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Numero do processo: 10215.720141/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Inteligência do art. 2º do Decreto nº 8.303/2014.
Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
O início da fase litigiosa se dá com a apresentação da impugnação, logo, em regra, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o curso do procedimento fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do item do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos. Não questionada a penalidade de 75% em sede impugnação, inviável sua análise em sede de recurso voluntário.
RMF. HIPÓTESE PARA EMISSÃO. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO.
Constatada que a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF está embasada em relatório circunstanciado constante dos autos, conforme determina o art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001, em que se identifica plenamente a hipótese de indispensabilidade de sua emissão, nos termos do art. 3º do mesmo diploma infralegal, e na ausência de argumentos específicos que infirmem tais conclusões, não há que se falar em obtenção de extratos bancários ao arrepio da legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, não conhecer do recurso em relação à exigência de multa de 75% e negar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Inteligência do art. 2º do Decreto nº 8.303/2014. Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. O início da fase litigiosa se dá com a apresentação da impugnação, logo, em regra, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o curso do procedimento fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do item do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 01 41 /2 01 0- 61 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.051 2 impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos. Não questionada a penalidade de 75% em sede impugnação, inviável sua análise em sede de recurso voluntário. RMF. HIPÓTESE PARA EMISSÃO. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Constatada que a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF está embasada em relatório circunstanciado constante dos autos, conforme determina o art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001, em que se identifica plenamente a hipótese de indispensabilidade de sua emissão, nos termos do art. 3º do mesmo diploma infralegal, e na ausência de argumentos específicos que infirmem tais conclusões, não há que se falar em obtenção de extratos bancários ao arrepio da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, não conhecer do recurso em relação à exigência de multa de 75% e negar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.052 3 Relatório M CLEONARTO LIMA EPP recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0123.649 da 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados cinco autos de infração, às fls. 236/347, para exigência de crédito tributário decorrente do SIMPLES Federal, relativo ao anocalendário 2006, nos seguintes montantes, aí incluídos os juros moratórios e a multa de ofício calculados até 30/06/2010: IRPJ de R$ 121.513,10 (fls. 252/264), CSLL de R$ 124.090,36 (fls. 265/277), PIS/PASEP de R$ 89.141,99 (fls. 278/290), COFINS de R$ 365.015,87 (fls. 291/303), Contribuição para Seguridade Social – INSS de R$ 1.049.643,04 (fls. 304/316). Conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 320/347), que é parte integrante do Auto de Infração, o contribuinte foi autuado pelas infrações: 1 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; 2 Omissão de rendimentos de vendas; 3 Insuficiência de recolhimento. A fiscalização se iniciou com a ciência do contribuinte do Termo de Início de Fiscalização, às fls.20/23, por meio do qual foi instado a apresentar, relativamente ao anocalendário 2006, extratos bancários, cópia dos atos constitutivos, os Livros contábeis ou Livro Caixa, Livro Registro de Inventário e Livro Registro de Saídas, e informar por escrito o regime utilizado para reconhecimento das receitas e despesas e cópia autêntica dos bens da empresa. Em resposta de 28/09/2009, às fls. 24/29, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação, pois requereu em 22/09/2009 os documentos junto aos Bancos, conforme anexos. Em 30/09/2009, a fiscalização lavrou Termo de Intimação, às fls. 30/33, reintimando o contribuinte das solicitações requeridas no início da ação fiscal, tendo o contribuinte atendido parcialmente à intimação, com a entrega dos documentos relacionados em sua resposta, às fls. 35, solicitação de prazo para apresentação dos extratos bancários que ainda não haviam sido fornecidos pelos Bancos e a informação de que a opção no ano de 2006 foi pelo regime de caixa, sendo que o Livro Caixa se encontrava em local ignorado. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.053 4 Novamente a fiscalização reintimou o contribuinte das exigências contidas no início da ação fiscal, conforme Termo de Reintimação Fiscal nº 270/2009 de 20/10/2009, às fls. 41/43. Em virtude da não apresentação dos extratos bancários, a fiscalização emitiu Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira ao Banco da Amazônia, Banco do Brasil, HSBC, Bradesco e Itaú, às fls. 45/50, 74/75, 90/91, 103/104, 136/137, com base no art. 3o, VII, do Decreto 3.724/2001. Recebidos os extratos daquelas instituições financeiras, às fls. 51/73, 77/89, 93/102, 106/135, 139/153, o contribuinte foi instado a identificar e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos relacionados no anexo do Termo de intimação fiscal nº 303/2009, às fls. 154/168, e reintimado a apresentar livros contábeis e demais elementos solicitados anteriormente. Em 12/01/2010, o contribuinte apresentou planilha com justificativas para os créditos a comprovar e informou que não escriturava a movimentação bancária da empresa, reiterando que optou pelo regime de caixa e o Livro Caixa do anocalendário de 2006 se encontrava em local ignorado e tão logo estivesse de posse do mesmo encaminharia à fiscalização, às fls. 170/184. Em 03/02/2010, a fiscalização lavrou Termo de intimação nº 018/2010, às fls. 185/189, onde informou que o contribuinte informou que diversos créditos bancários eram despesas do período, porém não apresentou as notas fiscais dessas receitas e também não apresentou documentos comprobatórios de créditos que teriam origem em empréstimos ou cheques descontados, tendo sido intimado a comprovar com documentação hábil e idônea as justificativas apresentadas. Também foi reintimado das exigências contidas no início da ação fiscal, que ainda não haviam sido atendidas até aquela data. Em resposta de 17/02/2010, às fls. 191/193, alegou que a empresa sendo comércio varejista era improvável que as vendas efetuadas no balcão individualmente fossem depositadas e como micro empresa no ano em questão, não tinha controle de compras à vista e a prazo, concluindo que as vendas realizadas no período e as relativas a períodos anteriores eram juntadas e seguiam pra depósito nos Bancos, sendo impossível apresentar documentos para comprovar a origem dos depósitos de forma individualizada, pois nunca efetuava os depósitos individualizados por venda. Também aduziu que necessitava recorrer a parceiros comerciais para aquisição de empréstimos de curto prazo, a fim de cobrir cheques “prédatados” e/ou pagamento de títulos vincendos e dado o porte da empresa não era obrigada à escrituração de livros contábeis. O contribuinte foi reintimado das exigências contidas no Termo de intimação nº 018/2010, por meio do Termo de intimação fiscal nº 039/2010, às fls 194/197, e em resposta de 31/03/2010, às fls. 199, reiterou sua resposta anterior de que emitiu as notas fiscais, porém as mesmas não Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.054 5 foram individualizadas através de depósitos como sugere a autoridade fiscal e que as receitas informadas em sua declaração de imposto de renda da pessoa jurídica se convertaram em depósitos bancários, anexando as notas fiscais de saída, constantes do Anexo I do presente processo. Reintimada a comprovar a origem dos créditos bancários, com apresentação de documentação hábil e idônea, por meio do Termo de intimação fiscal nº 67/2010 e nº 87/2010, às fls. 202/205 e 207/214, a contribuinte apresentou respostas em 13/05/2009 e 06/07/2010, às fls. 206 e 216, reiterando as justificativas já apresentadas aos Termos de intimação nº 303/2009 e 039/2010. Diante da ausência de comprovação da origem dos recursos creditados em contas de sua titularidade no anocalendário 2006, foram tributados os valores de depósitos não justificados, conforme art. 42 da Lei 9.430/96. Os depósitos que o contribuinte identificou ter origem em receitas de vendas foram retirados da aplicação da presunção legal e consideradas receitas não declaradas, caracterizando a infração “Omissão de rendimentos de vendas”. Além disso, as diferenças de alíquotas decorrentes das omissões de rendimentos, geraram a infração caracterizada pela “insuficiência de recolhimento”. Cientificada do lançamento em 10/07/2010 (AR às fls. 350), a empresa apresentou impugnação ao lançamento em 09/08/2010, às fls. 356/379, alegando, em síntese: preliminarmente, a nulidade da autuação por descumprimento da Portaria nº 3.007/01, que estabelece exigências instrínsecas à validade do Mandado de Procedimento fiscal, como prazo máximo de duração de 120 dias, salvo pedido de prorrogação. não solicitada a prorrogação nos termos especificados na Portaria, ocorre a extinção do MPF por decurso de prazo e nesta hipótese é necessário que seja emitido novo MPF, com indicação de outro AFRF para a execução do novo procedimento fiscal. no presente caso, o MPF nº 0210200/00074/09 se iniciou em 22/09/2009 com conclusão prevista para 19/01/2010, contudo, o pedido de prorrogação do MPF só foi requerido pelo auditor após a data prevista para sua conclusão, ou seja, o mesmo já havia sido extinto por decurso de prazo, hipótese em que deveria ter sido substituído o auditor fiscal que iniciou o procedimento, nos termos do art. 16 da Portaria nº 3.007/2001. em razão da afronta aos procedimentos determinados na citada Portaria, impõese a nulidade de todos os atos praticados após a extinção do MPF, com base em decisões administrativas e entendimentos doutrinários de que no caso ocorreu nulidade da fiscalização e os autos de infração dela decorrentes, por evidente vício formal do MPF. não se contesta a competência do Sr. Auditor para a execução da ação fiscal e o conseqüente lançamento tributário, quando Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.055 6 cabível, entretanto, primeiramente o mesmo deve obediência aos trâmites legais que norteia a ação fiscal. se certo é que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (arts. 3º e 142, parágrafo único do CTN), não menos correto é que a autoridade fiscal não pode se escudar em tal norma coercitiva para justificar o descumprimento das demais normas que regulam o processo administrativo fiscal, entre elas a Portaria instituidora do Mandado de Procedimento Fiscal. no mérito, suscita a ilegalidade da autuação por ofensa ao Decreto nº 3.724/01, alegando que a fiscalização descreve no Termo de Verificação Fiscal que foi constatada a existência de receitas não oferecidas à tributação pela pessoa jurídica, destacando veementemente que o contribuinte não mantinha escrituração fiscal regular, razão pela qual, aplica multa agravada à alíquota de 112,5%. o caso em tela tem como matéria fática a suposta omissão de receitas por um pequeno comerciante de uma cidade do interior, que não mantinha escrituração contábil regular e em casos semelhantes, a legislação tributária prevê instrumentos específicos para calcular o tributo devido, como, por exemplo, o arbitramento dos lucros. ocorre que, no presente caso, a fiscalização agiu à margem da lei, servindose de instrumentos vedados pela legislação aplicável ao caso, a saber, a utilização de dados bancários em hipótese fática não autorizada pelo Decreto nº 3.724/01, onde se verifica que os auditores somente estão autorizados a utilizar os registros de instituições financeiras, onde se incluem contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando tais exames forem considerados indispensáveis no curso do procedimento de fiscalização. em razão da amplitude da expressão “considerados indispensáveis”, o legislador houve por bem especificar exaustivamente todas as hipóteses em que tal procedimento poderia ser executado, destacando no art. 3º do referido Decreto as situações fáticas a ensejar a atuação fiscal mais incisiva e em uma simples análise do caso concreto, inequivocamente nenhuma das hipóteses indicadas pela legislação se enquadra aos fatos que originaram a autuação combatida. a fim de evitar a ocorrência de ilegalidades como a perpetrada nos presentes autos, o legislador determinou no art. 4º, § 6º do Decreto nº 3.724/01, a adoção de diversas medidas para garantir a proteção dos dados e impedir a utilização indevida de informações desta natureza o compulsar dos autos comprova que tais procedimentos foram solenemente ignorados pela autoridade fiscal que apenas emitiu a requisição de informação sobre movimentação financeira, sem sequer indicar qual seria a hipótese que justificaria a adoção do regime especial de Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.056 7 fiscalização, em manifesta contrariedade ao que impõe a norma supra citada. é inequívoco que a autuação está alicerçada, exclusivamente, na utilização de informações obtidas de maneira ilegal, em absoluta afronta às normas jurídicas aplicáveis ao caso, razão pela qual se impões o seu cancelamento. a fiscalização alega que o contribuinte omitiu supostas receitas no ano de 2006, deixando de declarar parte de seus rendimentos, sustentando que os valores por ele recolhidos seriam inferiores àqueles realmente devidos. ocorre que a autoridade deixou de considerar as receitas já declaradas e oferecidas à tributação pelo contribuinte, vale dizer, exigindo pagamento de tributos sobre receitas já tributadas, deixando a fiscalização de considerar mais de R$ 800.000,00 de receitas declaradas pelo contribuinte, cujo tributo devido foi integralmente recolhido, o que apenas reforça a necessidade de cancelamento da autuação impugnada. quanto à multa aplicada, a fiscalização alega que o contribuinte tentou obstruir e dificultar a ação fiscal, contudo, a situação fática narrada no Termo de Verificação Fiscal é absolutamente diversa da realidade, onde se pode verificar que o contribuinte respondeu a todas as intimações realizadas, demonstrando absoluta cooperação com a ação fiscal. a jurisprudência do CARF é unânime no sentido de que a aplicação da multa agravada pressupõe a constatação de fatos com claro intuito de fraudar o Fisco, situação absolutamente diversa do caso em tela, conforme Súmula nº 25 do CARF. verificase que o entendimento do CARF veda a aplicação de multa agravada nos casos em que não foi constatadas a intenção de fraude, razão pela qual se impõe a redução da multa aplicada. requer o cancelamento do lançamento fiscal impugnado, em face de sua patente nulidade. Em análise da impugnação apresentada, a 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte julgoua parcialmente procedente, excluindo das receitas omitidas o valor da receita já declarada e oferecida à tributação, bem como reduzindo a multa de ofício cominada de 112,5% para 75%. Em razão do valor exonerado, não houve interposição de recurso de ofício. O contribuinte foi cientificado da decisão, conforme aviso de recebimento de fl. 989. Não consta a data de ciência, mas, considerandose que a data aposta pelos Correios de 07 de março de 2012 (e a intimação 31/2012 datada de 01 de março de 2012 – fl. 982), podese afirmar que o recurso voluntário de fls. 9901015 apresentado em 28 de março de 2012 é tempestivo. Em síntese, a recorrente assim se manifestou: Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.057 8 solicitou o retorno dos autos à unidade de origem para que o lançamento fosse readequado à decisão de primeira instância, uma vez que mesmo após exoneração de parte dos tributos lançados, recebeu carta cobrança com os mesmos valores de tributos estampados nos autos de infração; repisou seus argumentos apresentados em impugnação quanto a supostos vícios na emissão do MPF, em especial quanto à suposta nulidade do lançamento em razão de supostas divergências entre o tributo consignado no MPF e Termo de Início da Ação para fins de fiscalização (IRPJ) e o efetivamente exigido pelo Fisco (Simples), bem como a ausência de ciência da alteração do tributo fiscalizado; alegou ainda que a obtenção dos extratos bancários diretamente pelo Fisco junto às instituições financeiras se deu ao arrepio do disposto no Decreto nº 3.724/2001, tanto por enquadramento em hipótese prevista no art. 3º de tal decreto não condizente com os fatos constatados no procedimento fiscal quanto pela ausência do relatório circunstanciado a que alude o art. 4, § 6º, do mesmo diploma infralegal; requereu a extinção do crédito tributário em litígio; e subsidiariamente, a redução da multa de 75% para 20%. Frisase que não há questionamento específico sobre a omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.058 9 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1. ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. 2. RESUMO DA LIDE Tratase de lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos à omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/96). A exigência se deu com base no regime de apuração adotado pelo contribuinte (Simples Federal), e a impugnação apresentada foi julgada improcedente. Interposto recurso voluntário, a recorrente reafirmou seus argumentos da impugnação. 3. PRELIMINAR 3.1 NECESSIDADE DE RETORNO AOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM PARA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO A recorrente requer o retorno dos autos à unidade de origem devido à continuidade de cobrança da integralidade do crédito tributário sem adequação de todos os itens exonerados pela decisão de primeira instância, em especial a dedução da receita bruta já declarada da receita considerada omitida. De fato, compulsando os autos constatase que a carta cobrança emitida após decisão de primeira instância (fls. 983987) contempla valores idênticos aos contidos nos autos de infração lavrados (fls. 85 e seguintes), demonstrando que, de fato, a unidade de origem não adequou a exigência inicial ao acórdão de primeira instância. Contudo, entendo não ser o caso de retorno imediato dos autos à unidade de origem para correção do equívoco. Isso porque, com a apresentação do recurso voluntário, o crédito tributário mantevese com exigibilidade suspensa, não impondo qualquer prejuízo ao contribuinte. Retornar os autos à unidade de origem nessa etapa processual, no cenário descrito, afrontaria os princípios da eficiência e da duração razoável do processo, motivo pelo qual indefiro tal pleito. Contudo, salientese que a unidade de origem deverá adequar os valores exigidos à decisão de primeira instância após o retorno dos presentes autos. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.059 10 3.2 NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – MPF VÍCIOS O inconformismo apresentado pela Recorrente não procede. Isso porque o MPF se constitui em elemento de controle da administração tributária. Eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. O MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária tanto para fins de controle interno, quanto para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, assegurando ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o AuditorFiscal está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com emissão ou a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. Assim, legitimado o AuditorFiscal para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta de prorrogação do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. A não prorrogação do MPF ou a sua não ciência ao contribuinte, por si só não gera nulidade do lançamento. Ademais, no caso concreto, o procedimento fiscal transcorreu absolutamente nos moldes estabelecidos pelas normas infralegais que regem a matéria. Nesse sentido, transcrevo excerto da decisão recorrida que muito bem abordou a questão: No Termo de Início de Fiscalização, do qual a contribuinte foi cientificada em 22/09/2009, consta a indicação do MPF – Fiscalização 02102002009000746, e o código de acesso para verificação na página da Receita Federal do Brasil na internet da exatidão das informações nele contidas. Mediante consulta segura e rápida na página da Receita Federal do Brasil, utilizando as orientações e o código de procedimento fiscal, a contribuinte poderia acompanhar periodicamente a sua validade e prorrogação, identificando ainda o período e tributo objeto de verificação fiscal, o auditor responsável pela execução do procedimento, as prorrogações efetuadas e o prazo para conclusão do procedimento fiscal. Concluise que o procedimento fiscal, seguiu critérios e parâmetros de fiscalização estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, foi instaurado conforme MPF –Fiscalização nº 0210200/2009/000746, que a Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.060 11 contribuinte poderia consultar eletronicamente no sítio da Receita Federal do Brasil, garantindose, assim, a transparência do ato administrativo. Transcrevese abaixo, os procedimentos previstos na Portaria SRF nº 6.087/2005 (alterada pela Portaria nº 4.066/2007), relativos ao prazo de validade e prorrogação do MPF: Dos Prazos Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPF E farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Da Extinção do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 15. O MPF se extingue: Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.061 12 I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. O procedimento fiscal foi encerrado com a lavratura do auto de infração, do qual o contribuinte foi cientificado em 10/07/2010, conforme Aviso de Recebimento, às fls. 350, e do seu exame, concluise que ocorreu dentro do prazo de validade do MPF, após quatro prorrogações regulares, cujo auditor responsável continuava sendo o AFRFB Leomar Padilha. Sobre o prazo máximo de validade do MPF Fiscalização, o art. 12 da Portaria nº 6.087/2005 o fixou em 120 dias, porém não pode este artigo ser interpretado isoladamente. Isso por que o artigo seguinte, em seu inciso I, prevê a possibilidade de prorrogação do “prazo máximo” a que se refere o artigo 12, ou seja, permite a dilatação do prazo de validade do MPF, em tantos dias quantos necessários para a conclusão dos trabalhos, respeitandose o prazo de sessenta dias como limite de cada prorrogação. Apenas no caso de não serem respeitados tais prazos, como na hipótese de a fiscalização não ser concluída em 120 dias (prazo original do MPF) ou não ser feita a prorrogação do MPF (expirar o prazo de sessenta dias para prorrogação), o MPF perderia sua validade e então seria aplicada a regra do artigo 15 da Portaria nº 6.087/2005, em razão da extinção do MPF por decurso de prazo. Assim, como a fiscalização foi autorizada por pessoa competente e o procedimento fiscal instaurado em consonância com a Portaria nº 4.066/2007 e alterações posteriores e em observância aos prazos do Mandado de Procedimento Fiscal, conforme se verifica na consulta ao MPF, disponível para acesso do contribuinte na internet, juntada às fls. , concluise que a fiscalização foi executada dentro do prazo de validade do MPF, restando claro que não houve desrespeito à citada Portaria na execução dos trabalhos pelo Fiscal que recebeu a autorização pelo MPF Fiscalização nº 0210200 2009000746. Convém ainda ressaltar que recentemente o Decreto nº 8.303/2014 extinguiu o MPF e criou o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) e, em seu art. 2º, deixa claro que tais instrumentos referemse a controles administrativos: "Art. 2º Os procedimentos Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.062 13 fiscais iniciados antes da publicação deste Decreto permanecerão válidos, independentemente das alterações no instrumento de controle administrativo nele veiculadas, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil." Ressaltese ainda que os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.063 14 Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado nos autos de infração. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. Isso porque, não se constata qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa por parte da Recorrente, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, deve ser afastada esta arguição de nulidade. 3.3 NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO EM FACE DO DISPOSTO NO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF Os extratos bancários em que se baseia a autuação, ante a negativa de fornecimento por parte do ora recorrente, foram obtidos por meio da expedição de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF por parte autoridade fiscal, dirigidas diretamente às instituições financeiras, com esteio no disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001. A constitucionalidade dos referidos diplomas normativos encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal, que, na análise de admissibilidade do Recurso Extraordinário nº 601314, reconheceu a repercussão geral da matéria, nos termos dos art. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Sobre o reconhecimento de repercussão geral pelo STF, dispunha o Regimento Interno do CARF, em seu art. 62A, § 1º que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil.” Baseado em tal dispositivo, requer a recorrente o sobrestamento do feito. Não merece acolhida. Embora à data do recurso, de fato, o sobrestamento se impusesse, com edição da Portaria MF 545, de 18 de novembro de 2013, revogaramse os Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.064 15 dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do julgamento do feito. 3.4 DA SUPOSTA ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL PARA OBTENÇÃO DOS EXTRATOS BANCÁRIOS Alega a recorrente que as emissões das Requisições de Movimentação Financeira RMF não seguiram o rito determinado pelo Decreto nº 3.724/2001, uma vez que a hipótese constatada pelo Fisco (supostamente omissão de receitas e ausência de escrituração regular) não se enquadraria em nenhuma das 11 hipóteses então elencadas por tal decreto em seu art. 3º como condições indispensáveis à obtenção de informações bancárias diretamente pela Receita Federal. Aduz ainda que não consta nos autos documento indispensável ao exercício pleno de sua defesa, qual seja, o relatório circunstanciado a que se refere o art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001, implicando ilegalidade na obtenção dos extratos bancários e, consequentemente, cancelamento da exigência. Mais uma vez tais argumentos não prosperam. Em primeiro lugar porque tal relatório circunstanciado encontrase nos autos, conforme se observa à fl. 50, parcialmente reproduzida a seguir: Além disso, conjugandose a informação à fl. 48 de que a hipótese de emissão de RMF está baseada no inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 (hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430/96), com a contida no relatório circunstanciado reproduzido anteriormente, qual seja, embaraço à fiscalização previsto no art. 33, I, da Lei nº 9.430/96 (no caso concreto, a falta de apresentação de informações financeiras), resta demonstrado que, de fato, a autoridade fiscal enquadrou o contribuinte em uma das 11 hipóteses previstas na legislação para emissão das RMF. Caberia à recorrente discutir se tal enquadramento se deu ou não de forma correta, o que não ocorreu. Dessa forma, rejeito também tal preliminar. 4. DA MULTA DE OFÍCIO Os autos de infração foram lavrados com multa de 112,5%, posteriormente reduzidas a 75% em razão da decisão de primeira instância. Em sede de recurso voluntário, Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.065 16 requereu a recorrente a redução da multa para 20%, matéria não questionada em sede de impugnação. Não assiste razão à Recorrente. A preclusão é matéria de lei e seus efeitos ocorrem independentemente de pronunciamento da autoridade administrativa. No caso dos autos, a declaração de preclusão emanada na decisão recorrida possui efeitos meramente declaratórios, pois a preclusão se deu no momento em que o contribuinte apresentou impugnação sem questionar o arbitramento de lucros realizado pela autoridade lançadora. Tais conclusões advém do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da ausência de impugnação a uma ou mais infrações decorre a exigibilidade imediata do crédito tributário correspondente, conforme dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972, transcrito a seguir: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. Nesse sentido, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário que não tenha sido objeto de impugnação, operando a constituição definitiva do crédito tributário relativo a tal matéria. Tratandose de multa de ofício, a manutenção do principal impõe, imediatamente, a aplicação da multa de 75%, conforme requerido pela recorrente em sua impugnação. De toda forma tratase de penalidade expressamente prevista em lei (art. 44 da Lei nº 9.430/96), não cabendo a este colegiado a análise sobre confisco. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10215.720141/201061 Acórdão n.º 1402001.970 S1C4T2 Fl. 1.066 17 5. CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, não conhecer do recurso em relação à exigência de multa de 75% e negar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida. Ressaltase ainda que a unidade de origem deverá adequar os valores de cobrança ao decidido pela Delegacia de Julgamento e ora confirmado, conforme explanado no item 3.1 deste voto. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000351/2005-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
Ementa:
ÔNUS DA PROVA. GLOSAS. DIREITO CREDITÓRIO.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que não reconheceu motivadamente o seu direito creditório.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-002.841
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que votou por converter o julgamento em diligência para que fosse apurado se os créditos glosados guardam pertinência com o processo produtivo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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GLOSAS. DIREITO CREDITÓRIO. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que não reconheceu motivadamente o seu direito creditório. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que votou por converter o julgamento em diligência para que fosse apurado se os créditos glosados guardam pertinência com o processo produtivo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 03 51 /2 00 5- 64 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro II que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo até a apresentação da Manifestação de Inconformidade, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Relatório 1 Tratase no presente processo de exame das declarações de compensação do interessado acima identificado (Dcomp´s às fls. 01, posteriormente retificada conforme fls. 42/44, e fls. 38/41), por intermédio da qual se pleiteia o reconhecimento da existência de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS referente ao período de apuração de abril de 2005 (PA 04/2005; valor: R$ 4.673.181,46, v. fls. 02/03), apurado segundo o regime da nãocumulatividade, a ser compensado com débitos de outros tributos e contribuições federais. 2 Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES (DRF/VIT/ES) exarou o Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1.527/2009 e Despacho Decisório (fls. 129/155), reconhecendo apenas parcialmente (valor: R$ 3.047.697,64) o direito creditório pleiteado pelo interessado, e homologando também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, as compensações de que tratam as Dcomp´s acima citadas, sob os seguintes fundamentos: · os valores devidos mensalmente a título de COFINS não cumulativa foram calculados tomandose por base os montantes constantes dos balancetes mensais, partindose, para efeitos de conferência, dos demonstrativos analíticos apresentados pelo contribuinte, em complemento às informações constantes dos Dacon´s, sendo que, do exame levado a cabo, constatouse a não inclusão dos valores contabilizados na conta 415350 (Outras Receitas Eventuais), cuja natureza, segundo informou o contribuinte, revestese de valores percebidos por uso de marca (royalties), indenização por servidão administrativa (passagem de gasoduto) e atualização monetária de contas a receber, os quais, à exceção desses últimos, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelo Decreto nº 5.164/04, não têm base legal para a sua exoneração, motivo pelo qual foram objeto de auto de infração, pelo quê também os débitos apurados pelo contribuinte foram admitidos sem qualquer ajuste, remetendose as diferenças à autuação; · já no que concerne aos créditos da nãocumulatividade, e no que se refere à rubrica “Bens utilizados como insumos”, as exclusões ficaram por conta (v. planilha analítica das notas fiscais excluídas do cálculo às fls. 114/118) de: combustíveis e Fl. 497DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000351/200564 Acórdão n.º 3402002.841 S3C4T2 Fl. 497 3 lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte de papel e celulose), por, nessa condição, não se enquadrarem no conceito de insumo; insumos agrícolas utilizados na operação florestal, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelos Decretos nºs 5.195/04 e 5.630/05, e do carvão mineral utilizado para geração de energia, que também teve sua alíquota reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/01; óleo lubrificante, utilizado na retífica das facas do picador de cavacos, agente de limpeza e agente hidrofílico, aplicados na limpeza das máquinas do processo produtivo, que não se fazem diretamente aplicados no processo industrial, não atendendo o requisito para a sua configuração como insumo; notas fiscais de importação de insumos sob o regime aduaneiro de drawback (CFOP 3.127), que, como tal, não sofrem a incidência, na nacionalização, do PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos; · já em relação ao item “Serviços utilizados como insumos”, somente assim se consideram aqueles aplicados diretamente na produção, não se confundindo com aqueles prestados na área de produção, motivo pelo qual foram glosados um sem número de serviços adquiridos, tais como: os serviços relacionados às áreas de centros de custos denominados “Apoio”, “Administração”, “Pesquisa e Silvicultura”, “Ações Sociais”, “Comunicação Interna”, etc, enfim, uma série de serviços relacionados aos centros de custo enumerados pelo Parecer Fiscal à fl. 148, que se entendem como não aplicados diretamente no processo produtivo, mesmo critério adotado para os serviços vinculados às contas do razão enumeradas à citada fl. 148 do Parecer Fiscal (planilha demonstrativa das exclusões perpetradas às fls. 119/124); · foram ainda objeto de glosa, na citada rubrica “Serviços utilizados como insumos”: serviços atinentes à operação florestal, tais como a manutenção/abertura de estradas, os serviços topográficos e o inventário florestal; serviços de apoio, análise, assessoria, consultoria e outros serviços afins, descritos no Parecer Fiscal à fl. 148, porquanto não aplicados diretamente no processo produtivo; serviços de empilhadeiras, retroescavadeiras, guinchos e guindastes, não admitidos pela mesma razão, ressalvandose a locação destes mesmos equipamentos, devido a previsão explícita de admissão de crédito pelo aluguel de máquinas e equipamentos, mas não como insumos; serviços de construção, reparo e manutenção civil, pintura, hidrojateamento, limpeza e lubrificação realizadas na área de produção, manutenção de elevadores, segurança, meio ambiente, remoção de resíduos e cascas, aterros e serviços administrativos (confecção de placas, carteiras, diagramação, “folders”, reprografia, desenhos, despesas de viagens, etc), não aplicados diretamente no processo produtivo; · ainda nesta categoria (serviços) e pelos mesmos motivos, foram glosadas as aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, por não possuírem a natureza de insumo, haja vista sua não utilização direta no processo produtivo, além Fl. 498DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 de outras que se limitaram à descrição “serviços”, ou que trouxeram em sua indicação o reajuste/adicionais de contratos, rateios, migração de saldos contábeis, bem como pagamento de horas extras de mãodeobra, ao entendimento de que não configuram serviços, propriamente ditos, mas ajustes contratuais complementares ou acertos contábeis, além do que, ainda que como serviços pudessem ser tidos, não há como definir, nestas situações, quais foram os serviços efetivamente prestados, o que impede seu reconhecimento como insumo; · na operação florestal foram excluídos os gastos com topografia, cartografia, inventário, vigilância, manutenção e abertura de estradas, construção e manutenção de cercas e viveiros, coleta de dados, confecção de porteiras e torres de vigilância, dentre outros, sendo mais esclarecedor especificar os serviços admitidos, que foram os serviços de manutenção das máquinas e equipamentos, derrubada/colheita, roçada, corte/descasque/baldeio, silvicultura e preparo de solo e mudas, tudo em conformidade com a consulta formulada pela Unidade (DRF/VIT/ES) à Superintendência (SRRF/7ª. RF/Disit), descrita resumidamente no Parecer Fiscal (fls. 140/144); · providenciouse ainda a exclusão, para fins de aproveitamento de créditos da COFINS nãocumulativa, das aquisições de madeira efetivadas junto à Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, CNPJ 02.551.517/000102 (fls. 119/124), que, segundo informam os cadastros da Receita Federal do Brasil (RFB), é associação civil de defesa de direitos sociais sem fins lucrativos de caráter filantrópico e, portanto, sujeita ao PIS/Pasep e COFINS sobre a folha de salários, e, assim, o caso é análogo àquelas operações não alcançadas pela tributação, isentas ou tributadas com alíquota zero que, como tais, não geram direito de crédito por não onerarem as aquisições realizadas; · foram também glosadas as despesas relativas a serviços de carga, descarga, baldeio, de empilhadeiras e manuseio de mercadorias em elaboração e/ou insumos, enfim, a movimentação destes materiais dentro do estabelecimento da pessoa jurídica, bem como o transporte entre suas unidades, pois não aplicados diretamente na produção, e também porque não subsumíveis às espécies de fretes admitidos, cuja aceitação somente se admite para os casos em que é textual, ou seja, para aqueles incidentes sobre as vendas, ou implícita, como custo de aquisição, para aqueles cobrados sobre as compras, desde que, em qualquer caso, seja tal gasto arcado pelo requerente (além daqueles referenciados, foram estornados todos os fretes da VIX Transportes e Logística Ltda., Gafor Ltda. e Júlio Simões Transportes e Serviços Ltda., sendo que, desta última, forma excepcionados aqueles referentes ao transporte de toras de eucalipto entre a Veracel e a Aracruz, ressalvandose ainda o frete entre as unidades fabris e os armazéns portuários, onde a mercadoria é destinada ao embarque de exportação, pois, nestes casos, os fretes incidem sobre a operação internacional de venda, e desde que o pagamento tenha sido feito em benefício de pessoa jurídica nacional; v. também notas fiscais e conhecimentos de transporte, que demonstram a movimentação Fl. 499DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000351/200564 Acórdão n.º 3402002.841 S3C4T2 Fl. 498 5 entre os estabelecimentos do requerente, fls. 77/113, e planilha de exclusões às fls. 119/124); · em linha semelhante, ou seja, por não guardarem referência com o conceito de serviço prestado como insumo, as despesas de carregamento (carga, descarga e movimentação), as despesas com pedágios, taxas de utilização portuária, limpeza e conservação de armazéns, empilhadeiras, marcação de fardos, mãodeobra de terceiros relacionados a tais atividades, foram expurgadas em sua integralidade; · quanto aos créditos que se referem às despesas apropriadas com energia elétrica, aquelas que dizem respeito à consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia – ABRACE, e as taxas de fiscalização de serviços de energia elétrica – TFSEE cobradas pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL (vide demonstrativo de fl. 125), por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua absorção como crédito da nãocumulatividade, não puderam ser admitidas; · no item “Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas”, foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos, ambulâncias e o arrendamento de veículos para transporte de pessoal, por não se enquadrarem tais despesas no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos (cf. fl. 126); · os valores apropriados pelo interessado na rubrica “Outros valores com direito a crédito”, tais como despesas com hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programas de formação profissional, materiais de escritório e propaganda e publicidade, devem ser expurgados, porquanto não são passíveis de inclusão por inexistência de permissivo legal (demonstrativo de glosas à fl. 127). 3 Cientificado da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 22/09/2009 (v. fl. 165), o contribuinte, irresignado, apresentou, em 20/10/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 166/178 e demais documentos a ela anexados às fls. 179/200 (cópia de carteira de identidade do procurador da empresa, procuração, atas e estatuto social), alegando, em síntese, que: a) o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, sendo que, no ciclo produtivo do impugnante, as árvores são cortadas e colhidas, processos estes realizados através de diversas atividades (roçada précorte; corte e processamento manual e corte e processamento mecanizado), nas quais durante toda a Fl. 500DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 fase de silvicultura e de colheita, ocorre o consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; b) o combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme entendimento das: Solução de Consulta nº 260, de 26/09/2008; Solução de Consulta nº 85, de 07/04/2008; Solução de Consulta nº 72, de 04/09/2006; c) também não há que se falar em glosa de créditos de COFINS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI (Resp nº 1008021/CE; Resp nº 617.733/CE; Resp nº 813.280/SC), conceito posto para insumo que o impugnante toma emprestado para a apuração da COFINS; d) ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1.527//2009, para que seja confirmada a homologação integral das compensações constantes deste processo nº 13770.000351/200564, ou, caso não seja esse o entendimento, que o referido processo seja convertido em diligência, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados. Mediante o Acórdão nº 1330.784, de 12 de agosto de 2010, a 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 COFINS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Na aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda, ou na prestação de serviços, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos da COFINS. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000351/200564 Acórdão n.º 3402002.841 S3C4T2 Fl. 499 7 COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O transporte de insumos, produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da COFINS com incidência nãocumulativa. COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. FERTILIZANTES E CONGÊNERES. CARVÃO MINERAL. A partir do advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não mais se poderá apropriar créditos relativos à COFINS, decorrentes de aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento da contribuição, inclusive quando adquiridas com alíquota zero, utilizadas na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. COFINS. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. AQUISIÇÕES JUNTO À ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. Inexiste vedação no regime da nãocumulatividade à apropriação de créditos originados de aquisições junto à associação civil sem fins lucrativos, sujeita à COFINS sobre suas operações que revelem nítido caráter econômico financeiro. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. O julgador de primeira instância reformou a decisão da autoridade administrativa para reconhecer o direito creditório originado das aquisições de madeira junto à Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, tendo em vista, em síntese, que não há, na legislação de regência da matéria, qualquer vedação à apropriação de créditos ao adquirente, pelas suas compras realizadas junto à associação civil sem fins lucrativos, não se tratando de situação concreta que se subsuma ao disposto no art. 3º, § 2º II da Lei nº 10.637/2002. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 27/10/2010. Em 26/11/2010, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual alega, em síntese, que: Entendese por insumo toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. Para a produção de celulose de fibra curta branqueada, o processo industrial da recorrente se inicia no viveiro florestal, onde são produzidas as mudas de eucalipto que irão Fl. 502DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 formar as futuras florestas renováveis mantidas pela empresa. As mudas são selecionadas e enviadas para o plantio no campo. Após o tempo de maturação, as árvores são cortadas e colhidas, processos estes realizados através de diversas atividades (Roçada Précorte; Corte e Processamento Manual e Corte e Processamento Mecanizado). Durante toda a fase de silvicultura e de colheita ocorre consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção. Todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo. Desde a fase de preparação do viveiro até a introdução da madeira no ciclo de produção, a recorrente utiliza caminhões, máquinas e diversos equipamentos operados em sua quase totalidade por terceiros, que irão formar o custo de produção da celulose. Tais custos integram a cadeia de produção de forma indireta por representarem ora custos de formação da matériaprima, ora insumos consumidos para a realização do objeto social da empresa. O combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pela recorrente são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área da recorrente e exclusivamente para a recorrente, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pelo autuante, de indiscutível essencialidade no processo produtivo da recorrente. Por atender à lógica da não cumulatividade, creditouse a recorrente da COFINS incidente sobre o combustível, itens de manutenção, itens de reposição, equipamentos de segurança, entre outros equivocadamente glosados pelo agente fiscal. Esse entendimento é respaldado por diversos precedentes e soluções de consulta. Também não há que se falar em glosa de créditos de COFINS decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI, conceito posto para insumo que a recorrente, assim como feito pelo autuante, pega emprestado para a apuração da COFINS. Com efeito, resta completamente assentado que não se pode impedir o creditamento presumido do IPI, bem como no caso em tela da COFINS em razão do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. Assim, tentou o autuante inovar e impor regras e conceitos para fins de creditamento da COFINS na sistemática da não cumulatividade, extrapolando sua competência no intuito de limitar o disposto na Lei 10.833/2003, razão pela qual não pode prosperar também nesse ponto a alegação fiscal. Ao final, requereu a recorrente: i) a reforma da decisão recorrida para que seja confirmada a homologação da compensação e também todo o ressarcimento de crédito de COFINS constante no processo. ii) Caso não seja esse o entendimento imediato do julgador, a conversão em DILIGÊNCIA, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de Fl. 503DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000351/200564 Acórdão n.º 3402002.841 S3C4T2 Fl. 500 9 fiscalização sejam sanados e ao final seja CONFIRMADA A HOMOLOGAÇÃO na integralidade da compensação. Posteriormente, foi juntado ao processo o Laudo/Parecer Técnico acerca da cadeia produtiva do sistema agroindustrial de produção de celulose, elaborado por professores da Esalq/USP. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele se toma conhecimento. Não pode prosperar o conceito de insumo proposto pela recorrente que seria toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva fosse necessária à consecução do produto final. O direito ao crédito das contribuições não cumulativas deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias, dispostas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e nas demais normas aplicáveis à espécie. Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, cujo Relator foi Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Filiome ao entendimento deste Conselho Administrativo que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Com relação à insurgência genérica ao conceito de insumo aplicado às glosas, devese ressaltar que o fato de este Colegiado ter entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas. Não há que se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Com relação à alegação da recorrente de que seu processo industrial se inicia no viveiro florestal, é de se esclarecer que o entendimento da fiscalização não é dela divergente. A fiscalização considera que os custos incorridos na fase agrícola da produção são insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas. Com efeito, registrou a fiscalização que a DRF/Vitória já havia formulado consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, a qual solucionou a questão em abono quase integral da proposta submetida por aquela Unidade, conforme trecho abaixo extraído do Parecer Seort: (...) É pertinente registrar a realização de consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, cujos termos se transcrevem na íntegra: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000351/200564 Acórdão n.º 3402002.841 S3C4T2 Fl. 501 11 "DESCRIÇÃO DETALHADA DA QUESTÃO Em procedimento de verificação de ressarcimento de créditos da não cumidatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, realizada junto a pessoa jurídica que exerce atividade de fabricação de celulose juntamente com a produção de toras de eucalipto, esta a principal matériaprima na industrialização daquele produto, deparouse a fiscalização com dúvidas acerca do real alcance do termo "insumo " para fins de apropriação de créditos daquela natureza na operação realizada pela empresa. Assim como na atividade sucroalcooleira, é comum no setor de fabricação de celulose que as indústrias desenvolvam o cultivo de eucalipto para garantia do fornecimento de matériaprima, o que a caracteriza como típica agroindústria. (...) SOLUÇÃO PROPOSTA PELA CONSULENTE Quanto ao primeiro questionamento, entende esta Unidade que, sendo princípio comezinho de direito que a lei não utiliza palavras vãs, os termos "produção" e fabricação" possuem sentidos distintos, não podendo serem tomados como sinônimas no contexto legal sob enfoque. O vocábulo "fabricação", sem maiores controvérsias, guarda relação com "industrialização" na concepção do art. 4o do RIPI/02, aprovado pelo Decreto n° 4.544/02, segundo o qual corresponde a "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". Tanto assim que a IN SRF 247/02 buscou a noção de insumo no Parecer CST 65/79 que demarca os conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, indiscutivelmente espécies do gênero "insumo ". Produção, por sua vez, não se enquadra como industrialização, ainda que do ponto de vista econômico o possa ser. Este entendimento encontrase pacificado na seara administrativa, tendo, inclusive, o próprio Conselho de Contribuintes firmado posição neste sentido, quando, ao analisar o direito ao crédito presumido de IPI da Lei n° 9.363/96 a pessoa jurídica exportadora de café em grão, reafirmou a inexistência de qualquer processo industrial, do ponto de vista legal, que lhe fosse possível conferir o beneplácito, uma vez que as operações se resumiam a limpar, secar, classificar e ensacar o produto (café) destinado ao mercado internacional (vide acórdãos 20179.068 e 201.79.070). (...) Nesta senda e já adentrando à segunda indagação, encarada a produção como algo distinto de industrialização, temse que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 conferiram, sim, o direito ao aproveitamento de créditos incidentes sobre insumos bens e serviços utilizados na produção, no caso em apreço, entendida como a atividade rural empreendida como acessória à industrialização de celulose, não se erigindo em óbice a tal conclusão a simples omissão da IN SRF 247/02 em conceituar os bens utilizados como insumos em relação à produção, mesmo porque ao definir serviços como insumos estipulou que seriam aqueles aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Não faria sentido lógicojurídico que se permitisse a apropriação de créditos na produção, exclusivamente em relação serviços tomados como insumos, refutada quanto aos bens, o que leva a crer que houve certa mistura terminológica, em princípio, nada impedindo que, adotando uma interpretação sistemática, apliquese a analogia in bonam partem para se concluir que é possível, na atividade agroindustrial, a tomada de créditos pela utilização de bens e serviços que são consumidos/aplicados na produção. Outrossim, não parece haver dúvida que, acaso a operação florestal fosse realizada em pessoa jurídica distinta e não em processo integrado, como sói ocorrer, os créditos em comento poderiam ser apropriados sem qualquer censura. Isto posto, resta a terceira questão, qual seja, admitidos os créditos, quais seriam os insumos passíveis de admissão no cômputo da apuração dos créditos. Em relação aos bens, dúvida não surge quanto aos herbicidas, fertilizantes e corretivos de solo, eis que consumidos diretamente na produção de toras de eucalipto; entretanto, a mesma facilidade não se repete no que concerne aos serviços, de forma que aqueles relacionados à silvicultura, assim entendido como o cultivo de árvores florestais, e de topografia, visando o levantamento das áreas a serem cultivadas, haveriam de ser admitidos no cálculo. Já os serviços de manutenção de estradas para escoamento da produção e os serviços de satélite para acompanhamento das áreas cultivadas, assim como, a vigilância patrimonial e a construção de cercas divisórias, o mesmo raciocínio não seria aplicável porquanto são serviços que, nada obstante a utilidade na atividade desenvolvida, não se aplicam diretamente na produção, mas apenas de maneira indireta. Nesta linha exegética, "o termo 'insumo' não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço" (SC SRRF/7a RF/Disit n° 69/2007). Na Solução de Consulta SRRF/7" RF/Disit n° 05/2007, destaca se que "( ...) segundo a nova sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os contribuintes a elas sujeitos podem apurar um crédito correspondente à aplicação das respectivas alíquotas sobre determinados custos, para ser abatido do que for devido, num mesmo período, a título das referidas contribuições. Como a utilização desse crédito resultará em redução da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, cumpre salientar o dever de obediência ao princípio da interpretação literal, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos, consoante o disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional." Com estas considerações, submetese o posicionamento retro a esta Divisão de Tributação para que o referende ou, caso contrário, forneça a interpretação mais consentânea com o direito posto, pugnandose desde já, na medida do possível, por uma breve solução, em razão da pendência de análise de pedidos de ressarcimento. " Fl. 507DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000351/200564 Acórdão n.º 3402002.841 S3C4T2 Fl. 502 13 Em abono quase integral da exegese submetida, referida Divisão solucionou a questão no sentido proposto, à exceção dos serviços topográficos, que não vislumbrou hipótese para seu aproveitamento, por falta de respaldo legal, isto é, não se verificava ali a prestação de um serviço diretamente realizado na produção. Fixadas tais premissas, destacase que do exame da escrita contábil/fiscal e dos mapas demonstrativos da composição das contribuições sob exame foram detectados alguns pontos divergentes entre a interpretação levada a cabo pelo contribuinte e a engendrada pela fiscalização, não no que concerne à exatidão dos números fornecidos, mas sim em relação à inclusão/exclusão de certos itens (insumos e/ou receitas) no cálculo dos valores aproveitados na apuração do tributo sob exame. (...) No que concerne aos combustíveis, alega a recorrente que eles são consumidos em veículos, máquinas e equipamentos, durante toda a fase de silvicultura e de colheita, de forma que são essenciais no seu processo produtivo. No despacho decisório observase que as glosas a título de combustíveis foram somente relativas àqueles utilizados em veículos e embarcações, em face da sua não utilização direta no processo produtivo, conforme se vê abaixo: (...) Nesta rubrica as exclusões ficaram por conta dos combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte de papel e celulose), por, nessa condição, não se qualificarem como insumo, visto sua influência indireta no processo produtivo; (...) Nesta categoria (serviços) também foram relacionadas aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, redundando em sua glosa, não pelo equívoco da classificação proposta (insumo bem x serviço), mas sim, por não possuir este combustível a natureza de insumo, haja vista sua não utilização direta no processo produtivo. (...) No entanto, a mera alegação de que os combustíveis seriam essenciais à produção de celulose não é suficiente para afastar a glosa correspondente. Caberia à recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que glosou, motivadamente, o crédito decorrente de combustíveis. Embora esta Relatora pudesse, em conformidade com precedentes deste CARF, reconhecer, por exemplo, o crédito decorrente dos combustíveis utilizados em veículos ou embarcações em relação ao transporte ou manuseio de insumos ou produtos inacabados Fl. 508DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 dentro do contexto do seu processo produtivo, nele incluído a fase agrícola, a recorrente não trouxe aos autos, até a manifestação de inconformidade, a comprovação de que os combustíveis questionados estariam inseridos nessa situação ou, eventualmente, em outra que ensejasse o referido creditamento. A recorrente, no recurso voluntário e na manifestação de inconformidade, restringiuse à alegação de que o combustível seria essencial ao seu processo produtivo e seria consumido em veículos, máquinas e equipamentos na fase de silvicultura e de colheita. No Laudo posteriormente apresentado há a informação de que toda a atividade silvicultural e fabril depende da movimentação de veículos leves, ônibus, vans, tratores, caminhões, máquinas leves e pesadas, todos consumidores de combustível. Não resta mesmo dúvida de que o combustível seja essencial à atividade produtiva da recorrente, entretanto, ela não comprovou que as despesas relativas às aquisições tributadas de combustíveis glosadas seriam, efetivamente, aplicadas nos veículos, máquinas e equipamentos do seu processo produtivo, mas não em outras operações que, embora sejam da atividade da empresa como um todo, não gerariam direito ao crédito das contribuições. A apuração dessa questão exigiria dilação probatória, não mais cabível neste momento processual, quando já preclusa a produção de provas pela recorrente, sem olvidar que seria dela o ônus da prova do seu direito creditório. Pelo que entendo que devem ser mantidas as glosas correspondentes aos combustíveis. Alega a recorrente também a essencialidade no seu processo produtivo de todos os itens ligados a peças de manutenção, a itens de reposição e aos equipamentos de segurança, bem como caminhões, máquinas e diversos equipamentos operados em sua quase totalidade por terceiros. Entretanto, além de os bens não constarem expressamente no Parecer Seort como glosados, acerca dos itens ligados à manutenção, há menção no Parecer Seort de que foram admitidos os créditos relativos a "serviços de manutenção das máquinas e equipamentos, derrubada/colheita, roçada, corte/descasque/baldeio, silvicultura e preparo de solo e mudas, tudo isso em conformidade, como já dito, com a consulta formulada por esta Unidade", mas também de que foram efetuadas várias glosas relativas a manutenção, como, por exemplo, "Reforma do Restaurante e Manutenção", "manutenção/abertura de estradas", "manutenção civil", "serviços de manutenção de elevadores" e "manutenção de cercas e viveiros". Não se sabe, pela leitura do recurso voluntário, quais seriam, especificamente, os itens recorridos. Tratase de defesa muito genérica, deficiente e desprovida de comprovação. Assim, diante da ausência da delimitação da discordância e dos seus correspondentes fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, conforme exige o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, deixo de conhecer essa alegação. O Parecer Seort também não trata de qualquer questão quanto à "glosa de créditos de COFINS decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade", alegada pela recorrente no recurso voluntário. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000351/200564 Acórdão n.º 3402002.841 S3C4T2 Fl. 503 15 Por fim, requereu a recorrente, a conversão em diligência "para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados", entretanto, não logrou êxito em demonstrar quais seriam esses equívocos, conforme acima analisado, além do que, a diligência não se presta a suprir a deficiência probatória da requerente de reconhecimento de direito creditório. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. No entanto, essas previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela requerente. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 510DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 37336.001308/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2401-000.081
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Kleber Ferreira de Araujo
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Numero do processo: 10120.012275/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COEFICIENTE DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. HEMATOLOGIA. SERVIÇOS HOSPITALARES. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA.
Por ocasião do julgamento do RESP 951.251-PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1a. Seção, modificando a orientação anterior, para fins do pagamento dos tributos com coeficientes reduzidos, a expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15 parágrafo 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a intenção de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares).
Assim, devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos.
Precedente do STJ no Recurso Especial representativo de controvérsia nº 1.116.399, sessão de 13/08/2009.
A prestação de serviço de oncologia enquadra-se no conceito de serviços hospitalares, aplicando-se, na determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL no lucro presumido, os coeficientes de 8% e de 12%, respectivamente.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
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E LAB. DE PESQUISAS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COEFICIENTE DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. HEMATOLOGIA. SERVIÇOS HOSPITALARES. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1a. Seção, modificando a orientação anterior, para fins do pagamento dos tributos com coeficientes reduzidos, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15 parágrafo 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a intenção de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares). Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. Precedente do STJ no Recurso Especial representativo de controvérsia nº 1.116.399, sessão de 13/08/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 22 75 /2 00 9- 20 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 259 2 A prestação de serviço de oncologia enquadrase no conceito de serviços hospitalares, aplicandose, na determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL no lucro presumido, os coeficientes de 8% e de 12%, respectivamente. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 260 3 Relatório O Presidente da 2ª Turma da DRJ em Brasília recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, haja vista que no julgamento dos autos do qual resultou o acórdão nº 0336.906 julgou procedente a impugnação apresentada, exonerando o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. O litígio é relativamente simples: a autoridade autuante entendeu que as atividades desenvolvidas pela recorrente não se enquadravam no conceito de serviços hospitalares, concluindo que deveria ser aplicado o coeficiente de 32% para determinação da base de cálculo de IRPJ, e não o coeficiente de 8% aplicado pelo contribuinte. Apresentada impugnação, a turma de julgamento a quo julgoua procedente, concluindo que: Com base exclusivamente neste ADI [ADI RFB nº 19/2007] não há dúvida de que o sujeito passivo não se enquadra no conceito de serviços hospitalares para fins de utilização do coeficiente de presunção de 8%. As razões de tal conclusão serão expostas a seguir. [...] Consoante o ADI, além de ser estabelecimento de assistência à saúde, a instituição deve dispor de estrutura material capaz de internar pacientes, prestar serviços de atendimento de enfermagem e terapêutico direto durante 24 horas, bem assim, disponibilizar serviço de cirurgia e/ou parto, o que, em regra, torna necessária a internação por período prolongado. Percebese claramente que o ADI, ao exigir tais atividades, fixa que o estabelecimento deve ter, entre outras, a atribuição contida no tópico 3, do item 2.1, da Parte II do RDC n° 50, qual seja, de prestar assistência direta ao paciente internado por período superior a 24 horas. Ou seja, está clara a necessidade do estabelecimento possuir a capacidade de internar pacientes por período superior a 24 horas, não bastando possuir leitos para internação exclusivamente de preparo ou recuperação de exames. 3 Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internaçãoatendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 261 4 Em que pese o contribuinte ser estabelecimento comercial, a atribuição por ele desenvolvida está capitulada no tópico 4; do item 2.1, da Parte II do RDC, conforme informação expressa na certidão. Logo, com base no próprio documento trazido pelo sujeito passivo aos autos, concluise que ele não se enquadra nas condições exigidas no ADI. Há que se considerar, ainda, que o ato normativo da Receita Federal exige equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, além de enfermeiros, terapeutas, técnicos em radiologia. Contudo, consoante registros de empregados juntados pelo contribuinte às fl. 104/143, verificase que seu quadro funcional é composto por enfermeiros, técnicos em enfermagem e auxiliares de banco de sangue, havendo apenas um infeccologista (fl. 126), que foi contratado em 2008. Onde está o corpo clínico compatível com as exigências do ADI? Onde os médicos em quantidade suficiente para assistência permanente aos pacientes, para realização de cirurgias e parto? Onde estão os técnicos em radiologia? Não bastasse isso, por si só o fato de NÃO disponibilizar serviços de .rurgias e/ou partos é suficiente para considerar que os serviços prestados por ele não se enquadram no conceito de serviços hospitalares. Não há provas nos autos de que tais serviços façam parte das atividades do sujeito passivo. Ao contrário, a certidão da vigilância sanitária, ao indicar que o estabelecimento se enquadra na atribuição 4 do RDC; a 23ª Alteração contratual (fl. 82 Cláusula Terceira), ao listar os seus objetivos sociais; bem assim a"Apresentação Visual FísicoFuncional da Matriz" (fotos do estabelecimento) constante do relatório da perícia encomendada pelo contribuinte (fl. 167/194), DEMONSTRAM de forma cristalina que estes serviços não são prestados. Por fim, reforça esta conclusão a simples leitura da nova redação do art. 15, §1°, III, "a" da Lei n° 9.249/95, efetuada pela Lei n° 11.727/2008, a qual somente é aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2009. Todavia, em que pese o entendimento deste julgador acima exposto, tornase necessário fazer algumas considerações a respeito do lançamento contestado, a fim de evitar incorrer em inovação quanto à sua fundamentação, o que é vedado pelo art. 18, § 3o do Decreto n° 70.235/72, com redação da Lei n° 8.748/93. Consoante a análise constante do tópico anterior deste voto, o lançamento realizado posteriormente à publicação do ADI RFB n° 19, ainda que referente a período de apuração anterior à sua entrada em vigor, deve seguir suas instruções para fins de identificar se as atividades da empresa se enquadravam como serviços hospitalares, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 262 5 fazendo jus à aplicação do coeficiente de presunção de 8% previsto no art. 15 da Lei n° 9.249/95 (12 % para CSLL art. 20 da mesma lei). No caso do lançamento não ter sido realizado utilizando como fundamentação legal o ADI RFB n° 19, mas sim as IN anteriores ao referido ato, conforme aconteceu na espécie, cujo alicerce normativo foram as disposições contidas nas IN SRF n° 480/2004 e 539/2005, a referida análise concluiu ser necessário verificar se a motivação dada pela autoridade fiscal para o não enquadramento como serviço hospitalar e, por conseguinte, para a aplicação do coeficiente de presunção de 32%, consta também do ADI. E o que passo a fazer. Para tanto, transcrevo abaixo a fundamentação do lançamento nesta parte, conforme consta do relatório que acompanha este voto: • Fato gerador 31/03/2005 a partir do ano calendário 2005 o sujeito passivo não poderia ter utilizado o percentual de 8% por não se enquadrar no conceito de serviço hospitalar estabelecido na Instrução Normativa (IN) SRF n° 480/2004. Isto porque não possuía cinco leitos para internação de pacientes e não possuía Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) de n° 85.111 "Atividades de Atendimento Hospitalar"; • Fatos geradores 30/06, 30/09 e 31/12/2005 a partir de 27/04/2005, com a publicação da IN SRF n° 539/2005, são considerados serviços hospitalares aqueles ligados à assistência à saúde de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Anvisa n° 50/2002, alterada pelas RDC n° 307/2002 e 189/2003. Além disso, a referida IN estabeleceu também que a estrutura física do estabelecimento deve atender o disposto no item 3, da Parte II das RDC mencionadas, e que tal condição deve ser comprovada por documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Como tal documento não foi apresentado durante a fiscalização, não há prova do atendimento das exigência estabelecidas, sendo devido o percentual de 32%; Para o fato gerador ocorrido em 31/03/2005 a autoridade fiscal motivou o lançamento em dois pontos: 1) o fato de que o contribuinte não possuía à época cinco leitos de internação; e 2) o seu CNAE não ser o indicado na IN SRF n° 480/2010. Percebese que a autoridade fiscal foi bastante econômica ao justificar o lançamento. No que se refere ao critério do CNAE, este não está presente no ADI, não podendo ser usado como justificativa para a aplicação do percentual de 32%. Em relação aos leitos de internação, não é possível aferir se o Auditor Fiscal considerou que a instrução normativa exigia serem os mesmos de internação por mais de vinte quatro horas, e não apenas de recuperação de exames, concluindo por não haver qualquer Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 263 6 leito de internação no estabelecimento; ou se entendeu que a instrução apenas exigia leito de internação, independentemente de ser exclusivamente destinado a recuperação de exames, e que, haja vista o estabelecimento ter apenas um leito para internação conforme resposta à intimação, não se enquadraria na exigência da instrução de pelo menos cinco leitos no estabelecimento. Na primeira hipótese a motivação estaria em consonância com a disposição do ADI SRF n° 19/2007, justificando a manutenção do lançamento para este fato gerador. Contudo, na segunda hipótese a motivação não encontraria amparo no referido ato declaratório por duas razões: a) primeiro porqueeste exige leito de internação de paciente para mais de vinte quatro horas; b) ainda que aceitasse internação para recuperação, o que não é o caso, não fixou limite mínimo de leitos. Cabe à autoridade fiscal a correta motivação do lançamento, com uma descrição dos fatos relatada de forma precisa. Tratase de elemento essencial e obrigatório do lançamento, conforme art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e art. 142 do CTN. Portanto, em vista da falta de clareza da motivação para o lançamento, não é possível concluir que está condizente com o disposto no ADI RFB n° 19/2010, sendo, pois, improcedente o lançamento relativo ao fato gerador oco.ndo em 31//03/2005. Quanto aos demais fatos geradores, a autoridade fiscal motivou o lançamento em dois pontos: 1) são considerados serviços hospitalares aqueles ligados à ^sisi ância à saúde de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Anvisa n° 50/2002, alterada pelas RDC n° 307/2002 e 189/2003; 2) O sujeito passivo não apresentou documento expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal certificando que o estabelecimento atendia o disposto no item 3, da Parte II das RDC mencionadas. No primeiro "motivo" apontado o Auditor Fiscal pecou novamente pela ausência de uma exposição mais nítida das suas razões de acusação. Disse que o contribuinte deveria se adequar ao RDC, conforme preceituado na IN SRF n° 539/2005, sem contudo apontar qual o requisito desta norma foi descumprido. Em suma, nesta afirmação da autoridade fiscal não consta qualquer fundamentação para alicerçar o lançamento. Conforme dito, a motivação é requisito essencial do lançamento. Sua ausência não pode ser suprida pela autoridade julgadora. Quanto à exigência da apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária para atestar o atendimento do RDC, tal requisito constava apenas da IN SRF n° 539/2005, não fazendo parte das condições estabelecidas no ADI RFB n° 19/2007. Logo, esta motivação não encontra amparo no ato declaratório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 264 7 Não resta dúvida de que o ADI também faz exigências quanto à estrutura física do estabelecimento, não só diretamente em seu próprio texto, como também ao condicionar que o estabelecimento deve ser de assistência à saúde, cujos requisitos estruturais constam do RDC 50 e alterações posteriores. Porém, diante da redação contida no ato declaratório, para comprovar o descumprimento pelo contribuinte dos requisitos relativos à estrutura física do estabelecimento, caberia à autoridade fiscal especificar quais condições não foram atendidas, amparado, para tanto, na falta de comprovação documental por parte do fiscalizado. Então, também para os fatos geradores ocorridos a partir de abril de 2005 há que se considerar que o lançamento é improcedente em função da motivação imprecisa e incompatível com o ADI RFB n° 19/2007. Enfim, é devido afastar integralmente o lançamento de IRPJ correspondente ao erro na aplicação do coeficiente de presunção, ou seja, relativo ao anocalendário 2005. Diante de todo o exposto, voto pela procedência da impugnação, afastando o crédito tributário constituído. Conforme já relatado, tendo tal julgamento exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00, o presidente da turma julgadora a quo recorreu de ofício ao CARF. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 265 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício preenche os pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO O coeficiente de presunção do lucro dos prestadores de serviços hospitalares, durante um longo período, suscitou inúmeros debates no âmbito da Receita Federal, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no CARF e também no Poder Judiciário. A maior discussão dizia respeito a quais atividades poderiam ser enquadradas no conceito de serviços hospitalares. Com a edição da Lei nº 11.727/2008, e a consequente inclusão de uma série de atividades entre aquelas sujeitas à determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no lucro presumido, mediante aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente, tal controvérsia não mais persistiu. Contudo, restaram os litígios referentes aos fatos geradores ocorridos antes do advento de tal diploma legal. No caso concreto, em análise minuciosa, a turma julgadora a quo firmou entendimento de que os elementos de prova coligidos aos autos comprovariam que as atividades desenvolvidas pela impugnante no anocalendário de 2005 não se enquadravam no conceito de serviços hospitalares. Contudo, em razão de deficiências na fundamentação legal da exigência e na descrição dos fatos, entendeu por bem exonerar o crédito tributário exigido. Divirjo dos fundamentos do voto condutor do aresto recorrido, mas comungo de suas conclusões quanto à exoneração total do crédito tributário em litígio. Conforme se exporá a seguir, sequer se faz necessária a análise minudente das exigências contidas nas normas infralegais que fundamentam a decisão da DRJ. Em primeiro lugar porque a própria administração tributária reconheceu que as restrições interpretativas contidas no Ato Declaratório Interpretativo nº 19/2007 e da Instrução Normativa 791/2007 deveriam somente ter efeitos prospectivos, não se aplicando retroativamente em face dos atos normativos anteriormente editados pela própria Receita Federal e que possuíam uma interpretação mais elástica a respeito do conceito de serviços hospitalares. Nesse sentido foi editado o Parecer PGFN/CAT nº 1285/2008, cujos excertos finais merecem ser reproduzidos: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 266 9 47. Ipso facto, o Ato Interpretativo RFB nº 19, de 2007 e a Instrução Normativa RFB nº 791, de 2007, operamse exnunc, de modo prospectivo, não podendo suscitar surpresa no contribuinte, que no pretérito se comportara de acordo com a fórmula abraçada pela Administração. 48. O novo entendimento que a Administração Fiscal abraça qualifica modificação introduzida de ofício, identifica critério jurídico distinto, há lançamento (ainda que suplementar), circunstâncias que são alcançadas pelo primeiro fragmento da dicção do art. 146 do Código Tributário Nacional. 49. O superior cânone da boafé, ancorado na vedação de uso retroativo de norma tributária de maior imposição, síntese de uma segurança jurídica desejada por sociedade democrática, justificam que se respeite ao contribuinte que recolheu do modo como preconizado pela Administração. Por outro lado, o Ato Declaratório RFB nº 19, de 2007, e a Instrução Normativa RFB nº 791, de 2007, não autorizam que se defiram pretensões de restituição ou de repetição de indébito. Não é desse assunto que tratam, e nem se tem hipótese de eventual devolução. 50. Conclusivamente, os atos legais aqui estudados não alcançam situações jurídicas consolidadas. São dotados, sic et simpliciter, de efeitos prospectivos. Dada a necessidade de ação uniforme, adequado que a questão seja encaminhada ao Senhor Ministro de Estado da Fazenda, para análise, ponderação e eventual outorga de efeitos vinculantes, pesadas as razões aqui lançadas. Importante ainda destacar que tal Parecer foi aprovado pelo Ministro da Fazenda em 10/07/2008, possuindo efeito vinculante no âmbito deste Ministério (art. 42 da Lei Complementar nº 73/1993). Tal Parecer faz expressa menção à Instrução Normativa SRF nº 306/2003, que em seu artigo 23 enquadrava, de forma literal, o desenvolvimento de atividades de hemoterápicas como serviço hospitalar: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 267 10 uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: [...] V prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: [...] k) desenvolvimento de atividades hemoterápicas; [...] O Parecer menciona ainda a IN SRF nº 480/2004 e as alterações trazidas com a edição do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 19, de 2007, e da Instrução Normativa RFB nº 791, de 10 de dezembro de 2007, alterando o conceito de serviços hospitalares a que se refere o art. 15, parágrafo 1º, inciso III, letra “a”, da Lei nº 9.249, de 1996. Ora, se a própria administração reconhece que os ditames de tais normas infralegais (justamente as utilizadas para fundamentar a exigência e também mantêla no julgamento de primeira instância) possuem eficácia prospectiva, não são aptas a embasar a exigência referente a fatos geradores ocorridos antes de suas edições, conforme se observa no caso concreto. E, vejase, não há qualquer dúvida de que a IN SRF 306/2003, em seu art. 23, enquadrava a atividade de hemoterapia como serviço hospitalar. Além disso, em 13/09/2009 o STJ no julgamento do REsp nº 1.116.399 sob o rito previsto no art. 543C do CPC (recursos repetitivos/recurso representativo de controvérsia), firmou entendimento sobre a matéria no seguinte sentido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 E 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.249/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1a. Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 268 11 hospitalares”, constante do artigo 15 parágrafo 1o., inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares). 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do parágrafo 2o do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência de percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso Especial não provido. [grifos nossos] É importante ressaltar que, por força do art. 62. § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015), este colegiado deve reproduzir o entendimento firmado pelo STJ no julgamento de recursos representativos de controvérsia (art. 543C do CPC), como é o caso dos autos. Ressaltase ainda que as exigências infralegais estipuladas pela Receita Federal somente vieram a constar em texto de lei com o advento da Lei nº 11.727/2008, sendo Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.012275/200920 Acórdão n.º 1402002.002 S1C4T2 Fl. 269 12 aplicáveis, por óbvio para períodos de apuração ocorridos após sua vigência, como bem indica o item 4 da ementa do REsp 1.116.399. Por todas essas razões, a exigência não pode prevalecer. 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16327.000481/2008-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
1- O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
2- Um vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
Numero da decisão: 9101-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Tema 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido parcialmente (somente na parte referente ao IRPJ). Tema 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos Recurso provido em parte com retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais matérias, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. Declarou-se impedido de participar do julgamento, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. 1- O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. 2- Um vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 14.387 1 14.386 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000481/200876 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.152 – 1ª Turma Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria Compensação de prejuízos. Limite legal. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO SANTANDER S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. 1 O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. 2 Um vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Tema 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido parcialmente (somente na parte referente ao IRPJ). Tema 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos Recurso provido em parte com retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais matérias, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. Declarouse impedido de participar do julgamento, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 81 /2 00 8- 76 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.388 2 Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 15/12/2011 (fls. 364/368), capitulado como recurso contra decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova, com fulcro no art. 7°, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, e também contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em vigor. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 120100.108, de 18/06/2009, rerratificado pelo Acórdão nº 120100.574, de 03/10/2011, por meio dos quais a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, com a finalidade de afastar o limite legal de 30% para a compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 Ementa: COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — INCORPORAÇÃO E CISÃO — à empresa extinta por cisão e incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro liquido para fins de compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa acumulados. A PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à lei, que também deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à aplicação do limite legal de 30% para a compensação de prejuízos fiscais acumulados. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o entendimento manifestado pela ilustre maioria, ao permitir a compensação integral de prejuízos fiscais, ou seja, sem a observância do limitador de 30%, afrontou o artigo 15 da Lei no 9.065/95, na medida em que tal dispositivo legal não faz qualquer ressalva a situações em que há a incorporação da empresa; Fl. 463DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.389 3 não se pode olvidar, ademais, a ofensa ao artigo 514 do RIR 99; a decisão recorrida também diverge do entendimento firmado pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se verifica do seguinte julgado (em anexo): Acórdão 910100.401 (paradigma) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ao contrário do entendimento da Turma a quo, a lª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu não haver, no ordenamento jurídico, possibilidade de compensação de prejuízos fiscais em patamar superior aos 30% expressamente estipulados, até mesmo no caso do desaparecimento da empresa detentora do direito à compensação. É importante assentar que tanto o acórdão paradigma como o acórdão recorrido analisou casos de "incorporação"; a legislação é expressa ao estipular uma limitação (30%) à possibilidade de compensação de prejuízos. De se notar, por oportuno, não haver quaisquer ressalvas na lei quanto à limitação do percentual de 30% no caso de extinção, ou sucessão por cisão, incorporação ou fusão da sociedade; há previsão normativa expressa no sentido de não ser possível à empresa sucessora a compensação de prejuízos fiscais da sucedida, conforme art. 514 do RIR/99; todos os comandos legais levam à conclusão de não ser possível a compensação de prejuízo fiscal sem a observância da chamada "trava de 30%". Qualquer conclusão em sentido contrário ofende a legalidade, bem como afronta a segurança jurídica; por absoluta falta de previsão legal, não é permitida a compensação da base de cálculo negativa acima do limite máximo de 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, sob pena de contrariedade à lei e à jurisprudência desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN (fls. 393/398), o Presidente da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 120000.180, de 13/05/2013, admitiu o recurso especial pelas seguintes razões: [...] Feitas estas considerações, passase à análise do acórdão apontado como sendo paradigma, a ver se efetivamente retrataria situação idêntica àquela verificada no acórdão recorrido. Isso porque o Julgador é livre para formar sua convicção, e esta encontrase atrelada ao conjunto probatório constante de cada processo, mormente quando se trata de matéria de prova. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.390 4 Verificase, que do simples confronto, entre os acórdãos recorrido e o apontado como paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese à interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, aplicado a um mesmo fato, que no caso em questão é a discussão da possibilidade da empresa extinta por cisão e incorporação estar ou não dispensada do limite de 30% do lucro liquido para fins de compensação de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa. Assim, a mera leitura dos acórdãos recorrido e paradigma permite concluir que são acórdãos divergentes, pois tratam de matérias tributárias iguais, de fato e de direito, de forma diferente. Ou seja, tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no acórdão recorrido entendeuse, que para a empresa extinta por cisão e incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro liquido para fins de compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa acumulados. Por sua vez, no paradigma apontado, ao contrário do que se concluiu no recorrido, considerouse que o prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Fazenda Nacional suscita, ainda, que, nos termos do art. 7º, inciso I, do Regimento Interno, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova, já que a decisão do aresto recorrido foi prolatada em 04 de fevereiro de 2009, antes da vigência do RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, conforme o previsto no art. 4° deste Regimento Interno. Desta forma, a representante da Fazenda Nacional intenta reformar o julgado, cuja decisão não foi unânime, alegando contrariedade à legislação que rege a matéria, em especial, o art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995. Com efeito, a argumentação contida no Recurso Especial conduz à conclusão de que o dispositivo legal acima poderia, em tese, ter sido contrariado, o que demanda também o reexame da questão por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais. IV Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a questão discutida nos autos. Em 16/09/2013, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 27/09/2013 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões de fls. 406/424, apresentando os argumentos descritos a seguir: PRELIMINARMENTE DO OBJETO DO RECURSO ESPECIAL RECURSO RESTRITO À DISCUSSÃO DA APLICAÇÃO DA "TRAVA DE 30%" TÃO SOMENTE AO SALDO DE PREJUÍZO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ Fl. 465DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.391 5 antes de ser analisado o mérito do recurso especial ora contraarrazoado, importa que seja delimitado exatamente o alcance de referido instrumento processual interposto pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional; muito embora o presente processo administrativo, e, conseqüentemente, o acórdão recorrido, tenham por objeto a discussão quanto à aplicação da "trava de 30%" tanto ao aproveitamento do saldo de prejuízos fiscais quanto do saldo de base de cálculo negativa da CSLL, o recurso especial interposto pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional faz menção, única e exclusivamente, à legislação atinente à limitação do aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal; o referido recurso apenas está procurando reformar o acórdão recorrido no que toca ao cancelamento do auto de infração do IRPJ e não do auto de infração da CSLL; trechos extraídos do recurso especial (transcritos nas contrarrazões) evidenciam que apenas a decisão relativa ao cancelamento do auto de infração do IRPJ é que foi objeto do referido instrumento processual; considerando que não houve no recurso especial ora combatido, a comprovação de afronta à legislação aplicável à CSLL no que tange à aplicação do limite de 30% para aproveitamento do saldo de base negativa (regras dispostas no artigo 42 da Lei n° 8.981/95 e no artigo 16 da Lei n° 9.065/95)2, o que seria de rigor para o seu recebimento, requerse que esta E. CSRF reconheça que apenas e tão somente a decisão concernente ao cancelamento do auto de infração do IRPJ é que está sendo questionada pela d. Procuradora, e, reconheça, conseqüentemente, a extinção definitiva dos créditos tributários da CSLL que são objeto do presente processo administrativo; DO DIREITO DA NÃO OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NA HIPÓTESE DE INCORPORAÇÃO conforme restou consignado no presente processo administrativo, o recorrido, em razão de reorganização societária do grupo, incorporou o Banco do Estado de São Paulo S/A inscrito no CNPJ/MF sob o n° 61.411.633/000187 absorvendo, dessa forma, todos os direitos e obrigações inerentes à sociedade incorporada; especificamente no que tange à apuração do IRPJ (único tributo objeto de recurso especial pela Fazenda Nacional), o lançamento baseouse no entendimento de que a regra disposta no artigo 15 da Lei n° 9.065/95, não faria qualquer exceção no que tange às hipóteses de incorporação, fusão e cisão, de modo que a limitação da "trava de 30%" seria cabível mesmo nestas hipóteses; tal entendimento foi, contudo, repelido pelo voto vencedor do I. Conselheiro Relator da E. 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que reconheceu, acertadamente, que nos casos de incorporação e fusão não se aplica a limitação ao direito de compensação; o correto posicionamento evidenciou que a limitação à compensação prevista no artigo 15 da Lei n° 9.065/95 tem por pressuposto a continuidade das atividades da pessoa jurídica, quando é possível a compensação do saldo de prejuízos em períodos Fl. 466DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.392 6 posteriores (o mesmo raciocínio se aplica ao saldo de bases de cálculo negativa de CSLL, embora não seja objeto do recurso especial da Fazenda Nacional); contudo, com a interrupção do exercício da atividade, em virtude da incorporação, como ocorreu no presente caso, desaparece tal pressuposto, eis que não há mais saldo remanescente a ser compensado em exercícios futuros; muito embora a norma trazida pelos dispositivos legais acima mencionados tenha limitado a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, o direito à compensação continua assegurado para os anos seguintes; com base nesse entendimento é que o antigo Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça reconheceram a legalidade da norma (Lei n° 8.981/95), com fundamento na inexistência de cerceamento ao direito à compensação, já que o contribuinte poderá compensar o saldo remanescente dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, não utilizados em razão da limitação de 30%, nos exercícios seguintes; em outras palavras, tanto o antigo E. Conselho de Contribuintes como o STJ entendem que a norma não fere o ordenamento jurídico pátrio e o conceito constitucional de renda, pois mesmo tendo sido imposta a limitação de 30%, a legislação permite que o contribuinte efetue a compensação do restante dos prejuízos nos exercícios subseqüentes; entretanto, no caso de "desaparecimento" da pessoa jurídica, in casu, por meio da incorporação, não há que se falar em compensação do saldo remanescente dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL em períodos subseqüentes, pois não haverá mais que se falar em períodos posteriores; nesse esteio, tanto o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes como a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais pacificaram o entendimento no sentido de não ser aplicável a limitação de 30% na utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, pela sociedade incorporada; o entendimento exposto pela PGFN fere o conceito constitucionalmente pressuposto de renda, sobre o qual incide o IRPJ, e a finalidade da legislação que determinou a limitação à compensação dos saldos de prejuízo fiscal; conforme bem assevera Humberto Ávila, na obra "Conceito de Renda e Compensação de Prejuízos Fiscais", o artigo 42 da Lei n° 8.981/1995 e os artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/1995, "partiram do pressuposto de que os períodos de apuração se comunicam, elas impuseram uma restrição à compensação, sem impedir seu aproveitamento em períodos posteriores"; contrariamente ao que ocorre com as empresas que prosseguem com suas atividades, as sociedades incorporadas somente poderão deduzir os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL auferidos em um único momento, qual seja, na sua declaração de encerramento, como ocorreu no presente caso; não resta a essas sociedades incorporadas outra alternativa que não seja a compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL existentes na data da incorporação, sob pena de terem tributado não o seu lucro mas, na verdade, o seu próprio patrimônio, o que não se pode admitir; Fl. 467DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.393 7 o exercício da competência tributária está intrinsecamente vinculado à definição de materialidade de tributos, de modo que, no caso do IRPJ e da CSLL, compete à União expedir regras de compensação que estejam em conformidade com as materialidades desses tributos; ao estabelecer a possibilidade de compensação de saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa, nada mais fez a União do que respeitar o conceito constitucionalmente pressuposto de renda, bem como os princípios da igualdade, da capacidade contributiva e da progressividade; o conceito de renda pressupõe a noção de período, de tal modo que ela surge num determinado período, no qual se torna possível verificar as mutações patrimoniais sofridas pelo sujeito passivo, e dentre elas, as que efetivamente configuram acréscimo patrimonial passível de tributação pelo IR; a circunstância de se estar na presença de efetiva "tributação" pelo IRPJ e pela CSLL só é verdadeiramente confirmada quando o critério legalmente estabelecido para a conversão dessa circunstância em cifra econômica (a base de cálculo) revelase compatível com a consistência material do fato tributado, repitase: o acréscimo patrimonial efetivamente verificado; nos termos do artigo 189 da Lei n° 6.404, de15/12/76, que dispõe sobre as sociedades por ações, é obrigatória a dedução dos prejuízos para se apurar os resultados do exercício; pelos termos da Lei das Sociedades Anônimas, não há lucro sem a dedução integral dos prejuízos acumulados, quer deduzindoos do resultado do exercício (caput), quer absorvendoos com lucros acumulados (parágrafo único); a referida lei respeitou integralmente o conteúdo e o conceito de lucro, oriundos da ciência econômica. Pouco importa que nela seja disciplinado o lucro para fins societários. O conceito de lucro (ou renda), tanto para fins societários, como para fins tributários, é o mesmo, pois se trata de termo técnico; citese novamente Humberto Ávila, para quem "não se pode separar o conceito de renda do conceito de prejuízo"; a aplicação da limitação trazida pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95 nas hipóteses de incorporação de empresa, acaba por "transformar" em lucro (ou renda) o que não é lucro (ou renda), tornando este (nãolucro/nãorenda) base de cálculo do IRPJ; o lucro tributável só pode ser obtido após as deduções dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas. Somente a partir daí poderseá falar efetivamente em renda e lucro; AD ARGUMENTANDUM DA INAPLICABILIDADE DO ACÓRDÃO N° 910100.401 COMO PREMISSA DE JULGAMENTO PARA O PRESENTE CASO não poderia a PGFN ter se valido do entendimento proferido no Acórdão CSRF n° 910100.401, pretendendo tomálo como decisão paradigma à análise do presente caso; Fl. 468DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.394 8 o acórdão n° 910100.401 adotou como premissa de julgamento a decisão proferida pelo STF no julgamento do RE n° 344.994, a qual apenas analisou a limitação à compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa do ponto de vista dos princípios da anterioridade, da irretroatividade e do direito adquirido, e com base nestes princípios considerou constitucional a "trava de 30%", sem abordar, ao contrário que fez crer a recorrente, a hipótese da compensação de prejuízos em caso de extinção da pessoa jurídica, que é o objeto do presente processo administrativo; com base exclusivamente no acórdão proferido pelo STF, é que foi proferido o acórdão paradigma n° 910100.401, mencionado pela recorrente, por meio do qual a 1ª Turma da CSRF firmou o entendimento de que a "trava de 30%" seria constitucional e, ainda, configuraria "benefício fiscal"; a situação fática discutida pelo STF por ocasião do julgamento do RE 344.994, a qual foi adotada como fundamento do acórdão n° 910100.401, utilizado pela recorrente para fundamentar o posicionamento defendido em seu recurso especial, não guarda qualquer correspondência com a situação fática discutida no presente caso; não foi analisada pelo STF a extensão da norma que prevê a trava de 30% às hipóteses de extinção de pessoa jurídica em decorrência de incorporação. Como decorrência, o Acórdão CSRF 910100.401, proferido com base no entendimento proferido pelo STF no RE n° 344.994, não pode ser adotado como fundamento para justificar a aplicação da limitação da "trava de 30%" no presente caso, que trata, justamente, do aproveitamento de prejuízos fiscais em hipóteses de incorporação; não merece reparo o acórdão recorrido, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, eis que o aproveitamento da integralidade do saldo de prejuízo fiscal pela empresa incorporada está em total conformidade com as normas e princípios constitucionais e legais vigentes no ordenamento jurídico, razão pela qual aguarda o recorrido que essa E. CSRF negue provimento ao Recurso Especial da Fazenda e, conseqüentemente, mantenha integralmente incólume o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.395 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos em 31/08/2006. De acordo com as peças de autuação fiscal, houve realização indevida de compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, sem observância do limite legal de 30% do lucro líquido/resultado ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, com a finalidade de afastar o limite legal de 30% para a compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, com o entendimento de que o referido limite não se aplica no caso de extinção de pessoa jurídica. De acordo com o acórdão recorrido, no caso de extinção da pessoa jurídica, seja por liquidação, seja nas hipóteses de reorganização societária, esse limite efetivamente privaria a sociedade de exercer um direito adquirido. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão. CONHECIMENTO O primeiro aspecto a ser examinado é a preliminar contida nas contrarrazões da contribuinte, defendendo que o recurso da PGFN ficou restrito à discussão da aplicação da "trava de 30%" tão somente ao saldo de prejuízo fiscal auto de infração de IRPJ, sem abarcar a CSLL, pelo que os débitos dessa contribuição estariam definitivamente extintos pela decisão de segunda instância administrativa. Compulsando aos autos, vêse que o recurso especial da PGFN realmente não apresenta argumentos que tratam expressa e especificamente da CSLL. A argumentação fica sempre restrita à questão da compensação de prejuízo fiscal, que é tema próprio do IRPJ. Quando o recurso busca fundamento no art. 7°, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (previsto para questionamento de decisão nãounânime, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), ele indica apenas os dispositivos legais referentes ao IRPJ, ou seja, o art. 15 da Lei 9.065/95 e o art. 514 do RIR/99. E quando ele se fundamenta na existência de divergência de interpretação da lei tributária, o paradigma apresentado, Acórdão CSRF 910100.401, ao abordar o tema do limite legal para a compensação de prejuízo fiscal no contexto de um exame de direito Fl. 470DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.396 10 creditório referente a saldo negativo de IRPJ (objeto de declaração de compensação), só tratou também deste imposto, sem adentrar em nenhum assunto sobre a CSLL. Desse modo, a falta de argumentação diretamente dirigida à CSLL, reforçada pela falta de indicação do dispositivo legal contrariado e apresentação de paradigma que não trata da CSLL, há de se acatar a preliminar apresentada nas contrarrazões, para fins de reconhecer que o exame do recurso especial da PGFN deve ficar restrito ao lançamento a título de IRPJ. As contrarrazões da contribuinte trazem ainda uma segunda preliminar, ao alegar que o Acórdão CSRF n° 910100.401 não poderia ser tomado como decisão paradigma para a análise do presente caso. Essa preliminar, entretanto, deve ser rejeitada, porque a argumentação da contribuinte se volta contra a interpretação que o acórdão indicado como paradigma deu à decisão do Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 344.994. As questões suscitadas nas contrarrazões configuram na verdade matéria de mérito, e serão examinadas a seguir. Mas não há dúvidas de que, independentemente de estar correta ou não a interpretação que o acórdão paradigma fez da referida decisão do STF, esse acórdão paradigma claramente diverge do acórdão recorrido, no que diz respeito ao IRPJ, de modo que ele serve perfeitamente para a caracterização de divergência a ser sanada mediante o processamento de recurso especial. Do exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso, conhecendo quanto ao IRPJ (pois para este tributo houve preenchimento dos requisitos de admissibilidade), mas não conhecendo quanto a CSLL (forte na ausência de pretensão recursal). MÉRITO Adentrando propriamente nas questões de mérito, cabe destacar que a contribuinte sustentou suas contrarrazões em aspectos que abordam a implicação legal de o direito à compensação de prejuízo fiscal estar assegurado para os anos seguintes e as nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica, tudo isso circunstanciado no conceito constitucional de renda, tanto para fins de aplicação da lei tributária quanto da lei comercial, e principalmente na idéia de comunicação dos períodos de apuração do imposto. A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Inclusive já votei anteriormente esta matéria na Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção em julgamento do qual resultou o Acórdão nº 1201001.190, sessão de 24/03/2015, da relatoria do Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, ao qual remeto a leitura. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.397 11 Como fundamento deste voto, cito primeiramente o Acórdão CSRF nº 9101 00.401, de 02/10/2009, que é justamente a decisão indicada como paradigma de divergência nestes autos. A referida decisão retrata uma mudança de posicionamento no CARF, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO [...] Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: [...] Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua Fl. 472DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.398 12 composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4. Já quanto à limitação da compensação dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar, ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão. "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazê lo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, coma a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado Fl. 473DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.399 13 sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Vale também trazer à baila o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação sobre a compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do imposto, conforme consta do voto vencedor que orientou aquela decisão: Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem Fl. 474DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.400 14 também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855 GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributa se. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima vênia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, Fl. 475DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.401 15 que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). [...] Há ainda o Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que aborda com profundidade os vários aspectos suscitados pela contribuinte em suas contrarrazões: Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado [...] Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.402 16 em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993(com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do Fl. 477DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.403 17 aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real).Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim,o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a“trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. ... [...] Fl. 478DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.404 18 Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art.177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: [...] Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. [...] Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. [...] O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estarseia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contra argumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) Fl. 479DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.405 19 atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativocontábil, não transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repisese, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei. [...] Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. [...] Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o Fl. 480DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.406 20 aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária. Os argumentos que fundamentaram o acórdão recorrido e as alegações contidas nas contrarrazões da contribuinte estão devidamente refutados pelas decisões acima referidas. O principal aspecto da polêmica em pauta, a meu ver, reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE 344994, o Supremo Tribunal Federal STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais acima transcritas (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto; e que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto (renda em determinado período de apuração). Antes de finalizar o voto, cabe fazer um registro. É que o acórdão recorrido, que julgou o recurso voluntário da contribuinte, também tinha como matérias a serem analisadas a incidência de juros selic, a multa de ofício aplicada na sucessora (empresa incorporadora), e o erro na recomposição do cálculo dos tributos. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 9101002.152 CSRFT1 Fl. 14.407 21 O relator do processo chegou a examinar esses pontos, mas como ficou vencido na questão principal (aplicação ou não da trava de 30%), o exame dessas outras matérias acabou sendo prejudicado. Desse modo, os autos devem retornar à turma ordinária para que, uma vez mantida a trava de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, sejam examinadas essas demais matérias que eram objeto do recurso voluntário da contribuinte. Assim, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da PGFN, para manter o limite legal de 30% na compensação de prejuízo fiscal, restabelecendo o auto de infração de IRPJ, e devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior, após ser dada ciência às partes desta decisão. O provimento aqui é parcial porque no pedido a PGFN pede para que seja mantido o lançamento (principal, juros e multa), o que depende ainda do julgamento das outras matérias (juros e multa), daí que se está devolvendo a turma a quo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 482DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 12963.000037/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003
LUCRO ARBITRADO.
A falta de apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de sua escrituração, quando devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS
Comprovado que o contribuinte omitiu receitas de vendas, apurada através de informações prestadas pelo adquirente dos produtos, assim como pela compatibilidade com os valores movimentados em sua conta bancária, há que se exigir os tributos e contribuições devidas.
LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E DESPESAS.
Feita a opção pelo lucro presumido, há que se desconsiderar todos os custos e despesas do contribuinte, atribuindo-se, por força de presunção legal, um percentual sobre a receita bruta declarada. Mesma mecânica deve ser adotada quando se trata do Lucro Arbitrado, hipótese dos autos.
Numero da decisão: 1301-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de sua escrituração, quando devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS Comprovado que o contribuinte omitiu receitas de vendas, apurada através de informações prestadas pelo adquirente dos produtos, assim como pela compatibilidade com os valores movimentados em sua conta bancária, há que se exigir os tributos e contribuições devidas. LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E DESPESAS. Feita a opção pelo lucro presumido, há que se desconsiderar todos os custos e despesas do contribuinte, atribuindose, por força de presunção legal, um percentual sobre a receita bruta declarada. Mesma mecânica deve ser adotada quando se trata do Lucro Arbitrado, hipótese dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 00 37 /2 00 6- 32 Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12963.000037/200632 Acórdão n.º 1301001.959 S1C3T1 Fl. 2.295 3 Relatório PAULO SÉRGIO FERREIRA DE MELO E CIA LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Foram lavrados pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Poços de Caldas/MG, em 27/12/2006, os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 258.228,93 (fls. 2203/2209), da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 78.06l,97 (fls. 2210/2216), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 129.702,99 (fls.2217/2223) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 360.286,17 (fls. 2224/2232), que acrescido de multa qualificada e juros de mora com base na SELIC totalizou crédito tributário no montante de R$ 2.794.115,49. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 2233 a 2236 o Fisco relata que a empresa foi intimada justificar as diferenças apuradas pelo confronto das DIPJs apresentadas com os valores obtidos através de circularização de clientes, ou seja, apurouse nos anoscalendário de 2001 e 2002, uma receita de vendas nos valores de R$ l0.859,516,10 e R$ 1.092.115,47, respectivamente, enquanto os valores declarados à então SRF, nesses exercícios foram R$ 153.451,90 e R$ 16.217,40. Foi solicitado também além das DIPJs e DCTFs ou livros Diário, Razão, Registro de Saída, Entradas, Inventário e que justificasse as diferenças entre os valores declarados e os valores efetivamente movimentados em sua contacorrente no Banco Itaú. Em resposta, o contribuinte informa que fazia apenas a intermediação de milho em natura entre os agricultores e a empresa CORN PRODUCTS BRASIL INGREDIENTES INDUSTRIALES LTDA “ficando apenas com a corretagem, cujo valor teria declarado. Os acertos financeiros passavam pelas contas do Requerente, informa". Não tendo a empresa apresentado os livros fiscais e comerciais bem como a documentação pertinente a Fiscalização arbitrou o lucro, com base na receita omitida apurada pelas notas fiscais de venda remetidas pela compradora da autuada as quais estão anexadas aos autos, assim como os respectivos comprovantes de pagamento. Às fls. 2240 a 2243 o contribuinte apresenta sua impugnação reafirmando o que já havia dito quando da intimação, ou seja, que as planilhas entregues ao Fisco assim como os extratos bancários evidenciam que praticava a corretagem de mercadorias e não revenda. Argüiu que os recursos financeiros transitavam em sua conta bancária “em razão do risco de não recebimento de sua porcentagem” que seria em tomo de 1% a 2%. Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 “Ressalvamos que a imposição dos valores apurados no presente termo de fiscalização são surreais, pois, apesar de ter ocorrido uma elevada movimentação financeira, toda ela foi para acerto entre o produtor rural e a destinatária..” “E, como toda a movimentação passou pela sua empresa, embora não tivesse comercializando, ficou a impressão de que o contribuinte tivesse um lucro exorbitante, o que não aconteceu.” Por fim requer que se julgue improcedente o presente auto de infração “calculando a tributação pertinente sobre o real ganho do autuado, ou seja, sobre sua comissão”. A 2ª Turma da DRJ/JFA, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de sua escrituração, quando devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado que o contribuinte omitiu receitas de vendas, apurada através de informações prestadas pelo adquirente dos produtos, assim como pela compatibilidade com os valores movimentados em sua conta bancária, há que se exigir os tributos e contribuições devidas. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, alegando, em apertado síntese o que se segue: Alega que buscava produtos exclusivamente para a empresa Corn, assim, o que realmente ocorria mera corretagem, senão vejamos: O Autuado buscava junto aos produtores rurais o produto de interesse da destinatária, a empresa CORN PRODUTCS BRASIL INGREDIENTES INDUSTRIALES LTDA. Encontrando o milho desejado, o Suplicante entrava em contato com a destinatária, fechando o negócio. Assim, emitia a Nota Fiscal de Entrada para sua empresa, posteriormente, transferia de sua empresa para a destinatária. Toda a. movimentação passava pela Autuada. Destarte, todos os acertos financeiros, também passavam pelas contas do Requerente. Note, conforme documentação anexa, que o fechamento de débito e crédito confere com os dados bancários. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12963.000037/200632 Acórdão n.º 1301001.959 S1C3T1 Fl. 2.296 5 Portanto, o que o Contribuinte declarou foi apenas a diferença financeira que ficou como saldo ao seu favor. Na prática a receita se, refere tão e simplesmente corretagem. Fica patente que a imposição dos valores apurados no presente termo de fiscalização são inverídicos, pois, apesar de ter ocorrido uma elevada movimentação financeira, toda ela foi para acerto entre o produtor rural e a destinatária. [...] Portanto na formalidade de escrituração houve o equívoco de escriturar como revenda, mas na verdade o que ocorreu foi a corretagem de milho. [...] Por derradeiro, reitera o já apresentado em sua defesa, Requerendo que caso haja tributos a recolher, que os mesmo sejam calculados sobre a corretagem praticada, e não como revenda, pois não foi isso que ocorreu. É o relatório. Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 21/08/2007 (fl. 2281 2282), e apresentou em 20/09/2007, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 2283 2287. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. Trata o presente processo do auto de infração, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Poços de Caldas/MG, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 258.228,93 (fls. 2203/2209), da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 78.06l,97 (fls. 2210/2216), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 129.702,99 (fls.2217/2223) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 360.286,17 (fls. 2224/2232), que acrescido de multa qualificada e juros de mora com base na SELIC totalizou crédito tributário no montante de R$ 2.794.115,49. O recorrente se insurge contra a alegada tese da fiscalização de que houve omissão de receita, haja vista que na sua interpretação o que realmente ocorria era mera corretagem de milho. Aduz, ainda, que buscava junto aos produtores rurais o produto de interesse da destinatária, a empresa CORN PRODUTCS BRASIL INGREDIENTES INDUSTRIALES LTDA. Encontrando o milho desejado, o Suplicante entrava em contato com a destinatária, fechando o negócio. Assim, emitia a Nota Fiscal de Entrada para sua empresa, posteriormente, transferia de sua empresa para a destinatária. Toda a. movimentação passava pela Autuada. Destarte, todos os acertos financeiros, também passavam pelas contas do Requerente. Portanto, o que o Contribuinte declarou foi apenas a diferença financeira que ficou como saldo ao seu favor. Na prática a receita se refere tão e simplesmente à corretagem. Não vejo como dar amparo à pretensão da recorrente, senão vejamos: Alega a recorrente que sua receita tributável advém de corretagem, o que justificaria a discrepância dos valores declarados em sua DIPJ, o informado pela empresa adquirente e aquilo que constou com sendo sua movimentação bancária. No entanto, como bem apontado pelo órgão julgado a quo: "as notas fiscais emitidas pelo impugnante identificam a operação como venda de produtos e foram devidamente quitadas pela empresa Corn Produtcs, conforme documentação juntada aos autos e que o autuado confirma todo recurso financeiro transitou em sua conta bancária documento de fls. 08/10 e extratos de fls 33/96". Em sua resposta à Intimação o contribuinte afirma que “apesar de ter ocorrido uma elevada movimentação financeira, toda ela foi para acerto entre o produtor rural e a destinatária". Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12963.000037/200632 Acórdão n.º 1301001.959 S1C3T1 Fl. 2.297 7 Apresentou então planilhas onde relaciona as aquisições e as vendas e que teria declarado “a diferença financeira que ficou como saldo a seu favor” que no seu entender corresponderia à corretagem. Na verdade, o que as planilhas apresentadas demonstram é que o contribuinte realizou atos de comércio comprou e vendeu (débito e crédito) e o que chama de corretagem pode ter sido o lucro da operação, ou seja, a diferença entre o custo de aquisição da mercadoria e seu valor de venda. Assim, para que pudesse tributar apenas a diferença entre estes dois valores (custo de aquisição e valor da venda), bastava que a fiscalizada fizesse a opção pela sistemática do Lucro Real, o que não é o caso dos autos, haja vista a opção pelo lucro presumido. Desta forma, feita a opção pelo lucro presumido, há que se desconsiderar todos os custos e despesas do contribuinte, atribuindose, por força de presunção legal, um percentual sobre a receita bruta declarada. Mesma mecânica deve ser adotada quando se trata do Lucro Arbitrado, hipótese dos autos. Portanto, aqui, não há como se debruçar sobre eventuais custos de aquisição do milho, mas, se possível for, afastar alguns dos lançamentos que compõem a receita bruta conhecida do contribuinte caso se comprove que eventuais valores considerados para fins de receita não o são. É isto que tenta fazer o contribuinte ao alegar que se tratava de mera representação comercial, portanto que parte das receitas conhecidas pertenciam a terceiros, não podendo, desta maneira, compor a base de cálculo para fins do lucro arbitrado. Aqui também não vejo como prosperar a tese da defesa. Uso como fundamento da minha decisão, ipsis literis, os mesmos argumentos adotadas pela decisão de 1ª Instância, a qual transcrevo abaixo: A representação comercial se dá através de contrato remunerado, firmado entre dois comerciantes ou empresas comerciais, para que uma parte promova a venda de produtos da outra, efetuando negócios em nome dela, ou realize aproximação de fregueses, etc., mediante pagamento de comissões ou corretagem. Neste caso o produto é vendido diretamente ao interessado, só com a intervenção do corretor. Não é este o caso do autuado. Ele comprou um produto e o revendeu a terceiros. Tanto é assim que ele mesmo ao preencher sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ presumiu seu lucro no percentual de 8% próprio para as atividades comerciais e industriais, conforme determina os arts. 518 e 519 do RIR/99, a seguir transcrito: Art.518. A base de cálculo dá imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso 1). Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 Art.519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, §1º): I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará 0 percentual previsto no caput; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. § 2º No caso de serviços hospitalares aplicase o percentual previsto no caput. § 3º No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 2º). § 4º A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei nº 9.250, de 1995, art. 40, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 19). § 5º O disposto no parágrafo anterior não se aplica às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 40, parágrafo único). § 6º A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de que trata o §5º, para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja receita bruta acumulada até determinado mês do anocalendário exceder o limite de cento e vinte mil reais, ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. § 7º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a diferença deverá ser paga até o último dia útil do mês subseqüente ao trimestre em que ocorreu o excesso. Se, como afirma sua atividade fosse a intermediação de negócios o percentual de presunção utilizável seria 32% como previsto no inciso III acima, e não o de 8% como consta de sua declaração. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12963.000037/200632 Acórdão n.º 1301001.959 S1C3T1 Fl. 2.298 9 E, se sua margem de lucro fosse inferior ao que a legislação determina para o Lucro Presumido, ainda lhe restaria optar pelo Lucro Real, jamais utilizarse do subterfúgio de declarar o que chamou de “seu ganho real de corretagem” e utilizar o percentual de presunção de lucro de 8%, quando este deveria ser aplicado sobre sua receita bruta auferida. Enfim, toda documentação acostada ao processo comprovam que a empresa auferiu receita de venda no montante de R$ 10.906.446,40 e R$ 1.108.332,87 nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente, tendo declarado parcela irrisória (1,5%). Portanto, não restava alternativa ao fisco que não arbitrar o lucro em face da falta de documentação, sobre a receita de vendas omitida que totalizou os valores respectivos de R$ 10.752.994,50 e R$ 1.092.115,47 nos exercícios de 2002 e 2003, anoscalendário de 2001 e 2002. Salientese, por oportuno que o recorrente não se manifestou quanto a aplicação da multa qualificada aplicada pelo fisco, razão pela qual não manifestarei sobre este tópico. Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de sessões, 03 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 11020.722273/2011-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 01/02/2009
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
O artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicar-se-á o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35-A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da Lei 9430/96.
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9202-003.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANA PAULA FERNANDES - Relatora.
EDITADO EM: 17/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 01/02/2009 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. O artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicar-se-á o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35-A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da Lei 9430/96. Recurso Especial Provido.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. O artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da Lei 9430/96. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 22 73 /2 01 1- 58 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) ANA PAULA FERNANDES Relatora. EDITADO EM: 17/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de Uniformização de Jurisprudência motivado pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão 2803002.293, proferido pela 3º Turma Especial/2ª Seção de Julgamento/CARF. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: “O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.261.0617, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa, em razão da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR – parte patronal e SAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.321.1759, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa, em razão da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR – parte devida a outras entidade e fundos – terceiros, e, ainda, do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.321.1767, CFL.68, em razão de apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 21 a 44, com período de apuração de 12/2006 a 02/2009, de acordo com o Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 46 e 47. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1041.629 6ª, Turma DRJ/POA, em 29/11/2012, fls. 317 a 337, no qual a impugnação foi considerada improcedente. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 351 a 374, recebido, em 18/03/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 351, acompanhado dos documentos, de fls. 375 a 386, no qual alegou no mérito, em síntese: · que a recorrente promoveu pagamento diferenciado aos seus Fl. 443DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 9202003.729 CSRFT2 Fl. 10 3 empregados com cargo de chefia e de gerência, mas tais pagamentos foram realizados dentro da lei e oferecidos a todos os trabalhadores e observando suas políticas meritocrática, incluindose está no artigo 28, § 9º, “j”, da Lei 8.212/91; · que tais pagamentos são incertos e eventuais e assim se conformam ao artigo 28, § 9º, “e”, “7”, da Lei 8.212/91, pois a recorrente pode não alcançar seus objetivos, estando os pagamentos previsto na cláusula 3.4.1 do acordo firmando entre a comissão de empregados e a empresa, possuindo este regras claras e objetivas; · que cargos idênticos exercidos em setores ou seções diferentes podem corresponder a salários diferentes, o que se reflete no PPR, pois empregados com salários diferentes recebem uma participação igual ao seu salário mensal, mas que dezessete colaboradores recebem um tratamento e participação diferenciada; · que os ditos programas passaram pela aprovação dos sindicatos, estando o programa de acordo com o artigo 7º, XI; 195, I e 201, § 4º,d a CF/88 c/c o artigo 28, § 9º, “j”, da Lei 8.212/91 e da Lei 10.101/2000, cita doutrina; · que a cobrança de contribuição do PPR dos diretores/administradores, também, não prospera, uma vez que estas não ostentam natureza salarial, sendo inconstitucional a sua exigência; · que o artigo 12, I, “a”, da Lei 8.212/91 define os segurados obrigatórios empregados, o RPS faz o mesmo, cita a CLT e o enunciado 229 do TST, estando equivocada a decisão recorrida ao dizer que incide a contribuição por não serem os diretores empregados, cita decisão do TRF4, não havendo ilegalidade na participação destes no plano PLR; · que os juros não podem ser mantidos da forma como estabelecidos, pois o artigo 34, da Lei 8.212/91 foi revogado pela MP 449/2008, além do que a SELIC não se aplica, pois contém índice de atualização, cita doutrina; · que os juros moratórios não podem ser mantidos, pois o artigo 36, da Lei 8.212/91 foi revogado, não podendo haver, também, a incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas, como decidido pelo CARF; · que não havendo a prática de nenhuma ilegalidade pela recorrente, deve ser reconhecida a inexistência de imposição legal dos pretensos fatos geradores como base de cálculo, bem como a desnecessidade de declarálos em GFIP”. Em análise do Recurso Voluntário, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, fls. 392/404, deu parcial provimento à insurgência do Recorrido para determinar o recálculo da multa, a fim de que seja aplicado retroativamente o art. 32A da Lei 8.212/91, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, caso seja mais benéfico ao contribuinte, tendo sido afastada a aplicação do art. 35A da Lei 8.212/91, também introduzido pela MP 449/2008. Irresignada, a União (Fazenda Nacional) apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 406/416, admitido às fls. 418/421, arguindo que o Acórdão recorrido deu interpretação diversa do entendimento emanado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual considera que o dispositivo legal a ser aplicado deve ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passaria a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91. Apresentadas contrarrazões, fls. 428/436, vieram os autos conclusos. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes, relatora. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo administrativo fiscal dos seguintes Autos de Infração: AI de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.261.0617, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa, em razão da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR – parte patronal e SAT; AIOP – DEBCAD 37.321.1759, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa, em razão da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR – parte devida a outras entidade e fundos – terceiros; e Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.321.1767, CFL.68, em razão de apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212/91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8.212/91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 21 a 44, relativo ao período de apuração de 12/2006 a 02/2009. Na decisão recorrida, foi determinado o recálculo da multa, a fim de que fosse aplicado retroativamente o art. 32A da Lei 8.212/91, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, caso seja mais benéfico ao contribuinte, tendo sido afastada a aplicação do art. 35A da Lei 8.212/91, também introduzido pela MP 449/2008. O caso em tela trata da aplicação da multa no Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação Lei 9876/99 redação original – recolhimento em atraso lançamento de ofício alterada MP 449/2008 convertida Lei 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débitos lançados mas recolhimento em atraso) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 9202003.729 CSRFT2 Fl. 11 5 Art. 44 Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação original redação Lei 9528/97 alterada MP 449/2008 Art. 32 sem Multa Art. 32, §5º Multa 100% Insere Art. 32A Multa 20% (limitada a) Deixo de transcrever aqui a redação original (1991) dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) _______________________________________________________________________ Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Observese que os presentes autos discutem duas infrações legais diversas, por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória) e de NFLD Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 (descumprimento de obrigação principal), de modo que foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Em casos como este a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei 8212/91 tem conteúdo material análogo, e que, portanto a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso por que se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado “ bis in idem”. Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e de NFLD, não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio “tempus regit actum” esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n. 449/2008, que insere o artigo 35 – A e 32 A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 9202003.729 CSRFT2 Fl. 12 7 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) ________________________________________________________________________ Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 acima citada determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei 9430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo Nº 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: “ Resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 dispõe expressamente “nos casos do lançamento de ofício” e inciso I utiliza a expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. Diante do exposto, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro uma interpretação coerente do ordenamento jurídico no qual esta inserida. O que se consegue através da aplicação do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996. Desse modo dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e na NFLD correspondente; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 9202003.729 CSRFT2 Fl. 13 9 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19647.013804/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/07/2003 a 10/03/2004
LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF.
Confirmado em diligência Fiscal, a improcedência do lançamento de oficio, deve o lançamento ser cancelado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23878.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23878. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. Confirmado em diligência Fiscal, a improcedência do lançamento de oficio, deve o lançamento ser cancelado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23878. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 38 04 /2 00 8- 67 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de retorno de diligência determinada pela Resolução nº 652, de 15 de julho de 2010, proferida pela 5ª Turma de Julgamento desta DRJ/REC. Naquela sessão, de 15/07/2010, este relator, então membro da 5ª Turma (onde já era o relator original), proferiu voto pelo qual entendia já estarem naquela ocasião presentes todos os elementos para solução da lide, mas resultou vencido neste aspecto, porquanto a maioria decidiu pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem. Registrase, por oportuno, que na presente lide está inserida questão preliminar, arguição de nulidade por cerceamento ao direito de defesa, a qual já havia sido relatada e discutida naquela sessão de julgamento da 5ª Turma acima referida, sobre a qual não houve divergência, e nada têm a ver com as providências objeto da diligência determinada. Vale dizer, conforme ficou registrado no início do voto vencedor quanto à diligência, proferido pelo julgador Sadoc Souto Maior Filho (às fls.246 no processo eletrônico, correspondendo ao que antes estava no processo em papel às fls.243), a divergência para com o relator se restringia tão somente a estabelecer a necessidade de confirmação de dados na escrituração fiscal e contábil do contribuinte, nada se referindo à questão preliminar supramencionada. Sendo assim, por economia processual, devem ser considerados como se aqui estivessem transcritos todos os termos do Relatório constante às fls.234/240 deste processo eletrônico (antes eram as fls.231/237), porquanto na presente sessão desta 6ª Turma, composta por julgadores diferentes dos que compunham a 5ª Turma na sessão de 15.07.2010, a questão preliminar (de nulidade) deverá novamente ser examinada e afinal votada. Leio, pois, em sessão o que consta do relatório às fls.234/238. Alertase, para maior clareza, que aqui as menções à numeração de folhas se referem primeiramente à constante do processo eletrônico, mas tivemos o cuidado de mencionar entre parênteses a numeração das folhas que antes constavam no processo em papel, para facilitar a compreensão, tendo em vista que até certo ponto do processo, os documentos se referem a folhas numeradas no processo em papel que antecedeu a digitalização que o transformou em eletrônico. A diligência determinada pela Resolução supramencionada foi para a adoção das seguintes providências por parte da DRF/REC (conforme consta às fls.246/247; antes fls.243/244; ver também no Termo de Informação Fiscal às fls.261/262 do proc eletr.): “I – seja a empresa intimada a comprovar, mediante seus assentamentos contábeis e fiscais, os débitos do IPI apurados nos períodos compreendidos entre julho de 2003 e março de 2004; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19647.013804/200867 Acórdão n.º 3201001.980 S3C2T1 Fl. 469 3 II – seja emitido relatório circunstanciado e, sendo o caso, elaborados novos demonstrativos de cálculo do imposto devido, observandose os períodos de apuração; III acrescentar outras informações e/ou documentos julgados relevantes para a solução da lide. [...] ”. Cumprida a diligência solicitada, foi produzido pelo Auditor Fiscal Albino Carlos Martins Vieira, o Termo de Informação Fiscal de fls.261/264, apresentando em síntese as seguintes considerações e conclusões: (1º) Para efetuar a conclusão sobre o caso, importa salientar a posição expressa pelo AuditorFiscal da RFB, Relator do voto vencedor pela diligência, fls. 243 a 245 (fls.246/248, no proc eletr.), Sadoc Souto Maior Filho, acerca da questão proposta na impugnação: "(...) quanto aos reais valores dos débitos apurados pela contribuinte: se os informados nos pedidos de compensação ou, como argui a defesa, se aqueles declarados nas DCTF retificadoras, hipótese em que descaberia o lançamento aqui contestado" (grifos do auditor fiscal informante); (2º) Com essa orientação, e a partir dos dados colhidos nos Livros RAIPI (fls. 266 a 339; fls.268/336 no proc. elet.) e também de acordo com as informações extraídas dos arquivos magnéticos do SEF gerados pelo contribuinte (fls.263 a 264; e fls.266/267, no proc elet.), foi possível comparar os saldos devedores escriturados no livro RAIPI (reais débitos apurados pela contribuinte) com os valores transcritos na coluna "Valor na DCTF" do demonstrativo (fls. 241 a 242), elaborado pelo AuditorFiscal da RFB Zenaldo Loibman (relator original deste processo, vencido quanto à proposta de diligência). (Grifos deste relator). (3º) Assim, por ter entendido, segundo texto do Relator (cujo voto foi vencido apenas quanto à diligência), que os débitos indicados na coluna "Valor na DCTF" (fls.241 a 242) do demonstrativo elaborado pela DRJ correspondem aos valores efetivamente declarados nas DCTF retificadoras válidas, afirmo que aqueles valores correspondem aos verdadeiros saldos devedores registrados na escrita fiscal do contribuinte, em seus livros Registro de Apuração do IPI, já mencionados. O contribuinte preencheu erroneamente as declarações originais e algumas retificadoras anteriores, quando deveria ter informado apenas o "imposto apurado", registrado no livro RAIPI, como expresso no Manual de preenchimento da DCTF. Dessa forma, a empresa declarou, por seu próprio erro de preenchimento, valores de tributos não existentes, a maior do que os valores efetivamente escriturados. (Grifos deste relator). (4º) Assim sendo, cabe reconhecer que os saldos devedores escriturados no Livro RAIPI (antes fls.266/339; e fls. 269 a 342, no proc eletrônico) estão transcritos corretamente na coluna "Valor na DCTF" do demonstrativo elaborado pela DRJ (antes fls. 241/242; e fls. 244 a 245, no proc eletrônico). (5º) O contribuinte será cientificado do presente Termo de Informação Fiscal e poderá, se achar necessário, apresentar, no prazo de 30 dias, as suas considerações complementares Fl. 470DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 dirigidas à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (Registrada a ciência por representante da interessada, em 07.03.2011, conforme consta às fls.264). (6º) Com tais informações, dando por atendida a solicitação de Diligência, providenciou o informante a juntada dos documentos de fls. 265/344 (antes fls.262/341), e, através do documento de fls.344 (antes fls. 341), propôs o encaminhamento à DRJ para a continuidade do julgamento. A interessada não se manifestou no prazo legal concedido acerca do TIF resultante da diligência. Volta, pois, o processo a esta DRJ, agora à consideração desta 6ª Turma de Julgamento da DRJ/REC." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2003 a 10/03/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. AFASTADA. A impugnante argúi que não foi comunicada das decisões e informações constantes do processo nº 10480.005921/200318. No entanto, tais decisões e informações foram formalmente cientificadas à ora manifestante em 23.07.2008. Justamente por conhecêlas é que a interessada pôde apresentar tempestivamente a impugnação neste processo, demonstrando completo entendimento da situação e da acusação fiscal a ela imputada. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA DE MORA E JUROS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO VALOR PRINCIPAL. Nos pedidos de compensação, cujas homologações foram indeferidas, no valor principal dos débitos indicados foram incorporados indevidamente multa e juros de mora, calculados sobre os respectivos valores originários antes declarados em DCTF. Foram indicados equivocadamente os valores dos débitos já atualizados entre a data do vencimento de cada débito e a data de apresentação do pedido de compensação. Depois de descontados os valores dos acréscimos indevidamente somados ao valor principal dos débitos declarados, remanescem diferenças de imposto em valores menores que o lançado, a serem exigidas com os correspondentes acréscimos legais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, afirmando que existe uma divergência entre as informações apuradas na diligência realizada pela Fiscalização que foi determinada pela DRJ. Segundo a Recorrente, a discrepância entre as conclusões reside em uma falha, por parte do acórdão recorrido, no transporte dos números para a tabela final (fl. 351). A Recorrente descreve na impugnação o que seria o suposto erro na planilha elaborada pela decisão da primeira instância, que teria utilizado para composição da sua planilha as Fl. 471DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19647.013804/200867 Acórdão n.º 3201001.980 S3C2T1 Fl. 470 5 informações apresentadas pela Recorrente na planilha a fl. 139. Nesta planilha, elaborada pela Recorrente, o cálculo foi elaborada utilizando 3 linhas, identificando os períodos de apuração do tributo e quando o relator do acórdão da DRJ elaborou a planilha de fl. 351 utilizou somente a primeira linha para cada mês de apuração o que teria ocasionado a divergência. Prossegue a Recorrente, afirmando que realizada a correlação entre a planilha por ela apresentada a fl. 139 e a planilha elaborada pela DRJ a fl. 351, utilizando as 3 linhas de apuração para cada mês, a exigência contra a Recorrente seria totalmente cancelada. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora verificasse se as diferenças apuradas pela Fiscalização entre os pedidos de compensação e aqueles declarados em DCTF correspondem a multas e juros de mora. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado em Relatório Fiscal (fls. 433 a 445). Nos termos da diligência, a Fiscalização realizou a auditoria confirmando as alegações da Recorrente, que foram assim detalhados no relatório. "Por fim, repitase que a Fiscalização somente autua os eventuais valores não confessados, para não cumular cobranças sobre as mesmas parcelas. Por isso, é possível concluir que: i. inexiste qualquer valor residual a ser cobrado no Auto de Infração sob análise, pois os valores escriturados nos Livros RAIPI estão integralmente declarados em DCTF válidas (com retificações feitas para excluir as parcelas de multa de mora e juros de mora); ii. as perguntas apresentadas pela Câmara do CARF devem ser respondidas de forma uniforme, com o reconhecimento da invalidade do presente auto de infração, por conta de ele apenas conter valores já constantes nas DCTF válidas do estabelecimento. Não reconhecer a improcedência da autuação, redundaria em cumular procedimentos de cobrança sobre os mesmos valores, e, ainda, a cobrança de multas diversas sobre os mesmos valores originais dos tributos, em flagrante prejuízo ao direito do sujeito passivo." A Recorrente foi cientificada do Relatório fiscal e apresentou suas considerações, concordando com as conclusões da diligência e pedindo o cancelamento do auto de infração. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 472DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado, a discussão que ora se apresenta trata de matéria de fato, qual seja a comprovação informações declaradas em DCTF. A unidade preparadora, em atendimento a diligência determinada pelo CARF, procedeu à verificação das compensações declaradas pelo contribuinte e em informação fiscal concluiu pela procedência das alegações da Recorrente de improcedência da exigência fiscal, conforme pode ser verificado na conclusão do relatório fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 473DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.735704/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.380
Decisão: Vistos e analisados os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que sejam prestados esclarecimentos acerca dos fatos geradores lançados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram do colegiado os seguintes Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : Vistos e analisados os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que sejam prestados esclarecimentos acerca dos fatos geradores lançados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator ad hoc na data da formalização. Participaram do colegiado os seguintes Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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score : 1.0
Numero do processo: 18186.008253/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DIRF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF deve ser utilizada tanto para considerar o imposto retido pela fonte pagadora quanto para considerar os rendimentos recebidos pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica da fonte pagadora Banco Santander Meridional Ltda, o valor de R$ 62.849,20.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DIRF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF deve ser utilizada tanto para considerar o imposto retido pela fonte pagadora quanto para considerar os rendimentos recebidos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica da fonte pagadora Banco Santander Meridional Ltda, o valor de R$ 62.849,20. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
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COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF deve ser utilizada tanto para considerar o imposto retido pela fonte pagadora quanto para considerar os rendimentos recebidos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica da fonte pagadora Banco Santander Meridional Ltda, o valor de R$ 62.849,20. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 82 53 /2 01 0- 46 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18186.008253/201046 Acórdão n.º 2201002.912 S2C2T1 Fl. 143 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento por meio da qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF suplementar acrescido de multa de mora e juros de mora (fl. 25 deste processo digital). Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 26) que o contribuinte compensou, indevidamente, em sua declaração de ajuste anual, o montante de R$ 47.614,22 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, tendo sido glosado o valor corresponde à diferença entre o valor declarado (R$ 63.823,84) e o valor informado pela fonte pagadora na respectiva DIRF (R$ 16.206,62). Cientificado da Notificação de Lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 02, acompanhada dos documentos de fls. 03/19, julgada improcedente por intermédio de acórdão (fls. 33/35) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. GLOSA. Não tendo o contribuinte comprovado a retenção de imposto de renda pleiteada na declaração de ajuste anual, mediante apresentação de comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, deve ser mantida a glosa parcial do imposto de renda retido na fonte declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/03/2011 (fl. 38), o contribuinte interpôs, em 08/04/2011, o recurso de fls. 40/41. Na peça recursal alega, em síntese, que: Para comprovar o valor de IRRF compensado, está apresentando cópia dos seguintes processos: a) 1.05.00673695: IRRF de R$ 48.329,34, recolhido em 29/07/2009 através do DARF no valor total de R$ 588.425,28. Obs.: O demonstrativo do IRRF referente a este DARF é de R$ 621.183,80. A diferença de R$ 32.758,52 referese a devolução efetuada diretamente ao Sr. BENITO GENTIL DI GIORGIO conforme determinação anexa. b) 1.05.01691174: IRRF de R$ 974,43, recolhido em 19/12/2007 através do DARF no valor total de R$ 20.302,79. c) 1.05.01135590 IRRF 14.520,07 recolhido em 19/12/2007 através do DARF no valor total de R$ 75.963,51. Estes valores totalizam o IRRF de R$ 63.823,84, conforme considerado na declaração do exercício 2008/ano calendário 2007. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18186.008253/201046 Acórdão n.º 2201002.912 S2C2T1 Fl. 144 3 Por meio da Resolução nº 2201000170, de 15/10/2013 (fls. 120/122), a 1ª TO da 2ª Câmara da 2ª Seção converteu o julgamento em diligência para que a Autoridade preparadora intimasse a pessoa jurídica Banco Santander S.A a informar (i) o total de rendimentos pagos ou depositados judicialmente em favor do Recorrente no anocalendário de 2007 (exercício 2008) e (ii) se efetuou retenção do imposto de renda retido na fonte sobre tais valores, apresentando cópia do respectivo comprovante de recolhimento e documentos adicionais que poderiam comprovar as informações prestadas. Após ser intimada a Fonte Pagadora apresentou a correspondência de fl. 126 acompanhada do documento de fl. 127. O Interessado, por seu turno, se manifestou nos autos às fls. 133/134, juntando os documentos de fls. 135/137 e alegando, em síntese, que: O BANCO SANTANDER S.A não apresentou o informe de rendimentos conforme o EXTRATO DE PROCESSAMENTO do IRPF da RECEITA FEDERAL, ou seja, Rendimentos Tributáveis de R$ 62.849,60 com a retenção de Imposto de renda na fonte de R$ 16.209,62 Considerando os valores acima como corretos na Declaração de Rendimentos ano base 2007, exercício 2008, ainda teria direito à restituição de R$ 3.872,12 e não o imposto a pagar de R$ 26.836,20. Para cálculo do imposto devido, no valor de R$ 26.836,20, que está sendo alvo de cobrança, foi considerado o rendimento de R$ 174.508,94 e não R$ 62.849,60 apresentado na DIRF do BANCO SANTANDER S.A, conforme valor constante no EXTRATO DE PROCESSAMENTO (Doc. 2). Foi considerado como imposto de renda retido na fonte o valor de R$ 16.209,62, conforme demonstrado nesse mesmo EXTRATO DE PROCESSAMENTO, no lugar dos R$ 63.823,84 recolhidos no DARF de valor total R$ 588.425,28 recolhido em 29/07/2009 (Doc.3). Ao final, requer seja acolhido o presente recurso para autorizar a restituição do imposto de renda retido na fonte, bem como a respectiva atualização que lhe é devida. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Observo, por primeiro, que a diligência proposta por esta Turma de julgamento se mostrou infrutífera, uma vez que o intimado (Banco Santander), ao invés de apresentar os documentos solicitados, carreou aos autos o Informe de Rendimentos Financeiros relativo ao exercício 2008. Nada obstante, entendo desnecessária a propositura de nova diligência, porquanto os documentos já existentes nos autos são suficientes, em meu entendimento, ao deslinde da controvérsia. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18186.008253/201046 Acórdão n.º 2201002.912 S2C2T1 Fl. 145 4 É fato que o Recorrente não poderia ter compensando em sua declaração de ajuste anual do anocalendário de 2007 R$ 48.329,34 (ou parte dele) recolhidos em 29/07/2009 através do DARF no montante de R$ 588.425,28. Há que se respeitar o aspecto temporal da hipótese de incidência. Assim, nenhum reparo a ser feito na glosa de valor R$ 47.614,22, haja vista que o Interessado compensou R$ 63.823,84 e a fonte pagadora informou em DIRF imposto retido de 16.209,62 (63.823,84 – 16.209,62 = 47.614,22), conforme Extrato de Processamento à fl. 136. Registro, no entanto, que embora a Autoridade lançadora tenha glosado o IRRF que teria sido recolhido em 2009, deixou de alterar o valor dos rendimentos informados na mesma DIRF pela fonte pagadora (R$ 62.849,60 ou invés dos R$ 174.508,94 declarados pelo contribuinte e que foram recebidos em 2009), afrontando o disposto no § 2º do art. 147 do Código Tributável – CTN, assim descrito: Art. 147. (...) § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Em resumo: a Autoridade lançadora entendeu que a DIRF deve ser esquecida para considerar os rendimentos recebidos a menor, mas deve ser considerada para glosar o IRRF a maior, ambos informados pela mesma fonte pagadora. Nesse contexto, entendo que não se pode deixar de considerar também os rendimentos informados na DIRF da fonte pagadora, muito embora a infração apurada pela Autoridade lançadora tenha sido compensação indevida de IRRF. Advirto, por fim, que não se trata de inovação deste julgador, mas sim de pleito expresso do Interessado (fl. 134), nos seguintes termos: Para cálculo do imposto devido, no valor de R$ 26.836,20, que está sendo alvo de cobrança, foi considerado o rendimento de R$ 174.508,94 e não R$ 62.849,60 apresentado na DIRF do BANCO SANTANDER S.A, conforme valor constante no EXTRATO DE PROCESSAMENTO (Doc. 2). Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar como "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”, fonte pagadora Banco Santander Meridional Ltda., o valor de R$ 62.849,20. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18186.008253/201046 Acórdão n.º 2201002.912 S2C2T1 Fl. 146 5 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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