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Numero do processo: 10882.003591/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2202-001.781
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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score : 1.0
Numero do processo: 18186.007045/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. ERRO NO CEP CONSTANTE DA DIRPF.
É nula a decisão que considera válida a intimação por edital do contribuinte quando este declarou corretamente em suas DIRPF o seu endereço de residência, equivocando-se apenas quanto ao CEP correspondente. O equívoco em relação ao CEP não invalida o endereço corretamente informado.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e
ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a
efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
Numero da decisão: 2102-001.307
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. ERRO NO CEP CONSTANTE DA DIRPF. É nula a decisão que considera válida a intimação por edital do contribuinte quando este declarou corretamente em suas DIRPF o seu endereço de residência, equivocando-se apenas quanto ao CEP correspondente. O equívoco em relação ao CEP não invalida o endereço corretamente informado. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
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INTIMAÇÃO POR EDITAL. ERRO NO CEP CONSTANTE DA DIRPF. É nula a decisão que considera válida a intimação por edital do contribuinte quando este declarou corretamente em suas DIRPF o seu endereço de residência, equivocandose apenas quanto ao CEP correspondente. O equívoco em relação ao CEP não invalida o endereço corretamente informado. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 06/09 para exigência de IRPF em razão da glosa de despesas médicas deduzidas por ela no anocalendário de 2003. A contribuinte fora intimada a comprovar os valores constantes de sua DIRPF apresentada para aquele ano e, em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 28.349,78, relativo às despesas médicas. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/03, por meio da qual alegou residir no mesmo endereço há 14 anos, endereço este que constava de sua DIRPF 2004, e no qual jamais recebeu qualquer intimação da Receita Federal, razão pela qual teria sido equivocada a sua intimação através de Edital. Anexou à sua Impugnação todos os originais dos recibos de despesas médicas incorridas naquele ano de 2003 (objeto da Notificação) no total de R$ 28.349,78. Requereu prioridade na tramitação de seu processo, pois à época do oferecimento da Impugnação (2008) contava com 85 anos de idade. Às fls. 24/25 dos autos, a contribuinte apresentou um documento que chamou de “Manifestação de Inconformidade”, por meio do qual requeria a complementação de sua Impugnação, alegando que percebera um equívoco no CEP constante de suas DIRPF até então apresentadas. O CEP constante da declaração era o 01322030, e não o 01322310. Em seguida, às fls. 26 dos autos, apresentou nova “Manifestação de Inconformidade”, por meio da qual reiterou o pedido de aplicação do Estatuto do Idoso na análise de seu processo, por já ter completado então 86 anos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos considerou, porém, intempestiva a Impugnação apresentada pela contribuinte, eis que a intimação do lançamento se dera por edital afixado em 12.12.2007. Os autos foram remetidos para a DRJ II em São Paulo, e a 8ª Turma daquele órgão julgador considerou realmente como intempestiva a Impugnação apresentada, que por isso mesmo deixou de ser conhecida. Entenderam os julgadores que seria um ônus da contribuinte a manutenção de seus dados cadastrais devidamente atualizados perante a Secretaria da Receita Federal. Inconformada com tal decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 47/54, por meio do qual alegou que toda a discussão girava em torno de um mero endereçamento postal, pois residia no mesmo local há 14 anos, tendo declarado corretamente o seu endereço em sua DIRPF, equivocandose apenas quanto ao CEP. Alegou que a Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18186.007045/200813 Acórdão n.º 210201.307 S2C1T2 Fl. 80 3 Administração Tributária teria ferido o disposto no art. 23, I do Decreto nº 70.235/72. Trouxe diversos julgados me favor de suas alegações. No mais, reiterou os pedidos contidos em sua impugnação, especialmente quanto à necessidade de que lhe fosse concedida prioridade na tramitação do processo, por ser pessoa idosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 13.10.2009, como atesta o AR de fls. 45. O Recurso Voluntário foi interposto em 06.11.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que considerou intempestiva a Impugnação ofertada pela contribuinte, eis que não obedeceu a data de publicação do edital de sua intimação. Em resumo, as razões que motivaram os membros da 8ª Turma da DRJ em São Paulo foram as seguintes: De acordo com o §4° do artigo 23 do Decreto n.° 70.235/72, para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo o endereço postal por ele fornecido para fins cadastrais à Administração Tributária. Entendese por endereço postal o fornecimento corretos do nome do logradouro público, n.° da residência e complemento se houver, n.° de CEP, bairro e cidade. A responsabilidade dos contribuintes pela entrega da Declaração de Ajuste Anual IRPF à Receita Feder como pela veracidade das informações nela contidas é pessoal e intransferível. O domicilio eleito pela contribuinte, ou seja, aquele informado à Receita Federal do Brasil em 04/2007 e 08/2007, datas em que foram emitidos o Termo de Intimação e a Notificação Fiscal, era o situado à Rua Pio XII 288, auto. 104, Paraíso, CEP 01000 000. Sua alteração novamente para o CEP 01322030 somente se procedeu em 29/04/2008, após o encerramento do procedimento fiscal em tela. Portanto, quem procedeu a alteração do CEP de seu domicilio tributário foi a própria notificada, sendo que a Receita Federal do Brasil não errou, não criou nem inventou nada apenas enviou correspondências a contribuinte para o endereço de que dispunha à época (2007) em seu banco de dados. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Como se vê, a decisão recorrida baseouse no entendimento de que o equívoco cometido pela Recorrente em relação ao CEP constante de sua DIRPF teria implicado na impossibilidade de envio a ela da intimação para apresentação dos documentos relacionados às suas despesas médicas. Entenderam que em razão do equívoco cometido, estaria correta a intimação da contribuinte por meio de Edital, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Tal decisão, contudo, merece reforma. Isto porque o já referido art. 23 do Decreto nº 70.235/72 assim dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (destaque não constante do original) Decorre daí que a autoridade fiscal deverá encaminhar qualquer intimação ao sujeito passivo para o endereço dele constante em seus cadastros. Por certo que atualmente, a fonte de informação do cadastro do sistema da Receita Federal do Brasil é a Declaração prestada pelo contribuinte (no caso, a DIRPF). Assim é que o contribuinte tem também a obrigação de informar naquela declaração o seu endereço correto, a fim de que possa receber corretamente todas as intimações que lhe forem dirigidas. Esta obrigação, porém, é de informar o endereço correto do contribuinte, com todos os dados que possibilitem a Administração Tributária encontrálo, quando necessário. No caso que ora se examina, a Recorrente informou à Receita Federal (em sua DIRPF) corretamente o seu endereço de residência, equivocandose única e exclusivamente em relação ao CEP correspondente a tal endereço. Com tal equívoco, aliás, é de se notar que a correspondência porventura enviada a ela pela Receita Federal não chegou ao seu destino possivelmente porque o CEP não correspondia ao endereço. Assim, para que as autoridades responsáveis lograssem intimar corretamente a Recorrente bastaria uma simples consulta ao sítio dos Correios na internet que o CEP em questão teria sido facilmente localizado. Não se pode, por outro lado, presumir que a Recorrente tenha agido de máfé ao fazer constar o CEP equivocado em sua Declaração de Ajuste Anual. Por outro lado, é inegável que a mesma cumpriu com sua obrigação acessória de prestar informação à Receita Federal quanto ao seu endereço, razão pela qual é de se concluir que a mesma prestou ao Fisco as informações necessárias para que fosse localizada em caso de necessidade. Se não o foi, foi por simples desídia da Administração. Restou comprovado nos autos que a Recorrente não foi intimada antes da afixação do edital de 12.12.2007, e que sua intimação por meio deste é de ser considerada nula, pois caberia às autoridades responsáveis ter esgotado todas as formas de encontrála antes de proceder à intimação por meio do edital. Destarte, é de se concluir pela tempestividade da Impugnação apresentada, que deveria ter sido conhecida e analisada no mérito. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18186.007045/200813 Acórdão n.º 210201.307 S2C1T2 Fl. 81 5 Reconhecida a tempestividade da Impugnação, deve ser analisado o mérito do Recurso Voluntário, nos termos do disposto no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72. Como afirmado, o lançamento que gerou o presente processo teve origem em Notificação de Lançamento por meio da qual foi feita a glosa das despesas médicas declaradas pela Recorrente em sua DIRPF 2004. O valor da glosa foi de R$ 28.349,78. A Recorrente, em sua defesa, traz os documentos que comprovariam a efetividade destas despesas, documentos estes que não foram analisados pela Fiscalização e nem tampouco pela DRJ na decisão recorrida. Assim, resta analisar agora se os recibos e documentos trazidos aos autos pela Recorrente são hábeis e suficientes a comprovar as despesas médicas por ela declaradas na referida DIRPF. As despesas pleiteadas e os recibos relacionados foram os seguintes: profissional valor pleiteado na DIRPF valor dos recibos Fls. Ricardo Wagner Rizzo 860,00 860,00 17 Rubens Hazov Coura 8.520,00 8.520,00 17 Diagnósticos da America S.A. 70,00 70,00 19 e 20 Eye Oftalmologia Clínica 710,00 710,00 18 Amil Assist Medica Internacional 18.189,78 18.189,78 Anexo IX Com tais documentos, é de se considerar como comprovadas as despesas pleiteadas pela Recorrente em sua DIRPF 2004. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 12 de maio de 2011 Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 24/08/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000673/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 13/05/2010
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS ILEGITIMIDADE PARA APRESENTAR DEFESA EM NOME DO ENTE PÚBLICO
Quando constatado que o Chefe do Poder Executivo, foi notificado para apresentação de impugnação em relação aos Autos de Infração lavrados em nome do Município Câmara, tendo sido destacada a ilegitimidade da Câmara em apresentar a defesa, e nada o fez, não há como considerar válida a impugnação apresentada diretamente pelo ente público.
A Câmara enquanto órgão público não tem legitimidade para responder em juízo pelo ente público municipal, contudo, entendo que pela analise do caso concreto, recusa de apreciar a defesa por ela apresentada, importaria cerceamento do direito de defesa e do contraditório.
Anulada a Decisão de Primeira Instância.
Numero da decisão: 2401-002.424
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/05/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS ILEGITIMIDADE PARA APRESENTAR DEFESA EM NOME DO ENTE PÚBLICO Quando constatado que o Chefe do Poder Executivo, foi notificado para apresentação de impugnação em relação aos Autos de Infração lavrados em nome do Município Câmara, tendo sido destacada a ilegitimidade da Câmara em apresentar a defesa, e nada o fez, não há como considerar válida a impugnação apresentada diretamente pelo ente público. A Câmara enquanto órgão público não tem legitimidade para responder em juízo pelo ente público municipal, contudo, entendo que pela analise do caso concreto, recusa de apreciar a defesa por ela apresentada, importaria cerceamento do direito de defesa e do contraditório. Anulada a Decisão de Primeira Instância.
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A Câmara enquanto órgão público não tem legitimidade para responder em juízo pelo ente público municipal, contudo, entendo que pela analise do caso concreto, recusa de apreciar a defesa por ela apresentada, importaria cerceamento do direito de defesa e do contraditório. Anulada a Decisão de Primeira Instância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenco Ferreira Do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 13609.000673/201042 Acórdão n.º 240102.424 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória , lavrado sob n. 37.283.8790, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 30, I, “a” da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, I, “g” do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços. Importante, destacar que a lavratura da AIOP, deuse em 13/05/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 25/05/2010. Inconformada, a empresa notificada apresentou impugnação à fls. 39 a 41. Foi emitida notificação ao Chefe do Poder Executivo, quanto a ilegitimidade da Câmara em apresentar defesa, , fls. 91 a 93. Apresentou a Câmara nova impugnação fl. 97 a 101. Foi exarada Decisão, fl. 106 a 108 que determinou o não conhecimento da impugnação, por entender que a Câmara Municipal não possui legitimidade passiva, posto que o município é que é dotado de personalidade jurídica de direito público. Não conformado com o resultado proferido a Câmara apresentou recurso, fl. 110 a 122. Em síntese alega: 1. O recurso é tempestivo. 2. Após ter contra si lavrado auto de infração, apresentou impugnação, conforme relatado pela própria Receita no acordão recorrido. 3. Entanto, a conclusão a que chegou a Receita foi no sentido de não conhecer da impugnação, por entender que a Câmara Municipal não possui personalidade jurídica para tanto. 4. Todavia, argumenta que essa decisão merece ser reformada, considerando que todos os fatos que ensejaram a autuação terem ocorrido no âmbito do poder legislativo, não havendo razão para a recorrida negar sua legitimidade para apresentar defesa obre seus interesses. 5. A própria Receita, não obstante admitir que deu ciência do auto de infração tanto ao poder executivo, quanto ao poder legislativo local, negou a capacidade judiciária desta de apresentar sobre assunto de seu manifesto interesse. 6. Deve o mérito de sua impugnação ser analisado por manifeste legitimidade passiva, por ser detentora de capacidade judiciária. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 7. Os fatos que ensejaram a lavratura d AI, deramse, em sua totalidade na Câmara, o que já impossibilita a apresentação de defesa pelo executivo. 8. A Câmara, não desconhece a limitação legal eu lhe é imposta diante da circunstância de não possuir personalidade jurídica, e sim, personalidade judiciária. Todavia, essa situação deve ser vista caso a caso, conforme orientação do STF, sendo o presente caso uma típica hipótese de exceção. 9. Sendo assim, requer a reforma do acordão que não conheceu da impugnação apresentada pela Câmara Municipal de Ribeirão das Neves, por entendela parte ilegítima e, por consequência, procedase a análise do mérito da impugnação apresentada. O processo foi encaminhado para julgamento no âmbito deste Conselho. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 13609.000673/201042 Acórdão n.º 240102.424 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme já apreciado a fl. 132. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO O ponto a ser apreciado em relação ao recurso em questão diz respeito a possibilidade da Câmara Municipal, por meio de seu presidente ou procurador interpor defesa em relação a Ai lavrado no órgão Câmara Municipal. O que nos parece uma questão simples, ao apreciar os termos da Decisão de primeira instância, acaba por merecer uma análise mais pontual de todo o procedimento adotado pela autoridade fiscal, como vista a afastar qualquer espécie de violação aos direitos constitucionais de ampla defesa e contraditório. Para isso, entendo pertinente, relatar o desenvolvimento da ação fiscal realizada no município. 10. A lavratura do AIOP deuse no Município de Ribeirão das Neves – Câmara Municipal, CNPJ 17.580.952/000124, no endereço Av. das Nogueiras, 226. 11. O termo de Início de Procedimento fiscal, foi entregue ao Presidente da Câmara Municipal, conforme podemos verificar na cópia do TIPF, fl. 07. 12. Emissão do Termo de Intimação, fl. 08, em nome do Município de Ribeirão das Neves – Câmara Municipal, CNPJ 17.580.952/000124, no endereço Av. das Nogueiras, 226, concedendo o prazo de 20 dias para apresentação dos documentos, donde novamente extraímos a cientificação na figura do presidente da Câmara. 13. Conforme consta do respectivo termo a documentação relacionada deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: AVENIDA DOS NOGUEIRAS, 226, CENTRO, RIBEIRÃO DAS NEVES – MG. 14. Os esclarecimentos solicitados deverão ser feitos por escrito, devidamente assinados, acompanhados, quando for o caso, da respectiva documentação. 15. Às fls. 11 a 19 apresentou o presidente da Câmara, as planilhas requeridas, com relação as remunerações pagas. 16. Foi emitido termo de continuidade do procedimento fiscal, tendo sido novamente a cientificação do procedimento sido dada ao presidente da Câmara. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 17. Foi lavrado o respectivo termo de encerramento, tendo o mesmo sido encaminhado por AR, 18. Conforme descrito no relatório fiscal da infração: o sujeito passivo da obrigação previdenciária é o contribuinte ou a pessoa responsável pelo pagamento de contribuições sociais previdenciárias ou de penalidades pecuniárias, bem como pelo cumprimento das obrigações acessórias decorrentes da legislação. É certo que todo o procedimento acabou por induzir o recorrente a erro, posto que no próprio IPC, encontrase descrito a regras inerentes a interposição de defesa. Ora, se o fisco previdenciário entendesse que a Câmara Municipal não possui personalidade para defenderse, nem mesmo deveria encaminharlhe o Auto de Infração. Não se está com isso, mudando o entendimento acerca da personalidade jurídica do ente público municipal, mas simplesmente garantido ao sujeito passivo o amplo direito de defesa. Notese que o próprio auditor, por inúmeras vezes, no relatório destaca a sujeição passiva do recorrente “o sujeito passivo da obrigação previdenciária é o contribuinte ou a pessoa responsável pelo pagamento de contribuições sociais previdenciárias ou de penalidades pecuniárias, bem como pelo cumprimento das obrigações acessórias decorrentes da legislação.” Ademais, durante muito tempo o próprio INSS e posteriormente a Secretaria da Receita Previdenciária, tiveram dúvidas acerca de como deverseia dar o procedimento nos entes públicos, procedendo a lavratura de NFLD apenas em nome do Município, desconsiderando totalmente a personalidade do ente público. Por outras, o valor da Câmara e da prefeitura em relação as obrigações previdenciárias eram diretamente descontada dos repasses do FPM. Posteriormente, novamente houve alteração da legislação, orientando a lavratura no ente público com a identificação do órgão público fiscalizado, sendo que por diversas vezes apresentou a própria Câmara, defesa as NFLD lavradas. Ademais, entendo que o norte da decisão proferida, foi no sentido, que o ente público não possui capacidade processual, para responder em juízo, o que no entender dessa relatora, não impediria, na maneira como realizado o procedimento no entes públicos, de apreciar sua defesa. O próprio poder judiciário por medida de exceção, acata a possibilidade da Câmara, de ingressar em juízo, conforme podemos identificar a seguir. Segundo os ensinamentos de José dos Santos Carvalho Filho, in Manual de Direito Administrativo, fl.. 17. Como círculo interno de poder, o órgão em si é despersonalizado; apenas integra a pessoa jurídica. (...) Sendo assim, o órgão não pode, como regra geral, ter capacidade processual, ou seja, idoneidade para figurar em qualquer dos pólos de uma relação processual. Faltaria a presença dos pressupostos processual atinente a capacidade de estar em juízo.(...) De algum tempo para cá, todavia, tem evoluído a ideia de conferir capacidade a órgão públicos para certos tipos de litígio. Um desses casos é o de impetração de mandado de segurança por órgãos públicos de natureza constitucional, quando se trata de defesa de sua competência, violada por ato de outro órgão. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 13609.000673/201042 Acórdão n.º 240102.424 S2C4T1 Fl. 4 7 Em outra hipótese, já se admitiu mandado de segurança impetrado por Câmara Municipal contra o prefeito para o fim de obrigalo à devida prestação de contas ao Legislativo, tendo sido concedida a segurança.(...) Repitase, porém, que essa excepcional personalidade judiciária ó é aceita em relação ao órgãos mais elevados do Poder Público, de envergadura constitucional, quando defendem suas prerrogativas e competências. Por outro lado, esse tipo de conflito se passa entre órgãos da mesma natureza, como é o caso, (talvez o mais comum) de litígio entre o Executivo e o Legislativo, e como pertencem, à mesma pessoa política, não haveria, mesmo outra alternativa senão admitirlhes, por exceção, a capacidade processual.(...) Mais recentemente, veio a dispor o Código do Consumidor (lei 8.078/1990) que são legitimados para promover a liquidação e execução de indenização “as entidades e órgãos da administração pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados a defesa dos interesses e direitos protegidos por este Código” Isto posto, entendo que deva ser anulada a decisão de primeira instância, para que se considere válida a defesa apresentada e que por consequência seja a mesma apreciada em suas razões de mérito. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, nos termos acima expostos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 13005.000145/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado.
Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972.
Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
Numero da decisão: 2302-001.840
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
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Recorrente ASSOCIAÇÃO PRO CULTURA E EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA DE MONTENEGRO Recorrida DRJ JUIZ DE FORA MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Decisão emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13005.000145/201092 Acórdão n.º 230201.840 S2C3T2 Fl. 302 3 Relatório O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, cujos valores constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências janeiro de 2006 a dezembro de 2007, fls. 23 a 27. A autuada não teria direito à isenção no período objeto do lançamento. Não conformado com a autuação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 183 a 219. Houve conversão do julgamento em diligência, fl. 244, visto que não constava na folha de rosto o local, o dia e a hora de lavratura e a assinatura da autoridade lançadora. A solicitação foi atendida pela fiscalização, conforme fl. 245. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos da autuada e exarou a decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 246 a 248. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, conforme fls. 259 a 294. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme comprovantes às fls. 249 e 259. Pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Federal, antes da emissão da decisão de primeira instância, verificou irregularidade no procedimento, fl. 244, e retornou os autos para a fiscalização. Como resultado dessa diligência, a auditoria fiscal prestou informação à fl. 245. Não há provas de que o recorrente foi cientificado da juntada das fls. 244 a 245, sendo emitida a Decisão de fls. 246 a 248 sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos apontados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fl. 244, ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarrazões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. De acordo com o previsto no art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. Assim, deve ser anulada a decisão de primeira instância, reabrindose o prazo para manifestação e conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência às fls. 244 e 245. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR a DECISÃONOTIFICAÇÃO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10825.001107/98-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/01/1993
IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 8 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF.
Recurso Especial do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-001.954
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
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Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 8 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Recurso Especial do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Fl. 0DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: Tratamse dos dois Pedidos de Restituição de fls. 94 e 95 relativos ao IPI, ambos protocolizados em 29/10/98, o primeiro em nome da filial, CNPJ no 61.125.753/006159, e no valor de R$ 1.059.811,03, o segundo em nome da matriz, CNPJ n° 61.125.753/000118, e no valor de R$ 46.600.783,53, requeridos com base na Instrução Normativa SRF n° 67, de 14/07/98. Aos Pedidos de Restituição seguiramse vários pedidos de compensação, inclusive com débitos de terceiros. Os recolhimentos que originaram os créditos alegados estão discriminados às 96/98, tendo sido efetuados entre 14/02/92 e 25/01/96. Por bem resumir o que consta dos autos, reproduzo parte do relatório da primeira instância (fls.7.519/7.520, vol. XXIX): 2. Como resultado de diligência realizada, foi elaborada a informação fiscal, de fls. 6.440/6.449, pelo auditor fiscal designado, em que foi considerado discutível o mérito do pleito, por aspectos relevantes de direito, sendo que somente 80,78% das saídas de açúcar referentes ao pedido dizem respeito a açúcar refinado do tipo amorfo. 3. Algumas empresas, adquirentes do açúcar da epigrafada, foram intimadas a informar as providências contábeis adotadas em face da autorização outorgada a esta para postular, em seu próprio nome, a restituição do imposto destacado nas notas fiscais de venda, conforme documentos de fls. 7.115/7.168. 4. No despacho decisório de fls. 7.185/7.201, a Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF/BAURU/SP, em 28/07/2003, indeferiu o pleito com supedâneo nos seguintes argumentos; i) intempestividade do pedido, na totalidade, em virtude da prescrição de que trata o CTN, art. 168, I (prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário); ii) apesar das cartas autorizativas de clientes, acostadas aos autos, estas não satisfazem a exigência insculpida no CTN, art. 166, pois não foram enviadas por aqueles que realmente suportaram o ônus do tributo, ou seja, os consumidores finais, sendo que, apesar da declaração de nãoutilização do crédito do imposto, o valor deste foi embutido no preço final do produto ou agregado ao custo de fabricação; iii) parecer desfavorável da fiscalização; iv) a base legal invocada como fundamento da solicitação (IN SRF n° 67, de 1998), foi decretada nula pela sentença (cópia de fls. 7.176/7.184) prolatada pela Justiça Federal de Marília/SP nos autos da Ação Civil Pública n° 2000.61.11.0042415. 5. Irresignada com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 15/08/2003, conforme registro de vista processual de fl. 7.201verso, a contribuinte ofereceu, tempestivamente em Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10825.001107/9894 Acórdão n.º 930301.954 CSRFT3 Fl. 7.882 3 10/09/2003, a manifestação de inconformidade, de fls. 7.236/7.256, instruída com os documentos de fls. 7.257/7.343 e subscrita pelos patronos da pessoa jurídica, Dr. Mário Luiz Oliveira da Costa e Dr. Luis Henrique da Costa Pires, conforme instrumentos legais de fls. 7.257 e 7.258. São os seguintes, em síntese, os pontos abordados na peça de defesa: a) Inexiste a decadência do direito de pleitear a restituição de parte dos recolhimentos relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1992 e janeiro de 1993, pois para os débitos referentes aos períodos de apuração da 2ª quinzena de janeiro a 1ª quinzena de agosto de 1992 foi requerido o parcelamento cujos pagamentos foram efetuados de 31/08/1992 a 25/01/1996; b) Mesmo para os recolhimentos efetuados antes de 30/09/93 não haveria a decadência do direito à restituição, pois o prazo prescricional ou decadencial de cinco anos deve ser contado a partir do prazo final para homologação tácita de imposto sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, o prazo pode atingir 10 anos a partir do recolhimento, conforme pacífica jurisprudência; c) As cartas autorizativas dos clientes seriam suficientes para conferir legitimidade para a manifestante pleitear a restituição do indébito, pois aqueles teriam assumido o ônus financeiro do imposto, sendo desnecessário o estorno dos créditos, mesmo porque as operações foram realizadas com consumidores finais, ou seja, que não utilizem o açúcar em processo de industrialização; os adquirentes não se creditaram do imposto, porém, o eventual repasse, nos preços, dos custos dos adquirentes para terceiros (consumidores finais) encontrase fora do campo de abrangência do art. 166 do CTN, de acordo com pronunciamentos judiciais. A nulidade da IN SRF n° 67, de 1998, decretada por sentença, em 1ª instância, tem caráter provisório e deve ser reapreciada pelo Tribunal competente e, se for o caso, pelos Tribunais Superiores (STJ e STF), mas, mesmo assim, de acordo com a parte final da sentença, a nulidade do ato normativo não se aplicaria aos atos realizados após a edição deste, sendo legítimo o procedimento da solicitante; e) Ainda que fosse afastada a aplicação da IN SRF n° 67, de 1998, em virtude da nulidade, o direito de a contribuinte pleitear a restituição do indébito persiste, sobretudo no que tange ao açúcar refinado do tipo amorfo, em virtude da nãoincidência do imposto à época por conta de liberação de preços, pois a elevação da alíquota de IPI para 18%, temporária, nos termos da Lei n° 8.393, de 1991, somente seria aplicável enquanto continuasse a política de preços uniformes para venda de açúcar, aliás, conforme decisões do Conselho de Contribuintes; f) Por derradeiro, espera que a decisão recorrida seja reformada e acolhido o pleito de compensação inicialmente formulado. A DRJ prolatou o Acórdão de fls. 7.517/7.525, mantendo o indeferimento dos Pedidos. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Entendeu que, consoante os arts. 168, I, e 156, VII, do CTN, o prazo para a restituição em tela é de cinco anos. Assim, foram atingidos pela decadência os pagamentos anteriores a 29/10/1993. No caso de parcelamento, interpretou que a extinção do crédito tributário só se dá quando quitada a última parcela. Na situação em tela isto não teria ocorrido, por não terem sido quitadas as últimas parcelas (nºs 41 a 50). Não fosse pela decadência, a decisão recorrida entende que a repetição do indébito não seria possível em virtude do art. 166 do CTN. Considera que as cartas de autorização que compõem vários volumes deste processo, fornecidas pelos clientes da requerente, não são suficientes para habilitála à repetição. Como o encargo financeiro foi transferido aos clientes da usina, porém estes, por seu turno, repassaram a terceiros (os consumidores finais), interpreta que à vista do art. 166 do CTN e ainda do art. 18 da IN SRF n° 21/97 — segundo o qual: “Nenhum contribuinte poderá solicitar restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro (IOF e IPI)” não há como conceder o direito de repetição à. requerente. Afirma que, ademais, não pode ser olvidado que somente parte do pleito (80,78%) diz respeito a açúcar refinado do tipo amorfo e, destarte, se fosse cabível a demanda, o respectivo montante deveria ser submetido a revisão. Finaliza traçando um histórico da legislação que rege a tributação do açúcar. Informação à fl. 7.587 noticia que a recorrente foi incorporada pela Usina cujo CNPJ é 51.161.495/000171, esta por sua vez incorporada pela empresa de CNPJ nº 44.814.325/000183. 0 Recurso Voluntário de fls. 7.589/7.605, vol. XXIX, tempestivo (fl. 7.612), insiste na restituição/compensação. Argúi inicialmente a inocorrência da decadência, por entender que o prazo é dez anos, na esteira de jurisprudência do STJ. Aduz que, de todo modo, tal prazo tem início com a publicação da IN SRF n° 67/98, que reconheceu como indevido o recolhimento do imposto. Com relação a este último argumento menciona jurisprudência do Primeiro e do Segundo Conselhos de Contribuintes. No tocante ao art. 166 do CTN, entende que trata de transferência direta do encargo financeiro, de um contribuinte para outro. Não sendo os clientes da recorrente contribuintes do IPI (ou, ainda que sendo, não tendo efetuado o crédito do imposto, conforme declarado nas autorizações firmadas), com os mesmos encerrouse o ciclo econômico do tributo. Daí entender que, juridicamente, foram esses clientes que assumiram o respectivo encargo financeiro do IPI, razão pela qual competia unicamente a eles outorgar a autorização prevista no referido art. 166. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10825.001107/9894 Acórdão n.º 930301.954 CSRFT3 Fl. 7.883 5 Afirma que a exigência de autorização por parte dos consumidores finais improcede, uma vez que não houve incidência nas operações de revenda. Quanto à circunstância de que os seus clientes tenham computado o IPI como custo, afirma em nada alterar o seu direito à repetição. Em seu favor menciona decisões judiciais, inclusive do STF (RE n° 87.439SP). Afirma que, além de amparado na IN SRF n° 67/98, o pleito também tem fundamento na legislação pertinente, abrangendo os valores recolhidos a titulo de IPI relativo ao açúcar amorfo. Como só pediu restituição do imposto atinente a esse tipo de açúcar, cabe a restituição de 100%, e não de 80,78%. Reportandose à legislação sobre o tema, informa que a Lei n° 8.393, de 30/12/91, extinguiu a contribuição sobre a saída de açúcar (IAA) e respectivo adicional, criados pelos DecretosLeis nºs 308/67 e 1.952/82, bem como os subsídios de equalização de custos de produção de açúcar e, em contrapartida, autorizou a exigência do IPI à alíquota de 18%, temporariamente, assegurando isenção As áreas da SUDENE e SUDAM e autorizando o Poder Executivo a reduzir em até 50% a alíquota para os Estados do Espírito Santo e Rio da Janeiro "enquanto persistir a política de preço nacional unificado de açúcar de cana" (negrita). Desaparecendo a uniformidade de pregos, o IPI deveria retornar a alíquota zero, estabelecida pela Lei n° 7.798/89. Quanto ao açúcar refinado amorfo, a firma que, antes de editado o Decreto n° 420/92 — que elevou para 18% as alíquotas do IPI para as posições TIPI 1701.11 e 1701.99.0100 (TIPI/88) — já não se encontrava sob o regime de controle de preços. Tanto assim que a Portaria n° 334, de 09/12/91, do Secretário Executivo do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, ao fixar os preços dos açúcares, só tratou do açúcar refinado granulado. Ao final menciona a seu favor decisões deste Segundo Conselho de Contribuintes (Ac. nº 20172.583) e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF 0303.462). Às fls. 7.654/7.676 informam sobre o Mandado de Segurança n° 2003.61.08.96271, impetrado com objeto diverso deste processo administrativo. Pretende a recorrente, na via judicial, “afastar qualquer exigência dos montantes questionados nos Processos Administrativos nºs 10825.001107/9894 e 10825.001108/9857, até o seu final e definitivo julgamento.” (fl. 7.665). 0 Processo n° 10825.001108/9857, que contem pedido de parcelamento, foi anexado a este ( ver vol. I, a partir da fl. 103). Apensos a este processo encontramse também os seguintes, relativos a pedidos de compensação: nºs 13807.005279/200416, 11516.002100/9981, 10880.026890/9924 e 16327.000140/00 72. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 A decisão foi ementada nos seguintes termos: IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. IN SRF N° 67/98. O prazo para repetir o indébito tributário reconhecido por meio de ato infralegal, como a IN SRF nº 67/98, submetese à regra geral do CTN, sendo de cinco anos a contar da extinção do credito tributário. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ART. 166 DO CTN. PROVA DE ASSUNÇÃO DO ENCARGO RELATIVO AO IMPOSTO. AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE DE DIREITO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO POR PARTE DE CONSUMIDOR FINAL. Nos termos do art. 166 do CTN, a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, somente será feita ao sujeito passivo que prove haver assumido referido encargo ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Tal autorização deve ser fornecida ao contribuinte do IPI que pleiteia a restituição, pelo seu adquirente, sem necessidade de autorizações por parte dos consumidores finais, que não assumiram o encargo financeiro a titulo de imposto, mas de preço da mercadoria adquirida. AÇÚCAR AMORFO. PERÍODOS DE APURAÇÃO ENTRE JANEIRO DE 1992 E JANEIRO DE 1993. IN 67/98. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 2° da IN SRF n° 67/98, os estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, com lançamento, em Nota Fiscal, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e que tenham promovido seu recolhimento, poderão solicitar a restituição dos valores pagos na forma da legislação vigente. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. PEDIDO FORMULADO ATÉ 07/04/2000. POSSIBILIDADE. A utilização da parcela dos créditos a repetir, que ultrapassar os débitos do próprio contribuinte, incluindo os parcelados, para compensação com débitos de terceiros, foi autorizada pelo art. 15 da IN SRF n° 21/97, tendo permanecido até 07/04/2000, data após a qual foi revogada pela IN SRF n° 41, publicada em 10/04/2000. Recurso provido em parte. A Procuradoria interpôs, às fls. 7.698/7.701, embargos declaratórios alegando omissões no Acórdão nº 20310.348, quanto a suposta concomitância do objeto destes autos com a matéria objeto da Ação Civil Pública n° 2000.61.11.004.2415/SP, que também discute a higidez da IN SRF n° 67/98 tal como no presente feito; e inconformouse quanto ao exame do tema da compensação à. luz do art. 170 do CTN, alegando que o art. 15 da IN SRF n° 21/97, que autorizava a compensação com débitos de terceiros, não encontra amparo legal. Ao examinar o pedido, o ConselheiroRelator não vislumbrou as omissões apontadas, rejeitando embargos por meio de despacho às fls. 7.727/7.728. A Fazenda Nacional, às fls. 7.731/7.744, interpôs recurso especial por divergência, insurgindose contra a autorização de compensação dos débitos da recorrente com créditos de terceiros. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10825.001107/9894 Acórdão n.º 930301.954 CSRFT3 Fl. 7.884 7 Com fulcro na Informação de fls. 7.747/7.748, o presidente da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes negou seguimento ao recurso por concluir que, tendo a decisão recorrida acatado a compensação com créditos de terceiros com fulcro no art. 15 da IN SRF 21/97, e a decisão paradigma tratado de pedido de compensação efetuado em 14/02/2003, quando já não estava em vigor a IN SRF nº 21/97, não restou configurada a divergência. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou, às fls. 7.751/7.754, agravo, o qual foi negado pelo presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, às fls. 7.766/7.767. Os autos retornaram à origem e, às fls. 7.778/7.779 a SACAT/DRF em BauruSP apresentou o seguinte histórico dos pedidos do sujeito passivo: Este processo foi formalizado em 13/08/98 com os pedidos de parcelamento de COFINS e PIS (processo 10825.001108/9857 anexado) pelo CNPJ 61.125.753/000118, atualmente incorporado pelo CNPJ 08.070.508/000178. Em 30/09/98 (fls. 83/84) e em 29/10/98 (fls. 93/98) o contribuinte apresentou requerimento solicitando a restituição do crédito de IPI, recolhido indevidamente e apurados nos períodos contemplados no artigo 1° da IN SRF n° 67/98, e a compensação com os débitos dos parcelamentos de PIS e COFINS, bem como de outros tributos e contribuições federais. 0 crédito solicitado referiase a recolhimentos efetuados pela empresa baixada 61.125.753/000118, por sua então filial 0061 e pagamentos efetuados no processo de parcelamento 10825.001543/9241. Os débitos próprios com solicitação de compensação apresentados eram do CNPJ 51.161.495/000171, motivo pelo qual o CNPJ deste processo foi alterado para o da incorporadora da época. Parte dos débitos solicitados para serem compensados foram transferidos para o processo 10825.000889/0021, que foi incluído no REFIS. Após o indeferimento do Pedido de Restituição e da apresentação da manifestação de inconformidade pelo contribuinte, parte dos débitos foram quitados e parte dos débitos foram transferidos para os processo 10825.001371/200310, 10825.001372/200364 e 10825.001373/200317 para prosseguimento na cobrança, conforme legislação da data. A solicitação do contribuinte foi indeferida pela DRJ Ribeirão Preto. 0 Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao Recurso. Reconheceu como crédito os recolhimentos efetuados a partir de 29/10/93 e, no que se refere aos valores recolhidos no Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 parcelamento, reconheceu as parcelas efetuadas após de 28/10/93. Com isso, o crédito reconhecido passou a ser os recolhimentos efetuados a título de parcelamento do processo 10825.001543/9241 começando com o efetuado em 25/11/93. O CNPJ 61.125.753 incorporado pelo CNPJ 51.161.495, seguiu por uma cadeia de incorporações passando pelos CNPJ 44.814.325, CNPJ 48.661.888 e, atualmente, CNPJ 08.070.508/0001 78, cuja jurisdição é a DRF PIRACICABA. Conforme o artigo 59 da IN 900/2008, proponho o encaminhamento do presente processo A. jurisdição do contribuinte para prosseguimento. A SACAT/DRF/Bauru, às fls. 7.841, encaminha cópias de documentos nos quais GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S/A, CNPJ 00.546.997/000180; fls. 7.843, 7.845, 7.847, 7.849, 7.851 e 7.851, requer a desistência da compensação dos processos nºs 10830:005416/9608, 10830.007666/9938; 10830.006411/9911, 10830.009703/99 33, 10830.009136/9915 e 10830.001067/0016, que tratam de débitos objeto de “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros”, nos quais os créditos são discutidos neste processo, além de requerer a desistência de outras compensações, também objeto deste processo, bem como, a desistência e renúncia a eventuais recursos e a quaisquer alegações de direito em relação aos processos nºs 10830.005416/9908, 1060.007606/9938, 10830.006411/9911, 10830.0097. 03/9933, 1080.00913.619915 e 10830.001067/0016. Cientificado do Acórdão nº 20310.348, o contribuinte apresentou recurso especial às fls. 7.782/7.793. A divergência argüida referese à definição da decadência em 05 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário. A recorrente sustenta, em síntese, que o prazo para repetição do indébito tributário, ao menos até a edição da LC nº 118/05, é decenal. O recurso foi admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 7.872/7.873. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 7.876/7.878. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do Recurso Especial do Contribuinte, admitido conforme acima mencionado, em boa forma. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10825.001107/9894 Acórdão n.º 930301.954 CSRFT3 Fl. 7.885 9 Após longo e tumultuado processo, a matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese somente à questão prescricional dos indébitos. As outras questões ventiladas no processo não foram colocadas para discussão na 3ª Turma da CSRF. O contribuinte propugna pelo reconhecimento da aplicação da chamada tese dos 5+5 ou da actio nata, enquanto a PGFN sustenta a tese dos cinco anos do pagamento para direito de reaver os indébitos. A decisão da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes entendeu que o prazo prescricional para reaver os indébitos objeto do processo seria de cinco anos contados do pagamento indevido, tese também esposada pela PGFN em suas contrarrazões em oposição ao que o contribuinte sustenta ser o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, porém sustentando também a tese de que somente a partir da publicação do ato que lhe garantiu o direito começa a contar o prazo, nas palavra do recorrente (fls. 7.791) “É apenas a partir desta data, quando menos, que o contribuinte passa a ter o direito restituição, já que a partir de então há o reconhecimento formal de que o recolhimento indevido.apenas a partir desta data, quando menos, que o contribuinte passa a ter o direito restituição, já que a partir de então há o reconhecimento formal de que o recolhimento indevido.”. Ambas as posições devem ser afastadas para o caso concreto em julgamento, que se refere ao IPI, imposto lançado por homologação.. A primeira tese da actio nata se afigura completamente inaceitável, pois levaria à imprescritibilidade ad infinitum para trás, a partir de uma declaração de inconstitucionalidade. A segunda posição, sustentada pela PGFN, é inaceitável, no que diz respeito ao período em discussão, como se demonstra adiante. A posição que deve ser aceita atualmente decorre da jurisprudência do STJ conforme corroborada no julgamento do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, em que o STF reconheceu a aplicabilidade dos 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados antes da data da vigência da LC 118/2005. Aplicase também o art. 62A do RICARF. No caso presente, a prescrição ocorreria para os indébitos decorrentes dos fatos geradores ocorridos a dez anos da data da entrega do pedido de restituição. É o que se conclui a partir da decisão do STF, RE 566.621/RS, conforme o voto da Ministra Ellen Gracie que foi ementado da seguinte forma: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 10 qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Deve, portanto, ser revista a decisão recorrida. Os indébitos relativos aos fatos geradores anteriores a 28091990 (período 01/01/1989 a 27091990) foram atingidos pela prescrição, visto que o pedido foi protocolizado em 28092000. São passíveis de restituição/compensação indébitos incorridos em relação aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 28091990 a 31/10/1993 Os recolhimentos que originaram os indébitos alegados foram efetuados entre 14/02/92 e 25/01/96 (pagamentos e parcelamentos, discriminados às fls. 96/98)), referentes a fatos geradores ocorridos de 01/01/1992 a 31/01/1993. A decisão a quo, reconheceu como crédito os somente os recolhimentos efetuados a partir de 29/10/93 e, no que se refere aos valores recolhidos no parcelamento, reconheceu as parcelas efetuadas após de 28/10/93, restando indeferidos os indébitos referentes aos períodos anteriores até janeiro de 1992 (período de apuração correspondente ao fatos geradores de janeiro de 1992). Do exposto, há que se afastar a aplicação da decisão a quo e a pretensão da PGFN de restringir a procedência do pedido de restituição somente em relação aos cinco anos contados do indébito, aplicandose ao caso a contagem de dez anos da entrega do pedido. Como, in casu, os indébitos de IPI referemse a pagamentos feitos de janeiro de 1992 a janeiro de 1996, e tendo sido o pedido de restituição protocolizado 29/10/1998, estão, portanto, os períodos pleiteados dentro do prazo passível de restituição, posto que compreendidos em período menor que dez anos contados da protocolização do referido pedido. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Especial do contribuinte, para afastar a prescrição em relação aos indébitos pleiteados, referente aos fatos geradores corridos a partir de janeiro de 1992, ressalvado o direito da Fazenda Nacional verificar sua liquidez Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10825.001107/9894 Acórdão n.º 930301.954 CSRFT3 Fl. 7.886 11 anteriormente à sua restituição/compensação, mormente em função das ocorrências contidas no presente processo. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10980.011281/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE.
É nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, devendo, deixe de apreciar o mérito de questão suscitada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1201-000.728
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
DECLARAR a nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida em seu lugar, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro André Almeida Blanco acompanhou o Relator pelas
conclusões.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. É nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, devendo, deixe de apreciar o mérito de questão suscitada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DECLARAR a nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida em seu lugar, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro André Almeida Blanco acompanhou o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 120100.728 S1C2T1 Fl. 376 2 Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau: Este processo trata dos autos de infração de IRPJ (fls. 207210), de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 211214), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 215218) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 219 223), por meio dos quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 2.247.109,32, incluindo juros moratórios calculados até 29/09/2006, conforme Demonstrativo Consolidado dos Débitos do Processo de fls. 02. As ocorrências determinantes da lavratura do auto de infração se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 202206. Em síntese, são as seguintes: 1 — a autuada foi intimada a apresentar documento relativo ao lançamento ocorrido no dia 02/01/2001, no valor de R$ 1.830.000,08, na conta FINANCIAMENTOS A LONGO PRAZO, tendo se limitado a informar que se trata de mera reclassificação contábil de saldo originado em anos anteriores, da conta 353 (redutora do ativo), para a conta 2721 e, em seguida, para a conta 2739 (PASSIVO DE LONGO PRAZO). Posteriormente, além de explicações também apresentou as planilhas de fls. 132 a 134, em respaldo às suas alegações, e também informou que os documentos respectivos foram inutilizados, por se referirem a períodos anteriores ao ano 2000. Contudo, a fiscalização considerou inaceitável a alegação, pelo fato de a transferência ter sido escriturada em 2001, e nenhum documento ter sido apresentado para comprovar tal divida contraída em anos anteriores, e também por não ter apresentado os livros referentes ao anocalendário de 2000; e ainda, pelo fato de não constar tal empréstimo nas declarações de imposto de renda das pessoas físicas dos sócios; 2 — a autuada também foi intimada a comprovar a efetiva entrega e a origem dos recursos repassados pelos sócios, no valor de R$ 501.231,11, tendo respondido que tal valor é originado por duplicatas e cheques a receber negociados no ano 2000, para recebimento no ano seguinte e, por isso, constante do balanço encerrado em 31/12/2000. Também afirmou que a contrapartida contábil — ajuste de exercícios anteriores — teve inapropriada classificação contábil (conta corrente dos sócios — redutora do ativo), mas foi corrigida e reclassificada em 02/01/2001. Contudo, a fiscalização considerou inaceitável a alegação pelo fato de o valor ter sido contabilizado a crédito em 02/01/2001, indicando ser empréstimo do sócio para a empresa. Também pesou no convencimento da fiscalização o fato de tal valor não constar nas declarações de rendimentos pessoais dos sócios. Ambas as ocorrências foram lançadas a titulo de omissão de receitas —passivo fictício, estando o embasamento legal descrito nos campos próprios de cada auto de infração. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 120100.728 S1C2T1 Fl. 377 3 A contribuinte foi cientificada do lançamento cm 05/10/2006 (fls. 209) e apresentou, em 03/11/2006, a impugnação de fls. 232 271, veiculando as alegações a seguir sintetizadas: argumenta que o lançamento se embasa exclusivamente em dois lançamentos contábeis efetuados em 02/01/2001 nas contas "Financiamentos a longo prazo" e "C/c dos sócios". Enfatiza que os lançamentos foram efetuados nessa data e correspondem a meros ajustes de lançamentos igualmente equivocados existentes na contabilidade ao final do anobase de 2000, e que tais equívocos foram definitivamente regularizados em 2003. Também aduz que a fiscalização não apresentou qualquer documento que comprovasse a existência de passivo fictício; presta esclarecimentos alusivos ao lançamento na conta Financiamentos a longo Prazo, no importe de R$ 1.830.000,08. Argumenta que, no dia 31 de dezembro de 2000, contava com um saldo de R$ 1.873.461,55, em títulos custodiados no Banco Bradesco, conforme declaração da instituição financeira acostada às fls. 135, e que esse saldo é composto justamente pelo valor de R$ 1.830.000,08, cuja contrapartida contábil (lançamento a crédito) já existente no anocalendário 2000, equivocadamente estava na conta contábil 2739 Financiamentos Longo Prazo (fls. 119). Acrescenta, verbis: "Como se constata do razão contábil juntado às fls. 114 dos autos (reproduzido abaixo), o saldo contábil credor existente no ano de 2000 na conta redutora do ativo é exatamente o saldo inicial (ou saldo de abertura) da conta reduzida 353— Sócios/Financiamento a longo prazo: Ocorre que este registro contábil a crédito constava inadequadamente ao final do ano de 2000 no mesmo grupo de contas do ativo (conto conta redutora) no exato montante do valor registrado a débito na conta dos saldos de títulos custodiados àquela época junto ao Banco Bradesco (conta 1.1.2.01.0004), quando tal lançamento deveria ter sido feito como ajuste de exercícios anteriores. Em .função desse lançamento a crédito no mesmo grupo da conta de ativo, e no seu exato valor, não é possível observar claramente na DIPJ os registros contábeis que foram efetivamente realizados, pois a D1PJ conta com linhas resumidas para a apresentação do balanço patrimonial das empresas, conforme será explicitado oportunamente." argumenta que, no ano de 2003, ajustou o lançamento anterior e lançou o valor de R$ 1.830.000,08 a crédito na conta de reserva para futuro aumento de capital, levando esse valor ao patrimônio liquido, onde deveria ter sido lançado inicialmente. Enfatiza que não cabe falar em préstimos e que a fiscalização prendese estritamente à nomenclatura da conta contábil. Adiciona que os empréstimos não existem, e que se existissem, a autuante teria logrado comproválos mediante movimentação financeira, pois teve acesso a todos os seus extratos bancários; Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 120100.728 S1C2T1 Fl. 378 4 pondera que, mesmo que fosse possível sua penalização com base em omissão de receitas, as supostas omissões, se tivessem ocorrido, se refeririam a períodos anteriores a 01/01/2001, que não foram objeto de fiscalização e que já estão atingidos pela decadência; também presta esclarecimentos acerca do lançamento de R$ 501.231,1 I , na conta "C/c Sócios". Argumenta que a autuante não atentou para seus esclarecimentos e enfatiza que não se trata de empréstimos concedidos pelo Sr. José Góes, e sim de simples equivoco no lançamento contábil. Assevera que as afirmações da autuante contradizem sua alegação, e que ela própria admite que não se tratava de créditos dos sócios, mas sim de cheques e duplicatas da impugnante. Afirma que a autuante admite a existência de erro contábil, destacando, contudo, que não poderia ter sido o ajuste efetuado para a "conta corrente dos sócios". Enfatiza que simples lançamentos contábeis não constituem relações jurídicas; argumenta, verbis: "Como visto acima, a autoridade fIscal expressamente reconhece que o valor de R$ 501.231,11 originouse de duplicatas e cheques a receber, os quais, negociados em 2000 tinham seu vencimento no ano seguinte — fls. 139184. Estas duplicatas e cheques foram lançados a débito na contabilidade da empresa e constavam do balanço encerrado em 31/12/00. À época do lançamento a débito foi procedido a um correspondente lançamento a crédito no valor de R$ 501.231,11 na conta 329, redutora do ativo, denominada () sócios/Financiamento a Longo Prazo, conforme se verifica do razão contábil de fls. 124, que indica o saldo da referida conta em 31/12/00 (saldo inicial de 2001). Constatase, portanto, que em 31/12/00 já existia registro do valor de R$ 501.231,11, tanto a débito, quanto a crédito, no balanço da ora Impugnante, sendo o crédito registrado na conta 329, indicada acima. Ocorre que a contrapartida contábil a crédito foi efetuada de forma equivocada como redutora do ativo, razão pela qual foi estornado o lançamento efetuado (registrandose um débito em 02/01/01 na conta 329), creditandose a conta 2721 (fls. 115)." aduz que, também com relação a esse valor, decidiu ajustar, no ano de 2003, o lançamento anterior, registrandoo a crédito na conta de reserva para futuro aumento de capital, do patrimônio liquido. Reitera a alegação de que as omissões, se tivessem ocorrido, o teriam sido em períodos anteriores a 01/01/2001, já atingidos pela decadência; alega que os dois valores lançados não apareceram em sua DIPJ pelo fato de terem sido contabilizados como contas Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 120100.728 S1C2T1 Fl. 379 5 redutoras do ativo. Apresenta demonstrativo dos títulos a receber, em 31/12/2000; suscita a decadência da totalidade do lançamento, argumentando que os valores utilizados como base para a presente autuação como passivo fictício remontam a períodos anteriores a 01/01/2001, e que são créditos contábeis registrados em contrapartida a débitos (ativos) já existentes em 31/12/00, e que por essa razão, eventual omissão de receitas que lhe pudesse ser imputada se referiria necessariamente aos ativos existentes em 31/12/2000. Acrescenta que, tendo em vista que a reclassificação ocorreu em 02/01/2001, a decadência teria ocorrido em janeiro de 2006, sendo que somente veio a ter ciência do lançamento em 05/10/2006. tece considerações sobre a inaplicabilidade da omissão de receitas pelo registro de passivo fictício, em face das disposições vertidas no Parecer Normativo CST 556, de 1971; argumenta que, após a edição do Novo Código Civil, em obediência ao seu artigo 406, também em relação aos tributos, os juros não podem ultrapassar o percentual de 12% ao ano. Por meio do despacho de fls. 304, foi determinada a realização de diligência tendente a confirmar a consistência de saldos que a impugnante afirma serem os verdadeiros de seu ativo em 31/12/2000. Como resultado, foram trazidos aos autos os comprovantes de fls. 311361. Apreciadas as razões de defesa, a DRJ de origem decidiu pela procedência da impugnação, conforme argumentação abaixo transcrita (fl. 366): Considero evidente, portanto, que a impugnante não teve, no dia 02 de janeiro de 2001, crescimento em seu ativo correspondente aos dois valores lançados. É verdade que, naquela data, ocorreram os dois lançamentos contábeis questionados. Também é verdadeiro que os passivos por eles representados são fictícios e apenas justificam o reconhecimento contábil de ativos, sejam estes provenientes de receitas omitidas, sejam provenientes de injeção de recursos pelos sócios. Contudo, o ponto crucial é que essa injeção de recursos na impugnante não aconteceu naquele dia (02/01/2000), e sim em períodos anteriores. Logo, não pode ser mantido o lançamento relativo a fato gerador que teria ocorrido nessa data. Havendo exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em montante superior ao limite de alçada, o órgão julgador de primeiro grau recorreu de ofício de sua decisão. Voto Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 120100.728 S1C2T1 Fl. 380 6 Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso de ofício atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Passivo Fictício Pelo exame dos documentos acostados aos autos é possível verificar que o auditor fiscal pretendia que a contribuinte comprovasse a efetiva existência dos seguintes valores constantes do passivo por ela levantado em 31/12/2001, conforme DIPJ/2002 (fl. 35): a) Financiamentos a Longo Prazo, saldo final de R$ 1.830.000,08; b) Empréstimos de Sócios/Acionistas Não Administradores, saldo inicial de R$ 175.334,92 e saldo final de R$ 475.255,00. Em seu termo de verificação fiscal (fl. 202 e ss.) a autoridade afirma que, relativamente à conta Financiamentos a Longo Prazo, a fiscalizada não apresentou nenhum documento hábil a comprovar sua alegação de que “o citado valor é constituído de ativos de propriedade dos sócios da empresa, cuja origem retroage a ajustes contábeis de exercícios anteriores”. Diz ainda o auditor que o referido valor não consta das declarações das pessoas físicas dos sócios referentes ao ano de 2000, o que também enfraquece o argumento da empresa. Quanto à conta Empréstimos de Sócios/Acionistas Não Administradores, entendeu o auditor (item 2.2 do TVF) que a interessada não logrou êxito em comprovar a origem e a efetiva entrega, pelos sócios, do valor de R$ 501.231,11. Pois bem, em sua decisão o órgão de primeiro grau afastou a exigência sob o argumento de que teria havido erro do auditor quanto ao momento em que ocorrida a omissão de receita. Afirma, conforme trecho abaixo transcrito (fl. 365 – verso), que o lançamento com base em passivo fictício deve reportarse à data do ingresso do ativo (data da omissão de receita), e não à data em que o passivo foi detectado. Tendo havido o reconhecimento do ativo na contabilidade, e consequentemente surgido o passivo fictício, este pode persistir indefinidamente na escrita, enquanto não for regularizado. Assim, quando eventualmente for identificado, a tributação respectiva deverá retroagir para o momento em que houve a majoração do ativo — e não ocorrer em algum período posterior, quando o passivo fictício eventualmente seja detectado. Equivocase o órgão de primeiro grau. Se o Fisco estivesse obrigado a identificar as vendas ocorridas em momentos anteriores e que deixaram de ser registradas, não haveria razão para a lei autorizar a presunção de omissão de receita com base passivo cuja exigibilidade não seja comprovada. Noutras palavras, a experiência revela que certos contribuintes adotam a prática de fugir à tributação mediante omissão de receitas. É sabido também que uma das Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 120100.728 S1C2T1 Fl. 381 7 formas empregadas para este fim é registrar contabilmente uma operação fictícia de empréstimo (a crédito de passivo) ao invés da efetiva operação de venda (a crédito de receita). Em assim sendo, quando o contribuinte, intimado para tanto, não comprova a existência de um passivo registrado em sua contabilidade, a própria experiência indica que pode ter havido omissão de receita. No entanto a autoridade não está obrigada a tratar esse fato como mero indício, sujeitandoo ao aprofundamento das investigações com vistas à comprovação da suposta operação de venda não registrada. Isso porque o abaixo transcrito art. 281, III, do RIR/99 estabelece que o próprio passivo não comprovado já caracteriza omissão de receita. Art.281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (...) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Portanto, ao contrário do afirmado pela Turma julgadora de primeiro grau, a tributação da omissão de receita presumida decorrente de passivo fictício ocorre, tal como apontado pela fiscalização, no período em que ocorrido o passivo fictício, e não no período em que ocorrida a efetiva omissão de receita. 3) Da Nulidade da Decisão de Primeiro Grau Pelo exame da impugnação e do acórdão recorrido é possível verificar que o órgão de primeiro grau não apreciou integralmente os argumentos aduzidos pela defesa. Em assim sendo, dar aqui provimento ao recurso de ofício, como a consequente exigência dos valores lançados, significaria cercear o direito da contribuinte em ver apreciados os seus argumentos de defesa. Por outro lado, em razão do duplo grau de jurisdição a que a contribuinte também tem direito, tais argumentos devem ser examinados primeiramente pela DRJ de origem, e não por este Conselho. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por declarar a nulidade da decisão a quo, devendo outra ser proferida em seu lugar, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa expostos na impugnação ao lançamento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 120100.728 S1C2T1 Fl. 382 8 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10865.902967/2008-77
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-001.350
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para determinar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento ao recurso.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para determinar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento ao recurso. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 655DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902967/200877 Acórdão n.º 1803001.350 S1TE03 Fl. 656 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Viviane Aparecida Bacchmi, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1433.104 proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, constante das fls. 30 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 10/2004. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que se trata de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo do IRPJ. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que teria direito ao crédito pleiteado, já que o valor de IRPJestimativa, apurado no período em questão, seria de R$ 226.277,47, tendo sido recolhida por Darf a quantia de R$ 299.000,00. Assim, teria sido recolhido a maior o valor de R$ 72.722,53. que teria utilizado parte desse montante para liquidação de ‘crédito tributário’ no importe de R$ 64.381,97. que o art. 10 da Instrução Normativa nº. 600, de 2005, não poderia ser aplicado a fatos ocorridos no anocalendário de 2004, por tratarse de norma inexistente àquela época. que ‘no presente caso o período de apuração foi o mês de outubro de 2004. Observase que a norma diz que a utilização deverá ser feito (sic) no final de do período de apuração e não no final do exercício relativo ao período de apuração’; que ‘tendo ocorrido o período de apuração do mês de outubro de 2004, não haveria mais a possibilidade de se realização o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.° 17482.92249.031103.1.3.048560 e n.° 26081.87384.041103.1.3.043191 seriam, Fl. 656DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902967/200877 Acórdão n.º 1803001.350 S1TE03 Fl. 657 3 respectivamente, R$ 20.532,99 e R$ 58.933,18, e não os valores de R$ 22.773,04 e R$ 299.036,96 que constam no despacho decisório; que considerados tais valores, somados aos valores utilizados em PER/DCOMP relacionado(s) na impugnação, em cotejo com o montante do alegado direito creditório, de R$ 321.810,00, estaria evidenciada a procedência do valor do crédito original, e a existência de saldo suficiente para a compensação requerida. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência”. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, na sessão de 25/03/2011, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 1433.019 entendendo “por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”, em decisão assim ementada: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/05/2011 (AR fls. 45v), a FAZENDA SETE LAGOAS AGRÍCOLA S/A., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1433.019, recorre em 21/06/2011 (47 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 657DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902967/200877 Acórdão n.º 1803001.350 S1TE03 Fl. 658 4 Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de passar a questão principal dos autos, passo a tratar da peliminar decadência apontada pela Recorrente, que tem os seguintes argumentos, “verbis”: “(i) DA DECADÊNCIA Conforme dito no item anterior, a fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, "demonstrando o alegado" com números equivocados e distorcidos dos efetivamente declarados. Em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão. A incorreção foi ratificada pela 5ª Turma da Delegacia Tributária de Julgamento, a qual reconheceu o erro da fiscalização acatando as razões de defesa da ora Recorrente. Ocorre que, para total surpresa, decidiu por não homologar as compensações declaradas POR NOVO FUNDAMENTO, apontando que o Tipo do Crédito informado não seria passível de ressarcimento. Contudo, em que pese o respeito aos nobres Julgadores, com o procedimento adotado não podemos concordar, posto que a estes caberia apenas JULGAR a controvérsia instaurada e não SUBSTITUIR a fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado. Esta competência é da Secretaria da Receita Federal e não da Delegacia Tributária de Julgamento. Isto se deve ao fato de que, se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade apresentada, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu. Ao contrário, tal fato é apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência Desta forma, se a fiscalização não apontou o 'Tipo do Crédito' como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria NÃO era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao contribuinte de insurgirse em face dela. Destacase que aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à SRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação. Outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos Fl. 658DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902967/200877 Acórdão n.º 1803001.350 S1TE03 Fl. 659 5 para que o fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerandose homologadas as compensações efetuadas com aludido crédito”. Porém, observado do Despacho Decisório, rastreamento nº. 791203662, constante das fls. 06 dos autos, vejo que ele foi emitido em 25/09/2008 e recebido pela Recorrente (AR fls. 12) no dia 01/10/2008 e a DECOMP nº. 09485.96361.041103.1.3.045595 foi transmitida em 04/11/2003, conforme pode ser visto abaixo: Diante desses fatos fica claro que não houve a homologação tácita, como sustenta a Recorrente, tendo em vista que não foram transcorridos os cinco anos contados do pedido de compensação formalizado pelo contribuinte (em 04/11/2003). Passando para a questão principal dos autos que esta posta às fls 42 do Acórdão nº 0530.542, a seguir transcrito: Diante desses argumentos a Recorrente, com o permissivo inserto nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, combinado com a determinação do Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, juntou ao recurso voluntário “lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de CSLL”. Com efeito, conforme se observa do despacho decisório originário, o direito creditório foi indeferido única e exclusivamente pela suposta ausência de crédito. E, a 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, embora tenha assumido para si a tarefa de analisar o direito creditório, não pode decidir em decorrência dos “lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de CSLL”. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902967/200877 Acórdão n.º 1803001.350 S1TE03 Fl. 660 6 Diante desse fato, observo a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa”. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a não apresentação dos documentos comprovadores dos créditos da Recorrente. Claro está, também, que a Recorrente, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta e com as justas e necessárias homenagens ao Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 660DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902967/200877 Acórdão n.º 1803001.350 S1TE03 Fl. 661 7 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 15983.000669/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOVAÇÃO LINHA DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Estando a peça recursal escorada exclusivamente em alegações não aventadas na impugnação, em verdadeira inovação na linha de defesa, impõe-se o não
conhecimento do recurso voluntário, sobretudo quando seu insurgimento, igualmente, não objetiva afastar os fundamentos da decisão de primeira instância. In casu, enquanto na defesa inaugural a contribuinte pretendeu fosse adotada base de cálculo diversa, reconhecendo, portanto, a prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, em seu recurso voluntário, alterou e inovou as razões de defesa, defendendo não ter havido a prestação de serviços nesta modalidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-002.365
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOVAÇÃO LINHA DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Estando a peça recursal escorada exclusivamente em alegações não aventadas na impugnação, em verdadeira inovação na linha de defesa, impõese o não conhecimento do recurso voluntário, sobretudo quando seu insurgimento, igualmente, não objetiva afastar os fundamentos da decisão de primeira instância. In casu, enquanto na defesa inaugural a contribuinte pretendeu fosse adotada base de cálculo diversa, reconhecendo, portanto, a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, em seu recurso voluntário, alterou e inovou as razões de defesa, defendendo não ter havido a prestação de serviços nesta modalidade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000669/201032 Acórdão n.º 2401002.365 S2C4T1 Fl. 184 3 Relatório MUNICÍPIO DE ITANHAÉM PREFEITURA MUNICIPAL DA ESTÂNCIA BALNEÁRIA DE ITANHAÉM, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 0533.561/2011, às fls. 84/86, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, na condição de contratante, com arrimo no artigo 31, caput, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 219, do RPS, por ter deixado de reter 11% (onze por cento) do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra para posterior recolhimento, em relação ao período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05/07, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/09/2010, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.431,79 (Um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), com base nos artigos 283, caput e parágrafo 3º, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal, a contribuinte, em que pese ter contratado serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pelas empresas VILA RICA PARK LOCAÇÃO E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. e J.A. LITORAL TRANSPORTES E TURISMO LTDA. (Transporte de Passageiros), deixou de efetuar a retenção de 11% para posterior recolhimento contemplado no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da penalidade pecuniária aplicada em face do descumprimento de referida obrigação acessória. Inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às fls. 93/105, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, sob a alegação de que a autoridade lançadora olvidouse que os serviços prestados pelas empresas contratadas, acima elencadas, não ocorreram mediante cessão de mãodeobra, não se cogitando na aplicação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Em defesa de sua pretensão, transcreve jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da necessidade de comprovação, por parte da fiscalização, de que os serviços foram prestados efetivamente mediante cessão de mãodeobra, o que não se vislumbra no caso vertente, sobretudo quando se constata dos contratos acostados aos autos que, de fato, não houve a cessão de mãodeobra suscitada pelo fiscal autuante. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000669/201032 Acórdão n.º 2401002.365 S2C4T1 Fl. 185 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão processual prejudicial, a qual deve ser suscitada de ofício, uma vez ser tendente ao não conhecimento da peça recursal, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a contribuinte fora autuada, na condição de contratante, com esteio no artigo 31, caput, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 219, do RPS, por ter deixado de reter 11% (onze por cento) do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra para posterior recolhimento, em relação ao período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05/07. Em sua impugnação, às fls. 77/79, insurgiuse a contribuinte contra o lançamento fiscal, sob a alegação de que a autoridade lançadora deixou de considerar a legislação de regência, a qual estabelece que, na hipótese de transporte de passageiros, inexistindo discriminação dos valores no contrato, como no caso em tela, a base de cálculo deve ser arbitrada em 30% (trinta por cento) do valor da Nota Fiscal, e não 100% na forma que o Fisco procedeu. Defende que a autuada não adotou o procedimento constatado de maneira aleatória, mas, sim, em observância à orientação do IBRAP, impondo seja retificado o valor do crédito previdenciário para considerar na base de cálculo dos tributos ora lançados exclusivamente à mãodeobra contratada, afastando o valor concernente ao material (no caso a locação de veículo). Rechaçadas suas argumentações pelos julgadores de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 93/105, pugnando pela reforma do Acórdão recorrido, alterando totalmente a sua linha de defesa, em uma verdadeira inovação, alegando, nesta assentada, que os serviços não foram prestados mediante cessão de mãodeobra, de maneira a justificar a incidência de contribuições previdenciárias contempladas no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, consoante jurisprudência do STJ transcrita no bojo a peça recursal. Olvidouse, porém, que referidas alegações se encontram fulminadas pelo instituto de preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação. É o que se extrai do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) “PROCESSO ADMINISTRATISVO FISCAL PRECLUSÃO Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, operase a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidandose a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obrigase o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA O artigo 161 do CTN autoriza, expressamente, a cobrança de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mêscalendário, se a lei assim o dispuser. TAXA SELIC Correta a cobrança da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia SELIC como juros de mora, a partir de 01/01/1997, para débitos com fatos geradores até 31/12/1994, não pagos no vencimento da respectiva obrigação. Recurso a que se nega provimento.” (Terceira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 111.167, Acórdão nº 20307328, Sessão de 23/05/2001) (grifamos) Nesse sentido, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a parte do lançamento não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, mormente em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. Registrese, que a própria fiscalização ao notificar o contribuinte do Auto de Infração tem o cuidado de informar, mediante o anexo “Instruções para o Contribuinte – IPC”, que a defesa poderá ser parcial ou total, considerando confessada a matéria que não fora objeto de contestação. Na hipótese dos autos, além das razões recursais da contribuinte se apresentarem como uma verdadeira inovação, em linha diametralmente diversa da adotada na defesa inaugural, não encontra sustentáculo na legislação de regência, no princípio da verdade material, ou mesmo se prestam a contrapor os fundamentos do Acórdão recorrido, impondo o Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000669/201032 Acórdão n.º 2401002.365 S2C4T1 Fl. 186 7 não conhecimento do recurso voluntário, tendo em vista que arrimado exclusivamente em novos argumentos, não suscitadas na impugnação, sob pena de supressão de instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados, mormente no que diz respeito aos pressupostos para seu conhecimento. Por todo o exposto, estando às razões de recurso da contribuinte totalmente malferidas pelo instituto da preclusão, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10820.000348/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIF - Papel Imune A falta de apresentação da DIF - Papel Imune no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal enseja a aplicação de multa fixa para cada período no qual a apresentação for feita em atraso. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROAÇÃO. Tratando-se de caso não definitivamente julgado, a lei aplica-se a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.360
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROAÇÃO. Tratandose de caso não definitivamente julgado, a lei aplicase a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra da Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Leonardo Mussi. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 04/08, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF nº 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente ao período compreendido entre o quarto trimestre de 2003 e o segundo trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 24.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001; art. 505 c/c art. 212 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 1º, 10, 11 e 12 da IN SRF nº 71, de 2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.02.002005000501 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega das DIFsPapel Imune relativas ao período acima relatado, ou apresentar os respectivos comprovantes de entrega (fl. 10). A intimada, após solicitar prorrogação de 30 dias no prazo concedido na intimação fiscal (fl. 12), respondeu à referida intimação anexando os respectivos comprovantes de entrega (fls. 13/16), sendo que uma das entregas, embora intempestiva, ocorreu antes de iniciada a ação fiscal. As outras duas ocorreram em razão da intimação fiscal. O sujeito passivo foi cientificado por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 14/03/2005 (fl. 19), tendo protocolado sua impugnação em 12/04/2005, conforme peça de fls. 22/25 e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: que a empresa regularizou sua situação fiscal dentro do prazo concedido pela Receita Federal, tendo em vista que apresentou os comprovantes de entrega em 11/02/2005, antes, portanto, de exaurida a prorrogação de prazo concedida tacitamente; que a empresa se encontra extinta desde 28/05/2004, como faz prova a cópia do cartão do CNPJ anexada a sua peça impugnatória. Outrossim, já tinha encerrado suas atividades antes disto, sendo irrisória a movimentação referente ao 4º trimestre de 2003; que a penalidade aplicada, se devida, deveria ser de R$ 5.000,00 “por mês calendário em que as pessoas jurídicas deixarem de fornecer as informações ou esclarecimento solicitados”. Entretanto, “os auditores fiscais impuseram multas em quantias infinitamente superiores. Basta que se diga que houve autuação em R$ 13.500,00 (30/04/04)”; que não há que se cogitar da aplicação do inciso II do art. 57 da MP nº 2.158 34, para justificar a majoração da multa aplicada, porquanto “desde o 4º trimestre de Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10820.000348/200510 Acórdão n.º 310201.360 S3C1T2 Fl. 2 3 2003, apresentava movimentação irrisória. Nos outros dois trimestres sequer movimentação teve”; que o Conselho de Contribuintes já decidiu em caso análogo, relativo à entrega do Dacon, “pela aplicação, em processo não julgado definitivamente, da penalidade menos gravosa”, concluindo pela redução da multa de R$ 5.000,00 para 10% deste valor. “Assim, cabe requerer seja aplicado ao presente caso a mesma redução concedida naquele, sob pena de cabal afronta ao princípio constitucional da isonomia”. Conclui a impugnante pedindo pela desconstituição da multa “injustamente imposta à recorrente”. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835, devida por mês de atraso, independentemente ter havido movimento no período. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2004, 30/04/2004 PRINCÍPIO DA ISONOMIA. DESCABIMENTO. Descabe falar em isonomia diante de situações absolutamente diferentes. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Discutese a multa no valor de cinco mil reais pela entrega em atraso da DIF – Papel Imune. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 A Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune) foi instituída pela IN SRF 71/2001, alterada pelas IN SRF 101/2001 e 134/2002, dispondo nos seguintes termos. Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (Redação dada pela IN SRF 134, de 08/02/2002) Parágrafo único. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de julho de 2001. A Instrução Normativa 71/2001 foi, contudo, revogada pela Instrução Normativa RFB 976/09, por sua vez alterada pelas Instruções Normativas 1.011 e 1.48 do ano de 2010, restando o texto com a seguir transcrito. Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. A matriz legal das Instruções acima referidas é a Lei 11.945/09, que trouxe novas regras, alterando o valor das multas aplicadas. Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (...) § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10820.000348/200510 Acórdão n.º 310201.360 S3C1T2 Fl. 3 5 § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Tratandose de legislação nova com penalidades menos gravosas, deve ser aplicada a fatos pretéritos ainda não transitados em julgado, tal como disciplinado no Código Tributário Nacional. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos meus) Conforme consta do auto de infração, o valor base de R$ 1.500,00, vigente à época da autuação para empresas optantes pelo SIMPLES, foi aplicado uma única vez para a obrigação vencida em 31/01/2004, nove vezes para a obrigação vencida em 30/04/2004 e seis vezes para a obrigação vencida em 30/07/2004. Assim, para todos os períodos a pena foi mais gravosa do que a determinada pela legislação superveniente, pois, mesmo para obrigação vencida em 31/01/2004, o valor de R$ 1.500,00 termina sendo superior ao valor de R$ 1.250,00, resultante da redução em 50% da multa de R$ 2.500,00 pela apresentação da DIF – Papel Imune antes de qualquer procedimento de ofício. Nestes termos, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, mantendo a exigência de multa pela não apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido, uma única vez, para cada ocorrência informada no auto de infração. Aplicase, para a primeira obrigação, vencida em 31/01/2004, o valor de R$ 1.250,00, e para cada uma das outras duas, o valor de R$ 2.500,00, totalizando o valor de R$ 6.250,00. Sala de Sessões, 26 de janeiro de 2012. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13851.000014/00-73
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1990, 1991, 1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Tendo transcorrido lapso de tempo superior a dez anos entre a data do pagamento indevido e a data do pedido de restituição apresentado, deve ser reconhecida a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição ou a compensação do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 1990, 1991, 1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Tendo transcorrido lapso de tempo superior a dez anos entre a data do pagamento indevido e a data do pedido de restituição apresentado, deve ser reconhecida a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição ou a compensação do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 00 14 /0 0- 73 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em 06/01/2000, Dalmak Equipamentos para Embalagens por meio dos documentos de fls. 01/76, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) excedentes ao 0,5% relativo ao período de 07/1990 a 03/1992. A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° CSRF/0305.502 que se encontra às fls. 226/233 e cuja ementa é a seguinte: “FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucional idade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/0811995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Precendentes: AC, CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13851.000014/0073 Acórdão n.º 9900000.415 CSRFPL Fl. 10 3 Intimada do acórdão em 26/07/2008 (fls. 235) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração (fls. 237/239) apontando nulidade em razão do suposto impedimento da Conselheira Susy Gomes Hoffman. Os Embargos de Declaração foram rejeitados por meio do Despacho 168/2008 de 22/08/2008 (fls. 240/241), em razão das alterações trazidas na hipóteses de impedimento pelo Novo Regimento. Intimada do Despacho em 10/09/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário de fls. 242/251, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais em relação ao dies a quo para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 428/2008 de 10/10/2008 (fls. 260/261). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou contrarazões (fls. 267/276). É o Relatório Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, em relação ao dies a quo para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito preenche os requisitos de admissibilidade. O Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, encontrase assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.” Verifico que a divergência está caracterizada na interpretação, dada pelos julgadores da Segunda e Terceira Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da norma que define o prazo e seu termo inicial de contagem, para o exercício do direito de restituição de indébito tributário. O dissídio jurisprudencial resta claro nas ementas e nos registros dos resultados dos acórdãos em confronto: enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da publicação no DOU da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, no Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição de tributos cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pela própria autoridade fiscal deveria se dar a partir da data de publicação do ato administrativo. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito ao termo inicial do prazo de contagem da decadência no caso de tributo declarado inconstitucional, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13851.000014/0073 Acórdão n.º 9900000.415 CSRFPL Fl. 11 5 Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que é despicienda para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado, da lei instituidora do tributo a ser restituído. Por outro lado, no que diz respeito ao prazo de decadência para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.002.932, também segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13851.000014/0073 Acórdão n.º 9900000.415 CSRFPL Fl. 12 7 ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Dessa forma, como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 06/01/2000, verificase que de fato não ocorreu a decadência em relação a recolhimentos de FINSOCIAL relativos às competências de 07/1990 (fato gerador de 31/07/1990) até 03/1992 (fato gerador de 31/03/1992), haja vista que não ocorreu o transcurso de mais de 10 anos entre a data do pedido de restituição e a data da ocorrência do respectivo fato gerador do tributo. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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