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Numero do processo: 10108.000215/2001-75
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2006
Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A teor do artigo 10º, § 7º da Lei nº 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte, para fim de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade.
Nos termos da Lei n° 9.393/96, não é tributável a área de reserva legal.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 303-33.353
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Tarásio Carnpelo Borges, que negava provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10108.000215/2001-75 Recurso n° : 132.762 Acórdão n° : 303-33.353 Sessão de : 12 de julho de 2006 Recorrente : MARIA APARECIDA BORGES STELLA Recorrida : DRJ/CAMPO GRANDE/MS 1TR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A teor do artigo 10°, § 7° da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte, para fim de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. • Nos termos da Lei n° 9.393/96, não é tributável a área de reserva legal. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Tarásio Carnpelo Borges, que nega • provimento. ANELISE DAUDT PRI O Presidente 111 gON L ARTOLP ator Formalizado em: 31 AGO aU06 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa e Luiz Carlos Maia Cerqueira (Suplente). Ausente o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Presente o Procurador da Fazenda Nacional Leandro Felipe Bueno Tierno. RZ Processo n° 10108.000215/2001-75 Acórdão n° : 303-33.353 RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração (fls. 39/44), pelo qual se exige o pagamento da diferença relativa ao Imposto Territorial Rural — ITR, multa proporcional e juros de mora, exercício 1997, referente ao imóvel rural denominado "Fazenda Taiama", em razão de averbação intempestiva de área de Reserva Legal. Consta do item "Descrição dos Fatos" (fls. 41), em suma, o que segue: (i) da verificação dos documentos colacionados aos autos, em atendimento a intimação, constatou-se a falta de recolhimento do ITR, pois a área de Reserva Legal (20% da área do imóvel), constante no registro de imóvel, foi averbada (matriculas n° 15.936, 15.937 e 15. 939) fora do prazo, em 04/11/1998, ou seja, data • posterior a data limite para averbação no cartório, mesma data limite para a entrega do ADA - Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, que é 21/09/1998, para ter o direito à isenção, além disso, a averbação constante na matrícula n° 15.938 corresponde a 60,55% do percentual adquirido pela contribuinte em 06/03/90, de 577ha, equivalente, portanto, a 349,4 ha; (ii) a área de Utilização Limitada foi retificada de 2.373 ha. para 349,4 ha., nos termos do inciso I, § 4°, art. 10 da IN SRF 43/97 e Lei n° 4.771/65, assim fora procedido o lançamento de oficio do ITR suplementar. Capitulou-se a exigência nos artigos 1 0 , 70, 9°, 10, 11 e 14 da Lei n° 9.393/96, arts. 2°, 3° e 16, § 2° da Lei 4.771/65, alterada pela Lei n°7.803/89, art. 10 da IN/SRF 43/97, com redação dada IN/SRF n°67/97, bem como art. 3° da IN SRF n° 56/98. Fundamentou-se a cobrança da multa proporcional no artigo 44, • inciso I, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 14, §2° da Lei n° 9.393/96. No que concerne aos juros de mora, fundamentou-se no art. 61, §3°, da Lei 9.430/96. Ciente do Auto de Infração (AR de fls. 47), a contribuinte apresentou tempestiva Impugnação de fls. 50/66, na qual junta os documentos de fls. 67/116, e alega sucintamente que: (i) é proprietária de um imóvel com 9.369 ha., sendo 4 áreas rurais contíguas, constantes de 4 matrículas; (ii) a suposta infração constante no item "Descrição dos Fatos", fez com que a autoridade fiscal chegasse a um valor de R$ 28.799,81, o qual é absurdo e inaceitável, haja vista ter calculado o ITR sobre a área de reserva legal, esta isenta independentemente de estar ou não averbada, já que a averbação constitui-se em mera formalidade, cuja falta sujeitará o proprietário às normas atinentes ao meio ambiente; 2 Processo n° : 10108.000215/2001-75 Acórdão n° : 303-33.353 (iii) a não averbação da área de reserva legal estendeu a área tributável de 6.054 ha. para 8.077 ha., porém a área de reserva legal pode ser comprovada através do Laudo Técnico da Fazenda Taiama, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Neuro Bulhões de Almeida, inscrito no Crea-MS sob o n° 2.759D; (iv) embora as averbações de cada uma das áreas de reserva legal que compõem as matrículas 15.936, 15.937 e 15.939, tenham sido levadas a efeito somente em 04/11/98, enquanto que na matrícula 15.938, a averbação tenha sido levado a efeito em 30/12/92, é certo que o percentual de 20% de cada uma das áreas que compõem as propriedades da impugnante tinha existência real, faltando apenas a formalidade da averbação das respectivas matrículas, ressaltando que as averbações foram todas efetivadas antes da lavratura da autuação; (v) a propriedade encontra-se no baixo pantanal, sendo cortada pelo • Rio Abobral cortar a propriedade, sendo de suma importância a área de Reserva Legal, constituindo-se em formalidade a averbação; (vi) a autoridade autuante foi rigorosa, ultrapassou os limites da Lei, por manifestar entendimento diverso da redação dos arts. 10 e 14 da Lei n° 9.393/96, bem como art. 70 , devido a não ter havido entrega fora do prazo da declaração espontânea, ao revés, o contribuinte sempre cumpriu a lei dentro dos prazos, assim como não falseou informação ou "subavaliação" de área; (vii) portanto, a autoridade está exigindo a averbação das áreas de Reserva Legal sem que tal exigência esteja expressa na Lei n° 9.393/96, ampliando a exegese desta, o que é defeso pelo ordenamento jurídico vigente; (viii) para usufruir da isenção basta a declaração do contribuinte reconhecida pela autoridade administrativa competente; (ix) a obrigatoriedade de seguir a hierarquia das leis é um obstáculo • a pretensão do autuante, visto que não pode uma simples Instrução Normativa modificar, ampliar ou reduzir o alcance de matéria contida em Lei; (xi) a ausência da averbação foi mera formalidade, vez que a ausência de averbação à margem das matrículas foram supridas em 04/11/1998, assim, antes do início do processo de fiscalização e consequentemente da lavratura do auto, sendo a jurisprudência unânime neste sentido; (xii) consta no Laudo Técnico uma área de 1.997,4996 ha. como área de Reserva Legal, o que atende os 20% , determinado por Lei, não ferindo as normas contidas no art. 16, 2° da Lei n°4.771/65; (xiii) somente respaldado nos mis. 149 e 150 do CTN é que o fisco poderia efetuar novo lançamento ou revisar o lançamento feito, pois inexiste reparo a conduta da contribuinte que tinha permissão legal para abater as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente do 1TR, sem que estivessem averbadas, o que veio a ser exigido com o advento da Lei n°10.165/01; 3 Processo n° : 10108.000215/2001-75 • . Acórdão n° : 303-33.353 (xiv) depreende-se do Laudo Técnico uma área de 1.947,1090 de Preservação Permanente, área maior do que foram declarada e aceita, sendo atendida a exigência contidas no art. 2° e seguintes da Lei n°4.771/65; (xv) a época em questão, tanto as áreas de Reserva Legal como de Preservação Permanente, eram isentas de tributação mesmo na falta de averbação, por força do Mandado de Segurança n° 98.0063-1 concedido a FAMASUL, assim não pode a Lei n° 10.165/00 retroagir, tomando necessária a apresentação do ADA para usufruir do beneficio de isenção do ITR das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, o que pode ferir o principio da irretroatividade das leis; (xvi) ademais, resta evidente o caráter de confisco, haja vista o valor do ITR cobrado, violando assim o art. 150, inciso IV da CF/88, que inibe o Poder Público de exigir do contribuinte que disponha do patrimônio para pagamento de tributo; • (xvii) conclui que a quantidade de bovinos existentes no imóvel (ficha sanitária CT-8 do Iagro e DAP), daria para tornar produtiva uma área aproveitável de aproximadamente de 12.900 ha., o que atesta a classificação do imóvel, para efeito de produtividade, mantendo assim a aliquota de 0,45% e não 3% como pretendido pelo fisco, portanto não cabe a alteração feita pelo fisco quanto a produtividade. Isto posto, a impugnante requer seja acatada a isenção da área de Reserva Legal existente, a utilização de 100 % do imóvel, para que seja aplicada a aliquota de 0,45%, bem como seja julgado improcedente o Auto de Infração guerreado, considerando a área de Reserva Legal, averbada em 04/11/98. Para corroborar seus argumentos menciona o Acórdão n° 201-71691. Os autos foram remetidos à Delegacia da Receita Federal de 111 Julgamento em Campo Grande/MS, a qual julgou procedente o Auto de Infração, consubstanciada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto Territorial Rural — ITR Ano-calendário: 1997 Ementa: ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. Não comprovado o cumprimento da exigência legal de averbação, tempestiva, da área de reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, deve ser mantida a "glosa" efetuada pela fiscalização. 15h 4 Processo n° : 10108.000215/2001-75 Acórdão n° : 303-33.353 Lançamento Procedente" lrresignado com a decisão proferida, o contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário de fls. 128/139, no qual junta os documentos de fls. 140/173, reitera os argumentos e pedidos já apresentados, bem como aduz que o nobre relator não valorou de forma adequada as provas trazidas aos autos. Afirma que a decisão se contrapõe aos ensinamentos doutrinários, visto que o julgador deve perseguir a verdade real, considerando toda prova juntada aos autos com o intuito de demonstrar a veracidade dos fatos e não se prender em formalidades (averbação da Reserva Legal). O Laudo Técnico comprova a existência de uma área de 1.997,4966ha de Reserva Legal na propriedade. • Ademais, o julgador acolheu tão somente a área declarada de 937,1 ha. de Preservação Permanente, desprezando o Laudo Técnico que atesta a existência de 1.947,1090 ha. como área de Preservação Permanente. No tocante à área de preservação permanente, esta não está mais sujeita a previa comprovação, por meio de ADA, conforme assim preceitua o art. 3° da MP n°2.166/2001 que alterou o art. 10 da Lei n°9.393/96, sendo que sua aplicação pode retroagir a fato pretérito, visto que encontra respaldo no art. 106, "c" da CTN. Diante do exposto, o contribuinte requer o recebimento do recurso no efeito suspensivo, seja acatada a área de reserva legal de 1.873,8 ha., a área de preservação permanente de 1.947,1090 ha, conforme consta do Laudo Técnico, bem como requer seja acolhido o presente recurso com o fim de reformar a decisão recorrida, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Para atestar seus argumentos menciona os Acórdãos n° 202-09814, • n°202-08853 e n°303-30827, bem como excertos de doutrinas. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou Relação de Bens e Direitos para Arrolamento, fls. 158/159. Além disso, consta às fls. 178 que o arrolamento de bens e direitos foi efetuado através da formalização do processo n° 10140.000297/2005-85. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n°314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até às fls. 179, última. É o relatório Processo n° : 10108.000215/2001-75 ' Acórdão n° : 303-33.353 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos demais requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. O cerne da questão diz respeito à falta de comprovação quanto à área declarada como de Utilização Limitada (Reserva Legal-ARL), em virtude de • ausência de tempestiva averbação desta na respectiva matrícula do imóvel, conforme se apura da Descrição dos Fatos do Auto de Infração (fls. 41). Entende este relator que a cobrança, bem como a decisão de primeira instância, carecem de reforma. Com efeito, como consta dos autos, o contribuinte efetuou o pagamento do imposto, valendo-se da isenção pertinente à área de Utilização Limitada (Reserva Legal ARL). Impõe-se anotar que a Lei n.° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, dispõe ser isenta do ITR a área de Reserva Legal' (ARL) prevista na Lei n.° 4.771, de 15 de setembro de 1965. Por sua vez, a citada Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), dispunha na época em discussão, em seu artigo 44 (com redação dada pela • Lei n.° 7.803, de 18 de julho de 1989), que a Reserva Legal (ARL) deveria ser "averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente"2. I Lei n.° 8.847, de 28 de janeiro de 1994 Art. 11. São isentas do imposto as íreas: I - de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n.° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n.° 7.803, de 1989; II - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarados por ato do órgão competente - federal ou estadual - e que ampliam as restrições de uso previstas no inciso anterior, HI - reflorestadas com essências nativas. 2 "Art.44 - Na região Norte e na parte Norte da região Centro-Oeste, a exploração a corte raso só é permitida desde que permaneça com cobertura arbórea de, no mínimo, cinqüenta por cento de cada propriedade. * Artigo, "capta", com redação dada pela Medida Provisória n. 1.511-14 de 26/08/1997 (DOU de 27/08/1997, em vigor desde a publicação). * O texto deste "caput" di7ia• 6 Processo n° : 10108.000215/2001-75 . . Acórdão n° : 303-33.353 Antes do necessário registro da área no Cartório de Registro de Imóveis competente, poderá, em tese, o proprietário/possuidor dispor da cobertura arbórea, sem interferência do Poder Público (a menos que a autoridade competente o impeça). Destacamos os esclarecimentos prestados pelo Professor Ambientalista, Dr. Paulo Affonso Leme Machado, em Comentários sobre a Reserva Florestal Legal, publicado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais no site www.ipef.br: "1.3 Na região Norte e na parte da região Centro-Oeste do país, enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte raso, só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% (cinqüenta por cento) da área de cada propriedade. Parágrafo único: a reserva legal, assim entendida • área de, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área" (art. 44 da Lei 4.771/65, com a redação dada pela Lei 7.803/89). 4. Área da reserva e cobertura arbórea. A área reservada tem relação com "cada propriedade" imóvel e, assim, se uma mesma pessoa, fisica ou jurídica, for proprietária de propriedades diferentes, ainda que contíguas, a área a ser objeto da Reserva Legal será medida em "cada propriedade" (art. 16 "a" e art. O 44, "caput", ambos da Lei 4.771/65). Há diferença de redação entre a reserva florestal legal da região Norte e do resto do pais no que se refere ao processo de escolha da área a ser reservada. "Art.44 - Na região Norte e na parte Norte da região Centro-Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o Art.15, a exploração a corte raso só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade." § 1 - A "reserva legal", assim entendida a área de, no mínimo, cinqüenta por cento de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, será averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento da área. * Primitivo parágrafo único transformado em $ 1, com redação dada pela Medida Provisória n. 1.511-14 de 26/08/1997 (DOU de 27/08/1997, em vigor desde a publicação) * O parágrafo único possuía a seguinte redação: "Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) de cada proprierkrk, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. * Parágrafo acrescido pela Lei n.°7.803, deis de julho de 1989." 7 Processo n° : 10108.000215/2001-75 Acórdão n° : 303-33.353 O art. 44 silencia sobre quem pode escolher a área, sendo que o art. 16, "a", diz "... da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente". Assim, o art. 44 possibilita o proprietário localizar a área a ser reservada, sendo que nos casos do art. 16, será a autoridade competente, que indicará a área, com base em motivos de gestão ecologicamente racional." (destaques não constam do original) Nota-se, portanto, que o registro da área a ser reservada legalmente não era mera circunstância, e sim exigência legal, para que pudesse haver controle sobre a mesma. Contudo, diante da modificação ocorrida no § 70, do artigo 10°, da Lei n.° 9.393, de 19 de dezembro de 1.996, através da Medida Provisória n.° 2.166-67, de 24 de agosto 2001 (anteriormente editada sob dois outros números), basta a • simples declaração do interessado para gozar da isenção do ITR relativa às áreas de que trata a alínea "a" e "d" do inciso II, § I° do mesmo artigo 3, entre elas, a área de Reserva Legal —ARL (utilização limitada), inserta na aliena "a". Até porque, no próprio §7°, encontra-se a previsão legal de que comprovada a falsidade da declaração, o contribuinte (declarante) será responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos em lei, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Destaque-se que, em que pese a referida Medida Provisória ter sido editada em 2001, quando o lançamento se refere ao exercício de 1999, esta aplica-se ao caso, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, ao dispor que é permitida a retroatividade da Lei em certos casos: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: • I - II — tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; 3 " Art. 10. § 12 1- it - a) de preservaçã'o permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965 com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; b) c) d) as áreas sob regime de servidão florestal. § 72 A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a' e "d" do inciso II, § 12, deste artigo, não está sujeita prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (NR) 8 Processo n° : 10108.000215/2001-75. . Acórdão n° : 303-33.353 (destaque acrescentado) Neste particular, desnecessária uma maior análise das alegações do contribuinte, posto que, merece ser provido o Recurso Voluntário, uma vez que basta a declaração do contribuinte quanto à área de Utilização Limitada (Reserva Legal- ARL), para que o mesmo possa aproveitar-se do beneficio legal destinado a referida área. No entanto, por oportuno, cabe mencionar recente decisão proferida pelo E. Superior Tribunal de Justiça sobre a questão aqui tratada: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. 110 DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATORIO DO IBAMA. MP . 2166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR 1.Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratéério do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tune consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, ao inserir §7° ao art. 10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir das base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicar-se a fatos pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a • possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante §70, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex maior. 4. Recurso especial improvido." (grifei) (Recurso Especial n° 587.429— AL (2003/0157080-9), j. em 01 de junho de 2004, Rel. Min. Luiz Fux) 9 ' Processo n° : 10108.000215/2001-75 Acórdão n° : 303-33.353 Nesse ínterim, manifesto que tenho o particular entendimento de que a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental, ou a mencionada falta de averbação da área na matrícula do imóvel, poderia, quando muito, caracterizar um mero descumprimento de obrigação acessória, passível de uma multa, nunca o fundamento legal válido para a glosa da área de Reserva Legal (ARL), mesmo porque, tais exigências não são condições ao aproveitamento da isenção destinada à tal área, conforme disposto no art. 3° da MP n°2.166, de 24 de agosto de 01, que alterou o art. 10° da Lei n°9.393, de 19 de dezembro de 1996. Destaque-se ainda que a área declarada pelo contribuinte como de Utilização Limitada (Reserva Legal- ARL), foi posteriormente declarada em Ato Declaratório Ambiental, como se constata do documento de fls. 18. No mais, a autuação não trouxe qualquer elemento que pudesse implicar na constatação de falsidade da declaração do contribuinte, elemento que • poderia ensejar na cobrança do tributo, nos termos do já mencionado §7°. Pelas razões expostas, não havendo fundamento legal para que seja glosada a área declarada pelo contribuinte como de Utilização Limitada (Reserva Legal), DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTARIO interposto pelo contribuinte, pelo que, improcedente a autuação fiscal. Sala das Sessões, em 12 de julho de 2006. >12T6N L BART0125- Relator 111 Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.000438/2005-06
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
Ementa: DITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A multa por atraso na entrega de DITR tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por se tratar a DITR de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-38541
Decisão: : Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - Multa por atraso na entrega da Declaração
Nome do relator: LUIS ANTONIO FLORA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa por atraso na entrega de DITR tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por se tratar a DITR de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea. • RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JUDI DO • 4. • MARCONDES ARMAND - Presidente b ., Processo n.° 10120.000438/2005-06 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.541 Fls. 51 kik IP ‘LUIS • • ,I kFL• • • - Relator / ) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente) e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente). Ausentes os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto e Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • II Processo n.° 10120.000438/2005-06 CCO3/CO2 Acérclao n.° 302-38.541 Fls. 52 Relatório O auto de infração objeto do presente litígio foi lavrado para exigir da contribuinte, acima identificada, multa por atraso na entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) relativa ao exercício de 1999, no valor de R$ 114,24. Houve impugnação tempestiva, onde alega, em síntese, que a declaração foi entregue antes de iniciado qualquer procedimento de oficio, portanto, espontaneamente, nos termos do art. 138 do CTN. Em ato processual seguinte consta à decisão da DRJ competente, que julgou procedente o lançamento. Quanto aos fundamentos da decisão acima referida, segue abaixo transcrita a • ementa que sintetiza o entendimento da DRJ: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITIt Aplica-se a multa por atraso na entrega da DITR, no caso de contribuinte sujeito a esta obrigação acessória e que, efetivamente, tenha desrespeitado o prazo na legislação. Lançamento Procedente. Regularmente intimada da r. decisão proferida, a contribuinte apresentou, tempestivamente, às fls. 45/46, seu Recurso Voluntário endereçado a esse Terceiro Conselho de Contribuintes. Em seu apelo recursal a recorrente, dentre outros argumentos, insiste na tese da denúncia espontânea. • Recurso recebido sem o arrolamento, eis que dispensado em função do valor (IN SRF n.° 264/02). É o Relatório. • • . Processo n.° 10120.000438/2005-06 CCO3/CO2 Acárdao n.° 302-38.541 Fls. 53 Voto Conselheiro Luis Antonio Flora, Relator O recurso é tempestivo, envolve questão atinente à competência deste Conselho e atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a analisá-lo. A decisão recorrida não merece qualquer reparo eis que exarada em perfeita consonância com a lei e com a jurisprudência. A multa por atraso na entrega da declaração visa punir a falta de cumprimento de obrigação acessória, e deve ser exigida mesmo no caso de entrega espontânea após o prazo fixado na legislação.• Na verdade a obrigação acessória em questão decorre de lei que estabelece o prazo para sua realização. Assim, salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, que não restou comprovado nos autos, não há o que se falar em denúncia espontânea. Conforme está disposto na Portaria MF n° 258/2001, artigo 7°, mesmo na situação versada nos autos, em que o contribuinte antecipou-se a qualquer ato do fisco, é devida a multa por atraso na entrega da declaração. De acordo com os termos do § 4°, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é principio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". 411 Pelas demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui estivessem transcritas, entendo prejudicados os demais argumentos. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Ses ies, e de março de 2007 i I I LUI' 01 ‘IO ORA-Relator • Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001102/98-90
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.DATA DO RECEBIMENTO NO “AR” APOSTA POR OUTREM.EXISTÊNCIA DE DATA MANUSCRITA EM CÓPIA DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DESACORDO COM A DATA DO “AR”. CONJUNTO INVALIDADOR DA DATA DA RECEPÇÃO DO DOCUMENTÁRIO FISCAL. ARGÜIÇÃO.INCONSISTÊNCIA DO ALEGADO. Decai por perempção o direito de se demandar a exigência tributária, não se formando litígio fiscal quando a petição inaugural é apresentada a destempo. O contraditório há de se apoiar em evidências indiscutíveis, não as suprindo meras digressões que suscitem ou insinuem - para a sua validade - práticas delituosas e condenáveis dos agentes envolvidos, salvo se for admitido um bem engendrado complô - não-provado - com fins persecutórios inescusáveis, ainda que tal denúncia ou suspeita se apóie, tão-somente, em espasmos agônicos recursais da última hora.
Numero da decisão: 107-06956
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Neicyr de Almeida
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Numero do processo: 10120.001603/95-32
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 1999
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE - DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA - FUNDAMENTAÇÃO INADEQUADA - Cabe ser anulada a decisão singular que mantém o lançamento através de fundamentação legal inadequada. Noutro giro, a discussão do lançamento, através do Processo Contencioso Administrativo Fiscal, não se confunde com a retificação de declaração prevista no CTN, art. 147, § 1. Assim, cabe ser procedido outro julgamento, abrindo-se, por conseqüência, novo prazo para a defesa do contribuinte. Processo que se anula, a partir da decisão singular, inclusive.
Numero da decisão: 203-05754
Decisão: Por unanimidade de votos, anulou-se o processo, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE - DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA - FUNDAMENTAÇÃO INADEQUADA - Cabe ser anulada a decisão singular que mantém o lançamento através de fundamentação legal inadequada. Noutro giro, a discussão do lançamento, através do Processo Contencioso Administrativo Fiscal, não se confunde com a retificação de declaração prevista no CTN, art. 147, § 1. Assim, cabe ser procedido outro julgamento, abrindo-se, por conseqüência, novo prazo para a defesa do contribuinte. Processo que se anula, a partir da decisão singular, inclusive.
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C 5-17j2ildrA2.mierC Rubrica MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CP? Processo : 10120.001603195-32 Acórdão : 203-05.754 Sessão 08 de julho de 1999 Recurso : 108.860 Reconente : ANIMO PEIXOTO DE OLIVEIRA Recorrida : MU em Brasília - DF NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE — DECISÃO DE l INSTÂNCIA — FUNDAMENTAÇÃO INADEQUADA — Cabe ser anulada a decisão singular que mantém o lançamento através de fundamentação legal inadequada. Noutro giro, a discussão do lançamento, através do Processo Contencioso Administrativo Fiscal, não se confunde com a retificação de declaração prevista no CTN, art. 147, § P. Assim, cabe ser procedido outro julgamento, abrindo-se, por conseqüência, novo prazo para a defesa do contribuinte. Processo que se anula, a partir da decisão singular, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ANISIO PEIXOTO DE OLIVEIRA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo, a partir da decisão singular, inclusive. Ausente o Conselheiro Daniel Cont Homem de Carvalho. Sala das Sessões, em 08 de julho de 1999 \Vn Otacilio an s Cartaxo PresidenL /11 M • . wski --- Participaram, ainda do pres-nte julgamento os Conselheiros Francisco Sergio Nal ini, Francisco Maurício R. de Albui • •lie Silva, Lira Maria Vieira, Renato Scalco Isquierdo e Sebastião Borges Taquary. cgf 1 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10120.001603/95-32 Acórdão : 203-05.754 Recurso : 108.860 Recorrente : ANISIO PEIXOTO DE OLIVEIRA RELATÓRIO Trata-se de lançamento de ITR194, mantido pelo julgador monocrático, que ementou sua decisão da seguinte forma: "- Só é admissivel a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, antes de notificado o lançamento. § I° do art. 147 da Lei n.° 5.172/66." Em seu recurso, o Contribuinte diz que: incorreu em erro de fato quando elaborou a DPITR; o VTNm do município é de 41,77 UFIR o hectare, o que redundaria num valor tributável de 14.001,31 UFIR; na Notificação consta um VTN declarado de 1.560.319,66 UP1R; o erro implica um cálculo de 11R 50 (cinqüenta) vezes maior que o real; verbera a decisão recorrida dizendo que o Decreto n.° 70.235/72, art. 21, abre espaço à impugnação; requer a perícia, através de diligência, e a redução do valor tributável do ITR para 14.001,31 UFIR. É o relatório. 7r. 2 /Flor, MINISTÉRIO DA FAZENDA - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES‘"44 Processo : 10120.001603/95-32 Acórdão : 203-05.754 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MAURO WASILEWSKI Já está pacificado neste Egrégio Colegiado o entendimento que a discussão sobre o lançamento, através do Processo Contencioso Administrativo Fiscal, não se confunde com a retificação de declaração prevista no art. 147, § 1°, do CTN. Assim, como a fundamentação da decisão recorrida não se coaduna com o entendimento acima, VOTO no sentido de que este processo seja anulado, a partir do julgamento da primeira instância, inclusive, devendo ser procedido outro, à vista dos documentos constantes dos autos. Por outro lado, antes do novo julgamento, abra-se vista do processo ao Recorrente, concedendo-lhe o prazo de 30 dias para, se assim o desejar, complementar sua impugnação e apresentar Laudo Técnico de Avaliação, de acordo com as normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e em conformidade com a Lei 11. 0 8.847/94, art. 30, § 40. Sala das SesigJes, em 08 de julho de 1999 9 e .,,ASILEWSKI 3
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Numero do processo: 16004.000327/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002, 2003 Ementa: CIDE. Dedução efetivo pagamento. A dedução da CIDE - Combustíveis do valor devido da contribuição para a COFINS e o PIS só é permitida quando efetivamente paga. Recurso Voluntário conhecido e negado provimento. Credito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3102-001.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Dedução efetivo pagamento. A dedução da CIDE Combustíveis do valor devido da contribuição para a COFINS e o PIS só é permitida quando efetivamente paga. Recurso Voluntário conhecido e negado provimento. Credito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 14/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e Mara Cristina Sifuentes. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma dos acórdãos nº 14 27.667(impugnação) e 1428.346(embargos de declaração) da 4ª Turma da DRJ/RPO, que julgou procedente o lançamento. De acordo com o relato da decisão recorrida é possível identificar que: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 06/09) e da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 11/14), nos períodos de apuração 2002 e 2003, exigindose lhe crédito tributário no valor total de R$ 1.896.775,49 (fl. 05). 0 enquadramento legal encontrase as fls. 07, 09, 12 e 14. De acordo com Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante do auto de infração (fls. 16/22), a contribuinte não observou os limites especificados, contidos nos atos normativos (Lei n° 10.336/2001, com as alterações da Lei n° 10.636/2002 e Decretos n° 4.066/2001, 4.565/2001 e 5.060/2004) e compensou indevidamente, o valor da CIDE com o PIS e COFINS, conforme tabelas anexas (fls. 25/26), na qual se comprova que os pagamentos ocorreram em períodos posteriores. Cientificada do lançamento, em 04/07/2007, a autuada apresentou, em 02/08/2007, por seus procuradores, Angela Maria Motta Pacheco e Jayr Viégas Gavaldão Jr., conforme instrumento de fl. 145, impugnação ao lançamento (fls. 79/99), alegando, em síntese: a) A Lei n° 10.336/2001 é extrafiscal, cuja finalidade é o controle do faturamento do setor de combustíveis líquidos; b) Na CIDE predomina a finalidade extrafiscal, pois o que visa é o controle da arredação de PIS e COFINS; c) Para tanto, a compensação é realizada com base em aliquota ad valorem, observados os limites do Decreto n° 4.066/2001: de R$ 4,01 por m³ para o PIS e R$ 18,53 por m³ para a Cofins; d) A empresa observou a forma correta na compensação das contribuições: mesmo período de apuração; e) A interpretação adotada pela fiscalização não condiz com o determinado na Lei. Ao final requereu o reconhecimento da improcedência do auto de infração. Após analisar a defesa ao auto de infração, decidiu a 4ª Turma da DRJ/RPO, pela procedência do lançamento nos termos da ementa do voto abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16004.000327/200766 Acórdão n.º 3102001.225 S3C1T2 Fl. 232 3 Atendendo ao disposto no art. 111 do CTN, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre redução ou isenção de tributos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para a Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. CIDE. DEDUÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. A dedução da Cide Combustíveis do valor devido da contribuição para a Cofins só é permitida quando efetivamente paga no período de apuração da contribuição ou períodos posteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. CIDE. DEDUÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. A dedução da CideCombustíveis do valor devido da contribuição para o PIS só é permitida quando efetivamente paga no período de apuração da contribuição ou períodos posteriores. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1 – O auto decorre de suposto não recolhimento da COFINS e PIS relativo a dezembro de 2002 e janeiro, abril, maio, setembro, novembro e dezembro de 2003, motivado segundo o relatório fiscal, em razão de uma compensação indevida da CIDE combustíveis; 2 – Para o autuante a compensação dos valores da COFINS e PIS com a CIDE apenas poderia ocorre no mês em que for efetuado o pagamento da CIDE, e assim a CIDE apurada em dezembro de 2002, cujo o pagamento seria em 15 de janeiro de 2003, apenas poderia ser compensada com os valores de PIS e COFINS relativos à dezembro de 2002 se o pagamento da CIDE tivesse sido realizado no próprio mês dezembro. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 3 – A decisão recorrida ignorou a finalidade extrafiscal da Lei e a racionalidade da compensação da CIDE com o PIS e a COFINS no mesmo mês de competência; 4 – Obedeceu a “neutralidade tributária” ao realizar a compensação dos valores dos tributos apurados no mesmo período de competência; 5 – O contribuinte de acordo com o art. 8º da lei nº 10.336/2001 foi autorizado a realizar as deduções com o PIS e a COFINS relativas ao mesmo período de apuração ou posteriores; 6 – O prazo de recolhimento da CIDE é o último dia da primeira quinzena do mês subsequente ao do fato gerador, assim o valor da CIDE pago em 15 de fevereiro deve ser deduzido do valor do PIS e da COFINS pagos em 15 de fevereiro, procedimento este adotado pela recorrente; É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como explicitado no relato acima a recorrente visa demonstrar que adotou o procedimento correto ao compensar os valores do PIS e da COFINS com CIDE relativos a mesmo período de apuração, independentemente do pagamento ser realizado até o 15º do mês subsequente. Eis o cerne da presente análise. A CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico é de competência exclusiva da União, nos termos do art. 149 da CF, deve ser analisada observando os princípios gerais da atividade econômica insculpidos no art. 170, I a IX da Constituição, pois seu objetivo e incentivar a economia, o que demonstra seu caráter extrafiscal. Segundo o professor José Eduardo Soares de Melo1: As contribuições interventivas têm por âmbito o domínio econômico, cujo o conceito não é de fácil compreensão e delimitação, devendo ser examinadas na Constituição Federal as inúmeras ingerências do Estado na esfera econômica, abrangendo: a) serviços público; b) poder de polícia; c) obras públicas; d) atividades monopolizadas; e) a excepcional exploração direta da atividade econômica; f) a regulação da atividade econômica – contrapostas às situações em que se outorga liberdade para a atuação dos particulares. A partir da emenda constitucional nº 33/2001 ficou definido que as contribuições de intervenção no domínio econômico poderão incidir sobre a importação ou 1 MELO, José Eduardo Soares de. "Contribuições Sociais no Sistema Tributário", 6ª ed. Editora Melheiros. São Paulo 2010. p 135 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16004.000327/200766 Acórdão n.º 3102001.225 S3C1T2 Fl. 233 5 comercialização de petróleo, gás natural e seus derivados, com também sobre álcool combustível observando os requisitos insculpidos no § 4º do referido artigo 177 da CF. Neste prisma surgiu a lei nº 10.336/2001, a qual disciplinou a contribuição incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e outros combustíveis, definindo como contribuintes o produtor, o formulador e o importador nos termos do art. 2º da referida lei. Essa contribuição de intervenção no domínio econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível, tem como fato gerador as operações descritas no art. 3º da referida norma nos seguintes termos: Art. 3º A Cide tem como fatos geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2º, de importação e de comercialização no mercado interno de: I – gasolinas e suas correntes; II diesel e suas correntes; III – querosene de aviação e outros querosenes; IV óleos combustíveis (fueloil); V gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e VI álcool etílico combustível. O contribuinte poderá realizar a dedução do valor da CIDE pago na importação ou na comercialização no mercado interno, com os valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos já referidos, conforme prescreve o art. 8º da lei nº 10.336/2001, o qual também define em seu § 1º que a CIDE a ser deduzida será com às contribuições relativas a um mesmo período de apuração ou posteriores, nos seguintes termos: Art. 8° 0 contribuinte poderá, ainda, deduzir o valor da Cide, pago na importação ou na comercialização, no mercado interno, dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 50, até o limite de, respectivamente: § 1º A dedução a que se refere este artigo aplicase as contribuições relativas a um mesmo período de apuração ou posteriores. De acordo com o § 2º2 do mesmo artigo caberá a Secretária da Receita Federal definir as normas com o fito de regular as deduções. Por sua vez a Secretaria da 2 Lei nº 10.336/2001 art. 8º § 2o As parcelas da Cide deduzidas na forma deste artigo serão contabilizadas, no âmbito do Tesouro Nacional, a crédito da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e a débito da própria Cide, conforme normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 247/2002, a qual em seu art. 76 caput definiu que a dedução poderá ser realizada, desde que CIDE tenha sido recolhida, in vebis: Art. 76. A pessoa jurídica sujeita à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10.336, de 28 de dezembro de 2001, Cidecombustíveis, poderá deduzir do valor da Cide paga, até o limite estabelecido no art. 8º da referida Lei, observado o disposto no art. 2º do Decreto nº 4.066, de 27 de dezembro de 2001, o valor do PIS/Pasep e da Cofins devidos em relação à receita da comercialização, no mercado interno, dos seguintes produtos: A mesma redação da norma acima, observase, em quase sua integralidade, no art. 77 do decreto nº 4.524/2002, o qual regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral, repetindo inclusive que a dedução será efetuada do valor da CIDE já paga. Com base na nessas normas foi lavrado o auto em questão, observando a realização do “pagamento” da CIDE consoante se depreende das afirmações apresentadas no relatório de auditoria fiscal de fls. 19/22 ao serem narrados os procedimentos adotados pelo contribuintes, vejase: No período de dezembro de 2002 a abril de 2004, o contribuinte não observou os limites acima especificados, contidos nos atos normativos (Lei n° 10.336/2001, Decreto n° 4.066/2001 e Decreto n° 5.060/2004), e compensou, indevidamente, o valor da CIDE com o PIS e COEFINS, conforme Planilhas elaboradas pela fiscalização denominadas "PIS COMPENSAÇÃO INDEVIDA" e "COFINS COMPENSAÇÃO INDEVIDA" (folhas 16 e 17). A titulo de exemplo, vamos verificar a compensação efetuada pelo contribuinte no mês de maio de 2003; a CIDE apurada neste mês (R$. 251.781,22) foi compensada com as contribuições PIS e COFINS apuradas no próprio mês. porém, no mês de maio, o sujeito passivo não poderia ter realizado a compensação, pois, o comando legal autoriza a compensação do valor PAGO da CIDE, sendo que isso só ocorreu no mês seguinte (em 13 de junho de 2003 — folha 40). Como já explicitado o fato acima restou incontroverso, a partir do momento que a recorrente defende a dedução por ser decorrente do mesmo período de apuração, independentemente do pagamento ser realizado no mês subsequente. Acontece que as normas referidas trazem expressamente a possibilidade da dedução desde que comprovado o efetivo pagamento no período de apuração nos termos do art. o art. 8º da lei nº. 10.336/2001. Pelas razões acima, conheço do recurso voluntário, para negar provimento. Sala de sessões 06 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16004.000327/200766 Acórdão n.º 3102001.225 S3C1T2 Fl. 234 7 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10283.006964/2004-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.264
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Alexandre Naoki Nishioka. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Alexandre Naoki Nishioka. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006964/200428 Acórdão n.º 920202.264 CSRFT2 Fl. 261 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 30335.398, da 3a Câmara do 3o Conselho de Contribuintes (fls. 186 a 192), julgado na sessão plenária de 19 de junho de 2008, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva do ITR do exercício de 2000. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR ILEGITIMIDADE PASSIVA. O contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título, nos termos do art. 31 do CTN. Na ausência de qualquer dos poderes inerentes à propriedade, descaracterizase a figura de contribuinte do Imposto Territorial Rural ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 197 a 199), onde pugnava que a Câmara se pronunciasse sobre o fato de o contribuinte ter agido como possuidor do imóvel, pois apresentou a Declaração do ITR dos exercícios de 1992 a 2001. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006964/200428 Acórdão n.º 920202.264 CSRFT2 Fl. 262 3 Entretanto, o despacho de fls. 203 a 206 não acolheu os embargos, considerandoos como meio impróprio para a reforma da decisão, e esclareceu que não se poderia aceitar a legitimidade passiva do contribuinte por simples presunção de posse, uma vez que todos os elementos constantes dos autos levavam a crer que ele nunca exerceu a posse do local. Cientificado dessa decisão em 14/01/2010 (fl. 206), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, recurso especial de divergência (fls. 209 a 222), para defender que a entrega de declarações de ITR pela empresa e a ausência de outros elementos que indiquem que ela não exercia poderes de posse sobre o imóvel atestam sua legitimidade passiva do ITR como possuidora a qualquer título. Para comprovar a divergência jurisprudencial, foi apresentado o seguinte paradigma: Acórdão no 30237.537: ILEGITIMIDADE PASSIVA. FALTA DE PROVAS. Afastase a preliminar de ilegitimidade passiva, pois há declaração do ITR 1997, em nome do contribuinte, para o imóvel objeto do lançamento, bem como aquele consta de sua DIRPF 2002, anocalendário 2001, ao tempo em que não há nos autos documento hábil que possa provar o desapossamento das terras por parte do recorrente em 1986. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. CARÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. À míngua de laudo técnico ou Ato Declaratório Ambiental para lastrear a área de preservação permanente declarada, é de ser mantida a glosa da aludida exclusão da base de cálculo do ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O despacho de fls. 233 e verso deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Cientificado do acórdão e do recurso especial em 9/2/2011 (fl. 235v), o contribuinte apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda (fls. 239 a 256), onde reafirma sua ilegitimidade passiva e defende a ausência de comprovação de divergência, pois a matéria não foi prequestionada e o paradigma trata de fato diverso. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006964/200428 Acórdão n.º 920202.264 CSRFT2 Fl. 263 4 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Preliminarmente, há que se averiguar o pedido de não conhecimento do recurso, efetuado em sede de contrarrazões, por falta de prequestionamento e pelo paradigma tratar de fato diverso. De início, há que se esclarecer que o prequestionamento é apenas pré requisito do recurso especial do contribuinte, nos termos do §3o do art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Isso ocorre porque a Fazenda Nacional somente se manifesta no processo após o recurso voluntário, não sendo possível se exigir que ela tenha discutido a matéria anteriormente nos autos. Quanto às diferenças entre os fatos subjacentes aos acórdãos recorrido e paradigma, creio assistir razão ao despacho de admissibilidade, pois cada decisão deu significação diversa ao fato do contribuinte ter apresentado declaração do ITR do exercício, apesar de alegar não possuir o imóvel. Desta forma, a discussão do processo se limita a saber se a simples apresentação da Declaração de ITR pelo contribuinte serve como prova de posse e, como consequência, da sujeição passiva do declarante. Nesses termos, conheço do recurso. No presente processo, o contribuinte afirma não ser proprietário nem o possuidor do imóvel objeto do lançamento, pois provimento da Corregedoria Geral da Justiça do Estado do Amazonas cancelou a matrícula do imóvel antes do fato gerador. A autoridade lançadora, por sua vez, entendeu que o contribuinte era possuidor do imóvel porque declarou, em sua Declaração do ITR do exercício de 2000, que realizava a exploração extrativa de 3.000ha (fl. 16). Por sua vez, o julgador de primeira instância considerou o recorrente como proprietário do imóvel, pois a Receita Federal apenas cancelou o registro do imóvel a partir do exercício 2001, uma vez que outro provimento da Corregedoria Geral da Justiça do Estado do Amazonas havia cancelado a matrícula somente em 18/10/2001 (fl. 104). De fato, o DESPACHO DECISÓRIO DRF/MNS/SECAT No 290, de 01 de abril de 2003, do Serviço de Controle e Acompanhamento do Crédito Tributário SECAT da Delegacia da Receita Federal de Manaus, constatou que o Provimento no 09/87 determinou o cancelamento da matrícula do imóvel, mas que essa providência somente foi adotada em 2001, com a edição do Provimento no 16/2001 (fl. 91). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006964/200428 Acórdão n.º 920202.264 CSRFT2 Fl. 264 5 Posteriormente, na INFORMAÇÃO DRF/MNS/SECAT N° 12, de 18 de junho de 2004, a DRF Manaus concluiu que “o cancelamento da matrícula do Imóvel cessou para a requerente a condição de proprietária do imóvel, mas não a de contribuinte do Imposto Territorial Rural ITR, uma vez que no período de 1992 a 2001 a interessada apresentou, religiosamente, as Declarações as Declarações de ITR, o que vincula o imóvel à declarante até 2001, ainda que na condição possuidora por natureza.” (fl. 159) O contribuinte esclarece que adquiriu o imóvel como quitação de parte de uma dívida, mas que nunca esteve na propriedade; que registrou o imóvel na Secretaria da Receita Federal em 1992; que descobriu o cancelamento da matrícula do imóvel somente em 1998; que apresentou as Declarações de ITR de 1999 a 2001 para obter certidão negativa; e que, em 2002, solicitou o cancelamento do cadastro do imóvel junto à Receita Federal, que deferiu o pedido apenas a partir do exercício de 2001. Para demonstrar que não era possuidor do imóvel, apresenta declarações do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Novo Aripuanã/AM e da Prefeitura de Novo Aripuanã/AM, que afirmam que o contribuinte nunca possuiu ou esteve na posse do imóvel (fls. 82 e 86). O acórdão recorrido concluiu pela ilegitimidade passiva do recorrente, com base na certidão do registro de imóvel de fl. 141, que contém averbação, datada de 25/11/1998, do Provimento no 09/87, tornando inexistente a matrícula do imóvel. Em análise dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, o relator do acórdão recorrido acrescentou que o simples fato de ter apresentado a declaração do ITR do exercício de 2000 não faz prova da posse do imóvel, em especial diante da declaração da Prefeitura de Novo Aripuanã/AM nesse sentido, que possui fé pública. Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional afirma que a declaração da prefeitura, apesar de possuir fé pública, não pode atestar tal fato como verdade absoluta. Diante do acima exposto, penso que o acórdão recorrido não merece reparos. No que tange à matéria em discussão, entendo que a apresentação da declaração do ITR do exercício não serve como prova absoluta da posse do imóvel pelo declarante. O art. 1.196 do Código Civil define a posse como o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. E o art. 1.228 do mesmo código explica que os poderes inerentes à propriedade são o de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Pois bem, o único indício de que o contribuinte dispunha de qualquer desses poderes é justamente a apresentação da declaração do ITR, que ele alega ter feito apenas para conseguir certidão negativa. Em sentido contrário, existe prova de que, dois anos antes do fato gerador, foi averbado o cancelamento da matrícula imobiliária por se tratar de terras pertencentes a União, e declaração da Prefeitura de Novo Aripuanã/AM de que o contribuinte nunca possuiu o imóvel. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006964/200428 Acórdão n.º 920202.264 CSRFT2 Fl. 265 6 As provas dos autos são fortes no sentido de que houve erro de declaração na DITR, e que o recorrente não era proprietário do imóvel, titular do seu domínio útil, ou seu possuidor no exercício de 2000, não sendo contribuinte do ITR nos termos do art. 4o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 e do art. 31 do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006964/200428 Acórdão n.º 920202.264 CSRFT2 Fl. 266 7 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Preliminarmente, cabe aferir acerca dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, com vistas a verificar se o apelo efetivamente merece ser conhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida foi proferida na vigência do antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, portanto ainda seria possível o Recurso por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova. Entretanto, a decisão do acórdão recorrido foi unânime, portanto o único apelo cabível é o Recurso Especial de Divergência, cujo conhecimento requer a demonstração de dissídio jurisprudencial. A divergência interpretativa apta a promover o conhecimento do apelo pela Instância Superior é obviamente aquela que se caracteriza em face de situações fáticas idênticas. Nesse passo, é imprescindível o exame das situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se efetivamente guardariam identidade. Tanto o acórdão recorrido como o paradigma indicado pela Fazenda Nacional – Acórdão 30237.537 – tratam de exigência de ITRImposto Territorial Rural, em face da qual os autuados alegam a ilegitimidade passiva, sendo que em ambos os casos foi apresentada a respectiva DITR – Declaração de Imposto Territorial Rural. No caso do acórdão recorrido, a despeito da entrega da DITR, foi apresentada prova que logrou convencer o Colegiado acerca da ilegitimidade passiva do contribuinte, desde 1998, sendo que a exigência é relativa ao ITR/2000. Confirase trecho do voto condutor do aresto: “Com efeito, como faz prova o documento de fls. 141 – Certidão do Cartório de Registro Geral de Imóveis da Comarca de Novo Arapuanã – Amazonas, foi realizada a averbação n° 039 que dispõe: ‘Novo Aripuanã, 25 de Novembro de 1.998. Procedese esta averbação por determinação do Provimento n° 09/87, de 25 de Agosto de 1.987, da Corregedoria Geral da Justiça do Estado, que determinou o cancelamento da matricula n° 655, data de 19/08/1.981, no livro A2/4, fls. 15, em nome da Empresa ENCOMIND – ENGENHARIA COMERCIO E INDUSTRIA LTDA., que resultou provado no PROC . n° 88/85 do INCRA, que as terras são do domínio da União, localizados no Município de Novo Aripuanã, denominadas GLEBAS LISBOA, considerando títulos de pleno direito ou desacordo com a legislação vigente; Assim, declarou inexistente a matrícula n°. 655, efetuada neste Cartório Judicial da Comarca de Novo Aripuanã (AM).’ (g.n) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006964/200428 Acórdão n.º 920202.264 CSRFT2 Fl. 267 8 Impõese, assim, uma análise acerca da sujeição passiva do Imposto Territorial Rural – ITR. Segundo a legislação de regência, ainda que detentor de apenas um dos aspectos da propriedade caberá ao contribuinte o recolhimento do Imposto Territorial Rural, nos termos do artigo 29 do Código Tributário Nacional, que prescreve: ‘Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.’ O que se confirma pelo artigo 31 do mesmo diploma legal, que determina que o ‘contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.’ Destaquese que propriedade, domínio útil e posse são conceitos que o Direito Tributário vai haurir junto ao Direito Civil, para o fim de definir precisamente os fatos geradores do ITR, e dele extraímos o conceito de que o proprietário do bem pode dele fazer uso, pode perceberlhe os frutos, e pode dele desfazerse como bem desejar, salvo cláusula específica de inalienabilidade, de origem legal ou contratual. Desta forma, enquanto o registro do imóvel estiver em seu nome é legítima a cobrança do ITR, tendo em vista que o mesmo perdura como proprietário do imóvel. Neste diapasão, como o fato gerador do Imposto Territorial Rural se dá no primeiro dia de cada ano, no presente caso, 1° de janeiro de 2000, este ocorreu em momento em que o autuado não era mais proprietário do imóvel, uma vez que a averbação do cancelamento da matrícula do imóvel ocorreu em 1998 (fls. 141), razão pela qual não é devida a cobrança do imposto. Nestes termos, entendo que há que se modificar o entendimento demonstrado pelo julgador de primeira instância, pelo que, aceito a alegação de ilegitimidade passiva, aventada pelo Recorrente, pois posso concluir que não está caracterizada na pessoa do Recorrente a propriedade ou qualquer de seus efeitos, sobre a área em questão.” (grifo no original) Quanto ao paradigma indicado pela Fazenda Nacional – Acórdão 302 37.537 – este trata de situação diversa daquela retratada no recorrido. No paradigma o contribuinte apresentou a DITR/1997, objeto da autuação, e alegou ilegitimidade passiva desde 1986, porém não logrou comprovar tal condição, limitandose a apresentar declaração do Incra, emitida em 2002, sem qualquer menção sobre o termo de início da perda da posse. Confirase a ementa e trecho do voto condutor do paradigma: ILEGITIMIDADE PASSIVA. FALTA DE PROVAS. Afastase a preliminar de ilegitimidade passiva, pois há declaração do ITR 1997, em nome do contribuinte, para o imóvel objeto do lançamento, bem como aquele consta de sua DIRPF 2002, ano Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006964/200428 Acórdão n.º 920202.264 CSRFT2 Fl. 268 9 calendário 2001, ao tempo em que não há nos autos documento hábil que possa provar o desapossamento das terras por parte do recorrente em 1986. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. CARÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. À mingua de laudo técnico ou Ato Declaratório Ambiental para lastrear a área de preservação permanente declarada, é de• ser mantida a glosa da aludida exclusão da base de cálculo do ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (grifo meu) “O único argumento apresentado pelo recorrente, em verdade, vem a ser a preliminar de ilegitimidade passiva, pois não detém a propriedade das terras que seu contador declarou à Secretaria da Receita Federal na DIAT ITR 1997, nem detém a posse, consoante demonstra a Declaração do INCRA, fl. 74, juntada com o apelo voluntário, e portanto não podendo ser do conhecimento do órgão julgador de primeira instância. De qualquer sorte, não se pode entender que a certidão juntada agora possa provar o desapossamento das terras em 1986, porquanto emitida em outubro de 2002, não faz nenhuma menção ao dies a quo da perda da posse. De outro lado, o recorrente cai em contradição ao dizer que não tem a posse das glebas de terra ora objeto de autuação ao tempo em que as oferece como garantia recursal, inclusive provando o animus de posse ao declarar em sua DIRPF 2002, ano calendário 2001, fl. 75.” (grifo meu ) Assim, verificase que a situação fática do paradigma não se identifica com a do acórdão recorrido, sendo que as soluções adotadas não advêm de divergência interpretativa, e sim das diferenças factuais, mais especificamente das provas contidas em cada um dos julgados. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional, por não restar comprovado o alegado dissídio jurisprudencial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10880.915266/2006-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, para efeito da homologação tácita, começa a fluir a partir da protocolização do Pedido de Restituição/Compensação.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS.
Para a determinação do saldo negativo de IRPJ, restituível ou compensável, não basta a prova da retenção do imposto, é imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente oferecidas para a apuração do lucro real.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações efetuadas.
Numero da decisão: 1301-001.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, para efeito da homologação tácita, começa a fluir a partir da protocolização do Pedido de Restituição/Compensação. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Para a determinação do saldo negativo de IRPJ, restituível ou compensável, não basta a prova da retenção do imposto, é imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente oferecidas para a apuração do lucro real. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 66 /2 00 6- 48 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 11 2 Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMINIO, manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em Sao Paulo — DERAT (fls. 181 a 187), que não homologou as compensações declaradas relativas ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001. A contribuinte apurou na DIPJ/2002 (fls. 30) SNIRPJ no montante de R$.27.433.842,07, utilizandose na apuração do IRPJ do exercício e nas compensações de estimativas mensais de IRPJ, o imposto retido na fonte no montante de R$ 24.623.911,68 conforme declarado nas fichas 11 e 12 A da DIPJ/2002. De acordo com a consulta no sistema SIEF/DIRF (fls. 48 a 57) o montante de IRRF informado pelas fontes pagadoras foi insuficiente para comprovar o montante utilizado pela contribuinte na apuração do IRPJ do exercício. Foi apurado também que parte das receitas financeiras auferida e receitas de serviços também não foram oferecidas à tributação, conforme se observa à ficha 06 A da DIPJ/2002 (fls. 29) e quadro à fls. 184, sendo calculado então o valor proporcional do IRRF aos rendimentos oferecidos, que resultou em R$ 23.336.976,73 de IRRF, passível de ser utilizado na DIPJ, (diferença apurada R$.1.286.934,95). Quanto as estimativas mensais, observase que a contribuinte efetuou recolhimentos em DARF que foram comprovados e compensou a estimativa de setembro, no valor de R$ 24.532.071,40 com o IRF retido em 2001. Como foi reconhecido valor menor que o utilizado pela contribuinte, o valor total confirmado das estimativas soma R$ 51.973.162,98. Assim o saldo negativo reconhecido monta a importância de R$.26.146.907,12, (diferença apurada R$.1.286.934,95). Foi verificado que a contribuinte compensou sem processo as estimativas de IRPJ/2002, e o IRRF devido do anocalendário 2002, conforme DCTF de fls. 57v a 154v, utilizando o saldo credor do IRPJ do anocalendário de 2001 e, conforme os cálculos do sistema SAPO ( fls. 155 a 180v), não restou saldo credor para ser utilizado e ainda restando alguns débitos em aberto que não serão convalidados. Desse modo, não foram homologadas as compensações declaradas, constantes do presente processo. Cientificada em 17/05/2010, conforme AR de fls. 188v, a contribuinte apresentou, em 15/06/2010, manifestação de inconformidade de fls. 205 a 217, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: 1 Alega que caberia manifestação de inconformidade contra a não convalidação das compensações sem processo e discorre a respeito e ainda que teriam deixado de ser convalidadas compensações efetuadas há mais de cinco anos e que estariam homologadas tacitamente. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 13 4 2 Quanto à homologação tácita, entende que somente a PER/DCOMP de no. 23581.71883.120809.1.7.025465, apontada na primeira página do despacho decisório não teria homologado tacitamente e que todas as outras PER/DCOMP e compensações sem processo já teriam sido homologadas tacitamente de acordo com o art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Discorre longamente a respeito da homologação tácita. 3 Discorre, ainda, sobre como a Autoridade Fiscal deveria ter procedido para apuração do crédito da contribuinte, entendendo que se houve discordância dos valores oferecidos a tributação pela contribuinte, deveria ter sido lavrado auto de infração e não simplesmente, no seu entender calcular o IRRF proporcional aos rendimentos oferecidos, uma vez que a retenção do imposto foi efetivamente feita e a contribuinte teria direito a esse saldo integral, citando ainda acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes que corroboram suas alegações. 4 Por fim requer a homologação tácita de todas as compensações feitas com ou sem processo com exceção da PER/DCOMP de n° 23581.71883.120809.1.7.025465 e a homologação desta por entender haver crédito para tanto. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1626.642, de 10/09/2010 (fls. 247), julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INFORMES DE RENDIMENTOS FINANCEIROS Somente tem direito ao aproveitamento do IRF retido sobre rendimentos financeiros se os informes forem emitido no nome da empresa ou sua filial e que esses rendimentos tenham sido declarados na DIPJ ao final do período de apuração. A não comprovação do que alega a empresa, inviabiliza o reconhecimento do crédito declarado. PER/DCOMP HOMOLOGAÇÃO TACITA NÃO OCORRÊNCIA. A data para homologação tácita é alterada cada vez que a apresentação de PER/DCOMP retificadora, passando a valer para data inicial da contagem do prazo homologatório, a data de apresentação da ultima PER/DCOMP de retificação. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Trata o presente processo de Pedidos de Compensação (fls. 01), PER/DCOMP originais 35229.91492.130603.1.3.02.9902 e 09227.39835.310806.1.3.02.5033, protocolizados pelo contribuinte, ora recorrente, em 13/06/2003 e 31/08/2005, ambos retificados conforme PER/DCOMP nos. 08607.59580.120809.1.7.024066 e 23581.71883.120809.1.7.02.5465 protocolizados em 12 de agosto de 2009, além de compensações sem pedido. Para melhor elucidação da matéria transcrevo a seguir trechos do voto recorrido, bem como, dos fundamentos trazidos na peça recursal. Do voto recorrido: “Quanto a homologação tácita, a contribuinte alega que todas as compensações com ou sem processo teriam sido homologado tacitamente , com exceção da PER/DCOMP 23581.71883.120809.1.7.025465. Não assiste qualquer razão a reclamante. De fato, a simples leitura da fls. 181, primeira página do despacho decisório, revela que a contribuinte retificou em 2009, as duas PER/DCOMP apresentadas, respectivamente em 2003 e 2005, não havendo o que se falar em homologação tácita, pois como certamente a contribuinte não ignora, com a apresentação da PER/DCOMP retificadora, passa a valer a data da apresentação da declaração retificadora, deixando de existir a PER/DCOMP original, conforme artigo do capitulo XI da IN SRF 900/2008 vigente a época da apresentação da PER/DCOMP retificadora. Reproduzse a seguir o citado capitulo XI para maior clareza: CAPITULO XI DA RETIFICAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Art. 76. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário em meio papel, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 15 6 juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 77. 0 pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Art. 79. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § I° Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. § 2° Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação. § 3° As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração. Art. 80. Admitida a retificacão da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2° do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 81. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 36, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. (g.n) No caso presente, a PER/DCOMP n° 08607.59580.120809.1.7.024066 retificou a PER/DCOMP n° 35229.91492.130603.1.3.029920 e a PER/DCOMP n° Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 16 7 23581.71883.120809.1.7.02.5465 retificou a PER/DCOMP n° 09227.39835.310806.1.3.025033. As duas PER/DCOMP retificadoras foram apresentadas em 12/08/2009, passando a valer essa data como o inicio da contagem do prazo decadencial. Uma vez que a ciência do despacho decisório foi dada em 17/05/2010, não há o que se falar em homologação tácita. Cabe esclarecer também que somente compensações declaradas em Pedidos de Compensação, convertidos em DCOMP e PER/DCOMP são passiveis de homologação tácita, conforme o art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Conforme já dito, outras compensações, como as sem processo, que eram legalmente possíveis ate outubro de 2002, não são homologadas tacitamente, embora o débito não compensável, não possa eventualmente ser exigido, por decurso do prazo decadencial. Relativamente ao crédito discutido no presente processo, convém esclarecer a douta reclamante que, para poder utilizar IRF retido em rendimentos financeiros, não basta empresa reclamar a existência da retenção do imposto. Para ter direito ao IRF retido, é necessário que os rendimentos totais correspondentes a esse IRF, tenham sido oferecidos à tributação ou seja, tenham integrado a base de cálculo do Imposto de Renda no cálculo da DIPJ/2002, anobase 2001, conforme dispõe os art. 231 e 837 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR /99.” No recurso voluntário, em síntese, aduz a interessada: Considerando a redução do saldo negativo de IRPJ da Recorrente, parte das compensações por ela efetuadas não foram convalidadas. Em virtude da não convalidação de parte das compensações efetuadas pela Recorrente, foi concedido, nos termos dos §§ 7o. e 9° do art. 74, da Lei 9.430/96, prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de Manifestação de Inconformidade, porém apenas em relação às compensações efetuadas por meio de processo. Em relação às compensações efetuadas sem processo, a autoridade administrativa simplesmente não concedeu qualquer prazo para apresentação de defesa. (...) No entanto, como restará demonstrado, não merecem prosperar os argumentos trazidos na referida decisão de primeira instância, tanto quanto a vedação à apresentação de Manifestação de Inconformidade em relação às compensações feitas sem processo, quanto com relação a não convalidação de parte das compensações, bem como com os argumentos relativos ao IR/Fonte. Vejamos. II— DAS PRELIMINARES 1 DO CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE QUANTO AS COMPENSAÇÕES EFETUADAS SEM PROCESSO Conforme já demonstrado na Manifestação de Inconformidade apresentada no momento oportuno, fazse necessário apontar que a Manifestação de Inconformidade é a medida adequada e cabível quanto aos débitos ora exigidos em função das "compensações sem processo" efetuadas pela Recorrente e que não foram convalidadas pela Autoridade Fiscal. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 17 8 Isto porque, de acordo com o art. 5°, LV da CF/88, é assegurado à Recorrente o direito de apresentação de recurso, verbis: Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LV — aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não fosse o mandamento constitucional suficiente a ensejar a necessidade de se admitir a Manifestação de Inconformidade em relação a todas as compensações, cumpre a Recorrente esclarecer que, também nos termos do artigo 56 da Lei n.° 9.784/99, tem o administrado (contribuinte) direito a recorrer de decisão administrativa, caso lhe seja desfavorável, verbis: "Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito." Além disso, a autoridade administrativa tem o dever de apreciar as manifestações e reclamações dos contribuintes, conforme se depreende da leitura do artigo 48 da Lei n° 9.784/99, abaixo transcrito: "Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência." Sobretudo no presente caso, tendo a autoridade fiscal deixado de considerar créditos detidos pela Recorrente, além de não convalidar compensações efetuadas a mais de 5 (cinco) anos, ou seja, que já foram convalidadas tacitamente, como se verá nos tópicos seguintes. Ademais, ao não conhecer a Manifestação de Inconformidade quanto aos débitos das "compensações sem processo", deixa a administração tributária de considerar as alegações e avaliar os documentos apresentados pela Recorrente, o que, na letra do artigo 3°, inciso III, da aludida lei, é ofensivo ao ordenamento jurídico nacional, a saber: "Art. 3° 0 administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações, II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente;" Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 18 9 Cumpre notar que, como a Manifestação de Inconformidade não foi apreciada no que tange ás "compensações sem processo", a exigência fiscal materializada nestes autos deverá ser cancelada, considerandose as manifestas ilegalidades que tal recusa acarretaria. Não é outro o entendimento dos E. Conselhos de Contribuintes. Nesse sentido: NORMAS PROCESSUAIS. VÍCIO DE FORMA. A exigência que deixou de conter requisito legal deve ser anulada em obediência à auto tutela do poder público, na forma do artigo 53, da lei n° 9784, de 1999. Por maioria de votos, ANULAR todos os atos processuais a partir do Despacho Decisório n° 541/2000, inclusive (fls. 162/166)." (Ac 10246.339, DOU 15.11.2004). Concluise, portanto, que como a Manifestação de Inconformidade não foi apreciada, no que tange às compensações sem processo, fica evidente a inconstitucionalidade e a ilegalidade, devendo, desta forma, ser cancelada a exigência fiscal vinculada aos argumentos não apreciados pela fiscalização. 2 DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO N° 08607.59580.120809.1.7.024066 Verificando as compensações analisadas, objetos do presente processo, efetivadas com ou sem processo, verificase que todas elas foram homologadas tacitamente, tendo em vista o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da sua efetivação. Vejamos: Nos termos dos §§ 2°, 4° e 5°, do art. 74 da Lei 9.430/96, ocorrerá a homologação tácita após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da transmissão da declaração de compensação, verbis: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). § 2o. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002). (...) § 4o. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002). § 5o. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003) Assim, de acordo com o § 5°, do art. 74 da Lei 9.430/96, verificase que a compensação n° 08607.59580.120809.1.7.024066, no valor de R$ 551.525,38, Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 19 10 relacionada na página 1 do Despacho Decisório, foi homologada tacitamente em 13/06/2008, motivo pelo qual a não convalidação dela pela Autoridade Fiscal através do Despacho Decisório ora recorrido é nula de pleno direito. Isto porque, a declaração original foi entregue em 13/06/2003, logo a homologação tácita, que se perfaz 5 (cinco) anos contados da data da entrega da declaração de compensação, se deu em 13/06/2008. Notem que a declaração retificadora n° 08607.59580.120809.1.7.024066 foi transmitida pela Recorrente em 12/08/2009, ou seja, após a homologação tácita da declaração original, o que torna a retificação nula de pleno direito, vista que a compensação declarada originalmente já havia se aperfeiçoado, com a extinção do crédito tributário, nos termos do inciso II, do art. 156 do CTN. Portanto, independentemente da existência ou não do crédito tributário considerado pela Recorrente no momento da compensação e glosado pela Autoridade Fiscal, tal compensação deve ser declarada homologada tacitamente, extinguindo o crédito tributário nela relacionado, no valor de R$ 551.525,38, isto porque, a declaração retificadora transmitida em 12.08.2009 não deveria ter sido aceita e nem processada pela Recorrida. Assim, em razão da ocorrência da homologação tácita, a discussão referente a existência do crédito no valor de R$ 551.525,38 está completamente ultrapassada, de modo que o acórdão objeto do presente recurso deve ser reformado nesse ponto. 3 DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS DEMAIS COMPENSAÇÕES 0 disposto no tópico anterior, ocorre também em relação às demais compensações aventadas no despacho decisório sejam elas com ou sem processo, tendo em vista o transcurso do prazo de mais de 5 (cinco) anos entre a efetivação da compensação e sua não convalidação pela Autoridade Fiscal. Com efeito, a legislação competente (no caso, o Código Tributário Nacional —"CTN") fixa um prazo ao sujeito ativo, dentro do qual ele deve exercer a prerrogativa de proceder ao lançamento tributário ou de homologar a atividade do sujeito passivo. Findo esse prazo, esgotase tal prerrogativa pela perda do próprio direito à constituição e/ou cobrança do crédito tributário. Neste sentido, o CTN define as diversas modalidades de lançamento, quais sejam: (i) o lançamento por homologação; (ii) o lançamento por declaração; e (iii) o lançamento de oficio. Nos lançamentos por homologação, como no presente caso, o sujeito passivo procede A atividade de apuração do quantum debeatur e realiza a quitação dos tributos sem qualquer prévio exame da autoridade administrativa. A homologação deste procedimento do sujeito passivo será expressa quando a autoridade administrativa, ao tomar conhecimento da atividade do contribuinte, expressamente a homologa. Por outro lado, operase a homologação tácita quando se esgota o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sem que a autoridade administrativa tenha se manifestado acerca da atividade do sujeito passivo. É o que dispõe o artigo 150 do CTN, verbis: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 20 11 "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1°. 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo A homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Em perfeita sintonia com o dispositivo legal retro transcrito estão os incisos V e VII, do artigo 156 do CTN, segundo os quais será extinto o crédito tributário com "a prescrição e a decadência" e com "o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1° e 4°", respectivamente. No presente caso, os débitos de IRPJ, estimativa de agosto de 2002, e os de IR/Fonte com códigos 1708, 0561, 0588 e 8045, do PA de 409/2002 e vencimento em 02/10/2002, bem como de IR/Fonte com código 0561, do PA de 110/2002 e vencimento em 09/10/2002, cuja compensação se deu com o saldo negativo apurado no ano calendário de 2001, tiveram seu lançamento homologado tacitamente em 2007, pelo transcurso do prazo de 5 anos. Isto é, houve o reconhecimento tácito do Fisco de que tais débitos foram extintos pela compensação realizada. Desse modo, carece de qualquer fundamento legal a pretensão do Fisco de, já consumada a homologação tácita do auto lançamento realizado pela Recorrente, querer exigir os débitos mencionados acima e compensados no anocalendário de 2002, sob a alegação de insuficiência do saldo negativo de IRPJ. Cumpre mencionar, como bem apontado pelas autoridades fiscais no Despacho Decisório, que a compensação dos citados débitos de IR/Fonte e estimativa de IRPJ de agosto de 2002, ocorreu sob a sistemática do artigo 66 da Lei n.° 8.383/91, a qual previa a possibilidade da chamada "auto compensação", isto é, sem qualquer requerimento à administração tributária. Deveras, referido artigo possibilitava ao contribuinte compensar seus créditos tributários com seus débitos, desde que da mesma espécie, mediante encontro de contas em sua contabilidade, devendo apenas manter em seu controle os documentos atinentes compensação realizada, para que o Fisco pudesse exercer seu poderdever de revisar o procedimento executado pelo contribuinte. Sendo assim, citada sistemática inserese no contexto do lançamento por homologação realizado pelos contribuintes, tendo o Fisco o aludido prazo de 5 (cinco) anos para homologar o procedimento realizado. Por sua clareza didática, convém trazer à baila o seguinte decisium dos Conselhos de Contribuintes: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 21 12 "IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. AUSÊNCIA. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. A partir da Lei n. 8.383/91, a constituição de créditos tributários de IRPJ se sujeita à sistemática do lançamento por homologação, que atribui ao contribuinte o dever de apurar a existência ou não de tributo a pagar. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4o. do CTN, decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, não havendo anterior homologação expressa pela autoridade fazendária, dáse a homologação tácita do lançamento, com a extinção do crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A apuração de prejuízo fiscal ou mesmo o não pagamento do tributo apurado não afastam a aplicação do art. 150, § 4o. do CTN, continuando o prazo decadencial, na ausência de manifestação fazendária, a contarse da ocorrência do fato gerador e a terminar com a homologação tácita do lançamento, pois o que se homologa não é o pagamento do tributo, mas a atividade de apurar a existência ou não de tributo a pagar. Solução em harmonia com a legislação tributária federal, segundo a qual o tributo declarado e não pago pode ser inscrito em divida ativa independentemente de novo lançamento, porquanto a constituição do crédito tributário respectivo se deu com a homologação tácita ou expressa da atividade do contribuinte de apurar o tributo devido.Decorrido o qüinqüênio legal sem manifestação fazendária sobre a apuração levada a efeito pelo contribuinte, apurado ou não tributo a pagar, efetuado ou não o pagamento do tributo apurado, dáse a homologação tácita do lançamento e a extinção do crédito tributário." (Ac 10515907, 16.08.2006) Como se constata pela análise desta decisão, a homologação a ser praticada pelo Fisco referese ao procedimento de apuração feito pelo contribuinte, independentemente se houve pagamento, compensação ou mesmo nenhum valor apurado. Dessa forma, não resta outra possibilidade a esta Turma Julgadora que não seja reconhecer a ocorrência da homologação tácita dos débitos de IR/Fonte e IRPJ declarados e compensados no anocalendário de 2002, reformandose o Despacho Decisório ora guerreado. III — DO MÉRITO A Autoridade Fiscal não considerou a totalidade dos valores comprovadamente retidos a titulo de IR/Fonte, para o fim de apurar o montante do crédito a que a Recorrente tem direito, basicamente sob a alegação de que não teria informado tais valores em sua DIPJ de 2002. Nesta esteira, a Autoridade Fiscal confrontou o valor do IR/Fonte que foi efetivamente retido pelas fontes pagadoras, confirmado por suas DIRFs, com a base de cálculo supostamente constante na DIPJ da Recorrente e concluiu que, como referida base tributável não daria suporte à totalidade destas retenções, por conseqüência foi simplesmente desconsiderado o IR/Fonte retido sobre esta parcela supostamente omitida. Ocorre que a própria Autoridade Fiscal reconheceu a retenção da quase integralidade dos valores recolhidos a titulo de IR/Fonte, conforme relatório juntado aos autos das fls. 48/57. Ora, a Autoridade Fiscal não poderia ter simplesmente desconsiderado os valores recolhidos a titulo de IR/Fonte, por simplesmente discordar do montante das receitas constantes da DIPJ da Recorrente. Isto porque estes valores de IR/Fonte Fl. 449DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 22 13 desconsiderados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras, como reconhecido pela própria Autoridade Fiscal. Assim, como há efetiva comprovação das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, fato que não foi questionado pela Autoridade Fiscal, não há como negar o direito da Recorrente a esta parcela do crédito em questão. Caso a Autoridade Fiscal discordasse dos valores declarados pela Recorrente em sua DIPJ, como efetivamente ocorreu, restaria à Autoridade Fiscal recompor esta parcela supostamente omitida. E, sobre estes supostos valores, caberia, quando muito, lavrar um Auto de Infração em face da Recorrente, por suposta omissão de receitas, mas nunca simplesmente desconsiderar os valores efetivamente recolhidos a titulo de IR/Fonte, que, repitase, foi reconhecido pela própria Autoridade Fiscal. Aliás, é neste mesmo sentido a legislação de regência, conforme se depreende do art. 288 do RIR/99 (que por sua vez encontra fundamento na Lei n.° 9.249/95, art. 24, cuja redação a seguir se transcreve: "Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão." Desta maneira, resta claro que a Autoridade Fiscal, data máxima vênia, se utilizou de método totalmente equivocado para a cobrança de tributos que entendeu devidos sobre os valores supostamente omitidos. E isto talvez por já ter ocorrido a decadência do direito do Fisco em lançar estes valores supostamente omitidos, como analisado em tópicos anteriores desta defesa. Acerca da apuração de crédito de IR/Fonte, o Conselho de Contribuintes é firme ao considerar o direito ao valor integral recolhido a titulo do tributo, quando este for efetivamente comprovado. É o que se depreende dos precedentes a seguir colacionados: "IRRF Comprovada a retenção de IR na Fonte sobre serviços prestados, cabível a sua compensação nas apurações periódicas devidas, com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão." (Acórdão n° 10321.608, em 12.05.2004). "IRRF Restando habilmente comprovada a retenção do imposto de renda requerido pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos, apresentada para o exercício 1998, é de se admitir a restituição do valor pleiteado." (Acórdão n.° 102 45.949, Rel. Cons. Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, j. em 27.02.2003). "IRPFONTE RESTITUIÇÃO Estando comprovada documentalmente, a efetividade da retenção do imposto de renda na fonte, inclusive seu recolhimento pela fonte pagadora, licita 6 a restituição dos valores do imposto retido a maior do que o apurado na declaração de ajuste anual." (Acórdão n.° 10419.919, em 15.04.2004). "GLOSA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DESCONSIDERAÇÃO DOS EXTRATOS DE CONTA CORRENTE. OBRIGATÓRIA CONSIDERAÇÃO DAS RETENÇÕES COMPROVADA. PRINCIPIO DA VERDADE REAL.Comprovadas pelo contribuinte as retenções de imposto sobre a renda efetuadas pelas instituições financeiras mediante a apresentação de extratos bancários específicos, obrigatória a consideração dos valores na apuração do saldo Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 23 14 negativo do IRPJ a restituir." (Acórdão n.° 10708.584, Rel. Cons. Hugo Correia Sotero, j. em 25.05.2006). Vale transcrever, por oportuno, parte do voto do Relator deste último precedente, Conselheiro Hugo Correia Sotero, verbis: "Diante da obrigatoriedade da busca da verdade real, decorrência direta da regra do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo o contribuinte comprovado as retenções do Imposto sobre a Renda através dos extratos bancários de fls. 82111, não se justifica a decisão vergastada, posto que obrigatória a consideração dos valores retidos na apuração do saldo negativo de IRPJ postulado pela Recorrente." Como se percebe destes julgados, a utilização ou não dos créditos de IR/Fonte depende exclusivamente da comprovação de sua retenção. E isto justamente por conta da natureza de referida exação, que é mera antecipação do IRPJ devido ao final do ano calendário. Em síntese, não há como negar o reconhecimento do direito da totalidade do crédito de IR/Fonte à Recorrente, uma vez que não há qualquer controvérsia com relação sua retenção, o que, repitase, foi reconhecido pelo próprio Despacho Decisório. Portanto, mister se faz reformar a decisão ora recorrida, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas pela Recorrente, bem como sejam convalidadas as autocompensações correlatas ao presente caso. DO PEDIDO Diante do exposto aguarda a Recorrente que: seja conhecido o presente Recurso Voluntário em relação a todas as compensações efetuadas pela Recorrente, com ou sem processo, com o fim de reconhecer, preliminarmente, a homologação tácita de todas elas, declarando, por conseguinte, extinto o crédito tributário objeto delas; e/ou caso não seja acolhida a preliminar, o que se admite apenas em atenção ao principio da eventualidade, requer sejam homologadas todas compensações declaradas pela Recorrente, tendo em vista a comprovação da existência de crédito suficiente para efetiválas, em virtude do reconhecimento pela Autoridade Fiscal das retenções do IR/Fonte que sofreu a Recorrente por suas fontes pagadoras e que foram glosadas indevidamente através do Despacho Decisório. Pois bem. Há, como visto, duas questões a serem analisadas. Por primeiro, se teria ocorrido a homologação tácita das compensações PER/DCOMP de n° 35229.91492.130603.1.3.02.9902, no valor de R$ 551.525,38, relacionada na página 1 do Despacho Decisório, transmitida em 13/06/2003 e, retificada em 12/08/2009, pela PER/DCOMP 08607.59580.120809.1.7.024066. A segunda questão diz respeito ao aproveitamento do IRRF sobre receitas financeiras. Primeira questão. Compulsando os autos do presente processo constatase do Despacho Decisório que a autoridade local (DERAT/SP) analisando o Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação apresentado pelo contribuinte Fl. 451DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 24 15 (PER/DCOMP n° 08607.59580.120809.1.7.024066 que retifica a PER/DCOMP n° 35229.91492.130603.1.3.029902), em comparação com a DIPJ/2002 (AC/2001), DCTFs, DIRFs e extratos do Sistema de Apoio Operacional/SAPO (docs. de fls. 1 a 180), constatou em primeiro lugar diferença entre o valor declarado do SNIRPJ, AC/2001 (DIPJ: R$.27.433.842,07) e, o valor (R$.26.146.907,12) aceito após a glosa parcial do IRRF decorrente das aplicações financeiras não incluídas na base de cálculo do imposto. E, no caso, o valor ajustado do SNIRPJ do AC/2001 foi totalmente absorvido pelas compensações no ano de 2002 sem processo, das estimativas de IRPJ e IRRF conforme DCTF às fls. 57v a 154v, e demonstrativos/SAPO de fls 155 a 180v. No caso, constatase que a DCOMP retificadora foi transmitida (12/08/2009) após a homologação tácita da declaração original (13/06/2003), logo, a compensação declarada originalmente já havia se aperfeiçoado, com a extinção do crédito tributário, nos termos do inciso II, do art. 156 do CTN. Portanto, neste item, tem razão a ora recorrente, pelo que deve ser reconhecido o crédito tributário no valor de R$ 551.525,38. Segunda questão. A questão da homologação tácita está diretamente relacionada com as compensações sem requerimento (sem processo), explicase: A autoridade local ao analisar os pedidos de compensações constata que houve compensação sem processo (em DCTF) das estimativas e IRRF do ano calendário de 2002, concluindo, que neste caso o saldo negativo de IRPJ apurado em 2001 foi totalmente utilizado (fl. 158v.), transcrevo, a seguir, as conclusões do Despacho Decisório. 18. Convalido as compensações sem processo das estimativas de IRPJ de janeiro a julho de 2002 e convalido parcialmente a estimativa de agosto de 2002, restando um débito de R$ 286.560,93; 19. Convalido as compensações sem processo do Imposto Retido na fonte conforme relação do SAPO às fls. 156 a 158v; 20. Não convalido as compensações sem processo do IRRF de códigos 1708, 0561,0588, 8045 do PA de 409/2002 e vencimento em 02/10/2002 também não convalido o IRRFcódigo 0561 de 110/2002 e vencimento em 0910/2002 conforme fl. 158v; Quanto à alegação do contribuinte de que teria ocorrido no presente caso a homologação tácita dos pedidos de compensação, objetivando melhor elucidar o caso, importante transcrever a legislação pertinente. Dispõe o art. 74 da Lei n° 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). Fl. 452DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 25 16 (...) § 4o. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 5o. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003). Dessa forma, podese concluir que ao contrário do que pretende demonstrar o contribuinte em seu recurso, o prazo de cinco anos previsto em lei para que a autoridade administrativa se manifeste, sob pena de homologação tácita, diz respeito a homologação das compensações, com inicio na data da entrega das Declarações de Compensação, e não do Pedido de Restituição (compensação sem pedido). Nesse mesmo sentido, dispõe o art. 29 da IN/SRF n° 460/2004: "Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1o. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2o. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação." Sendo assim, após a leitura dos artigos anteriormente transcritos, verificase que somente ocorre a homologação tácita das compensações declaradas pela contribuinte quando a autoridade administrativa não se manifesta sobre as mesmas no prazo de cinco anos, contados da sua protocolização na Receita Federal. Resta, outro ponto a analisar. Diz respeito a glosa parcial do IRRF relativo a aplicações financeiras. Deixar claro que de acordo com o § 4.° do art. 2o. da Lei 9.430, de 1996, para determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real. E, por outro lado, o ônus da prova, incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito. Constatase do Despacho Decisório: III Da apuração do direito creditório Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 26 17 13. Avaliando a apuração do suposto saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, no montante de R$ 27.433.842,07, declarado na ficha 12A da DIPJ 2002 à fl. 30, verificase que: • 0 contribuinte apurou IRPJ devido, antes de descontadas as deduções, no valor de R$ 26.969.384,10 (fl. 30); • Foi utilizada na apuração do IRPJ do exercício e nas estimativas mensais de IRPJ o imposto retido na fonte no montante de R$ 24.623.911,68, conforme declarado nas fichas 11 e 12A da DIPJ 2002 (fls. 28 e 30). De acordo com consulta ao sistema Sief/DIRF (fls. 48 a 57), o montante de IRRF declarado pelas fontes pagadoras, foi insuficiente para comprovar o montante utilizado pelo contribuinte na apuração do IRPJ do exercício. Além disto, as receitas correspondentes a aplicações financeiras e receita de serviços não foram totalmente oferecidas à tributação, conforme ficha 06A da DIPJ 2002 à fl. 29 e detalhamento a seguir. Desta forma, fazendo uma proporção entre a receita financeira oferecida a tributação e a receita declarada na DIRF, o valor de IRRF que deve ser utilizado nas estimativas de IRPJ é de R$ 23.336.976,73 e não restou IRRF para ser utilizado no cálculo de IRPJ anual. 0 IRRF retido por órgãos públicos foi apurado de acordo com a determinação do art. 64 da Lei no 9.430/1996 e respectiva Instrução Normativa. Percebese que ao contrário do afirmado pela ora recorrente em sua peça recursal a Autoridade Fiscal questiona sim os valores do IRRF declarado e, em conseqüência apura de forma proporcional confrontando os valores das receitas financeiras declaradas na DIPJ e DIRF. Apreciando a Manifestação de Inconformidade apresentada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo I não acolheu os argumentos da Recorrente acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado com base nos seguintes fundamentos: “Relativamente ao crédito discutido no presente processo, convém esclarecer a douta reclamante que, para poder utilizar IRF retido em rendimentos financeiros, não basta empresa reclamar a existência da retenção do imposto. Para ter direito ao IRF retido, é necessário que os rendimentos totais correspondentes a esse IRF, tenham sido oferecidos à tributação ou seja, tenham integrado a base de cálculo do Imposto de Renda no cálculo da DIPJ/2002, anobase 2001, conforme dispõe os art. 231 e 837 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR /99.” Vejo como corretos os fundamentos expendidos pela autoridade julgadora de primeiro grau e como acertada a decisão prolatada, eis que a Recorrente efetivamente não carreou aos autos qualquer elemento capaz de comprovar a procedência dos valores glosados pela Delegacia da Receita Federal. Com efeito, nenhum documento probatório foi anexado na Manifestação de Inconformidade bem como no Recurso Voluntário. Portanto, ao meu ver, irreparável a decisão a quo, ao concluir que, foi amplamente oportunizado à contribuinte demonstrar que os rendimentos cuja IRRF ela pretende deduzir do imposto apurado no período base haviam sido devidamente oferecidos à tributação. E, portanto, não havendo a comprovação de que parte de tais rendimentos compuseram a base de cálculo do imposto de renda apurado na DIPJ/2002, não há como homologar a compensação conforme pleiteada. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10880.915266/200648 Acórdão n.º 1301001.179 S1C3T1 Fl. 27 18 Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 551.525,38, pela homologação tácita da PER/DCOMP n° 35229.91492.130603.1.3.029902, mantendo nos demais itens a decisão de primeira instância. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 11831.001212/2001-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 INCENTIVOS FISCAIS. INDEFERIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. A emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que tem por objetivo informar o contribuinte a respeito da confirmação ou alteração dos dados relativos à sua opção pelos incentivos fiscais e, em caso de alteração, a sua respectiva motivação. Para a prática deste ato, deve a administração observar o prazo decadencial para a revisão da declaração de rendas na qual tenha sido manifestada a opção pelo incentivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997 PERC. NORMA PROCESSUAIS. PRAZOS. O PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos, e deve ser interposto no prazo de 30 dias a contar da ciência das alterações promovidas pela autoridade administrativa, consubstanciadas no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido. Enquanto não decidido recurso administrativo interposto pelo contribuinte, não transcorre, contra a Fazenda Pública, nenhum prazo de caducidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa
incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade
incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
PERC MOMENTO E FORMA DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1102-000.771
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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INDEFERIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. A emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que tem por objetivo informar o contribuinte a respeito da confirmação ou alteração dos dados relativos à sua opção pelos incentivos fiscais e, em caso de alteração, a sua respectiva motivação. Para a prática deste ato, deve a administração observar o prazo decadencial para a revisão da declaração de rendas na qual tenha sido manifestada a opção pelo incentivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 PERC. NORMA PROCESSUAIS. PRAZOS. O PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos, e deve ser interposto no prazo de 30 dias a contar da ciência das alterações promovidas pela autoridade administrativa, consubstanciadas no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido. Enquanto não decidido recurso administrativo interposto pelo contribuinte, não transcorre, contra a Fazenda Pública, nenhum prazo de caducidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11831.001212/200137 Acórdão n.º 110200.771 S1C1T2 Fl. 2 2 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PERC MOMENTO E FORMA DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Trata o presente processo administrativo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais — PERC — referente ao anocalendário de 1997, e que foi indeferido pela autoridade administrativa, sob a motivação da existência de diversos débitos que não se encontrariam regularizados à data da análise feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – Derat de São Paulo/SP (29.07.2008), circunstância esta que constituiria impedimento à concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal, à luz do que dispõe o art. 60 da Lei n° 9.069/1995. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11831.001212/200137 Acórdão n.º 110200.771 S1C1T2 Fl. 3 3 Conforme dados constantes da ficha 10 – Aplicações em Incentivos Fiscais – da DIRPJ/1998 (fls. 69), a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINOR. Contudo, no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 3), em 20.07.2000, o valor correspondente aos Certificados de Investimento a serem emitidos pelo FINOR aparece zerado, o que levou a contribuinte a apresentação do PERC objeto do presente processo. Em 19.03.2008, a Derat emitiu intimação para que a contribuinte solucionasse diversas pendências fiscais ali relacionadas, à qual ela apresentou a resposta e os documentos de fls. 237 a 471. Às fls. 593, encontrase o Despacho proferido em 29.07.2008, que indeferiu o pedido consubstanciado no PERC, em razão de não terem sido solucionadas todas as pendências naquela intimação indicadas. Contra esta decisão, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, fls. 597 a 607, acompanhada dos documentos de fls. 597 a 607, aduzindo, em síntese, o seguinte: (i) nulidade da intimação e do parecer a ela acostado, tendo em vista que sequer podem ser considerados decorrentes de decisão administrativa de primeira instância, ocorrendo evidente afronta à determinação contida no art. 31 do Decreto n° 70.235/72; (ii) nulidade do parecer por falta de motivação, vez que o parecer não traz os fundamentos pelos quais se exige a comprovação da regularidade fiscal no momento da apreciação do PERC, em violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; (iii) o momento de verificação da regularidade fiscal do contribuinte optante pelo incentivo é a data em que manifestou a opção, ou seja, a data da entrega da Declaração de Rendimentos; (iv) violação ao principio da legalidade, por ausência de previsão legal acerca da possibilidade de o contribuinte ter seu beneficio vedado em razão da existência de eventuais débitos perante a Secretaria da Receita Federal, Procuradoria da Fazenda Nacional, CADIN e FGTS (v) violação aos principios da segurança jurídica e da irretroatividade, ante a denegação do beneficio exclusivamente com base em dados ocorridos muitos anos após a manifestação da opção. A autoridade julgadora de primeira instância afastou as alegações de nulidade, posto que a decisão fora proferida por autoridade competente, e que a recorrente demonstrara pleno conhecimento dos motivos que determinaram o indeferimento do PERC. No mérito, registrou que a análise da regularidade fiscal deve ser feita no instante em que se está proferindo a decisão que confere ou reconhece o benefício, ou seja, na data do despacho no PERC. Por fim, observa que a requerente sequer alega que se encontraria em situação regular Fl. 753DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11831.001212/200137 Acórdão n.º 110200.771 S1C1T2 Fl. 4 4 na data da expedição do Despacho Decisório nem tece qualquer argumento relativo aos débitos apontados pela autoridade a quo (irregularidades perante a RFB, a PGFN e o FGTS). O Acórdão n° 1620.928 possui a seguinte ementa: “DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Tendo sido o Despacho Decisório emitido por autoridade competente e atendidos os demais requisitos legais, inclusive quanto à motivação do ato administrativo, incabível a alegação de nulidade. INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais.” Cientificada desta decisão em 20.04.2009, conforme AR de fls. 663, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 20.05.2009, fls. 664 a 682, no qual reprisa os mesmos argumentos apresentados por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: (vi) preclusão temporal do direito da Administração apreciar o PERC (decadência), em razão do transcurso do prazo estabelecido na Portaria Interministerial n° 237, dos Ministérios da Fazenda e da Integração Social, para a apreciação dos Pedidos de Revisão de Ordens de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, que, no caso concreto, corresponderia ao dia 26 de julho de 2005; (vii) decadência do direito da Administração de proceder ao indeferimento do PERC, com a consequente homologação tácita da declaração efetuada pelo contribuinte, nos termos do disposto no art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, ou seja, prazo de cinco anos da data da declaração formalizada pelo contribuinte em DIPJ contendo a opção pelo incentivo; (viii) o entendimento esposado pela r. decisão recorrida, de que o contencioso administrativo se instaura com a apresentação de manifestação de inconformidade, representa uma grande demonstração de que, transcorridos mais de dez anos entre a entrega da DIPJ e o inicio do processo administrativo fiscal, operouse a “homologação tácita” de todo o procedimento formalizado pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Fl. 754DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11831.001212/200137 Acórdão n.º 110200.771 S1C1T2 Fl. 5 5 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Em que pese tenha a recorrente inovado no recurso, entendo que os novos argumentos manejados devam ser analisados, por abordarem matérias de ordem pública (decadência, preclusão temporal, homologação tácita). Para o correto enfrentamento das questões postas, entendo necessário inicialmente esclarecer qual a natureza do instrumento denominado Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais — PERC. Nos termos da legislação que rege os referidos incentivos (no caso concreto, o DecretoLei nº 1.376, de 1974, e alterações posteriores), a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimento a partir do momento da concordância da SRF com a opção formalizada. Enquanto a homologação expressa da Receita Federal não ocorrer, os valores informados na declaração de rendimentos do contribuinte para serem aplicados em incentivos fiscais continuam sendo receitas públicas da União. Assim, temse que o procedimento administrativo previsto para gozo do mencionado incentivo tem início com a opção pela aplicação em incentivos fiscais na declaração de rendimentos, sendo o passo seguinte a homologação expressa da Receita Federal, que encaminha: (i) aos Fundos de Investimento as respectivas ordens de emissão de certificados de investimentos, e (ii) às pessoas jurídicas optantes, o respectivo Extrato contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento. É o que consta nos artigos 1o e 3o do Decretolei n° 1.752/79. A emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, portanto, representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que tem por objetivo informar o contribuinte a respeito da confirmação ou alteração dos dados relativos à sua opção pelos incentivos fiscais e, em caso de alteração, a sua respectiva motivação. O referido Extrato propicia ao contribuinte as condições para o exercício do seu direito de defesa e consequente manifestação da sua inconformidade ao órgão local da Secretaria da Receita Federal quanto aos itens eventualmente alterados em conseqüência do processamento das informações consignadas na declaração por ele apresentada. O meio ou instrumento, posto à disposição pela própria Administração Tributária, para que o contribuinte, exercendo o direito ao contraditório, ofereça contrarazões às eventuais modificações promovidas em sua opção é o PERC, em que o interessado recorre do indeferimento à sua opção formalizada. A apresentação do PERC, portanto, tem natureza processual, e equiparase à manifestação de inconformidade contra o ato de indeferimento da Administração. O entendimento até aqui exposto, registrese, foi esposado em voto do i. Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, seguido à unanimidade, no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais de no 0105.754. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11831.001212/200137 Acórdão n.º 110200.771 S1C1T2 Fl. 6 6 Nestes termos, de pronto revelase completamente infundado falar em homologação tácita da declaração efetuada pelo contribuinte, bem como de eventual decadência quanto ao indeferimento do pedido. Senão vejamos. Não houve nenhuma homologação tácita, ao contrário, houve expressa não homologação da opção efetuada, por meio do referido Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais. A opção da recorrente pelo incentivo fiscal foi manifestada com a apresentação da declaração de rendas relativa ao anocalendário de 1997. O Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, por sua vez, foi emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 20.07.2000, dentro do prazo, portanto, de que dispõe o fisco para revisar aquela declaração. E, tratandose o PERC de instrumento processual, equivalente à manifestação de inconformidade, sem qualquer aplicação o estabelecimento de prazos não previstos em lei para que haja manifestação administrativa a respeito do pedido. Nesta seara, releva destacar o pacífico entendimento, tanto administrativo quanto judicial, de que, enquanto não decidido recurso administrativo interposto pelo contribuinte, não transcorre, contra a Fazenda Pública, nenhum prazo de caducidade. Os prazos para que para as autoridades fiscais pratiquem os atos inerentes às suas funções, são meramente cominatórios, e não peremptórios. Neste sentido, aliás, dispõe a Súmula CARF nº 11, com efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal, conforme Portaria/MF nº 383, de 12.07.2010: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Quanto às alegações de nulidade da intimação e da própria decisão que indeferiu o seu Pedido de Revisão, cumpre observar que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma destas circunstâncias ocorreu no caso concreto. O Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo é a autoridade competente para tanto, conforme já o bem demonstrou a autoridade julgadora a quo, nos termos da legislação por ela citada. Outrossim, absolutamente demonstrada a total compreensão, pela recorrente, de todos os motivos que determinaram o indeferimento do seu Pedido de Revisão. Quanto às alegações de violação ao principio da legalidade, por ausência de previsão legal acerca da possibilidade de o contribuinte ter seu beneficio vedado em razão da existência de eventuais débitos perante a Secretaria da Receita Federal, Procuradoria da Fazenda Nacional, CADIN e FGTS, não lhe assiste razão, pois há norma expressa neste sentido, que é exatamente o citado artigo 60 da Lei n° 9.069/1995. A questão quanto à data da análise da regularidade fiscal será tratada a seguir, mas não há dúvidas de que o referido artigo veda a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal a contribuinte que não esteja regular. Neste aspecto, ante a existência de norma expressa em lei, cediço que não merecem acolhida em sede administrativa alegações de violação aos principios da segurança jurídica e da irretroatividade, ou a quaisquer outros princípios constitucionais, as quais devem dirigirse ao Poder Judiciário, que tem competência para analisar as questões sob esta ótica. Assim dispõe a Súmula CARF nº 2, de adoção obrigatória no âmbito deste Colegiado, nos Fl. 756DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11831.001212/200137 Acórdão n.º 110200.771 S1C1T2 Fl. 7 7 termos do artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No tocante ao momento de verificação da regularidade fiscal do contribuinte optante pelo incentivo, cumpre observar o que dispõe a respeito a Súmula CARF nº 37, abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Assim, como a opção referese à DIPJ/1998, pertinente ao ano calendário 1997, débitos surgidos posteriormente a 1997 não influenciarão o pleito daquele ano calendário, podendo apenas influenciar a concessão do beneficio em anoscalendário subseqüentes. De acordo com o despacho do Sr. Delegado da Derat que indeferiu o Pedido de Revisão, a recorrente não lograra, até o dia 29.07.2008, comprovar a regularização dos seguintes débitos, verbis: “...Débitos da PGFN (fls. 476, 481, 527, 528, 538, 539 e 540), Débitos no Profisc (fls. 473, 482, 527 e 528), no Sief (fls. 474, 475, 484, 527 e 528) e FGTS (fls. 576).” Analisandose as referidas folhas do processo, constatase que não existe ali um único débito que se refira ao anocalendário 1997 ou a ele anterior. Ou seja, todos os débitos apontados no referido despacho somente foram constituídos em data posterior ao ano de 1997, pelo que não podem constituir impedimento ao deferimento do pedido, conforme acima exposto, de sorte que o entendimento conferido pela decisão recorrida não merece prosperar. Por outro lado, verifico que o Pedido de Revisão não foi apreciado no mérito, quanto à inconformidade da recorrente com os motivos que levaram a Receita Federal a emitir o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais em 20.07.2000 com valor zero correspondente aos Certificados de Investimento a serem emitidos pelo FINOR. Pelo exposto, dou provimento parcial ao presente recurso voluntário, para que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais — PERC seja apreciado pela autoridade administrativa competente. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 757DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11831.001212/200137 Acórdão n.º 110200.771 S1C1T2 Fl. 8 8 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 17546.000613/2007-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RETENÇÃO DE 11% CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA.
As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve
reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
No caso, relativamente ao período em apreço, a empresa efetuou
recolhimentos de contribuições previdenciárias, conforme asseverou a própria autoridade lançadora, sendo que inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação.
Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos ocorridos até a competência 03/2001, inclusive.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RETENÇÃO DE 11% CESSÃO DE MÃODEOBRA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao período em apreço, a empresa efetuou recolhimentos de contribuições previdenciárias, conforme asseverou a própria autoridade lançadora, sendo que inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 658 2 Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos ocorridos até a competência 03/2001, inclusive. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Amsted Maxion Fundição e Equipamentos Ferroviários S.A., CNPJ n° 01.599.436/000101, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.509.5017 (fls. 0161), para a exigência de contribuições previdenciárias relativas à retenção de 11% incidentes sobre as notas fiscais, faturas ou recibos emitidos pela pessoa jurídica Modelação Malta Ltda. ME, CNPJ n° 00.588.739/000166, para serviços prestados sob a modalidade de cessão de mãodeobra, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 02/1999 e 07/2005. A ciência do lançamento se deu em 28/04/2006 (fls. 01). A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) considerou o lançamento procedente em parte (fls. 502511, Volume II). Por sua vez, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pela empresa, proferiu o acórdão n° 240100.134, que se encontra às fls. 560574 (Volume III), cuja ementa é a seguinte: Fl. 681DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 659 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2005 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange decadência o que dispõe o § 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4° do CTN. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RETENÇÃO A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra. CESSÃO DE MÃODEOBRA OCORRÊNCIA ÔNUS DA PROVA Deixando a empresa de apresentar à auditoria fiscal a documentação necessária à demonstração das condições de realização dos serviços que lhe foram prestados, toma para si o ônus de demonstrar a não ocorrência da hipótese legal, no caso, a inocorrência de cessão de mãodeobra. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A decisão recorrida acordou, “I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 03/2001. Vencidas as Fl. 682DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 660 4 Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000 e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, a Conselheira Cleusa Vieira de Souza.” Intimada deste acórdão em 21/10/2009 (fls. 575), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, recurso especial às fls. 578588 (Volume III), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Tratase de lançamento de contribuições devidas a Seguridade Social, referente a fatos geradores de 02/1999 a 07/2005, com ciência do contribuinte em 28/04/2006; b) Do referido acórdão, extraise que a declaração da decadência das contribuições apuradas de 12/2000 a 03/2001 ocorreu por maioria de votos, tendo sido vencidas três Conselheiras que votaram por declarar a decadência somente até a competência de 11/2000; c) Contudo, a conclusão estampada no aresto em foco, quanto à decadência, merece reforma. Isso porque, ao declarar a decadência do direito ao lançamento da totalidade do período que menciona, o acórdão recorrido o fez com apoio na aplicação do disposto no art. 150, § 4°, do CTN, violando o disposto no artigo 173, I, do mesmo diploma legal, o qual deve ser aplicado nos casos em que, embora o tributo esteja sujeito à sistemática do lançamento por homologação, não haja qualquer antecipação de pagamento por parte do contribuinte; d) Ademais, o voto vencedor assentou que não houve a demonstração por parte da fiscalização de que não houve antecipação de pagamento pela empresa. Tal entendimento afronta a regra do artigo 333, I do Código de Processo Civil, segundo a qual o ônus da prova incumbe ao réu quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso, coube a União identificar a ocorrência do fato gerador do tributo, procedendo ao lançamento. Já ao contribuinte caberia o ônus da prova do fato extintivo, ou seja, a decadência. Portanto, o acórdão recorrido inverteu indevidamente o ônus da prova, em evidente contrariedade regra processual; e) A aludida decisão também afronta as provas constantes dos autos, já que, no Demonstrativo Analítico de Débito e relatório fiscal não há indicação de crédito considerado ou valor deduzido, ou seja, não há prova de pagamento parcial; f) A questão cingese ao marco inicial para a contagem do prazo decadencial, eis que superada a questão relativa ao art. 45 da Lei 8212/91 pela publicação da súmula vinculante n.° 8; Fl. 683DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 661 5 g) A decisão recorrida reconheceu que o prazo decadencial para o lançamento em questão regerseia pelo §4°, do art. 150 do Código Tributário Nacional, considerando que a fiscalização não demonstrou a inexistência de pagamento antecipado; h) No caso, coube ao Fisco a identificação da ocorrência do fato gerador, ou seja, o fato constitutivo de seu direito. Por conseguinte, o ônus da prova quanto A decadência (fato extintivo) caberia ao contribuinte. O entendimento adotado pelo acórdão recorrido viola a regra em questão e promove uma inversão indevida do ônus da prova, não autorizada pela norma processual; i) Com efeito, é fácil concluir que o acórdão recorrido aplicou o artigo 150, §4° do CTN mesmo não tendo sido comprovada a antecipação de pagamento parcial do tributo devido. Ao contrário, no discriminativo analítico do débito que instrui a NFLD não consta qualquer crédito ou dedução a favor da empresa, ou seja, não há antecipação de pagamento. Também não existe menção a pagamento no relatório fiscal. Na verdade, o que se identifica é que a contribuinte não fez a retenção de 11% instituída pela Lei 9.711/98, incidentes sobre as notas fiscais, faturas ou recibos de serviços prestados, sob a modalidade de cessão de mãode obra; j) Por conta disso, aplicase ao lançamento de oficio em questão o disposto no art. 173, inciso I do CTN; k) Ademais, a ausência de pagamento antecipado do tributo devido é matéria cuja discussão encontrase preclusa, por não ter sido objeto de impugnação do contribuinte, nos termos do artigo 17 do Decreto n° 70.235/72; l) Isso porque, o pagamento parcial do tributo objeto da cobrança deveria ter sido alegado e devidamente comprovado pelo contribuinte (ônus da prova do réu, como visto acima), quando da apresentação da impugnação ao lançamento, o que não ocorreu. Apesar da empresa questionar a questão da decadência, em nenhum momento comprovou o pagamento parcial das contribuições, para que fosse aplicada a regra do artigo 150, §4° do CTN; m) A presunção, portanto, deve ser no sentido da inexistência de pagamento parcial, e não de sua existência, já que esta sim deveria ter sido devidamente comprovada pelo contribuinte, ainda mais quando os discriminativos que acompanham a NFLD não trazem qualquer indicação de crédito; n) Data maxima venia, os ensinamentos doutrinários e jurisprudenciais dominantes evidenciam a necessidade de reforma do aresto. Com efeito, o §4° do art. 150 do CTN explicita a modalidade de lançamento por homologação, segundo a qual o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento; Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 662 6 o) No caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo; p) O Col. Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173, inciso I, do CTN; q) O tema, aliás, foi recentemente apreciado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na sessão de julgamentos do dia 12.08.2009, que, ao analisar o Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, na sistemática dos Recursos Repetitivos (Art. 543C do CPC), definiu que no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento do tributo; r) No caso em apreço, a decisão recorrida, mesmo diante da inexistência de pagamento parcial do tributo, aplicou a regra constante do artigo 150, §4° do CTN, contrariando o disposto no artigo 173, I, do mesmo diploma legal, o artigo 333, II do CPC, bem como todo o conjunto probatório coligido aos autos, razão pela qual deve ser reformada na parte; s) Requer seja conhecido e provido o presente recurso, para afastar a decretação de decadência dos tributos devidos no período de apuração compreendidos entre 12/2000 a 03/2001. Admitido o recurso por meio do despacho n° 2400504/2009 (fls. 589591), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 599606 (Volume III), onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. Concomitantemente, interpôs recurso especial às fls. 608616, o qual não foi admitido (fls. 650652 e 653, Volume III). É o Relatório. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 663 7 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, acolheu a decadência para os fatos ocorridos até a competência 11/2000 e, por maioria de votos, para os fatos ocorridos até a competência 03/2001. Nas demais questões, negou provimento ao recurso, por unanimidade de votos. A insurgência da recorrente está relacionada à decadência para as competências compreendidas entre 12/2000 e 03/2001 e sua pretensão é no sentido de que se aplique ao caso da regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em razão da alegada ausência de pagamento antecipado, sendo que a ciência do lançamento se deu em 28/04/2006. Eis a matéria em litígio. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, as contribuições previdenciárias em apreço são tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração das suas base de cálculo e o recolhimento dos montantes devidos, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 686DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 664 8 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que o caso em apreço envolve fatos geradores ocorridos nas competências compreendidas entre 02/1999 e 07/2005 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência da notificação fiscal de lançamento de débito em 28/04/2006 (fls. 01), concluo que a decisão recorrida deve ser confirmada, pois a decadência impede a manutenção do lançamento para os fatos ocorridos até a competência 03/2001. Na visão deste julgador, como não se imputou à empresa as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Entendo que para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A homologação é da atividade e não do pagamento. Esta é a minha posição a respeito da matéria. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 687DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 665 9 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia Fl. 688DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 666 10 do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento de contribuições previdenciárias no período em apreço. A questão não comporta maiores digressões, pois a própria autoridade lançadora assim asseverou no Relatório da NFLD (fls. 91): 12. As GRPS/GPS, com códigos de pagamento "2631 Contribuição retida sobre a NF/Fatura da Empresa Prestadora", que foram apresentadas à fiscalização, foram consideradas e, devidamente, deduzidas no levantamento fiscal. Igualmente foram considerados e abatidos os recolhimentos cujos comprovantes, muito embora não apresentados pela empresa contratante, foram confirmados junto aos contascorrentes das empresas prestadoras, através dos sistemas informatizados. A existência de pagamento antecipado, portanto, é inquestionável. Ademais, ainda que assim não fosse, concordo inteiramente com a Redatora Designada do acórdão recorrido no sentido de que o deslocamento da regra geral dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação do artigo 150, § 4°, do CTN para o mandamento do artigo 173, inciso I, do CTN exige da autoridade lançadora o ônus da prova de que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de contribuições previdenciárias. E isso não ocorreu. Não se pode presumir a ausência de pagamento. Portanto, o ensinamento jurisprudencial do Egrégio STJ não socorre a tese defendida pela recorrente. Sendo assim, a decadência fulminou os fatos geradores ocorridos até a competência 03/2001, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 689DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000613/200767 Acórdão n.º 920202.283 CSRFT2 Fl. 667 11 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 11040.720036/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREAS AMBIENTAIS.
EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. A apresentação do ADA ao Ibama
não é condição indispensável para a exclusão da Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN, de que trata o art. 21 da Lei nº 9.985, quando esta esteja averbada à margem da matrícula do imóvel.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e deve atender aos padrões técnicos recomendados pela ABNT.
Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.772
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de RPPN Reserva Legal Particular do Patrimônio Nacional.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREAS AMBIENTAIS. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. A apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão da Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN, de que trata o art. 21 da Lei nº 9.985, quando esta esteja averbada à margem da matrícula do imóvel. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e deve atender aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de RPPN Reserva Legal Particular do Patrimônio Nacional. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 73) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 01/07, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2004, no valor de R$ 41.479,40, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 91.034,83. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2004 da qual foi glosado o valor declarado como Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN (806,0ha) e foi alterado o valor da terra nua de R$ 1.048.799,96 para R$ 2.742.880,00. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que houve incorreções no demonstrativo dos fatos e no enquadramento legal;. que protocolizou em 27/08/2007 os documentos solicitados, inclusive ADA; que a apresentação do ADA fora do prazo não acarreta prejuízo ao Fisco; que a tributação da área objeto do litígio já foi examinada em processo administrativo e judicial. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, quanto ao VTN, a Impugnante não apresentou laudo de avaliação, justificandose o arbitramento com base no SIPT. Sobre a RPPN a DRJ observou que a apresentação tempestiva do ADA era condição essencial para o reconhecimento do direito à isenção; que, no caso, o ADA não foi apresentado tempestivamente, não se cumprindo a condição estipulada em lei. Sobre a alegação de que a tributação do imóvel foi objeto de discussão administrativa e judicial, anota que a cópia da decisão apresentada referese a uma autuação específica, diferente desta, e que não altera o desfecho deste processo. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/11/2009 (fls. 81) e, em 30/11/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 84/90, que ora se examina, e no qual reafirma a existência da RPPN. Diz que em 1997 foi protocolado perante o IBAMA pedido de reconhecimento da RPPN o que, após tramitação, resultou em parecer técnico daquele órgão que concluiu pelo reconhecimento da área ambiental; que a demora do IBAMA em expedir o Ato Declaratório de reconhecimento da RPPN não pode prejudicála. Quanto ao VTN pouco se disse no recurso, limitandose a recorrente a pedir, ao final, que fosse declarada a improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11040.720036/200738 Acórdão n.º 2201001.772 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da revisão da DITR/2004 da qual foi glosada a área declarada como RPPN e foi alterado o VTN. Sobre a RPPN, a decisão de primeira instância manteve a glosa sob o fundamento de que o ADA foi apresentado fora do prazo. Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tantos metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11040.720036/200738 Acórdão n.º 2201001.772 S2C2T1 Fl. 3 5 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. No caso específico da Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN, de que trata o art. 21 da Lei nº 9.985, quando devidamente reconhecido pelo órgão ambiental, como neste caso, da mesma forma, a exigência do ADA também não se justifica. A não apresentação do ADA, portanto, não seria um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas ambientais pretendida pelo Contribuinte e, muito menos, a sua apresentação a destempo. Deve ser restabelecida, portanto, a área declarada como RPPN. Quanto ao VTN, registrese inicialmente que o arbitramento foi feito com base no SIPT que, por sua vez, levou em consideração a aptidão agrícola, conforme prescreve a legislação específica (ver extrato às fls. 12). Comparando o valor indicado no SIPT e aquele declarado fica evidente a subavaliação, o que justificava, na ausência de comprovação do VTN por meio de laudo técnico, o arbitramento. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11040.720036/200738 Acórdão n.º 2201001.772 S2C2T1 Fl. 4 7 A Contribuinte, por sua vez, não apresenta laudo de avaliação e, portanto, nestas condições, deve prevalecer o valor arbitrado. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área declarada como RPPN (806,0ha). Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Processo nº: 11040.720036/200738 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.772 Brasília/DF, 10 de setembro de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11040.720036/200738 Acórdão n.º 2201001.772 S2C2T1 Fl. 5 9 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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