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Numero do processo: 10882.000880/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2002 a 28/02/2007
PROVAS - A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo
ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02.
TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3402-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2002 a 28/02/2007 PROVAS - A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02. TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02. TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2002 a 28/02/2007 PROVAS A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 08 80 /2 00 7- 74 Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02. TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos nos autos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000405, de 23 de maio de 2002: Tratase de impugnação a exigências fiscais relativas, nesta ordem, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 236/253, perfazendo R$ 7.385.889,30, referente a fatos geradores ocorridos entre julho de 2001 e fevereiro de 2007, e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, formalizada no auto de infração de fls. 254/268, totalizando R$ 1.106.085,08; referente fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2002 e fevereiro de 2007. O montante constituído por intermédio de cada Auto de Infração é composto pelo valor principal acrescido de multa de oficio e juros de mora. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10882.000880/200774 Acórdão n.º 3402002.485 S3C4T2 Fl. 126 3 No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, fls. 233/235, parte integrante de cada Auto de Infração, a fiscalização expõe os fundamentos das autuações, os quais podem assim ser sintetizados: A fiscalização abrange Verificações Obrigatórias e alcança o período compreendido entre 01/04/2001 e 28/02/2007; • Em 09/05/2006, a contribuinte foi intimada a esclarecer diferenças apuradas entre os valores de contribuições, conforme apurados a partir das DIPJ, em relação aqueles declarados em DCTF; • Em sua resposta, a contribuinte argumentara que tais diferenças teriam decorrido provavelmente do fato de as referidas contribuições informadas na DIPJ terem sido apuradas com base no regime de competência, enquanto que as contribuições da DCTF foram elaboradas pelo regime de caixa, vez que a empresa exerce a atividade de construção civil; • Em resposta a nova intimação, a contribuinte apresentou planilhas com informações sobre a apuração das contribuições no período de abril de 2001 até maio de 2006; • Por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos n ° 002, de 11 de setembro de 2006, com ciência em 13/09/2006, a contribuinte foi instada a explicar inconsistências entre os valores de contribuições tidos como devidos nas planilhas e os valores correspondentes apurados pela fiscalização. Esse Termo de Solicitação de Esclarecimentos n°002, fls. 159, fezse acompanhar dos Demonstrativos de Diferenças Apuradas pelo AFRF, fls. 160/171, nos quais são explicitados, para cada período de apuração, o valor do debito escriturado pela contribuinte, o valor declarado em DCTF, a soma dos créditos apurados e a diferença tributável; • Em esclarecimentos posteriormente prestados, a contribuinte apresentou cópia de decisão concedendo a segurança nos autos do processo n ° 1999.61.00.0250347, movido pelo Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo SINICESP. Com esse documento, esclareceuse que a aplicação da alíquota de 2%, ao invés de 3%, no cálculo da COFINS deveuse obtenção de tutela judicial; • Em 10/04/2007, em atendimento a sucessivas intimações, a contribuinte apresentou planilhas referentes ao PIS e b. COFINS, discriminando os valores que teria considerado como amparados pelo Mandado de Segurança (COFINS) e aqueles que teria declarado em DCTF. Complementou, também, os demonstrativos de tributos devidos com base em sua escrituração até o mês de fevereiro de 2007 para as duas contribuições citadas; • A instrução probatória inclui cópias de folhas dos Livros Razão Analítico da fiscalizada; Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 • Acrescenta a fiscalização: que na apuração das diferenças das contribuições foram excluídos os valores retidos na fonte pelas empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades previstas na legislação de regência. Diz, ainda, que não foram considerados eventuais saldos credores decorrentes de créditos oriundos do período em que a fiscalizada estava sujeita ao regime da nãocumulatividade. • Por fim, a autoridade fiscal destaca que foi lavrado auto de infração distinto dos ora contestados para constituir o crédito tributário referente ã. COFINS com exigibilidade suspensa, recolhida a menor sob amparo de medida judicial concedida no processo n° 1999.61.00.0250347. A contribuinte foi notificada pessoalmente, fls. 236 e 254, em 25/04/2007, tendo apresentado, em 25/05/2007, as impugnações ao Auto de Infração relativo à COFINS, fls. 270/286, e ao Auto de Infração relativo ao PIS, fls. 328/343. Na impugnação relativa à COFINS, alegase, em síntese: • Em preliminar, a nulidade do Auto de Infração, por ausência de demonstrativos de cálculo dos valores nele exigidos. Argumentase que teria acontecido, com a afirmada omissão, prejuízo ao direito de defesa; • Ainda, em preliminar, a decadência, a teor do artigo 150, §4°, do CTN, do crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos de julho de 2001 a fevereiro de 2002; • Quanto ao mérito, que: 1) "Os critérios utilizados para apuração do débito exigido estão incorretos, inexatos e arbitrários, porquanto não correspondem a verdade dos fatos, pois mesmo que algum valor fosse devido pela Impugnante não seria no montante exigido no Auto de Infração. 2) As bases de cálculo utilizadas na lavratura do auto de infração estão em desacordo com sua escrituração; 3) "(..) do que a Impugnante conseguiu levantar, trabalho este que ante a ausência dos demonstrativos dos cálculos que determinaram o quantum exigido no Auto de Infração restou prejudicado, verificase que em vários períodos de apuração a Fiscalização exigiu diferença de COFINS considerando dentre os valores escriturados o diferencial da alíquota de 2% para 3%". 4) Tal diferença, além de corresponder a valores de Cofins constituídos por intermédio do processo administrativon° 10882.000879/200740, seriam, também, inexigíveis ã luz de medida concedida no Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0250347. Haveria, assim, exigência em duplicidade; 5) Com intuito de ilustrar a afirmação supra, atesta erro na apuração nos meses de outubro de 2001, janeiro de 2003 e setembro de 2004, Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10882.000880/200774 Acórdão n.º 3402002.485 S3C4T2 Fl. 127 5 6) A Fiscalização teria desconsiderado os créditos que a Impugnante possuía em relação aos insumos utilizados na sua prestação de serviços relativamente aos períodos em que a apuração se deu no regime nãocumulativo, resultando, assim, na exigência de crédito tributário superior ao efetivamente devido; 7)Deve ser cancelado o Auto de Infração pelas inconsistências apontadas, não prevalecendo tal entendimento, pedese a conversão do julgamento em diligência para que seja novamente apurado de forma clara, transparente e precisa, a eventual existência de algum débito de COFINS devido pela Impugnante. 8) A multa por falta de recolhimento, no percentual de 75%, é confiscatória; 9) A correção dos débitos fiscais pela SELIC seria inconstitucional. Por sua feita, na impugnação ao auto de infração relativo a contribuições ao PIS: • Repete as preliminares, levantadas contra o Auto relativo ao COFINS, no que tange à nulidade e à decadência; • No mérito: 1) Repete a alegação de nulidade por falta de demonstração dos critérios adotados para o cálculo dos valores lançados; 2) Diz que a fiscalização desconsiderou saldo credor que a impugnante possuía em relação às retenções referentes a serviços prestados a órgãos públicos nos meses de fevereiro, março e abril de 2004, nos quais , assevera, o saldo de retenção na fonte seria superior aos valores de contribuições efetivamente devidos; 3) Reproduz as alegações feitas ao auto de COFINS de que não foram considerados os créditos relativos a insumos no período de apuração pelo regime não cumulativo e de incorreção, generalizada, da autuação, concluindo com o pedido de cancelamento do auto e, se assim não se entender, de conversão do julgamento em diligência para que o crédito "seja novamente apurado de forma clara, transparente e precisa"; 4) São igualmente reproduzidas as alegações de caráter de confisco da multa e de inconstitucionalidade da correção do débito pela SELIC. A 3ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Campinas julgou procedente em parte o lançamento, declarando a decadência de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 28/02/2002. Irresignado com a decisão da DRJ, protocolou recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que: Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 1) O auto de infração é nulo pois lhe falta o demonstrativo dos créditos tributários, implicando na violação da motivação dos atos administrativos. Pelo principio da motivação, não basta que a Fiscalização apresente valores que entende devidos sem a demonstração dos cálculos que serviram para a determinação deste montante, pois no auto de infração é preciso estar demonstrada a descrição dos fatos que constituem a infração bem como a forma de apuração e quantificação desta; 2) Revisou novamente todos os seus documentos contábeis, para tentar encontrar os valores apurados pela Fiscalização, verificando, mais uma vez, que, os critérios utilizados para apuração do débito exigido estão incorretos e inexatos, não correspondendo à verdade dos fatos; 3) Não foram considerados pela Fiscalização, alguns recolhimentos realizados pela Recorrente, que por mero equivoco foram recolhidos com o código de arrecadação incorreto, conforme se verifica dos demonstrativos anexados e das cópias dos comprovantes de recolhimento pagos, ora anexados; 4) A apuração dos valores exigidos nos autos de infração estão parcialmente de acordo com o seu faturamento, contudo, não foram consideradas pela Fiscalização a totalidade dos montantes retidos na fonte por órgão públicos; 5) O percentual de 75% previsto em lei tem caráter confiscatório, violando os preceitos constitucionais que regem i sistema tributário nacional; e 6) É ilegal calcular os juros com base na taxa Selic. Termina sua petição recursal requerendo que se converta o julgamento em diligência para que se apure de forma clara e transparente a eventual existência de algum débito de Pis e da Cofins. Caso seja denegada a diligência, que seja reformada a decisão de primeira instância para fins de cancelar o auto de infração. Aduz demonstrativos de cálculo por ela elaborados (Docs. 03 a 14), bem como documentos contábeis que os embasam (Docs. 15 a 272) e cópia dos comprovantes de recolhimento que teriam sido efetuados com código ou período de apuração equivocados. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência para análise dos documentos acostados aos autos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri (SP) realizou o trabalho de campo e aduziu “Relatório de Diligência”. O sujeito passivo teve ciência do teor do relatório e apresentou sua manifestação sobre o trabalho. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10882.000880/200774 Acórdão n.º 3402002.485 S3C4T2 Fl. 128 7 O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Nulidade do Auto de Infração. Alega o recorrente que o auto de infração é nulo pois lhe falta o demonstrativo dos créditos tributários e sua motivação, implicando no cerceamento do direito de defesa. Analisando os autos, constato que foi lavrado “Termo de Verificação Fiscal”, fls. 233/235, onde a Autoridade Fiscal faz um minucioso detalhamento dos procedimentos realizados na ação fiscal, a qual resultou na autuação objeto desta lide. Além, desse termo, há no auto de infração, fls. 237/251, os fundamentos jurídicos e legais que o embasaram. Assim sendo, não vislumbro cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade do contraditório, conforme suscitado pelo recorrente. Nesta linha, afasto a nulidade pretendida do auto de infração. Mérito O recorrente afirma que as bases de cálculo utilizadas para apuração das exações estão incorretas. Reclama que não foram consideradas pela fiscalização a totalidade dos valores recolhidos e dos valores retidos na fonte por órgãos públicos. Os autos baixaram em diligência para análise destas questões fáticas. A Autoridade Fiscal emitiu relatório de diligência cotejando os valores recolhidos/retidos com os valores devidos, desta operação resultou o real valor que deve ser mantido em cobrança. O recorrente apresentou suas considerações acerca do relatório de diligência, sem, contudo, aduzir provas que contestem as conclusões da fiscalização. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10882.000880/200774 Acórdão n.º 3402002.485 S3C4T2 Fl. 129 9 probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. O risco de errar ao presumir dimensionase na razão inversa à do grau de probabilidade de que a relação entre a ocorrência de um fato e a de outro se mantenha sempre. Quanto maior a probabilidade, menor o risco; menor a probabilidade, maior o risco a assumir. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, o recorrente se restringiu a contestar o relatório fiscal produzido na diligência de forma genérica, sem apresentar indícios mínimos de seu direito, de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Sob essa perspectiva, reproduzo as conclusões da diligência para nortear os fundamentos jurídicos da razão de decidir: a) Recolhimentos não considerados na ação fiscal. O recorrente afirmou que não havia recolhimentos a título de Cofins que não foram considerados pela fiscalização no andar da ação fiscal. Já quanto ao PIS, foi demonstrado que o sujeito passivo efetuou recolhimentos com código 8109 quando o certo seria 6912. Esse erro induziu a desconsideração desses recolhimentos na apuração do valor do PIS. Transcrevo os valores atestados como recolhimento e que devem ser considerados para apuração do PIS devido. Período de Apuração Data Recolhimento Valor (R$) 28/02/2003 14/03/2003 12.911,50 28/02/2003 14/03/2003 161,29 31/03/2003 15/04/2003 3.954,92 30/04/2003 15/05/2003 171,29 31/05/2003 13/06/2003 14.888,74 Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10882.000880/200774 Acórdão n.º 3402002.485 S3C4T2 Fl. 130 11 31/05/2003 13/06/2003 191,11 30/11/2003 15/12/2003 126,07 31/12/2003 22/01/2001 122,67 Assim sendo, determino o recalculo da apuração do PIS referente aos períodos de apuração 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/11/2003 e 31/12/2003, abatendo os valores recolhidos a titulo desta exação, nos termos da planilha acima. b) Retenções de órgãos públicos. b.l) Sobre a consideração dos valores das retenções contabilizadas ou informadas pelo sujeito passivo. Todas as retenções efetuadas por órgãos públicos registradas pelo contribuinte em sua contabilidade foram, sim, consideradas pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração. No entanto, eventuais "sobras de retenção" em relação a valores devidos de PIS e de COFINS, que ocorreram em alguns períodos, não foram consideradas em períodos posteriores. Sobre a contabilização, pelo sujeito passivo, das retenções sofridas, vide item b.2 Sobre a contabilização das retenções sofridas até maio de 2006. O contribuinte apresentou comprovantes de retenção dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, restringindose, então, a análise a esses períodos. B.l.l) Períodos de apuração até maio de 2006. Para os períodos de apuração de PIS/PASEP e COFINS até maio de 2006, a fiscalização efetuou os lançamentos de acordo com a escrituração contábil fornecida pelo contribuinte, analisando os lançamentos feitos nas contas 2.1.4.01.001 (PIS A RECOLHER) e 2.1.4.01.002 (COFINS A RECOLHER), sendo abatidos os valores de retenções registrados nas contas 1.1.2.04.012 (PIS A RECUPERAR) e 1.1.2.04.013 (COFINS A RECUPERAR) e, durante o período de não cumulatividade para o PIS e a COFINS, foram considerados os valores dos créditos de aquisição de insumos. Os anexos I (PIS/PASEP cumulativo), II (PIS/PASEP não cumulativo), III (COFINS cumulativo) e IV (COFINS não cumulativo) trazem a reconstituição dos valores lançados pela fiscalização a comparação com os valores devidos, apurados de acordo com a contabilidade do contribuinte, considerandose todas as deduções de retenções registradas. Nele, verificase sempre coincidência (algumas vezes com discrepância de centavos) entre os valores reconstituídos e os valores considerados pelo AuditorFiscal na elaboração dos Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 "Demonstrativos de Diferenças Apuradas pelo AFRF" (fls. 176 a 187 do Vol. 1 do processo digitalizado, que correspondem às fls 160 a 171 do processo em papel), os quais serviram de base para a lavratura do Auto de Infração, o que demonstra que todas as retenções registradas na contabilidade do contribuinte foram consideradas pelo AuditorFiscal então oficiante para determinação do valor devido em cada período de apuração. b.1.2) Períodos de apuração de junho de 2006 a fevereiro de 2007. Em relação aos períodos de apuração de junho de 2006 a fevereiro de 2007, os valores lançados pela fiscalização corresponderam exatamente à diferença entre os valores informados pelo contribuinte como devidos de PIS/PASEP e COFINS e os valores informados como tendo sido retidos na fonte, em cada período (fls. 209 e 213 do Vol. 1 do processo digitalizado, que correspondem às fls 193 e 197 do processo em papel), conforme demonstrado no Anexo I. Ou seja, a fiscalização fez os lançamentos exatamente de acordo com as informações fornecidas pelo contribuinte, considerando, inclusive todos os valores de retenção na fonte informados por ele, não havendo assim, como se falar em valores de retenção não considerados pela fiscalização, embora os valores de retenção que em alguns períodos excederam os valores devidos não tenham sido considerados nos períodos posteriores. b.2) Sobre a contabilização das retenções sofridas até maio de 2006. Em relação aos períodos de apuração até maio de 2006, embora o trabalho de fiscalização tenha feito o cálculo corretamente, sempre de acordo com a contabilidade do contribuinte, observouse que nem sempre o mesmo contabilizara corretamente as retenções sofridas. Chegase a essa conclusão comparandose os comprovantes de retenções com os lançamentos nas contas de registro das retenções. Sendo assim, as tabelas a seguir trazem a comparação entre os valores retidos do contribuinte por seus clientes, conforme comprovantes apresentados, e os valores registrados em sua contabilidade (levados em consideração no Auto de Infração), primeiro para o PIS e depois para a COFINS. Quando a coluna "Valor não considerado" apresentar valor negativo, indica que, naquele período de apuração, o valor considerado pelo fiscal (com base na escrituração) foi superior ao de fato retido (valores sempre em reais): (...) O termo de informação fiscal contém planilhas com o demonstrativos dos valores das retenções comprovadas, das retenções contabilizadas e das retenções não consideradas. Consta, também, uma nova apuração das exações levando em conta as retenções não consideradas. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10882.000880/200774 Acórdão n.º 3402002.485 S3C4T2 Fl. 131 13 Como essa matéria é fática, adoto os resultados obtidos pela fiscalização e não contestados objetivamente pelo recorrente. Multa de ofício Reclama o recorrente que o percentual da multa de ofício tem caráter confiscatório. Cabe ressaltar que multa em percentual de 75% está previsto na legislação vigente à época dos fatos, não se podendo reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. O contribuinte prestou declaração inexata à SRF, o que redundou na apuração de tributos e contribuições em montantes inferiores aos efetivamente devidos, estando, portanto, adequadamente tipificada a infração cuja ocorrência impõe também a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Esclareçase também, que a multa de ofício encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não podendo ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei. Qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais – sob o argumento de suposta ofensa à capacidade contributiva ou por ocorrência de confisco – somente pode ser reconhecido pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 Ressalto que as súmulas do CARF são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Desse modo e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar a alegação de que não podem conviver a multa de ofício com os juros de mora, não podendo reduzilo e nem alterálo sem que haja expressa previsão legal, é de se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, sobre os valores de PIS e de Cofins não declarados/recolhidos. Taxa Selic Por derradeiro, afirma o recorrente que é ilegal calcular os juros com base na taxa Selic. Essa matéria também já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Forte nestes argumentos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que sejam refeitos os cálculos do PIS e da Cofins referentes aos períodos de apuração posteriores a 28/02/2002, observando o teor do “Relatório Fiscal” produzido em sede de diligência. Sala das Sessões, em 17/09/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11046.002066/2008-90
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1995 a 30/03/1997
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
O contratante é solidário com o prestador de serviço de construção civil pelo recolhimento das contribuições sociais devidas, admitida a retenção de importância para garantia do cumprimento das obrigações legais, não se aplicando o benefício de ordem, nos termos do art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91 e art. 124, § único do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1995 a 30/03/1997 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. O contratante é solidário com o prestador de serviço de construção civil pelo recolhimento das contribuições sociais devidas, admitida a retenção de importância para garantia do cumprimento das obrigações legais, não se aplicando o benefício de ordem, nos termos do art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91 e art. 124, § único do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 548 1 547 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11046.002066/200890 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.820 – 3ª Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPRESAS EM GERAL Recorrente TRIKEM S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1995 a 30/03/1997 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. O contratante é solidário com o prestador de serviço de construção civil pelo recolhimento das contribuições sociais devidas, admitida a retenção de importância para garantia do cumprimento das obrigações legais, não se aplicando o benefício de ordem, nos termos do art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91 e art. 124, § único do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 6. 00 20 66 /2 00 8- 90 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 35.079.197 0/2000 referente a contribuições de segurado e patronal devidas pela empresa supracitada para a Seguridade Social, competências 12/95 a 03/97, em decorrência da aplicação do instituto da solidariedade, previsto no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91. Constitui fato gerador a remuneração paga, inclusa nas notas fiscais/faturas correspondente aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra, pela empresa Gerpa Engenharia e Construções Ltda, considerando a não comprovação dos recolhimentos das contribuições. Para composição do salário de contribuição foi aplicado o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o valor das notas fiscais/faturas, nos termos das Ordens de Serviço 176, de 05/12/97, conforme demonstrado na planilha anexa ao relatório Fiscal (fls. 27 e 28). O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. Solicitado a se pronunciar sobre os documentos anexos ao processo, as fls. 344, o fiscal notificante, após diligência fiscal, rebate as alegações da notificada, ressaltando que: 1. Durante a ação fiscal desenvolvida na empresa notificada não houve apresentação das GRPS aludidas no item 5 do Relatório Fiscal. As GRPS anexadas pela empresa notificada (juntamente com sua defesa) não a elide da responsabilidade solidária, pois as mesmas não preenchem os requisitos legais, isto é, não são específicas. De acordo com a legislação vigente a GRPS específica é aquela que contém as seguintes informações no campo 8: a) número de segurados colocados à disposição da empresa tomadora dos serviços; b) saláriodecontribuição dos segurados empregados, segundo a folha de pagamento; c) número, data de emissão e valor da nota fiscal, fatura ou recibo; d) matrícula (CGC/CEI) e nome ou razão social da empresa tomadora dos serviços; 2. Assim, diante do exposto acima O DÉBITO DEVE SER MANTIDO. 3. A Supervisão de Equipe Fiscal 03; Fl. 549DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11046.002066/200890 Acórdão n.º 2803003.820 S2TE03 Fl. 549 3 A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente em parte o lançamento fiscal, excluindo as contribuições para Terceiros (Outras Entidades) em razão do Parecer CJ/MPAS n° 1710, de 07/04/99. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: preliminarmente, cerceamento de defesa em razão do indeferimento de perícia contábil, por erro de cálculo seja em relação aos valores do montante original, seja pelos índices de atualização; a fiscalização não fez prova da existência do débito. Não houve fiscalização na empresa prestadora dos serviços. Deveria ter sido acionado previamente o devedor principal, nos termos da súmula 126 do Tribunal Federal de Recurso; a recorrente juntou aos autos prova do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora dos serviços durante a contratualidade. Não existe responsabilidade solidária por preenchimento incompleto de guias. Mesmo que a recorrente pudesse ser responsabilizada por não exigir guia discriminada, identificando a origem das contribuições, a conseqüência seria, quando muito, multa administrativa, jamais a imputação de pagamento igual aquele provado pela guia; guia de recolhimento é prova de pagamento. Se a guia identifica ou não os segurados/empregados que laboraram na execução do contrato, informação sanável através de mera fiscalização na empresa contratada, ação omitida pelo INSS. O INSS teria que alegar que o valor recolhido na guia é inferior ao devido; locupletamento ilícito do INSS, pois autuou várias outras indústrias petroquímicas integrantes do pólo petroquímico de Camaçari, Bahia, imputandolhes idêntica corresponsabilidade frente as mesmas empresas contratadas, nos mesmos meses de competência da apuração fiscal. Decisão judicial estão dando provimento ao recurso das recorrentes (contribuinte); por fim, requer a nulidade da decisão recorrida ou sua reforma. É o relatório. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim será apreciado. Consta do relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD (fl. 20 dos autos digitalizados) e do relatório fiscal (fl. 30) que a fundamentação legal do lançamento fiscal se deu com base no art. 30 , inciso VI da Lei 8.212/91 c/c art. 42 do Decreto 356/91 e alterações introduzidas pelo Decreto 612/92: Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei nº 8.620, de 1993). (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações; Decreto 356/91 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Art. 42.O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma estabelecida pelo INSS. § 2º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executar obra, sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11046.002066/200890 Acórdão n.º 2803003.820 S2TE03 Fl. 550 5 Decreto 612/92 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Art. 42. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma estabelecida pelo INSS. § 2º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executar obra, sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. A autoridade assevera no relatório fiscal (fl. 31) que a empresa não apresentou as cópias das guias GRPS das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal/fatura correspondente aos serviços executados. A remuneração dos segurados incluída em nota fiscal foi calculada aplicandose o percentual de 40% sobre a nota fiscal e estão relacionadas nos autos. Os autos foram convertidos em diligência para análise dos documentos e argumentos do contribuinte, concluindo a autoridade fiscal que as guias GRPS não são específicas conforme determina a legislação, portanto não houve a elisão da responsabilidade solidária, sendo mantido o lançamento fiscal. As provas juntadas aos autos pelo recorrente não são suficiente para desconstituição do lançamento fiscal. A responsabilidade solidária se deu por imposição legal em razão do contribuinte ter descumprido os preceitos legais e normativos citados nos autos. A decisão recorrida deu provimento parcial mantendo o lançamento fiscal asseverando que o contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes de lei, em relação aos serviços a ele prestados, ficando ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações da lei, na forma estabelecida em regulamento, caso em que a responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal/fatura, nos termos do art. 31 §§ 1o e 3o da Lei 8.212/91 (fls. 362/373). A Instrução Normativa – IN/INSS 100. DOU de 24/12/2003, art. 197 a 200, estabelece que cabe ao contratante da obra de construção civil exigir da contratada dos serviços cópia das folhas de pagamento e dos documentos de arrecadação com vinculação inequívoca à Fl. 552DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 obra. A responsabilidade solidária do contratante com a empreiteira será elidida com a comprovação do recolhimento das contribuições sociais devidas pela contratada, incidentes sobre a remuneração dos segurados, com base na folha de pagamento dos segurados utilizados na prestação de serviços, corroborada por escrituração contábil, se o valor recolhido for inferior ao indiretamente aferido com base nas notas fiscais/faturas ou recibos de prestação de serviços. São os termos da Instrução Normativa: Subseção I Dos Documentos Exigíveis na Solidariedade Art. 197. Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, cabe ao contratante de obra ou serviço de construção civil exigir: I da empresa contratada por empreitada total ou parcial, ou subempreitada, até a competência janeiro de 1999, inclusive, cópia das folhas de pagamento e dos documentos de arrecadação com vinculação inequívoca à obra, observado o disposto no § 4º deste artigo; II da empresa construtora contratada por empreitada total: a) a partir da competência janeiro de 1999, cópia da GFIP emitida para o tomador obra, da folha de pagamento específica para a obra e do documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI da obra, relativos à mãodeobra própria utilizada pela contratada; b) a partir da competência janeiro de 1999, cópia da GFIP identificada com a matrícula CEI da obra, informando a ausência de fato gerador de obrigações previdenciárias, quando a construtora não utilizar mãodeobra própria e a obra for completamente realizada mediante contratos de subempreitada; c) a partir da competência fevereiro de 1999 até a competência setembro de 2002, cópia das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos por subempreiteiras, com vinculação inequívoca à obra, e dos correspondentes documentos de arrecadação de retenção; d) a partir da competência outubro de 2002, cópia das notas fiscais, faturas ou recibos emitidos por subempreiteiras, com vinculação inequívoca à obra, dos correspondentes documentos de arrecadação da retenção e da GFIP das subempreiteiras com comprovante de entrega, com informações específicas do tomador obra;e) a partir da competência outubro de 2002, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), para empresas com vinte trabalhadores ou mais por estabelecimento ou obra de construção civil, e Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que demonstrem o gerenciamento de riscos ambientais por parte da construtora, bem como a necessidade ou não da contribuição adicional prevista no § 2º do art. 93. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11046.002066/200890 Acórdão n.º 2803003.820 S2TE03 Fl. 551 7 § 1º Nas hipóteses dos incisos I e II do caput, o contratante deverá exigir da contratada comprovação de escrituração contábil regular para o período de duração da obra, se os recolhimentos apresentados forem inferiores aos calculados de acordo com as normas de aferição indireta da remuneração em obra ou serviço de construção civil, previstas nos arts. 618 e 619. § 2° A comprovação de escrituração contábil no período de duração da obra será efetuada mediante cópia do balanço extraído do livro Diário devidamente formalizado, para os exercícios encerrados, observado o disposto no parágrafo único do art. 486, e, para o exercício em curso, por meio de declaração, sob as penas da lei, firmada pelo representante legal da empresa, sob as penas da lei, de que os valores apresentados estão contabilizados. § 3° Aplicase o disposto neste artigo, no que couber, à empresa construtora contratada por empreitada total que efetuar o repasse integral do contrato, conforme definido no inciso XXXIX do art. 427, bem como à empresa construtora que assumir a execução do contrato transferido. § 4º À administração pública contratante de obra ou serviço de construção civil, cabe exigir cópia dos documentos referidos no inciso I do caput, no período de 29 de abril de 1995 até a competência janeiro de 1999. Subseção II Da Elisão da Responsabilidade Solidária Art. 198. Na contratação de obra ou serviço de construção civil, até a competência janeiro de 1999, a responsabilidade solidária do contratante com a empreiteira, e desta e daquele com a subempreiteira, será elidida com a comprovação do recolhimento, conforme o caso: I das contribuições sociais devidas pela empreiteira e pela subempreiteira, incidentes sobre a remuneração dos segurados, com base na folha de pagamento dos segurados utilizados na prestação de serviços, corroborada por escrituração contábil, se o valor recolhido for inferior ao indiretamente aferido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, na forma prevista na Seção I do Capítulo III do Título V; II das contribuições sociais devidas pela empreiteira e pela subempreiteira, aferidas indiretamente na forma estabelecida na Seção I do Capítulo III do Título V. Art. 199. Na contratação de obra de construção civil mediante empreitada total, a partir de fevereiro de 1999, a responsabilidade solidária do proprietário do imóvel, do dono da obra, do incorporador ou do condômino da unidade imobiliária, com a empresa construtora, será elidida com a comprovação do recolhimento, conforme o caso: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 I das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados, com base na folha de pagamento dos segurados utilizados na prestação de serviços e respectiva GFIP, corroborada por escrituração contábil, se o valor recolhido for inferior ao indiretamente aferido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, na forma estabelecida na Seção I do Capítulo III do Título V; II das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração da mãodeobra contida em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, aferidas indiretamente na forma estabelecida na Seção I do Capítulo III do Título V, caso a contratada não apresente a escrituração contábil formalizada na época da regularização da obra;III das retenções efetuadas pela empresa contratante, no uso da faculdade prevista no art. 200, com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela construtora contratada mediante empreitada total;IV das retenções efetuadas com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pelas subempreiteiras, que tenham vinculação inequívoca à obra. Parágrafo único. Em relação às alíquotas adicionais para o financiamento das aposentadorias especiais previstas no art. 57 da Lei nº 8.213,de 24 de julho de 1991, a responsabilidade solidária poderá ser elidida com a apresentação da documentação comprobatória do gerenciamento e do controle dos agentes nocivos à saúde ou à integridade física dos trabalhadores, emitida pela empresa construtora, conforme previsto no art. 404. Art. 200. A contratante, ainda que pessoa jurídica da administração pública, poderá elidirse da responsabilidade solidária mediante a retenção de onze por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços contra ela emitido pela contratada e o recolhimento do valor retido, na forma prevista no Capítulo IX do Título II. § 1º A contratante efetuará o recolhimento do valor retido em documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI da obra de construção civil e a denominação social da contratada. § 2º O valor retido poderá ser compensado pela empresa contratada, ou ser objeto de restituição, observadas as regras definidas no Capítulo II do Título III. O Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto 612/91, estabelece no art. 46, § 2o, que a responsabilidade solidária pode ser elidida desde que o contratante exija do executor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal/fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da nota fiscal/fatura, conforme definido pelo órgão fiscalizador, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem, nos termos do art. 124, § único do CTN. Destarte, no caso de recusa de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos do art. 33 § 3o da Lei 8.212/91. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11046.002066/200890 Acórdão n.º 2803003.820 S2TE03 Fl. 552 9 Desse modo, não há que se falar em verificação prévia do pagamento das contribuições por parte do prestador dos serviços, prova da existência do débito, em fiscalização na empresa prestadora dos serviços ou na aplicação da súmula 126 do Tribunal Federal de Recurso. O recorrente não demonstrou ter efetuado a retenção prévia das contribuições para se eximir da responsabilidade solidária estabelecida na Lei 8.212/91. Igual modo, descabido o argumento de que não há base legal que sustente o cálculo e a cobrança de contribuição social adotando um percentual sobre o valor das notas fiscais/faturas para apuração dos salários nela contidos. Não há que se falar em ilegalidade e inconstitucionalidade. Os cálculos estão demonstrados conforme dispositivos legais e normativos constantes dos autos. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto 70.325/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não houve cerceamento de defesa em razão do indeferimento de perícia contábil. Não houve de erro de cálculo seja em relação aos valores do montante original, seja pelos índices de atualização que são legais e estão demonstrados no relatório de Fundamentos Legais das Rubricas, constantes dos autos. Não há necessidade de perícia para comprovar os valores das notas fiscais/faturas que constam dos autos. O pedido de produção de prova pericial não cumpriu os requisitos necessários pelo requerente. O devido processo legal tributário, disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72, disciplina o momento de produção de provas e requerimento de perícia. Todos os elementos de prova devem ser apresentados na impugnação. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, c/c §1°, do Decreto n° 70.235/72, quais sejam, exposição dos motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional perito. A guia de recolhimento fora dos padrões estabelecido na legislação e normativos do órgão de fiscalização não é prova de pagamento. A autoridade fiscal apenas cumpriu o que determina a lei. Não houve omissão na ação da fiscalização quanto a prestadora de serviço. Não há que falar em locupletamento ilícito do órgão fiscalizador. O contribuinte não demonstra nos autos as várias outras empresas contratadas que foram imputadas pelo fisco a corresponsabilidade, nos mesmos meses de competência da apuração fiscal. Do mesmo modo não demonstra ser beneficiária de decisão judicial com provimento ao recurso judicial dos recorrentes (contribuintes). O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e §único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, discriminativo de débito; instrução para o contribuinte, os fundamentos legais do Fl. 556DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 10 débito, Relatório Fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 557DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19647.012821/2005-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.158
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 12 82 1/ 20 05 -3 4 Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.412 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1389/1393) interposto em face da decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 1369/11393), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese a realização de perícias e diligências quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CALCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais da CSLL, calculadas com base em estimativa. 0 não recolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. ANTECIPAÇÕES MENSAIS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Constatado que o sujeito passivo deduziu a maior valores da CSLL paga por estimativa ou retida na fonte, glosase a dedução indevida na Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19647.012821/200534 Resolução nº 1103000.158 S1C1T3 Fl. 1.413 3 apuração da contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na D1PJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 AN1ECIPAÇÕES MENSAIS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Constatado que o sujeito passivo deduziu a maior valores do imposto pago por estimativa ou retido na fonte, glosase a dedução indevida na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000, 2001 DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DOS DÉBITOS. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos das estimativas serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe sua glosa na apuração do imposto ou contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ (Solução de Consulta Interna Cosit n° 18/2006). Dos fatos. Tratase de ação fiscal, no qual foi analisada a apuração dos anoscalendário de 2000 e 2001, para o IRPJ (lucro real anual) e a CSLL, da TELPE CELULAR (atual TIM) e incorporadas (TELPA, TELASA, TELEPISA, TELECEARA e TELERN). Constatou a Fiscalização a ocorrência de duas infrações tributárias: 1) Dedução a maior dos valores do IRPJestimativa mensal. No ano calendário de 2000, a contribuinte promoveu a extinção das estimativas mensais por meio de pagamentos e compensações. Ocorre que tais compensações (após análise do direito creditório pleiteado) não foram homologadas integralmente, o que resultou em glosa de parte da extinção das estimativas. A nova apuração do IRPJ anual, efetuada pela autoridade autuante, resultou em alteração do saldo negativo, de R$10.041.927,10 para R$7.941.232,93, ou seja, glosa do saldo negativo de R$2.100.694,77. Para a CSLL anual, foi alterada a base de cálculo negativa de R$3.203.523,99 para R$2.608.945,93, resultando em glosa de R$594.578,06. 2) Falta de Pagamento da estimativa mensal. Da mesma maneira que para o anocalendário de 2000, no anocalendário de 2001, a contribuinte promoveu a extinção das estimativas mensais por meio de pagamentos e compensações. Ocorre que tais compensações (após análise do direito creditório pleiteado) não foram homologadas integralmente, além de pagamento de CSLL que não foi reconhecido, o que resultou em glosa de parte da extinção das estimativas. Na nova apuração realizada pela autoridade autuante, foram encontrados resultados positivos de estimativas mensais, razão pela qual foram lançadas as multas isoladas decorrentes do não pagamento de estimativa. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19647.012821/200534 Resolução nº 1103000.158 S1C1T3 Fl. 1.414 4 Esclareceu a Fiscalização que, visando prevenir a decadência, encerrou parcialmente a fiscalização do IRPJ e da CSLL para os anoscalendário de 2000 e 2001. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 08/13) e CSLL (fls. 651/656). Da Fase Contenciosa. Foi apresentada pela contribuinte as impugnações de IRPJ (fls. 247/262) e CSLL (fls. 886/901) no qual discorreram, em síntese, sobre os seguintes pontos: supõe teria sido aplicada a multa isolada no anocalendário de 2001 em razão das glosas das estimativas deduzidas do imposto e da contribuição apurados no anocalendário de 2000, porém não sabe os motivos de tais glosas; teria restado cerceado o direito de defesa, por não poder atacar com precisão os fundamentos da autuação, e que há vicio insanável de forma na autuação, razão pela qual seriam nulos os autos de infração; anexa à peça de defesa planilhas demonstrativas da correção dos procedimentos da empresa no tocante aos pagamentos por ela efetuados; fazse necessária a realização de perícia para identificar os motivos que levaram a fiscalização a glosar as deduções das estimativas pagas no ano de 2000 e a consequente aplicação da multa isolada no ano de 2001, de acordo com perito indicado e quesitos formulados. A DRJ/Recife, ao apreciar os autos, constatou que grande parte das estimativas mensais glosadas pela Fiscalização foram extintas por meio de compensação encaminhadas em PER/DCOMP, que se constituem em confissão de dívida. Assim, de acordo com entendimento da na Solução de Consulta Interna Cosit n° 18/2006, com os débitos confessados nas compensações (no caso, as estimativas mensais) já seriam objeto de cobrança, não caberia a glosa destas estimativas na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar. Nesse sentido, foi proferida a Resolução nº 621, da 3ª Turma da DRJ/Recife, de 09/10/2008 (fls. 1295/1299), para a Delegacia da Receita Federal responsável pela autuação se pronunciar sobre a questão. No Relatório de Informação Fiscal de fls. 1300/1301, manifestouse a Fiscalização, corroborando o entendimento a DRJ/Recife. Dessa maneira, foi promovida uma nova apuração, no qual foram afastadas as glosas das parcelas de estimativas mensais extintas por meio de compensação. Assim, foram alterados os resultados: 1) AnoCalendário de 2000. Reduzidas as glosas do saldo negativo de IRPJ, para R$296.740,26, e de base negativa de CSLL para R$ 32.478,01; 2) AnoCalendário de 2001. Mantida a multa isolada de estimativa mensal de CSLL do mês de julho de 2001, para R$214.855,00 (já se considerando o percentual alterado de 75% para 50%, conforme art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A contribuinte manifestouse sobre o resultado da diligência na petição de fls. 1329/1332, alegando que a estimativa mensal de CSLL do mês de julho de 2001 foi extinta por Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19647.012821/200534 Resolução nº 1103000.158 S1C1T3 Fl. 1.415 5 meio de pagamento, inclusive com os devidos encargos. Contudo, foi transcrito o código de receita equivocado, motivo pelo qual o recolhimento não foi acolhido pela autoridade autuante. A 3ª Turma da DRJ/Recife decidiu, por meio do Acórdão nº1127.099, da sessão de 24 de julho de 2009, julgar a impugnação procedente em parte, valendose das conclusões apresentadas pela informação fiscal, para: 1) reduzir o saldo negativo do IRPJ declarado no anocalendário 2000 em R$ 296.740,26; 2) reduzir o saldo negativo da CSLL declarado no anocalendário 2000 em R$32.478,01; 3) exonerar a multa isolada relativa ao IRPJ; 4) manter a multa isolada relativa a CSLL no valor de R$214.855,00, referente à estimativa apurada no mês de julho de 2001; 5) exonerar o valor restante da multa isolada lançada. No que concerne ao ponto suscitado pela impugnante, relativo ao pagamento da estimativa mensal de CSLL de julho de 2001, discorreu o voto: 30. A contribuinte alega que efetuou o pagamento da estimativa com código de receita 2372, em vez de 2484, porém não trouxe copia do DARF nem outro documento a sustentar a alegação. O extrato por ela acostado, de fl. 1.349, apenas indica um recolhimento no valor de R$ 436.602,24, no código 2372, com vencimento em 04/09/2001, nada comprovando, portanto, tratarse do pagamento da estimativa em questão. 31. Em consulta aos sistemas internos da Receita Federal (fl. 1.352), constatase que o DARF não tem indicação de valores relativos a encargos moratórios, como arguido pela contribuinte, impossibilitando identificar a correspondência entre o valor da estimativa e o alegado valor principal do DARF. Não há, portanto, como vincular o pagamento a estimativa em discussão, tanto mais porque a empresa sequer a declarou em DCTF (fls. 1.310 e 1.353). 32. Ademais, é dever do sujeito passivo, ao identificar erro no código da receita, providenciar sua retificação mediante Redarf, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 672, de 30 de agosto de 2006. Cientificada da decisão em 19/08/2009 (“AR” de fl. 1386), foi interposto recurso voluntário de fls. 1389/1393 em 16/09/09, no qual a recorrente reforça os argumentos expostos na petição de fls. 1329/1332, ou seja, que a estimativa mensal de CSLL do mês de julho de 2001 foi extinta por meio de pagamento com os devidos encargos. Contudo, em vez de informar o código de receita 2484, transcreveu o de número 2372, referente à CSLL de pessoa jurídica que apura o IRPJ com base no lucro presumido ou arbitrado. Assim, cabe ser considerado o recolhimento e por consequência afastada a multa isolada lançada de ofício. É o relatório. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19647.012821/200534 Resolução nº 1103000.158 S1C1T3 Fl. 1.416 6 Voto O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme relatado, a matéria devolvida em sede recursal consiste em apreciar questão de fato, ou seja, verificar se a CSLL estimativa, mês de julho de 2001, no valor principal de R$429.709,99, pode ser extinta pelo pagamento efetuado em 31/08/2001, por meio de DARF de Código de Receita 2372 (CSLL de pessoa jurídica que apura o IRPJ com base no lucro presumido ou arbitrado), de R$436.602,24. De plano, há que se registrar que não se trata de mero formalismo o fato de a DRJ/Recife não ter considerado o mencionado DARF apto a extinguir a estimativa mensal. Não restou caracterizado um batimento entre informações de declarações e valores. Primeiro, a contribuinte não confessou o débito relativo à estimativa mensal do mês de julho em DCTF. Segundo, o valor do DARF foi de R$436.602,24. Podese dizer que se trata de montante próximo ao de R$429.709,99, tanto que a contribuinte alega que o valor a maior teria decorrido de encargos moratórios. Contudo, não há nenhuma memória de cálculo apresentada pela recorrente que possa demonstrar a consolidação do valor de R$436.602,24. Não obstante as colocações da turma julgadora de primeira instância, entendo que há outros aspectos que merecem ser considerados na apreciação do caso concreto. Vale observar o quadro que sintetiza as informações da DIPJ/2002, (fls. 403/406, Anexo I, Volume 2), dos extratos do sistema SINAL e das DCTF (fls. 38/39 e 312/321 do Anexo II, respectivamente): CSLL Código de Receita 2484 (Estimativa Mensal) Mês DIPJ DCTF SINAL (Pagamentos) JAN 360.145,96 364.521,24 Compensação FEV 141.142,62 150.551,84 Compensação MAR 337.821,89 344.714,14 Compensação ABR 230.326,08 230.326,08 Compensação MAI 289.940,19 289.940,19 Compensação JUN 69.773,01 69.773,01 Pagamento de R$48.008,22 + Compensação JUL 429.709,99 Não foi confessado Não consta AGO 331.993,92 338.886,17 3.837,73 + 335.048,44 SET 463.468,92 470.361,00 470.361,17 OUT 482.944,54 489.836,79 489.836,79 NOV 439.541,79 446.434,05 446.434,05 DEZ 107.385,19 Não se aplica Não se aplica Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19647.012821/200534 Resolução nº 1103000.158 S1C1T3 Fl. 1.417 7 Não há como deixar de considerar que, com exceção do mês de dezembro (em que não foi apurado tributo a pagar), todos os demais meses, com exceção de julho, tiveram os débitos devidamente confessados em DCTF, sendo que foram extintos por meio de compensação ou de pagamentos (conforme SINAL), tudo com o código de receita correto (2484). Quanto ao IRPJ, a consulta aos autos demonstra que os débitos do ano calendário de 2001 de estimativa mensal foram devidamente informados em DIPJ, confessados em DCTF, e extintos, por meio de compensação ou pagamentos identificados no SINAL, inclusive no mês de julho de 2001. No extrato de fl. 1367, que se refere ao DARF de R$436.602,24, consta como contribuinte a TELECEARA CELULAR S/A, e o código de receita 2372 (CSLL lucro presumido ou arbitrado). No extrato de fl. 1364, consta o mesmo pagamento. Imediatamente acima, consta pagamento de IRPJ (Código de Receita 2362), efetuado no mesmo dia, no valor de R$1.240.784,00, confirmado pela Fiscalização. Também na mesma folha consta o pagamento de R$48.008,22, código de receita 2484 (CSLLestimativa). Por sua vez, os demonstrativos da Fiscalização de fls. 1318 (IRPJ) e 1324 (CSLL) ratificam tudo o que já foi exposto. Ora, notase que, no decorrer do anocalendário de 2001, todos os débitos de estimativa de IRPJ e CSLL foram apurados e informados nas declarações, com a única exceção á CSLL do mês de julho. Observase que o IRPJ do mês de julho foi corretamente informado em DIPJ, confessado em DCTF e recolhido por meio de DARF, na mesma data do pagamento do DARF de R$436.602,24 com código de receita 2372 (CSLL lucro presumido ou arbitrado). Enfim, registrese que a opção pelo regime de estimativa foi feita pela recorrente, ao confessar o débito de estimativa mensal de CSLL de janeiro de 2001. Ou seja, não há sequer possibilidade para alteração do regime de tributação por meio de recolhimento de DARF com código de receita 2372. No caso em tela, não há que se falar em erro de fato, vez que, confirmandose a alegação da recorrente, não ocorreu apenas um equívoco referente à transcrição incorreta do código de receita no DARF. Isso porque a CSLL estimativa de julho tampouco foi confessada em DCTF. Ou seja, apesar de o débito ter sido informado em DIPJ, não foi confessado em DCTF e teria sido extinto por meio da DARF com código de receita errado. Resta demonstrada, no mínimo, a ocorrência de erros procedimentais cometidos pela contribuinte. De qualquer forma, em face dos indícios apurados, há robustas evidências de que o DARF de R$436.602,24 com código de receita 2372 (CSLL lucro presumido ou arbitrado), relativo ao segundo trimestre de 2001, foi utilizado pela recorrente para extinguir a estimativa mensal de julho de 2001. Contudo, há que se verificar se o pagamento em análise encontrase utilizado para extinguir outro débito (por exemplo, em uma compensação, como crédito decorrente de Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19647.012821/200534 Resolução nº 1103000.158 S1C1T3 Fl. 1.418 8 pagamento indevido), que não seja o de código de receita 2372 (CSLL lucro presumido ou arbitrado). Caso se confirme que o pagamento esteja sendo utilizado exclusivamente para extinguir o débito CSLL de código de receita 2372, entendo que não haverá óbice para que sua destinação seja alterada para a extinção do débito de estimativa mensal de julho de 2001. Pelo exposto, voto no sentido de encaminhar os autos para a unidade preparadora, para verificar se como o pagamento do DARF de R$436.602,24 com código de receita 2372, de fl. 1367, está sendo utilizado. O resultado deverá ser apresentados em relatório fiscal, no qual deverá esclarecer (1) se o pagamento está sendo utilizado exclusivamente para extinguir o débito de CSLL código de receita 2372 informado no DARF, (2) caso negativo o item 1, informar os outro(s) débito (s) alocados ao pagamento e o motivo (ex., compensação devidamente identificada). O relatório deverá apresentar as telas de consulta dos sistemas internos da Receita Federal. A contribuinte deve ser cientificada do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário, dispondo estritamente sobre o conteúdo diligenciado, no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 35352.000100/2005-43
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1994
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. OTN/BTN E NÃO BTNF COMO ADOTADO PELA RFB.
De acordo com a decisão judicial mencionada, restou determinado que fosse aplicada a correção monetária pela OTN/BTN, enquanto o fisco, para o período destacado pelo contribuinte, ou seja, de setembro de 1989 a janeiro de 1991, sem qualquer autorização judicial, utilizou a BTNF.
Vê-se, portanto, que o critério adotado pelo Fisco, apesar das disposições contidas na IN RFB nº 971, de 2009, não corresponde às determinações expressas na decisão judicial.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.707
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que votou pelo não conhecimento do recurso.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que votou pelo não conhecimento do recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. OTN/BTN E NÃO BTNF COMO ADOTADO PELA RFB. 1. De acordo com a decisão judicial mencionada, restou determinado que fosse aplicada a correção monetária pela OTN/BTN, enquanto o fisco, para o período destacado pelo contribuinte, ou seja, de setembro de 1989 a janeiro de 1991, sem qualquer autorização judicial, utilizou a BTNF. 2. Vêse, portanto, que o critério adotado pelo Fisco, apesar das disposições contidas na IN RFB nº 971, de 2009, não corresponde às determinações expressas na decisão judicial. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que votou pelo não conhecimento do recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 35 2. 00 01 00 /2 00 5- 43 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35352.000100/200543 Acórdão n.º 2803003.707 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35352.000100/200543 Acórdão n.º 2803003.707 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade decorrente do deferimento parcial do pedido de restituição de contribuições previdenciárias recolhidas no período de 01/09/1989 a 30/04/1994. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 09 de fevereiro de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1994 RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CÁLCULOS DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. O cálculo de atualização monetária do indébito de contribuição previdenciária deve obedecer aos índices reconhecidos na decisão judicial que considerou indevida a exigência sobre as remunerações pagas a título de pro labore. RECOLHIMNETO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INTEGRAÇÃO AO INDÉBITO PRINCIPAL. Integram o cálculo do indébito tributário o valor total recolhido, neste incluído acréscimos legais de atualização. ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1994 INTIMAÇÃO NO PROCURADOR A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de, em sede de processo administrativo fiscal, efetuar intimações de qualquer uma das formas previstas nos incisos I, II e III, do caput do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A Autoridade Julgadora reconheceu o direito à Contribuinte de acrescer aos valores recolhidos indevidamente os acréscimos legais na data do pagamento. Reconheceu, ainda, o direito de acrescer ao indébito tributário a correção monetária plena, conforme restou decidido judicialmente. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35352.000100/200543 Acórdão n.º 2803003.707 S2TE03 Fl. 5 4 Porém, a Recorrente entende que a Autoridade Administrativa cometeu equívocos no momento da utilização dos índices de correção monetária, contrariando a legislação de regência, consoante será demonstrado na sequencia. A RFB considerou para o período de setembro de 1989 a janeiro de 1991 o índice BTNF, contrariando o comando judicial. Além do que, cometeu equívocos nos cálculos de atualização, com o que acabou por atualizar parcialmente sua dívida para com a Recorrente. Restou determinado na decisão judicial que fosse aplicada a correção monetária pela OTN/BTN, o Fisco por sua vez, sem qualquer autorização utilizou a BTNF. Assim, a correção monetária plena ocorre mediante a aplicação dos índices estabelecidos na decisão que autorizou a Contribuinte à repetição do indébito tributário cuja sentença transitou em julgado nos autos da ação judicial nº 99.30003398. Ainda que se admita, para fins de argumentação, que fosse possível aplicar a correção monetária pela BTNF no período de setembro de 1989 a janeiro de 1991, ainda assim, há equívocos no cálculo elaborado pela Autoridade Administrativa. Assim, requer a Contribuinte que, caso venha a ser admitida a aplicação da correção monetária pela BTNF, os valores devem ser convertidos em moeda pela BTNF dos dias 01/03/1990 e 01/02/1991, de forma a refletir corretamente a inflação integral até 28/02/1990 e 31/01/1991, respectivamente. Face ao exposto, a Contribuinte requer que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário para reformar o Acórdão nº 0727.411, de 09 de fevereiro de 2012, proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC, em face da argumentação específica contida anteriormente. Requer, por fim, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35352.000100/200543 Acórdão n.º 2803003.707 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de manifestação de inconformidade decorrente do deferimento parcial do pedido de restituições previdenciárias recolhidas pelo contribuinte no período de 01/01/1989 a 30/04/1994. A discussão remanescente diz respeito apenas ao critério de correção monetária utilizado pelo fisco para devolver os valores pleiteados pelo contribuinte, valores esses que deverão ser restituídos em conformidade com a decisão judicial nos autos da Ação nº 99.30003398. De acordo com a decisão judicial mencionada, restou determinado que fosse aplicada a correção monetária pela OTN/BTN, enquanto o fisco, para o período destacado pelo contribuinte, ou seja, de setembro de 1989 a janeiro de 1991, sem qualquer autorização judicial, utilizou a BTNF. Vêse, portanto, que o critério adotado pelo Fisco, apesar das disposições contidas na IN RFB nº 971, de 2009, não corresponde às determinações expressas na decisão judicial. Destarte, entendo que no ponto controvertido, o contribuinte está com toda razão. Assim sendo, os cálculos de atualização dos valores a serem restituídos, correspondentes ao período de setembro de 1989 a janeiro de 1991, deverão ocorrer na forma da decisão judicial, e não pelo índice considerado (BTNF) pela RFB. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Os cálculos de atualização dos valores a serem restituídos, correspondentes ao período de setembro de 1989 a janeiro de 1991, deverão ocorrer na forma da decisão judicial, e não pelo índice considerado (BTNF) pela RFB. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35352.000100/200543 Acórdão n.º 2803003.707 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000572/2010-58
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 05 72 /2 01 0- 58 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ Brasília, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 705,00, relativo ao anocalendário 2008. A autuação decorreu da dedução indevida de despesas médicas no total de R$ 10.894,64, por falta de requisitos previstos na legislação, quais sejam, ausência de endereço dos profissionais e não identificação do paciente. A decisão recorrida manteve o lançamento, destacando que, embora as segundas vias dos recibos apresentadas quando da impugnação contivessem os endereços dos prestadores do serviço, não tinham a identificação do beneficiário, isto é, do paciente. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 23/4/2012, aduzindo, em síntese, que a indicação do nome do paciente é exigência sem respaldo legal, requerendo, ao final, o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000572/201058 Acórdão n.º 2802003.191 S2TE02 Fl. 55 3 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) O contribuinte apresentou no corpo da impugnação segunda via dos recibos comprobatórios das deduções de despesas médicas glosadas pela fiscalização, nas quais consta satisfeito o requisito apontamento do endereço do profissional prestador dos serviços. O exame desses documentos (fls. 7/9) revela que em todos eles resta designado, como pessoa que pagou pelas despesas médicas, Henrique Couto Vidigal, o recorrente. Ora, não trilha bom caminho interpretação que parece ter sido a adotada, ainda que implicitamente, pela autuação e pelo julgamento a quo – segundo a qual, além do nome da pessoa física que pagou pelo serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário. De uma maneira geral, como é cediço, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de campo próprio ou apartado a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa que está realizando a quitação. Destarte, à míngua de evidências outras que assim o justifiquem, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Nesse sentido, temse o entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013 (Diário Oficial da União de 10/2/2014), da qual se reproduz a respectiva ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. (grifei) Na espécie, reconhecese que os recibos firmados pelas profissionais Kelly Wagner Miranda e Miriam Calhau Vervloet permitem o atendimento adequado e suficiente aos requisitos normativos estabelecidos pelo inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, devendo ser restabelecida a dedução de despesas médicas no montante de R$ 10.894,64 (dez mil, oitocentos e noventa e quatro reais e sessenta e quatro centavos). Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10280.904977/2011-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 97 7/ 20 11 -1 3 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 13 ___________ Relatório A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 14 3 (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 188DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904977/201113 Resolução nº 3803000.532 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.005281/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/12/2004 a 28/02/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE DCTF. MULTA DE MORA.
Configura denúncia espontânea o recolhimento em atraso de tributos antes de qualquer procedimento de oficio, e antes da apresentação da DCTF, sendo descabida a exigência da multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN e entendimentos do STJ na sistemática do art. 543-C do CPC: REsp n. 962.379/RS e n. 1.149.022/SP, endossados pela Súmula 360.
Numero da decisão: 3403-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que houve a denúncia espontânea, esclarecendo-se que a presente decisão não exonera a quantia já reconhecida e paga.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/12/2004 a 28/02/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE DCTF. MULTA DE MORA. Configura denúncia espontânea o recolhimento em atraso de tributos antes de qualquer procedimento de oficio, e antes da apresentação da DCTF, sendo descabida a exigência da multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN e entendimentos do STJ na sistemática do art. 543C do CPC: REsp n. 962.379/RS e n. 1.149.022/SP, endossados pela Súmula 360. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que houve a denúncia espontânea, esclarecendo se que a presente decisão não exonera a quantia já reconhecida e paga. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Adriana Oliveira e Ribeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 52 81 /2 00 9- 15 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em 26/08/2009 (fls. 339 a 3571) para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente a períodos de apuração de 31/12/2004 a 28/02/2006, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício (75%), em total original de R$ 1.420.939,84, por falta de recolhimento, conforme descrito no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (TEAF). No TEAF (fls. 359 a 365), narrase que: (a) a ação fiscal, iniciada em 05/06/2009, objetivou verificar a utilização de créditos de IPI que tinham por base tutela antecipada na ação ordinária no 2004.71.00.0288959, ajuizada em 12/07/2004, com liminar deferida em parte em 06/08/2004, confirmada pela sentença de fls. 97 a 107, mas reformada em 26/04/2006 pelo TRF4 (fls. 109 a 127), que reconheceu a impossibilidade de crédito em relação a aquisições de insumos isentos, imunes, não tributados e com alíquota zero, sendo negado seguimento ao recurso especial (fls. 129 a 139), e estando o Recurso Extraordinário (no 548371) no STF, aguardando julgamento; (b) em 01/07/2009 o contribuinte foi intimado a informar os dados referentes à escrituração dos créditos de IPI fundados na ação, sendo os valores demonstrados nas planilhas de fls. 181 a 257, e os recolhimentos às fls. 177 e 179; (c) analisando os recolhimentos, percebese que foram efetuados sem a multa de mora prevista no art. 61 da Lei no 9.430/1996, sendo que o art. 138 do CTN exclui tão somente a penalidade por infrações, não se aplicando à multa de mora, de caráter indenizatório, e o prazo estabelecido no art. 63, § 2 da Lei no 9.430/1996 (que interrompe a incidência da multa de mora) foi descumprido; e (d) imputandose proporcionalmente os pagamentos efetuados (no sistema SICALC), passaram a existir saldos a recolher, lançados na autuação. Cientificada da autuação em 26/08/2009 (fl. 341), a empresa apresenta impugnação em 23/09/2009 (fls. 373 a 381), alegando, em síntese, que: (a) tendo sido a liminar na ação judicial deferida em parte, a empresa passou a efetuar o crédito contábil do IPI decorrente das aquisições isentas, não tributadas ou sujeitas à alíquota zero, e a questão ainda não está definida judicialmente, restando sobrestado o Recurso Extraordinário interposto pela empresa em função da Repercussão Geral reconhecida no RE no 590.809; (b) a contribuinte espontaneamente efetuou, em 31/07/2007, o recolhimento do IPI devido em função do fim dos efeitos da liminar concedida, acrescido de juros de mora; (c) o auto de infração, assim, decorre primordialmente da alegada falta de pagamento de multa de mora (apenas o valor original de R$ 48.665,66 decorre de diferença de imposto recolhido a menor, cf. doc. de fls. 429 a 431 Anexo II), diferença essa saldada com pagamento à vista no âmbito do benefício estabelecido pela Lei no 11.941/2009 (cf. doc. de fls. 435 a 437 Anexo III); e (d) a multa de mora (único tema que restou na autuação, caso não se considere que também sucumbiu diante do benefício estabelecido pela Lei no 11.941/2009) é indevida nos casos de denúncia espontânea, conforme entendimento consolidado no STJ. Em 12/07/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 449 a 453), no qual se acorda unanimemente pela procedência do lançamento efetuado, sob o fundamento de que: (a) o entendimento atual na esfera administrativa sobre a ocorrência de denúncia espontânea, a ponto de tornar inexigível a multa de mora incidente sobre o pagamento intempestivo do imposto, é o de que o sujeito passivo deve ter confessado a infração, inclusive mediante a informação em DCTF do débito objeto do pagamento; e (b) com respeito à adesão 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 516DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.005281/200915 Acórdão n.º 3403003.352 S3C4T3 Fl. 516 3 aos benefício da Lei no 11.941/2009, os valores recolhidos devem ser considerados na cobrança dos débitos. Cientificada da decisão de piso em 14/08/2012 (cf. AR de fl. 455), a empresa apresenta recurso voluntário em 04/09/2012 (fls. 458 a 465), basicamente reiterando os argumentos expostos em sua impugnação, e acrescentando que não prospera a alegação de que é necessária a confissão em DCTF, já tendo a matéria sido analisada pelo STF em na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 886.462/RS), e pelo CARF (acórdãos colacionados às fls. 464/465). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há apenas um tema que resta contencioso: a exigência de multa de mora em relação a débitos pagos antes da apresentação de DCTF e antes do início de qualquer procedimento fiscal. É de se destacar de início que a opção pelo “benefício” instituído pela Lei no 11.941/2009 não encontra maior detalhamento no presente processo, havendo apenas menção de que a empresa efetuou, em setembro de 2009 (após a ciência da presente autuação), o pagamento de fl. 437 (no valor de R$ 74.763,80, dos quais R$ 48.665,79 são a título de principal, e R$ 26.098,01 a títulos de juros de mora reduzidos em 45%, conforme estabelece o art. 1o, § 3o, I da lei). Tal pagamento, como se percebe nitidamente, não se refere ao valor principal da presente autuação (R$ 1.420.939,84), de modo a excluir sobre tal montante 100% das multas de mora e de ofício (conforme previsão do art. 1o, § 3o, I da Lei no 11.941/2009), e não é possível aferir se houve ou não cumprimento da regulamentação expedida pela RFB e pela PGFN sobre a matéria, prevista no mesmo dispositivo legal. Assim, sobre o tema, acordamos com o julgador de piso no sentido de que o pagamento efetuado, se disponível, deve ser aproveitado para saldar os débitos decorrentes da presente autuação. Sobre a multa de mora, o fundamento para sua exigência, na autuação, encontrase no TEAF (fl. 363): “(...) como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea. Considerando a data dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte (...) e as datas das decisões judiciais (...) concluise que os recolhimentos não ocorreram dentro do prazo previsto no § 2o do artigo 63 da Lei no 9.430/96 que interrompe a incidência da multa de mora (...) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 (...) Considerando que os débitos relativos aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte (...) não foram declarados em DCTF, os saldos de IPI a recolher resultantes da imputação proporcional efetuada (...) foram lançados de ofício no Auto de Infração (...)”(grifo nosso) A autoridade lançadora, assim rechaça duplamente o afastamento da multa de mora: porque ainda que ocorresse denúncia espontânea, a multa de mora seria devida, por não ter natureza sancionatória, e porque os pagamentos foram em relação a débitos não declarados em DCTF e fora do prazo previsto no § 2o do artigo 63 da Lei no 9.430/96. Por isso, realiza a imputação dos pagamentos efetuados em 31/07/2007 (fls. 177 e 179) no sistema SICALC (fls. 319 a 335), acrescendo o débito das multas de mora (20%), resultando em saldos de IPI a recolher, lançados de ofício. Na DRJ, o primeiro argumento da fiscalização, sobre a natureza da multa de mora, é superado em virtude do que o julgador apresenta como o entendimento atual da Administração sobre a matéria (fl. 363): “O entendimento atual na esfera administrativa, sobre a ocorrência de denúncia espontânea, a ponto de tornar inexigível a multa de mora incidente sobre o pagamento intempestivo do imposto, é o de que o sujeito passivo deve ter confessado a infração, inclusive mediante a informação, em DCTF, do débito objeto do pagamento.” (grifo nosso) E, buscando endossar sua afirmação, transcreve o julgador excerto do Parecer PGFN/CRJ no 2.124/2011, que, em face de decisão do STJ na sistemática do art. 543C do CPC, no REsp no 1.149.022/SP, recomenda: “sejam autorizadas pela Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”. (grifo nosso) Parece entender, assim, o julgador de piso, que na ausência de DCTF, seria incabível a denúncia espontânea. Aliás, ele expressamente afirma isso ao final do voto condutor (fls. 452/453): “Considerando que é na DCTF que constam as informações relativas aos impostos e contribuições federais de responsabilidade do sujeito passivo (...), a falta dessas informações, como ocorreu no presente caso, impede o reconhecimento da alegada denúncia espontânea, não sendo essa falta suprida pela comunicação de recolhimentos feita ao titular da Delegacia da Receita Federal (...)”. (grifo nosso) Fl. 518DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.005281/200915 Acórdão n.º 3403003.352 S3C4T3 Fl. 517 5 Há que se destacar, contudo, que a apresentação de DCTF ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do fisco. É nesse sentido o entendimento do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), em matéria que já foi inclusive sumulada naquele tribunal: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (grifo nosso) 2 O que se vê é linha diametralmente oposta à que o julgador de piso parece adotar. Declarados os débitos em DCTF, não há que se falar em denúncia espontânea. E, recordese, no presente processo, destaca o autuante (fl. 363) que “os débitos relativos aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte (...) não foram declarados em DCTF”. Parece a DRJ admitir a denúncia espontânea somente nos casos em que o STJ não a admite. E isso não está de acordo sequer com o REsp no 1.149.022/SP, em decorrência do qual é emitido o Parecer PGFN/CRJ no 2.124/2011, citado pelo julgador em seu voto: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2 STJ, REsp n. 962.379RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, 22.out.2008. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. (...) 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” 3 (grifo nosso) E as decisões do STJ na sistemática do art. 543C do CPC são de acolhida obrigatória por este tribunal administrativo, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF (em verdade, depois da Lei no 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19, V e § 5o da Lei no 10.522/2002, passaram a ser de acolhida obrigatória por toda a RFB). É preciso entender que se há Súmula do STJ (e a primeira decisão na sistemática do art. 543C do CPC) afirmando que “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, a denúncia espontânea, a senso contrário, e para que não seja absurda ou inócua a conclusão daquele tribunal superior, é aplicável aos casos em que não tenha havido a declaração em DCTF nem o início de procedimento fiscal. E a segunda decisão na sistemática do art. 543C do CPC só vem a complementar que se a declaração em DCTF resultar de retificação antes do pagamento espontâneo, isto não afasta a aplicação da denúncia espontânea (mesmo havendo “declaração” pósretificação). 3 STJ, REsp n. 1.149.022SP, Rel. Min. Luiz Fux, unânime, 9.jun.2010. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.005281/200915 Acórdão n.º 3403003.352 S3C4T3 Fl. 518 7 Aliás, basta a leitura da íntegra da decisão no REsp no 1.149.022/SP para que se perceba que ali se está a tratar de um caso concreto em que “a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento (...) e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que (...) pretende ver reconhecida a denúncia espontânea (...). Assim, não houve declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral”. Assim, é firme (e nem poderia ser diferente, por questões regimentais) a jurisprudência deste CARF no sentido de cumprimento das decisões externadas pelo STJ em recursos repetitivos, reconhecendo a denúncia espontânea em hipóteses nas quais não houve declaração prévia em DCTF: AUDITORIA DA DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO PARA EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA ISOLADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. Configura Denúncia Espontânea o recolhimento em atraso de tributos antes de qualquer procedimento de oficio, bem assim antes da apresentação da DCTF, sendo descabida a exigência da multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN e entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de recurso repetitivo.” (CSRF, Acórdão n. 9101001.971, Rel. Cons. Jorge Celso Freire da Silva, unânime, sessão de 20.ago.2014) (grifo nosso) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. DESCABIMENTO. A ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF não pode ser obstáculo ao reconhecimento do benefício da denúncia espontânea, quando o contribuinte, antes de qualquer procedimento fiscal, constata a insuficiência de recolhimento e providencia a quitação da respectiva diferença. (Acórdão n. 3401002.670, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unânime, sessão de 23.jul.2014) (grifo nosso) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF). Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em ‘contrario sensu’, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN.” (Acórdão n. 3202001.187, Rel. Cons. Luís Eduardo Garrossino Barbieri, unânime, sessão de 24.abr.2014) (grifo nosso) Improcedente assim a exigência decorrente da ausência de recolhimento anterior de multa de mora em caso no qual se configurava a denúncia espontânea, como aqui Fl. 521DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 aclarado, de acordo com jurisprudência assentada em tribunal judicial superior, e de observância obrigatória por este CARF. Por fim, cabe recordar que parte dos débitos foi reconhecida pela recorrente ainda em fase de impugnação, e submetida a pagamento no âmbito do disposto no art. 1o, § 3o, I da Lei no 11.941/2009. Assim, o provimento que se dará aqui é parcial somente para esclarecer que com esta decisão não se exonera a quantia já reconhecida (e paga). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 522DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10980.014563/2005-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 150, § 4º, CTN. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NECESSIDADE. ARTIGO 62-A RICARF. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado.
In casu, tendo o contribuinte elaborado e entregue Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurando saldo de imposto a pagar e assim procedendo, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário conta-se a partir da ocorrência do fato gerador do tributo.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
EDITADO EM: 30/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 240 1 239 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.014563/200565 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.397 – 2ª Turma Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria ITR DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEBRASA CELULOSE BRASILEIRAS SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 150, § 4º, CTN. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NECESSIDADE. ARTIGO 62A RICARF. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. A regra geral do prazo decadencial para os tributos submetidos à modalidade do lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do CTN, afora nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ausência de antecipação de pagamento, os quais deverão estar devidamente comprovados pela autoridade lançadora com o fito de deslocar aludido prazo para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. A inocorrência dessa comprovação enseja a manutenção do lapso temporal contemplado pela regra geral do artigo retromencionado. In casu, tendo o contribuinte elaborado e entregue Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurando saldo de imposto a pagar e assim procedendo, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário contase a partir da ocorrência do fato gerador do tributo. Recurso especial negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 45 63 /2 00 5- 65 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório CEBRASA CELULOSE BRASILEIRAS SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 03/01/2006 (AR fl. 27), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Pacas”, localizado no município de Tunas do Paraná/PR, inscrita na RFB sob nº 66332249, conforme peça inaugural do feito, às fls. 18/25, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0412.758/2007, às fls. 96/106, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 18/08/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220200.688, sintetizados na seguinte ementa: “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 DECADÊNCIA, ITR. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.014563/200565 Acórdão n.º 9202003.397 CSRFT2 Fl. 241 3 Por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda lançar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 1º de janeiro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 151/162, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 910100.460, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente, o que não se vislumbra na hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, o que afastaria a pretensa decadência acolhida pela Turma recorrida. No caso dos autos, para o fato gerador ocorrido em 01/01/2001, o lançamento poderia ser efetuado no mesmo ano, fazendo com o que o início do prazo decadencial fosse conduzido para 1o de janeiro de 2002 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 01.01.2007. Como a intimação do lançamento aconteceu em 03.01.2006 (fls. 27), não houve lançamento a destempo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220200.147/2011, às fls. 167/169. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão nº 910100.460, ora adotado como paradigma, e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja levado a efeito o prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Em defesa de seu pleito, sustenta que inexistindo autolançamento do autuado, com a respectiva antecipação de pagamento, não há o que se homologar, razão pela qual deve se adotar os preceitos do artigo 173, inciso I, do CTN, para fins da contagem do prazo decadencial, o que se aplica no presente caso, não se cogitando na decadência acolhida pelo Acórdão recorrido. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva do exame do processo, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, após passar a ser tributo sujeito à modalidade do lançamento por homologação, com a edição da Lei n° 9.393/1996, limitouse a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, adotando a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma do entendimento daquele Tribunal Superior, manifestado nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.014563/200565 Acórdão n.º 9202003.397 CSRFT2 Fl. 242 5 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento para tais tributos, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. No caso vertente, inexiste nos autos comprovantes de recolhimentos relativos aos fatos geradores do Importo Territorial Rural. No entanto, tratandose de lançamento suplementar, sem a cobrança do tributo declarado originalmente pelo contribuinte em sua correspondente DITR, só podemos concluir pela existência de seu recolhimento. Melhor elucidando, ao contrário do entendimento da ilustre Procuradoria da Fazenda Nacional, o fato de o contribuinte haver declarado como imposto devido na respectiva DITR/2001, às fls. 02/04, a importância de R$ 141,09, sem que esse valor seja objeto do lançamento, nos conduz a conclusão de ter havido o seu recolhimento. A corroborar este entendimento, a simples leitura do Demonstrativo de Apuração do ITR, de fl. 19, comprova que houve dedução do imposto lançado e, por conseguinte, pago, na declaração original da contribuinte, constando literalmente que o tributo ora lançado se apresenta como “DIFERENÇA DE IMPOSTO APURADA (APURADO – DECLARADO)”, rechaçando qualquer dúvida quanto à matéria. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 03/01/2006, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, às fls. 27, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, tendo em vista que o fato gerador ocorreu em 01/01/2001, fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal suso mencionado, impondo a manutenção da improcedência do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.014563/200565 Acórdão n.º 9202003.397 CSRFT2 Fl. 243 7 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 342DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 16024.000093/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO.
Importa em renúncia às instâncias administrativas de julgamento a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Importa em renúncia às instâncias administrativas de julgamento a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA. É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral. Devem ser excluídos juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência, em que há depósito do montante integral do tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Importa em renúncia às instâncias administrativas de julgamento a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 93 /2 01 0- 14 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16024.000093/201014 Acórdão n.º 2401003.629 S2C4T1 Fl. 105 3 Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto, prolatou o Acórdão n. 14.32.757, o qual não conheceu da impugnação da empresa acima para desconstituir o Auto de Infração AI n. 37.276.0899. Para o órgão de primeira instância entendeu que o sujeito passivo houvera renunciado a discussão administrativa em razão de haver ajuizado demanda judicial com idêntico objeto que aquele tratado na defesa administrativa, assim, declarou a definitividade do crédito tributário, sem apreciar o mérito da lide. Inconformada, a empresa interpôs recurso, no qual assevera que o valor objeto do AI encontrase depositado em juízo, não havendo razão para o lançamento, uma vez que se a autora for sucumbente no processo judicial, o valor depositado será convertido em renda para a Fazenda. Quanto ao mérito, sustenta que se deve observar que a declaração de procedência do lançamento subverte a hierarquia do direito pátrio, uma vez que lei ordinária não pode modificar lei complementar. Arremata que o STJ tem decidido que as cooperativas é que são responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, não sendo cabível a exigência das empresas contratantes. Junta decisões. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da concomitância entre as lide judicial e administrativa Analisando os termos da defesa verifico que a única alegação apresentada diz respeito à impossibilidade de se exigir a contribuição da autuada pelo fato da Lei n. 9.876/1999, que inseriu o inciso IV no art. 22 da Lei n. 8.212/1991 ser inconstitucional, haja vista que não alterar dispositivos de Lei Complementar, no caso a LC n. 84/1996, que determinava que o encargo previdenciário ora exigido era das cooperativas e não de suas contratantes. Ocorre que, de acordo com o relato da Auditoria, a empresa, em 27/11/2008, impetrou Mandado de Segurança, com pedido de liminar, visando ao reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre a prestação de serviços realizados por cooperativas de trabalho, como as aqui lançadas, da qual obteve liminar deferida parcialmente para depositar judicial e mensalmente as parcelas vincendas, a partir da data de ajuizamento da liminar. Tal decisão não autorizou o depósito judicial das prestações vencidas e em atraso, desde abril de 2004. Continuando o fisco afirma que, em 27/10/2009, foi julgado improcedente o pedido inicial e denegada a segurança requerida. Observese que o AI sob análise referese às competências 11 e 12/2008, para as quais houve o depósito das contribuições discutidas. De se concluir, portanto, que a discussão acerca da constitucionalidade da contribuição incidente sobre as faturas emitidas por cooperativas de trabalho não deve ser apreciada por esse colegiado, uma vez que se encontra em discussão no Judiciário. É esse o entendimento expresso na Súmula CARF n. 01: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Lançamento para prevenir a decadência A possibilidade do fisco efetuar o lançamento, mesmo quando haja depósito do montante integral do tributo, tem sido reiteradamente chancelada por essa turma de julgamento. Lembro que na reunião do último mês de abril nos pronunciamos sobre a questão Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16024.000093/201014 Acórdão n.º 2401003.629 S2C4T1 Fl. 106 5 no julgamento do processo n. 16682.720017/201237. Vejase a ementa do acórdão, cujo entendimento ali expresso foi aprovado por unanimidade: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/11/2007 a 30/11/2007 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA. É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral. Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante integral do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte Posso concluir que deve ser mantido o lançamento, todavia não são cabíveis os acréscimos legais aplicados. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por darlhe provimento parcial para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13808.005214/2001-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OU FÍSICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Na ausência de tais provas de fatos e direito, correto está o procedimento administrativo, fulcro na constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.972
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
José Raimundo Tosta dos Santos Presidente à Época da Formalização
Assinado Digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc
EDITADO EM: 28/10/2014
Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OU FÍSICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Na ausência de tais provas de fatos e direito, correto está o procedimento administrativo, fulcro na constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente José Raimundo Tosta dos Santos Presidente à Época da Formalização Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc EDITADO EM: 28/10/2014 Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI.
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É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Na ausência de tais provas de fatos e direito, correto está o procedimento administrativo, fulcro na constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente José Raimundo Tosta dos Santos – Presidente à Época da Formalização Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator Ad Hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 52 14 /2 00 1- 18 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 EDITADO EM: 28/10/2014 Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI. Relatório Contra MINORU IKEDO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/07, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 1998, anocalendário 1997, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), constatouse omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício, montante de R$ 21.025,20 (CNPJ 50.644.053/000113 Fundação E. J. Zerbini), constante em DIRF e não declarado. Cientificado, o recorrente não se insurgiu contra o lançamento, não contestando o aferimento dos rendimentos, informando ainda que fora um lapso de seu contador a não informação. Requer tão somente o cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora, fls. 01. A DRJ em acórdão tombado sob o nº 10.025 3ª. Turma da DRJ/BRASÍLIADF, em sessão de julgamento datado de 18/07/2004, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 32/35. Cientificado, por AR em 13/12/2007, fls. 40v, o contribuinte apresentou, em 28/12/2007, recurso voluntário, fls. 43, onde repisa os argumentos elencados na impugnação, requerendo o cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora. É o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi O recurso apresentado é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, a alegação da parte quanto a não omissão de rendimentos no montante de R$ 21.025,20 não pode prosperar, haja vista que a mera argumentação de que a parte não declarou o rendimento percebido por falta técnica do Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.005214/200118 Acórdão n.º 2102001.972 S2C1T2 Fl. 3 3 contador, não tem resguardo na legislação pátria como motivação para o cancelamento do auto de infração. Fica claro no caso em tela que o contribuinte, não tinha conhecimento que poderia ter utilizardose do expediente da declaração retificadora, ato este que o exoneraria de um processo administrativo fiscal, e consequente aplicação de juros e multas. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No que tange a aplicação de multa de ofício e juros e mora, assim está disposto no auto de lançamento: Multa de ofício enquadramento legal: artigo 44, inciso i, da lei 9.430/96 Juros de mora: artigo 84, i e parágrafos 1, 2 e 6 da lei 8.981/95, artigo 13 da lei 9.065/95, artigo 61, parágrafo 3 da lei 9.430/96. Correta está aplicação da multa de ofício, contudo, no que concerne a aplicação dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, apenas por questão de amor ao debate, cabe trazer a comento que esta matéria já vem a algum tempo sendo tratada no âmbito deste Conselho, existindo para a matéria três posicionamentos, quais sejam: não cabe a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados pela variação da taxa Selic; e devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Mas em análise do caso em comento, correta está à decisão da DRJ neste cerne, na qual transcrevo: “A multa de oficio de 75% tem como base o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e é exigida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, como é o caso dos autos. No que se refere à incidência dos juros de mora, a sua exigência no auto de infração está sendo efetuada na forma da lei. O Código Tributário Nacional outorgou à lei a faculdade de estipular os juros de mora aplicáveis sobre os créditos tributários não pagos no vencimento. O § 1° do art. 161 do CTN estabelece que os juros serão calculados à taxa de 1%, se outra não for fixada em lei. A partir de 1° de janeiro de 1996, os juros de mora passaram a refletir a variação da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, conforme o disposto nos arts. 84, I, da Lei n° 8.991/95, 13 da Lei 9.065/95 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, legislação que trata da exigência de juros de mora à taxa SELIC. Ademais, o procedimento administrativo de lançamento é atividade plenamente vinculada e obrigatória, cabendo à autoridade lançadora e revisora, Delegacia da Receita Federal de Julgamento, somente a aplicação da lei ao caso concreto. A exclusão de parte do crédito tributário corresponde à isenção, só passível de ser deferida mediante lei”. Portanto, mantémse a aplicação da multa de ofício de 75% e dos juros de mora à taxa SELIC, nos termos das normas que regem a matéria”. Assim, nada a alterar a decisão exarada em sede de DRJ. ANTE O EXPOSTO, Voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. Sala das Sessões, em 18 de abril de 2012. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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