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Numero do processo: 10540.721272/2014-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período-base de incidência.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Repele-se o argumento que pretende escorar-se na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do períodobase de incidência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Repelese o argumento que pretende escorarse na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 12 72 /2 01 4- 05 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10540.721272/201405 Acórdão n.º 9101003.597 CSRFT1 Fl. 296 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte, em face do acórdão nº 1302002.107 (fls.223/231), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. INAPLICABILIDADE A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de iposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF Nº 105 aos fatos geradores ocorridos após o anocalendário 2007, por terem outro fundamento legal. IRPJ. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. EXONERAÇÃO PARCIAL. Estando comprovado o erro de fato no preenchimento da DIPJ, correta a recorrida que reduziu o saldo de IRPJ a pagar exigido no lançamento.” De acordo com o voto condutor do aresto recorrido, “inexiste qualquer conflito legal para aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo em conjunto com a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas.” Nas razões de decidir, afastouse a aplicação da súmula CARF nº 105, considerando que a autoridade fiscal efetivara o lançamento da multa isolada com base no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007, ao passo que o alcance da referida súmula, nos termos então consignados no voto, é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. Assentouse, ainda, com vistas à proteção da arrecadação tributária e à manutenção do prestígio dos contribuintes cumpridores de suas obrigações tributárias, que o Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10540.721272/201405 Acórdão n.º 9101003.597 CSRFT1 Fl. 297 3 legislador estabeleceu uma penalidade para a omissão da obrigação de promover os recolhimentos mensais obrigatórios, o que não pode ser confundido com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. O contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido no dia 24/08/2017, à efls. 270. Recurso Especial do contribuinte com entrada na repartição de origem no dia 06/09/2017, à efl. 243. Nessa oportunidade, alegouse que a decisão ora objurgada diverge dos acórdãos paradigmas nº 1301002.180 e 1401001.639, suplicandose, ao término, a revisão do decidido na Turma a quo, tendo em conta a disparidade de interpretação sobre a mesma legislação. A PGFN foi intimada por despacho do dia 11/10/2017, à efl. 285. Contrarrazões apresentadas no dia 19/10/2017, à efl. 293. Nessa oportunidade, sustentouse que a sanção por falta de recolhimento de estimativas é distinta da sanção aplicável à falta de recolhimento do tributo definitivo apurado em 31 de dezembro do ano. Nessa direção, afirmou se que os fatos que dão causa às sanções em referência não são os mesmos, pois sequer ocorrrem nos mesmos momentos. Além disso, salientouse que a existência de um desses fatos não pressupõe a existência do outro, encerrandose com o pedido de desprovimento do apelo do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, reuniramse os requisitos de recorribilidade, incluindo a demonstração de dissídio interpretativo, conforme o Despacho de Admissibilidade às efls. 278/284. Dele conheço. De acordo com o entendimento do recorente, a decisão a ser proferida neste feito deve curvarse aos fundamentos sedimentados na jurisprudência que conduziu à aprovação da Súmula CARF nº 105, mesmo para períodos de apuração posteriores a 2007. De início, é preciso assinalar que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do tributo por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. O contribuinte, por outro lado, pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso deixe de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995. Entretanto, para o julgamento da questão aqui articulada, mostrase indispensável retornar à redação original da Lei nº 9.430/1996 para confronto com o texto atual, daí entrecortando com a jurisprudência antiga até a exegese que ressai da disposição normativa hoje em vigor. Reparese a redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10540.721272/201405 Acórdão n.º 9101003.597 CSRFT1 Fl. 298 4 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; " Uma posição majoritária defendia que tal disposição prescritiva era compatível com a interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa isolada em exame depois de encerrado o períodobase de apuração, porque, desde então, já teria ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido. Para essa corrente, o disposto no inciso IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/1996 tinha como propósito obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável IRPJ e CSLL devidos ao final do ano calendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de uma obrigação futura. De acordo com essa linha, a partir do encerramento do anocalendário, desaparecia o dever de efetuar a antecipação e, com isso, a penalidade perdia sua razão de ser, pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado. A posição então dominante consagrouse neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. Acontece que, em 2007, foi editada a Lei nº 11.488 (MP nº 351/2007), que alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10540.721272/201405 Acórdão n.º 9101003.597 CSRFT1 Fl. 299 5 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução. A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10540.721272/201405 Acórdão n.º 9101003.597 CSRFT1 Fl. 300 6 Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem. Se o contribuinte opta pela apuração anual, o que implica submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não estará sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas ou mesmo sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Complementese o exposto com a orientação extraída do acórdão nº 9101 002.438 da CSRF, 1ª Turma, relatora Conselheira Adriana Gomes Rego, sessão de 20/09/2016, no sentido de que, “sob essa ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, § 2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos.” A tese de que a infração que motiva a multa isolada é absorvida, por consunção, pela infração que dá causa à multa de ofício, não pode prosperar, por sua própria fraqueza. Consoante o magistério de Luiz Regis Prado1, na consunção, “determinado crime (norma consumida) é fase de realização de outro (norma consuntiva) ou em uma forma regular de transição para o último – delito progressivo”. Destaquemse, pois, as infrações do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 que dizem respeito à lide, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, para a devida análise: a) no inciso I, falta de pagamento do tributo, falta de recolhimento do tributo, falta de declaração ou apresentação de declaração inexata; b) no inciso II, alínea “b”, deixar de efetuar o pagamento de estimativas. De modo algum é possível asselar que deixar de efetuar o pagamento de estimativa constitui fase de realização da falta de pagamento de tributo apurado na declaração de ajuste. Em outras palavras, não se pode dizer que, aquele não pagou o tributo apurado na declaração de ajuste, anteriormente deixou de efetuar o pagamento de estimativas. Em outro sentido, deixar de efetuar o pagamento de estimativas também não constitui regular transição para a falta de pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste. Deixar de efetuar o pagamento de estimativa não é uma etapa antecedente necessária 1 Curso de direito penal brasileiro, volume I parte geral, arts. 1º a 1º a 120, 3ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, p. 190. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10540.721272/201405 Acórdão n.º 9101003.597 CSRFT1 Fl. 301 7 pela qual o agente antes atravessa para deixar de realizar o pagamento do tributo apurado na declaração. De igual modo, é impossível afirmar que deixar de efetuar o pagamento de estimativas é fase de realização da entrega de declaração inexata ou da omissão da entrega da declaração de ajuste, tanto quanto é impossível sustentar que deixar de efetuar o pagamento de estimativas é uma forma regular de transição para a apresentação de declaração inexata ou para a omissão de declaração de ajuste. Inequivocamente, não há interligação por necessariedade entre quaisquer das modalidades de infração do inciso I do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação atual, e a infração do inciso II, alínea “b”, do mesmo artigo. A pessoa jurídica pode ser omissa em relação à entrega de declaração de ajuste, ou pode ter apresentado declaração de ajuste inexata, e ter efetuado corretamente os pagamentos de estimativas. Também não há necessariedade entre deixar de pagar o tributo apurado na declaração de ajuste e deixar de pagar a estimativa, ou seja, uma pessoa jurídica pode ser omissa em relação ao pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste sem ter deixado de efetuar os pagamentos devidos de estimativa. À vista do exposto, repelese o argumento que pretende escorarse na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Conclusão: diante dos fundamentos acima coligidos, conheço do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900870/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL.
Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 3401-005.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 08 70 /2 01 2- 19 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10384.900870/201219 Acórdão n.º 3401005.122 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP o ressarcimento de crédito presumido de IPI apurado nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010 (1º trimestre), no valor de R$ 10.470,43. Em ato contínuo declarou, também, via PER/DCOMP a compensação desse crédito com débitos de IRPJ e CSLL do 1º Trimestre de 2010. Do Despacho Decisório A DRF de Teresina em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela não homologação da compensação declarada, pela inexistência de crédito a ser utilizado (rastreamento nº 031029619 de 04/09/2012) e procedeu com a intimação da contribuinte para efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. O Despacho vem fundamentado nos seguintes termos: "Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho". Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a resposta a ela endereçada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade da qual se destaca os seguintes pontos: (i) que tem direito ao montante do crédito presumido de IPI requerido, pois a Lei nº 9.363/96 não faz restrição ao fato de o produto exportado ser ou não tributado pelo IPI, além da jurisprudência de nossos tribunais ser uníssona nesse sentido e transcreve diversos julgados; (ii) contesta a redução da base de cálculo do crédito presumido com a glosa das aquisições de pessoa física, cooperativa e transferência entre matriz e filial, porque o benefício tem como escopo principal desonerar os produtos finais para exportação, compensandose as contribuições do PIS/Pasep e da COFINS embutidos nos preços das matériasprimas e insumos usados no processo de fabricação, inclusive os recebidos de outro estabelecimento da mesma empresa, acrescidos do material de embalagem. Transcreve vasta jurisprudência a seu favor sobre a matéria. (iii) requer, ainda, o reconhecimento da correção monetária de seu crédito pela SELIC, desde a data do pedido de ressarcimento. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10384.900870/201219 Acórdão n.º 3401005.122 S3C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Cabe destacar do voto, com relação as demais matérias relacionadas a aquisições de cooperativa, de pessoas físicas e de transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, que a decisão de piso atevese ao motivo para o indeferimento, citando a seguinte parte: “Não obstante as considerações anteriores, nos deparamos com impedimento legal para a concessão do Crédito Presumido do IPI requerido nas Per/Dcomps acima discriminadas, tendo em vista que toda a receita de exportação da empresa, no período 01/2009 a 09/2011 seja proveniente do produto quartzito mourisca, classificado sob o código 2506.20.00, da Tabela de Incidência do IPI, classificado NT, que, nos termos do art. 21 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 420/2004, não dá direito ao Crédito Presumido do IPI” Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, em sua literalidade e pugna por seu acolhimento, julgandose ao final improcedente a glosa realizada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10384.900870/201219 Acórdão n.º 3401005.122 S3C4T1 Fl. 5 4 A peça recursal limitase a reproduzir aquilo que foi dito na Manifestação de Inconformidade, sem contestar nenhum ponto das razões que fundamentaram a decisão recorrida. A contribuinte, com base em seus registros fiscais, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos conferidos pela Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, instituído para compensar valores de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados no processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Estabelece a Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Vimos, portanto, que a mencionada lei contempla um incentivo fiscal e assim deverá ser tratada, respeitando a literalidade de seus termos, a fim de se evitar eventual prejuízo as partes por falha de interpretação, mesmo que se adote suporte conceitual de outros dispositivos legais. Partindo do texto da Lei nº 9.363/96, art. 1º, temos que quem faz jus ao crédito presumido de IPI é o produtor e exportador de mercadorias nacionais, tendo por finalidade a compensação do PIS e COFINS incidentes nas operações de aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Já a forma de se calcular o crédito presumido de IPI, art. 2º da Lei nº 9.363/96, dividese em três partes: a 1ª é estabelecer o percentual correspondente a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor/exportador; a 2ª é fazer incidir o percentual encontrado na 1ª etapa sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME adquiridas no mercado interno, cujo resultado podemos chamar de base de cálculo; e a 3ª é aplicar o percentual previsto no § 1º (5,37%) sobre a base de cálculo encontrada na 2ª etapa. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10384.900870/201219 Acórdão n.º 3401005.122 S3C4T1 Fl. 6 5 Quanto a verificação fiscal realizada, embora sendo por amostragem, sobre os documentos fiscais de compra de insumos no período e sua correta escrituração, efetuando glosas referente aquisições de pessoas físicas, de cooperativa e também, de produtos objeto de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, a interessada preferiu defender simplesmente a tese de que o crédito é presumido e todos os custos de produção atinentes a matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, devem ser, irrestritamente, considerados. A lide, portanto, restringese a discussão sobre o enquadramento do produto exportado denominado “quartzitos”, classificado sob o código 2506.20.00 da tabela TIPI, considerada como produto NT, tido como único produto exportados no período, afastando, dessa forma, a totalidade do crédito pretendido. Os argumentos colocados no voto da decisão de piso tem por definição que estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (IPI), excluídos aqueles a que correspondem a notação “NT” (nãotributado). Esse, inclusive, foi o entendimento externado pela CSRF 3º Turma, contido no voto vencedor do acórdão nº 9303 004.890 (23/03/2017), que ao analisar os art. 2º e 8º do RIPI/2002, fez a seguinte colocação: Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Com relação a recorrente não há dúvida que a mesma seja estabelecimento industrial, pois o próprio fisco atesta que outros produtos são industrializados por ela e assim foram reconhecidos. A incidência do IPI não se dá pela classificação do estabelecimento, mas sim, se o produto foi ou não industrializado, se passou por alguma etapa do processo de industrialização. O conceito de produto industrializado está definido no art. 3º do Decreto 7.212/2010: “Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária”. O que caracteriza industrialização, está definido no art. 4º do mesmo Decreto: Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10384.900870/201219 Acórdão n.º 3401005.122 S3C4T1 Fl. 7 6 IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Mais adiante, no art. 5º do Decreto 7.212/2010, está relacionado tudo que “Não se considera industrialização” e nenhum de seus itens relaciona o produto de classificação 2506.20.00, ou dos produtos classificados na TIPI como “NT”. Vem contribuir para a presente discussão o julgado a seguir transcrito: O IPI incide sobre o produto, não sobre a produção. Incide sobre o produto industrializado, não sobre a industrialização. Ou, como salientou o Ministro José Delgado, "não é o ato de industrialização que gera a incidência do IPI, posto que este recai no produto objeto da industrialização" (STJ, REsp 216.217/SP, 1ª Turma, DJ de 29/11/1999, p. 130) Em suma, a Constituição não estabelece a tributação da industrialização, mas prevê a incidência do imposto sobre a operação que tem produto industrializado como objeto. Não há, pois, óbice de natureza constitucional de que o contribuinte do IPI seja pessoa diversa daquela que realizou o processo de industrialização. A limitação contida no art. 153, IV, da Constituição diz respeito apenas ao alcance das expressões "produto" e "industrializado". Produto é aquilo que é criado, gerado, elaborado. É o bem com expressão econômica, destinado ao comércio ou consumo. E para estar sujeito à incidência do tributo, o produto deve ser industrializado, o que significa nos termos do art. 46 do CTN, ter sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (TRF4 501375927.2011.4.04.7108, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 08/08/2013). Até aqui poderíamos atribuir razão a recorrente, caso o fato restringisse apenas ao enquadramento do produto objeto da glosa, na classificação em código da TIPI na condição de NT – nãotributado. Mas o que afasta a pretensão da recorrente, do direito de se apropriar de crédito presumido de IPI nas exportações de “quartzitos”, classificação NCM 2506.20.00, é a completa ausência de provas de que o produto passou por algum processo ou submetido a qualquer operação que lhe modificasse sua natureza. Nada foi trazido aos autos em matéria de prova da submissão do produto “quartzitos” ao processo de industrialização. Diante da ausência de qualquer material informativo sobre o produto exportado, objeto de glosa de crédito presumido de IPI, levome a concluir que efetivamente realizouse a exportação de “quartzito” embalado em seu estado natural, na forma como Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10384.900870/201219 Acórdão n.º 3401005.122 S3C4T1 Fl. 8 7 extraído da mina, sem ser submetido a nenhuma operação que o modificasse, impedindo seu enquadramento como produto industrializado. Com relação a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o crédito requerido, a partir do seu pedido, não assiste razão à recorrente. O pedido de ressarcimento veio acompanhado de declaração de compensação, que independentemente do resultado da análise fiscal e do resultado desse julgamento, não restará crédito a ser restituído. Totalmente despiciendo esse pedido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.006300/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003
Ementa:
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1301-001.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003 Ementa: PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 63 00 /2 00 5- 81 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13807.006300/200581 Acórdão n.º 1301001.165 S1C3T1 Fl. 24 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13807.006300/200581 Acórdão n.º 1301001.165 S1C3T1 Fl. 25 3 Relatório Trata o presente processo de exigência de MULTA REGULAMENTAR, imputada à contribuinte em razão da apresentação da Declaração de Informações (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2002 fora do prazo legal. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 01), momento em que argumentou ser entidade sem fins lucrativos, não possuindo condições financeiras para cumprir a exigência formalizada pelo auto de infração. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, São Paulo, apreciando a argumentação trazida pela entidade, decidiu, por meio do acórdão nº 169.484, de 18 de abril de 2006, pela procedência do lançamento tributário. O referido julgado restou assim ementado: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Informações – DIPJ pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 20, por meio do qual solicita a concessão de ANISTIA e alega que a apresentação tardia do recurso se deu em razão de alteração de endereço. É o Relatório. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13807.006300/200581 Acórdão n.º 1301001.165 S1C3T1 Fl. 26 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães PRELIMINAR PEREMPÇÃO A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância no dia 14 de dezembro de 2007, sextafeira, conforme documento de fls. 17/verso, iniciandose a contagem do prazo para ingresso do recurso voluntário no dia 17 de dezembro, segundafeira. A contribuinte ingressou com o referido recurso voluntário, fls. 20, no dia 24 de janeiro de 2008. Consoante as disposições constantes do Decreto nº. 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, temos que: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão ... Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ... No caso sob exame, o prazo para interposição do recurso venceu no dia 15 de janeiro de 2008, uma terçafeira, sendo, portanto, o recurso apresentado em 24 de janeiro do mesmo ano, intempestivo, e, nos termos do artigo 42 acima transcrito, a decisão prolatada em primeira instância, definitiva. Assim, considerando que a entidade não cumpriu o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972, para interposição do recurso voluntário contra a decisão exarada em primeira instância; e considerando que a alegação de alteração de endereço encontrase desprovida de comprovação e de demonstração que foi atendida a determinação contida no art. 233 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/99 (comunicação de transferência de domicílio fiscal), conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso, por perempto. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13807.006300/200581 Acórdão n.º 1301001.165 S1C3T1 Fl. 27 5 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721925/2013-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/12/2008
MULTA. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU COM INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA.
A luz do art. 106 do CTN, às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplica-se a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica ao contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação. Assim, deve ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.158-35/2001, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/2012, afastando-se os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/91, que comina pena mais severa ao Contribuinte que apresentou arquivo magnético com incorreção nas informações ou perdeu o prazo para apresentação dos mesmos.
Numero da decisão: 9303-007.160
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/12/2008 MULTA. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU COM INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA. A luz do art. 106 do CTN, às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplica-se a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica ao contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação. Assim, deve ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.158-35/2001, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/2012, afastando-se os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/91, que comina pena mais severa ao Contribuinte que apresentou arquivo magnético com incorreção nas informações ou perdeu o prazo para apresentação dos mesmos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU COM INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA. A luz do art. 106 do CTN, às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplicase a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica ao contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação. Assim, deve ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.15835/2001, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/2012, afastandose os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/91, que comina pena mais severa ao Contribuinte que apresentou arquivo magnético com incorreção nas informações ou perdeu o prazo para apresentação dos mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 19 25 /2 01 3- 44 Fl. 11269DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.270 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3201001.954, de 09 de dezembro de 2015 (fls. 10451 a 10467 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado face ao Contribuinte, totalizando o crédito tributário de R$ 58.815.102,22. Segundo a descrição dos fatos e o relatório fiscal constantes no processo, foi infligida a multa regulamentar de que tratam os artigos 11 e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, e o art. 504, inciso II, do RIPI/2002, pela prestação incorreta, em arquivos magnéticos (art. 318), de informações solicitadas: 5% sobre o valor da operação informada incorretamente, limitada a multa a 1% do montante da receita bruta no período. A fiscalização relata que no curso da fiscalização das obrigações relativas ao IPI, o Contribuinte foi intimado a disponibilizar os arquivos digitais referentes ao ano de 2008. Várias intimações fiscais foram expedidas ao longo do procedimento. Após prorrogação de prazo pleiteado e concedido, e de apresentação de arquivos para os quais a Fl. 11270DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.271 3 fiscalização reintimou o Contribuinte a apresentar novos arquivos por inconsistências e erros encontrados, o Contribuinte apresentou em 30/08/2012, arquivo magnético, o qual ainda apresentou erros e incorreções O Contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese, que: o auto de infração é nulo porque não havia Mandado de Procedimento Fiscal – MPF específico para a avaliação da regularidade dos arquivos digitais; a atribuição dada à fiscalização estava restrita à revisão da regular apuração e recolhimento do IPI; as operações escrituradas pela impugnante até cinco anos antes da intimação da exação não poderiam ter sido objeto de avaliação e lançamento por meio de autuação promovida em 13/12/2013, haja vista o transcurso do prazo decadencial; a exigência é improcedente porque não foi concedido o prazo de 45 dias para disponibilização dos arquivos digitais estabelecido pela Lei nº 12.766/2012; em razão de a sanção prevista no inciso II ser passível de aplicação somente após o Fisco identificar as transações omitidas ou incorretamente registradas e conceder prazo ao sujeito passivo para que as apresente corretamente, a inobservância do rito pela fiscalização enseja a declaração de insubsistência da exigência; estava dispensada de preencher o arquivo relacionado aos créditos de IPI por ter transmitido ao fisco a sua Escrituração Contábil Digital – ECD, conforme consta no art. 6º das INs SRF nº 787/2007 e nº 1.420/2013; não é possível a imputação de sanção por erro no preenchimento do campo “Unidade” do arquivo de notas fiscais de entrada e saída, pois a alimentação do campo é opcional, tanto assim que a ausência de seu preenchimento não impediu a validação do arquivo no sistema de dados da Receita Federal; eventual imprecisão na indicação dos campos “Código de Mercadoria /Serviço”, “Código da Mercadoria/Produto/Insumo/Serviço”, “Descrição” e “Descrição Complementar” não impediu o Fisco de auditar as operações objeto das notas fiscais que enumerou. A 12ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Fl. 11271DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.272 4 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito deu provimento parcial ao recurso para aplicar a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, afastando a aplicação da multa do art. 12, II da Lei nº 8.218/91 e aplicar a multa prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835/2001, com a redação da Lei nº 12.766, de 0,2% (dois décimos por cento) sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega dos arquivos digitais, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/2008 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. EXAME. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública fiscalizar os arquivos magnéticos é o prazo previsto no art. 173 do CTN, extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. FATO GERADOR ANTERIOR À 24/10/2013. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 57, III DA MP 2.15835/2001, EM ATENDIMENTO A Fl. 11272DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.273 5 RETROATIVIDADE BENÍGNA DO ART. 106 DO CTN. PARECER RFB Nº 3/2013. PARECER COSIT Nº 3/2015. Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital para o ano de 2008, mas apresentou a escrituração com omissões e/ou incorreções, devese aplicar a penalidade prescrita no art.57, III, da art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012. A multa prevista para a apresentação de arquivos digitais com erros e/ou inconsistências para os fatos geradores até a data de 24/10/2013 é aquela prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012 por ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Esta posição consta do item 4.4 do Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN. Posição confirmada no item 6 do Parecer COSIT nº 3/2015. Recurso Voluntário Parcialmente Provido A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 10469 a 10494) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito quanto à aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para afastar a aplicação da multa do art. 12, II da Lei nº 8.218/91 e aplicar a multa prevista no art. 57, III, da MP nº 2.158 35/2001, com a redação da Lei nº 12.766, de 0,2% (dois décimos por cento) sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega dos arquivos digitais. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 1302001.218 e 1302 001.272. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 10496 a 10502. Fl. 11273DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.274 6 O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 10543 a 10556, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial e que seja mantido o v. acórdão. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 10562 a 10583) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte foi em razão das seguintes matérias: 1 forma de contagem da decadência para obrigações acessórias; 2 necessidade de intimação para esclarecimentos e regularização dos arquivos magnéticos; e 3 aplicação de multa regulamentar pela entrega de arquivos digitais com omissões e/ou incorreções. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada em relação à primeira matéria, o Contribuinte trouxe como paradigma o acórdão de número 2403 001.173; referente a segunda matéria indicou como paradigmas os acórdãos de números 1301001.188 e 1402001.331; e em relação à terceira matéria, o recorrente trouxe como paradigmas os acórdãos 3402002.226 e 1101001.235. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documentos de fls. 10587 a 10669. O Recurso Especial do Contribuinte foi parcialmente admitido, conforme despacho de fls. 10676 a 10685, sob o argumento que somente sobre a primeira matéria foi apresentada a divergência jurisprudencial apontada. Desta forma, não restou comprovada a divergência jurisprudencial referente a segunda e terceira matéria apontada pelo Contribuinte. Inconformado com a decisão que admitiu parcialmente o Recurso Especial, o Contribuinte interpôs agravo às fls. 10705 a 10711, sendo que estes foram rejeitados nos termos do despacho de fls. 10717 a 10720. O Contribuinte protocolou petição (fls. 10727 e 10728) em que manifesta a desistência parcial do processo administrativo em questão, tendo em vista opção pelo parcelamento dos débitos em questão nos termos do Programa Especial de Regularização Tributária (PERT). Fl. 11274DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.275 7 É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Do Recurso da Fazenda Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 486 a 489, pois, o acórdão recorrido decidiu por aplicar o entendimento descrito ato da SRF, Parecer Cosit nº 3, de 28 de agosto de 2015, que estipula, para infrações que tenham fato gerador até a data de 24/10/2013, a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para afastar a aplicação da multa do art. 12, II da Lei nº 8.218/91 e aplicar a multa prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835/2001, com a redação da Lei nº 12.766/2012, de 0,2% (dois décimos por cento) sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega dos arquivos digitais. Neste sentido, deu provimento parcial ao recurso voluntário. Por sua vez, o segundo acórdão paradigma, ao abordar situação bastante similar, decidiu de forma oposta, negando provimento ao recurso voluntário, e rejeitando a tese da aplicação da retroatividade benigna, do art. 106 do CTN. No caso, o fundamento aplicado foi o de que o art. 57 da MP 2.15835/01, com redação dada pelo art. 8º da Lei 12.766/12, só se aplicaria para o descumprimento de obrigações acessórias instituídas pela Receita Federal com base na competência que lhe fora outorgada pelo art. 16 da Lei 9.779/99. Diante disto, entendo que o Recurso especial da Fazenda Nacional deve ser admitido. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre à possibilidade de retroação da legislação menos severa em termos de penalidade. Fl. 11275DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.276 8 O feito foi assim julgado pela turma ordinária em janeiro de 2016, em que os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso do Contribuinte, in verbis: ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O Auto de Infração que formaliza a exigência de penalidade decorrente da conduta de perda do prazo para apresentação de arquivos digitais, fundamentado no artigo 12, III, da Lei nº 8.218, de 1991, em atenção ao previsto no artigo 106, II, do CTN, deve ser recalculado na forma prevista pelo art. 57, I, da MP nº 2.15835, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012. Entendo que a luz do art. 106 do CTN, devese afastar a aplicabilidade da norma jurídica posterior desfavorável ao Contribuinte, devendo ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.15835/01, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/12 e posteriormente alterado pela Lei n.º 12.873/13, afastandose os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/1991, que comina pena mais severa ao Contribuinte, pelos seguintes motivos: Antes mesmo de adentrar no mérito, vale ressaltar que analisando a justificativa da Medida Provisória n.º 575/12, para introduzir o artigo 8º a Lei n.º 12.766/12 e que teve origem na Emenda n.º 65, foi a seguinte: “A emenda ora apresentada visa aperfeiçoar algumas penalidades previstas na legislação tributária, tornando as mais razoáveis e suprimindo lacuna ainda existente. Verificase que um dos objetivos buscados é o de que a aplicação das sanções tributárias leve em consideração o porte do contribuinte e garanta um tratamento mais equânime e justo a todos.” E mais, na justificativa constante no Parecer Final, com a redação alterada da Emenda n.º 65, e que figurava como art. 9º do Projeto de Lei de conversão da Medida Provisória n.º 575/12, era: Fl. 11276DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.277 9 “Quanto à primeira alteração, é preciso reduzir o desarrazoado valor de R$ 5.000,00 ao mês hoje exigido das pessoas jurídicas, qualquer que seja seu porte, que entreguem com atraso declaração, demonstrativo ou escrituração digital cuja criação foi delegada à RFB pelo art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. A redação proposta ao art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, aperfeiçoada pela Emenda nº 65, conforma os valores da multa ao princípio da proporcionalidade.” Agora adentro no mérito, o auto de infração teve por base a Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, que assim dispõe: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1ºA Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: Fl. 11277DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.278 10 I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo Auditor Fiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (grifos meus) A imposição de penalidade no âmbito do direito tributário está pautada pela regra da tipicidade cerrada. A multa imposta pela Fiscalização ao Contribuinte tem como fundamento a falta ou atraso na entrega dos arquivos: “não cumprir o prazo estabelecido para apresentação de arquivos e sistemas” ou, em termos mais simples, apresentar fora do prazo, em atraso, as informações pretendidas. Fl. 11278DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.279 11 As penalidades por falta de apresentação de arquivos digitais sofreu significativa alteração com a edição da Lei n.º 12.766/12, que alterou o art. 57 da Medida Provisória n.º 2.15835/01 e posteriormente com a edição da Lei n.º 12.873/13, que promoveu nova alteração no art 57 da MP 2.15835/01. Este artigo tratava de penalidades aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias e não tratava até o advindo destas alterações, penalidades por problemas na apresentação de arquivos em meio magnético. Entretanto, com as alterações promovidas pela Lei n.º 12.766/12 foram incluídos penalidades a serem aplicadas em razão da não apresentação da escrituração digital. Segue a transcrição do art. 57 da Medida Provisória n.º 2.15835/01 com suas devidas alterações: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar Fl. 11279DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.280 12 esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) Fl. 11280DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.281 13 dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) Fl. 11281DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.282 14 § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) O art. 16 da Lei nº 9.779/99 referido na norma dispõe que: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” Verificase que o regime jurídico das penalidades aplicadas por descumprimento de obrigação tributária acessória foi sensivelmente alterado. Até então, antes da edição da Lei n.º 12.766/12, não geravam conflitos ou dúvidas quanto a sua aplicabilidade em relação aos do art. 11 e 12 da Lei no. 8.218/91. Todavia após a nova redação dada pela Lei n.º 12.766/12 passou a gerar dúvidas no âmbito da RFB. Diante disto, foi publicado o Parecer Normativo RFB n.º 3, de 10 de junho de 2013 que cuidou de analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01, dada pela Lei n.º 12.766/12, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário, e assim concluiu: “"4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. 11 e 12 da Lei n.º Fl. 11282DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.283 15 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991; 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei n.º12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de Fl. 11283DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.284 16 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN).” (grifei) (...) Conclusão 10. Em conclusão: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, motivo pelo qual continua em vigência; c) A comprovação da ocorrência do aspecto material da multa dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, deve ser feita de forma inequívoca. A simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. O mero indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, em respeito ao art. 112, inciso II, do CTN; (...) n) A multa nova mais benéfica retroage para alcançar atos não definitivamente julgados, nos termos do art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. o) A multa de que trata o inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, é por atraso na entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Não bastasse, notese que a distinção das tipificações efetuada pelo Parecer Normativo RFB nº 3/13, conforme analisado acima, deixou de ter sentido com a publicação, Fl. 11284DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.285 17 em 24 de outubro de 2013, da Lei n.º 12.873/13, a qual alterou novamente a redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Veja se: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013)” Com o advento da referida Lei n.º 12.873/2013, o tipo a ser penalizado não é mais “deixar de apresentar”, mas “deixar de cumprir as obrigações acessórias”, a qual é uma tipificação mais ampla do que a anterior. Após a publicação da Lei n.º 12.873/2013, a Receita Federal enfrentou novamente a matéria no Parecer Cosit nº 3, de 28 de agosto de 2015, em que foram discutidas as questões aqui colocadas, especificamente as penalidades referentes a escrituração digital. Transcrevo abaixo trecho do Parecer que esclarece a penalidade a ser aplicada para os fatos geradores anteriores a edição da Lei nº 12.766/2012. "6. Dessa forma, sem prejuízo da aplicação do entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, com observância do princípio “tempus regit actum” (art. 6º do Decreto Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro Lindb), e sem olvidar a aplicação do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, devem ser feitas as seguintes considerações em decorrência da nova redação do Fl. 11285DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.286 18 art. 57 da Medida Provisória (MP) nº2.15835, de 2001, tendose em vista, ainda, a atualização de várias normas infralegais já adotadas pela Receita Federal do Brasil, em consonância com esta mais recente alteração legal: (...) 7. Em conclusão: a) Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; Verificase que a Posição do Parecer COSIT nº 3/2015 caminhou no sentido de manter as posições definidas no Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN, em razão da multa prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012 ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Não há que se distinguir, a conduta de “deixar de apresentar” e a conduta de “não manter os arquivos”, para fins de aplicação da retroatividade benigna, pois a tipificação dada pela Lei n.º 12.783/2013 é “deixar e cumprir as obrigações acessórias”, o que incluiu tanto a conduta de não apresentar os documentos, quanto a conduta de não manter os arquivos à disposição. Também não há como se distinguir as obrigações acessórias de que tratam o art. 16 da Lei n.º 9.779/99 da escrituração digital (arquivos magnéticos) objeto de regulamentação pela Lei n.º 8.218/91. É incontroverso que a realização e manutenção de escrituração digital são espécies do gênero “obrigações acessórias”, cuja base legal é o citado art. 16 da Lei nº 9.779/99. Tratase de entendimento positivado pelo próprio legislador federal, por meio da citada Lei n.º 12.766/12, que alterou o art. 57 da Medida Provisória n.º 215835/01. Fl. 11286DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.287 19 Vale ainda citar a Solução de consulta interna Cosit nº 14, de 05 de julho de 2012, que tem o entendimento que devese aplicar a retroatividade benigna nos caso de penalidade menos severa, senão vejamos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. LEI NOVA, PENALIDADES MENOS SEVERA, ACORDO DE PARCELAMENTO DE DÉBITO CELEBRADO ANTES DE SUA EDIÇÃO. APLICABILIDADE, EXCETO EM RELAÇÃO A CRÉDITO EXTINTO PELO PAGAMENTO DE PARCELAS. Lei nova que comine penalidade menos severa do que a aplicada a débito tributário objeto de parcelamento aplicase a acordos celebrados antes de sua edição, por força do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. Lei nova que comine penalidade menos severa do que a aplicada a débito tributário objeto de parcelamento não se aplica às parcelas já liquidadas, porquanto extinto, ainda que parcialmente, o crédito tributário a elas correspondente, por força do art. 156, I, do CTN. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional. Esse mesmo entendimento vem sendo adotado pelos Tribunais Superiores, como se observa dos julgados assim sintetizados: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. MULTA. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA COM ATRASO. ARTIGO 57 DA MP 2.15835/2001. RETROATIVIDADE. LEI MAIS BENIGNA. LEI Nº 12.766/2012. APLICABILIDADE 1. O artigo 57 da MP nº 2.15835/2001 previu a aplicação da multa de R$ 5.000,00 para a hipótese de informações ou esclarecimentos que devam ser fornecidos no prazo estabelecido, incidindo para cada mês/calendário omitido. A multa aplicada no caso deveria limitarse ao valor de R$ 5.000,00, não podendo esse valor incidir para cada mês de atraso, porque tal interpretação, além de não encontrar respaldo semântico ou sistemático, vai de encontro ao art. 112 do CTN. 2. O Fl. 11287DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.288 20 artigo 106 do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. multa reduzida para R$1.500,00, nos termos da Lei nº 12.766/2012 (art. 8º). (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL Nº 500124079.2013.404.7001, 2ª TURMA, Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, POR UNANIMIDADE, JUNTADO AOS AUTOS EM 17/02/2014) "TRIBUTÁRIO REDUÇÃO DA MULTA EXECUÇÃO FISCAL NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADA APLICABILIDADE. O artigo 106 do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Recurso provido." (Resp 243188/RS, Relator Ministro Garcia Vieira, DJ de 24042000, p. 41). "TRIBUTÁRIO ART. 106, II, "C", DO CTN RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE POSSIBILIDADE. O CTN, por ter status de Lei Complementar, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal presente no art. 35, da Lei 8.212/91, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 60% para 40%. A redução aplicase aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado na Lei (art. 106, CTN), na jurisprudência predominante e na doutrina. O Superior Tribunal de Justiça tem afirmado a possibilidade de retroatividade de lei que beneficia o contribuinte. Precedentes. Recurso não conhecido." (Resp 330967/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJ de 04/03/2002, p.198). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. DIFPAPEL IMUNE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. NORMA Fl. 11288DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.289 21 TRIBUTÁRIA SUPERVENIENTE DE CARÁTER PUNITIVO, PORÉM MAIS BENIGNA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II É pacífico nesta Corte o entendimento segundo o qual a superveniência de lei tributária punitiva mais benéfica retroage para alcançar fatos pretéritos, a teor do disposto no art. 106 do CTN, posicionamento esse aplicável ao inadimplemento de obrigação acessória (DIFPapel Imune). Precedentes. III A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV Agravo Interno improvido. (AgInt nos EDcl no REsp 1371305/MG, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/10/2016, DJe 25/10/2016) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA. PERCENTUAL. ARTS. 35 DA LEI N. 8.212/91, E 35A, INCLUÍDO PELA LEI N. 11.941/09. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR ESTABELECENDO PENALIDADE MAIS GRAVOSA. APLICAÇÃO DA DISPOSIÇÃO LEGAL ANTERIOR, MAIS BENÉFICA, A TEOR DO DISPOSTO NO ART. 106, II, C, DO CTN. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. II In casu, controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212/91 pela Lei n. 11.941/09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma Fl. 11289DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.290 22 normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430/96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). III Esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212/91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. Precedentes. IV Recurso Especial provido. (REsp 1585929/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 26/04/2016) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ATO DEFINITIVAMENTE JULGADO. ARTS. 111 DO CTN E 515 DO CPC. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. ART. 106, II, DO CTN. LEI BENÉFICA. RETROATIVIDADE NA ESFERA JUDICIAL. 1. Não se conhece da suposta violação quando o recorrente indica o dispositivo legal que teria sido vulnerado sem fundamentar a irresignação. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não se considera ato definitivamente julgado a cobrança do tributo impugnada por embargos à execução. 3. A expressão "ato definitivamente julgado" constante do inciso II do art. 106 não se limita à esfera administrativa, alcança os atos assim considerados no âmbito judicial. Precedentes: REsp 218.895/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 11.10.1999; Resp 183.994/SP, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 15.05.2000; REsp 216.912/RS, Rel. Min. MiltonLuiz Pereira, DJ 25.03.2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (Resp 981.251/RS, Rel. Ministro Castro Meira, DJ 08/11/2007). TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO. LEI MAIS BENIGNA. A expressão "ato não definitivamente julgado" constante do artigo 106, II, letra "c", do Código Tributário Nacional alcança o âmbito administrativo e também o Fl. 11290DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.291 23 judicial; constitui, portanto, ato não definitivamente julgado o lançamento fiscal impugnado por meio de embargos do devedor em execução fiscal. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, conhecendo se do recurso especial e dandolhe provimento. (EDcl no REsp 181878/RS, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/02/1999, DJ 22/03/1999, p. 176) O CARF ao analisar a questão tem decidido que o art. 57, II da Medida Provisória nº 2.15835/01 deve ser aplicado retroativamente, por força do art. 106, II do CTN. Vejase: Acórdão nº 1103000.844 “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado, quanto ao anocalendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais).” (grifei) Acórdão nº 1102001.106 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital, mas deixou de apresentar à fiscalização o arquivo magnético solicitado, devese aplicar a penalidade prescrita no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/ 01. é de Fl. 11291DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.292 24 aplicar a multa prevista no não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INTELIGÊNCIA DO ART. 106, II, “c”, do CTN . Por força do art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicasse retroativamente o disposto no art.57 da Lei nº 12.873, de 2013, para aplicar a multa de R$ 500,00 por mêscalendário do exercício fiscalizado de 2007, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais. Acórdão nº 1102001.281 Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 Ementa: DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Rejeitase preliminar de decisão de primeira instância que enfrenta todos os argumentos de defesa aduzidos pelo contribuinte. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não é nulo o lançamento que atende aos requisitos formais previstos na legislação de regência. MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.873/13, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Recurso voluntário provido em parte Acórdão nº 1801002.193 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2009, 2010 DIMOB. APLICAÇÃO ALTERAÇÕES LEI Nº 12.766/12. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Fl. 11292DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.293 25 A lei aplicasse a ato ou fato pretérito, em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (artigo 106, inciso II, alínea 'c', do CTN). Acórdão nº 1802002.179 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006, 2007 MULTA PECUNIÁRIA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS DIMOB. INFRAÇÃO FORMAL. MATRIZ LEGAL DA PENALIDADE MP N° 2.15835/ 2001 (ART. 57, I). REDUÇÃO DA PENALIDADE PELA LEI Nº 12.766/2012 (ART. 8º). RETROATIVIDADE BENÍGNA. A multa pecuniária aplicada em concreto, por descumprimento de prazo atinente à Dimob, está prevista, cominada, no art. 57, I, da MP 2.15835/ 2001. Redução da multa por lei ulterior ao lançamento fiscal e tratandose de ato administrativo ainda não definitivamente julgado, aplicase a lex mitior, inteligência do art. 106, II, “c”, do CTN (princípio da retroatividade da lei superveniente que comina penalidade mais branda para a infração apenada). Acórdão nº 3201001.954 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/2008 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. EXAME. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública fiscalizar os arquivos magnéticos é o prazo previsto no art. 173 do CTN , extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Fl. 11293DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.294 26 A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. FATO GERADOR ANTERIOR À 24/10/2013. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 57, III DA MP 2.15835/ 2001, EM ATENDIMENTO A RETROATIVIDADE BENÍGNA DO ART. 106 DO CTN. PARECER RFB Nº 3/2013. PARECER COSIT Nº 3/2015. Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital para o ano de 2008, mas apresentou a escrituração com omissões e/ou incorreções, devese aplicar a penalidade prescrita no art.57, III, da art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012. A multa prevista para a apresentação de arquivos digitais com erros e/ou inconsistências para os fatos geradores até a data de 24/10/2013 é aquela prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012 por ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Esta posição consta do item 4.4 do Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN. Posição confirmada no item 6 do Parecer COSIT nº 3/2015. Acórdão nº 1201001.419 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARQUIVOS DIGITAIS. ATRASO NA APRESENTAÇÃO. MULTA Fl. 11294DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.295 27 REGULAMENTAR. RETROATIVIDADE BENIGNA. A teor do disposto no art. 106, II, "c", do CTN, deve ser aplicada retroativamente a multa estabelecida no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, por ser mais benéfica do que aquela imposta com base no art. 12, III, da Lei nº 8.218/1991 para a mesma situação jurídica, qual seja, a apresentação em atraso de arquivos em meio digital. Processo nº 10314.728318/201563 Acórdão nº 1201001.922 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2015 MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, aplicase retroativamente o disposto no art. 57, I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, com a redação conferida pelo art. 8º da Lei nº 12.766, de27 de dezembro de 2012, devido ao atraso na entrega de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Acórdão nº 1201001.418 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. MULTA REGULAMENTAR. ART 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, "c", DO CTN. Por instituir penalidade menos gravosa do que aquela estabelecida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.873/2013, retroage para regular os ilícitos praticados pelo sujeito passivo durante a vigência da lei antiga. Ademais, vale ressaltar que o Contribuinte tinha os arquivos digitais e os mantinham a disposição do fisco, mas apenas atrasou na entrega dos mesmos. Fl. 11295DF CARF MF Processo nº 10860.721925/201344 Acórdão n.º 9303007.160 CSRFT3 Fl. 11.296 28 Assim considerando que a multa anteriormente lançada, prevista no inciso III do art. 12 da Lei nº. 8.218/91 é mais gravosa que a nova multa prevista no art. 57, II, da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, com redação dada pela Lei n.º 12.766/12 e Lei nº 12.873/12, deve esta (nova multa) ser aplicada ao presente processo, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 11296DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720010/2011-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há nulidade quando a decisão apresenta motivação e a contribuinte dela recorre detalhadamente, demonstrando não ter havido qualquer prejuízo à recorrente ou influência na solução do litígio.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS.
A pessoa jurídica que é constituída por interpostas pessoas, encobrindo quem são os verdadeiros sócios, não tem o direito de permanecer inscrita no regime do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade quando a decisão apresenta motivação e a contribuinte dela recorre detalhadamente, demonstrando não ter havido qualquer prejuízo à recorrente ou influência na solução do litígio. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS. A pessoa jurídica que é constituída por interpostas pessoas, encobrindo quem são os verdadeiros sócios, não tem o direito de permanecer inscrita no regime do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 10 /2 01 1- 12 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15956.720010/201112 Acórdão n.º 1003000.042 S1C0T3 Fl. 89 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo nº 62, de 28 de março de 2011, da DRF Ribeirão Preto SP, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 12/09/2008, com fundamento na disposição contida no inciso IV do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista sua constituição através de interpostas pessoas. A exclusão decorre de procedimentos fiscais concomitantes na recorrente e em mais duas empresas nas quais a autoridade fiscal constatou haver coincidências e conexões relativas à atividade econômica, composição societária, localização, funcionamento, constituição de representantes e vínculos empregatícios, levando à conclusão de que a fiscalizada foi constituída através de interpostas pessoas com a finalidade de reduzir os encargos previdenciários da empresa SERGERAL INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA, conforme minuciosamente relatado na "Representação Fiscal Desenquadramento do 'Simples'" constante do presente processo. A recorrente, inicialmente e ao final, protesta pela sustentação oral de suas razões, com prévia intimação do advogado informando a data em que se realizará o julgamento; pede que todas as intimações e/ou notificações sejam feitas exclusivamente ao advogado que nomeia, "sob pena de nulidade", conforme jurisprudência que menciona e, em síntese, alega: I Que a exclusão se apóia [na Representação Fiscal contida] no presente processo [às folhas 03 a 12], que a acusa de ser mera simulação empresarial, com finalidade de reduzir encargos previdenciários da empresa SERGERAL INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA, o que não é verdade; II Que os elementos em que se embasa a fiscalização, como composição de quadro societário, localização, procurações e mão de obra, por si sós não podem levar a tal conclusão; III Que requereu, e requer, suspensão dos efeitos até a decisão administrativa definitiva (CTN, art. 151, III e art. 4º, § 3º e § 3ºA da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007) e o cancelamento do referido ADE, já que o trabalho fiscal foi eivado de nulidade, "pois se embasou única e exclusivamente em análises e intromissões dos fatos da vida privada, extraindo conclusões que não deveriam ser realizadas pelos agentes administrativos, por se tratarem de meras presunções e indevidas modificações da realidade apresentada", desrespeitando o princípio da entidade e a autonomia inerentes às pessoas jurídicas, concluindo por meio de provas indiretas pela simulação por interposta pessoa, excluindo a contribuinte do Simples Nacional; IV Que, preliminarmente, a decisão proferida pela 2ª Turma DRJ/BEL restringiuse a reproduzir fielmente os termos apresentados pela fiscalização e os explanados pela manifestação de conformidade [no relatório], não existindo qualquer análise ou fundamentação quanto aos elementos que configuram o objeto do ADE em discussão, "constituição por interposta pessoa", traduzindo, pois, hipótese de nulidade da decisão e culminando com a respectiva invalidação do referido ADE, pois, na decisão ora recorrida, não Fl. 89DF CARF MF Processo nº 15956.720010/201112 Acórdão n.º 1003000.042 S1C0T3 Fl. 90 3 houve manifestação sobre as questões fáticas e jurídicas arguídas na defesa, tendo havido uma afronta à sistemática do processo adminstrativo e à função do duplo grau de jurisdição, de garantir o contraditório e a ampla defesa insculpidos no art. 5º, LV, da CF/88, respeitando o princípio da motivação das decisões e dos atos administrativos, constante do art. 93, X, da CF, bem como do art. 2º, caput e § único, inciso VII e art. 50, § 1ºA da Lei nº 9.784/1999 ; V Que não ocorreu a simulação por interposta pessoa, sendo a recorrente independente em relação à empresa SERGERAL INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA, pois, se houvesse realmente a simulação de vontade na constituição das citadas empresas, seria ilógico e até estúpido o fato de serem formadas apenas por parentes, em localidades próximas e com a outorga de procuração entre eles, visto que todos os atos são de conhecimento público e, por isto, de fácil constatação pelo fisco; valeriase de um "laranja" ou "testa de ferro" para encobrir os reais destinatários de direito, o que não ocorre no caso concreto, visto que, na realidade, a família resolveu se dividir para explorar atividades complementares, sendo os próprios sócios os que adquirem e exercem os direitos emanados do cumprimento dos respectivos objetos sociais; VI Que o fato de haver parentesco entre os sócios das duas empresas e ambas se situarem em localidades próximas não podem levar à suposição fiscal de que formam uma única pessoa jurídica, em respeito ao princípio da entidade; VII Que as atividades das duas empresas não são idênticas, nem o objeto social (citando extrato da Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP de teor distinto, no que se refere à VM, ao do contrato social constante dos autos, que estaria anexo ao processo ou ao recurso, mas ali não se encontra), apesar de atuarem no mesmo mercado, sendo que a SERGERAL atua em grandes obras e industrialização/comércio de máquinas e equipamentos pesados, enquanto a VM, ora recorrente, realiza pequenos serviços, venda de bens e equipamentos menores, tendo a família se separado para realizar atividades complementares, explorando independentemente duas atividades conexas; VIII Que não há qualquer impedimento legal à indicação mútua de mão de obra entre as duas empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Inicialmente, em relação ao requerimento da recorrente para suspensão dos efeitos do ADE até a decisão administrativa definitiva, com fundamento no art. 151, III do CTN e art. 4º, § 3º e § 3ºA da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, cabe registrar que a instauração do contencioso administrativo, de fato, suspende os efeitos da exclusão do Simples Nacional, bem como da exigibilidade dos créditos tributários eventualmente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 15956.720010/201112 Acórdão n.º 1003000.042 S1C0T3 Fl. 91 4 constituídos. O § 3ºA da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, aplicável aos fatos, à época, e com base no art. 39 da LC nº 123, de 2006, diz que, na hipótese de a ME ou EPP impugnar o ADE, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, observandose, quanto aos efeitos da exclusão, o disposto em seu art. 6º, que elenca os períodos de exclusão que constam dos próprios ADE. Em outras palavras, determina que os efeitos da exclusão se produzem imediatamente à publicação do Ato, relativamente aos períodos ali mencionados, mas ficam condicionados, para se tornarem efetivos, à decisão administrativa definitiva desfavorável à contribuinte. Isto inclui o direito da Fazenda de lançar de ofício eventuais valores decorrentes da exclusão (objeto, relativamente ao Simples Federal, da Súmula CARF nº 77: "A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão."), os quais, na hipótese de instauração do contencioso administrativo a esta relativo, terão sua exigibilidade suspensa até que se torne definitiva a decisão administrativa que a mantém. Este entendimento é corroborado pela SCI Cosit nº 18, de 30 de julho de 2014: Solução de Consulta Interna nº 18 Cosit Data 30 de julho de 2014 Origem DRF/DIVINOPÓLIS Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: Com base no art. 39 da Lei Complementar (LC) nº 123, de 14 de dezembro de 2006, a manifestação de inconformidade interposta em âmbito federal contra a exclusão do Simples Nacional se enquadra no conceito de recurso administrativo admissível pelas leis reguladoras do processo tributário administrativo a que se refere o inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional(CTN). Nos termos do § 3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional tem efeito suspensivo, razão pela qual o lançamento de ofício que teve tal ato de exclusão como premissa necessária terá caráter preventivo, e, portanto, estará com a exigibilidade suspensa. Dispositivos Legais: art. 151, inciso III, do CTN; art. 39 da LC nº 123, de 2006; art. 75, § 3º do da RCGSN nº 94, de 2011. Quanto às alegações de nulidade, cabe lembrar que, no âmbito do PAF, conforme seus art. 59 a 61, são nulas as decisões proferidas por pessoa incompetente, ou com preterição do direito de defesa, sendo que irregularidades, incorreções e omissões que nestes motivos não se enquadrem sequer serão objeto de saneamento, quando não influírem na solução do litígio. No que se refere ao procedimento fiscal que ensejou a exclusão, não se vislumbra que qualquer dos fatos alegados pala contribuinte se relacione com as mencionadas hipóteses legais. Em relação à decisão de primeira instância, embora se mostre excessivamente concisa, deixando de analisar questões periféricas, entendo que não careceu de motivação, já que mencionou dois indícios apontados pela fiscalização como caracterizadores da ocorrência da hipótese legal de exclusão. Tampouco houve preterição do direito de defesa, já que foram Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15956.720010/201112 Acórdão n.º 1003000.042 S1C0T3 Fl. 92 5 apontados os fatos que embasaram a decisão, e a contribuinte deles defendeuse detalhadamente, repetindo no recurso voluntário o os argumentos da manifestação de inconformidade, não tendo havido qualquer prejuízo à recorrente ou influência na solução do litígio. Considerar nula a decisão de primeira instância apenas prorrogaria o já extenso tempo de trâmite do contencioso, sem qualquer benefício concreto à interessada. Desta forma, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, observase que o AuditorFiscal responsável pelo procedimento fiscal que culminou na representação para exclusão do Simples Nacional, para embasar sua conclusão de que a contribuinte e a empresa SERGERAL constituiriam, de fato, uma única unidade empresarial, relatou fatos concernentes a coincidências e conexões relativas à atividade econômica das empresas fiscalizadas, sua composição societária, localização, funcionamento, constituição de representantes e vínculos empregatícios, os quais, em nenhum momento, foram contestados pela recorrente, que argumenta no sentido de afastar a consideração de tais fatos como indícios da unicidade alegada pela fiscalização. Em primeiro lugar, a recorrente alega que as atividades econômicas das empresas objeto da fiscalização que ensejou a exclusão não são idênticas, nem seu objeto social, mas cita extrato da Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP que traria tal informação, mas que não consta do processo. O contrato social da recorrente, constante dos autos, menciona o objeto social como “comércio de produtos siderúrgicos, instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico e a prestação de serviços em geral”, o mesmo objeto da empresa SERGERAL conforme a Representação Fiscal, o que não foi contestado pela recorrente. Os vários indícios ou circunstâncias apontados pela fiscalização são rechaçados pela contribuinte como insuficientes para caracterizar a infração apontada. De fato, isoladamente, a existência de sócios pertencentes ao mesmo núcleo familiar, as atividades econômicas semelhantes, complementares ou até idênticas, a localização contígua ou a contratação mútua de empregados dispensados das outras empresas em questão não constituem, por si, infrações à lei. No entanto, o conjunto destas circunstâncias toma nova dimensão quando associado à existência de documentos de representação que alienaram o poder de comendo da recorrente para os sócios gerentes da SERGERAL, fato que, incontestavelmente, representa uma transferência de comando e revela a ausência da alegada autonomia mútua das empresas. Outra circunstância reveladora é o atendimento da fiscalização na sede da SERGERAL e por linha telefônica desta, por empregado registrado na VM, e o fornecimento, por este, da documentação referente à três empresas fiscalizadas. Desta forma, os elementos trazidos pela fiscalização, em conjunto, reforçam a percepção de que a existência autônoma da recorrente não se revela efetivo pelos fatos, não se vislumbrando outra razão para a separação formal entre as empresas que não reduzir a incidência de tributos, constituindo provas indiretas, as quais são típicas da constatação deste tipo de arranjo simulatório, no qual as operações se revestem de aparente legalidade, mas apresentam conexões que conduzem a um resultado que a norma busca evitar. Fica caracterizada, portanto, a constituição da empresa através de interpostas pessoas, tendo em vista todas as circunstâncias apontadas, e pelo fato dos verdadeiros comandantes da empresa, por procuração, não corresponderem aos sócios formais. Por fim, quanto ao protesto por sustentação oral e intimações dirigidas ao advogado, é importante informar à contribuinte que eventual sustentação oral deve ser Fl. 92DF CARF MF Processo nº 15956.720010/201112 Acórdão n.º 1003000.042 S1C0T3 Fl. 93 6 requerida nos moldes determinados pelo art. 61A, § 2º, do RICARF, e que as intimações se processarão de acordo com o previsto no art. 23 do PAF. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.001110/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT)
A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI.
Aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 20.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ.
A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Numero da decisão: 3201-004.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer: a) o direito ao crédito presumido de IPI tanto para produto industrializado no estabelecimento do contribuinte (saída no CFOP 7.11), quanto em estabelecimento de terceiro que recebeu matéria-prima para operação de industrialização por encomenda (saída no CFOP 7.12); b) o direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de matéria-prima (tabaco em folha) de pessoas físicas na industrialização de fumo picado; e, c) a incidência da Taxa Selic, sobre os créditos cujas glosas foram revertidas nesta instância de julgamento, somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento. E, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso quanto ao direito ao crédito presumido de IPI sobre o produto "fumo destalado" em lâminas, talos e scraps, classificado na TIPI, no ano de 2000, com a notação NT. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso também quanto a esta última matéria.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT) A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 20. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT) A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 20. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 11 10 /2 00 5- 11 Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 994 2 taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer: a) o direito ao crédito presumido de IPI tanto para produto industrializado no estabelecimento do contribuinte (saída no CFOP 7.11), quanto em estabelecimento de terceiro que recebeu matériaprima para operação de industrialização por encomenda (saída no CFOP 7.12); b) o direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de matériaprima (tabaco em folha) de pessoas físicas na industrialização de fumo picado; e, c) a incidência da Taxa Selic, sobre os créditos cujas glosas foram revertidas nesta instância de julgamento, somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento. E, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso quanto ao direito ao crédito presumido de IPI sobre o produto "fumo destalado" em lâminas, talos e scraps, classificado na TIPI, no ano de 2000, com a notação NT. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso também quanto a esta última matéria. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Fl. 994DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 995 3 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 3803000.147 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1022.160, da 3ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS,de 12 de novembro de 2009, fls. 315 a 319, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O estabelecimento acima identificado solicitou o ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, no valor de R$ 883.486,02, referente aos quatro trimestres de 2000, conforme pedido à fl. 1. Por meio do despacho decisório de fl. 285 a DRF/Santa Cruz do Sul, de 14 de fevereiro de 2007, não reconheceu o direito creditório, em face das verificações constantes no Termo de Verificação Fiscal, fls. 281 e 282, tendo sido nessa proposto pela auditoria o indeferimento integral do ressarcimento, em razão de ter a requerente exportado: a) fumos picados, tributados pelo IPI, mas em operações de simples revenda, sem ter submetido esses produtos a qualquer processo de industrialização; b) fumos destalados, em lâminas, talos e scraps, que eram produtos não tributados pelo referido imposto, na época, e entre estes produtos a inclusão indevida, na base de cálculo do benefício, de compras de insumos fornecidos por pessoas físicas, Em sua manifestação de inconformidade, fls. 288 a 310, a interessada alegou o que segue: a) o argumento da fiscalização, de que foi adquirido fumo fornecido por produtores rurais pessoas físicas, desfaz o outro argumento, de que houve simples revenda de fumo picado, sem qualquer industrialização, porquanto a matériaprima (fumo) passa por necessário processo de industrialização nas dependências do estabelecimento do requerente, e porque existe vedação de exportar fumo in natura, como o que é adquirido de produtores rurais pessoas físicas. b) exigir que a mercadoria exportada seja tributada pelo IPI, para fins de reconhecimento do crédito presumido, é requisito ilegal. c) a jurisprudência também é cristalina, quanto à necessidade de atualização do crédito presumido, pela taxa Selic, conforme outra série de ementas de acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes que cita e transcreve, no sentido de que o referido abono incide sobre as restituições, devendo também incidir sobre os ressarcimentos, que são uma espécie do gênero restituição; Colacionou ementas de acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que cita e transcreve, no sentido de que o exportador faz jus ao crédito presumido tanto em Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 996 4 relação às matériasprimas adquiridas de produtores rurais pessoas físicas, quanto de comerciantes atacadistas e de cooperativas, por não existir na lei exclusões a esse título. Transcreveu sobre o mesmo assunto excertos de decisões em favor da sua tese, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em processos movidos por terceiros. Afirmou, ainda, que o demonstrativo de Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOPs) não autoriza concluir que a exportação de fumo picado corresponde a simples revenda, porquanto houve operações sob os CF0Ps 7.11 (vendas da produção do estabelecimento) e 7.12 (vendas de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros), nos valores que indica. No caso das operações sob o CFOP 7.11, a industrialização era efetuada por outros estabelecimentos, por encomenda do interessado, as quais dão direito ao crédito presumido, conforme ementas de Soluções de Consulta da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal. A decisão de primeira instância restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. SIMPLES REVENDA DE PRODUTOS. EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO. A simples revenda, para o exterior, de mercadorias adquiridas de terceiros, sem que tenha sofrido qualquer processo de industrialização no estabelecimento requerente do crédito presumido, não está contemplada no incentivo fiscal. AQUISIÇÕES NÃO ADMITIDAS NO CÁLCULO. FORNECEDORES PESSOAS FÍSICAS. Matériaprima adquirida de pessoas físicas não gera direito ao crédito presumido do IPI. ABONO DE CORREÇÃO MONETÁRIA E DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Cientificada de decisão em 23 de novembro de 2009, irresignada, apresentou a interessada o recurso voluntário de fls. 322 a 341, em 03 de dezembro de 2009, em que reiterou os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 997 5 É o relatório. Submetido a julgamento, em Turma extinta deste CARF, na sessão de 13/02/2012, decidiu seus conselheiros em converter o julgamento em diligência por entender imperioso o saneamento da instrução processual, no tocante ao tópico "crédito presumido do IPI industrialização por encomenda". O relator fundamentou sua proposta conforme extraise de excerto de seu voto: (...) O LRAIPI, fls, 97 a 205, faz constar saídas para o mercado externo tanto nos CFOP 7.12 como no CFOP 7.11, embora os valores contabilizados não confiram, em todos os meses, e em sua totalização, com a discriminação da defesa, nem das notas fiscais discriminadas em sua planilha de fls. 57/65. Considerando que no dito livro fiscal também estão contabilizadas saídas de insumos para industrialização, entendo que há de haver saneamento da instrução, por meio de diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul: a) verifique a realidade da ocorrência da industrialização por encomenda; b) apure o crédito presumido de IPI, considerando na base de cálculo as matériasprimas e produtos intermediários adquiridos pela encomendante e remetidos para industrialização, incluindo as aquisições de pessoas físicas; c) dê ciência ao interessado do resultado da diligência, noticiandolhe do prazo legal para sua manifestação, após o que sejam os autos devolvidos a este Conselho. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima. A DRF em Santa Cruz do Sul/RS após solicitar e receber em atendimento às intimações as planilhas e notas fiscais elaborou Termo de Diligência Fiscal, de 22/08/2017 no qual presta informação quanto às três providências determinadas pela Turma. "a) verifique a realidade da ocorrência da industrialização por encomenda;" Constatou que no ano 2000 a contribuinte efetuou remessa de tabaco em folha para industrialização por encomenda a duas pessoas jurídicas. "b) apure o crédito presumido de IPI, considerando na base de cálculo as matériasprimas e produtos intermediários adquiridos pela encomendante e remetidos para industrialização, incluindo as aquisições de pessoas físicas;" Entendera que a apuração do crédito presumido deverá ser efetuado apenas após decisão definitiva do Carf. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 998 6 "c) dê ciência ao interessado do resultado da diligência, noticiandolhe do prazo legal para sua manifestação, após o que sejam os autos devolvidos a este Conselho." Entendera desnecessária em razão de inexistência de fato novo desconhecido pela contribuinte. Com essas informações, e a juntada dos documentos entregues pela contribuinte, o processo retornou ao CARF providenciandose nova redistribuição em razão da extinção da Turma em que se iniciou o julgamento. Decidiu esta Turma na sessão de 01/03/2018, acórdão nº 3201001.197, converter o julgamento em nova diligência para que tão somente a Unidade de Origem cientificasse a contribuinte do resultado da diligência anterior concedendolhe prazo para manifestação. A providência contida no item "b" (apuração do crédito presumido do IPI) foi considerada despicienda pois seu cumprimento seria, em certo ponto, uma antecipação do julgamento em fase de diligência. Por intermédia da Petição de folhas 985/986 a contribuinte deuse por ciente do conteúdo da diligência realizada pela Origem, sem acrescentar qualquer manifestação acerca de novos fatos Retornado os autos, pautado para julgamento nesta Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O recurso voluntário foi admitido na sessão de julgamento de 13/02/2012, na qual se atestaram os requisitos legais. Consta dos autos que o litígio versa sobre o ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei no 9.363/1996, referente aos trimestres de 2000, sendo as matérias suscitadas em recurso voluntário apresentadas nos tópicos: (i) Exportação de produtos NT (fumo destalado); (ii) Aquisições de fornecedores pessoas físicas (tabaco em folha); (iii) Revenda de produto industrializado por encomenda (fumo picado); e (iv) Aplicação da taxa Selic ao ressarcimento indeferido. Resumindo os fatos, temos: Depreendese do Termo de Verificação Fiscal, elaborado para fundamentar o despacho decisório denegatório do crédito presumido que consta do Pedido de Ressarcimento deste crédito (fl. 01) que a fiscalização firmou o entendimento de que o benefício alcança Fl. 998DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 999 7 apenas a empresa produtoraexportadora de produto que industrializa e seja tributado pelo IPI. Assim, estariam excluídos do benefício os produtos exportados cuja tributação fosse NT, os não industrializados pelo recorrente (operações de revenda) e as aquisições de fumo, com direito ao crédito, de pessoa física. A fiscalização conclui também pela análise das planilhas e notas fiscais apresentadas que todo o fumo picado exportado fora industrializado por terceiro e apenas revendido pela Brasfumo. Alega a recorrente que todo o fumo picado adquirido de produtor rural pessoa física é in natura, estado este em que é vedada a exportação, o que implica ter sofrido processo de industrialização anterior à exportação. A decisão recorrida decidiu que, à vista da legislação antes reproduzida, sendo o benefício instituído para a empresa produtora e exportadora, é necessário que o produto exportado tenha sido industrializado pela produtora e que se encontre dentro do campo dc incidência do IPI, condições indispensáveis para gerar direito ao crédito presumido. Exportação de produtos NÃO TRIBUTADO NT fumo destalado O fumo destalado em lâminas, talos e scraps, no ano de 2000, tinha classificação fiscal com a notação de "não tributado NT" na TIPI. Entende a recorrente que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 exige apenas dois requisitos para a fruição do benefício do crédito presumido, quais sejam, a condição de produtora e de exportadora, não demandando que o bem produzido seja tributado pelo IPI. De outra banda, corroborando o entendimento da fiscalização, para os julgadores a quo o benefício concedido à empresa produtora e exportadora tem por pressuposto a tributação da mercadoria exportada pelo IPI, excluindose, portanto, produtos com a notação "NÃO TRIBUTADO NT" na Tipi. Entendo que a razão está com a decisão recorrida. A expressão "produtor" confere ao bem produzido a qualidade de ser industrializado, como se verá dos textos legais. A Tipi classifica produtos para os quais não há incidência do IPI com a notação "NT" pela simples razão de não serem industrializados, ou seja, encontramse fora do campo de incidência do Imposto.. Os artigos 3º e 8º do Regulamento do IPI: Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1000 8 O art. 6º da Lei nº 10.451/2002: Art. 6o O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado) Por sua vez o art. 1º da Lei nº 9.363/96 somente autoriza a fruição do benefício nela previsto às empresas que satisfaçam, dentre outros requisitos, a qualidade de produtora e de exportadora. Produtor, à luz da legislação do IPI é o estabelecimento que executa operações de industrialização de que resulte produto tributado, com a exclusão daqueles qualificados como não tributado "NT". Fazme crer que o legislador não desejou conferir estímulos à exportação de produtos em sua natureza originária, in natura. O beneficiário do crédito presumido do IPI deve produzir bens sujeitos à incidência do IPI e exportálos, ainda que por intermédio de empresa comercial exportadora, para que lhes seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme estatuído na Lei nº 9.363/96. Trago à colação acórdão da CSRF julgado na sessão de 20/06/2017, acórdão nº 9303005.259, de relatoria do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, reproduzido na parte que interessa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI [...] Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos utilizados na exportação de produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. E ainda que tais fundamentos não se fizessem suficientes, o enunciado da Súmula CARF nº 20 não estabelece diferença entre a natureza de crédito, básico ou presumido, para asseverar a inexistência do direito ao crédito nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Dessa forma, com esses fundamentos não se concede o benefício do crédito presumido ao produto fumo destalado em lâminas, talos e scraps que no ano de 2000 era classificado na TIPI com a notação "não tributado NT". Crédito presumido do IPI industrialização por encomenda fumo picado Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1001 9 A fiscalização concluiu pela análise das planilhas e notas fiscais apresentadas que todo o fumo picado exportado fora industrializado por terceiro e apenas revendido pela Brasfumo. Alega a recorrente que todo o fumo picado adquirido de produtor rural pessoa física é in natura, natureza esta em que é vedada a exportação, o que implica ter sofrido processo de industrialização anterior à exportação. Esta dúvida prevaleceu até a interposição do recurso voluntário quando então a recorrente apontou que seus documentos e escrita anotavam exportação de produto industrializado no seu estabelecimento (CFOP 7.11) e também proveniente de industrialização em estabelecimento de terceiro, mediante encomenda (CFOP 7.12). O retorno da diligência demonstrou que houve remessa de matéria prima (tabaco em folha) para estabelecimentos de pessoa jurídica industrial e retorno de produto industrializado fumo picado. Segue trecho do relatório com tal constatação: 4. Em atendimento à intimação a contribuinte apresentou as planilhas de fls. 485 a 565, em que relaciona as notas fiscais referentes às remessas para industrialização por encomenda, e as de fls. 702 a 725, em que relaciona as notas fiscais de retorno da industrialização por encomenda. Apresentou também as notas fiscais dos períodos solicitados na intimação, cujas cópias juntamos às fls. 566 a 682 (remessa) e fls. 726 a 969 (retorno). 5. Analisando os documentos apresentados, verificamos que, no anocalendário de 2000, a contribuinte, de fato, efetuou remessas de tabaco em folha, para industrialização por encomenda, à empresa Tabacos Classic Ltda/CNPJ 01.276.704/000154 e que, dessa industrialização, retornou fumo picado (NCM: 2403.10.00). Assim, solucionada a questão fática, resta decidir quanto ao direito: possibilidade de fruição do crédito presumido quando a industrialização não é efetuada por estabelecimento do produtorexportador. Tal matéria, longe de ser pacífica nas Turmas Ordinárias desta 3ª Seção, na Câmara Superior tem encontrado certa tendência, ainda que frágil em razão de sua composição variável, de manter o direito ao crédito presumido (pelo produtorexportador) quando se tratar de industrialização por encomenda realizada em estabelecimento de terceiro sobre matéria prima, produto intermediário e material de embalagem remetidos (pelo produtorexportador) para tal fim. Cito como favorável à concessão do crédito presumido na hipótese de beneficiamento de insumo ser realizado em estabelecimento de terceiro, por meio de encomenda, os acórdãos 9303002.613, 9303003.266, 9303004.694, 9303005.261 e 9303 005.425. Considero que a opção do produtorexportador beneficiário do crédito disposto na Lei nº 9.363/96 em não realizar, total ou parcialmente, a industrialização em seu estabelecimento é de ordem econômica (atinente ao processo produtivo) e não tributária não visa a imediata redução de tributos. Assim, podese inclusive obter vantagens tributárias, mas Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1002 10 não me parece ser este o escopo em razão dos custos adicionais da remessa, do retorno e dos processos envolvidos na terceirização do processo produtivo de um insumo. Também não vislumbro vedação legal à manutenção do crédito em tal operação (industrialização em estabelecimento de terceiro), eis que o crédito presumido, assim como o básico, não é benefício legal que confere exclusão ou redução do crédito tributário, nos termos do art. 111 do CTN. Os serviços de industrialização cobrados pelo industrializador incluem valores de mão de obra e insumos que se agregaram aos produtos industrializados sob encomenda da contribuinte e posteriormente exportados, razão pela qual entendo compor o crédito presumido do IPI. O STJ já se posicionou acerca da não exclusão dos serviços de beneficiamento prestados por terceiro na base de cálculo do crédito presumido do IPI, em operação de encomenda do produtorexportador. Vejase a ementa e excerto do voto do Ministro Relator Benedito Gonçalves no AgRg no REsp 1267805/RS, de 17/11/2011: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei nº 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. [...] (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011). Voto: [...] Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1003 11 Tal conclusão, conforme exposto na decisão ora impugnada, decorreu justamente da interpretação do artigo 1º da Lei 9.363/96, segundo a qual o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI se refere ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento de insumos ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Destarte, na matéria, assiste razão à recorrente quanto à permissão para a manutenção do crédito presumido de IPI tanto para produto industrializado em seu estabelecimento (saída no CFOP 7.11) bem como em estabelecimento de terceiro que recebeu matériaprima para operação de industrialização por encomenda (saída no CFOP 7.12) Aquisições de matériaprima de pessoas físicas tabaco em folha A recorrente informa que o crédito presumido foi apurado e apropriado das aquisições de matériaprima junto a pessoas físicas e comerciais atacadista. Colaciona decisões que admitem o crédito presumido de produtos industrializados com aquisições de insumos de pessoas físicas, sob o fundamento de que a Lei não impõe exclusões quanto à natureza da pessoa do fornecedor da matéria prima Neste tópico, impende apenas proferir decisão quanto ao direito ao crédito presumido do IPI em aquisições de matériaprima de pessoa física, com fins à industrialização de produtos que fazem jus ao benefício. Esta matéria já está pacificada pelo STJ no julgamento do REsp nº 993.164, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, recursos repetitivos, fato que nos vincula por força do § 2º do art. 62 do anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Referido julgado possui a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1004 12 inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1005 13 ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Inclusive, o julgamento do STJ, acima citado, foi precedente para edição da Súmula STJ nº 494, na qual a sua redação não deixa margem a qualquer dúvida: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1006 14 Assim, atendidos requisitos para fruição do benefício versado no art. 1º da Lei nº 9.363/96, concedese o crédito presumido do IPI nas aquisições de matériaprima de pessoas físicas. Aplicação da correção monetária taxa Selic Argui o contribuinte em seu recurso voluntário que o crédito presumido apurado e pleiteado deve ser atualizado pela taxa Selic, conforme entendimento jurisprudencial deste Conselho. Assiste razão ao pleito, contudo, há que se pontuar a origem e o marco temporal da atualização. Cumpre assentar que não há previsão legal para a atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos administrativos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento de tal atualização decorre da decisão dos membros do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164, que, por força do art. 62 do RICARF, é de observância obrigatória por este conselho. Em síntese, esses julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Destarte, é a oposição constante de ato legal, administrativo ou normativo, que impede a utilização do direito do crédito de IPI que torna legítima a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. A interpretação que se faz para a incidência da correção pretendida principia com a exigência de um indeferimento por unidade da RFB do pedido de ressarcimento que posteriormente é revertido em sede de julgamento, concedendo o direito ao crédito do IPI e por, conseguinte, seu ressarcimento. Entendo pois que sobre a parcela do direito negado por ato administrativo e concedido posteriormente em sede de outra decisão é que recai o direito à atualização monetária. Concernente ao prazo inicial da incidência da taxa Selic, recentes decisões da Câmara Superior deste Conselho são no sentido de tomálo a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido, com supedâneo legal na aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 que estabelece tal prazo como o de duração razoável ao processo administrativo, conforme assente pelo STJ no REsp nº 1.138.206, também proferido na sistemática de recurso repetitivo. Segue a ementa no acórdão nº 9303005.425, de 25/07/2017. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1007 15 decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Portanto, na hipótese de conceder ressarcimento de crédito presumido de IPI, este haverá de ser atualizado com a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nesta instâncias de julgamento. Conclusão Conforme o enfrentamento das matérias submetidas à julgamento nesta Turma, concluise: a. Não se concede o benefício do crédito presumido ao produto fumo destalado em lâminas, talos e scraps que no ano de 2000 era classificado na TIPI com a notação "não tributado NT"; b. Quanto aos fumos picado produzidos a partir da matériaprima tabaco em folha, assiste razão à recorrente quanto à permissão para a manutenção do crédito presumido de IPI tanto para produto industrializado em seu estabelecimento (saída no CFOP 7.11) bem como em estabelecimento de terceiro, que recebeu matériaprima para operação de industrialização por encomenda (saída no CFOP 7.12); c. Permitese o crédito presumido do IPI nas aquisições de matériaprima (tabaco em folha) de pessoas físicas na industrialização de fumo picado; d. Aos valores do crédito presumido em que se concede o ressarcimento de crédito presumido de IPI, haverão de serem atualizados com a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nesta instâncias de julgamento. Diante de todo o exposto, voto para dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso dar provimento parcial ao Recurso para, apenas excluir o benefício do crédito presumido sobre o produto "fumo destalado", classificado na TIPI, no ano de 2000, com a notação NT. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 13005.001110/200511 Acórdão n.º 3201004.002 S3C2T1 Fl. 1008 16 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1008DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.004218/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto.
SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2401-005.681
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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DEDUÇÃO. DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente ANTONIO JOSE MOREIRA MUNIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 42 18 /2 00 7- 11 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13707.004218/200711 Acórdão n.º 2401005.681 S2C4T1 Fl. 225 2 (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II que, por unanimidade de votos, julgou improcedente Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, anoscalendário 2008, tendo sido apurada Dedução Indevida de Despesas de LivroCaixa em razão de o contribuinte ter declarado apenas rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício. O contribuinte apresentou impugnação, considerada tempestiva, alegando, em síntese, (1) que exerceu a atividade de contabilista autônomo, com escritório, alvará de licença e cartão de inscrição no CEI.; (2) que os valores declarados como rendimentos de várias pessoas jurídicas são porque trabalha para empresas como contabilista autônomo, nunca como trabalhador assalariado; e (3) que o auditor fiscal não deve ter observado o código constante de contabilista profissional autônomo. Do Acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai (1) que o fato de o sujeito passivo exercer a profissão de contabilista, por si só, não é suficiente para provar que ele tenha prestado serviço não assalariado a diversas empresas; (2) que deveriam ter sido trazidos aos autos contratos, Recibo de Pagamento de Autônomo, entre outros documentos que demonstrassem a existência do trabalho não assalariado e qual a remuneração paga por este; e (3) que não há qualquer DIRF revelando trabalho não assalariado. Intimado em 01/11/2010, o contribuinte interpôs em 01/12/2010 recurso voluntário, em síntese, alegando que: (1) imaginou que os elementos constantes da impugnação seriam suficientes; (2) os rendimentos declarados são do INSS, logo não há vínculo de emprego; (3) os rendimentos são de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício, conforme cópia de contratos sociais e/ou alterações contratuais, recibos de pagamento de honorários contábeis e Registro no CRC.; (4) requer que se verifique os sistemas para apurar se consta em seu nome vínculo de emprego; (5) não tem interesse em burlar o fisco. Nos termos da peça de fls. 205, o órgão preparador informa o encaminhamento do Memo n° 136/2013DIDE1/RJ/PRFN 2ªRegião, de 20/02/2013 (fls. 206/222), dando conta da propositura de ação judicial de autoria do contribuinte e com o mesmo objeto do processo. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13707.004218/200711 Acórdão n.º 2401005.681 S2C4T1 Fl. 226 3 É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro A confrontação da impugnação (fls. 3) e das razões recursais (fls. 40/41) com a petição inicial da ação judicial n° 2012.51.01.0496038 (fls. 208/2016) revela que toda a matéria objeto do processo administrativo restou submetida à apreciação do Poder Judiciário, não subsistindo matéria diferenciada. Logo, impõese o não conhecimento do recurso voluntário em razão da desistência tácita do recurso decorrente da propositura pelo sujeito passivo da ação judicial em tela (Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único; Súmula CARF n° 1; e Parecer Normativo Cosit n° 7, de 2014). Isso posto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.721009/2014-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
EXCLUSÃO. FALTA DE LIVRO CAIXA. EFEITOS.
A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos-calendário subsequentes, quando houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O cancelamento de multa de ofício aplicada fundado no acolhimento do argumento de sua natureza confiscatória exigiria o exame da constitucionalidade do dispositivo legal que a instituiu e essa atividade é estranha ao contencioso administrativo, inserindo-se no âmbito da competência exclusiva do Poder Judiciário.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA VIA ADMINISTRATIVA.
É legítima a utilização da taxa Selic para cálculo de juros moratórios, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário apreciar argüição de inconstitucionalidade da lei que ampara essa utilização.
NULIDADE DO LANÇAMENTO
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art.142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte mostra compreender as razões que ensejaram os lançamentos, contestando devidamente todas as operações autuadas.
NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
O Decreto nº 70.235/1972 PAF não prevê a possibilidade de exercício do
direito de defesa previamente à lavratura de auto de infração. Os trabalhos
de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes ou responsáveis. Constatado que o contribuinte teve a ciência de todos os termos, documentos e demonstrativos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento, as infrações que lhes foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONCOMITÂNCIA.
A exclusão de oficio do Simples não impede o órgão fiscal de proceder ao lançamento de oficio de crédito tributário decorrente desta exclusão, ainda que a exclusão do Simples esteja pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, sendo medida de racionalização processual que integrem o a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples e a impugnação ao lançamento de oficio de crédito tributário delas decorrentes, para que sejam apreciadas e decididas simultaneamente.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO.
Uma vez que a situação objeto da exclusão não foi contestada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria.
EFEITOS DA EXCLUSÃO.
Os efeitos da exclusão por desobediência às normas vigentes à época da ocorrência da situação constatada, dar-se-ão a partir da data determinada na respectiva legislação de regência.
INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. PRECARIEDADE.
O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, diga-se, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela administração tributária.
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN) - APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE.
Incabível a discussão acerca da aplicação da lei a ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106 do CTN, posto que os efeitos retroativos do ato de exclusão discutido nos autos estão fundamentados em lei que autoriza a sua aplicação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO.
Uma vez que a matéria objeto da autuação não foi impugnada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre
esta matéria.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
LANÇAMENTO DECORRENTE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO.
Uma vez que a matéria objeto da autuação não foi impugnada pelo
interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre
esta matéria.
Numero da decisão: 1402-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das arguições de cunho constitucional e na parte conhecida negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das arguições de cunho constitucional e na parte conhecida negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 EXCLUSÃO. FALTA DE LIVRO CAIXA. EFEITOS. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos-calendário subsequentes, quando houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O cancelamento de multa de ofício aplicada fundado no acolhimento do argumento de sua natureza confiscatória exigiria o exame da constitucionalidade do dispositivo legal que a instituiu e essa atividade é estranha ao contencioso administrativo, inserindo-se no âmbito da competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA VIA ADMINISTRATIVA. É legítima a utilização da taxa Selic para cálculo de juros moratórios, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário apreciar argüição de inconstitucionalidade da lei que ampara essa utilização. NULIDADE DO LANÇAMENTO Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art.142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte mostra compreender as razões que ensejaram os lançamentos, contestando devidamente todas as operações autuadas. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Decreto nº 70.235/1972 PAF não prevê a possibilidade de exercício do direito de defesa previamente à lavratura de auto de infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes ou responsáveis. Constatado que o contribuinte teve a ciência de todos os termos, documentos e demonstrativos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento, as infrações que lhes foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONCOMITÂNCIA. A exclusão de oficio do Simples não impede o órgão fiscal de proceder ao lançamento de oficio de crédito tributário decorrente desta exclusão, ainda que a exclusão do Simples esteja pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, sendo medida de racionalização processual que integrem o a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples e a impugnação ao lançamento de oficio de crédito tributário delas decorrentes, para que sejam apreciadas e decididas simultaneamente. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a situação objeto da exclusão não foi contestada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Os efeitos da exclusão por desobediência às normas vigentes à época da ocorrência da situação constatada, dar-se-ão a partir da data determinada na respectiva legislação de regência. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. PRECARIEDADE. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, diga-se, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela administração tributária. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN) - APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE. Incabível a discussão acerca da aplicação da lei a ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106 do CTN, posto que os efeitos retroativos do ato de exclusão discutido nos autos estão fundamentados em lei que autoriza a sua aplicação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a matéria objeto da autuação não foi impugnada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES LANÇAMENTO DECORRENTE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a matéria objeto da autuação não foi impugnada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria.
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FALTA DE LIVRO CAIXA. EFEITOS. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário subsequentes, quando houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O cancelamento de multa de ofício aplicada fundado no acolhimento do argumento de sua natureza confiscatória exigiria o exame da constitucionalidade do dispositivo legal que a instituiu e essa atividade é estranha ao contencioso administrativo, inserindose no âmbito da competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA VIA ADMINISTRATIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 10 09 /2 01 4- 00 Fl. 153DF CARF MF 2 É legítima a utilização da taxa Selic para cálculo de juros moratórios, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário apreciar argüição de inconstitucionalidade da lei que ampara essa utilização. NULIDADE DO LANÇAMENTO Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art.142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte mostra compreender as razões que ensejaram os lançamentos, contestando devidamente todas as operações autuadas. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Decreto nº 70.235/1972 PAF não prevê a possibilidade de exercício do direito de defesa previamente à lavratura de auto de infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes ou responsáveis. Constatado que o contribuinte teve a ciência de todos os termos, documentos e demonstrativos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento, as infrações que lhes foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONCOMITÂNCIA. A exclusão de oficio do Simples não impede o órgão fiscal de proceder ao lançamento de oficio de crédito tributário decorrente desta exclusão, ainda que a exclusão do Simples esteja pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, sendo medida de racionalização processual que integrem o a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples e a impugnação ao lançamento de oficio de crédito tributário delas decorrentes, para que sejam apreciadas e decididas simultaneamente. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a situação objeto da exclusão não foi contestada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Os efeitos da exclusão por desobediência às normas vigentes à época da ocorrência da situação constatada, darseão a partir da data determinada na respectiva legislação de regência. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. PRECARIEDADE. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, digase, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela administração tributária. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10665.721009/201400 Acórdão n.º 1402002.978 S1C4T2 Fl. 1.112 3 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN) APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE. Incabível a discussão acerca da aplicação da lei a ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106 do CTN, posto que os efeitos retroativos do ato de exclusão discutido nos autos estão fundamentados em lei que autoriza a sua aplicação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a matéria objeto da autuação não foi impugnada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES LANÇAMENTO DECORRENTE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a matéria objeto da autuação não foi impugnada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das arguições de cunho constitucional e na parte conhecida negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Relatório Fl. 155DF CARF MF 4 Dado minucioso e didático relatório empreendido pela DRJ peço vênia aos colegas para reproduzilo complementandoo ao final no que necessário: Informese que são trazidos a julgamento três processos, a saber: Processo 10665.721009/201400 (exclusão do simples), processo 10665.721993/201409 (IRPJ/CSLL) e processo 10665.721994/201445 (COFINS/PIS). Considerando a relação entre eles, a análise será em conjunto, sendo emitidos três acórdãos, com o mesmo teor, com numeração para cada um dos processos. I – DOS ATOS ADMINISTRATIVOS I.I PROCESSO 10665.721009/201400 – EXCLUSÃO DO SIMPLES Em 16 de junho de 2014 foi lavrada a Representação para Exclusão de Ofício da empresa em epígrafe do Simples Nacional (fls. 48 a 50), indicando os seguintes elementos, fielmente transcritos: “3. No curso do procedimento fiscal instaurado contra o contribuinte acima identificado, foi constatado, que o Livro Diário de nº 05 e nº 06 apresentados à fiscalização não foi registrado no órgão competente – cópia dos livros em anexo. A movimentação bancária e financeira do sujeito passivo, no período de 01/2010 a 12/2011 não foi contabilizada nos referidos livros, já que somente despesas relativas a folha de pagamento foi contabilizada. 3.1. A receita bruta auferida pelo sujeito passivo para o ano calendário de 2010, conforme Declaração Simplificada do Simples Nacional – em anexo foi de R$ 0,00 e dessa forma qualquer valor relativo à despesa paga – mesmo considerando as despesas exclusiva da folha de salários – supera em 20%(vinte por cento) o valor de ingresso de recursos do mesmo período.” 5. No quadro abaixo demonstramos que para o ano calendário de 2010, quando o contribuinte declarou que a receita bruta auferida foi de R$ 0,00 (zero reais), as despesas exclusivamente com pessoal (salários e ordenados) totalizou R$ 715.968,60 (setecentos e quinze mil e novecentos e sessenta e oito reais e sessenta centavos) – valores declarados em RAIS – Relação Anual de Informações Sociais e R$ 800.250,80 (oitocentos mil e duzentos e cinquenta reais e oitenta centavo) considerando o total de vencimentos pagos em folha de pagamento. Para o ano calendário de 2011, quando o contribuinte declarou que a receita bruta auferida foi de R$ 76.041,75 (setenta e seis mil e quarenta e um reais e setenta e cinco centavos), as despesas exclusivamente com pessoal (salário e ordenados) totalizou R$ 953.844,75 (novecentos e cinquenta e três mil e oitocentos e quarenta e quatro reais e setenta e cinco centavos) – valores delcarados em RAIS Relação Anual de Informações Sociais e R$ 1.116.085,37 (um milhão e cento e dezesseis mil e oitenda e cinco reais e trinta e sete centavos) considerando o total de vencimentos pagos em folha de pagamento.” Em 17 de junho de 2014, o Senhor Chefe Substituto da Seção de Orientação e Análise Tributária (SAORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis emitiu o Ato Declaratório Executivo nº 28, conforme fl. 53, cuja transcrição se apresenta: “O CHEFE SUBSTITUTO DA SEÇÃO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA (SAORT) DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM DIVINÓPOLIS, no uso da atribuição dada pelo inciso II do art. 1º da Portaria DRF/DIV nº 54, de 14 de novembro de 2013, e tendo em vista o disposto no art. 29, 31 e 33 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, com a regulamentação dada pela Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, e o contido no processo administrativo nº 10665.721009/201400, declara: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10665.721009/201400 Acórdão n.º 1402002.978 S1C4T2 Fl. 1.113 5 Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional a empresa ANALI DE FÁTIMA SOUZA MOREIRA – ME, CNPJ 03.908.291/000109, por ter sido constatado em procedimento fiscal que, no período de 01/2010 a 12/2011, o valor das despesas pagas superou em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, os Livros Caixas apresentados à fiscalização, referentes ao anoscalendário 2010 e 2011, não foram registrados no órgão competente e neles não constava a informação da movimentação financeira e bancária, incorrendo nas situações excludentes previstas nos incisos VIII e IX do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir de 01/01/2010, ficando a empresa impedida de ser optante do Simples Nacional nos 3 (três) anoscalendário seguintes (2011, 2012 e 2013), como determina o parágrafo 1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 3º Poderá ser apresentada, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF). Art. 4º Não havendo apresentação de manifestação de inconformidade no prazo de que trata o art. 3º, a exclusão tornarseá definitiva.” I.II – PROCESSO 10665.721993/201409 – IRPJ e CSLL Em 22/10/2014, foram lavrados autos de infração para exigência do IRJP e CSLL, referentes aos anoscalendários de 2010 e 2011, no total de R$1.407.313,35, sob o fundamento de arbitramento do lucro pela falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração, tendo sido utilizado os valores correspondentes a oito décimos dos valores devidos mensalmente a empregados, pois a receita bruta do contribuinte não é conhecida (fls. 2 a 45). Foi aplicada também a multa de 150%, sob o entendimento de que “as condutas do contribuinte se enquadram nas tipificação da figura jurídica da sonegação disposta no artigo 71 e incisos da lei nº 4.502/64.” O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 46 a 55, depois de apresentar histórico dos procedimentos fiscais, registra que “Pela não apresentação do SPED CONTÁBIL, que seria a escrituração contábil obrigatória para os sujeitos passivos optantes pelo Lucro Real Trimestral, a forma de tributação do lucro será o LUCRO ARBITRADO, conforme determina o artigo 530, I, do Regulamento do Imposto de Renda, regulamentado pelo Decreto nº. 3.000/99. Registrese que o sujeito passivo apresentou no decorrer do procedimento, o sujeito passivo apenas apresentou o que resolveu chamar de “livro diário” sem as devidas formalidades extrínsecas (registro na JUCEMG de tais livros). No documento apenas são demonstradas as provisões das verbas de folhas de pagamentos, não havendo, inclusive, o registro de qualquer pagamento das verbas da folha. Também não há registro contábil de qualquer outra operação realizada pela empresa, o que denota a imprestabilidade do documento para efeito de suprir a necessidade da escrituração contábil. Assim, além de não apresentar o Sped Contábil, o documento apresentado Fl. 157DF CARF MF 6 supostamente para representar os registros contábeis da empresa mostrase imprestável, por não ter registro no órgão competente, como também por não representar os fatos contábeis ocorridos na empresa. Como, apesar de devidamente intimado, o contribuinte não apresentou nenhum documento/livro, sejam livros fiscais, arquivos contábeis ou notas fiscais, não foi possível apurar a receita bruta auferida pelo contribuinte, restando apenas a possibilidade legal de arbitrar o lucro tributável pelo IRPJ e pelas CSLL consideradas as hipóteses previstas quando a receita bruta auferida pelo sujeito passivo não é conhecida.” No que diz respeito à aplicação da multa de 150%, apresenta a seguinte exposição: “Para que possamos explicitar as condutas do sujeito passivo que se enquadram nos artigos de lei acima descritos que levaram à qualificação da multa e à aplicação da alíquota de 150% passamos a descrever as condutas durante a auditoria fiscal: • O sujeito passivo entregou declarações anuais do Simples Nacional para os períodos abrangidos de 01/2010 a 12/2011 com os seguintes valores: (...) . Intimado a apresentar documentos, livros fiscais e contabilidade obrigatória, após lavraturas de Termos de Intimações Fiscais já mencionados neste Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo ficou silente, mantendo a postura de não informar dados para a apuração da receita bruta auferida. • Os valores declarados no ano calendário de 2010 foram zerados e os valores declarados em 2011 são irrisórios, não sendo capazes de pagar suas folhas de pagamento de empregados que foram escrituradas no chamado “Livro Diário” apresentado pelo contribuinte no início do procedimento fiscal que apurou as receitas previdenciárias. Desta forma, observamos que o sujeito passivo, durante os 24 meses que foram objetos desta auditoria fiscal, omitiu os valores declarados em DASN – Declaração anual do Simples Nacional e não informou nem entregou livros fiscais que pudessem tornar conhecidas a receita bruta. Houve uma conduta reiterada em impedir ou retardar o conhecimento dos fatos geradores por parte da autoridade fazendária, o que em tese, caracteriza o crime de sonegação descrito no artigo 71 da lei nº. 4.502/64.”. I.III – PROCESSO 10665.721994/201415 – COFINS, PIS Em 22/10/2014, foram lavrados autos de infração para exigência de COFINS e PIS, no total de R$237.058,53, decorrentes da lançamento do IRPJ constante do processo mencionado no tópico anterior (fls. 02 a 22). O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 23 a 33, reproduz as mesmas considerações apresentadas no processo mencionado no tópico anterior, inclusive no que diz respeito a multa de 150%, acrescentando comentários sobre o regime cumulativo do PIS e COFINS. II – DA DEFESA II.I PROCESSO 10665.721009/201400 – EXCLUSÃO DO SIMPLES Em sua peça de defesa (fls. 56 a 76) a interessada, depois de tecer comentários e apresentar entendimentos doutrinários sobre irretroatividade das leis e dos atos da administração pública, conclui: “Destarte, o Ato Executivo Declaratório DRF/DIV nº 28, que houve por EXCLUIR a Manifestante do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), NÃO PODE CONTEMPLAR PERÍODO ANTERIOR À DATA DE SUA PUBLICAÇÃO E/OU CIÊNCIA, OU SEJA, NÃO PODE CONTEMPLAR PERÍODO ANTERIOR A FEVEREIRO DE 2011.” (...) “Este fato torna os procedimento de escrituração e entrega das declarações de IRPJ revestidos de ATO JURÍDICO PERFEITO, fazendo jus a Impugnante a manutenção e permanência no citado regime” Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10665.721009/201400 Acórdão n.º 1402002.978 S1C4T2 Fl. 1.114 7 II.II – PROCESSO 10665.721993/201409 – IRPJ e CSLL Às fls. 138 a 188, a interessada, depois de tratar da Tempestividade (tópico) e Dos fatos em breves sínteses (tópico II), complementa: III Da necessidade premente de cancelamento do auto de infração Entende que o ato de exclusão, por não ser líquido e certo, além de não ter havido o necessário trânsito em julgado, não poderia ensejar a lavratura dos autos de infração. Complementa que, mesmo na hipótese de manutenção da exclusão, a lavratura dos citados autos ocasionaria o direito ao contraditório amplo, pleno e irrestrito. IV MÉRITO IV.I Irretroatividade das leis e dos atos da administração pública Reproduz os mesmos argumentos da contestação apresentados no processo 10665.721009/201400 (exclusão do simples). IV.II Multa confiscatória Assinala que a multa aplicada assume o caráter de abuso de poder fiscal, posto que manifestamente confiscatória. IV.III Taxa Selic Defende que a taxa Selic é imprópria para aferição da correção monetária e dos juros, que devem ser definidos com clareza pela lei. Aduz que sua natureza é de remunerar títulos, que não podem ser confundidos com tributos. V – Dos pedidos Requer que a presente defesa seja recebida e apreciada. II.III – PROCESSO 10665.721994/201415 – COFINS, PIS A interessada reproduz o mesmo texto apresentado no processo referenciado no tópico anterior. Em julgamento da impugnação empreendida a DRJ entendeu por improcedentes os argumentos veiculados pela contribuinte restando o acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O cancelamento de multa de ofício aplicada fundado no acolhimento do argumento de sua natureza confiscatória exigiria o exame da constitucionalidade do dispositivo legal que a instituiu e essa atividade é estranha ao contencioso administrativo, inserindose no âmbito da competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA VIA ADMINISTRATIVA. Fl. 159DF CARF MF 8 É legítima a utilização da taxa Selic para cálculo de juros moratórios, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário apreciar argüição de inconstitucionalidade da lei que ampara essa utilização. NULIDADE DO LANÇAMENTO Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art.142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte mostra compreender as razões que ensejaram os lançamentos, contestando devidamente todas as operações autuadas. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Decreto nº 70.235/1972 PAF não prevê a possibilidade de exercício do direito de defesa previamente à lavratura de auto de infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes ou responsáveis. Constatado que o contribuinte teve a ciência de todos os termos, documentos e demonstrativos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento, as infrações que lhes foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONCOMITÂNCIA. A exclusão de oficio do Simples não impede o órgão fiscal de proceder ao lançamento de oficio de crédito tributário decorrente desta exclusão, ainda que a exclusão do Simples esteja pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, sendo medida de racionalização processual que integrem o a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples e a impugnação ao lançamento de oficio de crédito tributário delas decorrentes, para que sejam apreciadas e decididas simultaneamente. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2010, 2011 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a situação objeto da exclusão não foi contestada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Os efeitos da exclusão por desobediência às normas vigentes à época da ocorrência da situação constatada, darseão a partir da data determinada na respectiva legislação de regência. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. PRECARIEDADE. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10665.721009/201400 Acórdão n.º 1402002.978 S1C4T2 Fl. 1.115 9 O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, digase, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela administração tributária. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN) APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE. Incabível a discussão acerca da aplicação da lei a ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106 do CTN, posto que os efeitos retroativos do ato de exclusão discutido nos autos estão fundamentados em lei que autoriza a sua aplicação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a matéria objeto da autuação não foi impugnada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO DECORRENTE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que a matéria objeto da autuação não foi impugnada pelo interessado, não há litígio, não tendo sido instaurado o contraditório sobre esta matéria. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte argumenta em suma que o Ato Declaratório de Exclusão do Simples havia sido impugnado mediante Manifestação de Inconformidade pendente de julgamento ao que não poderia procederse a lavratura dos autos de infração de IRPJ/CSLL e PIS/COFINS. Sustenta, também, que os lançamentos/recolhimentos antes realizados de IRPJ e PIS;COFINS nos termos do regime especial do SIMPLES consubstanciam "ato jurídico perfeito" ao que o ADE não poderia, jamais, ter efeito retroativo para ao final sustentar a natureza confiscatória das multas impostas. É o relatório. Voto Fl. 161DF CARF MF 10 Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Da leitura dos autos depreendese que a questão de fundo é definir (i) se foi correta a exclusão da sociedade empresária do Simples Nacional, (ii) a partir de que momento se dão os efeitos da referida exclusão e (iii) se há bisinibidem no caso em exame no que tangencia a multa devida. Segundo consta nos autos, a exclusão se deu pelo não atendimento ao termo de início de verificação fiscal lavrado em 23/06/2014, por meio do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/JPA Nº 41, DE 06 DE AGOSTO DE 2014, que assim dispôs: Art. 1º Fica excluído do “Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL” o contribuinte CASA DA REFRIGERAÇÃO LTDA ME, inscrito no CNPJ sob nº 10.575.321/0001 78, estabelecido à Rua da República, nº 763, Varadouro – João Pessoa PB, por falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, conforme disposto no art.29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006 e demais informações contidas no processo administrativo nº 14751.720200/201416. A exclusão surtirá efeito a partir de 01/01/2010 a teor do disposto no art.76, inciso IV, letra “g”, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011. Art. 2º Poderá o contribuinte, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência deste, apresentar por escrito, suas contestações, relativamente ao procedimento acima, através de manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, assegurados, portanto, o contraditório e a ampla defesa. Art. 3º Não havendo manifestação no prazo estipulado, a exclusão tornarseá definitiva. Em 03 de julho de 2014, tempestivamente para contestar a exclusão, o contribuinte apresentou os documentos solicitados no termo de verificação fiscal. Da análise dos documentos apresentados, principalmente do cotejo entre vendas com cartões de crédito/débito versus as vendas da DASN da Pessoa, percebeuse um um indício de omissão de receita que levou a solicitação de emissão de requisição de informação sobre movimentação financeira às instituições Bancos Redecard RMF nº04301002014000212, Hipercard RMF nº 04301002014000220 e CIELO RMF nº 04301002014239. Dos documentos recebidos, verificouse omissão de receitas, o que implicou na exclusão da empresa do regime do SIMPLES NACIONAL com fulcro no art. 29, VIII, da Lei Complementar n. 123/06. As Recorrentes alegam que não há ausência de escrituração, mas tão somente erro, ou escrituração incompleta. A meu ver, entretanto, a norma não distingue entre escrituração total ou parcial, tratando tão somente de ausência de escrituração. Assim, a partir do momento em que se verifica no caso concreto que o contribuinte deixou de escriturar valores, está ele sujeito a exclusão do SIMPLES NACIONAL, com suas consequências. Não cabe ao intérprete, principalmente no âmbito deste E. CARF, diferenciar onde a Lei não diferenciou. A controvérsia cingese então ao momento em que a exclusão do SIMPLES NACIONAL passa a produzir efeitos para fins de apuração dos tributos devidos. A Recorrente alega que somente foi intimada da exclusão em 17 de setembro de 2014, e que, até então, os Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10665.721009/201400 Acórdão n.º 1402002.978 S1C4T2 Fl. 1.116 11 tributos deveriam ser calculados segundo a metodologia prevista pela Lei Complementar 123/06. Ocorre que a própria Lei estabelece em seu art. 29, § 1º que nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Ou seja, verificada a ausência de escrituração fiscal, a partir daquele mês devem os tributos ser calculados de acordo com o regime normal de tributação. Conforme consta nos autos ainda, a contribuinte foi intimada a apresentar seus livros fiscais e contábeis, o que não foi atendido. Embora as empresas do SIMPLES NACIONAL realmente contem com maior flexibilidade no cumprimento de deveres instrumentais e manutenção de livros fiscais e contábeis, tal flexibilidade não pode ser levada ao extremo de não se fazer qualquer controle das atividades. Não tendo sido apresentados os livros fiscais durante o transcorrer da fiscalização e do presente Processo Administrativo, temos de concluir que as Recorrentes não o possuem, sendo correta a aplicação da apuração segundo o lucro arbitrado, levado a cabo pela autoridade administrativa. Diante de todo o exposto voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e manter o crédito tributário. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720073/2013-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando o saneamento do julgado.
DA NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA COBRANÇA SOBRE OS PAGAMENTOS EFETUADOS EM 12/2009.
Não merece prosperar a alegação da Recorrente no sentido de que os pagamentos realizados a título de PLR em 12/2009 não poderiam integrar os AI's em tela, por ausência de fundamentação, eis que o fundamento do auto de infração é o descumprimento dos requisitos previstos na Lei n° 10.101/00.
NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR (ESPECÍFICO - PPR) - DAS REGRAS CLARAS E OBJETIVAS
As regras, segundo legislação têm que ser claras e objetivas, estando firmado no próprio acordo. E, não é suficiente a existência de o rol de requisitos e condições, bem como as metas inelegíveis, e ou elaboração de cartilha explicativa sem que acuda o que determina o artigo 2°, parágrafo 1° da Lei n.° 10.101/2000.
Os instrumentos decorrentes da negociação entre empregado e empregador devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo.
A Lei n° 10.101/00 determina e impõe às partes legitimidades para a elaboração do acordo (empregador e empregados) e a obrigatoriedade na utilização dos critérios nela arrolados, com observância a regras claras e objetivas
DA DISCREPÂNCIA DOS VALORES PAGOS, EM QUANTIDADE DE SALÁRIOS, PARA OS EMPREGADOS
As empresas podem traçar metas diferentes para funcionários, gerentes e altos executivo ao elaborar o seu PLR, desde que estejam previstas em convenção e ou acordo coletivo.
Não há óbice em lei que não permita traçar metas diferenciadas.
DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM "NOVO PPR". AUSÊNCIA DO SINDICATO. IRREGULARIDADE.
Acordo pré-existente, onde há reuniões anuais com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho, todavia necessitam da participação do representante sindical para sua regularidade.
DA POSSIBILIDADE DE PAGAMENTO DO PPR COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS.
Não há óbices à existência de Convenção Coletiva, bem como Acordo de PLR eventualmente existentes ao mesmo tempo como fundamento para se considerar desrespeitada a Lei n° 10.101/00. Até porque o § 3° do artigo 3° da citada lei admite a compensação entre acordos próprios e aqueles previstos em acordo ou convenção coletiva.
Não sendo óbice a implementação do PLR a concomitância entre Convenção Coletiva e Acordo de PLR. Deste que respeitado a legislação de regência.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei n.° 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4° a 6°, da Lei n° 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal.
DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO
Fundamento Legal do Débito que não determina a incidência de juros sobre a multa de ofício, não há de ser reformado.
Numero da decisão: 2301-005.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão nº 2301-004.320, 11/02/2015, para (a) conhecer da questão respeitante à incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas que não possuem natureza jurídica de PLR, e nesta questão, negar provimento ao recurso voluntário; vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que não conhecia da questão; (b) sanar a contradição na apreciação do argumento relativo ao descabimento da equiparação das reuniões ocorridas em 2007 e 2008 a um "novo PPR", ajustando a ementa e o voto do relator nos termos propostos no voto da relatora; vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que, sanando a contradição, davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e redator designado para o voto da conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto redator para o voto vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada em substituição ao impedimento do conselheiro João Maurício Vital), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de contradição em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando o saneamento do julgado. DA NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA COBRANÇA SOBRE OS PAGAMENTOS EFETUADOS EM 12/2009. Não merece prosperar a alegação da Recorrente no sentido de que os pagamentos realizados a título de PLR em 12/2009 não poderiam integrar os AI's em tela, por ausência de fundamentação, eis que o fundamento do auto de infração é o descumprimento dos requisitos previstos na Lei n° 10.101/00. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR (ESPECÍFICO PPR) DAS REGRAS CLARAS E OBJETIVAS As regras, segundo legislação têm que ser claras e objetivas, estando firmado no próprio acordo. E, não é suficiente a existência de o rol de requisitos e condições, bem como as metas inelegíveis, e ou elaboração de cartilha explicativa sem que acuda o que determina o artigo 2°, parágrafo 1° da Lei n.° 10.101/2000. Os instrumentos decorrentes da negociação entre empregado e empregador devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. A Lei n° 10.101/00 determina e impõe às partes legitimidades para a elaboração do acordo (empregador e empregados) e a obrigatoriedade na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 73 /2 01 3- 00 Fl. 1187DF CARF MF 2 utilização dos critérios nela arrolados, com observância a regras claras e objetivas DA DISCREPÂNCIA DOS VALORES PAGOS, EM QUANTIDADE DE SALÁRIOS, PARA OS EMPREGADOS As empresas podem traçar metas diferentes para funcionários, gerentes e altos executivo ao elaborar o seu PLR, desde que estejam previstas em convenção e ou acordo coletivo. Não há óbice em lei que não permita traçar metas diferenciadas. DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM "NOVO PPR". AUSÊNCIA DO SINDICATO. IRREGULARIDADE. Acordo préexistente, onde há reuniões anuais com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho, todavia necessitam da participação do representante sindical para sua regularidade. DA POSSIBILIDADE DE PAGAMENTO DO PPR COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS. Não há óbices à existência de Convenção Coletiva, bem como Acordo de PLR eventualmente existentes ao mesmo tempo como fundamento para se considerar desrespeitada a Lei n° 10.101/00. Até porque o § 3° do artigo 3° da citada lei admite a compensação entre acordos próprios e aqueles previstos em acordo ou convenção coletiva. Não sendo óbice a implementação do PLR a concomitância entre Convenção Coletiva e Acordo de PLR. Deste que respeitado a legislação de regência. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei n.° 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4° a 6°, da Lei n° 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Fundamento Legal do Débito que não determina a incidência de juros sobre a multa de ofício, não há de ser reformado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão nº 2301004.320, 11/02/2015, para (a) conhecer da questão respeitante à incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas que não possuem natureza jurídica de PLR, e nesta questão, negar provimento ao recurso voluntário; vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que não conhecia da questão; (b) sanar a contradição na apreciação do argumento relativo ao descabimento da equiparação das reuniões ocorridas em Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.720073/201300 Acórdão n.º 2301005.419 S2C3T1 Fl. 1.188 3 2007 e 2008 a um "novo PPR", ajustando a ementa e o voto do relator nos termos propostos no voto da relatora; vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que, sanando a contradição, davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e redator designado para o voto da conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto – redator para o voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada em substituição ao impedimento do conselheiro João Maurício Vital), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Andrea Brose Adolfo, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF. Feito o registro. Tratase de embargos de declaração do contribuinte (efls. 10961115) em face do acórdão nº 2301004.320 (efls. 917 929), proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em sessão de 11/02/2015, recebendo as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009 AI DEBCAD sob n° 51.017.5198 e 51.017.5201 Consolidados em 24/01/2013. DA NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA COBRANÇA SOBRE OS PAGAMENTOS EFETUADOS EM 12/2009. Não merece prosperar a alegação da Recorrente no sentido de que os pagamentos realizados a título de PLR em 12/2009 não poderiam integrar os AI's em tela, por ausência de Fl. 1189DF CARF MF 4 fundamentação, eis que o fundamento do auto de infração é o descumprimento dos requisitos previstos na Lei n° 10.101/00. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR (ESPECÍFICO PPR) DAS REGRAS CLARAS E OBJETIVAS As regras, segundo legislação têm que ser claras e objetivas, estando firmado no próprio acordo. E, não é suficiente a existência de o rol de requisitos e condições, bem como as metas inelegíveis, e ou elaboração de cartilha explicativa sem que acuda o que determina o artigo 2°, parágrafo 1° da Lei n.° 10.101/2000. Os instrumentos decorrentes da negociação entre empregado e empregador devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. A Lei n° 10.101/00 determina e impõe às partes legitimidades para a elaboração do acordo (empregador e empregados) e a obrigatoriedade na utilização dos critérios nela arrolados, com observância a regras claras e objetivas DA DISCREPÂNCIA DOS VALORES PAGOS, EM QUANTIDADE DE SALÁRIOS, PARA OS EMPREGADOS As empresas podem traçar metas diferentes para funcionários, gerentes e altos executivo ao elaborar o seu PLR, desde que estejam previstas em convenção e ou acordo coletivo. Não há óbice em lei que não permita traçar metas diferenciadas. DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM "NOVO PPR"/ BEM COMO DA INTIMAÇÃO AO SINDICATO EM TODAS ESTAS REUNIÕES E O SEU NÃO COMPARECIMENTO Acordo préexistente, onde há reuniões para anual com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem serem equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. Não havendo revogação da PPR préexistente, ajustando as adequações, em valia está o plano antes elaborado DA POSSIBILIDADE DE PAGAMENTO DO PPR COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS. Não há óbices à existência de Convenção Coletiva, bem como Acordo de PLR eventualmente existentes ao mesmo tempo como fundamento para se considerar desrespeitada a Lei n° 10.101/00. Até porque o § 3° do artigo 3° da citada lei admite a compensação entre acordos próprios e aqueles previstos em acordo ou convenção coletiva. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.720073/201300 Acórdão n.º 2301005.419 S2C3T1 Fl. 1.189 5 Não sendo óbice a implementação do PLR a concomitância entre Convenção Coletiva e Acordo de PLR. Deste que respeitado a legislação de regência. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei n.° 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4° a 6°, da Lei n° 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Fundamento Legal do Débito que não determina a incidência de juros sobre a multa de ofício, não há de ser reformado. A parte dispositiva foi assim redigida: Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com a manutenção parcial do crédito, para excluir do lançamento as contribuições oriundas da convenção coletiva que trata de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, para exclusão do motivo de ausência de isonomia nos pagamentos relativos ao pagamento da verba PLR, no plano específico da contribuinte, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da aplicação da multa de ofício, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos do Art. 106, do CTN, com a aplicação do cálculo mais benéfico, as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Fl. 1191DF CARF MF 6 Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, e o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que limitava a presente multa a 75% (setenta e cinco por cento); b) em negar provimento, com a conseqüente manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, pela ausência de participação de entidade sindical na elaboração e manutenção dos programas de PLR, nos termos do voto do Relator; Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos, Cleberson Alex Friess e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, com a manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, na questão relativa à ausência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que dava provimento ao recurso nesta questão. Cientificada do acórdão a contribuinte opôs os embargos alegando diversas omissões e contradição no acórdão combatido. Os embargos foram acolhidos parcialmente nos termos do despacho de admissibilidade dos embargos s/nº (efls. 1177/1185): Com base nos fundamento retro, ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração, TÃO SOMENTE quanto às matérias (b) omissão no acórdão quanto à análise do argumento relativo à natureza de gratificação não habitual da PLR, pelo que não incidiriam de Contribuições Previdenciárias sobre as verbas autuadas e (c) contradição na apreciação do argumento relativo ao descabimento da equiparação das reuniões ocorridas em 2007 e 2008 a um "novo PPR". (grifos no original) É o relatório. Voto Vencido Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Andrea Brose Adolfo, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.720073/201300 Acórdão n.º 2301005.419 S2C3T1 Fl. 1.190 7 Conselheiro João Bellini Júnior – redator ad hoc Os embargos são tempestivos, portanto deles conheço e passo à sua análise. De acordo com o despacho que admitiu os embargos os pontos que ensejam saneamento são: (b) OMISSÃO NO ACÓRDÃO QUANTO À ANÁLISE DO ARGUMENTO RELATIVO À NATUREZA DE GRATIFICAÇÃO NÃO HABITUAL DA PLR, PELO QUE NÃO INCIDIRIAM DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE AS VERBAS AUTUADAS Ao admitir os embargos nesse ponto concluiu o presidente da turma pela existência de omissão sobre a questão da não habitualidade da PLR: De fato, tal questão foi ventilada no recurso voluntário (efls. 823 a 829), e não foi abordada pelo acórdão embargado, pelo que os embargos devem ser admitidos nesse ponto. Verificando o Recurso Voluntário às efls 823 a 829 sob o título Verificase que o recorrente pleiteia, análise subsidiária, "na hipótese de se entender que as verbas autuadas não possuiriam a natureza jurídica de PLR". Por sua vez, da leitura do acórdão embargado, podese concluir que a turma entendeu que as verbas autuadas POSSUIAM a natureza jurídica de PLR. Tanto é assim que foi dado provimento em parte ao recurso para afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas a título de PLR decorrentes de Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho. E mesmo na parte em que negado provimento ao recurso voluntário, podese perceber que foi também reconhecida a natureza jurídica da verba paga a título de PLR, tanto é assim que a manutenção da autuação derivou do não cumprimento de algumas das condições impostas pela Lei nº 10.101/2000. Fl. 1193DF CARF MF 8 Tais conclusões são possíveis pela simples leitura da parte dispositiva do julgado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com a manutenção parcial do crédito, para excluir do lançamento as contribuições oriundas da convenção coletiva que trata de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) (...); b) em dar provimento parcial ao recurso, para exclusão do motivo de ausência de isonomia nos pagamentos relativos ao pagamento da verba PLR, no plano específico da contribuinte, (...) II) Por voto de qualidade: (...) b) em negar provimento, com a conseqüente manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, pela ausência de participação de entidade sindical na elaboração e manutenção dos programas de PLR (...) III) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, com a manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, na questão relativa à ausência de regras claras e objetivas, (...) ... Entendo que não há omissão quando o pedido é subsidiário, tendo o pedido principal sido atendido. Do contrário, a análise de pedido subsidiário poderia gerar a oposição de embargos por contradição no acórdão, uma vez que reconhece a natureza jurídica da verba paga como PLR e analisa a questão da não habitualidade para ser enquadrada como ganho eventual. Penso que, ou a verba é PLR (e deve ser assim analisada) ou é ganho eventual, não podendo ser enquadrada nas duas espécies (ou na que melhor convém a fim de se escapar da tributação). Ademais a própria Lei nº 10.101 dispõe em seu art. 3º: Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Portanto, rejeito os embargos opostos em relação à omissão arguida. (c) CONTRADIÇÃO NA APRECIAÇÃO DO ARGUMENTO RELATIVO AO DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM "NOVO PPR" Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16327.720073/201300 Acórdão n.º 2301005.419 S2C3T1 Fl. 1.191 9 No despacho de admissibilidade foi constatada a contradição no julgado com relação à não equiparação das reuniões ocorridas em 2007 e 2008 a um novo PPR, verbis: A contradição consistiria em que os julgadores confirmaram que as reuniões ocorridas entre os representantes dos empregador e empregados não se equiparariam a novos acordos, concluindo, entretanto, que não teria razão a Embargante; aduz a embargante que “se as reuniões não constituíram novos planos de PLR, conforme reconhecido pela C. Turma julgadora, não haveria necessidade de participação sindical em tais reuniões, razão pela qual não procede a afirmação do I. Conselheiro Relator de que sem razão a ora Embargante”, e que a própria ementa daria a entender que teria sido dado provimento ao recurso voluntário nesta questão. Considero presente a contradição apontada. Em um primeiro momento, o acórdão embargado sustenta que “(...) as reuniões realizadas em 19/07/2007, 07/08/2007, 21/09/2007, 23/03/2008, 16/07/2008 e 26/11/2008, entre os representantes da Recorrente e os representantes de seus funcionários, para a discussão da necessidade de eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR”, e que “É notável verificar que não se constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001 constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001”. Segundo o relatório fiscal (efls. 358 e ss): A Participação nos Lucros ou Resultados distribuída na AYMORÉ, foi com base no mesmo Acordo do Plano de Participação nos Resultados do Grupo ABN AMRO, assinado em 11 de junho de 2001, tendo como partes, de um lado o Banco ABN AMRO Real S.A. e de outro seus empregados. Tal acordo possui vigência retroativa a 1º de janeiro de 2001 e prazo de vigência de 24 (vinte e quatro meses). Todavia, o Parágrafo Único, da Cláusula Décima, dispões que enquanto inexistir novo plano de PPR que substitua o celebrado em 2001, este último será contínua e automaticamente prorrogado a cada ano, o que não aconteceu até o final do exercício de 2008. ... Em conformidade com a Cláusula Décima Primeira Revisão, que prevê revisão do acordado mediante negociação, a qualquer momento, foram realizadas reuniões periódicas para avaliação e discussão das adequações necessárias para cada exercício. Tais Fl. 1195DF CARF MF 10 reuniões, devido a seu caráter deliberatório e poder de mudança do conteúdo do plano original, adquirem caráter de legítimos instrumentos de negociação de PLR. ... 10 Para o anobase de 2007, foi realizada, em 19 de julho de 2007, uma reunião entre a Comissão de Representantes dos Empregados e da Empresa, para avaliação e validação do Plano de Participação nos Lucros e Resultados PPR, com a finalidade apresentar e discutir as adequações para o exercício de 2007, da qual destacase: A ausência de representação do Sindicato dos Empregados, além da falta de assinatura (...) 11 Nova reunião foi realizada em 07 de agosto de 2007, entre a Comissão de Representantes dos Empregados e da Empresa para avaliação e validação do Plano de Participação nos Lucros e Resultados PPR, com a finalidade apresentar e discutir as adequações para o exercício de 2007, da qual destacase: Novamente a ausência de representação do Sindicato dos Empregados, além da falta de assinatura, está nas palavras do Sr. Renato Franco Correa da Costa. que disse manteve contato com os Representantes do Sindicato, informandoos sobre o teor da primeira reunião, renovou o convite para participação e, ainda assumiu o compromisso de apresentarlhes o resultado da presente reunião ainda no decorrer desta semana, caso eles não pudessem comparecer. (...) (...) Logo após, o grupo técnico propôs suspender, a partir do próximo exercício, a antecipação de PPR, prevalecendo a antecipação prevista na Convenção Coletiva de PLR. Tendo em vista a ausência de representantes dos Empregados, (...) 12 Nova reunião foi realizada em 21/09/2007, para tratar do cancelamento da antecipação (...). ... 13 Nova reunião foi realizada em 27/03/2008 para avaliação dos resultados em relação ao exercício de 2007, e início de discussão sobre as adequação para o exercício de 2008, da qual destacase: novamente ocorreu a ausência de representantes do Sindicato dos Empregados. (...) 14 Nova reunião foi realizada em 16/07/2008 para análise e discussão do Plano de Participação nos Lucros e resultados PPR, exercício 2008, manteve a ausência de representação sindical nos mesmos moldes das reuniões anteriores. (...) 15 Nova reunião foi realizada em 26/11/2008 para análise e discussão do Plano de Participação nos Lucros e resultados PPR, exercício 2008, manteve a ausência de representação sindical nos mesmos moldes das reuniões anteriores. (...) (...) Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16327.720073/201300 Acórdão n.º 2301005.419 S2C3T1 Fl. 1.192 11 17 DA AUSÊNCIA DO SINDICATO O Acordo firmado em 2001, além de contar com a presença e assinatura de representante do sindicato, está devidamente arquivado no sindicato; o mesmo não se pode dizer das reuniões que alteraram o referido acordo (adaptações para o ano em curso). Tais reuniões além de não contar com a presença e assinatura de representante sindical, não foram arquivadas no sindicato representante dos empregados. (...) Alega a embargante a existência de contradição no voto do relator do acórdão embargado porquanto ao tempo em que considerou que as reuniões realizadas nos anos de 2007 a 2008 não se enquadrariam como novos PPR posicionouse pela necessidade de participação do sindicato, transcrevo os excertos correspondentes: DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM “NOVO PPR”/ BEM COMO DA INTIMAÇÃO AO SINDICATO EM TODAS ESTAS REUNIÕES E O SEU NÃO COMPARECIMENTO Importante registrar que as reuniões realizadas em 19/07/2007, 07/08/2007, 21/09/2007, 23/03/2008, 16/07/2008 e 26/11/2008, entre os representantes da Recorrente e os representantes de seus funcionários, para a discussão da necessidade de eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. E notável verificar que não se constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001. No que pese, para amparar tal argumentação, é importante ressaltar que, em momento algum, foi deliberado nessas reuniões a revogação do PPR seja parcial ou integral. A própria D. Autoridade Julgadora reconhece que o PPR não foi alterado pelas supracitadas reuniões conforme acórdão recorrido no qual peço vênia para transcrever: “(..) Não importa que não tenham sido introduzidas alterações no acordo de 2001.” Ademais, ainda que se entenda que seria necessário a participação do Sindicato nas referidas reuniões, conforme documentação juntada na Impugnação, a Recorrente enviou Notificações solicitando a participação do Sindicato restando todas elas infrutíferas. A convocação do sindicato para a participação da negociação das regras do PPR foi, inclusive, reconhecida no próprio Relatório Fiscal, cujo trecho segue abaixo transcrito: Fl. 1197DF CARF MF 12 (...) Está nas palavras do Senhor Renato Franco Correa da Costa que disse que manteve contato com os Representantes do Sindicato, informando sobre o teor da primeira reunião, renovou o convite para a participação(...) Em que pese constar indicação de que a Recorrente intimou por várias vezes o sindicato da categoria e este não compareceu nas reuniões definidoras de PLR, deveria ter usado meios mais eficazes para fazer valer a lei de regência. Os indicativos de intimação constante nos autos não são assazes para autorizar a realização de reunião de PLR sem a participação do sindicato, porque outros meios, poderiam ser utilizados, tais como denuncia na DRT, MPFT e outros órgãos, que não o fez, não se desincumbindo de sua responsabilidade. Entendo sem razão a Recorrente. A parte dispositiva, nessa matéria, ficou assim registrada: Acordam os membros do colegiado em: II por voto de qualidade b) em negar provimento, com a conseqüente manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, pela ausência de participação de entidade sindical na elaboração e manutenção dos programas de PLR, nos termos do voto do Relator; Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos, Cleberson Alex Friess e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; Podese concluir que a turma na ocasião do julgado firmou o seguinte entendimento: a) de que as reuniões não se tratavam de um novo PLR; e b) apesar de não serem "novos PLR" necessária a participação do sindicato nas reuniões. Tal entendimento encontra amparo na própria Lei nº 10.101/2000. Vejamos. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 16327.720073/201300 Acórdão n.º 2301005.419 S2C3T1 Fl. 1.193 13 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Da leitura do §1º acima verificase que é possível a revisão do acordo, sem que isso o qualifique como NOVO acordo, que foi o que de fato ocorreu. Mesmo que não se qualifique como novo acordo, tratase de negociação entre as partes (empresa e seus empregados) portanto, também aqui a comissão escolhida entre as parte deve ser integrada por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Para melhor adequação do posicionamento da turma entendo que devam ser feitos os seguintes ajustes na ementa e no voto do relator (efl. 925): Na ementa DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM "NOVO PPR". AUSÊNCIA DO SINDICATO. IRREGULARIDADE. Acordo préexistente, onde há reuniões anuais com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho, todavia necessitam da participação do representante sindical para sua regularidade. No voto DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM “NOVO PPR" / AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO Importante registrar que as reuniões realizadas em 19/07/2007, 07/08/2007, 21/09/2007, 23/03/2008, 16/07/2008 e 26/11/2008, entre os representantes da Recorrente e os representantes de seus funcionários, para a discussão da necessidade de eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. E notável verificar que não se constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001. No que pese, para amparar tal argumentação, é importante ressaltar que, em momento algum, foi deliberado nessas reuniões a revogação do PPR seja parcial ou integral. Fl. 1199DF CARF MF 14 A própria D. Autoridade Julgadora reconhece que o PPR não foi alterado pelas supracitadas reuniões conforme acórdão recorrido no qual peço vênia para transcrever: “(..) não importa que não tenham sido introduzidas alterações no acordo de 2001, como alegado pela impugnante, (...)sendo o relevante, no caso, que elas tinham o poder de introduzir mudanças no conteúdo do plano original” Apesar de não ter havido alterações no acordo préexistente, necessária a participação do Sindicato nas referidas reuniões, por expressa disposição legal. Conforme documentação juntada na Impugnação, a Recorrente enviou Notificações solicitando a participação do Sindicato, restando todas infrutíferas. A convocação do sindicato para a participação da negociação das regras do PPR foi, inclusive, reconhecida no próprio Relatório Fiscal, cujo trecho segue abaixo transcrito: (...) Está nas palavras do Senhor Renato Franco Correa da Costa que disse que manteve contato com os Representantes do Sindicato, informando sobre o teor da primeira reunião, renovou o convite para a participação(...) Todavia, os indicativos de intimação constante nos autos não são assazes para autorizar a realização de reunião de PLR sem a participação do sindicato, porque outros meios, poderiam ser utilizados, tais como denuncia na DRT, MPFT e outros órgãos, que não o fez, não se desincumbindo de sua responsabilidade. Entendo sem razão a Recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão nº 2301004.320 (efls. 917 929), sanando a contradição na apreciação do argumento relativo ao descabimento da equiparação das reuniões ocorridas em 2007 e 2008 a um "novo PPR", ajustando a ementa e o voto do relator nos termos acima propostos. É como voto. ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior – redator ad hoc. Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos são tempestivos, portanto deles conheço e passo à sua análise. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 16327.720073/201300 Acórdão n.º 2301005.419 S2C3T1 Fl. 1.194 15 De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. No tocante à potencial omissão no acórdão quanto à análise do argumento relativo à natureza de gratificação não habitual da PLR pelo que não incidiriam de contribuições previdenciárias sobre as verbas autuadas, entendo que de fato, tal questão foi ventilada no recurso voluntário (efls. 823 a 829), e não foi abordada pelo acórdão embargado, pelo que os embargos devem ser admitidos nesse ponto. Passando a análise de tal ponto, cumpre lembrar que o artigo 28, §9º, e, 7, da Lei n. 8.212/91 dispõe que não integra o salário de contribuição para fins de cálculo da contribuição previdenciária as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais. Ocorre que tal alegação não merece prosperar, uma vez que conforme se vê ao longo de todo o recurso voluntário, não resta dúvida de que se trata de verba de PLR e tal natureza é defendida ao longo de todo o recurso voluntário. O fato da verba de PLR não ter seguido estritamente os requisitos que garantiriam a não incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba não faz com que tal verba possa ser qualificada como ganho eventual. Nesse sentido, a existência de acordos de PLR, ainda que haja eventuais problemas com relação aos requisitos do acordo de PLR, já demonstra que não há eventualidade no pagamento de tal importância. Dessa forma, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão nº 2301004.320, 11/02/2015, para conhecer da questão respeitante à incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas que não possuem natureza jurídica de PLR, e nesta questão, negar provimento ao recurso voluntário; vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que não conhecia da questão É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1201DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.002270/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE.
Caracterizada obscuridade ou contradição no acórdão embargado sobre a identificação das notas fiscais cujos valores deveriam ser exonerados do lançamento, elas devem ser supridas pelos embargos de declaração.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 3402-005.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar as contradições e obscuridades apontadas para que integre o Acórdão embargado as seguintes ressalvas: (i) "A completa identificação das notas fiscais 00372, 000387 e 000700, cujos valores correspondentes devem ser exonerados da autuação, é da seguinte forma: 00372 - série 10, 000387 - série 8 e 000700 - série 8"; (ii) "Os valores correspondentes às notas fiscais nºs 000433 e 000609 não devem ser objeto de exoneração, vez que já não constavam no auto de infração, conforme planilhas das fls. 44/64".
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. Caracterizada obscuridade ou contradição no acórdão embargado sobre a identificação das notas fiscais cujos valores deveriam ser exonerados do lançamento, elas devem ser supridas pelos embargos de declaração. Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar as contradições e obscuridades apontadas para que integre o Acórdão embargado as seguintes ressalvas: (i) "A completa identificação das notas fiscais 00372, 000387 e 000700, cujos valores correspondentes devem ser exonerados da autuação, é da seguinte forma: 00372 série 10, 000387 série 8 e 000700 série 8"; (ii) "Os valores correspondentes às notas fiscais nºs 000433 e 000609 não devem ser objeto de exoneração, vez que já não constavam no auto de infração, conforme planilhas das fls. 44/64". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 22 70 /2 01 0- 60 Fl. 1468DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo InspetorChefe da Alfândega do Porto de Manaus em 30/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.874, de 22 de fevereiro de 2017, proferido na seguinte forma: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008 NOTA FISCAL. OMISSÃO DA DATA DE SAÍDA NO CAMPO PRÓPRIO. MULTA. FABRICANTE DE PRODUTOS ISENTOS. A prescrição do art. 339, I do RIPI/2002 para que a nota fiscal contenha "data da efetiva saída ou entrada da mercadoria" (alínea "t") somente é aplicável quando haja a "efetiva saída" da mercadoria, não sendo o caso de se exigila para as notas fiscais que não retratem saídas físicas de produtos do estabelecimento da emitente, situações nas quais a multa por emissão irregular de nota fiscal deve ser exonerada. De outra parte, não restando comprovado nos autos que as demais notas fiscais se enquadrariam nessa situação excepcional, a prescrição geral do art. 339, I do RIPI/2002 é cabível, sendo a sua não observância punível com a multa por irregularidade na emissão de nota fiscal pelo fabricante de produtos isentos. Recurso Voluntário provido parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a parcela do crédito tributário relativa a notas fiscais que, comprovadamente, conforme apurado na diligência, não representaram saída física do estabelecimento emitente. (...) (...) VOTO (...) Em análise de tais questões na diligência, apurou a fiscalização, conforme transcrição abaixo, as seguintes situações: a) algumas notas fiscais, emitidas para ajuste de preços, não correspondem a saídas físicas de produtos, as quais constaram nas notas fiscais originais respectivas, b) outras notas fiscais referemse a Remessas Simbólicas para o Armazém Geral, estando sob o Código Fiscal de Operações Prestações, CFOP 6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral, sem saída física da mercadoria; c) as demais notas fiscais refletem operações relativas a saídas físicas das mercadorias. (...) Como já adiantado na Resolução nº 3202000.363 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, "não há sentido em exigir a data da saída da mercadoria nas notas fiscais, quando essa ocorrência inexistiu, devido as circunstâncias narradas nas manifestações da contribuinte". Certamente que as prescrições do art. 339, I do RIPI/2002 para que a nota fiscal contenha a "data da efetiva saída ou entrada da mercadoria" (alínea "t") ou a "hora da efetiva saída da mercadoria do estabelecimento" (alínea "u") somente são aplicáveis quando haja a "efetiva saída" da mercadoria, não sendo o caso de se exigi las para as notas fiscais que não retratem saídas reais de produtos do estabelecimento da emitente, como nas duas primeiras situações abordadas no Relatório de Diligência Fiscal, de notas fiscais complementares para acerto do preço negociado ou de remessa simbólica para o armazém geral (CFOP 6905). (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a parcela do crédito tributário relativa a notas fiscais que, Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402005.459 S3C4T2 Fl. 1.469 3 comprovadamente, conforme apurado na diligência não representaram saída física do estabelecimento emitente. (...) Sustenta o embargante que teria ocorrido obscuridades/contradições, nos seguintes termos: (...) Analisando o presente processo, especificamente em relação às notas fiscais cujo crédito deve ser excluído, foi verificado o seguinte: As notas fiscais 000372, 000387 e 000700 apresentam duas unidades cada uma, localizadas, respectivamente, às efolhas 160 e 895, 161 e 836, 631 e 654, as quais, embora contenham números de série e valores da mercadoria diferentes, foram qualificadas, entre as notas cujo crédito dever ser exonerado, apenas por sua numeração retrocitada, impossibilitando a identificação. De se registrar que as notas 000372 e 000387 também constam na relação de notas mencionadas no Acórdão cujo valor do crédito deve ser mantido, mas também sem qualificação que permita individualização; A nota fiscal de número 000433 (efolha 238), embora tenham sido utilizadas para instruir a autuação, não está relacionada nas planilhas (tabelas) às efolhas 55/64, nas quais estão contidas as notas fiscais consideradas inidôneas pela fiscalização do Nurep, segundo consta no auto de infração; A nota fiscal 000609 não consta nas planilhas (tabelas) às efolhas 55/64 e não foi localizada no processo. (...) De acordo com a Informação Secat nº 22/2017, que aprovo, e com fundamento no art. 65, § 1º, V, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Carf), venho, tempestivamente, opor embargos de declaração em face do julgamento do processo administrativo em epígrafe, para requerer que sejam esclarecidas as obscuridades/contradições apontadas na informação retrocitada. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente do Colegiado em 02/10/2017. Intimada a manifestarse em face dos embargos interpostos, a contribuinte alegou que: (i) Para as notas fiscais n.º 000372 e n.º 000387, todas as séries devem ser excluídas da autuação, por trataremse de remessa simbólica para o Armazém Geral. Inclusive o CFPO de todas essas 4 notas é o mesmo, qual seja, CFOP 6905. Desse modo, as 2 notas fiscais já excluídas da autuação, quais sejam, 000372 10 e 0003878, devem assim permanecer, e as 2 notas fiscais ainda mantidas na autuação, quais sejam: 0003728 e 00038710, devem ser excluídas da autuação, conforme já solicitado em sede de Recurso Voluntário e Recurso Especial. (ii) Para a nota fiscal n.º 000700, a mesma foi excluída da autuação pelo v. acórdão, para todas as séries de emissão, por trataremse, todas, de remessa simbólica e/ou complementares. Desse modo, as 2 notas fiscais já excluídas da autuação, quais sejam, 000372 10 e 0003878, devem assim permanecer, e as 2 notas fiscais ainda mantidas na autuação, quais sejam: 0003728 e 00038710, devem ser excluídas da autuação, conforme já solicitado em sede de Recurso Voluntário e Recurso Especial. (ii) Para a nota fiscal n.º 000433, a mesma foi excluída da autuação pelo v. acórdão, por tratarse de remessa simbólica para o Armazém Geral. Fl. 1470DF CARF MF 4 Desse modo, a inexistência de tal nota na planilha/tabela emitida pelo A. Fiscal só reforça a realidade de que a mesma deve permanecer excluída da autuação. (iii) Para a nota fiscal n.º 000609, a mesma foi excluída da autuação pelo v. acórdão, por tratarse de remessa simbólica para o Armazém Geral. Desse modo, a inexistência de tal nota, tanto no processo quanto na planilha/tabela emitida pelo do A. Fiscal, só reforça a realidade de que a mesma deve permanecer excluída da autuação. Diante de todo o exposto na presente manifestação e mais do que nos autos consta, é medida que se impõe a manutenção do V. Acórdão quanto à exclusão, do auto de infração, das notas fiscais 000609, 000433, 000700, 00037210 e 0003878 visto que as supostas obscuridades/contradições apontadas pelo Embargante não tem o condão de modificar tal realidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Os embargos atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. Com relação às Notas Fiscais de mesmo número apontadas pelo Embargante, elas foram todas objeto de autuação, como se observa nos itens abaixo das planilhas das fls. 44/64: Ocorreu que tais Notas Fiscais foram mencionadas pela fiscalização na diligência sem distinguilas, acarretando o vício no Acórdão embargado e a consequente dificuldade à Autoridade Preparadora na sua execução, relativamente à apuração do montante que deveria ser exonerado da autuação. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402005.459 S3C4T2 Fl. 1.470 5 No Acórdão embargado foi exonerada a parcela da autuação relativa as notas fiscais que não representaram saída física do estabelecimento emitente, para as quais poderiam ser dispensadas as prescrições do art. 339, I, alínea "t" do RIPI/2002, consubstanciadas nas duas primeiras situações abordadas no Relatório de Diligência Fiscal: a) notas fiscais complementares para acerto do preço negociado: "Com o exposto e a análise das notas fiscais 000096, 000097, (...) 000372, 000373, 000374, 000375, 000376, 000377, 000383, 000384, 000385, 000386 da serie 10, podemos ver que elas foram emitidas com base no artigo 21, Incisos II e III [do Convênio SINIEF S/nº de 15 de Dezembro de 19701], para a Transeich Armazém Geral LTDA e a Libraport Campinas S/A. Por trataremse de complementação de notas fiscais citadas nos respectivos campos de informações adicionais, bem como por não constar nenhuma informação relativa ao transportador e citarem quantidade de mercadoria zero, há de se concluir que elas não se remetem a saídas físicas, matéria tratada nas notas fiscais originais. [negritei] b) notas fiscais de remessa simbólica para armazém geral (CFOP 6905): (...) Quanto as notas fiscais de número 000192, 000193, 000194, 000251, 000252, 000254, 000255, 000278, 000279, 000280, 000281, 000305, 000323, 000387,(...) 000700, (...) tratamse de Remessas Simbólicas para o Armazém Geral, estando sob o Código Fiscal de Operações e Prestações, CFOP 6905, Remessa para depósito fechado ou armazém geral. (...) (...) Os citados artigos, descrevem a situação de emissão de notas fiscais de remessa simbólica para Armazém Geral pelo depositante. (...)Por sua vez, o depositante emitirá uma nota fiscal de remessa simbólica para o Armazém Geral, obviamente, não haverá de se falar em saída física nesta última situação. (...) [negritei] Com relação às Notas Fiscais de nº 00372, em análise das cópias das fls. 160 e 895, verificase que a única que possui as características mencionadas no item a) acima é a da fl. 895 (fl. 838 na numeração original), de série 10, como se vê abaixo: 1 II no reajustamento de preço em virtude de contrato escrito de que decorra acréscimo do valor das mercadorias; III na regularização em virtude de diferença de preço ou de quantidade das mercadorias, quando efetuada no período de apuração dos respectivos impostos em que tenha sido emitida a Nota Fiscal originária; Fl. 1472DF CARF MF 6 Na Nota Fiscal de nº 00372 série 8 ( fl. 160) não consta quantidade de mercadoria zero, há informação relativa ao transportador, bem como não consta referência à complementação de outras notas fiscais; razões pelas quais não se enquadra na situação de retratada na diligência fiscal no item a) acima. Com relação às Notas Fiscais de nºs 000387 (fls. 161 e 836) e 000700 (fls. 631 e 654), verificase que as que contém as características da situação b) acima são as seguintes (000387 série 8 e 000700 série 8): Na Nota Fiscal 000700 série 9 (fl. 654) consta CFOP 6105, razão pela qual não se enquadra na situação b) especificada acima. De outra parte, com relação às Notas Fiscais nºs 000372 e 000387, que constaram na parte mantida da autuação, referidas na situação c) do acórdão embargado ("demais notas fiscais refletem operações relativas a saídas físicas das mercadorias"2), elas são as seguintes (000372 série 8 e 000387 série 10): 2 Relatório de Diligência Fiscal (fl. 1382) (...) No entanto, no que diz respeito as notas fiscais de número 000257, 000307, 000371, 000372, 000685, 000807, 000817, 000818, 000819, 000820, 000825, 000853 da série 8, e 000387 e 000222 da Serie 10, essas tratamse de remessas a Armazéns Gerais nas quais não constam as datas de saída e há sim de se falar em saída física. Semelhante é o caso das Notas Fiscais 009381, 013544, 013535, 013538, 013539, 013540, 013543, 013545, 013546, 013547, 011873, 013556, série 1, e 000645, série 8, que tratamse se vendas do depositante a serem Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402005.459 S3C4T2 Fl. 1.471 7 Por fim, como dito pelo Embargante, as notas fiscais nºs 000433 e 000609, não constam nas planilhas das fls. 44/64 e, consequentemente, também não foram objeto de autuação, razão pela qual, obviamente, dela não poderiam também ser exoneradas. Assim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração para sanear as contradições/obscuridades apontadas para que integre o Acórdão embargado as seguintes ressalvas: i)"A completa identificação das notas fiscais 00372, 000387 e 000700, cujos valores correspondentes devem ser exonerados da autuação, é da seguinte forma: 00372 série 10, 000387 série 8 e 000700 série 8"; ii) "Os valores correspondentes às notas fiscais nºs 000433 e 000609 não devem ser objeto de exoneração, vez que já não constavam no auto de infração, conforme planilhas das fls. 44/64". (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula entregues ao destinatário, estão todos com a saída em caneta com exceção da 000645 série 8, que não há nenhum registro da data de saída. Fl. 1474DF CARF MF 8 Fl. 1475DF CARF MF
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