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Numero do processo: 13804.001535/00-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/06/1989 a 31/10/1991
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ASSUNÇÃO DAS CUSTAS.
Tendo a recorrente comprovado a ausência de condenação da Fazenda Pública ao pagamento das custas processuais no processo de execução, torna-se despicienda a exigência da assunção das custas estabelecida pelo art. 50, §2º da Instrução Normativa SRF nº 460/2004. Diante disso e da comprovada homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução da sentença pela recorrente, impõe-se a análise do mérito pela autoridade administrativa do pedido de restituição e compensação.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-004.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/06/1989 a 31/10/1991 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ASSUNÇÃO DAS CUSTAS. Tendo a recorrente comprovado a ausência de condenação da Fazenda Pública ao pagamento das custas processuais no processo de execução, torna se despicienda a exigência da assunção das custas estabelecida pelo art. 50, §2º da Instrução Normativa SRF nº 460/2004. Diante disso e da comprovada homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução da sentença pela recorrente, impõese a análise do mérito pela autoridade administrativa do pedido de restituição e compensação. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 15 35 /0 0- 31 Fl. 258DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que não acolheu a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/06/1989 a 31/10/1991 ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciação de argüições de ilegalidade de normas. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até seu julgamento final. AÇÃO DE EXECUÇÃO. A restituição/compensação administrativa só pode ser efetuada se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive honorários advocatícios, conforme legislação que rege a matéria. Solicitação Indeferida Versa o processo sobre pedido de restituição, protocolizado em 29/06/2000, de valores recolhidos a título de FINSOCIAL, relativo aos períodos de apuração 06/89 a 10/91, em face de decisão judicial na Ação Ordinária de Repetição de Indébito n.° 92.00685129 na qual se contestava a elevação da alíquota de Finsocial. Cumulativamente, a interessada apresentou pedidos de compensação com débitos de Finsocial e de IRPJ. Conforme consta no relatório da decisão recorrida, sucederamse os seguintes fatos: (...) 2. A empresa propôs, em 30/06/1992, a Ação Ordinária de Repetição de Indébito n.° 92.00685129 (fls. 2740) com o fito de receber em restituição, acrescidos de juros e correção monetária, valores de Finsocial recolhidos, conforme alegação, indevidamente. Em sentença de 18/10/94 (fls. 4144), foi declarada inexistente qualquer relação jurídica entre a autora e a União Federal decorrente do art.9.° da Lei n.° 7.689/88, do art. 7.º da lei n.° 7.787/89, do art.1.° da lei n.° 7.894/89 e do art.1.° da Lei 8.147/90, sujeitandose apenas ao disposto no Decretolei n.° 1.940/82, no Decretolei n.° 2.397/87 e na Lei n.° 7.738/89. A sentença também julgou parcialmente procedente o pedido de repetição das importâncias recolhidas a maior, conforme for apurado em execução de sentença, observado o período prescricional, devidamente corrigidas na forma da Súmula 46 do extinto TRF, com aplicação do índice de Preços ao Consumidor, acrescidas de juros de mora de 1% a.m. a partir do trânsito em julgado desta decisão". 2.1. A União apelou da decisão (fls.4756) na AC 95.03.037963 6 sustentando estar o Finsocial recepcionado pelo texto Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13804.001535/0031 Acórdão n.º 3402004.311 S3C4T2 Fl. 259 3 constitucional, pelo que sua exigência é absolutamente legal e constitucional. O TRF decidiu negar provimento à apelação, conforme acórdão de fls. 5762, transitado em julgado na data de 18/12/95 (fls.64). 2.2. Em 04/10/2000, conforme certidão de fls. 78, a União propôs Embargos à Execução nos autos do processo n.° 2000.61.00.0417866. 2.3. Em 17/04/2001, a autora protocolizou nos autos do processo de Embargos à Execução n.° 2000.61.00.0417866, desistência da execução referente à Ação Ordinária. 3. Conforme Termo de Intimação Fiscal n.° 050/2005, a Eqitd da Diort/Derat/SP solicitou à empresa, entre outros, a comprovação da renúncia à execução do título judicial perante o Poder Judiciário, referente ao processo citado, bem como da assunção das custas do processo de execução, incluindo honorários advocatícios. 3.1. Em resposta de fls.99100, a empresa alegou, em resumo, que protocolou renúncia à execução em 17/04/2001, entendendo ter cumprido, assim, as exigências formuladas pela SRF. Anexou certidão judicial de 27/05/2005 informando que os autos da ação n.° 92.00685129 encontramse em Secretaria para execução de sentença. Anexou ainda cópia de requerimento dirigido à Justiça Federal no qual a empresa "informa que não tem mais interesse na execução, tendo em vista que está procedendo à restituição do crédito administrativamente." 4. Mediante Despacho Decisório de fls. 107111, a Diort da Derat/SP indeferiu a restituição pleiteada, vez que a requerente não comprovou a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, nem a assunção das custas do processo de execução, inclusive honorários advocatícios, conforme determinado pelas IN SRF n.° 21/97, alterada pela 73/97, e IN SRF n.° 460/2004. Em conseqüência, a Diort não homologou as compensações declaradas pela empresa. (...) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) não seria o caso de indeferimento da compensação, mas sim de suspensão deste processo; b) não há dispositivo de lei que exige a desistência da ação judicial; e c) é desnecessária a comprovação da homologação da desistência da execução, eis que a IN SRF nº 460/2004 atribui a faculdade de comprovação da renúncia. A DRJ converteu o julgamento em diligência para intimação à empresa para apresentar, nos termos dos §§ 1º e 2° do art. 50 da IN SRF n° 460/2004, despacho do Juiz "comprovando a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou (a homologação pelo Poder Judiciário) da renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios." Em atendimento à intimação, a contribuinte informou que havia protocolizado desistência da execução do título executivo judicial, conforme já comprovado, e apresentou outras alegações sustentando seu direito. Fl. 260DF CARF MF 4 O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: Não cabe à DRJ se manifestar sobre outros órgãos públicos. Também não cabe, no processo administrativo fiscal, sua suspensão ou sobrestamento, vez que não há previsão legal para tal procedimento. O Decreto n° 70.235/72 não autoriza a suspensão do trâmite processual. O processo administrativofiscal é regido por princípios, dentre os quais, o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final (art. 2°, XII, Lei n° 9.784/99). Assim sendo, não pode a autoridade administrativa proceder ao sobrestamento de processo com litígio regularmente instaurado pela apresentação de manifestação de inconformidade. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar ilegalidade ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Ademais, o dispositivo da IN em referência baseiase na sistemática processual do CPC, especificamente o parágrafo único do art. 158 do CPC, que dispõe "A desistência da ação só produzirá efeito depois de homologada por sentença." Também, em sua petição da fl. 102, empresa apenas informa que não tem mais interesse na execução. Portanto, conforme o § 2.° do art.50 da IN SRF n.° 460/2004 necessária se faz a homologação pelo Poder Judiciário no caso de desistência à execução, vez que o simples protocolo de um pedido na Justiça não significa que este foi aceito, nem que produziu efeitos no respectivo processo de execução. Quanto ao § 1.° do art.17 da IN SRF n.° 21/97, alterado pela IN SRF n.° 73/97, sua redação fala em "comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial ...". Mesmo que não estivesse revogada esta IN, como aliás afirma a própria impugnante, só há sentido em aceitar como prova de desistência da execução de um título judicial o despacho do Juiz contido no respectivo processo de execução que homologa esse pedido de desistência, pois que um pedido de desistência que foi negado ou sobre o qual não houve manifestação do Juízo não produzirá os efeitos pretendidos na norma, qual seja, evitar a duplicidade de restituição nas vias administrativa e judicial. Portanto, como a empresa não apresentou comprovação da homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do titulo judicial, ou da renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive honorários advocatícios, como dispõem os dispositivos aqui citados, e tampouco a consulta ao site da Justiça Federal (fls.140142) informa que tal fato ocorreu, VOTO pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade. Cientificada pela via postal em 02/03/2007, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/03/2007, alegando e requerendo o que se segue: (...) 6. De qualquer modo, conforme cópia da decisão judicial anexa, restam cumpridas todas as exigências do art. 50, § 2° da IN/SRF 460/2004, repetido pela IN/SRF 600/2005, vez que o MM. Juízo da 20° Vara Federal acabou por homologar seu pedido de desistência, extinguindo o feito sem julgamento do mérito, e sem qualquer condenação às partes em razão disto, não havendo, pois, nenhuma outra razão para se indeferir sua compensação (doc. incluso) 7. Nem mesmo, com todo o respeito, se analisarmos sob a ótica da sucumbência, ou seja, sobre a obrigatoriedade da assunção, por parte do contribuinte de todas as despesas e custas processuais, inclusive honorários advocatícios, a compensação poderia ter sido indeferida, eis que, como comprova cópia do acórdão: da lavra do Eg. Tribunal Regional Federal da 3a Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13804.001535/0031 Acórdão n.º 3402004.311 S3C4T2 Fl. 260 5 Região, nos autos da ação ordinária que deu origem ao crédito (92.00.685129), tanto a sentença, como em revisão, não houve condenação em honorários advocatícios (reciprocidade de sucumbência), devendo, sob todos os ângulos, a decisão da DRJ que indeferiu o pedido de restituição, ser reformada. (doc. incluso) 8. Ante o exposto, vem a recorrente, invocar os doutos suprimentos deste. Eg. Colegiado, para conhecendo do presente recurso, no mérito, darlhe provimento, reconhecendo o seu direito a compensação do indébito, HOMOLOGANDOSE AS COMPENSAÇÕES OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO. (...) Mediante a Resolução n° 3021.494, de 21 de maio de 2008, o julgamento foi convertido em diligência pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: (...) O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como se verifica dos autos, a recorrente busca restituir/compensar administrativamente valores pagos a maior de FINSOCIAL objeto de ação judicial. O acórdão recorrido indeferiu o pleito, sob alegação de que não restou comprovado o atendimento dos requisitos da IN 460/2004. O acórdão recorrido indeferiu o pleito, sob alegação de que não restou comprovado o atendimento dos requisitos da IN 460/2004. A recorrente aduz que sim, juntando aos autos cópia da decisão judicial que teria homologado o pedido conforme as exigências da referida IN. Entretanto, os documentos juntados não permitem verificar tal situação, haja vista que somente consta a decisão do pedido, não tendo sido juntado este, a resposta da PGFN, bem como dos documentos mencionados na decisão judicial. Diante do exposto, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, para que a autoridade fiscalizadora intime a recorrente a, no prazo de 30 dias, sujeitos a prorrogação por igual prazo, a: 1) juntar aos autos cópia do pedido de desistência das custas, honorários e da execução, bem como dos documentos que a instruíram, a resposta da PGFN e todo e qualquer outro documento que entenda pertinente para provar o atendimento dos requisitos exigidos pela IN 460/2004. Realizada a diligência, devem ser encaminhados os autos para este Conselho para fins de julgamento. (...) Em resposta à intimação na diligência, a contribuinte requereu "a juntada das inclusas peças da ação judicial, onde a contribuinte comprova que requereu a desistência da Fl. 262DF CARF MF 6 execução, com anuência da PFN, além da cópia da sentença de extinção da execução passada em julgado, bem como da certidão de objeto pé dos autos. (docs. inclusos)". É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora O recurso voluntário já foi conhecido pela então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes na Resolução nº 3021.494, de 21 de maio de 2008. Trata o presente processo de pedido da contribuinte de restituição/compensação de valores pagos a maior de FINSOCIAL, reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado na Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito nº 92.00685129, proposta perante a 20ª Vara Federal de São Paulo. A controvérsia centrase na verificação do atendimento pela contribuinte do disposto no art. 17 da Instrução Normativa nº 21/97, com a redação dada pela Instrução Normativa nº 73/97, exigência que foi mantida pelo art. 50 da IN SRF nº 460/2004, vigente à época do despacho decisório, abaixo transcritos: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de título judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13804.001535/0031 Acórdão n.º 3402004.311 S3C4T2 Fl. 261 7 execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. [grifos desta Relatora] § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darse ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. No recurso voluntário a interessada juntou cópia da sentença proferida nos Embargos à Execução nº 2000.61.00.0417866, opostos pela União Federal em face da ora recorrente, que julgou extintos os embargos: (...) À fl. 21, informou a embargada não ter mais interesse na execução, tendo em vista estar procedendo a restituição do crédito administrativamente. Instada a se manifestar, requereu a embargante que fosse comprovada a alegação da embargada, havendo, a mesma juntado a documentação requerida pela União às fls. 38/43. (...) Verificase, in casu, a ausência de interesse processual, daí caber a extinção do feito, sem apreciação do mérito. Assim sendo, JULGO EXTINTOS estes Embargos, com base no art. 739, III, c/c o art. 295, III, ambos do Código de Processo Civil. Trasladese cópia desta decisão para os autos da Ação Ordinária n° 92.00685129. Oportunamente, arquivemse os autos, observadas as formalidades legais. (...) Na diligência solicitada no âmbito deste Conselho Administrativo, a recorrente apresentou Certidão de Objeto e Pé, nos seguintes termos: (...) CERTIFICA, a pedido de pessoa interessada, que, revendo em Secretaria a seu cargo, dela verificou constar a distribuição em 30/06/1992, dos autos da AÇAO ORDINÁRIA, processo n° 006851230.1992.403.6100 (antigo n° 92.00685129), que INTERBROK CORRETORES INTERNACIONAIS DE SEGUROS LTDA e CONSTRUTORA PAULO MAURO LTDA movem em face da União Federal, objetivando ver declarada a inexigibilidade da contribuição ao FINSOCIAL e a repetição das quantias recolhidas. CERTIFICA mais, que, em contestação, a ré argüiu preliminar e, no mérito, defende a constitucionalidade da exação e das majorações de sua alíquota. A ação foi julgada parcialmente procedente, condenando a União a restituir a quantia excedente a 0,5%, corrigidos monetariamente a partir da data do efetivo Fl. 264DF CARF MF 8 recolhimento (Súmula n°46 do TER), juros moratórios de 1% ao mês contados do trânsito em julgado da decisão, deixando de fixar qualquer condenação em honorária advoctícia ou custas, em razão da procedência parcial. Interposto recurso de apelação cível pelo réu. CERTIFICA ainda, que a 3a Turma do E. TRF/3a Região, por unanimidade, negou provimento à apelação e à remessa oficial. O trânsito em julgado ocorreu em 18/12/1995. Em fase de execução de sentença, a União Federal embargou o cálculo oferecido pela coautora INTERBROK CORRETORES INTERNACIONAIS DE SEGUROS LTDA e, em 21/08/2006, foi proferida sentença de extinção nos autos dos Embargos à Execução n° 2000.61.00.0417866, tendo em vista que a embargada manifestou não ter mais interesse na execução por estar procedendo a restituição do crédito administrativamente. CERTIFICA, finalmente, que a CONSTRUTORA PAULO MAURO LTDA, em 31/03/2009, levantou a quantia de R$18.116,34 (dezoito mil, cento e dezesseis reais e trinta e quatro centavos), através do Alvará de Levantamento n° 63/20 2009. O valor remanescente da conta n° 0265.005.01281910 foi convertido em renda da União Federal, no total de R$6.074,00 (seis mil e setenta e quatro reais), conforme Ofício da Caixa Econômica Federal — CEF às fls. 549/550, tudo em determinação ao despacho de fls. 536/537. Foram estes autos desarquivados para fins de expedição de Certidão de Objeto e Pé e, oportunamente, retornarão ao arquivo. Nada mais. O REFERIDO É VERDADE E DOU FÉ. São Paulo, 25 de junho de 2010. (...) De forma que não restam dúvidas de que houve, no caso concreto, a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial, exigida pelas Instruções Normativas. Quanto à comprovação, exigida pelas Instruções Normativas, da "assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios", ela não foi efetuada pela recorrente. Não obstante isso, não houve condenação da Fazenda Pública no pagamento de custas processuais ou honorários advocatícios, conforme se observa na sentença que extinguiu o feito por carência de interesse processual nos Embargos à Execução nº 2000.61.00.0417860: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13804.001535/0031 Acórdão n.º 3402004.311 S3C4T2 Fl. 262 9 Também na Certidão de Objeto e Pé da Ação Ordinária processo n° 0068512 30.1992.403.6100 (antigo n° 92.00685129) não consta qualquer menção à condenação da Fazenda Pública de encargos sucumbenciais na fase de execução de sentença. Ademais, a teor do art. 26 do CPC/731 (atualmente vigente no art. 90 do CPC/2015), o pagamento das despesas e honorários advocatícios caberia, caso houvesse condenação nesse sentido, à parte que praticou o ato que levou à extinção do processo, no caso, a própria exequente/contribuinte. Dessa forma, em razão da ausência de condenação da Fazenda Pública ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios no processo de execução, despicienda a exigência de comprovação pela recorrente da "assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios", estabelecida pelo art. 50 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para, afastando as prejudiciais apontadas no despacho decisório, determinar que a autoridade administrativa analise o mérito do pedido de restituição cumulado com compensação objeto do presente processo. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora 1 Art. 26. Se o processo terminar por desistência ou reconhecimento do pedido, as despesas e os honorários serão pagos pela parte que desistiu ou reconheceu. § 1o Sendo parcial a desistência ou o reconhecimento, a responsabilidade pelas despesas e honorários será proporcional à parte de que se desistiu ou que se reconheceu. § 2o Havendo transação e nada tendo as partes disposto quanto às despesas, estas serão divididas igualmente. Fl. 266DF CARF MF
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Numero do processo: 11968.000537/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 20/05/2008, 27/05/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PORCELANATO.
Placas de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento, classificam-se no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, pela aplicação das RGI Nº 1 e RGI Nº 6.
MULTA DE 1% (UM POR CENTO) POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA.
É devida a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.157-35/2001, quando a mercadoria for classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria.
Trata-se de penalidade de caráter objetivo, não buscando o tipo infracional investigar os motivos subjetivos por trás da adoção de tal conduta. Assim, basta que a mercadoria tenha sido classificada incorretamente para que a multa seja devida, pouco importando os motivos que levaram o contribuinte a classificar de modo incorreto.
Numero da decisão: 3401-003.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, e reconhecer, de ofício, a aplicação, ao caso, do RE no 559.607/RS.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/05/2008, 27/05/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PORCELANATO. Placas de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento, classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, pela aplicação das RGI Nº 1 e RGI Nº 6. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. É devida a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15735/2001, quando a mercadoria for “classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria”. Tratase de penalidade de caráter objetivo, não buscando o tipo infracional investigar os motivos subjetivos por trás da adoção de tal conduta. Assim, basta que a mercadoria tenha sido classificada incorretamente para que a multa seja devida, pouco importando os motivos que levaram o contribuinte a classificar de modo incorreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, e reconhecer, de ofício, a aplicação, ao caso, do RE no 559.607/RS. ROSALDO TREVISAN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 05 37 /2 00 8- 23 Fl. 921DF CARF MF 2 AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de processo administrativo que tem origem na lavratura dos 4 (quatro) Autos de Infração de fls. 07 e seguintes, decorrentes de fiscalização que teve por escopo operações de importação, registradas pelo contribuinte em 20/05/2008 e 27/05/2008, de 18.023,88 metros quadrados da mercadoria identificada como "artefatos de granito artificial para uso exclusivo em revestimento de pisos da construção em geral" e comercialmente denominado de porcelanato. Enquanto o contribuinte entende como correto para as mercadorias e aplicou nas operações de importação em referência o código NCM 6810.19.00 ("Obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes / Obras de cimento, de concreto (betão*) ou de pedra artificial, mesmo armadas / outros"), código NCM para o qual a alíquota do Imposto de Importação ("II") era, à época da importação, 8% (oito por cento), e a do Imposto sobre Produtos Industrializados devido na importação (“IPIImportação”) era zero, a autoridade fiscal entende que as mercadorias deveriam ter sido classificados no código NCM 6907.90.00 ("Produtos cerâmicos / Ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, de cerâmica; cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, de cerâmica, mesmo com suporte; peças de acabamento, de cerâmica"), para o qual a alíquota do II era de 12% (doze por cento) e a alíquota do IPI era de 5% (cinco por cento). Em decorrência da suposta classificação equivocada, a Fiscalização cobra: (i) as diferenças dos tributos incidentes na importação, II, IPIImportação, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social vinculado à importação ("COFINSImportação") e Contribuição para o Programa de Integração Social vinculado à importação ("PIS Importação"), e (ii) multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, observado o valor mínimo de R$500,00 (quinhentos reais), por erro de classificação fiscal, prevista no artigo 84, inciso I, parágrafo 1º, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Após ter sido cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada improcedente, na sessão do dia 10/06/2011, pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE ("DRJ"), em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Classificação incorreta de Mercadorias na NCM/TEC e NBM/TIPI. Multa. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 11968.000537/200823 Acórdão n.º 3401003.893 S3C4T1 Fl. 922 3 As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Lajes de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/T1PI, aprovadas pela Resolução Camex n° 43, de 2006, e pelo Decreto n° 6.006, de 2006, respectivamente. A mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre o valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória 11° 2.15835, de 2001, combinada corn a Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Desclassificação de Mercadoria. Recolhimento a menor. Constatado o recolhimento a menor do imposto no registro da Declaração de Importação, em função da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC, cabe o lançamento da sua diferença, nos termos do Decreto n° 4.543, de 2002, Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, e Lei n° 10,833, de 2003. (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Revisão de Oficio Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de mais um laudo técnico sobre as características da mercadoria quando os laudos e documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. Concomitância entre Processos Administrativo e Judicial. Impugnação conhecida. Tomase conhecimento da impugnação, no tocante à matéria (classificação tarifária) que não faz parte da discussão judicial". Fl. 923DF CARF MF 4 O contribuinte, ora Recorrente, tomou ciência dessa decisão em 05/10/2014, conforme documento de fls. 547, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 27/10/2011, conforme fls. 549, pelo qual pede o reconhecimento de nulidade ou improcedência dos Autos de Infração, ou a nulidade da decisão recorrida, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois, segundo a Recorrente, teria apenas transcrito julgamento proferido no processo administrativo nº 11968.001031/200831 e teria feito menção a Mandado de Segurança diverso do informado na impugnação; (ii) nulidade da decisão recorrida, por ter indeferido o pedido de perícia formulado pela Recorrente em impugnação; (iii) nulidade do lançamento, por ter sido fundamentado na Nota Coana/Cotac/Dinon nº 2007/0319, que não analisou especificamente as mercadorias importadas pela Recorrente; (iv) a classificação fiscal adotada pela Recorrente para o porcelanato importado é a correta, tendo em vista que não seria o processo produtivo o determinante para a sua definição, mas as matériasprimas que o compõem; e (v) quanto à multa aplicada, defende a Recorrente o seu afastamento, pois não se estaria diante de erro de classificação fiscal, mas de divergência de interpretação que até então seria adotada pela Receita Federal; e (vi) inexigibilidade de lançamento de juros, tendo em vista a realização de depósito judicial em ação judicial. Em seguida, os autos do processo foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção que, em sessão de julgamento do dia 17/07/2012 resolveu converter o julgamento do Recurso Voluntário interposto em diligência, com o seguinte objetivo: "para que seja formulado laudo técnico pelo INT no sentido de elucidar as dúvidas, respondendo inclusive os seguintes quesitos: Qual a composição do porcelanato? O porcelanato é uma obra de pedra natural como mármore, granito? É semelhante ao granito? Felpatzo é uma pedra natural? Há transformação química do Si02 a partir das matériasprimas de partida? O acabamento do porcelanato para polimento é o mesmo realizado em granitos e mármores? Uma cerâmica pode ser submetida ao mesmo tipo de polimento do porcelanato? É correto afirmar que o produto importado pela Recorrente é feito de pó de pedra natural? É correto afirmar que o porcelanato é uma imitação de pedra?" Com isso, os autos foram remetidos à Alfândega do Porto de Suape, que lavrou o Termo de Intimação nº 27/2013 de fls. 665, para intimação do Recorrente, nos seguintes termos: "5) Sendo assim, diante do exposto e no interesse do devido andamento do processo, intimo o Recorrente em epígrafe a providenciar o que segue. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 11968.000537/200823 Acórdão n.º 3401003.893 S3C4T1 Fl. 923 5 5.1) Contratar instituição de renomada reputação (UNICAMP ou alguma Universidade Federal que se destaque no tema discutido neste processo) para a realização de laudo técnico. 5.2) O perito contratado deverá responder as questões levantadas pelo CARF em sua resolução nº 3401000.540, às folhas 548 à 648. 5.3) Querendo, pode a Recorrente acrescentar novas questões a serem respondidas pelo perito contratado. Adiantamos que a Alfândega do Porto de Suape, na qualidade de Autoridade lançadora do credito tributário, não fará questões adicionais". Ao ser intimado, o Recorrente apresentou a petição de fls. 670 e seguintes, pela qual expôs seu entendimento pela desnecessidade de nova perícia, em razão de ter sido reconhecido como correta a classificação por ela adotada, nos autos do processo administrativo nº 19647.013825/200882, no qual teria sido produzida a prova pericial desejada pelo CARF em sua Resolução, pediu a juntada do referido acórdão e que os autos fossem devolvidos ao CARF, para julgamento de seu Recurso Voluntário. Com o retorno dos autos ao CARF, os mesmos foram a mim redistribuídos na sessão do dia 22/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade da Decisão Recorrida O Recorrente alega que a decisão recorrida seria nula, por 2 (dois) motivos. Primeiro, porque teria apenas transcrito julgamento proferido no processo administrativo nº 11968.001031/200831 e teria feito menção a Mandado de Segurança diverso do informado na impugnação. Segundo, por ter indeferido o pedido de perícia formulado pela Recorrente em impugnação. Com relação ao primeiro motivo apontado, pela leitura da decisão recorrida, percebese que essa decisão enfrentou as questões relevantes e apresentou fundamentação, a meu entender, suficiente, para defender o seu posicionamento de que a classificação fiscal adotada no lançamento era a correta. Não há nenhuma desconexão entre a exposição dos fatos e do direito que constam no Relatório e Voto da decisão recorrida e o caso concreto. Fl. 925DF CARF MF 6 Além disso, não há qualquer menção ao processo administrativo nº 11968.001031/200831. Eventual transcrição de trecho do relatório e voto constantes em acórdão nele lavrado não tem o condão de tornar nulo o acórdão recorrido, tendo em vista que a decisão apresenta motivação explícita, clara e congruente, tendo a decisão, sem dúvida, julgado o lançamento que deu origem ao presente processo não há desconexão entre o que restou decidido e o lançamento que se propôs a examinar , foi proferida por órgão competente e sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do Recorrente (artigo 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235/1972). Aliás, a utilização de fundamentos para decidir adotados em outros casos, que versem sobre idêntica questão de fato e de direito, além de me parecer em harmonia com o princípio da eficiência que é buscado pela Administração Pública (artigo 37, caput, da Carta da República), é prática que vem sendo adotada pelo próprio CARF, no julgamento dos chamados "recursos repetitivos". O Recorrente ainda afirma que haveria nulidade por ter a decisão recorrida mencionado Mandado de Segurança diverso do que informado em Impugnação. Realmente, a decisão recorrida faz referência a um número equivocado de Mandado de Segurança. Cita o Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0066185, quando o correto seria citar o de nº 2008.83.00.0106780. Porém, quando vai tratar do Mandado de Segurança, as considerações se referem justamente ao Mandado de Segurança que tem relação com o lançamento, ou seja, o Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0106780. Essas observações nos permitem concluir que a indicação equivocada do número do Mandado de Segurança se traduziu em mero erro material. A decisão recorrida não examinou o caso, considerando ação judicial diversa da que tem relação com o lançamento, mas examinou o caso, considerando a ação judicial que tem relação com o lançamento, porém, citando número equivocado. Esse erro, portanto, não leva à nulidade da decisão, tendo em vista a ausência de qualquer prejuízo à defesa do Recorrente. Com relação ao segundo motivo apontado, também não há que se falar em nulidade, pois a autoridade julgadora não é obrigada a deferir toda e qualquer perícia solicitada pelo contribuinte em sede de Impugnação, tendo em vista que "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". (artigo 29, do Decreto nº 70.235/1972). No caso concreto, a autoridade julgadora entendeu que o conhecimento disponível nos autos a respeito da composição da mercadoria importada era suficiente para a realização da classificação fiscal, de modo que seria desnecessária a realização de uma perícia com esse objetivo. O argumento e pedido do Recorrente é até contraditório com a petição de fls. 670 e seguintes por ele apresentada. Em um momento, o Recorrente pede a decretação de nulidade da decisão recorrida, por ter indeferido o pedido de produção de provas por ele formulado. Em momento posterior, quando o CARF resolve converter o julgamento em diligência, para que seja produzida prova similar à prova solicitada em sede de Impugnação, o Recorrente afirma que não é necessária, podendo o lançamento ser julgado com base nas provas constantes nos autos e outras por ele juntadas naquela ocasião. Pelo exposto, proponho ao Colegiado rejeitar os pedido de nulidade da decisão recorrida. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 11968.000537/200823 Acórdão n.º 3401003.893 S3C4T1 Fl. 924 7 Nulidade do Lançamento A Recorrente também defende a nulidade do próprio lançamento, alegando que o lançamento teria apresentado como fundamento a Nota Coana/Cotac/Dinon nº 2007/0319, porém, esta Nota não teria analisado especificamente as mercadorias importadas pela Recorrente. Na realidade, ao se examinar os Autos de Infração, verificase que o lançamento não tem como fundamento exclusivo a Nota em referência, que é citada em complemento à classificação fiscal realizada pela Fiscalização nas mercadorias importadas pelo Recorrente, com base nas regras aplicáveis. Como observa a decisão recorrida: "A preliminar levantada sob o argumento de que a autoridade lançadora não apresentou classificação fiscal válida para embasar o lançamento e fundamentou a autuação na Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007, que se pronunciou sobre o produto ao desamparo de qualquer análise de amostra do mesmo, é completamente descabida de razão, porquanto, como se verá na apreciação do mérito, o lançamento foi efetivado levando em conta as diretrizes legais do Sistema Harmonizado (SH), base da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) Tarifa Externa Comum (TEC) e da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). A Nota em questão apenas corroborou esse posicionamento. Além do mais, a composição da mercadoria é clara e tem a concordância de ambas as partes". Desse modo, os Autos de Infração lavrados atendem ao artigo 142 do CTN e aos requisitos do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, motivo pelo qual não merece prosperar a alegação de sua nulidade. Classificação Fiscal de Mercadorias na Operação de Importação Como relatado, o lançamento decorre da divergência no entendimento entre o Recorrente e a Fiscalização, no que diz respeito à classificação fiscal de mercadorias importadas pela Recorrente. Nas operações de importação, a classificação fiscal de determinada mercadoria pelo importador é etapa essencial para o regular cumprimento das obrigações de ordem tributária perante as Fazendas Federal e Estadual, tendo em vista que a classificação influencia diretamente a alíquota a ser considerada e, conseqüentemente, a apuração do II e do IPIImportação, gerando ainda efeitos reflexos na apuração do ICMS, tributo cuja base de cálculo varia em função do II e do IPIImportação incidente na operação de importação1, e do PISImportação e COFINSImportação, nas operações de importação ocorridas antes da entrada em vigor da Lei nº 12.865/20132, que alterou a base de cálculo dessas contribuições, prevista no artigo 7º. inciso I, da Lei nº 10.865/2004. 1 Lei Complementar nº 87/1996: Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: (...) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização;(...) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e) quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; 2 A Lei nº 12.865/2013 entrou em vigor na data de sua publicação, 10/10/2013, conforme seu artigo 43, inciso II. Fl. 927DF CARF MF 8 Isso porque, com relação ao II, o artigo 94, caput, e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, ("RA") prescreve que: "Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas". (grifos nossos) Por sua vez, no que se refere ao IPIImportação, o artigo 240 do RA determina que: “Art. 240. O imposto será calculado mediante aplicação das alíquotas, constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, sobre a base de cálculo de que trata o art. 239”. (grifos nossos) A Tabela de Incidência do IPI atualmente em vigor é a aprovada pelo Decreto nº 7.660/2011, que prevê em seu artigo 2º que: “Art.2º A TIPI aprovada por este Decreto tem por base a Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”. A Nomenclatura Comum do Mercosul ("NCM"), que entrou em vigor em 1995, é uma nomenclatura regional, utilizada em todas as operações de comércio exterior dos Estados do Mercosul e tem como idiomas oficiais o português e o espanhol. A NCM, assim como as demais nomenclaturas locais (como, por exemplo, a NALADI), tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias ("SH"), que é a atual nomenclatura internacional, da Organização Mundial das Alfândegas ("OMA"), que tem como idioma oficial o inglês e o francês, sendo adotada por, pelo menos, 179 (cento e setenta e nove) países. Como prevêem os dispositivos legais citados, a partir da identificação da classificação fiscal de determinada mercadoria na NCM, devese aplicar a sua alíquota constante na Tarifa Externa Comum ("TEC"), para o II, e a alíquota constante na TIPI, em relação ao IPIImportação. Por sua vez, o parágrafo único desse artigo, prevê as fontes de interpretação para realização da classificação fiscal, que compreende: as 6 (seis) Regras Gerais para Interpretação ("RGI"), as 2 (duas) Regras Gerais Complementares ("RGC"), as Notas Complementares; e, subsidiariamente, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da OMA3. O Código NCM de uma dada mercadoria pode ser composto por até 8 (oito) dígitos, sendo o primeiro o Capítulo, os quatro primeiros a Posição, o quinto a subposição de 1º Nível, o sexto a subposição de 2ª Nível, o sétimo o Item e o oitavo o Subitem. Da Identificação do produto a ser classificado Porcelanato Antes de se realizar o trabalho de e adentrar na classificação fiscal da mercadoria importada pelo Recorrente, essencial é conhecer a mercadoria importada, sua composição, suas características e demais qualidades que possam ter relevância para o trabalho de classificação. 3 Aprovadas pelo Decreto nº 435/1992 e atualizado pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 807/2008. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 11968.000537/200823 Acórdão n.º 3401003.893 S3C4T1 Fl. 925 9 A mercadoria foi identificada nos documentos de importação como "artefatos de granito artificial para uso exclusivo em revestimento de pisos da construção em geral", mas, na realidade, é a mercadoria comercialmente denominada porcelanato. Nos Autos de Infração, a Fiscalização identifica a mercadoria, seguindo as informações prestadas pelo fabricante, como "lajes de porcelanato são constituídas basicamente de argila, matérias siliciosas (feldspato) composto complexo de silicatos de alumínio e de um metal alcalino ou alcalinoterroso, utilizado como fundente na indústria cerâmica e corantes e que se submetem à cozedura em temperaturas de 1.250°C". E, ainda, "as lajes de porcelanato de que tratam as declarações de importação relacionadas acima apresentamse não vidradas e nem esmaltadas". (grifos nossos) Já o Recorrente identifica a mercadoria importada também como porcelanato, informando que é composto "predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15% (quinze por cento)" (fls. 559560). Além disso, teria o porcelanato em sua composição, 75% (setenta e cinco por cento) de matérias duras. Quanto ao processo de fabricação, o laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas acostado pelo Recorrente em sua Impugnação (fls. 291), informa que o porcelanato passa pelas seguintes etapas: (i) moagem, (ii) atomização, (iii) regranulação, (iv) prensagem, (v) sinterização ou queima e (vi) polimento. A sinterização ou queima é explicada como "etapa em que o corpo verde é exposto a altas temperaturas ocorre o processo de sinterização; no porcelanato o grau de densificação que se alcança nesta etapa é muito superior aos níveis alcançados por produtos convencionais baseados em argilas" e ocorre em uma temperatura na faixa usual de 1200 a 1250 ºC (fls. 295). Como se verifica, não existem divergências quanto à composição ou modo de obtenção da mercadoria importada, podendose afirmar que tanto o Recorrente quanto a Fiscalização estão de acordo com a identidade da mercadoria, surgindo a controvérsia no momento da classificação dessa mercadoria. Da Classificação Fiscal do Porcelanato Enquanto o Recorrente entende como correto para as mercadorias o código NCM 6810.19.00 ("Obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes / Obras de cimento, de concreto (betão*) ou de pedra artificial, mesmo armadas / outros"), para o qual defende a sua aplicação para as operações de importação ora em exame, afirmando que não seria o processo produtivo o fator determinante para a sua definição, mas as matérias primas que o compõem, a Fiscalização entende que as mercadorias deveriam ter sido classificadas no código NCM 6907.90.00 ("Produtos cerâmicos / Ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, de cerâmica; cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, de cerâmica, mesmo com suporte; peças de acabamento, de cerâmica"). Para melhor compreensão, coloco abaixo tabela com os códigos NCM defendidos pela Recorrente e pela Fiscalização, com as respectivas descrições: Fl. 929DF CARF MF 10 Contribuinte Fisco Capítulo 68 Obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes Capítulo 69 Produtos cerâmicos 68.10 Obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas. 69.07 Ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica; cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica, mesmo com suporte. Código NCM 6810.1 Telhas, ladrilhos, placas (lajes), tijolos e artigos semelhantes: 6810.11.00 Blocos e tijolos para a construção 6810.19.00 Outros 6810.9 Outras obras: 6810.91.00 Elementos préfabricados para a construção ou engenharia civil 6810.99.00 Outras 6907.10.00 Ladrilhos, cubos, pastilhas e artigos semelhantes, mesmo de forma diferente da quadrada ou retangular, cuja maior superfície possa ser inscrita num quadrado de lado inferior a 7 cm 6907.90.00 Outros De acordo com a Regra geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 01 ("RGI nº 01"), "os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas"(grifos nossos). No presente caso, o texto da posição 68.10 é o seguinte: "68.10 Obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas" (grifos nossos). Já o texto da posição 69.07 é "69.07 Ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica; cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica, mesmo com suporte" (grifos nossos). Pela análise dos textos dessas duas posições, verificase que a posição 68.10 se destina a obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, enquanto que a posição 69.07 se destina a produtos de cerâmica. Em razão da própria natureza do porcelanato, podese afastar a sua qualificação como obra de cimento e obra de concreto, havendo a possibilidade de qualificálo como "pedra artificial" para fins de classificação na posição 68.10, ou como "produto de cerâmica", para fins de classificação na posição 69.07. A definição de pedra artificial é encontrada nas NESH da Posição 68.10, nos seguintes termos: "Por “pedra artificial” designamse as imitações de pedra natural que se obtêm aglomerandose com cimento, cal ou outros aglutinantes (plásticos, por exemplo), fragmentos, grânulos ou pó, de pedra natural (mármore e outras pedras calcárias, granito, pórfiro, serpentina, por exemplo). Os artefatos em granito ou em terrazzo também são variedades de pedra artificial". Ocorre que, como exposto nas linhas acima, o porcenalato é obtido de forma diversa, por diversas etapas de produção que se assemelham à obtenção de uma cerâmica Fl. 930DF CARF MF Processo nº 11968.000537/200823 Acórdão n.º 3401003.893 S3C4T1 Fl. 926 11 tradicional, acrescentada de outras etapas próprias. Para se assemelhar a pedras, o porcelanato não decorre de uma mistura da pedra a ser imitada (fragmentos, grânulos ou pó) aglomerada com cimento, cal ou outros aglutinantes. Conforme se depreende do laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas acostado pelo Recorrente em sua Impugnação (fls. 294296): "para se obter as complexas decorações de imitação de rochas naturais, o processo produtivo do porcelanato pode envolver as seguintes etapas: i) adição de pigmentos ou corantes diretamente à barbotina, que é submetida em seguida a atomização; regranulação, que consiste em preparar grânulos grandes, da ordem de alguns milímetros, contendo pós atomizados com diferentes pigmentos, por meio, por exemplo, de um granulador; e ii) preenchimento do molde de prensagem com grânulos contendo diferentes corantes por meio de um complexo sistema de alimentação para simular, por exemplo, a aleatoriedade de decorações observadas nas rochas naturais. Todas estas etapas não são aplicadas no processo produtivo de cerâmicas tradicionais de natureza argilosa, pois nestas a decoração não é realizada na massa, mas sim localmente na superfície da base argilosa por meio de esmaltação e serigrafia". Portanto, enquanto que a pedra artificial tem como matéria prima e parte, no processo de obtenção, de fragmentos, grânulos ou pó da pedra a ser imitada, o porcelanato se assemelha a determinada pedra por processo diverso (adição de pigmentos e corantes, atomização, regranulação e preenchimento de molde com complexo sistema de alimentação para replicar a aleatoriedade de pigmentos da pedra a ser assemelhada), que não envolve a própria pedra nem cimento nem cal nem outro tipo de aglutinante. Por esses motivos, uma primeira conclusão é que o porcenalato não pode ser classificado na posição 68.10, por não se enquadrar no conceito de "pedra artificial". Continuando no trabalho de classificação fiscal com o objetivo de confirmar o distanciamento da classificação em relação à posição 68.10 e verificar se a classificação na posição 69.07, proposta no lançamento, está correta , devese seguir a RGI nº 01, de modo que, além da análise do texto, importante é verificar as Notas de Seção e de Capítulo. Os capítulos 68 e 69 estão na Seção XIII, que não possui Nota. Com relação às Notas de Capítulos, a Nota do Capítulo 68 parece não auxiliar na classificação da mercadoria em questão, porém, a Nota 01 do Capítulo 69 determina que: "1. O presente Capítulo apenas compreende os produtos cerâmicos obtidos por cozedura depois de previamente enformados ou trabalhados. As posições 69.04 a 69.14 abrangem unicamente os produtos não suscetíveis de serem classificados nas posições 69.01 a 69.03". (grifos nossos) Além disso, as Considerações Gerais da NESH para o capítulo 68 afirmam o seguinte: "A maioria destes produtos e obras obtémse por operações tais como o corte, a moldagem, etc., que não modificam essencialmente o caráter da matéria prima. Alguns obtêmse por aglomeração (é o caso das obras de asfalto ou de certas mós aglomeradas por cozedura ou vitrificação do aglutinante). Outros podem ter sofrido um endurecimento em autoclave (tijolos sílicocalcários). Outros, ainda, resultam da transformação mais profunda da matéria original, Fl. 931DF CARF MF 12 podendo ir até à fusão (é o caso, por exemplo, da lã de escórias ou do basalto fundido). As obras obtidas por cozedura de terras previamente enformadas pertencem à indústria cerâmica, estão na maior parte dos casos incluídas no Capítulo 69 (com exceção de certas obras da posição 68.04), enquanto que as fibras de vidro e as obras de vidro, vidrocerâmica, quartzo e outras sílicas fundidos se incluem no Capítulo 70". No caso específico da posição 68.10, as NESH relativas a essa posição afirmam que os produtos ali classificados decorrem de processos específicos de obtenção, que são os seguintes: "A presente posição engloba as obras de cimento, concreto (betão) ou pedra artificial, obtidas por moldagem, extrusão ou centrifugação (é o caso, por exemplo, de alguns tubos), exceto os artefatos das posições 68.06 e 68.08 em que o cimento desempenha apenas a função de aglutinante e os artefatos de fibrocimento da posição 68.11". (grifos nossos) Com isso, a leitura dessas regras de interpretação permite que se adote um critério para classificação, a partir do processo de obtenção do produto a ser classificado: se o produto é obtido por cozedura ele deve ser classificado em alguma das posições do Capítulo 69, salvo as hipóteses de ser classificado na posição 68.04 e em posições do Capítulo 70, que não se aplicam ao porcelanato. Nesse sentido, dispõem as Considerações Gerais da NESH sobre o Capítulo 69: "a cozedura, depois da enformação, constitui a característica fundamental que diferencia os artefatos do presente Capítulo das obras de pedra e de outras matérias minerais, do Capítulo 68 (as quais, em geral, não são submetidas à cozedura) e dos artefatos de vidro do Capítulo 70, em que a mistura vitrificável sofre uma fusão completa". Logo, para se classificar na posição 69.07, o porcelanato deve ser considerado um produto cerâmico, obtido por processo de cozedura, posterior a enformação, conceitos que estão descritos nas Considerações Gerais da NESH sobre o Capítulo 69, da seguinte forma: "A expressão “produtos cerâmicos” designa os produtos obtidos: A) Por cozedura de matérias nãometálicas inorgânicas previamente preparadas e moldadas, em geral à temperatura ambiente. As matériasprimas utilizadas são, entre outras, argilas, matérias siliciosas, matérias com elevado ponto de fusão, tais como os óxidos, os carbonetos, os nitretos, a grafita ou outro carbono e, em certos casos, aglutinantes tais como as argilas refratárias e os fosfatos. B) A partir de rochas (por exemplo, esteatita) que, depois de moldadas, são submetidas à ação do calor. (...) 2 A Enformação. Esta operação tem por fim dar ao pó ou à pasta assim preparada uma forma tão aproximada quanto possível da forma pretendida. A enformação efetuase por estiragem ou extrusão (passagem à fieira), prensagem, moldagem, vazamento, modelagem, operações que, em certos casos, são seguidas de um tratamento mais ou menos adiantado. (...) Fl. 932DF CARF MF Processo nº 11968.000537/200823 Acórdão n.º 3401003.893 S3C4T1 Fl. 927 13 4 A Cozedura. Esta operação consiste em submeter os artefatos “crus” a uma temperatura de 800°C ou mais, consoante a natureza dos produtos. Esta cozedura permite obter uma ligação íntima dos grãos quer por difusão, quer por transformação química, quer ainda por fusão parcial". Ao se examinar o laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas acostado pelo Recorrente em sua Impugnação, em especial, a composição do porcelanato, em resposta à pergunta 2.6 (fls. 291), e as etapas de produção do porcelanato, em resposta às perguntas 2.5 e 2.9 (fls. 291 e 295), verificase que o porcelanato se enquadra no conceito de produto cerâmico e que estão presentes em seu processo de obtenção a enformação, no laudo denominada prensagem, e cozedura, no laudo denominada sinterização ou queima, na qual os artefatos são submetidos a uma temperatura entre 1200 a 1250 ºC, portanto, superior a 800 ºC. Por esses mesmos motivos, a posição 68.10 resta afastada, tendo em vista que o processo de obtenção do porcelanato em nada se identifica com os processos descritos para os produtos ali classificados, quais sejam, processos de “moldagem, extrusão ou centrifugação”. A posição 69.08 é igualmente afastada, pois os produtos importados pelo Recorrente não possuem a característica de “vidrados ou esmaltados”. Com isso, pelo exposto, aplicandose a RGI nº 01, o produto denominado porcelanato deve classificado na posição 69.07 e, na sequência, aplicandose a RGI nº 064, na posição 6907.90.00, por não possuírem os produtos ora em análise "superfície possa ser inscrita num quadrado de lado inferior a 7 cm". A essa mesma conclusão, em processo do próprio Recorrente, chegou a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, dessa Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em acórdão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PORCELANATO. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH constituem elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das 4 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Fl. 933DF CARF MF 14 posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Placas de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento, classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, pela aplicação das RGI1 e RGI6”. (Processo nº 11968.001074/200817; Acórdão nº 3302002.527; 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 25/03/2014; Relatora: Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas; Voto Vencedor: Paulo Guilherme Déroulède) Ante o exposto, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria, pelo entendimento de que os produtos importados pelo Recorrente deveriam ter sido classificados na posição 6907.90.00, tal como apontado no lançamento. Multa de 1% (um por cento) por classificação fiscal incorreta Na lavratura do Auto de Infração, ainda foi aplicada a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, por erro de classificação fiscal, com fundamento legal no inciso I, do art. 84, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, contra a qual se insurgiu a Recorrente pela alegação de que essa multa seria indevida, pois não se estaria diante de erro de classificação fiscal, mas de divergência de interpretação que até então seria adotada pela Receita Federal. A multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15735/2001 deverá ser aplicada quando a mercadoria for “classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria”. Como se verifica, havendo diferença ou não no valor a ser pago a título de tributo, a multa é devida, pois o bem jurídico por ela tutelado é o próprio controle aduaneiro, que fica prejudicado na hipótese de classificação incorreta pelo contribuinte. O aspecto fiscal não é relevante aqui, tanto é assim que a multa também é devida, no caso de outras incorreções nas informações que servem à identificação da mercadoria. Além disso, tratase de uma penalidade de caráter objetivo, não buscando o tipo infracional investigar os motivos subjetivos por trás da adoção de tal conduta. Assim, basta que a mercadoria tenha sido classificada incorretamente para que a multa seja devida, pouco importando os motivos que levaram o contribuinte a classificar de modo incorreto, como o alegado pelo contribuinte, de que a classificação incorreta decorreu de divergência de interpretação. Esse ou outros motivos não tem relevo para a verificação da aplicação da penalidade. Dessa maneira, uma vez ocorrida a hipótese abstratamente prevista na norma como ensejadora da aplicação da penalidade, qual seja, a classificação incorreta de mercadoria, entendo que não há que se falar em qualquer ilegalidade no lançamento quanto a esse ponto. Juros de Mora e Depósito Judicial Por último, defende o Recorrente o afastamento da aplicação dos juros de mora sobre os valores lançados, sob a alegação de que teria realizado depósito judicial do montante integral do crédito tributário. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 11968.000537/200823 Acórdão n.º 3401003.893 S3C4T1 Fl. 928 15 Por força do disposto no artigo 9º, parágrafo 4º, e artigo 32, da Lei nº 6.830/1980, ao realizar o depósito do montante integral do tributo (artigo 151, inciso II, do CTN), fica o contribuinte livre de quaisquer acréscimos legais que seriam devidos em razão do não pagamento à Fazenda Pública, que passa a ser remunerada pela instituição financeira depositária, de acordo com os patamares fixados na Lei, na hipótese de conversão do depósito em renda em favor da União (artigo 156, inciso VI, do CTN). Assim, é firme o entendimento no sentido de que não cabe exigir e lançar juros de mora do contribuinte que realizou o depósito integral do tributo, sendo, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 5, com a seguinte redação: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". No presente caso, todavia, os juros de mora não foram devidamente contestados em sede de impugnação, o que implicaria a preclusão quanto à discussão da matéria (artigo 16, inciso III, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972). Além disso, superado esse óbice, apesar de os Autos de Infração mencionarem que estão sendo lavrados para prevenir decadência, (i) não há como se verificar se o Recorrente depositou o montante integral do crédito tributário discutido, pois a decisão liminar é condicionada a um futuro depósito, portanto, não reconhece que foi realizado o depósito na integralidade, e faz referência apenas ao depósito judicial de II e IPIImportação, deixando de indicar que seria necessário o depósito dos valores relativos ao PIS/COFINS Importação; e (ii) não há como se verificar se o lançamento corresponde exatamente aos valores depositado em Juízo, assumindo que tenham sido na integralidade, ou se, foram lançados valores adicionais, a título de juros de mora. Essas informações, acompanhadas da documentação comprobatória, além de não serem encontradas no lançamento, não foram trazidas pelo Recorrente. Pelo exposto, rejeito o pedido formulado pelo Recorrente quanto à exclusão dos juros de mora supostamente lançados. Considerações Finais Em razão da reclassificação das mercadorias importadas pelo Recorrente, a Fiscalização lançou valores relativos à diferença de II, IPIImportação, PISImportação e COFINSImportação devidos nas operações de importação. À época da realização das operações de importação, no ano de 2008, a base de cálculo das contribuições, nos termos do artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 era: "o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3o desta Lei". Assim, como já comentado, levando em conta que, na forma do artigo 13, inciso V, da Lei Complementar nº 87/1996, o ICMS devido na operação de importação varia em função do II e do IPIImportação, qualquer majoração do II e do IPIImportação implica o aumento também desse imposto estadual e, à época dos fatos geradores, considerando a Fl. 935DF CARF MF 16 inclusão do ICMS na base de cálculo do PISImportação e do COFINSImportação, a majoração também das contribuições incidentes na importação. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal ("STF"), em 20/03/2013, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PISImportação e do COFINSImportação, prevista no artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004, em acórdão que possui a seguinte ementa: "Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. (...) 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. (...) 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento". (RE 559937, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013, REPERCUSSÃO GERAL) (grifos nossos) Contra essa decisão, a Fazenda Nacional ainda opôs Embargos de Declaração para modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, não acolhidos, por ausência de excepcionalidade, por decisão do dia 17/09/2014, cuja ementa está assim redigida: "1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contém indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal". Esse processo, que teve a repercussão geral reconhecida no Recurso Extraordinário nº 559607 RG, teve a decisão transitada em julgado no dia 29/10/2014, passando a vincular os julgamentos deste colegiado, por força art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, houve alteração legislativa refletindo o posicionamento externado pelo STF na matéria, com a edição da Lei nº 12.865/2013, que modificou a redação do artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004, que atualmente prevê que a base de cálculo das contribuições é tãosomente "o valor aduaneiro". Fl. 936DF CARF MF Processo nº 11968.000537/200823 Acórdão n.º 3401003.893 S3C4T1 Fl. 929 17 Diante do exposto, considerando (i) que a cobrança da diferença de PIS Importação e COFINSImportação decorre da majoração do ICMS incidente nas operações de importação e levou em conta a inclusão do valor das próprias contribuições na base de cálculo; (ii) que o STF declarou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PISImportação e do COFINSImportação; e (iii) que a decisão do STF é superveniente ao lançamento; proponho a esse Colegiado reconhecer, de ofício, a improcedência parcial do lançamento de PISImportação e COFINSImportação, na parte que considera a inclusão no crédito tributário das parcelas julgadas inconstitucionais pelo STF, determinando o seu cancelamento. Conclusão Por todo o exposto, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, e reconhecer, de ofício, a aplicação, ao caso, do RE no 559.607/RS. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905778/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 78 /2 01 2- 10 Fl. 289DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 32.344,85. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.489, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13603.905778/201210 Acórdão n.º 3401003.937 S3C4T1 Fl. 278 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 291DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13603.905778/201210 Acórdão n.º 3401003.937 S3C4T1 Fl. 279 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 293DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13603.905778/201210 Acórdão n.º 3401003.937 S3C4T1 Fl. 280 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10293.720164/2007-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 01 64 /2 00 7- 47 Fl. 247DF CARF MF 2 Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). Relatório Trata o presente processo, de exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício e juros de mora, referente ao imóvel denominado "Seringal Itatinga", cadastrado na RFB sob o nº 6.764.6557, tendo em vista glosa da ARL Área de Reserva Legal de 13.951,20 hectares, bem como o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras. Em sessão plenária de 19/02/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2802002.097 (efls. 183 a 192), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. A área de Reserva Legal averbada no registro de imóveis antes da ocorrência do fato gerador está excluída da área tributável, independentemente do requerimento/apresentação do ADA — Ato Declaratório Ambiental. do ITR. Recurso Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto a área de Reserva Legal, na extensão de 13.951,2 ha e que consequentemente seja aplicada a alíquota de 0,45%, para a apuração do imposto suplementar.” O processo foi encaminhado à PGFN em 14/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls.193) e, em 19/03/2013, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de efls. 194 a 202 (Despacho de Encaminhamento de efls. 213). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a necessidade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da ARL Área de Reserva Legal da tributação do ITR/2004. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, por meio do Despacho de Admissibilidade de 17/03/2016 (efls. 214/215). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: para efeito da exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de utilização limitada da incidência do ITR, a partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove o reconhecimento formal, específico e individual da área como tal; Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10293.720164/200747 Acórdão n.º 9202005.692 CSRFT2 Fl. 248 3 para isso, deverá protocolizar o ADA no Ibama ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração do ITR; nesse sentido, confirase o teor da Instrução Normativa SRF nº 73/00, vigente à época do fato gerador do tributo em questão: Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I – as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965; II – o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (...) (grifo do recorrente) nos termos da legislação retro citada, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama; no caso específico, com relação à área de preservação permanente, não apresentou o Ato Declaratório Ambiental, condição inafastável para o gozo da pretendida isenção; a súmula n.º 41 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, preceitua que: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000; ou seja, a partir do exercício de 2001, a apresentação do ADA é inarredável, pelo que não há que se acatar quais dos argumentos expendidos pelo contribuinte recorrente em sua peça impugnatória; nesse ponto, vale a pena destacar que a Administração Tributária, ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, fixou condição para a não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR; dessa maneira, a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2º e 3º, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ou seja, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória, mas sim incidência do imposto; o Manual de Perguntas e Respostas do ITR, editado no ano de 2002 – portanto, após a edição da Medida Provisória nº 2.16667/2001 – ratifica, em suas perguntas de Fl. 249DF CARF MF 4 nºs 66 e 67, o entendimento de que não houve qualquer alteração na legislação, no que tange à existência de prazo para requerimento do ADA: 066 Qual é o prazo legal para requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA)? O ADA deve ser protocolizado no Ibama no prazo de até 6 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Caso o ADA não seja requerido tempestivamente, ou seja denegado o requerimento, será efetuado lançamento de ofício com os acréscimos legais cabíveis. (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1 º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. 1º) 067 Caso o Ato Declaratório Ambiental (ADA) não tenha sido requerido, quais as conseqüências? Caso não seja requerido o Ato Declaratório Ambiental (ADA) dentro do prazo legal, poderá ocorrer uma das situações seguintes: 1) o contribuinte poderá pagar a diferença de imposto, com os acréscimos relativos à mora (multa e juros), desde que o faça antes do início de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar a infração tributária (pagamento espontâneo); ou 2) a Secretaria da Receita Federal (SRF) apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com redação dada pela Lei nº 10.165, art. 1º, de 2000) desse modo, o prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA jamais deixou de existir, tanto assim que o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigor à data de sua edição dispõe em seu art. 10: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10293.720164/200747 Acórdão n.º 9202005.692 CSRFT2 Fl. 249 5 estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea " b" ); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea " c" ). (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR.. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (destaques não constam no original) a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que tem a competência regimental de interpretar a legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, editou a Solução de Consulta Interna nº 12, de 21/05/2003, que ratifica o entendimento acima exposto, sendo oportuna a transcrição do trecho final do citado ato: 3.1. Diante do exposto, concluise que, para fins de exclusão das áreas não tributáveis da incidência do ITR, o sujeito passivo deverá, cumulativamente: a) atender a todas as condições exigidas para a caracterização de cada área declarada como não tributável; e b) informar, obrigatoriamente, as áreas mencionadas no item “a” em ADA, protocolado no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir do término do período de entrega da declaração, obrigatoriedade esta que foi imposta desde o exercício de 1997, com base na Instrução Normativa SRF nº 43/97, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 67/97, ambas de 1997; na Instrução Normativa SRF nº 73/00, de 2000, e a partir do exercício de 2001, com base na Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, e Instruções Normativas SRF nº 60, de 2001, e nº 256, de 2002. 3.2. Portanto, respondendo às questões formuladas na Consulta Interna: Fl. 251DF CARF MF 6 a) a falta de ADA, protocolado no Ibama, implica o não reconhecimento pela SRF das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada; b) a SRF deve exigir toda a documentação comprobatória das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada, inclusive o ADA protocolado tempestivamente no Ibama, sendo que este não substitui os demais documentos exigíveis; c) além de todos os demais documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada, deverá ser apresentada pelo contribuinte cópia do ADA entregue ao Ibama, não sendo suficiente a apresentação do protocolo de entrega, sendo que, na hipótese de descumprimento de tais exigências, ou se, após vistoria realizada pelo Ibama, seus técnicos verificarem que os dados constantes no Ato não coincidem com os efetivamente levantados e, por conseqüência, lavrarem, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, deverá ser apurado o ITR efetivamente devido e efetuado, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. (destaques não constam no original) a exigência do ADA se encontra consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000; de fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa nº 73/00, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; nesse passo, convém assinalar alguns aspectos da exigência do ADA. Primeiro, a obrigatoriedade da apresentação do ADA, registrese, não representa qualquer violação de direito ou do princípio da legalidade; ao contrário, a exigência se alinha com a norma que consagrou o benefício tributário (art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393/96), apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada; com esse desiderato, foi prevista a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA; nos termos da IN SRF nº 43/97, com a redação da IN SRF nº 67/97, o contribuinte, para se valer do benefício, deve protocolar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama; ora, o exercício do direito do contribuinte está atrelado a uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente; tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do ITR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos; de posse da declaração (ADA), o Ibama deverá, em momento oportuno, certificar a veracidade dos dados informados pelo proprietário do imóvel; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10293.720164/200747 Acórdão n.º 9202005.692 CSRFT2 Fl. 250 7 a obrigatoriedade do ADA, portanto, não desborda da regulamentação dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, além de lhe ser claramente favorável; o que não se pode conceber é que o contribuinte queira se valer da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação; não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de preservação permanente ou de utilização limitada, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente; com efeito, o direito ao benefício legal deve estar documentalmente comprovado, sendo o ADA, apresentado tempestivamente, é documento exigido para tal fim; registrese que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e utilização limitada, o que se busca é a comprovação do cumprimento de uma obrigação prevista na legislação, para fins de exclusão da tributação; no caso concreto, o contribuinte apresentou o ADA, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja conhecido e provido o Recurso Especial, restaurandose o inteiro teor da decisão de primeira instância. Cientificado em 22/04/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 224), o Contribuinte ofereceu, em 06/05/2016 (carimbo aposto às efls.226), as Contrarrazões de efls. 226 a 241, contendo os seguintes argumentos: conforme destaca a Relatora, a averbação de determinada área imobiliária como Reserva Legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo; ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, qual seja o Cartório de Registro de Imóveis; ademais, é uma peculiaridade da Reserva Legal a eleição, pelo proprietário, da parcela do imóvel, não inferior a 20%, que será reservada para a proteção ambiental, que somente se constitui reserva legal com a averbação daquela área no registro de imóveis, o que lhe revestirá dos efeitos contra terceiros; assim sendo, após a averbação da área no Cartório de Registro de Imóveis é que o proprietário constitui perante as autoridades ambientais competentes, e consequentemente, para o órgão tributário, a parte da área passível de preservação; em relação ao paradigma apresentado pela recorrente, apresentase o entendimento contrário proferido pelo 3º Conselho de Contribuintes, no sentido de não haver necessidade de apresentar o ADA para fins de isenção do ITR (cita jurisprudência); Fl. 253DF CARF MF 8 a própria Recorrente menciona a exigência do Ato Declaratório Ambiental nos casos de Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, ou seja, não é o caso da Reserva Legal; a Instrução Normativa SRF n° 73/00, mencionada pela Recorrente, em seu artigo 17, traz separadamente: 1. Área de Preservação Permanente. 2 Utilização Limitada.3. Reserva Legal; a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem julgado todos os casos com unanimidade de votos em relação à desnecessidade de apresentar o Ato Declaratório ambiental para o gozo do benefício isencional vinculado ao ITR; o entendimento é no sentido de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA não é condição para o aproveitamento da isenção do ITR pelo contribuinte nas Áreas de Reserva Legal, uma vez que o aplicador da lei deve se ater aos estritos ditames legais, e nesse caso a lei que concede tal isenção não exige qualquer formalidade. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial e, no mérito, que a ele seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, tendo em vista glosa da ARL Área de Reserva Legal. Registrese que, embora o Contribuinte, em sede de Contrarrazões, peça o não conhecimento do Recurso Especial, não foram oferecidos argumentos que logrem infirmar a admissibilidade de apelo. Relativamente à ARL Área de Reserva Legal, a Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Medida Provisória nº 16667, de 24/08/2001, assim especifica: “Art. 16 As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código." Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10293.720164/200747 Acórdão n.º 9202005.692 CSRFT2 Fl. 251 9 Nesse passo, filiome ao posicionamento adotado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a averbação da ARL Área de Reserva Legal à margem do registro do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, supre a necessidade de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental. No presente caso, constatase a averbação, à margem da matrícula do imóvel, em 30/06/2003, de uma ARL Área de Reserva Legal de 13.951,20 hectares (efls.14/15). Por outro lado, a motivação da glosa da ARL Área de Reserva Legal foi falta de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental. Da mesma forma, a Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, aborda tãosomente esse requisito como elemento impeditivo à exclusão da citada área ambiental da tributação do ITR. Nesse passo, filiome ao posicionamento adotado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a averbação da ARL à margem do registro do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, que no presente caso ocorreu em 1º/01/2004, supre a necessidade de apresentação do ADA. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.724233/2013-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
IRPJ. DEDUTIBILIDADE. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONCEITO DE OPERAÇÃO. CONTRATO DE EXECUÇÃO CONTINUADA. Para fins da apropriação de despesas com perdas no recebimento de créditos, no caso de contrato de prestação de serviços continuados em que se convencionar que a realização dos serviços será aferida e paga a cada mês, entende-se por operação cada prestação mensal realizada. Isso porque, no caso, as partes firmaram um acordo quanto ao preço mas, apenas parcialmente, quanto ao objeto, faltando quanto a este a determinação da quantidade. Nesse contexto, a prestação do serviço (ou seja, a operação) só ocorre em momento posterior à assinatura do contrato, após a efetiva realização do serviço, eis que somente então se formará a convenção completa quanto ao preço e ao objeto.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 1401-001.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 IRPJ. DEDUTIBILIDADE. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONCEITO DE OPERAÇÃO. CONTRATO DE EXECUÇÃO CONTINUADA. Para fins da apropriação de despesas com perdas no recebimento de créditos, no caso de contrato de prestação de serviços continuados em que se convencionar que a realização dos serviços será aferida e paga a cada mês, entende-se por operação cada prestação mensal realizada. Isso porque, no caso, as partes firmaram um acordo quanto ao preço mas, apenas parcialmente, quanto ao objeto, faltando quanto a este a determinação da quantidade. Nesse contexto, a prestação do serviço (ou seja, a operação) só ocorre em momento posterior à assinatura do contrato, após a efetiva realização do serviço, eis que somente então se formará a convenção completa quanto ao preço e ao objeto. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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DEDUTIBILIDADE. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONCEITO DE OPERAÇÃO. CONTRATO DE EXECUÇÃO CONTINUADA. Para fins da apropriação de despesas com perdas no recebimento de créditos, no caso de contrato de prestação de serviços continuados em que se convencionar que a realização dos serviços será aferida e paga a cada mês, entendese por operação cada prestação mensal realizada. Isso porque, no caso, as partes firmaram um acordo quanto ao preço mas, apenas parcialmente, quanto ao objeto, faltando quanto a este a determinação da quantidade. Nesse contexto, a prestação do serviço (ou seja, a “operação”) só ocorre em momento posterior à assinatura do contrato, após a efetiva realização do serviço, eis que somente então se formará a convenção completa quanto ao preço e ao objeto. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 42 33 /2 01 3- 28 Fl. 3449DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referente ao anocalendário de 2010, acrescidos de juros Selic e de multa de ofício, a qual foi agravada para 150% em razão da reiteração, já que a contribuinte já havia sido autuada sobre a matéria para o anocalendário de 2007 (processo 10510.724169/201113). Segundo a autoridade lançadora, a empresa não observou os requisitos legais para o reconhecimento de perdas no recebimento de créditos. O relatório da decisão recorrida destaca: Para justificar a exação a autoridade lançadora assevera: · No anocalendário 2010, ficou constatada a dedução de R$ 34.305.639,71, a título de "Perdas na Realização de Créditos", no 4° trimestre, sem observância dos requisitos legais; · O sujeito passivo deduziu, em seu resultado tributável, perdas no recebimento de créditos sem garantia, com valores até R$ 5.000,00, por operação (art. 340, §1º, II, “a”, RIR/99) "a", considerando como operação individual a prestação do serviço mensal para cada usuário; · No entanto, o art. 24, § 2º da Instrução Normativa SRF nº 93/97 considera como “operação” a venda de bens ou a prestação de serviços consistente de um único contrato, no qual esteja prevista a forma de pagamento do preço pactuado, ainda que a transação seja realizada para pagamento em mais de uma parcela; · Em atividades de distribuição de água e esgotamento, como é o caso do sujeito passivo, os usuários assinam um contrato no início da prestação do serviço, e não um a cada mês de referência. Logo, o contrato inicial serve por prazo indeterminado e contínuo; · Ainda que o usuário não pague a fatura em um ou mais meses não ocorre a extinção do contrato, mas a simples suspensão, com o corte no fornecimento. A partir da quitação das parcelas em atraso, o serviço é restabelecido e o fornecimento normalizado; Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 10510.724233/201328 Acórdão n.º 1401001.919 S1C4T1 Fl. 3.450 3 · Somente poderiam ser utilizadas as prerrogativas contidas na alínea "a", do inciso II, do parágrafo primeiro, do art. 340 do RIR/99 (perdas abaixo de R$ 5.000,00) os valores por operação, assim considerada por usuário (matrícula). Os valores superiores a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) só seriam deduzidos se o sujeito passivo mantivesse a cobrança administrativa, conforme previsão expressa na alínea "b", do mesmo inciso, o que não foi feito; · Ficou ainda constatada a declaração de valores divergentes no 4º trimestre de 2010, na DIPJ/11, da linha 88 Lucro Real Ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral apresentando um prejuízo fiscal de R$ 79.768.660,13, e da linha 68 — Base de Cálculo da CSLL — Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — apresentando um valor negativo de R$ 163.049.242,02; · Intimado a explicar o não adicionamento na ficha 17 (apuração da base de cálculo da CSLL) dos valores declarados nas linhas 14, 22 e 25 da ficha 09 (apuração do lucro real), o contribuinte se limitou a afirmar que os valores não foram adicionados; · A obrigatoriedade de efetuar esse ajuste na base de cálculo, da CSLL é decorrência natural do tratamento contábil e tributário previsto na lei, e se acha devidamente autorizado pelo art 57 da Lei n° 8.981/95, o qual adotou para a CSLL a mesma disciplina contida na legislação do IRPJ; · Dessa forma, fazse necessário o AJUSTE DE BASE DE CÁLCULO DA CSLL, glosandose o valor de R$ 83.280.581,89 da Base de Cálculo Negativa da CSLL, 4º trim/2010; · O contribuinte já foi autuado no anocalendário de 2007 pela dedução indevida das perdas de crédito (processo n° 10510.724169/201113). Assim, a repetição da prática evidencia o intuito de sonegar indevidamente o tributo devido, para o ano calendário de 2010. Razão para aplicação da multa qualificada sobre a infração. O lançamento foi impugnado e, em 22 de janeiro de 2015, a DRJ em Belém julgou a impugnação improcedente, sendo o acórdão 0131.147 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1ª instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Para efeito de aferimento das condições de dedutibilidade das perdas no recebimento de crédito, de que Fl. 3451DF CARF MF 4 trata o art. 9º, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, o termo operação tem por abrangência os bens ou serviços prestados constantes de um único contrato, em que estejam previstos a forma de pagamento e o preço acordado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O princípio da proporcionalidade é dirigido ao legislador. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, por ser o lançamento uma atividade vinculada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 13 de março de 2015 (fls. 3.335), a empresa apresentou recurso voluntário em 1o de abril de 2015 (fl. 3.337), alegando, em síntese: (i) inconstitucionalidade das multas aplicadas, por excessivas e indevidas. (ii) procedimento adotado pela Recorrente está de acordo com a Lei 9.430/1996, sendo que a interpretação dada pelo Auditor ao tipo de serviço prestado é que foi errônea. Neste ponto, observa que, embora seja sociedade de economia mista com personalidade jurídica de direito privado,a Recorrente “não explora atividade econômica, mas presta serviço público de alta relevância para os habitantes do Estado de Sergipe, sobre (sic) regime híbrido, prevalecendo, todavia, regime público”. (...) “o vínculo existente entre o usuário do serviço público uti universi, como é o caso da Recorrente, é tão somente de caráter consumerista, afastando caracteres de relação cível/contratual nesta prestação, como pretende a Recorrida.” Defende, assim, que “o contrato de prestação de serviço com os usuários da Recorrente não possui valor total pactuado e, tampouco, constitui um débito parcelado, vez que ada mês é aferido o consumo, caracterizando um contrato de prestação continuada.” (...) “há efetivas perdas com os valores não recebidos dos consumidores e cada mês equivale a uma operação, o qual deverá ser deduzido se estiverem vencidos há mais de seis meses, não sendo razoável interpretar diversamente”. (...) “a cada mês é emitida uma fatura coma indicação do consumo do usuário. Não se trata de uma fatura cujo valor é dividido em várias duplicatas/pagamentos, como o exemplo apresentado no acórdão n. 0131.147, ora combatido.” E conclui: “A interpretação correta do termo operação, nos casos das empresas de prestação de serviço contínuo é cada prestação individual para cada usuário, correspondente a cada fornecimento, até porque o vencimento de cada obrigação é de periodicidade mensal, podendo ser rescindido a qualquer momento: cada operação equivale a um mês de prestação de serviço”. É o relatório. Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 10510.724233/201328 Acórdão n.º 1401001.919 S1C4T1 Fl. 3.451 5 Voto Conselheira Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia dos presentes autos se resume em determinar o conceito de “operação” para fins da legislação que regula a dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos, especialmente nos casos de contratos de prestação de serviço firmados por tempo indeterminado, em que o valor da prestação varia conforme a “intensidade”, por assim dizer, do serviço prestado. A matéria foi objeto de autuação envolvendo esta mesma Recorrente no ano calendário de 2007 (processo 10510.724169/201113) e foi julgada por esta Turma em 10 de abril de 2017, dando provimento ao recurso voluntário por unanimidade. Nesta ocasião, foi proferido o acórdão 1401001.847, o qual reproduzo e adoto como razões de decidir também no presente processo: O artigo 9o da Lei 9.430/1996, à época da autuação, tinha o seguinte teor (grifos nossos): Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; (...) A Recorrente é prestadora de serviço de fornecimento de água e esgoto, desenvolvendo assim uma atividade de prestação continuada e firmando com os usuários um só contrato, por prazo indeterminado. Nesse contexto, defende que devese considerar como “operação” cada mês de prestação de serviço ou, quando muito, cada ano, fazendose um paralelo com o artigo 260 do CPC então vigente (o dispositivo prevê o critério da anualidade para a determinação do valor da causa em situações de prestação por prazo indeterminado ou superior a um ano). Para a autoridade lançadora, todavia, “operação” equivale à totalidade das prestações previstas em um contrato, sendo esta a sua interpretação para o seguinte dispositivo da Instrução Normativa SRF 93/1997, então vigente(grifos nossos): Fl. 3453DF CARF MF 6 Art. 24. (…) § 2º Para os efeitos deste artigo, considerase operação a venda de bens, a prestação de serviços, a cessão de direitos, a aplicação de recursos financeiros em operações com títulos e valores mobiliários, constante de um único contrato, no qual esteja prevista a forma de pagamento do preço pactuado, ainda que a transação seja realizada para pagamento em mais de uma parcela. Entendo que assiste razão à Recorrente. De fato, a autoridade lançadora pretendeu dar ao § 2º do artigo 24 da IN 93/1997 um alcance além do previsto naquele dispositivo. Referida norma conceitua operação como sendo a venda de bens ou prestação de serviços constante de um único contrato no qual esteja prevista a forma de pagamento do preço, ainda que o pagamento ocorra em mais de uma parcela, ou seja, esclarece que, em caso de pagamento parcelado, considerase operação o contrato. Mas isso não quer dizer que tal identificação de “operação” a “contrato” se aplique em todas as demais hipóteses. Em outras palavras, o §2o da IN 93/1997 não define o conceito de operação para todos os casos e, especialmente, não abrange o caso de contratos de prestação continuada. Na verdade, os parágrafos 2o a 10 do artigo 24 da IN 93/1997 buscam tratar de diversos aspectos das perdas, mas não esgotam o tema. Por exemplo, o § 3o do artigo 24 da IN 93/1997 vem tratar da venda de bens ou serviços a prazo, e estabelece que “No caso de empresas mercantis, a operação será caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal.” Isso porque a fatura é, por definição, um documento mercantil emitido em contratos com prazo não inferior a 30 dias, vejase: Lei 5.474/1968 “Art . 1º Em todo o contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no território brasileiro, com prazo não inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao comprador. § 1º A fatura discriminará as mercadorias vendidas ou, quando convier ao vendedor, indicará sòmente os números e valores das notas parciais expedidas por ocasião das vendas, despachos ou entregas das mercadorias. (...) Art . 20. As emprêsas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. Fl. 3454DF CARF MF Processo nº 10510.724233/201328 Acórdão n.º 1401001.919 S1C4T1 Fl. 3.452 7 § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. § 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados. § 3º Aplicamse à fatura e à duplicata ou triplicata de prestação de serviços, com as adaptações cabíveis, as disposições referentes à fatura e à duplicata ou triplicata de venda mercantil, constituindo documento hábil, para transcrição do instrumento de protesto, qualquer documento que comprove a efetiva prestação, dos serviços e o vínculo contratual que a autorizou.” Continuando, o §4o dispõe como devem ser registrados os juros e outros encargos no caso dos créditos sem garantia. O §5o trata de contrato de crédito. O §6o estabelece como se efetua o registro de nova perda em uma mesma operação no caso de créditos sem garantia. O §7o conceitua crédito garantido. Os §§8o e 9odisciplinam a hipótese de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata. Por fim, o § 10 traz hipóteses de vedação para a dedução de perda em caso de operação com as partes relacionadas ali descritas. A norma buscou esclarecer alguns aspectos relacionados a diversas possibilidades de contratação, mas não esgota o tema. É verdade que, em regra, um contrato equivale a uma operação, mas a recíproca não é verdadeira. Em um contrato cuja execução ocorra de forma continuada, as partes firmam um acordo quanto ao preço mas, apenas parcialmente, quanto ao objeto – isso porque, quanto ao objeto, as partes definem apenas alguns parâmetros, em geral relativos à espécie ou qualidade, deixando em aberto outros como, no caso em questão, a quantidade. Nesse contexto, a venda do bem e/ou a prestação do serviço (ou seja, a “operação”) só ocorrerá em momento posterior à assinatura do contrato. No caso de prestação de serviços continuados, o que definirá o momento em que o serviço se considera prestado (em outras palavras, o que define cada prestação de serviço) será o próprio contrato. Em geral, os contratos de prestação de serviços continuados estabelecem um intervalo de tempo após o qual se afere se a obrigação de fazer foi efetivamente realizada (em linguagem negocial, se o serviço foi “entregue”) e, portanto, se foi satisfeita a obrigação do prestador que lhe dá direito ao recebimento definitivo do preço. No caso em debate, esse intervalo de tempo é mensal. Assim, a cada mês ocorre uma operação, partindose no mês seguinte para outra prestação de serviço, ou seja, uma outra obrigação da fazer, ainda que prevista no mesmo contrato. Portanto, está correto o procedimento adotado pela Recorrente, de considerar o débito de cada mês como uma operação para fins do registro de perdas no recebimento de créditos. Neste sentido, dou provimento ao recurso voluntário. Fl. 3455DF CARF MF 8 Pelos mesmos fundamentos acima voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 3456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720134/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece dos recursos protocolados intempestivamente
Numero da decisão: 1301-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos por intempestivos
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild. e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece dos recursos protocolados intempestivamente
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos por intempestivos (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild. e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece dos recursos protocolados intempestivamente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos por intempestivos (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild. e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1153.172, proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC, na sessão de 31 de maio de 2016, que, por unanimidade de votos, entendeu julgar improcedente a impugnação para manter os lançamentos e confirmar a imputação de responsabilidade solidária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 34 /2 01 5- 63 Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.255 2 Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 925/1056, através dos quais foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, à Contribuição para o PIS/Pasep e Outras Multas Administradas pela RFB. O crédito tributário total importou em R$ 30.713.429,25. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 37/52, o lançamento, que se refere aos anos calendário 2010, 2011, 2012 e 2013, decorreu de "Receita Bruta na Venda de Produtos de Fabricação Própria" e teve enquadramento legal no art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e art. 532 do RIR/1999. Houve arbitramento do lucro tendo em vista que o contribuinte não apresentou, após intimado, os livros e documentos da sua escrituração. Qualificouse a multa em função da caracterização do evidente intuito de fraude da autuada. Agravouse a multa em razão do não atendimento às intimações expedidas. Efetuou se Representação Fiscal para Fins Penais. Diante da constatação de existência de grupo de fato entre a Dakhia, empresa líder, a autuada e outras empresas, (Grupo Dakhia) foram responsabilizadas solidariamente a Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda, a Polichemicals Comércio de Resinas Plásticas Ltda., a Globoplast Indústria e Comércio de Produtos Termoplásticos Ltda.ME, Reer Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. , com base no art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional, CTN. Também foram responsabilizados solidariamente por Excesso de Poderes e Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto, art. 135 do CTN, os sócios administradores de direito da Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda, o Sr. Rinaldo Sumi, o Sr. Paulo Fernandes Silva e o Sr. Márcio Paulo Baum. A contribuinte apresentou impugnação, às fls. 1655/1704, fazendo, em síntese, as seguintes alegações: DOS MANDADOS DE BUSCA E APREESNSÃO garante que desconhece a empresa Dakhia e seus sócios, nunca manteve negócios com essa empresa; a Receita Federal e a Polícia Federal deram cumprimento à ordem judicial de busca e apreensão de documentos após a sua validade, são ilegais a entrada forçada nas empresas e a apreensão dos documentos; em razão do fato citado, o Juiz da 2ª Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, em 18/01/2015, declarou a nulidade das provas obtidas a partir das diligências de busca e apreensão, determinando a devolução de tudo que foi apreendido; a busca e apreensão realizada se equipara à busca e apreensão domiciliar (cita julgado do STF, fl. 1663) assim, se faz necessário ordem judicial que autorize o ingresso da autoridade "policial" no estabelecimento comercial ou industrial, sob pena de violação à Constituição Federal, de 1988, CF/1988; Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.256 3 no caso, a Ação Cautelar quando deferiu a realização de busca e apreensão emitiu mandados com validade de 30 dias, os quais não foram cumpridos e perderam a validade; mesmo após deferimento de novos mandados, com novo prazo de 30dias, só houve cumprimento em 14/08/2014, um dia após a validade dos mesmos; mandado de busca e apreensão com prazo vencido é considerado inexistente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme ementa transcrita às fls. 1672/1673; o autuante se fundamentou em documentos obtidos por meio da Medida Cautelar assim, as provas que fundamentaram os autos são ilegais o que acarreta a nulidade dos Autos de Infração; a quebra de sigilo bancário por requisição administrativa, sem intervenção judicial, é ilegal, cita jurisprudência do STF , fls. 1674/1679; as provas colhidas na ação cautelar e utilizadas pela autuação não foram especificadas sendo necessário que se converta o julgamento em diligência para que se identifique essas provas sob pena de cerceamento do direito defesa; decadência do IRPJ e seus reflexos com base no art.150, § 4º do CTN, cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador; o fato de as empresas terem o mesmo contador não justifica a caracterização da existência de um grupo econômico, a realização de pagamento de alguma conta particular do contador pela empresa não é irregularidade, pode ser encarado como forma de pagamento dos honorários devidos ao profissional; o ordenamento jurídico não proíbe a realização de atividades empresariais em endereços similares; alegar que o quadro societário é composto por 'laranjas' precisa de provas cabais que não foram trazidas aos autos; não há prova da existência de grupo econômico consequentemente inexiste responsabilidade solidária. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA E DO ARBITRAMENTO DO LUCRO a Súmula nº 25 do CARF afirma que a simples omissão de receita não dá ensejo à aplicação de multa qualificada; o impugnante cumpriu todas as intimações para entrega de documentos, razão pela qual não caberia o agravamento da multa; para aplicação da multa qualificada deveria restar provado que a impugnante incorreu em uma das hipóteses dos artigos 71,72 ou 73, da Lei nº 4.502/1964, sonegação, fraude e conluio, nada restou comprovado nos autos sobre a conduta dolosa, sempre foi diligente e entregou todos os documentos solicitados; o arbitramento do lucro só ocorre quando o contribuinte deixa de atender às condições do art. 530, do Decreto 3.000/1999, no caso, o fiscal ignora o lucro líquido declarado nos registros fiscais e contábeis, cita jurisprudência do CARF à fl. 1686; Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.257 4 pede redução da multa aplicada para 20%, nos termos do art. 61, § 2º da Lei nº 9.430/1996. DA EXCLUSÃO DO ICMS E DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS afirma que está sendo imposto o recolhimento das contribuições com a inclusão do valor correspondente ao ICMS em suas bases de cálculo, valor que, por sua própria natureza, não se enquadra no conceito de faturamento ou receita, cita artigos da CF/1988 e descreve sobre a matéria e transcreve jurisprudência do STF às fls. 1687/ 1695, para ao final requerer o direito liquido e certo de não ser compelida a recolher o PIS e a COFINS com a base de cálculo acrescida do ICMS. DA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO PACTO FEDERATIVO E DA UNIFORMIDADE alega que além da afronta direta a dispositivo constitucional, o fato da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, também contraria os princípios constitucionais do pacto federativo e da uniformidade tributária, descreve sobre a questão às fls. 1695/1699 . se refere que em caso de diferenças apuradas entre valores informados o fisco deve intimar o contribuinte a informar os motivos das discrepâncias, concedendo prazo não inferior a 45 dias, para só depois lavrar "Auto de Infração e Imposição de Multa, como determina a Medida Provisória nº 2.15835 alterada pela Lei nº 12.766, de 2012, art. 57, transcrito à fl. 1700, cita ementa de Acórdão do CARF; se refere ao caráter informativo da DIPJ, a qual não tem natureza de confissão de dívida , portanto, não constitui o crédito tributário, ao contrário da DCTF que é confissão de dívida e instrumento suficiente para a exigência. DO PEDIDO conversão do julgamento em diligência para que o autuante especifique quais provas foram obtidas durante o procedimento fiscal e quais foram obtidas nos auto da Ação Cautelar, sob pena de cerceamento de direito de defesa; reconhecer o transcurso do lustro decadencial em face da aplicação do art. 150, § 4º do CTN; nulidade do Auto de Infração porque apoiado em provas anuladas pelo Poder Judiciário; reconhecer a inexistência de grupo econômico por falta de provas vez que fiscalização considerou a existência de grupo econômico por inferência; impossibilidade de aplicação da multa qualificada por falta de prova de conduta dolosa por parte da impugnante bem como porque omissão de receitas não acarreta majoração da multa; reconhecer a impossibilidade de arbitramento do lucro face a inexistência dos requisitos legais bem como diligência para a impugnante ter a oportunidade de apresentar documentos comprobatórios da regularidade das escritas fiscais; reconhecimento do caráter meramente informativo da DIPJ; Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.258 5 reconhecer a impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Apresentaram impugnações de mesmo teor os responsáveis solidários: Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda, fls. 1234/1264, Sr. Paulo Fernandes Silva, fls. 1094/1124, Sr. Rinaldo Sumi, fls. 1379/1409 e Sr. Márcio Paulo Baum, fls. 1519/1548, fazendo, em síntese, as seguintes alegações: PRELIMINARMENTE A DA ILEGALIDADE DAS PROVAS QUE SUBSIDIAM A AUTUAÇÃO a execução dos mandados de busca e apreensão só foi cumprida em 14/08/2014, após decorrido o prazo de validade da ordem judicial, ou seja, a medida foi executada sem mandado judicial; o juiz da 2ª Vara de São Paulo proferiu sentença declarando a nulidade das provas e determinando a devolução dos materiais apreendidos, houve Recurso de Apelação por parte dos executores dos mandados de busca e apreensão, aceito sem efeitos suspensivo, por força de lei, não julgado até a presente data; houve, ainda, mandado de segurança com o objetivo de dotar de efeito suspensivo o Recurso de Apelação, também sem julgamento até a presente data; descreve sobre sua tese se referindo a doutrinadores e transcrevendo jurisprudência, fls. 1236/1240; requer seja considerado insubsistente o Auto de Infração por ter lastro em provas obtidas por meio ilegal, constantes do Relatório FiscalResultado dos MBAs Mandados de Busca e Apreensão, fls. 810/822 e do Relatório Fiscal Grupo EconômicoDakhia, fls. 444/472; B DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA OS ATOS DA FISCALIZAÇÃO em momento algum dos autos verificase a válida e regular intimação da impugnante para os atos da fiscalização, nos termos do art. 7º, inciso I do Decreto nº 70.235/1972, fato que torna a autuação nula. DA ILEGITIMIDADE DA IMPUGNANTE PARA FIGURAR COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO não se insere no conceito de contribuinte, indicado no inciso I do art. 121 do CTN, nem se insere na definição de responsável, prevista no inciso II do mesmo artigo; o mesmo ocorre em relação à responsabilidade por sucessão, prevista nos artigos 129 a 133 do CTN, assim, inexiste dispositivo legal que permita inserir a impugnante como responsável tributária pela exigência fiscal em questão; mesmo com base no art. 128 do CTN que permite atribuir responsabilidade tributária a terceira pessoa, essa atribuição deve decorrer de lei, e, no caso, não há o vínculo, necessário, da impugnante com o fato jurídico tributário imputado ao sujeito passivo; Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.259 6 também com base no art. 134 do CTN é ilegítima a inserção da impugnante como responsável tributária. DO MÉRITO DO RELATÓRIO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DAKHIA INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO ENTRE A DAKHIA E AS EMPRESAS REINALDO PAVONE o relatório não comprova relação da Dakhia com as outras empresas apenas com a Polichemicals, o quadro à fl. 424 comprova; as empresas REER e COTERMO apresentam ligações entre si, o que não se verifica em relação a elas e a Dakhia; a fiscalização não comprova a ligação do contador com a Dakhia e as empresas suas clientes; o contador é taxativo ao afirmar que o Sr. Reinaldo Pavone era o responsável e sócio administrador das empresas e que fornecia ao contador os documentos para realização das obrigações acessórias das empresas denominadas noteiras e intermediárias; os depoimentos afirmam que o real beneficiário das operações é o Sr. Reinaldo Pavoni, no que concerne responsabilidade solidária da Dakhia, a autuação não subsiste. DOS PROCESSOS TRABALHISTAS E DEPOIMENTOS PARCIALMENTE TRANSCRITOS a inclusão de quem quer que seja no pólo passivo de ações trabalhistas, não significa confusão patrimonial nem existência de grupo econômico; se insurge contra a prova obtida com base em ações trabalhistas alegando que os empregados usam a tática de indicar no pólo passivo várias empresas do mesmo segmento, mesmo sabendo seu real empregador, como forma de pressionar a possibilidade de um acordo; o depoimento de um moto boy, pelas características de ser função externa e independente, não tem o condão de configurar um grupo econômico; as alegações de demandante de processo trabalhista são imprestáveis na medida em que ele se insere na condição de testemunha suspeita, nos termos do art. 405, §3º, inciso IV do Código de Processo Civil, CPC, o depoimento deve ser desentranhado dos autos; acusa que a fiscalização usou de subterfúgio ao intimar o Sr. Braz Cardoso de Araújo, fl. 15/54, afrontando princípios constitucionais citados à fl.1247; se refere e transcreve partes de vários depoimentos colhidos em diligência, fls. 1247/1248, e acusa a fiscalização de não ter feito qualquer busca processual em relação às empresas noteiras e intermediárias o que apontaria o real beneficiário das operações dessas empresas. DA CONFUSÃO IMOBILIÁRIA Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.260 7 todos os negócios envolvendo imóveis, contam com a documentação prevista em lei, contratos de promessa de compra e venda, posterior escritura e emissão de DOIDeclaração de Operações Imobiliárias. o que atesta a inexistência de confusão imobiliária e a ausência de ânimo de ocultar qualquer transação imobiliária; do contrário, jamais o imóvel seria dado em caução em contrato de locação firmado pela Dakhia, outras alternativas como fiança bancária, depósito de três alugueis e fiadores, não seriam lançados no registro do imóvel, formas mais indicadas para ocultar; por força de sessão de crédito de titularidade de Rinaldo Sumi, que embora sócio da Dakhia, é titular de empresa que atua no ramo de representação comercial, alguns pagamentos foram realizados direto aos vendedores pelas empresas Globoplast e Novoplast, fato que não tem o condão de traduzir a existência de grupo econômico; seu devedor Reinaldo Pavone realizou os pagamentos e Rinaldo Sumi, na condição de detentor das comissões, após receber comprovantes dos pagamentos realizados, emitiu as notas fiscais correspondentes e submeteu a regular tributação; afirma, quanto a aquisição do terreno, que o Sr. José Batistucci é empresário do ramo de plásticos por meio da Globoplast e titular de uma reserva de mais de 500 lotes residenciais em Jacareí/SP tendo, portanto, capacidade econômica para atuar no segmento de plástico e vender um terreno; o Sr. José Batistucci transferiu sua participação societária ao advogado Carlos Alberto Mandotte que solicitou a Rinaldo Sumi garantir a locação citada à fl. 436; tais relações atestam a inexistência de grupo econômico, uma vez que a Globoplast detém know how e capacidade econômica para atuar no mercado de plásticos o que afasta a presunção de que a Dakhia se utilizaria da mesma para prática de sonegação. DAS CIRCULARIZAÇÕES se insurge quanto à caracterização da existência de grupo econômico com base nas respostas às intimações das clientes; não restou comprovado relacionamento comercial da Dakhia com a Cotermo e com a Reer, cita algumas respostas de clientes, fl. 1251, que demonstram desconhecimento entre a Dakhia e a Cotermo e Reer, concluindo restar frustada a caracterização de grupo econômico, diante da inexistência de vínculo entre as empresas. DOS MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO reitera os termos da preliminar de nulidade arguída; DA CONFIRMAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO GRUPO se refere ao depoimento de Maria de Lourdes Gomes da Silva que afirma desconhecer algumas das empresas. DA CONCLUSÃO SEM RESPALDO QUANTO A EXISTÊNCIA DE LARANJAS Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.261 8 resta sem respaldo a conclusão da fiscalização quanto a existência de 'laranjas' , se trata de mera presunção porque os depoimentos não levam a essa conclusão e não foi feito levantamento criterioso a respeito dos sócios das empresas. DO PERFIL DA GLOBOPLAST o Sr. José Batistucci possui capacidade econômica para ser proprietário da Globoplast e transferiu sua participação societária para o Sr. Carlos Alberto Modotte que prosseguiu com a atividade da empresa; imprecisa e não categórica a assertiva da fiscalização de que Rinaldo Sumi seria o proprietário da Globoplast ; o Sr. Edilson Soglia foi indicado pelo Sr. Rinaldo Sumi para um emprego na Globoplast e sua contratação foi feita pessoalmente pelo Sr. Carlos Alberto Modotte. DO PERFIL DA COTERMO considera que não foram feitas diligências necessária para confirmação do perfil de empresa, a fiscalização limitouse a dizer que Vera Lúcia de Mello tem baixa capacidade econômica, sem informar a base para tal afirmação; também não foi informada a relação da Dakhia ou de seus sócios com a Cotermo. DO PERFIL DA REER depoimento de Jennifer dos Santos Bertoldo, empregada da empresa, afirma não conhecer a Dakhia nem Rinaldo Sumi. DO PERFIL DA POLICHEMICALS a empresa, por meio de Reinaldo Pavone, ofereceu à Dakhia representação comercial de seus produtos; após análise da empresa e de seu representante a Dakhia em 25/02/2007, firmou contrato de representação comercial com a Polichemicals, recebendo comissões pela intermediação de vendas, conforme notas fiscais que anexa; Reinaldo Pavone não pode ser considerado 'laranja', reside na Vila Olímpia, bairro nobre de São Paulo, a constatação de 'discreta capacidade econômica' se trata de mera presunção sem comprovação pela fiscalização. DA ANÁLISE DAS EMPRESAS INTERMEDIÁRIAS jamais as empresas Polichemicals e Globoplast podem ser tidas como constituídas por interpostas pessoas, seus sócios detém capacidade econômica e intelectual e não podem ser considerados laranjas. DO REAL BENEFICIÁRIO a fiscalização indica que a real beneficiária das irregularidades cometidas por terceiros seria a Dakhia, sem fundamento, os depoimentos, fls. 460/461, desautorizam a conclusão; apesar de concluir que a Dakhia é cumpridora de sua obrigações fiscais, fl. 462: Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.262 9 a fiscalização a coloca como 'beneficiária' das operações das 'noteiras' e 'intermediárias' sendo que não há um único vínculo da Dakhia com as 'noteiras' e 'intermediárias' REER e COTERMO. Com a Polichemicals o vínculo é de representação comercial já enfatizado; no que concerne ao patrimônio do Sr. Rinaldo Sumi, incorre em erro a fiscalização ao atribuir à fl. 463, o valor de R$ 3.162.714,14 enquanto na fl. 433/436, o total é R$ 1.968.753,15, o que demonstra o afastamento do princípio da eficiência, pela fiscalização. DO RELATÓRIO DOS MBAs MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO reafirma a imprestabilidade das provas obtidas pelo MBAs coma validade ultrpassada. COORDENAÇÃO DAS OPERAÇÕES MERCANTIS faz as mesmas considerações com relação as conclusões obtidas pela fiscalização durante o procedimento fiscal, acusando de ausência de comprovação da relação da Dakhia com as outras empresas e falta de aprimoramento na investigação. COMPRA PAGA COM CHEQUES DE TERCEIROS às fls. 1259/1260 se insurge contra cada documento de pagamento apresentado como sendo de despesas de outras empresas pagas pela Dakhia ou despesas da Dakhia pagas por terceiros. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DO CONTADOR DAS EMPRESAS "NOTEIRAS" E "INTERMEDIÁRIAS" COM A DAKHIA não há provas que mostrem a relação entre o contador e a Dakhia, Reinaldo Pavoni era quem gerenciava e operava, determinava os pagamentos e fornecia documentos para contabilização, nenhuma das pessoas ouvidas fez referência à Dakhia; as únicas relações comerciais da Dakhia foram estabelecidas com a POLICHEMICALS e com a GLOBOPLAST. DOS TRIBUTOS RECLAMADOS a empresa não foi localizada no endereço constante da Receita Federal, na mesma data, foi publicado edital de intimação para entrega de livros e documentos fiscais, a fiscalização não providenciou a intimação aos sócios; com base em critério desconhecido e mediante quebra de sigilo fiscal, posto que os sócios não foram intimados, foi constatado que seriam interpostas pessoas, porque não eram proprietários de imóveis ou veículos e porque um dos sócios declarou rendimento anual no valor de R$ 29.000,00; Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.263 10 não cabe agravamento da multa posto que a impugnante não estava obrigada a fazer qualquer declaração ao fisco relativa à COTERMO, empresa que desconhece por completo; considera insubsistente o auto de infração no que concerne à responsabilização solidária. DO ARTIGO 112 DO CTN nos presentes autos não houve a aplicação do art. 112 do CTN na forma ditada pelos doutrinadores que transcreve. DAS MULTAS discorda da multa porque não concorda com a atribuição de responsabilidade solidária que lhe foi imputada, portanto, não deixou de atender ao fisco, apenas recebeu o Auto de Infração. DESCABIMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS inexiste nos autos prova da acusação fiscal, o crédito tributário não se encontra definitivamente constituído, o acolhimento da presente impugnação poderá ensejar o reconhecimento da inexistência ou inexigibilidade do tributo em relação a impugnante, que foi arrolada como responsável solidária. CONCLUSÃO requer acolhimento das preliminares arguídas, desconsiderando as provas colhidas sem o válido mandado judicial, desentranhandoas dos autos. alternativamente, requer a suspensão do presente processo até que haja o pronunciamento judicial quanto à realização de busca e apreensão sem a válida ordem judicial; no mérito, insubsistência do Auto de Infração, determinandose a exclusão das impugnantes em face de sua flagrante ilegitimidade. Na seqüência, foi proferido o acórdão nº 1153.172, pela 3ª Turma da DRJ/REC, na sessão de 31 de maio de 2016, julgando improcedente as impugnações apresentadas, com o seguinte ementário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE. REQUISITOS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.264 11 É válida a intimação por edital, quando demonstrado que resultou improfícua a tentativa de intimação pessoal no endereço cadastral fornecido à administração tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de diligência que não atende aos requisitos legais estabelecidos para sua formalização. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPUGNAÇÃO. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não têm competência para apreciar impugnação de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos regularmente editados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MULTA PELA NÃO ENTREGA DA ECD. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. IRPJ E REFLEXOS. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamentos ou se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deslocase a tipificação legal do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, inciso I, do CTN. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. Comprovado nos autos que o contribuinte não atendeu à intimação para apresentar documentos e prestar esclarecimentos, aplicase a multa agravada de 225%. CONFUSÃO PATRIMONIAL. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico que são administradas pelos sócios de fato como se uma única empresa fossem, com a caracterização de confusão Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.265 12 patrimonial e fraudes com intuito de frustrar eventual cobrança de créditos tributários. SÓCIO ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES, INFRAÇÃO DE LEI E CONTRATO SOCIAL. CRÉDITOS RESULTANTES. RESPONSABILIDADE. O sócio administrador é responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES. MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA. A responsabilidade solidária não se restringe aos tributos e contribuições exigidos, abrangendo também as multas imputadas, inclusive a multa de ofício agravada e qualificada, em vista de sua natureza patrimonial e não pessoal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. LUCRO ARBITRADO. RECEITA DA ATIVIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Receitas obtidas na atividade da empresa e não escrituradas/declaradas constituem receitas omitidas ao Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após intimação do acórdão recorrido, as recorrentes apresentaram seus respectivos Recursos Voluntários, que serão a seguir apreciados. É o Relatório. Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.266 13 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Os recursos voluntários apresentados pela i) empresa autuada (Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltda) e pelos responsáveis tributários: ii) Rinaldo Sumi, CPF 091.831.19850; iii) Paulo Fernandes Silva, CPF n° 054.434.39804; (iv) Marcio Paulo Baum; CPF 003.518.37809; v) Dakhia Industria e Comercio de Termoplásticos Ltda, CNPJ 02.650.047/000126; vi) Polichemicals Comercio de Resinas Plásticas Ltda, CNPJ 01.403.100/000121; vii) Reer Industria e Comercio de Plásticos Ltda, CNPJ 08.816.633/000184, são intempestivos, razão pela qual devem ser conhecidos. Esclareçase que a empresa autuada (Cotermo Comercial de Termoplásticos Ltda) foi intimada em 27/06/2016 (fls. 1811 e 1812), via edital, e apresentou recurso voluntário em 28/09/2016 (fls. 2148 e 2238), portanto, fora de prazo. Os responsáveis tributários, Srs. Rinaldo Sumi, Paulo Fernandes Silva, Mário Paulo Baum, e ainda a empresa Dakhia Industria e Comercio de Termoplásticos Ltda, todos eles, foram intimados em 21/06/2016 via AR, e protocolizaram os respectivos recursos voluntários, em 25/07/2016, ou seja, de forma extemporânea. O responsável tributário Globoplast Industria e Comércio de Produtos Termoplásticos Ltda ME, CNPJ 00.105.843/000152, não apresentou impugnação e nem recurso voluntário, apesar de regulamente intimado, via edital. Por fim, os responsáveis tributários Polichemicals Comercio de Resinas Plásticas Ltda e Reer Industria e Comercio de Plásticos Ltda foram intimados em 27/06/2016, via edital, e apresentaram em 28/09/2016 recursos voluntários, portanto, fora de prazo. Com referência a estas empresas; constato que os endereços informados por ambas empresas quando da apresentação da peça recursal são os mesmos constantes nos ARs devolvidos, de fls. 1801 e 1805, que noticiaram, respectivamente, “mudouse” e “não existe o número”. Desta forma, no que atine a estas pessoas, seja a empresa autuada, sejam os responsáveis tributários, as exigências fiscais tornamse definitivamente constituídas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações (PAF). CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, voto por não conhecer os recursos apresentados, por intempestividade, prevalecendo os termos da decisão recorrida, que manteve integralmente o crédito tributário e confirmou a imputação de responsabilidade solidária, conforme efetuada nos autos de infração aqui tratados. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 16095.720134/201563 Acórdão n.º 1301002.527 S1C3T1 Fl. 2.267 14 Fl. 2267DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720014/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO.
O reiterado não atendimento a intimação para apresentação de documentação que deveria estar à disposição para exame da fiscalização não se justifica por força maior relativa a um dos advogados da empresa.
IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova relativo às alegações de seus direitos constitutivos é do contribuinte.
ALEGAÇÕES RELATIVAS A OUTROS TRIBUTOS. IRRELEVÂNCIA.
Não se conhece de alegações relativas a outros tributos e contribuições federais, quando irrelevantes ao caso em julgamento.
APRECIAÇÃO DA MATÉRIA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe apreciação de matéria constitucional, no âmbito do processo administrativo fiscal, com o escopo de afastar lei em vigor.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a exigência de juros de mora com base na taxa Selic.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
OUTROS CRÉDITOS DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO. FALTA.
Não comprovada a origem de créditos lançados na escrituração fiscal, é legítima a sua glosa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.095
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila, que davam provimento para afastar a exigência de juros sobre a multa de ofício. Designado para o voto vencedor na parte dos juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA- Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
(assinatura digital)
MARCELO GIOVANI VIEIRA - Redator Designado.
EDITADO EM: 12/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. O reiterado não atendimento a intimação para apresentação de documentação que deveria estar à disposição para exame da fiscalização não se justifica por força maior relativa a um dos advogados da empresa. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova relativo às alegações de seus direitos constitutivos é do contribuinte. ALEGAÇÕES RELATIVAS A OUTROS TRIBUTOS. IRRELEVÂNCIA. Não se conhece de alegações relativas a outros tributos e contribuições federais, quando irrelevantes ao caso em julgamento. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe apreciação de matéria constitucional, no âmbito do processo administrativo fiscal, com o escopo de afastar lei em vigor. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a exigência de juros de mora com base na taxa Selic. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OUTROS CRÉDITOS DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO. FALTA. Não comprovada a origem de créditos lançados na escrituração fiscal, é legítima a sua glosa. Recurso Voluntário Negado.
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NÃO ATENDIMENTO. O reiterado não atendimento a intimação para apresentação de documentação que deveria estar à disposição para exame da fiscalização não se justifica por força maior relativa a um dos advogados da empresa. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova relativo às alegações de seus direitos constitutivos é do contribuinte. ALEGAÇÕES RELATIVAS A OUTROS TRIBUTOS. IRRELEVÂNCIA. Não se conhece de alegações relativas a outros tributos e contribuições federais, quando irrelevantes ao caso em julgamento. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe apreciação de matéria constitucional, no âmbito do processo administrativo fiscal, com o escopo de afastar lei em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a exigência de juros de mora com base na taxa Selic. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 14 /2 01 2- 62 Fl. 615DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OUTROS CRÉDITOS DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO. FALTA. Não comprovada a origem de créditos lançados na escrituração fiscal, é legítima a sua glosa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila, que davam provimento para afastar a exigência de juros sobre a multa de ofício. Designado para o voto vencedor na parte dos juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. (assinatura digital) MARCELO GIOVANI VIEIRA Redator Designado. EDITADO EM: 12/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 535 em face de decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida no âmbito da DRJ/SP em fls. 520, que manteve o lançamento de IPI em sua integralidade, conforme AI. de fls 369 e Termo de Constatação de Infração Fiscal de fls. 380, em razão de aproveitamento indevido de outros crédito de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório da decisão de primeira instância, segue integralmente para apreciação: "Tratase de impugnação de lançamento de IPI (fls. 405 a 515), apresentada em 28 de fevereiro de 2012, por meio da qual a Interessada contestou o auto de infração de 30 de janeiro de 2012 relativo aos períodos de janeiro a dezembro de 2007. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15868.720014/201262 Acórdão n.º 3201003.095 S3C2T1 Fl. 616 3 De acordo com o termo de verificação de fls. 380 a 389, a ação fiscal referiuse a um reexame de período anteriormente fiscalizado, com autorização do Sr. Superintendente da RFB da 8ª Região Fiscal. Relacionou, a seguir, valores escriturados no RAIPI a título de “outros créditos”, nos meses de julho a dezembro de 2007, esclarecendo haver intimado a Interessada a explicar a origem dos referidos valores. Após duas prorrogações e até o momento da lavratura do auto de infração, a Interessada não se havia manifestado. A Fiscalização não aceitou o argumento da Interessada de que uma das advogados teve uma emergência médica, uma vez que, ainda posteriormente ao fato e havendo outros advogados com procuração para atender ao requerimento, nada foi apresentado. Dessa forma, os valores foram glosados. Na impugnação, a Interessada alegou, inicialmente, nulidade do auto de infração, por “falta de análise dos argumentos trazidos” por ela. Relatou o andamento da ação fiscal, referindose às intimações, pedidos de prorrogações (pelo fato de a documentação ter sido retida pelo fisco estadual) e documentação apresentada. A Delegacia da RFB de Osasco teria iniciado a Fiscalização. Informou ter sido intimada, também, pela Delegacia da RFB de Araçatuba, tendo informado que os documentos estariam com a Fiscalização de Osasco. Após a localização e recebimento dos documentos, a Fiscalização a intimou a esclarecer a origem dos créditos anteriormente mencionados. Afirmou que, em 24 de janeiro de 2012, encaminhara, “via correio, petição esclarecendo a origem dos valores, conforme cópias que seguem em anexo”. Entretanto, a Fiscalização teria simplesmente desconsiderado as informações prestadas, de forma ilegal e arbitrária, o que implicaria a nulidade da autuação. Alegou, ainda, que teria havido erro na capitulação legal, uma vez que o RIPI/2002, citado no auto de infração, foi revogado pelo Decreto n° 7.212, de 2012. Ademais, não seria possível identificar, a partir dos dispositivos citados pela Fiscalização, a razão pela qual os créditos teriam sido escriturados e aproveitados indevidamente (ausência de nexo de causalidade entre os dispositivos capitulados e os fatos). Citou acórdãos do Carf que trataram da questão, ressaltando suposta ofensa aos princípios do contraditória e da ampla defesa. Fl. 617DF CARF MF 4 Na sequência, afirmou ser ilegal a inclusão dos ICMS na base de cálculo das contribuições PIS e Cofins e haver reconhecimento da administração do Distrito Federal a respeito da matéria, ao entender que não haveria direito à restituição do ICMS, no caso de recolhimento a maior, por força do art. 166 do Código Tributário Nacional. A seguir, afirmou ter havido afronta ao princípio da capacidade contributiva, especialmente “quando da inclusão do ICMS na base de cálculo das mencionadas contribuições” (PIS e Cofins). Mencionou, além disso, o disposto no art. 212 da Constituição Federal, quanto à destinação da arrecadação do ICMS. No próximo item, abordou o atual entendimento do Supremo Tribunal Federal a respeito da matéria. Ainda contestou a legitimidade da aplicação da multa de 75%, que somente se aplicaria no caso de prática de ato ilícito e teria sempre natureza punitiva, devendo ser reduzida a 20%, e contestou os juros – especificamente a adoção da taxa Selic e a impossibilidade de sua aplicação sobre a multa, citando acórdão do Carf. Por fim, alegou, sustentando a aplicação do princípio da verdade material ser “imperioso que se analise detalhadamente não apenas a documentação apresentada junto à presente Impugnação, como também todos os documentos que vierem a ser posteriormente apresentados pela Impugnante, a fim de que a autoridade administrativa constate as incongruências apontadas acima. É o relatório." Essa decisão de primeira instância foi publicada com a seguinte Ementa, assim transcrita em sua integralidade: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. O reiterado não atendimento a intimação para apresentação de documentação que deveria estar à disposição para exame da fiscalização não se justifica por força maior relativa a um dos advogados da empresa. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova relativo às alegações de seus direitos constitutivos é do contribuinte. ALEGAÇÕES RELATIVAS A OUTROS TRIBUTOS. IRRELEVÂNCIA. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15868.720014/201262 Acórdão n.º 3201003.095 S3C2T1 Fl. 617 5 Não se conhece de alegações relativas a outros tributos e contribuições federais, quando irrelevantes ao caso em julgamento. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPOSSIBILIDADE. Descabe apreciação de matéria constitucional, no âmbito do processo administrativo fiscal, com o escopo de afastar lei em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a exigência de juros de mora com base na taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício a partir da data de seu vencimento legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OUTROS CRÉDITOS DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO. FALTA. Não comprovada a origem de créditos lançados na escrituração fiscal, é legítima a sua glosa. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O contribuinte em preliminar alegou a nulidade do Auto de Infração em razão da ausência de descrição da infração e do erro na capitulação legal do fato e no mérito defendeu a exclusão do ICMS na base de cálculo do Pis e da Cofins, alegou que o lançamento afrontou constitucionalmente o a capacidade contributiva, o art. 212 da CF/88, solicitou que fosse reconhecida a ilegitimidade da multa de ofício de 75%, contestou a aplicação de juros sobre a multa de ofício, assim como contestou a aplicação da taxa SELIC e pediu provimento. Em síntese, repetiu as alegações da Impugnação de fls. 405 em seu Recurso Voluntário. Os autos foram distribuídos e pautados em acordo com as regras previstas no regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Fl. 619DF CARF MF 6 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. De início é importante destacar que a defesa do contribuinte, na matéria de fundo, é extremamente controversa e não é suficiente para demonstrar a origem dos créditos de IPI aproveitados nas contas "Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço" e "outros créditos". Isto porque em um lançamento que cobrou IPI, o contribuinte defende a exclusão do ICMS na base de cálculo do Pis e da Cofins, tratando de forma muito genérica e rápida sobre a possibilidade de ter aproveitado crédito de Pis e Cofins na apuração do IPI, invocando o Art. 74 da Lei 9430/06, que previu a possibilidade de aproveitamento de créditos entre diferentes tributos. Em nenhum momento descreveu ou comprovou em sua defesa a origem dos créditos. Portanto, o lançamento de IPI permanece intacto. Em fls. 01 a 368 é possível acompanhar que a fiscalização identificou o aproveitamento de créditos nestas contas, além dos básicos e existentes nas notas fiscais de entrada. Assim procedeu por meio da análise do livro de registro de IPI e registros de entradas e saídas. Ao não identificar na escrita do contribuinte a origem do crédito de IPI em valores expressivos, possibilitou ao contribuinte a juntada de documentos que justificassem estes créditos, oportunidade que o contribuinte não aproveitou, porque solicitou prorrogação de prazo e, ao final, não apresentou nenhum documento que comprovasse os créditos. Ao analisar as peças de defesa, é possível constatar que o contribuinte alega ter apresentado vasta documentação nos autos, com a suposta comprovação dos créditos, mas assim não procedeu. Portanto, as alegações de nulidade do lançamento por ausência de descrição e por erro na capitulação não merecem prosperar, visto que o Auto de Infração (fls. 369) e o Termo de Constatação de Infração Fiscal (fls. 380), descrevem e capitulam o aproveitamento indevido de crédito da forma correta e legal. A comprovação da ausência de origem dos créditos tomados sob as rubricas "Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço" e "outros créditos" foi realizada, uma vez que tais créditos não possuíam rastreamento nas escritas do contribuinte. Portanto, o ônus da fiscalização em provar o aproveitamento indevido de crédito foi cumprido, de acordo com o que prevê o Art. 142 do CTN. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15868.720014/201262 Acórdão n.º 3201003.095 S3C2T1 Fl. 618 7 Da mesma forma, com relação à possível ocorrência de afronta à princípios e garantias constitucionais, como a capacidade contributiva, o Art. 212 da CF/88 ou a ilegitimidade da multa de ofício de 75%, ainda possam fazer sentido, considerando a alta carga tributária e a complexidade fiscal neste país, não podem ser objeto de julgamento administrativo fiscal, visto que a atividade deste Conselho é vinculada às normas e Leis vigentes e aplicáveis aos casos em concreto. Portanto, havendo previsão expressa para a incidência da multa de ofício, assim como vigentes e aplicáveis os fundamentos legais utilizados no lançamento, não há como cancelar o lançamento. Sobre este tema, inclusive, a Súmula CARF n.º 02 é clara ao afirmar que o Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1 Por fim, somente com relação à contestação a respeito da incidência de juros sobre a multa de ofício é que o contribuinte possui razão, visto que não existe no ordenamento jurídico nenhuma norma que possibilite e fundamente esta exigência. De forma pragmática, na liquidação administrativa das cobranças fiscais os juros são cobrados com a multa de ofício no cálculo, algo que não possui previsão legal, visto que a previsão de incidência dos juros recai somente sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições, texto normativo da própria Lei 9.430/96, Art. 61, caput e §3.º. Neste caso é importante citar trecho do voto vencedor da notável Conselheira Thaís de Laurentis Galkowicz, no Acórdão 3402004.138, conforme segue: "(...) Seria de fato “ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput”, nas palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Vêse, assim, que a literalidade do artigo separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Parece ter assim andado o legislador buscando estar em sintonia com as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional (“CTN”), com o status de lei complementar que tem ao dar cumprimento às funções estipuladas pelo artigo 146 da Constituição Federal. Efetivamente, o CTN além de claramente separar a natureza jurídica dos tributos (invariavelmente decorrente de condutas lícitas, segundo o artigo 3ª) e das multas (penalidades pela prática de ilícitos, ou seja, sanções aplicadas quando da ocorrência de infrações ao sistema tributário), em seu artigo 161 coloca que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 621DF CARF MF 8 aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” O artigo 161 do CTN, destarte, desintegra as penalidades do crédito tributário para fins de aplicação dos juros. Afinal, caso quisesse que as penalidades estivessem abarcadas pela locução “crédito”, no início do dispositivo, não as teria destacado e dado tratamento diferenciado ao final do mesmo dispositivo legal. (...) Nesse sentido vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013; Acórdão 3402002.862, de 26 de janeiro 2016), porém ainda não consolidada. Assim, ao meu ver, é nesse sentido que deve ser interpretada a Súmula CARF n. 4,7 cujo teor impõe o reconhecimento como devida a SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. São sim devidos os juros SELIC, mas tão somente sobre os tributos no período de inadimplência, e não sobre eventuais multas de ofício cobradas no mesmo suporte documental (auto de infração). Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. (...)." Assim, como correto e conciso que é o voto vencedor apresentado, é possível utilizar as mesmas fundamentações legais na presente lide administrativa. Excepcionalmente com relação à alguns trechos do voto, que não foram reproduzidos acima, é que há alguma divergência de entendimento, visto que a Conselheira tratou de decisões judiciais que não são contrárias ao entendimento acima e também não são de aplicação obrigatória neste Conselho, porque não foram proferidas dentro da sistemática de recurso repetitivo. Talvez, na lide daquele caso em concreto as decisões judiciais constaram nas discussões, razão que justificaria a atenção dispensada. Com relação à não aplicação da Selic nos débitos em geral, que não as multas de ofício, não merece provimento a alegação do contribuinte, visto que é de aplicação obrigatória neste Conselho, conforme Súmula Carf n.º 04, transcrita a seguir: "Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, com principal fundamento nos Art. 113 e 142, determinando Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15868.720014/201262 Acórdão n.º 3201003.095 S3C2T1 Fl. 619 9 exclusivamente que os juros não sejam aplicados sobre as multas de ofício na liquidação do lançamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 623DF CARF MF 10 Voto Vencedor Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Fui designado para redação do voto vencedor nesta matéria, para a qual adoto as razões do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 910100539, abaixo reproduzido no que tange ao tema. “O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15868.720014/201262 Acórdão n.º 3201003.095 S3C2T1 Fl. 620 11 De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário 'é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).' A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida 'juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago'(§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, Fl. 625DF CARF MF 12 reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (…) No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15868.720014/201262 Acórdão n.º 3201003.095 S3C2T1 Fl. 621 13 DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Assim, voto pela incidência de juros sobre a multa de ofício. Marcelo Giovani Vieira, redator designado. Fl. 627DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.001067/00-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. NOVO ACÓRDÃO. CABIMENTO.
Verificado que houve lapso manifesto na formalização do acórdão, pelo relator, com transcrição de relatório de processo alheio (da mesma recorrente, do mesmo tema, julgado na mesma sessão, no qual o colegiado chegou unanimemente ao mesmo resultado), e erro na indicação do período e do número de processo, na folha de rosto, deve ser proferido novo acórdão, em sede de embargos, corrigindo os lapsos manifestos, e preservando o resultado do julgamento já registrado na ata da respectiva sessão, devolvendo-se os prazos processuais às partes.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA.
Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF no 19.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula no 4 deste egrégio Conselho.
Numero da decisão: 3401-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos inominados, para corrigir os lapsos manifestos detectados (erro na indicação do período e do número de processo, na folha de rosto, e transcrição de relatório de processo alheio - da recorrente, referente aos mesmos temas, julgado na mesma sessão, no qual o colegiado chegou unanimemente a idêntico resultado), e ratificar o provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no que se refere a aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à aplicação da Taxa SELIC, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida, preservando o resultado do julgamento já registrado na ata da respectiva sessão, de 23/10/2012, devolvendo-se os prazos processuais às partes.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. “NOVO ACÓRDÃO”. CABIMENTO. Verificado que houve lapso manifesto na formalização do acórdão, pelo relator, com transcrição de relatório de processo alheio (da mesma recorrente, do mesmo tema, julgado na mesma sessão, no qual o colegiado chegou unanimemente ao mesmo resultado), e erro na indicação do período e do número de processo, na folha de rosto, deve ser proferido “novo acórdão”, em sede de embargos, corrigindo os lapsos manifestos, e preservando o resultado do julgamento já registrado na ata da respectiva sessão, devolvendose os prazos processuais às partes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA. Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF no 19. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 10 67 /0 0- 79 Fl. 1716DF CARF MF 2 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula no 4 deste egrégio Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos inominados, para corrigir os lapsos manifestos detectados (erro na indicação do período e do número de processo, na folha de rosto, e transcrição de relatório de processo alheio da recorrente, referente aos mesmos temas, julgado na mesma sessão, no qual o colegiado chegou unanimemente a idêntico resultado), e ratificar o provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no que se refere a aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à aplicação da Taxa SELIC, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida, preservando o resultado do julgamento já registrado na ata da respectiva sessão, de 23/10/2012, devolvendose os prazos processuais às partes. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de crédito presumido relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fls. 498/499)1, efetuado em 2/6/2000, no valor de R$ 231.066,67, relativo ao primeiro trimestre de 2000, com fundamento na Portaria MF no 38/1997 (que disciplina o parágrafo único do artigo 3o e o artigo 6o da Lei no 9.363/1996). Na Informação Fiscal de fls. 572 a 577, narra a fiscalização que houve aquisição de matériasprimas de não contribuintes de PIS/COFINS, como cooperativas e pessoas físicas, operações não beneficiadas com crédito presumido, bem como outros gastos que não podem ser incluídos na base de cálculo do referido crédito (como energia elétrica, água e telefonia). Tal informação serviu de base para o Despacho Decisório de fls. 579 a 586, no qual é deferido parcialmente o direito de crédito, no valor de R$ 123.470,07, homologandose as compensações solicitadas na medida do montante reconhecido (em verdade, à fl. 621 atesta o fisco que após as compensações demandadas, ainda restou saldo a restituir, no valor de R$ 33.176,03). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 13811.001067/0079 Acórdão n.º 3401003.891 S3C4T1 Fl. 1.717 3 Ciente do despacho decisório em 26/05/2010 (AR à fl. 588), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 24/06/2010 (fls. 589 a 608), alegando, em síntese, que: (a) os insumos que foram computados no cálculo do crédito foram exatamente aqueles autorizados pela Lei no 9.363/1996, ou seja, as matérias primas, os produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica, água, combustíveis e lenha consumidos nos processos produtivos da empresa (produtos intermediários que, apesar de não integrados ao produto final, são consumidos ou utilizados no processo produtivo); (b) as glosas em relação a cooperativas e pessoas físicas são fundamentadas em instrução normativa (no 23/1997), e não na disposição legal que rege a matéria, não podendo a norma infralegal restringir o benefício instituído por lei, citando jurisprudência administrativa e judicial; e (c) devem incidir juros sobre o valor a ser ressarcido, à Taxa SELIC, também com menção a precedentes judiciais e administrativos. Em 11/05/2011, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 622 a 629), no qual a DRJ decide, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal (tratando a matriz legal de ressarcimento das referidas contribuições nas aquisições), não vinculando o julgador os precedentes citados na peça de defesa; (b) os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, aclarados no Parecer CST no 65/1979, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível (admitidos apenas no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001); e (c) inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Cientificada da decisão de piso em 10/10/2011 (AR à fl. 1000), a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 1001 a 1026), em 15/10/2011, basicamente reiterando as alegações de defesa externadas na manifestação de inconformidade. No CARF, o processo é sorteado ao Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte em 23/08/2012. Às fls. 1035 a 1043, juntase o Acórdão de Recurso Voluntário no 3401 002.013, de 23/10/2012, sob relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, proferido no processo administrativo no 13804.002600/200279, referente à empresa “CARGILL AGRÍCOLA S.A.”, tratando dos mesmos temas em discussão no presente contencioso, mas para o período de apuração de 01/07/2001 a 30/09/2001, tendo o colegiado, unanimemente, dado parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à incidência da Taxa SELIC a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida. Às fls. 1045 a 2015, consta recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional em relação ao Acórdão no 3401002.013 (exclusivamente no que se refere à acolhida da Taxa SELIC para correção), que, recordese, foi proferido no processo administrativo no 13804.002600/200279, juntado aos autos, provavelmente, por equívoco. E o recurso especial foi admitido pelo despacho de fls. 1070 a 1072, que fez incorreta menção ao presente processo. Tendo a empresa tomado ciência do citado Acórdão de Recurso Voluntário e do mencionado Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Procuradoria em 25/09/2015 (conforme termo de fl. 1079), apresentou, em 02/10/2015, reclamação (fls. 1081 a Fl. 1718DF CARF MF 4 1083) sobre a confusão efetuada entre as peças do processo administrativo no 13804.002600/200279 e do presente processo, demandando a nulidade da intimação, com devolução de prazos recursais, e o desentranhamento do Acórdão no 3401002.013, indevidamente inserido nestes autos. Tendo sido detectado o erro em 14/10/2015, o processo retorna ao CARF, para apreciação (fl. 1714). Por meio da Informação de fl. 1715, de 18/02/2016, o Presidente da 3ª Seção do CARF declara que o Acórdão no 3401002.013, o Recurso Especial da Fazenda e o respectivo despacho de admissibilidade são impertinentes ao presente processo, dizendo respeito ao processo administrativo no 13804.002600/200279. E que deveria a reclamação da empresa ser acolhida como embargos inominados, e deveria ser prolatado um novo acórdão, referente ao presente processo, com relatoria sorteada no âmbito da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, tendo em vista não mais pertencer o relator original ao colegiado. Em 23/06/2016 o processo foi a mim sorteado, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. E foi indicado para as pautas de fevereiro e março de 2017, mas não incluído, pelo presidente, em função do volume de processos a julgar. Em abril e maio de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os requisitos de admissibilidade dos embargos já foram apreciados na informação de fl. 1715, pelo que se passa a examinar a procedência da alegação suscitada nos embargos, e verificada no exame de admissibilidade. Quanto aos requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, cabe destacar que a peça de defesa foi interposta com atendimento aos requisitos regimentais. Da aparente existência erro na anexação de peças processuais Pelo que se percebe, preliminarmente, teria havido erro na anexação de peças processuais nos presentes autos, tendo sido juntadas ao processo peças que, em verdade, tratavam do processo administrativo no 13804.002600/200279 (o Acórdão no 3401002.013, o Recurso Especial da Fazenda em relação a tal acórdão, e o respectivo despacho de admissibilidade). Deveria, então, retomar o processo seu curso normal, distorcido pelas eventuais anexações indevidas. Cabe, no entanto, uma observação inicial sobre o Acórdão no 3401002.013, de 23/10/2012, que, como relatamos, trata exatamente dos mesmos temas albergados no presente processo, e também estava sob relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. A ementa do referido acórdão deixa cristalina a identidade de temas: Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 13811.001067/0079 Acórdão n.º 3401003.891 S3C4T1 Fl. 1.718 5 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF no 586, de 2010, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA. Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF no 19. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula no 4 deste egrégio Conselho.” Com base no período de apuração indicado na folha de rosto (01/07/2001 a 30/09/2001, diverso do tratado no presente processo, referente ao primeiro trimestre de 2000), concluiu o despacho de admissibilidade dos embargos (fl. 1715), ainda que ressalvasse no parágrafo seguinte que a análise efetuada foi perfunctória, que: Compulsando os autos, constatei que o acórdão anexado às fls. 1.035 a 1.043, efetivamente, refere o processo nº 13804.002600/200279 (ao passo que o presente processo leva o nº 13811.001067/0079). Não se trata de mero erro material ocorrido na formalização da decisão, pois o período de apuração referido no acórdão (3º T/2001) também não é condizente com o controvertido nos autos (1º T/2001). Portanto, ao menos sob essa análise perfunctória, o requerimento de fls. 1081 a 1083 deve ser recebido como embargos inominados...” Mas o aprofundamento da análise revela que o que de fato ocorreu não foi a juntada de peça processual indevida, mas erro na formalização do acórdão, pelo relator. Logo no início do relatório, no Acórdão no 3401002.013, percebese que o período indicado é ainda outro, o que torna mais confusa a questão (fl. 1036): “Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI protocolado pela contribuinte Cargill Agrícola, referente ao primeiro trimestre de 2000, no valor de R$ 10.501.749,54. Em 06.03.2009, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo deferiu parcialmente o Fl. 1720DF CARF MF 6 pleito da contribuinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 1.994.412,62 Quanto às glosas efetuadas pela fiscalização, a recorrente teria incluído, indevidamente, em suas planilhas de custo de produção de produtos exportados gastos com combustíveis, lubrificantes, energia elétrica, água, lenha e insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas).”(grifo nosso) Vejase que o relatório contradiz o período da folha de rosto, e o valor mencionado no relatório (R$ 10.501.749,54) é incompatível com o referente ao presente processo (R$ 231.066,67). Assim, a priori, apenas os temas seriam comuns. Para esgotar as razões do eventual equívoco, e em nome da verdade material, verifiquei a ata da sessão de 23/10/2012 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e percebi que foram, na ocasião, julgados seis processos com recorrentes de nome “CARGILL”, todos de relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, e todos com votação unânime, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito referente a aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à aplicação da Taxa SELIC, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida: (a) processo no 10850.001610/0074 (Acórdão no 3401002.012 – “CARGILL CITRUS LTDA”); (b) processo no 10850.001067/0079 (Acórdão no 3401002.013 – “CARGILL CACAU LTDA” – o presente processo); (c) processo no 13811.001716/9944 (Acórdão no 3401002.014 – “CARGILL CACAU LTDA”); (d) processo no 13811.002490/0012 (Acórdão no 3401 002.015 – “CARGILL CACAU LTDA”); (e) processo no 13804.002600/200279 (Acórdão no 3401002.016 – “CARGILL CACAU LTDA” – processo em relação ao qual o conselheiro relator juntou o voto a estes autos); e (f) processo no 13811.000421/200127 (Acórdão no 3401002.017 – “CARGILL CACAU LTDA”). Foram, assim, julgados, naquela sessão, seis processos, entre os quais o presente, chegando o colegiado, unanimemente, ao mesmo resultado, em todos. Reside o erro, assim, na formalização do Acórdão no 3401002.013, pelo conselheiro relator. Ainda com fulcro na verdade material, verifiquei o que ocorreu, no sistema e processos, com os autos do processo administrativo no 13804.002600/200279, percebendo que o Acórdão no 3401002.016, proferido naqueles autos, é idêntico ao Acórdão no 3401002.013, proferido no presente processo (a não ser pelo número do acórdão, que está correto em ambos os processos). As ementas e os resultados de julgamento de ambos são absolutamente idênticos. E, quando se vai ao relatório, a identidade (por certo, equivocada) é assustadoramente nítida logo ao início: Acórdão no 3401002.013 Processo aqui em apreciação (mas com indicação, na folha de rosto, de tratarse do processo no 13804.002600/200279) Acórdão no 3401002.016 Processo no 13804.002600/200279 “Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI protocolado pela contribuinte Cargill Agrícola, referente ao primeiro trimestre de 2000, no valor de R$ 10.501.749,54. Em 06.03.2009, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo “Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI protocolado pela contribuinte Cargill Agrícola, referente ao primeiro trimestre de 2000, no valor de R$ 10.501.749,54. Em 06.03.2009, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 13811.001067/0079 Acórdão n.º 3401003.891 S3C4T1 Fl. 1.719 7 deferiu parcialmente o pleito da contribuinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 1.994.412,62 Quanto às glosas efetuadas pela fiscalização, a recorrente teria incluído, indevidamente, em suas planilhas de custo de produção de produtos exportados gastos com combustíveis, lubrificantes, energia elétrica, água, lenha e insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas).” deferiu parcialmente o pleito da contribuinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 1.994.412,62 Quanto às glosas efetuadas pela fiscalização, a recorrente teria incluído, indevidamente, em suas planilhas de custo de produção de produtos exportados gastos com combustíveis, lubrificantes, energia elétrica, água, lenha e insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas).” Não versam, por óbvio, os processos, sobre o mesmo período e o mesmo valor. Lendose o relatório, em ambos os processos, percebese identidade total, do início ao final. E percebese, ainda, que o voto condutor, unanimemente acordado pela turma, em ambos os acórdãos, é totalmente idêntico, da primeira à última linha do texto. A conclusão é elementar: o relator apresentou a julgamento seis processos de teor jurídico idêntico (como é frequente neste colegiado, e agora até realçado regimentalmente mediante apreciação de recursos repetitivos – art. 49 do RICARF), embora de períodos e valores distintos, e o colegiado chegou ao mesmo resultado, unânime, em todos, como registrado em ata (aqui já mencionada). Mas, ao formalizar os Acórdãos, o relator, equivocadamente, anexou ao presente processo o relatório do processo no 13804.002600/2002 79, e informou, na folha de rosto, o número incorreto de processo, e o período de apuração incorreto. A incorreção no relatório resta absolutamente suprida pelo relatório que aqui inserimos, ao início. Assim, não paira qualquer mácula em relação a tal tema. No que se refere ao voto condutor unanimemente acolhido no seio do colegiado, como exposto, o teor é idêntico em ambos os processos, assim como nos outros quatro julgados na mesma data. Há que se acolher, então, os embargos inominados, para corrigir os lapsos manifestos na transcrição do relatório (aqui já supridos com o relatório, ao início), no período de apuração indicado (que deve ser “01/01/2000 a 31/03/2000”, ao invés de “01/07/2001 a 30/09/2001”), e no número de processo na folha de rosto (que deve ser no 13811.001067/0079, ao invés de no 13804.002600/200279). Do “novo acórdão” a ser proferido O RICARF, em seu artigo 66, caput, ao tratar de embargos inominados, dispõe que será proferido um “novo acórdão”: “Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.” (grifo nosso) Fl. 1722DF CARF MF 8 E foi exatamente nesse sentido o despacho do Presidente da 3ª Seção no exame de admissibilidade dos embargos (fl. 1715): “Portanto, ao menos sob essa análise perfunctória, o requerimento de fls. 1.081 a 1.083 deve ser recebido como embargos inominados, para correção dos erros, mediante a prolação de um novo acórdão, nos termos do art. 66 do RI CARF. Considerando que o relator do Acórdão não mais compõe o quadro de conselheiros do CARF, incluase o presente processo em lote de sorteio da 4ª Câmara.” (grifo nosso) Na análise do Presidente da Seção, por ele próprio reconhecida como perfunctória, não se buscou investigar a fundo, como aqui fizemos, para saber o que de fato ocasionou a peça aparentemente incorretamente anexada (se derivaria, v.g., de mera troca de peças ou de erro de transcrição). Ademais, tratavase de admissibilidade monocrática de embargos inominados, agora submetidos à apreciação soberana do colegiado. E, tendo o colegiado verificado que, de fato, o que ocorreu não foi a anexação de peça referente a outro processo, mas do Acórdão registrado em ata como referente a este processo, julgado na sessão de 23/10/2012 (com erro na folha de rosto – na indicação do número do processo e do período analisado – e na transcrição do relatório). Naquela ocasião, ficou registrado o resultado do julgamento como parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à incidência da Taxa SELIC a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida. Veja se o registro em Ata, disponível no sítio eletrônico do CARF: “Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo: 138110010670079 Recorrente: CARGILL CACAU LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 3401002.013 Informações Adicionais: Por unanimidade, deuse parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à incidência da selic, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte” Não entendemos que se possa, aqui, simplesmente ignorar o resultado do julgamento já efetuado e registrado em ata, pelo simples fato de o relator ter cometido erro na formalização do acórdão. Assim, quando trato, a seguir, de um “novo acórdão”, na verdade estou a respeitar o resultado do julgamento, já proferido, registrado em ata e jamais alterado, a não ser pelo presente acórdão de embargos (que passa a constituir, efetivamente, o “novo acórdão” a que se refere o artigo 66 do RICARF), que objetiva a correção exclusivamente em relação aos lapsos manifestos aqui detectados. Uma reanálise de mérito, além de atentar contra a segurança Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 13811.001067/0079 Acórdão n.º 3401003.891 S3C4T1 Fl. 1.720 9 jurídica, desafiaria a decisão soberana já tomada pelo colegiado, unanimemente, e registrada em ata. Por isso, passase, a seguir, a transcrever o voto do relator original, unanimemente acolhido pelo colegiado no Acórdão no 3401002.013, fazendose breves comentários, que não implicam reapreciação de mérito, ao final de cada item. Ademais, não se crê ser plausível entender que a turma julgou as matérias do mesmo modo em outros cinco processos idênticos, da recorrente, na mesma sessão, como registrado em ata, com o mesmo resultado, e somente nesse se possa agora, reiterese, sem nulidade do primeiro julgamento, reapreciar, no mérito, as questões já julgadas. Das aquisições de pessoas físicas e cooperativas Sobre tal matéria, assim dispôs o voto condutor unanimemente acolhido pelo colegiado, no julgamento efetuado em 23/10/2012, não só no presente processo, mas nos outros, da recorrente, com idêntica discussão jurídica, julgados na mesma sessão: “No que toca à glosa dos créditos presumidos como ressarcimento das contribuições relativas às aquisições de pessoas físicas, os artigos 1º e 2º da Lei nº 9.363/96 dispõem que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do IPI, como forma de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Sendo que a base de cálculo do crédito presumido será determinada sobre o valor total das aquisições, conforme artigos que transcrevo abaixo: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” Fl. 1724DF CARF MF 10 Entretanto o art. 2º, § 2º, da IN SRF nº 23/97 delimitou a utilização do crédito presumido, instituído pela Lei nº 9.363/96, somente em relação às aquisições, efetuadas de pessoa jurídicas, sujeitas às contribuições de PIS/PASEP e Cofins, conforme abaixo reproduzo: Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Entretanto é importante ressaltar que reconhecendo a jurisprudência do Egrégio STJ, proclamando que a IN SRF nº 23/97 extrapolou a regra prevista no art. lº da Lei nº. 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as referidas aquisições, como constam as elucidativas ementas, a seguir transcritas: "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO REMESSA EX OFFICIO: ABRANGÊNCIA CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 LEGALIDADE (...) 4. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 5. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 6. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 7.Precedente da Segunda Turma no REsp 586.392/RN. 8. Recurso especial provido em parte." (cf. Acórdão da 2ª Turma do STJ no REsp nº. 529.758SC, Reg. nº. 2003/00726199, em sessão de 13/12/2005, rel. Min Eliana Calmon, publ. in DJU de 20/02/2006 p. (268)). Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 13811.001067/0079 Acórdão n.º 3401003.891 S3C4T1 Fl. 1.721 11 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE. 1. A Lei n. 9.363/96 instituidora de crédito presumido do IPI não distinguiu entre os fornecedores as pessoas físicas e jurídicas, não podendo a IN 23/97, da SRF, implantar tal distinção, estabelecendo que o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/Pasep e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas.2. Recurso especial improvido (Acórdão da 2ª Turma do STJ no REsp nº. 627.941CE, Reg. nº. 2003/02193428, em sessão de 15/02/2007, rel. Min João Otávio de Noronha , publ. in DJU de 07/03/2007 p)” No mesmo sentido vem decidindo a CSRF, como se pode ver da seguinte ementa: (grifamos) “I CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n°. 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n°9.363/96). A lei citada referese a 'valor total' e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nº. 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n°9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN n°. 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art.. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. (..) Recurso especial provido parcialmente." (cf. Acórdão CSRF/0201.416 da 2ª Turma da CSRF, no Recurso nº. 115.731, Processo nº 10980.015233/9941, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 08/09/2003)” Levando em conta o art. 62A do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, que dispõe o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 1726DF CARF MF 12 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Portanto o direito ao crédito de IPI está restrita apenas as aquisições feitas de pessoa jurídica, sujeita a contribuição de PIS e Cofins. Se o insumo for fornecido por pessoa jurídica não sujeita ao PIS/Pasep e Cofins, ou diretamente por pessoa física, não há direito ao crédito presumido destes insumos. Conclui que a IN nº. 23/97 não extrapolou a regra prevista pelo art. 1º da Lei nº. 9.363/96.” Após essa exposição, parece não haver dúvida de que há que se reconhecer o crédito presumido, proveniente de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Tal voto, fundamentado, faz menção ao Código de Processo Civil e ao Regimento Interno do CARF então vigentes. Ambos os diplomas hoje estão revogados, mas sem que se tenha operado alteração nos conteúdos dos dispositivos citados. Por isso, foram mantidas, na ementa do acórdão, apenas menções ao regimento e ao código, sem números, preservando, no mais, todo o texto original, em nome da segurança jurídica. Dos gastos com energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha Da mesma forma que no tópico anterior, passase a reproduzir o voto condutor unanimemente acolhido pelo colegiado, no julgamento efetuado em 23/10/2012, não só no presente processo, mas nos outros, da recorrente, com idêntica discussão jurídica, julgados na mesma sessão: Quanto à alegação dos créditos referentes aos gastos com energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha, em outras palavras insumos que não se alteram em função de ação exercida sobre a fabricação do produto, a legislação dispõe, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº. 9.363/96, o qual segue abaixo: (grifamos) “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” O Decreto nº 2.637/98, vigente a época dos fatos, corrobora com a idéia de que é necessário, para contabilização do crédito, que a matériaprima, produto intermediário ou material de Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 13811.001067/0079 Acórdão n.º 3401003.891 S3C4T1 Fl. 1.722 13 embalagem deve ser utilizado no processo produtivo, mesmo não integrando o novo produto, conforme art. 147, inc. I do RIPI/98, que abaixo transcrevo: (grifos nossos) Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Portanto, verificase que insumo, para gerar o direito ao crédito de IPI, deve ser consumido no processo de industrialização não precisando necessariamente integrarse ao novo produto. Entretanto, a contribuinte não comprovou de que forma estes produtos se integram ao produto. Não obstante, em relação aos valores referentes ao óleo diesel e à eletricidade a Súmula CARF nº 19 dispõe: (grifos nossos) “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Outrossim, a telefonia não pode ser contemplada pelo conceito insumo, nem que seja feita uma interpretação mais ampla deste conceito, carecendo também de força legal para o seu crédito. Portanto, são corretas as glosas efetuadas a respeito de energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha. Novamente, tendo a matéria já sido julgada, preservase aqui o entendimento externado, à época, pelo colegiado, em nome da segurança jurídica. Da aplicação da Taxa SELIC Como nos itens anteriores, reproduzse, a seguir, o texto do voto condutor unanimemente acolhido pelo colegiado, no julgamento efetuado em 23/10/2012, não só no presente processo, mas nos outros, da recorrente, com idêntica discussão jurídica, julgados na mesma sessão: Finalmente, quanto a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins de ressarcimento de débitos tributários, trata de matéria que já se encontra pacificada neste Tribunal Fl. 1728DF CARF MF 14 Administrativo, conforme ementas abaixo reproduzidas: (grifamos) “RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu indeferimento constitui ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) (Acórdão nº 9303002.020, da 3ª Turma do CSRF, no recurso nº 132.107, Processo: 10665.000086/0093, Rel. Júlio César Alves Ramos, em sessão de 14 de junho de 2012)” “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, inclusive na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. As aquisições de energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais não compõem a receita de exportação para efeito de apuração do crédito presumido de IPI. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic. (Acórdão nº 3403001.527, da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Processo: 10783.901514/200833, Rel. Luduína Maria Alves Macambira, em sessão de 21 de março de 2012)” “CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSIBILIDADE. A Lei n. 9.363/1996 permite a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes a aquisições de insumos para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação, independentemente de o fornecedor ser pessoa física (produtor rural) ou cooperativa. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de receita de exportação estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei nº 9.363(1996. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. O crédito referente a ressarcimento sujeitase a atualização monetária (Taxa SELIC), a partir Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 13811.001067/0079 Acórdão n.º 3401003.891 S3C4T1 Fl. 1.723 15 do pedido, até a data de sua efetiva utilização. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos.(Acórdão nº 3403001.738, da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Processo: 13807.006966/200459, Rel. Rosaldo Trevisan, em sessão de 22 de agosto de 2012)” Portanto, verificase que o crédito referente a ressarcimento sujeitase a atualização monetária da taxa Selic. Também aqui, tendo a matéria já sido julgada, preservase o entendimento externado, à época, pelo colegiado, em nome da segurança jurídica. Das considerações finais O “novo acórdão” aqui proferido, com teor idêntico ao anterior, nos temas para os quais não foi detectado lapso manifesto, mas corrigido no que se refere aos lapsos manifestos evidenciados (erro na indicação do período e do número de processo, na folha de rosto, e transcrição de relatório de processo alheio da recorrente, referente aos mesmos temas, julgado na mesma sessão, no qual o colegiado chegou unanimemente a idêntico resultado), deve ser cientificado tanto à Fazenda quanto à contribuinte, tal qual o foi o Acórdão no 3401 002.013, de 23/10/2012. Isso porque só agora se tem, inequivocamente, um resultado de julgamento para o recurso voluntário apresentado. Com tal observação, acolhese o pedido da recorrente, na peça recebida pelo Presidente da Seção como embargos inominados, na qual a esta demanda “nulidade da intimação” referente à ciência do teor do Acórdão no 3401002.013, e à ciência do despacho de admissibilidade do recurso especial (fl. 1081): Fl. 1730DF CARF MF 16 Portanto, a empresa e a Fazenda Nacional devem ser cientificadas a respeito deste “novo acórdão”, reabrindose os prazos processuais, como demanda a recorrente à fl. 1083 (item “c”): Em função do aqui exposto, relativizase o pedido da recorrente de desentranhamento do Acórdão no 3401002.013, de 23/10/2012 (item “b” da mesma fl. 1083, Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 13811.001067/0079 Acórdão n.º 3401003.891 S3C4T1 Fl. 1.724 17 aqui transcrito), visto que não se entendeu, neste voto, com fundamento na verdade material e na segurança jurídica, que houve anexação indevida de peça processual, mas apenas lapsos manifestos na peça processual anexada (transcrição de relatório de processo alheio, e erro na indicação do período e do número de processo, na folha de rosto). Pelo exposto, voto por acolher os embargos inominados, para corrigir os lapsos manifestos detectados (erro na indicação do período e do número de processo, na folha de rosto, e transcrição de relatório de processo alheio da recorrente, referente aos mesmos temas, julgado na mesma sessão, no qual o colegiado chegou unanimemente a idêntico resultado), e ratificar o provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no que se refere a aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à aplicação da Taxa SELIC, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida, preservando o resultado do julgamento já registrado na ata da respectiva sessão, de 23/10/2012, devolvendo se os prazos processuais às partes. Rosaldo Trevisan Fl. 1732DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.723333/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/05/2012, 29/08/2012
IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVA.
Certificado nos autos pela própria auditora fiscal o termo inicial para contagem de prazo e, considerando existir duas intimações para o mesmo ato, analisa-se a tempestividade levando-se em conta a data da última intimação.
Acórdão de Primeira Instância Anulado.
Numero da decisão: 3302-004.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular o acórdão de primeira instância, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que conhecia o recurso voluntário parcialmente e, na parte conhecida, rejeitava a preliminar de tempestividade da impugnação. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/05/2012, 29/08/2012 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVA. Certificado nos autos pela própria auditora fiscal o termo inicial para contagem de prazo e, considerando existir duas intimações para o mesmo ato, analisase a tempestividade levandose em conta a data da última intimação. Acórdão de Primeira Instância Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular o acórdão de primeira instância, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que conhecia o recurso voluntário parcialmente e, na parte conhecida, rejeitava a preliminar de tempestividade da impugnação. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 33 33 /2 01 3- 12 Fl. 2726DF CARF MF 2 Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: O Auto de Infração Tratase de processo de crédito tributário lançado através de auto de infração, lavrado contra a empresa SHIRE FARMACÊUTICA BRASIL LTDA.., CNPJ 07.898.671/000160, doravante denominada autuada, no valor R$ 2.113.336,42 (Dois milhões, cento e treze mil e trezentos e trinta e seis reais e quarenta e dois centavos). O auto foi aplicado devido à fiscalização da RFB ter constatado a infração de falsificação de documentos apresentados quando da apresentação dos despachos de importação referente às declarações de importação 12/09425922 e 12/16014380, infração considerada Dano ao Erário, de acordo com o expresso no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, cominada com a pena de perdimento das mercadorias, conforme o §1º do mencionado diploma legal. Todavia, em virtude da impossibilidade de apreensão das mercadorias suscetíveis da aplicação da pena de perdimento uma vez que as mercadorias foram revendidas a terceiros, conforme declaração da real adquirente, seguindo o que determina o parágrafo 3º, do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76, aplicouse a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. 1. Procedimento Fiscal A autuada registrou junto à Inspetoria da Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo as declarações de importação 12/09425922 e 12/16014380, que foram parametrizadas para o canal cinza de conferência aduaneira. em função de indícios de burla ao limite de importações definido para a modalidade de habilitação simplificada pequena monta (US$ 150.000,00 CIF), mediante a prestação de informações falsas na ficha de câmbio das Declarações de Importação Mencionadas. A partir da parametrização para o canal cinza, a fiscalização abriu os procedimentos especial de fiscalização, através do TERMO DE RETENÇÃO E INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO Nº 028/2012 (D.I. 12/09425922) e Nº 098/2012 ( DI 12/1601438). Estando retidas pela RFB, em procedimento especial de fiscalização, as mercadorias das declarações de importação mencionadas, foram desembaraçadas por força de liminares concedidas nos Mandados de Segurança 0005925 11.2012.403.6119 e 0009310 64.2012.403.6119, cujo objeto da Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.727 3 ação que demandou a decisão, era tão somente a liberação das mercadorias (medicamentos). 2. Da Fiscalização Conforme mencionado no auto de infração, a fiscalização sobre a autuada iniciouse devido a suspeita de que a mesma apresentava informação falsa na ficha câmbio da declaração de importação, informando que as importações por ela realizada eram sem cobertura cambial, quando na realidade não eram. O motivo para esse procedimento da autuada, seria o fato dela não ter conseguido se habilitar no siscomex na modalidade ordinária, estando à época dos fatos habilitada a operar na modalidade simplificada de pequena monta, o que a impediria de importar volumes de mercadoria que superassem U$ 150.000. A fiscalização foi feita sobre as importações dos produtos Acetato de Icatabanto , Venvanse, VPRIV e ELAPRASE. 2.1. Importações de Icatabanto e Venvanse Segundo consta no auto de infração, com o decorrer da fiscalização, a suspeita de que eram falsas as informações de que as importações dessas mercadorias socorriam sem cobertura cambial, veio a ficar mais forte com base nos seguintes fatos: das 54 DIS registradas no período de 2010 a 2012, apenas 5 foram declaradas com cobertura cambial; na declaração de importação DI 10/13442557 que marca o início das declarações sem cobertura cambial, foram registradas duas adições com o mesmo produto (Acetato de Icatabanto e Venvanse), sendo a primeira pouco abaixo do limite admitido para empresas habilitadas na modalidade Simplificada de pequena monta .no valor de (US$ 144.485,00) registrada com cobertura cambial e a segunda bem acima do limite (US$ 273.076) registrada sem cobertura cambial; a escrituração contábil da autuada, comum nos registros observados pela fiscalização, que lançou os valores das importações que segundo ela seriam feitas sem cobertura cambial, numa conta patrimonial do passivo que representa a formalização de uma obrigação, o que segundo a fiscalização contradiz a ausência de cobertura cambial informada na DI em questão, pois tal registro evidencia que, em algum momento, o fornecedor estrangeiro deveria receber pela mercadoria exportada; alteração do comportamento da autuada a partir de outubro de 2012, após obter registro na modalidade ordinária de habilitação ao Siscomex, passando a registrar todas as declarações com cobertura cambial; Fl. 2728DF CARF MF 4 dados que constam de notas fiscais, onde observase que os produtos Acetato de Icatabanto e Venvanse diferentemente do que ocorre com outros produtos importados sem cobertura cambial, são comercializados no mercado interno com lucro para empresas do comércio e não instituições como Universidades e Hospitais. lançamentos contábeis referentes às mercadorias mencionadas, que fazem referência a uma CARTA DE CRÉDITO – SHIRE IRLANDA HFM0208, que segundo a fiscalização formalizaria uma obrigação, e seria mais uma prova contrária à autuada. Desta forma, as importações de Venvanse não seriam doações do exportador estrangeiro, mas sim vendas a prazo, sendo então obrigatório para a autuada ter informado tal condição em suas declarações de importação, o que não fez. o endividamento da autuada aumentou substancialmente após a empresa ter adotado o procedimento de importação sem cobertura cambial, conforme mostrado no balancete da empresa, conforme consta na conta Contas a Pagar INTERCOMPANY e Empréstimos INTERCOMPANY, para os exercícios de 2010, 2011. 2.1.1 Modus Operandi da Autuada O modus Operandi da Autuada segundo a fiscalização, encontrase devidamente explicado no trecho do auto de infração transcrito na seqüência. Então, por todo o exposto até aqui, podese traçar o seguinte modus operandi da SHIRE: em 2010, após constatar que não seria possível registrar integralmente com cobertura cambial a DI 10/13442557, uma vez que o valor total das mercadorias ultrapassaria o limite de US$ 150.000,00 para importações previsto na modalidade de habilitação SIMPLIFICADA PEQUENA MONTA, a SHIRE registrou a adição 2 daquela declaração informando “outras importações sem cobertura cambial”. Deste modo iniciouse à burla ao controle previsto na IN SRF 650/06. Parte das mercadorias normalmente negociadas pela autuada, com base nos elementos presentes neste auto de infração, efetivamente não seriam objeto de pagamento ao exterior, notadamente os produtos ELAPRASE e VPRIV. Por outro lado, os produtos VENVANSE e ACETATO DE ICATABANTO são importados a título oneroso, sendo duas as possibilidades para pagamento ao exportador estrangeiro (que, por sinal, é vinculado ao importador): ou a utilização de métodos alheios ao sistema financeiro/ simulações mais complexas, ou, o mais provável conforme as provas levantadas, a contratação de financiamentos de longo prazo com a SHIRE no exterior, dissimulados na forma de “doações”. 2.2. Importações de VPRIV e ELAPRASE Consta do auto de infração que em relação a esses produtos parece que a informação de que os mesmos foram importados sem cobertura cambial, é verdadeira com base nos seguintes fatos: Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.728 5 vendas no mercado interno para instituições “não comerciais”, com a descrição da natureza da operação e CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) condizentes com uma doação do exportador estrangeiro: 2.3. Importações de outros produtos segundo a fiscalização, foi observado que a importação referente à DI 11/08398768, declarada como com cobertura cambial, datada de 09 de maio de 2011, até 07/08/2012 não havia sido paga, sendo o fechamento de câmbio somente efetuado em 22/08/2012, após os questionamentos da RFB. Observese que o prazo informado na D.I. para pagamento foi de 30 dias e que não foram observados financiamentos com prazo superior a 360 dias, que se existissem deveriam estar vinculados no ROF nos termos da Circular BACEN 2731/1996. O fato do pagamento ter sido realizado após o prazo do contrato de câmbio, segundo a fiscalização seria evidência de que a autuada teria uma outra forma de transferir recursos para o exterior que não o oficial. 3. Provas Específicas Faz parte do auto de infração uma análise pormenorizada das mercadorias importadas através das declarações de importação 12/16014380 e 12/09425922, sobre as quais foi lançado o crédito do auto de infração, onde consta a documentação que amparou o despacho de importação, assim como todo o fluxo da mercadoria importada, desde a entrada no estabelecimento até a saída para os diversos compradores. Ainda é abordado também os aspectos contábeis referentes a estas importações. Da análise da documentação das duas declarações de importação foram observados os seguintes aspectos: incongruências entre as notas fiscais de venda dos produtos Venvanse e Icatabanto, quando comparadas com as notas fiscais que realmente abarcaram produtos sem cobertura cambial doados pelo fornecedor estrangeiro (ELAPRASE e VPRIV); para as notas de saida dos produtos Venvanse e Itacatabanto, a autuada informou na Nfe como natureza de operação “VENDAS PROD SUJ ST”, enquanto para os produtos sem cobertura cambial (ELAPRASE e VPRIV) a autuada informou como natureza da operação “REM DOAÇÃO.” informou condição de pagamento a prazo (incoerente com a suposta doação do exterior). houve margem de lucro e diversidade de clientes do ramo farmacêutico, diferentemente de outros casos envolvendo ELAPRASE (importado sem cobertura cambial). 3.1. Aspectos Relacionados à a D.I. 12/09425922 Fl. 2730DF CARF MF 6 Para esta importação, observouse uma Nota de Crédito, com as seguintes informações termos de pagamento em 60 dias da nota de crédito; informe da conta bancária onde deveria ser o pagamento Informações na própria declaração de importação e na fatura comercial. finalidade da importação: revenda, que confrontaria com as informações previstas na fatura que informa importação sem cobertura cambial. Segundo a fiscalização, tais informações são fortes indicativos de realização de um pagamento devido à importação das mercadorias relacionadas na a D.I. 12/09425922. 4. Outros indícios Mais um elemento indiciário que a fiscalização apresentou no auto de infração, contrário à autuada, advém da sua negativa em apresentar as faturas de aquisição das mercadorias no exterior, solicitadas pela fiscalização. Ocorre que o fabricante declarado na DI em tela não foi a SHIRE LLC, mas sim uma terceira empresa, denominada PATHEON PHARMACEUTICALS INC. Segundo a fiscalização, o fato da mercadoria ser fabricada por terceiros, torna questionável a doação, uma vez que os medicamento doados foram comprados pela SHIRE LLC para depois, graciosamente, serem repassados à sua filial no Brasil. 5. Ciência do Auto de Infração Do auto de infração a autuada tomou ciência em 09/05/2013 e apresentou impugnação em 14/06/2013. Sobre a ciência da autuada, constam as seguintes informações no auto de infração: 5.1. Ciência eletrônica Conforme consta da fl. 2064 a ciência do Auto de infração se deu em 09/05/2013, por via eletrônica, nos termos do artigo do Decreto 70235/1972, com redação dada pela Lei 11.196/2005. O Comprovante de ciência é transcrito na seqüência: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10814.723333/201312 INTERESSADO: SHIRE FARMACEUTICA BRASIL LTDA. DESTINATÁRIO: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 24/04/2013 Fl. 2731DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.729 7 Data da ciência por decurso de prazo: 09/05/2013 Ficha de Identificação Auto de Infração Declarações Pj Outras DI nº 12/09425922 Declarações Pj Outras DI nº 12/16014380 Termo Outros Termo de Retenção nº 028/2012 (........) 5.2. Abertura do Documento Segundo consta no PAF em análise, fl. 2072 a abertura do documento eletrônico, e o conhecimento do teor do auto de infração por via eletrônica se deu em 16/05/2013. Segue transcrição do Termo de Abertura de arquivo eletrônico referente ao Auto de Infração. PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10814.723333/201312 INTERESSADO: SHIRE FARMACEUTICA BRASIL LTDA. TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 16/05/2013 16:31h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Ficha de Identificação Auto de Infração Declarações Pj Outras DI nº 12/09425922 Declarações Pj Outras DI nº 12/16014380 Termo Outros Termo de Retenção nº 028/2012 Documentos Diversos Outros Petição SHIRE recebida em 11/06/2012 Termo de Intimação Fiscal Número 128/2012 (.......) 5.3. Reconhecimento de Tempestividade da Unidade Preparadora No despacho de encaminhamento da fl. 2448 a Unidade Preparadora reconhece a tempestividade da impugnação com base na data de abertura do documento eletrônico que se deu em 16/05/2013. Segue cópia do referido despacho. PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10814.723333/201312 Fl. 2732DF CARF MF 8 INTERESSADO: SHIRE FARMACEUTICA BRASIL LTDA. DESTINO: GABSAPEAALFGRUSP Receber processo triagem DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo em vista o encaminhamento da intimação 160/2013, que determinou o prazo de 10 dias para que o interessado tomasse ciência do presente processo, entendemos que, não obstante a ciência eletrônica por decurso de prazo de fl. 2064, em 09/05/2013, o termo de abertura de documento, de fl. 2071, pugnase como a verdadeira ciência do sujeito passivo, sendo sua data, portanto, 16/05/2013.Dessa forma, s.m.j., a impugnação apresentada em 14/06/2013, de fl. 2074, fora apresentada tempestivamente. Atenciosamente. DATA DE EMISSÃO : 21/06/2013 (...........) 6. A Impugnação A autuada inicia sua defesa com as alegações Preliminares, onde pleiteia a nulidade do auto de infração com base nas seguintes alegações: 6.1. Presunção da Fiscalização Sobre o tema alega que: a existência de cobertura cambial, nas importações referentes às declarações de importação 12/09425922 e 12/16014380 tratase de mera presunção da fiscalização, uma vez que não foram apresentadas provas cabais que provam o fato; no caso não há prova que foram transferidas divisas para o pagamento das referidas importações para o exterior, como se exige para uma importação com cobertura cambial; a presunção decorreu da constatação feita pela fiscalização na escrituração contábil da autuada, escrituração esta que foi feita de forma equivocada, e na existência de uma nota de crédito, que foi emitida pelo exportador no exterior; as premissas utilizadas para a presunção, se quer são aplicáveis à declaração de Importação no 12/1601438, para a qual a autuada não cometeu nenhum equívoco na contabilização da operação, e não existe nota de crédito; não se justifica sancionar a autuada somente pela falta de usualidade da operação por ela realizada, se a mesma é legal; as presunções por ela mencionada e aquelas que a fiscalização utilizou para levantar um suposto modus operandi não são aceitáveis, e os tribunais judiciais são unânimes no sentido de que a presunção não pode ser aceita como meio de prova de acusação, sobretudo nas discussões envolvendo a aplicação da pena de perdimento; após verificar todos os extratos bancários dos anos 2011 e 2012, foram observados somente uma operação de contrato de Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.730 9 câmbio, referente à declaração de importação a DI 11/0839876 8, que não se relaciona com as declarações referentes ao auto de infração impugnando; da forma como foi feita, a exigência fiscal contém vícios que compromete sua validade, prejudicando sobremaneira a defesa da requerente, garantida pelos princípios do contraditório e ampla defesa. 6.2. A necessidade de efetiva prática de infração para o lançamento fiscal Neste segundo conjunto de alegações preliminares a autuada faz as seguintes colocações: as autoridades administrativas apenas tem competência para lavrar o Auto de Infração quando puderem verificar a ocorrência de uma infração; sanção ou penalidade deve ter como antecedente um ato ilícito, a infração, o descumprimento de obrigação de determinada lei; sobre a falsidade documental, no caso do packing list, observa que tal documento não tem nenhum valor jurídico, e qualquer irregularidade no seu conteúdo não encontra amparo legal para fundamentar a aplicação de uma penalidade à autuada; que ao lavrar o auto de infração em apreço, a fiscalização conflitou com diversos princípios que norteiam os atos administrativos, dentre eles o da legalidade. Terminadas as questões preliminares a autuada, analisa o mérito do auto de infração, no item que segue. 6.3. Motivos Determinantes do Cancelamento da Exigência Sobre o tema a autuada inicia suas alegações, mencionando a fragilidade do auto de infração lavrado, e que o referido modus operandi relatado no auto de infração nada tem haver com as declarações de importação 12/09425922 e 12/16014380. Menciona que a tese da fiscalização de que as importações seriam onerosas e foram declaradas sem cobertura cambial para driblar a modalidade de habilitação simplificada, não pode prosperar, tendose em vista que: a autuada não havia optado por se habilitar na modalidade simplificada do Siscomex, com o alegado intuito de ser dispensada da apresentação de diversos documentos conforme mencionado no auto de infração; na época do registro das declarações de importação 12/09425922 e 12/16014380; a autuada vinha requerendo a sua habilitação na modalidade ordinária do sistema Siscomex, contudo no andamento da habilitação foram encontradas dificuldades frente a imensa burocracia e entraves para sua habilitação; Fl. 2734DF CARF MF 10 dada a dificuldade na obtenção da modalidade ordinária no Siscomex e não por mera opção, a autuada utilizava sua habilitação simplificada; assim. sua controladora no exterior, abria mão de receber qualquer pagamento pelos medicamentos exportados para ela, autuada, não paralisar suas atividades no Brasil. A autuada afirma que com base nas alegações anteriores, a interpretação da fiscalização de que ela teria importado com cobertura cambial e informado no Siscomex tratarse de importação sem cobertura cambial, tornase sem sentido, tendo se em vista o disposto no parágrafo 3o do artigo 2o da IN SRF 650/2006, que o importador de pequena monta possa realizar independentemente do valor, importações sem cobertura cambial. Desta forma em função do princípio da legalidade, a operação da autuada é permitida, uma vez que está prevista em lei. Após mencionar as questões referentes à habilitação, a autuada também argumenta, sobre o que a fiscalização entendeu como seu endividamento em relação à matriz. Sobre o tema, a autuada menciona que o seu alegado endividamento na realidade, decorreria de diversas operações realizadas entre empresas do mesmo grupo econômico, que não guardam qualquer relação com as operações de importação objeto do auto de infração, que foram realizadas muito anterior a tais operações de importação. 6.4. A Inaplicapilidade da Pena de Perdimento em relação a DI no 12/09425922 A autuada menciona que no caso a exigência fiscal tem por base legal, dispositivo que não se subsume às alegadas infrações cometidas por ela, em clara afronta aos princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade cerrada. Isto porque a luz dos dispositivos legais artigo 105 Inciso IV do Decreto no 37/66 são pressupostos para o reconhecimento da infração: (i) que seja apresentado documento falsificado ou adulterado e (ii) este documento seja necessário ao embarque e desembarque da mercadoria importada. Que no tocante às declarações de importação arroladas no auto de infração, a autoridade fiscal não apresentou provas dos pressupostos exigidos, o que inviabiliza a aplicação da pena prevista no referido artigo 105. Alega ainda em relação ao parágrafo anterior, também não pode ser considerada a falsa assinatura aposta no packing list da DI 12/09425922. Neste documento que não esta entre os relacionados no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro, que discrimina os documentos necessários ao despacho aduaneiro, foi feita pelo agente de cargas. Desta forma tendose em vista a insignificância jurídica do packing list, não se pode falar em falsidade documental, o que torna mais evidente a ausência de tipicidade legal para a aplicação da pena de perdimento. 6.5. O equívoco contábil da requerente Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.731 11 Sobre o tema alega que: a nota de crédito referente a importação 12/09425922 , que comprovaria a relação jurídica entre ela e a Shire Pharmaceutical Ireland Ltd, foi emitida pela Shire Ireland, tão somente para sanar, corrigir um equívoco cometido pela autuada quando da contabilização da operação objeto da D.I. em questão, visando desta forma evidenciar a falta de expectativa da Shire Ireland de receber quaisquer valores em relação a esta operação; desta forma não se pode considerar que algo que não seja um passivo possa ser considerado como tal, apenas pelo fato de ter sido equivocadamente contabilizado. O tratamento contábil conferido é irrelevante para fins tributários, prevalecendo sempre o tratamento jurídico conferido às operações realizadas. Sobre o tema alega que usualmente no comércio exterior, uma nota de crédito expressa uma expectativa de não receber pagamento de forma integral ou apenas parte dele, devido a motivos como defeitos ou falta da mercadoria importada; os trechos da carta de crédito que dariam conotação comercial são trechos impressos que constam do modelo padrão da nota de crédito no presente caso.Contudo tais trechos em hipótese alguma comprovam a existência de uma alegada cobertura cambial para esta operação; Dito isto a autuada conclui que a afirmação da fiscalização de que “ se existe uma obrigação consubstanciada em uma nota de crédito, logo, em algum momento, haverá um pagamento” é totalmente infundada; 6.6. A ausência de má fé da Requerente e o erro do Agente Consolidador da Carga. Sobre o tema a autuada alega que: a assinatura aposta no packing list se deu sem responsabilidade da requerente e sem má fé do agente desconsolidador da carga contratado, e desta forma não pode as mercadorias referentes às declarações de importação estarem sujeitas a pena de perdimento devido a erro de terceiros. pelo fato do documento ser falsificado por terceiro não cabe a ela a pena de perdimento, e fundamenta esta alegação em decisões de diversos tribunais que fundamentamse no Artio 5o XLV da Constituição Federal de 1988 e no Artigo 29 do Código Penal. 6.7. A violação ao Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT 1947) O referido acordo menciona para documentos como packing list, os membros signatários do acordo, não poderão aplicar penalidades severas como a pena de perdimento. Desta forma Fl. 2736DF CARF MF 12 não foi respeitado o referido acordo, a uma norma do Direito Internacional. Nesse sentido, também o artigo 98 do Código Tributário Nacional e o artigo 5o , parágafo 2o da CF/88 foram violados, eis que determinam a necessidade de observância dos tratados internacionais pela legislação tributária interna, também em decorrência do respeito do GATT 6.8. Não fundamentação do Auto de Infração para a D.I. 12/1601438 Que em relação não se aplicam os elementos que fundamentaram a aplicação do auto de infração 12/09425932. Na DI 12/1601438 a requerente não cometeu qualquer equívoco quando da contabilização da referida operação, pois não recebeu qualquer nota de crédito do proprietário da mercadoria importada. 6.9. Ausência de Dano ao Erário Não houve dano ao erário, pois a fiscalização por intermédio da lavratura do auto de infração aqui combatido, não exigiu quaisquer valores a título de tributo.Cita o artigo 736 do Regulamento Aduaneiro, segundo o qual não havendo dano ao erário, há a possibilidade do Ministro da Fazenda relevar a pena de perdimento. 6.10. Proporcionalidade Alega ainda flagrante desproporcionalidade entre a pena aplicada e a suposta infração, que impõe pena economicamente equivalente a inúmeras vezes o valor do suposto dano ao erário que sequer foi demonstrado. Que o princípio da proporcionalidade da pena, assim como o da razoabilidade tem aplicação referendada tanto na esfera administrativa , como também no poder judiciário. Ao final da impugnação, concluí a autuada que tudo que consta do auto de infração, como a descrição do modus operandi e outros aspectos apontados decorrem de presunção, motivo pelo qual solicitou a nulidade do auto de infração. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2540/2554), em que, por unanimidade de votos, a impugnação não foi conhecida e o crédito tributário integralmente mantido, com base nas razões de decidir resumidas no enunciado da ementa que segue transcrito: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 23/05/2012 e 29/08/2012 Ementa: Processo administrativo fiscal. Intempestividade. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do auto de infração, apresentar impugnação contra o lançamento tributário. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida. Eventual petição, apresentada fora do prazo, Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.732 13 não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar da impugnação, de acordo com o disposto no Ato Declaratório Normativo SRF COSIT n.º 15, de 12/07/96, e Artigos 15 e 21 do Decreto n.º 70.235/72. Nos termos do parágrafo 2º Inciso III a do Artigo 23 do Decreto 70235/1972, vigente em maio de 2013, a ciência dada por meio eletrônico tinha seu início previsto no prazo de 15 dias contados do registro da ciência. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Em 21/6/2014, a recorrente foi cientificada, por decurso de prazo, da referida decisão (fl. 2565). Inconformada, em 10/7/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 2566/2664, em que reprisou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento às alegações apresentas na peça impugnatória, em sede de preliminar, a recorrente alegou que era patente a tempestividade da impugnação apresentada em 14/6/2013 (sextafeira), uma vez que fora intimada do presente auto de infração em 16/5/2013 (quintafeira), baseada nos seguintes argumentos: a) em 6/5/2013, fora intimada a comparecer, no prazo de 10 dias, às dependências da Alfândega da Receita Federal do Brasil em Guarulhos, para tomar ciência da presente autuação; b) em 16/5/2013, dentro do referido prazo, o representante legal da recorrente compareceu ao referido órgão, oportunidade em que fora informado pelo AuditorFiscal autor do feito, que a referida ciência darseia por meio eletrônico; c) em 16/5/2013, também dentro do prazo de 10 dias, o representante legal acessara o Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) da recorrente e tomara ciência do auto de infração, dandose assim início, a partir de 17/5/2013, à contagem do prazo de 30 dias, para a apresentação da impugnação, o qual expirara em 17/6/2013 (segundafeira); e d) a própria unidade preparadora da RFB, em decisão devidamente fundamentada, reconhecera e pugnara pela tempestividade da referida impugnação. Ainda em relação à tempestividade da impugnação colacionada aos autos, a recorrente alegou que: 1) em havendo intimações sucessivas do contribuinte, deverseia analisar a questão da tempestividade da impugnação levandose em consideração a data da última intimação; 2) o presente caso, no máximo, suscitaria dúvidas a respeito da tempestividade da mpugnação e, diante de uma dúvida razoável, deveria ser aplicado o princípio in dúbio pro contribuinte, previsto no artigo 112 do Código Tributário Nacional (CTN); Fl. 2738DF CARF MF 14 3) a eventual declaração de intempestividade causada por dúvida suscitada pela própria RFB, a respeito da data ciência do auto de infração, representaria clara afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa (previstos no artigo 2o da Lei 9.784/1999 e no artigo 5o, LV, da CF/88), além de violar também o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo federal; 4) no caso, a decisão mais acertada, à luz do princípio da verdade real/material, era que fosse tomado conhecimento da impugnação e discutido o mérito da presente autuação; 5) a autoridade preparadora era quem tinha a incumbência de examinar o cumprimento do prazo de impugnação, inclusive a competência declarar a revelia do contribuinte, nos termos dos arts. 15 e 21 do Decreto 70.235/1972 e arts. 241 e 243 do Regimento Interno da RFB. Logo, a competência para a verificação da tempestividade da impugnação era da autoridade preparadora e não da DRJ. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado, mas será conhecido parcialmente, pelas razões a seguir expostas. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972 este Conselho toma conhecimento somente de decisão de primeira instância em que, após instaurada a fase litigiosa do processo, o órgão julgador tenha tomado conhecimento e proferido decisão sobre questões preliminares e de mérito ou somente sobre questões preliminares. No presente caso, o órgão julgador de primeiro grau não tomou conhecimento da impugnação apresentada pela autuada, sob o fundamento de que ela fora apresentada fora do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Segundo o referido julgado, como a ciência do auto de infração, por decurso do prazo de 15 (quinze) dias, ocorreu no dia 9/5/2013, o trintídio para a entrega da impugnação encerrouse no dia 10/6/2013, porém, a impugnação fora apresentada somente em 14/6/2013, quando já expirado o referido prazo. Logo, devido ao fato de ser intempestiva a impugnação apresentada e, em decorrência, não ter sido instaurada a fase litigiosa, decidiu o colegiado julgador a quo não tomar conhecimento da impugnação e manter o crédito tributário exigido. No recurso em apreço, a recorrente contesta essa decisão, baseada na alegação de que, ao contrário do que entendera o citado órgão julgador, a impugnação era tempestiva, uma vez que fora intimada do presente auto de infração em 16/5/2013 (quinta feira) e protocolara a referida impugnação em 14/6/2013 (sextafeira). O dissenso cingese ao termo inicial de contagem do prazo em comento. Para o julgador de primeiro grau, a contagem do referido prazo teve início no dia 10/5/2013, dia seguinte ao decurso do prazo de 15 (quinze) dias, contado da data de registro no comprovante de entrega no DTE da recorrente. Enquanto que, para a recorrente, o referido prazo teve início no dia 17/5/2013, dia seguinte em que o seu representante legal acessara o DTE da recorrente. Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.733 15 O entendimento do colegiado julgador foi baseado no disposto no art. 23, III, “a” e seu § 2º, III, “a”, do Decreto 70.235/1972, na época vigentes, e que tinha a seguinte redação dada pela Lei 11.196/2005, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2º Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente fundamentou o seu entendimento baseada nos seguintes argumentos: a) em 6/5/2013, fora intimada a comparecer, no prazo de 10 dias, às dependências da Alfândega da Receita Federal do Brasil em Guarulhos, para tomar ciência da presente autuação; b) em 16/5/2013, dentro do referido prazo, o representante legal da recorrente compareceu ao referido órgão, oportunidade em que fora informado pelo Auditor Fiscal autor do feito, que a referida ciência seria efetivada por meio eletrônico; c) em 16/5/2013, também dentro do prazo de 10 dias, o representante legal acessara o DTE da recorrente e tomara ciência do auto de infração, dandose assim início, a partir de 17/5/2013, à contagem do prazo de 30 (trinta) dias, que expirara em 17/6/2013 (segundafeira), portanto, antes da apresentação da impugnação, que ocorrera em 14/6/2013 (sextafeira). Ora, se a recorrente fora informada, em 16/5/2013, pelo AuditorFiscal autor do feito, que a ciência do auto de infração seria efetivada por meio eletrônico, portanto, quando ainda em curso o prazo de impugnação, cabialhe observar os critérios atinentes à ciência por meio eletrônico, estabelecido nos preceitos legais anteriormente transcritos. Assim, uma vez que fora informada, bem antes de expirado o prazo de impugnação, de que a ciência darseia por meio eletrônico e não pessoalmente, como consignado na intimação de fl. 2063, verificase que a única ciência válida do auto de infração, ocorreu em 9/5/2013, por decurso prazo de disponibilização na Caixa Postal eletrônica da recorrente, conforme “TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO”, reproduzido no Fl. 2740DF CARF MF 16 relatório do acórdão recorrido (fl. 2545). No referido relatório, também encontrase reproduzido o “TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO” (fl. 2546), no qual consta a informação de que a recorrente tomou conhecimento do auto de infração na data de 16/5/2013. Nas referidas datas, nos termos do art. 23, III, “a” e seu § 2º, III, “a”, do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei 11.196/2005, a ciência eletrônica era realizada, exclusivamente, por decurso do prazo. Dessa forma, se na época não havia previsão para ciência mediante consulta aos arquivos postados na Caixa Postal eletrônica, obviamente, não existiu a ciência na data da abertura dos arquivos, conforme alegou a recorrente. Cabe ressaltar que, somente a partir de 19 de julho 2013, com a nova redação do art. 23, § 2º, III, “a”, do Decreto 70.235/1972, dada pela Lei 12.844/2013, passou a ser prevista a intimação eletrônica mediante consulta ou abertura da Caixa Postal eletrônica, porém, se esta ocorrer antes de realizada a intimação por decurso de prazo. Com a nova redação, o citado preceito legal passou ter o seguinte teor, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: [...] § 2º Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) [...] (grifos não originais) De toda sorte, ainda que vigente a nova redação em destaque, a intimação por consulta à Caixa Postal eletrônica também não teria se consumado, haja vista que, no caso em tela, a abertura dos correspondentes arquivos ocorreu após a ciência por decurso de prazo. Assim, se a única intimação válida, comprovada nos autos, foi a realizada no dia 9/5/2013, por decurso de prazo, resta demonstrado que a citada impugnação fora apresentada extemporânea e, em decorrência, não houve a instauração da fase litigiosa do processo. Logo, ao não tomar conhecimento da peça impugnatória, o colegiado julgador de primeiro grau decidiu com acerto. Dessa forma, uma vez demonstrado que, no caso em tela, não houve intimações sucessivas, conforme alegou a recorrente, porque, se não inexistiu uma segunda intimação, obviamente, revelase de todo despicienda a análise da tempestividade da impugnação, tendo como referencial a data da ciência da suposta intimação não efetivada nos presentes autos. Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.734 17 Pela mesma razão, também não merece acolhida a alegação da recorrente de que, no caso de existência de dúvidas a respeito da tempestividade da impugnação, por força do princípio in dúbio pro contribuinte, previsto no artigo 112 do CTN, a interpretação deveria ser favorável à intimada. Ademais, o referido preceito legal não se aplica ao caso em apreço. Ele trata de dúvida quanto à interpretação de dispositivo legal que define infração ou comina penalidade tributária, enquanto que a controvérsia em questão diz respeito a pressuposto de admissibilidade de peça defensiva do contribuinte, matéria de índole estritamente processual. A recorrente ainda alegou que eventual declaração de intempestividade, causada por dúvida suscitada pela própria RFB, a respeito da data da ciência do auto de infração, representaria clara afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa (previstos no artigo 2o da Lei 9.784/1999 e no artigo 5o, LV, da CF/88), além de violar também o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo federal. No caso, se inicialmente houve dúvida quanto a forma de intimação, em tempo hábil, inequivocamente, ela foi dissipada, pois, conforme asseverado pela própria recorrente, na data de 16/5/2013, ou seja, bem antes do vencimento do prazo de impugnação, informou a recorrente que o seu representante legal compareceu à sede da unidade preparadora da RFB, para tomar ciência do auto infração, quando foi informado pela autoridade fiscal autora do feito que a intimação seria feita por meio eletrônico e não pessoalmente. Também não restou caracterizada a alegada afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa (previstos no artigo 2o da Lei 9.784/1999 e no artigo 5o, LV, da CF/88) e tampouco violação ao princípio da verdade material. Com efeito, no presente caso, o contraditório e a ampla defesa não foram plenamente exercidos, porque a recorrente apresentou impugnação fora do prazo legal. Logo, a não instauração da fase litigiosa do processo foi causada por ato praticado extemporaneamente pela da própria recorrente. E por se tratar de prazo peremptório, estabelecido em preceito legal vigente, este Colegiado não pode relevar ou desconsiderar o descumprimento do prazo de impugnação, por expressa vedação determinada no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e no art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. E se não foi instaurada a fase litigiosa, por conseguinte, resta impossibilitada a violação ao princípio da verdade material, que ocorre somente nas circunstância em que a análise da prova é possível, o que prescinde da regular instauração do litígio. Enfim, não procede a alegação de que era da autoridade preparadora a incumbência de examinar o cumprimento do prazo de impugnação, inclusive a competência para declarar a revelia do contribuinte, nos termos dos arts. 15 e 21 do Decreto 70.235/1972 e arts. 241 e 243 do Regimento Interno da RFB; e que a DRJ não tinha competência para a verificação da tempestividade da impugnação. Mais uma vez, sem razão a recorrente. Os referidos preceitos legais e regimentais tratam de competência para lavratura de termo de revelia, porém, por se tratar de pressuposto de admissibilidade da impugnação, o requisito da tempestividade será analisado pelo colegiado julgador da DRJ, que tem competência sim para decidir a respeito, em sede de preliminar, conforme expressamente assegurado pelo art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre Fl. 2742DF CARF MF 18 o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) No caso, como a tempestividade da apresentação da peça impugnatória foi suscitada pela autoridade preparadora, por meio do despacho de fl. 2448, o colegiado julgador a quo, induvidosamente, tinha competência para, em sede de preliminar, decidir sobre a referida questão. Com base nas razões anteriormente expostas, restou demonstrado que a peça impugnatória foi apresentada fora do prazo legal e, em decorrência, não foi instaurada a fase litigiosa do procedimento, logo, não se toma conhecimento das demais questões suscitadas na peça recursal. Por todo o exposto, votase por tomar conhecimento da preliminar de tempestividade da peça impugnatória, porém, rejeitála, e não tomar conhecimento das demais questões preliminar e de mérito suscitadas no recurso voluntário, em razão da não instauração da fase litigiosa do processo. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Walker Araújo, Redator Designado. Peço vênia para discordar da decisão proferida pela i. Relator, com base nos fundamentos a seguir expostos. Analisando os autos, constatase à fl. 2.604 o Termo de Ciência por Decurso de Prazo cientificando a Recorrente de diversos documentos, dentre eles o Auto de Infração de fls.0297, lavrado pela Auditora Fiscal Lucelia Guedes Guimaraes e, com os seguintes dizeres: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 24/04/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 09/05/2013 Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 10814.723333/201312 Acórdão n.º 3302004.721 S3C3T2 Fl. 2.735 19 Do se extraí do referido termo, é que o início do prazo para apresentar impugnação será o primeiro dia útil ao término do prazo de 15 (quinze) dias em que os documentos foram disponibilizados na caixa postal do contribuinte, caso não haja acesso aos documentos antes do referido prazo. Nestes termos, temos que o início do prazo para apresentar impugnação se deu 10.05.2013, encerrandose o prazo de 30 (trinta) dias em 10.06.2013, portanto, intempestiva a defesa apresentada pela Recorrente em 14.06.2013. Entretanto, em total prejuízo ao procedimento realizado através do Termo de Ciência Por Decurso de Prazo anteriormente citado, a Auditora Fiscal intimou a Recorrente em 06.05.2013 para tomar ciência do processo administrativo nos seguintes termos (vide Intimação 160/2013 fls. 2.063): Fica o autuado, acima identificado, na pessoa de seu responsável legal ou procurador, INTIMADO a comparecer nas dependências desta Alfândega, no endereço abaixo discriminado, para ciência do processo administrativo em epígrafe, no prazo de 10 (dez) dias contados do recebimento da presente. Esclareço que, para ciência, deverá ser apresentada documentação legal comprobatória da representatividade ou procuração e que o atendimento é de segunda a sextafeira, no horário das 14h às 16h. A Recorrente, por sua vez, teve ciência em 16.05.2013 dos documentos relacionados no Termo de Abertura de Documento, dentre eles o Auto de Infração (fls.2.072), iniciandose, aqui, nova contagem de prazo para apresentar defesa. Este fato, foi certificado pela própria Auditora Fiscal Lucelia Guedes Guimarães às fls.2.448 que, inclusive, atestou que o prazo para apresentar impugnação teve início a partir da segunda intimação, senão vejamos: Tendo em vista o encaminhamento da intimação 160/2013, que determinou o prazo de 10 dias para que o interessado tomasse ciência do presente processo, entendemos que, não obstante a ciência eletrônica por decurso de prazo de fl. 2064, em 09/05/2013, o termo de abertura de documento, de fl. 2071, pugnase como a verdadeira ciência do sujeito passivo, sendo sua data, portanto, 16/05/2013.Dessa forma, s.m.j., a impugnação apresentada em 14/06/2013, de fl. 2074, fora apresentada tempestivamente. Diante deste cenário, considerando que (i) houve duas intimações para o mesmo ato; e (ii) a própria auditora fiscal que lavrou o Auto de Infração certificou que a intimação que deve ser considerada para fins de contagem de prazo é aquela realizada em 16.05.2013; entendo que a primeira intimação não deve produzir efeito, devendo, no presente caso, levarse em conta a data da última intimação. Outro não é o entendimento deste Tribunal: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA. Demonstrado que o contribuinte Fl. 2744DF CARF MF 20 incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início. Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança. (acórdão 2403002.808) *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2007, 2008, 2009 ANÁLISE DE TEMPESTIVIDADE. MAIS DE UMA DATA DE INTIMAÇÃO CONSTANTE DOS AUTOS. PRESUNÇÃO DE BOAFÉ DO CONTRIBUINTE. Tendo em vista que há, nos autos, duas datas de intimação do acórdão recorrido, não se pode vislumbrar a máfé por parte do contribuinte, pois este pode ter sido induzido a erro pelo termo de ciência por decurso de prazo emitido pelo sistema eletrônico. Com efeito, a confiabilidade das informações prestadas por meio eletrônico é essencial à preservação da boafé e da confiança do contribuinte, bem como à observância dos princípios da eficiência da Administração e da segurança jurídica. (acórdão 2201003.676) Por todo exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dou lhe provimento para anular a decisão de primeira instância, devendo, a impugnação ofertada pela Recorrente ser devidamente analisada pela DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado Fl. 2745DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.720863/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2004
CSLL. PARCELA REDUTORA. AJUSTE ANUAL.
Não comprovado pelo contribuinte qualquer recolhimento de CSLL durante o ano calendário, embora informado em DIPJ como parcela redutora do saldo de CSLL apurado no ajuste anual, correto o lançamento tributário efetuado de ofício para exigir a diferença indevidamente declarada.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2004
NULIDADE. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA. DISPENSA MPF.
Em procedimentos de revisão interna das declarações de rendimentos é dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ASPECTO FORMAL.
As nulidades que viciam a autuação, em seu aspecto formal, estão previstas no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Os documentos que embasam o lançamento tributário fazem parte do processo administrativo fiscal do qual o contribuinte tem amplo acesso após lavrado o Auto de Infração e no prazo estipulado em lei para apresentar a impugnação, em consonância aos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
NULIDADE. ILÍCITO TRIBUTÁRIO. NORMA LEGAL.
Constatado nos autos que o lançamento tributário está perfeitamente descrito e em conformidade com as normas de regência, irreparável a autuação.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. AÇÃO JUDICIAL.
É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. (Súmula nº 50/Carf)
INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS TRIBUTÁRIAS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:)
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano calendário:2004
MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS.
PENALIDADE.
O contribuinte que opta pela apuração do lucro real, anual, mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeita-se à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente.
MULTA DE OFÍCIO. REGULAR. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO/ DECLARAÇÃO INEXATA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É cabível a aplicação de multa regular incidente sobre a falta/diferença de tributo, irregularidade apurada nos procedimentos realizados de ofício.
Numero da decisão: 1801-000.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:2004 CSLL. PARCELA REDUTORA. AJUSTE ANUAL. Não comprovado pelo contribuinte qualquer recolhimento de CSLL durante o ano calendário, embora informado em DIPJ como parcela redutora do saldo de CSLL apurado no ajuste anual, correto o lançamento tributário efetuado de ofício para exigir a diferença indevidamente declarada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2004 NULIDADE. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA. DISPENSA MPF. Em procedimentos de revisão interna das declarações de rendimentos é dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ASPECTO FORMAL. As nulidades que viciam a autuação, em seu aspecto formal, estão previstas no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Os documentos que embasam o lançamento tributário fazem parte do processo administrativo fiscal do qual o contribuinte tem amplo acesso após lavrado o Auto de Infração e no prazo estipulado em lei para apresentar a impugnação, em consonância aos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE. ILÍCITO TRIBUTÁRIO. NORMA LEGAL. Constatado nos autos que o lançamento tributário está perfeitamente descrito e em conformidade com as normas de regência, irreparável a autuação. ACRÉSCIMOS LEGAIS. AÇÃO JUDICIAL. É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. (Súmula nº 50/Carf) INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS TRIBUTÁRIAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário:2004 MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. PENALIDADE. O contribuinte que opta pela apuração do lucro real, anual, mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeita-se à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente. MULTA DE OFÍCIO. REGULAR. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO/ DECLARAÇÃO INEXATA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multa regular incidente sobre a falta/diferença de tributo, irregularidade apurada nos procedimentos realizados de ofício.
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PARCELA REDUTORA. AJUSTE ANUAL. Não comprovado pelo contribuinte qualquer recolhimento de CSLL durante o anocalendário, embora informado em DIPJ como parcela redutora do saldo de CSLL apurado no ajuste anual, correto o lançamento tributário efetuado de ofício para exigir a diferença indevidamente declarada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NULIDADE. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA. DISPENSA MPF. Em procedimentos de revisão interna das declarações de rendimentos é dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ASPECTO FORMAL. As nulidades que viciam a autuação, em seu aspecto formal, estão previstas no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Os documentos que embasam o lançamento tributário fazem parte do processo administrativo fiscal do qual o contribuinte tem amplo acesso após lavrado o Auto de Infração e no prazo estipulado em lei para apresentar a impugnação, em consonância aos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE. ILÍCITO TRIBUTÁRIO. NORMA LEGAL. Constatado nos autos que o lançamento tributário está perfeitamente descrito e em conformidade com as normas de regência, irreparável a autuação. ACRÉSCIMOS LEGAIS. AÇÃO JUDICIAL. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. (Súmula nº 50/Carf) INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS TRIBUTÁRIAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. PENALIDADE. O contribuinte que opta pela apuração do lucro real, anual, mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeitase à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente. MULTA DE OFÍCIO. REGULAR. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO/DECLARAÇÃO INEXATA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multa regular incidente sobre a falta/diferença de tributo, irregularidade apurada nos procedimentos realizados de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Primeiramente cumpre esclarecer que este processo é conexo ao processo nº 10665.720862/200777 julgado nesta mesma sessão. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 221 3 Naquele a autuação foi devida à falta de recolhimento da CSLL relativa ao anocalendáro de 2004, apurada no ajuste anual pela própria contribuinte e informada na DIPJ/05 – R$ 51.986,36, enquanto neste procedimento fiscal houve glosa de um valor informado como estimativa recolhida durante o ano que abateu, indevidamente, o valor da CSLL anual, na importância de R$ 8.155,02, sendo glosado pela fiscalização que constou ser um valor não recolhido, nem compatível com as estimativas informadas pela contribuinte na própria DIPJ para os meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004 – Ficha 17, Linha 43, da DIPJ/05 – fls. 70, vº. Também ensejou a presente autuação, além da glosa do valor de R$ 8.155,02, revertida na exigência da CSLL, complementar, relativa ao anocalendário de 2004, a constatação pela fiscalização de que a empresa não recolheu nenhuma das estimativas informadas na DIPJ, no meses acima assinalados, o que enseja a exigência das multas isoladas preceituadas no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, com alterações posteriores (50% sobre os valores que deixaram de ser recolhidos a título de estimativas mensais) Tudo conforme minuciosamente explicitado no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal acostados às fls. 02 a 11. Ambos procedimentos fiscais decorreram de trabalho de malha fiscal – revisão interna das DIPJ entregues pelos contribuintes. Inconformada com a autuação a empresa impugnou o feito fiscal – fls. 105 a 161. Aproveito, por oportuno, o relatório do Acórdão nº 0220.767/09, exarado pela Terceira Turma da DRJ em Belo Horizonte para resumir as razões de contestação: IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Tendo sido notificada pessoalmente do lançamento em 14.11.2007, em 10.12.2007 a autuada apresentou a impugnação juntada a folhas 94 a 151. Resumem o seu conteúdo os enunciados seguintes. Ausência de instauração do mandado de procedimento fiscal • Não foi observada pelo agente administrativo a obrigatoriedade de prévia instauração do mandado de procedimento fiscal. • Com a edição da Portaria SRF n° 1.265, de 1999, os procedimentos fiscais relacionados a tributos ou contribuições administradas pela Receita Federal passaram a ser necessariamente instaurados por intermédio de determinação especifica contida em mandado de procedimento fiscal lavrado pela autoridade competente. Essa portaria foi sucessivamente substituída e hoje está em vigor a Portaria SRF n° 6.087, de 2005. • Uma característica importante da nova sistemática é a previsão de ciência e controle do trabalho da autoridade fiscal pelo próprio contribuinte. Assim, o MPF conterá obrigatoriamente numeração de identificação de controle, dados identificadores do sujeito passivo, nome e matricula do AFRF responsável por sua execução, bem como nome, matricula e assinatura da autoridade outorgante e código de acesso à Internet que permite ao sujeito passivo identificar o MPF, entre outros requisitos. • Ao não instaurar o MPF, o agente descumpre o artigo 4° da Portaria SRF n° 6.087, de 2005. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 • 0 MPF é ato administrativo que permite aos auditores fiscais a instauração do procedimento fiscal. Tal natureza é afirmada pelo artigo 2° da Portaria RFB n° 4.066. Ao não proceder à instauração do MPF, o agente pratica ato não vinculado a essa norma, contrariando as normas do processo tributário administrativo. • 0 ato administrativo deve ser realizado nos exatos termos da lei. Ilustrase o argumento com a citação de diversas passagens doutrinárias. • Ao se omitir em fundamentar sua decisão em lei que determina uma certa conduta, a Receita Federal fere o principio da legalidade previsto no artigo 37 da Constituição Federal, que constitui um dos dogmas constitucionais. • Em nível infraconstitucional, o despacho decisório contraria as normas regulamentadoras do processo administrativo federal, nomeadamente o artigo 2°, inciso I, da Lei n° 9.784, de 1999. Nulidade em virtude de não ter sido entregue a documentação comprobatória do lançamento • A documentação que serviu de suporte para a constituição do crédito tributário não foi anexada ao auto de infração quando uma cópia desta foi entregue ao contribuinte, ou seja, de forma estranha não foram colocadas à disposição do contribuinte as cópias que estão anexas ao processo. Indagase o motivo que levou o agente fiscal a não aplicar esse direito do contribuinte previsto no ordenamento jurídico. • Houve infringência do Código de Defesa do Contribuinte de Minas Gerais, previsto na Lei n° 13.515, de 2000, artigo 2°, III, artigo 4°, incisos VII e XIV, e artigo 12, III. • Esse fato não só dificulta a defesa, na medida em que o contribuinte não consegue localizar documento que sustenta determinada afirmação fiscal, como também deixa margem para dúvidas e incertezas com relação A lista de documentos e suas especificações. • 0 Decreto n° 70.235, de 1972, artigo 9°, determina a obrigatoriedade de instruir o lançamento com toda a documentação que serviu de base para sua fundamentação legal. No conteúdo dessa norma, salientamos o verbo deverão, que determina conduta obrigatória a ser seguida pelo agente fiscal. Isso é uma prescrição, ou seja, deve haver a instrução dessas peças comprobatórias no auto de infração por ocasião da citação do contribuinte. Em abono do argumento, recorrese a citações doutrinárias. • No auto de infração não houve observância das formalidades procedimentais, que consistem num pressuposto ,da estrutura do ato administrativo. A norma geral e abstrata, o Decreto n° 70.235, de 1972, determina que o crédito tributário deve obrigatoriamente ser instruído com todos os elementos de prova. Pressupostos do ato administrativo são requisitos extrínsecos obrigatórios para a formação do ato administrativo. Dessa forma esse requisito extrínseco deveria ser observado pelo agente administrativo. • 0 Estado não demonstrou razão alguma (caso fortuito ou força maior) para não apresentar a documentação que deveria ser anexada. • 0 momento processual descrito no tipo tributário para a apresentação de provas deve ocorrer por ocasião da lavratura e entrega do auto de infração ao contribuinte, que obrigatoriamente deve conter toda a documentação que lhe serviu de suporte. No momento em que o contribuinte recebe o auto de infração para Fl. 271DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 222 5 apresentação da defesa, possuirá o conhecimento das provas, o qual é imprescindível para construção do raciocínio jurídico na apresentação da defesa administrativa. • 0 motivo do fisco para não entregar a documentação juntamente com o auto de infração é dificultar o raciocínio da defesa administrativa. • Concluise que o agente fiscal não procedeu à aplicação do disposto no artigo 9° do Decreto n° 70.235, de 1972. Nesse sentido, estamos diante de erro formal, um defeito no processo de enunciação da construção do crédito tributário. • Dessa forma, o estado restringiu o direito à ampla defesa e ao contraditório (artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal). Assim, essa abstenção causa a nulidade do auto de infração. Erro de subsunção do fato à norma • Ao fundamentar a infração do item 1 do auto de infração, o autuante invoca o artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988. Essa norma possui parágrafos e incisos. Cabe, assim, questionar em quais parágrafos e incisos a fiscalização efetuou a fundamentação. Logo, não houve a fundamentação da norma geral e abstrata da conduta do contribuinte. • Da mesma forma, o artigo 28 da Lei n° 9.430, de 1996, também citado pelo autuante, é norma que remete a interpretação a várias outras disposições. • Também fundamenta no artigo 37 da Lei n° 10.637, de 2002, somente o valor correspondente A aliquota da CSLL, e não a conduta do contribuinte. • Se a tipificação da conduta do contribuinte fosse devidamente especificada na lei, com incisos e parágrafos, a defesa adotaria critérios e linhas de raciocínios diferentes. • Exemplificadamente, a lei que regula o procedimento para que a declaração de compensação seja considerada não declarada, e sujeito os valores compensados à multa isolada, possui várias disposições, que devem ser devidamente relatadas. Ilustrase o argumento com a citação de ementas atribuídas ao Conselho de Contribuintes. • 0 lançamento tributário deve ser realizado nos exatos termos da lei. Se está descrito no antecedente da norma geral e abstrata que, se ocorrido determinado evento, deve ser a aplicação de determinada lei que obriga a correta composição do critério pessoal do consequente normativo, concluise que não há razão de discricionariedade do agente produtor da norma individual e concreta. • Concluise ainda que houve erro de direito da autoridade administrativa quanto à ausência de fundamentação legal. • Paulo de Barros Carvalho demonstra que, não satisfeitos todos os requisitos da norma, toda a relação jurídica fica comprometida. Ele dispõe ainda que ha um equivoco na interpretação de normas, na correlação lógica entre elas, ou seja, entre a norma individual e a concreta construída na constituição do crédito tributário e a norma geral e abstrata. • Citamse passagens doutrinárias de outros autores, para concluir que existe a obrigatoriedade do respeito ao principio da vinculabilidade A lei da atividade administrativa fiscal. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Ausência de fundamentação e a infringência do principio da legalidade • Por afronta ao principio da legalidade, pela inexistência de fundamento jurídico necessário para lhe dar o devido fundamento legal, o erro de direito cometido na autuação acarreta a nulidade desta. • 0 caput do artigo 37 da Constituição Federal de 1988 (CF) determina, como um dos princípios da administração pública e atributo necessário do ato administrativo, o respeito ao principio da legalidade. • A CF e o próprio CTN estabelecem que os tributos devem ser exigidos na forma da lei, sem a qual será inconstitucional e ilegal a ‘sua cobrança, assim como ser a atividade administrativa do lançamento vinculada às previsões legais. • Citando passagens doutrinárias e exemplos de decisões administrativas, concluise que um dos elementos necessários do lançamento tributário é a motivação, pela descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito que lhe serviram de fundamento. A falta desses motivos resulta na prática de ato administrativo imotivado e, por isso, inquinado de nulidade insanável. Ausência de motivação e ofensa ao principio da motivação dos atos administrativos • Do erro de direito ocorrido no auto de infração resulta a nulidade desse ato administrativo por falta de motivação. Em se tratando de ato administrativo vinculado, a necessidade de motivação é universalmente reconhecida. • 0 Superior Tribunal de Justiça confirma o entendimento de que a falta de motivação é razão de nulidade do ato administrativo, conforme comprova decisão transcrita na impugnação. • É requerida a nulidade do auto de infração, em razão da ausência de fundamentação, visto que o principio constitucional da ampla defesa e do contraditório foi retirado do contribuinte, e que ele não sabe do que esta sendo acusado, ou seja, não há descrição na norma da conduta alegada pela fiscalização. Ilegalidade da cobrança por não ser permitida a compensação integral de base negativa • Não foi observado que a empresa dispunha de base de cálculo negativa em relação à CSLL, conforme alega o próprio fisco no auto de infração constante do processo n° 10665.001026/200790. • Não obstante não ter concedido a compensação até o limite de 30%, é legal a conduta do contribuinte e a compensação do valor total correspondente. • O Conselho de Contribuintes, recentemente, decidiu que a empresa, quando incorporada, pode aproveitar todos os prejuízos fiscais no seu balanço de encerramento. Portanto, há flagrante inconstitucionalidade na limitação de 30%, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995 — é tributação do patrimônio, como se renda fosse. • As limitações de 30% do lucro liquido contida nos artigos 42 e 48 da Lei n° 8.981, de 1992, e repetidas nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 1995, não podem subsistir, por contrariarem frontalmente os conceitos de renda e de lucro, utilizados pela CF na delimitação de competência tributária, e também os princípios da capacidade contributiva, da isonomia tributária, da vedação ao confisco, do direito adquirido, entre outros, uma vez que impõem uma tributação sobre resultados que nada acrescem ao patrimônio dos contribuintes, mas tão somente recompõem perdas anteriores. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 223 7 • Não ha falar em IRPJ nem CSLL sobre o lucro, sem que primeiramente se deduza integralmente o saldo acumulado de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL. Até que esses tenham sido totalmente absorvidos pelo resultado positivo apurado não ocorrerá a incidência do artigo 43 do CTN e da Lei n° 7.689, de 1988, por não se terem verificado no mundo real as situações hipotéticas descritas em seus respectivos antecedentes. Ilustrase o argumento com a citação de ementas atribuídas ao Tribunal Regional Federal da 3' Região. • A dedução integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas são imprescindíveis para a correta apuração das bases de calculo do IRPJ e da CSLL e não pode sofrer nenhuma restrição. • A limitação em 30% feriu ainda o direito adquirido da impetrante à dedução do prejuízo fiscal e da base negativa apurados até 1994, na medida em que estes foram apurados antes da edição das leis em causa. Esse direito é protegido pela CF, artigo 5°, inciso XXXVI. • Assemelhamse a verdadeiros empréstimos compulsórios disfarçados, instituídos em que fossem observadas nenhuma das condições constitucionalmente estabelecidas para tanto. • Portanto, é requerida a possibilidade de compensar valor equivalente a 100% do lucro real, a titulo de prejuízos acumulados, porque se entende que esse tribunal administrativo pode deixar de aplicar a lei que entender inconstitucional. Multa isolada e multa de oficio concomitantes • É induvidoso que a concomitância dessas multas não é legitimo, uma vez que configura o "bis in idem". O Conselho de Contribuintes já se manifestou a esse respeito, determinando que, por incidirem sobre um mesmo aspecto material de incidência, sua aplicação se toma ilegal. • A base de cálculo prevista no consequente normativo tem o condão de estabelecer a grandeza mensurável de um evento tributável e consequentemente instaura a relação jurídico tributária sancionatória. Assim, só é possível e legal ao Estado aplicar uma sanção para cada infração. • É requerido que a multa isolada seja definitivamente extinta, portanto. Interpretação mais favorável ao acusado — artigo 112 do CTN • Ainda que aceitássemos a possibilidade de aplicação da multa, essa jamais poderia darse à razão de 75%. Nesse sentido manifestouse o STJ, aplicando o conceito do artigo 112 do CTN, além do que deve ser de plano afastada qualquer interpretação de responsabilidade objetiva. • A posição predominante no STJ é a da possibilidade de análise das circunstâncias fáticas referentes à constatação de boafé e da ausência de lesão ao erário, não obstante o disposto no artigo 136 do CTN. • Hugo de Brito Machado afirma que a prova da autoria da infração deve ser feita de forma a não gerar nenhuma dúvida. • Diante do fato concreto, Júlio César Krespky entende que o intérprete deve socorrerse da equidade, prevista no CTN, utilizandose de principio previsto ou não na CF, com o escopo de aplicar de forma justa a multa. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 • Para Sacha Calmon, o artigo 112 demonstra que deve haver comprovado o elemento subjetivo na intenção de praticar a infração. • Destacase julgado do STJ que concluiu que o contribuinte não poderia ser penalizado pelo não recolhimento do ICMS na medida em que presumia não ser contribuinte desse imposto, mas do ISS, uma vez que não agiu com dolo. • Está provado, diante dos fatos narrados, que a recorrente sempre tomou as medidas exigíveis para configurar a boafé que sempre se manteve em todas as operações realizadas e que, diante desses fatos, a multa aplicada jamais deve subsistir. Revisão, anulação, redução ou graduação da multa imposta • 0 artigo 65 da Lei n° 9.784 determina que os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de oficio, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. • 0 principio da capacidade econômica e a vedação do confisco são princípios constitucionais expressos em matéria tributária. Tais postulados se espraiam por todo o sistema tributário e atingem por inteiro o crédito tributário na sua acepção mais lata, como conceituado pelo artigo 113 do CTN, ou seja, eles atingem as penas fiscais tanto quanto os tributos. • A aplicação da equidade para mitigação das penalidades é medida constitucional prevista no § 1 º do artigo 145. • Para Hector Villega, sendo a multa fiscal retributiva, assume o caráter de pena, enquanto sua finalidade não se resume simplesmente a ressarcir o fisco, senão também castiga o infrator. • 0 Supremo Tribunal Federal decidiu a respeito da impossibilidade de aplicação da multa de 100% em certos casos, reduzindoa para 30%. • A multa confiscatória, então moratória, também se desfigura em função de seu montante excessivo ou despropositado. Num sistema em que há previsão de juros (para indenizar) e correção monetária (para manter o cunho liberatório da moeda), a imposição de multas elevadas leva o próprio confisco do patrimônio do contribuinte. • A CF deve ser interpretada de modo restritivo, limitandose o confisco à hipótese penalmente aventada, não cabendo nenhuma discussão acerca de confisco amparado em normas de direito tributário. Inúmeros são os precedentes jurisprudenciais em favor da tese ora defendida. • Há tempos que o Poder Judiciário reconhece o direito de excluir ou mitigar a multa fiscal excessiva, atendendo às circunstâncias do caso concreto. • Para Odete Medauar e Maria Sylvia Zanella di Pietro, a multa deve respeitar a razoabilidade. 0 STF, num determinado recurso, inclinouse pela necessidade de graduação da multa de acordo com a gravidade da infração e com a importância desta para os interesses da arrecadação. Ilegalidade da taxa Selic como fator de atualização monetária dos tributos federais • Tal uso da taxa Selic é prática flagrantemente abusiva, visto ser ilegal, desprovida de qualquer fundamento jurídico. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 224 9 • A atualização da divida fiscal com base na taxa Selic não está fulcrada em legislação reconhecida em pelo Poder Judiciário. Portanto a divida apresentada pelo sujeito passivo é ilíquida e descabida de certeza e, dessa forma, inexigível. Ausentes esses requisitos, não constitui titulo executivo. • Acórdão proferido pelo STJ reconheceu a ilegalidade da taxa Selic para fins tributários, conforme trechos transcritos na impugnação. • Juiz de direito da vara de execuções fiscais do Estado de São Paulo decidiu pela substituição, em execução fiscal, da taxa Selic pelos juros de mora. 0 magistrado entende que a correção monetária visa a recomposição da moeda diante da inflação e que seu índice deve ser calculado em determinado período necessariamente pretérito, e que é incabível a aplicação da taxa Selic, já que ela é estipulação de índice futuro em face da política econômica do futuro. • Outras decisões da justiça estadual paulista, citadas na impugnação, seguiram idêntico entendimento. Em se tratando de matéria tributária, a taxa de juros tem de ser fixada por legislação, não só em favor do poder tributante, mas também do contribuinte, observando os princípios constitucionais da anterioridade, segurança jurídica e indelegabilidade da competência tributária. • A Justiça Federal Paulista, em recente decisão, reconheceu o direito do contribuinte de ver excluído do seu débito de INSS as multa e juros Selic ilegalmente aplicados. • Títulos e tributos são institutos totalmente diferentes, uma vez que não se podem equiparar os contribuintes aos aplicadores. A taxa Selic cria a anômala figura do tributo rentável. Os títulos podem gerar renda, os tributos não. 0 emprego da taxa Selic provoca enorme diferença com o que se obteria com a aplicação, em seu lugar, dos indices oficiais de correção monetária e dos juros legais de 12% ao ano. • Aplicada a taxa Selic, há aumento de tributos, sem lei especifica a esse respeito, o que viola o artigo 150, inciso I, da CF. • A taxa Selic, para fins tributários, só poderia exceder esse limite, se fosse prevista em lei complementar, visto que de ordinário, tem superado esse máximo. • Não se concebe que uma lei complementar estabeleça a taxa máxima e mera lei ordinária venha a apresentar percentual maior. Para que a taxa Selic pudesse ser empregada para fins tributários, havia mister de que lei estabelecendo os critérios para a sua exteriorização, por ser notório o principio de que o contribuinte deve de antemão saber como será apurada a obrigação tributária. • 0 artigo 193, § 3 º, da CF dita que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano. Ainda que se trate de norma contida ou limitada, a doutrina moderna é no sentido de inexistir norma constitucional despida de efeito. Assim, inibe o legislador ordinário de legislar em sentido contrário. Pedido • Pedese que seja julgado totalmente procedente o recurso, para o fim de desconstituir a totalidade do crédito tributário. • Protestase provar o alegado por todos os meios de provas admitidas em direito. Fl. 276DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 (os títulos grifados não foram objeto de decisão no processo conexo) A turma julgadora manteve o lançamento tributário na integralidade. O aresto, fls. 164 a 182 restou assim ementado: FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL Verificada a falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa cabe exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido. ANTECIPAÇÕES MENSAIS DEDUÇÃO NO AJUSTE ANUAL Somente é dedutível na apuração da CSLL devida no ajuste anual, o valor das antecipações mensais que tiverem sido comprovadamente pagas. Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 188 a 199 reprisando os termos da defesa inicial, ou seja: “...em virtude de constar no mesmo, vícios insanáveis que o fulminam de nulidade absoluta, conforme razões anteriormente expostas, tais como a ausência imotivada do Estado em não entregar a documentação que serviu de base para a construção do auto de infração, ausência de realização do mandado de procedimento fiscal, erro de direito na subsunção dos fatos à normas e ausência de fundamentação, ilegalidade na aplicação de multa isolada concomitante a multa de oficio, multa confiscatória aplicada, inaplicação do saldo de 100% da compensação do prejuízo fiscal, inconstitucionalidade na aplicação da taxa selic.” É o relatório. Passo às razões de decidir. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Saliento que muitos trechos do acórdão proferido no julgamento do processo 10665.720862/200777 serão aproveitados neste decisório dada a similaridade das contestações da contribuinte em relação às autuações. Assim, repriso as razões de decidir sobre os seguintes assuntos, já prolatadas naquele votocondutor, nos assuntos em que se aproveitam: “I) Das nulidades suscitadas I.a) Ausência de Mandado de Procedimento Fiscal MPF O espírito da norma que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal é coibir abusos em procedimentos de fiscalização e conceder segurança aos contribuintes de que o procedimento realizado em sua pessoa (física/jurídica) é de natureza institucional. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 225 11 No presente caso, observase que a fiscalização pautouse pela observância das normas tributárias, materiais e procedimentais, ao se deparar com a situação fática revelada em revisão interna na DIPJ entregue pela contribuinte. A contribuinte tampouco sentiuse aviltada ou suspeitou dos trabalhos fiscais tanto que forneceu a documentação devidamente solicitada e respondeu à fiscalização, aduzindose que a alegada ausência do MPF em questão não trouxe qualquer prejuízos à recorrente. Assim é que acolho a jurisprudência dominante deste CARF ao entender que o Mandado de Procedimento Fiscal é norma de natureza interna corporis e não possui o condão de levar à nulidade o lançamento fiscal pautado na norma tributária vigente, sendo suprido pelos outros termos lavrados pela autoridade fiscal revestida da competência natural de sua função. Reproduzo ementa que espelha como tem se manifestado reiteradamente a jurisprudência administrativa, que acompanho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislacão vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalizacão no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (CSRF 2" Turma, Recurso n° 203126775, Sessão de 22/01/07, Relatora Maria Tereza Martinez Lopes, Acórdão n° CSRF/0202. 543) Quando mais em relação ao presente processo, em que se trata de procedimento restrito à revisão interna de declaração, nos quais a própria Portaria SRF nº 6.087/05 citada pela recorrente, em seu artigo 11, dispensa a emissão de MPF: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). E isto resta patente no corpo do Auto de Infração – fls. 04: “Em procedimento de REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (MALHA), relativamente ao ano calendário de 2004, efetuamos o presente Lançamento de Oficio (...)” Incabível, portanto, no presente caso a arguição da recorrente no sentido de ser exigível a emissão do MPF. I.b) Ausência de entrega de documentação comprobatória junto com o Auto de Infração É totalmente descabida a alegação da recorrente neste tocante, pois os documentos em que se fundamentam os ilícitos tributários fazem parte do processo Fl. 278DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 administrativo fiscal, do qual os contribuintes autuados tem amplo e total acesso, podendo xerocopiar e analisar para instrução da sua defesa. Não há norma processual tributária que exija a entrega de cópia integral do processo administrativo aos contribuintes autuados, mas sim que prevê a observância da descrição dos fatos, demonstrativos de cálculos do tributo exigido e acréscimos legais, enquadramento legal, identificação do autuado etc. consoante determina o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF. Todos estes elementos formais estão presentes no Auto de Infração de fls. 02 a 06, ressaltandose que a descrição minuciosa dos fatos que ensejaram a autuação sob debate foi também objeto do termo de Verificação Fiscal de fls. 07 a 09, parte integrante do Auto de Infração, sendo que destes a recorrente obteve plena ciência, tanto que está se defendendo das imputações contra si erguidas ampla e exaustivamente. Ademais, a documentação fundamental no presente litígio é a DIPJ/05, a Dcomp referida no relatório, ambas declarações preenchidas pela própria recorrente, e a ausência de recolhimentos ou valores informados em DCTF, impondo o lançamento tributário. Os demais documentos constantes dos autos foram entregues pela própria fiscalizada conforme se verifica pelo Termo de Intimação Fiscal de fls. 11 e 12 e sequente resposta às fls. 15 com os documentos solicitados e entregues que a acompanharam. Não percebo quais os documentos que estão nos autos e que a recorrente não possui/possuiu acesso. Afasto esta nulidade por despropositada.” I.c) Erro de subsunção do fato à norma Não vejo em que o lançamento tributário deixou de explicitar a infração cometida pela recorrente, omitindo a capitulação legal. Os fatos foram assim claramente descritos no bojo do Auto de Infração: “001 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL AJUSTE ANUAL POR DEDUÇÃO A TITULO DE ANTECIPAÇÃO NÃO COMPROVADA Falta de recolhimento da CSLL, relativamente ao ajuste anual, pela ocorrência de dedução a titulo de antecipação não comprovada, apurada a partir dos procedimentos detalhados no item "1.1.2" do Termo de Verificação Fiscal CSLL, anexo às fls.09 a 11.” (grifos não pertencem ao original) Por conseguinte, a recorrente não quitou a CSLL que espontaneamente declarou. As normas que tratam da obrigatoriedade de a recorrente recolher a CSLL foram todas citadas no “Enquadramento Legal” do Auto de Infração: Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99; Art. 2 ° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 28 da Lei n ° 9.430/96; Art. 37 da Lei n ° 10.637/02. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 226 13 O que não pode, em hipótese alguma, alegarse é que a capitulação legal fora omitida. A irresignação da recorrente em que foram citados muitos parágrafos do artigo 2º da lei nº 7.689/88 e que isto lhe cerceia o direito de defesa é absurda, pois basta para se defender do fato que lhe foi imputado apresentar documento que comprove o pagamento do tributo que declarou como efetivamente pago durante o anocalendário de 2004 naquele valor informado na DIPJ/05, da ordem de R$ 8.155,02. (ou apresentar cópia da DCTF na qual informou este valor como a pagar). De igual forma, com relação à infração tributária nº 002 fato: “002 MULTAS ISOLADAS / FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ESTIMATIVA MENSAL – MULTA ISOLADA Multa isolada pela falta de pagamento da Contribuição Social apurada na DIPJ, incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução, apurada a infração a partir dos procedimentos detalhados no item "1.1.1" do Termo de Verificação Fiscal CSLL, anexo às fls. 09 a 11.” (grifos não pertencem ao original) Por conseguinte, a recorrente não recolheu as CSLL – estimadas durante o anocalendário de 2004, precipuamente relacionadas aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004, que informou terem sido recolhidos os valores. As normas que tratam da penalidade a ser aplicada no caso dos contribuintes não recolherem as estimativas de CSLL foram todas citadas no “Enquadramento Legal” do Auto de Infração: “Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n°9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66.” Tudo foi minuciosamente explicitado no termo de Verificação Fiscal, anexo ao Auto de Infração. Afastada esta nulidade. Sobre o próximo item contestatório aproveito trecho do aresto proferido no outro julgado: “I.d) Ausência de fundamentação e infringência ao princípio da legalidade A autoridade fiscal ao lavrar o Auto de Infração de fls. 02 a 09 pautouse na observância estrita das normas tributárias vigentes, não sendo pertinente esta argumentação ao caso em concreto. Aliás, constatado o ilícito tributário em não o fazendo (autuando) a autoridade fiscal se sujeita a sanções, nos termos do § único do artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A motivação do lançamento tributário, neste processo, já está fartamente explicitada no item acima (I.c) – foram duas: (i) a inclusão de valor redutor da CSLL devida para o ano calendário de 2004, cujo pagamento não restou efetuado; (ii) e as multas isoladas pelos não recolhimentos das estimativas de CSLL informadas em DIPJ e escrituradas pela contribuinte. A retórica da recorrente é elaborada e exaustiva, mas faltalhe nexo com um fato tão singelo. A motivação do lançamento tributário é gritante no presente caso. Não há, portanto, qualquer “erro de Direito....por falta de motivação” na autuação em tela. Resta, portanto, afastada a nulidade suscitada com respeito a este tópico. I) Do Mérito II.a) Art. 112 do CTN e aplicação da multa de ofício Aproveito os seguintes trechos, novamente: “A recorrente solicita, em não sendo acolhidas as demais argumentações, que se aplique o artigo 112 do CTN para reduzir o percentual (não se trata de alíquota de imposto, esclareço) de 75% da multa de ofício regular, trazendo à colação julgados do STJ que entende subsidiar sua súplica. As autoridades administrativas, incluindo as de julgamento, não podem subtrairse de aplicar a norma tributária vigente. O artigo 112 do CTN só é aplicável em casos de dúvida quanto às hipóteses que elenca. Definitivamente não é o caso. A lei é explícita na cominação da multa de ofício, regular, nos casos de lançamento de ofício. MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 1º): Fl. 281DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 227 15 I – juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; Inaplicáveis a este julgamento as argüições da recorrente. II.c) Demais pontos suscitados A recorrente para pleitear a redução da multa de ofício ainda invoca o artigo 65 da Lei nº 9.784, o princípio da capacidade contributiva, requer aplicação de equidade, princípio do não confisco, tudo regado a decisões judiciais que entende militar em seu favor. Como explicitado no item acima, foge ao escopo dos tribunais administrativos discutir a legalidade/constitucionalidade das normas em vigência e corretamente aplicadas nos lançamentos tributários, como no caso em questão. Esta matéria já foi inclusive sumulada por este órgão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A equidade na esfera tributária só pode ser aplicada quando falte legislação expressa sobre o assunto, nos termos do artigo 108, inciso IV do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: [...] IV a eqüidade. Como dito acima, não se aplica ao vertente caso. A Lei nº 9.784/99 cuida do processo federal, mas não pode ser aplicada onde não há lacunas no PAF (Decreto 70.235/72), diploma especial que rege o processo administrativo fiscal, não podendo ser observado como pretende a recorrente. As decisões judiciais sem efeito erga omnes não têm força normativa, nos termos do artigo 100 do CTN e, por conseguinte, não vinculam este órgão colegiado, sendo algumas simplesmente inaplicáveis nesta seara de julgamento, como já explicado. Com relação aos juros cobrados à taxa Selic, após reiteradas decisões administrativas este órgão deliberou a Súmula nº 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por derradeiro restam dois assuntos, a serem apreciados: III) Da concomitância da aplicação da multa de ofício e das multas isoladas Fl. 282DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 A penalidade ora debatida – multa pela ausência dos recolhimentos das estimativas – é imposta porque o contribuinte “nãofez” os adiantamentos de caixa ao Tesouro, conforme se comprometera. Não entendo as estimativas como meras antecipações de tributo, que caso não se confirmem ao final do período, não serão geradas sanções ao contribuinte faltoso. O artigo 44, inciso I, c/c o §1º, inciso IV, da Lei nº 9.436/96, estabelecia originalmente: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (grifos não pertencem ao original) Posteriormente, a redação desse artigo foi explicitada da seguinte forma, grifandose o trecho concernente à matéria: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos não pertencem ao original) Fl. 283DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 228 17 Indiscutível que o legislador reduziu o percentual de 75% para 50%, mas a infração tributária continua sendo penalizada e, data venia, as teses que vêm sendo tecidas sobre o assunto, não se trata de ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, mas medida coercitiva para que a norma tributária preceituada o artigo 2º da mesma lei não se torne inócua: Pagamento por Estimativa Art. 2º A pessoa juridica sujeita a tributacao com base no lucro real podera optar pelo pagamento do imposto, em cada mes, determinado sobre base de calculo estimada, mediante a aplicacao, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9249, de 1995, observado o disposto nos paragrafos 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9065, de 20 de junho de 1995. Paragrafo 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo sera determinado mediante a aplicacao, sobre a base de calculo, da alíquota de quinze por cento. (grifos não pertencem ao original) E estabelece o artigo 3º, caput: Art. 3º A adocao da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas juridicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opcao pela forma do art. 2º sera irretratavel para todo o anocalendario. (grifos não pertencem ao original) Pois se os contribuintes optam pelo regime de apuração de IRPJ e CSLL na forma anual, não recolhem as estimativas mensais apuradas e ao final do período, apuram o real IRPJ e CSLL a pagar, ou mesmo prejuízo, e não há qualquer sanção para as estimativas não recolhidas, porque existir a norma que obriga aos recolhimentos dessas? E, parênteses aqui, denominase estimativas porque, de antemão, preferem estimar o lucro, no caso com base em balancetes de suspensão ou redução, porque a partir da edição da Lei nº 9.430/96 as pessoas jurídicas deveriam apurar a base de cálculo do IRPJ e CSLL em períodos trimestrais: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA Secao I Apuracao da Base de Calculo Periodo de Apuracao Trimestral Art. 1º A partir do anocalendario de 1997, o imposto de renda das pessoas juridicas sera determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por periodos de apuracao trimestrais, encerrados nos dias 31 de marco, 30 de junho, 30 de setembro e Fl. 284DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 18 31 de dezembro de cada anocalendario, observada a legislacao vigente, com as alteracoes desta Lei. A tese desenvolvida in contrario sensu defende que a multa incide apenas sobre a diferença entre o saldo de tributo a pagar e o valor das estimativas, quando o valor do imposto anual for maior do que a soma do valor estimado, mês a mês. Não vislumbro casos em que, pela tese antagônica, aplicarseia a multa preceituada no sentido de coibir os contribuintes a recolherem as estimativas mensais que se propuseram, por livre e espontânea vontade, fazêlo, o que torna o dispositivo legal totalmente inócuo. Para a aplicação da referida multa isolada não há que se falar em ocorrência de fato gerador, visto que não se está a cobrar tributo, que ao final do anocalendário, pode ou não ser devido, em face ao ajuste anual. O valor do tributo, estimado, repitase, serve unicamente como base de cálculo e não interessa, ao legislador, se o tributo, em si, é devido ou não ao final do período no ajuste anual. E a base de cálculo poderia ser outra, mas o legislador quis colocar um vínculo entre a obrigatoriedade estabelecida em norma tributária – do contribuinte que opta, excepcionalmente, pelo regime anual de apuração do lucro real e assume recolher as estimativas – e a penalidade que sanciona o descumprimento dessa norma. A exigência ora discutida é a penalidade por descumprimento de norma legal e, nesse caso, não há que se debater ser razoável ou não, sob pena de as autoridades julgadoras administrativas discutirem a legalidade das normas. Similarmente, recordo da discussão eterna do cabimento do juros à taxa Selic e da multa moratória. Se é razoável a cobrança de ambos encargos, nunca se discutiu no âmbito administrativo, sendo posicionamento manso e pacífico, retratado em súmula editada pelo 1º Conselho de Contribuintes que administrativamente não se adentra em discussões que envolvam a legalidade ou constitucionalidade das leis (recepcionada por este Carf). E o princípio da razoabilidade, que fundamenta tese em contrário a qual insta em exonerar os contribuintes da cobrança da multa isolada, é princípio constitucional aplicado às normas legais, que somente o Poder Judiciário, no exercício de suas funções privativas, pode aplicar, data venia máxima. A razoabilidade que se poderia aqui aventar, o legislador tributário já entendeu aplicar quando reduziu o percentual de 75% para percentual mais razoável de 50%. Mas, definitivamente, não vejo nada de razoável em se deixar de aplicar penalidade, preceituada em lei, no caso do descumprimento de outra norma tributária. Analogamente a essas considerações em contrário à aplicação da multa ora debatida, exemplifico com as multas de trânsito. Se os cidadãos, no lugar de contribuintes, passassem o sinal vermelho e fossem autuados, ou dirigissem acima do limite de velocidade previsto, e fossem autuados, pelo mesmo raciocínio, poderiam se eximir da multa aplicada porque não colidiram ou não atropelaram ninguém. Não houve resultado danoso, portanto não há razão (ou não é razoável) ser penalizado. Na analogia, não havendo tributo ao final do ano, não há porque ser penalizado pelo descumprimento da norma que exigia o pagamento mensal. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 229 19 Lembremos que tanto o direito tributário quanto o direito penal têm em comum a tipicidade cerrada e, no presente caso, a norma é clara: a conduta do contribuinte que opta pelos recolhimentos de estimativas, não o fazendo, sujeitase à penalidade legalmente determinada. Conhecendo tese contrária defendida por esse órgão colegiado, adiantome um pouco mais, afastando, de plano, a que seja invocado o artigo 112 do Código Tributário Nacional – CTN, pois não há qualquer dúvida no texto legal quanto à base para o cálculo para se exigir a penalidade. É o montante que deveria ter sido recolhido e não foi. Simples assim, voltando a destacar que não se está a tratar de exigência de tributo que, ao final do período, o contribuinte demonstra não ser devido, mas sim mera sanção pelo nãoato do contribuinte estipulado em norma, cujo cálculo tem como parâmetro o valor mensal não recolhido. Desta forma, prestigio a norma tributária, que define a sanção pelos não recolhimentos dos valores estimados durante o período, declarados pela contribuinte, mantendo a sua aplicação, por vigente e não declarada ilegal ou inconstitucional, defendendo que não fere qualquer princípio constitucional, sob pena de tornála, repito, administrativamente, inócua. E não cabe à autoridade julgadora administrativa arguição sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial. Neste sentido repriso a Súmula nº 02 do Carf, retro transcrita. No presente caso, inconteste é que a contribuinte entregou a DIPJ relativa ao anocalendário de 2004, pelo regime de tributação pelo lucro real, anual, optando pelos pagamentos com bases mensais estimadas. E as normas pertinentes não permitem a retratação desta escolha. Nem durante o procedimento fiscal, muito menos em esfera de impugnação ou recurso. Nesta esteira de raciocínio, as penalidades não se confundem por naturezas totalmente distintas. A multa de ofício aplicada no percentual de 75% tem outro regramento legal – a falta/insuficiência de recolhimento de tributo. Descarto, portanto, a tese de que não podem ser aplicadas as duas multas concomitantemente. IV) Compensação de base de cálculo negativa sem o limite de 30% Faço coro com todo o exposto pela turma de julgamento em primeiro grau, reproduzindo por oportuno o trecho do acórdão referente à matéria e aduzindo que, além de ser impertinente no presente processo tal arguição, como já esclarecido anteriormente, é defeso a este órgão colegiado divergir de determinação expressa legal. “Compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa sem limite de 30% No que respeita ao presente lançamento, a arguição é inteiramente impertinente. Só faria sentido em discutir compensação de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa se, para apuração do crédito tributário, o autuante tivesse alterado o resultado tributável da autuada. Todavia tanto para a apuração da base de cálculo da Fl. 286DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 20 multa isolada sobre as antecipações não recolhidas como para a apuração da CSLL devida em relação ao ajuste anual, o autuante adotou o próprio resultado tributável apurado e declarado pela autuada. No caso das antecipações a multa foi imposta simplesmente porque não houve o recolhimento delas, sem que se alterassem os respectivos valores, já informados pela autuada em sua declaração de rendimentos. No caso da CSLL devida no ajuste anual, o autuante apenas alterou o seu valor em virtude da glosa de antecipações cujo pagamento não se comprovou, mas, mais uma vez, deixou intocada a base de cálculo já informada pela autuada em sua declaração de rendimentos. A compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa é faculdade que o contribuinte pode exercer ou não, mas não pode ser determinada de oficio pela autoridade fiscal. Se o contribuinte não a faz, ou a faz parcialmente, não cabe ao fisco imporlhe curso de ação diferente. E dever do fisco aumentar o valor da compensação de prejuízo fiscal ou de base de calculo negativa de CSLL se alterar o resultado tributável e na mesma proporção da alteração, até o limite dos saldos passíveis de compensação. Assim é porque se presume que o contribuinte só não havia compensado todo o saldo disponível em virtude de ter apurado base de cálculo menor que a correta e a compensação ser limitada a 30% do resultado tributável. Quando, como no presente lançamento, não há alteração do resultado tributável, digase mais uma vez, cumpre ao fisco não modificar a compensação já efetuada pela autuada, ainda que haja saldos disponíveis. No anocalendário de 2004, conforme a ficha 17 da declaração de rendimentos (folhas 70 verso), a autuada apurou uma base de cálculo, antes da compensação, de R$ 954.625,12. Desse valor, a titulo de compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores, subtraiu R$ 286.387,54, montante que corresponde a 30% do resultado tributável. Ou seja, como não houve, em razão do lançamento ora em discussão, alteração desse resultado tributável, a própria autuada já havia compensado o máximo que lhe permite a legislação. Caso não houvesse o impedimento jurídico a que se referem os parágrafos precedentes (não desrespeitar a opção já manifestada pelo contribuinte), nem assim o fisco poderia aumentar o valor da compensação, pois esta já se efetuara pelo valor máximo permitido. [...] Não obstante, o artigo 42 da Lei n° 8.981, de 1995, e o artigo 12 da Lei n° 9.065, de 1995, estabelecem de maneira taxativa o limite em questão. Acatar a postulação da impugnante implicaria, portanto, violar disposição legal expressa, o que não é permitido A autoridade julgadora administrativa, consoante é demonstrado mais adiante neste voto ao se tratar da postulação de que sejam revistos o percentual da multa de oficio e o critério de cálculo dos juros moratórios. O assunto inclusive também está sumulado por este órgão: Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. No mais, adoto todas as fundamentações do aresto vergastado que não foram frontalmente enfrentadas pela recorrente e voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 287DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720863/200711 Acórdão n.º 180100.591 S1TE01 Fl. 230 21 Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 288DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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