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Numero do processo: 10580.721055/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI..
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 55 /2 00 9- 73 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 197.075,26, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201001.755 S2C2T1 Fl. 3 3 O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância, Maria Eleonora Ribeiro Cajahyba apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, as preliminares aventadas pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201001.755 S2C2T1 Fl. 4 5 Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere do relatório da decisão de primeira instância, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Quanto ao mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (art. 111, inciso II, do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Importa também acrescer que este Órgão Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluise, portanto, que a tese suscitada não merece acolhimento. Sobre a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, em verdade, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721055/200973 Acórdão n.º 2201001.755 S2C2T1 Fl. 5 7 Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (grifei) Ora, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, no caso dos autos, o pagamento da verba ocorreu, em verdade, com a edição da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Deste modo, inaplicável à espécie o recurso especial repetitivo. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.721055/200973 Recurso nº: 923.159 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.755. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.001409/2005-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ CARLOS GRANELLA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 40 9/ 20 05 -9 4 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, LUIZ CARLOS GRANELLA., foi lavrado o Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2000, que lhe exige crédito tributário. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e dá conta dos seguintes aspectos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Notase, da análise cuidadosa do processo, que dados da CPMF foram utilizados nos anos calendários de 2000. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001409/200594 Resolução nº 2202000.394 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral, tendo em vista a utilização dos dado da CPMF nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 430DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001409/200594 Resolução nº 2202000.394 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001409/200594 Resolução nº 2202000.394 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 432DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001409/200594 Resolução nº 2202000.394 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 433DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13974.000102/2003-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.625
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem verifique se houve duplicidade de glosas, nos termos do voto do relator.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Renato Mothes de Moraes, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem verifique se houve duplicidade de glosas, nos termos do voto do relator. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Renato Mothes de Moraes, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do acórdão de primeira instância até aquele momento processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação de Pedidos de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 74 .0 00 10 2/ 20 03 -1 1 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13974.000102/200311 Resolução nº 3803000.625 S3TE03 Fl. 3 2 Ressarcimento e Declarações de Compensação apresentados pela contribuinte e autuados no presente processo. Inicialmente, a contribuinte apresentou, em 01/04/2003, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação em formulário às fls. 001/002, por meio dos quais requereu o reconhecimento do crédito no valor de R$ 87.618,49 e a compensação parcial do mesmo em débitos do estabelecimento no valor total de R$ 82.000,00. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 2º trimestre de 2002. Posteriormente, em 27/07/2006, a contribuinte solicitou a alteração do valor do pedido de ressarcimento original para R$ 141.524,75, por meio de requerimento, de Pedido de Ressarcimento em formulário e de documentos anexos (fls. 003/047), alegando a necessidade de incluir valores integrantes da base de cálculo do crédito presumido e indicando os critérios utilizados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville SC, que, em 17/03/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 155/159), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R$ 75.460,39 e homologou apenas em parte as compensações no limite do crédito reconhecido, em virtude da exclusão da base de cálculo do crédito presumido de valores de gastos com frete e de aquisições de pessoas físicas , da dedução do IPI devido na matriz no período e da escrituração de parte do crédito presumido em trimestre calendário posterior ao do pedido de ressarcimento. Cientificada do Despacho Decisório, em 24/03/2009 (fl. 167), a contribuinte ingressou, em 22/04/2009, com Pedido de Ressarcimento, por meio de requerimento em papel (fls. 168/171) e formulário (fl. 185), no qual peticiona pela homologação da parcela de R$ 59.524,75 do crédito presumido relativo ao 2º trimestre de 2002 e escriturado no 2º trimestre de 2006, e com a manifestação de inconformidade de fls. 240/249 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Alega terem sido excluídos em duplicidade os valores dos fretes prestados por pessoas físicas, conforme procura demonstrar. 2. Insurgese contra a exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores dos fretes, trazendo a lume que o art. 18 da IN SRF nº 69/2001, posteriormente revisto pela IN SRF nº 315/2003 e pela IN SRF nº 420/2004, estabelece que o valor do frete não será excluído do cálculo. Reforça afirmando que o frete compõe o custo de aquisição da matéria prima. 3. Discorda também da exclusão da base de cálculo dos valores das aquisições de pessoas físicas, pois a Lei nº 10.276/2001 referese ao “valor total das aquisições” e não somente àquelas em que o fornecedor é contribuinte de PIS/COFINS. Alega ainda que a alíquota do crédito presumido já foi elevada para 5,37% por meio da MP nº 948/1995 a fim de incluir as etapas do processo produtivo anteriores à Fl. 418DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13974.000102/200311 Resolução nº 3803000.625 S3TE03 Fl. 4 3 última; assim, todas as aquisições de insumos devem ser computadas na base de cálculo do crédito presumido, independentemente de ser o fornecedor contribuinte ou não de PIS/COFINS. Traz decisões administrativas. 4. Afirma terse adequado à condição apresentada no Despacho Decisório para o reconhecimento da parcela complementar do crédito presumido somente no trimestrecalendário da sua escrituração por meio do novo Pedido de Ressarcimento formulado. Requer que o mesmo seja analisado em conjunto com a revisão do Despacho Decisório, por se tratar de crédito presumido do mesmo período. Conclui a referida manifestação de inconformidade requerendo a procedência do pedido para alterar o saldo do crédito do Despacho Decisório para R$ 106.173,35, homologar as compensações efetuadas, incluir na base de cálculo os valores de R$ 204.251,81 (aquisição de serviços de transporte) e R$ 134.359,25 (aquisição de matérias primas de pessoas físicas) e analisar o Pedido de Ressarcimento complementar do crédito presumido escriturado no 2º trimestre de 2006. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DE FRETE. O frete só será considerado como integrante do custo de aquisição de insumos (MP, PI e ME) com o fim de integrar a base de cálculo do crédito presumido se contratado pelo fornecedor e incluído no preço do produto ou se contratado pelo adquirente de terceiro pessoa jurídica (contribuinte do PIS/Pasep e Cofins), nesse último caso comprovado por Conhecimento de Transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13974.000102/200311 Resolução nº 3803000.625 S3TE03 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Em petição de fls 294/297, a recorrente requer o cumprimento da decisão judicial, transitada em julgado, nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.72.01.004468 9/SC, ajuizado em 08/11/2006, que determinou a imposição da taxa Selic aos valores requeridos nos Pedidos de Ressarcimento em dinheiro, apresentados pelo contribuinte, a título de crédito presumido do IPI, e não analisados em até 120 (cento e vinte) dias anteriores a impetração do Mandado de Segurança. Ato seguido, é prolatado o despacho decisório respectivo pelo INDEFERIMENTO do pedido formulado pelo contribuinte para aplicação da taxa Selic ao Pedido de Ressarcimento, objeto deste processo, vez que o crédito reconhecido foi utilizado na sua totalidade, para compensar parte do débito discriminados na Declaração de Compensação apresentada em 01/04/2003 pelo interessado à Secretaria da Receita Federal. E apontando o direito a recurso, no prazo de 10 (dez) dias, conforme dispõe os artigos 56 a 65, da Lei 9.784/94, e encaminhando o expediente à ARF Mafra, para ciência do despacho decisório e do julgado da DRJ Ribeirão Preto. Discordando da decisão de primeira instância, o interessado apresentou recurso voluntário, onde preliminarmente requer o julgamento comum deste processo e o de nº 10920.001534/200971, pois este trata da extensão e validade do crédito buscado naquele outro, ou, sucessivamente, a aplicação da decisão deste naquele outro; por cautela, repisa os mesmos argumentos esgrimidos em primeira instância quanto às glosas em seu direito creditório; ao final, requer deferimento do recurso voluntário sub analisis, para sanar a duplicidade de glosas de aquisições de pessoas fisicas (que incluem fretes de pessoa fisica) e inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos fretes e aquisições de pessoas fisicas. Apresentado o recurso voluntário, a repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13974.000102/200311 Resolução nº 3803000.625 S3TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Em preliminar, penso que o expediente carece de saneamento a fim de poder ser bem julgado. E tal necessidade decorre de que desde a primeira manifestação de inconformidade a recorrente sustenta haver duplicidade de glosas de aquisições de pessoas fisicas (que incluem fretes de pessoa fisica), sendo que tal matéria mereceu o seguinte tratamento na decisão recorrida: Inocorrência de duplicidade nas exclusões da base de cálculo Afirma a contribuinte ter havido duplicidade na glosa de valores efetuada pela fiscalização, que teria considerado duplamente o valor dos fretes contratados de pessoas físicas: na glosa de valores de fretes e na glosa de valores de aquisições de pessoas físicas. No entanto, como será demonstrado, tal afirmação não procede. Por um lado, os valores de fretes e de aquisições são computados em itens de custo distintos, conforme pode ser observado à fl. 022 no demonstrativo de Custos de Produção elaborado pela contribuinte, onde se identifica claramente no item b) os subitens “Compras de Matérias Primas” e “Fretes s/ Compras de MP/PI/ME”. Por seu turno, os valores das aquisições de pessoas físicas são informados também pela própria contribuinte à fl. 119, onde estão relacionados os fornecedores pessoa física, que foram exatamente os valores utilizados na glosa pela fiscalização. Portanto, para que houvesse duplicidade, necessário seria que os valores apresentados pela contribuinte a título de aquisições de pessoas físicas se referissem a valores de serviço de frete, o que não é corroborado por nenhum elemento dos autos. O valor informado à fl. 119 respondeu ao questionamento do item 8 da Intimação 678/2008, que perquiriu especificamente acerca de “aquisições de produtos de pessoas físicas”, portanto não faria sentido que a resposta se referisse a serviço de transporte. Ainda, a contribuinte não traz nenhum documento que comprove ou sequer dê indícios de que tenha havido a alegada confusão entre valores de insumos e de fretes, como, por exemplo, um documento fiscal emitido por qualquer dessas pessoas físicas a título de prestação de serviços de transporte. Outrossim, tal alegação de duplicidade é incompatível com o próprio cálculo efetuado pela contribuinte, que sempre considerou em parcelas distintas e independentes as aquisições de matérias primas e os fretes associados. Portanto, não procede a alegação de duplicidade nas glosas efetuadas pela fiscalização. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13974.000102/200311 Resolução nº 3803000.625 S3TE03 Fl. 7 6 No recurso voluntário voltou à carga a recorrente, efls. 398 e seguintes, trazendo quadros pormenorizados envolvendo "períodos", valores de "fretes" e "aquisições de pessoas fisicas", que teriam configurado duplicidade das referidas glosas e afirmando taxativamente que as aquisições de pessoas físicas, na verdade, referemse exclusivamente a serviços de transporte e não a aquisições de produtos, como asseverou o órgão julgador de primeiro grau. Diante disso, penso de todo razoável aprofundar o exame da matéria, razão pela qual voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora neste expediente verifique junto à escrituração fiscal da recorrente e em cotejo com os valores glosados pela auditoriafiscal, se, de fato, os fretes praticados por pessoas fisicas constaram das glosas a título de fretes e das glosas a título de aquisições de pessoas fisicas, consubstanciando duplicidade das glosas, elaborando Informação fiscal conclusiva a respeito da questão proposta. Ato seguido, intime a recorrente de todo o conteúdo da diligência fiscal, ofertando prazo de 30 dias para manifestação voluntária, no sentido de homenagear os princípios do contraditório e da ampla defesa. Após escoado o prazo supra, com ou sem manifestação da recorrente, retornem os autos a esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 422DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13839.000706/2005-83
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto e, conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Afastada a renúncia à instância administrativa pela evidência da não identidade de objeto com a ação judicial, tem cabimento o exame do mérito da impugnação apresentada em face do lançamento ofício pela autoridade de primeira instância de julgamento.
Numero da decisão: 1803-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à autoridade de primeira instância de julgamento para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausentes justificadamente os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva. Participou ainda do presente julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa como suplente convocada.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto e, conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Afastada a renúncia à instância administrativa pela evidência da não identidade de objeto com a ação judicial, tem cabimento o exame do mérito da impugnação apresentada em face do lançamento ofício pela autoridade de primeira instância de julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à autoridade de primeira instância de julgamento para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausentes justificadamente os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva. Participou ainda do presente julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa como suplente convocada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 326 1 325 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.000706/200583 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.275 – 3ª Turma Especial Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria LUCRO REAL Recorrente JOFEGE PAVIMENTAÇÃO E CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto e, conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Afastada a renúncia à instância administrativa pela evidência da não identidade de objeto com a ação judicial, tem cabimento o exame do mérito da impugnação apresentada em face do lançamento ofício pela autoridade de primeira instância de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à autoridade de primeira instância de julgamento para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausentes justificadamente os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva. Participou ainda do presente julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa como suplente convocada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 07 06 /2 00 5- 83 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 327 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 103113, com a exigência do crédito tributário no valor de R$319.493,45, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e juros de mora apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no primeiro semestre do anocalendário de 2003. Consta na Descrição dos Fatos: 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Glosa de valores compensados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, a titulo de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s) em período(s)base anterior(es), tendo em vista a insuficiência de saldos apurados e informados nas respectivas declarações de períodos anteriores. O saldo de prejuízos acumulados existentes no sistema SAPLI até 31/12/1998 era de R$60.214,74 [...], que foi totalmente compensando no processo administrativo fiscal n° 13839.002309/200465, por meio de Auto de Infração emitido com suspensão da exigibilidade por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n° 1999.61.05.0183706 da 4ª Vara Federal em Campinas (art. 151, incisos II e IV do CTN). Em decorrência de glosa fiscal efetuada no referido auto de infração, o prejuízo fiscal do anocalendário de 1999 apurado pelo contribuinte, no valor de R$739.140,46, converteuse em lucro real tributável, sobre o qual foi feito o lançamento tributário acima referido. Diante disso, glosamos o prejuízo fiscal compensado no ano calendário de 2000, no valor de R$739.140,45 [...] e a exigibilidade do crédito tributário decorrente ficará suspensa, por força da Medida Liminar acima mencionada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 247, art. 250, art. 251, art. 509 e art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 95105, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando: DOS FATOS [...] Assim, serviu o Auto de Infração apenas para prevenção da decadência. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 328 3 Entretanto, inobstante estar a exigibilidade do crédito suspensa, os fundamentos do AFRF não podem prosperar, porque totalmente legitimo o reconhecimento do expurgo inflacionário do Plano Verão. Assim tal glosa não pode prosperar conforme será demonstrado a seguir. [...] BREVE HISTÓRICO PROCESSUAL A exigência fiscal contra a qual insurgese a Impugnante, provém de lançamento decorrente de fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, na qual foi apurada suposta falta de recolhimento desse tributo, face ao procedimento adotado na ocasião da exclusão do Lucro Líquido para determinação do Lucro Real, correspondente ao resultado verificado pelo encontro dos valores credores e. 'devedores decorrentes da diferença entre a variação do BTNF e do IPC do mês de janeiro de 1989, das contas do balanço patrimonial e dos valores registrados na Parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real naquela data. Assim, a Impugnante propôs Mandado de Segurança distribuído sob n° 1.999.61.05.0183706, visando a concessão de medida liminar determinando ao Delegado da Receita Federal de Campinas que se abstenha de praticar quaisquer medidas coercitivas, em especial lavratura de Auto de Infração, tendente à exigência da diferença resultante da implementação do ajuste correspondente ao diferencial de 70,28% relativamente ao mês de janeiro de 1.989, ou alternativamente, o percentual de 42,72% para o mês de janeiro de 1.989 e 10,14% para o mês de fevereiro de 1.989, nos cálculos de correção monetária de seu ativo permanente e patrimônio liquido no balanço do mês Calendário de Outubro de 1999, até ser julgada a questão definitivamente. E, em 13 de janeiro de 2.000 foi concedida medida liminar, a qual encontrase em vigor até a presente data, valendo transcrever trecho pertinente: Destarte, DEFIRO A LIMINAR para determinar autoridade coatora que não aplique punições impetrante por incluir na demonstração financeira de janeiro e fevereiro de 1.989 os índices expurgados de 42,72% e 10,14%, respectivamente, até ulterior manifestação deste Juízo." Assim, o procedimento adotado pela Impugnante, objeto desta autuação, está amparado judicialmente, pela liminar vigente, nos autos do processo n° 1.999.61.05.0183706. DO DIREITO Na consecução ' de seus objetivos sociais, a Impugnante, por ocasião da determinação do lucro liquido do balanço encerrado em 31.10.99, para efeito: de correção monetária de balanço (CMB), utilizou como indexador das demonstrações financeiras, o "BTNF", por força do artigo 2° da Lei 7799 de 10/66/80 face à extinção da OTN. [...] Encerrado os estudos acerca do real indexador das demonstrações financeiras das pessoas jurídicas, restou evidenciado que, no caso concreto da Impugnante a irregularidade provocada pelo uso da OTN de janeiro de 1.989, aumentou indevidamente o lucro liquido (e consequentemente o lucro real) do balanço encerrado em 31/12/89, uma vez que à época, o seu patrimônio liquido era maior que o ativo permanente (saldo devedor de correção monetária de balanço), logo, o expurgo fez com que a despesa de correção monetária advinda da valorização do patrimônio liquido fosse menor que a correta. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 329 4 Assim sendo a Impugnante possui direito liquido e certo, à vista da Lei das S/A (art. 186, parágrafo 1°) do Regulamento do Imposto de Renda (art. 219), das orientações emanadas da Receita Federal, de reconhecer no mês de Outubro do ano calendário de 1999, a parcela de correção monetária decorrente da diferença apurada entre a variação do BTNF e o IPC. Sob este prima,. a Impugnante procedeu a exclusão do Lucro Liquido para determinação do Lucro Real, correspondente ao resultado verificado pelo encontro dos valores credores e devedores • decorrentes da diferença entre a .variação do 'BTNF e do IPC do mês de janeiro de 1989, das contas do balanço patrimonial e dos valores registrados na Parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real naquela data. Ocorre que, apesar de a Impugnante haver buscado o amparo judicial para ver legitimado seu procedimento, que visou reconhecer a real inflação ocorrida no ano de 1989, e inclusive tendo decisão liminar favorável esta neste momento sofrendo penalidade por ter buscado a guarida judicial, sendo surpreendida com o Auto de Infração sob comento exatamente sobre o diferencial de correção monetária, objeto de Mandado de Segurança. DO MÉRITO A INFLAÇÃO E A CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS [...] Na contabilidade, a moeda, usada como denominador monetário (padrão de mensuração), em função da redução de seu poder de compra (perda de poder aquisitivo), causa profundas distorções nas demonstrações financeiras das empresas. Em vista disso, o direito, em economias inflacionárias, pode e deve criar mecanismos de defesa da moeda, de sorte que o lucro liquido em cada exercício social, e consequentemente o lucro real, bases de incidência do Imposto sobre a Renda e Contribuição Social sobre o Lucro, reflitam a realidade, sob pena de aniquilamento do patrimônio empresarial. [...] Ora, o sistema de correção monetária do patrimônio liquido e do ativo permanente, cujo saldo é levado para o resultado do exercício (determinação do lucro), visa exatamente a recompor a perda do poder aquisitivo da moeda, impedindo com isto a tributação da renda fictícia. Vale dizer, somente há renda, somente há lucro como base de incidência de tributos, se do resultado do exercício se expurgarem os efeitos da inflação real verificada no período. Tece esclarecimentos minuciosos sobre a correção monetária em face da Lei nº 7.799, de 10 de junho de 1989, OTN, BTN, expurgos inflacionários, IPC, BTNF e do Plano Verão. Menciona que: A RECOMPOSIÇÃO DO PREJUÍZO DA IMPUGNANTE Tendo em vista que o efeito da correção monetária de balanço de um período se projeta no seguinte e, assim, sUcessivamente, no caso concreto da Impugnante a irregularidade provocada pelo uso da OTN de janeiro de 1989, aumentou indevidamente o lucro liquido (e consequentemente o lucro real) do seu balanço encerrado em 31/12/89, uma vez que, à época, o seu patrimônio liquido era maior que o ativo permanente (saldo devedor de correção monetária de balanço), logo o Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 330 5 expurgo fez com que a despesa de correção monetária, advinda da valorização do patrimônio liquido fosse menor que a correta. Consciente da mentira contida nos parâmetros oficiais de correção monetária, especificamente aqueles já referidos, a Impugnante reconheceu contabilmente em seu balanço encerrado em 31/10/99 lançando os efeitos da diferença da correção monetária de janeiro de 1.989 na conta de Lucros Acumulados e abateu o diferencial de correção monetária em questão, das bases de cálculo dos impostos incidentes sobre o lucro e a renda em especial do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro. Defende a tese a respeito da ilegalidade do valor da OTN de janeiro de 1989, da ofensa aos princípios do direito adquirido, da irretroatividade, da igualdade, da capacidade contributiva e da estrita legalidade (Lei nº 7.799, de 10 de junho de 1989 e inciso XXXVI do art. 5º, art. 145 e art. 150, ambos da Constituição Federal). Menciona que: Assim sendo, demonstrado está o direito da Impugnante de ajustar com os índices inflacionários, reconhecendose os efeitos fiscais decorrentes da referida diferença. [...] Concluise portanto que tanto o direito positivo quanto a jurisprudência estão fortemente tendentes a considerar, para efeito das relações civis, comerciais e tributárias, que deve ser reconhecido o diferencial de correção monetária expurgado dos índices oficiais. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo exposto e com base nos fatos, doutrina e jurisprudência pertinente aos pontos objeto da presente autuação, ora Impugnante, requer seja recebida a presente, para o fim de ser decretado o total cancelamento do Auto de Infração n° 13.839.000706/200583. Apenas ad argumentandum, na hipótese de manutenção do auto de infração, requerse a suspensão do presente processo administrativo até que ocorra a trânsito em julgado do processo judicial n. 1999.61.05.0183706, em face da decisão proferida neste último que suspendem a exigibilidade do suposto débito tributário sob comento. Está registrado como ementa do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 05 23.441, de 24.09.2008, fls. 207212: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 331 6 A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. [...] Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os julgadores da 5ª Turma da DRJ Campinas, por unanimidade, em DEIXAR DE APRECIAR o mérito na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário e no mais JULGAR PROCEDENTE o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Consta no Voto condutor: Salientese que os elementos de defesa aduzidos para o Auto de Infração, são os mesmos constantes no processo 13839.002309/200465 e que já foi julgado pela 4a Turma de Julgamento desta mesma DRJ em 17/03/2005, mediante Acórdão DRJ/CPS n° 8.987, o qual se junta aos autos às folhas [193198]. No presente voto, compartilhase do entendimento daquela turma, no qual se manifestou conforme transcrição abaixo: "Verificase que a contribuinte, previamente, recorreu ao Poder Judiciário para ter reconhecido o direito de proceder a incidência contábil, no balanço encerrado em 31.10.1999, do diferencial de correção monetária de janeiro de 1989, no percentual de 70,28% ou, alternativamente, no percentual de 42,72% e 10,14%, referente, respectivamente, aos meses de janeiro e de fevereiro de 1989, nos cálculos de correção monetária de seu ativo permanente e patrimônio liquido e, consequentemente, apropriada a diferença para fins fiscais na determinação da base de cálculo de todos os tributos incidentes sobre a renda, especialmente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro. É o que noticia a cópia da petição inicial de fls. 08/47 e da liminar de fls. 06/07, concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.61.05.0183706. Conforme certidão de fls. 54 e consulta de fls. 132, referido processo judicial encontrase ainda pendente de julgamento. Desse modo, resta configurado um óbice intransponível na apreciação administrativa das razões da impugnação relativas a tais matérias. Com efeito, a via administrativa não é o foro competente para discussão de inconstitucionalidade de lei, matéria de competência do Poder Judiciário por força do próprio texto constitucional. Ademais, a via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. À medida em que a interessada opta pela via superior, não se torna mais disponível a via administrativa o exame do direito reclamado, face o principio esculpido no art. 5°, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Assim sendo, e em face da supremacia hierárquica da esfera judicial, tornase prejudicado o apelo impugnatório, posto que, a teor do parágrafo 2° do artigo 1° do Decretolei n° 1.737, de 1979, e do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830, de 1980, a propositura de ação judicial por parte da contribuinte importa em renúncia ou desistência da via administrativa, entendimento esse contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03, de 14 de fevereiro de 1996, ao dispor: Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 332 7 "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial— por qualquer modalidade processual — antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia its instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; "(negretouse) Impõese, nesse caso, proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme preleciona o mesmo ADN COSIT n°03, de 1996: "c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; " (grifouse)" Quanto ao pedido de cancelamento do auto de infração, importa registrar que a discussão judicial e correspondente decisão não definitiva, ainda que hábil a antecipar os efeitos da pretensão do contribuinte, não representam obstáculo à formalização do crédito tributário pelo lançamento de oficio, o qual, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, mesmo estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Sobre o assunto, no sentido de ilustrar tal posicionamento, podemos citar trecho do voto do Ex.mo. Sr. Juiz Relator Ari Pargendler, em decisão proferida pelo Egrégio Tribunal Federal da 4a Região, em sede de Agravo de Instrumento Processo n.° 91.04.033981: Na espécie, portanto, a agravada poderia ter corrigido monetariamente as contas de seu balanço pelo índice que lhe aprouvesse, independentemente de provimento judicial, desde que se sujeitasse a eventual lançamento "exofficio" por diferenças que o fisco entendesse devidas. Mas ela não quer se ver nessa contingência, e então propôs a presente ação, obtendo liminarmente a sustação do lançamento suplementar. Até aí não vai o poder cautelar do Juiz. Tudo porque o lançamento fiscal é um procedimento legal, subordinado ao contraditório, que não importa dano algum para o contribuinte, o qual pode discutir a exigência nele contida em mais de uma instância administrativa, sem constrangimentos que antes existiam em nosso ordenamento jurídico ("solve et repete", depósito da quantia controvertida, etc.). A imposição nele contida pode ser ilegal, mas a pretexto disso não se deve tolher a constituição do crédito tributário, resultado de um procedimento que a Administração Pública está vinculada por lei... (destaques acrescidos) [...] Não obstante, é de se ressaltar que a referida liminar foi expressamente cassada em 29/11/2006, conforme se vê em consulta ao sítio da Justiça Federal de 1° Grau em São Paulo, [fl. 201], o que restabelece a exigibilidade do crédito tributário se o contribuinte não possuir outra medida judicial eficaz que suspenda a exigência do crédito tributário lançado de oficio. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer da impugnação, deixar de apreciar o mérito na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e no mais julgar procedente o lançamento. Notificada em 11.11.2008, fl. 217, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.12.2008, fls. 219268, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 333 8 Acrescenta que: DOS FATOS [...] Entretanto, os fundamentos do AFRF não podem prosperar, porque totalmente legitimo o reconhecimento do expurgo inflacionário do Plano Verão. Assim tal glosa não pode prosperar conforme será demonstrado a seguir. [...] BREVE HISTÓRICO PROCESSUAL A exigência fiscal contra a qual insurgese a Impugnante, provém de lançamento decorrente de fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, na qual foi apurada suposta falta de recolhimento desse tributo, face ao procedimento adotado na ocasião da exclusão do Lucro Liquido para determinação do Lucro Real, correspondente ao resultado verificado pelo encontro dos valores credores e. 'devedores decorrentes da diferença entre a variação do BTNF e do IPC do mês de janeiro de 1989, das contas do balanço patrimonial e dos valores registrados na Parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real naquela data. Assim, a Impugnante propôs Mandado de Segurança distribuído sob n° 1.999.61.05.0183706, visando a concessão de medida liminar determinando ao Delegado da Receita Federal de Campinas que se abstenha de praticar quaisquer medidas coercitivas, em especial lavratura de Auto de Infração, tendente à exigência da diferença resultante da implementação do ajuste correspondente ao diferencial de 70,28% relativamente ao mês de janeiro de 1.989, ou alternativamente, o percentual de 42,72% para o mês de janeiro de 1.989 e 10,14% para o mês de fevereiro de 1.989, nos cálculos de correção monetária de seu ativo permanente e patrimônio liquido no balanço do mês Calendário de Outubro de 1999, até ser julgada a questão definitivamente. DO DIREITO DA INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA — IMPOSSIBILIDADE DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA O v. acórdão ao manter o lançamento exarou a existência de discussão do tema na esfera judicial (Processo n.°1999.61.05.018370 6). Salientou que o fato da empresa ter optado pela via judicial seria "Óbice intransponível na apreciação administrativa das razões da impugnação relativas a tais matérias". Contudo, a Recorrente, procurando resguardar seus direitos, e, prevendo a repúdia da Autoridade Administrativa ao procedimento adotado, buscou amparo judicial, via mandado de segurança preventivo, contra eventual ato lesivo ao seu direito, tendo tal ação sido impetrada em 1999, ou seja, 3 anos antes do Auto de Infração em tela. [...] No caso vertente, a impetração preventiva da segurança se deu por necessária na medida em que a Recorrente utilizouse de direito líquido e certo para apropriar se do diferencial do BTNF para o IPC, diferença de correção monetária do mês de janeiro/1989 , no ano de outubro de 1999. Ciente de que o Fisco poderia não aceitar tal procedimento, como no caso realmente não aceitou, buscou à Recorrente a segurança esfera judicial. [...] A hipótese da Recorrente era exatamente essa, aguardar o constrangimento de ser autuada e ter todas aquelas complicações inerentes aos contribuintes "supostamente" inadimplentes ou então socorrerse do Judiciário pleiteando direito seu? A ora Recorrente optou pela segunda hipótese, ou seja, instaurou a via judicial Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 334 9 pleiteando resguardar direito seu, não discutindo em momento algum o mês calendário de Outubro 1999, mais sim o direito à utilização do expurgo inflacionário. Contudo, a Autoridade Julgadora singular entendeu que no caso em pauta teria ocorrido tal renúncia à esfera administrativa. Com efeito, ocorre a renúncia à esfera administrativa quando a matéria relativa aos dois processos, leiase administrativo e judicial, são idênticas, o que certamente não ocorre no caso em testilha. [...] Da singela leitura do v. acórdão recorrido é possível perceber que o nobre julgador analisou a questão sob o prisma do ingresso ao judiciário, considerando a impetração e desconsiderando o objeto do lançamento (mês calendário 10/1999) e que em momento algum resta discutido no Judiciário tal ponto. Ora [...], a simples transcrição da ementa do acórdão paradigma citado, por si só, já bastaria para configurar o equívoco praticado pelo v. acórdão recorrido, vez que a jurisprudência deste Egrégio Conselho estabelece: "A propositura de mandado de segurança antes da caracterização do lançamento tributário e especialmente na ausência da medida liminar que o inibisse não obsta A discussão do Auto de Infração na esfera administrativa.", Assim, como a Ação Judicial é de 1999 e não se discute na mesma nenhuma autuação, nem tão pouco o mês calendário de 1999, como debatido no Auto de Infração, então temse pela impossibilidade de renúncia, [...]. Como se vê, a ação judicial ajuizada em momento anterior ao procedimento administrativo não é empecilho para o conhecimento do tema no âmbito administrativo e o julgamento do mérito. [...] Desta feita, a renúncia à via administrativa pela via judicial somente poderia ocorrer após a existência do lançamento tributário e depois de instaurado o procedimento administrativo, nunca antes como no caso concreto, sendo forçoso às Autoridades Administrativas analisarem a matéria de mérito do presente recurso, motivo pelo qual merece integral provimento o presente recurso voluntário para que este Colendo Conselho de Contribuintes determine o retorno dos autos à instância a quo. Ad argumentandum, ao admitirmos que um contribuinte tenha reconhecido seu direito de defesa na esfera administrativa e outro contribuinte, na mesma situação fática, não tenha reconhecido esse direito, certamente estaríamos fazendo tábula rasa do princípio constitucional da igualdade contemplado na Carta Magna, por isso o equivoco praticado pelo v. acórdão ao não analisar os argumentos lançados na Impugnação Administrativa anteriormente protocolizada. [...] Tece esclarecimentos sobre o princípio da verdade material, que informa o processo administrativo fiscal. Ainda traz explicações sobre a inflação, a correção monetária de balanços inclusive de 1989, as demonstrações financeiras (DecretoLei n° 2.284, de 10 de março de 1986, Lei nº 7.730, de 31 de janeiro de 1989, Lei nº 7.777, de 19 de junho de 1989, Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989 e Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991). Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 335 10 Conclui que: Por todo exposto, considerados todos os argumentos acima, seja julgado procedente o Recurso Voluntário para afastar a renúncia esfera administrativa, determinando o retomo dos autos à Instância a quo, para esta analisar o mérito da presente demanda, aferindo a legalidade e a legitimidade da legislação que embasou o lançamento e o Auto de Infração em testilha. No mérito, ultrapassada a questão preliminar acima, a Recorrente requer a este Egrégio Conselho de Contribuintes o conhecimento e o integral provimento do presente Recurso Voluntário, com a conseqüente reforma da decisão de primeiro grau, a fim de que seja integralmente reconhecido o direito da Recorrente de proceder exclusão das parcelas de correção monetária decorrentes da diferença verificada entre o IPC e o BTNF por ocasião da implementação do denominado Plano Verão, e, por conseqüência, anulado o Auto de Infração em tela. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente diz que nos presentes autos não há concomitância entre o objeto do lançamento de ofício e o objeto do Mandado de Segurança n° 1.999.61.05.0183706 junto a 4ª Vara de Campinas da Justiça Federal e por essa razão deve ser afastada a renúncia à instância administrativa e desistência do recurso interposto. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial1, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1. 1 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 336 11 No Mandado de Segurança 1999.61.05.0183706/SP (Apelação Cível) consta a seguinte decisão de segundo grau2 3: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. IRPJ. CSLL. CORREÇÃO MONETÁRIA. LEI Nº 7.799/89. DECADÊNCIA AFASTADA. AMEAÇA OU JUSTO RECEIO CARACTERIZADOS. ART. 515 DO CPC. IMPETRAÇÃO EM DEZEMBRO/1999. DECRETO Nº 20.910/32. PRAZO QUINQUENAL. PRESCRIÇÃO CONFIGURADA. 1. Inaplicável o prazo peremptório estabelecido no art. 18 da Lei nº 1.533/51 quando o mandamus tem caráter preventivo, como é o caso, ajuizado em face da ameaça da prática de ato administrativo fiscal (lançamento ou inscrição do crédito tributário). Precedentes da E. 1ª Seção do STJ: EREsp 434838/SP, Min. Humberto Martins, j. 23/08/2006, DJ 11/09/2006, p. 220; EREsp 546259/PR, Min. Teori Albino Zavascki, j. 24/08/2005, DJ 12/09/2005, p. 199; EREsp 467653/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, j. 12/05/2004, DJ 23/08/2004, p. 115. 2. Encontrase presente a ameaça ou justo receio da impetrante de vir a ser autuada pela autoridade competente, justificandose, assim, a utilização da via mandamental, que se mostra necessária e útil (adequada) para proteção de seu pretenso direito, nos termos do art. 1º, da Lei nº 1.533/51. 3. Aplicável o disposto no art. 515, do CPC. 4. Através do mandado de segurança impetrado em dezembro/1999, a impetrante visa o reconhecimento do direito à aplicação de índice de correção monetária que entende devido, referente a janeiro e fevereiro de 1.989, no balanço encerrado em 31/10/1999. Em se tratando de pretensão escritural, cabível a aplicação do disposto no art. 1.º do Decreto n.º 20.910/32, cujo teor determina que qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originou. 5. Assim, superado em muito o prazo quinquenal, há de ser reconhecida a ocorrência da prescrição. 6. Apelação parcialmente provida. Preliminar de prescrição arguida em contrarazões acolhida. Extinção do processo com resolução do mérito (CPC, 269, IV). 2 Disponível em: <http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/131513>. Acesso em: 17 jul.2014. 3 Documento eletrônico assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002/2001 de 24/08/2001, que instituiu a Infra estrutura de Chaves Públicas Brasileira ICPBrasil, por: Signatário (a): CONSUELO YATSUDA MOROMIZATO YOSHIDA:40 Nº de Série do Certificado: 4435AAF4 Data e Hora: 14/08/2009 19:44:33 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 337 12 ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação, tãosomente para afastar a decadência da impetração do mandado de segurança, e com fulcro no art. 515, do CPC, acolher a preliminar de prescrição arguida em contrarazões, julgando extinto o processo com resolução do mérito (CPC, 269, IV), nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 13 de agosto de 2009. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal [...] RELATÓRIO A EXCELENTÍSSIMA SENHORA DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA (RELATORA): Tratase de apelação em mandado de segurança, impetrado com o objetivo de assegurar o reconhecimento contábil no balanço encerrado em 31/10/1999 da diferença de correção monetária de janeiro de 1.989, no percentual de 70,28%, ou, alternativamente, no percentual de 42,72%, bem como da diferença de 10,14%, relativo ao mês de fevereiro de 1.989, de forma a ser autorizada a apropriação de tais índices para fins fiscais na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afastandose eventuais atos ou sanções contra a impetrante pela utilização de tal procedimento. A liminar foi deferida. O r. juízo a quo denegou a segurança, sob o fundamento de que ultrapassado o prazo de decadência em relação ao direito líquido e certo supostamente existente. Apelou a impetrante, aduzindo, em síntese, que se trata de mandado de segurança preventivo, através do qual objetiva evitar um ato coator que ainda não se concretizou, pois a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos decorre da lei e a atividade da autoridade coatora é vinculada e obrigatória, sendo indubitável a ameaça e o justo receio de lesão; que também não ocorreu a prescrição do direito de utilizar o expurgo praticado em 1.989 na correção monetária de balanço do ano de 1.999, pois, no caso, sequer foi afastada a presunção de legalidade da norma impugnada, qual seja, o art. 30 da Lei nº 7.799/89. Em contrarazões, a apelada argúi, preliminarmente, a prescrição, com base no art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Após, subiram os autos a esta Corte. O Ministério Público Federal opinou pelo improvimento da apelação. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 338 13 Dispensada a revisão, nos termos do art. 33, inciso VII, do Regimento Interno desta C. Corte. É o relatório. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal [...] VOTO A EXCELENTÍSSIMA SENHORA DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA (RELATORA): No caso, a apelante impetrou o mandado de segurança com o objetivo de assegurar o reconhecimento contábil no balanço encerrado em 31/10/1999 da diferença de correção monetária de janeiro de 1.989, no percentual de 70,28%, ou, alternativamente, no percentual de 42,72%, bem como da diferença de 10,14%, relativo ao mês de fevereiro de 1.989, de forma a ser autorizada a apropriação de tais índices para fins fiscais na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afastandose eventuais atos ou sanções contra a impetrante pela utilização de tal procedimento. O art. 18 da Lei nº 1.533/51 dispõe que o direito de requerer mandado de segurança extinguirseá decorridos cento e vinte dias contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. O E. Supremo Tribunal Federal já reconheceu a constitucionalidade da fixação de prazo decadencial para a utilização da via mandamental, entendimento expresso na Súmula nº 632. Entretanto, na presente hipótese deve ser afastada a decadência do direito à impetração do mandado de segurança. É de ser desconsiderado, por inaplicável, o prazo peremptório estabelecido no art. 18 da Lei nº 1.533/51 quando o mandamus tem caráter preventivo, como é o caso, ajuizado em face da ameaça da prática de ato administrativo fiscal (lançamento ou inscrição do crédito tributário). Nesse sentido: Em matéria tributária há um permanente estado de ameaça gerada pela potencialidade objetiva da prática de ato administrativo dirigido ao contribuinte, surgindo o fato que enseja a incidência da lei ou de outra norma, questionadas quanto à sua validade jurídica. O lançamento ou inscrição do crédito tributário como dívida ativa, de regra, é que concretizam a ofensa ao direito líquido e certo. (...), antecedentemente não se pode fincar o início do prazo decadencial para a impetração preventiva do MS (LMS 18) (STJ, 1ª T., Resp 90966BA, rel. Min. Milton Luiz Pereira, 20.03.1997 v.u., DJU 28.04.1997, p. 15813). (Nelson Nery Jr. Código de Processo Civil Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor. 5.ª ed., São Paulo: RT, 2001, p. 2385). Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 339 14 Tal entendimento restou consolidado pela E. 1ª Seção do Superior Tribunal, ao tratar de idêntica matéria a que se refere os presentes autos, conforme os seguintes precedentes: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO DO ANO DE 1989 MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO NÃO INCIDÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que não incide o prazo decadencial de 120 dias em mandado de segurança relativo à correção monetária de demonstrações financeiras que se renova a cada ano. Embargos de divergência improvido. (EREsp 434838/SP, Min. Humberto Martins, j. 23/08/2006, DJ 11/09/2006, p. 220) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DE 1989. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ DO ANO DE 1992. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. 1. Consolidouse a jurisprudência da Primeira Seção no sentido de que o mandado de segurança objetivando evitar eventual atuação fiscal tendente a desconsiderar a dedução do saldo de correção monetária das demonstrações financeiras do ano de 1989, na apuração da base de cálculo do IRPJ dos anos subseqüentes, apresenta nítido caráter preventivo, não se voltando contra lesão a direito já ocorrida. (ERESP 467.653/MG, Min. Eliana Calmon, DJ de 23.08.2004) 2. Sendo o mandado de segurança preventivo, não se aplica o prazo decadencial de 120 dias previsto no art. 18 da Lei 1.533/51. 3. Embargos a que se dá provimento. (EREsp 546259/PR, Min. Teori Albino Zavascki, j. 24/08/2005, DJ 12/09/2005, p. 199) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA DECADÊNCIA CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CABIMENTO DO WRIT PREVENTIVO. 1. Para que haja a impetração do mandado de segurança preventivo, não é necessário esteja consumada a situação de fato sobre a qual incide a lei questionada, bastando que tal situação esteja acontecendo, vale dizer, que tenha sido iniciada a sua efetiva formação ou pelo menos estejam concretizados fatos dos quais logicamente decorre o fato gerador do direito cuja lesão é temida. 2. Em mandado de segurança relativo a matéria tributária é imprescindível distinguirse lesão de ameaça, pois temse Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 340 15 admitido, a partir da mera presunção jurídica da aplicabilidade da lei, a impetração do mandado de segurança preventivo contra lei que, sem validade jurídica, cria ou aumenta tributo, utilizandose raciocínio simplista de que a lei em si mesma já se traduz no ato impugnável e é a partir de sua vigência que deve se contar o prazo do extinção do mandamus, sem se levar em conta a ocorrência efetiva ou provável ocorrência da situação de fato que levará à incidência da norma, e que ensejará, assim, respectivamente, a impetração corretiva ou preventiva. 3. A tese jurídica discutida reportase a fato ocorrido em 1989, pela aplicação da Lei 7.799/89, quando foi usado índice de correção monetária no balanço daquele anobase, tendo a ilegalidade se protraído no tempo, atingindo as empresas em 1992, quando apuraram resultado positivo e, portanto, tributável, sendo cabível, assim, a utilização do mandado de segurança preventivo, não atingido pela decadência. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 467653/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, j. 12/05/2004, DJ 23/08/2004, p. 115) Dessa forma, com fulcro no art. 515, do CPC, passo, então, à análise do feito. É de se acolher a preliminar de prescrição pela apelada. Tratase de mandado de segurança impetrado em dezembro/1999, através do qual a impetrante visa o reconhecimento do direito à aplicação de índice de correção monetária que entende devido, referente a janeiro e fevereiro de 1.989, no balanço encerrado em 31/10/1999. Em se tratando de pretensão escritural, cabível a aplicação do disposto no art. 1.º do Decreto n.º 20.910/32, cujo teor determina que qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originou. Assim, superado em muito o prazo quinquenal, há de ser reconhecida a ocorrência da prescrição. Nesse sentido já decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça, conforme os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO. 1. Mandado de segurança preventivo visando a evitar a autuação fiscal pela utilização do BTNF no balanço de 1989. Writ impetrado em 1998. Pretensão de correção monetária que não se confunde com pleito de repetição de indébito. Aplicação analógica do entendimento sedimentado de que tratandose de pretensão escritural embutida em mandado de segurança, a prescrição é qüinqüenal, nos termos do art. 1º, do Decreto nº 20.910/32 (Precedentes: REsp 530064/SC, Relatora Ministra Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 341 16 Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ de 05.09.2005; e REsp 554877/SC, Relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ de 23.05.2005). 2. Agravo regimental provido para negar provimento ao recurso especial. (1ª Turma, AgRg no REsp 677655/PE, Rel. p/ acórdão Min. Luiz Fux, j. 20/10/2005, DJ 28/11/2005, p. 203) Em face de todo o exposto, dou parcial provimento à apelação, tãosomente para afastar a decadência da impetração do mandado de segurança, e com fulcro no art. 515, do CPC, acolho a preliminar de prescrição arguida em contrarazões, e julgo extinto o processo com resolução do mérito (CPC, 269, IV). É como voto. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto e, conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada, em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, 14 de fevereiro de 1996. Há que se averiguar se a ação via judicial tem o mesmo objeto do processo administrativo. Assim, a Recorrente optou por discutir na via judicial a seguinte matéria: No caso, a apelante impetrou o mandado de segurança com o objetivo de assegurar o reconhecimento contábil no balanço encerrado em 31/10/1999 da diferença de correção monetária de janeiro de 1.989, no percentual de 70,28%, ou, alternativamente, no percentual de 42,72%, bem como da diferença de 10,14%, relativo ao mês de fevereiro de 1.989, de forma a ser autorizada a apropriação de tais índices para fins fiscais na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afastandose eventuais atos ou sanções contra a impetrante pela utilização de tal procedimento. O lançamento de ofício se fundamenta: 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Glosa de valores compensados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, a titulo de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s) em período(s)base anterior(es), tendo em vista a insuficiência de saldos apurados e informados nas respectivas declarações de períodos anteriores. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 342 17 O saldo de prejuízos acumulados existentes no sistema SAPLI até 31/12/1998 era de R$60.214,74 [...], que foi totalmente compensando no processo administrativo fiscal n° 13839.002309/200465, por meio de Auto de Infração emitido com suspensão da exigibilidade por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n° 1999.61.05.0183706 da 4ª Vara Federal em Campinas (art. 151, incisos II e IV do CTN). Em decorrência de glosa fiscal efetuada no referido auto de infração, o prejuízo fiscal do anocalendário de 1999 apurado pelo contribuinte, no valor de R$739.140,46, converteuse em lucro real tributável, sobre o qual foi feito o lançamento tributário acima referido. Cotejando o objeto da ação judicial e objeto do lançamento, podese verificar que não são os mesmos. Cabe assim, nessa segunda instância de julgamento, o reexame das matérias constantes no recurso voluntário, porque não se caracterizou a sua desistência. No Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0523.441, de 24.09.2008, fls. 207212, consta: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os julgadores da 5ª Turma da DRJ Campinas, por unanimidade, em DEIXAR DE APRECIAR o mérito na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário e no mais JULGAR PROCEDENTE o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Nos presentes autos não há renúncia às instâncias administrativas atinente ao presente processo e por essa razão fica descaracterizada a preliminar de igualdade de objetos entre o lançamento de ofício e a decisão judicial. Afastada a renúncia à instância administrativa pela evidência da não identidade de objeto com a ação judicial, tem cabimento o exame do mérito da impugnação apresentada em face do lançamento ofício pela autoridade de primeira instância de julgamento no que se refere à matéria diferenciada. Por essa razão os autos devem retornar à autoridade de primeira instância de julgamento para apreciar o mérito do litígio em relação à matéria diferenciada, ou seja, em relação tãosomente à glosa de prejuízo fiscal compensado indevidamente, tendo em vista à verificação de saldo insuficiente nos sistemas internos da RFB. Ressaltese que, nesse sentido, fica afastada a possibilidade de reexame do referido saldo de prejuízo fiscal acumulado existente no sistema SAPLI até 31.12.1998, que foi totalmente compensando no processo administrativo fiscal n° 13839.002309/200465, “por meio de Auto de Infração [lavrado] com suspensão da exigibilidade por força de Medida Liminar concedida [na ação judicial de] n° 1999.61.05.0183706 [ajuizada junto a] 4ª Vara Federal em Campinas”. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à autoridade de primeira instância de julgamento para apreciar o mérito do litígio em relação à matéria diferenciada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13839.000706/200583 Acórdão n.º 1803002.275 S1TE03 Fl. 343 18 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13804.004040/2001-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
Ementa:
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO ACRESCIDO DE JUROS DE MORA, MAS NÃO CONFESSADO PREVIAMENTE EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTAS MORATÓRIAS.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e dispensa a exigência de multa de mora quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e em momento anterior à entrega de DCTF ou outra declaração que tenha a função de confissão de dívida. Decisão do STJ na sistemática do art. 543C do CPC.
Numero da decisão: 1301-001.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 Ementa: TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO ACRESCIDO DE JUROS DE MORA, MAS NÃO CONFESSADO PREVIAMENTE EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTAS MORATÓRIAS. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e dispensa a exigência de multa de mora quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e em momento anterior à entrega de DCTF ou outra declaração que tenha a função de confissão de dívida. Decisão do STJ na sistemática do art. 543C do CPC.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 Ementa: TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO ACRESCIDO DE JUROS DE MORA, MAS NÃO CONFESSADO PREVIAMENTE EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTAS MORATÓRIAS. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e dispensa a exigência de multa de mora quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e em momento anterior à entrega de DCTF ou outra declaração que tenha a função de confissão de dívida. Decisão do STJ na sistemática do art. 543C do CPC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 40 40 /2 00 1- 14 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13804.004040/200114 Acórdão n.º 1301001.280 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, apresentado em 20.12.2001, em que o contribuinte pleiteia a restituição de valores pagos a título de multa moratória incidente sobre diversos débitos de tributos e contribuições, conforme DARFs recolhidos, de fls.11 a 43, encontrandose anexados aos autos pedidos de compensação protocolizados em de 20/12/2001, 15/01/2002 e 22/01/2002. Para embasar seu pleito, a requerente invocou o instituto da denúncia espontânea, citando, a propósito, entendimento doutrinário e jurisprudencial que referendaria sua tese, de ser indevida a multa de mora, em caso de pagamento espontâneo. A Delegacia da Receita Federal, mediante Despacho Decisório de fls. 76 a 79, indeferiu o pleito, justificando que, para os valores recolhidos antes de 20.12.1996, teria decorrido o prazo decadencial previsto no artigo 168, I, do Código Tributário Nacional CTN. Por outro lado, a autoridade administrativa entendeu que a "denúncia espontânea" aplicase apenas a multas de natureza punitiva, o que não seria o caso da multa de mora, a qual possui apenas natureza compensatória. Determinou, ainda, que não fossem homologadas as compensações vinculadas ao suposto crédito, nos termos do art. 49 da Lei n° 10.637/2002 e do art. 21, § 2°, da IN SRF n° 210/2002. Notificada do indeferimento, a interessada manifestou tempestivamente sua inconformidade, alegando, em síntese, que a doutrina e a jurisprudência têm respaldado uma interpretação teleológica do artigo 138 do CTN, direcionada ao estimulo do saneamento das Fl. 521DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13804.004040/200114 Acórdão n.º 1301001.280 S1C3T1 Fl. 4 3 irregularidades no plano fiscal, por meio da atuação do próprio sujeito passivo, antecipando, deste modo, o recolhimento aos cofres públicos de valores que de outro modo poderiam levar longo tempo até que fossem cobrados pelas autoridades competentes. Aduziu ser incabível a aplicação de multas e acréscimos financeiros aos débitos pagos por força da denúncia espontânea, visto que o CTN, nessas hipóteses, referese apenas ao pagamento do principal, que é inseparável da atualização monetária, além dos juros de mora, sem aludir a outras incidências. Disse que a Fazenda Pública, contrariando o CTN, ainda sustenta diferenças de tratamento, sob a ótica desse dispositivo, entre a multa moratória e a multa punitiva, como se a multa moratória não correspondesse também a uma sanção pela violação do dever de pagar pontualmente o tributo. Arguiu que não ha como distinguir a multa moratória de outros tipos de multa para fins de sua exclusão do artigo 138 do CTN, ou seja, o contribuinte responde pela infração de efetuar o pagamento fora do prazo imposto pela norma tributária se não efetuar espontaneamente a sua denúncia com as providências previstas no referido art. 138. Com relação à. suposta decadência do direito de pleitear restituição de valores recolhidos antes de 20/12/1996, argumentou que deve prevalecer o entendimento da jurisprudência e doutrina de que o termo inicial do prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN para repetição de indébito, começa a contar a partir da homologação tácita ou expressa do pagamento realizado indevidamente pelo contribuinte. Examinando a Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo exarou o acórdão com a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2001 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. — É devida a multa de mora no pagamento extemporâneo de tributo ou contribuição, sob o albergue do instituto da denuncia espontânea." No que tange à. decadência do direito, aduziu que, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, os efeitos da extinção do crédito tributário operam desde o pagamento antecipado pelo sujeito passivo, ainda que sujeito à ulterior homologação da autoridade. Portanto, o pagamento constitui o termo inicial do prazo decadencial. Assim, manteve o Despacho Decisório que indeferiu o pleito, quanto aos valores recolhidos antes de 20.12.1996, para os quais teria decorrido o prazo decadencial previsto no artigo 168, I, do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13804.004040/200114 Acórdão n.º 1301001.280 S1C3T1 Fl. 5 4 No que se refere ao afastamento da multa de mora, a DRJ aduziu que, à vista do disposto no art. 138 do CTN, deve ser feita a distinção entre multa de oficio e multa de mora. A multa de mora decorre do atraso no adimplemento da obrigação principal, quando cumprida espontaneamente. Tem caráter compensatório em razão da mora e não caráter punitivo, chegando, no máximo, a 20% dos valores devidos a titulo de tributo ou contribuição. A multa de oficio, ao contrário, é punitiva e visa a coibir a prática de ilicitude fiscal, sendo exigida quando levado a efeito um lançamento "ex officio". Seu percentual encontrase previsto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (anteriormente, art. 40 da Lei n° 8.218/1991), que estabelece a aplicação de multa de setenta e cinco por cento (cem por cento naquela lei) calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento fora do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração, e nos de declaração inexata. Acrescentou que a multa moratória decorre do simples atraso no recolhimento do tributo, mero inadimplemento, não estando vinculada ao cometimento de qualquer infração. Alegou que considerar que essa multa estaria excluída pelo disposto no art. 138 do CTN seria o mesmo que dizer que o citado diploma legal a teria proscrito, pois seria essa inexigível em qualquer situação, já que a multa exigível depois de instaurado o procedimento fiscal é a oriunda de lançamento de oficio. Dessa forma, concluiu que o instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora, cuja aplicação está prevista na Lei n° 8.383/1991, art. 59, na Lei n° 8.981/1995, art. 84, e atualmente na Lei no 9.430/1996, art. 61, dispositivos estes que continuam inseridos em nosso ordenamento jurídico, e cujos ditames devem ser observados pela administração pública. Citou acórdãos dos Conselhos dos Contribuintes, que referendam o seu entendimento. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, acompanhado dos documentos de fls. 288/503, no qual reiterou os argumentos já expendidos na Manifestação de Inconformidade, no sentido de que não há como distinguir a multa moratória de outros tipos de multa para fins de sua exclusão do artigo 138 do CTN, ou seja, o contribuinte responde pela infração de efetuar o pagamento fora do prazo imposto pela norma tributária, se não efetuar espontaneamente a sua denúncia com as providências previstas no referido art. 138. E, quanto à decadência do direito de restituição/compensação, reiterou que deve prevalecer o entendimento da jurisprudência e doutrina, de que o termo inicial do prazo de cinco anos art. 168 do CTN, para repetição de indébito, começa a contar a partir da homologação tácita ou expressa do pagamento realizado indevidamente pelo contribuinte. Submetido a julgamento pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do MF em sessão de 16 de abril de 2008, o Relator, Conselheiro Caio Marcos Cândido, assentou que, a despeito de não ser necessário para a formação de sua convicção, a maioria dos membros da Câmara entendia, na esteira da jurisprudência do Superior Tribunal de Fl. 523DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13804.004040/200114 Acórdão n.º 1301001.280 S1C3T1 Fl. 6 5 Justiça, ser necessário, para a verificação da ocorrência ou não da denúncia espontânea no caso concreto, da confirmação de que se os valores dos tributos recolhidos em atraso, sobre os quais o sujeito passivo fez incidir a multa de mora objeto do pedido de restituição, foram informados a Receita Federal do Brasil, por meio da entrega de DIRPJ, DIPJ ou DCTF, bem como da data em que a respectiva declaração foi entregue à RFB. Por esse motivo, conforme a Resolução n° 10102.656, decidiuse converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal confirmasse se os valores dos tributos recolhidos em atraso, sobre os quais incidiu a multa de mora, foram informados à Receita Federal mediante entrega da DIRPJ, DIPJ ou DCTF, e a data em que a respectiva declaração foi entregue. Cumprida a diligência, foram juntados os documentos de fls. 513/646. Em relatório de fls. 647, a DRF de origem esclareceu ter elaborado a planilha de fls. 646, em que constam os valores declarados em DCTF, a data da entrega da declaração, a data de arrecadação do DARF. Aduziu a autoridade que, com exceção dos DARF relacionados nos itens 4, 5, 6, 8, 16, 18, 19, 20, 21, 24 e 25, da planilha de fls. 646, todos os valores foram arrecadados anteriormente à entrega das declarações. Ao retornarem os autos, tendo em vista a criação do CARF, em substituição aos antigos Conselhos de Contribuintes, o processo foi distribuído para a 3ª Turma Ordinária da Primeira Câmara, e sorteado para relatoria do Conselheiro Décio Lima Jardim. Em 12 de março de 2010, acolhendo proposição do novo relator, o Presidente da 3ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento exarou despacho para que os autos retornassem à origem, para ciência do contribuinte do resultado da diligência. O contribuinte tomou ciência e apresentou sua manifestação, na qual aduz: I Conforme levantamento de fls. 646 realizado pelo Sr. Auditor Fiscal, com exceção dos itens 4, 5, 6, 8, 16, 18, 19, 20, 21, 24 e 25, as multas de mora indevidamente recolhidas pela Intimada, foram pagas anteriormente à. declaração dos respectivos débitos em DCTF. 2 — De acordo com a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, dispensase o pagamento de multa de mora, conforme artigo 138 do Código Tributário Nacional, quando o pagamento em atraso é feito espontaneamente pelo contribuinte anteriormente sua declaração em DCTF. 3 Dessa forma, a diligência realizada confirma o direito de crédito pleiteado pela Intimada, face ao pagamento indevido da multa de mora, na trilha da jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça. 4 Com relação aos itens 5, 6, 18 e 19 apontados como exceção na diligência de fls., a Intimada alerta que, se os respectivos débitos não foram localizados em DCTF pelo Auditor Fiscal, significa dizer que não foram declarados, o que também confirma o direito ao crédito pleiteado pela Intimada, na medida em que, por se tratar de pagamento realizado Fl. 524DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13804.004040/200114 Acórdão n.º 1301001.280 S1C3T1 Fl. 7 6 espontaneamente pela Contribuinte, antes de qualquer declaração em DCTF ou procedimento de fiscalização, a multa de mora fora paga indevidamente, tudo conforme artigo 138 do Código Tributário Nacional e jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça. 5 Em face do exposto, requer seja provido o Recurso Voluntário interposto, para reconhecimento do crédito pleiteado pela Intimada, uma vez que a diligência realizada confirmou que as multas de mora que ora se pretende compensar foram pagas anteriormente à declaração dos respectivos débitos em DCTF, pelo que resta configurado à. exaustão o pagamento indevido face a aplicação da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional e reconhecida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Como visto do relatório, duas são as matérias a serem decididas por esta Turma, quais sejam, a extinção do direito de pleitear a restituição e a exclusão da multa de mora pela denúncia espontânea. Quanto ao primeiro tema, a decisão recorrida, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 20.12.2001, assentou que, para os valores recolhidos antes de 20.12.1996, teria decorrido o prazo decadencial previsto no artigo 168, I, do Código Tributário Nacional – CTN. Postula a Recorrente o reconhecimento de que o prazo para pleitear a restituição seja de 10 anos, invocando jurisprudência do STJ que considera como termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição, nos casos de lançamento por homologação, a data da homologação (tese dos “cinco mais cinco” abraçada pelo STJ). Quanto a essa matéria, a partir da alteração do Regimento Interno do CARF, para inclusão do art. 62A, que obriga os Conselheiros a reproduzirem as decisões definitivas de mérito do STF ou do STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, não se admite mais discussão. É que Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932SP, sob o procedimento dos recursos repetitivos, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Esse acórdão transitou em julgado em 17/11/2011, com baixa definitiva dos autos em 01/03/2012, conforme andamentos registrados no sítio do STF. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13804.004040/200114 Acórdão n.º 1301001.280 S1C3T1 Fl. 8 7 O art. 62A do Regimento Interno do CARF obriga os Conselheiros a reproduzirem as decisões definitivas de mérito do STF ou do STJ, tomadas na sistemática dos artigos 543 B ou 543C, nos seguintes termos: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Considerando a supremacia das decisões do STF, e por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, devese ter que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05 tem como termo inicial a homologação, expressa ou tácita, do lançamento, o que resulta que, não tendo havido homologação expressa, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador (aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN). No caso concreto, tratandose de pedido de restituição apresentado em 20/12/2001, considerando o entendimento fixado pelos tribunais superiores na sistemática dos artigos 543 B ou 543C do CPC, por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, temse que o direito do contribuinte foi exercido dentro do prazo legal. Quanto ao segundo tema, a cerne da questão cingese em definir se o pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, feito a destempo, em conjunto com os juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, exclui a responsabilidade pela multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN. Tratase de questão que foi longamente discutida no Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação de lei infraconstitucional, e que sobre ela se manifestou por meio de decisões submetidas ao regime do art. 543 C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos: REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010; REsp 962379/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008; REsp 962379/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/08/2008, DJe 28/10/2008. Do teor das decisões do STJ nos julgamentos acima mencionados se extrai o seguinte entendimento, que deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno: a) o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN exclui as penalidades pecuniárias de caráter eminentemente punitivo, nas quais se inclui a multa moratória decorrente da impontualidade do contribuinte no pagamento. b) a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação Fl. 526DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13804.004040/200114 Acórdão n.º 1301001.280 S1C3T1 Fl. 9 8 declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ); Dessa forma, no caso de pagamento a destempo, para caracterização, ou não, da denúncia espontânea é relevante definir se o contribuinte incluiu a dívida em declaração que tem o poder de constituir o crédito tributário, e em que data o fez. Se o pagamento a destempo se der após a declaração do débito, não ocorre a denúncia espontânea. Se, ao contrário, o recolhimento se der após o prazo de vencimento, com pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e antes da declaração dos débitos, ocorre a denúncia espontânea, excluindose as multas de mora e de ofício. No presente caso, conforme resultado da diligência consolidado na planilha de fls. 646, não foi localizada DCTF para os valores relacionados nos itens 5, 6, 18 e 19. Quanto aos demais, apenas os relacionados nos itens 4, 8, 16, 20, 21, 24 e 25, foram arrecadados posteriormente à entrega das DCTF, não configurando, assim, denúncia espontânea. Pelas razões expostas, dou provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório do contribuinte em relação aos valores relacionados na planilha de fls. 646, exceto os referentes aos itens 4, 8, 16, 20, 21, 24 e 25, e homologar a compensação efetuada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 527DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10073.720463/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas às dimensões das áreas (a) alagadas, (b) marginais e (c) outras, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Relator, que votou por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Heitor de Souza Lima Junior, Eivanice Canário da Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins e Eduardo de Souza Leão (Relator).
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas às dimensões das áreas (a) alagadas, (b) marginais e (c) outras, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Relator, que votou por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO DE SOUZA LEÃO – Relator (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Heitor de Souza Lima Junior, Eivanice Canário da Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins e Eduardo de Souza Leão (Relator). Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 20 46 3/ 20 08 -5 7 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de no. 03 39.110 da 1ª Turma da DRJ/BSB (fls. 170/181), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, mantendo o lançamento fiscal referente a cobrança do ITR incidente sobre o imóvel rural “Furnas 862 Usina Hidrelétrica de Funil”. Os argumentos de Impugnação foram dispostos pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Cientificada desse lançamento em 02/12/2008 (fls. 69/70), a contribuinte protocolou em 18/12/2008, por meio de representantes legais, a impugnação de fls. 71/100, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 101/127, alegando, em síntese: inicialmente, discorre sobre o objeto social da empresa e o procedimento da autoridade fiscal no lançamento, do qual discorda e que deveria ser revisto de oficio; consta do auto de infração o astronômico débito de R$ 283.192,82 referente ao período de 2005, mais juros e multa, pois a autoridade fiscal arbitrou o VTN, nos termos da Lei n° 9.393/1996, sobre a área total do imóvel Usina de Funil, classificado como imóvel rural; as empresas constituídas sob a forma de sociedade de economia mista, como a impugnante, podem ser divididas em duas espécies: as que exploram atividade econômica e as que prestam serviço público; nesse ultimo caso, as suas atividades recebem forte influencia das regras de direito público; a produção, a transmissão e a distribuição de energia elétrica são serviços essencialmente públicos, sejam eles prestados diretamente pelo Poder Público, por órgãos da administração indireta ou por particulares, nos moldes do que dispõe a Constituição Federal, em seu art. 21, inciso XII (transcrito); por força do texto constitucional, tais serviços são qualificados como públicos, privativos da União; portanto, a sua exploração por entes privados, ou até por outros entes públicos, somente é possível por "autorização, concessão ou permissão"; de tão restrita a competência para o exercício dessa atividade, cita o disposto no § 1° do art. 20 da Constituição Federal, que trata da participação no seu resultado; as empresas prestadoras de serviço tão qualificado não podem receber o mesmo tratamento jurídico dispensado às sociedades anônimas em geral, pois sobre aquelas incide particular controle estatal, justificado pelo interesse do Estado em sua atividade, que provoca a imposição de deveres legais específicos; apesar de sujeitas ao pagamento de tributos, nos termos do § 3° do art. 150 da Constituição, essas empresas podem gozar de benefícios fiscais outorgados pelo Poder Público; ainda que a isenção que vigorava para o setor não tenha sido convalidada pela Constituição vigente, ficando expressamente rejeitada por força do § 1° do art. 41 do ADCT, cabe questionar se as empresas geradoras de energia elétrica estão sujeitas à incidência do ITR; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 4 3 nesse sentido, são analisados aspectos jurídicos e doutrinários da hipótese de incidência tributária, a partir do exame da regramatriz dos tributos, e a aplicação de seu esquema lógico ao ITR; transcreve entendimento de Geraldo Ataliba, que afirma situarse o ITR na subclasse dos "reais"; os imóveis da empresa impugnante estão, em grande parte, cobertos de água, prestandose apenas para reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia. As margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para as variações sazonais do nível d'água; para fins de aplicação do disposto no art. 20 da Constituição Federal, (transcrito), os reservatórios de água encaixamse em qualquer um dos conceitos nele previstos. Seriam "lagos", na sua definição mais simples, se entendidos como uma grande extensão de água cercada de terra, inserindose nessa classe os lagos de barragem, formados em Áreas represadas por aluviões pluviais, restingas, detritos de origem vulcânica e morainas; esses reservatórios poderão, também, integrar o conceito de "rio", se considerados como resultantes do represamento de curso de água pluvial; enfatiza que esse mesmo art. 20, em seu inciso VIII, inclui também no patrimônio da União "os potenciais de energia hidráulica", de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdomínios dos "rios" ou dos "lagos", ficaria muito difícil deixar de reconhecêlos no âmbito dos "potenciais de energia"; esse entendimento está em consonância com a Lei n° 9.433/1997, ao instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos, com fundamento de validade no inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, estabelecendo no art. 1°, inciso I, que: "a água é um bem de domínio público."; esse texto legal também convive em perfeita harmonia com o Código Florestal (transcrito em parte), com destaque para o disposto no § 6° do art. 1° e para o art. 2°; a conclusão é singela: argumentar que os reservatórios são lagos situados em "propriedade" privada e por ela cercados, é desconsiderar comandos legais de relevante interesse para a própria preservação do bem público e de sua fonte produtora; ademais, esses reservatórios são lagos alimentados por correntes públicas (rios), o que reforça sua qualidade de bem público (§ 3° do art. 2° do Código de Águas); portanto, as Áreas destinadas aos reservatórios de água não podem sofrer a incidência do ITR, por serem unidades integrantes do patrimônio público da União, assim como as áreas destinadas às suas margens também estarão livres do impacto do tributo, na condição de áreas de preservação permanente, que devem ser excluídas da base de cálculo do imposto, nos termos do art. 10, § 1°, inciso II, alínea "a", da Lei n° 9.393/1996, além do Código Florestal; reafirma que a prestação do serviço público de fornecimento de energia é incumbência privativa da União, ao mesmo tempo em que os rios, lagos (naturais e artificiais) os terrenos marginais e as praias fluviais e os potenciais de energia integram, também, o patrimônio dessa pessoa política de direito interno; as águas são de domínio público, possuindo as prerrogativas de inalienabilidade, impenhorabilidade e imprescritibilidade; a porção de terra coberta pelo lago artificial das usinas hidroelétricas e a área situada a seu redor, mesmo que de propriedade da empresa, mantendose a distinção Fl. 268DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 5 4 com referencia à propriedade do bem público, ainda assim encontrase com absoluta restrição de uso por seus "proprietários". A área está afetada ao uso especial da União, o que impede a seus titulares o exercício de qualquer dos direitos inerentes ao seu domínio; a União detém o verdadeiro domínio útil das áreas necessárias à geração, distribuição e transmissão de energia elétrica, nos termos legais e constitucionais; portanto, fica afastada, também por esse prisma, a possibilidade jurídica de onerar essas áreas pelo ITR, pois é sujeito passivo da obrigação quem tiver o domínio útil sobre o imóvel; por outro ângulo, concluise pela não incidência do imposto, no caso presente, porque as áreas estão, em sua maioria, cobertas de água e afetadas ao uso especial, tendo em vista a prestação de serviços públicos, pelo que se caracterizam como comprovadamente imprestáveis a qualquer tipo de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal. Isso já basta para não serem consideradas áreas tributáveis para fins do ITR, nos termos da alínea c, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei n° 9.393/1996; a legislação ordinária está sintonizada com os ditames constitucionais, afastando qualquer possibilidade de cobrança de imposto sobre as áreas destinadas aos reservatórios de água das empresas representadas pela impugnante, em sentido inverso ao que pretende a fiscalização federal; a apuração da base de cálculo do imposto valor fundiário, nos termos do art. 30 do CTN e Valor da Terra Nua tributável – VTNt, nos termos da legislação especifica – oferece algumas dificuldades, como exclusão de valores (art. 10, § 1º, I e IV), subtração de áreas (art. 10, § 1º, II) e multiplicação (art. 10, § 1º, III); no entanto, a regramatriz, como metodologia, é instrumento redutor de complexidades; no caso presente nenhuma dessas operações se torna possível ao aplicador da lei, porque não há valor de mercado para a apuração do VTN, por onde começam os cálculos, pois se trata de um bem do domínio público, afetado ao patrimônio da pessoa política União, fora do comércio, impedindo qualquer pretensão impositiva sobre as áreas desapropriadas para a construção das obras necessárias ao represamento dos rios e lagos, para a manutenção dos reservatórios destinados à produção de energia elétrica; para corroborar a improcedência do auto de infração, reportase à Constituição Federal, ao CTN e à Lei nº 9.393/1996, dessa transcrevendo, parcialmente, os dispositivos que tratam da apuração e do valor do ITR, artigos 10 e 11, respectivamente; destaca que a autoridade fiscal, abandonando esses comandos legais, não poderia adotar área "produtiva de energia elétrica" como não produtiva e apontar GU "0" quando a utilização é integral, presumiu que o valor fundiário está subavaliado, arbitrando um VTN de R$1.529.440,00 e aplicando a alíquota máxima de 20% (sic), equiparando o imóvel aos latifúndios improdutivos; não é crivel que a "terra" submersa por represa para a geração de energia elétrica possa ter o mesmo valor da terra destinada ao cultivo de primeira, visto que aquela está, no mínimo, fora do âmbito de incidência do ITR; considerar como improdutiva a produção, geração e transmissão de energia elétrica, na imensa área abrangida por Furnas, é falácia incompatível com o sistema jurídico e a lógica que deve preceder os julgamentos válidos e produtores de resultados; Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 6 5 é flagrante a ofensa aos princípios da legalidade e da igualdade que norteiam rigidamente a atividade impositiva do Estado, no que concerne a cobrança do imposto; para a Usina Hidrelétrica em questão, tomouse o valor da terra apontado no SIPT, considerandoo para as terras submersas e aplicandose nele o grau de utilização (GU), sem qualquer exclusão; a legislação que cuida do ITR sempre leva em conta o GU na exploração rural, seja agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, nos termos da Lei 9.393/1996, em consonância com o Estatuto da Terra, o que permite concluir ser relevante para fins do ITR não a produtividade em geral, mas na exploração daquele setor, enquanto as atividades desenvolvidas pelas usinas hidrelétricas estão fora de tal campo de abrangência; em momento algum a lei do ITR se refere à exploração energética, talvez impulsionada pelo DecretoLei n° 2.281/1940, que concedia isenção a tal atividade e perdeu sua eficácia em outubro de 1990 com o advento do novo texto constitucional, deixando ao aplicador da lei e aos operadores do direito a interpretação sistemática, que não permite incluir na hipótese de incidência do ITR aquela que não estiver ali explicita, por força do principio da tipicidade da tributação, além dos outros já mencionados; por tudo isso, indaga: há meios jurídicos hábeis para manterse a exigência apontada no auto de infração? como aceitar a incidência do ITR sobre as áreas de reservatórios das usinas hidrelétricas, suas margens e construções, se não há compatibilidade com a hipótese de incidência normativa? Como admitir que empresa produtora, transmissora e distribuidora de energia elétrica – industrial, portanto – possa ser alcançada pelo ITR como se de área "rural" se tratasse? Como manter auto de infração que indica base de cálculo em total descompasso com a legislação vigente? Como aquilatar "valor de mercado" se a porção de terra encontrase alagada, imprestável para uso comum, ou em condições de utilização reduzidas, enquanto "valor de mercado" pode ser entendido como o preço médio que o imóvel alcançaria em condições normais de mercado, para a compra e venda à vista? também, como fugir da proibição constitucional de se cobrar tributos com efeito de confisco (inciso IV do art. 150 da Constituição Federal)? Enfim, como manter auto de infração em que o imposto foi apurado em total desconformidade com os comandos dados como infringidos pela fiscalização (arts. 10 e 14 da Lei n° 9.393/1996 e Parecer COSIT n° 15/2000)? ainda, como manter a pretensão fazendária sem qualquer diligência? Registrese que o valor do imóvel indicado pela requerente é o escriturado como "patrimônio liquido"; transcreve ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Mello sobre justa indenização; portanto, não pode prevalecer a exigência de pagamento do ITR, com amparo no Parecer COSIT nº 15/2000, visto que esse dispositivo não alarga a hipótese de incidência estatuída em lei; transcreve ementa da CSRF e cita entendimento adotado pelo antigo Conselho de Contribuintes, para referendar suas teses; no caso presente, a Lei nº 9.393/1996 não ampara a pretensão fazendária, pois não há fato jurídico que enseje a obrigação tributária, além de a base de cálculo adotada descaracterizar a hipótese de incidência prevista na legislação pertinente; transcreve entendimento de Sacha Calmon Navarro Coelho e Misabel Abreu Machado Derzi, para reforçar seus argumentos; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 7 6 o art. 20 da Constituição Federal estabelece como propriedade da União "os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terreno de seu domínio"; assim, os reservatórios de água podem integrar o conceito de "rio", se considerados como resultantes do represamento de curso de água pluvial; o inciso VIII desse artigo inclui também no patrimônio da União "os potenciais de energia hidráulica", de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdomínios dos "rios" ou dos "lagos", é impossível deixar de reconhecêlos no âmbito dos "potenciais de energia"; apresenta as seguintes conclusões: a) a autoridade fiscal presumiu a ocorrência do fato jurídico tributário, sem mensurar a verdadeira base de cálculo nem efetuar os cálculos ditados pela Lei 9.393/1996 (com exclusão de valores, subtração de áreas e as multiplicações necessárias ao cálculo do imposto), apurando, por "média aritmética" e por amostragem, o valor da terra nua do imóvel onde está construída a Usina Hidrelétrica de Funil, no Estado do Rio de Janeiro; b) foi aplicada a multa de 75,0% sobre base de cálculo incompatível inexistente, como já demonstrado; c) a fiscalização desconsiderou as áreas de exclusão indiscutível: margens, áreas de preservação permanente pela só determinação legal; d) as áreas de reservatórios das usinas hidrelétricas e suas margens são bens de domínio público da União, não podendo ser abrangidas pelo critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais do ITR, de sua competência privativa e exclusiva; e) a base de cálculo simplesmente inexiste, a partir do exame da regramatriz e das funções mensuradora, objetiva e comparativa; ademais, a legislação não previu a exclusão de qualquer valor de instalações, benfeitorias e construções do valor total do imóvel, por parte das hidrelétricas. Ao final, a impugnante requer seja decretada a improcedência do auto de infração e arquivado o feito fiscal ou, então, seja determinada diligência nos termos legais, para apuração dos quesitos relacionados. A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Brasília (DF), restou assim ementada: “DA INCIDÊNCIA DO ITR ÁREAS SUBMERSAS/ RESERVATÓRIOS. Áreas rurais de empresa concessionária de serviços públicos de eletricidade, destinadas a reservatórios de usina hidrelétrica, integram o patrimônio dessa empresa e submetemse as regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. Reservatórios de água de barragem não se confundem com potenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição Federal. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 8 7 Caracterizada a subavaliação do Valor da Terra Nua VTN declarado ou a prestação de informações inexatas na DITR/2005, o respectivo VTN/ha poderá ser arbitrado pela autoridade fiscal, com base no SIPT, nos termos da Lei n° 9.393/1996. Para a possível revisão desse VTN, seria necessário laudo técnico de avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, atendidos os requisitos da norma NBR nº 14.6533 da ABNT. DA MULTA PROPORCIONAL LANÇADA. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal, no caso de informação incorreta na declaração do ITR/2005, cabe exigilo juntamente com a multa proporcional aplicada aos demais tributos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” No Recurso disposto nas fls. 186/217, a Recorrente reitera os argumentos de impugnação e acrescenta que a matéria é objeto de Súmula nº 45 deste Conselho afastando a exigibilidade do ITR sobre as terras alagadas para fins de reservatório de usina hidrelétrica. Pede, ao final, que seja determinado o arquivamento do feito, uma vez que a exigência tributária imposta não encontraria guarida no ordenamento jurídico vigente. Desta feita, o procedimento foi distribuído para nossa relatoria, razão pela qual coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Souza Leão, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade. O Lançamento Fiscal pretende exigir o pagamento de ITR incidente sobre as áreas de propriedade de usina hidrelétrica. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 9 8 Contudo, este Conselho já discutiu suficientemente a matéria, entendendo que não há incidência do ITR sobre as terras submersas em razão da instalação de reservatório de Usina Hidrelétrica, pois as águas represadas que inundam as terras pertencem à União, que também detém o domínio útil dessas terras, sendo, portanto, eventual sujeito passivo do imposto, conquanto imune de ITR. Nesse sentido, toda e qualquer controvérsia findou dirimida com a aprovação da Súmula nº 45 do CARF, in verbis: “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Em relação à tributação dos espaços territoriais marginais as áreas inundadas, estes também não são alcançados pelo ITR, tendo em vista que o artigo 4º, incs. I a III da Lei nº 12.651/2012 – Novo Código Florestal, define como de preservação permanente as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente, as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, assim como as áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, decorrentes de barramento ou represamento de cursos d’água naturais, enquanto que a alínea “a” do inc. I do art. 10 da Lei nº 9.393/96 afasta a tributação das áreas de preservação permanente. Importa destacar o entendimento pacificado deste Colendo Conselho, conforme acórdãos que restaram assim ementados: ITR. TERRAS SUBMERSAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. MARGENS DE REPRESA DE USINA HIDRELÉTRICA. INEXISTÊNCIA DE ADA. RECONHECIMENTO DAS ÁREAS SUBMERSAS. DECORRÊNCIA POR DEFINIÇÃO LEGAL. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 10 9 Uma vez reconhecida à existência e a não incidência de ITR sobre as áreas submersas por represa de Usina Hidrelétrica, por decorrência lógica/legal impõese admitir as suas margens como área de preservação permanente, por definição da própria legislação de regência, especialmente artigo 2º, alíneas “a” e “b”, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), independentemente de apresentação de ADA. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202002.892, Processo nº 13855.720041/200872, Relator Cons. RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, 2ª TURMA/CSRF); USINA HIDRELÉTRICA. ÁREAS SUBMERSAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Súmula CARF nº 45. Consideramse de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao longo de qualquer curso d´agua, inclusive as áreas de entorno das terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica. Recurso especial provido. (Acórdão nº 9202002.225, Processo nº10980.014503/200542, Relator Cons. ELIAS SAMPAIO FREIRE, 2ª TURMA/CSRF); ITR. ÁREAS ALAGADAS. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n.° 45). Recurso provido. (Acórdão nº 2202002.143, Processo nº 10980.725572/201042, Relator Cons. ANTÔNIO LOPO MARTINEZ, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para desconstituir o crédito tributário lançado contra o Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo de Souza Leão – Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redatordesignado. Rendendo homenagens ao teor do voto do ilustre Relator, entendo, todavia, que devam ser melhor esclarecidas algumas situações de fato, de forma a que possa se adotar o devido entendimento ao caso. Inicialmente, noto, com fulcro nos elementos carreados ao autos, que não há como se assegurar que o imóvel objeto de tributação (Usina Hidrelétrica do Funil – Furnas 862 NIRF 2.707.3920) se trata ou não realmente de área constituída por reservatório (áreas alagadas) e por margens eventualmente constituintes de áreas de preservação permanente, área esta que teria passado à propriedade da empresa por ato expropriatório para fins de instalação de parque gerador de energia motivado pelo Decreto de fls. 125/126. O único elemento neste sentido anexado é o Decreto mencionado, que não possibilita qualquer tipo de associação, seja ao NIRF em questão, seja à Recorrente (uma vez que menciona a Companhia Hidrelétrica do Vale do Paraíba). Ainda, entendo que, uma vez que o contribuinte, conforme fl. 03, não declarou qualquer área a título de área de preservação permanente (APP), mas, ainda assim, requer, em seu pleito recursal, que assim se considere as margens do alegado reservatório e, ainda, que inexiste qualquer outro elemento nos autos que permita identificar a divisão da área total do imóvel em termos de: a) áreas alegadas; b) áreas marginais e c) outras áreas, deve também tal informação ser obtida na mesma diligência. Noto, a propósito deste último item, haver entendimentos, no âmbito deste Conselho, da existência de requisitos específicos além da mera disposição legal para fins de exclusão de eventual área marginal legalmente delineada como APP, daí entender este Conselheiro como relevante tal informação, a fim de que todos os membros do Colegiado possam firmar sua convicção de forma adequada, independentemente do entendimento a que se filie. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que se sejam obtidas: a) Documentação (p. ex., atos expropriatórios e outros atos de transferência e registro de propriedade), que demonstrem a aquisição, pela recorrente da dimensão de área tributada, 3.823,6 ha. (NIRF 2.707.392.0), devidamente acompanhada de quaisquer elementos outros (tais como laudos e mapas georreferenciados) que permitam uma clara vinculação entre os elementos supra, relacionados à aquisição de propriedade, e a referida área total. b) Documentação idônea (composta por laudo, mapas georreferenciados e/ou outros), através da qual se estabeleça uma exaustiva segregação da área objeto de tributação (3.823,6 ha.) nos seguintes grupos: b.1) Total de área a título de áreas alagadas; b.2) Total de área a título de áreas marginais, especificando necessariamente aqui aquelas definidas como Áreas de Preservação Permanente, consoante art. 2o, alíneas “a” e b” da Lei no. 4.771, de 15 de setembro de 1965 e b.3) outras. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720463/200857 Resolução nº 2101000.174 S2C1T1 Fl. 12 11 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redatordesignado Fl. 276DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10925.907260/2009-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 60 /2 00 9- 86 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907260/200986 Acórdão n.º 1803002.435 S1TE03 Fl. 75 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907260/200986 Acórdão n.º 1803002.435 S1TE03 Fl. 76 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907260/200986 Acórdão n.º 1803002.435 S1TE03 Fl. 77 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907260/200986 Acórdão n.º 1803002.435 S1TE03 Fl. 78 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907260/200986 Acórdão n.º 1803002.435 S1TE03 Fl. 79 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907260/200986 Acórdão n.º 1803002.435 S1TE03 Fl. 80 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005667/97-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2000
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
ERRO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS, CONSTANTE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Entre outros requisitos previstos pela legislação pertinente, a identificação correta do sujeito passivo da obrigação tributária, bem como a perfeita descrição dos fatos que originaram a autuação são indispensáveis para a validade do lançamento do crédito tributário.
Anula-se o processo a partir do auto de infração inclusive.
Numero da decisão: 302-34.177
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir do Auto de Infração, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto
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Numero do processo: 11080.723638/2012-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
Percentual de Presunção do Lucro. Serviços de Manutenção.
Manutenção é a atividade que implica em conservar aparelhos, máquinas, equipamentos e instalações em bom estado de conservação e operação. Os serviços de manutenção de equipamentos previamente construídos, ou em equipamentos imobilizados já instalados, com vistas a mantê-los em adequadas condições de funcionamento, não podem ser equiparados a prestação de serviços de construção por empreitada a preço global - com fornecimento de mão-de-obra e material - para o fim específico de utilização do percentual de presunção do lucro reduzido.
Numero da decisão: 1801-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca, que deu provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. Manutenção é a atividade que implica em conservar aparelhos, máquinas, equipamentos e instalações em bom estado de conservação e operação. Os serviços de manutenção de equipamentos previamente construídos, ou em equipamentos imobilizados já instalados, com vistas a mantêlos em adequadas condições de funcionamento, não podem ser equiparados a prestação de serviços de construção por empreitada a preço global com fornecimento de mãodeobra e material para o fim específico de utilização do percentual de presunção do lucro reduzido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca, que deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 38 /2 01 2- 38 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Estrutural Serviços Industriais Ltda. recorre a este Conselho de acórdão proferido pela 5a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra auto de infração que lhe exige o recolhimento de CSLL, no valor de R$ 789.739,62 (incluídos principal e acréscimos), lavrado em face da apuração de irregularidades praticadas nos anoscalendário 2007 e 2008. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal (fls. 255 e ss) a empresa em referência, assim como as Sociedades em Conta de Participação (SCP) das quais é sócia ostensiva, apuraram seus resultados fiscais, nos anos de 2007 e 2008, de acordo com as regras de tributação previstas para o lucro presumido. Descreve o agente fiscal que as empresas teriam aplicado, indevidamente, o percentual de presunção de 8% sobre os serviços prestados, quando suas atividades determinariam a aplicação do percentual de presunção de 32% previsto para serviços em geral. Instada a esclarecer a adoção do percentual reduzido de presunção teria informado, a contribuinte, que realizaria reformas em bens imóveis, assim considerados tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, esferas e torres fixadas ao solo, em virtude do desgaste decorrente de seu uso e que, por força dos contratos, aplicava materiais na realização de seus trabalhos, entendendo, assim, estar amparada, inclusive pelo ADN Cosit 30/99 que dispõe sobre os serviços de empreitada de construção civil a adotar como coeficiente de presunção a alíquota de 8% para cálculo do IRPJ e de 12% para a CSLL. Teria apurado, contudo, a auditoria fiscal, pelos documentos e elementos apresentados, contratos pactuados, ARTs (Anotações de Responsabilidade Técnica) que os serviços prestados pela contribuinte e por suas SCP seriam, na verdade, serviços de engenharia, manutenção e montagem, inclusive pelas informações constantes do próprio “site” da empresa mantido na “internet”. Concluiu, assim, o agente fiscal, que os serviços prestados pela contribuinte não se enquadrariam no conceito de construção civil por empreitada, fixado pelo ADN Cosit 30/99, mas sim naqueles de competência privativa do engenheiro mecânico descrito no art. 12 da Resolução CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura) nº 218/1973. Tais serviços seriam referentes a processos mecânicos, máquinas em geral, instalações industriais e mecânicas, equipamentos mecânicos e eletromecânicos, sistemas de produção de transmissão e de utilização de calor, sistemas de refrigeração e de ar condicionado, seus serviços afins e correlatos, incluindo execução de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção. Dessa forma, a auditoria fiscal desqualificou a aplicação do percentual de presunção reduzido, de 8%, e exigiu a CSLL e o IRPJ sobre a diferença entre o percentual aplicado pela empresa e aquele considerado como devido, de 32%, tendo deduzido no auto de infração os valores que já haviam sido recolhidos pela empresa. Constatouse, também, que a fiscalizada informou IRPJ e CSLL a pagar relativos a SCP, adotando o mesmo regime de apuração de presunção dos lucros nessas sociedades. Teriam sido apresentados sete contratos de constituição de SCP, relacionados aos contratos de prestação de serviços, dos quais participavam mais duas empresas e dos quais a contribuinte figurava como sócia ostensiva. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.723638/201238 Acórdão n.º 1801002.161 S1TE01 Fl. 3 3 Observou a fiscalização que seria do sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração do resultado, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação, razão pela qual adotouse o mesmo entendimento em relação às atividades desenvolvidas pelas SCP. Em impugnação tempestivamente apresentada explicou a empresa que teria prestado serviços de manutenção no sistema do conjunto conversor nas paradas de manutenção para Petrobrás S/A – objeto do contrato nº 1200.0031684.07.2. Tais serviços teriam sido executados por ela, individualmente, bem como através da SCP denominada STEELTEC Proj. e Serviços Técnicos Ltda, da qual é sócia ostensiva, e que a situação de fato, como descrito no referido contrato, enquadraria sua atividade como de construção de imóveis ou obras de serviços auxiliares e complementares da construção civil, conforme disposto no ADN Cosit 30/99. Em suas palavras: ... a) os serviços de montagem, reparação, pintura e manutenção de caldeiras, sistemas conversores, tubulações, reatores e outras estruturas da empresa contratante (PETROBRÁS), constituemse em obras de grande vulto, executadas em bases de sustentação que estão fixadas ao solo, portanto, realizadas em "bens imóveis", caracterizandose como "prestação de serviços de construção civil"; b) doutrina e legislação conceituam "construção civil" como sendo a atividade que se exerce sobre bens imóveis, assim considerado o solo e tudo o que nele se agrega, não se podendo transportar, sem destruição, de um lugar para outro (Código Civil, arts. 79 e 81); c) de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 30, de 14.10.1999, a atividade de "construção" é gênero, da qual são espécies a "edificação", "demolição", "reforma", "reconstrução", "reparação", "pintura", "colocação de vidros e esquadrias", em bens imóveis; d) os serviços prestados pela Impugnante, nos anos de 2007 e 2008, junto à PETROBRÁS, abrangem manutenção em sistemas conversores, montagem e desmontagem de andaimes, caldeiraria, tubulação e soldas, pintura, instalações elétricas, reforma em concretos isolantes substituição de tubos, tijolos e outros componentes, enquadrandose no conceito de "construção civil", definido pelo ADN COSIT n. 30/99, havendo, inclusive, decisões no mesmo sentido, como se vê na ementa do Acórdão 1020315, de 13.07.2009, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, e, no Acórdão n. 1202000.612, de 18 de outubro de 2011, da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); e) tanto os serviços de "engenharia" como os de "construção civil" exigem a "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART), não sendo esse requisito, por si só, suficiente para diferenciar ambas as atividades; f) considerando que o serviço foi prestado juntamente com o fornecimento de materiais, a apuração do IRPJ e da CSLL segue o disposto no art. 518 do RIR/99 e nos arts. 15 e 20, da Lei n. 9.249/95 (com a redação dada pela Lei n º 10.684/03), que determinam a aplicação dos coeficientes de presunção de 8% e 12% sobre a receita bruta, respectivamente; Fl. 543DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 g) de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 6, de 13.01.1997, na atividade de "construção civil", o percentual de 32% sobre a receita bruta somente se aplica quando houver emprego de mãodeobra, sem o emprego de materiais, h) a retenção de 1,2%, pela fonte pagadora (PETROBRÁS), deixa claro que o percentual de presunção adotado pela recorrente nos anoscalendário de 2007 e 2008 (8% sobre a receita bruta mensal), está correto, o que é corroborado, inclusive, pelo art. 32, inc. II, da Instrução Normativa SRF n. 480/04 (na redação dada pela IN SRF n. 539/05); e, por fim, que i) a retenção efetuada pela fonte pagadora com base no percentual de 1,2%, não altera os percentuais previstos na legislação, exceto em relação aos serviços de construção civil com fornecimento de materiais, hipótese em que o coeficiente de presunção da pessoa jurídica beneficiária do pagamento, é aquele determinado no momento da retenção (no caso, 15% x 8% = 1,2%), consoante art. 32, inc. II, da Instrução Normativa SRF n. 480/04 (na redação dada pela IN SRF n. 539/05). A Turma Julgadora de 1a. Instância analisou as informações constantes do “site” da empresa na “internet” – cuja figura foi anexada à decisão – assim como outros elementos como: (i) a atividade cadastral informada pela empresa na DIPJ, (ii) o objeto social previsto no contrato social; (iii) , o registro da empresa junto ao CREA – RS – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul; (iv) o contrato que deu suporte à atividade discutida e a (v) respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de nº 92221220070173093 e consignou que nenhuma das informações fornecidas pela contribuinte em sua divulgação pela internet, nos contratos firmados ou na ART que dava suporte à atividade, permitiria concluir pela execução de construção civil, mas sim de serviços na área de engenharia mecânica ou industrial. Observou aquela autoridade que as cópias do razão contábil, às fls. 467/469, seguidas de notas fiscais de fornecedores, às fls. 470/488, denotavam que os materiais empregados seriam quase que totalmente ligados a atividades de soldagem e pintura: eletrodos de tungstênio e grafite, gás oxigênio industrial, gás argônio, gás acetileno, GLP, abrasivos, thiner, tintas e escovas industriais e, nessas condições o material empregado, praticamente todo ele de consumíveis, indicaria que a atividade era realmente de manutenção. Ressaltou a Turma Julgadora que o ADN 30/99 se refere a vedação ao Simples de obras e serviços auxiliares e complementares às atividades da construção civil, não havendo qualquer afirmativa de que tais atividades seriam espécies do gênero construção civil e nem que a elas seria atribuído o percentual de 8% para presunção de receitas na sistemática da apuração pelo lucro presumido, como pretendido pela defesa.. Destacou que os percentuais para a obtenção da receita para a tributação em comento encontrarseiam no art. 15 da Lei nº 9.249 de 26/12/19958, por expressa remissão do art. 25 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996, para apuração trimestral do lucro presumido. Assim, tratandose de prestação de serviços em geral, a alíquota de presunção do lucro para o IRPJ seria de 32% da receita bruta. No caso da CSLL, a norma aplicável seria a do art. 20 da mesma Lei, resultando num percentual de 12% da receita bruta. Observou que, ainda que fosse possível admitir que a atividade praticada pela empresa não fosse de manutenção, ela nem mesmo atenderia o requisito da IN SRF 480/2004, por ela própria invocado, para que pudesse se valer do percentual de 12%, pois não teria fornecido todos os materiais indispensáveis à construção, já que o contrato firmado entre a Fl. 544DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.723638/201238 Acórdão n.º 1801002.161 S1TE01 Fl. 4 5 Estrutural (contratada) e a Petrobrás (Contratante) discriminou os materiais fornecidos por esta última. Ao final indeferiu o pleito. Cientificada da decisão, em 15/10/2012 (AR fl. 508), apresentou a interessada, em 31/10/2012, recurso voluntário no qual reproduz, litteris, as razões de defesa deduzidas na impugnação. Fez sustentação oral pela recorrente, em plenário, Dr. Gilson Gerent, OAB/RS nº 22.484 É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato o cerne do litígio reside na questão de determinar a correta alíquota de presunção da CSLL aplicável à atividade praticada pela recorrente. Nesse contexto, entende a recorrente ter praticado a atividade de construção civil por preço global, com fornecimento de materiais e mãodeobra, o que permitiria a utilização do percentual reduzido de presunção da CSLL, de 12%. Em direção oposta, a tese da Fazenda que entende, no caso tratado nos autos, que a recorrente prestou serviços de engenharia mecânica, submetendose, assim, ao percentual de presunção de 32% aplicável a prestação de serviços em geral. Convém, assim, inicialmente, esclarecer as diferenças e similitudes entre os conceitos aqui tratados. De acordo com a Wikipedia 1 construção civil é o termo que engloba a confecção de obras como casas, edifícios, pontes, barragens, fundações de máquinas, estradas, aeroportos e outras infraestruturas, onde participam arquitetos e engenheiros civis em colaboração com técnicos de outras disciplinas 1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Constru%C3%A7%C3%A3o Fl. 545DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A Receita Federal também mantém em seu site, na internet 2, a seguinte descrição para a construção civil: “Obra de Construção Civil: é a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo.” A construção civil por empreitada encontrase prevista no Código Civil (arts 610 e ss) e é dividida em (i) construção civil por empreitada com emprego de mãode obra (lavra) ou (ii) empreitada mista, na que inclui, além da mãodeobra, os materiais. Dos referidos comandos legais, extraise a seguinte conceituação: Empreitada é o contrato mediante o qual uma das partes (o empreiteiro) se obriga a realizar uma obra específica, pessoalmente ou por intermédio de terceiros, cobrando uma remuneração a ser paga pela outra parte (proprietário da obra), sem vínculo de subordinação. Por outro lado, a Lei Federal n º 5.194, de 24/12/66, no art. 7º, reservou aos profissionais de engenharia, arquitetura e agronomia, o exercício privativo das seguintes atividades: "planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica; ensino, pesquisas, experimentação e ensaios; fiscalização, direção e execução de obras e serviços técnicos; produção técnica especializada, industrial ou agropecuária” Referida Lei criou os Conselhos Federais e Regionais de Engenharia. O CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, no uso de sua competência, editou a Resolução Confea n º 218, de 1973, discriminando as seguintes atividades para as diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; 2 http://www.receita.fazenda.gov.br/previdencia/constrcivil.htm Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.723638/201238 Acórdão n.º 1801002.161 S1TE01 Fl. 5 7 Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. Art. 2º Compete ao ARQUITETO OU ENGENHEIRO ARQUITETO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a edificações, conjuntos arquitetônicos e monumentos, arquitetura paisagística e de interiores; planejamento físico, local, urbano e regional; seus serviços afins e correlatos. Posto dessa forma verificase que tanto nas obras de construção civil, quanto naquelas relacionadas à engenharia mecânica ou industrial, a responsabilidade pelo trabalho, em geral, desde o projeto até a execução, compete ao engenheiro (civil, mecânico ou industrial), estando todas essas atividades ligadas à área de engenharia, o que não nos socorre muito para a solução do litígio do presente processo. Resta, assim, analisar, especificamente, a natureza dos serviços prestados pela recorrente atinentes ao contrato objeto dos autos, de n º 1200.0031684.07.2, relativo à SCP constituída pela recorrente, como sócia ostensiva, em conjunto com a sócia participante STEELTEC Projetos e Serviços Técnicos Ltda, como contratadas, firmado com a Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobrás, como contratante. Assim dispõe a cláusula primeira do referido contrato (fl. 333): “1.1 O presente Contrato tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, de serviços de Manutenção e Montagem de Torres, Vasos, Reatores e Permutadores de Calor, no âmbito da unidade de negócio – UNRPBC DO ABASTECIMENTO REFINO DA PETROBRAS, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e no Anexo n° 1 Especificação dos Serviços. Estes serviços compreendem: 1.1.1 Serviços de Planejamento, Acompanhamento e Programação dos serviços; 1.1.2 Serviços de Caldeiraria e Solda. 1.1.3 Todos os Ensaios Não Destrutivos necessários a Garantia da Qualidade dos Serviços. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 1.1.4 A montagem e desmontagem de Andaimes Tubulares ou especiais para execução dos serviços. 1.1.5 A limpeza e remoção de resíduos oriundos dos serviços, bem como a manutenção da limpeza nos locais de trabalho. 1.1.6 Serviços de Elevação de Carga.” No mencionado “Anexo n º 1” “Convite 203.8.001/06” que tem por titulo: “Especificação de Serviços de Manutenção em Torres, Vasos e Permutadores” (fls. 353 e ss), encontramse detalhadamente especificados todos os serviços contratados. Uma leitura detida do referido Anexo n º 1, permite concluir que todos os serviços nele descritos se referem à manutenção de equipamentos que já se encontravam instalados na unidade da Refinaria de Presidente Bernardes, da Petrobrás, que contém 6 (seis) itens: PréParada; Liberação; Parada; Partida; PósParada; Evento. A título de exemplo, pode ser citado o “item 3” do Anexo n º 1 “Especificação dos Serviços de Trocadores de Calor e Critérios de Medição” “3.1. Manutenção em permutadores de calor de tipo “Padrão” cascotubo de feixes removíveis com tubos retos e tubos em “U”, e tipo espelhos fixos: a) instalação de mangueiras para drenagem; b) raqueteamento e desraqueteamento; c) desmontagem, limpeza e montagem dos componentes (tampa, carretel, etc.) do equipamento; d) remoção e reinstalação de feixe tubular dos permutadores de calor; e) aplicação dos testes necessários.” Da mesma forma, o item 3.4 “Manutenção Geral dos Resfriadores de Óleo”: “Consistem na remoção, abertura, limpeza, inspeção dos componentes, montagem, testes, secagem e reinstalação”. Ou o item 4.1 “Serviços comuns para todas as Torres, todos os Vasos ou Reatores”: “a) abrir e fechar bocas de visita (inclui troca da junta). b) abrir e fechar todos os alçapões. c) instalar e manter, durante toda a parada, iluminação fixa e móvel para execução dos trabalhos internos. d) Instalar, manter e remover sistema de exaustão de ar interna nos equipamentos de modo a execução dos trabalhos em condições de aeração e nível de ruídos abaixo de 95 decibéis. Em equipamentos com volume superior a 10 m3, deverão ser utilizados exaustores elétricos. e) desconectar linha de fundo para permitir limpeza interna, conectandoa posteriormente. f) limpeza de costado, bandejas, demister, distribuidores, coletores, etc, de maneira a permitir trabalhos a quente e inspeção. O hidrojateamento, quando necessário, será pago por item específico da de preços. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.723638/201238 Acórdão n.º 1801002.161 S1TE01 Fl. 6 9 g) limpeza interna final, antes de fechar, alçapões, BV’s e linha de fundo. h) Abrir, fechar, desobstruir e limpar todas as conexões, até 2”, inclusive. Caso seja necessária a utilização de hidrojato, este será pago em item específico da planilha.” E, ainda, o item 5 – “Serviços Gerais de Caldeiraria e Solda” “5.1. Abertura e fechamento de flanges Consistem na abertura e fechamento de flanges de tubulação, equipamentos, tampas e castelos de válvulas; para manutenção, inspeção ou raqueteamentos. Este item não se aplica ao raqueteamento de trocadores de calor.” E, assim, poderíamos continuar a transcrever todos os serviços contratados especificados no Anexo n º 1. Mas afirmo que nenhum dos itens nele descritos permitiria concluir que os serviços prestados se referiram a construção civil por empreitada a preço global. Como consignado acima, a leitura integral do Anexo n° 1 permite concluir, apenas, serem todos os serviços descritos no contrato e respectivo anexo, ligados à manutenção dos equipamentos instalados na unidade da contratante (Petrobrás), com vistas a mantêlos em adequadas condições de funcionamento, e somente isso. Ademais, o fato de os serviços terem se dado em equipamentos imobilizados já instalados na unidade não retira a natureza dos serviços prestados. Para além disso, como bem observou a Turma Julgadora de 1a. Instância, os materiais pelos quais era responsável, a contratada, pelo fornecimento, eram fundamentalmente aqueles consumidos no processo de prestação dos serviços de manutenção em questão. Eis, nesse sentido, a especificação constante do item “9” “Condições Contratuais Complementares – Encargos e Responsabilidades da Contratada” do Anexo n º 1: “9.1 Quanto a materiais, equipamentos e ferramentas: 9.1.1. Fornecer todo o material necessário para execução de soldas à arco elétrico manual, automáticas e semiautomáticas e corte oxiacetilênico, incluindo tenazes, bicos para corte e solda, mangueiras, gases oxigênio, acetileno e argônio, máquinas de solda diesel ou elétricas para a realização dos serviços, máquinas tartaruga, máquinas para corte por plasma, cabos devidamente Identificados estufas, eletrodos e varetas de fornecedores aprovados pela PETROBRAS, para todos os serviços de solda. 9.1.2. Fornecer todo o material de consumo geral, tais como; estopa, solvente, graxas, lixas, trapos, discos abrasivos, palha de aço, lâmpadas de 110V e 24V, fusíveis, escovas de aço, lonas plásticas ou encerados, conectores, resistências, madeirit, coberturas, etc, exceto os materiais previstos como fornecimento da PETROBRAS.” Adiante, os itens 9.1.3 a 9.1.12 especificam o fornecimento de outros produtos, tais como trafos e materiais para circuitos elétricos, exaustores, bombas, mangueiras, válvulas, conexões, manômetros, pranchões de madeira, etc, contudo, estes itens estão ligados à construção e à segurança dos andaimes e frentes de trabalho para a prestação dos serviços, a serem posteriormente desmontados, ou então à aferição de testes hidrostáticos. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Contudo, o item “10” do Anexo n º 1, prevê, de forma cristalina, que os materiais a serem aplicados na execução dos serviços seriam fornecidos pela CONTRATANTE – PETROBRÁS. Vejamos: “10 FORNECIMENTOS DA PETROBRAS 10.1 Materiais de aplicação. Entendese todo o material necessário à execução dos serviços e que permanecem aplicados em função dos serviços executados, como juntas, porcas, parafusos, tubos, chapas, componentes. 10.1.1 A UN poderá fornecer materiais para montagem de andaimes, conforme a disponibilidade de seu estoque. Este fornecimento será por empréstimo por prazo determinado, cabendo a CONTRATADA o cumprimento das exigências especificas.” (destaques acrescidos) O CONFEA definiu, no glossário objeto do Anexo I da Resolução nº 1.010/05, que, para o termo manutenção, deve prevalecer o seguinte entendimento: “atividade que implica conservar aparelhos, máquinas, equipamentos e instalações em bom estado de conservação e operação”. As notas fiscais acostadas, pela recorrente, aos autos, possuem a seguinte descrição (fls. 380 e ss): “Serviços de empreitada por preço unitário de manutenção em torres, vasos e permutadores com utilização de equipamentos e emprego de materiais.” De outro giro, no “Relatório de Medição” emitido pela Petrobrás, que se segue a cada nota fiscal acostada, consta a seguinte descrição: “70.000.098 – Serviços Técnicos Especializados” ; Não mencionam, portanto, qualquer atividade de construção. Nas cópias do razão contábil da contribuinte, às fls. 467 e ss, seguidos de notas fiscais de fornecedores, às fls. 978/901, observase que os materiais empregados são quase totalmente ligados a atividades de soldagem: eletrodos de tungstênio e grafite, gás oxigênio industrial, gás argônio, gás acetileno, escovas industriais. Como exceção encontrase nota com referencia à aquisição de tintas, thiner e rolos, no valor total de R$ 1.020,33. Mas nenhuma que se refira a aquisição de cimento, por exemplo. Temse, assim, que a questão dos autos prescinde até mesmo de tentar caracterizar determinada atividade de construção como sendo de construção civil. Ao menos considerando as provas dos autos, a recorrente não prestou serviços de construção. Prestou serviços de manutenção em equipamentos industriais. E ainda que serviços de construção civil fosse, o que se admite pelo debate, ainda assim estaria correta a aplicação do percentual de 32% aos serviços prestados em cumprimento ao contrato aqui analisado, em razão do quanto acima exposto, no que toca à utilização de materiais. Vale transcrever, nesse sentido, o que muito bem observou a Turma Julgadora de 1a. Instância: Fica também ali explicitado que os materiais necessários à execução dos serviços a serem incorporados no imóvel eram de responsabilidade da Petrobras, mais um indicativo que a atividade da contribuinte era de prestar serviço e não de realizar obra de construção civil com o fornecimento total de materiais. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.723638/201238 Acórdão n.º 1801002.161 S1TE01 Fl. 7 11 Como anteriormente demonstrado, os materiais cujas notas fiscais fazem parte deste processo são eminentemente materiais de consumo na atividade de soldagem e pintura. Os materiais que fariam parte dos equipamentos e instalações seriam aqueles que se incorporariam ao imóvel, e estes não seriam fornecidos pela impugnante na empreitada, mas pela contratante, Petrobras. Assim, ainda que a atividade da contribuinte não fosse de manutenção (o que, repetimos, acima já foi contraditado), ela nem mesmo atenderia o requisito da IN SRF 480/2004, por ela própria invocado, para que pudesse se valer do percentual de 12%, pois não forneceu todos os materiais indispensáveis à construção. Por último, alegou a recorrente que o valor retido na fonte pela Contratante PETROBRÁS determinaria o percentual de presunção que a contratadarecorrente deveria utilizar, citando a IN SRF n º 480, de 2004. Tal comando invocado a seu favor sequer lhe socorre. O dispositivo é expresso no sentido de que a retenção efetuada não altera o percentual de presunção a ser aplicado pela beneficiária do pagamento. A exceção prevista na parte final do dispositivo não se conforma às circunstâncias fáticas dos autos, em primeiro lugar, porque os serviços prestados pela recorrente não são nem de construção por empreitada, nem tampouco hospitalares. Ademais, ainda que se admitisse tratarse de empreitada, são os seguintes os serviços de construção por empreitada a que se refere o inciso II do art 1º ali citado: “II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.” (destaquei) Provado nos autos que, relativamente ao contrato n º 1200.0031684.07.2, a recorrente prestou serviços de manutenção em equipamentos industriais, a alíquota de presunção do lucro para cálculo do IRPJ e da CSLL é de 32%, aplicável a prestação de serviços em geral, nos termos do art. 15 da Lei n º 9.249, de 1995: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ... III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 ... § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. ...” Quanto aos acórdãos trazidos em memorial, que demonstram que em outras turmas de julgamento deste CARF a recorrente obteve provimento em seu pleito, resta apenas assinalar que tais decisões, apesar de indicar uma possível direção, não vinculam esta ou qualquer outra turma de julgamento deste CARF. Saliento, também, que a votação do Acórdão n º 110300.854, da 3a. TO / 1a. CÂMARA, citado no memorial, não teve unanimidade daquela turma no sentido de dar provimento ao pleito da recorrente. E, ainda, observo que no caso do auto de infração que exigiu o IRPJ calculado ao percentual de presunção de 32%, relativamente ao contrato objeto destes autos – processo n º 11080.723636/201249, foi proferido o Acórdão n º 1102000.879, pela 2a. TO, também da 1a. CÂMARA, que negou provimento ao apelo da recorrente, em muito bem fundamentado voto do Conselheiro Presidente João Otávio Opperman Thomé. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 29/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16682.720582/2012-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2007, 2008
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF.
A ausência de uma condição essencial para caracterização do crédito rural a qualidade de instituição financeira por parte do mutuante impede o enquadramento dos mútuos realizados a empresas que atuam no ramos agropecuário no conceito legal de crédito rural, não fazendo jus, portanto, á redução de alíquota pretendida.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF. A ausência de uma condição essencial para caracterização do crédito rural a qualidade de instituição financeira por parte do mutuante impede o enquadramento dos mútuos realizados a empresas que atuam no ramos agropecuário no conceito legal de crédito rural, não fazendo jus, portanto, á redução de alíquota pretendida. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 82 /2 01 2- 02 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 29/06/2012 lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao IOF, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto nos períodos de apuração compreendidos entre julho de 2007 e dezembro de 2008. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 343/354, foi constatado que o contribuinte concedeu empréstimos, mas não declarou e nem recolheu o IOF. Em sede de impugnação o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 29/06/2007, com base no art. 150, § 4º do CTN; 2) Como o fato gerador do IOF incidente sobre operações de crédito ocorre na data da sua disponibilidade na contabilidade de cada uma das empresas mutuárias, conforme foi efetivamente levado em conta pela fiscalização, não poderia haver tributação sobre o saldo anterior a julho de 2007 e muito menos repetir a tributação sobre o saldo, mês a mês, como um verdadeiro milagre da multiplicação dos tributos; 3) O auto de infração foi fundamentado em legislação revogada. O Decreto nº 4.494, de 03/12/2002 citado pela fiscalização foi revogado pelo Decreto nº 6.306, de 14/12/2007, o que caracteriza nulidade por violação do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72; 4) Tem direito à alíquota zero de IOF sobre todos os empréstimos celebrados com empresas do Grupo MPE que se dedicam ao agronegócio, com base no art. 8º, III e IV, do Decreto nº 6.306/2007. E isto é assim porque o art. 13 da Lei nº 9.779/99 estabelece que o fato gerador do IOF se sujeita às mesmas normas aplicáveis às operações de empréstimos praticadas pelas instituições financeiras; A 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, por meio do Acórdão nº 45.952, de 29 de agosto de 2013, julgou a impugnação improcedente. Foi rejeitada a alegação de nulidade, pois a citação do Decreto 4.494/2002 foi feita no sentido de demonstrar que as regras constantes do Regulamento atual (Decreto 6.306/2007) são as mesmas dos regulamentos anteriores. Foi rejeitada a alegação de decadência, pois não houve pagamento antecipado e nem declaração do IOF à repartição fiscal, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN. No que tange à aplicação da alíquota zero sobre o crédito concedido às empresas que atuam no agronegócio, entendeu a DRJ que esse benefício só se aplica quando o crédito é concedido por instituições financeiras. A definição legal de crédito rural está contida no art. 2º da Lei nº 4.829/65. O art. 2º, § 1º do Decreto nº 58.380/66, que regulamentou essa lei, é ainda mais contundente ao exigir, para caracterização do crédito rural, que o mutuante seja instituição financeira. Ausente uma condição essencial para a caracterização do crédito rural a qualidade de instituição financeira por parte de mutuante não é necessário grande esforço hermenêutico para concluir que os Fl. 589DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16682.720582/201202 Acórdão n.º 3403003.415 S3C4T3 Fl. 5 3 mútuos realizados pela autuada empresa que não atua no ramo financeiro não se enquadram no conceito legal de crédito rural, não fazendo jus à alíquota zero. No que concerne ao "milagre da multiplicação de tributos", entendeu a DRJ que os elementos juntados aos autos comprovam que os mútuos ocorreram sob a modalidade de crédito rotativo, onde não existe um montante fixo colocado à disposição das mutuárias, mas sim concessões de crédito e amortizações que ocorrem continuamente. Neste caso, a base de cálculo do IOF é a soma dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. Regularmente notificado daquele Acórdão em 10/09/2013, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 497/582, em 10/10/2013, alegando, em síntese, o seguinte: 1) O grupo MPE está estruturado como um grupo de Holdings. A MPE Montagens e Projetos (ora recorrente) é a empresa mais lucrativa do segmento de engenharia e, por tal razão, foi a empresa que mais disponibilizou recursos para as demais empresas do grupo. Essa disponibilização de recursos ocorreu sob a forma de contrato de contacorrente e não contrato de mútuo. No acórdão 3401001.094, em caso análogo ao presente, o CARF afastou a tributação pelo IOF por ter entendido que o contrato de contacorrente não se confunde com o contrato de mútuo. Na mesma ocasião, foi afastada a aplicação do Ato Declaratório SRF nº 7/1999, que criara uma equiparação ilegal entre os contratos de conta corrente e os contratos de mútuo; 2) A despeito de nos autos constarem outros contratos que pretensamente indicam a existência de mútuos entre a ora recorrente e empresas de agronegócio do Grupo MPE, é essencial que tais contratos sejam desconsiderados face ao contrato de contacorrente existente no âmbito do Grupo MPE, na medida em que os referidos contratos não representam a verdadeira operação. Em cada um desses contratos existe cláusula específica de remuneração, apenas por força de aparência de contrato de mútuo, pois na época em que foram celebrados entendiase que não era possível haver um contrato não oneroso de contacorrente com as empresas do segmento do agronegócio. A própria fiscalização ressalvou que as operações de crédito ocorreram a título não oneroso, ou seja, sem cobrança de juros. Em seguida também registra que a existência de contas específicas denominadas "contacorrente coligadas e controladas", além de afirma, ao final, que "são, de fato, contascorrentes, com concessões de empréstimos e amortizações contínuas. Ao final do período, o saldo da conta de passivo é transportado para a conta de ativo, diminuindo o saldo devedor da empresa ligada (fl. 350)"; 3) Em virtude da situação fática se amoldar perfeitamente ao contrato de contacorrente, deve ser afastada a incidência do IOF, tal como ocorreu no caso do Ac. 3401 001.094; 4) Por outro lado, as operações financeiras de crédito entre as empresas do Grupo MPE, havidas em regra entre as empresas de engenharia e as empresas de agronegócio, não estão sujeitas à cobrança de IOF, pois estão sujeitas à alíquota zero nos termos do art. 8º, III e IV, do Decreto nº 6.306/2007. Caso se entenda ter havido operações dessa natureza (de crédito), os valores disponibilizados às empresas de agronegócio se destinaram a investimentos, compras de insumos ou para que fomentassem a comercialização e a exportação de seus produtos, casos em que a alíquota do IOF é zero. Para eliminar qualquer dúvida respeito da utilização dos créditos para o fim definido para aplicação da alíquota zero, a recorrente coloca à disposição da administração pública, na sede de sua empresa, a documentação das empresas do Grupo para que seja sanada qualquer dúvida quanto a eventuais Fl. 590DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 mútuos. Como a documentação é volumosa, é inviável trazer todos esses elementos aos autos eletrônicos; 5) Atacou a multa de ofício por considerála desproporcional e irrazoável e requereu o acolhimento de seu recurso a fim de que seja cancelado o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Cotejandose o recurso voluntário e a impugnação, verificase que por ocasião da impugnação não houve contestação específica quanto à multa. Portanto, não tendo instaurado o litígio em relação à multa, este colegiado não pode se manifestar sobre questão preclusa. Não conheço das alegações quanto à multa de ofício, com base no disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. No mérito, verificase que entre a impugnação e o recurso voluntário, a defesa guinou da posição de admitir a existência dos mútuos para a posição de negálos. Em sede de recurso a defesa alegou que os mútuos não são mútuos, mas sim "contratos de contacorrente". Com isso pretende que se dê ao caso concreto o mesmo tratamento dado pelo Acórdão 3101001.094. Entretanto, a situação fática e jurídica deste processo é totalmente diferente daquela sopesada pelo Acórdão 3101001.094. Isto porque no caso concreto a fiscalização "não escolheu" o tipo de contrato representado pelos saldos das contas contábeis e nem sequer invocou o Ato Declaratório SRF nº 07/1999 para "equiparar " contratos de contacorrente a contratos de mútuo. Aqui neste processo, a fiscalização provou que os contratos são de mútuo na modalidade de crédito rotativo, inclusive com a juntada de cinco contratos entregues pela empresa nos quais se constata essa operação e que a defesa, em sede de recurso, pede que sejam desconsiderados. E o fato de os mútuos não possuírem caráter oneroso, não os desnatura como contratos de mútuo, a teor do art. 591 do Código Civil. Além de não trazer nenhuma prova aos autos da alegação de que os contratos de mútuo não são de mútuo, mas sim de "contacorrente", a defesa pede ao colegiado que desconsidere as provas trazidas aos autos pela fiscalização, o que não tem nenhum cabimento. Por meio da resposta à intimação de fls. 77, o representante legal da empresa reconhece que se tratam de contratos de mútuo e informa as contas contábeis onde são registrados os empréstimos. Os referidos contratos estão anexados às fls. 78/107 e na cláusula 1ª de todos eles o objeto do contrato é o empréstimo de determinada quantia concedido pela recorrente Fl. 591DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16682.720582/201202 Acórdão n.º 3403003.415 S3C4T3 Fl. 6 5 (mutuante) às mutuárias, em parcelas e por um determinado período de tempo, o que inequivocamente comprova a natureza de crédito rotativo. Em relação aos mútuos cujos contratos não foram entregues à fiscalização, as provas da existência do empréstimo na modalidade de crédito rotativo, podem ser encontradas nas planilhas apresentadas pela recorrente e entregues à fiscalização, nas quais está consignado o caráter não oneroso do empréstimo, ou seja, sem cobrança de juros (fls. 06 a 59). Essas operações estão contabilizadas no livro razão nas contas 1.1.2.03.0001 e 2.1.2.01.0001, conforme comprovam as folhas do razão (fls. 109/116). O histórico dos lançamentos não deixa nenhuma dúvida: "Centralização de mútuo" . Reforça a conclusão de que no caso concreto não se tratam de "contratos de contacorrente", o fato da empresa não ter alegado esse fato nem durante o procedimento fiscal e nem na impugnação. Nesse passo, seria incontroverso nos autos a natureza de contratos de mútuo na modalidade crédito rotativo, pois a alegação não provada de que seriam "contratos de conta corrente" só apareceu em sede de recurso voluntário. O conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização, as manifestações da empresa no curso da ação fiscal e os termos da impugnação ao lançamento, produzem a certeza de que realmente foram celebrados contratos de mútuo, na modalidade de crédito rotativo, e não contratos de "contacorrente" como foi alegado no recurso. Portanto, deve ser rejeitada a alegação recursal, mesmo porque a recorrente não se desincumbiu do ônus da prova dos fatos alegados (art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72). Relativamente à questão da alíquota zero, o art. 13 da Lei nº 9.779/99 estabelece o seguinte, in verbis: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. Com base nesse dispositivo legal, entende a recorrente que tem direito à alíquota zero de IOF sobre os mútuos que celebrou com as empresas que se dedicam ao ramo do agronegócio, pois o art. 8º, III e IV, do Decreto nº 6.306/2007 reduziu a zero a alíquota do IOF quando o crédito é destinado ao amparo à exportação ou produção, bem como quando se trate de crédito rural, destinado a investimento, custeio e comercialização. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Entretanto, a alegação do contribuinte não prospera porque o art. 13 da Lei nº 9.779/99 não equiparou as demais pessoas jurídicas a instituições financeiras. O art. 13 apenas estabeleceu que as demais pessoas jurídicas se sujeitam ao IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às instituições financeiras. Sendo assim, o "crédito rural" mencionado no art. 8º, IV, do Decreto nº 6.306/2007, se constitui em uma modalidade específica de crédito que se encontra regulada pela Lei nº 4.829/65. O art. 2º da referida lei estabelece o seguinte: Art. 2º Considerase crédito rural o suprimento de recursos financeiros por entidades públicas e estabelecimentos de crédito particulares a produtores rurais ou a suas cooperativas para aplicação exclusiva em atividades que se enquadrem nos objetivos indicados na legislação em vigor. (Grifei) Já o art. 2º, § 1º do regulamento anexo ao Decreto nº 58.380/66, estabeleceu com todas as letras que "crédito rural" é aquele concedido por instituições financeiras, in verbis: Art 2º Considerase crédito rural o suprimento de recursos financeiros a produtores rurais ou a suas cooperativas para aplicação exclusiva em atividades que se enquadrem nos objetivos indicados neste regulamento, nos têrmos da legislação em vigor. § 1º O suprimento de recursos a que alude este artigo será feito por instituições financeiras, assim consideradas as pessoas jurídicas públicas, privadas ou de economia mista que tenham como atividades principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. (Grifei) Sendo assim, os empréstimos concedidos pela recorrente às empresas que atuam no agronegócio não podem ser enquadrados como crédito rural, pois a recorrente não é instituição financeira e nem foi equiparada a instituição financeira pelo art. 13 da Lei nº 9.779/99. Por outro lado, também não se pode cogitar de reconhecer a alíquota zero sobre essas operações com base no art. 8º, III, do Decreto nº 6.306/2007, porque a defesa não se desincumbiu do ônus de provar que os empréstimos se destinaram a estimular a produção e a exportação. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 593DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16682.720582/201202 Acórdão n.º 3403003.415 S3C4T3 Fl. 7 7 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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