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Numero do processo: 12898.001208/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.
A Lei nº. 11.196/2005, instituiu a multa isolada de ofício, também no percentual de 75%, sobre a compensação não declarada, na hipótese de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal (não administrado pela Receita Federal).
PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
Numero da decisão: 1801-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. A Lei nº. 11.196/2005, instituiu a multa isolada de ofício, também no percentual de 75%, sobre a compensação não declarada, na hipótese de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal (não administrado pela Receita Federal). PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 201 1 200 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.001208/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.978 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de maio de 2014 Matéria MULTA ISOLADA Recorrente TELELISTA REGIÃO 1 LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. A Lei nº. 11.196/2005, instituiu a multa isolada de ofício, também no percentual de 75%, sobre a compensação não declarada, na hipótese de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal (não administrado pela Receita Federal). PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 12 08 /2 00 9- 14 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 2 Relatório Discutese, nos presentes autos, a multa de oficio aplicada isoladamente, no percentual de 75%, como decorrência de compensações caracterizadas como não declaradas no processo nº. 10768.003721/200691. Eis os termos do relato adotado na r. decisão recorrida: "A descrição dos fatos constante do auto de infração (fls. 25), menciona ter havido compensação indevida de valores informados em declaração remetendo ao Termo de constatação fiscal anexo que encontrase às fls. 18/22. No indigitado Termo de Constatação Fiscal consta em resumo que: a) o contribuinte pleiteou em 27/07/2006 por meio do processo nº 10768.003721/200691 um "Pedido de Restituição" (fls. 30), acompanhado da "Declaração de Compensação" às fls. 2, de créditos que seriam oriundos de "títulos da dívida pública" emitidos com o nome de "obrigações do reaparelhamento econômico" instituídos pela Lei nº 1.474/1951, no valor, atualizado monetariamente de R$ 576.690,17, que seriam inicialmente utilizados para a compensação de débitos no valor total de R$ 573.838,08, referentes ao código de receita 1345, sendo que o valor dos créditos utilizados nesta compensação seria de R$ 362.666,00; b) a DIORT da DERAT/RJO, através do despacho de fls. 31/38 considerou o pedido de restituição não formulado e a compensação não declarada com base nos artigos 26, §3º, inciso VI, e 31, §1º, incisos I e II, alíneas "c" e "e", da IN SRF nº 600/2005; c) a supracitada decisão concluiu que as chamadas "obrigações do reaparelhamento econômico" são "títulos da dívida pública" não constituindo tributo ou contribuição administrados pela RFB; d) ato contínuo a DIORT/DERAT/RJO em 31/01/2008 elaborou representação fiscal (fls. 28/29) com o objetivo de que "na forma do §5º do artigo 31 da IN SRF nº 600/2005, seja promovido o lançamento de ofício da multa isolada prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 (com redação dada pela Lei nº 11.051/2004), sobre todos os débitos indevidamente compensados". e) com base nos dispositivos legais que regem a aplicação da multa isolada (Art.74, §12º, II, "c" e "e", e 44 da Lei nº 9.430/1996 com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 10.637/2002, 11.051/2004 e 11.488/2007); art. 9 da MP nº 2158 35; art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003 com as alterações introduzidas pela Lei 11.488/2007, art. 26 § 3º, VI e art. 31 § 1º, I, "h" e "j", §5º, I, e também no conteúdo do despacho decisório de fls. 31/38 inferese que, no presente caso, cabe a aplicação da Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 12898.001208/200914 Acórdão n.º 1801001.978 S1TE01 Fl. 202 3 multa isolada no percentual de 75% sobre o valor total dos débitos que seriam compensados, relacionados na Declaração de Compensação às fls 2, ou seja, sobre R$ 573.838, resultando na multa no valor de R$ 430.378,56. Além dos dispositivos citados e transcritos no Termo de Verificação Fiscal o auto de infração menciona no enquadramento legal o Art. 18 da Lei nº 10.833/2003 com redação dada pelas Leis nºs 11.051/2003 e 11.196/2005 e 11.488/2007. A DRJ manteve a multa formalizada nestes autos, reafirmando a impossibilidade de compensação utilizando créditos não tributários, e apontando os dispositivos legais que dariam lastro à cominação da sanção por compensação não declarada. Também rejeita as alegações fundadas em inconstitucionalidades supostamente existentes no bojo da autuação. Em recurso voluntário, vem aduzida a tempestividade do apelo, um resumo dos fatos, alegandose a ausência de requisito legal para a exigência de multa isolada, a violação ao princípio da legalidade tributária, a consequente nulidade da autuação, com o pedido de cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. De início, impende destacar que o mérito da compensação pleiteada e discutida no processo nº. 10768.003721/200691, não encontra espaço para debate nos presentes autos. Aqui, cabe apreciar a subsistência da multa isolada aplicada em função do indeferimento daquele pleito. Cabe, aqui, aferir a integridade jurídica da fundamentação adotada para constituir o crédito em tela, qual seja, a multa isolada por compensação não declarada, no percentual de 75%. São vários os precedentes desta Corte Administrativa que realizaram o cotejo das alterações veiculadas pela Lei nº. 11.051/04, por sobre o texto da Lei nº. 10.833/03, concluindo pela subsunção à regra do artigo 106, II, do CTN. É que a Lei nº. 11.051 criou, em 2004, a figura da compensação não declarada. Então, as compensações anteriores que haviam sido não homologadas, sem imputação penal, não deveriam sofrer qualquer punição, já que o caput do artigo 18, assim estatuiu. No entanto, considerando as datas do pleito por compensações punido nestes autos (julho de 2006), a redação vigente à época foi aquela instituída pela Lei nº. 11.196/2006: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 4 Art. 117. O art. 18 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. .................................................. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Notase que o § 4º acima transcrito tratou especificamente da compensação “não declarada”, disposta no inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei no 9.430/96, dentre os quais está a compensação com créditos de origens estranhas aos tributos administrados pela Receita Federal. O dispositivo contempla a possibilidade de aplicação da multa do inciso I, do artigo 44 da Lei 9.430 (75%), ou do percentual duplicado na forma do inciso II (150%), conforme o caso. Cabe destacar que dentre os julgados invocados pela recorrente, em suas razões ora apreciadas, todos versavam compensações anteriores à Lei nº. 11.196/05, quando, conforme tratado no presente voto, somente se aplicava multa isolada diante da constatação de ilícito penal. No entanto, como se lê na ementa de um desses julgados (Acórdão nº. 1401 000490), tal cenário perdurou até a edição da referida lei: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEINº11.051,DE2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051/04, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/05. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 12898.001208/200914 Acórdão n.º 1801001.978 S1TE01 Fl. 203 5 Portanto, há suporte jurídico para a aplicação da multa isolada, em seu patamar regulamentar (75%), sendo atinente à atividade administrativa vinculada à lei, a sua formalização em auto de infração, tal como procedido na espécie. Quanto às diversas citações doutrinárias e impugnações à multa isolada em comento, tudo a questionar os parâmetros postos em lei para a multa constituída nestes autos, nada há manifestar que caiba na competência deste E. Tribunal Administrativo, nos termos do Regimento e da Súmula CARF nº 2, que enuncia: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por fim, não se configura a nulidade arguida como suposta decorrência dos defeitos jurídicos suscitados pela recorrente. Além de não caracterizados tais defeitos, as nulidades no processo administrativo fiscal estão contempladas nos estritos liames do artigo 59 do Decreto 70.235/72, norma que sequer foi mencionada no recurso. O lançamento foi formalizado por autoridade competente, com fundamentação plena, concessão de contraditório e percorrendo o devido processo legal. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000739/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL. NÃO INCIDÊNCIA. CONCEITO DE SALÁRIO. NÃO INTEGRA A REMUNERAÇÃO. UTILIDADE. O Seguro de Responsabilidade Civil não está sob o campo de incidência de contribuição previdenciária, por não se amoldar ao conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº. 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL. NÃO INCIDÊNCIA. CONCEITO DE SALÁRIO. NÃO INTEGRA A REMUNERAÇÃO. UTILIDADE. O Seguro de Responsabilidade Civil não está sob o campo de incidência de contribuição previdenciária, por não se amoldar ao conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000739/200996 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.489 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL. Recorrente SCI ADMINISTRADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL. NÃO INCIDÊNCIA. CONCEITO DE SALÁRIO. NÃO INTEGRA A REMUNERAÇÃO. UTILIDADE. O Seguro de Responsabilidade Civil não está sob o campo de incidência de contribuição previdenciária, por não se amoldar ao conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 39 /2 00 9- 96 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000739/200996 Acórdão n.º 2402004.489 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de contribuições previdenciárias correspondentes a parte da empresa e ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT), incidentes sobre remunerações indiretas, não tributadas e não declaradas em GFIP, pagas sob a forma de fornecimento de seguro de responsabilidade civil de diretores empregados, conselheiros e administradores. Relatório Fiscal às fls. 65/68. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 186/197, que restou improcedente às fls. 263/271, sob os seguintes fundamentos: 1) Afirma a impugnante que de fato celebrou contrato de seguro de responsabilidade civil de administradores com a UNIBANCO AIG Seguros e Previdência com o intuito de cobrir perdas e danos decorrentes de possíveis reclamações apresentadas contra os administradores (conselheiros, diretores ou empregados da sociedade, no exercício regular das funções inerentes ao seu cargo ou posição), decorrentes da prática de atos danosos previstos e cobertos pelo seguro contratado; 2) Embora, a principio, possa se ter a impressão de que o valor do prêmio pago não se destina a remunerar o administrador pelo trabalho realizado, logo se percebe tratarse de um grande equivoco, pois sua função precípua é de proteger o patrimônio pessoal dos administradores por controvérsias legais derivadas da gestão da empresa; 3) Quando o administrador deixa de arcar com despesa de sua responsabilidade, ocorre um ganho financeiro, ou seja, há uma transferência de renda, pois ao não se responsabilizar pelo seguro, que visa proteger seu patrimônio pessoal, em um acréscimo patrimonial na forma de remuneração indireta; 4) Constitui fato gerador das contribuições lançadas o pagamento de prêmio de seguro de responsabilidade civil para administradores da impugnante, não merecendo prosperar as alegações da empresa; 5) Qualquer verba paga que não esteja expressamente arrolada no § 9°, do art. 28 da Lei n° 8.212/91, em seu Regulamento ou outro ato expedido pela administração previdenciária constituirseá em base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social; 6) Também não procedem as alegações de que as parcelas mencionadas foram pagas aos empregados PARA a prestação do trabalho, e não PELA prestação do trabalho, uma vez que a natureza das verbas pagas pela Fl. 318DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 impugnante, relativas a despesas pessoais de seus administradores, não correspondem a parcelas necessárias e/ou indispensáveis para a realização do trabalho; 7) Por falta de previsão legal, indeferese o pedido da defesa no sentido de que todas as intimações sejam feitas exclusivamente em nome e no endereço de seu Procurador, vez que este não é o domicilio fiscal eleito pelo sujeito passivo junto à administração tributária; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 275/285 alegando, em síntese: 1) O seguro, em verdade, se assemelha a uma ferramenta disponibilizada pela Recorrente cuja finalidade é auxiliar qualquer administrador vinculado a ela para o trabalho a ser realizado; 2) A CLT trás expressamente, em seu art. 458, §2º, a exclusão tanto do seguro de vida como da previdência privada do conceito de remuneração. Assim, chegase a conclusão de que o seguro de responsabilidade civil, por ser um contrato de seguro, cujo efetivo benefício será revertido em favor da própria empresa, na medida em que se faz necessário para a execução da própria função ou cargo, também está excluído do conceito de salário utilidade; 3) O seguro de responsabilidade civil não pode ser considerado salário utilidade ou indireto, já que tal concessão constitui elemento essencial a execução das obrigações inerentes ao desempenho da função daquele que se beneficiará com eventual ocorrência do sinistro contratado, ou seja, tal benefício é concedido para o trabalho e não pelo trabalho; 4) Não existe previsão expressa de que o referido seguro integra a remuneração indireta. Portanto, ao não prever pagamento de prêmios de seguro de responsabilidade civil provenientes de contratos de seguros, é de se concluir pela exclusão de tal seguro do conceito de remuneração indireta e, por conseqüência, da base de cálculo da referida contribuição; 5) O seguro por responsabilidade não é uma remuneração e muito menos se destina a retribuir o trabalho. Ele nada mais é do que uma ferramenta que auxilia o administrador para a prestação do trabalho. A hipótese tratada, em verdade, é de não incidência tributária; Por fim, a Recorrente requereu o cancelamento do débito fiscal ora reclamado. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000739/200996 Acórdão n.º 2402004.489 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Relator Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Sem preliminares. No Mérito Tratase de autuação decorrente do não recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os valores que o sujeito passivo pagou ao seguro de responsabilidade civil em favor de seus sócios administradores, diretores, conselheiros e empregados, nas competências 08/2004 e 12/2004. O seguro de responsabilidade civil, contratado junto à Unibanco AIG Seguros, conforme apólice nº 1020000618, anexada aos autos às fls. 225/255, garante o reembolso das quantias pelas quais o segurado, no caso os funcionários, possa vir a ser responsabilizado civilmente em decorrência de danos causados a terceiros. Conforme fls. 233, o objeto do seguro é o “pagamento, a título de perdas e danos, devido a terceiros pelo segurado, em decorrência de ato ou fato, pelo qual seja responsabilizado, reclamado e/ou notificado durante o período de vigência da apólice, ou, quando expressa e contratualmente previsto, em data anterior compreendida no período de retroatividade de cobertura, desde que o segurado tenha comunicado a seguradora durante o período de vigência do seguro e que o terceiro tenha a ele apresentado sua reclamação, durante a vigência da apólice ou durante o período complementar ou suplementar se adquirido pelo segurado”. Com relação à indenização dos administradores e reembolso à sociedade, temse que “a Seguradora pagará pelas Perdas e Danos de cada Segurado decorrentes de Reclamação apresentada pela primeira vez contra o Segurado durante o Período de Vigência, a qual seja resultante da prática de qualquer Ato Danoso pelo Segurado em decorrência de sua condição de Conselheiro, Diretor ou empregado da Sociedade, desde que a Sociedade tenha previamente indenizado o Segurado pelas referidas Perdas e Danos” (fls. 233). As contribuições previdenciárias devem incidir sobre todas as verbas creditadas aos empregados que possuam natureza salarial. Logo, não há que se falar em incidência de tal exação sobre verbas de natureza diversa, aí se inserindo verbas indenizatórias, assistenciais e previdenciárias, conforme disciplina a Constituição Federal. Tais verbas podem assumir natureza salarial ou não, a depender da sistemática de seu pagamento, motivo pelo qual, para se saber qual a sua efetiva natureza, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 indispensável a análise de tal sistemática. Portanto, para definir se uma verba possui ou não natureza jurídica salarial, é mister que se avalie as suas características. De acordo com o artigo 22 da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. O dispositivo indigitado prescreve a regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal. A mensuração do quantum debeatur é determinada pela conjugação de prescrições lógica e cronologicamente concatenadas, que ao final revelam o arquétipo do aspecto quantitativo previsto na norma geral e abstrata instituidora do tributo: a) A primeira parte do dispositivo determina que a base de cálculo é o valor da remuneração auferida, compreendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados; b) A segunda determina que apenas os valores destinados a retribuir o trabalho devem ser oferecidos à tributação; O primeiro comando tem espectro mais abrangente que o segundo. Em considerado isoladamente, interpretação que com frequência induz ao erro, representaria a tributação de quaisquer remunerações pagas aos segurados a serviço do empregador. Entretanto, a segunda determinação promove um corte no alcance normativo, prescrevendo expressamente que apenas a remuneração destinada à retribuição da atividade laborativa integra a base de cálculo do tributo. A necessária relação de inerência entre a materialidade do tipo e a base de cálculo impõe a harmonização dos critérios a fim de garantir a integridade normativa. De acordo com as lições de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo afirma, confirma ou infirma a hipótese tributária. Afirma quando elucida. Confirma quando reflete. E infirma quando diverge e sobre a mesma prevalece. “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída na consequência da regramatriz tributária, e que se destina, primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária. Paralelamente, tem a virtude de confirmar, infirmar ou afirmar o critério material expresso na composição do suposto normativo. A versatilidade categorial desse instrumento jurídico se apresenta em três funções distintas: a) medir as proporções reais do fato; b) compor a específica determinação da dívida; e c) confirmar, infirmar ou Fl. 321DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000739/200996 Acórdão n.º 2402004.489 S2C4T2 Fl. 5 7 afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma. (...) A grandeza haverá de ser mensuradora adequada da materialidade do evento, constituindose, obrigatoriamente, de uma característica peculiar ao fato jurídico tributário. Eis a base de cálculo, na sua função comparativa, confirmando, infirmando ou afirmando o verdadeiro critério material da hipótese tributária. Confirmando, toda vez que houver perfeita sintonia entre o padrão de medida e o núcleo do fato dimensionado. Infirmando, quando for manifesta a incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que o legislador declara como a medula da previsão fática. Por fim, afirmando, na eventualidade de ser obscura a formulação legal, prevalecendo, então, como critério material da hipótese, a ação tipo que está sendo avaliada.”1 Tratase no caso em análise da base de cálculo em sua função infirmadora, na medida em que adiciona conteúdo de materialidade ao antecedente normativo, preenchendo o complemento do verbo previsto no descritor. 2 A hipotética dissonância interna não prejudica a apreensão do comando determinado, posição que sigo acompanhado de Alfredo Becker: “O critério de investigação da natureza jurídica do tributo, que se mostrará ser o único verdadeiramente objetivo e jurídico, parte da base de cálculo para chegar ao conceito de tributo. Este só poderá ter uma única base de cálculo.” 3 Não se trata de hipótese de não incidência legalmente qualificada, operada em momento subsequente à determinação da base (isenção), mas da instituição originária dos contornos mensurativos do tipo. A restrição à tomada da remuneração na completude de sua acepção linguística realiza corte intraconceitual que cria a definição legal de quais dinheiros integram a base imponível. Essa base é necessariamente composta pela relação binária indigitada. Passo a analisar o conteúdo semântico dos termos empregados. O direito tributário é sobrelinguagem ou linguagem de sobrenível4, buscando o conteúdo de seus termos em outros tipos de linguagens, positivadas ou não. Essa proposição foi normativamente introduzida pelo art. 123 do Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 20ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 363/364 2 Considerando a análise da acepção lógica da estrutura vazia da materialidade [verbo + complemento]. 3 Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, p. 339. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Edição. São Paulo: Noeses, 2009. p. 190/192. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. O conceito de remuneração é buscado da legislação trabalhista. Conforme art. 457 da CLT: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Grifo nosso) Assim, ainda que a referência à necessidade de contraprestação não fosse veiculada pelo art. 28 da lei 8.212/91, sua observância é imperativa também por força do conceito trabalhista de remuneração. A dupla prescrição pode derivar de falha técnica legislativa. Prefiro entendêla como reforço a uma forte vontade do legislativo no sentido da realização do Valor vetorizado na norma, qual seja, o primado do trabalho. Reduzindo a proposição prescritiva à sua estrutura mínima de conteúdo semântico, é forçoso entender que: Dessa forma, independente do que se entenda por salário, o mesmo só integrará o conceito de remuneração se e somente se for pago em contraprestação pelo trabalho. A única exceção a essa regra são as gorjetas recebidas. Tornase seguro afirmar que remuneração é qualquer valor pago ao segurado, desde que em contraprestação pelo trabalho. Resta determinar o conceito de contraprestação pelo trabalho. A contraprestação deriva da relação direta entre a paga e o exercício efetivo da atividade laborativa. Não ocorre de maneira genérica, mediata, mas específica e imediata. A presença do elemento trabalho é condição necessária para o nascimento da obrigação tributária. Todo exercício de competência tributária por via da criação de norma geral e abstrata tem um sentido positivo e um negativo5. O sentido positivo concede ao Sujeito Ativo da Relação Jurídica Tributária um poderdever de exigir o tributo exatamente pelos contornos normativamente traçados (princípio da tipicidade cerrada). Já o sentido negativo proíbe a invasão do patrimônio do contribuinte fora desses contornos, sob pena de ofensa à legalidade, representando de outra mão um direito do contribuinte. Acerca da legalidade e de da estrita legalidade, ensina Roque Antonio Carrazza: 5 Derivação das lições de Amílcar de Araújo Falcão. Direito Tributário Brasileiro. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000739/200996 Acórdão n.º 2402004.489 S2C4T2 Fl. 6 9 “O tipo tributário (descrição material da exação) há de ser um conceito fechado, seguro, exato, rígido, preciso e reforçador da segurança jurídica. A lei deve, portanto, estruturálo em numerus clausus; ou, se preferirmos, há de ser uma lei qualificadora ou Lex stricta. Em síntese, tudo o que é importante em matéria tributária deve passar necessariamente pela lei da pessoa política competente. (...) Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abastratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do princípio da legalidade. Convém lembrar que são “elementos essenciais” do tributo os que, de algum modo, influem no na e no quantum da obrigação tributária. (...) Deve, pois, a base de cálculo harmonizarse com a hiótese de incidência do tributo. É que, como é sabido e consabido, o que distingue um tributo do outro é seu binômio hipótese de incidência/base de cálculo. (...) a manipulação da base de cálculo pelo Fisco, acaba fatalmente alterando sua regramatriz constitucional, deixando o contribuinte sob o guante da insegurança.” 6 Isso significa que o contribuinte tem o direito de não ser tributado sobre a remuneração que não depende do exercício do trabalho para sua fruição (inexistência de contraprestação). Hipótese contrária significa o alargamento da base de cálculo legal para alcançar valores fora da materialidade normativa. Remuneração para o trabalho e pelo trabalho Um dos mecanismos para segregação das verbas que pertencem à base de cálculo das contribuições sociais reside na diferenciação entre os conceitos de remuneração pelo trabalho para o trabalho, que, embora próximos, não se confundem. Enquanto que o primeiro é o objetivo almejado pelo prestador de serviços na relação de emprego, o segundo consubstancia os meios e instrumentos necessários à realização do objeto principal. A origem da palavra salário remonta ao latim salarium, derivado de salis – sal, pela freqüência com que os legionários o recebiam como soldo. Essa paga, entretanto, não se confunde com salário in natura, pois era usado como moeda na Roma antiga. O sal era remuneração por contraprestação pelo trabalho. Já os elmos, gládios, armaduras e sandálias representavam remuneração para o desempenho da função. Hoje, os valores despendidos com vestimentas de uso obrigatório, transporte, alimentação, etc, não são o objeto nuclear do contrato do contrato de trabalho, nem o retribuem. São acessórios em relação ao objeto principal, razão esta pela qual o negócio jurídico foi firmado. 6 Curso de Direito Constitucional Tributário. Saraiva. 2006. p. 249252. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 O conceito de remuneração alberga os valores pagos pelo empregador como contraprestação pelo trabalho realizado. O exercício do trabalho, entretanto, é fato central em torno do qual orbitam outras relações apêndices, necessárias à manutenção das estruturas sociais que sustentam o sistema escolhido pela sociedade de contexto como o mais adequado à persecução de seus fins. O contínuo processo de racionalização das estruturas produtivas tem como resultado, por exemplo, a normatização protecionista do empregado no que tange às condições ambientais do trabalho, à privatização de parcela da proteção social assistencialista (cujo ônus entregase aos empregadores) e a necessidade de investimentos no bemestar social genérico dos empregados, do que são reflexos as obrigações pactuadas nos instrumentos coletivos de trabalho. Nesse contexto, o custeio do transporte do empregado entre sua residência e o local de trabalho, o fornecimento de uniformes, equipamentos de proteção, as diárias de viagens, os reembolsos de despesas, entre outros, são investimentos necessários por força de lei ou instrumentos particulares. Esses investimentos têm como objetivo a proteção do empregado. Entretanto, tais dispêndios não se enquadram no conceito de remuneração tal como o prescrito pela norma instituidora da contribuição patronal. Assim porque tais valores não consubstanciam contraprestação pelo trabalho realizado, mas fornecem as condições necessárias ao desempenho da função. Nesse contexto a remuneração é chamada para o trabalho. Com efeito, o acréscimo patrimonial auferido pelo empregado cedente de serviços em prol do empregador deve ser líquido dos ônus necessários à sua prestação em decorrência da normatização a que se sujeitam as partes. Por contrário, seu ganho seria dilapidado pelas despesas inerentes à persecução do objeto da relação jurídica por condições metacontratuais, quais sejam, as obrigações de proteção. Assim, a remuneração para o trabalho é ônus a ser suportado para auferimento da remuneração pelo trabalho, este o efetivo direito do empregado por decorrência do contrato laboral. Tributar a remuneração para o trabalho implica no desvio da intentio legis, afetando parcelas supostamente remuneratórias que não guardam relação de identidade com o conteúdo material da hipótese normativa. Extrapolao. Ultrapassa os contornos do campo de incidência para afetar eventos que não refletem o descritor normativo, fazendo tabula rasa do princípio da legalidade. De acordo com o magistério de Maurício Godinho Delgado7: “Não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido pelo empregador ao empregado como meio de tornar viável a própria prestação de serviços. (...). Também não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido como meio de aperfeiçoar a prestação de serviços. (...)” 7 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. São Paulo: LTR, 2009, p. 671. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.000739/200996 Acórdão n.º 2402004.489 S2C4T2 Fl. 7 11 A questão é matéria da Súmula 367 do Tribunal Superior do Trabalho: UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. (exOJ nº 24 da SBDI1 inserida em 29.03.1996) (TST. Súmula 367) Enfim, sempre que a atividade desempenhada tiver natureza instrumental, servindo de meio para a efetiva prestação de serviços (objeto principal do contrato de trabalho), os valores recebidos não refletirão o conceito de remuneração legalmente qualificada para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias. Resumo no seguinte quadro sinótico: No caso em tela, a fiscalização interpretou como verba de caráter remuneratório o seguro mantido pela empresa contribuinte em favor de seus administradores para casos em que estes sejam pessoalmente responsabilizados por danos decorrentes de sua própria atividade. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Fato é que, conforme se observa dos autos, o seguro é garantido pela empresa Recorrente para viabilizar o exercício da função de seus administradores. Somente com esta segurança é que os administradores e gestores têm a possibilidade de buscar os melhores resultados possíveis em favor da empresa. Tratase, portanto, de remuneração para o trabalho, na medida em que sem benefício desta ordem e diante de toda a legislação que atualmente tem por fundamento a responsabilização dos gestores na tentativa de impedir o cometimento de atos ilícitos, tornase cada vez mais difícil a contratação de profissionais dispostos a gerir empresas justamente pelo risco de serem pessoalmente responsabilizados por atos que, por vezes, têm o condão de melhorar a atividade empresarial como um todo. Os gestores / administradores não recebem o seguro de responsabilidade por terem prestado o serviço. Eles recebem o benefício do seguro para que possam prestar o serviço da forma mais satisfatória possível para a empresa administrada. Evidenciase, ainda, aspecto por demais relevante: a verba a que se faz referência diz respeito à circunstância que, não necessariamente, será experimentada pelo beneficiário. Ou seja, o direito subjetivo objeto do contrato de seguro pode nunca materializar se em seu conteúdo econômico, permanecendo latente até sua extinção. Por essa razão, se – e somente se – considerássemos a hipótese de incluir seguro dessa natureza na base de cálculo das contribuições, teríamos como fato imponível o pagamento do prêmio ao administrador no momento em que constatado o sinistro, o que não ocorreu no caso dos autos. Entender o contrário é admitir a incidência sobre um ganho potencial, o que vai de encontro ao princípio da Equidade na participação do Custeio, informador da espécie tributária em análise. Assim, temse que os valores destinados ao pagamento do seguro de responsabilidade civil não possuem natureza salarial, de sorte que sobre eles não deve incidir contribuição previdenciária. Tais verbas não remuneram qualquer serviço prestado pelo empregado. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário e a ele DAR PROVIMENTO nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.721217/2012-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. No casos dos autos, a autoridade fiscal não apontou indícios em desfavor dos documentos apresentados.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. No casos dos autos, a autoridade fiscal não apontou indícios em desfavor dos documentos apresentados. Recurso voluntário provido.
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. No casos dos autos, a autoridade fiscal não apontou indícios em desfavor dos documentos apresentados. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 12 17 /2 01 2- 61 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2010, anocalendário 2009, decorrente de glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$15.500,00, por falta de comprovação da efetividade dos pagamentos por meio de cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos. Na impugnação, a contribuinte alegou que realizou as despesas médicas como comprovadas com documentos de fls. 12/25. Baseada no caput e §1º do art. 73 do RIR1999 e na falta de comprovação do efetivo pagamento, a decisão de primeira instância indeferiu a impugnação, fazendo constar que os documentos apresentados são os mesmos já analisados, e outros, que não fazem prova do efetivo pagamento nos termos exigidos por meio da intimação de fls. 12. A ciência do acórdão ocorreu em 09/11/2012 (sextafeira) e o recurso voluntário foi interposto no dia 10/10/2012, reiterando o apelo quanto à realização das despesas e acrescentando Guia emitidas por SASSOM, referentes ao período de janeiro de 2008 a 17/11/2011, demonstrativos de consultas e exames realizados, objetivando comprovar o seu real estado de saúde e necessidade de tratamento; juntou ainda cópia da Ficha de Rendimentos Recebidos de pessoas físicas da Declaração de Ajuste Anual da profissional Renata Zanirato Lizarelli, e alegou que Maria Gabriela Freire Nogueira era isenta no período. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A motivação da glosa consta às fls. 9, a falta da comprovação da efetividade dos pagamentos por meio de cheques nominativos coincidentes em datas e valores ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos, na data da realização dos mesmos; para a autoridade fiscal a prova irrefutável seria possível mediante a apresentação de cópias de cheques ou extratos bancários e a contribuinte deve ter em conta que os recibos não fazem prova contra terceiros e diante de alto valor de pagamento comparado ao que medianamente de observa, deveria ter tido maiores cuidados em guardar a prova da efetividade dos pagamentos. Essa fundamentação foi ratificada em primeira instância com amparo no art. 73 do RIR1999 e na falta de comprovação nos termos da intimação fiscal (fls. 12). O total glosado corresponde a : a) Renata Zanirato Lizarelli (odontologia) R$8.000,00 (fls. 18; 20/22); e Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.721217/201261 Acórdão n.º 2802003.271 S2TE02 Fl. 65 3 b) Maria Gabriela Freira Nogueira (fisioterapia), R$7.500,00 (fls. 13/17 e 23/25). A intimação fiscal (fls. 12) demonstra que a autoridade lançadora sequer exige apresentação de recibos ou notas fiscais, podese concluir que partiu da premissa de que esses documentos não provam pagamento das despesas médicas. Qual o mínimo indício apontado para desabonar os recibos e a nota fiscal apresentada? Nenhum. Ainda que no lançamento (fls. 9) tenha sido assinalado que o (sic) contribuinte deve ter maiores cautelas quando se trata de valores altos em comparação com o que medianamente se observa, essa observação teve uma característica genérica e abstrata, sem a mínima vinculação a algum dado concreto dos autos. A partir das exigências fiscais, a contribuinte buscou trazer uma série de documentos, tais como declaração de médico (fls. 19), ficha de avaliação da fisioterapeuta (fls. 23/25), exames de RX odontológico (fls. 22/25), guias de atendimento médico (fls. 47 e ss.). È certo que esses documentos não fazem prova de pagamento, mas isso não autoriza a glosa. A prova de pagamento se deu com os recibos, esses outros documentos vêm a reforçar a existência de tratamentos de saúde. A recorrente apresentou também (fls. 46) cópia da Declaração de Ajuste Anual da odontóloga Renata Lizarelli, relativamente aos rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas. Se as autoridades lançadora e julgadora de primeira instância não apontaram vícios nos recibos, não cabe nessa instância recursal averiguar a regularidade formal dos mesmos. O acórdão recorrido fundamentase no 73 do RIR 1999 quanto ao rigor probatório Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, §3 º ). §1 º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n º 5.844, de 1943, art. 11, §4 º ). §2 º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, §5 º ). Esse dispositivo não pode ser interpretado dissociado de sua matriz legal, o DecretoLei nº 5.844, de 1943, e do art. 845 do mesmo Regulamento. É fato que o referido DecretoLei estabelece que “Tôdas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”, assim como lá está escrito que “Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 ou se tais deduções não forem cabíveis, de acôrdo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte”. Por outro lado, é igualmente certo que o mesmo DecretoLei, ao disciplinar os procedimentos para o lançamento de ofício no seu art. 79, §1º dispõe que “Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão”. (grifos acrescidos) Além disso, o texto do Decretolei deve ser interpretado com base no ordenamento jurídico instaurado com a Constituição de 1988, notadamente quanto ao sentido da expressão “a juízo da autoridade lançadora”. Essa matéria foi inserida no RIR1999 em Capítulos diversos: a) O Capítulo I – Das deduções contém o art. 73; e b) O Capítulo IV – Do lançamento , o §1º do art. 845 é que trata da revisão das declarações. Quais seriam os elementos seguros de prova, ou indícios veementes da falsidade ou inexatidão dos recibos? Não foram apontados. Não há uma diferença entre provar pagamento e provar a efetividade do pagamento. Ou se prova o pagamento ou não se prova. Em casos desta natureza, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito dever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço. A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo Fisco como pelo contribuinte. Assim, por não haver elementos seguros que desabonem os documentos apresentados pelo recorrente, não há razão para glosar as deduções pleiteadas. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11850.000035/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/05/2008
INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA FORMA E PRAZO DETERMINADOS PARA REGISTRO DE CARGA PROCEDENTE DO EXTERIOR NO SISTEMA MANTRA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
O descumprimento da forma e prazo determinados na IN SRF n° 102/94 para registro no Sistema Mantra de carga procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/05/2008 INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA FORMA E PRAZO DETERMINADOS PARA REGISTRO DE CARGA PROCEDENTE DO EXTERIOR NO SISTEMA MANTRA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O descumprimento da forma e prazo determinados na IN SRF n° 102/94 para registro no Sistema Mantra de carga procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. Recurso Voluntário Negado.
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APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O descumprimento da forma e prazo determinados na IN SRF n° 102/94 para registro no Sistema Mantra de carga procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 00 35 /2 00 8- 10 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000035/200810 Acórdão n.º 3801005.301 S3TE01 Fl. 127 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente à multa por deixar de prestar informação sobre carga, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Conforme se depreende da leitura do Termo de Constatação Fiscal (fls. 06/07), em 28/01/2008, a companhia aérea informou no sistema Mantra a chegada de um volume no vôo GEC8270, amparado pelo Conhecimento Aéreo HAWB 020.8175.4260.3LM9106. Todavia, referido volume somente chegou no vôo GEC8270, em 03/02/2008, desacompanhado de qualquer documentação. No intuito de regularizar a situação, em 07/02/2008 a transportadora solicitou a apropriação do volume vinculado a Documento Subsidiário de Identificação de Carga (DSIC) ao Conhecimento de Carga acima citado. Considerando, assim, que as informações sobre a carga discriminada foram prestadas em desacordo com as normas estabelecidas pela IN/SRF n° 102/94, a fiscalização aplicou a multa prevista pela alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei n° 37, de 1966. Cientificada do lançamento em 22/07/2008, a contribuinte apresentou impugnação em 20/08/2008 (fls. 19/59), alegando em síntese que; a) como é sabido, no transporte aéreo intemacional de cargas, o agente de cargas, no exterior, é a pessoa responsável pela consolidação dos HAWB's num Conhecimento de Carga Máster e pela entrega à Companhia Aérea responsável pelo transporte dessas mercadorias, já devidamente acondicionadas nas embalagens, e de seus respectivos Conhecimentos de Carga; b) fica evidente, assim, que a Companhia Aérea de Transporte Intemacional informa à Receita Federal os dados das cargas que estão sendo transportadas, com base nas informações a ela passadas pelo Agente de Cargas no exterior; c) à Companhia Aérea, via de regra, não é possivel conferir se os volumes informados pelo Agente de Cargas como transportados naquele vôo, estão de fato dentre as embalagens entregues ao transportador; d) no caso em discussão, a impugnante cumpriu seu dever, a uma, quando informou no Sistema Mantra os dados da carga que seria transportada no primeiro vôo, como a ela informado Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000035/200810 Acórdão n.º 3801005.301 S3TE01 Fl. 128 3 pelo Agente de Cargas; e, a duas, quando, ao tomar ciência de que parte da carga de fato só veio no segundo vôo, tomou de forma diligente todas as providências no sentido de regularizar a situação da carga, entregando à Receita Federal todas as informações necessárias a esclarecer que, a carga que, segundo o Agente de Cargas, seria em sua totalidade transportada no primeiro vôo, de fato, foi enviada em parte no primeiro vôo e, o restante, no segundo vôo; e) logo, a impugnante não deve ser penalizada, justamente por ter prestado as informações sobre a carga, na medida em que solicitou sua apropriação para que fosse corrigido o erro de informação gerado pelo Agente de Cargas; Í) a situação relatada no auto de infração não implicou embaraço à fiscalização nem trouxe qualquer prejuizo ao Erário, visto que foram recolhidos todos os tributos devidos e a carga foi devidamente desembaraçada por AuditorFiscal; g) requer, assim, seja anulado o lançamento, mormente em face da desproporcionalidade e falta de razoabilidade na aplicação da multa, o que a toma injusta e inconstitucional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/05/2008 Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela INSRF n° 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando que: Houve inobservância aos princípios da legalidade, razoabilidade e da proporcionalidade quanto ao prazo estipulado e a aplicação de penalidade na razão de R$ 5.000,00 pela incorreção na informação de dados de chegada de volume; Da inexistência de dano ao erário e da aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000035/200810 Acórdão n.º 3801005.301 S3TE01 Fl. 129 4 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000035/200810 Acórdão n.º 3801005.301 S3TE01 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta na IN SRF no. 102/94: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 102/94, norma complementar que trata dos procedimentos de controle aduaneiro de carga aérea procedente do exterior e de carga em trânsito pelo território aduaneiro., assim dispunha em seu art. 4º: Art. 4º A carga procedente do exterior será informada, no MANTRA, pelo transportador ou desconsolidador de carga, previamente à chegada do veículo transportador, mediante registro: I da identificação de cada carga e do veículo; II do tratamento imediato a ser dado à carga no aeroporto de chegada; III da localização da carga, quando for o caso, no aeroporto de chegada; IV do recinto alfandegado, no caso de armazenamento de carga; e V da indicação, quando for o caso, de que se trata de embarque total, parcial ou final. § 1º As informações sobre carga procedente do exterior serão apresentadas à unidade local da SRF que jurisdiciona o local de desembarque da carga. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000035/200810 Acórdão n.º 3801005.301 S3TE01 Fl. 131 6 § 2º As informações prestadas posteriormente à chegada efetiva de veículo transportador dependerão de validação pelo AFTN, exceto nos casos de que tratam o parágrafo seguinte e o art. 8º. § 3º As informações sobre carga poderão ser complementadas através de terminal de computador ligado ao Sistema: § 3º Os dados sobre carga já informada poderão ser complementadas através de terminal de computador ligado ao Sistema: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) I até o registro de chegada do veículo transportador, nos casos em que tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e II até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador. § 4º Nos casos de embarque parcial, sua totalização deverá ocorrer dentro de quinze dias seguintes ao da chegada do primeiro embarque. (Grifado) O art. 4º da norma complementar retrocitada estabelece que a carga procedente do exterior deverá ser informada, no MANTRA, que é o sistema de controle informatizado de cargas, pelo transportador ou desconsolidador de carga, previamente à chegada do veículo transportador e os seus incisos de I a V de que forma deverá ser registrada. No caso em tela, conforme relatado, em 28/01/2008, a companhia aérea informou no sistema Mantra a chegada de um volume no vôo GEC8270, amparado pelo Conhecimento Aéreo HAWB 020.8175.4260.3LM9106. Todavia, referido volume somente chegou no vôo GEC8270, em 03/02/2008, desacompanhado de qualquer documentação. O que houve é que o transportador ao registrar a carga no primeiro vôo não indicou que se tratava de um embarque parcial, o que gerou a divergência de peso e volumes. Tal informação poderia ser complementada conforme prevê o § 3º do art. 4º da IN SRF n° 102/94, nos prazos ali previstos, o que não ocorreu. Já o segundo vôo a referida carga chegou sem documentação, ensejando a emissão de documento subsidiário de identificação de carga DSIC pelo depositário, a teor do disposto no art. 7º da IN/SRF n° 102/94. Assim, se houve o descumprimento da forma e prazo determinado na referido preceito normativo para registro de carga procedente do exterior, indubitavelmente, consumou se a conduta infratora prevista determinada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000035/200810 Acórdão n.º 3801005.301 S3TE01 Fl. 132 7 Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação a alegação de aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, o meu entendimento é de que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no MANTRA, sistema de controle informatizado de cargas, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, o que implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13002.000751/2009-02
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2010
NULIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS.
No sistema de nulidades dos atos administrativos, é uníssono o entendimento na doutrina e na jurisprudência de que, somente se havendo vício nos requisitos de validade do ato administrativo- competência, finalidade, forma, motivo e objeto - deve ser reconhecida a nulidade absoluta do ato, impondo a restauração do status quo ante.
Numero da decisão: 1803-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ATO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS. No sistema de nulidades dos atos administrativos, é uníssono o entendimento na doutrina e na jurisprudência de que, somente se havendo vício nos requisitos de validade do ato administrativo competência, finalidade, forma, motivo e objeto deve ser reconhecida a nulidade absoluta do ato, impondo a restauração do status quo ante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 07 51 /2 00 9- 02 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 134 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fls. 1213, com a exigência do crédito tributário no valor de R$10.000,00 a título de multa de ofício isolada por dois meses de atraso na entrega em 28.10.2009 da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF) do primeiro semestre do ano calendário de 2009, cujo prazo final era 31.08.2009. Consta na Descrição dos Fatos e no Enquadramento Legal: A entrega da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira Dimof fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mêscalendário ou fração de atraso.. [...] Arts. 16 da Lei nº 9.779/99, 30 da Lei n° 10.637/02 e 7° da Instrução Normativa RFB nº 811/08. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fl. 02, com as alegações a seguir transcritas: I OS FATOS A empresa acima citada, por um lapso, deixou de entregar, no prazo estabelecido, a DIMOF Declaração de Informações Sobre Movimentação Financeira II A CONCLUSÃO A vista do exposto, a empresa, vem respeitosamente, pedir a revisão da multa, por cobrança abusiva anatocismo. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 45.621, de 21.08.2013, fls. 6065: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO DE ENTREGA. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital, o atraso no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. A lei nova aplicase a ato ou fato não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 135 3 Foi proferido novo Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0947.679, de 06.11.2013, fls. 7682, em cuja ementa consta: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO DE ENTREGA. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação da declaração, o atraso no cumprimento dessa obrigação acessória implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, decaindo seu direito, quando decorrer efeito favorável para o destinatário, no prazo de cinco anos, contados da data em que foram praticados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 18.11.2013, fl. 92, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.12.2013, fls. 94108, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita que a o depósito recursal não é mais exigido (Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 9, de 05 de junho de 2007). Defende a tese de que a apresentação regular da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Procura demonstrar que devem ser observados os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório (incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal). Acrescenta: 2 DA NULIDADE DO SEGUNDO JULGAMENTO REALIZADO PELA 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE REGIONAL DE JULGAMENTO DE JUIZ DE FORA (MG) A impugnação foi julgada parcialmente procedente em agosto de 2013 (acórdão 0945.621) e sem qualquer previsão legal o mesmo órgão julgador (2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG) revisou o acórdão proferido alterando o posicionamento anterior, que já tinha inclusive produzido efeitos através do pagamento realizado em 09/09/2013. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 136 4 O Decreto 70.235/72 regula o processo administrativo fiscal e em nenhum momento prevê a revisão de julgamento pelo mesmo órgão. O art. 25 trata dos julgamentos e prevê a análise em primeira instância pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento e em segunda instância pelos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais, inclusive em casos de decisão favorável ao contribuinte é previsto o recurso de ofício, que vai à segunda instância de julgamento, e o art. 36 inclusive veda pedido de reconsideração, o que demonstra que não há nenhuma possibilidade de nova análise pelo mesmo órgão de julgamento. O processo administrativo deve obedecer ao devido processo legal [...] e assim as normas de amplo acesso, isonomia e contraditório, e que não foi verificado no caso em tela. Nestes sentido requer a declaração de nulidade do acórdão 0947.679, com a manutenção do acórdão 0945.621 que determinou a aplicação da multa no valor de R$1.5000,00 (um mil e quinhentos reais), já recolhidos ao Fisco. 3 — DA RETROATIVIDADE BENIGNA Subsidiarimente, caso não seja declarado nulo o acórdão recorrido, apresentamos a tese de aplicação de norma menos gravosa ao contribuinte mesmo quando editada posteriormente ao lançamento fiscal. O Código Tributário Nacional em seu art. 106, II, V, prevê a retroatividade de norma favorável ao contribuinte [...]. No caso em tela estão presentes todos estes requisitos. O contribuinte foi autuado em R$5.000,00 [...] por mêscalendário no atraso de declaração com base na Lei nº 10.637/2002. A multa apresentase como penalidade a infração, não foi acarretada por ação ou omissão fraudulenta, que visasse ou resultasse em falta de pagamento de tributo e temos nova norma que prevê penalidade menos severa. Posteriormente a lavratura do auto de infração no entanto tivemos alterações legislativas prevendo reduções de multas de R$5.000,00 [...] por mêscalendário para R$1.500,00 [...] por mêscalendário, [...]. Assim não restam dúvida, quanto a conduta do contribuinte que em pese atrasar na declaração de informações, não trouxe qualquer prejuízo ao Erário, eis que foi cumprida espontaneamente e conforme a aplicação da retroatividade benigna deve se beneficiar da alteração legislativa que implementou norma mais benéfica que em casos semelhantes reduziu a multa pela atraso de declaração de R$5.000,00 para R$1.500,00,00 por mês calendário de atraso. Desta forma deve ser reduzida a multa para R$1.500,00 por mêscalendário com aplicação do art. 57 da Lei nº 12.873/2013, conforme aplicação do art. 106, II, "c" do CTN . 4 DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Além das Ilegalidades até então arroladas, que determinam a total improbidade da das multas exigidas, ainda existe o fato do Estado impor, tanto na constituição como na formalização de débitos fiscais, parcelas que a muito vem sendo consideradas totalmente ilegais. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 137 5 Apresentase a total ilegalidade, porque caracteriza confisco, da cobrança de multas acima do percentual de 20%. Uma multa desproporcional, além de caracterizar confisco, de tão distante do caráter educativo e punitivo que deveria ter, pode levar a Autora a uma condição de total impossibilidade de cumprir com suas prerrogativas causando sérios danos a sociedade. Este conceito de confiscatoriedade de multa oriunda da desproporcionalidade, inclusive, guarda justificativa histórica, motivo pelo que, além de trazer à baila o Código de defesa do Consumidor, trazse à memória a Constituição Federal de 1934, passando, logo após, a analisar a questão à luz da Constituição Federal de 1988, bem como dos princípios e da jurisprudência desta emanados. Multa Confiscatória e o STF ADIN N° 551/PJ 1991 O entendimento do Supremo Tribunal Federal não é diferente. Neste sentido, é importante trazer à baila a ADIN n° 551/RJ, julgada aos vinte dias do mês de setembro do ano de 1991, de forma que indispensável reportarse a este importante julgado, tanto pelo fato de se tratar de decisão do órgão máximo do Poder Judiciário, como pelo aspecto da importância das partes envolvidas, dois entes políticos, como pela magnitude do objeto da ação, que, nada mais nada menos, versou sobre a constitucionalidade dos parágrafos 2º e 3º do art. 57 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. [...] Importa repetir sob outro enfoque que a legislação tributária não distingue entre a obrigação de pagar tributo daquela imposta para o pagamento de multa ou penalidade pecuniária, como se pode constatar da análise do dispositivo do Código Tributário Nacional [...]. Plausibilidade da irrogada inconstitucionalidade, face não apenas à impropriedade formal da via utilizada, mas também ao evidente caráter confiscatório das penalidades instituídas. Também proveitosa para uma ampla apreensão da questão, a transcrição, inteiro teor, do dispositivo legal cujos parágrafos foram considerados inconstitucionais, e tidos, pois, como não escritos por ferirem de morte a Constituição Federal, especificadamente quanto a seus artigos 5º, I, II, XLVI, "c", 25 e 150, I, que consideraram as multas definidas nesta lei como Confisco. No caso em tela, a multa aplicada no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário de atraso na entrega de declaração possui efeitos e características confiscatórias, de forma que devem ser declaradas nulas. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Assim, diante de todo o exposto, REQUER seja revertida a decisão pelos fundamentos acima elencados, de forma a: a Declarar a nulidade do acórdão n° 0947.679 da 2ª Turma da DRJ/JFA, pois revisa o acórdão 0945.621 sem qualquer fundamentação legal para fazêlo; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 138 6 b e/ou, subsidiariamente, reduzir a multa para R$1.500,00 (um mil e quinhentos reais) pela aplicação do art. 57 da Lei 12.873/2013, conforme aplicação do art. 106, II, "c" do CTN e a retroatividade benigna. c e/ou, ainda subsidiariamente declarar a inexigibilidade da multa de ofício eis tem caráter confiscatório. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Em relação ao requisito de admissibilidade, temse que não é exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento do recurso voluntário (Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 9, de 05 de junho de 2007). Assim, o depósito recursal não é mais aplicado como condição de procedibilidade do recurso voluntário. A Recorrente alega que devem ser observados os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório (incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal) e que os atos administrativos são nulos, porque o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0945.621, de 21.08.2013, foi substituído sem motivação. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional1. Houve a intimação válida e instaurada a fase litigiosa no procedimento, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual entre o Erário e o sujeito passivo de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2. 1 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 139 7 Inconformada, a Recorrente apresentou regularmente a impugnação, fl. 02, com suas alegações. Assim, foi exarado o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0945.621, de 21.08.2013, fls. 6065, em cujo Voto condutor está registrado: Importa esclarecer que a aplicação da penalidade seguiu rigorosamente a determinação contida em nosso ordenamento jurídico: [...] Portanto, legislação tributária abrange também normas complementares e os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, por sua vez, são normas complementares. Como a obrigação acessória decorre da legislação tributária, o Dimof 1º semestre/2009, como obrigação acessória que é, pode ser criado por uma instrução normativa. As relações tributárias que têm que ser determinadas em lei estão elencadas, de forma exaustiva, no artigo 97 do CTN e a criação de obrigação acessória não é uma delas. Registrese ainda o disposto no artigo 16 da Lei 9.779/1999 que atribui competência à Receita Federal: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Destaquese, portanto, a validade da Instrução Normativa (IN RFB) que instituiu a/o Dimof 1 º semestre/2009 e das IN RFB que dispõem sobre apresentação e prazo. Já a penalidade pelo atraso no cumprimento da obrigação acessória, correspondente na presente situação à entrega da (o) Dimof 1 º semestre/2009, somente a lei pode estabelecer, de acordo com o art. 97, inciso V, do CTN, anteriormente transcrito. A multa foi aplicada com base no seguinte texto legal: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (Medida Provisória 2.15835, de 2001.) Provado está que a multa pelo atraso na entrega da (o) Dimof 1 º semestre/2009 tem amparo em lei, em consonância com a determinação explícita no art. 97, inciso V, do CTN. LANÇAMENTO O lançamento da multa é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 140 8 Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida, sendo inaplicável o art. 112 do CTN. Não obstante, em virtude do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a multa aplicada. RETROATIVIDADE BENIGNA O CTN, em seu art. 106, II, “c”, diz que a lei se aplica a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com a edição da Lei nº 12.766/2012, posteriormente à data do lançamento, as multas previstas no art. 57 da Medida Provisória 2.15835/ 2001, no que interessa o presente caso, passaram a ser as seguintes: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento. Além disso, está prevista a redução à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. A declaração para verificar a forma de “apuração” do imposto de renda é a última Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue pelo autuado na época da ocorrência do fato jurídico que ensejou a multa, qual seja, o primeiro dia após o prazo final de entrega do arquivo. Utilizase a última declaração existente no sistema, mesmo que de período pretérito. A despeito de não haver propriamente uma apuração do lucro, é a declaração que mais se aproxima do conceito buscado pelo legislador. É também a mais estável, pois a DCTF não correspondendo necessariamente à opção anual da forma de apuração pelo contribuinte. Caso não tenha havido ainda a apresentação de DIPJ (principalmente nos casos de pessoas jurídicas recentemente constituídas), então devese utilizar a última DCTF entregue pelo sujeito passivo da multa. Em suma, a apuração do valor da multa darseá de acordo com a forma de apuração do lucro existente na última DIPJ entregue ou, na sua falta, na última DCTF entregue. Caso tenha havido mais de uma utilização de apuração do lucro, aplicase a multa da alínea “b”, conforme determina o § 2º do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. Dessa forma, considerando o regime de apuração do lucro adotado na última declaração entregue pela contribuinte, a quantidade de meses, ou fração, de atraso e Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 141 9 a entrega da (o) Dimof 1 º semestre/2009 antes de qualquer procedimento de ofício, a multa aplicada deve ser reduzida para o valor de R$1.500,00. Tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A Recorrente foi validamente notificada dessa decisão de primeira instância em 29.08.2013, fl. 66, e da Carta Cobrança, fl. 68, em 09.10.2013, fl. 72. Por essa razão, procedeu ao recolhimento do débito em 09.09.2013, conforme extrato do processo, fls. 8384. No Despacho de Encaminhamento da ARF/Canoas/RS, de 29.10.2013, fl. 74: Atendendo solicitação via notes, proponho o retorno deste processo, ao SECOJ/DRJ/JFA/MG, para análise do Acórdão. Em seguida foi exarado Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0947.679, de 06.11.2013, fls. 7682, em cujo Voto condutor consta: NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO Anulase o Acórdão nº 0945.672, de 21/08/2013, por vício de legalidade, em conformidade com o disposto na Lei 9.784/1999, a seguir: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogalos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. A retroatividade benigna admitida no referido acórdão teve por fundamento enquadramento legal no artigo 57 da MP 2.15835/2001, quando a base legal que sustentou a notificação de lançamento foi o art. 30 da Lei 10.637/2002. Portanto, o efeito favorável ao destinatário foi ocasionado por vício de legalidade, cabendo anulação do ato administrativo, uma vez que ainda não transcorrido o prazo decadencial, devendo ser emitido novo acórdão. [...] Importa registrar que a aplicação da penalidade seguiu rigorosamente a determinação contida em nosso ordenamento jurídico: [...] Portanto, legislação tributária abrange também normas complementares e os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, por sua vez, são normas complementares. Como a obrigação acessória decorre da legislação tributária, a Dimof, como obrigação acessória que é, pode ser criada por uma instrução normativa. As relações tributárias que têm que ser determinadas em lei estão elencadas, de forma exaustiva, no artigo 97 do CTN e a criação de obrigação acessória não é uma delas. Registrese ainda o disposto no artigo 16 da Lei 9.779/1999 que atribui competência à Receita Federal para dispor sobre obrigações acessórias. Destaquese, portanto, a validade da IN RFB 811/2008 que instituiu a Dimof, dispondo sobre apresentação e prazo. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 142 10 Já a penalidade pelo atraso no cumprimento da obrigação acessória, correspondente na presente situação à entrega da Dimof, somente a lei pode estabelecer, de acordo com o art. 97, inciso V, do CTN, anteriormente transcrito. A multa foi aplicada com base no art. 30, inciso II, da Lei 10.637/2002. Provado está que a multa pelo atraso na entrega da Dimof tem amparo em lei, em consonância com a determinação explícita no art. 97, inciso V, do CTN. LANÇAMENTO O lançamento da multa é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. A multa foi aplicada com base no seguinte texto legal: Lei 10.637/2002 Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. § 2º As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 3º Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Art. 31. A falta de apresentação dos elementos a que se refere o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa equivalente a 2% (dois por cento) do valor das operações objeto da requisição, apurado por meio de procedimento fiscal junto à própria pessoa jurídica ou ao titular da conta de depósito ou da aplicação financeira, bem como a terceiros, por mêscalendário ou fração de atraso, limitada a 10% (dez por cento), observado o valor mínimo de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). Parágrafo único. À multa de que trata este artigo aplicase o disposto nos §§ 2º e 3º do art. 30. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 143 11 Já LC 105/2001 determina que: Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. § 1º Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV – resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive de poupança; V – contratos de mútuo; VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito; VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável; VIII – aplicações em fundos de investimentos; IX – aquisições de moeda estrangeira; X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional; XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior; XII – operações com ouro, ativo financeiro; XIII operações com cartão de crédito; XIV operações de arrendamento mercantil; e XV – quaisquer outras operações de natureza semelhante que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente. § 2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirse ão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 3º Não se incluem entre as informações de que trata este artigo as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 144 12 Por sua vez, a Dimof foi criada pela IN RFB 811/2008, tendo em vista a legislação acima transcrita, conforme texto a seguir transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, no Decreto nº 4.489, de 28 de novembro de 2002, no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 30 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na Instrução Normativa RFB nº 802, de 27 de dezembro de 2007, resolve: Art. 1º Instituir a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), cuja apresentação é obrigatória para os bancos de qualquer espécie, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo, e para as instituições autorizadas a realizar operações no mercado de câmbio.(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.092, de 2 de dezembro de 2010). (Grifos não originais). Com base no artigo 30, inciso II, da Lei 10.637/2002, que trata de penalidade específica para declaração instituída com o fim de apresentação das informações definidas no art. 5º da LC 105/2001, caracterizado o atraso na entrega da Dimof, deve persistir a multa aplicada. Conforme Despacho Secoj/DRF/JFA/MG, de 07.11.2013, consta: Em cumprimento ao disposto no Acórdão 0947.679 2ª Turma da DRJ/JFA, encaminhamos o presente processo para que seja providenciada a desalocação de pagamento junto ao sistema SIEFProcessos e informada a situação de julgamento da impugnação. Após providências, retornese o mesmo a este SECOJ/DRJ/JFA para informação do resultado do julgamento. Intimada dessa segunda decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta o recuso voluntário nos termos legais. Nessa ocasião, foi emitido novo extrato do processo, onde houve novamente a alocação do pagamento no valor de R$1.500,00, remanescendo um saldo a pagar no valor de R$8.406,45, fls. 8991. Sobre a questão trazida na peça recursal, temse que a Administração Pública atua sob a observância do princípio da legalidade, de modo que, devem ser observados requisitos necessários à configuração de validade do ato administrativo, nos termos do art. 37 da Constituição Federal. No que diz respeito ao ato administrativo, temse que, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Assim, para que que tenha existência, validade e eficácia e produza os efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratando Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 145 13 se de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais3. Nesse sentido, são nulos os atos administrativos nos casos de (a) incompetência, (b) vício de forma, (c) ilegalidade do objeto, (d) inexistência dos motivos, bem como (e) desvio de finalidade. Ainda, do acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, também é considerado nula a decisão proferida com preterição do direito de defesa. Celso Antônio Bandeira de Mello4 ensina que “são nulos: a) os atos que a lei assim declare; b) os atos em que é racionalmente impossível a convalidação, pois, se o mesmo conteúdo (é dizer, o mesmo ato) fosse novamente produzido, seria reproduzida a invalidade anterior. Sirvam de exemplo: os atos de conteúdo (objeto) ilícito; os praticados com desvio de poder; os praticados com falta de motivo vinculado; os praticados com falta de causa”. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pronunciouse no seguinte sentido: 3. No sistema de nulidades dos atos administrativos, é uníssono o entendimento na doutrina e na jurisprudência de que, havendo vício nos requisitos de validade do ato administrativo– competência, finalidade, forma, motivo e objeto – deve ser reconhecida a nulidade absoluta do ato, impondo a restauração do status quo ante5. O Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0945.621, de 21.08.2013, fls. 6065, está motivado de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade com o princípio da persuasão racional. Portanto, nessa oportunidade, houve o cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência e aos elementos do ato administrativo concernente à competência, à finalidade, à forma, ao motivo e ao objeto6. Entretanto, após a ciência válida da Recorrente da primeira decisão, foi proferido o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0947.679, de 06.11.2013, fls. 7682, expressamente anulando a decisão anterior com a motivação de sanar o suposto vício de legalidade, nos termos do art. 53 e do art. 54 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Vale ressaltar que, nesse momento, a relação processual já havia aperfeiçoado, repitase, pela notificação da Recorrente da primeira decisão. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 4 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 446. 5 (STJ RESP 200501905178 RESP RECURSO ESPECIAL – 798283. Quinta Turma. Relatora: Laurita Vaz. DJE DATA:17/12/2010). 6 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13002.000751/200902 Acórdão n.º 1803002.587 S1TE03 Fl. 146 14 Analisando a questão, verificase que não há que se falar em vício de legalidade, porque não há qualquer imperfeição nos requisitos de validade da primeira decisão pertinentes à competência, à finalidade, à forma, ao motivo e ao objeto. Houve, em verdade, na segunda decisão a determinação de um aspecto diferente do significado preciso da legislação tributária, como está ali expresso: Com base no artigo 30, inciso II, da Lei 10.637/2002, que trata de penalidade específica para declaração instituída com o fim de apresentação das informações definidas no art. 5º da LC 105/2001, caracterizado o atraso na entrega da Dimof, deve persistir a multa aplicada. Logo, o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0947.679, de 06.11.2013, fls. 7682, apenas trouxe uma interpretação diversa da legislação tributária daquela apresentada na primeira decisão. Dessa forma, por ter sido apresentada motivação inexistente para anular a primeira decisão, esse último ato decisório deve ser invalidado, e declarada sua desconstituição, suprimindose seus efeitos típicos de forma retroativa, por motivo de incompatibilidade com a ordem jurídica. Por consequência, devem ser restabelecidos os efeitos de existência, validade e eficácia do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0945.621, de 21.08.2013, fls. 6065, que passa a vigorar na ordem jurídica, por não restar caracterizado o alegado vício de legalidade. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, tem cabimento. Ressaltese que as demais alegações apresentadas na peça recursal perderam o objeto e por essa razão deixam de ser examinadas nessa segunda instância de julgamento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13826.000013/99-49
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 00 13 /9 9- 49 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 466 a 476) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Fiscais (fls. 459 a 463) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 26/01/1999, de parcelas referentes a contribuição para o PIS de janeiro de 1989 a outubro de 1995 (fls. 03 a 119). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 155 a 167, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN, e no mérito, inexistência do direito creditório. De se destacar, a propósito, que a Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para acolher o pedido de restituição do contribuinte. (fls. 364 a 373). A ementa do v. acórdão recorrido, impugnado através do presente recurso extraordinário, é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para a compensação do PIS recolhido a maior, por julgamento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88, flui a partir do nascimento do direito à compensação/restituição, no presente caso, a parir da data cie publicação da Resolução n° 49/95, do Senado Federal. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13826.000013/9949 Acórdão n.º 9900000.953 CSRFPL Fl. 136 3 Recurso Especial do Procurador Negado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o recurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Para tanto, apresentou como paradigma v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da relatoria da Ilustre Conselheira Henrique Pinheiro Torres. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 513 a 514. Contrarrazões às fls. 518 a 529. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 4 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é Fl. 536DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13826.000013/9949 Acórdão n.º 9900000.953 CSRFPL Fl. 137 5 possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). Fl. 537DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 6 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13826.000013/9949 Acórdão n.º 9900000.953 CSRFPL Fl. 138 7 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 26/01/1999, de parcelas pagas a título de contribuição para o PIS de janeiro de 1989 a outubro de 1995 (fls. 03 a 119). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreende se que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em janeiro de 1999 e outubro de 2005, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi formulado em 26/01/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, e tendo em vista especificamente as parcelas referentes a janeiro de 1989 a outubro de 1995, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, sem retorno dos autos para os órgãos a quo de julgamento porquanto já foi proferida decisão quanto ao mérito do pedido de restituição. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 539DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 8 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
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Numero do processo: 13768.720129/2013-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 17/05/2013
IOF. ISENÇÃO NA AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEIS POR DEFICIENTES FÍSICOS. HIPÓTESE DE ABRANGÊNCIA.
A isenção do IOF nas operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência alcança apenas as pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado, cujo laudo de perícia médica especifique "o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais", assim como "a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo" (artigo 72 da Lei nº 8.383, de 1991).
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-004.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 17/05/2013 IOF. ISENÇÃO NA AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEIS POR DEFICIENTES FÍSICOS. HIPÓTESE DE ABRANGÊNCIA. A isenção do IOF nas operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência alcança apenas as pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado, cujo laudo de perícia médica especifique "o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais", assim como "a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo" (artigo 72 da Lei nº 8.383, de 1991). Recurso ao qual se dá parcial provimento.
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ISENÇÃO. PROVA MATERIAL OBTIDA EM PROCESSO JUDICIAL DE INTERDIÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA GRAVE. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO AO BENEFÍCIO. Não obstante os laudos acostados aos autos não satisfaçam a todos os requisitos formais elencados pela Receita Federal na Instrução Normativa RFB nº 988/2009, subsidia de forma bastante à comprovação da deficiência física, para fins do reconhecimento à isenção do IPI na aquisição de automóveis de passageiros (Lei nº 8.989/95, inciso IV), a apresentação de Termo de Audiência e Constatação realizada em ação de interdição judicial em que o Poder Judiciário, assistido pelo Ministério Público, atestou a necessidade de interdição da beneficiária "em vista de sua incapacidade física e mental", constatada in loco e com base em documentação médica. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 17/05/2013 IOF. ISENÇÃO NA AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEIS POR DEFICIENTES FÍSICOS. HIPÓTESE DE ABRANGÊNCIA. A isenção do IOF nas operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência alcança apenas as pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado, cujo laudo de perícia médica especifique "o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais", assim como "a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo" (artigo 72 da Lei nº 8.383, de 1991). Recurso ao qual se dá parcial provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 72 01 29 /2 01 3- 31 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 39/42 do processo digitalizado – doravante utilizado como padrão de referência), que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do interessado, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Exercício: 2013 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA. LAUDO MÉDICO. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência e não atesta o comprometimento da função física dos membros. ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. REQUISITOS. O benefício da isenção do IPI na aquisição de veículo por portador de deficiência visual só alcança aquele que, segundo atestado em laudo médico que atende os requisitos normativos, apresenta, no melhor olho, após a melhor correção, valores de acuidade visual ou campo de visão iguais ou inferiores aos limites prescritos na lei de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente A lide decorre dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, abaixo reproduzido: A pessoa física interessada em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física e visual, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 13768.720129/201331 Acórdão n.º 3802004.104 S3TE02 Fl. 55 3 Mediante o Despacho Decisório de fls. 28/31, a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória indeferiu o pedido, tendo em vista a constatação de que o laudo apresentado pela requerente não a enquadram nas condições delimitadas pela legislação como portador de deficiência física ou visual, para fins de isenção de IPI. Regularmente cientificada (fl. 32), a representante da interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 34/35), por meio da qual alegou que a requerente tem direito a isenção por ser portadora de hemiplegia e por não possuir o olho esquerdo e ter cegueira completa no direito. De acordo com a decisão de primeira instância, as informações contidas no laudo médico de fls. 07, segundo o qual a interessada é portadora de deficiência "visual/física", CID10 "G45 (acidentes vasculares cerebrais isquêmicos transitórios e síndromes correlatas [...]", "contratura muscular", "atrofia globo ocular esquerdo", "não permitem considerar a interessada destinatária do favor fiscal pleiteado". Cientificada da referida decisão em 27/12/2013 (fls. 44/45), a interessada, representada por sua curadora (v. certidão de fls. 04), apresentou o recurso voluntário de fls. 46/50, mediante o qual encaminha novo laudo que, segundo alega, atende aos requisitos legais inerentes ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Primeiramente, manifestome em relação à admissibilidade da nova prova acostada aos autos pela interessada, a qual, pelas razões abaixo, entendo que merece ser apreciada na presente fase recursal. A teor do disposto nos artigos 15, caput, e 16, § 4º, da norma que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto no 70.235/72), é verdade que as provas do interessado deverão ser apresentadas no momento da impugnação sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada uma das hipóteses discriminadas nas alíneas “a” a “c” do mencionado § 4º (através de petição devidamente fundamentada – § 5º do mesmo artigo), quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; ou, (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas ao processo. Contudo, a tendência moderna é a de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no PAF, e isso diante do princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um escopo social, especialmente no presente caso em que o Estado necessita ser mais ágil no exame dos direitos dos mais necessitados, como os deficientes físicos. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 4 Nesse diapasão a Lei nº 12.008, de 29/07/2009, incluiu na Lei nº 9.784, de 29/01/1999, o artigo 69A, segundo o qual as pessoas portadoras de deficiência, física ou mental, dentre outras, "terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou instância, os procedimentos administrativos em que figure como parte ou interessado". Na mesma linha a Lei nº 10.048, de 08/11/2000, que dá às pessoas portadoras de deficiência física, aos idosos, às gestantes, às lactantes e às pessoas acompanhadas por crianças de colo, atendimento prioritário por parte das repartições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos (artigo 2º). Neste comenos, entendemos que o retorno do processo ao seu status quo ante, para exame do novo laudo acostado aos autos, iria de encontro ao norte legiferante de tratamento diferenciado das pessoas portadoras de deficiência, prejudicando sobremaneira a função finalística do processo, que é dizer o direito, especialmente em casos como o presente, em que é notória a necessidade de uma solução mais rápida da lide. Por fim, não custa lembrar que a inclinação doutrinária e jurisprudencial de um processo menos formalista foi também materializada na Lei no 9.784/99, notadamente em seu artigo 3º, inciso III, que permite a juntada de documentos e a formulação de alegações pelo interessado, "antes da decisão". Diante disso, não vejo nenhum problema em examinar os novos documentos acostados aos autos posteriormente à manifestação de inconformidade. Passo, portanto, ao exame do mérito da contenda. Do pedido de isenção do IPI Conforme relatado, vêse que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de isenção de IPI, bem como do IOF, sob a alegação de que a requerente faz jus ao direito por ser portadora de deficiência física. De acordo com o laudo de fls. 07, emitido pelo Hospital Maternidade Alfredo Pinto Santana (Rio Bananal ES), a interessada possui "deficiência visual, deficiência física, contratura, sequela de AVC, contratura muscular, atrofia do globo ocular esq.". No campo destinado à informação do CID10 a anotação está parcialmente ilegível, sendo possível observar a anotação do código G45 (Acidentes vasculares cerebrais isquêmicos transitórios e síndromes correlatas1). Com efeito, as informações contidas no laudo em evidência não são suficientes para atestar deficiência física como condição à concessão da isenção do IPI postulada, conforme razões elencadas pela autoridade jurisdicionante (fls. 29) e pela instância a quo (fls. 41). Quanto ao novo laudo acostado aos autos, fls. 52, com efeito, o mesmo atesta o seguinte, literalmente: Paciente Iva Caetano com 88 anos de idade, apresenta sequelas de AVC (Acidente Vascular Cerebral), hemiplegia à direita CID I 69.1 e I 64. Cegueira total de ambos olhos; direito e o esquerdo devido, à sequelas de glaucoma que levou à degeneração de globo ocular esquerdo CID H 44.5, H 40. Está impossibilitada de deambular e com comprometimento grave da visão, do olho direito (sic). 1 Conforme informa o sítio "http://www.bulas.med.br/cid10/". Fl. 60DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 13768.720129/201331 Acórdão n.º 3802004.104 S3TE02 Fl. 56 5 Não obstante a deficiência atestada pelo laudo médico em tela encontre amparo legal para a fruição do direito à isenção do IPI, aludido laudo não preenche os requisitos da Instrução Normativa RFB nº 988, de 22/12/2009, notadamente aquele constante de seu Anexo IX, que exige seja a deficiência atestada por equipe (dois médicos) que prestem serviço para a unidade emissora no laudo. Com efeito, o novo laudo trazido pela recorrente vem assinado por apenas um médico. Apesar disso há nos autos outros elementos probatórios que, somados aos laudos acima referenciados, permitem concluir que a interessada possui sim grave deficiência física, podendo, pois, ser beneficiada pela isenção do IPI na aquisição de automóvel de passageiros. Segundo o Termo de Curatela Provisória de fls. 4 a recorrente, nos atos da vida civil, é representada por sua curadora, Marlene Batista, cuja ação de interdição, nº 001327286.2012.8.08.0052, foi autuada na Comarca do Rio Bananal (Vara única). Às fls. 36 consta o Termo de Audiência de Constatação inerente ao processo em tela, realizada em 18/07/2013, de onde se extrai o seguinte: TERMO DE AUDIÊNCIA DE CONSTATAÇÃO AÇÃO DE INTERDIÇÃO Nº 001327286.2012.8.08.0052 REQUERENTE: MARLENE BATISTA REQUERIDO: IVA CAETANO Aos 18 dias do mês de julho do ano de 2013, na Sala de Audiências do Fórum "Des. Halley Pinheiro Monteiro", sito à Rua João Cipriano, s/nº., Centro, nesta Cidade e Comarca de Rio Bananal, Estado do Espírito Santo, onde se encontrava presente a Doutor CARLOS MAGNO TELLES, MM. Juiz de Direito em exercício nesta Comarca, onde presente se achava, também, a Dr ADRIANI OZÓRIO DO NASCIMENTO, DD. Promotor de Justiça, feito o pregão constatouse a presença da requerente acompanhada de seu advogado Dr. Erimar Luiz Giuriato OAB/ES 12.398. ABERTA A AUDIÊNCIA, foi verificado pelo MM. Juiz que a interditanda tem imensa dificuldade de locomoção, dificuldade de pronúncia, e não reage aos estímulos visuais de forma satisfatória. A interditanda não foi interrogada tendo em vista que não consegue responder as perguntas do MM.Juiz, sendo de notória a sua dificuldade de reger os seus atos da vida civil, tendo em vista que se quer (sic) teve condições de sair do veículo que lhe transportava, tendo em vista sua incapacidade física e mental o que foi constatado em "in loco" por este Juízo. Em seguida foi ouvido o Representante do Ministério Público requereu que fosse nomeado curador a lide em favor da interditanda. Disse ainda o MP, que devido a documentação médica apresentada com a inicial e a constatação feita em audiência, não ser necessário a realização de perícia, acenando desde já, para o deferimento do pedido inicial, caso nada de novo seja apresentado na Contestação. Pelo MM Juiz foi proferido o seguinte DESPACHO: Aguardese o decurso do quinquénio previsto no artigo 1.182 dò Código de Processo Civil para que o interditando ofereça impugnação do pedido inicial. Decorrido este prazo, se o requerido não impugnar o pedido, nomeio o Defensor Público desta Comarca para procedelhe a defesa, renovandose o prazo de cinco dias para tal fim. Em nada sendo levantado a respeito de nulidades, concluso para Sentença. Nada mais havendo, o MM. Juiz deu por encerrada a audiência, determinando que fosse lavrado o presente que, lido Fl. 61DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 6 e achado conforme, vai por todos devidamente assinado, na forma da Lei. Eu,...............Monieli Pereira Silva, Acadêmica em Direito, que o digitei e subscrevi. Em consulta ao sítio do Tribunal de Justiça do Espírito Santo2 constatei que o processo em tela corre em segredo de justiça. Não obstante, na consulta em tela foi possível observar que houve publicação de sentença em 16/09/2013 (diário nº 4581, fls. 618 a 620), tendo sido publicados posteriormente dois editais, ao que tudo indica, em obediência ao disposto no artigo 1.184 do CPC3. Como já dito, é evidente que os requisitos formais estabelecidos pela IN RFB nº 988/2009 não foram completamente observados pela interessada. Contudo, há nos autos elementos suficientes para se concluir que a recorrente, nascida em 02/05/1925, portanto, com 89 anos de idade, está acometida de grave deficiência física que a incapacitam completamente para o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações na vida civil. Isso foi atestado pelo Poder Judiciário, com a devida assistência do Ministério Público, na presença da interditanda/recorrente e com base em documentação médica apresentada ao juízo competente. Tais evidências materiais não podem ser ignoradas pela presente instância administrativa. Vale ressaltar que as disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física elencados no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas), o que se extrai pela conjunção "também" utilizada no início do preceito em comento "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" , assim como pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Segue o inteiro teor do dispositivo referenciado: § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (grifos nossos) Ora, se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras4, 2 http://aplicativos.tjes.jus.br/consultaunificada/faces/pages/pesquisaSimplificada.xhtml 3 Art. 1.184. A sentença de interdição produz efeito desde logo, embora sujeita a apelação. Será inscrita no Registro de Pessoas Naturais e publicada pela imprensa local e pelo órgão oficial por três vezes, com intervalo de 10 (dez) dias, constando do edital os nomes do interdito e do curador, a causa da interdição e os limites da curatela. 4 Refirome a "disfunções motoras" porque foram os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária – e não o acometido de toda e qualquer deficiência –, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Com efeito, monoparesia, paraparesia, tetraparesia e hemiparesia designam a paresia – disfunção, funcionamento comprometido – respectivamente, em um membro, em ambos os membros (geralmente inferiores), em todos os membros, ou nos membros de um lado do corpo. Na mesma toada, quando os prefixos mono, para, tetra e hemi são associados ao sufixo plegia – que diz respeito à perda total da força muscular, paralisia – temos designadas as deficiências físicas que causam a paralisia dos membros do corpo, conforme o prefixo adotado (monoplegia, tetraplegia, triplegia, triparesia, hemiplegia). Já quando há amputação ou ausência Fl. 62DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 13768.720129/201331 Acórdão n.º 3802004.104 S3TE02 Fl. 57 7 notadamente no caso presente, em que a interessada foi interditada pelo Poder Judiciário dadas as graves limitações físicas que a impossibilitam completamente para o exercício de sua vida civil. Por fim, cumpre destacar que o entendimento supra está em perfeita sintonia com o disposto no artigo 111, inciso II, do CTN. Com efeito, Interpretação literal não é interpretação mesquinha ou meramente gramatical. Interpretar estritamente é não utilizar interpretação extensiva. Compreendase. Todas devem, na medida do possível, contribuir para manter o Estado. As exceções devem ser compreendidas com extrema rigidez. (Sacha Calmon Navarro Coêlho. Curso de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 10. ed., 2009, p. 610) Do pedido de isenção do IOF Muito embora a interessada faça jus ao direito de adquirir automóvel de passageiros com isenção do IPI, o mesmo não ocorre em relação ao IOF, uma vez que a isenção a aludido tributo por deficientes físicos tem hipótese de abrangência mais restrita, conforme se depreende da leitura do artigo 72, inciso IV, da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, abaixo reproduzido: Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: [...] IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique; a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; b) a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo; Diante do estado de incapacidade da interessada para o exercício das atividades civis não se cogita que a mesma atenda a quaisquer das exigências elencadas pelo inciso IV do artigo 72 da Lei nº 8.383/91. Portanto, há que ser indeferido o pleito no que diz respeito ao pedido de isenção de IOF. Conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário, no seguinte sentido: de um membro, o comprometimento da função motora é evidente. O mesmo se diga em relação à paralisia cerebral ou à existência de membros com deformidade congênita ou adquirida. Como se vê, TODOS os exemplos elencados pelo legislador, destinados a guiar o intérprete no que concerne ao alcance do conceito de deficiência física que buscou amparar pela norma, dizem respeito a deficiências que causam comprometimento das funções motoras do indivíduo. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 8 a) reconhecer o direito da interessada à isenção de IPI na aquisição de veículo automotor, objeto da Lei nº 8.989/95; b) negar o direito à isenção de IOF pelo fato de a recorrente não se enquadrar na hipótese de que trata o inciso IV do artigo 72 da Lei nº 8.383/91. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720744/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa.
SIGILO BANCÁRIO.
A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
IRPJ. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS.
É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real.
ARBITRAMENTO. INCONDICIONALIDADE.
Inexiste arbitramento condicional, sendo inócua a pretensão do contribuinte em apresentar a escrituração depois do lançamento para efeito de verificação da apuração do lucro real.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas.
INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 182 DO EXTINTO TRF.
Inaplicável a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TRF, visto que inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS.
Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplica-se no que couber o que foi decidido em relação àquele.
Numero da decisão: 1301-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. IRPJ. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. ARBITRAMENTO. INCONDICIONALIDADE. Inexiste arbitramento condicional, sendo inócua a pretensão do contribuinte em apresentar a escrituração depois do lançamento para efeito de verificação da apuração do lucro real. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 182 DO EXTINTO TRF. Inaplicável a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TRF, visto que inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplica-se no que couber o que foi decidido em relação àquele.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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INDEFERIMENTO. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. IRPJ. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. ARBITRAMENTO. INCONDICIONALIDADE. Inexiste arbitramento condicional, sendo inócua a pretensão do contribuinte em apresentar a escrituração depois do lançamento para efeito de verificação da apuração do lucro real. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 182 DO EXTINTO TRF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 07 44 /2 00 8- 64 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 Inaplicável a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TRF, visto que inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.720744/200864 Acórdão n.º 1301001.823 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Juridica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Programa de Integração Social PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor total de R$ 7.366.653,64, incluídos multa de 75% e juros, referente ao anocalendário de 2004. A autuação fiscal arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida (DIPJ) em confronto com os depósitos bancários não comprovados, embora tendo sido o contribuinte devidamente intimado e reintimado a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur deixou de fazê lo (art. 530, III do RIR/1999). Cientificado do lançamento em 11/11/2008, apresenta impugnação onde alega em síntese que: l. depósito bancário não constitui renda tributável, nem representa, por si só, sem específica vinculação com recebimento omitido da receita, faturamento; 2. é absolutamente falsa a identificação entre “movimentação financeira” e “aquisição de renda”, o que se identifica como renda (aquisição de disponibilidade econômica) não passa de mera movimentação financeira; 3. o Auditor Fiscal não se ateve ao que determina o art. 24 da Lei n° 9.249/95, já que o mesmo exige da Impugnante IRPJ e seus reflexos com base no Lucro Arbitrado; 4. o sigilo bancário só pode ser quebrado em decorrência de ordem judicial, não sendo possível fazêlo apenas através de ato administrativo; 5. não é aplicável a Taxa SELIC para a indexação dos juros cobrados no presente caso, uma vez que inconstitucionais para efeitos tributários; 6. a busca da verdade material e a confirmação dos fatos aduzidos podem ser plenamente comprovados através de prova pericial e de diligências; 7. deve ser observado o principio da decorrência, o que vier a ser reduzido na base de cálculo do Auto de Infração deverá trazer reflexos financeiros a todas as exigências. A DRJ/BELEM (PA) decidiu a matéria por meio de decisão e Acórdão 01 17.278, de 29 de abril de 2010 (fls. 336), julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando O contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis para O deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo já contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. CSLL, PIS E COFINS. DECORRENCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. É o relatório. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.720744/200864 Acórdão n.º 1301001.823 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repete as argumentações iniciais (impugnação). Passemos então à análise das teses da recorrente, na seqüência em que foram expostas para melhor compreensão das matérias. Inicia a recorrente invocando várias preliminares: a) que teria havido cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade da decisão recorrida por violação ao contraditório e ampla defesa pelo indeferimento da produção de prova pericial necessária à busca da verdade material. Porém, compulsando os autos resta demonstrado que houveram sucessivas intimações para entrega dos livros (Diário, Razão e Lalur) bem como extratos bancários, sem que tenham sido atendidas. Não vislumbrei no processo o alegado cerceamento em nenhuma fase processual já que durante a ação fiscal a autuada teve a oportunidade de apresentar todos os argumentos, livros e documentos de defesa necessários e não o fez. A Recorrente teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua defesa, tendo sido intimada de todos os atos praticados. Além do mais depreendese da leitura da impugnação e do recurso que a Recorrente conhece plenamente todas as acusações que lhe foram atribuídas, tendoas rebatido, de forma meticulosa. Foi oportunizado que a contribuinte demonstrasse a origem dos recursos creditados em conta corrente e apresentassem outros documentos que pudessem influenciar no lançamento tributário. Nesse sentido, repito, após reiteradas intimações não tendo a recorrente apresentado ao fisco seus livros fiscais e outros documentos, a requisição de prova pericial não se presta para afastar o ônus probante atribuído ao contribuinte em refutar as acusações fiscais que sobre ele recaem. Dessa forma, seu pleito não merece acolhida, vez que cabe ao fiscalizado atender as intimações do Fisco para comprovar sua receita. Se assim não o fez, a apuração do crédito tributário, nos casos de depósitos bancários cuja origem restou não comprovada, demanda meramente um cálculo aritmético, que dispensa, inexoravelmente, a necessidade de produção de prova pericial. Mantenho, assim, a rejeição da preliminar de realização de prova pericial. b) A IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL Fl. 639DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 Consoante relatado, o crédito tributário aqui exigido tem como lastro informações bancárias obtidas pelo Fisco mediante Requisições de Movimentação Financeira – RMF dirigidas às instituições financeiras. A ora recorrente alega que tal procedimento (quebra do sigilo bancário) sem requerer autorização judicial é completamente inconstitucional, conforme dispõe o art. 5°, Xll, da CF/88. Cita vasta jurisprudência sobre a matéria. O procedimento adotado pela Fiscalização está previsto no art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, como bem exposto pela autoridade julgadora de 1a instância, a qual conclui: Vêse que a autoridade fiscal obedeceu aos estritos ditames desta Lei Complementar, ao fazer o requerimento às instituições envolvidas após o inicio do procedimento fiscal (fls. 06 a 12). Desta forma, a teor das normas citadas, não houve nenhuma violação à legislação vigente quanto ao sigilo bancário da contribuinte. Por outro lado, ao mesmo tempo em que a Legislação dá ao Fisco esta prerrogativa, ela impõe aos servidores públicos aos quais vierem a ter conhecimento, por dever de oficio, das informações bancárias e mesmo àquelas protegidas pelo manto do sigilo fiscal sérias restrições, inclusive com a tipificação penal do ato de revelar fato de que tenha ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo. [...] Portanto, a legislação tributária, ao conceder a possibilidade de obtenção de informações junto às instituições financeiras, está dando instrumentos para o Fisco poder levar a contento aquilo que a sociedade clama que ele o faça, qual seja, dar eficácia às nornas tributárias. Pois de nada valeria a obrigação de entrega da declaração, se à Administração fosse vedado verificar a veracidade das informações prestadas. No entanto, por outro lado, obedecendo ao mandamento do artigo 5°, inciso X, da CF, da inviolabilidade da intimidade, a legislação obriga um sério comportamento éticoprofissional dos servidores que tenham conhecimento destas informações. Aí, sim, está o sigilo bancário pleiteado na impugnação, e não na transferência de informações bancárias de instituições privadas para um órgão de Estado, que possui a responsabilidade de sigilo em um espectro maior que é o sigilo fiscal que ao bancário absorve. In casu, como não houve qualquer ilegalidade no procedimento de obtenção de informações bancárias, as provas obtidas pela fiscalização são lícitas e legítimas para instruir o lançamento. Como é cediço a LC nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001 autoriza o acesso das autoridades tributárias diretamente aos registros das instituições financeiras, sem que haja violação do dever de sigilo, desde que haja procedimento fiscal em curso, e que os exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Observese, ademais, que o acesso do fisco às informações bancárias é, em última análise, um mero teste de veracidade e consistência das informações já anteriormente oferecidas à administração tributária. O dever original de informar sobre suas operações sujeitas ou não à incidência tributária é do contribuinte, antes mesmo de iniciado qualquer procedimento fiscal. Assim, o acesso a tais informações não deve ser encarado como quebra de sigilo ou prerrogativa excepcional, e sim como forma de se aferir a veracidade das informações que originariamente deveriam ter sido prestadas pelo próprio sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.720744/200864 Acórdão n.º 1301001.823 S1C3T1 Fl. 14 7 Resta, assim, demonstrada a regularidade do acesso do Fisco às informações bancárias da recorrente, inexistindo, no caso, a quebra de sigilo bancário, mas tão somente sua transferência, nos termos da lei, ao Fisco. Na seqüência, devese examinar se, a partir dos extratos bancários, é possível chegar a receitas omitidas, mediante a aplicação da presunção de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002. Nesta linha, alega a recorrente "as ilegalidades cometidas no levantamento de suposta omissão de receitas operacionais caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários de origem não comprovadas, pois a autoridade tributária não excluiu os tributos incidentes sobre a operação , nem as despesas operacionais previstas no art. 299 do RIR/1999". Matéria de mérito tratada como preliminar, qual seja, a própria causa do lançamento. Inclusive no presente caso a matéria de mérito tratada na peça recursal diz respeito à ilegitimidade do lançamento do Imposto de Renda com base apenas em extratos ou depósitos bancários (cita a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos). Passemos a análise. Conforme salientado alhures, em situações tais, em que a empresa autuada, optante pelo lucro real, devidamente intimada e reintimada, não entrega os livros fiscais/contábil à autoridade tributária, a lei fiscal expressamente prevê o arbitramento dos lucros como forma de apuração do imposto de renda devido, consoante o disposto no art. 530, inciso III, do RIR/99, verbis: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;” O arbitramento feito de ofício é o recurso da autoridade fiscal quando se vê impossibilitada de apurar o lucro real da pessoa jurídica. Resta observar, que a apresentação e/ou alegação da existência dos livros comerciais e fiscais, após o encerramento da fiscalização, não tem o condão de afastar o arbitramento, efetuado exatamente pela ausência de exibição dos livros Diário, Razão e Lalur e demais documentação, porquanto essa forma de apuração de lucro não é condicional e alterável pela posterior apresentação dos livros exigidos. Vejase, em relação ao assunto, a Súmula 59 do CARF, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a Fl. 641DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Constatase do "Relatório Fiscal" que após a análise individual dos extratos bancários e outros documentos de que dispunha, a autoridade fiscal intimou reiteradas vezes a empresa autuada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente (fls. 253) e não obtendo nenhuma resposta não lhe restou outra alternativa senão o arbitramento do lucro. Neste passo, a base tributável trimestral foi determinada mediante o confronto/diferença entre os valores mensais apurados a partir dos extratos bancários (expurgados dos valores relativos a transferências, estornos e devoluções, demonstrativo de fls. 254) e as receitas declaradas em DIPJ, consoante art. 530, III do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 47 da Lei nº 8.981/95), acima transcrito. Portanto, plenamente justificada a adoção pelo arbitramento do lucro (aplicandose os coeficientes de 9,60 e 12%, respectivamente para o IRPJ e CSLL) e, neste caso, o arbitramento considera, por ficção legal, os custos/despesas incorridos pelo contribuinte para a geração da receita omitida, nos casos de impossibilidade da apuração pelo lucro real consubstanciada em livros contábeis e fiscais. Com relação à citação da Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TRF), é cediço que a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 representa um marco em termos de presunção legal de omissão de receita, citese seu art. 42, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] Como se vê, a partir da Lei nº 9.430/96, comporta a tributação por presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos mantidos junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É o caso dos autos. Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera Fl. 642DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.720744/200864 Acórdão n.º 1301001.823 S1C3T1 Fl. 15 9 constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Tratase, na hipótese, de indícios que conduzem à presunção juris tantum de omissão de receita, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista que não fora oportunizado à fiscalização detectar a real proveniência dos recursos depositados em conta corrente da empresa. Portanto, caberia ao contribuinte apresentar justificativas válidas com documentação hábil e idônea para os ingressos ocorridos em suas contas correntes. Portanto, diante das considerações acima temse como inaplicável a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TRF, visto que inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. A Recorrente alega ainda que, foi lançado imposto com base em mero somatório de depósitos bancários, procedimento que sequer é autorizado pelo artigo 42, da lei n.° 9.430/96. Tratase, ao meu ver, de defesa genérica e sem consistência, pois, apesar do alegado, a Recorrente não demonstra quais recursos justificam os valores depositados considerados com origem não comprovada, além dos estornados/retirados pela fiscalização, conforme relatório e planilha anexado aos autos. Prossegue a peça recursal alegando que seria "da obrigatoriedade do auditor fiscal determinar o imposto a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetido a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão de receitas (art. 24 da Lei 9.249/95)". A forma de escrituração e apuração dos tributos é livre, contanto que siga a boa técnica contábil e fiscal e não altere o pagamento dos tributos devidos. O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou nenhuma documentação que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos que foram individualmente relacionados pela fiscalização, simplesmente deixou de atender as intimações regulares da autoridade fiscal. Outrossim, em seu recurso se insurge sobre a suposta ilegalidade do arbitramento. Ora, neste caso, tratouse, como já se disse alhures, de uma presunção legal de omissão de rendimentos, onde o ônus da prova fica invertido e a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no Fl. 643DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 caso presente, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida, o que não ocorreu nestes autos como já foi demonstrado. O uso de depósitos bancários para quantificar as omissões de receitas vem sendo pacificamente admitido, tanto pelo Poder Judiciário quanto administrativamente, desde que atendidos os pressupostos legalmente estabelecidos, como é o presente caso. A título ilustrativo, transcrevo, a seguir, ementa de decisão da egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de crédito tributário com base em depósitos bancários que o sujeito passivo não comprova, mediante documentação hábil e idônea, originarse de rendimentos tributados, isentos e não tributados. (Acórdão CSRF/0400.442, de 12/12/2006) Enfim, quanto a esta questão do arbitramento adotado pela fiscalização, entendo que o mesmo pautouse corretamente com base no artigo 530, inciso III, do RIR/1999. Nestes termos, entendo pela procedência dos lançamentos fiscais (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, estes três últimos por reflexo do primeiro), em razão de fundada omissão de receitas, conforme dispositivos legais violados e descritos no Relatório de Fiscalização juntados nos autos. Por todo o exposto voto por rejeitar as preliminares suscitadas e NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 644DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 13020.000094/2003-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece do recurso quando a análise do exame de erro é superado pela matéria de direito superveniente.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Maria Teresa Martínez López - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Maria Teresa Martínez López - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Não se conhece do recurso quando a análise do exame de erro é superado pela matéria de direito superveniente. Recurso Especial da Fazenda Nacional Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Maria Teresa Martínez López Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 0. 00 00 94 /2 00 3- 81 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 183 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial Interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário. Em exame recurso do contribuinte contra decisão da DRJ Porto Alegre que homologou apenas parcialmente compensações comunicadas em Declaração de Compensação (Dcomp) entregue em 13 de maio de 2003. Nela, a empresa informou que se considerava detentora de crédito passível de ressarcimento no montante de R$ 14.186,67 originado de crédito presumido de IPI instituído pela Lei no 9.363/96, e o estava utilizando para liquidar débitos a vencer no ano de 2003. Essas declarações foram examinadas pela DRF Caxias que homologou integralmente as compensações comunicadas em despacho decisório exarado em 12 de agosto de 2005 pelo chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, por delegação de competência. Esse despacho (fl. 32) foi proferido apenas com base nos documentos constantes no processo administrativo, sem exame da efetiva apuração do montante do crédito registrado na escrita fiscal. Para tanto, a DRF notificou a empresa a apresentar cópias das folhas do livro de apuração do IPI relativo ao primeiro trimestre de 2003, a que se refere a Dcomp, e daquela em que constasse o estorno do crédito, além de cópia da “Declaração do Crédito Presumido” relativa ao mesmo trimestre. Com esses documentos, a autoridade considerouse suficientemente embasada para homologar integralmente as compensações comunicadas e assim o fez, embora com a ressalva “contudo, fica reservado à Fazenda Nacional, no interesse da fiscalização, a verificação posterior da exatidão da escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica”. Constam nos autos (fls. 30/31) cópias do Demonstrativo do Crédito Presumido do trimestre em questão. Não há indicação de quem os juntou aos autos. Nele se observa que as linhas destinadas a informar o montante do crédito já utilizado (30 a 38), inclusive saldo negativo em meses anteriores, não apontam quaisquer valores, o que leva a pensar que o crédito apurado (linha 39) seja passível de ressarcimento integral. Com esses documentos, a autoridade considerouse suficientemente embasada para homologar integralmente as compensações comunicadas e assim o fez, embora com a ressalva “contudo, fica reservado à Fazenda Nacional, no interesse da fiscalização, a verificação posterior da exatidão da escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica”. De fato, mesmo já homologadas, dessa forma, as compensações, foram efetuadas, já em 2007, verificações do montante postulado em ressarcimento, agora sim Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 184 3 levando em conta a escrituração fiscal do contribuinte. Concluiu, então, a fiscalização que a empresa o havia postulado em duplicidade, pois não descontava do montante até o mês em consideração aquilo que já havia sido postulado anteriormente. Em outras palavras, a cada trimestre a empresa postulava o saldo acumulado até ali. Com isso, em relação ao primeiro trimestre de 2003, objeto deste processo, do montante postulado – de R$ 14.186,67 – deveria ter sido abatido o saldo negativo de crédito presumido já deferido no ano anterior – R$ 2.265,48. Restavam, portanto, apenas R$ 11.921,19 a serem ressarcidos, tudo conforme demonstrativo de fls. 50/51. Com base nessas informações produzidas pela fiscalização da DRF em Caxias do Sul, seu chefe da Seort – mesma autoridade que prolatara o primeiro despacho – proferiu nova decisão (fls. 53/56) anulando o despacho decisório anterior, “desomologando” as compensações ali homologadas na parte excedente – R$ 2.265,48 – e determinando a cobrança dos débitos que haviam sido extintos por compensação dois anos antes. Como fundamentação, aduziu o princípio da legalidade e a possibilidade, e dever, da Administração Pública de rever, de oficio, os seus atos e anulálos quando eivados de ilegalidade. Bastaria, para tanto, que o fizesse no prazo de cinco anos previsto no CTN. Contra esse novo despacho insurgiuse o contribuinte, sucessivamente: a) pugnando pela ilegalidade da reforma do despacho de modo a invalidar a cobrança de imposto que se lhe faz; b) reduzir o valor dessa cobrança àquele que seria devido na data em que proferido o primeiro despacho decisório, visto que se erro houve ele foi produzido pela própria administração não cabendo exigir do contribuinte acréscimos em decorrência de erro que ele não causou; c) postular que o montante que lhe está sendo exigido pela Fazenda seja compensado com o indébito que passa a existir com a adoção do entendimento do segundo despacho. É que aponta ter calculado e recolhido tributos sobre o montante de credito presumido que lhe havia sido deferido no primeiro despacho. Esses tributos foram indevidamente recolhidos, seja porque a Administração está agora a glosar o crédito presumido outrora reconhecido, seja porque já há entendimento da mesma Administração de que não devem incidir tributos sobre aquele valor, ainda que correta e definitivamente ressarcido ao contribuinte. Nenhum desses argumentos foi, contudo, acolhido pela DRJ em Porto Alegre, que ratificou na íntegra as conclusões do segundo despacho, inclusive quanto à exigibilidade, dos débitos com os acréscimos moratórios plenos e a impossibilidade de sua compensação 'com os pagamentos supostamente efetuados a maior. Recurso Especial da Fazenda Nacional às fls. 157 a 166. Despacho de admissibilidade às fls.168/169. O sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 185 4 Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço o recurso e passemos à análise do mérito. Em que pese não ter sido objeto do presente recurso, faremos uma breve análise da extinção do direito da fazenda de rever o ato e cobrar as diferenças porventura existentes. Em que pese não haver comprovação da data da constituição definitiva do crédito, nesse caso não há que se falar em prescrição, eis que a data do fato gerador indicada na DCOMP é março de 2003 e a ciência do segundo despacho decisório se deu em setembro de 2007. A prescrição ocorreria, no mínimo em março de 2008. A extinção do crédito tributário, de que trata o § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, somente se dá sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Isso significa que a entrega da Declaração de Compensação pelo contribuinte não extingue os débitos ali informados, mas dependem, ainda, de uma fase posterior, qual seja, do exame desta Declaração pela autoridade administrativa, a qual irá homologar/validar ou não a compensação dos débitos declarados. Agora devemos delimitar de modo preciso o objeto da lide. Neste caso este colegiado deverá decidir apenas sobre a possibilidade de a autoridade que homologou expressamente uma compensação (DCOMP), expedir um outro ato (Despacho Decisório) anulando o anterior sob a alegação de constatação de que o contribuinte postulou em duplicidade, levando em conta a escrituração fiscal do contribuinte. O primeiro Despacho decisório foi baseado em declaração apresentada pelo contribuinte pela DRF Caxias sem o concurso de sua fiscalização. Com efeito, naquela unidade o chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, após requerer que a empresa juntasse aos autos o recibo de entrega da DCTF do segundo trimestre de 2002, a que se refere a Dcomp, bem como a demonstração realizada da apuração do crédito presumido, assim como a folha do livro de apuração do IPI em que constasse o estorno do crédito, proferiu despacho decisório homologando integralmente as compensações comunicadas pela empresa. Fez constar mesmo assim a ressalva: “contudo, fica reservado à Fazenda Nacional, no interesse da fiscalização, a verificação posterior da exatidão da escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica”. Em um segundo despacho decisório foi apurado que o contribuinte, com base na análise da documentação apresentada pelo contribuinte, que os pedidos de ressarcimento foram solicitados a maior. Como a atividade de lançamento é vinculada o Delegado da RFB, não só pode como deve corrigir os seus atos que foram emitidos com inexatidão. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 186 5 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O segundo despacho decisório corresponde a uma revisão de lançamento. Tal possibilidade está prevista no art. 145 c/c com o art. 149, ambos do CTN. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 187 6 omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. É indiscutível que a lei que trata de incidência tributária deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. Caso o erro em questão fosse a favor do contribuinte, também deveria ser revisto. Suponhamos que ao analisar os documentos entregues pelo sujeito passivo a autoridade fiscal verificasse que houve em erro que resultou em um gravame maior para o contribuinte. Ele teria a obrigação de rever o ato, atendendo assim, ao princípio da legalidade. Ora, em sentido oposto o ato também deve ser revisto. Ou seja, o erro contra o Estado também deve ser revisto, pelo mesmo princípio da legalidade. O povo é o elemento pessoal do Estado e o seu interesse também deve ser resguardado. Pó r isso existe o princípio da indisponibilidade do interesse público Sabemos que os princípios são a base do ordenamento jurídico. A violação de princípios, por si só, já é motivo de nulidade dos atos administrativos. Os requisitos de validade do ato administrativo são: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. O requisito da finalidade pública foi frontalmente violado, pois foi violado o princípio da legalidade e do interesse público. Sendo assim o ato de torna nulo. De modo diferente estaria sendo violado o princípio do interesse público para beneficiar o particular. Assim o ato viciado deve ser anulado pela autoridade o deve ser produzido outro saneado os vícios do ato anterior. Não resta dúvida que violação de princípio é um vício do ato administrativo. E ato viciado deve ser anulado. A possibilidade de anulação é jurisprudência pacífica no STF, que, inclusive, tem súmula publicada sobre o assunto. Súmula 473 A ADMINISTRAÇÃO PODE ANULAR SEUS PRÓPRIOS ATOS, QUANDO EIVADOS DE VÍCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS, Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 188 7 PORQUE DELES NÃO SE ORIGINAM DIREITOS; OU REVOGÁLOS, POR MOTIVO DE CONVENIÊNCIA OU OPORTUNIDADE, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS, E RESSALVADA, EM TODOS OS CASOS, A APRECIAÇÃO JUDICIAL. Constatamos que a autoridade deve fazer a revisão, mesmo no caso de Declaração de Compensação com homologação expressa. O art. 149, IV, prevê a possibilidade de revisão quando houver erro na declaração prestada pelo contribuinte. Foi o que ocorreu no presente caso. A declaração continha valores maiores do que os que efetivamente ensejariam a restituição no montante homologado em Despacho anterior. Também podemos afirmar que o primeiro despacho decisório é ilegal porque foi exarado com base em premissas falsas, que foram as informações incorretas prestadas pelo contribuinte. Como o lançamento é um ato vinculado e deve ser feitos nos estritos limites da lei, podemos afirmar que a ilegalidade contida no primeiro despacho decisório pode e deve será sanada. É o poderdever do administrador de rever os atos administrativos ilegais. A decisão da instância a quo, foi pela impossibilidade da anulação do despacho decisório que homologou expressamente a DCOMP apresentada, sob a seguinte ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. ANULAÇÃO .INCABÍVEL. É incabível a anulação de despacho homologatório de compensação declarada, que implementa a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, para fazer renascer o crédito tributário extinto na forma da lei. A legislação e a doutrina pátria são deficientes quando se trata das nulidades no processo administrativo fiscal. A Lei 9.784/99 deverá ser usada subsidiariamente para os casos omissos. O art. 53 da referida lei é explícito ao dizer que a administração tem o poder de anular os seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Tanto o recém publicado Decreto nº 7.574/11 como o Decreto 70.235/72, possuem artigos, cujos excertos reproduzimos abaixo, que tratam da nulidades dos atos administrativos tributários. DECRETO Nº 7.574, DE 29 DE SETEMBRO DE 2011. (...) Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 189 8 § 2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art. 13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art. 14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61). DECRETO 70.235/72 (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.(grifei) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Podemos perceber que as hipóteses de anulação de atos que não contém vícios de validade em sua origem são muito restritas. Porém fora dessas restritas possibilidades, temos os princípios jurídicos que, violados, ensejam a anulação do ato. Esse é o pensamento majoritário na doutrina e jurisprudência pátrios. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 190 9 No art. 59 não consta como capaz de motivar a invalidação do ato administrativo tributário a verificação posterior de fatos que possam modificar o conteúdo dos atos, exceto os hipóteses nele previstas. O art. 60 corrobora o entendimento do artigo anterior de se considerar exaustivas as hipóteses de invalidação do ato. Porém o próprio art. 60 traz uma única hipótese de anulação do ato fora das hipótese do art. 60 e que possa trazer prejuízo ao sujeito passivo. È quando o contribuinte der causa às irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do PAF. Nesse caso o ato poderá ser anulado fora das hipóteses desse artigo. Nesse caso foi o contribuinte que deu causa a invalidação, quando fez constar na DCOMP declarações inexatas, que foram percebidas somente quando se verificou documentação da empresa. Nesse caso específico a autoridade prolatora do ato não só pode como deve anular o ato e editar outro sanando as incorreções apuradas. Mesmo que o delegado da DRF tenha homologado expressamente a DCOMP originária, ele fez a ressalva de que o ato poderia ser revisto quando da análise da escrituração contábil ou a apuração de outros elementos que comprovassem a inexatidão dos dados inseridos na DCOMP e informados pelo sujeito passivo. Temse claro desse modo que a situação fática ora posta se enquadra perfeitamente na exceção prevista na lei (art. 59 do PAF) e permite a anulação do ato produzido com incorreções materiais e a sua substituição por outro com os dados fidedignos apurados posteriormente em escrituração contábil. O art. 53 da Lei 9.784/99 e a Súmula 473 do STF corroboram esse entendimento. Em face do exposto, voto pelo provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo a decisão da DRJ. Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheira Maria Teresa Martínez López, Redatora Designada Ouso discordar do ilustre Relator. Penso, que antes de discutir o mérito propriamente, deve ser analisado a admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, discordando do Acórdão dos Conselhos,interpôs recurso especial, sustentando, em síntese, ter ocorrido contrariedade às Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 191 10 provas.1 Defende que, “estando provado nos autos, que ocorrera erro anterior, é dever da Administração retificar seus atos, sob pena até mesmo de falta funcional.” A ementa da decisão recorrida está assim redigida: (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. ANULAÇÃO. INCABÍVEL. É incabível a anulação de despacho homologatório de compensação declarada, que implementa a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, para fazer renascer o crédito tributário extinto na forma da lei. NORMAS GERAIS. TRIBUTOS RECOLHIDOS FORA DE PRAZO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Sobre os tributos e contribuições não recolhidos no prazo legal são devidos os acréscimos moratórios, consubstanciados em multa e juros de mora, previstos no art. 61 da Lei n° 9.430/96. NORMAS PROCESSUAIS. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete à parte ré a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A partir da edição da Lei n° 10.637/2002, a compensação de tributos e contribuições, por iniciativa do contribuinte, requer a apresentação de Declaração à SRF. Recurso provido. Consta do voto vencedor da decisão recorrida o que a seguir peço vênia para reproduzir: Divirjo do Ilustre Conselheiro Relator quanto à possibilidade de anulação do despacho decisório que homologou as compensações declaradas pela recorrente e passo a expor as razões que conduziram minha divergência. Inicialmente, esclareçase que não consta dos autos que tal despacho decisório padeça de vício de nulidade ab initio, 1 RICSRF Portaria 147/2007 "Art. 15. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou a evidencia da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária a Fazenda Nacional. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 192 11 estandose, pois, tratando de anulação de ato legitimo da Administração Pública. Tampouco estáse tratando de irregularidade na constituição do crédito tributário, não cabendo, pois, invocar o art. 156, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Com esses esclarecimentos, passase ao exame da questão, que reclama que não se olvide que a compensação autorizada por lei, em observância ao art. 170 do CTN, ocorre sob determinadas condições e garantias e constitui modalidade de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, inc. II, desse mesmo código. Importante ressaltar então que as compensações de que aqui se trata, objeto de Declarações de Compensação (Dcomp) protocolizadas em (...) 2003, estavam submetidas à regência do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações promovidas pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, oriunda da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, publicada em 30 de agosto de 2002. Ora, o § 2° do indigitado art. 74 assim dispõe: Art. 74. (..) §2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Logo, certo é que a compensação declarada à Administração Tributária extingue o crédito tributário sob condição resolutiva e o ato cuja anulação é tratada nestes autos corresponde exatamente ao ato que implementa essa condição, ou seja, o ato de homologação da compensação. Assim, o que ao cabo se discute é se, uma vez operada a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, de forma a confirmar tal extinção, pode ele voltar a ser exigível mediante anulação do ato que homologara a compensação. Grifos, não do original Cumpre notar então que a lei atribuiu à compensação homologada o efeito de extinguir o credito tributário e, portanto, a obrigação que lhe dera origem. Assim, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, que deve nortear a Administração Pública, não se pode admitir a anulação do ato homologatório da compensação para fazer renascer crédito tributário já extinto na forma da lei. A meu ver, eventuais equívocos cometidos pela autoridade fiscal no despacho homologatório de compensação de que teve ciência a contribuinte somente são passíveis de reparo com observância da forma e dos meios próprios do processo administrativo regulado pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que atribui o caráter de definitividade aos despachos decisórios após a fluência do prazo para manifestação de inconformidade, sem que esta tenha sido apresentada. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 193 12 Por oportuno, cabe lembrar que a Lei n° 10.833, de 2003, oriunda da Medida Provisória n° 135, de 20 de outubro de 2003, publicada em 31 de outubro de 2003, alterou o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, para fixar prazo para homologação da Dcomp, estabelecendo, assim, a homologação tácita da compensação Observese que, uma vez decorrido o referido prazo, que está previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, sem pronunciamento da autoridade fiscal sobre a compensação declarada pelo sujeito passivo, temse por homologada a compensação e extinto o crédito tributário correspondente e não cabe mais à autoridade fiscal examinar a respectiva Dcomp. Ora, se assim ocorre na homologação tácita, com maior razão não se pode admitir a revisão da Dcomp apresentada na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que tenha sido objeto de expressa homologação pela autoridade competente. (grifos, não do original) De se notar ainda que o procedimento para as compensações tributárias ora vigentes guarda semelhança com o lançamento por homologação, em que, a homologação expressa ou a fluência do prazo decadencial extinguem o crédito tributário, não havendo previsão legal para que o crédito tributário extinto por homologação expressa possa renascer com toda a força de sua exigibilidade, mediante anulação do ato homologatório. Pelas razões expostas, voto por dar provimento ao recurso. Como exposto, o recurso especial foi interposto com fundamento nos artigos 7º, inciso I, § 1º, e 15, do Regimento Interno da CSRF, em razão de suposta contrariedade da prova (erro). No entender desta Conselheira, independentemente da análise das provas (erro), o que se discute aqui é matéria de direito. Certo é que a compensação declarada à Administração Tributária extingue o crédito tributário sob condição resolutiva e o ato cuja anulação é tratada nestes autos corresponde exatamente ao ato que implementa essa condição, ou seja, o ato de homologação da compensação. Assim, o que necessariamente se discute é se, uma vez operada a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, de forma a confirmar tal extinção, pode ele voltar a ser exigível mediante anulação do ato que homologara a compensação. A posteriori, vejase que o acórdão examinou outra questão fundamental, independente da análise de ter ocorrido erro (prova). Confirase novamente excertos do voto: Por oportuno, cabe lembrar que a Lei n° 10.833, de 2003, oriunda da Medida Provisória n° 135, de 20 de outubro de 2003, publicada em 31 de outubro de 2003, alterou o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, para fixar prazo para homologação da Dcomp, estabelecendo, assim, a homologação tácita da compensação Observese que, uma vez decorrido o referido prazo, que está previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, sem pronunciamento da autoridade fiscal sobre a compensação Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000094/200381 Acórdão n.º 9303002.024 CSRFT3 Fl. 194 13 declarada pelo sujeito passivo, temse por homologada a compensação e extinto o crédito tributário correspondente e não cabe mais à autoridade fiscal examinar a respectiva Dcomp. Ora, se assim ocorre na homologação tácita, com maior razão não se pode admitir a revisão da Dcomp apresentada na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que tenha sido objeto de expressa homologação pela autoridade competente. (grifos, não do original) Neste contexto, desnecessário reexaminar matéria que diga respeito à matéria superada (neste caso, a ocorrência de erro), principalmente porque não é esta a questão primordial, conforme voto acima transcrito. Em outras palavras, a análise dos erros invocados foi superado pela matéria de direito superveniente. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Maria Teresa Martínez López Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10380.906707/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simôes Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 07 /2 00 9- 02 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simôes Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 1.044,96. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DIPJ's e DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906707/200902 Acórdão n.º 3401002.867 S3C4T1 Fl. 3 3 bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJs e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de COFINS em 31/08/2003 perfazia originalmente R$ 14.664,21 (quatorze mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e vinte e um centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos (pagamentos e compensações) no montante de R$ 15.803,17 (quinze mil, oitocentos e três reais e dezessete centavos), remanescendo saldo credor original de R$ 1.138,96 (hum mil, cento e trinta e oito reais e noventa e seis centavos), valor este parcialmente utilizado nesse Pedido de Compensação. Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.223– 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu pedido. Em suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.223 ficou assim redigida: ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906707/200902 Acórdão n.º 3401002.867 S3C4T1 Fl. 4 5 · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o item ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Este processo chegou à apreciação da Egrégia 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação, ocasião em que ela proferiu decisões e determinou diligência, tudo isso através da Resolução n.º 3402 000.163. Os Respeitáveis Conselheiros, ao analisarem as manifestações do contribuinte aduziram que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". Para baixar o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição o Colegiado decidiu que a autoridade da unidade de jurisdição levasse em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, e que ela indicasse se há indébito no período de apuração em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), finaliza seu parecer informando: O crédito objeto do PER/DCOMP e tratado neste processo referese a COFINS do período de apuração AGOSTO/2003. Após os procedimentos de auditoria, chegase ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Base de cálculo COFINS apurada COFINS paga/retida Crédito da COFINS Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906707/200902 Acórdão n.º 3401002.867 S3C4T1 Fl. 5 7 R$ 491.940,62 R$ 14.758,22 R$ 15.897,18 R$ 1.138,96 Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recuso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 14429.17774.290906.1.3.044221. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Cofins, referente ao mês de agosto de 2003 e efetuado em 15/09/2003, com débito de estimativa de IRPJ, respeitante ao mês de agosto de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 10320594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6ª Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Iº Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/200267, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 10247820, Sessão de 16/08/2006) A meu sentir, correta foi a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906707/200902 Acórdão n.º 3401002.867 S3C4T1 Fl. 6 9 contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Como já exposto anteriormente, entendo que o Colegiado pode apreciar o mérito da lide, parcial ou totalmente, em sessões que não resultem em Acórdão final, mas, sim, em Resoluções. Entendo que, neste caso, o Colegiado apreciou e decidiu o mérito, no que concerne à não inclusão, na base de tributação do PIS e da COFINS, das receitas apontadas pela contribuinte em sua petição original e indeferida pela autoridade de jurisdição e pelos julgadores a quo. O processo retorna ao CARF para apreciar o resultado da diligência, tendo como válidas as decisões que conduziram e condicionaram a sua realização. Respeitando essa decisão, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Esta posição adotada pelo Colegiado com relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998 tem respaldo em entendimento firmado neste Tribunal Administrativo. Há julgamentos do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Iº, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 10195764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Iº, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Iº, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Iª Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Sessão de 01/07/2008). Além disso, a contribuinte tem como objeto social os serviços de diagnóstico médico, e as receitas financeiras aqui em discussão não resultam de suas atividades empresariais operacionais. A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência confirma a suficiência do crédito para a compensação requerida pela contribuinte. Por todos esses elementos, concluo que deve se dar provimento ao recurso. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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