Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10735.900074/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
A Declaração de Compensação não pode ser retificada após a decisão administrativa de não homologação, especialmente no caso em que o sujeito passivo foi intimado, antes da prolação do Despacho Decisório, a corrigir as inconsistências apontadas quanto ao crédito por ele indicado.
Numero da decisão: 1102-000.532
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A Declaração de Compensação não pode ser retificada após a decisão administrativa de não homologação, especialmente no caso em que o sujeito passivo foi intimado, antes da prolação do Despacho Decisório, a corrigir as inconsistências apontadas quanto ao crédito por ele indicado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10735.900074/2008-72
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4999788
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.532
nome_arquivo_s : 110200532_10735900074200872_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : João Otávio Oppermann Thomé
nome_arquivo_pdf_s : 10735900074200872_4999788.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
id : 4745146
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230918635520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 107 1 106 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.900074/200872 Recurso nº 914.251 Voluntário Acórdão nº 110200.532 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2011 Matéria CSLL. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. Recorrente CASA HG LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO A QUE SE REFERE O CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A Declaração de Compensação não pode ser retificada após a decisão administrativa de não homologação, especialmente no caso em que o sujeito passivo foi intimado, antes da prolação do Despacho Decisório, a corrigir as inconsistências apontadas quanto ao crédito por ele indicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plinio Rodrigues Lima. Relatório Fl. 109DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10735.900074/200872 Acórdão n.º 110200.532 S1C1T2 Fl. 108 2 Trata o presente processo de declaração de compensação eletrônica nº 38107.84434.090104.1.3.039050, fls. 3 a 13, de crédito referente a saldo negativo de CSLL apurado no período de 01.01.2003 a 31.10.2003, no valor de R$ 19.848,25, com débitos de estimativas de CSLL apurados no período de janeiro a outubro de 2003. A DRF/Nova Iguaçu/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 02, proferido em 07.03.2008, cuja ciência ao interessado foi dada em 19.03.2008 (fls. 24), não homologou a compensação, uma vez que na DIPJ correspondente ao ano calendário de apuração do crédito informado na DCOMP consta imposto a pagar de R$ 1.231,19. Irresignado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1, alegando o seguinte, verbis: “1 A empresa em sua declaração DIPJ ano calendário 2003 exercício 2004 obteve um saldo negativo de CSLL de R$15.446,94 em virtude de R$17.937,25 de recolhimentos das estimativas durante o exercício e uma CSLL a pagar na declaração de R$1.231,19 conforme pode ser verificado na Declaração Retificadora entregue em 20/09/2006 recibo de entrega n. 15.46.98.68.1962 2 Na PER/DCOMP apresentada a empresa declara compensar esse crédito com os recolhimentos mensais de estimativa do ano calendário de 2003, exercício 2004 cujos valores estão informados na declaração retificadora apresentada em 20/09/2006, recibo n. 15.46.98.68.19. 3 Os valores das estimativas apuradas até a competência Outubro de 2003, já que no mês de Novembro foi apurado em balancete imposto bem menor, correspondem ao valor do crédito atualizado apresentado na PER/DCOMP apresentada.” A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de JaneiroI/RJ negou provimento à manifestação de inconformidade, ante a inexistência de saldo negativo de CSLL em 31.12.2003, e ao entendimento de que não é possível retificar a DCOMP após a ciência da decisão administrativa. Em suas razões de decidir, consignou a impropriedade na identificação do período a que se referiria o crédito, em razão de o período de apuração encerrarse em 31.12.2003, e não 31.10.2003, como constou na DCOMP, e a impossibilidade de um suposto saldo negativo de 2003 compensar as próprias estimativas de 2003 que comporiam este mesmo saldo. Registrou ainda que, em consulta às DCTF entregues pela empresa, os débitos das estimativas da CSLL dos meses de janeiro a outubro de 2003 apresentavam indicações de terem sido compensados com saldo negativo de CSLL apurado em 31.12.2002. O Acórdão nº 1235.564, fls. 48 a 50, está assim ementado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso ao contribuinte retificar a DCOMP após a ciência da decisão administrativa.” Fl. 110DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10735.900074/200872 Acórdão n.º 110200.532 S1C1T2 Fl. 109 3 Cientificada desta decisão em 25.03.2011, conforme AR de fls. 53, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 26.04.2011, fls. 54 a 55, alegando, em síntese, que na sua DIPJ relativa ao ano calendário 2002, apurou saldo negativo de CSLL de R$ 21.232,69, em virtude de ter recolhido R$ 22.230,84 a título de estimativas durante o referido exercício, e de ter apurado CSLL devida de apenas R$ 998,15, conforme declaração retificadora entregue em 20.09.2006, fls. 71 a 87, de sorte que a compensação pleiteada deve ser homologada. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Cediço que o regime jurídico da compensação tributária, em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requisita a iniciativa do contribuinte, que, mediante a apresentação de Declaração de Compensação – DCOMP, informa ao Fisco que efetuou o encontro de contas entre seus débitos e créditos. Nesta sistemática, percebase que não se trata de simples pedido de compensação ou de restituição, mas sim da formalização, pelo próprio contribuinte, deste encontro de contas realizado, o qual, inclusive, tem o efeito de extinção dos débitos fiscais ali indicados, desde o momento de sua apresentação. A partir daí, fica o sujeito ativo incumbido de, no prazo de cinco anos, homologar ou não o ato compensatório por ele praticado, findo o qual, se não efetivada qualquer apreciação, a referida compensação se resolve pelo evento da sua homologação tácita. Neste contexto, ainda que não se esteja a afirmar ser este o caso dos autos, o fato é que, mesmo ante a total inexistência de crédito, se não houver apreciação por parte da autoridade administrativa no referido prazo, terseão por extintos os respectivos débitos informados na DCOMP. Assim, exigese do contribuinte que identifique corretamente os créditos e débitos utilizados, bem como que disponha dos elementos de prova da procedência do crédito pleiteado. Por certo que, como em qualquer outra declaração, há a possibilidade da ocorrência de erros, decorrentes de falha humana, e perfeitamente escusáveis, pelo que plenamente cabível a apresentação de declaração retificadora para sanálo. Entretanto, tendo em vista o seu caráter de confissão de dívida, com a concomitante extinção dos respectivos débitos, e a necessidade de apreciação por parte da autoridade administrativa para que se possa cogitar da exigência destes débitos, imprescindível Fl. 111DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10735.900074/200872 Acórdão n.º 110200.532 S1C1T2 Fl. 110 4 que se estipule um prazo para esta retificação, inclusive para dar efetividade à própria sistemática criada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Perfeitamente razoável, assim, que somente seja aceita a retificação da Declaração de Compensação enquanto esta se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Por outro lado, é consistente a jurisprudência do CARF, e mesmo desta Turma, no sentido de que de erros de fato não se originam direitos, sendo bastante amplo o leque de situações fáticas em que este entendimento foi aplicado, inclusive na hipótese de previsão legal da impossibilidade de retificação de declarações após certo marco processual. No caso concreto, verificase que o contribuinte identificara na DCOMP que a origem do crédito pleiteado era saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2003, porém nas razões recursais informou ser o crédito, na verdade, decorrente de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002. Em outras palavras, embora não o tenha dito expressamente, pleiteia o reconhecimento da ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCOMP em análise. Tendo em vista a notória impropriedade na identificação dos débitos e créditos compensados, vez que o contribuinte supostamente pretenderia compensar saldo negativo de CSLL apurado entre janeiro e outubro de 2003, com estimativas de CSLL destes mesmos meses, o caso, a princípio, seguiria o mesmo destino de precedentes anteriores desta Turma, no sentido de admitir a retificação proposta. Contudo, dois são os motivos que me levam a concluir de forma diversa no presente caso. Em primeiro lugar, porque a recorrente foi informada, antes da prolação do Despacho Decisório da autoridade administrativa (v. Termo de Intimação de fls. 14), de que havia inconsistências nas informações prestadas na DCOMP, visto que não fora apurado saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2003, mas sim CSLL a pagar de R$ 1.231,19. Especificamente, consta ainda do referido termo a seguinte instrução, verbis: “Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição.” No mesmo termo, consta ainda que, caso não fossem sanadas as irregularidades apontadas no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderia ser não homologado. Portanto, a recorrente teve a oportunidade de efetuar a retificação da DCOMP antes da emissão do Despacho Decisório, entretanto, não o fez. Em segundo lugar, porque a tentativa de alteração do período a que se referiria o crédito ocorre somente agora, em sede recursal, caracterizando inovação também com relação às suas alegações de defesa, visto que na inicial, apresentada perante a autoridade julgadora de primeira instância, insistira na alegação de que o saldo negativo de CSLL seria efetivamente de 2003, conforme também fizera indicar na DCOMP em questão. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10735.900074/200872 Acórdão n.º 110200.532 S1C1T2 Fl. 111 5 Ante as duas circunstâncias acima relatadas, entendo não ser mais possível, neste estágio processual, aceitar a alegação de incorreção na indicação do período a que se refere o crédito. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 113DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10880.005224/2001-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 9303-001.451
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10880.005224/2001-92
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4814932
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-001.451
nome_arquivo_s : 930301458_110650029290072_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Gilson Macedo Rosenburg Filho
nome_arquivo_pdf_s : 10880005224200192_4814932.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
dt_sessao_tdt : Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4746614
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230935412736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 249 1 248 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.002929/0072 Recurso nº 231984 Voluntário Acórdão nº 9303001.458 – 3ª Turma Sessão de 31 de maio de 2011 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO IPI RESSARCIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS MALU LTDA ASSUNTO: IPI. Período: janeiro de 2001 a março de 2001. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os valores relativos às operações de beneficiamento de couro, realizada sob encomenda, devem ser excluídos do cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso da Fazenda Nacional Provido Pelo voto de qualidade, deuse provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Judith do Amaral Marcondes Armando – Relatora Participaram do julgamento Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo Da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López e Susy Gomes Hoffmann; Fl. 288DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório A empresa ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI tendo incluído na base de cálculo do mesmo os valores relativos à industrialização por encomenda no período de julho a setembro de 2000. A decisão a quo ficou assim ementada: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O beneficio deve ser calculado incluindose os valores referentes à operação de beneficiamento do couro semi acabado na industrialização por encomenda. Recurso provido em parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. O recurso foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF. O sujeito passivo apresentou contra razões às fls. 207/222. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando Aprecio Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido conforme disposto no Despacho às fls. 202, com o qual concordo. A matéria trazida a este Colegiado versa sobre a possibilidade de incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS o valor dos serviços prestados por terceiros, neste caso, a industrialização por encomenda de couros. Quanto à inclusão dos valores relativos à industrialização por encomenda, apropriome, com licença do autor Conselheiro Gilson Macedo Rosenbgurg Filho, e minhas homenagens pelo trabalho apresentado, de excerto de seu voto relativo à matéria: A questão a ser decidida por esse Colegiado diz respeito a possibilidade de inclusão do valor dos serviços prestados correspondentes à industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 11065.002929/0072 Acórdão n.º 9303001.458 CSRFT3 Fl. 250 3 Sobre esse tema, percuciente é a lição do conselheiro Antonio Bezerra Neto, que peço vênia para transcrever e utilizar como fundamento de meu voto: A Lei nº 9 363, de 1996, que introduziu o beneficio em tela, previu, em seu art 1º, que o crédito premunido de IP!, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes "sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" (g n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das .seguintes premissas.' por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do beneficio devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, uma vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para a industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como "Gastos Gerais de Fabricação", não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do beneficio. ......................................................................................................... .................. Assim, tendo em vista que serviços de beneficiamento de matéria prima ou insumo, encomendados por empresas industriais que detenham tais produtos em decorrência de compra anterior, devem ser incluídos na contabilidade da empresa como gastos gerais de fabricação, não podendo ser incluído no cômputo do crédito presumido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para reformar a decisão a quo no sentido de não admitir os valores relativos à industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido do IPI. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 290DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Fl. 291DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001328/2004-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL.
0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9101-000.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. 0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10840.001328/2004-47
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4855505
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.991
nome_arquivo_s : 9101000991_10840001328200447_05_2011.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio Carlos Guidoni Filho
nome_arquivo_pdf_s : 10840001328200447_4855505.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4746681
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230937509888
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-19T13:32:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-19T13:32:02Z; Last-Modified: 2011-09-19T13:32:02Z; dcterms:modified: 2011-09-19T13:32:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:22744cda-5b7a-4d0d-81a7-cec563b8be96; Last-Save-Date: 2011-09-19T13:32:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-19T13:32:02Z; meta:save-date: 2011-09-19T13:32:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-19T13:32:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-19T13:32:02Z; created: 2011-09-19T13:32:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-09-19T13:32:02Z; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-19T13:32:02Z | Conteúdo => u doni ilho - Relator. CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10840.001328/2004-47 Recurso n° 338.025 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.991 — la Turma Sessão de 24 de maio de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KMB MARKETING PROMOCIONAL S/S LTDA. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. 0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Editado em: t i-02 1 3S 2 I, 12 SET 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, 1 Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórddo proferido pela extinta Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES ANO-CALENDÁRIO: 2003 A simples previsão no contrato social da empresa de atividade que não se comprovou como efetivamente realizada não impede a sua opção pelo Simples. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: "Trata-se de recurso voluntário manejado contra Acórdão DRI/RPO no 14- 14.816, de 05 de fevereiro de 2007, proferido pela DRI Ribeirão Preto. Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório componente da decisão recorrida, de fls. 84, que transcrevo, a seguir: "A contribuinte acima qualificada, mediante o Despacho decisório, de 02 de maio de 2005, emitido pelo Delegado da Receita Federal de sua jurisdição, foi indeferida a sua solicitação de inclusão, com data retroativa ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores. Inconformado, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade clefts. 01/04, onde alega que a empresa não desenvolve e nunca desenvolveu qualquer função intelectual inerente ao exercício de atividade profissionalmente regulamentada." A DRI/Ribeircio Preto/SP não acolheu as alegações da autuada e indeferiu sua solicitação, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS 2 Processo n° 10840.001328/2004-47 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.991 Fl. 2 MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE-SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA. Uma vez comprovado o exercício de atividade vedada (Promoção e divulgação de vendas, na área de marketing promocional, sendo trabalhos, de propaganda e publicidade, desenvolvidos de maneira pessoal em estabelecimentos de terceiros, podendo, para tanto, receber e utilizar materiais e produtos promocionais fornecidos por seus clientes) é legitima a exclusão do Simples. Solicitação Indeferida." Seguiu-se recurso voluntário, de fls. 88/93, em que a recorrente aduz que: - em momento algum explorou atividade relacionada a criação ou ao desenvolvimento de projetos de propaganda e publicidade; - restringe-se à demonstração pessoal, na pessoa de seus sócios- administradores, de mercadorias a serem adquiridas diretamente pelo consumidor final, ou seja, quando da contratação dos serviços da recorrente, seus sócios- administradores comparecem em feiras ou supermercados, demonstrando, pessoalmente, a cada consumidor interessado, os produtos comercializados pela empresa contratante, com material e estandes de propriedade desses; - presta serviços para empresas de propaganda e marketing promocional, sendo elas que desenvolvem trabalhos intelectuais de criação e desenvolvimento de projetos de marketing; - pode ser considerada um simples "veiculo de comunicação" e farta jurisprudência administrativa pacificaria esse entendimento. É o relatório." 0 acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário para permitir a inclusão do Contribuinte no SIMPLES retroativamente a partir de 01.01.2003. Segundo o acórdão, (i) as notas fiscais juntadas aos autos (fls. 70/79) demonstram que os clientes da Contribuinte são empresas de marketing e propaganda que, segundo alegações de seu recurso, são as que desenvolvem os trabalhos intelectuais de criação e desenvolvimento dos projetos; (ii) depreende-se que os valores dos serviços prestados pela recorrente são irrisórios, em se tratando de campanhas "publicitárias", mas são compatíveis com o serviço de "demonstração" de produtos que alega exercer; e (iii) a simples previsão no contrato social da empresa de atividade que não se comprovou como efetivamente realizada não impede a sua opção pelo Simples. Não há nos autos prova alguma de que a empresa tenha efetivamente exercido a atividade de propaganda e publicidade, pelo que a Contribuinte deveria ser incluída regularmente no Simples. 3 Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido a aresto proferido pela extinta 2a Camara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes (Ac. 202-12.341), o qual assenta o entendimento de que: "a previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 9", inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, constituem impedimento ci op cão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 401/2008 (fls.120/121)), ante a alegada configuração de dissenso jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contra-razões. E o relatório. 4 Processo n° 10840.001328/2004-47 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.991 Fl. 3 Voto 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. 0 recurso não merece provimento. Com a devida vênia ao asseverado pelo acórdão paradigma, tenho assente que eventual (e mera) previsão de atividade vedada A. opção pelo SIMPLES nos atos constitutivos do contribuinte tem o condão de inverter o ônus da prova quanto ao exercício (ou não) da atividade vedada pela empresa perante a Fiscalização; mas não, como pretende a Fazenda Nacional neste recurso, impedir instantaneamente a adesão da pessoa jurídica ao sistema simplificado de tributação. Conforme já me manifestei em sessões anteriores deste Colegiado, entendo que, via de regra, incumbe à Fazenda Nacional demonstrar que o Contribuinte exerce atividade vedada pela lei para justificar ato de exclusão (ou indeferimento de opção) pelo SIMPLES. Cabe à Fazenda Nacional demonstrar a legitimidade de eventual ato declaratório de exclusão ou o indeferimento da opção da pessoa jurídica pelo Simples. Contudo, quando o Contribuinte insere voluntariamente entre seus objetivos sociais atividades que sabidamente são proibitivas da op* pelo regime de tributação simplificado e, mesmo assim, simultaneamente, mantém-se vinculado ao SIMPLES, incumbe a ele (contribuinte) demonstrar A. Fiscalização a origem de suas receitas de sorte a comprovar que elas não decorreram de atividades impeditivas de opção ao citado regime de tributação. Em outros termos, a inserção pelo contribuinte de atividade vedada entre seus objetivos sociais implica presunção relativa de que a pessoa jurídica não poderia optar validamente pelo SIMPLES. Tal se dá, a meu ver, pelo fato de a lei vigente A. época não impedir a opção pelo Simples de empresas que arrolem determinadas atividades em seu objeto social, mas sim e tão-somente daquelas que efetivamente "realizem operações" (Lei n. 9.317/96, art. 9 0, XII) ou "prestem serviços profissionais de" (Lei n. 9.317/96, art. 9 °, XIII). No caso, e à vista das provas produzidas nos autos, parece-me evidente que a Contribuinte não exerce atividades relacionadas h publicidade e A. propaganda no sentido estrito dos termos respectivos. Da análise dos autos constatam-se as seguintes descrições das atividades praticadas pelo contribuinte: "Agenciamento e gerenciamento na promoção de vendas, na área de marketing promocional, propaganda e publicidade em estabelecimentos de terceiros". (Contrato social datado de 04.11.2002 - fls. 05/08) "Promoção e divulgação de vendas, na área de marketing promocional, sendo os trabalhos, de propaganda e publicidade, desenvolvidos de maneira pessoal em estabelecimentos de terceiros, podendo, para tanto, receber e utilizar materiais e 5 produtos promocionais fornecidos por seus clientes". (Contrato social datado de 20.12.2003 — fls. 09/20) "serviços pessoais de demonstração de produtos" (Contrato social datado de 25.102004 — fls. 59/69) No termos da Lei no 4.680, de 18 junho de 1965, que dispõe sobre o exercício da profissão de publicitário e de agenciador de propaganda, publicitário é aquele profissional, legalmente habilitado, que, em caráter regular e permanente, exerce funções de natureza técnica da especialidade, nas agências de propaganda, nos veículos de divulgação, ou em quaisquer empresas nas quais se "produza" propaganda. Propaganda, para efeito da lei, significa qualquer forma remunerada de difusão de idéias, mercadorias ou serviços, por parte de um anunciante identificado. Propaganda, pois, está intimamente ligada ao anúncio, A publicidade de determinado produto ou serviço. Veja-se, a titulo ilustrativo, o texto de lei, que, além destes conceitos, ainda qualifica o quanto seja agência de propaganda e veículos de divulgação, verbis: "Art. 1° - São Publicitários aqueles que, em caráter regular e permanente, exercem funções de natureza técnica da especialidade, nas Agencias de Propaganda, nos Veículos de Divulgação, ou em quaisquer empresas nas quais se produza propaganda. Art. 3° - A Agencia de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4° - Sao Veículos de Divulgação, para os efeitos desta Lei, quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim consideradas as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitcirios. Art. 5" - Compreende-se por propaganda qualquer forma remunerada de difusdo de idéias, mercadorias ou serviços, por parte de um anunciante identificado. (grifos nossos). A produção da propaganda (anúncio) a que a legislação se refere - e que qualifica em última análise a figura do publicitário — refere-se à criação cientifica, que engloba o estudo, a concepção, a execução e a distribuição da propaganda pelos diversos meios de divulgação. Não por outro motivo a jurisprudência desta Corte Administrativa impede a exclusão do Simples de empresas que não exerçam atividades inerentes à publicidade, entendidas estas como aquelas relacionadas diretamente com a criação, concepção e distribuição dos anúncios publicitários. Verbis. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microernpresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO MEDIANTE INFORMAÇA -0 FISCAL DO NÃO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE 6 Processo n° 10840.001328/2004-47 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-000.991 Fl. 4 IMPEDITIVA. ATIVIDADES EXERCIDAS NÃO ESTA -0 INCLUÍDAS NOS DISPOSITIVOS DE VEDAÇÃO À 01 30-0 PELO REGIME ESPECIAL DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. Demonstrado que a recorrente se dedica ao ramo de veiculagdo de propaganda, como: promoções, relações públicas, locação, transporte, montagem e desmontagem de equipamentos diversos em eventos realizados com a contratação de recepcionistas, e outros similares, código n° 5249-3-99, devidamente comprovado através da "Informação Fiscal" realizada pela SEFIS/SRRF- 10aRF/PAE/RS, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços de propaganda e publicidade de código 7440-3, impedição prevista no inciso XII, letra "d" do artigo 9° da Lei 9.779/99, mesmo que constasse de seus objetivos sociais, são portanto, as atividades exercidas pela recorrente, perfeitamente permitidas pela legislação vigente aplicável. É de se tornar sem efeito o Ato Declaratório de sua exclusão da sistemática do SIMPLES. (Acórdão n° 30334367 do Processo 110800016879941 - 24/05/2007 - Terceiro Conselho de Contribuintes. 3° Câmara. Turma Ordinária) No mesmo sentido: Número do Recurso: 117688 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10680.018072/99-41 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - IMPOSTO CJNICO SIMPLES Recorrente: 3067 - ESTAMPARIA LTDA. Recorrida/Interessado: DRJ-BELO HORIZONTE/MG Data da Sessão: 08/11 12001 13:00:00 Relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda Decisão:AC6RDÃO 202-13468 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa: SIMPLES - OPÇÃO - Poderá optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de captação de anúncios e execução de trabalhos de publicidade já determinados por terceiros. Recurso a que se dá provimento. No mesmo sentido: Número do Recurso: 112964 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10855.001066/99-97 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - IMPOSTO ÚNICO SIMPLES Recorrente: MIDIA ENGENHARIA E PUBLICIDADE LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-CAMPINAS/SP 7 Data da Sessão: 18/04/2001 14:00:00 Relator: Adolfo Monte lo Decisão: ACÓRDÃO 202-12911 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa: SIMPLES - OPÇÃO - Mantém-se a opção ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES quando a atividade da pessoa jurídica se restringe A veiculação de propaganda e publicidade já produzidas pelos clientes. Recurso provido. No mesmo sentido: Número do Recurso: 118093 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10825.001917/99-95 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - IMPOSTO ÚNICO SIMPLES Recorrente: EMPRESA COMÉRCIO DO JAÚ LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Data da Sessão: 24/01/2002 13:00:00 Relator: Eduardo da Rocha Schmidt Decisão:ACÓRDÃO 202-13593 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa:SIMPLES. OPÇÃO. EDITORAÇÃO DE JORNAIS E REVISTAS. É permitida a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, das pessoas jurídicas que se enquadram como veiculo de comunicação (jornal), quando apenas veiculam a propaganda e publicidade e não realizam a sua criação (alínea "d" do inciso X do art. 9° da Lei n°9.317/1996). Recurso a que se dá provimento. No mesmo sentido: Número do Recurso: 115830 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10166.018847/99-61 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - IMPOSTO ÚNICO SIMPLES Recorrente: THEGA - PUBLICIDADE LTDA Recorrida/Interessado:DRJ-BRASILIPJDF Data da Sessão: 18/04/2001 14:00:00 Relator: Dalton César Cordeiro de Miranda Decisão: ACÓRDÃO 202-12928 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa:SIMPLES - OPÇÃO - Poderá optar pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições - SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de captação de anúncios publicitários em geral para terceiros. Recurso provido. Não bastasse, e conforme bem assinalado pelo acórdão recorrido, constam dos autos notas fiscais de prestação de serviços (fls. 70/79) que atestam a prestação de serviços relacionados A mera demonstração de produtos para terceiros, a qual — inclusive pela irrisória contraprestação - não poderiam ser equiparados as atividades de propaganda e publicidade. 8 Processo n° 10840.001328/2004-47 Acórdão n.° 9101-000.991 Por tais funda interposto pela Fazenda Nacion CSRF-T1 Fl. 5 s, voto no sentido de conhecer do recurso especial 1 , no mérito, negar-lhe provimento. I Antonio Caluidon Filho - Relator 9
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000779/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULAR INTERNADO EM UNIDADE HOSPITALAR, SEM CONDIÇÃO DE COMPREENSÃO E DE COMUNICAÇÃO.
A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da contacorrente.
Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando
em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas bancárias em exame esteja internado em unidade hospitalar, sem condição de compreensão e de comunicação, por encontrar-se,
neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.582
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULAR INTERNADO EM UNIDADE HOSPITALAR, SEM CONDIÇÃO DE COMPREENSÃO E DE COMUNICAÇÃO. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da contacorrente. Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas bancárias em exame esteja internado em unidade hospitalar, sem condição de compreensão e de comunicação, por encontrar-se, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11522.000779/2006-94
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 5019360
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.582
nome_arquivo_s : 210201582_11522000779200694_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 11522000779200694_5019360.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4744772
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231011958784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 359 1 358 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.000779/200694 Recurso nº 168.317 Voluntário Acórdão nº 210201.582 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2011 Matéria IRPF Depósitos bancários Recorrente JOSE MARIA DE MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULAR INTERNADO EM UNIDADE HOSPITALAR, SEM CONDIÇÃO DE COMPREENSÃO E DE COMUNICAÇÃO. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da contacorrente. Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas bancárias em exame esteja internado em unidade hospitalar, sem condição de compreensão e de comunicação, por encontrarse, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 360 2 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSE MARIA DE MELO foi lavrado Auto de Infração, fls. 259/264, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2001, exercício 2002, no valor total de R$ 825.200,67, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Os créditos objeto do lançamento foram efetivados em uma contacorrente mantida junto a Caixa Econômica Federal, cujo titular era o contribuinte e duas contas (uma corrente e uma conta poupança) mantidas junto ao Banco Bradesco, cuja titular era Adriana Vilhomar de Lacerda, que foi considerada interposta pessoa do contribuinte. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 274/297, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, para reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 0111.658, de 05/08/2008, fls. 320/332. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/09/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 338, o contribuinte apresentou, em 10/10/2008, recurso voluntário, fls. 339/356, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Cerceamento ao direito de defesa – Em 20/06/2006 o contribuinte foi cientificado de um termo de constatação e intimação fiscal, fls.233/252, determinando que o mesmo comprovasse a origem dos créditos efetuados em contas correntes de sua titularidade e de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda. Ocorre, que o contribuinte se encontrava, desde o dia 06 de maio de 2006, internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital 09 de Julho, em São Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 361 3 Paulo/SP. Tal fato foi atestado pelo corpo clínico daquela instituição que remeteu à Delegacia da Receita Federal em Rio Branco relatório médico circunstanciado, no qual é descrito o estado de saúde do contribuinte, que não tinha qualquer possibilidade de comunicação com o mundo externo, em coma induzido devido à gravidade de sua situação, conforme relatório médico, fl. 258. No entanto, no que pese a gravidade desta situação, o AFRF responsável pela condução do MPF desprezou esta informação, e lavrou o auto de infração com base no art. 42 da Lei 9.430/96. Um paciente que se encontra em estado de coma não pode à luz da ciência, nem da lei, ser intimado ou tomar ciência de qualquer coisa a seu redor; Deste modo, estando sobejamente demonstrada a supressão do devido processo legal, ante ao lançamento com ausência de diligência no sentido de se aguardar a melhora do quadro médico do contribuinte para que o mesmo pudesse prestar as informações solicitadas, requerse a nulidade do lançamento. Decadência – O Auto de Infração foi lavrado em 24/08/2006, ou seja, quando já havia incidido a decadência nos débitos cujos fatos geradores operaram em 31/01/01, 28/02/01, 31/03/01, 30/04/01, 31/05/01, 30/06/01 e 31/07/01. Falta de descrição de datas e valores no Auto de Infração. Nulidade insanável No campo reservado à "descrição dos fatos e enquadramento legal", não se encontra qualquer informação que permita ao contribuinte identificar em qual momento e qual foi o valor dos depósitos que deram causa ao lançamento tributário de imposto sobre a renda. Não bastasse isso foi realizado lançamento sobre valores integrais depositados em contacorrente de terceiros, baseandose exclusivamente em informações prestadas pela titular da conta. Ademais, não foi excluída da base de cálculo do imposto os valores efetivamente declarados pelo contribuinte em sua declaração de renda, tampouco foram debitados os valores pagos a título de IRPF mensalmente. Da equivocada interpretação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 – A tributação com base em, depósitos bancários, bem como aquela com base em pagamento de CPMF, é um mecanismo tributário extremamente frágil, que bem poderia ser eliminado da legislação, uma vez que menospreza os mais basilares institutos de tributação da renda. No Auto de Infração não foram aproveitados os valores tributados em meses anteriores, os quais justificam os créditos nos meses subseqüentes, tampouco excluise da tributação os valores dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, que não ultrapassaram dentro do exercício o valor total de R$ 80.000,00, conforme expressamente consignado pela Lei nº 9.430/96. Não se pode tomar por base depoimentos absolutamente frágeis e contraditórios como os que foram prestados pela contribuinte Adriana Vilhamor de Lacerda, que aliás jamais afirmou ter dado qualquer cheque ou fornecido dados de sua contacorrente ao recorrente. A titular das contas mantidas junto ao Banco Bradesco, num primeiro momento afirmou que era seu filho Elivaldo Vilhamor de Lacerda quem de fato movimentava sua contacorrente e que assinava para ele todas Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 362 4 as folhas de cheque, em branco, fls. 14. Posteriormente esta informação é confirmada em expediente encaminhado à Delegacia da Receita Federal em Rio Branco, fls. 52, no qual é acrescida a informação de que seu filho utilizava as cártulas para compra de mercadorias, mercadorias estas que podem muito bem ter sido compradas do senhor José Maria de Melo que, por sua vez, pode ter repassado os cheques a terceiros. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 363 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e no recurso a defesa traz a preliminar de cerceamento do direito de defesa, argüindo que quando cientificado do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, se encontrava internado em unidade de terapia intensiva, em coma induzido. De pronto, vale destacar que no mencionado Termo o contribuinte foi cientificado da constatação de que seria o responsável pela movimentação de recursos nas contas bancárias de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda, ao tempo em que foi intimado a comprovar a origem dos recursos movimentados em tais contas e na contacorrente, mantida junto a Caixa Econômica Federal, da qual era o titular. De fato, o contribuinte foi cientificado do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, em 20/07/2006, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 253, e consta dos autos, fls. 258, relatório médico, emitido em 25/07/2006, do qual inferese que o contribuinte se encontrava internado na UTI do Hospital 9 de Julho desde o dia 04 de maio de 2006, sob suporte avançado de vida, sedado, com traqueostomia e respirando com ajuda de aparelhos artificiais e que não tinha condições de compreensão nem de comunicação. Como se vê, assiste razão à defesa quando afirma que quando da ciência do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, em que o contribuinte foi cientificado de ser o responsável pela movimentação das contas bancárias de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda e intimado a comprovar a origem dos créditos ali efetivados, assim como na conta de sua titularidade já se encontrava em coma induzido. Ressaltese que a impugnação ao lançamento foi assinada por procuradores, cuja procuração, fls. 153, foi assinada pelo contribuinte em 27/01/2006 e o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, por AR, fls.273, em 29/08/2006. Digase, ainda, que além do Termo de Constatação, houve o Termo de Início, fls. 178/179, do qual o contribuinte foi cientificado por AR, fls. 179, em 03/04/2006. No Termo de Início o contribuinte é apenas intimado a apresentar extratos bancários, não havendo intimação para comprovar a origem dos créditos havidos em suas contas bancárias, tampouco falase das contas bancárias de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda. Houve também um Termo de Intimação, fls. 140, em que o contribuinte é intimado a comparecer a RFB para prestar esclarecimentos, e também um Termo de Constatação Fiscal, fls. 141, dos quais foi cientificado em 25/01/2006, por AR, fls. 142. Houve, ainda, um Termo de Intimação, fls. 143, no qual o contribuinte é intimado a identificar as operações que deram causa ao recebimento de três cheques emitidos por Adriana, cuja ciência ocorreu em 25/01/2006, por AR, fls. 151. Em Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 364 6 atendimento o contribuinte apresentou resposta, fls. 154/157, assinada por ele, porém, nada esclarece quanto aos cheques e afirma que está doente e internado no hospital. Resta claro, portanto, dos documentos acostados aos autos, que o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, no qual a autoridade fiscal comunica que o contribuinte é responsável pela movimentação das contas bancárias de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda e faz a intimação para a comprovação da origem dos créditos efetivados tanto na conta de titularidade de Adriana Vilhamor de Lacerda como nas contas em que o próprio contribuinte é o titular, não atendeu ao disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O dispositivo legal acima transcrito estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimento. As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividemse em absolutas (juris et jure) e relativas (juris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; dizse que a presunção é juris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua inexistência. Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa). Cabe, portanto, ao titular apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contascorrentes. No presente caso, conforme já visto quando a autoridade fiscal encaminhou para o endereço do contribuinte o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 233, (AR, fls. 253, datado de 20/07/2006), o contribuinte já se encontrava internado em unidade hospitalar e segundo informações que constam do relatório médico, sem condições de compreensão e de comunicação. Tal intimação, recebida e respondida por preposto do contribuinte, que se encontrava sem condições de compreensão e de comunicação, não atende às disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Do mencionado dispositivo, depreendese que quem se encontra obrigado a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados é o titular da contacorrente, seja de fato ou de direito. O procurador do contribuinte, ainda que por ele indicado, não é o titular das contascorrentes examinadas, logo não há como lhe exigir que comprove os valores depositados nas contascorrentes do contribuinte, que se encontrava internado em hospital, sem condições de compreensão e de comunicação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 365 7 Ressaltase que a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se caracteriza na medida em que o titular, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Assim, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve se conformar aos moldes da lei, sendo imprescindível que os titulares, e somente estes, sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos, pois a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada aos titulares das contas bancárias. Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas bancárias em exame esteja internado em unidade hospitalar, sem condição de compreensão e de comunicação, por encontrarse, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. É bom lembrar que no texto da lei as palavras são cuidadosamente escolhidas e não há palavras de sobra. Vêse que o legislador, quando da redação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ao designar qual pessoa física ou jurídica que deveria ser intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em conta de depósito ou investimento, utilizou a palavra “titular” e não “contribuinte” ou “sujeito passivo” ou “gerente da instituição financeira” ou alguma outra expressão. Isso porque é praticamente impossível que outra pessoa, diferente do titular da conta bancária, tenha condições de comprovar a origem de todos os depósitos em contas correntes de outrem. Assim, deixouse bem claro na letra da lei, aliás, de forma inconfundível, que somente o titular pode, de fato, responder por tais operações. Nessa conformidade, não há como prosperar o lançamento, dado que o titular das contas bancárias examinadas não foi devidamente cientificado da intimação para justificar a origem dos créditos efetivados nas contas bancárias examinadas. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11522.000779/200694 Acórdão n.º 210201.582 S2C1T2 Fl. 366 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001189/00-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Renda de Pessoa Física
Exercício: 1999
FÉRIAS.
Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificou-se no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre Renda de Pessoa Física Exercício: 1999 FÉRIAS. Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificou-se no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10820.001189/00-02
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4861694
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.559
nome_arquivo_s : 920201559_108200011890002_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Manoel Coelho Arruda Junior
nome_arquivo_pdf_s : 108200011890002_4861694.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4746535
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231042367488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10820.001189/0002 Recurso nº 150.865 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.559 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2011 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RAMES SAAD JUNIOR Assunto: Imposto sobre Renda de Pessoa Física Exercício: 1999 FÉRIAS. Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 EDITADO EM: 15/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em 23/01/2008, a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 106-16.733 que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para excluir da exigência o valor de R$ 35.621,20, conforme ementa abaixo colacionada: IRF PRELIMINAR — ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS VERBAS TRABALHISTAS Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de demissão, inclusive aqueles que, tendo sido chamados de indenização, decorrem, na realidade, de acordo firmado entre empregador e empregado. FÉRIAS Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Recurso voluntário parcialmente provido Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial, com fulcro no art. 7º, II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 47/2007). Alega, em síntese, que o decisum recorrido diverge do Acórdão n. 10243025, abaixo ementado: IRPF FÉRIAS NÃO GOZADAS São tributáveis os valores percebidos a título de "indenização" de férias não gozadas, mesmo que por necessidade de serviço. ISENÇÃO nos termos do art. 97, inciso VI, do C.T.N, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusões de crédito tributário. Recurso negado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10820.001189/0002 Acórdão n.º 920201.559 CSRFT2 Fl. 2 3 Ato contínuo, a então Presidente, em exercício, da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n° 920200.036 [fls.149150], que deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Ciente do acórdão e do Recurso Especial da Fazenda, o Contribuinte restou silente. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência entre as decisões, pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda. Tratase de Especial manejado em face de decisão colegiada que reviu o lançamento que determinou como tributável as férias não gozadas, ou seja, entendeu como não tributável: IRF PRELIMINAR — ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS VERBAS TRABALHISTAS Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de demissão, inclusive aqueles que, tendo sido chamados de indenização, decorrem, na realidade, de acordo firmado entre empregador e empregado. FÉRIAS Em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pela Súmula 125 do STJ, que coloca aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Recurso voluntário parcialmente provido Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial, com fulcro no art. 7º, II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 47/2007). Alega, em síntese, que o decisum recorrido diverge do Acórdão n. 10243025, abaixo ementado: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 IRPF FÉRIAS NÃO GOZADAS São tributáveis os valores percebidos a título de "indenização" de férias não gozadas, mesmo que por necessidade de serviço. ISENÇÃO nos termos do art. 97, inciso VI, do C.T.N, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusões de crédito tributário. Recurso negado. Não obstante os argumentos apresentados pela PGFN, entendo que as razões recursais não devem ser acolhidas, pois, em tema de férias não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pela Súmulas 125 do STJ, que inclui aquela verba fora do campo de incidência do imposto de renda, com a seguinte dicção: O PAGAMENTO DE FERIAS NÃO GOZADAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO NÃO ESTA SUJEITO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. (Súmula 125, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/12/1994, DJ 15/12/1994 p. 34815) Por conseguinte, devem ser excluídas da exação as verbas no total de R$ 35.621,20, referentes a férias não gozadas e pagas em pecúnia, pelo que, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário. Portanto, voto por conhecer do recurso, para no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000659/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
IMPOSSIBILIDADE DE LIMITAÇÃO DA AMPLA DEFESA POR NORMA INFRALEGAL.
Norma infralegal que tenta limitar o direito à ampla defesa ao tornar exaustiva lista de documentos que podem ser utilizados como prova deve ser afastada por ofender o direito constitucional à ampla defesa.
EQUÍVOCO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR.
IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Na presença de provas que demonstram ter havido equívoco no aspecto temporal do fato gerador, deve o lançamento ser afastado com o provimento do recurso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.346
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Bernadete de Oliveira Barros acompanhou o Relator por suas conclusões.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 IMPOSSIBILIDADE DE LIMITAÇÃO DA AMPLA DEFESA POR NORMA INFRALEGAL. Norma infralegal que tenta limitar o direito à ampla defesa ao tornar exaustiva lista de documentos que podem ser utilizados como prova deve ser afastada por ofender o direito constitucional à ampla defesa. EQUÍVOCO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Na presença de provas que demonstram ter havido equívoco no aspecto temporal do fato gerador, deve o lançamento ser afastado com o provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 12963.000659/2009-11
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4792365
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-002.346
nome_arquivo_s : 230102346_12963000659200911_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Mauro Jose Silva
nome_arquivo_pdf_s : 12963000659200911_4792365.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Bernadete de Oliveira Barros acompanhou o Relator por suas conclusões.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4745346
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231046561792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 163 1 162 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000659/200911 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.346 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria CONT. PREV. OBRA Recorrente NARCISO LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 IMPOSSIBILIDADE DE LIMITAÇÃO DA AMPLA DEFESA POR NORMA INFRALEGAL. Norma infralegal que tenta limitar o direito à ampla defesa ao tornar exaustiva lista de documentos que podem ser utilizados como prova deve ser afastada por ofender o direito constitucional à ampla defesa. EQUÍVOCO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Na presença de provas que demonstram ter havido equívoco no aspecto temporal do fato gerador, deve o lançamento ser afastado com o provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Bernadete de Oliveira Barros acompanhou o Relator por suas conclusões. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12963.000659/200911 Acórdão n.º 230102.346 S2C3T1 Fl. 164 3 Relatório Tratase do Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) nº 37.254.0082 lavrado em 24/11/2009, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre mão de obra utilizada na construção de obra de construção civil, no período de 01/10/2009 a 31/10/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 13.705,35, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 27/11/2009, fls. 41, a recorrente apresentou impugnação, fls. 42/46, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, no Acórdão de fls. 93/102, julgou o a impugnação improcedente, uma vez que a então impugnante não teria juntado aos autos elementos probatórios em conformidade com o art. 390 da IN 971/2009. A recorrente foi cientificada do decisório em 22/11/2010, fls. 109. O recurso voluntário, apresentado em 09/12/2010, fls. 110/114, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Alega que a obra foi concluída dentro do período decadente. Protesta pela prescrição do crédito tributário. Para provar a data de conclusão das obras trouxe diversos documentos, fls. 47/91. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A controvérsia reside na data de conclusão das obras nas quais foi utilizada mão de obra cuja remuneração deu ensejo à incidência de contribuição previdenciária. A recorrente alega que a obra foi concluída dentro de período decadente, tendo juntado vários documentos para provar o alegado. Observamos que o órgão julgador de primeira instância somente aceitou como provas aqueles documentos que seguiam o determinado no art. 390 da IN 971/2009. No entanto, tal limitação não pode prevalecer, pois se trata de evidente violação ao direito à ampla defesa. A lista de documentos que estão insertos no art. 390 da IN 971/2009 pode servir de orientação para os servidores da administração tributária. Mas não se trata de lista exaustiva., uma vez que uma norma infralegal não pode limitar um direito constitucional, mormente o direito à ampla defesa que é tão importante para a manutenção de um Estado Democrático de Direito. Se o contribuinte traz outros elementos de prova além dos previstos na referida norma infralegal, estes devem ter sua idoneidade e força probante analisadas na formação da convicção do aplicador da lei. Assim, faremos nossa análise sem considerar a necessidade de o elemento probante adequarse ao conteúdo do art. 390 da IN 971/2009. Cada elemento de prova que consideraremos na formação de nossa convicção será analisado pela idoneidade e força probante que traz consigo. Listaremos a seguir o conjunto de elementos que tomamos para formar nossa convicção quanto à conclusão das obras em período já decadente: 1 Documento da companhia de luz da região informando que os imóveis situados na Rua Santa Bárbara, 152 e 158 tem instalação desde 1996, fls. 60/61; 2 Certidão da Prefeitura Municipal informando que os imóveis situados imóveis situados na Rua Santa Bárbara, 152 e 158 estão cadastrados no órgão municipal desde 1997; 3 Documentos de Arrecadação Estadual, com autenticação mecânica de 1998, que informam o funcionamento de uma pessoa jurídica no imóvel cujo endereço é Rua Santa Bárbara, 152, fls. 85; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12963.000659/200911 Acórdão n.º 230102.346 S2C3T1 Fl. 165 5 Ao contrário do que afirmou a autoridade fiscal, não encontramos elementos nos autos que demonstram que a prefeitura municipal informou a conclusão de obras em 2005. O ofício do órgão municipal, fls. 18/20, informa os proprietários e as áreas construídas, sem informar qualquer data de conclusão de obras. Acrescentamos que a data de ocorrência do fato gerador, 10/2009, não corresponde aos elementos que constam dos autos. O próprio Relatório Fiscal de fls. 11 informa que o Aviso para Regularização da Obra (ARO) está datado de 06/04/2005. Na Declaração de Informação sobre obra (DISO) de fls. 21 é informado como data de conclusão 16/02/2004, o que, de per si, já é prova suficiente que o fato gerador não ocorreu em 10/2009. Se tomarmos a data de 16/02/2004 já estaríamos diante de uma obra concluída em período decadente, se considerarmos o art. 150. §4º do CTN. E mesmo que assim não fosse, o equívoco no aspecto temporal já seria motivo bastante para o cancelamento do lançamento. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720207/2006-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR.
Exercício: 2004
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA.
A partir do exercício 2001, é indispensável a apresentação do Ato
Declaratório Ambiental – ADA como condição para usufruir a redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (conselheiro convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto
vencedor o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR. Exercício: 2004 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA. A partir do exercício 2001, é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA como condição para usufruir a redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10120.720207/2006-95
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4789648
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.796
nome_arquivo_s : 920201796_10120720207200695_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : SUSY GOMES HOFFMANN
nome_arquivo_pdf_s : 10120720207200695_4789648.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (conselheiro convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4747059
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231059144704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.720207/200695 Recurso nº 342.233 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.796 – 2ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2011 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOURIVAL LOUZA ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. Exercício: 2004 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA. A partir do exercício 2001, é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA como condição para usufruir a redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (conselheiro convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior – RedatorDesignado EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.720207/200695 Acórdão n.º 920201.796 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em violação à legislação tributária. O contribuinte apresentou impugnação A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 65/70) julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 AREA DE RESERVA LEGAL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a Área de reserva legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. 0 ADA é igualmente exigido para a comprovação das Areas de preservação permanente. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 76/81). A Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 170, §1°, da Lei n.° 6.938/81. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim especifico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na forma como estatuído pelo art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Considerandose que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de policia do IBAMA, denotase que sua entrega até o inicio da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010. Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência da área de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matricula do imóvel com a respectiva averbação. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs, então, o presente recurso especial (fls. 212/220), com fundamento em divergência jurisprudencial. A recorrente defendeu a tese de que, para efeito de exclusão da área de reserva legal da incidência do ITR, “é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal, específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração” Argumentou, a recorrente, que: “A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei n9 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1 9, corn a redação dada pelo art. 19 da Lei n9 10.165, de 27/12/2000, já em vigor para o ITR do exercício de 2004. Esse diploma reiterou os termos da Instrução Normativa n° 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR”. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 228/234 dos autos. O contribuinte manifestouse, por outro lado, às fls. 246/248 dos autos, suscitando “matéria reconhecível de ofício”. Segundo o contribuinte, nos autos do processo n° 10183.004053/200575, envolvendo idênticas partes e matéria de fato e de direito, diferenciandose apenas no que se refere ao período de exigência fiscal, reconheceuse, de ofício, a exclusão da multa de ofício, como fundamento no fato de que “a ciência do auto de infração do único herdeiro (inventariante) ocorreu em momento posterior à data da morte do de cujus, não havendo dispositivo legal em sentido contrário que lhe impute responsabilidade nessa situação”. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.720207/200695 Acórdão n.º 920201.796 CSRFT2 Fl. 3 5 Assim, postulou pela aplicação do mesmo entendimento adotado naquele processo, para a exclusão da multa de ofício exigida pelo Fisco. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. O lançamento referese ao exercício de 2004, e diz respeito à glosa da área declarada como de utilização limitada. A recorrente sustentou que os acórdãos paradigmas estabeleceram que, a partir do exercício de 2001, com fundamento no artigo 17O da Lei n° 6.938/8, não dispensaram a exigência de comprovação por meio do ADA ou do requerimento deste pelo requerimento do contribuinte junto ao IBAMA ou ao órgão ambiental conveniado. No presente caso, o contribuinte apresentou cópia da matrícula do imóvel com a averbação da área de reserva legal em 2001 (fls. 112/115). Apresentou, também, termo de responsabilidade e preservação de floresta (fls. 129), memorial descritivo (fls. 133/134) e mapa do INPE (fls. 144/145). Vêse, neste sentido, que a exigência da averbação da área de reserva legal foi cumprida pelo contribuinte, tendo em vista que a averbação ocorreu no ano de 2001, em decorrência de termo de responsabilidade de preservação de florestal, firmado em janeiro de 2001. Não se pode negar, neste sentido, a efetiva existência da área de reserva legal. Com efeito, o meu entendimento, quanto à matéria, sempre foi no sentido de que, estando presentes provas robustas a atestar a existência da área de reserva legal, mesmo a ausência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, não impediria a não incidência do ITR em questão. No presente caso, conforme exposto, a área de reserva legal encontrase mais do que comprovada, por meio de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, de termo de responsabilidade de preservação de floresta, memorial descritivo e outros, de sorte que a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental não enseja a glosa da referida área. Neste sentido, os seguintes julgados: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA Fl. 281DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste Ultimo caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte. (Processo n° 10680.006851/200521, Recurso 342.058, Acórdão n° 2102 00.609, Recorrente: COPEC CONSTRUÇÕES E PECUÁRIA LTDA) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre Fl. 282DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.720207/200695 Acórdão n.º 920201.796 CSRFT2 Fl. 4 7 lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para, os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente quando o ADA foi protocolizado no órgão ambiental anos antes do início da ação fiscal e há averbação cartorária tempestiva da área de reserva legal. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (S1PT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE O LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR O VALOR DO SrPT. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO SIPT PARA PERÍODOS APÓS 1997. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico de avaliação da terra nua ou o laudo esteja em desconformidade com a Norma Técnica da ABNT aplicável à espécie, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Ademais, apesar de o SIPT ter sido concretizado e2002, por Portaria do Secretário da Receita Federal do Brasil, sua autorização legislativa tem sede na Lei n° 9.393/96, ou seja, o banco de dados do SIPT pode ser alimentado com dados de avaliação após 1997, podendo desde então ser utilizado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil nas auditorias do ITR. Recurso provido em parte. De fato, o ITR é imposto de caráter notadamente extrafiscal, com finalidades outras que não apenas arrecadatória. Sendo assim, a plena comprovação da área de reserva legal, inclusive com a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, não pode ceder em face da ausência de apresentado do Ato Declaratório Ambiental. Se assim não fosse, estarseia a negar a própria finalidade do imposto em questão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 283DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 Voto Vencedor Francisco Assis de Oliveira Junior, Designado Em que pesem os argumentos sempre bem articulados pela ilustre conselheira relatora, divirjo de seu entendimento no tocante à desnecessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA nos termos do § 1º do artigo 17O da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, para efeito de o contribuinte usufruir da redução da base de cálculo do Importo Territorial Rural, a partir da exclusão da área de utilização limitada, bem como as demais áreas indicadas pela legislação. No presente caso, é inquestionável a efetiva existência da área de reserva legal, tendo em vista sua averbação na matrícula do imóvel, bem como a apresentação do termo de responsabilidade de preservação da floresta e o memorial descritivo, condições comprovadas por meio de documentos acostados aos autos. Contudo, a legislação tributária não apresenta apenas estas condições como requisitos para que o contribuinte usufrua do benefício fiscal. Dessa forma, além das provas carreadas aos autos, é imperioso verificar se as demais condições postas na lei para fins de redução da base de cálculo do ITR foram cumpridas, o que de fato, como bem arrazoou o representante da Fazenda Nacional, não se observa no presente processo. Além dessas condições, o comando legal contido na Lei nº 6.938, de 1981, que normatiza a política nacional do meio ambiente, estabeleceu, em seu artigo 17O, de maneira taxativa, a necessidade de o contribuinte apresentar o ADA nos casos em que se pretenda obter o benefício fiscal no tocante ao ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (....) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) É fato que a função precípua do ADA é levar ao conhecimento da autoridade ambiental a existência de áreas que se pretende proteger em razão de suas características específicas, servindo de instrumento para gerenciamento da política ambiental fomentada pelo Estado. Por sua vez, o caráter extra fiscal do ITR fica demonstrado na medida em que se autoriza a redução do tributo a partir do atendimento da obrigação acessória. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.720207/200695 Acórdão n.º 920201.796 CSRFT2 Fl. 5 9 Em meu entendimento, contudo, a extrafiscalidade do tributo não nos permite flexibilizar a condição posta na lei para fins de redução da base de cálculo, a saber, a necessária apresentação do ADA. É nesse sentido que vislumbro dificuldade de não ver aplicado o dispositivo previsto no artigo 17O da Lei 6.938, de 1981, razão pela qual a decisão a quo merece ser reformada, tendo em vista não estar amparada pelo arcabouço jurídico que rege o tributo. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior Fl. 285DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10746.000700/2002-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1998
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES
AÇÃO FISCAL.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em
observância ao princípio da verdade material.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA.
EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL.
Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para restabelecer no lançamento os valores referentes à área de reserva legal.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10746.000700/2002-12
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4838145
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.509
nome_arquivo_s : 920201509_10746000700200212_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 10746000700200212_4838145.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para restabelecer no lançamento os valores referentes à área de reserva legal.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
id : 4746483
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231076970496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 0 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10746.000700/200212 Recurso nº 329.702 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.509 – 2ª Turma Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADAUTO JOSÉ GALLI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para restabelecer no lançamento os valores referentes à área de reserva legal. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado).Convocado). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório ADAUTO JOSÉ GALLI, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 10/10/2002, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1998, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Formosa dos Javaes”, localizado no município de Lagoa da Confusão/TO, NIRF nº 7795971, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 2a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 18.781/2006, às fls. 187/195, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 04/07/2007, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30334.488, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Data do fato gerador: 01/01/1998 Ementa: ITR/98. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A exigência de Ato Declaratório Ambiental – ADA, requerido dentro do prazo estipulado pela IN SRF 43/97, artigo 10, com a redação dada pela IN SRF 67/97, para a exclusão da área de preservação permanente da área tributável do imóvel, fere o princípio da reserva legal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 3 3 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Firmouse na CSRF jurisprudência no sentido de que a obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel. A exigência da averbação como précondição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. ÁREA DE PASTAGEM. Não basta a prova de sua existência. Deve ser comprovado também que ela serviu como pastagem, observados os índices de lotação por zona pecuária, conforme estabelecido pela alínea b do inciso V do parágrafo 1º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 253/276, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado a legislação de regência, notadamente as Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, as quais exigem a averbação tempestiva da reserva legal à margem da matrícula do imóvel, bem como o protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. Sustenta que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no artigo 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF nº 43/1997 (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do artigo 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Alega que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 4 4 Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente a esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas a assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento e a protocolização atempada do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 3ª Câmara do 3º Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do pré questionamento da matéria e indício de contrariedade à lei, conforme Despacho nº 502/2007, às fls. 278/280. Instado se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, 288/293, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 3ª Câmara do 3º Conselho a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os dispositivos legais que regulamentam a matéria, os quais exigem a averbação tempestiva da reserva legal à margem da matrícula do imóvel e, bem assim, o protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação de reserva legal e requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente após o advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, bem como a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 6 6 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 7 7 preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 8 8 possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, e que fora determinante para os demais Conselheiros que acompanharam o presente voto pelas conclusões, é que o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta, inclusive, que a averbação fora procedida, ainda que intempestivamente (posteriormente ao fato gerador), mas antes do início da ação fiscal, em 22/09/2000, como a própria autoridade julgadora de primeira instância reconhece em sua decisão, mais precisamente nos itens 6 e 34, às fls. 189 e 194. Nesse sentido, afora entendimento pessoal a propósito da matéria acima alinhavado, o certo é que a averbação à margem da escritura do imóvel, ainda que intempestiva (em 22/09/2000), associada Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal – TRARL, datado de 22/05/2000, e ao Laudo Técnico e anexos, às fls. 16/18 e 213/223, respectivamente, se prestam a comprovar a existência da área de reserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – INEXIGÊNCIA – EXERCÍCIO 1998 Por outro lado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, como aqui se vislumbra (Exercício 1998). Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou Enunciado da Súmula, contemplando o tema, afastando qualquer dúvida quanto à matéria, nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento, exclusivamente, requisição atempada do ADA e à averbação tempestiva da reserva legal junto Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 9 9 a matricula do imóvel, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10746.000700/200212 Acórdão n.º 920201.509 CSRFT2 Fl. 10 10 Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 3ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002802/2005-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. OMISSÃO DE RECEITA.
A ausência de contabilização de valores depositados em conta corrente que foram identificados como receita justifica o lançamento de oficio com base no art. 42, da Lei no 9.430/96.
MULTA QUALIFICADA DE 150% - A aplicação da multa qualificada
pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude.0 fato de o contribuinte ter apresentado Declaração com valor inferior ao apurado pela fiscalização não 6, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. A hipótese prevista no artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada
restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Para aplicosar a multa qualificada de 150%, a fiscalização deve instruir com documentos que comprovem tal acusação.
Numero da decisão: 9101-000.724
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. OMISSÃO DE RECEITA. A ausência de contabilização de valores depositados em conta corrente que foram identificados como receita justifica o lançamento de oficio com base no art. 42, da Lei no 9.430/96. MULTA QUALIFICADA DE 150% - A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude.0 fato de o contribuinte ter apresentado Declaração com valor inferior ao apurado pela fiscalização não 6, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. A hipótese prevista no artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Para aplicosar a multa qualificada de 150%, a fiscalização deve instruir com documentos que comprovem tal acusação.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13839.002802/2005-66
anomes_publicacao_s : 201011
conteudo_id_s : 4868328
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.724
nome_arquivo_s : 910100724_13839002802200566_201011.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Karem Jureidini Dias
nome_arquivo_pdf_s : 13839002802200566_4868328.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
id : 4746011
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231091650560
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-31T19:29:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-31T19:29:26Z; Last-Modified: 2011-10-31T19:29:26Z; dcterms:modified: 2011-10-31T19:29:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7289c768-e477-42cf-8283-64ad4c7f0259; Last-Save-Date: 2011-10-31T19:29:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-31T19:29:26Z; meta:save-date: 2011-10-31T19:29:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-31T19:29:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-31T19:29:26Z; created: 2011-10-31T19:29:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2011-10-31T19:29:26Z; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-31T19:29:26Z | Conteúdo => CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13839.002802/2005-66 Recurso n° 10.515.3586 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00.724 — la Turma Sessão de 8 de novembro de 2010 Matéria IRPJ/CSLL/PIS/COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado J RUETTE COML IMPORT E EXPORT LTDA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. OMISSÃO DE RECEITA. A ausência de contabilização de valores depositados em conta corrente que foram identificados como receita justifica o lançamento de oficio com base no art. 42, da Lei no 9.430/96. MULTA QUALIFICADA DE 150% - A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. 0 fato de o contribuinte ter apresentado Declaração com valor inferior ao apurado pela fiscalização não 6, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. A hipótese prevista no artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Para aplicosar a multa qualificada de 150%, a fiscalização deve instruir com documentos que comprovem tal acusação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. MARCOS CAN IDO - Presidente Substituto KAREIEIDINI DIAS - Relatora Cuciwaly it_ fi,d,utl. es), LEONARDO DE ANDRADE COUTO — Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Carlos Alberto Freitas Barreto. 2 Processo n° 13839.002802/2005-66 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.724 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado em 13/02/2008 pela Fazenda Nacional (fls. 1829/1845), com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n°. 147, de 25/05/2007, contra o Acórdão n° 105-16.538 (fls. 1780/1824), proferido pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. 0 Auto de Infração (fls. 1562/1589) exige Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido decorrentes de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, que apurou, relativamente ao ano calendário de 2000, em razão de suposta omissão de receita com base em depósitos bancários realizados na conta corrente do Contribuinte. Além disso, foi feito arbitramento do lucro para apuração do IRPJ e da CSLL, sob a justificativa de que a escrituração contábil mantida pelo Contribuinte conteria erros e falhas que impediriam a apuração do Lucro Real. 0 auto de infração totalizou a exigência fiscal de R$ 7.543.425,77 (sete milhões, quinhentos e quarenta e três mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e setenta e sete centavos), para cobrança dos impostos acima citados, além da cobrança de multa qualificada de 150%. A ciência do Auto de Infração se deu em 15/12/2005 (fls. 15). Em 13/01/2006, o Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1603/1635), levantando (i) a preliminar de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, da nulidade da autuação fundada em prova ilícita especialmente quanto A aplicação retroativa da Lei Complementar n°. 105/2001, e vedação da utilização de dados relacionados com a CPMF e, também, de inaplicabilidade do § 1°, do artigo 144, do Código Tributário Nacional para a hipótese dos autos; (ii) a preliminar de decadência do direito do lançamento de IRPJ e CSLL, relativamente aos três primeiros trimestres do ano de 2000; (iii) no mérito, longas considerações sobre inocorrência do fato gerador do IRPJ e CSLL nos casos de depósitos e movimentações financeiras, conforme interpretação contida na Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos; (iv) quanto A. retificação da escrituração contábil e da DIPJ, o contribuinte esclarece que cumpriu a determinação do próprio Fisco que na fiscalização anterior apontou as irregularidades e mandou fossem retificados os respectivos registros, não podendo ser imputada a má fé nos procedimentos adotados; (v) a forma de arbitramento de lucro, em que a fiscalização mistura receita conhecida com receita presumida e, ainda, erro no cálculo de adicionais e, também, erro na apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS/FATURAMENTO, face A. isenção das contribuições sociais sobre as receitas de exportação; (vi) ao final, contesta a aplicação de multa qualificada sob o argumento de que a fiscalização não comprovou a ocorrência de evidente intuito de fraude que constitui requisito essencial para a aplicação de multa de 150%. Impugnado o lançamento sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 1644/1702), rejeitando as argiiições preliminares suscitadas e julgando o lançamento procedente. 3 Em 03/08/2006 foi interposto Recurso Voluntário (fls. 1708/1762), reiterando todas as razões da peça impugnatória, inclusive as preliminares. O Acórdão n° 105-16.538 (fls. 1780/1824) da Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência em relação à CSLL e IRPJ até o 30 trimestre de 2000 e até novembro de 2000 quanto ao PIS e COFINS e reduziu a multa para 75%. A Decisão restou assim ementada: PRELIMINAR - LANÇAMENTO - DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃ 0 - MULTA QUALIFICADA - 0 dolo, fraude ou simulação não se presume. Nos casos de lançamento por presunção de omissão de receita e arbitramento de lucro e constatada apenas a infração correspondente a declaração inexata não tem lugar a aplicação da multa qualificada.(Súmula 1° CC n° 14). PRELIMINAR - DECADÊNCIA - Nos tributos e contribuições na modalidade de lançamento por homologação, com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, decai o direito da Fazenda Pública da Unido de constituir respectivo crédito tributário. LANÇAMENTO - ARBITRAMENTO DE LUCRO - DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL - ESCRITURAÇÃO POR PARTIDAS MENSAIS, SEM SUPORTE EM LIVROS AUXILIARES - FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENAÇÃ BANCÁRIA - Quando demonstrada pela fiscalização a falta de escrituração de parte da movimentação bancária e escrituração por partidas mensais e globais, sem o suporte em livros auxiliares, cabe a desclassificação de escrituração contábil e arbitramento de lucro. LANÇAMENTO - OMISSÃO DE RECEITAS -. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO ESTABELECIDA NO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 - A movimentação da conta corrente bancária originada de transferência de outras agencias, cobrança e desconto de duplicatas, fechamento de contrato de cambio nas operações de exportação, tem sua origem estabelecida em documentos regularmente exigidos pelas regras estabelecidas no SINIEF e, portanto, não cabe a aplicação do 'caput' do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, vez que o inciso I, ao seu ,ss' 3 0, do mesmo artigo, exclui tal fato, da presunção legal. LANÇAMENTO - METODOLOGIA DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - A metodologia de apuração das bases de cálculo utilizada pela fiscalização deve ser adotada nas fases subseqüentes da análise do litígio, sob pena de ocorrer um novo lançamento e/ou inovação do lançamento, o que não é autorizado para as autoridades julgadoras. Acolhida a preliminar de decadência e recurso voluntá rio provido em parte. Neste passo, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 1829/1845), no qual argumenta, em síntese (i) a redução de multa de 150% para 75% contrariou o disposto no artigo 44, §1° da Lei n°. 9.430/96, visto que a conduta reiterada, que conforme decisão da própria Camara indica a intenção, devendo a multa ser restabelecida; (ii) a decisão, ao aplicar o artigo 150, §4° do CTN, contrariou disposição expressa no artigo 45 da 4 Processo n° 13839.002802/2005-66 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.724 Fl. 3 Lei n°. 8.212/91 que estabelece o prazo de dez anos para decadência das contribuições sociais (negado seguimento a este item); e (iii) "se a Camara julgadora entendesse que determinados valores de operações com duplicatas, com câmbio ou transferências entre contas bancárias do mesmo titular não poderiam ser tributados, não deveria analisar o fato sob a ótica da presunção de omissão de receita, mas sob a ótica da apuração da receita bruta operacional efetivamente auferida pelo contribuinte" (foi dado seguimento parcial a este item, excetuando a receita de exportação do PIS/COF1NS). Em Despacho de Admissibilidade de fls. 1847/1848, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, conforme acima explicado. 0 contribuinte apresentou suas contra-razões, argumentando (i) não se pode considerar como paradigma, a ensejar interposição de recurso de divergência, decisão proferida pela mesma Câmara que proferiu a decisão atacada; (ii) as duas decisões, no que tange a aplicação da multa qualificada, são absolutamente dispares, e, ainda, é de se considerar que a decisão ora atacada desqualificou a multa aplicada em absoluta consonância com a legislação; e (iii) foram excluídos da tributação os valores decorrentes de transferencia de outras contas da própria contribuinte, já que não podem ser receita ou rendimento valores que se encontravam em poder da contribuinte. Os autos foram encaminhados a esta Relatora em 27/07/2009. E o relatório. Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora 0 Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, pelo que dele conheço parcialmente, conforme abaixo. Delimitando a lide, o Recurso Especial da Fazenda Nacional versa sobre a (i) desqualificação da penalidade com a consequente redução de multa de 150% para 75%; e (ii) se o fato deve ser analisado sob a ótica da presunção da omissão de receitas ou de apuração de receita bruta efetivamente auferida. Y( 5 Antes de analisar as situações Micas do caso, cumpre verificar a natureza da sanção tributária, em especial da multa qualificada. 0 vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proibel . Assim, a sanção corresponde h conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual 6 a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verifica-se no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vinculo (in casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcular-se o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatOria, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas 2 classifica-as como repressivas ou repressivo-compensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigá-lo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passa-se ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de oficio de natureza tributária, mais especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em decorrência, principalmente, do não-pagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. Em lançamentos de oficio poderão ser encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penal-tributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cares públicos). Sera de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada As infrações decorrentes de atos dolosos, visando a fraude ou a sonegação fiscal. Para o evento do não pagamento, nos lançamentos de oficio, verificamos a imposição de multa de oficio, espécie de sanção pecuniária. As multas de oficio são penalidades pecuniárias repressivo-compensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de oficio constituem-se em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. Sao Paulo: Saraiva, 1989, p556. 2 Curso de direito tributário, ob cit., p.259. 6 Processo n° 13839.002802/2005-66 Ac6rao n.° 9101-00.724 CSRF-Tl Fl. 4 0 percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compensatória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de oficio sera agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei n0 9.430/96, em seu artigo 44, § 1° (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que "o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". Ou seja, importante observar que a menção aos artigo 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos casos em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato. Isto porque, a multa de oficio qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. 0 dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzi-lo. Afirma-se que a autoridade administrativa precisa averiguar se efetivamente existiu dolo para que então possa imputar a multa qualificada, com base no próprio Código Penal Brasileiro, o qual assevera no parágrafo único do artigo 18 que: "Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, sendo quando o pratica dolosamente." Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de oficio sem qualificação, não impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo pagamento do imposto é objetiva. 0 elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, que se ousa descrever de natureza "penal tributária", tem característica repressiva e punitiva devido A. gave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. 0 conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido3. 3 Curso de direito tributário, ob. cit., p.202. 7 Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplica-se o elemento subjetivo (trata-se de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplica-se o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penais-tributárias se referem A. conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referem-se ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Nesse ponto, para a falta de pagamento do imposto aplica-se a responsabilidade objetiva, prevista no artigo 136 do Código Tributário Nacional: "a responsabilidade por infrações da legislação tributd ria independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". Já a aplicação da "multa qualificada" pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza "penal tributária", além da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Sobre este aspecto, nunca é demais lembrar que a mera falta de pagamento de tributo não é crime, tampouco ato doloso. Arrematando a questão, o saudoso Ministro Aliomar Baleeiro4 também pugna pela responsabilidade pessoal do agente por infrações decorrentes de dolo especifico, firmando o seguinte entendimento: "RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE. Em principio, a responsabilidade tributária por infrações da legislação fiscal cabe ao contribuinte ou ao co-responsável, como tais definidos no CTN Mas este, como vimos, em certos casos taxativos, também a estende a terceiros os arts. 134 e 135). Em certos casos especiais, a responsabilidade será de quem cometeu a infração o agente sem que nela se envolva o contribuinte ou sujeito passivo da obrigação tributária. Isso acontece, em principio, quando o ato do agente também se dirige contra o representado ou quando se reveste de dolo especifico. 0 CTN distingue três hipóteses. A primeira é a de a falta constituir ao mesmo tempo um crime ou contravenção penal. Mas, nesse caso, também, responde o contribuinte fiscalmente, se o agente estava no exercício regular de administração, mandato, função, emprego ou no cumprimento de ordem expressa de quem podia expedi-la. No terceiro caso, há diferentes hipóteses de o agente ter praticado atos contra os seus representados, mandantes, preponentes, patrões, etc. seria demais puni-los quando já são vitimas e culpa não revelaram nas faltas dos prepostos. Mas entenda-se: a responsabilidade é exclusiva do agente quanto aos efeitos das infrações (multa, inclusive moratória, se se apossou dos fundos do mandante ou patrão e correção monetária,). Mas se o sujeito passivo continua responsável pelo imposto devido por atividade, ato ou coisa que fez surgir a obrigação tributária." Conclui-se, assim, que a qualificação pressupõe a existência de fraude ou sonegação. Portanto, sempre que houver qualificação, esta deve ser motivada em separado, já que não se confunde com o próprio motivo do lançamento, sendo certo que a motivação pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. 4 Arquivo judiciário 71/10, Revista Forense 115/143, in Trabalhos da Comissão Especial do CédigoTributário Nacional, Ministério da Fazenda, 1954. 8 Processo n° 13839.002802/2005-66 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.724 Fl. 5 Voltando ao presente caso, verifica-se que o contribuinte omitiu receitas no ano-calendário de 2000, sofrendo lançamento de oficio de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Ocorre que a omissão de receitas, por si só, não é elemento suficiente para a qualificação da penalidade, devendo ser encontrados outros elementos que permitam concluir o intuito do contribuinte em omitir valores tributáveis. A mera omissão de receitas a partir de declarações supostamente inexatas apresentadas pelo contribuinte, não é elemento suficiente para caracterizar o elemento subjetivo da multa qualificada. In casu, trata-se de lançamento fulcrado em presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários, conforme artigo 42, da Lei n° 9.430/96, razão pela qual deveria ter a fiscalização trazido ao processo outros elementos capazes de demonstrar a fraude, que não a mera presunção de omissão de receitas. De outra parte, verifico que a omissão de receitas foi lançada em apenas 1 (um) ano. Além disto, não há prova cabal de que a receita omitida relativa aos depósitos bancários foi dolosamente ocultada, sendo também tal motivo injustificada a qualificação da penalidade. Ora, se a presunção é suficiente para manutençao do crédito tributário, em razão da inversão do ônus da prova, de outro lado, a meu ver, não possui, in casu, a gravidade suficiente à configuração, por si só, do elemento de fraude, dolo ou simulação. Cumpre dizer, ainda, que a hipótese do artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96 deve ser interpretada restritivamente, sendo que, para a sua aplicação, a fiscalização deve trazer elementos adicionais àqueles trazidos para o lançamento de oficio, sendo certo que no presente caso, apenas o lançamento de oficio restou bem motivado, por meio da presunção de omissão de receitas a partir dos depósitos bancários. Não poderia a fiscalização lançar mão de presunção sobre presunção para qualificar a penalidade, sem qualquer prova cabal do elemento subjetivo do dolo do contribuinte em lesar o fisco. Nesse sentido é o teor da Súmula CARF n° 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificacdo da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo" Por fim, importante salientar que, em se tratando de raciocínio presuntivo, aplica-se o disposto no artigo 112: A lei tributária que define infrações, ou lhe comma penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: a capitulação legal do fato;á natureza ou ás circunstâncias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos;a autoria, imputabilidade ou punibilidade;a natureza da penalidade aplicável, ou ci sua graduação. Desta forma, como não foi trazido aos autos um conjunto probatório suficiente a demonstrar a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, mas tão somente a omissão de receitas com base em presunção legal, a qual foi inclusive em grande parte exonerada (seja por se tratarem em parte de receitas de exportação, seja pela presunção de escrituração e tributação de parte das receitas objeto de lançamento, ou, ao menos, de sua identificação já no curso da fiscalização), voto por NEGAR provimento, neste ponto, ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 9 assinado digitalmente) Kar m-jUreidini Dias De outra parte, quanto à questão também admitida em recurso interposto pela Fazenda Nacional: "...a simples identificação da origem do depósito não isenta o contribuinte do pagamento do tributo se não demonstrar que o valor _Id foi levado a tributagdo". Esclareço que: (i) 0 Recurso foi nesta parte apenas parcialmente conhecido, já que não comprovadas as condições de admissibilidade relativas às receitas de exportação. (ii) Já me manifestei no passado no sentido de que não basta que o contribuinte demonstre a origem dos valores acusados pela fiscalização como receitas omitidas apuradas com base em presunção legal, sendo sempre necessária a demonstração da tributação de tais valores pelo contribuinte. (iii) Entretanto, uma coisa é a justificativa da origem no curso do processo administrativo fiscal e outra coisa é o conhecimento pela própria fiscalização da origem dos valores desde o inicio do procedimento fiscal. Se determinados valores não tiverem escrituração e declaração confimadas, devem ser objeto de lançamento de oficio, mas, se a fiscalização tem conhecimento da natureza da receita, não há jamais que ser aplicado o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual pressupõe o deconhecimento da origem quando do lançamento de oficio. (iv) A presunção é prova que deve ser utilizada na inexistência de prova direta que atribui maior segurança quanto a natureza e certeza da receita tributada. No presente caso, as exonerações, objeto de recurso, correspondem a: "...cobrança, desconto e operação de câmbio. Cujas origens dos recursos estão comprovadas nos documentos fiscais, tais como faturas, duplicatas ou guias de exportação, que correspondem a notas fiscais regularmente emitidas ". (v) Abstraindo as conclusões quanto a regular omissão ou escrituração, o que deixo de apreciar em razão de questão preliminar desde logo conhecida, qual seja, a receita era conhecida pela fiscalização, ainda que a fiscalização tenha se iniciado em razão de movimentação bancária, assim não poderia ser concluída. Sobre este aspecto, peço vênia para citações (Termo de Verificação Fiscal, fl. 1.551): "Fica, dessa forma, caracterizado o fato consignado por nós em vários termos fiscais, de que todos os crtéditos bancários provenientes de "cobranças", referem Ose a recebimento de vendas de mercadorias a prazo, que não foram integralmente registradas na escrita fiscal e contábil, e também fica evidenciado que a prática de omissão de receita operacional consistete em, intecionalmente, efetuar-se a menor o registro das notas fiscais e faturas de vendas de mercadorias emitidas pela pessoa juridica". Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, também neste item. Sala das Sessões, em 8 de novembro de 2010 10 Processo n° 13839.002802/2005-66 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.724 Fl. 6 Voto Vencedor LEONARDO DE ANDRADE COUTO — Redator Designado Minha discordância da Ilustre relatora dirige-se a apuração de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não contabilizados que, conforme análise da autoridade lançadora, representaram receita da pessoa jurídica. No entendimento da decisão recorrida, no que foi corroborado pela relatora e gerou a divergência objeto deste voto, não caberia a caracterização da omissão de receita em relação As planilhas 1, 2 e 4 da tabela de fl. 1.553 do Termo de Verificação Fiscal, onde o Fisco informa os depósitos que representariam receitas referentes a operações de Cobrança, Desconto e Exportações, respectivamente. Isso porque, afirma, as operações em questão decorrentes de cobrança e desconto teriam origem em notas fiscais normalmente emitidas e foram regularmente contabilizadas. Entretanto, a acusação fiscal deixa claro justamente a situação inversa, ou seja a ausência de contabilização desses valores, o que não foi justificado adequadamente pela autuada, até porque em relação a maior parte dos valores não haveria como fazê-lo tendo em vista que algumas contas bancárias sequer foram escrituradas. Alguns trechos do Termo de Verificação são elucidativos dessa situação (destaques acrescidos): Em decorrência da análise dos extratos bancários que se encontram relacionados na parte final deste termo, constatamos a existência de uma elevada quantidade de créditos nas contas correntes da fiscalizada, originários de cobranças bancárias relativas a recebimento de duplicatas. 0 que chamou-nos a atenção foi o montante desses créditos, que revelou-se bem superior aos valores contabilizados e declarados como receitas operacionais.(fl. 1.549) No termo de Constatação de 06/10/2005, ficou demonstrado que a soma dos valores depositados e/ou creditados nas contas correntes bancárias da fiscalizada, objetos das intimações fiscais, apresentam um volume significativo e supera em muito a receita declarada (fl.1.550) Somente a titulo exemplificativo, apresentamos no quadro abaixo alguns lançamentos contábeis relativos a débitos bancários efetuados na conta ( ), demonstrando o sistema de registro contábil adotado para a maioria dos créditos e débitos bancários, em que a contrapartida é a conta Caixa, sem o lançamento correspondente ás operações que originaram o crédito ou o destino do pagamento efetuado 11 Assim, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, não há que se falar em operações regularmente contabilizadas. Tendo sido regularmente intimada, caberia A interessada demonstrar claramente a contabilização dos valores em questão, ainda mais quando o Fisco sustentou que corresponderiam a receitas decorrente da atividade operacional da empresa. No que se refere As exportações, sustenta a decisão recorrida que o valor correspondente ao fechamento do câmbio na exportação nem sempre representa o valor da receita decorrente da operação. Em tese, está correta a decisão. Entretanto, após ter sido intimado caberia ao sujeito passivo demonstrar a real natureza dos valores em discussão. Nesse ponto, constata-se que a fiscalização foi criteriosa e não computou no lançamento os valores devidamente contabilizados, como se pode ver no demonstrativo de fl. 1.552 do Termo de Verificação Fiscal. Do exposto, entendo que a omissão de receitas indicada nas planilhas 1, 2 e 4 do Termo de Verificação (fl. 1.553) está devidamente caracterizada, motivo pelo qual voto por dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional nesse ponto e restabelecer a exigência correspondente. Low.L 1.,, ,SLIAJk CA,1 LEONARDO DE ANDRADE COUTO. ; 12
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000218/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA
A falta de apreciação dos argumentos trazidos pelo contribuinte na impugnação, em confronto com os elementos de prova entregues ao órgão preparador, acarreta nulidade da decisão proferida em primeira instância.
Nulidade que se declara de ofício.
Promove-se a devolução dos autos ao órgão julgador de primeira instância para o necessário reexame do pleito ante todas as provas apresentadas nos autos.
Numero da decisão: 2101-001.401
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a nulidade da decisão de primeira instância, com retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para realização de nova apreciação da impugnação,
considerando todas as provas alegadamente apresentadas pelo impugnante.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA A falta de apreciação dos argumentos trazidos pelo contribuinte na impugnação, em confronto com os elementos de prova entregues ao órgão preparador, acarreta nulidade da decisão proferida em primeira instância. Nulidade que se declara de ofício. Promove-se a devolução dos autos ao órgão julgador de primeira instância para o necessário reexame do pleito ante todas as provas apresentadas nos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13873.000218/2008-01
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4880005
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.401
nome_arquivo_s : 210101401_13873000218200801-201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 13873000218200801_4880005.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a nulidade da decisão de primeira instância, com retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para realização de nova apreciação da impugnação, considerando todas as provas alegadamente apresentadas pelo impugnante.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4748729
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231095844864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 68 1 67 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13873.000218/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.401 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Carlos André Trench de Souza Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA A falta de apreciação dos argumentos trazidos pelo contribuinte na impugnação, em confronto com os elementos de prova entregues ao órgão preparador, acarreta nulidade da decisão proferida em primeira instância. Nulidade que se declara de ofício. Promovese a devolução dos autos ao órgão julgador de primeira instância para o necessário reexame do pleito ante todas as provas apresentadas nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a nulidade da decisão de primeira instância, com retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para realização de nova apreciação da impugnação, considerando todas as provas alegadamente apresentadas pelo impugnante. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte CARLOS ANDRÉ TRENCH DE SOUZA foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 11 a 13, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2003 (exercício 2004), no valor total de R$ 5.637,50 (cinco mil, seiscentos e trinta e sete reais e cinqüenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29 de fevereiro de 2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 12.971,88 (doze mil, novecentos e setenta e um reais e oitenta e oito centavos). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 12. A Fiscalização alega ter havido a dedução indevida de despesas médicas, o que resultou na glosa do valor de R$ 20.500,00, por suposta falta de comprovação ou falta de previsão legal para sua dedução. A Fiscalização alega que os recibos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para comprovar os gastos pleiteados, não havendo informação descritiva completa, apta a demonstrar a sua efetiva necessidade de dedução. Ainda segundo a Fiscalização, no tocante às deduções exageradas pleiteadas, em relação aos rendimentos declarados, aplicamse as disposições do § 1.º do artigo 73 do RIR/99. Constam as seguintes glosas: Fonoaudiologia: R$ 4.600,00 Dentista: R$ 6.000,00 Fisioterapia: R$ 5.300,00 Psicologia: R$ 4.600,00 Em 20 de março de 2008 foi apresentada Impugnação (fls. 01 a 10), cujas razões e pedido foram assim sintetizados pelo órgão julgador a quo: “ A autoridade fiscal, de forma arbitrária e desconexa, teria considerado como indevidas as deduções feitas pelo contribuinte a titulo de despesas médicas; Quanto à profissional Sônia Liam G. de Paula Vendicto, inscrita no CREFITO, constariam recibos no total de R$ 5.300,00, além de declaração dos procedimentos realizados, com firma reconhecida; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13873.000218/200801 Acórdão n.º 210101.401 S2C1T1 Fl. 69 3 No que tange a Maria Malossi Miguel, psicóloga, constariam recibos no total de R$ 4.600,00 e também declaração de procedimentos realizados, com firma reconhecida; Para Elisabete Martins, fonoaudióloga, constariam recibos no total de R$ 4.600,00, além de declaração dos procedimentos realizados, com firma reconhecida; Também para a dentista Giovana P. Z. Andreotti, constariam recibos no total de R$ 6.000,00, além de declaração dos procedimentos realizados, com firma reconhecida; Para o contribuinte, seria descabia a afirmação de que se tratam de deduções exageradas, pois cada profissional cobra o que acha de direito. Ademais, seus gastos seriam compatíveis com seus rendimentos, não cabendo ao órgão fazer juizos de valores quanto o que se faz, e como se gasta os valores recebidos anualmente (sic!); Além de protestar contra a postura do órgão fiscalizador, afirmando que Receita Federal age de maneira mesquinha e hipócrita, como se todo contribuinte fosse sonegador; Ademais, haveria possibilidade de ocorrência de bis in idem, consubstanciado na cobrança simultânea de imposto de renda do prestador e do tomador do serviço, de forma que a autoridade fiscal deveria ter pesquisado e analisado se os profissionais declararam/pagaram, ou não, pelo recebimento dos supostos honorários; Por fim, requer a exclusão da multa punitiva por equidade ou, subsidiariamente, a aplicação de multa moratória de 20%.” Ao examinar o pleito, a 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1740.698, de 10 de maio de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, § 1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 20 de julho de 2010, no qual informa ter constatado que os recibos médicos individualizados, mês a mês, dos profissionais liberais, entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando da primeira notificação, não se encontravam nos autos. Por esse motivo, acredita, o Relator da decisão de primeira instância administrativa não tomou conhecimento dos recibos, mas somente das declarações dos profissionais. Alega ainda que: o Relator não comprovou sua tese de que os profissionais liberais que prestaram serviços ao contribuinte não prestaram conta a Receita Federal, no exercício de 2003; o Relator também não comprovou que os profissionais liberais não estavam inscritos no cadastro de pessoa física, junto à Receita Federal e muito menos que seus números no CPF encontravamse suspensos ou com pendências; conforme consta do manual de orientação do contribuinte, se o contribuinte não declarar serviços a ele prestados, por profissionais liberais, fica sujeito a multa e processo por sonegação de informação; do voto referente ao artigo 73, que versa sobre a comprovação de despesas, o contribuinte , mesmo sendo parte hipossuficiente no processo, tentou, de forma clara e concisa, satisfazer todos os desejos da receita: foram entregues documentos que comprovam as despesas, mês a mês, com nome, CPF, e registro dos profissionais em seus Conselhos de Classe; decorridos 4 anos da prestação dos serviços médicos a que se submeteu, o contribuinte buscou, nova declaração sobre o tratamento e as despesas, documentos esses entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil; em 2008, após receber a intimação, o contribuinte, ficou bastante decepcionado psicologicamente e moralmente, o que acarretou um quadro de piora de suas condições morais e psicológicas e clinicas, que culminaram em tratamento cirúrgico dos problemas que já estavam em tratamento desde 2003; precisou adquirir plano de saúde para pagar seus tratamentos, pois tem saúde frágil; entende ter ficado comprovada a relação entre as despesas dos anos 2003/2004 e a necessidade de tratamento cirúrgico em 2008, tendo em vista que o caráter da sua doença é degenerativo, com influências psicossociais. Acrescenta, ao final, que, em nenhum momento ficou claro o “porque das negativas”, haja vista ter entregue comprovantes e declarações de procedimentos médicos realizados, com firma reconhecida dos profissionais. Anexa documentos relacionados com o objeto da glosa, pede seja julgada improcedente a notificação de lançamento e seja cancelada a glosa das deduções do IRPF, multa e acréscimos É o Relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13873.000218/200801 Acórdão n.º 210101.401 S2C1T1 Fl. 70 5 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O Recorrente não se conforma com a glosa perpetrada pela Fiscalização, e mantida na decisão de primeira instância, da dedução feita em sua declaração de ajuste a título de despesas médicas. Acredita ter comprovado todas as despesas declaradas por meio dos recibos e declarações emitidos pelos profissionais correspondentes. Nesse sentido, ressaltou, em seu Recurso Voluntário, que os recibos médicos anteriormente apresentados à Fiscalização, os quais comprovariam as despesas deduzidas, não foram acostados aos autos, razão pela qual voltou a apresentálos no momento da interposição do Recurso Voluntário. Assim sendo, comprova agora as despesas deduzidas por meio dos recibos acostados às fls. 39 a 42, 44 a 47, 49 a 52 e 54 a 57 e pelas declarações dos profissionais, às fls. 43, 48, 53 e 58 (estas já integrantes dos autos às fls. 17 a 20). Compulsando os autos, verifiquei que a Fiscalização constatou, às fls. 12, que os recibos apresentados eram insuficientes para comprovar as despesas deduzidas. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, instruída com os documentos indicados às fls 16. Nessa declaração (fls.16), o contribuinte informa estar encaminhando à Receita Federal do Brasil “cópias Xerox de recibos de despesas constante (sic) da declaração de Imposto de Renda ano base 2003”. Esse documento foi recepcionado na ARF Botucatu, em 20/03/2008. No entanto, os recibos médicos mencionados no documento às fls. 16 não foram anexados aos autos do processo nesse momento. Apesar disso, não há, nos autos, qualquer ressalva ou observação da unidade preparadora do processo que aponte equívoco no conteúdo documento às fls. 16. É que, caso o contribuinte tivesse declarado que estava anexando recibos e anexasse declarações, a unidade preparadora deveria ter feito uma observação, medida essa que não tomou. Sendo assim, reputo correta a informação do contribuinte contida no documento de fls. 16, de que os recibos foram apresentados nesse momento, tendo em vista não ter sido contestada pela unidade recebedora dos documentos. O processo foi encaminhado para a DRJ em São Paulo 2, para apreciação da impugnação. A decisão de primeira instância nada menciona quanto à falta dos documentos que o contribuinte informa ter apresentado à unidade preparadora, e o lançamento é julgado procedente. Percebendo que os recibos médicos não haviam sido analisados na decisão de primeira instância, o contribuinte apontou o problema no seu Recurso Voluntário, reclamando que já teria entregue os recibos à unidade preparadora, e voltou a apresentálos juntamente com o recurso. Como já pontuado, o documento às fls. 16, o qual dá conta da apresentação dos recibos na ARF Botucatu, não foi contestado, o que leva a crer que o equívoco ocorreu com a falta de anexação aos autos dos referidos papeis. Por esse motivo, acredito ter ficado Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 demonstrado que o contribuinte apresentou os recibos à Secretaria da Receita Federal do Brasil juntamente com as declarações juntadas às fls. 17 a 20 (em 20/03/2008), conforme comprova o documento às fls. 16. No entanto, por razões desconhecidas, tais documentos não foram anexados aos autos do presente processo naquele momento. A falta das provas nos autos, por não ter sido constatada nem pela unidade preparadora nem pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo 2, quando da apreciação da impugnação, não gerou qualquer providência saneadora, no sentido de se obter os documentos que o contribuinte alega ter acostado. E nem se alegue que o contribuinte não os apresentou ao órgão preparador, haja vista não existir qualquer observação da repartição quanto a ser equivocada a declaração contida às fls. 16, e quanto a não ter recebido todos os documentos nela indicados. Ao não fazer observação alguma que se contrapusesse às informações de juntada dos documentos indicados, prestada pelo contribuinte em sua declaração às fls. 16, a unidade preparadora atestou o a entrega dos referidos documentos na repartição. A constatação da ausência dos mencionados recibos nos autos enseja providências de saneamento, conforme disciplina o artigo 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, medida essa que não foi tomada nem pela unidade preparadora nem pelo órgão julgador de primeira instância, haja vista não ter sido identificada a circunstância ensejadora. É que as provas faltantes são essenciais para o esclarecimento da discussão relativa à glosa de despesas médicas, objeto do presente processo. Ante o exposto, à vista do que consta dos autos, tem fundamento a reclamação do Recorrente, de que o Relator da decisão de primeira instância administrativa não tomou conhecimento dos recibos médicos por ele apresentados, mas somente das declarações dos profissionais de saúde. O órgão julgador de primeira instância administrativa deixou, assim, de analisar provas fundamentais para o deslinde da questão que se aprecia. Por outro lado, os documentos acostados quando da interposição do Recurso Voluntário não podem ser analisados por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, haja vista que, se o fossem, tal medida caracterizaria supressão de instância, com a conseqüente violação dos princípios do devido processo legal, do duplo grau de jurisdição e da ampla defesa, por não terem sido examinados pelo órgão a quo. Ante o exposto, e à vista do que consta dos autos, entendo ter havido preterição do direito de defesa do contribuinte. Ficou demonstrado que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 analisou a impugnação sem levar em conta todas as provas apresentadas pelo contribuinte. Não enfrentou devidamente, portanto, todos os argumentos específicos da defesa, ficando esta prejudicada. A preterição do direito de defesa é circunstância caracterizadora de nulidade do ato processual. Na hipótese, com fundamento no que foi explicitado, entendo ter ocorrido nulidade da decisão de primeira instância, tal como previsto no inciso II do artigo 59 do Decreto n.º 70.235, o qual, a seguir transcrevese: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13873.000218/200801 Acórdão n.º 210101.401 S2C1T1 Fl. 71 7 Sendo assim, há necessidade de nova apreciação do presente processo pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente, razão pela qual entendo que os autos devem retornar ao órgão julgador a quo, a fim de que se proceda novo julgamento e se profira nova decisão, agora com a apreciação de todas as provas apresentadas pelo contribuinte. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por declarar a nulidade da decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 para nova apreciação do pleito, agora considerando também os recibos médicos apresentados às fls. 39 a 42, 44 a 47, 49 a 52 e 54 a 57. (assinado digitalmente) ________________________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
