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Numero do processo: 10925.723207/2011-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 2006, 2007, 2008
STOCK OPTION PLANS. PLANO OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES SEM PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA DA EMPREGADORA. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Nos casos de opção de compra de ações das empregadoras pelos empregados ou diretores sem apoio financeiro daquelas, mediante preço representativo ao de mercado, não considera-se remuneração, nem fato gerador de contribuições previdenciárias, pois representam apenas um ato negocial da esfera civil/empresarial.
AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO DE BASE DE CÁLCULO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO NEGOCIAL PRIVADO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE FUNDAMENTAÇÃO E CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. VÍCIO MATERIAL.NULIDADE.
Trata-se de aferição indireta ou arbitramento da base de cálculo quanto a fiscalização utiliza uma ficção ou presunção da ocorrência do fato gerador, cabível apenas quando não merecer fé a documentação apresentada ou dificuldades de sua obtenção. Deve ainda indicar e fundamentar a aplicação do preceito legal que autorizam tais métodos de apuração, artigos 148,do CTN, e art. 33, §6º, da Lei n. 8212/1991. Desobediência pela fiscalização de tais exigências, gera vícios materiais do ato de constituição do crédito e sua nulidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.815
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior apresentará declaração de voto. Sustentação oral Advogado Dr Mário Lucena, OAB/RJ nº 137.630. O conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2006, 2007, 2008 STOCK OPTION PLANS. PLANO OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES SEM PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA DA EMPREGADORA. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Nos casos de opção de compra de ações das empregadoras pelos empregados ou diretores sem apoio financeiro daquelas, mediante preço representativo ao de mercado, não considera-se remuneração, nem fato gerador de contribuições previdenciárias, pois representam apenas um ato negocial da esfera civil/empresarial. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO DE BASE DE CÁLCULO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO NEGOCIAL PRIVADO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE FUNDAMENTAÇÃO E CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. VÍCIO MATERIAL.NULIDADE. Trata-se de aferição indireta ou arbitramento da base de cálculo quanto a fiscalização utiliza uma ficção ou presunção da ocorrência do fato gerador, cabível apenas quando não merecer fé a documentação apresentada ou dificuldades de sua obtenção. Deve ainda indicar e fundamentar a aplicação do preceito legal que autorizam tais métodos de apuração, artigos 148,do CTN, e art. 33, §6º, da Lei n. 8212/1991. Desobediência pela fiscalização de tais exigências, gera vícios materiais do ato de constituição do crédito e sua nulidade. Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 407 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior apresentará declaração de voto. Sustentação oral Advogado Dr Mário Lucena, OAB/RJ nº 137.630. O conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Relatório Trata-se de recurso voluntário que busca a reversão parcial da decisão da DRJ que manteve parcialmente do crédito, no que tange o reconhecimento como base de cálculo de contribuições previdenciárias de que a diferença do valor comprado de ações pelos diretores e funcionários conforme Plano de Opção de Compras de Ações com o valor de mercado no dia da compra das mesmas, no período de 01/10/2006 a 31/07/2008, parte foi reconhecida como decadente. Em recurso voluntário, foi alegado que o custo de compra de todas as ações, na forma do Plano de Opção, é arcado pelo comprador (funcionário/diretor), e que o valor é obtido por uma média das cotações de 3(três) pregões na Bolsa de Valores anteriores à assinatura do termo opção, em que as ações de mesma natureza são ofertadas, o que refletiria o preço efetivo de mercado. Indica ainda jurisprudência em especial do Tribunal Superior do Trabalho que tais compras, nessa forma, são apenas operações mercantis (civis) não configurando remuneração pela contra-prestação de serviços. Feita a sustentação oral do patrono. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 408 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I - O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II - O principal pressuposto do caso, ao contrário do colocado pela fiscalização e a decisão a quo, gira na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias, dispostas no art. 28, I e III, da Lei n 8.212/1991, e não das exclusões de incidência dispostas no §9º, do mesmo artigo. Trata-se de discussão se a natureza dos valores discutidos são oriundos ou não de remuneração paga pela empresa ao colaborador (empregado/contribuinte individual) em razão de prestação de serviços/trabalho à primeira. Ou seja, a norma do art. 28, I e III, incide ou não sobre tais verbas, sob pena de abalroar o principio da tipicidade tributária (art. 97, do CTN) Transcreve-se o texto do art. 28, I e III, da Lei n 8.212/1991: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5 o ;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). As expressões fundamentais para caracterizar hipótese de incidência das contribuições previdenciárias está no motivo do pagamento da remuneração, respectivametnte: destinados a retribuir o trabalho e/ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. Dessa forma, exclui-se qualquer outra forma que não sejam origem na contra-prestação pelo trabalho/serviço, em nada afetando outras negociações ou operações mercantis, como cessão onerosa de direitos. III – Estabelecido o primeiro pressuposto, passa-se a análise da natureza das compras das ações mediante Plano de Opção de Compras da Recorrente. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 409 4 Os atuais Planos de Opção de Compras de Ações, destinadas aos colaboradores de empresas, como forma de estimulo aos mesmos, conhecido como Stock Options, têm várias configurações a depender dos Estatutos Sociais das Sociedades Anônimas, e são autorizadas pelo art. 168, §3º, da Lei n. 6404/1976 (Lei das S/A) , in verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. (...) § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléia-geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Em nada dispõe se deve ou não ser fruto de contra-prestação, mas pode ser definido por regras próprias aprovadas em assembléia-geral. O relatório fiscal tenta, mediante entendimentos judiciais de primeira instância da Justiça do Trabalho, de que a Recorrente não configurou nos pólos das ações, bem como o específico da Deliberação da CVM n. 562/2008 a qual aprovou o Pronunciamento Técnico CPC nº 10, dispondo sobre o tratamento contábil a ser dado aos planos de opção de compra de ações para todas as empresas com a configuração de sociedade anônima, conforme se depreende do trecho abaixo extraído do preâmbulo do sumário do referido pronunciamento: “As entidades frequentemente outorgam ações ou opções de ações para seus empregados ou outras partes. Planos de Ações e de Opções de Ações constituem uma característica comum da remuneração de diretores, executivos e muitos outros empregados. Algumas entidades emitem ações ou opções ações para pagamento de seus fornecedores e prestadores de serviços profissionais.” E, da leitura apressada, a fiscalização conclui generalizadamente que toda compra mediante os Planos de Opção de Compras de Ações caracteriza-se como remuneração pela prestação de serviços, sem analisar a nuâncias da figura, bem como o casuísmo necessário para a apreciação. Existem várias configurações de Planos de Opção de Compras de Ações, e em várias, não há qualquer participação da empresa além da definição dos colaboradores a qual é oportunizada a compra e o volume/natureza de ações disponíveis, sem qualquer outra participação, fato reconhecido pelo próprio relatório fiscal no caso presente. Ou seja, a empresa não participa com qualquer verba para que o interessado compre tais ações, apenas disponibiliza a sua compra fora das Bolsas de Valores, fato que poderia ser disponibilizado e realizado também em entidades de mercado de balção (inclusive com preços diversos da Bolsa de Valores). Apresenta apenas uma oportunidade de investimento do colaborador na própria empresa, inclusive sendo dele o risco. As configurações de tais planos foram bem trabalhadas no artigo “Tratamento dos Planos de Stock Options Após o CPC 10”,publicado na obra Direito Tributário, Societário e a Reforma da Lei das S/A – Alterações das Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09, Editora Quartier Latin, Leonardo José Muniz de Almeida e Maurício Pereira Faro, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 410 5 em que classificam o “stock options” em duas modalidades, quais sejam: i) o clássico; e ii) o “phantom stock option”. “No stock option clássico, a empresa outorga ao empregado a opção de adquirir determinada quantidade de ações por um preço préfixado. O exercício da opção fica condicionado ao transcurso de determinado prazo de maturação das ações. Após esse prazo o beneficiado pode exercer sua opção e adquirir, por meio de um negócio de compra e venda, as ações pelo preço originalmente oferecido pela companhia. Ele passará, então, a ser proprietário das ações. Uma vez adquiridas as ações nestes termos, cabe ao participante avaliar a conveniência e o melhor momento para vendê-las no mercado. Caso o valor de mercado das ações seja superior ao valor de exercício, o empregado pode auferir vantagem econômica caso opte por vendê-las, inclusive para a própria empresa. Nesse caso, o resultado positivo auferido pelo empregado será tributado pelo Imposto de Renda como ganho de capital. No phantom stock option, tal como no plano stock options convencional, a empresa outorga ao empregado a opção de adquirir uma certa quantidade de ações por valor préfixado, após cumprido um período de maturação. Entretanto, diferentemente da modalidade clássica, o exercício da opção não é feito com a compra das ações. Nesse caso, a empresa emissora das ações paga ao empregado a diferença entre o valor de mercado das ações e o valor de outorga das mesmas, antecipando uma potencial revenda que o participante faria das ações outorgadas. Esse valor pago ao participante é geralmente considerado como remuneração (tem natureza salarial, no caso de ele ser um empregado) e é tributado pelo Imposto de Renda como rendimento, segundo a tabela progressiva.” No caso presente, não há participação monetária da Empresa na compra das ações, logo, de forma geral, trata-se de uma clássica de stock option, já de forma específica, no caso o valor pago não é pré-fixado, mas sim o próprio valor de mercado ou a ele representativo, obtido pela média da apuração do valor de mercado de três sessões da Bolsa de Valores de São Paulo anteriores a opção, o que se demonstra razoável. Assim, está claro que é o colaborador que assume o risco, pois como é sabido os valores reais das ações é volátil ao gosto do mercado, possíveis diferenças não são efetivas. A única prova efetiva nos autos é que houve compra por alguns colaboradores com preços fornecidos pelo próprio mercado. Ou seja, o aumento ou a diminuição enquadrada como “remuneração” não está atrelada à prestação de serviços do segurado, mas sim à cotação das ações no mercado, o que demonstra a completa interdependência das relações jurídicas outrora analisadas. E, o valor recebido na venda, não é pago pela empresa, mas por terceiro que adquiria as ações. Não há qualquer relação de ficta futura venda das ações entre a empresa e os compradores. Inclusive, no caso, a venda somente será permitida anos depois a compra. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 411 6 Tais observações que operações como a do presente julgamento já foram estabelecidas como de natureza não remuneratória entre empresa e colaborador pelos Tribunal Superior do Trabalho em várias ocasiões, como exemplo: “OPTION PLANS. NATUREZA SALARIAL. Não se configura a natureza salarial da parcela quando a vantagem percebida está desvinculada da força de trabalho disponibilizada e se insere no poder deliberativo do empregado, não se visualizando as ofensas aos arts. 457 e 458 da CLT. Os arestos colacionados revelam-se inservíveis, nos termos da Súmula nº 296 do TST e do art. 896 da CLT. Recurso não conhecido.(Processo nº TSTRR3273/199806402007; CJ AIRR3273/19980640240.1; Ministro Relator: Barros Levenhagen, julg. 15.03.2006) AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA.QUITAÇÃO. SÚMULA 330 TST. Pela leitura do acórdão de fls. 296/299, infere-se que em nenhum momento o Órgão Colegiado a quo se manifestou a respeito da tese de contrariedade ao conteúdo do art. 477, §1o da CLT, tanto é que o Agravante sequer transcreveu ou mencionou o trecho pertinente em suas razões do Agravo. Ademais, não opôs embargos declaratórios no momento oportuno objetivando o pronunciamento sobre este tema. Incidência da Súmula n. 297, por falta de pré-questionamento. ABONO ANUAL. Partindo do quadro fático-probatório delineado pelo Tribunal, cuja reapreciação encontra óbice na Súmula 126 do TST, não há qualquer alteração ilícita do contrato de trabalho (art. 468 da CLT) ou supressão de indenização por rescisão de contrato por prazo indeterminado (art. 468 da CLT). Dispositivos legais invocados não ofendidos. AÇÕES. NÃO INTEGRAÇÃO. REMUNERAÇÃO. A não- integração dos "stock options" ou ações na remuneração do empregado decorre da literalidade do disposto no §1o do art. 457 da CLT. Agravo de Instrumento a que se nega provimento.( AIRR 3874045.2003.5.15.0045, Relator Ministro: Carlos Alberto Reis de Paula, Data de Julgamento: 24/09/2008, 3ª Turma, Data de Publicação: 17/10/2008.) Dessa forma, observa-se que as compras das ações mediante o plano de opção da recorrente não pode ser colocado como remuneração pelo trabalho/serviço, pois trata- se apenas de um negócio de compra e venda de direitos acionários, regulados pelo direito civil. No caso presente, qualquer entendimento contrário é interpretar de forma extensiva a legislação de imposição tributária, e tenta alterar o conteúdo de institutos privados para fins de tributação, o que é vedado pelo art. 110, do CTN. IV - A alegação fiscal de que tais opções eram direcionadas a apenas alguns funcionários, também não merece prosperar, pois o plano de opção é regulado por Assembléia Geral, e destina-se a todos os colaboradores com grau de responsabilidades superiores, estimulando os demais a alcançarem tais funções. Como colocado em nossos pressupostos iniciais, o caso não está regulado pelo art. 28, §9º, da Lei n. 8.212/1992, que exige que vários benefícios sejam ofertados a todos funcionários, mas no caso é a aplicação ou não do art. 28, I e III, da mesma lei. Ainda, tais diferenciações são plenamente aceitas, inclusive pelo STJ, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 412 7 como colocado no Recurso Especial nº 1.185.685SP, a 1ª Turma do Colendo Superior Tribunal de Justiça, transcrevendo o Professor Roque Antonio Carrazza: “As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias".(CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ)” Assim, efetivamente as razões do lançamento não prosperam. V – Em fundamento suplementar, abre-se parênteses, em razão da volatilidade do mercado no preço do valor das ações em Bolsa de Valores, gera dúvidas da tese levantada pelo fiscal para apurar a base de cálculo, pois do momento da compra das ações até sua efetiva venda, as ações somente representam expectativa de valores. A tributação de fatos futuros ou de expectativa de sua ocorrência somente podem ser objetos de tributação mediante definição expressa da presunção em lei, ou quando seu evento futuro é certo ou presumível (art. 105, do CTN). A compra de ações, em qualquer uma das formas, mediante Plano de Opção, Bolsa de Valores ou mercado de balcão finaliza-se no próprio ato, não se presume a futura venda, pois elas geram direitos diversos além dos valores de disponibilização. Venda essa que, no caso, somente será permitida após anos do ato de opção, tirando qualquer possibilidade de conversão de remuneração imediata. Assim, a presunção de base de cálculo com a diferença do preço ofertado pela própria Recorrente com o preço de mercado é fictício, e que não foi trazido nos autos qualquer fato que pudesse efetivamente apresentar que houve a venda das ações. Inclusive, conforme dados juntados no Recurso Voluntário, os valores das ações momentos posteriores às efetivas compras comprovariam que elas estavam em valores mais baixos. Haveria incidência de tributos de fato econômico negativo, mesmo em absurda desobediência a necessidade constitucional de que a ocorrência do fato tributário represente algum ganho ou vantagem econômica (art. 145, §1º, da CF/1988)? Em questão, a forma de avaliação do fiscal foi no caso prático uma aferição indireta ou arbitramento da base de cálculo, pois trabalhou com uma ficção, contudo em momento algum houve qualquer menção a não merecimento de fé da documentação apresentada ou dificuldades de sua obtenção. Ou seja, além de não ter indicado o preceito legal que autorizam tais métodos de apuração, artigos 148,do CTN, e art. 33, §6º, da Lei n. 8212/1991, que somente podem ser aplicados quanto há sonegação ou que os documentos não sejam confiáveis. Isso já abalroaria além dos dispostos supra mencionados como o art. 142, do CTN, gerando uma nulidade ao lançamento por ausência da devida motivação e constituição da norma individual e concreta. (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°101-94049, Sessão de 06/12/2002, unânime) VI – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, dar- lhe provimento, no sentido de reformar a decisão a quo e cancelar o crédito tributário lançado por insubsistência. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 413 8 É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 414 9 Declaração de Voto Conselheiro Oseas Coimbra Sr Presidente, Acompanho o ilustre relator nas conclusões, em razão das especificidades do caso concreto analisado, me permitindo tecer, em declaração de voto, alguns brevíssimos comentários sobre o tema que ainda busca consolidação em seu entendimento. As operações de stock options podem ser realizadas de inúmeras formas, com infinitas combinações de abrangência, obrigações, preços, condições, etc, o que significa que devemos analisar cada situação posta e firmar juízo acerca da configuração ou não de contribuição previdenciária. Em brevíssimas linhas, entendo que 04 pontos básicos devem ser observados: 1. Disponibilidade em razão da relação de trabalho celebrada 2. Faculdade de exercer ou não a opção acordada. 3. O valor das ações em mercado e o que consta da stock option na data da opção efetivamente exercida, quando a ação se incorpora ao patrimônio do segurado, independentemente de o mesmo vender as ações. 4. Disponibilidade de venda das ações – Lock up period. Sendo disponibilizada em razão da relação de trabalho, facultada a sua opção, significando ganho em relação ao valor comercializado no mercado de ações, independentemente da venda das ações, configura-se remuneração sujeito a contribuição social. Registre-se que independe da venda por parte do segurado, pois, na data da opção temos o valor agregado assegurado. Caso o beneficiário venda após esta data, corre, por sua decisão (de opção/venda ou hold), o risco por parte da desvalorização do preço de mercado, o que não influencia no fato gerador. Fazendo um paralelo com outro benefício, imaginemos uma empresa ofertando a um diretor um automóvel 0km. A desdúvida que temos remuneração indireta. Caso, no mesmo dia do recebimento, o automóvel desvalorize 15%, em nada altera o valor do fato gerador – preço de tabela pago pela empresa. Entendo finalmente não se tratar de operação mercantil em razão da íntima pessoalidade entre as partes, sempre com vínculo laboral, geralmente visando contratação ou estimulo aos contratados para melhor desempenhar sua função, podendo se constituir em benefício financeiro sujeito à contribuição previdenciária, dependendo das premissas acordadas e da situação fática ocorrida. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 10925.723207/2011-49 Acórdão n.º 2803-03.815 S2-TE03 Fl. 415 10 O fato de se tratar de operação onde o beneficiário geralmente desembolsa valores para adquirir o direito às ações não altera em nada a natureza de benefício. Exemplificando, poderíamos considerar uma empresa ofertando a determinado segurado um bem por $ 10.000,00 com valor de mercado de $ 90.000,00. Haveria ou não caracterização de benefício financeiro, ou remuneração indireta conforme art. 28 da lei 8212/91? Essa é a questão a ser dirimida quando da situação posta. No caso sub examine, entendo não haver contribuição previdenciária uma vez que, das informações trazidas, na data da opção, o valor de mercado das ações estaria abaixo do valor da ação ofertada aos segurados em razão da opção, não havendo assim diferença positiva, ou benefício financeiro, a ser considerado. (Assinado Digitalmente) Oseas Coimbra - Conselheiro Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO VETTORATO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000178/2003-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 16/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Relatório
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 16/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, indeferiu o direito creditório, e reconheceu a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas até 28/08/2004, que não foram objeto de declaração de compensação retificadora. O Acórdão 1435.783 foi assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 82 .0 00 17 8/ 20 03 -7 5 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13882.000178/200375 Resolução nº 3101000.409 S3C1T1 Fl. 4 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1993 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. GLOSAS DE CRÉDITO. O § 4° do artigo 150 do CTN aplicase a lançamento por homologação e não aos casos de correção do cálculo do montante do ressarcimento. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Retificada a declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data da apresentação da declaração de compensação retificadora. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. PRESCRIÇÃO. O direito de pleitear o ressarcimento de créditos, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONHECIMENTO DO PEDIDO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento e créditos do IPI pode condicionar o conhecimento do pedido à apresentação de documentação comprobatória do direito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Originalmente, o contribuinte apresentou a Declaração de Compensação juntamente com pedidos de ressarcimento, para o período do 4º trimestre de 1993 ao 1° trimestre de 2003. Posteriormente, apresentou a Declaração de Compensação constante do processo em apenso n° 13882.000184/200322, e DCOMPs eletrônicas. Consta nos autos que os créditos pleiteados referemse a crédito presumido de IPI, créditos de atacadistas, créditos de entradas de insumos indiretos, créditos de insumos isentos e de alíquota zero, correção monetária dos créditos, e insumos não creditados. Segundo relata a autoridade julgadora a quo, mediante o Despacho Decisório de fls. 507/513 (numeração manual), e com base na informação fiscal de fls. 495/502 (numeração Fl. 922DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13882.000178/200375 Resolução nº 3101000.409 S3C1T1 Fl. 5 3 manual), a DERAT deferiu o direito creditório de R$ 2.149,61, e homologou as compensações até esse valor, pelos seguintes motivos: (i) Não foi possível estabelecer uma correlação entre as listagens fornecidas pela contribuinte durante a diligência fiscal (Anexo I) e a listagem de fls. 33/38 apresentada com o pedido de ressarcimento que totaliza o crédito pleiteado de R$ 7.463.403,38; (ii) A contribuinte não logrou comprovar quais valores estavam contidos na listagem apresentada, prejudicando a conferência, por amostragem, das notas fiscais de entrada; (iii) A interessada não apresentou os Livros Registro de Entradas e Registro de Saídas correspondentes aos anos de 1998 a 2002; (iv) A requerente não efetuou o estorno do crédito na data do protocolo, mas somente na data da compensação; (v) O Ônus da prova era da requerente; (vi) Somente foi possível reconhecer o crédito de R$ 2.149,61 de aquisições de estabelecimento atacadista; esse valor referese As notas fiscais emitidas até o 1° trimestre de 2003, de um total de R$ 18.702,98 constante no demonstrativo de fls. 411/416; (vii) Ainda que o pedido estivesse amparado por todos os documentos, estavam prescritos os valores relativos a períodos anteriores ao 3° decêndio de fevereiro de 1998; Informa ainda o julgador a quo que, juntamente com a análise do presente pedido, a empresa foi objeto de fiscalização do IPI, abrangendo os mesmos períodos de apuração, que em virtude da glosa de créditos, resultou na lavratura de auto de infração, formalizado no processo n° 19515.001253/200975, tendo sido juntado às fls. 420/491 (numeração manual), cópia do Termo de Constatação que fundamentou a autuação. Em seu recurso voluntário, a interessada alega a decadência do direito de glosa de créditos e de não homologação de declarações de compensação, a homologação das declarações de compensação que foram objeto de declaração retificadora, requerendo o reconhecimento da legitimidade da totalidade do crédito de IPI a ressarcir no período em questão e a homologação total das compensações declaradas no presente processo. O processo foi a este Conselho e distribuído a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Fl. 923DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13882.000178/200375 Resolução nº 3101000.409 S3C1T1 Fl. 6 4 O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório, especialmente pela inexistência dos documentos que faziam parte do Volume 03 (fls. 401 a 593), de numeração manual, que continham, entre outros, o Despacho Decisório (fls. 507/513 numeração manual) e Informação Fiscal (fls. 495/502 numeração manual) da DERAT. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora anexe aos autos, no formato digital, os documentos que faziam parte do Volume 03 (fls. 401 a 593), de numeração manual, que continham, entre outros, o Despacho Decisório (fls. 507/513 numeração manual) e Informação Fiscal (fls. 495/502 numeração manual). Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 924DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907071/2009-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório e Voto Este processo administrativo já foi relatado por este Conselho, pois foi inicialmente distribuído à douta 2º Turma Ordinária da 1º Câmara da 2ª Seção de Julgamentos, de cujo relatório valhome neste momento: Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 25091.06508.280205.1.3.045078, transmitida eletronicamente em 28 de fevereiro de 2005, relativos a créditos do Imposto de Renda Retido na Fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 07 07 1/ 20 09 -4 2 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907071/200942 Resolução nº 1801000.362 S1TE01 Fl. 107 2 Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de Apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 25/04/2001 5204 787.500,00 25/04/2001 A Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equívoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade Material; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Cientificado da decisão em 29 de junho de 2010, a recorrente interpôs recurso voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, no dia 29 do mês subsequente, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, por meio do qual foi recebido R$ 15.750.000,00, com retenção de R$ 787.00,00 a título de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907071/200942 Resolução nº 1801000.362 S1TE01 Fl. 108 3 prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Conheço do recurso, pois tempestivo. A princípio, a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos foi negada pelo Despacho Decisório (fl. 62) em virtude de suposta inexistência do crédito, pois a Recorrente informou um pagamento a maior via DARF de R$787.500,00, mas esse DARF não foi encontrado nos registros da Receita Federal. Essa foi a fundamentação do despacho decisório. Em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente esclareceu os fatos e afirmou que, na verdade, o seu crédito é decorrente do saldo negativo do anocalendário de 2001, e não de simples pagamento a maior. É que a Recorrente teria feito um acordo judicial que lhe rendeu a quantia de R$15.750.000,00, sendo que, desse valor, R$ 787.500,00 foram pagos a título de imposto retido na fonte. No entanto, a Recorrente, ao declarar em sua DIPJ essa receita de R$15.750.000,00, não informou a retenção e, consequentemente, não a deduziu do valor do total de IRPJ devido ao final do período de apuração. Assim sendo, em razão dessa não dedução, a Recorrente acabou efetuando um recolhimento a maior no valor de R$787.500,00, exatamente o valor do crédito aqui pleiteado. Essas alegações da Recorrente estão acompanhadas de documentos que revestem de verossimilhança as alegações, principalmente a DIPJ/2002 (fls. 3659) e o DARF no valor de R$787.500,00, este devidamente recolhido (fl. 61). Diante dessas alegações da Recorrente, a DRJ constatou que o motivo que fundamentou o Despacho Decisório (inexistência do DARF) realmente não subsistia, pois o DARF foi apresentado nestes autos (fl. 61). No entanto, ainda assim a DRJ negou a compensação pleiteada, adotando argumento novo, não trabalhado anteriormente pelo Despacho Decisório, qual seja: a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP através de manifestação de inconformidade. Percebese, portanto, que a DRJ alterou por completo a fundamentação do Despacho Decisório, adotando outra diversa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907071/200942 Resolução nº 1801000.362 S1TE01 Fl. 109 4 Sabese que este Conselho tem adotado com frequência o acertado entendimento de que o ato administrativo tem sua validade vinculada aos motivos que lhe deram origem. Se os motivos forem inválidos ou inexistentes, a anulação do ato administrativo é medida impositiva. É a chamada Teoria dos Motivos Determinantes. A ementa abaixo demonstra bem esse entendimento: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PER/DCOMP. DIPJ. HOMOLOGAÇÃO. Se o saldo negativo informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) é inferior ao mesmo saldo negativo informado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deve a homologação da compensação se fazer até o limite daquele primeiro saldo. DESPACHO DECISÓRIO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ATO ADMINISTRATIVO. Uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). (CARF, Primeira Seção, 3ª Turma Especial, acórdão de nº 1803002.236, de 31/07/2014) No entanto, não há lugar no presente caso para aplicação da referida teoria, a despeito de a DRJ ter adotado fundamentação distinta daquela adotada pelo Despacho Decisório. É que, por uma questão de lógica, a Teoria dos Motivos Determinantes só tem espaço nas situações em que a Administração, no momento de edição do ato administrativo, tenha conhecimento de toda a matéria que circunda a situação, de modo a possuir condições totais de analisar a matéria por completo. No presente caso, no entanto, considerando a informação prestada pelo contribuinte de que o crédito pleiteado possuía a natureza de pagamento indevido ou maior, e tendo o recolhimento sido realizado pela fonte pagadora do rendimento em questão (IRRF), a RFB não dispunha de elementos suficientes para proceder a uma análise mais acurada da existência do crédito em questão. Foi só com as informações prestadas pela Recorrente, na manifestação de inconformidade, é que a autoridade administrativa teve ciência do efetivo crédito pleiteado, e só então ela pode adotar o fundamento de impossibilidade de retificação da PER/DCOMP, o que foi feito pela DRJ. Portanto, a alteração da fundamentação do ato administrativo levada a cabo pela DRJ foi legítima. Contudo, no aspecto material, entendo que a decisão merece reforma, por ter sido extremamente formalista e relegado a segundo plano a verdade material, que deve nortear o processo administrativo. Como visto acima, a falta de reconhecimento, pela RFB, do direito creditório invocado pela Recorrente decorre de mero equívoco do contribuinte na hora de transmitir a declaração de compensação, uma vez que, no PER/DCOMP, deveria ter justificado o saldo credor como sendo “saldo negativo” e não como “pagamento a maior”. Todavia, erros formais no preenchimento de declarações não são capazes de elidir a pretensão da Recorrente, mormente quando esta se baseia em direito creditório efetivamente demonstrado. O CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pagado tributo a maior ou indevidamente. É o que dispõe o art. 165: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907071/200942 Resolução nº 1801000.362 S1TE01 Fl. 110 5 modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” (destacamos) Assim sendo, por questões de eficiência, moralidade e legalidade, é dever da Administração anular seus atos eivados de ilegalidade tão logo esta seja detectada, sem criar óbices burocráticos ao cumprimento da lei. No presente caso, a Recorrente, tendo verificado a existência de saldo negativo de IRPJ, pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tal valor no PER/DCOMP objeto deste processo. Entretanto, ao emitir sua declaração de compensação, a Recorrente cometeu uma impropriedade formal que, de fato, impossibilitou à Administração, num primeiro momento, a verificação da existência do crédito. No entanto, essa impossibilidade inicial foi afastada com a apresentação da manifestação de inconformidade, por meio da qual a Recorrente demonstrou bem qual era, de fato, a sua pretensão. Nesse caso, a Administração não deve ficar presa à literalidade da declaração. E isso por vários motivos: (i) porque a Constituição exige da Administração uma atuação eficiente (art. 37), e não se pode reconhecer eficiência numa decisão que simplesmente desconsidera a verdade dos fatos; (ii) porque é cediço que na esfera administrativa impera a verdade material, devendo ser mitigados institutos processuais como o da preclusão ou coisa julgada; (iii) porque fere a razoabilidade negar, depois de já se ter movimentado toda a máquina administrativa, um crédito tributário que pode ser reconhecido no Judiciário, o que gerará mais gastos para o erário, tanto para custear o processo administrativo que não acabará ali, mas também para o acompanhamento do processo judicial, que certamente se seguirá. Ora, os órgãos administrativos devem prezar pelo gasto consciente do dinheiro público. De nada adianta negar aos contribuintes compensações com base em argumentos extremamente burocráticos e gerar novos gastos (acompanhamento do processo administrativo e do processo judicial) para que, ao final, a compensação seja analisada e determinada pelo Judiciário. Sendo possível, é dever da Administração resolver a questão quando ela se encontra na sua esfera. E no presente caso era (e ainda é) possível. Em resumo, deve prevalecer a boafé da empresa e o princípio da verdade material. Nesse contexto, aliás, a jurisprudência administrativa tem reconhecido a possibilidade de se desconsiderarem pequenos erros materiais no preenchimento da DCOMP, conforme demonstram as ementas abaixo: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907071/200942 Resolução nº 1801000.362 S1TE01 Fl. 111 6 “IRPJ PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Acórdão nº 10808.805, PTA 1014000094620020, sessão de 27/04/2006) “COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. Descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp).” (3ª Turma Especial, 3ª Seção do CARF. Acórdão nº 1803001.551 do PTA nº 10283.900422/200958, sessão de 06.11.2012) “COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Acórdão nº 10196.829, PTA 10768100409200368, sessão de 27/06/2008) Portanto, erro no preenchimento do PER/DCOMP não pode prevalecer sobre o direito ao crédito decorrente de pagamento indevidamente efetuado, desde que este seja devidamente demonstrado. Nestes autos há documentos que ao menos indicam a efetiva existência do crédito alegado pela Recorrente. Como dito acima, às fls. 3659 está acostada a DIPJ do ano calendário de 2001. Analisando essa declaração, é possível ver que nos três primeiros trimestres do ano a receita bruta da Requerente girou em torno de R$1.800.000,00. No entanto, no quarto trimestre daquele ano houve reconhecimento de valor extremamente superior aos três primeiros trimestres, que monta em R$42.544.213,28. Ou seja, é razoável de se admitir que a receita decorrente do acordo judicial (no valor de R$15.750.000,00) está contida nos R$42.544.213,28 informados no 4º trimestre de 2001, pois esta receita foi extremamente superior a dos demais e, ao que tudo indica, não faz parte dos ganhos habituais da Recorrente. Nesse contexto, visando a apurar a verdade material dos fatos de modo a dar subsídios para este Conselho decidir da maneira mais consentânea com a legalidade, voto por determinar a conversão do julgamento na realização de diligência com a finalidade de que a unidade de jurisdição da Recorrente: (i) intime a Recorrente para comprovar o recolhimento regular do IRPJ com base nos valores declarados na DIPJ/2002, por meio de demonstrativo analítico que ateste a inclusão do rendimento em questão nas bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, que deve guardar correspondência com a escrituração contábil, especialmente com os valores lançados na conta contábil nº 4103010001 e suas contrapartidas; (ii) verifique se o crédito de R$787.500,00 não foi utilizado em outros processos e, caso tenha sido, se há saldo suficiente para compensar o débito declarado neste processo. Ao final, devem ser juntados aos presentes autos o resultado da diligência já realizada nos autos do PAF nº xxxxxxxx, bem como cópia do acórdão lá formalizado. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 15586.000740/2010-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO.ALIMENTAÇÃO. SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA.
Tratando-se de parcela cuja não-incidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação.
CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS.
As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública.
ÓNUS DA PROVA.
Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento.
RETIFICAÇÃO.
Exclui-se do lançamento contribuição apurada sem a respectiva fundamentação legal.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
Numero da decisão: 2403-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Julio de Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.ALIMENTAÇÃO. SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. Tratando-se de parcela cuja não-incidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. ÓNUS DA PROVA. Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento. RETIFICAÇÃO. Exclui-se do lançamento contribuição apurada sem a respectiva fundamentação legal. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Ivacir Julio de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
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SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. ÓNUS DA PROVA. Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento. RETIFICAÇÃO. Excluise do lançamento contribuição apurada sem a respectiva fundamentação legal. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 40 /2 01 0- 60 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Julio de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. Relatório Li o Relatório a quo, compulsei com os autos e tendo corroborado, com grifos de minha autoria, abaixo, o transcrevo na íntegra: "Tratase de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.252.61950 consolidado em 27/07/2010), no valor de R$ $ 9.228,86; acrescidos de juros e multa de morao, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 39/42), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte de terceiros, ( Salário Educação, INCRA, SESC E SEBRAE), no período de 01/2006 a 12/2007. 2. Ainda segundo o referido relatório: 2.1. constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) as parcelas in natura fornecidas pela empresa a seus empregados, por meio da contratação de serviços Fl. 526DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000740/201060 Acórdão n.º 2403002.771 S2C4T3 Fl. 3 3 AlimentaçãoConvênio, sem o amparo da Lei n° 6.321 de 14/04/1976 e; b) benefícios de assistência médica, seguros e previdência complementar os quais não foram disponibilizados a todos os segurados da empresa — empregados e dirigentes, não atendendo portanto ao pressuposto legal da não incidência tributária; 2.2. integram a notificação os seguintes levantamentos: • ALI Alimentação; • AM1 Assistência Médica ; SEI Seg. e Previdência Privada; SP1 Seg. e Previdência Privada e; TA1 Ticket Alimentação 2.3. em respeito ao princípio da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional CTN, efetuouse a comparação entre as penalidades aplicadas com fundamento na legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores (legislação anterior) e a legislação superveniente (atual Lei n° 11.941/2009), sendo esta mais benéfica ao contribuinte, conforme Relatório de Comparação de Multa em anexo. Da Impugnação 3. Inconformada com o lançamento, que tomou ciência em 02/08/2010, a empresa apresentou Impugnação (fls. 136/154), acompanhada dos documentos de fls. 93/11, argumentando, em síntese: .3.1. a tempestividade; 3.2. as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho equiparáveis, de certo modo, à própria lei, da qual podem inclusive divergir, desde que sejam em benefício do trabalhador (ou até mesmo em prejuízo daquele, nas hipóteses autorizadas pela 3F/1988); 3.3. a convenção Coletiva possui o status quo de norma pela Constituição Federal de 1988 e pela CLT; 3.4. as duas convenções coletivas dos funcionários vinculados à impugnante (SINPRO ES e SAAE/ES) estabelecem que o ticket alimentação não se integra ao salário e, consequentemente, ao conceito de Fl. 527DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 remuneração. Estipularam que tal benefício se equipara ao PAT, ou seja, tal concessão é meramente de natureza indenizatória; 3.5. considerando que quem define o que é ou não salário e/ou remuneração para fins de contribuição previdenciária são as normas trabalhistas, e ainda a convenção estipula que o ticketalimentação não é salário, outra não pode ser a conclusão deque a referida rubrica não integra o conceito de salário, que, por consequência, torna impossível abarcar no conceito de remuneração; 3.6. para corroborar suas alegações cita jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; 3.7. o ticket alimentação do caso em concreto, não é salário, mas sim indenização; 3.8. o fiscal sustentou que a contribuinte não disponibilizou a todos ossegurados da empresa planos de previdência privada complementar, de saúde assistência médica e seguro de vida, contudo tal argumento não pode prosperar; 3.9. após citar o art. 28, §9°, alíneas "p" e "q" da Lei n° 8.212/1991, afirmaque não é necessário que todos os empregados adiram ao plano de previdência privada complementar, basta que o contribuinte disponibilize a todos os empregados e dirigentes, e isso foi realizado; 3.10.parte dos funcionários e dirigentes (menor arte da empresa) não aderiu ao benefício do plano de previdência privada por vontade própria; 3.11.comprovase por meio da Convenção Coletiva o SINPRO ES eSAAE/ES, e pelos próprios documentos informados no auto de infração (anexos II a V), que o plano de previdência privada foi posto à disposição de todos os funcionários e dirigentesatendendo aos preceitos legais; 3.12. O autuante equivocouse ao argumentar que determinada cláusula da convenção do SAAEES, supostamente haveria extinguido o plano de previdência privada, pois a determinação da extinção era referente à Convenção coletiva de 2005/2006 e, jamais do plano de Previdência Privada da Convenção do biénio 2006/2007; as convenções coletivas também demonstram não se tratar de remuneração os planos de assistência médica e seguro de vida, não devendo incidir contribuição evidenciaria nestes casos; 3.13. nem mesmo custeado pela contribuinte o plano de saúde é, motivo pelo qual Í indaga qual o embasamento legal que demonstra, neste caso, a natureza remuneratória da referida rubrica; Fl. 528DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000740/201060 Acórdão n.º 2403002.771 S2C4T3 Fl. 4 5 Em virtude do exposto, requer seja anulado ou julgado improcedente o auto de infração ora combatido, desconstituindo o tributo apurado, a multa aplicada , bem como os juros. 5. É o Relatório DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 10ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1 ( RJ) DRJ/ RJ 1, em 18 de abril de 2001, exarou Acórdão de n°1236.752, fls.224, concedendo parcial provimento ao contribuinte retificando, de ofício, o lançamento em razão de ausência de fundamentação legal para a aferição direta de algumas rubricas levantadas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. fls. 465, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO De plano, ressaltese que o presente Auto de Infração está sendo julgado em conjunto com o processo de n° 15586.000734/201011 em face da conexão com aquelas obrigações principais cujas mesmas bases de cálculo ensejaram o lançamento em comento. Aduz que tendo esta Turma decidido dar provimento parcial àquele processo anuindo tão somente determinar o recálculo da multa aplicada, por razões lógicas o resultado deste julgamento deve acompanhar aquela decisão. No que concerne aos levantamentos enfrentados no voto em sede de impugnação, corroborando a íntegra do que fora argumentado pelo i. Julgador, por economia processual adoto ,inclusive a ementa, para negar provimento às alegações trazidas pelo contribuinte em sede recursal ressaltando, entretanto, aspectos no tocante à multa aplicada. MULTA MAIS BENÉFICA Na forma do Relatório de Fundamentos Legais FLD de fls. 23, a multa foi aplicada observando o comando do art. 35, I, II e III da Lei n° 8.212/91 DO ART. 144 Conforme o comando do art. 144 do Código tributário Nacional CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, verbis: " Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido." À época dos fatos geradores , período 01/2006 a 12/2007, para aplicação das multas em comento vigiam os incisos I, II e III do alterado art. 35 da Lei n 8.212/91. Ocorre que com a nova redação dada pela Medida Provisória MP 449/2008, para o art. 35, nas Fl. 530DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000740/201060 Acórdão n.º 2403002.771 S2C4T3 Fl. 5 7 hipóteses de inadimplência com a União, decorrentes das contribuições sociais em tela, o legislador fez previsão de aplicação de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 verbis; "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei ° 11.941, de 2009) " DA RETROATIVIDADE BENÍGNA O artigo 106, II, "c" do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” Fl. 531DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando que se proceda o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 532DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.902916/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otavio Opperman Thome Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Relatório
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 02 91 6/ 20 09 -7 9 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 3 2 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. INTEGRAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO AO PAGAMENTO A MAIOR. ART. 10 DA IN SRF 600/2005. CARÁTER VINCULANTE. Por força do artigo 10 das INs SRF no 460, de 2004, e 600, de 2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O processo versa sobre compensação (PER/DCOMP n° 11885.54625.290705.1.3.041460), que objetiva compensar recolhimento a maior de estimativa de IRPJ, pago em 30/12/2004. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi de R$279.978,37. 2. O Despacho Decisório (fls. 06/07) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os artigos 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e artigo 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o referido ato administrativo, alegando que: • No período em questão, o contribuinte declarou em DCTF débito tributário relativo a estimativa mensal de IRPJ/CSLL, pagandoo. Posteriormente, verificando erro, transmitiu a devida DCTF retificadora, diminuindo tal débito. Depois de encerrado o anocalendário em questão, apresentou PER/DCOMP, aproveitandose da diferença entre o valor pago .e a quantia declarada na DCTF retificadora. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 4 3 • Para sua surpresa, a contribuinte recepcionou Intimação/Despacho Decisório pela Secretaria da Receita Federal (SRF), comunicando a improcedência do crédito informado na PER/DCOMP, sob o argumento de que tal crédito tratavase de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado como dedução do imposto de renda mensal da pessoa jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ao para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. • Pelo que está acima exposto, fica muito evidente que, ainda que o tributo recolhido em demasia fosse considerado estimava mensal da IRPJ/CSLL, logo, passível de compensa cão apenas após a constituição do saldo negativo ao final do período de, apuração, a compensação pleiteada pela requerente ainda seria legitima. • Ocorre que, quando a compensação foi pleiteada, o exercício já estava encerrado, logo, jamais o despacho decisório poderia ainda tratar tais recolhimentos como mera estimativa, tendo em conta que já era cediço o quantum devido no regime de apuração pelo lucro real anual. • Em síntese, por qualquer via tal recolhimento é indevido ou a maior, pois o montante da obrigação tributária já era conhecido quando a compensa cão foi pleiteada, sendo injustificável a motivação do despacho decisório, que alegou que o recolhimento por estimativa só poderia servir para compor o saldo negativo do IRPJ/CSLL ao final do período de apuração. • Ocorre que o Despacho Decisório ora impugnado ignorou completamente o fato da ocorrência do erro no recolhimento, como foi exposto, tendo a integralidade do valor recolhido como tributo pago por estimativa. Na situação considerada pelo fisco, o valor da compensação darseia com a posterior verificação da existência de pagamento indevido, passível apenas no final do exercício, ao comparar o valor recolhido com o montante devido ao fim do período de apuração com base no regime de Lucro Real Anual. • Infelizmente o Despacho Decisório, de forma incauta, fundamentase em regra geral sem considerar as particularidades do caso concreto, no qual o recolhimento efetuado foi superior ao devido e declarado através da DCTF. Situação bem diversa, talvez a que tenha fundamentado a decisão impugnada, é aquela na qual o contribuinte realiza pagamentos por estimativa mensal e os declara ao fisco e, em dado período de apuração, vislumbra que os recolhimentos superam o lucro real até aquele momento, porém, antes mesmo do encerramento do exercício, quando apenas então teria a condição de contemplar se os recolhimentos efetuados e declarados ao fisco eram ou não indevidos. • O caso da impugnante é bem diverso, o valor declarado ao fisco como devido por estimativa mensal de IRPJ/CSLL é inferior ao que foi recolhido, logo, inegável a caracterização de pagamento indevido. • Ocorre que o Despacho Decisório fundamenta a decisão nele contida igualando o caso da impugnante com a metodologia de apuração por estimativa presente no regime de lucro real anual, onde, na declaração anual de ajuste, vislumbrase se os recolhimentos estimados são superiores ou inferiores ao devido, resultando na constatação de pagamento indevido. • Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que "por tratarse de pagamento ao titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 5 4 Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período". Como se vê, a decisão impugnada considera que o recolhimento efetuado pela impugnante era devido ao titulo de estimativa mensal, quando a DCTF do período de apuração em debate demonstrava valor inferior ao que foi efetivamente recolhido, constituindose assim em pagamento indevido. • A impugnante entende estar havendo um notório mal entendido por parte da SRF, quando pretende tratar de pagamento por estimativa o que não é, pois coma já foi exaustivamente exposto tratase de pagamento em excesso do recolhimento mensal por estimativa. De outra forma, pelo que pretende a SRF, jamais poderia haver pagamento indevido ou a maior quando o contribuinte fosse recolher a estimativa mensal, pois, em qualquer circunstância tal recolhimento seria considerado uma estimativa mensal, a ser totalizada ao final do exercício, e comparada com o quantum devido no Lucro Real anual. • A situação sobredita não pode merecer guarida jurídica, pois ignora completamente um fato da vida real de qualquer contribuinte, 'ão passível de ocorrer no cotidiano que há previsão legal para seu tratamento, que é o erro no cômputo do tributo devido pelo contribuinte, levandoo a recolher mais do que o exigido pela legislação. Pela decisão ora impugnada, tal realidade seria irrelevante quando tratase de recolhimento por estimativa, pois o contribuinte estimando certo ou errado o valor do tributo mensal, tal estimativa seria dada como efetiva para efeito de comparação com o valor anual devido. • Obviamente, tal entendimento não pode prosperar, pois cerceia completamente um direito liquido e certo do contribuinte de reaver o que erroneamente apurou e recolheu. Admitir o contrário seria subverter inclusive principio geral de direito, no qual há repulsa geral ao locupletamento sem causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública. • Diante do exposto, resta evidente tratarse de recolhimento indevido, visto realizado em monta superior ao declarado em DCTF, justificandose o pedido de compensação pleiteado e refutandose por completo a negativa do fisco em reconhecer tal límpido direito. • Ainda que a hipótese levantada no Despacho Decisório merecesse guarida, apesar da notória impropriedade da decisão em aplicar regra genérica a caso especifico circunstancialmente diverso, outros detalhes táticos merecem especial atenção, pois •de forma alguma poderiam ter sido completamente ignorados na motivação da decisão impugnada. Posteriormente, percebendo que havia recolhido valor a maior, a empresa transmitiu o PER/DCOMP, tendose ainda retificado a DCTF. • Diante dos fatos ignorados no Despacho Decisório, resta evidenciado que o recolhimento gerador do direito creditório pleiteado já era passível de comparação com o valor efetivamente devido para o anocalendário em questão. Isso porque, no momento da entrega da DIPJ, já se sabia qual era o IRPJ/CSLL efetivamente devido pelo regime de apuração do Lucro Real Anual. • O valor do IRPJ/CSLL devido no ano em questão havia sido informado ao fisco, quando da transmissão da DIPJ. Nestes termos, já era possível determinar que os recolhimentos realizados por estimativa mensal ao longo do exercício superavam o valor efetivamente devido no calendário, motivando a composição do saldo negativo demonstrado na Ficha 12 A da DIPJ mencionada. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 6 5 • De outro modo, é logicamente inviável admitir que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, já após o encerramento do resultado do ano ern questão, ainda, se pudesse tratar os recolhimentos efetuados naquele ano como estimativas mensais, quando já havia o aperfeiçoamento do quantum devido, manifestadamente inferior ao total recolhido ao longo do exercício. • Tal ilógica acepção tragada no despacho decisório afronta qualquer hermenêutica, ou mesmo, a mera etimologia do instituto defendido pelo fisco, qual seja, o da estimativa. Por definição de nossa pátria linguagem, estimativa é a previsão de um valor, circunstância ou resultado. Desta forma, é irrazoável admitir ainda se tratar de estimativa de recolhimento de tributo devido, quando já se sabe, e não apenas se estima, o valor definitivo da contribuição devida. Em simples questionamento: Como se pode considerar recolhimento estimado da IRPJ/CSLL de determinado anocalendário, quando o pedido de compensação se deu posteriormente? • Em que pese a impugnante ter por certo, como já foi exaustivamente demonstrado, tratarse de recolhimento indevido, pois recolheu valor de estimativa mensal superior aquele declarado ao fisco, ainda que se admitisse a ilógica tese do fisco, considerando tratarse de recolhimento por estimativa, logo, restrito a composição de saldo negativo, no caso concreto em análise, também se trataria de saldo negativo, fato formalmente consignado na DIPJ transmitida pelo contribuinte. • Sabendo de tais fatos, a compensação pleiteada pela impugnante é devida por encontrar respaldo fático e legal, visto que, pelo que já foi fartamente exposto, a origem do crédito não homologado foi o pagamento indevido, seja por se tratar de recolhimento a maior quando comparado com o valor devido declarado em DCTF, seja pelo fato de já se ter, na época do pleito de compensação, a certeza de que tais recolhimentos excediam ao tributo devido no final do exercício em questão. • O direito a restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte encontrase previsto no inciso II do art. 165 do CTN. • Para a fruição do direito, fazse necessária a ocorrência de pagamento indevido, decorrente de erro do contribuinte quando do recolhimento do tributo ou ainda, na extinção de decisão condenatória que cominava ao contribuinte o pagamento de tributo. • Dito isto, tendo em vista o que já foi relatado, resta evidente tratarse de recolhimento indevido. Ocorre que, em um primeiro momento, a impugnante declarou valor a titulo de estimativa mensal do IRPJ/CSLL devido. Em momento posterior, revisando o cômputo da monta devida, o contribuinte constatou erro da determinação do montante do débito, retificando a competente declaração (DCTF), informando que o valor correto seria outro menor. • Pelo exposto, fica notório que o fato descrito se alinha perfeitamente com a hipótese de recolhimento indevido prevista no art.165, II, do CTN, acima transcrito, por tratarse de inequívoco erro no cálculo do montante do débito, sendo importante salientar que o equivoco foi devidamente saneado e informado SRF através da retificação da DCTF do período. • Em relação a transmissão da DCTF retificadora é relevante relembrar o que dispõe o §10 do art. 90 da IN SRF n° 255/02, vigente it época dos fatos em debate, abaixo transcrito: Art. 9º. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 7 6 elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1° A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. • Da leitura da norma acima, se extrai que, ao transmitir a DCTF retificadora informando valor de débito relativo a IRPJ/CSLL devida por estimativa inferior ao originalmente declarado, o novo valor declarado substituiu o anterior para todos os efeitos, tendo em vista que a declaração retificadora substitui integralmente a retificada. Desta feita, é inegável que o valor devido ao titulo da exação em debate é inferior ao que foi declarado, logo, alinhandose plenamente na figura de pagamento indevido, prevista no art. 165, II, do CTN. • Pelo que decidiu o despacho da SRF em impugnação, o contribuinte jamais erraria no recolhimento estimado de IRPJ e CSLL, quando sujeito ao lucro real anual, pois qualquer que fosse a monta recolhida estarseia sempre diante de recolhimento por estimativa, negando o fato, até usual, de que o contribuinte pode erra no cálculo do débito. Se a própria norma (art. 165, II, CTN) previu a possibilidade de erro do contribuinte, jamais poderia o intérprete afastar tal comum, corriqueira e verossímil possibilidade. • Diante de tamanha impropriedade, parece ao contribuinte tratarse de mera confusão no trato das circunstâncias particulares do caso concreto por parte da SRF, que confundiu o recolhimento alvo do pedido de compensa cão com o valor mensal apurado com base no regime de estimativa, pois o valor recolhido foi superior ao valor da estimativa, logo, em parte indevido. O que não poderia ser alvo de compensa cão, pelas normas expostas como fundamento da decisão, é o valor do tributo calculado e recolhido ao titulo de estimativa, ou seja, o valor exato da exação devida sob o regime de estimativa e não eventuais recolhimentos a maior. • Sobre este fato, é importante analisar o que diz o inciso IV do §4° do art. 2° da Lei No. 9.430/96, abaixo transcrito, aplicável à IRPJ/CSLL, conforme art. 28 da Lei N°. 9430/96: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1 ° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. • Como está claro na norma acima, o que está vinculado ao tributo devido no regime de apuração anual é o valor recolhido na forma do art. 2°, ou seja, o tributo calculado na forma ali prescrita, logo, o que foi pago em excesso não foi pago na forma prevista na lei, logo, não está inserido na vinculação sobredita. Sendo a norma omissa a qualquer valor eventualmente pago em excesso, por ausência previsão legal, jamais poderia a SRF pretender fazer tal vincula ção, uma vez que o legislador não o fez. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 8 7 • Neste exato sentido, o então Conselho de Contribuintes proferiu decisões pela possibilidade de compensa cão dos valores pagos a maior, de forma indevida, nos recolhimento de estimativas mensais de IR e CSLL já no mês subseqüente ao mesmo. Ainda mais flagrante é tal direito no caso em debate, quando a compensação foi feita apenas no exercício subseqüente, quando não mais há de ser falar em estimativa, visto que já era conhecido o quantum devido no exercício. • Tal entendimento pode ser exemplificado pelas seguintes decisões: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a titulo de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. (Acórdão 10516205, Processo No. 14033.000221/2005 28, 1 ° CC, Quinta Câmara, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves, Provimento por unanimidade). [O contribuinte aduziu outros atos administrativos em seu favor] • Por tudo que foi exposto, resta claro o direito da impugnante, configurado que está o pagamento a maior, logo indevido, tendo em vista que excedente ao que preconiza o art, 2° da Lei 9.430/96, desta feita, alheio a vincula ção dada aos recolhimentos por estimativa. Motivo este, pelo qual, o egrégio Conselho de Contribuintes tem reiteradamente reconhecido o erro da SRF ao vincular o pagamento excedente das estimativas mensais em debate. • Afora tudo o que 16 foi exposto, que deixa de forma induvidosa o direito da impugnante, o art. 858, §1°, II do RIR/99 • A justificativa trazida pelo fisco para negar neste e em outros casos a compensação de estimativas mensais de IR e CSLL seria o fato de não se saber, por ocasião do recolhimento, se haveria ou não recolhimento indevido, visto que ainda não se saberia a exação devida no regime anual. No caso em tela, tal justificativa não tem qualquer sentido pois, como já dito, a compensação foi pleiteada no ano seguinte, logo, quando já se sabia o valor da obrigação anual e, por conseguinte, já se tinha a certeza da impropriedade do recolhimento feito em demasia. Portanto, se o Fisco prefere fazer vista grossa à realidade do pagamento indevido, como já demonstrado, não pode negar que a hipótese levantada para negar a compensação não se aplica ao caso presente. • A própria SRF, através do Ato Declaratório SRF No. 3/00, reconhece o direito dos contribuintes em compensarem o saldo negativo do 1RPJ e CSSL já a partir de janeiro do ano calendário subseqüente, conforme se vê abaixo transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1° e 6º da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 9 8 compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (G.N). • Da simples leitura da norma acima se extrai que, ainda que diante de insensata visão de não reconhecer como indevidos os recolhimentos alvo do pleito de compensação, a impugnante teria o direito de compensar os valores recolhidos. No caso em análise, pleiteouse a compensação dos mesmos apenas posteriormente, quando a norma torna passível de compensação, quando negativo, o tributo recolhido ao titulo de estimativa mensal já a partir de janeiro do exercício subseqüente. • Como fica evidente, ainda que os valores recolhidos a maior não fossem considerados como indevidos, logo passíveis de restituição ou compensação, na época em que as compensações foram pleiteadas já eram passíveis de compensação ao titulo de saldo negativo de 1RPJ/CSLL em relação ao ano calendário em questão. • Do exposto, se extrai que não ha como negar o direito da compensação pleiteada pelo contribuinte, de outra forma, terseia a insólita situação do contribuinte ser obrigado a recolher o débito cuja compensação não foi homologada, tão somente para gerar novo direito creditório passível de restituição ou compensação. Isto é evidente, pois caso a compensação não seja homologada, o crédito fiscal usado na mesma, decorrente do pagamento a maior da estimativa ou na pior das hipóteses, constituinte de saldo negativo de IRPJ, ficaria novamente desvinculado, logo, passível de restituição ou compensação. • A absurda situação acima descrita parece há muito não mais existir no ordenamento jurídico pátrio, pois é de flagrante atentado ao principio da economia processual ou, em uma visão mais finalista, afronta o instituto da compensação, há décadas aplicável as relações obrigacionais e hoje prevista no art. 368 do Código Civil. • Em resumo, o fisco tem que restituir ou compensar os valores em debate de qualquer maneira, seja através da compensação já pleiteada, objeto do presente processo, ou em pedido futuro, pois ao negar a presente compensação, os valores recolhidos tornamse desvinculados de qualquer relação jurídica, devendo pois ser imediatamente restituídos ao contribuintes, pois de outra forma estaria caracterizado o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, possibilidade rechaçada pelo ordenamento pátrio. 5. Por fim, o administrado requereu: que fosse homologada a declaração de compensação, seja pelo fato do recolhimento objeto do pedido de compensação ter sido efetuado em monta superior ao que determina a lei, seja pelo fato deste valor, na época do pedido de compensação, já compor saldo negativo de IRPJ/CSLL; e que fosse cancelada a cobrança constante na intimação / despacho decisório. 6. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que não seria possível a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas em vistas à vedação contida na Instrução Normativa nº 600/05. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações da manifestação de inconformidade, requerendo a homologação da compensação, pois não haveria óbice legal para a compensação do pagamento a maior ou indevido de estimativas. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme salientado em sede de relatório supra, a Contribuinte sustenta que em 30.12.2004 efetuou o recolhimento do valor de R$996.047,36 para pagamento de estimativas de IRPJ do mês de novembro de 2004. Citado montante, após a apresentação de DCTF retificadora (fls. 39/40), teria sido reduzido a R$716.068,99, razão pela qual teria restado caracterizado o recolhimento a maior de tributo devido naquele período (de R$239.978,37). O valor respectivo, atualizado em 29.07.2005, totalizaria R$306.940,29. Notese que não está acostada aos autos a Guia DARF citada. Em 29.07.2005, a Contribuinte transmitiu a PER/DCOMP n. 11885.54625.290705.1.3.04146 (fls. 1/5), por meio da qual utilizou a integralidade dos créditos para quitação de débitos de estimativas de IRPJ do mês de junho de 2005, no valor de R$306.940,29. É essa a compensação que é objeto desse processo administrativo. A pretensão da Contribuinte foi indeferida pela RFB (fls. 6), sob o fundamento de que eventuais créditos relativos ao recolhimento a maior de estimativas de CSLL apenas poderiam ser utilizados na dedução do CSLL devida ao final do período de apuração ou na composição do respectivo saldo negativo após a entrega da declaração de ajuste. Pois bem. A possibilidade de compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior ao longo de determinado anocalendário, independentemente da formação do saldo negativo do período respectivo, não comporta divagações, ante a edição da Súmula CARF nº 84, do seguinte teor, verbis: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Contudo, em que pese a pacificação dessa questão jurídica, a caracterização do indébito de estimativas recolhidas ao longo do anocalendário pressupõe, além do recolhimento a maior, que o valor respectivo (das estimativas) não componham o saldo negativo apurado no anocalendário correspondente, sob pena de possibilitar ao contribuinte dupla restituição de tributos sobre o mesmo pagamento. Nessa hipótese, em que o contribuinte considera (por opção) as estimativas recolhidas na formação do saldo negativo do período correspondente, a restituição que se deve deferir é a deste (saldo negativo) e não do eventual indébito decorrente daquele particular (e provisório) recolhimento de tributo, salvo em caso de retificação da DIPJ (quanto ao montante do saldo negativo) pelo contribuinte antes do respectivo pedido de retificação/compensação. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902916/200979 Resolução nº 1102000.259 S1C1T2 Fl. 11 10 No caso, embora os elementos dos autos não sejam suficientes para verificar se a estimativa de setembro de 2004 compôs (ou não) o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, a Contribuinte apresentou planilha de cálculos a fls. 47, por meio da qual sugere que as estimativas cuja restituição se requer também compõem tal saldo negativo, informado na ficha 12 da DIPJ 2005 a fls. 46. Nesses termos, considerados (a) a pretensão da Contribuinte de compensar o valor do saldo negativo de IRPJ informado em sua DIPJ e não o montante de estimativas recolhidas em dezembro de 2004 (referente a novembro/2004), já que fez constar dele (saldo negativo) o valor de tais estimativas; e (b) o provável erro de preenchimento da declaração de compensação respectiva, que se extrai do teor da própria manifestação de inconformidade e da alegada composição do saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2004; e (c) a ausência de elementos nos autos para reconhecer, desde já, o direito creditório da Contribuinte, orientase voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: (a) seja atestada a existência, ou não, de PER/DCOMP´s relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004; (b) seja atestada, de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização para que seja procedida a compensação do saldo negativo de IRPJ com os débitos objeto do pedido de compensação deste processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729005/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 15/08/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 15/08/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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(assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 15/08/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Tratase de Notificação de Lançamento, às fls.07/11, foi apurado saldo de imposto a restituir ajustado no valor de R$ 10.665,73, referente à Declaração de Ajuste Anual – DAA do imposto de renda, exercício 2010, anocalendário 2009, na qual a fiscalização informa que da análise das informações constantes dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, constatou a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 78.943,40, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 6.461,89. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 29 00 5/ 20 11 -5 2 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.729005/201152 Resolução nº 2802000.171 S2TE02 Fl. 163 2 Apreciada a Impugnação de fls. 2/4, o lançamento foi julgado procedente em parte, para ajustar o imposto a restituir para R$ 11.501,03, sob o seguinte fundamento: No tocante às alegações expendidas pelo contribuinte propugnando pela isenção do IR sobre seus rendimentos devido à condição de ser portador de moléstia grave, necessário tecer algumas considerações. De acordo com o estabelecido nos incisos XIV e XXI do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 (reprisado no art. 39, XXXIII, do RIR/1999) – para o reconhecimento do direito do à isenção do imposto de renda por moléstia grave devem ser satisfeitas duas condições. A primeira, que os proventos sejam provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma. A segunda, que o contribuinte seja portador de moléstia grave tipificada no texto legal e comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Ao compulsar os autos verifiquei que o contribuinte não acostou prova de que o valor decorrente da ação trabalhista referese, com efeito, a proventos de aposentadoria logo, não satisfeita, a primeira condição estipulada em lei. Nas razões recursais (fl. 80/82), aduz que os rendimentos glosados seriam provenientes de aposentadoria obtidos através de ação trabalhista, bem como que no cálculo do imposto a restituir teriam que ser considerados também os valores gastos com honorários advocatícios e periciais, bem como os provenientes de juros de mora. Anexa documentos de fl. 85/86. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Versam os presentes autos sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física por ocasião do recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99, conforme consta da descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 9. Ainda que o litígio recursal verse sobre a natureza dos rendimentos, a correta quantificação do crédito tributário, se procedente o lançamento, depende da decisão a ser proferida pela Suprema Corte a respeito da forma de tributação dos rendimentos acumulados recebidos em decorrência de ação trabalhista. Logo, por se tratar de matéria sob Repercussão Geral no STF (Tema 368 leading case RE n. 614466), portanto, submetida ao rito a que se refere o artigo 543B do CPC, proponho o sobrestamento do feito, com fulcro no art. 62A, §1º do Regimento Interno do CARF, c/c o artigo 1° da Portaria CARF n. 1/2012. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.013029/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2003
TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. DEFINITIVIDADE NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DA QUESTÃO POR DECISÃO JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA.
A Constituição Federal consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição, vedando qualquer possibilidade de exclusão da apreciação pelo Poder Judiciário (art. 5°, XXXV). Efeito imediato disso é que a coisa julgada, com os atributos que lhe são peculiares (final enforcing power), só pode se formar judicialmente. Assim, as decisões deste Poder sobrepõem-se às decisões administrativas, inclusive as transitadas em julgado administrativamente.
Questão prejudicial que tenha transitado em julgado administrativamente, mas que se encontre submetida ao Poder Judiciário não deve ser conhecida se for suscitada em outro processo administrativo. Inteligência da Súmula n° 1 do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.517
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário no que se refere à matéria levada ao judiciário quanto à concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Vencida na votação a Conselheira Relatora que entendeu por negar provimento ao recurso voluntário e manter o lançamento das contribuições previdenciárias patronais, porquanto o Ato Cancelatório emitido contra a entidade transitou em julgado administrativamente, surtindo seus efeitos. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2003 TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. DEFINITIVIDADE NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DA QUESTÃO POR DECISÃO JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A Constituição Federal consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição, vedando qualquer possibilidade de exclusão da apreciação pelo Poder Judiciário (art. 5°, XXXV). Efeito imediato disso é que a coisa julgada, com os atributos que lhe são peculiares (final enforcing power), só pode se formar judicialmente. Assim, as decisões deste Poder sobrepõem-se às decisões administrativas, inclusive as transitadas em julgado administrativamente. Questão prejudicial que tenha transitado em julgado administrativamente, mas que se encontre submetida ao Poder Judiciário não deve ser conhecida se for suscitada em outro processo administrativo. Inteligência da Súmula n° 1 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido
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DEFINITIVIDADE NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DA QUESTÃO POR DECISÃO JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A Constituição Federal consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição, vedando qualquer possibilidade de exclusão da apreciação pelo Poder Judiciário (art. 5°, XXXV). Efeito imediato disso é que a coisa julgada, com os atributos que lhe são peculiares (final enforcing power), só pode se formar judicialmente. Assim, as decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, inclusive as transitadas em julgado administrativamente. Questão prejudicial que tenha transitado em julgado administrativamente, mas que se encontre submetida ao Poder Judiciário não deve ser conhecida se for suscitada em outro processo administrativo. Inteligência da Súmula n° 1 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário no que se refere à matéria levada ao judiciário quanto à concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Vencida na votação a Conselheira Relatora que entendeu por negar provimento ao recurso voluntário e manter o lançamento das contribuições previdenciárias patronais, porquanto o Ato Cancelatório emitido contra a entidade transitou em julgado administrativamente, surtindo seus efeitos. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 30 29 /2 00 8- 06 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10830.013029/200806 Acórdão n.º 2302003.517 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em23/12/2008 e referese às contribuições previdenciárias patronais e as relativas ao SAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 01/2003 a 12/2003. Também fazem parte da autuação as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais que prestaram serviço à entidade, no período de 04/2003 a 12/2003. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 45/48, a entidade teve a isenção cancelada através do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção n.º 21.424.1/005/2006, de 01/06/2006, por infração ao inciso II do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91. Aduz o Relatório, que o processo deveria ficar sobrestado em vista da existência de ação judicial n.º 2008.61.05.0076498, com antecipação de tutela deferida e sentença com resolução de mérito favorável ao contribuinte. Entretanto, às fls. 51 dos autos, despacho exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, dispõe que o Relatório Fiscal deve ser retificado para excluir o comando de sobrestamento do feito, tendo em vista que a ação judicial mencionada referese, exclusivamente, da anulação da decisão do CNAS quanto ao cancelamento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, não atacando o Ato Cancelatório de Isenção, tampouco os débitos apurados em ação fiscal. Às fls. 52, o Fisco junta o Termo Aditivo ao Relatório Fiscal retirando deste o aludido sobrestamento do auto de infração e reabrindo o prazo de defesa. Após a apresentação de impugnação, Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, às fls. 158/169, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese: a) a nulidade do auto de infração, eis que baseado na falta de CEAS e este foi fornecido pelo CNAS, ainda que tardiamente, mas a situação da entidade está regular, não tendo como subsistir a autuação; b) que o CNAS não tem personalidade jurídica própria, sendo a ação judicial movida em face da União, de forma que esta se encontra obrigada a seu cumprimento, assim como a extinta Secretaria da Receita Previdenciária e atual Receita Federal do Brasil; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 c) que a tutela antecipada foi mantida pelo Tribunal e o juiz prolatou sentença de mérito favorável ao contribuinte; d) que o Ato Cancelatório nasceu pela falta de CEAS, como a falta foi superada pela sentença judicial, o Ato Cancelatório fica sem efeito; e) que está em situação regular o que deve ser reconhecido pela autoridade fiscal, que desrespeitou decisão judicial; f) que a imunidade só pode ser regulada por lei complementar e que atende a todos os requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional , para que mantenha a imunidade; g) que lei ordinária e decretos não se prestam para regular imunidade, entendimento corroborado pelo Conselho de Contribuintes, do qual traz alguns julgados; h) que a auditora fiscal errou ao aplicar o Ato Cancelatório que decorre da falta de aplicação de 205 da receita em gratuidade, porque somente a lei complementar poderia regular o assunto; i) discorre sobre a impossibilidade do alargamento da base de cálculo para a aplicação dos 20%; j) que sendo excluída da base de cálculo a receita financeira, a instituição atinge o percentual de 20%. Por fim, requer o provimento do recurso para declarar insubsistente a exigência contida no auto de infração e proceder a sua anulação. Requer provar todo o alegado e alternativamente, que o processo fique sobrestado até decisão final da ação judicial 2008.61.05.0076498, bem como que as notificações sejam efetuadas ao seu patrono. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10830.013029/200806 Acórdão n.º 2302003.517 S2C3T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Em preliminar, esclareço à recorrente que o presente Auto de Infração não se tem por nulo, uma vez que cumpridos todos os requisitos legais para sua lavratura e não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10830.013029/200806 Acórdão n.º 2302003.517 S2C3T2 Fl. 5 7 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Quanto ao mérito, o lançamento se refere às contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviço à recorrente no período de 01/2003 a 12/2003, quando a mesma teve cancelada a isenção patronal das contribuições previdenciárias, através do Ato Cancelatório n.º 21.424.1/005/2006, datado de 01/06/2006, por não possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, então fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. De acordo com o constante dos autos, o CNAS não renovou o Certificado da Entidade porque ela não teria aplicado em gratuidade o percentual definido pela legislação vigente. Também, se vislumbra dos autos que a recorrente impetrou ação judicial buscando a anulação da decisão do CNAS que revogou o seu Certificado. Esta ação teve decisão favorável ao contribuinte em primeira instância, o que levou o CNAS a expedir a certificação da entidade, retroativamente. Porém, de acordo com pesquisa efetuada no sítio do Tribunal Regional da 3ª Região, o processo ainda não transitou em julgado, estando pendente de apreciação a apelação interposta pelo INSS. Ademais, a própria recorrente solicita em seus requerimentos o sobrestamento deste auto de infração até a decisão final na ação 2008.61.05.0076498, o que confirma que ainda não há definitividade da sentença. A recorrente pauta suas razões apenas na impropriedade da autuação, porquanto o Ato Cancelatório baseouse na falta do CEBAS/CEAS, o que não se confirmou dada a sentença judicial de primeira instância e na impossibilidade do CNAS, através de leis ordinárias e decretos tutelar o fornecimento do Certificado, o que só poderia ser feito por lei ordinária. Aduz que cumpre todos os requisitos constantes do artigo 14 do Código Tributário Nacional para usufruir da imunidade. Todavia, tais alegações são totalmente impróprias no julgamento deste auto de infração, porque aqui já estamos em um segundo momento, onde a entidade teve cancelada a isenção patronal das contribuições previdenciárias através do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção datado de 01/06/2006, contra o qual não há recurso adminsitrativo pendente de julgamento, tampouco qualquer ação judicial impetrada, o que o tornou definitivo e eficaz em seus efeitos. As razões expostas acerca da impropriedade dos percentuais exigidos para comprovar a gratuidade, ou a validade da legislação que dá suporte às exigências, deveriam ter sido feitas no foro próprio, quando da não renovação do CEBAS/CEAS, ou mesmo quando do cancelamento da isenção, mas não cabem agora, quando se está examinado as exações decorrentes da cassação da isenção. Este PAF Processo Administrativo Fiscal não trata das questões atinentes ao Ato Cancelatório e tampouco dos requisitos necessários para a renovação do CEBAS/CEAS, de forma que não vou tecer considerações acerca do assunto, que foge da competência deste Colegiado, que está circunscrito a analisar e julgar o Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado pela falta de recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, advindas do cancelamento da isenção patronal que a entidade usufruía. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 O auto de infração foi lavrado porque de acordo com todos os elementos trazidos no processo, a entidade não possui a isenção patronal das contribuições previdenciárias e não procede aos recolhimentos devidos da cota patronal. A argüição da recorrente de que cumpre todos os requisitos para o gozo da isenção patronal das contribuições previdenciárias não pode ser apreciada por este Colegiado, posto que não é matéria desta autuação, que se deu, justamente, porque a autuada não é isenta das contribuições patronais previdenciárias, já que teve a isenção cancelada e não há registro de que tenha solicitado a isenção patronal das contribuições previdenciárias após o cancelamento em 01/06/2006. Como já referido anteriormente, a recorrente não argui qualquer outra matéria quanto ao crédito lançado, limitando às questões do Ato Cancelatório e do CEBAS/CEAS, que não serão aqui apreciadas, por não serem objeto da autuação. Conforme disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, de forma que não há reparos a fazer no auto de infração lavrado: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Quanto à solicitação de sobrestamento dos autos até a decisão final na ação judicial 2008.61.05.0076498, não merece acolhimento, porque a presente autuação derivou do cancelamento da isenção patronal das contribuições previdenciárias, através da emissão de Ato Cancelatório, que transitou em julgado surtindo seus efeitos e que não faz parte daquela ou de outra ação judicial, de forma que a entidade perante à Seguridade Social não usufrui da isenção patronal No que se refere ao pedido de que as intimações relativas ao processo sejam dirigidas ao endereço do patrono da recorrente, verifica se que não pode ser acolhido, diante do que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, bem como art.10, I a IV, §§ 1º a 4º do Decreto nº 7.574/2011, in verbis: Decreto nº 70.235/72 “Art. 23. Farse á a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10830.013029/200806 Acórdão n.º 2302003.517 S2C3T2 Fl. 6 9 § 1° O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal Decreto nº 7574/2011 “Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei n o 9.532, de 1997, art. 67); II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei n o 9.532, de 1997, art. 67); III – por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) no endereço da administração tributária na internet; b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113); ou IV por edital, quando resultarem improfícuos os meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 1 o , com a redação dada pela Lei n o 11.941, de 27 de maio de 2009 , art. 25): a)no endereço da administração tributária na Internet; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 b)em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou c)uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. §1ºA utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 3 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 2ª Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 4 o , com a redação dada pela Lei n o 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e II o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 4 o , inciso II, com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 3º O endereço eletrônico de que trata o inciso II do § 2 o somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheas normas e condições de sua utilização e manutenção (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 5 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 4 o A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá atos complementares às normas previstas neste artigo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 6 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). Destarte, é descabida a pretensão da recorrente para que as intimações, publicações ou notificações sejam efetuadas no endereço do seu patrono, que é diverso do endereço do seu domicílio fiscal. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10830.013029/200806 Acórdão n.º 2302003.517 S2C3T2 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado. Não Conhecimento. Ação Judicial. Concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Como já consignado no voto da ilustre Relatora, o lançamento referese às contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviço à recorrente no período de 01/2003 a 12/2003, quando a mesma teve cancelada a isenção patronal das contribuições previdenciárias, através do Ato Cancelatório n.º 21.424.1/005/2006, datado de 01/06/2006, por não possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, então fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. De acordo com o constante dos autos, o CNAS não renovou o Certificado da Entidade porque ela não teria aplicado em gratuidade o percentual definido pela legislação vigente. Em que pese não haver pendência de recurso administrativo em face do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção, que se encontra, portanto, transitado em julgado administrativamente, há a pendência de ação judicial que discute questões suscitadas no Recurso Voluntário, constando dos autos que a recorrente é parte em ação judicial (processo 2008.61.05.0076498) que busca a anulação da decisão do CNAS que revogou o seu Certificado, único motivo da emissão do Ato Cancelatório n.º 21.424.1/005/2006. A despeito do trânsito em julgado administrativo do Ato Cancelatório, se a ação judicial for julgada favoravelmente à recorrente, no plano jurídico, restará estabelecido, aí sim de forma definitiva, que o CEBAS é devido, caindo por terra o único fundamento do Ato Cancelatório. Portanto, nessa hipótese, será conseqüência imediata da decisão judicial que o Ato Cancelatório perca a sua validade. Essa conclusão decorre do nosso modelo de unicidade de jurisdição. Com efeito, a Constituição Federal consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição, vedando qualquer possibilidade de exclusão da apreciação pelo Poder Judiciário (art. 5°, XXXV). Efeito imediato disso é que a coisa julgada, com os atributos que lhe são peculiares (final enforcing power), só pode se formar judicialmente. A própria utilização da expressão “coisa julgada” para a matéria administrativa é criticada pela doutrina. Maria Sylvia Zanella Di Pietro afirma que “não se pode simplesmente transpor uma noção, como a coisa julgada, de um ramo, onde tem pleno fundamento, para outro, em que não se justifica” (Direito administrativo. 19a ed. São Paulo: Atlas, 2006). Hely Lopes Meirelles ressalta que a coisa julgada administrativa seria “apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário” (Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Assim, diferentemente da ilustre Relatora, que votou por negar provimento ao recurso voluntário em razão da definitividade do Ato Cancelatório, entendemos que a conclusão seria pelo não conhecimento das questões levadas ao Judiciário, pois, como afirmado, a decisão judicial, se analisar o mérito da ação, irá, por conseqüência lógica, substituir a decisão administrativa da qual emanou o Ato Cancelatório, que é definitiva mas somente no âmbito administrativo. Ou seja, não se trata de negar provimento em razão da definitividade, pois a definitividade restringese ao âmbito administrativo, mas de não conhecimento da matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. Tal compreensão encontra amparo na Súmula CARF n° 1; o artigo 126, § 3º, da Lei no 8.213/91; o artigo 38 da Lei n° 6.830/80; e o artigo 87 do Decreto 7.574/11: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Lei n° 8.213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada” (sem grifos no original) Lei n° 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10830.013029/200806 Acórdão n.º 2302003.517 S2C3T2 Fl. 8 13 na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto Decreto 7.574/2011: (Regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) (...) Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. (Todos destaques são nossos) Portanto, as razões expostas acerca da impropriedade dos percentuais exigidos para comprovar a gratuidade ou a validade da legislação que dá suporte às exigências, não devem ser conhecidas, em razão de tais matérias terem sido levadas ao Poder Judiciário. Sendo assim, peço venia à ilustre Relatora para votar pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13888.724021/2011-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 24 02 1/ 20 11 -9 9 Fl. 9610DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1437.144 da 7ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada e MANTER EM PARTE o crédito tributário constituído no Auto de Infração– AI/DEBCAD nº 51.010.7974, constitutivo da multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado, pela exclusão parcial dessa multa, retificandose seu valor original para R$ 60.525.933,63 (Sessenta milhões, quinhentos e vinte e cinco mil, novecentos e trinta e três reais e sessenta e três centavos), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vale frisar, os demais Autos constituídos na mesma ação fiscal e que fazem parte desse mesmo processo administrativo foram mantidos em sua integralidade. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de ação fiscal desenvolvida no contribuinte acima identificado ao abrigo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0812500.2011.004593 com o fito de verificar o regular cumprimento de suas obrigações tributárias em relação às contribuições previdenciária e aquelas devidas às outras entidade ou fundos e que redundou na lavratura dos seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA): i) AIOP/DEBCAD nº 51.010.7966: Constitutivo de contribuições destinadas à Seguridade Social, quota correspondente à parcela patronal, decorrente de glosas de compensações efetuadas pelo contribuinte e da cobrança de diferença da contribuição decorrente das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT em função da vinculação incorreta da alíquota sobre a base de cálculo. O crédito tributário assim constituído importa em R$ 57.526.290,61 (Cinquenta e sete milhões, quinhentos e vinte e seis mil, duzentos e noventa reais e sessenta e um centavos), composto pelo valor atualizado das contribuições suprimidas e devidas, corrigido pelos juros e a multa de mora – atinente às glosas de compensações – e acrescido da multa de ofício – atinente às diferenças do RAT , valor consolidado em 25/10/2011; ii) AIOP/DEBCAD nº 51.010.7974: Constitutivo da multa isolada atinente às compensações indevidas efetuadas com falsidade na declaração, no importe de R$ Fl. 9611DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 4 3 65.494.875,72 (Sessenta e cinco milhões, quatrocentos e noventa e quatro mil, oitocentos e setenta e cinco reais e setenta e dois centavos), valor consolidado em 25/10/2011; iii) AIOA/DEBCAD nº 51.010.7982: Decorrente do descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com as normas e os padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, no importe de R$ 1.524,43 (Um mil, quinhentos e vinte e quatro reais e quarenta e três centavos). A – Do relatório Fiscal Segundo o Relatório Fiscal, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentos atinentes às compensações de contribuições previdenciárias por ele declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs. Após análise da documentação apresentada chegouse às seguintes conclusões: I – Das glosas das compensações efetuadas e da diferença do RAT (AIOP/DEBCAD nº 51.010.7966): 1 Reputa indevidas as compensações promovidas pelo sujeito passivo com origem nos períodos de 04/2000 a 05/2011 firmadas sobre contribuições recolhidas cuja incidência tributária se deu sobre as verbas: horas extras, terço constitucional de férias, férias indenizadas (cujos valores não constam nos resumos das folhas de pagamento), adicional de insalubridade, licença prêmio, adicional de periculosidade, gratificação, adicional noturno, gratificação de nível universitário, gratificação de representação e função gratificada. No mesmo sentido o foram as contribuições compensadas sobre as remunerações de exercentes de mandatos eletivos e sobre as funções gratificadas. 2 Indevidas, também, as compensações efetuadas sobre suposto recolhimento a maior da contribuição do RAT, uma vez que teria se enquadrado no CNAE fiscal 84.11.600 atinente à Administração Pública em Geral (alíquota de 2%), quando considerou ser o correto enquadrarse em atividade de ‘educação’ (alíquota de 1%). 3 Tendo se iniciado em 04/2010, estariam prescritas as compensações das contribuições declaradas até 02/2005, recolhidas em 03/2005. 4 Informa que o Município promoveu, em 02/06/2010, a ação judicial nº 000535441.2010.4.03.6109 tratandose de Mandado de Segurança preventivo com pedido de Medida Liminar, no qual postula a declaração de inexistência de relação jurídica tributária que o obrigasse ao pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos de horas extras e adicional de um terço constitucional de férias; afirma que o pedido de liminar foi indeferido e que a decisão considerou que tais verbas tem natureza remuneratória; no entanto, em sede de Agravo Regimental/Legal, prolatouse o Acórdão de nº 3698/2011 em 11/04/2011, que decidiu pela não incidência de contribuições sobre o terço de férias e pela legalidade da incidência sobre horas extras. Fl. 9612DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 5 4 5 Afirma que, no processo, não foi solicitada a compensação de contribuições previdenciárias pelo que, conclui, o contribuinte adquiriu o direito à compensação sobre tal verba apenas quando do transito em julgado do referido processo, que se deu em 16/06/2011, razão pela qual efetuou as glosas das compensação entre 04 e 13/2010; considera, ainda, que os créditos da empresa passíveis de compensação deverão ser contados dos últimos 5 anos do início da ação, ou seja, a partir de 04/2005(recolhimento em 05/2005) e não 04/2000 como calculado pelo sujeito passivo. 6 Informa, ainda, uma segunda ação judicial, de nº 000290054.2011.4.03.6109 com idêntica natureza que visa a declaração de inexistência de relação jurídica tributária e suspensão da exigibilidade referente a contribuição previdenciária patronal incidente sobre remunerações pagas aos empregados a título de aviso prévio indenizado, férias indenizadas e em pecúnia (abono de férias), salário educação, auxílios creche, doença (15 dias de afastamento) e acidentário, abono assiduidade, abono único anual, vale transporte e adicionais de insalubridade, periculosidade e noturno; afirma que, em 29/07/2011 foi julgado procedente em parte o pedido, para suspensão da exigibilidade do crédito tributário sobre os primeiros 15 dias de auxílio doença, auxílio acidente, terço de férias, férias indenizadas, salário educação e aviso prévio indenizado, e foi autorizada compensação dos valores indevidamente recolhidos, condicionada ao transito em julgado da sentença, ainda não ocorrido; posteriormente, em sede de embargos de declaração promovidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, retirouse o terço de férias da sentença (extra petita); ainda, que em 09/09/2011 a Prefeitura protocolou Apelação; no mesmo tópico informa o relato fiscal que a Prefeitura não paga salário educação aos seus funcionários, tampouco efetuou recolhimentos sobre valores pagos a título de auxílio acidente, aviso prévio e férias indenizadas, de sorte que, se a sentença restar mantida, terá efeito apenas sobre a incidência nas remunerações dos primeiros 15 dias de afastamento por auxílio doença, que não é objeto deste processo administrativo fiscal. 7 De igual forma, tendo a ação judicial sido intentada em 03/2011, entende que somente poderão ser objeto de restituição os créditos da empresa considerados indevidos a partir da competência 01/2006, e não 04/2000 conforme calculado, caso venham a ser reconhecidos judicialmente como indevidos e após o transito em julgado. 8 Encerra o tópico formulando as seguintes conclusões: 8.1 não há pleito judicial relativo ao procedimento das compensações, apenas sua autorização no processo de nº 2900 condicionado ao transito em julgado da sentença, o que não ocorreu; inexiste ação relacionada de repetição do indébito; 8.2 as compensações foram iniciadas em 04/2010; o transito em julgado em uma das ações se deu em 06/2011, posterior ao período em que foram efetuadas as compensações, favorável em parte ao contribuinte em relação à não incidência sobre o terço de férias; nos mesmos autos decidiuse pela procedência da incidência tributária sobre horas extras; não foi apresentada decisão judicial relacionada ao RAT; 8.3 das rubricas questionadas judicialmente, são objeto de compensação: adicionais de Fl. 9613DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 6 5 insalubridade, periculosidade e noturno, horas extras, férias e férias indenizadas; 8.4 das rubricas questionadas judicialmente, não são objeto de compensação: avisoprévio indenizado, férias em pecúnia, abonoassiduidade, salárioeducação, auxíliocreche, abono único anual, valetransporte, auxíliodoença (primeiros 15 dias) e auxílioacidente; 8.5 não foram objeto de questionamento judicial, porém foram compensados os valores incidentes sobre as rubricas licença prêmio, gratificação, gratificação de nível universitário, gratificação de representação e função gratificada; 8.6 por todo o exposto, efetuou a glosa das compensações consideradas indevidas posto que a Prefeitura não se encontrava amparada por decisão judicial que a autorizasse no período em que foram feitas; ressalta que tais compensações, em caso de decisões transitadas em julgado que as autorize, deverá ser vinculada obrigatoriamente à retificação das GFIPs em todos os meses que originaram os recolhimentos, de maneira a não incidir nas remunerações dos servidores que foram informadas naqueles meses no documento declaratório, de maneira a não onerar indevidamente os benefícios do INSS; 8.7 especificamente na compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre o terço constitucional de férias, afirma que a planilha elaborada pela Prefeitura apresentou parâmetros incorretos para apuração do total a ser considerado para compensação, posto que o resumo da folha apresenta as rubricas com valores superiores aos corretos; anexa aos autos planilha demonstrativa das basesdecálculo corretas em relação ao período examinado. 9 Afirma inexistirem os pressupostos exigidos para compensação das contribuições recolhidas, uma vez que seus recolhimentos não foram indevidos nem a maior que o devido, já que se trataram de verbas remuneratórias, conforme disposto na Lei e Regulamentação previdenciárias. 9.1 a rubrica compensada ‘férias indenizadas’ não constou do resumo de totalização da folha de pagamento, evidenciado a compensação de contribuições previdenciárias que não foram declaras em GFIP nem recolhidas nas competências de origem; 9.2 afirma que as ‘gratificações’ são pagas de forma habitual, sendo que os percentuais de gratificação passam a fazer parte integrante das remunerações, sujeitandose à incidência das contribuições previdenciárias; 9.3 – os valores de licençaprêmio sobre os quais efetuouse a compensação referemse aos pagamentos em pecúnia; no entanto, tal verba, desde que computada no tempo de serviço do empregado, é base de incidência de contribuição por ser verba remuneratória, excluindose apenas aquela pega à guisa de licençaprêmio indenizada quando da rescisão do contrato de trabalho, em virtude da perda do direito ao gozo, que não se confunde com a licença paga em dinheiro na vigência do contrato de trabalho; 9.4 – refuta a assertiva do contribuinte de que não haveria incidência de contribuição sobre verbas não incorporadas aos valores dos benefícios de aposentadoria dos empregados, posto que efetivamente os integram e reafirma as glosas efetuadas sob a premissa de que inexistiam, à época em que foram efetuadas, decisão judicial autorizadora do procedimento; 10 – Sobre o RAT, informa que a Prefeitura efetuou as referidas compensações nas competências 13/2010 e 02 e 03/2011, relativas a recolhimentos supostamente a maior efetuados entre 12/2008 a 07/2009 e de 01/2010 a 04/2011; Fl. 9614DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 7 6 teceu considerações legais e normativas acerca da contribuição e do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, que se declarou com atividade preponderante no código CNAE fiscal 84.11.600 atinente às administrações públicas em geral, com recolhimento à alíquota de 2%, e o enquadramento pretendido por ele, em atividades preponderantes ligadas às atividades de Educação, à alíquota de 1%. 11 – Afirma que, sob intimação, o contribuinte apresentou demonstrativos mensais onde a atividade preponderante foi obtida através da comparação entre os números de empregados das diversas Secretarias Municipais, concluindo que seria preponderante na Prefeitura a atividade de Educação; discorda da conclusão na medida em que foram levadas em consideração, em cada Secretaria, atividades que não eram da área, afirmando que na referida Secretaria de Educação trabalham, por exemplo, cozinheiro, motorista, ajudante geral, auxiliar de enfermagem e de escritórios, escriturário, copeiro, dentista, guarda, jardineiro, etc., de maneira que entende que o enquadramento da atividade preponderante deverá ser feito pela atividade efetivamente exercida pelo segurado, independentemente da sua área de atuação; 11.1 – nesse compasso, considerandose a classificação proposta nos moldes do código brasileiro de ocupações – CBO, informado pelo contribuinte nas GFIPs, apurou que a atividade preponderante do contribuinte foi, efetivamente, a atividade administrativa, estando correto o enquadramento vinculado ao CNAE 84.11.6/00, onde foram identificados 1.742 segurados dos 4.654 informados na GFIP da competência 07/2009, tomada por amostra, ao passo que, na atividade de Educação, estariam na mesma competência 1.008 servidores; 12 – Ainda atinente ao RAT, afirma que de dezembro/2008 a julho/2009, em que pese terse declarado com o CNAE 84.11.600, a Prefeitura promoveu o recolhimento à alíquota de 3%, indevidamente, pois o correto seria têlo feito à alíquota de 2%, pelo que recalculou a compensação efetuada pelo sujeito passivo na competência 13/2010 e manteve o crédito do contribuinte atinente a esses específicos recolhimentos indevidos, no importe de R$ 810.388,99, conforme quadro demonstrativo presente no próprio Relatório Fiscal. 13 – Foram glosadas as compensações pretendidas nos recolhimentos promovidos entre 01/2010 a 04/2011, uma vez que o enquadramento informado na GFIP estava correto. 14 – Por fim, no período de agosto a dezembro/2009, a Prefeitura declarouse incorretamente em GFIP com o CNAE fiscal 85.139/ 00 correspondente à atividade preponderante vinculada ao ‘Ensino Fundamental’, cujo grau de risco vinculao a uma alíquota de 1%; nesse período constituiu, no mencionado AtuodeInfração, a diferença de RAT correspondente a 1%, referente ao seu reenquadramento para o CNAE fiscal 84.11.6/00, vinculador das atividades de administração pública, em geral. 15 – Noutro tópico, informa a ausência de informações sobre os valores compensados entre 04 e 07/2011, uma vez que sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 01 abrange período até 03/2011 (parcialmente, até 04/2011), não respondendo do que se trataram as compensações efetuadas na competências 05 a 07/2011. Fl. 9615DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 8 7 16 – Noutra linha, afirma que as planilhas elaboradas pela empresa demonstrando os cálculos efetuados apresentaram outras incorreções na apuração do total a ser considerado para compensação, caso tivesse sido autorizada a promovêlas; aponta tais erros que se resumem em identificar compensações em competências incorretas, considerandose a sistemática do recolhimento no mês seguinte ao que se efetuaram as remunerações, e incorreções na sistemática de atualização dos valores e aplicação de juros (em duplicidade), de maneira que restou desatendida a normatização para atualização de tais valores (§ 4º do art. 89 da Lei nº 8.212/91). II – Da aplicação da multa isolada – AIOP/DEBCAD nº 51.010.7974: 17 – Apresenta a legislação atinente à aplicação da multa isolada, afirmandose presente a hipótese de sua imposição uma vez que o contribuinte apresentou documento com informação falsa em relação aos créditos – GFIP , com intenção inequívoca de reduzir o montante da contribuição previdenciária devida; reafirma suas convicções em relação às compensações indevidas (ações judiciais não envolveram nenhuma questão quanto à constitucionalidade das matérias, efetuou as compensações sem decisão judicial transitada em julgado que as autorizasse, compensou valores sobre férias indenizadas sem que tivesse havido incidência sobre tais remunerações, pleiteou judicialmente a não exigência de contribuições em relação a verbas que nunca entraram na composição das suas basesdecálculo, compensouse de valores já atingidos pelo prazo de prescrição, efetuou compensações atinentes aos recolhimentos do RAT, embora continue aplicando a alíquota de 2% para o cálculo dos seus recolhimentos e efetuou compensações não justificadas no período de abril a junho de 2011); por fim, reportase aos anexos Discriminativo do Débito, quanto ao valor, e Fundamentos Legais do Débito, quanto à fundamenta legal, da multa aplicada. 17.1 – Especificamente quanto à imputação decorrente do enquadramento do RAT informa que o sujeito passivo já havia sido cientificado, através de autuação fiscal anterior, quanto à pertinência da aplicação da alíquota de 2% associada ao CNAE fiscal 84.11.6/ 00; acrescenta que “... a Prefeitura aplicou e continua aplicando 2% no cálculo dessa contribuição, de acordo com as informações por ela prestadas em GFIP e pagas em GPS mensalmente, o que revela sua concordância sobre a alíquota correta a ser aplicada. Porem ao mesmo tempo continua lançando compensações sem fundamento que diminuem o valor a ser recolhido à Seguridade Social”. III – Do descumprimento da obrigação acessória (AIOA/DEBCAD nº 51.010.7982): 18 – Afirma a obrigatoriedade de se preparar, mensalmente, a folha de pagamento com totalização por estabelecimento com destaque das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração de todos os segurados a seu serviço, asseverandoa não cumprida pelo contribuinte que não faz incidir nos referidos documentos os valores atinentes às rescisões, que são processadas em folhas separadas, de maneira que o controle do cálculo do saláriodecontribuição mensal tem que ser feito de forma apartada; ainda, o mesmo ocorre com as remunerações de Fl. 9616DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 9 8 contribuintes individuais que não se encontram integradas na folha de pagamento geral; no mesmo sentido, as rubricas relativas ao pagamento de férias gozadas em uma determinada competência não constam corretamente do resumo da folha respectiva, conforme detalhes que especifica, de maneira que as rubricas no resumo não refletem as parcelas que compõem a base de incidência para o INSS. 19 – Com tal conduta, infringese norma legal disposta no art. 32, IN da Lei nº 8.212/91, sujeitandose à penalidade prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, no valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF 407/2011 de R$ 1.524,43. IV – Demais considerações: 20 – Ainda no Relato Fiscal encontrase a informação de que, do total das contribuições promovidas pelo contribuinte entre abril/2010 a julho/2011, no importe de R$ 44.473.639,45, apenas R$ 810.388,99 estavam corretas (recolhimento a maior da alíquota do RAT promovido entre 12/2008 a 07/2009), tendo este valor sido homologado; importa, portanto, em compensações indevidas que ora se glosam o montante de R$ 43.663.250,46. 21 – No mesmo Auto em que promove a glosa de compensações, foi constituído o montante de R$ 492.137,43 correspondente às diferenças de RAT do período de 08 a 13/2009, valor antes da aplicação dos acréscimos legais. 22 – Por fim, de relevante para o julgamento, informa a emissão de representação fiscal para fins penais pela ocorrência, em tese, de ilícito previsto no art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90. Anexo ao Relatório Fiscal encontramse as planilhas ‘recálculo do terço constitucional de férias gozadas’, ‘ atividade preponderante’ e ‘relação de empregados e correspondentes atividades’ B – Da Impugnação aos lançamentos fiscais O contribuinte interessado apresentou impugnação aos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.010.7966 e 51.010.7974 reputada tempestiva pelo órgão preparado de origem na qual contesta os lançamentos fiscais neles constituídos (glosa de compensação e multa isolada), conforme motivos e fundamentos dispostos em pastas e por tópicos, a saber, em síntese: I Verbas indenizatórias/compensatórias: Pasta I Da suspensão da exigibilidade, dos julgados do STF e do STJ e dos arts. 201, § 11 da CF/88 e 28, § 9, ‘e’, 7 da Lei nº 8.212/91: Neste tópico discute a regra de incidência da contribuição previdenciária da empresa, o conceito de remuneração e as hipóteses de não incidência tributárias, notadamente das verbas recebidas a título indenizatório ou compensatório, à luz da Constituição Federal/88 – art. 201, § 11 e da Lei nº 8.212/91 – art. 28, § 9º, ‘e’, 7 – para concluir que as parcelas pagas a título de ‘adicional de férias, horasextras, adicional noturno, insalubridade, saláriomaternidade, terço constitucional de férias e férias indenizadas, adicional de periculosidade, saláriofamília, aviso prévio, salário educação, Fl. 9617DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 10 9 auxíliodoença, auxíliocreche, vale transporte, abono assiduidade, e abono único’ não integram o salário do servidor para fins de benefícios, não sofrendo a incidência da contribuição previdenciária; aponta diversos julgados dos Tribunais Superiores – STF/STJ – nesse sentido. Analisa cada rubrica concluindo pelas suas não incidências tributárias. Cita doutrinas e traz jurisprudências. Pasta II Do direito à compensação administrativa sem anuência do judiciário ou da RFB: Neste tópico suscita discussão acerca do direito a compensação administrativa sem anuência prévia do Judiciário ou da Receita Federal do Brasil – RFB, com supedâneo no art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN. Cita doutrinas e jurisprudências em apoio a esta tese, além da evolução legislativa da matéria. Sustenta, nesse sentido, a ausência de pedido judicial para efetuar a compensação nas ações intentadas, posto que entende ser prescindível, o que colocaria em desacordo o quanto disposto no art. 170A do CTN. Pasta III Dos cálculos das verbas indenizatórias/compensatórias: Nesta pasta o contribuinte traz as verbas e os valores compensados, em quadro sinótico reproduzido abaixo: Detalha por rubrica e valores as verbas consideradas idenizatórias/compensatória. Assim, aquelas arroladas sob a identificação (1) comportaram recolhimentos supostamente indevidos em dois períodos, de 04/2000 a 05/2005 e de 06/2005 até 04/2010, e englobam as seguintes rubricas: 1/3 de férias constitucional, férias indenizadas, horas extras, abono insalubridade, licença prêmio, abono periculosidade, abono gratificação, abono noturno, abono gratificação nível universitário, abono gratificação representação e abono função gratificadora. Já aquelas identificadas na planilha/resumo por (2), abrigam período de recolhimentos entre 05/2010 a 05/2011, e se referem às rubricas hora extra, abono tempo de serviço, abono insalubridade, abono periculosidade, abono gratificação, abono gratificação representação, abono gratif. Nível universitário, abono função gratificadora e abono noturno. Anexa aos autos tabela prática para atualização de valores aplicadas às contribuições em atraso extraído de página da internet, bem como Fl. 9618DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 11 10 resumo das folhas de pagamento com demonstrativo analítico mensal de incidência das referidas verbas. Presente, também, demonstrativo das compensações realizadas por período. Pasta IV Da inaplicabilidade da multa isolada: Neste tópico sustenta as compensações levadas a efeito pelo Município sob o manto de decisões pacíficas e jurisprudências emanadas do STF e do STJ e em conformidade com a legislação vigente, sem a anuência do Judiciário ou da RFB. Nesse sentido, reputa precária a alegação da fiscalização que as glosou no sentido de que houvera falsidade na declaração sem qualquer fundamentação ou prova inequívoca que a corroborasse, ou mesmo sob o argumento da sonegação, uma vez que não se encontra demonstrada a comprovação da falsidade, elemento essencial para a imputação da multa isolada de 150%. Sustenta a inexistência do elemento subjetivo do dolo, sem o qual não há delito tampouco punibilidade. Aduz que não será falsa a declaração na qual o contribuinte previdenciário coloca como remuneração não tributável verbas que a autoridade fazendária entende como tributável, desde que se identifiquem corretamente tais remunerações quanto a seus elementos fáticos. Sustenta a necessária identificação da sonegação, do conluio ou da fraude para a imputação da penalidade (arts. 71/72/73 da Lei nº 4.502/64) que, postula, não ocorreu. Defende novamente as não incidências das verbas compensadas com bases em decisões emanadas do STF, algumas com repercussão geral a vincular a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Cita jurisprudências judiciais e administrativas. Defende a boafé do contribuinte ao vincular as compensações efetivadas a ‘definitividade’ de decisão proferida pelo ‘pleno do STF’, referindose ao RE nº 593.068 que reconheceu a inexigibilidade da contribuição previdenciária sobre as verbas ‘horas extras, terço constitucional de férias e demais adicionais que não se incorporam ao salário do servidor para fins de aposentadoria. Anexa aos autos extensa jurisprudência que afirma exitosa nos pleitos, além de acórdãos administrativos favoráveis à sua tese. Pasta V Dos Mandados de Segurança impetrados pelo contribuinte: Nesta pasta traz os pedidos iniciais e desdobramentos judiciais posteriores nas ações promovidas pelo Município n º 000535441.2010.4.03.6109 e nº 000290054.2011.4.03.6109, Mandados de Segurança Preventivos com pedido de liminar, nos quais busca a declaração de inexistência de relação jurídica entre o Município Impetrante e a União –Receita Federal do Brasil, referente a contribuição previdenciária patronal incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de horas extras e terço constitucional de férias (ação nº 5354) bem como a suspensão de sua exigibilidade, e verbas pagas a título de aviso prévio indenizado, férias indenizadas e em pecúnia, salário educação, auxílio creche, doença e acidentário (15 primeiros dias de afastamento), abonos assiduidade e único anual, vale transporte e adicionais de insalubridade e noturno (processo 2900). Fl. 9619DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 12 11 Pasta VI Da inaplicabilidade da representação fiscal: Sob este título discute a representação fiscal para fins penais que, segundo reputa, foi emitida sem qualquer critério jurídico que o ampare ou corrobore, esgrimindo com as tipificações presentes na Lei nº 4.502/64 (arts. 71 a 73) e no Decreto nº 7.574/2011 (arts. 47 a 50). Reprisa os argumentos contrários às glosas efetivadas e sua caracterização como ilicitude, colando jurisprudências judiciais e administrativas. Pasta VII: Da prescrição: Aqui, discutese a Lei Complementar 118/2005 e o prazo prescricional da restituição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e o prazo inicial da referida contagem citando jurisprudências do STJ para concluir que o direito do Município em efetuar as compensações utilizandose do prazo decenal é pacífico. Pasta VIII Da fundamentação jurídica: Nesta pasta junta vastíssima jurisprudência dos tribunais superiores e da Justiça Federal em 1ª instância, e também advindas dos julgados administrativos, alusivas aos temas aqui tratados. Apresenta requerimentos para a desconstituição, anulação e o cancelamento total dos créditos tributários materializados nos respectivos Autos de Infração referentes à glosa das compensações e a aplicação da multa isolada. Postula, ainda, pelo reconhecimento do direito a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidentes sobre as verbas discriminadas na pasta III e a homologação das compensações efetuadas nas competências de 08/2009 a 07/2011. II RAT– Rateio Acidente do Trabalho Pasta I da conclusão: Nesta pasta promove estudo acerca da contribuição sobre o RAT – Rateio de Acidente de Trabalho (sic) com vista a recuperação de créditos tributários, analisando os dispositivos legais, regulamentares e normativos atinentes à matéria. Conclui que, da análise efetuada nas folhas de pagamento do Município, apurouse que o maior contingenciamento de empregados estaria contido na pasta ‘Secretaria de Educação/Ensino”, enquadrada no grau de risco leve à alíquota de 1%. Afirma que obtevese uma média de 220 empregados/mês no período de maio/2007 a janeiro/2009, equivalente a 42% do total geral dos empregados constantes da folha de pagamento do Município referente aos meses analisados. Já no período de maio/2007 a outubro/2011, foi constatada a preponderância na atividade ‘Administração Geral’, sujeita à alíquota do RAT de 2%. Junta jurisprudência e tece considerações acerca da possibilidade de compensação administrativa oriunda dos recolhimentos indevidos pelo sujeito passivo. Pasta II – do enquadramento genérico: Aqui analisase a evolução normativa e regulamentar da matéria, que elevou de 1% para 2% a alíquota do RAT para Administração Pública Fl. 9620DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 13 12 em Geral. Tecese considerações em torno da classificação promovida pela Comissão Nacional de Classificação –CONCLA e defendese a aplicação de outras classes nos serviços públicos, notadamente o CNAEfiscal 85139/ 00 atinente ao ensino fundamental, cuja atividade não estaria contemplada no CNAE específico da Administração – 84116/ 00. Afirmase que, para o correto enquadramento, todos os empregados lotados na atividade educação deverão ser considerados para efeitos da apuração da atividade preponderante. Reputa ilegal e improcedente o critério adotado pela fiscalização para a definição de atividade meio e fim para fins de apuração daquela que seria preponderante, afirmando que os funcionários lotados na secretária de educação que exercem funções de apoio à educação não devem ser excluídos desta, para efeito de enquadramento. Afirma ser prerrogativa da Administração decidir e definir a lotação de cada secretaria, não cabendo à Auditoria Fiscal efetuar quaisquer desmembramentos e reclassificações nesse sentido. Afirma que, assim fazendo, redundou em uma majoração na alíquota de 2% para 3%, ao passo que o próprio Decreto limita e enquadra os Municípios à alíquota máxima de 2%, o que não seria possível. Pede a anulação e descaracterização da reclassificação promovida pela Auditoria. Pasta III – da atividade preponderante: Neste documento revisita os dispositivos legais, regulamentares e normativos aplicáveis à matéria, defendendo que a preponderância das atividades para fins de classificação é prerrogativa, também, dos órgãos públicos, que são equiparados às empresas para fins previdenciários (art. 15 da Lei nº 8.212/91), desenvolvendo tal tese em argumentação que considera as atividades vinculadas à Administração Pública. Não obstante, afirma que o Município não se valeu dessa prerrogativa, já que promoveu os recolhimentos à alíquota de 2%. Cita jurisprudência nesse sentido e afirma a desnecessidade de perícia para promover seu correto enquadramento, haja vista tratarse de mera demonstração dos dados constantes na folha de pagamento do município, pois nela já consta a divisão por atividades. De igual forma, reputa desnecessária qualquer autorização judicial nesse sentido. Relaciona os CNAEs vinculados às atividades de ensino, todos vinculados ao grau de risco leve e à alíquota de 1% e sugere a adoção, pelo Município de Americana, do preenchimento das GFIPs a partir de maio/2007 com A) CNAE 8411600, B) CNAE preponderante 8513900, C) Alíquota RAT de 1%. Pasta IV – do enquadramento na atividade preponderante: Nesta pasta pretende demonstrar o exercício da atividade preponderante do Município na área de Educação através de organogramas mensais das atividades por Secretarias com foco no número de funcionários nelas alocados. Tais demonstrativos iniciamse em dezembro/2008 e findamse em abril/2011. Pasta V – dos cálculos: Traz a memória de cálculos e planilha dos recolhimentos efetuados à guisa do RAT, que importou em R$ 4.200.125,02. Anexa as GFIPs do período apurado (12/2008 a 04/2011) e tabela prática para atualização dos valores a ser aplicada nas contribuições em atraso. Fl. 9621DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 14 13 Pasta VI – do direito à compensação administrativa: Nesta pasta reproduz os argumentos favoráveis ao seu direito à compensação administrativa independente da anuência do Judiciário ou da Receita Federal do Brasil, citando doutrinas e jurisprudências em apoio a essa tese. Pasta VII – Da fundamentação jurídica: Nesta pasta junta vastíssima jurisprudência dos tribunais superiores e da Justiça Federal em 1ª instância, e também advindas dos julgados administrativos, alusivas aos temas aqui tratados. Apresenta requerimentos para a desconstituição, anulação e o cancelamento total dos créditos tributários materializados nos respectivos Autos de Infração referentes à majoração da alíquota do RAT promovida pela fiscalização e glosa das compensações efetuadas. Requer, ainda, o reconhecimento do direito de enquadramento na atividade de Educação, que seja descaracterizada a reclassificação dos funcionários promovidos pela Auditoria e que seja determinada diligência para que se constate, in locu, que os funcionários alocados na secretaria de educação exercem a atividade fim de acordo com a classificação do CONCLA. III Cargos Eletivos – Lei nº 10.887/04 Pasta I – do direito à suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária patronal: Afirmase pessoa jurídica de direito público sujeito ao recolhimento mensal das contribuições devidas à Seguridade Social de acordo com ordenamento jurídico vigente, que transcreve; detémse na análise do dispositivo regulamentar que consideram segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregados, os exercentes de mandato eletivo, desde que não amparados por regime próprio de Previdência Social e informa o RE do STF que declarou a inconstitucionalidade da alínea ‘h’ do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, que assim o estipulava, para concluir que tais obrigações seriam indevidas. Produz um arrazoado em defesa dessa tese. Informa que, apesar de ter sido julgada inconstitucional, até a presente data a Lei não foi revogada. Nessa esteira, afirma que sancionouse em 28/06/2004 a Lei nº 10.887, ratificando o conceito de empregado para os ocupantes de cargos eletivos, pela inclusão da alínea ‘J’ no art. 12 da Lei nº 8.212/91, de maneira que a partir de outubro/2004 tornouse devida a contribuição social patronal sobre tais verbas. Reproduz um arrazoado atacando o dispositivo, afirmandoo, em breve síntese, detentor dos mesmos vícios do antigo declarado inconstitucional. Cita jurisprudências. Pasta II – dos cálculos: Traz a memória de cálculo sobre as contribuições havidas sobre a contribuição patronal introduzida pela Lei 10.887/04 incidentes sobre as remunerações de prefeito, vice e vereadores, no montante de R$ 1.253.179,47, bem como planilhas desses cálculos com recolhimentos a partir de agosto/06 totalizados até julho/2011. Anexa tabela prática para atualização de valores e demonstrativos mensais ou anuais de Fl. 9622DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 15 14 subsídios, estes iniciandose em setembro/04 e findandose em novembro/2011. Pasta III – do direito à compensação administrativa: Na mesma esteira das anteriores sob o mesmo título, nesta pasta reproduz os argumentos favoráveis ao seu direito à compensação administrativa independente da anuência do Judiciário ou da Receita Federal do Brasil, citando doutrinas e jurisprudências em apoio a essa tese, e postulando pela inaplicabilidade da multa isolada de 150% que lhe foi cominada. Pasta IV – da fundamentação jurídica: Traz sob este tópico a Lei atacada, nº 10.887/04 e jurisprudência toda ela versando acerca da Lei antiga, de nº 9506/97. Apresenta requerimentos para a desconstituição, anulação e o cancelamento total dos créditos tributários materializados nos respectivos Autos de Infração referentes à glosa das compensações e a aplicação da multa isolada. Postula, ainda, pelo reconhecimento do direito a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidentes sobre os subsídios de exercentes de mandatos eletivos e a homologação das compensações efetuadas. IV Cargos Comissionados Pasta I – do direito a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária sobre cargos em comissão: Neste tópico afirma que a jurisprudência recente do STF e do STJ firmouse e pacificouse no sentido de que não incide a contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas pelo exercício de funções comissionadas ou gratificadas, não incorporáveis, pagas aos servidores públicos, posto que não são incorporáveis aos proventos das respectivas aposentadorias. Discute o art. 40 da Constituição Federal/88, asseverando que a aposentadoria seria calculada exclusivamente sobre o cargo efetivo, não se incluindo cargos e funções comissionadas. Cita doutrinas e jurisprudências uníssonas nesse sentido. Argumenta com a Lei nº 10.887/04 que disciplinou os critérios a serem adotados para o cálculo das aposentadorias dos servidores públicos titulares de cargos efetivos da União, Estados e Municípios. Conclui afirmando a inexigibilidade da contribuição previdenciária sobre os valores percebidos pelos servidores públicos a título de função comissionada. Afirma os procedimentos adotados pelo Município por estarem em consonância com as jurisprudências dos tribunais superiores. Pasta II – dos cálculos: Traz a memória de cálculo sobre as contribuições havidas atinente às verbas pagas a título de ‘cargos comissionados’, no montante de R$ 5.335.818,98, bem como planilhas desses cálculos com recolhimentos a partir de novembro/05 totalizados até outubro/10 e sobre ‘cargos em comissão’, este de setembro/05 a outubro/10 Anexa tabela prática para atualização de valores e demonstrativos mensais ou anuais de Fl. 9623DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 16 15 subsídios, estes iniciandose em setembro/04 e findandose em novembro/2011. Pasta III – do direito à compensação administrativa: Na mesma esteira das outras sob o mesmo título, nesta pasta reproduz os argumentos favoráveis ao seu direito à compensação administrativa independente da anuência do Judiciário ou da Receita Federal do Brasil, citando doutrinas e jurisprudências em apoio a essa tese, e postula pela inaplicabilidade da multa isolada de 150% que lhe foi cominada. Pasta IV – da fundamentação jurídica: Traz novamente a Lei nº 10.887/04 e extensa jurisprudência tendente a confirmar a inexistência de contribuição previdenciária sobre as remunerações dos servidores públicos, havidas à guisa de cargos em comissão e/ou funções comissionadas. Apresenta requerimentos para a desconstituição, anulação e o cancelamento total dos créditos tributários materializados nos respectivos Autos de Infração referentes à glosa das compensações e a aplicação da multa isolada. Postula, ainda, pelo reconhecimento do direito a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidentes sobre remunerações dos ocupantes de cargos em comissão ou comissionados e a homologação das compensações efetuadas nas competências de 08/2009 a 07/2011. É a síntese, apertada, dos autos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese as mesmas argumentações da impugnação, acrescida das pastas IV – Da inaplicabilidade da multa de 150%, Pasta IX – Da nulidade do auto de infração e pasta X – Do sobrestamento do recurso voluntário. Às folhas 9599 a 9602, constam os seguintes documentos, em nome da Prefeitura Municipal de Americana, datados de 21/12/2012, assinados pelo prefeito Diego de Nadai: · PEDIDO DE PARCELAMENTO DE DÉBITOS · DISCRIMINATIVO DE DÉBITOS A PARCELAR DIPAR · ATO TERMO DE DESISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO OU RECURSO ADMINISTRATIVO · PEDIDO DE DESISTÊNCIA DE PARCELAMENTOS ANTERIORES É o relatório Fl. 9624DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724021/201199 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.200 S2C4T3 Fl. 17 16 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Às folhas 9599 a 9602, constam os seguintes documentos, em nome da Prefeitura Municipal de Americana, datados de 21/12/2012, assinados pelo prefeito Diego de Nadai: PEDIDO DE PARCELAMENTO DE DÉBITOS DISCRIMINATIVO DE DÉBITOS A PARCELAR DIPAR ATO TERMO DE DESISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO OU RECURSO ADMINISTRATIVO PEDIDO DE DESISTÊNCIA DE PARCELAMENTOS ANTERIORES Ocorre que tais documentos não especificam quais os débitos parcelados. Entendo necessário diligência para que a Delegacia de origem informe se a totalidade ou parte os débitos presentes neste processo estão parcelados e para quais deles existe pedido de desistência de recurso administrativo. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 9625DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15504.018525/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Presidente em Exercício
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Presidente em Exercício Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado.
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 85 25 /2 00 9- 44 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Presidente em Exercício Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15504.018525/200944 Acórdão n.º 2402004.549 S2C4T2 Fl. 690 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0228.725 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), fl. 2042011, com ciência ao sujeito passivo em 25/02/2011, fl. 213, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.234.5425, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 03/12/2009, fl. 3. De acordo com o relatório fiscal, fl. 2024, o lançamento trata de exigência de contribuições a cargo das empresas para outras entidades e fundos (terceiros), correspondentes à contribuição do salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a parcela in natura referente à alimentação fornecida aos empregados (café, lanches, refeições e cestas básicas), sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), no período de 01/2005 a 12/2005. A autuada apresentou impugnação, fl. 150190, solicitando o cancelamento do crédito tributário, alegando, em síntese, não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura concedida aos seus empregados, conforme decisões judiciais, inconstitucionalidade da taxa Selic e ausência de razões para emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). A decisão de primeira instância julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. Em 29/03/2011, a autuada interpôs recurso voluntário, fl. 214236, solicitando o seu provimento, alegando, em síntese, não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura concedida aos seus empregados, conforme decisões judiciais e efeito confiscatório das multas e dos juros aplicados. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Alimentação in natura fornecida pela empresa aos empregados. Não incidência A interpretação literal do art. 28, § 9o, alínea "c", da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, leva ao entendimento de que só ocorre isenção da parcela in natura quando concedida nos termos do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura é considerada salário indireto e, por consectário lógico, integra a remuneração do trabalhador: Lei 8.212/91 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça passou a interpretar esse dispositivo legal à luz dos arts. 195, I, alínea "a", e 201, § 11, da Constituição Federal, pacificando o entendimento de que este pagamento se trata de verba indenizatória não sujeita à incidência de contribuição social previdenciária, sendo irrelevante o fato de a empresa estar ou não inscrita no PAT. O entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT, foi adotado pelo Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 692DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15504.018525/200944 Acórdão n.º 2402004.549 S2C4T2 Fl. 691 5 "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". JURISPRUDÊNCIA: Resp n° 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp n° 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp n° 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp n° 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp n° 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp n° 977.238/RS (dJ 29/11/2007). Conforme previsão do art. 62, parágrafo único, II, “a”, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº256, de 22 de junho de 2009, é permitido aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Assim, a parcela do pagamento in natura de que trata este processo não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), uma vez que o pagamento não possui natureza salarial. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002359/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/03/2008
EMBARAÇO OU IMPEDIMENTO À AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO.
O impedimento do acesso de veículo oficial da RFB, conduzido por Auditores Fiscais da Receita Federal em regular exercício de suas funções, à área portuária caracteriza a conduta típica prevista no art. 104, IV, c do Decreto-lei n. 37/66 de embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira.
A autoridade aduaneira, dentro de suas áreas de competência, tem precedência sobre os demais setores administrativos, nos termos do inciso XVIII, artigo 37, CF/88.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Jonathan Barros Vita.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Jonathan Barros Vita. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
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O impedimento do acesso de veículo oficial da RFB, conduzido por Auditores Fiscais da Receita Federal em regular exercício de suas funções, à área portuária caracteriza a conduta típica prevista no art. 104, IV, “c” do Decretolei n. 37/66 de embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira. A autoridade aduaneira, dentro de suas áreas de competência, tem precedência sobre os demais setores administrativos, nos termos do inciso XVIII, artigo 37, CF/88. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Jonathan Barros Vita. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 23 59 /2 00 8- 67 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 1727.400 2ª Turma da DRJ/SPOII cujos membros, por unanimidade de votos, acordaram por considerar procedente o lançamento, nos termos da ementa que se transcreve: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/03/2008 Ementa: EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Impedir a entrada de servidores fiscais em área portuária caracteriza a infração prevista no art. 107, IV, “c” do Decreto Lei n° 37/66. Lançamento Procedente." Para melhor compreensão dos fatos, transcrevese o relatório do Acórdão recorrido: "No termo de constatação à folha 06, os Auditores Fiscais da DIVIG da ALF/Porto de Santos informam que, no exercício de suas funções, seguiam em diligência a um recinto alfandegado para verificarem uma carga de exportação com suspeita de conter entorpecentes. A fim de agilizar sua chegada ao recinto e em função do grande tráfego de veículos, os auditores optaram por utilizar o Portão 07 da CODESP quando foram barrados pelos guardas portuários Severino Batista da Silva e Edivaldo Roberto dos Santos. Alegam os fiscais que, mesmo se identificando com os crachás, os guardas portuários se recusaram a abrir a cancela para a passagem da viatura, exigindo que os servidores descessem do veículo e passassem pela roleta, impedindoos de adentrar a área portuária. Ainda informam que a situação só foi contornada algum tempo depois quando o inspetor substituto chegou, ao local e que, posteriormente à frustração da mencionada diligência, voltaram à repartição para a lavratura do presente auto. Às folhas 19 a 22 encontrase a impugnação do interessado alegando, em suma, que: 1 é evidente que quem deve figurar no pólo passivo é a CODESP e não seu preposto que apenas obedecia às ordens; Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.002359/200867 Acórdão n.º 3302002.850 S3C3T2 Fl. 58 3 2 se o superior lhe dá uma ordem, o subalterno presume a licitude da ordem ou se sente impossibilitado de desobedecer ao funcionário que a emanou, assim, é incensurável seu proceder e impunível sua conduta; 3 entende que a ordem não era manifestamente ilegal e preenchia os requisitos formais, além de ter sido dada dentro da competência funcional do servidor." Por meio da Intimação nº 389/2008 de efl 43, em 20/10/2008 ( AR de efl 44), foi a contribuinte cientificada da decisão da 1ª Instância administrativa de julgamento e esta, irresignada, apresenta em 10/11/2008 o recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de defesa, solicitando, em suma, que seja acolhida a excludente em questão, pois agiu cumprindo ordem que foi emanada da autoridade competente; foi destinada a agente com atribuições para a prática do ato; não era manifestamente ilegal; traduzia uma "relação de direito público entre superior e subordinado; preenchia os requisitos formais; foi dada dentro da competência funcional do superior; e por fim, foi cumprida dentro de estrita obediência, bem como requer a exclusão da responsabilidade do autuado em razão de sua atribuição à CODESP, haja vista que dela emanou a ordem de fiscalizar o ingresso de pessoas na área primária, segundo os itens e sub itens a seguir destacados: DOS FATOS DOS FUNDAMENTOS DO PEDIDO Formula seu pedido nos seguintes termos: "Diante do exposto, requer deste D. Conselho a refonna do V. Acórdão, e consequentemente a anulação do presente Auto de Infração, tendo em vista que o Recorrente em momento algum desejou dificultar o acesso da equipe da SRF, e que o imbróglio aconteceu por falhas operacionais do sistema, que foi acertado posteriormente pelas autoridades envolvidas, fazendose assim, a verdadeira JUSTIÇA." Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Conforme consta dos autos, o litígio decorre do seguinte evento: o Sr. Edivaldo Roberto dos Santos – funcionário da CODESP, empresa concessionária de serviços de guarda portuária – impediu o acesso do veículo oficial da Receita Federal que transportava Auditores Fiscais da Receita Federal, em regular exercício de suas funções, quando tentavam Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 4 adentrar à faixa portuária, através do Portão 7 da Codesp, com o intuito de efetuarem um procedimento fiscal (diligência para verificação de carga de exportação com suspeita de conter entorpecentes). Como é sabido, a autoridade aduaneira tem por missão, além de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, também o controle aduaneiro, que envolve tráfico de drogas, contrafação/pirataria de mercadorias, questões de saúde pública, meio ambiente, etc... A Constituição Federal expressamente estabelece a essencialidade e a relevância desta atividade, consoante se constata com os termos contidos nos artigos 237 e 37, inciso XVIII, in verbis: "Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Artigo 37, inciso XVIII – A administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei." Por sua vez, o DecretoLei 37/66 regulamentou o exercício das atividades de fiscalização aduaneira em seus artigos 35 e 36, verbis: " Art. 35 Em tudo o que interessar à fiscalização aduaneira, na zona primária, a autoridade aduaneira tem precedência sobre as demais que ali exercem suas atribuições. Art. 36. A fiscalização aduaneira poderá ser ininterrupta, em horários determinados, ou eventual, nos portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º A administração aduaneira determinará os horários e as condições de realização dos serviços aduaneiros, nos locais referidos no caput." Diante das normas acima transcritas, fica evidente que em face de sua missão aduaneira, as autoridades aduaneiras devem ter livre acesso aos locais onde deverão exercer suas atividades, principalmente levandose em conta a constitucional precedência da administração fazendária, sobre os demais setores administrativos, dentro de suas áreas de competência (inciso XVIII do artigo 37 da CF/88). Exatamente neste sentido, com o objetivo de criar ambiente favorável à atividade da fiscalização, dentro de sua competência e jurisdição, que o Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2002, com nova redação dada pelo Decreto 4.765/2003), assim dispõem em seu artigo 17: “Art. I 7 Nas áreas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, bem assim em outras áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de passageiros, procedentes do exterior ou a ele destinados, a administração aduaneira tem precedência sobre os demais órgãos que ali exerçam suas atribuições. § 1º A precedência de que trata o caput implica: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.002359/200867 Acórdão n.º 3302002.850 S3C3T2 Fl. 59 5 I a obrigação, por parte dos demais órgãos, de prestar auxílio imediato, sempre que requisitado pela administração aduaneira, disponibilizando pessoas, equipamentos ou instalações necessários à ação fiscal." Portanto, fica evidente que há a obrigação de prestar auxílio sempre que a administração aduaneira necessitar, o que não se condiz com a atitude de impedir ou barrar sua passagem dentro de área portuária. E, tendo em vista a precedência constitucional mencionada, tampouco pode haver qualquer outra norma, conforme alegado pela contribuinte, oposta ao direito da autoridade fiscal de examinar mercadorias, livros ou documentos (artigo 195/CTN). O Acórdão recorrido ressaltou que o Regimento Interno e o Regulamento da Guarda Portuária traz como uma das uma das finalidades do Regimento Interno da Guarda Portuária a de agilizar a fiscalização no Porto de Santos: " A própria Resolução que aprova o Regimento Interno e o Regulamento da Guarda Portuária traz no seu início a seguinte informação: 'O Diretor da CODESP, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelas alíneas “a” e “b” do artigo 18 do Estatuto. Considerando que a Lei 8.630/93 impõe à Administração do Porto, entre outras, competências para cumprir e fazer cumprir as leis e os regulamentos do serviço: para fiscalizar as operações portuárias, zelando para que os serviços se realizem com regularidade. eficiência, segurança e respeito ao meio ambiente; considerando que a mesma Lei determina que as autoridades no porto devem criar mecanismos permanentes de coordenação e integração das respectivas funções, com a finalidade de agilizar a fiscalização e a liberação das pessoas, embarcações e mercadorias;'(meu grifo). Por sua vez, consta no Decreto Lei n° 37/66 a infração de embaraço à fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, IV, “c”: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003). IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...;) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal;” (grifo meu) Assim, o recorrente ao impedir, de forma imediata, o acesso das autoridades aduaneiras com a viatura oficial da RFB ao recinto alfandegado do porto, praticou a conduta típica descrita no art. 107, IV, ‘c’ do Decretolei n. 37/66, punível com a multa de R$ 5.000,00, Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 6 posto que, como ressaltado no acórdão recorrido, "não só atrapalhou a ação fiscal como, nos termos do auto de infração, frustrou a diligência que estava por acontecer, em total arrepio às normas constitucional e regulamentares anteriormente citadas e cujo desconhecimento não pode ser alegado". Desta forma, acerca da questionada responsabilidade do preposto, verificase que a recorrente foi quem de fato praticou a conduta infracional e que este deveria conhecer as normas inerentes à função que desempenha, dentre as quais identificar autoridades aduaneiras que têm livre acesso ao recinto alfandegado, posto que o artigo 95 do DecretoLei 37/66 assim determina: “ART. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;” Pode o recorrente, se for o caso, aventar a hipótese de “ação de regresso”, contra o seu empregador. CONCLUSÃO Com base na fundamentação acima, conduzo o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 62DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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