em vista a ocorrência de força maior, qual seja, a destruição dos mesmos por comprovado incêndio que ocorreu nas dependências do Impugnante, conforme certidão apresentada, tendo em vista o comparecimento do Corpo de Bombeiros para cuidar do sinistro. E continua: o contribuinte não poderia apresentar documentos que não possuía e não conseguiu reunir para efeito de recomposição da escrituração contábil. Esta reconstituição sequer foi determinada pela autoridade fiscal que procedia à auditoria da empresa. tivesse determinado a reconstituição, com prazo razoável e não atendendo o contribuinte à intimação, caberia o arbitramento e não glosa de despesas. As despesas foram glosadas sem que o auditor fiscal examinasse os documentos fiscais, pelo que é incorreta a glosa de despesas constantes de OUTRAS EXCLUSÕES da DIPJ, de devedores duvidosos, de descontos por FORÇA DE VENDA e DESPESAS DE PUBLICIDADE. Apenas a apresentação das notas fiscais e sua leitura poderiam propiciar a conclusão de que os descontos concedidos não foram na modalidade INCONDICIONAIS. Ademais, existiam contratos comerciais que também foram consumidos pelo incêndio e que demonstrariam que os descontos foram ajustados de forma incondicional. A autoridade fiscal veio a se confundir entre descontos concedidos pelo Impugnante e descontos recebidos pelo Impugnante, estes sim, poderiam ter sido considerados condicionais. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 874 17 Cita ementa de acórdão nos seguintes termos: PRESUNÇÃO LEGAL, ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. LUCRO REAL. CONTRIBUINTE OPTANTE, FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. A pessoa jurídica, optante da apuração do imposto pelo Lucro Real, que não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à autoridade fiscalizadora deve ter o seu lucro calculado pelo método arbitrado. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Segunda Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Processo número 19515.002884/200588, Acórdão n. 120100.227, Recurso Voluntário, Relator: RÉGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ, Sessão em 09.03.2010 A título de Mérito, expõe que: Nesta ação fiscal e lançamento ora impugnado denotase que são seguidos todos os preceitos legais e constitucionais que conforme se demonstra à saciedade toda a documentação apresentada à fiscalização e acostada aos autos. Inexistem diferenças a serem recolhidas, a não ser que se queiram exigir os pagamentos em duplicidade, com o que ocorreria o "bis in idem" ou na verdade, EXCESSO DE EXAÇÃO FISCAL. A pretensão do Senhor Auditor Fiscal em exigir valores apontados violando determinações estabelecidas em Portarias da SRFB e Instrução Normativa e demais diplomas legais, com certeza são flagrantemente violadores do princípio da legalidade. Importe salientar, assim, que apenas com a ocorrência do fato gerador não poderá o Estado automaticamente impingir o contribuinte ao recolhimento de determinada exação: necessária será a constituição do crédito tributário; a referida constituição se dará pelo lançamento, nos termos do art. 142 do C.T.N., que, de sua análise, verificase que o lançamento representa um ato administrativo vinculado possuidor de duplo caráter, vale dizer, declaratório no que se refere à obrigação tributária e constitutiva no que tange ao crédito tributário; As presunções legais, por serem excepcionais, dependeriam sempre de lei tipificadora dos fatos indiciários e prescritora da conseqüência para serem autorizadas, razões pela qual a presunção de remuneração neste lançamento não poderia ser admitida para fins de criar contribuições previdenciárias. A melhor doutrina do Direito Tributário é no sentido de que a lei deve conter em si mesma todos os elementos da decisão no caso concreto, de tal modo que não apenas o fim, mas também o conteúdo daquela decisão seja por ela diretamente fornecido. A tributação com base em presunção somente é cabível quando expressamente prevista em lei. Diante de eventuais indícios de omissão de remuneração, a fiscalização deve aprofundar os trabalhos fiscais de modo A COMPROVAR OU NÃO a ocorrência da irregularidade. A falta de apresentação de documentos fiscais enseja não a glosa das despesas, mas o arbitramento do lucro da empresa mercantil que já havia optado pelo lucro real trimestral em sua declaração do imposto de renda da pessoa jurídica. Conforme o Acórdão n° 3401002.118 4a Câmara /1aa Turma Ordinária, "Equiparamse aos "descontos concedidos incondicionalmente" a que Fl. 874DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 875 18 alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as "bonificações" perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente. O Recurso Voluntário foi Provido em Parte. Nos termos do decidido pelo STF no RE n° 170.555PE, a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a "receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza", de sorte que, a forma pela qual a concessão da bonificação é documentada tornase irrelevante, dado o fato não corresponder à hipótese de incidência dessas contribuições visto que não recebe qualquer valor nesta operação. A própria Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, emitiu entendimento acerca do tratamento fiscal a ser dado para as "bonificações" em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas, o que se deu no Parecer CST/SIPR número 1.386, de 1982, trechos abaixo transcritos: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Na seqüência, defende a ilegalidade do lançamento por violação de princípios insertos no Decreto 70.235/72 e Lei 9.784/99, reportandose a doutrina no sentido da necessária observância dos princípios da legalidade, da verdade material e da segurança jurídica, acerca dos quais discorre e concluindo este tópico expondo que: Vale ressaltar que o nosso ordenamento jurídico não aceita acusações sem provas e sem que o acusado tome ciência dessas acusações e provas e possa a elas se opor e produzir provas em contrário. Sob o título Da Prova dos Autos Da Improcedência ou Nulidade da Autuação, expõe: Na presente impugnação, a empresa vem a negar os fatos em que se acha assentado o lançamento fiscal, esta é uma impugnação absoluta, posto que os fatos narrados pela fiscalização não são verdadeiros, qual seja, referidos fatos são inteiramente diversos do apontado pela fiscalização. O Contribuinte já havia informado os tributos e contribuições devidas em DCTF. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 876 19 O Relatório Fiscal que acompanha o Auto de Infração é totalmente vago, não se prestando a comprovar os fatos geradores que norteiam o lançamento fiscal. Ora, nem sequer foram apontadas as contas da escrituração contábil onde foram extraídos os dados para o lançamento. Não se indicou livro, folhas, número dos lançamentos. Enfim, não foi produzida qualquer prova que possa assim ser qualificada em relação ao Decreto 70.235. Cabe ao auditor fiscal descrever os fatos que fundamentam o direito da Fazenda de exigir o crédito tributário, trazer provas e expor sua visão da realidade. O julgador não teve acesso à ação fiscal, vai se valer apenas com os elementos de prova trazidos aos autos, inicialmente por aquele que procedeu ao lançamento. Não trazendo as provas necessárias, no mínimo estaremos diante de dúvida razoável da improcedência da ação, não podendo o Julgador validar o lançamento. Neste processo o auditor fiscal não cuidou de demonstrar a existência de um fato jurídico ou os meios destinados a fornecer ao Julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não cuidou o auditor fiscal sequer de listar os documentos que tenha anexado ao processo, de modo a permitir uma clara visão dos autos, essencial e necessária à sua defesa. No processo administrativo fiscal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita, no caso a Fazenda Pública. Assim, se alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. O impugnante poderia simplesmente negar os fatos trazidos no lançamento, porquanto o agente fiscal não cuidou de produzir provas adequadas e relatálas no Relatório Fiscal que é fundamental no lançamento tributário. Não houve, portanto, prova adequada do fato constitutivo do direito ao fisco quanto ao lançamento ora impugnado. Reportase à existência de prova do incêndio que consumiu documentos da Impugnante, expondo que: O ora Impugnante demonstrou com a apresentação do BOLETIM POLICIAL 47/2012, emitido em 11/01/2012, que, nesta data, ocorreu um incêndio nas dependências do prédio onde funcionava a empresa e se encontrava toda a sua documentação fiscal e trabalhista, conforme se vê do referido documento, que noticia o comparecimento de integrante da Unidade do Corpo de Bombeiros que atuaram no combate ao incêndio, tendo sido acionada a Perícia Técnica para elaboração de laudo técnico. O referido documento foi emitido pela 5a Delegacia de Policia de Jundiaí, através de seu titular, a Delegada de Policia Maristela de Lima Antônio. Em nenhum momento o Relatório Fiscal se reporta ao referido evento, que foi utilizado pelo Impugnante para demonstrar a inviabilidade de apresentação de documentos, como notas fiscais, contratos, que embasam os lançamentos. O Livro Diário foi preservado porquanto encontravase em poder do Fisco Estadual, em diligência pela Unidade de Fiscalização da Região. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 877 20 Em nenhum momento a Auditoria Fiscal se manifestou sobre o acontecimento, determinando a reconstituição da escrita contábil ou comunicando que faria procedimento de CIRCULARIZAÇAO, que é comum na Receita Federal do Brasil, intimando os prestadores de serviço ou fornecedores da empresa fiscalizada a informar dados das notas fiscais e contratos mantidos com a empresa que está sob auditoria fiscal. Não cabe ao Fisco o préjulgamento de que não foram tomadas as providências necessárias à chamada "boa guarda" dos livros e documentos fiscais e ter ficado totalmente caracterizado que a escrita estava no local do sinistro. Ressalte se que o documento relativo à prova do incêndio, certidão da Delegacia de Policia de Jundiaí foi entregue à Receita Federal durante a ação fiscal. O relatório que acompanha o lançamento não menciona na descrição o referido sinistro cuja ocorrência está comprovada. Nenhuma providência foi tomada pelo Fisco com vistas à apuração da veracidade das informações constantes da citada comunicação. Além disso, verificase, nos autos, que inexiste qualquer referência de ter sido o incêndio de origem criminosa. Se a Interessada não foi imputada qualquer responsabilidade pelo sinistro, há que se considerar que este decorreu de caso fortuito ou força maior, o que o libera da obrigação tributária, consoante o disposto no art. 1.058 do Código Civil então vigente: "Art. 1058. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito, ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado, exceto nos casos dos artigos 955, 956 e 957. Parágrafo único. O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir" Reportase a Parecer Normativo CST número 39, de 1978, alega que por principio, ninguém responde pelos casos fortuitos ou de força maior, pois que inevitáveis por natureza e essência, aconteceram porque tinham que acontecer, sem que sejam imputáveis a algo ou alguém. Ressalta que, na vigência do art. 39 da Lei n" 9.430/96 era possível o arbitramento do valor das operações nas hipóteses de perda ou extravio de livros ou documentos, caso não fosse possível reconstituir a escrituração, quando as excludentes de força maior ou casos fortuito eram irrelevantes, entretanto, este dispositivo legal foi revogado pelo art. 82, inciso I, alínea "n" da Lei número 9.532/97, restaurandose as citadas excludentes, as quais podem ser opostas ao arbitramento do lucro. Conclui este tópico expondo que não havendo prova de que a Interessada concorreu com qualquer tipo de culpa para a destruição de seus documentos e não tendo a fiscalização da Receita Federal constatado qualquer inexatidão ou vícios que retire a confiabilidade dos dados constantes da declaração DIPJ e Livro Diário apresentados, deve ser considerado improcedente a glosa de despesas constante do auto e mesmo o arbitramento do lucro, que tecnicamente seria o correto na não apresentação de documentos que norteiam a escrituração contábil apresentada. Entende que caberia o arbitramento, alegando que: Antes do procedimento efetuado, tendo em vista a não apresentação de documentos pelo Impugnante, tendo em vista que os mesmos foram consumidos em Fl. 877DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 878 21 razão de ocorrência de INCÊNDIO, comprovado com BOLETIM DE OCORRÊNCIA, inclusive com o comparecimento de integrantes da Unidade Local do Corpo de Bombeiros, cabia ao Fiscal Federal determinar a reconstituição da escrita fiscal ou a Circularização para obtenção dos elementos solicitados através dos próprios prestadores de serviço ou fornecedores. Caso isso não fosse possível, caberia antes do procedimento havido, que consistiu na glosa das despesas não comprovadas pela não apresentação de documentos que foram objeto de perda por caso fortuito incêndio a hipótese do arbitramento do lucro, conforme prevê o Regulamento do Imposto de Renda em seu artigo 538. O arbitramento feito de oficio é o recurso da fiscalização da Receita Federal quando se vê impossibilitada de aceitar ou de apurar o lucro real da pessoa jurídica. O Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem reiteradamente decidido que essa modalidade de tributação excepcional dever ser aplicada quando esgotadas de fato as possibilidades de apuração do lucro real da pessoa jurídica. A hipótese inclusive foi confirmada em relação à não apresentação de livros ou registros auxiliares de que trata o parágrafo 2° do artigo 177 da Lei 6.404/76 e parágrafo 2°do artigo 8°do DecretoLei número 1.598/77, conforme estabelece a Lei 11.941 de 27/05/2009, que acresceu dispositivo ao artigo 47 da Lei 8.981. É de se acrescentar que a receita bruta era conhecida, porquanto informada em DIPJ e os Livros Diário e Razão do período fiscalizado foram apresentados, posto que estavam em posse do Fisco Estadual por ocasião do incêndio que consumiu os demais documentos contábeis. Sob o título "Jurisprudência" apresenta ementas de acórdãos que entende corroborar sua tese, a seguir reproduzidas: Io Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10195.524 em 28.04.2006 IRPJEx(s): 1992 e 1993 fiscal embasada em arbitramento de lucros (Ac. 1 ° CC 10310.718/90). IRPJ GLOSA DE DESPESAS COM DESPESAS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE DEDUTIBILIDADE Se o contribuinte traz aos autos provas documentais que comprovam as despesas realizadas a título de publicidade e propaganda, vinculadas à divulgação de seus produtos, devidamente escrituradas e com autenticidade dos documentos, que não foram infirmados pela fiscalização, deve ser restabelecida a sua dedutibilidade. CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTIBILIDADE Computamse na apuração do resultado do exercício como dedutíveis, todos ou custos ou despesas que guardem correlação com a atividade explorada e que forem documentadamente comprovados. A dedutibilidade deve ser admitida quando necessária e compatível com a fonte produtora. DESPESAS OPERACIONAIS DESCONTOS CONCEDIDOS Os descontos concedidos, sejam condicionais ou incondicionais, que visam o incremento das vendas e, conseqüentemente, dos lucros, se reconhecidamente Fl. 878DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 879 22 vinculados às operações realizadas pelo contribuinte, subentendemse no conceito de despesas operacionais dedutíveis. DESPESAS OPERACIONAIS DESPESAS FINANCEIRAS DEDUTIBILIDADE Na apuração do resultado do exercício são dedutíveis, como despesa operacional, todos os dispêndios que guardem correlação com a atividade explorada e que forem documentadamente comprovados, inclusive as despesas bancárias, despesas financeiras e taxas de serviços. DESPESAS COM VEÍCULOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES DEDUTIBILIDADE Os gastos de veículos de terceiros, só poderão compor o montante das despesas operacionais se ficar provado, além do desembolso efetivo das despesas, também o uso efetivo do veículo nas operações normais da empresa. CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTIBILIDADE Computamse na apuração do resultado do exercício como dedutíveis, todos ou custos ou despesas que guardem correlação com a atividade explorada e que forem documentadamente comprovados. A dedutibilidade deve ser admitida quando necessária e compatível com a fonte produtora. DESPESAS OPERACIONAIS Para que custos ou despesas possam ser considerados dedutíveis na apuração do lucro real, é necessário que estejam acobertados por documentação pertinente, sob pena de serem glosados. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar as glosas referentes aos seguintes itens: 1. serviços prestados por pessoas jurídicas; 2. propaganda e publicidade; 3. conservação e limpeza; 4. serviços de manutenção; 5. provisão para férias; 6. c/c participação societária; e 7. despesas financeiras. Manoel Antônio Gadelha Dias Presidente Publicado no DOU em: 22.09.2006 Relator: Mário Junqueira Franco Júnior Recorrente: TECNISA ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida: DRJSÃO PAULO/SP Publicação: 22/09/2006. Acórdão DRJ/RJI n°8.627/2005 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa INCÊNDIO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não dá causa ao arbitramento de lucros a falta de apresentação de livros e documentos em que se assentava a escrituração, em virtude de incêndio, em data posterior à entrega das declarações de rendimentos correspondentes, se não restou comprovada a existência de culpa do contribuinte no sinistro e inexatidão das declarações prestadas ou a existência vícios que lhes retirassem a confiabilidade. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1998, 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. DECORRENCIA. Aplicase ao lançamento decorrente do IRPJ o mesmo tratamento dispensado àquele, em razão da intima relação de causa e efeito entre ambos. Lançamento Improcedente. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 880 23 INCENDIO — Comprovado que ocorreu incêndio nas dependências da sede da empresa, com destruição da documentação que embasava a escrituração comercial, improcede a tributação com base no lucro arbitrado sem que a fiscalização prove que os elementos constantes das declarações de rendimentos apresentadas, nas épocas próprias, anteriormente ao sinistro, são inconfiáveis ou inexatas (Ac. Io CC 1054.218/90). INCENDIO — Incomprovada culpa do sujeito passivo na ocorrência do sinistro destruindo a documentação fiscocontábil, em data posterior à entrega da Declaração de Rendimentos respectiva, improcede a imposição Acórdão n° 180500.058 — 5a Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2009 Matéria IRRPJE OUTRO. Recorrente PAPÉIS BISPA LTDA. Recorrida 7 TURMA/DRJRIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1999 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVRO CAIXA. DETERIORAÇÃO POR CASO FORTUITO. O arbitramento do lucro pela não apresentação de livro Caixa é cabível nos casos de recusa imotivada, mas não se aplica quando demonstrada a impossibilidade de atendimento, em virtude de sua destruição por incêndio no prédio da empresa, já que não há nos autos indícios de que o sujeito passivo tenha deixado de tomar as cautelas necessárias para evitar o caso fortuito. A inobservância das providências formais relativas ao registro e à comunicação de incêndio não compromete a força probante da Certidão de Ocorrência emitida pelo Corpo de Bombeiros, haja vista o conteúdo das informações que estão lá atestadas. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente. Recurso Voluntário Provido Acórdão n° 1802001.406 2a Turma Especial Sessão de 4 de outubro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. Recorrente QUERO QUERO INDUSTRIA E COMERCIO DE CEREAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário 2004 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. LIVRO RAZÃO. A legislação e a jurisprudência são fortes no sentido de que a não apresentação de documentos fiscais enseja o arbitramento do lucro pela fiscalização. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 881 24 A entrega de documento após o lançamento de ofício, não preclui o arbitramento realizado pela autoridade fiscal. Súmula CARF n° 59. Defende ainda a Impugnante a Impossibilidade de Lançar, porque a Apuração para Constituição do Lançamento deveria ser Anual. Em suas palavras: a presente autuação não merece persistir tendo em vista que não obstante o IRPJ ser calculado pela Impugnante de forma trimestral a apuração, para fins de lançamento, deve ser realizada somente após a fiscalização de todos os trimestres do anocalendário. Argúi a ocorrência de decadência, expondo que: o Auditor Fiscal realizou o lançamento contra o Impugnante considerando supostas irregularidades relacionadas ao seguinte ano calendário 2008, porém com diversas despesas da impugnante inclusive glosando as despesas anteriores ao ano de 2008 e anteriores a cinco anos da data da cientificação do contribuinte. Considerando isto, merece ser reconhecido por este juízo a decadência do lançamento do IRPJ em relação as despesas ocorridas a mais de cinco anos contados da data da ciência do auto de infração, por já ter se expirado o prazo previsto no artigo 150, §4° do CTN. Cita ementa de acórdão no sentido de que o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Codex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4°, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. E conclui: Portanto, o Auto de Infração merece ser cancelado por não ser possível aplicar penalidade em relação as despesas ocorridas de períodos anteriores a cinco anos em razão dos efeitos decadenciais gerados pelo artigo 150, §4° do CTN. Por fim, tece considerações finais nos seguintes termos: A improcedência ou nulidade do lançamento deve ser declarada ainda pela ausência de fundamentos legais do débito. A inexistência de documentação comprobatória dos lançamentos contábeis e fiscais é fator impeditivo para o fisco verificar a precisão da apuração realizada pelo contribuinte e caracteriza situação de determinação da base tributável sob as normas do regime de lucro arbitrado e não através da glosa das despesas, conforme ocorreu no presente auto de infração ora impugnado. Cabia ao Fisco apenas o arbitramento, caso o contribuinte, intimado a reconstituir a escrituração fiscal, não a providenciasse ou justificasse a sua impossibilidade. O fato gerador dos lançamentos não foi obtido por informações contábeis, mas buscado em informações processadas pela Receita Federal do Brasil através de seus sistemas corporativos Fl. 881DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 882 25 DIPJ, tratandose de declaração que tem efeito apenas informativo, não podendo ser considerada para efeito de tributação. A autoridade fiscal não informou à Impugnante que a sua escrituração deveria ter sido recomposta após o sinistro, por sua própria iniciativa, utilizandose dos elementos disponíveis "internamente ou fora do âmbito da empresa". Ademais, não comprovou o Fisco não ter o contribuinte envidado esforços para recompor a sua escrita contábil e fiscal, descumprimento assim o seu dever tributário acessório. E não foi concedido tempo para tal, conforme demonstrado. Assim, percebese que a fiscalização não esgotou as possibilidades de obtenção da documentação necessária à verificação da determinação da base de cálculo declarada pelo contribuinte, restandolhe o caminho do arbitramento apenas após a intimação para regularização da recomposição da escrituração. Caberia então o arbitramento, jamais a glosa pela não apresentação de documentos consumidos pelo incêndio comprovado. O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo inclusive efeito de penalidade. A falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais à fiscalização, ao impossibilitar a apuração do Lucro Real, ocasiona o arbitramento do lucro tributável e não glosa de despesas indicadas nos lançamentos contábeis. A legislação e a jurisprudência são fortes no sentido de que a não apresentação de documentos fiscais enseja o arbitramento do lucro pela fiscalização e não a glosa de despesas como ocorreu neste auto de infração. Formula pedido de insubsistência da autuação. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado dos autos de infração e de seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais, e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. NULIDADE. Inexistente qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade da autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS E EXCLUSÕES DECLARADAS. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 883 26 São considerados indedutíveis dispêndios e exclusões cuja contabilização não for justificada pela apresentação da correspondente documentação. Compete ao contribuinte provar afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário, ônus que não é afastado pela alegação de ocorrência de incêndio. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL. Analisada a escrituração contábil transmitida à Receita Federal e considerada válida pela Fiscalização para apuração do lucro real, improcedente a pretensão do contribuinte de valerse de sua própria infração de deixar de apresentar prova documental de parte dos dispêndios e de exclusões registradas e questionadas no procedimento fiscal e na autuação, para defender a necessidade de arbitramento de seu lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recursos voluntários a este CARF, REPETINDO literalmente todos os pontos trazidos anteriormente na impugnação, seja as diversas preliminares suscitadas, seja as questões meritórias. É o relatório. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 884 27 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade. Preliminares de nulidade A Recorrente enfileira uma série de nulidades contra os autos de infração: perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal; falta de intimação para manifestação por ocasião do fim da fase instrutória dos trabalhos fiscais; a Fiscalização, em seu Termo de Verificação, fez pouco caso de sua alegação da ocorrência de um incêndio que teria consumido os arquivos; alega que o Autuante não listou os documentos anexados ao processo; alega que teriam sido informados em DCTF os tributos e contribuições devidos, o que ensejaria a nulidade do lançamento; A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através das substanciais peças impugnatórias e recursais acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados todos os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, no art. 10 do Decreto 70.235/72 e tem a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura: III a descrição do fato: IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; Fl. 884DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 885 28 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. E o Auto de Infração e os Termos e demonstrativos que o integram contêm expressamente a descrição dos fatos, a identificação dos motivos pelos quais foram procedidas as glosas de despesas e consideradas indevidas as exclusões, a indicação das disposições legais consideradas infringidas, a identificação do montante tributável e dos critérios para sua apuração. Outrossim, é claro que a recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, na medida em que foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal e de todas medidas adotadas pela fiscalização. Acerca da alegação de falta de intimação para manifestação por ocasião do fim da fase instrutória dos trabalhos fiscais de que trata o art. 44 da Lei 9.784/99, cabe esclarecer que tal providência não encontra guarida prevista no Decreto 70.235/72 e em nada prejudica o direito de defesa da contribuinte. Há que se frisar que há diferenças significativas entre a fase inquisitória e a fase processual inaugurada com a apresentação das impugnações. São diferenciados os princípios constitucionais e legais aplicáveis em cada uma delas. É na fase processual que se há de assegurar o direito ao contraditório e à ampla defesa. Quando da formalização do Auto de Infração, foi a interessada regularmente cientificada, sendolhe concedido prazo legal para apresentação de sua defesa. No tocante às pretensas suposições de afronta de princípios constitucionais, em especial a legalidade de aplicação das norma jurídicas ao procedimento em discussão, cabe esclarecer que a a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste Conselho (atual Primeira Sessão do CARF): Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). De qualquer forma, no caso concreto sequer se configuram as impropriedades alegadas, conforme bem se posicionou a decisão de piso, com cujas conclusões aqui não discrepo. Em relação à alegação de perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal; como muito bem demonstrado pela decisão de piso, de acordo com a descrição contida no Termo de Verificação e não refutada pela defesa, a contribuinte foi cientificada do Termo de Início em 23/12/2011 e, após o início do procedimento, outros tantos termos foram emitidos, sem que entres eles decorresse prazo superior a 60 (sessenta) dias, até a conclusão do procedimento fiscal que redundou nos Autos de Infração cientificados em 30/04/2013. Deste modo, o presente Auto de Infração atende as disposições legais, pois o início do procedimento, determinado e amparado pelo competente MPF, foi devidamente documentado por meio de Termo seguido de outras Intimações ou Manifestações da Fl. 885DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 886 29 Fiscalização formalizadas com observância do prazo de 60 (sessenta) dias, na forma da legislação aplicável, até a ciência da autuação. Outrossim, não há registro de que após o Termo de Início de Procedimento Fiscal, a Recorrente tenha efetuado pagamento, e nem mesmo confissão, dos débitos decorrentes das infrações que lhe foram imputadas. Também não procede a alegação de que o Autuante não listou os documentos anexados ao processo e que isso cerceou o seu direito de defesa. Como bem colocou a decisão de piso, todos os documentos constantes dos autos, base para autuação, foram originados da própria contribuinte ao transmitir sua escrituração por meio do SPED bem como suas declarações anuais de ajuste. Outrossim, se dúvidas pairassem, poderia a interessada solicitar vistas e até cópia integral dos autos, como lhe é facultado pela legislação, mas não há notícia de que tenha sido adotada tal providência. Quanto à alegação de que teriam sido informados em DCTF os tributos e contribuições devidos, o que ensejaria a nulidade do lançamento, bem assim que o fiscal fez ouvido de mercador em relação à sua alegação da ocorrência de incêndio, na verdade tratase de insurgências contra o mérito propriamente da autuação que serão deslindadas ao longo do voto. Reiterese, por importante, é claro que a recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, na medida em que foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal, das medidas adotadas pela fiscalização. Também em nenhum momento de sua defesa, em apego a um formalismo excessivamente exacerbado demonstra o efeito prejuízo que teve no seu direito de defesa. Há que se ter em conta sempre que o ato processual apesar de ter forma e prazos previstos em lei, devendo ser aplicados, entretanto o principio da instrumentalidade das formas, o qual preza pelo efeito do ato em detrimento do apego ao formalismo exacerbado, torna o ato válido e eficaz de pleno direito. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Ora, bem se viu que tais alegações de nulidades são meramente protelatórias e apelativas, tentando descaracterizar a atuação com situações inexistentes. Por fim, reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que rejeitaram as preliminares de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adoto as também como razões complementares deste voto como se aqui estivessem todas reproduzidos. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. Decadência Nada a reparar na análise feita pela DRJ de não acolhimento da decadência: Fl. 886DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 887 30 No presente caso, a autuação abrange fatos geradores de IRPJ e CSLL relativos a períodos de apuração a partir de 30/06/2008 e foi cientificada em 30/04/2013. Desse modo, mesmo aplicando a regra mais favorável à contribuinte, qual seja, aquela contida no art. 150, § 4°, do CTN, de 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, o lançamento poderia ser efetuado até 30/06/2013. Portanto, distintamente do alegado, os Autos de Infração em litígio no presente processo, cientificados em 30/04/2013, não foram atingidos pela decadência. Afasto, portanto, a alegação de decadência. MÉRITO A recorrente apesar de ter sido intimada e reintimada a fazer a comprovação das despesas e exclusões no lucro real a que foi demandada, justificou a não apresentação da documentação a partir da indicativa da ocorrência de um sinistro, bem assim de outras alegações que procuram deixála isenta do ônus da prova. Como se verá ela procura a todo custo inverter o ônus da prova para a fiscalização. Neste ponto cabe esclarecer que incumbia a ela o ônus quanto à comprovação de despesas incorridas e exclusões efetuadas. Todas as suas operações contábeis deveriam ser lastreadas por documentação que efetivamente comprovasse exclusões e dispêndios, os quais importaram em relevante redução do crédito tributário. A dedutibilidade de despesas operacionais e de exclusões efetivadas na apuração do resultado tributável está condicionada, além de outros requisitos, à comprovação documental de sua efetiva realização e perfeita identificação e isso não foi feito. A esse respeito da ocorrência do sinistro de incêndio, o art. 264 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10).” De observar que o supracitado dispositivo legal elenca as providências que o contribuinte, ante a destruição dos seus livros, deve adotar como elementos de prova de suas alegações. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 888 31 No caso que se cuida, prova não há de que o estabelecimento do contribuinte tomou tais providências, a não ser a simples alegação da existência um Boletim de Ocorrência (BO). Atendose ao caso concreto, não consta dos autos prova de que o contribuinte não demonstrou que tenha cumprido a determinação de prestar minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, com cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição, neste mesmo prazo, além de não dar notícia do fato em jornal de grande circulação. Ademais, mesmo que tivesse tomado tais providências ainda assim não poderia se eximir de ter procedido com a reescrita de sua contabilidade. E tempo não faltou para tal entre a ocorrência do suposto evento se e a ciência do auto de infração, como bem colocou a decisão de piso: Recordese que, desde a ciência do Termo de Início em 23/12/2011, quando foi a contribuinte instada a prestar esclarecimentos acerca das contas que registravam Outras Despesas Operacionais, Outras Despesas Financeiras e Outras Exclusões, até a formalização da autuação em 30/04/2013, decorreram mais 16 meses período que poderia a contribuinte ter utilizado para providenciar, junto a seus clientes, a documentação de suporte dos registros contábeis questionados e que já deveria ter disponíveis para apresentação à Fiscalização. Neste contexto, injustificável a alegação de que não teria sido concedido prazo razoável para reconstituição de sua documentação. Acrescentese que a obrigatoriedade de conservação dos livros e documentos se estende até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios A recorrente não pode se valer de um evento fortuito para se blindar contra qualquer fiscalização e verificação que por ventura o Fisco queira fazer. Isso, no mínimo seria imoral. Afasto, portanto, essa justificativa. Quanto à alegação de que teriam sido informados em DCTF os tributos e contribuições devidos, o que ensejaria a nulidade do lançamento, não assiste razão à Impugnante, vale o que afirmou a decisão de piso: Os valores lançados decorrem de glosas de despesas e exclusões de modo que não estão refletidos em valores confessados em DCTF, mesmo porque, como se vê nas pesquisas de fls. 99/146 e 147/210, foram declarados apenas débitos decorrentes de retenção na fonte. Ainda, observese que, tendo detectado despesas e exclusões utilizadas pela contribuinte na apuração de seu resultado, sem que fossem atendidas as intimações para apresentação da documentação de suporte, a Fiscalização, por dever de ofício, promoveu a lavratura dos autos de infração para constituição do crédito tributário Fl. 888DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 889 32 atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do art. 142 do CTN, não se cogitando do alegado "excesso de exação". Também não há que se falar de autuação por presunção, quando se trata de glosa de despesas ou exclusões extracontábeis que afetaram o seu resultado tributável e era dever da Recorrente se desincumbir de fazer a prova documental da existência dessas despesas ou de sua dedutibilidade, bem assim de provar que as exclusões do lucro real estão de acordo com a legislação de regência, o que deveras não aconteceu. Lucro Arbitrado alegação O arbitramento é medida extrema, a ser manejada pelo fiscal nos estritos termos das hipóteses legais de arbitramento que giram em torno de situações de imprestabilidade da escrita ou da falta de entrega de livros contábeis e fiscais. No primeiro caso, vêse que se trata de uma situação que comporta uma certa subjetividade na análise do grau de imprestabilidade da escrita. O arbitramento, então, em se tratando de uma medida extrema, só quando o fiscal, a seu juízo, descreve uma situação de clara e inequívoca, a imprestabilidade para apuração do lucro, o que a evidência não ocorreu na situação dos autos. A Fiscalização, dispondo da escrituração digital da contribuinte, intimoua a apresentar documentos que subsidiavam algumas das contas contábeis analisadas e que deram ensejo a despesas e exclusões indicadas em DIPJ. Assim, não há qualquer estranheza no fato de a Fiscalização proceder à análise da escrituração da qual já dispunha e, embora verificando que contemplava dispêndios não comprovados documentalmente, consideroua válida para apuração do lucro real. A estranheza que vejo é, diante desses fatos, a Recorrente pleitear o arbitramento em causa própria, num notório lance de desespero para fugir da tributação. Observese que não foram questionadas todas as contas, mas apenas algumas delas, especificamente aquelas relativas a despesas e exclusões e que a DRJ fez uma análise minuciosa demonstrando que a participação dessas despesas/exclusões no total geral das despesas e receitas é baixo e bem aceitável. Trago abaixo duas tabelas elaboradas pela DRJ apenas a título de ilustração do que foi dito no parágrafo anterior: 2008 2° trim 3° trim 4° trim receita bruta a 58.723.386,16 53.081.026,48 71.048.737,10 desp declaradas oper. b 13.729.224,90 10.344.525,89 16.460.265,95 desp financ declaradas c 4.138.594,90 3.866.037,96 1.863.342,54 soma b + c d=b+c 17.867.819,80 14.210.563,85 18.323.608,49 item 1 do AI e 3.301.896,25 1.914.352,42 4.934.596,50 item 2 do AI f 425.225,88 69.798,49 4.502.657,74 soma e + f g=e+f 3.727.122,13 1.984.150,91 9.437.254,24 h=(g/d) x 100 20,86% 13,96% 51,50% Perc. da glosa i=(g/a)x100 6,35% 3,74% 13,28% 2009 1° trim 2° trim 3° trim 4° trim Fl. 889DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 890 33 receita bruta a 63.746.958,88 69.091.117,68 69.716.636,23 75.537.202,97 desp declaradas oper. b 5.420.599,20 8.130.867,91 7.442.725,69 9.062.926,08 desp financ declaradas c 2.245.816,15 2.325.542,70 5.146.128,91 3.499.011,60 soma b+c d=b+c 7.666.415,35 10.456.410,61 12.588.854,60 12.561.937,68 item 1 do AI e 1.211.912,19 2.546.745,64 1.694.506,59 2.739.090,89 item 2 do AI f 1.054.975,79 2274142,77 2512074,61 3.229.544,33 soma e+f g=e+f 2.266.887,98 4.820.888,41 4.206.581,20 5.968.635,22 h=(g/d) x 100 29,57% 46,10% 33,42% 47,51% Perc. da glosa i=(g/a)x100 3,56% 6,98% 6,03% 7,90 % Cabe salientar que nada disso foi questionado pela Recorrente em sede recursal, pois limitouse a reproduzir literalmente o seu discurso da fase impugnatória, perdendo mais uma oportunidade de esclarecer ou trazer provas a respeito dos questionamentos feitos pela fiscalização. Quanto aos demais questionamentos, reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que os respondeu sem qualquer contraponto recursal, de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adotoas também como razões complementares deste voto: No tocante à concessão de descontos, a Impugnante transcreve Parecer em que são definidos descontos incondicionais como aqueles que constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento o que se harmoniza com o exposto pela Fiscalização no sentido de que "o desconto só gera despesa no momento mesmo em que é concedido'". Acerca da alegação que descontos concedidos incondicionalmente não afetam a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não se aplicam ao presente caso, pois a exigência restringese ao IRPJ e a CSLL. Quanto à alegação de que o lançamento deveria ser anual e que somente poderia ser efetuado após verificação de todos os trimestres, observese que, para formalização da exigência, foi respeitada a forma de tributação pela qual optou a contribuinte em sua DIPJ, qual seja lucro real com apuração trimestral. Além disso, foram verificados todos os trimestres dos anoscalendário de 2008 e 2009, sendo que, como noticia a Fiscalização, o 1° trimestre de 2008 foi objeto de autuação em outro processo administrativo, remanescendo na autuação ora em litígio os demais trimestres de 2008 e todos os trimestres de 2009 fato que em nada prejudica a defesa da contribuinte nestes autos. Não revertida pela defesa a imputação fiscal de falta de apresentação de documentos que comprovassem a existência e dedutibilidade das despesas questionadas nos itens 1 e 2 do Auto de Infração e de documentos que comprovassem a origem e dedutibilidade de exclusões apontadas no item 3 e que servissem de respaldo para o abatimento de seus valores na apuração do lucro real, impõese a manutenção do lançamento. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19311.720487/201398 Acórdão n.º 1401001.320 S1C4T1 Fl. 891 34 Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada. Por todo o exposto, rejeito as preliminares, afasto a decadência e, no mérito, nego provimento ao recurso (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 891DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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