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Numero do processo: 10680.720355/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. CINCO ANOS APÓS O PAGAMENTO INDEVIDO PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva utilizar, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito de cinco anos após o pagamento indevido para os pedidos administrativos protocolados a partir de 9 de junho de 2005. Entendimento confirmado pela Súmula CARF nº 91.
RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. PRAZO.
Para o saldo negativo de IRPJ, o indébito surge quando da apuração do resultado no encerramento do exercício.
Assim, tratando-se de lucro real anual do ano de 2005, o pagamento indevido ocorreu em 31/12/2005 e o prazo para pleitear sua repetição se encerrou em 31/12/2010.
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO APÓS EXTINTO O DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. UTILIZAÇÃO DO EXCESSO DE CRÉDITO EM DCOMP ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE.
O contribuinte só pode se utilizar, em declarações de compensação, de créditos relativos a pagamentos indevidos realizados há menos de cinco anos. Caso deseje aproveitar o indébito por prazo superior, deve apresentar pedido de restituição dentro do prazo quinquenal, e realizar as compensações a partir desse pedido.
O excesso de crédito apresentado em declaração de compensação tempestiva não converte o documento em pedido de restituição, e não pode ser utilizado em compensação posterior, enviada após o prazo de cinco anos do pagamento indevido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-001.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. CINCO ANOS APÓS O PAGAMENTO INDEVIDO PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva utilizar, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito de cinco anos após o pagamento indevido para os pedidos administrativos protocolados a partir de 9 de junho de 2005. Entendimento confirmado pela Súmula CARF nº 91. RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. PRAZO. Para o saldo negativo de IRPJ, o indébito surge quando da apuração do resultado no encerramento do exercício. Assim, tratandose de lucro real anual do ano de 2005, o pagamento indevido ocorreu em 31/12/2005 e o prazo para pleitear sua repetição se encerrou em 31/12/2010. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO APÓS EXTINTO O DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. UTILIZAÇÃO DO EXCESSO DE CRÉDITO EM DCOMP ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte só pode se utilizar, em declarações de compensação, de créditos relativos a pagamentos indevidos realizados há menos de cinco anos. Caso deseje aproveitar o indébito por prazo superior, deve apresentar pedido de restituição dentro do prazo quinquenal, e realizar as compensações a partir desse pedido. O excesso de crédito apresentado em declaração de compensação tempestiva não converte o documento em pedido de restituição, e não pode ser utilizado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 03 55 /2 00 9- 15 Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.887 2 em compensação posterior, enviada após o prazo de cinco anos do pagamento indevido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos próprios com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2005, no valor original de R$ 92.635.348,74, por meio da apresentação de diversos PER/DCOMPs. O despacho decisório eletrônico de fls. 602 a 608, lavrado em 15/1/2013 reconheceu a existência do crédito e homologou todas as DCOMPs transmitidas até 31/12/2010, cinco anos após a ocorrência do fato gerador do imposto de renda de apuração anual do anocalendário de 2005 (31/12/2005). Por consequência, a DCOMP nº 09357.36415.260111.1.3.025011, enviada em 26/1/2011, que pretendia compensar débitos de R$ 1.644.116,91, foi considerada como não declarada, nos termos da alínea XI do inciso I do §3º do art. 34 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, e se facultou ao contribuinte a apresentação de recurso hierárquico, nos termos dos artigos 56 a 63 da Lei nº 9.784, de 1999, e § 2º do art. 46 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, sem efeito suspensivo. Contra essa decisão, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 691410.2013.4.01.3800 na 10a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, onde obteve liminar determinando que este processo siga o rito previsto no art. 74, §§ 9o, 10 e Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.888 3 11 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como a suspensão da exigibilidade dos débitos a ele relacionados (fls. 665 a 670). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 640 a 650), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 686 a 688): · é cabível a manifestação de inconformidade: o pela simples leitura do § 12 e § 3º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, verificase que a extinção do direito de pleitear a restituição não é causa para consideração da não declaração da compensação; o não se há de considerar a aplicação de disposições da IN RFB n.º 1.300, de 2012, que extrapolam os ditames da Lei n.º 9.430, de 1996; o na oportunidade em que a administração considerar extinto o direito de pleitear a restituição, deve deixar de homologar a compensação, e não considerála não declarada; o tendo sido protocolada a manifestação no prazo de 10 dias da intimação do despacho decisório, cabível, ainda, é seu recebimento nos termos do art. 56 da Lei n.º 9.784, de 1999; · não ocorreu a extinção do direito de pleitear restituição: o não deve prosperar o entendimento de que o direito de pleitear restituição de saldo negativo se extingue no prazo de cinco anos, a contar do dia 31 de dezembro do anocalendário em que for apurado, porque não se atém aos precedentes do CARF; o pedese a aplicação de entendimento do CARF segundo o qual inexiste prazo prescricional para o contribuinte compensar saldo negativo de IRPJ e de CSLL; o ainda que superado o entendimento invocado, a compensação não se fez após o decurso do prazo legal, em razão de outro entendimento do CARF; o a contagem do prazo a partir de 31 de dezembro do anocalendário em que for apurado o saldo negativo reverberam a regra geral, mas está dissociado das legislações específicas; o de acordo com o inciso II do § 1º do art. 6º da Lei n.º 9.430, de 1996, o saldo de IRPJ a pagar apurado em 31 de dezembro, caso negativo, será compensado com o imposto a ser pago a partir de abril do ano subseqüente, ou após entrega de declaração de rendimentos; o se a compensação só pode ser feita a partir de abril do ano subseqüente, fica claro que o termo inicial para a contagem do prazo para a extinção do direito de a pleitear se desloca para esta data; Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.889 4 o inciandose a contagem do prazo em abril de 2006, o termo final se dá em abril de 2011, data posterior ao envio do PER/DCOMP n.º 09357.36415.260111.1.3.025011 (26/01/2011); o se a Lei 9430 difere a possibilidade de pleitear a compensação ou restituição para abril do ano subseqüente ou após a entrega da declaração, não se há de falar na aplicação da norma geral; o as regras definidas no CTN não se sobrepõem às da Lei n.º 9.430, porque o critério da hierarquia entre lei complementar e lei ordinária se mostra inaplicável, conforme entendimento do STF, segundo o qual não existe escalonamento entre leis de natureza tributária; o na resolução da contradição entre normas, o critério da especialidade supera o critério da generalidade; o uma vez que a Lei n.º 9.430, de 1996, tratou especificamente da compensação do saldo negativo de IRPJ, não há aplicar a norma genérica do CTN; o quando da transmissão do primeiro PER/DCOMP (n.º 05344.99714.300708.1.3.023966), em 30/07/2008, foi consignado o valor total do saldo negativo do anocalendário de 2005 apurado na DIPJ transmitida em 30/06/2006; o mesmo que intempestiva a DCOMP em litígio, não se pode considerar extinto o seu direito, porque a intenção de compensar o saldo negativo já havia sido demonstrada no PER/DCOMP de 30/07/2008. · em face do exposto, pedese que a manifestação seja conhecida, que se considerem as compensações declaradas e que elas sejam homologadas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 685 a 693): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.890 5 Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) tomouse conhecimento do recurso, em cumprimento à decisão judicial, mas não se conheceu dos argumentos relativos à compensação não declarada e ao cabimento de manifestação de inconformidade, por concomitância com a ação judicial; b) as compensações em litígio não podem ser homologadas, porque foram efetuadas por meio de PER/DCOMP transmitido depois de extinto o direito de o sujeito passivo pleitear restituição do crédito nele utilizado; c) o inciso II do § 1º do art. 6º da Lei n.º 9.430, de 1996, não contraria o art. 168 do CTN, porque não trata da contagem de prazo para extinção do direito de pleitear restituição. A citada regra do CTN, ao definir o marco inicial para a contagem do prazo de cinco anos, não prevê exceções ou a possibilidade de a legislação ordinária dispor de forma diversa; d) de toda sorte, não se confirma o suposto adiamento do gozo do direito de restituição para o mês de abril. No anocalendário em questão, já estava em vigor legislação específica que permitia a compensação do saldo negativo com imposto a ser pago a partir de janeiro; e) a apresentação de outros PER/DCOMPs indicando o mesmo crédito tempestivamente não legitima compensações posteriores usando o mesmo crédito feitas por meio de PER/DCOMP transmitido depois do prazo. Isso só seria possível caso o crédito tivesse sido objeto de pedido de restituição, mas o contribuinte enviou apenas declaração de compensação (fl. 4), sendo que o fato de o crédito ser superior ao débito compensado não altera a natureza do documento. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 7/5/2013 (fl. 814), o contribuinte apresentou, em 5/6/2013, o recurso voluntário de fls. 815 a 830, acompanhado dos documentos de fls. 831 a 1.883, onde afirma que: a) a jurisprudência dominante da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o saldo negativo, nos casos de empresas que têm sua apuração realizada constantemente com base no lucro real, é renovado a cada entrega de DIPJ, de modo a se impedir a extinção do direito à restituição (Acórdãos n°s 910100348, 910100.522 e 9101 00.411); Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.891 6 b) isso porque se estáse diante de um verdadeiro contacorrente, uma vez que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe de autorização prévia da RFB e também não está sujeito à apresentação de DCOMP. Assim, pela sistemática de apuração do lucro real do IRPJ e da CSLL, o contribuinte, após apurar o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no LALUR. Este controle é análogo ao controle dos prejuízos fiscais de IRPJ e da base negativa de CSLL, pois requer boa escrituração e guarda de livros fiscais que irão consubstanciar e suportar as informações fiscais informadas em DIPJ; c) assim, cumpre os requisitos sedimentados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para utilização de saldo negativo de IRPJ para compensação/restituição: (i) existência de saldo negativo acumulado; (ii) manutenção do regime de apuração pelo lucro real ou, no caso de ter mudado o regime, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos tem como termo inicial a data da mudança de regime; e (iii) informação constante na DIPJ; d) o art. 168 do CTN não exige que seja a restituição efetivada no prazo de cinco anos, mas tão somente que a intenção de reaver os valores pagos a maior ou indevidamente seja manifestada no referido prazo, sob pena de extinção. Assim, só há decadência do direito de reaver o indébito quando o titular do direito de crédito não praticar, no lapso de cinco anos, quaisquer atos necessários à preservação do seu direito; e) no caso dos autos, praticou, dentro do prazo de cinco anos, atos suficientes e necessários à preservação do seu direito à compensação/restituição, uma vez que consignou em sua DIPJ de 2006 a existência de saldo negativo, que pretendia reaver via compensação e também enviou pedidos sucessivos de compensação, tendo a primeira DCOMP do lote analisado (DCOMP n° 05344.99714.300708.1.3.023966) sido transmitida em 30/07/2008, já consignando o valor total do crédito referente ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2005; f) caso não aceitos os argumentos anteriores, deve ser reconhecida a inocorrência de decadência do direito à restituição do saldo credor, considerandose como termo inicial da contagem do prazo decadencial o mês de abril subsequente ao da formação do saldo negativo, tese igualmente aceita pelo CARF (Acórdãos n°s 180300.120, 180100.162, 19700.027, CSRF/0105.890); g) isso porque, embora o exercício no qual foi apurado saldo negativo de IRPJ tenha se encerrado em 31/12/2005, a condição elementar para a contagem de prazo decadencial reside na chamada “actio nata”. Vale dizer, não se pode contar prazo preclusivo, para o exercício de dada prerrogativa, se esta não tem condição de ser ainda exercida. É exatamente esse o caso da compensação de saldo negativo de IRPJ, uma vez que a legislação (art. 6o, §1°, II, da Lei nº 9.430, de 1996) só possibilita o exercício desse direito a partir do mês de abril do ano calendário subsequente a sua apuração; h) é possível, também, defender que o prazo inicial para o exercício do direito à compensação do saldo negativo é a data de entrega da DIPJ no ano subsequente, que, no caso, seria 31/6/2006; i) o uso do Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, pela decisão recorrida foi incorreto, pois esse entendimento pode ser usado apenas a favor do contribuinte. Ainda assim, Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.892 7 esse ato normativo defende que a restituição do saldo negativo pode se dar a partir de 31 de janeiro do ano seguinte, o que seria suficiente para garantir o direito, pois a DCOMP foi apresentada em 26/1/2011. Ao final, pugna pelo provimento do recurso, com o cancelamento integral da exigência, bem como protesta pela sustentação oral, nos termos do Regimento, e pela prévia intimação de seus representantes legais. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 1.885. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A discussão cingese à possibilidade de PER/DCOMP apresentado em 26/1/2011 compensar crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005. O despacho decisório e a autoridade fiscal consideraram que o saldo negativo de 2005 somente pode ser compensado até cinco anos após a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. No caso concreto, por se tratar de apuração anual do anocalendário de 2005, o fato gerador ocorreu em 31/12/2005 e o direito à restituição terminou em 31/12/2010. O recorrente, por sua vez, afirma não ter ocorrido o perecimento do direito, tanto por defender que a contagem do prazo quinquenal deve se dar em outra data, quanto por entender que o pedido à restituição se concretizou com a primeira utilização do crédito em DCOMP anterior apresentada em 30/7/2008, onde o direito creditório foi informado em sua integralidade. Analisaremos cada argumento da defesa separadamente. 1. PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO Como já visto, a decisão recorrida considerou que o direito de pleitear a repetição de saldo negativo se inicia na ocorrência do fato gerador, na apuração anual ou trimestral do tributo, e se encerra cinco anos após. Já o contribuinte apresentou diversas teses que deslocam o início da contagem desse prazo quinquenal. São elas: Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.893 8 a) enquanto a empresa se mantém no lucro real, não corre o prazo fatal, que é renovado a cada entrega da DIPJ, sendo que a contagem só se iniciaria com a mudança do regime de tributação. Como a empresa continua como optante do lucro real desde 2005, ainda não teria se iniciado o prazo para utilização do crédito; b) pelo princípio da actio nata, o prazo para o exercício do direito se iniciaria a partir de abril do ano seguinte, data em que o imposto devido poderia ser compensado com o saldo negativo do ano anterior. No caso, ele teria se iniciado em 30/4/2005 e terminado em 30/4/2011; c) ainda pelo princípio da actio nata, o prazo se iniciaria a partir da data de entrega da DIPJ no ano subsequente. No caso, ele teria se iniciado em 30/6/2005 e terminado em 30/6/2011; d) mesmo sem concordar com o uso do Ato Declaratório SRF nº 3, de 7 de janeiro de 2000, como feito na decisão recorrida, a interpretação dele decorrente desloca o início do prazo para 31/1/2005, terminando em 31/1/2011. Apesar de muito bem fundamentadas, tendo inclusive sido predominantes na jurisprudência desta Casa, nenhuma dessas interpretações pode mais prevalecer desde que, em sede de recurso repetitivo, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou as regras para se definir o prazo para a restituição de tributos lançados por homologação. Para melhor compreensão, faço uma pequena recapitulação da matéria. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional – CTN pertinentes: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.894 9 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação era questão tormentosa, que dividiu a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial por muito tempo. As divergências se iniciavam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concedia o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e era o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendose considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhecia o prazo de dez anos a partir da ocorrência do fato gerador, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.895 10 lançamento, que, se não acontecer de forma expressa, darseia tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira dizia respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida. Ela seria decorrente da teoria da actio nata, transferindo o direito apenas para o momento em que ele poderia ser exercido. Mutatis mutandis, é essa a teoria que embasa os deslocamentos do início do prazo para repetição do saldo negativo defendidos no recurso. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante da inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 9 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplicava aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.896 11 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.897 12 Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em resumo, são essas as regras para fixação do prazo para a restituição de tributos lançados por homologação: a) para as ações ajuizadas antes de 9 de junho de 2005, data de vigência da Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador; b) para as ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005, vale o entendimento da Lei complementar nº 118, de 2005, resultando em um prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido. Neste CARF, fixouse o entendimento de que a data de 9 de junho de 2005 também valeria como critério de aplicação da regra para o protocolo de pedidos administrativos, posição que restou consolidada com a recente publicação da Súmula CARF nº 91, que possui a seguinte redação: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como a compensação em análise decorre de PER/DCOMP enviada em 26/1/2011, a ela deve se aplicar a contagem do prazo decadencial a partir do pagamento indevido, sendo inequívoco que, tratandose de saldo negativo de IRPJ, o indébito surge quando de sua apuração no encerramento do exercício. Assim, tratandose de lucro real anual do ano de 2005, o pagamento indevido ocorreu em 31/12/2005 e o prazo para pleitear sua repetição se encerrou em 31/12/2010. É esse o entendimento das decisões mais recentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ –ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.898 13 firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (“tese dos 5 + 5”), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no RE nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. (Acórdão nº 910101.288, 1ª Turma, sessão de 25 de janeiro de 2012, relatora Conselheira Karem Jureidini Dias) SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. REGRAS APLICÁVEIS. O direito à restituição e compensação do saldo negativo nasce do mesmo arcabouço jurídico autorizador da restituição de qualquer outro crédito tributário administrado pela Secretaria da Receita Federal e, por isso, o prazo para a restituição do Saldo Negativo deve seguir as mesmas regras de restituição de qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, proferido no julgamento do RE 566.621, analisado sob a sistemática da repercussão geral, ao pedido de restituição, nos casos de recolhimento indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve ser aplicado o prazo de cinco anos, contados a partir da homologação tácita do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 9101001.481, 1ª Turma, sessão de 23 de outubro de 2012, relator Conselheiro João Carlos de Lima Junior) Observese que a primeira decisão teve como relatora a Conselheira Karem Jureidini Dias, que havia relatado duas das decisões citadas no recurso voluntário que sustentavam que o prazo para restituição de saldo negativo não se iniciaria enquanto a empresa continuasse no regime do lucro real, o que demonstra a mudança da jurisprudência daquela Corte. 2. CRÉDITO INFORMADO EM DCOMP ANTERIOR O recorrente também defende que não houve o perecimento do direito, pois, no PER/DCOMP nº 05344.99714.300708.1.3.023966, enviado em 30/7/2008, informou como crédito todo o saldo negativo do anocalendário de 2005, no valor de R$ 92.635.348,74 (fls. 4 e 5). Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.899 14 Nesse sentido, defende que o art. 168 do CTN não exigiria que a restituição fosse efetivada no prazo de cinco anos, mas tão somente que a intenção de reaver os valores pagos a maior ou indevidamente fosse manifestada no referido prazo, sob pena de extinção. Com o envio do PER/DCOMP em 2008, teria preservado seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, entendeu que a apresentação de PER/DCOMP dentro do prazo não legitima compensações posteriores usando o mesmo crédito feitas por meio de PER/DCOMP transmitido depois do prazo. Isso só seria possível caso o crédito tivesse sido objeto de pedido de restituição. Já a informação de crédito superior ao débito em declaração de compensação não altera a natureza do documento. De fato, a regulamentação das declarações de compensação confirmam o decidido. Transcrevo os dispositivos pertinentes da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época do envio do PER/DCOMP: Art. 34 . O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Art. 35 . O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932. (grifei) Tais disposições estão atualmente em vigor no § 10 do art. 41 e no art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Dessa forma, o contribuinte só pode se utilizar, em declarações de compensação, de créditos relativos a pagamentos indevidos realizados há menos de cinco anos. Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.900 15 Caso deseje aproveitar o indébito por prazo superior, deve apresentar pedido de restituição dentro do prazo quinquenal, e realizar as compensações a partir desse pedido. E para as declarações de compensação onde o crédito informado é superior ao débito, o citado art. 35 traz regra específica: o excesso somente pode ser restituído caso exista pedido de restituição apresentado dentro do prazo do art. 168 do CTN, que, como já visto, é de cinco anos a partir do indébito para os tributos lançados por homologação. Não há como se afirmar que tais dispositivos extrapolam o definido por lei, pois o § 14 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, delega à Secretaria da Receita Federal à disciplina das declarações de compensação. Desse modo, tendo o contribuinte se utilizado de “Declaração de Compensação”, a informação na ficha relativa ao crédito só diz respeito aos débitos informados naquele documento, não podendo o excesso ser considerado como “Pedido de Restituição” passível de utilização futura. Esse mesmo entendimento já foi adotado em outro julgamento desta 1a Câmara da 1a Seção, cuja ementa está abaixo transcrita: DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INOCORRÊNCIA. A demonstração integral do direito creditório em DCOMP não se presta a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pedido de restituição de indébito, pois a manifestação de vontade contida em DCOMP limitase à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados. (Acórdão nº 110100.672, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 14 de março de 2012, relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) 3. PROTESTO PARA SUSTENTAÇÃO ORAL Quanto ao protesto pela sustentação oral das razões recursais em sessão de julgamento, há que se reconhecer que é um direito do contribuinte garantido no regimento do CARF, bastando, para exercêlo, que se compareça ao local do julgamento na data e hora constante da pauta publicada no Diário Oficial da União, pessoalmente ou por meio de procurador devidamente constituído. Não há previsão legal para intimação específica dos representantes legais. 4. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.720355/200915 Acórdão n.º 1102001.097 S1C1T2 Fl. 1.901 16 Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10945.902128/2012-45
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 28 /2 01 2- 45 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902128/201245 Acórdão n.º 3801003.064 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902128/201245 Acórdão n.º 3801003.064 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902128/201245 Acórdão n.º 3801003.064 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902128/201245 Acórdão n.º 3801003.064 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902128/201245 Acórdão n.º 3801003.064 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902128/201245 Acórdão n.º 3801003.064 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902128/201245 Acórdão n.º 3801003.064 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10830.010748/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE TRANSCRIÇÃO DO BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO E LALUR. FORMALIDADE. INAPLICABILIDADE.
A falta de transcrição das informações contábeis mantidas pela pessoa jurídica não é hipótese de incidência da multa isolada prevista em art. 44, II, b da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1302-001.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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AUSÊNCIA DE TRANSCRIÇÃO DO BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO E LALUR. FORMALIDADE. INAPLICABILIDADE. A falta de transcrição das informações contábeis mantidas pela pessoa jurídica não é hipótese de incidência da multa isolada prevista em art. 44, II, “b” da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 07 48 /2 00 7- 86 Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Considerando que o presente processo administrativo fiscal já foi alvo de apreciação anterior por este Conselho, ocasião na qual se viu convertido em diligência à DRJ de Campinas, valhome do relatório anterior, posto que bem sintetiza o caso em apreço: SANMINA SCI DO BRASIL INTEGRATION LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de MULTAS ISOLADAS, relativas aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, formalizadas a partir da imputação de falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devidos a título de antecipação obrigatória (ESTIMATIVAS). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 250/269), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que, antes da ação fiscal, apenas não havia providenciado a impressão da escrituração contábil das demonstrações financeiras e da escrituração do LALUR que lhe permitisse suspender ou reduzir os recolhimentos de IRPJ e CSLL, mas jamais poderia a Fiscalização sustentar que a escrituração contábil foi produzida no decorrer da ação fiscal; que embora a via impressa da escrituração tenha sido disponibilizada à Fiscalização após o prazo para pagamento do tributo, não haveria que se falar que ela tinha produzido toda a sua escrituração dos anos de 2002 a 2006 no curto espaço entre o início do procedimento e a entrega dos documentos ao auditor; que a própria Fiscalização teria consignado em seu Termo a tempestiva entrega das Declarações relativas a tais períodos e, se as DIPJ já haviam sido elaboradas e entregues, por óbvio que a escrituração contábil das demonstrações financeiras da empresa essencial para a correta elaboração das declarações já havia sido elaborada, apesar de não disponível de forma impressa no início do procedimento fiscal; que, ainda que não tivesse providenciado a impressão dos balancetes de suspensão antes do início da ação fiscal, tais documentos foram tempestivamente produzidos até a data de recolhimento dos tributos, ainda que por meio de sistema eletrônico de processamento, o qual é admitido no art. 255 do RIR/99; Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.010748/200786 Acórdão n.º 1302001.337 S1C3T2 Fl. 1.687 3 que, para comprovar que a escrituração contábil, desde o ano de 2002, já havia sido elaborada quando da lavratura do Termo de Início em 06/03/2007, teria obtido perante as empresas administradoras de seus serviços de tecnologia e informática (ORACLE e DATASUL), responsáveis pela criação e manutenção dos programas utilizados para a contabilização fiscal da empresa, o "print" das telas que contém o "LOG" dos lançamentos contábeis (doc. 05 a 26, fls. 286 a 307) – documentos anexados por amostragem em vista da sua grande quantidade – comprometendose a providenciar a íntegra dos documentos para posterior juntada aos autos. que referido "LOG" revela inequivocamente as datas nas quais teria efetuado seus lançamentos contábeis desde 28/03/2002 assim como todas as atualizações efetuadas no referido programa; que os programas utilizados para sua contabilidade registram e armazenam todas as infomações referentes a todo o lançamento contábil efetuado por seus usuários, inclusive as datas dos registros. que, para reforçar o exposto, teria juntado cópias exemplificativas de seus balancetes mensais preliminares (docs. 27 a 42, fls. 308 a 430) levantados à época dos supostos fatos geradores objeto da autuação. que a falta de transcrição dos balancetes de suspensão no Livro Diário e no LALUR, por si só, não justificaria a sua desconsideração e não afetaria a validade e eficácia da escrituração. que a necessidade de efetiva impressão gráfica dos balancetes de suspensão até a data de recolhimento do tributo jamais teria sido estabelecida em lei, como se poderia ver do art. 35 da Lei 8.981/95; que a interpretação feita pela Fiscalização com base no art. 15, § 3°, da IN SRF 93/97, afrontaria o principio da legalidade tributária; que os arts. 10 e 15 da mencionada IN teriam inovado no ordenamento jurídico, sendo manifestamente ilegítimas as penalidades impostas na autuação; que o art. 138 do CTN não faz distinção entre obrigação principal ou acessória, aplicandose a ambos os casos, conforme doutrina e ementa de decisão judicial que transcreveu; que, para os anoscalendário de 2004 a 2006, a escrituração em via impressa dos balanços de suspensão e redução deu se antes do início da ação fiscal, aplicandose a denúncia espontânea em relação a tal período. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 decidiu, por meio do Acórdão nº. 0521.391, de 07 de março de 2008, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.É condição para o não recolhimento de IRPJ e CSLL calculados por estimativa o levantamento de balanço ou balancete de suspensão ou redução, o que compreende a escrituração do Livro Diário com observância das formalidades a ele inerentes. Se a implementação de tal condição ocorre após o vencimento dos tributos, forçoso é concluir que o contribuinte não cumpriu os requisitos para eximirse dos recolhimentos por estimativa. E, na falta destes, cabível é a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 1.352/1370, por meio do qual, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, adita: que a legislação tributária admite expressamente que a escrituração contábil se efetive por meio de sistema eletrônico de processamento de dados; que seria simplesmente impossível efetivar toda a sua escrituração contábil dos anoscalendário de 2002 a 2006 no curto espaço de tempo entre o início da fiscalização e a efetiva entrega dos documentos ao Auditor Fiscal. Ao final, a Recorrente, explicitando o pedido pelo provimento do recurso, assinala: (...) Especificamente no que se refere à suposta omissão de receitas de prestação de serviços, caso esse Egrégio Conselho de Contribuintes entenda que os documentos probatórios apresentados na Impugnação sejam insuficientes à prova dos fatos narrados ao longo do presente Recurso, requerse a conversão do julgamento em diligência, a fim de que as autoridades competentes verifiquem na escrituração contábil da Recorrente se as receitas ora controvertidas foram de fato oferecidas à tributação. Importante consignar que o recolhimento das estimativas referentes aos anos calendário 2002 a 2006 foi efetuado em 2006, através de pagamento e de compensação, conforme se percebe da seguinte passagem do Relatório de fls. 1651 e ss.: 3) Em relação aos recolhimentos das estimativas devidas durante os anoscalendário 2002 a 2006, a diligenciada apresentou documentação referente às ompensações e pagamentos efetuados. As PER/DCOMPs foram transmitidas nas datas: 21/06/06, 05/07/06 e 31/08/06 e os recolhimentos foram feitos em 30/06/06 e 31/07/06; datas estas posteriores aos vencimentos originais e também aos prazos de entrega das respectivas DIPJs anoscalendário 2002 a 2006, conforme tabela a seguir: (...). Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.010748/200786 Acórdão n.º 1302001.337 S1C3T2 Fl. 1.688 5 Ademais, por entender que a matéria apresentada pelo Contribuinte carecia de análise mais aprofundada, este Conselho converteu o julgamento em diligência, a fim de que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas apreciasse a documenteção fornecida pelo Contribuinte, e atestasse, ao fim: (i) se as bases de cálculo demonstradas nas declarações de informação (DIPJ) relativas aos exercícios de 2003 a 2007 anexas ao presente foram apuradas com base em valores devidamente escriturados pela contribuinte; (ii) se, desconsiderados aspectos relacionados à data de impressão, os registros contábeis da contribuinte possibilitam aferir os resultados fiscais mencionados na letra anterior, em especial no que tange ao suporte documental (amostragem) e à eventual transcrição da demonstração dos resultados dos exercícios. Dessa feita, realizada a verificação pela autoridade fiscalizadora e retornados os autos, passase à apreciação da matéria in casu. É o relatório. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Falta de Transcrição Tempestiva em Livro Diário Temse que foi lavrado o presente auto de infração em razão da ausência de escrituração tempestiva dos balanços e balancetes de suspensão e redução no livro diário e Lalur, relativamente aos anos de 2002 a 2006. Entendeu o AFRFB que a transcrição seria condição indispensável para o recolhimento tributário por meio de estimativas mensais (art. 230 do Decreto 3000/99, art. 35, § 4° da Lei 8.981/95 e art. 1° da Lei 9.065/95). Observese a seguinte passarem do termo de verificação fiscal (fls. 20 e ss.): VI — FALTA DE ESCRITURAÇÃO TEMPESTIVA DOS BALANÇOS/BALANCETES DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO. ENSEJO À APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. Conforme ficou evidenciado e comprovado no histórico dos itens IV e V deste termo, a fiscalizada não dispunha da escrituração contábil tempestiva, que lhe permitisse suspender ou reduzir os recolhimentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nos anoscalendário de 2002 a 2006. (...) Como se observa do texto legal transcrito, para suspender ou reduzir o pagamento mensal, mister se faz o levantamento do balanço mensal, que, evidentemente, deve estar pronto e acabado até a data do vencimento dos tributos, que se dá até o último dia útil do mês subseqüente ao fato gerador, período de apuração. Assim, se os balanços ou balancetes da fiscalizada dos anos calendário de 2002 e 2003 só foram regularizados e transcritos no livro" Diário" em 05.08.2006 e também aqueles referentes aos anos de 2004, 2005 e 2006 só foram elaborados e transcritos em novembro de 2007, está claro e evidente que não os tinha, nos vencimentos mensais do IRPJ e CSLL. Portanto, a fiscalizada deveria ter apurado e recolhido o IRPJ e a CSLL, com base na receita bruta e acréscimos. Como não procedeu desta forma, fica sujeita à multa isolada calculada sobre o valor do IRPJ e da CSLL devidos na forma do artigo 223 do RIR (Dec. 3000/99). (...) Em razão de todo o exposto será procedido o lançamento de oficio para exigência da multa isolada de 50%, conforme previsto no artigo 14, inciso II, letra" h" da Lei 11.4881/07, calculada sobre o IRPJ e a CSLL devidos com base na receita Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.010748/200786 Acórdão n.º 1302001.337 S1C3T2 Fl. 1.689 7 bruta e acréscimos e não recolhidos, nos períodos de apuração de janeiro de 2002 a dezembro de 2006, nos termos do inciso IV do artigo 957 do RIR, Decreto n. 3000/99. (...) Notese que o AFRFB aponta como fundamento legal da multa isolada o art. 14 da Lei 11.488/2007. No entanto, este dispositivo apenas deu nova redação ao art. 44 da Lei n. 9.430/95, observese: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Em que pese o entendimento AFRFB, observase que a situação fática não se ajusta ao dispositivo legal acima transcrito. Em verdade, a hipótese de incidência da multa isolada é o não pagamento das estimativas mensais. De outro lado, a conduta imputada à Recorrente referese à ausência de transcrição dos balanços e balancetes de suspensão e redução nos livros diário e lalur. Esse desajuste dos fatos à regra legal mostrase determinante para que a exigência fiscal seja afastada. Por força do princípio da legalidade, é inviável admitir que a multa isolada tem cabimento fora das situações descritas na lei. É o que ensinou o adminsitrativista Hely Lopes Meirelles, para quem o Estado só poder fazer o que a lei autoriza. Este entendimento decorre, sobretudo, da busca pela segurança jurídica e pela previsibilidade dos atos do Estado, pois ocontribuinte deve ter conhecimento prévios das condutas que representam um ilícito tributário. Dessa forma, não havendo previsão de cabimento da multa isolada na hipótese dos autos, o contribuinte não tinha como se prever que seus atos seriam um ilícito tributário. Na seara do Direito Tributário, o princípio da legalidade é ainda mais rigoroso, pois o poder de tributar do Estado se contrapõe à proteção constitucional do patrimônio do contribuinte. Além disso, quando o Fisco (Poder Executivo) atua fora dos limites da legalidade, acaba por ofender a tripartição dos poderes, uma vez que atua como se fosse legislador, embora o Poder Legislativo seja a fonte constitucionalmente autorizada a produzir leis. Calha apresentar a visão de Paulo de Barros Carvalho sobre o tema: O princípio da legalidade é limite objetivo que se presta, ao mesmo tempo, para ofecerecer segurança jurídica aos cidadãos, na certeza de que não serão compelidos a praticar ações diversas daquelas prescritas por representantes legislativos, e para assegurar observância ao primado constitucional da tripartição dos poderes. (CARVALHO, Paulo de Barros, Direito Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Tributário: Linguagem e Método, 3ª Ed., São Paulo, Noeses, 2009). A lição acima é pertinente e se aplica ao caso em tela, pois não é possível impor uma multa cuja hipótese de incidência não foi “prescrita por representantes legislativos”. Assim, uma vez que a conduta praticada pelo Contribuinte não se adequa ao fundamento legal da sanção imposta pela autoridade fiscal, o crédito tributário deve ser exonerado. Este tema já foi diversas vezes analisado por este Conselho, a ponto de, no final do ano de 2013, ter sido editada súmula n. 93 do CARF, que tem a seguinte redação: Súmula CARF n. 93. A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. A súmula, conquanto busque ajustar a correta aplicação da multa isolada, não expressa o melhor entendimento em sua parte final, pois autoriza a conclusão de que teria cabimento a multa isolada quando o sujeito passivo deixasse de apresentar a escrituração contábil e fiscal suficiente. Com o devido respeito à autoridade do entendimento sumularo, entendo que a falta de escrituração contábil e fiscal não autoriza a imposição da multa. O que autoriza a imposição da multa é a ausência de pagamento da estimativa. Se esta situação estiver acompanhada da não escrituração fiscal/contábil, ainda assim a hipótese de incidência da multa isolada será o não recolhimento da estimativa. Inobstante minha compreensão particular sobre o tema, passo a verificar a ressalva constante na aprte final da súmula supracitada por força do efeito vinculante do verbete (art. 72, §4º, RICARF). Neste caso, o contribuinte apresentou todas as informações contábeis ao AFRFB, ainda que os livros não estivessem sido registrados na junta comercial na época correta. Assim, havendo escrituração contábil/fiscal, entendo que caberia ao AFRFB verificar se o valor das estimativas está em descompasso com a “matéria tributável” (art. 142, CTN). Acontece que não há sequer um argumento que desabone a escrita fiscal e comercial da Recorrente, apenas constatações sobre a ausência de transcrição dos balancetes e balanços de suspensão ou redução. Dessa forma, também por este motivo, entendo que a multa não tem cabimento. Neste mesmo sentido já se posicionou este Conselho, consoante se percebe o seguinte precedente, julgado pelo Cons. Antonio José Praga de Souza: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004MULTA ISOLADA. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DASANÇÃO. O art. 35, § 1°, alínea "a", da Lei n° 8.981/95 não se coaduna com o entendimento segundo o qual a transcrição dos balanços ou balancetes, no livro Diário, é requisito de validade da escrituração. A norma estabeleceu, sim, Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.010748/200786 Acórdão n.º 1302001.337 S1C3T2 Fl. 1.690 9 a subordinação da validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução à transcrição no Diário, o que em nada afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária. Se esta existe, o agente fiscal pode, e deve, a partir dela, empreender as diligências necessárias à configuração do fato tributário, exceto se comprovada a existência de vicio que a tome imprestável. Por outro lado, se não houver, sequer, alusão à existência de tal contaminação, a escrituração permanece com sua eficácia preservada, o que impede a apressada aplicação de multas isoladas, calculadas sobre as diferenças entre os valores das estimativas mensais, apuradas pelo Fisco, com base na receita bruta, e os valores já antecipados pela fiscalizada com supedâneo nos balanços de suspensão ou redução, rejeitados pela autoridade fiscal em razão da ausência de transcrição, uma vez que o rígido formalismo não prevalece sobre a verdade real. (...) (CARF. Acórdão 1402000.492. Cons. Rel. Antonio José Praga de Souza. Publ. 31/03/2011). (grifo não original) Fica claro, então, que na multa em comento não é consequência lógica da ausência de transcrição dos balancetes de suspensão e redução em livro diário, desde que constatada a veracidade das informações escrituradas pela empresa, a presença de documentos que subsidiam as informações etc. Nesse contexto, é importante verificar o que esclareceu o AFRFB no em seu Relatório de Diligência (fls. 1651 e ss.), quando este Conselho determinou a baixa dos autos para maiores investigações (fls. 1397): Verificamos que os livros contábeis e fiscais apresentados, com exceção da data de impressão e data de registro na JUCESP, encontramse em conformidade com a legislação comercial e fiscal que regem a matéria, estando os mesmo amparados por documentação comprobatória, arquivada pela empresa e apresentados à esta fiscalização federal quando solicitados. [...] As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, informadas nas DIPJs, Exercícios 2003 a 2007, encontramse de acordo com os valores escriturados nos livros contábeis e fiscais apresentados pela empresa; A menos da questão da data da impressão e data do registro na JUCESP dos livros diários e razão, como já excepcionou o i. Relator de 2ª instância deste processo, os lançamentos contábeis e fiscais efetuados nos livros: diário, razão, lalur e livro de apuração da base de cálculo da CSLL, permitem a apuração dos resultados fiscais informados na DIPJs 2003 a 2007, e encontramse devidamente respaldado por documentação de suporte. (grifo não original) Portanto, a escrituração contábil/fiscal da Recorrente permitia a investigação sobre a regularidade do recolhimento tributário, razão que reforça a necessidade de exoneração do crédito tributário. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Ante ao exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário para exonerar o crédito tributário. 2. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.100483/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
Ementa:
REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO.
O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, entre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens.
DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.
O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial.
NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC.
Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, entre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 83 /2 00 6- 15 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100483/200615 Acórdão n.º 3301002.151 S3C3T1 Fl. 233 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em 28 de agosto de 2007 contra o Acórdão nº 1012.745, de 27 de julho de 2007, da 2ª Turma da DRJ/POA, cientificado em 14 de agosto de 2007, que, relativamente a declaração de compensação de PIS, considerou a solicitação indeferida, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: Não há previsão legal para o creditamento de valores referentes à depreciação dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Solicitação Indeferida A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento, relativo ao saldo credor de PIS/Pasep não cumulativo, cumulado com declarações de compensação, visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes à depreciação e de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. O interessado pleiteia, também, a atualização monetária, pela taxa SELIC, de seus créditos indeferidos, desde a apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. Isso posto, requer que seja julgada procedente a impugnação e deferido o ressarcimento da glosa impugnada, acrescida da variação da taxa SELIC. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100483/200615 Acórdão n.º 3301002.151 S3C3T1 Fl. 234 3 No recurso, a interessada discorreu sobre o princípio da nãocumulatividade em geral e das contribuições. Após, defendeu o direito de crédito em relação aos gastos com assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos, transporte de pessoal e refeições coletivas e despesas de exportação e manutenção de software, além de gastos com material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários etc. Por fim, requereu a incidência da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Como relata a Recorrente no corpo do Recurso Voluntário, do total de R$ 193.410,09 requeridos no pedido de compensação/ressarcimento inicialmente protocolado perante a Secretaria da Receita Federal, foram glosados R$ 8.497,03. Segundo entendimento do Fisco, teria havido apropriação indevida de encargos de depreciação sobre máquinas e equipamentos além de gastos relacionados com materiais e serviços não enquadrados no conceito de insumo. Primeiramente, no que diz respeito às glosas de pretendidos créditos relativos a valores referentes à depreciação, vejo que andou bem a decisão da DRJ, uma vez que, no caso dos autos, os bens não foram utilizados no processo produtivo. Tratase dos bens relacionados nas fls. 79 do eprocesso (balcões para a recepção, arquivos, bebedouros, computador, impressora, “no break”, licença de software, manutenção de computadores, veículos, peças para veículos, etc), que, evidentemente, não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço, conforme os demonstrativos apresentados pela própria contribuinte. No que concerne aos pretensos insumos, devese considerar que a questão não é nova, sendo imperioso se verificar o que deve ser classificado como insumo, na acepção da palavra empregada pelo legislador na regulamentação do sistema de apuração não cumulativo das Contribuições. Como é de conhecimento geral, a Secretaria da Receita Federal baixou Atos Normativos interpretando de forma notadamente restritiva o termo encontrado nas Leis que especificam os critérios de apuração das Contribuições. As Instruções Normativas n.º 247/02, com alteração introduzida pela IN 358/03 e 404/04, definem que, em se tratando de empresas dedicadas à fabricação de bens para venda, como é o caso, o conceito de insumo restringese a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100483/200615 Acórdão n.º 3301002.151 S3C3T1 Fl. 235 4 A seu turno, a Recorrente defende critério fundamentado em pressupostos situados em posição diametralmente oposta à escolhida pelo Fisco, segundo o qual todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa enquadramse no conceito. É entendimento majoritário na jurisprudência que vem se formando em segunda instância administrativa de julgamento, que o conceito de insumo, no sistema de apuração não cumulativo das Contribuições, situase em posição intermediária, nem tão restrito quanto a determinada pelo Fisco, nem tão amplo quanto defendem os contribuintes. Tem sido admitido o lançamento credor calculado com base nos gastos incorridos pela empresa, sob a condição de que tratemse de bens ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrário de como pretendem limitar os Atos Normativos supra citados, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Noutro vértice, não têm sido aceitas as despesas associadas à manutenção da atividade empresarial como um todo, sem qualquer vínculo especial com o processo produtivo propriamente dito. De fato, salvo melhor juízo, não vejo razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil na restrição de seu alcance, tanto quanto não vejo respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como tem defendido alguns os contribuintes. Essa conclusão decorre, a um tempo, da leitura que se faz das disposições legais que autorizam a apropriação do crédito e, a outro, das particularidades do método de apuração das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. A legislação que introduziu a cobrança não cumulativa das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em conta que o sistema de nãocumulatividade tributária traz em si a ideia inescapável de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do sistema de cobrança das contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Resulta daí a impertinência do critério proposto pelo Fisco, restringindo excessivamente o direito ao crédito. Disso sobrevém nova questão. Se a melhor compreensão do sistema claramente ampara e remete às definições sugeridas pela Recorrente e, de maneira geral, pelos contribuintes, qual a razão para rejeitála? A resposta é simples: porque a mecânica de apuração das Contribuições não está assim definida em Lei. Tal como consta do texto legal, o direito de crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100483/200615 Acórdão n.º 3301002.151 S3C3T1 Fl. 236 5 prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nunca a integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. O fato é que não haveria mesmo como admitir outra interpretação. Se encampássemos a tese de que insumo, terminologia derivada da expressão input, denota tudo o que é introduzido no processo com vistas a obtenção do resultado, no caso a venda da produção, restaria evidente uma inconcebível distorção promovida pelo legislador ordinário no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial e na prestação de serviços, ao mesmo tempo em que, ao definilo para o comércio, restringiu o direito aos gastos com bens adquiridos para revenda. Essa interpretação não pode prevalecer. Insumo, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II do artigo 3º, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no caso das empresas comerciais, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. No comércio, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria e no serviço, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente empregado na produção ou na consecução do produto/serviço vendido, de tal sorte que os créditos na indústria e na prestação de serviços observe o mesmo nível de restrição determinado para o crédito admitido no comércio. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo, todavia, não basta que o bem seja aplicado diretamente no processo do produção do produto industrializado, mas que a subtração deste obste a atividade da empresa ou implique em substancial perda da qualidade do produto ou serviço daí resultante, além de que tal bem não integre o ativo imobilizado da empresa, o que impossibilitaria o creditamento. O mesmo, também encontrase reproduzido no REsp 1.246.317/MG, de relatoria do Min. Mauro Campbell. Disso tudo se conclui que, para efeito da definição de “insumos” do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS): a) não é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo; e por fim c) que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100483/200615 Acórdão n.º 3301002.151 S3C3T1 Fl. 237 6 A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Expostos os postulados que norteiam minha decisão, passo ao exame do caso concreto. No vertente litígio, discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos com os gastos assim especificados e detalhados no Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado. Assistência médica e odontológica a empresa proporciona a assistência médica e odontológica aos seus funcionários, mediante a contratação de empresas especializadas para tanto, como forma de prover uma melhor saúde física aos seus funcionários; Comissões s/vendas nesse item são incluídas as despesas relativamente às comissões pagas às pessoas jurídicas que intermediam as vendas da recorrente, sendo que tais despesas, inclusive, são consideradas como custo direto com vendas, para fins contábeis; Tratamento de resíduos industriais a empresa é obrigada, por expressa disposição legal, a tratar os seus resíduos industriais, o que realiza através de empresa especializada, Transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas a recorrente contrata empresas especializadas para o transporte de pessoal e o preparo de. refeições aos seus funcionários. Apesar de constar que as despesas são referentes ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, na verdade esses são os valores pagos às empresas credenciadas perante o PAT, para fornecer refeições coletivas a funcionários; Despesas de exportação e manutenção de software sem a contratação de empresas exportadoras, as mercadorias produzidas pela recorrente não serão remetidas ao mercado externo. Da mesma forma, sem a manutenção de software, que gerencie todas os controles internos, a empresa não poderá realizar adequadamente as suas atividades. Somados a isso, pode ser enquadrado como insumo às mercadorias adquiridas para uso e consumo, tais como: o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc Ainda que este Conselho apresente tendência a reconhecer direito de crédito partindo de um conceito menos restritivo do que aquele o que é utilizado no âmbito da Secretaria da Receita Federal, não vejo como admitilo para maior parte dos gastos relacionados acima. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100483/200615 Acórdão n.º 3301002.151 S3C3T1 Fl. 238 7 Alguns gastos, segundo me parece, estão relacionadas a etapas posteriores à produção, como no caso das comissões de venda e despesas de exportação. Outros associados indistintamente a todas atividades da empresa, tal como se depreende da designação genérica a: material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos, formação profissional dos funcionários, transporte de pessoal e auxílio refeição. Há também gastos administrativos, como manutenção de software e com a promoção de venda – propaganda, publicidade e anúncios. Como disse, temse admitido o aproveitamento de créditos com gastos incorridos na aquisição de bens, mesmo que eles não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; contudo, é necessário que tenham sido aplicados na produção ou a ela estejam diretamente vinculados, o que não parece ser o caso da maior parte dos gastos especificados. A exceção deve ser feita às despesas relacionadas ao tratamento de resíduos industriais e com equipamento de proteção individual, ambos, a meu ver, diretamente vinculados ao processo produtivo da empresa. Já com relação ao pedido de correção dos créditos objeto do pedido de ressarcimento pela taxa SELIC, não assiste razão à Recorrente. É que, in casu, existe previsão legal expressa vedando a correção destes créditos, qual seja artigo 13 da Lei nº 10.833/03. Confirase: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Destarte, uma vez prevista expressamente em lei a vedação à correção pretendida pela Recorrente, não pode este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ignorar a referida vedação, sob pena de usurpar suas funções, que tem, em última análise, aferir a legalidade dos atos praticados pelos contribuintes. Como sabido, não pode este Conselho afastar aplicação de lei sob o argumento de que esta é incompatível com o ordenamento jurídico pátrio, sendo esta função exclusiva do Poder Judiciário. Por todo o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para admitir o crédito com base nos gastos com ao tratamento de resíduos industriais e com equipamento de proteção individual e indeferindo o pedido de correção dos créditos objetos do pedido de ressarcimento pela taxa SELIC. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100483/200615 Acórdão n.º 3301002.151 S3C3T1 Fl. 239 8 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13116.902536/2011-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 36 /2 01 1- 77 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902536/201177 Acórdão n.º 3803005.355 S3TE03 Fl. 94 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 26 de janeiro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 221,99. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 30 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902536/201177 Acórdão n.º 3803005.355 S3TE03 Fl. 95 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902536/201177 Acórdão n.º 3803005.355 S3TE03 Fl. 96 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007381/2006-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. AUSÊNCIA DE ADA. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÕES ANTERIORES AO FATO GERADOR. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando as respectivas averbações à margem da matrícula do imóvel, mais precisamente do Termos de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal e de Compromisso de Recomposição de Área de Reserva Legal, formalizadas antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental - ADA, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 14/05/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. AUSÊNCIA DE ADA. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÕES ANTERIORES AO FATO GERADOR. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando as respectivas averbações à margem da matrícula do imóvel, mais precisamente do Termos de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal e de Compromisso de Recomposição de Área de Reserva Legal, formalizadas antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental - ADA, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. AUSÊNCIA DE ADA. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÕES ANTERIORES AO FATO GERADOR. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando as respectivas averbações à margem da matrícula do imóvel, mais precisamente do Termos de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal e de Compromisso de Recomposição de Área de Reserva Legal, formalizadas antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 73 81 /2 00 6- 49 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AGROPECUÁRIA SUCURI LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 21/11/2006 (AR fl. 32), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2002, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Sucuri”, localizado no município de Palmeiras de Goiás/GO, inscrita na RFB sob nº 48655066, conforme peça inaugural do feito, às fls. 24/31, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 22.311/2007, às fls. 65/70, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 29/07/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210100.615, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Não há que serem acatadas as argumentações de cerceamento de direito de defesa quando os elementos constantes dos autos de conhecimento do sujeito passivo e este foi capaz de articular as razões de defesa em contraposição o lançamento fiscal, deduzindoas de forma clara, deixando vislumbrar que era Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.007381/200649 Acórdão n.º 9202003.207 CSRFT2 Fl. 216 3 conhecedor dos fatos e fundamentos legais que lastrearam a imposição tributária. ITR EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL EXECÍCIO DE 2001 IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental, ou outro capaz de suprilo, formalizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 114/123, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 30238.844 e 30239.385, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito nos Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de reserva legal e preservação permanente são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 4 legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No presente caso, tratandose do exercício de 2002, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 210000.052/2011, às fls. 159/160. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 178/183, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.007381/200649 Acórdão n.º 9202003.207 CSRFT2 Fl. 217 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida nos decisórios paradigmas trazidos à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 6 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente a aludidas áreas, como se constata nestes autos. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.007381/200649 Acórdão n.º 9202003.207 CSRFT2 Fl. 218 7 Registrese, que a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, oferece proteção ao entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de reserva legal e preservação permanente, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admiti las para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 8 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, e que fora determinante na conclusão do Acórdão recorrido, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material das áreas declaradas pela contribuinte como de reserva legal e preservação permanente, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica das Averbações procedidas à margem da matrícula do imóvel, datada de 16/01/2001 (antes da ocorrência do fato gerador), às fls. 18/20, constando 249,6571 ha de APP, tendo sido considerado somente os 91,40 ha declarados na DITR, bem como o gravame de 200,3521 ha de ARL, as quais foram restabelecidas pelo decisum guerreado nos seguintes termos: “[...] Na espécie, consta de fls. 19 a 20verso, a Averbação AV3 4.024, aos 16/01/2001, à Matrícula n° 4.024, no Livro n° 2, do Registro Geral de Imóveis, do Cartório do Registro de Imóveis, da Comarca de Palmeiras de Goiás (GO), onde consta a consignação de Termo de Responsabilidade firmado com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), firmado aos 04/07/2000, para com o escopo de estabelecer o gravame de 249,6571 ha. Há o entendimento neste colegiado de que o Termo de Responsabilidade junto ao IBAMA supre a exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente declarada pelo sujeito passivo, no cálculo da base do ITR. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.007381/200649 Acórdão n.º 9202003.207 CSRFT2 Fl. 219 9 Entretanto, como o sujeito passivo apresentou, em sua declaração de ITR, uma Área de Preservação Permanente de 91,40 ha, devendo este ser o limite para restabelecimento da exclusão da base de cálculo pelas instâncias julgadoras administrativas. [...] Conforme consta de fl. 20verso, o sujeito passivo procedeu, aos 16/01/2001, a averbação AV34.024, à Matrícula n° 4.024, antes reportada, em que consta o gravame da Área de Reserva Legal de 200,3521 ha. Com efeito, na espécie, como se trata de lançamento referente ao exercício 2002, e a averbação à margem do registro do imóvel da Área de Reserva Legal se deu anteriormente à ocorrência do fato gerador, deve ser restabelecida a exclusão da base de cálculo na extensão averbada. [...]" Nesse sentido, o certo é que as Averbações das Área de Reserva Legal e Preservação Permanente apresentadas pela contribuinte se prestam a comprovar a existência de aludidas áreas, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material, na linha do que restou assentado no Acórdão recorrido, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Partindo dessas premissas, tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela contribuinte, ainda que não apresentado o ADA, impõese o restabelecimento de referidas áreas glosadas pela fiscalização, no limite que fora declarado e comprovado via averbação (91,40 ha de APP e 200,3521 ha de ARL), para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 10 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10882.001072/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
ARBITRAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA
Não tendo a autoridade fiscal lançadora procedido ao arbitramento do lucro, mas adotado, para fins dos lançamentos realizados e na forma do disposto no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, o regime de opção do sujeito passivo para o período, no caso, o Lucro Real anual, não se conhece dos argumentos da defesa neste aspecto, posto que não aplicável ao caso concreto.
AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFICIO. CABIMENTO.
Constatado que o contribuinte utilizou-se, a maior, de créditos de tributos retidos na fonte para compensar com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurados na DIPJ do período, cabível o lançamento de oficio pelo Fisco para exigir as diferenças encontradas.
DEMONSTRATIVOS OFICIOSOS CONFECCIONADOS PELO CONTRIBUINTE. DIVERGÊNCIA DESTES EM RELAÇÃO AOS DADOS DE DIPJ E DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PREVALÊNCIA DESTES DOIS ÚLTIMOS.
Demonstrativos oficiosos e esparsos formulados pelo contribuinte, com dados divergindo de sua própria DIPJ e de sua própria escrituração contábil não podem prevalecer sobre estes últimos, no sentido de serem oponíveis ao Fisco.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Ademais, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) implica o lançamento da Contribuição sobre o Lucro Líquido do Exercício (CSLL), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: i) rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente; ii)no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir os montantes apurados, observando a época em que foram retidos: R$ 300.454,23, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte e de R$ 267.208,90 de Contribuição Social sobre o Lucro Retida na Fonte. Por maioria de votos, cancelar a exigência da multa isolada, nos termos do voto do relator. Vencidos nessa matéria os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto que mantinham a exigência. O Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar votou com o relator pelas conclusões em relação ao cancelamento da multa isolada.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. ARBITRAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA Não tendo a autoridade fiscal lançadora procedido ao arbitramento do lucro, mas adotado, para fins dos lançamentos realizados e na forma do disposto no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, o regime de opção do sujeito passivo para o período, no caso, o Lucro Real anual, não se conhece dos argumentos da defesa neste aspecto, posto que não aplicável ao caso concreto. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFICIO. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 10 72 /2 01 0- 20 Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Constatado que o contribuinte utilizouse, a maior, de créditos de tributos retidos na fonte para compensar com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurados na DIPJ do período, cabível o lançamento de oficio pelo Fisco para exigir as diferenças encontradas. DEMONSTRATIVOS OFICIOSOS CONFECCIONADOS PELO CONTRIBUINTE. DIVERGÊNCIA DESTES EM RELAÇÃO AOS DADOS DE DIPJ E DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PREVALÊNCIA DESTES DOIS ÚLTIMOS. Demonstrativos oficiosos e esparsos formulados pelo contribuinte, com dados divergindo de sua própria DIPJ e de sua própria escrituração contábil não podem prevalecer sobre estes últimos, no sentido de serem oponíveis ao Fisco. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Ademais, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) implica o lançamento da Contribuição sobre o Lucro Líquido do Exercício (CSLL), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: i) rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente; ii)no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir os montantes apurados, observando a época em que foram retidos: R$ 300.454,23, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte e de R$ 267.208,90 de Contribuição Social sobre o Lucro Retida na Fonte. Por maioria de votos, cancelar a exigência da multa isolada, nos termos do voto do relator. Vencidos nessa matéria os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 3 3 Leonardo de Andrade Couto que mantinham a exigência. O Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar votou com o relator pelas conclusões em relação ao cancelamento da multa isolada. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Relatório GRAN SAPORE BR BRASIL S A., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 67.945.071/000138, com domicílio fiscal na cidade de Osasco, Estado de São Paulo, na Av. Das Comunicações, nº 4 Bairro Vila Jaraguá, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 157/168, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 218/248. Contra o contribuinte, acima identificado, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco SP, em 12/04/2010, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 38/44 e 53/59), com ciência via AR, em 16/04/2010 (fl. 63), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 8.733.886,59), a título de imposto e contribuição, acrescidos de multa isolada de 50%; de multa de ofício normal 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuição referente ao exercício de 2008, correspondente ao anocalendário de 2007. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 A FALTA DE RECOLHIMENTO /DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO: A insuficiência de recolhimento ou de declaração imposto de renda devido, apurado pelo cotejo entre os dados declarados em DIPJ, os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme Termo de Verificação, às f1s. 3337. Infração capitulada no art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99; 2 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA: Insuficiência de recolhimento ou de declaração do Imposto de Renda Estimativa, apurado pelo cotejo entre os dados declarados em DIPJ, os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme Termo de Verificação, às fls. 33/37. Infração capitulada nos arts. 222 e 843, do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória no 351, de 2007; arts. 222 e 843, do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei no 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Por decorrência foi lavrado o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base nas seguintes infrações: 1 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO: Insuficiência de recolhimento ode declaração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Devida, apurada pelo cotejo entre os dados declarados em DIPJ, os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme Termo de Verificação, às fls. 48/52. Infração capitulada no art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. 2 – MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA: Insuficiência de recolhimento Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 4 5 ou de declaração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Devida por Estimativa, apurada pelo cotejo entre os dados declarados em DIPJ, os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme Termo de Verificação, às fls. 48/52. Infração capitulada nos arts. 222 e 843, do RIR/99 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 33/37), entre outros, os seguintes aspectos: que, inicialmente, cumpre informar que o presente Termo de Verificação Fiscal vai se ater especificamente ao tributo IRPJ; que, dito isto, informo que o presente Procedimento Fiscal é decorrente do procedimento de REVISÃO DE DECLARAÇÃO, do anocalendário de 2007, amparado pelo RPF n°0811300.2010.000429, tendo sido apurado o que segue; que a intimação e Reintimagão feitas à GRAN SAPORE, referemse divergência de informações lançadas em sua DIPJ/2008, relativas ao anocalendário de 2007, em comparação com os valores informados em DCTF e recolhimentos, cujo prazo de atendimento é de cinco (5) dias úteis, conforme § 1º, do artigo 71, da MP n° 2158/2001. A GRAN SAPO RE foi intimada e não atendeu no prazo dado. Foi reintimada e não atendeu até a data de emissão deste relatório; que como a GRAN SAPORE não se manifestou, a análise será feita, tomandose por base as informações constantes dos dados disponíveis nos sistemas da Receita Federal do Brasil; que de pronto verificouse que não houve recolhimento algum, seja por meio de DARF ou por meio de PERDCOMP, a titulo de IRPJ, para o anocalendário de 2007; que houve retenção de IRRF, cujo montante deverá ser utilizado para abatimento dos valores a pagar de IRPJ, os quais será) totalmente recalculados, uma vez que foram apurados de forma incorreta; que, portanto, o IRPJ estimativa a pagar, sendo assim, o Imposto de Renda Devido em Meses Anteriores o preenchimento original foi equivocado, em vários meses do anocalendário de 2007, sendo que o correto é "Informar o somatório do imposto de renda devido nos meses anteriores do mesmo anocalendário abrangidos pelo período em curso compreendido na demonstração; que a GRAN SAPORE apresentou valores inconsistentes, os quais foram desprezados e devidamente recalculados; que o imposto de Renda Retido na Fonte, neste sentido, os informes de rendimentos não foram apresentados pela GRAN SAPORE, mas foi utilizada a base DIRF, cujo montante de R$540.965,07, deverá ser a base para a apuração correta do IRPJ Estimativa a Pagar; que o imposto de renda retido na fonte, foi apurado o montante de R$540.965,07, a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte, para o anocalendário de 2007, o Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 qual foi totalmente utilizado no cálculo do IRPJ estimativa, devendo ser glosada a totalidade do valor de R$1.185.114,62; que, sendo assim, o imposto de renda mensal pago por estimativa, ou seja, deve ser informado o valor efetivamente pago, a titulo de IRPJ estimativa, englobandose ai o IRRF, as PERDCOMP e os recolhimentos efetuados pela GRAN SAPORE, relativamente ao anocalendário de 2007. Em sua peça impugnatória de fls. 67/96, instruída pelos documentos de fls. 97/156, apresentada, tempestivamente, em 18/05/2010, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o auto de infração lavrado, portanto, a empresa ora Impugnante pessoa jurídica de direito privado, atuando no segmento de alimentação, mais especificamente na produção e comercialização de refeições e administração de refeitórios para outras empresas; que comprovados os excessos e erros materiais praticados e diversas outras incoerências que serão abordadas oportunamente em tópicos próprios, impõese o cancelamento do presente Auto, que infelizmente padece de inúmeros vícios insanáveis. que, preliminarmente, a nulidade do lançamento por completa falta de liquidez e certeza, ou seja, respeitosamente, o Auto de Infração em tela deve ser anulado, tendo em vista sua completa ausência de liquidez e certeza; que o Auto de Infração impugnado encontrase permeado por diversos erros que, isoladamente já maculariam os requisitos inerentes à validade do Auto de infração, mas que em conjunto, ao ver da Impugnante, maculam por completo o lançamento efetuado; que dos valores erradamente considerados na DIRF utilizada pela autoridade fiscal, neste sentido, preliminarmente insta dizer que o presente auto falta com clareza necessária no sentido de informar o motivo pelo qual a autoridade fiscal chegou aos valores constatados; que, portanto, o erro material incidente sobre o critério quantitativo vicia irremediavelmente o conteúdo do Auto de infração razão pela qual se torna obrigatório o seu cancelamento pela Autoridade Fiscal; que da impossibilidade de aplicação de multa punitiva isolada decorrente de arbitramento juntamente com multa de ofício e outras exigências tributarias, portanto, caso assim não entenda esta r. delegacia, deve também se atentar a necessidade de se apurar multa isolada em autos apartados; que, da impossibilidade da cobrança cumulativa da multa isolada e de ofício. Neste sentido, o principio jurídico representado pela vedação legal à chamada bi tributação, nada mais é do que uma garantia constitucional que impede a autoridade fiscal de aplicar duas ou mais sanções acerca do mesmo fato imponível; que na legislação fiscal pátria existem hipóteses em que a da multa, aplicada sobre determinada infração, resulta em patamar superior à de 50%, considerandose a soma do valor do principal (tributo) + multa; Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 5 7 que, tratase, portanto, de confisco, pois fica evidenciado a inconstitucionalidade do lançamento tributário, no montante superior ao permitido pela Constituição Federal Brasileira. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente, a respeito da regularização dos signatários da peça impugnatória, por força dos princípios do contraditório, da ampla defesa, da informalidade que norteia o processo administrativo, da economia e celeridades processuais e com fulcro no principio da verdade material, entende que a representação encontrase suprida, posto que regularizada As fls. 118, com a aposição de assinaturas de dois representantes da contribuinte no instrumento de mandato outorgado aos advogados que apresentaram a impugnação; que os lançamentos decorrem de procedimento interno de revisão da DIPJ entregue pela contribuinte relativamente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007 e que teria constatado divergências nos valores informados referentes ao IRPJ e CSLL em comparação ao que foi declarado em DCTF ou recolhido aos cofres públicos; que os lançamentos ora discutidos centramse em insuficiências nos recolhimentos devidos no ajuste anual de IRPJ e CSLL, apuradas mediante cotejamento entre os dados declarados pela autuada em sua DIPJ/2008 e os montantes inseridos nas DCTF e/ou recolhidos aos cofres públicos pela fiscalizada, assim como na incidência da multa isolada de ambos os tributos, igualmente pela insuficiência de recolhimentos mensais de estimativas; que, segundo Termo de Verificação Fiscal de IRPJ, houve equivoco, por parte da autuada, no preenchimento da DIPJ/2008, linhas 11/16 — Imposto de Renda Devido em Meses Anteriores e 11/07 — Imposto de Renda Retido na Fonte, obrigando a que o Fisco refizesse os cálculos e gerando insuficiência no recolhimento do ajuste anual de IRPJ e nas parcelas de estimativas mensais a recolher do mesmo tributo, situação que se repetiu com a CSLL, linhas 16/05 — CSLL Devida em Meses Anteriores e 16/09 — CSLL Retida de PJ de direito Privado, com idênticos reflexos; que, ainda segundo o relato fiscal, também ocorreram divergências em relação ao IRRF e à CSLL retidos sobre receitas obtidas pela autuada e por ela informados na DIPJ/2008, e aquilo que o Fisco efetivamente apurou pela análise das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras que declararam rendimentos a favor da impugnante; que, de seu lado, a defendente nega peremptoriamente a ocorrência de citados equívocos e que teria apresentado corretamente DIRF informando valores diferentes daqueles apontados pelo Fisco; que em momento algum a Fiscalização utilizouse da sistemática do arbitramento para a consecução dos lançamentos, muito ao revés, obedeceu regradamente à opção feita pela contribuinte, que estampou na sua DIPJ do exercício/2008 — anocalendário de 2007, a adoção pelo Lucro Real anual, com recolhimentos estimados mensais a titulo de IRPJ e CSLL (DIPJ, fls. 15); Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que exatamente como procedeu o Fisco pelo que a irresignação da autuada e sua revolta contra um possível arbitramento não tem razão de ser, posto que inexistente tal arbitramento; que a fiscalização do imposto, portanto, nenhuma irregularidade ou ilegalidade existiu que pudesse levar à nulidade requerida pela defesa, pelo que não se acolhe o que foi por ela suscitado; que já em relação à alegada diferença nos cálculos dos meses de maio, agosto e outubro de 2007, cujos valores foram negativos, totalizando R$ 764.535,49 e que não teriam sido observados pelo Fisco, a matéria se confunde com o mérito e nele será tratada; que, feitas estas ponderações, passase a apreciação do mérito, tendo a defesa pontuado em duas frentes seus argumentos, quais sejam, i) o erro fático na tomada dos valores constantes da DIRF, e ii) a impossibilidade da aplicação da multa isolada com a multa de oficio, assim como os indevidos lançamentos de diversas infrações em um único auto de infração e o caráter de confisco de que se reveste tal penalidade; que, sobre os valores apurados pela Fiscalização relativamente ás DIRF envolvendo a autuada e objeto de seu reclamo, mais uma vez sua discórdia é infrutífera; que, equivocase a impugnante, sendo assim, de fato há, por parte da autuada, a apresentação de DIRF retificadora (fls. 120/138), NA CONDIÇÃO DE FONTE PAGADORA, enquanto que os lançamentos feitos pelo Fisco levaram em conta as DIRF nas quais a fiscalizada aparece como BENEFIÁRIA DOS RENDIMENTOS; que, assim, sem nenhuma procedência a tentativa da autuada em contrapor aos valores apurados pelo Fisco os valores insertos nas DIRF por ela apresentadas e nas quais aparece na condição de FONTE PAGADORA, com os utilizados pela Fiscalização, nas quais figura como BENEFICIARIA DOS RENDIMENTOS; que a defesa pretendeu justificar as divergências que o Fisco encontrou e relativas às retenções de IRRF e CSLL que sofreu enquanto figurava como beneficiária dos rendimentos, com os mesmos tributos por ela retidos quando da efetivação de pagamentos a terceiros, o que se mostra ilógico e sem vinculação com o que se aprecia nos autos presentes; que ao contrário do levantado pela defesa, o Fisco não "ignorou" os cálculos dos meses de maio, agosto e outubro de 2007, totalizando R$ 764.535,49, mas, sim, que, por força das divergências apuradas e imputadas, relativas aos valores das DIRF, todos os cálculos necessitaram ser refeitos, consoante exposto nas planilhas de fls. 36 (IRPJ) e 51 (CSLL); que, finalmente, acerca da suposta impossibilidade da aplicação da multa isolada com a multa de oficio, assim como os indevidos lançamentos de diversas infrações em um único auto de infração e o caráter de confisco de que se reveste tal penalidade, tratase de matéria exclusivamente de direito e que passa a ser analisada; que, de fato, existindo diferenças a menor nos recolhimentos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, conforme apurado pelo Fisco (planilhas de fls. 36 — IRPJ e 51 — CSLL), já reproduzidas anteriormente neste voto, caberiam os lançamentos de multa isolada por insuficiência de recolhimentos das estimativas obrigatórias, à razão de 50% do montante subtraído aos cofres públicos; que não há no ordenamento jurídico apreciado, qualquer antagonismo na aplicação dos preceitos do artigo 44, inciso II (multa de 50%), quando presentes os elementos Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 6 9 fáticos que lhes derem causa, obrigação imposta à contribuinte quando optou pelo lucro real anual, verdadeira exceção a regra geral de apuração trimestral; que, vale dizer, a lei não excluiu da obrigatoriedade sequer os casos de apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa, isto é, a multa será aplicada ainda que se apresentem tais circunstâncias; que a exceção é a apuração anual, neste sentido, e, como toda exceção, para viabilizar sua aplicabilidade e adoção, exige a obediência a requisitos previamente fixados, justamente porque foge do comum, passando ao campo do excepcionado; que, no caso, o requisito principal é justamente a obrigatoriedade de se proceder aos recolhimentos estimados mensais, apurados sobre a receita bruta auferida, procedimento que só pode ser alterado quando existentes balanços ou balancetes de redução ou suspensão; que ao se deparar com as irregularidades que entendeu existentes por ocasião do procedimento fiscal desenvolvido junto à fiscalizada, cabia ao Auditor Fiscal, por dever de oficio, lavrar os autos de infração pertinentes, aplicando as normas que definem a imposição dos consectários legais, motivo pelo qual, neste aspecto, nenhum reparo merece seu trabalho; que os autos devem ser lavrados de forma concomitante — artigo 9°, § 1°, do PAF e artigo 142 do CTN e que o julgamento do principal, no caso o IRPJ, refletirá nos demais, observadas as peculiaridades de cada tributo; que, além disso, basta a simples leitura dos autos para se ver que foram lavrados Autos de Infração distintos para o IRPJ e a respectiva Multa Isolada e a CSLL e a Multa Isolada, na forma do disposto no artigo 9° citado; que sendo autos diferentes, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova — como no caso apreciado podem, por força do § 1°, do artigo 9°, do PAF, acima, transcrito, ser reunidos em um único processo; que nenhum prejuízo teve a defesa, que pode exercer seu direito constitucional de forma ampla e irrestrita, sem qualquer obstáculo; que, estando, pois, absolutamente consentâneo o procedimento fiscal com os fatos relatados e documentos comprobatórios juntados, os autos de infração lavrados de IRPJ, multa isolada do IRPJ, CSLL e multa isolada da CSLL merecem ser mantidos, por seus próprios e escorreitos fundamentos. A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Multa Isolada. Falta de Recolhimento de Estimativas Mensais. O não recolhimento de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de oficio isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, "b", da Lei n° 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Ajuste Anual. Insuficiência de Recolhimento. Lançamento de Oficio. Cabimento. Constatado que a contribuinte utilizouse, a maior, de créditos de tributos retidos na fonte para compensar com o IRPJ apurado na DIPJ do período, cabível o lançamento de oficio pelo Fisco para exigir a diferença encontrada. Arbitramento. Não Ocorrência Não tendo a Autoridade Fiscal procedido ao arbitramento do lucro, mas adotado, para fins dos lançamentos realizados e na forma do disposto no artigo 24, da Lei n° 9.249/1995, o regime de opção do sujeito passivo para o período, no caso, o Lucro Real anual, não se conhece dos argumentos da defesa neste aspecto, posto que não aplicáveis ao caso concreto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 Multa Isolada. Falta de Recolhimento de Estimativas Mensais. O não recolhimento de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de oficio isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, "b", da Lei n° 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Ajuste Anual. Insuficiência de Recolhimento. Lançamento de Oficio. Cabimento. Constatado que a contribuinte utilizouse, a maior, de créditos de tributos retidos na fonte para compensar com a CSLL Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 7 11 apurada na DIPJ do período, cabível o lançamento de oficio pelo Fisco para exigir a diferença encontrada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/11/2011, conforme Termo constante às fls. 183/186, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente (29/12/2011), o recurso voluntário de fls. 218/248, instruído pelos documentos de fls. 249/254, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito à preliminar de a nulidade do lançamento por completa falta de liquidez e certeza, é de se dizer, que é de se observar claramente, analisando as tabelas que constam tanto dos relatórios que acompanham o presente processo administrativo, quanto a que constam na decisão guerreada, que todas as informações apresentadas pela recorrente à Autoridade Fiscal Foram Desconsideradas, gerando assim uma série de equívocos que acabaram por invalidar completamente conteúdo do auto de Infração lavrado; que, para novamente salientar a este E.Conselho, o Auto de Infração impugnado encontrase permeado por equívocos e que, isoladamente já maculariam os requisitos inerentes à sua validade, mas que em conjunto maculam totalmente o lançamento efetuado; que dos valores equivocadamente considerados na DIRF utilizada pela Autoridade Fiscal, portanto, e importante relatar também que o presente auto falta com clareza necessária no sentido de informar o motivo pelo qual a autoridade fiscal chagou aos valores constatados; que, concluise, desta forma, que erro material incidente sobre o critério quantitativo vicia irremediavelmente o conteúdo do Auto de Infração razão pela qual se torna obrigatório o seu cancelamento pela Autoridade Fiscal; que da impossibilidade de cumularse tributos de natureza distinta no mesmo Auto de Infração. Pois, entendeu a 2° Turma da DRJ/SP2 que poderia haver reunião de autos de autos de infração distintos para o mesmo processo contrariando o que determina o decreto n° 70.235/72; que, deste modo, por se tratar de espécie de tributos diferentes, os impostos e contribuições apresentam cada um com características e peculiaridades diversas, distintas no tratamento dado pela Constituição Federal, e necessário portanto, que fosse lavrado autos separados para cada obrigação tributária; que da impossibilidade de aplicação de multa punitiva isolada decorrente de arbitramento juntamente com multa de oficio e outras exigências tributárias. Sendo assim, caso assim não entenda esta E. Conselho, necessário se atentar a necessidade de se apurar multa isolada em autos apartados; Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que a exigência de crédito tributário relativo à multa isolada deve ser formalizada através de auto de infração distinto, conforme determinação do art. 9° do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93; que a cumulação de multas, à razão de 50% cada, faz esta mágica tributaria e acaba por penalizar o contribuinte sobremaneira, tornando impossível o pagamento da obrigação. Na Sessão de Julgamento de 6 de março de 2013, através da Resolução nº 1402000.173, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a fiscalização da DRF de origem efetue as verificações necessárias e, ao final, lavre termo consubstanciado manifestandose sobre as alegações e documentação apresentada pela contribuinte (fls. 263 e seguintes). Após, cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Em 10/09/2013 o SEFIS da Delegacia da Receita Federal em Osasco – SP, apresenta o Relatório Fiscal de fls. 1322/1388, opinando pela redução de R$ 300.454,23 no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e pela de redução de R$ 267.208,90 na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Em 25/09/2013, o recorrente apresenta a sua manifestação (fls. 1340/1346) sobre diligência efetuada. É o relatório. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 218/248), interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (fls. 157/168). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora apurou falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, concluído com a lavratura de Autos de Infração no total de R$ 8.733.886,59, abrangendo o ano calendário de 2007, incluindose o principal, multa de oficio à razão de 75%, multa exigida isoladamente à razão de 50% sobre os valores de estimativas mensais de IRPJ e CSSL não declarados nem recolhidos e juros de mora calculados até 31/03/2010. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 33/37, a ação fiscal iniciouse com o Termo de Intimação de Malha PJ lavrado em 03/02/2010 (fls. 03/04), ciência por via postal "AR" em 08/02/2010 (fls. 05), no qual a contribuinte foi cientificada de que, mediante procedimento de revisão da DIPJ do ano calendário/2007 — exercício/2008, constatouse que os valores por ela informados na referida Declaração e referentes ao IRPJ e CSLL estavam superiores ao que foi declarado em DCTF ou superiores aos efetivos recolhimentos realizados e que deveria a fiscalizada. Inconformado com as autuações, o contribuinte apresentou as impugnações contra o auto de infração de IRPJ, contra o auto de infração de CSLL e contra as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas. A decisão recorrida entendeu que constatado que o contribuinte utilizouse, a maior, de créditos de tributos retidos na fonte para compensar com o IRPJ e CSLL apurados na DIPJ do período, cabível o lançamento de oficio pelo Fisco para exigir as diferenças encontradas, bem como o não recolhimento de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de oficio isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, "b", da Lei n° 9.430, de 1996, ainda que encerrado o anocalendário. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminares de nulidade e razões de mérito. Como visto, os lançamentos decorrem de procedimento interno de revisão da DIPJ entregue pela contribuinte relativamente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007 e Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 que teria constatado divergências nos valores informados referentes ao IRPJ e CSLL em comparação ao que foi declarado em DCTF ou recolhido aos cofres públicos. Os lançamentos ora discutidos centramse em insuficiências nos recolhimentos devidos no ajuste anual de IRPJ e CSLL, apuradas mediante cotejamento entre os dados declarados pela autuada em sua DIPJ/2008 e os montantes inseridos nas DCTF e/ou recolhidos aos cofres públicos pela fiscalizada, assim como na incidência da multa isolada de ambos os tributos, igualmente pela insuficiência de recolhimentos mensais de estimativas. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão está a indicar, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 9 15 forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pelo recorrente. Inicialmente, verificase que para o contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações às fls. 38/44 e 53/59 e os Termos de Verificações Fiscais de fls. 33/37 e 45/52, identifica por nome e CNPJ o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco SP, cuja ciência foi por AR e descreve, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração lavrado sem que o recorrente comprovasse efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão dos procedimentos adotados; da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo o interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto, bem como a matéria de prova. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 10 17 Por fim, é de se ressaltar que em momento algum a Fiscalização utilizouse da sistemática do arbitramento para a consecução dos lançamentos, muito ao revés, obedeceu regradamente à opção feita pela contribuinte, que estampou na sua DIPJ do exercício/2008 — anocalendário de 2007, a adoção pelo Lucro Real anual, com recolhimentos estimados mensais a titulo de IRPJ e CSLL (DIPJ, fls. 15). E sabido que, a respeito dos lançamentos de oficio, em casos de procedimento de fiscalização, prescreve a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tribulação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. Exatamente como procedeu o Fisco, pelo que a irresignação do recorrente e sua revolta contra um possível arbitramento não tem razão de ser, posto que inexistente tal arbitramento. Quanto à matéria de mérito propriamente dito a mesma encontrase solucionada através da Diligência Fiscal proposta na Sessão de Julgamento de 6 de março de 2013, através da Resolução nº 1402000.173, cuja resposta encontrase consolidada no Relatório Fiscal de fls. 1322/1388, expedido, em 10/09/2013, pelo SEFIS da Delegacia da Receita Federal em Osasco – SP, opinando pela redução de R$ 300.454,23 no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e pela de redução de R$ 267.208,90 na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Senão vejamos: Da Resolução nº 1402000.173, de 6 de março de 2013, extraíse o seguinte: O contribuinte juntou no recurso voluntário os documentos de fls. 263 a 425 no intuito de comprovar que, embora as fontes pagadoras tenham deixado de informar as retenções à RFB, os valores foram devidamente contabilizados pela recorrente, as receitas tributadas, sendo que as fontes pagadoras efetivamente realizaram tais retenções. Aduz a recorrente corrente (fls. 419 e seguintes): “(...) Com o intuito de demonstrar a verdade material, a recorrente solicitou um trabalho pericial a uma empresa de auditoria especializada e idônea a fim de esclarecer os fatos sob análise desse E. CARF, tendo sido emitido o Laudo anexo. O Laudo concluiu que os cálculos apresentados no auto de infração padecem de alguns erros que distorceram a realidade dos fatos, resultando em prejuízo à recorrente. O valor de IRPJ lançado pelo AFRFB no montante de R$ 2.320.570,26 (pág. 02 do Laudo), após os recálculos feitos pela Sra. Perita, foi reduzido para R$ 2.010.712,68 (pág. 8 do Laudo). Igualmente, os cálculos da CSLL, que foram lançados Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 pelo AFRFB no montante de R$ 924.332,16 (pág. 9 do Laudo), foram refeitos tendo a perícia chegado ao montante de R$ 647.545,68 (pág. 12 do Laudo). Valores estes sem os acréscimos impostos nas autuações. As diferenças decorreram das premissas adotadas pelo AFRFB que destoam da lei e da jurisprudência deste E. CARF. O AFRFB considerou apenas os valores declarados nas DIRF’s pelas fontes pagadoras, e não valores declarados pela recorrente a título de retenção na fonte. O AFRFB considerou o valor de R$ 540.965,07 relativo à IRRF declarado nas DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, desconsiderando in totum o valor declarado pela recorrente. Ocorre que, revendo os cálculos relativos ao IRPJ feitos pelo AFRFB, à luz da escrituração contábil da recorrente, a perícia conseguiu levantar o montante de R$ 850.822,65 sendo este dividido em retenção na fonte sobre receitas de prestação de serviços (R$ 463.593,56) e retenção na fonte sobre receitas de aplicação financeira (R$ 387.229,09). Esses números estão consubstanciados na escrituração contábil da recorrente conforme demonstra o DOC.2 (livro razão) do Laudo pericial. O AFRFB considerou unilateralmente as informações constantes das DIRF’s, ao arrepio das informações prestadas pelo contribuinte. A retenção de IR na fonte é mecanismo de arrecadação determinado pelo Fisco (art. 649 do RIR/99) aos contratantes de serviços. O Fisco não pode dar às informações prestadas pelos terceiros, nesse mecanismo, importância superior à documentação contábil do contribuinte que sofre a retenção, mesmo porque o responsável pela retenção e recolhimento pode, por exemplo, prestar informações equivocadas ou omitilas. As inverdades favorecem os tomadores e não os contribuintes que sofrem a retenção, pois recebem o valor da contraprestação dos serviços líquido de impostos. Já para o Fisco é prático e cômodo cobrar o contribuinte, que sofreu a retenção, o que facilmente pode acarretar cobrança em duplicidade. Assim, a partir do momento que o contribuinte faz prova com a sua escrituração contábil, o sistema de retenção na fonte não pode ser utilizado para desconsiderála. A recorrente em todas as suas notas fiscais efetivou o destaque dos tributos como determina a Lei. Consequentemente, os tomadores de seus serviços pagavam por estes descontandose o valor dos tributos, ou seja, a recorrente recebeu por seus serviços o valor líquido de tributos. Logo, a responsabilidade pelo recolhimento e por informar o Fisco é dos terceiros, não podendo a recorrente ser responsabilizada por dados incorretos ou omissos de responsabilidade destes. As fontes pagadoras é que devem justificar o porquê suas declarações não conferem com as declarações e escrituração da recorrente. O raciocínio ora exposto, ou seja, de que a redução feita pelo AFRFB não pode levar em conta apenas as DIRF’s, mas também a escrituração da recorrente, não importando se as fontes pagadoras cumpriram ou não com seus encargos, vai ao Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 11 19 encontro de decisões administrativas, v.g., Acórdão n° 1083.450/96CARF, e decisão n° 140/98 da 9ª Região Fiscal. O mesmo raciocínio foi aplicado quanto ao cálculo da CSLL. Na revisão do cálculo do AFRFB, à luz da escrituração contábil da recorrente, a perícia conseguiu levantar, a título de CSLL, o montante de R$ 416.791,12 relativo a retenção na fonte, contrariando, portanto, a quantia de R$ 140.004,64 considerada pelo AFRFB. Não é bastante reafirmar que esta quantia levantada pelo AFRFB está baseada apenas nas DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, ignorando in totum as informações prestadas pela recorrente na sua DIPJ, amparadas pela sua escrituração contábil. Esses números estão consubstanciados na escrituração contábil da recorrente conforme demonstra o DOC.3 (livro razão) do Laudo pericial. Diante do exposto, estão equivocados os cálculos do AFRFB quanto aos montantes de IRPJ e CSLL retidos na fonte. Os montantes de R$ 850.822,65 (IRPJ) e R$ 416.791,12 (CSLL) foram retidos pelas fontes pagadoras da recorrente, e como tal devem ser considerados para fins dos cálculos dos respectivos tributos. Assim, imperioso que esse E. CARF considere as conclusões consignadas no Laudo pericial anexo, para fim de ilidir os cálculos apresentados pela AFRFB. (...)” De fato, as glosas fiscais foram orientadas pelas informações obtidas nas consultas internas da RFB, isso porque, o contribuinte deixou de atender as intimações durante a auditoria (fls. 33 a 38). Todavia, o tributo não pode configurar penalidade (art. 3o. do CTN), a multa de 75%, que pode ser agravada em 50% pelo não atendimento às intimações fiscais já tem essa função. Uma vez que as alegações revelamse pertinentes, cumpre a este colegiado converter o julgamento em diligência para que a fiscalização da DRF de origem efetue as verificações necessárias e, ao final, lavre termo consubstanciado manifestandose sobre as alegações e documentação apresentada pela contribuinte (fls. 263 e seguintes). Após, cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Da parte conclusiva do Relatório Fiscal podemos observar que foram identificados os seguintes montantes retidos e não computados na autuação feita inicialmente e que deverão reduzir os montantes apurados, observando a época em que foram retidos: R$ 300.454,23, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte e de R$ 267.208,90 de Contribuição Social sobre o Lucro Retida na Fonte. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Assim sendo, a autoridade executora do acórdão deverá providenciar a elaboração de nova planilha de cálculo do crédito tributário procedendo a compensação, observando a época em que os mesmos foram retidos. No que diz respeito a aplicação das multas de ofício de isoladas em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa a recorrente alega não poderiam ser aplicadas, concomitantemente, a multa de ofício prevista nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a multa isolada, de que trata a alínea “b” do inciso II do art. 44 da mesma Lei. Afirma, em suma, que as referidas multas possuem a mesma base de cálculo e incidem sobre a mesma materialidade, razão por que a sua aplicação simultânea caracteriza um bis in idem. Não há dúvidas de que o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Significa dizer que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária. Sendo correto que o contribuinte não poderá ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. Enfim, o recorrente alega que as multas isoladas aplicadas são improcedentes tendo em vista que no final do exercício a empresa pode apurar prejuízo, porém temos a salientar que a obrigação de antecipar o pagamento do IRPJ e CSLL deve, conforme a legislação já citada, ser cumprida mês a mês, podendo a contribuinte suspender ou reduzir o pagamento através da comprovação, pelo levantamento de balancetes, de que já recolheu a totalidade ou parte desta, ou mesmo não teria nada a recolher. O cerne da questão consiste em perquirir se é legítima, ou não a aplicação concomitante da multa de ofício prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, atual art. 44, § 1º, da mesma Lei, com a multa isolada de que trata o art. 44, § 1º, inciso IV, atual art. 44, inciso II, alínea “b”, ambos da mesma Lei. A decisão recorrida manteve a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento por estimativa do IRPJ e CSLL, sobre as diferenças apuradas pela fiscalização. Encontrase consolidado na maioria das câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o entendimento acerca da impossibilidade de aplicação conjunta sobre mesma base de cálculo, das multas previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, com aquela relativa à ausência de recolhimento mensal por estimativa (art. 44, § 1°, IV) prevista para aplicação isoladamente do tributo Ora, da simples leitura do entendimento aplicado, se vê que a impossibilidade de se aplicar multa de oficio com multa isolada sobre mesma base de cálculo é matéria pacificada nesta Corte. Isto porque, cediço que o interesse do Estado é arrecadar o tributo que lhe é devido, não punir indevidamente os administrados. Frisese: não podem ser aplicadas duas penalidades pecuniárias sobre a mesma base para lançamento. Isto porque, em atenção ao principio da estrita legalidade, norteador da Administração Pública, a Autoridade Fiscal somente pode fazer ou deixar de fazer aquilo que estiver expressamente previsto na legislação. Sendo assim, ausente qualquer previsão legal no sentido de permitir a cumulatividade de multas, impossível a referida concomitância, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração, em Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 12 21 evidente detrimento do principio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. O disposto no inciso IV, § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação vigente à época dos fatos estabelecia sanção que deveria ser aplicada na hipótese do sujeito passivo não promover o recolhimento mensal das antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social. Para que incida, a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Examinandose o conteúdo prescritivo dos textos legais acima transcritos, resta evidente que o caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no § 1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre o mesmo ato infracional, qual seja o não pagamento ou o pagamento a menor do tributo devido. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. Deste modo, a multa isolada e a multa de oficio não podem ser exigidas concomitantemente na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada, porquanto estarseía aplicando duas penalidades para ilícitos materialmente ligados, de forma que um (falta de recolhimento do imposto anual devido no ajuste) é conseqüência natural do outro (falta de recolhimento dos valores estimados devidos mensalmente), e não são verificáveis de forma concomitante em sua realidade fática. É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, se sujeita à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Observase, que a autoridade lançadora calculou a multa isolada lançada de ofício, com fundamento no artigo 44, § 1°, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 que o contribuinte optou pela tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com base no lucro estimado (recolhimento através de estimativas). O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, estabelece: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] IV – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do artigo 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. V – isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado que não houver sido pago ou recolhido. Os dispositivos acima transcritos têm como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento dos tributos e contribuições sociais declarados (inciso V) ou que deixou de efetuar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma estipulada no artigo 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, recolhimento por estimativa por empresas que estavam sujeitas ao pagamento pelo lucro real. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo. Ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. No presente caso a fiscalização aplicou a multa de lançamento de oficio, isoladamente, por entender que houve a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre os quais já incide multa de lançamento de ofício. A autoridade fiscal lançadora reconstituiu o lucro líquido contábil em cada períodobase, com os ajustes correspondentes aos valores incluídos no auto de infração, e apurou o valor do IRPJ e da CSLL que deveriam ter sido pago em cada mês, com a aplicação da multa de lançamento de ofício isolada. Como se vê, foi aplicada a multa isolada sobre os valores que deixaram de ser antecipados durante o anocalendário a título de estimativa e também da multa normal de lançamento de ofício, sobre os valores considerados ainda devidos. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, no seu inciso IV, do § 1°, autoriza a cobrança de tal multa, isoladamente, quando em procedimento fiscal verificarse a falta do recolhimento da estimativa e quando não houver imposto a ser cobrado pelo fato da contribuinte ter apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 13 23 Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Além do mais, transpondo para o Direito Tributário, tendo em vista as disposições do artigo 112 do Código Tributário Nacional, haja vista a sua semelhança com o Direito Penal em relação aos bens de interesse público protegidos por ambos, as disposições do artigo 70 do Código Penal, concluise que, quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. A legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício que é muito menos onerosa. Por decorrência, deve ser cancelada a multa por falta de recolhimento do imposto por estimativa ou por balanço de suspensão/redução. Esta matéria já tem jurisprudência formada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão nº 10193.939, de 17/09/2002 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de adições/exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre o mesmo fato apurado em procedimento de ofício. Acórdão nº 10193.692, de 05/12/2001 PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em de ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de custos/despesas operacionais e adições e exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. Acórdão nº 10320.475, de 07/12/2000 PENALIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOB BASE ESTIMADA. Incabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa calculada sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Acórdão nº 10320.572, de 19/04/2001. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 IRPJ RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente devido. Recurso provido. Acórdão nº 10320.931, de 22/05/2002 MULTA ISOLADA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – CABIMENTO A multa isolada de lançamento de ofício só tem cabimento na existência do seu pressuposto fundamental como seja a falta de recolhimento de imposto. Não enseja assim sua aplicação a prática de qualquer ilícito, com ênfase para formal, que não denote inadimplência do sujeito passivo a qualquer obrigação principal. Recurso provido. Acórdão nº 10320.662, de 20/07/2001 CSSL. LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO ANTES E APÓS A ENTREGA DA DIRPJ. MULTAS DE OFÍCIO ISOLADA E EM CONJUNTO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA TRIBUTAÇÃO. Não podem prosperar a incidência da multa de ofício isolada sobre os valores mensais estimados nãorecolhidos e a exigência de multa associada à parcela defluente da apuração anual, tendo em vista que aquela, por ser mera antecipação desta, esta aquela contém. Subsistirá a exigência da multa isolada quando a ação fiscal se der no curso do anocalendário, desde que indisponíveis as demonstrações financeiras, em toda a sua extensão e profundidade, do período investigado. Acórdão nº 10707.047, de 19/03/2003 PENALIDADE. MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido devido por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. Acórdão nº 10706.591, de 17/04/2002 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE No pagamento espontâneo de tributos, sob o manto, pois, do instituto da denúncia espontânea, não é cabível a imposição de qualquer penalidade, sendo certo que a aplicação da multa de que trata a Lei 9.430/96 somente tem guarida no recolhimento de tributos feitos no período da graça de que trata o artigo 47 da Lei 9.430/96, sem a multa de procedimento espontâneo. Acórdão CSRF nº 9101001.237, de 21/11/2011 Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 14 25 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E CSLL Exercício: 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de imposto/contribuição sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de ofício proporcional ao imposto que está sendo exigido. Acórdão CSRF nº 9101001.358, de 16/06/2002 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INDEVIDO BIS IN IDEM. AFASTAMENTO DA MULTA ISOLADA. Não se concebe a aplicação simultânea da multa isolada (fundamentada na falta de recolhimento por estimativa) e multa de ofício (baseada na falta de recolhimento de IRPJ) porque implica em dupla punição sobre o mesmo fato: a falta de recolhimento do IRPJ. Acórdão CSRF nº 9101001.207, de 17/10/2011 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002 CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. Acórdão CSRF nº 9101001.335, de 26/04/2012 Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. No caso, tem razão a recorrente quando diz que a fiscalização pretende cobrar a multa de lançamento de ofício incidente sobre tributo lançado, também de ofício, concomitantemente com a multa de lançamento de ofício, isolada, sobre a insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração. Ademais, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Nesta linha de raciocínio entendo que também assiste razão ao recorrente, isto porque depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade – Multa Isolada, havendo ou não base tributável em 31/12, não há como subsistir tal exigência, já que os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, art. 44, da Lei 9.430, de 1996, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que poderá ser devido ao final do anocalendário. A Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a aplicação da multa isolada, se manifesta da seguinte forma: Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 15 27 §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A Lei nº 8.981, de 1995, se manifesta da seguinte forma: Art. 35 – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. [...] § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31/12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do ano calendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo – sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Assim, não tenho dúvidas que é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o anocalendário em curso, tendo em vista que, com a apuração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Ora, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação, tãosomente, do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 offício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do Código Tributário Nacional, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, conforme se depreende dos autos, o auto de infração foi lavrado após o encerramento dos anoscalendário objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro líquido, efetivamente, devidos nos períodos. Logo, embora a contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o tributo nos anoscalendário questionado, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após os anoscalendário questionados, portanto, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto e a contribuição efetivamente devidos, porquanto, impossível, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do anocalendário. Assim sendo, é de se excluir da exigência a multa isolada aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma parcial pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir no presente julgado de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir o mérito da irregularidade apurada, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reduzir os montantes apurados, observando a época em que foram retidos: R$ 300.454,23, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte e de R$ 267.208,90 de Contribuição Social sobre o Lucro Retida na Fonte, bem como excluir da exigência tributária as multas isoladas aplicadas. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.001072/201020 Acórdão n.º 1402001.574 S1C4T2 Fl. 16 29 Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10880.028663/94-29
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DESPESAS. COMPROVAÇÃO. EFETIVIDADE. Glosam-se as
despesas cuja efetividade não tenha sido comprovada.
GLOSA DE DESPESAS. VIAGENS E ESTADIAS. Consideram-se
desnecessárias as despesas de viagens e estadias de sócios, gerentes e funcionários, quando não comprovada a vinculação daquelas aos objetivos da empresa.
DESPESAS COM CONFRARTENIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Na
medida em que contribuem para melhoria do ambiente de trabalho,
humanizando o relacionamento empresa e empregados, aumentando a
motivação para a consecução dos objetivos sociais, as despesas com confraternização de fim de ano, erroneamente apontadas como
despesas com brindes, acabam beneficiando a empresa, afigurando-se normais, usuais e necessárias, sendo, por isto mesmo, dedutiveis. GASTOS COM REPAROS. AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM. Não
comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em
mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantê-lo em condições normais de
funcionamento.
DESPESA DE DEPRECIAÇÃO DE BENS ATIVADOS. É dedutivel a
despesa de depreciação dos bens ativados.
JUROS DE MORA. TRD. É legitima a cobrança da TRD, a titulo de
juros de mora, a partir de agosto de 1991.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 103-22.314
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação as verbas autuadas a titulo de "despesas com viagens", no valor de Cr$ 58.099,60; "despesas com brindes"; e "custos de bens ativáveis", no valor de Cr$43.740,00; bem como reconhecer o direito à depreciação sobre os bens ativéveis indevidamente apropriados como despesas, aos percentuais legalmente admitidos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Paulo Jacinto Do Nascimento
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materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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ementa_s : DESPESAS. COMPROVAÇÃO. EFETIVIDADE. Glosam-se as despesas cuja efetividade não tenha sido comprovada. GLOSA DE DESPESAS. VIAGENS E ESTADIAS. Consideram-se desnecessárias as despesas de viagens e estadias de sócios, gerentes e funcionários, quando não comprovada a vinculação daquelas aos objetivos da empresa. DESPESAS COM CONFRARTENIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Na medida em que contribuem para melhoria do ambiente de trabalho, humanizando o relacionamento empresa e empregados, aumentando a motivação para a consecução dos objetivos sociais, as despesas com confraternização de fim de ano, erroneamente apontadas como despesas com brindes, acabam beneficiando a empresa, afigurando-se normais, usuais e necessárias, sendo, por isto mesmo, dedutiveis. GASTOS COM REPAROS. AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM. Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantê-lo em condições normais de funcionamento. DESPESA DE DEPRECIAÇÃO DE BENS ATIVADOS. É dedutivel a despesa de depreciação dos bens ativados. JUROS DE MORA. TRD. É legitima a cobrança da TRD, a titulo de juros de mora, a partir de agosto de 1991. Recurso parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-04-01T19:47:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-04-01T19:47:45Z; Last-Modified: 2014-04-01T19:47:45Z; dcterms:modified: 2014-04-01T19:47:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4bc52a08-1c09-4238-8e7a-655741d8ad7a; Last-Save-Date: 2014-04-01T19:47:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-04-01T19:47:45Z; meta:save-date: 2014-04-01T19:47:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-04-01T19:47:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-04-01T19:47:45Z; created: 2014-04-01T19:47:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2014-04-01T19:47:45Z; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-04-01T19:47:45Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão n° : 10880.028663/94-29 : 138.804 : IRPJ - Ex(s): 1991 : GENCO QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. : 3a TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP : 24 de fevereiro de 2006. :103-22.314 DESPESAS. COMPROVAÇÃO. EFETIVIDADE. Glosam-se as despesas cuja efetividade não tenha sido comprovada. GLOSA DE DESPESAS. VIAGENS E ESTADIAS. Consideram-se desnecessárias as despesas de viagens e estadias de sócios, gerentes e funcionários, quando não comprovada a vinculação daquelas aos objetivos da empresa. DESPESAS COM CONFRARTENIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Na medida em que contribuem para melhoria do ambiente de trabalho, humanizando o relacionamento empresa e empregados, aumentando a motivação para a consecução dos objetivos sociais, as despesas com confraternização de fim de ano, erroneamente apontadas como despesas com brindes, acabam beneficiando a empresa, afigurando-se normais, usuais e necessárias, sendo, por isto mesmo, dedutiveis. GASTOS COM REPAROS. AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM. Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantê-lo em condições normais de funcionamento. DESPESA DE DEPRECIAÇÃO DE BENS ATIVADOS. É dedutivel a despesa de depreciação dos bens ativados. JUROS DE MORA. TRD. É legitima a cobrança da TRD, a titulo de juros de mora, a partir de agosto de 1991. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GENCO QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação as verbas autuadas a titulo de "despesas com viagens", no valo A de Cr$ 58.099,60; "despesas com brindes"; e "custos de bens ativáveis", no valor d Acas04/12/06 -■•••# ,..1111• O RODRIG EUBER PRESIDENTE PAULO RELAT 0 NASCIMENTO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Acórdão n° : 10880.028663/94-29 : 103-22.314 Cr$ 43.740,00; bem como reconhecer o direito à depreciação sobre os bens ativéveis indevidamente apropriados como despesas, aos percentuais legalmente admitidos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. FORMALIZADO EM: 0 8 nE7. 2006 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, MAURÍCIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. Ausentes, por motivo justificado os conselheiros MÁRCIO MACHADO CALDEIRA e FLAVIO FRANCO CORRÊA. Acas04/12/06 2 Acas04/12/06 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10880.028663/94-29 Acórdão n° : 103-22.314 Recurso n° : 138.804 Recorrente : GENCO QUiMICA INDUSTRIAL LTDA. RELATÓRIO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração lançando IRPJ do exercício de 1991, em virtude de glosa de despesas com serviços de terceiros, viagens, brindes, leasing, conservação e reparos e despesas que são gastos que deveriam ser ativados. Mantendo-se, na decisão de primeira instância, a glosa de parte das despesas, dela recorre a contribuinte sustentando que: os pagamentos a terceiros se referem a desembolsos em favor da PPG — Industrial do Brasil Ltda., filial da PPG Industries Inc., estabelecida nos Estados Unidos, de quem a recorrente importa produtos responsáveis por 80% do seu faturamento, sendo a filial brasileira responsável pelo controle de qualidade dos produtos e pela assistência técnica aos compradores; as despesas de viagens glosadas são necessárias ao exercício de suas atividades e manutenção da fonte pagadora, pois se trata de viagens dentro do Brasil e para o exterior, com a finalidade de participar de convenções, visitar seu principal fornecedor de produtos químicos importados e atender seus representantes e revendedores em diversos estados; as despesas de brindes de final de ano, representam apenas 0,12% de sua receita bruta, e correspondem a dispêndios do congraçamento natalino d funcionários, compreendendo o transporte para o local da reunião, arranj custo das refeições oferecidas e os brindes distribuidos - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Acórdão n° :10880.028663/94-29 : 103-22.314 - as despesas com gastos e reparos referem-se a serviços de manutenção de equipamentos ou materiais de pequeno valor, que não contribuíram para aumentar a vida útil dos bens; - o uso da TRD deve ser afastado por inteiro no período de fevereiro a dezembro de 1991. Foram arrolados bens. É o relatório. Acas04/12/06 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Acórdão no : 10880.028663194-29 : 103-22.314 VOTO Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, Relator Para que a despesa seja tida como necessária não basta que esteja escriturada e que sejam apresentadas as notas fiscais correspondentes e os pagamentos às mesmas relativos. Além disso, é necessário que se demonstre a sua efetividade e sua relação com a atividade da empresa. 0 fato da recorrente comprar insumos a uma empresa sediada no exterior e esta possuir filial no Brasil, responsável pelo controle de qualidade desses insumos e pela assistência técnica aos compradores, por si só não comprova que esta preste serviços efetivos A recorrente nem, tampouco, que tais serviços sejam necessários a manutenção da fonte pagadora. Ademais, no caso, as notas fiscais não descrevem os serviços e, enquanto a recorrente fala de uma gama de serviços envolvendo assistência técnica no armazenamento, manipulação, apresentação, embalagem, estado e tudo quanto possa influir na qualidade do produto, a beneficiária dos pagamentos por tais serviços declara que lhe presta serviços, a titulo de assistência técnica, sobre produção (reembalagem) do produto químico hipoclorito de cálcio, serviços esses que são realizados em datas previamente marcadas pela GENCO, de acordo com o cronograma de sua produção, restringindo, assim, em muito, os serviços supostamente prestados. Por outro lado, a soma dos valores das Declarações de Importação apresentadas pela recorrente atinge o valor de Cr$ 9.912.328,33, enquanto o valor das notas fiscais de serviço ascende ao montante de Cr$ 27.426.042,69. É pouco rivel que pelos serviços prestados pela emitente das notas fiscais, ou seja, pela asse 'aria técnica na reembalagem do produto, se pague três vezes o alor do produto. Acas04/12/06 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Acórdão n° : 10880.028663/94-29 :103-22.314 Esses fatos me levam a manter a glosa de tais despesas da prestação de serviços. Quanto ás despesas de viagens, alega a recorrente que os documentos de n's 26, 27, 28, fls. 221/228, nos valores de Cr$ 252.597,82, Cr$ 477.364,81 e Cr$ 248.597,82, respectivamente, representam o custo de viagem dos seus sócios gerentes para a convenção anual dos fabricantes de produtos para piscina promovida pela NSPI — NATIONAL SPA & POOL INSTITUTE, da qual é associada. Esses documentos, no entanto, não comprovam que a viagem se realizou em beneficio da empresa, sequer a alegada convenção restou demonstrada como realizada. Em relação As despesas do documento de fls. 72, no valor de Cr$ 74.263,00, diz a recorrente decorrer de viagem realizada pelos diretores e pelo encarregado de vendas, em visita a revendedores e representantes das cidades visitadas. Esta afirmação é parcialmente verdadeira. Na conformidade da fatura de fls. 239, a viagem dos diretores foi apenas para o Rio de Janeiro, o encarregado de vendas é que viajou para diversas cidades. Por esta razão, mantenho a glosa da despesa referente A passagem dos diretores e dou pela improcedência da glosa da passagem do encarregado de vendas, esta no valor de Cr$ 58.099,00. 0 documento n° 36, fls. 251/254 não se presta a fazer a prova de que os sócios viajaram aos Estados Unidos, muito menos de que essa viagem foi feita no interesse da recorrente. 0 documento de n° 42, fls. 271/273, retrata a despesa com a passagem do gerente industrial da recorrente A cidade do Recife, acompanhado de uma outra pessoa, Izolina, possivelmente do sexo feminino, cuja condição de funcionária ão restou provada, inexistindo, igualmente qualquer prova da fin idade da viagem. Acas04/12/06 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Acórdão n° : 10880.028663/94-29 : 103-22.314 Todas as demais despesas de viagem carecem da prova da sua necessidade e da sua realização em beneficio da empresa, não havendo vinculação com os objetivos sociais da mesma. Quanto aos custos classificados como despesas com brindes que, na verdade, são dispêndios com a confraternização de final de ano dos funcionários, os entendo efetuados em beneficio da empresa, porquanto contribuem para melhoria do ambiente de trabalho, humanizando o relacionamento do capital com o trabalho e motivando os funcionários para a consecussão dos objetivos sociais. Diante disso e face ao módico valor das mesmas, não me animo a manter a glosa a elas referentes. Com relação ao item "Bens de Natureza Permanente Deduzidos como Despesa", assiste razão à recorrente quanto aos documentos de fls. 342 e 344, relativos ao ventilador e ao exaustor, quando afirma que se trata de serviços de desmontagem e montagem e não de aquisição de bens que deveriam ser ativados, não ficando demonstrado que houve aumento da vida útil dos bens. Assim, da tributação mantida pela decisão recorrida no valor de Cr$ 1.091.32,55, deve ser excluída a quantia de Cr$ 43.740,00, correspondente à soma dos valores dos referidos documentos. Quanto aos demais gastos mantidos como ativáveis, mostra-se correta a decisão, pois se trata de aquisição e/ou montagem de bens que devem figurar no ativo, pois possuem vida id superior a um ano e superam o limite de bens de pequeno valor. Por outro lado, a ativação dos bens lançados indevidamente como despesa deve ser acompanhada da respectiva depreciação, cuja despesa deve ser reconhecida para ser deduzida no período base da autuação. • Em relação à pretensão da recorrente de ver excluída a incidência d TRD para além de julho de 1991, substituindo-a por 1% mês, esta não mere Acas04/12/06 7 NASCIMENTO PAULO JA MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Acórdão n° :10880.028663/94-29 : 103-22.314 prosperar. As razões que levaram A exclusão da TRD no período de fevereiro a julho de 1991 não persistem a partir de então. Diante do quanto exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao , recurso para afastar da glosa de despesas de viagem o valor de Cr$ 58.099,60, para afastar integralmente a glosa de despesas com brindes, para afastar da tributação a titulo de custos de bens ativáveis a importância de Cr$ 43.740,00 e para reconhecer 6 recorrente o direito de deduzir a despesa de depreciação dos bens ativados. Sala das Sessões, DF, 24 de fevereiro de 2006. Acas04/12/06 8
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910000/2011-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Numero da decisão: 3803-005.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
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CNPJ 92.660.604/000182) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 00 /2 01 1- 56 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido em 29 de julho de 2005, através do qual Yara Brasil Fertilizantes S.A., sucessora da Benspar S.A., busca restituição de crédito de COFINS, relativo ao período de apuração janeiro de 2001, no valor de R$ 38.894,47. O pagamento foi identificado mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do despacho decisório emitido em 2 de dezembro de 2011, que indeferiu o pedido de restituição. A ciência do indeferimento ocorreu mediante AR em 21 de dezembro de 2011. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente, alegando que ocorreu homologação tácita do pedido de restituição, pois se passaram 5 anos desde a apresentação do PER até a emissão do Despacho Decisório. O interessado fundamentou sua defesa no § 5º do art. 74 da Lei nº 9430/1996, assim como nos arts. 150 e 174 do Código Tributário Nacional e no art. 37 da Instrução Normativa RFB Nº 900/08. Ao final requer que se reconheça a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, afirmando que, diferentemente do que ocorre na declaração de compensação, é impossível a homologação tácita nos pedidos de ressarcimento ou restituição, por falta de previsão legal. Ainda afirmou que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, que, de acordo com o art. 170 do CTN, são essenciais para que seja efetivada a restituição pela Fazenda Nacional. Irresignado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde defende que a homologação tácita é instituto atrelado a segurança jurídica, sob pena de estarse outorgando à Fazenda o direito de reter pedidos de restituição indeterminadamente. Tomando por base os arts. 173 e 174 do CTN, sustenta que o prazo de 5 anos transcorre tanto para o contribuinte, como para o fisco e que não se pode ignorar a garantia constitucional de que todos são iguais perante a lei. Afirma que o § 4º do art. 150 do CTN dispõe que, quando a lei não fixar prazo para homologação, será ele de 5 anos. Nesse caso, quando o contribuinte declara ser titular de crédito, o fisco teria 5 anos para se manifestar sobre esse crédito, sob pena de decadência para a glosa eventualmente cabível. Ao final requer que se proveja o recurso para, reformandose a decisão recorrida, reconhecerse a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório, e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. É o Relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910000/201156 Acórdão n.º 3803005.391 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Fato incontroverso é a emissão do despacho decisório após 5 anos da data do protocolo de transmissão do Pedido Eletrônico de Restituição, o litígio reside na caracterização, ou não, deste fato como homologação tácita. O instituto da compensação encontrase previsto no art. 170 do CTN. No âmbito administrativo, a Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008 disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis: “§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Como visto, a homologação tácita da compensação se dá após decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP. A Fazenda afirma que, diferentemente da declaração de compensação,o pedido de restituição à Receita Federal não é satisfeito desde logo. Isso por que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório, enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento. Ainda afirma que não há previsão legal para homologação tácita de pedido de ressarcimento, pois o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 apenas se refere às declarações de compensação. A pretensão do contribuinte, de que deva haver um prazo para que a fazenda se manifeste sobre pedidos de restituição, é razoável. Inclusive em concordância com princípio constitucional da razoabilidade expressa no art. 5º da Constituição Federal, citase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Entretanto, a legislação é carente de uma norma que estabeleça período específico para que a Fazenda Nacional se posicione a respeito de pedidos de restituição ou ressarcimento e o CARF, em virtude de seu regimento, observa a estrita legalidade. Com efeito, a decisão da DRJ/POA não merece reparos. No caso, pedido de restituição formulado à Receita Federal não se submete ao prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de compensação. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) Ocorre que não há previsão legal estabelecendo prazo para homologar pedidos de Restituição, e a norma acima colacionada não se aplica ao caso. Tal entendimento é o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANOCALENDÁRIO: 1998PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR E FALTA DE COMPROVAÇÃO, INDEFERIMENTO. NÃO TENDO A CONTRIBUINTE APURADO SALDO CREDOR DE IRPJ, NEM COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES, CORRETA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, QUE JÁ DEVERIA ESTAR INSTRUIDO COM OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO. A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA ADMITE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NO CASO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE JUNTAMENTE COM O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO HÁ DE SE FALAR EM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910000/201156 Acórdão n.º 3803005.391 S3TE03 Fl. 12 5 AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.) Ante a falta de guarida legal que determine a homologação tácita a pedidos de restituição, não cabe ao julgador criar normas ou interpretálas de forma a beneficiar o contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza. Observase, também, que em manifestação de inconformidade, assim como em sede de recurso voluntário, o contribuinte se eximiu do direito de se pronunciar quanto ao mérito, assim como não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido. Não há como avaliar o mérito da lide uma vez que o contribuinte abriu mão de defenderse quanto ao mérito. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em vista que em relação ao Pedido de Restituição não existe previsão legal que discipline a ocorrência de homologação tácita, sendo inaplicável, ao caso, a aplicação da regra de homologação tácita dos pedidos de compensação, porquanto, são de naturezas distintas e portanto não se confundem. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11543.002309/2003-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
Não reconhecimento de direito creditório. Ausência de fundamentação. Nulidade
Constatada a inexistência de fundamentação para o não reconhecimento do saldo do direito creditório pleiteado, incorre em cerceamento do direito de defesa e do contraditório do contribuinte, ensejando a nulidade da decisão.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3101-001.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular os atos processuais a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Ausência de fundamentação. Nulidade Constatada a inexistência de fundamentação para o não reconhecimento do saldo do direito creditório pleiteado, incorre em cerceamento do direito de defesa e do contraditório do contribuinte, ensejando a nulidade da decisão. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular os atos processuais a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 23 09 /2 00 3- 74 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento (original às fls. 02 e retificação às fls. 1718) de PIS/PASEP relativo ao 1º trimestre de 2003, acompanhado de Declaração de Compensação (original às fls. 11 e retificação às fls. 19). A autoridade fiscal indeferiu o pedido, conforme Despacho Decisório (às fls. 35), fundamentado no Parecer Sefis/DRF/Vit/ES nº 26/2010 (às fls.2334), que alegou, em síntese: que grande parte dos fornecedores da Empresa encontramse em situação irregular perante a Receita Federal; que a empresa Do Grão Comércio e Exportação está com a situação suspensa no cadastro nacional de pessoa jurídica pelo motivo de inexistência de fato; que as empresas Colúmbia Comércio de Café Ltda, Nova Brasília Comércio de Café Ltda, Acádia Comércio e Exportação Ltda e Cafeeira São José Ltda estão na mesma situação no cadastro nacional de pessoa jurídica; que a própria empresa e grande parte de seus fornecedores estão sendo alvo de investigação de fraude por parte da RFB, do MPF e da Polícia Federal; que, em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde se investiga quem são os verdadeiros beneficiários na aquisição de café por supostos atacadistas; que as firmas de exportação e torrefação, nas quais a Realcafé se inclui, utilizavam empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café dos produtores rurais, que apenas vendiam notas fiscais; que as empresas laranjas existiam exclusivamente para a geração de créditos indevidamente para os verdadeiros beneficiários do esquema; que não foi possível reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte pela impossibilidade de apurar o verdadeiro saldo de crédito de PIS/PASEP do período. Devidamente cientificada em 23/06/2010, a interessada apresentou em 21/07/2010 sua impugnação, na qual alega em apertada síntese: que à época das transações comerciais, seus fornecedores estavam em situação regular perante o CNPJ, e que a verificação da idoneidade cabe ao fisco, não ao contribuinte; que não houve a efetiva análise pela fiscalização dos créditos pleiteados, configurando o ato como arbitrário; requer a declaração da homologação tácita, tendo decorrido aproximadamente sete anos desde o protocolo do pedido até a ciência da decisão. A 5ª turma da DRJ Rio de Janeiro II baixou os autos em diligência para as seguintes verificações (fls.112 e 109): se os fornecedores de café ao interessado encontravam se localizados efetivamente no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, e se possuiam patrimônio e capacidade operacional necessários à realização do objeto que se refere à venda de café; se os fornecedores se tratavam de pessoas jurídicas inexistentes de fato; se os fornecedores possuiam escrituração contábilfiscal hábil e idônea, e se registraram em sua contabilidade as vendas de café ao interessado; se há instrumentos particulares hábeis e idôneos, com reciprocidade de direitos e obrigações, firmados entre o interessado e seus fornecedores para a venda de café. Foi determinado também a apuração da existência ou não de créditos a serem ressarcidos ao contribuinte, com a informação do quantum a ser utilizado nas compensações de que trata o presente processo. A unidade de origem, em atendimento à determinação da DRJ, assim se manifestou (Informação Fiscal às fls.108, 110111 e 113121): Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11543.002309/200374 Acórdão n.º 3101001.580 S3C1T1 Fl. 4 3 (i) A auditoria fiscal examinou a escrituração contábil com enfoque na conta de fornecedores e comprovou que a empresa REALCAFÉ apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café, através de denominadas “pseudoatacadistas de café”; (ii) Em razão da existência de pedidos de ressarcimento de créditos anteriores a 2005, a fim de evitar distorções no saldo inicial de créditos a descontar de períodos anteriores, foi realizada a análise e a recomposição dos saldos de PIS/COFINS desde 1/2003; (iii) Foram glosados os créditos integrais das empresas denominadas “pseudoatacadistas de café”: ARCÁDIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA e CAFEEIRA SÃO JOSÉ LTDA; (iv) Que a empresa ARCÁDIA, em resposta à intimação, declarou que não era nem nunca fora uma comercializadora ou atacadista de café, mas simplesmente um agente de comércio, transformado por imposição dos compradores em pessoa jurídica. Declarou também que recebia pelo serviço prestado, o valor de R$0,15 a R$0,50 por saca de café, e que em outros casos desempenhavam a função de mera intermediária; (v) Que a empresa CAFEEIRA SÃO JOSÉ não possuía patrimônio e capacidade operacional necessária à realização do objeto social referente à venda de café, tratandose apenas de mera fornecedora de notas fiscais com o intuito de geração de créditos de PIS e COFINS para a REALCAFÉ; (vi) Efetuou a glosa de notas fiscais emitidas pelas empresas ACÁDIA e CAFEEIRA SÃO JOSÉ; (vii) Conclui que a empresa ACÁDIA estava com cadastro suspenso junto a RFB por inexistência de fato, não possuia patrimônio e capacidade operacional para realização de seu objeto de venda de café e nunca foi comercial atacadista, conforme informado pelos seus próprios sócios; e que a empresa CAFEEIRA SÃO JOSÉ estava com cadastro ativo, mas não possuía patrimônio e capacidade operacional para realização de seu objeto de venda de café e nunca foi comercial atacadista, conforme depoimento dos fornecedores de café. (viii) Conclui que a empresa possui um saldo de PIS, passível de ressarcimento, de R$ 34.469,16, após a reconstituição do saldo credor, conforme demonstrativos às fls. 118120. Devidamente cientificada em 18/07/2011, a interessada apresentou em 17/08/2011 sua manifestação, na qual alega: que as empresas que comprovam o pagamento e o recebimento das mercadorias não podem ter seus créditos glosados, conforme dispõe o art. 82 da lei nº 9.430/96; que apenas as empresas inaptas estão impossibilitadas de gerar créditos; que agiu de boafé, sempre consultando o Sintegra e o banco de dados da Receita Federal, a fim de comprovar a regularidade de seus fornecedores; que fora verificada a regularidade dessas empresas no CNPJ e no SINTEGRA, e nenhuma tinha sido declarada inapta ou inativa; que não é possível concluir que a contribuinte tinha conhecimento da prática ilícita de fornecedores. A 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. O acórdão 1338.632 foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Nulidade Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Não padece de nulidade decisão proferida por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa. Declaração de Compensação. Retificadora. Homologação tácita. Termo inicial. O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora, exceto quando inadmitida pela Administração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa os argumentos esgrimidos na manifestação de inconformidade e alega nulidade do acórdão recorrido. A unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. O processo foi distribuído para a 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento desse Conselho que, no julgamento ocorrido em 21 de junho de 2013, declinou competência para o julgamento deste para a Terceira Seção de Julgamento, conforme despacho 1801232 (fls. 213214). O processo foi distribuído a esse conselheiro relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – relator. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Da preliminar de nulidade A recorrente alega que o órgão julgador a quo não reconheceu o saldo credor de PIS verificado como passível de ressarcimento, no montante de R$ 34.469,16, reconhecido como legítimo pela diligência fiscal determinada pela própria DRJ, julgando improcedente sua manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Consta do voto recorrido o conhecimento do fato alegado pela recorrente (fls. 145), com a expressa referência ao reconhecimento do saldo de R$ 34.469,16 a título de ressarcimento, de PIS/PASEP do 1º trimestre de 2003 (fls. 145): Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11543.002309/200374 Acórdão n.º 3101001.580 S3C1T1 Fl. 5 5 De fato, resultou da diligência apuração detalhada dos créditos do período pleiteado e definida claramente a glosa efetuada. A Autoridade Fiscal agora reconheceu do valor de crédito pleiteado de R$ 39.931,74, a título de ressarcimento, de PIS/PASEP do 1º trimestre de 2003, saldo de R$ 34.469,16; tendo o contribuinte nova oportunidade para se manifestar. Entretanto, não consta da parte dispositiva do acórdão o reconhecimento do R$ 34.469,16 a título de ressarcimento, de PIS/PASEP do 1º trimestre de 2003, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Não consta do acórdão recorrido a fundamentação do não reconhecimento do saldo do direito creditório pleiteado, calculado pela autoridade fiscal em diligência determinada pela própria DRJ no montante de R$ 34.469,16. Portanto, a decisão recorrida contrariou o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 c/c artigo 50 da Lei nº 9.784/99, incorrendo em cerceamento do direito de defesa e do contraditório do contribuinte, ensejando sua nulidade, conforme dispõe o art. 59 do referido Decreto. Não apreciaremos no presente julgamento a alegação de que o julgador a quo deixou de se manifestar quanto ao requerimento de cancelamento das compensações protocolizada pela Recorrente em 06/11/2008, pela inexistência da anexação tal requerimento no presente processo. Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para anular a decisão recorrida, para nova apreciação por parte da DRJ inclusive quanto ao reconhecimento do direito creditório apontado pela autoridade fiscal no valor R$ 34.469,16. Sala das sessões, em 26 de fevereiro de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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