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Numero do processo: 11516.003109/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005
CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FATURAMENTO DA SOCIEDADE COOPERATIVA. ART.6°, I, DA LC 70/91. REVOGAÇÃO PELA MP N° 1.858/99. LEI N° 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação
ÔNUS DA PROVA. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA.
Cabe à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante.
Numero da decisão: 3301-006.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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FATURAMENTO DA SOCIEDADE COOPERATIVA. ART.6°, I, DA LC 70/91. REVOGAÇÃO PELA MP N° 1.858/99. LEI N° 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação ÔNUS DA PROVA. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. Cabe à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 31 09 /2 00 6- 17 Fl. 989DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 987 2 Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão 1629.251 10a Turma da DRJ/SP1 (fls 919/930): DA AUTUAÇÃO Conforme o Termo de Encerramento e Verificação Fiscal de fls.153/159 e 567/573, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, o AuditorFiscal autuante verificou em síntese que: 1. O procedimento fiscal tratou do PIS e da COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos de fevereiro de 2001 a dezembro de 2005. 2. Constatouse que a cooperativa não recolheu o PIS/COFINS sobre a receita bruta, e não declarou à Receita Federal esses valores em DCTF. 3. Com o advento da Lei n°9.718/98 e da MP n° 1.8586/99 e posteriores, as cooperativas passaram a contribuir para o PIS/COFINS com base na receita bruta, considerada como tal, o total da receita auferida, independente da classificação fiscal e do tipo de atividade exercida. No caso em tela, a base de cálculo passou a ser o total das receitas de prestação de serviços somadas às receitas financeiras. 4. A partir de 01/11/99, as sociedades cooperativas passaram a ficar sujeitas ao PIS/COFINS, de acordo com a sistemática introduzida pela MP n° 1.858/99 e suas reedições. A isenção relativa aos atos cooperativos foi expressamente revogada pelo art.23, da MP n° 1.8586/99. 5. As sociedades cooperativas de eletrificação rural deverão calcular o PIS/COFINS mensal sobre a totalidade das receitas auferidas, sendo admitidas somente as exclusões previstas na IN SRF n° 145/99 e as deduções específicas introduzidas pelo art.17, da Lei n° 10.684/2003 e IN n°247/2002, alterada pela IN n°358/2003. 6. A legislação definiu que poderiam ser excluídos, da receita bruta da cooperativa de eletrificação rural, os serviços prestados aos associados, representados pelos custos de distribuição, manutenção e geração de energia elétrica, repassados aos associados. Assim, excluiuse da base de cálculo das contribuições os custos de distribuição, compra de energia e manutenção, em razão de a cooperativa não ter custo de geração de energia. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 988 3 7. A base de cálculo e a contribuição devida estão relacionados mensalmente no "Demonstrativo da Receita Tributável" (fls.131/135 e 545/549) e nos demonstrativos de apuração das contribuições (fls.136/141 e 550/555). Em decorrência das constatações feitas, foram lavrados Autos de Infração de PIS (fls.136/152) e COFINS (fls.550/566), dos quais a contribuinte tomou ciência em 13/10/2006 (fls.162 e 576), com os valores a seguir discriminados: DA IMPUGNAÇÃO Fl. 991DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 989 4 A contribuinte apresentou as impugnações de fls.163/190 e 577/605, protocolizadas em 13/11/2006, e acompanhadas, respectivamente, dos documentos de fls.191/407 e 606/827, expondo, em síntese, que: 1. O procurador da empresa possui o endereço indicado às fls.163 e 577, no qual recebe intimações. 2. As sobras apuradas pela impugnante decorrem do ato cooperativo, não implicando operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não gerando faturamento e inexistindo, assim, base oponível para o PIS/COFINS. 2.1. Isso porque a receita da impugnante é derivada unicamente dos valores recebidos dos associados em decorrência da venda de energia elétrica. Assim, toda a receita deriva dos atos cooperativos (venda de energia pelo associados), excetuandose a receita proveniente dos aluguéis de postes para a Brasil Telecom S/A. 3. Se a Lei n° 5.764/71, no art.111, especificou quais os únicos rendimentos tributáveis das sociedades cooperativas, não há que se falar em pagamento do PIS/COFINS. 4. O inciso I, do art.6°, da Lei Complementar n° 70/91 reconheceu que os atos cooperativos, quando vinculados às finalidades da sociedade cooperativa, são isentos, tanto do PIS, como da COFINS. 4.1. Em que pese a Lei n°9.718/98 e o art.23, da MP n° 1.858 6/99 terem revogado tal isenção, e, posteriormente, a MP n° 2.15835/01, Lei n° 10.684/03, a IN SRF n° 358/03 e a IN SRF n° 635/06 terem estabelecido critérios para as bases de cálculo do PIS e da COFINS para as cooperativas de eletrificação rural, todo esse arcabouço jurídico carece de constitucionalidade e legalidade. 4.2. A revogação da isenção do PIS e da COFINS para as sociedades cooperativas, via lei ordinária, afrontou os artigos 146, III, "c", e 174, §2°, da CF, bem como o princípio da hierarquia das leis. 5. Ao fazer as exclusões estabelecidas na legislação, a fiscalização não deduziu todas as despesas com distribuição, compra de energia, manutenção e comercialização, embora tivesse mencionado que assim teria procedido. 5.1. Com efeito, em todas as planilhas apresentadas pelo Fisco consta que no item "Custos" estariam as despesas referentes às contas do grupo 615.03 (distribuição), sendo que essa teria sido a única exclusão adotada. 5.2. Por amostragem, a impugnante juntou aos autos os balancetes mensais analíticos do mês de dezembro dos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 (fls.283/363 e 698/780). Tais Fl. 992DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 990 5 balancetes demonstram que a conta 615.03 (distribuição) se refere apenas e tãosomente aos gastos com a distribuição da energia elétrica. Não estão ali computados os custos com a transmissão da energia, a manutenção da rede e da própria cooperativa, muito menos com a comercialização da energia elétrica adquirida da CELESC S/A. 5.3. A conta 615.04, por exemplo, referese aos gastos com a administração da impugnante. Ali constam os valores desembolsados pela impugnante para pagamento do pessoal do setor administrativo, tais como, contadores, secretária, auxiliares de escritório, material de expediente, etc. Mencionados valores são desembolsados pela impugnante, ou seja, próprios associados, para manutenção da existência da impugnante. Por outro lado, a inexistência de tais despesas impossibilitaria a comercialização da energia elétrica adquirida da CELESC S/A. 5.4. O mesmo podese afirmar em relação a todas as outras despesas/gastos da impugnante, que são provenientes da própria manutenção e existência daquela, inclusive os gastos constantes da conta 615.05, referente à comercialização, e os da conta 611.05, referente ao fornecimento. 5.5. Tais contas contábeis referemse a serviços prestados pela cooperativa rural a seus associados, passíveis de dedução do PIS e da COFINS, na forma do art.17, da Lei n° 10.684/03. 5.6. No mês de dezembro/2005, o valor utilizado pela impugnante para efetuar o pagamento da energia comprada da CELESC S/A não foi deduzido como custo. Em tal mês houve a dedução, no item custo, de apenas R$279.803,71, conforme planilha que acompanha o auto de infração. No entanto, em tal mês a impugnante pagou R$547.469,85 para adquirir a energia elétrica da CELESC S/A, consoante aponta a conta contábil 615.03.1.5.41.33 do balancete analítico de 2005. 5.7. Em suma, considerando que toda operação da impugnante, à exceção dos valores auferidos em decorrência de aluguéis de postes (conta contábil 611.03.1.9.12.31.001), decorre de atos cooperativos, a fiscalização deveria ter computado, no item "Custos", todas as despesas da cooperativa, geradas em decorrência da transmissão, distribuição, manutenção e comercialização da energia elétrica. 5.8. Para apuração de eventuais valores devidos pela impugnante, bastaria tomar a DRE, da qual consta a sobra anual (fls.268/281 e 683/696). 5.9. Por amostragem, tomese a DRE do exercício de 2005 (fis.280/281 e 695/696), da qual consta que a receita operacional líquida do exercício 2005 foi de R$10.114.643,82. No entanto, a impugnante teve uma despesa operacional (que abrange todos os custos com transmissão, distribuição, manutenção e comercialização de energia elétrica) de R$8.419.108,70. O resultado operacional do período foi de R$1.626.528,29, já excluído da conta o valor relativo ao resultado financeiro Fl. 993DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 991 6 (R$69.006,83). A DRE demonstra que a contribuinte não teve a sobra de R$6.334.052,12 encontrada pela fiscalização para o período acumulado de 2005, objeto de tributação do PIS e da COFINS. A sobra da cooperativa, relativa ao ano em tela, foi de apenas R$1.626.528,29, valor que nem mesmo poderia ser tributado, nos termos do inciso VI, do art.33, da IN SRF n° 247/02. 6. Não há possibilidade de se tomar a receita financeira e o resultado operacional como base de cálculo do PIS e da COFINS, ante a inconstitucionalidade do §1°, do art.3°, da Lei n° 9.718/98, declarada pelo STF no julgamento de recursos extraordinários. 7. Em relação ao anocalendário de 2004, a fiscalização desconsiderou, conforme observação 03 da planilha que acompanhou o auto de infração, o valor de R$638.614,42, que estava incluso na conta 615.03.1.3.95.00.001. Ocorre que tal importância não poderia ser tributada, pois a impugnante não recebeu tão receita. Logo, tal valor deve ser considerado como despesa dedutível da receita bruta. 8. A impugnante requer a produção de todos os meios de prova em direito permitidos, especialmente a juntada de novos documentos. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 919): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FATURAMENTO DA SOCIEDADE COOPERATIVA. ART.6°, I, DA LC 70/91. REVOGAÇÃO PELA MP N° 1.858/99. LEI N° 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A propositura pela contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, no que concerne às questões submetidas à apreciação do Poder Judiciário. ÔNUS DA PROVA. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. Cabe à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 992 7 INTIMAÇÕES. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Na fase do contencioso administrativo, as intimações são feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4° do art. 16 do Decreto n°70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso às fls. (fls. 949 e seguintes), no qual a Recorrente no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto será abordado cada um dos questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrrente apresentou as seguintes questões: III — SOBRE A CONCOMITÂNCIA IV — DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA RECORRENTE V — DA LEI N° 5.764/71 VI— DA LEI COMPLEMENTAR N° 70/91 VII — DA LEI COMPLEMENTAR N° 07/70 VIII— DA INCONSTITUCIONALIDADE DA REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO DA COFINS e DO PIS ATRAVÉS DE LEI ORDINÁRIA DO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 146, III, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL IX — SOBRE A BASE DE CÁLCULO DA COFINS e DO PIS Fl. 995DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 993 8 Analisaremos a matéria seguindo os tópicos constantes da decisão recorrida e do Recurso Voluntário, sendo os seguintes: 1. SOBRE A CONCOMITÂNCIA Alega a Recorrente que de fato impetrou o Mandado de Segurança referido no acórdão, mas que teria desistido da ação. Alega também que não é possível, a partir da ementa, concluir pela concomitância, nos seguintes termos: Não bastasse isso, não é possível, a partir de Ementa de Acórdão, estabelecer quais foram as matérias tratadas no Mandado de Segurança, as quais supostamente a Recorrente já teria levado à discussão frente ao Poder Judiciário. A bem da verdade, necessário seria a juntada de cópia integral dos autos, notadamente para observar a amplitude da questão discutida judicialmente. A Recorrente, contudo, também não juntou cópia do processo para fundamentar sua alegação. Transcrevemos a ementa citada na decisão de piso: TRIBUTÁRIO. COFINS. SOCIEDADE COOPERATIVA. ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. ART.146, Hl, "C", DA CF. ISENÇÃO. ART.6°, I, DA LC 70/91. REVOGAÇÃO PELA MP N° 1858/99. LEI N° 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES DESTE TRF. FATURAMENTO. MAJORAÇÃO DA ALIQUOTA. COMPENSAÇÃO COM CSLL. A corte especial, quando do julgamento da arguição de inconstitucionalidade na AMS n° 1999.70.04.0035020/PR, decidiu que foi válida a revogação da isenção prevista no artigo 6°, I, da LC 70/91 por parte da MP n' 2.11327/2001 (nova numeração adotada pela MP 1.858/99). O plenário desta corte federal, quando do julgamento da arguição de inconstitucionalidade na AMS n° 1999.04.01.0802741, decidiu que o art.3°, §1°, da Lei n° 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo da cotins, não feriu o texto constitucional, pois tal dispositivo apenas reiterou a equiparação do conceito de faturamento ao de receita bruta, o que, inclusive, já havia sido realizado pela Lei Complementar n° 70/91, a qual teve sua constitucionalidade afirma pela corte suprema na adc n° 01/DF. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento e seus resultados positivos constituem renda tributável Fl. 996DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 994 9 A 1a e a 2a Turmas deste Colegiado têm entendido que não há qualquer inconstitucionalidade na majoração da alíquota da COFINS, bem como na sistemática de compensação com a CSLL. Ao contrário do que afirmou a Recorrente, é possível sim verificar que a ação judicial trata do mesmo discutido no presente processo. Ademais, o fato de ter desistido da ação judicial não afasta as consequências da concomitância. Nesse sentido Parecer Normativo Cosit no. 7, de 22 de agosto de 2014, do qual reproduzimos o seguinte trecho: É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. Portanto, propõese manter neste item o entendimento da decisão recorrida no sentido de reconhecer concomitância parcial, no seguintes termos: Logo, resta evidente que a propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional importa renúncia à discussão na via administrativa das matérias debatidas em juízo. Todavia, quando não coincidentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, a discussão deve seguir normalmente, pois neste caso não há que se falar em renúncia à via administrativa Em razão da concomitância reconhecida, não trataremos no presente voto dos seguintes pontos aventados pela Recorrente: IV — DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA RECORRENTE V — DA LEI N° 5.764/71 VI— DA LEI COMPLEMENTAR N° 70/91 VII — DA LEI COMPLEMENTAR N° 07/70 VIII— DA INCONSTITUCIONALIDADE DA REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO DA COFINS e DO PIS ATRAVÉS DE LEI ORDINÁRIA DO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 146, III, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Cabe, portanto, tratar somente do item seguinte. 2. SOBRE A BASE DE CÁLCULO DA COFINS e DO PIS Neste aspecto, de forma subsidiária, a Recorrente afirma que "a apuração da COFINS e do PIS eventualmente devidos pela Recorrente deve se dar por critérios diferentes daqueles utilizados pela Ilustre Autoridade Fiscal, a qual embasou o Auto de Infração ora atacado" Segundo a Recorrente não foram realizadas várias exclusões a que teria direito como sociedade cooperativa e conclui: Fl. 997DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 995 10 Pois bem, analisando a fl. 06 do Termo de Encerramento e Verificação Fiscal incluso, constatase que a DD. AutoridadeFiscal informou o seguinte: Assim, excluímos da base de cálculo das contribuições os Custos de Distribuição, Compra de Energia e Manutenção em razão da cooperativa não ter Custo de Geração de Energia. E continua: Por amostragem, a Recorrente juntou ao processo os Balancetes Mensais Analíticos do mês de Dezembro dos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Tais Balancetes demonstram que a conta 615.03 (Distribuição) se refere apenas e tãosomente aos gastos com a distribuição da energia elétrica. Não estão ali computados os custos com a transmissão da energia, a manutenção da rede e da própria Cooperativa, muito menos com a comercialização da energia elétrica adquirida da CELESC S/A. A conta 615.04, por exemplo, referese aos gastos com a administração da Recorrente. Ali constam os valores desembolsados pela Impugnante para pagamento do pessoal do setor administrativo, tais como, contadores, secretária, auxiliares de escritório, material de expediente, etc. Mencionados valores são desembolsados pela Impugnante, leia se, próprios Associados, para manutenção da existência da Peticionária. Por outro lado, a inexistência de tais despesas impossibilitaria a comercialização da energia elétrica adquirida da CELESC S/A. O mesmo podese afirmar em relação a todas outras despesas/gastos da Recorrente, os quais são provenientes da própria manutenção e existência daquela. Ora, qual a diferença existente entre os gastos com pessoal que trabalha na rede de energia da Impugnante e aquele que presta serviço administrativo. Ambos não são necessários para existência da Cooperativa? Os gastos constantes da conta 615.05, referente à comercialização também não seriam deduzíveis? E os valores relativos ao fornecimento, referentes à conta 611.05? Tais contas contábeis, assim como todas as outras pertinentes às despesas da Impugnante, referemse, sem sombra de dúvida, a serviços prestados pela cooperativa rural a seus associados, passíveis de dedução da base de cálculo da COFINS e do PIS, na forma do artigo 17, da Lei n° 10.684, de 30/05/03 já mencionada anteriormente. Houve meses, como por exemplo Dezembro/05, em que nem mesmo o valor utilizado pela Impugnante para efetuar o pagamento da energia comprada da CELESC S/A. chegou a ser deduzido como custo. Com efeito, em tal mês houve a dedução, no item custo, de apenas R$ 279.803,71, conforme planilha que acompanha o Auto de Infração. No entanto, em tal mês a Impugnante pagou R$ Fl. 998DF CARF MF Processo nº 11516.003109/200617 Acórdão n.º 3301006.050 S3C3T1 Fl. 996 11 547.469,85 para adquirir a energia elétrica da CELESC S/A, consoante aponta a conta contábil 615.03.1.5.41.33, do Balancete Analítico de 2005. Contudo, seguimos na esteira da decisão recorrida e entendemos que é da Recorrente o ônus de comprovar as despesas que entende que deveriam ser deduzidas da base de cálculo das contribuições em pauta. Assim, propomos manter a decisão recorrida neste aspecto. CONCLUSÕES Destarte, tendo em conta o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, em razão de concomitância e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 999DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.911513/2009-83
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
DÉBITO REGULARMENTE CONSTITUÍDO. ALTERAÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A alegação de que o valor de tributo é menor do que aquele regularmente constituído deve vir acompanhada da apresentação de documentação suficiente e necessária para sustentá-la: escrituração contábil-fiscal e documentos que a suporte.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE)
Ano-calendário: 2006
FATO GERADOR. SITUAÇÃO JURÍDICA. CRÉDITO CONTÁBIL.
Para fins de determinação da ocorrência do fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, a expressão creditados a que se refere o art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.168, de 2000, corresponde ao crédito contábil efetuado pela fonte pagadora, ao reconhecer sua obrigação. O fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, reputa-se ocorrido na data do crédito contábil, quando esse anteceder ao pagamento, à entrega, ao emprego ou à remessa de valores.
CONTRATO DE FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA. NÃO AVERBAÇÃO NO INSTITUTO NACIONAL DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI).
A ausência de averbação de contrato no INPI não descaracteriza a ocorrência do fato gerador da CIDE, e não inviabiliza o pagamento de royalties.
Numero da decisão: 3003-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Márcio Robson da Costa.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DÉBITO REGULARMENTE CONSTITUÍDO. ALTERAÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de que o valor de tributo é menor do que aquele regularmente constituído deve vir acompanhada da apresentação de documentação suficiente e necessária para sustentá-la: escrituração contábil-fiscal e documentos que a suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE) Ano-calendário: 2006 FATO GERADOR. SITUAÇÃO JURÍDICA. CRÉDITO CONTÁBIL. Para fins de determinação da ocorrência do fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, a expressão creditados a que se refere o art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.168, de 2000, corresponde ao crédito contábil efetuado pela fonte pagadora, ao reconhecer sua obrigação. O fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, reputa-se ocorrido na data do crédito contábil, quando esse anteceder ao pagamento, à entrega, ao emprego ou à remessa de valores. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA. NÃO AVERBAÇÃO NO INSTITUTO NACIONAL DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). A ausência de averbação de contrato no INPI não descaracteriza a ocorrência do fato gerador da CIDE, e não inviabiliza o pagamento de royalties.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DÉBITO REGULARMENTE CONSTITUÍDO. ALTERAÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de que o valor de tributo é menor do que aquele regularmente constituído deve vir acompanhada da apresentação de documentação suficiente e necessária para sustentá-la: escrituração contábil-fiscal e documentos que a suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE) Ano-calendário: 2006 FATO GERADOR. SITUAÇÃO JURÍDICA. CRÉDITO CONTÁBIL. Para fins de determinação da ocorrência do fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, a expressão “creditados” a que se refere o art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.168, de 2000, corresponde ao crédito contábil efetuado pela fonte pagadora, ao reconhecer sua obrigação. O fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, reputa-se ocorrido na data do crédito contábil, quando esse anteceder ao pagamento, à entrega, ao emprego ou à remessa de valores. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA. NÃO AVERBAÇÃO NO INSTITUTO NACIONAL DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 15 13 /2 00 9- 83 Fl. 142DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 A ausência de averbação de contrato no INPI não descaracteriza a ocorrência do fato gerador da CIDE, e não inviabiliza o pagamento de royalties. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Márcio Robson da Costa. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo da Declaração de Compensação de nº 00046.70339.291106.1.3.04-5067, a qual utilizou em suas compensações suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE, período de apuração de junho de 2006, no valor total original de R$ 12.405,72 (fls. 65-69). Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 03, explicando que o pagamento indicado já havia sido integralmente utilizado para a quitação do próprio débito de CIDE, código 8741, período de apuração de junho de 2006, não restando crédito a ser utilizado na compensação em questão, a qual foi não homologada. O interessado foi cientificado da decisão em 24/07/2009 (fl. 62), e, em 19/08/2009 apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02) alegando o seguinte: O contribuinte esclarece que o recolhimento da CIDE (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico) incidente sobre Royalties foi efetuado de forma antecipada nos períodos compreendidos entre Junho a Dezembro de 2006. Entretanto, a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI — Instituto Nacional de Propriedade Industrial impossibilitou o pagamento dos mesmos no período acima mencionado. Pelo exposto, não havendo pagamento de Royalties não há que se falar em retenção na fonte da CIDE. Com isso, pede o deferimento do PER/DCOMP. A 15ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I proferiu decisão, negando provimento à manifestação de inconformidade, no teor da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Ano-calendário: 2006 FATO GERADOR. SITUAÇÃO JURÍDICA. CRÉDITO CONTÁBIL. Fl. 143DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 Para fins de determinação da ocorrência do fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, a expressão “creditados” a que se refere o art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.168, de 2000, corresponde ao crédito contábil efetuado pela fonte pagadora, ao reconhecer sua obrigação. O fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, reputa-se ocorrido na data do crédito contábil, quando esse anteceder ao pagamento, à entrega, ao emprego ou à remessa de valores. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA. NÃO AVERBAÇÃO NO INSTITUTO NACIONAL DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). A ausência de averbação de contrato no INPI não descaracteriza a ocorrência do fato gerador da CIDE, e não inviabiliza o pagamento de royalties. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não sendo comprovado o direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, há de se decidir pela não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reafirmando as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Alega, em síntese, que a obrigação de pagar a CIDE-Royalties surge com o efetivo pagamento de royalties, fato que não teria se concretizado no caso concreto, "tendo em vista que a recorrente não pôde realizar o pagamento dos royalties estipulados contratualmente em razão da ausência de averbação do contrato junto ao INPI". É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. Em sua manifestação de inconformidade, a então impugnante alegou: (1) que os valores utilizados para compensação haviam sido recolhidos para pagamento da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre o pagamento de Royalties; (2) que o pagamento da CIDE era feito de forma antecipada. No entanto, em razão de ausência de averbação do contrato de Royalties pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), não foi possível a realização do pagamento dos Royalties estabelecidos em contrato; (3) que não tendo sido efetuado o pagamento dos Royalties, não há que se falar incidência da CIDE, razão pela qual utilizou os valores recolhidos antecipadamente na Declaração de compensação em epígrafe. Apreciando a impugnação, a decisão recorrida assim se pronunciou (excertos do voto condutor): (...) O Despacho Decisório pautou sua decisão nas informações prestadas pelo próprio contribuinte na DCTF, instrumento de confissão de dívida. Em sua defesa, o interessado explicou que efetuou o pagamento da CIDE incidente sobre royalties de forma antecipada; porém, em virtude da ausência de averbação do Fl. 144DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 contrato de Royalties pelo INPI, deixou de existir a obrigação de pagamento dos Royalties, e, conseqüentemente, a CIDE paga antecipadamente se tornou indevida. Apresentou ainda fls. do Livro Razão relativas à conta contábil Royalties a Pagar informando que constam os lançamentos e os respectivos estornos em razão da não averbação do contrato pelo INPI. O saldo da conta em 31/12/2006 é zero (06-08). Primeiramente, cabe transcrever o caput e §§§1º, 2º e 3º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, a qual instituiu esta contribuição: (...) Em análise ao §2º supratranscrito, percebe-se que o pagamento ou crédito de royalties a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior configura fato gerador da CIDE-REMESSAS. O interessado apenas juntou aos autos fls. do Livro Razão referentes a conta contábil Royalties a Pagar, afirmando a existência de lançamentos destes royalties e respectivos estornos em virtude da não averbação do contrato pelo INPI; tendo em vista que o Contrato, Termo Aditivo e respectivo Certificado de Averbação no INPI acostados aos autos são posteriores ao período em tela. Primeiramente, em relação a necessidade de averbação do contrato no INPI para a constituição de fato gerador da CIDE, cabe dizer que esta matéria já foi enfrentada pela Divisão de Tributação da Superintendência da 7ª Região Fiscal (SRRF/7ª RF/DISIT) através da Solução de Consulta nº 165/2007. Considerando que meu entendimento sobre a questão se alinha a esta Solução de Consulta, transcrevo a seguir a ementa e parte de sua fundamentação como minhas próprias razões de decidir (grifos meus): Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE - REMESSAS AO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. Os serviços de consultoria em geral, representação e interação no desenvolvimento dos negócios configuram-se como serviços de assistência administrativa e semelhantes. A partir de 1º de janeiro de 2002, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a beneficiários no exterior, a título de remuneração pela prestação contínua de serviços de assistência administrativa e semelhantes, estão sujeitos à incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) à alíquota de 10% (dez por cento), ainda que os contratos não sejam passíveis de averbação no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e registro no Banco Central do Brasil. O acordo para evitar a dupla tributação entre o Brasil e a China (Decreto nº 762, de 19 de fevereiro de 1993, aprovado por meio do Decreto Legislativo nº 85, de 24 de novembro de 1992) não se aplica à Cide, restringe-se apenas, no caso da República Federativa do Brasil, ao imposto federal de renda - excluídos o imposto de renda suplementar e o imposto sobre atividades de menor relevância - e, também, a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que venham a ser instituídos após a data de sua assinatura. Dispositivos legais: Lei nº 4.769, de 1965, art. 2º; Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 97; Lei nº 7.321, de 1985, art. 1º; Lei nº 10.168, de 2000, arts. 1º, 2º, 2º-A e 8º; Lei nº 10.332, de 2001, art. 6º; Decreto nº 3.949, de 2001, art. 8º; Decreto nº 4.195,de 2002, art. 10, e Instrução Normativa SRF nº 252, de 2002, art. 17. Segue a parte da fundamentação da Solução de Consulta que trata da averbação do contrato no INPI (grifos meus): 14.O art. 8º do Decreto nº 3.949, de 3 de outubro de 2001, a seguir reproduzido, regulamentou o artigo 2º, da Lei nº 10.168, de 2000, reafirmando as hipóteses de incidência da Cide já contempladas no artigo 2º, e §1º da Lei de sua instituição. Fl. 145DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 “Art.8º A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de róialtes ou remuneração previstos nos respectivos contratos relativos a: I-fornecimento de tecnologia; II-prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III-cessão e licença de uso de marcas; IV-cessão e licença de exploração de patentes. Parágrafo único.Os contratos a que se refere este artigo deverão estar averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial e registrados no Banco Central do Brasil.” 15.O art. 6º da Lei nº 10.332, de 2001, deu nova redação ao § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, retrocitado, e acrescentou novas hipóteses de incidência da Cide, a qual passou a ser devida, a partir de 1º de janeiro de 2002, pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos firmados com residentes ou domiciliados no exterior que tivessem por objeto serviços técnicos (não especializados) e de assistência administrativa e semelhantes, bem como por aquelas devedoras de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. 16.O Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, que revogou o Decreto nº 3.949, de 2001, regulamentou, em seu art. 10, abaixo transcrito, as hipóteses de incidência da contribuição, suprimindo a exigência de averbação dos contratos junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e ao Banco Central do Brasil. Nesse novo contexto, temos que, a partir de 01.01.2002, as remessas para o exterior referentes à contraprestação de serviços de assistência técnica, serviços técnicos e de assistência administrativa ou semelhantes estão sujeitas à incidência da Cide, quer estejam os mesmos atrelados ou não à transferência de tecnologia. “Art.10.A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I-fornecimento de tecnologia; II-prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III-serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV-cessão e licença de uso de marcas; e V-cessão e licença de exploração de patentes.” Portanto, a ausência da averbação do contrato no INPI não impossibilita o surgimento da obrigação de pagar royalties e, conseqüentemente, a ocorrência do fato gerador da CIDE. Se houve o lançamento contábil de royalties a pagar, e o contribuinte indicou como motivo para o não pagamento destes royalties a não averbação do contrato no INPI, conclui-se que tal motivo não procede, conforme já exposto. Ademais, quanto às fls. do Livro Razão relativas à conta contábil Royalties a Pagar, não há por parte do interessado nenhuma explicação detalhada, com apontamentos precisos capazes de demonstrar os lançamentos de royalties a pagar e seus respectivos estornos. O fato do saldo da conta em 31/12/2006 ser zero não prova a inexistência de royalties a pagar, visto que o lançamento a crédito de uma obrigação e o posterior Fl. 146DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 lançamento a débito da quitação desta obrigação resultariam em saldo zero da conta. Em suas alegações o interessado apenas diz que Pelo exposto, não havendo pagamento de Royalties não há que se falar em retenção na fonte na CIDE. Neste ponto, deve-se frisar que consta nas fls. apresentadas do Livro Razão a contabilização de pagamento de royalties do 1º Trimestre no valor de R$ 382.692,93, que, embora não seja do período sob análise, é anterior a ele. Isto apenas comprova que a não averbação de contrato não impossibilita o pagamento de royalties. Neste aspecto, cabe dizer que há dois momentos distintos, a contração da obrigação de pagar royalties, e o efetivo pagamento do mesmo. Cabe analisar qual dos dois constitui o fato gerador da contribuição quando estes acontecimentos não ocorrem ao mesmo tempo. Se houve o pagamento de CIDE, é seguro afirmar que houve apuração de royalties a pagar no período em questão, pois não haveria como calcular a CIDE sem tal apuração, visto que a contribuição incide sobre o valor pago ou creditado à alíquota de 10%. A legislação somente obriga o pagamento da CIDE quando da ocorrência do fato gerador, e foi exatamente por este motivo que o contribuinte recolheu a contribuição, pois o fato gerador surgiu com a obrigação do interessado de pagar royalties. Como já explanado, a ausência de averbação do contrato no INPI em nada interfere no surgimento da obrigação de pagamento de royalties. O fato do contribuinte não ter efetuado pagamento de royalties não significa que eles não são devidos, e a CIDE paga foi calculada sobre o montante dos royalties devidos. Porém, o momento em que o pagamento dos royalties ocorrerá é outra questão. Podem as partes determinar o valor dos royalties como um percentual sobre as vendas, bem como acordarem o momento para o pagamento destes royalties, como se vê no contrato entre o interessado e a Huf Halsbeck & Fürst GmbH & Co. KG, (HUF), no qual ficou acertado que os royalties devidos corresponderiam a 3,75% das vendas líquidas do produto licenciado, os quais seriam pagos trimestralmente (artigo 10 do contrato) O provisionamento contábil dos royalties a pagar é na verdade uma obrigação real e de fato, porém que só será paga ao final de cada trimestre em decorrência de um acordo entre as partes. O fato gerador da contribuição, por outro lado, não se sujeita a vontade das partes, mas ocorreu no momento do reconhecimento contábil da obrigação, ou seja, do creditamento contábil que reconhecia a obrigação de pagamento de royalites aos beneficiários. Este é o sentido da palavra “creditarem” na redação do §2º, art. 2º da Lei nº 10.168/2000, conforme segue (grifos meus):(...) A fim de corroborar meu entendimento, apresento ementa de Acórdão do STF, que, embora trate de matéria referente a PIS e COFINS, é aplicável ao caso em tela, conforme se verá nas explanações que apresentarei em seguida (grifos de minha autoria): RE 586482 / RS - RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI Julgamento: 23/11/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. Fl. 147DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindo-se, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas - a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria -, enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (...) Constata-se que o STF se posicionou no sentido de que, em caso de venda a prazo, o inadimplemento não desconstitui o fato gerador das contribuições em tela. E, que fato gerador é este? (...) Pela leitura das leis supracitadas, percebe-se que o fator gerador das contribuições tratadas no Acórdão do STF (PIS e COFINS) são as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas. Logo, apesar de a venda ser a prazo, considerou o STF como já auferida a renda e portanto configurado o fato gerador no momento da venda, assim sendo, não entende a Suprema Corte que o acerto entre as partes sobre o momento do pagamento pode de alguma forma determinar o momento do fato gerador ou interferir na eficácia do mesmo. Isto pois, reputou-se que o Sistema Tributário Nacional fixara o regime de competência como regra geral para apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. Pelo primeiro, haveria o reconhecimento simultâneo das receitas e das despesas realizadas, como conseqüência natural do princípio da competência do exercício, considerando-se realizadas as receitas e incorridas as despesas no momento da transferência dos bens e da fruição dos serviços prestados, independentemente do recebimento do valor correspondente. Afirmou-se que essa sistemática seria confirmada pelos artigos 177 e 187, § 1º, a, da Lei 6.404/76, bem como pelo art. 9º da Resolução 750/93, do Conselho Federal de Contabilidade. Nesse contexto, aduziu-se que as mutações patrimoniais decorreriam de relações jurídicas integrantes do ativo ou do passivo da pessoa jurídica, representativas, respectivamente, de direitos ou de obrigações para com terceiros. Ocorreriam, pois, quando o vendedor fizesse a entrega para o comprador, passando, então, a ter jus ao recebimento do respectivo preço. Esse evento deveria ser vertido em linguagem competente, registrado o direito de crédito que o vendedor passaria a deter em face do comprador, equivalente ao preço estipulado quando da celebração do contrato. Frisou-se ser esse o momento em que nasceria a relação jurídica, juntamente com a ocorrência do fato jurídico tributário. Fl. 148DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, ter-se-ia, desse modo, que o fato gerador da obrigação ocorreria com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda, e não com o recebimento do preço acordado, isto é, com a disponibilidade jurídica da receita, que passaria a compor o aspecto material da hipótese de incidência das contribuições em questão. Salientou- se, nesse aspecto, que o STF teria firmado orientação no sentido de que a disponibilidade jurídica é presumida por força de lei, que definiria como fato gerador do imposto a aquisição virtual, e não efetiva, do poder de dispor. Além disso, a disponibilidade jurídica ou econômica da receita, para as pessoas jurídicas, não poderia ser limitada pelo efetivo recebimento de moeda ou dinheiro, diferenciando-se a disponibilidade econômica — patrimônio economicamente acrescido de um direito ou de um elemento material identificável como receita — da disponibilidade financeira — efetiva existência dos recursos financeiros. Assim, a primeira não pressuporia o repasse físico dos recursos para o patrimônio do contribuinte, bastando o acréscimo, mesmo que contábil, desses recursos no patrimônio da pessoa jurídica. Da mesma forma, no caso em tela o momento do fato gerador da CIDE ocorre quando a fornecedora de tecnologia adquire o direito aos royalties, gerando, assim, um acréscimo contábil em seu patrimônio, e, por outro lado, surge uma obrigação para o interessado que deve verter em linguagem competente, diga-se, contábil, o direito de crédito que o vendedor passaria a deter em face de sua pessoa, lastreado na referida venda, e, conseqüentemente determinando o momento do fato gerador da CIDE Percebe-se, assim, que o art 2º da Lei nº 10.168, de 2000, ao ser referir a crédito para definir o momento da ocorrência do fato gerador da exação, refere-se a crédito contábil. O fato do interessado não ter efetuado a remessa à empresa HUF HALSBECK & FÜRST GMBH & CO. KG a título de pagamento de royalties, pode configurar inadimplência de sua parte, mas em nada altera a ocorrência do fato gerador da CIDE. Por fim, apenas com o intuito de corroborar o já exposto, transcrevo a seguir a ementa da Solução de Consulta nº 10/2010 SRRF07/DISIT: (grifos de minha autoria) Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE FATO GERADOR. SITUAÇÃO JURÍDICA. CRÉDITO CONTÁBIL. Para fins de determinação da ocorrência do fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE / Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação, a expressão “creditados” a que se refere o art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.168, de 2000, corresponde ao crédito contábil efetuado pela fonte pagadora, ao reconhecer sua obrigação. O fato gerador da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico - CIDE, reputa-se ocorrido na data do crédito contábil, quando esse anteceder ao pagamento, à entrega, ao emprego ou à remessa de valores. Dispositivos Legais: Código Tributário Nacional - CTN (Lei nº 5.172, de 1966), arts. 114, 116 e 117; Lei nº 10.168, de 2000, art. 2º; Parecer Normativo CST nº 27, de 1984, e Parecer Normativo CST nº 7, de 1986. Logo, o acordo entre as partes sobre a data do pagamento dos royalties devidos, ou o vencimento para a realização deste, não tem o condão de interferir na determinação do momento do fato gerador da CIDE. Assim sendo, não procede o argumento da defesa de que a CIDE era indevida, bem como o pagamento em litígio, pelo fato de não ter havido remessa ao exterior, a qual foi impossibilitada pela não averbação do contrato no INPI. Conclui-se, assim, que o interessado não obteve êxito em comprovar o direito creditório objeto da lide. Diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo-se integralmente o Despacho Decisório, a fim de não reconhecer o direito creditório e não homologar a Declaração de Compensação. Fl. 149DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 Dos excertos transcritos, depreende-se que o colegiado de primeira instância entende, em síntese, que o fato gerador da CIDE-Royalties ocorre quando a fornecedora de tecnologia adquire o direito aos royalties, gerando acréscimo patrimonial. Tal fato faria surgir "uma obrigação para o interessado que deve verter em linguagem competente, diga-se, contábil, o direito de crédito que o vendedor passaria a deter em face de sua pessoa, lastreado na referida venda, e, conseqüentemente determinando o momento do fato gerador da CIDE". Assim, o acordo entre as partes sobre a data do pagamento dos royalties não influenciaria, segundo o colegiado a quo, a ocorrência do fato gerador da CIDE. Nesse caso, a falta de pagamento de royalties configuraria mera inadimplência por parte do contribuinte, não alterando a incidência da CIDE. Tal entendimento é confrontado pela recorrente. Esta defende que o fato gerador da CIDE-Royalties não teria ocorrido, uma vez que não pôde realizar o pagamento dos royalties estipulados contratualmente, tendo em vista a ausência de averbação do contrato junto ao INPI. Para a recorrente, a averbação representa requisito essencial para o pagamento de royalties contratualmente estabelecidos. Como se vê, o presente litígio cinge-se à questão de saber se ocorreu o fato gerador da CIDE-Royalties, competência de junho de 2006, mesmo diante do fato de ausência de averbação do correspondente contrato junto ao INPI. A CIDE-Royalties tem como matriz legal a Lei nº. 10.168/2000, cujos primeiros dispositivos, em sua redação original, assim dispunham: Art 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. (grifei) § 2o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput deste artigo. O Decreto nº 3.949/2001 veio regulamentar a Lei nº. 10.168/2000. Em seu art. 8º, o referido decreto assim dispôs: Art. 8º A contribuição de que trata o art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de róialtes ou remuneração previstos nos respectivos contratos relativos a: I - fornecimento de tecnologia; II - prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III - cessão e licença de uso de marcas; IV - cessão e licença de exploração de patentes. Fl. 150DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 Parágrafo único. Os contratos a que se refere este artigo deverão estar averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial e registrados no Banco Central do Brasil (grifei) Na leitura dos dispositivos transcritos, verifica-se que o decreto enunciou os tipos de contratos alcançados pela CIDE, tendo estabelecido, no parágrafo único, que aqueles contratos deveriam estar averbados no INPI e registrados no BACEN. Sublinhe-se, aqui, que a averbação no INPI pressupunha contratos que envolviam transferência tecnológica, nos termos do art. 211 da Lei nº. 9.279/1996. Tal situação foi alterada com o advento da Lei nº. 10.322/2001, cujo art. 6º modificou o art. 2º, §2º da Lei nº. 10.168/2000: Art. 6º. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.2º ......................................................................................... §2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(grifei) §3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput no § 2 º deste artigo. §4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). §5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador." A nova redação do art. 2º, §2º da Lei nº. 10.168/2000, alargou o domínio de incidência da CIDE: a partir de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior. Com a nova redação legal, o Decreto nº 4.195/2002, revogando o Decreto nº 3.949/2001, regulamentou, em seu art. 10, o art. 2º da Lei nº. 10.168/2000: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I - fornecimento de tecnologia; II - prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III - serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV - cessão e licença de uso de marcas; e V - cessão e licença de exploração de patentes. Fl. 151DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 Como se percebe, na regulamentação das hipóteses de incidência da CIDE, o novo decreto suprimiu aquela exigência, constante no Decreto nº. 3.949/2001, de averbação dos contratos junto ao INPI e ao Banco Central do Brasil. A supressão da exigência da averbação junto ao INPI se justifica no contexto do novo regramento introduzido pela Lei nº. 10.322/2001. Com esta lei, novas hipóteses de incidência da CIDE foram enunciadas, as quais não pressupõem, necessariamente, a transferência tecnológica: tais são os casos de remessa, pagamento ou creditamento, a pessoas no exterior, em decorrência de contratos de serviços de assistência técnica, serviços técnicos especializados e de assistência administrativa e semelhantes. Nesses casos, a averbação se mostra despicienda e, até mesmo, não aplicável. Observa-se, portanto, que o requisito de averbação do contrato junto ao INPI não representa elemento essencial para a configuração da incidência da CIDE-Royalties. Como visto, o requisito de averbação estava intrinsecamente ligado ao fato de que a remuneração ao exterior estava vinculada a contratos com transferência tecnológica, hipótese que não exaure as diversas outras hipóteses, legalmente previstas, de incidência da CIDE. Na esteira de tal entendimento, vale lembrar o que dispõe a Súmula CARF nº. 127, cuja aplicação é obrigatória pelos membros do CARF, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF): Súmula CARF nº 127 A incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. Voltando ao caso concreto, verifica-se que houve a constituição do crédito tributário atinente à CIDE do período de apuração de junho de 2006. Para afastar o débito constituído, a recorrente alegou que o pagamento a título de royalties não foi realizado, uma vez que o contrato de prestação de serviços não havia sido averbado junto ao INPI. Ocorre que, como visto, a ausência de averbação e pagamento dos royalties em nada interfere na incidência da CIDE. Neste caso, para buscar afastar o débito constituído de CIDE, a recorrente deveria ter trazido provas de que não ocorreram os serviços relacionados àquele débito com o correspondente reconhecimento do direito de royalties à fornecedora. Neste ponto, a propósito, é acurado o entendimento firmado no aresto recorrido quando assinala que o fato gerador da CIDE ocorre "quando a fornecedora de tecnologia adquire o direito aos royalties, gerando, assim, um acréscimo contábil em seu patrimônio, e, por outro lado, surge uma obrigação para o interessado que deve verter em linguagem competente, diga-se, contábil, o direito de crédito que o vendedor passaria a deter em face de sua pessoa, lastreado na referida venda, e, conseqüentemente determinando o momento do fato gerador". Analisando os autos, verifica-se que a recorrente trouxe contrato de licença de tecnologia e seu comprovante de averbação (fls. 9 a 37), mas não há nenhum elemento que ligue tais documentos à CIDE constituída no período de apuração de junho de 2006. Tais documentos são de anos posteriores (2007 e 2008) e nada os vincula, necessariamente, a eventuais serviços que teriam dado azo à CIDE de junho de 2006 - estes poderiam, muito bem, ser objeto de contrato anterior, diverso dos contratos trazido aos autos, com hipóteses de royalties também diversas. Fl. 152DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 Em suma, a documentação trazida não serve para comprovar o argumento da recorrente de que teria havido falta de pagamento por impossibilidade de averbação de contrato no INPI nem serve para comprovar a que título, especificamente, os royalties do mês de junho de 2006 foram pagos - se ligados a contratos que envolvem, ou não, transferência tecnológica, a teor do art. 2º, § 1º- A da Lei nº. 10.168/2000. Ademais, compulsando as páginas do Razão às fls. 7 e 8, verifica-se que não há elementos para a desconstituição do débito de CIDE de junho de 2006. Primeiramente, porque, ainda que fosse comprovada a ausência de pagamentos de royalties no ano de 2006 - ou seu estorno na conta Royaties a Pagar -, tal fato não significaria necessariamente que não houve o crédito contábil de royalties com o registro de tal obrigação pela recorrente. Não se pode olvidar que não é apenas o pagamento ou efetiva remessa de royalties que leva à incidência da CIDE, mas, ainda, seu creditamento. E, neste ponto, correta é a posição adotada pela primeira instância ao considerar que o fato gerador da CIDE reputa-se ocorrido na data do crédito contábil, quando este anteceder ao pagamento ou remessa de valores ao exterior, de maneira que eventual falta de remessa a título de pagamentos de royalties configuraria inadimplência da recorrente, em nada alterando o fato gerador da CIDE. Nessa esteira, se ocorreu o lançamento contábil de royalties a pagar, consignando o crédito a favor da outra parte contratante, não há como entender que não houve a incidência da CIDE pela ausência de pagamento em razão da não averbação do respectivo contrato junto ao INPI. O fato gerador da CIDE se dá, como bem assinalou a decisão recorrida, pelo crédito contábil, reconhecendo o direito aos royalties da parte com quem a recorrente firmou contrato. Verifica-se, ademais, que não há, entre os documentos apresentados, escrituração contábil-fiscal, com documentos que a lastreie, com a apuração e o registro da CIDE devida no mês de junho de 2006: para afastar o débito de CIDE já constituído, a recorrente deveria demonstrar que sua apuração, na competência específica de junho de 2006, foi outra. A recorrente restringiu-se, no entanto, a apresentar as páginas do Razão da conta Royalties a Pagar e página do Diário com os lançamentos de 31/12/2006, alegando que há o estorno do pagamento de royalties no valor de R$ 1.061.497,90. Não há, todavia, como vincular tal valor ao crédito que teria gerado a CIDE do mês de junho. Isso porque não há coincidência de base de cálculo (10% sobre tal pagamento não equivale à CIDE de junho de 2006). Além disso, o registro contábil apresentado na página do Diário - desacompanhado, registre-se, de documentos que o sustente - não esclarece a que título se deu o lançamento a débito, no valor de R$ 1.061.497,90, na conta Royalties a Pagar. Tal lançamento poderia ter sido em razão da quitação da correspondente obrigação - a extinção da obrigação, pelo pagamento, também representa, lembre-se, lançamento a débito na conta do passivo Royalties a Pagar: a recorrente deveria ter trazido documentos específicos para comprovar a natureza do lançamento contábil - não há como identificar nem a conta de contrapartida do referido lançamento. Nesse contexto, são corretas as observações do aresto recorrido quando assinala que as páginas do Razão trazidas pela recorrente não apresentam "nenhuma explicação detalhada, com apontamentos precisos capazes de demonstrar os lançamentos de royalties a pagar e seus respectivos estornos" e que o fato da conta Royalties a Pagar ser zero, ao final do ano de 2006, não prova a "inexistência de royalties a pagar, visto que o lançamento a crédito de uma obrigação e o posterior lançamento a débito da quitação desta obrigação resultariam em saldo zero da conta." Fl. 153DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3003-000.349 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.911513/2009-83 Outro detalhe chama a atenção na análise das páginas do Razão da conta Royalties a Pagar: no mês de junho de 2006, há escrituração de imposto de renda sobre royalties pagos no valor total de R$ 21.892,44 (registros contábeis em 30/06/2006: I/R ROYALTIES 06/06 - 86946, no valor de R$ 20.710,70; COMPL. IR ROYALTIES 06/0 -87221, no valor de R$ 1.181,74). Considerando alíquota de 15% e fazendo o cálculo reverso para achar a base de cálculo de tal imposto de renda, chegamos ao valor de R$ 145.949,60. Se, desse valor, deduzirmos o valor do imposto de renda pago em junho, chegamos ao montante de R$ 124.057,16 (= R$ 145.949,60 - R$ 21.892,44). Foi precisamente este valor, de R$ 124.057,16, que foi utilizado como base de cálculo da CIDE-Royalties do mês de junho, resultando no montante de R$ 12.405,72 (10% do valor pago a título de royalties já deduzidos do imposto de renda da operação), que é justamente o valor do DARF cujo recolhimento é alegado como indevido. Analisando as referidas páginas do Razão, não há elementos para afirmar que o imposto de renda escriturado no mês de junho de 2006 e os royalties que lhe deram origem foram, por alguma razão, tornados sem efeito. Ou seja, os registros apresentados só servem para reforçar a incidência da CIDE - há escrituração de IR pelo pagamento/creditamento de royalties e não há elementos para afastar tal registro. Em suma, os registros contábeis só se prestam a indicar a ocorrência do fato gerador da CIDE, em nada servindo para descaracterizar o débito daquela contribuição contestado pela recorrente. Com seu recurso, a recorrente deveria ter trazido escrituração contábil-fiscal mais completa e minuciosa, apta a comprovar suas alegações. Deveria, por exemplo, ter juntado os registros do livro Razão com as contas do passivo e de resultados da CIDE-Royalties, além de outras contas relacionadas, com documentos que os lastreiem, aptos a comprovar a apuração da CIDE em junho de 2006, bem como a natureza dos serviços cujos pagamentos serviram para compor a base de cálculo do tributo. Diante de todas as considerações acima expostas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915101/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no. 1639.80511ª Turma da DRJ/SP1 (fls 132/139): DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP n.º 37001.09079.170209.1.3.040234, transmitida em 17/02/2009, que indicava como crédito o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 10 1/ 20 09 -1 9 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.915101/200919 Resolução nº 3301001.154 S3C3T1 Fl. 302 2 pagamento indevido ou a maior de PIS – código 8109, ocorrido em 20/02/2008, no montante de R$ 97.966,98 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/01/2008, com débito próprio de IRPJ – código 2430, com vencimento em 30/09/2008, sendo o valor total do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) igual a R$ 132.375,33. DO DESPACHO DECISÓRIO 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu em 23/10/2009, o Despacho Decisório (DD) eletrônico com n.º de rastreamento 849890057, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, a compensação não foi homologada, sendo apresentada a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 97.966,98 A partir das características do DARF discriminado acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." 3. Devidamente cientificada do despacho decisório acima, em 06/11/2009 a contribuinte apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade, acompanhada dos seguintes documentos, procuração pública, contrato social, cópia do documento de identificação do advogado, DCTF original, DCTF e DACON retificadores, e balancete patrimonial, onde expõe em síntese pelo seguinte: 3.1. Em janeiro de 2008, apurou débito de PIS no total de R$ 300.731,46, o qual foi quitado em 20/02/2008 e posteriormente informado à Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual foi entregue eletronicamente, no dia 7/3/2008. 3.2. Após, alguns dias da aludida entrega, ao rever a exatidão do citado pagamento, verificou ter ocorrido erro no cálculo do tributo, por força do qual se recolheu valor a maior do que o realmente devido, que correspondia a R$ 159.916,38. 3.3. Assim sendo, a requerente detinha crédito frente ao fisco, resultante da diferença do valor levado aos cofres públicos, menos o valor efetivamente devido. Parte deste crédito foi utilizada para a compensação de débito de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica, que somava R$ 109.860,17, em 30/09/2008. 3.4. Cabe esclarecer que, a vista do erro na apuração da PIS devida, em 04/08/2009, a requerente encaminhou a RFB retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), além da respectiva DCTF retificadora, transmitida em 16/10/2009, para fazer constar o verdadeiro valor do débito. 3.5. A fiscalização, todavia, ao analisar a compensação da requerente, emitiu o despacho decisório ora impugnado, glosando o crédito nela utilizado, sob a alegação de que os pagamentos realizados pela requerente foram "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.915101/200919 Resolução nº 3301001.154 S3C3T1 Fl. 303 3 3.6. Esse aparente desconhecimento da fiscalização poderia ter sido superado com simples intimação, por meio da qual fossem solicitados os esclarecimentos que o pelo Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil julgasse necessários. A falta de qualquer verificação fiscal nesse sentido indica que, até o presente momento, a verdade material foi desprestigiada neste processo. 3.7. Diante do exposto, requer seja reconhecida a nulidade do despacho decisório impugnado, por manifesta ausência de investigação dos fatos pela fiscalização e consequente ofensa ao principio da verdade material, e, em não se acatando tal argumento da, seja cancelada a glosa fiscal em questão, pois o crédito compensado está devidamente comprovado e decorre de equivoco na apuração do total devido no período de apuração de PISjaneiro de 2008. 3.8. Por fim, protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/02/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade do despacho decisório por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa, haja vista que ele consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. No caso de apresentação de DCOMP (Declaração de Compensação) com indicação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, não há a previsão de emissão de termo de intimação, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para sanear eventual erro de preenchimento de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.915101/200919 Resolução nº 3301001.154 S3C3T1 Fl. 304 4 e DACON, demonstrando a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. (fls. 142/274), no qual a Recorrente repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto serão abordados os questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Defende a Recorrente que há impropriedade do procedimento levado a efeito pela fiscalização e há incoerência nas razões apresentadas pela DRJ para manter o despacho decisório. Assevera que a base legal citada é genérica e padrão para esse tipo de despacho decisório eletrônico, o que não permite quaisquer inferências sobre por qual motivo o crédito foi glosado. Afirma que o enquadramento legal do despacho decisório referese aos arts. 165 e 170 do Código Tributário Nacional, os quais trazem normas gerais autorizando a restituição e compensação dos pagamentos indevidos e o art. 74 da Lei n. 9430, de 27.12.2006, que veicula as regras para a concretização da restituição ou compensação. Ressalta que não há quaisquer indícios das razões que motivaram o indeferimento do crédito. Defende também que a Fiscalização não deveria se limitar a analisar sua declaração de compensação, que errou a não considerar que o pagamento não era devido. Defende também que a Recorrente deveria ter sido intimada para saneamento de eventual erro de preenchimento de DCTF. Diante da conclusão constante da decisão recorrida de que as provas juntadas pela recorrente seriam insuficientes para amparar o crédito por ela pleiteado, a Recorrente junta mais documentos, conforme indica: Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.915101/200919 Resolução nº 3301001.154 S3C3T1 Fl. 305 5 Desse modo, os documentos contábeis foram apresentados juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, tendo em conta o princípio da verdade material, entendese que tais documentos devem ser objeto de análise. CONCLUSÃO Destarte, tendo em conta o exposto, proponho converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900692/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 92 /2 01 4- 97 Fl. 69DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.400 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900692/2014-97 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 70DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.400 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900692/2014-97 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 71DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.400 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900692/2014-97 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 72DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.400 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900692/2014-97 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 73DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.400 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900692/2014-97 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.995655/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.159
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência em razão da apresentação de novos documentos quando da interposição do Recurso Voluntário, para que a autoridade de origem verifique a liquidez e certeza do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 95 65 5/ 20 12 -9 7 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.995655/201297 Resolução nº 3402002.159 S3C4T2 Fl. 3 2 Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, requer seja reconhecida a integralidade do direito creditório e regularidade da compensação decorrente do recolhimento a maior a título de PIS/COFINS, com os mesmos argumento apresentados na peça de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.157, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.995663/201233. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.157): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Como acima relatado, através do PER/DCOMP, pretende a Contribuinte compensar o débito discriminado com crédito de PIS/COFINS decorrente de recolhimento com DARF. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Argumenta a Recorrente que cometeu um equívoco ao preencher a DCTF e, não obstante o DACON ter demonstrado que não foi apurado o PIS/COFINS a ser recolhido, na DCTF foi informado o débito no mesmo período. Com isso, o recolhimento do PIS?COFINS foi efetuado com base no valor declarado no DACON, o qual foi retificado, apurandose valor diferente daquele que havia sido declarado anteriormente na DCTF. Argumenta, ainda, que não se pode negar a existência do crédito decorrente de pagamento a maior do PIS no montante de R$ 19.709,08, resultante da diferença entre o valor recolhido e aquele declarado no DACON do respectivo período. O Ilustre Julgador de origem não acatou o pedido da Contribuinte, considerando que, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.995655/201297 Resolução nº 3402002.159 S3C4T2 Fl. 4 3 homologar a compensação está correta, uma vez que deveria a Recorrente demonstrar e comprovar o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB, o que não ocorreu no presente caso. Ao que pese a DRJ ter analisado o pedido com base somente no DACON, o que justificaria a conclusão apontada, observo que, para comprovar a apuração do PIS/COFINS e a efetiva existência do crédito pretendido, a Recorrente trouxe aos autos, cópia dos seus Livros Diários e Razão do período em análise. E, considerando os documentos trazidos aos autos pela parte, entendo que há dúvida razoável acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do respectivo crédito, imperando a necessária busca pela verdade material para possibilitar a correta apreciação das provas e averiguação do direito invocado, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011. Com isso, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: Analise os documentos comprobatórios apresentados nos autos pela Recorrente, apurando a liquidez, certeza e exigibilidade do crédito pleiteado através do PER/DCOMP objeto deste processo; b) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários para realização da diligência; c) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; d) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analise os documentos comprobatórios apresentados nos autos pela Recorrente, apurando a liquidez, certeza e exigibilidade do crédito pleiteado através do PER/DCOMP objeto deste processo; b) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários para realização da diligência; Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.995655/201297 Resolução nº 3402002.159 S3C4T2 Fl. 5 4 c) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; d) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920333/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/09/2005
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.131
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/09/2005 INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-03T16:29:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-03T16:29:56Z; Last-Modified: 2019-07-03T16:29:56Z; dcterms:modified: 2019-07-03T16:29:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-03T16:29:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-03T16:29:56Z; meta:save-date: 2019-07-03T16:29:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-03T16:29:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-03T16:29:56Z; created: 2019-07-03T16:29:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-03T16:29:56Z; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-03T16:29:56Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.920333/2012-66 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.131 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente GRAFICA E EDITORA POSIGRAF LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/09/2005 INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 33 /2 01 2- 66 Fl. 77DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.131 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920333/2012-66 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 78DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.131 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920333/2012-66 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 79DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.131 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920333/2012-66 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903030/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A compensação de débito confessado a destempo, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização com ele relacionado, não caracteriza a denúncia espontânea, hipótese esta que exige o recolhimento integral do débito declarado.
Numero da decisão: 2401-006.498
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
(assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A compensação de débito confessado a destempo, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização com ele relacionado, não caracteriza a denúncia espontânea, hipótese esta que exige o recolhimento integral do débito declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 30 30 /2 00 9- 48 Fl. 70DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. . Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de número 13026.00810.240804.1.3.047066, por meio da qual o interessado comunica em 24/08/2004 extinção de débito com vencimento em 31/03/2004, sob condição resolutória, com aproveitamento de crédito do tipo pagamento indevido ou a maior de DARF recolhido em 09/07/2003. Em que pese o contribuinte ter informado o débito com vencimento em data anterior à data de transmissão do PER/DCOMP, não informou qualquer valor a título de multa de mora. O Despacho Decisório de fls. 07, homologou parcialmente a compensação declarada tendo em vista que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido; entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Conforme consta dos autos o contribuinte, apresentou manifestação de inconformidade, pugnando pelo recebimento e a apreciação do presente recurso, reformando a decisão proferida para o efeito de homologar integralmente a compensação realizada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1271.106 15ª Turma da DRJ/RJO, às fls. 38/50, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte, fundamentandose nos elementos a seguir: a) Preliminarmente, nos termos do parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a medida fiscal, ou procedimento de homologação ou não da compensação pelo Fisco terá como prazo 05 anos da data da entrega da declaração de compensação. Assim, se a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 29/04/2009, da declaração de compensação transmitida em 24/08/2004, não havia transcorrido o decurso de prazo para a análise fiscal do PER/DCOMP em debate; b) No mérito, a controvérsia gira em torno da incidência ou não da multa de mora sobre determinados débitos que foram compensados por meio de PER/DCOMP. Conforme já relatado, o contribuinte efetuou compensação de tributo (IRPJ) devido em Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10925.903030/200948 Acórdão n.º 2401006.498 S2C4T1 Fl. 3 3 27/02/2004, em 24/08/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRRF, acrescido de juros, mas sem multa de mora, tendo precedido a qualquer procedimento fiscalizatório da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Afirma o interessado que é equivocado o entendimento da autoridade fiscal, pois o presente caso contempla a regra contida no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). c) Como já analisado acima, a tônica contida na discussão do artigo 138 do CTN gira em torno do pagamento espontâneo do débito, que antes era não confessado e não pago, e depois passa a confessado e integralmente pago antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização.O presente caso é distinto: o débito foi confessado a destempo, mas não foi pago, foi compensado, sob condição resolutória, no PER/DCOMP objeto deste processo.O artigo 117 do CTN, é trata dos negócios jurídicos condicionais. d) Ora, se a compensação é procedimento condicional, ou seja, aquele que depende de medida de fiscalização com vistas à homologação ou não, não seria razoável substituição pura e simples do pagamento pela compensação.Ademais, se a quitação do débito via compensação fosse enquadrada no instituto da denúncia espontânea, tal entendimento estaria ampliando a decisão do STJ no já citado Recurso Especial nº 1.149.022/SP, e do Ato Declaratório PGFN nº 08, haja vista que neles há apenas a menção a pagamento. Cita ainda a NOTA TÉCNICA Nº 19/2012 da COSIT que reforça esse entendimento; e) Conclui, ao final que a compensação de débito confessado a destempo, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização com ele relacionado, não caracteriza a denúncia espontânea, hipótese esta que exige o recolhimento integral do débito declarado; f) a imputação proporcional das parcelas do débito compensado com crédito insuficiente para abarcar todas as suas parcelas segue o mesmo regramento da restituição total ou parcial do tributo, que é efetuado na mesma proporção dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. Esse é o entendimento do parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, PGFN/CAT/No 74/2012. Logo, a imputação proporcional realizada no despacho decisório do crédito com as parcelas do débito confessado na DCOMP (principal, multa de mora e juros) foi correta, pois está de acordo com o disposto na inteligência dos artigos 163 e 167 do CTN. Inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário às fls. 58/65 alegando em síntese que: a) Inicialmente, cabe salientar que a responsabilidade de que estabelece o disposto no art. 138, do Código Tributário Nacional, é aquela relacionada ao cometimento de infrações; a denúncia espontânea, in casu, exclui qualquer forma de penalidade, inclusive a incidência de multa de mora sobre o Fl. 72DF CARF MF 4 montante devido, que tem caráter punitivo. Neste sentido, é o entendimento consolidado do Primeiro Conselho de Contribuintes(colaciona jurisprudências); b) Resta cristalino que a apuração e pagamento espontâneo do tributo e seus consectários exclui a aplicação da multa, de modo que não há débito algum a ser compensado; c) Neste sentido foi a decisão proferida na 15ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. No entanto, os membros desta Turma, não deferiram o direito pleiteado pela recorrente, por entenderem que o “presente caso é distinto: o débito foi confessado a destempo, mas não foi pago, foi compensado, sob condição resolutória, no PER/DCOMP objeto deste processo.”; d)Rresta totalmente equivocada a conclusão exarada no acórdão recorrido. Referido julgado deixou de reconhecer a caracterização da denúncia espontânea, o que extinguiria a multa, porque o crédito tributário foi extinto por compensação e não recolhimento integral do débito declarado; e) os julgadores deixaram de observar que o Código Tributário Nacional possui um capítulo específico tratando da extinção do crédito tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção – e, em seu art. 156, onde relaciona as formas possíveis:Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; f) Como se extrai do disposto na legislação de regência, não há diferença alguma se a extinção do crédito tributário se deu por pagamento ou por compensação. Ao interpretar o presente caso da maneira como se deu no acórdão, é criar um obstáculo ao contribuinte que não existe na lei. Afinal, tanto compensação, quanto o pagamento, são forma de extinção do crédito tributário e é o que basta para solução do presente caso; g) o processo administrativo fiscal serve como instrumento de realização do princípio da legalidade objetiva, na medida em que será no seu curso em que procedido o controle da legalidade dos atos praticados pelas autoridades administrativas, para confirmação da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, garantindo a justiça social e a segurança jurídica dos contribuintes. h) a compensação é a utilização de um crédito, que nada mais é que dinheiro, ou seja, se o contribuinte tivesse recebido seu crédito, teria efetuado o pagamento do débito em espécie. Em momento algum foi contestada pela autoridade fiscal a existência do crédito utilizado na compensação; i)Tendo em vista que para a legislação de regência art. 156 do CTN – tanto o pagamento, quanto a compensação extinguem o crédito tributário, a negativa de reconhecimento da denúncia espontânea, pelo acórdão recorrido, pela suposta exigência de recolhimento integral do débito declarado, não possui fundamento legal para persistir; Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10925.903030/200948 Acórdão n.º 2401006.498 S2C4T1 Fl. 4 5 j)Na remota hipótese deste órgão de julgamento entender que o presente caso não configura denúncia espontânea, havendo a necessidade de cobrança de multa, tendo em vista o simples pagamento em atraso do tributo em questão, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser homologada a compensação nos moldes informados pela recorrente, ou seja, o valor pago deve ser abatido do principal acrescido de juros, com o lançamento da multa, se for o caso, de forma isolada; k) O proceder da autoridade fiscal é absolutamente arbitrário, por ofender o princípio constitucional do devido processo legal, o qual prevê que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” (art. 5º, LIV, CF), além de conter uma série de normas rígidas que não podem ser dispensadas nunca; l) O fisco tem o meio adequado para ver satisfeito seu crédito tributário, devendo respeitar os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, uma vez que a compensação entre créditos e débitos é uma faculdade do contribuinte, não podendo ser imposta pelo fisco; m) Se o contribuinte entende que não deve ser aplicada multa ao presente caso, de modo que apresenta a quitação do valor principal do tributo, devidamente acrescido de juros calculados pela SELIC, não pode o fisco de forma unilateral alterar o ato do contribuinte e alocar os valores compensados de forma diversa. Destarte, se realmente se constatar ser o presente caso hipótese de aplicação de multa, caberá à autoridade fiscal proceder ao competente lançamento da penalidade administrativa, de forma isolada, bem como notificála, para, querendo, impugnar a sua constituição. n)Ao final requer o recebimento e a apreciação do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o efeito de homologar integralmente a compensação realizada pela requerente. É o relatório Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 29/01/2015 conforme Termo de Abertura de Mensagem às fls. 55, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 20/02/2015 (fl. 58/65), razão pela qual Fl. 74DF CARF MF 6 CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 1. DOS FATOS A presente controvérsia referese à incidência ou não da multa de mora sobre determinados débitos que foram compensados por meio de PER/DCOMP. Conforme já relatado, o contribuinte efetuou compensação de tributo (IRPJ) após seu vencimento, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRRF, acrescido de juros, mas sem multa de mora, tendo precedido a qualquer procedimento fiscalizatório da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A autoridade fiscal, por entender que não se trata de denúncia espontânea, mas sim de pagamento feito em atraso, vê como necessária a incidência de multa de mora sobre o valor do tributo devido. Com isso, homologou parcialmente a compensação declarada, desconsiderandoa para o efeito de diminuir o valor principal compensado, a fim de compensar a diferença na condição de multa de mora, tornando o valor homologado proporcionalmente diferente àquele informado na PER/DCOMP pelo contribuinte. A DRJ por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade, para confirmar a incidência da multa de mora sobre o débito confessado na DCOMP. 2. DO MÉRITO Em que pese o entendimento da instância a quo no sentido da impossibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 ao caso em debate, passo a expor os fundamentos de meu entendimento contrário. A controvérsia envolve a interpretação do art. 138 do CTN, a seguir reproduzido: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Depreendese da legislação que trata a matéria que, para que se configure a denúncia espontânea é necessário: (a) comunicação espontânea da infração à autoridade fazendária, sem que qualquer indicativo de procedimento prévio da fiscalização (parágrafo único); (b) acompanhada do pagamento do tributo e juros de mora devidos, ou depósito do quantum apurado pela administração. Imaginase ainda que o intuito da lei é estimular o contribuinte a regularizar sua situação fiscal. Nesse contexto, o STJ firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados previamente pelo contribuinte e recolhidos fora de prazo de vencimento. Aludido entendimento gerou a Súmula 360/STJ: "o benefício da Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10925.903030/200948 Acórdão n.º 2401006.498 S2C4T1 Fl. 5 7 denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Ou seja, na hipótese de débitos declarados em DCTF, GFIP ou documento equivalente, a própria declaração do sujeito passivo constitui o crédito tributário, tornando desnecessária qualquer outra providência pelo Fisco, razão pela qual o recolhimento do tributo fora do prazo não caracteriza denúncia espontânea, incidindo os encargos legais decorrentes de seu inadimplemento. Observese que o fundamento da Súmula nº 360 do STJ deriva da natureza jurídica da DCTF, GFIP ou outra declaração com idêntica função, uma vez que, formalizando a existência do crédito tributário, possuem as declarações o efeito de suprir a necessidade de constituição do crédito por meio de lançamento e de qualquer ação fiscal para a cobrança do crédito. A jurisprudência do STJ restou absolutamente sedimentada com a decisão proferida no REsp nº 962.379, julgado sob os auspícios do art. 543C do CPC, Assim,a espontaneidade da denúncia é afastada quando transmitese declaração constitutiva do crédito tributário e o tributo é pago após o prazo legal de vencimento, já que a aludida declaração substitui o lançamento fiscal. Porém, enquanto o contribuinte não prestar a declaração, mesmo que recolha o tributo fora do prazo legal, desde que pelo valor integral, permanece a possibilidade de fazer o pagamento do tributo sem a incidência da multa moratória, pois nesse caso inexiste qualquer instrumento supletivo da ação fiscal. A situação posta nos autos é exatamente essa, pois o contribuinte realizou a compensação antes da entrega da DCTF ou de qualquer outra declaração com idêntica função. O instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação. Isso porque a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme previsto no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, ou seja, informada a compensação, o crédito tributário se extingue, desde logo, exceto se o Fisco não o homologar. Ademais, o próprio CTN prevê, no art. 156, II, que a compensação extingue o crédito tributário, não havendo razão para não equiparála a pagamento.Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instâncias ordinárias, referese a tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento Fl. 76DF CARF MF 8 fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015) (grifei) TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO MEDIANTE DCTF E COMPENSAÇÃO DECLARADA À RECEITA FEDERAL. EXCLUSÃO DA MULTA. CABIMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REMESSA OFICIAL. 1. O pagamento espontâneo do tributo, antes de qualquer ação fiscalizatória da Fazenda Pública, acrescido dos juros de mora previstos na legislação de regência, enseja a aplicação do art.138 do CTN, eximindo o contribuinte das penalidades decorrentes de sua falta. 2. O art. 138 do CTN não faz distinção entre multa moratória e multa punitiva, aplicandose o favor legal da denúncia espontânea a qualquer espécie de multa. 3. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados em DCTF e pagos com atraso, o contribuinte não pode invocar o art. 138 do CTN para se exonerar da multa de mora, consoante a Súmula nº 360 do STJ. Tal entendimento deriva da natureza jurídica da DCTF, GFIP ou outra declaração com idêntica função, uma vez que, formalizando a existência do crédito tributário, possuem o efeito de suprir a necessidade de constituição do crédito por meio de lançamento e de qualquer ação fiscal para a cobrança do crédito. 4. Todavia, enquanto o contribuinte não prestar a declaração, mesmo que recolha o tributo extemporaneamente, desde que pelo valor integral,a multa moratória, pois nesse caso inexiste qualquer instrumento supletivo da ação fiscal. 5. A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. A declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Até que o Fisco se pronuncie sobre a Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10925.903030/200948 Acórdão n.º 2401006.498 S2C4T1 Fl. 6 9 homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. 6. Nas causas em que é parte a Fazenda Pública, os honorários advocatícios devem ser arbitrados com moderação, adotandose valor que não onere demasiadamente o vencido, remunere merecidamente o patrono do vencedor na demanda e leve em consideração a importância da demanda, o zelo dos advogados e a complexidade da causa. No caso dos autos, a questão controvertida envolveu discussão jurídica pacificada e permitiu o julgamento antecipado da lide. 7. Consoante a jurisprudência do STJ, consolidada na Súmula nº 325, "a remessa oficial devolve ao Tribunal o reexame de todas as parcelas da condenação suportadas pela Fazenda Pública, inclusive dos honorários de advogado" (TRF4, APELREEX 503940388.2014.404.7100, PRIMEIRA TURMA, Relator p/ Acórdão JOEL ILAN PACIORNIK, (grifei) Nesse compasso, dado o caráter de punição da multa moratória, vigente em nosso sistema tributário, bem como diante da iniciativa do contribuinte de espontaneamente, independente de qualquer manifestação do fisco, promover o pedido de compensação tributária incluindo o valor principal e juros e multa, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A forma utilizada pela recorrente não afasta a aplicação do instituto da denúncia espontânea, uma vez que a PER/Dcomp tem efeito de pagamento antecipado, que extingue o crédito tributário até posterior homologação. Ora, se artigo 138 do Código Tributário Nacional reza que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração, não há como privar desse privilégio aquele que quita sua obrigação através de crédito de sua titularidade. Notese que sem esse incentivo, nenhum benefício teria o contribuinte e melhor seria aguardar a atuação da autoridade fazendária. Particularmente, entendo que o artigo 138 do CTN aplicase a todas as modalidades extintivas do crédito tributário, ressalvado o parcelamento, pois neste caso há previsão legal expressa afastando a caracterização da denúncia espontânea, conforme prescrito pelo artigo 1º da Lei Complementar 104/2001, que acrescentou o artigo 155A, §1º ao Código Tributário Nacional: Art. 155A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. § 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. Fl. 78DF CARF MF 10 § 2o Aplicamse, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória. § 3o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. § 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal específica. Com efeito, a compensação extingue a obrigação tributária conforme previsto no artigo 156 do CTN e está no conceito de "pagamento" empregado pelo artigo 138 do CTN, vez que acarretam a sua extinção. Sendo a compensação uma forma de pagamento e, restando atendidas as outras exigências do artigo 138 do CTN, impõese, a exclusão da multa de mora. Portanto, é descabida a exigência da multa de mora, porquanto a confissão e o pagamento por meio da compensação se deram de forma espontânea. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso para no mérito, DARLHE PROVIMENTO assegurando o direito do Recorrente de excluir a multa moratória sobre os débitos declarados em PER/DCOMP, após os prazos de seus vencimentos, aplicando assim o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138, do CTN, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Voto Vencedor Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Em que pese as corriqueiras lógica e clareza com que o I. Relatora apresenta suas razões, pretendo demonstrar as razões da minha discordância quanto ao julgamento de mérito da matéria ora submetida. DO MÉRITO A lide diz respeito à possibilidade de a compensação de débitos declarados em PER/DCOMP, após os respectivos prazos de vencimento, atrair o benefício da denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN e, conseqüentemente, afastar a incidência da multa de mora sobre esses débitos. Sobre a matéria, alega a Recorrente, em suas razões recursais, às fls. 58/65, o seguinte: (...) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10925.903030/200948 Acórdão n.º 2401006.498 S2C4T1 Fl. 7 11 d) resta totalmente equivocada a conclusão exarada no acórdão recorrido. Referido julgado deixou de reconhecer a caracterização da denúncia espontânea, o que extinguiria a multa, porque o crédito tributário foi extinto por compensação e não recolhimento integral do débito declarado; e) os julgadores deixaram de observar que o Código Tributário Nacional possui um capítulo específico tratando da extinção do crédito tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção – e, em seu art. 156, onde relaciona as formas possíveis:Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; f) Como se extrai do disposto na legislação de regência, não há diferença alguma se a extinção do crédito tributário se deu por pagamento ou por compensação. Ao interpretar o presente caso da maneira como se deu no acórdão, é criar um obstáculo ao contribuinte que não existe na lei. Afinal, tanto compensação, quanto o pagamento, são forma de extinção do crédito tributário e é o que basta para solução do presente caso; (...) Ou seja, entende o contribuinte que o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN compreende não somente o pagamento, mas igualmente a compensação, posto ser esta também modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156 do citado diploma legal. Vejamos a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (*) destaques acrescidos É de se destacar que resta consolidado o entendimento que configura denúncia espontânea a hipótese na qual o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito (sujeito a lançamento por homologação), retificaa antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, com o concomitante pagamento. Entretanto, a questão controvertida objeto dos autos impõe perquirir a extensão semântica do vocábulo "pagamento" utilizado pelo retromencionado art. 138 do CTN. Em outras palavras: a saber se a expressão "pagamento" compreende também a compensação por serem ambos modalidade de extinção de crédito tributário. Fl. 80DF CARF MF 12 Entendo que não. É certo que a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, incisos I e II do CTN. Contudo, com a redação dada pela Lei 10.637 de 2002 ao art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996, a compensação mediante apresentação da Declaração de Compensação DCOMP foi expressamente reconhecida como extintiva do crédito tributário, mas sob condição resolutória de sua ulterior homologação, in verbis: Art. 74 (...) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da sua ulterior homologação. (...) * destaques acrescidos Desta forma, quando, em vez de realizar o pagamento o contribuinte apresenta pedido de compensação, a extinção do crédito tributário está sujeita à manifestação posterior da autoridade fazendária no sentido de homologar ou não o pedido de compensação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência dos encargos moratórios. Consequentemente, dependente a compensação da homologação por parte da autoridade fazendária, não se pode concluir que o sujeito passivo tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento do tributo e realizado o seu pagamentos integral nos termos do art. 138 do CTN, deixando assim de ser albergado pelo instituto da denúncia espontânea. Esse é o entendimento esposado pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça ao apreciar o Agravo Interno no REsp 1.585.052/RS, expresso no voto condutor do julgado proferido pelo Ministro Humberto Martins, a saber: (...) "Conforme consignado na análise monocrática, a denúncia espontânea é uma benesse legal que exige para sua implementação o pagamento do tributo devido, acrescido dos juros de mora correspondentes. Logo, a hipótese do art. 138 do CTN exige o pagamento do tributo que não se confunde com o pedido de compensação. Quando, em vez de realizar o pagamento, o contribuinte apresenta pedido de compensação, a extinção do crédito tributário está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência dos encargos moratórios. Desse modo, sendo a compensação dependente de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art.138 do CTN." (...) Vários Colegiados deste Conselho também manifestaramse contrariamente à denúncia espontânea mediante compensação, consoante expresso nas seguintes ementas: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10925.903030/200948 Acórdão n.º 2401006.498 S2C4T1 Fl. 8 13 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 [...] COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. (Acórdão n° 1301001.991, Relator Conselheiro Waldir Veiga Rocha, sessão de 03 de maio de 2016) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1993 a 31/07/1994 [...] DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea, o art. 138 do CTN exigese a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado (Acórdão n° 3802004.034, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, sessão de 27 de janeiro de 2015,) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 [...] Oportuna a transcrição dos argumentos expostos pelo Conselheiro Roberto Massao Chinen no voto condutor do Acórdão n° 1801001.835: (...) De acordo com o legislador, o pagamento, ao lado da compensação, são espécies do gênero "modalidades de extinção". O que vale para o gênero vale para a espécie, mas a recíproca não é verdadeira, lógica esta que se extrai do silogismo aristotélico. Se a compensação também excluísse a responsabilidade pela denúncia espontânea, porque não o fariam as demais formas de extinção do crédito tributário? A dação em pagamento em bens imóveis (inciso XI) configura denúncia espontânea? É mais razoável e prudente concluir que, se o legislador pretendesse contemplar a compensação, ou outras formas de extinção do crédito, não teria escrito somente "pagamento" no caput do art. 138 do CTN. Se assim o fez, é porque quis dizer que pagamento é pagamento, e não se confunde com compensação. E de fato, tratase de duas espécies distintas, com efeitos diferenciados. O pagamento extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra Fl. 82DF CARF MF 14 providência posterior. O mesmo não ocorre com a compensação, porque ela se sujeita a uma condição (resolutória) de decisão de não homologação, que resolve (reverte) os efeitos, fazendo com que o débito retorne à condição de nãoextinto. Teleologicamente falando, a denúncia espontânea guarda similaridade com o instituto do arrependimento, do direito penal,que o CP garante sob duas formas, o arrependimento eficaz (art.15) e o posterior (art. 16). Em ambas, o benefício (responder somente pelos atos já praticados e redução da pena, respectivamente) somente é concedido quando houver prova do arrependimento (impedimento do resultado no art. 15 e reparação do dano e restituição da coisa no art. 16). Nos dois institutos, o penal e o tributário, a função é a mesma: a prevalência da premiação sobre o castigo. Se no direito penal exigese certeza de que o acusado está arrependido, o mesmo vale para a denúncia espontânea. E tal certeza somente é obtida pelo pagamento. (...)" De fato, admitindose uma interpretação extensiva do disposto no art. 138 do CTN, pretendendo estender seus efeitos para a compensação por entenderse que a expressão "pagamento" abarca outras modalidades de extinção do crédito tributário, nos induz a pensar se as demais formas de extinção também não estariam compreendidas pelo benefício da denúncia espontânea. Entendo que não. A meu ver, não cabe aqui a interpretação extensiva do vocábulo "pagamento" empregado no art. 138 do CTN, visando estender os efeitos da denúncia espontânea a outras formas de extinção do crédito tributário. A interpretação é o processo lógico para estabelecer o sentido e a vontade da lei, sendo a interpretação extensiva a ampliação do seu conteúdo, efetivado pelo aplicador da norma do direito, quando a norma disse menos do que deveria. E obviamente, não foi o caso. De fato, perquirindo o debate legislativo à época da discussão do projeto de lei em que se converteu o CTN , temse claro que, para o legislador originário, o efeito extintivo da compensação não é o mesmo do pagamento, considerado causa extintiva por excelência (grifos nossos), razão pela qual foi destacado na Exposição de Motivos (fls. 214) que a mesma não poderia ser imposta pelo contribuinte à Fazenda Pública, em razão do princípio da universalidade do orçamento.1 Para concluir, não bastassem os elementos históricos a oferecer clareza ao conteúdo semântico da expressão "pagamento" contida no art. 138 do CTN, a interpretação sistemática, decorrente da estrutura principiológica do próprio sistema jurídico, mormente do Sistema Tributário Nacional, através do qual confrontase a prescrição normativa com outra de que proveio ou dimana, verificandose o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, nos leva ao mesmo entendimento. Assim, uma norma não pode ser vista de forma isolada pois o direito existe como sistema de forma ordenada e com certa sincronia, razão pela qual não é possível a compreensão da compensação como cláusula extintiva do crédito tributário a oferecer os mesmos efeitos do pagamento, à luz do que dispõe art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996, acima transcrito. Diante do exposto, agiu acertadamente a autoridade administrativa, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso. 1 Fonte: https://www2.senado.leg.br/ Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10925.903030/200948 Acórdão n.º 2401006.498 S2C4T1 Fl. 9 15 (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora designada. Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 13204.000046/2001-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CREDITO PRESUMIDO DE IPI- ENERGIA ELÉTRICA.
Para fim de crédito presumido do IPI, a energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matérias-primas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classifica-se como produto intermediário, e como tal, pode ser incluí da na base de cálculo do crédito presumido
Numero da decisão: 9303-008.716
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CREDITO PRESUMIDO DE IPI- ENERGIA ELÉTRICA. Para fim de crédito presumido do IPI, a energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matérias-primas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classifica-se como produto intermediário, e como tal, pode ser incluí da na base de cálculo do crédito presumido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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Para fim de crédito presumido do IPI, a energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matérias-primas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classifica-se como produto intermediário, e como tal, pode ser incluí da na base de cálculo do crédito presumido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 46 /2 00 1- 73 Fl. 745DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.716 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000046/2001-73 Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3401-001.117, de 9 de dezembro de 2010 (fls. 616 a 620 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de crédito presumido protocolado pelo contribuinte do IPI do 3º trimestre de 2001, no valor de R$ 5.651.405,16. Do valor pleiteado, a autoridade fiscal deferiu somente R$ 3.598.298,73, em razão de ter glosado do cálculo do crédito valores relativos à aquisição de bens que, no entendimento dela, não se enquadra no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Inconformado com a decisão que deferiu parcialmente o seu pedido de ressarcimento, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: - no âmbito do Parecer Normativo CST n.° 65/79, a expressão consumidos "há que ser entendida em sentido amplo, expressamente açambarcando, como sói acontecer, os produtos que suportem desgaste, desbaste e perda de propriedades físicas ou químicas". Observa, adiante, que não se pode atribuir ao referido Parecer Normativo "o status de norma paralela às que compõem a norma-padrão de incidência do IPI", ressaltando que o mesmo não pode extrapolar as normas que lhe são hierarquicamente superiores; - na produção industrial do alumínio, "não há como sufragar o entendimento de que o Anel Ponte Rolante, a Barra de Aço Carbono, o Bloco Carbeto Silício, o Concreto Refratário, o Ferro Fósforo, o Ferro Gusa, o Ferro Silício, a Manga Filtrante, o Tijolo Isolante, a Energia Elétrica, os Materiais Refratários e demais produtos congêneres não consistem em produtos imprescindíveis à produção do alumínio primário"; - alguns produtos glosados, "conquanto não guardem contato físico (porque contato direto há) com o alumínio, são essenciais, imprescindíveis à obtenção do produto final, e é exatamente este o critério que se extrai da legislação". Sustenta que sendo este o critério legal Fl. 746DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.716 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000046/2001-73 (essencialidade), bastará para o direito ao creditamento, que os produtos façam parte do processo produtivo, sendo irrelevante o contato físico; - a título de descrever o processo de industrialização do alumínio, toma por exemplo o coque calcinado de petróleo que, segundo afirma, "fora um dos produtos expressamente glosados pela Fiscalização em meio a uma conclusão paradoxal", fazendo assentar que o coque calcinado, conjugado ao piche, faz nascer o Anodo, o qual suportaria desgaste em uma operação de reação físico-química direta com o produto. Reitera adiante, em detida e meticulosa análise, a "participação" e o "mecanismo de consumo dos anodos", citando insumos "empregados diretamente no mecanismo de consumo dos anodos, sem os quais jamais se chegará até o alumínio primário", dentre os quais refere "Anel Ponte Rolante" e "Bloco de Aço Carbono"; - o Código Tributário Nacional e o Regulamento do IPI, além de excertos doutrinários que colaciona, indicariam que o conceito de insumo vincular-se-ia apenas ao emprego e consumo no processo produtivo, assim considerado em um sentido amplo, sendo irrelevante o contato direto ou não com o produto final e incabíveis, pois, as restrições referidas pela Fiscalização. A própria nº Lei n° 9.363, de 1996, apontaria como requisito inarredável fruição do benefício fiscal "a aquisição de produtos preordenados à utilização efetiva no processo de industrialização" e não o contato físico dos produtos com os bens exportados; - ouve indiferença por parte da Fiscalização à variação de estoque dos insumos adquiridos e efetivamente aplicados nos meses de apuração do crédito presumido de IPI; - o material refratário teria efetiva participação no processo industrial, inexistindo "equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final"; - "O benefício da geração de crédito presumido de IPI (...) abrange a 'todas as operações que, de algum modo, concorram para que se perfaça a venda, para o exterior, de produtos industrializados", razão pela qual "inclusive o serviço de transporte dos produtos, por se tratar de operação voltada à viabilização da operação de industrialização e ulterior exportação do alumínio, portanto imprescindível à ultimação do processo industrial, revela-se igualmente idônea a gerar créditos presumidos de IPI"; - "A energia elétrica é insumo imprescindível à deflagração e ulterior deslinde da fabricação do alumínio, na medida em que a mesma é a força motriz e um dos elementos fundamentais para a operacionalização da eletrólise". A Lei n° 10.276, de 2001, admite Fl. 747DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.716 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000046/2001-73 expressamente a inclusão da energia elétrica e de combustíveis na base de cálculo do crédito presumido de IPI. A DRJ em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento parcial, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 MATÉRIA-PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE DESGASTE DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO OU COMPOSIÇÃO NO PRODUTO FINAL. Para o bem ser considerado matéria-prima ou produto intermediário, é necessário que ele sofra desgaste durante processo produtivo ou componha o produto final. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO. O consumo de energia elétrica e outros combustíveis não geram crédito presumido do IPI, por não se enquadrarem no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional manifestou às fls. 622 pelo não interesse de interposição de Recurso Especial. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 641 a 674) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito ao direito à tomada de créditos presumidos do IPI em relação à Fl. 748DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.716 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000046/2001-73 insumos glosados: energia elétrica (1); e GLP, gás, óleo combustível, óleo diesel, querosene, querosene iluminante (2a), concreto refratário (2b) e frete (2c). Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, apresentou como paradigmas os acórdãos de nºs 3401-001.120 e 9303-002.429 (1), 9303-002.055, 3102-002.012 e CSRF/02-01.442 (2). A comprovação dos julgados firmou-se pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas – documentos de fls. 675 a 686. O Recurso Especial do Contribuinte foi parcialmente admitido, conforme despacho de fls. 725 a 728, sob o argumento que apenas restou comprovada a divergência jurisprudencial em relação à matéria sobre o direito à tomada de créditos presumidos do IPI em relação ao insumo glosado: energia elétrica. No reexame de admissibilidade às fls. 729 e 730, ficou decidido manter na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 732 a 736, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora. Da Admissibilidade Depreendendo-se da análise do Recurso interposto pelo Contribuinte, entendo que devo conhecê-lo, eis que tempestivo e comprovada a divergência entre os arestos – acórdão recorrido e os indicados como paradigma. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho de fls. 725 a 728 e fls. 729 e 730. Fl. 749DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.716 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000046/2001-73 Do Mérito No mérito, delimita-se a controvérsia suscitada pela contribuinte ao direito à tomada de créditos presumidos do IPI em relação ao insumo glosado: energia elétrica. Esta Câmara superior já decidiu essa matéria em caso idêntico, envolvendo a própria Recorrente, no Acórdão n.º 9303-005.165, cujo vencedor foi de minha relatoria, em 17/05/2017, à época essa Turma por maioria de votos, vencido somente o Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, decidiu que: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CREDITO PRESUMIDO DE IPI- ENERGIA ELÉTRICA. Para fim de crédito presumido do IPI, a energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matérias-primas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classifica-se como produto intermediário, e como tal, pode ser incluí da na base de cálculo do crédito presumido. Desta maneira, transcrevo abaixo o voto vencedor: Inicialmente cumpre esclarecer que o CARF em vários julgados adota uma concepção restritiva do objetivo visado pelo legislador ao criar tal crédito presumido, e firmou o entendimento no sentido de que energia elétrica e combustíveis não se enquadravam no conceito legal de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem previsto na legislação do IPI e, por conseguinte, não poderiam ser utilizados como custo para fins de apuração do crédito presumido do IPI. Diante disso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula Carf n.º 19 com a seguinte redação: Fl. 750DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.716 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000046/2001-73 “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.” É importante advertir que os precedentes que lastreiam a mencionada súmula somente analisaram casos e consideraram o regime jurídico vigente até a Lei 9.363/1996, portanto, anterior à edição da Lei 10.276/2001. No caso do presente autos, o colegiado entendeu que não há possibilidade de inclusão das despesas relativas energia elétrica, aplicando a Súmula Carf n.º 19. Eu discordo da decisão recorrida, pois, a energia elétrica utilizada incide diretamente sobre as matérias--primas que integram o produto final, quando da separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina). Aqui, a produção industrial do alumínio tem como característica fundamental o processo de redução eletrolítica do óxido de alumínio dissolvido em um banho composto fundamentalmente de criolita, sintetizado na seguinte equação: [2Al203 (dissolvido) 3C (sólido)] + energia elétrica = 4A1 (líquido) + 3 CO2 Ou seja, a redução consiste na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina), apartando--o pela quebra, do oxigênio contido na referida molécula, obtendo o alumínio e gás. A função da energia elétrica consiste em fornecer calor à reação química. Percebe-se que no caso da produção do Contribuinte, a energia elétrica incide diretamente sobre as matérias--primas componentes do produto final e desempenha função essencial na obtenção deste, ainda que não o integre. Fl. 751DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.716 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000046/2001-73 Assim, a obtenção do produto da Contribuinte dá-se por meio de reações químicas derivadas da eletrólise, e a energia elétrica funciona como um produto intermediário e, como tal, deve compor a base de cálculo do crédito presumido. Vale ressaltar, que o objetivo da Lei n.º 9.363/1996, inicialmente foi desonerar o produto brasileiro para enfrentar a concorrência do mercado internacional, senão vejamos: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A partir da criação desse regime, todavia, os direitos dos exportadores foram sendo mitigados por meio de um conceito restritivo de insumo e muitos contribuintes passaram a questionar tal interpretação, pleiteando a inclusão da energia elétrica e dos combustíveis na base de cálculo do crédito. No caso do Contribuinte, pela própria lógica de produção industrial por ele feita, conforme demostrado acima, efetivamente não se pode negar que a energia elétrica, gasta ou aplicada, se agregam ao produto ou são imprescindíveis para que este seja produzido e cujo consumo nesta fase não se pode dele afastar. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 752DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-008.716 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000046/2001-73 Érika Costa Camargos Autran Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.006556/2003-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
PAGAMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 74
Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento.
DÉBITO EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. JUROS DE MORA. TEMPESTIVIDADE NÃO COMPROVADA.
Não comprovada a tempestividade dos pagamentos efetuados, mantém-se os juros de mora lançados.
Numero da decisão: 1001-001.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para exonerar a multa remanescente, mantendo-se os juros de mora lançados.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 PAGAMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 74 Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento. DÉBITO EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. JUROS DE MORA. TEMPESTIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não comprovada a tempestividade dos pagamentos efetuados, mantém-se os juros de mora lançados.
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MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 74 Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento. DÉBITO EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. JUROS DE MORA. TEMPESTIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não comprovada a tempestividade dos pagamentos efetuados, mantémse os juros de mora lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para exonerar a multa remanescente, mantendose os juros de mora lançados. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 65 56 /2 00 3- 57 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13804.006556/200357 Acórdão n.º 1001001.307 S1C0T1 Fl. 243 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração lavrado em 20/06/2003 (fls. 09 a 35). O auto teve por objeto Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF declarado e não recolhido, e acréscimos legais sobre recolhimentos em atraso de IRRF (juros de mora e multa de ofício), devidos no anocalendário de 1998. Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o pleito (fls. 186 a 192): Em decorrência da realização de auditoria interna de pagamentos do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) informados em DCTF do 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1998, conforme IN SRF nºs 45/1998 e 77/1998, foi lavrado o Auto de Infração nº 69034 (fls. 07/10) com seus Anexos (fls. 33, 43, 53, 56/58, 61, 64, 67, 70, 73/74, 77, 80, 83, 86, 88, 91, 94, 97, 100, 103, 106, 109, 112, 115, 118, 121, 124, 127, 130, 132, 135, 138/140 e 147/150), onde se exige o crédito tributário no total de R$ 2.294.959,22, assim discriminado: • R$ 779.675,89 (imposto), R$ 584.756,92 (multa de oficio) e R$ 678.710,08 (juros de mora calculados até 30/06/2003), no montante de R$ 2.043.142,89, pela falta de recolhimento do débito principal, conforme Anexo III Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar (fls. 140); • R$ 247.131,29 (multa isolada) e R$ 4.685,04 (juros pagos a menor ou não pagos), pela falta de pagamento dos acréscimos legais. A descrição dos fatos e os dispositivos legais citados por enquadramento legal constam de fls. 10 dos autos. No Anexo Ia Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF (fls. 33, 43, 53, 56/57) constam os pagamentos do principal. No Anexo IIa Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento (fls. 58, 61, 64, 67, 70, 73/74, 77, 80, 83, 86, 88, 91, 94, 97, 100, 103, 106, 109, 112, 115, 118, 121, 124, 127, 130, 132, 135 e 138/139) e Anexo IV Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor (fls. 147/148) foram apontados os recolhimentos do imposto, efetuados fora do prazo de vencimento, porém, sem os respectivos acréscimos legais devidos. Regularmente intimada por via postal, com ciência do lançamento em 09/08/2003 (AR, fls. 170), a interessada, representada por procurador (fls. 04), apresentou em 09/09/2003 a impugnação (fls. 01/03), instruída com os relatórios de pagamentos informados em DCTF (fls. 11/32), os DARF (fls. 34/42, 44/52, 54/55, 59/60, 62/63, 65/66, 68/69, 71/72, 75/76, 78/79, 81/82, 84/85, 87, 89/90, 92/93, 95/96, 98/99, 101/102, 104/105, 107/108, 110/111, 113/114, 116/117, 119/120, 122/123, 125/126, 128/129, 131, 133/134, 136/137 e 141/146) e as DCTF/1998 (fls. 152/169), alegando, em síntese, os seguintes fatos: • As irregularidades ocorridas foram apenas de caráter formal nas DCTF, onde foram alocados débitos e créditos em períodos incorretos; Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13804.006556/200357 Acórdão n.º 1001001.307 S1C0T1 Fl. 244 3 • Os DARF não localizados pela Fiscalização foram devidamente recolhidos e localizados internamente pela impugnante. Solicita considerar as retificações nas DCTF, com a alocação dos débitos e créditos aos períodos corretos, conforme relatórios (fls. 11/32). Dentre outras, citase a título de exemplo, o débito de IRRF (código 0561, PA 3ª semana/abril/98) no montante de R$ 296.823,81 declarado na DCTF/2º trimestre/98 (fls. 158) e discriminado no demonstrativo (fls. 11/12), onde a interessada vinculou a este débito vários DARF de diferentes períodos de apuração, com diversos valores de recolhimentos realizados em diferentes datas, e assim, sucessivamente, vindo agora solicitar as alocações dos débitos e créditos aos períodos corretos. Finalmente, requer a desconsideração do auto de infração. Efetuada a revisão de ofício pela autoridade administrativa, com a elaboração dos demonstrativos de análise do lançamento, vinculações de pagamentos e resumo dos créditos (planilhas, fls. 171/180) e despacho (fls. 182), foram realizadas as alocações dos recolhimentos, concluindose pela improcedência do crédito tributário (código 2932) constante do item 4.1 do Auto de Infração (fls. 09), porém, restando os saldos remanescentes a pagar do crédito tributário (códigos 6583 e 6380) constantes do item 4.2 do Auto, conforme Resumo dos Créditos Tributários Lançados com Revisão de Lançamento (fls. 181), transcrito na planilha abaixo: Crédito Tributário Exigido e Cancelado na Revisão de Ofício – Valores em Reais DISCRIMINAÇÃO LANÇADO E IMPUGNADO IMPROCEDENTE SALDO REMANESCENTE Principal 779.675,89 779.675,89 0,00 Multa Vinculada 584.756,92 584.756,92 0,00 Juros de Mora Isolados 4.685,04 2.506,67 2.178,37 Multa de Ofício Isolada 247.131,31 168.368,56 78.762,75 TOTAL 1.616.249,16 1.535.308,04 80.941,12 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, no Acórdão às fls. 186 a 192 do presente processo (Acórdão 1619.630, de 26/11/2008), julgou o lançamento procedente em parte. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. IRRF. ERRO DE FATO NÃO COMPROVADO. A mera alegação desacompanhada de elementos da escrituração contábil não comprova a inexistência do débito. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Sobre as diferenças apuradas em auditoria interna de DCTF decorrentes de pagamentos efetuados fora do prazo legal, sem multa de mora, incidem somente os acréscimos moratórios, em razão da aplicação retroativa do art. 14 da Lei nº 11.488/2007 que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13804.006556/200357 Acórdão n.º 1001001.307 S1C0T1 Fl. 245 4 MULTA E JUROS DE MORA. Cabíveis, por expressa disposição legal, a multa à razão de 0,33 % por dia de atraso e os juros de mora equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para Títulos Federais SELIC acumulados mensalmente, calculados sobre os tributos não pagos nos prazos previstos na legislação específica. No voto, observouse que restava do lançamento originário apenas a multa isolada de R$ 78.762,75,e os juros na quantia de R$ 2.178,37, decorrentes de pagamento feito em atraso sem os acréscimos legais. A decisão ponderou que as informações prestadas em DCTF pelo contribuinte reputamse verdadeiras, até prova em contrário. Que a empresa não apresentou, antes da autuação, DCTF retificadoras. Que solicitava que fossem consideradas as retificações que apontava mas não juntava elementos da escrituração contábil que comprovassem os fatos alegados. Concluiu, assim, pela intempestividade dos pagamentos que deram origem à multa e juros em questão, mantendo sua cobrança. Quanto à multa, a decisão esclareceu que se embasava nos artigos 43 e 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que ao tempo do lançamento previam a multa de ofício de 75% nos casos de pagamento após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória. Mas que o art. 14 da Lei nº11.488/2007 deu nova redação ao art. 44, inciso I, excluindo essa hipótese de incidência. Alegou que nos processos pendentes de julgamento cabia a aplicação da retroatividade benigna a que alude o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. E que uma vez suspensa a eficácia da multa de ofício isolada, havia regular incidência da multa de mora e dos juros de mora sobre os tributos não pagos nos prazos previstos na legislação específica, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1966. Que, assim, mantinhamse os valores indicados na tabela abaixo, todos referentes ao período de apuração da 3ª semana de abril de 1998, com vencimento em 23/04/1998. Excepcionalmente, do débito de código 1708 haviamse mantido parcialmente os juros de mora após a Revisão de Ofício. Código do Débito Multa Mantida Juros Mantidos 3208 2.019,35 310,29 2063 166,33 15,95 8045 2.174,36 325,22 0588 10.208,42 1.376,60 1708 0,00 150,31 Sendo o contribuinte cientificado da decisão de primeira instância em 22/12/2008 (Aviso de Recebimento à fl. 196), foi juntado ao processo Recurso Voluntário apresentado em 21/01/2009 (recurso às fls. 201 a 204, carimbo aposto na primeira folha). Posteriormente, em 04/07/2019, o contribuinte anexou petição (fls. 245 a 247) informando que, por equívoco, foi juntado ao presente processo o Recurso Voluntário destinado ao processo administrativo 13804.006563/200359, referente à empresa S.A. O Estado de São Paulo (CNPJ 31.533.949/000141). E que o recurso da empresa OESP Mídia e Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13804.006556/200357 Acórdão n.º 1001001.307 S1C0T1 Fl. 246 5 Transportes S.A. – antiga OESP Mídia S.A. (CNPJ 02.688.912/000123, incorporadora da OESP Gráfica S.A.), destinado ao presente processo, foi por equívoco juntado naquele. Que os recursos foram, portanto, trocados. Que acredita ter sido um erro do agente administrativo responsável, já que os processos não eram eletrônicos, e foram apresentados na mesma data (21/01/2009), na mesma repartição responsável (CAC Pinheiros – Derat/SP), pelo mesmo escritório de advocacia. Anexou, juntamente com a petição: (i) os documentos de identificação dos procuradores (fls. 248 a 257); (ii) cópia do Recurso Voluntário correto (fls. 587 a 590), acompanhada de cópia de parte do Livro Razão Analítico dos meses de março (fls. 603 a 607) e abril (fls. 598 a 602) de 1998; (iii) cópia do Acórdão de Impugnação proferido pela DRJ no outro processo, do interessado S.A. OESP O Estado de São Paulo, bem como do recurso lá anexado por engano (fls. 279 a 310). O Recurso Voluntário, assim anexado em 04/07/2019 (fls. 587 a 590), possui texto idêntico àquele anteriormente anexado por equívoco (fls. 201 a 204), demonstrando que ambos contestam autuações semelhantes. Naturalmente, diferem os valores dos Livros Razão juntados ao processo. No recurso, o contribuinte repete a alegação da Impugnação de que os recolhimentos foram feitos nas épocas próprias, mas que ocorreram equívocos nos períodos de apuração informados em DCTF. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora Em primeiro lugar é necessário dizer que a documentação acostada aos autos em 04/07/2019 (fls. 245 a 310) comprova a troca de recursos esclarecida na petição de fls. 245 a 247. Não resta dúvida de que o Recurso Voluntário foi apresentado na repartição em 21/01/2009, onde foi equivocadamente anexado a processo diverso (13804.006563/200359). Corrigido o erro, será aqui considerado o Recurso Voluntário correto, às fls. 587 a 590, acompanhado das cópias do Livro Razão às fls. 598 a 603. Assim, o recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, os débitos remanescentes em litígio referemse à multa de mora e juros de mora, ambos sobre pagamentos de IRRF efetuados em atraso. A Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13804.006556/200357 Acórdão n.º 1001001.307 S1C0T1 Fl. 247 6 documentação acostada pela empresa objetiva comprovar que não houve atraso, mas erro no período de apuração informado em DCTF. Preliminarmente, é preciso tratar da multa de ofício lançada, reduzida pela DRJ. A penalidade embasavase nos artigos 43 e 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que ao tempo do lançamento previam a multa de ofício de 75% nos casos de pagamento após o vencimento do prazo, quando esse era efetuado sem acréscimo de multa moratória. Conforme a referida decisão, o art. 14 da Lei nº 11.488/2007 (conversão da Medida Provisória nº 351/2007) deu nova redação ao art. 44, inciso I, excluindo essa hipótese de incidência. A retroatividade benigna disciplinada no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, como dito no acórdão recorrido, afasta a multa constituída. Tratase de matéria objeto da Súmula CARF nº 74: Súmula CARF nº 74 Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1º, II, da Lei nº 9.430/96. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Não cabe a substituição da multa de ofício por multa de mora, determinada na decisão de primeira instância. Porque o fundamento e o enquadramento legal do crédito tributário constituído são aqueles indicados no auto de infração. Excluída da legislação a hipótese de incidência, e cabível a retroatividade benigna, há de se exonerar o débito, e não substituílo por outro com base legal distinta (multa de mora determinada no art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Assim, ainda que extemporâneos os pagamentos efetuados, é incabível a multa mantida pela DRJ. Dito isso, tratemos dos períodos de apuração dos débitos. No relatório, acima, temse o demonstrativo com os débitos remanescentes no processo. As multas e juros ali informados resultam dos débitos pagos em atraso constantes nos demonstrativos de fls. 60 a 133, cada demonstrativo seguido dos DARF a ele correspondentes: · Código 3208 – demonstrativo e DARF às fls. 60 a 68; · Código 2063 – demonstrativo e DARF às fls. 69 a 71; · Código 8045 – demonstrativo e DARF às fls. 72 a 89; · Código 0588 – demonstrativo e DARF às fls. 90 a 101; · Código 1708 – demonstrativo e DARF às fls. 102 a 133. Tais débitos, em DCTF (fls. 161 a 166) foram informados como referentes à 3ª semana de abril de 1998, com vencimento em 23/04/1998. As exceções são os de código 2063, cujo período de apuração e vencimento são o dia 03/04/1998. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13804.006556/200357 Acórdão n.º 1001001.307 S1C0T1 Fl. 248 7 Em todos os DARF a empresa informou a data de vencimento coincidente com a data de pagamento. Por isso não calculou acréscimos moratórios. Abaixo, planilha com os débitos, seus códigos, períodos de apuração e vencimentos informados em DARF: Código Valor do Débito PA Vencimento 3208 367,67 02/05/1998 06/05/1998 3208 28.182,60 09/05/1998 13/05/1998 3208 149,92 16/05/1998 20/05/1998 3208 681,68 30/05/1998 03/06/1998 3208 75,97 06/06/1998 10/06/1998 3208 129,61 20/06/1998 24/06/1998 2063 439,83 29/05/1998 29/05/1998 2063 439,83 30/06/1998 30/06/1998 8045 11,65 25/04/1998 29/04/1998 8045 790,42 02/05/1998 06/05/1998 8045 789,63 03/05/1998 07/05/1998 8045 11.884,53 10/05/1998 14/05/1998 8045 402,55 16/05/1998 20/05/1998 8045 269,28 16/05/1998 20/05/1998 8045 156,90 23/05/1998 27/05/1998 8045 761,14 30/05/1998 03/06/1998 8045 71,61 06/06/1998 10/06/1998 8045 523,49 13/06/1998 17/06/1998 8045 4.919,97 14/05/1998 18/06/1998 8045 32,46 20/06/1998 24/06/1998 8045 388,42 27/06/1998 01/07/1998 0588 292,20 02/05/1998 06/05/1998 0588 118,80 09/05/1998 13/05/1998 0588 1.236,58 16/05/1998 20/05/1998 0588 295,20 23/05/1998 27/05/1998 0588 108,90 30/05/1998 03/06/1998 0588 102,60 06/06/1998 10/06/1998 0588 14.320,00 13/06/1998 17/06/1998 0588 27.073,54 20/06/1998 24/06/1998 1708 146,71 25/04/1998 29/04/1998 1708 15,00 25/04/1998 29/04/1998 1708 1.292,49 25/04/1998 29/04/1998 1708 13,35 02/05/1998 06/05/1998 1708 16,21 02/05/1998 06/05/1998 1708 3.861,08 02/05/1998 06/05/1998 1708 22,50 02/05/1998 06/05/1998 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13804.006556/200357 Acórdão n.º 1001001.307 S1C0T1 Fl. 249 8 1708 15,29 09/05/1998 13/05/1998 1708 60,14 09/05/1998 13/05/1998 1708 1.032,19 09/05/1998 13/05/1998 1708 101,80 16/05/1998 20/05/1998 1708 948,02 16/05/1998 20/05/1998 1708 79,13 16/05/1998 20/05/1998 1708 4.157,74 23/05/1998 27/05/1998 1708 15,00 23/05/1998 27/05/1998 1708 11,65 23/05/1998 27/05/1998 1708 30,00 30/05/1998 03/06/1998 1708 589,46 30/05/1998 03/06/1998 1708 267,67 13/06/1998 17/06/1998 1708 1.162,58 20/06/1998 24/06/1998 1708 935,05 27/06/1998 01/07/1998 Para comprovar serem esses os períodos de apuração e vencimentos corretos, a empresa anexou ao Recurso Voluntário parte do Livro Razão Analítico referente a março de 1998 (fls. 603 a 607) e a abril de 1998 (fls. 598 a 602). Porém, a quase totalidade dos débitos acima se refere aos meses de maio e junho de 1998. Não podem, assim, ser comprovados com escrituração contábil referente a março e abril. Apenas quatro dos débitos acima seriam de período de apuração do final de abril (um de código 8045 e três de código 1708), todos com vencimento em 29/04/1998. Mas mesmo esses não se comprovam na documentação anexada, que não indica vinculação dos referidos débitos com os registros contábeis. Ora, a declaração do contribuinte em DCTF é confissão de dívida que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Para se comprovar erro no preenchimento da declaração, é imprescindível sua demonstração, na escrituração do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos. Não comprovados nos autos, através da documentação anexada, os alegados erros dos períodos de apuração informados em DCTF, bem como a tempestividade dos pagamentos efetuados, mantémse os juros de mora lançados. Conclusão Em obediência à Súmula CARF nº 74, concluise pela exoneração do crédito tributário correspondente à multa remanescente. Não comprovada a tempestividade dos pagamentos efetuados, concluise pela manutenção dos juros de mora lançados. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13804.006556/200357 Acórdão n.º 1001001.307 S1C0T1 Fl. 250 9 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para exoneração da multa. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720003/2011-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS
A regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação.
IRPF - DECLARAÇÃO RETIFICADORA
A declaração retificadora quando entregue antes de qualquer início de procedimento fiscal, substitui os efeitos da declaração retificada.
Numero da decisão: 2002-001.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. IRPF - DECLARAÇÃO RETIFICADORA A declaração retificadora quando entregue antes de qualquer início de procedimento fiscal, substitui os efeitos da declaração retificada.
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IRPF DECLARAÇÃO RETIFICADORA A declaração retificadora quando entregue antes de qualquer início de procedimento fiscal, substitui os efeitos da declaração retificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 00 03 /2 01 1- 64 Fl. 40DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$578,36, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 04 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Após ser notificada, providenciou, em 22/12/2010, o cancelamento do Pedido de Restituição, conforme comprova o Recibo de Entrega n°3105381036, em anexo. Diante dos argumentos e razões expostos acima e demonstrada a legitimidade dos pagamentos efetuados, que estão devidamente comprovados com o PER/DCOMP cadastrado sob o n°26364. 36224.291010.2.2.042411, requer seja: a) desconsiderada a Declaração Retificadora apresentada em 28/10/2010; b) desconsiderado o PER/DCOMP n° 26364.36224.291010.2.2.042411, apresentado em 29/10/2010, conforme comprova o recibo de entrega de n° 33.80.22.09.80, em anexo; c) reconsiderada a Declaração de Ajuste Anual, entregue em 20/03/2009, onde os rendimentos considerados omitidos estão lançados como Rendimentos Tributáveis, com saldo de imposto a pagar no valor de R$578,36; d) considerado quitado o saldo de imposto a pagar, apurado na Declaração de Ajuste Anual, Exercício 2009, Ano Calendário 2008, conforme comprovado através da cópia do Darf no próprio PER/DCOMP; e) acolhida a presente impugnação e, ao mesmo tempo, diante da ausência de máfé ou dolo, julgue improcedente a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física de n° 2009/004266049052872. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BHE que, por maioria, em 20/12/2011, no acórdão 0236.801, às efls. 21 a 25, julgou a impugnação parcialmente procedente. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10665.720003/201164 Acórdão n.º 2002001.118 S2C0T2 Fl. 41 3 Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 29 a 34 no qual alega, em síntese, que: · a Relatora do acórdão da DRJ considerou o pagamento do valor de R$578,36 montante este objeto da notificação de lançamento; · não vê razão do julgamento de piso, antes do deferimento do pedido de cancelamento de seu pedido de desconsideração do PERD/COMP, pois tal pleito está vinculado à peça impugnatória, sendo que a delegacia de Belo Horizonte deveria solicitar ao Delegado da Delegacia de Divinópolis a decisão sobre o pedido de cancelamento do PERD/COMP; · houve excesso de burocracia, vez que não há imposto a pagar e nada a restituir. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 09/02/2012, efls. 28, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/03/2012, efls. 29, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício do ano calendário 2008. Em sua defesa, a contribuinte alega que apresentou sua DAA de 2008, às efls. 09, que consta como saldo de imposto a pagar o valor de R$578,36, valor da lide. Informa que, conforme DARFs anexadas, às efls. 13 quitou o montante de imposto devido. A nossa Carta Magna de 1988 erigiu competências tributárias aos três entes, rigidamente postas, sobretudo quanto a criação de impostos. Conforme artigo 153 do texto constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; Fl. 42DF CARF MF 4 V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (...) Segundo define o parágrafo 2º, do supracitado artigo, o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade. O princípio da generalidade permitirá a efetivação dos princípios da universalidade, pessoalidade e capacidade contributiva, na medida em que atua no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência tributária, determinando que todas as pessoas físicas – a integralidade desse universo que esteja no território nacional, que auferir renda e proventos de qualquer natureza terá obrigação de efetuar o pagamento do imposto, salvo exceções prevista na própria lei. Já o princípio da universalidade atuará sobre o aspecto material do antecedente da regra matriz de incidência tributária, afinal determina que a incidência do imposto alcançará todas as rendas e proventos, de qualquer espécie, independente da denominação ou fonte. Por fim, o princípio da progressividade também será aplicado sobre o critério quantitativo do conseqüente da rega matriz, nesse caso para a fixação da alíquota do imposto. Tal princípio implicará na incidência gradativa, em percentual maior e, pretensamente de modo progressivo, à medida que se dá o correspondente aumento da base de cálculo do imposto ou acréscimo patrimonial, ou seja, quanto maior o acréscimo patrimonial maior será a alíquota do imposto devido pelo contribuinte. Logo, a regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação, desde que se configurem efetivamente renda, enquanto acréscimo patrimonial, conforme redação do artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10665.720003/201164 Acórdão n.º 2002001.118 S2C0T2 Fl. 42 5 disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) A contribuinte promoveu verdadeira confusão, apresentando DAA e recolhendo imposto devido, antes de qualquer ato de fiscalização. Posteriormente, apresentou declaração retificadora alegando que seus rendimentos seriam isentos por ser portadora de moléstia grave. Assim, a fiscalização se baseou, corretamente, na declaração retificadora da contribuinte, que, quando entregue antes de qualquer início de procedimento fiscal, substitui os efeitos da declaração retificada, como se vê pela jurisprudência deste CARF: DITR. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EFEITOS. A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio. Portanto, qualquer procedimento de revisão de oficio e consequente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora apresentada. (Acórdão n°: 2201 001.747 14/08/2012) Desta forma, mantenho a decisão da DRJ, afastando apenas a multa de ofício: Da análise dos autos e dos dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, verificase que a contribuinte efetuou o recolhimento do imposto que havia sido apurado na declaração originariamente apresentada (ND 06/19.562.839), em 06/04/2009, Darf às fls. 20, código de receita 0211. O referido pagamento não está alocado (não foi destinado a nenhum débito), estando a sua declaração retificadora ND 06/35.697.322 na situação “Finalizada sem restituição”. Neste caso, considerandose que a contribuinte havia recolhido o imposto no valor de R$578,36, espontaneamente, antes de iniciado o procedimento fiscal, descabe a exigência da multa de ofício sobre a referida quantia. Assim, não há que se falar em cancelamento da autuação. Contudo, como houve o pagamento pela contribuinte quando da apresentação da DAA original, conforme DARFs de e fls. 13, cabe a alocação destes valores com o crédito exigido, de forma que não há saldo a pagar, vez que o pagamento é modalidade, por excelência, de extinção do crédito tributário (CTN, artigo 156, I). Desta forma, conheço do presente recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 44DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
