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Numero do processo: 16327.903750/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 13/05/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior
Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Numero da decisão: 2201-004.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantémse o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. 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(assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.912, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.903890/200915, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.912 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital, ocasionada por de erro no cálculo na obtenção do custo médio das ações de propriedade de empresa investidora e deixado de compensar prejuízos em operações anteriores. Alega que após tais ajustes o IR sobre ganho de capital foi reduzido a zero, sendo que houve a apuração de diferença entre o IR correto e o errado objeto da compensação. Aduz também que o cálculo incorreto ocorreu por conta do fato da investidora ter efetuado Split das ações (desdobramento) e que não foi incluído no cálculo do IRRF. Alega que efetuou a devolução do montante do Imposto à empresa investidora. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação do erro de fato no preenchimento da DCTF e falta de comprovação dos lançamentos contábeis e outros documentos que pudessem evidenciar o erro cometido na operação, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.903750/200939 Acórdão n.º 2201004.913 S2C2T1 Fl. 4 3 Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.912, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.903890/200915, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.912, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.912 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. O presente processo está sendo julgado na mesma sessão dos processos nº 16327.903.750/200939, 16327.903.891/200951, 16327.903.892/200904 e 16327.903.893/200941nos termos do § 2º do art. 47 do Anexo II à Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.903750/200939 Acórdão n.º 2201004.913 S2C2T1 Fl. 5 4 conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos que comprovam a veracidade das razões recursais, o foram analisadas quando do julgamento de primeiro grau constatando a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. Ora, apesar das planilhas estarem com os valores mencionados na manifestação de inconformidade e juntadas também em recurso voluntário, as mesmas vieram desacompanhadas de quaisquer outros documentos que pudessem evidenciar o erro cometido. Da forma como ponderado pela decisão de piso, há uma simples alteração de valores sem qualquer comprovação. No caso, seria necessário demonstrar por meio de notas de compra das ações da empresa investidora o custo médio antes e depois, até porque o manifestante justifica o erro pelo fato de ter ocorrido um split das ações, ou seja, o citado desdobramento na realidade faria com que o custo médio das ações diminuísse e não aumentasse, de forma que seria mais coerente que o preço a ser considerado fosse mesmo o menor. Também seria necessário comprovar o total de prejuízos anteriores trazendo, por exemplo, as operações que geraram tal prejuízo com os respectivos documentos que as embasam. As telas de movimentação financeira juntadas também não comprovam a retenção indevida, mas apenas que houve uma transferência de valores, não foram anexados sequer os lançamentos contábeis indicando a retenção e o alegado estorno para a conferência dos valores e também não ficou evidenciado que a conta creditada era do cliente da recorrente sendo juntado de terceiro com outra denominação, não esclarecendo os fatos. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002): "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. É oportuno citarmos um trecho da exposição de motivos do Código de Comércio Napoleônico, lembrado por Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra "Curso de Direito Comercial": "A consciência do comerciante está escrita nos seus livros; neles é que o comerciante registra todas as suas ações; são, para ele, imia espécie de garantia (...). Quando surgem contestações, é Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.903750/200939 Acórdão n.º 2201004.913 S2C2T1 Fl. 6 5 preciso que a consciência do juiz fique esclarecida; e é então que os livros são necessários, pois que eles são os confidentes das ações do comerciante ". O objetivo primordial da Contabilidade é apreender e entender as mutações sofridas pelo patrimônio de uma entidade. Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Outrossim, nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.903750/200939 Acórdão n.º 2201004.913 S2C2T1 Fl. 7 6 demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.903750/200939 Acórdão n.º 2201004.913 S2C2T1 Fl. 8 7 Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16327.903750/200939 Acórdão n.º 2201004.913 S2C2T1 Fl. 9 8 No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO." Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.905455/2011-78
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término.
RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo extinção do saldo credor de IPI do trimestre-calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, indefere-se o ressarcimento e não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso.
Numero da decisão: 3003-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo extinção do saldo credor de IPI do trimestre-calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, indefere-se o ressarcimento e não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso.
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRECALENDÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo extinção do saldo credor de IPI do trimestrecalendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, indeferese o ressarcimento e não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 54 55 /2 01 1- 78 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10783.905455/201178 Acórdão n.º 3003000.218 S3C0T3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Vitória (fl. 17), que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito de IPI e não homologou as compensações pleiteadas. A contribuinte apresentou PER/DCOMPs, no valor de R$ 12.899,43, referente ao saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2007. A DRF em Vitória, indeferiu o pedido, e exigiu os débitos não homologados: principal – R$ 11.572,42; multa – R$ 2.314,48; e juros –R$ 5.780,93. No site da Receita Federal, nas Informações Complementares da Análise de Crédito da PER/DCOMP em análise (nº 38291.30679.240507.1.1.016724) foi anexado Parecer Fiscal, no qual consta que foi lavrado auto de infração que resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Segundo o referido Parecer, o auto de infração de IPI é decorrente das seguintes irregularidades: foi glosado parte do crédito presumido de IPI, de que tratam as Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001, em razão da exclusão, no cálculo, das receitas de exportação indireta, resultante de vendas para empresas comerciais exportadoras que não tiveram como destino o embarque para exportação ou depósito em recinto alfandegado, descumprindo a exigência contida no Regulamento do IPI no que diz respeito ao “fim específico de exportação”; além de ter recalculado o crédito presumido dos períodos, a fiscalização apurou e lançou o valor do IPI incidente nas vendas destinadas às comerciais exportadores, às quais não ficou caracterizado o “fim específico de exportação”, considerando as como vendas internas, sob a classificação fiscal 6802.23.00, sendo aplicada a alíquota de 5%. O auto de infração foi formalizado no processo administrativo nº 10783.724924/201150. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10783.905455/201178 Acórdão n.º 3003000.218 S3C0T3 Fl. 4 3 Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/16, com as seguintes alegações: o auto de infração foi objeto de impugnação, que está pendente de julgamento na esfera administrativa; a suspensão da exigência fiscal, até o julgamento da referida impugnação, é medida que logicamente se impõe; requer a suspensão da exigência tributária de que trata o despacho decisório em referência, até o julgamento da impugnação apresentada ao auto de infração; contesta, no mérito, os motivos alegados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração. Por fim, requereu a suspensão da exigência fiscal até o julgamento da impugnação em que deverá ser declarada a insubsistência do procedimento fiscal, e ao final, a total homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRECALENDÁRIO. Havendo extinção do saldo credor de IPI do trimestre calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, indeferese o ressarcimento e não se homologa a compensação pleiteada. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual reportase às razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade, pleiteando ainda a atualização monetária do crédito de IPI e, caso reste cobrado algum valor, a remissão dos débitos. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10783.905455/201178 Acórdão n.º 3003000.218 S3C0T3 Fl. 5 4 Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento do saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2007 foi indeferido e as compensações vinculadas não homologadas. O indeferimento se deu porque, em virtude da lavratura de auto de infração e reconstituição da escrita fiscal, houve extinção do saldo credor a ser ressarcido. O referido auto de infração foi lavrado e formalizado no processo nº 10783.724924/201150, que foi julgado e integralmente mantido pela 1ª Instância. Atualmente o processo encontrase em fase recursal junto ao CARF. Quanto as razões de mérito apresentadas na manifestação de Inconformidade relativas ao auto de infração, não cabem ser analisadas no presente processo uma vez que estão sendo enfrentadas no processo próprio. Nos termos do artigo 170 do CTN1, é autorizada a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos e essa liquidez e certeza é verificada pela autoridade administrativa, a quem cabe essa autorização, podendo o contribuinte contestar tal procedimento caso não concorde com os valores apurados, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, preservando, dessa forma, o seu direito de defesa.. Ademais, o direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. Além do disposto no CTN, a compensação é regida pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 que permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10783.905455/201178 Acórdão n.º 3003000.218 S3C0T3 Fl. 6 5 Entendo, portanto, que, mantido integralmente o lançamento e a decorrente reconstituição da escrita fiscal, e extinto o saldo credor ressarcível ao final do trimestre calendário, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada, sendo correto o indeferimento do crédito pleiteado, e a não homologação das compensações. Em sendo assim o pleito não reveste de certeza e liquidez, não obstante, contestação administrativa do processo de auto de infração, nº 10783.724924/201150, que encontrase em fase recursal nesse Conselho. Quanto à questão relativa ao acréscimo de juros equivalentes à Taxa SELIC ao ressarcimento dos créditos de IPI e remissão dos débitos alegados em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10783.905455/201178 Acórdão n.º 3003000.218 S3C0T3 Fl. 7 6 Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. No caso em tela, a recorrente inovou em relação a questão relativa ao acréscimo de juros equivalentes à Taxa SELIC ao ressarcimento dos créditos de IPI e a remissão dos débitos. A falta de questionamento da matéria em instâncias anteriores, impede a instância ad quem de conhecêla sob pena de se subverterem as regras que comandam os pleitos e confrontam a jurisprudência pertinente à matéria processual.. E em derradeiro, não há como acatar o pedido de suspensão do presente processo até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo do auto de infração, tendo em vista, inexistência de previsão legal. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.913125/2009-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2000
DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado; contudo a transmissão de retificadora reduzindo o valor do débito declarado na original não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do indébito resultante.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA/ LIQUIDEZ. ÔNUS.
Nos pedidos de restituição/compensação, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado/compensado é do contribuinte, mediante a apresentação de demonstrativos de apuração do valor do débito declarado a maior e do valor do débito correto, acompanhados dos documentos fiscais (livros, notas fiscais) e contábeis (Livro Razão) referentes aos valores utilizados nos respectivos demonstrativos.
Numero da decisão: 9303-008.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2000 DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado; contudo a transmissão de retificadora reduzindo o valor do débito declarado na original não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do indébito resultante. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA/ LIQUIDEZ. ÔNUS. Nos pedidos de restituição/compensação, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado/compensado é do contribuinte, mediante a apresentação de demonstrativos de apuração do valor do débito declarado a maior e do valor do débito correto, acompanhados dos documentos fiscais (livros, notas fiscais) e contábeis (Livro Razão) referentes aos valores utilizados nos respectivos demonstrativos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 263 1 262 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.913125/200933 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.371 – 3ª Turma Sessão de 20 de março de 2018 Matéria COFINS DCOMP Recorrente NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2000 DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado; contudo a transmissão de retificadora reduzindo o valor do débito declarado na original não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do indébito resultante. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA/ LIQUIDEZ. ÔNUS. Nos pedidos de restituição/compensação, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado/compensado é do contribuinte, mediante a apresentação de demonstrativos de apuração do valor do débito declarado a maior e do valor do débito correto, acompanhados dos documentos fiscais (livros, notas fiscais) e contábeis (Livro Razão) referentes aos valores utilizados nos respectivos demonstrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 31 25 /2 00 9- 33 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.913125/200933 Acórdão n.º 9303008.371 CSRFT3 Fl. 264 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3803004.306, de 27/06/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo transcrita, na parte que interessa ao litígio oposto nesta fase recursal: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório." Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs Embargos de Declaração, alegando omissão na decisão. Analisados os embargos, estes foram rejeitados nos termos do Despacho às fls. 158e/160e. Notificado do despacho e inconformado com rejeição dos embargos, o contribuinte apresentou recurso especial, suscitando divergência, em relação à (i) "retificação de DCTF e demonstração de créditos" e (ii) à denúncia espontânea, requerendo a reforma do acórdão recorrido, para que seja reconhecido o seu direito à repetição do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) e, consequentemente, homologada a compensação declarada. Alega, em síntese, que a DCTF retificadora comprova a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado/compensado e, ainda, que a cobrança de juros moratório e de multa de mora sobre o débito compensado é indevida, pelo fato de ter ocorrido a denúncia espontânea, ao ter transmitido a Dcomp visando a homologação da compensação declarada, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo para sua cobrança, nos termos do CTN, art. 138. Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade às fls. 216e/223e, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção negou seguimento ao recurso especial do contribuinte. Cientificado desse despacho, apresentou Agravo insistindo na admissibilidade de seu recurso especial. Analisado o Agravo, a Presidente da CSRF acolheuo, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10880.913125/200933 Acórdão n.º 9303008.371 CSRFT3 Fl. 265 3 em parte, para dar seguimento ao recurso especial do contribuinte apenas com relação à matéria *retificação de DCTF e demonstração de créditos", conforme Despacho em Agravo às fls. 239e/248e.. Intimado do acórdão, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade parcial, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo a manutenção da decisão recorrida pelos seus fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pelo contribuinte atende aos requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. Inicialmente, cabe esclarecer que não há impedimento legal à retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não homologou a Dcomp transmitida por ele. A não homologação da Dcomp, pela autoridade administrativa, mantida pela DRJ e também pelo Colegiado da Câmara Baixa, teve como fundamento a inexistência do crédito financeiro utilizado na Dcomp e não a falta de retificação da DCTF e/ ou sua retificação depois da intimação do despacho decisório, conforme entendeu o contribuinte. Nos pedidos de restituição/compensação, cabe ao contribuinte apurar o valor do indébito pleiteado e solicitar sua restituição/compensação à RFB, mediante a transmissão de Per/Dcomp. Também, o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado é dele. O Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe quanto à impugnação (manifestação de inconformidade): “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...]; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...].” Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10880.913125/200933 Acórdão n.º 9303008.371 CSRFT3 Fl. 266 4 Com relação a provas, a Lei nº 13.105, de 16/3/2015 (Novo Código de Processo Civil), assim dispõe: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; [...].” Também, a Lei nº 9.784, de 29/1/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” No presente caso, conforme demonstrado na decisão da DRJ e também no acórdão recorrido, o contribuinte não apresentou documento algum, fiscal (livros e notas fiscais) e/ ou contábil (Razão, balancete), para comprovar o alegado erro na apuração do valor da Cofins, para a competência do mês de abril de 2000, declarado na DCTF original e, consequentemente, para comprovar o valor do débito correto declarado na retificadora. A retificação de DCTF para reduzir o valor de débito tributário inicialmente declarado, visando a geração e a repetição do indébito resultante, obrigatoriamente, deve ser feita, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro, bem como de demonstrativos da apuração do valor declarado na DCTF original e do valor declarado na retificadora. Não basta reduzir o valor e transmitir uma retificadora, é necessário provar o erro cometido na original. De acordo com os dispositivos legais citados e transcritos, o valor do crédito financeiro pleiteado/compensado deve ser apurado pelo contribuinte, inclusive, demonstrando sua certeza e liquidez, mediante demonstrativos, acompanhados dos documentos fiscais e contábeis que deram origem ao indébito. Como o contribuinte não comprovou o erro no preenchimento da DCTF e, consequentemente, a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado, não há que se falar em homologação da Dcomp. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10880.913125/200933 Acórdão n.º 9303008.371 CSRFT3 Fl. 267 5 Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.003273/2006-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. APORTES DE CAPITAL. PERÍODO PRÉ-OPERACIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA REALIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA. SALDO CREDOR. VALIDADE.
A inexistência de documentação comprobatória das operações indicadas pela contribuinte para a suposta fundamentação dos lançamentos contábeis apontados (empréstimo e/ou aportes de capital) apresentam-se, sim, suficientes para a válida atuação da fiscalização, com a recomposição da conta-caixa, e, com isso, a verificação de efetivo saldo credor daquela conta, aplicando-se, assim, a presunção de omissão de receitas, da forma como apontado pela fiscalização.
Numero da decisão: 9101-004.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. APORTES DE CAPITAL. PERÍODO PRÉ OPERACIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA REALIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA. SALDO CREDOR. VALIDADE. A inexistência de documentação comprobatória das operações indicadas pela contribuinte para a suposta fundamentação dos lançamentos contábeis apontados (empréstimo e/ou aportes de capital) apresentamse, sim, suficientes para a válida atuação da fiscalização, com a recomposição da contacaixa, e, com isso, a verificação de efetivo saldo credor daquela conta, aplicandose, assim, a presunção de omissão de receitas, da forma como apontado pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 32 73 /2 00 6- 16 Fl. 906DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 907 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 834/847) interposto pela Contribuinte contra o acórdão 1301001.175 da 1° Turma da 3° Câmara que restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003, 30/09/2003, 30/12/2003 EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. APORTES DE CAPITAL. PERÍODO PRÉOPERACIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA REALIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA. SALDO CREDOR. VALIDADE. A inexistência de documentação comprobatória das operações indicadas pela contribuinte para a suposta fundamentação dos lançamentos contábeis apontados (empréstimo e/ou aportes de capital) apresentamse, sim, suficientes para a válida atuação da fiscalização, com a recomposição da contacaixa, e, com isso, a verificação de efetivo saldo credor daquela conta, aplicandose, assim, a presunção de omissão de receitas, da forma como apontado pela fiscalização. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. De acordo com as expressas disposições contidas no art. 61 da Lei 9.430/96, e, ainda, na linha já assentada pela jurisprudência desse conselho, é legítima a aplicação da Taxa Selic como índice de atualização (correção monetária e juros) do crédito tributário constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.Vencido o Conselheiro Fl. 907DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 908 3 Wilson Fernandes Guimarães, que entende incidir juros de 1% sobre a multa de ofício apurada. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e os acórdãos paradigmas nº 10321.278 e 101 92.960 quanto à possibilidade de aplicação de presunção legal de omissão de receitas no período préoperacional da pessoa jurídica. Segundo a Recorrente, se, por um lado, o acórdão recorrido entendeu que o fato da contribuinte ainda estar em período préoperacional atua contra a recorrente, vez que é exatamente com base na inexistência de atividade que se destaca, no caso, a efetiva omissão de receitas,por outro lado, os paradigmas adotaram conclusão oposta, no sentido de que o fato da pessoa jurídica encontrarse em fase préoperacional configuraria fator impeditivo à aplicação da presunção legal de omissão de receitas. Os acórdãos paradigmas trazem as seguintes ementas: Acórdão paradigma nº 10321.278 IRPJ SUPRIMENTO DE CAIXA INÍCIO DE ATIVIDADES Tratandose de uma presunção legal de omissão de receita, os suprimentos de caixa efetuados a titulo de aumento de capital, no inicio das atividades da empresa, mesmo incomprovada a origem e efetiva entrega do numerário, não têm suporte fático para estabelecer a correlação da probabilidade de desvio de receitas. Acórdão paradigma nº 101.92.960: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO PELO SÓCIO NA FASE PRÉOPERACIONAL Não cabe a presunção de omissão de receita estabelecida no artigo 181 do RIR/80, quando o sócio supriu a conta Caixa, na fase préoperacional da empresa, cinco dias antes da data estabelecida para início de atividades comerciais da pessoa jurídica e, ainda, por se tratar de primeiro registro contábil no Livro Diário n° 001. Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial Em despacho de admissibilidade (fls. 895/899), fora dado seguimento ao recurso apenas em relação ao 2° paradigma apresentado (10192.960), vez que fora entendido que no 1° paradigma, muito embora a ementa mencione a expressão "início de atividades", tanto o voto vencido quanto o voto vencedor deixam claro que a pessoa jurídica já havia entrado em operação nos meses que antecederam o suprimento de caixa ali questionado, restando ausente a necessária similitude fática, pois, o elemento principal da discussão é o fato da contribuinte encontrarse em fase préoperacional. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 909 4 Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Contribuinte (fls. 901/904) em que não se opõe ao conhecimento do recurso e no mérito defende que além de ser possível a presunção de omissão de receita na fase préoperacional, a ausência de provas de origem e comprovação dos valores em tal período enfraquecem ainda mais os argumentos da contribuinte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade para conhecer do Recurso Especial da Contribuinte em relação ao 2° paradigma apresentado (acórdão n. 10192.960). Isso porque, compartilho do entendimento de que o 1° paradigma (acórdão n. 103.21.278) em realidade, afasta questão fática que é nuclear para a presente discussão que é a constatação de omissão de receita por presunção ainda na fase préoperacional. A leitura mais atenta do acórdão permite concluir que naquele caso a contribuinte já não mais se encontrava em período préoperacional, tendo, inclusive, emitido notas fiscais. Já no 2° paradigma, a situação é exatamente a mesma, ou seja, aquela em que o contribuinte é acusado de omissão de receita por presunção ainda em fase préoperacional, restando clara a similitude fática, bem como, a necessária divergência jurisprudencial. Portanto, o Recurso Especial merece ser conhecido. Mérito O lançamento fiscal ora em debate fora fundamentado no art. 281, I do RIR/99 que abaixo transcrevo: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 910 5 III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Segundo a fiscalização, restou identificada a existência de saldo credor de caixa tendo em conta a existência de registros consignados como sendo “empréstimos de sócios” para os quais não fora apresentada pelo contribuinte documentação que comprovasse as respectivas relações e tampouco fora comprovada a efetiva entrada dos numerários. Conforme se depreende dos autos, a ora Recorrente alega que na época dos fatos ainda estava em fase préoperacional, não possuindo sequer conta bancária própria e que inexistia atividades operacionais. Assim, não seria cabível a presunção de fiscal baseada no art. 281, I do RIR/99, vez que não é possível ocorrer presunção de receita em período que sequer é possível auferir receita. Pois bem, o racional contido no art. 281, I do RIR/99 resulta que configura se a omissão de receitas por presunção quando os recursos forem fornecidos à pessoa jurídica por administradores ou sócios não seja comprovada a entrega dos recursos e também a sua origem. Considerando que no presente caso os aportes de capital surgiram no período préoperacional da Contribuinte, resta fazer a seguinte pergunta: é possível presumir que a pessoa jurídica auferiu receita na fase (préoperacional) em que, sequer, existe atividade? Vejamos: no geral, as empresas em fase préoperacional não apresentam faturamento, pois, ainda estão em fase de investimento e aplicação de recursos na estruturação da operação. Tratase de fase em que a empresa deve se capitalizar, geralmente através de aporte de sócios, como aumento de capital ou empréstimo ou tomada de crédito junto a terceiros. Nesta fase, é inevitável que haja um influxo de caixa, tendo em vista que a demanda de recursos financeiros para compra de maquinários, equipamentos de escritório, contratação de pessoas e de serviços. Tratase de fase precária da empresa cujo objetivo é tornarse operacional. Ora, se as atividades estão ainda em fase de estruturação, não há faturamento. Aqui é importante ressaltar que quando a legislação trata da infração "omissão de receita" está se referindo à receita por ela própria gerada mas indevidamente omitida. É óbvio, mas é válida a observação, pois, a receita dita omitida deve originarse de suas atividade e não de terceiros. Ainda que a contribuinte não tenha logrado êxito em comprovar a origem do caixa, vislumbro que o fato de estar em fase préoperacional, o que não foi contestado pela fiscalização, impede a presunção de receita por impossibilidade material. Se a empresa não está operando, não está apta a faturar e portanto impedida de auferir receita. Destaco aqui, precedentes deste Conselho acerca do suprimento de caixa realizado em fase préoperacional: “IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO PELO SÓCIO NA FASE PRÉOPERACIONAL Fl. 910DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 911 6 Não cabe a presunção de omissão de receita estabelecida no artigo 181 do RIR/80, quando o sócio supriu a conta Caixa, na fase préoperacional da empresa, cinco dias antes da data estabelecida para início de atividades comerciais da pessoa jurídica e, ainda, por se tratar de primeiro registro contábil no Livro Diário n° 001(Ac. 0192.960/ 2000) "INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL (INÍCIO DE NEGÓCIO) No início do negócio, em razão da impossibilidade factual de desvio de receitas, cabe ao Fisco provar a sonegação e, assim, desfazer a presunção que milita em favor da fiscalização (Ac. 1052.070/)" ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA PARA FINS DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. EMPRESA EM FASE PRÉOPERACIONAL. Não se aplica o artigo 282 do RIR/99 em relação à presunção de omissão de receitas quando, a despeito da falta de comprovação da origem e do efetivo ingresso no caixa dos recursos contabilizados a título de integralização de capital, ficar comprovado que a empresa se encontrava ainda em fase pré operacional. (Ac. 120200.419) O presente relator não está a defender aqui que em fase préoperacional é impossível que a empresa aufira receita e a omita da fiscalização. Ressalto também que não estou deixando de aplicar a Súmula CARF n. 95 que assim dispõe: Súmula CARF nº 95 no DOU de 181213: A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. A Súmula acima demonstra que restou pacificado no CARF o entendimento de que deve ser invertido o ônus da prova quanto à omissão de receitas decorrentes de suprimento de numerário por sócio em virtude de presunção legalmente estabelecida. O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor e lastreada na existência de disponibilidade de recursos para o sócio. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 912 7 Porém, não encontrei dentre os acórdãos precedentes que originaram a Súmula CARF n. 95, abaixo listados, alguma que tratase de contribuinte em fase pré operacional o que entendo muda por completo o racional a ser adotado: Acórdãos Paradigmas: Acórdão nº 10517.082, de 25/06/2008; Acórdão nº 10323.541, de 14/08/2008; Acórdão nº 110300.179, de 08/04/2009; Acórdão nº 180300.728, de 15/12/2010; Acórdão nº 140100.407, de 25/01/2011; Acórdão nº 180100.560, de 24/05/2011 Assim, entendo que a Súmula não se aplica ao caso em tela e concluo que em hipótese de contribuinte em fase préoperacional, tendo em conta tratarse de momento em que, via de regra, não há faturamento por ausência de atividade, a omissão de receita deve ser comprovada e não presumida, não sendo aplicável a Súmula CARF n. 95. Assim, entendo que são improcedentes os argumentos trazidos pela PGFN. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 912DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 913 8 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto do I. relator, peço vênia para divergir sobre o mérito. Adoto as razões de decidir do Acórdão nº 1301001.175, a decisão recorrida, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 19991, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que enfrentou a questão devolvida de maneira precisa e objetiva: O ponto central da discussão contida nos presentes autos refere se ao debate em torno da (in)validade dos atos praticados pela contribuinte, relativos à manutenção de registros em sua contabilidade relacionados a supostos “empréstimos” realizados por seus sócios – antes ainda do início formal de suas atividades, e, sob os fundamentos apontados, a desconsideração destes registros pelos agentes da fiscalização, com a conseqüente verificação da existência de saldo credor na conta caixa, acarretando, com isso, os lançamentos daí decorrentes. O fundamento para a aplicação dos procedimentos indicados encontrase nas disposições contidas no art. 281, I do RIR/99, que, na linha apontada, assim especificamente se apresenta: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Conforme antes já aqui apontado, a configuração da existência de saldo credor na conta caixa decorrera da análise dos agentes da fiscalização e a verificação da existência de registros consignados como sendo “empréstimos de sócios”, os que, por 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 914 9 não possuírem os adequados instrumentos/documentos físicos idôneos comprobatórios das respectivas relações – e, nem tampouco, comprovação da entrada dos respectivos numerários , não foram então considerados pela fiscalização, acarretando, destarte, a reconfiguração dos registros e a apresentação do apontado saldo credor de caixa. Indagada a contribuinte a respeito da origem e da forma de materialização da apontada negociação, destaca ela que, por se encontrar, à época, em período préoperacional, não possuía ainda sequer a sua respectiva conta bancária, inexistindo atividades, estando assim explicitados os seus fundamentos e, nesses termos, adequadamente superadas as razões da aplicação da presunção fiscal. Explicitando o contexto fático em que foram enquadrados os procedimentos apontados, assim se verifica na r. decisão de origem: A desconsideração do referido empréstimo teve como base os fatos abaixo enumerados. A fiscalizada foi intimada (termo de intimação de fls 03 — fls 108) a comprovar as movimentações ocorridas na conta 2.2.1.01.01 — "empréstimo de sócio", em especial no que tange a efetiva entrada e saída de recursos da empresa, bem como o posterior reeembolso, por parte desta última, dos valores supridos. Conforme resposta de fls 113 a 284, as comprovações solicitadas não se efetivaram sob a alegação de que a empresa, no ano calendário de 2002, encontravase em fase préoperacional, motivo pelo qual não possuía conta bancária. Em decorrência da intimação formalizada foram apresentados pela auditada, tão somente, parcela da escrituração contábil (fls 120 a 413) e documentos de outras pessoas jurídicas das quais também participavam os sócios da fiscalizada. ( fls 119, 120). Dentre os documentos contábeis apresentados pela interessada destacase o de fls 332 ( originalmente fls 331) , do qual consta a designação de "Razao 2, fls 17 — período 01/01/03 a 31/02/04". Consta ainda, para o mesmo documento, registro de saldo credor de R$ 1.350.000,00 para a conta 2.2.1.01.01 — "empréstimo de sócio", sem informação sobre a data relativa à operação correspondente. Diante da falta de comprovação da movimentação financeira da conta 2.2.1.01.01 — "empréstimo de sócio", em especial da origem e da efetiva entrega, pelos sócios, dos recursos supridos, foi desconsiderado o saldo credor da referida conta no valor de R$ 1.350.000,00 — (fls 332) Em conseqüência, foi retificado de oficio o saldo inicial da conta caixa para 01/01/2003, que passou de R$ 1.450.000,00 (fls 317) para R$ 100.000,00. A partir deste novo saldo retificado foi recomposta a movimentação da conta em referência, conforme Fl. 914DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 915 10 demonstrativo de fls 503, dai resultando saldo credor para os períodos correspondentes aos 2°, 3° e 4° trimestres do ano de 2003. (Destaques nossos) Pelo que se verifica, intimada a contribuinte a explicitar o modus operandi dos referidos empréstimos, esta simplesmente buscou escudarse na inexistência de conta bancária, bastando, para tanto, o destaque às exclusivas informações lançadas em sua contabilidade como suficientes, per se, para os esclarecimentos pretendidos. Observese que o montante da movimentação apontada não se refere a exclusivo pagamento de custos irrisórios, mas representa, na verdade, um montante total de R$ 1.350.000,00, cuja data, razão e condições, inclusive, sequer são explicitadas pela contribuinte, fragilizando gravemente, assim, a credibilidade das razões apontadas. No recurso voluntário apresentado, a contribuinte sustenta a inadmissibilidade das razões utilizadas pela fiscalização uma vez que não existiria, sob o foco de sua análise, qualquer apontamento fiscal específico a respeito da inutilidade dos referidos registros contábeis, não se podendo admitir a pretendida inversão de ônus probandi. Curiosamente, a recorrente não mais fala em empréstimos dos sócios à fiscalizada, mas sim de aportes, verificandose, já nesse ponto, tanto numa quanto noutra opção, a completa e total inexistência de registros formais adequados e suficientes para as operações apontadas. Ora, a esse respeito, causa espécie a afirmação utilizada pela contribuinte de que os registros fiscais fariam prova a seu favor, uma vez que, ao contrário do que pretende fazer parecer, além dos específicos lançamentos contábeis considerados, necessária ainda se faz a adequada, válida e suficiente comprovação documental da existência da específica movimentação econômicofinanceira considerada, inexistindo, nesse ponto, qualquer mandamento que aponte, por si só, a intangibilidade da contabilidade, da forma como pretende fazer crer a recorrente. Nessa linha, inclusive, é a remansosa jurisprudência deste Egrégio CARF, conforme se verifica, inclusive, nos seguintes arestos colhidos do pretório: Número do Processo 18088.000031/200615 Órgão Julgador Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento Contribuinte CONSTRAMER ENGENHARIA E COMERCIO LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário Outros Resultados Por Unanimidade Data da Sessão 27/08/2009 Relator(a) Irineu Bianchi Nº Acórdão 130200054 Fl. 915DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 916 11 Tributo / Matéria Decisão Por unanimidade de votos, RECONHECER de ofício a decadência nos 3 primeiros trimestres de 2001 (IRPJ e CSLL) e PIS e COFINS para fatos geradores ocorridos até novembro de 2001. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e Outros. Anocalendário: 2001 IRPJ. PIS. COFINS. CSLL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos e contribuições submetidos à modalidade de lançamento por homologação, os fatos geradores ocorridos e declarados mediante o cumprimento das obrigações acessórias correspondentes são considerados homologados com o decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador e a Fazenda Pública da União só pode revisar e alterar o lançamento naquele prazo face ao disposto no artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. A falta de comprovação da origem e da efetiva entrega de numerários a titulo de empréstimo de sócio autoriza a exclusão desses valores na recomposição do saldo da conta Caixa. Irrelevante que o sócio tivesse, na ocasião, capacidade econômica e financeira para suportar os alegados suprimentos. Apurado saldo credor, presumese ter havido omissão de receitas em montante equivalente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Os valores creditados em contacorrente, em relação aos quais o sujeito passivo, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, evidenciam omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL PIS. CORNA O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com \ ele compartilha o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. Número do Processo 13807.013029/9921 Órgão Julgador Segunda Câmara/Primeira Seção de Julgamento Contribuinte METALCAR INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 15/05/2009 Relator(a) Antônio Bezerra Neto Tributo / Matéria IRPJ AF lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal) Decisão Fl. 916DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 917 12 Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de voluntário. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO. SALDO CREDOR DE CAIXA. Os suprimentos de caixa ou empréstimos lançados sem respaldo em documentação que demonstre inequivocamente a origem e a efetiva entrada de recursos e que a conta caixa sem esse aporte gere saldo credor de caixa são considerados omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO PRESUMIDO. O art. 43, § 2°, da Lei n° 8.541/1992, com a redação dada pela Medida Provisória n° 492/1994, convalidada pela Lei 9.064/1995, estabelece que o valor da receita omitida não compõe a determinação do lucro presumido, sendo definitivo o imposto incidente sobre a omissão, cuja base de cálculo é o total da receita omitida. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2) JUROS DE MORA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°4) TRIBUTAÇÃO REFLEXA Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. A partir destes acórdãos, e, ainda, de diversos outros existentes no acervo jurisprudencial deste Conselho, verificase que, ao contrário do que apontado e pretendido pela recorrente, a inexistência de prova cabal e suficiente a respeito da origem, forma e condições dos supostos aportes/suprimentos/empréstimos supostamente realizados pelos sócios é sim suficiente, per se, para a desconfiguração da validade do lançamento considerado, e, a partir daí, a válida desconsideração de seus registros, descortinando, com isso, o apontado saldo credor da conta caixa e, por conseqüência, a aplicação da presunção de omissão de receita, da forma como apontado pelas respectivas autoridades fiscalizadoras. A par das considerações apontadas, a recorrente ainda pretende ver admitidas as suas razões pelo fato simples de que ainda estaria ela no campo do período préoperacional, o que comprova, segundo aponta, pela data da emissão da primeira de suas notas fiscais, buscando, com isso, elidir os procedimentos fiscais. Tais considerações, na verdade, atuam contra as pretensões da própria recorrente, uma vez que é exatamente com base na Fl. 917DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 918 13 apontada inexistência de atividade (ao menos do ponto de vista válido e regular) é que se destaca, no caso, a efetiva omissão de receitas, e, por isso, a validade do lançamento efetivado. Nessa linha, inclusive, vale destacar que os próprios precedentes citados pela contribuinte atuam a seu próprio desfavor, uma vez que, apontando ela a existência de “empréstimos” ou mesmo de “aportes de capital” deveria ela, no mínimo, apresentar os respectivos instrumentos formais respectivos, demonstrando assim a validade dos procedimentos adotados, o que, nos presentes autos, efetivamente não se verifica. Em relação à apontada impossibilidade de apresentação de informações e documentos relativos às pessoas dos respectivos sócios “doadores” a contribuinte afirma que, por se tratar de pessoa distinta, não poderia ela ser obrigada à apresentação de informações a eles relativa. Ocorre que, ao contrário do que pretende fazer crer, a “exigência” apresentada pela fiscalização, na verdade, tratava se apenas de alternativa para a ultrapassagem do óbice apresentado pela própria fiscalizada no sentido de que, por estar ainda na apontada fase préoperacional, não manteria ela ainda a sua respectiva conta bancária, o que, no entanto, poderia ter sido suprido com a demonstração, pelos doadores, da efetivação das respectivas transferências, o que, mesmo assim, por ela não foi então efetivado. Nesse sentido, a opção de apresentação de documentos relativos às contas bancárias ou mesmo às DIRPF dos sócios eram alternativas para que a contribuinte comprovasse, validamente, as suas próprias alegações, o que, no entanto, por ela efetivamente não foi utilizado, mantendo, assim, completamente inadmissível a argumentação apresentada. Ora, em face da completa inexistência de provas quanto à efetivação do supostos empréstimo pelos sócios (ou mesmo aportes de capital, como agora curiosamente afirmado pela recorrente), perfeitamente demonstrado se verifica os indícios necessários para a aplicação da presunção fiscal, restando, assim, perfeitamente intangíveis os lançamentos efetivados. Ao final, cumpre ressaltar que, nas circunstâncias apontadas, é irrelevante se os sócios possuíam ou não condições econômico financeiras para a efetivação das referidas transações, uma vez que o que restou afirmado pela fiscalização foi a prova de sua realização, inexistindo instrumentos contratuais a eles relativos e/ou mesmo o específico registro de ingresso dos respectivos montantes, sendo, pois, insuperáveis as considerações apresentadas no Auto de Infração aqui enfrentado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 918DF CARF MF Processo nº 11516.003273/200616 Acórdão n.º 9101004.093 CSRFT1 Fl. 919 14 Fl. 919DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.908264/2012-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035239 emitido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 26 4/ 20 12 -6 9 Fl. 998DF CARF MF Processo nº 13888.908264/201269 Resolução nº 3001000.187 S3C0T1 Fl. 3 2 eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 14792.43361.281111.1.3.040509. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$48.110,67, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/10/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13888.908264/201269 Resolução nº 3001000.187 S3C0T1 Fl. 4 3 manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 13888.908264/201269 Resolução nº 3001000.187 S3C0T1 Fl. 5 4 Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 1042). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13888.908264/201269 Resolução nº 3001000.187 S3C0T1 Fl. 6 5 Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 13888.908264/201269 Resolução nº 3001000.187 S3C0T1 Fl. 7 6 julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13888.908264/201269 Resolução nº 3001000.187 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 1004DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000714/2009-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/03/2009
PIS E COFINS. IMUNIDADE. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
As entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade das contribuições sociais incidentes sobre as receitas próprias obtidas na prestação de serviços de assistência social conforme disposto no §7º do artigo 195 da Constituição Federal.
Incabível a restituição às entidades beneficentes de assistência social das contribuições para o PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de vendas de produtos sujeitas à incidência monofásica na industrialização e na importação conforme disposto na Lei nº 10.147/00.
Numero da decisão: 3001-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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IMUNIDADE. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. As entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade das contribuições sociais incidentes sobre as receitas próprias obtidas na prestação de serviços de assistência social conforme disposto no §7º do artigo 195 da Constituição Federal. Incabível a restituição às entidades beneficentes de assistência social das contribuições para o PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de vendas de produtos sujeitas à incidência monofásica na industrialização e na importação conforme disposto na Lei nº 10.147/00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 07 14 /2 00 9- 55 Fl. 109DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo trechos do relatório da decisão de piso: “Trata o presente processo do pedido de restituição, protocolizado em 04/08/2009, de valores de contribuições ao PIS e de Cofins, derivados da incidência monofásica sobre medicamentos e recolhidos por substituição tributária relativamente ao período de apuração outubro/2008 a março/2009, no montante de R$ 9.390,94, conforme detalha no arrazoado de fls. 04/10, alegando, para isso, o seu caráter de entidade hospitalar sem fins lucrativos, que gozaria da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal de 1988. Como base legal de seu pedido, menciona, ainda, o art. 14 do CTN, e o art. 12 da Lei n.º 9.532, de 1997. Vinculandose ao pretendido direito creditório, constam dos autos as seguintes declarações de compensação (Dcomp): (a) n.º 09523.29442.041109.1.3.046706, de fls. 26/29; e (b) n.º 20092.46492.061109.1.3.042600, de fls. 30/33. A Seção de Orientação e Análise da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina (Saort/DRF/LON), com base no Parecer Saort/DRF/LON nº 097/2011 de fls. 38/40, emitiu o despacho decisório de fl. 41, indeferindo o pedido de restituição, e não homologando as correspondentes declarações de compensação. Cientificada em 23/05/2011 (fl. 44), a interessada, por meio de procurador (mandato de fl. 65), apresentou, em 22/06/2011, a manifestação de inconformidade de fls. 50/64, instruído pelos documentos de fls. 65/74, que é a seguir sintetizada. Inicialmente, no item “II – Da alegação de falta de documentação”, contesta o contido nos itens 6 e 7 do Parecer Saort/DRF/LON (fl. 39), que trata de falta de documentação a suportar o pedido de restituição, dizendo que a mesma poderia ter sido apresentada caso o fisco a tivesse intimado para tal, citando, quanto a isso, o art. 3º, § 4º da IN RFB nº 900, de 2008; de qualquer forma, diz que a referida documentação comprobatória de seu direito encontrase em sua sede, à disposição da autoridade fiscal. Admite, outrossim, que no caso em análise não se está a tratar de saneamento processual, nem de falta de documentos, uma vez que o indeferimento se deu pela análise do direito, e não com base em prova documental. Assim, após transcrever os itens 12 a 14 do precitado parecer, argumenta que o regime monofásico é mecanismo semelhante à substituição tributária, posto que o citado regime não acarreta efeito tributário somente para as receitas do substituto, mas que no caso das entidades beneficentes, ao serem substituídas, seriam oneradas quando da aquisição de insumos cujo preço embutiria o custo tributário arcado pelo substituto. Sustenta que não está pleiteando crédito de outrem, mas que o pretendido foi efetuar a manutenção de um crédito relativamente aos insumos que adquiriu, o que a compensaria da ‘prejudicialidade’ que o sistema monofásico teria lhe trazido. No item “Da imunidade ampla e seus efeitos”, reafirma seu caráter de entidade sem fins lucrativos, pelo que seria imune a impostos e contribuições; transcreve os dispositivos legais concernentes à matéria em debate (arts. 1º e 2º da Lei n.º 10.147, de 2000) e sustenta que a forma de tributação/arrecadação neles prevista implicou lhe em ônus, pois como o PIS e a Cofins são recolhidos de forma majorada pelos fabricantes, ao adquirir medicamentos assim tributados arcaria com o acréscimo correspondente à diferença de alíquota (de 9,25% para 12%), sendo inegável que Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16366.000714/200955 Acórdão n.º 3001000.811 S3C0T1 Fl. 326 3 pode pleitear a restituição da precitada diferença do PIS e Cofins incidente sobre essas aquisições; em favor de seu pleito, arrola três motivos principais: (a) sendo hospital filantrópico, possui imunidade estabelecida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, de 1988 (CF/1988), não podendo sofrer tributação do PIS e da Cofins; (b) dessa imunidade decorre a não realização do fato gerador e, nesses casos, o art. 150, § 7º da CF/1988, estabeleceria a imediata e preferencial restituição àquele que sofrera a tributação indevida (substituição tributária/regime monofásico); e (c) haveria jurisprudência favorável à tese de que as operações realizadas sob a égide da Lei n.º 10.147, de 2000, se dariam sob o regime monofásico (substituição tributária), permitindo a aplicação do precitado art. 150, § 7º da CF/1988. Às fls. 54/60, a interessada discorre sobre cada um desses três motivos, apresentando os embasamentos legais e jurisprudenciais que entende pertinentes, do que extrai a seguinte conclusão (fls. 59/60): “(...) há que se observar que o essencial para o pleito da manifestante é que, ao regime ‘monofásico’, ‘concentrado’, ‘por substituição’, aplicase efetivamente o disposto no artigo 150, § 7º, da Constituição Federal (...) afinal no regime na forma de tributação em questão foi inegavelmente atribuída a sujeito passivo (fabricante) a condição de responsável pelo pagamento de PIS/Cofins (da manifestante), cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente. Repisese, como o fato gerador em questão não ocorreu, por se tratar de entidade beneficente, é assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia.”. Na seqüência, sob o título “Do Creditamento – Caráter Hipossuficiente das Entidades de Assistência Social”, a título argumentativo, faz a seguinte assertiva: “ (...) no que pertine ao crédito em questão, é importante ressalvar que as entidades beneficentes hospitalares estão sendo prejudicadas, em detrimento dos demais hospitais. Notese que o caráter hipossuficiente destas entidades não deveria permitir tal discrepância, sendo o creditamento do PIS/Cofins uma questão de lógica legislativa, derivada da justiça social e dos preceitos de igualdade” (fl. 60), tecendo, no seguimento, considerações sobre isso com menções aos arts. 13, IV, 14, X, e 15, da MP n.º 2.15835, de 2001, e art. 10, IV e XIII da Lei n.º 10.833, de 2003; por conta desse contexto, e considerando a isenção das entidades imunes, diz que poderia se apropriar de créditos com fulcro no art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, citando, a propósito, o posicionamento do fisco na resposta à pergunta 68 do “Perguntas e Respostas”, na qual se afirmaria que os créditos apurados com base na regra geral, acumulados em virtude de vendas efetuadas com “suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência”, seriam passíveis de creditamento; agrega que, para as entidades imunes, tal creditamento nada mais refletiria que a aplicação na integra da imunidade ampla prevista nos arts. 150, IV, “c” e 195, § 7º da Constituição Federal de 1988. Já, no item “IV – Do efeito suspensivo”, advoga que à presente manifestação se determine o efeito suspensivo. Por fim, formula o seguinte pedido: “(a) seja julgado improcedente o despacho ora recorrido, restando deferido o pedido de restituição de PIS/Cofins sobre medicamentos e homologadas as compensações informadas nas Dcomps analisadas; (b) caso entenda pela apresentação da documentação comprobatória do direito pleiteado informamos que a documentação encontrase à disposição do fisco na sede da manifestante para análise, ou, requerse a concessão de prazo para sua apresentação face à quantidade de documentos a serem juntados; (c) requerse que Fl. 111DF CARF MF 4 a presente manifestação seja recebida em seu efeito suspensivo para que seja sobrestado o recolhimento dos débitos relativos às compensações não homologadas.” A DRJ de Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 0633.466 a seguir transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/03/2009 PIS E COFINS. MEDICAMENTOS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. ISENÇÃO. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre as receitas de venda dos produtos arrolados no art. 1o da Lei nº 10.147, de 2000, não implica restituição às entidades beneficentes de assistência social que adquiram tais produtos, haja vista que a isenção de que gozam aludidas entidades, quando cumpridos os requisitos legais, contempla unicamente as suas próprias receitas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância apresentado os seguintes argumentos: 1) da alegação de falta de documentação; 2) da imunidade ampla da recorrente e seus efeitos; e 3) do creditamento de PIS/COFINS como aplicação na íntegra da imunidade ampla. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16366.000714/200955 Acórdão n.º 3001000.811 S3C0T1 Fl. 327 5 Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre a possibilidade de restituição/compensação pelas entidades beneficiadas pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, com créditos oriundos das Contribuições para o PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de medicamentos sujeitos a incidência monofásicas, nos termos do art. 1º da Lei no 10.147/00. Inicialmente cabe ressaltar que de acordo com a Súmula CARF no 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, não cabe a este Tribunal julgar lesão por ventura sofrida pela Recorrente diante da determinação de instrumento normativo. Vamos partir da análise do que dispõe os arts. 1º e 2º da Lei no 10.147/00: Art.1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (...) Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Perceba que a norma acima determina a incidência monofásica das contribuições, na qual ocorre uma incidência com alíquotas maiores na primeira etapa da cadeia produtiva. Entretanto, nas demais fases da cadeia ocorre a aplicação da alíquota zero. Registrese que há uma diferença na sistemática de substituição tributária em relação à tributação monofásica, naquela a incidência da cadeia ocorre de forma concentrada no fabricante em substituição aos demais contribuintes da cadeia de venda. Conforme bem destacado no acórdão recorrido, esta sistemática, tendo em vista o disposto no art. 149, § 4º da CF/1988, se caracteriza pela incidência da tributação uma única vez (geralmente no fabricante ou no importador) dentro de um ciclo de comercialização de um produto aplicandose uma alíquota concentrada. Portanto, o único contribuinte das Fl. 113DF CARF MF 6 mencionadas contribuições é o fabricante ou o importador, não havendo recolhimento por substituição tributária nas aquisições de mercadorias previstas no art. 1º da Lei no 10.147/00. Repare que a Recorrente pretende a restituição de valores relacionados a uma etapa anterior e diversa da sua. Ressaltese que a Recorrente utilizou os medicamentos como consumidor final e não como revendedor de produtos sujeitos a alíquota zero. Outro ponto vindicado pela Recorrente diz respeito a imunidade, que estaria assegurado constitucionalmente conforme art. 195, §7º, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; c) o lucro;(...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Entretanto, o que se extrai do dispositivo acima reproduzido é que a imunidade não abrange a incidência de tributos das etapas anteriores, qual seja, as vendas dos produtores e distribuidores para ela. A imunidade prevista se refere às contribuições sociais incidentes sobre a sua folha de salários e sobre sua a receita conforme o atendimento das exigências legais. Destaquese que para haver pedido de restituição, é necessário que tenha havido qualquer recolhimento da referida contribuição por parte da requerente, o que não ocorreu no presente caso por se tratar de tributação monofásica na industrialização ou na importação e não na operação de venda por parte da entidade quando das suas operações na qualidade de entidades imunes. Portanto, não há que se falar em restituição dos valores alegados visto que a sua tributação incidente sobre medicamentos não ocorreu sobre as receitas da atividade imune, mas sim sobre as receitas de terceiros. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16366.000714/200955 Acórdão n.º 3001000.811 S3C0T1 Fl. 328 7 Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904917/2011-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO SUPERIOR AO DEVIDO.
Dá-se como ressarcimento ao contribuinte o valor do saldo credor trimestral calculado nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999.
Se do processamento eletrônico do Despacho Decisório já resultou quantia superior a que fazia jus, nada mais há que se reconhecer ao contribuinte.
Numero da decisão: 3001-000.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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RESTITUIÇÃO. PARCELAMENTO. Recorrente PRIMI TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO SUPERIOR AO DEVIDO. Dáse como ressarcimento ao contribuinte o valor do saldo credor trimestral calculado nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999. Se do processamento eletrônico do Despacho Decisório já resultou quantia superior a que fazia jus, nada mais há que se reconhecer ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 49 17 /2 01 1- 51 Fl. 142DF CARF MF 2 Relatório Adoto o relatório do v. acórdão recorrido que bem sintetizou os fatos objeto do presente processo (fls. 120/121), verbis. Cuida o presente de pedido de ressarcimento a título de IPI, relativo ao 2o trimestre de 2009, cujo crédito restaria demonstrado por meio do PER/Dcomp n. 14098.42918.240709.1.1.012144 (fls. 02/07). Através do despacho decisório de fl. 08, mencionado pedido restou integralmente indeferido, em razão da glosa de créditos considerados indevidos, constatandose que o saldo credor passível de ressarcimento seria inferior ao valor pleiteado. O indeferimento ensejou a não homologação da compensação declarada no PER/Dcomp n. 32473.94377.240709.1.3.015548, remanescendo, com efeito, exigência no montante principal de R$ 9.929,51, acrescido de multa e juros de mora, respectivamente de R$ 1.985,90 e 1.910,43. Inconformada, em 17 de agosto de 2011, apresenta a interessada manifestação de inconformidade (fls. 13/29), onde, em síntese, preliminarmente, acusa a presença de vício insanável no ato administrativo censurado, vez que este careceria de motivação e base legal. Destaca que os dispositivos legais mencionados no despacho decisório versariam tão somente acerca do direito ao crédito do imposto sobre aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo de industrialização, como também da forma de utilização do saldo credor e do crédito. Sustenta que o ato administrativo silenciaria quanto aos motivos do indeferimento. Não haveria qualquer explicação relativa à técnica de escrituração fiscal que pudesse levar ao correto entendimento dos motivos que teriam levado ao indeferimento. Desrespeitado, assim o constitucionalmente assegurado direito à ampla defesa e ao contraditório, além de princípios e critérios que regeriam os atos praticados pela Administração Pública. No mérito, após ressalva no sentido de que as informações inseridas no PER/Dcomp n. 14098.42918.240709.1.1.012144 não estariam em acordo com a realidade de sua escrita fiscal e contábil, aduz que os fornecedores dos quais provenientes as aquisições objeto de glosa não seriam optantes do Simples no período em referência. Os créditos utilizados pela interessada estariam, alega, em conformidade com as regras pertinentes. Ao final, requer: 1) Seja anulado o r. despacho decisório; 2) Homologação integral do PEDIDO DE RESSARCIMENTO de número Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13896.904917/201151 Acórdão n.º 3001000.764 S3C0T1 Fl. 3 3 3) Enquanto pendente de julgamento a presente manifestação de inconformidade, requer seja determina à suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário discutido nos autos em epígrafe, bem como nos processos apensados aos demais correlatos, na forma do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Bem como requer a recorrente que sejam permitidos todos os meios de defesa existentes, como produção e apresentação de provas que se façam necessárias a fim de comprovar o direito aqui discutido. Por fim, requer que quaisquer intimações sejam enviadas em nome dos advogados que esta subscrevem. Para tanto, carreia aos autos os documentos de fls. 30/107. Com a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte fez juntada de documentos diversos referentes a Livro de Registro de Entradas (fls. 42/56), Livro de Registro de Apuração de IPI (fls. 53/63), DIPJ/2010Ficha de IPI (fls. 64/67), Demonstrativo dos Créditos do IPI (fls. 67/68), Espelho de Consultas ao Simples Nacional das empresas Fabricart Embalagens LTDA., FRM Brasil Indústria e Comércio Ltda., Metalgamica Produtos Gráficos Ltda., Overlake Vernizes Gráficos Ltda., Kurz do Brasil folhas e Maqs Estampagem a quente Ltda., Adelbras Indústria e Comércio de Adesivos Ltda. e Santa Maria Cia de Papel e Celulose (fls. 59/76), e as diversas notas fiscais por estas mesmas empresas emitidas (fls. 79/108) A decisão recorrida manteve o Despacho Decisório, rejeitou a preliminar de nulidade por cerceamento e direito de defesa, basicamente pelos seguintes fundamentos (fls. 121/122), verbis. Em sede preliminar, requer a manifestante seja o despacho decisório declarado nulo, posto que ausentes motivação e fundamentação legal a propiciar adequado exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não se pode acolher a pretensão da manifestante. Consoante expressamente ressalvado no despacho decisório censurado: Para informações complementares da análise do crédito, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar www.receita.fazenda.gov.br, opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto “Restituição...Compensação”, item PER/DCOMP, Despacho Decisório. Precitados elementos constituem as fls. 09/11 dos autos. Fl. 144DF CARF MF 4 Estas, de forma suficientemente esclarecedora, especialmente em vista da relação de notas fiscais de fl. 10, permitem concluir que o indeferimento do pedido de ressarcimento a ensejar a não homologação da compensação em causa encontra razão na condição de optante do Simples da emitente das notas fiscais respectivas. ............................................(omissis)............................................ Resta, portanto, perquirir sobre a opção pelo Simples supostamente levada a efeito pela pessoa jurídica emitente das notas fiscais elencadas na relação de fl. 10 – a saber, Daconel Acessórios Industriais Ltda EPP, titular do CNPJ de n. 07.073.365/000195 –, em violação ao disposto no art. 166 do Decreto n. 4.544, de 2002 – RIPI/2002, vigentes à época. E consulta à base de dados da Receita Federal do Brasil não dá azo à dúvida. Conforme nominado sistema Entes Federativos, encontrase a emitente dos documentos fiscais em questão sob a sistemática do Simples Nacional. Os extratos de consulta pela manifestante carreados aos autos (fls. 66/72), a exemplo das notas fiscais respectivas (fls. 74/104), dizem respeito a pessoas jurídicas diversas da supramencionada. Não guardam, assim, relação com a presente controvérsia. Regularmente cientificada em 05 de fevereiro de 2015 (fls. 127/130), ingressou a empresa com recurso voluntário em 09 de março de 2015 (fls. 134/137), ressaltando que o débito fora recolhido através de parcelamento; que não procede o lançamento do débito junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional; que, por isto mesmo, não há débito a ser cobrado em face da requerente; e, requereu que se "determine o cancelamento da Cobrança Fiscal em comento, ante à inexigibilidade dos débitos que consigna" (fls. 136/137). Com o Recurso, fez juntada de DARF no valor originário de 9.929,51 e com o valor atualizado de R$ 17.015,20 (fls. 146), e de RECIBO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO DA LEI Nº 12.996 DE 18 DE JUNHO DE 2014 (fls. 150). Todavia, não exibiu qualquer comprovante de que tenha desistido do processo administrativo ora em julgamento, ou que o parcelamento requerido fora deferido, e nem que o valor total ou alguma quota/parcela do parcelamento tenha sido recolhida. É o relatório. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo, pois a empresa foi notificada do acórdão recorrido em 05.02.2015 (quintafeira) e protocolou seu apelo em 09.03.2015 (segundafeira), sendo que o trintídio se completou no sábado anterior, dia 07.03.2015, pelo que dele tomo conhecimento. Para justificar o pretendido crédito, com a manifestação de inconformidade a recorrente relaciona diversas notas fiscais (fls. 80/109), emitidas pelas empresas Fabricart Embalagens LTDA., FRM Brasil Indústria e Comércio Ltda., Metalgamica Produtos Gráficos Ltda., Overlake Vernizes Gráficos Ltda., Kurz do Brasil folhas e Maqs Estampagem a quente Ltda., Adelbras Indústria e Comércio de Adesivos Ltda. e Santa Maria Cia de Papel e Celulose, Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13896.904917/201151 Acórdão n.º 3001000.764 S3C0T1 Fl. 4 5 e exibe espelhos extraídos de sitio da Receita Federal de que tais empresas não são optantes pelo SIMPLES (fls. 70/76). Na decisão recorrida, após afastar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa, assim ficou expresso (fls. 122), verbis. Resta, portanto, perquirir sobre a opção pelo Simples supostamente levada a efeito pela pessoa jurídica emitente das notas fiscais elencadas na relação de fl. 10 – a saber, Daconel Acessórios Industriais Ltda EPP, titular do CNPJ de n. 07.073.365/000195 –, em violação ao disposto no art. 166 do Decreto n. 4.544, de 2002 – RIPI/2002, vigentes à época. E consulta à base de dados da Receita Federal do Brasil não dá azo à dúvida. Conforme nominado sistema Entes Federativos, encontrase a emitente dos documentos fiscais em questão sob a sistemática do Simples Nacional. Esclarece mais que os extratos de consulta pela manifestante carreados aos autos (fls. 66/72), a exemplo das notas fiscais respectivas (fls. 74/104), dizem respeito a pessoas jurídicas diversas da supracitada Daconel Acessórios Industriais Ltda., posto que aqueles documentos (fls. 66/72 e 74/104), não guardam relação com a presente controvérsia. Do exame dos autos, cotejandose a Manifestação de Inconformidade e a documentação a ela acostada e acima referenciada com o teor do v. Acórdão recorrido, verificase que laborou a empresa em erro material ao nominar as empresas acima referidas (Fabricart Embalagens LTDA., FRM Brasil Indústria e Comércio Ltda., Metalgamica Produtos Gráficos Ltda., Overlake Vernizes Gráficos Ltda., Kurz do Brasil folhas e Maqs Estampagem a quente Ltda., Adelbras Indústria e Comércio de Adesivos Ltda. e Santa Maria Cia de Papel e Celulose) e as respectivas notas fiscais por elas emitidas no primeiro semestre de 2009 (fls. 80/109), como sendo as geradoras do crédito que pretende ver reconhecido para fins de compensação e que teria sido glosado pelo Despacho Decisório. Em assim sendo, e tendo em conta que a glosa referiuse à notas fiscais emitidas pela empresa DACONEL ACESSÓRIOS INDUSTRIAIS LTDA., comprovadamente optante pelo SIMPLES desde 01 de julho de 2017, temse como imprestáveis para defesa da recorrente os argumentos e documentos carreados aos autos com a Manifestação de Inconformidade.. Salientese, ademais que, em seu apelo a este Conselho, a recorrente muda o tom de sua defesa para ressaltar que o débito objeto da demanda já fora recolhido através de parcelamento; que não procede o lançamento do débito junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional; que, por isto mesmo, não há débito a ser cobrado em face da requerente; e, finalmente, requer que se "determine o cancelamento da Cobrança Fiscal em comento, ante à inexigibilidade dos débitos que consigna" (fls. 136/137). Com o Recurso, fez juntada de DARF no valor originário de 9.929,51 e com o valor atualizado de R$ 17.015,20 (fls. 146), e de RECIBO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO DA LEI Nº 12.996 DE 18 DE JUNHO DE 2014 (fls. 150). Todavia, não exibiu qualquer comprovante de que tenha desistido do processo administrativo ora em julgamento, ou que o parcelamento requerido fora deferido, e nem que o valor total ou alguma quota/parcela do parcelamento tenha sido recolhida. Fl. 146DF CARF MF 6 Diante de tais fatos, temse que, em termos estritamente processuais, poder seia mesmo deixar de conhecer do apelo da empresa, por ausência de motivação, nos exatos termos do art. 16, III do Dec. 70.235, pois a recorrente não rebateu nada do que foi decidido no Acórdão da DRJ, apresentando como argumentos apenas a não cumulatividade do IPI, sem adentrar em qualquer detalhe do Despacho Decisório e do Acórdão recorrido. Todavia, entendo mais prudente e adequado conhecer da peça denominada de Recurso Voluntário (fls. 134/137), apesar do chamado apelo empresarial iniciarse por afirmar que aderiu aos ditames da Lei 12.996/2014 (fls. 136), "com o pagamento realizado de forma avista conforme previsto, de tal sorte a regularizar débito apontado" (sic). Diante do exposto, considerando que acertou a decisão recorrida ao manter o Despacho Decisório por seus próprios fundamentos; considerando que as empresas e notas fiscais referenciadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade não guardam qualquer relação com a demanda objeto do presente processo; considerando que, em sede de Recurso Voluntário a empresa tacitamente reconhece que concorda com a decisão guerreada, junta recibos de pagamento de DARFs e informa que promoveu ao parcelamento do débito objeto da demanda, nos termos da Lei nº 12.996/2014, inclusive juntando recibo do pedido de parcelamento em comento; considerando também que nenhum documento ou argumento foi trazido aos autos, com o apelo da parte, capaz de infirmar a glosa processada e objeto da demanda; e, ainda, considerando que não há expresso pedido de desistência da demanda por parte da empresa recorrente; considerando, porém, que a peça de fls. 134/137 foi nominada como Recurso Voluntário e protocolizada dentro do trintídio legal, VOTO para tomar conhecimento do denominado Recurso Voluntário, e negar provimento ao apelo do contribuinte, mantendose, assim, o v. Acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910742/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/10/2009
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.031
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 23/10/2009 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/10/2009 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 42 /2 01 2- 09 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.910742/201209 Acórdão n.º 3401006.031 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.910742/201209 Acórdão n.º 3401006.031 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.910742/201209 Acórdão n.º 3401006.031 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722438/2010-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 24 38 /2 01 0- 74 Fl. 332DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (Debcad nº 37.222.2161) relativo a contribuições previdenciárias a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre remuneração paga a segurados empregados. Consta do Relatório Fiscal que o lançamento tem por base de cálculo, dentre outros, valores pagos a titulo de alimentação e lanches, sem a devida inscrição no PAT. Em sessão plenária de 21/06/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280301.646 (fls. 282 a 287), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. AJUDA DE CUSTO. HABITUALIDADE. VERBA TRIBUTÁVEL. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado à PGFN em 17/09/2012 (Despacho de Encaminhamento de fl. 288) e, em 26/09/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 289/306 (Despacho de Encaminhamento de fl. 307), com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a matéria “fornecimento de alimentação, sem adesão ao PAT”. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 846/2013, datado de 10/12/2013 (fls. 309 a 311). A Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: o presente apelo objetiva esclarecer que os valores fornecidos aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que pagos em desacordo com o PAT; de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais. Porém, existem parcelas que, apesar de Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10680.722438/201074 Acórdão n.º 9202007.705 CSRFT2 Fl. 3 3 estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n° 8.212/1991; conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976; para fins de se beneficiar da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte; inexistindo comprovação de participação do contribuinte no PAT, é inequívoco que o fornecimento de alimentação “in natura”, pelo contribuinte, sem adesão ao PAT não está incluído na hipótese legal de isenção, prevista na alínea “c”, § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/91; ainda que o contribuinte estivesse regularmente inscrito no PAT, outro requisito que deve ser observado pelo contribuinte é que o auxilio alimentação seja pago “in natura”, de acordo com a expressa disposição do art. 28, da Lei nº 8.212/91 e 3º, da Lei nº 6.321/76; o Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação através de ticket alimentação, consoante se depreende do art. 4º, do Decreto nº 5/1991 que regulamenta o programa; a alimentação paga com ticket alimentação/pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT; no PAT, a empresa somente pode optar pelas seguintes modalidades de execução: a) Autogestão (serviço próprio): a empresa beneficiária assume toda a responsabilidade pela elaboração das refeições, desde a contratação de pessoal até a distribuição aos usuários; b) Terceirização (Serviços de terceiros); o fornecimento das refeições é formalizado por intermédio de contrato firmado entre a empresa beneficiária e as concessionárias; nesse caso, tanto a empresa beneficiária quanto a empresa fornecedora/prestadora do serviço devem estar inscritas no PAT; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I; ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/1991, o que vai de encontro com a legislação tributária; onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de se violar os princípios da reserva legal e da isonomia; Fl. 334DF CARF MF 4 caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela paga com ticket alimentação referente ao auxílio alimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga “in natura” não integra o saláriodecontribuição; a Lei nº 10.243/01 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/91, conforme demonstrado; a prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal. Conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei; não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento. Requer a Fazenda Nacional seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o acórdão recorrido e restaurar o inteiro teor da decisão de primeira instância. Cientificado do acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 06/04/2015 (fl. 637), a Contribuinte, em 20/04/2015 (fl. 328), ofereceu as Contrarrazões de fls. 317/325, alegando, em resumo o que segue: o § 10 do art. 64 do Regimento Interno do CARF estabelece que não cabe recurso especial por divergência para a Câmara Superior quando, na data da interposição do recurso, a CSRF já tiver superado a jurisprudência indicada como paradigma; o recurso foi interposto no dia 26 de setembro de 2012. Nesta data, a CSRF ainda não tinha analisado a matéria discutida nestes autos, apesar de a Jurisprudência do CARF já ser maciçamente favorável à não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de alimentação in natura pelas pessoas jurídicas aos seus empregados, mesmo que elas não estivessem inscritas no PAT; que atualmente já existe precedente da CSRF do CARF no mesmo sentido do acórdão recorrido; por meio do julgamento do Acórdão 9202003.212, julgado em 8 de maio de 2014, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF assentou o entendimento no sentido de que, com a edição do Parecer PGFN nº 2117/2011, a PGFN reconheceu aplicável o entendimento do STJ quanto a não incidência da contribuição sobre alimentação fornecida in natura; a jurisprudência da própria Câmara Superior é favorável à contribuinte, não existindo razão para o provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional; Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10680.722438/201074 Acórdão n.º 9202007.705 CSRFT2 Fl. 4 5 de acordo com a jurisprudência pacificada do STJ, o fornecimento de refeições pelo empregador aos seus empregados é considerado salário in natura, por consequência, esse benefício não é fato gerador da contribuição previdenciária; o STJ é, em última instância, o Tribunal responsável pela interpretação das leis brasileiras, assentada uma interpretação segundo a qual é dever do intérprete seguir a interpretação consolidada; essa assertiva é inteiramente aplicável aos órgãos da Administração Pública, pois não adianta adotar interpretação diversa daquele assentada pelo STJ se a ele sempre caberá rever a interpretação divergente; o Brasil adota o princípio da inafastabilidade da Jurisdição (art. 58, XXXV, da Constituição Federal), se a Administração Pública interpretar a norma de forma a violar a interpretação assentada pelo Tribunal, sempre caberá ao contribuinte recorrer ao Judiciário para rever a ilegalidade dessa interpretação; não adotar a orientação do STJ causa apenas atraso na solução do litígio, perda de tempo e de dinheiro público, que certamente poderia ser melhor empregada na fiscalização de questões que realmente são controversas ou que deveriam ser fiscalizadas pela Administração e não são por falta de tempo e de recursos financeiros; o Ato Declaratório nº 03/2011 reconhece à Procuradoria da Fazenda Nacional o direito de sequer propor execuções fiscais que envolvam autos de infração tratando da matéria dos autos; a própria Receita Federal do Brasil alterou, por meio da Instrução Normativa RFB nº 1.453/2014, a redação da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, que trata da incidência das contribuições previdenciárias para excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias as parcelas do auxílio alimentação pagas in natura pela empresa, ainda que não haja inscrição no PAT. Requer, por fim, o não provimento do Recurso Especial. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Conforme relatado, temse Auto de Infração relativo a contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidente sobre remuneração paga a segurados empregados, lavrado, dentre outros, em virtude de valores pagos a titulo de alimentação. Ressaltese que a matéria trazida à apreciação deste Colegiado cingese à incidência de referidas contribuições, quando descumprido o requisito legal de inscrição do sujeito passivo no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando, à luz das contrarrazões, também apresentadas tempestivamente, perquirir se atende aos demais Fl. 336DF CARF MF 6 pressupostos de admissibilidade. Para tanto, convém reproduzir o art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época de sua apresentação: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9° As ementas referidas no § 7° poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. . § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. (Grifouse) De início, há que se esclarecer que a pacificação de entendimento no âmbito deste Conselho é externado por meio da edição de súmulas da Câmara Superior de Recursos Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10680.722438/201074 Acórdão n.º 9202007.705 CSRFT2 Fl. 5 7 Fiscais – CSRF. Tanto assim que o § 2º do art. 67 do RICARF é bastante claro ao estabelecer que: “Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF”. Assim, na esteira do § 4º do citado artigo, atendidos os demais pressupostos regimentais, a indicação de até duas decisões divergentes por matéria, que não tenham sido reformadas ou superadas por entendimento pacificado por meio de súmula, mostrase suficiente para que o recurso seja admitido. Desse modo, o fato de haver decisões no âmbito deste Conselho, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o Sujeito Passivo diz ser favorável à sua tese, não se apresenta como óbice ao seguimento do Recurso Especial. De outra parte, no acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário ao argumento de que o valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme entendimento reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda. A Fazenda Nacional, por sua vez, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido e restaurar o inteiro teor da decisão de primeira instância administrativa, visto que os valores fornecidos em pecúnia aos empregados, a título de auxílioalimentação, integram o saláriodecontribuição, já que pagos em desacordo com o PAT. Em sede de Contrarrazões, a contribuinte recorre a jurisprudência STJ, ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 e a decisões do CARF, que entendem não incidir contribuições previdenciárias em relação ao auxílio alimentação pago in natura. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que estamos diante de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo. Feitas essa breves considerações, afigurase necessário esclarecer que, no caso do acórdão recorrido, o recurso voluntário foi provido tendo em vista que, mesmo sem adesão ao PAT, a empresa forneceu aos segurados empregados alimentação in natura, ou seja, alimentação preparada por meio de estabelecimentos comerciais (restaurantes e assemelhados). Esse fato é corroborado pelo Relatório Fiscal (fls. 95/99) o qual esclarece: AL1 ALIMENTACAO SEM 0 PAT Este levantamento teve como base de cálculo, os valores lançados no livro Diário e Razão, referente aos valores pagos a titulo de alimentação e lanches, sem a devida inscrição no PAT. A inscrição da empresa no programa de alimentação do trabalhador foi formalizada em 12/2007, portanto nesta competência não houve cobrança dos valores contabilizados. Em anexo estão as copias dos lançamentos contabeis. Em anexo tambem, o documento DD e RADA discrimina os lançamentos que originaram este debito, Fl. 338DF CARF MF 8 bem como as operações de abatimento dos valores pagos. (Grifouse) Vejase que, a despeito do que se afirma no Recurso Especial, não há nos autos qualquer evidência de que os pagamentos tenham sido feitos por meio de tíquetes. As demonstrações contábeis acostadas aos autos (fls. 113/125) atestam que a empresa forneceu alimentos preparados, por meio de estabelecimentos comerciais. Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar – fornecimento de alimentação in natura (refeições preparadas ou mesmo cestas básicas) – se entendesse pela incidência das contribuições devidas à Seguridade Social em vista da não inscrição da empresa no PAT. Entretanto, analisando o inteiro teor do primeiro paradigma – Acórdão nº 20601.313 – verificase que a decisão ali adotada foi motivada pelo fato de a parcela intitulada “ajuda alimentação” ter sido paga em pecúnia. Confirase: No que tange aos auxílios alimentação e transporte, os dispositivos que tratam dos mesmos são as alíneas "c" e "f' do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/1991, respectivamente, abaixo transcritos: [...] A alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, as quais podem se dar pelas seguintes modalidades: [...] Portanto, o fornecimento de alimentação em pecúnia paga junto com a folha de salários integra o salário de contribuição. (Grifouse) Com efeito, a leitura dos excertos colacionados, permite concluir pela inexistência de dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. No aresto recorrido, verificouse que a empresa fornecia refeições e lanches aos trabalhadores, contudo sem a devida inscrição no PAT. Diferentemente disso, no paradigma o que motivou o lançamento foi o pagamento de ajuda alimentação em pecúnia que, segundo consta, não se constitui em qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no Programa de Alimentação administrado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Nestas circunstâncias, em virtude da ausência de similitude fática, não se verificou caracterizada a divergência. Quanto ao segundo paradigma Acórdão 20601.462 percebese mais uma vez que as circunstâncias descritas em referida decisão não guardam a necessária identidade com aquela retratada no decisum atacado. É que na decisão paradigmática, conquanto a contribuinte não esteja regularmente inscrita no PAT, a concessão do benefício é feita por meio de vale alimentação/refeição e não com o fornecimento de refeições ou lanches, como, repise se, verificase no caso em questão. Senão vejamos trechos do Acórdão 20601.462: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10680.722438/201074 Acórdão n.º 9202007.705 CSRFT2 Fl. 6 9 Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do "beneficio" em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados Vale Alimentação/Refeição e Indenização do labor em intervalo para descanso e/ou alimentação (intervalo intrajomada), sem levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. (Grifouse) Forçoso concluir novamente pela inexistência de dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim das especificidades fáticas de cada um dos casos. Em razão da dessemelhança entre situação retratada nos autos e os casos trazidos a cotejo, não há como se afirmar que os colegiados prolatores de tais decisões chegariam a conclusão análoga, caso estivessem diante do cenário aqui refletido. Em razão do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados não lograram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.722375/2013-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
Numero da decisão: 2003-000.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(Assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (Assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 23 75 /2 01 3- 51 Fl. 115DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 3.352,61, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2012, anobase de 2011, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da glosa de pensão alimentícia judicial abaixo detalhada (fls. 06/09): 1. Alimentanda Mariana Luiza Varjão Goes: foi comprovado o valor de R$ 16.500,00, sendo glosada a quantia de R$ R$ 1.500,00 por falta de comprovação; 2. Alimentandos Gabriel Matos Goes e Carolina Matos Goes: Glosa de R$ 46.790,00 por falta de comprovação. Ainda que comprovado fosse, mencionada dedução ultrapassa a quantia estipulada no acordo judicial. Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando em síntese (fls. 02/04): 1. como prova do pagamento da pensão de Gabriel Matos Goes e Carolina Matos Goes, acosta as DIRPF/2012, onde consta mencionada operação no campo 71 "Beneficiário de pensão alimentícia"; 2. cada um dos dois beneficiários declara rendimentos tributáveis no valor de R$ 22.645,00, que multiplicado por dois vai corresponder ao valor glosado de R$ 45.290,00 na revisão da declaração do Impugnante; 3. os recibos anexados comprovam a pensão paga a Raimunda Maria Souza Varjão, decorrente do processo judicial nº 2005105011. Julgamento de Primeira Instância A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os fundamentos a seguir sintetizados (fls. 61/64): 1. embora o contribuinte comprove o pagamento de pensão alimentícia à genitora de sua alimentanda no valor de R$ 18.000,00, o acordo homologado judicialmente estabelece seja paga a quantia anual de R$ 13.605,00 correspondente a 02 (dois) salários mínimos mensais, exceto quanto ao mês de dezembro, que serão 03 (três) salários mínimos. Assim, mantémse a glosa de R$ 1.500,00, acatado o limite aceito pela autoridade lançadora como comprovado, ainda que superior ao montante acordado; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10510.722375/201351 Acórdão n.º 2003000.051 S2C0T3 Fl. 115 3 2. tocante à pensão alimentícia declarada como paga a Carolina Mattos Góes e Gabriel Mattos Góes, o impugnante não anexa quaisquer comprovantes de seu pagamento, exceto quanto as declarações de ajustes em nome dos alimentandos anexadas, as quais não são suficientes para desincumbir o impugnante da obrigação de apresentar a comprovação dos respectivos pagamento, nos termos fixados pela determinação judicial de fls. 43 a 46. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, no qual alega que as declarações dos alimentados, declarando o recebimento das pensões, e na declaração do recorrente constando os pagamentos nos exatos valores pelos primeiros declarados fazem prova suficiente para a dedução pretendida (fls. 70/111). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 17/09/2015 (fls. 67), e a Peça recursal foi recebida em 13/10/2015 (fls. 69 e 111), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Mérito Conforme visto no Relatório, a lide estabelecida se refere à pensão alimentícia paga aos alimentandos: 1. Mariana Luiza Varjão Goes no valor de R$ 1.500,00, porque superior ao valor acordado judicialmente; 2. Gabriel Matos Goes e Carolina Matos Goes na monta de R$ 46.790,00, por falta de comprovação. Nesse cenário, oportuno se verificar que, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Nesses termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] Fl. 117DF CARF MF 4 II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Impende salientar que o recorrente não logrou comprovar que a pensão alimentícia remanescente no valor de R$ 1.500,00, paga à alimentanda Mariana Luiza Varjão Goes, estava amparada no acordo homologado judicialmente. Mais precisamente, nessa seara recursal, o contribuinte não se insurgiu contra a glosa da mencionada dedução exceto quanto ao pedido genérico conclusivo de que todos os débitos reclamados deveriam ser cancelados razão por que se tornou definitiva a decisão recorrida no particular, importando na manutenção e subsistência da autuação em relação ao aludido ponto ora incontroverso. Quanto à comprovação do efetivo pagamento dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia com os alimentandos Carolina Mattos Góes e Gabriel Mattos Góes na quantia de R$ 45.290,00, o recorrente, não apresenta qualquer outro documento comprobatório, propondose somente a ratificar o argumento de que a isto basta a apresentação das DIRPF's de referidos beneficiários, onde constam os recebimentos das declaradas pensões. Como se pode notar, nos exatos termos dispostos no Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 15, caput, e 16, inciso III, o só fato de anexar as declarações de ajustes dos beneficiários das pensões, por si só, não é suficientes para desincumbir o recorrente da obrigação de apresentar a comprovação do pagamento dos valores ora discutidos. Ademais, possível isso fosse, desnecessária seria a intimação para dita comprovação, porquanto já disponíveis tais documentos nos sistemas da RFB. Confirmase: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento Recurso interposto, mantendo a glosa de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 48.290,00 (R$ 1.500,00 + R$ 46.790,00). É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 118DF CARF MF
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