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Numero do processo: 11330.000181/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/08/1998
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Extingue-se o crédito tributário pela decadência. No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, tanto pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, quanto pela disposição do art. 173, inciso I, do mesmo Codex.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Extinguese o crédito tributário pela decadência. No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, tanto pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, quanto pela disposição do art. 173, inciso I, do mesmo Codex. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Fl. 447DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por NET RIO S.A, em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro RJ, que julgou procedente o lançamento fiscal. 2. Segundo o relatório fiscal, o lançamento se deu por débito pertinente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (ff. 30 a 36). Narra o relatório que o débito é de responsabilidade solidária da recorrente, tomadora do serviço (contratante), mediante a cessão de mãodeobra pela empresa prestadora do serviço. 3. Os autos foram baixados em diligência para que a fiscalização se manifestasse sobre os contratos de prestação de serviço e, caso não houvesse, identificasse a conta do livro diário onde foi constatado o lançamento relativo à prestação de serviços (f. 85). 4. Em atendimento à diligência solicitada (f. 94), o Serviço do Contencioso Administrativo respondeu que a empresa não apresentou os contratos, e concluiu que, tratase de cessão de mão de obra contratada para execução de serviços não especificados, lançados nos livros diários nº 12 a 15, na conta 34863020001, conforme se lê no campo observação do Relatório de Lançamentos (ff. 09 e 10). 5. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/08/1998 TRIBUTÁRIO – PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CESSÃO DE MÃO DEOBRA O Art. 31, § 3º da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.032/95, bem como o Art. 42, § 2º do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 2173/97 (aplicado até a competência de dezembro 1998) definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsável pelas contribuições previdenciárias oriundas do fato gerador comum. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. Lançamento Procedente” Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11330.000181/200733 Acórdão n.º 2301002.459 S2C3T1 Fl. 218 3 6. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese, que: a) o decurso do prazo decadencial é de cinco anos, e, não mais em dez anos (dada à inconstitucionalidade do art. 45, da Lei 8.212/91), resultando consumada a decadência no caso, o que acredita o contribuinte ser passível de reconhecimento no atual momento processual; b) que o lançamento em duplicidade pode se dar tanto sob a perspectiva da "solidariedade", quanto na da "retenção", e, considerando que nestes autos debatese a questão da solidariedade, há que ser confirmada, portanto, a existência de débitos na origem, por meio de verificações na correspondente escrita contábil, sem prejuízo da obrigação do fisco previdenciário de investigar em seus arquivos sistematizados a hipótese previdenciária do contribuinte contratado, para que seja validada a cobrança previdenciária junto ao correspondente contribuinte solidário; c) que deve ser reformado o acórdão para ser reconhecida a nulidade do lançamento fiscal, tendo em vista a generalização inadequada verificada, que não demonstra com clareza e objetividade a efetiva ocorrência de cessão de mãodeobra; 7. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Tendo em vista o período de apuração da exação objeto do presente recurso, se faz necessária a verificação da matéria nos termos do Código Tributário Nacional. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 3. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 4. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 5. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional (CTN), se aplica ao caso concreto. 6. Compulsando os autos, constatase que, independentemente das regras dos artigos 173, inciso I ou 150, §4º do CTN, encontramse decaídas as parcelas ora discutidas. 7. No caso em apreço, considerando para efeitos de cálculo da decadência a data da ciência da recorrente em relação ao lançamento fiscal ocorrida em 27/12/2005, correspondente às contribuições das competências 9/1997 a 8/1998, fica alcançado pela decadência quinquenal todo o período fiscalizado (art. 156, inc. V do CTN). 8. Feitas essas considerações, acato a preliminar de decadência. CONCLUSÃO 9. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, em razão de o lançamento abranger período alcançado pelo prazo decadencial. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 450DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000043/2008-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.143
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que concluiu pela procedência da exigência formulada por meio do Auto de Infração às fls. 15/19, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (suplementar) no valor de R$ 47.708,43, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Depreendese dos autos que o lançamento decorreu da revisão efetuada na declaração de rendimentos apresentada pela contribuinte, relativa ao exercício 2003, ano calendário 2002, em que a fiscalização efetuou a glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no total de R$ 50.993,90. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13909.000043/200879 Resolução n.º 2801000.143 S2TE01 Fl. 441 2 Após ser cientificada do lançamento em 05/12/2007, a interessada apresentou impugnação em 05/12/2007, às fl. 01/14, argumentando que: ao elaborar a declaração de rendimentos em apreço, utilizou, equivocadamente, um cálculo pericial extrajuízo, apresentado pela reclamada e com IRRF no montante de R$ 50.788,84, sendo que o valor correto (retido) corresponde a R$ 39.346,19, segundo documento em anexo; dessa forma, a diferença de imposto a pagar corresponde a R$ 12.195,83, conforme planilha à fl. 13, sendo que tal valor foi recolhido em 28/12/07, conforme Darf colacionado ao presente processo; faz jus à dedução de R$ 33.930,65 a título de despesas com advogados, conforme recibos em anexo; ao final, diante desses esclarecimentos, solicitou a impugnante fosse efetuado o recálculo dos valores lançados e a substituição da multa de ofício pela multa de mora de 20%. Ao apreciar o litígio, a 6a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR decidiu, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão DRJ/CTA nº 0631.280, de 18/04/2011, às fls. 196/197. Devidamente intimada da decisão a quo em 16/05/2011, nos termos do documento à fl. 201, a interessada interpôs, em 13/06/2011, o Recurso Voluntário às fls. 205/226. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Não há no documento recursal qualquer alegação preliminar. No presente caso a autoridade lançadora assim fundamentou a exigência em questão: fl. 16 “Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. A contribuinte deduziu o total do imposto de renda da ação judicial RT 943/01 movida contra CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, CNPJ 00.360.305/000104, em sua declaração de ajuste anual. O valor correto deve ser obtido deduzindose do imposto total pago o valor do imposto de renda referente à parcela dos rendimentos com tributação exclusiva na fonte. Conforme apuração dos dados, o valor de IRRF que pode ser levado ao ajuste anual é de R$ 0,00. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13909.000043/200879 Resolução n.º 2801000.143 S2TE01 Fl. 442 3 Cabe salientar que não foram apresentados os cálculos periciais homologados judicialmente, DARF de recolhimento de IRRF e contrato de honorários advocatícios. Cabe ainda salientar que na guia de retirada n° 1813/2001 apresentada pela contribuinte, não consta o nome do procurador, impossibilitando a identificação do advogado patrono desta ação trabalhista.” (grifei) Por sua vez, o órgão julgador a quo, após apreciar o litígio exarou a decisão às fls. 196/197, em que concluiu o seguinte: fl. 197 “(...) 10. Em sua defesa, alega a Impugnante ter informado na DAA, indevidamente, o montante de R$ 50.788,84 a título de IRRF, quando o certo seria R$ 39.346,19, segundo os documentos da ação trabalhista que ora carreou aos autos (doc. 105). 11. Porém, compulsando os autos, observase que o documento 105, intitulado “Total Geral da Liquidação” consolidado em 29/11/02, está representado apenas por cópia não autenticada, o que fragiliza o seu poder probatório. Acrescentese, ainda, que a suposta homologação desse documento também está representada por cópia não autenticada, na qual consta como data de homologação 19/07/06, não havendo nos autos, inclusive, prova do respectivo trânsito em julgado. Portanto, diante desse quadro, os documentos apresentados não se mostram suficientes ao convencimento desta autoridade julgadora quanto à procedência da compensação pleiteada pela Impugnante. (...) 14. Conforme se observa nos dispositivos colacionados acima, de fato, despesas com advogados, pagas pelo contribuinte, são passíveis de serem deduzidas na base de cálculo do Imposto de Renda, porém, tal dedução está sujeita a comprovação. (...) 16. Analisando os autos, constatase que a Impugnante não apresentou os respectivos contratos de prestação de serviços advocatícios, alegando, inclusive, em sua defesa (vide fl. 10), “que não possui contrato de honorários advocatícios.” Acrescentese que sequer a comprovação de mandato (procuração) dos advogados foi apresentada, a qual é obrigatória nos termos do art. 5o da Lei n° 8.906, de 1994 (Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil). Portanto, em que pese os recibos apresentados, não ficou demonstrada, de forma inequívoca, a procedência das despesas com advogados, restando, pois, impossibilitada a respectiva dedução na base de cálculo do Imposto de Renda. (...)” (grifei) Fl. 442DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13909.000043/200879 Resolução n.º 2801000.143 S2TE01 Fl. 443 4 Todavia, em sua peça recursal, dentre outras questões, a contribuinte argumenta que: quando da notificação do Auto de Infração ocorrida em dezembro de 2007, o processo encontravase no Tribunal em Curitiba, Pr, e as cópias tiveram que ser tiradas às pressas no Tribunal, que entraria em recesso no dia 20/12/2007; quanto à homologação do “Total Geral de Liquidação”, houve três homologações, em virtude das readequações ocorridas, (...), sendo que os cálculos foram homologados em datas de 30/07/2002, 23/08/2004 e 19/07/2006, respectivamente, face aos recursos apresentados pelas partes, no prazo legal, não ocorrendo assim “transito em julgado” até o encerramento do processo em abril deste ano, procurando assim esclarecer na impugnação que o processo não encontravase encerrado; esclarece que o Imposto de Renda Retido na Fonte, referente as verbas tributáveis, apresentado no “Total Geral de Liquidação”, homologado conforme demonstra as datas acima, encontravase totalmente penhorado, em mãos da Vara do Trabalho (Federal), até o final e encerramento do processo para o respectivo recolhimento, pois o recolhimento antecipado pelo primeiro cálculo apresentado, poderia prejudicar a parte autora ou a ré; após todos os recursos apresentados pelas partes, o processo encerrou em abril de 2011, com o recolhimento total do IRRF na importância de R$ 46.153,70 em data de 06/04/2011, conforme se comprova pelos documentos apresentados (doc. 197v), o qual a importância recebida pela SUPLICANTE neste ano de 2011, será declarado no exercício de 2012, ano calendário 2011, deduzindo assim do valor total do imposto a ser apurado na DAA, o imposto de renda retido na fonte, parcialmente, uma vez que parte foi utilizado no exercício de 2003, ano calendário 2002; está provando a retenção do imposto de renda na fonte (doc. 81), apresentando o contrato de honorários advocatícios e os recibos pagos aos advogados (does. 13 a 21) e o DARF do imposto de renda retido na fonte devidamente recolhido (doc. 197 verso), tudo devidamente autenticado pela Agência da Receita Federal do Brasil em Cornélio Procópio, Paraná, comprovando assim a autenticidade dos documentos, como também que não houve má fé ou dolo por parte da SUPLICANTE, estando assim todo o imposto de renda devido, pago de acordo com os DARFs doc. 200 e 201, nada devendo a Fazenda Nacional. tem o DIREITO DE DEDUZIR DOS RENDIMENTOS o valor efetivamente pago a título de honorários, na importância de R$ 38.881,52, pois encontramse comprovados os respectivos pagamentos. Assim, verificase que, juntamente com a peça recursal, a contribuinte colacionou aos autos vasta documentação (docs. 22 a 201), o qual salienta ter sido devidamente autenticada pela Agência da Receita Federal do Brasil em Cornélio Procópio/PR. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13909.000043/200879 Resolução n.º 2801000.143 S2TE01 Fl. 444 5 Deste modo, observase que há diversos documentos que somente foram acostados ao presente processo após a ciência do Auto de Infração (inclusive, aqueles obtidos pela recorrente após o trânsito em julgado da ação judicial trabalhista nº 943/01), sendo cabível a análise criteriosa e individualizada desta documentação pela autoridade lançadora. Em sua defesa a recorrente assevera ainda que o IRRF relativo à citada ação judicial, no valor de R$ 46.153,70, somente teria sido recolhido em 06/04/2011, e que, em função disso, parte deste valor seria utilizado como dedução do imposto na declaração de ajuste anual apresentada pela recorrente para o exercício 2012, anocalendário 2011. Portanto, face o acima exposto, e com vistas a formar convicção acerca da lide, VOTO pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que sejam adotadas as seguintes providências pela autoridade fiscal: i) seja examinada a documentação colacionada aos autos pela recorrente, manifestandose, em relatório circunstanciado e conclusivo, quanto à comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte que foi objeto da glosa efetuada no Auto de Infração, verificando, inclusive, a questão atinente à proporcionalidade (valor passível de dedução) em relação à natureza das verbas (tributáveis ou isentas/não tributáveis) sobre as quais incidiram essa retenção de IRRF; ii) informar/esclarecer se parte do IRRF relativo à citada ação judicial foi utilizado como dedução do imposto na declaração de ajuste anual apresentada pela recorrente para o exercício 2012, anocalendário 2011; iii) se da análise dos itens (i) e (ii) restarem dúvidas, intimar a autuada, concedendolhe prazo para que esclareça de forma detalhada os valores questionados apresentando a respectiva documentação comprobatória; iv) realizar intimações e diligências que julgar necessárias para formação de convencimento; v) ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar a contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, inclusive, de eventuais documentos que vierem a ser anexados a este processo provenientes dos procedimentos acima referidos, assegurandolhe prazo para sua manifestação. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 444DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10945.000655/2006-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
Ementa: AUTUAÇÃO. SUJEITO PASSIVO. CORREÇÃO. INDICAÇÃO.
Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), cabe ao Fisco indicar corretamente o sujeito passivo.
No presente caso, as provas e indícios presentes nos autos não demonstram, com absoluta certeza, como se requer no Direito Tributário Pátrio, que o sujeito passivo indicado é o correto.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-002.286
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001 Ementa: AUTUAÇÃO. SUJEITO PASSIVO. CORREÇÃO. INDICAÇÃO. Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), cabe ao Fisco indicar corretamente o sujeito passivo. No presente caso, as provas e indícios presentes nos autos não demonstram, com absoluta certeza, como se requer no Direito Tributário Pátrio, que o sujeito passivo indicado é o correto. Recurso Especial do Procurador Negado.
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SUJEITO PASSIVO. CORREÇÃO. INDICAÇÃO. Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), cabe ao Fisco indicar corretamente o sujeito passivo. No presente caso, as provas e indícios presentes nos autos não demonstram, com absoluta certeza, como se requer no Direito Tributário Pátrio, que o sujeito passivo indicado é o correto. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 207DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire Fl. 208DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10945.000655/200675 Acórdão n.º 9202002.286 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0132, interposto pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0124, que decidiu dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte que possuem origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS. Simples transferência de numerário não pode ser considerada como aplicação de recursos, quando não vinculada efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não for comprovada sua destinação, sua aplicação ou seu consumo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Tratase de autuação relativa a rendimentos apurados nos anos calendários de 2001, com base em acréscimo patrimonial a descoberto; 2. A autuação teve origem em investigações realizadas em contribuintes que movimentavam recursos no exterior em contas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa Beacon Hill Service Corporation"; 3. O entendimento firmado no acórdão ora recorrido, que deu provimento ao recurso voluntário, não reflete a melhor solução para o caso em apreço; 4. O acórdão recorrido, em suas razões de decidir, fundamentouse em dois argumentos referentes ao ônus da prova para a configuração do APD: a) Primeiramente, o relator, em seu voto condutor, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 consigna que caberia à autuação comprovar a titularidade dos recursos remetidos ao exterior; e b) Quanto ao segundo argumento para dar provimento ao recurso do contribuinte, o colegiado se fundamenta no entendimento de que cabe à fiscalização provar a efetividade do dispêndio na configuração do acréscimo patrimonial a descoberto; 5. Ao analisar caso em tudo semelhante ao dos autos, a 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, em divergência ao entendimento firmado no acórdão recorrido, resolveu manter o lançamento, em decisão constante do acórdão n 10248633, comprovando a divergência jurisprudencial; 6. A autuação deve ser mantida, pois elaborada na forma das determinações da Lei 7713/1988 e 8021/1990; 7. Na hipótese vertente, houve inequívoca identificação do contribuinte como responsável (ordenante), pela remessa de recursos ao exterior, com destino para a conta PESCARA. Tal circunstância está demonstrada pela mídia fornecida pelos bancos nos EUA que, inclusive, foi atestada em perícia técnica do Instituto Nacional de Criminalística, vinculado ao Departamento de Polícia Federal, (Laudo n. 9 1609/04INC), após a devida autorização da Corte norteamericana e da Justiça Federal Brasileira; 8. Ademais, como ressaltado no Termo de Verificação Fiscal, a remessa de recursos ao exterior multicitada, apenas originou a fiscalização do contribuinte. Isso significa que caberia ao autuado demonstrar que os recursos em tela pertenciam a terceiro; 9. Face ao exposto, com base na divergência apontada e nas razões ora suscitadas, requer a PGFN que seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento tributário em sua integralidade. Por despacho, fls. 0171, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0185, argumentando, em síntese, que a titularidade da conta bancária não pode ser presumida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10945.000655/200675 Acórdão n.º 9202002.286 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Analisando os autos verificamos, conforme bem relata em seu recurso a nobre Procuradoria, que o acórdão recorrido, em suas razões de decidir, fundamentouse em dois argumentos referentes ao ônus da prova para a configuração do APD: 1. Que caberia à autuação comprovar a titularidade dos recursos remetidos ao exterior; e 2. Que cabe à fiscalização provar a efetividade do dispêndio na configuração do acréscimo patrimonial a descoberto. Quanto ao primeiro argumento – comprovação da titularidade verificamos que desde o início da ação fiscal a recorrente afirma que não é a pessoa física citada, demonstrando, inclusive, que seu nome possui outra grafia e não LIN “CHIO” SHU HU, conforme documentos dos autos, fls. 005. A DRJ na análise da questão informa que “a diferença na grafia do nome é insignificante e não é capaz de invalidar a presunção de tratarse da impugnante. Por outro lado, mostrase improvável, se não impossível, a existência, na região de Foz do Iguaçu, de duas pessoas, de origem chinesa, que apresente nomes tão semelhantes, haja vista o pequeno universo de pessoas dessa origem, o que não propiciaria magnitude estatística suficiente à ocorrência da coincidência”. Como se demonstra, a DRJ utilizou de argumentos pessoais e subjetivos para definir a questão. Não há como um julgador saber qual a significância da grafia, assim como não há como um julgador ter certeza da existência, ou não, de pessoa física com o nome citado na representação. A única ligação sobre a titularidade da conta e o conseqüente acréscimo patrimonial a descoberto é o nome da pessoa e este não pode estar com grafia distinta ao da autuação nos documentos que comprovam a movimentação dos recursos. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Em dúvida, não há como “presumir” a titularidade dos recursos, como deseja a nobre Procuradoria quando afirma em seu recurso: “...caberia ao autuado demonstrar que os recursos em tela pertenciam a terceiro”. Com todo respeito, o devido processo legal deve ser obedecido e cabe a quem acusa trazer provas e indícios aos autos sobre a correta identificação do sujeito passivo. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso da excelsa Procuradoria, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 15586.000069/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004, 2005
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É tributável, no
ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, os não-tributáveis,
tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
Preliminar rejeitada
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.639
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, os nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 591DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente convocada). Relatório Elias de Oliveira interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ BRASÍLIA/DF (fls. 556) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 473/478, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2004 e 2005, no valor de R$ 35.819,74, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 73.624,61. Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorre da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto em alguns meses dos anocalendário de 2003 e 2004, conforme planilhas às fls. 454/457 e 461/464. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que no ano de 2004 informou na sua declaração a alienação de um terreno de sua propriedade pelo valor de R$ 8.000,00, cuja transação teria ocorrido por meio de permuta, comprovada por recibo de venda, e esclarece que, por se tratar de uma permuta, somente depois de algum tempo foi possível converter o bem em pecúnia; também como possíveis origens, o Contribuinte afirma que tomou diversos empréstimos com parentes, no ano de 2004, que totalizaram R$ 62.000,00. Alega que como as operações foram realizadas com pessoas da família, foram dispensadas as formalidades, mas que apresenta declarações dos mutuantes confiormando as operações. Informa que pagou todos os empréstimos durante o ano de 2005. O Contribuinte insurgiuse contra o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, sustentando que depósitos bancários, por si só, não caracterizam omissão de rendimentos; discorre sobre o conceito de presunção para, por fim, concluir pela invalidade do lançamento. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a alegada alienação de imóvel por R$ 8.000,00, a DRJ observou que consta da declaração do Contribuinte, referente ao anocalendário de 2003, a venda de um terreno por R$ 8.000,00, porém, segundo os documentos apresentados, o imóvel em questão foi alienado em dezembro de 1999, mediante permuta; que também não está demonstrado nos autos a alienação da moto com placa NX 200, recebida na permuta, no ano de 2003. Observa a DRJ que a fiscalização reconheceu a existência de recursos em espécie, em 31/12/2002, no valor de R$ 8.580,00. Sobre os alegados empréstimos, a DRJBRASÍLIA/DF observou que, embora os mutuantes tenham apresentado declarações confirmando os empréstimos, analisando os dados fiscais destes mutuantes, constatase que, à exceção de Luiza Paula Vasconcelos, que apresentou declaração de isento, nenhum outro apresentou declaração de rendimentos para o ano de 2003 e que, nos anos de 2004 e 2005, nenhum deles demonstrou ter condições financeiras para realizar tais operações; que também não foi comprovada a efetividade das Fl. 592DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000069/200751 Acórdão n.º 220101.639 S2C2T1 Fl. 2 3 transferências financeiras dos supostos mutuantes para o Contribuinte; que, portanto, não restou comprovada a efetividade das operações de mútuo. Finalmente, sobre a alegação de que não são válidos lançamentos com base exclusivamente em depósitos bancários, a DRJ registrou que não é este o caso do lançamento sob análise, o qual não se baseou apenas em depósitos bancários, mas em diversas informações sobre gastos e sobre disponibilidades financeiras. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 26/10/2010 (fls. 564) e, em 26/11/2010, interpôs o recurso voluntário de fls.; 565/577, que ora se examina e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto. Os valores apurados estão demonstrados nas planilhas de fls. 454/457 e 461/464. Inicialmente, sobre a alegação de impossibilidade do lançamento com base em depósitos bancários, cumpre registrar, como já ressaltado na decisão de primeira instância, que não é disso que se trata neste caso. O lançamento não se baseou nos dados sobre depósitos bancários. As informações utilizadas referemse apenas aos valores totais dos saldos bancários no início e no final de cada mês, e nos totais dos gastos mensais com cartões de crédito. São dados aos quais o Fisco, indiscutivelmente, pode ter acesso, pois não envolvem informações realativas a qualquer aspecto da intimidade dos constrituintes. Ainda que assim não fosse, a posição consolidada no âmbito deste Conselheo é no sentido de que o Fisco pode ter acesso, e utilizar como base para lançamentos tributários, as informações sobre a movimentação financeira dos Contribuinte. Sobre este aspecto, portanto, não há nada que possa comprometer a higidez do lançamento. Rejeito, assim, a preliminar de nulidade. Quanto ao mmérito, sobre a possibilidade do lançamento com base no acréscimo patrimonial a descoberto, o artigo 55, XIII do RIR/99 é categórico ao afirmála, a saber: Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 593DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 [...] XIII – as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréssimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] No presente caso, a planilhas de fls. 454/457 e 461/464 demonstram claramente a evolução das origens e aplicações dos recursos, mês a mês, apurando, em alguns meses, aplicações para as quais não foram identificadas origens, caracterizando, assim, a situaçao definida na norma como rendimento sujeito à tributação. O Contribuinte questiona, todavia, o fato de que algumas origens não teriam sido consideradas. Referese à venda e/ou permuta de um imóvel e a obtenção de empréstimos com parentes. Sobre a alegada venda do imóvel, que, em verdade, foi uma permuta, como destacou a decisão de primeira instância, o Contribuinte faz prova da permuta de um terreno com uma moto, realizada no ano de 1999 (fls. 495), embora o Contribuinte tenha informado, na DIRPF/2004, a alienação no ano de 2003. Pela argumentação do Contribuinte, podese entender que o que ocorreu em 2003 foi a alienação da moto permutada pelo terreno. Porém, o Contriubinte também não apresenta nenhum documento que comprove essa alienação no ano de 2003. Logo, não há como acolher essa alegada origem de recursos. Sobre os alegados empréstimos feitos com parentes, embora este tipo de operação seja frequentemente realizada de maneira informal, dispensandose contratos ou outros documentos, para se acatar esse tipo de origem, o Contribuinte deveria demonstrar, pelo menos, a transferência dos recursos, mediante comprovação de depósitos, por exemplo. E, neste caso, o Contriubinte apresenta apenas declarações desses parentes. Considerando ainda a circunstância, ressaltada pela decisão de primeira instância, de que os supostos mutuantes não apresentam evidências de que teriam suporte financeiro para realizar este tipo de operação, não há como acolher a alegada origem. Assim, em conclusão, o Contribuinte não conseguiu demonstrar as orígens do acréscimo acréscimo patrimonial a descoberto apurado na autuação. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 594DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000069/200751 Acórdão n.º 220101.639 S2C2T1 Fl. 3 5 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000010/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.237
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por não converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por não converter o julgamento em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas De Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Debito lavrada contra o contribuinte acima identificado, em substituição da NFLD 35.007.3546, que foi anulada pela 4ª Câmara de Julgamento Acórdão 724/2005 Oficio n.10/4ª. CAJ/CRPS, de 04/04/2006, em face da omissão no relatório de Fundamentos Legais do Débito do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, como também pelo fato de a NFLD ter arrolado, de forma englobada, os 169 prestadores de serviço. De acordo com o relatório Fiscal de fls.24 a 27 a NFLD foi lavrada especificamente para apurar e cobrar os créditos provenientes do Instituto da "RESPONSABILIDADE SOLIDARIA", em face de serviços prestados pela empresa prestadora: MÁQUINAS BOLBI LTDA, CNPJ:17249830/000150, no período de agosto a dezembro de 1998. Inconformadas com a Decisão de fls.121 a 129 as empresas apresentaram recurso alegando em apertada síntese: Da recorrente MÁQUINAS BOLBI DAS PRELIMINARES Da decadência do direito de lançar: o lançamento fiscal promovido pela fiscalização se deu quando já decaído o direito de lançar da administração pública, conforme a previsão de cinco anos do artigo 173 do CTN, como também as referidas contribuições sociais objeto da autuação sujeitam o lançamento à homologação pelo art. 150 do mesmo CTN; a Constituição Federal de 1988 consagrou que a prescrição e a decadência do crédito tributário devem ser reguladas por Lei Complementar, conforme o art. 146 da Carta Magna — ao que pese a pretensão dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 — em alongar os prazos de decadência e prescrição das contribuições previdenciárias; Do Cerceamento de Defesa a CSN deixou de exibir os comprovantes de recolhimento, segundo a autoridade fiscal, pelo que lavrou a notificação impugnada apontando como contribuintes responsáveis a CSN e a Autuada, inclusive, com a determinação de que seja o débito apurado inscrito em dívida ativa em face da Autuada impedindoa de obter Certidão Negativa de Débito (CND); a solidariedade em comento implica em litisconsórcio passivo necessário na esfera administrativa, obrigando a participação de todos os contribuintes ditos solidários em todas as fases do procedimento administrativo, sob pena de nulidade; a recorrente não participou da fase inicial do procedimento administrativo, sendolhe usurpada a oportunidade própria para apresentação da documentação pertinente, impõese o reconhecimento da nulidade da autuação fiscal em razão do cerceamento de defesa; DO MÉRITO Dos recolhimentos efetuados a tempo e a modo pela Recorrente Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000010/200712 Resolução n.º 2401000.237 S2C4T1 Fl. 247 3 Aduz que promoveu a tempo e a modo o recolhimento das Contribuições Previdenciárias devidas, conforme fazem provas as folhas de pagamento e as guias de recolhimento, com cópias juntadas aos autos; Por fim, pede que seja acolhida a preliminar de decadência declarando a insubsistência da autuação; em não ocorrendo seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa anulando a NFLD. Ainda de forma alternativa e tendo em vista os recolhimentos promovidos pela recorrente requer seja julgada insubsistente a notificação em comento. Da recorrente CSN Embora tenha sido cientificada, conforme se depreende do Aviso de recebimento – AR acostado às fls. 28 dos autos, a empresa tomadora de serviços não apresentou defesa. Após a decisão de primeira instância, apresenta recurso com as seguintes alegações: Que a nulidade do lançamento ora substituído é de natureza material e portanto não havendo reabertura do prazo para o lançamento tendo decaído o direito da autoridade administrativa em constituir o crédito tributário. Sustenta ter ocorrido também a perempção do crédito tributário quando do julgamento da NFLD 35.007.3546. Defende a falta de comprovação por parte da fiscalização, da existência de débito, não havendo a absoluta certeza de sua existência, devendo a fiscalização demonstrar a ausência de recolhimento para depois cobrálo da empresa solidária. Requer o acolhimento da decadência ou da perempção ou subsidiariamente, que seja dado provimento ao recurso para julgar improcedente o lançamento ante a ausência de prova cabal de que havia débito por parte do prestador. Em julgamento deste colegiado, os autos foram baixados em diligência através da Resolução nº 2401000.132 da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, para que fosse informada a data da ciência do contribuinte quando da lavratura da notificação anulada. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas De Souza Costa Os recursos são tempestivos e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Chamo o feito à ordem em razão de se tratar de retorno de diligência determinada pela Resolução nº 2401000.132 da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Em atendimento à diligência solicitada, vieram os documentos de fls. 225 a 227 e a informação da fiscalização às fls. 228, esclarecendo que o lançamento anulado ocorreu em 30/11/1999, com ciência (entrega pessoal) em 01/12/1999 e anulação ocorrida em 20/04/2005. Compulsando os autos, verifico não ter sido dada a ciência aos recorrentes acerca da diligência realizada. Tal procedimento pode ser entendido como cerceamento do direito de defesa das empresas interessadas. Desta forma, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que seja notificada a autuada e a prestadora de serviços para que, querendo, se manifestem no prazo legal. Marcelo Freitas De Souza Costa – Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11634.000462/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2004, 2005 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96.
A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96.
Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa.
Numero da decisão: 2201-001.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente. RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE 2 RODRIGO SANTO Redator designado. EDITADO EM: 23/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão 0623.758 la Turma da DRJ/CTA, que negou provimento à impugnação do contribuinte contra auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 815824), por meio do qual se lançou contra a contribuinte o crédito tributário total de R$ 184.131,39, relativo a multa de oficio e juros de mora exigidos isoladamente, em decorrência da falta de retenção e recolhimento de IRRF. O Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 825847 detalha as circunstâncias e ocorrências determinantes da lavratura do auto de infração. No essencial, temse que a ação fiscal foi instaurada por requisição do Ministério Público, que encaminhou cópias de documentos de bolsas de beneficiários vinculados A. fiscalizada. A origem do lançamento, portanto, são pagamentos efetuados pela contribuinte à Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular — FUNADESP, a titulo de patrocínio de bolsas de estudos, os quais foram descaracterizados pelas seguintes constatações: 1) destinação prédefinida dos valores remetidos à FUNADESP; 2) identidade dos montantes remetidos pela autuada e a bolsa de seus funcionários; 3) coincidência nas datas de pagamento das bolsas e dos salários da autuada; 4) proporção direta entre a função exercida pelo professor e o valor da bolsa; 5) existência de condições impostas As bolsas; 6) negativa do professor Zulmar Antônio Fachin sobre o recebimento de bolsa de estudos; 7) similitude entre os valores pagos a alguns professores no código 022 — atividade complementar — com o montante pago a titulo de bolsa aos mesmos; e 8) supostas divergências nas informações sobre os responsáveis pelo pagamento das bolsas. Foi aplicada a multa de oficio qualificada, de 150%, ao entendimento de que houve dolo na conduta da autuada, quando passou a efetuar pagamentos de verbas trabalhistas a titulo de bolsas de estudos, com o intuito de evitar o recolhimento dos tributos respectivos. Cientificada do lançamento em 28/06/2007 (fls. 849), a contribuinte apresentou, em 27/07/2007, a impugnação de fls. 860867, alegando, em síntese a regularidade dos pagamentos feito e que os mesmos são isentos do IRPJ. Em 24/08/2007, por meio da petição de fls. 899, a impugnante requereu a juntada do parecer de fls. 900907. Em 23/03/2009 foi prolatado o despacho de fls. 909910, determinando a realização de diligencia em que fosse concedida A impugnante a oportunidade de trazer aos autos os comprovantes de eventuais publicações dos resultados das pesquisas que ensejaram as remunerações discutidas nestes autos. A impugnante promoveu ajuntada dos documentos de fls. 916983. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE Processo nº 11634.000462/200771 Acórdão n.º 220101.471 S2C2T1 Fl. 1.057 3 A DRJ houve por bem negar provimento à impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2005 MULTA E JUROS ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF. Sujeitase aos consectdrios legais, inclusive multa de oficio qualificada, a instituição de ensino que, no propósito de reduzir a carga tributária e previdenciária incidente sobre os salários de graduados servidores seus, simula a concessão, por meio de outra instituição privada, de bolsa de estudo/pesquisa e, por essa via, objetivando fazer jus às isenções especificas, lhes repassa quantias superiores à metade de suas remunerações mensais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a Contribuinte recorre reiterando os argumento da impugnação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A presente lide versa sobre a exigência de multa de oficio e de juros, isoladamente em razão da não retenção do Imposto de Renda da Pessoa Física pela fonte pagadora. A contribuinte sustenta a não incidência do citado tributo, uma vez que os valores entregues às pessoas físicas foram a título de bolsa de estudo e conseqüentemente isentos. Contudo, penso que antes de se verificar a incidência do tributo nas operações realizadas pela Recorrente, devemos verificar se ao caso concreto seria aplicável multa isolada. Isso porque este sodalício vem afastando a aplicação de multa isolada em casos semelhantes. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE 4 Nesse sentido é o acórdão da CSRF: Recurso nº 155.153 Especial do Procurador Acórdão nº 9202001.886 – 2ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTEIRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa. Válida é a transcrição do voto do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator do caso quando Julgado na extinta 4ª Câmara do 1º CC. É que legislação superveniente deixou de definir como hipótese de aplicação da multa isolada a falta de retenção efou recolhimento do imposto pela fonte pagadora. Inicialmente, foi a Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdeu eficácia, e, pouco tempo depois, foi a Medida Provisória n°351, de 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007 e que reproduz o mesmo dispositivo da Medida Provisória n° 303. Essas normas alteraram o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Eis a nova redação introduzida pelo art. 14 da referida Medida Provisória e da Lei n° 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e 111. "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE Processo nº 11634.000462/200771 Acórdão n.º 220101.471 S2C2T1 Fl. 1.058 5 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1°. O percentual de multa de que trata o inciso Ido caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 1 (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei n°9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso Ido caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1 prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta " (NR) Registrese que a multa isolada pela falta de recolhimento ou recolhimento fora do prazo, sem a multa de mora, de rendimentos retidos na fonte foi introduzida pela Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, posteriormente convertida na Lei n° 10.426, de 2002. Eis o teor do art. 9° dessa Lei:Art. 9°. Sujeitase às multas de que tratam os inciso I e Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE 6 lido art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Pois bem, esse dispositivo também foi alterado pela Medida Provisória n° 321, de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007, que passou a ter a seguinte redação: Lei n° 11.488, de 2007: Art. 16. O art. 9° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 9°. Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1°, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis" Ora, como se vê, na sua nova redação, o art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002 prevê apenas a aplicação da multa a que se refere o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada juntamente com o imposto. Portanto, não prevê a hipótese de incidência da multa isolada de que trata o inciso II, isolada e no percentual de 50%. Não é sem razão, aliás, que o novo texto excluiu a hipótese de incidência da multa no caso de recolhimento do imposto com atraso sem a multa de mora. Não resta dúvida, portanto, de que não há possibilidade de incidência da multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, no caso de falta de pagamento ou recolhimento do IRRF ou de pagamento com atraso sem a multa de mora. Restaria examinar se é devida a exigência da multa do inciso I, isoladamente. Ora, como observou a própria autoridade lançadora neste caso, com base no Parecer Normativo COSIT n° 1, de 24/09/2002, após o prazo de entrega da declaração rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, não mais é exigível o imposto incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, que deixou de ser retido. Ora, se não é devida a exigência do imposto que deixou de ser retido. Resta, então para ser respondida a seguinte questão: se não é mais exigível o imposto à fonte pagadora, é possível a aplicação da multa de oficio isoladamente? A resposta é negativa. Primeiramente, porque, claramente, o referido inciso trata de multa exigida juntamente com o Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE Processo nº 11634.000462/200771 Acórdão n.º 220101.471 S2C2T1 Fl. 1.059 7 imposto, portanto, no caso de falta de retenção e recolhimento do imposto, porém, no caso de falta de recolhimento apenas quando o imposto for exigível da fonte pagadora. Ainda que se admitisse a possibilidade de se interpretar as normas pertinentes no sentido da possibilidade de tal incidência, essa interpretação não estaria autorizada pelo princípio da tipicidade cerrada que informa a legislação, que trata de penalidades, com reforço no artigo 112 do CTN que recomenda a interpretação mais favorável ao acusado. Penso, portanto, em conclusão, que não há previsão legal para incidência da multa isolada pela falta de retenção do imposto de renda retido na fonte exigível sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Como se trata de processo ainda não definitivamente julgado, é o caso de se aplicar a retroatividade benigna a que se refere o art. 106, II "a", do CTN, verbis: "An. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II (.) — tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; É de se afastar, portanto, essa parte do lançamento. Diante do exposto não tenho como divergir desse entendimento e voto no sentido de afastar a exigibilidade da multa aplicada. É como voto Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901631/2008-66
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da DIPJ ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1803-001.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da DIPJ ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da DIPJ ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto Da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.901631/200866 Acórdão n.º 180301.358 S1TE03 Fl. 256 2 Relatório HUSSMANN SERVICE DO BRASIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de diversos Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação – PER/DCOMP, tendo como direito creditório saldo negativo de CSLL do ano calendário 2005. Conforme despacho decisório eletrônico (fl. 89) os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas considerando não haver registro do saldo negativo na DIPJ do ano calendário 2005. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 91/92) e manifestação complementar 118/128, argüindo em síntese que ocorreu mero erro de fato na DIPJ do ano calendário 2005, mas que o detalhamento do saldo negativo consta das PER/DCOMP. Afirma a contribuinte que o mero erro de fato não pode ser impeditivo de seu direito à utilização do saldo negativo de CSLL de 2005 e que protesta pela posterior apresentação da DIPJ retificadora. Na folha 159 foi juntada tela em que há registro da entrega de DIPJ retificadora relativa ao ano calendário 2005, tendo sido cancelada a declaração original apresentada. A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 0628.828, de 15 de outubro de 2010 (fls. 162/172), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.901631/200866 Acórdão n.º 180301.358 S1TE03 Fl. 257 3 Ciente da decisão em 27/04/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 198), apresentou o recurso voluntário em 26/05/2011 fls. 199/203, onde pugna pela reforma da decisão de primeira instância considerando a existência de mero erro de fato na DIPJ e inaplicabilidade da Norma de Execução Conjunta nº 06/2007 que fundamentou a decisão de primeira instância. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação – PER/DCOMP cujo direito creditório referese a saldo negativo de CSLL do ano calendário 2005, indeferidos por não constar da DIPJ. Alega a recorrente em síntese: a) Que o fato de não constar o saldo negativo em sua DIPJ é mero erro material que não constitui óbice para apreciação do direito creditório; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.901631/200866 Acórdão n.º 180301.358 S1TE03 Fl. 258 4 b) Que deve ser afastada a aplicação da Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 06/2007, considerando sua ilegalidade frente ao art. 9º do Código Tributário Nacional; c) Que considerando o exposto, deve ser anulada a decisão de primeira instância e analisado o direito creditório pela unidade de origem. Efetivamente a decisão de primeira instância merece reforma. Com efeito, se sob a ótica da Administração Tributária considerando a racionalidade dos trabalhos de análise e verificação eletrônica dos PER/DCOMP é aceitável o indeferimento de pedido de restituição e não homologação de compensação, tão somente com base nas inconsistências entre as diversas declarações apresentadas, tal constatação não pode ser erigida como fato consumado e impeditivo da análise manual do direito creditório. Assim, apresentando o sujeito passivo elementos que indicam mero erro de fato na DIPJ como é o caso, imperioso se faça a análise manual do direito creditório com base no art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, solicitando os elementos que entender cabíveis. Destarte, em homenagem ao princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal, não pode a Administração Tributária declinar de efetuar a análise manual do direito creditório quando o indeferimento decorreu única e exclusivamente com base em divergências e inconsistências das declarações utilizadas para validação eletrônica do pedido. Deixo de analisar a alegação de ilegalidade frente ao art. 9º do Código Tributário Nacional da Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 06/2007, por ser inócua ante a solução adotada para o litígio. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário tão somente no sentido de que seja o pleito analisado integralmente pela unidade de origem e homologadas as compensações até o limite do direito creditório efetivamente apurado. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10680.003960/98-88
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Fato Gerador: 30/06/1992 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se a contribuinte foi regularmente cientificada dos autos de infração e de seus anexos/demonstrativos, lavrados com observância das formalidades legais, e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA/PERÍCIA - A admissibilidade de diligência, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensá-la quando entender desnecessária ao deslinde da questão, diante dos documentos juntados aos autos, em consonância com o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72. COOPERATIVAS – TRIBUTAÇÃO. As sociedades cooperativas sujeitam- se à incidência do imposto sobre suas atividades econômicas que, na definição legal, não tenham a natureza de atos cooperados. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO – NÃO INCIDÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA GERAL. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda os rendimentos produzidos por aplicações no mercado financeiro realizadas pelas cooperativas por consubstanciarem atos não cooperativos, a exceção das cooperativas de crédito, visto que se referem a atos cooperativos típicos. RECEITAS FINANCEIRAS DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO – As cooperativas de crédito destinam-se, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados, sendo- lhes assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro. Assim, a 2 captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados - atos praticados pelas cooperativas de crédito - constituem atos cooperativos, portanto, não são passíveis de incidência tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS/Repique – Aplica-se ao lançamento do PIS/Repique o mesmo tratamento dispensado ao IRPJ, em razão de íntima relação de causa e efeito que os vinculam.
Numero da decisão: 1802-001.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Não se configura cerceamento do direito de defesa se a contribuinte foi regularmente cientificada dos autos de infração e de seus anexos/demonstrativos, lavrados com observância das formalidades legais, e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA/PERÍCIA A admissibilidade de diligência, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensála quando entender desnecessária ao deslinde da questão, diante dos documentos juntados aos autos, em consonância com o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72. COOPERATIVAS – TRIBUTAÇÃO. As sociedades cooperativas sujeitam se à incidência do imposto sobre suas atividades econômicas que, na definição legal, não tenham a natureza de atos cooperados. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO – NÃO INCIDÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA GERAL. Sujeitamse à incidência do imposto de renda os rendimentos produzidos por aplicações no mercado financeiro realizadas pelas cooperativas por consubstanciarem atos não cooperativos, a exceção das cooperativas de crédito, visto que se referem a atos cooperativos típicos. RECEITAS FINANCEIRAS DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO – As cooperativas de crédito destinamse, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados, sendo lhes assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro. Assim, a Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados atos praticados pelas cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, portanto, não são passíveis de incidência tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS/Repique – Aplicase ao lançamento do PIS/Repique o mesmo tratamento dispensado ao IRPJ, em razão de íntima relação de causa e efeito que os vinculam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.003960/9888 Acórdão n.º 1802001.169 S1TE02 Fl. 303 3 Relatório COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS EMPREGADOS DOS ESTABELECIMENTOS HOSPITALARES DE BELO HORIZONTE E REGIÃO METROPOLITANA LTDA CECREF, já qualificada nos autos, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento relativo ao crédito tributário, consubstanciado nos seguintes autos de infração, cientificados ao contribuinte em 30/04/1998: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao 1º semestre, fato gerador: 30/06/1992, no valor de R$ 3.983,66, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até 31/03/1998 (fls.01/08); Contribuição para o Programa de Integração Social com Recursos Próprios (PIS/Repique), referente ao 1º semestre, fato gerador: 30/06/1992, no valor (convertido em reais), de R$ 199,16, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até 31/03/1998 (fls.01 e 09/13). Por economia processual adoto a seguinte parte do relatório (fls.168/169) da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Em conformidade com a descrição dos fatos e o Termo de Verificação Fiscal (fls. 07/08), o lançamento decorreu de revisão da Declaração de Ajuste Anual de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica DIRPJ, correspondente ao exercício de 1993, registrada na Secretaria da Receita Federal sob o n° 0082300 63, oportunidade em que se verificou que a receita financeira proveniente de atos não cooperativos não foi adicionada no lucro real para fins de cálculo do IRPJ (fls. 21/33 e 140/164). Restou esclarecido que a partir das informações prestadas na Solicitação de Retificação de Lançamento Suplementar n° 06101/042/97 (fls. 14/15) foi constatado que no montante de Cr$139.346.334,00 declarado pela autuada na Linha 7 Receita da Prestação de Serviços do Quadro 10 Demonstração da Receita Liquida (fl. 33) está contido o valor de Cr$30.148.716,00 correspondente a receita financeira decorrente de titulo de renda fixa, conforme consta na Demonstração de Sobras e Perdas do período elaborada pela interessada (fls. 17/20). Este montante foi considerado de oficio na apuração do lucro liquido do semestre. Enquadramento legal: art. 129 e art. 253 todos do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n.° 85.450, de 4 de dezembro de 1980 RIR, de 1980, art. 2° do Decretolei n° 2.394, de 21 de dezembro de 1987, art. 51 da Lei n°7.799, de 10 de julho de 1989, art. 79 da Lei n°5.764, de 16 de dezembro de 1971, bem como Parecer Normativo CST n° 04, de 14 de fevereiro de 1986. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Em decorrência deste procedimento, foi lavrado o Auto de Infração As fls. 09/13 com a exigência do crédito tributário no valor de R$502,64 a titulo de Contribuição para o Programa de Integração Social Pis/Repique, juros de mora e multa proporcional. Enquadramento legal: § 2° do art. 3° da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970, itens I e II da seção 6 do capitulo 1 do titulo 5 do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n° 142, de 15 de julho de 1982. Inconformada com as exigências fiscais relativas ao IRPJ e ao Pis/Repique, das quais teve ciência em 30/04/1998, a autuada apresentou, em 29/05/1998, as peças impugnatórias As fls. 46/57 e 99/101, acompanhadas dos documentos às fls. 58/91 e 102/130, respectivamente, com as alegações abaixo sintetizadas. Discorre sobre as ações fiscais, contra as quais se insurge ao argumento de que os Autos de Infração são nulos, uma vez que as descrições dos fatos estão imperfeitas e os ilícitos tributários não estão comprovados (Súmulas STF nos. 346 e 473 e art. 142 do CTN). Indica que os lançamentos de ofício somente podem ser constituídos nas hipóteses taxativas arroladas no art. 149 do CTN, o que não foi observado. Esclarece que os valores lançados não estão corretos, pois as deduções legais não foram consideradas e a base de cálculo do IRPJ é o valor liquido do rendimento, expurgada a correção pela UFIR, inclusive. Faz um breve histórico acerca da não incidência tributária sobre o resultado positivo das operações das cooperativas, acrescentando que não é contribuinte dos tributos e que foram violados os princípios constitucionais da legalidade, do não confisco, entre outros. Tece comentários sobre a legislação pertinente afirmando que a Lei n° 5.764, de 1971, prevê que as sociedades cooperativas não têm fins lucrativos e que a não incidência alcança os resultados positivos sobre os quais não incide qualquer tributo, seja imposto ou contribuição. Adota a tese de que não há possibilidade de tributação das aplicações financeiras que visam apenas preservar a disponibilidade de caixa, porque as exceções ao conceito de ato cooperativo são hipóteses taxativas (artigos 85, 86, 88 e 111 da Lei n° 5.764, de 1971). Afirma que de acordo com a Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964 e com as normas do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil estas sociedades somente podem praticar operações com seus associados. Explica que está vigente o Decretolei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, que concede isenção de IRPJ para as sociedades cooperativas de caráter mercantil. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.003960/9888 Acórdão n.º 1802001.169 S1TE02 Fl. 304 5 Defende que o ente tributante não pode proceder aos lançamentos, porque não ocorreram os fatos geradores e que o Erário não tem base legal para considerar improcedentes suas alegações, bastando que se procedesse ao exame detalhado da legislação pertinente. Aponta argumentos pertinentes à legislação tributária de regência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF. Cita jurisprudências judiciais e administrativas sobre o tema e discorda da exigência da multa de oficio. Em face do exposto, requer a produção de diligência e perícia e o cancelamento dos Autos de Infração. 0 processo foi instruido com os documentos às fls. 139/164, referentes à DIRPJ. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Belo Horizonte/MG) julgou procedentes os lançamentos do IRPJ e do Pis/Repique, em decisão proferida no venerando Acórdão nº 01.061, de 25 de abril de 2002, (fls.166/175), cuja ementa transcrevo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1993 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS Cerceamento do Direito de Defesa A correta descrição dos fatos e a indicação do enquadramento legal regular não propiciam a nulidade do lançamento, sobretudo quando devidamente compreendidos e impugnados pelo sujeito passivo. Diligência e Perícia É desnecessária a diligência quando as provas produzidas e os elementos constantes dos autos são suficientes para o perfeito entendimento e solução do litígio fiscal. A realização da perícia é prescindível quando a demonstração evidente dos fatos tributáveis não depender de conhecimento técnico especial. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1993 Ementa: RECEITAS FINANCEIRAS As receitas financeiras não estão abrangidas pela não incidência que ampara os resultados provenientes de ato cooperativo. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP O lançamento reflexo observa o mesmo procedimento adotado no principal, devido à relação de causa e efeito que os vinculam. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Cientificada do Acórdão acima mencionado em 24/09/2002 (AR à fl.179), a autuada com os mesmos argumentos expendidos na impugnação, interpôs, em 23/10/2002, o Recurso Voluntário de fls.184 a 201, ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. A recorrente argúi que, a decisão recorrida deverá ser anulada, vez que não acolheu preliminares intransponíveis e porque também cerceou o direito de defesa da recorrente indeferindo relevante prova pericial. No mérito, alega, essencialmente, que o presente recurso tem como objeto a discordância da recorrente em relação à incidência de tributos sobre a aplicação das “sobras” obtidas com a prática de atos cooperativos, sem levar em conta que as cooperativas não auferem lucros, art. 3° da Lei 5.764/71. E mais, que a mesma Lei nº 5.764/71, em seu art. 79, define com clareza o conceito de ato cooperativo. I) — DAS PRELIMINARES: 1.1) DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A recorrente alega que o auto de infração restou sucinto, de modo a não descrever o fato fiscal com todos os detalhes, impossibilitando a ampla defesa do contribuinte, não tendo provado ser devida a exação. E ainda, não cumpriu as formalidades legais, tais como declinação das alíquotas aplicáveis, a hipótese de incidência tributária, o enquadramento normativo, etc. E mais, não se baseou em nenhum demonstrativo de cálculos referente aos alegados rendimentos auferidos nas aplicações financeiras. Aduz, que não constou o Relatório Fiscal de índole formal, quando da notificação, o que sem dúvida alguma também caracteriza ofensa ao contraditório e ao principio da legalidade, conforme doutrina citada às fls.185/186. 1.2) DA AFRONTA AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA A recorrente alega que na impugnação ao auto de infração, requereu perícia técnica acompanhada de quesitos e fundamentação do requerimento, no entanto, a 4ª Turma, órgão que julgou a matéria não vislumbrou necessidade da indispensável perícia, indeferindoa ao precário argumento de que os elementos dos autos eram suficientes para comprovar não só a pertinência da tributação, mas também ao quanto devido. A recorrente argumenta que o caso concreto exige perícia para a devida apuração do quantum, pois segundo o próprio órgão recorrido a tributação deverá incidir sobre as chamadas receitas financeiras. Destaca os seguintes quesitos formulados na impugnação: a) As operações financeiras realizadas pela Autuada/Impugnante visam atender aos fins estatutários? b) Os valores do auto de infração correspondem a veracidade da movimentação econômica e financeira da cooperativa? c) No cálculo do montante pelo Fisco, o mesmo levou em consideração as despesas de captação, na administração da carteira, na distribuição de resultado, dentre outras? d) Ao fazer o levantamento o fisco fez o cálculo do levantamento sobre o ganho real sobre a inflação (UFIR) ou foi sobre o principal mais o ganho real; e) A autuada objetiva lucro? Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.003960/9888 Acórdão n.º 1802001.169 S1TE02 Fl. 305 7 f) Como a autuada distribuiu suas sobras nos exercícios em que foi autuada? g) 0 valor levantado pelo Fisco procede? Faça um apanhado geral com base na lei 5.764/71 e demais normativos. h) 0 fisco, ao fazer o levantamento, observou os artigos 722 e 726 e parágrafos seguintes do RIR/80? Às fls.186/188 transcreve jurisprudência e justificativas para concluir que, a perícia em se tratando de tributação de ato cooperado, tido como simples operação/receita financeira se traduz em instrumental relevante à garantia do contraditório e ampla defesa. A recorrente afirma que indicou Perito Assistente às fls. 56, tendo a decisão recorrida inclusive reconhecido às fls. 170 a legitimidade de tal direito á perícia, entretanto, entendeu como desnecessária. Sustenta que, as questões suscitadas através dos quesitos supramencionados deveriam ter sido respondidas através de perícia técnica, já que relevante e diretamente ligada ao quantum revelado no auto de infração. Nessa ordem de idéias, conclui pela nulidade do processo administrativo e, conseqüentemente, o crédito nele fundado. II) — DO MÉRITO: 11.1) DO ATO COOPERATIVO — OPERAÇÃO NÃO TRIBUTÁVEL ENQUADRAMENTO ILEGAL DO FISCO. A recorrente, reproduzindo os mesmos argumentos expendidos na impugnação, alega que a incidência do imposto de renda sobre as operações de atos cooperados não tem amparo legal, sendo este o caso dos autos e não, receitas financeiras, classificação equivocada da Receita Federal. Às fls.188/197 cita jurisprudências judiciais e administrativas para sustentar sua tese de que a tributação descrita no auto de infração é indevida. Às fls.197/198 argumenta sobre a impossibilidade de ser considerada banco, e que, as sobras apuradas no final do exercício, se houver, não serão tributadas, como equivocadamente restou consignado no acórdão recorrido, fls. 171/174. Aduz que, mesmo admitindo, hipoteticamente, a possibilidade de tributação, a base deveria ser o lucro líquido que sequer foi apurado em virtude do indeferimento da perícia. A exação pretendida é indevida. Que, se as sociedades cooperativas não auferem lucros, não há base de cálculo legal para se cobrar tributos.Que, as sociedades cooperativas apresentam sobras e não lucros. Assim, não sendo devido o tributo, a exação em questão possui caráter confiscatório e ofende o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. A recorrente alega que, o fisco tomou como base de cálculo para a autuação fiscal valores dos rendimentos da cooperativa ao invés de calcular apenas o valor liquido, além da multa confiscatória aplicada, o que contraria todos os preceitos jurídicos constitucionais. A recorrente também se insurge contra os juros de mora. Diz que a taxa SELIC é exorbitante, devendo ser aplicada a taxa mais baixa utilizada pela Justiça Federal e os juros fixados em 0,5 % ao mês. Sobre o Pis/Repique, diz que, seguindo o mesmo raciocínio do acórdão recorrido, a recorrente apresenta a mesma fundamentação, inclusive argüi as mesmas preliminares. Acresce, ainda, que o lançamento de oficio é nulo, vez que não encontra respaldo nas hipóteses do art. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 889 do RIR/94 que são "numerus causus". Também transcreve enunciados de decisão judicial e administrativas, às fls.200/201, no sentido de que Não integram a base de cálculo da contribuição aquelas advindas de aplicações no mercado financeiro. Ao final pede seja dado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.003960/9888 Acórdão n.º 1802001.169 S1TE02 Fl. 306 9 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. A recorrente alega preliminarmente que o auto de infração restou sucinto, de modo a não descrever o fato fiscal com todos os detalhes, impossibilitando a ampla defesa do contribuinte, não tendo provado ser devida a exação. E ainda, não cumpriu as formalidades legais, tais como declinação das alíquotas aplicáveis, a hipótese de incidência tributária, o enquadramento normativo, etc. E mais, não se baseou em nenhum demonstrativo de cálculos referente aos alegados rendimentos auferidos nas aplicações financeiras. A argumentação acima é totalmente infundada, pois, conforme relatado, consta da descrição dos fatos e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 07/08), que o lançamento decorreu de revisão da Declaração de Ajuste Anual de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica DIRPJ, correspondente ao exercício de 1993, em que se verificou que a receita financeira proveniente de atos não cooperativos não foi adicionada ao lucro real para fins de cálculo do IRPJ (fls. 21/33 e 140/164). Restou esclarecido que a partir das informações prestadas na Solicitação de Retificação de Lançamento Suplementar n° 06101/042/97 (fls. 14/15) foi constatado que no montante de Cr$ 139.346.334,00 declarado pela autuada na Linha 7 Receita da Prestação de Serviços do Quadro 10 Demonstração da Receita Liquida (fl. 33) está contido o valor de Cr$ 30.148.716,00 correspondente à receita financeira decorrente de titulo de renda fixa, conforme consta na Demonstração de Sobras e Perdas do período elaborada pela interessada (fls. 17/20). Este montante foi considerado de oficio na apuração do lucro liquido do semestre. Constatase que o auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal, descreveu o fato, apontou a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, e determinou a exigência com a respectiva intimação para cumprila ou impugnála no prazo legal, obedecendo todos os requisitos de que trata o art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, em consonância com o artigo 142 do CTN. Nesse diapasão, não merece reparo à seguinte conclusão à fl.170 da decisão recorrida que também adoto como razão de decidir: Todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam nos autos, dos quais foi regularmente cientificada a autuada de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado. 0 principio da garantia de defesa foi observado no sentido em que foi adotado o rito adequado, houve a ciência válida da interessada, o prazo para impugnação foi regularmente observado e ainda houve oportunidade de acompanhamento dos atos de instrução. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 A perfeita descrição dos fatos que ensejaram a autuação e a indicação dos enquadramentos legais correspondentes aos ilícitos tributários apurados estão perfeitos e não propiciam a nulidade do lançamento, pois o enfrentamento das questões na impugnação denotam a sua completa compreensão. Assim, o Auto de Infração contém todos os requisitos legais de modo a lhe permitir o pleno exercício do direito de defesa (art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972). Outrossim, o lançamento de oficio é efetuado quando a lei assim o determine, ou seja, sempre que for apurada uma infração A legislação tributária a autoridade fiscal deve lavrar o respectivo Auto de Infração, sob pena de responsabilidade funcional (art. 42 e art. 149 do CTN e art. 645 do RIR de 1980). Assim, não se configura cerceamento do direito de defesa se a contribuinte foi regularmente cientificada dos autos de infração e de seus anexos/demonstrativos, lavrados com observância das formalidades legais, e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. Preliminar rejeitada. Também melhor sorte não tem a recorrente ao argüir que a decisão recorrida afronta o contraditório e a ampla defesa, por entender desnecessária a perícia requerida sob o fundamento de que os elementos dos autos eram suficientes para comprovar não só a pertinência da tributação, mas também ao quantum devido. A recorrente argumenta que o caso concreto exige perícia para a devida apuração do quantum, pois segundo o próprio órgão recorrido a tributação deverá incidir sobre as chamadas receitas financeiras. Conforme explicitado acima, das informações prestadas na Solicitação de Retificação de Lançamento Suplementar n° 06101/042/97 (fls. 14/15) foi constatado que no montante de Cr$ 139.346.334,00 declarado pela autuada na Linha 7 Receita da Prestação de Serviços do Quadro 10 Demonstração da Receita Liquida (fl. 33) está contido o valor de Cr$ 30.148.716,00 correspondente à receita financeira decorrente de titulo de renda fixa, conforme consta na Demonstração de Sobras e Perdas do período elaborada pela interessada (fls. 17/20). Este montante foi considerado de oficio na apuração do lucro liquido do semestre. Em nenhum momento a recorrente contrapõese aos valores acima, consignados nas informações por ela prestadas, na Demonstração de Sobras e Perdas do período elaborada pela interessada (fls. 17/20), e, considerado pelo Fisco como valor tributável o montante de Cr$30.148.716,00 correspondente à receita financeira decorrente de titulo de renda fixa. Os quesitos formulados dizem respeito aos atos cooperativos que, expressamente, não foram objeto de autuação. Consta expressamente no Termo de Verificação Fiscal que, 0 regime tributário das cooperativas é de não incidência em relação aos atos cooperativos e, quanto aos demais atos praticados, deve seguir o regime aplicado para as pessoas jurídicas em geral. O cerne do litígio, que será objeto da análise do mérito diz respeito à matéria de direito, ou seja, a fiscalização considerou que o resultado positivo das aplicações financeiras não provém de atos cooperativos segundo a definição dada pelo artigo 79 da Lei 5.764/71 e por isto não se classifica dentre aqueles que se colocam fora do campo de tributação por serem provenientes de atos cooperados. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.003960/9888 Acórdão n.º 1802001.169 S1TE02 Fl. 307 11 Portanto, desnecessária qualquer diligência específica para juntada de documentos ditos necessários ao lançamento (art. 9° do Dec. 70.235/72). Ademais, a admissibilidade de diligência/perícia, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensála quando entender desnecessária ao deslinde da questão, em consonância com o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72. Nessa ordem de idéia, e, analisados os fatos, conforme registrado acima, é de se concluir serem os elementos acostados aos autos suficientes para a análise conclusiva da lide e comprovação do ilícito tributário, se for o caso. Portanto, a diligência requerida pela recorrente tem efeito meramente protelatório e o indeferimento não enseja cerceamento ao direito de defesa na medida em que o contribuinte dispôs de todos os meios para apresentar a documentação necessária a comprovar seus próprios quesitos. Não o fez, o que revela o pedido de diligência/perícia prejudicial ao andamento do processo. No mérito, a alegação da recorrente é no sentido de ser incabível a tributação das receitas decorrentes de aplicações financeiras por entender que estas resultam de aplicação das “sobras” obtidas com a prática de atos cooperativos. As demais receitas não são objeto do auto de infração, pois, como dito acima, expressamente no Termo de Verificação Fiscal consta que, o regime tributário das cooperativas é de não incidência em relação aos atos cooperativos. O ponto central da lide repousa na questão de saber se as receitas financeiras decorrentes de aplicações obtidas no mercado (renda fixa) pela interessada, na qualidade de cooperativa de crédito, seriam também consideradas atos cooperativos sem incidência de imposto sobre a renda. Para compreensão da matéria fazse necessária à reprodução de alguns dispositivos da Lei nº 5.764, de 1971: (...) Art. 3 º Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro Art. 4º as cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características : (Grifei) [...] VI – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da assembléia geral; [...] Fl. 312DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Art. 79 – Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único – O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 85 – As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86 – As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e esteja de conformidade com a presente Lei. Parágrafo único – No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão administrativo. (revogado pela LC 130, de 2009) Art. 87 – Os resultados das operações das cooperativas com não associados mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta de Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social e serão contabilizados em separado, de modo a permitir cálculo para a incidência de tributos.(Grifado) Art. 88 Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16840, de 24 de agosto de 2001 (...) Art. 111 – Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85 e 86 desta Lei. (Grifado) Nos termos da Lei nº 5.764/71, denominamse atos cooperativos “os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para consecução dos objetivos sociais”, não implicando operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadorias (art. 79 e parágrafo único). De outra banda, os atos não cooperativos são aqueles que importam em operação com terceiros não associados e atividades estranhas a sua finalidade. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, na forma do art. 87, “serão levados à conta do Fundo de Assistência Técnica e Social e serão contabilizados em separado, de modo a permitir cálculo para incidência de tributos”. E o art. 111 da mesma lei afirma que “serão considerados como renda tributável os resultados obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85 e 86 desta Lei”, o que significa dizer, atos com não associados. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.003960/9888 Acórdão n.º 1802001.169 S1TE02 Fl. 308 13 As chamadas “sobras” estão disciplinadas no art. 4º da Lei e devem ser objeto de deliberação da Assembléia Geral Ordinária das Cooperativas. Feita a prestação de contas, verificarseá se houve insuficiência ou excesso nas contribuições dos associados para cobertura das despesas da sociedade. Na hipótese da existência de “sobras”, estas serão devolvidas aos associados, proporcionalmente às operações que realizaram com a Cooperativa. Dos dispositivos legais mencionados é de se concluir que todas as receitas geradas pela cooperativa através das práticas de atos cooperativos são isentas de qualquer tributo, porém, os resultados obtidos com a prática de operações que não envolvam atos cooperativos estão sujeitos ao pagamento de tributo, em virtude de não estarem amparados por regra isentiva. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da súmula 262, pacificou o entendimento que, embora os atos das cooperativas – de um modo geral sejam isentos de Imposto de Renda (IR), quando se trata do resultado de aplicações financeiras realizadas por estas entidades o IR incide sim, porque tais operações não são referentes a atos cooperativos típicos. No caso específico das cooperativas de crédito há de se levar em conta o artigo 2º da Lei Complementar 130, de 17 de abril de 2009, que assim dispõe: As cooperativas de crédito destinamse, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados, sendolhes assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro . Desse modo, é forçoso concluir que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados atos praticados pelas cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, portanto, não são passíveis de incidência tributária. É o que se extrai também do voto condutor do Acórdão nº 180201.060, de 24/11/2011 que adotou como razão de decidir o Acórdão nº 910100.626, proferido em 06/07/2010 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, solucionando divergência no âmbito do CARF, nos seguintes termos: (...) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercícios: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS, ATOS COOPERATIVOS, NÃO TRIBUTAÇÃO, A efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação. (Precedentes do STJ) (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) Fl. 314DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Voto Conselheira VIVIANE VIDAL WAGNER Presentes os pressupostos recursais, o recurso é de ser conhecido. Os limites da lide ora cingemse à tributação do resultado das aplicações financeiras no mercado, caso se configurem tais operações como ato cooperado, ou não. A Lei n.° 5364/71, ao tratar da Política Nacional de Cooperativismo, define a forma de tributação das cooperativas e estabelece a incidência de tributação sobre as receitas derivadas de atos não cooperativos. Dispõem os artigos 85, 86, 87 e 111 da Lei n.° 5364/71, litteris: (...) As cooperativas de crédito assumem uma das formas permitidas pelo art. 5º da Lei nº 5.764/71, subordinandose supletivamente às diretrizes fixadas pelo Conselho Monetário Nacional, consoante o disposto no art. 10.3 da mesma lei. Apesar disso, sua forma de tributação é especial e não pode ser simplesmente equiparada à das instituições financeiras, pois não descaracteriza a sua natureza de cooperativa o objetivo de ofertar crédito aos seus cooperados. A tributação deve atingir apenas atos não cooperativos e, neste ponto, é assente a posição deste Colegiado. A questão específica do presente recurso referese ao correto enquadramento do resultado das aplicações financeiras realizadas pela cooperativa com os recursos disponíveis. O acórdão recorrido adotou a posição firmada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que as receitas de aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito não são tributáveis por caracterizarem atos cooperativos. Do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.057.481 — CE (2008/1048520), de relatoria do Ministro Francisco Falcão, que trata da incidência do PIS e da Cofins, se extrai a seguinte fundamentação, verbis: “(...) Também remanesce pacificado o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não auferem lucro, porquanto as despesas e os resultados são divididos entre seus cooperados. Esse entendimento está consagrado em inúmeros precedentes desta Corte, a exemplo dos que se seguem REsp nº 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004, p, 282, AgRg no REsp nº 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; AgRg nos EDcl no Ag 980095/SP, Rel. Min.. LUIZ FUX, Dje de 29/09/2008, este último assim ementado, verbis: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.003960/9888 Acórdão n.º 1802001.169 S1TE02 Fl. 309 15 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO, AGRAVO REGIMENTAL, RECURSO ESPECIAL. PIS, COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS (...) 10. A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. (...) 12. Outrossim, a Primeira Seção, no julgamento do REsp 591298/MG, Relator para o acórdão o Ministro Castro Meira, sessão de 27 de outubro de 2004, firmou o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não são passíveis de incidência tributária, uma vez que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados, constituem atos cooperativos. 13. A intributabilidade pelo PIS do ato cooperativo alcança todas as aplicações financeiras, conducentes à consecução dos objetivos sociais das cooperativas. 14. Agravo regimental desprovido, (grifei). No mesmo sentido: EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611217 / MG EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2003/02138920 Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 20/10/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 04/11/2009. Ementa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação.” Essa orientação ainda pode ser confirmada em julgado recente da Segunda Turma daquele Egrégio tribunal no AgRg no AgRg no REsp 717126 / SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, julgado em 09/02/2010, abaixo transcrito: “Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA Fl. 316DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 DA SÚMULA 7/STJ 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos — assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais — não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado — constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados (...).” Diante da firme orientação jurisprudencial emanada da Corte judicial competente, em que pese não vinculante, e em homenagem ao princípio da economia processual e à segurança jurídica, a instância administrativa deve trilhar o mesma caminho, considerando não tributáveis os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito, porque enquadrados como atos cooperados. Isto posto, nego provimento ao recurso especial TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS/Repique – Aplicase ao lançamento do PIS/Repique o mesmo tratamento dispensado ao IRPJ, em razão de íntima relação de causa e efeito que os vinculam. Diante do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas e no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11020.720130/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
INSUMOS. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO.
Somente os insumos utilizados no processo produtivo poderão ser utilizados para compor créditos da Cofins e não os bens ou serviços que devem ser ativados no permanente, aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção e os que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção.
Numero da decisão: 3803-004.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente em exercício e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INSUMOS. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. Somente os insumos utilizados no processo produtivo poderão ser utilizados para compor créditos da Cofins e não os bens ou serviços que devem ser ativados no permanente, aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção e os que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROVA. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito aos créditos apurados cujo saldo é objeto do pedido de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INSUMOS. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. Somente os insumos utilizados no processo produtivo poderão ser utilizados para compor créditos da Cofins e não os bens ou serviços que devem ser ativados no permanente, aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção e os que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 01 30 /2 00 9- 97 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu o nº 29637.41382.130 608.1.1.118730, pleiteando o ressarcimento de Cofins não cumulativa relativa ao segundo trimestre de 2006, no valor de R$ 31.882,65. Às fls. 69/77 consta o Relatório de Verificação Fiscal em que a AuditoriaFiscal se manifestação sobre diversos pedidos de ressarcimento. Para o pedido que constituiu este processo Despacho decisório da DRF/Caxias do SulRS, de 03 de fevereiro de 2010, reconheceu o direito creditório na importância de R$ 2.368,87, e efetuou a compensação de ofício de débitos de Cofins em aberto no sistema da RFB e PGFN, conforme Notificação de fl. 100. Tratase de uma empresa agrícola que se dedica à produção e comercialização de maçãs. A empresa foi intimada a: a) descrever o processo produtivo; b) a listar e descrever a utilização de máquinas e equipamentos e outros bens nele utilizados; c) a apresentar a respectiva conta contábil do ativo permanente em que se encontravam lançados esses bens; d) as notas fiscais de entrada e saída em arquivos digitais e os arquivos contábeis digitais. Do confronto entre a memória de cálculo, o Dacon, o arquivo de notas fiscais e os valores constantes dos pedidos de compensação/ressarcimento foram efetuadas as glosas a seguir: a) custos e despesas relativas a bens que não podem ser considerados insumos à luz da legislação vigente de PIS/Cofins não cumulativos, por não atenderem aos requisitos do inciso II, do artigo 3º, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003; b) despesas com óleo diesel e manutenção de máquinas, que são aplicados indiscriminadamente em pomares produtivos e ainda não produtivos, quando, segundo os termos do TVF, deveriam estar segregados, cabendo às culturas em formação ter todos os seus custos e despesas escrituradas em conta do ativo imobilizado, até a sua primeira produção; c) despesas com recauchutagem de pneus, embreagem, bicos injetores, pistões, blocos e cabeçotes (reforma de motores), câmbio, amortecedores, motor de partida, freios e pneus, que, aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aumentam a vida útil desses bens em mais de um ano; d) gastos com palanques, estacas, proteção contra lebres, âncoras, fitilhos, arame farpado e arame galvanizado, itens não considerados insumos. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou, em síntese, que: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11020.720130/200997 Acórdão n.º 3803004.117 S3TE03 Fl. 179 3 a) ante a exaustiva fiscalização por que passou foi apresentada ao Auditor a segregação de contas; b) os tratores foram utilizados na produção de maçãs que é o objetivo social da requerente, sendo as despesas com estes, bem como com as empilhadeiras, necessários à produção; c) são também necessários à produção os gastos com manutenção, peças e serviços utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados na produção; d) o entendimento do Auditor é contrário a decisões administrativas que em casos análogos foram julgados favoráveis ao contribuinte, demonstrando que seu entendimento pessoal não é o mesmo entendimento de outras Superintendências da Receita Federal e muito menos do Conselho de Contribuintes. Em julgamento da lide, a DRJ/Campo GrandeMS refutou todos os argumentos da manifestante e considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão ementada como segue: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 CRÉDITO DE COFINS. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Somente os insumos utilizados no processo produtivo poderão ser utilizados para compor créditos da COFINS e não os bens ou serviços que devem ser ativados no permanente ou aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção, além daqueles que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção. Cientificada da decisão em 13 de julho de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, em 7 de agosto de 2012, em que reiterou os mesmos termos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Consta do Relatório de Verificação Fiscal, fls. 69/77 ter a Auditoria verificado no plano de contas o grupo 132 Ativo Imobilizado o registro das contas abaixo: 13202 Bens em operação Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 o 132020001 Imóveis o 132020002 Máquinas e Equipamentos 132020003 Moveis e Utensílios o 132020006Veículos o 132020007 Embalagens (BINS) • 13205 Depreciações acumuladas Imobilizado o 132050006 Máquinas e Equipamentos o 132050007 Moveis e Utensílios o 132050009Veículos o 132050010Embalagens Observo que a Recorrente, em sua defesa, não contestou o fundamento da glosa pertinente aos lançamentos de créditos relativos a peças e serviços de recauchutagem de pneus, embreagem, bicos injetores, pistões, blocos, cabeçotes, câmbio, amortecedores, motor de partida, freios e pneus, observados pelo Fisco na análise da conta 132020002 Máquinas e Equipamentos, erigido sobre o fato de adicionarem vida útil superior a um ano aos bens em que foram aplicados. Cuidou apenas de reafirmar que as despesas são necessárias ao processo produtivo. Ora, todas as consultas à RFB que referiu no recurso voluntário no intento de embasar o seu pleito, são convergentes em afirmar que “as despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando não representem acréscimo de vida útil superior ao bem em que foram aplicadas, são consideradas insumos para fins de creditamento na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003”. (e Lei nº 10.637, de 2002). Uma vez não demonstrado pela Recorrente que tais despesas não adicionam vida útil superior a um ano, elas devem ser contabilizadas no ativo imobilizado, não cabendo, pois, considerálas como insumos habilitados ao creditamento. Não há argumentos na defesa de Recorrente que cuidem de afastar a sorte que tiveram as aquisições de estacas e palanques, proteção contra lebre, âncoras, fitilhos, arame farpado e arame galvanizado, também não consideradas como insumos para efeito de creditamento, que, por sua natureza, agregamse ao ativo imobilizado e nessa rubrica deverem estar escriturados. Não obstante tenha a Fiscalização evocado o texto do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, segundo o transcrito abaixo, para fixar o conceito de insumo apto ao creditamento da Contribuição para o PIS e da Cofins, o enfoque dessa regulamentação não foi o traço que o vincula ao creditamento do IPI, mas a norma de proibição contida na ressalva na letra “a”, in fine, a obstar a inclusão desses insumos na base de cálculo dos créditos: § 4º o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11020.720130/200997 Acórdão n.º 3803004.117 S3TE03 Fl. 180 5 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;[grifo na cita original] A Recorrente erra o alvo de sua defesa ao associar a glosa efetuada pelo Fisco com insumos analisados sob o conceito da legislação do IPI. Ao assim fazêlo contrapôs se ao que não fora razão de decidir na questão relativa a despesas de manutenção, incluindo óleo diesel, aplicadas em tratores e implementos agrícolas utilizados, indiscriminadamente (sem segregação), tanto em pomares em produção como nos ainda não produtivos, bem como a despesas relativas ao plantio de novas mudas nas propriedades de terceiros, para fins de reposição, em conformidade com os contratos de arredamento e os de parceria. Portanto, também nesta controvérsia, não como reformar a decisão recorrida. A decisão do colegiado de primeira instância refutou com clareza, e pontualmente, os argumentos da manifestação de inconformidade, aduzindo que: “a) A afirmação de que todos os tipos de segregação foram apresentados quando da verificação fiscal não encontra guarida nem na fase preliminar quanto na fase impugnatória sendo que nessa última fase a impugnante poderia demonstrar a segregação daquilo que lhe seria favorável quanto às despesas e custos utilizados em fase de produção. O fato de que a contabilidade não traduz a situação dos DACON’s somente confirma a regularidade do procedimento da autoridade fiscal que não pode identificar em relação à parte produtiva da parte em fase de implantação e ainda não produtiva. O excesso de informações apresentadas segundo informa a impugnante somente serviram para que a autoridade identificasse aquilo que era passível de compensação de forma indubitável, tanto que parte das compensações foi homologada, daquilo que não era passível de homologação por não cumprir o disposto na legislação para tanto; [grifo aqui] b) Conforme bem detalhada a motivação das glosas de despesas com tratores, foi pelo fato que dentre as diversas utilizações com referidas máquinas, muitas delas não poderiam ser aproveitadas no crédito da contribuição, por serem despesas a serem ativadas no permanente da empresa até que os pomares próprios e de terceiros passem a produzir, enquanto que, não existe qualquer contabilização no permanente, segundo a autoridade fiscal, e, ainda, o fato de que não há qualquer segregação da utilização dos tratores e máquinas agrícolas em áreas próprias, de terceiros em arrendamento e de terceiros, e de áreas em formação, o que impede a possibilidade de aceitação de parte dessas despesas que poderiam estar sendo aplicadas em áreas em produção. Quanto às empilhadeiras, a que se refere a impugnante, embora pelas características somente pudessem ser utilizadas no processo produtivo não Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 6 identificou quais seriam, com documentos para tanto; [grifo aqui] c) A afirmação de que todos os gastos com diesel, manutenção de máquinas e equipamentos são necessários à produção do produto não leva em conta que para efeito de utilização dos créditos oriundos desses gastos devem estar perfeitamente enquadrados no inciso II do artigo 3º da lei10.833/2003, ou seja, bens e serviços utilizados como insumo na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda, o que não inclui bens que deveriam ser ativados no permanente, nem despesas ou custos de implantação de pomares que ainda não estejam em produção nem atividades em áreas de terceiros; [grifo aqui] d) O conceito de insumos não são os próprios do IPI, mas, conceito que identifica em sentido mais amplo a combinação de fatores de produção, e, o que se discute aqui não é essa conceituação que é mais ampla a favor do contribuinte, ao contrário do conceito utilizado no IPI. O que se discute é que não pode aproveitar ao contribuinte, os créditos que ou não são bens utilizados na produção, pois, em áreas de formação, ou bens que deveriam estar ativados no permanente e não utilizados no processo produtivo; [grifo aqui] Ao pontuar que os motivos dos créditos atinamse com a falta de segregação contábil das despesas com os bens utilizados na produção e os utilizados na formação dos pomares, bem como a aquisição de bens que deveriam estar ativados, a matéria a ser devolvida a esta instância convolouse em questão fática, a exigir da Recorrente a demonstração contábil que fizesse frente aos óbices opostos ao seu direito ao crédito. Somente assim instrumentada haveria de estar apta a defesa ao provimento do seu pleito. No entanto, disso não se desincumbiu a Recorrente, cuidando o seu argumento de não fazer a distinção entre os pomares em formação e os em atividade, de não demonstrar a propriedade e legalidade do cômputo de créditos sobre bens ativáveis, e, por fim, de colacionar inúmeras soluções de consulta e decisões, que, a teor do já decidido na primeira instância atesto – apenas corroboram o acerto da Autoridade Administrativa em sua decisão. Recoloco que as segregações eram necessárias, os bens glosados, de fato, deveriam estar ativados e, assim também, parte das despesas de manutenção, cuja ausência de contabilização individualizada percutelhe o prejuízo de glosa da totalidade dessas despesas. As provas desses eventos deveriam ter comparecido aos autos, ou, ao reverso, o argumento da Recorrente deveria ter demonstrado a desnecessidade de tais provas, a ilegalidade do feito fiscal e a insustentabilidade da decisão recorrida. Não tendo seguido esta trilha, a Recorrente não logrou desconstruir as razões de decidir do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11020.720130/200997 Acórdão n.º 3803004.117 S3TE03 Fl. 181 7 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 11831.002181/2002-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRILIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI, a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados a alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS.
INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.410
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRILIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI, a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados a alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.002181/200212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 310201.410 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2012 Matéria Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Recorrente DONNELLEY COCHRANE GRÁFICA EDITORA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRILIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI, a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados a alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Ricardo Paulo Rosa Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor do Imposto de Produtos Industrializados – IPI com base na Lei nº 9.779/99. A Fiscalização apurou que os créditos se referiam a insumos aplicados na industrialização de produtos de alíquota zero e imunes (livros e listas telefônicas). Diante deste fato, refez os cálculos, glosando os créditos proporcionalmente aos insumos empregados nos produtos imunes. Inconformada, a empresa impugnou a decisão, alegando que tem direito ao crédito, por força do princípio da não cumulatividade previsto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal e também estaria amparado no artigo 11, da Lei nº 9.779/99. Além destes fatos, alega ainda, que o seu direito ao crédito na industrialização de produtos imunes estaria garantido no art. 4º, da Instrução Normativa SRF nº 33/99. O despacho foi mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. Solicitação Indeferida.” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11831.002181/200212 Acórdão n.º 310201.410 S3C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Quanto à alegação de que a legislação federal ou atos do Poder Executivo não teriam legitimidade para estabelecer restrições ao direito de crédito do contribuinte, tendo em vista que a Constituição Federal não o fez. Os argumentos da Recorrente não podem prevalecer, estando as restrições previstas na legislação e em plena vigência, como no caso em tela é obrigatória pelas autoridades fiscais a sua aplicação. Destarte estes esclarecimentos, as turmas do CARF estão impedidas de manifestação sobre inconstitucionalidade, diante da emissão da súmula nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanto ao mérito, é incontroverso no processo, que as aquisições de insumos glosadas foram utilizados na industrialização de produtos imunes. A discussão se prende unicamente a alegação da Recorrente que tais insumos estariam habilitados a constituir crédito básico do IPI, nos termos do art. 11, da Lei nº 9.779/99. “Art.11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Entendo não assistir razão ao recurso. O artigo em questão determina que o crédito do IPI, pago nas aquisições de insumos, beneficia as empresas, mesmo quando derem saída a produtos industrializados isentos ou com alíquota zero, o que não se aplica a Recorrente, pois, os insumos glosados pela Fiscalização são utilizados na industrialização de produtos imunes em razão do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. Quanto a alegação que o art. 1º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 33/99 permitiria a utilização de créditos na industrialização de produtos imunes, constatase que a Fl. 219DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 previsão constante do art. 1º da IN deverá ser interpretada em conjunto com as definições legais. O artigo da Instrução Normativa está assim redigido. " Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IP I decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999." Em que pese as alegações do Recurso, não pode ser atribuído a este ato normativo o condão de criar incentivos fiscais, ou possibilidade de utilização de créditos, que não estão previstos em lei. A análise sistêmica em relação a todo o conjunto normativo que disciplina a matéria, não permite a utilização de créditos para industrialização do produtos imunes em caráter geral, mas, exclusivamente naquelas imunidades em razão da exportação de produtos, conforme determina o art. 1º, inciso II, da Lei 8.402/92. In verbis. " Art. 1° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: ... II manutenção e utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969;" Portanto, a utilização de créditos referentes a insumos aplicados na industrialização de produtos imunes, somente poderá ser utilizados quando a imunidade decorra de exportação e não é este o caso da Recorrente, pois a imunidade em questão advém da previsão constante no art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 220DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11831.002181/200212 Acórdão n.º 310201.410 S3C1T2 Fl. 3 5 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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