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Numero do processo: 13558.901137/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.665
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 37 /2 00 9- 75 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901137/200975 Acórdão n.º 3201002.665 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.461. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901137/200975 Acórdão n.º 3201002.665 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901137/200975 Acórdão n.º 3201002.665 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12196.720113/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao ano-calendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2401-004.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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ISENÇÃO. Recorrente DILSON DE ARRUDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao anocalendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 19 6. 72 01 13 /2 01 4- 78 Fl. 125DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 2.899,86, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 25/29), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 162.450,06, recebidos pelo titular da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, indevidamente considerados como isentos, em razão do contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia grave ou da condição de aposentado. Consta da descrição dos fatos que atestado simples não cumpre os requisitos para ser considerado laudo médico oficial idôneo, pois não contém elementos descritivos que fundamentaram o diagnóstico da moléstia e o número de registro no órgão público do profissional de saúde que emitiu o atestado. Em impugnação apresentada às fls. 2/7, o contribuinte alega, em síntese: · Que junta prova da aposentadoria e laudo médico que reconheceu a neoplasia maligna de próstata, com início em 27/4/07, que já tinha sido apresentada à malha. · Que o laudo foi emitido pela Secretaria Municipal de Saúde que é Serviço Oficial de Saúde do Município de Campo Grande/MS e que já foi aceito pela fonte pagadora que suspendeu o desconto a partir de janeiro de 2014. · Que o fato de ser simples não invalida o laudo, pois nele constam as informações necessárias com o diagnóstico da doença (neoplasia maligna da próstata), fornecido pelo órgão Municipal de Saúde, onde consta o CRM do médico que é funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande. Diz juntar cópia do contracheque do médico que prova ser funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande. A DRJ/SDR, no acórdão de fls. 66/69, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme trechos a seguir transcritos: A prova da existência da moléstia grave deve ser feita por meio de laudo pericial oficial que deve ter o conteúdo de um parecer técnico fundamentado emitido por médico legalmente habilitado, que deve possuir conhecimentos para identificar a moléstia grave prevista na lei tributária e ser vinculado a serviço médico oficial, sendo ineficaz a apresentação de laudos particulares de médicos assistentes e exames laboratoriais (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1998, art. 6º inciso XIV, e Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 30, caput). Nesse sentido, o documento apresentado com a impugnação (fl. 11) não apresenta os requisitos próprios de um laudo pericial para fins tributários, visto que, como bem apontou a Autoridade Lançadora, não apresenta os elementos que o fundamentaram, não há exposição das observações, estudos, exames efetuados Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12196.720113/201478 Acórdão n.º 2401004.826 S2C4T1 Fl. 124 3 nem registros de conclusões, não demonstrando ser resultante de procedimento específico de perícia médica oficial. A indicação do registro no Conselho Médico Regional não supre as demais exigências legais, especialmente a vinculação do profissional ao serviço oficial. No caso, ainda se encontra sem comprovação a vinculação do médico emitente do atestado apresentado com o serviço mantido pela Secretaria Municipal de Saúde de Campo GrandeMS, visto que o contracheque apresentado indica vinculação daquele profissional com o Ministério da Saúde (fl. 12). A eventual aceitação de um laudo médico particular pela fonte pagadora, para fins de suprimir a realização da retenção do imposto sobre a renda, não vincula a Administração Tributária e não substitui a competência legal da Autoridade Administrativa para apreciar e reconhecer o direito à isenção de portador de moléstia grave. A Secretaria da Receita Federal do Brasil apresenta inúmeras fontes de orientação aos contribuintes para que estes possam instruir adequadamente os pleitos desta natureza, sugerindo, inclusive, modelos de laudo pericial, a fim de facilitar o reconhecimento dos pleitos de isenção (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/formularios/Modelod eLaudoPericial.pdf), não se justificando a aceitação indiscriminada de qualquer tipo de atestado médico. Cientificado do Acórdão em 27/11/14 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 78), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/12/14, fls. 80/83, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta, em síntese: Diz discordar do excesso de formalismo, pois está provada a doença. Alega que agora junta aos autos cópia do contracheque do médico que prova ser ele funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande que é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde Pública Município de Campo Grande. Afirma juntar novamente o Laudo médico, laudo laboratorial, pesquisa do código CID C61 e prova de aposentadoria. Acrescenta que para ajudar na convicção do julgador e provar que a doença realmente existe desde 27/4/07, anexa laudo do médico urologista que o acompanha desde o início. Anexa também atestado do médico radioterapeuta com o qual faz tratamento radioterápico. Esclarece que em face da dúvida sobre o laudo, o contribuinte pediu ao INSS para submetêlo a perícia médica e o fornecimento do laudo para prova junto à Receita. O pedido resultou no processo nº 36750.000726/201411, estando aguardando a marcação da data da perícia. Em razão da demora, está pedindo também perícia em órgão oficial de saúde o Estado de Mato Grosso do Sul. Pede para apresentar posteriormente o resultado destas perícias e os laudos que delas resultar. Fl. 127DF CARF MF 4 Conclui que é aposentado recebendo proventos de previdência privada da PREVI, que é portador de neoplasia maligna da próstata desde 2007 e o laudo, mesmo simples, preenche os requisitos legais. Em documento apresentado posteriormente, juntado à fl. 110, datado de 19/2/15, da Prefeitura Municipal de Campo Grande centro referência a saúde do homem, assinado pelo médico urologista CRM/MS 2950, consta que o paciente apresenta quadro de neoplasia da próstata avançado desde abril de 2007 CID = C61, estando em acompanhamento oncológico e urológico. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12196.720113/201478 Acórdão n.º 2401004.826 S2C4T1 Fl. 125 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença Fl. 129DF CARF MF 6 tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 12196.720113/201478 Acórdão n.º 2401004.826 S2C4T1 Fl. 126 7 Dos documentos juntados aos autos, restou claro que o rendimento decorre de aposentadoria. Resta então analisar se o contribuinte é, comprovadamente, portador de moléstia grave. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação por entender que não foi apresentado laudo médico oficial. Contudo, após apresentação do recurso voluntário, foi juntado aos autos o documento de fl. 98, datado de 19/2/15, da Prefeitura Municipal de Campo Grande centro referência a saúde do homem, assinado pelo médico urologista CRM/MS 2950, no qual consta que o paciente apresenta quadro de neoplasia da próstata avançado desde abril de 2007 CID = C61, estando em acompanhamento oncológico e urológico. Diante do exposto, entendo que restou comprovado que o contribuinte recebe proventos de aposentadoria e é portador de moléstia grave relacionada em lei, requisito essencial para o gozo da isenção pleiteada. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, DANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000626/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microernpresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES
Exercício: 2003
SIMPLES - PROTÉTICO
A atividade de . Confecção de próteses dentárias não esta impedida de optar pelo Simples, pois não se assemelha à atividade da profissão regulamentada do dentista.
Numero da decisão: 1802-000-558
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: João Francisco Bianco
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Confecção de próteses dentárias não esta impedida de optar pelo Simples, pois não se assemelha à atividade da profissão regulamentada do dentista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Job Francisco Bianco - Relator EDITADO EM: 0 5 AGO 2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros.Ester Marques Lins de .Sousa_ (Presidente de_.Tu.nna),_José_de Oliveira_ Ferraz Correa,_Edwal _Casoni _de Paula Fernandes Júnior, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Joao Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma) Impresso em 06/08/2012 por ANDREA FERNANDES Cl EU NA- VERSO EM BRANCO 'VIRF,11..154 .10AÇAI3A DRF F. Processo n° 13982.000626/2003-11 Acórdâo n.° 1802-00.558 ‘1.3 Ftubrich 4°F L 2 Relat5rio Tratam os presentes autos da exclusão da recorrente do regime de recolhimento de tributos denominado Simples. A exclusão do Simples foi determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n°. 461.709, de 07.08.2003 (fls. 03), em virtude do exercício pela recorrente de atividade econômica vedada, pois relacionada corn a prestação de serviços na Area de saúde. A recorrente manifestou seu inconformismo com aquela decisão (fls. 1), afirmando ter absoluta convicção de que o seu objeto social (prestação de serviços de prótese dentária) pode se enquadrar nas atividades que permitem a tributação no regime do Simples. 0 Resultado da Análise da SRS (fis 07) sustentou a ilegalidade da opção pelo Simples, corn base no disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n. 9317, de 1996. intimada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 11) alegando em síntese que: - sua exclusão do Simples é contraria aos princípios constitucionais da isonomia, legalidade, tipicidade, anterioridade, dentre outros; - a exclusão ocorreu por força da interpretação extensiva do inciso XIII, da Lei n°. 9.317 de 1996; e - não é válida a sua exclusão já que a própria Receita Federal deferiu sua • inclusão no Simples. A DRJ manteve a exclusão da recorrente do Simples (fls. 29), sob o fundamento de que a lei veda que a atividade de prestação de serviços profissionais de dentista e assemelhados seja submetida ao regime do Simples. Em grau de recurso (fls. 39), a recorrente reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. . É o relatório. Impresso ern 06/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM 3R/NCO 3 SC JOAÇABA Processo n 0 13982.000626/2003-11 Acórdão n.° 1802-00.558 Voto Conselheiro Relator João Francisco Bianco, Relator 0 recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo a apreciá-lo. A matéria em discussão nestes autos versa sobre a exclusão da recorrente da sistemática de apuração e pagamento de tributos pelo regime do Simples, por supostamente exercer atividade vedada, assemelhada ao exercício da profissão de dentista. A recorrente sustenta que tão somente presta serviços de prótese dentária, atividade não expressamente vedada pela Lei n°. 9.317/96, artigo 9°, incisos XIII. Entendo que assiste razão a recorrente. Com efeito, dispõe o inciso XIII do artigo 9° da Lei n°. 9.317, de 1996, que é vedado a pessoa jurídica: "XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor, ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico:" dentista, • enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida". 0 dispositivo é claro. As atividades vedadas são a de dentista, ou assemelhados. Ora, o protético não guarda qualquer relação com o dentista. Basta dizer que o dentista é profissional formado em curso superior e o protetico é profissinal formado em curso técnico. Assim, impossível considerar o protético como profissão assemelhada a do dentista. Por fim, registro que esse entendimento esta alinhado com a jurisprudência desta Corte, conforme se verifica do exame do acórdão n. 301-34.169, de 08.11.2007, assim ementado: "SIMPLES — EXCLUSÃO — PROTETICO — A atividade de confecção de próteses dentárias, ou seja, de escultor das próteses dentárias, não está impedida de optar pelo Simples, pois não se assemelha a atividade da profissão regulamentada do dentista. Há semelhança com a atividade de industrialização, sendo inaplicável o rol de vedações contido no artigo 90, inciso .da Lei n. 9317, de 1996". Impresso em 06/0812012 por ANDREA FERNANDES CANCIA - VE'ZSO EN, BRANCO SC „UM:ABA DIU' Pro6esso n 0 13982.000626/2003-11 Acórdão n.° 1802-00.558 H. 156 tIFIFJ0 . -161-7E02 Atil o Fl. 4 NT-A-- wr Rubrics .* Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Saia das Sessões, em 06 de julho de 2010 r13 l a-----..— Re o odo Francisco Bianco Impresso em 0610312012 or ANDRLA FERNI\ NOES GAROA - VERSO EM BRANCO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904966/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/02/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/02/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/02/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 66 /2 01 2- 43 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.904966/201243 Acórdão n.º 3301003.524 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.980. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.904966/201243 Acórdão n.º 3301003.524 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.904966/201243 Acórdão n.º 3301003.524 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.904966/201243 Acórdão n.º 3301003.524 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.904966/201243 Acórdão n.º 3301003.524 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.904966/201243 Acórdão n.º 3301003.524 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000853/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. RATEIO.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabelece, no seu § 6º, que os valores identificados e não comprovados sejam rateados entre os co-titulares da conta bancária.
Numero da decisão: 2202-003.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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CONTA CONJUNTA. RATEIO. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabelece, no seu § 6º, que os valores identificados e não comprovados sejam rateados entre os cotitulares da conta bancária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 53 /2 00 7- 54 Fl. 1059DF CARF MF 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF em função da identificação de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada. Intimada, a Contribuinte apresentou impugnação, que foi parcialmente provida pela DRJ, que formalizou Recurso de Ofício. Insatisfeita, a Contribuinte interpôs recurso voluntário. O CARF negou provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário, mas reconheceu a decadência parcial. Tendo a Fazenda Nacional interposto Recurso Especial, a CSRF deu provimento para afastar a decadência e determinou o retorno dos autos para julgamento do restante do mérito. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 30/01/2006 a Contribuinte foi intimada por AR (fl. 9) do Termo de Início de Fiscalização (fl. 8), pela qual foi instada a apresentar os extratos de suas contas bancárias. Diante do silêncio da fiscalizada, a autoridade fazendária lavrou "Termo de Embaraço à Fiscalização" em (fl. 10/11), que foi dada ciência à Contribuinte em 25/04/2006 (fl. 12). Em 31/10/2006 (fl. 35), a Contribuinte foi intimada de um "Termo de Intimação" (fls. 13/34), no qual a autoridade lançadora indicava individualizadamente os depósitos/créditos cuja comprovação desejava. Conforme petição (fls. 153/154) datada de 11/12/2006, a Contribuinte informa que: "Com relação às contas correntes 108.9913 e 106.8792, ambas da agência 7010, e da conta 102.0994 da agência 0564, todas do Unibanco, esclarece não ser titular das referidas contas, e, por isso, não podendo ser responsabilizada e tão pouco intimada para justificas as movimentações financeiras"; Em 13/12/2006 (fl. 38), a Contribuinte foi intimada de um novo "Termo de Intimação" (fls. 36/37), no qual era intimada a comprovar a origem de outros depósitos, agora em contas mantidas no exterior. Em outra petição (fls. 155/156), datada de 18/12/2006, a Contribuinte informa que: " Com relação as contas correntes 150.1035 e 107.0426, ambas da Agência 0564, que virou a conta 106.7414 e 104.2352, 1111 as quais passaram a fazer parte da Agência agencia 7010, todas do Unibanco, bem como as contas do Bank Boston, as quais a Sra. Vera é titular, esclarece que, conforme consta da declaração de imposto de renda dos anos de 2002, 2003 e 2004, a mesma possuía dinheiro em caixa declarado, bem como vendeu uma casa no valor de R$ 840.000,00 (oitocentos e quarenta) mil reais, e, com isso, justificando os depósitos, bem como as movimentações financeiras." Em 24/01/2007 (fl. 64), a Contribuinte foi reintimada a comprovar a origem dos depósitos/creditamentos realizados em suas contas bancárias (fls. 42/63). Na mesma data (fl. 67), também foi intimada a informar qual a sua participação na conta nº 108.9913, mantida perante a agência 7010 do Unibanco, haja vista que tinha outro titular (fls. 65/66). Isso porque, Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 19515.000853/200754 Acórdão n.º 2202003.830 S2C2T2 Fl. 1.060 3 poucos dias antes, a autoridade fiscalizadora tendo constatado a existência de cotitularidade em algumas das contas bancárias havia solicitado a extensão dos procedimentos de fiscalização aos respectivos cotitulares (fls. 159/160). Enfim, em 28/03/2007 a autoridade lançadora lavrou auto de infração (fls. 820/823) para constituir IRPF em decorrência de "Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada". Consta também "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 782/814). Intimada em 12/04/2007 (fl. 825), a Contribuinte protocolou Impugnação em 14/05/2007 (fls. 831/840 e docs. anexos fls. 841/844). Em 27/06/2007 foi apensado aos presentes autos o processo de nº 11610.004591/200715, uma vez que foi formalizado por erro para o recebimento da referida impugnação (fl. 845). Em 13/08/2007 foi lavrado o Despacho nº 18 (fls. 852/853), determinando a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se pronunciasse sobre divergências entre os valores dos recursos depositados e os valores listados na planilha do lançamento. Foi formalizado "Termo de Constatação de Diligência" (fls. 856/863 e anexos fls. 864/890), no qual foi proposta a alteração dos valores lançados com base em nova tabela. Intimada do resultado da diligência (fl. 891), a Contribuinte se manifestou (fls. 895/915 e docs. anexos fls. 916/958). Enfim, a DRJ proferiu o acórdão nº 1723.386, de 20/02/2008 (fls. 959/969), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR INCONSTITUCIONALIDADE EFEITO CONFISCATORIO MULTA. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade ou constitucionalidade da legislação tributária, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente Fl. 1061DF CARF MF 4 intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. O lançamento com base em depósitos bancários deve ter a base tributável dividida pelo número de titulares da conta conjunta nos casos em que tiverem rendimentos próprios e declarem em separado. Lançamento Procedente em Parte Uma vez que afastou o valor de R$ 4.722.488,97 da base de cálculo, formalizou Recurso de Ofício. Intimada em 11/06/2008 (fl. 971), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 04/07/2008 (fls. 975/991). · Que, a despeito de o conceito de renda ser de difícil definição, não é possível dissociála da noção de acréscimo patrimonial; · Que não existe renda presumida para fins de tributação; · Que a contribuinte alienou imóvel no valor de R$ 840.000,00 em 2003, juntando o contrato e as declarações para o fisco, cabendo ao fisco comprovar que os recursos ingressados não têm relação com a venda do imóvel; · Que a Contribuinte recebeu valores mensais de R$ 30.000,00 de seu cônjuge, sendo difícil tal prova em especial devido ao lapso temporal transcorrido; · Que não é a titular das contas bancárias nº 2010856 e nº 101.3079, e, portanto, desconhece a origem dos recursos ali creditados, sendo portanto impossível justificálos; inclusive, que a própria autoridade lançadora registrou que o titular de uma das contas declarou a sua responsabilidade pela mesma; · Que o §6º, do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 foi acrescentado pela Lei nº 10.637/2002, de sorte que não pode ser aplicado aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e de 2002, mormente quando o lançamento foi feito em sua integralidade em relação ao outro cotitular; · Que estava caduco o lançamento em relação ao anocalendário de 2001; e · Que a multa de 75% é confiscatória, atentando contra o estabelecido no art. 150, IV, da CF/1988. Em primeira análise, este e.CARF proferiu o acórdão nº 220200.213, de 19/08/2009 (fls. 994/1.004), que negou provimento ao Recurso de Ofício, acolheu a preliminar de decadência e negou provimento ao recurso voluntário. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 19515.000853/200754 Acórdão n.º 2202003.830 S2C2T2 Fl. 1.061 5 Cientificada em 14/04/2010 (fls. 1.005), a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 1.008/1.015 e docs. anexos fls. 1.016/1.021), para que fosse revista a questão da decadência. Já a Contribuinte foi intimada em 15/11/2010 (fl. 1.031) mas, diante do seu silêncio, foi formalizada Representação para registrar que não se pronunciou nos autos (fl. 1.032). Chegando à CSRF, foi proferido o acórdão 9202002.607, de 23/04/2013 (fls. 1.041/1.048), que deu provimento ao Recurso Especial e determinou o retorno dos autos ao CARF para análise das demais questões do Recurso Voluntário. Não tendo logrado intimar a Contribuinte deste novo acórdão por AR (fls. 1.051/1.052), foi publicado edital para lhe dar ciência do ato (fls. 1.054). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Delimitação da lide: Como já explicitado ao longo do relatório, o presente processo retorna a julgamento em 2ª instância em função de ter sido parcialmente reformado pela CSRF. Nesse caminho, a parcela não reformada persiste, devendo ser respeitada a parte dispositiva do voto condutor do acórdão da CSRF: "Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores e de observância obrigatória por este Colegiado, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, com retorno a Turma de Julgamento de origem para julgamento das questões relativas ao anocalendário de 2001." fl. 1.047; Portanto, estão fora de julgamento o Recurso de Ofício bem como a questão da decadência, a preliminar de nulidade, a possibilidade de estabelecer uma presunção em relação à omissão de rendimento, ao mérito no tocante aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, e ainda a questão da multa confiscatória, todas essas questões já julgadas. Em outras palavras: considerando o lançamento, os argumentos suscitados pela Contribuinte e o quanto já julgado pelos acórdãos CARF nº 220200.213 e CSRF nº 9202 002.607, vem a julgamento tão somente os argumentos de que: Fl. 1063DF CARF MF 6 · Recebeu valores mensais de R$ 30.000,00 de seu cônjuge, sendo difícil tal prova em especial devido ao lapso temporal transcorido; e · O §6º, do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 foi acrescentado pela Lei nº 10.637/2002, de sorte que não pode ser aplicado aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e de 2002. Esses argumentos só devem ser analisados em relação à conta nº 6209211, mantida perante o Safra National Bank of New York, posto que a única na qual foi identificada omissão de rendimento no anocalendário de 2001. Do mérito anocalendário de 2001: Da cotitularidade e da aplicação retroativa do §6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996: Diante da existência de cotitular, e da aplicação da regra estabelecida no art. 42, §6º, da Lei nº 9.430/1996 (que estabelece o rateio entre os cotitulares da conta bancária), a Contribuinte argumenta pela nulidade do lançamento por aplicação retroativa da Lei. A verdade é que a Contribuinte se contradisse no seu próprio argumento: "Quer dizer, segundo o entendimento do fisco, a metade dos depósitos efetuados na conta conjunta no exterior n° 6209211, cujos valores foram convertidos em moeda nacional, no montante de R$ 151.964,03 e R$ 338.617,61, totalizando R$ 490.581,64, ocorreram, repitase, em 2001 e entre 18/1/2002 e 25/7/2002, respectivamente. Portanto, é inaplicável, in casu, o parágrafo 6° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, repitase, incluído pelo artigo 58 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002, publicada, em edição extra, no DOU em 31/12/2002. Assim, o principio da irretroatividade da lei amparase na necessidade da segurança das relações jurídicas. E não se pode deixar de interpretar conforme o artigo 5° da Constituição da República, (...) Por óbvio, há exceções A regra, como as enumerações das hipóteses da retroatividade benigna da legislação tributária, prevista no artigo 106 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966." fl. 982; A verdade é que o §6º, do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 veio para esclarecer a aplicação da legislação, e resultou por estabelecer um procedimento mais benéfico em prol dos contribuintes. Efetivamente, inexistindo o referido comando, o lançamento poderia ser feito em sua integralidade em desfavor de todos os cotitulares. A partir da inclusão da norma, a presunção é no sentido de que cada cotitular é titular apenas de parte dos recursos, somente podendo o lançamento abarcar a sua parte do rateio. Logo, tratase de norma mais benéfica e que deve sim, portanto, ter sua aplicação retroativa. Subsidiariamente, ainda que esse não fosse o caso, não há que se falar em nulidade do lançamento in casu por esse motivo. Efetivamente, o "equívoco" do lançamento Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 19515.000853/200754 Acórdão n.º 2202003.830 S2C2T2 Fl. 1.062 7 não teria causado prejuízo para a Contribuinte, mas sim vantagem. Sem prejuízo não há nulidade, e nem mesmo deve ser corrigido, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/1972. No tocante ao fato de que, porventura, o lançamento foi feito em desfavor do outro cotitular utilizando a integralidade da base de cálculo, o vício porventura ocorrido em outro processo não pode macular o presente lançamento; mais, tal fato esta fora do presente julgamento. Dos recebimento de recursos do seu cônjuge: A Contribuinte argumenta que recebeu mensalmente o valor de R$ 30.000,00 do seu cônjuge, admitindo que a prova é difícil devido à informalidade da relação e do lapso temporal. Contudo, diante dos fatos geradores identificados em 2001, percebese claramente que esse argumento não se refere a esse exercício de 2002, haja vista que foram observados apenas quatro operações, nenhuma delas nesse valor. Igualmente, que a Contribuinte alega não ser titular de fato dessa conta. Portanto, tal argumento não pode prevalecer no presente caso. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por conhecer apenas parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 1065DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.002241/2005-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.158-35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-004.947
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.15835/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 22 41 /2 00 5- 15 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10730.002241/200515 Acórdão n.º 9303004.947 CSRFT3 Fl. 250 2 reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 330200.955, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual deu parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para cancelar o lançamento em face do erro no fundamento da multa aplicada relativo ao atraso na entrega da DIF Papel Imune. O acórdão recorrido entendeu que, antes da edição da MP 451/2008, aplicavase a multa do art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista no art. 505, também do RIPI, como foi o caso dos autos. Transcrevo a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL. Antes da edição da Medida Provisória n° 451/2008, a falta de apresentação de DIF Papel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista do art. 505, também do RIPI/02. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que o descumprimento de obrigações acessórias enseja a aplicação da multa prevista no artigo 505 do RIPI/02, com fundamento legal no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15835/2001. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 193 a 195. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10730.002241/200515 Acórdão n.º 9303004.947 CSRFT3 Fl. 251 3 O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 193 a 195). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, apresentando como paradigmas os Acórdãos 20403.437 e 20218.446. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que, antes da edição da MP 451/2008, aplicavase a multa do art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista no art. 505, também do RIPI, o paradigma decidiu de forma diversa: a não apresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração sujeitaria o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP n° 2.15835, ou seja, àquela penalidade prevista no art. 505 do RIPI/2002. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune. No presente processo o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei nº 9.779/99. Não há que se falar em erro material no lançamento efetuado. O Auto de Infração utilizou como fundamento legal o art. 57, I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (art. 505 do RIPI/2002), combinado com o art. 16 da Lei n° 9.779/98 (art. 212 do RIPI/02). Também não há a especificidade alegada pelo acórdão a quo do art. 368, que prevaleceria sobre a legislação que alcança toda e qualquer obrigação acessória. O referido artigo regulamentar não dispõe especificamente sobre a obrigação de apresentação de DIF Papel Imune no prazo legal, mas apenas de informações adicionais, não havendo, assim, que se falar em prevalência da norma especial sobre a norma geral. Concluise, portanto, pela inexistência de qualquer erro material no lançamento efetuado. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei nº 11.945/09. A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10730.002241/200515 Acórdão n.º 9303004.947 CSRFT3 Fl. 252 4 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10730.002241/200515 Acórdão n.º 9303004.947 CSRFT3 Fl. 253 5 operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIF Papel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. Confirmase, assim, que a multa aplicada possui todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade. Discussões a respeito de eventuais inconstitucionalidades dos dispositivos legais acima citados, como pede a contribuinte, não são permitidas a esta corte de julgamento, a teor do que dispõe a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, a Lei nº 11.945/2009 trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10730.002241/200515 Acórdão n.º 9303004.947 CSRFT3 Fl. 254 6 II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10730.002241/200515 Acórdão n.º 9303004.947 CSRFT3 Fl. 255 7 Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.732687/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal (art. 59 do Decreto nº 70.235/72).
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte, tampouco para análise de provas documentais. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deve ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência, a menos que assim entenda e determine a autoridade julgadora, conforme determinam os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM COMPROVADA. VALORES NÃO COMPUTADOS NA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO CONFORME NORMAS ESPECÍFICAS.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
Tendo a Recorrente se desincumbido de seu ônus probatório de demonstração da origem dos recursos, os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.
REPASSE FINANCEIRO. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO ONEROSA. OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que parte dos recursos que transitaram pelas contas correntes do contribuinte não advieram de operação onerosa, tratando-se de mero repasse de recursos oriundos de operação de compra e venda entre terceiros, não deve prosperar a acusação de omissão de omissão de receitas em relação a tal parcela.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
Numero da decisão: 1402-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar prejudicado o recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes a inconstitucionalidades de lei, rejeitar as preliminares de nulidades e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir da base tributável no item 001 do auto de infração os valores indicados na tabela contida na parte final do voto condutor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal (art. 59 do Decreto nº 70.235/72). CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte, tampouco para análise de provas documentais. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deve ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência, a menos que assim entenda e determine a autoridade julgadora, conforme determinam os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 26 87 /2 01 2- 68 Fl. 30136DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.137 2 Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM COMPROVADA. VALORES NÃO COMPUTADOS NA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO CONFORME NORMAS ESPECÍFICAS. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Tendo a Recorrente se desincumbido de seu ônus probatório de demonstração da origem dos recursos, os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. REPASSE FINANCEIRO. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO ONEROSA. OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que parte dos recursos que transitaram pelas contas correntes do contribuinte não advieram de operação onerosa, tratandose de mero repasse de recursos oriundos de operação de compra e venda entre terceiros, não deve prosperar a acusação de omissão de omissão de receitas em relação a tal parcela. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos reflexos, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303 002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 30137DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.138 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar prejudicado o recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes a inconstitucionalidades de lei, rejeitar as preliminares de nulidades e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir da base tributável no item 001 do auto de infração os valores indicados na tabela contida na parte final do voto condutor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 30138DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.139 4 Relatório O presente processo foi alvo de duas Resoluções: nº 1402000.259 e nº 1402 000.349. Repito o relatório contido na Resolução nº 1402000.349, complementandoo ao final. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementandoo ao final: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao anocalendário de 2008, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS no valor de R$ 4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, banco conta movimento, nem na conta caixa. Enquadramento Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99 Infração 01 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos da infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal. Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o seguinte: a) Da análise dos extratos bancários, do contribuinte, selecionamos diversos lançamentos de credito, objetivando obter comprovação das respectivas origens, o que motivou a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 001 a 003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram Fl. 30139DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.140 5 escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos; b) Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatálos. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock : c) O fiscalizado apresentou, como prova dos referidos empréstimos bancários, os seguintes documentos: d) "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO CONTA GARANTIDA", N° 5643, datada de 21/01/2008, vencimento 22/04/2008, valor limite de credito de RS 1.000.000,00; e) "CARTA DE FIANÇA", N° 1815/06, datada de 23/11/2006, vencimento 23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00; f) "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N° 1815/06", emitida em 23/11/2006", de 17/10/2007, prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ; g) "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO CONTA GARTANTIDA", N° 49822, datado de 21/01/2008, aditando a "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ), datada de 21/01/2008, alterando o vencimento para 22/04/2008, alterando o limite de credito para R$ 2.000.000,00; h) "INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de 23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal RS 1.000.000,00; i) "INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM ( COMPROMISSO ARBITRAL ) " N° 49822, datada de 18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ; j) Copia de documentos intitulados "Extrato Indusval" referente aos meses de janeiro a julho e de setembro a novembro ; k) Considerando que as informações e os documentos citados nos itens 2 e 3, por si só, não comprovam nenhum dos seus respectivos valores, lavramos o TERMO DE Fl. 30140DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.141 6 RELNTIMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas informações e comprovações ; l) Em resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N 0001, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por si só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados ; m) O fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou a escrituração, em seus livros contábeis, dos valores creditados, em suas contas bancárias, nem comprovou sua origem como estranha à atividade social da empresa, dos valores listados abaixo : Junta ao Termo de Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os depósitos bancários, cuja origem não teria sido justificada. n) Diante do exposto, estamos lavrando o presente Auto de Infração, baseado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista a cobrança dos respectivos tributos federais, considerando como omissão de receita, os valores listados no item 6, que resumimos em valores mensais e trimestrais: MES MENSAL TRIMESTRAL Janeiro 10.015.461,76 Fevereiro 5.929.605,50 Março 9.058.310,54 25.003.377,80 Abril 10.943.734,67 Maio 10.995.336,57 Junho 11.763.471,86 33.702.543,10 Julho 12.730.727,55 Agosto 10.399.914,13 MES MENSAL TRIMESTRAL Setembro 16.943.485,40 40.074.127,08 Outubro 15.411.157,14 Novembro 14.914.805,41 Dezembro 17.944.349,94 48.270.312,49 Total 147.050.360,47 147.050.360,47 o) Considerando que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrarse imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Fl. 30141DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.142 7 Da Impugnação Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012, em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando, resumidamente, as seguintes razões: 1. Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os Livros Fiscais solicitados pela Fiscalização. Entretanto, afirmou o Autuante que não foram entregues as cópias dos extratos bancários, o que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) para algumas instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, salientese. 2. Após as respostas apresentadas pelos Bancos, foram obtidos inúmeros extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais consignavam, diversos depósitos recebidos. Em seguida, o i. Fiscal aduziu que "confrontando os extratos bancários, com a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, constatamos que a mesma não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem na conta Caixa". 3. Em resposta, a autuada, de boafé, apresentou petição, em 24/05/2012 (fls. 991 a 995 dos autos), na qual, inicialmente, explicou que atua no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel. 4. Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras, entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos prépagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e variedade de localidades possíveis, visando alcançar todo o potencial mercado consumidor. 5. Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas operadoras de telefonia móvel (chamadas aqui de "primeiras intermediárias") operam em macroregiões e, para otimizar e conferir maior eficiência à distribuição das recargas de celular prépago, firmam contratos com outras empresas (chamadas de "intermediárias secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos em nichos menos abrangentes. 6. Os "intermediários secundários", por sua vez, contratam os chamados "pontos de venda", que, normalmente, são as padarias, bancas de revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas ou mercadinhos de bairro etc, os quais ficam responsáveis pela venda direta das recargas ao consumidor final (clientes de celulares prépagos). 7. Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como "primeira intermediária" (quando é contratada diretamente por uma operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária" (quando é contratada pelas "primeiras intermediárias" e fica responsável por captar e cadastrar os "pontos de venda" e coordenar toda a distribuição para estes das recargas de prépago, que, posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais). 8. Ao término de um período determinado, cada "ponto de venda" deve prestar contas das operações realizadas e efetuar o pagamento às empresas chamadas de "intermediárias secundárias" dos valores recebidos dos consumidores finais normalmente, por meio de boletos ou depósitos bancários ou, ainda, por meio de cheques descontando o valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total auferido. Fl. 30142DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.143 8 9. Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias secundárias" toda a receita decorrente da venda das recargas de prépago aos clientes, abatendo apenas deste valor o seu percentual de comissão (como dito, 4% a 5%). Em seguida, cada uma das empresas denominadas aqui de "intermediárias secundárias" repassa os valores recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno de 3% a 4%). 10. E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu percentual de comissão). Importante destacar que estas últimas (as operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes das vendas de recarga de prépago (cerca de 90% de todos os valores auferidos) já que são as prestadoras efetivas do serviço de telecomunicações. 11. Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal, em sua petição de 24/05/2012, que, muito embora grande parte do produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%) é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como a TIM, por exemplo (nas hipóteses em que a impugnante atua como "primeira intermediária") seja para outras empresas chamadas "primeiras intermediárias" (quando a impugnante atua como "intermediária secundária"). 12. Em outras palavras, o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringese apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas). Esta é a sua efetiva remuneração. 13. Em seguida, se reportando a planilha disponibilizada pelo i. Auditor contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores creditados em sua conta bancária, esclarecendo que, de acordo com a referida planilha, havia lançamentos em sua conta bancária que totalizaram a quantia de R$149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavos). 14. Inicialmente, a autuada esclareceu que, deste montante, R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil quinhentos e quarenta e seis centavos) referemse a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos 03 e 04 de sua petição. 15. Com relação ao montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões trezentos e trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos), explicou que se encontra devidamente registrado em sua contabilidade, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados no Anexo 05. 16. Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal montante apenas transitou pelas suas contas bancárias, tendo sido repassados às outras empresas intermediárias (nas hipóteses em que a autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores decorrentes da venda de recargas de celulares. 17. Neste sentido, a impugnante apresentou, nos Anexos 06 e 07, os contratos firmados com essas outras empresas (RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.), os recibos emitidos por elas, atestando que receberam as quantias, bem como os comprovantes de Fl. 30143DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.144 9 depósito e boletos bancários pagos, que demonstram, categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para elas. 18. Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o ilustre Auditor Fiscal entendeu por bem ignorar esses fatos e resolveu autuar a empresa, com fundamento no art. 42 da Lei ng. 9.430/96, presumindo como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da ora impugnante, já que, sob sua ótica, não restou devidamente comprovada pelos documentos apresentados a origem destes depósitos. 19. Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). 20. Além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). 21. Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no absurdo valor total (incluindo a multa de 75% e juros de mora) de R$ 50.971.013,79 (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e nove centavos). 22. Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento de Fiscalização, optouse, neste caso, pelo caminho mais simples (e fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para o contribuinte todo o ônus de se autofiscalizar, impondolhe a complicada e difícil missão de comprovar neste processo a origem de, literalmente, milhares de depósitos bancários efetuados em sua conta, sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito tributário absolutamente impagável. 23. E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada é um instrumento ou uma "arma" extremamente poderosa a que dispõe o Fisco, para coibir e impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo, portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Porém, como tal, há de ser utilizado com muita cautela e parcimônia, a fim de se evitar o cometimento de arbitrariedades e injustiças, como a que ora se verifica. 24. Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não contabilizar as referidas contas bancárias, a autuada já antecipa que providenciou toda a sua recontabilização referente ao ano de 2008, incluindo todos os lançamentos bancários em sua contabilidade (o que será apresentado neste feito), tendo concluído, ao final deste procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra tratarse de um erro formal cometido anteriormente, e não de uma intenção de sonegar tributo, já que todo o seu resultado fora devidamente oferecido à tributação, repitase. 25. Além disso, há de se destacar que a ora impugnante agiu de boafé durante todo o procedimento de Fiscalização, tendo respondido às intimações feitas, bem como apresentado Fl. 30144DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.145 10 todos os documentos que, naquele instante, julgava necessários e suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. 26. DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA Neste contexto, importa salientar que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para realizarem a venda dos créditos prépagos de telefones celulares. E é neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel (esta é sua atividade principal, mas não a única, conforme se examinará adiante). 27. DA EMISSÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS PELA AUTUADA Conforme examinado no tópico anterior, a atividade de venda e distribuição de recarga para celulares prépagos é, de certo modo, uma atividade atípica, que apresenta algumas peculiaridades. Explicase. Muito embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está "vendendo" não é, propriamente, uma "mercadoria" (para fins de incidência do ICMS, por exemplo). 28. Em verdade, o que se está "comercializando" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de prépago). Em outras palavras, quando o usuário final se dirige a um dos "pontos de venda" cadastrados pela ora impugnante e efetua a recarga do seu crédito de celular prépago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o que ele deseja adquirir não é o cartão físico de recarga ou a recarga eletrônica, pura e simplesmente. 29. Na prática, ele está pagando por um serviço de telecomunicações, que, como dito, será prestado pelas "operadoras de telefonia móvel". Logo, sob uma ótica contábilfiscal não se pode analisar a atividade desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem a venda de determinados bens (ressaltese que a palavra "venda" está aqui sendo empregado no seu sentido amplo). Isso porque, no caso do comerciante atacadista (de gêneros alimentícios, por exemplo), cada operação de venda de mercadorias é amparada por uma nota fiscal específica, emitida no ato da venda, em relação à qual o comerciante recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais). 30. Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de recargas de celulares, prépagos, sua atividade não está sujeita à incidência do ICMS, uma vez que este imposto é pago apenas pelas operadoras de telefonia móvel, em razão da prestação do serviço de telecomunicações. 31. Atenta a esta realidade, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer Fl. 30145DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.146 11 n°. 00292/2007 (inteiro teor anexo doc. 03), respondendo a uma Consulta Formal formulada por contribuinte. Eis a ementa do referido Parecer: "ICMS. Consulta. Recarga de telefone celular prépago. A responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMSBA/97, art. art. 4°, § 2°, c/c o art. 305.". 32. Em conclusão, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia assim consignou: "Da análise da norma transcrita, verificase que, na prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone celular prépago, a responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia". 33. Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões de recarga de telefone celular prépago, a consulente, além de não prestar serviço de telecomunicação, não realiza operação relativa à circulação de mercadorias, o entendimento é de que, nessa operação, não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer obrigação acessória relativa ao imposto." 34. Ou seja, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia reconheceu, expressamente, que as empresas que atuam neste ramo de "venda" de recarga de celular prépago, não estão sujeitas ao recolhimento do ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Salientese, ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia, já que, a título meramente exemplificativo, o Paraná também adota o mesmo procedimento. 35. Mas, por óbvio, o fato de não estar obrigada a emitir uma nota fiscal relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa comprovação não será feita por meio da juntada de uma nota fiscal específica para cada valor depositado, mas, sim, por diversos outros documentos idôneos e hábeis para comprovar todas as suas alegações acerca da origem dos recursos. 36. DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO Previamente à análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado. 37. I DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o Fl. 30146DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.147 12 tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permitila, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários legalmente obtidos". 38. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. 39. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. 40. Como é notório, tais prescrições normativas encontramse no seio dos direitos e garantias fundamentais, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal. 41. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. 42. E é por isso que o procedimento realizado pela Fiscalização foi absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. 43. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. Fl. 30147DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.148 13 44. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e equidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornadose, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. 45. Pois bem. Confirmando esta linha de raciocínio e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01. 46. Portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Assim, não resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela Fiscalização está eivado de vício e deve ser anulado pela própria Administração Pública (Delegacia de Julgamento), conforme Súmula 473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade absoluta do presente Auto de Infração, pois este fundamentouse exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. 47. NULIDADE DEPÓSITO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO "NO ATACADO". No caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da Lei n° 9.430/99, o qual, em síntese, estabelece a possibilidade de cobrança de imposto de renda por presunção de omissão de receita sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados. 48. A prescritividade legal mencionada parece ajustarse com a realidade dos fatos, pois, uma vez não justificada a origem do ingresso de rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de cobrança do imposto. 49. Aqui, assim bem como nas duas situações acima exemplificadas, a literalidade do texto legal não se coaduna com o fato verificado e descrito pela Auditora. O texto legal reportase a excepcionais depósitos, no sentido esporádico, inusitado, único ou espaçado. Enquanto a situação fática da impugnante descrita e demonstrada menciona a ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados ao longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem razão que em julgado recente, sobre depósito bancário, o Conselho Fl. 30148DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.149 14 exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação "no atacado". (Cita o Acórdão n° 10517.098 em 26.06.2008. Publicado no DOU em: 06.03.2009). 50. O Auditor se limitou a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Isto faz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN. 51. A observação é pertinente, pois foi incluso no rol dos depósitos não comprovados, inclusive, as transferências entre contas da própria autuada. Isto, por si só, já demonstra a total falta de critério na aplicação da norma e a insubsistência das infrações em comento, na linha da jurisprudência do CARF. Diante do exposto, também por este argumento, requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal ora impugnado. 52. III NULIDADE INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA LEI N° 9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA GENERALIZADA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito, pode comprovar a origem dos depósitos bancários, resultando na improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar essa preliminar de nulidade, até mesmo como contribuição para que procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não se repitam jamais! 53. Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação de extratos bancários; b) intimação do contribuinte para comprovar a origem de todos os depósitos bancários: c) a presunção de omissão de receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da origem de todos os valores depositados na conta bancária da autuada durante o ano de 2008. 54. A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização, tendo acesso a toda movimentação bancária do contribuinte, se acomodar na sua intimação para comprovação da origem de todos os recursos, tributando, por presunção, os depósitos de origem supostamente não comprovadas? A resposta é negativa. 55. Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o contribuinte a ter o ônus de se fiscalizar, ou seja, realizar uma verdadeira autofiscalização, sob pena de, não comprovando estar regular, ser tributado por presunção. 56. Essa não foi a intenção do legislador ao criar o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam, Fl. 30149DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.150 15 por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento pacificado inclusive no CARF. 57. Mas notese bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece o Auditor responsável por fiscalizar, investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece, a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, sem entender a atividade empresarial desenvolvida pela autuada e sem sequer investigar a eventual tributação das suas receitas. 58. Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar TODA a sua movimentação financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada. 59. NULIDADE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também, a autuada que, pela sua peculiaridade, muito embora não sofra a incidência do ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias próprias deste imposto estadual já que o que está sendo "comercializado" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de prépago), este sim tributado pelo ICMS tal atividade, sem sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação comercial, de venda. 60. Isto porque a autuada adquire os cartões prépagos ou as recargas eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou das empresas denominadas de "primeiras intermediárias" (as empresas RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada em seu sentido amplo) para os "pontos de venda", que, por sua vez, realiza a "venda" aos consumidores finais (usuários de celulares pré pagos). Podese dizer que o regime assemelhase a uma espécie de "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo" superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final. 61. Além da operação de distribuição e venda de recarga de prépago (recarga física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, Fl. 30150DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.151 16 bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos póspagos. 62. Nestes casos, a operação consistia, basicamente, em adquirir as mercadorias (celulares, acessórios etc.) e revender aos clientes ("consumidores finais"), obtendo, assim, uma margem pelas vendas. Analisando todo o rol das atividades prestadas pela autuada, talvez a única que apresente alguma feição de serviço seja a de intermediação pela venda de planos póspagos, já que a impugnante recebia da TIM uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre ambas. 63. Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observase que o ilustre Auditor Fiscal aplicou, indistintamente, para todos os depósitos recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a maior parte das operações realizadas pela ora autuada (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). 64. No caso específico da impugnante, a atividade desenvolvida não constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da impugnante não se confunde com a atividade da própria operadora de telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se conclui que ela não presta serviço de telecomunicações. 65. Diante do exposto, não há como se enquadrar a atividade de venda e distribuição de recarga de celulares prépagos como uma prestação de serviço, já que esta apresenta todas as feições de uma operação comercial de venda, ainda que sobre ela não haja incidência do ICMS, devido às suas peculiaridades expostas anteriormente. 66. Neste sentido, por não ter realizado qualquer distinção entre os depósitos recebidos na conta bancária da empresa autuada, optando o Auditor Fiscal por aplicar, indistintamente, para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual seja, o de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar, contudo, um único fundamento legal para tanto, há de ser decretada a nulidade do procedimento realizado, também por este argumento. DO MÉRITO Fl. 30151DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.152 17 67. Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de não ser acolhido algum dos argumentos acima expostos, o que conduziria à extinção do presente Auto de Infração e, por conseguinte, do crédito tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos argumentos de mérito. 68. Desde já, a autuada esclarece que é virtualmente impossível descrever individualmente, nas páginas da Impugnação Administrativa, cada um dos mais de 7.000 depósitos bancários relacionados na planilha apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada página contendo dezenas de lançamentos. 69. Entretanto, pretende, aqui, a autuada explicar sobre todos os documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, durante todo o ano de 2008, elidindo, assim, a malsinada presunção de omissão de receitas contra si aplicada. 70. Operação de recarga física Tratando, inicialmente, da operação de venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5). 71. Estes documentos comprovam o recebimento de todos os valores decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque ou dinheiro, bem como aquelas situações em que os vendedores depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida, realizavam a transferência para as contas da impugnante, prestando contas com a apresentação dos comprovantes de transferência. 72. Operação de recarga eletrônica Com relação à recarga eletrônica, a impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal POS", decorrente de Point of Sale), semelhante àquelas máquinas para operações com cartões de crédito, que registravam as vendas e autorizavam a recarga de crédito prépago nos celulares dos clientes. 73. Ao final de cada período específico, o sistema informatizado da impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por cada um dos "pontos de venda". Em seguida, era emitido um boleto bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria ser repassado para a impugnante, já abatido o percentual de comissão daqueles, que, como dito, era de 4%, em média. Neste sentido, a impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns contratos por amostragem, bem como de todos os relatórios de liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os valores. Fl. 30152DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.153 18 74. Requer, também, a juntada de todas as notas fiscais de venda de recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como as notas de saídas das recargas da TIM, emitidas pela MEGAGIRO (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores. 75. Pleiteia, ainda, a juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à TIM, bem como às demais empresas ("primeiras intermediárias", no caso, a RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) (Anexo), demonstrando, assim, que, dos valores recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas empresas, ficando a impugnante apenas com o percentual correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados Com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). 76. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). 77. Operação das Lojas Esclarece, ainda, a impugnante, que conforme explicado anteriormente, além da operação de distribuição e venda de recarga de prépago (recarga física ou eletrônica), possuía, ainda, algumas lojas da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação de planos póspagos. 78. Nestes casos, todas as vendas foram realizadas por meio de notas ou Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e cupons fiscais emitidos pelas Lojas (Anexo) no período objeto da autuação, que demonstram todo o seu faturamento. 79. Requer, ainda, ainda, a juntada dos extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores recebidos pelas vendas feitas nesta modalidade. Importante destacar, neste ponto, que como diversas compras feitas pelos clientes utilizando os cartões de crédito são parceladas, é impossível estabelecer uma conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em sua conta bancária. 80. Anexa, também, à presente defesa a cópia das notas fiscais de serviço emitidas no período (Anexo), relativamente aos serviços de intermediação na contratação de planos póspagos entre os clientes e a TIM. 81. Transferências entre contas da mesma titularidade Além dos documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua receita decorrente do exercício da atividade operacional, a autuada requer a juntada de todos os extratos bancários (Anexo), os quais demonstram a inclusão pela Fiscalização de valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, o que denota um Fl. 30153DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.154 19 grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio art. 42, § 32, I, da Lei n° 9.430/96. 82. Contratos de locação com a CEMIG A autuada esclarece, ainda, que possui um imóvel situado no Estado de Minas Gerais, em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo). 83. Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda Ademais, a autuada firmou contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda., os quais estão anexados à presente impugnação (Anexo), demonstrando, assim, a origem dos valores depositados em sua conta bancária. 84. Para facilitar o exame de todos os documentos, a autuada apresenta a planilha anexa (Anexo), que consolida toda a relação de depósitos bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada. 85. Conclusões Como se pode observar, a farta documentação ora anexada comprova efetivamente a origem de todos os depósitos realizados em suas contas bancárias. Importa salientar, neste ponto, que a Jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que, uma vez comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos os tributos devidos. 86. Entretanto, a autuada reitera, aqui, que todos os valores em questão foram efetivamente, oferecidos à tributação, o que será tratado melhor no tópico seguinte. Sendo assim, comprovada a origem dos valores depositados nas contas bancárias da impugnante, resta elidida a presunção de omissão de receita, razão pela qual o auto de infração é improcedente. 87. DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO O FATURAMENTO TRIBUTADO NO PERÍODO Entretanto, por eventualidade, na hipótese de se entender que, apesar de todo o esforço da autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade. 88. DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA Como já afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que, no curso da Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, providenciou a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, Fl. 30154DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.155 20 apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. 89. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. 90. Ou seja, como já afirmado no início da presente defesa, a autuada não quer evitar ou se furtar à Fiscalização. Muito pelo contrário!!! A ora impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua efetiva receita), foram devidamente tributados! E se, eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA 91. Conforme examinado no tópico anterior, a autuada apresentou na presente defesa todos os documentos de que dispõe, necessários para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. 92. Entretanto, apesar de tal documentação estar devidamente descrita e explicada, a sua imensa quantidade dificulta sobremaneira o exame pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n2. 70.235/1972), a fim de se apurar minuciosamente todas as alegações aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito. 93. Ante todo o exposto, entende a impugnante que foram devidamente comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, por meio dos documentos apresentados, devendo ser julgado improcedente este Auto de Infração (caso sejam ultrapassadas as preliminares de nulidade anteriormente deduzidas). 94. Entretanto, na remota hipótese de serem ultrapassados todos os argumentos até aqui sustentados e em homenagem ao princípio da eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o encerramento de suas atividades (ocasionando a demissão de centenas de empregados), vem apresentar seus argumentos finais. 95. I IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 8%. Conforme já explicitado no tópico das NULIDADES, referente à "APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE.", a ora impugnante demonstrou que a maior Fl. 30155DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.156 21 parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento). 96. II IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO 97. Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado de 32%, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Todavia, há de se consignar que a cumulação destes dois procedimentos ou roteiros de Fiscalização é absolutamente incompatível. 98. Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos de origem não comprovada), o Fiscal não está analisando a contabilidade do contribuinte. Ao contrário disso, está se amparando numa mera presunção da ocorrência do fato gerador. 99. Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu fé, por alguma razão, que deve ser justificada. E tal fato conduz ao arbitramento. 100. Ora, se o roteiro de fiscalização utilizado baseouse, integralmente, numa presunção, não tendo sido sequer analisada a contabilidade da empresa, jamais poderia ter sido aplicada a majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro, pois esta é uma medida imposta para se identificar alguma base de cálculo possível. 101. Deste modo, requer seja excluída a majoração decorrente do arbitramento do lucro, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal. 102. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. 103. DO PEDIDO Ante o exposto, pleiteia a impugnante pelo acolhimento dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação fiscal. Na hipótese de restarem superadas as preliminares de nulidade suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração sob exame, extinguindose, por conseguinte, o débito tributário em questão, uma vez que restou comprovada a origem dos Fl. 30156DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.157 22 depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida, portanto, a presunção de omissão de receita. 104. Por fim, em homenagem ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente citados, o que, sinceramente, não se espera, pleiteia a autuada (i) pela redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro; e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de origem julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo da quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiuse ainda deduzir da exigência os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreuse de ofício. Intimado da decisão em 10/07/2013 (fl. 29.504), recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 29.506 29.576 em 09/08/2013, reafirmando as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários. Pautado o processo, este colegiado converteu o julgamento em diligência. Reproduzo os termos do que foi requerido por bem retratar também o entendimento então firmado pela turma: Conforme exposto, não restam dúvidas quanto à forma de determinação das bases de cálculos e respectiva forma de tributação a ser considerada no presente caso: em relação às operações com a TIM, os depósitos respectivos devem ser considerados omissão de receita em sua integralidade, tributandose o montante respectivo para fins de PIS e Cofins, e utilizandose dos coeficientes de presunção de lucro 9,6% e 12% para determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado); no que tange às operações remuneradas mediante comissão (contratos com Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A), os valores a serem considerados como omissão de receitas devem se limitar à comissão percebida, sendo a respectiva receita bruta utilizada para quantificar as bases de cálculo de PIS e Cofins, bem como, mediante utilização dos coeficientes de presunção de lucro de 38,4% e 32%, as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado). A fim de dar liquidez à exigência, fazse necessária discriminação e determinação das receitas brutas auferidas nas operações de compra e venda (contrato com a TIM), e também nas operações em que a Recorrente foi remunerada mediante comissão (demais contratos). Para tanto, deverá autoridade fiscal intimar a Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada: a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM; b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais remuneradas mediante comissões (diferença entre os valores percebidos pela Fl. 30157DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.158 23 Recorrente e aqueles a serem repassados às empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A). A Recorrente poderá se utilizar, se assim entender, da escrituração contábil acostada em sede de impugnação/recurso. De qualquer forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados. Esclarecese que a eventual utilização da nova escrituração apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma de tributação adotada pela Interessada. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos. Uma vez quantificada as receitas, nos moldes requeridos e nos termos do presente voto, deverá a autoridade fiscal elaborar demonstrativo quantificando os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre elas, deduzindo os valores já declarados pela Recorrente, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser declarados à RFB . Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. Os autos retornaram à unidade de origem, requerendo que o contribuinte apresentasse os e esclarecimentos determinados na Resolução prolatada por esta turma. Em 28/07/2014, lavrouse o termo de intimação fiscal de fls. 2964429646 requerendo as informações, e os documentos comprobatórios correspondentes, nos termos referidos na Resolução em comento. Houve solicitação de dilação de prazo (fl. 29656) que foi concedida (20 dias fl. 2965229653). Em 11/09/2014, o contribuinte informa que entregaria a documentação no dia 17/09/014, conforme já combinado com o responsável pelo procedimento fiscal. Houve nova intimação solicitando novos esclarecimentos (fls. 2965029652 ciência em 28/01/2015). O contribuinte apresentou pedido de prorrogação por mais 15 dias, contados da data de vencimento do prazo, dia 09/02/2015 (fl. 29.658) Em 20 de março de 2015, a autoridade fiscal responsável pela diligência elaborou relatório sobre a diligência informando que não era possível concluir a diligência em face da ausência da apresentação da documentação necessária (fls. 2998429987 ciência em 20/04/2015 à fl. 29989). Fl. 30158DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.159 24 Na sessão de 21 de janeiro de 2016, este colegiado assim deliberou por meio da Resolução nº 1402000.349: Ocorre que a resultado da diligência foi inconcluso quanto aos elementos mínimos necessários para uma tomada de decisão do colegiado. Se, por um lado, não constam nos autos os demonstrativos que se requereu ao contribuinte elaborar, de outra banda, a manutenção da exação nos termos em que lavrados os autos de infração, a par das premissas lançadas na solicitação de diligência em questão, implicaria uma exigência desproporcional aos efetivos ganhos da Recorrente. Tendo em vista os argumentos expedidos pelo patrono da Recorrente a respeito das dificuldades operacionais para se cumprir a contento a diligência naquela ocasião, dificuldades essas já solucionadas, e considerando ainda a afirmação de que já possui os relatórios e demonstrativos elaborados, entendo que seja o caso de nova conversão do julgamento em diligência, ressalvando, desde já, que caso os autos retornem para esta turma julgadora sem as conclusões e informações necessárias para uma melhor tomada de decisões por conta da falta de atendimento, ou atendimento deficiente aos termos desta resolução, ou os esclarecimentos por ventura formulados pela autoridade fiscal responsável pela diligência, implicará a manutenção integral da exigência em razão do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 845, inciso II, do Decreto nº 3.000/99. Nesse contexto, voto por novamente converter o julgamento em diligência. A fim de evitarmos maiores transtornos, repito os termos das solicitações anteriores, acrescentando ainda um requerimento adicional: A autoridade fiscal responsável pela diligência deverá intimar a Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada: a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM (coeficiente de lucro arbitrado de 9,6% para IRPJ e 12% para a CSLL); b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais remuneradas mediante comissões (diferença entre os valores percebidos pela Recorrente e aqueles a serem repassados às empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A – na determinação do lucro arbitrado, coeficiente de 38,4% para o IRPJ e 32% para a CSLL); c) elaborar demonstrativo quantificando os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre as receitas apuradas conforme itens “a” e “b” acima (considerandose que IRPJ e CSLL deverão ser apurados trimestralmente com base no lucro arbitrado e PIS e Cofins mensalmente no regime cumulativo), deduzindo os valores por ela já declarados à RFB, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser declarados à Receita Federal. A Recorrente poderá se utilizar, se assim entender, da escrituração contábil acostada em sede de impugnação/recurso. De Fl. 30159DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.160 25 qualquer forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados. Esclarecese que a eventual utilização da nova escrituração apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma de tributação adotada pela Interessada. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos. Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. Por meio do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 30243029, a autoridade fiscal responsável descreveu o resultado da diligência realizada, cientificando o contribuinte e abrindolhe prazo para sua manifestação. A Recorrente manifestouse por meio do expediente de fls. 8.8908.894, a autoridade fiscal responsável pela diligência por meio de tabelas os valores das receitas e bases de cálculo que devem ser mantidos na exigência, tendo em vista a identificação da origem de cada uma das receitas. Os valores levantados consideram os valores já declarados espontaneamente pela Recorrente em DCTF. Frisase que os dados entabulados foram elaborados a partir da documentação e planilhas apresentadas pela própria Recorrente. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência em 09 de setembro de 2016 (fl. 30030), com abertura de prazo para apresentação de manifestação por parte da Recorrente. Não consta dos autos qualquer resposta apresentada pela Interessada. É o relatório. Fl. 30160DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.161 26 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. Ambos os recursos já foram conhecidos quando da conversão do julgamento em diligência. 1 RESUMO DA LIDE Conforme já relatado, tratase de exigência de IRPJ e reflexos, com arbitramento de lucros, em razão de omissão de receitas por presunção legal (depósitos bancários supostamente sem de comprovação da origem de valores (art. 42 da Lei nº 9.430/96). O arbitramento de lucros deuse em razão de a movimentação financeira/bancária não se encontrar devidamente registrada na escrituração da Recorrente. A Recorrente contesta os valores apurados como receita tributável omitida, aduzindo, em apertada síntese, que por atuar no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel, a maior parte das suas vendas (mais de 94%), apenas transita em suas contas bancárias, sendo posteriormente repassada para as operadoras de telefonia ou outra intermediárias, concluindo ao final que "o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringese apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas)”. Contesta ainda a coexistência de lançamento com base em depósito bancário e o arbitramento de lucros, bem como o coeficiente de presunção de lucro utilizado pela Fiscalização. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 DAS ARGUIÇÕES DE NULIDADE No entendimento da Recorrente, a autuação seria nula em razão dos seguintes pontos: Sigilo bancário: os dados teriam sido obtidos por quebra do sigilo bancário sem a necessária autorização judicial mesmo após o advento da LC n° 105/01. Cita recente precedente do STF; Depósitos Bancários: não haveria autorização legal para utilização da presunção legal “no atacado”. O Auditor teria se limitado a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Isto faria parte do dever legal da Fiscalização, conforme determina o art. 142 do CTN. Questiona, assim, a possível falta de amparo legal para presunção de omissão de receita de depósitos bancários, de forma generalizada, obrigando o contribuinte a proceder a uma autofiscalização ante à inversão do ônus da prova trazido pela presunção legal; Percentual de presunção de lucro de 32%: alega que houve aplicação de tal percentual de forma genérica, inobservandose a atividade desenvolvida pela autuada. Fl. 30161DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.162 27 Passo à análise das nulidades suscitadas. 2.1.1 SIGILO BANCÁRIO E NULIDADE Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da Recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 30162DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.163 28 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De toda forma, salientase que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314 (com repercussão geral reconhecida), e das Ações Diretas de Inconstitucionalidade 2390, 2386, 2397 e 2859 reconheceu a constitucionalidade dos dispositivos da Lei Complementar 105, de 2001, que tratam da transferência do sigilo bancário ao Fisco. Argumenta também a Recorrente que o procedimento fiscal seria nulo em razão de suposta “quebra” de seu sigilo bancário. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pela descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal. Fl. 30163DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.164 29 Rejeito, assim, essa preliminar de nulidade. 2.1.2 AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DE LUCRO Em relação a tais temas, deixoos de tratar como preliminares, por dizerem respeito ao mérito da exigência, analisados em tópicos específicos do voto. 2.1.3 CONCLUSÃO QUANTO ÀS PRELIMINARES SUSCITADAS Ante o exposto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Desse modo, rejeito as preliminares de nulidade. 2.1.4 DA SUPOSTA INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELA DRJ Entende a Recorrente que a turma julgadora a quo inovou o lançamento. Isso porque, ao considerar que os depósitos bancários teriam origem identificada, qual seja, as receitas auferidas pela Interessada, desnaturou o lançamento realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Discordo de tal entendimento. Se, por um laudo, restou incontroversa que a origem dos depósitos advém das operações realizadas pela Recorrente para auferir sua renda, tal comprovação foi realizada somente em sede de impugnação. Não teria, assim, como a autoridade lançadora deixar de realizar o lançamento considerando como receita o valor de cada crédito bancário sem comprovação de origem. Nesse sentido, destaco excertos do voto condutor do aresto atacado: Do teor dos contratos acima citados, a conclusão que se extrai, é que a Impugnante, mesmo obrigada a seguir alguns parâmetros estabelecidos pelo contratante, exercia de forma autônoma toda a logística de distribuição destes cartões de telefonia prépagos, negócio jurídico que se propôs a desenvolver, assumindo integralmente todos os ônus dos encargos trabalhistas, tributários e previdenciários, não restando dúvida alguma, de que toda a receita auferida em decorrência da sua atividade empresarial, deveria ser submetida à tributação segundo as normas estabelecidas para apuração do IRPJ e demais tributos federais. O contrato não prevê nem consta nos autos, nenhuma comprovação de que a impugnante tenha exercido simplesmente a intermediação de negócios de terceiros ou que tenha exercido representação comercial autônoma, o que lhe permitiria registrar como receita tributável, apenas o valor das comissões recebidas. Ao contrário, todas os contratos estabelecem de forma clara e objetiva a total autonomia da autuada na gestão da sua atividade empresarial, o que, de pronto, afasta qualquer possibilidade de agenciamento ou representação comercial nas operações comerciais aqui tratadas. Fl. 30164DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.165 30 Resta a conclusão de que os recursos contabilizados ou não pela impugnante foram originados da sua atividade comercial e resultaram dos seus negócios jurídicos efetuados de forma direta, qual seja, prestação de serviço de distribuição dos meios necessários para que os consumidores finais, obtenham a prestação de serviço de telefonia a ser prestado pelas operadoras detentoras da concessão pública e como tal deveriam compor a sua receita bruta na forma do art. 279 do RIR/1999, com o conseqüente oferecimento à tributação: [...] Concluise desta forma, que todos recursos que transitaram na conta corrente bancária da impugnante, decorrem da sua atividade empresarial. Tal atividade consiste na prestação de serviço de distribuição por conta própria, dos meios necessários para que os consumidores finais, obtenham a prestação de serviço de telefonia das operadoras detentoras da concessão pública e como tal, todos os recursos auferidos deveriam compor a sua receita bruta para fins de tributação. (g.n.) [...] Devidamente intimado pelo fisco, antes do lançamento o contribuinte confirma a titularidade dos valores depositados nas suas contas correntes e confessa de forma genérica, que estes eram decorrentes da sua atividade empresarial, sem, no entanto, comprovar de forma individualizada durante o procedimento de fiscalização, a razão específica de cada depósito, apresentando os documentos hábeis e idôneos que teriam sustentado estas operações. Em conformidade com o dispositivo legal acima transcrito, os valores creditados em conta bancária, sem a devida comprovação de sua origem, representam receitas omitidas, e caberia à pessoa jurídica provar de forma individualizada por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos tiveram origem em receitas omitidas e foram auferidos ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, conforme estabelece o já citado § 1° do art. 287 do RIR/1999. [...] A apresentação em sede de julgamento, dos comprovantes individualizados das operações que deram origem aos depósitos bancários, providencia esta que deveria ser adotada no decorrer do procedimento fiscalizatório, só invalida ou descaracteriza o lançamento de modo a afastar a omissão já presumida, se, juntamente com os documentos apresentados, se demonstre, também, que tais operações não eram receitas tributáveis (transferência entre contas, isenções, imunidade etc), ou que já teriam sido objeto de tributação, de modo a elidir ou afastar a omissão já consumada, sob pena de se admitir a possibilidade da existência de lançamento condicionado aos interesses e oportunidades do sujeito passivo, o que a jurisprudência administrativa, como já visto, não admite. Há de ressaltar, ainda, o disposto no § 2º do art. 42 da Lei 9.430/96: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem Fl. 30165DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.166 31 sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Conforme se observa, uma vez comprovada a origem dos depósitos bancários, e demonstrada que as receitas respectivas não foram computadas nas bases de cálculos dos tributos, isso deve ser realizado de ofício. E se tal confirmação se deu somente na fase litigiosa, após a lavratura dos autos de infração, não há que se falar em inovação do lançamento quando aplica exatamente o disposto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Até mesmo porque a comprovação da origem do depósito em sede de impugnação não desnatura a caracterização de receita. O lançamento, tal qual realizado, mostrouse perfeito ante aos elementos então disponíveis. Restou a discussão somente em relação à sua quantificação e graças aos elementos somente alcançados pela Recorrente em sua peça impugnatória. Com efeito, a decisão recorrida em hipótese alguma aperfeiçoou o lançamento, limitandose a adequar o julgado aos elementos carreados em sede de impugnação, nos estritos termos do disposto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim sendo, rejeito tal arguição de nulidade da decisão recorrida. 2.2 DO PEDIDO DE PERÍCIA O interessado requereu em sua impugnação a realização de perícia a fim de demonstrar que os valores de receitas efetivamente auferidos são os que constam em sua escrituração contábil refeita após a formalização de exigência. Os valores contabilizados refletiriam fielmente os créditos em contas correntes da Recorrente, bem como os valores pertencentes a terceiros efetivamente transferidos e não correspondentes a receitas de sua atividade. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido de perícia. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Fl. 30166DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.167 32 Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. No decorrer do procedimento fiscal, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, colacionando documentos sem identificação individualizada dos créditos em contas correntes a que se refeririam. Em se de impugnação a Interessada anexou mais de 20.000 documentos que comprovariam a origem dos depósitos. Contudo, a turma julgadora a quo, embora entendesse que restou comprovada que a origem de tais créditos advém das operações realizadas pela Recorrente, concluiu que as receitas da Interessada equivaleriam ao valor integral de cada depósito, enquanto a Recorrente defende a tese de que somente um pequeno percentual de cada depósito corresponde à receita própria. Em relação aos valores foram passíveis de identificação de origem diversa de renda, foram excluídos da exação já no julgamento de primeira instância. Tratandose da análise de provas documentais, resta demonstrada a desnecessidade de perícia, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia. De toda forma, este colegiado converteu o julgamento em diligência em duas oportunidades a fim de oportunizar ao contribuinte a demonstração do montante efetivo de suas receitas auferidas, o que foi realizado a contento conforme se discorrerá a seguir. 2.3 MÉRITO A decisão recorrida tece excelente resumo sobre o mérito da lide, razão pela qual transcrevoo: Quanto ao mérito, observase que a impugnante, mesmo alegando a impossibilidade de justificar de forma individualizada, a origem de todos os depósitos bancários que serviram de base para o lançamento, especialmente pelo entendimento emitido pela SEFAZ Bahia pela desnecessidade da emissão de notas fiscais do ICMS, traz ao PAF documentos inseridos em aproximadamente 20.000 mil fls., que, em sua ótica, comprovariam que a origem dos referidos depósitos bancários teria vinculação às seguintes atividades: Fl. 30167DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.168 33 • operação de recarga física; • recarga eletrônica; • operações da Loja Tim; • transferências entre contas da mesma titularidade; • contratos de Locação com a CEMIG; • contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda.. Ao final, para demonstrar que teria oferecido toda sua receita à tributação, informa que refez toda sua contabilidade com inserção de toda a sua movimentação bancária, ratifica o pleito pela aplicação do percentual de lucro de 8% ao invés dos 32% aplicados pelo fisco e acrescenta o pedido para que seja reconhecida a impossibilidade de cumulação da presunção de receita com arbitramento, e a não incidência dos juros sobre a multa de ofício. Passase à análise das questões de mérito controvertidas. 2.4 DO ARBITRAMENTO DE LUCROS Em resumo, baseado no fato de que a escrituração da Recorrente não refletia a vultosa movimentação financeira em suas contas bancárias, procedeu a autoridade autuante ao arbitramento de lucros. Entendo assistir razão à Fiscalização. A decisão recorrida analisou a questão com maestria, devendo ser mantida, a teor do disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, pelos seus próprios fundamentos, os quais transcrevo a seguir: No Termo de Verificação Fiscal de fls. 36 a 250, alega a Autoridade Fiscal, que a base de cálculo do IRPJ foi apurada por meio de arbitramento, uma vez que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Acrescenta que por meio dos Termos de Constatação e Intimação Fiscal de n° 01 a 03 , "selecionou diversos lançamentos de créditos e intimou o contribuinte para comprovar a origem, informando por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos". "Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas Fl. 30168DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.169 34 como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatálos. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock". "Como os documentos apresentados não se vinculavam individualmente aos créditos bancários apresentados, lavrouse TERMO DE REINTFMAÇÃO FISCAL N 0001. Em resposta ao termo de reintimação, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os mesmos documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por se só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados". A análise dos documentos apresentados pela Impugnante em respostas às diversas intimações e reintimações do fisco nos permite concluir, que, de fato, durante o procedimento fiscal até a lavratura do auto de infração, os documentos apresentados não se correlacionavam de forma direta, aos depósitos bancários apresentados nas intimações, limitandose a justificativas genéricas dos valores depositados. No documento intitulado Termo de Resposta (fls 990 a 1.379), onde o contribuinte atendendo às diversas intimações, busca justificar os depósitos efetuados em suas contascorrentes, constam de forma resumida, as seguintes informações: • Cumprenos esclarecer que a Intimada atua como distribuidora e/ou intermediária na venda de recarga prépaga para a telefonia móvel. No caso concreto, a Intimada é contratada tanto pelas operadoras, para atuar como primeira intermediária, como também por distribuidoras, hipótese em que atua como intermediária secundária perante os pontos de vendas. • Cabe à Intimada, enquanto intermediária, organizar o recolhimento do produto das vendas, seja através de depósitos ou transferências bancárias ou mesmo boletos...Do valor repassado pelos "pontos de venda" à Intimada já é descontado o valor de sua parcela efetivamente considerada receita, assim como a Intimada repassa à outra intermediária ou à operadora o valor das vendas, já descontada sua parcela na operação de compra e venda. • Observese que, embora grande parte do produto das vendas transite por contas bancárias da Intimada, o resultado de sua atividade econômica, na qualidade de intermediária em relação aos "pontos de venda", é apenas o valor de sua receita efetiva, que é a remuneração pela intermediação. • Valores Creditados em Conta Bancária De acordo com planilha disponibilizada pela Fiscalização, ao longo do ano de 2008, a Intimada teve lançamentos a crédito em sua conta bancária que totalizaram R$ 149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavo). • De plano, cumpre destacar que, desse montante, R$ 21.447.546,00 (vinte e um milhões, quatrocentos e quarenta e sete mil, quinhentos e quarenta e seis reais) referemse a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações entre contas bancárias da própria Intimada, conforme se depreende dos extratos em anexo (Anexo 3 para Transferências e Anexo 4 para Empréstimos Bancários). Fl. 30169DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.170 35 • Já o montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões, trezentos e trinta e um mil, seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos) encontrase devidamente registrado na contabilidade da Intimada, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados (Anexo 5). • Por fim, o valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões, quinhentos e vinte e nove mil, seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos) referese a quantias que apenas transitaram por contas bancárias da Intimada, na medida em que relativas ao produto das vendas de recargas de telefonia celular que foram repassados a outras intermediárias quando a Megagiro exercia o papel de intermediária secundária. • Em anexo, além de contratos com essas empresas, seguem recibos por ela emitidos que comprovam que receberam, mediante repasse, tais valores, bem como os comprovantes de depósito e/ou boletos bancários emitidos pelos respectivos intermediários primários (Anexo 6 para os demonstrativos da empresa RV Tecnologia e Sistemas S/A e Anexo 7 para os demonstrativos da Tendência Informações e Sistemas Ltda). Nas informações apresentadas ao fisco antes do lançamento, a Impugnante confessa que de um total de R$ R$ 149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavo) que segundo a mesma, teria transitado pelas suas contascorrentes, apenas R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões, trezentos e trinta e um mil, seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos ) estaria registrado em sua contabilidade já que considera apenas as comissões recebidas como sua receita tributável e que R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões, quinhentos e vinte e nove mil, seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos) seriam recursos transferidos a terceiros, e não submetidos a registros contábeis e à tributação. Acatar o entendimento contido na defesa, de que o resultado efetivo das operações comerciais de revenda de cartões telefônicos, por se tratar de recursos que seriam transferidos a terceiros a qualquer título, poderia simplesmente ser depositado em contas transitórias próprias, e posteriormente transferidos a outra pessoa jurídica sem qualquer procedimento prévio de contabilização, além de se caracterizar pela mais completa confusão administrativa e funcional, afastaria por completo a aplicação do princípio contábil da entidade, entre outros, exigido pelo art. 1.179 do Código Civil de 2002, Lei n° 10.406/2002, verbis: Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. A contabilidade como ciência que tem por objeto o patrimônio das entidades (ou seja, de qualquer pessoa física ou jurídica detentora de um patrimônio) e por finalidade seu planejamento e controle, adota entendimentos e interpretações que são uniformizados por meio das Normas Brasileiras de Contabilidade, estabelecidas por Resolução do Conselho Federal de Contabilidade. E, dentre referidas resoluções, temse a Resolução CFC n° 750/93, que aprovou os Princípios Fundamentais da Contabilidade estabelecidos por Normas Fl. 30170DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.171 36 Brasileiras de Contabilidade (no caso, Norma Técnica, NBC T 1) e, em seu art. 2°, assim os conceituou: "Art. 2° Os princípios Fundamentais de Contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento predominante nos universos científico e profissional de nosso País. Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades. " No art. 3° da citada Resolução, estão relacionados os Princípios Fundamentais da Contabilidade e, a partir do art. 4°, a definição de cada um deles. E o primeiro princípio previsto no inciso I do art. 3° é o Princípio da Entidade, assim definido no art. 4°: Art. 4°. O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único. O Patrimônio pertence à Entidade, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônio autônomo não resulta em nova Entidade, mas numa unidade de natureza econômicocontábil." No caso aqui tratado, observa que a Autoridade Fiscal, com base no art. 530, inc. II, considerou que a escrituração mantida pelo contribuinte, em face do não registro de toda sua movimentação financeira e comercial, era imprestável para apuração do lucro real, fato inclusive reforçado pela informação contida na defesa, onde o contribuinte confessa que movimentou recursos na ordem de R$ 49.529.683,21 à margem da contabilidade e informa que após o lançamento, teria corrigido o seu erro providenciando a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. Em conclusão ao item da recontabilização, requer a impugnante que se eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável e NAO da forma em que se procedeu no caso em apreço. De plano, cumpre esclarecer que as empresas submetidas à tributação com base no Lucro Real devem manter escrituração com observância das legislações comerciais e fiscais, conforme determina o Art. 251 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, o que não ocorreu no caso sob exame: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 7°). Fl. 30171DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.172 37 Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2°, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 25). Ressaltese que o arbitramento não pode ser desconstituído pela apresentação dos livros e documentação após a realização do lançamento, pois sendo um procedimento vinculado à lei, nos termos do artigo 142, do CTN, não está condicionado ao sabor dos interesses do sujeito passivo. Não existe a figura do lançamento condicional conforme jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. ARBITRAMENTO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tãosomente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional" (1° CC, 8a Câmara, acórdão n° 108 06.053 de 16/03/2000). ARBITRAMENTO LANÇAMENTO CONDICIONAL IMPOSSIBILIDADE – O lançamento fiscal, calcado no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, tendente a formalizar a exigência conceituada no art. 3° do mesmo Código, não é ato condicionado ao sabor dos interesses e oportunidades do sujeito passivo. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têlo adotado no tempo devido" (1° CC, 7aCâmara, acórdão n° 10706368, de 21/08/2001). Cabe salientar que o lucro arbitrado não se confunde com penalidade, pois assim como o lucro real e o lucro presumido, representam modalidades de apuração da base de cálculo do imposto de renda previstas pela legislação ordinária, que determina as condições em que poderão ser utilizadas. A tributação com base no lucro arbitrado quando motivada pela desobediência a um preceito legal — no caso a confessada ausência de contabilização de parte considerável da movimentação financeira e comercial — é uma alternativa legal para determinação da base tributável idealizada pelo legislador como medida de salvaguarda da Fazenda Pública, quando se mostrar impraticável a apuração do resultado mediante a forma de tributação escolhida pelo contribuinte. Assim mantenho o arbitramento efetuado em todos os seus termos. Fl. 30172DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.173 38 A respeito da apresentação posterior da escrituração contábil supostamente sem vícios, incide o enunciado número 59 da Súmula CARF, assim vazado: “A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.” Desse modo, o arbitramento de lucros levado a efeito pelo Fisco não merece reparos. 2.4.1 Da suposta impossibilidade de cumulação da presunção de omissão de receita com o arbitramento da base de cálculo Divirjo da posição da Recorrente quanto à pretensa impossibilidade de convivência entre a omissão de receitas com base em depósitos bancários e o arbitramento de lucros. Como a infração de omissão detectada pelo Fisco (omissão de receita com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96) não possui correlação e tampouco é quantificada com base na escrituração contábil do contribuinte, não há qualquer impossibilidade de coexistência entre a presunção de omissão de receitas e o arbitramento da base de cálculo. Tratamse de questões absolutamente independentes. 2.5 DA OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Recorrente foi acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos Fl. 30173DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.174 39 arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. No decorrer do procedimento fiscal, embora apresentados argumentos sobre a possível origem dos valores lançados a débito de suas contas bancárias, não houve apresentação da documentação que vinculasse individualmente os depósitos controvertidos. Fl. 30174DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.175 40 Em sede de impugnação, frisese, e somente em tal momento, a Recorrente apresentou ampla gama de documentos buscando comprovar que a origem dos créditos em suas contas advieram dos recebimentos referentes às operações de compra e venda e também de intermediação/distribuição de cartões e créditos de celulares prépagos. Haveria também depósitos referentes à venda de aparelhos telefônicos. Indicaramse ainda valores objeto de tributação por parte do Fisco que teria origem em operações de mútuo e transferências de contas da própria Recorrente. Ao analisar a documentação, a turma julgadora a quo excluiu da tributação os valores referentes às transferências entre contas da própria Recorrente e também o montante relativo a mútuos. Concluiu, contudo, que os demais depósitos de fato correspondiam à renda, mais especificamente, advinda diretamente das operações realizadas pela Recorrente. Entendeu, contudo, que o valor da receita da Recorrente seria a totalidade dos depósitos, e não somente o spread apontado em suas peças de defesa. Isso porque as operações perpetradas pela Recorrente seriam realizadas em conta própria, ou seja, a totalidade dos valores que transitavam em suas contas pertenceriam a Recorrente, e o suposto percentual de ganho apontado em impugnação nada mais seria do que o lucro, tal qual ocorreria em qualquer ramo de atividade. Conforme esclarecido, não se trata de inovação de lançamento. No que tange à alegada utilização incorreta da presunção legal de omissão de receitas estampada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não vislumbro qualquer incorreção que pudesse levar à nulidade do lançamento. Ante ao arbitramento de lucros levado a efeito pela autoridade autuante, os custos incorridos pela Recorrente passaram a ser irrelevantes à quantificação das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Nesse cenário, a questão crucial para solução da lide passa pela definição quanto à correta quantificação das receitas da Recorrente. 2.6 DA ATIVIDADE EXERCIDA PELA RECORRENTE E A DETERMINAÇÃO DA RECEITA BRUTA Por bem refletir a descrição das atividades exercidas pela Recorrente, reproduzo excerto do voto condutor da decisão recorrida: Em vários pontos da defesa apresentada, cuidase em demonstrar que a principal atividade econômica desenvolvida pela impugnante, é a distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel, seja por meios físicos (cartões) ou eletrônicos via sistema POS. Além desta atividade, exercia também a Impugnante o controle operacional de Lojas da operadora TIM onde vendia aparelhos celulares e também intermediava venda e planos póspagos mediante remuneração por comissão. Fl. 30175DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.176 41 A defesa apresentada traz o entendimento, de que o resultado da sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição destas recargas, restringirseia apenas às comissões recebidas, já que esta seria a sua efetiva remuneração. A Lei n° 9.472, de 16.07.1997 conhecida como Lei das Telecomunicações conceitua serviços de telecomunicações como "conjunto de atividades que possibilita a oferta de telecomunicação", acrescentando em seu art. 60 § 1° que "telecomunicação é a transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza". Concluise assim, que prestador de serviço de telecomunicação é o sujeito que exerce as mencionadas funções de transmissão, emissão ou recepção, serviços esses regulados pela Lei das Telecomunicações. A revenda ou distribuição de créditos ou cartões telefônicos efetuadas de forma terceirizada por empresas contratadas para este fim específico, não se caracteriza por prestação de serviço de telecomunicações e com este não se confunde, haja vista que o distribuidor de cartões telefônicos não executa "a transmissão, emissão ou recepção (...) de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza”. O distribuidor tão somente fornece os meios para a obtenção dos serviços das empresas de telecomunicações. No caso sob exame, ocorreram contratos de distribuição tanto de forma direta com as operadoras de telefonia (TIM, VIVO, CLARO), como contratos de distribuição efetuados com empresas já terceirizadas por outras operadoras (Tendências, RV Tecnologia), contratos estes, que tinha por objetivo o seguinte: Tendência Informação e Sistemas Ltda fls. 3.289/3.299 Objeto do Contrato Prestação de Serviço de armazenamento e guarda de PIN Numbers de recarga na plataforma pela Tendência, após a compra dos mesmos pelo Distribuidor, além da disponibilização da infraestrutura tecnológica e de sistemas para realização da transação, destinada a autorização de inserção de crédito por meio de recarga eletrônica ao usuário de paraelho celular prépago, diretamente pela operadora de telecomunicações, incluindo software de gerenciamento do processo de vendas, disponibilização de tela para cadastro de PDRs, tela para controle de estoques, telecomunicações, locação de equipamentos e treinamento. RV Tecnologia e Sistemas S/A fls. 3.300/3.320 Objeto do Contrato Através do presente contrato as partes acima nomeadas estipulam e reciprocamente aceitam as cláusulas e condições que regularão a prestação de serviços de distribuição de créditos de telefonia, contrato n° 45787, firmado entre a contratante e a contratada, em 13 de março de 2008. Operadora VIVO fls. 3.306/3.320 Objeto do Contrato As partes resolvem firmar o presente Contrato de Prestação de Serviços de Recebimento de Pagamentos de Crédito de Telefonia PréPagos, doravante denominados Contrato, mediante as seguintes clásulas e condições: O presente Contrato tem por objeto a prestação pela Contratada, dos serviços de recebimento de pagamentos decorrentes da aquisição de Créditos pelos usuários para utilização do serviço prépago oferecido pela contratante através da Fl. 30176DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.177 42 rede de ponto de vendas afiliados à contratada, localizada e estabelecida nas áreas onde a contratante possui autorização para operar SMP. Operadora CLARO fls. 3.321/3.338 Objeto do Contrato O presente Contrato tem por objeto: (i) a distribuição pela Contratada, de créditos digitais emitidos pela CLARO, aos Pontos de Vendas (PDVs) localizados na área de atuação da CLARO, ressalvados o disposto no item 2.1.1 baixo; (ii) prospecção, nomeação, credenciamento e gerenciamento de PDVs, para incrementar a comercialização de Créditos Digitais; (iii) captura, transporte, certificação e processamento das transações eletrônicas objetivando a Recarga de Créditos Digitais, em tempo real, pelo usuário do serviço prépago. Operadora TIM fls. 3.339/3.359 Objeto do Contrato O objeto do presente contrato é a compra e venda, pela TIM à CONTRATADA, de unidades de recarga, na área de Atuação e Segmento(s) de Mercado definidos neste Instrumento, com objetivo de revenda de Recarga pela Contratada, aos clientes TIM. Concluiu a turma julgadora a quo que os valores que circulavam nas contas da Recorrente correspondiam a receitas. Tratarseia de operação de prestação de serviço em conta própria, e, ante ao disposto no art. 279 do RIR/99, os valores percebidos corresponderiam ao conceito de receita bruta, não havendo que se falar em spread ou comissão pelos serviços prestados. Concordo, em parte, com as conclusões da autoridade fiscal. No que tange ao contrato com a TIM, não há dúvidas que a totalidade dos valores percebidos pela Recorrente corresponde ao conceito de receita bruta. Conforme o próprio contrato indica, tratase de operações de compra e venda de unidades de recarga. Não há dúvida da inexistência de equívoco na designação da espécie do contrato. Reproduzse excertos do contrato entre a Recorrente e TIM (fl. 3342): Fl. 30177DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.178 43 Fl. 30178DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.179 44 Vêse claramente que a Recorrente adquire os créditos, revendendoos livremente. Não há comissão ou qualquer forma de pagamento/remuneração da TIM à Recorrente. E o pagamento de tais aquisições deverá ser realizado no prazo de 30 dias, conforme determina a cláusula 2.2. A esse respeito, convém ressaltar que se a Recorrente vier a não receber pelas revendas de recargas, tal não fato não a exime da obrigação de efetuar o pagamento à TIM, conforme estatui a cláusula 11.2 (fl. 3350) reproduzida a seguir: Nesse cenário, não há dúvidas quanto à caracterização de compra e venda. Contudo, e considerando que houve arbitramento de lucros, tal fato implica a utilização de Fl. 30179DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.180 45 coeficientes de presunção de lucro aplicáveis às operações comerciais (9,6% para IRPJ e 12% para CSLL). Do mesmo modo, em relação às revendas de aparelhos de telefone originados da TIM, tratase de operações de compra e venda. No mesmo sentido, assim decidiu o então Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda de empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas. (Acórdão 20181.083, 2° CC 1a Câmara, Sessão de 10 de abril de 2008). "(...). PIS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda da empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas. Recurso negado. " (cf. Acórdão n° 20179.266, da 1 Câmara do 2° CC, Recurso n° 130.989, Processo n° 10380.011575/200335, em sessão de 23/05/2006, rel. Conselheiro José Antonio Francisco, publ. in DOU de 15/02/2007, Seção 1, pág. 94; no mesmo sentido cf. Acórdão n° 20179.265, Recurso n° 130.988, Processo n° 10380.011574/200391 na mesma sessão). A esse respeito, convém ressaltar ainda que recentemente a Secretaria da Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 761, de 28 de março de 2014 pronunciouse de forma definitiva2 sobre o tema, nos seguintes termos: SIMPLES NACIONAL. RECARGA DE CELULARES. A venda, ao usuário, de créditos telefônicos para recarga de celulares, com ou sem o suporte físico de ficha, cartão ou assemelhado, por pessoa jurídica que não se qualifica como concessionária de serviço público de telecomunicação, não constitui serviço de comunicação nem configura sua intermediação. Destarte, é atividade permitida aos optantes pelo Simples Nacional e suas receitas são tributadas pelo Anexo I da Lei Complementar nº 123, de 2006. A base de cálculo, nesse caso, corresponde à totalidade dos valores recebidos do usuário, porquanto se trata de operação feita em conta própria. 1 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/SolucoesConsultaCosit/2014/SCCosit762014.pdf>. Acesso em: 23 abr 2014. 2 Com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 2013, as Soluções de Consulta Disit e as Soluções de Divergência passam a ter efeito vinculante no âmbito da RFB, bem como respaldando o sujeito passivo que a aplicar, ainda que não seja o consulente, conforme determina o art. 9º de tal dispositivo infralega, verbis: "Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento." Fl. 30180DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.181 46 Ora, se o Anexo I da Lei Complementar 123 é aplicável às receitas das atividades comerciais, a própria RFB confirma a tese de que a operação em análise referese à atividade comercial. Vêse, assim, que, em relação às operações de revenda de recargas e celulares da TIM, a controvérsia tratada nos autos não mais subsiste, pois o próprio ente autuante entende que a atividade desenvolvida pela Recorrente é comercial. Nesse caso, aplicáveis os coeficientes de presunção de lucro de 8% para determinação da base de cálculo IRPJ e 12% para a de CSLL, em caso de lucro presumido, ou de 9,6% para IRPJ e 12% de CSLL na hipótese de lucro arbitrado. Tratase, na realidade, de espécie de autocomposição entre as partes. Nesse sentido, traçandose um paralelo do processo administrativo fiscal com o processo civil, o ato emanado pela RFB, equivale “à renúncia ao direito que se funda a ação”. Equiparandose o auto de infração à petição inicial, e a impugnação à contestação, concluise que a RFB deu o primeiro passo para a formação do litígio com a formalização da exigência. Não se desconhece que o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 assevera que o litígio somente se forma a partir da apresentação da impugnação. Contudo, há de se considerar que tal litígio necessita de um ato inaugurador da controvérsia, que é a exigência tributária por parte do Fisco. Pois bem, diante de tal cenário, entendo que a edição de atos por parte do autor que reconhece a insubsistência do direito material em que se funda a exigência do crédito tributário equivale à renúncia do próprio crédito em discussão. Sob a ótica do processo civil, vejamos como a doutrina aborda o tema. Para Humberto Theodoro Júnior, [...] ocorre renúncia quando, de forma expressa, o autor abre mão do direito material que invocou quando da dedução de sua pretensão em juízo. Demitindo de si a titularidade do direito que motivou a eclosão da lide, o autor elimina a própria lide. E, sem lide, não pode haver processo, por falta de objeto. Manifestada ou provada nos autos a renúncia do autor ao direito material sobre que se funda a ação, o juiz dará por finda a relação processual, através de sentença, em cujos termos reconhecerá estar solucionada a lide (julgamento de mérito). [...] a manifestação de vontade de renunciar só pode ser expressa e deve constar de documento escrito juntado aos autos.3 Fredie Didier Júnior, por sua vez, observa que, tratandose de autocomposição, deve ser exarada decisão que homologa a conciliação, de modo a pôr fim à 3 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. Vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 331332. Fl. 30181DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.182 47 controvérsia.4 Esclarece ainda que a conciliação judicial, em qualquer de suas modalidades, pode se dar por termo elaborado por escrivão, mas também por documento extrajudicial que, uma vez juntado aos autos, não implica sua redução a termo.5 Por fim, Darci Guimarães Ribeiro ensina que [...] enquanto na confissão, a parte declara a verdade de um fato contrário ao seu interesse, na renúncia, o autor não declara nenhum fato afirmado pelo réu e contrário ao seu interesse, mas somente a inconsistência jurídica da ação. A confissão pode emanar tanto do autor quanto do réu; a renúncia é ato privativo do autor, segundo de depreender do inc. V do art. 269 do CPC. 6 (p. 91) Ora, uma vez caracterizada a renúncia ao direito em que se funda a ação, o Código de Processo Civil, em seu art. 269, V7, estabelece que haverá extinção do processo com resolução do mérito. Nesse contexto, e considerandose que a própria Receita Federal do Brasil entende que o direito em que se funda a exigência fiscal em relação às operações de compra e venda de recargas para linhas de aparelhos celulares, em relação aos coeficientes de presunção de lucro aplicáveis, é inconsistente, entendo que se deva dar provimento ao recurso voluntário nesse particular, determinandose a aplicação do coeficiente de 9,6% para o IRPJ (lucro arbitrado) e 12% para a CSLL. Já em relação aos contratos com CLARO, VIVO, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A, concordo com a decisão recorrida quanto à caracterização de prestação de serviço, discordando, contudo, do quantum dos valores percebidos que de fato corresponde à receita bruta da Recorrente. A meu ver, resta cristalino tratarse de prestação de serviço remunerada mediante comissão. Vejase excertos dos contratos em questão: Contrato Claro – fls. 3326 e 3335 (Anexo II) 4 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Introdução ao Direito Processual Civil e Processo de Conhecimento. 13. ed. Vol. 1. Salvador: Editora JusPodivm, 2011, p. 580. 5 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Introdução ao Direito Processual Civil e Processo de Conhecimento. 13. ed. Vol. 1. Salvador: Editora JusPodivm, 2011, p. 581. 6 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 91. 7 Art. 269. Haverá resolução de mérito: [...] V quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. Fl. 30182DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.183 48 Contrato VIVO – fls. 3307, 3309 e 3310 Fl. 30183DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.184 49 [...] [...] Entendo haver demonstração suficiente de que parte dos recursos que transitaram pelas contas correntes do contribuinte não advieram de operação onerosa entre a Recorrente e os adquirentes de recargas, mas sim mera intermediação entre as operadoras de telefonia celular e seus clientes, remunerada mediante comissão. Assim, tratandose de mero repasse de recursos oriundos de operação entre terceiros, não deve prosperar a acusação de omissão de omissão de receitas em relação ao montante depositado em conta corrente, mas sim somente em relação aos valores das comissões percebidas, equivalente à diferença entre os valores depositados em conta corrente e os valores repassados ou às primeiras intermediárias ou às próprias operadoras de telefonia celular (no caso VIVO e Claro). Com efeito, tratandose de prestação de serviços – remunerada por comissão – devese tributar tão somente a parcela que pertence à Recorrente, utilizandose, para tanto, os coeficientes de presunção de lucro aplicáveis aos prestadores de serviços, quais sejam, 38,4% para IRPJ e 32% para CSLL. Tanto a autoridade lançadora, quanto a turma julgadora a quo agiram bem em relação à conclusão quanto aos coeficientes de presunção aplicáveis no caso concreto. Entendo, contudo, que incorreram em erro em relação ao montante da receita bruta auferida pela Recorrente. Fl. 30184DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.185 50 Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, na parte em que se manteve o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter também essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Ressaltase que não há que se falar em créditos da não cumulatividade em relação ao PIS/Cofins, uma vez que, com o arbitramento de lucros, tais contribuições foram apuradas com base na sistemática cumulativa. É de se destacar o brilhante trabalho realizado pelo patrono, destacando que o resultado do julgamento superaria e muito o real resultado apurado pela Recorrente, causando maiores prejuízos ainda em relação ao PIS e a Cofins. De fato, se o contribuinte fosse tributado com base no lucro real, sobre o custo na aquisição de “créditos” de celulares poderseia apurar créditos de PIS e Cofins, contudo, conforme já abordado anteriormente, o arbitramento de lucros em razão de a Recorrente não ter escriturado sua vultosa movimentação financeira implicou a tributação do PIS e da Cofins na sistemática da cumulatividade, impedindo a apuração de créditos. E, em relação às operações de revenda de recargas e celulares da TIM, tratandose de receitas de vendas, a totalidade dos valores auferidos referese à receita da Recorrente, implicando uma base de cálculo de PIS e de Cofins em maior montante, nos estritos termos da lei. Desse modo, em que pesem os bons argumentos matemáticos apresentados pelo patrono em sua sustentação oral, a apuração dos tributos devidos pela Recorrente decorrem do arbitramento de lucros e da forma de apuração do PIS e da Cofins de acordo com suas receitas auferidas e nos exatos termos previstos na legislação. Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser parcialmente mantidos, excluindose da base de cálculo a diferença entre as comissões percebidas e os depósitos bancários correspondentes. No tocante à quantificação das receitas, assim determinouse na Resolução nº 1402000.349: Fl. 30185DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.186 51 Conforme já relatado, tratase de exigência de IRPJ e reflexos, com arbitramento de lucros, em razão de omissão de receitas por presunção legal (depósitos bancários supostamente sem de comprovação da origem de valores (art. 42 da Lei nº 9.430/96). O arbitramento de lucros deuse em razão de a movimentação financeira/bancária não se encontrar devidamente registrada na escrituração da Recorrente. A Recorrente contesta os valores apurados como receita tributável omitida, aduzindo, em apertada síntese, que por atuar no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga prépaga para telefonia móvel, a maior parte das suas vendas (mais de 94%), apenas transita em suas contas bancárias, sendo posteriormente repassada para as operadoras de telefonia ou outras intermediárias, concluindo ao final que "o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringese apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas)”. Contesta ainda a coexistência de lançamento com base em depósito bancário e o arbitramento de lucros, bem como o coeficiente de presunção de lucro utilizado pela Fiscalização. Na primeira oportunidade em que autos foram analisados por este colegiado, concluiuse pela necessidade de realização de diligência, nos seguintes termos: Conforme exposto, não restam dúvidas quanto à forma de determinação das bases de cálculos e respectiva forma de tributação a ser considerada no presente caso: em relação às operações com a TIM, os depósitos respectivos devem ser considerados omissão de receita em sua integralidade, tributandose o montante respectivo para fins de PIS e Cofins, e utilizandose dos coeficientes de presunção de lucro 9,6% e 12% para determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado); no que tange às operações remuneradas mediante comissão (contratos com Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A), os valores a serem considerados como omissão de receitas devem se limitar à comissão percebida, sendo a respectiva receita bruta utilizada para quantificar as bases de cálculo de PIS e Cofins, bem como, mediante utilização dos coeficientes de presunção de lucro de 38,4% e 32%, as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado). A fim de dar liquidez à exigência, fazse necessária discriminação e determinação das receitas brutas auferidas nas operações de compra e venda (contrato com a TIM), e também nas operações em que a Recorrente foi remunerada mediante comissão (demais contratos). Para tanto, deverá autoridade fiscal intimar a Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada: a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM; b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais remuneradas mediante comissões (diferença entre os Fl. 30186DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.187 52 valores percebidos pela Recorrente e aqueles a serem repassados às empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A). A Recorrente poderá se utilizar, se assim entender, da escrituração contábil acostada em sede de impugnação/recurso. De qualquer forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados. Esclarecese que a eventual utilização da nova escrituração apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma de tributação adotada pela Interessada. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos. Uma vez quantificada as receitas, nos moldes requeridos e nos termos do presente voto, deverá a autoridade fiscal elaborar demonstrativo quantificando os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre elas, deduzindo os valores já declarados pela Recorrente, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser declarados à RFB . Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. Ocorre que a resultado da diligência foi inconcluso quanto aos elementos mínimos necessários para uma tomada de decisão do colegiado. Se, por um lado, não constam nos autos os demonstrativos que se requereu ao contribuinte elaborar, de outra banda, a manutenção da exação nos termos em que lavrados os autos de infração, a par das premissas lançadas na solicitação de diligência em questão, implicaria uma exigência desproporcional aos efetivos ganhos da Recorrente. Tendo em vista os argumentos expedidos pelo patrono da Recorrente a respeito das dificuldades operacionais para se cumprir a contento a diligência naquela ocasião, dificuldades essas já solucionadas, e considerando ainda a afirmação de que já possui os relatórios e demonstrativos elaborados, entendo que seja o caso de nova conversão do julgamento em diligência, ressalvando, desde já, que caso os autos retornem para esta turma julgadora sem as conclusões e informações necessárias para uma melhor tomada de decisões por conta da falta de atendimento, ou atendimento deficiente aos termos desta resolução, ou os esclarecimentos por ventura formulados pela autoridade fiscal responsável pela diligência, implicará a manutenção integral da exigência em razão do Fl. 30187DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.188 53 disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 845, inciso II, do Decreto nº 3.000/99. Nesse contexto, voto por novamente converter o julgamento em diligência. A fim de evitarmos maiores transtornos, repito os termos das solicitações anteriores, acrescentando ainda um requerimento adicional: A autoridade fiscal responsável pela diligência deverá intimar a Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada: a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM (coeficiente de lucro arbitrado de 9,6% para IRPJ e 12% para a CSLL); b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais remuneradas mediante comissões (diferença entre os valores percebidos pela Recorrente e aqueles a serem repassados às empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A – na determinação do lucro arbitrado, coeficiente de 38,4% para o IRPJ e 32% para a CSLL); c) elaborar demonstrativo quantificando os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre as receitas apuradas conforme itens “a” e “b” acima (considerandose que IRPJ e CSLL deverão ser apurados trimestralmente com base no lucro arbitrado e PIS e Cofins mensalmente no regime cumulativo), deduzindo os valores por ela já declarados à RFB, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser declarados à Receita Federal. A Recorrente poderá se utilizar, se assim entender, da escrituração contábil acostada em sede de impugnação/recurso. De qualquer forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados. Esclarecese que a eventual utilização da nova escrituração apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma de tributação adotada pela Interessada. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos. Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. Fl. 30188DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.189 54 Pois bem, assim procedendo, e examinando as informações e documentos apresentados pela Recorrente, concluiu a autoridade fiscal: Fl. 30189DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.190 55 Fl. 30190DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.191 56 Fl. 30191DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.192 57 Tendo em vista que a Recorrente foi intimada a manifestarse sobre o resultado de diligência e não consta dos autos qualquer irresignação esse respeito, e que o resultado da diligência buscou tão somente quantificar as bases de cálculo de acordo com o entendimento de direito firmado por este colegiado, dou provimento parcial ao recurso voluntário para adequar a exigência ao resultado diligência. Em relação ao recurso de ofício, considerandose que os valores excluídos pela decisão de primeira instância diziam respeito a transferências entre contas bancárias e mútuos objeto de crédito nas contas da Recorrente, bem como à exclusão dos débitos já confessados em DCTF, e que na realização da diligência todos esses valores foram levados em consideração, não compondo a base de cálculo (depósitos bancários puro e simples) e/ou excluídos da apuração (débitos confessados em DCTF), considero prejudicado o exame do recurso de ofício, devendo ser quantificados os valores finais devidos pelo contribuinte de acordo com a presente decisão. 2.7 DA INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Por fim, alegou a Recorrente que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Fl. 30192DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.193 58 Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Fl. 30193DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.194 59 Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer Fl. 30194DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.195 60 o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. Fl. 30195DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.196 61 DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Fl. 30196DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.197 62 Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603–CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por considerar prejudicado o recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes à inconstitucionalidade de lei, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e o pedido de perícia, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir da infração 1 do auto de infração (omissão de receitas com base em depósitos bancários) os valores apurados na diligência fiscal, restando ao final a exigência de tributos nos seguintes termos: Fl. 30197DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.198 63 PERÍODO IRPJ LANÇADO IRPJ MANTIDO IRPJ EXONERADO 1º Trimestre 2.394.324,26 397.925,54 1.996.398,72 2º Trimestre 3.229.444,13 423.726,42 2.805.717,71 3º Trimestre 3.841.116,18 432.391,97 3.408.724,21 4º Trimestre 4.627.949,98 604.551,99 4.023.397,99 PERÍODO CSLL LANÇADA CSLL MANTIDA CSLL EXONERADA 1º Trimestre 720.097,28 182.298,33 537.798,95 2º Trimestre 970.633,24 187.910,00 782.723,24 3º Trimestre 1.154.134,85 194.094,00 960.040,85 4º Trimestre 1.390.184,99 262.861,83 1.127.323,16 MÊS PIS LANÇADO PIS MANTIDO PIS EXONERADO jan/08 65.100,50 35.523,47 29.577,03 fev/08 38.542,43 32.168,25 6.374,18 mar/08 58.879,01 51.337,01 7.542,00 abr/08 71.134,27 33.357,61 37.776,66 mai/08 71.469,68 38.800,42 32.669,26 jun/08 76.462,56 40.832,54 35.630,02 jul/08 82.749,72 35.590,11 47.159,61 ago/08 67.599,44 38.802,03 28.797,41 set/08 110.132,65 44.851,81 65.280,84 out/08 100.172,52 38.546,17 61.626,35 nov/08 96.946,23 39.453,97 57.492,26 dez/08 116.638,27 84.720,70 31.917,57 MÊS COFINS LANÇADA COFINS MANTIDA COFINS EXONERADA jan/08 300.463,85 163.954,48 136.509,37 fev/08 177.888,16 148.468,83 29.419,33 mar/08 271.749,31 236.940,06 34.809,25 abr/08 328.312,04 153.958,21 174.353,83 mai/08 329.860,09 179.078,85 150.781,24 jun/08 352.904,15 188.457,89 164.446,26 jul/08 381.921,82 164.262,03 217.659,79 ago/08 311.997,42 179.086,29 132.911,13 set/08 508.304,56 207.076,28 301.228,28 out/08 462.334,71 177.905,42 284.429,29 nov/08 447.444,16 182.095,27 265.348,89 dez/08 538.330,49 391.034,33 147.296,16 Obs.: multa de ofício de 75% e juros calculados nos termos da lei IRPJ CSLL PIS COFINS (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 30198DF CARF MF Processo nº 10580.732687/201268 Acórdão n.º 1402002.527 S1C4T2 Fl. 30.199 64 Fl. 30199DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.001812/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/05/2001 a 31/12/2002
IPI. ABRANGÊNCIA TEMPORAL DA AUTUAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. EXCLUSÃO DO 1º DECÊNDIO DE SETEMBRO DE 2002 (INCLUSIVE) EM DIANTE.
A autuação objeto do presente processo deve se restringir aos períodos decendiais compreendidos entre 01/05/2001 e 30/08/2002, período em que vigorou e produziu efeitos a tutela antecipada concedida no processo judicial principal n° 98.0007330-2, posteriormente revogada pelo Superior Tribunal de Justiça.
SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DE PESSOA FÍSICA QUE COMANDA, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ART. 124 I CTN.
Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro societário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controlador, dirigente e beneficiário do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. PROCEDÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE CAPITULAÇÃO.
Improcedente a alegação de erro de capitulação da qualificação da multa de ofício se o termo de verificação fiscal que acompanha e integra o auto de infração lavrado descreve com correção os dispositivos legais que a fundamentam. Ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal de circunstância relativa à existência de sócio-administrador de fato da pessoa jurídica, suscetível de afetar o recolhimento de crédito tributário da União correspondente ao IPI.
Numero da decisão: 3401-003.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, e Cleber Magalhães.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/05/2001 a 31/12/2002 IPI. ABRANGÊNCIA TEMPORAL DA AUTUAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. EXCLUSÃO DO 1º DECÊNDIO DE SETEMBRO DE 2002 (INCLUSIVE) EM DIANTE. A autuação objeto do presente processo deve se restringir aos períodos decendiais compreendidos entre 01/05/2001 e 30/08/2002, período em que vigorou e produziu efeitos a tutela antecipada concedida no processo judicial principal n° 98.0007330-2, posteriormente revogada pelo Superior Tribunal de Justiça. SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DE PESSOA FÍSICA QUE COMANDA, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ART. 124 I CTN. Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro societário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controlador, dirigente e beneficiário do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA DE 150%. PROCEDÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE CAPITULAÇÃO. Improcedente a alegação de erro de capitulação da qualificação da multa de ofício se o termo de verificação fiscal que acompanha e integra o auto de infração lavrado descreve com correção os dispositivos legais que a fundamentam. Ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal de circunstância relativa à existência de sócio-administrador de fato da pessoa jurídica, suscetível de afetar o recolhimento de crédito tributário da União correspondente ao IPI.
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ABRANGÊNCIA TEMPORAL DA AUTUAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. EXCLUSÃO DO 1º DECÊNDIO DE SETEMBRO DE 2002 (INCLUSIVE) EM DIANTE. A autuação objeto do presente processo deve se restringir aos períodos decendiais compreendidos entre 01/05/2001 e 30/08/2002, período em que vigorou e produziu efeitos a tutela antecipada concedida no processo judicial principal n° 98.00073302, posteriormente revogada pelo Superior Tribunal de Justiça. SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DE PESSOA FÍSICA QUE COMANDA, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ART. 124 I CTN. Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro societário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controlador, dirigente e beneficiário do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA DE 150%. PROCEDÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE CAPITULAÇÃO. Improcedente a alegação de erro de capitulação da qualificação da multa de ofício se o termo de verificação fiscal que acompanha e integra o auto de infração lavrado descreve com correção os dispositivos legais que a fundamentam. Ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal de circunstância relativa à existência de sócio administrador de fato da pessoa jurídica, suscetível de afetar o recolhimento de crédito tributário da União correspondente ao IPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 18 12 /2 00 5- 50 Fl. 5291DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, e Cleber Magalhães. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração, situado às fls. 10 a 22 (volume 01), lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de juros de mora e das multas de ofício, por falta de recolhimento, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 17.492.584,35. 2. Foi lavrado, ainda, termo de declaração de sujeição passiva solidária, situado às fls. 110 a 118 (volume 01), contra OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA. 3. Em 14/12/2005, o responsável solidário, irresignado, apresentou impugnação, situada às fls. 594 a 612 (volume 02), na qual requereu, em síntese, a declaração da nulidade do termo de sujeição solidária, sob pena de cerceamento de defesa, ou, subsidiariamente, que fosse possibilitado o acesso ao impugnante "(...) a todo o processado, bem como a toda documentação e informação que tenha servido de lastro à fiscalização". 4. Não se localizou, no eprocesso, impugnação interposta pela contribuinte MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA., intimada via Edital nº 20/2005 nos termos do item 3 do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, situado à fl. 312, com data de afixação de 19/04/2005 e data de desafixação de 04/05/2005. 5. Em 14/06/2007, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 0916.443, situado às fls. 5.001 a 5.109 (volume 14), que entendeu ser a impugnação procedente em parte, decidindo, em síntese: (i) exonerar do crédito tributário exigido os valores de imposto, e consectários, adstritos aos períodos de apuração decendiais 109/2002 (inclusive) em diante; (ii) manter a cobrança do crédito tributário exigido os valores de imposto, e consectários, adstritos aos períodos de apuração decendiais 105/2001 a 308/2002, compreendidos entre 01/05/2001 a 31/08/2002; e (iii) manter a sujeição passiva de OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA como responsável Fl. 5292DF CARF MF Processo nº 13629.001812/200550 Acórdão n.º 3401003.809 S3C4T1 Fl. 5.292 3 solidário da parcela do crédito tributária considerada procedente, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2002 ACÓRDÃO JUDICIAL SUSPENSIVO DE TUTELA ANTECIPADA OBSTATIVA DE TRIBUTAÇÃO DO IPI. REFLEXOS NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Se a sujeição passiva do crédito tributário lançado de oficio recai sobre quem não estava, judicialmente, litigando diretamente pela improcedência de tutela antecipada obstativa da tributação do IPI, mas de algum modo se beneficiava de tal medida precária, o marco temporal final para o cômputo dos decêndios considerados no lançamento de oficio deve pautarse pela data da decisão judicial (no caso, acórdão do STJ) suspensiva em caráter geral dos efeitos da aludida tutela obstativa, o que ocorre quando da publicação no DOU de tal decisão. SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. A subsunção como contribuinte de direito do IPI e o seu dever de cumprir a obrigação tributária decorrem de regra de direito materialtributário ligada ao implemento da situação definida como fato gerador do imposto, não podendo ser afastada por regra de direito processual. Se a tributação ao encargo do contribuinte de direito fica obstada por tutela antecipada judicial requerida por terceiro (no caso, estabelecimento comercial distribuidor de bebidas) que guarda real interesse na situação que constitua fato gerador do IPI, admitese a ocorrência de sujeição passiva solidária entre o terceiro e o contribuinte de direito no tocante a crédito tributário constituído em razão da suspensão dos efeitos daquela tutela antecipada obstativa, sendo, assim, válido o lançamento de oficio que relaciona apenas um daqueles sujeitos passivos solidários: o terceiro, estabelecimento comercial distribuidor. Por outro lado, a admissão de sujeição passiva exclusivamente para o estabelecimento comercial distribuidor de bebida, beneficiário dos efeitos de tutela antecipada obstativa da tributação do IPI, ocorre quando o contribuinte de direito tenha formulado consulta à Administração Fazendária e dela obtido resposta de caráter normativo para o caso concreto sob consulta, inclusive com a chancela devolução de divergência, afastando a responsabilidade do consulente quanto à tributação obstada durante a eficácia daquela antecipação de tutela. 2. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham efetivo interesse comum nas situações que, constituindo fato gerador de tributo, reflitam no cumprimento de obrigação tributária principal, isto é, no pagamento do tributo aos Cofres Públicos, o que, conseqüentemente, representa um vetor a intervir na apuração do resultado econômico do empreendimento. Inserese nessa situação a pessoa física em n sociedade de fato com a pessoa jurídica. Fl. 5293DF CARF MF 4 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa qualificada no percentual de 150% quando caracterizada a ocorrência de sonegação na modalidade de ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária de circunstância relativa à existência de sócioadministrador de fato da pessoa jurídica, suscetível de afetar o recolhimento de crédito tributário da União adstrito ao IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2002 CONCOMITÂNCIA. A matéria objeto de litígio travado concomitantemente nas vias judicial e administrativa implica a renúncia à discussão nesta última, com impedimento de apreciação pela autoridade administrativa competente para julgála, reputandose definitivamente constituído o crédito tributário na esfera administrativa (Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3, de 14 de fevereiro de 1996). PERÍCIA. DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Desconsiderase o pedido de perícia ou a realização de diligência que sejam descabidos ou se revelem prescindíveis em vista da existência, nos autos, de elementos suficientes para o julgador formar sua convicção sobre a solução lídima da contenda. Lançamento Procedente em Parte. 6. Em 28/12/2007 o responsável solidário, cientificado da decisão de primeira instância administrativa em 23/11/2007, apresentou recurso voluntário, situado às fls. 5.163 a 5.209 (volume 14), requerendo, em síntese: (i) a declaração da nulidade do auto de infração decorrente de contradição entre os fatos que o motivaram e a fundamentação legal apresentada; (ii) subsidiariamente, a declaração da nulidade da decisão recorrida, baseada em substrato fático diverso daquele que motivou a autuação; (iii) o reconhecimento da improcedência da autuação em razão da não sujeição passiva da empresa autuada (sic); (iv) a exclusão do recorrente do pólo passivo devido à impossibilidade de se lhe atribuir responsabilidade solidária pelo crédito tributário; (v) a exclusão da multa qualificada de 150%. 7. Não se localizou, no eprocesso, recurso voluntário interposto pela contribuinte MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA., intimada em 10/08/2007 via postal, conforme aviso de recebimento positivo situado à fl. 5.132. 8. Em 04/01/2008, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Palmas (TO) proferiu o despacho inominado, situado à fl. 5.233, no qual ressaltou que "(...) o presente processo discorre sobre matéria que guarda relação de conexão com os processos administrativos nº 13629.001810/200561, nº 13629.001811/200514 e nº 13629.001488/200570". Fl. 5294DF CARF MF Processo nº 13629.001812/200550 Acórdão n.º 3401003.809 S3C4T1 Fl. 5.293 5 9. Em 30/06/2010, foi proferida a Resolução CARF nº 340200.084 pela 2ª Turma desta Câmara, sob a relatoria ad hoc do Conselheiro Jorge Lock Freire com o desígnio de que a unidade local informasse o estágio atual dos processos administrativos nº 13629.001810/200561, nº 13629.001811/200514 e nº 13629.001488/200570, conexos conforme despacho de fl. 5.233, tendo em vista que a empresa autuada sequer recorreu, mas somente o responsável solidário, "(...) acostando a estes autos cópia de eventuais decisões deste CARF ou mesmo do então Conselho de Contribuintes, se for o caso, prolatadas naqueles processos". 10. Recortase do Relatório de Diligência, situado à fl. 5.290, realizado em cumprimento da Resolução proferida por este Conselho, o seguinte trecho: "Consultados os sistemas internos da RFB, verificamos que o processo 13629.001810/200561, ainda em papel, estava arquivado na SAMF – MG, para qual solicitamos o desarquivamento. Enviado o processo, verificamos que, por meio do Acórdão 0916.626, de 05 de julho de 2007, a 3ª Turma da DRJ/JFA decidiu pela improcedência integral do lançamento de ofício consubstanciado no auto de infração, exonerando totalmente o crédito tributário nele formalizado, bem como a sujeição passiva do Sr. Otacílio Araújo Costa como responsável solidário. Este Acórdão foi anexado ao presente processo às folhas 5.259 a 5.289. Já com relação aos processos 13629.001811/200513 e 13629.001488/2005 70, informo que ambos são digitais e já se encontram no próprio CARF. O primeiro encontrase na Equipe 1ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF/DF e o segundo na Equipe 4ª Câmara/3ªSEJUL/CARF/MF/DF. Desta forma, sendo ambos processos digitais e ambos se encontrando neste órgão podem ser facilmente consultados pelo sistema eProcesso, razão pela qual deixamos de anexar eventuais decisões deste CARF ou do antigo Conselho dos Contribuintes" (seleção e grifos nossos). É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 11. Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 12. Para uma melhor compreensão do feito, constatase, a partir da apreciação do Termo de Verificação Fiscal, situado às fls. 120 a 170 (Volume 01), que em Fl. 5295DF CARF MF 6 15/08/2002, a contribuinte SCHINCARIOL realizou representação à DRFNiterói/RJ (Processo Administrativo nº 10730.003802/200251) relatando que promoveria a venda de mercadorias industrializadas de sua produção à contribuinte MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA. sem o destaque de IPI por força de tutela antecipatória obtida na Ação Ordinária nº 98.00073302, em trâmite na 4ª Vara Federal da Subseção de Vitória/ES. 13. A empresa MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA., nova denominação de GD COMERCIAL LTDA., figurava como litisconsorte ativa na ação judicial em referência intentada com o objeto de, em síntese, de: (i) ter declarada a ilegalidade do regime de pautas fiscais de valores consoante Decreto nº 97.976/1989; (ii) ser desobrigada do recolhimento do IPI nas transações das distribuidoras com seus fornecedores industriais; e (iii) à devolução dos valores pagos indevidamente. 14. Em 29/07/1998, foi concedida a antecipação da tutela pleiteada a fim de que as empresas ANTARCTICA e BRIDGESTONE deixassem de reter o IPI nas vendas às litisconsortes ativas. Narrou a autoridade fiscal que foram expedidos ofícios judiciais não apenas às duas empresas em referência, mas também a outras fornecedoras, entre as quais a SCHINCARIOL determinando a desoneração de IPI, que, inclusive, deveria deixar de ser destacado nas notas fiscais de venda (remessas). 15. Depois de um seriado de intercorrências processuais, o Superior Tribunal de Justiça, no curso da Medida Cautelar nº 2.887/ES, suspendeu os efeitos da tutela antecipada, sobrevindo confirmação em decisão de mérito em 14/08/2001, oportunidade na qual a relatora, Ministra Eliana Calmon, concluiu que: "(...) não tem sentido a tutela antecipada concedida na ação principal, a qual fica inteiramente afastada por força desta cautelar, que é julgada procedente". 16. Cabe, a latere, apontar que, enquanto permaneceu hígida a tutela de urgência concedida pelo juízo monocrático, determinando o não destaque de IPI nas remessas de produtos industrializados (bebidas) efetuadas pelas industriais à contribuinte MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA., a SCHINCARIOL efetuou consulta sobre a extensão da sua responsabilidade no caso de a ação judicial em tela não prosperar, o que gerou a Solução de Consulta COSIT nº 27, de 29/10/2002, na qual se concluiu que "os efeitos da sentença em ação judicial movida pelo contribuinte de fato contra a União Federal não se estendem ao contribuinte de direito se este não participou da demanda", cabendo a responsabilidade, no caso de insucesso da demanda perante o Poder Judiciário, unicamente à proponente da ação. 17. Em resumo, com o advento da cassação da tutela antecipada pelo Superior Tribunal de Justiça, a autoridade fiscal lavrou o auto de infração em debate contra a empresa MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA. para a cobrança do IPI não recolhido referente aos períodos de maio de 2001 a dezembro de 2002, acompanhado dos acréscimos legais e multa qualificada de 150%. 18. Ao longo do procedimento fiscalizatório, concluise, ainda, que os sócios e ANTONIO ALVES AGRELA DE LIMA e ANTONIO REIS RODRIGUES apresentavam perfis econômicos incompatíveis com o porte dos negócios desenvolvidos pela contribuinte fiscalizada, tratandose a sua presença no quadro societário de mera forma ressentida de substância, uma vez que OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA seria o verdadeiro responsável pelas atividades comerciais da empresa, motivo pelo qual foi declarada a sujeição passiva solidária do ora recorrente com fundamento no art. 124 do Código Tributário Nacional, aplicandose, ainda, a multa qualificada de 150%. Fl. 5296DF CARF MF Processo nº 13629.001812/200550 Acórdão n.º 3401003.809 S3C4T1 Fl. 5.294 7 19. O julgador de primeira instância administrativa, por seu turno, após longo e prolixo arrazoado, considerou que o lançamento de ofício contra a empresa autuada se mostraria devido enquanto abrangesse "(...) o período em que tal estabelecimento esteve beneficiado pelos efeitos da tutela antecipada concedida". A partir de tal premissa, a turma entendeu pela desoneração integral do crédito tributário relativo aos decêndios 1º09/2002 (inclusive) em diante. 20. Uma vez resumidas as principais questões em exame, passase a conhecer, em primeiro lugar, o recurso de ofício contra o valor exonerado em referência. 21. A decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, cujos principais trechos se transcrevem: "(...) em razão do que foi decidido na solução de consulta em comento (...), temse que, durante o período no qual o consulente [SCHINCARIOL] (e apenas ele), pelos efeitos da tutela antecipada concedida (...) em que se discute a legitimidade da tributação de bebidas pelo regime de pautas fiscais de valores, esteve obstado de tributar o IPI nas operações de saída de bebidas destinadas nas operações de saída de bebidas destinadas às empresas distribuidoras autoras daquela ação judicial (dentre as quais está a MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda.), recai exclusivamente sobre estas (as distribuidoras), e não sobre aquele [SCHINCARIOL] (o estabelecimento industrial fornecedor consulente), a exigência do imposto cuja tributação restou afastada pela referida medida de caráter precário (a tutela antecipada). (...) no tocante à materialidade da tributação do IPI no caso em tela (...) mostrase procedente o lançamento de oficio consubstanciado no auto de infração em análise durante o período em que a autuada esteve beneficiada pelos efeitos da tutela antecipada concedida nos autos do processo judicial principal n° 98.00073302. Sobre a abrangência temporal da autuação em pauta, encontrase, evidentemente, conforme explanado neste voto (inclusive com menção no parágrafo acima), delimitada pelo período em que a tutela antecipada produziu efeitos (...). A pesquisa do marco temporal inicial não se mostra importante, pois o auto de infração partiu do 1º decêndio de maio de 2001, época em que a tutela antecipada encontravase plenamente válida e eficaz (...) E a decisão que, na ação cautelar, suspendeu a tutela antecipada foi o acórdão proferido em 14/08/2001 (...). Da consulta à tramitação processual (...) observase (...) que este (o acórdão) foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 02/09/2002, passando, então, a partir desta data, a ser de conhecimento público, produzindo efeitos contra todos os sujeitos passíveis de serem alcançados pelo conteúdo decisório nele exarado (...). Quanto aos embargos declaratórios interpostos, nenhum deles foi recebido, tanto pela relatora como pelo colegiado. (...) Assim, para a distribuidora ora autuada, MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. (...) as remessas de bebidas consideradas na autuação, promovidas pelos dois estabelecimentos fornecedores industriais Schincariol Fl. 5297DF CARF MF 8 acima citados, somente deixaram de ocorrer sob os efeitos da tutela antecipada a partir de 02/09/2002 (...). (...) Como, pelas informações constantes dos autos, observase não ter havido, no dia 01/09/2002, alguma daquelas remessas de bebida, devem ser excluídos do auto de infração em análise os valores de imposto (com os acréscimos respectivos) indicados nos períodos de apuração decendiais contados do 1° decêndio de setembro de 2002 (inclusive) em diante (...). Assim sendo, a autuação objeto do presente processo administrativo resta prevalente apenas no tocante aos períodos decendiais compreendidos entre 01/05/2001 e 30/08/2002" (seleção e grifos nossos). 22. Quanto à empresa MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA., constatase que não houve apresentação de recurso voluntário. Passase, assim, à análise das razões do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA. 23. Além da incompatibilidade de condições econômicofinanceiras de ANTONIO ALVES AGRELA DE LIMA e ANTONIO REIS RODRIGUES com a movimentação financeira da empresa MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA. durante os anos de 1999 a 2005, a autoridade fiscal, ao elaborar o termo de sujeição passiva solidária, apontou, como fundamento de sua convicção sobre OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA ser o sócio de fato da contribuinte autuada, em resumo, que o recorrente: (i) se apresentou como fiador da empresa fiscalizada, comprometendose a honrar compromissos contratuais, fiscais e financeiros, presentes e futuros, renunciando ao benefício de ordem; (ii) contratou aluguel nãoresidencial de imóvel como locatário, havendo previsão em cláusula contratual de que seria futuramente substituído pela empresa contribuinte autuada nesta condição "(...) em momento oportuno"; (iii) assinou "termo de assunção de obrigações" segundo o qual se obrigou, de forma ilimitada, irretratável e irrevogável, a assumir "(...) todas e quaisquer obrigações, pretéritas, presentes ou futuras, por ventura assumidas, imputadas ou imputáveis à sociedade MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA. (...) de qualquer natureza jurídica, cujos respectivos fatos geradores tenham ocorrido posteriormente a 1º de setembro de 2000 decorrentes única e exclusivamente de operações celebradas entre a MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA. e as empresas (...) SCHINCARIOL, à exceção apenas daquelas eventuais obrigações decorrentes de ressarcimento do IPI (...) acaso a referida liminar judicial concessiva venha a ser reformada ulteriormente"; (iv) já havia sido considerado sócio de fato de outra empresa, a BEAGABEER DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA., conforme comprovado no Processo Administrativo nº 10680018549/2003.53, fiscalização iniciada em decorrência de movimentação financeira incompatível e que culminou com representação fiscal para fins penais, conforme Processo Administrativo nº 10680018566/200391. 24. Esclareceu a autoridade fiscal, ainda, que "(...) as provas citadas neste Termo foram apuradas pela Policia Federal e repassadas as cópias para Receita Federal", sendo que o acesso aos documentos e provas "(...) está autorizado judicialmente nos autos do processo n° 2005.5.107.000.6503" pelo juízo federal da Subseção Judiciária no Rio de Janeiro. 25. Realizou, por fim, a fundamentação de sua decisão no art. 124 do Código Tributário Nacional: Fl. 5298DF CARF MF Processo nº 13629.001812/200550 Acórdão n.º 3401003.809 S3C4T1 Fl. 5.295 9 26. Recortase, do acórdão recorrido, segundo o qual restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional: "(...) a existência de uma sociedade de fato envolvendo a pessoa jurídica da empresa e a pessoa física do Sr. Otacilio Costa implica, evidentemente, desdobramentos no campo da responsabilização solidária para tais sujeitos da relação societária, inclusive no tocante ás questões tributárias adstritas a todas as ações/atividades/operações realizadas durante a sociedade (...). Consignese que, como sócio de fato, o Sr. Otacilio Costa possui real interesse em todas as situações nas quais a empresa (a pessoa jurídica) se envolva, intentando, porém, dolosamente, permanecer à margem da publicidade, formalidade e demais implicações e responsabilidades a ela atinentes, inclusive as afetas ao campo tributário. E dentre as situações de interesse comum do citado sócio de fato e da empresa MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA., incluemse, evidentemente, as operações que, guardando relação com o fato gerador do IPI, insiram a empresa como responsável solidário pelo cumprimento da respectiva obrigação tributária principal, qual seja, o pagamento de tributo aos Cofres Públicos, o que, conseqüentemente, representa um vetor a intervir na apuração do resultado econômico da sociedade. Com efeito, no caso concreto de que trata o presente processo, por envolver questão de responsabilidade tributária no pagamento de crédito tributário da União relativo ao IPI, é patente a existência do interesse societário mencionado no parágrafo acima tanto na decisão final de mérito da ação judicial principal (...) quanto nos reflexos tributários gerados para a citada litisconsorte ativa pela suspensão dos efeitos da tutela antecipada que obstou a aludida tributação do IPI sob a sistemática de pautas fiscais de valores, o que inclui, evidentemente, a exação consubstanciada no auto de infração em tela. Logo, mostrase precisa a assertiva no termo de verificação fiscal, A fl. 74, e que não há como ser desconstituída para o Sr. OTACILIO COSTA 'a sujeição passiva solidária pelos débitos de responsabilidade da MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA., nos termos do art. 124 do CTN' (seleção e grifos nossos). 27. Argumentou o recorrente caber à autoridade fiscal o ônus de comprovar os fatos que ensejaram a autuação, e não presumilos, e que a responsabilidade prevista no art. 124 deve se dar com observância do art. 135, o que implica a necessidade de se demonstrar (i) a condição de mandatário, preposto, empregado, diretor, gerente ou Fl. 5299DF CARF MF 10 representante da empresa; e (ii) que o tributo devido é decorrente da prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei. 28. De fato, no caso de interposição de pessoas, diante da descoberta de um terceiro não sócio que de fato comande a empresa, a Portaria PGFN nº 180, de 25/02/2001, com redação dada pela Portaria nº 713, de 14/10/2011, ao dispor sobre a responsabilização de codevedor, determina: Portaria PGFN nº 180, de 25/02/2001 Art. 1º Para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Art. 2º A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: I – excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica" (seleção e grifos nossos). 29. Assim, no caso de não sócio com poderes de gerência sobre a empresa, seria aplicável o inciso III do art. 135 do diploma em referência e, neste caso, caberia à autoridade fiscal o ônus de provar e fundamentar a infração de lei. 30. No entanto, cabe apontar que a interpretação dada pela Portaria PGFN não exclui a possibilidade da responsabilização por meio do art. 124, mas exige, uma vez que seja o inciso II do art. 135 o fundamento da decisão, a demonstração de uma das situações descritas entre elas, a infração de lei. 31. E não poderia fazer de outra forma, pois os dispositivos se voltam a situações marcadamente opostas: em uma, vislumbrase comunhão de objetivos entre empresa e terceiro, e na outra não. Basta que se reflita acerca da infração aos estatutos da empresa: o responsável, neste caso, infringe a norma interna, no sentido de frustrar o objetivo ou interesse social. 32. Não obstante o texto acima transcrito, necessário esclarecer, portanto, que o art. 135 do Código Tributário Nacional, embora contemple um ato infracional, atentatório de lei, ou seja, voltado a tratar de atos ilícitos, referese a pessoas que, insistase, não têm interesse comum no fato jurídico tributário, e daí se falar em responsabilidade pessoal no caso de infração que não o mero inadimplemento do tributo: Fl. 5300DF CARF MF Processo nº 13629.001812/200550 Acórdão n.º 3401003.809 S3C4T1 Fl. 5.296 11 "(...) A solidariedade, nos termos do art. 124, deveria se expressamente prevista por lei ou decorrer de um 'interesse comum'. Ao examinar o rol das pessoas indicadas no artigo 135, vêse que elas não têm interesse comum na situação que constitui o fato jurídico tributário. Relacionamse, sem dúvida, a este, mas não ocupam o mesmo pólo de interesse do contribuinte. Tampouco diz a lei que a responsabilidade do contribuinte é supletiva em relação ao responsável"1 (seleção e grifos nossos). 33. Necessário sublinhar novamente: inexiste interesse comum na dicção do art. 135 do Código Tributário Nacional. 34. Assim, a figura do terceiro que, alheado do quadro societário, dirige ou comanda a empresa, com a vênia da posição externada pela Portaria PGFN nº 180, de 25/02/2001, mais corretamente se harmoniza com a figura prevista pelo art. 124 do Código Tributário Nacional: a demonstração do interesse comum na situação que constitua o fato gerador, à falta de expressa designação legal, é o distinguish ou predicado determinante para se coser o laço de solidariedade. 35. A aplicação do inciso I do art. 124, desacompanhado do art. 135, não é nova a este Conselho, conforme se extrai do Acórdão CARF nº 3302003.225, de 31/06/2016, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara desta Seção: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. POSSIBILIDADE. As pessoas físicas e jurídicas que, informalmente, tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário lançado em nome contribuinte formal pessoa jurídica. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DAS PESSOAS FÍSICAS QUE COMANDAM, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA DE ATOS FRAUDULENTOS. CABIMENTO. 1. Uma vez comprovado nos autos que as pessoas físicas, ausentes do contrato social da pessoa jurídica autuada, eram seus verdadeiros controladores, dirigentes e beneficiários do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária às mesmas pelos tributos devidos pela pessoa jurídica, porque caracterizado interesse direto nas operações econômicas que geram as respectivas obrigações tributárias. 2. O interesse comum dos responsáveis solidários fica evidente quando se verifica que eles exerciam o controle de todas as operações gerenciais/comerciais/financeiras efetuadas pela sociedade empresária autuada, desde as operações desenvolvidas no exterior até os procedimentos 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 6ª edição, 2016, p. 612. Fl. 5301DF CARF MF 12 de importação das mercadorias e venda dessas no mercado nacional e percebiam o lucro advindo desta atividade. SOLIDARIEDADE PASSIVA POR INFRAÇÃO. CONCURSO NA PRÁTICA E NOS BENEFÍCIOS. POSSIBILIDADE. A pessoa física ou jurídica que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. 36. No mesmo sentido, o Acórdão CARF nº 1402002.257, de 09/08/2016, de relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho: SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE SÓCIOS DE FATO E PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Constatado que os proprietários de fato da autuada não constam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, implicando a imputação de responsabilidade tributária aos titulares de fato da pessoa jurídica. 37. Como preleciona Daniel Monteiro Peixoto em percuciente estudo sobre o tema, ao se analisar o Código Tributário Nacional, é possível se deslindarem normas punitivas, que "(...) servem para explicar a chamada 'responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138)"2 de normas ressarcitórias, que "(...) ajudam a compreender a 'responsabilidade por sucessão' (arts. 129 a 133) e a 'responsabilidade de terceiros' (arts. 134135)".3 Observese que o art. 124 do diploma em apreço se refere, antes, à regra solidarística que determina comungarem da mesma obrigação ora aqueles que apresentem interesse comum, ora os por lei designados. 38. Uma vez considerada correta e irrepreensível, portanto, a fundamentação no art. 124 do diploma em referência para o reconhecimento do vínculo de solidariedade, o segundo passo para a sua aplicação é a perquirição das provas e fundamentos fáticos que comprovem o "interesse comum". 39. Sobre este particular, o dispositivo não pode ser considerado um cheque em branco para se responsabilizar qualquer pessoa com interesse genérico no fato gerador: o interesse que se partilha entre contribuinte e responsável é o jurídico, i.e., "(...) a efetiva realização ou participação na realização do fato jurídico tributário".4 Assim, as provas devem certificar que ambos agiram de maneira coordenada e com um objetivo comum, consistente na produção do fato gerador da obrigação. 2 PEIXOTO, Daniel Monteiro. Responsabilidade tributária e os atos de formação, administração, reorganização e dissolução de sociedades. São Paulo: Editora Saraiva, 2012, p. 541. 3 Ibidem. 4 Acórdão TIT/SP nº 40504979 (AIIM nº 40504979), sob a relatoria do juiz Caio Augusto Takano, sessão de 13/07/2016 Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo. Fl. 5302DF CARF MF Processo nº 13629.001812/200550 Acórdão n.º 3401003.809 S3C4T1 Fl. 5.297 13 40. Com base nos documentos a que a fiscalização teve acesso no caso em análise, vislumbrase com hialina clareza o poder de ingerência política, administrativa e até mesmo financeira do recorrente sobre a contribuinte autuada, o que demonstra de maneira mais que satisfatória o interesse comum e, logo, justificase a atração do real administrador da empresa ao pólo passivo da relação tributária. 41. Assim, a se constatar que a acusação da autoridade fiscal, bem como da decisão a quo, restaram bem fundadas, e diante da ausência de novos argumentos no recurso voluntário interposto, voto por mantêlas pelos seus próprios fundamentos, aos quais acrescento aqueles acima expendidos. 42. Em idêntico sentido, tampouco a alegação da recorrente sobre a insubsistência da multa qualificada de 150% deve prosperar: em seu entender, "(...) o fato de o Recorrente supostamente ser sócio de fato da empresa autuada também não representa qualquer atitude dolosa no intuito de causar prejuízo ao Fisco". Endossamos, no entanto, o entendimento da decisão recorrida quanto à presença do dolo: "(...) este julgador entende haver procedência na qualificação da multa sob a justificativa da Fiscalização de que a distribuidora autuada objetivava encobrir a identidade do sócio de fato, o Sr. OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA (...) verdadeiro administrador do empreendimento, para, assim, deixálo à margem de quaisquer responsabilidades ligadas As atividades da sociedade, inclusive as afetas ao campo tributário" (seleção e grifos nossos). 43. Por fim, afastase também a alegação de erro de capitulação da penalidade de 150%, uma vez que a multa foi qualificada com fundamento no inciso II do art. 80 da Lei nº 4.502/64, com redação dada pela Lei nº 9.430/1996, não apenas porque a revogação, por meio do artigo 13 da Lei nº 11.488/07 (D.O.U de 15/06/2007), ocorreu após a lavratura do auto de infração, mas sobretudo porque o Termo de Verificação Fiscal, em seu subitem (5.b), situado às fls. 162 a 167, é expresso ao apontar que: "(...) a aplicação de multa qualificada, nos casos de evidente intuito de fraude, também é determinada pelo art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/1996 (...) a utilização da multa qualificada também é registrada no artigo 461, inciso II, do Regulamento do IPI (RIPI) de 1998 (Decreto n° 4.637/1998) e artigo 488, inciso II, do RIPI12002 (Decreto n° 4.544/2002). A Lei n° 4.505/1964, por sua vez, ao definir a ação fraudulenta por parte do sujeito passivo, que enseja a utilização da multa qualificada, assim dispôs em seus artigos 71 a 73 (...)" (seleção e grifos nossos). 44. Após consistente retomada dos aspectos fáticoprobatórios que deram origem ao auto de infração lavrado, concluiu, ainda, que: "Diante de todos os fatos demonstrados, concluise que está plenamente caracterizada a atitude dolosa por parte da empresa, tendente a "impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal" ou de "impedir ou retardar,total ou parcialmente, o Fl. 5303DF CARF MF 14 conhecimento do parte da autoridade fazendária", devendo, portanto, os lançamentos serem efetuados com a aplicação da multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento) calculada sobre a totalidade ou diferença do imposto, em consonância com o artigo 80, inciso II, da Lei n° 4.502/1964, e artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996" (seleção e grifos nossos). 45. Como se pode perceber, tampouco a alegação do recorrente sobre o erro de capitulação da multa qualificada deve prosperar. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 5304DF CARF MF
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Numero do processo: 35331.000834/2005-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-005.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 33 1. 00 08 34 /2 00 5- 71 Fl. 317DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 240100.076, proferido pela 1ª Turma / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, no valor de R$ 109.894,15 (cento e nove mil, oitocentos e noventa e quatro reais e quinze centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, do segurado, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais trabalho e aos terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). O Contribuinte impugnou a NFLD às fls. 121/124. Às fls. 129/132, a Unidade Descentralizada em Duque de Caxias da Secretaria da Receita Previdenciária julgou o lançamento procedente. Às fls. 135/151, o Contribuinte apresentou impugnação, sustentando a nulidade da NFLD, tendo em vista que a renovação do MPF originário teria se dado quando este já extinto, enviados fora de ordem, impossibilitando conferir sua autenticidade e, ainda, compreendido períodos fora daqueles fixados pelo MPF. Alegou desproporcionalidade na aplicação da multa e decadência de parte do débito. A 1ª Turma da 4ª Câmara do 2º Seção de Julgamento, às fls. 229/235, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, aplicando a decadência para as contribuições até a competência de 11/1999. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004 PREVIDENCIARIO. CUSTEIO. MPF. NULIDADE. AUSÊNCIA. PRECEDENTES DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. FRAUDE. ART. 173. I – Rejeita a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência do MPF; II – Segundo a súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem Fl. 318DF CARF MF Processo nº 35331.000834/200571 Acórdão n.º 9202005.205 CSRFT2 Fl. 606 3 aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional, contase o prazo para constituir o crédito tributário da ocorrência do fato gerador, salvo se constatado a presença de dolo, fraude ou simulação, em que a regra será a do art. 173, I do CTN, ou seja, do exercício seguinte em que poderia haver a constituição do débito. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às fls. 239/247, manejando nos moldes do regimento anterior, cabível ante a expressa previsão do art. 4º da Portaria nº 256/2009, arguiu que o aresto recorrido merece reforma por contrariar o art. 173, I, do CTN, aplicando indevidamente o art. 150, § 4° do CTN, violando tais preceitos legais, em virtude de que a aplicação de tais normas está ligada à verificação do pagamento parcial antecipado das contribuições objeto da cobrança, e tal exame foi realizado de maneira equivocada na espécie, considerando que o Contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento das contribuições lançadas. Ademais, os valores inseridos no lançamento fiscal não foram reconhecidos pelo contribuinte e tão pouco adimplidos parcialmente. Às fls. 248/250, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO em relação à divergência arguida, em relação exclusivamente à matéria relativa à regra decadencial, uma vez demonstrada que, no entender da Fazenda Nacional, a decisão recorrida seria contrária à lei, consoante o disposto no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Às fls. 268/272, o Contribuinte interpôs contrarrazões, alegando, preliminarmente, cerceamento do direito de defesa em virtude de não ter sido intimado da decisão recorrida pela Fazenda Nacional, obstando seu direito de recurso daquela decisão. Alegou que também não lhe foi disponibilizado o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. No mérito, reiterou inexistir antecipação de pagamento, motivo pelo qual não subsiste a pretensão do recorrente pela aplicação do art. 173 do CTN. Requereu, ao final, a intimação e cientificação da decisão lançada pelo CARF e lhe garanta prazo para propor o que for de direito, bem como o conhecimento das razões do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, e a manutenção do acórdão recorrido. Intimado às fls. 292/293, o Contribuinte apresentou novamente contrarrazões, às fls. 295/300, com as mesmas razões arguidas anteriormente. Realizadas as devidas cientificações das decisões acima transcritas vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, do segurado, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais trabalho e aos terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a análise no tocante à decadência, arguindo que o aresto recorrido merece reforma por contrariar o art. 173, I, do CTN, aplicando indevidamente o art. 150, § 4° do CTN, violando tais preceitos legais, em virtude de que a aplicação de tais normas está ligada à verificação do pagamento parcial antecipado das contribuições objeto da cobrança, e tal exame foi realizado de maneira equivocada na espécie, considerando que o Contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento das contribuições lançadas. Aduziu, ainda, que os valores inseridos no lançamento fiscal não foram reconhecidos pelo contribuinte e tão pouco adimplidos parcialmente. O Recurso Especial insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão, necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A Fl. 320DF CARF MF Processo nº 35331.000834/200571 Acórdão n.º 9202005.205 CSRFT2 Fl. 607 5 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733 SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...)3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo Fl. 321DF CARF MF 6 pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Ou seja, delimitar o significado e abrangência do termo início de pagamento. O Contribuinte alega que assiste razão ao acórdão paradigma que contrariando o acórdão recorrido decidiu que o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de salário caracteriza a antecipação de pagamento, devendo, assim, ser utilizada a regra prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. Enquanto que a Fazenda Nacional entende que o pagamento deve ser realizado para fatos geradores específicos. Registro aqui meu posicionamento de que o adiantamento do pagamento não se verifica pelo recolhimento de contribuições sobre qualquer rubrica, mas tão somente aquelas cujo fato gerador seja equivalente. Sendo assim mister se faz observar discriminadamente a que tipo de levantamento o auto de infração se refere para então analisar se há ou não início de pagamento para cada uma delas ou para todas se for o caso, sendo: *contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, do segurado, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais trabalho e aos terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Em sede de contrarrazões a Contribuinte traz em sua defesa a anotação do fiscal que na parte final do lançamento – relatório fiscal – fls 115 – discriminados na RADA – apontando que está lançando a diferença entre o devido e aquilo que já foi recolhido pela Empresa. Ou seja, as contribuições devidas se referem a diferenças apuradas pela fiscalização, configurando assim o pagamento antecipado das referidas verbas. Havendo, inclusive GPS apresentadas que se referem a todas as competências discutidas nestes autos, fls. 63 a 65. Assim, considero a existência de pagamento antecipado capaz de atrair a aplicação do art. 150, § 4, do CTN. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 35331.000834/200571 Acórdão n.º 9202005.205 CSRFT2 Fl. 608 7 Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, para no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 323DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720023/2013-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.846
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 00 23 /2 01 3- 13 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10469.720023/201313 Acórdão n.º 3302003.846 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.629. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10469.720023/201313 Acórdão n.º 3302003.846 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10469.720023/201313 Acórdão n.º 3302003.846 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10469.720023/201313 Acórdão n.º 3302003.846 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10469.720023/201313 Acórdão n.º 3302003.846 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 103DF CARF MF
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