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Numero do processo: 10480.720260/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JULGAMENTO DO LANÇAMENTO PRINCIPAL TIDO POR IMPROCEDENTE. Uma vez que o lançamento principal do qual decorre o presente Auto de Infração foi julgado improcedente, é imperioso o cancelamento da infração, uma vez que reconhecida a regularidade das informações.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o relator. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Thiago Taborda Simões Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JULGAMENTO DO LANÇAMENTO PRINCIPAL TIDO POR IMPROCEDENTE. Uma vez que o lançamento principal do qual decorre o presente Auto de Infração foi julgado improcedente, é imperioso o cancelamento da infração, uma vez que reconhecida a regularidade das informações. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o relator. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Thiago Taborda Simões – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 02 60 /2 01 0- 83 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por FUNDAÇÃO PEDRO PAES MENDONÇA, em face de acórdão que manteve integralmente o Auto de Infração n. 37.221.3391, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP (AI 68) sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, in casu, a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais relativas a cota patronal, da qual entendia estar isenta. Consta do relatório fiscal que foi constatado que a Fundação Pedro Paes Mendonça é portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS 0253, datado de 16/12/2002, o qual foi renovado, em face da Resolução Nº 7, de 03/02/2009, publicada no DOU de 04/02/2009 – Seção 1 – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – Conselho Nacional de Assistência Social, que trata dos deferimentos de pedidos de renovação de CEBAS, na forma do art. 37 da MP nº 446, de 07/11/2008: 2389 – Processo nº 71010.000066/200894 – Fundação Pedro Paes Mendonça – Recife/PE – CNPJ: 24.134.777/000107 – Período de validade desta renovação:18/01/2008 a 17/01/2011 – Área de Atuação: Assistência Social.” Também fora verificada pela fiscalização a existência de Certidão expedida pelo Ministério da Justiça em18/11/2009 com validade até 30/04/2010, a qual certifica que a instituição Fundação Pedro Paes Mendonça, CNPJ 24.134.777/000107, declarada de utilidade pública federal (DOU de 15/05/2007), apresentou seu relatório circunstanciado de serviços e o demonstrativo de receitas e despesas referente 2008. Todavia, fora constatado que Fundação não dispõe do Ato Declaratório de Isenção de contribuições previdenciárias, de vez que não requereu a isenção à Receita Federal do Brasil. Tal fato gerou divergência entre os valores devidos a título de contribuições e os valores efetivamente declarados em GFIP e/ou recolhidos em GPS, razão pela qual foi lavrado o presente Auto de Infração. O relatório fiscal esclarece, ainda, que a multa aplicada fora aquela de 100% do valor da contribuição apurada, em conformidade com o antigo art. 32, § 5o da Lei 8.212/91 respeitados os limites contidos em seu § 4o, sem que fossem consideradas as alterações impostas pelo atual art. 32A da Lei 8.212/91. Conforme planilha de fls. 12, o lançamento compreende as competências de 08/2006, 09/2006, 11/2006, 12/2006, 01/2007, 05/2007, 06/2007, 08/2007 e 09/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 12/03/2010 (fls. 02). Em continuidade ao processo administrativo, a contribuinte foi intimada do v. acórdão recorrido, contra o qual interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o disposto no art. 55, §1.º, da Lei 8.212/91 não se aplica ao caso dos autos, porque trata de isenção, enquanto que a situação em exame é de imunidade, que deve ser potencializada. Sendo imunidade e não isenção, a Lei referida não pode ser aplicada porque a matéria "imunidade", na qualidade de "limitação constitucional Fl. 363DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720260/201083 Acórdão n.º 2402003.248 S2C4T2 Fl. 3 3 do poder de tributar", é afeta à lei complementar por força do art. 146, II, da Constituição Federal (in casu, o art. 14 do CTN, conforme precedentes do STJ e ex Conselho de Contribuintes); 2. que para o lançamento o fiscal apegouse a uma burocracia que, absolutamente desnecessária, chegou a ser revogada com o advento da Lei 12.101/09; 3. que a nova legislação substituiu o Ato Declaratório da isenção pela certificação, que nada mais é do que a própria renovação do CEBAS, o que possuía a recorrente, conforme documentação acostada aos autos; 4. que a expedição do Ato Declaratório não cria direito novo, possuindo caráter meramente declaratório e como tal gera efeitos ex tunc, de modo que, a certificação obtida pela recorrente tem o condão de suprir a ausência do indigitado Ato Declaratório, devendo ser aplicada retroativamente em respeito ainda aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, eficiência, boafé e economia. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Vencido Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente, cumpres esclarecer que as alegações recursais já foram objeto de análise quando do julgamento do processo n. 10480.720254/201026, de minha relatoria. oportunidade na qual restou entendido que a recorrente nào fazia jus a isenção pleiteada, de modo que, por este motivo, deixo de análisálas na presente oportunidade. A título de escalrecimento, segue a ementa proferida no julgado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ISENÇÃO. COTA PATRONAL. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUERIMENTO DE ISENÇÃO AO INSS. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO.PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente não efetuou o requerimento do reconhecimento ao direito de isenção junto ao INSS, em conformidade com o disposto no art. 55, §1.º, da Lei 8.212/91, requisito válido e necessário a época do fato gerador das contribuições lançadas, outra não pode ser a conclusão senão pela impossibilidade de fruição do benefício. ART. 55 §1.º, DA LEI 8.212/91. DETERMINAÇÃO MERAMENTE BUROCRÁTICA. INAPLICABILIDADE. AUTO APLICABILIDADE DO DIREITO À ISENÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Logo, resta inconteste a ocorrência da infração descrita no Presente Auto de Infração, tendo em vista a ausência de declaração dos valores de contribuição em GFIP. Por fim, há que se considerar aquilo o que determinado pelas inovações trazidas pela Lei 11.941/09, que acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a Fl. 365DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720260/201083 Acórdão n.º 2402003.248 S2C4T2 Fl. 4 5 apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciarias a que estaria sujeito o contribuinte. A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, assim devendo ser consideradas as informações relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual entendo deva ser, no presente caso, o dispositivo legal Fl. 366DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 aplicável, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a aplicação retroativa da Lei nova, quando dispuser sobre penalidades e que possa vir a ser mais benéfica ao acusado, no caso o contribuinte. Ante todo o exposto voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja efetuado o cálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art 32A da Lei 8.212/91. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720260/201083 Acórdão n.º 2402003.248 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Thiago Taborda Simões, Redator Designado Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, ousamos divergir. Tratase de recurso interposto contra auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, por deixar a Recorrente de apresentar informações devidas em GFIP, uma vez que, de acordo com a autoridade fiscal, a entidade não estaria alcançada pela isenção das contribuições previdenciárias e, portanto, devida a informação dos fatos geradores em GFIP: Todavia, ante a ausência de infração verificada nos autos dos processos n° 10480.720254/201026 e 10480.720258/201012 (obrigações principais), não há que se falar em imputação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Ante o exposto, reconheço o direito da Recorrente ao cancelamento do auto de infração. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário e a ele dou provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10925.000356/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO RECONHECIDA, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS.
Verificado que o reconhecimento da omissão apontada, não altera os fundamentos do acórdão, acolhem-se os embargos interpostos, sem efeitos modificativos.
Numero da decisão: 1302-001.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão, sem efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO RECONHECIDA, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS. Verificado que o reconhecimento da omissão apontada, não altera os fundamentos do acórdão, acolhem-se os embargos interpostos, sem efeitos modificativos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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OMISSÃO RECONHECIDA, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS. Verificado que o reconhecimento da omissão apontada, não altera os fundamentos do acórdão, acolhemse os embargos interpostos, sem efeitos modificativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 56 /2 00 7- 50 Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10925.000356/200750 Acórdão n.º 1302001.318 S1C3T2 Fl. 1.284 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130200.261 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 19/05/2010, com a seguinte ementa: COOPERATIVA DE CRÉDITO. SOBRAS. NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL. Não incide contribuição social sobre as sobras apuradas pela cooperativa de crédito nas atividades próprias do seu objeto social e necessárias à condução dos atos cooperados. O colegiado deu provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, cancelando a exigência da CSLL sobre os resultados apurados pela cooperativa de crédito. Cientificada em 21/02/2011, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs na mesma data embargos de declaração, sustentando que ao dar provimento ao recurso voluntário o colegiado incorreu em omissão a ser sanada, aduzindo que: O Colegiado deu provimento ao recurso voluntário por considerar que não incide CSLL sobre as sobras apuradas por cooperativa de crédito nas atividades próprias do seu objeto social e necessárias â condução dos atos cooperados. Pois bem. Na fundamentação do acórdão constou a seguinte afirmação (fl. 1137): O lançamento resumese a cobrar a contribuição social integralmente sobre os valores computados nos documentos contábeis da cooperativa„ sem fazer qualquer distinção da origem desses resultados. A ausência de abertura dessas informações no lançamento .fiscal impede que este colegiado agora aprecie de .forma segregado esses resultados, são todos unos, parte da sobra da Cooperativa. Ocorre que, analisando os documentos que acompanham o relatório de atividade fiscal, verificase que foi elaborada planilha detalhada com a discriminação de cada resultado (fls. 39/81). Diante do exposto, considerando que o Colegiado restou omisso, na medida em que não considerou os dados constantes na citada planilha, partindo de premissa fática equivocada, fazse mister que se pronuncie, esclarecendo se a discriminação da origem dos resultados influencia no resultado do julgamento. Ao final, a embargante requer que “os presentes embargos de declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para sanar a omissão apontada”. É o relatório. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10925.000356/200750 Acórdão n.º 1302001.318 S1C3T2 Fl. 1.285 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, assim, deles tomo conhecimento. Alega a Fazenda Nacional, ora embargante, que a decisão recorrida ao dar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo contém omissão a ser sanada, na medida em que o colegiado teria partido de premissa equivocada ao desconsiderar a existência, nos autos, de planilhas elaboradas pela fiscalização apontando a origem dos resultados tributados: se decorrentes de atos entre cooperados ou com terceiros. Alega que fazse mister que o colegiado se pronuncie, esclarecendo se a discriminação da origem dos resultados influencia no resultado do julgamento. Examinando o acórdão embargado verificase que, de fato, o voto condutor consigna em sua parte final que as sobras originárias dos atos cooperados e de aplicações junto a terceiros não teriam sido segregadas pela fiscalização e que não seria possível àquela altura o colegiado julgador segregar os resultados, motivo pelo qual, seguindo a firme jurisprudência administrativa a tributação também não poderia prosperar sobre os resultados das aplicações financeiras. A embargante, no entanto, aponta que a fiscalização havia elaborado planilha, junto com o seu relatório fiscal, segregando os resultados. Verificase, assim, que existe equívoco, de fato, na afirmação contida no voto condutor do acórdão. Ocorre que tal fato, a meu ver é irrelevante no deslinde da controvérsia, na medida em que na parte inicial do voto a relatora já havia afastado a possibilidade de incidência da contribuição inclusive sobre as receitas de aplicações financeiras, por entender que elas são inerentes aos atos cooperados, entendimento este amparado na jurisprudência do STJ, conforme excerto abaixo extraído do voto condutor: Não entendo que seja possível dissociar as aplicações de liquidez da cooperativa das aplicações junto a cooperados, sendo ambas em minha visa) inerentes aos atos cooperados, pelas razões que já esclareci. Alias, idêntico é o recente entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em análise do Agravo Regimental no Resp 717126/SC, conforme julgado pela Segunda Turma em 09/02/2010, DJe 24/02/2010, considerando o recurso proposto pela Fazenda contra decisão que havia favorecido a Cooperativa de Crédito do Vale do ltajai (SC) — Viacredi. Nessa decisão, o STJ, analisando o caso especifico do imposto de renda, afastou a aplicabilidade da Súmula STJ 262, reconhecendo que "as aplicações financeiras das cooperativas que atuam com crédito, por serem atos cooperados típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10925.000356/200750 Acórdão n.º 1302001.318 S1C3T2 Fl. 1.286 4 resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do imposto de renda" (Ministro Relator Herman Benjamin). Claramente, o racional aplicase à contribuição social: se não há lucro, não há contribuição sobre lucro! Ao meu ver o litígio já estava solucionado neste ponto. Todavia, a relatora do acórdão houve por bem aditar ao voto a observação de ainda que fosse possível tributar os rendimentos de aplicações financeiras resultado de operações com terceiros, tal hipótese não seria possível em face da não segregação das parcelas oriundas de cada um dos resultados. Afirmação esta que, conforme analisado acima, estava equivocada. Não obstante o reconhecimento do equívoco entendo que tal omissão é insuficiente para modificar o entendimento, tendo em vista a ampla e pacífica jurisprudência administrativa e judicial, utilizada como fundamento do acórdão embargado, e que considera que “a efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação” 1. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos, com vistas a suprir a omissão verificada, sem efeito modificativo nas conclusões do acórdão embargado. Sala das Sessões, em 11 de março de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 1 Acórdão nº 180201.060, de 24/11/2011 2a. Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Relator: José de Oliveira Ferraz Correa. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000296/2003-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1998
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO TRATA DA MATÉRIA IMPUGNADA.
Nos casos em que a matéria impugnada não é abordada pelo acórdão recorrido, não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois impossível a demonstração da divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade previsto no artigo 67, §6º, do RICARF.
Numero da decisão: 9101-001.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado) SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 1998 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO TRATA DA MATÉRIA IMPUGNADA. Nos casos em que a matéria impugnada não é abordada pelo acórdão recorrido, não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois impossível a demonstração da divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade previsto no artigo 67, §6º, do RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado) SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO TRATA DA MATÉRIA IMPUGNADA. Nos casos em que a matéria impugnada não é abordada pelo acórdão recorrido, não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois impossível a demonstração da divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade previsto no artigo 67, §6º, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (PresidenteSubstituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado) SUSY GOMES HOFFMANN (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 02 96 /2 00 3- 52 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 392/396) interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fundamento no art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.° 256, de 22/06/2009. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 180200.012 proferido pelos membros da 2ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário. Restou consignado no acórdão recorrido que é improcedente o lançamento efetuado com base em DCTF que contenha erros, desde que a documentação constante nos autos comprove a quitação do débito. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998 COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DA CSLL POR PAGAMENTO OU COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÕES EM DCTF. Tornase improcedente o lançamento tributário com base em DCTF, quando comprovado mediante a escrituração contábil a efetividade da quitação dos débitos, seja por pagamento ou por compensação de crédito registrado com o débito da mesma espécie declarado na DIPJ. Recurso Voluntário Provido.” A Fazenda Nacional, em suas razões recursais, argumentou que os documentos que demonstraram a quitação do débito e fundamentaram o voto do acórdão recorrido, foram juntados pelo contribuinte apenas na instância recursal, infringindo o disposto nos artigos 16, §4º e 17 do Decreto 70.235/72. Trouxe como paradigma o acórdão 10247140, assim ementado: “PAF JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS É preclusa juntada de provas, laudos ou outros documentos pelo contribuinte em momento posterior à apresentação da peça impugnatória, ressalvadas as hipóteses de impossibilidade de fazêlo ou de força maior, que devem ser devidamente provadas.” Pugnou pela reforma do acórdão recorrido. Em sede de exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 401/404 e pugnou, preliminarmente, pelo não conhecimento do recurso, pois a Fazenda Nacional não apontou interpretação divergente de outra Câmara. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR Processo nº 13605.000296/200352 Acórdão n.º 9101001.880 CSRFT1 Fl. 416 3 Ademais, destacou a existência de preclusão temporal relativamente à alegação de provas intempestivas, uma vez que só o fez em sede de recurso Especial, o qual não serve para tal fim. Por fim, caso o Recurso seja conhecido, pugnou pelo seu indeferimento para que seja mantido o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O presente recurso especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, no caso, não se verifica a divergência jurisprudencial suscitada pela Recorrente, senão vejamos. O acórdão recorrido trata de caso em que, a partir da escrituração contábil acostada aos autos, foi possível comprovar a efetiva quitação do crédito objeto do lançamento e, por isso, o lançamento foi considerado improcedente. Cumpre a transcrição da conclusão alcançada no voto condutor do acórdão recorrido: “(...) Com efeito, apesar de o contribuinte haver laborado em erro nas DCTF(s), do 2° ao 4° trimestre de 1998, a documentação constante dos autos comprovam a quitação da CSLL referente ao ano calendário de 1998 declarada na DIPJ/99, seja por pagamento, mediante DARF ou por compensação de crédito registrado com o débito da mesma espécie, demonstrada mediante o lançamento contábil a crédito do ativo circulante (CSLL a recuperar), e, a débito da conta do passivo que registra a obrigação da CSLL devida o que resulta na improcedência do lançamento efetuado com base em DCTF, de que tratam os presentes autos.” Verificase que o cerne da questão é a demonstração do efetivo pagamento do débito objeto do auto de infração. O acórdão recorrido, da primeira à última linha, não tratou da matéria abordada no acórdão paradigma. O acórdão paradigma tratou da impossibilidade de juntada posterior de prova: Fl. 417DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR 4 “(...) Notese que a Recorrente requer juntada posterior de provas que por motivo de força maior não puderam ser apresentados até então. No entanto, não esclarece que motivo impede a apresentação imediata das provas nem sequer especifica quais provas seriam. Não comprovado o motivo de força maior que impossibilitou a apresentação das provas no momento adequado, não se pode admitir juntada posterior de novas provas, bem como realização de perícia. (...)” Dispõe o artigo 67, § 6º, do RICARF: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” Desta forma, temse que as questões enfrentadas em ambos os acórdãos cotejados são diversas, isto porque o acórdão paradigma trata da apresentação posterior de prova, assunto que não foi abordado na decisão recorrida. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial. É nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgado cuja ementa segue transcrita: “RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido.” (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR Processo nº 13605.000296/200352 Acórdão n.º 9101001.880 CSRFT1 Fl. 417 5 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR
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Numero do processo: 19311.720394/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 94 /2 01 1- 00 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 4, no município de São Paulo, prestado pelo CONSÓRCIO LESTE 4. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo para tentar demonstrar que as empresas que prestaram os serviços deixaram de ser permissionárias, passando a efetiva condição de contratadas, com a remuneração fixada em função do custo do serviço prestado, considerando a frota de veículos, equipamentos, mãodeobra e instalações alocados à disposição do sistema. Informa que a operadora deixa de ser remunerada diretamente pela apropriação da tarifa paga pelo usuário, sendo que a arrecadação tarifária centralizada pela contratante é a principal fonte de recursos para o pagamento das empresas contratadas, modelo estabelecido por lei e que ficou conhecido como “municipalização do sistema de transporte”. Esclarece que os contratados têm obrigação de colocar permanentemente à disposição do usuário os serviços especificados pela contratante, nos horários, percursos e demais critérios operacionais, conforme cláusulas contratuais “Das Obrigações da Contratada”, e que a tomadora do serviço determina estritamente todas as condições para sua adequada execução, especificando o percurso e os horários dos ônibus, bem como a quantidade e a qualidade dos recursos (materiais e humanos) a serem disponibilizados pela cedente. A seguir, discorre sobre contratos e como o serviço era prestado, trazendo a legislação correlata sobre a matéria e reafirma o entendimento de que incide retenção de 11% sobre os serviços de operação de transportes de passageiros, pois prestados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Lei 8.212/1991. Conclui que, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem deixado de destacar os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é a responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal. Defende ainda que o lançamento deva ser feito em face da tomadora do serviço, com fundamento no art. 31, caput e § 1º e art. 33, § 5º da Lei 8.212/91, ficando a prestadora de serviços solidariamente responsável pelo débito, nos termos dos arts. 124, I e II e Fl. 937DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 2301003.992 S2C3T1 Fl. 936 3 128 do CTN, bem como art. 71 da Lei 8.666/93, pois entende que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota, uma vez que a lei não excluiu a responsabilidade do contribuinte nesses casos em que não há retenção pelo tomador, nem destaque na nota, permanecendo ambos (tomador e prestador) responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas, também com fulcro no artigo 128 do CTN. A autoridade lançadora esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 02/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há notícia de que a auditoria tenha averiguado se as concessionárias recolheram ou não as contribuições cuja ausência de retenção é objeto do auto de infração impugnado. No mérito, defende que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãodeobra e, por isso, ausente a ocorrência do fato gerador relativo ao tributo cobrado no AI em tela. O Consórcio LESTE 4 que, no entendimento da fiscalização, é responsável solidário pelo débito, também apresentou defesa, por sua empresa líder Himalaia Transportes SA, alegando, em apertada síntese, que o débito relativo à retenção de 11% é restrito ao tomador de serviços, consistindo em obrigação acessória que somente diz respeito ao mesmo, não podendo ser comungada com o prestador. Sustenta que a contribuição devida e instituída pelo art. 31, da lei 8.212/91, não pode ser considerada como devida também pelo prestador de serviços na qualidade de solidário, enfatizando que o referido dispositivo legal não criou novo tributo, mas apenas uma forma de antecipação de recolhimento da contribuição, de forma que o tomador de serviços é o responsável único pelo recolhimento que deixou de fazer ao não proceder a retenção. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.634, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 840), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Entenderam os julgadores de primeira instância que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra. Cientificadas da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada e a responsável solidária não se manifestaram. É o relatório. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi realizado com cessão de mão de obra. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços com cessão de mãode obra das empresas que compõem o CONSÓRCIO LESTE 4 e, nessa condição, está diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros, fundamentando a autuação no art. 31, da Lei 8.212/91. A autuada se defende do débito argumentando que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãode obra e, sim, uma concessão de prestação de serviços públicos, e que a prestação de serviços/terceirização não se confunde com a concessão/permissão De fato, a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Ou seja, o Órgão Público contrata uma empresa de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de construção Fl. 939DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 2301003.992 S2C3T1 Fl. 937 5 civil, para reformas e obras em suas edificações, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas especializadas de determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o Fl. 940DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de concessão de um serviço público, o de transporte coletivo. E, entendo que não restou demonstrada, nos autos, a cessão de mãodeobra nos serviços prestados pela concessionária Consórcio Bandeirante de Transporte. O conceito legal de cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter nãoeventual, respeitados os limites do contrato. Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e o Consórcio Leste 4, constatase que não houve contratação de serviços de mero fornecimento de mão de obra, mas sim uma concessão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que o Consórcio Bandeirante de Transporte assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve cessão de mão de obra à Prefeitura nos serviços prestados. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pelo Consórcio Leste 4 se enquadra na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção se realizados mediante cessão de mãodeobra. A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: Fl. 941DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 2301003.992 S2C3T1 Fl. 938 7 E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da cessão de mãodeobra foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de cessão de mãodeobra, que houve colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao seu poder de comando, e que o serviço tenha sido prestado no estabelecimento do tomador ou de terceiros. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e as empresas concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Mesmo estando a modalidade de concessão de transporte de passageiros no rol do § 2o, do art. 219, do Decreto 3.048/99, entendo que para o implemento da condição expressa no caput tem que ficar demonstrada a cessão de mão de obra, o que não ocorreu nos autos. Não restou comprovado que a autuada tomou mão de obra das contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. O contrato apresentado não demonstra que a concessionária tenha se obrigado a colocar mão de obra por ela contratada à disposição da Prefeitura. Pela cláusula 4.1.5, citada no Relatório Fiscal, verificase apenas que a empresa assumiu o compromisso de operar com pessoal devidamente capacitado e habilitado, e de cumprir as obrigações decorrentes da legislação trabalhista. E, como observou com muita propriedade o relator do acórdão recorrido, a constituição, manutenção e a permanente utilização de uma estrutura material e humana na execução dos serviços contratados se trata “de uma das mais elementares obrigações de qualquer concessionária de serviço público”. E o fato de os serviços serem executados nas vias públicas, indicadas pela contratante, não configura, por si só, a cessão de mão de obra que enseja a retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91. Da mesma forma, a determinação de condições e especificação do percurso e dos horários dos ônibus são características dos contratos administrativos em geral, conforme disposto na Lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, pois, nesse tipo de contrato, as cláusulas são fixadas unilateralmente pela Administração, já que o serviço continua público, sendo delegada à concessionária apenas a execução dos serviços. Como também é incumbência do poder público concedente a fiscalização dos serviços prestados, nos termos do art. 29, da citada Lei 8.987/95, que também não conceituou a forma de remunerar a concessionária pela execução dos serviços. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Assim, a forma como o Consórcio Leste 4 foi remunerado pelos serviços de transporte público não descaracteriza a concessão, como não também não demonstra a ocorrência da situação fática do art. 31, da Lei 8.212/91. Observase ainda que a autuada não teve ônus algum, já que não arcou com o custo de tais serviços. Conforme palavras do próprio auditor notificante, “Com o total da arrecadação da tarifa (fonte primária de recursos), mais os subsídios autorizados (quando previstos), a SPTrans efetua os pagamentos às empresas prestadoras, de acordo com a participação das mesmas no custo total do sistema...”.(...) Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. (...). Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. O fato de constar, da cláusula 19.1.25, do contrato de concessão do serviço público de transporte de passageiros, a previsão de criação de Grupo de Trabalho para apresentar critérios para desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, não prova que tal parcela se refere à retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, ou que tenha sido efetivado o desconto. Mesmo porque, se se tratasse da retenção de 11%, não seria necessária a constituição de um Grupo de Trabalho para apresentação de critérios, uma vez que a aplicação do referido art. 31 é imediata e obrigatória. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviço público de transporte urbano no Município de São Paulo, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. A fiscalização imputou à concessionária, ainda, a responsabilidade solidária pelo débito. Fundamenta seu entendimento nos arts. 124, I e II e 128 do CTN, bem como no art. 71 da Lei 8.666/93, argumentando que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota. Contudo, não assiste razão ao auditor autuante. Após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Portanto, não há que se falar em solidariedade pelo débito correspondente à retenção de 11%, nos casos em que não houve a retenção pelo tomador, como entendeu de forma equivocada a fiscalização, pois, conforme consta do próprio relato fiscal, o desconto se presume feito pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91. A fiscalização é contraditória em seu relatório, pois, ao mesmo tempo em que cita o mencionado § 5o para fundamentar o débito, o auditor autuante retira a aplicabilidade do Fl. 943DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 2301003.992 S2C3T1 Fl. 939 9 referido dispositivo legal ao afirmar que permanece a responsabilidade solidária da tomadora nos casos em que ela “não realizar a obrigação que está a seu cargo”. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Ou seja, a obrigação é somente da contratante, de proceder ao recolhimento da retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91 e, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, não há omissão de qualquer natureza nesse sentido na lei de custeio. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 944DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722380/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR - AÇÃO JUDICIAL - MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO - NULIDADE DO LANÇAMENTO.
A apreciação da nulidade do lançamento pode ser ultrapassada, quando observado que a apreciação do mérito é capaz dar solução a lide de forma definitiva.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
IV-dois vírgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições previstas no inciso I do caput e no art. 202, quando se tratar de pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produção rural.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001).
Ao contrário do afirmado pela recorrente, a exportação de produtos agrícolas não configura uma atividade econômica independente. A venda no mercado interno ou externo é apenas um ato de efetivação do exercício de qualquer atividade econômica, a circulação do produto. Prova que a venda não é fato independente, que o fato gerador da contribuição é a comercialização da produção.
A compra e venda de terras e o arrendamento não configura uma atividade econômica autônoma, na hipótese de o contribuinte adquirir as terras ou realizar os contratos de arrendamento como forma de incrementar sua produção. Não identifica-se nos autos contabilização de atividade de compra e venda de imóveis, ale´m daqueles comuns a aquisição de imóveis incorporadas no ativo da empresa.
Não é suficiente a simples previsão em contrato social para que reste configurada a atividade econômica autônoma, é imprescindível a realização efetiva da atividade, devendo a mesma estar devidamente registrada contabilmente.
Não há provas nos autos que houve efetivamente a comercialização dos insumos adquiridos, como emissão de notas fiscais de venda devidamente contabilizadas. Também não há provas da existência de uma estrutura comercial nas dependências do contribuinte em que se realizaram atividades de compra de insumos, estocagem, venda de insumos, com o respectivo recolhimento do ICMS ou pelo menos o destaque do imposto nos documentos fiscais. Ainda que o contribuinte realize uma venda esporádica de matérias, equipamentos, insumos, isso é insuficiente para configuração de uma atividade econômica autônoma, se não exercida com habitualidade.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE.
A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal.
SENAR, COTRIBUIÇÃO DE INTRVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - NÃO APLICAÇÃO DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88
As contribuições destinadas ao SENAR, classificam-se como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, sendo assim, são devidas, não havendo que se concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição lhe alcançaria, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico.
Numero da decisão: 2401-003.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) Por maioria de votos, excluir da receita tributável as vendas realizas para empresas comerciais exportadoras com o fim de exportação. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Sendo que a conselheira Carolina Wanderley Landim, votava por dar provimento ao recurso e os conselheiros Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, juntamente com a conselheira Carolina Wanderley Landim, limitavam a multa em 20% e excluíam os juros sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, é: I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: IVdois vírgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições previstas no inciso I do caput e no art. 202, quando se tratar de pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produção rural.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001). Ao contrário do afirmado pela recorrente, a exportação de produtos agrícolas não configura uma atividade econômica independente. A venda no mercado interno ou externo é apenas um ato de efetivação do exercício de qualquer atividade econômica, a circulação do produto. Prova que a venda não é fato independente, que o fato gerador da contribuição é a comercialização da produção. A compra e venda de terras e o arrendamento não configura uma atividade econômica autônoma, na hipótese de o contribuinte adquirir as terras ou realizar os contratos de arrendamento como forma de incrementar sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 23 80 /2 01 1- 51 Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 produção. Não identificase nos autos contabilização de atividade de compra e venda de imóveis, ale´m daqueles comuns a aquisição de imóveis incorporadas no ativo da empresa. Não é suficiente a simples previsão em contrato social para que reste configurada a atividade econômica autônoma, é imprescindível a realização efetiva da atividade, devendo a mesma estar devidamente registrada contabilmente. Não há provas nos autos que houve efetivamente a comercialização dos insumos adquiridos, como emissão de notas fiscais de venda devidamente contabilizadas. Também não há provas da existência de uma estrutura comercial nas dependências do contribuinte em que se realizaram atividades de compra de insumos, estocagem, venda de insumos, com o respectivo recolhimento do ICMS ou pelo menos o destaque do imposto nos documentos fiscais. Ainda que o contribuinte realize uma venda esporádica de matérias, equipamentos, insumos, isso é insuficiente para configuração de uma atividade econômica autônoma, se não exercida com habitualidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE. A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal. SENAR, COTRIBUIÇÃO DE INTRVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO NÃO APLICAÇÃO DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88 As contribuições destinadas ao SENAR, classificamse como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, sendo assim, são devidas, não havendo que se concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição lhe alcançaria, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR AÇÃO JUDICIAL MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NULIDADE DO LANÇAMENTO. A apreciação da nulidade do lançamento pode ser ultrapassada, quando observado que a apreciação do mérito é capaz dar solução a lide de forma definitiva. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) Por maioria de votos, excluir da receita tributável as vendas realizas para empresas comerciais exportadoras com o fim de exportação. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Sendo que a conselheira Carolina Wanderley Landim, votava por dar provimento ao recurso e os conselheiros Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, juntamente com a conselheira Carolina Wanderley Landim, limitavam a multa em 20% e excluíam os juros sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela O TELHAR AGROPECUÁRIA aos seus empregados, no período de 01/2009 a 12/2009, cujos autos de infração encontrase divididos. 1. AI DEBCAD nº 50.002.7668, compreende as contribuições patronais (alíquota de 2,5%) e a contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (alíquota de 0,1%);, no período de 01/2009 a 12/2009, sobre o valor da comercialização rural própria. 2. AI DEBCAD nº 50.002.7676, compreende as contribuições para as terceiras entidades mais especificaamente ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR (alíquota de 0,25 %). Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 807 e seguintes foram constituídos de ofício os presentes créditos previdenciários, em decorrência das seguintes constatações e procedimentos adotados no decorrer da ação fiscal: · Das GFIPs apresentadas pelo contribuinte constatouse que foram declarados fatos geradores das contribuições devidas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I e II da Lei n° 8.212/91, e para outras entidades e fundos (FPAS 515 Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, ou seja, com base na folha de pagamento da empresa. · Os correspondentes recolhimentos foram realizados com o código 2100 (recolhimento utilizado para empresas em geral), com base também na folha de pagamento, e não no código 2607 (recolhimento sobre a comercialização da produção rural). · Conforme disposto no art. 201, § 22, do Decreto n° 3.048/99 Regulamento da Previdência Social, na hipótese de se tratar de produtor rural pessoa jurídica, o sujeito passivo somente pode contribuir com base na folha de pagamento caso comprove a exploração de outra atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, no mesmo ou em estabelecimento distinto, independentemente de qual seja a atividade preponderante. · Nos termos do art. 165, inciso XXII, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, considerase atividade econômica autônoma a que não constitui parte de atividade econômica mais abrangente ou fase de processo produtivo mais complexo, e que seja Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 4 5 exercida mediante estrutura operacional definida, em um ou mais estabelecimentos. · Em 21/03/2011 em resposta à intimação, o contribuinte sustenta que, além de sua atividade principal que consiste na produção agrícola, a empresa, desenvolve, nos termos de seu contrato social, as seguintes atividades: importação e exportação de produtos agrícolas e da pecuária; compra e venda de terras para exploração agrícola e pecuária; arrendamentos de terras para exploração agrícola e da pecuária; comercialização no mercado interno e exportação direta e indireta de soja, milho, algodão, sorgo, milheto, trigo e todos os seus derivados e outros produtos agropecuários; comercialização de insumos agropecuários; prestação de serviços de escritório e administrativos, comerciais e financeiros, entre outros correlatas. Esclareceu, ainda, que no ano de 2007, exerceu efetivamente atividade econômica autônoma, consubstanciada na atividade de compra e venda de imóveis, realizada por meio de seu estabelecimento matriz, através de uma estrutura operacional definida internamente, utilizandose, ainda, da assessoria de terceiros, na intermediação dos mencionados negócios jurídicos. Em relação a esta última alegação, apresentou cópias de diversas escrituras em que a empresa aparece como compradora de imóveis rurais. Por fim, asseverou que no ano de 2007 a empresa encontravase no início de suas operações e, por este motivo, as demais atividades constantes de seu objeto social passaram a ser desenvolvidas nos anos subseqüentes. · Em que pese tais argumentos, ficou constatado que o sujeito passivo deixou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, o efetivo exercício de qualquer atividade econômica comercial, industrial ou de serviços autônoma da rural. No que se refere à atividade de compra e venda de imóveis, esta não restou comprovada, pois as escrituras atestam apenas a aquisição das propriedades rurais, ou seja, não foi demonstrado o exercício da atividade mercantil imobiliária. Além disso, apesar da alegação de que a referida atividade deuse por meio de "uma estrutura operacional definida internamente" ou através da "assessoria de terceiros", em nenhum momento tal assertiva também ficou demonstrada pelo contribuinte em sua resposta. · Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, anocalendário (AC) 2007, não há referência a qualquer atividade econômica operacional autônoma diferente da rural. Nesta declaração não consta qualquer registro de despesas operacionais para atividades em geral, tais como remuneração a empregados, encargos sociais, despesas com veículos, prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, etc. Do mesmo modo, não há Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 registro de receitas operacionais distintas da atividade rural, sendo que na Ficha 60 da DIPJ AC 2007, o sujeito passivo declara a existência de receita de vendas advindas de uma única atividade econômica no referido período, qual seja, a comercialização de sua produção rural. · Conforme consta na DIPJ em tela, o valor total da receita de vendas informado pela empresa, referente ao ano de 2007, foi de R$ 14.527.939,28 (catorze milhões quinhentos e vinte e sete mil novecentos e trinta e nove reais e vinte e oito centavos). Deste valor, conforme informado na Ficha 59 da DIPJ, R$ 11.726.408,75 (onze milhões setecentos e vinte e seis mil quatrocentos e oito reais e setenta e cinco centavos) referese à receita de vendas a comercial exportadora CARGILL AGRÍCOLA S/A, CNPJ 60.498.706/005973, com o fim específico de exportação, não havendo registro de receita oriunda de exportação direta. · O contribuinte asseverou, em síntese, que: desenvolve as atividades operacionais descritas no seu contrato social; que, em relação aos exercícios 2008 e 2009, a empresa sob ação fiscal desenvolveu atividade de comercialização de insumos agropecuários, tendo adquirido de terceiros tais mercadorias para posterior revenda. Anexou, como prova de suas alegações, as respectivas notas fiscais de venda. · Analisando as notas fiscais apresentadas verificouse que as mesmas não se referem à venda da produção rural própria do sujeito passivo e sim, predominantemente, a venda de insumos agropecuários adquiridos de terceiros, não constituindo, portanto, fato gerador das contribuições sociais ora lançadas. · Da mesma forma que no ano de 2007, o sujeito passivo não logrou êxito em comprovar qualquer atividade econômica diversa da rural, pois não restou demonstrada a existência de uma estrutura operacional definida para o seu exercício, nos termos do art. 165, inciso XXII, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009. · Consultando as DIPJ AC 2008 e 2009, ficou constatado que o próprio sujeito passivo declara a inexistência de despesas e receitas operacionais relativas a atividades distintas da rural. Na ficha 60 da DIPJ AC 2008 e na ficha 54 da DIPJ AC 2009, ambas referentes à Discriminação da Receita de Vendas dos Estabelecimentos por Atividade Econômica, não há nenhuma informação de receitas oriundas de outras atividades, somente da rural. · Verificouse, ainda, que não há nas DIPJs AC 2008 e 2009 registro de receitas advindas de exportação direta. Segundo consta na DIPJ AC 2009 há receitas de vendas às seguintes empresas comerciais exportadoras com o fim específico de Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 5 7 exportação: CARGILL AGRÍCOLA S/A, CNPJ 60.498.706/0059 73 e LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S.A, CNPJ 47.067.525/010766. · Corrobora ainda com a assertiva de que o sujeito passivo não exerce outra atividade econômica autônoma, o fato de que nas GFIPs apresentadas, relativas a todo o período fiscalizado, só foram constatados trabalhadores ligados à atividade rural e administrativa da empresa, não sendo encontrados segurados pertencentes a outra estrutura operacional (a exemplo da alegada comercialização de insumos agropecuários). A conclusão para esta afirmação deuse a partir da verificação da CBO Classificação Brasileira de Ocupações informada nas GFIPs em tela. São exemplos de códigos de ocupação identificados nas referidas declarações: 3211 Técnicos Agrícolas; 6220 Trabalhadores de Apoio à Agricultura; 6201 Supervisores na Exploração Agropecuária; 4221 Recepcionistas; 2410 Advogados; 2521 Administradores; 2522 Contadores; 3513 Técnicos em Administração. Se realmente a empresa exercesse outra atividade econômica autônoma comercial deveria se esperar que houvesse nas GFIPs apresentadas trabalhadores vinculados a códigos de ocupação específicos correspondentes, tais como: 5211 Operadores do Comércio em Lojas e Mercados (especialmente 5211/05 Vendedor em Comércio Atacadista; 5211/10 Vendedor em Comércio Varejista; 5211/15 Promotor de Vendas); 3541 Técnicos de Vendas Especializadas. · Concluise que não houve o exercício de atividade econômica autônoma diversa da atividade rural. O que de fato ocorreu, especialmente nos anos de 2008 e 2009, foi o exercício de atividade comercial em caráter eventual, sem qualquer estrutura operacional definida. · Como não foram preenchidos os requisitos estampados no art 201, § 22, do Decreto n° 3.048/99 Regulamento da Previdência Social, são devidas as contribuições sociais incidentes sobre a comercialização da produção própria em substituição às contribuições patronais incidentes sobre a folha de pagamento da empresa. · Após análise dos esclarecimentos do contribuinte, da documentação por este apresentada e das informações obtidas junto aos sistemas informatizados da RFB, constatouse que o sujeito passivo deixou indevidamente de declarar e recolher as contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre a receita bruta da comercialização de sua produção rural própria. · Constitui fato gerador das contribuições devidas pelo sujeito passivo à Seguridade Social, a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural própria, auferida nos anos de 2007 a 2009, não declarada nas GFIPs apresentadas, e apurada a partir dos lançamentos efetuados nas seguintes contas contábeis: 100 Venda De Produção Milho; Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 99 Venda De Produção Soja; 3010101100003323 Venda De Produção (Soja); 3010101100003333 Venda De Produção (Milho); 1647 Venda De Produção Feijão; 1187 Venda De Produção Sorgo; 2257 Venda De Produção Arroz. · Conforme mencionado anteriormente, não constam nas DIPJs apresentadas receitas de vendas de produção rural própria decorrentes de exportação direta, somente receitas de vendas no mercado interno, incluindo nestas últimas, as advindas de vendas à empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação (AC 2007 e 2009), as quais também constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas nos termos do art. 170 da IN RFB n° 971/2009. · Os fatos geradores foram codificados através dos seguintes levantamentos, relacionados no relatório intitulado "DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO": RP RECEITA COM RURAL PRÓPRIA (período do débito: 02/2007 a 09/2007; 11/2007; 12/2007; 02/2008 a 09/2008; 11/2008); RP1 RECEITA COM RURAL PRÓPRIA (período do débito:01/2008 e 10/2008); RP2 RECEITA COM RURAL PRÓPRIA (período do débito:12/2008 a 12/2009). · As GFIPs computadas para efeito de considerar os referidos fatos geradores como não declarados, foram as últimas transmitidas pelo sujeito passivo antes do início da fiscalização, conforme consulta ao sistema informatizado da RFB "GFIPWEB". As referidas declarações, que abarcam as competências 02/2007 a 12/2009, seguem como peça integrante do presente processo de constituição do crédito tributário. Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 27/09/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/09/2012. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 2178 a 2250 e 2343 a 2378. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente em parte o lançamento, fl. 2407 a 2441. Segue ementa do acordão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 6 9 contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. EXPLORAÇÃO DE OUTRA ATIVIDADE AUTÔNOMA. INOCORRÊNCIA. Apenas o produtor rural pessoa jurídica que comprovadamente explore, além da atividade de produção rural, outra atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, poderá contribuir para a previdência social com base na folha de pagamento dos segurados a seu serviço para todas as atividades. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 10.256/2001 E A RATIFICAÇÃO DOS INCISOS DO I E II DO ART. 25 PELO CAPUT TÉCNICA LEGISLATIVA. Ao presente caso, aplicase o inciso III do art. 12 da Lei Complementar n° 95/98, com fundamento de validade no art. 59, parágrafo único, da CF, que dispõe sobre a elaboração; a redação; a alteração e a consolidação das leis, em cujas regras não consta o impedimento de aproveitar a redação do dispositivo alterado naquilo que for pertinente. IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. MERCADO EXTERNO. RECEITA PROVENIENTE DE EXPORTAÇÃO. TRADING COMPANIES E COMERCIAIS EXPORTADORAS. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pela agroindústria, as vendas realizadas a trading companies ou a comerciais exportadoras são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis, pois a legislação previdenciária não diferencia a venda interna relativamente ao objeto comercial do comprador ou ao destino que ele posteriormente dê à mercadoria adquirida. A imunidade constitucional sobre receitas decorrentes de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. SENAR. COOPERATIVA. EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. A imunidade das contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos não atinge a contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE MULTAS. INOCORRÊNCIA. Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A multa encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal. Não houve a incidência de juros sobre multas. APROVEITAMENTO DE RECOLHIMENTOS REALIZADOS. Cabe ao contribuinte direito ao abatimento dos créditos constituídos com recolhimentos realizados sob o códigos 2100, cabendolhe, também, o direito a restituição de créditos eventualmente não aproveitados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 237 a 231, onde em geral traz o recorrente os mesmos argumentos já apresentados na impugnação, quais sejam: 1. DA INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DO IMPUGNANTE · Para uma empresa dedicada a venda de fertilizantes, os atos de entrega do produto nada mais são do que atos instrumentais de venda de fertilizantes. Não há duas atividades econômicas autônomas, mas somente uma. A atividade econômica da sociedade comercial contempla todas as atividades acessórias e instrumentais necessárias ao seu pleno desenvolvimento. 2. · No caso vertente, conforme reza seu contrato social e narra o relatório fiscal, além de sua atividade principal, que consiste na produção agrícola, a empresa desenvolve as seguintes atividades: importação e exportação de produtos agrícolas e da pecuária; compra e venda de terras; arrendamentos de terras para exploração agrícola e da pecuária; comercialização no mercado interno e exportação direta e indireta de soja, milho, algodão, milheto, trigo e todos os seus derivados e outros produtos agropecuários; comercialização de insumos agropecuários; prestação de serviços de escritório e administrativos, comerciais e financeiros, entre outros correlatas. 3. · Seu objeto social contempla atividades econômicas autônomas, visto que a compra e venda de terras não é ato instrumental, implícito ou integrativo da atividade econômica de importação de produtos da pecuária. 4. · Houve efetivamente a exploração de atividades econômicas autônomas pela Impugnante, conforme narra o próprio relatório fiscal.Houve a compra e venda de terras, conforme atestam as escrituras anexadas à presente impugnação, além da comercialização de insumos agropecuários adquiridos de terceiros para posterior comercialização. Esta situação foi reconhecida pelo próprio auditor fiscal, que em relatório fiscal asseverou: 5. "Analisando as notas fiscais apresentadas verificouse que as mesmas não se referem à venda de produção rural própria do sujeito passivo e sim, predominantemente, a venda de insumos agropecuários adquiridos de terceiros, não constituindo, portanto, fato gerador das contribuições sociais ora lançadas." 6. · O relatório fiscal é claro na constatação de que a Impugnante, além da atividade de produção agropecuária, desenvolve a atividade de comercialização de insumos agropecuários, atividade econômica autônoma da atividade de produção agrícola. Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 7 11 7. · Temos três constatações evidenciadas pelo próprio relatório fiscal: 8. • A Impugnante é pessoa jurídica dedicada às seguintes atividades: produção agrícola; importação e exportação de produtos agrícolas e da pecuária; compra e venda de terras; arrendamentos de terras para exploração agrícola e da Pecuária; comercialização no mercado interno e exportação direta e indireta de soja, milho, algodão, milheto, trigo e todos os seus derivados e outros produtos agropecuários; comercialização de insumos agropecuários; prestação de serviços de escritório e administrativos, comerciais e financeiros, entre outros correlatas; 9. • A Impugnante comprou e vendeu terras; 10. • A Impugnante comercializou insumos agropecuários. 11. Tais fatos são mais do que suficientes para caracterizar o exercício de atividade econômica autônoma por parte da Impugnante. 12. · A compra e venda de terras não se caracteriza como ato instrumental, implícito e integrativo da atividade de produção agrícola. A comercialização de insumos agropecuários não é ato instrumental, implícito e integrativo da atividade de produção agrícola. 13. · A mera análise do relatório fiscal permite concluir que a Impugnante desenvolve atividades econômicas autônomas à atividade de produção agrícola. 14. · Nos termos do disposto no parágrafo 22 do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social a Impugnante está obrigada a recolher suas contribuições previdenciárias calculandoa sobre a folha de salários. 15. Dos julgamentos, resta evidenciado que o Fisco, ao enquadrar as atividades econômicas dos contribuintes deve analisar a origem das receitas auferidas, bem como as atividades econômicas desenvolvidas conforme disposto em seu contrato social. 16. · O relatório fiscal elaborado pelo Auditor Fiscal não deixa dúvidas quanto à existência de receitas decorrentes da comercialização de insumos agrícolas, bem como das atividades econômicas desenvolvidas pela Impugnante, conforme expressamente previsto em seu contrato social. (Reproduz texto do relatório fiscal): 17. "Analisando as notas fiscais apresentadas verificouse que as mesmas não se referem à venda de produção rural própria do sujeito passivo e sim, predominantemente, a venda de insumos agropecuários adquiridos de terceiros, não constituindo, portanto, fato gerador das contribuições sociais ora lançadas." 18. · Evidente, portanto, o desenvolvimento, pelo contribuinte, de atividade econômica autônoma, o que, por si só, já torna o auto de infração impugnado totalmente insubsistente. 19. Clara, portanto, a invalidade da imposição! 20. O relatório fiscal é claro em asseverar que a Impugnante recolheu as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários. Ocorre que ao quantificar os valores Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 exigidos no presente auto de infração, o d. Auditor Fiscal simplesmente ignorou todos os valores recolhidos, como se não tivesse havido nenhum recolhimento, e exigiu a contribuição integralmente, sem qualquer tipo de abatimento. 21. O caso em exame é análogo àquele julgado pelo STF em relação à contribuição do produtor rural, pessoa física, prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.212/91, conforme redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/1997 22. O art. 25 da Lei 8.212/91 trata da contribuição social devida pelo produtor rural pessoa física, enquanto o art. 25 da Lei 8.870/94 trata da contribuição social devida pelo produtor rural pessoa jurídica, que é o caso da Impugnante. 23. · Diante da unificação do sistema previdenciário (urbano e rural), a contribuição prevista no art. 15, I, "a", da Lei Complementar 11/71, restou suprimida, vigorando daí em diante as contribuições instituídas já sob a vigência do novo Texto Constitucional. 24. A totalidade da obrigação tributária em exame não é composta apenas pelo art. 2o da Lei 10.256/01, mas essencialmente pela Lei 8.870/04, na sua redação original. 25. · A lei em referência não está apta, portanto, a contribuir com nenhum aspecto da hipótese de incidência para formação de qualquer obrigação tributária, pois editada com vício de inconstitucionalidade na origem. 26. A instituição de contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural das pessoas jurídicas, nos termos exigidos pelo artigo 25, incisos I e II da Lei n° 8.870/94 viola o princípio da isonomia tributária. 27. Consta do relatório fiscal, que a Impugnante auferiu receitas decorrentes de vendas para empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação. Tais vendas foram efetuadas para as empresas Cargill Agrícola S.A. (CNPJ/MF n. 60.498.706/0059 73) e Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A. (CNPJ/MF n. 47.067.525/010766), referente a receitas da comercialização rural própria. 28. · A Constituição Federal, em seu artigo 149, além de trazer a regramatriz de todas contribuições, instituiu a imunidade das contribuições às receitas decorrentes de exportação. 29. A contribuição ao SENAR encontrase definida pela Lei 8.315/91. 30. · Entende que a forma de tributação prevista no § 1 º do art. 25 da Lei 8.870/94 é indevida, por manifesta ofensa ao Texto Constitucional. 31. · A contribuição destinada ao custeio do SENAR não é de seguridade social, mas sim de intervenção no domínio econômico ou de interesse de categoria econômica. 32. A multa de ofício está sofrendo a incidência de juros equivalentes à taxa SELIC. 33. · Com efeito, o crédito tributário está sendo acrescido de juros quer em relação ao valor do principal, quer em relação ao valor da multa de ofício. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 801. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO RECURSO DE OFÍCIO Tratase de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c art. 1º da portaria nº 3 de 3/1/2008 do Ministro da Fazenda. No que concerne aos pagamentos já realizados, a própria Receita Federal do Brasil reconheceu a procedência do argumento, julgando parcialmente procedente o lançamento. Neste ponto não merece reparo a decisão a quo, negandose provimento ao recurso de ofício. Transcrevese parte do decisório que reconheceu o direito do contribuinte: Portanto, cabe ao contribuinte direito ao abatimento dos créditos constituídos,aproveitandose os recolhimentos realizados sob o código 2100, uma vez que ficou constatada a inocorrência deste procedimento pela fiscalização, cujo procedimento será realizado em sede de julgamento, conforme os passos descritos a seguir no tópico revisão de lançamentos, dispensandose a realização de diligência fiscal com a finalidade de retificar os créditos apurados, conforme solicitou a interessada. Quanto a este ponto, entendo que nenhum reparo deva ser feito na decisão proferida, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTÁRIO DO MÉRITO A controvérsia pode ser resumida no seguinte ponto: o contribuinte possui ou não outra atividade econômica autônoma distinta da produção agropecuária. De acordo com o disposto no art. 25 da Lei nº 8.870, de 1994, a contribuição destinada à Seguridade Social devida pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, incidirá sobre a comercialização da produção.Regulamentando esse dispositivo, o art. 201, inciso IV, do RPS dispõe que a contribuição da pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produçãorural será de dois vírgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições previstas no inciso I do caput e no art. 202. Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: IVdois vírgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições previstas no inciso I do caput e no art. 202, quando se tratar de pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produção rural.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Ao contrário do afirmado pela recorrente, a exportação de produtos agrícolas não configura uma atividade econômica independente. A venda no mercado interno ou externo é apenas um ato de efetivação do exercício de qualquer atividade econômica, a circulação do produto. Prova que a venda não é fato independente, que o fato gerador da contribuição é a comercialização da produção. A compra e venda de terras e o arrendamento não configura uma atividade econômica autônoma, na hipótese de o contribuinte adquirir as terras ou realizar os contratos de arrendamento como forma de incrementar sua produção. Afinal, para produzir é necessário o substrato onde ocorre o crescimento dos vegetais. Do mesmo modo que uma indústria precisa de um estabelecimento para realizar a fabricação de produtos, um produtor agropecuária precisa da fazenda. O fato de uma indústria comprar terrenos ou imóveis, ou alugálos não impõe o exercício de atividade econômica própria de uma imobiliária. Não identificase nos autos contabilização de atividade de compra e venda de imóveis, ale´m daqueles comuns a aquisição de imóveis incorporadas no ativo da empresa. Relativamente à comercialização de insumos, que não sejam as sementes produzidas nem as crias dos animais da própria pessoa jurídica, poderia haver a caracterização de uma atividade autônoma.No entanto, não é suficiente a simples previsão em contrato social para que reste configurada a atividade econômica autônoma, é imprescindível a realização efetiva da atividade, devendo a mesma estar devidamente registrada contabilmente. O contribuinte alega que adquiriu insumos para posterior comercialização. Entretanto, não há provas nos autos que houve efetivamente a comercialização dos insumos adquiridos, como emissão de notas fiscais de venda devidamente contabilizadas. Também não há provas da existência de uma estrutura comercial nas dependências do contribuinte em que se realizaram atividades de compra de insumos, estocagem, venda de insumos, com o respectivo recolhimento do ICMS ou pelo menos o destaque do imposto nos documentos fiscais. Ainda que o contribuinte realize uma venda esporádica de matérias, equipamentos, insumos, isso é insuficiente para configuração de uma atividade econômica autônoma, se não exercida com habitualidade. A venda pode ser resultado do excesso adquirido que não foi utilizado nos plantios realizados pelos contribuintes. Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 9 15 Neste ponto, é esclarecedor o trecho da decisão a quo: Para adotar o procedimento acima, a autoridade fiscal, após análises das alegações e documentos apresentados pela impugnante, constatou que ela deixou decomprovar, mediante documentação hábil e idônea, o efetivo exercício de qualquer atividade econômica comercial, industrial ou de serviços autônoma da rural; que não ficou demonstra a existência de uma estrutura operacional definida para o seu exercício, nos termos do art. 165,inciso XXII, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009; que em consulta às DIPJs para os anos calendários 2008 e 2009, constatou a inexistência de despesas e receitas operacionais relativa sa atividades distintas da rural; que nestes documentos não há nenhuma informação de receitas oriundas de outras atividades que não fosse da rural; que nas GFIPs relativas a todo o período fiscalizado só foram identificados trabalhadores ligados à atividade rural e administrativa da empresa, não sendo encontrados segurados pertencentes a outra estrutura operacional, e que,portanto, não houve o exercício de atividade econômica autônoma diversa da atividade rural,especialmente nos anos de 2008 e 2009, a não ser atividade comercial em caráter eventual, sem qualquer estrutura operacional definida. DA IMUNIDADE PARA VENDA NO MERCADO INTERNO A imunidade das contribuições previdenciárias somente se efetiva no caso de receitas decorrentes de exportação, conforme previsto no art. 149, § 2º, I da Constituição Federal. Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) As vendas realizadas no mercado interno sujeitamse ao tributo, portanto, não há razão ao contribuinte que as vendas efetuadas para as empresas Cargill e Louis Dreyfus deveriam estar amparadas pela imunidade. Não se trata, conforme descrito pelo auditor de utilização dessas empresas para realização de exportação direta, mas da efetiva comercialização dos produtos que nada Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 mais é do que o próprio fato gerador da contribuição previdenciária. Assim, em relação a esse fato, também não merece qualquer reparo a decisão proferida. Aliás, o encaminhamento da autoridade julgadora encontrase acertado, demonstrando os motivos pelos quais o lançamento efetuado, vejamos trecho da decisão: Portanto, tratase de entendimento equivocado, eis que a operação entre a empresa notificada e as empresas exportadoras, visto tratarse de comercialização no mercado interno, não está coberta pela imunidade prevista no artigo 149, § 2º, I, pois o dispositivo constitucional concede a benesse somente à receita proveniente de exportação direta. Ademais, o art. 245 e §§ 1º e 2º, da IN SRP nº 03, de 2005, assim preceitua sobre a matéria em debate: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do §2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. §1° Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. §2° A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto.(GRIFOUSE) Dessa forma, rejeito os argumentos apresentados pela Impugnante em relação à imunidade prevista no artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal, e da sua abrangência à comercialização de produção rural no mercado interno. A legislação tributária de regência é bastante clara no sentido de que as vendas internas não se confundem com as vendas externas, especificamente no que diz respeito ao regime tributário a que obedecem. É certo que na legislação relativa a outros tributos há expressa previsão de que não incidirão os respectivos gravames quando da venda de produtos a trading companies ou comerciais exportadoras. Entretanto, a norma constitucional, ao contrário do que pretende a impugnante, não tem o alcance que a contribuinte pretende. Diz a Constituição Federal em seu artigo 149, §2º, inc. I: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 10 17 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Como se pode verificar, a Constituição Federal não define o que se deve entender por “receita decorrente de exportação”, de maneira que não cabe ao intérprete dizer mais do que o texto normativo diz. Vejase, a esse respeito, que o Código Tributário Nacional – CTN, determina em seu artigo 108, que: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Parece ser exatamente o caso do parágrafo §2º, acima, a pretensão da defesa, que pretende ampliar o conceito de venda ao exterior dado pela legislação previdenciária com fundamento no que dizem outras legislações, como a do ICMS e do IPI, requerendo a aplicação da eqüidade para se ver livre da tributação: No caso, a interpretação do Fisco é contrária até mesmo aos interesses do País, pois implica obrigar o produtor rural a buscar o mercado consumidor externo de forma direta em detrimento de empregos gerados nas empresas de intermediação de vendas. É irracioanal! E como vimos, o CTN veda a utilização da eqüidade para eximir o contribuinte do pagamento de tributo. Não bastasse isso tudo, a legislação previdenciária sempre indicou que a contribuição previdenciária da agroindústria incidiria sobre as receitas provenientes de vendas efetuadas no mercado interno, sem distinção quanto à atividade da empresa adquirente ou ao destino que esta dê à mercadoria posteriormente. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Nesse sentido, a previsão da IN SRP nº 03/2005, que explicitou esse entendimento veio tão somente esclarecer o alcance da norma vigente, não havendo aí mácula alguma à previsão constitucional. Por fim, ainda que o acima exposto já não fosse suficiente para afastar a pretensão da contribuinte, é certo que para acolher a pretensão posta na impugnação esta autoridade julgadora teria que aceitar, ainda que incidentalmente, que a norma vigente e aplicável à matéria vai contra a previsão constitucional. Mas o artigo 26A, do Decreto nº 70.235/72 expressamente veda essa análise: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Além disto, a Receita Federal já normatizou esta matéria, como se verifica nos artigos 170 a 172 da IN RFB nº 971, de 2009: Da Exportação de Produtos Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 11 19 § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. § 3º O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Seção III Da Base de Cálculo das Contribuições do Produtor Rural Art. 171. A base de cálculo das contribuições sociais devidas pelo produtor rural é: I o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e dos subprodutos e resíduos, se houver; II o valor do arremate da produção rural; III o preço de mercado da produção rural dada em pagamento, permuta, ressarcimento ou em compensação, entendendose por: a) preço de mercado, a cotação do produto rural no dia e na localidade em que ocorrer o fato gerador; b) preço a fixar, aquele que é definido posteriormente à comercialização da produção rural, sendo que a contribuição será devida nas competências e nas proporções dos pagamentos; SENAR As contribuições destinadas ao SENAR, classificamse como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, sendo assim, tanto a incidente sobre a receita decorrente da comercialização da produção quanto a incidente sobre a folha de salários, são devidas, não havendo que se concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição lhe alcançaria, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 razão pela qual são exigíveis a controbuição destinada ao SENAR, a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA MULTA LIMITADA A 20% Com relação da interpretação em relação a aplicação dos dispositivos da MP 449/2008, convertida na lei 11.941 em relação a competência 10/2008, entendo que os argumentos do recorrente não merecem prosperar. Filiome a tese adotado pelo auditor fiscal e ratificada pelo julgador de primeira instância. No que tange ao cálculo da multa, face à edição da MP 449/08, convertida em lei 11.941, a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 12 21 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado (75%). As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso conforme descrito no relatório fiscal, para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática, multa moratória, com a aplicação de multa pela não informação em GFIP, e da sistemática descrita na nova legislação. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos explicitados acima. Em relação as competências anteriores a edição da referida MP (04/12/2008) e considerando que o art. 106 que, inciso II, "c do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) dispõe que tratandose de ato não definitivamente julgado a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, efetuamos o demonstrativo da multa entre as penalidades da legislação posterior e anterior a MP 449/2008 para a aplicação da mais benéfica, conforme Anexo único e resumo abaixo. Ou seja, para efeitos da apuração da situação mais favorável, observou o auditor fiscal notificante: 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 13 23 averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Alega o recorrente que ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício, contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela autoridade julgadora, Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício ´´e aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. No mesmo sentido, manifestouse por maioria a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, em sua maioria, são insuficientes para refutar o lançamento. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento na forma acima especificada. Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Em relação ao recurso voluntário, CONHEÇO DO RECURSO para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 14 25 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Peço vênia para discordar do bem fundamentado voto da Conselheira Elaine Cristina Monteiro, apenas quanto à incidência de contribuição sobre os produtos comercializados para as empresas comerciais exportadoras Cargill e Louis Dreyfus. Essa questão não é nova nesta Turma, a qual tem repelido esta exação, consoante se percebe da ementa abaixo transcrita, a qual se refere ao Acórdão n. 2401003.063, de 19/06/2013: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/04/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE. A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal. SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e destinadas à intervenção no domínio econômico, não se estendendo ao SENAR, que se trata de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Nos julgamentos aqui realizados a maioria do Colegiado tem encaminhado pela interpretação teleológica do § 2. do art. 149 da Constituição Federal que consagrou a imunidade para a exportação de produtos rurais. Outras turmas aqui do CARF tem se inclinado por esse entendimento, como se pode ver da ementa do Acórdão n. 2301002.892, de 20/06/2012, no qual também afastase a aplicação das disposições constantes em Instrução Normativa para prestigiar a máxima efetividade da regra imunizante. Eis o resumo do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. IMUNIDADE. ART. 149 PARÁGRAFO 2º, I, DA CF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO INTERMEDIADAS POR "TRADINGS. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LIMITES DOS PODERES DE ATUAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. INSTRUÇÃO NORMATIVA NÃO É INSTRUMENTO APTO À INSTITUIÇÃO DE EXAÇÕES FISCAIS Não há dispositivo legal determinando o alcance do termo “exportação” verificado no inciso I do parágrafo 2º do artigo 149 da CF. É vedada a instituição de tributos sem a edição do diploma legislativo correspondente. A atuação da Administração Pública deve ser guiada pelo expressamente previsto em lei. Não cabe a edição de instrução normativa sob o pretexto de explicar o sentido da lei quando a consequência dessa interpretação acarreta em indevida tributação do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Esse posicionamento não destoa do que tem sido decidido pelo Judiciário. O entendimento de que a imunidade prevista no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição deve ser aplicado, também, às exportações realizadas por intermédio de trading companies em razão de não haver distinção acerca do tipo de operação por ela abrangido foi corroborado pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da Quinta Região, conforme se depreende do julgado cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. ART. 149 PARÁGRAFO 2º, I, DA CF.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO INTERMEDIADAS POR "TRADINGS". ART. 22A DA LEI N° 8.212/91. PRECEDENTE. O legislador constitucional pretendeu incentivar as operações de exportação, concedendo a imunidade prevista no art. 149, parágrafo 2º, I, da CF/88, cingidas às receitas de exportação. Entender que a referida imunidade aplicarseia tãosomente às receitas de exportação, sem nelas incluir as receitas advindas de operações intermediadas por "tranding" seria dar uma interpretação restritiva onde o legislador não o fez. Inaplicabilidade da IN da SRP nº 03/01 que restringiu a abrangência da referida imunidade tributária apenas às operações de comercialização que fossem realizadas diretamente pela empresa com adquirente estrangeiro, em respeito ao princípio de hierarquia das leis. Precedente (TRF3 ª Reg.AG 257656SP, Des. Federal Johonsom Di Salvo, DJ 31.08.2006, pág. 256) Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 15 27 Apelação e remessa oficial improvidas. (TRF5, AMS 95393, Rel: Desembargador Federal Francisco Wildo, Órgão Julgador: Primeira Turma, Julgado em: 15/02/2007, DJe: 30/03/2007)(Grifei) Aprofundandome mais um pouco sobre a questão, peço licença para transcrever excerto do excelente voto da Conselheira Carolina Landim, relatora no julgamento que deu ensejo ao Acórdão n. 2401003.063: “Diante disto, interpretandose de forma teleológica a previsão consagrada no § 2º do art. 149 da CF, inferese que a imunidade consagrada neste dispositivo abrange as receitas decorrentes da comercialização de produtos nacionais com destino ao exterior. Portanto, não é razoável excluir da abrangência dessa norma imunizante as operações que possuem o fim específico de exportação, como é o caso das vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras cujo destino das mercadorias comercializadas seja unicamente o exterior. Ressaltese, inclusive, que nas vezes em que o legislador infraconstitucional se debruçou sobre o tema, sempre conferiu às vendas realizadas para comerciais exportadoras, com o fim específico de exportar, o mesmo tratamento tributário das exportações diretas. É o que se verifica do Decreto lei nº 1.248/72, que, em seu art. 3º, é expresso em assegurar ao produtor/vendedor os mesmos benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação. Esta mesma postura também se observa nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que, respectivamente, em seus arts. 5º, III e 6º, III, prevêem a não incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes das operações de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. É importante observar que a matriz constitucional da não incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas de exportação é exatamente a mesma que a das contribuições previdenciárias, qual seja: art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, não haveria razão para o legislador infraconstitucional estabelecer uma sistemática para as contribuições previdenciárias diferente da estabelecida para o PIS e a COFINS, uma vez que se está diante de uma mesma previsão constitucional que possui um único objetivo: desonerar os produtos brasileiros destinados ao exterior das contribuições sociais e de intervenção do domínio econômico. Diante deste cenário, entendo que o Poder Executivo extrapolou sua função meramente regulamentadora, ao limitar a abrangência da referida norma imunizante para as operações de exportação direta, no §1º do art. 245 da IN SRP nº 03/2005, vigente à época dos fatos geradores. Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 Ou seja, se o legislador constituinte estabeleceu, no art. 149 da CF, que as receitas decorrentes de exportação são imunes às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, não cabe à autoridade administrativa expedir ato normativo limitando tal imunidade apenas aos casos em que a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Ademais, no caso em análise, é preciso ser ressaltado que a Recorrente é produtora rural, de modo que a comercialização direta com adquirente domiciliado no exterior é muitas vezes inviável, tornandose necessária a participação da comercial exportadora para efetivar esta transação. Entender de modo diverso seria o mesmo que negar a diversos pequenos produtores rurais o direito ao benefício da imunidade constitucionalmente garantido. Isso porque, estes produtores, em regra, auferem receitas decorrentes de exportação por intermédio da operação com a comercial exportadora, que atua nesta transação comercial justamente para tornála viável, já que a exportação direta costuma ser realizada apenas por pessoas jurídicas de maior porte financeiro e/ou administrativo.” Após essa excelente justificativa para a exclusão das contribuições incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação via tradings, adiciono o argumento de que é incoerente a tese de que a indevida tributação derivada do artigo 245 da Instrução Normativa SRP nº 03 de 14 de julho de 2005 justificase pelo fato de que não se pode afirmar cabalmente que as mercadorias vendidas às comerciais exportadoras serão, de fato, enviadas ao mercado externo em virtude de não ser defeso às tradings a realização de operações comerciais no âmbito do mercado interno. É que, de acordo com o artigo 9º da Lei 10.833/03, se a trading company não comprovar no prazo o legal a efetiva exportação da mercadoria adquirida para este fim, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício. Desta forma, fica claro que o escopo magno da imunidade prevista no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal é possibilitar a competitividade e a facilitação do ingresso da produção pátria no âmbito do comércio internacional. Consoante a demonstram os autos a recorrente auferiu receitas decorrentes de vendas para as empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação. Tais vendas foram efetuadas para as empresas Cargil Agrícola S.A. (CNPJ 60.498.706/005973) e Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A. (CNPJ 47.067.525/010766). De acordo com a fundamentação citada, as receitas realizadas exclusivamente com essas operações devem ser excluídas da base de cálculo do lançamento. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídas da base de cálculo os valores decorrentes das receitas com as empresas Cargil Agrícola S.A. e Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A, com o fim específico de exportação. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.722380/201151 Acórdão n.º 2401003.536 S2C4T1 Fl. 16 29 Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.001653/2004-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
Ementa:COFINS. ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA
Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, o que, nos termos do art. 26-A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, impõe a observância pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como, inclusive, determina o art. 62-A, caput, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa:COFINS. ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, o que, nos termos do art. 26-A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, impõe a observância pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como, inclusive, determina o art. 62-A, caput, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09. Recurso voluntário provido.
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ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, o que, nos termos do art. 26A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, impõe a observância pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como, inclusive, determina o art. 62A, caput, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 53 /2 00 4- 76Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Tratase de auto de infração de COFINS, relativo ao mês de dezembro/2002, resultante da não inclusão, na base de apuração do tributo, de receitas financeiras extraordinárias, correspondentes a descontos concedidos pela antecipação de liquidação de empréstimos, nos termos dos arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718/98. Em impugnação o contribuinte defendeu a nulidade do lançamento, por vícios no MPF; que a multa aplicada ostentava caráter confiscatório; que a Lei nº 9.718/98 violava princípios constitucionalmente postos; e, que os valores objeto de autuação não representavam novas receitas, mas sim, reversão de provisões. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ manteve a autuação rechaçando o defeito no MPF; a aplicação do princípio do nãoconfisco às multas; a possibilidade de debate, em sede administrativa, acerca de constitucionalidade de normas; e, por fim, reafirmou a incidência da contribuição sobre reversão de provisão que representasse ingresso de nova receita. O recurso voluntário focou a inconstitucionalidade e a ilegalidade da Lei nº 9.718/98 e sustentou que “o estorno da despesa previamente lançada”, referente ao pagamento de juros, qualificavase como reversão de provisão. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Da leitura da explanação feita resta claro que o ponto nodal da questão reside em definir se desconto pela liquidação antecipada dos financiamentos bancários, classificados pelo contribuinte, em recurso, como “estorno de despesa previamente lançada”, deve ou não compor a base de cálculo da Cofins. Neste diapasão, sem maiores delongas, é indisputável que tal inclusão, independente da classificação contábil adotada – descontos ou reversão de provisões –, somente é possível a partir do conceito ampliado de faturamento, implementado pelas alterações da Lei nº 9.718/98, mormente, o art. 3º, § 1º, como, aliás, acentuado pela própria decisão recorrida, verbis: “Ou seja, segundo a legislação referenciada na autuação, especialmente aquela consubstanciada no parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, dando conta de que as contribuições Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.001653/200476 Acórdão n.º 3401002.681 S3C4T1 Fl. 11 3 incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, inafastável a tributação pelas contribuições (PIS/COFINS) das receitas em questão, exatamente tal como pretendido pela fiscalização, ressalvadas apenas as exclusões legalmente admitidas, elencadas no § 2° do citado dispositivo.” Fixado o parâmetro de análise, entendo que o lançamento não pode prosperar, porquanto, o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso de constitucionalidade, reconheceu a repercussão geral do assunto e concluiu pela inconstitucionalidade do aludido conceito de faturamento, em manifestação que reproduzo1: BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Como se observa, em que pese a matéria ainda não ser objeto de súmula vinculante, tratase, no entanto, de decisão plenária com reafirmação de jurisprudência, donde se vislumbra definitividade deste posicionamento, especialmente quando examinada à luz do disposto nos arts. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Fundado nesta premissa, tenho que a observância da jurisprudência destacada, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, impõese, à luz do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/2009: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 Página virtual do STF: www.stf.jus.br. Repercussão Geral. Matéria com mérito julgado. Consulta realizada em 23/11/2009. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”. (grifado) Reforçam este posicionamento as disposições do art. 62A, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, na redação dada pela Portaria MF 586/10: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Com estas considerações, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10880.984886/2009-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO.
DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-003.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Relator.
[assinado digitalmente]
Belchior de Melo Sousa Presidente substituto.
[assinado digitalmente]
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Fez sustentação oral o Dr. Renato Faroro Pairol, OAB/SP nº 235.151.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Relator. [assinado digitalmente] Belchior de Melo Sousa – Presidente substituto. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 48 86 /2 00 9- 70 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Fez sustentação oral o Dr. Renato Faroro Pairol, OAB/SP nº 235.151. Relatório Peço vênia aos pares para adotar o relatório contido na decisão vergastada, que resume de maneira objetiva e clara os ocorridos nos autos, conforme adiante transcrito: Trata o presente processo de compensação de tributos. De acordo com a Declaração de Compensação de fls. 01/03, a origem do crédito seria o recolhimento indevido ou a maior de COFINS, efetuado em 15/01/2004. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 04, não se constatou a existência do crédito alegado e, consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Ciente da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08/13), alegando, em síntese, que o crédito em questão decorreria do fato de a contribuição devida no período relativo à out/2003 ser menor do que o montante pago. Argumenta que os documentos carreados aos autos comprovariam o alegado. A manifestante protesta pela produção, se necessária, de todas as provas em direito admitidas, notadamente a documental e a pericial. Conclusos foram os autos encaminhados à DRJ/SPI para apreciação do feito, onde a 6ª Turma em sessão realizada em 15/06/2011 (57/), proferiu decisão por meio do Acórdão nº 1632.109, que se encontra sintetizada por meio da ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à parte interessada. Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10880.984886/200970 Acórdão n.º 3803003.964 S3TE03 Fl. 172 3 Anocalendário: 2003 COFINS APURADA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A redução do valor da Cofins declarada em DIPJ e DCTF em razão de ajustes no montante das receitas e/ou das exclusões da base tributável, somente é admitida mediante a apresentação de provas materiais. REGIME CUMULATIVO. GERAÇÃO DE CRÉDITO. INADMISSÃO. Antes da entrada em vigor da Lei 10.833/2003, a Cofins era determinada com base nas normas da incidência cumulativa, que não previa descontar, do valor da contribuição apurada no período créditos relativos a pagamentos da contribuição suportados por ocasião da compra de bens e serviços, custos, despesas e encargos vinculados às receitas que compõem a base de cálculo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não comprovado o direito creditório pleiteado, não cabe homologar as compensações em litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. As razões de decidir da decisão de primeira instância se consubstanciaram no contido no Despacho Decisório nº 846635418, de 21/09/09 (anexado com a defesa), pois após proceder à análise da DCTF (fl.) e consulta ao espelho da DIRPJ/2004 nos sistemas de RFB, notadamente na FICHA 26A – referente ao cálculo da Cofins – Regime Cumulativo (fls. ), constatou ser a Cofins apurada em out/2003 correspondente a R$ 71.943,53 e, como este valor equivale ao mesmo do pagamento realizado por meio de DARF, vale dizer, o crédito utilizado na DComp não existe. Esta foi à conclusão inicial a que chegou o juízo de primeira instância em relação ao feito. Quanto ao mérito, na parte atinente às questões de direito, entendeu o voto condutor do Acórdão nº 1632.109 que o imbróglio residiu na composição da base de cálculo da Cofins, para inferir que a contribuinte encontrou o valor da Cofins de out/03 menor que o declarado na DCTF, mediante a utilização da sistemática da Cofins nãocumulativa. A partir de tal inferência deduziu o voto condutor desse acórdão que, por se referir o crédito pleiteado a Cofins ao período de apuração de out/2003, portanto regido sob à égide da Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as regras da Cofins segundo critérios de cumulatividade, notadamente descritos no seu artigo 3º, não poderia a contribuinte haver se utilizado da sistemática do regime não cumulativo na elaboração da base de cálculo do referido tributo que, de acordo com o artigo 93, I, da Lei nº 10.833/03, somente teve vigência em 01/02/04. No que atine à pretensão da contribuinte de ver materializado o seu direito, consubstanciado nos elementos probantes colacionados aos autos, entendeu o juízo de primeira Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA 4 instância que as razões de defesa aduzidas e os documentos apresentados não foram o suficientemente bastante para comprovação do alegado, havendo rejeitado, inclusive, o pedido formulado para a realização de diligência e de perícia aventado pela interessada. Ciente da decisão prolatada no acórdão de fls. 57 em 15/06/11, conforme AR colacionado aos autos, a contribuinte contra a mesma interpôs recurso voluntário em 05/09/11, de acordo com o protocolo preenchido por servidor do órgão preparador, havendo na oportunidade postulado pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, bem assim pela homologação da compensação declarada, nos termos adiante sintetizados. A decisão recorrida deve ser reformada, pois galgada em equívoco quanto à apuração do crédito, eis que a base de cálculo da contribuinte que não foi calculado sobre as exportações, vendas canceladas, devoluções, descontos incondicionais e tampouco e tampouco na sistemática não cumulativa, sendo o crédito apurado calculado apenas sobre a alíquota zero – incidência monofásica, instituída pela Lei nº 10.485/02, artigo 3º, I e II, sendo certa a existência do crédito alegado, como se pode verificar na cópia da DIPJ anexa (itens 3, 4, 5 e 6, do RV). No entendimento esposado pela contribuinte o único campo que se alterou na base de cálculo da DIPJ/2004, foi aquele correspondente ao 11 (onze), que compreende “() Receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero”, o qual passou de R$ 44.837,49, para R$ 1.409.903,59, pois detectou que parte de suas receitas foram oferecidas à tributação indevidamente, pois estavam sujeitas à alíquota zero, daí a origem do crédito ora em discussão e que foi utilizado na DCOMP realizada (itens 7 e 8, RV). Para a comprovação do alegado carreou aos autos cópia do DARF com o recolhimento indevido; cópia da DCTF retificadora; cópia da DIPJ com o valor indevido do campo 11; planilha com elaboração do novo cálculo da Cofins cumulativa, subtraindo da base de cálculo apenas as receitas sujeitas à alíquota zero; e cópia da listagem das vendas dos produtos monofásicos com especificação dos números e das datas de emissões das notas fiscais, com os códigos da TIPI, a qual reflete o Livro de Registro de Saídas já apresentado e arquivado na empresa, para eventual realização de diligência (item 9, RV). Ao final protesta pela realização de sustentação oral, pela conversão do julgamento em diligência, e pela homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Como visto a contribuinte declarou haver realizado pagamento a maior que o devido de Cofins a recolher no período de apuração de outubro/03, lhe restando um saldo credor de R$ 40.314,58. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10880.984886/200970 Acórdão n.º 3803003.964 S3TE03 Fl. 173 5 Por sua vez, a decisão prolatada através do Acórdão de 15/06/2011, inicialmente, concluiu que o crédito utilizado na DComp apresentada pela contribuinte não existe, pois da análise do extrato da DCTF de fl. , constatouse o registro de que o valor do débito apurado e do crédito a ele vinculado (pagamento de DARF) são os mesmos, o mesmo ocorrendo em relação à análise do extrato da Declaração de IRPJ/2004. Aduziu o voto condutor do referido acórdão que o cerne do imbróglio reside na composição da base de cálculo elaborada pela contribuinte;que o crédito pleiteado referese a Cofins referente ao período de apuração de outubro de 2003, época em que tal contribuição era regida pela Lei 9718/98, que trata de apuração pela incidência cumulativa, eis que as normas atinentes à sistemática da nãocumulatividade da Cofins somente começaram a partir de 1º/02/04, de acordo com o art. 93, I, da Lei 10.833/03, sendo as regras contidas nesta lei adotadas pela contribuinte na composição da base de cálculo, que informou o valor da Cofins de outubro/2003 a menor que o valor declarado na DCTF. Finalizou o voto condutor que os documentos colacionados aos autos pela contribuinte foram insuficientes para corroborar as razões de defesa por ela deduzidas, por conseguinte julgando a improcedência da manifestação de inconformidade, que não logrou demonstrar a certeza e a liquidez do crédito alegado. Opondose ao entendimento esposado na decisão de primeira instância a recorrente buscou esclarecer, consoante o seu discernimento, o equívoco cometido pelo juízo a quo quanto a apreciação do crédito, ao informar que o mesmo não foi calculado sobre as exportações, ou vendas canceladas, devoluções, descontos incondicionais e tampouco na sistemática da Cofins nãocumulativa, sendo, outrossim, calculado apenas sobre a alíquota zero – incidência monofásica, instituída pela Lei nº 10.485/02, art. 3º, I e II. A título de comprovação do alegado carreou para os autos os seguintes documentos: a) antes da decisão de primeira instância (i) o Livro de Registro de Entradas e Saídas onde estão registradas as vendas canceladas, devoluções de compras, as exportações, fretes; (ii) a conta de energia elétrica, dentre outras. b) documentos carreados após a decisão de primeira instância: a cópia do DARF de pagamento da Cofins apurada (doc. 1); cópia da DCTF retificadora, 4º trimestre/2003, p. 38, recebida pela internet em 09/11/2009 (doc. 2); cópia da DIPJ/2004, Ficha 26ª, que trata do cálculo da Cofins pelo regime cumulativo, p. 10 (doc. 3); além de relação de vendas de produtos monofásicos efetuados em outubro/2003, contendo a descrição dos produtos, a classificação fiscal, os números das notas fiscais e as datas de suas emissões, dentre outras informações. Vêse, de plano, que o acórdão recorrido não impugnou o conteúdo dos documentos carreados aos autos pela contribuinte, apenas alegou a insuficiência dos elementos probantes neles contidos, o que lhes confere força probante e devem refletir os valores escriturados na contabilidade, e que a contribuinte não carreou aos autos provas contundentes, tais como notas fiscais e escrituração de cada uma das rubricas que compõem a base de cálculo. Constatouse, ainda, que a DCTF retificadora recebida pela via internet em 09/11/09, embora apresentada pela contribuinte após a decisão de primeira instância ocorrida em 15/06/2011, esteve à disposição da autoridade fiscalizadora, notadamente nos diversos sistemas de cadastro e de controle tributários mantidos pela RFB, que poderiam ser consultados a qualquer momento. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA 6 Entretanto não foi o referido documento consultado com a devida atenção pelo juízo a quo, que registra o valor do débito apurado, que é o mesmo valor do tributo devido pago, o mesmo ocorrendo em relação à DIPJ/2004, em sua Ficha 26ª, que trata do cálculo da Cofins pelo regime cumulativo, p. 10, bem assim aos demais documentos acostados com a interposição do recurso voluntário. Outro detalhe revelado nos documentos acima mencionados é que a sistemática de recolhimento neles utilizadas é a da Cofins de regime cumulativo. E mais, a decisão recorrida não apreciou a querela sob a ótica de que a diferença entre o valor da Cofins apurada em maio/03 e o valor efetivamente recolhido se deu sob o fato de utilização da alíquota zero – incidência monofásica, portanto gerando u m saldo credor de R$ 40.314,58. Acontece que a decisão recorrida trouxe à baila discussão acerca do tema “composição da base de cálculo” e, especialmente, a sua composição de acordo com a sistemática da Cofins nãocumulativa, tema este não tratado no despacho decisório e nem pela contribuinte na exordial, ou seja, a decisão de primeira instância inovou quanto a este aspecto, ou seja, julgou a matéria não debatida nos autos e fora do pedido formulado pela contribuinte, dando azo ao descumprimento das regras processuais informadas nos artigos 128 e 460 do CPC, o que leva à sua nulidade de pleno direito. A decisão hostilizada se revelou incompleta, pois não resolveu todos os pedidos formulados, ou seja, decidiu a menos do que pleiteado. Desta forma devem retornar os autos ao juízo a quo, para que nova e boa decisão seja proferida, considerando o exame os dados constantes da DCTF retificadora, bem assim o contido na Ficha 26ª da DIPJ/2004, como também se manifestando acerca do valor efetivamente devido da Cofins na competência de outubro/2003. Não se pode olvidar que a recorrente, extemporaneamente, fez colação aos autos de documentação complementar, em meio físico e magnético, alegando que reflete toda a escrituração fiscal, o mesmo ocorrendo em relação às notas fiscais lançadas no SINTEGRA, pois são espelhos de nota fiscal original emitida, tendo, inclusive, formalizado o requerimento para que sejam reconhecidos como material legítimo para fim de prova por este colegiado. Assim, a juízo dos julgadores tais documentos, de caráter elucidativo, se encontram à disposição para exame, com o fito de verificação do acerto das assertivas formuladas pela recorrente, bem assim para auxiliar na formação da convicção do julgador. Ante o exposto pugno pela anulação da decisão de primeira instância por quebra de regras processuais contidas nos artigos 128 e 460 do CPC, e pelo regresso dos autos ao juízo a quo para a realização de novo julgamento que supra as lacunas apontadas. É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator. Voto Vencedor Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10880.984886/200970 Acórdão n.º 3803003.964 S3TE03 Fl. 174 7 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Redator Designado O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da retificação da DCTF posterior a emissão do Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA 8 ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifo nosso. O contribuinte busca retificar a DCTF do período, porem o faz sem as provas necessárias. A DCTF retificadora, neste caso, não produz efeitos. Comprovação de Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/PASEP, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento em que as provas devam ser carreadas aos autos, ou seja, na manifestação de inconformidade. Provas apresentadas em sede de manifestação de inconformidade estão preclusas. Conclusão Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10880.984886/200970 Acórdão n.º 3803003.964 S3TE03 Fl. 175 9 Concluímos, então, que a retificação da DCTF após o conhecimento do despacho decisório não produz efeitos, devendo o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, comprovar seu direito creditório, mediante documentação contábil e fiscal capaz de demonstrar de forma inequívoca a redução da base de cálculo pretendida, o que não o fez em manifestação de inconformidade e nem mesmo em sede de Recurso Voluntário. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. Sala das Sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira – Redator Designado Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Numero do processo: 11030.904391/2012-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 91 /2 01 2- 44 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904391/201244 Acórdão n.º 3801003.205 S3TE01 Fl. 89 2 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904391/201244 Acórdão n.º 3801003.205 S3TE01 Fl. 90 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/03/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904391/201244 Acórdão n.º 3801003.205 S3TE01 Fl. 91 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904391/201244 Acórdão n.º 3801003.205 S3TE01 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904391/201244 Acórdão n.º 3801003.205 S3TE01 Fl. 93 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904391/201244 Acórdão n.º 3801003.205 S3TE01 Fl. 94 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10580.002671/2004-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Não havendo mais litígio a respeito da existência do direito creditório, cabe homologar a compensação no limite do crédito que remanescer das compensações que precederam a realizada nos presentes autos.
Numero da decisão: 1802-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, para homologar a compensação no limite do crédito remanescente dos processos 10580.003635/2003-90 e 10580.003463/2002-73, bem como de outras compensações que precederam a realizada nos presentes autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não havendo mais litígio a respeito da existência do direito creditório, cabe homologar a compensação no limite do crédito que remanescer das compensações que precederam a realizada nos presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, para homologar a compensação no limite do crédito remanescente dos processos 10580.003635/200390 e 10580.003463/200273, bem como de outras compensações que precederam a realizada nos presentes autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 26 71 /2 00 4- 17 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1513.403, às efls. 192 a 199: TELEBAHIA CELULAR S/A, manifesta inconformidade ao PARECER N° 258/2004 — SEORT PJ, que não homologou a Declaração de Compensação — PER/DECOMP 1.0 n° 31847.66084.130803.1.3.048021, transmitida em 13 de agosto de 2003, na qual o sujeito passivo pretende compensar saldo do crédito referente ao Processo de n° 10580.003635/200390, com débitos de sua responsabilidade. Para fins de homologação, o sujeito passivo informa na declaração de compensação que parte do crédito utilizado é originário do processo administrativo de n° 10580.003635/200390 (indicação desse processo à fl. 02), e que do valor do crédito destaca a parcela de R$563.902,07 para compensar os débitos listados às fls. 03/17. A autoridade administrativa ao negar a homologação por meio do PARECER N° 258/2004 — SEORT PJ, às fls. 35 a 37, fundamentou suas razões conforme o que segue: • Verificando a procedência do crédito, dito originário do processo acima citado (processo n° 10580.003635/200390), observo que o mesmo foi objeto de decisão, conforme Parecer n° 50/2004SEORTPJ, a qual não reconheceu o direito creditório pleiteado em razão do seguinte, em resumo: 1 — o contribuinte indica um crédito no valor de R$12.764.463,87 em Declarações de Compensação, informadas sob a égide a Instrução Normativa n° 210, de 2002, como decorrentes de pagamento a maior ou indevido; 2 — para comprovar a origem do pagamento indevido, fez juntada de comprovante de pagamento de rendimento com retenção do imposto de renda na fonte, advinda de aplicação financeira — swap — emitido pela fonte pagadora, com os seguintes dados, em resumo: Rendimento 63.822.319,08 Retenção de IR Fonte 12.764.463,87 Código de Retenção 5273 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 4 3 3 — no cotejo da operação informada com a legislação aplicável, conforme descrito no Parecer n° 50/2004, a retenção é legal, legítima e está em plena conformidade com a alíquota vigente à época da ocorrência do fato gerador. Não decorrendo dessa operação qualquer direito a crédito; • Desta forma não existe saldo de crédito no processo indicado (processo de n° 10580.003635/200390), particularmente originário de pagamento feito a maior ou indevido. Assim, resta declarar a não homologação do pagamento, via compensação, pela inexistência de crédito; • Por pertinente e para melhor entendimento da sorte do presente processo, vale relembrar que todos os pedidos de compensação juntados ao processo 10580.003635/200390, que foram elaborados sob a égide da IN SRF 210, de 2002, tiveram seu pleito negado, ou melhor, não foram homologadas as compensações em razão de inexistência de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, enfatizo; • Do exposto, a não homologação dos débitos apresentados pelo contribuinte, em razão da inexistência de crédito originário do processo 10580.003635/200490, decorrente de pagamento a maior ou indevido, conforme Parecer n° 50/2004 — SEORT — PJ, o qual para melhor convencimento da autoridade competente, faço juntada; Cientificada do Parecer no 258/2004 — SEORT — PJ (fls. 35 e 36), que não homologou a compensação, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, fls. 56 e 57, com as seguintes razões de defesa: A Requerente protocolou em 13 de agosto de 2003 a Declaração de Compensação — PER/DCOMP 1.0 n° 31847.66084.130803.1.3.048021 referente aos créditos do processo administrativo n° 10580.003635/200390. Naquela ocasião, por erro operacional da contribuinte, declarouse equivocadamente que o crédito compensável se originaria de pagamento a maior ou indevido de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras — swap; Ocorre que de fato o imposto retido não foi a maior, como bem cientificou a autoridade fiscal no Parecer supracitado. A verdade é que o crédito compensável se origina de saldo negativo apurado no exercício em que se operou a retenção. Ou seja, sendo a empresa pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do devido na apuração e, tendo o contribuinte apresentado prejuízo fiscal, o imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras transformouse em “imposto a restituir”, o que autoriza a sua compensação. Com isso, fica patente a legitimidade da compensação, devendo ser reformada a anterior decisão para o deferimento do pedido; Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 5 4 Para tanto a Requerente pede seja juntada posteriormente, com base no art. 16, §4°, “a”, do DecretoLei no 70.235/72, em razão da ausência de tempo hábil para o levantamento da documentação, sua retificação do pedido de compensação dos créditos referidos à retenção do IRRF decorrentes de aplicações financeiras — “swap”. As suas DIPJ's 2002 e 2003, ano calendário 2001 e 2002, referentes ao período em que apurou prejuízo fiscal, não serão juntadas em razão de se tratarem de documentos que se encontram na própria repartição fiscal (art. 37, Lei n° 9.784/99); Pelo exposto, pede a Requerente a procedência da presente manifestação de inconformidade, de modo a homologarse a sua declaração de compensação retificada, extinguindose todos os débitos objeto do encontro de contas. Protesta por todos os meios de prova conhecidos. (grifos acrescidos) Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA manteve a negativa em relação à declaração de compensação objeto destes autos, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexistindo o saldo de crédito utilizado pelo sujeito passivo para compensar o débito, incabível a homologação da declaração de compensação. Compensação não Homologada Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento (DRJ) trouxe informações sobre as decisões administrativas proferidas nos processos de nºs 10580.003635/200390 e 10580.003463/200273, nos quais a Contribuinte utilizou partes do mesmo crédito que é objeto destes autos (pagamento indevido ou a maior de IRPJ no anocalendário de 2002). A DRJ concluiu que inexistia saldo de crédito remanescente dos processos acima referidos, e em razão disso decidiu pela não homologação da compensação contida no presente processo. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/12/2007 (efls. 203), a Contribuinte apresentou em 14/01/2008 o recurso voluntário de efls. 204 a 211, com os seguintes argumentos: a Contribuinte declarou equivocadamente no PER/DCOMP que o crédito compensável se originava de “pagamento a maior ou indevido” de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras — “swap”; ocorre que, de fato, o imposto retido não foi a maior, como bem cientificou a autoridade fiscal no Parecer n° 50/2004. A verdade é que o crédito compensável se origina de Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 6 5 “saldo negativo” apurado no exercício em que se operou a retenção. Ou seja, sendo a empresa pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do devido na apuração e, tendo a Contribuinte apresentado prejuízo fiscal, o imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras transformou se em “'imposto a restituir”, o que autoriza a sua compensação; o referido saldo negativo de IRPJ utilizado para as compensações já foi, inclusive, reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil em outro processo administrativo, qual seja, o de n° 10580.003463/200273; cuidam aqueles autos de pedidos de restituição e compensação de créditos oriundos de pagamentos a maior a título de imposto de renda de pessoa jurídica, verificados nos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, com débitos de PIS e COFINS; o PTA de n° 10580.003463/200273 trata de créditos de IR utilizados para extinguir débitos em diversos processos de compensação e restituição; nos autos do PTA supramencionado, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade perante a DRJ em Salvador, cuja decisão acolheu parcialmente as razões apresentadas; a decisão citada reconheceu créditos de imposto de renda, nos valores de R$ 1.297.293,54, e R$ 787.501,71, ambos relativos ao anocalendário 2001, que não figuravam na DIPJ como saldo negativo do imposto, não tendo sido os mesmos alocados a qualquer débito; além dos valores acima, a DRJ reconheceu o valor de R$ 12.764.463,87, a título de crédito referente a parte do IRRF sobre aplicações financeiras informados na DIPJ 2003. Referido valor passou a constar de planilhas elaboradas pela DRJ com o objetivo de analisar as compensações efetuadas pela Recorrente, mas o crédito de R$ 2.084.795,25, mencionado supra (R$ 1.297.293,54 + R$ 787.501,71) não figurou na referida planilha; todos os créditos mencionados acima, que não haviam sido reconhecidos pela DRF em Salvador, foram confirmados após diligência determinada pela DRJ nos autos do PTA n° 10580.003463/200273, servindo o acórdão da DRJ de fundamento ao despacho decisório ora contestado, o qual, todavia, cometeu alguns erros interpretativos que levaram ao indeferimento da compensação pleiteada nos presentes autos; após as compensações deferidas pela DRJ no PTA n° 10580.003463/2002 73, constatouse que o crédito de R$ 12.764.463,87 foi mais do que suficiente para extinguir os débitos daquele processo, donde resultou saldo credor residual a favor da Recorrente, no valor de R$ 4.541.002,45, conforme se depreende do demonstrativo contido na própria decisão recorrida; no presente acórdão, ao que tudo indica, o Fisco simplesmente desconsiderou informações já por ele consolidadas, uma vez que consta da decisão recorrida que inexistia saldo de crédito remanescente do processo acima; em verdade, sempre existiu crédito (saldo de declaração, anocalendário 2002) no processo n° 10580.003635/200390, conforme restou demonstrado nos autos processuais de n° 10580.003463/200273 (ambos os processos tratam do mesmo direito creditício). Tal valor foi reconhecido reiteradas vezes, constando, inclusive, de planilha Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 7 6 apresentada pelo Fisco. Portanto, incorreu em erro manifesto a decisão acima, ao pretender que não existiria crédito residual para extinguir os débitos do presente processo; ao contrário do sustentado no acórdão ora profligado, (n° 1513.403), os créditos não foram exauridos após compensação dos débitos indicados pela Recorrente através de formulários de compensação. Após o cotejo entre os créditos e os débitos, a própria RFB apurou crédito remanescente de R$ 4.541.002,45. Ao seu turno, no presente processo, os débitos compensados totalizam o valor de R$ 563.902,07, sendo bem inferiores ao crédito remanescente acima mencionado; os fundamentos argüidos como óbice ao reconhecimento das compensações deixaram de ser válidos quando, nos autos do PTA nº 10580.003463/200273, após a promoção de diligências destinadas a verificar a existência do saldo negativo de IRPJ, anoscalendário 2002 e anteriores, a Delegacia da Receita Federal em Salvador proferiu o acórdão no qual reconheceu que o crédito informado pela Recorrente naquele ano, em verdade, referiase a saldo negativo do imposto de renda, composto pelas retenções na fonte havidas ao longo do ano; com efeito, foi confirmado o crédito do contribuinte no valor de R$ 12.764.463,87, a título de saldo negativo de imposto de renda do anocalendário de 2002, que, após compensações efetivadas com diversos débitos atinentes àquele processo, resultou em crédito residual a favor da Recorrente, no valor de R$ 4.541.002,45; ainda há que se destacar o fato de que, tendo sido o crédito gerado em data anterior ao período de apuração dos débitos, deveria aquele sofrer atualização monetária. Note se que o crédito já se encontrava na disponibilidade do Fisco quando do vencimento dos débitos, cuja compensação resultou no saldo residual de R$ 4.541.002,45; em verdade, o crédito residual da Recorrente é superior ao estabelecido na tabela fiscal contida na decisão recorrida, uma vez que, ao promover a alocação do crédito de R$ 12.764.463,87 aos débitos compensados no PTA n° 10580.003463/200273, não seguiu a autoridade fiscal de julgamento os ditames legais que determinam a atualização dos créditos do contribuinte pela taxa SELIC até o mês anterior ao vencimento dos débitos, acrescida de 1% no mês do vencimento (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95); sem embargo, mesmo adotandose o crédito residual de R$ 4.541.002,45, já reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, os débitos do presente processo restaram integralmente extintos pelas compensações, pois os valores aproveitados do crédito somaram R$ 563.902,07, restando crédito residual a favor da Recorrente, disponível para outras compensações; não se deve olvidar, por fim, que devem ser acrescidos ao crédito da Recorrente a título de saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2002, os créditos reconhecidos pelo Fisco nos valores de R$ 1.297.293,54 e R$ 787.501,71 (conforme despacho decisório do PTA n° 10580.003463/200273), mas que não foram vinculados pela Fiscalização a nenhum débito da Recorrente, constituindo, assim, pagamentos excedentes, aptos a compor o saldo negativo de 2002 e a integrar as compensações efetuadas com este crédito; portanto, não deve prevalecer o Acórdão DRJ objurgado, na parte em que não reconhece a extinção dos débitos operada pelas compensações regularmente efetuadas pela Recorrente. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 8 7 Este é o Relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 13/08/2003 (efls. 02 a 31), na qual indicou que o crédito compensado, no valor de R$ 563.902,07, correspondia a uma parcela de crédito já informado em processo anterior, de nº 10580.003635/200390. Com o PER/DCOMP sob exame, a Contribuinte pretendeu quitar vários débitos de IRFonte apurados nos meses de abril, maio e junho de 2003. O crédito apresentado no processo nº 10580.003635/200390 envolveu o debate sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no anocalendário de 2002, situação que também já vinha sendo examinada no processo nº 10580.003463/200273. O processo 10580.003463/200273 tratava ainda de pagamento indevido ou a maior de IRPJ nos anoscalendário de 2000 e 2001, abrangendo vários pedidos de restituição/compensação apresentados antes Lei 10.637/2002 e várias Declarações de Compensação apresentadas já sob as regras da referida lei. Ao examinar tais pedidos e declarações, a Delegacia de origem reconheceu parte dos créditos reivindicados em relação aos anoscalendário de 2000 e 2001, e nada reconheceu como crédito para o anocalendário de 2002. Essa negativa parcial se deu em razão de alguns valores de retenções na fonte não terem sido computados nas respectivas DIPJ (2000 e 2001), e por falta de detalhamento e comprovação do direito creditório (2002). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (efls 166 a 191) ampliou o reconhecimento de crédito no referido processo, adicionando para o anocalendário de 2001 mais duas parcelas (R$ 1.297.295,54 e R$ 787.501,71), e reconheceu também o crédito para o anocalendário de 2002 (R$ 12.764.463,87). De acordo com a tabela contida na decisão de primeira instância administrativa, após as compensações efetivadas com este crédito de 2002, remanesceu ainda para a Contribuinte um saldo de crédito no montante de R$ 4.541.002,45. Apesar de haver saldo de crédito remanescente, algumas compensações realizadas com este mesmo crédito de 2002 não foram homologadas porque abrangiam débitos vencidos antes de 31/12/2002, data em que surgiu o direito de crédito da Contribuinte (saldo negativo). Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 10 9 Houve apresentação de recurso voluntário, na tentativa de reverter a decisão sobre a não homologação de parte das compensações com o crédito de 2002, mas o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (efls. 295 a 301) manteve a decisão anterior. O voto que orientou a decisão da instância recursal esclareceu que não havia problema em relação ao fato de o vencimento dos débitos compensados terem ocorrido antes de 31/12/2002. O problema estava no fato de as declarações de compensação terem sido apresentadas antes da referida data, ou seja, antes da existência do crédito, e isso justificava a negativa de homologação para tais compensações, sem prejuízo, entretanto, do reconhecimento da existência do direito creditório pela primeira instância administrativa. O Despacho de efls. 304 noticia que essa decisão do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, Acórdão n° 10809.627, tornouse definitiva em 09/09/2008, e que não cabe qualquer outro recurso no âmbito do referido processo administrativo (10580.003463/200273). Em relação ao processo 10580.003635/200390, que também implicou no debate sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no anocalendário de 2002, cabe esclarecer primeiramente que a Delegacia de origem não homologou nenhuma das declarações de compensação objeto daquele processo, argumentando que elas tratavam de crédito correspondente a IRRF incidente sobre rendimentos obtidos em operações de swap; que as retenções teriam sido realizadas em consonância com a lei; e que, portanto, elas não poderiam ser consideradas como pagamento indevido ou a maior. No entanto, após a realização de diligência, a Delegacia de Julgamento reverteu totalmente essa decisão da Delegacia de origem. De acordo com a decisão da DRJ (efls. 307 a 310): [...] O IRRF incidente sobre o ganho auferido em operações de swap não constitui imposto indevido ou a maior, mas compõe o saldo negativo de IRPJ nos casos em que a empresa apura prejuízo fiscal. O referido saldo negativo constitui direito creditório compensável, nos termos dos artigos 5° e 26 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Conforme já relatado, foi verificado em diligência fiscal que o rendimento financeiro constante no informe de rendimentos, às fls. 11, foi oferecido à tributação na medida em que compôs o resultado do exercício, bem como, que o IRRF incidente sobre o referido rendimento compôs o saldo negativo do imposto de renda apurado no ano base de 2002, que totalizou R$ 14.281.579,06. Foi verificado, também, que as compensações declaradas através das PER/DCOMP, às fls. 01/10, foram devidamente contabilizadas e tiveram como contrapartida a rubrica contábil relativa ao saldo negativo de IRPJ. Diante do exposto, reconheço direito à compensação do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002 , no valor de R$ 14.281.579,06. Entretanto, a homologação das compensações em litígio está condicionada à existência de saldo Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 11 10 disponível, pois foi verificada na diligência fiscal a utilização deste crédito na compensação de outros débitos. Na planilha, às fls. 1082/1087, foi discriminada a integralidade dos valores compensados pelo contribuinte em 2003, bem como, os valores compensados de PIS e COFINS em setembro e outubro de 2005. Conclusão Dessa forma, VOTO por HOMOLOGAR as compensações constantes no extrato, às fls. 01/10, no limite do valor disponível do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002. (grifo acrescido) A Delegacia de origem apresentou Embargos de Declaração, buscando efeitos infringentes com esse instrumento processual, mas a Delegacia de Julgamento manteve a decisão acima transcrita (efls. 312 a 319), relativamente ao processo 10580.003635/200390. Como já mencionado, a compensação objeto dos presentes autos guarda correspondência direta com o que restou decidido nos processos de nºs 10580.003635/200390 e 10580.003463/200273, no que diz respeito à existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no anocalendário de 2002. Realmente, conforme alegado pela Recorrente, parece ter havido equívoco da decisão de primeira instância administrativa exarada no presente processo, porque ela, adotando como fundamento o Acórdão nº 8293 da DRJ Salvador/BA proferido no processo 10580.003463/200273, concluiu que o crédito era insuficiente para compensar os débitos indicados naquele próprio processo e que, portanto, não remanesceria saldo de crédito para ser utilizado no PER/DCOMP sob exame. Conforme os parágrafos anteriores, não é esse o contexto dos fatos. Como já mencionado, o referido Acórdão nº 8293, de 21/10/2005 (efls. 166 a 191), entre outras conclusões, reconheceu a existência de crédito de IRPJ para o ano calendário de 2002. Além disso, apresentou uma tabela que indica expressamente o valor do saldo do crédito remanescente, após a dedução dos valores utilizados nas compensações lá homologadas. E mais, deixou clara a razão da não homologação de algumas compensações realizadas com esse mesmo crédito, que nada tem a ver com a insuficiência de seu montante, mas sim com a data de apresentação das declarações de compensação. Pelo que restou decidido nos processos 10580.003635/200390 e 10580.003463/200273, a indicação é de que há saldo remanescente do crédito já analisado e reconhecido no contexto daqueles outros autos, para utilização no PER/DCOMP objeto deste processo. Para subsidiar o presente julgamento, a Delegacia de origem juntou recentemente a estes autos cópias das decisões dos referidos processos e demonstrativos de Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 12 11 cálculos, conforme Termo de Juntada às efls. 368, e ainda apresentou a Informação Fiscal de efls. 369, com os seguintes esclarecimentos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico com crédito relativo a Pagamento Indevido ou a Maior informado no processo nº 10580.003635/200390 (fl. 1 a 29) e foi solicitado do CARF — Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de confrontação com aquele processo e com o processo nº 10580.003463/200273, que tratam de compensação de crédito relativo a Saldo Negativo do IRPJ. Para instruir o processo, foram juntadas cópias extraídas dos processos nº 10580.003463/200273 (fl. 196/255) e 10580.003635/200390 (fl. 256/268) e demonstrativos de cálculos de compensação efetuadas nos processos nº 10580.003463/200273, 10580.003635/200390, 10580.002398/200421, 10580.002399/200475, 10580.002400/200461 e 10580.002673/200414. Quanto ao processo nº 10580.002399/200475, a contribuinte desistiu do recurso para fins de inclusão do débito no parcelamento de que trata a Lei 11.941/2009. Tendo em vista encontrarse pendente de análise pelo CARF o recurso voluntário, cabe informar: o saldo devedor após compensação no processo n° 10580.003463/200273 (hoje sob controle do processo n° 16366.001026/200911), Acórdão DRJ/SRD de fl. 143/151, relativo à Cofins do período de apuração 09/2002, no valor original de R$ 2.939.266,41, é originário da utilização de crédito de IRRF das competências 05/2001 e 09/2001 reconhecido pela DRJ/SDR por meio do Acórdão n° 08.293 no processo n° 10580.003463/200273, nos valores de R$ 1.297.295,54 e R$ 787.501,71 (fl. 130/142), dos quais, utilizados para amortizar débitos de Pis e Cofins dos períodos de apuração 07/2002, 09/2002 e 10/2002 (fl. 229/230), remanesceram os valores de R$ 296.003,07 e R$ 278.985,04, utilizados integralmente para amortizar parcialmente a Cofins do período de apuração 09/2002, no valor original de R$ 3.633.672,24, remanescendo o saldo devedor de R$ 2.939.266,10 (fl. 239/240 e 243); o saldo negativo do IRPJ do exercício de 2003, anocalendário de 2002, reconhecido no Acórdão acima citado, no valor de R$ 12.764.463,87, foi utilizado parcialmente para amortizar débitos de Pis e Cofins dos períodos de apuração 01/2003, 02/2003, 03/2003 e 04/2003, remanescendo o saldo de crédito no valor de R$ 4.881.609,71, conforme fl. 234/238 e 243; no processo n° 10580.003635/200390, a DRJ/SDR, por meio do Acórdão n° 1514.003 (cópia às fl. 256/260), reconheceu direito à compensação do saldo negativo do IRPJ do exercício de 2003 no valor de R$ 14.281.579,06. Entre esse valor e o valor Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 13 12 de R$ 12.764.463,87, reconhecido no processo n° 10580.003463/200273, há a diferença de R$ 1.517.115,19; o saldo de crédito do IRPJ do exercício de 2003 após compensação no processo n° 10580.003463/200273, no valor de R$ 4.881.609,71 bem como a diferença acima mencionada, no valor de R$ 1.517.115,19, foi utilizado para compensar débitos no processo n° 10580.003635/200390 (fl. 269/283) e em cálculos de compensação para demonstrar sua suficiência para as compensações tratadas neste e nos processos nº 10580.002398/200421, 10580.002399/200475, 10580.002400/200461 e 10580.002673/200414, que aguardam análise de recurso voluntário, conforme cálculos de fl. 284/316, remanescendo saldo de crédito no valor de R$ 2.178.770,00 (fl. 309), que será utilizado para amortizar débitos compensados em DCOMPs que estão ainda em meio eletrônico a serem baixadas para tratamento manual. Diante do exposto, proponho o retorno do presente processo ao CARF para apreciação do recurso voluntário e desta informação. A Delegacia de origem atesta que, após o processamento de várias compensações, remanesce saldo de crédito no valor de R$ 2.178.770,00, montante que seria suficiente para embasar o crédito utilizado no PER/DCOMP sob exame. A mesma informação registra que esse saldo remanescente de crédito será utilizado para amortizar débitos que são objeto de outras compensações. Pelas informações acima transcritas, não há mais litígio a respeito da existência do direito creditório, cabendo à Delegacia de origem compatibilizar a compensação objeto destes autos com as demais compensações realizadas a partir desse mesmo crédito. Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a compensação no limite do crédito que remanescer dos processos 10580.003463/200273 e 10580.003635/200390, bem como de outras compensações que precederam a realizada nos presentes autos. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.002671/200417 Acórdão n.º 1802002.190 S1TE02 Fl. 14 13 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.933467/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2001
DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO.
Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/06/2001 DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 34 67 /2 00 8- 99 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 22/07/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 045811), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 1.972.357,92, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 15/06/2001, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 05/2001. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 31/08/2006 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 621799198. No dia 16/09/2006, após receber o Termo de Intimação nº 621799198, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 046693), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 1.972.357,92 para R$ 8.254.577,05, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação. Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito da Cofins do PA 05/2001 (R$ 12.836.836,81) três DARFs: um de R$ 8.254.577,05, outro de R$ 4.369.327,46 e outro de R$ 212.932,30, todos pagos no dia 15/06/2001. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou os pagamentos e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 14/06/2004 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 2º Trimestre de 2001, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 05/2001, no valor de R$ 12.836.836,81. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 6.554.617,69 por compensação com parte do pagamento da COFINS de PA pretéritos, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 6.282.219,12 com a utilização parcial dos pagamentos de R$ 8.254.577,05 e R$ 212.932,30, ambos efetuados no dia 15/06/2001. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 4 3 Com a utilização parcial dos referidos DARF, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 6.554.617,69 passível de restituição ou compensação, e é exatamente parte desse o valor (R$ 1.972.357,92) que está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 791219407, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 1.202.604,07, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 31/05/2001, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em maio de 2001, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 6.282.219,12, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 8.254.577,05, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega da PER/DCOMP 09280.45882.220704.1.3.045811,, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou PER/DCOMP retificadora Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 5 4 Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.079, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2001 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 6 5 Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época – formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico – Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 13/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 06/06/2013, com recurso voluntário, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando que restou demonstrado, pela DCTF Retificadora do PA 05/2001, o recolhimento a maior que o devido e o conseqüente direito ao crédito no valor de R$ 6.554.617,69. Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de maio/2001, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 14/06/2004”, passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins de PA de 1994 a 1999, informado na DCTF Retificadora de 14/06/2004, que entende ser de 10 anos, a contar do fato gerador, e que as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de maio de 2001. O pagamento informado no PER/DCOMP original ocorreu no dia 15/06/2001, no valor original de R$ 1.972.357,92. O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 14/06/2004 (data da apresentação da DCTF Retificadora), dos três pagamentos feito no dia Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 7 6 15/06/2001. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referidos pagamentos estava integralmente declarados e alocados ao débito da COFINS do PA 05/2001. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 05/2001 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para retificar o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Não obstante as razões apresentadas pela empresa, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar, devendo a decisão da DERAT São Paulo, que não homologou a compensação declarada, ser mantida em sua integralidade pelas razões a seguir expostas. Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS – Db: cód 2172 PA 31/05/2001. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 31/05/2001, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 12.836.836,91, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 14/06/2004, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 8 7 transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 14/06/2004, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto – Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir – que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP – sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido”. [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 14/06/2004 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em junho de 2001. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 15/06/2001 (data do vencimento da COFINS do PA 05/2001), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 9 8 É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS de PA de 1994 a 1999 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 05/2001. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de junho de 2001, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS de PA ocorridos entre 1994 e 1999, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 05/2001. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 05/2001 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 10 9 autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933467/200899 Acórdão n.º 3302002.628 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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